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Reflexão final


          1. O MAABE

     Nesta reflexão/síntese final, pretendo realçar alguns aspectos sobre os quais
fui incidindo a minha análise e o meu discurso ao longo desta acção de formação,
uma vez que, aquando da elaboração de cada trabalho, no próprio texto do
mesmo, fui deixando sempre uma reflexão pessoal sobre os tópicos a trabalhar.
Creio, pois, que uma boa forma de reflectir será reler o (muito) que escrevi e
retomar algumas dessas opiniões e reflexões, visto que continuo a identificar-me
com muitas das minhas ideias dessa altura, ainda que, em alguns aspectos,
considere que evolui e talvez já não perspective a realidade exactamente do
mesmo modo.

    Retomo então alguns parágrafos de reflexão que expressam os meus pontos
de vista sobre o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares.



   Reflexão sobre o MAABE após a realização do trabalho da primeira
sessão da Oficina de Formação

     “Relativamente à aplicação do Modelo de Auto-Avaliação, desejo,
sinceramente, que este não venha a ser um obstáculo a vencer, tornando-se num
processo que me obrigue, enquanto professor bibliotecário, a confinar-me a um
gabinete de trabalho e a um computador durante horas a fio, seguidas ou
interpoladas, sozinha ou com elementos da equipa, a fim de relatar, de evidenciar
o trabalho, de prestar contas, de escrever, enquanto lá fora ouço os alunos e os
colegas a perguntarem por mim…”

    Este receio subsiste em mim, talvez por se tratar de uma acção nova a
desempenhar. A minha experiência enquanto coordenadora da Biblioteca Escolar
deu-me o conhecimento de que o trabalho realizado neste espaço é sempre muito,
é sempre variado e exigente. Ainda considero que a aplicação do Modelo de Auto-
Avaliação e a necessidade de recolha e de tratamento de evidências pode vir a
colocar em risco o trabalho de organização, de gestão e de dinamização de
actividades na BE. Desejo, honestamente, que após o primeiro ano de
implementação do MAABE este meu receio venha a dissipar-se.



    Reflexão sobre o MAABE feita durante a realização do trabalho da Sessão
n.º 3 (O MAABE no contexto de Escola/Agrupamento)

   “O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, apesar de muito
completo, exigente e complexo, não está previsto, segundo tenho conhecimento,
em legislação própria, o que poderá, no meu entender, vir a suscitar dúvidas no
momento da sua aplicação, mas quanto a essa questão, não pretendo alongar o
meu comentário.

    O MAABE poderá, no entanto, regular-se, na generalidade, pelos objectivos
consagrados na Lei n.º 31/2002, que define o sistema da auto-avaliação das
Escolas/Agrupamentos, apontando sempre no sentido da melhoria, da qualidade,
da exigência, da promoção de uma cultura de auto-avaliação, de garantia da
credibilidade do serviço, da valorização do empenho e da participação dos vários
membros da comunidade educativa, entre outros.”

     Apesar de já ter entrado em fase de implementação a nível nacional, há que
reconhecer que o MAABE não está consagrado na Lei, pelo menos não conheço
esse enquadramento. Trata-se de um documento muito completo, no qual
reconheço a maior seriedade, rigor, exigência e cuidado, mas carece, a meu ver,
de enquadramento legal, enquanto instrumento de trabalho que se reporta a uma
realidade muito sensível, que é a avaliação, neste caso, de um serviço de crucial
importância – a Biblioteca Escolar. A Portaria n.º 756/2009, de 14 de Julho, não faz
referência expressa à sua aplicação enquanto competência do professor
bibliotecário ou em qualquer outro domínio, ou seja, é possível que parte dos
professores bibliotecários que concorreram ao lugar em concurso externo, ou ainda
aqueles que tenham sido nomeados ou que tenham concorrido, inclusivamente, a
nível interno, não tenham tido conhecimento de que ao assumirem as
competências previstas no Artigo 3.º Conteúdo Funcional, estariam a assumir um
desempenho de funções ao nível da auto-avaliação tão exigente, uma vez que
apenas a alínea i) do mesmo artigo remete para a implementação de processos de
avaliação, não especificando que já existe o MAABE, nem a sua abrangência ou
grau de complexidade.

   Considero, pois, que a falta de enquadramento legal específico do MAABE é
uma das suas fragilidades.



    Reflexão sobre o MAABE feita ainda durante a elaboração do trabalho da
Sessão n.º 3 (O Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca escolar no contexto
da Escola/Agrupamento)

    “Relativamente à capacidade de resposta do Agrupamento à implementação
da auto-avaliação, creio que, como em muitas Escolas e Agrupamentos, subsistem
receios, por vezes infundados, por vezes justificáveis, pois há sempre aspectos
positivos e aspectos negativos a serem observados, e todos têm/devem manter um
espírito aberto,      uma predisposição para a mudança, uma capacidade de
autocrítica e capacidade de discernimento, o que nem sempre acontece, pelo
menos não com todos os intervenientes. Considero o que expus neste parágrafo
os principais inibidores à capacidade de resposta da Escola/Agrupamento à auto-
avaliação.

