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  1. 1. Estratégia Pedagógica 2ª edição – 2010 Versão Experimental
  2. 2. Estratégia Pedagógica do Bloco Inicial de Alfabetização 2ª edição – 2010 Versão Experimental
  3. 3. GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERALRogério Schumann RossoSECRETÁRIO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERALSinval Lucas de Souza FilhoSECRETÁRIA ADJUNTA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITOFEDERALMaria Nazaré de Oliveira MelloSUBSECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO BÁSICAAna Carmina Pinto Dantas SantanaDIRETOR DE ENSINO FUNDAMENTALLuciano Barbosa FerreiraCOMISSÃO DE REVISÃO DA ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA DO BLOCOINICIAL DE ALFABETIZAÇÃO - BIACOORDENAÇÃOMárcia Lucindo LagesELABORAÇÃOBethel Mansur Ferreira | Celina Henriqueta Matos Herédia | Cláudia Teles deMedeiros | Dalva Martins de Almeida | Esther Gomes Shiraishi | Flávia MottaSantos | Girlene Torres de Almeida | Luciana da Silva Oliveira | Márcia CristinaLima Pereira | Márcia Valéria Nascimento Seabra | Maria do Carmo CardosoMendonça Menezes |Patrícia Coelho Rodrigues | Rafaela Ferreira CastroBischoff |Rosângela Mary Delphino | Sandra Yara Zanchet dos Santos | SeirPereira da Silva | Sheila Soares da Silva | Soraneide Dantas CarneiroCOLABORAÇÃOBenigna Maria de Freitas Villas Boas | Carmyra Oliveira BatistaEDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃOAmanda Midôri Amano
  4. 4. SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO .............................................................................................. 31. BLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO – BIA - A ESTRATÉGIAPEDAGÓGICA DOS PRIMEIROS ANOS DO ENSINO FUNDAMENTAL NODISTRITO FEDERAL ......................................................................................... 5 1.1 HISTÓRICO DO BIA ................................................................................. 5 1.2 A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR EM CICLO ................................................ 8 1.3 A CONCEPÇÃO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM .......................... 13 1.4 A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO E TEMPO ESCOLAR ......................... 17 1.5 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO 252. ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTOS E LUDICIDADE: OS EIXOSINTEGRADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO BLOCO INICIAL DEALFABETIZAÇÃO ............................................................................................ 323. OS PRINCÍPIOS DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO BLOCO INICIAL DEALFABETIZAÇÃO ............................................................................................ 40 3.1. PRINCÍPIO DA FORMAÇÃO CONTINUADA......................................... 40 3.2 PRINCÍPIO DO REAGRUPAMENTO ..................................................... 48 3.3. PRINCÍPIO DO PROJETO INTERVENTIVO ......................................... 53 3.4. PRINCÍPIO DA AVALIAÇÃO FORMATIVA ............................................ 58 3.5. PRINCÍPIO DO ENSINO DA LÍNGUA ................................................... 69 3.6. PRINCÍPIO DO ENSINO DA MATEMÁTICA ......................................... 90 3.6.1. A matemática e sua importância na formação humana ................... 90 3.6.2. A matemática no BIA ....................................................................... 91 3.6.3. Os campos fundamentais da matemática escolar ........................... 93 3.6.4. Dimensões da atividade matemática ............................................... 94 3.6.5. Os sete processos mentais .............................................................. 96 3.6.6. A ação pedagógica do professor ..................................................... 99 3.6.7. O ambiente matematizador ............................................................ 1014. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ................................................................. 1055. REFERÊNCIAS .......................................................................................... 107
  5. 5. APRESENTAÇÃO A Estratégia Pedagógica do Bloco Inicial de Alfabetização - 2ª Edição -Versão Experimental é um documento construído por comissão, designada pormeio de Ordem de Serviço, ouvidos os professores e os coordenadores, queatuam nos três primeiros anos do Ensino Fundamental, que tem por objetivo,entre outros mais específicos “Garantir ao estudante, a partir dos 6 anos deidade, a aquisição da alfabetização/letramentos na perspectiva da ludicidade edo seu desenvolvimento global, com vistas à formação do leitor e do escritorproficientes”. Assim, essa publicação visa nortear a prática pedagógica dos/aseducadores/as no que tange à reorganização e à articulação do tempo e doespaço da aprendizagem, à identificação dos saberes já construídos pelosalunos para que, a partir dessa identificação, planejem e replanejem seustrabalhos e, ainda, definam mecanismos de acompanhamento que propiciem atransformação no fazer pedagógico, para que o educando tenha acesso aossaberes essenciais para sua formação como sujeito autônomo, crítico ecompetente. Espera-se, dessa forma, que, no ano letivo de 2011, a partir dodesenvolvimento desta Estratégia Pedagógica do Bloco Inicial de Alfabetização- 2ª Edição - Versão Experimental, no cotidiano escolar, o/a professor/a reflita,discuta e avalie, aprimorando-a com vistas à publicação definitiva em 2012. Ana Carmina Pinto Dantas Santana Subsecretária de Educação Básica 3
  6. 6. 1. BLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO – BIA - A ESTRATÉGIAPEDAGÓGICA DOS PRIMEIROS ANOS DO ENSINOFUNDAMENTAL NO DISTRITO FEDERAL1.1 HISTÓRICO DO BIA Com a promulgação da Lei nº 3.483, de 25 de novembro de 2004, oDistrito Federal estabeleceu a implantação do Ensino Fundamental de 9 anosna Rede Pública de Ensino do Distrito Federal, antecipando-se, portanto, aorestante do país. Em 2005, a Secretaria de Estado de Educação do DistritoFederal iniciou essa ampliação para os 9 anos no ensino fundamental nasinstituições educacionais vinculadas à Diretoria Regional de Ceilândia, sendoque nas demais Diretorias, essa ampliação foi gradativa até o ano de 2008.Assim, em 2009 o Ensino Fundamental de 9 anos estava consolidado nas 14Diretorias Regionais de Ensino: Brazlândia, Ceilândia, Guará, Gama, NúcleoBandeirante, Paranoá, Planaltina, Plano Piloto/ Cruzeiro, Recanto das Emas,Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho e Taguatinga. Esse processo ocorreu segundo os princípios metodológicos daProposta Pedagógica do Bloco Inicial de Alfabetização – BIA de 2006,aprovada pelo Conselho de Educação do Distrito Federal por meio do Parecernº 212/2006 e instituída pela Secretaria de Estado de Educação do DistritoFederal - SEDF por meio da Portaria nº 4, do dia 12 de janeiro de 2007.Destaca-se que a construção da proposta inicial do BIA contou com aparticipação dos professores da Rede pública de ensino por meio de debates,de encontros, de reuniões e de informações levantadas nos processos deformação. Assim, a proposta pedagógica do Bloco Inicial de Alfabetização – BIA,buscou, além de atender a Lei Federal nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006,em seu art. 5º, a reorganização do tempo e do espaço escolar, a fim de que sepudesse obter um processo de alfabetização de qualidade, bem como dereafirmar um dos objetivos do Plano Nacional de Educação de 2001: a reduçãodas desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência,com sucesso, na educação pública. Os professores, envolvidos no processo inicial de escolarização nasinstituições públicas do Distrito Federal, sabem os sucessos colhidos e as 5
  7. 7. dificuldades vivenciadas na transformação de uma instituição educacional queprecisa, cada vez mais, ser acolhedora e de qualidade para todos. Na tabela, pode-se observar as duas matrizes curriculares quecoexistem, atualmente, no Ensino Fundamental. ENSINO FUNDAMENTAL DE 9 ANOS 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º DRE ANO ANO ANO ANO ANO ANO ANO ANO ANO Ceilândia 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Taguatinga 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Brazlândia Guará 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Samambaia Demais DRE que implantaram o EF 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016de 09 anos em 2008 Tabela 1 Com isso, confirma-se a perspectiva de uma instituição educacionaligualitária que se fortalece com a ampliação do Ensino Fundamental para9 anos, conforme legislação vigente. Uma vez que um ano a mais de vidaescolar traz diferenças consideráveis no percurso de escolarização do cidadão.Para isto, o BIA, a partir de uma proposta pedagógica fundamentada com aparticipação de todos para a melhoria da educação, visa envolver a instituiçãoeducacional em ações sistematizadas que promovam a aprendizagem dosestudantes, por meio da construção de uma educação inclusiva que respeite adiversidade cultural, social, de gênero e de credo. Assim, alguns índices, como o IDEB - Índice de Desenvolvimento daEducação Básica - de 2009 evidencia o crescimento dos anos iniciais doEnsino Fundamental da rede pública do Distrito Federal (5.4) que já superou ameta estabelecida pelo MEC para o ano de 2011. No entanto, em relação àleitura e à escrita, mesmo com os avanços já conseguidos, há necessidade decontinuidade das políticas de organização escolar e maior investimento nosanos iniciais de escolarização. Sabe-se que o insucesso da educação apresenta como razões, diversosfatores, entre eles o de caráter social que dificulta o acesso, a permanência e oaproveitamento escolar. Todavia, a questão metodológica, o “como fazer” para 6
