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Idéias, concepções e teorias que sustentam a prática pedagógica do professor
Na prática pedagógica, as ações do professor se orientam por um conjunto de idéias, concepções,
teorias, mesmo que sua existência seja inconsciente. É possível compreender a ação docente, analisando a sua
concepção de mundo, de sociedade, de aluno, de ensino, entre outros, que se expressa em seus atos, referente a:
 Seleção dos conteúdos que os alunos vão aprender
 Como acredita que se dá o processo de aprendizagem – Os caminhos para a aprendizagem acontecer.
 Como acredita que deve ser o ensino.
A teoria empirista
 O modelo de aprendizagem estímulo-resposta. Substitui respostas erradas por certas.
 O aluno é vazio, mas vai ser preenchido pelas experiências com o mundo. Ele vai acumulando as
informações. (Paulo Freire chama isso de Educação bancária).
 A aprendizagem é o acumulo de informações.
 O processo de ensino é caracterizado pela cópia - questionário - repetições.
 O ensino se dá através da memorização.
 O aluno precisa memorizar e fixar as informações, que seguem das mais simples às mais complexas. (A
decorreba da tabuada, sem saber o que está decorando, é exemplo disso).
No construtivismo
 O conhecimento pressupõe uma atividade que organiza e integra os novos conhecimentos aos já
existentes (Conhecimentos Prévios).
 O conhecimento prévio é a base da aprendizagem.
 O conhecimento é uma transformação do que já existe. Precisa ser algo apreensível.
 O aluno é um sujeito ativo que para aprender: reflete e interage com outras pessoas. Ele precisa
transformar a informação para poder assimilar.
 A idéia distorcida do construtivismo levou professores a deixar o aluno livre, construindo sem próprios
conhecimentos, sem a importante intervenção pedagógica.
 O professor deve atuar o tempo inteiro, propondo atividades, encorajando os alunos em suas ousadias,
desafiando. A intervenção do professor é determinante no processo de aprendizagem.
 O modelo de ensino se dá através de resolução de problemas, onde o professor também é aprendiz.
 O professor deve tomar cuidados com os erros cometidos pelos alunos (não deixar o aluno “fazer do seu
jeito” sem corrigir os erros) e ir montando as atividades que levam a construção do conhecimento.
LIBÂNEO, J. Carlos. Didática. SP: Cortez, 1994, p.119-127.
OS OBJETIVOS DE ENSINO
2
Os objetivos são resultados esperados do trabalho desempenhado por professores e alunos. Expressam
conhecimentos, habilidades e hábitos a serem adquiridos para desenvolvimento das qualidades humanas.
Referências para a formulação dos objetivos:
 Valores e ideais presentes nas leis educacionais (os propósitos das forças políticas dominantes);
 Conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurso da prática social humana;
 Necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade.
Os objetivos requerem posicionamento ativo do professor no planejamento escolar e no
desenvolvimento das aulas. O professor deverá:
 Fazer uma avaliação crítica das referências acima.
 Saber avaliar a pertinência dos objetivos propostos pelo sistema escolar oficial.
 Saber compatibilizar os conteúdos com necessidades, aspirações, expectativas dos alunos.
 Tornar os conteúdos exeqüíveis face às condições sócio-culturais e de aprendizagem dos alunos.
 Perceber que é agente de uma prática profissional inserida no contexto da prática social.
Objetivos gerais - expressam propósito mais amplo acerca do papel da escola e do ensino diante das
exigências reais da sociedade e diante do desenvolvimento da personalidade do aluno.
Os objetivos gerais são explicitados em 3 níveis, pelo:
 Sistema escolar – expressa as finalidades educativas de acordo com ideais e valores dominantes.
 Escola - estabelece princípios e diretrizes do trabalho escolar com base no Projeto Político
Pedagógico.
 Professor - concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de educação e de sociedade.
Os objetivos gerais que podem auxiliar os professores na seleção dos específicos e conteúdos são:
 Colocar a educação escolar no conjunto das lutas pela democratização – levar os alunos a se
perceberem como sujeitos ativos.
 Garantir a todos, (sem discriminação) sólida preparação cultural e científica, evitando reprovações.
 Assegurar a todos o máximo de desenvolvimento de suas potencialidades, buscando superação das
desvantagens decorrentes das condições sócio-econômica.
 Formar nos alunos a capacidade crítica e criativa em relação às matérias de ensino e à aplicação dos
conhecimentos e habilidades.
 Atender a função educativa - formação de convicções para a vida coletiva (ética, caráter, lealdade,
dignidade, solidariedade, educação física e estética - apreciação das artes).
 Envolver toda a comunidade escolar.
A partir desses objetivos gerais, o professor define os objetivos específicos.
Objetivos específicos - determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos referentes a
conhecimento, habilidade, atitudes e convicções. O professor deve vincular os objetivos específicos aos
gerais e também:
 Especificar conhecimentos, habilidades, capacidades que sejam fundamentais para serem assimiladas
e aplicadas em situações futuras, na escola e na vida prática;
 Observar uma seqüência lógica, de formar que os conceitos e habilidades estejam inter-relacionados,
possibilitando aos alunos uma compreensão de conjunto;
 Expressar os objetivos com clareza, de modo que sejam compreensíveis aos alunos e permitam que
estes introjetem os objetivos de ensino como objetivos seus;
 Dosar o grau de dificuldades, de modo que expressem desafios, questões estimulantes e viáveis;
 Formular os objetivos como resultados a atingir, facilitando o processo de avaliação;
 Indicar os resultados do trabalho dos alunos (o que devem compreender, saber, fazer, etc).
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998, p. 41-48.
Tipologia dos conteúdos
3
Conteúdos factuais
 Referem-se ao conhecimento de fatos, situações, dados e fenômenos concretos. (Idade de alguém,
conquista de terras, localização de algo, códigos, matemática, física, etc).
 Tradicionalmente é o que o “homem culto” sabe – é o conteúdo do vestibular e concursos.
 Não devem ser conhecimentos mecânicos, precisam está associado a conceitos.
 Percebe-se que alguém aprendeu quando é capaz de reproduzir (muitas vezes sem compreensão),
quando recorda e expressa a data e o nome de algum acontecimento (descobrimento do Brasil) ou
quando há lembrança dos acontecimentos (de um romance).
 Podem ser aprendidos através de cópias, memorização, exercício de repetição verbal (tabuada),
estratégias de organização significativa ou associações entre conteúdos.
