TEATRO MEDIEVAL Universidade Federal de Pelotas Material para fins didáticos Professora Taís Ferreira
RESUMO TEATRO MEDIEVAL A igreja católica, com a ascensão da religião cristã na Europa, proíbe a existência dos mimos, justamente por estes satirizarem-na e a seus cultos. Assim, do século V ao século IX não há registros de atividades teatrais no Ocidente, a não ser apresentações de trupes itinerantes herdeiras dos ambulantes mimos e pantomimos que tanto prestígio e sucesso tiveram na Roma Imperial. Não há dramaturgia neste período. O teatro ressurge na metade do período da Idade Média, a partir de fontes: religiosa (dramas litúrgicos, mistérios, milagres, moralidades, autos sacramentais) e erudita (estudo dos clássicos nos mosteiros); popular  e profana (farsa,  sotie , jograis, autos profanos). Ironicamente, após condenar e banir os artistas teatrais, é dentro da própria igreja que o teatro ressurgirá e a partir dela tornar-se-á novamente popular e tomará as ruas dos feudos, burgos e povoados medievais nas grandiosas e festivas encenações dos mistérios.
RESUMO TEATRO MEDIEVAL DRAMA LITÚRGICO Surge na França dos séculos X aos XII com a representação de textos sagrados durante as missas, em forma de salmos cantados e recitados pelos monges. Os fiéis intervêm e aos poucos são incluídos gestos e também cenas do Velho e do Novo Testamento. Quando o drama litúrgico sai dos altares e vai para o átrio das igreja e passa ser encenado em francês e não mais em latim, passa a chamar-se de drama semi-litúrgico. Ciclo da Páscoa e ciclo do Natal.
RESUMO TEATRO MEDIEVAL JEU Forma dramática dos séculos XII e XIII, que designa representações litúrgicas que dramatizam cenas bíblicas. A partir do século XIII passa tratar de temas profanos. MILAGRE Gênero teatral medieval do século XI ao século XIV, que conta a vida de um santo sob forma narrativa e dramática. Foram aos poucos suplantados pelos mistérios e pelas paixões. Representados por confrarias e estudantes.
RESUMO TEATRO MEDIEVAL MISTÉRIO Drama medieval religioso do século XIV ao XVI, que encena episódios da Bíblia e a vida dos santos, representado por atores amadores nas mansões (cenários simultâneos), dirigidos por um condutor de cenas. Dura vários dias e é representado em todos os estilos numa seqüência de quadros, envolvendo toda a cidade . PAIXÃO Forma dramática medieval inspirada nos Evangelhos que representava a Paixão de Cristo nos mistérios. Perdura como tradição teatral até os dias de hoje.
As mansões: cenários múltiplos e simultâneos
 
 
 
RESUMO TEATRO MEDIEVAL MORALIDADE Obra dramática medieval a partir de 1400, de inspiração religiosa e com intenção didática e moralizante. As personagens são alegorias e a intriga insignificante, vícios versus virtudes, bem contra o mal. São utilizados elementos cômicos e farsescos. Já é uma forma teatral literária. Vai inspirar, assim como os mistérios, os autos sacramentais da Península Ibérica. ALEGORIA Personificação no teatro de um princípio ou de uma idéia abstrata, como a Morte, a Paz, etc...
Desenho da época com as orientações para a encenação de uma moralidade, O CASTELO DA PERSEVERANÇA, de 1425.
 
Encenação de uma Moralidade
Moralidade medieval encenada em 1460.
Detalhe: palcos móveis
RESUMO TEATRO MEDIEVAL AUTO SACRAMENTAL Peças religiosas alegóricas representadas na Espanha e em Portugal por ocasião de Corpus Christi, apresentadas sobre carroças, mesclando farsa e dança, atraindo o público popular durante toda a Idade Média e atingindo seu apogeu no Século de Ouro Espanhol, até sua proibição em 1765.  Gil Vicente, Lope de Vega, Tirso de Molina, Calderon de la Barca.
RESUMO TEATRO MEDIEVAL FARSA A farsa, em sua origem, foi um gênero surgido na Idade Média, espaço em que se intercalava nos mistério medievais alguns momentos de relaxamento e riso. Associada ao cômico e aos bufões. Forma grosseira, popular e primitiva de provocar o riso, ligada fundamentalmente à corporeidade. Exemplos que chegaram a nós: O Pastelão e a Torta, A Farsa do Advogado Pathelin, etc. SOTIE Peça cômica medieval dos séculos XIV e XV, peça dos loucos, que debaixo da máscara da loucura atacam os poderosos e os costumes. Bufões.
Encenações de  Farsa e Sotie
RESUMO TEATRO MEDIEVAL JOGRAL Ator e instrumentista que canta baladas, conta histórias nas feiras e também nos salões dos senhores. Surge nas cortes feudais, herdeiro dos mimos e pantomimos pelas virtuoses corporais e artísticas que executa (malabarismo, prestidigitação, etc.). Sua arte tem caráter profano e de cultura de tradição oral, diverte e divulga histórias de conhecimento popular, romances, histórias de guerras, histórias cômicas, etc. Os trovadores e/ou menestréis declamam poemas e improvisos de sua própria autoria, a forma dialogada surge com o progressos dramáticos de suas atividades, também ao som do alaúde.
Menestréis: sempre cantando suas canções de amor, de amigo, etc, acompanhados pelo alaúde  (instrumento precursor do violão).
La Foire paysanne, par Pieter Balten, v. 1525-v. 1598  (Musée du théâtre d'Amsterdam).
David Vinckboons (1576-1629), Kermesse.
Palcos seqüenciais: carroções
Trajes do período medieval