  8. 8. que as crianças aprendam, de fato, a ler e a escrever proficientemente,também, é um elemento importante. Nessa perspectiva, assegurar a todas as crianças um tempo/espaçoressignificado de convivência escolar e oportunidades concretas de aprenderrequer de todo professor uma prática educativa fundamentada na existência desujeitos, que como afirma Freire (1996, p. 77) “um que ensinando, aprende,outro que aprendendo, ensina”. É a dialética desse processo que torna aeducação uma prática social imprescindível na constituição de sociedadesverdadeiramente democráticas. PARA SABER MAIS... O BIA apresenta uma organização escolar Professor, leia asem ciclos de aprendizagem, assim, preconiza Orientações Gerais para o Ensino Fundamental de 9uma instituição educacional que proporcione o anos: Bloco Inicial deavanço de todos com a qualidade de Alfabetização, de 2006, no capítulo de contexto legal eaprendizagem e respeito às questões individuais educacional.dessas aprendizagens. O Distrito Federal possibilitou a progressão continuadano Bloco antecipando a não retenção de suas crianças nos anos iniciais daalfabetização, confirmando um caminho, hoje, defendido e preconizado peloMinistério da Educação. Segundo as Diretrizes Operacionais para a matrícula no ensinofundamental, o Conselho Nacional de Educação aponta que os três anosiniciais do Ensino Fundamental devem assegurar: a) a alfabetização e o letramento; b) o desenvolvimento das diversas formas de expressão, o aprendizado da matemática e das demais áreas de conhecimento; c) o princípio da continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no ensino fundamental como um todo e, particularmente, na passagem do primeiro para o segundo ano de escolaridade e deste para o terceiro. Parágrafo 1º: mesmo quando o sistema de ensino ou a escola, no uso de sua autonomia, façam opção pelo regime seriado, é necessário considerar os três anos iniciais do ensino Fundamental como um bloco pedagógico ou um ciclo seqüencial não passível de interrupção, para ampliar a todos os estudantes as oportunidades de sistematização e aprofundamento das aprendizagens básicas, imprescindíveis para o prosseguimento dos estudos. 7
  9. 9. A política de ciclos é polêmica e foco de muitas discussões, de avançose de recuos, e, portanto, não se pode deixar de refletir sobre o papel identitárioe social da instituição educacional pública e tomar como ponto de partida aanálise da lógica da instituição educacional seriada e suas consequências(seletividade, exclusão, taxas de reprovação). Considerando este panorama educacional, a Secretaria de Estado deEducação do Distrito Federal – SEDF – constituiu uma comissão comprofessores da rede pública de ensino, para revisar e ampliar o documentoorientador do BIA, tendo em vista atender aos anseios e às necessidades daalfabetização e do letramento no contexto atual, contribuindo para uma reflexãomaior sobre o processo inicial de escolarização. Essa comissão contou com representantes da equipe da 1ª edição daproposta e com professores que atuam nas diversas Diretorias Regionais deEnsino, nos Centros de Referência em Alfabetização - CRA, coordenaçãointermediária, além de coordenadores do nível central da SEDF, com o cuidadode garantir estruturas participantes dos mais diversos profissionais queimplementam o BIA no DF, dando voz aos professores atuantes no Bloco.1.2 A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR EM CICLO Na organização escolar em ciclo, o pensamento norteador está emfunção das necessidades de aprendizagens dos estudantes. Ele parte de outraconcepção de aprendizagem e de avaliação que traz desdobramentossignificativos para o espaço e o tempo escolar, além de exigir novas práticas enovas posturas da equipe escolar. O tempo escolar é uma construção histórica e cultural, a partir dadécada de 80, vários estados e municípios reestruturaram o ensinofundamental a partir das séries iniciais. Esse processo de reorganização, quetinha como objetivo político minimizar o problema da repetência e da evasãoescolar, adotou como princípio norteador a flexibilização da seriação, o queabriria a possibilidade de o currículo ser trabalhado ao longo de um período detempo maior e permitiria respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem que osestudantes apresentam (PCN, 1996). Desse modo, a seriação inicial deu lugar ao ciclo básico, tendo comoobjetivo propiciar maiores oportunidades de escolarização voltada para a 8
  10. 10. alfabetização efetiva das crianças. As experiências, ainda que tenhamapresentado problemas estruturais e necessidades de ajustes da prática,acabaram por demonstrar que a organização por ciclos contribui, efetivamente,para a superação dos problemas do desenvolvimento escolar. Segundo Mainardes (2007), na década de 1980, muitos estados no país– São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná - implantaram o sistema de cicloscom o CBA (Ciclo Básico de Alfabetização). No estudo de Tolentino (2007) oDistrito Federal também implantou o ciclo nesse período com o Projeto ABC(1984), o CBA (1989) e a Escola Candanga (1997). Vale destacar aparticipação do DF nas experiências pioneiras do País de políticas de nãoretenção, quando na década de 1960, mais precisamente a partir de 1963, oensino primário foi dividido em três fases, onde o estudante avançava para asegunda fase ao completar o processo de alfabetização. A organização escolar em ciclos foivista como um recurso para a modernização PARA SABER MAIS...da educação, a redução da seletividade da A ideia de eliminar a reprovação nos primeiros anos deescola e o desperdício de recursos escolarização não é nova. As discussões sobre políticas de nãofinanceiros, que com o regime seriado e o reprovação tiveram início no finalsistema de promoção, baseado no da década de 1910 e as primeiras experiências foramdesempenho dos estudantes, produziram os implementadas no final da década de 1950. Na educação brasileira oaltos índices de reprovação e de evasão. termo “ciclo” apareceu na Reforma Francisco CamposSegundo Teixeira (1954 In Ibid.), em 1938, (década de 1930) e na Reforma Capanema (Leis Orgânicas do58% dos estudantes matriculados, na 1ª ensino – 1942/1946). E o usosérie, não chegavam a 2ª série, além disso, deste termo, como política de não reprovação, foi protagonizado porsomente 4% dos estudantes, completavam o São Paulo, em 1984 (MAINARDES, 2007).ensino primário sem nenhuma reprovação. Nos anos de 1990, os ciclos foram reformatados e indicados na Lei deDiretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, no seu artigo 23 e oRegime de Progressão Continuada foi incluído no parágrafo 2º do Art. 32. Adiferença está na forma como as ações norteadoras da organização escolar seestabelecerão. A política de ciclos pôde ser implementada, portanto, somentecom o objetivo de diminuir as taxas de reprovação, assumindo um caráter maisconservador, ou com o objetivo de criação de um sistema educacional maisdemocrático e igualitário, assumindo um caráter mais transformador. 9
  11. 11. A proposta dos ciclos no Brasil abrange dois tipos de organização: osciclos de aprendizagem e os ciclos de formação. Embora a progressãocontinuada seja considerada uma organização em ciclos, faz-se necessáriorefletir sobre as diferenças existentes. Os ciclos de aprendizagem apresentamuma estrutura de dois ou três anos de duração e prevê ao final desse período aretenção do estudante que não atingir os objetivos do ciclo. Os ciclos deformação baseiam-se nos ciclos de desenvolvimento humano e prevê umamudança mais radical no sistema de ensino com a não retenção do estudanteao longo do Ensino Fundamental. A Escola Plural (Belo Horizonte) e a EscolaCidadã (Porto Alegre) são referências positivas de formulação de ciclos deformação (MAINARDES, 2007). Na progressão continuada, as séries são mantidas e a reprovação éeliminada em algumas séries, bem diferente dos ciclos de formação e deaprendizagem que propõem mudanças no contexto escolar, na formação dosprofessores, na avaliação e no currículo. Segundo Freitas (2003) somente o entendimento de ciclos, para além da PARA REFLETIR... progressão continuada, trará o avanço da Você, professor, percebe-se como sujeito da mudança que concepção conservadora-liberal para as se almeja com a implantação do BIA na organização dos anos propostas transformadoras e progressistas. iniciais do Ensino Fundamental? Os objetivos de formação, no final do percurso nos ciclos de aprendizagem, devem (LOPES apud MAINARDES, 2008, p.74): “as políticas ser bem definidos, afirma Perrenoud (2006) curriculares não se resumem apenas aos documentos escritos, que indica como pontos positivos nessa mas incluem os processos de planejamentos, vivenciados e organização o tempo/espaço escolar, o olhar construídos em múltiplos sujeitos no corpo social da educação. São diferenciado em função da aprendizagem de produções para além das cada estudante; a pedagogia diferenciada em instâncias governamentais.” que se pensam ações voltadas para as reaisnecessidades dos estudantes; o nível de comprometimento da equipepedagógica; e a não-retenção, pois tira o foco da dimensão tempo, forçandouma atitude em relação às outras dimensões. A organização escolar em ciclopossibilita à instituição educacional olhar para todos os seus estudantes,porque estes, não mais evadem por causa da repetência e, ao permaneceremna escola, exigem dessa instituição uma tomada de atitude. 10
