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Os Maias

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Publicada em

Eça de Queirós

Publicada em: Educação

Os Maias

  1. 1. <ul><li>Público-alvo: </li></ul><ul><li>- Alunos de Português - 11.º ano </li></ul><ul><li>Objectivos: </li></ul><ul><li>- Conhecer o ambiente cultural da Geração de 70. </li></ul><ul><li>- Conhecer as características do Realismo. </li></ul><ul><li>Aprofundar o conhecimento das categorias da narrativa. </li></ul><ul><li>- Desenvolver a competência de interpretação de textos literários. </li></ul><ul><li>- Ler a obra Os Maias. </li></ul><ul><li>- Ganhar gosto pela leitura dos nossos clássicos. </li></ul>
  2. 2. Os Maias Caricatura de Eça de Queirós Episódios da Vida Romântica
  3. 3. Os Maias , obra-prima de Eça de Queirós, publicada em 1888, é uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. Vale principalmente pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os caracteres e apresenta as situações. É um romance realista (com traços naturalistas) onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional. Capa da edição de 1888
  4. 4. <ul><li>- Nasceu a 25 de Novembro de 1845, na Póvoa de Varzim. </li></ul><ul><li>- Estudou Direito em Coimbra, tendo sido, juntamente com Antero de Quental, um dos elementos mais proeminentes da Questão Coimbrã e da Geração de 70 . </li></ul><ul><li>- Já em Lisboa, participou nas célebres Conferências do Casino, onde apresentou o Realismo como nova expressão de arte. </li></ul><ul><li>Depois seguiu a vida diplomática. </li></ul><ul><li>Escreveu: O Crime do Padre Amaro , O Primo Basílio , O Mandarim, A Relíquia, A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras, entre outras obras. </li></ul><ul><li>- Faleceu em Neuilly, Paris, a 16 de Agosto de 1900. </li></ul>José Maria Eça de Queirós
  5. 5. Realismo Nas Conferências do Casino Lisbonense, Eça pronuncia uma conferência com o título «O realismo como nova expressão de arte», enunciando os seguintes princípios: «É a negação da arte pela arte; é a prescrição do convencional, do enfático, do piegas. É a abolição da retórica considerada como arte de promover a comoção usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da gestão dos tropos.
  6. 6. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o Realismo é uma reacção contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento. O Realismo é anatomia do carácter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos para condenar o que houver de mau na nossa sociedade».
  7. 7. Interessa ao naturalista encontrar o clima científico motivador do comportamento das personagens. Assim, também, ao escritor naturalista quando se debruça sobre a podridão social. Seja, embora, Eça mais um escritor realista do que naturalista, estas duas posições não estão dissociadas nele. Naturalismo
  8. 8. Pois o Naturalismo é «um método de pensar, de ver, de reflectir, de estudar, de experimentar, uma necessidade de saber, mas não uma maneira especial de escrever». Eça justifica determinadas situações nos seus romances, devido à hereditariedade, ao meio ambiente e ao tempo, na linha de Hippolyte Taine.
  9. 9. Caricatura de Eça referente às Conferências do Casino Lisbonense
  10. 10. “ A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela “casa do Ramalhete”, ou simplesmente Ramalhete. (…) Os Maias eram uma antiga família da Beira, sempre pouco numerosa, sem linhas colaterais, sem parentelas - e agora reduzida a dois varões, o senhor da casa, Afonso da Maia, um velho já, quase um antepassado, mais idoso que o século, e seu neto Carlos, que estudava medicina em Coimbra.”
