Processos MentaisAprendizagemJorge Barbosa, 2010
OBJECTIVOSCaracterizar a mente como um conjunto integrado de processos cognitivos, emocionais e conativos.
Explicar o carácter específico dos processos cognitivos
Explicar o carácter específico dos processos emocionais
Explicar o carácter específico dos processos conativos
Identificar dimensões biológicas e sociais nestes processos
Analisar o papel destes processos na vida quotidiana
Analisar a mente como um sistema de construção do mundo
Analisar a identidade como factor distintivo entre os seres humanosCONTEÚDOSCognição, emoção e conação: o saber, o sentir, o fazer
Percepção, memória e Aprendizagem
Emoção, afecto e sentimento; Marcador somático
Intencionalidade e tendência: esforço de realização
Natureza biológica e sociocultural da mente: necessidade e desejo
Conhecer o mundo; Relacionar-se com o mundo; Agir sobre o mundo
Pensamento e Acção – Auto-organização e imaginação
Unidade e diversidade dos seres humanos
Inscrição mental das histórias de vida: IdentidadeAprendizagem define-se como uma mudança relativamente permanente no comportamento ou no conhecimento, resultante da experiência.
PROCESSOS DE APRENDIZAGEM Aprendizagem não Associativa
Aprendizagem Associativa
Aprendizagem por Observação e Imitação
Aprendizagem com Recurso a Símbolos e RepresentaçõesAprendizagem ImplícitaNa perspectiva da mente como estrutura de Processamento da Informação, poderíamos pensar que os processos mentais seriam conscientes.No entanto, algumas aprendizagens, tal como algumas memórias, não implicam a consciência verbalizável do que é aprendido.
Características da Aprendizagem ImplícitaRobustez: é pouco afectada por desordens psíquicas (lesões, amnésias, etc.)
Independência da Idade: É pouco influenciada pela idade ou pelo nível de desenvolvimento.
Pouca Variabilidade: não há muitas diferenças entre sujeitos.
Independência do QI: O QI tem pouca influência.HabituaçãoA Habituação é um processo de aprendizagem que se define pela redução da intensidade de uma resposta, em resultado da repetição do estímulo.Por ex.: quando um estímulo muscular é produzido pela primeira vez, a resposta do músculo será mais forte do que o necessário.A repetição do mesmo estímulo provocará uma redução da resposta muscular de acordo com uma curva exponencial negativa.
HabituaçãoReacção de OrientaçãoÉ uma das aprendizagens mais interessantes sensíveis à habituação.Activação momentânea da atenção (resposta), após:
O aparecimento de um acontecimento intenso ou inesperado (estímulo) no campo sensorial do sujeitoA habituação desta resposta foi estudada em bebés humanos.
HabituaçãoReacção de OrientaçãoApresenta-se ao bebé um estímulo visual inteiramente novo.Ao princípio, o bebé produz uma forte reacção de orientação, fixando longamente o estímulo.
À medida que o estímulo vai sendo repetido, o bebé vai activando cada vez menos a atenção.Até aqui, estamos perante o processo de habituação.
HabituaçãoReacção de OrientaçãoApós a instalação de uma completa habituação no bebé, o experimentador introduz uma alteração significativa no estímulo visual:Se o bebé detectar essa alteração no estímulo, a sua reacção de orientação será reactivada.A isto, chama-se desabituação.
HabituaçãoLeis da HabituaçãoRecuperação Espontânea: Depois de uma desabituação a um estímulo, a habituação ao mesmo estímulo é mais rápida.O Bebé que voltou a fixar longamente o olhar num objecto modificado, habituar-se-á mais rapidamente a ele, do que se habituou ao  original pela primeira vez.
