A filosofia começapor recolocar
muitas das questões que fizemos
em criança e examina as crenças
que formamos sobre a realidade que
nos rodeia.
A nossa vida é orientada por uma série de crenças.
A filosofia é uma atividade
conceptual crítica.
5.
Filosofia
“philos” (“amor”) +“sophia” (“sabedoria”)
A filosofia é, na aceção etimológica, o amor à sabedoria.
O amor pela sabedoria é uma característica comum a
todos os filósofos. Leva-os a refletir criticamente e a
desenvolver respostas para os problemas que colocam.
6.
A dúvida faceàquilo que
tomamos como certo e
garantido.
O espanto ou a admiração
perante o mundo que nos
rodeia.
A vontade de estabelecer
uma comunicação autêntica
com os outros.
A consciência da nossa
fragilidade e do sofrimento.
Na origem da filosofia podem encontrar-se
diferentes situações e motivações
A filosofia ocidental nasceu na Grécia, em Mileto, uma colónia grega da
Ásia Menor, no início do século VI a. C.
7.
Teórica e deanálise
conceptual
Dimensões da filosofia
Esta dimensão visa a
compreensão do mundo e
de nós mesmos.
Prática e de orientação
no mundo
Esta dimensão tem uma
índole moral e existencial,
com carácter interventivo e
potencialmente
transformador da realidade
social e política.
8.
Encontrar a verdade
Distinçãoentre a filosofia e as ciências
Filosofia Ciências empíricas
Objetivo
Objeto
Problemas
Método
Encontrar a verdade
Totalidade do real Parcelas do real
Conceptuais Empíricos
Reflexão crítica e
argumentação racional
Experimental
Algumas ciências, como a matemática ou a física teórica, são também disciplinas
conceptuais racionais. A filosofia distingue-se delas porque os seus problemas não
são resolúveis pelo raciocínio matemático.
As questões filosóficas:
–são relativas às nossas crenças fundamentais;
– geram controvérsia e discussão crítica de ideias;
– levam a um avanço na compreensão e no aprofundamento do tema;
– dizem respeito e interessam, em princípio, a toda a Humanidade;
– não são resolvidas matemática nem experimentalmente.
Questões
filosóficas
Problemas
filosóficos
Implicam o desejo de conhecer as razões por que acreditamos
no que acreditamos.
11.
Como devemos agir?
Exemplosde questões filosóficas
O que é o conhecimento?
O que são os valores?
O que é uma sociedade justa?
Quem sou eu?
Será que temos livre-arbítrio?
O que é a realidade?
Será que Deus existe?
O que é o belo?
Será que o conhecimento é possível?
Os problemas da filosofia incluem as várias dimensões da existência
humana – e encontram-se inter-relacionados.
Lógica
Estuda a distinçãoentre argumentos corretos e incorretos,
mediante a identificação e a compreensão dos processos
que conduzem da verdade de certas crenças à verdade
de outras.
Estuda, sobretudo,
a validade formal
dos argumentos
dedutivos.
Lógica formal Lógica informal
Estuda, sobretudo,
a força dos
argumentos
não-dedutivos.
15.
Conceito
É geralmente entendidocomo a
expressão verbal do conceito.
Elemento básico do pensamento.
Representação intelectual de determinada
realidade.
O conteúdo dessa representação pode
dizer respeito a uma classe de objetos
ou a uma realidade singular.
Termo
A clarificação dos conceitos faz-se a partir da definição.
16.
Tese
Ideia o quese quer
defender a propósito
de um dado problema.
No âmbito da filosofia,
é a resposta a um
problema em aberto.
As teses ou teorias são expressas em frases. As
ideias que subjazem a essas frases são as
proposições.
17.
Proposição
Pensamento ou conteúdo,verdadeiro ou falso, expresso
por uma frase declarativa.
Apenas as frases declarativas expressam proposições:
só elas expressam um determinado conteúdo que pode
ser classificado em verdadeiro ou falso.
– a mesma proposição pode ser expressa por diferentes frases declarativas;
– frases ambíguas exprimem mais do que uma proposição;
– frases declarativas absurdas não expressam proposições.
18.
Saia imediatamente!
