Do senso comum a consciência filosófica
1- A filosofia na formação do educador
a)Em que a filosofia poderá nos ajudar a entender o fenômeno da
educação?
b) Tanto assim e que a Filosofia da Educação figura como disciplina
obrigatória do currículo mínimo dos cursos de Pedagogia.
c) Em outros termos: que e que leva o educador a filosofar?
d) Ao colocar essa questão, nos estamos nos interrogando sobre o
significado e a função da Filosofia em si mesma. Poderíamos, pois,
extrapolar o âmbito do educador e perguntar genericamente: que e
que leva o homem a filosofar?
NOÇÃO DE PROBLEMA
a) Mas que e que se entende por problema?
b) Tao habituados estamos ao uso dessa palavra que receio
já tenhamos perdido de vista o seu significado.
c) Para Saviani (1996, p. 10): Um dos usos mais frequentes
da palavra problema e, por exemplo, aquele que a
considera como sinônimo de questão. Neste sentido,
qualquer pergunta, qualquer indagação e considerada
problema. Esta identificação resulta, porém, insuficiente
para revelar o verdadeiro caráter, isto e, a especificidade
do problema.
NOÇÃO DE PROBLEMA
• Isto permitiu a Julian Marias(2) afirmar: "Os
últimos séculos da historia europeia abusaram
levianamente da denominação "problema";
qualificando assim toda pergunta, o homem
moderno, e principalmente a partir do ultimo
século, habituou-se a viver tranquilamente entre
problemas, distraído do dramatismo de uma
situação quando esta se torna problemática, isto e,
quando não se pode estar nela e por isso exige
uma solução."
Noção de Reflexão
1- E que significa reflexão?
2- A palavra nos vem do verbo latino Yeflectere" que
significa "voltar atrás". E, pois, um repensar, ou seja,
um pensamento em segundo grau.
3- Poderíamos, pois, dizer: se toda reflexão e
pensamento, nem todo pensamento e reflexão. Esta
e um pensamento consciente de si mesmo, capaz de
se avaliar, de verificar o grau de adequação que
mantem com os dados objetivos, de medir-se com o
real.
Exigências da reflexão filosófica
1- Dentre as exigências para a reflexão filosófica
estão os conceitos que devem satisfazer essa
reflexão, quero dizer, em suma, que a reflexão
filosófica, para ser tal, deve ser radical, rigorosa
e de conjunto.
Radicalidade
1 - Segundo Saviani (1996):
a)Em primeiro lugar, exige-se que o problema
seja colocado em termos radicais, entendida a
palavra radical no seu sentido mais próprio e
imediato. Quer dizer, e preciso que se vá ate as
raízes da questão, ate seus fundamentos. Em
outras palavras, exige-se que se opere uma
reflexão em profundidade.
Rigorosidade
1 - Segundo Saviani (1996):
a) Em segundo lugar e como que para garantir a
primeira exigência, deve-se proceder com rigor,
ou seja, sistematicamente, segundo métodos
determinados, colocando-se em questão as
conclusões da sabedoria popular e as
generalizações apressadas que a ciência pode
ensejar.
De Conjunto
1- segundo Saviani (1996)
a) Em terceiro lugar, o problema não pode ser examinado de
modo parcial, mas numa perspectiva de conjunto,
relacionando-se o aspecto em questão com os demais
aspectos do contexto em que esta inserido. É neste ponto
que a filosofia se distingue da ciência de um modo mais
marcante. Com efeito, ao contrario da ciência, a filosofia não
tem objeto determinado; ela dirige-se a qualquer aspecto da
realidade, desde que seja problemático; seu campo de ação
é o problema, esteja onde estiver.
•
Elevar a prática educativa: do
senso comum ao nível de
consciência filosófica.
Concepção fragmentária, incoerente,
desarticulada
Concepção unitária, coerente,
articulada
•
Não se elabora uma concepção sem
método; e não se atinge a coerência
sem lógica.
•
Lógica dialética: processo de
construção do concreto pensado;
•
Lógica formal: processo de
construção da forma de pensamento.
•
Lógica formal é parte integrante
da lógica dialética – o acesso ao
concreto não se dá sem a mediação
do abstrato (détour - Kosik)
Conhecer e conceber oConhecer e conceber o
mundomundo
LógicaFormal Dialética

