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Múltiplas Linguagens: As Crianças do teatro à Internet.
Dos artefatos, linguagens e modos de ser das crianças na contemporaneidade


Autores: Rodrigo Saballa de Carvalho e Taís Ferreira[i] - taisferreirars@yahoo.com.br




Resumo:


Estamos vivenciando um período de rápidas transformações, através das quais a compressão espaço temporal
passa a fazer parte da pauta de discussão do nosso cotidiano. Uma avalanche de informações invade
diariamente nossas vidas através de artefatos midiáticos de grande circulação, interferindo nas diferentes
formas de nos relacionarmos com o mundo globalizado (HARVEY, 2002). Em segundos sabemos o que está
acontecendo do outro lado do globo através da Internet, dos jornais, de imagens via satélite que ultrapassam
distâncias e chegam a nós através das telas de nossos televisores, convocando-nos a participar destes
acontecimentos.


Conflitos no Iraque, tortura de soldados norte-americanos, discursos de presidentes, a queda da bolsa de
valores, a guerra do narcotráfico no Rio de Janeiro, crianças assassinadas por seus pais, aumento do dólar, são
algumas notícia que se mesclam a nossas atividades diárias. Na vivência de grande parte das crianças, sejam
elas pobres ou ricas, une-se a esses “fatos da vida real” veiculados pela mídia, uma imensa quantidade de
produtos culturais destinados ao seu consumo, com características que procuram adequar-se a uma pretensa
“infância idealizada”, frágil, dócil, desprotegida, carente de conhecimento, dependente dos adultos...


Acontecimentos, práticas e artefatos que coexistem em um mesmo universo, e geram questionamentos a
respeito das múltiplas formas como temos compreendido nossas crianças, que postadas diante de telas que
exibem um mundo descentrado – no qual a efemeridade do tempo cede lugar a novas organizações espaciais -,
passam a compartilhar dos fatos, espetáculos e discursos endereçados aos adultos.


Perguntamo-nos: onde andam nossas crianças neste mundo (des)territorializado? Será que ainda existem
crianças? Estes novos/velhos tempos prenunciam uma nova era da infância? Com que linguagens e artefatos
deparam-se as crianças na contemporaneidade? Como lidar com a imensa diversidade de informação e de
possibilidades que o mundo contemporâneo oferece a nós, os adultos, e também aos nossos “outros”, as
crianças?


Pensando estes múltiplos artefatos e discursos com os quais as crianças relacionam-se, veiculados nas mais
diferenciadas linguagens (virtual, audiovisual, escrita, oral, gráfica, corporal, sinestésicas, etc...), poderemos
entrar em contato com importantes constituintes das identidades e subjetividades infantis, já que estes
artefatos e discursos não somente reproduzem ou comunicam conteúdos e formas e sim constituem os próprios
sujeitos que os consomem, através dos modelos e das representações que veiculam. Filmes, livros, sites, blogs,
peças de teatro, brinquedos, músicas, revistas, programas de TV, enfim, toda a gama de produtos (que
estimulam e legitimam determinadas práticas, como as de consumo, por exemplo) aos quais a grande maioria
das crianças tem acesso na contemporaneidade contribuem a sua formação enquanto sujeitos sociais,
ensinando-lhes modos de ser e estar no mundo, modos de olhar para si e para os contextos a sua volta, modos
de conferir significado aos eventos, práticas, imagens, sons e pessoas com os quais convivem.


No contexto da contemporaneidade (poderíamos também dizer pós-modernidade[ii]) coexistem múltiplas
infâncias, descentradas, enigmáticas, inscritas culturalmente a partir de artefatos que procuram enunciá-las
como o “outro” que deve ser conhecido e fixado. Desta forma torna-se fundamental desconstruir as
metanarrativas sobre infância que fazem parte do “imaginário social”, dando visibilidade a várias formas de
compreender a infância como construto social, pois, de acordo com Fischer (2000, p. 1), “os modos de
existência das crianças neste momento, principalmente em nosso país, são variados, pois convivem crianças
trabalhadoras, crianças robôs, sem citar outras abandonadas em suas casas e nas ruas, ou então precocemente
imersas na macaquice adulta das passarelas da moda”. Infâncias que, conforme Heywood (2004), devem ser
contextualizadas em relação ao tempo, local e cultura, tendo como variantes as categorias de etnia, gênero e
classe, entre outras.