Exemplos defrases que não expressam proposições
Frase imperativa
Que dia belo! Frase exclamativa
Quem inventou a roda? Frase interrogativa
Prometo ajudar os outros. Frase que traduz uma promessa
Ajuda-me a carregar estes sacos. Frase que expressa um pedido
Que o mundo se torne mais pacífico. Frase optativa (exprime um desejo)
19.
Proposições categóricas
Proposições emque, de modo absoluto, se estabelece
uma relação de afirmação ou de negação entre termos.
A fórmula clássica desta relação é “S é P” ou “S não é P”.
Ser, ou conjunto de seres, relativamente ao qual
se afirma ou nega o predicado.
Sujeito
Predicado
Cópula
Característica, propriedade ou qualidade que se
afirma ou nega do sujeito.
Elemento que faz a ligação do sujeito com o
predicado (é uma forma do verbo ser).
Exemplo: Todos os artistas são sábios.
20.
Proposições
categóricas
O sujeito é
tomadoem toda
a sua extensão.
Afirmam
alguma coisa.
Negam
alguma coisa.
O sujeito é
tomado
apenas numa
parte da sua
extensão.
Universais
Afirmativas Negativas Particulares
Qualidade Quantidade
21.
Universal afirmativa
Tipo deproposições
Tipo A
Tipo E
Tipo I
Tipo O
Todo o S é P.
Universal negativa Nenhum S é P.
Particular afirmativa Algum S é P.
Particular negativa Algum S não é P.
Forma lógica
Todos os cães são fiéis.
Nenhum cão é fiel.
Alguns cães são fiéis.
Alguns cães não são fiéis.
Exemplo
22.
Quadrado da oposição
AContrárias E
I O
Subcontrárias
Contraditórias Subalterna
Subalterna
As relações apresentadas designam-se por: contrariedade,
contraditoriedade, subcontrariedade e subalternação (ou
subalternidade). Na relação de subalternação, às proposições
universais também se chama subalternantes; as particulares são
subalternas.
23.
Quantificadores
Universais
(“Todos”,
“Nenhum”)
Mas há outrosquantificadores com idêntico significado.
Por exemplo, “Qualquer” equivale a “Todos”.
Existencial
(“Algum”)
Todos os filósofos são justos.
Qualquer filósofo é justo.
Ser filósofo é ser justo.
A
Nenhum animal é cruel.
Os animais não são cruéis.
Não há animal que seja cruel.
E
Alguns quadros são belos.
Certos quadros são belos.
Há quadros belos.
I
Alguns textos não são claros.
Existem textos não claros.
Nem todos os textos são claros.
O
Exemplos de proposições categóricas na sua forma-padrão ou
expressão canónica e outras expressões das mesmas
24.
Negação de proposiçõescategóricas (quantificadas)
Todos os belgas são ricos.
Proposição inicial Negação da proposição inicial
Alguns belgas não são ricos.
Nenhuma nuvem é bela. Algumas nuvens são belas.
Alguns atletas são felizes. Nenhum atleta é feliz.
Algumas plantas não são verdes. Todas as plantas são verdes.
A negação de uma universal afirmativa é uma particular negativa.
A negação de uma universal negativa é uma particular afirmativa.
A negação de uma particular afirmativa é uma universal negativa.
A negação de uma particular negativa é uma universal afirmativa.
A
E
I
O
O
I
E
A
25.
Negação de proposiçõescategóricas (singulares)
António é agricultor.
Proposição inicial Negação da proposição inicial
António não é agricultor.
O Sol não é brilhante. O Sol é brilhante.
A negação de uma singular afirmativa é a singular negativa respetiva.
A negação de uma singular negativa é a singular afirmativa respetiva.
26.
Argumento
Conjunto de proposiçõesdevidamente articuladas
– a conclusão e a(s) premissa(s) –, no qual a(s)
premissa(s) tenta(m) defender, sustentar, apoiar ou
justificar a conclusão (ou seja, a tese).
Exemplo
Premissa Todos os animais são mortais.
Premissa As iguanas são animais.
Conclusão As iguanas são mortais.
Todos os animais são mortais.
As iguanas são animais.
Logo, as iguanas são mortais.
Indicador de conclusão
27.
Indicadores de premissae de conclusão
Sabendo que os desportistas
são persistentes, segue-se que
os futebolistas são persistentes,
uma vez que os futebolistas são
desportistas.
