A filosofia e os seus
instrumentos
Em discussão
Filosofia
O que é a filosofia? Que questões coloca a
filosofia?
A que instrumentos
recorre a filosofia?
O que é a filosofia?
1
A filosofia começa por recolocar
muitas das questões que fizemos
em criança e examina as crenças
que formamos sobre a realidade que
nos rodeia.
A nossa vida é orientada por uma série de crenças.
A filosofia é uma atividade
conceptual crítica.
Filosofia
“philos” (“amor”) + “sophia” (“sabedoria”)
A filosofia é, na aceção etimológica, o amor à sabedoria.
O amor pela sabedoria é uma característica comum a
todos os filósofos. Leva-os a refletir criticamente e a
desenvolver respostas para os problemas que colocam.
A dúvida face àquilo que
tomamos como certo e
garantido.
O espanto ou a admiração
perante o mundo que nos
rodeia.
A vontade de estabelecer
uma comunicação autêntica
com os outros.
A consciência da nossa
fragilidade e do sofrimento.
Na origem da filosofia podem encontrar-se
diferentes situações e motivações
A filosofia ocidental nasceu na Grécia, em Mileto, uma colónia grega da
Ásia Menor, no início do século VI a. C.
Teórica e de análise
conceptual
Dimensões da filosofia
Esta dimensão visa a
compreensão do mundo e
de nós mesmos.
Prática e de orientação
no mundo
Esta dimensão tem uma
índole moral e existencial,
com carácter interventivo e
potencialmente
transformador da realidade
social e política.
Encontrar a verdade
Distinção entre a filosofia e as ciências
Filosofia Ciências empíricas
Objetivo
Objeto
Problemas
Método
Encontrar a verdade
Totalidade do real Parcelas do real
Conceptuais Empíricos
Reflexão crítica e
argumentação racional
Experimental
Algumas ciências, como a matemática ou a física teórica, são também disciplinas
conceptuais racionais. A filosofia distingue-se delas porque os seus problemas não
são resolúveis pelo raciocínio matemático.
As questões da filosofia
2
As questões filosóficas:
– são relativas às nossas crenças fundamentais;
– geram controvérsia e discussão crítica de ideias;
– levam a um avanço na compreensão e no aprofundamento do tema;
– dizem respeito e interessam, em princípio, a toda a Humanidade;
– não são resolvidas matemática nem experimentalmente.
Questões
filosóficas
Problemas
filosóficos
Implicam o desejo de conhecer as razões por que acreditamos
no que acreditamos.
Como devemos agir?
Exemplos de questões filosóficas
O que é o conhecimento?
O que são os valores?
O que é uma sociedade justa?
Quem sou eu?
Será que temos livre-arbítrio?
O que é a realidade?
Será que Deus existe?
O que é o belo?
Será que o conhecimento é possível?
Os problemas da filosofia incluem as várias dimensões da existência
humana – e encontram-se inter-relacionados.
O trabalho filosófico
– noções elementares de lógica
3
Racionalidade
argumentativa
Reflexão crítica
Dimensão discursiva do trabalho filosófico
Formulação e
avaliação de
argumentos
Análise de
conceitos
Formulação e
avaliação de teses
e teorias
Os filósofos recorrem à lógica.
Lógica
Estuda a distinção entre argumentos corretos e incorretos,
mediante a identificação e a compreensão dos processos
que conduzem da verdade de certas crenças à verdade
de outras.
Estuda, sobretudo,
a validade formal
dos argumentos
dedutivos.
Lógica formal Lógica informal
Estuda, sobretudo,
a força dos
argumentos
não-dedutivos.
Conceito
É geralmente entendido como a
expressão verbal do conceito.
Elemento básico do pensamento.
Representação intelectual de determinada
realidade.
O conteúdo dessa representação pode
dizer respeito a uma classe de objetos
ou a uma realidade singular.
Termo
A clarificação dos conceitos faz-se a partir da definição.
Tese
Ideia o que se quer
defender a propósito
de um dado problema.
No âmbito da filosofia,
é a resposta a um
problema em aberto.
As teses ou teorias são expressas em frases. As
ideias que subjazem a essas frases são as
proposições.
Proposição
Pensamento ou conteúdo, verdadeiro ou falso, expresso
por uma frase declarativa.
Apenas as frases declarativas expressam proposições:
só elas expressam um determinado conteúdo que pode
ser classificado em verdadeiro ou falso.
