Modernismo I<br />1922 - 1930<br />
Características<br />Anárquica<br />Heróica<br />Demolidora<br />Destruidora<br />Fase<br />Desintegração da linguagem tra...
Oswald de Andrade<br />Renovação linguistica<br />Poemas com linguagem do cotidiano. <br />Ironia<br />Quebra da erudição ...
Brasil<br />O Zé Pereira chegou de caravela<br />E perguntou pro guarani da mata virgem<br /><ul><li> Sois cristão?
 Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte</li></ul>TeterêtetêQuizáQuizáQuecê!<br />Lá longe a onça resmungava Uu! uu!...
Erro de português<br />Quando o português chegou<br />Debaixo duma bruta chuva<br />Vestiu o índio<br />    Que pena!<br /...
A influência Antropofágica<br />O Tropicalismo<br />
Oswald e <br />a paródia<br />
Canto de regresso à pátriaOswald de Andrade<br />  Minha terra tem palmaresOnde gorjeia o marOs passarinhos daquiNão canta...
Canção do exílioGonçalves Dias<br />Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeia...
AS MENINAS DA GARE <br />Paródia da Carta de Pero Vaz de Caminha<br />	Eram três ou quatro moçasbem moças e bem gentisCom ...
A língua<br />Pronominais<br />(Oswald de Andrade)Dê-me um cigarroDiz a gramáticaDo professor e do alunoE do mulato sabido...
	O capoeira<br />	(Oswald de Andrade)— Quéapanhásordado?— O quê?— Quéapanhá?Pernas e cabeças na calçada.<br />Poética anti...
Vício na falaPara dizerem milho dizem mioPara melhor dizem mióPara pior pióPara telha dizem teiaPara telhado dizem teiadoE...
O poema-piada<br />Amor<br />Humor<br />
Postes da Light<br />	Locomotivas e bichos nacionaisGeometrizam as atmosferas nítidasCongonhas descora sob o pálioDas proc...
Tempos ModernosLulu Santos<br />Eu vejo a vidaMelhor no futuroEu vejo issoPor cima de um muroDe hipocrisiaQue insisteEm no...
A prosa Oswaldiana<br />Memórias Sentimentais de João Miramar<br />Mescla prosa e poesia<br />Caráter cinematográfico<br /...
Verbo Crackar<br />	Eu empobreço de repenteTu enriqueces por minha causaEle azula para o sertãoNós entramos em concordataV...
	Manuel Bandeira<br />Aquele inefável das coisas despretensiosas que, pela simplicidade, atingem o sublime.<br />
Auto-Retrato<br />Provinciano que nunca soubeEscolher bem uma gravata;Pernambucano a quem repugnaA faca do pernambucano;Po...
Primeira fase – Pós-Simbolista<br />Desencanto<br />Eu faço versos como quem choraDe desalento... de desencanto...Fecha o ...
Madrigal Melancólico<br />O que eu adoro em ti,Não é a tua beleza.A beleza, é em nós que ela existe.<br />A beleza é um co...
Apenas Mais Uma De AmorLulu Santos / Nelson Motta <br />Eu gosto tanto de vocêQue até prefiro esconderDeixo assim ficarSub...
Poética<br />	Estou farto do lirismo comedidoDo lirismo bem comportadoDo lirismo funcionário público com livro de ponto ex...
<ul><li>Fusão entre a confissão pessoal e a vida cotidiana.
lirismo do EU e lirismo do cotidiano
síntese entre subjetividade e objetividade.</li></li></ul><li>Poema Tirado de uma Notícia de Jornal <br />	João Gostoso er...
Diário de um detento  (Racionais MC’s)<br />
Diário de um detento  (Racionais MC’s)<br />"São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã.Aqui estou, mais um dia.Sob...
Presença da subjetividade<br />	Traços autobiográficos: tuberculose e decadência familiar poderiam explicar o clima de des...
Pneumotórax<br />Febre, hemoptise,dispnéia e suores noturnos.<br />A vida inteira que podia ter sido e que não foi.<br />T...
Vou-me Embora pra PasárgadaManuel Bandeira<br />Vou-me embora pra PasárgadaLá sou amigo do reiLá tenho a mulher que eu que...
Mando chamar a mãe-d'água<br />Pra me contar as históriasQue no tempo de eu meninoRosa vinha me contarVou-me embora pra Pa...
BabylonZeca Baleiro<br />Baby! I'msoaloneVamos pra Babylon!Viver a pão-de-lóE möetchandonVamos pra Babylon!Gozar! Sem se p...
A morte como tema<br />Momento Num Café Quando o enterro passouOs homens que se achavam no caféTiraram o chapéu maquinalme...