  12. 12. Assim, o BIA - Bloco Inicial de Alfabetização - é uma organizaçãoescolar em ciclos de aprendizagem que pressupõe mudanças nas concepçõesde ensino, aprendizagem e avaliação, e, consequentemente, na organizaçãodo trabalho pedagógico e na formação de seus professores. Segundo VillasBoas (2010), pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade deBrasília, implantar um ciclo de alfabetização implica construir uma escoladesvinculada das características da seriação, tais como: a fragmentação dotrabalho e seu desenvolvimento não-diferenciado, a avaliação centrada emnotas e a aprovação ou reprovação. Portanto, requer outra concepção deensino e aprendizagem, requer outra escola. Nesse sentido, Mainardes (2007) ressalta que a organização daescolaridade em ciclos somente faz sentido se resultar em um estadoqualitativo superior no que se refere à garantia do direito à educação, àapropriação do conhecimento pelos alunos e à concretização de um projetotransformador da escola e da sociedade. Em outras palavras, a instituiçãoeducacional em ciclos só será exitosa, se avançar em relação à instituiçãoeducacional seriada e suas limitações. PARA LEMBRAR... Portanto, cada professor é protagonista A DSE – Diretoria de Organizaçãonesse processo de ressignificação dos do Sistema de Ensino, que é responsável pela estratégia deespaços e dos tempos de ensino e de matrícula, o documento que normatiza o processo de matrículaaprendizagens na alfabetização. Retornando na Rede pública de ensino do DFao BIA, seguem as mudanças que implicam a e que determina o número de estudantes em sala para o anosua organização escolar: letivo subseqüente, de acordo com o decreto nº 28.007/2007, em 1º - Trabalho Pedagógico: deve estar conformidade com o artigo 104, parágrafo único, da resolução nºvoltado para as necessidades de 01/2005-CEDF, juntamente com o Regimento Interno da SEDF.aprendizagem de todos os estudantes ecom a garantia de um processo contínuo de aprendizagem. 2º - Progressão Continuada: os estudantes no bloco têm progressão do1º ano para o 2º ano, e deste para o 3º ano; uma garantia de respeito aostempos de desenvolvimento do estudante nos primeiros anos escolares. 3º - Retenção: só acontece ao final do ciclo, no 3º ano do BIA. 4º - Avaliação, Currículo, Metodologia e Formação dos Professores:requerem outras organizações e ações pedagógicas pautadas na construção eno fazer coletivo. 11
  13. 13. Outro ponto de destaque é a formação de turmas, que pode priorizar ummenor número de alunos em sala, de idades mais próximas, comcaracterísticas e interesses similares. A análise dos resultados dos últimos anos, após a implantação do BIA,demonstra como a organização inicial em CICLOS gerou uma menor retençãode estudantes no período inicial da escolarização. Sabe-se que uma avaliaçãomais detalhada e um estudo sobre este programa reclamam mais informaçõese análises mais aprofundadas, no entanto já é permitida uma constatação, osresultados das avaliações externas e essa análise inicial apontam que aqualidade de ensino, com a organização escolar em ciclos de aprendizagem,por meio do BIA, tem sido maior e melhor e tem promovido mudançassignificativas para o alfabetizar letrando. Análise os rendimentos dos estudantes a partir da implantação do BIA,aprecie os gráficos abaixo. ÍNDICE DE RETENÇÃO Séries e Ciclos 20% 15% 10% 5,6% 0% Série (1ª e 2ª série) 2005 a 2009 Ciclos (1º, 2º e 3º ano) 2005 a 2009 - BIA Gráfico 1 ÍNDICE DE RETENÇÃO Ensino Fundamental de 8 e 9 anos 20,00% 15,00% 14,47% 14,67% 13,51% 10,00% 10,67% 6,62% 8,90% 6,35% 5,00% 6,18% 0,00% 0,00% 0,01% EF 08 2005 2006 2007 2008 2009 Anos Gráfico 2 12
  14. 14. PARA REFLETIR... Em 2009, foi realizada uma pesquisa E você professor, como percebe que contou com a participação de essa dinâmica? É comum na sua professores, diretores e coordenadores, que escola a crença de que a reprovação garante aprendizagem atuam com o BIA, pela Coordenadoria de na ocorrência da repetência? O grupo de educadores reconhece o Editoração de Inovações Pedagógicas da BIA como possibilidade de fazer uma escola mais igualitária? SEDF, que gerou o documento “Bloco Inicial de Alfabetização: o desafio da mudança”(2009), e um dos pontos de maior discussão e relevância apontados pelosdocentes está no fato de a retenção acontecer só ao final do BIA. Um númerosignificativo de professores ainda não conseguiu internalizar a dinâmica deuma aprendizagem que precisa ser contínua e interativa, atendendo àsmúltiplas e diferenciadas necessidades dos estudantes.1.3 A CONCEPÇÃO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM A organização em ciclos preconiza uma concepção de aprendizagemque respeita e entende os tempos da vida, que o ser humano estáconstantemente aprendendo (Santana In MAINARDES, 2009). Com a ediçãorenovada desta orientação para o Bloco Inicial de Alfabetização, espera-seesclarecer que uma organização em ciclos não é promoção automática e nema desvalorização do processo de ensino, e sim, uma organização que trazcomo essência, o respeito aos tempos de aprendizagem de cada estudante,promovendo a aprendizagem significativa por meio de eixos e princípios queserão apresentados, a seguir, e que precisam ser considerados nadinamicidade do planejamento educativo. Como se sabe, a aprendizagem é um dos principais objetivos daeducação escolar e os educadores são desafiados, a todo o momento, arevisar estudos e a ampliar conceitos. Nesse sentido, as concepções que se têm sobre o ato de aprender, deensinar e de avaliar são essenciais e responsáveis pelo melhor cumprimentoda função social da instituição educacional pública. Sendo assim, retomar o percurso histórico das concepções, já vivenciadasna educação, é importante para que se assumam determinadas teorias deaprendizagem no embasamento do trabalho alfabetizador que se faz presentenas metodologias utilizadas no ato de ensinar. 13
  15. 15.  Concepção de conhecimento na Perspectiva Idealista: a aprendizagem dependeria de uma predeterminação biológica;  Concepção de conhecimento na Perspectiva Comportamentalista: a aprendizagem depende de opções e estímulos para o sujeito por meio de reforço e fixação;  Concepção de conhecimento na Perspectiva Sócio-Construtivista: a aprendizagem é construída na interação do sujeito com o meio social e ambiental no qual está inserido; Como se sabe esta última é a concepção que vigora e explica os processosde aprendizagem do ser humano atualmente. E por isso, a concepção deaprendizagem adotada pelo BIA corrobora uma perspectiva de construção deconhecimento numa relação sócio-histórico-interacionista, fundamentada naconvicção de que os conhecimentos científicos necessitam ser reconstruídosem suas plurideterminações, dentro das novas condições de produção de vidahumana, respondendo, quer de forma teórica, quer de forma prática, aos novosdesafios propostos pela sociedade contemporânea, conforme defendeGasparim (2002). Todas as situações sociais vividas têm significado no desenvolvimentoda aprendizagem do estudante. Para Vygotsky (TEIXEIRA, 2003), a linguagemtransforma-se em uma ferramenta fundamental da aprendizagem humana,entendendo que as funções psíquicas da mente são essencialmente sociais. Portanto o ser humano precisa de desejo, interesse, colaboração esocialização do conhecimento para aprender, daí a importância de você,professor, agir como um interventor e, consequentemente, mediador deaprendizagens, especialmente no momento inicial de escolarização,enfatizando mais a aprendizagem como processo que como resultado, dandolugar ativo à ação de quem aprende. Para facilitar a compreensão desses processos, os aspectos referentesao aprender são fundamentados em diversas teorias que devem embasar otrabalho pedagógico do professor alfabetizador. Dentre as diversas teorias,destacam-se os estudos de Piaget, Vygotsky, Wallon e Ausubel comoimportantes autores que se referem aos processos de aprendizagem e que osalfabetizadores devem utilizar para fundamentar sua prática docente. 14
