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rilva@ccm.ufpb.br
DMI/CCM/UFPB
HISTÓRIA DA TEORIA
MICROBIANA
• A Teoria Microbiana das doenças
constitui não só um dos principais marcos
da História da Medicina e o ponto de
partida da Microbiologia científica, mas
também um dos avanços sanitários mais
importantes na História da Humanidade
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Como deve ter sido viver em um mundo onde os
germes ainda não eram conhecidos?...
• Considere-se que a história da civilização humana é,
em certo sentido, a história das epidemias...
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Ao longo dos séculos, filósofos e cientistas
tentaram explicar o modo de transmissão das
doenças infecciosas
•As ideias primitivas sobre “contágio” continham
apenas a noção geral de transmissão através do
contato direto
• Supunha-se que uma pessoa poderia ser
infectada quando MIASMAS invadissem seu
corpo, perturbando suas funções vitais: Teoria
Miasmática
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
(KARAMANOU et al., 2012)
Teoria Miasmática
• “Miasmas”
 Do grego, “poluição”, “mancha”
Muitas vezes emanações invisíveis,
só reconhecidas pelo olfato
Referia-se também à névoa que
pairava sobre um pântano
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Teoria Miasmática
• Até o século XIX, pensava-se que a cólera, a varíola, a
hanseníase, a malária, e até mesmo a Peste Negra,
fossem causadas por miasmas
• As epidemias começariam a partir de miasmas,
emanados principalmente de matéria orgânica pútrida,
como emanação do solo, ou causada pela descomposição
de restos vegetais e animais, inclusive de pessoas mortas
• Esta teoria foi aceita desde a Antiguidade até o final do
século XIX, quando finalmente foi substituída pela
Teoria Microbiana
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
(KARAMANOU et al., 2012)
Teoria Miasmática na Antiguidade
• Hipócrates usou o termo “miasma” no seu livro “Ares, Águas e Lugares”
• Hipócrates pensava que se um grande número de pessoas estava afetado
pelo mesmo mal, a causa deveria ser algo comum a todos os
acometidos: o ar
• Contágio e miasma não eram noções conflitantes no âmbito das teorias
hipocráticas e mesmo galênicas: O ar transportaria os miasmas, e estes
causariam o desequilíbrio dos humores, ou seja, a doença
• Esta era uma ideia racional para a Antiguidade
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
(CZERESNIA, 1997)
Teoria Miasmática como Precursora da Teoria Microbiana
• Teoria Miasmática: teoria biológica hegemônica que antecedeu a Teoria
Microbiana na explicação da causa de doenças contagiosas, vigente por
centenas de anos
• O termo “malária” tem origem em mala aria (maus ares) = acreditava-se que
era causada pela presença do "mau ar“ de zonas pantanosas que produziam
gases; as populações que habitavam esses locais frequentemente tinham
malária
• Uma teoria errada que trouxe benefícios à saúde pública: O conceito de
miasmas foi responsável por medidas sanitárias - enterro dos mortos, aterro
dos excrementos humanos, maior ventilação de hospitais, coleta do lixo
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
(MARTINS et al., 2009)
• Houve mudança dos sepultamentos das igrejas para os cemitérios no
decorrer do século XIX, pela influência das medidas higienistas que
procuravam combater a proliferação dessas doenças com a
reorganização do espaço urbano e o combate aos miasmas oriundos
da decomposição da matéria orgânica em putrefação no solo
• Os cemitérios foram condenados até meados do XX, quando a
comunidade médica já conhecia a Bacteriologia, mas ainda
conservava alguns preceitos da teoria dos miasmas
(MASTROMAURO, 2011)
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Teoria Miasmática como Precursora da Teoria
Microbiana
• A hipótese de que as doenças infecciosas fossem causadas por
pequenos “animalículos”, “sementes” ou “vermes” não foi
aventada pela primeira vez no século XIX
Na Antiguidade, a hipótese da contagiosidade de certas enfermidades foi registrada pela primeira vez
pelo historiador grego Tucídides, que mencionou a noção de contágio durante a Peste de Atenas, em
sua obra “A Guerra do Peloponeso” (428 a.C.)
