Patologia Geral
Professor: Cleanto Santos Vieira
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• INFLAMAÇÃO: ou flogose (Latim
inflamare e do Grego phlogos ->
significam “pegar fogo”).
• É uma reação dos tecidos
vascularizados a um agente
agressor, gerando saída de líquidos
e de células do sangue para o
interstício.
• Em geral a inflamação é um
importante mecanismo de defesa
contra inúmeras agressões, mas
também pode causar danos ao
organismo.
Capítulo 5: Inflamação
Sinais Cardinais
Patologia Geral
• O agente inflamatório ou
flogógeno (causa da inflamação)
age sobre os tecidos induzindo a
liberação de mediadores
químicos, que ao agirem nos
receptores das células da
microcirculação e nos leucócitos,
produzem ↑ da permeabilidade
vascular e exsudação de plasma e
células sanguíneas para o
interstício.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Os estímulos que levam à liberação dos
mediadores dessa reação, levam também
(de modo mais lento) à liberação de
mediadores com efeitos antinflamatórios,
responsáveis pela redução da exsudação dos
leucócitos e pela proteção contra os
possíveis efeitos lesivos dessas células.
• Assim cessada a ação do agente
inflamatório, reduz-se a liberação de agentes
pró-inflamatórios, passando a predominar
os agentes antinflamatórios.
Capítulo 5: Inflamação
Resolução do processo inflamatório:
Remoção dos micróbios, células mortas e debridação
Restauração da integridade e perfusão vascular
Regeneração do tecido
Remissão da febre (aumento de temperatura)
Alívio da dor
Patologia Geral
• A consequência é que a microcirculação
recupera a hemodinâmica original e o
líquido e as células exsudadas voltam à
circulação sanguínea (principalmente
pelos vasos linfáticos).
• Se ocorre necrose o tecido destruído é
fagocitado, surgindo logo depois os
fenômenos da cicatrização ou de
regeneração (dependendo da extensão
da lesão e do órgão acometido).
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• O processo inflamatório é um
fenômeno dinâmico e essa é a
razão pela qual seu aspecto
morfológico se modifica com o
tempo.
Capítulo 5: Inflamação
Processo de cicatrização tecidual
Patologia Geral
• Sinais cardinais:
• A reação inflamatória é conhecida há
bastante tempo.
• Na antiguidade os Gregos já a definiam
pelos seus sinais e sintomas típicos que
são:
• - Calor
• - Rubor
• - Tumor (edema)
• - Dor
• Só muito mais tarde (séc. XIX), foi dada a
devida importância a perda da
funcionalidade que quase sempre
acompanha as reações inflamatórias
Capítulo 5: Inflamação
Aulius Cornelius
Celsius – 25ac a
50 dc
Patologia Geral
• Essa caracterização por sinais cardinais baseava-se
exclusivamente em observações de inflamações em
órgãos passíveis de visualização a olho nu (pele,
cavidade bucal, garganta. etc...).
• Após a descoberta da circulação sanguínea ocorre
também a preocupação de se conhecer melhor a
reação inflamatória (tentativa de se produzir o
fenômeno experimentalmente).
• Uma das primeiras observações científicas sobre a
inflamação foi feita por John Hunter em 1794 (fez
descrições macroscópicas do processo sugerindo
sua relação com fenômenos circulatórios).
Capítulo 5: Inflamação
John Hunter
Patologia Geral
• Os trabalhos clássicos de produção experimental
de inflamação são de Julius Cohnhein (1839-
1884), feitos no século XIX.
• Cohnhein utilizou a membrana interdigital da rã,
mostrando alterações vasculares e exsudação
celular após irritação direta da pele.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• No início do século XX, os estudos
experimentais se aceleraram após a
descoberta do primeiro mediador da
inflamação (Histamina) por George Barger e
Henry Hallet Dale.