– a mesma proposição pode ser expressa por diferentes frases declarativas;
– frases ambíguas exprimem mais do que uma proposição;
– frases declarativas absurdas não expressam proposições.
Saia imediatamente!
Exemplos de frases que não expressam proposições
Frase imperativa
Que dia belo! Frase exclamativa
Quem inventou a roda? Frase interrogativa
Prometo ajudar os outros. Frase que traduz uma promessa
Ajuda-me a carregar estes sacos. Frase que expressa um pedido
Que o mundo se torne mais pacífico. Frase optativa (exprime um desejo)
Proposições categóricas
Proposições em que, de modo absoluto, se estabelece
uma relação de afirmação ou de negação entre termos.
A fórmula clássica desta relação é “S é P” ou “S não é P”.
Ser, ou conjunto de seres, relativamente ao qual
se afirma ou nega o predicado.
Sujeito
Predicado
Cópula
Característica, propriedade ou qualidade que se
afirma ou nega do sujeito.
Elemento que faz a ligação do sujeito com o
predicado (é uma forma do verbo ser).
Exemplo: Todos os artistas são sábios.
Proposições
categóricas
O sujeito é
tomado em toda
a sua extensão.
Afirmam
alguma coisa.
Negam
alguma coisa.
O sujeito é
tomado
apenas numa
parte da sua
extensão.
Universais
Afirmativas Negativas Particulares
Qualidade Quantidade
Universal afirmativa
Tipo de proposições
Tipo A
Tipo E
Tipo I
Tipo O
Todo o S é P.
Universal negativa Nenhum S é P.
Particular afirmativa Algum S é P.
Particular negativa Algum S não é P.
Forma lógica
Todos os cães são fiéis.
Nenhum cão é fiel.
Alguns cães são fiéis.
Alguns cães não são fiéis.
Exemplo
Quadrado da oposição
A Contrárias E
I O
Subcontrárias
Contraditórias Subalterna
Subalterna
As relações apresentadas designam-se por: contrariedade,
contraditoriedade, subcontrariedade e subalternação (ou
subalternidade). Na relação de subalternação, às proposições
universais também se chama subalternantes; as particulares são
subalternas.
Quantificadores
Universais
(“Todos”,
“Nenhum”)
Mas há outros quantificadores com idêntico significado.
Por exemplo, “Qualquer” equivale a “Todos”.
Existencial
(“Algum”)
Todos os filósofos são justos.
Qualquer filósofo é justo.
Ser filósofo é ser justo.
A
Nenhum animal é cruel.
Os animais não são cruéis.
Não há animal que seja cruel.
E
Alguns quadros são belos.
Certos quadros são belos.
Há quadros belos.
I
Alguns textos não são claros.
Existem textos não claros.
Nem todos os textos são claros.
O
Exemplos de proposições categóricas na sua forma-padrão ou
expressão canónica e outras expressões das mesmas
Negação de proposições categóricas (quantificadas)
Todos os belgas são ricos.
Proposição inicial Negação da proposição inicial
Alguns belgas não são ricos.
Nenhuma nuvem é bela. Algumas nuvens são belas.
Alguns atletas são felizes. Nenhum atleta é feliz.
Algumas plantas não são verdes. Todas as plantas são verdes.
A negação de uma universal afirmativa é uma particular negativa.
A negação de uma universal negativa é uma particular afirmativa.
A negação de uma particular afirmativa é uma universal negativa.
A negação de uma particular negativa é uma universal afirmativa.
A
E
I
O
O
I
E
A
Negação de proposições categóricas (singulares)
António é agricultor.
Proposição inicial Negação da proposição inicial
António não é agricultor.
O Sol não é brilhante. O Sol é brilhante.
A negação de uma singular afirmativa é a singular negativa respetiva.
A negação de uma singular negativa é a singular afirmativa respetiva.
Argumento
Conjunto de proposições devidamente articuladas
– a conclusão e a(s) premissa(s) –, no qual a(s)
premissa(s) tenta(m) defender, sustentar, apoiar ou
justificar a conclusão (ou seja, a tese).
Exemplo
Premissa Todos os animais são mortais.
Premissa As iguanas são animais.
Conclusão As iguanas são mortais.
Todos os animais são mortais.
As iguanas são animais.
Logo, as iguanas são mortais.