HabituaçãoLeis da HabituaçãoGeneralização: Permite que o sujeito responda com menos intensidade a estímulos com características físicas idênticas à do estímulo familiar.A generalização é um conceito, que resulta da interpretação do experimentador, quando o sujeito não se desabitua, face a um estímulo familiar.Esta interpretação é sempre discutível. (discriminação/generalização)
HabituaçãoLeis da HabituaçãoInibição da Habituação: A habituação é reduzida, quando o sujeito detecta significados apetitivos ou aversivos no estímulo, ou quando o estímulo anuncia um acontecimento significativo (apetitivo ou aversivo).A inibição da habituação tem a função de manter a importância de um estímulo significativo,Mas também pode tornar significativo um estímulo insignificante.
HabituaçãoDependência de DrogasO processo Habituação/Desabituação é responsável pela maioria das mortes por overdose.Numa primeira fase, o sujeito pode ser levado a compensar a habituação, aumentando as doses consumidas. Este aumento pode, só por si, provocar overdose.Numa segunda fase, a retoma do consumo após um período (pode ser curto) de abstinência, com a mesma dose do último período de habituação, provoca uma reacção violenta do organismo (desabituação) que pode ser fatal.
Aprendizagem AssociativaCondicionamento
Condicionamento ClássicoAtravés da Habituação, os sujeitos aprendem a reconhecer um acontecimento como sendo familiar, mas não aprendem nada de novo acerca desse acontecimento.No entanto, a maior parte das informações novas diz respeito às relações Entre acontecimentos, ou
Entre acontecimento(s) e um comportamento particular do sujeito.Estas relações são denominadas Associações.
Condicionamento ClássicoA aprendizagem por associação refere-se à aprendizagem que pode ser compreendida como sendo:A formação ou fortalecimento de associações, ou
A extinção ou enfraquecimento de associações já existentes.Condicionamento ClássicoConceitos:Estímulo Incondicional (EI) – estímulo que provoca uma resposta reflexa (carne, para um cão).
Resposta Incondicionada (RI) – resposta reflexa provocada pelo EI (salivar).
Estímulo Neutro (EN) – estímulo que não provoca a resposta reflexa (toque da campainha), antes da aprendizagem.
Estímulo Condicionado (EC) – após a associação, o estímulo neutro passa a provocar a resposta reflexa típica do EI.
Resposta Condicionada (RC) – resposta provocada pelo EC, após aprendizagem.Condicionamento ClássicoExperiência de Pavlov:Após Condicionamento:EI (carne)RI (salivação)+EI (carne)RI (salivação)EN (metrónomo)EC (metrónomo)RC (salivação)
Condicionamento ClássicoAquisição das Respostas Condicionadas:Medida da Força da RCAmplitude da Resposta – nas experiências de Pavlov correspondia à quantidade de salivaProbabilidade da Resposta – proporção de ensaios em que a RC é desencadeada quando se apresenta unicamente o EC.Latência da Resposta – tempo que medeia o início do EC e o início da RC.A amplitude e a probabilidade da RC são directamente proporcionais à força da RC;A latência é inversamente proporcional.
Condicionamento ClássicoAquisição das Respostas Condicionadas:Condicionamento de Segunda Ordem:Depois de bem estabelecida a relação EC-EI, o EC pode servir para condicionar outros estímulos.Pavlov começou por condicionar um cão a salivar ao som de um metrónomo, utilizando carne como EI.Depois de aprendida esta associação, Pavlov apresentou ao animal um quadrado preto seguido do som do metrónomo, mas sem apresentar o alimento.Depois de vários ensaios, a visão do quadrado provocava salivação no cão.
Condicionamento ClássicoExtinção:Pavlov provou que uma resposta condicionada pode ser desfeita por um processo muito semelhante àquele que lhe deu origem:Demonstrou que a RC desaparecerá gradualmente, se o EC for repetidamente apresentado sem o EI.A extinção de uma RC pode ser anulada através de:Recondicionamento(é mais rápido do que o condicionamento inicial).