Teatro medieval

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    TEATRO MEDIEVAL UniversidadeFederal de Pelotas Material para fins didáticos Professora Taís Ferreira
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALA igreja católica, com a ascensão da religião cristã na Europa, proíbe a existência dos mimos, justamente por estes satirizarem-na e a seus cultos. Assim, do século V ao século IX não há registros de atividades teatrais no Ocidente, a não ser apresentações de trupes itinerantes herdeiras dos ambulantes mimos e pantomimos que tanto prestígio e sucesso tiveram na Roma Imperial. Não há dramaturgia neste período. O teatro ressurge na metade do período da Idade Média, a partir de fontes: religiosa (dramas litúrgicos, mistérios, milagres, moralidades, autos sacramentais) e erudita (estudo dos clássicos nos mosteiros); popular e profana (farsa, sotie , jograis, autos profanos). Ironicamente, após condenar e banir os artistas teatrais, é dentro da própria igreja que o teatro ressurgirá e a partir dela tornar-se-á novamente popular e tomará as ruas dos feudos, burgos e povoados medievais nas grandiosas e festivas encenações dos mistérios.
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALDRAMA LITÚRGICO Surge na França dos séculos X aos XII com a representação de textos sagrados durante as missas, em forma de salmos cantados e recitados pelos monges. Os fiéis intervêm e aos poucos são incluídos gestos e também cenas do Velho e do Novo Testamento. Quando o drama litúrgico sai dos altares e vai para o átrio das igreja e passa ser encenado em francês e não mais em latim, passa a chamar-se de drama semi-litúrgico. Ciclo da Páscoa e ciclo do Natal.
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALJEU Forma dramática dos séculos XII e XIII, que designa representações litúrgicas que dramatizam cenas bíblicas. A partir do século XIII passa tratar de temas profanos. MILAGRE Gênero teatral medieval do século XI ao século XIV, que conta a vida de um santo sob forma narrativa e dramática. Foram aos poucos suplantados pelos mistérios e pelas paixões. Representados por confrarias e estudantes.
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALMISTÉRIO Drama medieval religioso do século XIV ao XVI, que encena episódios da Bíblia e a vida dos santos, representado por atores amadores nas mansões (cenários simultâneos), dirigidos por um condutor de cenas. Dura vários dias e é representado em todos os estilos numa seqüência de quadros, envolvendo toda a cidade . PAIXÃO Forma dramática medieval inspirada nos Evangelhos que representava a Paixão de Cristo nos mistérios. Perdura como tradição teatral até os dias de hoje.
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    As mansões: cenáriosmúltiplos e simultâneos
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALMORALIDADE Obra dramática medieval a partir de 1400, de inspiração religiosa e com intenção didática e moralizante. As personagens são alegorias e a intriga insignificante, vícios versus virtudes, bem contra o mal. São utilizados elementos cômicos e farsescos. Já é uma forma teatral literária. Vai inspirar, assim como os mistérios, os autos sacramentais da Península Ibérica. ALEGORIA Personificação no teatro de um princípio ou de uma idéia abstrata, como a Morte, a Paz, etc...
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    Desenho da épocacom as orientações para a encenação de uma moralidade, O CASTELO DA PERSEVERANÇA, de 1425.
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALAUTO SACRAMENTAL Peças religiosas alegóricas representadas na Espanha e em Portugal por ocasião de Corpus Christi, apresentadas sobre carroças, mesclando farsa e dança, atraindo o público popular durante toda a Idade Média e atingindo seu apogeu no Século de Ouro Espanhol, até sua proibição em 1765. Gil Vicente, Lope de Vega, Tirso de Molina, Calderon de la Barca.
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALFARSA A farsa, em sua origem, foi um gênero surgido na Idade Média, espaço em que se intercalava nos mistério medievais alguns momentos de relaxamento e riso. Associada ao cômico e aos bufões. Forma grosseira, popular e primitiva de provocar o riso, ligada fundamentalmente à corporeidade. Exemplos que chegaram a nós: O Pastelão e a Torta, A Farsa do Advogado Pathelin, etc. SOTIE Peça cômica medieval dos séculos XIV e XV, peça dos loucos, que debaixo da máscara da loucura atacam os poderosos e os costumes. Bufões.
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    Encenações de Farsa e Sotie
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    RESUMO TEATRO MEDIEVALJOGRAL Ator e instrumentista que canta baladas, conta histórias nas feiras e também nos salões dos senhores. Surge nas cortes feudais, herdeiro dos mimos e pantomimos pelas virtuoses corporais e artísticas que executa (malabarismo, prestidigitação, etc.). Sua arte tem caráter profano e de cultura de tradição oral, diverte e divulga histórias de conhecimento popular, romances, histórias de guerras, histórias cômicas, etc. Os trovadores e/ou menestréis declamam poemas e improvisos de sua própria autoria, a forma dialogada surge com o progressos dramáticos de suas atividades, também ao som do alaúde.
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    Menestréis: sempre cantandosuas canções de amor, de amigo, etc, acompanhados pelo alaúde (instrumento precursor do violão).
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    La Foire paysanne,par Pieter Balten, v. 1525-v. 1598 (Musée du théâtre d'Amsterdam).
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