Indicador de conclusão
Indicadores de premissa e de conclusão
Sabendo que os desportistas
são persistentes, segue-se que
os futebolistas são persistentes,
uma vez que os futebolistas são
desportistas.
Indicador de premissa Indicador de conclusão
Outros indicadores
de premissa:
Porque…
Pois…
Admitindo que…
Pressupondo que…
Dado que…
Em virtude de…
Já que…
Outros indicadores
de conclusão:
Logo…
Por conseguinte…
Portanto…
Daí que…
Assim…
Isso prova que…
Como tal…
Avaliar argumentos
As premissas são
verdadeiras?
As premissas
oferecem apoio à
conclusão?
A verdade e a
falsidade dizem
apenas respeito à
matéria ou conteúdo
das proposições.
O apoio dedutivo é
diferente do apoio
não-dedutivo.
Responder a estas questões é condição necessária (embora
não suficiente) para saber se o argumento é bom ou mau.
Argumentos em que se pretende
que as premissas forneçam um
apoio decisivo ou uma garantia
para a conclusão. Podem ser
válidos ou inválidos.
Argumentos dedutivos Argumentos não-dedutivos
Argumentos em que se pretende
que as premissas forneçam um
apoio provável – mas não
decisivo – para a conclusão.
Podem ser fortes ou fracos.
Tipos de argumentos
A validade ou invalidade depende
essencialmente da forma lógica
dos argumentos.
A força ou fraqueza depende de
aspetos que ultrapassam a
forma lógica dos argumentos.
Exemplo:
Todos os animais respiram.
Os cães são animais.
Logo, os cães respiram.
Exemplo:
Todos os cães que observámos
até hoje ladravam.
Logo, o próximo cão que
observarmos ladrará.
Argumento em que as premissas
fornecem um apoio decisivo ou
uma garantia para a conclusão,
sendo impossível que as
premissas sejam verdadeiras e a
conclusão falsa.
Argumento válido Argumento inválido
Argumento em que as premissas
não apoiam a conclusão, no sentido
em que a não garantem, sendo
possível que as premissas sejam
verdadeiras e a conclusão falsa.
Argumentos dedutivos
Exemplo:
Todos os jovens são estudantes.
Todos os escuteiros são jovens.
Logo, todos os escuteiros são
estudantes.
Exemplo:
Todos os jovens são estudantes.
Todos os escuteiros são estudantes.
Logo, todos os escuteiros são jovens.
Todos os F são G.
Todos os H são F.
Logo, todos os H são G.
Todos os F são G.
Todos os H são G.
Logo, todos os H são F.
Forma
válida
Forma
inválida
Argumento em que as
premissas, não sendo razões
conclusivas, oferecem apoio à
conclusão, sendo improvável,
mas não impossível, haver
premissas verdadeiras e
conclusão falsa.
Argumento forte Argumento fraco
Argumento cujas premissas não
têm força suficiente para apoiar a
conclusão, sendo improvável
que a conclusão seja verdadeira
mesmo que as premissas sejam
verdadeiras.
Argumentos não-dedutivos
Exemplo:
Até agora, a Terra girou sempre em
redor do seu próprio eixo.
Logo, também amanhã a Terra
girará em redor do seu próprio eixo.
Exemplo:
Algumas pessoas gostam de ler
Camões e Eça de Queirós.
Logo, todas as pessoas gostam de ler
Camões e Eça de Queirós.
Argumento válido constituído por
premissas verdadeiras (sólido) e
mais plausíveis do que a
conclusão.
Argumento dedutivo bom
Argumento não-dedutivo bom
(argumento cogente)
Argumento forte constituído por
premissas verdadeiras e
mais plausíveis do que a conclusão.
Argumentos bons
Exemplo:
Todos os lisboetas são europeus.
Fernando Pessoa é lisboeta.
Logo, Fernando Pessoa é europeu.
Exemplo:
Todos os seres humanos observados
até hoje eram mamíferos.
Logo, todos os seres humanos são
mamíferos.
Argumento (dedutivo ou não-dedutivo) que não cumpre algum
dos requisitos que caracterizam os argumentos bons.
Argumentos maus
Muitos maus argumentos são considerados falácias.
Falácia
Argumento que parece
correto ou adequado, do
ponto de vista formal ou
informal, mas que na
realidade não é correto nem
adequado.
