FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
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SUMÁRIO
PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO..................................................4
O “FILOSOFAR”.......................................................................................................13
A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA............................................................................16
FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: CONCEITOS E ARTICULAÇÕES ...............................17
TEXTO PARA REFLEXÃO.......................................................................................20
A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO ................................................................................21
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS...............................................................................26
QUADRO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS ......................................................29
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO SÉCULO 20 ...................................................34
A ESCOLA NOVA ....................................................................................................35
CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS: ...............................................................................36
PRINCIPAIS EDUCADORES...................................................................................37
ESCOLA TECNICISTA ............................................................................................37
DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE................................................................38
DESTRUIR O CULTO À MÁQUINA; ........................................................................39
TEORIAS CRÍTICO - REPRODUTIVISTAS .............................................................40
ESCOLA ENQUANTO INSTRUMENTO DA VIOLÊNCIA SIMBÓLICA.....................41
A VIOLÊNCIA DA ESCOLA ...................................................................................43
ESCOLA ENQUANTO APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO.............................44
A TEORIA DA ESCOLA DUALISTA.........................................................................45
CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS BRASILEIROS .......................................................46
CRÍTICA ÀS TEORIAS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS ..........................................46
AS TEORIAS PROGRESSISTAS ............................................................................46
RISCOS DAS PROPOSTAS PROGRESSISTAS.....................................................48
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PRINCIPAIS EDUCADORES PROGRESSISTAS....................................................49
REFERÊNCIAS........................................................................................................51
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PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO
O papel da educação é possibilitar ao ser humano olhar para o mundo ao seu
redor para poder dar-lhe um sentido. Por isso existe uma relação de reciprocidade
entre filosofia e educação. É partir da visão de mundo que o ser humano já possui,
que ele inicia o seu procedimento educacional, que por sua vez, vai possibilitar-lhe
nova leitura de mundo.
Desse modo, elencaremos as visões de mundo e/ou interpretações de mundo:
• Idealismo: A realidade é essencialmente espiritual. O mundo físico é colocado
em segundo plano. O ser humano é antes uma ideia abstrata, um ser espiritual, um
ser provisório e passageiro.
• Realismo: O mundo material é tão real quanto o mundo espiritual e existe
independente deste. O ser humano é um composto de uma parte espiritual e outra
material. A parte espiritual é superior seja porque foi criada diretamente por Deus, seja
porque foi criada por Deus através da força que ele colocou na natureza, seja porque
representa um desenvolvimento espontâneo desta última.
• Existencialismo: É a interpretação da realidade cuja preocupação
fundamental é a pessoa existencial. Concentra-se nas coisas que estão aí, realçando
o papel do ser humano na sua situação do momento.
1. CONCEPÇÕES ANALÍTICAS: São aquelas concepções da realidade
que de modo insistente se interessam pela verificação e classificação da linguagem.
2. CONCEPÇÕES DIALÉTICAS: São aquelas concepções que
consideram o ser humano como parte de uma realidade total que é essencialmente
mutável, sendo, por isso, também ele essencialmente mutável.
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Incluem-se nelas:
Pragmatismo: É a visão de mundo que afirma ser a realidade aquilo que
nossos sentidos experimentam. O ser humano é um indivíduo autônomo que pode e
deve traçar o seu destino.
Dialética: É a leitura que vê a realidade como sendo essencialmente dinâmica
e em contínua transformação. O ser humano vive com essa realidade mutável, aceita-
a, pois sabe o porquê da mudança e tem consciência de poder influir nela.
É pela filosofia que podemos indagar sobre a intenção de transformar o modo
como observamos e pensamos, agimos e interagimos; os filósofos sempre se
consideraram a si mesmos como os educadores definitivos da humanidade. Mesmo
quando pensavam que a filosofia deixa tudo como está, pensavam que interpretar o
mundo corretamente — compreendê-lo e compreender a nossa posição nele — nos
libertaria da ilusão, conduzindo-nos a contemplação da ordem divina, progresso
científico ou criatividade artística que nos são mais apropriadas. Mesmo a filosofia
"pura" — metafísica e lógica — é implicitamente pedagógica. Tem a intenção de
corrigir a miopia do passado e do instante.
A reflexão filosófica acerca da educação, de Platão a Dewey, tem sido assim
naturalmente dirigida para a educação dos governantes, daqueles que se presume
preservarem e transmitirem a cultura da sociedade, o seu conhecimento e os seus
valores. Todas as épocas históricas são marcadas por uma disputa pelo poder, como
o poder da autoridade da tradição ou do poder manifesto, como o poder do
conhecimento filosófico, espiritual ou científico, como o poder da criatividade artística,
da produtividade mercantil ou tecnológica.
Só muito recentemente na história das democracias liberais é que a política
educativa foi formulada e direcionada para indivíduos presumivelmente autônomos,
que determinam os seus próprios objetivos e que estruturam as suas próprias vidas.
Em lado algum é a filosofia da educação mais importante, em lado algum é a própria
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educação mais crucial — e em lado algum é mais esquecida — do que numa
democracia participativa liberal, cujos compromissos igualitários transformam cada
indivíduo simultaneamente em legislador e em súbdito.
As disputas no centro da discussão contemporânea da política educativa
(Quais são as orientações e os limites da educação pública numa sociedade pluralista
e liberal? Como podemos garantir da melhor maneira uma distribuição equitativa das
oportunidades educativas? Deverá a qualidade da educação ser supervisionada por
padrões nacionais e exames? Deverá as escolas públicas levar a cabo a educação
moral e religiosa? Restabelecem as controvérsias que marcam a história da filosofia,
de Platão à epistemologia social.
Partindo de discussões fecundas e responsáveis da política educativa remetem
inevitavelmente para questões filosóficas, que as sugerem e enquadram: essas
questões são articuladas e examinadas de maneira mais precisa na teoria moral e
política, na epistemologia e na filosofia da mente. Quais são as finalidades próprias
da educação? (Preservar a harmonia da vida cívica? Salvação individual? Criatividade
artística? Progresso científico? Capacitar indivíduos para que façam escolhas sábias?
Preparar cidadãos para entrar numa força de trabalho produtiva?).
Quem deve deter a responsabilidade primordial de formular a política
educativa? (Filósofos, autoridades religiosas, governantes, uma elite científica,
psicólogos, pais ou autarquias locais?). Quem deve ser educado? (Todos por igual?
Cada um segundo o seu potencial? Cada um segundo as suas necessidades?). Como
é que a estrutura do conhecimento afeta a estruturação e a sucessão das
aprendizagens? (Será que é a experiência prática, ou a matemática, ou a história, que
deve fornecer o modelo de aprendizagem?). Que interesses devem guiar a escolha
de um currículo? Como devem as dimensões intelectual, espiritual, cívica, moral,
artística, psicológica e técnica da educação estarem relacionadas entre si?
Dado as concepções das finalidades e orientações da educação, que
permanece ativamente inserida e expressa nas nossas crenças e nas nossas práticas.
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Fornece-nos a compreensão mais nítida das questões que nos preocupam e nos
dividem. A maior parte das teorias do conhecimento — seguramente as de Descartes
e de Locke — tinham, entre outras coisas, a intenção de reformar as práticas
pedagógicas. A maior parte das teorias éticas — certamente as de Hume, Rousseau
e Kant — tinham a intenção de reorientar a educação moral.
O alcance prático das teorias políticas — as de Hobbes, Mill e Marx — não se
limita apenas à estrutura das instituições, também chega à educação dos cidadãos.
Sistemas metafísicos gerais — os de Leibniz, Espinosa e Hegel — fornecem modelos
de investigação e, como consequência, estabelecem orientações e padrões para a
educação de espíritos esclarecidos. Alguns filósofos — Locke, Rousseau, Bentham e
Mill, por exemplo — fizeram dos seus programas educativos uma característica
nuclear dos seus sistemas filosóficos. Outros — Descartes, Espinosa e Hume —
tinham boas razões para não tornarem explícito o significado educativo dos seus
sistemas.
Se a política educativa é cega sem a orientação da filosofia, a filosofia é vazia
se desprovida de uma atenção crítica ao seu significado educativo. Uma filosofia da
educação robusta e vital incorpora inevitavelmente o todo da filosofia; e o estudo da
história da filosofia obriga à reflexão sobre as suas implicações para a educação.
Quem não ouviu pelo menos uma vez falar em Filosofia? Na história do
pensamento, que a humanidade vem construindo ao longo do tempo, muitos foram os
pensadores que deram uma definição ou um conceito para a Filosofia. Por vezes,
esses conceitos foram complexos, por vezes simples; por vezes rebuscados e quase
incompreensíveis. Diante deles muitas pessoas se sentem entediadas e, em vez de
enfrentar o problema, preferem descartá-lo, dizendo que a Filosofia é um “jogo inútil e
estéril de palavras”, ou que é “muito difícil e só serve e interessa a pessoas especiais
e muito inteligentes”. Esse descrédito pode ser resumido numa frase, mais ou menos
popular, que diz: “a filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo continua
tal e qual”.
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Ou seja, podemos passar muito bem com ou sem a filosofia.
Na história do pensamento, é que a humanidade vem construindo ao longo do
tempo, os pensadores que deram uma definição ou um conceito para a Filosofia. Por
vezes, esses conceitos foram complexos, por vezes simples. Diante deles muitas
pessoas se sentem entediadas e, em vez de enfrentar o problema, preferem descartá-
lo, dizendo que a Filosofia que é “muito difícil e só serve e interessa a pessoas
especiais e muito inteligentes”. Esse descrédito pode ser resumido numa frase, mais
ou menos popular, que diz: “a filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o
mundo continua tal e qual”. Ou seja, podemos passar muito bem com ou sem a
filosofia.
A Filosofia é um corpo de conhecimento, constituído a partir de um esforço
que o ser humano vem fazendo de compreender o seu mundo e dar-lhe um sentido,
um significado compreensivo. Corpo de conhecimentos, em filosofia, significa um
conjunto coerente e organizado de entendimentos sobre a realidade. Conhecimentos
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estes que expressam o entendimento que se tem do mundo, a partir de desejos,
anseios e aspirações.
Quando lemos um texto de filosofia, nos apropriamos do entendimento que o
seu autor teve do mundo que o cerca, especialmente dos valores que dão sentido a
esse mundo. Valores esses que, por vezes, são aspirações que deverão ser
buscadas e realizadas, se possível.
O filósofo sistematiza as aspirações dos seres humanos que dão sentido ao
dia-a-dia, à luta, ao trabalho, à ação. Ninguém vive o dia-a-dia sem um sentido: para
o seu trabalho, para a sua relação com as pessoas, para o amor, para a amizade,
para a ciência, para a educação, para a política etc.
A filosofia é esse campo de entendimento que nos faz refletir sobre a
cotidianidade dos seres humanos, desde os simples encontros com as pessoas, até
a complexa reflexão sobre o sentido e o destino da humanidade.
Nesse sentido, Georges Politzer definiu a filosofia “como uma concepção geral
do mundo da qual decorre uma forma de agir”. No caso, a Filosofia é a expressão de
uma forma coerente de interpretar o mundo que possibilita um modo de agir também
coerente, consequente, efetivo. Da mesma forma, para Leôncio Basbaum, “a filosofia
não é, de modo algum, uma simples abstração independente da vida. Ela é, ao
contrário, a própria manifestação da vida humana e a sua mais alta expressão.
Por vezes, através de uma simples atividade prática, outras vezes no fundo de
uma metafísica profunda e existencial, mas sempre dentro da atividade humana, física
ou espiritual, há filosofia (...) A filosofia traduz o sentir, o pensar e o agir do homem.
Evidentemente, ele não se alimenta da filosofia, mas, sem dúvida nenhuma, com a
ajuda da filosofia”.
Todos têm uma forma de compreender o mundo, especialistas e não-
especialistas, escolarizados e não-escolarizados, analfabetos e alfabetizados. Esta é
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uma necessidade “natural”, do ser humano, pois que ninguém pode agir no “escuro”,
sem saber para onde vai e por que vai. Só se pode agir a partir de um esclarecimento
do mundo e da realidade.
Esse fato é tão verdadeiro que encontramos modos de compreensão da
realidade tanto no profissional de filosofia (o filósofo), quanto em qualquer pessoa que
viva e reflita sobre ela, seu sentido, significado, valores etc... A prova disso está aí:
de um lado, pelos sistemas filosóficos que encontramos na história do pensamento
filosófico escrito da humanidade e, de outro lado, pela forma popular de compreender
a vida que, normalmente, não tem registro escrito, a não ser nos poetas populares,
nos trovadores etc.
Certamente que a orientação valorativa (axiológica) da existência nem sempre
pode significar filosofia. Quando se diz que todos têm uma “filosofia de vida”, quer
dizer que nos orientamos por valores, embora nem sempre esses valores estão
conscientes, explícitos.
Esse direcionamento diário inconsciente pode decorrer de massificação, do
senso comum, que adquirimos e acumulamos espontaneamente, sem uma reflexão
crítica sobre o sentido e o significado das coisas, das ações e, portanto, não é filosofia.
Certamente que outras pessoas, as gerações, formaram esse “senso” com o qual
cumprimos o dia-a-dia, sem muitas vezes nos perguntarmos se ele é válido ou não,
se o aceitamos efetivamente ou não, por isso o filosofar deve desenvolver-se sobre
ele.
O que importa ter claro, é o fato de que a filosofia nos envolve, não temos
como fugir dela, pois como o ar que respiramos, está permanentemente presente. Se
nós não escolhemos qual é a nossa filosofia, qual é o sentido que vamos dar à nossa
existência, a sociedade na qual vivemos nos dará, nos imporá a sua filosofia. E como
se diz que o pensamento do setor dominante da sociedade tende a ser o pensamento
dominante da própria sociedade, provavelmente aqueles que não buscam
criticamente o sentido para a sua existência assumirão esse pensamento dominante
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Veja esse artigo que traz dicas para o estudo e a leitura em
filosofia.
http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2011/12/26/898678/10-dicas-ler-
filosofia.html
como o seu próprio pensamento, a sua própria filosofia. Quem não pensa é pensado
por outros! Deste modo, a filosofia se manifesta como o corpo de entendimento que
cria o ideário que norteia a vida humana em todos os seus momentos e em todos os
seus processos. Esse corpo de entendimento é a compreensão da existência.
A Filosofia, em síntese, não é tão-somente uma interpretação do já vivido,
daquilo que está objetivando, mas também a interpretação de aspirações e desejos
do que está por vir, do que está para chegar. Os filósofos captam e dão sentido à
realidade que está por vir e a expressam como um conjunto de ideias e valores que
devem ser vividos, difundidos, buscados. Eles têm uma “sensibilidade”, um “faro” mais
atento para perceber o que já está se manifestando na realidade, ainda que de uma
maneira tênue.
O filósofo não é um profeta, mas pode ser capaz de ler nos acontecimentos do
presente o significado do que está por vir, o que está a se desenvolver. O seu
pensamento torna-se, assim, expressão da história que está acontecendo e enquanto
está acontecendo, e compreensão do que vai acontecer. Deste modo, o pensamento
filosófico manifesta-se tanto como condicionado pelo momento histórico quanto como
condicionante do momento histórico subsequente, como impulsionador da ação,
visando a concretização de determinadas aspirações dos homens, de um povo, de
um grupo ou de uma classe.
Neste sentido, a filosofia é uma força, é o sustentáculo de um modo de agir. É
uma arma na luta pela vida e pela emancipação humana. A filosofia, não é só um
instrumento para a compreensão do mundo e interpretação dos seus fenômenos. É
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também um instrumento de ação e arma política. Esse fato é tão verdadeiro que a
filosofia tem gerado, ao longo da história humana, atitudes contraditórias e paradoxais.
Governos que, de um lado, alijam a filosofia como subvertedora da ordem, de outro,
contratam especialistas para criarem um pensamento, uma forma de conceber o
mundo que garanta a sua forma de administrar politicamente o povo e a nação.
Não há como negar a filosofia sem fazer filosofia, porque para se negar o valor
da filosofia dentro do mundo é preciso ter uma concepção do mundo que sustente
esta negação. Os maus políticos, efetivamente, agem assim. Preferem a
massificação do povo, por isso impedem o desenvolvimento do pensamento filosófico.
Mas “filosofam” para sustentar sua ação deletéria contra a Filosofia. Vale lembrar os
esforços dos governos totalitários na perspectiva de criar “uma filosofia capaz de
justificar o sentido de sua política e propagá-la como filosofia total do universo”
(Leôncio Basbaum).
Em síntese, a filosofia é uma forma de conhecimento que, interpretando o
mundo, cria uma concepção coerente e sistêmica que possibilita uma forma de ação
efetiva. Essa forma de compreender o mundo tanto é condicionada pelo meio
histórico, como também é seu condicionante. Ao mesmo tempo, é uma interpretação
do mundo e é uma força de ação.
Lembramos aqui a força do pensamento dos socialistas utópicos, como Robert
Owen, Saint-Simon; dos socialistas científicos, como Marx e Engels; dos
revolucionários, como Lênin, Mao Tse Tung, Amílcar Cabral etc. O pensamento
filosófico constituído não é “limpo”, neutro, mas sim embebido de história e de seus
problemas, de seus interesses e aspirações.
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O “filosofar”
Já vimos que quando não temos um corpo filosófico que dê sentido e oriente
a nossa vida, assumimos o que é comum e hegemônico na sociedade; assumimos o
“senso comum”, que é o conjunto de valores assimilados espontaneamente, na
vivência cotidiana. Mas, como é que se constitui a filosofia, como se constrói esse
corpo de entendimentos, que poderemos assumir criticamente como aquele que
queremos para o direcionamento de nossas experiências. Em primeiro lugar, temos
que superar os preconceitos sobre a dificuldade e a especialidade da filosofia, pois
ela não é inútil e nem tão difícil. Logo, contrariando muitos governantes e
políticos, podemos e devemos nos dedicar ao filosofar.
Filosofar é simples, porém não é algo mecânico, pois na mesma medida em
que estamos inventariando os valores vigentes, estamos criticando-os e
reconstruindo-os. Esses momentos não são separados, pois um nasce de dentro do
outro. Estudando as correntes teóricas e históricas da filosofia veem que certos
entendimentos da modernidade têm vínculos com a Idade Média, e certos valores,
que vivemos hoje, tiveram seus prenúncios na Idade Moderna. Da mesma forma,
quando iniciamos um processo de crítica dos valores enquanto estão vigentes, mas
também enquanto entre eles iniciam-se os prenúncios de certas aspirações e anseios
dos seres humanos. Assim, por exemplo, Herbert Marcuse, um filósofo alemão
contemporâneo, criticou os valores da sociedade industrial e propôs os valores de
uma nova sociedade preocupada com uma vida menos unidirecionada para a
produtividade econômica e mais voltada para a vida plena, com sentimentos,
emoções, amor, vida etc.
Como e por que Marcuse conseguiu se posicionar dessa forma? Porque
nasceu e viveu após a Revolução Industrial, podendo inventariar e criticar os seus
valores. E também por ter vivido num momento histórico em que os seres humanos
estão exaustos desses valores e aspirando por outros que lhes garantam mais vida.
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Marcuse entrou na corrente do contexto em que viveu, mas isso não quer dizer que
ele seja um puro reprodutor dessa época, mas sim que ele captou o “espírito” dessa
época.
Para filosofar é preciso não só olhar o dia-a-dia, mas ler e estudar o que
disseram os outros pensadores, os outros filósofos, que poderão nos auxiliar, tirando-
nos do nosso nível de entendimento e dando-nos outras categorias de compreensão.
O nosso exercício do filosofar será um esforço de inventário, crítica e reconstrução de
conceitos, auxiliados pelos pensadores que nos antecederam. Eles têm uma
contribuição a nos oferecer, para nos auxiliar em nosso trabalho de construir nosso
entendimento filosófico do mundo e da ação.
