INTRODUÇÃO
AOS DIÁLOGOS
PLATÔNICOS
Me. VICTOR HUGO
VIDA E OBRA
Platão nasceu em Atenas
em 428-7 a.C. e morreu
em 348-7 a.C.
Platão nasceu em Atenas
em 428-7 a.C. e morreu
em 348-7 a.C.
• A vida de Platão transcorreu, portanto, entre
a fase áurea da democracia ateniense e o
final do período helênico.
• Seu nome verdadeiro era Arístocles, mas
recebeu o apelido de Platão, que em grego
significa de ombros largos.
• Filho de Ariston e de Perictione, Platão
pertencia a tradicionais famílias de Atenas e
estava ligado, sobretudo pelo lado materno, a
figuras eminentes do mundo político.
• Sua mãe descendia de Sólon, o grande
legislador, e era irmã de Cármides e prima de
Crítias, dois dos Trinta Tiranos que
dominaram a cidade durante algum tempo.
• Como todo aristocrata de sua época, recebeu
educação especial, estudou leitura e escrita,
música, pintura e poesia e ginástica. Era
excelente atleta, participou dos jogos
olímpicos como lutador.
• Se Platão em geral manifesta desapreço pelos
políticos de seu tempo, ele o faz como alguém
que viveu nos bastidores das encenações
políticas desde a infância.
• O grande acontecimento da mocidade de
Platão foi o encontro com Sócrates.
• Platão, que seguira os debates de Sócrates,
pôde acompanhar de perto o tratamento que
seu mestre recebera de ambas as facções
políticas.
• Diante da injustiça sofrida por Sócrates,
aprofunda-se o desencanto de Platão com
aquela política e com aquela democracia.
• Com Sócrates, também, o jovem Platão
pudera sentir a necessidade de fundamentar
qualquer atividade em conceitos claros e
seguros.
• Por intermédio de Sócrates e de sua
incessante ação como perquiridor de
consciências e de crítico de idéias vagas ou
preconcebidas, o primado da política torna-
se, para Platão, o primado da verdade, da
ciência.
• Se o interesse de Platão foi inicialmente
dirigido para a política, através da influência
de Sócrates ele reconhece que o importante
não era fazer política, qualquer política, mas
a política.
• Depois da morte de Sócrates, disperso o
núcleo que se congregara em torno do
mestre, Platão viaja.
• Megara: onde Euclides, que também
pertencera ao grupo socrático, fundara uma
escola filosófica, vinculando socratismo e
eleatismo.
• Sul da Itália (Magna Grécia): onde convive
com Arquitas de Tarento, um famoso
matemático e político pitagórico que dá-lhe
um exemplo vivo de sábio governante.
• Na Sicília, em Siracusa, conquista a amizade e
a inteira confiança de Dion, cunhado do tirano
Dionísio.
• Egito: quase nada se sabe com segurança.
• Nessa época Platão compõe seus primeiros
Diálogos, geralmente chamados "diálogos
socráticos", pois têm em Sócrates a
personagem central.
DIÁLOGOS SOCRÁTICOS
• Apologia de Sócrates
• Críton
• Laques
• Lísis
• Cármides
• Eutífron
• Hípias Menor (talvez também o Hípias Maior)
• Protágoras
• Górgias
• πολογία ΣωκράτουςἈ : é a versão
de Platão de um discurso dado
por Sócrates em cerca de 399 a.C.
• Κρίτων: é um diálogo entre Sócrates e seu
amigo rico Críton em matéria de justiça (δικη),
injustiça (αδικια), e a resposta apropriada a
injustiça.
• Λάχης: é um diálogo socrático que apresenta
definições concorrentes sobre o conceito
de coragem.
• Λυσις é um diálogo platônico que ocupa-se
com o conceito de phylia (amizade, amor).
• Χαρµιδες é um diálogo platônico que
ocupa-se com o tema da ética, mediante
discussão do conceito de σωφροσύνη, isto
é, sofrósina.
• Ε θύφρωνὐ : é um dos
primeiros diálogos de Platão datado por volta
de 399 a.C. que apresenta Sócrates e Eutifro
tentando estabelecer uma definição para
piedade.
• Hípias menor é um diálogo platônico que
ocupa-se com a ação correta.
• Protágoras é um diálogo platônico que ocupa-
se com a natureza da virtude, discutindo,
basicamente, se a virtude é ou não ensinável.
• Górgias: Este dialogo tem como tema
principal a Retórica, qual a sua função e como
esta deve ser utilizada.