Informais
Formais
Resultam
apenas da
forma lógica,
sendo
cometidas ao
nível dos
argumentos
dedutivos.
Resultam de
aspetos
informais,
sendo
cometidas ao
nível dos
argumentos
dedutivos e
não-dedutivos.

A filosofia e os seus instrumentos_tese_argumentos

  • 1.
    A filosofia eos seus instrumentos
  • 2.
    Em discussão Filosofia O queé a filosofia? Que questões coloca a filosofia? A que instrumentos recorre a filosofia?
  • 3.
    O que éa filosofia? 1
  • 4.
    A filosofia começapor recolocar muitas das questões que fizemos em criança e examina as crenças que formamos sobre a realidade que nos rodeia. A nossa vida é orientada por uma série de crenças. A filosofia é uma atividade conceptual crítica.
  • 5.
    Filosofia “philos” (“amor”) +“sophia” (“sabedoria”) A filosofia é, na aceção etimológica, o amor à sabedoria. O amor pela sabedoria é uma característica comum a todos os filósofos. Leva-os a refletir criticamente e a desenvolver respostas para os problemas que colocam.
  • 6.
    A dúvida faceàquilo que tomamos como certo e garantido. O espanto ou a admiração perante o mundo que nos rodeia. A vontade de estabelecer uma comunicação autêntica com os outros. A consciência da nossa fragilidade e do sofrimento. Na origem da filosofia podem encontrar-se diferentes situações e motivações A filosofia ocidental nasceu na Grécia, em Mileto, uma colónia grega da Ásia Menor, no início do século VI a. C.
  • 7.
    Teórica e deanálise conceptual Dimensões da filosofia Esta dimensão visa a compreensão do mundo e de nós mesmos. Prática e de orientação no mundo Esta dimensão tem uma índole moral e existencial, com carácter interventivo e potencialmente transformador da realidade social e política.
  • 8.
    Encontrar a verdade Distinçãoentre a filosofia e as ciências Filosofia Ciências empíricas Objetivo Objeto Problemas Método Encontrar a verdade Totalidade do real Parcelas do real Conceptuais Empíricos Reflexão crítica e argumentação racional Experimental Algumas ciências, como a matemática ou a física teórica, são também disciplinas conceptuais racionais. A filosofia distingue-se delas porque os seus problemas não são resolúveis pelo raciocínio matemático.
  • 9.
    As questões dafilosofia 2
  • 10.
    As questões filosóficas: –são relativas às nossas crenças fundamentais; – geram controvérsia e discussão crítica de ideias; – levam a um avanço na compreensão e no aprofundamento do tema; – dizem respeito e interessam, em princípio, a toda a Humanidade; – não são resolvidas matemática nem experimentalmente. Questões filosóficas Problemas filosóficos Implicam o desejo de conhecer as razões por que acreditamos no que acreditamos.
  • 11.
    Como devemos agir? Exemplosde questões filosóficas O que é o conhecimento? O que são os valores? O que é uma sociedade justa? Quem sou eu? Será que temos livre-arbítrio? O que é a realidade? Será que Deus existe? O que é o belo? Será que o conhecimento é possível? Os problemas da filosofia incluem as várias dimensões da existência humana – e encontram-se inter-relacionados.
  • 12.
    O trabalho filosófico –noções elementares de lógica 3
  • 13.
    Racionalidade argumentativa Reflexão crítica Dimensão discursivado trabalho filosófico Formulação e avaliação de argumentos Análise de conceitos Formulação e avaliação de teses e teorias Os filósofos recorrem à lógica.
  • 14.
    Lógica Estuda a distinçãoentre argumentos corretos e incorretos, mediante a identificação e a compreensão dos processos que conduzem da verdade de certas crenças à verdade de outras. Estuda, sobretudo, a validade formal dos argumentos dedutivos. Lógica formal Lógica informal Estuda, sobretudo, a força dos argumentos não-dedutivos.
  • 15.
    Conceito É geralmente entendidocomo a expressão verbal do conceito. Elemento básico do pensamento. Representação intelectual de determinada realidade. O conteúdo dessa representação pode dizer respeito a uma classe de objetos ou a uma realidade singular. Termo A clarificação dos conceitos faz-se a partir da definição.
  • 16.
    Tese Ideia o quese quer defender a propósito de um dado problema. No âmbito da filosofia, é a resposta a um problema em aberto. As teses ou teorias são expressas em frases. As ideias que subjazem a essas frases são as proposições.
