Processo sucessório em associações

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O que é processo sucessório? Por que esse assunto é importante em empreendimentos coletivos? Como fazer a sucessão? O que deve fazer o sucessor de um presidente de grupo produtivo? Essas e outras perguntas devem ser respondidas com essa apresentação.

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Processo sucessório em associações

  1. 1. Processo sucessório nas Associações http://admborges.wix.com/gestaocoletivaElaborado por adm. Álvaro Leandro Borges – Livre utilização desde que citada a fonte
  2. 2. Introdução http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Falar em sucessão em um grupo produtivo provoca em todos os envolvidos diversos dilemas. Em muitas associações é possível ouvir o presidente relatar a sobrecarga, a necessidade de que os outros se envolvam e a vontade em passar o bastão para outra pessoa. No entanto, quando surge uma pessoa interessada, muitas vezes demonstrando ótimas atitudes devido à empolgação, pode acontecer do Presidente externar sua aprovação, porém internamente, as vezes até por atitudes inconscientes, pode haver boicote ao trabalho de possíveis sucessores.
  3. 3. Estudo de caso http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Esses conflitos acontecem principalmente quando os princípios de Solidariedade ainda não estão internalizados no Grupo. Internalizar o bem do grupo como objetivo principal ajuda muito a superar esse tipo de obstáculo. Vejam a história ao lado e reflita um pouco sobre como o grupo deveria ter se portado... Em um grupo de costureiras havia 17 associadas. Em dado momento, em virtude de conflito sobre qual deveria ser o destino de recursos de um projeto, surgiu uma forte oposição à Presidente. A situação ficou de forma que 08 associadas ficaram “contra”, enquanto a Presidente tinha apoio de mais 08, totalizando uma maioria de 09. As 08 que perderam, contrariadas, saíram aos poucos do grupo. Restando novo conflito, houve novo racha na associação, ficando 04 contrárias às decisões da Presidente e de suas 04 aliadas. Nova debandada, restaram apenas 05 associadas. Os problemas continuaram e, após mais um conflito, mais duas associadas saíram. O grupo, antes promissor, foi minguando até ser extinto. O que, de fato causou o fim da associação? O que as associadas deveriam ter feito? Que tipo de outros problemas estavam escondidos nesse grupo? As divisões “apertadas” demonstram que os conflitos não eram devidamente discutidos. Cada dúvida, o grupo deve sentar e discutir até sanar, buscando, se não o consenso, a ampla maioria. Outra questão pode ter sido o posicionamento da líder que, ao “estimular” a divisão de forma a manter seu posicionamento... ... estimulou que sempre houvesse uma minoria na associação. É provável que essas minorias formadas não tivessem a voz adequada no grupo, preferindo assim sempre abandonar a associação. Fato similar já aconteceu em um grupo assessorado pela Prefeitura do Natal. Por fim, o grupo foi extinto e um projeto não beneficiou à comunidade.
  4. 4. O que passa na cabeça do Presidente? http://admborges.wix.com/gestaocoletiva É importante deixar claro que essas situações não acontecem porque o Presidente é ruim ou algo parecido. Há nesse processo uma dimensão humana muito significativa. Mesmo quando é o próprio quem decide sair, veja o que ele pensa em um primeiro momento... É... Hora de passar a peteca pra outro. Tenho certeza que dei o meu melhor e vou ser reconhecido por isso! Poxa... O pessoal já quer me ver pelas costas! Parece até que querem que eu saia logo! Nesse momento em que ele anuncia que pretende sair, recebe mensagens de apoio e elogios. Logo as pessoas já imaginam aquele associado que poderá substituí-lo. Eventualmente vem uma ou outra comparação, e a natureza humana não falha... Caramba... Sinto que não faço mais parte disso aqui. O melhor a fazer é ir embora. Por fim, se a pessoa selecionada já tomar a frente de tudo, pode causar um mal estar. O grupo não pode esquecer o que foi feito, as dificuldades encontradas e o que precisou ser superado para que os avanços fossem mais fáceis hoje...
