Pesquisa Qualitativa:  algumas modalidades Profas. Dras. Sonia Ignácio e  Lucila Pesce PUC-SP
Pesquisa Participante Há o compromisso político dos cientistas com grupos populares.  Pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um mesmo trabalho comum, ainda que com situações e tarefas diferentes.  Pretende ser um instrumento a mais de reconquista popular; um instrumento de reforço do poder popular.  Está ligada à concepção de Paulo Freire de Educação Popular (BRANDÃO, 1982, p. 9-16).
Pesquisa-ação Concepção de ciência como prática social do conhecimento (SOUZA SANTOS, 1989); início na 1a. Metade do séc. XX como modalidade da Pesquisa Participante. Palavras-chave:  convivência e participação (BRANDÃO, 1982). O termo Pesquisa-ação designa processos investigativos que se movem numa permanente espiral de ação-reflexão em projetos de mudança social comunitária (COSTA, 2002, p. 96).
Pesquisa Etnográfica Abordagem tradicionalmente usada por antropólogos para estudar a cultura de um grupo social (Etnografia: “descrição cultural”). Na Educação, a preocupação central é a “descrição do processo educativo” (adaptação: estudos “do tipo etnográfico”). Princípio básico: relativização (para o que se faz necessário o estranhamento e a observação participante); vestir a capa do etnólogo significa realizar uma dupla tarefa: transformar o exótico em familiar e/ou o familiar em exótico (MATTA, 1978  apud  ANDRÉ, 2005, p. 26).
Pesquisa Bibliográfica Atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita – em geral, textos impressos –, para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema(ALMEIDA JÚNIOR, 1989, p. 97-118); A Pesquisa Teórico-Bibliográfica tem as seguintes fases: identificação de fontes seguras, localização dessas fontes e compilação das informações (documentação); É componente obrigatório de qualquer tipo de pesquisa científica.
Pesquisa Histórica Concepção Positivista:  história dos fatos, acontecimentos, feitos dos heróis. Predominância da história política, neutra, de causas e conseqüências. Materialismo-Histórico:  critica essa concepção e levanta a questão da construção social do conhecimento e da história. O historiador, ao produzir conhecimento histórico sobre qualquer tempo, estará se posicionando a partir de seu presente, de suas experiências. Abandona-se, assim, a idéia de que o passado pode ser reconstruído tal como aconteceu. Walter Benjamin: o campo da história é um campo de possibilidades que vai ser trabalhado com “os agoras” a serem investigados (FENELON, 1999, p. 117-136).
Estudo de caso Conceito :  Consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico (MERRIAM, 1988  apud  BOGDAN & BIKLEN, 1999, p. 89). O estudo de caso sempre envolve uma  “instância em ação”. Tipos de estudos de caso  (STAKE, 1995  apud  ANDRÉ, 2005, p. 19-22):  Estudo de caso intrínseco:  quando o pesquisador tem interesse intrínseco naquele caso particular (Ex.: investigar a prática bem sucedida de uma educadora).
Tipos de estudos de caso (cont.) Estudo de caso instrumental:  por ex. quando se quer investigar como se deu a apropriação de uma Reforma Educacional no cotidiano escolar. Pega-se, como “caso”, uma escola, não como foco em si, mas como referência para se detectar o fenômeno em estudo. Segundo Stenhouse (1988,  apud  ANDRÉ, 2005) reúne os estudos de caso em  4 grupos:  etnográfico , quando há preocupação com a teoria social (1 único caso, estudado em profundidade pela observação participante e em tempo mais extenso);  avaliativo  (1 caso ou mais estudados em profundidade para fornecer informações a quem toma decisões;  educacional , quando a preocupação é com a compreensão da ação educativa;  estudo de caso-ação , quando se busca informação para guiar a revisão ou aperfeiçoamento da ação.
Estudo de caso: instrumentos de coleta de informações Observação participante Entrevista aberta ou semi- estruturada Análise documental
Referências Bibliográficas ALMEIDA JÚNIOR, João Baptista de. O estudo como forma de pesquisa. IN: Carvalho, Maria Cecília M. de.  Metodologia científica, fundamentos e técnicas : construindo o saber. 12. ed. Campinas, SP: Papirus, 1989, p. 97-118. ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de.  Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional . Brasília: Liber Livro, 2005. BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari.  Investigação qualitativa em educação : uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto, 1999. BRANDÃO, Carlos Rodrigues (org.).  Pesquisa participante . 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.
Referências Bibliográficas (cont.) COSTA, Marisa Vorraber. Pesquisa-ação, pesquisa participativa e política cultural da identidade. IN:  Caminhos investigativos II  – Outros modos de pensar e fazer pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 93-117.  FENELON, Dea. Pesquisa em História: perspectivas e abordagens. IN: FAZENDA, Ivani (org.).  Metodologia da pesquisa educacional . 5. ed. São Paulo: Cortez, 1999, p. 117-136. SOUZA SANTOS, Boaventura de.  Introdução a uma ciência pós-moderna . Rio de Janeiro: Graal, 1989.

Modalidades da pesquisa qualitativa

  • 1.