Conteúdos conceituais
 Conceito é o conjunto de fatos, objetos, ou símbolos que tem características comuns. (mamífero,
sujeito, romantismo, cidade).
 Princípios – se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto, ou situação relacionada a
outros fatos, objetos.
 Ambos necessitam de compreensão para se aprender. Se a pessoa não entende o significado do que
é um rio, se apenas repete sua definição e não utiliza o termo em qualquer outra atividade, não
aprendeu.
 Esta aprendizagem requer compreensão e não reprodução. É uma aprendizagem que nunca se caba
e que serve para construção de outras idéias.
Conteúdos procedimentais
 É um conjunto de ações ordenadas e dirigidas para realização de um objetivo (ler, desenhar, observar,
calcular, classificar, traduzir, saltar, etc)
 Como se aprende os conteúdos procedimentais?
1. Realizando a ação (aprende-se a ler, lendo).
2. Sempre exercitando (não basta fazer só uma vez).
3. Refletindo sobre a ação (tornar a ação consciente).
4. Aplicando em diversos contextos (Resolver 3 x 9 em qualquer situação).
Conteúdos atitudinais
 São conteúdos referentes a valores, atitudes e normas.
1. Valores – solidariedade, respeito aos outros, responsabilidade, liberdade – se adquire quando
é interiorizado e quando se elabora critérios para tomar posição.
2. Atitudes – cooperar com o grupo, ajudar aos colegas, respeitar o meio ambiente, participar de
tarefas escolares. – aprende-se quando a pessoa pensa e atua.
3. Normas – padrões ou regras de comportamento que os membros de um grupo devem seguir. –
(não rasgar cartazes, não roubar). – aprende-se quando se conforma se interioriza e se aceita
como regras para o funcionamento do grupo.
 A aprendizagem dos conteúdos atitudinais supõe conhecimento, reflexão, análise, tomada de posição,
revisão e avaliação da própria atuação.
LIBÂNEO, J. Carlos. Didática. SP: Cortez, 1994, p.149-172.
OS MÉTODOS DE ENSINO
Conceito de método de ensino.
 É o caminho para atingir um objetivo, com os meios adequados; (investigação científica; assimilação do
conhecimento, etc.)
 Ver o objeto de estudo nas suas propriedades e relações com outros objetos e fenômenos e sob vários ângulos;
 São ações, passos e procedimentos vinculados a reflexão, compreensão e transformação da realidade;
 São ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir os objetivos;
 Deve expressar compreensão global do processo educativo na sociedade:
A escolha e organização dos métodos.
4
 Deve corresponder à necessária unidade objetivo-conteúdo-método. (um depende do outro para ter sucesso).
 Dependem dos conteúdos específicos;
 Implica o conhecimento das características dos alunos quanto à capacidade de assimilação e quanto as suas
características sócio-culturais e individuais; (ligação entre os objetivos e as condições de aprender do aluno);
Princípios básicos do ensino.
 Ter caráter científico e sistemático. (Ficar atento ao conteúdo científico);
 Ser compreensível e possível de ser assimilado. (Ver as condições dos alunos e ir dosando as dificuldades);
 Assegurar a relação conhecimento-prática. (Saber aplicar o conhecimento na sua vida prática);
 Apoiar-se na unidade ensino-aprendizagem. (Criar condições de ensino que resultem em aprendizagem);
 Garantir a solidez dos conhecimentos. (Recapitulação, fixação, etc);
 Levar à vinculação trabalho coletivo – particularidades individuais. (Educar a todos, observando as diferenças).
Classificação dos métodos de ensino.
1. Método de exposição pelo professor. Na exposição, o professor deve mobilizar a atividade interna do aluno de
concentrar-se e de pensar, e a combinar com outros procedimentos.
 Exposição verbal – sua função é explicar um assunto desconhecido. O professor deverá estimular sentimentos,
instigar a curiosidade, relatar sugestivamente um fato, descrever com vivacidade uma situação real, fazer leitura
expressiva, etc.
 Demonstração – é a forma de representar fenômenos e processos reais (germinação).
 Ilustração – é uma forma de representar fatos e fenômenos reais através de gráficos, mapas, esquemas,
gravuras, etc. (Requer dos alunos capacidade de concentração e observação).
 Exemplificação – é um meio de auxiliar a exposição verbal
2. Método de trabalho independente. (Uma das formas didática desse método é o estudo dirigido).
Atividades realizadas pelos alunos, dirigidas e orientadas pelo professor. Para que esse método seja eficiente, o
professor precisa: - Dar tarefas claras e acessíveis; - Assegurar condições de trabalho (silêncio, material, etc); -
Acompanhar de perto; - Aproveitar o resultado da tarefa para toda classe.
3. Método de elaboração conjunta. Interação entre alunos e professor. É a conversação, aula dialogada, com elaboração
de perguntas que leve os alunos a reflexão.
4. Método de trabalho em grupo. Sua finalidade é obter a cooperação dos alunos para realização de uma tarefa.
 Debate – os debatedores devem defender uma posição.
 Philips 66 – seis grupos de seis pessoas discutem uma questão em poucos minutos e apresentam a conclusão.
(Verifica o nível de conhecimento da turma antes ou depois de uma explicação).
 Tempestade mental – escrever no quadro o que vem em mente sobre determinado assunto, destacar o mais
relevante e discutir.
 Grupo de verbalização – grupo de observação (GV-GO) – uma parte da turma forma um círculo central para
discutir o tema, outra parte fica em volta observando se o que está sendo apresentado tem coerência.
 Seminário – pode ser exposição ou conversação sobre determinado assunto previamente estudado pelo grupo.
5. Atividades especiais. Complementam os métodos de ensino com objetivo de assimilação dos conteúdos. São os:
Jornal escolar, Museu escolar, Teatro, Biblioteca escolar, estudo do meio, etc.
O Estudo do meio não se limita só aos passeios, mas a todos os procedimentos que possibilitem a discussão e
compreensão do cotidiano. São necessárias 3 fases:
Planejamento – o que observar? Que perguntas poderão ser feitas? (O professor deverá fazer conhecer o local)
Execução – observar, tomar nota, conversar com as pessoas, etc.
Exploração dos resultados e avaliação – relatório, redação, sistematização pelo professor. Utilidade do estudo.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998, p. 195-209.
