SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 20
Baixar para ler offline
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

                                  ARGUMENTAÇÃO E LÓGICA FORMAL
LÓGICA:

A lógica estuda condições de validade do pensamento, abstraindo-se do seu conteúdo, ou seja, procura
explicitar os princípios que estão na base do pensamento coerente. Ciência que estuda os argumentos
(encadeamentos de proposições) para estabelecer regras de pensamento válido.

                                     Os répteis são astronautas.
                      Argumento      Os astronautas são vegetais.
                                     Logo, os répteis são vegetais.

LÓGICA ESPONTÂNEA:
         A lógica espontânea é inata e natural ao Homem. É comum a todos nós e é fruto de elementos
culturais de cada povo. Brota do facto de o Homem seguir uma ordem incontrolável e impulsiva para
chegar ao conhecimento das coisas como são. Diz respeito ao caminho que a razão humana segue para
conhecer as coisas. Para pensarmos e comunicarmos com correção.

UTILIDADE DA LÓGICA:
    › Ajuda a estruturar o pensamento de forma precisa clara e coerente, tornando o discurso mais
       convincente e facilita no processo comunicativo;
    › Ensina a detetar erros e ambiguidades, o que permite distinguir argumentos válidos de
       argumentos não válidos;
    › Proporciona o desenvolvimento das capacidades argumentativas;
    › Contribui para o desenvolvimento intelectual do indivíduo ao nível do pensamento abstrato e
       contribui para a formação da autoconsciência;
    › Oferece-nos os recursos necessários para pensarmos a realidade e podermos conhecer;
    › Disponibiliza processos úteis para a investigação científica além de poder ser aplicada a novos
       domínios como a informática, robótica, etc.

PRINCÍPIOS LÓGICOS:

    1. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE:
               Toda a coisa é idêntica a si mesma. Todo o ser é igual a si mesmo. Uma coisa é o que
               é. Por exemplo, uma rosa é uma rosa. Este princípio obriga a que se mantenha o
               significado dos termos e expressões.

    2. PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO:
               A mesma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e segundo a mesma
               perspetiva. É impossível que o mesmo atributo pertença a não pertença ao mesmo
               sujeito ao mesmo tempo e segundo a mesma relação.

    3. PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO:
               Uma coisa deve ser. Uma coisa é ou não é. Não há uma terceira possibilidade. (por
               exemplo, um proposição é verdadeira ou falsa, não há outra possibilidade).

Estes princípios são pressupostos de todo o pensamento consistente. São princípios inatos da razão, por
isso são indemonstráveis. Sem eles, nenhuma verdade pode ser pensada ou comunicada.

                                                                                                     1
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

CONCEITO:

Representação mental, abstrata e geral que reúne as características comuns, isto é, os traços invariantes
e fundamentais relativos a um conjunto de seres, coisas ou acontecimentos, traços estes, que os
distinguem de outros seres, coisas ou acontecimentos.

FORMAÇÃO DE CONCEITOS:
        O conceito é resultado de determinadas interações, sendo, portanto, uma construção mental.
Construímos conceitos mediante operações como a abstração e a generalização.

        Abstração: ato mediante o qual, dado um conjunto de objetos ou de indivíduos concretos,
isolamos e pomos de parte características particulares, próprias de cada um dos objetos, para retermos
apenas aspetos comuns a esses diversos indivíduos.

                 Exemplo:   ‘Como se chega ao conceito ave?’
                                - Ter penas cinzentas?
                                - Ter penas?
                                - Alimentar-se de grãos?
                                - Ter bico adunco?
                                - Ter bico?
                                - Ter crista?
                                                                               Características fundamentais
                                - Respirar através de pulmões?
                                - Reproduzir-se por ovos?
                                - Ser animal doméstico?
                                - Voar?
                                - Ter asas?

         Generalização: surge como complemento da abstração, ou seja, torna extensivas a todos os
indivíduos da mesma classe as características essenciais reunidas no conceito.

Nota:
    1. O conceito constitui o elemento básico do pensamento e, em si mesmo, nada afirma ou nega;
    2. O conceito é um instrumento mental que serva para pensar e, através do qual, representamos
       diferentes realidades, sejam materiais ou ideais.
    3. É uma síntese que reúne as características comuns de uma classe de seres, coisas ou
       acontecimentos.
    4. Os conceitos singulares (Paulo, Torre do Clérigos, Rio Douro,…) são conceitos dos quais não
       temos representações gerais, mas singulares. De qualquer modo, essas representações são
       também conceitos.

REDES CONCETUAIS:
Exemplo:




                                                                                                       2
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

TERMO E CONCEITO:
        O termo é a expressão verbal do conceito. O conceito corresponde a um conteúdo intelectual
que se expressa, na linguagem, através do termo, o termo é o significante e o conceito o significado.
        Existem vários termos para o mesmo conceito: livro – libro – livre – book – buch.
        O termo não se identifica só com uma palavra, podendo ser uma expressão.

COMPREENSÃO E EXTENSÃO DE UM CONCEITO:
A compreensão de um conceito representa o conjunto de características ou notas caracterizadoras que
definem esse conceito.
A extensão de um conceito representa o conjunto de seres, coisas ou acontecimentos que são
abrangidos por esse conceito, ou seja, são elementos da classe lógica definidos pelos conceitos.

A compreensão e a extensão de um conceito variam numa relação inversa:

                                                       Ser          Extensão
                                                    Ser vivo
                                                     Animal
                                                   Vertebrado
                                                    Mamífero
                                                      Cão
                                                    Labrador
                    Compreensão                      “Jolie”

JUÍZOS – PROPOSIÇÕES:

Os juízos são operações mentais que permitem estabelecer uma relação de afirmação (conveniência) ou
de negação (inconveniência) entre conceitos, que se exprimem verbalmente por proposições. A verdade
ou a falsidade de uma proposição avalia-se confrontando essa proposição com a realidade.

                     A relva é verde                                Juízo conveniente
                        sujeito cópula predicado          Verdade
                O Luís Figo não foi futebolista                     Juízo inconveniente
                                                            Falso


CLASSIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES QUANTO À RELAÇÃO (baseia-se na relação que se estabelece entre o
sujeito e o predicado):

        Proposições categóricas:
                Aquelas que afirmam ou negam sem restrições ou condições:
                                 As folhas são verdes.
        Proposições hipotéticas:
                Aquelas que afirmam ou negam sob determinadas condições:
                                 No outono, as folhas são amarelas.
        Proposições disjuntivas:
                Aquelas que afirmam ou negam sob a forma de alternativas que se excluem:
                                 As folhas ou são verdes ou são amarelas.




                                                                                                   3
Filosofia 11
Resumo           RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA



CLASSIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES QUANTO À QUANTIDADE E À QUALIDADE:


                             - Afirmativo
                                ex: Alguns homens são poetas.
        Qualidade
                             - Negativo
                                ex: Nenhum camelo é ave.

                               - Universal
                                 ex: Todos os homens são poetas./ Nenhum homem é poeta
        Quantidade
                               - Particular
                                 ex: Alguns camelos são aves.

JUNTANDO QUALIDADE E QUANTIDADE:
       Juntando qualidade e quantidade, as proposições podem ser classificadas da seguinte forma:

                             A – Universais afirmativas;
                             E – Universais negativas;
                             I - Particulares afirmativas;
                             O – Particulares negativas.

QUANTIFICAÇÃO DOS TERMOS DAS PROPOSIÇÕES.
          Quando o termo é referenciado em toda a sua extensão (universal) ele torna-se distribuído.
          Quando o termo é apenas tomado em parte da sua extensão (particular) este torna-se não
distribuído.

               Proposições           Distribuição do sujeito    Distribuição do predicado
                    A                       Distribuído               Não distribuído
                    I                    Não distribuído              Não distribuído
                    E                       Distribuído                 Distribuído
                    O                    Não distribuído                Distribuído

RACIOCÍNIO:

Operação mental através da qual o pensamento, de uma ou mais proposições dadas, conclui uma nova
proposição – a conclusão. Portanto, raciocinar é inferir.
A expressão verbal do raciocínio é o argumento.

ARGUMENTO:

Encadeamento de proposições de um modo tal que a conclusão é sempre resultado das premissas
anteriores, que funcionam como razões para tal conclusão. Nos argumentos estabelece-se um nexo de
implicação entre as premissas e a conclusão.




                                                                                                    4
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

                                   Todos os Zemindanes são poderosos
                                   Icabad é um Zemindane                       Válido
                                   Logo, Icabad é poderoso.

A validade de um argumento diz respeito ao nexo lógico que se estabelece entre as premissa e a
conclusão, de forma a expressar um pensamento coerente. Portanto, a validade dos argumentos não
depende da veracidade das premissas, mas sim do nexo lógico entre elas e a conclusão.
Nota: nos raciocínios ou argumentos dedutivos, se o raciocínio for válido e as premissas verdadeiras, a
conclusão tem de ser verdadeira.

TIPOS DE ARGUMENTOS:

                                            Raciocínio = Inferir

                      Mediatos                                            Imediatos
(construídos a partir de duas ou mais proposições)       (construídos a partir de uma só proposição)


                   Dedutivos
                                                                          Oposição
                   Indutivos
                                                                          Conversão
                   Por analogia


Argumentos dedutivos:
        Num argumento dedutivo, as premissas impõem a conclusão, ou seja, há uma implicação lógica
necessária entre as premissas e a conclusão. Nestes argumentos, a conclusão está implícita nas
premissas e, por isso, não contém mais informação do que aquela que já está nas premissas.

         Exemplo:                 Todos os corvos são pretos.
                                  Este animal é um corvo.
                                  Logo, este animal é preto.
         A vantagem deste tipo de argumento é que ele é rigoroso e útil na defesa de uma tese ou para
descobrir algo que inicialmente se desconhecia, mas se poderia inferir. Não entanto, não permite
progredir muito no campo do desconhecido.
         São só únicos dotados de validade lógica.

Argumentos indutivos:
         A relação que se estabelece entre as premissas e a conclusão é apenas de apoio ou suporte.
Nestes argumentos, o facto de as premissas serem verdadeiras, não garante a veracidade da conclusão,
pois esta engloba mais informação do que a que está contida nas premissas. Pode-se afirmar que a
conclusão será provavelmente verdadeira.
Considera-se, ainda, que a indução não tem validade formal, porque se verifica um salto abusivo entre as
premissas e a conclusão, concluindo-se da parte para o geral.
         A vantagem deste argumento é que ele permita avançar no desconhecido e, portanto, ampliar o
conhecimento. No entanto, ele não é totalmente rigoroso.




                                                                                                       5
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA


          Exemplo:                Este corvo é preto.
                                  Aquele corvo é preto.
                                  Logo, todos os corvos são pretos.

Argumento por analogia:
          O raciocínio por analogia consiste em partir de certas semelhanças ou relações existentes entre
dois objetos ou duas realidades e concluir novas semelhanças que podem não existir. Nos argumentos
por analogia nunca se pode garantir que de premissas verdadeiras se obtenha uma conclusão
verdadeira. A conclusão é provável, mas o grau de falibilidade é muito grande e, por isso, é necessário
não tirar conclusões de semelhanças superficiais e não desprezar as diferenças. A força deste raciocínio
aumenta com o aumento de semelhanças.

          Exemplo:                Marte possui atmosfera com a Terra.
                                  A Terra tem seres vivos.
                                  Logo, é suposto que existam seres vivos em Marte.

SILOGISMOS (RACIOCÍNIOS DEDUTIVOS):


Termos de um raciocínio:                   Exemplo:

    ›     Termo Maior (T)                           Os insetos(M) são invertebrados(T).
    ›     Termo Menor (t)                           As abelhas(t) são insetos(M).
    ›     Termo Médio (M)                           Logo, as abelhas(t) são invertebradas(T).

