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Introdução à
Filosofia
Priscilla Tomazi Vieira da Costa
UNIDADE 1 – FILOSOFIA, EDUCAÇÃO E
SOCIEDADE
A palavra “filosofia”, de origem grega, é
composta de duas outras: philo e sophía.
Philo quer dizer “aquele ou aquela que tem um
sentimento amigável”, pois deriva de philía, que
significa “amizade e amor fraterno”. Sophía quer
dizer “sabedoria”.
Filosofia, portanto, é somente o desejo, a
procura dessa sofia (sabedoria).
A filosofia não determina,
questiona, e está aberta aos
questionamentos de valores sociais,
éticos, políticos, da ciência, arte e
cultura, ou seja, da vida humana.
A filosofia não aceita uma afirmação do
tipo “porque sim”, pois qualquer
afirmação é questionada criticamente.
Repensar é retomar por nossa própria
conta os pensamentos já pensados por
outros, ou seja, é renovar.
A filosofia é uma forma de conhecer e
analisar a realidade, com o objetivo de
compreender a significação da própria
existência”.
Quem pode filosofar?
Todo indivíduo que busca compreender o
homem.
O filósofo é aquele que
ama a sabedoria, sendo a
filosofia explicada como a
busca incessante pelo
conhecimento.
Na Antiguidade, a
filosofia era entendida
como a disposição
interior de quem estima,
respeita e procura o
conhecimento.
No decorrer da Idade Medieval, por
exemplo, a filosofia esteve atrelada ao
poder ideológico da Igreja. Na Idade
Moderna, movimentos de contestação da
doutrina e da autoridade católica, como o
Humanismo, o Renascimento, as
Revoluções Burguesas etc., reavivaram o
caráter autônomo e racional da filosofia,
buscando uma compreensão de mundo
menos teocêntrica.
Já na atualidade, é comum
conceber a filosofia como um
movimento de pensamento que
investiga a relação entre a
sociedade, a cultura, e os
conhecimentos científicos, a fim
de depreender as influências
políticas, econômicas e culturais
que sustentam os interesses das
classes dominantes.
O ato de filosofar só pode ser empreendido
por aqueles que assumem uma atitude
diferenciada perante a vida, negando-se a
aceitar, previamente, aquilo que é transmitido
e imposto como algo natural e imutável. Ao
desenvolver a atitude filosófica, o sujeito
transforma a recusa em aceitar as crenças, pré-
juízos e pré-conceitos cotidianos em
movimento de análise.
O verdadeiro filósofo nunca esmorece na arte de
conhecer.
Esse movimento de investigação da vida, da
natureza e da sociedade requer o entendimento
da relação histórica existente entre os conceitos
de homem, cultura, linguagem e trabalho,
imprescindível à compreensão da evolução e do
desenvolvimento do pensamento humano e da
própria sociedade, como evidencia o tópico
seguinte.
2 - A
linguagem,
o trabalho e
a cultura
O que é o homem?
O conceito do que
é ser homem varia
em cada cultura.
A busca, resultante da incerteza,
expressa-se nas máximas de Sócrates,
“Só sei que nada sei” e “Conhece-te a
ti mesmo”, que, em última análise,
representam o projeto da razão
nascente de estabelecer critérios para
a compreensão do homem.
Na Idade Moderna, assim como na Idade
Contemporânea, prevalece a explicação
antropocêntrica: o homem constitui o ponto de
partida de onde se origina.
A existência dessa natureza exclusivamente
humana tem sido atestada, no decorrer da
história, com base em determinadas
características, tais como: liberdade; raciocínio;
presença de alma ou espírito; valores morais;
cultura; linguagem etc.
O homem primitivo distingue-se dos animais
na medida em que passa a viver em grupo.
Esse agrupamento ocorre instintivamente,
tendo como finalidade a sobrevivência e a
conservação da espécie, já que a coletividade
fortalece a reprodução, a proteção contra
possíveis predadores e a procura por alimentos
(caça, pesca e coleta de vegetais).