  5. 5. O Presidente como empreendedor social • Adotar uma missão para criar e manter valor social; • Reconhecer e procurar novas oportunidades para servir essa missão; • Empenhar-se em um processo contínuo de inovação, adaptação e aprendizagem; • Agir com ousadia sem estar limitado pelos recursos disponíveis e; • Prestar contas com transparência às clientelas que servem e em relação aos resultados obtidos. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Em muitos casos o Presidente de uma associação é um empreendedor social. É um líder dentro da comunidade e sucedê- lo não é tarefa fácil. Dees(2001) relaciona quais o que torna uma pessoa um empreendedor social:
  6. 6. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Os desafios são imensos, mas devem ser mais facilmente ultrapassados do que em uma empresa, devido ao espirito do associativismo. Edileusa de Sousa (2010) expressa, de forma muito feliz, essa força: “As associações assumem os princípios do associativismo, que expressam a crença de que juntas as pessoas conseguem melhores soluções para os conflitos apresentados pela vida em sociedade.”
  7. 7. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  8. 8. • Gradativa e planejada • Por meio de processo inesperado ou repentino de mudança de direção quando ocorre morte, acidente ou doença afastando o dirigente do cargo. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva As associações devem estar preparadas para o futuro. Temos que considerar que incertezas podem afetar drasticamente o destino do grupo. Em termos de processo sucessório, Leone (1992) destaca pode ocorrer de duas formas: Uma das formas mais eficazes de minimizar os riscos inerentes a esses processos é a utilização de programas permanentes de preparação de sucessores, já que em uma organização, o poder não se transfere, mas é conquistado. Mesmo a forma gradativa e planejada merece um certo cuidado das associadas. Sousa (2010), por exemplo, cita que em uma pesquisa realizada com líderes do terceiro setor dos EUA, 75% deles afirmaram que pretendem se aposentar entre 2 a 5 anos, o que demonstra que os grupos devem ao máximo depender exclusivamente de seus líderes.
  9. 9. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Sousa (2010) realizou uma pesquisa onde identificou que um grupo deixou de existir porque a sua fundadora se afastou por motivos de saúde e não havia ninguém para assumir a direção da associação. É muito triste quando um grupo se acaba por um motivo como esse...
  10. 10. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Sabe outro problema do processo sucessório que incomoda...? Que me deixa loooooouco... “Os presidentes que entram não fazem nada. Porque é assim, aqui a gente tem vários segmentos, né, tem o pessoal do cipó, o pessoal da madeira, então, toda vez que entrava um presidente, que ele era do cipó, ele só tratava do assunto do cipó, os outros segmentos ele não ligava, entendeu?” É quando o grupo sofre as consequências de ser representado por um presidente que assumiu para buscar oportunidades para o seu próprio grupo, paras as pessoas que trabalham com a mesma tipologia, mesmo produto que ele... Vejam esse depoimento levantado por Sousa (2010): As vezes nem é culpa da pessoa, mas isso pode acabar com um grupo. Escolher quem vai ficar a frente e ter um ambiente aberto de discussão é de vital importância para a saúde do empreendimento.
  11. 11. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva O fato é que esse processo é tão complicado, traumático e perigoso para as associações devido ao caráter multifuncional dos seus presidentes. Poucos integrantes ajudam ele no lado administrativo da associação. As pessoas precisam ver que participar também representa uma oportunidade de desenvolvimento pessoal.
  12. 12. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  13. 13. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Primeiramente a associação tem que identificar quais são as funções essenciais de direção. Falamos bastante em presidente devido ao seu caráter de representante da associação, mas toda e qualquer função deve ter um plano de sucessão de base. Em geral, as associações possuem essas funções administrativas: Presidente Vice Secretário Tesoureiro O ideal é que cada função tenha dois potenciais substitutos que possuas as características necessárias. Pra tesoureiro, a pessoa deve ser boa de cálculo, controle e ser idônea. Secretário deve ser organizado e responsável. Vice deve ter um perfil complementar ao do Presidente...