Recuperação espontânea – depois de extinta a RC, deixa-se o animal em descanso; após o descanso, a RC pode ser reactivada.Condicionamento ClássicoMedo Condicionado:Em muitos procedimentos experimentais, a resposta condicionada implica um acto simples (salivar ou pestanejar).No entanto, às vezes a RC é mais complexa, como é o caso do medo:Os procedimentos em que o EI é um estímulo aversivo (ruído intenso, por ex.), o EC vai provocar uma resposta multifacetada no comportamento e na resposta orgânica do animal (batimento cardíaco, secreções hormonais, etc.Estas investigações recorrem ao procedimento da resposta emocional condicionada (REC)
Condicionamento ClássicoMedo Condicionado:Ensina-se um rato a carregar numa alavanca para obter alimento;Quando esta aprendizagem estiver consolidada, associa-se um EC (luz ou som durante 3 minutos) ao momento em que está a carregar na alavanca; No final dos 3 minutos, o EC desaparece e o rato apanha um choque eléctrico rápido (EI).Numa primeira fase, o animal ignora o EC,Depois, aprende que o EC anuncia o EI.Finalmente, perante o EC evita carregar na alavanca. (aprendeu a ter medo da luz ou som)
Condicionamento ClássicoCondicionamento e o Efeito das Drogas:Vejamos o caso de uma pessoa que tem de tomar muitas doses de insulina para baixar o nível de açúcar no sangue:Após um certo tempo de tratamento, a pessoa começa a reagir aos vários estímulos que acompanham o momento da injecção (por ex.: a visão da agulha); A reacção a estes estímulos é oposta à do efeito do medicamento: verifica-se um aumento de açúcar no sangue.Esta RC (aumento de açúcar) prepara o organismo para o EI (insulina) – homeostasia.O Mesmo fenómeno é verificado com os tranquilizantes e com drogas ilícitas, aumentando a sua necessidade.
Condicionamento ClássicoDependência de Drogas na Perspectiva do Condicionamento Clássico:A morfina e a heroína são estímulos incondicionais que provocam uma RI complexa: euforia, diminuição da sensibilidade à dor.Depois da aprendizagem, os estímulos associados com a administração da droga (visão da agulha, por ex.) desencadeiam uma RC compensatória, com qualidades opostas aos efeitos da droga.Esta RC compensatória reduz significativamente o efeito da droga (tolerância à droga).Na falta da droga, a visão da agulha desencadeia a RC, efeito oposto ao do consumo, impelindo o sujeito a ter ainda mais necessidade da droga, mesmo que o seu efeito já seja reduzido.
APRENDIZAGEM ASSOCIATIVACONDICIONAMENTO INSTRUMENTAL OU OPERANTE
Condicionamento operanteLimites do Condicionamento ClássicoO condicionamento clássico descreve uma resposta do organismo, sendo portanto incapaz de captar a natureza activa do organismo e a suainfluência no ambiente.
Condicionamento operanteLimites do Condicionamento ClássicoNo condicionamento clássico, os organismos aprendem a associar dois estímulos (EC e EI).
Condicionamento operanteLimites do Condicionamento ClássicoO condicionamento clássico é uma modalidade de comportamento reactivo, comportamento este que ocorre em resposta automática a um estímulo, e mais tarde a um estímulo condicionado.
Condicionamento operanteLimites do Condicionamento ClássicoEste tipo de aprendizagemexplica muito bem como é que um estímulo neutro se associa a respostas involuntárias, não aprendidas, masnão consegue explicar o comportamento voluntário, por exemplo, de um aluno que estuda muito para tirarboas notas, ou de um cão que encontra o telemóvel do seu dono.
Condicionamento operanteLimites do Condicionamento ClássicoO condicionamento operante explica melhor este tipo de comportamentos voluntários.
Condicionamento operanteDefiniçãoCondicionamento operante (ou condicionamento instrumental) é uma forma de aprendizagem associativa, em que as consequências de um comportamento alteram a probabilidade da sua ocorrência.
Condicionamento operanteDefiniçãoPor exemplo, fazer uma boa exibição de patinagem(comportamento) aumenta a probabilidade de os juízes atribuírem à concorrente uma boa pontuação (consequência), o que, por seu turno, encoraja a patinadora a melhorar ainda mais o seu desempenho, continuando a treinar e a competir.