• Em geral, os "diálogos socráticos"
desenvolvem discussões sobre ética,
procurando definir determinada virtude.
• Mas são diálogos aporéticos, ou seja, fazem o
levantamento de diferentes modos de se
conceituar aquelas virtudes, denunciam a
fragilidade dessas conceituações, mas deixam
a questão aberta, inconclusa.
• Isso possivelmente estaria relacionado ao
objetivo do próprio Sócrates, que se
preocupava antes com o desencadeamento
do conhecimento de si mesmo e não
propriamente com definições de conceitos.
• Os outros diálogos dessa fase manifestam
duas preocupações que permanecerão
constantes na obra platônica: o problema
político (como no Cármides) e o do papel que
a retórica pode desempenhar na ética e na
educação (Górgias, Protágoras, os dois
Hípias).
• Cerca de 387 a.C. Platão funda em Atenas a
Academia, sua própria escola de investigação
científica e filosófica.
• Platão torna-se o primeiro dirigente de uma
instituição permanente, voltada para a
pesquisa original e não um corpo de
doutrinas a serem simplesmente
resguardadas e transmitidas.
• Nessa mesma época, em Atenas, Isócrates
dirige um outro estabelecimento de educação
superior.
• Mas Isócrates — seguindo a linha dos sofistas
— pretende educar o aspirante à vida pública,
dotando-o de recursos retóricos.
• Para Platão a política não se limita à prática,
insegura e circunstancial.
• Deve pressupor a investigação sistemática dos
fundamentos da conduta humana — como
Sócrates ensinara.
• Depois de suas viagens, quando freqüentou
centros pitagóricos de pesquisa científica,
Platão via na matemática a promessa de um
caminho que ultrapassaria as aporias
socráticas — as perguntas que Sócrates fazia,
mas afinal deixava sem resposta — e
conduziria à certeza.
• A educação deveria, em última instância,
basear-se numa episteme (ciência) e
ultrapassar o plano instável da opinião (doxa).
• E a política poderia deixar de ser o jogo
fortuito de ações motivadas por interesses
nem sempre claros e freqüentemente pouco
dignos, para se transformar numa ação
iluminada pela verdade e um gesto criador de
harmonia, justiça e beleza.
• Sob forte influência do pitagorismo, escreve
os "diálogos de transição", que justamente
marcam o progressivo desligamento das
posições originariamente socráticas e a
formulação de uma filosofia própria, a partir
da nova solução para o problema do
conhecimento, representada pela doutrina
das idéias.
DIÁLOGOS DE TRANSIÇÃO
• Ménon,
• Fédon,
• Banquete,
• República,
• Fedro
• Eutidemo
• Menexeno
• Crátilo
• Mênon:investiga a natureza
do conhecimento, argumentando que
a mente, ou a alma, tem atravessado muitas
existências, tanto dentro como fora dos
corpos. O conhecimento consiste em lembrar-
se destas experiências anteriores.
• Φαίδων: seu tema é sobre a imortalidade da
alma.
• Συμπόσιον (Banquete): Constitui-se
basicamente de uma série de discursos sobre
a natureza e as qualidades do amor (eros).
• Πολιτεία (República): é um diálogo socrático
narrado em primeira pessoa por Sócrates e o
tema central da obra é a justiça.
• Φα δροςῖ : Embora ostensivamente sobre o
tema do amor, a discussão no diálogo gira em
torno da arte da retórica e como deve ser
praticada, e apoia-se sobre temas tão diversos
quanto a metempsicose e o amor erótico.
• νάμνησιςἀ (Eutidemo): é um diálogo
de Platão que satiriza o que Platão apresenta
como falácias lógicas dos sofistas e
manipulação dos discurso.
• Menexêno é um diálogo platônico que ocupa-
se com a morte no campo de batalha.
• Κρατύλος: este texto tornou-se numa das
primeiras obras filosóficas do período clássico
grego a tratar de matérias como
a etimologia e a linguística.
• Mas um fato interrompe a produção filosófica
de Platão e seu magistério na Academia.
• Novamente o apelo de Siracusa e da prática
política: em 367 a.C. morre Dionísio I, o tirano,
que é então sucedido por Dionísio II.
• Dion chama Platão a Siracusa.
DIÁLOGOS DA MATURIDADE
• Essa segunda tentativa política malograda
deve ter interrompido a composição da série
de diálogos constituída pelo Parmênides,
Teeteto, Sofista e Político.
