Hepatite Viral B
 Definição:
É uma infecção aguda que vai ser
causada por vírus hepatotrópico que vai
levar a uma inflamação do parênquima
hepático devido a um infiltrado inflamatório
local e em casos mais graves pode
terminar em necrose hepática.
 Epidemiologia:
No mundo tem mais de 2 bilhões de
pessoas contaminadas; Cerca de 360
milhões de pessoas possuem a forma
crônica da doença; No Brasil em 2021 foi
verificado (262.815 - 38,1%) de pessoas
contaminadas; Acomete faixa etária de 20
a 69 anos (mais os jovens em fase sexual
ativa); Predomínio maior entre indivíduos
do sexo masculino; Grande prevalência
em regiões como Norte e Nordeste e em
estados como (Amazonia; Santa Catarina
– parte oeste; Espirito Santo); Possui um
baixo número de casos registrados
sobretudo na região sul e sudeste; Alta
chance de causar CA Hepático;
Responsável por mais de 1 milhão de
mortes por ano; Mortalidade está
relacionada a Hepatite Crônica e a
incidência de Hepatocarcinoma.
 Agente Etiológico:
HBV é o único vírus de DNA causador de
Hepatite Viral (os demais são todos RNA);
Hepatotrópico (possui um tropismo pelos
hepatócitos); Possui envoltório lipoproteico
e um núcleo central denso; Período de
incubação de 8 a 12 semanas (30 dias a 6
meses); Replica nos (hepatócitos, baço,
pâncreas e medula óssea); Tem relação
íntima com o CA de Fígado, porque é um
vírus oncogênico, e nem precisa ter
cirrose para ir para o câncer.
 Transmissão:
⚠️
Dado Importante: A transmissão vai
iniciar cerca de 2 a 3 semanas antes dos
primeiros sintomas e dura enquanto o
antígeno HbsAg estiver presente, em
portadores crônicos a transmissibilidade
vai ser permanente.
Parenteral (materiais perfurocortantes
contaminados – agulhas, tatuagem,
procedimentos odontológicos, manicure,
acupuntura, piercing); Contato Sexual
Desprotegido (é o mais importante dos
vírus de transmissão sexual); Vertical
(durante o parto ou amamentação – eles
vão ter maior chance de evoluir para forma
crônica e ter as complicações da doença,
devido a uma indução a tolerância
imunológica).
OBS: A infecção vertical ocorre devido
a (Microtransfusões de sangue
materno durante as contrações
uterinas; Ruptura da membrana
amniótica com exposição do feto ao
sangue e às secreções da mãe que
estão contaminadas; Contato das
mucosas fetais com sangue ou com
secreções contaminadas presentes no
canal vaginal).
OBS: Em bebês de mãe positiva para
Hepatite B, é orientado verificar se ele é
HbsAg positivo ou negativo, se for
positivo vamos (dar banho, aspirar as
secreções antes mesmo de amamentar
e administrar a vacina de Hepatite B e a
imunoglobulina – 0,5ml subcutâneo nas
primeiras horas de vida).
 Fatores de Risco:
Morar em regiões que são consideradas
endêmicas (ES, AM, SC); Não ser
vacinado; Ter relação sexual
desprotegida; Contato sexual com
indivíduos HbsAg +; Usuários de drogas
injetáveis; Múltiplos parceiros sexuais;
Histórico de ISTs; Detentos Penitenciários;
Profissionais de saúde.
 Quadro Clínico:
(1) Prodrômica / Pré – Ictérica (1 a 2
semanas): Febre; Astenia; Mialgia;
Artralgia; Anorexia; Náusea; Vômito;
Cefaleia; Diarreia; Mal - estar.
(2) Ictérica: Hiperbilirrubinemia intensa e
progressiva (aumento das bilirrubinas
totais); Colúria; Náuseas e fadiga vão se
intensificar; Hipocolia pode surgir por um
período curto (em casos graves);
Disgeusia (alteração no paladar); Perda de
peso ponderal; Prurido; Hepatomegalia
dolorosa a palpação; Aminotransferases
podem elevar 10 a 100 ao valor normal.
(3) Convalescença: Desaparece a
icterícia e também os sintomas sistêmicos
e vai retornar a sensação de bem estar e
volta do apetite. A recuperação completa
só vai acontecer após algumas semanas,
a astenia e o cansaço pode perdurar por
vários meses após essa fase.
(4) Manifestação Extra – Hepática:
Poliarterite Nodosa (processo inflamatório
agudo e necrose fibrinoide das artérias de
pequeno e médio calibre);
Glomerulonefrite (é mais comum em
crianças vai ocorrer uma deposição de
imunocomplexos na membrana basal da
região glomerular); Acrodermatite Papular
(ocorre uma erupção maculopapular
eritematosa não pruriginosa e simétrica na
face, membros e nadegas).
