A pérola

5.152 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
5.152
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
170
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
83
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A pérola

  1. 1. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Ao longo desta ficha, encontrarás diversas atividades que te ajudarão acompreender esta novela. Contudo, não as deves fazer sem primeiro leres comatenção todos os textos que escrevi para ti e que têm por objetivo ajudar-te a analisá-la. No final, compreenderás que esta obra é muito mais do que a história de umapobre família de pescadores mexicanos. A. O Autor. John Steinbeck Nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em1902. De uma família de classe baixa, embora não pobre, Steinbeckpresenciava a vida dos trabalhadores da cidade de Salinas e do fértil Vale deSalinas, centros agrícolas a cerca de 20 quilômetros do oceano Pacífico (tantoo vale quanto a costa marítima californiana seriam pano de fundo de grandeparte da sua ficção). Em 1919, ingressou na Universidade de Stanford, onde assistiu a aulasde vários cursos, entre eles Inglês e Literatura, até abandonar a universidade,em 1925, antes da obtenção de um diploma. Resolveu, então, lançar-se emuma carreira de escritor free-lancer em Nova Iorque. Neste período inicial dasua carreira, trabalhou em uma série de bicos, como zelador de umapropriedade no lago Tahoe, técnico de laboratório, pedreiro na construção deMadison Square Garden e repórter diário de um periódico nova-iorquino.Durante a estadia em Nova Iorque, escreveu seu primeiro romance, Cup ofgold (publicado no Brasil como Tempos passados), de 1929. Voltou à Califórnia no final da década de 1930, continuando sempre aescrever. Casou-se com Carol Henning, mudou-se para a cidade de PacificGrove, na área de Monterey, onde a família Steinbeck possuía umapropriedade, depois para Los Angeles e novamente para a área de Monterey.No início da conturbada década de 30, publicou ainda dois trabalhos de ficçãopassados na Califórnia, The pastures of heaven (Pastagens do céu), de 1932,e To a god unknown (Ao deus desconhecido), de 1933, além de trabalhar noscontos mais tarde recolhidos no volume The long valley (O vale sem fim), de1938. Os seus três primeiros romances foram publicados por três editoresdiferentes, e não se beneficiaram nem um pouco da depressão económica Página 1
  2. 2. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barretodisparada nos Estados Unidos pelo crash da Bolsa de Nova York, queaconteceu apenas dois meses depois da publicação de Cup of gold. Os trêseditores faliram e Steinbeck viu-se sem editor. O sucesso e a segurança financeira vieram apenas em 1935, com apublicação do romance Tortilla Flat (Boêmios errantes), publicado pela firmaCovici-Friede. As histórias bem-humoradas sobre a vida de paisanos(descendentes de espanhóis misturados, muitas vezes, com mexicanos, índiose caucasianos) que viviam na chamada Planície Tortilla de Monterey, próximoà fronteira mexicana, mostraram-se um alento para os americanos oprimidospela crise. Durante a depressão, literatura e cinema serviam de escape paramuitos. Escape da pobreza, da preocupação sobre como pagar a renda, daprocura de emprego ou mesmo da preocupação sobre onde conseguir dinheiropara pagar a conta da mercearia. Experimentador incansável, Steinbeck mudou os rumos da sua literaturavárias vezes. Entretanto, já nessas suas primeiras obras via-se o fio condutorque permearia toda a sua literatura: observação social, de cunho realista, dascamadas de trabalhadores de classe baixa, às vezes miseráveis, mantidos nolimbo do sistema económico. Mas, se a preocupação literária de Steinbeckvoltava-se especificamente para grupos de trabalhadores de algumas regiõesnorte-americanas, faz-se necessário dizer que seus personagens recebiamtratamento tal que, mais do que as agruras de um tipo de homem localizadoespecificamente no tempo e no espaço, Steinbeck fazia tais personagensexemplares dos mais universais sentimentos humanos: a luta pela dignidadehumana, a dificuldade das relações de afeto frente à crueldade do mundo e davida, e a solidão, na sua aceção mais ampla e passível de ser compartilhadapor todos os homens. Ainda na década de 30, sendo Steinbeck já um autor famoso, seguiram-se outros livros, que confirmaram a promessa literária (assim foi ele encaradoquando da publicação de Tortilla Flat): In dubious battle (Luta incerta),publicado em 1936, sobre colhedores de frutas na Califórnia, Of mice and men,publicado em 1937, e aquele que é considerado seu melhor romance, Thegrapes of wrath (As vinhas da ira), de 1939, sobre agricultores do estado Página 2