• Παρμενίδης: No diálogo é apresentado
eminentemente questões referentes à tese
das formas inteligíveis, à ontologia platônica e
ao Um (ou "Uno").
• Θεαίτητος: é um diálogo platônico sobre a
natureza do conhecimento.
• Σοφιστής: é um diálogo platônico que ocupa-
se com os conceitos de sofista, homem
político e filósofo.
• Πολιτικός: é um diálogo platônico que ocupa-
se, como o nome indica, com o perfil do
homem político.
• Diálogos da plena maturidade intelectual de
Platão, neles as primeiras formulações da
"doutrina das idéias" (como, por exemplo,
apareciam no Fédon) começam a ser revistas
e todo o pensamento platônico reestrutura-
se a partir de bases epistemológicas mais
exigentes e seguras.
• Ao mesmo tempo, as fronteiras entre o
pensamento do próprio Platão e do seu
mestre tornam-se mais nítidas, de tal modo
que, no Parmênides, em lugar de Sócrates
conduzir e dominar a discussão ele aparece
jovem e inseguro.
• Através da Carta VII sabe-se que Platão volta
uma vez mais a Siracusa, pressionado por
Dion e por Arquitas e a convite de Dionísio II,
que se declara disposto a seguir sua
orientação filosófica.
• Essa nova incursão de Platão a Siracusa foi
decepcionante.
• Perdido o amigo, encerrada a aventura
política de Siracusa, restam a Platão os
debates da Academia e a elaboração de sua
obra escrita. Resta-lhe o principal: o seu
mundo de idéias.
• Manifestando uma vida espiritual inquieta,
em reelaboração permanente, as últimas
obras de Platão levantam novos problemas ou
reexaminam os antigos sob outros ângulos.
ÚLTIMOS DIÁLOGOS
• Timeu
• Crítias
• Filebo
• Leis
• Τίμαιος: O trabalho apresenta a especulação
sobre a natureza do mundo físico e os seres
humanos.
• Κριτίας: é um dos últimos diálogos de
Platão. O caráter inconclusivo de seu
conteúdo descreve a guerra entre
a Atenas pré-helênica e Atlântida, hipotético
império ocidental e ilha misteriosa descrito
por Crítias.
• Φίληβος: é um diálogo platônico que ocupa-se
com a dialética e ontologia.
• Leis: é um diálogo platônico que ocupa-se com
uma vasta gama de assuntos. A discussão
das Leis, a fim de compreender a conduta do
cidadão e da promulgação de leis, perpassa por
elementos da psicologia, gnosiologia, ética,
política, ontologia e mesmo astronomia e
matemática. É o último diálogo de Platão e o
mais extenso.
• 428-427 a.C. — Nasce Platão em Atenas.
• 399 a.C. — Julgado pela Assembléia popular de Atenas,
Sócrates é condenado a morrer bebendo cicuta.
• 388 a.C. (aproximadamente) — Platão viaja: Magna
Grécia (sul da Itália, Sicília); em Siracusa, conhece Dion,
cunhado do tirano Dionísio I; convive com Euclides em
Megara; vai a drene (onde toma ciência das pesquisas
matemáticas de Teodoro) e visita o Egito.
• 387 a.C. — Platão funda, em Atenas, a Academia.
• 367 a.C. — Morre Dionísio I, de Siracusa, sendo
sucedido por seu filho Dionísio II. Segunda viagem de
Platão a Siracusa.
• 361 a.C. — Terceira viagem a Siracusa.
• 348-347 a.C. — Platão morre em Atenas.
CORPUS PLATONICUM
• Tradicionalmente, a obra de Platão costuma
ser organizada em nove grupos de quatro
diálogos (tetralogia) cada um.
• Esta forma de organizar o corpus aparece já
consolidada no texto de Diógenes Laércio é
atribuída a Trasilo de Mendes.