A AVALIAÇÃO
 A avaliação muitas vezes foi concebida apenas enquanto valorização dos resultados obtidos pelo
aluno. Hoje, a avaliação é um processo que envolve aluno, classe e professores.
 Se o objetivo do ensino é o desenvolvimento de todas as capacidades da pessoa (com a articulação
dos conteúdos atitudinais, conceituais e procedimentais), então a avaliação deve considerar todo esse
processo. Tudo depende dos objetivos selecionados.
5
 Avaliação serve para aperfeiçoar a prática educativa que levará o aluno a conseguir desenvolver
várias competências e avaliar a ação docente. Inclui todo o processo de ensino aprendizagem.
A avaliação em processo tem várias fases:
Avaliação inicial.
 Vai identificar o que cada aluno sabe fazer e como faz.
 É o ponto de partida para o objetivo, os conteúdos e as atividades que o professor vai elaborar.
 Conforme os alunos vão se desenvolvendo, o docente vai propondo novas atividades com novos
desafios para aprendizagem.
 Assim estaremos realizando a avaliação reguladora (com adaptações e adequações) ou formativa.
Avaliação final
 É o conhecimento dos resultados obtidos.
Avaliação integradora ou somativa
 É o conhecimento e avaliação de todo o percurso feito pelo aluno do início ao fim. Identificando o que
precisa ser feito ou refeito.
Avaliação dos conteúdos factuais
 A aprendizagem dos fatos implica o conhecimento significativo e a compreensão dos conteúdos.
 É preciso associar os fatos aos conceitos. O que é uma capital? É preciso citar determinada capital,
mas compreender o que significa capital. Entender e saber o que significou o descobrimento do Brasil.
Avaliação dos conteúdos conceituais
 Avaliar a aprendizagem desses conteúdos não é fácil, considerando que a aprendizagem de um
conceito dificilmente está concluída. Tudo depende do nível de profundidade de compreensão e da
capacidade dos alunos para utilizar convenientemente os conceitos apreendidos.
 É comum, nesse caso, o uso de perguntas orais ou escritas onde se espera que o aluno responda de
acordo com o livro.
 A aprendizagem dos conceitos não pode se prender as repetições.
 O professor precisa observar os alunos no uso dos conceitos em diversas situações e explicações
espontâneas (trabalho em equipe, debate, dialogo, etc).
 Tanto os conteúdos dos fatos, como dos conceitos se situam na capacidade cognitiva. É preciso
identificar o que os alunos sabem sobre estes conteúdos.
Avaliação dos conteúdos procedimentais
 Esses conteúdos implicam saber fazer.
 Para a sua avaliação é preciso fazer. Percebemos sua aprendizagem quando acontece a transposição
para a prática. O professor percebe isso através da observação sistemática. Como saber se um aluno
aprendeu a calcular? Fazendo com que calcule.
Avaliação dos conteúdos atitudinais
 Esses conteúdos são muitas vezes esquecidos nas escolas.
 Para a avaliação desses conteúdos é preciso situações conflitantes que permitam a observação do
comportamento e a opinião de cada aluno (no recreio, passeio, debates, atividade em equipe, etc.).
DELORS, Jacques. (org). Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para UNESCO da Comissão
Internacional sobre a Educação para o Século XXI. MEC- CORTEZ.
OS 4 PILARES DA EDUCAÇÃO
 Cabe a educação, de forma competente, fornecer os saberes que contribuam para a compreensão e
vivência no mundo atual, cheio de complexidade.
 Os conhecimentos precisam sempre está atualizado devendo ser, ao longo da vida, aprofundados e
enriquecidos.
6
 Para isso, a educação deve organizar-se em torno de 4 aprendizagens fundamentais:
APRENDER A CONHECER
 Combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em
profundidade um pequeno numero de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para
beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.
APRENDER A FAZER
 Afim de adquirir qualificação profissional e competências que tornem a pessoa apta a enfrentar as
situações e a trabalhar em equipes. Também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências
sociais ou de trabalho que se oferecem, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer
formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.
APRENDER A VIVER JUNTO
 Desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências - realizar projetos comuns
e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mutua e da
paz.
APRENDER A SER
 Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar a altura de agir com cada vez maior capacidade de
autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação
nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades
físicas, aptidão para comunicar-se.
ABORDAGENS E PRÁTICA PEDAGÓGICA1
Maria da Conceição dos Reis
A prática pedagógica está fundamentada na concepção de vida e sociedade do professor. É a partir dela que o professor realiza as
atividades cotidianas nas escolas, seguindo uma linha pedagógica que fornece diretrizes para essas atividades, pois a pratica pedagógica
destinada à sala de aula é, ainda hoje, influenciada pelas várias tendências ou teorias pedagógicas que marcaram a história educacional no Brasil.
1 Texto elaborado a partir da dissertação de mestrado da autora para a disciplina Didática - 2006
7
Saviani (2002) classifica essas teorias em dois grupos: teorias não-críticas e teorias crítico-reprodutivista e apresenta uma nova
proposta através da teoria crítica. Essas idéias são apresentadas através de cinco enfoques: tradicional, escolanovismo, tecnicismo, crítico-
reprodutivista e histórico-crítica.
Pelas idéias abordadas nas teorias não-críticas, a educação é entendida como instrumento de superação social. O aluno
marginalizado deveria ser integrado a sociedade. Cabendo a educação corrigir as distorções sociais. As idéias das teorias não críticas se
expressam através da Pedagogia Tradicional, Pedagogia Nova e Pedagogia Tecnicista. Vejamos:
A Pedagogia Tradicional teve inicio juntamente com a educação escolar no Brasil, através dos jesuítas que, mesmo sem
facilitar uma prática pedagógica que contribuísse com a transformação da vida social e econômica da colônia, monopolizaram toda essa
educação desde 1549 até a expulsão da Companhia de Jesus em 1759.
Essa expulsou não fez mudar o princípio pedagógico, apenas mudou os interesses - por passar das mãos da igreja para a
burguesia - o que antes era pedagogia tradicional religiosa, transformou-se em pedagogia tradicional leiga. (Saviani, 2002).