  16. 16. Assim, o conhecimento, na abordagem sócio-interacionista estimula umaforma de pensar em que o aprendiz constrói e reconstrói o conhecimentoexistente, tornando-o significativo. Nesse contexto, a Concepção de Alfabetização para o BIA se apresentabaseada numa concepção de língua interacionista, funcional e discursiva,buscando entender o “como” e o “quando” se estabelecem as relações no atode aprender a ler e a escrever na construção deste código alfabético, comvistas ao uso social da língua escrita e falada. Então, é preciso que os professores assumam uma concepção social dalinguagem escrita, partindo do pressuposto do caráter histórico dacomunicação, entendendo qual o papel da escrita nesse mundocontemporâneo (KLEIN, 2003). Assim, conceber o ensino da língua em umaperspectiva social implica entendê-la como produção do homem, a forma queela assume na organização social, suas funções e seus interesses. Comodefende Antunes (2003, p. 45): “Ter acesso à palavra escrita representa apossibilidade de dominar um instrumento de poder chamado linguagem social.” A comunicação é suscetível de um PARA REFLETIR... manejo construtivo em sala de aula, na Quais outras teorias de aprendizagem estão presentes medida em que a aprendizagem deve permitir em seu trabalho pedagógico de ao estudante se posicionar a partir de uma alfabetizador? perspectiva pessoal e reflexiva (TEIXEIRA, Atente-se para o fato de que essas teorias necessitam partilhar 2003). Evidentemente essa nova forma da mesma base teórica assumida para o BIA e da concepção de pedagógica de agir pede ações que língua interacionista e dialógica. Ter ciência de que qualquer privilegiem a contradição, a dúvida, o prática em sala de aula sem teoria questionamento, onde a diversidade e a é falaciosa e esvaziada de sentido, para Vázquez (1997), a divergência são valorizadas. Os conteúdos teoria é indispensável à constituição da práxis, pois é “a precisam ser despojados de sua forma pronta sua capacidade de modelar idealmente um processo futuro e imutável para serem analisados, que lhe permite ser um instrumento – às vezes decisivo – compreendidos e apreendidos dentro de sua na práxis produtiva ou social”. totalidade dinâmica, o que conforme explicita (p.215). Gasparim (2002) só será possível ao seinstituir uma nova forma de trabalho pedagógico que dê conta deste desafio. A partir das reflexões, estudos e incitações promovidos pela vivênciadesde a implantação e implementação do BIA, reafirmam que o Objetivo Geral 15
  17. 17. do BIA é garantir ao estudante, a partir dos 6 anos de idade, a aquisição daalfabetização/letramentos na perspectiva da ludicidade e do seudesenvolvimento global, com vistas à formação do leitor e do escritorproficientes. Esse objetivo, nessa conjuntura, se desdobra em Objetivos Específicos.Relembrando!  Reorganizar o tempo/espaço da escola, com vistas ao pleno desenvolvimento do estudante e sua efetiva alfabetização/letramento.  Atender aos fundamentos teórico-metodológicos norteadores da prática docente, tendo em vista a concepção de alfabetização e letramentos proposta para o BIA.  Garantir o trabalho efetivo com o eixo integrador – alfabetização/letramentos/ludicidade – que articule a construção de diferentes linguagens e as relações que essa construção estabelece com os objetos do conhecimento.  Valorizar a formação continuada dos professores, estimulando a reflexão-ação-reflexão da prática pedagógica.  Refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem, permitindo aos estudantes do Bloco: o vivenciar experiências prazerosas de aprendizagem, com a ressignificação das atividades escolares; o interagir solidariamente com seus pares e demais membros da comunidade escolar; o perceber o espaço escolar como ambiente de trabalho cooperativo e de equipe, responsabilizando-se pela organização da vida coletiva e pela construção de novos conhecimentos; o sentir-se apoiado e estimulado a refletir, questionar, pesquisar, tomar iniciativa, enfim, ser o sujeito ativo no processo educativo. Por isso, que a organização escolar em ciclos de aprendizagemapresentada pelo BIA pede a reorganização do espaço social da sala de aula,da instituição educacional, que deve ser um espaço participativo e decompartilhamento de ações. 16
  18. 18. 1.4 A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO E TEMPO ESCOLAR A organização espaço/tempo do fazer pedagógico é desafiadora e,muitas vezes, reveladora da forma os professores, concebem e realizam otrabalho docente. Pensar nesse espaço de atuação pedagógica é pensar que aprimeira presença se faz pelo corpo que ocupa um espaço e estabelecesentido. Confirma-se, então, a nova significação dada à linguagem e à expressãocorporal, que para Amorim (2004) são constructos integradores para a vivênciada diversidade e amplitude do estudante. Dessa maneira, o cuidado, um olharmais sensível, às estratégias pedagógicas diversas e a organização do tempoe espaço escolar fazem a diferença na formação do homem mais feliz,consciente de si e dos outros. E essas relações, promovidas por um espaço etempo bem organizados e estimulantes, segundo a mesma autora, possibilitamoutras formas de relacionamentos e de aprendizagens. O sentido que se atribui à instituição educacional e a sua função social,a concepção que se tem de infância e de adolescência, os espaços damotricidade, da afetividade e da cognição no processo de ensino e deaprendizagem influenciam, diretamente, na forma em que se organizar otrabalho pedagógico. Além desses, muitos outros fatores condicionam aorganização do trabalho pedagógico, como, por exemplo, as característicasindividuais de professores e de estudantes, a localização da instituiçãoeducacional, no bairro ou cidade, o espaço físico da própria escola e asatividades nela desenvolvidas, bem como a concepção de educação e desujeitos que se quer formar. Falemos então sobre o espaço. Ao se pensar na sala de aula, pode-se entender esse ambiente comouma estrutura dinâmica que apresenta 04 dimensões, claramente definidas einterrelacionadas entre si. Como ampliar essa discussão? Seriam então,dimensões, para além da corpórea, e otimizadoras para o planejamento: 1. Dimensão física: O que há e como se organiza? 2. Dimensão funcional: Como se utiliza e para quê? 3. Dimensão relacional: Quem e em que circunstâncias? 4. Dimensão temporal: Quando e como é utilizada? Entender o espaço como estrutura de oportunidades e contexto deaprendizagens e de significados, é destacado por Zabalza (1998) ao afirmar 17
  19. 19. que o espaço na educação deve ser constituído como uma estrutura deoportunidades. É uma condição externa que favorecerá ou dificultará oprocesso de crescimento pessoal do estudante e do professor e odesenvolvimento das atividades educativas. Esse ambiente, enquanto contextode aprendizagens constitui espaços vivos de estruturas espaciais, delinguagens, de instrumentos, bem como, de possibilidades ou de limitações dodesenvolvimento que se almeja. PARA REFLETIR... Estudantes e professores, como protagonistas dessa interação que se faz a A criança de 06 anos no Ensino Fundamental: Professores, todo instante na sala de aula, precisam ser como esta criança de 6 anos tem sido tratada no seu considerados no planejamento e, trabalho e na sua escola? principalmente, numa instituição educacional Com a inserção da criança de seis anos no Ensino Fundamental é de organizada em ciclos, como o BIA, que suma importância o papel do apresenta, pelos seus tempos e espaços, a professor na organização do espaço. Esse espaço precisa dinâmica promotora dos trabalhos coletivos e valorizar as ações das crianças, suas expressões, a imaginação, diversos, para o respeito aos tempos de as falas e as produções. Envolve um caminho hibrido entre o desenvolvimento e a ressignificação do mundo do Ensino Fundamental e a prática da Educação Infantil. trabalho do alfabetizador para uma aprendizagem de todos. Sendo o tempo outro aspecto de fundamental importância naorganização do trabalho pedagógico com o qual se depara e parecendosempre escasso pede uma forma de organização com qualidade. Nessesentido, o BIA propõe um repensar na organização do tempo escolar de modoflexível, buscando a retomada de aspectos importantes do processo de ensinoe de aprendizagem, ou seja, dos conhecimentos tratados nas diferentessituações didáticas com os estudantes. Deve-se lembrar, também, que aspessoas têm tempos diferentes de aprendizagem e, consequentemente,aprendem de formas diferentes. Nesse sentido, os professores devem criaroportunidades diferenciadas de aprendizagem para os estudantes e, para tal, éimprescindível que organizem o trabalho e o tempo didático em função de cadaum deles, garantindo, assim, um ganho significativo na formação plena defuturos cidadãos. A organização da práxis pedagógica orienta caminhos e implementaestratégias eficazes para um bom uso dos espaços e dos tempos escolares, 18
