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Os Maias Apresentação

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Trabalho realizado por Ana Marcelino - Escola Básica Dom Fernando II - 11ºA

Publicada em: Educação

Os Maias Apresentação

  1. 1. Os Maias de Eça de Queirós Episódios da vida romântica
  2. 2. O contexto histórico-cultural da produção do romance <ul><li>A segunda metade do século XIX </li></ul><ul><li>A década de 50 do século XIX assistiu a um grande desenvolvimento das vias de comunicação e a um relativo progresso económico, a par e uma época de certa estabilidade política, conhecida por Regeneração. O autor deste desenvolvimento económico foi Fontes Pereira de Melo iniciador de uma política de implementação de infra-estruturas de comunicação (caminhos-de-ferro, estradas, pontes, telégrafo) designada por “fontismo”. Contudo, esta política não foi nem pacífica nem consensual e os resultados não foram iguais para todos, uma vez que se acentuaram os desequilíbrios entre o interior e o litoral. </li></ul>
  3. 3. O contexto cultural <ul><li>No entanto, ao crescimento económico não correspondeu a uma alteração significativa dos padrões estético-literários vigentes na época, dominada ainda pelo ultra-romantismo e pela sua figura emblemática, António Feliciano de Castilho. Este era uma espécie de padrinho oficial dos escritores mais novos, tais como Tomás Ribeiro ou Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, pois usufruía de influência e relações que lhe permitiam facilitar a vida literária a muitos estreantes, serviço recompensado pelo elogio mútuo. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>A década anterior à publicação de Os Maias é uma das mais polémicas épocas da História da Literatura, marcada por profundas revoluções: </li></ul><ul><li>O idealismo cede lugar ao positivismo; </li></ul><ul><li>O romantismo literário é violentamente atacado pelo realismo; </li></ul><ul><li>O realismo põe a nu os grandes males sociais, determinando-lhes as causas e explicando-lhes os efeitos; </li></ul><ul><li>Grandes vultos da cultura europeia como, Proudhon, Taine, Darwin, Comte influenciam com as suas teses filosóficas e científicas o conteúdo literário das obras; </li></ul><ul><li>A arte literária passa a estar ao serviço da revolução de mentalidades. </li></ul>
  5. 5. Contexto cultural da Geração de 70 <ul><li>Questão Coimbrã, o Cenáculo e as Conferências do Casino </li></ul><ul><li>Em Portugal, o Realismo e o Naturalismo aparecem ligados a expressões como Questão Coimbrã, o Cenáculo, Conferências do Casino, Geração de 70. </li></ul><ul><li>A primeira foi o passo inicial para a introdução das novas ideias e informa a oposição entre os de Coimbra e os de Lisboa (…). O Cenáculo constituiu uma espécie de prolongamento dos tempos de Coimbra na capital: marcaram a sua existência as discussões intelectuais e a figura de Antero, e entre os seus membros nasceu a ideia daquilo que seria um novo motivo de polémica – as conferências do Casino. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>O programa das conferências, datado de 16 de Maio de 1871, mostrava uma proposta revolucionária que falava em «agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência Moderna», «estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa»; «ligar Portugal com o movimento moderno». </li></ul><ul><li>Entretanto, o que os conferencistas do Casino desejavam era, em última análise, a moralização da sociedade, através da denúncia dos seus erros e vícios. Se Eça condicionava a arte a causas permanentes e causas acidentais ou históricas, também a entendia como estabelecedora de uma moral: a literatura era, pois, a estratégia pedagógica do escritor. </li></ul>
  7. 7. Objectivos das conferências <ul><li>Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam, na Europa; </li></ul><ul><li>Agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência Moderna; </li></ul><ul><li>Estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa. </li></ul>
