ContextualizandoOs LusíadasProfessora Vanda Barreto
O AUTOR: LUÍS DE CAMÕESProfessora Vanda Barreto2
•Lê atentamente o poema de Almada Negreiros sobreCamões e averigua quem foi.Professora Vanda Barreto3
•1524? em Lisboa/ Coimbra/ Alenquer/ Santarém/ Mação/ Belver/ Porto;•Origem familiar: aristocracia galega de Camones, Baio...
A ÉPOCAProfessora Vanda Barreto5
Idade MédiaRenascimento
RenascimentoProfessora Vanda Barreto7DescobrimentosAtitude críticaface à Igreja(Lutero, Erasmo)Apelo ao regressoà purezaev...
Explica por palavras tuas a frase seguinte:
MOTIVAÇÕES DA OBRAProfessora Vanda Barreto9
Professora Vanda Barreto10Recuperação dosmodelosclássicos:EPOPEIAConsciência daimportância dos feitosportugueses:HUMANISMO...
Garcia de Resende: “os feitos dos portugueses não são divulgados como seriam se gentedoutra nação os fizera.“ (1516)Gil Vi...
ESTRUTURAProfessora Vanda Barreto12
Estrutura Externa• Dividido em 10 partes – CANTOS• Constituído por 1102 estrofes (média de 110 estrofes por canto)• Canto ...
Estrutura ExternaAs armas e os barões assinalados aQue da ocidental praia Lusitana bPor mares nunca dantes navegados aPass...
Estrutura Interna• Camões obedece às regras do género épico• Proposição (parte de um discurso, ou de um poema épico, na qu...
Estrutura Interna• Camões introduz aspetos que não aparecem nas epopeiasclássicas:• Dedicatória (a D. Sebastião)• O herói ...
CANTOS EM ESTUDOProfessora Vanda Barreto18OS LUSÍADAS,DE LUÍS DE CAMÕES
O que vamos ler e analisar
Proposição (Canto I – est.1 a 3)• Proposição?• [Retórica] Parte de um discurso na qual se expõe o assunto que sepretende p...
Proposição (Canto I – est.1 a 3)• Expressões do texto que o demonstram:• “as armas e os barões assinalados” (est.1, v.1)• ...
Proposição (Canto I – análise da est.1)As armas e os barões assinaladosOs guerreiros e os navegadores /ilustres e famososQ...
Proposição (Canto I – análise da est.2)E também as memórias gloriosasDaqueles reis que foram dilatandoA Fé, o Império e as...
Proposição (Canto I – análise da est.3)Cessem do sábio Grego e do Troianoas navegações grandes que fizeram;Cale-se de Alex...
Consolidando a análise da Proposição• Faz o levantamento dos adjetivos que nestas 3 estâncias conotampositivamente os Port...
Consolidando a análise da Proposição“Cessem do sábio Grego e do Troiano”Porque se faz referência a Ulisses e a Eneias, os ...
Consolidando a análise da Proposição“Canto o peito ilustre dos Lusitanos”Porque não cantar um mão ou um pé? Porquê o coraç...
Consolidando a análise da ProposiçãoOs LusíadasPlano da viagemda Ocidental praia Lusitana saíramos navegadoresPlano da His...
VALORESProfessora Vanda Barreto29
Antonomásia• Substituição de um nome próprio por um epiteto (alcunha queatribui uma qualidade) ou por outro nome próprio q...
Perífrase• Utilizar várias palavras podendo dizer apenas uma:• “Ocidental praia Lusitana” / “Musa antiga”Portugal poesiaEx...
Sinédoque• Transferência do significado de uma palavra para outra, baseadanuma relação entre a parte e o todo ou entre o t...
Hipérbole• Consiste no exagero da realidade:• “Mais do que permitia a força humana”• se a força humana não o permitisse, n...
Metonímia• Consiste em designar uma realidade por um termo cujosignificado aponta para outra realidade próxima:“as terras ...