O convívio social produz a linguagem, a
qual exigiu do homem muito mais que a
criação de sons particulares.
A sistematização da linguagem oral e
escrita é um fenômeno social, que
possibilita a difusão da cultura, ou seja, a
propagação de valores, normas, saberes e
práticas.
Simultânea e gradativamente, o homem cria
instrumentos de trabalho: utiliza a pedra (lascada,
polida) como utensílio de corte; aprende a desenvolver
e utilizar o fogo; cria o arco e a flecha e outros
instrumentos; domestica animais e inicia o cultivo da
terra (agricultura), etc. Contudo, tal evolução do
trabalho humano, vinculada à vida social e ao
desenvolvimento da linguagem, só pode ser explicada
mediante o desenvolvimento do pensamento.
Há, portanto, diferenças significativas entre
um animal que utiliza um pedaço de madeira
para alcançar uma fruta (ação não planejada)
e um ser humano que planeja a melhor
forma de colher o mesmo alimento. O
animal utiliza os instrumentos disponíveis na
natureza; o homem cria os próprios
instrumentos, e isso requer intenção e
racionalidade.
Daí a afirmação de que o pensamento humano
surge na medida em que o homem, vivendo em
comunidade, desenvolve a linguagem e,
concomitantemente, o trabalho - ação planejada
que requer a criação e o aperfeiçoamento de
instrumentos para alcançar uma finalidade
previamente estabelecida.
Envolvendo raciocínio, planejamento e
organização.
2.1 - O
homem e
a cultura
Em antropologia, cultura significa tudo que o
homem produz ao construir sua existência: as
práticas, as teorias, as instituições, os valores
materiais e espirituais.
A cultura caracteriza o homem como um ser
em constante mutação, um ser que
transforma.
Ao nascer, a criança encontra o
mundo de valores dados, no qual vai
se situar. Por exemplo, a língua que
aprende, a maneira de se alimentar, o
jeito de sentar, andar, correr, brincar,
as relações familiares; tudo, enfim,
encontra-se codificado.
CULTURA DE MASSA: indústria cultura. A
produção de um tipo de cultura voltado
predominantemente ao entretenimento. Isso
explica o seu caráter mercadológico, por meio da
imposição velada de valores e atitudes, que
tornam as pessoas mais passivas, acríticas e
propensas ao consumo exacerbado. Seu principal
instrumento de propagação são os Meios de
Comunicação Social.
CULTURA POPULAR: conhecimento
espontâneo (senso comum), ou seja, aos
conhecimentos transmitidos entre as
gerações, por meio de narrativas (contos,
lendas, folclore) e experiências acumuladas
histórica e socialmente. É o conjunto de
saberes e práticas que não se aprende nas
instituições de ensino.
CULTURA ERUDITA: refere-se ao saber
institucionalizado, derivado do pensamento
científico, ou seja, do estudo sistematizado nos
meios acadêmicos. Produzida pela elite
intelectual, social, política e econômica. Seu
domínio limita-se às universidades e demais
instituições de ensino, conservatórios musicais,
bibliotecas, escolas de arte, dança, teatro etc.
Geralmente, na cultura erudita implica em
desvalorização das outras formas de cultura,
especialmente a cultura popular.
X X
2.2 O homem e a
técnica
A denominação homo faber é usada quando nos
referimos à capacidade de fabricar utensílios,
com os quais o homem se torna capaz de
transformar a natureza. Homo sapiens e homo
faber são dois aspectos da mesma realidade
humana. Pensar e agir são inseparáveis, isto é, o
homem é um ser técnico, porque tem
consciência; e tem consciência, porque é capaz
de agir e de transformar a realidade.
O telefone, fotografia,
cinema, rádio,
televisão,
comunicação via
satélite, Internet
certamente “influiu e
influi” na estrutura do
pensamento.
A influência da técnica na ciência e na
sociedade.
Os escravos e servos no exercício das atividades
manuais sempre levou à desvalorização desse
tipo de trabalho, enquanto apenas as atividades
intelectuais eram consideradas
verdadeiramente dignas do homem.