   Quanto à implementação do processo de MAABE, os factores inibidores são
semelhantes, acrescendo-se o facto de ser a primeira vez que este vai ser
implementado. Adito ainda três das ideias que identifiquei na introdução e que,
creio, me tocam em particular, possivelmente também a outros colegas, e,
permitindo-me a repetição, são os seguintes:

     - a necessidade de existir entendimento por parte das várias estruturas
educativas da Escola/Agrupamento relativamente às competências do professor
bibliotecário, com prioridade para o conhecimento do Conteúdo Funcional
estabelecido no Artigo 3.º da Portaria 756/2009, de 14 de Julho.

     - o reconhecimento de que ao professor bibliotecário são exigidas capacidades
de liderança e de intervenção a vários níveis: organização e gestão da BE, da sua
equipa, de outros recursos humanos, de recursos materiais, de recursos
financeiros; capacidades de empatia, de dinamismo, de sentido de
responsabilidade; capacidade de decisão, necessitando, para tal, de tempo e de
liberdade de manobra; e são-lhe igualmente requeridos vários tipos de
conhecimentos: currículos, dinâmica de aprendizagem, tecnologias da informação
e da comunicação, relações interpessoais, entre outros.

    - o discernimento das estruturas educativas e dos colegas docentes,
individualmente, quanto à necessidade que o professor bibliotecário tem de
recolher vários tipos de evidências e que as mesmas não servem o seu propósito
de avaliação individual ou uma vontade de alcançar protagonismo, mas o propósito
de demonstrar e de provar que tipo e que qualidade de desempenho a BE está a
desenvolver.

    O processo de divulgação dos objectivos e os pressupostos do MAABE tem de
ser, a meu ver, mais explorado e alargado, e este esforço de divulgação compete,
numa primeira instância, ao professor bibliotecário, à equipa que com ele partilha
responsabilidades, mas também ao órgão directivo do Agrupamento.”



   Reflexão sobre o MAABE feita quando da realização do trabalho da
Sessão n.º 4 (O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares –
metodologias de operacionalização I/Análise de indicadores de processo e de
outcome do Domínio C.1)

      “A título de exemplo, e porque as situações reais é que prevalecem sobre as
situações desejáveis, impondo limitações que dificilmente (ou nunca) se
ultrapassam queria expor o seguinte: na BE da minha escola apenas disponho de
uma professora colaboradora com um bloco de noventa minutos para desenvolver
a Hora do Conto, de uma professora de História com quatro tempos na equipa da
BE, e três professores que prestam apoio à BE no âmbito do PTE (apoio que pode
ter de ser disponibilizado para outros serviços da escola, conforme as
necessidades mais prementes). Quem permanece na BE cerca de três quartos de
horário semanal a tempo inteiro (ou mais) sou eu, a professora bibliotecária, que
subdivide a sua actuação por muitas tarefas de apoio aos alunos e aos outros
utilizadores, produção de documentos, coordenação dos trabalhos da colega de
equipa, da colega colaboradora, dos colegas colaboradores de PTE, da assistente
operacional, dinamização de actividades, articulação de actividades com colegas,
entre muitas outras tarefas, às quais se irá acrescentar a aplicação do Modelo de
Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, com toda a sua exigência.

     Creio que é de ter consciência e alertar consciências para o facto de não ser
possível fazer TUDO, no tempo mais oportuno possível. Tarefas haverá que vão
ficar para trás, alunos haverá que ficarão sem apoio, a dinamização de actividades
de leitura, por exemplo, vão sofrer, bem como a formação de utilizadores, turma a
turma, como muitas vezes se faz, caso se insista numa visão e numa avaliação da
BE excessivamente “empresarial”…

     Há muitas possibilidades de melhoria. Vontade, iniciativa, desejo de melhorar
não faltam, mas o tempo não chega para tudo, por muito bem gerido que seja.
Outro exemplo real: para estar a escrever estas linhas, utilizo o domingo, pois ao
longo da semana não me foi possível ter tempo para dedicar a esta tarefa, não
sem prejudicar o normal funcionamento da BE, visto que durante três dias nesta
semana a assistente operacional se encontrou justificadamente ausente e eu não
poderia ter, simplesmente, fechado as portas para me dedicar a momentos de
formação. Demorei um dia inteiro para montar uma pequena exposição, pois tive
de interromper inúmeras vezes o trabalho para poder prestar atendimento e apoio
aos alunos e restantes utilizadores. Terei, pois, de apresentar evidências pelo que
fiz e pelo que não fiz? Creio que sim. O que implica demorar ainda mais tempo a
registar, a escrever… tempo que poderia estar a ser utilizado para outro fim.

   (...)

     Mais um exemplo real: ao solicitar o empréstimo de documentos à BM, quem
se responsabilizará pela entrega e devolução dos mesmos? O professor
bibliotecário, que deverá ir no seu carro à BM para seleccionar e trazer os
documentos? O responsável da BM, que deverá ter de encontrar tempo para reunir
os documentos e se responsabilizará pela sua entrega, devendo para isso
aguardar a disponibilidade de transporte da Câmara Municipal?”



   E ainda a seguinte reflexão...