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  1. 1. ContextualizandoOs LusíadasProfessora Vanda Barreto
  2. 2. O AUTOR: LUÍS DE CAMÕESProfessora Vanda Barreto2
  3. 3. •Lê atentamente o poema de Almada Negreiros sobreCamões e averigua quem foi.Professora Vanda Barreto3
  4. 4. •1524? em Lisboa/ Coimbra/ Alenquer/ Santarém/ Mação/ Belver/ Porto;•Origem familiar: aristocracia galega de Camones, Baiona;•Provavelmente, estudou em Coimbra;•Conflituoso e impetuoso, foi obrigado a emigrar, em 1553, voltandoapenas em 1570;•Viveu na Índia, em Ceuta, Macau, Goa e Moçambique;•Na viagem de M acau para Goa, sofre um naufrágio e salva parted’Os Lusíadas, nadando apenas com um braço;•Voltou a Portugal, pobre;•Em 1572, publica Os Lusíadas e recebe de D. sebastião uma tença de15000 Reais;•Obra extensa que inclui, além d’Os Lusíadas, várias rimas (327), peçasde teatro e cartas;•Morreu sem glória, nem reconhecimento em 1580.Professora Vanda Barreto4
  5. 5. A ÉPOCAProfessora Vanda Barreto5
  6. 6. Idade MédiaRenascimento
  7. 7. RenascimentoProfessora Vanda Barreto7DescobrimentosAtitude críticaface à Igreja(Lutero, Erasmo)Apelo ao regressoà purezaevangélica(Reforma) e auma livreinterpretação dasescriturasImprensa (difusãodo conhecimentoe das ideias)Desenvolvimentoda medicina e doconhecimento docorpo humanoNovos ideaisculturais epolíticos(Maquiavel,Galileu,Copérnico)Novos métodosde investigaçãocientíficabaseados naobservação e naexperiênciaSociedadeagrária, baseadana troca direta/Sociedademercantil ecapitalistaFauna, flora,geografia,astronomia, novascivilizações, usose costumesClassicismoNovas técnicas(construção deembarcações einstrumentosnáuticos)HumanismoEducação (ruturacom a filosofiaescolástica eapelo ao completodesenvolvimentodo corpo e damente)História eLiteratura(divulgação derelatos deviagens/historiografia/Fernão MendesPinto, Damião deGóis, …)
  8. 8. Explica por palavras tuas a frase seguinte:
  9. 9. MOTIVAÇÕES DA OBRAProfessora Vanda Barreto9
  10. 10. Professora Vanda Barreto10Recuperação dosmodelosclássicos:EPOPEIAConsciência daimportância dos feitosportugueses:HUMANISMONinguémainda o tinhafeito
  11. 11. Garcia de Resende: “os feitos dos portugueses não são divulgados como seriam se gentedoutra nação os fizera.“ (1516)Gil Vicente: lembra que, “embora todos queiram a fama (franceses, italianos,castelhanos…), ela será portuguesa.” (1520)António Ferreira (1528-1569): "sejam cantados / Altos reis, altos feitos", com"lira nova", "tantas / Portuguesas conquistas e vitórias“Fernão Lopes de Castanheda salienta a necessidade de se escrever a história dosfeitos na Índia para que não se percam. (1551)João de Barros: “no acto de encomendar as cousas à custodia das letras… a naçãoportuguesa é tão descuidada de si quão pronta e diligente em feitos.” (1552)Damião de Góis: “falta passar muitos feitos do passado a “escritura, mãe de eternamemória.”(1567)
  12. 12. ESTRUTURAProfessora Vanda Barreto12
  13. 13. Estrutura Externa• Dividido em 10 partes – CANTOS• Constituído por 1102 estrofes (média de 110 estrofes por canto)• Canto mais longo: X (156 estrofes)• Estrofes: OITAVAS (8 versos cada)• Versos DECASSÍLABOS ou HEROICOS (acento rítmico nas 6ª e10ª sílabas)• Rima: CRUZADA no 6 primeiros versosa b a b a b c cEMPARELHADA nos últimos 2