• (1) Eutifron ou Sobre a
piedade (peirástico);
• Apologia de Sócrates
(ético);
• Críton ou Sobre o dever
(ético);
• Fédon ou Sobre a alma
(ético);
• (2) Crátilo ou Sobre a
correcçao das palavras
(lógico);
• Teeteto ou Sobre o
conhecimento
(peirástico);
• Sofista ou Sobre o ser
(lógico);
• Político ou Sobre a
realeza (lógico);
• (3) Parménides ou Sobre
as Ideias (lógico);
• Filebo ou Sobre o prazer
(ético);
• Banquete ou Sobre o
Bem (ético);
• Fedro ou Sobre o Amor
(ético);
• (4) Alcibíades ou Sobre
a natureza do Homem
(maiêutico) (*);
• Alcibíades II ou Sobre a
prece (maiêutico) (**);
• Hiparco ou Sobre a
ganância (ético) (**);
• Amantes ou Sobre a
filosofia (ético) (**);
• (5) Teages ou Sobre a
filosofia (ético) (**);
• Cármides ou Sobre a
moderaçao (peirástico);
• Laques ou Sobre a
coragem (maiêutico);
• Lísis ou Sobre a amizade
(maiêutico);
• (6) Eutidemo ou Erístico
(refutativo);
• Protágoras ou Sofistas
(probatório);
• Górgias ou Sobre a
retórica (refutativo);
• Ménon ou Sobre a
virtude (peirástico);
• (7) Hípias Maior ou
Sobre o Belo (refutativo)
(*);
• Hípias Menor ou Sobre
o erro (refutativo);
• Íon ou Sobre a Ilíada
(peirástico);
• Menéxeno ou Epitáfio
(ético);
• (8) Clitofonte ou
Protréptico (ético) (*);
• República ou Sobre o
Justo (político);
• Timeu ou Sobre a
Natureza (físico);
• Crítias ou Atlântico
(ético);
• Minos ou Sobre a lei
(político) (**);
• Leis ou Sobre a
legislaçao (político);
• Epínomis ou Assembleia
nocturna ou Filósofo
(político) (**);
• Cartas (éticas) (*);
• (*)= duvidosos
• (**) = apócrifos
• O total de 36 diálogos é: 9x4=36.
• Para um pitagórico, o número ‘9’ era perfeito
por representar o quadrado de ‘3’, o primeiro
número ímpar.
• O número ‘4’ representaria a tetraktys (raiz
perfeita de todas as coisas), soma dos
primeiros quatro números inteiros; isto é,
1+2+3+4=10.
Φαίδων
• O diálogo é contado a partir da perspectiva de
um dos alunos de Sócrates, Fédon de Elis.
• Tendo estado presente no leito de morte de
Sócrates, Fédon relata o diálogo desde aquele
dia para Equécrates, um filósofo de Pitágoras.
• Na obra, Equécrates ao encontrar Fédon
pergunta a este quais foram as últimas
palavras e ensinamentos do mestre Sócrates
antes de morrer
• Sócrates fala sobre a morte, a idea , o destino
da alma , dentre outros assuntos.
• Sócrates foi preso e condenado à morte por
um júri ateniense por não acreditar nos
deuses do Estado e de supostamente
corromper a juventude da cidade.
• O mais importante, antes de iniciar a leitura
do diálogo, é que este é um diálogo que não
pertence à "fase socrática" de Platão.
• Assim, ele estaria somente usando a imagem
do mestre para "divulgar" seu próprio
projecto filosófico.
• Platão recebeu uma influência muito forte da
religião Órfica, que cria na alma e
reencarnação.
• O diálogo Fédon é uma máxima desta
influência, onde Platão faz o primeiro
postulado acerca da alma.
• Por volta dos seus quarenta anos, após
regressar a Atenas da sua viagem
à Sicília (Carta VII, 324a), funda a Academia e
escreve o Fédon, o Banquete, A República e
o Fedro, aproximadamente por esta ordem.
• Isto acontece por volta do ano 387 a.C.
BIBLIOGRAFIA
• PESSANHA, J. A. M. Vida e Obra. In: Platão. Diálogos /
Platão ; seleção de textos de José Américo Motta
Pessanha ; tradução e notas de José Cavalcante de
Souza, Jorge Paleikat e João Cruz Costa. — 5. ed. —
São Paulo : Nova Cultural, 1991. — (Os pensadores)
• LOPES, R. A organização tetralógica do corpus
platonicum (3.56-62): uma revisão do problema. In:
LEÃO, D.; et. al. Dos Homens e suas ideias. Estudos
sobre as vidas de Diógenes Laércio. Coimbra: Imprensa
da Universidade de Coimbra, 2016.
• ROSS, D. The Order of the Dialogues. In: Plato`s
Theory of Ideas. Oxford: Clarendon Press, 1966.
• SANTOS, J. T. Platão e a escolha do diálogo como
meio de criação filosófica. Humanitas, v.XLVI,
1994, 163-176p.
• CABRAL, João Francisco Pereira. "O Diálogo como
forma escrita e a Dialética em Platão"; Brasil
Escola. Disponível em
http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/o-dialogo-com
. Acesso em 04 de fevereiro de 2016.