Com o discurso de construir uma sociedade democrática, a burguesia, que acabara de se consolidar no poder, defendia o
conhecimento para todos. Cabia a escola e ao professor transmitir o conhecimento aos alunos organizados em classes. O professor era o centro
das atenções que, através das aulas expositivas, transmitia todo o conteúdo que ele mesmo determinava para o aluno. Esse, ouvia passivamente
e disciplinadamente, sem direito a desenvolver sua criatividade. Mas, começa a surgir os problemas, pois a escola não conseguia ser universal,
os alunos que ingressavam não obteriam os mesmos resultados esperados pela escola, "não se ajustavam ao tipo de sociedade que se queria
consolidar". (idem, p.7). A educação era totalmente dissociada das questões sociais vigentes. Também, não havia unidade entre prática e teoria.
A prática era vista como aplicação da teoria. (Veiga, 1989: 44). Porém, essa tendência predominou, aproximadamente, até 1930.
Com inspiração filosófica no humanismo moderno - visão de homem centrada na própria existência, - que ganha impulso em 1924
com a criação da Associação Brasileira de Educação, começa a surgir a Pedagogia Nova fazendo críticas à pedagogia tradicional. O
escolanovismo, como ficou sendo conhecido, acreditava no potencial da escola para erradicar a marginalidade social (o que a escola tradicional
não estava conseguindo). Foi a partir dessa percepção que começou o movimento de reforma dessa escola, que passou a ser vista como
"redentora da humanidade". O professor passou a ser o facilitador da aprendizagem. O aluno era o centro de tudo, que deveria ser respeitado
em suas escolhas. "A prática pedagógica é ancorada em si mesma, sem vinculação com o contexto mais amplo" (Veiga, 1989:52).
Essa tendência galgou forma no Brasil através da elaboração do projeto da primeira Lei de Diretrizes e Base da Educação, pois para
sua elaboração estavam presentes os principais educadores escolanovistas e representantes católicos, portanto puderam definir os caminhos da
educação brasileira.
Para atender aos pressupostos da Escola Nova, a educação católica, que ainda tinha muito poder, influência e predomínio em várias
escolas, buscou se renovar através do método pedagógico de Montessori e Lubienska, disseminando o amor que o professor deveria ter com as
crianças, para que as mesmas pudessem aprender num ambiente amoroso e feliz. Foi em 1932 que surgiu o Manifesto da Escola Nova, cuja
essência predominou até 1960, quando começa a apresentar os sinais de crise. Com isso, ganha força a concepção analítica com seus princípios
científicos objetivos, racionais e neutros.
Em 1969, começa a ascensão da Pedagogia Tecnicista,dando ênfase a formação de técnicos para educação. Ao professor competia
efetivar a prática: A relação professor-aluno é estritamente técnica, ou seja, visa a garantir a eficácia da transmissão dos conhecimentos.
(Veiga, 1989: 58)
O que mais tinha destaque nesta teoria eram as técnicas e os métodos, que se preocupavam em preparar a mão-de-obra para o
mercado de trabalho que atendia aos interesses do capitalismo. A autora chama atenção que nesta visão, a separação entre teoria e prática
fica mais acentuada.
8
Durante o governo militar esta pedagogia teve seu ponto alto, porém começam os estudos à crítica da educação dominante. Os
educadores não aceitavam este tipo de educação baseada no autoritarismo e tecnicismo, que confiava à escola, através dos seus meios de
instrução baseada no behaviorismo, a função de conservar a sociedade capitalista vigente.
A partir de 1974, com a abertura do regime militar no Brasil, os estudos e críticas dos educadores preocupados com os
caminhos da educação nacional, começam a se destacar através de denúncias à pedagogia oficial e fazendo surgir uma nova pedagogia
denominada por Saviani (2002) de crítico-reprodutivista, por conceber a função da educação como reprodução das relações sociais, sem
vislumbrar a possibilidade de uma educação que pudesse está comprometida em promover a transformação dessas relações.
Portanto, estas teorias apenas explicam/criticam como a escola esta constituída. Nasce da crítica, mas não elabora uma proposta
pedagógica, vive apenas a combater as que se apresentam.
É por esta falta de proposta da pedagogia crítico-reprodutivista e pelo descrédito na transformação da escola, que em 1979 começa a
se espalhar à discussão sobre uma nova tendência embasada na concepção dialética. É neste período que nasce a pedagogia que Saviani
denomina de histórico-crítica, procurando articular uma proposta pedagógica que busque a transformação social, através do resgate da
importância da escola, da interação entre os sujeitos e da reorganização do trabalho educativo. Sobre a interação professor-aluno, inclusa nesta
teoria histórico-crítica Veiga (1989) explica que:
O trabalho pedagógico está centrado não no professor e no aluno, mas na questão central da
formação do homem. O professor é valorizado no seu papel de autoridade que orienta e favorece o
processo de ensinar e de aprender.
(...) O aluno e visto como um ser concreto situado historicamente. Traz consigo um saber que Ihe é
próprio, e que precisa ser valorizado e reelaborado para que, concretamente, possa gerar mudanças
na realidade. Neste sentido, a relação pedagógica é calcada na autonomia e reciprocidade,
provenientes de um processo de maturação. (67)
É dessa forma que Saviani (2002) reconhece na educação um instrumento de luta, e diante da visão dialética, o professor, com
uma prática pedagógica reflexiva, crítica, criativa e transformadora, instrumentaliza seu aluno para a prática social através da construção
crítica do saber.
Portanto, o professor que se propõe crítico, precisa estar preparado para a prática pedagógica ancorada numa
concepção de educação articulada com a realidade social. Uma ação pedagógica que valorize a relação dialética teoria-
prática, em que a prática seja uma ação guiada e mediada pela teoria. A unidade entre o ideal (a teoria) e o real (a prática),
é de extrema importância no trabalho desenvolvido no cotidiano escolar para que os professores estejam atentos no pensar
e no fazer.
É nessa relação dialética, com a prática sendo alimentada pela teoria, e, ao mesmo tempo, a teoria sendo
alimentada pela prática, que se mantém a prática pedagógica do professor com características renovada, reflexiva e
transformadora.
Libâneo (2000, p. 37) afirma que os professores precisam ser críticos para compreender e analisar criticamente a
sociedade, a política, as diferenças sociais, a diversidade cultural, os interesses de classe, agir diante das situações
escolares e, assim, problematizar com os alunos o conhecimento.
Ao dissertar sobre prática pedagógica que busca uma transformação, ressalta-se a contribuição do educador Paulo
Freire, enquanto professor crítico/comprometido, que concebe a educação como um ato político, compreendendo-a como
9
um instrumento de luta que, em conjunto com as outras práticas sociais, está a serviço da transformação da sociedade
vigente.