  14. 14. Estrutura ExternaAs armas e os barões assinalados aQue da ocidental praia Lusitana bPor mares nunca dantes navegados aPassaram ainda além da Tabropana, bE em perigos e guerras esforçados aMais do que prometia a força humana bEntre gente remota edificaram cNovo reino que tanto sublimaram cA-s ar-ma-s e os- ba-rõe-s a-ssi-na-la-dosQue-da o-ci-den-tal-prai-a -Lu-si-ta-naPor mares nunca dantes navegadosPassaram ainda além da Tabropana,E em perigos e guerras esforçadosMais do que prometia a força humanaEntre gente remota edificaramNovo reino que tanto sublimaram
  15. 15. Estrutura Interna• Camões obedece às regras do género épico• Proposição (parte de um discurso, ou de um poema épico, na qual seapresenta o tema que se pretende desenvolver)• Invocação (súplica do poeta a uma divindade, a uma musa, para pedirinspiração)• Narração (in media res)• histórica/ profecias e sonhos• da viagem• O Maravilhoso (deuses da Antiguidade)
  16. 16. Estrutura Interna• Camões introduz aspetos que não aparecem nas epopeiasclássicas:• Dedicatória (a D. Sebastião)• O herói coletivo (em vez do individual)
  17. 17. CANTOS EM ESTUDOProfessora Vanda Barreto18OS LUSÍADAS,DE LUÍS DE CAMÕES
  18. 18. O que vamos ler e analisar
  19. 19. Proposição (Canto I – est.1 a 3)• Proposição?• [Retórica] Parte de um discurso na qual se expõe o assunto que sepretende provar, estabelecer, discutir, etc. (Dic. Priberam)• Camões propõe-se fazer algo• O quê? Vamos ler!• Glorificar os Portugueses
  20. 20. Proposição (Canto I – est.1 a 3)• Expressões do texto que o demonstram:• “as armas e os barões assinalados” (est.1, v.1)• “as memórias gloriosas/daqueles reis” (est.2, v.1-2)• “aqueles que se vão da lei da Morte libertando” (est.2, v.5-6)• “o peito ilustre lusitano” (est.3, v.5)
  21. 21. Proposição (Canto I – análise da est.1)As armas e os barões assinaladosOs guerreiros e os navegadores /ilustres e famososQue da Ocidental praia Lusitana,PortugalPor mares nunca de antes navegados,Passaram ainda além da Taprobana,Ilha de Ceilão = Sri Lanka Diapositivo 23Em perigos e guerras esforçados,Mais do que prometia a força humana,Entre gente remota edificaramNovo Reino, que tanto sublimaram;O Império do Oriente, a Índia / engrandeceramPerífraseSinédoque: todo/parteHipérbole
  22. 22. Proposição (Canto I – análise da est.2)E também as memórias gloriosasDaqueles reis que foram dilatandoA Fé, o Império e as terras viciosasDe África e de Ásia andaram devastando;E aqueles que por obras valerosasSe vão da lei da morte libertando,Cantando espalharei por toda a parte,Se a tanto me ajudar o engenho e a arte.gentiosMetonímia: continente/conteúdoos que pela sua açãomeritória individualmerecem ser recordadosHipérboleengenho = talento, habilidadearte = eloquência, “arte dedizer”espalhando/ expandindo
  23. 23. Proposição (Canto I – análise da est.3)Cessem do sábio Grego e do Troianoas navegações grandes que fizeram;Cale-se de Alexandro e de TrajanoA fama das vitórias que tiveram;Que eu canto o peito ilustre Lusitano,A quem Neptuno e Marte obedeceram.Cesse tudo o que a Musa antiga canta,Que outro valor mais alto se alevanta.Alexandre Magno = Rei da Macedóniaque conquistou a Grécia, o Egito, oPróximo e o Médio OrienteTrajano = Imperador romanoNeptuno = Deus do MarMarte= Deus da GuerraMusa antiga = poesiaPerífraseGrego = Ulisses em Odisseia/HomeroTroiano = Eneias em Eneida/ VirgílioAntonomásia
