Leitura 2011

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Aula do professor André Guerra sobre leitura de textos artísticos. A arte como representação e recriação da realidade, o papel do artista como aquele que finge, recria a realidade e funde-se a ela através de seu próprio discurso.

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Leitura 2011

  1. 1. Leitura<br />
  2. 2.
  3. 3. AutopsicografiaFernando Pessoa<br />O poeta é um fingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente.<br /> E os que lêem o que escreve,Na dor lida sentem bem,Não as duas que ele teve,Mas só a que eles não têm.<br />E assim nas calhas de rodaGira, a entreter a razão,Esse comboio de cordaQue se chama coração.<br />
  4. 4. "Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos.”<br /> Magritte<br />
  5. 5. UFBA 2009<br />
  6. 6. TRILHOS URBANOSCaetano Veloso<br />O melhor o tempo esconde, longe, muito longe<br />Mas bem dentro aqui, quando o bonde dava a volta ali<br />No cais de Araújo Pinho, tamarindeirinho<br />Nunca me esqueci onde o imperador fez xixi<br />Cana doce Santo Amaro, gosto muito raro<br />Trago em mim por ti, e uma estrela sempre a luzir<br />Bonde da Trilhos Urbanos vão passando os anos<br />E eu não te perdi, meu trabalho é te traduzir<br />Rua da Matriz ao Conde no trole ou no bonde<br />Tudo é bom de vê, seu Popó do Maculelê<br />Mas aquela curva aberta, aquela coisa certa<br />Não dá prá entender o Apolo e o rio Subaé<br />Pena de Pavão de Krishna, maravilha, vixe Maria<br />Mãe de Deus, será que esses olhos são meus?<br />Cinema transcendental, Trilhos Urbanos<br />Gal cantando o Balancê<br />Como eu sei lembrar de você<br />
  7. 7. Constituem afirmações verdadeiras sobre o texto:<br />(01) Em “Trilhos Urbanos”, Caetano Veloso manifesta-se sobre o passado, a partir de modelos que o presente lhe oferece.<br />(02) Na primeira estrofe, as noções de tempo e lugar se confundem na evocação do poeta.<br />(04) No verso 3, o “tamarindeirinho” — diminutivo afetivo — aparece no cenário como testemunha de fatos ocorridos no passado.<br />(08) No verso 12, ao referir-se a “Apolo” e ao “rio Subaé”, o poeta relaciona um monumento da cultura clássica a um patrimônio natural.<br />(16) Nesse poema-canção, as palavras do poeta demonstram a indissociabilidade do tripé sujeito, história e lugar.<br />(32) No texto em estudo, os valores da terra são desqualificados pelo enunciador.<br />(64) Nos versos de Caetano, a pluralidade de sentidos sugerida pela expressão “Trilhos Urbanos” permite ao leitor articular a idéia objetiva de uma empresa de transporte com representações poéticas dos caminhos de uma cidade determinada.<br />
  8. 8. Constituem afirmações verdadeiras sobre o texto:<br />(01) Em “Trilhos Urbanos”, Caetano Veloso manifesta-se sobre o passado, a partir de modelos que o presente lhe oferece. <br />(02) Na primeira estrofe, as noções de tempo e lugar se confundem na evocação do poeta. (tempo/longe, dentro/quando)<br />(04) No verso 3, o “tamarindeirinho” — diminutivo afetivo — aparece no cenário como testemunha de fatos ocorridos no passado. (passivo)<br />(08) No verso 12, ao referir-se a “Apolo” e ao “rio Subaé”, o poeta relaciona um monumento da cultura clássica a um patrimônio natural.<br />(16) Nesse poema-canção, as palavras do poeta demonstram a indissociabilidade do tripé sujeito, história e lugar. (versos 2 e 5)<br />(32) No texto em estudo, os valores da terra são desqualificados pelo enunciador. (É o inverso)<br />(64) Nos versos de Caetano, a pluralidade de sentidos sugerida pela expressão “Trilhos Urbanos” permite ao leitor articular a idéia objetiva de uma empresa de transporte com representações poéticas dos caminhos de uma cidade determinada. (verso 7 – artigo “a”)<br />
