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Filosofia Medieval
• Tem início com as Epístolas de São Paulo e de São João,
no Direito Romano e nos evangelhos.
• A patrística resultou do esforço feito pelos dois
apóstolos intelectuais (Paulo e João) e pelos primeiros
Padres da Igreja para conciliar a nova religião – o
Cristianismo - com o pensamento filosófico dos gregos e
romanos.
• Liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à
defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e
morais que recebia dos antigos.
Preconceitos
• 1 – IDADE DAS TREVAS assim denominada pelos
Renascentistas (Petrarca, em Florença) e pelos
Iluministas, como oposição aos séculos das Luzes. É
um período violento, atrasado, sem produção
filosófica.
• EQUÍVOCO: é na Idade Média que surgem as
grandes religiões, as primeiras universidades, os
primeiros hospitais, as línguas europeias, os
bancos...
• É também errôneo dizer que a filosofia grega foi
abandonada, uma vez que Santo Agostinho e São
Tomás de Aquino utilizam de Platão e Aristóteles
para fazer suas teorias.
• Será que foi o século mais violento da História?
• 2- VISÃO ROMÂNTICA: também não é correto
pensar que a I.M. foi bela, cheia de honra,
quando não havia mentira e todos viviam no
campo. Essa é uma visão de alguns autores do
romantismo, mas, vale lembrar, que teve a
Inquisição, pessoas morreram queimadas, etc.
• Ou seja... Foi um período como qualquer outro,
com suas peculiaridades.
• Mas, sem dúvidas, o que pensamos quando
imaginamos a I.M. é na Igreja Católica.
• O quadro de Hieronymus Bosch (1450-1516)
mostra uma mulher se embelezando, e, o que
seguro o espelho é uma figura do demônio. Aqui
há a condenação da vaidade.
• A obra nos leva a analisar a Filosofia Medieval
dentro dos contextos de bem e mal, o homem e
Deus, o lugar da Igreja.
• O problema central da Filosofia Medieval é a
dicotomia entre FÉ E RAZÃO.
• Divide-se em patrística grega (ligada à Igreja de Bizâncio) e
patrística latina (ligada à Igreja de Roma).
• Teve como principais pensadores Justino, Santo Agostinho e
Tomás de Aquino.
• Introduziu ideias desconhecidas para os filósofos greco-
romanos, como por ex., a ideia de criação do mundo, de
pecado original, de Deus como trindade una, de encarnação
e morte de Deus, de juízo final ou de fim dos tempos e
ressurreição dos mortos, etc.
• Para impor as ideias cristãs, foram criados os dogmas.
• Surge uma distinção entre verdades sobrenaturais
(reveladas pela fé) e verdades naturais (reveladas pela
razão)
• Dessa forma, o grande tema de toda a Filosofia
patrística é o da possibilidade de conciliar razão e fé.
Questões
• Como usar a filosofia Greco Romana sendo
Cristão? (fazer uma adaptação do pensamento,
adequando-o à religião cristã.)
• Como pensar o bem e o mal? (Como o mal pode
existir, já que tudo foi criado por Deus? Homem
interior: consciência da moral e do livre-arbítrio,
pelo qual o homem se torna responsável pela
existência do mal no mundo.)
• Como solucionar a divisão entre Fé e Razão?
• Há 03 correntes de pensamento:
• 1 – Os que julgavam a fé e a razão irreconciliáveis e a fé
superior à razão.
• “Creio porque absurdo”
• 2 – Os que julgavam fé e razão conciliáveis, mas
subordinavam a razão à fé.
• “Creio para compreender”
• 3 – Os que julgavam razão e fé irreconciliáveis, mas
afirmavam que cada uma delas tem seu campo próprio de
conhecimento e não devem misturar-se (a razão se refere
à vida temporal dos homens no mundo; a fé, a tudo o que
se refere à salvação da alma e à vida eterna futura).
Santo Agostinho
• Nascido na Argélia (África), na juventude era um
“homem entregue ao pecado”, influenciado pelo
maniqueísmo: tudo no mundo é dividido entre
bem e mal.