  20. 20. assim, conhecer as etapas do desenvolvimento humano e ter uma atitudeinvestigadora e organizadora de outros tempos e espaços escolares, pois comoafirma Wallon in Almeida (2000, p. 86): “Somos componentes privilegiados domeio de nosso aluno, torná-lo mais propício ao desenvolvimento é nossaresponsabilidade.” A organização do trabalho pedagógico caracteriza-se como umadimensão muito importante na ação docente como sabem os professores. NoBIA deve-se atentar para não o reduzir apenas ao trabalho da sala de aula,como se o professor fosse um ser isolado, mas deve estendê-lo para toda ainstituição educacional, com o exercício do planejamento coletivo e a açãoconcretizadora da proposta pedagógica. Portanto, é imprescindível que se organize o trabalho pedagógico de nasala de aula buscando sempre a articulação das diversas áreas doconhecimento. A seguir, estão relacionados alguns aspectos importantes quese deve considerar para a organização do espaço e do tempo escolar. O Planejamento Para garantir a qualidade das ações pedagógicas, a aprendizagemsignificativa para todos os estudantes, a oferta de vários espaços deaprendizagem, as diversas possibilidades de interação e a efetivação dosprincípios de um trabalho, é preciso ter o planejamento como ferramenta defundamental importância. É necessário, portanto, professor que se compreenda o planejamento,não como algo burocrático ou uma exigência da coordenação, mas como umaforma efetiva de acompanhar, de prever, de organizar, de interagir e de avaliaras ações e as estratégias pedagógicas adequadas a cada estudante ou grupode estudantes. O planejamento traz qualidade ao trabalho pedagógico a partirdo momento que aponta, com clareza, aonde se quer chegar, levantaquestionamentos e indica caminhos. “Uma das funções mais importantes doplanejamento é assegurar a unidade e coerência do trabalho pedagógico daescola como um todo e o de cada turma em particular” (VILLAS BOAS, 2004 p.95). O planejamento, como reflexão-ação-reflexão, deverá partir sempre dodiagnóstico, dentro de uma concepção formativa, em consonância com as 19
  21. 21. Diretrizes de Avaliação da SEDF. É um momento para se encontrar novasmaneiras de promover a aprendizagem e uma ferramenta para o conhecimentoe a reflexão da realidade da instituição educacional, de suas potencialidades,de seus acertos e erros, de suas necessidades; e a partir dele buscaralternativas, tomar decisões, revisar as ações e solucionar os problemas. PARA REFLETIR... Na coordenação pedagógica coletiva, os professores devem avaliar refletir, e Como está o planejamento na sua escola? Ele é coletivo? E planejar estratégias pedagógicas mais qual o seu compromisso com o planejamento escolar que adequadas e indicadas a sua turma e a cada precisa facilitar o seu trabalho e a aprendizagem dos estudante. Outro horário valioso é o de estudantes? planejamento com seus pares (professor que “Não há processo, técnica ou atuam no mesmo ano de escolarização do instrumento de planejamento que faça milagre. O que existe são BIA), o que proporciona a troca de caminhos, mais ou menos adequados. De qualquer forma, o experiências, o enriquecimento das ideias, a fundamento primeiro de qualquer processo de planejamento está criatividade e os olhares diferentes para a num nível mínimo, (considerando que a realidade é sempre realidade da instituição educacional. Esses contraditória e processual), momentos oportunizam o planejar como ato pessoal e coletivo de compromisso (desejo, ética, coletivo, interativo, com a articulação e o responsabilidade) e competência (capacidade de resolver envolvimento dos profissionais por um problemas)”. (Vasconcelos, 2002, p. 37) objetivo comum: a aprendizagem. De acordo com a metodologia deacompanhamento pedagógico sistemático, que será apresentada mais à frente,no Princípio da Avaliação, a realização do diagnóstico, trará visibilidade àsdiversas necessidades, possibilidades e potencialidades dos estudantes. Apartir delas, então, o professor, na organização de seu planejamento, deveráelaborar, criar e elencar estratégias pedagógicas que atendam a essasnecessidades educativas dos seus estudantes. O planejamento organiza o tempo pedagógico e assegura a realização dosprincípios do BIA, como forma de atender as necessidades de aprendizagemdos estudantes ou de um determinado grupo de estudantes. Deve, ainda,garantir a otimização do uso dos diversos espaços escolares, ousando outrasformas de fazer/viver a alfabetização. 20
  22. 22. Base para o Concretização formal do Relação entre a reflexão Professor pesquisador - avaliação formativa Rotina Diagnóstico planejamento planejamento: Deve e a ação do professor prever período para pesquisador. execução; Ser flexível. Planejamento deve contemplar momentos Elaboração deve levar "O professor de leitura, escrita, fala e em consideração, se: pesquisador não se vê escuta. (Antunes) Está adequada ao apenas como um usuário diagnóstico da turma? de conhecimento Contempla os eixos - as 4 produzido por outros práticas - de forma pesquisadores, mas se simultânea e interligada? propõe também a produzir conhecimentos A quantidade de sobre seus problemas intervenções profissionais, de forma a pedagógicas voltada melhorar sua prática. O para determinado que distingue um eixo, está adequada? professor pesquisador Existe um projeto/tema dos demais professores central inter- é seu compromisso de relacionando os refletir, buscando conteúdos abordados? reforçar e desenvolver aspectos positivos e Contempla os conteúdos superar as próprias nas suas três dimensões? deficiências. Para isso se Estes, estão sendo mantém aberto a novas introduzido, trabalhados idéias e estratégias." sistematicamente, conso (Bortoni-Ricardo, p.46) lidados e retomados, quanto necessário? Avaliação formativa - Há interdisciplinaridade? Movimento de AÇÃO- Ou compreende um REFLEXÃO-AÇÃO sobre conjunto de atividades nosso fazer. soltas? A rotina diária A rotina representa, também, a estrutura sobre a qual será organizado otempo didático, ou seja, o tempo de trabalho educativo realizado com osestudantes. Assim, professor, é necessário resgatar as estruturas didáticas quecontemplam as múltiplas estratégias organizadas em função das intençõeseducativas expressas no projeto de trabalho de cada turma, ano e/ouinstituição educacional, constituindo-se em um instrumento para oplanejamento do professor. Essas estruturas didáticas podem ser agrupadas em três grandesmodalidades de organização de tempo. São elas: 1. As atividades permanentes; 2. A sequência didática; 3. Os projetos de trabalho. 21
  23. 23. Ressalta-se, que toda rotina pedagógica, o ambiente e as atividadesdesenvolvidas devem ser repletas de ludicidade e conciliadas com aAlfabetização e os Letramentos, que serão ampliados no capítulo dos eixos doBIA. Um quadro semanal de rotina pode facilitar o trabalho do docente. Comoutilizar um Quadro Semanal de Rotina?  Construir uma legenda para representar os eixos/4 práticas. Utilizar cores facilita a identificação do foco da minha rotina (legenda 1);  Distribuir as atividades planejadas no Quadro Semanal de maneira a contemplar todos os eixos especificados na legenda;  Identificar se o conteúdo está sendo introduzido, trabalhado sistematicamente ou consolidado (legenda 2). Retomá-lo pode dar pistas por que o aprendizado não está ocorrendo. Sugestão de rotina semanal Sequência do trabalho desenvolvido em sala de aula: (Projetos/Tema Central) 2ª feira 3ª feira 4ª feira 5ª feira 6ª feira Legenda 2: conteúdos em suasLegenda 1: Acrescentar e/ou retirar (fica a cargo dimensões – conceitural, procedimental edo professor) atitudinal. Eixos/Quatro Práticas de Alfabetização: Trabalho com as capacidades Compreensão e valorização da Cultura I Introduzir Escrita Desenvolvimento da oralidade T Trabalhar sistematicamente Produção de textos escritos Apropriação do Sistema de Escrita C Consolidar Leitura Reagrupamento/Projeto Interventivo R Retomar Letramento matemático 22
  24. 24. A seguir vai se conhecer as estruturas que fazem do trabalho doalfabetizador um trabalho mais significativo e direcionado ao avanço de todosos alunos nas aprendizagens necessárias a cada ano do BIA. As Atividades Permanentes São as atividades em que os conteúdos necessitam de uma constância,um tempo maior de vivência, onde o alfabetizador trabalha com os conteúdosnuma interligação com a prática social, o que para Gasparim (2002) leva oestudante a aprender criticamente o conhecimento científico. A escolha dos conteúdos, que define os tipos de atividades permanentesa serem realizadas com frequência regular, diária ou semanal, em cada grupode crianças ou turma, dependerá das prioridades elencadas a partir doCurrículo e das metas estabelecidas para o trabalho educativo. Consideram-se atividades permanentes, entre outras: brincadeiras noespaço interno e externo, a roda de história, a roda de conversas, os ateliês ouoficinas de desenho, de pintura, de modelagem e de música, as atividadesdiversificadas ou ambientes organizados por temas ou materiais a escolha dacriança, incluindo os momentos para que os estudantes possam ficar sozinhos,se assim o desejarem, exercitando a autonomia, bem como os cuidados com ocorpo, além da necessária vivência da corporeidade, pelo estímulo à expressãohumana. PARA SABER MAIS... Para Bastos apud Amorim (2004) aaprendizagem também está voltada ao A linguagem corporal precisa ser ressignificada na escola.processo de ampliação do repertório Como um texto, o corpo é o mais rico de todos eles eexistencial e à sensibilização para o contato bastante necessário nade cada pessoa consigo mesma e em suas alfabetização. Esta linguagem é importante porque reformula,múltiplas interações com o meio natural e explicita, coloca questões que às vezes a fala é incapaz desocial e estas interações ocorrem no contato expressar. Alfabetizar édireto entre os estudantes e os conteúdos promover experimentações de grafemas e de fonemas, quetrabalhados. antes da escrita convencional se fazem pela dinâmica do Construir, diariamente, a rotina do dia é movimento, que precisa datrabalho de exercício da autonomia e de co- liberdade psicomotora para o seu desenvolvimento.responsabilidade entre os pares. No BIA 23