Para Freire, a educação é uma forma de intervenção no mundo das pessoas, que se dá do local ao universal, de
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  • 1. Idéias, concepções e teorias que sustentam a prática pedagógica do professor Na prática pedagógica, as ações do professor se orientam por um conjunto de idéias, concepções, teorias, mesmo que sua existência seja inconsciente. É possível compreender a ação docente, analisando a sua concepção de mundo, de sociedade, de aluno, de ensino, entre outros, que se expressa em seus atos, referente a:  Seleção dos conteúdos que os alunos vão aprender  Como acredita que se dá o processo de aprendizagem – Os caminhos para a aprendizagem acontecer.  Como acredita que deve ser o ensino. A teoria empirista  O modelo de aprendizagem estímulo-resposta. Substitui respostas erradas por certas.  O aluno é vazio, mas vai ser preenchido pelas experiências com o mundo. Ele vai acumulando as informações. (Paulo Freire chama isso de Educação bancária).  A aprendizagem é o acumulo de informações.  O processo de ensino é caracterizado pela cópia - questionário - repetições.  O ensino se dá através da memorização.  O aluno precisa memorizar e fixar as informações, que seguem das mais simples às mais complexas. (A decorreba da tabuada, sem saber o que está decorando, é exemplo disso). No construtivismo  O conhecimento pressupõe uma atividade que organiza e integra os novos conhecimentos aos já existentes (Conhecimentos Prévios).  O conhecimento prévio é a base da aprendizagem.  O conhecimento é uma transformação do que já existe. Precisa ser algo apreensível.  O aluno é um sujeito ativo que para aprender: reflete e interage com outras pessoas. Ele precisa transformar a informação para poder assimilar.  A idéia distorcida do construtivismo levou professores a deixar o aluno livre, construindo sem próprios conhecimentos, sem a importante intervenção pedagógica.  O professor deve atuar o tempo inteiro, propondo atividades, encorajando os alunos em suas ousadias, desafiando. A intervenção do professor é determinante no processo de aprendizagem.  O modelo de ensino se dá através de resolução de problemas, onde o professor também é aprendiz.  O professor deve tomar cuidados com os erros cometidos pelos alunos (não deixar o aluno “fazer do seu jeito” sem corrigir os erros) e ir montando as atividades que levam a construção do conhecimento. LIBÂNEO, J. Carlos. Didática. SP: Cortez, 1994, p.119-127. OS OBJETIVOS DE ENSINO
  • 2. 2 Os objetivos são resultados esperados do trabalho desempenhado por professores e alunos. Expressam conhecimentos, habilidades e hábitos a serem adquiridos para desenvolvimento das qualidades humanas. Referências para a formulação dos objetivos:  Valores e ideais presentes nas leis educacionais (os propósitos das forças políticas dominantes);  Conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurso da prática social humana;  Necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade. Os objetivos requerem posicionamento ativo do professor no planejamento escolar e no desenvolvimento das aulas. O professor deverá:  Fazer uma avaliação crítica das referências acima.  Saber avaliar a pertinência dos objetivos propostos pelo sistema escolar oficial.  Saber compatibilizar os conteúdos com necessidades, aspirações, expectativas dos alunos.  Tornar os conteúdos exeqüíveis face às condições sócio-culturais e de aprendizagem dos alunos.  Perceber que é agente de uma prática profissional inserida no contexto da prática social. Objetivos gerais - expressam propósito mais amplo acerca do papel da escola e do ensino diante das exigências reais da sociedade e diante do desenvolvimento da personalidade do aluno. Os objetivos gerais são explicitados em 3 níveis, pelo:  Sistema escolar – expressa as finalidades educativas de acordo com ideais e valores dominantes.  Escola - estabelece princípios e diretrizes do trabalho escolar com base no Projeto Político Pedagógico.  Professor - concretiza no ensino da matéria a sua própria visão de educação e de sociedade. Os objetivos gerais que podem auxiliar os professores na seleção dos específicos e conteúdos são:  Colocar a educação escolar no conjunto das lutas pela democratização – levar os alunos a se perceberem como sujeitos ativos.  Garantir a todos, (sem discriminação) sólida preparação cultural e científica, evitando reprovações.  Assegurar a todos o máximo de desenvolvimento de suas potencialidades, buscando superação das desvantagens decorrentes das condições sócio-econômica.  Formar nos alunos a capacidade crítica e criativa em relação às matérias de ensino e à aplicação dos conhecimentos e habilidades.  Atender a função educativa - formação de convicções para a vida coletiva (ética, caráter, lealdade, dignidade, solidariedade, educação física e estética - apreciação das artes).  Envolver toda a comunidade escolar. A partir desses objetivos gerais, o professor define os objetivos específicos. Objetivos específicos - determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos referentes a conhecimento, habilidade, atitudes e convicções. O professor deve vincular os objetivos específicos aos gerais e também:  Especificar conhecimentos, habilidades, capacidades que sejam fundamentais para serem assimiladas e aplicadas em situações futuras, na escola e na vida prática;  Observar uma seqüência lógica, de formar que os conceitos e habilidades estejam inter-relacionados, possibilitando aos alunos uma compreensão de conjunto;  Expressar os objetivos com clareza, de modo que sejam compreensíveis aos alunos e permitam que estes introjetem os objetivos de ensino como objetivos seus;  Dosar o grau de dificuldades, de modo que expressem desafios, questões estimulantes e viáveis;  Formular os objetivos como resultados a atingir, facilitando o processo de avaliação;  Indicar os resultados do trabalho dos alunos (o que devem compreender, saber, fazer, etc). ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998, p. 41-48. Tipologia dos conteúdos