Condicionamento operanteSkinnerSkinner acreditava firmemente que os mecanismos da aprendizagem eram comuns a todas as espécies animais. Esta convicção levou-o a estudar animais na esperança de que pudesse descobrir os  mecanismos básicos da aprendizagem em animais mais simples do que os humanos.
Condicionamento operanteSkinnerSkinner e outros behavioristas fizeram esforços verdadeiramente enormes para estudar os organismos, emcondições experimentais de grande rigor, por forma a poderem estabelecer associações entre consequênciasoperantes e específicas ao minuto.
Condicionamento operanteSkinnerUma das invenções de Skinner (de 1930) para controlo experimental foi acaixa de Skinner. Um dispositivo, no seu interior, distribuía alimento. Depois de ter habituado o rato à caixa,Skinner instalou uma alavanca que accionava o dispositivo de distribuição de alimento.
Condicionamento operanteSkinnerSkinner confirmou osresultados já conhecidos de Thorndike: depois de aprender as consequências positivas de calcar a alavanca, o rato adquiria um comportamento altamente eficaz para obter alimento sempre que tivesse fome.
Condicionamento operanteSkinnerNeste caso, anovidade de Skinner, relaciona-se com o nível de controlo experimental que utilizou: insonorizou a caixa,registou em imagem as respostas dos ratos e o alimento era distribuído automaticamente.
Condicionamento operanteMoldagemImagine que quer ensinar um cão a lavar a roupa. É possível treinar um cão, ou outro animal, a realizar tarefas altamente complexas, através de processos de moldagem.Moldagem refere-se à recompensa de aproximações ao comportamento desejado.
Condicionamento operanteMoldagemMelhor do que ficar à espera que o cão ponhaespontaneamente a roupa na máquina de lavar, como faria se a tarefa fosse accionar uma alavanca para obteralimento, será, então, recompensá-lo por:
Condicionamento operanteMoldagemLevar a roupa para a lavandaria, ou para o espaço onde está a máquina de lavar; Depois por a levar cada vez para mais perto da máquina, e finalmente Por a ter colocado dentro da máquina (de preferência separada por cores).
Condicionamento operanteMoldagemA moldagem, nos seres humanos, é particularmente eficaz quando o resultado da aprendizagem depende sobretudo do tempo de estudo e da persistência. Para experimentar os princípios de moldagem, os alunos podem fazer, por exemplo, todos os exercícios de treinomarcados pelo professor.
Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoPuniçãoExtinçãoGeneralizaçãoRecuperação espontâneaDiscriminaçãoMoldagem (de que já falámos) – alguns autores portugueses e brasileiros utilizam o termo “modelagem” que não é o mais correcto.Os que nos interessam, para além do de “Moldagem” são os princípios de:Reforço, ePunição
Condicionamento OperantePrincípios BásicosPunição/ReforçoPunição é uma consequência de uma acção que enfraquece a probabilidade de essa acção se repetir.Reforço é uma consequênciade uma acção que fortalece a probabilidade de essa acção se repetir.
Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoHá acções que têm consequências boas:A consequência de uma acção ou o seu resultado consiste em conseguir algo que desejamos - PositivoCom uma acção evitamos ou eliminamos algo indesejável ou desagradável - Negativo
Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoReforço PositivoUma acção, graças às suas consequências, permite-nos obter algo agradável: ex.: estudar bem e conseguir uma boa nota a Psicologia
Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoReforço NegativoUma acção tem como consequência evitar uma situação indesejável; Tende por isso a ser repetida: ex.: estudar bem e evitar reprovar a Psicologia

Processos Mentais 3 - Aprendizagem

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  • 2.
    OBJECTIVOSCaracterizar a mentecomo um conjunto integrado de processos cognitivos, emocionais e conativos.
  • 3.
    Explicar o carácterespecífico dos processos cognitivos
  • 4.
    Explicar o carácterespecífico dos processos emocionais
  • 5.
    Explicar o carácterespecífico dos processos conativos
  • 6.
    Identificar dimensões biológicase sociais nestes processos
  • 7.