OBS: Exame Físico (dor a palpação do
hipocôndrio direito, hepatomegalia,
esplenomegalia).
 Diagnóstico:
É feito através da sintomatologia, dados
epidemiológicos, marcadores sorológicos.
Também podemos solicitar dosagem de
marcadores hepáticos como o TGO/TGP
(para verificar se tem presença de lesão
hepática) e USG (para avaliar se tem a
presença de fibrose hepática).
⚠️Marcadores Sorológicos:
 HbsAg:
É o antígeno de superfície presente no
envelope viral, logo é um marcador da
presença de HBV no corpo. Está sempre
presente na fase aguda e permanece
positivo nos indivíduos que não estão
curados e se tornam crônicos.
OBS: Se tornar negativo somente por
volta de 6 semanas.
 HBeAg:
Indica replicação viral, está presente na
fase aguda até o encerramento da
replicação viral e pode estar presente na
fase crônica quando tiver infecção ativa
replicante.
 Anti – HBC IgM:
São imunoglobulinas de produção mais
precoce, com isso indicam infecção aguda
e podem surgir em reagudização durante
a fase crônica.
OBS: Ele pode ainda continuar sendo
encontrado no soro do indivíduo por
até 32 semanas após a infecção.
 Anti – HBC IgG:
Permanece positivo durante toda a vida do
indivíduo, indicando contato pregresso
com o vírus.
 Anti – HBe:
Indica interrupção da replicação viral ao
final da fase aguda ou durante a fase
crônica.
 Anti – HBs:
Indica que o indivíduo obteve uma
resposta imune eficaz contra o HBV, ai vai
desaparecer o HbsAg.
OBS: Sua persistência indica
imunidade protetora a novas infecções
pelo vírus HBV.
 Anti – HBV:
É o anticorpo produzido mediante a
vacinação, então indica a imunização
artificial do indivíduo.
 Cronificação:
Cerca de 90% dos recém – nascidos;
70% das crianças; 5 a 7% dos adultos.
OBS: Pacientes com HIV podem ter
uma evolução maior para cronificação.
 Tratamento:
⚠️Importante: A maioria dos pacientes se
cura espontaneamente da infecção.
Nesses casos vai ser indicado apenas
Suporte Geral (Repouso relativo; Dieta
pobre em gordura e rica em carboidrato;
Restringir a ingesta alcoólica – mínimo 6
meses; )
💊 Suporte com Antivirais: Só vai ser
indicado em casos de Hepatite Fulminante
(é quando dentro de dias ou semanas
ocorre uma necrose importante do
parênquima hepático e diminuição do
volume hepático).
 Tenofovir Alafenamida:
Dose de: 300 mg/dia.
Contraindicações: Doença Renal
Crônica; Cirrose Hepática; Osteoporose
ou outras doenças do metabolismo ósseo;
Terapia antirretroviral com Didanosina.
Acompanhar: Função Renal, porque esse
medicamento altera a função renal e leva
a perda de cálcio ósseo.
 Entecavir:
Dose de: 0,5 mg/dia (quando não
Cirróticos) e 1 mg/dia (em Cirróticos).
 Exposição Acidental ao HBV:
💊 Situações de: Estupro ou Acidente com
Perfurocortante com paciente HBV
replicante, precisa ser feito a medida
preventiva que consiste na aplicação de
Imunoglobulina Anti-HBV 0,5 mg IM (24 a
48 horas após o acidente) + vacinas nas
primeiras 12 horas.
 Porque não tem Cura:
O DNA do vírus consegue se ligar na
superfície celular e ser capturado por um
envoltório, dentro desse envoltório ele vai
replicar e produzir uma partícula viral
(cccDNA) que é capaz de entrar no núcleo
impedindo as drogas de chegar até essa
região.
OBS: cccDNA representa um obstáculo
para cura e uma evolução para o CA.
 Profilaxia:
Uso da camisinha nas relações sexuais;
Descartar os materiais perfurocortantes e
seringas após o uso; Realizar o pré-natal;
Vacinação (3 doses – ao nascimento, 2
meses e 6 meses).
OBS: Vacinação em gestantes, se
estiver com vacinação completa não
precisa vacinar, caso estiver
incompleta deve - se completar. Já se a
paciente não sabe informar se tem ou
não a vacina, ela deve vacinar.
OBS: Aqueles que não possuírem a
presença de Anti – HBs > 10 sobretudo
se for profissional de saude ou
imunodeprimidos, deverão se
revacinar.