Poesia Social<br />
O Bicho<br />Vi ontem um bicho<br />Na imundície do pátio<br />Catando comida entre os detritos<br />Quando via alguma coi...
Mário de Andrade<br />a liderança <br />intelectual<br />
Moça linda bem tratada<br />Moça linda bem tratada,Três séculos de família,Burra como uma porta:Um amor.Grã-fino do despud...
Ode ao burguês<br />Eu insulto o burguês! O burguês-níquelo burguês-burguês!A digestão bem-feita de São Paulo!O homem-curv...
Morte à gordura!Morte às adiposidades cerebrais!Morte ao burguês-mensal!Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!Padaria Suíss...
Descobrimento<br />Abancado à escrivaninha em São PauloNa minha casa da rua Lopes ChavesDe supetão senti um friúme por den...
Eu Sou Trezentos...Mário de Andrade<br /> 	Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, As sensações renascem de si mesmas...
Arte “social” do modernismo<br />Operários – Tarsila do Amaral<br />
AMAR, VERBO INTRANSITIVO <br />Idílio<br />1927 <br />
A crítica aos costumes e à moral da família burguesa patriarcalista paulistana <br />
Família Titãs<br />Família! Família!Papai, mamãe, titiaFamília! Família!Almoça junto todo diaNunca perde essa mania...<br ...
O enredo<br />Educação sexual de um rapaz de família burguesa.<br />Carlos, centro das atenções familiares, não pode ficar...
Fräulein Elza<br />Fräulein (em alemão significa “senhorita”, mas também tem o valor e todo o peso do termo “professora”)<...
Professora de “Amor”<br />
Carlos<br />Jovem burguês<br />Centro da família (o filho homem)<br />Já era iniciado sexualmente<br />Envolve-se amorosam...
A psicanálise<br />utilização da teoria freudiana (grande paixão do autor) como embasamento da trama. <br />a iniciação se...
Souza Costa brilhantina até no bigode <br />Críticas à burguesia paulistana e à sua mania de tentar ser o que não é ou esc...
Ouro de tolo - Raul Sixas<br />Eu devia estar contente<br /> Porque eu tenho um empregoSou um dito cidadão respeitável <br...
Mas que sujeito chato sou euQue não acha nada engraçadoMacaco, praia, carroJornal, tobogãEu acho tudo isso um saco...<br /...
Trecho para análise<br />Laura, Fräulein tem o meu consentimento. Você sabe: hoje esses mocinhos... é tão perigoso! Podem ...
As idéias de Fraulein<br />“quedê raça mais forte? Nenhuma... O nobre destino do homem é se conservar sadio e procurar esp...
Prosa experimental<br />Linguagem “errada” na época, afastada do português castiço <br />Imitação (às vezes de forma efici...
A ironia do título<br />O verbo "amar" é transitivo direto e não intransitivo.<br />“Idílio” implica numa forma singela de...
Conclusão<br />	Tudo passa e muda. A família burguesa, bem composta, bem construída, mantém sua estabilidade. Um família i...
A minha alma – O Rappa<br />A minha alma tá armada e apontadaPara cara do sossego!Pois paz sem voz, paz sem vozNão é paz, ...
MacunaímaO herói sem nenhum caráter<br />	"No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retin...
Macunaíma<br />Mitos, crenças e tradições indígenas misturam-se a elementos do cotidiano paulista<br />Produto da colagem ...
Macunaíma encontra o Curupira<br />
“feito um quadro de triângulos coloridos em que os pedaços, aparentemente juntados ao acaso, delineiam em conjunto a paisa...
"O que existe em Macunaíma, é uma sátira à imoralidade. O próprio herói termina vítima de seus ímpetos sexuais e acaba mor...
Espaço e tempo arbitrários<br />	da capital de São Paulo foge para a Ponta do Calabouço, no Rio, e logo já está em Guarajá...
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Modernismo 1922

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Aula do professor André Guerra sobre a primeira fase do Modernismo brasileiro e seus principais expoentes.

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Modernismo 1922

  1. 1. Modernismo I<br />1922 - 1930<br />
  2. 2. Características<br />Anárquica<br />Heróica<br />Demolidora<br />Destruidora<br />Fase<br />Desintegração da linguagem tradicional<br />Adoção das conquistas das Vanguardas<br />Experimentalismo<br />Busca da Expressão Nacional<br />
  3. 3. Oswald de Andrade<br />Renovação linguistica<br />Poemas com linguagem do cotidiano. <br />Ironia<br />Quebra da erudição poética<br />Poema-piada<br />paródia<br />
  4. 4.