• Só a partir do uso do microscópio como poderoso auxiliar na
investigação desta hipótese, diferentes cientistas foram contribuindo
para o estabelecimento de uma importante ruptura epistemológica:
o início da Era Bacteriológica
(BATISTELLA, 2007)
O Início da Era Bacteriológica
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
PIONEIROS: A Teoria da Contagiosidade de Fracastoro
• 1546: o médico italiano Girolamo
Fracastoro aventou o conceito de
contágio, observando epidemias
de sífilis, peste e tifo, que
devastaram a Itália no século XVI
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
A Teoria da Contagiosidade de Girolamo Fracastoro
• Fracastoro definiu o contágio como um tipo de infecção,
que passava de um indivíduo para outro, por intermédio
de seres vivos que se reproduziam
• Denominou estes seres de seminaria contagionum
(sementes de contágio) transmitidos por contato direto,
por intermédio de fômites ou à distância
• Os germes ainda eram concebidos mas como
substâncias químicas susceptíveis de evaporação e
difusão atmosférica, e não como microorganismos vivos
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
A Teoria da Contagiosidade de Girolamo Fracastoro
• A teoria contagiosa de Fracastoro é considerada a
primeira declaração teórica do contágio nas
doenças, três séculos antes das pesquisas de
Pasteur e Koch
• Já foi uma vitória do racionalismo, em um período
em que o conceito de contágio era de difícil
aceitação
• Até meados do século XIX, as teorias do contágio
foram consideradas especulativas, absurdas e sem
fundamentação
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
O advento da Microscopia
Para que a teoria
microbiana se
desenvolvesse, foi
necessária a invenção
do microscópio
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Invenção do microscópio – final dos anos 1590 - fundamental para o
avanço da teoria microbiana das doenças
• 1590 - Invenção do primeiro microscópio - holandeses conhecedores
de óptica - Hans e Zacharias Janssen – duas lentes em um cilindro –
aumento de 3 a 9 vezes
A Invenção do Microscópio - Hans e Zacharias Janssen
Antony van Leeuwenhoek (1674)
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• O microscópio foi aperfeiçoado pelo naturalista
holandês Antony van Leeuwenhoek, que o utilizou
na observação de seres vivos – microscópio ainda
rudimentar
• Familiarizado com o uso de lentes de aumento para
inspecionar tecelagens, passou a usá-las para observar
fluídos biológicos, como água, saliva, fezes e sangue
• Dotado de apenas uma lente de vidro, o microscópio
primitivo permitia aumento de percepção visual de até 300
vezes e com razoável nitidez
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Leeuwenhoek visualizou microorganismos =
Mesmo sem formação científica, observou em
1683 “animalículos”, que seriam futuramente
chamados de bactérias
• Os animalículos foram associados à fermentação e à
putrefação, cujo mecanismo ainda não estava claro =
a explicação foi buscada na teoria da geração
espontânea
Antony van Leeuwenhoek (1674)
Robert Hooke
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• 1665: O microscópio primitivo de Leeuwenhoek foi aprimorado por Robert
Hooke, ganhando mais uma lente e maior ampliação de imagem – Hooke
publicou suas observações no trabalho “Micrographia”, uma das mais
importantes obras científicas de todos os tempos
A contribuição de Athanasius Kircher
• O padre jesuíta Kircher não era médico: um intelectual de interesses
amplos; dedicava-se a estudar novidades científicas da época
• Principal contagionista da época, conservou o discurso de Fracastoro,
apesar de utilizar o microscópio em suas observações
• 1658 – Livro "Pesquisa físico-médica sobre a doença contagiosa que se
chama de peste"
“Todo contágio pressupõe putrefação”
(Athanasius Kircher)
 As teorias de Kircher foram ridicularizadas na época
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Acreditava-se que a putrefação surgia de materiais simples
por processo de geração espontânea, noção já postulada
inicialmente por Aristóteles (382-322 a.C.) para explicar a
decomposição de animais
• Kircher introduziu a ideia de contagion animatum, supondo
que organismos podiam se desenvolver a partir de matéria
não viva – baseado na “Teoria da Geração Espontânea”
Athanasius Kircher: “Todo contágio pressupõe putrefação”
O que se entendia por “putrefação”?
Teoria da Geração Espontânea ou Abiogênese
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Século XVII: o médico belga Jean BaptisteVan Helmont
anunciou sua famosa “receita” para obter ratos, a
partir da mistura de roupa suja com sementes de
trigo!...