• Influenciado pela mãe, Mônica, convertido pela
passagem de Rm 13,13, torando-se padre aos 37
anos.
• Dizia que os gregos não adentraram o céu pois
não fizeram uso da fé, somente da razão. (Platão
se atolou em seu próprio orgulho racional, e por
isso, não atingiu a verdade.)
• “Comportemo-nos com decência, como quem
age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras,
não em imoralidade sexual e depravação, não
em desavença e inveja.
Pelo contrário, revistam-se do Senhor Jesus
Cristo, e não fiquem premeditando como
satisfazer os desejos da carne.”
Romanos 13:13,14
• Escreveu 93 obras, divididas em 232 livros!
(independente de ser cristão, temos que levar em
consideração a importância desse filósofo!).
• Morreu na crise do Império Romano, em 430.
• Somos uma pessoa, e nossa pessoa é nossa
consciência, que é nossa alma dotada de vontade,
imaginação, memória e inteligência.
• A vontade é livre mas aprisionada no corpo. O
corpo pode mergulhar nossa alma na ilusão e no
erro.
• Logo, estar no erro ou na verdade dependerá de
nós mesmos e por isso precisamos saber se
podemos ou não conhecer a verdade e em que
condições tal conhecimento é possível.
• Sua filosofia se constrói baseada no
neoplatonismo e nos ensinamentos bíblicos de
Pedro e Paulo.
• Platonismo: ideia de preparação da alma para
alcançar a verdade!
• Mas de resto, Santo Agostinho a considerava
insuficiente e por isso é preciso crer primeiro
para depois entender.
• “Se não credes, não entendereis” (Isaías 7,9)
• Defende então que a verdadeira e legítima
ciência é a teologia, que só as coisas divinas
proporcionam sabedoria.
Seis ideias para entender Agostinho
• 1. A anterioridade do Amor: quando estava no pecado, buscava
apenas a realização do amor. Antes de encontrar a Deus, nós
buscamos o amor nas coisas terrenas, nos vícios. Porém, só
encontramos o amor verdadeiro quando encontramos o amor de
Deus. Ou seja, sempre buscamos o amor, mas só em Deus está o amor
puro.
• 2. O cristão é mais livre que o pagão: qual a ideia de
liberdade no cristianismo? Ser livre é fazermos o que
queremos? A nossa vontade nos induz a fazer muitas
coisas e o cristão não fará tudo que as vontades
mandam e seguirá sua fé, aquilo que ele acredita
pois é livre de seus desejos. Assim, a liberdade é o
oposto do que entendemos por liberdade fora do
cristianismo.
• “A medida de amar a Deus é amá-lo sem
medidas.” (Santo Agostinho, Regras.)
• “Não há razão para o homem filosofar senão para
que seja feliz; e o que faz com que este seja feliz
é o fim bom; não há, por conseguinte, nenhuma
causa para o filosofar, salvo a meta do bem; por
essa razão, aquela que não segue o fim bom não
pode ser dita seita filosófica.” (Santo Agostinho,
Cidade de Deus). -> influência do Helenismo
(busca pela felicidade). Mas o que faz com que o
homem seja feliz é a bondade: a função da
filosofia é pensar o bem.
• 3. A fé precede a razão:
“Se não credes, não entendereis” (Isaías 7,9)
• Qual a relação entre fé e razão? Ele não desvalorizava a razão, mas
a razão sozinha é manca e incompleta: a fé ilumina a razão! A fé
que está dentro de nós nos iluminará para encontrar a verdade.
• A criança e o mar: é mais fácil a criança colocar toda a água do
Mar Mediterrâneo no buraco de areia do que o homem
compreender a Santíssima Trindade.
A Verdade Interior – Teoria da Iluminação
• Deus é o ápice da filosofia: só podemos compreender a verdade
quando nos deixamos ser iluminados pois, para alcançarmos Deus,
é necessário transcendermos a razão e nos entregarmos
gratuitamente na busca da face incompreensível de Deus.
• Primeiro filósofo a construir a ideia de interioridade, um prenúncio
da teoria da subjetividade fundamentada pela filosofia moderna.