  • 17.
    Proposição Pensamento ou conteúdo,verdadeiro ou falso, expresso por uma frase declarativa. Apenas as frases declarativas expressam proposições: só elas expressam um determinado conteúdo que pode ser classificado em verdadeiro ou falso. – a mesma proposição pode ser expressa por diferentes frases declarativas; – frases ambíguas exprimem mais do que uma proposição; – frases declarativas absurdas não expressam proposições.
  • 18.
    Saia imediatamente! Exemplos defrases que não expressam proposições Frase imperativa Que dia belo! Frase exclamativa Quem inventou a roda? Frase interrogativa Prometo ajudar os outros. Frase que traduz uma promessa Ajuda-me a carregar estes sacos. Frase que expressa um pedido Que o mundo se torne mais pacífico. Frase optativa (exprime um desejo)
  • 19.
    Proposições categóricas Proposições emque, de modo absoluto, se estabelece uma relação de afirmação ou de negação entre termos. A fórmula clássica desta relação é “S é P” ou “S não é P”. Ser, ou conjunto de seres, relativamente ao qual se afirma ou nega o predicado. Sujeito Predicado Cópula Característica, propriedade ou qualidade que se afirma ou nega do sujeito. Elemento que faz a ligação do sujeito com o predicado (é uma forma do verbo ser). Exemplo: Todos os artistas são sábios.
  • 20.
    Proposições categóricas O sujeito é tomadoem toda a sua extensão. Afirmam alguma coisa. Negam alguma coisa. O sujeito é tomado apenas numa parte da sua extensão. Universais Afirmativas Negativas Particulares Qualidade Quantidade
  • 21.
    Universal afirmativa Tipo deproposições Tipo A Tipo E Tipo I Tipo O Todo o S é P. Universal negativa Nenhum S é P. Particular afirmativa Algum S é P. Particular negativa Algum S não é P. Forma lógica Todos os cães são fiéis. Nenhum cão é fiel. Alguns cães são fiéis. Alguns cães não são fiéis. Exemplo
  • 22.
    Quadrado da oposição AContrárias E I O Subcontrárias Contraditórias Subalterna Subalterna As relações apresentadas designam-se por: contrariedade, contraditoriedade, subcontrariedade e subalternação (ou subalternidade). Na relação de subalternação, às proposições universais também se chama subalternantes; as particulares são subalternas.
  • 23.
    Quantificadores Universais (“Todos”, “Nenhum”) Mas há outrosquantificadores com idêntico significado. Por exemplo, “Qualquer” equivale a “Todos”. Existencial (“Algum”) Todos os filósofos são justos. Qualquer filósofo é justo. Ser filósofo é ser justo. A Nenhum animal é cruel. Os animais não são cruéis. Não há animal que seja cruel. E Alguns quadros são belos. Certos quadros são belos. Há quadros belos. I Alguns textos não são claros. Existem textos não claros. Nem todos os textos são claros. O Exemplos de proposições categóricas na sua forma-padrão ou expressão canónica e outras expressões das mesmas
  • 24.
    Negação de proposiçõescategóricas (quantificadas) Todos os belgas são ricos. Proposição inicial Negação da proposição inicial Alguns belgas não são ricos. Nenhuma nuvem é bela. Algumas nuvens são belas. Alguns atletas são felizes. Nenhum atleta é feliz. Algumas plantas não são verdes. Todas as plantas são verdes. A negação de uma universal afirmativa é uma particular negativa. A negação de uma universal negativa é uma particular afirmativa. A negação de uma particular afirmativa é uma universal negativa. A negação de uma particular negativa é uma universal afirmativa. A E I O O I E A
  • 25.
    Negação de proposiçõescategóricas (singulares) António é agricultor. Proposição inicial Negação da proposição inicial António não é agricultor. O Sol não é brilhante. O Sol é brilhante. A negação de uma singular afirmativa é a singular negativa respetiva. A negação de uma singular negativa é a singular afirmativa respetiva.
  • 26.
    Argumento Conjunto de proposiçõesdevidamente articuladas – a conclusão e a(s) premissa(s) –, no qual a(s) premissa(s) tenta(m) defender, sustentar, apoiar ou justificar a conclusão (ou seja, a tese). Exemplo Premissa Todos os animais são mortais. Premissa As iguanas são animais. Conclusão As iguanas são mortais. Todos os animais são mortais. As iguanas são animais. Logo, as iguanas são mortais. Indicador de conclusão
  • 27.