  11. 11. N' Os Maias podemos distinguir dois níveis de acção: a crónica de costumes - acção aberta; e a intriga - acção fechada, que se divide em intriga principal e intriga secundária. São, aliás, estes dois níveis de acção, que justificam a existência de título e subtítulo nesta obra. O título - Os Maias - corresponde à intriga, enquanto que o subtítulo - Episódios da Vida Romântica - corresponde à crónica de costumes. Acção
  12. 12. <ul><li>Na intriga secundária temos: </li></ul><ul><li>a história de Afonso da Maia - época de reacção do Liberalismo ao Absolutismo. </li></ul><ul><li>a história de Pedro da Maia e Maria Monforte - época de instauração do Liberalismo e consequentes contradições internas. </li></ul><ul><li>a história da infância e juventude de Carlos da Maia - época de decadência das experiências Liberais. </li></ul>
  13. 13. Na intriga principal são retratados os amores incestuosos de Carlos e Maria Eduarda que terminam com a desagregação da família - morte de Afonso e separação de Carlos e Maria Eduarda. Carlos é o protagonista da intriga principal. Teve uma educação à inglesa e tirou o curso de medicina em Coimbra.
  14. 14. A educação de Maria Eduarda foi completamente diferente, donde se conclui que a sua paixão não foi condicionada pela educação, nem pela hereditariedade, nem pelo meio. A sua ligação amorosa foi comandada à distância por uma entidade que se denomina destino.
  15. 15. A acção principal d' Os Maias desenvolve-se segundo os moldes da tragédia clássica: a peripécia, a anagnórise (reconhecimento) e catástrofe. A peripécia verificou-se com o encontro casual de Maria Eduarda com Guimarães; com as revelações casuais do Guimarães a Ega sobre a identidade de Maria Eduarda; e com as revelações a Carlos e Afonso da Maia também, sobre a identidade de Maria Eduarda.
  16. 16. O reconhecimento, acarretado pelas revelações do Guimarães, torna a relação entre Carlos e Maria Eduarda uma relação incestuosa, provocando a catástrofe, consumada pela morte do avô, a separação definitiva dos dois amantes e as reflexões de Carlos e Ega.
  17. 17. O Jantar do Hotel Central Carlos vê M.ª Eduarda pela primeira vez As Corridas No Hipódromo Carlos procura M.ª Eduarda … ela passou diante deles com um passo soberano de deusa… E não estava também aquela que os olhos de Carlos procuravam… A Crónica de Costumes e a Intriga Principal
  18. 18. O Jantar dos Gouvarinhos Carlos declara-se a M.ª Eduarda Episódios da “ Corneta do Diabo” e “A Tarde” Ega é adjuvante Na relação amorosa Pois não sabe perfeitamente que a adoro, que a adoro, que a adoro! O Carlos da Maia foi ofendido aí por um sujeito muito conhecido. (…) O Maia pediu-lhe explicações.
  19. 19. Sarau Literário do Teatro da Trindade Revelação da Relação Incestuosa Eu junto-lhe então um bilhetinho e Vossa Excelência entrega-o da minha parte ao Carlos da Maia ou à irmã.
  20. 20. A crónica de costumes da vida lisboeta da Segunda metade do séc. XIX desenvolve-se num certo tempo, projecta-se num determinado espaço e é ilustrada por meio de inúmeras personagens intervenientes em diferentes episódios. Lisboa é o espaço privilegiado do romance, onde decorre praticamente toda a vida de Carlos ao longo da acção. O carácter central de Lisboa deve-se ao facto de esta cidade, concentrar, dirigir e simbolizar toda a vida do país. Lisboa, mais do que um espaço físico, é um espaço social. Crítica Social
  21. 21. É neste ambiente monótono, amolecido e de clima rico, que Eça vai fazer a crítica social, em que domina a ironia, corporizada em certos tipos sociais, representantes de ideias, mentalidades, costumes, políticas, concepções do mundo, etc. Vários são os episódios utilizados pelo autor para mostrar a vida da alta sociedade lisboeta. Destacamos os mais importantes: o Jantar do Hotel Central, a Corrida de Cavalos, o Jantar dos Gouvarinhos, a Imprensa, a Educação, o Sarau do Teatro da Trindade e o Episódio Final: Passeio de Carlos e João da Ega.
  22. 22. PERSONAGENS CARLOS DA MAIA Centro da órbita da intriga, a pessoa de Carlos é certamente das que requerem da parte do autor mais desenvolvimento. Carlos, personagem incontestavelmente modelada, é no entanto produto de uma educação de tipo definido, aparentemente utilizado por Eça de Queirós para representar um indivíduo de formação perfeita, carácter convicto e relativamente recto.