• Como a mente humana é falível, mutável e imperfeita, como
poderá entender a verdade que é infalível, eterna e perfeita?
• Se a verdade não está na palavra, está aonde? Na alma.
• A alma humana é divina e deve ser iluminada por Jesus, pela fé.
Há coisas que são matéria de fé, portanto, incompreensíveis.
• A verdade interior é o próprio Cristo que ilumina a alma humana
para nos dar a compreensão.
• A alma humana possui uma centelha divina, por ser à imagem e
semelhança de Deus, que lhe permite compreender a verdade.
• “Não aprendemos pelas palavras que repercutem exteriormente,
mas pela verdade que ensina interiormente. (...) Cristo é a
verdade que ensina interiormente.”
• Logo, a Teoria do Conhecimento proposta por Agostinho
estabelece uma relação entre interior-exterior, colocando na
interioridade humana a morada da Verdade.
• “In interiore Homine habitat veritas”
• 4. Origem do bem e do mal: dialogando com
Parmênides, ele se questiona: o que é o mal, o
mal não é. O mal não é uma coisa criada por
Deus, pelo contrário: o mal é a ausência de
bondade (assim como o frio é ausência de calor).
• Livre arbítrio.
• 5. O que Deus fazia antes de criar o mundo? Princípio
da anterioridade: antes de Deus criar o mundo, não
existia o antes. Ou seja, a ideia de antes remete a ideia
de tempo, mas quem criou o tempo foi DEUS.
• Somos incapazes de pensar o universo sem pensar o
tempo, o que demonstra nossa limitação, nossa
incapacidade de pensar certas coisas.
• E porque Deus criou o mundo? A ideia de motivo
também pressupõe o tempo. A criação
do mundo e do universo foi um ato
livre do amor de Deus.
• 6. História da Criação do Juízo Final – um processo que faz
sentido: antes de Agostinho, a história era concebida como uma
sucessão de fatos que se repetiam, era uma história cíclica. Para
Agostinho, a história é linear: princípio, meio e fim.
• O princípio é a criação do mundo. O meio: vivíamos na “Cidade
dos Homens”, e, com a chegada de Jesus, passamos a caminhar
para a “A cidade de Deus”. O Fim: é o nosso encontro com Deus,
no dia do juízo final.
• Ou seja, há um processo de ruptura e conciliação com Deus –>
Adão – Juízo Final – Redenção.
• A história é um processo com início, meio e fim, possuindo
sentido nos acontecimentos que são parte essencial do
desenvolvimento compreensível e interpretável a partir da
revelação.
• “Dois amores erigiram duas cidades, Babilônia
e Jerusalém : aquela é o amor de si até ao
desprezo de Deus ; esta, o amor de Deus até ao
desprezo de si”.
(Cidade de Deus, Santo Agostinho)
• (UFF 2009) A Filosofia Medieval buscou a síntese entre a razão
grega (a filosofia) e a religião cristã (a fé). Por isto, seu tema
central foi a relação entre razão e fé. De acordo com Gilson,
historiador da Filosofia Medieval, “Uma dupla condição domina
o desenvolvimento da filosofia tomista: a distinção entre razão e
fé, e a necessidade de sua concordância. Todo o domínio da
filosofia pertence exclusivamente à razão; isso significa que a
filosofia deve admitir apenas o que é acessível à luz natural e
demonstrável apenas por seus recursos. A teologia baseia-se, ao
contrário, na revelação, isto é, afinal de contas, na autoridade de
Deus. Os artigos de fé são conhecimentos de origem
sobrenatural, contidos em fórmulas cujo sentido não nos é
inteiramente penetrável, mas que devemos aceitar como tais,
muito embora não possamos compreendê-las. Portanto, um
filósofo sempre argumenta procurando na razão os princípios de
sua argumentação; um teólogo sempre argumenta buscando
seus princípios primeiros na revelação”.
A partir da perspectiva apresentada discorra sobre a Filosofia
Medieval.