    Indicadores de premissae de conclusão Sabendo que os desportistas são persistentes, segue-se que os futebolistas são persistentes, uma vez que os futebolistas são desportistas. Indicador de premissa Indicador de conclusão Outros indicadores de premissa: Porque… Pois… Admitindo que… Pressupondo que… Dado que… Em virtude de… Já que… Outros indicadores de conclusão: Logo… Por conseguinte… Portanto… Daí que… Assim… Isso prova que… Como tal…
  • 28.
    Avaliar argumentos As premissassão verdadeiras? As premissas oferecem apoio à conclusão? A verdade e a falsidade dizem apenas respeito à matéria ou conteúdo das proposições. O apoio dedutivo é diferente do apoio não-dedutivo. Responder a estas questões é condição necessária (embora não suficiente) para saber se o argumento é bom ou mau.
  • 29.
    Argumentos em quese pretende que as premissas forneçam um apoio decisivo ou uma garantia para a conclusão. Podem ser válidos ou inválidos. Argumentos dedutivos Argumentos não-dedutivos Argumentos em que se pretende que as premissas forneçam um apoio provável – mas não decisivo – para a conclusão. Podem ser fortes ou fracos. Tipos de argumentos A validade ou invalidade depende essencialmente da forma lógica dos argumentos. A força ou fraqueza depende de aspetos que ultrapassam a forma lógica dos argumentos. Exemplo: Todos os animais respiram. Os cães são animais. Logo, os cães respiram. Exemplo: Todos os cães que observámos até hoje ladravam. Logo, o próximo cão que observarmos ladrará.
  • 30.
    Argumento em queas premissas fornecem um apoio decisivo ou uma garantia para a conclusão, sendo impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Argumento válido Argumento inválido Argumento em que as premissas não apoiam a conclusão, no sentido em que a não garantem, sendo possível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Argumentos dedutivos Exemplo: Todos os jovens são estudantes. Todos os escuteiros são jovens. Logo, todos os escuteiros são estudantes. Exemplo: Todos os jovens são estudantes. Todos os escuteiros são estudantes. Logo, todos os escuteiros são jovens. Todos os F são G. Todos os H são F. Logo, todos os H são G. Todos os F são G. Todos os H são G. Logo, todos os H são F. Forma válida Forma inválida
  • 31.
    Argumento em queas premissas, não sendo razões conclusivas, oferecem apoio à conclusão, sendo improvável, mas não impossível, haver premissas verdadeiras e conclusão falsa. Argumento forte Argumento fraco Argumento cujas premissas não têm força suficiente para apoiar a conclusão, sendo improvável que a conclusão seja verdadeira mesmo que as premissas sejam verdadeiras. Argumentos não-dedutivos Exemplo: Até agora, a Terra girou sempre em redor do seu próprio eixo. Logo, também amanhã a Terra girará em redor do seu próprio eixo. Exemplo: Algumas pessoas gostam de ler Camões e Eça de Queirós. Logo, todas as pessoas gostam de ler Camões e Eça de Queirós.
  • 32.
    Argumento válido constituídopor premissas verdadeiras (sólido) e mais plausíveis do que a conclusão. Argumento dedutivo bom Argumento não-dedutivo bom (argumento cogente) Argumento forte constituído por premissas verdadeiras e mais plausíveis do que a conclusão. Argumentos bons Exemplo: Todos os lisboetas são europeus. Fernando Pessoa é lisboeta. Logo, Fernando Pessoa é europeu. Exemplo: Todos os seres humanos observados até hoje eram mamíferos. Logo, todos os seres humanos são mamíferos.
  • 33.
    Argumento (dedutivo ounão-dedutivo) que não cumpre algum dos requisitos que caracterizam os argumentos bons. Argumentos maus Muitos maus argumentos são considerados falácias. Falácia Argumento que parece correto ou adequado, do ponto de vista formal ou informal, mas que na realidade não é correto nem adequado. Informais Formais Resultam apenas da forma lógica, sendo cometidas ao nível dos argumentos dedutivos. Resultam de aspetos informais, sendo cometidas ao nível dos argumentos dedutivos e não-dedutivos.