Ligados ao artesanato e comércio, os
burgueses valorizavam o trabalho e
tinham espírito empreendedor.
Para a ampliação dos negócios: houve a
construção de navios mais ágeis, utilização
da bússola para a orientação nos mares
em busca de novos portos,
aperfeiçoamento dos relógios etc.
O auge do desenvolvimento do sistema fabril
ocorre no século XIX. O setor secundário
(indústria) sobrepõe-se em importância ao setor
primário (agricultura)/
Características dos países industrializados:
urbanização, utilização de várias formas de
energia, organização hierarquizada da empresa,
técnico especializado versus operário
semiqualificado.
O setor secundário (industrial) sofreu
alterações decorrentes da informatização.
2.3 O trabalho
Através do trabalho o “homem” coloca suas teorias
em prática.
Trabalho: atividade coletiva.
Além de transformar a natureza, humanizando-a, o
trabalho transforma o próprio homem.
Por meio do trabalho, o homem se autoproduz, isto é,
desenvolve habilidades e imaginação; aprende a
conhecer as forças da natureza e a desafiá-las;
conhece as próprias forças e limitações; pois
relaciona-se com os companheiros; impõe-se uma
disciplina.
Curiosidade - trabalho:
aparelho de tortura, formado por três paus, ao qual
eram atados os condenados; também servia para
manter presos os animais difíceis de ferrar. Daí a
associação do trabalho com tortura, sofrimento,
pena, labuta
Na antiguidade grega, todo trabalho manual era
desvalorizado por ser feito por escravos, enquanto a
atividade teórica, considerada a mais digna do
homem, representava a essência fundamental de
todo o ser racional. Na Idade Média, Santo Tomás de
Aquino procura reabilitar o trabalho manual, dizendo
que todos os trabalhos se equivalem.
Na Idade Moderna, a situação começou a se alterar,
houve o crescente interesse pelas artes mecânicas e
pelo trabalho em geral.
No século XIX, a exploração do trabalho e das condições
subumanas de vida: extensas jornadas de trabalho, de
dezesseis horas a dezoito horas, sem direito a férias, sem
garantia para a velhice, doença ou invalidez;
arregimentação de crianças e mulheres, mão-de-obra mais
barata; condições insalubres de trabalho em locais mal-
iluminados e sem higiene; mal pagos, os trabalhadores
também viviam mal-alojados e em promiscuidade. No
século XIX, surgiram os movimentos socialistas e
anarquistas, que pretendiam denunciar e alterar a situação
vigente naquele momento.
2.4 Tecnocracia
O desenvolvimento acelerado da técnica cria o mito
do progresso. Se tudo evolui para melhor, o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia faria só
acelerar esse processo.
É natural a necessidade do aumento crescente da
produção (ideal de produtividade); para tanto é
estimulada a competitividade (a fim de que cada
empresa seja melhor naquilo que produz), bem
como a especialização (para garantir a qualidade e
eficiência da produção).
As formas de controle de produção e divisão do
trabalho tornaram-se mais rigorosas, com a
“racionalização” do trabalho, e objetivos de
produtividade, competitividade e especialização. O
mundo da produção, assim configurado, leva
fatalmente à tecnocracia.
2.5 A influência de Marx e Engels
Karl Marx e Friedrich Engels escreveram juntos o
Manifesto comunista e A Ideologia Alemã. Entre
outras obras, Marx e Engels formularam suas ideias a
partir da realidade social por eles observada: de um
lado, o avanço técnico, o aumento do poder do
homem sobre a natureza, o enriquecimento e o
progresso; de outro, e contraditório, a escravização
crescente da classe operária, cada vez mais
empobrecida.
Marx ao analisar o ser social do homem: não
existe uma “natureza humana” idêntica em
todo tempo e lugar. Para esse filósofo, o
existir humano decorre do agir, pois o
homem se autoproduz à medida que
transforma a natureza pelo trabalho. Sendo o
trabalho uma ação coletiva, a condição
humana depende de sua existência social.
