BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB   1
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A 13 de Setembro de 1923 nascia nos Açores, na ilha de São Miguel, aescritora e mulher que viria a dar um dos maiores cont...
Obras:                                                                              Reuno coisas comovidamente:•        As...
O centro da sua casa situava-se na zona de estar                A sua era uma luz que nem todos conseguiam(biblioteca, esc...
•   Ai madrugada pálida e sombria•   Em que deixei a terra de meus pais...•   E aquele adeus que a voz do mar trazia•   Du...
Escritora com obra editada desde 1946, destacou-se na poesia, teatro, romance e ensaio. Foi   também tradutora, jornalista...
Zeca Afonso: Trovador da voz d’ouro    insubmisso•   É de murta e de mar a tua voz•   Com algas de canção estrangulada.•  ...
•   Quem disse que eras fraco, ó Povo? Os que te chamam oprimido para mais te    sugarem. Abriram-te as portas do Inferno ...
Durante o debate da lei contra o alcoolismo•   Num país de beberrões•   Em que reina o velho Baco•   Se nos tiram os canji...
No meu aniversário•   Já por cinquenta e tal esta jangada•   Do corpo em águas negras abrevia•   De Aqueronte a outra marg...
A 16 de Março de 1993 morria Natália Correia,  um dos grandes ícones da cultura portuguesa.                 BiBLIOTECA ESC...
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Natalia Correia

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Lembrando Natália Correia na data em que se assinala os vinte anos da sua morte.