A Teoria da Geração Espontânea foi
contestada pelo médico italiano
Francesco Redi no século XVII
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Francesco Redi demonstrou,
por meio de experimento, que
o surgimento de larvas na
carne em decomposição não
ocorria de forma espontânea,
mas a partir de moscas que ali
depositavam seus ovos
Controvérsia Needhan vs Spallanzani
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• 1745: Needhan era abiogenista e vitalista, sustentava que
havia uma força vital que originava a vida – fez
experimentos com caldo nutritivo aquecido em frascos
• 1770: Spallanzani era biogenista; repetiu os experimentos
de Needhan e sugeriu que os resultados obtidos por este
se deviam à entrada de microorganismos do ar no caldo
NEEDHAN
• Com o uso do microscópio, o médico italiano
Cosmo Bonomo foi o primeiro a identificar o
patógeno de uma doença em 1687
• Bonomo descreveu através de seu
microscópio o parasita da sarna, o ácaro
Sarcoptes scabieii, e atribuiu claramente a
causa da doença
• O trabalho de Bonomo foi esquecido
(BATISTELLA, 2007)
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DO PATÓGENO DE UMA DOENÇA
• Século XVIII: Descoberta da vacina antivariólica
• O médico Inglês Edward Jenner fundou a vacinação,
embora não tenha sido o primeiro a utilizar esta técnica
• Em 1796, foram estabelecidas as primeiras bases
científicas com a vacinação por varíola bovina: primeira
tentativa científica de prevenção de uma doença
infecciosa
O advento da vacinação antecedeu a inauguração
propriamente dita da Teoria Microbiana
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
História da Saúde Pública
Edward Jenner: O “Pai” da Vacinação
Jenner inoculou pus da varíola humana em uma criança, que não
adquiriu a doença: Esta foi a única vacina existente até Instituto
Pasteur, 90 anos depois, no final do século XIX, produzir vacina contra
a raiva (vide aula História da Saúde Pública – Parte I)
AGOSTINO BASSI E A MUSCARDINA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Em 1835, Agostino Bassi, entomologista italiano,
afirmou a natureza infecciosa da muscardina, infecção
que afetava os bichos-da-seda – fungo chamado
atualmente de Bavaria bassiana – proporcionou a
primeira prova experimental de um agente biológico
como causa de doença
• Portanto, Bassi contribuiu para reforçar a teoria de
que as doenças contagiosas poderiam ter origem
microbiana
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• A base real para a criação da Teoria Microbiana também
se deve ao trabalho de Jacob Henle em 1840
• Artigo “Von den Miasmen und Contagien”: Baseado nas
descobertas de Agostino Bassi sobre a etiologia
microbiana específica das fermentações
• Intuiu a natureza do contágio e reconheceu que sua
teoria necessitava de apoio
• Um de seus alunos, Robert Koch, mais tarde, converteu a
teoria em fatos que comprovavam a relação entre os
microorganismos e a doença
A contribuição de Jacob Henle
ARMAND DE QUATREFAGES E A PEBRINA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Entre 1858 e 1860, o naturalista Armand de Quatrefages
estudou a doença dos bichos-da-seda na França, e que
chamou de “pebrina”, afirmando que era diferente da
muscardina estudada antes por Bassi entre 1808 e 1835
• Quatrefages não considerou que os microorganismos eram a
causa da doença, e sim um sintoma, e com base na teoria dos
miasmas, explicou que o contágio era provocado pelo ar
contaminado – Recomendou, então, que os criadores
adotassem medidas de higiene e ambiente arejado
• Como as lagartas doentes geravam ovos já contaminados, levantou-se a
hipótese de que a pebrina fosse hereditária
Casimir Davaine, precursor de Pasteur em relação ao Antraz
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• 1863: influenciado pela pesquisa de Pasteur sobre fermentação, o
francês Davaine elucidou a causa do antraz, mas sua explicação foi
contrariada por aqueles que se opuseram à ideia de que se tratava de
uma infecção por microorganismo
• Entre 1878 e 1880, Pasteur publicou vários artigos sobre o Antraz,
usando a terminologia de Davaine para bactérias – bacteridias
• As pesquisas de Davaine foram ampliadas e confirmadas por Pasteur e
por Koch, que mostraram que o antraz é causado por um bacilo
• Pasteur e Davaine defenderam a ideia de que as doenças eram
causadas por microorganismos, porém o nome lembrado é apenas o
de Pasteur
LOUIS PASTEUR
• Cientista francês, químico de formação,
conquistou admiração, respeito e grande
prestígio em vida, sendo reconhecido como
herói nacional da França e benfeitor da
Humanidade
• A Pasteur atribui-se a Teoria Microbiana
das Doenças Infecciosas
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Trabalhos científicos importantes na História da
Medicina atribuídos a Louis Pasteur
• Fermentação alcoólica
• Pasteurização
• Vacinas
• Regras básicas de esterilização e assepsia
• Demonstração da inexistência da geração
espontânea
• Teoria microbiana das doenças infecciosas