  23. 23. MARIA EDUARDA Endeusada pelos olhos de Carlos, Maria Eduarda Maia aparece-nos descrita como uma senhora de porte nobre, elegante e sensual, dotada de espírito e virtuosa de encarnação.
  24. 24. AFONSO DA MAIA Possivelmente a única personagem a que Eça não associa qualquer defeito. Firme, mas generoso e sensível, é o responsável pela louvável educação de Carlos e a imagem do português sério e ideal, capaz e determinado.
  25. 25. PEDRO DA MAIA Pedro representa a pessoa frágil por excelência, &quot;em tudo um fraco&quot;. Herdeiro da vulnerabilidade da mãe, sofre de uma debilidade amplificada por uma educação exageradamente beata, centrada no Latim e no estudo das escrituras, que o impede de sair e desfrutar a natureza, encarcerando-o num verdadeiro purgatório terreno. De estatura pequena, também semelhante à da mãe, adquire um corpo capaz de reflectir a fragilidade da alma, extremamente sensível e melancólica.
  26. 26. JOÃO DA EGA Eça utiliza-o para poder tomar parte directamente na história e denunciar, com caricaturas e observações satíricas, os valores que a obra num todo parece condenar. Tem uma conduta recta e sempre fiel ao amigo Carlos, que acompanha em tudo. Goza do privilégio de praticar a transição gradual de uma personagem-tipo para uma personagem modelada. Revela complexidade psicológica, que vai paulatinamente adquirindo ao longo da história. É, com a excepção de Afonso da Maia, a única personagem a quem é concedida a descrição de uma reflexão pessoal interior. É o alter-ego de Eça.
  27. 27. MARIA MONFORTE Mulher fatal, como a filha, responsável pela desgraça de Pedro, Maria Monforte é descrita como dona de um corpo sensual, &quot;semelhante a uma deusa, a uma estátua de mármore&quot; - possivelmente a Vénus no jardim do Ramalhete. Contrastando com esta perfeição corpórea está a personalidade fútil mas fria, caprichosa, cruel e interesseira. É inquestionavelmente uma personagem-tipo, ainda que desempenhe um papel relativamente significativo no romance .
  28. 28. TOMÁS DE ALENCAR Outra personagem-tipo, Alencar reproduz fielmente a figura do poeta romântico - alto e asceta, de bigodes negros como os trajes que enverga, voz grossa e macilenta e postura artificialmente lúgubre.
  29. 29. EUSEBIOZINHO SILVEIRA Eusebiozinho representa o oposto de Carlos - molengão, fraco e fútil, excessivamente mimado pela &quot;mamã&quot; e pela &quot;titi&quot;, melancólico e fraco como Pedro da Maia - merecedor portanto do nada carinhoso diminutivo com que é tratado já em adulto. Quando Carlos procura a ciência para desafiar o intelecto, Eusebiozinho procura casas de passe de segunda classe ou acompanhantes de mau porte
  30. 30. Eusebiozinho Educação Portuguesa Carlos Educação Inglesa Símbolo o Trapézio Pedagogo o inglês Brown Vida ao ar livre Exercício físico Aprendizagem de línguas vivas ( Inglês ) Submissão da vontade ao dever Educação Moderna Símbolo a Cartilha Pedagogo o abade Custódio Debilidade física Aprendizagem de línguas mortas ( Latim ) Deformação da vontade própria Educação Romântica Educação
  31. 31. DÂMASO SALCEDE Das personagens-tipo, é aquela a que Eça de Queirós dá mais atenção. Bem abaixo de uma pessoa, Dâmaso é antes uma conjunção de vícios. É filho de um agiota e assume um comportamento de adulação e deslealdade concorrentes. Obcecado com o &quot;chique&quot;, decalca qualquer comportamento importado do estrangeiro, particularmente de França. Procura imitar Carlos em tudo. Aparece para realçar a figura de Carlos da Maia.