    Analisar o papeldestes processos na vida quotidiana
  • 8.
    Analisar a mentecomo um sistema de construção do mundo
  • 9.
    Analisar a identidadecomo factor distintivo entre os seres humanosCONTEÚDOSCognição, emoção e conação: o saber, o sentir, o fazer
  • 10.
  • 11.
    Emoção, afecto esentimento; Marcador somático
  • 12.
    Intencionalidade e tendência:esforço de realização
  • 13.
    Natureza biológica esociocultural da mente: necessidade e desejo
  • 14.
    Conhecer o mundo;Relacionar-se com o mundo; Agir sobre o mundo
  • 15.
    Pensamento e Acção– Auto-organização e imaginação
  • 16.
    Unidade e diversidadedos seres humanos
  • 17.
    Inscrição mental dashistórias de vida: IdentidadeAprendizagem define-se como uma mudança relativamente permanente no comportamento ou no conhecimento, resultante da experiência.
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    PROCESSOS DE APRENDIZAGEMAprendizagem não Associativa
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    Aprendizagem com Recursoa Símbolos e RepresentaçõesAprendizagem ImplícitaNa perspectiva da mente como estrutura de Processamento da Informação, poderíamos pensar que os processos mentais seriam conscientes.No entanto, algumas aprendizagens, tal como algumas memórias, não implicam a consciência verbalizável do que é aprendido.
  • 22.
    Características da AprendizagemImplícitaRobustez: é pouco afectada por desordens psíquicas (lesões, amnésias, etc.)
  • 23.
    Independência da Idade:É pouco influenciada pela idade ou pelo nível de desenvolvimento.
  • 24.
    Pouca Variabilidade: nãohá muitas diferenças entre sujeitos.
  • 25.
    Independência do QI:O QI tem pouca influência.HabituaçãoA Habituação é um processo de aprendizagem que se define pela redução da intensidade de uma resposta, em resultado da repetição do estímulo.Por ex.: quando um estímulo muscular é produzido pela primeira vez, a resposta do músculo será mais forte do que o necessário.A repetição do mesmo estímulo provocará uma redução da resposta muscular de acordo com uma curva exponencial negativa.
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    HabituaçãoReacção de OrientaçãoÉuma das aprendizagens mais interessantes sensíveis à habituação.Activação momentânea da atenção (resposta), após:
  • 27.
    O aparecimento deum acontecimento intenso ou inesperado (estímulo) no campo sensorial do sujeitoA habituação desta resposta foi estudada em bebés humanos.
  • 28.
    HabituaçãoReacção de OrientaçãoApresenta-seao bebé um estímulo visual inteiramente novo.Ao princípio, o bebé produz uma forte reacção de orientação, fixando longamente o estímulo.
  • 29.
    À medida queo estímulo vai sendo repetido, o bebé vai activando cada vez menos a atenção.Até aqui, estamos perante o processo de habituação.
  • 30.
    HabituaçãoReacção de OrientaçãoApósa instalação de uma completa habituação no bebé, o experimentador introduz uma alteração significativa no estímulo visual:Se o bebé detectar essa alteração no estímulo, a sua reacção de orientação será reactivada.A isto, chama-se desabituação.
  • 31.
    HabituaçãoLeis da HabituaçãoRecuperaçãoEspontânea: Depois de uma desabituação a um estímulo, a habituação ao mesmo estímulo é mais rápida.O Bebé que voltou a fixar longamente o olhar num objecto modificado, habituar-se-á mais rapidamente a ele, do que se habituou ao original pela primeira vez.
  • 32.
    HabituaçãoLeis da HabituaçãoGeneralização:Permite que o sujeito responda com menos intensidade a estímulos com características físicas idênticas à do estímulo familiar.A generalização é um conceito, que resulta da interpretação do experimentador, quando o sujeito não se desabitua, face a um estímulo familiar.Esta interpretação é sempre discutível. (discriminação/generalização)
  • 33.