Introdução aos diálogos

  • 1.
  • 2.
  • 4.
    Platão nasceu emAtenas em 428-7 a.C. e morreu em 348-7 a.C. Platão nasceu em Atenas em 428-7 a.C. e morreu em 348-7 a.C.
  • 5.
    • A vidade Platão transcorreu, portanto, entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico.
  • 6.
    • Seu nomeverdadeiro era Arístocles, mas recebeu o apelido de Platão, que em grego significa de ombros largos.
  • 7.
    • Filho deAriston e de Perictione, Platão pertencia a tradicionais famílias de Atenas e estava ligado, sobretudo pelo lado materno, a figuras eminentes do mundo político.
  • 8.
    • Sua mãedescendia de Sólon, o grande legislador, e era irmã de Cármides e prima de Crítias, dois dos Trinta Tiranos que dominaram a cidade durante algum tempo.
  • 9.
    • Como todoaristocrata de sua época, recebeu educação especial, estudou leitura e escrita, música, pintura e poesia e ginástica. Era excelente atleta, participou dos jogos olímpicos como lutador.
  • 10.
    • Se Platãoem geral manifesta desapreço pelos políticos de seu tempo, ele o faz como alguém que viveu nos bastidores das encenações políticas desde a infância.
  • 11.
    • O grandeacontecimento da mocidade de Platão foi o encontro com Sócrates. • Platão, que seguira os debates de Sócrates, pôde acompanhar de perto o tratamento que seu mestre recebera de ambas as facções políticas.
  • 12.
    • Diante dainjustiça sofrida por Sócrates, aprofunda-se o desencanto de Platão com aquela política e com aquela democracia. • Com Sócrates, também, o jovem Platão pudera sentir a necessidade de fundamentar qualquer atividade em conceitos claros e seguros.
  • 13.
    • Por intermédiode Sócrates e de sua incessante ação como perquiridor de consciências e de crítico de idéias vagas ou preconcebidas, o primado da política torna- se, para Platão, o primado da verdade, da ciência.
  • 14.
    • Se ointeresse de Platão foi inicialmente dirigido para a política, através da influência de Sócrates ele reconhece que o importante não era fazer política, qualquer política, mas a política.
  • 15.
    • Depois damorte de Sócrates, disperso o núcleo que se congregara em torno do mestre, Platão viaja.
  • 16.
    • Megara: ondeEuclides, que também pertencera ao grupo socrático, fundara uma escola filosófica, vinculando socratismo e eleatismo.
  • 17.
    • Sul daItália (Magna Grécia): onde convive com Arquitas de Tarento, um famoso matemático e político pitagórico que dá-lhe um exemplo vivo de sábio governante.
  • 18.
    • Na Sicília,em Siracusa, conquista a amizade e a inteira confiança de Dion, cunhado do tirano Dionísio.
  • 19.
    • Egito: quasenada se sabe com segurança.
  • 20.
    • Nessa épocaPlatão compõe seus primeiros Diálogos, geralmente chamados "diálogos socráticos", pois têm em Sócrates a personagem central.
  • 21.
    DIÁLOGOS SOCRÁTICOS • Apologiade Sócrates • Críton • Laques • Lísis • Cármides • Eutífron • Hípias Menor (talvez também o Hípias Maior) • Protágoras • Górgias
  • 22.
    • πολογία ΣωκράτουςἈ: é a versão de Platão de um discurso dado por Sócrates em cerca de 399 a.C. • Κρίτων: é um diálogo entre Sócrates e seu amigo rico Críton em matéria de justiça (δικη), injustiça (αδικια), e a resposta apropriada a injustiça.
  • 23.
    • Λάχης: éum diálogo socrático que apresenta definições concorrentes sobre o conceito de coragem. • Λυσις é um diálogo platônico que ocupa-se com o conceito de phylia (amizade, amor).
  • 24.
    • Χαρµιδες éum diálogo platônico que ocupa-se com o tema da ética, mediante discussão do conceito de σωφροσύνη, isto é, sofrósina. • Ε θύφρωνὐ : é um dos primeiros diálogos de Platão datado por volta de 399 a.C. que apresenta Sócrates e Eutifro tentando estabelecer uma definição para piedade.
  • 25.
    • Hípias menoré um diálogo platônico que ocupa-se com a ação correta. • Protágoras é um diálogo platônico que ocupa- se com a natureza da virtude, discutindo, basicamente, se a virtude é ou não ensinável.