Indicador de premissa Indicador de conclusão
Outros indicadores
de premissa:
Porque…
Pois…
Admitindo que…
Pressupondo que…
Dado que…
Em virtude de…
Já que…
Outros indicadores
de conclusão:
Logo…
Por conseguinte…
Portanto…
Daí que…
Assim…
Isso prova que…
Como tal…
28.
Avaliar argumentos
As premissassão
verdadeiras?
As premissas
oferecem apoio à
conclusão?
A verdade e a
falsidade dizem
apenas respeito à
matéria ou conteúdo
das proposições.
O apoio dedutivo é
diferente do apoio
não-dedutivo.
Responder a estas questões é condição necessária (embora
não suficiente) para saber se o argumento é bom ou mau.
29.
Argumentos em quese pretende
que as premissas forneçam um
apoio decisivo ou uma garantia
para a conclusão. Podem ser
válidos ou inválidos.
Argumentos dedutivos Argumentos não-dedutivos
Argumentos em que se pretende
que as premissas forneçam um
apoio provável – mas não
decisivo – para a conclusão.
Podem ser fortes ou fracos.
Tipos de argumentos
A validade ou invalidade depende
essencialmente da forma lógica
dos argumentos.
A força ou fraqueza depende de
aspetos que ultrapassam a
forma lógica dos argumentos.
Exemplo:
Todos os animais respiram.
Os cães são animais.
Logo, os cães respiram.
Exemplo:
Todos os cães que observámos
até hoje ladravam.
Logo, o próximo cão que
observarmos ladrará.
30.
Argumento em queas premissas
fornecem um apoio decisivo ou
uma garantia para a conclusão,
sendo impossível que as
premissas sejam verdadeiras e a
conclusão falsa.
Argumento válido Argumento inválido
Argumento em que as premissas
não apoiam a conclusão, no sentido
em que a não garantem, sendo
possível que as premissas sejam
verdadeiras e a conclusão falsa.
Argumentos dedutivos
Exemplo:
Todos os jovens são estudantes.
Todos os escuteiros são jovens.
Logo, todos os escuteiros são
estudantes.
Exemplo:
Todos os jovens são estudantes.
Todos os escuteiros são estudantes.
Logo, todos os escuteiros são jovens.
Todos os F são G.
Todos os H são F.
Logo, todos os H são G.
Todos os F são G.
Todos os H são G.
Logo, todos os H são F.
Forma
válida
Forma
inválida
31.
Argumento em queas
premissas, não sendo razões
conclusivas, oferecem apoio à
conclusão, sendo improvável,
mas não impossível, haver
premissas verdadeiras e
conclusão falsa.
Argumento forte Argumento fraco
Argumento cujas premissas não
têm força suficiente para apoiar a
conclusão, sendo improvável
que a conclusão seja verdadeira
mesmo que as premissas sejam
verdadeiras.
Argumentos não-dedutivos
Exemplo:
Até agora, a Terra girou sempre em
redor do seu próprio eixo.
Logo, também amanhã a Terra
girará em redor do seu próprio eixo.
Exemplo:
Algumas pessoas gostam de ler
Camões e Eça de Queirós.
Logo, todas as pessoas gostam de ler
Camões e Eça de Queirós.
32.
Argumento válido constituídopor
premissas verdadeiras (sólido) e
mais plausíveis do que a
conclusão.
Argumento dedutivo bom
Argumento não-dedutivo bom
(argumento cogente)
Argumento forte constituído por
premissas verdadeiras e
mais plausíveis do que a conclusão.
Argumentos bons
Exemplo:
Todos os lisboetas são europeus.
Fernando Pessoa é lisboeta.
Logo, Fernando Pessoa é europeu.
Exemplo:
Todos os seres humanos observados
até hoje eram mamíferos.
Logo, todos os seres humanos são
mamíferos.
33.
Argumento (dedutivo ounão-dedutivo) que não cumpre algum
dos requisitos que caracterizam os argumentos bons.
Argumentos maus
Muitos maus argumentos são considerados falácias.
Falácia
Argumento que parece
correto ou adequado, do
ponto de vista formal ou
informal, mas que na
realidade não é correto nem
adequado.
Informais
Formais
Resultam
apenas da
forma lógica,
sendo
cometidas ao
nível dos
argumentos
dedutivos.
Resultam de
aspetos
informais,
sendo
cometidas ao
nível dos
argumentos
dedutivos e
não-dedutivos.