OBS: O vírus D só replica na superfície
do vírus B, quem vacinar para B está
protegido da D.
 Complicações:
Cirrose e Carcinoma Hepatocelular.

RESUMO COMPLETO Sffff11 - Hepatites.docx

  • 1.
    Hepatite Viral B Definição: É uma infecção aguda que vai ser causada por vírus hepatotrópico que vai levar a uma inflamação do parênquima hepático devido a um infiltrado inflamatório local e em casos mais graves pode terminar em necrose hepática.  Epidemiologia: No mundo tem mais de 2 bilhões de pessoas contaminadas; Cerca de 360 milhões de pessoas possuem a forma crônica da doença; No Brasil em 2021 foi verificado (262.815 - 38,1%) de pessoas contaminadas; Acomete faixa etária de 20 a 69 anos (mais os jovens em fase sexual ativa); Predomínio maior entre indivíduos do sexo masculino; Grande prevalência em regiões como Norte e Nordeste e em estados como (Amazonia; Santa Catarina – parte oeste; Espirito Santo); Possui um baixo número de casos registrados sobretudo na região sul e sudeste; Alta chance de causar CA Hepático; Responsável por mais de 1 milhão de mortes por ano; Mortalidade está relacionada a Hepatite Crônica e a incidência de Hepatocarcinoma.  Agente Etiológico: HBV é o único vírus de DNA causador de Hepatite Viral (os demais são todos RNA); Hepatotrópico (possui um tropismo pelos hepatócitos); Possui envoltório lipoproteico e um núcleo central denso; Período de incubação de 8 a 12 semanas (30 dias a 6 meses); Replica nos (hepatócitos, baço, pâncreas e medula óssea); Tem relação íntima com o CA de Fígado, porque é um vírus oncogênico, e nem precisa ter cirrose para ir para o câncer.  Transmissão: ⚠️ Dado Importante: A transmissão vai iniciar cerca de 2 a 3 semanas antes dos primeiros sintomas e dura enquanto o antígeno HbsAg estiver presente, em portadores crônicos a transmissibilidade vai ser permanente. Parenteral (materiais perfurocortantes contaminados – agulhas, tatuagem, procedimentos odontológicos, manicure, acupuntura, piercing); Contato Sexual Desprotegido (é o mais importante dos vírus de transmissão sexual); Vertical (durante o parto ou amamentação – eles vão ter maior chance de evoluir para forma crônica e ter as complicações da doença, devido a uma indução a tolerância imunológica). OBS: A infecção vertical ocorre devido a (Microtransfusões de sangue materno durante as contrações uterinas; Ruptura da membrana amniótica com exposição do feto ao sangue e às secreções da mãe que estão contaminadas; Contato das mucosas fetais com sangue ou com secreções contaminadas presentes no canal vaginal). OBS: Em bebês de mãe positiva para Hepatite B, é orientado verificar se ele é HbsAg positivo ou negativo, se for positivo vamos (dar banho, aspirar as secreções antes mesmo de amamentar e administrar a vacina de Hepatite B e a imunoglobulina – 0,5ml subcutâneo nas primeiras horas de vida).  Fatores de Risco: Morar em regiões que são consideradas endêmicas (ES, AM, SC); Não ser vacinado; Ter relação sexual desprotegida; Contato sexual com indivíduos HbsAg +; Usuários de drogas injetáveis; Múltiplos parceiros sexuais;
  • 2.
    Histórico de ISTs;Detentos Penitenciários; Profissionais de saúde.  Quadro Clínico: (1) Prodrômica / Pré – Ictérica (1 a 2 semanas): Febre; Astenia; Mialgia; Artralgia; Anorexia; Náusea; Vômito; Cefaleia; Diarreia; Mal - estar. (2) Ictérica: Hiperbilirrubinemia intensa e progressiva (aumento das bilirrubinas totais); Colúria; Náuseas e fadiga vão se intensificar; Hipocolia pode surgir por um período curto (em casos graves); Disgeusia (alteração no paladar); Perda de peso ponderal; Prurido; Hepatomegalia dolorosa a palpação; Aminotransferases podem elevar 10 a 100 ao valor normal. (3) Convalescença: Desaparece a icterícia e também os sintomas sistêmicos e vai retornar a sensação de bem estar e volta do apetite. A recuperação completa só vai acontecer após algumas semanas, a astenia e o cansaço pode perdurar por vários meses após essa fase. (4) Manifestação Extra – Hepática: Poliarterite Nodosa (processo inflamatório agudo e necrose fibrinoide das artérias de pequeno e médio calibre); Glomerulonefrite (é mais comum em crianças vai ocorrer uma deposição de imunocomplexos na membrana basal da região glomerular); Acrodermatite Papular (ocorre uma erupção maculopapular eritematosa não pruriginosa e simétrica na face, membros e nadegas). OBS: Exame Físico (dor a palpação do hipocôndrio direito, hepatomegalia, esplenomegalia).  Diagnóstico: É feito através da sintomatologia, dados epidemiológicos, marcadores sorológicos. Também podemos solicitar dosagem de marcadores hepáticos como o TGO/TGP (para verificar se tem presença de lesão hepática) e USG (para avaliar se tem a presença de fibrose hepática). ⚠️Marcadores Sorológicos:  HbsAg: É o antígeno de superfície presente no envelope viral, logo é um marcador da presença de HBV no corpo. Está sempre presente na fase aguda e permanece positivo nos indivíduos que não estão curados e se tornam crônicos.