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Natalia Correia

  1. 1. BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 1
  2. 2. BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 2
  3. 3. A 13 de Setembro de 1923 nascia nos Açores, na ilha de São Miguel, aescritora e mulher que viria a dar um dos maiores contributos para acultura portuguesa do século XX, Natália Correia. Ainda de tenra idadeveio para Lisboa na companhia de sua mãe e irmã. O Liceu Filipa de Lencastre foi o local onde estudou e a Rádio ClubePortuguês foi onde deu início à sua vida profissional como jornalista.Dominadora, encantadora, provocatória, irreverente, afectiva, lutadora,são alguns dos adjectivos que mais se utilizam para caracterizar essegrande símbolo da cultura portuguesa do século XX.Defensora da liberdade e da cultura, desenvolveu uma intensa actividadecomo escritora, poetisa e ensaísta, também entrou e marcou o mundo dapolítica, lutou contra o fascismo e, mais tarde, tornou-se deputada peloPSD e pelo PRD. Ficou célebre não só pela sua actividade literária, massobretudo pelos seus discursos acesos e apaixonados proferidos noParlamento. BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 3
  4. 4. Obras: Reuno coisas comovidamente:• As Grandes Aventuras de um Pequeno Herói, 1945; Da mãe, o xaile azul, do namorado• Anoiteceu no Bairro, 1946;• Rio de Nuvens, 1947; Um beijo no Relvão, da avó demente,• Poesia, 1955; O anjo que cantava no telhado;• Dimensão Encontrada, 1957;• Passaporte, 1958;• Comunicação, 1959; Da ilha, a hora lassa que ao poente• Cântico do País Emerso, 1961;• A Questão Académica de 1907, 1964; Rendia o mar a um sono nacarado,• O Homúnculo, 1965; De febris coisas, já no Continente,• Antologia de Poesia Erótica e Satírica, 1966;• O Vinho e a Lira, 1966; Num clarão de ametista, o amado,• O Encoberto, 1969;• Matria, 1969;• Cantares dos Trovadores Galaico-Portugueses, 1970; Dos meus passos da cruz, as cicatrizes;• Trovas de D. Dinis, 1970;• As Maçãs de Orestes, 1970; Da minha estrela errante outros países;• A Madona, 1971; Do breve encontro, um rosto que se esfuma...• A Mosca Iluminada, 1972;• A Mulher, 1973;• O Surrealismo na Poesia Portuguesa, 1973; Coisas que em busca da sua ligação• O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro, 1973;• Uma Estátua para Herodes, 1974; Reuno. Absurda sensação• Poemas a Rebater, 1975; De as juntar e não ter coisa nenhuma.• Epístola aos Iamitas, 1976;• Não Percas a Rosa, 1978; (Na câmara de reflexão) – Natália Correia• A Pécora, Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente, 1982 (teatro) BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 4
  5. 5. O centro da sua casa situava-se na zona de estar A sua era uma luz que nem todos conseguiam(biblioteca, escritório, sala de comer, de receber, suportar, até porque não permitia filtros aos que ade festejar, de preguiçar), espaço grandioso fitavam.forrado a livros, a quadros, a fotos, a referêncas, a O tempo foi, entretanto, mudando, mudando-a,recordações, a simbolos, mesa gigantesca ao isolando-a. A força da palavra, a sua arma,centro, mármore negro, pés esculpidos de oiro, enfraqueceu. A cultura e o espírito, a imaginação etinteiro de cobre, candeeiro de haste, poltronas de a utopia depreciaram-se. Tentou resistir: ‘Não, nãorebordo, televisão sem som, telefone sem fios, me mato/ antes me zango até ficar um cacto/ Quemrecordações sem negrumes. me tocar, maldito/ que se pique’. Por ela passaram vultos universais, Henry Miller, [...]Ionesco, Claude Roi, Michaux; nele se representouSartre (clandestinamente) pela primeira vez em Fernando Dacosta – ‘A natalidade de Natália’ in ‘Natália: dez anosPortugal. depois’. Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto, 2003.[...] BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 5
  6. 6. • Ai madrugada pálida e sombria• Em que deixei a terra de meus pais...• E aquele adeus que a voz do mar trazia• Dum lenço branco, a acenar no cais...•• O meu veleiro – era de espuma fria –• Levava-o o fervor dos vendavais.• À passagem gritavam-me: onde vais?• Mas só o meu veleiro respondia.•• Cruzei o mar em direcções diferentes.• Por quantas terras fui, por quantas gentes,• Nesta longa viagem que não finda.•• Só uma estrada resta – mais nenhuma.• Na Ilha que o passado envolve em bruma,• Um lenço branco que me acena ainda... BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 6
  7. 7. Escritora com obra editada desde 1946, destacou-se na poesia, teatro, romance e ensaio. Foi também tradutora, jornalista (nomeadamente com colaboração no Diário de Notícias e A Capital), guionista e editora. Com um estilo literário muito próprio e de difícil definição, na sua escrita têm sido apontadas pelos críticos características barrocas, românticas e surrealistas. Na televisão, notabilizou-se com programas culturais como “Mátria”. Na política, enquanto deputada eleita pelo PPD (e depois como independente), entre 1980 e 1991, demonstrou uma invulgar coragem combativa, intervindo polemicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Teve também um passado de ligação a movimentos anti-fascistas, participando no Movimento de União Democrática (1945) e na Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (1969), e apoiando os candidatos à presidência Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1965). Com algumas das suas obras apreendidas pela Censura, chegou mesmo a ser condenada, durante a Ditadura, a três anos de prisão, com pena suspensa, e sob a acusação de abuso de liberdade de imprensa, pela publicação de uma Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta.http://blx.cm-lisboa.pt/gca/?id=1025 BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 7
  8. 8. Zeca Afonso: Trovador da voz d’ouro insubmisso• É de murta e de mar a tua voz• Com algas de canção estrangulada.• Aberta a concha da trova malsofrida• Saíste como sai a madrugada• Da noite, virginal e humedecida.• É de vinho e de pinho a tua voz• Com pranto de insofríveis flores banidas.• Mas é pela tua garganta que soltamos• As eriçadas aves proibidas• Que no muro do medo desenhamos. Natália Correia BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 8
  9. 9. • Quem disse que eras fraco, ó Povo? Os que te chamam oprimido para mais te sugarem. Abriram-te as portas do Inferno mas teu instinto genésico segredou-te: aqui começa a morte. E num clarão da tua antiga clarividência viste que os que a ti se submetiam em peçonhenta piedade populista te queriam subjugar. E encrespaste-te. E empunhando a tocha de um Abril que te haviam roubado queimaste as máscaras dos diligentes vampiros da Pátria.• Em ti eu louvo o guardião da Nave que perpetuamente carrega os tesouros da descoberta. Outrora em transparências dissolveste o breu do Mar Ignotus. Hoje teu albedo é a flor azul que desponta nos confins da ansiedade com que te perscrutas. E é sempre o mesmo e único segredo. Os monstros entornaram o teu vinho? Queimaram as tuas searas? Salgaram as fontes onde cantavam os teus deuses? Estás triste, ó operário dessas coisas por ti criadas? Engolfa-te na dor já que és ourives do ouro atormentado. A tua tristeza está destinada a iluminar o mundo. Com ela nivelo o meu canto. E dissipo as nuvens. Por detrás delas embusca-se a besta. In ‘Poesia completa: o sol nas noites e o luar nos dias’ - p. 416 BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 9
  10. 10. Durante o debate da lei contra o alcoolismo• Num país de beberrões• Em que reina o velho Baco• Se nos tiram os canjirões• Ficamos feitos num caco.• E querem os deputados• Com um ar de beatério• Que fiquemos desmamados• Quais anjos num baptistério.• Se o verde e o tinto são• As cores da nossa bandeira,• Ai, lá se vai a nação• Se acabar a bebedeira.• De abstemia não se faça• A lex neste plenário• Que o direito à vinhaça• Esse é consuetudinário. (Natália Correia) BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 10
  11. 11. No meu aniversário• Já por cinquenta e tal esta jangada• Do corpo em águas negras abrevia• De Aqueronte a outra margem: e corada• De moça fica a alma à rebelia• Da ruga pelo tempo concertada.• Pede bengala a reuma? Assim a Pítia• Pede o tripé que só nele sentada• Inala os fumos da Sabedoria.• Amigos que ao fortuito aniversário,• Por édito de torto calendário,• Cinquenta e tal hortênsias me trazeis!• Pelos anos letais descendo as pernas,• Sobe a alma por louros às lanternas• Do canto que me furta a humanas leis. BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 11
  12. 12. A 16 de Março de 1993 morria Natália Correia, um dos grandes ícones da cultura portuguesa. BiBLIOTECA ESCOLAR EPADD - PB 12

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