  • 26.
    • Górgias: Estedialogo tem como tema principal a Retórica, qual a sua função e como esta deve ser utilizada.
  • 27.
    • Em geral,os "diálogos socráticos" desenvolvem discussões sobre ética, procurando definir determinada virtude. • Mas são diálogos aporéticos, ou seja, fazem o levantamento de diferentes modos de se conceituar aquelas virtudes, denunciam a fragilidade dessas conceituações, mas deixam a questão aberta, inconclusa.
  • 28.
    • Isso possivelmenteestaria relacionado ao objetivo do próprio Sócrates, que se preocupava antes com o desencadeamento do conhecimento de si mesmo e não propriamente com definições de conceitos.
  • 29.
    • Os outrosdiálogos dessa fase manifestam duas preocupações que permanecerão constantes na obra platônica: o problema político (como no Cármides) e o do papel que a retórica pode desempenhar na ética e na educação (Górgias, Protágoras, os dois Hípias).
  • 30.
    • Cerca de387 a.C. Platão funda em Atenas a Academia, sua própria escola de investigação científica e filosófica. • Platão torna-se o primeiro dirigente de uma instituição permanente, voltada para a pesquisa original e não um corpo de doutrinas a serem simplesmente resguardadas e transmitidas.
  • 31.
    • Nessa mesmaépoca, em Atenas, Isócrates dirige um outro estabelecimento de educação superior. • Mas Isócrates — seguindo a linha dos sofistas — pretende educar o aspirante à vida pública, dotando-o de recursos retóricos.
  • 32.
    • Para Platãoa política não se limita à prática, insegura e circunstancial. • Deve pressupor a investigação sistemática dos fundamentos da conduta humana — como Sócrates ensinara.
  • 33.
    • Depois desuas viagens, quando freqüentou centros pitagóricos de pesquisa científica, Platão via na matemática a promessa de um caminho que ultrapassaria as aporias socráticas — as perguntas que Sócrates fazia, mas afinal deixava sem resposta — e conduziria à certeza.
  • 34.
    • A educaçãodeveria, em última instância, basear-se numa episteme (ciência) e ultrapassar o plano instável da opinião (doxa).
  • 35.
    • E apolítica poderia deixar de ser o jogo fortuito de ações motivadas por interesses nem sempre claros e freqüentemente pouco dignos, para se transformar numa ação iluminada pela verdade e um gesto criador de harmonia, justiça e beleza.
  • 36.
    • Sob forteinfluência do pitagorismo, escreve os "diálogos de transição", que justamente marcam o progressivo desligamento das posições originariamente socráticas e a formulação de uma filosofia própria, a partir da nova solução para o problema do conhecimento, representada pela doutrina das idéias.
  • 37.
    DIÁLOGOS DE TRANSIÇÃO •Ménon, • Fédon, • Banquete, • República, • Fedro • Eutidemo • Menexeno • Crátilo
  • 38.
    • Mênon:investiga anatureza do conhecimento, argumentando que a mente, ou a alma, tem atravessado muitas existências, tanto dentro como fora dos corpos. O conhecimento consiste em lembrar- se destas experiências anteriores.
  • 39.
    • Φαίδων: seutema é sobre a imortalidade da alma. • Συμπόσιον (Banquete): Constitui-se basicamente de uma série de discursos sobre a natureza e as qualidades do amor (eros).
  • 40.
    • Πολιτεία (República):é um diálogo socrático narrado em primeira pessoa por Sócrates e o tema central da obra é a justiça. • Φα δροςῖ : Embora ostensivamente sobre o tema do amor, a discussão no diálogo gira em torno da arte da retórica e como deve ser praticada, e apoia-se sobre temas tão diversos quanto a metempsicose e o amor erótico.
  • 41.
    • νάμνησιςἀ (Eutidemo):é um diálogo de Platão que satiriza o que Platão apresenta como falácias lógicas dos sofistas e manipulação dos discurso. • Menexêno é um diálogo platônico que ocupa- se com a morte no campo de batalha.
  • 42.
    • Κρατύλος: estetexto tornou-se numa das primeiras obras filosóficas do período clássico grego a tratar de matérias como a etimologia e a linguística.
  • 43.
    • Mas umfato interrompe a produção filosófica de Platão e seu magistério na Academia. • Novamente o apelo de Siracusa e da prática política: em 367 a.C. morre Dionísio I, o tirano, que é então sucedido por Dionísio II. • Dion chama Platão a Siracusa.