  • 3. 3 Conteúdos factuais  Referem-se ao conhecimento de fatos, situações, dados e fenômenos concretos. (Idade de alguém, conquista de terras, localização de algo, códigos, matemática, física, etc).  Tradicionalmente é o que o “homem culto” sabe – é o conteúdo do vestibular e concursos.  Não devem ser conhecimentos mecânicos, precisam está associado a conceitos.  Percebe-se que alguém aprendeu quando é capaz de reproduzir (muitas vezes sem compreensão), quando recorda e expressa a data e o nome de algum acontecimento (descobrimento do Brasil) ou quando há lembrança dos acontecimentos (de um romance).  Podem ser aprendidos através de cópias, memorização, exercício de repetição verbal (tabuada), estratégias de organização significativa ou associações entre conteúdos. Conteúdos conceituais  Conceito é o conjunto de fatos, objetos, ou símbolos que tem características comuns. (mamífero, sujeito, romantismo, cidade).  Princípios – se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto, ou situação relacionada a outros fatos, objetos.  Ambos necessitam de compreensão para se aprender. Se a pessoa não entende o significado do que é um rio, se apenas repete sua definição e não utiliza o termo em qualquer outra atividade, não aprendeu.  Esta aprendizagem requer compreensão e não reprodução. É uma aprendizagem que nunca se caba e que serve para construção de outras idéias. Conteúdos procedimentais  É um conjunto de ações ordenadas e dirigidas para realização de um objetivo (ler, desenhar, observar, calcular, classificar, traduzir, saltar, etc)  Como se aprende os conteúdos procedimentais? 1. Realizando a ação (aprende-se a ler, lendo). 2. Sempre exercitando (não basta fazer só uma vez). 3. Refletindo sobre a ação (tornar a ação consciente). 4. Aplicando em diversos contextos (Resolver 3 x 9 em qualquer situação). Conteúdos atitudinais  São conteúdos referentes a valores, atitudes e normas. 1. Valores – solidariedade, respeito aos outros, responsabilidade, liberdade – se adquire quando é interiorizado e quando se elabora critérios para tomar posição. 2. Atitudes – cooperar com o grupo, ajudar aos colegas, respeitar o meio ambiente, participar de tarefas escolares. – aprende-se quando a pessoa pensa e atua. 3. Normas – padrões ou regras de comportamento que os membros de um grupo devem seguir. – (não rasgar cartazes, não roubar). – aprende-se quando se conforma se interioriza e se aceita como regras para o funcionamento do grupo.  A aprendizagem dos conteúdos atitudinais supõe conhecimento, reflexão, análise, tomada de posição, revisão e avaliação da própria atuação. LIBÂNEO, J. Carlos. Didática. SP: Cortez, 1994, p.149-172. OS MÉTODOS DE ENSINO Conceito de método de ensino.  É o caminho para atingir um objetivo, com os meios adequados; (investigação científica; assimilação do conhecimento, etc.)  Ver o objeto de estudo nas suas propriedades e relações com outros objetos e fenômenos e sob vários ângulos;  São ações, passos e procedimentos vinculados a reflexão, compreensão e transformação da realidade;  São ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir os objetivos;  Deve expressar compreensão global do processo educativo na sociedade: A escolha e organização dos métodos.
  • 4. 4  Deve corresponder à necessária unidade objetivo-conteúdo-método. (um depende do outro para ter sucesso).  Dependem dos conteúdos específicos;  Implica o conhecimento das características dos alunos quanto à capacidade de assimilação e quanto as suas características sócio-culturais e individuais; (ligação entre os objetivos e as condições de aprender do aluno); Princípios básicos do ensino.  Ter caráter científico e sistemático. (Ficar atento ao conteúdo científico);  Ser compreensível e possível de ser assimilado. (Ver as condições dos alunos e ir dosando as dificuldades);  Assegurar a relação conhecimento-prática. (Saber aplicar o conhecimento na sua vida prática);  Apoiar-se na unidade ensino-aprendizagem. (Criar condições de ensino que resultem em aprendizagem);  Garantir a solidez dos conhecimentos. (Recapitulação, fixação, etc);  Levar à vinculação trabalho coletivo – particularidades individuais. (Educar a todos, observando as diferenças). Classificação dos métodos de ensino. 1. Método de exposição pelo professor. Na exposição, o professor deve mobilizar a atividade interna do aluno de concentrar-se e de pensar, e a combinar com outros procedimentos.  Exposição verbal – sua função é explicar um assunto desconhecido. O professor deverá estimular sentimentos, instigar a curiosidade, relatar sugestivamente um fato, descrever com vivacidade uma situação real, fazer leitura expressiva, etc.  Demonstração – é a forma de representar fenômenos e processos reais (germinação).  Ilustração – é uma forma de representar fatos e fenômenos reais através de gráficos, mapas, esquemas, gravuras, etc. (Requer dos alunos capacidade de concentração e observação).  Exemplificação – é um meio de auxiliar a exposição verbal 2. Método de trabalho independente. (Uma das formas didática desse método é o estudo dirigido). Atividades realizadas pelos alunos, dirigidas e orientadas pelo professor. Para que esse método seja eficiente, o professor precisa: - Dar tarefas claras e acessíveis; - Assegurar condições de trabalho (silêncio, material, etc); - Acompanhar de perto; - Aproveitar o resultado da tarefa para toda classe. 3. Método de elaboração conjunta. Interação entre alunos e professor. É a conversação, aula dialogada, com elaboração de perguntas que leve os alunos a reflexão. 4. Método de trabalho em grupo. Sua finalidade é obter a cooperação dos alunos para realização de uma tarefa.  Debate – os debatedores devem defender uma posição.  Philips 66 – seis grupos de seis pessoas discutem uma questão em poucos minutos e apresentam a conclusão. (Verifica o nível de conhecimento da turma antes ou depois de uma explicação).  Tempestade mental – escrever no quadro o que vem em mente sobre determinado assunto, destacar o mais relevante e discutir.  Grupo de verbalização – grupo de observação (GV-GO) – uma parte da turma forma um círculo central para discutir o tema, outra parte fica em volta observando se o que está sendo apresentado tem coerência.  Seminário – pode ser exposição ou conversação sobre determinado assunto previamente estudado pelo grupo. 5. Atividades especiais. Complementam os métodos de ensino com objetivo de assimilação dos conteúdos. São os: Jornal escolar, Museu escolar, Teatro, Biblioteca escolar, estudo do meio, etc. O Estudo do meio não se limita só aos passeios, mas a todos os procedimentos que possibilitem a discussão e compreensão do cotidiano. São necessárias 3 fases: Planejamento – o que observar? Que perguntas poderão ser feitas? (O professor deverá fazer conhecer o local) Execução – observar, tomar nota, conversar com as pessoas, etc. Exploração dos resultados e avaliação – relatório, redação, sistematização pelo professor. Utilidade do estudo. ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998, p. 195-209. A AVALIAÇÃO  A avaliação muitas vezes foi concebida apenas enquanto valorização dos resultados obtidos pelo aluno. Hoje, a avaliação é um processo que envolve aluno, classe e professores.  Se o objetivo do ensino é o desenvolvimento de todas as capacidades da pessoa (com a articulação dos conteúdos atitudinais, conceituais e procedimentais), então a avaliação deve considerar todo esse processo. Tudo depende dos objetivos selecionados.