• Daí em diante os processos experimentais se
multiplicaram, possibilitando além do
conhecimento do processo inflamatório
como também a investigação de drogas
antinflamatórias muito úteis para o
tratamento das inflamações.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Fenômenos da inflamação:
• Fenômenos irritativos -> consistem
num conjunto de modificações
provocadas pelo agente inflamatório
que resulta na liberação de mediadores
químicos responsáveis pelos
fenômenos subsequentes da
inflamação.
• Células e mediadores da inflamação:
• Os tecidos possuem inervação,
microcirculação, células
parenquimatosas e estroma (tecido
conjuntivo).
• Agentes lesivos atingem um ou vários
desses componentes que vão produzir
uma resposta local para adaptar os
tecidos à nova situação.
Capítulo 5: Inflamação
Iniciação química da nocicepção
Patologia Geral
• Isso favorece a eliminação da agressão ou de seus efeitos.
• Essa resposta ocorre por liberação de mediadores que induzem
modificações na microcirculação e migração de fagócitos para o
interstício.
• A forma a qual o agente agressor irrita o tecido é variável:
• a) Liberação de substâncias que encontram receptores nas células, que
quando ativadas, liberam mediadores;
• b) Indução de modificações em moléculas dos tecidos, que, quando
ativadas desencadeiam reações liberando também mediadores;
• c) Produção, por ação direta, de lesões celulares ou da matriz
extracelular, cuja consequência será a liberação de mediadores.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Essas reações dos tecidos que liberam
mediadores imediatamente agindo no
próprio tecido, tentando adaptá-lo à
agressão, são muito semelhantes a
variados agentes agressores, pois
fazem pela liberação de um grupo
restrito de mediadores e são
necessárias em qualquer tipo de
agressão (resposta inata).
• Os mediadores da resposta imunitária
inata, são complementados por
mediadores produzidos pela resposta
imunitária adaptativa.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• A resposta adaptativa, modula a
resposta inflamatória, tornando-
a mais eficaz na eliminação da
agressão.
• Por isso as respostas inata e
adaptativa estão sempre
associadas na resposta
inflamatória.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Os mediadores liberados após uma agressão ficam
armazenados em células (ex: mastócitos presentes
em todos os tecidos conjuntivos) ou terminações
nervosas sensitivas, ou são produzidos por outras
células (endotélio, monócitos, macrófagos,
neutrófilos, linfócitos, células parenquimatosas ou do
estroma).
• Essas subtâncias recebem nomes variados
(mediadores endógenos, autacóides, citocinas,
quimiocinas) e desempenham papel fundamental nas
respostas locais e sistêmicas após agressões.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Os mediadores de liberação
imediata são responsáveis pelo
início dos fenômenos vasculares e
exsudativos, enquanto os de
liberação mediada ou tardia atuam
na manutenção desses fenômenos
ou na reparação e produtivos,
levando à cura ou à cronificação
do processo.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Mastócitos:
• Dois tipos:
• MTC -> mastócitos de tecido conjuntivo, são células grandes
que se originam de um precursor mesenquimal
(mesênquima é um tecido embrionário originado do
conjuntivo) ainda não conhecido. Os MTC tem
diferenciação e proliferação independentes dos linfócitos T.
• MM -> mastócitos das mucosas, se diferenciam a partir de
um precursor da medula óssea sob influência da IL-3
(interleucina 3, atua na maturação e liberação de histamina)
e se localizam geralmente na lâmina própria de mucosas
(exsudam para locais de reação anafilática no período
imediato ou tardio). Os MM são essencialmente
dependentes de linfócitos T.
Capítulo 5: Inflamação
MTC – mastócito de
tecido conjuntivo
Patologia Geral
• Ambos possuem receptores Fce de alta afinidade (imunoglobulinas –
anticorpos).
• Possuem também receptores para C3a, C5a (fragmentos de proteína
derivados da clivagem de C5 pelo sistema complemento).
• Receptores β-adrenérgicos (receptor adrenérgico predominante nos
músculos lisos que causam o relaxamento visceral).
• Receptores colinérgicos (proteína integral de membrana que gera uma
resposta a partir de uma mólecula de acetilcolina).
