MUDANÇAS CLIMÁTICAS E
DESASTRES AMBIENTAIS
Desafios para o Setor Saúde diante de uma
EMERGÊNCIA CLIMÁTICA
Carlos Machado de Freitas CEPEDES/FIOCRUZ
13 de agosto de 2021
O PROBLEMA
MUDANÇAS AMBIENTAIS INTENSIVAS E EXTENSIVAS (MEA)
1) Nos últimos 60 anos, as sociedades mudaram os ecossistemas
mais rapidamente e extensivamente do que em qualquer outro
período da história
2) Aproximadamente 60% dos serviços dos ecossistemas estão sendo
degradados ou utilizados de modo insustentável, com custos difíceis
de estimar, mas crescentes
Existem evidências estabelecidas, ainda que incompletas, de que
estas mudanças vem aumentando as chances de mudanças não-
lineares nos ecossistemas, o que inclui a aceleração de mudanças
abruptas e irreversíveis
Estas mudanças trazem o potencial de importantes consequências
para os seres humanos, principalmente para as populações mais
pobres do planeta
• mudanças no clima regional e global
• doenças emergentes e reemergentes
• alterações abruptas da qualidade da água
• colapso na produção de alimentos
• desastres hidrológicos de origem hidrológica, meteorológica e
climatológica
Carlos Machado de Freitas
Efeitos sobre a saúde que já são extensivos mesmo sem mudanças climáticas
podem ser intensificados e ampliados com as mesmas
Vivemos em mundo onde globalizado e onde
ameaças à saúde envolvendo emergências
climáticas, doenças emergentes e pandemias,
desastres de origem natural e tecnológica fazem
parte de nossas vidas – sobreposição de ameaças
e riscos
FORÇAS
MOTRIZES
GLOBAIS
Modelo de
desenvolvimento
econômico e
urbano
Mudanças
climáticas
Governança frágil
e baixa
capacidade
endógena para
Redução Risco de
Desastres
FORÇAS
MOTRIZES
SUBJACENTES
Governança local
frágil
Precário
planejamento
urbano
Degradação
ambiental
Comunidades
vulneráveis
Precárias políticas
de Redução Risco
de Desastres e
proteção social
RISCOS INTENSIVOS - Agudos
Maior concentração de populações
vulneráveis e bens econômicos
expostos à ameaças extremas
RISCOS EXTENSIVOS - Crônicos
Dispersos geograficamente e exposição
da população e bens econômicos à
ameaças de baixa ou moderada
intensividade
RISCOS COTIDIANOS
Comunidades e moradias expostas à
insegurança alimentar, doenças,
criminalidade, acidentes, poluição e
ausência de saneamento e água
adequada
POBREZA
Pobreza de recursos econômicos e
políticos, exclusão e discriminação com
precário acesso a educação e
oportunidades de acesso a bens
IMPACTOS DOS
DESASTRES
Maior
mortalidade e
perdas
econômicas
Danos as
habitações,
infraestrutura
local e produção
e acesso aos
alimentos
RESULTADOS
DA POBREZA
Impactos de
curto e longo
prazos sobre os
rendimentos,
consumo, bem-
estar e equidade
CONCEITO DE DESASTRE
DESASTRE E SEUS RISCOS
=
Perigos e ameaças expressos em eventos ou processos físicos de origem
natural ou tecnológica
+
Exposição
+
Condições de vulnerabilidade (social e ambiental)
+
Capacidades de redução dos riscos, doenças e agravos
RISCO E DESASTRE
DETERMINANTES SOCIAIS E
AMBIENTAIS DA SAÚDE
VULNERABILIDADE SOCIAL
(Políticas de direitos sociais)
EVENTO +
EXPOSIÇÃO
+
VULNERABILIDADE AMBIENTAL
(Políticas de proteção e qualidade
ambiental) = DESASTRE E
SEUS RISCOS
INSUFICIENTES CAPACIDADES
DE REDUÇÃO DOS RISCOS,
DOENÇAS E AGRAVOS
(Políticas de vigilância, atenção e
cuidado em saúde)
IMPACTOS NA SAÚDE
Centro de Estudos e Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS
DESASTRES NATURAIS NO BRASIL
Mapa 1 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade
pública, Brasil - 2003-2012.