  • 5. 5  Avaliação serve para aperfeiçoar a prática educativa que levará o aluno a conseguir desenvolver várias competências e avaliar a ação docente. Inclui todo o processo de ensino aprendizagem. A avaliação em processo tem várias fases: Avaliação inicial.  Vai identificar o que cada aluno sabe fazer e como faz.  É o ponto de partida para o objetivo, os conteúdos e as atividades que o professor vai elaborar.  Conforme os alunos vão se desenvolvendo, o docente vai propondo novas atividades com novos desafios para aprendizagem.  Assim estaremos realizando a avaliação reguladora (com adaptações e adequações) ou formativa. Avaliação final  É o conhecimento dos resultados obtidos. Avaliação integradora ou somativa  É o conhecimento e avaliação de todo o percurso feito pelo aluno do início ao fim. Identificando o que precisa ser feito ou refeito. Avaliação dos conteúdos factuais  A aprendizagem dos fatos implica o conhecimento significativo e a compreensão dos conteúdos.  É preciso associar os fatos aos conceitos. O que é uma capital? É preciso citar determinada capital, mas compreender o que significa capital. Entender e saber o que significou o descobrimento do Brasil. Avaliação dos conteúdos conceituais  Avaliar a aprendizagem desses conteúdos não é fácil, considerando que a aprendizagem de um conceito dificilmente está concluída. Tudo depende do nível de profundidade de compreensão e da capacidade dos alunos para utilizar convenientemente os conceitos apreendidos.  É comum, nesse caso, o uso de perguntas orais ou escritas onde se espera que o aluno responda de acordo com o livro.  A aprendizagem dos conceitos não pode se prender as repetições.  O professor precisa observar os alunos no uso dos conceitos em diversas situações e explicações espontâneas (trabalho em equipe, debate, dialogo, etc).  Tanto os conteúdos dos fatos, como dos conceitos se situam na capacidade cognitiva. É preciso identificar o que os alunos sabem sobre estes conteúdos. Avaliação dos conteúdos procedimentais  Esses conteúdos implicam saber fazer.  Para a sua avaliação é preciso fazer. Percebemos sua aprendizagem quando acontece a transposição para a prática. O professor percebe isso através da observação sistemática. Como saber se um aluno aprendeu a calcular? Fazendo com que calcule. Avaliação dos conteúdos atitudinais  Esses conteúdos são muitas vezes esquecidos nas escolas.  Para a avaliação desses conteúdos é preciso situações conflitantes que permitam a observação do comportamento e a opinião de cada aluno (no recreio, passeio, debates, atividade em equipe, etc.). DELORS, Jacques. (org). Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI. MEC- CORTEZ. OS 4 PILARES DA EDUCAÇÃO  Cabe a educação, de forma competente, fornecer os saberes que contribuam para a compreensão e vivência no mundo atual, cheio de complexidade.  Os conhecimentos precisam sempre está atualizado devendo ser, ao longo da vida, aprofundados e enriquecidos.
  • 6. 6  Para isso, a educação deve organizar-se em torno de 4 aprendizagens fundamentais: APRENDER A CONHECER  Combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno numero de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida. APRENDER A FAZER  Afim de adquirir qualificação profissional e competências que tornem a pessoa apta a enfrentar as situações e a trabalhar em equipes. Também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho. APRENDER A VIVER JUNTO  Desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências - realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mutua e da paz. APRENDER A SER  Para melhor desenvolver a sua personalidade e estar a altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se. ABORDAGENS E PRÁTICA PEDAGÓGICA1 Maria da Conceição dos Reis A prática pedagógica está fundamentada na concepção de vida e sociedade do professor. É a partir dela que o professor realiza as atividades cotidianas nas escolas, seguindo uma linha pedagógica que fornece diretrizes para essas atividades, pois a pratica pedagógica destinada à sala de aula é, ainda hoje, influenciada pelas várias tendências ou teorias pedagógicas que marcaram a história educacional no Brasil. 1 Texto elaborado a partir da dissertação de mestrado da autora para a disciplina Didática - 2006
  • 7. 7 Saviani (2002) classifica essas teorias em dois grupos: teorias não-críticas e teorias crítico-reprodutivista e apresenta uma nova proposta através da teoria crítica. Essas idéias são apresentadas através de cinco enfoques: tradicional, escolanovismo, tecnicismo, crítico- reprodutivista e histórico-crítica. Pelas idéias abordadas nas teorias não-críticas, a educação é entendida como instrumento de superação social. O aluno marginalizado deveria ser integrado a sociedade. Cabendo a educação corrigir as distorções sociais. As idéias das teorias não críticas se expressam através da Pedagogia Tradicional, Pedagogia Nova e Pedagogia Tecnicista. Vejamos: A Pedagogia Tradicional teve inicio juntamente com a educação escolar no Brasil, através dos jesuítas que, mesmo sem facilitar uma prática pedagógica que contribuísse com a transformação da vida social e econômica da colônia, monopolizaram toda essa educação desde 1549 até a expulsão da Companhia de Jesus em 1759. Essa expulsou não fez mudar o princípio pedagógico, apenas mudou os interesses - por passar das mãos da igreja para a burguesia - o que antes era pedagogia tradicional religiosa, transformou-se em pedagogia tradicional leiga. (Saviani, 2002). Com o discurso de construir uma sociedade democrática, a burguesia, que acabara de se consolidar no poder, defendia o conhecimento para todos. Cabia a escola e ao professor transmitir o conhecimento aos alunos organizados em classes. O professor era o centro das atenções que, através das aulas expositivas, transmitia todo o conteúdo que ele mesmo determinava para o aluno. Esse, ouvia passivamente e disciplinadamente, sem direito a desenvolver sua criatividade. Mas, começa a surgir os problemas, pois a escola não conseguia ser universal, os alunos que ingressavam não obteriam os mesmos resultados esperados pela escola, "não se ajustavam ao tipo de sociedade que se queria consolidar". (idem, p.7). A educação era totalmente dissociada das questões sociais vigentes. Também, não havia unidade entre prática e teoria. A prática era vista como aplicação da teoria. (Veiga, 1989: 44). Porém, essa tendência predominou, aproximadamente, até 1930. Com inspiração filosófica no humanismo moderno - visão de homem centrada na