Regras dos Silogismos:

    1ª.   Um silogismo só pode conter três termos diferentes;
    2ª.   O termo médio não pode entrar na conclusão;
    3ª.   O termo médio tem de estar, pelo menos numa das premissas, tomado em toda a sua extensão;
    4ª.   Nenhum termo pode ter mais extensão na conclusão do que tem nas premissas;

    5ª.   De duas premissas afirmativas, não se pode inferir uma conclusão negativa;
    6ª.   De duas premissas negativas nada se pode concluir;
    7ª.   De duas premissas particulares nada se pode concluir;
    8ª.   Se uma das premissas for particular (ou negativa), a conclusão tem de ser particular (ou
          negativa).




                                                                                                       6
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

Modo e Figura dos Silogismos:

Modo                                                Figura
A Todo A é B
                                                     2ª Figura (o termo médio está nos predicados das
E Nenhum C é B
                                                                        premissas)
E Logo, nenhum A é C


O Modo diz respeito ao tipo de premissa (A, I, E ou O) e a Figura à posição do termo médio nas
premissas.

                                         Mnemónica das figuras:
                                            SUPER 1ªFig.
                                            PEPE 2ªFig.
                                            SOUSA 3ªFig.
                                            PS      4ªFig.



INFERÊNCIAS IMEDIATAS: A OPOSIÇÃO E A CONVERSÃO:



Inferências por Oposição:
Inferir por oposição significa concluir novas                               muda qualidade
proposições a partir de uma, chamada
primitiva, fazendo transformações na
                                                              A                contrárias                    E
qualidade, na quantidade ou em ambas
simultaneamente.

Conclui-se, assim, que as preposições que
são:                                                                 muda qual / quan
                                                  muda       subal             contr                        subal
 a) Contrárias, ambas universais, diferem na                                  aditór
                                                  quant      terna                                          terna
    qualidade;
                                                  idade        s                ias                           s
 b) Subcontrárias,     ambas     particulares,                                      contraditórias
    diferem na qualidade;
 c) Subalternas, diferem na quantidade;
 d) Contraditóras, diferem na qualidade e na
    quantidade. (note-se que nas preposições
    contraditórias, como são a negação uma                     I             subcontrárias                   O
    da outra, se uma for verdadeira a outra é
    falsa.)
                                                                                 Quadrado das Oposições |
Inferências por Conversão:
         As inferências por conversão resultam da inversão da posição dos termos, isto é, o termo que é
sujeito na preposição primitiva passa a predicado na proposição conversa e vice-versa.
         A conversão tem que obedecer à lei, segundo a qual os termos da nova preposição não podem
ter maior extensão (corresponde à conclusão) do que na premissa primitiva. (conversão limitada)




                                                                                                        7
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA



E    Nenhum mamífero é peixe
E    Nenhum peixe é mamífero
                                          Conversão Simples
I    Alguns homens são desportistas
I    Alguns desportistas são homens




A    Todos os médicos são estudiosos
                                          Conversão Limitada
I    Alguns estudiosos são médicos


LÓGICA ARISTOTÉLICA VS. LÓGICA MODERNA:

Características da Lógica Aristotélica (Méritos e Limitações):
        Limitações:
             › A lógica aristotélica é completamente dependente da linguagem natural e da sua
                  gramática. Por isso não está isenta de equívocos e ambiguidades.
                          ex: este triângulo é desigual Conteúdo idêntico, no entanto modos diferentes, A e
                               este triângulo não é igual E, respetivamente.
             › Por esta razão não atinge totalmente a formalização;
             › Limita-se a silogismos categóricos.

         Méritos:
             › Tentativa de formalização e reconhecimento de que a linguagem natural é limitada
                  nesta tentativa.

Superação das limitações da Lógica Aristotélica pela Lógica Moderna:
   › A lógica moderna usa símbolos assentes numa linguagem artificial que permite o cálculo e reduz
       equívocos e a ambiguidade da linguagem natural.
                         ex: Ser ou não ser, eis a questão, passa a:
                                       (p V ~p)  q               p- ser
                                                                  q- questão

    ›    Analisa as proposições como um todo, desvalorizando os termos;
    ›    Permite a aplicação da lógica a novos domínios – científicos e tecnológicos.

ARGUMENTAÇÃO:

Diariamente somos emissores e recetores de discursos argumentativos.
A argumentação está relacionada com a vertente social do Homem, ela torna-se um processo
comunicativo.
Como ato de comunicação, a argumentação implica:
     - Orador / Emissor;
     - Auditório / Recetor;
     - Mensagem.

                                                                                                         8
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA


Argumentação e Demonstração:
         A racionalidade humana não se esgota na validade formal, pois a maior parte dos problemas
    com que nos deparamos não dependem de critérios formais rígidos, mas sim de critérios que se
    prendem mais com a força persuasiva, a relevância e a pertinência dos argumentos e das premissas
    desencadeadas a partir de opiniões geralmente aceites.
         Entramos, assim, no domínio da argumentação ou “dedução dialética”, nas palavras de
    Aristóteles, (ver exemplo 1) que é diferente da demonstração (ver exemplo 2).
         A demonstração é constringente, não discutível, enquanto a argumentação pressupõe premissas
    plausíveis e passiveis de serem discutíveis e até, refutadas.

                      Se o mar Y for água, é H2O.
       Exemplo 1      O mar Y é água.                                    Demonstração
                      Logo, o mar Y é H2O.

                      Se os animais não têm deveres, não têm direitos.
       Exemplo 2      Os animais não têm deveres.                        Argumentação
                      Logo, os animais não têm direitos.


    Demonstração: processo lógico-discursivo que, partindo de premissas consideradas verdadeiras, nos
    leva a inferir uma conclusão verdadeira. As provas apresentadas são constringentes.

    Argumentação: discurso que visa persuadir um auditório acerca do valor de uma tese que se está a
    defender. Argumentar é fornecer razões a favor, ou contra, de uma tese provocando adesão do
    auditório.




                                                                                                   9
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

                     Demonstração                        Vs.              Argumentação

    Ponto de partida: proposições indiscutíveis que Ponto de partida: proposições discutíveis. Ideias
    são       consideradas       verdadeiras     ou capazes de gerar controvérsia.
    hipoteticamente verdadeiras.


    Tipo de lógica: regida sobre a lógica forma. Tipo de lógica: regida sobre a lógica informal. Os
    Impera o rigor, não há lugar para a discussão. critérios desta lógica são a pertinência, a
    Interessa apenas o encadeamento do raciocínio. relevância e a força persuasiva dos argumentos.


    Relação premissas-conclusão: relação de Relação premissas-conclusão: as premissas são
    necessidade entre as premissas e a conclusão. discutíveis e pode-se não chegar a nenhuma
    Domínio do constringente.                     conclusão, pois esta depende da adesão do
                                                  auditório. É do domínio do preferível e do
                                                  plausível.


    Relação com o contexto: é independente do              Relação com o contexto: a argumentação tem de
    contexto. A validade não depende nem do                ser contextualizada, porque tem que haver uma
    tempo, nem do sujeito que faz a demonstração.          proximidade entre o orador e o auditório. Por
    O discurso é impessoal.                                essa razão, torna-se pessoal., pois quem
                                                           argumenta deve adaptar o seu discurso ao
                                                           auditório.


    Linguagem: reina a linguagem artificial, rigorosa,     Linguagem: supõe diálogo, discussão usando a
    quase     matemática      e    desprovida      de      linguagem natural, com todas as suas
    ambiguidades; reduz-se a um cálculo lógico e           ambiguidades. Apresenta razões pró ou contra
    permite uma única interpretação.                       uma tese. Permite uma pluralidade de
                                                           interpretações.


    Grau de certeza: há rigidez de soluções; a             Grau de certeza: a aceitação de uma tese
    solução    apresenta-se      como evidente,            depende da aprovação do auditório; uma tese
    independentemente da aceitação do auditório.           pode ser contestada a qualquer momento; pode-
    Domina a autoridade da lógica.                         se admitir mais que uma solução, onde domina a
                                                           intersubjetividade.


    Aplicação: ciências lógico-dedutivas                   Aplicação: ciências sociais e humana (direito,
                                                           política e filosofia) e em situações de vida
                                                           corrente.




                                                                                                      10
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA


O que fazer para conseguir a adesão do auditório? (Que características deve ter a situação comunicativa
da argumentação?)
        › O emissor deve mostrar abertura de pensamento, aceitando a discussão sobre o tema,
             mostrando disponibilidade para ouvir.
        › O orador deve dirigir-se ao homem total; um ser racional, que pensa pro si próprio, provido
             de emoções, portador de uma cultura e que tem interesses e motivações. O auditório é
             também livre de aceitar ou refutar a tese.
        › O orador tem de adaptar a sua linguagem e estratégias ao auditório.
        › O emissor deve estar atento às reações do auditório.
 Em resumo, deve haver uma adaptação às características sociais, culturais e psicológicas do auditório.

Vertentes do discurso argumentativo:
     Ethos: personalidade do orador com características (honestidade, humildade, calma,
        amabilidade, …) que confiram credibilidade à mensagem.
     Pathos: refere-se às emoções despertadas no auditório e consiste na recetividade com que
        escutam o orador. Capacidade de suscitar emoções no auditório para que ele fique predisposto
        a aceitar a tese apresentada.
     Logos: diz respeito à mensagem em si. Deve ser cuidada e clara, recheada de argumentos e
        conectores que confiram organização ao texto. Por vezes pode implicar o uso de falácias.




                                                                                                    11
Filosofia 11
Resumo         RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

Tipos de argumentos:

         1. Dedutivos
                               indutivos
                               por analogia
                               exemplos
         2. Não dedutivos
                               contra-exemplos
                               entimema
                               argumento de autoridade


   Raciocínio por analogia:
   Requisitos de credibilidade:
            › Não extrair conclusões a partir de semelhanças raras.
            › Não desprezar as diferenças significativas existentes.

   Exemplo:
   Consiste em citar com a oportunidade um exemplo, ou vários, para produzir no auditório a convicção
   de que eles ilustram um princípio geral.
        ex: Outrora as mulheres casavam muito cedo (tese)
            Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia.
   (exemplo)

   Contra-exemplo:
   Caso que se presta a apoiar o contrário da tese que se defende.
        ex: se se argumentar contra os malefícios do tabaco, o senhor Manuel que viveu até aos 90
   anos e foi sempre fumador é um contra-exemplo.

   Entimema:
   Silogismo em que uma das premissas está omissa.
         ex: Todas as estrelas têm luz própria. Falta a premissa: A lua não tem luz própria
             Logo, a lua não é uma estrela.

   Argumento de Autoridade:
   Apoia-se na opinião ou testemunhos de uma pessoa ou instituição com autoridade na matéria para
   sustentar a tese que se está a defender.
   Requisitos de credibilidade:
              › Fontes qualificadas, “especialistas” no assunto em discussão.
              › Fontes devem ser imparciais.
              › Dever haver consenso entre os especialistas da mesma área.
FALÁCIAS:

         Falácias Formais: erros de raciocínio derivadas do incumprimento das regras lógicas. Dizem
respeito apenas à forma como o argumento está construído.
                      › Falácia do Termo Médio (M não está distribuído)
                      › Ilícita do Termo Maior (T tem mais extensão na conclusão que nas premissas)
                      › Ilícita do Termo Menor (t tem mais extensão na conclusão que nas premissas)

                                                                                                  12
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

         Falácias Informais: erros de raciocínio que resultam de lacunas no discurso.