    HabituaçãoLeis da HabituaçãoInibiçãoda Habituação: A habituação é reduzida, quando o sujeito detecta significados apetitivos ou aversivos no estímulo, ou quando o estímulo anuncia um acontecimento significativo (apetitivo ou aversivo).A inibição da habituação tem a função de manter a importância de um estímulo significativo,Mas também pode tornar significativo um estímulo insignificante.
  • 34.
    HabituaçãoDependência de DrogasOprocesso Habituação/Desabituação é responsável pela maioria das mortes por overdose.Numa primeira fase, o sujeito pode ser levado a compensar a habituação, aumentando as doses consumidas. Este aumento pode, só por si, provocar overdose.Numa segunda fase, a retoma do consumo após um período (pode ser curto) de abstinência, com a mesma dose do último período de habituação, provoca uma reacção violenta do organismo (desabituação) que pode ser fatal.
  • 35.
  • 36.
    Condicionamento ClássicoAtravés daHabituação, os sujeitos aprendem a reconhecer um acontecimento como sendo familiar, mas não aprendem nada de novo acerca desse acontecimento.No entanto, a maior parte das informações novas diz respeito às relações Entre acontecimentos, ou
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    Entre acontecimento(s) eum comportamento particular do sujeito.Estas relações são denominadas Associações.
  • 38.
    Condicionamento ClássicoA aprendizagempor associação refere-se à aprendizagem que pode ser compreendida como sendo:A formação ou fortalecimento de associações, ou
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    A extinção ouenfraquecimento de associações já existentes.Condicionamento ClássicoConceitos:Estímulo Incondicional (EI) – estímulo que provoca uma resposta reflexa (carne, para um cão).
  • 40.
    Resposta Incondicionada (RI)– resposta reflexa provocada pelo EI (salivar).
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    Estímulo Neutro (EN)– estímulo que não provoca a resposta reflexa (toque da campainha), antes da aprendizagem.
  • 42.
    Estímulo Condicionado (EC)– após a associação, o estímulo neutro passa a provocar a resposta reflexa típica do EI.
  • 43.
    Resposta Condicionada (RC)– resposta provocada pelo EC, após aprendizagem.Condicionamento ClássicoExperiência de Pavlov:Após Condicionamento:EI (carne)RI (salivação)+EI (carne)RI (salivação)EN (metrónomo)EC (metrónomo)RC (salivação)
  • 44.
    Condicionamento ClássicoAquisição dasRespostas Condicionadas:Medida da Força da RCAmplitude da Resposta – nas experiências de Pavlov correspondia à quantidade de salivaProbabilidade da Resposta – proporção de ensaios em que a RC é desencadeada quando se apresenta unicamente o EC.Latência da Resposta – tempo que medeia o início do EC e o início da RC.A amplitude e a probabilidade da RC são directamente proporcionais à força da RC;A latência é inversamente proporcional.
  • 45.
    Condicionamento ClássicoAquisição dasRespostas Condicionadas:Condicionamento de Segunda Ordem:Depois de bem estabelecida a relação EC-EI, o EC pode servir para condicionar outros estímulos.Pavlov começou por condicionar um cão a salivar ao som de um metrónomo, utilizando carne como EI.Depois de aprendida esta associação, Pavlov apresentou ao animal um quadrado preto seguido do som do metrónomo, mas sem apresentar o alimento.Depois de vários ensaios, a visão do quadrado provocava salivação no cão.
  • 46.
    Condicionamento ClássicoExtinção:Pavlov provouque uma resposta condicionada pode ser desfeita por um processo muito semelhante àquele que lhe deu origem:Demonstrou que a RC desaparecerá gradualmente, se o EC for repetidamente apresentado sem o EI.A extinção de uma RC pode ser anulada através de:Recondicionamento(é mais rápido do que o condicionamento inicial).
  • 47.