Hoje, geralmente se define a Filosofia em oposição ao conceito de ciência,
entendido como pesquisa empírica da realidade. Houve tempos em que a filosofia foi
definida em oposição à teologia, como na Idade Média; e em outras épocas a filosofia
se opunha ao conceito de mito, como entre os gregos do século V a. C.
GLOSSÁRIO
Etimologicamente, a palavra “filosofia” formou-se pela junção de
Filos-filia” que significa “amigo” e “Sophia” que é “sabedoria,
saber”, e surge na Grécia do século VI a. C., nos escritos de
Pitágoras, que não querendo definir-se como “sábio”, prefere
autodenominar-se “Filos-sophos” - ou seja “amigo do saber”, aquele que busca
a sabedoria, “amante da sabedoria”, para ele uma denominação mais fiel à sua
postura de tentar compreender a realidade de seu tempo.
A filosofia consiste, então, em um conhecimento sistematizado sobre o mundo
da natureza, sobre a condição humana pessoal e social, sobre a sociedade, sobre a
cultura. Alcançado de maneira sistemática e disciplinada, indo além do saber comum,
desconexo, fragmentado, o nível do senso comum, geralmente preconceituoso e
limitado, sobre a realidade pessoal, social e da natureza.
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No entanto a filosofia tem incomodado a muitos. A história registra muitas
tentativas e empreitadas em destruí-la, desqualifica-la, negá-la. Os tiranos, os
mistificadores, os dominantes e todos os interessados na alienação e mediocridade
do povo preferem uma consciência de rebanho, de fácil manipulação, cativa e
obediente, a um questionamento sistemático e profundo sobre a realidade. Não foram
poucos os filósofos que pagaram com a vida ou a perda da liberdade a ousada postura
de filosofar sobre o seu tempo.
A proposta original da Filosofia é estabelecer uma crítica a uma determinada
concepção de mundo, alinhavar alguma significação para a existência humana,
pessoal e social e se tornar uma teoria de alcance eficaz no permanente processo de
mudança e construção social da realidade.
Não existe pensamento filosófico uniforme. Existem diversas tendências,
métodos, escolas e tradições diferentes. Determinada tendência filosófica perdura
enquanto existirem as condições históricas que lhe deram origem. Cabe a cada
homem exercitar o seu “ser filósofo”, pôr-se em busca de uma apreensão significativa
da cultura, de uma crítica leitura da realidade e de uma ação engajada no mundo.
A reflexão filosófica GIRA em torno de três grandes perguntas ou questões:
1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que
fazemos?
2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando
falamos, o que queremos fazer quando agimos?
3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que
fazemos?
Com efeito, o aprofundamento na compreensão dos fenômenos se liga a uma
concepção geral da realidade, exigindo uma reinterpretação global do modo de pensar
essa realidade. Então, a lógica formal, em que os termos contraditórios mutuamente
se excluem, inevitavelmente entra em crise, postulando a sua substituição pela lógica
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dialética, em que os termos contraditórios mutuamente se incluem (princípio de
contradição, ou lei da unidade dos contrários).
Por isso, a lógica formal acaba por enredar a atitude filosófica numa gama de
contradições frequentemente dissimuladas através de uma postura idealista, seja ela
crítica (que se reconhece como tal) ou ingênua (que se autodenomina realista). A
visão dialética, ao contrário, nos arma de um instrumento, ou seja, de um método
rigoroso (crítico) capaz de nos propiciar a compreensão adequada da realidade e da
globalidade na unidade da reflexão filosófica.
A importância da filosofia
Vivemos em um mundo pragmático, isto é, voltado para as coisas práticas da
vida, interessado na aplicação imediata dos conhecimentos. Nesse sentido a filosofia
não encontra muitos adeptos e, ao contrário, é frequentemente repudiada como sendo
uma teoria inútil e, consequentemente, perda de tempo.
Entretanto, a filosofia é necessária. Por meio da reflexão é possível que se tenha
mais de uma dimensão, ou seja, aquela que é dada pelo agir imediato no qual o
homem prático se encontra mergulhado. É a filosofia que permite o
distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins
a que eles se destinam, levantando, consequentemente, o problema dos valores.
É a filosofia que reúne o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na
sua unidade.
A filosofia impede a estagnação e sempre se confronta com o poder, não
devendo sua investigação estar alheia à ética e à política. Nesse sentido tem a função
de desvelar a ideologia, ou seja, as formas pelas quais é mantida a dominação. Aliás,
atentando para a etimologia do vocábulo grego correspondente à verdade (a-létheia,
a-letheúein, “desnudar”), vemos que na verdade põe a nu aquilo que estava
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escondido; aí reside a vocação do filósofo: o desvelamento do que está encoberto
pelo costume, pelo convencional, pelo poder.
FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: CONCEITOS E
ARTICULAÇÕES
A educação é um típico “que fazer” humano, ou seja, um tipo de atividade que
se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser
atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si
mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou transformação social.
Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e
orientem os seus caminhos. A sociedade dentro da qual ela está deve possuir alguns
valores norteadores de sua prática. Não é nem pode ser a prática educacional que
estabelece os seus fins. Quem o faz é a reflexão filosófica sobre a educação dentro
de uma dada sociedade.
As relações entre Educação e filosofia parecem ser quase “naturais”. Enquanto
a educação trabalha com o desenvolvimento dos jovens e das novas gerações de
uma sociedade, a filosofia é a reflexão sobre o que e como devem ser ou desenvolver
estes jovens e esta sociedade. Percorrendo a História da Filosofia e dos filósofos,
vamos verificar que todos eles tiveram uma preocupação com a definição de uma
cosmovisão que deveria ser divulgada através dos processos educacionais.
Filosofia e Educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as
sociedades. Uma como interpretação teórica das aspirações, desejos e anseios de
um grupo humano, a outra como instrumento de veiculação dessa interpretação. A
Filosofia fornece à educação uma reflexão sobre a sociedade na qual está situada,
sobre o educando, o educador e para onde esses elementos podem caminhar.
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Nas relações entre Filosofia e educação só existem realmente duas opções:
ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa
consciente; ou não se reflete criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir
de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura vivida do dia-
a-dia e assim se realiza uma ação educativa com baixo nível de consciência.
O educando, quem é, o que deve ser, qual o seu papel no mundo; o educador,
quem é, qual o seu papel no mundo; a sociedade, o que é, o que pretende; qual deve
ser a finalidade da ação pedagógica. Estes são alguns problemas que emergem da
ação pedagógica dos povos para a reflexão filosófica, no sentido de que esta
estabeleça pressupostos para aquela.
Assim sendo, não há como se processar uma ação pedagógica sem uma
correspondente reflexão filosófica. Se a reflexão filosófica não for realizada
conscientemente, ela o será sob a forma do “senso comum”, assimilada ao longo da
convivência dentro do grupo. Se a ação pedagógica não se processar a partir de
conceitos e valores explícitos e conscientes, ela se processará, queiramos ou não,
baseada em conceitos e valores que a sociedade propõe a partir de sua postura
cultural.
Quando não se reflete sobre a educação, ela se processa dentro de uma
cultura cristalizada e perenizada. Isso significa admitir que nada mais há para ser
descoberto em termos de interpretação do mundo. É propriamente a reprodução dos
meios de produção. Inconscientemente, adaptamo-nos a essa interpretação do
mundo e ele permanecerá como a única para nós, se não nos pusermos a filosofar
sobre ela, a questioná-la, a buscar lhe novos sentidos e novas interpretações de
acordo com os novos anseios que possam ser detectados no seio da vida humana.
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Filosofia e educação, pois, estão vinculadas no tempo e no espaço. Não há
como fugir a essa “fatalidade” da nossa existência. Assim sendo, parece-nos ser mais
válido e mais rico, para nós e para a vida humana, fazer esta junção de uma maneira
consciente, como bem cabe a qualquer ser humano. É a liberdade no seio da
necessidade.
A Pedagogia inclui mais elementos que os puros pressupostos filosóficos da
educação, tais como os processos socioculturais, a concepção psicológica do
educando, a forma de organização do processo educacional etc.; porém, esses
elementos compõem uma Pedagogia à medida que estão aglutinados e articulados a
partir de um pressuposto, de um direcionamento filosófico. A reflexão filosófica sobre
a educação é que dá o tom à pedagogia, garantindo-lhe a compreensão dos valores
que, hoje, direcionam a prática educacional e dos valores que deverão orientá-la para
o futuro. Assim, não há como se ter uma proposta pedagógica sem pressuposições
(no sentido de fundamentos) e proposições filosóficas, desde que tudo o mais
depende desse direcionamento. Para lembrar exemplos corriqueiros, a “Pedagogia
Montessori”, a “Pedagogia Piagetiana”, a “Pedagogia da Libertação” do professor
Paulo Freire, e todas as outras sustentam-se em um pensamento filosófico sobre a
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educação. Se nem sempre esses pressupostos estão tão explícitos, é preciso
explicitá-los, desde que eles sempre existem. Por vezes, eles estão subjacentes, mas
nem por isso inexistentes. O estudo e a reflexão deverão “obrigá-los” a aparecer,
desde que só a partir da tomada de consciência desses pressupostos é que se pode
optar por escolher uma ou outra pedagogia para nortear nossa prática educacional.
Texto para reflexão
A MENINA QUE LÊ
Certamente a menina lê. A corda frouxa entre a mão direita e o pescoço do boi
- ou será um búfalo? - sugere que não há esforço e, menos ainda, perigo, embora o
animal seja imenso e ela pequena. A quietude do olhar do bicho não deixa dúvidas:
apesar do longo chifre, ele é manso e, mais do que apenas domesticado, é doméstico.
Não fosse assim, quem o entregaria aos cuidados de uma menina pequena e
descalça, que lê enquanto trabalha e caminha? Pois, pelo menos enquanto
atravessam a trilha ao longo do canal, parece nem ser necessário prestar atenção ao
caminho e ao trabalho e, por isso, é possível ler.
O olhar dela é atento e como conhece de cor o caminho e a mansidão do bicho,
pode concentrar a atenção em ler e, assim, aprender o que não sabe. Criança e
camponesa possivelmente pobre, estaria a menina apenas vendo as figuras de uma
revista em quadrinhos que também lá no Vietnã, em 1977, fazia as delícias das
crianças de um país devastado por guerras de libertação? Parece que não. O verso
quase branco das folhas sugere um caderno ou, quem sabe? Uma cartilha. A menina
lê. Diversa dos dois outros meninos, que montados num segundo boi apenas viajam
e fazem do trabalho o prazer do passeio, a menina parece, atenta, estudar e faz do
trabalho o intervalo do ensino. A tarde é calma, a guerra, parece, acabou. E crianças
e bois podem conviver em paz.
Puxando por uma corda um boi, ser da natureza, mas bicho manso e cativo,
logo a meio caminho entre ela e o mundo humano da cultura, a menina lê. Mergulha
a atenção em um universo misteriosamente humano que, ininteligível a qualquer outro
ser da natureza, transforma sinais em símbolos; sinais, como o berro que um boi dá a
outro, ou como a água do canal que reflete as árvores e indica que é dia e há luz.
21
Transforma sinais em símbolos, que é o que se lê; símbolos que permitem aos
homens trocarem entre si mensagens, falar de ideias e discutir valores que tornam,
ao mesmo tempo, a sua vida social e humana.
Atenta aos estudos mais do que ao trabalho, a menina mergulha, talvez sem
saber, no universo do significado. Aos poucos se apossa do instrumento do
simbolismo que lhe permite viver em um contexto superior ao dos outros seres,
realizado pelo trabalho humano e tornado significativo pelo saber.
(Texto de Carlos Rodrigues Brandão adaptado por Franklin M. Viilela)
A filosofia da educação
Todos os povos têm uma educação, pela qual transmitem a cultura, seja de
maneira informal ou por meio de instituições. De qualquer forma, não é sempre que
o homem reflete especificamente sobre o ato de educar. Muitas vezes a educação é
dada de maneira espontânea, a partir do senso comum, repetindo costumes que são
transmitidos de geração em geração.
Ora, se a filosofia é uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto, que se faz a
partir dos problemas propostos pelo nosso existir, é inevitável que entre esses
problemas estejam os referentes à educação. Portanto caberá ao filósofo
acompanhar reflexiva e criticamente a ação pedagógica, de modo a promover a
passagem de uma educação assistemática (guiada pelo senso comum) para uma
educação sistematizada (alçada ao nível da consciência filosófica).
A fundamentação teórica é necessária para que seja superado o
espontaneísmo, permitindo que a ação seja mais coerente e eficaz. Aliás, é bom
lembrar que o conceito de teoria não se separa do conceito de prática, que é o seu
fundamento. Isto significa que a teoria não deve estar desligada da realidade, mas
deve partir do contexto social, econômico e político de onde vai atuar.
22
Só assim é possível definir os valores e os objetivos que orientam a ação, pois
não se pode teorizar sobre a educação em si, o homem em si, o valor em si. A partir
da análise do contexto vivido, o filósofo irá indagar a respeito de que homem se quer
formar, e quais são os valores emergentes que se contrapõem a outros valores já
decadentes.
Por isso o filósofo também avalia os currículos, as técnicas e os métodos a fim
de julgar se são adequados ou não aos fins propostos. Por outro lado, esse
acompanhamento reflexivo impede que se caia no tecnicismo, um risco que existe
sempre que os meios são supervalorizados.
Ao ter sempre presente o questionamento do que seja educação, a filosofia
não permite que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme
em adestramento ou qualquer outro tipo de pseudo-educação. Por isso a filosofia da
educação é importante para denunciar as formas ideológicas que utilizam a educação
como instrumento de dominação.
A Filosofia da Educação não terá como função fixar “a priori” princípios e
objetivos para a educação; também não se reduzirá a uma teoria da educação
enquanto sistematização dos seus resultados. Sua função será acompanhar reflexiva
e criticamente a atividade educacional de modo a explicitar os seus fundamentos,
esclarecer a tarefa e a contribuição das diversas disciplinas pedagógicas e avaliar o
significado das soluções escolhidas. Com isso, a ação pedagógica resultará mais
coerente, mais lúcida, mais justa; mais humana, enfim.
Este estudo busca as raízes históricas da Filosofia da Educação no Brasil a
partir do início do século XX. Neste período se delineiam, no discurso dos educadores,
as primeiras preocupações com a Filosofia da Educação e se completa com a inserção
desta disciplina nos cursos de formação de professores.
23
O período em que se delineiam as primeiras preocupações com a Filosofia da
Educação data do final do século XIX e início do século XX. Compõe-se de discussões
e de um repensar sobre uma filosofia direcionada para a educação concretizando-se
na inserção da disciplina Filosofia da Educação nos cursos de formação de
professores. Os textos produzidos neste período divulgam a temática e deixam
entrever um rico material de sentido filosófico seja nas obras de literatura, de poética,
de direito, de religião, ou mesmo, nos assuntos políticos.
Ainda considerando este período destacam-se as preocupações econômicas e
a sua vinculação com os rumos que o país deve tomar diante das transformações
internacionais, principalmente, as da Europa, o que ocasiona na arena nacional uma
efervescência de ideias que ora confluem para pontos que se assemelham, ora para
pontos totalmente discordantes sobre o desenvolvimento nacional. A educação, na
trajetória dos acontecimentos, se pronuncia na voz dos educadores que procuram,
também, uma forma de transformação que possa acompanhar os novos tempos.
Nesta perspectiva, o estilo do filosofar brasileiro no âmbito educacional se
caracteriza e se constitui sob a ótica de dois segmentos: o tradicional que incorpora
um modelo filosófico influenciado pelo pensamento de determinados autores de
modelos clássicos da filosofia ocidental e o progressista que reconhece as condições
históricas que estão se apresentando e que requer uma educação inovadora.
Este contexto, assim apresentado, em que a filosofia vai se pronunciando como
reflexão crítica sobre a vida dos cidadãos da Polis é registrado por Aristófanes em sua
sátira As Vespas. Esta peça teatral era apresentada ao público e fazia menção aos
processos que se interpunham de cidadão para cidadão. As defesas ou acusações
pronunciadas e julgadas publicamente tinham na argumentação e no contra
argumentação as ferramentas necessárias aos cidadãos para “vencer” o processo.
Neste sentido, naquele momento, era nas discussões, no seu desenvolvimento
argumentativo e no contra argumentação, que se encontrava o interesse e a
motivação para a reflexão filosófica. O contexto vivido por Platão permitiu-lhe definir,
por meio destas argumentações reflexivas, a essência da filosofia como a que poderia
24
Se quiser conhecer um pouco mais sobre o pensamento de Kant, veja.
http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=102
auxiliar o homem na sua formação. Portanto, desde a antiguidade, com os primeiros
filósofos gregos, a filosofia apresentou-se como elemento reflexivo, crítico e
argumentativo que, teoricamente e ao mesmo tempo praticamente, permitia o
encaminhamento de uma pedagogia para o viver.
E, neste mesmo século, é que a pedagogia vai adquirindo consistência e é
assumida como uma disciplina com status de ciência. Nesta passagem, em que o
status científico da pedagogia é reconhecido, definindo o seu significado e a sua
função, emergem questões pertinentes à relação existente entre a Pedagogia, a
Filosofia e a Educação.
Esta mesma discussão fazia parte do cenário europeu desde o início do século
XVIII e se fortaleceu no século XIX, quando os trabalhos de Rousseau, de Kant, de
Hegel, de William James e mais tarde de Dewey, entre outros, foram elaborados no
confronto dos pressupostos teóricos do racionalismo científico e da metafísica.
No surgimento de novas propostas de análise, de crítica e de reflexão filosófica,
Kant (1724-1804) tendo em vista o idealismo alemão formula sua concepção
colocando na base dos seus pressupostos teóricos a constituição do homem pela
educação na sua razão prática. O conhecimento acerca do agir e do fazer humano
em relação aos seus semelhantes, era fundamental na sua obra filosófica sobre o
problema do conhecimento empírico (a posteriori) e do conhecimento puro (a priori)
em “A crítica da razão pura” (1781) e sobre o problema da moral em “A crítica da razão
prática” (1788). As ideias de Kant, de Hegel e do evolucionismo deslumbravam os
educadores, principalmente os de formação filosófica de inclinação católica.
25
Outros pensadores manifestaram suas concepções no mesmo século, XVIII –
XIX, que repercutiram sobremaneira no século seguinte. Fichet, por sua vez, expôs a
sua tese correlacionando a educação e a política na formação do homem e destacou
o apoio que a educação deveria necessariamente buscar na filosofia, quando nos
seus pressupostos reforçava a ideia de que um sistema filosófico contém em si uma
teoria educacional.
A Filosofia e a História da Educação, no Brasil, nas décadas de 20 e de 30, ao
afirmarem-se nos currículos das instituições de formação docente, assumiram dupla
função: quando preservavam os fundamentos morais, apoiados nos princípios da
metafísica, da teologia cristã e quando seus conteúdos eram remodelados pelas
novas tendências, apoiados nos princípios e preceitos científicos veiculados pela
escola nova.
Sedimenta-se tendo os pressupostos filosóficos dos pensadores antes citados,
Kant, Rousseau, William James e Dewey e, ainda, pela filosofia Tomista. Kant,
influenciado por Rousseau e por Hume, tinha seus fundamentos apoiados na conduta
do homem no seu agir e fazer como denunciantes dos problemas morais, e anunciava
a autonomia e a liberdade do homem ao alcançar o “esclarecimento”, momento em
que deixava a sua ignorância e desvencilhava-se da necessidade da direção de outro
homem e ficava livre do seu aprisionamento à “menoridade”. Rousseau, por sua vez,
revelava na sua obra Emílio ou Da Educação.
A filosofia tradicional, que procura conservar os preceitos da religião cristã, e a
filosofia progressista ou liberal, que procura desenvolver a formação para um homem
moderno, de princípios democráticos, de responsabilidade sobre as suas ações,
encontram-se explícitas nos discursos sob os pontos de vista de concepções
contraditórias.