  5. 5. Brasil<br />O Zé Pereira chegou de caravela<br />E perguntou pro guarani da mata virgem<br /><ul><li> Sois cristão?
  6. 6. Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte</li></ul>TeterêtetêQuizáQuizáQuecê!<br />Lá longe a onça resmungava Uu! uu! uu!<br />O negro zonzo saído da fornalha<br />Tomou a palavra e respondeu<br /><ul><li> Sim pela graça de Deus</li></ul>Canhem Babá Canhem Babá CumCum!<br />E fizeram o Carnaval.<br />
  7. 7. Erro de português<br />Quando o português chegou<br />Debaixo duma bruta chuva<br />Vestiu o índio<br /> Que pena!<br /> Fosse uma manhã de sol<br /> O índio tinha despido<br /> O Português.<br />
  8. 8. A influência Antropofágica<br />O Tropicalismo<br />
  9. 9.
  10. 10. Oswald e <br />a paródia<br />
  11. 11. Canto de regresso à pátriaOswald de Andrade<br />  Minha terra tem palmaresOnde gorjeia o marOs passarinhos daquiNão cantam como os de lá<br />Minha terra tem mais rosasE quase que mais amoresMinha terra tem mais ouroMinha terra tem mais terra<br />Ouro terra amor e rosasEu quero tudo de láNão permita Deus que eu morraSem que volte para lá<br />Não permita Deus que eu morraSem que volte pra São PauloSem que veja a Rua 15E o progresso de São Paulo.<br />
  12. 12. Canção do exílioGonçalves Dias<br />Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. <br />Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. <br />Em  cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. <br />Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. <br />Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. <br />
  13. 13. AS MENINAS DA GARE <br />Paródia da Carta de Pero Vaz de Caminha<br /> Eram três ou quatro moçasbem moças e bem gentisCom cabelos mui pretos pelas espáduasE suas vergonhas tão altas e tão saradinhasQue de nós as muito bem olharmosNão tínhamos nenhuma vergonha<br />Gare = estação de trem, em francês<br />
  14. 14. A língua<br />Pronominais<br />(Oswald de Andrade)Dê-me um cigarroDiz a gramáticaDo professor e do alunoE do mulato sabidoMas o bom negro e o bom brancoDa Nação BrasileiraDizem todos os diasDeixa disso camaradaMe dá um cigarro<br />Gramática popular – a fala de todos<br />A contribuição milionária de todos os erros<br />
  15. 15. O capoeira<br /> (Oswald de Andrade)— Quéapanhásordado?— O quê?— Quéapanhá?Pernas e cabeças na calçada.<br />Poética anti-erudita<br />Influência cubista<br />
  16. 16. Vício na falaPara dizerem milho dizem mioPara melhor dizem mióPara pior pióPara telha dizem teiaPara telhado dizem teiadoE vão fazendo telhados<br />Irreverência<br /> e ironia <br />
  17. 17. O poema-piada<br />Amor<br />Humor<br />
  18. 18. Postes da Light<br /> Locomotivas e bichos nacionaisGeometrizam as atmosferas nítidasCongonhas descora sob o pálioDas procissões de MinasA verdura no azul klaxonCortadaSobre a poeira vermelhaArranha-céusFordesViadutosUm cheiro de caféNo silêncio emoldurado<br />Poesia de caráter Futurista<br />São Paulo: uma capital dos <br />Tempos Modernos<br />
  19. 19. Tempos ModernosLulu Santos<br />Eu vejo a vidaMelhor no futuroEu vejo issoPor cima de um muroDe hipocrisiaQue insisteEm nos rodear...<br />Eu vejo a vidaMais clara e fartaRepleta de todaSatisfaçãoQue se tem direitoDo firmamento ao chão...<br />Eu quero crerNo amor numa boaQue isso valhaPra qualquer pessoaQue realizar, a forçaQue tem uma paixão...<br />Eu vejo um novoComeço de eraDe gente finaElegante e sinceraCom habilidadePra dizer mais simDo que não, não, não...<br />Hoje o tempo voa amorEscorre pelas mãosMesmo sem se sentirNão há tempoQue volte amorVamos viver tudoQue há pra viverVamos nos permitir...<br />
  20. 20. A prosa Oswaldiana<br />Memórias Sentimentais de João Miramar<br />Mescla prosa e poesia<br />Caráter cinematográfico<br />Capítulos-relâmpagos<br />Fluxo de consciência<br />Serafim Ponte Grande<br />Radicalização do que foi feito em “João Miramar”<br />