• Receptores H1 e H2 para histamina (amina biogênica vasodilatadora
envolvida em processos bioquímicos de respostas imunológicas).
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Os receptores β-adrenérgicos e os H2
são antagonistas da desgranulação, e
os receptores colinérgicos e os α-
drenérgicos são agonistas da
desgranulação.
• Os mastócitos armazenam em seus
grânulos (histamina, heparina,
algumas proteases e outros produtos.
• A desgranulação se faz por diferentes
estímulos: Calor, trauma mecânico,
frio, reação de antígenos, etc...
Capítulo 5: Inflamação
Grânulos
Os grânulos liberando os mediadores químicos no
interstício
Patologia Geral
• A histamina liberada produz
vasodilatação arteriolar, ↑ a
permeabilidade vascular e possibilita
a passagem de proteínas do plasma
para o interstício, especialmente o
fibrinogênio.
• Os mastócitos também sintetizam e
liberam prostaglandinas,
leucotrienos, IL-4, IL-5, IL-3 e
quimiocinas, especialmente eotaxina
(subfamília das quimiocinas
eosinofílicas responsáveis por ações
contra parasitas multicelulares e
infecções em geral)
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Basófilos: são células circulantes que
se originam de precursores da medulla
óssea.
• Seu número no sangue é pequeno (0,1
– 1% dos leucócitos; 50 a 80/mm³).
• Tem núcleo lobulado e numerosos
grânulos eletrodensos no citoplasma.
• Possuem receptores de membrana
para Fc (porção das imunoglobulinas)
de anticorpos IgE (imunoglobulina E).
Capítulo 5: Inflamação
Basófilos
Patologia Geral
• Plaquetas: importantes fontes de
mediadores da inflamação, os quais
ficam armazenados em seus grânulos.
• Sintetizam TXA₂ , lipoxinas e
macrófagos.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Terminações nervosas: armazenam peptídeos conhecidos como taquicininas (a
mais conhecida é a substância P).
• A substância P age em diferentes receptores celulares produzindo contração da
musculatura lisa intestinal e brônquica, vasodilatação arteriolar, aumento da
permeabilidade vascular (provavelmente por indução da liberação de histamina) e
efeito quimiotático sobre células polimorfonucleares e macrófagos.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Endotélio: As células
endoteliais produzem
substâncias diversas que
atuam na coagulação,
aderência de leucócitos e
vasomotricidade.
• Já foi descrito mais
detalhadamente no capítulo
anterior.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Sistema complemento: é um
conjunto de proteínas (pró-
enzimas) que se ativam em
cascata, e formam sobre a célula
onde o sistema foi ativado um
complexo macronuclear
anfipático (molécula que tem
regiões hidrofóbicas e
hidrofílicas), que se aprofunda na
membrana, criando um poro
hidrofílico através do qual a célula
perde elétrons e morre.
Capítulo 5: Inflamação
Opsonização:processo que facilita a ação do
sistema imunológico em fixar opsoninas ou
fragmentos do complemento na superfície
bacteriana, permitindo a fagocitose
Patologia Geral
• O sistema complemento pode ser ativado de três formas:
• A) via clássica, ativada por complexos Ag-Ac (antígeno-anticorpo);
• B) via alternativa, desencadeada pela ativação do C3 convertase (única
proteína do complemento capaz de se quebrada sem a ação de uma
enzima) pois ela sofre hidrólise convertendo-se em C3a e C3b na
superfície do patógeno;
• C) via das lectinas, incia-se pela ligação da lectina MBP (Manose Binding
Protein)- proteína de origem não-imunológica, que aglutina hemácias
graças à sua propriedade de se ligar reversivelmente a carboidratos) a
resíduos de manose existentes na superfície de microorganismos.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Mediadores lipídicos: os lipídeos das
membranas são fonte de mediadores
extracelulares ou de mensageiros
intracelulares gerados por ativação de
receptores de membrana.