Rejeita a
contradição

Aprende as
relações
externas

Incorpora a
contradição
existente nos
fenômenos para
superá-la

Aprende e
explicita as
relações internas
(dramas)
RE
PRE
SEN
TA
ÇÃO
Conhecer e conceber oConhecer e conceber o
mundomundo
LógicaFormal Dialética

Caráter do
Conhecimento
fixo, obsoleto e
mecânico

Isola o
Fenômeno
(individuação/
particularização)

Caráter do
Conhecimento
dinâmico,
relativo,
provisório

Estabelece
relações
existentes no
fenômeno e a
totalidade
Realidade
Pensamento
Conhecer e conceber oConhecer e conceber o
mundomundo
LógicaFormal Dialética

Conteúdo
isolado/ descon-
textualizado

Conteúdo em
suas relações
histórico-
sociais
Linguagem
•
Formação social: luta hegemônica –
processo de desarticulação e
rearticulação.
•
Inserção da educação na luta
hegemônica (simultâneos e
articulados):

negativo (crítica da concepção
dominante);

positivo (formulação de uma nova
concepção adequada aos interesses
populares).
Processo de construção do pensamento
empírico
abstrato
concreto
•
Concreto – ponto de partida (real)
•
Concreto – ponto de chegada
(pensando)
•
Concreto pensado: apropriação pelo
pensamento do real-concreto – parte do
empírico, mas tem como suporte o real
concreto.
MÉTODOMÉTODO
Ponto de Partida Ponto de Chegada
Prática Social Prática Social
Visão Sincrética Visão Sintética
MÉTODOMÉTODO
Totalidade Totalidade
Conceitos
Espontâneos
Conceitos
Científicos
Nebulosa
Desarticulada
Fragmentada
Explicita
Articuladora
Coesa
OrgânicaDesorganizada
AnáliseAnálise
Dividir oDividir o
todo emtodo em
partespartes
ParticularizarParticularizar
Análise e SínteseAnálise e Síntese

Educação – perspectiva revolucionária.
“Classe em si.”
“Classe para si.”
Até que ponto o fato de não darem a
devida importância para a educação não
neutraliza boa parte de seus esforços,
levando-os mesmo a assumirem posições
que, incoerentemente com os objetivos
que perseguem, redundam direta ou
indiretamente em mecanismos de
discriminação e defesa de privilégios?