  3. 3. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barretoamericano de Oklahoma que, por não conseguirem sobreviver da terra,mudam-se para a Califórnia, onde passam a trabalhar sazonalmente emfazendas alheias. O romance foi premiado com o importante Prêmio Pulitzer deLiteratura. Na década de 1940, Steinbeck, como tantos outros autores americanosde sucesso, fez uma incursão por Hollywood, com o roteiro The forgottenvillage (1941). Publicou, ainda, Sea of Cortez (1941), Bombs away (1942),sobre a guerra, a controversa peça The 3ornal3 down (1942), os romancesCannery row (A rua das ilusões perdidas), de 1945, The wayward bus (1947) eThe pearl (A pérola), de 1947, o relato de viagem A russian 3ornal (Um diáriorusso), de 1948, e mais uma peça, Burning bright (1950). No início da décadade 50, Steinbeck apresentou ao público o monumental romance East of Eden(1952) – traduzido no Brasil como Vidas amargas –, uma saga sobre umafamília do Vale de Salinas com toques autobiográficos. As últimas décadas da sua vida foram passadas em Nova Iorque e SagHarbour com a sua terceira esposa, com quem viajou muito. Outros livros seussão: Sweet thursday (1954), The short reign of Pippin IV: a fabrication (O brevereinado de Pepino IV), de 1957, Once there was a war (1958), The winter of ourdiscontent (O inverno da nossa desesperança), de 1961,e Travels with Charleyin search of America (Viajando com Charley), de 1962 – este último sobre umaviagem que Steinbeck fez pelos Estados Unidos –, America and americans (AAmérica e os americanos), de 1966, e os póstumos Journal of a novel: TheEast of Eden letters (1969), Viva Zapata! (1975), The acts of King Arthur andhis noble knights (1976) e Working days: the journals of The grapes of wrath(1989). Ele recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1962, com a seguintedeclaração da Academia de Letras sueca: “[Steinbeck] não era talhado parafazer meramente entretenimento. Ao contrário, os assuntos por ele escolhidossão sérios e denunciativos, como as experiências amargas nas plantações defrutas e algodão da Califórnia.” Vários dos seus livros foram levados às telas de cinema, como Asvinhas da Ira, em produção de 1940, de John Houston, e Ratos e homens,filmado em 1939 por Lewis Milestone e em 1992 por Gary Sinise. Página 3
  4. 4. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto A preocupação social de Steinbeck ia além da escolha dos assuntos desuas ficções: ele registou literariamente, nos diálogos dos seus personagens,também a peculiaridade da linguagem dos diversos grupos de trabalhadorespor ele retratados. Faleceu no dia 20 de dezembro de 1968 em Nova Iorque. Fonte: biografia do autor inserida em Ratos e homens 1.Faz o levantamento dos lugares onde Steinbeck viveu. 2.Quais são os temas centrais da obra de Steinbeck? 3. Faz uma pesquisa sobre “A Grande Depressão Americana” erelaciona-a com os temas subjacentes à obra de Steinbeck. 4. Elabora uma lista cronológica das obras de Steinbeck. B. A Pérola Quando lemos um livro, podemos fazê-lo de várias maneiras e sob diferentesperspetivas. A Pérola permite-nos isso mesmo, uma vez que nos possibilita váriasabordagens. Em primeiro lugar, a característica mais marcante desta obra é a suaautenticidade. Steinbeck escrevia sobre aquilo que conhecia e, assim, esta novelatransmite-nos “uma sensação da própria essência da vida primitiva com todas as suasdificuldades e compensações”. Em segundo lugar, há quem veja a obra como um “tratado em defesa daecologia”. De facto, imediatamente antes de a escrever, Steinbeck explorou a costamarítima do Golfo da Baixa Califórnia, no âmbito de um estudo sobre as funçõesecológicas dos vários organismos ali existentes. Este interesse de Steinbeck pelaecologia levou vários críticos literários a considerar a novela como uma declaraçãosobre a necessidade da ecologia ser perturbada o menos possível. “Quando o homemretira uma grande pérola do seu ambiente natural, está a destruir uma parte da ordemnatural das coisas, o que pode originar um desastre de algum tipo.” Em terceiro lugar, a obra pode ser lida sob uma perspetiva sociológica. Aolongo da novela, assistimos a um conflito entre os pescadores de pérolas, simples e Página 4