• Os derivados do ácido fosfatídico e a
esfingomielina são a principais fontes
desses mediadores.
• A fosfolipase hidrolisa fosfolipídeos,
liberando ácidos graxos e radicais
ligados ao fosfato.
• A esfingomielinase age sobre a
esfingomielina clivando-a em ceramida
e fosforilcolina.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Por a ação das cicloxigenases
(COX) do citosol, o ácido
aracdônico libera
prostaglandinas (PG), que
agem em receptores de várias
células, produzindo uma vasta
gama de efeitos biológicos.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• As lipoxigenases (LO-5, LO-12 e
LO-15) agem sobre o ácido
aracdônico e produzem os
leucotrienos, que são poderosos
quiomiotáticos, aumentando a
permeabilidade vascular,
causando vasodilatação e
contraem a musculatura lisa do
intestino e brônquios.
• As lipoxinas LX – Lipoxygenase
interaction products, são
derivadas do ácido aracdônico.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Fenômenos vasculares:
• As principais modificações são:
• 1) – vasodilatação arteriolar, produzida na maioria das vezes por ação da
histamina e do reflexo axônico (ação da substância P das terminações
nervosas e da histamina). Ocorre o aumento do fluxo sanguíneo para a
área agredida, hyperemia ativa.
• 2) – As vênulas menores se dilatam, mas as maiores sofrem uma
pequena constrição, aumento da pressão hidrostática na
microcirculação.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Fenômenos exudativos: são
resultantes da saída dos elementos
do sangue (plasma e células) do leito
vascular para o interstício (Latin –
exudare – passer através de).
• Em geral a exudação plasmática
precede e exudação cellular.
• A exudação de leucócitos é o
elemento morfológico mais
característico das inflamações.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Exudação plasmática: começa
nas fases iniciais da hiperemia e
continua durante o processo
inflamatório.
• O exudato pode ser rico ou
pobre em proteínas, e sua
quantidade é variável.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Exudação cellular: o
primeiro evento é a
marginalização leucocitária,
onde os leucócitos migram
do centro da coluna
sanguínea passando a
ocupar a periferia do vaso.
Capítulo 5: Inflamação
Patologia Geral
• Agentes quimiotáticos: são
liberados no interstício e se
difundem criando um gradient que
diminui em direção ao vaso.
• Os leucócitos saem do vaso e se
dirigem ao centro do processo
inflamatório quiados por agentes
quimiotáticos.
• As substâncias quimiotáticas
podem ser exógenas (trazidas pelo
agente inflamatório) ou
endógenas, produto da ativação do
Sistema complemento.
Capítulo 5: Inflamação
•REFERÊNCIAS
BOGLIOLO, L.; BRASILEIRO FILHO, G. Patologia. 7ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
GOLJAN, E. F. Resumo de Patologia. São Paulo: Roca, 2002.
MONTENEGRO, M. R. (ed.); FRANCO, M. (ed.). Patologia: Processos Gerais. 4.ed São Paulo: Atheneu,
2004. 320 p.
KUMAR, V. et al. Robbins patologia básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 1028 p.
ROBBINS, S. L.; KUMAR, V. (ed.); ABBAS, A.K. (ed.); FAUSTO, N. (ed.). Patologia: Bases Patológicas das
doenças. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
ROBBINS, S. L.; COTRAN R.S.; KUMAR, V. Patologia Estrutural e Funcional. 6ª ed., Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1991.
STEVENS, A.; LOWE J. Patologia. 2ª ed. Barueri: Manole, 2002.

Patologia geral - inflamação - capítulo 5

  • 1.
    Patologia Geral Professor: CleantoSantos Vieira Capítulo 5: Inflamação
  • 2.
    Patologia Geral • INFLAMAÇÃO:ou flogose (Latim inflamare e do Grego phlogos -> significam “pegar fogo”). • É uma reação dos tecidos vascularizados a um agente agressor, gerando saída de líquidos e de células do sangue para o interstício. • Em geral a inflamação é um importante mecanismo de defesa contra inúmeras agressões, mas também pode causar danos ao organismo. Capítulo 5: Inflamação Sinais Cardinais
  • 3.