(UNESP 2016) “Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso
afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada
de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como
medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não
apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser
tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por
isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a
noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por
conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é
nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material? (Santo
Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.)
No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma
(A) é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da
moralidade.
(B) desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões
objetivas.
(C) antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das
ideias.
(D) é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial.
(E) serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento
escolástico.
RESPOSTA: D
São Tomás de Aquino
• Faz parte do período denominado Escolástica, referente ao
declínio da Igreja Católica, e vai do século IX até o final do século
XVI aproximadamente.
• São Tomás de Aquino viveu o momento do ressurgimento das
cidades (burgos) e do comércio (grandes centros comerciais, com
rotas comerciais).
• Este termo tem tanto um significado mais limitado, ao se referir às
disciplinas ministradas nas escolas medievais – o trivio:
gramática, retórica e dialética; e o quadrívio: aritmética,
geometria, astronomia e música -, quanto uma conotação mais
ampla, ao se reportar à linha filosófica adotada pela Igreja na
Idade Média.
• Esta modalidade de pensamento era essencialmente cristã e
procurava respostas que justificassem a fé na doutrina ensinada
pelo clero, guardião das verdades espirituais.
• A escolástica foi atravessada por dois universos distintos – a
fé herdada da mentalidade platônica e a razão aristotélica.
• São Tomás de Aquino, conhecido como doutor angélico,
introduziu as obras de Aristóteles no pensamento da Igreja
Católica.
• Busca repensar o lugar entre a fé e a razão, trazendo na
visão aristotélica a relação entre fé e razão: ao passo que,
Santo Agostinho clama por um predomínio da fé, em
detrimento da razão, São Tomás de Aquino acredita na
independência da esfera racional no momento de buscar as
respostas mais apropriadas, embora não rejeite a
prioridade da fé com relação à razão.
• Para ele, é possível fé e razão caminharem lado a lado.
• Repensando nas causas dos seres (Aristóteles), ele cria as 5
vias da prova da existência de Deus.
• Busca, então, o que seria provável na ideia de Deus: a ideia de
Deus não é auto evidente e é preciso chegar através da razão.
Ele não pede para acreditarmos que Deus existe, pois para ele,
as provas da existência de Deus estão no mundo ao nosso
redor.
• Para ele há 05 princípios para conhecermos Deus: não
contradição; Substância; Causa Eficiente; Finalidade; Ato e
Potência.
• Estes serão explicados pela sua TEORIA DAS CAUSAS DE DEUS:
• 1. Primeiro motor imóvel: é o argumento do movimento. Se
tudo que existe está em movimento, deve ter existido um
primeiro ser que criou todas as coisas, um ser que gerou
mudança mas não foi mudado/movido por ninguém: DEUS.
• 2. Primeira causa eficiente: ligado ao primeiro
conceito, as coisas não possuem em si mesmas
a sua origem, uma vez que precisam sempre de
outras coisas para se realizarem. A origem de
todas as coisas é DEUS.
• 3. Ser Necessário e os seres possíveis:
argumento cosmológico. As coisas são como
são, mas poderiam ser diferentes: tudo possui
uma característica específica porque algum Ser
assim determinou. Há uma inteligência superior
que determina como as coisas são: DEUS.
• 4. Graus de Perfeição: os graus existentes
nos levam a uma comparação entre as
coisas. Para buscarmos um padrão de
comparação devemos ter uma medida, que
será DEUS, uma vez que Ele é o ser
perfeito e só podemos conhecer o que é o
imperfeito por sabermos que há algo
perfeito.
• 5. Governo Supremo: argumento teológico.
Todas as coisas possuem uma finalidade,
um curso, que só pode ter sido definido por
um ser primordial: DEUS.
• Assim, Tomás de Aquino usa a razão e usa o
mundo material para explicar a ideia de Deus,
para explicar a fé de forma mais raciocinada.
• Ele junta as duas coisas para combater os
hereges, buscando combater com os mesmos
pela razão que eles diziam usar.
• Um dos ideais do momento era trazer a igreja
para perto do povo.