Desta forma, podemos pensar que não existe algo como a infância ou a criança (DAHLBERG, 2003), um ser em
estado essencial esperando para ser descoberto, mas muitas crianças e muitas infâncias, (re)elaboradas em um
conjunto ativamente negociado de relações.


Torna-se necessário incidirmos olhares, discutirmos saídas inventadas, problematizarmos tensionamentos que
viabilizem as trocas que estabelecemos com o “outro”, desvendando esses ciborgues, os quais ainda ousamos
chamar de crianças. Neste intuito, trazemos a este artigo um contraponto entre duas linguagens tão
diferenciadas como a digital e a teatral, percebendo, entretanto, como ambas estão presentes e vivas no
cotidiano das infâncias sobre as quais buscamos refletir. Ainda que díspares, comungam o espaço-tempo das
experiências infantis, entre tantas outras formas e conteúdos, sujeitando-as, constituindo-as.


Do teatral ao virtual: entre espetáculos, faz-de-conta, blogs e sites
O teatro é uma linguagem ancestral. Acompanha a evolução da humanidade, estando presente nas
manifestações de cunho sagrado e ritualístico desde a pré-história. A linguagem virtual é recentíssima.
Possibilitada pela evolução tecnológica que o homem conheceu nos últimos dois séculos, faz parte da vida
cotidiana das massas há menos de duas décadas. Há poucos anos, seria impensável comunicar-se, de dentro
de sua sala ou quarto, com qualquer parte do mundo, enviando e recebendo informações, imagens, sons e
cores...


Na evolução da história do espetáculo, crianças e adultos assistiam às peças de teatro juntos, seja nas
arquibancadas dos anfiteatros gregos como nas ruas e praças medievais, nas missões jesuíticas espalhadas
pela América Latina, nos palácios da Idade Moderna, reverenciando reis, rainhas e príncipes... Agora, adultos
produzem um “tipo” de teatro (bem como de literatura e de filmes) especialmente dirigido às crianças, que
supostamente “fala a língua das crianças” e ensina-lhes “coisas que necessitam aprender”. É o teatro infantil,
primo-irmão da literatura infantil, tio dos filmes e desenhos animados para crianças, provavelmente avô ou
bisavô dos blogs[iii], chats[iv] e sites endereçados aos pequenos internautas.


As novíssimas gerações, segundo Garbin (2001), poderiam ser chamadas de “gerações digitais”, tal a
intimidade apresentada por jovens e até por crianças nas mais tenras idades com as máquinas e suas minúcias,
interfaces virtuais de um computador conectado a rede, ligando lares de todo mundo, colocando a todos em um
mesmo emaranhado de fios, ondas e bites, tornando-nos todos uma ínfima parte da rede infinita, sem começo
nem fim. Os “pequenos sabe-tudo” ensinam seus pais e professores a manipular a tecnologia que nasce com
eles, que eles manejam e dominam, na qual (re)criam e expressam-se, através da qual aprendem e são
também apreendidos. Invertem-se os papéis: a habilidade das crianças adquirida diante das telas de
computadores e das televisões as faz perspicazes “marinheiros”, navegando por mares e praias anteriormente
permitidos somente aos adultos. Esta infância digital existe e suas “crianças parecem ser inteligentes,
aceitadoras da diversidade, curiosas, autoconfiantes, com auto-estima e orientação global“ (TAPSCOTT, 1999,
p. 101). Entretanto, torna-se necessário que nós, os “outros” de gerações anteriores, encontremos na “infância
sua presença enigmática diante da exigência que este mundo traz consigo” (LARROSA, 1998, p. 71).


Contudo, na contramão da intimidade que mantêm com as tecnologias digitais, as crianças ainda vão ao teatro:
contentes e festivas, geralmente buscam tirar o máximo proveito das relações efêmeras e presenciais que a
linguagem teatral possibilita, a experiência estética que por vezes é negada pelos artefatos midiáticos e de
consumo.