    “Ver a acção de melhoria proposta (no MAABE), que se cinge a três linhas da
coluna, até parece simples e de fácil concretização, mas exige tempo e insisto no
tempo, na necessidade de haver tempo para se realizarem as mais pequenas
acções que se possam imaginar. O professor bibliotecário já tem “todo o tempo do
mundo” para a BE, mas esse tempo tem limite e esse limite são trinta e cinco horas
semanais, tal como tinha enquanto professor e tal como qualquer profissional tem,
mas o nível de exigência que lhe é imposto neste momento é de expoente incerto,
mas alto, de certeza muito alto.

    A BE não pode ser encarada como uma empresa e o professor bibliotecário
continua a chamar-se professor e a ser professor, e se veio para este lugar por
opção (em alguns casos talvez não) é porque traz consigo um sonho. Eu tenho um
sonho: o sonho de melhorar a BE onde estou e tenho muita vontade e ânimo para
o fazer. Espero que as exigências acrescidas não venham a asfixiar-me esse
ânimo, essa vontade, esse sonho… assim o espero, para assim poder continuar a
sonhar e a trabalhar, porque a BE precisa mais de mim do que eu dela.”



   Reflexão feita durante a realização do trabalho da Sessão n.º 5 (O Modelo
de Auto-avaliação da BE – Metodologias de operacionalização II)

     “Relativamente aos questionários apresentados pelo MAABE, considero que os
mesmos são, de um modo geral, de fácil resposta, mesmo aqueles que se
destinam aos alunos. Poderá ocorrer que uma palavra/questão ou outra terão de
sofrer alguma adaptação ao nível etário dos alunos, no entanto, parecem-me
adequados. Considero, no entanto, muito exigente utilizar os questionários como
uma espécie de checklist de tudo o que a BE tem/deve fazer ao longo do ano, pois
conseguir pôr em prática tudo o que desejavelmente é preconizado pelos
questionários é obra para muitas pessoas, não apenas para o professor
bibliotecário e mais um ou dois elementos de equipa, que é o caso de muitas BEs.

    Considero que a avaliação, feita a quem for, seja de que tipo for, é um
processo subjectivo e sensível, que deve ser conduzido com o máximo de rigor e
de critério. Neste caso, no que se refere ao processo de auto-avaliação das BEs, o
processo é muito completo, de facto, mas igualmente complexo e exigente e creio
que “aproveitar” o tempo “disponível” do professor bibliotecário dando-lhe a
primazia da responsabilidade na condução deste processo, inibi-lo-á de fazer
muitas outras coisas importantes.

    Creio que pode ser grave quando um professor bibliotecário afirma que uma
das coisas faz, mas que deve deixar de fazer, é dinamizar tantas actividades, pois
estas podem exigir tempo e recursos que fazem falta para divulgar a BE.
Questiono: quão mais importantes são para os alunos as actividades, por muito
pequenas que sejam, um passatempo, uma curiosidade, uma adivinha semanal…
que o cartaz de divulgação da BE ou a actualização do blogue da BE? É este o
meu receio: que a divulgação da BE, que a recolha de evidências, que o tempo
nestas acções gasto, venha a faltar para o mais importante: a atenção aos alunos,
a dinamização de actividades (mesmo pequenas), o pensar e imaginar novos
passos a dar no futuro…

     Os instrumentos a utilizar, além dos questionários, creio que devem ser
aqueles e apenas aqueles que permitem o funcionamento da BE, ou seja,
instrumentos funcionais, não instrumentos específicos de recolha de evidências.

     Os registos em acta, por sua vez, são também valiosos, visto que são registos
feitos em contexto formal de reflexão e são partilhados por vários elementos, que
terão a oportunidade de averbar ou contestar o que é referido pelo professor
bibliotecário. As actas são (ou deviam ser) documentos muito fiéis ao que é dito,
não apenas uma súmula das deliberações que por vezes demoram horas. Alguém
disse, numa reunião de Conselho Pedagógico do meu Agrupamento: “Nunca se
falou tanto nas Bibliotecas nos pedagógicos como este ano!”. Mas não ficou
registado, a não ser na memória dos presentes, em especial na minha, por se
considerar que nem tudo o que se diz vai para a acta. A minha visão é, neste caso
e em todos os outros, para o bem e para o mal, bem diferente…”



   Reflexão feita durante a realização do trabalho da Sessão n.º 5 (O Modelo
de Auto-avaliação da BE – Metodologias de operacionalização III)

    “Os documentos elaborados pelas equipas da Inspecção-geral da Educação
analisados foram escolhidos, em parte, de forma aleatória e em parte porque já tive
contacto com algumas das escolas e suas Bibliotecas Escolares, como é o caso do
Agrupamento de Escolas de Ourique, o Agrupamento de Escolas de Boliqueime e
o Agrupamento de Escolas de São Brás de Alportel.



     Dos documentos analisados, registei o facto de as referências às Bibliotecas
Escolares serem, em geral, bastante breves e algo vagas, reportando-se sobretudo
a algumas actividade dinamizadas, muitas vezes com alusão ao Plano Nacional de
Leitura. Não reportei, por exemplo, referências negativas relativamente às
Bibliotecas Escolares desses agrupamentos, o que é, pelo menos, um bom sinal,
no entanto, creio que as informações dadas carecem de referência à organização
dos espaços, à gestão de recursos financeiros e humanos das BEs, entre outros
aspectos.