  21. 21. Verbo Crackar<br /> Eu empobreço de repenteTu enriqueces por minha causaEle azula para o sertãoNós entramos em concordataVós protestais por preferênciaEles escafedem a massa<br /> Sê pirataSede trouxas<br />Abrindo o palaPessoal sarado.<br /> Oxalá eu tivesse sabido que esse verbo era irregular.<br />Crítica do cotidiano<br />
  22. 22. Manuel Bandeira<br />Aquele inefável das coisas despretensiosas que, pela simplicidade, atingem o sublime.<br />
  23. 23. Auto-Retrato<br />Provinciano que nunca soubeEscolher bem uma gravata;Pernambucano a quem repugnaA faca do pernambucano;Poeta ruim que na arte da prosaEnvelheceu na infância da arte,E até mesmo escrevendo crônicasFicou cronista de província;Arquiteto falhado, músicoFalhado (engoliu um diaUm piano, mas o tecladoFicou de fora); sem família,Religião ou filosofia;Mal tendo a inquietação de espíritoQue vem do sobrenatural,E em matéria de profissãoUm tísico profissional.<br />Humildade e simplicidade<br />Bandeira autodenominava-se poeta menor<br />Tristeza e angústia<br />
  24. 24. Primeira fase – Pós-Simbolista<br />Desencanto<br />Eu faço versos como quem choraDe desalento... de desencanto...Fecha o meu livro, se por agoraNão tens motivo nenhum de pranto.<br />Meu verso é sangue. Volúpia ardente...Tristeza esparsa... remorso vão...Dói-me nas veias. Amargo e quente,Cai, gota a gota, do coração.<br />E nestes versos de angústia rouca, Assim dos lábios a vida corre,Deixando um acre sabor na boca.- Eu faço versos como quem morre.<br />(Manuel Bandeira - A Cinza das Horas – 1917)<br />
  25. 25. Madrigal Melancólico<br />O que eu adoro em ti,Não é a tua beleza.A beleza, é em nós que ela existe.<br />A beleza é um conceito.E a beleza é triste.Não é triste em si,Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.<br />O que eu adoro em ti,Não é a tua inteligência.Não é o teu espírito sutil,Tão ágil, tão luminoso,- Ave solta no céu matinal da montanha.Nem a tua ciênciaDo coração dos homens e das coisas.<br />O que eu adoro em ti,Não é a tua graça musical,Sucessiva e renovada a cada momento,Graça aérea como o teu próprio pensamento,Graça que perturba e que satisfaz.<br />O que eu adoro em ti,Não é a mãe que já perdi.Não é a irmã que já perdi.E meu pai.<br />O que eu adoro em tua natureza,Não é o profundo instinto maternalEm teu flanco aberto como uma ferida.Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!O que eu adoro em ti, é a vida.<br />
  26. 26. Apenas Mais Uma De AmorLulu Santos / Nelson Motta <br />Eu gosto tanto de vocêQue até prefiro esconderDeixo assim ficarSubentendido<br />Como uma idéia que existe na cabeçaE não tem a menor obrigação de acontecer<br />Eu acho tão bonito issoDe ser abstrato babyA beleza é mesmo tão fugaz<br />É uma idéia que existe na cabeçaE não tem a menor pretensão de acontecer<br />Pode até parecer fraquezaPois que seja fraqueza então,A alegria que me dáIsso vai sem eu dizer<br />Se amanhã não for nada dissoCaberá só a mim esquecerO que eu ganho, o que eu percoNinguém precisa saber<br />
  27. 27. Poética<br /> Estou farto do lirismo comedidoDo lirismo bem comportadoDo lirismo funcionário público com livro de ponto expedienteprotocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionárioo cunho vernáculo de um vocábulo.Abaixo os puristasTodas as palavras sobretudo os barbarismos universaisTodas as construções sobretudo as sintaxes de exceçãoTodos os ritmos sobretudo os inumeráveisEstou farto do lirismo namoradorPolíticoRaquíticoSifilíticoDe todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmoDe resto não é lirismoSerá contabilidade tabela de co-senos secretário do amanteexemplar com cem modelos de cartas e as diferentesmaneiras de agradar às mulheres, etcQuero antes o lirismo dos loucosO lirismo dos bêbedosO lirismo difícil e pungente dos bêbedosO lirismo dos clowns de Shakespeare— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.<br />FASE MODERNISTA<br />RENOVAÇÃO DA POESIA<br />
  28. 28. <ul><li>Fusão entre a confissão pessoal e a vida cotidiana.