Marx chama de práxis a ação humana de
transformar a realidade. Nesse contexto, o
conceito de práxis, que significa a união da
teoria e da prática. A filosofia marxista é
também conhecida como filosofia da práxis.
2.5.1 Ideologia e Alienação
Ideologia: exploração econômica, a
desigualdade social e a dominação política.
Ideias e valores, de normas ou regras (de
conduta) que indicam e prescrevem aos
membros da sociedade o que devem pensar e
como devem pensar, o que devem sentir, o
que devem fazer e como devem fazer.
(ver conceito de ideologia na página 30)
Na Idade antiga, a educação serviu à formação de
guerreiros e, posteriormente, à formação de
indivíduos capazes de administrar as cidades
(polis). Na Idade Medieval, tornou-se instrumento
de legitimação dos dogmas cristãos. Na Idade
Moderna, assumiu-se a premissa da escola pública
e laica, mas o que se concretizou foi a polarização
de modelos educativos distintos para ricos e
pobres, contradição que permanece até os dias
atuais.
Na medida em que o indivíduo apropria-se da
cultura por meio da educação, corre-se o risco de
perpetuar tais interesses. Nisto também reside a
importância da filosofia como suporte teórico-
reflexivo: possibilitar ao sujeito a compreensão
desse processo de alienação.
Para ser capaz de empreender a reflexão
filosófica na esfera educacional, é preciso
entender que o desenvolvimento humano
está atrelado à vida em sociedade e,
consequentemente, ao processo de
formação da cultura, de assimilação da
linguagem e de aperfeiçoamento do
trabalho.
Os conceitos de ideologia e alienação só podem ser
compreendidos profundamente quando se consideram
as relações produtivas que caracterizam o trabalho na
atualidade.
Se na sociedade primitiva, a evolução do trabalho
favorecia o desenvolvimento do pensamento, na
sociedade capitalista, a divisão do trabalho entre
aqueles que pensam e organizam os processos
produtivos e aqueles que executam o trabalho já não
contribui para esse processo.
Ou a educação cumpre esse papel ou
fatalmente legitimará os interesses das
classes dominantes, oferecendo uma
educação alinhada às necessidades do
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Dúvidas???
Obrigada.

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Introdução à filosofia

  • 2. UNIDADE 1 – FILOSOFIA, EDUCAÇÃO E SOCIEDADE
  • 3. A palavra “filosofia”, de origem grega, é composta de duas outras: philo e sophía. Philo quer dizer “aquele ou aquela que tem um sentimento amigável”, pois deriva de philía, que significa “amizade e amor fraterno”. Sophía quer dizer “sabedoria”. Filosofia, portanto, é somente o desejo, a procura dessa sofia (sabedoria).
  • 4. A filosofia não determina, questiona, e está aberta aos questionamentos de valores sociais, éticos, políticos, da ciência, arte e cultura, ou seja, da vida humana.
  • 5. A filosofia não aceita uma afirmação do tipo “porque sim”, pois qualquer afirmação é questionada criticamente. Repensar é retomar por nossa própria conta os pensamentos já pensados por outros, ou seja, é renovar.
  • 6. A filosofia é uma forma de conhecer e analisar a realidade, com o objetivo de compreender a significação da própria existência”. Quem pode filosofar? Todo indivíduo que busca compreender o homem.
  • 7. O filósofo é aquele que ama a sabedoria, sendo a filosofia explicada como a busca incessante pelo conhecimento.
  • 8. Na Antiguidade, a filosofia era entendida como a disposição interior de quem estima, respeita e procura o conhecimento.
  • 9. No decorrer da Idade Medieval, por exemplo, a filosofia esteve atrelada ao poder ideológico da Igreja. Na Idade Moderna, movimentos de contestação da doutrina e da autoridade católica, como o Humanismo, o Renascimento, as Revoluções Burguesas etc., reavivaram o caráter autônomo e racional da filosofia, buscando uma compreensão de mundo menos teocêntrica.