  5. 5. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barretoingénuos, e os compradores de pérolas, que utilizam a sua posição para exploraremos indígenas indefesos; observamos ainda os comportamentos do médico e do padre.O primeiro, no início recusa-se a tratar Coyotito porque Kino não tinha dinheiro paralhe pagar; o segundo que utiliza a autoridade da Igreja para ensinar aos indígenas quedevem estar satisfeitos com a sua posição social, embora comece a pensar nasreparações à igreja que poderiam ser feitas com o dinheiro da pérola de Kino. Em quarto lugar, podemos fazer uma interpretação alegórica1 ou simbólica daobra. A pérola é um objeto de grande valor e representa a vaidade dos desejoshumanos. Desde a Idade Média, a pérola tem sido utilizada para representar a purezae a castidade espiritual. Deste modo, possuir uma pérola de grandes dimensõessimboliza bondade. Contudo, Steinbeck inverte este símbolo, uma vez que a suapérola simboliza o mal e, apenas, quando a deita fora, recupera a sensação de bem-estar espiritual. Por último, podemos analisar esta obra sob um ponto de vista filosófico. Anovela trata da vida e da morte e do significado de ambas. No decorrer da ação, umafamília simples tem um trágico destino, sem que lhe possamos atribuir qualquer culpa.A pérola que encontraram devia servir para tirar o filho das trevas e levá-lo para a luz(o conhecimento): aprenderia a ler e a escrever e poderia ajudar todos os indígenas.Porém, a pérola é a responsável pela morte da criança. C. As Personagens1. KINO Kino é um jovem pescador de pérolas índio que vive em estreita harmonia com omundo natural. Não é influenciado pela hipocrisia, nem pelo artificialismo do “mundocivilizado”. Comprova esta afirmação com exemplos do quotidiano de Kino. A profissão de Kino obriga-o a manter um contacto estreito com a natureza e éprofundamente afetado por ela. Por exemplo, Kino não pode trabalhar quando o marestá agitado.1 ALEGORIA - Sucessão de metáforas e/ou comparações através das quais realidades abstractas sãoconcretizadas. Por meio desta figura, uma realidade abstracta, e por isso de mais difícil apreensão, ésubstituída por, ou comparada com, uma realidade mais concreta e, portanto, mais compreensível.Por esse motivo, a alegoria é uma figura de estilo com uma dimensão textual invulgarmente extensa;por vezes abrange a totalidade de uma obra literária: é o que acontece, por exemplo, no Auto da Barcado Inferno, de Gil Vicente. Página 5
  6. 6. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Embora pertencendo à classe mais baixa da sociedade, Kino tem um profundosentido de dignidade humana; tem plena consciência do quanto o seu povo éexplorado e desprezado pela gente da cidade. Comenta a atitude das pessoas da cidade face aos indígenas. A relação de Kino com a mulher, com o filho e com o irmão denota também aharmonia existente na vida do jovem pescador: o amor ao filho, a preocupação pelasegurança da mulher, a relação fraternal com o irmão e o respeito pelas tradições daaldeia, são exemplos disso. Encontra no capítulo VI um exemplo que ilustre a preocupação de Kino com asegurança da sua família. Coyotito é a razão de ser de Kino e o “motor” de toda a sua vida. Assim, deveriaser com todos os pais do mundo! Não te parece? Infelizmente, a construção de toda a sua vida à volta do filho é também parte dasua tragédia. De facto, Kino não anseia nada para ele. A espingarda que sonhacomprar só lhe possibilitará sustentar melhor a sua família. Com a descoberta dapérola, ele pensa imediatamente em todas as coisas boas que irá proporcionar aofilho. A sua relação com o irmão, João Tomás, é também harmoniosa. Não há disputasentre eles. Que faz João Tomás quando a cabana de Kino arde? Por outro lado, Kino nutre um profundo respeito pelas tradições da aldeia,homenageando, assim, os seus antepassados. Quando a sua canoa é destruída, elenão pensa levar a canoa de outra pessoa; para ele, a canoa faz parte da herança deuma família e, como tal, é sagrada. A destruição da sua canoa só poderia ter sidolevada a cabo por alguém que não era membro da aldeia. O respeito pelos antepassados está também patente na forma como Kino expressaas suas emoções. Incapaz de as verbalizar, ele “ouve” diversas canções, compostas ecriadas pelos seus antepassados, que exprimem as emoções possíveis e adequadasa todas as ocasiões. Página 6