    Recuperação espontânea –depois de extinta a RC, deixa-se o animal em descanso; após o descanso, a RC pode ser reactivada.Condicionamento ClássicoMedo Condicionado:Em muitos procedimentos experimentais, a resposta condicionada implica um acto simples (salivar ou pestanejar).No entanto, às vezes a RC é mais complexa, como é o caso do medo:Os procedimentos em que o EI é um estímulo aversivo (ruído intenso, por ex.), o EC vai provocar uma resposta multifacetada no comportamento e na resposta orgânica do animal (batimento cardíaco, secreções hormonais, etc.Estas investigações recorrem ao procedimento da resposta emocional condicionada (REC)
  • 48.
    Condicionamento ClássicoMedo Condicionado:Ensina-seum rato a carregar numa alavanca para obter alimento;Quando esta aprendizagem estiver consolidada, associa-se um EC (luz ou som durante 3 minutos) ao momento em que está a carregar na alavanca; No final dos 3 minutos, o EC desaparece e o rato apanha um choque eléctrico rápido (EI).Numa primeira fase, o animal ignora o EC,Depois, aprende que o EC anuncia o EI.Finalmente, perante o EC evita carregar na alavanca. (aprendeu a ter medo da luz ou som)
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    Condicionamento ClássicoCondicionamento eo Efeito das Drogas:Vejamos o caso de uma pessoa que tem de tomar muitas doses de insulina para baixar o nível de açúcar no sangue:Após um certo tempo de tratamento, a pessoa começa a reagir aos vários estímulos que acompanham o momento da injecção (por ex.: a visão da agulha); A reacção a estes estímulos é oposta à do efeito do medicamento: verifica-se um aumento de açúcar no sangue.Esta RC (aumento de açúcar) prepara o organismo para o EI (insulina) – homeostasia.O Mesmo fenómeno é verificado com os tranquilizantes e com drogas ilícitas, aumentando a sua necessidade.
  • 50.
    Condicionamento ClássicoDependência deDrogas na Perspectiva do Condicionamento Clássico:A morfina e a heroína são estímulos incondicionais que provocam uma RI complexa: euforia, diminuição da sensibilidade à dor.Depois da aprendizagem, os estímulos associados com a administração da droga (visão da agulha, por ex.) desencadeiam uma RC compensatória, com qualidades opostas aos efeitos da droga.Esta RC compensatória reduz significativamente o efeito da droga (tolerância à droga).Na falta da droga, a visão da agulha desencadeia a RC, efeito oposto ao do consumo, impelindo o sujeito a ter ainda mais necessidade da droga, mesmo que o seu efeito já seja reduzido.
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  • 52.
    Condicionamento operanteLimites doCondicionamento ClássicoO condicionamento clássico descreve uma resposta do organismo, sendo portanto incapaz de captar a natureza activa do organismo e a suainfluência no ambiente.
  • 53.
    Condicionamento operanteLimites doCondicionamento ClássicoNo condicionamento clássico, os organismos aprendem a associar dois estímulos (EC e EI).
  • 54.
    Condicionamento operanteLimites doCondicionamento ClássicoO condicionamento clássico é uma modalidade de comportamento reactivo, comportamento este que ocorre em resposta automática a um estímulo, e mais tarde a um estímulo condicionado.
  • 55.
    Condicionamento operanteLimites doCondicionamento ClássicoEste tipo de aprendizagemexplica muito bem como é que um estímulo neutro se associa a respostas involuntárias, não aprendidas, masnão consegue explicar o comportamento voluntário, por exemplo, de um aluno que estuda muito para tirarboas notas, ou de um cão que encontra o telemóvel do seu dono.
  • 56.
    Condicionamento operanteLimites doCondicionamento ClássicoO condicionamento operante explica melhor este tipo de comportamentos voluntários.
  • 57.
    Condicionamento operanteDefiniçãoCondicionamento operante(ou condicionamento instrumental) é uma forma de aprendizagem associativa, em que as consequências de um comportamento alteram a probabilidade da sua ocorrência.
  • 58.
    Condicionamento operanteDefiniçãoPor exemplo,fazer uma boa exibição de patinagem(comportamento) aumenta a probabilidade de os juízes atribuírem à concorrente uma boa pontuação (consequência), o que, por seu turno, encoraja a patinadora a melhorar ainda mais o seu desempenho, continuando a treinar e a competir.