                      ›   Falácia da Bola de Neve: um acontecimento leva a outro
                      ›   Falácia contra o Homem: não se ataca o argumento, mas sim a pessoa que faz
                          o argumento. Descredibilizar o produtor do argumento.
                      ›   Falácia do Apelo à Força: recorre-se a ameaças.
                      ›   Falácia da Misericórdia: “choradinho”, comove-se o outro levando-o a ter pena.
                      ›   Falácia Post Hoc Ergo Propta Hoc: falsa causa e acontece porque há uma
                          confusão entre a temporalidade e a causalidade (concomitância).
                      ›   Falácia do Apelo à Autoridade: quando se invoca a autoridade de um
                          especialista ou de uma personalidade credível que não é perito na matéria em
                          discussão. (ex: Dr. House recomenda-lhe que compre um carro híbrido.).
                      ›   Falácia do Falso Dilema: são apresentadas duas alternativas que se excluem
                          uma a outra e que escondem outras possíveis alternativas. (ex: ou está
                          comigo, ou estás contra mim.)
                      ›   Falácia da Petição de Princípio (ou ciclo vicioso): a conclusão repete a
                          premissa. Dá-se por provado o que se deve provar. (ex: O Sol gira em torno da
                          Terra, porque ela está parada no Universo.).
                      ›   Falácia do Espantalho: deturpam-se as palavras do adversário de modo a
                          terem outro significado.
                      ›   Falácia do Apelo à Ignorância: defende-se que o enunciado é falso porque não
                          foi provado. (Nunca se provou a existência dos ET’s, logo não existem.).
                      ›   Falácia da Pergunta Complexa (ou pergunta ardilosa): (‘Já deixaste de beber?’;
                          ‘Continuas egoísta como eras?’). A resposta “sim” ou ”não” implica admitir um
                          comportamento que não é muito recomendável. A pergunta complexa dá-se
                          quando se introduz uma pergunta cuja resposta implica um comprometimento
                          com a posição que o autor da pergunta quer promover e constitui um
                          desconforto para o interlocutor.


A SABER: ESTRUTURA DO TEXTO ARGUMENTATIVO.


RETÓRICA:

Em que contexto surge a retórica?

A retórica surge no contexto de persuadir nas cidades-estado democráticas gregas do séc. VI a.C..
Aparece ligada à vivência democráticas nessas organizações políticas (cidades-estado) sobretudo pelas
exigências das assembleias políticas e ligada ao funcionamento dos tribunais. Nestas estruturas, os
cidadãos eram incentivados a intervir na vida pública e existia igualdade dos cidadãos perante a lei.

O que é a retórica?

É entendida com a arte de bem falar e convencer o auditório. Liga-se à capacidade de apresentar bons
argumentos.




                                                                                                     13
Filosofia 11
  Resumo             RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA


  Democracia                    Regime que consagra a igualdade de direitos entre os cidadãos. (isonomia)

                                 - Sociedade de homens livres, onde há liberdade de eleger e de ser eleito.
                                 - Liberdade de discussão.
isto permite                     - O poder assenta na força persuasiva da palavra.

  Raízes da Retórica
                                Ligação às instituições políticas e judiciárias e à vida quotidiana dos
                                cidadãos:

                                  a) assembleia de cidadãos (discussão dos problemas e decisões)
                                  b) tribunais (onde havia p direito da defesa e o júri escutava as partes em
                                     litígio)
                                  c) praça pública / mercado (onde se discutia os mais diversos assuntos)

  Ensino dos sofistas:

               Quem são os sofistas?

           Professores itinerantes que andavam de cidades democráticas em cidades democráticas a
  venderem o seu conhecimento. Surgem quando se desenvolve a “democracia cara-a-cara” e é essencial,
  para haver discussão conhecer a retórica e saber argumentar. Introduziram novos métodos (antologia:
  apresentar uma tese, sabendo defendê-la e passa a poder desconstruí-la) e conhecimento enciclopédico
  (de várias área).

          Defendiam o relativismo tanto dos valores como do conhecimento e achavam as leis
  convencionais, ou seja mutáveis.

  Sofistas

           Surgem para responder a uma necessidade sociopolítica nova: preparação dos jovens para as
  disputas políticas e jurídicas.

  Objetivo: formar cidadãos intervenientes na vida pública. O ensino centra-se no domínio da palavra
  (gramática, retórica, antilogia) e num saber enciclopédico.

  Conceções filosóficas marcadas pelo relativismo e ceticismo. (o seu ensino articula-se com as conceções
  filosóficas)

  Conflito entre sofistas e filósofos:

                   Sofistas (retores)                                          Filósofos
   Ideal de vida prático (visava a ação);                 Ideal de vida contemplativo;
   Era marcada pela intensão de preparar os jovens        A contemplação vista como um meio de busca
    para a disputa política e jurídica (formação de         da verdade e de aperfeiçoamento do ser humano
    cidadãos);                                              (orientação da ação. A teoria precedia a prática);
   Preocupavam-se com as competências                     Valorização de virtudes como a moderação e a
    argumentativas;                                         temperança;
   Valorização da palavra e do discurso eloquente;        Desenvolveram e valorizaram a dialética como
   Valorização do poder e do sucesso;                      método de descoberta da verdade;
   A retórica visava a eficácia do discurso (não          A filosofia visava o esclarecimento e a
    isento de manipulação);                                 compreensão;
                                                                                                              14
Filosofia 11
Resumo               RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

 A retórica era uma arma de conquista do poder;  Defendiam que os valores e as verdades era
 Defendiam o relativismo do conhecimento e dos    absolutas.
  valores e o convencionalismo das leis.


Contexto histórico – declínio e reabilitação da retórica:

A partir dos fins do século IV a.C., a retórica entrou em declínio e só viria a ser reabilitada na atualidade.

Muitos fatores contribuíram para o declínio da retórica:

      - O declínio das instituições democráticas, no Período Helenístico e no Período do Império Romano.
      - A força e o prestígio da Igreja Católica na Idade Média, que impôs parâmetros de verdade não
        compatíveis com a utilização credível de estratégias argumentativas.
      - O ideal da racionalidade da Época Moderna moldado pelo paradigma científico.

Na Época Contemporânea, a crise do conceito clássico da racionalidade, por um lado, e, por outro, a
valorização das instituições democráticas, o reconhecimento da igualdade de todos os cidadãos perante
a lei, bem como o poder detido pelos meios de comunicação, vieram criar condições favoráveis à
reabilitação da retórica.

As Dimensões da Retórica: a Persuasão e a Manipulação:

Faça a vontade à sua mulher.
Compre uma casa nova já!                             Manipulação
(a antiga pode ser vendida nos próximos três anos)



Beba leite.
O leite enriquece os ossos!                          Persuasão



Persuasão:

      ›     Reclama-se a participação do outro na avaliação das ideias, ou seja, é um convite ao debate.
      ›     O outro é encarado como um ser racional capaz de tomar as suas próprias decisões;
            pressupões liberdade e respeito pelo outro.
      ›     O centro da argumentação é colocado no Logos e nas boas razões.
      ›     A persuasão comporta o bom uso da retórica, ou retórica branca, o que implica um discurso
            persuasivo sensato.

Manipulação:

      ›     Consiste em levar alguém a fazer algo, impedindo-o de avaliar a situação criticamente. Faz-se
            um uso indevido da argumentação com vista em levar o interlocutor a aderir de forma acrítica às
            propostas do emissor.
      ›     Não valoriza a autonomia e a capacidade crítica do interlocutor, pois o orador impões as suas
            ideias; não respeita o interesse, a inteligência ou a liberdade do outro; tende a suprimir os
            problemas.
      ›     A retórica é colocada no Pathos uma vez que se apela aos afetos, desperta-se o desejo,
            sugestiona-se e faz-se promessas.


                                                                                                             15
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

     ›    Mau uso da retórica (retórica negra) quando a argumentação procura enganar o auditório em
          função dos interesses de quem produz a argumentação, o que implica um discurso persuasivo
          sedutor.



Estratégias Manipuladoras:

      Discurso publicitário comercial (recorre-se à estetização da mensagem);
      Relação imaginária que se estabelece entre o consumidor e o produto (costuma-se fazer passar a
       ideia que o produto é indispensável);
      Uso da imposição (vendas agressivas).

Como enfrentar as estratégias manipuladoras?

         Estar informado e fazer juízos críticos;
         Avaliar a consistência dos argumentos e questionar as suas implicações;
         Questionar as ideias feitas e as posições dogmáticas;
         Desenvolver, através da educação, competências argumentativas e a capacidade de desmontar
          falácias;
         Deve haver, da parte dos cidadãos, empenho na vida sócio-política.



ARGUMENTAÇÃO, VERDADE E SER:


Modelo Clássico da Racionalidade:

O modelo da racionalidade é um modelo científico. Este modelo considera que as verdades são absolutas
e intemporais; a partir do momento em que são construídas não podem ser contestadas.

Novo Modelo da Racionalidade Clássica:

(ver livro)




                                                                                                  16
Filosofia 11
     Resumo             RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

     PERSPETIVA FENOMENOLÓGICA DO CONHECIMENTO:


     Tipos de Conhecimento:

     O conhecimento é sempre uma relação daquele que conhece (o sujeito) com o que é conhecido (o
     objeto). Com base no tipo de objeto, encontramos três tipos de conhecimento:

         ›     Conhecimento prático: diz respeito ao saber fazer (domínio da uma técnica, por ex.)
         ›     Conhecimento de contacto: é do domínio do conhecimento de pessoas, objetos, locais, …
         ›     Conhecimento proposicional: conhecimento apoiado em proposições (o que se aprende na
               escola, por ex.)

     Análise Fenomenológica do Conhecimento:

     Elementos do ato de conhecer: sujeito (é geral e acontece em todas as consciências); objeto e relação
     que se estabelece entre o sujeito e o objeto da qual resulta o conhecimento.

     Sujeito
     Objeto         Duas entidades separadas uma da outra, conetadas pelo ato de conhecer.



     Relação entre S/O – é uma correlação, ou seja, um só existe porque o outro também existe. Esta relação
     é irreversível, isto é, não se pode permutar, num ato de pensamento, a função do objeto e a função do
     sujeito. A função do sujeito é conhecer o objeto. A função do objeto é ser conhecido pelo sujeito (este
     último é o elemento ativo).

               Movimentos que a consciência tem de fazer para conhecer:

                         Com esta perspetiva, conhecer é representar na mente as características
                         fundamentais de um objeto.

                         O ato de apreender ocorre em três fases:



     O sujeito capta as                           O sujeito sai de si               O sujeito deu conta que existe
determinações/características                                                         um objeto novo a conhecer
                                               O sujeito está fora de si
         do objeto.
                                                O sujeito regressa a si
                                                           




                                              Regressa a si para construir o
                                               conhecimento. Formação da
                                              imagem do conceito. (como o
                                               conhecimento é subjetivo, a
                                             representação pode ter erros.)


                                                                                                          17
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

                                          1º sai de si


                            SUJEITO                         OBJETO      2º está fora de si



                                        3º regressa a si



        O sujeito estabelece uma relação de oposição com o objeto;
        O objeto e o sujeito estabelecem entre si uma correlação;
        A relação entre eles é irreversível;
        O objeto modifica o sujeito;
        O sujeito representa o objeto.

O sujeito forma uma imagem do objeto que é manente (dentro dele), objetiva com alguns salpicos de
subjetividade, uma representação mental.

QUESTÕES GNOSIOLÓGICAS:


A questão da POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO:

Esta questão baseia-se no facto de o sujeito, ao apreender, experimentar o erro; daí: “sujeito apreende
realmente o objeto?”

         Dogmatismo: (posição otimista) Sim, apreende; o conhecimento é possível.

                     ›    Dogmatismo ingénuo: crença do Homem comum que não é abalada pela
                          desconfiança. Conhece o Mundo como é. Há uma confiança absoluta no
                          conhecimento.
                     ›    Dogmatismo filosófico/crítico: é possível submeter o conhecimento à dúvida.
                          Desde que a razão siga o método certo é possível encontrar verdades
                          inabaláveis.

         Ceticismo: duvida acerca do Homem poder conhecer.

                     ›    Ceticismo radical: nega a possibilidade de o Homem poder conhecer. Pode-se
                          chegar a duas verdades que se opõem sobre o mesmo assunto. É preciso
                          abster-se de fazer juízos. Não serve ao desenvolvimento humano e é inútil à
                          ciência. Crítica: ao afirmar-se que não se pode conhece e chegar a verdades,
                          já se está a afirmar uma verdade, logo contradiz-se.