  7. 7. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Que canções ouve Kino e que simboliza cada uma delas? No final da obra, ficamos com a sensação de termos experimentado, através deKino, todas as emoções que são comuns à humanidade: a felicidade que vem dafamília, a alegria de ter descoberto um tesouro, a esperança numa vida melhor, omedo quando a vida de um membro da família está em perigo, a ansiedade de serperseguido e a tragédia de perder um ente querido.2. JOANA Joana é o protótipo da mulher indígena primitiva: forte, leal, obediente e, aomesmo tempo, independente e corajosa quando a situação lho exige. Como membro de uma raça primitiva, a principal função de Joana é ser mulherde Kino: ela ocupa-se da casa e toma conta do filho de ambos. Aparenta sersubserviente, sem vida própria. Contudo, se o seu mundo é ameaçado, ela torna-sedeterminada, segura e feroz. Por exemplo, quando um lacrau pica Coyotito, uma novaJoana surge: prática e eficiente, ela chupa o veneno e exige um médico. Quando lhedizem que o médico não virá à aldeia, ela decide ir à cidade. Mais tarde, revolta-secontra a autoridade do marido e tenta deitar fora a pérola, porque percebe que aqueleobjeto é mau e atrai a desgraça ao seio familiar. Por outro lado, em Joana podemos apreciar uma mulher produto de duasculturas: ela reza aos seus deuses, mas também ao Deus cristão; ela aplica umacataplasma de algas na picada de Coyotito – o que efetivamente o cura – e exige queele seja visto por um médico; nela podemos verificar a existência de um lado prático ereal e, ao mesmo tempo, diversas superstições: quando Kino apanha a pérola, elaevita demonstrar grandes alegrias, pois acredita que essas emoções lhe podem trazesazar; sente um medo instintivo de muitas coisas como a escuridão e a pérola, entreoutros. Depois da morte do filho, Joana caminha ao lado do marido. Esta situaçãosignifica que ela adquiriu um estatuto de igualdade face ao marido. Esta igualdade foi-lhe conferida pelo sofrimento por que passou. Procura na obra exemplos: da Joana subserviente, da Joana feroz, da Joanaprática e decidida e da Joana supersticiosa.3. COYOTITO Página 7
  8. 8. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Coyotito é o filho pequeno de Kino e de Joana; é picado por um lacrau erecupera miraculosamente, sendo mais tarde morto por uma bala destinada aopai, Kino.4. JOÃO TOMÁS Irmão conselheiro de Kino e seu único protetor quando Kino éperseguido por assassínio.5. APOLÓNIA Mulher gorda de João. Tem pouco significado na história.6. O MÉDICO e O PADRE Personagens que ao longo da novela são tratadas com pouca simpatia eque funcionam apenas ao nível simbólico. O médico representa outro tipo devida, ligada aos compradores de pérolas e àquilo que é estrangeiro. Não possuiqualquer tipo de qualidades. Os seus atos demonstram que é o individuo maisvil e desprezível que se pode encontrar. A mera referência ao seu nome cria,entre os aldeões, um clima de medo e intimidação. Ele nunca foi à aldeia, porisso, quando vai visitar Coyotito, Kino recebe-o com muita desconfiança. Conhecemos o médico num ambiente decadente, que contrasta com aautenticidade e o realismo cruel da vida da aldeia. O médico está deitado,vestido com um roupão de seda, a tomar chocolate num serviço de prata, nomeio de flores luxuriantes e a sonhar com uma mulher com quem tinha vividoem Paris. Tudo sugere que é uma pessoa que comete excessos e não sepreocupa com o bem-estar dos outros. Compara o pequeno-almoço do médico, com o de Kino. Embora não seja explicitamente afirmado, na novela sugere-se que omédico dá algo a Coyotito, quando o visita, que o faz ficar muito doente, paraque possa voltar mais tarde e parecer que o curara. Para esta conclusão,contribui o facto de sabermos que Joana tinha já curado o filho com acataplasma de algas. Esta atitude do médico contraria totalmente a ética dasua profissão e, juntamente com a tentativa de tentar que Kino lhe dê a pérola– para ele a guardar -, revela toda a sua maldade e ganância e representa Página 8
  9. 9. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barretotodas as forças do mal que estão contra Kino. Conhecemo-lo também atravésdas falas dos mendigos. O que é que pensam os mendigos do médico? O padre, embora não tão mau quanto o médico, é apresentado comoalguém a quem o bem-estar dos seus paroquianos não interessa demasiado.Pelo contrário, ele é um representante dos ricos e dos seus interesses e não daigreja. No sermão que todos os anos prega, diz que aqueles que tentammelhorar de vida estão a pecar contra Deus, porque se recusam a aceitar aposição que o mesmo Deus lhes destinou. Quando ouve falar na pérola, o padre nem sabe se casou Kino e Joanae pensa imediatamente em todas as reparações que pode fazer com o dinheirodesta família. As suas visitas à aldeia são tão raras que todos sabem porque éque ele vem visitar Kino. Dadas as características do padre, é irónico que Kino queira casar-secom Joana na igreja e ali batizar Coyotito.7. OS COMPRADORES DE PÉROLAS Não têm nome e, como grupo, representam a exploração e a hipocrisia aque os índios estão sujeitos. D. A fonte de “A Pérola” e a “Lenda da Pérola do Mundo” Página 9