Considerando a Filosofia da Educação brasileira nas suas raízes pode-se
afirmar que ela se apresenta sob os aspectos de interferência internacional, quando
os autores clássicos (de tradição teológica ou defensores dos aspectos tradicionais)
26
e os autores contemporâneos contrapõem as suas concepções; e, por outro lado,
quando se apresenta sob os aspectos coordenados pelo cenário nacional, ao
manifestar as contraposições e as aproximações entre concepções tradicionais e
progressistas, em momentos diferentes.
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
O caminho mais adequado para o entendimento de um termo é buscar a sua
origem e a sua formação. Para uma compreensão maior e mais clara das palavras
tendência e pedagógica, é preciso buscar o seu significado original.
➢ TENDÊNCIA: Tem sua origem no latim, exatamente no plural de
tendens, isto é, em tendentia, que literalmente significa aquilo que deve tender para,
aquelas coisas que devem se inclinar para. Quer dizer: tendentia são aquelas coisas
que possuem uma força interna que as inclina, que as direciona para um determinado
caminho. Deste significado etimológico surgiram os diversos significados que se
encontram nos dicionários: inclinação, propensão; vocação, pendor; força que
determina o movimento de um corpo (na física); intenção, disposição.
➢ PEDAGÓGICO: É uma palavra derivada de pedagogo, por sua vez
formada por dois termos gregos: paidion (= criança) e agogós (= escravo) e significava
o escravo que acompanha a criança, que em última análise era o responsável pela
educação da criança. Consequentemente, pedagógico passou a significar aquilo que
é relativo à educação.
➢ TENDÊNCIA PEDAGÓGICA: Tendo em vista os significados isolados
dos dois termos, pode-se dizer que Tendência Pedagógica é a inclinação que
direciona o processo educacional; ou a força determinadora do caminhar do processo
educacional; ou ainda, de modo mais concretamente expressivo, aquilo que determina
a escolha das técnicas e do conteúdo do trabalho educacional
27
Segundo Libâneo, este apresenta as diversas tendências pedagógicas
divididas em dois grandes grupos, as pedagogias liberais e as pedagogias
progressistas, que, podem ser assim apresentadas:
PEDAGOGIAS LIBERAIS PEDAGOGIAS
PROGRESSISTAS
Pedagogia Conservadora ou
Tradicional
Pedagogia Renovada
Progressivista
Pedagogia Renovada Não-Diretiva
Pedagogia Tecnicista
Pedagogia Libertadora
Pedagogia Libertária
Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos
As Pedagogias Liberais se preocupam mais diretamente com o indivíduo,
enquanto as Pedagogias Progressistas se interessam antes de mais nada pelo
ambiente social em que vive o educando, como se pode perceber pelo que segue.
1. Quanto às Pedagogias Liberais, é preciso atentar para o seguinte:
➢ O termo liberal não tem o sentido de avançado, ou democrático, pois a
pedagogia é uma manifestação própria da sociedade capitalista.
➢ A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função
preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as
aptidões individuais, através do desenvolvimento da cultura individual.
➢ A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças
individuais, embora difunda a ideia de igualdade de oportunidades.
➢ A pedagogia liberal iniciou-se na forma conservadora (tradicional) e
evoluiu para as formas renovadas e tecnicista.
➢ A versão conservadora se caracterizou por:
acentuar o ensino humanístico de cultura geral;
28
por apresentar os conteúdos, a relação professor x aluno e os procedimentos
didáticos sem nenhuma referência ao cotidiano do educando;
por dar importância decisiva à palavra do professor, aos regulamentos e ao
cultivo exclusivamente intelectual.
➢ As versões renovadas se caracterizam por:
partir da afirmação de que a cultura é o desenvolvimento das
aptidões individuais;
defender que o ensino deve desenvolver as capacidades individuais,
embora para a vida em sociedade;
propor a autoeducação, o que significa:
1) aceitar que o aluno é o sujeito do conhecimento;
2) reconhecer que é mais importante a aquisição de processos de
aprendizagem do que a aquisição de conteúdo; e
3) valorizar mais a iniciativa do aluno que a interferência do adulto e,
consequentemente, do professor.
A versão tecnicista se caracteriza por:
visar exclusivamente um saber-fazer técnico-científico;
dar mais importância ao setor de planejamento do que ao professor;
buscar antes preparar mão-de-obra para o mercado (empresas) do que
formar cidadãos.
2. Quanto às Pedagogias Progressistas, cumpre atentar para o que segue:
➢ O termo progressista é usado aqui para designar as tendências que,
partindo da análise crítica das realidades sociais, sustentam as finalidades políticas
da educação.
➢ Visto que não podem institucionalizar-se em uma sociedade capitalista,
as pedagogias progressistas, premidas pela necessidade de transformação da
sociedade, acabam fazendo da educação um instrumento de luta política dos
professores.
➢ As pedagogias progressistas têm como principais expressões as
versões denominadas libertadora, libertária e crítico-social dos conteúdos.
➢ As versões libertadora e libertária se caracterizam por: defender
posturas pedagógicas anti-autoritárias;
29
valorizar a experiência vivida como base da relação educativa;
dar mais valor ao processo de aprendizagem grupal do que aos
conteúdos de ensino;
enfatizar a prática educativa como prática social junto ao povo e, por
isso, valorizar muito as modalidades de educação popular não formal.
➢ A versão progressista crítico-social dos conteúdos se caracteriza por:
buscar ser uma síntese do tradicional, do renovado e do progressista;
por atribuir maior importância à transmissão dos conteúdos do que
as versões libertadora e libertária;
buscar não omitir nem impedir a atividade e a participação do aluno
no processo pedagógico.
PEDAGOGIA LIBERAL E PEDAGOGIA PROGRESSISTA Enquanto a
Pedagogia Liberal se preocupa fundamental e essencialmente com o indivíduo e seu
desenvolvimento individual, a Pedagogia Progressista coloca como fundamento
necessário e essencial para um verdadeiro e eficaz trabalho educacional a
preocupação com os elementos sociais que envolvem a vida do educando.
QUADRO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
PEDAGOGIAS LIBERAIS - QUADRO 1
TRADICIONAL TECNICISTA
PAPEL DA
ESCOLA
Adaptação. Preparar, moral e
intelectualmente, os alunos para assumirem
sua posição na sociedade. O compromisso da
escola é com a cultura. Os problemas sociais
pertencem à sociedade.
Modelar o comportamento humano. Integrar os alunos
ao sistema social global. Produzir indivíduos
"competentes" para o mercado de trabalho.
30
CONTEÚDO DE
ENSINO
Conhecimentos e valores tradicionais
acumulados pelas gerações adultas.
Informações, princípios científicos, leis etc. estabelecidos
e ordenados em sequência lógica e psicológica por
especialistas. Visa um saber-fazer-técnico-científico.
MÉTODO
Expositivo - 5 passos formais de Herbert:
a) Preparação;
b) Apresentação;
c) Associação;
d) Generalização;
e) Aplicação.
Método científico (Spencer). Metodologia tecnicista e
abordagem sistêmica abrangente. Tecnologia
educacional: instrução programada, planejamento,
audiovisuais, programação de livros didáticos, avaliação
científica etc.
RELAÇÃO
PROFESSOR
X
ALUNO
Autoritária: o professor transmite e o aluno
ouve passivamente. (Educação centrada no
professor: Magister dixit.)
Técnica-diretiva, com relações estruturadas e objetivas
e com papéis definidos. O professor, gerente,
administrador, é um elo
De ligação entre a verdade científica e o aluno, ser
responsivo. Ambos são espectadores frente à verdade
objetiva. (Ensino centrado no controle das condições que
cercam o aprendiz, nas análises das condições de vida).
PRESSUPOSTOS
DE
APRENDIZAGEM
A capacidade de assimilação da criança é
idêntica à do adulto (menos desenvolvida).
Ensinar é repassar conhecimentos. A
aprendizagem é receptiva e mecânica. A
retenção da matéria se dá pela repetição.
Avaliação oral e escrita (provas, exames...).
Reforço mais negativo que positivo, punição.
Aprender é modificar o desempenho face a objetivos
preestabelecidos. O ensino é um processo de
condicionamento através do reforço das respostas
desejáveis. Aumentar o controle das variáveis que afetam
o aprendiz. Motivação: externa, estímulos, reforço.
(Embasamento teórico: Skinner, Gagné, Bloom, Mager.)
MANIFESTAÇÃ
O NA PRÁTICA
ESCOLAR
Viva e atuante em nossas escolas tradicionais,
religiosas ou leigas que adotam orientação
clássico humanista ou humano científica (esta,
mais predominante em nossa história
educacional).
Os marcos da implantação e o modelo tecnicista são: a
Lei 5.692/68, que reorganiza o ensino superior, e a Lei
5.692/71, que fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º
e 2º Graus, embora sua influência remonte ao Programa
Brasileiro Americano de Auxílio ao Ensino Elementar -
PABAEE (meados de 1950). Os professores da escola
pública, apesar da legislação, não assimilaram a
pedagogia tecnicista, pelo menos em termos de ideário,
ainda que tenham aplicado a sua metodologia. O exercício
profissional continua mais para uma postura eclética
baseada nas pedagogias tradicional e renovada.
31
PEDAGOGIAS LIBERAIS - QUADRO 2
RENOVADA PROGRESSIVISTA RENOVADA NÃO-DIRETIVA
PAPEL DA ESCOLA
Adequar as necessidades individuais
ao meio social. Retratar, o quanto
possível, a vida. Promover integração
por experiência.
Formar atitudes. Criar um clima favorável ao
autodesenvolvimento e realização pessoal.
(Preocupação maior com problemas psicológicos
que com problemas pedagógicos ou sociais.)
CONTEÚDO DE
ENSINO
Experiências vivenciadas, desafios
cognitivos e situações problemáticas.
"Aprender a aprender". O processo de
aquisição do saber é mais importante
que o próprio saber.
Processos de desenvolvimento das relações e das
comunicações. Facilitação de meios para que os
alunos busquem, por si mesmos, os conhecimentos.
Incentivo à pesquisa baseada nos interesses.
MÉTODO
Ativo - "Aprender fazendo";
experimental; de solução de
problemas; de projetos; centro de
interesse; trabalho em grupo;
pesquisa; estudos dos meios natural e
social.
Terapêutico - Os métodos pedagógicos são
dispensados, prevalecendo o esforço do professor
para facilitar a aprendizagem dos alunos. Técnicas de
sensibilização. Processos para melhorar o
relacionamento interpessoal.
RELAÇÃO
PROFESSOR
X
ALUNO
Democrática: o professor, facilitador,
deve auxiliar o desenvolvimento do
aluno que, por sua vez, participa e
respeita as regras do grupo. (Educação
centrada na vivência)
Relações Humanas: o professor é um "facilitador"
que deve "ausentar-se" em respeito ao aluno
(Educação centrada no aluno)
PRESSUPOSTOS
DE
APRENDIZAGEM
Aprender é uma atividade de
descoberta. Respeito às disposições
internas e aos interesses dos alunos. O
ambiente deve ser um meio
estimulador, propiciando a auto-
aprendizagem. Motivação: interna e
externa. Avaliação: fluida, expressa
pelo reconhecimento do professor dos
esforços e êxitos dos alunos.
Aprender é modificar suas próprias percepções.
Valorização do "eu" e da autorealização. Motivação
interna. Auto-avaliação.
32
MANIFESTAÇÃO
NA PRÁTICA
ESCOLAR
Aplicação reduzida, por ser nossa
prática pedagógica basicamente
tradicional. Algumas escolas adotam
os métodos de
Montessori, Decroly, Dewey ou o
ensino baseado na psicologia genética
de Piaget (educação préescolar).
Também as escolas "experimentais",
"escolas comunitárias", e a "escola
secundária moderna", na versão de
Lauro de Oliveira Lima.
As ideias de Carl Rogers influenciaram muitos
educadores, principalmente orientadores
educacionais e psicólogos escolares que se dedicam
ao aconselhamento. A escola de Summerhill, do
educador inglês A. Neill, também teve alguma
influência entre nós.
PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS - QUADRO 1
LIBERTADORA LIBERTÁRIA
PAPEL DA
ESCOLA
Através de situação "não formal",
professores e alunos, mediatizados
pela realidade que apreendem e da
qual extraem o conteúdo de
aprendizagem, atingem um nível de
consciência crítica a fim de buscarem
uma transformação social. Rejeição da
educação "bancária" (tradicional) e da
educação renovada (libertação
psicológica), ambas domesticadoras.
Transformação na personalidade dos alunos
num sentido libertário e auto gestionário.
Criar mecanismos institucionais de mudanças
que preparem os alunos para atuarem em
instituições "externas". Resistir à burocracia
que retira a autonomia da escola.
CONTEÚDO DE
ENSINO
"Temas geradores", extraídos da
problematização da prática de vida dos
educandos. (Educação com caráter
político.)
Não há conteúdo propriamente dito
predeterminado, mas do interesse do aluno,
conhecimento que resulta das experiências
vividas pelo grupo (mecanismos de
participação crítica), levando à descoberta de
respostas às necessidades e às exigências da
vida social.
MÉTODO
Diálogo.
Discussão em grupo ("grupo de
discussão")
Autogestão (vivência grupal).
Experiências vividas.
Contatos: discussões, assembleias,
cooperativas e outras formas de participação
e expressão pela palavra; organização e
execução do trabalho.
33
RELAÇÃO
PROFESSOR
X
ALUNO
Não diretividade.
Educador e educando como sujeitos do
ato de conhecimento. O professor é
um animador que caminha "junto"
num trabalho de "aproximação de
consciência".
Não diretiva.
O professor é um orientador, um conselheiro
e um catalizador que se mistura ao grupo para
uma reflexão em comum.
PRESSUPOSTOS
DE
APRENDIZAGEM
Aprender: ato da realidade concreta.
Passos da aprendizagem: codificação-
decodificação, e problematização da
situação.
Aproximação crítica da realidade do
educando. Chegar ao conhecimento
pelo processo de compreensão,
reflexão e crítica. Auto-avaliação.
Uso prático do saber.
Aprendizagem informal, via grupo.
Motivação: interesse em crescer dentro da
vivência grupal.
Não há avaliação.
MANIFESTAÇÃO NA PRÁTICA
ESCOLAR
As ideias de Paulo Freire têm
influenciado sindicatos e movimentos
populares. Alguns grupos atuam não
apenas no nível da prática popular,
como também por meio de
publicações, independentes das ideias
originais da pedagogia libertadora.
Apesar de ter sido formulada,
teoricamente, para a educação de
adultos ou para a educação popular,
em geral, muitos professores vêm
tentando colocar em prática a
pedagogia libertadora em todos os
graus de ensino formal.
Abrange quase todas as tendências
antiautoritárias em educação: a anarquista, a
psicanalista, a dos sociólogos e a dos
professores progressistas. Entre outros,
podemos citar os seguintes autores
libertários: Lobrot, C. Freinet, Vasques, Oury,
Miguel Gonzales Arroyo e Ferrer y Guardia.
Maurício Tragtenberg, apesar de um enfoque
menos pedagógico e mais crítico das
instituições, em favor de um projeto
autogestionário, destaca-se como estudioso e
divulgador da tendência libertária.
PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS - QUADRO 2
CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS
PAPEL DA
ESCOLA
Transmissão de conteúdos vivos, concretos, indissociáveis das realidades
sociais.
Instrumento de apropriação do saber, a serviço dos interesses populares.
A educação é "uma atividade mediadora no seio da prática social global". (D.
Saviani).
Preparar o aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo lhe um
instrumental (conteúdos e socialização) para uma participação organizada e
ativa na democratização da sociedade.
34
CONTEÚDO DE
ENSINO
Conjunto de conhecimentos prontos, selecionados entre os bens culturais da
humanidade (saber universal autônomo) reavaliados face às realidades sociais,
com funções formativas e instrumentais.
Postura da pedagogia "dos conteúdos" - obter o acesso do aluno aos
conteúdos, ligando-os à experiência concreta deles - é a continuidade; ao
mesmo tempo, proporcionar elementos de análise crítica que ajudem o aluno
a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as pressões difusas da ideologia
dominante - é a ruptura.
MÉTODO
Métodos participativos baseados em uma relação direta da experiência do
aluno, confrontada com o saber trazido de fora (subordinação ao conteúdo).
Vai-se de uma ação à compreensão e desta à ação, até a síntese, unindo a teoria
à prática.
RELAÇÃO
PROFESSOR
X
ALUNO
Relação de interação diretiva (provimento de condições ideais de trocas).
O professor é um mediador, intervencionista.
O aluno participa do processo confrontando sua experiência com os conteúdos
expressos pelo professor.
PRESSUPOSTOS
DE
APRENDIZAGEM
Prontidão. Todo conhecimento novo deve apoiar-se numa estrutura cognitiva
já existente (aprendizagem significativa). Capacidade para processar
informações.
Avaliação: comprovação do progresso do aluno em direção a noções mais
sistematizadas.
MANIFESTAÇÃO
NA PRÁTICA
ESCOLAR
Inúmeros professores da rede escolar pública que se ocupam de uma
pedagogia de conteúdos articulada com a adoção de métodos que favoreçam
a participação dos alunos, muitas vezes, sem saber, avançam na
democratização efetiva do ensino para as camadas populares. No Brasil,
destaca-se Saviani que vem desenvolvendo investigações relevantes, no
sentido de colocar a educação "a serviço da transformação das relações de
produção", "da democratização da sociedade brasileira, atendendo aos
interesses das camadas populares". Podemos citar a experiência pioneira do
educador russo Makarenko. Entre os autores atuais, estão: B. Charlot,
Suchodolski, Manacorda e, especialmente, G. Snyders.
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO SÉCULO 20
A educação tem se tornado, cada vez mais, uma preocupação dos grupos
dirigentes de todos os povos. Isto aparece claramente no século 20. Os
administradores públicos e privados e os estudiosos dos mais diversos ramos têm
escrito expressando ideias as mais diversas e, às vezes, contraditórias sobre esta
atividade tão importante para os caminhos da sociedade. Entre os educadores as
35
principais reflexões sobre a educação se encontram em teorias como Escola Nova,
Tecnicismo, Desescolarização da Sociedade, Crítico-Reprodutivismo e Progressismo,
estudadas a seguir.
A ESCOLA NOVA
No final do século 19 e começo do século 20, com o desenvolvimento de novas
ciências (biologia, sociologia, psicologia) surge a necessidade de adequar a educação
a um mundo em transformação. Aparece, então a Escola Nova, que se apresenta
como um esforço para superar a pedagogia da essência pela pedagogia da existência,
se constituindo, assim, em uma pedagogia de caráter predominantemente psicológico.
Quer dizer: o educando é antes sujeito que objeto da educação.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
A Escola Nova representou uma verdadeira inovação no campo da educação.
Suas propostas atingem os vários itens que constituem a prática educativa.
Assim:
➢ Na relação professor-aluno: é alunocêntrica (o aluno é ativo e o
elemento mais importante do processo), enquanto o professor é um facilitador que
deve despertar o interesse do aluno e provocar a sua curiosidade.
➢ Quanto ao conteúdo: é mais importante o modo de aprender do que o
próprio aprender; é mais válido aprender a aprender do que aprender!
➢ Quanto à metodologia: de modo geral, propõe que as atividades sejam
centradas no aluno, valorizando a sua espontaneidade e as suas iniciativas; se
preocupa com a individualização das atividades e introduz alguma socialização ao
promover os trabalhos em grupo, muito embora sempre em função do
36
desenvolvimento individual; em algumas escolas específicas, que privilegiam a
pedagogia da ação, são criados setores pedagógicos típicos, como horta, laboratório,
oficina, imprensa; os jogos são vistos não como opostos ao trabalho, mas como
facilitadores da aprendizagem.
➢ Quanto à avaliação: insiste em que esta é um processo válido para o
aluno e se constitui em uma das etapas da aprendizagem; não deve contemplar
apenas o intelectual, mas também a aquisição de habilidades e a formação de
atitudes; a competição tende a ser substituída pela cooperação.