    Patologia Geral • Oagente inflamatório ou flogógeno (causa da inflamação) age sobre os tecidos induzindo a liberação de mediadores químicos, que ao agirem nos receptores das células da microcirculação e nos leucócitos, produzem ↑ da permeabilidade vascular e exsudação de plasma e células sanguíneas para o interstício. Capítulo 5: Inflamação
  • 4.
    Patologia Geral • Osestímulos que levam à liberação dos mediadores dessa reação, levam também (de modo mais lento) à liberação de mediadores com efeitos antinflamatórios, responsáveis pela redução da exsudação dos leucócitos e pela proteção contra os possíveis efeitos lesivos dessas células. • Assim cessada a ação do agente inflamatório, reduz-se a liberação de agentes pró-inflamatórios, passando a predominar os agentes antinflamatórios. Capítulo 5: Inflamação Resolução do processo inflamatório: Remoção dos micróbios, células mortas e debridação Restauração da integridade e perfusão vascular Regeneração do tecido Remissão da febre (aumento de temperatura) Alívio da dor
  • 5.
    Patologia Geral • Aconsequência é que a microcirculação recupera a hemodinâmica original e o líquido e as células exsudadas voltam à circulação sanguínea (principalmente pelos vasos linfáticos). • Se ocorre necrose o tecido destruído é fagocitado, surgindo logo depois os fenômenos da cicatrização ou de regeneração (dependendo da extensão da lesão e do órgão acometido). Capítulo 5: Inflamação
  • 6.
    Patologia Geral • Oprocesso inflamatório é um fenômeno dinâmico e essa é a razão pela qual seu aspecto morfológico se modifica com o tempo. Capítulo 5: Inflamação Processo de cicatrização tecidual
  • 7.
    Patologia Geral • Sinaiscardinais: • A reação inflamatória é conhecida há bastante tempo. • Na antiguidade os Gregos já a definiam pelos seus sinais e sintomas típicos que são: • - Calor • - Rubor • - Tumor (edema) • - Dor • Só muito mais tarde (séc. XIX), foi dada a devida importância a perda da funcionalidade que quase sempre acompanha as reações inflamatórias Capítulo 5: Inflamação Aulius Cornelius Celsius – 25ac a 50 dc
  • 8.
    Patologia Geral • Essacaracterização por sinais cardinais baseava-se exclusivamente em observações de inflamações em órgãos passíveis de visualização a olho nu (pele, cavidade bucal, garganta. etc...). • Após a descoberta da circulação sanguínea ocorre também a preocupação de se conhecer melhor a reação inflamatória (tentativa de se produzir o fenômeno experimentalmente). • Uma das primeiras observações científicas sobre a inflamação foi feita por John Hunter em 1794 (fez descrições macroscópicas do processo sugerindo sua relação com fenômenos circulatórios). Capítulo 5: Inflamação John Hunter
  • 9.
    Patologia Geral • Ostrabalhos clássicos de produção experimental de inflamação são de Julius Cohnhein (1839- 1884), feitos no século XIX. • Cohnhein utilizou a membrana interdigital da rã, mostrando alterações vasculares e exsudação celular após irritação direta da pele. Capítulo 5: Inflamação
  • 10.
    Patologia Geral • Noinício do século XX, os estudos experimentais se aceleraram após a descoberta do primeiro mediador da inflamação (Histamina) por George Barger e Henry Hallet Dale. • Daí em diante os processos experimentais se multiplicaram, possibilitando além do conhecimento do processo inflamatório como também a investigação de drogas antinflamatórias muito úteis para o tratamento das inflamações. Capítulo 5: Inflamação
  • 11.