  • 10. Já na atualidade, é comum conceber a filosofia como um movimento de pensamento que investiga a relação entre a sociedade, a cultura, e os conhecimentos científicos, a fim de depreender as influências políticas, econômicas e culturais que sustentam os interesses das classes dominantes.
  • 11. O ato de filosofar só pode ser empreendido por aqueles que assumem uma atitude diferenciada perante a vida, negando-se a aceitar, previamente, aquilo que é transmitido e imposto como algo natural e imutável. Ao desenvolver a atitude filosófica, o sujeito transforma a recusa em aceitar as crenças, pré- juízos e pré-conceitos cotidianos em movimento de análise.
  • 12. O verdadeiro filósofo nunca esmorece na arte de conhecer. Esse movimento de investigação da vida, da natureza e da sociedade requer o entendimento da relação histórica existente entre os conceitos de homem, cultura, linguagem e trabalho, imprescindível à compreensão da evolução e do desenvolvimento do pensamento humano e da própria sociedade, como evidencia o tópico seguinte.
  • 13. 2 - A linguagem, o trabalho e a cultura
  • 14. O que é o homem?
  • 15. O conceito do que é ser homem varia em cada cultura.
  • 16. A busca, resultante da incerteza, expressa-se nas máximas de Sócrates, “Só sei que nada sei” e “Conhece-te a ti mesmo”, que, em última análise, representam o projeto da razão nascente de estabelecer critérios para a compreensão do homem.
  • 17. Na Idade Moderna, assim como na Idade Contemporânea, prevalece a explicação antropocêntrica: o homem constitui o ponto de partida de onde se origina. A existência dessa natureza exclusivamente humana tem sido atestada, no decorrer da história, com base em determinadas características, tais como: liberdade; raciocínio; presença de alma ou espírito; valores morais; cultura; linguagem etc.
  • 18. O homem primitivo distingue-se dos animais na medida em que passa a viver em grupo. Esse agrupamento ocorre instintivamente, tendo como finalidade a sobrevivência e a conservação da espécie, já que a coletividade fortalece a reprodução, a proteção contra possíveis predadores e a procura por alimentos (caça, pesca e coleta de vegetais).
  • 19. O convívio social produz a linguagem, a qual exigiu do homem muito mais que a criação de sons particulares. A sistematização da linguagem oral e escrita é um fenômeno social, que possibilita a difusão da cultura, ou seja, a propagação de valores, normas, saberes e práticas.
  • 20.
  • 21. Simultânea e gradativamente, o homem cria instrumentos de trabalho: utiliza a pedra (lascada, polida) como utensílio de corte; aprende a desenvolver e utilizar o fogo; cria o arco e a flecha e outros instrumentos; domestica animais e inicia o cultivo da terra (agricultura), etc. Contudo, tal evolução do trabalho humano, vinculada à vida social e ao desenvolvimento da linguagem, só pode ser explicada mediante o desenvolvimento do pensamento.
  • 22. Há, portanto, diferenças significativas entre um animal que utiliza um pedaço de madeira para alcançar uma fruta (ação não planejada) e um ser humano que planeja a melhor forma de colher o mesmo alimento. O animal utiliza os instrumentos disponíveis na natureza; o homem cria os próprios instrumentos, e isso requer intenção e racionalidade.
  • 23. Daí a afirmação de que o pensamento humano surge na medida em que o homem, vivendo em comunidade, desenvolve a linguagem e, concomitantemente, o trabalho - ação planejada que requer a criação e o aperfeiçoamento de instrumentos para alcançar uma finalidade previamente estabelecida. Envolvendo raciocínio, planejamento e organização.
  • 24. 2.1 - O homem e a cultura
  • 25. Em antropologia, cultura significa tudo que o homem produz ao construir sua existência: as práticas, as teorias, as instituições, os valores materiais e espirituais. A cultura caracteriza o homem como um ser em constante mutação, um ser que transforma.
  • 26. Ao nascer, a criança encontra o mundo de valores dados, no qual vai se situar. Por exemplo, a língua que aprende, a maneira de se alimentar, o jeito de sentar, andar, correr, brincar, as relações familiares; tudo, enfim, encontra-se codificado.