• (Uff 2012) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida
intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de
alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de
certas questões da religião. Discorrendo sobre a “possibilidade de
descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade
acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão
humana não consegue alcançar, por exemplo, entender como é possível
Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que
a razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe.
• A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o
pensamento de Tomás de Aquino.
• a) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade.
• b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da
verdade que Deus lhe concede.
• c) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades
por seus meios naturais.
• d) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus.
• e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode
conhecer d’Ele.
• RESPOSTA: C

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Filosofia medieval

  • 2. • Tem início com as Epístolas de São Paulo e de São João, no Direito Romano e nos evangelhos. • A patrística resultou do esforço feito pelos dois apóstolos intelectuais (Paulo e João) e pelos primeiros Padres da Igreja para conciliar a nova religião – o Cristianismo - com o pensamento filosófico dos gregos e romanos. • Liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos.
  • 3. Preconceitos • 1 – IDADE DAS TREVAS assim denominada pelos Renascentistas (Petrarca, em Florença) e pelos Iluministas, como oposição aos séculos das Luzes. É um período violento, atrasado, sem produção filosófica. • EQUÍVOCO: é na Idade Média que surgem as grandes religiões, as primeiras universidades, os primeiros hospitais, as línguas europeias, os bancos... • É também errôneo dizer que a filosofia grega foi abandonada, uma vez que Santo Agostinho e São Tomás de Aquino utilizam de Platão e Aristóteles para fazer suas teorias. • Será que foi o século mais violento da História?
  • 4. • 2- VISÃO ROMÂNTICA: também não é correto pensar que a I.M. foi bela, cheia de honra, quando não havia mentira e todos viviam no campo. Essa é uma visão de alguns autores do romantismo, mas, vale lembrar, que teve a Inquisição, pessoas morreram queimadas, etc. • Ou seja... Foi um período como qualquer outro, com suas peculiaridades. • Mas, sem dúvidas, o que pensamos quando imaginamos a I.M. é na Igreja Católica.
  • 5.
  • 6. • O quadro de Hieronymus Bosch (1450-1516) mostra uma mulher se embelezando, e, o que seguro o espelho é uma figura do demônio. Aqui há a condenação da vaidade. • A obra nos leva a analisar a Filosofia Medieval dentro dos contextos de bem e mal, o homem e Deus, o lugar da Igreja. • O problema central da Filosofia Medieval é a dicotomia entre FÉ E RAZÃO.
  • 7. • Divide-se em patrística grega (ligada à Igreja de Bizâncio) e patrística latina (ligada à Igreja de Roma). • Teve como principais pensadores Justino, Santo Agostinho e Tomás de Aquino. • Introduziu ideias desconhecidas para os filósofos greco- romanos, como por ex., a ideia de criação do mundo, de pecado original, de Deus como trindade una, de encarnação e morte de Deus, de juízo final ou de fim dos tempos e ressurreição dos mortos, etc.
  • 8. • Para impor as ideias cristãs, foram criados os dogmas. • Surge uma distinção entre verdades sobrenaturais (reveladas pela fé) e verdades naturais (reveladas pela razão) • Dessa forma, o grande tema de toda a Filosofia patrística é o da possibilidade de conciliar razão e fé.
  • 9. Questões • Como usar a filosofia Greco Romana sendo Cristão? (fazer uma adaptação do pensamento, adequando-o à religião cristã.) • Como pensar o bem e o mal? (Como o mal pode existir, já que tudo foi criado por Deus? Homem interior: consciência da moral e do livre-arbítrio, pelo qual o homem se torna responsável pela existência do mal no mundo.) • Como solucionar a divisão entre Fé e Razão?
  • 10. • Há 03 correntes de pensamento: • 1 – Os que julgavam a fé e a razão irreconciliáveis e a fé superior à razão. • “Creio porque absurdo” • 2 – Os que julgavam fé e razão conciliáveis, mas subordinavam a razão à fé. • “Creio para compreender” • 3 – Os que julgavam razão e fé irreconciliáveis, mas afirmavam que cada uma delas tem seu campo próprio de conhecimento e não devem misturar-se (a razão se refere à vida temporal dos homens no mundo; a fé, a tudo o que se refere à salvação da alma e à vida eterna futura).