  32. 32. CRAFT Apesar de pouca ou nenhuma importância ter na acção principal, Craft representa o homem correcto, incorruptível e &quot;de hábitos rijos, pensando com rectidão&quot;. Recebe especial favor de Afonso da Maia, que o considera &quot;deveras um homem&quot;. Há ainda outras personagens de menor relevo, a saber a pessoa do Sr. Sousa Neto, o Conde de Gouvarinho, O Nunes, Steinbroken, O Palma Cavalão, o maestro Cruges. Guimarães faz a ligação do passado ao presente, através da papelada que entrega a João da Ega.
  33. 33. O Espaço N' Os Maias podemos encontrar três tipos de espaço: o espaço físico, o espaço social e o espaço psicológico. Espaço Físico A maior parte da narrativa passa-se em Portugal, mais concretamente em Lisboa e arredores; em Santa Olávia, na infância de Carlos e em Coimbra nos estudos universitários. No entanto, é em Lisboa que se dão os acontecimentos que levam Afonso da Maia ao exílio; que sucedem os acontecimentos essenciais da vida de Pedro da Maia; é também lá que decorre a vida de Carlos que justifica o romance - a sua relação incestuosa com a irmã.
  34. 34. O estrangeiro surge-nos como um recurso para resolver problemas: Afonso exila-se em Inglaterra para fugir à intolerância Miguelista. Pedro e Maria vivem em Itália e em Paris devido à recusa deste casamento por parte da Afonso. Maria Eduarda segue para Paris quando descobre a sua relação incestuosa com Carlos. O próprio Carlos resolve a sua vida falhada com a fixação definitiva em Paris. Deve referir-se como importante espaço exterior Sintra, palco de vários encontros, quer relativos à crónica de costumes, quer à relação amorosa dos protagonistas.
  35. 35. Interiores Vários são os espaços interiores referidos em Os Maias, destacam-se os mais importantes. No Ramalhete podemos encontrar: o salão de convívio e de lazer, o escritório de Afonso, que tem o aspecto de uma &quot;severa câmara de prelado&quot;, o quarto de Carlos, &quot;como um ar de quarto de bailarina&quot;, e os jardins. A acção desenrola-se também na vila Balzac, que reflecte a sensualidade de João da Ega. É referido também na obra, o luxuoso consultório de Carlos que revela o seu diletantismo e a predisposição para a sensualidade.
  36. 36. A Toca é também um espaço interior carregado de simbolismo, que revela amores ilícitos. São ainda referidos outros espaços interiores de menor importância como o apartamento de Maria Eduarda, o Teatro da Trindade, a casa dos Condes de Gouvarinho, o Grémio, o Hotel Central os hotéis de Sintra, a redacção d' A Tarde e d' A Corneta do Diabo.
  37. 37. Espaço Social O espaço social comporta os ambientes (jantares, chás, soirés , bailes, espectáculos), onde actuam as personagens que o narrador julgou melhor representarem a sociedade por ele criticada - as classes dirigentes, a alta aristocracia e a burguesia. Destaque para os jantares no Hotel Central, e em casa dos Gouvarinhos, Santa Olávia, a Toca, as corridas do Hipódromo, as reuniões na redacção d' A Tarde, o Sarau Literário no Teatro da Trindade - ambientes fechados de preferência, por razões de elitismo. O espaço social cumpre um papel puramente crítico.
  38. 38. Espaço Psicológico O espaço psicológico é constituído pela consciência das personagens e manifesta-se em momentos de maior densidade dramática. É sobretudo Carlos, que desvenda os labirintos da sua consciência. Ocupando também Ega, um lugar de relevo. Destaque, como espaço psicológico, para o sonho de Carlos no qual evoca a figura de Maria Eduarda; nova evocação dela em Sintra; reflexões de Carlos sobre o parentesco que o liga a Maria Eduarda.
  39. 39. Também a visão do Ramalhete e do avô, após o incesto; contemplação de Afonso morto, no jardim. Quanto a Ega, reflexões e inquietações após a descoberta da identidade de Maria Eduarda. O espaço psicológico permite definir estas personagens como personagens modeladas.
