TEATRO  –  definição, história e reflexões rsn 2007/08
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>“ Subi ao palco, pela primeira vez em finais dos meados dos anos oitenta, o suor c...
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>Fui mulher de cabaret parisiense durante a II Guerra Mundial cantando e declamando...
UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>Fui viúva perdida num canto da ilha e uma criada assassina, símbolo do poder, numa...
O QUE É O TEATRO? <ul><li>O Teatro é uma história que se vive. Esta vivida com todos os sentidos.  Não é um suceder de ima...
DEFINIÇÃO DE TEATRO… <ul><li>«Tudo é permitido no Teatro», disse Ionesco (...) Não só permitido mas recomendado para repre...
OUTRA DEFINIÇÃO… <ul><li>Convido-os ao Teatro com uma frase de Sartre: </li></ul><ul><li>«O teatro é de tal maneira a cois...
O QUE SE VÊ <ul><li>Do grego «theatron», teatro é «o que se vê».  </li></ul><ul><li>É a expressão da vida social, uma forç...
O QUE SE VÊ <ul><li>O teatro terá surgido com o fogo, partir do momento em que o Homem, à volta de uma fogueira, projectou...
DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO <ul><li>“ Perdidos no meio da floresta os membros de determinado clã executam, periodicamente, ...
DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO <ul><li>O feiticeiro socorre-se de máscaras, gritos, evocações, silêncios, culminando, por veze...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>O estabelecimento de fronteiras físicas, o surgimento da cidade, acaba por conferir ao teatr...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>Não surpreende, pois, ver na Grécia, após as transformações sociais, económicas e políticas,...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>A cidade assinala a ruptura. No espaço e no tempo. Há uma separação entre os que nela vivem ...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>Aristóteles é o teórico que, a nível da polis grega, mais agudamente intuiu qual a função da...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>As definições de mimésis de Aristóteles (imitação da realidade) ou de catarsis (purificação ...
SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>A «Poética» (obra de Aristóteles) estabelece e codifica uma espécie de balanço da experiênci...
TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>LISBOA, PORTO E FUNCHAL </li></ul><ul><li>A Ópera aparece em Portugal pela primeira vez em 1682...
TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>No Porto, em 1762, abre as portas o Teatro da Guarda enquanto Lisboa acende as luzes do Teatro ...
TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>A actividade teatral, no Funchal, era enorme.  </li></ul><ul><li>Ao longo das décadas surge um ...
TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>DE &quot;MARIA PIA&quot; A &quot;BALTAZAR DIAS&quot; </li></ul><ul><li>O Teatro D. Maria Pia, f...
REFLEXÕES <ul><li>«A Tragédia é a imitação da acção, elevada e completa, dotada de extensão, numa linguagem temperada, com...
REFLEXÕES <ul><li>«Na minha primeira peça «A Cantora Careca» que pretendia ser logo à partida, uma paródia do teatro e, co...
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  • Teatro - definição, história e reflexões

    1. 1. TEATRO – definição, história e reflexões rsn 2007/08
    2. 2. UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>“ Subi ao palco, pela primeira vez em finais dos meados dos anos oitenta, o suor corria-me por entre os dedos. As pernas tremiam e uma sensação de tontura enevoava-me os olhos. As luzes acenderam-se e a magia aconteceu. </li></ul>
    3. 3. UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>Fui mulher de cabaret parisiense durante a II Guerra Mundial cantando e declamando poesia para a resistência. Vesti a roupa simples de vendedeira recordando um cenário de revista à portuguesa censurada pela Pide. </li></ul>
    4. 4. UM POVO SEM TEATRO PERDE A ALMA <ul><li>Fui viúva perdida num canto da ilha e uma criada assassina, símbolo do poder, numa peça de Genet. “ - Lília Bernardes </li></ul>
    5. 5. O QUE É O TEATRO? <ul><li>O Teatro é uma história que se vive. Esta vivida com todos os sentidos. Não é um suceder de imagens como o cinema. Mas antes uma construção. Encarnei personagens, materializei angústias, presenciei interiores. </li></ul>
    6. 6. DEFINIÇÃO DE TEATRO… <ul><li>«Tudo é permitido no Teatro», disse Ionesco (...) Não só permitido mas recomendado para representar os acessórios, fazer viver os objectos, animar os décors, concretizar os símbolos». </li></ul>
    7. 7. OUTRA DEFINIÇÃO… <ul><li>Convido-os ao Teatro com uma frase de Sartre: </li></ul><ul><li>«O teatro é de tal maneira a coisa pública, uma coisa do público, que uma peça escapa ao seu autor desde que o público está na sala». </li></ul><ul><li>O pano vai abrir... </li></ul>
    8. 8. O QUE SE VÊ <ul><li>Do grego «theatron», teatro é «o que se vê». </li></ul><ul><li>É a expressão da vida social, uma força actuante sobre a comunidade que lhe inspira os temas e conflitos que procura reproduzir. </li></ul>
    9. 9. O QUE SE VÊ <ul><li>O teatro terá surgido com o fogo, partir do momento em que o Homem, à volta de uma fogueira, projectou os seus movimentos numa «tela», parede côncava de qualquer caverna. </li></ul>
    10. 10. DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO <ul><li>“ Perdidos no meio da floresta os membros de determinado clã executam, periodicamente, ritos de purificação. </li></ul><ul><li>Apesar de todos os membros participarem, de entre eles destaca-se o feiticeiro a quem compete ordenar o ritual. </li></ul><ul><li>O feiticeiro é o interlocutor das forças ocultas e misteriosas, cujas manifestações o homem não consegue explicar racionalmente. (...)” </li></ul><ul><li>José Oliveira Barata. </li></ul>