    A implementação do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares irá,
possivelmente, ganhar o seu espaço próprio nestes documentos, pelo que as
próximas avaliações externas terão, quase de certeza, mais um tópico a abordar,
onde será dado o relevo justo e merecido, assim se espera, ao trabalho
desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares.”




          2. A Acção de Formação




    Neste capítulo da minha reflexão final, gostaria de retomar algumas palavras
que proferi no dia 21 de Dezembro, no momento em que apresentei o meu
Portefólio.

    Em primeiro lugar, considero que esta acção de formação se revestiu de um
elevado grau de exigência, pois em cada semana, ininterruptamente, foram
pedidas várias tarefas, todas elas bastante exigentes, que requereram da minha
parte a maior atenção e rigor, na medida do possível e na medida das minhas
capacidades e das minhas limitações. Creio que foi excessiva a carga de tarefas
solicitadas, pois a mesma aportou um acréscimo de horas de trabalho e o sacrifício
de muitas horas de descanso, de lazer, de apoio familiar, de sono... Sacrifiquei,
pois, o meu descanso, o meu sono, a minha vida familiar, os meus domingos à
tarde, noite e madrugada... só não sacrifiquei horas de trabalho na Biblioteca, uma
vez que apenas retirei uma manhã de sexta-feira para a realização de um trabalho
(a tarefa da primeira sessão). Penso que não pode justificar-se este sacrifício em
prol de uma acção de formação, pois, humanamente, é pedir demais. Às horas de
leituras cumularam horas de reflexão, horas de escrita, horas de produção de
documentos, horas de consulta de trabalhos de outros colegas, etc. Não estou,
contudo, a afirmar que as horas dedicadas às tarefas foram imerecidas ou vãs,
reitero, antes, à semelhança do que foi referido por vários colegas no dia 21 de
Dezembro, o tempo disponível, em termos de acção de formação, para a
realização das tarefas é que foi pouco, infinitamente pouco. Ou, por outra, terei
feito mal em não retirar tempo de trabalho na Biblioteca para a realização dos meus
trabalhos da acção de formação...?

    Admito, por um lado, que termino a acção de formação com muitas dúvidas
sobre algumas questões que foram sendo levantadas, para as quais,
possivelmente, só mais tarde, encontrarei resposta. Por outro lado, tal como afirmei
no dia 21 de Dezembro, subsiste em mim um sentimento de desolação pelo que
terei feito de mal ou de menos bem em cada trabalho, pois a modalidade de
formação on-line, à distância, não permitiu uma maior partilha de dúvidas, de
receios, de sucessos, de experiências, algo que para um professor é impensável,
uma vez que na relação professor-aluno a proximidade é algo de precioso e de
imprescindível, sendo o feed-back uma constante do trabalho diário, o que não
aconteceu nesta acção de formação.

      Como aspectos positivos desta formação, considero que a mesma permitiu
uma consulta aprofundada do MAABE, exigindo o seu manuseamento constante, o
que se traduziu por uma maior familiaridade com o documento. A acção permitu
ainda o contacto com ferramentas digitais, tais como a criação de um blogue ou a
utilização do Slideshare, que se revelaram de grande importância e utilidade.

    Ainda como aspecto positivo, saliento o trabalho na plataforma Moodle que,
apesar de não ser algo de novo, acrescentou algumas mais-valias à minha
formação. Também a possibilidade de, através da plataforma, ter contacto com os
trabalhos realizados pelos colegas da formação foi, no meu entender, um aspecto
positivo.




          3. O meu desempenho
Para finalizar esta reflexão, pretendo apenas deixar um breve parecer auto-
avaliativo sobre o meu desempenho nesta acção de formação.

     Considero que, de um modo geral, aprendi bastante, não tanto como gostaria
de ter aprendido em todos os domínios, mas aprendi. Considero que gostaria de ter
dedicado mais tempo às leituras, principalmente, às leituras facultativas, pois estas
foram relegadas para um momento mais oportuno, em termos de tempo disponível.
Considero que produzi trabalhos com alguma profundidade e qualidade, em termos
de análise e de crítica. Considero que não me rendi, não tenho esse hábito, ao tão
fácil copy/paste, conforme sugerido em algumas das sínteses descritivas
elaboradas pelas colegas formadoras. Embora tenha sido quase sempre das
últimas pessoas a colocar os meus trabalhos na palataforma, dois deles,
inclusivamente, algumas horas fora de prazo, e embora tenha sempre consultado
dois ou três trabalhos já realizados antes de realizar o meu, reafirmo que a
intenção nunca foi a de ficar para o fim para assim ganhar com o que os outros
fizeram ou deixaram de fazer. Quando ajo, ajo por conta própria e com sentido de
responsabilidade, quando escrevo, faço-o da mesma forma e guiada pela minha
própria linha de reflexão e de pensamento e, assim o creio, isso ficou bem patente
naquilo que apresentei ao longo desta acção de formação, inclusive, para terminar,
nesta mesma reflexão.

    Por fim, considero que trabalhei com dedicação, com o rigor possível, com brio
e com zelo, embora muitas vezes a contragosto e guiada não pelo prazer de
trabalhar, mas pela obrigação de ter de o fazer, porque acredito que ao entrar
numa luta é para ir até ao limite das minhas capacidades e das minhas forças e
para dar tudo o que posso daquilo que tenho.