  40. 40. Tempo Este romance não apresenta um seguimento temporal linear, mas, pelo contrário, uma estrutura complexa na qual se integram vários &quot;tipos&quot; de tempos: - a) tempo histórico, - b) tempo do discurso, - c) tempo psicológico.
  41. 41. a) Tempo Histórico Entende-se por tempo histórico aquele que se desdobra em dias, meses e anos vividos pelas personagens, reflectindo até acontecimentos cronológicos históricos do país. N' Os Maias, o tempo histórico é dominado pelo encadeamento de três gerações de uma família, cujo último membro - Carlos, se destaca relativamente aos outros. A fronteira cronológica situa-se entre 1820 e 1887, aproximadamente. Assim, o tempo concreto da intriga compreende cerca de 70 anos.
  42. 42. b) Tempo do Discurso Por tempo do discurso entende-se aquele que se detecta no próprio texto organizado pelo narrador, ordenado ou alterado logicamente, alargado ou resumido. Na obra, o discurso inicia-se no Outono de 1875, data em que Carlos, concluída a sua viagem de um ano pela Europa, após a formatura, veio com o avô instalar-se definitivamente em Lisboa.
  43. 43. Pelo processo de analepse, o narrador vai, até parte do capítulo IV, referir-se aos antepassados do protagonista (juventude e exílio de Afonso da Maia, educação, casamento e suicídio de Pedro da Maia, e à educação de Carlos da Maia e sua formatura em Coimbra) para recuperar o presente da história que havia referido nas primeiras linhas do livro. Esta primeira parte pode considerar-se uma novela introdutória que dura quase 60 anos. Esta analepse ocupa apenas 90 páginas, apresentadas por meio de resumos e elipses. Assim, como vemos, o tempo histórico é muito mais longo do que o tempo do discurso.
  44. 44. Do Outono de 1875 a Janeiro de 1877 - data em que Carlos abandona o Ramalhete - existe uma tentativa para que o tempo histórico (pouco mais de um ano da vida de Carlos) seja idêntico ao tempo do discurso - cerca de 600 páginas - para tal Eça serve-se muitas vezes da cena dialogada. O último capítulo é uma elipse (salto no tempo) onde, passados cerca de 10 anos (1887), Carlos se encontra com Ega em Lisboa.
  45. 45. Arquitectura do Romance Referências Temporais 1-Introdução: Outono de 1875 – Ramalhete. 2-Preparação (analepse): Caetano, Afonso, Pedro e Carlos. 3-Acção: Intriga Principal e Crónica de Costumes. 4-Epílogo: Viagem de Carlos e Ega; encontro em Lisboa.
  46. 46. c) Tempo Psicológico O tempo psicológico é o tempo que a personagem assume interiormente; é o tempo filtrado pelas suas vivências subjectivas, muitas vezes carregado de densidade dramática. É o tempo que se alarga ou se encurta conforme o estado de espírito em que se encontra . O tempo psicológico introduz a subjectividade, o que põe em causa as leis do naturalismo .
  47. 47. <ul><li>No romance, embora não muito frequente, é possível evidenciar alguns momentos de tempo psicológico nalgumas personagens: </li></ul><ul><li>- Pedro da Maia, na noite em que se deu o desaparecimento de Maria Monforte e o comunica a seu pai. </li></ul><ul><li>Carlos, quando recorda o primeiro beijo que lhe deu a Condessa de Gouvarinho, ou, na companhia de João da Ega, contempla, já no final de livro, após a sua chegada de Paris, o velho Ramalhete abandonado e ambos recordam o passado com nostalgia. Ega, quando espera que o Guimarães lhe entregue o célebre cofre. </li></ul>
  48. 48. Os Maias distinguem-se no quadro da literatura nacional não só, pela originalidade do tema mas também, pela destreza e mestria com que o autor conta o romance. De facto, tanto a crítica social, como a intriga amorosa são valorizadas pelo rigor e beleza dos vocábulos utilizados. Existem em maior ou menor grau todos os níveis de linguagem. Da linguagem familiar à linguagem infantil, o autor apresenta um estilo muito particular. Aliterações, adjectivações, comparações, advérbios, e personificações enchem Os Maias do início ao final da obra. De realçar também que, sendo a obra uma caricatura da sociedade portuguesa, o autor tira imensa partido da ironia. Linguagem
  49. 49. - O impressionismo, bem patente, caracteriza-se pela frequência de construções impessoais, uma vez que o efeito é percepcionado independentemente da causa, ficando, portanto, o sujeito para segundo plano. - As sinestesias, através de percepções de tipo diferente traduzindo ironia. - O uso da hipálage (ex. as titis faziam meias sonolentas) , com a transposição de um atributo do agente para a acção.