  29. 29. lirismo do EU e lirismo do cotidiano
  30. 30. síntese entre subjetividade e objetividade.</li></li></ul><li>Poema Tirado de uma Notícia de Jornal <br /> João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da [Babilônia num barracão <br /> sem númeroUma noite ele chegou no bar Vinte de NovembroBebeuCantouDançouDepois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.<br />Poesia do cotidiano<br />
  31. 31. Diário de um detento (Racionais MC’s)<br />
  32. 32. Diário de um detento (Racionais MC’s)<br />"São Paulo, dia 1º de outubro de 1992, 8h da manhã.Aqui estou, mais um dia.Sob o olhar sanguinário do vigia.Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira deuma HK.Metralhadora alemã ou de Israel.Estraçalha ladrão que nem papel.Na muralha, em pé, mais um cidadão José.Servindo o Estado, um PM bom.Passa fome, metido a Charles Bronson.Ele sabe o que eu desejo.Sabe o que eu penso.O dia tá chuvoso. O clima tá tenso.Vários tentaram fugir, eu também quero.Mas de um a cem, a minha chance é zero.Será que Deus ouviu minha oração?Será que o juiz aceitou a apelação?Mando um recado lá pro meu irmão:Se tiver usando droga, tá ruim na minha mão.Ele ainda tá com aquela mina.Pode crer, moleque é gente fina.<br />Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá...Tanto faz, os dias são iguais.Acendo um cigarro, e vejo o dia passar.Mato o tempo pra ele não me matar.Homem é homem, mulher é mulher.Estuprador é diferente, né?Toma soco toda hora, ajoelha e beija os pés,e sangra até morrer na rua 10.Cada detento uma mãe, uma crença.Cada crime uma sentença.Cada sentença um motivo, uma história de lágrima,sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio,sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo.Misture bem essa química.Pronto: eis um novo detentoLamentos no corredor, na cela, no pátio.Ao redor do campo, em todos os cantos.Mas eu conheço o sistema, meu irmão, hã...<br />
  33. 33. Presença da subjetividade<br /> Traços autobiográficos: tuberculose e decadência familiar poderiam explicar o clima de desejo insatisfeito e amargurado que percorre a sua obra.<br />
  34. 34. Pneumotórax<br />Febre, hemoptise,dispnéia e suores noturnos.<br />A vida inteira que podia ter sido e que não foi.<br />Tosse ,tosse,tosse<br />Mandou chamar o médico:<br />-Diga trinta e três.<br />-trinta e três... Trinta e três.... Trinta e três...<br />-Respire.<br />O Senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.<br />-Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?<br />-Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. <br />
  35. 35. Vou-me Embora pra PasárgadaManuel Bandeira<br />Vou-me embora pra PasárgadaLá sou amigo do reiLá tenho a mulher que eu queroNa cama que escolherei<br />Vou-me embora pra PasárgadaAqui eu não sou feliz<br />Lá a existência é uma aventuraDe tal modo inconseqüente <br />Que Joana a Louca de Espanha<br />Rainha e falsa demente<br />Vem a ser contraparenteDa nora que nunca tive<br />E como farei ginásticaAndarei de bicicletaMontarei em burro braboSubirei no pau-de-sebo<br />Tomarei banhos de mar!E quando estiver cansadoDeito na beira do rio<br />
  36. 36. Mando chamar a mãe-d'água<br />Pra me contar as históriasQue no tempo de eu meninoRosa vinha me contarVou-me embora pra Pasárgada<br />Em Pasárgada tem tudoÉ outra civilizaçãoTem um processo seguroDe impedir a concepção<br />Tem telefone automáticoTem alcalóide à vontadeTem prostitutas bonitasPara a gente namorar<br />E quando eu estiver mais tristeMas triste de não ter jeito<br />Quando de noite me derVontade de me matar— Lá sou amigo do rei —Terei a mulher que eu queroNa cama que escolhereiVou-me embora pra Pasárgada.<br />
  37. 37. BabylonZeca Baleiro<br />Baby! I'msoaloneVamos pra Babylon!Viver a pão-de-lóE möetchandonVamos pra Babylon!Gozar! Sem se preocupar com amanhãVamos pra BabylonComprar o que houverAurevoir raléFinesses'ilvousplaitMondieujet'aime glamourManhattan bynightPassear de iateNos mares do pacífico sul...<br />Baby! I'malivelike A Rolling StoneVida é um souvenir Made in Hong Kong<br />Vem ser feliz Ao lado deste bonvivantVamos pra Babylon<br />De tudo provar Champanhe, caviarScotch, escargot, raybanBye, byemiserêKayanow to meO céu seja aquiMinha religião é o prazer...<br />Não tenho dinheiro Pra pagar a minha yogaNão tenho dinheiro Pra bancar a minha droga<br />Eu não tenho renda Pra descolar a merenda<br />Cansei de ser duro Vou botar minh'alma à venda...<br />Eu não tenho grana Pra sair com o meu brotoEu não compro roupaPor isso que eu ando rotoNada vem de graçaNem o pão, nem a cachaçaQuero ser o caçadorAndo cansado de ser caça...<br />Ai, morena! Viver é bomEsquece as penas Vem morar comigoEm Babylon...(4x)<br />