    Para terminar, uma palavra de agradecimento às colegas formadoras, pelo seu
esforço, e uma muito sentida nota de gratidão a todos os colegas, companheiros
desta longa e difícil jornada.



    Até uma nova oportunidade.



    Sílvia Maria Passos Baltazar

    28 de Dezembro de 2009

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Lição nº 64
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Reflexão sobre o MAABE e sua implementação

  • 1. Reflexão final 1. O MAABE Nesta reflexão/síntese final, pretendo realçar alguns aspectos sobre os quais fui incidindo a minha análise e o meu discurso ao longo desta acção de formação, uma vez que, aquando da elaboração de cada trabalho, no próprio texto do mesmo, fui deixando sempre uma reflexão pessoal sobre os tópicos a trabalhar. Creio, pois, que uma boa forma de reflectir será reler o (muito) que escrevi e retomar algumas dessas opiniões e reflexões, visto que continuo a identificar-me com muitas das minhas ideias dessa altura, ainda que, em alguns aspectos, considere que evolui e talvez já não perspective a realidade exactamente do mesmo modo. Retomo então alguns parágrafos de reflexão que expressam os meus pontos de vista sobre o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares. Reflexão sobre o MAABE após a realização do trabalho da primeira sessão da Oficina de Formação “Relativamente à aplicação do Modelo de Auto-Avaliação, desejo, sinceramente, que este não venha a ser um obstáculo a vencer, tornando-se num processo que me obrigue, enquanto professor bibliotecário, a confinar-me a um gabinete de trabalho e a um computador durante horas a fio, seguidas ou interpoladas, sozinha ou com elementos da equipa, a fim de relatar, de evidenciar o trabalho, de prestar contas, de escrever, enquanto lá fora ouço os alunos e os colegas a perguntarem por mim…” Este receio subsiste em mim, talvez por se tratar de uma acção nova a desempenhar. A minha experiência enquanto coordenadora da Biblioteca Escolar deu-me o conhecimento de que o trabalho realizado neste espaço é sempre muito, é sempre variado e exigente. Ainda considero que a aplicação do Modelo de Auto- Avaliação e a necessidade de recolha e de tratamento de evidências pode vir a colocar em risco o trabalho de organização, de gestão e de dinamização de actividades na BE. Desejo, honestamente, que após o primeiro ano de implementação do MAABE este meu receio venha a dissipar-se. Reflexão sobre o MAABE feita durante a realização do trabalho da Sessão n.º 3 (O MAABE no contexto de Escola/Agrupamento) “O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, apesar de muito completo, exigente e complexo, não está previsto, segundo tenho conhecimento, em legislação própria, o que poderá, no meu entender, vir a suscitar dúvidas no
  • 2. momento da sua aplicação, mas quanto a essa questão, não pretendo alongar o meu comentário. O MAABE poderá, no entanto, regular-se, na generalidade, pelos objectivos consagrados na Lei n.º 31/2002, que define o sistema da auto-avaliação das Escolas/Agrupamentos, apontando sempre no sentido da melhoria, da qualidade, da exigência, da promoção de uma cultura de auto-avaliação, de garantia da credibilidade do serviço, da valorização do empenho e da participação dos vários membros da comunidade educativa, entre outros.” Apesar de já ter entrado em fase de implementação a nível nacional, há que reconhecer que o MAABE não está consagrado na Lei, pelo menos não conheço esse enquadramento. Trata-se de um documento muito completo, no qual reconheço a maior seriedade, rigor, exigência e cuidado, mas carece, a meu ver, de enquadramento legal, enquanto instrumento de trabalho que se reporta a uma realidade muito sensível, que é a avaliação, neste caso, de um serviço de crucial importância – a Biblioteca Escolar. A Portaria n.º 756/2009, de 14 de Julho, não faz referência expressa à sua aplicação enquanto competência do professor bibliotecário ou em qualquer outro domínio, ou seja, é possível que parte dos professores bibliotecários que concorreram ao lugar em concurso externo, ou ainda aqueles que tenham sido nomeados ou que tenham concorrido, inclusivamente, a nível interno, não tenham tido conhecimento de que ao assumirem as competências previstas no Artigo 3.º Conteúdo Funcional, estariam a assumir um desempenho de funções ao nível da auto-avaliação tão exigente, uma vez que apenas a alínea i) do mesmo artigo remete para a implementação de processos de avaliação, não especificando que já existe o MAABE, nem a sua abrangência ou grau de complexidade. Considero, pois, que a falta de enquadramento legal específico do MAABE é uma das suas fragilidades. Reflexão sobre o MAABE feita ainda durante a elaboração do trabalho da Sessão n.º 3 (O Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca escolar no contexto da Escola/Agrupamento) “Relativamente à capacidade de resposta do Agrupamento à implementação da auto-avaliação, creio que, como em muitas Escolas e Agrupamentos, subsistem receios, por vezes infundados, por vezes justificáveis, pois há sempre aspectos positivos e aspectos negativos a serem observados, e todos têm/devem manter um espírito aberto, uma predisposição para a mudança, uma capacidade de autocrítica e capacidade de discernimento, o que nem sempre acontece, pelo menos não com todos os intervenientes. Considero o que expus neste parágrafo os principais inibidores à capacidade de resposta da Escola/Agrupamento à auto- avaliação. Quanto à implementação do processo de MAABE, os factores inibidores são semelhantes, acrescendo-se o facto de ser a primeira vez que este vai ser
