SERVIÇO PÚBLICO
FEDERAL
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG
FACULDADE DE MEDICINA
COORDENAÇÃO DO CURSO DE MEDICINA
Rua Gen. Osório, s/ n.° – Área Acadêmica do Campus da Saúde –
Rio Grande- RS – CEP 96201-900
Fone: (53) 3233.8842 - Fax: (53) 3233.8892 - E -mail: medicina@furg.br
FURG
PROTOCOLOS DE ASSISTÊNCIA A
GESTANTE A SEREM
IMPLANTADOS NO HU/FURG E
SMS
Manejo dos quadros infecciosos
Protocolo de Hepatites
As hepatites virais são doenças provocadas por diferentes agentes
etiológicos, com tropismo primário pelo fígado, que apresentam características
epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas.
Características dos vírus
Agente
etiológico
Modo de
transmissão
Período de
incubação
Período de transmissão
HAV Fecal-oral,
vertical
(rara)
15-45 dias
(média de
30 dias)
Desde duas semanas antes do início
dos sintomas até o final da segunda
semana da doença
HBV Sexual,
parenteral,
percutânea,
vertical
30-180
dias
(média de
60
a 90 dias)
Duas a três semanas antes dos
primeiros sintomas, se mantendo
durante a evolução clínica da doença.
O portador crônico pode transmitir o
HBV durante anos
HCV Sexual,
parenteral,
percutânea,
vertical
15-150
dias
Uma semana antes do início dos
sintomas e mantém-se enquanto o
paciente apresentar HCV-RNA
detectável
Quadro clínico:
• Fase aguda
o Período prodrômico - anorexia, náuseas, vômitos, diarréia (ou
raramente constipação), febre baixa, cefaléia, malestar, astenia e
fadiga, aversão ao paladar e/ou olfato, mialgia, fotofobia,
desconforto no hipocôndrio direito, urticária, artralgia ou artrite e
exantema papular ou maculopapular
• Fase Ictérica
o Diminuição dos sintomas prodrômicos
o Hepatomegalia dolorosa
o ↑ bilirrubinas totais (direta) 20 a 25 X
o TGO e TGP 10 a 100 X
o Fosfatase alcalia e Gama GT normais ou discretamente elevadas
• Fase de Convalescença - período que se segue ao desaparecimento
da icterícia, quando retorna progressivamente a sensação de bem-estar,
mas a fraqueza e o cansaço podem persistir por vários meses
o Recuperação em até 6 semanas
• Hepatite fulminate
o Alteração dos fatores de coagulação e encefalopatias no período
de até 8 semanas após o inicio da ictericia
o Mortalidade de 40 a 80%
Hepatite A
A doença aguda durante a gestação tem maior probabilidade de
acometimento hepático grave. Quanto a transmissão vertical deste vírus,
acredita-se que o seu curto período de viremia e os cuidados durante o parto
(evitando o contato do feto com fezes maternas), explique a raridade desta
forma de transmissão do HVA.
• Diagnóstico
o Solicitar Anti-HVA
• Pré-natal
o Ao ambulatório de alto risco
o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase
alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações)
o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida
alcoólica
o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas
e semanais até o parto
o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia
o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica e
vacina
• Parto
o Evitar contato do feto com as fezes maternas. Se a paciente
evacuar durante o parto, proteger o períneo com compressas
embebidas em PVPI
o Se houver episiotomia protege-la com compressas embebidas em
PVPI
• Cuidados com recém-nascido
o Aspiração cuidadosa
o Limpeza imediata do RN
o Orientação para Vacinação
Hepatite B
Não existe comprovação de prejuízo da história natural da hepatite B no
período gestacional.
Quanto ao prognóstico fetal na hepatite B esta relacionado com o
comprometimento materno. Na forma aguda de acometimento moderado ou
grave pode ocorrer aumento de trabalho de parto pré-termo, prematuridade e
restrição de crescimento intra-uterino. Na forma crônica do VHB sem
repercussão sistêmica grave, o prognóstico gestacional não é comprometido.