As mesmas crianças que constroem blogs complexos, repletos de cores, sons, gráficos, movimentos e imagens,
nos quais registram suas impressões cotidianas e fatos de suas vidas, também brincam de “faz-de-conta”,
jogando solitárias ou com outras crianças seus jogos de imaginar: cenas, lugares, eventos, pessoas... Enfim, a
base da linguagem teatral: a materialização de outro que não sou eu, que a princípio vive somente em minha
imaginação e ao qual eu dou vida corporificando-o através de meu próprio corpo, meus gestos, palavras, ações
e movimentos. Ser um super-herói, um cantor ou uma princesa é possível na brincadeira de “faz-de-conta”, é
possível através do apelido que uso em um chat, das dolls[v] que construo; é possível através dos filmes e
peças que assisto, dos livros que leio, dos sites que consulto.


Pensemos então: essas crianças que “agem” e “constroem” mundos, seres e a si mesmas em suas práticas
cotidianas, sejam elas virtuais ou teatrais, e no contato com a diversidade de artefatos culturais disponíveis,
podem elas ser consideradas indefesas, débeis e inaptas? Cai por terra, então, a representação de infância
dominante desde a modernidade.


Cenas das infâncias pós-modernas[vi]


Crianças diante de sofisticados computadores, grupos de meninos reunidos em salas escuras às voltas com
jogos eletrônicos, olhos úmidos que acompanham bolinhas de malabares nos semáforos e esquinas, meninas
tristes e suas rosas nos bares e noites, garotos descalços que puxam carrinhos de papel com a força de
homens, grupos alegres e falantes que vão ao teatro ou ao cinema, pequenos atarefados: ou muitas aulas, ou
muito trabalho, ou ainda muitos irmãos para cuidar.


Nas casas-ilhas, isoladas por cercas elétricas, nas ruas sem calçamento, com os pés na lama, sob as marquises
do centro da cidade, nos quartos coletivos dos abrigos, em meio ao burburinho das praças de alimentação dos
shopping center, nas rodas gigantes dos parques em tardes ensolaradas: são muitos, são diferentes, são
crianças. Entretanto sujeitadas e sujeitos de infâncias díspares, infâncias múltiplas, pós-modernas. Contextos
que diferem, discursos que se contrapõem, sujeitos “formatados” de muitos jeitos.


Teatro, cinema, TV, Internet, brinquedos, propagandas, rádio, músicas, livros, revistas, outdoors, jogos de
videogame, roupas: tudo que lhes ensina também a serem o que estão sendo, a significarem o visto de
determinada maneira, a constituírem-se também através destas múltiplas linguagens com as quais as diversas
infâncias deparam-se na contingência cotidiana, do presencial do teatro ao virtual das tecnologias digitais.


Nas cenas de nossa vida pós-moderna percebemos diversas infâncias que tangem as vidas das pessoas, figuras
de um devir que nos acompanha, independente de idades cronológicas, tornando-se a condição de afetar e ser
afetado (KOHAN, 2003) com as quais manipulamos e somos manipulados. Infâncias, imagens, cenas de
alteridade que provocam, desconstroem e remontam memórias. Memórias que ao serem lembradas, conforme
Lyotard[vii] , proporcionam a desconstrução mesma das concepções preferenciais que circundam as famílias,
escolas, ruas, guetos, praças, ou seja, todos aqueles locais onde as infâncias se fazem presentes.


A polissemia de concepções sobre as infâncias contribui para compor novos mapas conceituais que buscam
problematizações, descontinuidades presentes em seus próprios pressupostos. Pensar em crianças é aventurar-
se nas histórias de infâncias que nem sempre são contadas da mesma forma, que possuem diferentes
narradores, mas que possibilitam às pessoas rumos e escolhas diferenciados a partir da perspectiva com a qual
lançam seus olhares.


Observar as infâncias que emergem no cotidiano, ver os/as filhos/as, sobrinhos/as, netos/as, ou qualquer
criança com a qual se tenha contato e redescobrir o “enigma” que está inscrito dentro de cada uma delas.
Perceber as múltiplas linguagens com as quais estas crianças têm contato e que as estão constituindo também
enquanto sujeitos das culturas, que constroem culturas assim como são construídos por elas. Olhar as infâncias
como muitas, e não como “a infância”, aquela idealizada pelos “outros” que somos nós. Percebermo-nos
também como infantes, não os que fomos, mas os que seremos sempre, latentes em um devir que nos
acompanha, indelevelmente.