  • 3. implementado. Adito ainda três das ideias que identifiquei na introdução e que, creio, me tocam em particular, possivelmente também a outros colegas, e, permitindo-me a repetição, são os seguintes: - a necessidade de existir entendimento por parte das várias estruturas educativas da Escola/Agrupamento relativamente às competências do professor bibliotecário, com prioridade para o conhecimento do Conteúdo Funcional estabelecido no Artigo 3.º da Portaria 756/2009, de 14 de Julho. - o reconhecimento de que ao professor bibliotecário são exigidas capacidades de liderança e de intervenção a vários níveis: organização e gestão da BE, da sua equipa, de outros recursos humanos, de recursos materiais, de recursos financeiros; capacidades de empatia, de dinamismo, de sentido de responsabilidade; capacidade de decisão, necessitando, para tal, de tempo e de liberdade de manobra; e são-lhe igualmente requeridos vários tipos de conhecimentos: currículos, dinâmica de aprendizagem, tecnologias da informação e da comunicação, relações interpessoais, entre outros. - o discernimento das estruturas educativas e dos colegas docentes, individualmente, quanto à necessidade que o professor bibliotecário tem de recolher vários tipos de evidências e que as mesmas não servem o seu propósito de avaliação individual ou uma vontade de alcançar protagonismo, mas o propósito de demonstrar e de provar que tipo e que qualidade de desempenho a BE está a desenvolver. O processo de divulgação dos objectivos e os pressupostos do MAABE tem de ser, a meu ver, mais explorado e alargado, e este esforço de divulgação compete, numa primeira instância, ao professor bibliotecário, à equipa que com ele partilha responsabilidades, mas também ao órgão directivo do Agrupamento.” Reflexão sobre o MAABE feita quando da realização do trabalho da Sessão n.º 4 (O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares – metodologias de operacionalização I/Análise de indicadores de processo e de outcome do Domínio C.1) “A título de exemplo, e porque as situações reais é que prevalecem sobre as situações desejáveis, impondo limitações que dificilmente (ou nunca) se ultrapassam queria expor o seguinte: na BE da minha escola apenas disponho de uma professora colaboradora com um bloco de noventa minutos para desenvolver a Hora do Conto, de uma professora de História com quatro tempos na equipa da BE, e três professores que prestam apoio à BE no âmbito do PTE (apoio que pode ter de ser disponibilizado para outros serviços da escola, conforme as necessidades mais prementes). Quem permanece na BE cerca de três quartos de horário semanal a tempo inteiro (ou mais) sou eu, a professora bibliotecária, que subdivide a sua actuação por muitas tarefas de apoio aos alunos e aos outros utilizadores, produção de documentos, coordenação dos trabalhos da colega de equipa, da colega colaboradora, dos colegas colaboradores de PTE, da assistente
  • 4. operacional, dinamização de actividades, articulação de actividades com colegas, entre muitas outras tarefas, às quais se irá acrescentar a aplicação do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, com toda a sua exigência. Creio que é de ter consciência e alertar consciências para o facto de não ser possível fazer TUDO, no tempo mais oportuno possível. Tarefas haverá que vão ficar para trás, alunos haverá que ficarão sem apoio, a dinamização de actividades de leitura, por exemplo, vão sofrer, bem como a formação de utilizadores, turma a turma, como muitas vezes se faz, caso se insista numa visão e numa avaliação da BE excessivamente “empresarial”… Há muitas possibilidades de melhoria. Vontade, iniciativa, desejo de melhorar não faltam, mas o tempo não chega para tudo, por muito bem gerido que seja. Outro exemplo real: para estar a escrever estas linhas, utilizo o domingo, pois ao longo da semana não me foi possível ter tempo para dedicar a esta tarefa, não sem prejudicar o normal funcionamento da BE, visto que durante três dias nesta semana a assistente operacional se encontrou justificadamente ausente e eu não poderia ter, simplesmente, fechado as portas para me dedicar a momentos de formação. Demorei um dia inteiro para montar uma pequena exposição, pois tive de interromper inúmeras vezes o trabalho para poder prestar atendimento e apoio aos alunos e restantes utilizadores. Terei, pois, de apresentar evidências pelo que fiz e pelo que não fiz? Creio que sim. O que implica demorar ainda mais tempo a registar, a escrever… tempo que poderia estar a ser utilizado para outro fim. (...) Mais um exemplo real: ao solicitar o empréstimo de documentos à BM, quem se responsabilizará pela entrega e devolução dos mesmos? O professor bibliotecário, que deverá ir no seu carro à BM para seleccionar e trazer os documentos? O responsável da BM, que deverá ter de encontrar tempo para reunir os documentos e se responsabilizará pela sua entrega, devendo para isso aguardar a disponibilidade de transporte da Câmara Municipal?” E ainda a seguinte reflexão... “Ver a acção de melhoria proposta (no MAABE), que se cinge a três linhas da coluna, até parece simples e de fácil concretização, mas exige tempo e insisto no tempo, na necessidade de haver tempo para se realizarem as mais pequenas acções que se possam imaginar. O professor bibliotecário já tem “todo o tempo do mundo” para a BE, mas esse tempo tem limite e esse limite são trinta e cinco horas semanais, tal como tinha enquanto professor e tal como qualquer profissional tem, mas o nível de exigência que lhe é imposto neste momento é de expoente incerto, mas alto, de certeza muito alto. A BE não pode ser encarada como uma empresa e o professor bibliotecário continua a chamar-se professor e a ser professor, e se veio para este lugar por opção (em alguns casos talvez não) é porque traz consigo um sonho. Eu tenho um