  38. 38. A morte como tema<br />Momento Num Café Quando o enterro passouOs homens que se achavam no caféTiraram o chapéu maquinalmenteSaudavam o morto distraídosEstavam todos voltados para a vidaAbsortos na vidaConfiantes na vida.<br />Um no entanto se descobriu num gesto largo e demoradoOlhando o esquife longamenteEste sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidadeQue a vida é traiçãoE saudava a matéria que passavaLiberta para sempre da alma extinta<br />
  39. 39. Poesia Social<br />
  40. 40. O Bicho<br />Vi ontem um bicho<br />Na imundície do pátio<br />Catando comida entre os detritos<br />Quando via alguma coisa,<br />Não examinava nem cheirava:<br />Engolia com voracidade.<br />O bicho não era um cão,<br />Não era um gato,<br />Não era um rato.<br />O bicho, meu Deus, era um homem.<br />
  41. 41. Mário de Andrade<br />a liderança <br />intelectual<br />
  42. 42. Moça linda bem tratada<br />Moça linda bem tratada,Três séculos de família,Burra como uma porta:Um amor.Grã-fino do despudor,Esporte, ignorância e sexo, Burro como uma porta:Um coió.Mulher gordaça, filó, De ouro por todos os porosBurra como uma porta:Paciência...Plutocrata sem consciência, Nada porta, terremotoQue a porta de pobre arromba:Uma bomba.<br />CRÍTICA DE “TIPOS” BURGUESES<br />OLHAR IRÔNICO<br />
  43. 43. Ode ao burguês<br />Eu insulto o burguês! O burguês-níquelo burguês-burguês!A digestão bem-feita de São Paulo!O homem-curva! O homem-nádegas!O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!Eu insulto as aristocracias cautelosas!Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!Que vivem dentro de muros sem pulos,e gemem sangue de alguns mil-réis fracospara dizerem que as filhas da senhora falam o francêse tocam os "Printemps" com as unhas!Eu insulto o burguês-funesto!O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!Fora os que algarismam os amanhãs!Olha a vida dos nossos setembros!Fará Sol? Choverá? Arlequinal!Mas à chuva dos rosaiso êxtase fará sempre Sol!<br />ODE = CANTO DE LOUVOR<br />CARÁTER ANTIBURGUÊS<br />INTENÇÃO ESCANDALIZADORA<br />
  44. 44. Morte à gordura!Morte às adiposidades cerebrais!Morte ao burguês-mensal!Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!"— Ai, filha, que te darei pelos teus anos?— Um colar... — Conto e quinhentos!!!Más nós morremos de fome!"Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!Oh! purée de batatas morais!Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!Ódio aos temperamentos regulares!Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!Ódio à soma! Ódio aos secos e molhadosÓdio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,sempiternamente as mesmices convencionais!De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!Dois a dois! Primeira posição! Marcha!Todos para a Central do meu rancor inebriante!<br />Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!Morte ao burguês de giolhos,cheirando religião e que não crê em Deus!Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!Ódio fundamento, sem perdão!Fora! Fu! Fora o bom burguês!...<br />
  45. 45. Descobrimento<br />Abancado à escrivaninha em São PauloNa minha casa da rua Lopes ChavesDe supetão senti um friúme por dentro.Fiquei trêmulo, muito comovidoCom o livro palerma olhando pra mim.Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus! muito longe de mimNa escuridão ativa da noite que caiuUm homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,Faz pouco se deitou, está dormindo.Esse homem é brasileiro que nem eu.<br />CONSCIÊNCIA SOCIAL<br />