                     ›    Ceticismo moderado: defende que é possível conhecer, mas de uma forma
                          aproximada, não absoluta. Há verdades aproximadas. É importante à ciência,
                          uma vez que a atitude crítica é benéfica para encontrar erros nas verdades
                          instaladas e chegar a verdades questionáveis.



                                                                                                    18
Filosofia 11
Resumo          RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA


         Criticismo: (Kant) é possível conhecer e chegar a verdades sólidas e universais, mas o
         conhecimento permanece limitado. Só se conhece algumas coisas que a nossa estrutura
         cognitiva nos deixa apreender. É necessário fazer uma crítica ao conhecimento e detetar quais
         as nossas possibilidades de conhecer.



A questão da ORIGEM DO CONHECIMENTO:

Como o Homem se apresenta tanto como um ser sensível e racional, deixa uma questão: “A origem do
conhecimento está nos sentidos ou na razão?”

         Empirismo: A fonte do conhecimento é a experiência. Antes da experiência a nossa mente está
         em branco e a experiência vem pincelá-la. Não há ideias inatas e razão trabalha sobre os
         sentidos. Os empiristas tendem para o ceticismo, no que diz respeito à metafísica.

         Racionalismo: a fonte do conhecimento é a razão, o que confere às verdades um caráter
         universal e necessário (não é contraditório). Há conhecimento dos sentidos, mas está em
         segundo plano; este não é a base do conhecimento científico, pois é ilusório. O sujeito estrutura
         a realidade a partir das ideias. Descartes defende mesmo a existência de ideias inatas (figuras
         matemáticas; Deus; a dimensionalidade das coisas; cógito) fundamentais para o conhecimento.
         Os racionalistas caem no dogmatismo.

         Apriorismo: (Kant) As fontes do conhecimento são duas: a sensibilidade e a razão; Kant defende
         que o conhecimento surge com experiência, mas não se reduz a ela Considera que o sujeito é
         dotado de estruturas A priori, que são um património da razão, estruturas, estas, que são
         preenchidas pela experiência. Ou seja, as estruturas A priori têm a função de enquadrar e
         organizar os dados da experiência. (exemplo do supermercado)



A questão da NATUREZA DO CONHECIMENTO:

Esta questão surge para se saber “Qual dos polos, sujeito ou objeto, é que tem o papel determinante
no ato de conhecer?”

         Realismo: quem é determinante é o objeto.

                        ›   Realismo ingénuo: típico do senso comum. Não há diferença entre a
                            realidade e o conhecimento que nós temos do real.
                        ›   Realismo crítico: considera que é preciso distinguirmos objetos do real as
                            suas propriedades objetivas (o que pode ser medido: tamanho, …) das suas
                            propriedades subjetivas (cor, cheiro, …).

         Idealismo: (Kant) o polo fundamental é o sujeito. É solidário do criticismo. Parte do princípio que
         o nosso conhecimento é limitado, então, “eu só conheço o que se deixa apreender pela minha
         estrutura cognitiva”; a realidade é muito mais densa que aquilo que posso apreender dela. Só
         conhecemos facetas dessa realidade. Está relacionado com o conhecimento das ideias que se
         faz acerca das coisas. O polo determinante é o sujeito porque o conhecimento é uma construção
         sua, a partir do que ele conseguiu apreender, do que lhe foi permitido.
                                                                                                         19
Filosofia 11
Resumo           RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA

O PROBLEMA DO CONHECIMENTO EM DESCARTES:


Descartes tinha influências matemáticas nas suas perspetivas filosóficas. O ceticismo foi importante no
percurso de Descartes, mas ele não se manteve cético até ao fim dos seus dias. Foi educado á sombra
da escolástica: era necessário reformar o conhecimento.

Descartes começa com uma atitude dubitativa (que se revela apenas como uma metodologia para chegar
a conhecimentos sólidos); duvida de todas as matérias, menos da Igreja.

Razões que levaram Descartes a duvidar:

    ›    Duvida dos sentidos, porque estes nos enganam. Duvida do conhecimento sensorial.
    ›    Há quem se engane no domínio matemático, logo passa a duvidar do conhecimento racional
         matemático.
    ›    Não há critério seguro que distinga o estado de vigília do estado de sono.
    ›    Descartes alarga a dúvida e coloca a hipótese do génio maligno, entidade que induziria
         propositadamente, o Homem em erro, pondo em causa o critério de evidencia racional.

Qual o papel da dúvida?

A dúvida é importante ao conhecimento, pois permita duvidar das verdades feitas, questionar o que já
está instalado e assim abrir portas para novas verdades e hipóteses.

Características da dúvida Cartesiana:

    ›    É metódica, pois é uma estratégia de que Descartes se serva para pôr à prova a validade de
         todo o conhecimento e, portanto, distinguir o verdadeiro do falso.
    ›    É provisoria, porque parte da dúvida para chegar a certezas.
    ›    É hiperbólica, porque, ao colocar a hipótese do génio maligno, Descartes radicaliza a dúvida,
         pondo em causa o critério da evidência.
    ›    É progressiva, porque se aplica a todos os campos do conhecimento, menos à Igreja.

Descartes seria cético?

Não, porque começa duvidoso para quebrar os erros que podem “sujar” o conhecimento. Utiliza a dúvida
para chegar a certezas, ou seja, é como que um ceticismo provisório, puramente metodológico.

A questão do cógito:

Regras de método: primeiro e fundamental: tornar o que é verdadeiro claro e evidente.

                 1ª verdade: a base da sua filosofia é atingida por via racional.
 Ideias Inatas
                  2ª verdade: temos a ideia do perfeito: mas donde virá isto? De seres imperfeitos, como
                  o Homem? Logo não podemos produzir a ideia do perfeito. Do Nada? Não. A ideia
                  inicial é inata e foi-nos posta por Deus, um ser perfeito que vai salvar o critério da
                  evidência.




                                                                                                     20

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maiasmauro dinis
 
Sermao de santo antonio aos peixes
Sermao de santo antonio aos peixesSermao de santo antonio aos peixes
Sermao de santo antonio aos peixesLiliana Matos
 
Provas da existência de Deus segundo Descartes
Provas da existência de Deus segundo DescartesProvas da existência de Deus segundo Descartes
Provas da existência de Deus segundo DescartesJoana Filipa Rodrigues
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesvermar2010
 
Sermão de Santo António aos Peixes
Sermão de Santo António aos PeixesSermão de Santo António aos Peixes
Sermão de Santo António aos PeixesPaula Oliveira Cruz
 
A Evolução do Ramalhete - Os Maias
A Evolução do Ramalhete - Os MaiasA Evolução do Ramalhete - Os Maias
A Evolução do Ramalhete - Os Maiasmauro dinis
 
Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lurdes Augusto
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraDavid Caçador
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesAnaGomes40
 
Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"gracacruz
 
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixes
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixesEstrutura do sermão de sto antónio aos peixes
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixesbeonline5
 
Ondados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzenteHelena Coutinho
 
D. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de SousaD. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de Sousananasimao
 
3_contraexemplos_cvj
3_contraexemplos_cvj3_contraexemplos_cvj
3_contraexemplos_cvjIsabel Moura
 
Resumo por Capítulos Amor de Perdição
Resumo por Capítulos Amor de PerdiçãoResumo por Capítulos Amor de Perdição
Resumo por Capítulos Amor de PerdiçãoAlexandre R
 

Mais procurados (20)

Corrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os MaiasCorrida De Cavalos - Os Maias
Corrida De Cavalos - Os Maias
 
Sermao de santo antonio aos peixes
Sermao de santo antonio aos peixesSermao de santo antonio aos peixes
Sermao de santo antonio aos peixes
 
Provas da existência de Deus segundo Descartes
Provas da existência de Deus segundo DescartesProvas da existência de Deus segundo Descartes
Provas da existência de Deus segundo Descartes
 
As cantigas de amigo
As cantigas de amigoAs cantigas de amigo
As cantigas de amigo
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixes
 
Sermão de Santo António aos Peixes
Sermão de Santo António aos PeixesSermão de Santo António aos Peixes
Sermão de Santo António aos Peixes
 
A Evolução do Ramalhete - Os Maias
A Evolução do Ramalhete - Os MaiasA Evolução do Ramalhete - Os Maias
A Evolução do Ramalhete - Os Maias
 
O resumo de Os Maias
O resumo de Os MaiasO resumo de Os Maias
O resumo de Os Maias
 
Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões Lírica de Luís de Camões
Lírica de Luís de Camões
 
Gil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereiraGil vicente, farsa de inês pereira
Gil vicente, farsa de inês pereira
 
Sermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixesSermão de santo antónio aos peixes
Sermão de santo antónio aos peixes
 
Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"Power point "Frei Luís de Sousa"
Power point "Frei Luís de Sousa"
 
Amor é fogo que arde
Amor é fogo que ardeAmor é fogo que arde
Amor é fogo que arde
 
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixes
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixesEstrutura do sermão de sto antónio aos peixes
Estrutura do sermão de sto antónio aos peixes
 
Cantigas de amor
Cantigas de amorCantigas de amor
Cantigas de amor
 
Ondados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzenteOndados fios de ouro reluzente
Ondados fios de ouro reluzente
 
D. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de SousaD. Madalena -Frei Luis de Sousa
D. Madalena -Frei Luis de Sousa
 
Os Maias - análise
Os Maias - análiseOs Maias - análise
Os Maias - análise
 
3_contraexemplos_cvj
3_contraexemplos_cvj3_contraexemplos_cvj
3_contraexemplos_cvj
 
Resumo por Capítulos Amor de Perdição
Resumo por Capítulos Amor de PerdiçãoResumo por Capítulos Amor de Perdição
Resumo por Capítulos Amor de Perdição
 

Destaque

Argumentação, Retórica e Filosofia - 1
Argumentação, Retórica e Filosofia - 1Argumentação, Retórica e Filosofia - 1
Argumentação, Retórica e Filosofia - 1Jorge Barbosa
 
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIAARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIAnorberto faria
 
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")Jorge Barbosa
 
Falácias Informais - Filosofia e retórica
Falácias Informais - Filosofia e retóricaFalácias Informais - Filosofia e retórica
Falácias Informais - Filosofia e retóricaIsaque Tomé
 
Matéria 1º Período
Matéria 1º Período Matéria 1º Período
Matéria 1º Período atamenteesas
 
Demonstração e argumentação
Demonstração e argumentaçãoDemonstração e argumentação
Demonstração e argumentaçãoPaulo Gomes
 
Marketing de Guerrilha
Marketing de GuerrilhaMarketing de Guerrilha
Marketing de Guerrilhaposgraduanda
 
Resumo filosofia (1)
Resumo filosofia (1)Resumo filosofia (1)
Resumo filosofia (1)Mateus Ferraz
 
Resumo filosofia (3)
Resumo filosofia (3)Resumo filosofia (3)
Resumo filosofia (3)Mateus Ferraz
 
Turismo no espaço rural 11-6
Turismo no espaço rural 11-6Turismo no espaço rural 11-6
Turismo no espaço rural 11-6Joao Paulo Curto
 
Diferença entre tese e argumento
Diferença entre tese e argumentoDiferença entre tese e argumento
Diferença entre tese e argumentocristina resende
 
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAno
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAnoOs Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAno
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAnocolegiomb
 

Destaque (20)

Argumentação, Retórica e Filosofia - 1
Argumentação, Retórica e Filosofia - 1Argumentação, Retórica e Filosofia - 1
Argumentação, Retórica e Filosofia - 1
 
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIAARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA
ARGUMENTAÇÃO E FILOSOFIA
 
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")
Discurso Argumentativo e Retórica (de acordo com manual "Pensar Azul")
 