  8. 8. A revolução será uma das marcas da Geração de 70 <ul><li>Tendo em conta que a Geração de 70 foi também «uma problemática, uma atitude mental, uma interrogação sobre a identidade nacional», «falar desta geração é também abstrair de homens e obras e encarar uma temática comum, uma enunciação de problemas, uma definição do pensamento nacional». A Revolução será, portanto, uma das marcas da Geração de 70, não só na palavra de Antero e de Eça, mas pelo que ela significou em termos culturais e literários. Ela combaterá a decadência, outra ideia sempre presente, e terá por inspiração o socialismo , frequentemente associado ao republicanismo, assumindo ambos concepções diferentes entre os jovens setentistas. </li></ul>
  9. 9. Eça de Queirós http://www.youtube.com/watch?v=okxCTznbbUI http://www.youtube.com/watch?v=MZZooy06COU&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=3QCiHFrsavI&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=E4X_3W0YGzc&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=VJ52rYpGie8&feature=related
  10. 10. Eça de Queirós – As fases da sua evolução literária <ul><li>Distinguem-se na obra de Eça de Queirós, fundamentalmente, três fases: </li></ul><ul><li>1.ªFase: Romântica </li></ul><ul><li>Os temas e a idealização de atmosfera e tipos são ainda românticos, mas os processos de descrição são já realistas; o estilo apresenta processos expressivos de feição simbolista. </li></ul><ul><li>O autor parece ter preferência pelos temas da morte, da decadência física, de personagens satânicas. Nalguns textos afloram preocupações de índole panteísta e um tom crítico e cáustico à sociedade. </li></ul><ul><li>2.ª Fase: Realista-Naturalista </li></ul><ul><li>Eça cria verdadeiramente o romance de costumes, com análise objectiva da sociedade. </li></ul><ul><li>3.ªFase: Ecléctica </li></ul><ul><li>Nas obras que se inserem nesta fase, há a valorização da fantasia, da subjectividade, do sonho e da intuição. </li></ul>
  11. 11. Resumo do primeiro capítulo <ul><li>Apresentação do Ramalhete (casa de residência, em Lisboa, de Afonso da Maia e seu neto, Carlos da Maia) </li></ul><ul><li>Apresentação da família Maia com destaque para a caracterização física e psicológica de Afonso da Maia. </li></ul><ul><li>Exílio de Afonso da Maia por ser partidário das ideias liberais. </li></ul><ul><li>Casamento de Afonso da Maia com D. Maria Eduarda Runa, uma mulher conservadora e com ideais opostos do marido. </li></ul><ul><li>Nascimento de Pedro da Maia. </li></ul><ul><li>Educação de Pedro da Maia (modelo educacional imposto pela mãe e contrário aos valores de Afonso da Maia). </li></ul><ul><li>Morte de D. Maria Eduarda Runa. </li></ul><ul><li>Casamento de Pedro da Maia com Maria Monforte (uma mulher muito elegante e muito bela, com toilettes deslumbrantes). </li></ul>
  12. 12. Acção N’Os Maias <ul><li>N’os Maias é possível definir dois níveis de acção: </li></ul><ul><li>A crónica de costumes – para a qual remete o subtítulo «Episódios da Vida Romântica» - que engloba a representação de cenários e ambientes onde personagens (principais e figurantes) agem e interagem; </li></ul><ul><li>A intriga – a intriga d’Os Maias é constituída fundamentalmente pelos amores de Carlos e Maria Eduarda assim como pelo desfecho trágico, isto é, a descoberta do incesto e a morte de Afonso da Maia. </li></ul>
  13. 13. O Espaço na Obra (geográfico) <ul><li>Largo da Abegoaria (em Lisboa, a nascente do Chiado, hoje largo Rafael Bordalo Pinheiro, onde se situava, no número 10, o Casino Lisbonense, local em que decorreram as Conferências do Casino) (Cap. XVI); </li></ul><ul><li>Calçada do Alecrim (Cap. VI); </li></ul><ul><li>Largo das Amoreiras (Cap. X); </li></ul><ul><li>Aterro (Cap.XVII) ; </li></ul><ul><li>Hotel Bragança (Cap.XVIII); </li></ul><ul><li>Praça de Camões (Cap. XVIII); </li></ul><ul><li>Hotel Central (Cap.VI) ; </li></ul><ul><li>Rua do Ferragial (Cap. VI); </li></ul><ul><li>Graça (Cap. XVIII) ; </li></ul><ul><li>Largo dos Jerónimos (Cap. X); </li></ul>