  • 59.
    Condicionamento operanteSkinnerSkinner acreditavafirmemente que os mecanismos da aprendizagem eram comuns a todas as espécies animais. Esta convicção levou-o a estudar animais na esperança de que pudesse descobrir os mecanismos básicos da aprendizagem em animais mais simples do que os humanos.
  • 60.
    Condicionamento operanteSkinnerSkinner eoutros behavioristas fizeram esforços verdadeiramente enormes para estudar os organismos, emcondições experimentais de grande rigor, por forma a poderem estabelecer associações entre consequênciasoperantes e específicas ao minuto.
  • 61.
    Condicionamento operanteSkinnerUma dasinvenções de Skinner (de 1930) para controlo experimental foi acaixa de Skinner. Um dispositivo, no seu interior, distribuía alimento. Depois de ter habituado o rato à caixa,Skinner instalou uma alavanca que accionava o dispositivo de distribuição de alimento.
  • 62.
    Condicionamento operanteSkinnerSkinner confirmouosresultados já conhecidos de Thorndike: depois de aprender as consequências positivas de calcar a alavanca, o rato adquiria um comportamento altamente eficaz para obter alimento sempre que tivesse fome.
  • 63.
    Condicionamento operanteSkinnerNeste caso,anovidade de Skinner, relaciona-se com o nível de controlo experimental que utilizou: insonorizou a caixa,registou em imagem as respostas dos ratos e o alimento era distribuído automaticamente.
  • 64.
    Condicionamento operanteMoldagemImagine quequer ensinar um cão a lavar a roupa. É possível treinar um cão, ou outro animal, a realizar tarefas altamente complexas, através de processos de moldagem.Moldagem refere-se à recompensa de aproximações ao comportamento desejado.
  • 65.
    Condicionamento operanteMoldagemMelhor doque ficar à espera que o cão ponhaespontaneamente a roupa na máquina de lavar, como faria se a tarefa fosse accionar uma alavanca para obteralimento, será, então, recompensá-lo por:
  • 66.
    Condicionamento operanteMoldagemLevar aroupa para a lavandaria, ou para o espaço onde está a máquina de lavar; Depois por a levar cada vez para mais perto da máquina, e finalmente Por a ter colocado dentro da máquina (de preferência separada por cores).
  • 67.
    Condicionamento operanteMoldagemA moldagem,nos seres humanos, é particularmente eficaz quando o resultado da aprendizagem depende sobretudo do tempo de estudo e da persistência. Para experimentar os princípios de moldagem, os alunos podem fazer, por exemplo, todos os exercícios de treinomarcados pelo professor.
  • 68.
    Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoPuniçãoExtinçãoGeneralizaçãoRecuperaçãoespontâneaDiscriminaçãoMoldagem (de que já falámos) – alguns autores portugueses e brasileiros utilizam o termo “modelagem” que não é o mais correcto.Os que nos interessam, para além do de “Moldagem” são os princípios de:Reforço, ePunição
  • 69.
    Condicionamento OperantePrincípios BásicosPunição/ReforçoPuniçãoé uma consequência de uma acção que enfraquece a probabilidade de essa acção se repetir.Reforço é uma consequênciade uma acção que fortalece a probabilidade de essa acção se repetir.
  • 70.
    Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoHáacções que têm consequências boas:A consequência de uma acção ou o seu resultado consiste em conseguir algo que desejamos - PositivoCom uma acção evitamos ou eliminamos algo indesejável ou desagradável - Negativo
  • 71.
    Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoReforçoPositivoUma acção, graças às suas consequências, permite-nos obter algo agradável: ex.: estudar bem e conseguir uma boa nota a Psicologia
  • 72.
    Condicionamento OperantePrincípios BásicosReforçoReforçoNegativoUma acção tem como consequência evitar uma situação indesejável; Tende por isso a ser repetida: ex.: estudar bem e evitar reprovar a Psicologia