➢ Quanto à disciplina: tem o seu valor relativizado na medida que a escola
prepara para a autonomia; por isso, há um afrouxamento quanto à importância das
normas e uma abertura no sentido de estimular a responsabilidade e a capacidade de
crítica; busca uma disciplina que seja antes uma aceitação (vontade) que uma pura
submissão a ordens impostas.
CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS:
A Escola Nova é uma expressão típica da sociedade liberal que
aparentemente dá chances iguais a todos de acordo com suas possibilidades
intelectuais, mas que na realidade reproduz o sistema, privilegiando a elite. A ênfase
na qualidade e em processos dispendiosos torna a escola cada vez mais elitista. A
crítica inadequada ao autoritarismo da Escola Tradicional resultou na ausência de
disciplina. Uma das suas piores consequências foi o puerilismo, supervalorização da
criança (aluno) e minimização do papel do professor. Além disso, a proposta
escolanovista propiciou a confusão entre ensino, pesquisa e aprendizagem.
37
Veja um pouco mais sobre John Dewey.
https://novaescola.org.br/conteudo/1711/john-dewey-o-pensador-que-pos-a-pratica-em-foco
PRINCIPAIS EDUCADORES
A Escola Nova foi criada por DEWEY (1859-1952), educador norte-americano.
No mundo são escolanovistas Kilpatrick, Claparède, Decroly, Montessori, Lubienska.
No Brasil, Fernando de Azevedo, (1894-1974) Anísio Teixeira (1900-1971) e Lourenço
Filho (1897-1970).
ESCOLA TECNICISTA
A crítica da escola tradicional, aliada à não aceitação das propostas
escolanovistas, fez surgir a ideia de que a escola, para se tornar eficaz, deveria
assumir o modelo empresarial, isto é, deveria seguir o modelo de racionalização e
produção da empresa capitalista. É a tendência tecnicista que, iniciada nos Estados
Unidos, é introduzida no Brasil através de diversos acordos bilaterais, inicialmente
sigilosos. Sua implementação foi buscada com maior insistência a partir de 1964 e
aparece com maior evidência nas leis 5540/68 e 5692/71.
CARACTERÍSTICAS GERAIS: O tecnicismo se mostra através das seguintes notas:
➢ O objetivo da escola é preparar mão-de-obra qualificada para a indústria.
➢ O conteúdo das diversas disciplinas deve ser o conjunto de informações
e conhecimentos "científicos" (de preferência das "ciências exatas") a serem
transmitidos aos alunos.
➢ O método é o taylorista, que supõe uma divisão rígida das tarefas, uma
ênfase no planejamento racional com estabelecimento de objetivos institucionais
38
muito claros e insubstituíveis e com valorização exagerada dos meios técnicos
(audiovisuais).
➢ A avaliação visa exclusivamente verificar se os objetivos propostos estão
sendo atingidos.
➢ A relação professor-aluno é fria, dispensando-se as discussões e os
debates; o professor é um técnico que transmite informação técnica objetiva.
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS: A tendência tecnicista tem seus fundamentos teóricos
sobretudo no positivismo e no "behaviorismo".
CRÍTICAS: O tecnicismo foi e continua sendo de difícil implantação pois os
professores ou foram (e muitos ainda são) de formação tradicional ou já estão
imbuídos de pensamento escolanovista ou mesmo progressista. Além disso, o
tecnicismo:
• Burocratiza o ensino, insistindo em objetivos detalhados para cada passo do
programa.
• O professor se torna um mero executor de textos vindos do setor do
planejamento.
• Camufla e fortalece estruturas de poder com sua pretensa despolitização
(neutralidade técnica), pois substitui a participação democrática pela decisão
de poucos (os técnicos do setor de planejamento).
DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE
A desescolarização da sociedade é uma proposta de Ivan Illich (1926) que,
fazendo coro com as críticas à escola tradicional e à escola nova, propõe a eliminação
da escola.
39
CRÍTICAS À ESCOLA
Illich faz as seguintes considerações:
➢ A escola está em crise e a solução dos seus problemas não está na
promoção de reformas dos métodos e currículos, nem na crítica ao seu elitismo; a
solução está na destruição da escola.
➢ A escola é uma das instituições criadas para proteger e dirigir as ações
humanas e que, por isso, infantiliza o ser humano que se torna sempre mais
dependente de especialistas.
A escola escraviza mais do que a família, pois se apoia em uma estrutura
organizada, fortemente hierarquizada, em rituais de provas e exames e no mito do
diploma.
➢ A existência da instituição escolar se baseia na premissa falsa de que a
criança só aprende (para valer) na escola.
➢ A escola é uma promessa que não se cumpre: vive o paradoxo de que
querer preparar para o mundo, ao mesmo tempo que corta os contatos da criança
com ele.
➢ A escola só fornece a aprendizagem da hierarquia (dos que estão
acima).
➢ A escola é cúmplice do mito do progresso, da competência, do consumo,
perpetuando as desigualdades sociais.
A PROPOSTA - SOCIEDADE SEM ESCOLAS
Illich propõe, para desescolarizar a sociedade, o que segue:
Destruir o culto à máquina;
➢ Substituir o sistema escolar pelo sistema de convivialidade: redes de
comunicações culturais que facilitem o encontro de pessoas interessadas no mesmo
assunto;
40
➢ Abolir o poder de uma pessoa proibir outra de participar de qualquer tipo
de reunião;
➢ Afirmar o direito de qualquer pessoa promover qualquer tipo de reunião.
CRÍTICAS à PROPOSTA DE DESESCOLARIZAÇÃO
O grande mérito de Illich está em levantar a questão da validade da escola. Há,
porém, alguns reparos:
A sua crítica se refere, sem dúvida, a uma escola de característica tradicional.
➢ As instituições não são necessariamente um mal para a sociedade.
➢ O mito da competência e a especialização, quando não redundam em
forma de poder e de manipulação, podem ajudar o ser humano a sair da privação e
da penúria.
➢ O projeto de Illich possui uma dimensão individualista.
➢ O ideal de convivialidade repousa na convicção ingênua de supor que
o sistema de redes escapa às pressões e às contradições de interesses
estabelecidos.
TEORIAS CRÍTICO - REPRODUTIVISTAS
CONCEITUAÇÕES
REPRODUTIVISMO: O conceito reprodutivismo surgiu, no âmbito educacional, em
função da contradição entre a postura ingênua que afirmava ser a educação um
instrumento de equalização dos membros de uma comunidade e o verdadeiro papel
exercido por ela dentro da sociedade. No primeiro caso, a escola seria um fator de
democratização e universalização do saber, contribuindo para desfazer injustiças
41
sociais e tornando iguais as chances de desenvolvimento de indivíduos de classes
diferentes. Na realidade, a escola tem exercido um papel de mera reprodutora.
É reprodutivista, pois, ao invés de democratizar, reproduz as diferenças sociais
perpetuando o status quo e, portanto, é uma instituição altamente discriminadora e
repressiva (Aranha, 128). Assim, entende-se como reprodutivismo a caracterização
da escola que a considera reprodutora das diferenças sociais e perpetuadora das
injustiças sociais.
CRÍTICO-REPRODUTIVISMO: É aquele grupo de tendências pedagógicas que
analisam o trabalho da escola e concluem que a mesma exerce uma função
reprodutora da sociedade, com suas injustiças. Fazem-lhe, pois, uma crítica severa
e enfocam as várias modalidades de sua instrumentalização, que podem ser
concentradas em três linhas de instrumentalização.
➢ Escola - instrumento de violência simbólica.
➢ Escola - aparelho ideológico de estado (AIE).
➢ Escola - instrumento da divisão dualista da sociedade (Escola Dualista)
ESCOLA ENQUANTO INSTRUMENTO DA VIOLÊNCIA
SIMBÓLICA
Para entender a posição dos autores que consideram a escola um instrumento de
violência, é preciso, antes, atentar para o significado de violência.
42
NOÇÃO DE VIOLÊNCIA: Violência segundo os dicionários é o ato de violentar.
Violentar, por sua vez, é forçar, coagir, constranger. A partir dessa noção descobriu-
se que existem várias formas de violência, que podem ser reduzidas a duas:
➢ Violência material: é a violência física, praticada com meios materiais,
através da coerção, com ameaça de castigo, ou através da imposição da força física.
A violência material é sempre explícita!
➢ Violência simbólica: é a violência que se exerce mediante o uso de
forças simbólicas, isto é, mediante aquelas forças que levam as pessoas a pensarem
e a agirem sem se darem conta de que estão sendo conduzidas. As forças simbólicas
agem sobretudo através das ideias transmitidas pela comunicação cultural (teatro,
televisão, cinema, jornais, revistas etc.), pela doutrinação política e religiosa, pelas
práticas esportivas e pela educação escolar. A violência simbólica é sempre implícita!
43
A VIOLÊNCIA DA ESCOLA
Bourdieu e Passeron, educadores franceses da atualidade, analisaram o
papel da escola e chegaram à conclusão de que a escola é, de fato, uma reprodutora
de um determinado tipo de sociedade, usando para isso da violência simbólica. Seus
estudos levaram às seguintes conclusões:
➢ A escola é um reflexo da sociedade, pois não é uma ilha separada do
seu contexto social, que marca os indivíduos de maneira inevitável e quase
irreversível.
➢ A escola reproduz os privilégios já existentes na sociedade,
favorecendo os já socialmente favorecidos.
➢ A escola não democratiza; reafirma os privilégios; isto aparece
claramente quando se vê que frequentam o universo escolar dois tipos de pessoas
(crianças sobretudo):
➢ Crianças vindas das classes privilegiadas: por receberem uma
educação familiar (informal) muito próxima daquela que receberão na escola, estão
prontas para tirar proveito da escola, estão prontas para o sucesso.
➢ Crianças vindas das classes desfavorecidas: sua educação familiar
(informal) está muito longe daquela que tentarão passar-lhes na escola e, assim, estão
destinadas ao não aproveitamento, estão preparadas para o insucesso.
➢ O insucesso escolar é geralmente mascarado e mistificado, recorrendo-
se ao conceito de desigualdades naturais.
➢ A ideologia dos dotes dissimula a imposição da cultura da classe
dominante sobre a cultura da classe dominada.
44
ESCOLA ENQUANTO APARELHO IDEOLÓGICO DE
ESTADO
Esta visão da escola tem como principal pensador Louis Althusser. Para ele,
na sociedade capitalista, a escola, ao mesmo tempo que ensina um saber prático que
proporciona a qualificação da força de trabalho, reproduz a ideologia da classe
dominante, pois só assim será feita reprodução qualificada da força de trabalho
adequada ao sistema capitalista. A escola torna-se instrumento de dominação
ideológica e por isso é um dos elementos do aparelho ideológico de estado (AIE).
Isso se torna mais claro com o entendimento da função da ideologia na vida social.
FUNÇÃO DA IDEOLOGIA
A sociedade capitalista é constituída por duas classes sociais antagônicas: a
dominante, detentora dos meios de produção, e a dominada, a força de trabalho.
Aquela domina esta através da ideologia, que mascara a exploração e transforma os
valores da classe dominante em valores universais, dificultando o desenvolvimento do
pensar próprio da classe dominada. A classe dominante usa instrumentos de
dominação para conservar os seus privilégios.
INSTRUMENTOS DE DOMINAÇÃO
O Estado, na sociedade capitalista, tem a função de resguardar os interesses
da classe dominante e reprimir os anseios da classe dominada. Para o exercício dessa
função possui dois tipos de aparelhos: repressivos uns, ideológicos outros.
➢ Aparelhos Repressivos de Estado (ARE): são aqueles aparelhos que
funcionam por meio de algum tipo de violência. Inclui a administração pública, a
polícia, os tribunais, as prisões.
➢ Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE): são aqueles que utilizam da
ideologia para defender e preservar os objetivos da classe dominante. Distribuem-se
45
por diversos setores das atividades humanas: AIER, AIEE, AIEF, AIEJ, AIEP, AIES,
AIEI, AIEC.
➢ Aparelho Ideológico de Estado da Escola (AIEE): entre os AIEs. O
AIEE tem um papel preponderante, pois a escola não possibilita chances iguais a
todos. Ao contrário, determina de antemão a reprodução das classes sociais, pois, de
um lado, inculca a ideia de que uns são destinados a dominar; de outro, reprime as
aspirações de ascensão daqueles que foram sempre dominados.
A TEORIA DA ESCOLA DUALISTA
É um modo específico de ver o trabalho escolar muito próximo da teoria da
escola enquanto AIE. Baudelot e Establet, os dois educadores franceses que
estabeleceram as bases da Teoria Dualista, fazem as seguintes considerações:
➢ Não existe uma escola única, isto é, uma escola que vise trabalhar os
educandos para que todos possam atingir um mesmo nível educacional. Existem
duas escolas que se diferenciam quanto ao número de anos de estudos, quanto aos
itinerários e aos fins do processo educacional. Estas duas escolas são heterogêneas
e antagônicas.
➢ As duas escolas aparecem mais claramente como duas grandes redes
de escolaridade:
Rede SS (secundária superior): visa levar os alunos à universidade.
Rede PP (primária profissionalizante): acaba no primeiro grau e visa levar o
aluno imediatamente ao trabalho (manual).
➢ A divisão da escola em duas redes reafirma a divisão entre trabalho
intelectual (rede ss) e trabalho manual (rede pp), porque nessa dicotomia repousa a
possibilidade material da manutenção da estrutura social capitalista.
➢ A escola tem duas funções:
➢ Determinar a orientação dos alunos para uma ou outra rede.
46
➢ Inculcar a ideologia burguesa para conter e dominar os anseios de uma
nova ideologia fundada nos anseios dos proletários.
CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS BRASILEIROS
Alguns pensadores brasileiros fizeram uma crítica do nosso processo
educacional que os aproxima dos crítico-reprodutivistas citados. São eles: Bárbara
Freitag, Maria de Lourdes Deiró Nosella e Luis Antônio Cunha.
CRÍTICA ÀS TEORIAS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS
Os autores crítico-reprodutivistas fazem uma análise válida quando levantam a
problemática da função da escola em uma sociedade dividida em classes. Sua crítica,
porém, pode conduzir a um pessimismo imobilista, pois esquecem que as
contradições precisam ser percebidas para possibilitar o surgimento de novas
propostas, o que acontece com as cha madas tendências progressistas. Esquecem
também os crítico-reprodutivistas que o saber, por pequeno que seja é sempre
sementeira. Vale dizer: a escola também pode ser um campo de luta e de rompimento,
de onde podem surgir novas propostas para a vida social.
AS TEORIAS PROGRESSISTAS
As Teorias Progressistas surgiram como reação e superação do Crítico-
reprodutivismo. Este fez uma crítica severa da Escola Tradicional e da Escola Nova e
descobriu o caráter ideológico da educação. Mas, fez também surgir uma sensação
de impotência, pois ateve-se a uma postura negativista. As Teorias Progressistas
surgem, por conseguinte, como a busca de novos caminhos. É um movimento muito
recente e não é fácil determinar as suas linhas fundamentais, pois a própria
47
denominação progressismo, criada por Georges Snyders, não é aceita por todos que
nela poderiam ser inseridos.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Apesar das diversidades presentes nas propostas dos seus educadores, o
Progressismo apresenta muitos pontos comuns a todas elas:
Busca superar as Teorias Crítico-reprodutivista propondo a construção de uma
pedagogia social crítica.
Afirma a necessidade de uma consciência da existência de relações sociais de
opressão, para a busca de uma nova ação pedagógica.
Propõe uma crítica constante de alguns elementos do processo educacional,
visando uma função mais adequada para os mesmos:
Escola: seu verdadeiro significado está em ser um local de
socialização do saber; é um elemento de continuidade, mas também de ruptura; tem
um papel transformador quando enfatiza como um dos meios para uma vida social
melhor organizada a alfabetização.
Saber: não deve ser abstrato, e sim integrado à prática social global; deve
possibilitar a superação da dicotomia teoria x prática.
Trabalho: deve ser parte integrante do processo educacional, pois homem
se forma pelo trabalho e deve ser formado para o trabalho; a educação precisa levar,
também através de atividades práticas (oficinas), a compreender o fazer, o que fará
surgir a consciência crítica do mundo físico e social; a educação para o trabalho
tem também o objetivo de possibilitar a superação da dicotomia cultura erudita x
cultura popular.
Professor:
➢ É um elemento chave no processo educacional;
➢ Sua formação tem importância especial e precisa despertar
48
➢ A consciência da educação como prática social
transformadora;
➢ Sua ação deve estender-se para além da sala de aula,
➢ Afirmando a validade da ação política em favor da escola
pública.
RISCOS DAS PROPOSTAS PROGRESSISTAS
Conquanto sedutoras, as propostas pedagógicas progressistas incluem alguns
perigos:
Politicismo pedagógico: O Progressismo parte do princípio de que não existe
educação apolítica. Os polos educação e política são
complementares e indissociáveis, o que é inegável. No entanto, a ênfase dada
à necessidade da ação política pode levar ao descuido do trabalho propriamente
pedagógico, tornando prioritária, e mesmo exclusiva, a ação político-partidária do
professor.
Assistencialismo: Por causa das muitas e variadas carências das
camadas populares é grande a tentação de se recorrer à chamada educação
compensatória, que desvia a ação da escola para atividades que são próprias de
outros órgãos do Estado, como é o caso, por exemplo, da merenda escolar.
Falsa democracia na sala de aula: ao acentuar posturas que são antiautoritárias,
ao estimular a superação do individualismo a partir do diálogo (trabalhos
em grupo) e ao incentivar a prática constante da corresponsabilidade,
o Progressismo pode levar à exclusão do papel de líder organizador, que deveria
caracterizar o Professor.
49
PRINCIPAIS EDUCADORES PROGRESSISTAS
Os pensadores progressistas são muito numerosos, o que testifica busca
contínua do aperfeiçoamento do trabalho educacional. Aqui vamos apresentá-los
divididos da seguinte maneira:
Pioneiros e estrangeiros em geral:
➢ MAKARENKO (1888 - 1939): Educador russo (soviético) fundador de
uma colônia para recuperação de menores infratores; autor da obra Poema
pedagógico, defende a importância do coletivo no trabalho pedagógico.
➢ PISTRAK: Educador russo-soviético, buscou estabelecer os
fundamentos da escola do trabalho.
➢ Antônio GRAMSCI: intelectual italiano, discutiu a questão das
relações entre os trabalhadores intelectuais e os trabalhadores manuais.
➢ SUCHODOLSKI: estudou a diferença entre as pedagogias
essencialista e existencialista.
➢ CHARLOT: Estudou a questão dos processos ideológicos da educação.
➢ Outros: CELESTIN, FREINET, SNYDERS, GIROUX, MANACORDA,
LOBROT.
➢ Brasileiros: se apresentam em diversas subtendências:
➢ PEDAGOGIA LIBERTADORA: defende uma educação para a
conscientização da necessidade de libertar-se de uma situação de vida
opressora. PAULO FREIRE é seu principal pensador.
➢ PEDAGOGIA LIBERTÁRIA: propõe uma escola que se caracterize pela
autogestão não-diretiva, para formar grupos de influência política que construam uma
sociedade mais igualitária.
➢ PEDAGOGIA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS: Vê a escola
como o local de aquisição dos conteúdos acumulados, que devem ser apropriados de
forma crítica e também socializados a fim de servirem aos interesses de toda a
50
população, sem privilégios, visando a democratização da sociedade. SAVIANI,
LIBÂNEO e C. R. CURY.
➢ PEDAGOGIA DO CONFLITO: A educação é um processo dialético.
GADOTTI.
51
REFERÊNCIAS
ARANHA, Mª Lúcia Arruda - Filosofia da Educação, 2ª ed., S. Paulo, Moderna, 1997
CHAUI, Marilena - Convite à Filosofia, S. Paulo, Ática.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues - A Educação como Cultura, S. Paulo, Brasiliense,
1985.