Centro de Estudos e Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS
DESASTRES NATURAIS NO BRASIL
Mapa 2 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade
pública para eventos hidrológicos, Brasil - 2003-2012.
Centro de Estudos e Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS
DESASTRES NATURAIS NO BRASIL
Mapa 3 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade
pública para eventos climatológicos, Brasil - 2003-2012.
Internação por causa, Santa Catarina, 2008
IMPACTOS NO SISTEMA DE
SAÚDE
Fonte: Mefano IV, 2108
SAÚDE NA GESTÃO DE RISCOS
DE EMERGÊNCIAS E
DESASTRES
A LEI ORGÂNICA DO SUS
Saúde é tanto expressão dos determinantes e condicionantes
relacionados à organização social e econômica, como também um
direito fundamental, sendo dever do Estado garantir o mesmo
através da “...formulação e execução de políticas econômicas e
sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos
e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e
igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e
recuperação.
Marco das Funções Essenciais da Saúde Pública (OPAS, 2002):
REDUÇÃO DO IMPACTO DAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES EM
SAÚDE
1) o desenvolvimento de políticas, o planejamento e a realização de ações de
prevenção, mitigação, preparação, resposta e reabilitação para reduzir o
impacto dos desastres sobre a saúde pública
2) um enfoque integral com relação aos danos e a origem de todas ou cada uma
das emergências ou desastres possíveis na realidade do país
3) a participação de todo o sistema de saúde e a mais ampla colaboração
intersetorial e interinstitucional na redução do impacto de emergências ou
desastres
MARCO DE SENDAI PARA A REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES 2015-2030
Prioridade 1: Compreensão do risco de desastres
Prioridade 2: Fortalecimento da governança do risco de desastres para
gerenciar o risco de desastres
Prioridade 3: Investir na redução do risco de desastres para a resiliência
Prioridade 4: Melhorar a preparação para desastres a fim de providenciar
uma resposta eficaz e para "Reconstruir Melhor" em recuperação,
reabilitação e reconstrução
OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
3.d reforçar a capacidade de todos os países, particularmente os
países em desenvolvimento, para o alerta precoce, redução de riscos
e gerenciamento de riscos nacionais e globais à saúde.
As quatro recomendações para os países e todas as partes
interessadas para Saúde na Gestão de Riscos de Emergências e
Desastres (Saúde na GRED):
· Implementar a Estrutura de Saúde na GRDE por meio de
engajamento multissetorial e com envolvimento dos diferentes atores
· Desenvolver estratégias e implementar ações para sistemas de saúde
resilientes, incluindo programas sensíveis ao clima e maior foco nos
aspectos psicossociais da GRED.
As quatro recomendações para os países e todas as partes
interessadas para Saúde na Gestão de Riscos de Emergências e
Desastres (Saúde na GRED):
· Fortalecer a colaboração multissetorial, envolvendo diferentes atores,
transdisciplinar e multinível por meio da participação na Plataforma de
Saúde na GRED e na Rede de Pesquisa. Além disso, construir
políticas, práticas e inovações baseadas em evidências e informadas
sobre riscos, e vincular segurança e resiliência à saúde com a estrutura
dos sistemas de saúde.
· Defesa da Saúde na GRED com formuladores de políticas e outras
partes interessadas, incluindo as reuniões de alto nível da ONU
GESTÃO DE RISCO DE DESASTRES
• Vigilância das ameaças, exposições e efeitos
• Redução de riscos e vulnerabilidades
• Fortalecimento das capacidades de resposta do setor saúde e outros envolvidos
• Prevenção de novos riscos ou riscos futuros relacionados às emergências e
desastres
GESTÃO DE
RISCOS REATIVA
GESTÃO RISCOS
CORRETIVA
GESTÃO DE
RISCOS
PROSPECTIVA
Mudanças
climáticas e
Adaptação
Redução de
Riscos de
Desastres e
Construçao da
Resiliência
Emergências em
Saúde Pública
Desafio de Integrar Agendas Políticas Globais nas
agendas de políticas nacionais, estaduais e municipais
OBRIGADO PELA ATENÇÃO
&
UM BOM DIA PARA TODAS E TODOS
Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde - SUVISA

Desastres ambientais e vulnerabilidadess

  • 2.
    MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESASTRESAMBIENTAIS Desafios para o Setor Saúde diante de uma EMERGÊNCIA CLIMÁTICA Carlos Machado de Freitas CEPEDES/FIOCRUZ 13 de agosto de 2021
  • 3.
  • 5.
    MUDANÇAS AMBIENTAIS INTENSIVASE EXTENSIVAS (MEA) 1) Nos últimos 60 anos, as sociedades mudaram os ecossistemas mais rapidamente e extensivamente do que em qualquer outro período da história 2) Aproximadamente 60% dos serviços dos ecossistemas estão sendo degradados ou utilizados de modo insustentável, com custos difíceis de estimar, mas crescentes
  • 6.
    Existem evidências estabelecidas,ainda que incompletas, de que estas mudanças vem aumentando as chances de mudanças não- lineares nos ecossistemas, o que inclui a aceleração de mudanças abruptas e irreversíveis
  • 7.
    Estas mudanças trazemo potencial de importantes consequências para os seres humanos, principalmente para as populações mais pobres do planeta • mudanças no clima regional e global • doenças emergentes e reemergentes • alterações abruptas da qualidade da água • colapso na produção de alimentos • desastres hidrológicos de origem hidrológica, meteorológica e climatológica
  • 8.
    Carlos Machado deFreitas Efeitos sobre a saúde que já são extensivos mesmo sem mudanças climáticas podem ser intensificados e ampliados com as mesmas
  • 9.
    Vivemos em mundoonde globalizado e onde ameaças à saúde envolvendo emergências climáticas, doenças emergentes e pandemias, desastres de origem natural e tecnológica fazem parte de nossas vidas – sobreposição de ameaças e riscos
  • 10.
    FORÇAS MOTRIZES GLOBAIS Modelo de desenvolvimento econômico e urbano Mudanças climáticas Governançafrágil e baixa capacidade endógena para Redução Risco de Desastres FORÇAS MOTRIZES SUBJACENTES Governança local frágil Precário planejamento urbano Degradação ambiental Comunidades vulneráveis Precárias políticas de Redução Risco de Desastres e proteção social RISCOS INTENSIVOS - Agudos Maior concentração de populações vulneráveis e bens econômicos expostos à ameaças extremas RISCOS EXTENSIVOS - Crônicos Dispersos geograficamente e exposição da população e bens econômicos à ameaças de baixa ou moderada intensividade RISCOS COTIDIANOS Comunidades e moradias expostas à insegurança alimentar, doenças, criminalidade, acidentes, poluição e ausência de saneamento e água adequada POBREZA Pobreza de recursos econômicos e políticos, exclusão e discriminação com precário acesso a educação e oportunidades de acesso a bens IMPACTOS DOS DESASTRES Maior mortalidade e perdas econômicas Danos as habitações, infraestrutura local e produção e acesso aos alimentos RESULTADOS DA POBREZA Impactos de curto e longo prazos sobre os rendimentos, consumo, bem- estar e equidade
  • 11.
  • 12.
    DESASTRE E SEUSRISCOS = Perigos e ameaças expressos em eventos ou processos físicos de origem natural ou tecnológica + Exposição + Condições de vulnerabilidade (social e ambiental) + Capacidades de redução dos riscos, doenças e agravos
  • 13.
    RISCO E DESASTRE DETERMINANTESSOCIAIS E AMBIENTAIS DA SAÚDE VULNERABILIDADE SOCIAL (Políticas de direitos sociais) EVENTO + EXPOSIÇÃO + VULNERABILIDADE AMBIENTAL (Políticas de proteção e qualidade ambiental) = DESASTRE E SEUS RISCOS INSUFICIENTES CAPACIDADES DE REDUÇÃO DOS RISCOS, DOENÇAS E AGRAVOS (Políticas de vigilância, atenção e cuidado em saúde)
  • 14.
  • 15.
    Centro de Estudose Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS DESASTRES NATURAIS NO BRASIL Mapa 1 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade pública, Brasil - 2003-2012.
  • 16.