    Patologia Geral • Fenômenosda inflamação: • Fenômenos irritativos -> consistem num conjunto de modificações provocadas pelo agente inflamatório que resulta na liberação de mediadores químicos responsáveis pelos fenômenos subsequentes da inflamação. • Células e mediadores da inflamação: • Os tecidos possuem inervação, microcirculação, células parenquimatosas e estroma (tecido conjuntivo). • Agentes lesivos atingem um ou vários desses componentes que vão produzir uma resposta local para adaptar os tecidos à nova situação. Capítulo 5: Inflamação Iniciação química da nocicepção
  • 12.
    Patologia Geral • Issofavorece a eliminação da agressão ou de seus efeitos. • Essa resposta ocorre por liberação de mediadores que induzem modificações na microcirculação e migração de fagócitos para o interstício. • A forma a qual o agente agressor irrita o tecido é variável: • a) Liberação de substâncias que encontram receptores nas células, que quando ativadas, liberam mediadores; • b) Indução de modificações em moléculas dos tecidos, que, quando ativadas desencadeiam reações liberando também mediadores; • c) Produção, por ação direta, de lesões celulares ou da matriz extracelular, cuja consequência será a liberação de mediadores. Capítulo 5: Inflamação
  • 13.
    Patologia Geral • Essasreações dos tecidos que liberam mediadores imediatamente agindo no próprio tecido, tentando adaptá-lo à agressão, são muito semelhantes a variados agentes agressores, pois fazem pela liberação de um grupo restrito de mediadores e são necessárias em qualquer tipo de agressão (resposta inata). • Os mediadores da resposta imunitária inata, são complementados por mediadores produzidos pela resposta imunitária adaptativa. Capítulo 5: Inflamação
  • 14.
    Patologia Geral • Aresposta adaptativa, modula a resposta inflamatória, tornando- a mais eficaz na eliminação da agressão. • Por isso as respostas inata e adaptativa estão sempre associadas na resposta inflamatória. Capítulo 5: Inflamação
  • 15.
    Patologia Geral • Osmediadores liberados após uma agressão ficam armazenados em células (ex: mastócitos presentes em todos os tecidos conjuntivos) ou terminações nervosas sensitivas, ou são produzidos por outras células (endotélio, monócitos, macrófagos, neutrófilos, linfócitos, células parenquimatosas ou do estroma). • Essas subtâncias recebem nomes variados (mediadores endógenos, autacóides, citocinas, quimiocinas) e desempenham papel fundamental nas respostas locais e sistêmicas após agressões. Capítulo 5: Inflamação
  • 16.
    Patologia Geral • Osmediadores de liberação imediata são responsáveis pelo início dos fenômenos vasculares e exsudativos, enquanto os de liberação mediada ou tardia atuam na manutenção desses fenômenos ou na reparação e produtivos, levando à cura ou à cronificação do processo. Capítulo 5: Inflamação
  • 17.
    Patologia Geral • Mastócitos: •Dois tipos: • MTC -> mastócitos de tecido conjuntivo, são células grandes que se originam de um precursor mesenquimal (mesênquima é um tecido embrionário originado do conjuntivo) ainda não conhecido. Os MTC tem diferenciação e proliferação independentes dos linfócitos T. • MM -> mastócitos das mucosas, se diferenciam a partir de um precursor da medula óssea sob influência da IL-3 (interleucina 3, atua na maturação e liberação de histamina) e se localizam geralmente na lâmina própria de mucosas (exsudam para locais de reação anafilática no período imediato ou tardio). Os MM são essencialmente dependentes de linfócitos T. Capítulo 5: Inflamação MTC – mastócito de tecido conjuntivo
  • 18.
    Patologia Geral • Ambospossuem receptores Fce de alta afinidade (imunoglobulinas – anticorpos). • Possuem também receptores para C3a, C5a (fragmentos de proteína derivados da clivagem de C5 pelo sistema complemento). • Receptores β-adrenérgicos (receptor adrenérgico predominante nos músculos lisos que causam o relaxamento visceral). • Receptores colinérgicos (proteína integral de membrana que gera uma resposta a partir de uma mólecula de acetilcolina). • Receptores H1 e H2 para histamina (amina biogênica vasodilatadora envolvida em processos bioquímicos de respostas imunológicas). Capítulo 5: Inflamação
  • 19.