    11. 11. DAS MÁSCARAS AO SACRIFÍCIO <ul><li>O feiticeiro socorre-se de máscaras, gritos, evocações, silêncios, culminando, por vezes, com um sacrifício. </li></ul>
    12. 12. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>O estabelecimento de fronteiras físicas, o surgimento da cidade, acaba por conferir ao teatro, enquanto manifestação social, um lugar físico, o próprio edifício, assegurando-lhe uma íntima ligação com o poder instituído, colocando os festivais de teatro em conjugada relação do poder político. </li></ul><ul><li>(Imagem, ao lado: ruínas de um teatro grego.) </li></ul>
    13. 13. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>Não surpreende, pois, ver na Grécia, após as transformações sociais, económicas e políticas, que possibilitam o aparecimento da polis, sob o tecto de Atenas, surgiu o edifício teatral grego, construído próximo dos templos religiosos, inserido na arquitectura da cidade, por forma a que ao cidadão, religião e teatro se lhe apresentam como manifestações da cidade as quais participa . </li></ul><ul><li>(Imagem ao lado: teatro da acrópole, em Atenas.) </li></ul>
    14. 14. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>A cidade assinala a ruptura. No espaço e no tempo. Há uma separação entre os que nela vivem e participam das novas relações de produção e sociais que se começam a institucionalizar; e os outros, aqueles que, fora da protecção das muralhas ou dos castelos senhoriais, continuam a pertencer ao domínio social. </li></ul><ul><li>A cidade confere ao homem estabilidade, organização . O destino está nas suas próprias mãos e não ao sabor do mais forte e poderoso. Assim se compreende a vasta produção dramática grega. </li></ul>
    15. 15. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>Aristóteles é o teórico que, a nível da polis grega, mais agudamente intuiu qual a função da tragédia e da comédia. </li></ul>
    16. 16. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>As definições de mimésis de Aristóteles (imitação da realidade) ou de catarsis (purificação das paixões) vão ultrapassar de longe o estrito significado da polis grega para chegarem aos nossos dias como ponto de referência obrigatório sempre que se fala de novas perspectivas da estética rural. </li></ul>
    17. 17. SOB O TECTO DE ATENAS <ul><li>A «Poética» (obra de Aristóteles) estabelece e codifica uma espécie de balanço da experiência teatral anterior, não enjeitando propor uma teoria própria e ousada se pensarmos nas suas repercussões. </li></ul>
    18. 18. TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>LISBOA, PORTO E FUNCHAL </li></ul><ul><li>A Ópera aparece em Portugal pela primeira vez em 1682. Em 1735 é inaugurado o Teatro da Trindade, em Lisboa, seguindo-se a Ópera do Tejo (1755) e que desmoronou com o terramoto. </li></ul>
    19. 19. TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>No Porto, em 1762, abre as portas o Teatro da Guarda enquanto Lisboa acende as luzes do Teatro do Salitre. </li></ul><ul><li>O Porto volta à cena no palco do São João (1789). </li></ul><ul><li>Em 1793, Lisboa era proprietária do lugar de honra da Ópera – o TEATRO SÂO CARLOS – mas o Funchal, três anos antes (1790) inaugurara um dos melhores teatros do país – o TEATRO GRANDE – edificado junto ao Palácio de São Lourenço, ocupando grande parte do Largo da Restauração. </li></ul>
    20. 20. TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>A actividade teatral, no Funchal, era enorme. </li></ul><ul><li>Ao longo das décadas surge um grande número de casas de espectáculo como “A Comédia Velha”, o “Teatro do Bom Gosto”, o “Prazer Regenerado”, a “Sociedade Dramática Concórdia”, o grupo “Tália e Marte”, o “Teatro Esperança”, o “Teatro Circo”, o “Pavilhão Paris”, entre outros. </li></ul><ul><li>Quase todos foram demolidos pela abertura de ruas ou encerrados por questões política, exemplo do Teatro Grande, numa época marcada por tumultos entre constitucionais e absolutistas. </li></ul>
    21. 21. TEATRO EM PORTUGAL <ul><li>DE &quot;MARIA PIA&quot; A &quot;BALTAZAR DIAS&quot; </li></ul><ul><li>O Teatro D. Maria Pia, foi inaugurado a 11 de Março de 1888. </li></ul><ul><li>Em 1910, a Câmara Municipal do Funchal muda-lhe o nome para Manoel Arriaga, ex-deputado pela Madeira, e na altura presidente da República. Manoel Arriaga recusa a homenagem </li></ul><ul><li>O Teatro passa a chamar-se Funchalense. </li></ul><ul><li>Com a morte do governante, voltam a baptizá-lo de Manoel Arriaga. </li></ul><ul><li>Só nos anos 30, por deliberação da autarquia é chamado Baltazar Dias, em homenagem ao poeta madeirense. </li></ul>
    22. 22. REFLEXÕES <ul><li>«A Tragédia é a imitação da acção, elevada e completa, dotada de extensão, numa linguagem temperada, com formas diferentes em cada parte, que se serve da acção e não da narração, e que, por meio da comiseração e do temor, provoca a purificação de tais paixões.», </li></ul><ul><li>Aristóteles, Poética, 1449 b) </li></ul>
    23. 23. REFLEXÕES <ul><li>«Na minha primeira peça «A Cantora Careca» que pretendia ser logo à partida, uma paródia do teatro e, consequentemente, uma paródia a um certo tipo de comportamento humano, foi aí que à medida que mergulhei no banal, até às suas últimas consequências, utilizando os clichés mais gastos da linguagem de todos os dias, procurei atingir a expressão estranha em que me parece banhar-se toda a nossa existência.» </li></ul><ul><li>Ionesco </li></ul>

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