Falácias Informais - Filosofia e retórica
Falácias Informais - Filosofia e retóricaFalácias Informais - Filosofia e retórica
Falácias Informais - Filosofia e retórica
 
Matéria 1º Período
Matéria 1º Período Matéria 1º Período
Matéria 1º Período
 
Argumentos por analogia
Argumentos por analogiaArgumentos por analogia
Argumentos por analogia
 
Demonstração e argumentação
Demonstração e argumentaçãoDemonstração e argumentação
Demonstração e argumentação
 
Tipos de argumentos indutivos
Tipos de argumentos indutivosTipos de argumentos indutivos
Tipos de argumentos indutivos
 
O conceito de argumento
O conceito de argumentoO conceito de argumento
O conceito de argumento
 
Turismo em espaço rural
Turismo em espaço ruralTurismo em espaço rural
Turismo em espaço rural
 
A distinção validade verdade
A distinção validade verdadeA distinção validade verdade
A distinção validade verdade
 
Marketing de Guerrilha
Marketing de GuerrilhaMarketing de Guerrilha
Marketing de Guerrilha
 
O debate em filosofia
O debate em filosofiaO debate em filosofia
O debate em filosofia
 
Filosofia e debate
Filosofia e debateFilosofia e debate
Filosofia e debate
 
Resumo filosofia (1)
Resumo filosofia (1)Resumo filosofia (1)
Resumo filosofia (1)
 
Resumo filosofia (3)
Resumo filosofia (3)Resumo filosofia (3)
Resumo filosofia (3)
 
Turismo no espaço rural 11-6
Turismo no espaço rural 11-6Turismo no espaço rural 11-6
Turismo no espaço rural 11-6
 
Diferença entre tese e argumento
Diferença entre tese e argumentoDiferença entre tese e argumento
Diferença entre tese e argumento
 
Validade não dedutiva
Validade não dedutivaValidade não dedutiva
Validade não dedutiva
 
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAno
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAnoOs Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAno
Os Instrumentos Lógicos do Pensamento - Filosofia 10ºAno
 

Semelhante a Resumos filosofia 11

matéria 1º período
matéria 1º períodomatéria 1º período
matéria 1º períodoatamenteesas
 
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)Maria Freitas
 
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptx
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptxLógia Powerpoint 10ºA ano.pptx
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptxFreiheit Ribeiro
 
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátia
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátiaEstudo dirigido linguagens da indexação prof. kátia
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátiaRita Gonçalves
 
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01IsaRoHerculano
 
O nascimento da lógica 2º ano ok
O nascimento da lógica 2º ano okO nascimento da lógica 2º ano ok
O nascimento da lógica 2º ano okMilena Leite
 
Lógica Aristotélica
Lógica AristotélicaLógica Aristotélica
Lógica AristotélicaMunis Pedro
 
Power point reformulacao (1)
Power point   reformulacao (1)Power point   reformulacao (1)
Power point reformulacao (1)j_sdias
 
Introdução-à-Filosofia.pptx
Introdução-à-Filosofia.pptxIntrodução-à-Filosofia.pptx
Introdução-à-Filosofia.pptxssusera1ec45
 
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismo
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismoEssencialismo e anti essencialismo e pragmatismo
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismohilton leal
 
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)guest9578d1
 
Behaviorismo filosófico
Behaviorismo filosóficoBehaviorismo filosófico
Behaviorismo filosóficoCaio Maximino
 
O conhecimento slides
O conhecimento   slidesO conhecimento   slides
O conhecimento slidesUFMS
 
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objeto
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objetoAula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objeto
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objetoauroratc
 

Semelhante a Resumos filosofia 11 (20)

matéria 1º período
matéria 1º períodomatéria 1º período
matéria 1º período
 
O ju+ìzo
O ju+ìzoO ju+ìzo
O ju+ìzo
 
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)
Objetivos Teste de Filosofia Nº2 (10ºAno)
 
U2.3 termo
U2.3 termoU2.3 termo
U2.3 termo
 
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptx
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptxLógia Powerpoint 10ºA ano.pptx
Lógia Powerpoint 10ºA ano.pptx
 
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátia
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátiaEstudo dirigido linguagens da indexação prof. kátia
Estudo dirigido linguagens da indexação prof. kátia
 
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01
Oficinashowpronto 091205130747-phpapp01
 
O nascimento da lógica 2º ano ok
O nascimento da lógica 2º ano okO nascimento da lógica 2º ano ok
O nascimento da lógica 2º ano ok
 
Lógica Aristotélica
Lógica AristotélicaLógica Aristotélica
Lógica Aristotélica
 
Filosofia Analítica
Filosofia AnalíticaFilosofia Analítica
Filosofia Analítica
 
Power point reformulacao (1)
Power point   reformulacao (1)Power point   reformulacao (1)
Power point reformulacao (1)
 
Introdução-à-Filosofia.pptx
Introdução-à-Filosofia.pptxIntrodução-à-Filosofia.pptx
Introdução-à-Filosofia.pptx
 
A divisão da lógica
A divisão da lógica A divisão da lógica
A divisão da lógica
 
Filosofia
FilosofiaFilosofia
Filosofia
 
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismo
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismoEssencialismo e anti essencialismo e pragmatismo
Essencialismo e anti essencialismo e pragmatismo
 
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)
Gnosiologia e os problemas gnosiológicos (DOC.2)
 
Logica
LogicaLogica
Logica
 
Behaviorismo filosófico
Behaviorismo filosóficoBehaviorismo filosófico
Behaviorismo filosófico
 
O conhecimento slides
O conhecimento   slidesO conhecimento   slides
O conhecimento slides
 
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objeto
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objetoAula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objeto
Aula1 teoria e prática conhecimento e o direito como objeto
 

Mais de Dylan Bonnet

A Cultura do Salão
A Cultura do SalãoA Cultura do Salão
A Cultura do SalãoDylan Bonnet
 
A Cultura do Palácio: Renascimento
A Cultura do Palácio: RenascimentoA Cultura do Palácio: Renascimento
A Cultura do Palácio: RenascimentoDylan Bonnet
 
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das ArtesResumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das ArtesDylan Bonnet
 
A cultura académica em portugal
A cultura académica em portugalA cultura académica em portugal
A cultura académica em portugalDylan Bonnet
 
Resumo Cultura do Ágora - HCA
Resumo Cultura do Ágora - HCAResumo Cultura do Ágora - HCA
Resumo Cultura do Ágora - HCADylan Bonnet
 

Mais de Dylan Bonnet (6)

A Cultura do Salão
A Cultura do SalãoA Cultura do Salão
A Cultura do Salão
 
A Cultura do Palácio: Renascimento
A Cultura do Palácio: RenascimentoA Cultura do Palácio: Renascimento
A Cultura do Palácio: Renascimento
 
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das ArtesResumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
Resumo Cultura do Gótico - Hisatória da Cultura e das Artes
 
O livro de kells
O livro de kellsO livro de kells
O livro de kells
 
A cultura académica em portugal
A cultura académica em portugalA cultura académica em portugal
A cultura académica em portugal
 
Resumo Cultura do Ágora - HCA
Resumo Cultura do Ágora - HCAResumo Cultura do Ágora - HCA
Resumo Cultura do Ágora - HCA
 

Último

Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEblogdoelvis
 
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentesMaio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentesMary Alvarenga
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja Mary Alvarenga
 
Teatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundarioTeatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundarioWyngDaFelyzitahLamba
 
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na ÁfricaPeriodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na Áfricajuekfuek
 
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)Centro Jacques Delors
 
13_mch9_hormonal.pptx............................
13_mch9_hormonal.pptx............................13_mch9_hormonal.pptx............................
13_mch9_hormonal.pptx............................mariagrave
 
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdfUFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdfManuais Formação
 
Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................mariagrave
 
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024azulassessoria9
 
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptxQuímica-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptxKeslleyAFerreira
 
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...WelitaDiaz1
 
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - GeoprocessamentoDados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - GeoprocessamentoVitor Vieira Vasconcelos
 
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São PauloCurrículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Pauloririg29454
 
Quando a escola é de vidro, de Ruth Rocha
Quando a escola é de vidro, de Ruth RochaQuando a escola é de vidro, de Ruth Rocha
Quando a escola é de vidro, de Ruth RochaREGIANELAURALOUREIRO1
 
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)Centro Jacques Delors
 
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialFUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialDouglasVasconcelosMa
 

Último (20)

Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
 
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentesMaio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
Maio Laranja - Combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja
 
662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica662938.pdf aula digital de educação básica
662938.pdf aula digital de educação básica
 
Teatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundarioTeatro como estrategias de ensino secundario
Teatro como estrategias de ensino secundario
 
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na ÁfricaPeriodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África
Periodo da escravidAo O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África
 
Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.
 
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)Quiz | Dia da Europa 2024  (comemoração)
Quiz | Dia da Europa 2024 (comemoração)
 
13_mch9_hormonal.pptx............................
13_mch9_hormonal.pptx............................13_mch9_hormonal.pptx............................
13_mch9_hormonal.pptx............................
 
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdfUFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
UFCD_10659_Ficheiros de recursos educativos_índice .pdf
 
Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja Poema - Maio Laranja
Poema - Maio Laranja
 
Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................Histogramas.pptx...............................
Histogramas.pptx...............................
 
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
 
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptxQuímica-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
Química-ensino médio ESTEQUIOMETRIA.pptx
 
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...
atividade para 3ª serie do ensino medi sobrw biotecnologia( transgenicos, clo...
 
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - GeoprocessamentoDados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
Dados espaciais em R - 2023 - UFABC - Geoprocessamento
 
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São PauloCurrículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
Currículo Professor Pablo Ortellado - Universidade de São Paulo
 
Quando a escola é de vidro, de Ruth Rocha
Quando a escola é de vidro, de Ruth RochaQuando a escola é de vidro, de Ruth Rocha
Quando a escola é de vidro, de Ruth Rocha
 
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)
Sopa de letras | Dia da Europa 2024 (nível 2)
 
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialFUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
 