ELIADE, Mircea – Mito e Realidade, São Paulo, Editora Perspectiva, 1972
FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 1997
Educação Como Prática da Liberdade, 17ª Ed., São Paulo, Paz e Terra, 1986
HUISMAN, D. e VERGEZ, André – Curso Moderno de Filosofia, 4ª Ed., Rio de Janeiro,
Freitas Bastos, 1972.
LANGER, Susanne K. – Filosofia em nova chave, São Paulo, Perspectiva, 1971
LUCKESI, Carlos C. - Filosofia da Educação, S. Paulo, Cortez, 1990.
MARITAIN, Jacques - Rumos da Educação, Rio de Janeiro, Agir, 1959.
MARTINS, José Salgado - Preparação à Filosofia, Porto Alegre, Globo, 1973.
MORIN, Edgar – Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, 2ª edição, São
Paulo, Cortez Editora, 1999.
A Cabeça Bem-Feita, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000.
PINTO, Álvaro Vieira – Sete Lições Sobre Educação de Adultos, 9ª Ed., São Paulo,
Cortez, 1994.
SAINT-EXUPERY, Antoine de – Terra dos Homens, 16ª Ed., Rio de Janeiro, José
Olympio, 1972.
SANTO, Ruy C. do Espírito – O Renascimento do Sagrado na Educação, Campinas,
Papirus, 1998
SAVIANI, Dermeval - Educação: do senso comum à consciência filosófica, S.
Paulo, Cortez, 1985

06_Filosofia da Educação. pdf introdução

  • 1.
  • 2.
    2 SUMÁRIO PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DAEDUCAÇÃO..................................................4 O “FILOSOFAR”.......................................................................................................13 A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA............................................................................16 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: CONCEITOS E ARTICULAÇÕES ...............................17 TEXTO PARA REFLEXÃO.......................................................................................20 A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO ................................................................................21 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS...............................................................................26 QUADRO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS ......................................................29 TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO SÉCULO 20 ...................................................34 A ESCOLA NOVA ....................................................................................................35 CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS: ...............................................................................36 PRINCIPAIS EDUCADORES...................................................................................37 ESCOLA TECNICISTA ............................................................................................37 DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE................................................................38 DESTRUIR O CULTO À MÁQUINA; ........................................................................39 TEORIAS CRÍTICO - REPRODUTIVISTAS .............................................................40 ESCOLA ENQUANTO INSTRUMENTO DA VIOLÊNCIA SIMBÓLICA.....................41 A VIOLÊNCIA DA ESCOLA ...................................................................................43 ESCOLA ENQUANTO APARELHO IDEOLÓGICO DE ESTADO.............................44 A TEORIA DA ESCOLA DUALISTA.........................................................................45 CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS BRASILEIROS .......................................................46 CRÍTICA ÀS TEORIAS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS ..........................................46 AS TEORIAS PROGRESSISTAS ............................................................................46 RISCOS DAS PROPOSTAS PROGRESSISTAS.....................................................48
  • 3.
  • 4.
    4 PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DAEDUCAÇÃO O papel da educação é possibilitar ao ser humano olhar para o mundo ao seu redor para poder dar-lhe um sentido. Por isso existe uma relação de reciprocidade entre filosofia e educação. É partir da visão de mundo que o ser humano já possui, que ele inicia o seu procedimento educacional, que por sua vez, vai possibilitar-lhe nova leitura de mundo. Desse modo, elencaremos as visões de mundo e/ou interpretações de mundo: • Idealismo: A realidade é essencialmente espiritual. O mundo físico é colocado em segundo plano. O ser humano é antes uma ideia abstrata, um ser espiritual, um ser provisório e passageiro. • Realismo: O mundo material é tão real quanto o mundo espiritual e existe independente deste. O ser humano é um composto de uma parte espiritual e outra material. A parte espiritual é superior seja porque foi criada diretamente por Deus, seja porque foi criada por Deus através da força que ele colocou na natureza, seja porque representa um desenvolvimento espontâneo desta última. • Existencialismo: É a interpretação da realidade cuja preocupação fundamental é a pessoa existencial. Concentra-se nas coisas que estão aí, realçando o papel do ser humano na sua situação do momento. 1. CONCEPÇÕES ANALÍTICAS: São aquelas concepções da realidade que de modo insistente se interessam pela verificação e classificação da linguagem. 2. CONCEPÇÕES DIALÉTICAS: São aquelas concepções que consideram o ser humano como parte de uma realidade total que é essencialmente mutável, sendo, por isso, também ele essencialmente mutável.
  • 5.
    5 Incluem-se nelas: Pragmatismo: Éa visão de mundo que afirma ser a realidade aquilo que nossos sentidos experimentam. O ser humano é um indivíduo autônomo que pode e deve traçar o seu destino. Dialética: É a leitura que vê a realidade como sendo essencialmente dinâmica e em contínua transformação. O ser humano vive com essa realidade mutável, aceita- a, pois sabe o porquê da mudança e tem consciência de poder influir nela. É pela filosofia que podemos indagar sobre a intenção de transformar o modo como observamos e pensamos, agimos e interagimos; os filósofos sempre se consideraram a si mesmos como os educadores definitivos da humanidade. Mesmo quando pensavam que a filosofia deixa tudo como está, pensavam que interpretar o mundo corretamente — compreendê-lo e compreender a nossa posição nele — nos libertaria da ilusão, conduzindo-nos a contemplação da ordem divina, progresso científico ou criatividade artística que nos são mais apropriadas. Mesmo a filosofia "pura" — metafísica e lógica — é implicitamente pedagógica. Tem a intenção de corrigir a miopia do passado e do instante. A reflexão filosófica acerca da educação, de Platão a Dewey, tem sido assim naturalmente dirigida para a educação dos governantes, daqueles que se presume preservarem e transmitirem a cultura da sociedade, o seu conhecimento e os seus valores. Todas as épocas históricas são marcadas por uma disputa pelo poder, como o poder da autoridade da tradição ou do poder manifesto, como o poder do conhecimento filosófico, espiritual ou científico, como o poder da criatividade artística, da produtividade mercantil ou tecnológica. Só muito recentemente na história das democracias liberais é que a política educativa foi formulada e direcionada para indivíduos presumivelmente autônomos, que determinam os seus próprios objetivos e que estruturam as suas próprias vidas. Em lado algum é a filosofia da educação mais importante, em lado algum é a própria
  • 6.
    6 educação mais crucial— e em lado algum é mais esquecida — do que numa democracia participativa liberal, cujos compromissos igualitários transformam cada indivíduo simultaneamente em legislador e em súbdito. As disputas no centro da discussão contemporânea da política educativa (Quais são as orientações e os limites da educação pública numa sociedade pluralista e liberal? Como podemos garantir da melhor maneira uma distribuição equitativa das oportunidades educativas? Deverá a qualidade da educação ser supervisionada por padrões nacionais e exames? Deverá as escolas públicas levar a cabo a educação moral e religiosa? Restabelecem as controvérsias que marcam a história da filosofia, de Platão à epistemologia social. Partindo de discussões fecundas e responsáveis da política educativa remetem inevitavelmente para questões filosóficas, que as sugerem e enquadram: essas questões são articuladas e examinadas de maneira mais precisa na teoria moral e política, na epistemologia e na filosofia da mente. Quais são as finalidades próprias da educação? (Preservar a harmonia da vida cívica? Salvação individual? Criatividade artística? Progresso científico? Capacitar indivíduos para que façam escolhas sábias? Preparar cidadãos para entrar numa força de trabalho produtiva?). Quem deve deter a responsabilidade primordial de formular a política educativa? (Filósofos, autoridades religiosas, governantes, uma elite científica, psicólogos, pais ou autarquias locais?). Quem deve ser educado? (Todos por igual? Cada um segundo o seu potencial? Cada um segundo as suas necessidades?). Como é que a estrutura do conhecimento afeta a estruturação e a sucessão das aprendizagens? (Será que é a experiência prática, ou a matemática, ou a história, que deve fornecer o modelo de aprendizagem?). Que interesses devem guiar a escolha de um currículo? Como devem as dimensões intelectual, espiritual, cívica, moral, artística, psicológica e técnica da educação estarem relacionadas entre si? Dado as concepções das finalidades e orientações da educação, que permanece ativamente inserida e expressa nas nossas crenças e nas nossas práticas.
  • 7.
    7 Fornece-nos a compreensãomais nítida das questões que nos preocupam e nos dividem. A maior parte das teorias do conhecimento — seguramente as de Descartes e de Locke — tinham, entre outras coisas, a intenção de reformar as práticas pedagógicas. A maior parte das teorias éticas — certamente as de Hume, Rousseau e Kant — tinham a intenção de reorientar a educação moral. O alcance prático das teorias políticas — as de Hobbes, Mill e Marx — não se limita apenas à estrutura das instituições, também chega à educação dos cidadãos. Sistemas metafísicos gerais — os de Leibniz, Espinosa e Hegel — fornecem modelos de investigação e, como consequência, estabelecem orientações e padrões para a educação de espíritos esclarecidos. Alguns filósofos — Locke, Rousseau, Bentham e Mill, por exemplo — fizeram dos seus programas educativos uma característica nuclear dos seus sistemas filosóficos. Outros — Descartes, Espinosa e Hume — tinham boas razões para não tornarem explícito o significado educativo dos seus sistemas. Se a política educativa é cega sem a orientação da filosofia, a filosofia é vazia se desprovida de uma atenção crítica ao seu significado educativo. Uma filosofia da educação robusta e vital incorpora inevitavelmente o todo da filosofia; e o estudo da história da filosofia obriga à reflexão sobre as suas implicações para a educação. Quem não ouviu pelo menos uma vez falar em Filosofia? Na história do pensamento, que a humanidade vem construindo ao longo do tempo, muitos foram os pensadores que deram uma definição ou um conceito para a Filosofia. Por vezes, esses conceitos foram complexos, por vezes simples; por vezes rebuscados e quase incompreensíveis. Diante deles muitas pessoas se sentem entediadas e, em vez de enfrentar o problema, preferem descartá-lo, dizendo que a Filosofia é um “jogo inútil e estéril de palavras”, ou que é “muito difícil e só serve e interessa a pessoas especiais e muito inteligentes”. Esse descrédito pode ser resumido numa frase, mais ou menos popular, que diz: “a filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo continua tal e qual”.
  • 8.
    8 Ou seja, podemospassar muito bem com ou sem a filosofia. Na história do pensamento, é que a humanidade vem construindo ao longo do tempo, os pensadores que deram uma definição ou um conceito para a Filosofia. Por vezes, esses conceitos foram complexos, por vezes simples. Diante deles muitas pessoas se sentem entediadas e, em vez de enfrentar o problema, preferem descartá- lo, dizendo que a Filosofia que é “muito difícil e só serve e interessa a pessoas especiais e muito inteligentes”. Esse descrédito pode ser resumido numa frase, mais ou menos popular, que diz: “a filosofia é uma ciência com a qual ou sem a qual o mundo continua tal e qual”. Ou seja, podemos passar muito bem com ou sem a filosofia. A Filosofia é um corpo de conhecimento, constituído a partir de um esforço que o ser humano vem fazendo de compreender o seu mundo e dar-lhe um sentido, um significado compreensivo. Corpo de conhecimentos, em filosofia, significa um conjunto coerente e organizado de entendimentos sobre a realidade. Conhecimentos
  • 9.
    9 estes que expressamo entendimento que se tem do mundo, a partir de desejos, anseios e aspirações. Quando lemos um texto de filosofia, nos apropriamos do entendimento que o seu autor teve do mundo que o cerca, especialmente dos valores que dão sentido a esse mundo. Valores esses que, por vezes, são aspirações que deverão ser buscadas e realizadas, se possível. O filósofo sistematiza as aspirações dos seres humanos que dão sentido ao dia-a-dia, à luta, ao trabalho, à ação. Ninguém vive o dia-a-dia sem um sentido: para o seu trabalho, para a sua relação com as pessoas, para o amor, para a amizade, para a ciência, para a educação, para a política etc. A filosofia é esse campo de entendimento que nos faz refletir sobre a cotidianidade dos seres humanos, desde os simples encontros com as pessoas, até a complexa reflexão sobre o sentido e o destino da humanidade. Nesse sentido, Georges Politzer definiu a filosofia “como uma concepção geral do mundo da qual decorre uma forma de agir”. No caso, a Filosofia é a expressão de uma forma coerente de interpretar o mundo que possibilita um modo de agir também coerente, consequente, efetivo. Da mesma forma, para Leôncio Basbaum, “a filosofia não é, de modo algum, uma simples abstração independente da vida. Ela é, ao contrário, a própria manifestação da vida humana e a sua mais alta expressão. Por vezes, através de uma simples atividade prática, outras vezes no fundo de uma metafísica profunda e existencial, mas sempre dentro da atividade humana, física ou espiritual, há filosofia (...) A filosofia traduz o sentir, o pensar e o agir do homem. Evidentemente, ele não se alimenta da filosofia, mas, sem dúvida nenhuma, com a ajuda da filosofia”. Todos têm uma forma de compreender o mundo, especialistas e não- especialistas, escolarizados e não-escolarizados, analfabetos e alfabetizados. Esta é
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    10 uma necessidade “natural”,do ser humano, pois que ninguém pode agir no “escuro”, sem saber para onde vai e por que vai. Só se pode agir a partir de um esclarecimento do mundo e da realidade. Esse fato é tão verdadeiro que encontramos modos de compreensão da realidade tanto no profissional de filosofia (o filósofo), quanto em qualquer pessoa que viva e reflita sobre ela, seu sentido, significado, valores etc... A prova disso está aí: de um lado, pelos sistemas filosóficos que encontramos na história do pensamento filosófico escrito da humanidade e, de outro lado, pela forma popular de compreender a vida que, normalmente, não tem registro escrito, a não ser nos poetas populares, nos trovadores etc. Certamente que a orientação valorativa (axiológica) da existência nem sempre pode significar filosofia. Quando se diz que todos têm uma “filosofia de vida”, quer dizer que nos orientamos por valores, embora nem sempre esses valores estão conscientes, explícitos. Esse direcionamento diário inconsciente pode decorrer de massificação, do senso comum, que adquirimos e acumulamos espontaneamente, sem uma reflexão crítica sobre o sentido e o significado das coisas, das ações e, portanto, não é filosofia. Certamente que outras pessoas, as gerações, formaram esse “senso” com o qual cumprimos o dia-a-dia, sem muitas vezes nos perguntarmos se ele é válido ou não, se o aceitamos efetivamente ou não, por isso o filosofar deve desenvolver-se sobre ele. O que importa ter claro, é o fato de que a filosofia nos envolve, não temos como fugir dela, pois como o ar que respiramos, está permanentemente presente. Se nós não escolhemos qual é a nossa filosofia, qual é o sentido que vamos dar à nossa existência, a sociedade na qual vivemos nos dará, nos imporá a sua filosofia. E como se diz que o pensamento do setor dominante da sociedade tende a ser o pensamento dominante da própria sociedade, provavelmente aqueles que não buscam criticamente o sentido para a sua existência assumirão esse pensamento dominante
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    11 Veja esse artigoque traz dicas para o estudo e a leitura em filosofia. http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2011/12/26/898678/10-dicas-ler- filosofia.html como o seu próprio pensamento, a sua própria filosofia. Quem não pensa é pensado por outros! Deste modo, a filosofia se manifesta como o corpo de entendimento que cria o ideário que norteia a vida humana em todos os seus momentos e em todos os seus processos. Esse corpo de entendimento é a compreensão da existência. A Filosofia, em síntese, não é tão-somente uma interpretação do já vivido, daquilo que está objetivando, mas também a interpretação de aspirações e desejos do que está por vir, do que está para chegar. Os filósofos captam e dão sentido à realidade que está por vir e a expressam como um conjunto de ideias e valores que devem ser vividos, difundidos, buscados. Eles têm uma “sensibilidade”, um “faro” mais atento para perceber o que já está se manifestando na realidade, ainda que de uma maneira tênue. O filósofo não é um profeta, mas pode ser capaz de ler nos acontecimentos do presente o significado do que está por vir, o que está a se desenvolver. O seu pensamento torna-se, assim, expressão da história que está acontecendo e enquanto está acontecendo, e compreensão do que vai acontecer. Deste modo, o pensamento filosófico manifesta-se tanto como condicionado pelo momento histórico quanto como condicionante do momento histórico subsequente, como impulsionador da ação, visando a concretização de determinadas aspirações dos homens, de um povo, de um grupo ou de uma classe. Neste sentido, a filosofia é uma força, é o sustentáculo de um modo de agir. É uma arma na luta pela vida e pela emancipação humana. A filosofia, não é só um instrumento para a compreensão do mundo e interpretação dos seus fenômenos. É
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    12 também um instrumentode ação e arma política. Esse fato é tão verdadeiro que a filosofia tem gerado, ao longo da história humana, atitudes contraditórias e paradoxais. Governos que, de um lado, alijam a filosofia como subvertedora da ordem, de outro, contratam especialistas para criarem um pensamento, uma forma de conceber o mundo que garanta a sua forma de administrar politicamente o povo e a nação. Não há como negar a filosofia sem fazer filosofia, porque para se negar o valor da filosofia dentro do mundo é preciso ter uma concepção do mundo que sustente esta negação. Os maus políticos, efetivamente, agem assim. Preferem a massificação do povo, por isso impedem o desenvolvimento do pensamento filosófico. Mas “filosofam” para sustentar sua ação deletéria contra a Filosofia. Vale lembrar os esforços dos governos totalitários na perspectiva de criar “uma filosofia capaz de justificar o sentido de sua política e propagá-la como filosofia total do universo” (Leôncio Basbaum). Em síntese, a filosofia é uma forma de conhecimento que, interpretando o mundo, cria uma concepção coerente e sistêmica que possibilita uma forma de ação efetiva. Essa forma de compreender o mundo tanto é condicionada pelo meio histórico, como também é seu condicionante. Ao mesmo tempo, é uma interpretação do mundo e é uma força de ação. Lembramos aqui a força do pensamento dos socialistas utópicos, como Robert Owen, Saint-Simon; dos socialistas científicos, como Marx e Engels; dos revolucionários, como Lênin, Mao Tse Tung, Amílcar Cabral etc. O pensamento filosófico constituído não é “limpo”, neutro, mas sim embebido de história e de seus problemas, de seus interesses e aspirações.
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    13 O “filosofar” Já vimosque quando não temos um corpo filosófico que dê sentido e oriente a nossa vida, assumimos o que é comum e hegemônico na sociedade; assumimos o “senso comum”, que é o conjunto de valores assimilados espontaneamente, na vivência cotidiana. Mas, como é que se constitui a filosofia, como se constrói esse corpo de entendimentos, que poderemos assumir criticamente como aquele que queremos para o direcionamento de nossas experiências. Em primeiro lugar, temos que superar os preconceitos sobre a dificuldade e a especialidade da filosofia, pois ela não é inútil e nem tão difícil. Logo, contrariando muitos governantes e políticos, podemos e devemos nos dedicar ao filosofar. Filosofar é simples, porém não é algo mecânico, pois na mesma medida em que estamos inventariando os valores vigentes, estamos criticando-os e reconstruindo-os. Esses momentos não são separados, pois um nasce de dentro do outro. Estudando as correntes teóricas e históricas da filosofia veem que certos entendimentos da modernidade têm vínculos com a Idade Média, e certos valores, que vivemos hoje, tiveram seus prenúncios na Idade Moderna. Da mesma forma, quando iniciamos um processo de crítica dos valores enquanto estão vigentes, mas também enquanto entre eles iniciam-se os prenúncios de certas aspirações e anseios dos seres humanos. Assim, por exemplo, Herbert Marcuse, um filósofo alemão contemporâneo, criticou os valores da sociedade industrial e propôs os valores de uma nova sociedade preocupada com uma vida menos unidirecionada para a produtividade econômica e mais voltada para a vida plena, com sentimentos, emoções, amor, vida etc. Como e por que Marcuse conseguiu se posicionar dessa forma? Porque nasceu e viveu após a Revolução Industrial, podendo inventariar e criticar os seus valores. E também por ter vivido num momento histórico em que os seres humanos estão exaustos desses valores e aspirando por outros que lhes garantam mais vida.