  14. 14. O Espaço na Obra (geográfico) <ul><li>Avenida da Liberdade (Cap.XVIII); </li></ul><ul><li>Rua de S. Francisco, às Janelas Verdes (Cap.XVIII); </li></ul><ul><li>Largo do pelourinho (Cap.XVII); </li></ul><ul><li>Estação de Santa Apolónia (Cap.XVII); </li></ul><ul><li>Teatro da Trindade (Cap. XVI); </li></ul><ul><li>Largo de Santa Justa (Cap.XV); </li></ul><ul><li>Rampa de Santos (Cap.XVII); </li></ul><ul><li>Cada Havaneza e Grémio Literário (Cap. XVIII). </li></ul>
  15. 15. Espaço Social Instrução / Ensino. Concepção da educação da mulher. Mediocridade mental e superficialidade de juízos dos mais destacados funcionários do Estado. Jantar do Conde de Gouvarinho Desejo de imitar o estrangeiro. Mentalidade provinciana. Corridas Contacto de Carlos com a alta sociedade lisboeta. Literatura (Romantismo/Realismo – Naturalismo). Concepção da Arte. Crítica literária. Situação financeira de Portugal. Mentalidade limitada e retrógrada da elite lisboeta. Jantar no Hotel Central Educação tradicional portuguesa / educação tipicamente inglesa. Serão em Santa Olávia Temas tratados/ crítica social Espaço social (Ambientes)
  16. 16. Temas tratados / crítica social Espaço Social (Ambientes) Parcialidade do jornalismo da época. Clientelismo partidário. Vingança política. Dependência política. Representantes políticos do espaço lisboeta e do espaço provinciano. Redacção do Jornal A Tarde Superficialidade dos temas das conversas e ignorância da classe dirigente. Alheamento perante a música tocada por Cruges. Poesia ultra-romântica mascarada de lirismo piegas e de conotações sociais (Alencar). Oratória oca dos políticos (Rufino). Dimensão simbólica deste episódio. Degradação progressiva do país (ociosidade, provincianismo, temperamento português mole e apaixonado) Sarau no Teatro da Trindade Passeio final de Carlos e Ega em Lisboa
  17. 17. Tratamento do tempo Passeio de Carlos e Ega em Lisboa. Viagem de Carlos e Ega. Contacto de Carlos com o meio social lisboeta. Intriga principal: amores de Carlos com Maria Eduarda. Amores de Ega com Raquel Cohen. Juventude de Afonso da Maia. Exílio de Afonso. Casamento de Afonso com Maria Eduarda Runa. Infância de Pedro. Suicídio de Pedro. Etc. Descrição do Ramalhete: «A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança (…)» Passados dez anos Finais de 1886 – princípios de 1887 Após a tragédia (prática do incesto, morte de Afonso) 1877 Acção principal De 1875 a 1877 Analepse De 1820 a 1875 Introdução 1875
  18. 18. Caracterização física e/ou psicológica <ul><li>Carlos </li></ul><ul><li>“ um formoso e magnífico moço, alto, bem feito, de ombros largos, com uma testa de mármore sobre os anéis dos cabelos pretos” e fazendo lembrar “o ar de um príncipe da renascença”; </li></ul><ul><li>Cursou Medicina em Coimbra; </li></ul><ul><li>Aristocrata rico e ocioso com tendência para o diletantismo (fatal dispersão de ocupações e de gostos); </li></ul><ul><li>Temperamento dominado pela sobriedade e pelo bom gosto e pelo dandismo; </li></ul><ul><li>Esforço de Carlos para fazer do Ramalhete uma residência com luxo sóbrio e discreto; </li></ul><ul><li>Amores de Carlos com a Condessa de Gouvarinho; </li></ul><ul><li>Paixão de Carlos por Maria Eduarda. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Maria Eduarda </li></ul><ul><li>Mulher bela, elegante e culta; </li></ul><ul><li>Revela a Carlos o seu passado atribulado na companhia da mãe (educação, modos e ambientes de vida); </li></ul><ul><li>Casa com Marc Gren, de quem tem uma filha. Este morre na batalha de Saint-Privat aquando do rebentamento da guerra Franco-Prussiana; </li></ul><ul><li>Vive com um brasileiro rico, Castro Gomes que, a caminho do Brasil a traz a Lisboa, onde conhece Carlos da Maia; </li></ul><ul><li>É sensata e tem um forte sentido de dignidade; </li></ul><ul><li>É apologista da republica por lhe parecer o Regime em que há mais solicitude pelos humildes. </li></ul>Caracterização física e/ou psicológica