Propomos assim um refletir-agir acerca das infâncias inscritas pela pós-modernidade, seus cenários, objetos,
figurinos, personagens. Múltiplas linguagens, crianças descentradas, infâncias desterritorializadas: cenas da
vida pós-moderna.




Bibliografia


BAUMAN, Zygmund. Modernity and Ambivalence. Cambridge: Polity Press,1991.


DAHLBERG, Gunilla; MOSS, Peter; PENCE, Allan. Qualidade na Educação da Primeira Infância: perspectivas
pós-modernas. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed,2003.
GARBIN, Elisabete Maria. www.identidadesmusicaisjuvenis.com.br- Um estudo de chats sobre música da
Internet. Porto Alegre: UFRGS, 2001.260p Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em
Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001.
HARVEY, David. A Condição Pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. Tradução de
Adail Ubirajara Sobral. 11 ed. São Paulo: Edições Loyola,2002.
HEYWOOD, Colin. Uma história da infância. Da Idade Média à época contemporânea no Ocidente. Tradução:
Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2004.KOHAN, Walter Omar. Infância. Entre educação e filosofia –
Belo Horizonte: Autêntica,2003.
LARROSA, Jorge. O enigma da infância ou que vai do impossível ao verdadeiro. In: LARROSA, Jorge; LARA,
Pérez Nuria (orgs). Imagens do Outro. Petrópolis: Vozes 1998.
LYOTARD, Jean-François. Lecturas de Infancia. Buenos Aires : EUDEBA,1997.
SARLO, Beatriz. Cenas da Vida Pós-Moderna. Rio de Janeiro: ED. UFRJ,2000.
TAPSCOTT, Don. Geração digital: a crescente e irreversível ascensão da geração Net. São Paulo: Makron Books,
1999.




Notas:


[i]Mestrandos do PPGEdu/UFRGS, na Linha Estudos Culturais em Educação, tendo defendido suas propostas de
dissertação, respectivamente intituladas: Infância de pronta-entrega: tornando-se aluno/a da Educação Infantil
(orientação da Profa. Dra. Iole Maria Faviero Trindade) e Do teatro infantil às crianças espectadoras – Espaços
de experiências e mediações (orientação da Profa. Dra. Elisabete Maria Garbin).


[ii] Cf Bauman (1991,p.98) “aquilo que a idéia inerentemente polissêmica e controversa de pós-modernidade
com mais freqüência se refere (ainda que apenas de modo tácito) é, antes de tudo, uma aceitação da
pluralidade inerradicável do mundo;pluralidade que não é uma parada temporária no caminho para a perfeição
ainda não atingida , mas o elemento constitutivo da existência. Por esse motivo, a pós-modernidade significa
uma emancipação resoluta da urgência caracteristicamente moderna de superar a ambivalência e promover a
transparência monossêmica da similaridade. Na verdade, a pós-modernidade inverte os sinais dos valores
fundamentais à modernidade, como a uniformidade e o universalismo. Liberdade, igualdade e fraternidade
eram grito de guerra da modernidade. Liberdade, diversidade e tolerância é a fórmula de armistício da pós-
modernidade.
[iii] Diário virtual em que se registram, através da escrita e da inclusão de fotos e imagens, fatos da vida
cotidiana das pessoas, reflexões sobre determinados assuntos, etc. H ao contrário dos antigos ‘diários de
papel’, há a possibilidade de participação dos leitores internautas, que podem enviar comentários sobre aquilo
que leram.
[iv] Salas de bate-papo em que as pessoas ‘conversam’ em tempo real pela rede.
[v] Bonecas virtuais que podem ser montadas pelos internautas, muito conhecidas entre crianças e jovens que
acessam a Internet.
[vi] Referenciando o livro Cenas da Vida Pós-Moderna, da argentina Beatriz Sarlo. Rio de Janeiro: ED. UFRJ,
2000.
[vii]“Por infância entendo que nascemos antes de nascer para nos através de outros, mas também para os
outros, entregues, sem defesa, aos outros. Estamos sujeitos a seu mancipium que eles próprios não podem
avaliar. Porque, embora sejam mães e pais ,eles mesmos são também infantes . Eles não estão emancipados
de sua própria infância, da ferida da infância ou do apelo que ela lança.” (Lyotard, 1997, p. 420)




Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano II - Número 02 - Outubro de 2004 - Webmaster - Todos
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Múltiplas linguagens revista art& 02

  • 1. Múltiplas Linguagens: As Crianças do teatro à Internet. Dos artefatos, linguagens e modos de ser das crianças na contemporaneidade Autores: Rodrigo Saballa de Carvalho e Taís Ferreira[i] - taisferreirars@yahoo.com.br Resumo: Estamos vivenciando um período de rápidas transformações, através das quais a compressão espaço temporal passa a fazer parte da pauta de discussão do nosso cotidiano. Uma avalanche de informações invade diariamente nossas vidas através de artefatos midiáticos de grande circulação, interferindo nas diferentes formas de nos relacionarmos com o mundo globalizado (HARVEY, 2002). Em segundos sabemos o que está acontecendo do outro lado do globo através da Internet, dos jornais, de imagens via satélite que ultrapassam distâncias e chegam a nós através das telas de nossos televisores, convocando-nos a participar destes acontecimentos. Conflitos no Iraque, tortura de soldados norte-americanos, discursos de presidentes, a queda da bolsa de valores, a guerra do narcotráfico no Rio de Janeiro, crianças assassinadas por seus pais, aumento do dólar, são algumas notícia que se mesclam a nossas atividades diárias. Na vivência de grande parte das crianças, sejam elas pobres ou ricas, une-se a esses “fatos da vida real” veiculados pela mídia, uma imensa quantidade de produtos culturais destinados ao seu consumo, com características que procuram adequar-se a uma pretensa “infância idealizada”, frágil, dócil, desprotegida, carente de conhecimento, dependente dos adultos... Acontecimentos, práticas e artefatos que coexistem em um mesmo universo, e geram questionamentos a respeito das múltiplas formas como temos compreendido nossas crianças, que postadas diante de telas que exibem um mundo descentrado – no qual a efemeridade do tempo cede lugar a novas organizações espaciais -, passam a compartilhar dos fatos, espetáculos e discursos endereçados aos adultos. Perguntamo-nos: onde andam nossas crianças neste mundo (des)territorializado? Será que ainda existem crianças? Estes novos/velhos tempos prenunciam uma nova era da infância? Com que linguagens e artefatos deparam-se as crianças na contemporaneidade? Como lidar com a imensa diversidade de informação e de possibilidades que o mundo contemporâneo oferece a nós, os adultos, e também aos nossos “outros”, as crianças? Pensando estes múltiplos artefatos e discursos com os quais as crianças relacionam-se, veiculados nas mais diferenciadas linguagens (virtual, audiovisual, escrita, oral, gráfica, corporal, sinestésicas, etc...), poderemos entrar em contato com importantes constituintes das identidades e subjetividades infantis, já que estes artefatos e discursos não somente reproduzem ou comunicam conteúdos e formas e sim constituem os próprios sujeitos que os consomem, através dos modelos e das representações que veiculam. Filmes, livros, sites, blogs, peças de teatro, brinquedos, músicas, revistas, programas de TV, enfim, toda a gama de produtos (que estimulam e legitimam determinadas práticas, como as de consumo, por exemplo) aos quais a grande maioria das crianças tem acesso na contemporaneidade contribuem a sua formação enquanto sujeitos sociais, ensinando-lhes modos de ser e estar no mundo, modos de olhar para si e para os contextos a sua volta, modos de conferir significado aos eventos, práticas, imagens, sons e pessoas com os quais convivem. No contexto da contemporaneidade (poderíamos também dizer pós-modernidade[ii]) coexistem múltiplas infâncias, descentradas, enigmáticas, inscritas culturalmente a partir de artefatos que procuram enunciá-las como o “outro” que deve ser conhecido e fixado. Desta forma torna-se fundamental desconstruir as metanarrativas sobre infância que fazem parte do “imaginário social”, dando visibilidade a várias formas de compreender a infância como construto social, pois, de acordo com Fischer (2000, p. 1), “os modos de existência das crianças neste momento, principalmente em nosso país, são variados, pois convivem crianças