    Pesquisa Qualitativa: algumas modalidades Profas. Dras. Sonia Ignácio e Lucila Pesce PUC-SP
  • 2.
    Pesquisa Participante Háo compromisso político dos cientistas com grupos populares. Pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um mesmo trabalho comum, ainda que com situações e tarefas diferentes. Pretende ser um instrumento a mais de reconquista popular; um instrumento de reforço do poder popular. Está ligada à concepção de Paulo Freire de Educação Popular (BRANDÃO, 1982, p. 9-16).
  • 3.
    Pesquisa-ação Concepção deciência como prática social do conhecimento (SOUZA SANTOS, 1989); início na 1a. Metade do séc. XX como modalidade da Pesquisa Participante. Palavras-chave: convivência e participação (BRANDÃO, 1982). O termo Pesquisa-ação designa processos investigativos que se movem numa permanente espiral de ação-reflexão em projetos de mudança social comunitária (COSTA, 2002, p. 96).
  • 4.
    Pesquisa Etnográfica Abordagemtradicionalmente usada por antropólogos para estudar a cultura de um grupo social (Etnografia: “descrição cultural”). Na Educação, a preocupação central é a “descrição do processo educativo” (adaptação: estudos “do tipo etnográfico”). Princípio básico: relativização (para o que se faz necessário o estranhamento e a observação participante); vestir a capa do etnólogo significa realizar uma dupla tarefa: transformar o exótico em familiar e/ou o familiar em exótico (MATTA, 1978 apud ANDRÉ, 2005, p. 26).
  • 5.
    Pesquisa Bibliográfica Atividadede localização e consulta de fontes diversas de informação escrita – em geral, textos impressos –, para coletar dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema(ALMEIDA JÚNIOR, 1989, p. 97-118); A Pesquisa Teórico-Bibliográfica tem as seguintes fases: identificação de fontes seguras, localização dessas fontes e compilação das informações (documentação); É componente obrigatório de qualquer tipo de pesquisa científica.
  • 6.
    Pesquisa Histórica ConcepçãoPositivista: história dos fatos, acontecimentos, feitos dos heróis. Predominância da história política, neutra, de causas e conseqüências. Materialismo-Histórico: critica essa concepção e levanta a questão da construção social do conhecimento e da história. O historiador, ao produzir conhecimento histórico sobre qualquer tempo, estará se posicionando a partir de seu presente, de suas experiências. Abandona-se, assim, a idéia de que o passado pode ser reconstruído tal como aconteceu. Walter Benjamin: o campo da história é um campo de possibilidades que vai ser trabalhado com “os agoras” a serem investigados (FENELON, 1999, p. 117-136).
  • 7.
    Estudo de casoConceito : Consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico (MERRIAM, 1988 apud BOGDAN & BIKLEN, 1999, p. 89). O estudo de caso sempre envolve uma “instância em ação”. Tipos de estudos de caso (STAKE, 1995 apud ANDRÉ, 2005, p. 19-22): Estudo de caso intrínseco: quando o pesquisador tem interesse intrínseco naquele caso particular (Ex.: investigar a prática bem sucedida de uma educadora).
  • 8.
    Tipos de estudosde caso (cont.) Estudo de caso instrumental: por ex. quando se quer investigar como se deu a apropriação de uma Reforma Educacional no cotidiano escolar. Pega-se, como “caso”, uma escola, não como foco em si, mas como referência para se detectar o fenômeno em estudo. Segundo Stenhouse (1988, apud ANDRÉ, 2005) reúne os estudos de caso em 4 grupos: etnográfico , quando há preocupação com a teoria social (1 único caso, estudado em profundidade pela observação participante e em tempo mais extenso); avaliativo (1 caso ou mais estudados em profundidade para fornecer informações a quem toma decisões; educacional , quando a preocupação é com a compreensão da ação educativa; estudo de caso-ação , quando se busca informação para guiar a revisão ou aperfeiçoamento da ação.
  • 9.
    Estudo de caso:instrumentos de coleta de informações Observação participante Entrevista aberta ou semi- estruturada Análise documental
  • 10.
    Referências Bibliográficas ALMEIDAJÚNIOR, João Baptista de. O estudo como forma de pesquisa. IN: Carvalho, Maria Cecília M. de. Metodologia científica, fundamentos e técnicas : construindo o saber. 12. ed. Campinas, SP: Papirus, 1989, p. 97-118. ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional . Brasília: Liber Livro, 2005. BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação : uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto, 1999. BRANDÃO, Carlos Rodrigues (org.). Pesquisa participante . 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.
  • 11.
    Referências Bibliográficas (cont.)COSTA, Marisa Vorraber. Pesquisa-ação, pesquisa participativa e política cultural da identidade. IN: Caminhos investigativos II – Outros modos de pensar e fazer pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 93-117. FENELON, Dea. Pesquisa em História: perspectivas e abordagens. IN: FAZENDA, Ivani (org.). Metodologia da pesquisa educacional . 5. ed. São Paulo: Cortez, 1999, p. 117-136. SOUZA SANTOS, Boaventura de. Introdução a uma ciência pós-moderna . Rio de Janeiro: Graal, 1989.