  • 3.
    OBS: Se tornarnegativo somente por volta de 6 semanas.  HBeAg: Indica replicação viral, está presente na fase aguda até o encerramento da replicação viral e pode estar presente na fase crônica quando tiver infecção ativa replicante.  Anti – HBC IgM: São imunoglobulinas de produção mais precoce, com isso indicam infecção aguda e podem surgir em reagudização durante a fase crônica. OBS: Ele pode ainda continuar sendo encontrado no soro do indivíduo por até 32 semanas após a infecção.  Anti – HBC IgG: Permanece positivo durante toda a vida do indivíduo, indicando contato pregresso com o vírus.  Anti – HBe: Indica interrupção da replicação viral ao final da fase aguda ou durante a fase crônica.  Anti – HBs: Indica que o indivíduo obteve uma resposta imune eficaz contra o HBV, ai vai desaparecer o HbsAg. OBS: Sua persistência indica imunidade protetora a novas infecções pelo vírus HBV.  Anti – HBV: É o anticorpo produzido mediante a vacinação, então indica a imunização artificial do indivíduo.  Cronificação: Cerca de 90% dos recém – nascidos; 70% das crianças; 5 a 7% dos adultos. OBS: Pacientes com HIV podem ter uma evolução maior para cronificação.  Tratamento: ⚠️Importante: A maioria dos pacientes se cura espontaneamente da infecção. Nesses casos vai ser indicado apenas Suporte Geral (Repouso relativo; Dieta pobre em gordura e rica em carboidrato; Restringir a ingesta alcoólica – mínimo 6 meses; ) 💊 Suporte com Antivirais: Só vai ser indicado em casos de Hepatite Fulminante (é quando dentro de dias ou semanas ocorre uma necrose importante do parênquima hepático e diminuição do volume hepático).  Tenofovir Alafenamida: Dose de: 300 mg/dia. Contraindicações: Doença Renal Crônica; Cirrose Hepática; Osteoporose ou outras doenças do metabolismo ósseo; Terapia antirretroviral com Didanosina. Acompanhar: Função Renal, porque esse medicamento altera a função renal e leva a perda de cálcio ósseo.  Entecavir: Dose de: 0,5 mg/dia (quando não Cirróticos) e 1 mg/dia (em Cirróticos).  Exposição Acidental ao HBV: 💊 Situações de: Estupro ou Acidente com Perfurocortante com paciente HBV
  • 4.
    replicante, precisa serfeito a medida preventiva que consiste na aplicação de Imunoglobulina Anti-HBV 0,5 mg IM (24 a 48 horas após o acidente) + vacinas nas primeiras 12 horas.  Porque não tem Cura: O DNA do vírus consegue se ligar na superfície celular e ser capturado por um envoltório, dentro desse envoltório ele vai replicar e produzir uma partícula viral (cccDNA) que é capaz de entrar no núcleo impedindo as drogas de chegar até essa região. OBS: cccDNA representa um obstáculo para cura e uma evolução para o CA.  Profilaxia: Uso da camisinha nas relações sexuais; Descartar os materiais perfurocortantes e seringas após o uso; Realizar o pré-natal; Vacinação (3 doses – ao nascimento, 2 meses e 6 meses). OBS: Vacinação em gestantes, se estiver com vacinação completa não precisa vacinar, caso estiver incompleta deve - se completar. Já se a paciente não sabe informar se tem ou não a vacina, ela deve vacinar. OBS: Aqueles que não possuírem a presença de Anti – HBs > 10 sobretudo se for profissional de saude ou imunodeprimidos, deverão se revacinar. OBS: O vírus D só replica na superfície do vírus B, quem vacinar para B está protegido da D.  Complicações: Cirrose e Carcinoma Hepatocelular.