  • 27.
  • 28. CULTURA DE MASSA: indústria cultura. A produção de um tipo de cultura voltado predominantemente ao entretenimento. Isso explica o seu caráter mercadológico, por meio da imposição velada de valores e atitudes, que tornam as pessoas mais passivas, acríticas e propensas ao consumo exacerbado. Seu principal instrumento de propagação são os Meios de Comunicação Social.
  • 29. CULTURA POPULAR: conhecimento espontâneo (senso comum), ou seja, aos conhecimentos transmitidos entre as gerações, por meio de narrativas (contos, lendas, folclore) e experiências acumuladas histórica e socialmente. É o conjunto de saberes e práticas que não se aprende nas instituições de ensino.
  • 30. CULTURA ERUDITA: refere-se ao saber institucionalizado, derivado do pensamento científico, ou seja, do estudo sistematizado nos meios acadêmicos. Produzida pela elite intelectual, social, política e econômica. Seu domínio limita-se às universidades e demais instituições de ensino, conservatórios musicais, bibliotecas, escolas de arte, dança, teatro etc.
  • 31. Geralmente, na cultura erudita implica em desvalorização das outras formas de cultura, especialmente a cultura popular. X X
  • 32. 2.2 O homem e a técnica
  • 33. A denominação homo faber é usada quando nos referimos à capacidade de fabricar utensílios, com os quais o homem se torna capaz de transformar a natureza. Homo sapiens e homo faber são dois aspectos da mesma realidade humana. Pensar e agir são inseparáveis, isto é, o homem é um ser técnico, porque tem consciência; e tem consciência, porque é capaz de agir e de transformar a realidade.
  • 34.
  • 35. O telefone, fotografia, cinema, rádio, televisão, comunicação via satélite, Internet certamente “influiu e influi” na estrutura do pensamento.
  • 36. A influência da técnica na ciência e na sociedade. Os escravos e servos no exercício das atividades manuais sempre levou à desvalorização desse tipo de trabalho, enquanto apenas as atividades intelectuais eram consideradas verdadeiramente dignas do homem.
  • 37. Ligados ao artesanato e comércio, os burgueses valorizavam o trabalho e tinham espírito empreendedor. Para a ampliação dos negócios: houve a construção de navios mais ágeis, utilização da bússola para a orientação nos mares em busca de novos portos, aperfeiçoamento dos relógios etc.
  • 38. O auge do desenvolvimento do sistema fabril ocorre no século XIX. O setor secundário (indústria) sobrepõe-se em importância ao setor primário (agricultura)/ Características dos países industrializados: urbanização, utilização de várias formas de energia, organização hierarquizada da empresa, técnico especializado versus operário semiqualificado.
  • 39. O setor secundário (industrial) sofreu alterações decorrentes da informatização.
  • 41. Através do trabalho o “homem” coloca suas teorias em prática. Trabalho: atividade coletiva. Além de transformar a natureza, humanizando-a, o trabalho transforma o próprio homem. Por meio do trabalho, o homem se autoproduz, isto é, desenvolve habilidades e imaginação; aprende a conhecer as forças da natureza e a desafiá-las; conhece as próprias forças e limitações; pois relaciona-se com os companheiros; impõe-se uma disciplina.
  • 42. Curiosidade - trabalho: aparelho de tortura, formado por três paus, ao qual eram atados os condenados; também servia para manter presos os animais difíceis de ferrar. Daí a associação do trabalho com tortura, sofrimento, pena, labuta
  • 43. Na antiguidade grega, todo trabalho manual era desvalorizado por ser feito por escravos, enquanto a atividade teórica, considerada a mais digna do homem, representava a essência fundamental de todo o ser racional. Na Idade Média, Santo Tomás de Aquino procura reabilitar o trabalho manual, dizendo que todos os trabalhos se equivalem. Na Idade Moderna, a situação começou a se alterar, houve o crescente interesse pelas artes mecânicas e pelo trabalho em geral.