  14. 14. Perfil do próximo líder http://admborges.wix.com/gestaocoletiva E Qual deve ser o perfil do próximo líder? Vamos debater? Vamos separar a turma em dois grupos. Cada grupo deverá defender o perfil do líder conforme os bonecos ao lado! O presidente deve ter um perfil carismático, do povo, voltado para o grupo e sempre tomar decisões ouvindo a todos! Nada disso! O presidente deve ser diretivo, apontando os caminhos do grupo e ser politico, buscando parcerias para o desenvolvimento do grupo!
  15. 15. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Certamente a discussão deve ter sido rica para todos e cada um, independente da posição que tomou, deve ter ficado com uma pulga na orelha imaginando se o outro grupo não tinha razão. De fato ambos os grupos estavam certos, depende da ótica que está sendo falado! Refico e Gutierrez (2006), por exemplo, coloca que cada organização social possui 04 fases e cada uma dessas fases exige um perfil de liderança diferente! Analisem a tabela ao lado e percebam em habilidades e estilos de liderança se o que foi dito no debate não se encaixa. Perfis diferentes podem ser mais adequados para o grupo dependendo de que fase ele se encontre.
  16. 16. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Entendido o perfil do líder, ter um plano sucessório no empreendimento é muito importante, mas muitas vezes não é possível. Na necessidade de substituição, é necessário que sejam evitados os “rachas”, buscando ao máximo o consenso entre os associados. Isso é necessário pelo fato de que uma eventual divisão pode vir a prejudicar a continuidade do grupo. O fato é que uma sucessão mal feita é traumática, podendo atingir a todos os envolvidos. Veja ao lado algumas falas colhidas por Sousa (2010) no que se refere a sucessões dentro dos grupos: “O que a gente sente necessidade é isso, inovações, de um outro tipo de direcionamento pra associação, porque ela é uma pessoa já de idade, o que ela faz é com muita competência, mas ela não tem mais aquela visão de futuro...” “Porque até agora tem andado muito bem, não está como a gente pensa, mas tem andado como a gente pode, e aí o pessoal tem cisma de colocar algum outro e a coisa não dar certo, e aí não querem que outro assuma.” “A gente faz assembleia, né, pra tentar por outro, só que os companheiros aqui têm um ditado que diz: “Time que ganha não mexe!”. Só que eu digo pra eles o seguinte, o que eu tinha de fazer eu acho que já fiz, tem de vir alguém pra completar aquilo que eu não consegui.” Por essas e outras falas, a busca de entendimento coletivo é tão importante. Em uma sucessão, o novo presidente deve ser legitimado pela grande maioria, para que não ocorra conflitos destrutivos ao grupo.
  17. 17. DINÂMICA – ATIVIDADES QUE O SUCESSOR DEVE TER Em uma cartolina, o grupo deve anotar 10 qualidades que o sucessor na presidência deve ter. Ao escrever a qualidade, a pessoa deve passar a caneta para outra a sua escolha, que deve se dirigir à cartolina e escrever nova qualidade. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  18. 18. Habilidades que o sucessor deve ter • Habilidade de alinhamento estratégico  conciliar o foco estratégico da organização com as necessidades dos diferentes grupos de interesse; • Habilidade para harmonizar  conciliar os interesses do grupo com os dos parceiros; • Habilidade para motivar  formar e motivar equipes comprometidas com a associação e; • Habilidade de visão e compromisso social  compreender a problemática do entorno e identificar-se com a realidade que enfrentam distintos grupos de interesse. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Muito Bem! Reficco e Gutierrez citam também as seguintes habilidades:
  19. 19. Processo de eleição do novo Presidente http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Para eleger uma nova diretoria, o regimento da associação deve ser observado. Pode ser que seja interessante convidar algum parceiro, como por exemplo uma entidade incubadora, para participar do processo. Feito isso, basta seguir as etapas a seguir: Convocar os membros conforme estatuto Realizar votação Realizar apuração No caso da votação, é recomendável que seja em votação secreta.