Resumos filosofia 11

  • 1. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA ARGUMENTAÇÃO E LÓGICA FORMAL LÓGICA: A lógica estuda condições de validade do pensamento, abstraindo-se do seu conteúdo, ou seja, procura explicitar os princípios que estão na base do pensamento coerente. Ciência que estuda os argumentos (encadeamentos de proposições) para estabelecer regras de pensamento válido. Os répteis são astronautas. Argumento Os astronautas são vegetais. Logo, os répteis são vegetais. LÓGICA ESPONTÂNEA: A lógica espontânea é inata e natural ao Homem. É comum a todos nós e é fruto de elementos culturais de cada povo. Brota do facto de o Homem seguir uma ordem incontrolável e impulsiva para chegar ao conhecimento das coisas como são. Diz respeito ao caminho que a razão humana segue para conhecer as coisas. Para pensarmos e comunicarmos com correção. UTILIDADE DA LÓGICA: › Ajuda a estruturar o pensamento de forma precisa clara e coerente, tornando o discurso mais convincente e facilita no processo comunicativo; › Ensina a detetar erros e ambiguidades, o que permite distinguir argumentos válidos de argumentos não válidos; › Proporciona o desenvolvimento das capacidades argumentativas; › Contribui para o desenvolvimento intelectual do indivíduo ao nível do pensamento abstrato e contribui para a formação da autoconsciência; › Oferece-nos os recursos necessários para pensarmos a realidade e podermos conhecer; › Disponibiliza processos úteis para a investigação científica além de poder ser aplicada a novos domínios como a informática, robótica, etc. PRINCÍPIOS LÓGICOS: 1. PRINCÍPIO DA IDENTIDADE: Toda a coisa é idêntica a si mesma. Todo o ser é igual a si mesmo. Uma coisa é o que é. Por exemplo, uma rosa é uma rosa. Este princípio obriga a que se mantenha o significado dos termos e expressões. 2. PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO: A mesma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e segundo a mesma perspetiva. É impossível que o mesmo atributo pertença a não pertença ao mesmo sujeito ao mesmo tempo e segundo a mesma relação. 3. PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO: Uma coisa deve ser. Uma coisa é ou não é. Não há uma terceira possibilidade. (por exemplo, um proposição é verdadeira ou falsa, não há outra possibilidade). Estes princípios são pressupostos de todo o pensamento consistente. São princípios inatos da razão, por isso são indemonstráveis. Sem eles, nenhuma verdade pode ser pensada ou comunicada. 1
  • 2. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA CONCEITO: Representação mental, abstrata e geral que reúne as características comuns, isto é, os traços invariantes e fundamentais relativos a um conjunto de seres, coisas ou acontecimentos, traços estes, que os distinguem de outros seres, coisas ou acontecimentos. FORMAÇÃO DE CONCEITOS: O conceito é resultado de determinadas interações, sendo, portanto, uma construção mental. Construímos conceitos mediante operações como a abstração e a generalização. Abstração: ato mediante o qual, dado um conjunto de objetos ou de indivíduos concretos, isolamos e pomos de parte características particulares, próprias de cada um dos objetos, para retermos apenas aspetos comuns a esses diversos indivíduos. Exemplo: ‘Como se chega ao conceito ave?’ - Ter penas cinzentas? - Ter penas? - Alimentar-se de grãos? - Ter bico adunco? - Ter bico? - Ter crista? Características fundamentais - Respirar através de pulmões? - Reproduzir-se por ovos? - Ser animal doméstico? - Voar? - Ter asas? Generalização: surge como complemento da abstração, ou seja, torna extensivas a todos os indivíduos da mesma classe as características essenciais reunidas no conceito. Nota: 1. O conceito constitui o elemento básico do pensamento e, em si mesmo, nada afirma ou nega; 2. O conceito é um instrumento mental que serva para pensar e, através do qual, representamos diferentes realidades, sejam materiais ou ideais. 3. É uma síntese que reúne as características comuns de uma classe de seres, coisas ou acontecimentos. 4. Os conceitos singulares (Paulo, Torre do Clérigos, Rio Douro,…) são conceitos dos quais não temos representações gerais, mas singulares. De qualquer modo, essas representações são também conceitos. REDES CONCETUAIS: Exemplo: 2
  • 3. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA TERMO E CONCEITO: O termo é a expressão verbal do conceito. O conceito corresponde a um conteúdo intelectual que se expressa, na linguagem, através do termo, o termo é o significante e o conceito o significado. Existem vários termos para o mesmo conceito: livro – libro – livre – book – buch. O termo não se identifica só com uma palavra, podendo ser uma expressão. COMPREENSÃO E EXTENSÃO DE UM CONCEITO: A compreensão de um conceito representa o conjunto de características ou notas caracterizadoras que definem esse conceito. A extensão de um conceito representa o conjunto de seres, coisas ou acontecimentos que são abrangidos por esse conceito, ou seja, são elementos da classe lógica definidos pelos conceitos. A compreensão e a extensão de um conceito variam numa relação inversa: Ser Extensão Ser vivo Animal Vertebrado Mamífero Cão Labrador Compreensão “Jolie” JUÍZOS – PROPOSIÇÕES: Os juízos são operações mentais que permitem estabelecer uma relação de afirmação (conveniência) ou de negação (inconveniência) entre conceitos, que se exprimem verbalmente por proposições. A verdade ou a falsidade de uma proposição avalia-se confrontando essa proposição com a realidade. A relva é verde Juízo conveniente sujeito cópula predicado Verdade O Luís Figo não foi futebolista Juízo inconveniente Falso CLASSIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES QUANTO À RELAÇÃO (baseia-se na relação que se estabelece entre o sujeito e o predicado):  Proposições categóricas: Aquelas que afirmam ou negam sem restrições ou condições: As folhas são verdes.  Proposições hipotéticas: Aquelas que afirmam ou negam sob determinadas condições: No outono, as folhas são amarelas.  Proposições disjuntivas: Aquelas que afirmam ou negam sob a forma de alternativas que se excluem: As folhas ou são verdes ou são amarelas. 3
  • 4. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA CLASSIFICAÇÃO DAS PREPOSIÇÕES QUANTO À QUANTIDADE E À QUALIDADE: - Afirmativo ex: Alguns homens são poetas.  Qualidade - Negativo ex: Nenhum camelo é ave. - Universal ex: Todos os homens são poetas./ Nenhum homem é poeta  Quantidade - Particular ex: Alguns camelos são aves. JUNTANDO QUALIDADE E QUANTIDADE: Juntando qualidade e quantidade, as proposições podem ser classificadas da seguinte forma: A – Universais afirmativas; E – Universais negativas; I - Particulares afirmativas; O – Particulares negativas. QUANTIFICAÇÃO DOS TERMOS DAS PROPOSIÇÕES. Quando o termo é referenciado em toda a sua extensão (universal) ele torna-se distribuído. Quando o termo é apenas tomado em parte da sua extensão (particular) este torna-se não distribuído. Proposições Distribuição do sujeito Distribuição do predicado A Distribuído Não distribuído I Não distribuído Não distribuído E Distribuído Distribuído O Não distribuído Distribuído RACIOCÍNIO: Operação mental através da qual o pensamento, de uma ou mais proposições dadas, conclui uma nova proposição – a conclusão. Portanto, raciocinar é inferir. A expressão verbal do raciocínio é o argumento. ARGUMENTO: Encadeamento de proposições de um modo tal que a conclusão é sempre resultado das premissas anteriores, que funcionam como razões para tal conclusão. Nos argumentos estabelece-se um nexo de implicação entre as premissas e a conclusão. 4
  • 5. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Todos os Zemindanes são poderosos Icabad é um Zemindane Válido Logo, Icabad é poderoso. A validade de um argumento diz respeito ao nexo lógico que se estabelece entre as premissa e a conclusão, de forma a expressar um pensamento coerente. Portanto, a validade dos argumentos não depende da veracidade das premissas, mas sim do nexo lógico entre elas e a conclusão. Nota: nos raciocínios ou argumentos dedutivos, se o raciocínio for válido e as premissas verdadeiras, a conclusão tem de ser verdadeira. TIPOS DE ARGUMENTOS: Raciocínio = Inferir Mediatos Imediatos (construídos a partir de duas ou mais proposições) (construídos a partir de uma só proposição)  Dedutivos  Oposição  Indutivos  Conversão  Por analogia Argumentos dedutivos: Num argumento dedutivo, as premissas impõem a conclusão, ou seja, há uma implicação lógica necessária entre as premissas e a conclusão. Nestes argumentos, a conclusão está implícita nas premissas e, por isso, não contém mais informação do que aquela que já está nas premissas. Exemplo: Todos os corvos são pretos. Este animal é um corvo. Logo, este animal é preto. A vantagem deste tipo de argumento é que ele é rigoroso e útil na defesa de uma tese ou para descobrir algo que inicialmente se desconhecia, mas se poderia inferir. Não entanto, não permite progredir muito no campo do desconhecido. São só únicos dotados de validade lógica. Argumentos indutivos: A relação que se estabelece entre as premissas e a conclusão é apenas de apoio ou suporte. Nestes argumentos, o facto de as premissas serem verdadeiras, não garante a veracidade da conclusão, pois esta engloba mais informação do que a que está contida nas premissas. Pode-se afirmar que a conclusão será provavelmente verdadeira. Considera-se, ainda, que a indução não tem validade formal, porque se verifica um salto abusivo entre as premissas e a conclusão, concluindo-se da parte para o geral. A vantagem deste argumento é que ele permita avançar no desconhecido e, portanto, ampliar o conhecimento. No entanto, ele não é totalmente rigoroso. 5
  • 6. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Exemplo: Este corvo é preto. Aquele corvo é preto. Logo, todos os corvos são pretos. Argumento por analogia: O raciocínio por analogia consiste em partir de certas semelhanças ou relações existentes entre dois objetos ou duas realidades e concluir novas semelhanças que podem não existir. Nos argumentos por analogia nunca se pode garantir que de premissas verdadeiras se obtenha uma conclusão verdadeira. A conclusão é provável, mas o grau de falibilidade é muito grande e, por isso, é necessário não tirar conclusões de semelhanças superficiais e não desprezar as diferenças. A força deste raciocínio aumenta com o aumento de semelhanças. Exemplo: Marte possui atmosfera com a Terra. A Terra tem seres vivos. Logo, é suposto que existam seres vivos em Marte. SILOGISMOS (RACIOCÍNIOS DEDUTIVOS): Termos de um raciocínio: Exemplo: › Termo Maior (T) Os insetos(M) são invertebrados(T). › Termo Menor (t) As abelhas(t) são insetos(M). › Termo Médio (M) Logo, as abelhas(t) são invertebradas(T). Regras dos Silogismos: 1ª. Um silogismo só pode conter três termos diferentes; 2ª. O termo médio não pode entrar na conclusão; 3ª. O termo médio tem de estar, pelo menos numa das premissas, tomado em toda a sua extensão; 4ª. Nenhum termo pode ter mais extensão na conclusão do que tem nas premissas; 5ª. De duas premissas afirmativas, não se pode inferir uma conclusão negativa; 6ª. De duas premissas negativas nada se pode concluir; 7ª. De duas premissas particulares nada se pode concluir; 8ª. Se uma das premissas for particular (ou negativa), a conclusão tem de ser particular (ou negativa). 6
  • 7. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Modo e Figura dos Silogismos: Modo Figura A Todo A é B 2ª Figura (o termo médio está nos predicados das E Nenhum C é B premissas) E Logo, nenhum A é C O Modo diz respeito ao tipo de premissa (A, I, E ou O) e a Figura à posição do termo médio nas premissas. Mnemónica das figuras: SUPER 1ªFig. PEPE 2ªFig. SOUSA 3ªFig. PS 4ªFig. INFERÊNCIAS IMEDIATAS: A OPOSIÇÃO E A CONVERSÃO: Inferências por Oposição: Inferir por oposição significa concluir novas muda qualidade proposições a partir de uma, chamada primitiva, fazendo transformações na A contrárias E qualidade, na quantidade ou em ambas simultaneamente. Conclui-se, assim, que as preposições que são: muda qual / quan muda subal contr subal a) Contrárias, ambas universais, diferem na aditór quant terna terna qualidade; idade s ias s b) Subcontrárias, ambas particulares, contraditórias diferem na qualidade; c) Subalternas, diferem na quantidade; d) Contraditóras, diferem na qualidade e na quantidade. (note-se que nas preposições contraditórias, como são a negação uma I subcontrárias O da outra, se uma for verdadeira a outra é falsa.) Quadrado das Oposições | Inferências por Conversão: As inferências por conversão resultam da inversão da posição dos termos, isto é, o termo que é sujeito na preposição primitiva passa a predicado na proposição conversa e vice-versa. A conversão tem que obedecer à lei, segundo a qual os termos da nova preposição não podem ter maior extensão (corresponde à conclusão) do que na premissa primitiva. (conversão limitada) 7