  50. 50. Relativamente aos substantivos e adjectivos, a obra de Eça contém muitos mais adjectivos do que substantivos. É frequente o contraste substantivo concreto qualificado com um adjectivo abstracto ou vice-versa. Os adjectivos têm uma função musical e rítmica completando a linha melódica da frase, aparecendo em séries binárias e ternárias. O advérbio toma funções de atributo e a sua acção alcança o sujeito ou o objecto. Assim, Eça ampliou o número de advérbios de modo que a linguagem proporcionava, derivando-os dos adjectivos.
  51. 51. O verbo oferece a alternância dos seus sentidos - próprio ou figurado, e o escritor tem de escolher um ou outro. Estes podem invocar conceitos subjectivos múltiplos sem deixarem, por isso, de descrever aspectos das coisas. Eça utiliza o estilo indirecto livre. Este tipo de discurso permitia-lhe: - libertar a frase dos verbos muito utilizados e da correspondente conjugação integrante (ex.: disse que); - permitia-lhe, também, aproximar a prosa literária da linguagem falada; - conseguia impersonalizar a prosa narrativa dissimulando-se por detrás das suas personagens.
  52. 52. <ul><li>    Simbolismo </li></ul><ul><li>- A designação de Ramalhete e o emblema do ramo de girassóis mostram-nos a importância da terra e da província no passado daquela &quot;família antiga da Beira“. </li></ul><ul><li>O cedro e o cipreste (árvores românticas) simbolizam a vida e a morte. </li></ul><ul><li>Estas duas árvores foram &quot;testemunhas&quot; das diversas gerações desta família. </li></ul>
  53. 53. <ul><li>Vénus, os seus poderes são imensos: Deusa amável, ela protege os casamentos, favorece o entendimento entre os esposos, fecunda os lares, preside aos nascimentos. </li></ul><ul><li>Ela fertiliza também os campos. Mas pode ser igualmente uma divindade temível, pois simboliza, muitas vezes, a paixão que nada pode deter, que enlouquece de amor aqueles que ela quer perder. </li></ul><ul><li>- O Consultório de Carlos revela o seu diletantismo e a sua predisposição para a sensualidade. </li></ul>
  54. 54. <ul><li>O Vermelho é universalmente considerado como o símbolo fundamental do princípio da vida, com a sua força, o seu poder e o seu brilho; o vermelho, cor de fogo e de sangue possui, entretanto, a mesma ambivalência simbólica destes últimos. </li></ul><ul><li>O escarlate ou vermelho escuro é nocturno, feminino, secreto e no limite centrípeto; ele apresenta não a expressão, mas o mistério da vida. </li></ul><ul><li>Este vermelho pode também revestir-se assim de um significado funéreo. </li></ul><ul><li>. </li></ul>
  55. 55. <ul><li>- A Toca, aqui parece simbolizar o carácter animalesco do relacionamento amoroso de Carlos e Maria Eduarda. </li></ul><ul><li>- Os dois faunos simbolizam dois amantes numa atitude hedonista e desprezadora de tudo e de todos. Simbolizam também a atracção carnal. </li></ul><ul><li>No quarto de Maria Eduarda, na Toca, o quadro com a cabeça degolada é um símbolo e presságio de desgraça. </li></ul><ul><li>Os seus aposentos simbolizam o carácter trágico, a profanação das leis humanas e cristãs </li></ul>
  56. 56. Vencidos da Vida Carlos da Maia e João da Ega são da mesma geração. Ambos, apesar de todos os grandes projectos, nada conseguiram realizar. No fundamental não deixam de ser também uns vencidos da vida, como foram os da Geração de 70. No dizer de Ega: “ - E que somos nós? Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento”.