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    14 Marcuse entrou nacorrente do contexto em que viveu, mas isso não quer dizer que ele seja um puro reprodutor dessa época, mas sim que ele captou o “espírito” dessa época. Para filosofar é preciso não só olhar o dia-a-dia, mas ler e estudar o que disseram os outros pensadores, os outros filósofos, que poderão nos auxiliar, tirando- nos do nosso nível de entendimento e dando-nos outras categorias de compreensão. O nosso exercício do filosofar será um esforço de inventário, crítica e reconstrução de conceitos, auxiliados pelos pensadores que nos antecederam. Eles têm uma contribuição a nos oferecer, para nos auxiliar em nosso trabalho de construir nosso entendimento filosófico do mundo e da ação. Hoje, geralmente se define a Filosofia em oposição ao conceito de ciência, entendido como pesquisa empírica da realidade. Houve tempos em que a filosofia foi definida em oposição à teologia, como na Idade Média; e em outras épocas a filosofia se opunha ao conceito de mito, como entre os gregos do século V a. C. GLOSSÁRIO Etimologicamente, a palavra “filosofia” formou-se pela junção de Filos-filia” que significa “amigo” e “Sophia” que é “sabedoria, saber”, e surge na Grécia do século VI a. C., nos escritos de Pitágoras, que não querendo definir-se como “sábio”, prefere autodenominar-se “Filos-sophos” - ou seja “amigo do saber”, aquele que busca a sabedoria, “amante da sabedoria”, para ele uma denominação mais fiel à sua postura de tentar compreender a realidade de seu tempo. A filosofia consiste, então, em um conhecimento sistematizado sobre o mundo da natureza, sobre a condição humana pessoal e social, sobre a sociedade, sobre a cultura. Alcançado de maneira sistemática e disciplinada, indo além do saber comum, desconexo, fragmentado, o nível do senso comum, geralmente preconceituoso e limitado, sobre a realidade pessoal, social e da natureza.
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    15 No entanto afilosofia tem incomodado a muitos. A história registra muitas tentativas e empreitadas em destruí-la, desqualifica-la, negá-la. Os tiranos, os mistificadores, os dominantes e todos os interessados na alienação e mediocridade do povo preferem uma consciência de rebanho, de fácil manipulação, cativa e obediente, a um questionamento sistemático e profundo sobre a realidade. Não foram poucos os filósofos que pagaram com a vida ou a perda da liberdade a ousada postura de filosofar sobre o seu tempo. A proposta original da Filosofia é estabelecer uma crítica a uma determinada concepção de mundo, alinhavar alguma significação para a existência humana, pessoal e social e se tornar uma teoria de alcance eficaz no permanente processo de mudança e construção social da realidade. Não existe pensamento filosófico uniforme. Existem diversas tendências, métodos, escolas e tradições diferentes. Determinada tendência filosófica perdura enquanto existirem as condições históricas que lhe deram origem. Cabe a cada homem exercitar o seu “ser filósofo”, pôr-se em busca de uma apreensão significativa da cultura, de uma crítica leitura da realidade e de uma ação engajada no mundo. A reflexão filosófica GIRA em torno de três grandes perguntas ou questões: 1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? 2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? 3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Com efeito, o aprofundamento na compreensão dos fenômenos se liga a uma concepção geral da realidade, exigindo uma reinterpretação global do modo de pensar essa realidade. Então, a lógica formal, em que os termos contraditórios mutuamente se excluem, inevitavelmente entra em crise, postulando a sua substituição pela lógica
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    16 dialética, em queos termos contraditórios mutuamente se incluem (princípio de contradição, ou lei da unidade dos contrários). Por isso, a lógica formal acaba por enredar a atitude filosófica numa gama de contradições frequentemente dissimuladas através de uma postura idealista, seja ela crítica (que se reconhece como tal) ou ingênua (que se autodenomina realista). A visão dialética, ao contrário, nos arma de um instrumento, ou seja, de um método rigoroso (crítico) capaz de nos propiciar a compreensão adequada da realidade e da globalidade na unidade da reflexão filosófica. A importância da filosofia Vivemos em um mundo pragmático, isto é, voltado para as coisas práticas da vida, interessado na aplicação imediata dos conhecimentos. Nesse sentido a filosofia não encontra muitos adeptos e, ao contrário, é frequentemente repudiada como sendo uma teoria inútil e, consequentemente, perda de tempo. Entretanto, a filosofia é necessária. Por meio da reflexão é possível que se tenha mais de uma dimensão, ou seja, aquela que é dada pelo agir imediato no qual o homem prático se encontra mergulhado. É a filosofia que permite o distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam, levantando, consequentemente, o problema dos valores. É a filosofia que reúne o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na sua unidade. A filosofia impede a estagnação e sempre se confronta com o poder, não devendo sua investigação estar alheia à ética e à política. Nesse sentido tem a função de desvelar a ideologia, ou seja, as formas pelas quais é mantida a dominação. Aliás, atentando para a etimologia do vocábulo grego correspondente à verdade (a-létheia, a-letheúein, “desnudar”), vemos que na verdade põe a nu aquilo que estava
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    17 escondido; aí residea vocação do filósofo: o desvelamento do que está encoberto pelo costume, pelo convencional, pelo poder. FILOSOFIA E EDUCAÇÃO: CONCEITOS E ARTICULAÇÕES A educação é um típico “que fazer” humano, ou seja, um tipo de atividade que se caracteriza fundamentalmente por uma preocupação, por uma finalidade a ser atingida. A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um fim em si mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade dentro da qual ela está deve possuir alguns valores norteadores de sua prática. Não é nem pode ser a prática educacional que estabelece os seus fins. Quem o faz é a reflexão filosófica sobre a educação dentro de uma dada sociedade. As relações entre Educação e filosofia parecem ser quase “naturais”. Enquanto a educação trabalha com o desenvolvimento dos jovens e das novas gerações de uma sociedade, a filosofia é a reflexão sobre o que e como devem ser ou desenvolver estes jovens e esta sociedade. Percorrendo a História da Filosofia e dos filósofos, vamos verificar que todos eles tiveram uma preocupação com a definição de uma cosmovisão que deveria ser divulgada através dos processos educacionais. Filosofia e Educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as sociedades. Uma como interpretação teórica das aspirações, desejos e anseios de um grupo humano, a outra como instrumento de veiculação dessa interpretação. A Filosofia fornece à educação uma reflexão sobre a sociedade na qual está situada, sobre o educando, o educador e para onde esses elementos podem caminhar.
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    18 Nas relações entreFilosofia e educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente; ou não se reflete criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura vivida do dia- a-dia e assim se realiza uma ação educativa com baixo nível de consciência. O educando, quem é, o que deve ser, qual o seu papel no mundo; o educador, quem é, qual o seu papel no mundo; a sociedade, o que é, o que pretende; qual deve ser a finalidade da ação pedagógica. Estes são alguns problemas que emergem da ação pedagógica dos povos para a reflexão filosófica, no sentido de que esta estabeleça pressupostos para aquela. Assim sendo, não há como se processar uma ação pedagógica sem uma correspondente reflexão filosófica. Se a reflexão filosófica não for realizada conscientemente, ela o será sob a forma do “senso comum”, assimilada ao longo da convivência dentro do grupo. Se a ação pedagógica não se processar a partir de conceitos e valores explícitos e conscientes, ela se processará, queiramos ou não, baseada em conceitos e valores que a sociedade propõe a partir de sua postura cultural. Quando não se reflete sobre a educação, ela se processa dentro de uma cultura cristalizada e perenizada. Isso significa admitir que nada mais há para ser descoberto em termos de interpretação do mundo. É propriamente a reprodução dos meios de produção. Inconscientemente, adaptamo-nos a essa interpretação do mundo e ele permanecerá como a única para nós, se não nos pusermos a filosofar sobre ela, a questioná-la, a buscar lhe novos sentidos e novas interpretações de acordo com os novos anseios que possam ser detectados no seio da vida humana.
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    19 Filosofia e educação,pois, estão vinculadas no tempo e no espaço. Não há como fugir a essa “fatalidade” da nossa existência. Assim sendo, parece-nos ser mais válido e mais rico, para nós e para a vida humana, fazer esta junção de uma maneira consciente, como bem cabe a qualquer ser humano. É a liberdade no seio da necessidade. A Pedagogia inclui mais elementos que os puros pressupostos filosóficos da educação, tais como os processos socioculturais, a concepção psicológica do educando, a forma de organização do processo educacional etc.; porém, esses elementos compõem uma Pedagogia à medida que estão aglutinados e articulados a partir de um pressuposto, de um direcionamento filosófico. A reflexão filosófica sobre a educação é que dá o tom à pedagogia, garantindo-lhe a compreensão dos valores que, hoje, direcionam a prática educacional e dos valores que deverão orientá-la para o futuro. Assim, não há como se ter uma proposta pedagógica sem pressuposições (no sentido de fundamentos) e proposições filosóficas, desde que tudo o mais depende desse direcionamento. Para lembrar exemplos corriqueiros, a “Pedagogia Montessori”, a “Pedagogia Piagetiana”, a “Pedagogia da Libertação” do professor Paulo Freire, e todas as outras sustentam-se em um pensamento filosófico sobre a
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    20 educação. Se nemsempre esses pressupostos estão tão explícitos, é preciso explicitá-los, desde que eles sempre existem. Por vezes, eles estão subjacentes, mas nem por isso inexistentes. O estudo e a reflexão deverão “obrigá-los” a aparecer, desde que só a partir da tomada de consciência desses pressupostos é que se pode optar por escolher uma ou outra pedagogia para nortear nossa prática educacional. Texto para reflexão A MENINA QUE LÊ Certamente a menina lê. A corda frouxa entre a mão direita e o pescoço do boi - ou será um búfalo? - sugere que não há esforço e, menos ainda, perigo, embora o animal seja imenso e ela pequena. A quietude do olhar do bicho não deixa dúvidas: apesar do longo chifre, ele é manso e, mais do que apenas domesticado, é doméstico. Não fosse assim, quem o entregaria aos cuidados de uma menina pequena e descalça, que lê enquanto trabalha e caminha? Pois, pelo menos enquanto atravessam a trilha ao longo do canal, parece nem ser necessário prestar atenção ao caminho e ao trabalho e, por isso, é possível ler. O olhar dela é atento e como conhece de cor o caminho e a mansidão do bicho, pode concentrar a atenção em ler e, assim, aprender o que não sabe. Criança e camponesa possivelmente pobre, estaria a menina apenas vendo as figuras de uma revista em quadrinhos que também lá no Vietnã, em 1977, fazia as delícias das crianças de um país devastado por guerras de libertação? Parece que não. O verso quase branco das folhas sugere um caderno ou, quem sabe? Uma cartilha. A menina lê. Diversa dos dois outros meninos, que montados num segundo boi apenas viajam e fazem do trabalho o prazer do passeio, a menina parece, atenta, estudar e faz do trabalho o intervalo do ensino. A tarde é calma, a guerra, parece, acabou. E crianças e bois podem conviver em paz. Puxando por uma corda um boi, ser da natureza, mas bicho manso e cativo, logo a meio caminho entre ela e o mundo humano da cultura, a menina lê. Mergulha a atenção em um universo misteriosamente humano que, ininteligível a qualquer outro ser da natureza, transforma sinais em símbolos; sinais, como o berro que um boi dá a outro, ou como a água do canal que reflete as árvores e indica que é dia e há luz.
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    21 Transforma sinais emsímbolos, que é o que se lê; símbolos que permitem aos homens trocarem entre si mensagens, falar de ideias e discutir valores que tornam, ao mesmo tempo, a sua vida social e humana. Atenta aos estudos mais do que ao trabalho, a menina mergulha, talvez sem saber, no universo do significado. Aos poucos se apossa do instrumento do simbolismo que lhe permite viver em um contexto superior ao dos outros seres, realizado pelo trabalho humano e tornado significativo pelo saber. (Texto de Carlos Rodrigues Brandão adaptado por Franklin M. Viilela) A filosofia da educação Todos os povos têm uma educação, pela qual transmitem a cultura, seja de maneira informal ou por meio de instituições. De qualquer forma, não é sempre que o homem reflete especificamente sobre o ato de educar. Muitas vezes a educação é dada de maneira espontânea, a partir do senso comum, repetindo costumes que são transmitidos de geração em geração. Ora, se a filosofia é uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto, que se faz a partir dos problemas propostos pelo nosso existir, é inevitável que entre esses problemas estejam os referentes à educação. Portanto caberá ao filósofo acompanhar reflexiva e criticamente a ação pedagógica, de modo a promover a passagem de uma educação assistemática (guiada pelo senso comum) para uma educação sistematizada (alçada ao nível da consciência filosófica). A fundamentação teórica é necessária para que seja superado o espontaneísmo, permitindo que a ação seja mais coerente e eficaz. Aliás, é bom lembrar que o conceito de teoria não se separa do conceito de prática, que é o seu fundamento. Isto significa que a teoria não deve estar desligada da realidade, mas deve partir do contexto social, econômico e político de onde vai atuar.
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    22 Só assim épossível definir os valores e os objetivos que orientam a ação, pois não se pode teorizar sobre a educação em si, o homem em si, o valor em si. A partir da análise do contexto vivido, o filósofo irá indagar a respeito de que homem se quer formar, e quais são os valores emergentes que se contrapõem a outros valores já decadentes. Por isso o filósofo também avalia os currículos, as técnicas e os métodos a fim de julgar se são adequados ou não aos fins propostos. Por outro lado, esse acompanhamento reflexivo impede que se caia no tecnicismo, um risco que existe sempre que os meios são supervalorizados. Ao ter sempre presente o questionamento do que seja educação, a filosofia não permite que a pedagogia se torne dogmática, nem que a educação se transforme em adestramento ou qualquer outro tipo de pseudo-educação. Por isso a filosofia da educação é importante para denunciar as formas ideológicas que utilizam a educação como instrumento de dominação. A Filosofia da Educação não terá como função fixar “a priori” princípios e objetivos para a educação; também não se reduzirá a uma teoria da educação enquanto sistematização dos seus resultados. Sua função será acompanhar reflexiva e criticamente a atividade educacional de modo a explicitar os seus fundamentos, esclarecer a tarefa e a contribuição das diversas disciplinas pedagógicas e avaliar o significado das soluções escolhidas. Com isso, a ação pedagógica resultará mais coerente, mais lúcida, mais justa; mais humana, enfim. Este estudo busca as raízes históricas da Filosofia da Educação no Brasil a partir do início do século XX. Neste período se delineiam, no discurso dos educadores, as primeiras preocupações com a Filosofia da Educação e se completa com a inserção desta disciplina nos cursos de formação de professores.
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    23 O período emque se delineiam as primeiras preocupações com a Filosofia da Educação data do final do século XIX e início do século XX. Compõe-se de discussões e de um repensar sobre uma filosofia direcionada para a educação concretizando-se na inserção da disciplina Filosofia da Educação nos cursos de formação de professores. Os textos produzidos neste período divulgam a temática e deixam entrever um rico material de sentido filosófico seja nas obras de literatura, de poética, de direito, de religião, ou mesmo, nos assuntos políticos. Ainda considerando este período destacam-se as preocupações econômicas e a sua vinculação com os rumos que o país deve tomar diante das transformações internacionais, principalmente, as da Europa, o que ocasiona na arena nacional uma efervescência de ideias que ora confluem para pontos que se assemelham, ora para pontos totalmente discordantes sobre o desenvolvimento nacional. A educação, na trajetória dos acontecimentos, se pronuncia na voz dos educadores que procuram, também, uma forma de transformação que possa acompanhar os novos tempos. Nesta perspectiva, o estilo do filosofar brasileiro no âmbito educacional se caracteriza e se constitui sob a ótica de dois segmentos: o tradicional que incorpora um modelo filosófico influenciado pelo pensamento de determinados autores de modelos clássicos da filosofia ocidental e o progressista que reconhece as condições históricas que estão se apresentando e que requer uma educação inovadora. Este contexto, assim apresentado, em que a filosofia vai se pronunciando como reflexão crítica sobre a vida dos cidadãos da Polis é registrado por Aristófanes em sua sátira As Vespas. Esta peça teatral era apresentada ao público e fazia menção aos processos que se interpunham de cidadão para cidadão. As defesas ou acusações pronunciadas e julgadas publicamente tinham na argumentação e no contra argumentação as ferramentas necessárias aos cidadãos para “vencer” o processo. Neste sentido, naquele momento, era nas discussões, no seu desenvolvimento argumentativo e no contra argumentação, que se encontrava o interesse e a motivação para a reflexão filosófica. O contexto vivido por Platão permitiu-lhe definir, por meio destas argumentações reflexivas, a essência da filosofia como a que poderia
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    24 Se quiser conhecerum pouco mais sobre o pensamento de Kant, veja. http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=102 auxiliar o homem na sua formação. Portanto, desde a antiguidade, com os primeiros filósofos gregos, a filosofia apresentou-se como elemento reflexivo, crítico e argumentativo que, teoricamente e ao mesmo tempo praticamente, permitia o encaminhamento de uma pedagogia para o viver. E, neste mesmo século, é que a pedagogia vai adquirindo consistência e é assumida como uma disciplina com status de ciência. Nesta passagem, em que o status científico da pedagogia é reconhecido, definindo o seu significado e a sua função, emergem questões pertinentes à relação existente entre a Pedagogia, a Filosofia e a Educação. Esta mesma discussão fazia parte do cenário europeu desde o início do século XVIII e se fortaleceu no século XIX, quando os trabalhos de Rousseau, de Kant, de Hegel, de William James e mais tarde de Dewey, entre outros, foram elaborados no confronto dos pressupostos teóricos do racionalismo científico e da metafísica. No surgimento de novas propostas de análise, de crítica e de reflexão filosófica, Kant (1724-1804) tendo em vista o idealismo alemão formula sua concepção colocando na base dos seus pressupostos teóricos a constituição do homem pela educação na sua razão prática. O conhecimento acerca do agir e do fazer humano em relação aos seus semelhantes, era fundamental na sua obra filosófica sobre o problema do conhecimento empírico (a posteriori) e do conhecimento puro (a priori) em “A crítica da razão pura” (1781) e sobre o problema da moral em “A crítica da razão prática” (1788). As ideias de Kant, de Hegel e do evolucionismo deslumbravam os educadores, principalmente os de formação filosófica de inclinação católica.