  • 5. sonho: o sonho de melhorar a BE onde estou e tenho muita vontade e ânimo para o fazer. Espero que as exigências acrescidas não venham a asfixiar-me esse ânimo, essa vontade, esse sonho… assim o espero, para assim poder continuar a sonhar e a trabalhar, porque a BE precisa mais de mim do que eu dela.” Reflexão feita durante a realização do trabalho da Sessão n.º 5 (O Modelo de Auto-avaliação da BE – Metodologias de operacionalização II) “Relativamente aos questionários apresentados pelo MAABE, considero que os mesmos são, de um modo geral, de fácil resposta, mesmo aqueles que se destinam aos alunos. Poderá ocorrer que uma palavra/questão ou outra terão de sofrer alguma adaptação ao nível etário dos alunos, no entanto, parecem-me adequados. Considero, no entanto, muito exigente utilizar os questionários como uma espécie de checklist de tudo o que a BE tem/deve fazer ao longo do ano, pois conseguir pôr em prática tudo o que desejavelmente é preconizado pelos questionários é obra para muitas pessoas, não apenas para o professor bibliotecário e mais um ou dois elementos de equipa, que é o caso de muitas BEs. Considero que a avaliação, feita a quem for, seja de que tipo for, é um processo subjectivo e sensível, que deve ser conduzido com o máximo de rigor e de critério. Neste caso, no que se refere ao processo de auto-avaliação das BEs, o processo é muito completo, de facto, mas igualmente complexo e exigente e creio que “aproveitar” o tempo “disponível” do professor bibliotecário dando-lhe a primazia da responsabilidade na condução deste processo, inibi-lo-á de fazer muitas outras coisas importantes. Creio que pode ser grave quando um professor bibliotecário afirma que uma das coisas faz, mas que deve deixar de fazer, é dinamizar tantas actividades, pois estas podem exigir tempo e recursos que fazem falta para divulgar a BE. Questiono: quão mais importantes são para os alunos as actividades, por muito pequenas que sejam, um passatempo, uma curiosidade, uma adivinha semanal… que o cartaz de divulgação da BE ou a actualização do blogue da BE? É este o meu receio: que a divulgação da BE, que a recolha de evidências, que o tempo nestas acções gasto, venha a faltar para o mais importante: a atenção aos alunos, a dinamização de actividades (mesmo pequenas), o pensar e imaginar novos passos a dar no futuro… Os instrumentos a utilizar, além dos questionários, creio que devem ser aqueles e apenas aqueles que permitem o funcionamento da BE, ou seja, instrumentos funcionais, não instrumentos específicos de recolha de evidências. Os registos em acta, por sua vez, são também valiosos, visto que são registos feitos em contexto formal de reflexão e são partilhados por vários elementos, que terão a oportunidade de averbar ou contestar o que é referido pelo professor bibliotecário. As actas são (ou deviam ser) documentos muito fiéis ao que é dito, não apenas uma súmula das deliberações que por vezes demoram horas. Alguém disse, numa reunião de Conselho Pedagógico do meu Agrupamento: “Nunca se
  • 6. falou tanto nas Bibliotecas nos pedagógicos como este ano!”. Mas não ficou registado, a não ser na memória dos presentes, em especial na minha, por se considerar que nem tudo o que se diz vai para a acta. A minha visão é, neste caso e em todos os outros, para o bem e para o mal, bem diferente…” Reflexão feita durante a realização do trabalho da Sessão n.º 5 (O Modelo de Auto-avaliação da BE – Metodologias de operacionalização III) “Os documentos elaborados pelas equipas da Inspecção-geral da Educação analisados foram escolhidos, em parte, de forma aleatória e em parte porque já tive contacto com algumas das escolas e suas Bibliotecas Escolares, como é o caso do Agrupamento de Escolas de Ourique, o Agrupamento de Escolas de Boliqueime e o Agrupamento de Escolas de São Brás de Alportel. Dos documentos analisados, registei o facto de as referências às Bibliotecas Escolares serem, em geral, bastante breves e algo vagas, reportando-se sobretudo a algumas actividade dinamizadas, muitas vezes com alusão ao Plano Nacional de Leitura. Não reportei, por exemplo, referências negativas relativamente às Bibliotecas Escolares desses agrupamentos, o que é, pelo menos, um bom sinal, no entanto, creio que as informações dadas carecem de referência à organização dos espaços, à gestão de recursos financeiros e humanos das BEs, entre outros aspectos. A implementação do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares irá, possivelmente, ganhar o seu espaço próprio nestes documentos, pelo que as próximas avaliações externas terão, quase de certeza, mais um tópico a abordar, onde será dado o relevo justo e merecido, assim se espera, ao trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares.” 2. A Acção de Formação Neste capítulo da minha reflexão final, gostaria de retomar algumas palavras que proferi no dia 21 de Dezembro, no momento em que apresentei o meu Portefólio. Em primeiro lugar, considero que esta acção de formação se revestiu de um elevado grau de exigência, pois em cada semana, ininterruptamente, foram