  20. 20. Assumi. E agora? http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Após a eleição, o novo presidente eleito deve procurar se inteirar contexto em que a associação está inserida. Um grupo possui diversos Stakeholders, ou seja, grupos de pessoas e entidades que se relacionam com a associação. A tabela ao lado mostra como o novo presidente deve agir com eles:
  21. 21. Dicas para os potenciais sucessores • Descobrir as características pessoais e profissionais do Presidente, para aprender com suas qualidades e defeitos; • Manter aberto o canal de comunicação, mantendo-o em sua rede de relacionamento e consultando-o sempre que possível; • Criar e consultar uma rede de aconselhamento, formada por pessoas de confiança que possam ajudar na gestão; • Concentrar-se em seu objetivo de focar no coletivo, dedicando-se bastante de inicio para dominar os processos. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva Também após a eleição, e antes quando for uma situação consensual, o sucessor não deve desgrudar do antecessor. As dicas ao lado valem ouro e devem ser internalizadas com cuidado por quem assume essa responsabilidade!
  22. 22. Quem tem mais influência, poder, em uma associação? a) O cliente b) O presidente c) O associado d) O incubador http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  23. 23. Nunca esquecer quem manda... http://admborges.wix.com/gestaocoletiva A pergunta anterior serviu apenas para desafiar. Quem pode ou não pode é o Associado. Ele quem vai conviver com as consequências da escolha. O Presidente é importante, mas ele não pode esquecer que é um como todos os demais. Por fim, uma última citação das entrevistas feitas por Sousa (2010) “O presidente está ali somente pra dizer que é o presidente e quando precisa assinar alguma coisa que é ele que assina, porque todos não podem assinar, na verdade TODOS OS SÓCIOS são responsáveis pela associação.”
  24. 24. Referências • CIAMPA, Dan e WATKINS, Michael. O dilema do sucessor. HSM nº 21, julho/agosto de 2000, pgs 130-140. • LOPES, Maurício e WILHELM, Pedro. Simulador Líder 8.0. Universidade Federal de Santa Catarina. • NATRIELL NETO, Antônio e GUIMARO JUNIOR, Orlando. Manual das associações: como constituir e administrar uma associação. 1ª edição, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Piracicaba, 2011. • SOUSA, Edileusa Godói de. O processo sucessório em associações produtivas no Brasil : Estrutura, desafios e oportunidades. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  25. 25. Crédito das imagens • SLIDE 01 - http://www.villafanha.com.br/sucessao-empresarial- familiar/ • SLIDE 02 - http://dinheirama.com/blog/2013/09/19/dilema-lideranca- melhor-ser-amado-temido/ • SLIDE 03 - http://searchengineland.com/domain-bias-in-search- results-172698 / http://criemoda.com/de-unhas-feitas-smile/ / https://zuccoliassessoriadeeventos.wordpress.com/2014/05/22/mas- quanto-custa-a-assessoria-do-casamento/smile-triste/ • SLIDE 07 - http://www.centraldobarreiro.com/crer-e-tambem-pensar/ • SLIDE 09 - http://pt.dreamstime.com/fotos-de-stock-royalty-free-fonte- da-multid%C3%A3o-separa%C3%A7%C3%A3o-do-grupo- image12625208 • SLIDE 11 - http://teatres.com.br/2015/01/20/quer-mudanca-quero- quer-mudar-bem/ • SLIDE 14 - http://musicaeadoracao.com.br/outros-artigos/debates- sobre-a-musica-na-iasd/ http://admborges.wix.com/gestaocoletiva
  26. 26. Obrigado! Comente! • Adm. Álvaro Leandro Borges • admborges@yahoo.com.br / alvaroborges@caern.com.br • Administrador e Especialista em Economia Solidária e Desenvolvimento Territorial pela UFRN • Administrador na CAERN – Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte • http://admborges.wix.com/gestaocoletiva http://admborges.wix.com/gestaocoletiva

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