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    25 Outros pensadores manifestaramsuas concepções no mesmo século, XVIII – XIX, que repercutiram sobremaneira no século seguinte. Fichet, por sua vez, expôs a sua tese correlacionando a educação e a política na formação do homem e destacou o apoio que a educação deveria necessariamente buscar na filosofia, quando nos seus pressupostos reforçava a ideia de que um sistema filosófico contém em si uma teoria educacional. A Filosofia e a História da Educação, no Brasil, nas décadas de 20 e de 30, ao afirmarem-se nos currículos das instituições de formação docente, assumiram dupla função: quando preservavam os fundamentos morais, apoiados nos princípios da metafísica, da teologia cristã e quando seus conteúdos eram remodelados pelas novas tendências, apoiados nos princípios e preceitos científicos veiculados pela escola nova. Sedimenta-se tendo os pressupostos filosóficos dos pensadores antes citados, Kant, Rousseau, William James e Dewey e, ainda, pela filosofia Tomista. Kant, influenciado por Rousseau e por Hume, tinha seus fundamentos apoiados na conduta do homem no seu agir e fazer como denunciantes dos problemas morais, e anunciava a autonomia e a liberdade do homem ao alcançar o “esclarecimento”, momento em que deixava a sua ignorância e desvencilhava-se da necessidade da direção de outro homem e ficava livre do seu aprisionamento à “menoridade”. Rousseau, por sua vez, revelava na sua obra Emílio ou Da Educação. A filosofia tradicional, que procura conservar os preceitos da religião cristã, e a filosofia progressista ou liberal, que procura desenvolver a formação para um homem moderno, de princípios democráticos, de responsabilidade sobre as suas ações, encontram-se explícitas nos discursos sob os pontos de vista de concepções contraditórias. Considerando a Filosofia da Educação brasileira nas suas raízes pode-se afirmar que ela se apresenta sob os aspectos de interferência internacional, quando os autores clássicos (de tradição teológica ou defensores dos aspectos tradicionais)
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    26 e os autorescontemporâneos contrapõem as suas concepções; e, por outro lado, quando se apresenta sob os aspectos coordenados pelo cenário nacional, ao manifestar as contraposições e as aproximações entre concepções tradicionais e progressistas, em momentos diferentes. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS O caminho mais adequado para o entendimento de um termo é buscar a sua origem e a sua formação. Para uma compreensão maior e mais clara das palavras tendência e pedagógica, é preciso buscar o seu significado original. ➢ TENDÊNCIA: Tem sua origem no latim, exatamente no plural de tendens, isto é, em tendentia, que literalmente significa aquilo que deve tender para, aquelas coisas que devem se inclinar para. Quer dizer: tendentia são aquelas coisas que possuem uma força interna que as inclina, que as direciona para um determinado caminho. Deste significado etimológico surgiram os diversos significados que se encontram nos dicionários: inclinação, propensão; vocação, pendor; força que determina o movimento de um corpo (na física); intenção, disposição. ➢ PEDAGÓGICO: É uma palavra derivada de pedagogo, por sua vez formada por dois termos gregos: paidion (= criança) e agogós (= escravo) e significava o escravo que acompanha a criança, que em última análise era o responsável pela educação da criança. Consequentemente, pedagógico passou a significar aquilo que é relativo à educação. ➢ TENDÊNCIA PEDAGÓGICA: Tendo em vista os significados isolados dos dois termos, pode-se dizer que Tendência Pedagógica é a inclinação que direciona o processo educacional; ou a força determinadora do caminhar do processo educacional; ou ainda, de modo mais concretamente expressivo, aquilo que determina a escolha das técnicas e do conteúdo do trabalho educacional
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    27 Segundo Libâneo, esteapresenta as diversas tendências pedagógicas divididas em dois grandes grupos, as pedagogias liberais e as pedagogias progressistas, que, podem ser assim apresentadas: PEDAGOGIAS LIBERAIS PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS Pedagogia Conservadora ou Tradicional Pedagogia Renovada Progressivista Pedagogia Renovada Não-Diretiva Pedagogia Tecnicista Pedagogia Libertadora Pedagogia Libertária Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos As Pedagogias Liberais se preocupam mais diretamente com o indivíduo, enquanto as Pedagogias Progressistas se interessam antes de mais nada pelo ambiente social em que vive o educando, como se pode perceber pelo que segue. 1. Quanto às Pedagogias Liberais, é preciso atentar para o seguinte: ➢ O termo liberal não tem o sentido de avançado, ou democrático, pois a pedagogia é uma manifestação própria da sociedade capitalista. ➢ A pedagogia liberal sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo com as aptidões individuais, através do desenvolvimento da cultura individual. ➢ A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças individuais, embora difunda a ideia de igualdade de oportunidades. ➢ A pedagogia liberal iniciou-se na forma conservadora (tradicional) e evoluiu para as formas renovadas e tecnicista. ➢ A versão conservadora se caracterizou por: acentuar o ensino humanístico de cultura geral;
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    28 por apresentar osconteúdos, a relação professor x aluno e os procedimentos didáticos sem nenhuma referência ao cotidiano do educando; por dar importância decisiva à palavra do professor, aos regulamentos e ao cultivo exclusivamente intelectual. ➢ As versões renovadas se caracterizam por: partir da afirmação de que a cultura é o desenvolvimento das aptidões individuais; defender que o ensino deve desenvolver as capacidades individuais, embora para a vida em sociedade; propor a autoeducação, o que significa: 1) aceitar que o aluno é o sujeito do conhecimento; 2) reconhecer que é mais importante a aquisição de processos de aprendizagem do que a aquisição de conteúdo; e 3) valorizar mais a iniciativa do aluno que a interferência do adulto e, consequentemente, do professor. A versão tecnicista se caracteriza por: visar exclusivamente um saber-fazer técnico-científico; dar mais importância ao setor de planejamento do que ao professor; buscar antes preparar mão-de-obra para o mercado (empresas) do que formar cidadãos. 2. Quanto às Pedagogias Progressistas, cumpre atentar para o que segue: ➢ O termo progressista é usado aqui para designar as tendências que, partindo da análise crítica das realidades sociais, sustentam as finalidades políticas da educação. ➢ Visto que não podem institucionalizar-se em uma sociedade capitalista, as pedagogias progressistas, premidas pela necessidade de transformação da sociedade, acabam fazendo da educação um instrumento de luta política dos professores. ➢ As pedagogias progressistas têm como principais expressões as versões denominadas libertadora, libertária e crítico-social dos conteúdos. ➢ As versões libertadora e libertária se caracterizam por: defender posturas pedagógicas anti-autoritárias;
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    29 valorizar a experiênciavivida como base da relação educativa; dar mais valor ao processo de aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino; enfatizar a prática educativa como prática social junto ao povo e, por isso, valorizar muito as modalidades de educação popular não formal. ➢ A versão progressista crítico-social dos conteúdos se caracteriza por: buscar ser uma síntese do tradicional, do renovado e do progressista; por atribuir maior importância à transmissão dos conteúdos do que as versões libertadora e libertária; buscar não omitir nem impedir a atividade e a participação do aluno no processo pedagógico. PEDAGOGIA LIBERAL E PEDAGOGIA PROGRESSISTA Enquanto a Pedagogia Liberal se preocupa fundamental e essencialmente com o indivíduo e seu desenvolvimento individual, a Pedagogia Progressista coloca como fundamento necessário e essencial para um verdadeiro e eficaz trabalho educacional a preocupação com os elementos sociais que envolvem a vida do educando. QUADRO DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PEDAGOGIAS LIBERAIS - QUADRO 1 TRADICIONAL TECNICISTA PAPEL DA ESCOLA Adaptação. Preparar, moral e intelectualmente, os alunos para assumirem sua posição na sociedade. O compromisso da escola é com a cultura. Os problemas sociais pertencem à sociedade. Modelar o comportamento humano. Integrar os alunos ao sistema social global. Produzir indivíduos "competentes" para o mercado de trabalho.
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    30 CONTEÚDO DE ENSINO Conhecimentos evalores tradicionais acumulados pelas gerações adultas. Informações, princípios científicos, leis etc. estabelecidos e ordenados em sequência lógica e psicológica por especialistas. Visa um saber-fazer-técnico-científico. MÉTODO Expositivo - 5 passos formais de Herbert: a) Preparação; b) Apresentação; c) Associação; d) Generalização; e) Aplicação. Método científico (Spencer). Metodologia tecnicista e abordagem sistêmica abrangente. Tecnologia educacional: instrução programada, planejamento, audiovisuais, programação de livros didáticos, avaliação científica etc. RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO Autoritária: o professor transmite e o aluno ouve passivamente. (Educação centrada no professor: Magister dixit.) Técnica-diretiva, com relações estruturadas e objetivas e com papéis definidos. O professor, gerente, administrador, é um elo De ligação entre a verdade científica e o aluno, ser responsivo. Ambos são espectadores frente à verdade objetiva. (Ensino centrado no controle das condições que cercam o aprendiz, nas análises das condições de vida). PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM A capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto (menos desenvolvida). Ensinar é repassar conhecimentos. A aprendizagem é receptiva e mecânica. A retenção da matéria se dá pela repetição. Avaliação oral e escrita (provas, exames...). Reforço mais negativo que positivo, punição. Aprender é modificar o desempenho face a objetivos preestabelecidos. O ensino é um processo de condicionamento através do reforço das respostas desejáveis. Aumentar o controle das variáveis que afetam o aprendiz. Motivação: externa, estímulos, reforço. (Embasamento teórico: Skinner, Gagné, Bloom, Mager.) MANIFESTAÇÃ O NA PRÁTICA ESCOLAR Viva e atuante em nossas escolas tradicionais, religiosas ou leigas que adotam orientação clássico humanista ou humano científica (esta, mais predominante em nossa história educacional). Os marcos da implantação e o modelo tecnicista são: a Lei 5.692/68, que reorganiza o ensino superior, e a Lei 5.692/71, que fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º Graus, embora sua influência remonte ao Programa Brasileiro Americano de Auxílio ao Ensino Elementar - PABAEE (meados de 1950). Os professores da escola pública, apesar da legislação, não assimilaram a pedagogia tecnicista, pelo menos em termos de ideário, ainda que tenham aplicado a sua metodologia. O exercício profissional continua mais para uma postura eclética baseada nas pedagogias tradicional e renovada.
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    31 PEDAGOGIAS LIBERAIS -QUADRO 2 RENOVADA PROGRESSIVISTA RENOVADA NÃO-DIRETIVA PAPEL DA ESCOLA Adequar as necessidades individuais ao meio social. Retratar, o quanto possível, a vida. Promover integração por experiência. Formar atitudes. Criar um clima favorável ao autodesenvolvimento e realização pessoal. (Preocupação maior com problemas psicológicos que com problemas pedagógicos ou sociais.) CONTEÚDO DE ENSINO Experiências vivenciadas, desafios cognitivos e situações problemáticas. "Aprender a aprender". O processo de aquisição do saber é mais importante que o próprio saber. Processos de desenvolvimento das relações e das comunicações. Facilitação de meios para que os alunos busquem, por si mesmos, os conhecimentos. Incentivo à pesquisa baseada nos interesses. MÉTODO Ativo - "Aprender fazendo"; experimental; de solução de problemas; de projetos; centro de interesse; trabalho em grupo; pesquisa; estudos dos meios natural e social. Terapêutico - Os métodos pedagógicos são dispensados, prevalecendo o esforço do professor para facilitar a aprendizagem dos alunos. Técnicas de sensibilização. Processos para melhorar o relacionamento interpessoal. RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO Democrática: o professor, facilitador, deve auxiliar o desenvolvimento do aluno que, por sua vez, participa e respeita as regras do grupo. (Educação centrada na vivência) Relações Humanas: o professor é um "facilitador" que deve "ausentar-se" em respeito ao aluno (Educação centrada no aluno) PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM Aprender é uma atividade de descoberta. Respeito às disposições internas e aos interesses dos alunos. O ambiente deve ser um meio estimulador, propiciando a auto- aprendizagem. Motivação: interna e externa. Avaliação: fluida, expressa pelo reconhecimento do professor dos esforços e êxitos dos alunos. Aprender é modificar suas próprias percepções. Valorização do "eu" e da autorealização. Motivação interna. Auto-avaliação.
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    32 MANIFESTAÇÃO NA PRÁTICA ESCOLAR Aplicação reduzida,por ser nossa prática pedagógica basicamente tradicional. Algumas escolas adotam os métodos de Montessori, Decroly, Dewey ou o ensino baseado na psicologia genética de Piaget (educação préescolar). Também as escolas "experimentais", "escolas comunitárias", e a "escola secundária moderna", na versão de Lauro de Oliveira Lima. As ideias de Carl Rogers influenciaram muitos educadores, principalmente orientadores educacionais e psicólogos escolares que se dedicam ao aconselhamento. A escola de Summerhill, do educador inglês A. Neill, também teve alguma influência entre nós. PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS - QUADRO 1 LIBERTADORA LIBERTÁRIA PAPEL DA ESCOLA Através de situação "não formal", professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo de aprendizagem, atingem um nível de consciência crítica a fim de buscarem uma transformação social. Rejeição da educação "bancária" (tradicional) e da educação renovada (libertação psicológica), ambas domesticadoras. Transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e auto gestionário. Criar mecanismos institucionais de mudanças que preparem os alunos para atuarem em instituições "externas". Resistir à burocracia que retira a autonomia da escola. CONTEÚDO DE ENSINO "Temas geradores", extraídos da problematização da prática de vida dos educandos. (Educação com caráter político.) Não há conteúdo propriamente dito predeterminado, mas do interesse do aluno, conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo (mecanismos de participação crítica), levando à descoberta de respostas às necessidades e às exigências da vida social. MÉTODO Diálogo. Discussão em grupo ("grupo de discussão") Autogestão (vivência grupal). Experiências vividas. Contatos: discussões, assembleias, cooperativas e outras formas de participação e expressão pela palavra; organização e execução do trabalho.
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    33 RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO Não diretividade. Educador eeducando como sujeitos do ato de conhecimento. O professor é um animador que caminha "junto" num trabalho de "aproximação de consciência". Não diretiva. O professor é um orientador, um conselheiro e um catalizador que se mistura ao grupo para uma reflexão em comum. PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM Aprender: ato da realidade concreta. Passos da aprendizagem: codificação- decodificação, e problematização da situação. Aproximação crítica da realidade do educando. Chegar ao conhecimento pelo processo de compreensão, reflexão e crítica. Auto-avaliação. Uso prático do saber. Aprendizagem informal, via grupo. Motivação: interesse em crescer dentro da vivência grupal. Não há avaliação. MANIFESTAÇÃO NA PRÁTICA ESCOLAR As ideias de Paulo Freire têm influenciado sindicatos e movimentos populares. Alguns grupos atuam não apenas no nível da prática popular, como também por meio de publicações, independentes das ideias originais da pedagogia libertadora. Apesar de ter sido formulada, teoricamente, para a educação de adultos ou para a educação popular, em geral, muitos professores vêm tentando colocar em prática a pedagogia libertadora em todos os graus de ensino formal. Abrange quase todas as tendências antiautoritárias em educação: a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e a dos professores progressistas. Entre outros, podemos citar os seguintes autores libertários: Lobrot, C. Freinet, Vasques, Oury, Miguel Gonzales Arroyo e Ferrer y Guardia. Maurício Tragtenberg, apesar de um enfoque menos pedagógico e mais crítico das instituições, em favor de um projeto autogestionário, destaca-se como estudioso e divulgador da tendência libertária. PEDAGOGIAS PROGRESSISTAS - QUADRO 2 CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS PAPEL DA ESCOLA Transmissão de conteúdos vivos, concretos, indissociáveis das realidades sociais. Instrumento de apropriação do saber, a serviço dos interesses populares. A educação é "uma atividade mediadora no seio da prática social global". (D. Saviani). Preparar o aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo lhe um instrumental (conteúdos e socialização) para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade.
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    34 CONTEÚDO DE ENSINO Conjunto deconhecimentos prontos, selecionados entre os bens culturais da humanidade (saber universal autônomo) reavaliados face às realidades sociais, com funções formativas e instrumentais. Postura da pedagogia "dos conteúdos" - obter o acesso do aluno aos conteúdos, ligando-os à experiência concreta deles - é a continuidade; ao mesmo tempo, proporcionar elementos de análise crítica que ajudem o aluno a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as pressões difusas da ideologia dominante - é a ruptura. MÉTODO Métodos participativos baseados em uma relação direta da experiência do aluno, confrontada com o saber trazido de fora (subordinação ao conteúdo). Vai-se de uma ação à compreensão e desta à ação, até a síntese, unindo a teoria à prática. RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO Relação de interação diretiva (provimento de condições ideais de trocas). O professor é um mediador, intervencionista. O aluno participa do processo confrontando sua experiência com os conteúdos expressos pelo professor. PRESSUPOSTOS DE APRENDIZAGEM Prontidão. Todo conhecimento novo deve apoiar-se numa estrutura cognitiva já existente (aprendizagem significativa). Capacidade para processar informações. Avaliação: comprovação do progresso do aluno em direção a noções mais sistematizadas. MANIFESTAÇÃO NA PRÁTICA ESCOLAR Inúmeros professores da rede escolar pública que se ocupam de uma pedagogia de conteúdos articulada com a adoção de métodos que favoreçam a participação dos alunos, muitas vezes, sem saber, avançam na democratização efetiva do ensino para as camadas populares. No Brasil, destaca-se Saviani que vem desenvolvendo investigações relevantes, no sentido de colocar a educação "a serviço da transformação das relações de produção", "da democratização da sociedade brasileira, atendendo aos interesses das camadas populares". Podemos citar a experiência pioneira do educador russo Makarenko. Entre os autores atuais, estão: B. Charlot, Suchodolski, Manacorda e, especialmente, G. Snyders. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO SÉCULO 20 A educação tem se tornado, cada vez mais, uma preocupação dos grupos dirigentes de todos os povos. Isto aparece claramente no século 20. Os administradores públicos e privados e os estudiosos dos mais diversos ramos têm escrito expressando ideias as mais diversas e, às vezes, contraditórias sobre esta atividade tão importante para os caminhos da sociedade. Entre os educadores as
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    35 principais reflexões sobrea educação se encontram em teorias como Escola Nova, Tecnicismo, Desescolarização da Sociedade, Crítico-Reprodutivismo e Progressismo, estudadas a seguir. A ESCOLA NOVA No final do século 19 e começo do século 20, com o desenvolvimento de novas ciências (biologia, sociologia, psicologia) surge a necessidade de adequar a educação a um mundo em transformação. Aparece, então a Escola Nova, que se apresenta como um esforço para superar a pedagogia da essência pela pedagogia da existência, se constituindo, assim, em uma pedagogia de caráter predominantemente psicológico. Quer dizer: o educando é antes sujeito que objeto da educação. CARACTERÍSTICAS GERAIS A Escola Nova representou uma verdadeira inovação no campo da educação. Suas propostas atingem os vários itens que constituem a prática educativa. Assim: ➢ Na relação professor-aluno: é alunocêntrica (o aluno é ativo e o elemento mais importante do processo), enquanto o professor é um facilitador que deve despertar o interesse do aluno e provocar a sua curiosidade. ➢ Quanto ao conteúdo: é mais importante o modo de aprender do que o próprio aprender; é mais válido aprender a aprender do que aprender! ➢ Quanto à metodologia: de modo geral, propõe que as atividades sejam centradas no aluno, valorizando a sua espontaneidade e as suas iniciativas; se preocupa com a individualização das atividades e introduz alguma socialização ao promover os trabalhos em grupo, muito embora sempre em função do
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    36 desenvolvimento individual; emalgumas escolas específicas, que privilegiam a pedagogia da ação, são criados setores pedagógicos típicos, como horta, laboratório, oficina, imprensa; os jogos são vistos não como opostos ao trabalho, mas como facilitadores da aprendizagem. ➢ Quanto à avaliação: insiste em que esta é um processo válido para o aluno e se constitui em uma das etapas da aprendizagem; não deve contemplar apenas o intelectual, mas também a aquisição de habilidades e a formação de atitudes; a competição tende a ser substituída pela cooperação. ➢ Quanto à disciplina: tem o seu valor relativizado na medida que a escola prepara para a autonomia; por isso, há um afrouxamento quanto à importância das normas e uma abertura no sentido de estimular a responsabilidade e a capacidade de crítica; busca uma disciplina que seja antes uma aceitação (vontade) que uma pura submissão a ordens impostas. CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS: A Escola Nova é uma expressão típica da sociedade liberal que aparentemente dá chances iguais a todos de acordo com suas possibilidades intelectuais, mas que na realidade reproduz o sistema, privilegiando a elite. A ênfase na qualidade e em processos dispendiosos torna a escola cada vez mais elitista. A crítica inadequada ao autoritarismo da Escola Tradicional resultou na ausência de disciplina. Uma das suas piores consequências foi o puerilismo, supervalorização da criança (aluno) e minimização do papel do professor. Além disso, a proposta escolanovista propiciou a confusão entre ensino, pesquisa e aprendizagem.