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Pasteur no embate Abiogênese vs Biogênese
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Embates científicos importantes envolvendo Pasteur
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
 A contenda Pouchét-Pasteur sobre biogênese/abiogênese
 A discussão Pasteur-Béchamp sobre a teoria microbiana
 A controvérsia Pasteur Liebig-Pasteur sobre a fermentação e o
vitalismo
 O embate Pasteur vs Bastian sobre geração espontânea
 A controvérsia Pasteur-Clement le Fort
 O debate Pasteur vs Claude-Bernard sobre micróbios e meio
interno
 A disputa Koch-Pasteur no estabelecimento da causa do Antraz
• PASTEUR, POUCHET E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
 O debate entre Felix-Archimède Pouchet e
Pasteur sobre a geração espontânea na
Academia de Ciências da França
 Pouchet afirmava que todas as formas de vida nasciam
de ovos, mas que estes nasciam por geração
espontânea – realizou uma série de experiências,
demonstrando que microorganismos nasciam
espontaneamente
 Pasteur demonstrou que os microorganismos, que
pareciam nascer espontaneamente em experimentos
de Pouchet, provinham do ar contaminado
Embate científico Antoine Béchamp vs Louis Pasteur
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Propõem duas explicações aparentemente opostas sobre a
doença
• Pasteur defendeu a teoria microbiana: são os germes que
produzem as doenças
• Béchamp apresentou a teoria celular (vitalismo): são as
doenças que tornam os micróbios patogênicos - não nega
que as bactérias possam provocar doenças, mas que a
maioria das bactérias são inofensivas até haver desequilíbrio
do organismo
• O modelo hegemônico de medicina na época e no século XX escolheu as explicações de Pasteur; este ficou famoso
enquanto Béchamp foi esquecido pela História
Pasteur era hostil a
Béchamp, cujo trabalho era
visto como ameaça à sua
teoria
A Rivalidade entre Pasteur e Koch
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Uma rivalidade feroz mas fecunda para a Microbiologia: “duelos” com
publicações científicas, cartas abertas, comunicações em congressos médicos,
embates acusadores
• A controvérsia Pastor-Koch refletiu, em parte, o então antagonismo geopolítico entre a
França e a Alemanha na época
• As escolas de microbiologia de Pasteur e Koch tinham diferentes métodos e filosofias
• As contendas foram desencadeados pelas duras críticas de Koch ao trabalho de Pasteur
sobre a atenuação de vírus; Pasteur e Koch escreveram editoriais s que aparecem em 1883
no Boston Medical and Surgical Journal com críticas de Pasteur à revisão de Koch e de Koch
sobre a pesquisa de Pasteur a respeito da inoculação do bacilo do Antraz
• Cada um fez descobertas fundamentais na Teoria Microbiana que revolucionaram a medicina
Pasteur e a Muscardina
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• 1865 - Investigando a doença do bicho-da-seda, Pasteur divulgou que um
protozoário causava a infecção (muscardina) – utilizando os dados de Agostino
Bassi, descreveu métodos para isolar o agente microbiano
• Bassi é considerado por alguns historiadores o
fundador mais importante que Pasteur na
ciência da microbiologia
• Contudo, a tendência a depreciar as
contribuições de Pasteur deve ser evitada pois
não está de acordo com o verdadeiro espírito
científico
Pasteur e a contribuição de Emile Roux
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Um dos colaboradores mais próximos de Louis
Pasteur
Cofundador do Instituto Pasteur
Responsável pela produção do soro
antidiftérico pelo Instituto, a primeira terapia
eficaz para esta doença
Importantes contribuições relacionadas à
vacina contra a raiva – possivelmente
superiores às de Pasteur
Pasteur, a vacina contra o Antraz e a contribuição de Jean Joseph Henri Toussaint
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
 Médico veterinário que desenvolveu um método
para produção da vacina contra o antraz
 1880: Toussaint apresentou resultados bem
sucedidos com a vacina atenuada contra o antraz
(Chevallier-Jussiau, 2010)
 Pasteur contestou os resultados de Toussaint porque este usou um método
químico diferente do seu, mas passou a usar esse mesmo método para
produzir vacinas em seu laboratório, e o crédito pela criação da vacina acabou
sendo dado a Pasteur
Claude Bernard vs Louis Pasteur
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• O trabalho de Claude Bernard estava alinhado com o de Béchamp, mas era
próximo a Pasteur
• Claude Bernard, célebre médico francês, que fundou muitas bases da fisiologia
moderna, postulava que a saúde do organismo depende do seu próprio meio
interno
• Pasteur, pouco antes de morrer, afirmou: “Bernard tinha razão, eu estava
errado, o micróbio não é nada, o terreno é tudo”
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
GEISON, G. A Ciência Particular de Louis Pasteur. São Paulo: Contraponto, 2002
Martins RA, Martins LAP, Ferreira RR, Toledo MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis.