  25. 25. possibilita se confirmar os espaços dos eixos e dos princípios do bloco noplanejamento diário. A Sequência Didática Debater e discutir outras formas de organizar o trabalho pedagógico éação ativa de mudanças, necessárias então quando se pensa nareorganização do trabalho pedagógico em ciclo. Villas Boas (2004) afirma queos objetivos reais da escola estão impressos na organização do seu trabalhopedagógico global e nas suas práticas avaliativas, e que o desenvolvimento daprática em sala de aula é entendido como os momentos e espaços deaprendizagem. As sequências didáticas são planejadas e orientadas com o objetivo depromover uma aprendizagem específica e definida. Os princípios pedagógicosdo BIA pedem uma sequência que atenda a necessidade de alfabetizarletrando, a partir do texto e que leve à formação de um leitor e escritorcompetente. Portanto, você, professor do BIA, precisa organizar didaticamente osconteúdos de forma sequenciada com intenção de oferecer desafios com grausdiferentes de complexidade para que os estudantes possam ir, paulatinamente,resolvendo problemas a partir de diferentes atividades vivenciadas. As quatro práticas de alfabetização, proposta PARA REFLETIR... metodológica do BIA, e que será maisEnquanto professor alfabetizadortenho sequências didáticas que explicitada no capítulo do Princípio da Língua,promovem a aprendizagem demeus estudantes? promove um trabalho em sala de aula em queAs práticas de avaliação que todo estudante deve falar, ouvir, ler eutilizo refletem essa novadinâmica de tempo e espaço que escrever, seja qual for a área doa escola em ciclos necessita? conhecimento trabalhada. Os Projetos de Trabalho Bem, sabe-se o quanto a pedagogia de projetos ganhou espaço, nas salasde aula e nas instituições educacionais, e promoveu mudanças no papel deestudantes e de educadores. Os projetos de trabalho corresponsáveis e quelevam à construção da autonomia pedem um trabalho pedagógico integrador e 24
  26. 26. totalizador, que rompa com a hermenêutica dos conteúdos e de processos deuma sequência didática que não permitem a reflexão. Os projetos de trabalho são conjuntos de atividades que trabalham comconhecimentos específicos, construídos a partir de um dos eixos de trabalho,que se organizam ao redor de um problema para resolver ou de um produtofinal que se quer obter. É uma concreta possibilidade de diálogo entre as áreasdo conhecimento. A pedagogia de projetos se apresenta PARA SABER MAIS...como aliada no processo de reorganização Na rotina diária, você professor precisa garantir:dos tempos e dos espaços no BIA, quando 1. Atividades Permanentes:possibilita a participação, a construção e o cabeçalho, calendário,planejamento coletivo, envolvendo todos em quantos somos, leitura compartilhada...temas de interesse comum. 2. Sequência Didática: atividades que priorizam as 4 O conhecimento é uma construção práticas de alfabetização, o desenvolvimento dos 7coletiva e é, na troca dos sentidos processos mentais e os demais letramentos...construídos, no diálogo e na valorização das 3. Projetos de Trabalho:diferentes vozes, que circulam nos espaços projetos do Projeto Político Pedagógico, e os projetos dede interação escolar que a aprendizagem vai intervenção e reagrupamentos,que serãose dando. Pensar em como efetivar esta apresentados no capítulo dos princípios respectivamente.instituição educacional em ciclos é o desafio Vamos ampliar mais estaque precisa ser dialogado e coletivizado em discussão e entendimento nonas instituições educacionais. capítulo do Princípio de Avaliação .Principalmente, uma educação que pede ainclusão de todos, conforme se discute a seguir.1.5 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO A organização por ciclos de aprendizagem, tendo a concepção doconhecimento como um processo de construção e de reconstrução, integra-se,harmoniosamente, à concepção de inclusão, pois valoriza o sujeito estudanteem suas várias dimensões: cognitiva, afetiva, psicomotora, histórica, social ecultural. Como já refletido, a reorganização do trabalho pedagógico no BIAfavorece o processo de ensino e de aprendizagem. Para os estudantes, propõenovos espaços e tempos de aprendizagem, visando não só o desenvolvimento 25
  27. 27. individual, mas oportunizando a inclusão social e promovendo a aprendizagemde cidadania que envolve a participação do sujeito na construção da cultura ena formação de um homem capaz de intervir no mundo. E, para osprofessores, o planejamento e a execução do trabalho, de forma coletiva,trazem a oportunidade da troca de experiências, do diálogo e da discussão, emuma construção apoiada e partilhada pelo grupo, na qual mesmo as angústiastêm vazão e acolhimento mútuo. PARA LEMBRAR... O processo de inclusão requer que a Professor, é bom relembrar que oinstituição educacional reflita sobre as atendimento educacional especializado realizado nas Salascondições de seus estudantes, a fim de de Recursos é definido naspossibilitar-lhes o acesso à aprendizagem Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial narespeitando, valorizando e propondo Educação Básica (MEC/SEESP, 2001).respostas educativas adequadas àsnecessidades educacionais especiais de cada um. Sua concretização demandamudanças organizacionais e pedagógicas, pois possibilita conflitos e reflexões,“desacomodando” práticas segregacionistas historicamente constituídas. PARA SABER MAIS... A partir desses desafios, a SEDF modificou a estrutura e a organização A Política Nacional de Educação Especial na pedagógica da rede pública de ensino a fim Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/SEESP, 2008) de torná-la inclusiva, não apenas transferindo esclarece que: os estudantes de espaços escolares, mas O atendimento educacional especializado tem como função buscando construir uma instituição identificar, elaborar e organizar educacional ainda mais desafiadora para o recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as exercício docente e discente. barreiras para a plena participação dos estudantes, Nessa construção, soma-se ao considerando suas necessidades específicas. As atividades professor regente o apoio do profissional que desenvolvidas no atendimento educacional especializado oferta o atendimento educacional diferenciam-se daquelas especializado em Sala de Recursos que, realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à juntos, em um trabalho de equipe, buscarão escolarização. respostas às demandas de aprendizagemdos estudantes com deficiências (intelectual, sensorial, física ou múltipla),transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação,prevendo e provendo as flexibilizações e adequações curriculares, recursos 26
  28. 28. didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados aodesenvolvimento desses estudantes, num processo de reflexão-ação-reflexão. O profissional do atendimento educacional especializado buscaráalternativas, atividades, materiais e equipamentos específicos de acordo comas necessidades identificadas, a fim de oferecer ao estudante sistemas deapoio que oportunizem aprendizagens efetivas para todos; como resposta àdiversidade, complementará/suplementará o currículo desenvolvido na classecomum. A avaliação das propostas acerca dos apoios oferecidos aos estudantesdeve ser ampla e cuidadosa. É importante que se avalie a eficiência dosprocedimentos pedagógicos utilizados para que não sejam confundidosdeficiência e fracasso escolar. Não se pode atribuir ao estudante comdeficiência a responsabilidade da dificuldade na aprendizagem, pois mesmoque haja influência de fatores variados, as deficiências não são determinantesna causalidade do fracasso escolar. O progresso da aprendizagem, para determinados estudantes comdeficiências ou transtornos globais do desenvolvimento, dar-se-á com planosde apoio como a adequação curricular, pois PARA SABER MAIS...sabe-se que, por mais que a prática do Você, professor, conhece aprofessor seja criadora e reflexiva (SILVA, organização funcional das salas2004), alguns desses estudantes podem não de recursos da SEDF? São dois modelos básicos:responder aos anseios e expectativas de  Salas de Recursos Generalistas (na qual sãoaprendizagem dos conteúdos curriculares atendidos individualmente ou em grupos, estudantesdefinidas pelo professor por questões outras. com Deficiência Intelectual, A proposta de adequação curricular visa, Deficiência Física, Deficiência Múltipla eportanto, dar respostas às demandas de Transtorno Global do Desenvolvimento);aprendizagem de estudantes prejudicados pela  Salas de Recursos Específicas (de três tipos:homogeneização da ação pedagógica e rigidez Sala de Recursos parados currículos, ofertando a eles a possibilidade Deficientes Auditivos, Sala de Recursos parade serem avaliados tendo como referência e Deficientes Visuais e Sala de Recursos paracomo parâmetro o seu próprio estudantes com Altas Habilidades/desenvolvimento. Superdotação). Na perspectiva da educação inclusiva, o foco não é na deficiência doestudante, mas em suas possibilidades. As instituições educacionais se 27