trabalhadoras, crianças robôs, sem citar outras abandonadas em suas casas e nas ruas, ou então precocemente imersas na macaquice adulta das passarelas da moda”. Infâncias que, conforme Heywood (2004), devem ser contextualizadas em relação ao tempo, local e cultura, tendo como variantes as categorias de etnia, gênero e classe, entre outras. Desta forma, podemos pensar que não existe algo como a infância ou a criança (DAHLBERG, 2003), um ser em estado essencial esperando para ser descoberto, mas muitas crianças e muitas infâncias, (re)elaboradas em um conjunto ativamente negociado de relações. Torna-se necessário incidirmos olhares, discutirmos saídas inventadas, problematizarmos tensionamentos que viabilizem as trocas que estabelecemos com o “outro”, desvendando esses ciborgues, os quais ainda ousamos chamar de crianças. Neste intuito, trazemos a este artigo um contraponto entre duas linguagens tão diferenciadas como a digital e a teatral, percebendo, entretanto, como ambas estão presentes e vivas no cotidiano das infâncias sobre as quais buscamos refletir. Ainda que díspares, comungam o espaço-tempo das experiências infantis, entre tantas outras formas e conteúdos, sujeitando-as, constituindo-as. Do teatral ao virtual: entre espetáculos, faz-de-conta, blogs e sites
  • 2. O teatro é uma linguagem ancestral. Acompanha a evolução da humanidade, estando presente nas manifestações de cunho sagrado e ritualístico desde a pré-história. A linguagem virtual é recentíssima. Possibilitada pela evolução tecnológica que o homem conheceu nos últimos dois séculos, faz parte da vida cotidiana das massas há menos de duas décadas. Há poucos anos, seria impensável comunicar-se, de dentro de sua sala ou quarto, com qualquer parte do mundo, enviando e recebendo informações, imagens, sons e cores... Na evolução da história do espetáculo, crianças e adultos assistiam às peças de teatro juntos, seja nas arquibancadas dos anfiteatros gregos como nas ruas e praças medievais, nas missões jesuíticas espalhadas pela América Latina, nos palácios da Idade Moderna, reverenciando reis, rainhas e príncipes... Agora, adultos produzem um “tipo” de teatro (bem como de literatura e de filmes) especialmente dirigido às crianças, que supostamente “fala a língua das crianças” e ensina-lhes “coisas que necessitam aprender”. É o teatro infantil, primo-irmão da literatura infantil, tio dos filmes e desenhos animados para crianças, provavelmente avô ou bisavô dos blogs[iii], chats[iv] e sites endereçados aos pequenos internautas. As novíssimas gerações, segundo Garbin (2001), poderiam ser chamadas de “gerações digitais”, tal a intimidade apresentada por jovens e até por crianças nas mais tenras idades com as máquinas e suas minúcias, interfaces virtuais de um computador conectado a rede, ligando lares de todo mundo, colocando a todos em um mesmo emaranhado de fios, ondas e bites, tornando-nos todos uma ínfima parte da rede infinita, sem começo nem fim. Os “pequenos sabe-tudo” ensinam seus pais e professores a manipular a tecnologia que nasce com eles, que eles manejam e dominam, na qual (re)criam e expressam-se, através da qual aprendem e são também apreendidos. Invertem-se os papéis: a habilidade das crianças adquirida diante das telas de computadores e das televisões as faz perspicazes “marinheiros”, navegando por mares e praias anteriormente permitidos somente aos adultos. Esta infância digital existe e suas “crianças parecem ser inteligentes, aceitadoras da diversidade, curiosas, autoconfiantes, com auto-estima e orientação global“ (TAPSCOTT, 1999, p. 101). Entretanto, torna-se necessário que nós, os “outros” de gerações anteriores, encontremos na “infância sua presença enigmática diante da exigência que este mundo traz consigo” (LARROSA, 1998, p. 71). Contudo, na contramão da intimidade que mantêm com as tecnologias digitais, as crianças ainda vão ao teatro: contentes e festivas, geralmente buscam tirar o máximo proveito das relações efêmeras e presenciais que a linguagem teatral possibilita, a experiência estética que por vezes é negada pelos artefatos midiáticos e de consumo. As mesmas crianças que constroem blogs complexos, repletos de