  • 44.
    DIÁLOGOS DA MATURIDADE •Essa segunda tentativa política malograda deve ter interrompido a composição da série de diálogos constituída pelo Parmênides, Teeteto, Sofista e Político.
  • 45.
    • Παρμενίδης: Nodiálogo é apresentado eminentemente questões referentes à tese das formas inteligíveis, à ontologia platônica e ao Um (ou "Uno"). • Θεαίτητος: é um diálogo platônico sobre a natureza do conhecimento.
  • 46.
    • Σοφιστής: éum diálogo platônico que ocupa- se com os conceitos de sofista, homem político e filósofo. • Πολιτικός: é um diálogo platônico que ocupa- se, como o nome indica, com o perfil do homem político.
  • 47.
    • Diálogos daplena maturidade intelectual de Platão, neles as primeiras formulações da "doutrina das idéias" (como, por exemplo, apareciam no Fédon) começam a ser revistas e todo o pensamento platônico reestrutura- se a partir de bases epistemológicas mais exigentes e seguras.
  • 48.
    • Ao mesmotempo, as fronteiras entre o pensamento do próprio Platão e do seu mestre tornam-se mais nítidas, de tal modo que, no Parmênides, em lugar de Sócrates conduzir e dominar a discussão ele aparece jovem e inseguro.
  • 49.
    • Através daCarta VII sabe-se que Platão volta uma vez mais a Siracusa, pressionado por Dion e por Arquitas e a convite de Dionísio II, que se declara disposto a seguir sua orientação filosófica.
  • 50.
    • Essa novaincursão de Platão a Siracusa foi decepcionante. • Perdido o amigo, encerrada a aventura política de Siracusa, restam a Platão os debates da Academia e a elaboração de sua obra escrita. Resta-lhe o principal: o seu mundo de idéias.
  • 51.
    • Manifestando umavida espiritual inquieta, em reelaboração permanente, as últimas obras de Platão levantam novos problemas ou reexaminam os antigos sob outros ângulos.
  • 52.
    ÚLTIMOS DIÁLOGOS • Timeu •Crítias • Filebo • Leis
  • 53.
    • Τίμαιος: Otrabalho apresenta a especulação sobre a natureza do mundo físico e os seres humanos. • Κριτίας: é um dos últimos diálogos de Platão. O caráter inconclusivo de seu conteúdo descreve a guerra entre a Atenas pré-helênica e Atlântida, hipotético império ocidental e ilha misteriosa descrito por Crítias.
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    • Φίληβος: éum diálogo platônico que ocupa-se com a dialética e ontologia. • Leis: é um diálogo platônico que ocupa-se com uma vasta gama de assuntos. A discussão das Leis, a fim de compreender a conduta do cidadão e da promulgação de leis, perpassa por elementos da psicologia, gnosiologia, ética, política, ontologia e mesmo astronomia e matemática. É o último diálogo de Platão e o mais extenso.
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    • 428-427 a.C.— Nasce Platão em Atenas. • 399 a.C. — Julgado pela Assembléia popular de Atenas, Sócrates é condenado a morrer bebendo cicuta. • 388 a.C. (aproximadamente) — Platão viaja: Magna Grécia (sul da Itália, Sicília); em Siracusa, conhece Dion, cunhado do tirano Dionísio I; convive com Euclides em Megara; vai a drene (onde toma ciência das pesquisas matemáticas de Teodoro) e visita o Egito. • 387 a.C. — Platão funda, em Atenas, a Academia. • 367 a.C. — Morre Dionísio I, de Siracusa, sendo sucedido por seu filho Dionísio II. Segunda viagem de Platão a Siracusa. • 361 a.C. — Terceira viagem a Siracusa. • 348-347 a.C. — Platão morre em Atenas.
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    CORPUS PLATONICUM • Tradicionalmente,a obra de Platão costuma ser organizada em nove grupos de quatro diálogos (tetralogia) cada um. • Esta forma de organizar o corpus aparece já consolidada no texto de Diógenes Laércio é atribuída a Trasilo de Mendes.