  46. 46. Eu Sou Trezentos...Mário de Andrade<br />  Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, As sensações renascem de si mesmas sem repouso, Ôh espelhos, oh! Pirineus! oh caiçaras! Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro! <br /> Abraço no meu leito as milhores palavras, E os suspiros que dou são violinos alheios; Eu piso a terra como quem descobre a furto Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos! <br /> Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta, Mas um dia afinal eu toparei comigo... Tenhamos paciência, andorinhas curtas, Só o esquecimento é que condensa, E então minha alma servirá de abrigo. <br />
  47. 47. Arte “social” do modernismo<br />Operários – Tarsila do Amaral<br />
  48. 48. AMAR, VERBO INTRANSITIVO <br />Idílio<br />1927 <br />
  49. 49. A crítica aos costumes e à moral da família burguesa patriarcalista paulistana <br />
  50. 50. Família Titãs<br />Família! Família!Papai, mamãe, titiaFamília! Família!Almoça junto todo diaNunca perde essa mania...<br />Mas quando a filhaQuer fugir de casaPrecisa descolar um ganha-pãoFilha de família se não casaPapai, mamãeNão dão nem um tostão...<br />Família! Família!Vovô, vovó, sobrinhaFamília! Família!Janta junto todo diaNunca perde essa mania...<br />Mas quando o nenêFica doenteProcura uma farmácia de plantãoAssim não dá pra ver televisão...<br />Família! Família!Cachorro, gato, galinhaFamília! Família!Vive junto todo diaNunca perde essa mania...<br />A mãe morre de medo de barataO pai vive com medo de ladrãoJogaram inseticida pela casaBotaram cadeado no portão...<br />
  51. 51. O enredo<br />Educação sexual de um rapaz de família burguesa.<br />Carlos, centro das atenções familiares, não pode ficar sujeito à ganância e às doenças das mulheres da vida.<br />Contrata-se Fräulein, professora de sexo.<br />
  52. 52. Fräulein Elza<br />Fräulein (em alemão significa “senhorita”, mas também tem o valor e todo o peso do termo “professora”)<br />Possui um projeto de<br /> voltar para a Alemanha<br />
  53. 53. Professora de “Amor”<br />
  54. 54. Carlos<br />Jovem burguês<br />Centro da família (o filho homem)<br />Já era iniciado sexualmente<br />Envolve-se amorosamente por Fraulein<br />
  55. 55. A psicanálise<br />utilização da teoria freudiana (grande paixão do autor) como embasamento da trama. <br />a iniciação sexual tranqüila e segura <br /> garantia para uma vida madura <br />estabelecimento de um lar sagrado. <br />Em suma, sexo é a base de tudo. <br />
  56. 56. Souza Costa brilhantina até no bigode <br />Críticas à burguesia paulistana e à sua mania de tentar ser o que não é ou esconder o que no fundo é. Querem esconder que são tão mestiços quanto o resto do país.<br />Laura<br />usa produto para alisar o cabelo<br />
  57. 57. Ouro de tolo - Raul Sixas<br />Eu devia estar contente<br /> Porque eu tenho um empregoSou um dito cidadão respeitável <br />E ganho quatro mil cruzeiros <br />Por mês...<br />Eu devia agradecer ao SenhorPor ter tido sucesso <br />Na vida como artistaEu devia estar felizPorque consegui comprar <br />Um Corcel 73...<br />Eu devia estar alegre E satisfeitoPor morar em IpanemaDepois de ter passado Fome por dois anosAqui na Cidade Maravilhosa...Eu devia estar sorrindo E orgulhosoPor ter finalmente vencido na vida<br />Mas eu acho isso uma grande piadaE um tanto quanto perigosa...<br />Eu devia estar contentePor ter conseguido Tudo o que eu quisMas confesso abestalhadoQue eu estou decepcionado...<br />Porque foi tão fácil conseguirE agora eu me pergunto "e daí?"Eu tenho uma porçãoDe coisas grandes prá conquistarE eu não posso ficar aí parado...<br />Eu devia estar feliz pelo SenhorTer me concedido o domingoPrá ir com a família No Jardim ZoológicoDar pipoca aos macacos...<br />
  58. 58. Mas que sujeito chato sou euQue não acha nada engraçadoMacaco, praia, carroJornal, tobogãEu acho tudo isso um saco...<br />É você olhar no espelhoSe sentirUm grandessíssimo idiotaSaber que é humanoRidículo, limitadoQue só usa dez por centoDe sua cabeça animal...<br />E você ainda acreditaQue é um doutorPadre ou policialQue está contribuindoCom sua partePara o nosso beloQuadro social...<br />Eu que não me sentoNo trono de um apartamentoCom a boca escancaradaCheia de dentesEsperando a morte chegar...<br />Porque longe das cercasEmbandeiradasQue separam quintaisNo cume calmoDo meu olho que vêAssenta a sombra sonoraDe um disco voador...<br />