  29. 29. empenham nesta direção. Os espaços, os ambientes e os recursos físicos e osmateriais devem, nesse contexto, ser acessíveis e responder à especificidadede cada estudante. Aos profissionais da educação, cabe o papel de mediar oprocesso educacional dos estudantes numa perspectiva que contemple aarticulação dos conhecimentos teóricos e práticos, visando extrapolar acompetência puramente técnica, priorizando as trocas cognitivas e afetivas dainteração professor-estudante. Assim, a acessibilidade dos materiais pedagógicos, tecnológicos,arquitetônicos e das comunicações, somado ao investimento na formaçãocontinuada do professor, criam condições favoráveis para o processoeducacional dos estudantes com deficiência, transtornos globais dodesenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O relatório acerca do parecer CNE/CEB Nº 17/2001 (BRASIL, 2001), noque se refere à operacionalização pelos sistemas de ensino, trata daorganização do atendimento e diz da necessidade de prever: (...) temporalidade flexível do ano letivo, para atender às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência mental ou graves deficiências múltiplas, de forma que possam concluir em tempo maior o currículo previsto para a série/etapa escolar, principalmente nos anos finais do ensino fundamental, conforme estabelecido por normas dos sistemas de ensino, procurando-se evitar grande defasagem idade/série. (BRASIL, 2001, p. 48) No Bloco, os estudantes têm garantido o respeito ao tempo deaprendizagem e o atendimento às diferenças individuais, somando-se a issotodos os serviços de apoio e demais direitos concedidos aos estudantes comdeficiências, TGD e altas habilidades/superdotação, visando à igualdade deoportunidades educacionais. É importante conhecer a Resolução nº 01/2009 do CEDF, no capítulo daEducação Especial, no Art. 44, define que: A estrutura do currículo e da proposta pedagógica, para atender às especificidades dos estudantes com necessidades educacionais especiais deve observar a necessidade de constante revisão e adequação da prática pedagógica nos seguintes aspectos: I – introdução ou eliminação de conteúdos, considerando a condição individual do estudante; II – modificação metodológica dos procedimentos, da organização didática e da introdução de métodos; III – temporalidade com a 28
  30. 30. flexibilização do tempo para realizar as atividades e desenvolvimento de conteúdos; IV – avaliação e promoção com critérios diferenciados, em consonância com a proposta pedagógica da instituição educacional, respeitada a freqüência obrigatória (DISTRITO FEDERAL, 2009, p. 9). Além das adequações de pequeno porte, pensadas dentro da instituiçãoeducacional e contempladas na organização do trabalho pedagógico, noplanejamento das atividades docentes, e que beneficiam a todos os estudantescom necessidades educacionais especiais, há aqueles de grandes ajustes que,por serem tão significativos, frequentemente, dependem de ações político-administrativas, que são discutidas pela equipe escolar, e se efetivam com aanuência da família do estudante. PARA SABER MAIS... A adequação na temporalidade que Professor, o registro dasprolonga a permanência do estudante por adequações propostas será feito em formulários específicosmais um ano na mesma série ou ano, não disponíveis no site da SEDF, na aba “educadores” – “formulários”.conota reprovação. No BIA, isso ocorre,sobretudo, nos dois anos iniciais, e precisa ser cuidadosamente analisada. Uma vez que os outros estudantes não são retidos, e acreditando que apermanência entre os pares, no grupo de colegas que iniciou junto a trajetóriade vida escolar, seja mais uma oportunidade de aquisição de habilidadesnecessárias à alfabetização e aos letramentos, recomenda-se priorizar oconjunto de modificações, suportes e apoios, que sejam avaliadas e supridasas necessidades de cada estudante, em detrimento à opção pela adequaçãona temporalidade no Bloco. No caso de retenção, esta se dará no 3º ano “casohaja evidências fundamentadas, argumentadas e devidamente registradas peloConselho de Classe” (Diretrizes de Avaliação da SEDF, 2008, p. 30). As adequações organizativas, relativas às expectativas deaprendizagem (objetivos) e conteúdos, metodológicas e didáticas, natemporalidade (pouco significativas) e avaliativas, devem focalizar ascapacidades, o potencial, e não se concentrar nas limitações do estudante. Para a implementação das adequações muito significativas, como nocaso da temporalidade (prolongamento de mais um ano letivo no processo),diferentes daquelas adequações da temporalidade de pequeno porte, cujasalterações se dão no tempo previsto para a realização das atividades, é 29
  31. 31. necessário adotar critérios e discutir as possibilidades num estudo de caso coma equipe da instituição educacional. O trabalho em grupo é necessário na instituição educacional inclusiva.Portanto, é importante buscarmos o fortalecimento da parceria com osprofissionais do Serviço de Apoio à Aprendizagem. Precisa-se, para além das questões discutidas, ampliar a abrangênciada educação inclusiva que se faz pelas mais variadas formas de diversidadepresentes no contexto escolar. É necessário conceber diversidade como umconjunto heterogêneo de concepções e atitudes relativas às diferenças, sejamelas físicas e intelectuais e, também, as de origem étnico-racial, de gênero, deorientação sexual, religiosa, de pertencimento a contextos sócio-culturais, eoutras. Trata-se, portanto, de realidades complexas resultantes das formas deinteração entre as diferenças, que devem ser tratadas como fatores deagregação, e não de conflitos, desigualdades e exclusão. Considerar toda a amplitude dessa diversidade é desafio para arealização de uma instituição educacional de todos e para todos. Portanto,educar para a diversidade significa reconhecer que se é, naturalmente, diverso.Aprende-se por meio de processos, experiências, construções e reconstruções.O BIA facilita essa convivência entre diferentes na igualdade de seralfabetizando e na perspectiva de uma instituição educacional inclusiva e deaprendizagem para todos e todas. PARA SABER MAIS... Entendendo que encerrar essa Outras informações ediscussão num único tópico é tarefa aprofundamento da temática, você professor pode encontrar naimpossível, o que se quer, então, é fortalecer o consulta à Orientação Pedagógica: Educação Especialempenho em fazer da instituição educacional (DISTRITO FEDERAL, 2010) e Orientação Pedagógica dosespaço de diversidade, por excelência, que é o Serviços Especializados de Apoiolugar social do sujeito, um lugar rico de à Aprendizagem (DISTRITO FEDERAL, 2010).interações para todo estudante. E que na salade aula, as relações estabelecidas devem potencializar o desenvolvimento decada um e de todos. 30
  32. 32. 2. ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTOS E LUDICIDADE: OSEIXOS INTEGRADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO NOBLOCO INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO O Bloco Inicial de Alfabetização apresenta uma proposta pedagógicapautada na tríade alfabetização, letramentos e ludicidade. Esses eixosprocuram estabelecer uma coerência entre os aspectos fundamentais doprocesso de alfabetização, buscando a proficiência leitora e escritora a partir daalfabetização e dos letramentos sem perder de vista a ludicidade. A intenção é a de que o eixo integrador possa facilitar o desenvolvimentodas estruturas cognitivas e das dimensões afetiva, social e motora dosestudantes nos diferentes anos do Bloco, favorecendo a alfabetização e osletramentos nos seus diversos sentidos. Santomé (1998, p. 125) afirma que “aspropostas integradoras favorecem tanto o desenvolvimento de processos como conhecimento dos problemas mais graves da atualidade”. Em seguida, são apresentados os eixos, separadamente, para umamelhor organização didática, mas é preciso contemplá-los paralelamente earticuladamente ao trabalho docente diário. Discutindo esses eixos. Alfabetização e Letramentos A partir das contribuições da Psicolinguística, na perspectivapsicogenética da aprendizagem da língua escrita, de Emilia Ferreiro (2001),houve uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área daalfabetização, uma vez que alterou fundamentalmente a concepção doprocesso de aprendizagem e reduziu a distinção entre aprendizagem dosistema de escrita (alfabetização) e práticas efetivas de leitura e de escrita(letramento). Essa mudança de paradigma permitiu identificar e explicar o processopor meio do qual a criança constrói o conceito de língua escrita como umsistema de representação dos sons da fala por sinais gráficos, isto é, oprocesso por meio do qual o estudante, partindo do desenho (fase pré-silábica)para expressar seu pensamento de forma gráfica, passa pela fase silábica e setorna alfabética, reconstruindo a trajetória pela qual passou a humanidade,desde o homem primitivo. 32