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    37 Veja um poucomais sobre John Dewey. https://novaescola.org.br/conteudo/1711/john-dewey-o-pensador-que-pos-a-pratica-em-foco PRINCIPAIS EDUCADORES A Escola Nova foi criada por DEWEY (1859-1952), educador norte-americano. No mundo são escolanovistas Kilpatrick, Claparède, Decroly, Montessori, Lubienska. No Brasil, Fernando de Azevedo, (1894-1974) Anísio Teixeira (1900-1971) e Lourenço Filho (1897-1970). ESCOLA TECNICISTA A crítica da escola tradicional, aliada à não aceitação das propostas escolanovistas, fez surgir a ideia de que a escola, para se tornar eficaz, deveria assumir o modelo empresarial, isto é, deveria seguir o modelo de racionalização e produção da empresa capitalista. É a tendência tecnicista que, iniciada nos Estados Unidos, é introduzida no Brasil através de diversos acordos bilaterais, inicialmente sigilosos. Sua implementação foi buscada com maior insistência a partir de 1964 e aparece com maior evidência nas leis 5540/68 e 5692/71. CARACTERÍSTICAS GERAIS: O tecnicismo se mostra através das seguintes notas: ➢ O objetivo da escola é preparar mão-de-obra qualificada para a indústria. ➢ O conteúdo das diversas disciplinas deve ser o conjunto de informações e conhecimentos "científicos" (de preferência das "ciências exatas") a serem transmitidos aos alunos. ➢ O método é o taylorista, que supõe uma divisão rígida das tarefas, uma ênfase no planejamento racional com estabelecimento de objetivos institucionais
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    38 muito claros einsubstituíveis e com valorização exagerada dos meios técnicos (audiovisuais). ➢ A avaliação visa exclusivamente verificar se os objetivos propostos estão sendo atingidos. ➢ A relação professor-aluno é fria, dispensando-se as discussões e os debates; o professor é um técnico que transmite informação técnica objetiva. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS: A tendência tecnicista tem seus fundamentos teóricos sobretudo no positivismo e no "behaviorismo". CRÍTICAS: O tecnicismo foi e continua sendo de difícil implantação pois os professores ou foram (e muitos ainda são) de formação tradicional ou já estão imbuídos de pensamento escolanovista ou mesmo progressista. Além disso, o tecnicismo: • Burocratiza o ensino, insistindo em objetivos detalhados para cada passo do programa. • O professor se torna um mero executor de textos vindos do setor do planejamento. • Camufla e fortalece estruturas de poder com sua pretensa despolitização (neutralidade técnica), pois substitui a participação democrática pela decisão de poucos (os técnicos do setor de planejamento). DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE A desescolarização da sociedade é uma proposta de Ivan Illich (1926) que, fazendo coro com as críticas à escola tradicional e à escola nova, propõe a eliminação da escola.
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    39 CRÍTICAS À ESCOLA Illichfaz as seguintes considerações: ➢ A escola está em crise e a solução dos seus problemas não está na promoção de reformas dos métodos e currículos, nem na crítica ao seu elitismo; a solução está na destruição da escola. ➢ A escola é uma das instituições criadas para proteger e dirigir as ações humanas e que, por isso, infantiliza o ser humano que se torna sempre mais dependente de especialistas. A escola escraviza mais do que a família, pois se apoia em uma estrutura organizada, fortemente hierarquizada, em rituais de provas e exames e no mito do diploma. ➢ A existência da instituição escolar se baseia na premissa falsa de que a criança só aprende (para valer) na escola. ➢ A escola é uma promessa que não se cumpre: vive o paradoxo de que querer preparar para o mundo, ao mesmo tempo que corta os contatos da criança com ele. ➢ A escola só fornece a aprendizagem da hierarquia (dos que estão acima). ➢ A escola é cúmplice do mito do progresso, da competência, do consumo, perpetuando as desigualdades sociais. A PROPOSTA - SOCIEDADE SEM ESCOLAS Illich propõe, para desescolarizar a sociedade, o que segue: Destruir o culto à máquina; ➢ Substituir o sistema escolar pelo sistema de convivialidade: redes de comunicações culturais que facilitem o encontro de pessoas interessadas no mesmo assunto;
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    40 ➢ Abolir opoder de uma pessoa proibir outra de participar de qualquer tipo de reunião; ➢ Afirmar o direito de qualquer pessoa promover qualquer tipo de reunião. CRÍTICAS à PROPOSTA DE DESESCOLARIZAÇÃO O grande mérito de Illich está em levantar a questão da validade da escola. Há, porém, alguns reparos: A sua crítica se refere, sem dúvida, a uma escola de característica tradicional. ➢ As instituições não são necessariamente um mal para a sociedade. ➢ O mito da competência e a especialização, quando não redundam em forma de poder e de manipulação, podem ajudar o ser humano a sair da privação e da penúria. ➢ O projeto de Illich possui uma dimensão individualista. ➢ O ideal de convivialidade repousa na convicção ingênua de supor que o sistema de redes escapa às pressões e às contradições de interesses estabelecidos. TEORIAS CRÍTICO - REPRODUTIVISTAS CONCEITUAÇÕES REPRODUTIVISMO: O conceito reprodutivismo surgiu, no âmbito educacional, em função da contradição entre a postura ingênua que afirmava ser a educação um instrumento de equalização dos membros de uma comunidade e o verdadeiro papel exercido por ela dentro da sociedade. No primeiro caso, a escola seria um fator de democratização e universalização do saber, contribuindo para desfazer injustiças
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    41 sociais e tornandoiguais as chances de desenvolvimento de indivíduos de classes diferentes. Na realidade, a escola tem exercido um papel de mera reprodutora. É reprodutivista, pois, ao invés de democratizar, reproduz as diferenças sociais perpetuando o status quo e, portanto, é uma instituição altamente discriminadora e repressiva (Aranha, 128). Assim, entende-se como reprodutivismo a caracterização da escola que a considera reprodutora das diferenças sociais e perpetuadora das injustiças sociais. CRÍTICO-REPRODUTIVISMO: É aquele grupo de tendências pedagógicas que analisam o trabalho da escola e concluem que a mesma exerce uma função reprodutora da sociedade, com suas injustiças. Fazem-lhe, pois, uma crítica severa e enfocam as várias modalidades de sua instrumentalização, que podem ser concentradas em três linhas de instrumentalização. ➢ Escola - instrumento de violência simbólica. ➢ Escola - aparelho ideológico de estado (AIE). ➢ Escola - instrumento da divisão dualista da sociedade (Escola Dualista) ESCOLA ENQUANTO INSTRUMENTO DA VIOLÊNCIA SIMBÓLICA Para entender a posição dos autores que consideram a escola um instrumento de violência, é preciso, antes, atentar para o significado de violência.
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    42 NOÇÃO DE VIOLÊNCIA:Violência segundo os dicionários é o ato de violentar. Violentar, por sua vez, é forçar, coagir, constranger. A partir dessa noção descobriu- se que existem várias formas de violência, que podem ser reduzidas a duas: ➢ Violência material: é a violência física, praticada com meios materiais, através da coerção, com ameaça de castigo, ou através da imposição da força física. A violência material é sempre explícita! ➢ Violência simbólica: é a violência que se exerce mediante o uso de forças simbólicas, isto é, mediante aquelas forças que levam as pessoas a pensarem e a agirem sem se darem conta de que estão sendo conduzidas. As forças simbólicas agem sobretudo através das ideias transmitidas pela comunicação cultural (teatro, televisão, cinema, jornais, revistas etc.), pela doutrinação política e religiosa, pelas práticas esportivas e pela educação escolar. A violência simbólica é sempre implícita!
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    43 A VIOLÊNCIA DAESCOLA Bourdieu e Passeron, educadores franceses da atualidade, analisaram o papel da escola e chegaram à conclusão de que a escola é, de fato, uma reprodutora de um determinado tipo de sociedade, usando para isso da violência simbólica. Seus estudos levaram às seguintes conclusões: ➢ A escola é um reflexo da sociedade, pois não é uma ilha separada do seu contexto social, que marca os indivíduos de maneira inevitável e quase irreversível. ➢ A escola reproduz os privilégios já existentes na sociedade, favorecendo os já socialmente favorecidos. ➢ A escola não democratiza; reafirma os privilégios; isto aparece claramente quando se vê que frequentam o universo escolar dois tipos de pessoas (crianças sobretudo): ➢ Crianças vindas das classes privilegiadas: por receberem uma educação familiar (informal) muito próxima daquela que receberão na escola, estão prontas para tirar proveito da escola, estão prontas para o sucesso. ➢ Crianças vindas das classes desfavorecidas: sua educação familiar (informal) está muito longe daquela que tentarão passar-lhes na escola e, assim, estão destinadas ao não aproveitamento, estão preparadas para o insucesso. ➢ O insucesso escolar é geralmente mascarado e mistificado, recorrendo- se ao conceito de desigualdades naturais. ➢ A ideologia dos dotes dissimula a imposição da cultura da classe dominante sobre a cultura da classe dominada.
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    44 ESCOLA ENQUANTO APARELHOIDEOLÓGICO DE ESTADO Esta visão da escola tem como principal pensador Louis Althusser. Para ele, na sociedade capitalista, a escola, ao mesmo tempo que ensina um saber prático que proporciona a qualificação da força de trabalho, reproduz a ideologia da classe dominante, pois só assim será feita reprodução qualificada da força de trabalho adequada ao sistema capitalista. A escola torna-se instrumento de dominação ideológica e por isso é um dos elementos do aparelho ideológico de estado (AIE). Isso se torna mais claro com o entendimento da função da ideologia na vida social. FUNÇÃO DA IDEOLOGIA A sociedade capitalista é constituída por duas classes sociais antagônicas: a dominante, detentora dos meios de produção, e a dominada, a força de trabalho. Aquela domina esta através da ideologia, que mascara a exploração e transforma os valores da classe dominante em valores universais, dificultando o desenvolvimento do pensar próprio da classe dominada. A classe dominante usa instrumentos de dominação para conservar os seus privilégios. INSTRUMENTOS DE DOMINAÇÃO O Estado, na sociedade capitalista, tem a função de resguardar os interesses da classe dominante e reprimir os anseios da classe dominada. Para o exercício dessa função possui dois tipos de aparelhos: repressivos uns, ideológicos outros. ➢ Aparelhos Repressivos de Estado (ARE): são aqueles aparelhos que funcionam por meio de algum tipo de violência. Inclui a administração pública, a polícia, os tribunais, as prisões. ➢ Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE): são aqueles que utilizam da ideologia para defender e preservar os objetivos da classe dominante. Distribuem-se
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    45 por diversos setoresdas atividades humanas: AIER, AIEE, AIEF, AIEJ, AIEP, AIES, AIEI, AIEC. ➢ Aparelho Ideológico de Estado da Escola (AIEE): entre os AIEs. O AIEE tem um papel preponderante, pois a escola não possibilita chances iguais a todos. Ao contrário, determina de antemão a reprodução das classes sociais, pois, de um lado, inculca a ideia de que uns são destinados a dominar; de outro, reprime as aspirações de ascensão daqueles que foram sempre dominados. A TEORIA DA ESCOLA DUALISTA É um modo específico de ver o trabalho escolar muito próximo da teoria da escola enquanto AIE. Baudelot e Establet, os dois educadores franceses que estabeleceram as bases da Teoria Dualista, fazem as seguintes considerações: ➢ Não existe uma escola única, isto é, uma escola que vise trabalhar os educandos para que todos possam atingir um mesmo nível educacional. Existem duas escolas que se diferenciam quanto ao número de anos de estudos, quanto aos itinerários e aos fins do processo educacional. Estas duas escolas são heterogêneas e antagônicas. ➢ As duas escolas aparecem mais claramente como duas grandes redes de escolaridade: Rede SS (secundária superior): visa levar os alunos à universidade. Rede PP (primária profissionalizante): acaba no primeiro grau e visa levar o aluno imediatamente ao trabalho (manual). ➢ A divisão da escola em duas redes reafirma a divisão entre trabalho intelectual (rede ss) e trabalho manual (rede pp), porque nessa dicotomia repousa a possibilidade material da manutenção da estrutura social capitalista. ➢ A escola tem duas funções: ➢ Determinar a orientação dos alunos para uma ou outra rede.
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    46 ➢ Inculcar aideologia burguesa para conter e dominar os anseios de uma nova ideologia fundada nos anseios dos proletários. CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS BRASILEIROS Alguns pensadores brasileiros fizeram uma crítica do nosso processo educacional que os aproxima dos crítico-reprodutivistas citados. São eles: Bárbara Freitag, Maria de Lourdes Deiró Nosella e Luis Antônio Cunha. CRÍTICA ÀS TEORIAS CRÍTICO-REPRODUTIVISTAS Os autores crítico-reprodutivistas fazem uma análise válida quando levantam a problemática da função da escola em uma sociedade dividida em classes. Sua crítica, porém, pode conduzir a um pessimismo imobilista, pois esquecem que as contradições precisam ser percebidas para possibilitar o surgimento de novas propostas, o que acontece com as cha madas tendências progressistas. Esquecem também os crítico-reprodutivistas que o saber, por pequeno que seja é sempre sementeira. Vale dizer: a escola também pode ser um campo de luta e de rompimento, de onde podem surgir novas propostas para a vida social. AS TEORIAS PROGRESSISTAS As Teorias Progressistas surgiram como reação e superação do Crítico- reprodutivismo. Este fez uma crítica severa da Escola Tradicional e da Escola Nova e descobriu o caráter ideológico da educação. Mas, fez também surgir uma sensação de impotência, pois ateve-se a uma postura negativista. As Teorias Progressistas surgem, por conseguinte, como a busca de novos caminhos. É um movimento muito recente e não é fácil determinar as suas linhas fundamentais, pois a própria
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    47 denominação progressismo, criadapor Georges Snyders, não é aceita por todos que nela poderiam ser inseridos. CARACTERÍSTICAS GERAIS Apesar das diversidades presentes nas propostas dos seus educadores, o Progressismo apresenta muitos pontos comuns a todas elas: Busca superar as Teorias Crítico-reprodutivista propondo a construção de uma pedagogia social crítica. Afirma a necessidade de uma consciência da existência de relações sociais de opressão, para a busca de uma nova ação pedagógica. Propõe uma crítica constante de alguns elementos do processo educacional, visando uma função mais adequada para os mesmos: Escola: seu verdadeiro significado está em ser um local de socialização do saber; é um elemento de continuidade, mas também de ruptura; tem um papel transformador quando enfatiza como um dos meios para uma vida social melhor organizada a alfabetização. Saber: não deve ser abstrato, e sim integrado à prática social global; deve possibilitar a superação da dicotomia teoria x prática. Trabalho: deve ser parte integrante do processo educacional, pois homem se forma pelo trabalho e deve ser formado para o trabalho; a educação precisa levar, também através de atividades práticas (oficinas), a compreender o fazer, o que fará surgir a consciência crítica do mundo físico e social; a educação para o trabalho tem também o objetivo de possibilitar a superação da dicotomia cultura erudita x cultura popular. Professor: ➢ É um elemento chave no processo educacional; ➢ Sua formação tem importância especial e precisa despertar
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    48 ➢ A consciênciada educação como prática social transformadora; ➢ Sua ação deve estender-se para além da sala de aula, ➢ Afirmando a validade da ação política em favor da escola pública. RISCOS DAS PROPOSTAS PROGRESSISTAS Conquanto sedutoras, as propostas pedagógicas progressistas incluem alguns perigos: Politicismo pedagógico: O Progressismo parte do princípio de que não existe educação apolítica. Os polos educação e política são complementares e indissociáveis, o que é inegável. No entanto, a ênfase dada à necessidade da ação política pode levar ao descuido do trabalho propriamente pedagógico, tornando prioritária, e mesmo exclusiva, a ação político-partidária do professor. Assistencialismo: Por causa das muitas e variadas carências das camadas populares é grande a tentação de se recorrer à chamada educação compensatória, que desvia a ação da escola para atividades que são próprias de outros órgãos do Estado, como é o caso, por exemplo, da merenda escolar. Falsa democracia na sala de aula: ao acentuar posturas que são antiautoritárias, ao estimular a superação do individualismo a partir do diálogo (trabalhos em grupo) e ao incentivar a prática constante da corresponsabilidade, o Progressismo pode levar à exclusão do papel de líder organizador, que deveria caracterizar o Professor.
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    49 PRINCIPAIS EDUCADORES PROGRESSISTAS Ospensadores progressistas são muito numerosos, o que testifica busca contínua do aperfeiçoamento do trabalho educacional. Aqui vamos apresentá-los divididos da seguinte maneira: Pioneiros e estrangeiros em geral: ➢ MAKARENKO (1888 - 1939): Educador russo (soviético) fundador de uma colônia para recuperação de menores infratores; autor da obra Poema pedagógico, defende a importância do coletivo no trabalho pedagógico. ➢ PISTRAK: Educador russo-soviético, buscou estabelecer os fundamentos da escola do trabalho. ➢ Antônio GRAMSCI: intelectual italiano, discutiu a questão das relações entre os trabalhadores intelectuais e os trabalhadores manuais. ➢ SUCHODOLSKI: estudou a diferença entre as pedagogias essencialista e existencialista. ➢ CHARLOT: Estudou a questão dos processos ideológicos da educação. ➢ Outros: CELESTIN, FREINET, SNYDERS, GIROUX, MANACORDA, LOBROT. ➢ Brasileiros: se apresentam em diversas subtendências: ➢ PEDAGOGIA LIBERTADORA: defende uma educação para a conscientização da necessidade de libertar-se de uma situação de vida opressora. PAULO FREIRE é seu principal pensador. ➢ PEDAGOGIA LIBERTÁRIA: propõe uma escola que se caracterize pela autogestão não-diretiva, para formar grupos de influência política que construam uma sociedade mais igualitária. ➢ PEDAGOGIA CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS: Vê a escola como o local de aquisição dos conteúdos acumulados, que devem ser apropriados de forma crítica e também socializados a fim de servirem aos interesses de toda a
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    50 população, sem privilégios,visando a democratização da sociedade. SAVIANI, LIBÂNEO e C. R. CURY. ➢ PEDAGOGIA DO CONFLITO: A educação é um processo dialético. GADOTTI.
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    51 REFERÊNCIAS ARANHA, Mª LúciaArruda - Filosofia da Educação, 2ª ed., S. Paulo, Moderna, 1997 CHAUI, Marilena - Convite à Filosofia, S. Paulo, Ática. BRANDÃO, Carlos Rodrigues - A Educação como Cultura, S. Paulo, Brasiliense, 1985. ELIADE, Mircea – Mito e Realidade, São Paulo, Editora Perspectiva, 1972 FREIRE, Paulo – Pedagogia da Autonomia, São Paulo, Paz e Terra, 1997 Educação Como Prática da Liberdade, 17ª Ed., São Paulo, Paz e Terra, 1986 HUISMAN, D. e VERGEZ, André – Curso Moderno de Filosofia, 4ª Ed., Rio de Janeiro, Freitas Bastos, 1972. LANGER, Susanne K. – Filosofia em nova chave, São Paulo, Perspectiva, 1971 LUCKESI, Carlos C. - Filosofia da Educação, S. Paulo, Cortez, 1990. MARITAIN, Jacques - Rumos da Educação, Rio de Janeiro, Agir, 1959. MARTINS, José Salgado - Preparação à Filosofia, Porto Alegre, Globo, 1973. MORIN, Edgar – Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro, 2ª edição, São Paulo, Cortez Editora, 1999. A Cabeça Bem-Feita, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000. PINTO, Álvaro Vieira – Sete Lições Sobre Educação de Adultos, 9ª Ed., São Paulo, Cortez, 1994. SAINT-EXUPERY, Antoine de – Terra dos Homens, 16ª Ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1972. SANTO, Ruy C. do Espírito – O Renascimento do Sagrado na Educação, Campinas, Papirus, 1998 SAVIANI, Dermeval - Educação: do senso comum à consciência filosófica, S. Paulo, Cortez, 1985