  • 8. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA E Nenhum mamífero é peixe E Nenhum peixe é mamífero Conversão Simples I Alguns homens são desportistas I Alguns desportistas são homens A Todos os médicos são estudiosos Conversão Limitada I Alguns estudiosos são médicos LÓGICA ARISTOTÉLICA VS. LÓGICA MODERNA: Características da Lógica Aristotélica (Méritos e Limitações): Limitações: › A lógica aristotélica é completamente dependente da linguagem natural e da sua gramática. Por isso não está isenta de equívocos e ambiguidades. ex: este triângulo é desigual Conteúdo idêntico, no entanto modos diferentes, A e este triângulo não é igual E, respetivamente. › Por esta razão não atinge totalmente a formalização; › Limita-se a silogismos categóricos. Méritos: › Tentativa de formalização e reconhecimento de que a linguagem natural é limitada nesta tentativa. Superação das limitações da Lógica Aristotélica pela Lógica Moderna: › A lógica moderna usa símbolos assentes numa linguagem artificial que permite o cálculo e reduz equívocos e a ambiguidade da linguagem natural. ex: Ser ou não ser, eis a questão, passa a: (p V ~p)  q p- ser q- questão › Analisa as proposições como um todo, desvalorizando os termos; › Permite a aplicação da lógica a novos domínios – científicos e tecnológicos. ARGUMENTAÇÃO: Diariamente somos emissores e recetores de discursos argumentativos. A argumentação está relacionada com a vertente social do Homem, ela torna-se um processo comunicativo. Como ato de comunicação, a argumentação implica: - Orador / Emissor; - Auditório / Recetor; - Mensagem. 8
  • 9. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Argumentação e Demonstração: A racionalidade humana não se esgota na validade formal, pois a maior parte dos problemas com que nos deparamos não dependem de critérios formais rígidos, mas sim de critérios que se prendem mais com a força persuasiva, a relevância e a pertinência dos argumentos e das premissas desencadeadas a partir de opiniões geralmente aceites. Entramos, assim, no domínio da argumentação ou “dedução dialética”, nas palavras de Aristóteles, (ver exemplo 1) que é diferente da demonstração (ver exemplo 2). A demonstração é constringente, não discutível, enquanto a argumentação pressupõe premissas plausíveis e passiveis de serem discutíveis e até, refutadas. Se o mar Y for água, é H2O. Exemplo 1 O mar Y é água. Demonstração Logo, o mar Y é H2O. Se os animais não têm deveres, não têm direitos. Exemplo 2 Os animais não têm deveres. Argumentação Logo, os animais não têm direitos. Demonstração: processo lógico-discursivo que, partindo de premissas consideradas verdadeiras, nos leva a inferir uma conclusão verdadeira. As provas apresentadas são constringentes. Argumentação: discurso que visa persuadir um auditório acerca do valor de uma tese que se está a defender. Argumentar é fornecer razões a favor, ou contra, de uma tese provocando adesão do auditório. 9
  • 10. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Demonstração Vs. Argumentação Ponto de partida: proposições indiscutíveis que Ponto de partida: proposições discutíveis. Ideias são consideradas verdadeiras ou capazes de gerar controvérsia. hipoteticamente verdadeiras. Tipo de lógica: regida sobre a lógica forma. Tipo de lógica: regida sobre a lógica informal. Os Impera o rigor, não há lugar para a discussão. critérios desta lógica são a pertinência, a Interessa apenas o encadeamento do raciocínio. relevância e a força persuasiva dos argumentos. Relação premissas-conclusão: relação de Relação premissas-conclusão: as premissas são necessidade entre as premissas e a conclusão. discutíveis e pode-se não chegar a nenhuma Domínio do constringente. conclusão, pois esta depende da adesão do auditório. É do domínio do preferível e do plausível. Relação com o contexto: é independente do Relação com o contexto: a argumentação tem de contexto. A validade não depende nem do ser contextualizada, porque tem que haver uma tempo, nem do sujeito que faz a demonstração. proximidade entre o orador e o auditório. Por O discurso é impessoal. essa razão, torna-se pessoal., pois quem argumenta deve adaptar o seu discurso ao auditório. Linguagem: reina a linguagem artificial, rigorosa, Linguagem: supõe diálogo, discussão usando a quase matemática e desprovida de linguagem natural, com todas as suas ambiguidades; reduz-se a um cálculo lógico e ambiguidades. Apresenta razões pró ou contra permite uma única interpretação. uma tese. Permite uma pluralidade de interpretações. Grau de certeza: há rigidez de soluções; a Grau de certeza: a aceitação de uma tese solução apresenta-se como evidente, depende da aprovação do auditório; uma tese independentemente da aceitação do auditório. pode ser contestada a qualquer momento; pode- Domina a autoridade da lógica. se admitir mais que uma solução, onde domina a intersubjetividade. Aplicação: ciências lógico-dedutivas Aplicação: ciências sociais e humana (direito, política e filosofia) e em situações de vida corrente. 10
  • 11. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA O que fazer para conseguir a adesão do auditório? (Que características deve ter a situação comunicativa da argumentação?) › O emissor deve mostrar abertura de pensamento, aceitando a discussão sobre o tema, mostrando disponibilidade para ouvir. › O orador deve dirigir-se ao homem total; um ser racional, que pensa pro si próprio, provido de emoções, portador de uma cultura e que tem interesses e motivações. O auditório é também livre de aceitar ou refutar a tese. › O orador tem de adaptar a sua linguagem e estratégias ao auditório. › O emissor deve estar atento às reações do auditório. Em resumo, deve haver uma adaptação às características sociais, culturais e psicológicas do auditório. Vertentes do discurso argumentativo:  Ethos: personalidade do orador com características (honestidade, humildade, calma, amabilidade, …) que confiram credibilidade à mensagem.  Pathos: refere-se às emoções despertadas no auditório e consiste na recetividade com que escutam o orador. Capacidade de suscitar emoções no auditório para que ele fique predisposto a aceitar a tese apresentada.  Logos: diz respeito à mensagem em si. Deve ser cuidada e clara, recheada de argumentos e conectores que confiram organização ao texto. Por vezes pode implicar o uso de falácias. 11
  • 12. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Tipos de argumentos: 1. Dedutivos indutivos por analogia exemplos 2. Não dedutivos contra-exemplos entimema argumento de autoridade Raciocínio por analogia: Requisitos de credibilidade: › Não extrair conclusões a partir de semelhanças raras. › Não desprezar as diferenças significativas existentes. Exemplo: Consiste em citar com a oportunidade um exemplo, ou vários, para produzir no auditório a convicção de que eles ilustram um princípio geral. ex: Outrora as mulheres casavam muito cedo (tese) Na Idade Média, 13 anos era a idade normal de casamento para uma rapariga judia. (exemplo) Contra-exemplo: Caso que se presta a apoiar o contrário da tese que se defende. ex: se se argumentar contra os malefícios do tabaco, o senhor Manuel que viveu até aos 90 anos e foi sempre fumador é um contra-exemplo. Entimema: Silogismo em que uma das premissas está omissa. ex: Todas as estrelas têm luz própria. Falta a premissa: A lua não tem luz própria Logo, a lua não é uma estrela. Argumento de Autoridade: Apoia-se na opinião ou testemunhos de uma pessoa ou instituição com autoridade na matéria para sustentar a tese que se está a defender. Requisitos de credibilidade: › Fontes qualificadas, “especialistas” no assunto em discussão. › Fontes devem ser imparciais. › Dever haver consenso entre os especialistas da mesma área. FALÁCIAS: Falácias Formais: erros de raciocínio derivadas do incumprimento das regras lógicas. Dizem respeito apenas à forma como o argumento está construído. › Falácia do Termo Médio (M não está distribuído) › Ilícita do Termo Maior (T tem mais extensão na conclusão que nas premissas) › Ilícita do Termo Menor (t tem mais extensão na conclusão que nas premissas) 12
  • 13. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Falácias Informais: erros de raciocínio que resultam de lacunas no discurso. › Falácia da Bola de Neve: um acontecimento leva a outro › Falácia contra o Homem: não se ataca o argumento, mas sim a pessoa que faz o argumento. Descredibilizar o produtor do argumento. › Falácia do Apelo à Força: recorre-se a ameaças. › Falácia da Misericórdia: “choradinho”, comove-se o outro levando-o a ter pena. › Falácia Post Hoc Ergo Propta Hoc: falsa causa e acontece porque há uma confusão entre a temporalidade e a causalidade (concomitância). › Falácia do Apelo à Autoridade: quando se invoca a autoridade de um especialista ou de uma personalidade credível que não é perito na matéria em discussão. (ex: Dr. House recomenda-lhe que compre um carro híbrido.). › Falácia do Falso Dilema: são apresentadas duas alternativas que se excluem uma a outra e que escondem outras possíveis alternativas. (ex: ou está comigo, ou estás contra mim.) › Falácia da Petição de Princípio (ou ciclo vicioso): a conclusão repete a premissa. Dá-se por provado o que se deve provar. (ex: O Sol gira em torno da Terra, porque ela está parada no Universo.). › Falácia do Espantalho: deturpam-se as palavras do adversário de modo a terem outro significado. › Falácia do Apelo à Ignorância: defende-se que o enunciado é falso porque não foi provado. (Nunca se provou a existência dos ET’s, logo não existem.). › Falácia da Pergunta Complexa (ou pergunta ardilosa): (‘Já deixaste de beber?’; ‘Continuas egoísta como eras?’). A resposta “sim” ou ”não” implica admitir um comportamento que não é muito recomendável. A pergunta complexa dá-se quando se introduz uma pergunta cuja resposta implica um comprometimento com a posição que o autor da pergunta quer promover e constitui um desconforto para o interlocutor. A SABER: ESTRUTURA DO TEXTO ARGUMENTATIVO. RETÓRICA: Em que contexto surge a retórica? A retórica surge no contexto de persuadir nas cidades-estado democráticas gregas do séc. VI a.C.. Aparece ligada à vivência democráticas nessas organizações políticas (cidades-estado) sobretudo pelas exigências das assembleias políticas e ligada ao funcionamento dos tribunais. Nestas estruturas, os cidadãos eram incentivados a intervir na vida pública e existia igualdade dos cidadãos perante a lei. O que é a retórica? É entendida com a arte de bem falar e convencer o auditório. Liga-se à capacidade de apresentar bons argumentos. 13
  • 14. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Democracia Regime que consagra a igualdade de direitos entre os cidadãos. (isonomia) - Sociedade de homens livres, onde há liberdade de eleger e de ser eleito. - Liberdade de discussão. isto permite - O poder assenta na força persuasiva da palavra. Raízes da Retórica Ligação às instituições políticas e judiciárias e à vida quotidiana dos cidadãos: a) assembleia de cidadãos (discussão dos problemas e decisões) b) tribunais (onde havia p direito da defesa e o júri escutava as partes em litígio) c) praça pública / mercado (onde se discutia os mais diversos assuntos) Ensino dos sofistas: Quem são os sofistas? Professores itinerantes que andavam de cidades democráticas em cidades democráticas a venderem o seu conhecimento. Surgem quando se desenvolve a “democracia cara-a-cara” e é essencial, para haver discussão conhecer a retórica e saber argumentar. Introduziram novos métodos (antologia: apresentar uma tese, sabendo defendê-la e passa a poder desconstruí-la) e conhecimento enciclopédico (de várias área). Defendiam o relativismo tanto dos valores como do conhecimento e achavam as leis convencionais, ou seja mutáveis. Sofistas Surgem para responder a uma necessidade sociopolítica nova: preparação dos jovens para as disputas políticas e jurídicas. Objetivo: formar cidadãos intervenientes na vida pública. O ensino centra-se no domínio da palavra (gramática, retórica, antilogia) e num saber enciclopédico. Conceções filosóficas marcadas pelo relativismo e ceticismo. (o seu ensino articula-se com as conceções filosóficas) Conflito entre sofistas e filósofos: Sofistas (retores) Filósofos  Ideal de vida prático (visava a ação);  Ideal de vida contemplativo;  Era marcada pela intensão de preparar os jovens  A contemplação vista como um meio de busca para a disputa política e jurídica (formação de da verdade e de aperfeiçoamento do ser humano cidadãos); (orientação da ação. A teoria precedia a prática);  Preocupavam-se com as competências  Valorização de virtudes como a moderação e a argumentativas; temperança;  Valorização da palavra e do discurso eloquente;  Desenvolveram e valorizaram a dialética como  Valorização do poder e do sucesso; método de descoberta da verdade;  A retórica visava a eficácia do discurso (não  A filosofia visava o esclarecimento e a isento de manipulação); compreensão; 14