  9. 9. AS VITRINESChico Buarque de Holanda<br />Eu te vejo sair por aí<br />Te avisei que a cidade era um vão<br />-Dá tua mão<br />-Olha pra mim<br />-Não faz assim<br />-Não vai lá não<br />Os letreiros a te colorir<br />Embaraçam a minha visão<br />Eu te vi suspirar de aflição<br />E sair da sessão, frouxa de rir<br />Já te vejo brincando, gostando de ser<br />Tua sombra a se multiplicar<br />Nos teus olhos também posso ver<br />As vitrines te vendo passar<br />Na galeria, cada clarão<br />É como um dia depois de outro dia<br />Abrindo um salão<br />Passas em exposição<br />Passas sem ver teu vigia<br />Catando a poesia<br />Que entornas no chão<br />
  10. 10. A leitura do poema-canção “As Vitrines” permite afirmar:<br />(01) A cidade é mostrada como lugar de perigo.<br />(02) O enunciador, na primeira pessoa, dirige-se à mulher amada, colocando-se como seu protetor.<br />(04) A idéia associada a “vitrines” acentua o aspecto da mercantilização de seres e objetos na cidade.<br />(08) O temor do sujeito apaixonado diante da possibilidade de coisificação da mulher amada é percebido no texto.<br />(16) A relação entre os termos “letreiros” (v. 7), “colorir” (v. 7) e “Embaraçam” (v. 8) expressa o deslumbramento do poeta com o mundo citadino.<br />(32) Chico Buarque, ao dizer “Passas sem ver teu vigia” (v. 19), se apresenta como um poeta encantado por sua musa, que o ignora.<br />(64) A repetida referência a “vitrines” reflete o fascínio que elas exercem sobre o poeta.<br />
  11. 11. A leitura do poema-canção “As Vitrines” permite afirmar:<br />(01) A cidade é mostrada como lugar de perigo. (1ª estrofe)<br />(02) O enunciador, na primeira pessoa, dirige-se à mulher amada, colocando-se como seu protetor. (1ª estrofe)<br />(04) A idéia associada a “vitrines” acentua o aspecto da mercantilização de seres e objetos na cidade. (inferência a partir do signo)<br />(08) O temor do sujeito apaixonado diante da possibilidade de coisificação da mulher amada é percebido no texto. (versos 14 e 18)<br />(16) A relação entre os termos “letreiros” (v. 7), “colorir” (v. 7) e “Embaraçam” (v. 8) expressa o deslumbramento do poeta com o mundo citadino.<br />(32) Chico Buarque, ao dizer “Passas sem ver teu vigia” (v. 19), se apresenta como um poeta encantado por sua musa, que o ignora.<br />(64) A repetida referência a “vitrines” reflete o fascínio que elas exercem sobre o poeta. (idem 16)<br />
  12. 12. Cajuína Caetano Veloso<br /> Existirmos - a que será que se destina? Pois quando tu me deste a rosa pequenina Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina Do menino infeliz não se nos ilumina Tampouco turva-se a lágrima nordestina Apenas a matéria vida era tão fina E éramos olharmo-nos, intacta retina: A cajuína cristalina em Teresina<br />
  13. 13. Aquele AbraçoGilberto Gil<br /> O Rio de Janeiro Continua lindoO Rio de Janeiro Continua sendoO Rio de Janeiro Fevereiro e março...<br /> Alô, alô, RealengoAquele Abraço!Alô torcida do FlamengoAquele abraço!...(2x)<br /> Chacrinha continuaBalançando a pançaE buzinando a moçaE comandando a massaE continua dandoAs ordens no terreiro...<br /> Alô, alô, seu ChacrinhaVelho guerreiroAlô, alô, TerezinhaRio de JaneiroAlô, alô, seu ChacrinhaVelho palhaço<br /> Alô, alô, TerezinhaAquele Abraço!...<br /> Alô moça da favelaAquele Abraço!Todo mundo da PortelaAquele Abraço!Todo mês de fevereiroAquele passo!Alô Banda de IpanemaAquele Abraço!...<br /> Meu caminho pelo mundoEu mesmo traçoA Bahia já me deu Régua e compassoQuem sabe de mim sou euAquele Abraço!Prá você que meu esqueceuAquele Abraço!Alô Rio de JaneiroAquele Abraço!Todo o povo brasileiro<br />

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