  • 12. • Nascido na Argélia (África), na juventude era um “homem entregue ao pecado”, influenciado pelo maniqueísmo: tudo no mundo é dividido entre bem e mal. • Influenciado pela mãe, Mônica, convertido pela passagem de Rm 13,13, torando-se padre aos 37 anos. • Dizia que os gregos não adentraram o céu pois não fizeram uso da fé, somente da razão. (Platão se atolou em seu próprio orgulho racional, e por isso, não atingiu a verdade.)
  • 13. • “Comportemo-nos com decência, como quem age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja. Pelo contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne.” Romanos 13:13,14
  • 14. • Escreveu 93 obras, divididas em 232 livros! (independente de ser cristão, temos que levar em consideração a importância desse filósofo!). • Morreu na crise do Império Romano, em 430. • Somos uma pessoa, e nossa pessoa é nossa consciência, que é nossa alma dotada de vontade, imaginação, memória e inteligência. • A vontade é livre mas aprisionada no corpo. O corpo pode mergulhar nossa alma na ilusão e no erro.
  • 15. • Logo, estar no erro ou na verdade dependerá de nós mesmos e por isso precisamos saber se podemos ou não conhecer a verdade e em que condições tal conhecimento é possível. • Sua filosofia se constrói baseada no neoplatonismo e nos ensinamentos bíblicos de Pedro e Paulo.
  • 16. • Platonismo: ideia de preparação da alma para alcançar a verdade! • Mas de resto, Santo Agostinho a considerava insuficiente e por isso é preciso crer primeiro para depois entender. • “Se não credes, não entendereis” (Isaías 7,9) • Defende então que a verdadeira e legítima ciência é a teologia, que só as coisas divinas proporcionam sabedoria.
  • 17. Seis ideias para entender Agostinho • 1. A anterioridade do Amor: quando estava no pecado, buscava apenas a realização do amor. Antes de encontrar a Deus, nós buscamos o amor nas coisas terrenas, nos vícios. Porém, só encontramos o amor verdadeiro quando encontramos o amor de Deus. Ou seja, sempre buscamos o amor, mas só em Deus está o amor puro.
  • 18. • 2. O cristão é mais livre que o pagão: qual a ideia de liberdade no cristianismo? Ser livre é fazermos o que queremos? A nossa vontade nos induz a fazer muitas coisas e o cristão não fará tudo que as vontades mandam e seguirá sua fé, aquilo que ele acredita pois é livre de seus desejos. Assim, a liberdade é o oposto do que entendemos por liberdade fora do cristianismo.
  • 19. • “A medida de amar a Deus é amá-lo sem medidas.” (Santo Agostinho, Regras.) • “Não há razão para o homem filosofar senão para que seja feliz; e o que faz com que este seja feliz é o fim bom; não há, por conseguinte, nenhuma causa para o filosofar, salvo a meta do bem; por essa razão, aquela que não segue o fim bom não pode ser dita seita filosófica.” (Santo Agostinho, Cidade de Deus). -> influência do Helenismo (busca pela felicidade). Mas o que faz com que o homem seja feliz é a bondade: a função da filosofia é pensar o bem.
  • 20. • 3. A fé precede a razão: “Se não credes, não entendereis” (Isaías 7,9) • Qual a relação entre fé e razão? Ele não desvalorizava a razão, mas a razão sozinha é manca e incompleta: a fé ilumina a razão! A fé que está dentro de nós nos iluminará para encontrar a verdade. • A criança e o mar: é mais fácil a criança colocar toda a água do Mar Mediterrâneo no buraco de areia do que o homem compreender a Santíssima Trindade.