cores, sons, gráficos, movimentos e imagens, nos quais registram suas impressões cotidianas e fatos de suas vidas, também brincam de “faz-de-conta”, jogando solitárias ou com outras crianças seus jogos de imaginar: cenas, lugares, eventos, pessoas... Enfim, a base da linguagem teatral: a materialização de outro que não sou eu, que a princípio vive somente em minha imaginação e ao qual eu dou vida corporificando-o através de meu próprio corpo, meus gestos, palavras, ações e movimentos. Ser um super-herói, um cantor ou uma princesa é possível na brincadeira de “faz-de-conta”, é possível através do apelido que uso em um chat, das dolls[v] que construo; é possível através dos filmes e peças que assisto, dos livros que leio, dos sites que consulto. Pensemos então: essas crianças que “agem” e “constroem” mundos, seres e a si mesmas em suas práticas cotidianas, sejam elas virtuais ou teatrais, e no contato com a diversidade de artefatos culturais disponíveis, podem elas ser consideradas indefesas, débeis e inaptas? Cai por terra, então, a representação de infância dominante desde a modernidade. Cenas das infâncias pós-modernas[vi] Crianças diante de sofisticados computadores, grupos de meninos reunidos em salas escuras às voltas com jogos eletrônicos, olhos úmidos que acompanham bolinhas de malabares nos semáforos e esquinas, meninas tristes e suas rosas nos bares e noites, garotos descalços que puxam carrinhos de papel com a força de homens, grupos alegres e falantes que vão ao teatro ou ao cinema, pequenos atarefados: ou muitas aulas, ou muito trabalho, ou ainda muitos irmãos para cuidar. Nas casas-ilhas, isoladas por cercas elétricas, nas ruas sem calçamento, com os pés na lama, sob as marquises do centro da cidade, nos quartos coletivos dos abrigos, em meio ao burburinho das praças de alimentação dos shopping center, nas rodas gigantes dos parques em tardes ensolaradas: são muitos, são diferentes, são crianças. Entretanto sujeitadas e sujeitos de infâncias díspares, infâncias múltiplas, pós-modernas. Contextos que diferem, discursos que se contrapõem, sujeitos “formatados” de muitos jeitos. Teatro, cinema, TV, Internet, brinquedos, propagandas, rádio, músicas, livros, revistas, outdoors, jogos de videogame, roupas: tudo que lhes ensina também a serem o que estão sendo, a significarem o visto de determinada maneira, a constituírem-se também através destas múltiplas linguagens com as quais as diversas infâncias deparam-se na contingência cotidiana, do presencial do teatro ao virtual das tecnologias digitais. Nas cenas de nossa vida pós-moderna percebemos diversas infâncias que tangem as vidas das pessoas, figuras de um devir que nos acompanha, independente de idades cronológicas, tornando-se a condição de afetar e ser afetado (KOHAN, 2003) com as quais manipulamos e somos manipulados. Infâncias, imagens, cenas de alteridade que provocam, desconstroem e remontam memórias. Memórias que ao serem lembradas, conforme
  • 3. Lyotard[vii] , proporcionam a desconstrução mesma das concepções preferenciais que circundam as famílias, escolas, ruas, guetos, praças, ou seja, todos aqueles locais onde as infâncias se fazem presentes. A polissemia de concepções sobre as infâncias contribui para compor novos mapas conceituais que buscam problematizações, descontinuidades presentes em seus próprios pressupostos. Pensar em crianças é aventurar- se nas histórias de infâncias que nem sempre são contadas da mesma forma, que possuem diferentes narradores, mas que possibilitam às pessoas rumos e escolhas diferenciados a partir da perspectiva com a qual lançam seus olhares. Observar as infâncias que emergem no cotidiano, ver os/as filhos/as, sobrinhos/as, netos/as, ou qualquer criança com a qual se tenha contato e redescobrir o “enigma” que está inscrito dentro de cada uma delas. Perceber as múltiplas linguagens com as quais estas crianças têm contato e que as estão constituindo também enquanto sujeitos das culturas, que constroem culturas assim como são construídos por elas. Olhar as infâncias como muitas, e não como “a infância”, aquela idealizada pelos “outros” que somos nós. Percebermo-nos também como infantes, não os que fomos, mas os