    Patologia Geral • Osreceptores β-adrenérgicos e os H2 são antagonistas da desgranulação, e os receptores colinérgicos e os α- drenérgicos são agonistas da desgranulação. • Os mastócitos armazenam em seus grânulos (histamina, heparina, algumas proteases e outros produtos. • A desgranulação se faz por diferentes estímulos: Calor, trauma mecânico, frio, reação de antígenos, etc... Capítulo 5: Inflamação Grânulos Os grânulos liberando os mediadores químicos no interstício
  • 20.
    Patologia Geral • Ahistamina liberada produz vasodilatação arteriolar, ↑ a permeabilidade vascular e possibilita a passagem de proteínas do plasma para o interstício, especialmente o fibrinogênio. • Os mastócitos também sintetizam e liberam prostaglandinas, leucotrienos, IL-4, IL-5, IL-3 e quimiocinas, especialmente eotaxina (subfamília das quimiocinas eosinofílicas responsáveis por ações contra parasitas multicelulares e infecções em geral) Capítulo 5: Inflamação
  • 21.
    Patologia Geral • Basófilos:são células circulantes que se originam de precursores da medulla óssea. • Seu número no sangue é pequeno (0,1 – 1% dos leucócitos; 50 a 80/mm³). • Tem núcleo lobulado e numerosos grânulos eletrodensos no citoplasma. • Possuem receptores de membrana para Fc (porção das imunoglobulinas) de anticorpos IgE (imunoglobulina E). Capítulo 5: Inflamação Basófilos
  • 22.
    Patologia Geral • Plaquetas:importantes fontes de mediadores da inflamação, os quais ficam armazenados em seus grânulos. • Sintetizam TXA₂ , lipoxinas e macrófagos. Capítulo 5: Inflamação
  • 23.
    Patologia Geral • Terminaçõesnervosas: armazenam peptídeos conhecidos como taquicininas (a mais conhecida é a substância P). • A substância P age em diferentes receptores celulares produzindo contração da musculatura lisa intestinal e brônquica, vasodilatação arteriolar, aumento da permeabilidade vascular (provavelmente por indução da liberação de histamina) e efeito quimiotático sobre células polimorfonucleares e macrófagos. Capítulo 5: Inflamação
  • 24.
    Patologia Geral • Endotélio:As células endoteliais produzem substâncias diversas que atuam na coagulação, aderência de leucócitos e vasomotricidade. • Já foi descrito mais detalhadamente no capítulo anterior. Capítulo 5: Inflamação
  • 25.
    Patologia Geral • Sistemacomplemento: é um conjunto de proteínas (pró- enzimas) que se ativam em cascata, e formam sobre a célula onde o sistema foi ativado um complexo macronuclear anfipático (molécula que tem regiões hidrofóbicas e hidrofílicas), que se aprofunda na membrana, criando um poro hidrofílico através do qual a célula perde elétrons e morre. Capítulo 5: Inflamação Opsonização:processo que facilita a ação do sistema imunológico em fixar opsoninas ou fragmentos do complemento na superfície bacteriana, permitindo a fagocitose
  • 26.
    Patologia Geral • Osistema complemento pode ser ativado de três formas: • A) via clássica, ativada por complexos Ag-Ac (antígeno-anticorpo); • B) via alternativa, desencadeada pela ativação do C3 convertase (única proteína do complemento capaz de se quebrada sem a ação de uma enzima) pois ela sofre hidrólise convertendo-se em C3a e C3b na superfície do patógeno; • C) via das lectinas, incia-se pela ligação da lectina MBP (Manose Binding Protein)- proteína de origem não-imunológica, que aglutina hemácias graças à sua propriedade de se ligar reversivelmente a carboidratos) a resíduos de manose existentes na superfície de microorganismos. Capítulo 5: Inflamação
  • 27.