  • 44. No século XIX, a exploração do trabalho e das condições subumanas de vida: extensas jornadas de trabalho, de dezesseis horas a dezoito horas, sem direito a férias, sem garantia para a velhice, doença ou invalidez; arregimentação de crianças e mulheres, mão-de-obra mais barata; condições insalubres de trabalho em locais mal- iluminados e sem higiene; mal pagos, os trabalhadores também viviam mal-alojados e em promiscuidade. No século XIX, surgiram os movimentos socialistas e anarquistas, que pretendiam denunciar e alterar a situação vigente naquele momento.
  • 46. O desenvolvimento acelerado da técnica cria o mito do progresso. Se tudo evolui para melhor, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia faria só acelerar esse processo. É natural a necessidade do aumento crescente da produção (ideal de produtividade); para tanto é estimulada a competitividade (a fim de que cada empresa seja melhor naquilo que produz), bem como a especialização (para garantir a qualidade e eficiência da produção).
  • 47. As formas de controle de produção e divisão do trabalho tornaram-se mais rigorosas, com a “racionalização” do trabalho, e objetivos de produtividade, competitividade e especialização. O mundo da produção, assim configurado, leva fatalmente à tecnocracia.
  • 48. 2.5 A influência de Marx e Engels
  • 49. Karl Marx e Friedrich Engels escreveram juntos o Manifesto comunista e A Ideologia Alemã. Entre outras obras, Marx e Engels formularam suas ideias a partir da realidade social por eles observada: de um lado, o avanço técnico, o aumento do poder do homem sobre a natureza, o enriquecimento e o progresso; de outro, e contraditório, a escravização crescente da classe operária, cada vez mais empobrecida.
  • 50. Marx ao analisar o ser social do homem: não existe uma “natureza humana” idêntica em todo tempo e lugar. Para esse filósofo, o existir humano decorre do agir, pois o homem se autoproduz à medida que transforma a natureza pelo trabalho. Sendo o trabalho uma ação coletiva, a condição humana depende de sua existência social.
  • 51. Marx chama de práxis a ação humana de transformar a realidade. Nesse contexto, o conceito de práxis, que significa a união da teoria e da prática. A filosofia marxista é também conhecida como filosofia da práxis.
  • 52. 2.5.1 Ideologia e Alienação
  • 53. Ideologia: exploração econômica, a desigualdade social e a dominação política. Ideias e valores, de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer. (ver conceito de ideologia na página 30)
  • 54. Na Idade antiga, a educação serviu à formação de guerreiros e, posteriormente, à formação de indivíduos capazes de administrar as cidades (polis). Na Idade Medieval, tornou-se instrumento de legitimação dos dogmas cristãos. Na Idade Moderna, assumiu-se a premissa da escola pública e laica, mas o que se concretizou foi a polarização de modelos educativos distintos para ricos e pobres, contradição que permanece até os dias atuais.
  • 55. Na medida em que o indivíduo apropria-se da cultura por meio da educação, corre-se o risco de perpetuar tais interesses. Nisto também reside a importância da filosofia como suporte teórico- reflexivo: possibilitar ao sujeito a compreensão desse processo de alienação.
  • 56. Para ser capaz de empreender a reflexão filosófica na esfera educacional, é preciso entender que o desenvolvimento humano está atrelado à vida em sociedade e, consequentemente, ao processo de formação da cultura, de assimilação da linguagem e de aperfeiçoamento do trabalho.
  • 57. Os conceitos de ideologia e alienação só podem ser compreendidos profundamente quando se consideram as relações produtivas que caracterizam o trabalho na atualidade. Se na sociedade primitiva, a evolução do trabalho favorecia o desenvolvimento do pensamento, na sociedade capitalista, a divisão do trabalho entre aqueles que pensam e organizam os processos produtivos e aqueles que executam o trabalho já não contribui para esse processo.
  • 58. Ou a educação cumpre esse papel ou fatalmente legitimará os interesses das classes dominantes, oferecendo uma educação alinhada às necessidades do mercado e, portanto, incapaz de promover o desenvolvimento do pensamento.
  • 59.