própria existência, - que ganha impulso em 1924 com a criação da Associação Brasileira de Educação, começa a surgir a Pedagogia Nova fazendo críticas à pedagogia tradicional. O escolanovismo, como ficou sendo conhecido, acreditava no potencial da escola para erradicar a marginalidade social (o que a escola tradicional não estava conseguindo). Foi a partir dessa percepção que começou o movimento de reforma dessa escola, que passou a ser vista como "redentora da humanidade". O professor passou a ser o facilitador da aprendizagem. O aluno era o centro de tudo, que deveria ser respeitado em suas escolhas. "A prática pedagógica é ancorada em si mesma, sem vinculação com o contexto mais amplo" (Veiga, 1989:52). Essa tendência galgou forma no Brasil através da elaboração do projeto da primeira Lei de Diretrizes e Base da Educação, pois para sua elaboração estavam presentes os principais educadores escolanovistas e representantes católicos, portanto puderam definir os caminhos da educação brasileira. Para atender aos pressupostos da Escola Nova, a educação católica, que ainda tinha muito poder, influência e predomínio em várias escolas, buscou se renovar através do método pedagógico de Montessori e Lubienska, disseminando o amor que o professor deveria ter com as crianças, para que as mesmas pudessem aprender num ambiente amoroso e feliz. Foi em 1932 que surgiu o Manifesto da Escola Nova, cuja essência predominou até 1960, quando começa a apresentar os sinais de crise. Com isso, ganha força a concepção analítica com seus princípios científicos objetivos, racionais e neutros. Em 1969, começa a ascensão da Pedagogia Tecnicista,dando ênfase a formação de técnicos para educação. Ao professor competia efetivar a prática: A relação professor-aluno é estritamente técnica, ou seja, visa a garantir a eficácia da transmissão dos conhecimentos. (Veiga, 1989: 58) O que mais tinha destaque nesta teoria eram as técnicas e os métodos, que se preocupavam em preparar a mão-de-obra para o mercado de trabalho que atendia aos interesses do capitalismo. A autora chama atenção que nesta visão, a separação entre teoria e prática fica mais acentuada.
  • 8. 8 Durante o governo militar esta pedagogia teve seu ponto alto, porém começam os estudos à crítica da educação dominante. Os educadores não aceitavam este tipo de educação baseada no autoritarismo e tecnicismo, que confiava à escola, através dos seus meios de instrução baseada no behaviorismo, a função de conservar a sociedade capitalista vigente. A partir de 1974, com a abertura do regime militar no Brasil, os estudos e críticas dos educadores preocupados com os caminhos da educação nacional, começam a se destacar através de denúncias à pedagogia oficial e fazendo surgir uma nova pedagogia denominada por Saviani (2002) de crítico-reprodutivista, por conceber a função da educação como reprodução das relações sociais, sem vislumbrar a possibilidade de uma educação que pudesse está comprometida em promover a transformação dessas relações. Portanto, estas teorias apenas explicam/criticam como a escola esta constituída. Nasce da crítica, mas não elabora uma proposta pedagógica, vive apenas a combater as que se apresentam. É por esta falta de proposta da pedagogia crítico-reprodutivista e pelo descrédito na transformação da escola, que em 1979 começa a se espalhar à discussão sobre uma nova tendência embasada na concepção dialética. É neste período que nasce a pedagogia que Saviani denomina de histórico-crítica, procurando articular uma proposta pedagógica que busque a transformação social, através do resgate da importância da escola, da interação entre os sujeitos e da reorganização do trabalho educativo. Sobre a interação professor-aluno, inclusa nesta teoria histórico-crítica Veiga (1989) explica que: O trabalho pedagógico está centrado não no professor e no aluno, mas na questão central da formação do homem. O professor é valorizado no seu papel de autoridade que orienta e favorece o processo de ensinar e de aprender. (...) O aluno e visto como um ser concreto situado historicamente. Traz consigo um saber que Ihe é próprio, e que precisa ser valorizado e reelaborado para que, concretamente, possa gerar mudanças na realidade. Neste sentido, a relação pedagógica é calcada na autonomia e reciprocidade, provenientes de um processo de maturação. (67) É dessa forma que Saviani (2002) reconhece na educação um instrumento de luta, e diante da visão dialética, o professor, com uma prática pedagógica reflexiva, crítica, criativa e transformadora, instrumentaliza seu aluno para a prática social através da construção crítica do saber. Portanto, o professor que se propõe crítico, precisa estar preparado para a prática pedagógica ancorada numa concepção de educação articulada com a realidade social. Uma ação pedagógica que valorize a relação dialética teoria- prática, em que a prática seja uma ação guiada e mediada pela teoria. A unidade entre o ideal (a teoria) e o real (a prática), é de extrema importância no trabalho desenvolvido no cotidiano escolar para que os professores estejam atentos no pensar e no fazer. É nessa relação dialética, com a prática sendo alimentada pela teoria, e, ao mesmo tempo, a teoria sendo alimentada pela prática, que se mantém a prática pedagógica do professor com características renovada, reflexiva e transformadora. Libâneo (2000, p. 37) afirma que os professores precisam ser críticos para compreender e analisar criticamente a sociedade, a política, as diferenças sociais, a diversidade cultural, os interesses de classe, agir diante das situações escolares e, assim, problematizar com os alunos o conhecimento. Ao dissertar sobre prática pedagógica que busca uma transformação, ressalta-se a contribuição do educador Paulo Freire, enquanto professor crítico/comprometido, que concebe a educação como um ato político, compreendendo-a como
  • 9. 9 um instrumento de luta que, em conjunto com as outras práticas sociais, está a serviço da transformação da sociedade vigente. Para Freire, a educação é uma forma de intervenção no mundo das pessoas, que se dá do local ao universal, de forma dialética, em um esforço de desmistificação da ideologia dominante. Conheça todos os simulados: http://eshops.mercadolivre.com.br/LCMG2015 Concurso Professor - 1268 Questões Todos os oitos produtos abaixo por apenas R$ 50,00 Você economizará R$ 14,00. Clique nesse link para mais informações: http://bit.ly/1SZzsru CONTATO VIA WHATAPPS: 8894457345
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