    Patologia Geral • Mediadoreslipídicos: os lipídeos das membranas são fonte de mediadores extracelulares ou de mensageiros intracelulares gerados por ativação de receptores de membrana. • Os derivados do ácido fosfatídico e a esfingomielina são a principais fontes desses mediadores. • A fosfolipase hidrolisa fosfolipídeos, liberando ácidos graxos e radicais ligados ao fosfato. • A esfingomielinase age sobre a esfingomielina clivando-a em ceramida e fosforilcolina. Capítulo 5: Inflamação
  • 28.
    Patologia Geral • Pora ação das cicloxigenases (COX) do citosol, o ácido aracdônico libera prostaglandinas (PG), que agem em receptores de várias células, produzindo uma vasta gama de efeitos biológicos. Capítulo 5: Inflamação
  • 29.
    Patologia Geral • Aslipoxigenases (LO-5, LO-12 e LO-15) agem sobre o ácido aracdônico e produzem os leucotrienos, que são poderosos quiomiotáticos, aumentando a permeabilidade vascular, causando vasodilatação e contraem a musculatura lisa do intestino e brônquios. • As lipoxinas LX – Lipoxygenase interaction products, são derivadas do ácido aracdônico. Capítulo 5: Inflamação
  • 30.
    Patologia Geral • Fenômenosvasculares: • As principais modificações são: • 1) – vasodilatação arteriolar, produzida na maioria das vezes por ação da histamina e do reflexo axônico (ação da substância P das terminações nervosas e da histamina). Ocorre o aumento do fluxo sanguíneo para a área agredida, hyperemia ativa. • 2) – As vênulas menores se dilatam, mas as maiores sofrem uma pequena constrição, aumento da pressão hidrostática na microcirculação. Capítulo 5: Inflamação
  • 31.
    Patologia Geral • Fenômenosexudativos: são resultantes da saída dos elementos do sangue (plasma e células) do leito vascular para o interstício (Latin – exudare – passer através de). • Em geral a exudação plasmática precede e exudação cellular. • A exudação de leucócitos é o elemento morfológico mais característico das inflamações. Capítulo 5: Inflamação
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    Patologia Geral • Exudaçãoplasmática: começa nas fases iniciais da hiperemia e continua durante o processo inflamatório. • O exudato pode ser rico ou pobre em proteínas, e sua quantidade é variável. Capítulo 5: Inflamação
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    Patologia Geral • Exudaçãocellular: o primeiro evento é a marginalização leucocitária, onde os leucócitos migram do centro da coluna sanguínea passando a ocupar a periferia do vaso. Capítulo 5: Inflamação
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    Patologia Geral • Agentesquimiotáticos: são liberados no interstício e se difundem criando um gradient que diminui em direção ao vaso. • Os leucócitos saem do vaso e se dirigem ao centro do processo inflamatório quiados por agentes quimiotáticos. • As substâncias quimiotáticas podem ser exógenas (trazidas pelo agente inflamatório) ou endógenas, produto da ativação do Sistema complemento. Capítulo 5: Inflamação
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    •REFERÊNCIAS BOGLIOLO, L.; BRASILEIROFILHO, G. Patologia. 7ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. GOLJAN, E. F. Resumo de Patologia. São Paulo: Roca, 2002. MONTENEGRO, M. R. (ed.); FRANCO, M. (ed.). Patologia: Processos Gerais. 4.ed São Paulo: Atheneu, 2004. 320 p. KUMAR, V. et al. Robbins patologia básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 1028 p. ROBBINS, S. L.; KUMAR, V. (ed.); ABBAS, A.K. (ed.); FAUSTO, N. (ed.). Patologia: Bases Patológicas das doenças. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. ROBBINS, S. L.; COTRAN R.S.; KUMAR, V. Patologia Estrutural e Funcional. 6ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. STEVENS, A.; LOWE J. Patologia. 2ª ed. Barueri: Manole, 2002.