São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 8. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap08.html
Impostura e plagiarismo
na obra de Pasteur?
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
- Philippe Decourt, membro da Academia Internacional da História da
Medicina - livro Les Vérités indésirables. Comment on falsifie l’histoire:
le cas Pasteur (As Verdades Indesejáveis. Como falsificamos a história:
o caso Pasteur), publicado nos anos 1990
- Ethel Douglas Hume, autora do livro publicado em 1948 “Bechamp or
Pasteur?: A Lost Chapter in the History of Biology” (Béchamp ou
Pasteur. Um capítulo perdido da história da biologia)
(MARTINS, 2009)
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
CASE, T. F. Microbiologia. Porto Alegre: ArtMed, 2017
Outras descobertas importantes na
história da Teoria Microbiana das
doenças
 Assepsia cirúrgica: Joseph Lister
 Infecção hospitalar: Ignaz
Semelweiss
 Veiculação hídrica da cólera: John
Snow
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Joseph
Lister
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
1860 - Ao aplicar a teoria de
Pasteur, o cirurgião britânico
Joseph Lister encontrou os
fundamentos a partir dos
quais surgiria a antissepsia
• A introdução do processo antisséptico
diminuiu mortes por infecção após
procedimentos cirúrgicos
• O primeiro a utilizar uma solução de
ácido carbólico (fenol) como um
eficiente agente antisséptico
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Ao se deparar com os elevados índices de febre puerperal
na maternidade de Viena, o médico húngaro Ignaz
Semmelweis postulou a relação entre lavagem das mãos e
infecção hospitalar
prevenção da febre
puerperal na
maternidade de Viena
Ignaz Semmelweis e a
Ignaz Semmelweis e a “matéria cadavérica”
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• 1847: Semmelweis publicou trabalho que viria a confirmar a
sua hipótese da transmissão de infecções hospitalares na
maternidade de Viena
• Demonstração da incidência da infecção puerperal maior nas
parturientes assistidas por médicos que nas assistidas por
parteiras; os estudantes de medicina circulavam livremente
pela sala de autópsia e pelas enfermarias da maternidade
Ignaz Semmelweis e a “matéria cadavérica”
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Em necropsia feita em um patologista que morrera após ferimento no
dedo na mesma clínica, os achados foram semelhantes aos vistos nas
pacientes que morreram por febre puerperal
• Antes mesmo da descoberta dos microrganismos, Semmelweis
constatou que havia transmissão cruzada de infecção
• Semmelweis escolheu o hipoclorito de cálcio como desinfetante para
remover “venenos cadavéricos” e determinou que todos os médicos,
estudantes e pessoal de enfermagem deviam lavar as mãos com
solução clorada
Ignaz Philipp Semmelweis
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
Gráfico comparativo a evolução da mortalidade de
puérperas entre as maternidades de Dublin e Viena
(Autoria: Domínio Público)
Gráfico comparativo a evolução da mortalidade de
puérperas na maternidade de Viena antes e após a
instituição da lavagem das mãos pela equipe de
saúde (Autoria: Domínio Público)
Semmelweiss e a prevenção da febre puerperal
John Snow e a Veiculação Hídrica da Cólera
• John Snow revolucionou a concepção sobre a causa de doenças
infecciosas com suas investigações, refutando a teoria dos miasmas
e abrindo as portas para a teoria microbiana
• John Snow investigou
epidemias de cólera de Londres
em 1850
• Antecipou a teoria microbiana
antes mesmo de Pasteur
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
A partir dos estudos de Snow sobre a cólera - com
provas epidemiológicas - as descobertas de Pasteur e
Koch – com provas microbiológicas - a Teoria
Microbiana firmou-se como explicação hegemônica
para a causalidade das doenças no final do século XIX
(vide AULA História da Saúde Pública – Parte I)
Assim, começou o período conhecido como Era
Bacteriológica (1880-1920)
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
John Snow e a Veiculação Hídrica da Cólera
Robert Koch
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• O próximo passo para uma maior compreensão da importância dos
microrganismos foi dado pelo médico alemão Robert Koch
• Estudando o antraz, foi o primeiro a provar que um tipo específico
de micróbio causa uma determinada doença, contribuindo
significativamente para o desenvolvimento da Teoria Microbiana
das Doenças (1876)
Pioneiro na comprovação de que
as bactérias podem provocar
doenças nos seres vivos
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
• Descobriu o bacilo causador da tuberculose (1882) – Nobel
de Medicina em 1905
• Descobriu também o Vibrio cholerae
• Na década de 1890: expedição a vários países para estudar
a transmissão da malária; pesquisou sobre a hanseníase, a
peste bovina, a peste bubônica e a doença do sono
Desenvolveu os Postulados de Koch, conjunto de medidas para demonstrar
que um microrganismo seja considerado a causa de uma doença -
sistematizou a pesquisa e identificação de doenças provocadas por
bactérias
ROBERT KOCH
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
A bacteriologia, então,
tornou-se uma disciplina
acadêmica consolidada
com as descobertas e a
classificação subsequente
de uma série de bactérias
patogênicas após o final do
século XIX
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
“The microscope or the telescope,
which of the two has the grander
view?”