    Centro de Estudose Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS DESASTRES NATURAIS NO BRASIL Mapa 2 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade pública para eventos hidrológicos, Brasil - 2003-2012.
  • 17.
    Centro de Estudose Pesquisas de Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES) / FIOCRUZ / MS DESASTRES NATURAIS NO BRASIL Mapa 3 - Decretos de situação de emergência e decretos de calamidade pública para eventos climatológicos, Brasil - 2003-2012.
  • 19.
    Internação por causa,Santa Catarina, 2008
  • 20.
  • 24.
  • 25.
    SAÚDE NA GESTÃODE RISCOS DE EMERGÊNCIAS E DESASTRES
  • 26.
    A LEI ORGÂNICADO SUS Saúde é tanto expressão dos determinantes e condicionantes relacionados à organização social e econômica, como também um direito fundamental, sendo dever do Estado garantir o mesmo através da “...formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
  • 27.
    Marco das FunçõesEssenciais da Saúde Pública (OPAS, 2002): REDUÇÃO DO IMPACTO DAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES EM SAÚDE 1) o desenvolvimento de políticas, o planejamento e a realização de ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e reabilitação para reduzir o impacto dos desastres sobre a saúde pública 2) um enfoque integral com relação aos danos e a origem de todas ou cada uma das emergências ou desastres possíveis na realidade do país 3) a participação de todo o sistema de saúde e a mais ampla colaboração intersetorial e interinstitucional na redução do impacto de emergências ou desastres
  • 28.
    MARCO DE SENDAIPARA A REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES 2015-2030 Prioridade 1: Compreensão do risco de desastres Prioridade 2: Fortalecimento da governança do risco de desastres para gerenciar o risco de desastres Prioridade 3: Investir na redução do risco de desastres para a resiliência Prioridade 4: Melhorar a preparação para desastres a fim de providenciar uma resposta eficaz e para "Reconstruir Melhor" em recuperação, reabilitação e reconstrução
  • 29.
    OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTOSUSTENTÁVEL 3.d reforçar a capacidade de todos os países, particularmente os países em desenvolvimento, para o alerta precoce, redução de riscos e gerenciamento de riscos nacionais e globais à saúde.
  • 31.
    As quatro recomendaçõespara os países e todas as partes interessadas para Saúde na Gestão de Riscos de Emergências e Desastres (Saúde na GRED): · Implementar a Estrutura de Saúde na GRDE por meio de engajamento multissetorial e com envolvimento dos diferentes atores · Desenvolver estratégias e implementar ações para sistemas de saúde resilientes, incluindo programas sensíveis ao clima e maior foco nos aspectos psicossociais da GRED.
  • 32.
    As quatro recomendaçõespara os países e todas as partes interessadas para Saúde na Gestão de Riscos de Emergências e Desastres (Saúde na GRED): · Fortalecer a colaboração multissetorial, envolvendo diferentes atores, transdisciplinar e multinível por meio da participação na Plataforma de Saúde na GRED e na Rede de Pesquisa. Além disso, construir políticas, práticas e inovações baseadas em evidências e informadas sobre riscos, e vincular segurança e resiliência à saúde com a estrutura dos sistemas de saúde. · Defesa da Saúde na GRED com formuladores de políticas e outras partes interessadas, incluindo as reuniões de alto nível da ONU
  • 34.
    GESTÃO DE RISCODE DESASTRES • Vigilância das ameaças, exposições e efeitos • Redução de riscos e vulnerabilidades • Fortalecimento das capacidades de resposta do setor saúde e outros envolvidos • Prevenção de novos riscos ou riscos futuros relacionados às emergências e desastres GESTÃO DE RISCOS REATIVA GESTÃO RISCOS CORRETIVA GESTÃO DE RISCOS PROSPECTIVA
  • 35.
    Mudanças climáticas e Adaptação Redução de Riscosde Desastres e Construçao da Resiliência Emergências em Saúde Pública Desafio de Integrar Agendas Políticas Globais nas agendas de políticas nacionais, estaduais e municipais
  • 36.
    OBRIGADO PELA ATENÇÃO & UMBOM DIA PARA TODAS E TODOS
  • 37.
    Superintendência de Vigilânciae Proteção da Saúde - SUVISA