  57. 57. A Geração de 70 e Os Vencidos da Vida Nome pelo qual ficou conhecido um grupo de onze intelectuais portugueses que tiveram destaque na vida literária e política do final do século XIX. Deste grupo faziam parte Oliveira Martins (autor da denominação Vencidos da Vida), Ramalho Ortigão, António Cândido, Guerra Junqueiro, Carlos Mayer, o marquês de Soveral, Carlos Lobo d'Ávila, o conde de Ficalho, Bernardo de Pindela e o conde de Sabugosa. Eça de Queirós juntou-se-lhes em 1889. .
  58. 58. Reuniram-se com certa regularidade entre 1888 e 1894. Encontravam-se para convívio intelectual e diversão no Tavares, no Hotel Bragança ou na residência de um dos participantes. Vários destes intelectuais estiveram associados a iniciativas de renovação da vida social e cultural portuguesa de então, como as Conferências do Casino. Como um grupo, ficaram conhecidos (embora não com inteira justiça) pelo seu diletantismo, por um certo mundanismo desencantado. Estes não eram, contudo, sinais de falta de profundidade intelectual, como comprovam as abundantes realizações dos seus membros na política, na diplomacia, na historiografia e na literatura.
  59. 59. Grupo dos Vencidos da Vida
  60. 60. Póvoa de Varzim, à época em que Eça nasceu
  61. 61. Matriz de Vila do Conde onde o autor foi baptizado
  62. 62. Maria Augusta de Eça e José Maria Queirós, pais do escritor
  63. 63. Emília de Castro, esposa de Eça, com quem casou em 1886, com o filho José Maria
  64. 64. Ao tempo das Conferências do Casino Lisbonense
  65. 65. Casino Lisbonense - 1871
  66. 66. O Grupo dos Cinco
  67. 67. Em Montreal no ano de 1873
  68. 68. Eça em Newcastle
  69. 69. Eça em 1886
  70. 70. Com a filha em 1887
  71. 71. Cônsul em Paris
  72. 72. Eça de Queirós com o filho
  73. 73. Lendo na casa de Neuilly
  74. 74. Casa de Neuilly - Paris em 1897
  75. 75. Em Neuilly com amigos
  76. 76. Lisboa, cortejo fúnebre do autor
  77. 77. Espaços referidos em OS MAIAS
  78. 78. Rua das Janelas Verdes onde ficava o Ramalhete
  79. 79. Teatro da Trindade onde se realizou o Sarau a favor das vítimas das inundações do Ribatejo
  80. 80. Restauradores, símbolo da tentativa de recuperação falhada
  81. 81. Sintra – Arco Sete Ais
  82. 82. Corridas no Hipódromo, tentativa de transpor para Lisboa uma atmosfera cosmopolita
  83. 83. Hotel Bragança – 1881- sítio de encontro do grupo Vencidos da Vida
  84. 84. Largo do Loreto, local onde o Sr. Guimarães revelou a Ega a identidade de Maria Eduarda
  85. 85. Hotel Central, onde se realizou o jantar em honra do Cohen
  86. 86. Teatro de D. Maria – 1868 Baixa lisboeta
  87. 87. Teatro de S. Carlos - 1884
  88. 88. Estação de Santa Apolónia, onde Maria Eduarda tomou o comboio para Paris
  89. 89. Estátua de Camões No Episódio Final, representa o Portugal heróico
  90. 90. Trabalho de José Maria Araújo, no âmbito da Acção de Formação, do Centro de Formação de Vieira do Minho Ano de 2004 FIM

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