  20. 20. <ul><li>Ega </li></ul><ul><li>Boémio estudantil em Coimbra onde impressiona tudo e todos com o temerário arrojo das suas concepções; </li></ul><ul><li>Aspecto bizarro: “figura esgrouviada e seca, os pêlos do bigode arrebitados sob o nariz adunco” e com “gestos de Mefistófeles ”; </li></ul><ul><li>Usava monóculo “ um vidro entalado no olho direito”; </li></ul><ul><li>Amigo e confidente de Carlos; </li></ul><ul><li>Apaixona-se por Raquel Cohen; </li></ul><ul><li>Literato ousado, fantasioso, e com um verve , nunca chegando a concretizar os seus planos de autor. </li></ul>Caracterização física e/ou psicológica
  21. 21. <ul><li>Pedro </li></ul><ul><li>Filho único de Afonso e de Maria Eduarda Runa; </li></ul><ul><li>É débil e fraco; </li></ul><ul><li>Teve uma educação tradicional portuguesa; </li></ul><ul><li>Após a morte da mãe, tem crises de “melancolia nervosa ”; </li></ul><ul><li>Casa com Maria Monforte contra a vontade do pai; </li></ul><ul><li>Quando a mulher foge com Tancredo, suicida-se na casa do pai, em Benfica; </li></ul><ul><li>É o protótipo do herói romântico; </li></ul>Caracterização física e/ou psicológica
  22. 22. <ul><li>Maria Monforte </li></ul><ul><li>Muito bela; </li></ul><ul><li>Cabelos loiros; </li></ul><ul><li>Testa curta e clássica; </li></ul><ul><li>Olhos azuis; </li></ul><ul><li>Carnação de mármore; </li></ul><ul><li>Era conhecida em Lisboa por «negreira»; </li></ul><ul><li>Casa com Pedro contra a vontade do pai deste, Afonso da Maia; </li></ul><ul><li>Em Arroios, onde tem uma intensa vida social, conhece Tancredo, por quem se apaixona e com quem foge, levando consigo a sua filha, Maria Eduarda. Carlos fica com o seu pai. </li></ul>Caracterização física e/ou psicológica
  23. 23. Caracterização e/ou psicológica <ul><li>Alencar </li></ul><ul><li>Defensor do romantismo, insurge-se veementemente contra o naturalismo; </li></ul><ul><li>Poeta das “Vozes d’Aurora ” e da “Flor de Martírio”; </li></ul><ul><li>Bondoso, sentimental, idealista e sincero; </li></ul><ul><li>É o informador do destino de Maria Monforte. </li></ul>
  24. 24. Caracterização física e/ou psicológica <ul><li>Afonso da Maia </li></ul><ul><li>“ rígido e inexorável como a encarnação mesma da honra doméstica”; </li></ul><ul><li>“ profere um não afrontoso de fidalgo puritano” </li></ul><ul><li>“ pai gótico” </li></ul><ul><li>“ o velho Afonso é granítico” </li></ul>
  25. 25. Linguagem – estilo – recursos de estilo <ul><li>Acumulação de sensações (visuais, auditivas, tácteis…): «Do lado do mar subia uma maravilhosa cor de ouro pálido, que ia no alto diluir do azul, dava-lhe um branco indeciso e opalino, um tom de desmaio doce; (…)» (cap.VIII, p.245); </li></ul><ul><li>Adjectivação abundante : «um ídole japonês de bronze, um deus bestial, nu, pelado, obeso.» (cap.XIII, p.437); </li></ul><ul><li>Adjectivação dupla : «romance, radiante e absurdo.» (cap. VIII, p.245); </li></ul><ul><li>Advérbio de modo caracterizador: «Falou de ti constantemente, irresistivelmente, imoderadamente!» (cap.XII, p.382); </li></ul><ul><li>Aliteração: «Iam ambos caminhando por uma das alamedas laterais verde e fresca, de uma paz religiosa, como um claustro feito de folhagem» (cap.VIII, p.237); </li></ul><ul><li>Anáfora: «O bufete estava instalado debaixo da tribuna, sob o tabuado nu, sem sobrado, sem um ornato, sem uma flor.» (cap.X, p.321) </li></ul>
  26. 26. Linguagem – estilo – recursos de estilo <ul><li>Antítese: «[Eusebiozinho] Parecia mais fúnebre, mais tísico, dando o braço a um senhora muito forte, muito corada (…)» (cap.XVIII, p. 705); </li></ul><ul><li>Calão: «mostrara ventas de homem» (cap.IX); «-uma coça – dizia o Ega, com olhos chamejantes e numa voz que sibilava.» (cap.IX, p.282); </li></ul><ul><li>Estrangeirismos: «Por toda a parte uma confusão, um gâchis» (…) «Por todo o lado os radicais, les nouvelles couches» (cap.VII); </li></ul><ul><li>Gradação progressiva: «Carlos falava daquele grande amor, ele sentia-o profundo, absorvente, eterno» (cap.XII); </li></ul><ul><li>Matáfora: «Os bigodes esvoaçando ao vendaval das paixões» (cap.VI); </li></ul><ul><li>Personificação: «naquele cais triste de cidade antiquada» (cap.VII). </li></ul>

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