• Diagnóstico
No pré-natal da alto risco
o Solicitar perfil sorológico
Sorologia Inf. Aguda Inf. crônica Inf. passada
HBsAG + + -
Anti-HBS - - +
Anti-HBC
IgG
IgM
-
+
+
-
+
-
HBeAG + +/- -
Anti-HBe - +/- +
1ª Consulta
HBsAG
Não reativo
Vacinar
Após 1ºtrim
Reagente
Ao pré-natal de alto
risco
3º trimestre (28 sem)
HBsAG
• Pré-natal
o Ao ambulatório de alto risco
o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase
alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações)
o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida
alcoólica
o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas
e semanais até o parto
o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia
o Evitar condutas invasivas
o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica e
vacina
• Parto
o Via de parto obstétrica
o Clampiamento imediato do cordão
o Se houver episiotomia proteger com compressa
• Cuidados com recém-nascido
o Aspiração cuidadosa
o Limpeza imediata do RN
o Solicitar todos os marcadores
o Vacina e imunoglobulina (0,06 ml/Kg) até 12 horas após o parto -
Eficácia de 90% a 95%
o O uso isolado da Vacina até 12 horas após o parto - Eficácia de
70% a 85% (depende do HBeAG)
o A amamentação não é contra-indicada
Hepatite C
A transmissão vertical da Hepatite C situa-se em torno de 3 a 6%. No
entanto a infecção pelo vírus HIV aumenta a TV do HCV, podendo chegar a
36%. O prognóstico perinatal relaciona-se com o grau de acometimento
materno podendo ocorrer aumento de trabalho de parto pré-termo,
prematuridade e restrição de crescimento intra-uterino.
• Diagnóstico
o Solicitar Anti-HCV – lembrar que a presença do anticorpo não
indica que a gestante é portadora do vírus.
• Pré-natal
o Ao ambulatório de alto risco
o Solicitar carga viral para hepatite C (PCR quantitativo)
o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase
alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações)
o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida
alcoólica
o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas
e semanais até o parto
o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia
o Evitar condutas invasivas
o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica
• Parto
o Via de parto obstétrica
o Clampiamento imediato do cordão
o Se houver episiotomia proteger com compressa
• Cuidados com recém-nascido
o Aspiração cuidadosa
o Limpeza imediata do RN
o Solicitar todos os marcadores
o A amamentação não é contra-indicada – a não ser que tenha
fissuras mamilares com risco de sangramento na mamada.
o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida
alcoólica
o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas
e semanais até o parto
o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia
o Evitar condutas invasivas
o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica
• Parto
o Via de parto obstétrica
o Clampiamento imediato do cordão
o Se houver episiotomia proteger com compressa
• Cuidados com recém-nascido
o Aspiração cuidadosa
o Limpeza imediata do RN
o Solicitar todos os marcadores
o A amamentação não é contra-indicada – a não ser que tenha
fissuras mamilares com risco de sangramento na mamada.

Protocolo de hepatite

  • 1.
    SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL SERVIÇO PÚBLICOFEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE - FURG FACULDADE DE MEDICINA COORDENAÇÃO DO CURSO DE MEDICINA Rua Gen. Osório, s/ n.° – Área Acadêmica do Campus da Saúde – Rio Grande- RS – CEP 96201-900 Fone: (53) 3233.8842 - Fax: (53) 3233.8892 - E -mail: medicina@furg.br FURG PROTOCOLOS DE ASSISTÊNCIA A GESTANTE A SEREM IMPLANTADOS NO HU/FURG E SMS Manejo dos quadros infecciosos Protocolo de Hepatites As hepatites virais são doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo fígado, que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas. Características dos vírus Agente etiológico Modo de transmissão Período de incubação Período de transmissão HAV Fecal-oral, vertical (rara) 15-45 dias (média de 30 dias) Desde duas semanas antes do início dos sintomas até o final da segunda semana da doença HBV Sexual, parenteral, percutânea, vertical 30-180 dias (média de 60 a 90 dias) Duas a três semanas antes dos primeiros sintomas, se mantendo durante a evolução clínica da doença. O portador crônico pode transmitir o HBV durante anos HCV Sexual, parenteral, percutânea, vertical 15-150 dias Uma semana antes do início dos sintomas e mantém-se enquanto o paciente apresentar HCV-RNA detectável Quadro clínico: • Fase aguda o Período prodrômico - anorexia, náuseas, vômitos, diarréia (ou raramente constipação), febre baixa, cefaléia, malestar, astenia e fadiga, aversão ao paladar e/ou olfato, mialgia, fotofobia, desconforto no hipocôndrio direito, urticária, artralgia ou artrite e exantema papular ou maculopapular
  • 2.