que seremos sempre, latentes em um devir que nos acompanha, indelevelmente. Propomos assim um refletir-agir acerca das infâncias inscritas pela pós-modernidade, seus cenários, objetos, figurinos, personagens. Múltiplas linguagens, crianças descentradas, infâncias desterritorializadas: cenas da vida pós-moderna. Bibliografia BAUMAN, Zygmund. Modernity and Ambivalence. Cambridge: Polity Press,1991. DAHLBERG, Gunilla; MOSS, Peter; PENCE, Allan. Qualidade na Educação da Primeira Infância: perspectivas pós-modernas. Tradução de Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed,2003. GARBIN, Elisabete Maria. www.identidadesmusicaisjuvenis.com.br- Um estudo de chats sobre música da Internet. Porto Alegre: UFRGS, 2001.260p Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001. HARVEY, David. A Condição Pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. 11 ed. São Paulo: Edições Loyola,2002. HEYWOOD, Colin. Uma história da infância. Da Idade Média à época contemporânea no Ocidente. Tradução: Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2004.KOHAN, Walter Omar. Infância. Entre educação e filosofia – Belo Horizonte: Autêntica,2003. LARROSA, Jorge. O enigma da infância ou que vai do impossível ao verdadeiro. In: LARROSA, Jorge; LARA, Pérez Nuria (orgs). Imagens do Outro. Petrópolis: Vozes 1998. LYOTARD, Jean-François. Lecturas de Infancia. Buenos Aires : EUDEBA,1997. SARLO, Beatriz. Cenas da Vida Pós-Moderna. Rio de Janeiro: ED. UFRJ,2000. TAPSCOTT, Don. Geração digital: a crescente e irreversível ascensão da geração Net. São Paulo: Makron Books, 1999. Notas: [i]Mestrandos do PPGEdu/UFRGS, na Linha Estudos Culturais em Educação, tendo defendido suas propostas de dissertação, respectivamente intituladas: Infância de pronta-entrega: tornando-se aluno/a da Educação Infantil (orientação da Profa. Dra. Iole Maria Faviero Trindade) e Do teatro infantil às crianças espectadoras – Espaços de experiências e mediações (orientação da Profa. Dra. Elisabete Maria Garbin). [ii] Cf Bauman (1991,p.98) “aquilo que a idéia inerentemente polissêmica e controversa de pós-modernidade com mais freqüência se refere (ainda que apenas de modo tácito) é, antes de tudo, uma aceitação da pluralidade inerradicável do mundo;pluralidade que não é uma parada temporária no caminho para a perfeição ainda não atingida , mas o elemento constitutivo da existência. Por esse motivo, a pós-modernidade significa uma emancipação resoluta da urgência caracteristicamente moderna de superar a ambivalência e promover a transparência monossêmica da similaridade. Na verdade, a pós-modernidade inverte os sinais dos valores fundamentais à modernidade, como a uniformidade e o universalismo. Liberdade, igualdade e fraternidade eram grito de guerra da modernidade. Liberdade, diversidade e tolerância é a fórmula de armistício da pós- modernidade. [iii] Diário virtual em que se registram, através da escrita e da inclusão de fotos e imagens, fatos da vida cotidiana das pessoas, reflexões sobre determinados assuntos, etc. H ao contrário dos antigos ‘diários de papel’, há a possibilidade de participação dos leitores internautas, que podem enviar comentários sobre aquilo que leram. [iv] Salas de bate-papo em que as pessoas ‘conversam’ em tempo real pela rede. [v] Bonecas virtuais que podem ser montadas pelos internautas, muito conhecidas entre crianças e jovens que acessam a Internet.
  • 4. [vi] Referenciando o livro Cenas da Vida Pós-Moderna, da argentina Beatriz Sarlo. Rio de Janeiro: ED. UFRJ, 2000. [vii]“Por infância entendo que nascemos antes de nascer para nos através de outros, mas também para os outros, entregues, sem defesa, aos outros. Estamos sujeitos a seu mancipium que eles próprios não podem avaliar. Porque, embora sejam mães e pais ,eles mesmos são também infantes . Eles não estão emancipados de sua própria infância, da ferida da infância ou do apelo que ela lança.” (Lyotard, 1997, p. 420) Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano II - Número 02 - Outubro de 2004 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados OBS: Os textos publicados na Revista Art& só podem ser reproduzidos com autorização POR ESCRITO dos editores.