  • 21. A Verdade Interior – Teoria da Iluminação • Deus é o ápice da filosofia: só podemos compreender a verdade quando nos deixamos ser iluminados pois, para alcançarmos Deus, é necessário transcendermos a razão e nos entregarmos gratuitamente na busca da face incompreensível de Deus. • Primeiro filósofo a construir a ideia de interioridade, um prenúncio da teoria da subjetividade fundamentada pela filosofia moderna. • Como a mente humana é falível, mutável e imperfeita, como poderá entender a verdade que é infalível, eterna e perfeita? • Se a verdade não está na palavra, está aonde? Na alma. • A alma humana é divina e deve ser iluminada por Jesus, pela fé. Há coisas que são matéria de fé, portanto, incompreensíveis.
  • 22. • A verdade interior é o próprio Cristo que ilumina a alma humana para nos dar a compreensão. • A alma humana possui uma centelha divina, por ser à imagem e semelhança de Deus, que lhe permite compreender a verdade. • “Não aprendemos pelas palavras que repercutem exteriormente, mas pela verdade que ensina interiormente. (...) Cristo é a verdade que ensina interiormente.” • Logo, a Teoria do Conhecimento proposta por Agostinho estabelece uma relação entre interior-exterior, colocando na interioridade humana a morada da Verdade. • “In interiore Homine habitat veritas”
  • 23. • 4. Origem do bem e do mal: dialogando com Parmênides, ele se questiona: o que é o mal, o mal não é. O mal não é uma coisa criada por Deus, pelo contrário: o mal é a ausência de bondade (assim como o frio é ausência de calor). • Livre arbítrio.
  • 24. • 5. O que Deus fazia antes de criar o mundo? Princípio da anterioridade: antes de Deus criar o mundo, não existia o antes. Ou seja, a ideia de antes remete a ideia de tempo, mas quem criou o tempo foi DEUS. • Somos incapazes de pensar o universo sem pensar o tempo, o que demonstra nossa limitação, nossa incapacidade de pensar certas coisas. • E porque Deus criou o mundo? A ideia de motivo também pressupõe o tempo. A criação do mundo e do universo foi um ato livre do amor de Deus.
  • 25. • 6. História da Criação do Juízo Final – um processo que faz sentido: antes de Agostinho, a história era concebida como uma sucessão de fatos que se repetiam, era uma história cíclica. Para Agostinho, a história é linear: princípio, meio e fim. • O princípio é a criação do mundo. O meio: vivíamos na “Cidade dos Homens”, e, com a chegada de Jesus, passamos a caminhar para a “A cidade de Deus”. O Fim: é o nosso encontro com Deus, no dia do juízo final. • Ou seja, há um processo de ruptura e conciliação com Deus –> Adão – Juízo Final – Redenção. • A história é um processo com início, meio e fim, possuindo sentido nos acontecimentos que são parte essencial do desenvolvimento compreensível e interpretável a partir da revelação.
  • 26. • “Dois amores erigiram duas cidades, Babilônia e Jerusalém : aquela é o amor de si até ao desprezo de Deus ; esta, o amor de Deus até ao desprezo de si”. (Cidade de Deus, Santo Agostinho)
  • 27. • (UFF 2009) A Filosofia Medieval buscou a síntese entre a razão grega (a filosofia) e a religião cristã (a fé). Por isto, seu tema central foi a relação entre razão e fé. De acordo com Gilson, historiador da Filosofia Medieval, “Uma dupla condição domina o desenvolvimento da filosofia tomista: a distinção entre razão e fé, e a necessidade de sua concordância. Todo o domínio da filosofia pertence exclusivamente à razão; isso significa que a filosofia deve admitir apenas o que é acessível à luz natural e demonstrável apenas por seus recursos. A teologia baseia-se, ao contrário, na revelação, isto é, afinal de contas, na autoridade de Deus. Os artigos de fé são conhecimentos de origem sobrenatural, contidos em fórmulas cujo sentido não nos é inteiramente penetrável, mas que devemos aceitar como tais, muito embora não possamos compreendê-las. Portanto, um filósofo sempre argumenta procurando na razão os princípios de sua argumentação; um teólogo sempre argumenta buscando seus princípios primeiros na revelação”. A partir da perspectiva apresentada discorra sobre a Filosofia Medieval.