Senso comum consciencia_filosofica 13

  • 1.
    Do senso comuma consciência filosófica 1- A filosofia na formação do educador a)Em que a filosofia poderá nos ajudar a entender o fenômeno da educação? b) Tanto assim e que a Filosofia da Educação figura como disciplina obrigatória do currículo mínimo dos cursos de Pedagogia. c) Em outros termos: que e que leva o educador a filosofar? d) Ao colocar essa questão, nos estamos nos interrogando sobre o significado e a função da Filosofia em si mesma. Poderíamos, pois, extrapolar o âmbito do educador e perguntar genericamente: que e que leva o homem a filosofar?
  • 2.
    NOÇÃO DE PROBLEMA a)Mas que e que se entende por problema? b) Tao habituados estamos ao uso dessa palavra que receio já tenhamos perdido de vista o seu significado. c) Para Saviani (1996, p. 10): Um dos usos mais frequentes da palavra problema e, por exemplo, aquele que a considera como sinônimo de questão. Neste sentido, qualquer pergunta, qualquer indagação e considerada problema. Esta identificação resulta, porém, insuficiente para revelar o verdadeiro caráter, isto e, a especificidade do problema.
  • 3.
    NOÇÃO DE PROBLEMA •Isto permitiu a Julian Marias(2) afirmar: "Os últimos séculos da historia europeia abusaram levianamente da denominação "problema"; qualificando assim toda pergunta, o homem moderno, e principalmente a partir do ultimo século, habituou-se a viver tranquilamente entre problemas, distraído do dramatismo de uma situação quando esta se torna problemática, isto e, quando não se pode estar nela e por isso exige uma solução."
  • 4.
    Noção de Reflexão 1-E que significa reflexão? 2- A palavra nos vem do verbo latino Yeflectere" que significa "voltar atrás". E, pois, um repensar, ou seja, um pensamento em segundo grau. 3- Poderíamos, pois, dizer: se toda reflexão e pensamento, nem todo pensamento e reflexão. Esta e um pensamento consciente de si mesmo, capaz de se avaliar, de verificar o grau de adequação que mantem com os dados objetivos, de medir-se com o real.
  • 5.
    Exigências da reflexãofilosófica 1- Dentre as exigências para a reflexão filosófica estão os conceitos que devem satisfazer essa reflexão, quero dizer, em suma, que a reflexão filosófica, para ser tal, deve ser radical, rigorosa e de conjunto.
  • 6.
    Radicalidade 1 - SegundoSaviani (1996): a)Em primeiro lugar, exige-se que o problema seja colocado em termos radicais, entendida a palavra radical no seu sentido mais próprio e imediato. Quer dizer, e preciso que se vá ate as raízes da questão, ate seus fundamentos. Em outras palavras, exige-se que se opere uma reflexão em profundidade.
  • 7.
    Rigorosidade 1 - SegundoSaviani (1996): a) Em segundo lugar e como que para garantir a primeira exigência, deve-se proceder com rigor, ou seja, sistematicamente, segundo métodos determinados, colocando-se em questão as conclusões da sabedoria popular e as generalizações apressadas que a ciência pode ensejar.
  • 8.
    De Conjunto 1- segundoSaviani (1996) a) Em terceiro lugar, o problema não pode ser examinado de modo parcial, mas numa perspectiva de conjunto, relacionando-se o aspecto em questão com os demais aspectos do contexto em que esta inserido. É neste ponto que a filosofia se distingue da ciência de um modo mais marcante. Com efeito, ao contrario da ciência, a filosofia não tem objeto determinado; ela dirige-se a qualquer aspecto da realidade, desde que seja problemático; seu campo de ação é o problema, esteja onde estiver.
  • 9.
    • Elevar a práticaeducativa: do senso comum ao nível de consciência filosófica. Concepção fragmentária, incoerente, desarticulada Concepção unitária, coerente, articulada
  • 10.
    • Não se elaborauma concepção sem método; e não se atinge a coerência sem lógica. • Lógica dialética: processo de construção do concreto pensado; • Lógica formal: processo de construção da forma de pensamento. • Lógica formal é parte integrante da lógica dialética – o acesso ao concreto não se dá sem a mediação do abstrato (détour - Kosik)
  • 11.
    Conhecer e conceberoConhecer e conceber o mundomundo LógicaFormal Dialética  Rejeita a contradição  Aprende as relações externas  Incorpora a contradição existente nos fenômenos para superá-la  Aprende e explicita as relações internas (dramas) RE PRE SEN TA ÇÃO
  • 12.
    Conhecer e conceberoConhecer e conceber o mundomundo LógicaFormal Dialética  Caráter do Conhecimento fixo, obsoleto e mecânico  Isola o Fenômeno (individuação/ particularização)  Caráter do Conhecimento dinâmico, relativo, provisório  Estabelece relações existentes no fenômeno e a totalidade Realidade Pensamento
  • 13.
    Conhecer e conceberoConhecer e conceber o mundomundo LógicaFormal Dialética  Conteúdo isolado/ descon- textualizado  Conteúdo em suas relações histórico- sociais Linguagem
  • 14.
    • Formação social: lutahegemônica – processo de desarticulação e rearticulação. • Inserção da educação na luta hegemônica (simultâneos e articulados):  negativo (crítica da concepção dominante);  positivo (formulação de uma nova concepção adequada aos interesses populares).
  • 15.
    Processo de construçãodo pensamento empírico abstrato concreto
  • 16.
    • Concreto – pontode partida (real) • Concreto – ponto de chegada (pensando) • Concreto pensado: apropriação pelo pensamento do real-concreto – parte do empírico, mas tem como suporte o real concreto.
  • 17.
    MÉTODOMÉTODO Ponto de PartidaPonto de Chegada Prática Social Prática Social Visão Sincrética Visão Sintética
  • 18.
  • 19.
     Educação – perspectivarevolucionária. “Classe em si.” “Classe para si.”
  • 20.
    Até que pontoo fato de não darem a devida importância para a educação não neutraliza boa parte de seus esforços, levando-os mesmo a assumirem posições que, incoerentemente com os objetivos que perseguem, redundam direta ou indiretamente em mecanismos de discriminação e defesa de privilégios?