Cesário verde

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Cesário verde

  1. 1. INTERAÇÕESINTERAÇÕES Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  2. 2. “Eu não sou como muitos que estão no meio de um grande ajuntamento de gente e completamente isolados e abstratos. A mim o que me rodeia é que me preocupa” (1875) Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  3. 3. Ler Cesário é refletir sobre a tradição literária e simultaneamente assistir à criação das tendências futuras através da força inovadora da sua poesia. Ao renovar as práticas poéticas da sua época, torna-se o precursor da poesia do séc. XX. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  4. 4. Várias tendências poéticas se cruzam nos seus versos • Realismo A.J. Saraiva classifica o autor como “o único verdadeiro poeta “realista” do nosso século XIX”, “o único que conseguiu cortar com a retórica romântica, criando uma expressão inteiramente nova, ajustada à expressão direta de um novo conteúdo”. Para O. Lopes, verifica-se na obra do poeta a existência de um “realismo de intenção basicamente naturalista”. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  5. 5. • Naturalismo Preocupação naturalista por aspetos patológicos. • Parnasianismo Antirromantismo e defesa dos valores da arte pela arte. • Simbolismo O culto do “eu” aliado a preocupações formais herdadas dos parnasianos; correspondência entre a ideia e a sua sugestão; capacidade de visão especial que pode atingir níveis de extrapolação onírica; certa visão pessimista da existência. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  6. 6. • Impressionismo - A literatura procura imprimir às palavras as quali- dades sugestivas das manchas de cor, da lumino- sidade dos quadros impressionistas. - Anteposição das características dos objetos à sua identificação – a impressão causada. - As sensações do poeta, através das quais a realidade é filtrada e sugerida. - Os sentidos (em particular a visão) adquirem um papel preponderante. - A metáfora, permitindo a sugestão da impressão num sentido quase pictórico. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  7. 7. Poeta precursor de... • Modernismo Aliança estreita entre literatura e artes plásticas; rela-cionamento entre autor e obra (da transposição de uma vivência à transposição e ao fingimento); a dis-persão e a multiplicidade; capacidade introspetiva. • Surrealismo Mecanismo de associação de ideias e tradução do inconsciente; o gosto pelo insólito; uso de metáforas transfiguradoras. • Neorrealismo O povo urbano e rural ligado ao trabalho, à produção e transformado em personagem coletiva; as injustiças que vitimam os mais desfavorecidos. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  8. 8. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  9. 9. • Marcas da narrativa (espaço, tempo, ação, personagens). • Descontentamento evidente em relação ao emprego. • Desejo de uma vida descansada e tranquila. • Transfiguração do real através da imaginação. • Invasão da cidade pelo campo → cabaz de frutos e legumes. • Mulher do campo (vendedeira): desprendida, humilde, atenciosa, educada, frágil, pálida e magra. • O sujeito poético ganha forças através da vendedeira (que representa o campo). • Quadro verdadeiramente impressionista: predomínio da cor e luminosidade nas descrições. “Num bairro moderno” Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  10. 10. “Sentimento dum ocidental” “Ave Marias” (primeira secção do poema) • Desejo de fuga, de evasão. • Denúncia social: condições de vida precárias para os traba- lhadores. • Cidade: símbolo de poluição e opressão. • Ciclo vicioso das classes mais baixas: não progridem porque não têm oportunidade. • Antinomia de personagens, espaços e tempos (trabalhadores explorados e atarefados/lojistas enfadados). • Edificações emadeiradas/hotéis da moda; antes e depois da industrialização: glória/opressão, miséria, injustiça, dependência. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  11. 11. “Noite fechada” (segunda secção) • O sujeito poético é um observador solitário. •Sentimentos de nostalgia, opressão e aprisionamento (o Aljube surge como expressão metafórica da cidade confinadora). •Denúncia das injustiças sociais. •Evocação do passado sinistro da Inquisição (“Duas igrejas, num saudoso largo, / Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero: / Nelas esfumo um ermo inquisidor severo”). •O passado épico de Camões é o oposto ao presente, no qual o “eu” antevê a cólera e a febre na “acumulação de corpos enfezados”. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “Toca-se as grades, nas cadeias. Som Que mortifica e deixa umas loucuras mansas! O aljube, e que hoje estão velhinhas e crianças, Bem raramente encerra uma mulher de «dom»!” (...)