  • 28. (UNESP 2016) “Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material? (Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.) No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma (A) é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade. (B) desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas. (C) antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias. (D) é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial. (E) serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico. RESPOSTA: D
  • 29. São Tomás de Aquino
  • 30. • Faz parte do período denominado Escolástica, referente ao declínio da Igreja Católica, e vai do século IX até o final do século XVI aproximadamente. • São Tomás de Aquino viveu o momento do ressurgimento das cidades (burgos) e do comércio (grandes centros comerciais, com rotas comerciais). • Este termo tem tanto um significado mais limitado, ao se referir às disciplinas ministradas nas escolas medievais – o trivio: gramática, retórica e dialética; e o quadrívio: aritmética, geometria, astronomia e música -, quanto uma conotação mais ampla, ao se reportar à linha filosófica adotada pela Igreja na Idade Média. • Esta modalidade de pensamento era essencialmente cristã e procurava respostas que justificassem a fé na doutrina ensinada pelo clero, guardião das verdades espirituais.
  • 31. • A escolástica foi atravessada por dois universos distintos – a fé herdada da mentalidade platônica e a razão aristotélica. • São Tomás de Aquino, conhecido como doutor angélico, introduziu as obras de Aristóteles no pensamento da Igreja Católica. • Busca repensar o lugar entre a fé e a razão, trazendo na visão aristotélica a relação entre fé e razão: ao passo que, Santo Agostinho clama por um predomínio da fé, em detrimento da razão, São Tomás de Aquino acredita na independência da esfera racional no momento de buscar as respostas mais apropriadas, embora não rejeite a prioridade da fé com relação à razão. • Para ele, é possível fé e razão caminharem lado a lado.
  • 32.
  • 33. • Repensando nas causas dos seres (Aristóteles), ele cria as 5 vias da prova da existência de Deus. • Busca, então, o que seria provável na ideia de Deus: a ideia de Deus não é auto evidente e é preciso chegar através da razão. Ele não pede para acreditarmos que Deus existe, pois para ele, as provas da existência de Deus estão no mundo ao nosso redor. • Para ele há 05 princípios para conhecermos Deus: não contradição; Substância; Causa Eficiente; Finalidade; Ato e Potência. • Estes serão explicados pela sua TEORIA DAS CAUSAS DE DEUS: • 1. Primeiro motor imóvel: é o argumento do movimento. Se tudo que existe está em movimento, deve ter existido um primeiro ser que criou todas as coisas, um ser que gerou mudança mas não foi mudado/movido por ninguém: DEUS.
  • 34. • 2. Primeira causa eficiente: ligado ao primeiro conceito, as coisas não possuem em si mesmas a sua origem, uma vez que precisam sempre de outras coisas para se realizarem. A origem de todas as coisas é DEUS. • 3. Ser Necessário e os seres possíveis: argumento cosmológico. As coisas são como são, mas poderiam ser diferentes: tudo possui uma característica específica porque algum Ser assim determinou. Há uma inteligência superior que determina como as coisas são: DEUS.
  • 35. • 4. Graus de Perfeição: os graus existentes nos levam a uma comparação entre as coisas. Para buscarmos um padrão de comparação devemos ter uma medida, que será DEUS, uma vez que Ele é o ser perfeito e só podemos conhecer o que é o imperfeito por sabermos que há algo perfeito. • 5. Governo Supremo: argumento teológico. Todas as coisas possuem uma finalidade, um curso, que só pode ter sido definido por um ser primordial: DEUS.
  • 36. • Assim, Tomás de Aquino usa a razão e usa o mundo material para explicar a ideia de Deus, para explicar a fé de forma mais raciocinada. • Ele junta as duas coisas para combater os hereges, buscando combater com os mesmos pela razão que eles diziam usar. • Um dos ideais do momento era trazer a igreja para perto do povo.
  • 37.
  • 38. • (Uff 2012) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de certas questões da religião. Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão humana não consegue alcançar, por exemplo, entender como é possível Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que a razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe. • A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o pensamento de Tomás de Aquino. • a) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade. • b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. • c) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades por seus meios naturais. • d) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. • e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. • RESPOSTA: C