  • 7. pedidas várias tarefas, todas elas bastante exigentes, que requereram da minha parte a maior atenção e rigor, na medida do possível e na medida das minhas capacidades e das minhas limitações. Creio que foi excessiva a carga de tarefas solicitadas, pois a mesma aportou um acréscimo de horas de trabalho e o sacrifício de muitas horas de descanso, de lazer, de apoio familiar, de sono... Sacrifiquei, pois, o meu descanso, o meu sono, a minha vida familiar, os meus domingos à tarde, noite e madrugada... só não sacrifiquei horas de trabalho na Biblioteca, uma vez que apenas retirei uma manhã de sexta-feira para a realização de um trabalho (a tarefa da primeira sessão). Penso que não pode justificar-se este sacrifício em prol de uma acção de formação, pois, humanamente, é pedir demais. Às horas de leituras cumularam horas de reflexão, horas de escrita, horas de produção de documentos, horas de consulta de trabalhos de outros colegas, etc. Não estou, contudo, a afirmar que as horas dedicadas às tarefas foram imerecidas ou vãs, reitero, antes, à semelhança do que foi referido por vários colegas no dia 21 de Dezembro, o tempo disponível, em termos de acção de formação, para a realização das tarefas é que foi pouco, infinitamente pouco. Ou, por outra, terei feito mal em não retirar tempo de trabalho na Biblioteca para a realização dos meus trabalhos da acção de formação...? Admito, por um lado, que termino a acção de formação com muitas dúvidas sobre algumas questões que foram sendo levantadas, para as quais, possivelmente, só mais tarde, encontrarei resposta. Por outro lado, tal como afirmei no dia 21 de Dezembro, subsiste em mim um sentimento de desolação pelo que terei feito de mal ou de menos bem em cada trabalho, pois a modalidade de formação on-line, à distância, não permitiu uma maior partilha de dúvidas, de receios, de sucessos, de experiências, algo que para um professor é impensável, uma vez que na relação professor-aluno a proximidade é algo de precioso e de imprescindível, sendo o feed-back uma constante do trabalho diário, o que não aconteceu nesta acção de formação. Como aspectos positivos desta formação, considero que a mesma permitiu uma consulta aprofundada do MAABE, exigindo o seu manuseamento constante, o que se traduziu por uma maior familiaridade com o documento. A acção permitu ainda o contacto com ferramentas digitais, tais como a criação de um blogue ou a utilização do Slideshare, que se revelaram de grande importância e utilidade. Ainda como aspecto positivo, saliento o trabalho na plataforma Moodle que, apesar de não ser algo de novo, acrescentou algumas mais-valias à minha formação. Também a possibilidade de, através da plataforma, ter contacto com os trabalhos realizados pelos colegas da formação foi, no meu entender, um aspecto positivo. 3. O meu desempenho
  • 8. Para finalizar esta reflexão, pretendo apenas deixar um breve parecer auto- avaliativo sobre o meu desempenho nesta acção de formação. Considero que, de um modo geral, aprendi bastante, não tanto como gostaria de ter aprendido em todos os domínios, mas aprendi. Considero que gostaria de ter dedicado mais tempo às leituras, principalmente, às leituras facultativas, pois estas foram relegadas para um momento mais oportuno, em termos de tempo disponível. Considero que produzi trabalhos com alguma profundidade e qualidade, em termos de análise e de crítica. Considero que não me rendi, não tenho esse hábito, ao tão fácil copy/paste, conforme sugerido em algumas das sínteses descritivas elaboradas pelas colegas formadoras. Embora tenha sido quase sempre das últimas pessoas a colocar os meus trabalhos na palataforma, dois deles, inclusivamente, algumas horas fora de prazo, e embora tenha sempre consultado dois ou três trabalhos já realizados antes de realizar o meu, reafirmo que a intenção nunca foi a de ficar para o fim para assim ganhar com o que os outros fizeram ou deixaram de fazer. Quando ajo, ajo por conta própria e com sentido de responsabilidade, quando escrevo, faço-o da mesma forma e guiada pela minha própria linha de reflexão e de pensamento e, assim o creio, isso ficou bem patente naquilo que apresentei ao longo desta acção de formação, inclusive, para terminar, nesta mesma reflexão. Por fim, considero que trabalhei com dedicação, com o rigor possível, com brio e com zelo, embora muitas vezes a contragosto e guiada não pelo prazer de trabalhar, mas pela obrigação de ter de o fazer, porque acredito que ao entrar numa luta é para ir até ao limite das minhas capacidades e das minhas forças e para dar tudo o que posso daquilo que tenho. Para terminar, uma palavra de agradecimento às colegas formadoras, pelo seu esforço, e uma muito sentida nota de gratidão a todos os colegas, companheiros desta longa e difícil jornada. Até uma nova oportunidade. Sílvia Maria Passos Baltazar 28 de Dezembro de 2009