  • 15. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA  A retórica era uma arma de conquista do poder;  Defendiam que os valores e as verdades era  Defendiam o relativismo do conhecimento e dos absolutas. valores e o convencionalismo das leis. Contexto histórico – declínio e reabilitação da retórica: A partir dos fins do século IV a.C., a retórica entrou em declínio e só viria a ser reabilitada na atualidade. Muitos fatores contribuíram para o declínio da retórica: - O declínio das instituições democráticas, no Período Helenístico e no Período do Império Romano. - A força e o prestígio da Igreja Católica na Idade Média, que impôs parâmetros de verdade não compatíveis com a utilização credível de estratégias argumentativas. - O ideal da racionalidade da Época Moderna moldado pelo paradigma científico. Na Época Contemporânea, a crise do conceito clássico da racionalidade, por um lado, e, por outro, a valorização das instituições democráticas, o reconhecimento da igualdade de todos os cidadãos perante a lei, bem como o poder detido pelos meios de comunicação, vieram criar condições favoráveis à reabilitação da retórica. As Dimensões da Retórica: a Persuasão e a Manipulação: Faça a vontade à sua mulher. Compre uma casa nova já! Manipulação (a antiga pode ser vendida nos próximos três anos) Beba leite. O leite enriquece os ossos! Persuasão Persuasão: › Reclama-se a participação do outro na avaliação das ideias, ou seja, é um convite ao debate. › O outro é encarado como um ser racional capaz de tomar as suas próprias decisões; pressupões liberdade e respeito pelo outro. › O centro da argumentação é colocado no Logos e nas boas razões. › A persuasão comporta o bom uso da retórica, ou retórica branca, o que implica um discurso persuasivo sensato. Manipulação: › Consiste em levar alguém a fazer algo, impedindo-o de avaliar a situação criticamente. Faz-se um uso indevido da argumentação com vista em levar o interlocutor a aderir de forma acrítica às propostas do emissor. › Não valoriza a autonomia e a capacidade crítica do interlocutor, pois o orador impões as suas ideias; não respeita o interesse, a inteligência ou a liberdade do outro; tende a suprimir os problemas. › A retórica é colocada no Pathos uma vez que se apela aos afetos, desperta-se o desejo, sugestiona-se e faz-se promessas. 15
  • 16. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA › Mau uso da retórica (retórica negra) quando a argumentação procura enganar o auditório em função dos interesses de quem produz a argumentação, o que implica um discurso persuasivo sedutor. Estratégias Manipuladoras:  Discurso publicitário comercial (recorre-se à estetização da mensagem);  Relação imaginária que se estabelece entre o consumidor e o produto (costuma-se fazer passar a ideia que o produto é indispensável);  Uso da imposição (vendas agressivas). Como enfrentar as estratégias manipuladoras?  Estar informado e fazer juízos críticos;  Avaliar a consistência dos argumentos e questionar as suas implicações;  Questionar as ideias feitas e as posições dogmáticas;  Desenvolver, através da educação, competências argumentativas e a capacidade de desmontar falácias;  Deve haver, da parte dos cidadãos, empenho na vida sócio-política. ARGUMENTAÇÃO, VERDADE E SER: Modelo Clássico da Racionalidade: O modelo da racionalidade é um modelo científico. Este modelo considera que as verdades são absolutas e intemporais; a partir do momento em que são construídas não podem ser contestadas. Novo Modelo da Racionalidade Clássica: (ver livro) 16
  • 17. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA PERSPETIVA FENOMENOLÓGICA DO CONHECIMENTO: Tipos de Conhecimento: O conhecimento é sempre uma relação daquele que conhece (o sujeito) com o que é conhecido (o objeto). Com base no tipo de objeto, encontramos três tipos de conhecimento: › Conhecimento prático: diz respeito ao saber fazer (domínio da uma técnica, por ex.) › Conhecimento de contacto: é do domínio do conhecimento de pessoas, objetos, locais, … › Conhecimento proposicional: conhecimento apoiado em proposições (o que se aprende na escola, por ex.) Análise Fenomenológica do Conhecimento: Elementos do ato de conhecer: sujeito (é geral e acontece em todas as consciências); objeto e relação que se estabelece entre o sujeito e o objeto da qual resulta o conhecimento. Sujeito Objeto Duas entidades separadas uma da outra, conetadas pelo ato de conhecer. Relação entre S/O – é uma correlação, ou seja, um só existe porque o outro também existe. Esta relação é irreversível, isto é, não se pode permutar, num ato de pensamento, a função do objeto e a função do sujeito. A função do sujeito é conhecer o objeto. A função do objeto é ser conhecido pelo sujeito (este último é o elemento ativo). Movimentos que a consciência tem de fazer para conhecer: Com esta perspetiva, conhecer é representar na mente as características fundamentais de um objeto. O ato de apreender ocorre em três fases: O sujeito capta as O sujeito sai de si  O sujeito deu conta que existe determinações/características um objeto novo a conhecer  O sujeito está fora de si do objeto. O sujeito regressa a si  Regressa a si para construir o conhecimento. Formação da imagem do conceito. (como o conhecimento é subjetivo, a representação pode ter erros.) 17
  • 18. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA 1º sai de si SUJEITO OBJETO 2º está fora de si 3º regressa a si  O sujeito estabelece uma relação de oposição com o objeto;  O objeto e o sujeito estabelecem entre si uma correlação;  A relação entre eles é irreversível;  O objeto modifica o sujeito;  O sujeito representa o objeto. O sujeito forma uma imagem do objeto que é manente (dentro dele), objetiva com alguns salpicos de subjetividade, uma representação mental. QUESTÕES GNOSIOLÓGICAS: A questão da POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO: Esta questão baseia-se no facto de o sujeito, ao apreender, experimentar o erro; daí: “sujeito apreende realmente o objeto?” Dogmatismo: (posição otimista) Sim, apreende; o conhecimento é possível. › Dogmatismo ingénuo: crença do Homem comum que não é abalada pela desconfiança. Conhece o Mundo como é. Há uma confiança absoluta no conhecimento. › Dogmatismo filosófico/crítico: é possível submeter o conhecimento à dúvida. Desde que a razão siga o método certo é possível encontrar verdades inabaláveis. Ceticismo: duvida acerca do Homem poder conhecer. › Ceticismo radical: nega a possibilidade de o Homem poder conhecer. Pode-se chegar a duas verdades que se opõem sobre o mesmo assunto. É preciso abster-se de fazer juízos. Não serve ao desenvolvimento humano e é inútil à ciência. Crítica: ao afirmar-se que não se pode conhece e chegar a verdades, já se está a afirmar uma verdade, logo contradiz-se. › Ceticismo moderado: defende que é possível conhecer, mas de uma forma aproximada, não absoluta. Há verdades aproximadas. É importante à ciência, uma vez que a atitude crítica é benéfica para encontrar erros nas verdades instaladas e chegar a verdades questionáveis. 18
  • 19. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA Criticismo: (Kant) é possível conhecer e chegar a verdades sólidas e universais, mas o conhecimento permanece limitado. Só se conhece algumas coisas que a nossa estrutura cognitiva nos deixa apreender. É necessário fazer uma crítica ao conhecimento e detetar quais as nossas possibilidades de conhecer. A questão da ORIGEM DO CONHECIMENTO: Como o Homem se apresenta tanto como um ser sensível e racional, deixa uma questão: “A origem do conhecimento está nos sentidos ou na razão?” Empirismo: A fonte do conhecimento é a experiência. Antes da experiência a nossa mente está em branco e a experiência vem pincelá-la. Não há ideias inatas e razão trabalha sobre os sentidos. Os empiristas tendem para o ceticismo, no que diz respeito à metafísica. Racionalismo: a fonte do conhecimento é a razão, o que confere às verdades um caráter universal e necessário (não é contraditório). Há conhecimento dos sentidos, mas está em segundo plano; este não é a base do conhecimento científico, pois é ilusório. O sujeito estrutura a realidade a partir das ideias. Descartes defende mesmo a existência de ideias inatas (figuras matemáticas; Deus; a dimensionalidade das coisas; cógito) fundamentais para o conhecimento. Os racionalistas caem no dogmatismo. Apriorismo: (Kant) As fontes do conhecimento são duas: a sensibilidade e a razão; Kant defende que o conhecimento surge com experiência, mas não se reduz a ela Considera que o sujeito é dotado de estruturas A priori, que são um património da razão, estruturas, estas, que são preenchidas pela experiência. Ou seja, as estruturas A priori têm a função de enquadrar e organizar os dados da experiência. (exemplo do supermercado) A questão da NATUREZA DO CONHECIMENTO: Esta questão surge para se saber “Qual dos polos, sujeito ou objeto, é que tem o papel determinante no ato de conhecer?” Realismo: quem é determinante é o objeto. › Realismo ingénuo: típico do senso comum. Não há diferença entre a realidade e o conhecimento que nós temos do real. › Realismo crítico: considera que é preciso distinguirmos objetos do real as suas propriedades objetivas (o que pode ser medido: tamanho, …) das suas propriedades subjetivas (cor, cheiro, …). Idealismo: (Kant) o polo fundamental é o sujeito. É solidário do criticismo. Parte do princípio que o nosso conhecimento é limitado, então, “eu só conheço o que se deixa apreender pela minha estrutura cognitiva”; a realidade é muito mais densa que aquilo que posso apreender dela. Só conhecemos facetas dessa realidade. Está relacionado com o conhecimento das ideias que se faz acerca das coisas. O polo determinante é o sujeito porque o conhecimento é uma construção sua, a partir do que ele conseguiu apreender, do que lhe foi permitido. 19
  • 20. Filosofia 11 Resumo RACIONALIDADE ARGUMENTATIVA E FILOSOFIA O PROBLEMA DO CONHECIMENTO EM DESCARTES: Descartes tinha influências matemáticas nas suas perspetivas filosóficas. O ceticismo foi importante no percurso de Descartes, mas ele não se manteve cético até ao fim dos seus dias. Foi educado á sombra da escolástica: era necessário reformar o conhecimento. Descartes começa com uma atitude dubitativa (que se revela apenas como uma metodologia para chegar a conhecimentos sólidos); duvida de todas as matérias, menos da Igreja. Razões que levaram Descartes a duvidar: › Duvida dos sentidos, porque estes nos enganam. Duvida do conhecimento sensorial. › Há quem se engane no domínio matemático, logo passa a duvidar do conhecimento racional matemático. › Não há critério seguro que distinga o estado de vigília do estado de sono. › Descartes alarga a dúvida e coloca a hipótese do génio maligno, entidade que induziria propositadamente, o Homem em erro, pondo em causa o critério de evidencia racional. Qual o papel da dúvida? A dúvida é importante ao conhecimento, pois permita duvidar das verdades feitas, questionar o que já está instalado e assim abrir portas para novas verdades e hipóteses. Características da dúvida Cartesiana: › É metódica, pois é uma estratégia de que Descartes se serva para pôr à prova a validade de todo o conhecimento e, portanto, distinguir o verdadeiro do falso. › É provisoria, porque parte da dúvida para chegar a certezas. › É hiperbólica, porque, ao colocar a hipótese do génio maligno, Descartes radicaliza a dúvida, pondo em causa o critério da evidência. › É progressiva, porque se aplica a todos os campos do conhecimento, menos à Igreja. Descartes seria cético? Não, porque começa duvidoso para quebrar os erros que podem “sujar” o conhecimento. Utiliza a dúvida para chegar a certezas, ou seja, é como que um ceticismo provisório, puramente metodológico. A questão do cógito: Regras de método: primeiro e fundamental: tornar o que é verdadeiro claro e evidente. 1ª verdade: a base da sua filosofia é atingida por via racional. Ideias Inatas 2ª verdade: temos a ideia do perfeito: mas donde virá isto? De seres imperfeitos, como o Homem? Logo não podemos produzir a ideia do perfeito. Do Nada? Não. A ideia inicial é inata e foi-nos posta por Deus, um ser perfeito que vai salvar o critério da evidência. 20