  24. 24. Consolidando a análise da Proposição• Faz o levantamento dos adjetivos que nestas 3 estâncias conotampositivamente os Portugueses:“barões assinalados” (est.1, v.1)“memórias gloriosas/daqueles reis” (est.2, v.1-2)“aqueles que por obras valerosas” (est.2, v.5)“o peito ilustre lusitano” (est.3, v.5)A utilização de adjetivos valorativos ajuda a enaltecercondignamente os PortuguesesCARACTERÍSTICA DAS EPOPEIAS
  25. 25. Consolidando a análise da Proposição“Cessem do sábio Grego e do Troiano”Porque se faz referência a Ulisses e a Eneias, os melhores dosmelhores?Camões manda calar/deixar de falar das suas viagens, das vitóriasde Alexandre e de Trajano e da poesia da antiguidade:Cessem/Cale-se/ CessePorquê?Porque nós somos ainda melhores que os melhores, as nossasviagens são mais épicas e as nossas vitórias mais notáveis.“Que outro valor mais alto se alevanta”
  26. 26. Consolidando a análise da Proposição“Canto o peito ilustre dos Lusitanos”Porque não cantar um mão ou um pé? Porquê o coração?Coração = parte do corpo considerada como tendo a capacidade deiniciativa e o ânimo/ o mesmo que coragem e valor“A quem Neptuno e Marte obedeceram”Dois deuses que pertencem à “nobreza” do Olimpo.Porquê obedeceriam aos Portugueses?Para enaltecer a grandeza dos Portugueses = característica daEPOPEIA
  27. 27. Consolidando a análise da ProposiçãoOs LusíadasPlano da viagemda Ocidental praia Lusitana saíramos navegadoresPlano da Históriaos reis que dilataram a fé e oImpérioPlano doMaravilhosoMarte e Neptuno vergam-se faceao valor dos portuguesesPlano do Poetaeu canto o peito ilustre dos ...cantando eu espalharei...
  28. 28. VALORESProfessora Vanda Barreto29
  29. 29. Antonomásia• Substituição de um nome próprio por um epiteto (alcunha queatribui uma qualidade) ou por outro nome próprio que atribuauma propriedade:• “Cessem do sábio Grego e do Troiano”Emprega a naturalidade de Ulisses e de Eneias em vez dos seusnomes própriosExpressividade: reforçar o valor mais alto dos Portugueses,relativamente aos heróis da antiguidade
  30. 30. Perífrase• Utilizar várias palavras podendo dizer apenas uma:• “Ocidental praia Lusitana” / “Musa antiga”Portugal poesiaExpressividade: Sublinhar o facto de terem sido os Portugueses ainiciar os Descobrimentos/ reforçar a superioridade dosPortugueses
  31. 31. Sinédoque• Transferência do significado de uma palavra para outra, baseadanuma relação entre a parte e o todo ou entre o todo e a parte, oque permite referir o todo por uma das suas partes ou vice versa:• “praia”refere Portugal inteiro, não apenas a praia do Restelo,ou seja,refere a parte (praia) pelo todo (Portugal)Expressividade: dar ênfase ao facto de terem sido os Portuguesesa iniciar as viagens dos Descobrimentos
  32. 32. Hipérbole• Consiste no exagero da realidade:• “Mais do que permitia a força humana”• se a força humana não o permitisse, não teria sido feito• Expressividade: realçar o valor dos portugueses• Se vão da lei da morte libertando• Ninguém escapa à morte• Expressividade: reforçar a ideia de que nunca serão esquecidos
  33. 33. Metonímia• Consiste em designar uma realidade por um termo cujosignificado aponta para outra realidade próxima:“as terras viciosas/De África e de Ásia andaram devastando”os povos pagãos (designam-se os povos pelos lugares)Expressividade: destacar a ação dos reis que propagaram areligião cristã pelo mundo

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