  33. 33. Nesse contexto, o Bloco Inicial de Alfabetização tem como eixo orientador alógica do processo de aprendizagem do estudante e não a lógica dos conteúdos aensinar (superação do modelo tradicional, baseado na cartilha). Cabe salientarque ter se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e a escrever.Aprender a ler e a escrever significa adquirir uma tecnologia, isto é, a decodificar e de decodificar a língua escrita. Apropriar-se da escrita é tornar aescrita "própria", ou seja, é assumi-la como sua propriedade. A Sociolinguística, no estudo dos diferentes falares, tem trazidocontribuições singulares para o ensino da língua, pois a partir do momento emque o aluno vê sua forma de falar respeitada e valorizada na instituiçãoeducacional - agência primeira do letramento - sente-se acolhido e incluído nacultura escolar, melhorando sua auto-estima, entre outros aspectos quepossam interferir no seu desenvolvimento e aprendizagem. Emília Ferreiro (idem) afirma que a língua é um instrumento identitário,portanto é preciso respeitar os diferentes modos de falar dos alunos, sob penade se estar negando sua identidade linguístico-cultural. Bortoni-Ricardo (2004)pesquisadora sociolinguísta, acrescenta que alguns professores não sabemcomo intervir de forma produtiva em sala de aula diante das diferentes formasde falar dos alunos, sobretudo, dos estudantes oriundos das classes populares,e, por vezes, intervém de forma preconceituosa. Há que se reconhecer as variedades linguísticas dos estudantes para, apartir daí, ampliar seu repertório linguístico, permitindo-lhes aprender avariedade linguística de prestígio, que é mais aceita e legitimada pelasociedade. O estudante tem o direito inalienável de aprender essa variedade,não se pode negar-lhe esse conhecimento, sob pena de se fecharem para eleas possibilidades de ascensão social, afirma ainda Bortoni-Ricardo. Assimprofessores e estudantes precisam estar bem conscientes de que existemvárias maneiras de se dizer a mesma coisa. A língua portuguesa tem como umdos seus inúmeros instrumentos, a constante renovação das palavras, amudança de significado e a aquisição de novas acepções. Nesse sentido, a ação pedagógica no BIA deve contemplar,simultaneamente, a alfabetização e o letramento, nos seus mais diversoscampos de conhecimentos e assegurar ao estudante a apropriação do sistemaalfabético de escrita que envolve, especificamente, a dimensão linguística do 33
  34. 34. código com seus aspectos fonéticos, fonológicos, morfológicos e sintéticos, àmedida que ele se apropria do uso da língua nas práticas sociais de leitura eescrita. PARA SABER MAIS... É necessário, portanto, que você,professor do BIA, leve para a sala de aula, a Professor, as considerações acerca de alfabetização elíngua portuguesa com toda a sua letramento feitas por autores como Lígia Klein (2003), Miriancomplexidade e riqueza (leitura de imagens, Lemle (2003 ) e Magda Soares (2004) ampliam mais ainda essesleitura corporal, leitura de gráficos, música, termos, definindo alfabetização e letramento como processospoesias, parlendas etc.), e proponha a todos interdependentes e indissociáveisos estudantes um ambiente em que palavras porque a alfabetização só se torna significativa quando se dá nonão apareçam descontextualizadas e contexto dos usos sociais de leitura e de escrita e por meioisoladas, sem a preocupação com a dessas práticas, ou seja, em um contexto de letramento, e este, porconstrução de sentidos, mas sim inseridas em sua vez, só se desenvolve na dependência da aprendizagem doum contexto significativo, visto que a Língua sistema de escrita.Materna é trabalhada junto com a práticasocial a que pertence e está presente em todos os conteúdos, das mais diversasáreas do conhecimento. Precisa-se repensar a organização escolar e todo o seu trabalho,principalmente seu processo avaliativo, de forma que esse funcione comoelemento promotor das diferentes formas de letramento. Compreendendoletramento científico como Stela MarisBortoni-Ricardo (2004), que o considera como PARA SABER MAIS...o desenvolvimento de habilidades que Por que LETRAMENTOS,permitam aos sujeitos utilizarem de professor?metodologias que embasam as ciências para Tendo em vista as diferentes funções (para se distrair, para secompreensão de fatos do seu cotidiano, informar e se posicionar) e as formas pelas quais as pessoasmediado pelo ensino da língua materna que têm acesso à língua escrita – com ampla autonomia, com ajuda dodeve ser necessariamente funcional, professor(a) ou mesmo pordiscursivo e interativo. alguém que escreve, por exemplo, cartas ditadas por analfabetos – a O propósito do letramento científico é literatura a respeito assume ainda a existência de tipos detornar os conhecimentos científicos letramento ou de letramentos, no plural.funcionais, o que remete à função social do (Pró-letramento-MEC,2008)conhecimento. Nessa perspectiva, as práticas 34
  35. 35. de letramento se estendem às ciências sociais (história, geografia...), ciênciasnaturais (matemática, física, química e biologia) e códigos e linguagens. Os diversos letramentos devem ser apresentados de maneira dialógicaentre os mesmos, evitando ações rígidas e compartimentadas como seencontram os atuais ensinos dos componentes curriculares. Nesse sentido, aspráticas pedagógicas e avaliativas devem ser elaboradas com o olhar nasespecificidades de cada área de conhecimento, mas com objetivo depossibilitar conhecimentos em sua totalidade de forma interdisciplinar,transdisciplinar e multidisciplinar. PARA LEMBRAR... O propósito do letramento científico é Interdisciplinaridade: umatornar os conhecimentos científicos possibilidade de quebrar a rigidez dos compartimentos em que sefuncionais, o que remete à função social do encontram isoladas as disciplinas dos currículos escolares.conhecimento. Nessa perspectiva, as práticas Multidisciplinaridade: trata de temas comuns sob sua própriade letramento se estendem às ciências sociais ótica, articulando, algumas vezes bibliografia, técnicas de ensino e(história, geografia...), ciências naturais procedimentos de avaliação.(matemática, física, química e biologia) e Transdisciplinaridade: É a tendência de criar pontes entre ascódigos e linguagens. disciplinas, um terreno comum de troca, diálogo e integração, onde Logo, o trabalho desenvolvido no BIA os Fenômenos Naturais possam ser encarados de diversaspor você, professor, deve formar pessoas perspectivas diferentes ao mesmo tempo, gerando umaletradas no sentido de abrir possibilidades de compreensão holística desseentrada de outras vozes em suas histórias de Fenômeno, compreensão essa que não se enquadra mais dentrovida, em seu mundo, para ver, viver, ser e ter de nenhuma disciplina, ao final.uma perspectiva de sujeitos organizadores e (FRIGOTTO, 1995)partilhadores dos seus saberes significativos.Respeitar os espaços e tempos individuais dos estudantes e garantir o tempodo brincar, entendendo-o necessário e essencial nesta etapa inicial deescolarização traz, para os alfabetizadores, o desafio de promover aaprendizagem para a formação integral. É portanto, alfabetizar letrando, considerando a ludicidade como eixoque deve perpassar todo o trabalho desenvolvido. A brincadeira deve ser vistacomo um dos eixos que contribui para o exercício da cidadania, ou seja, acriança deve ter o direito de brincar como forma particular de expressão,pensamento, interação e comunicação infantil. Entendendo Vamos esse eixode trabalho no Bloco. 35
  36. 36. Ludicidade A construção lúdica se dá como convivência, que torna fundamental apresença efetiva e afetiva do outro, sendo este o processo co-educativo dolúdico apresentado como eixo integrador no trabalho pedagógico do Bloco, epor isso, necessita estar em toda sala de aula que se almeja promotora dasaprendizagens significativas. PARA LEMBRAR... É preciso entender que a atividade Professor, através da brincadeiralúdica para a criança, não é apenas ocorre o desenvolvimento de capacidades importantes para oprazerosa, mas vivência significativa de desenvolvimento integral da criança.experimentações e de construções e Vamos relembrá-las?reconstruções do real e do imaginário. No COGNITIVAS - imitação, imaginação, regras,momento importante da alfabetização, as transformação da realidade, acesso e ampliação doscrianças aprendem corporalmente, em conhecimentos prévios; AFETIVAS e EMOCIONAIS -contato com o mundo do brincar, sem escolha de papéis, parceiros e objetos, vínculos afetivos,restrições a uma vida que é a própria expressão de sentimentos;existência infantil. INTERPESSOAIS - negociação de regras e convivência social; Além de garantir momentos específicos FÍSICAS - imagem e expressão corporal; ÉTICAS E ESTÉTICAS -para a brincadeira, a rotina de alfabetização negociação e uso de modelos socioculturais;precisa priorizar a dinamicidade e o DESENVOLVIMENTO DA AUTONOMIA - pensamento emovimento infantil, garantindo uma postura de ação centrados na vontade eacolhimento às manifestações individuais. desejos. (WAJSKOP, 1990 apud MARCELLINO, 2003) O brincar e o jogar propiciam, ao Tais construtos não podem maisestudante, o desenvolvimento da linguagem, estar fora da sala de aula, principalmente no início dado pensamento, da socialização, da iniciativa, escolarização.da autoestima, da autonomia e da criticidade. E com a sua mediação,professor, o lúdico atua na esfera cognitiva, e além de facilitador, promove asaprendizagens. Necessita-se, dessa forma, entender que explorar a ludicidade é umaspecto essencial para a aprendizagem e que contemplar esse aspecto noplanejamento diário não é perda de tempo nem deve ser um espaço utilizadoapenas para o momento do relaxamento, uma vez que nas suas mais variadasformas, os conteúdos escolares precisam do brincar para se tornarem reais econcretos aos estudantes, principalmente às crianças dos anos iniciais. 36

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