  59. 59. Trecho para análise<br />Laura, Fräulein tem o meu consentimento. Você sabe: hoje esses mocinhos... é tão perigoso! Podem cair nas mãos de alguma exploradora! A cidade... é uma invasão de aventureiras agora! Como nunca teve!. Como nunca teve, Laura... Depois isso de principiar... é tão perigoso! Você compreende: uma pessoa especial evita muitas coisas. E viciadas! Não é só bebida não! Hoje não tem mulher-da-vida que não seja eterônoma, usam morfina... E os moços imitam! Depois as doenças!… Você vive em sua casa, não sabe… é um horror! Em pouco tempo Carlos estava sifilítico e outras coisas horríveis, um perdido!<br />
  60. 60. As idéias de Fraulein<br />“quedê raça mais forte? Nenhuma... O nobre destino do homem é se conservar sadio e procurar esposa prodigiosamente sadia. De raça superior, como ela, Fräulein. Os negros são de raça inferior. Os índios também. Os portugueses também.”<br />
  61. 61. Prosa experimental<br />Linguagem “errada” na época, afastada do português castiço <br />Imitação (às vezes de forma eficiente, às vezes não) do padrão coloquial brasileiro. <br />A maneira de falar do nosso povo. <br />Emprego das digressões, boa parte delas metalingüísticas, outra parte sociológicas<br />
  62. 62. A ironia do título<br />O verbo "amar" é transitivo direto e não intransitivo.<br />“Idílio” implica numa forma singela de amor em que não pairam dúvidas quanto à reciprocidade entre dois sujeitos.<br />
  63. 63. Conclusão<br /> Tudo passa e muda. A família burguesa, bem composta, bem construída, mantém sua estabilidade. Um família imóvel, mas feliz.<br />
  64. 64. A minha alma – O Rappa<br />A minha alma tá armada e apontadaPara cara do sossego!Pois paz sem voz, paz sem vozNão é paz, é medo!As vezes eu falo com a vida,As vezes é ela quem diz:<br />"Qual a paz que eu não quero conservar,Prá tentar ser feliz?"<br />As grades do condomínioSão prá trazer proteçãoMas também trazem a dúvidaSe é você que tá nessa prisão<br />Me abrace e me dê um beijo,Faça um filho comigo!Mas não me deixe sentar na poltronaNo dia de domingo, domingo!<br />Procurando novas drogas de aluguelNeste vídeo coagido...É pela paz que eu não quero seguir admitindo<br />
  65. 65.
  66. 66.
  67. 67. MacunaímaO herói sem nenhum caráter<br /> "No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma." <br />
  68. 68. Macunaíma<br />Mitos, crenças e tradições indígenas misturam-se a elementos do cotidiano paulista<br />Produto da colagem de várias lendas do folclore brasileiro.<br />
  69. 69. Macunaíma encontra o Curupira<br />
  70. 70. “feito um quadro de triângulos coloridos em que os pedaços, aparentemente juntados ao acaso, delineiam em conjunto a paisagem do Brasil e a figura do brasileiro comum”, Cavalcanti Proença.<br />
  71. 71. "O que existe em Macunaíma, é uma sátira à imoralidade. O próprio herói termina vítima de seus ímpetos sexuais e acaba morrendo sem glórias, os amores esquecidos, exceto o que não teve companheiro por ter sido amor primeiro.”<br />(M.C. Proença, em roteiro de Macunaíma, 1974, p.17.)<br />
  72. 72. Espaço e tempo arbitrários<br /> da capital de São Paulo foge para a Ponta do Calabouço, no Rio, e logo já está em Guarajá-Mirim, nas fronteiras de Mato Grosso e Amazonas para, em seguida, chupar manga-jasmim em  Itamaracá de Pernambuco, tomar leite de vaca zebu em Barbacena, Minas Gerais, decifrar litóglifos na Serra do Espírito Santo e finalmente se esconder no oco de um formigueiro, na Ilha do Bananal, em Goiás.<br />
  73. 73. Cassiano Ricardo<br />Verde-Amarelo<br />Martim Cererê<br />
  74. 74. A rua<br />(Cassiano Ricardo)Bem sei que, muitas vezes, O único remédio É adiar tudo. É adiar a sede, a fome, a viagem, A dívida, o divertimento, O pedido de emprego, ou a própria alegria. A esperança é também uma forma De continuo adiamento. Sei que é preciso prestigiar a esperança, Numa sala de espera. Mas sei também que espera significa luta e não, apenas, Esperança sentada. Não abdicação diante da vida. A esperança Nunca é a forma burguesa, sentada e tranqüila da espera. Nunca é figura de mulher Do quadro antigo. Sentada, dando milho aos pombos.<br />
  75. 75. Alcântara Machado<br />“Brás, Bexiga e Barra Funda”<br />Retrato das dificuldades vividas pelo imigrante italiano em São Paulo<br />

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