  10. 10. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Steinbeck baseou os enredos e as histórias que conta nas suas obras adiversas fontes. “A Pérola” teve por base uma história que ouviu na Penínsulada Baixa Califórnia e que lhe foi contada como uma história verdadeira ocorridaem La Paz. Esta história foi contada por Steinbeck numa outra obra, “The Seaof Cortez”. Lenda da Pérola do Mundo Um rapaz índio encontrou, por acidente, uma pérola muito grande, umapérola inacreditável. Ele sabia que ela era tão valiosa que ele não precisaria devoltar a trabalhar. Com esta única pérola, ele poderia embriagar-se tantoquanto quisesse, casar com qualquer uma das raparigas e fazer felizes muitasmais. Nesta pérola residia a salvação, porque ele poderia encomendar missassuficientes para o fazer saltar do Purgatório para o Paraíso, além de poder,também, encaminhar muitos dos seus familiares mortos para lá. Contudo, depois de inúmeras tentativas para vender a pérola, percebeuque todos os compradores lhe ofereciam pouco dinheiro e recusou vendê-la,escondendo-a de baixo de uma pedra. Durante duas noites seguidas, o jovemfoi atacado e espancado; na terceira noite, foi vítima de uma emboscada etorturado. Porém, nunca revelou o local onde tinha escondido a pérola. Por fim, depois de fazer cuidadosos planos, esquivou-se para a praia,desenterrou a pérola e lançou-a de novo ao Golfo. Após uma leitura cuidadosa da lenda, preenche a tabela da páginaseguinte. Página 10
  11. 11. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto Grupo deCaracterísticas do Sonhos do jovem Personagens da Personagens d’A Características de Kino Sonhos de Kino personagens comuns jovem da lenda índio lenda Pérola aos dois textos Página 11
  12. 12. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto A personagem Kino está baseada num missionário do século XVII,considerado um grande homem. Eusébio Francisco Kino (10 de agosto de 1645 - 15 de Março de 1711)foi um padre jesuíta oriundo de uma cidade do norte da Itália. Durante osúltimos 24 anos da sua vida, trabalhou na região então conhecida como a AltaPimeria , atualmente Sonora, no México. Explorou a região, trabalhando com apopulação indígena e provou que a Baixa Califórnia não é uma ilha, instalandoali uma expedição por terra. Quando morreu, tinha estabelecido 24 missões. Kino opôs-se à escravidão e ao trabalho duro e obrigatórionas minas de prata, trabalho que os espanhóis forçavam os povos nativos arealizar, chegando a ter problemas com outros missioneiros que agiam deacordo com as leis impostas por Espanha. Kino escreveu também livros sobre religião, astronomia e cartografia. Assuas missões estenderam-se desde a região mexicana de Sonora, até àatual Arizona. Kino construiu ainda 19 “rancherias” (aldeias), que forneciamgado para novos assentamentos. Como cartógrafo desenhou os primeiros mapas precisos da região dePimeria Alta, do Golfo da Califórnia e da Baixa Califórnia. Que te parece haver em comum entre o padre Kino e o Kino d’A Pérola? E. Questionário Responde às seguintes questões de forma completa e bem estruturada: Página 12
  13. 13. EBI de Mourão Ficha de Leitura Orientada da obra “A Pérola” Professora Vanda Barreto1) Descreve em pormenor a vida simples de Kino e Joana antes e depois da descoberta da pérola.2) Como é que o padre funciona como adulteração da religião?3) Porque é que a “gente malvada” e os perseguidores de Kino nunca são identificados?4) Um símbolo pode alterar o seu significado ao longo de uma novela. De que forma é que a pérola altera o seu significado?5) Kino acredita que é preferível matar uma pessoa a destruir uma canoa. Que tipo de valores motiva esta posição?6) Kino e joana funcionam a um nível bastante primitivo. Porém, desejam um casamento na igreja e o batismo de Coyotito. Como explicas esta aparente contradição?7) Qual a função das muitas canções que Kino ouve ao longo da obra?F. Bibliografia Fitwater, Eva, John Steinbeck, A Pérola, Europa-América Página 13

×