  12. 12. “Ao Gás” (terceira secção) • Opressão crescente da noite (“A noite pesa, esmaga”). • Presença de prostituição e de doença no espaço citadino. • Confirmação da melancolia inicial, que desperta no “eu” um desejo absurdo de sofrer. • Registo de factos do real circundante. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “E saio. A noite pesa, esmaga. Nos Passeios de lajedo arrastam-se as impuras. Ó moles hospitais! Sai das embocaduras Um sopro que arrepia os ombros quase nus.”
  13. 13. “Horas Mortas” (quarta secção) • A deambulação do sujeito poético levou-o ao momento de escuridão mais profunda. • Desejo de viver na perfeição, num ambiente de amor, que substituísse a solidão e a melancolia. • A oposição entre “luz em mansões de vidro transparente”, onde reine o amor, símbolo de liberdade, e a escuridão da cidade “de prédios sepulcrais”. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde (...) “Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente” (...)
  14. 14. Naquele “pic-nic” de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo o caso dava uma aguarela. Foi quando tu, descendo do burrico, Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão-de-bico Um ramalhete rubro de papoulas. Pouco depois, em cima duns penhascos, Nós acampámos, inda o Sol se via; E houve talhadas de melão, damascos, E pão-de-ló molhado em malvasia. Mas, todo purpúro a sair da renda Dos teus dois seios como duas rolas, Era o supremo encanto da merenda O ramalhete rubro das papoulas! Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “De tarde”
  15. 15. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde • A primeira quadra constitui a introdução do poema. Nos dois primeiros versos, o demonstrativo "Naquele" e a forma verbal no Pretérito Perfeito "Houve" remetem para o passado, instaurando a memória como meio de representação poética. • Nesta quadra introduzem-se ainda dois motivos que percorrem o texto: a simplicidade "uma coisa simplesmente bela/ E que, sem ter história nem grandezas" e o caráter plástico da cena descrita "bela", "dava uma aguarela";
  16. 16. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde • O poema esboça uma narrativa.   • A utilização dos elementos narrativos permite a criação de dois quadros: 1º quadro (2ª estrofe) - a burguesa, que desceu do burrico, colhendo papoulas; • 2º quadro (3ª e 4ª estrofes) - o "pic-nic", em cima dos penhascos, destacando-se a imagem do ramalhete de “papoulas” a emergir do decote da "burguesa". • Há sugestões pictóricas relativas a: linhas e volumes • A descrição é feita com base em sensações, sobretudo visuais.
  17. 17. • Revolta contra a desumanidade e a ignorância que oprimem e marginalizam os mais fracos: ao contem-plar, através da sua janela, uma pobre engomadeira tuberculosa, emociona-se com o seu drama. • O sujeito poético solidariza-se com os que sofrem as humilhações do quotidiano da cidade de Lisboa – também ele foi humilhado e os seus versos rejeitados. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “Contrariedades”
  18. 18. Situação psicológica e social do sujeito poético Situação física e económica da engomadeira - revoltado; - ansioso; - agitado; - intransigente; - consciente das injustiças; - vítima da estrutura social da época. - doente (tuberculosa); - “sem peito”; - magra; - feia; - situação económica precária; - vítima da estrutura social da época. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde
  19. 19. • A cidade personificada na mulher fatal de humilhante indiferença, sofisticada, moderna, racional, distante, fútil, fria, orgulhosa e sedutora. • Redução do amante à condição de servo. • Transposição do plano individual para o coletivo: vingança contra a ordem social personificada pelas “miladies”. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “Deslumbramentos”
  20. 20. • Elogio do campo, que é fonte de vida e de riqueza. • Cidade como algo de dramático, centro de desgraça, doença e morte. • O campo associa-se a saúde, fertilidade, vida, saúde liberdade. • Triunfo da cidade sobre o campo: protesto, rebeldia, desprezo. • Poema autobiográfico que nos permite conhecer a família do poeta e os seus Verões. Um olhar sobre a poética de Cesário VerdeUm olhar sobre a poética de Cesário Verde “Nós”

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