    • Fase Ictérica oDiminuição dos sintomas prodrômicos o Hepatomegalia dolorosa o ↑ bilirrubinas totais (direta) 20 a 25 X o TGO e TGP 10 a 100 X o Fosfatase alcalia e Gama GT normais ou discretamente elevadas • Fase de Convalescença - período que se segue ao desaparecimento da icterícia, quando retorna progressivamente a sensação de bem-estar, mas a fraqueza e o cansaço podem persistir por vários meses o Recuperação em até 6 semanas • Hepatite fulminate o Alteração dos fatores de coagulação e encefalopatias no período de até 8 semanas após o inicio da ictericia o Mortalidade de 40 a 80% Hepatite A A doença aguda durante a gestação tem maior probabilidade de acometimento hepático grave. Quanto a transmissão vertical deste vírus, acredita-se que o seu curto período de viremia e os cuidados durante o parto (evitando o contato do feto com fezes maternas), explique a raridade desta forma de transmissão do HVA. • Diagnóstico o Solicitar Anti-HVA • Pré-natal o Ao ambulatório de alto risco o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações) o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida alcoólica o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas e semanais até o parto o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica e vacina • Parto o Evitar contato do feto com as fezes maternas. Se a paciente evacuar durante o parto, proteger o períneo com compressas embebidas em PVPI o Se houver episiotomia protege-la com compressas embebidas em PVPI • Cuidados com recém-nascido
  • 3.
    o Aspiração cuidadosa oLimpeza imediata do RN o Orientação para Vacinação Hepatite B Não existe comprovação de prejuízo da história natural da hepatite B no período gestacional. Quanto ao prognóstico fetal na hepatite B esta relacionado com o comprometimento materno. Na forma aguda de acometimento moderado ou grave pode ocorrer aumento de trabalho de parto pré-termo, prematuridade e restrição de crescimento intra-uterino. Na forma crônica do VHB sem repercussão sistêmica grave, o prognóstico gestacional não é comprometido. • Diagnóstico No pré-natal da alto risco o Solicitar perfil sorológico Sorologia Inf. Aguda Inf. crônica Inf. passada HBsAG + + - Anti-HBS - - + Anti-HBC IgG IgM - + + - + - HBeAG + +/- - Anti-HBe - +/- + 1ª Consulta HBsAG Não reativo Vacinar Após 1ºtrim Reagente Ao pré-natal de alto risco 3º trimestre (28 sem) HBsAG
  • 4.
    • Pré-natal o Aoambulatório de alto risco o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações) o Não há restrição dietética, mas deve ser abolida a bebida alcoólica o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas e semanais até o parto o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia o Evitar condutas invasivas o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica e vacina • Parto o Via de parto obstétrica o Clampiamento imediato do cordão o Se houver episiotomia proteger com compressa • Cuidados com recém-nascido o Aspiração cuidadosa o Limpeza imediata do RN o Solicitar todos os marcadores o Vacina e imunoglobulina (0,06 ml/Kg) até 12 horas após o parto - Eficácia de 90% a 95% o O uso isolado da Vacina até 12 horas após o parto - Eficácia de 70% a 85% (depende do HBeAG) o A amamentação não é contra-indicada Hepatite C A transmissão vertical da Hepatite C situa-se em torno de 3 a 6%. No entanto a infecção pelo vírus HIV aumenta a TV do HCV, podendo chegar a 36%. O prognóstico perinatal relaciona-se com o grau de acometimento materno podendo ocorrer aumento de trabalho de parto pré-termo, prematuridade e restrição de crescimento intra-uterino. • Diagnóstico o Solicitar Anti-HCV – lembrar que a presença do anticorpo não indica que a gestante é portadora do vírus. • Pré-natal o Ao ambulatório de alto risco o Solicitar carga viral para hepatite C (PCR quantitativo) o Solicitar função hepática (TGo, TGP, Gama GT, Fosfatase alcalina, bilirrubina, proteínas totais e frações)
  • 5.
    o Não hárestrição dietética, mas deve ser abolida a bebida alcoólica o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas e semanais até o parto o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia o Evitar condutas invasivas o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica • Parto o Via de parto obstétrica o Clampiamento imediato do cordão o Se houver episiotomia proteger com compressa • Cuidados com recém-nascido o Aspiração cuidadosa o Limpeza imediata do RN o Solicitar todos os marcadores o A amamentação não é contra-indicada – a não ser que tenha fissuras mamilares com risco de sangramento na mamada.
  • 6.
    o Não hárestrição dietética, mas deve ser abolida a bebida alcoólica o Retorno mensal até 32 semanas, após quinzenal até 36 semanas e semanais até o parto o Avaliar bem estar fetal com cardiotocografia o Evitar condutas invasivas o Convocar família (parceiro e filhos) para pesquisa sorológica • Parto o Via de parto obstétrica o Clampiamento imediato do cordão o Se houver episiotomia proteger com compressa • Cuidados com recém-nascido o Aspiração cuidadosa o Limpeza imediata do RN o Solicitar todos os marcadores o A amamentação não é contra-indicada – a não ser que tenha fissuras mamilares com risco de sangramento na mamada.