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    • (1) Eutifronou Sobre a piedade (peirástico); • Apologia de Sócrates (ético); • Críton ou Sobre o dever (ético); • Fédon ou Sobre a alma (ético); • (2) Crátilo ou Sobre a correcçao das palavras (lógico); • Teeteto ou Sobre o conhecimento (peirástico); • Sofista ou Sobre o ser (lógico); • Político ou Sobre a realeza (lógico);
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    • (3) Parménidesou Sobre as Ideias (lógico); • Filebo ou Sobre o prazer (ético); • Banquete ou Sobre o Bem (ético); • Fedro ou Sobre o Amor (ético); • (4) Alcibíades ou Sobre a natureza do Homem (maiêutico) (*); • Alcibíades II ou Sobre a prece (maiêutico) (**); • Hiparco ou Sobre a ganância (ético) (**); • Amantes ou Sobre a filosofia (ético) (**);
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    • (5) Teagesou Sobre a filosofia (ético) (**); • Cármides ou Sobre a moderaçao (peirástico); • Laques ou Sobre a coragem (maiêutico); • Lísis ou Sobre a amizade (maiêutico); • (6) Eutidemo ou Erístico (refutativo); • Protágoras ou Sofistas (probatório); • Górgias ou Sobre a retórica (refutativo); • Ménon ou Sobre a virtude (peirástico);
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    • (7) HípiasMaior ou Sobre o Belo (refutativo) (*); • Hípias Menor ou Sobre o erro (refutativo); • Íon ou Sobre a Ilíada (peirástico); • Menéxeno ou Epitáfio (ético); • (8) Clitofonte ou Protréptico (ético) (*); • República ou Sobre o Justo (político); • Timeu ou Sobre a Natureza (físico); • Crítias ou Atlântico (ético);
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    • Minos ouSobre a lei (político) (**); • Leis ou Sobre a legislaçao (político); • Epínomis ou Assembleia nocturna ou Filósofo (político) (**); • Cartas (éticas) (*); • (*)= duvidosos • (**) = apócrifos
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    • O totalde 36 diálogos é: 9x4=36. • Para um pitagórico, o número ‘9’ era perfeito por representar o quadrado de ‘3’, o primeiro número ímpar. • O número ‘4’ representaria a tetraktys (raiz perfeita de todas as coisas), soma dos primeiros quatro números inteiros; isto é, 1+2+3+4=10.
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  • 64.
    • O diálogoé contado a partir da perspectiva de um dos alunos de Sócrates, Fédon de Elis. • Tendo estado presente no leito de morte de Sócrates, Fédon relata o diálogo desde aquele dia para Equécrates, um filósofo de Pitágoras.
  • 65.
    • Na obra,Equécrates ao encontrar Fédon pergunta a este quais foram as últimas palavras e ensinamentos do mestre Sócrates antes de morrer • Sócrates fala sobre a morte, a idea , o destino da alma , dentre outros assuntos.
  • 66.
    • Sócrates foipreso e condenado à morte por um júri ateniense por não acreditar nos deuses do Estado e de supostamente corromper a juventude da cidade.
  • 67.
    • O maisimportante, antes de iniciar a leitura do diálogo, é que este é um diálogo que não pertence à "fase socrática" de Platão. • Assim, ele estaria somente usando a imagem do mestre para "divulgar" seu próprio projecto filosófico.
  • 68.
    • Platão recebeuuma influência muito forte da religião Órfica, que cria na alma e reencarnação. • O diálogo Fédon é uma máxima desta influência, onde Platão faz o primeiro postulado acerca da alma.
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    • Por voltados seus quarenta anos, após regressar a Atenas da sua viagem à Sicília (Carta VII, 324a), funda a Academia e escreve o Fédon, o Banquete, A República e o Fedro, aproximadamente por esta ordem. • Isto acontece por volta do ano 387 a.C.
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    BIBLIOGRAFIA • PESSANHA, J.A. M. Vida e Obra. In: Platão. Diálogos / Platão ; seleção de textos de José Américo Motta Pessanha ; tradução e notas de José Cavalcante de Souza, Jorge Paleikat e João Cruz Costa. — 5. ed. — São Paulo : Nova Cultural, 1991. — (Os pensadores) • LOPES, R. A organização tetralógica do corpus platonicum (3.56-62): uma revisão do problema. In: LEÃO, D.; et. al. Dos Homens e suas ideias. Estudos sobre as vidas de Diógenes Laércio. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2016.
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    • ROSS, D.The Order of the Dialogues. In: Plato`s Theory of Ideas. Oxford: Clarendon Press, 1966. • SANTOS, J. T. Platão e a escolha do diálogo como meio de criação filosófica. Humanitas, v.XLVI, 1994, 163-176p. • CABRAL, João Francisco Pereira. "O Diálogo como forma escrita e a Dialética em Platão"; Brasil Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/o-dialogo-com . Acesso em 04 de fevereiro de 2016.