(Victor Hugo, 1862,
“Les Miserables”)
REFERÊNCIAS
• BATISTELLA, C. Saúde, Doença e Cuidado: Saúde, Doença e Cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, A. F. O
território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/educacao_profissional_docencia_saude_v1.pdf
• CHEVALLIER-JUSSIAU N. Henry Toussaint and Louis Pasteur. Rivalry over a vaccine. Hist Sci Med. 2010;44(1):55-64.
• CZERESNIA, D.: 'Do contágio à transmissão: urna mudança na estrutura perceptiva de apreensão da epidemia'. História, Ciências, Saúde—
Manguinhos, 4 (1): 75-94, 1997
• FONTANA, R. T. As infecções hospitalares e a evolução histórica das infecções. Rev. bras. enferm. 59 (5): 703-706, 2006. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n5/v59n5a21.pdf
• KARAMANOU M, PANAYIOTAKOPOULOS G, TSOUCALAS G. et al. From miasmas to germs: a historical approach to theories of infectious
disease transmission. Le Infezioni in Medicina, 1: 52-56, 2012. Disponível em:
http://www.infezmed.it/media/journal/Vol_20_1_2012_9.pdf
• MASTROMAURO, G. C. Surtos epidêmicos, teoria miasmática e teoria bacteriológica: instrumentos de intervenção nos comportamentos
dos habitantes da cidade do século XIX e início do XX. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH São Paulo, 2011 [online]
Disponível em: http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300472386_ARQUIVO_Mastromauro.pdf
• GEISON, G. A Ciência Particular de Louis Pasteur. São Paulo: Contraponto, 2002
• MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna,
1997. Cap. 8. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap08.html
• MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna,
1997. Cap. 10. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap10.html
• MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna,
1997. Cap. 6. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/pag111.html
• MARTINS, L. A. C. P. Pasteur e a geração espontânea: uma história equivocada. Filosofia e História da Biologia, 4: 65-100, 2009. Disponível
em: http://www.abfhib.org/FHB/FHB-04/FHB-v04-03-Lilian-Martins.pdf
HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA

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História da Teoria Microbiana das Doenças

  • 2. • A Teoria Microbiana das doenças constitui não só um dos principais marcos da História da Medicina e o ponto de partida da Microbiologia científica, mas também um dos avanços sanitários mais importantes na História da Humanidade HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 3. • Como deve ter sido viver em um mundo onde os germes ainda não eram conhecidos?... • Considere-se que a história da civilização humana é, em certo sentido, a história das epidemias... HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 4. • Ao longo dos séculos, filósofos e cientistas tentaram explicar o modo de transmissão das doenças infecciosas •As ideias primitivas sobre “contágio” continham apenas a noção geral de transmissão através do contato direto • Supunha-se que uma pessoa poderia ser infectada quando MIASMAS invadissem seu corpo, perturbando suas funções vitais: Teoria Miasmática HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA (KARAMANOU et al., 2012)
  • 5. Teoria Miasmática • “Miasmas”  Do grego, “poluição”, “mancha” Muitas vezes emanações invisíveis, só reconhecidas pelo olfato Referia-se também à névoa que pairava sobre um pântano HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 6. Teoria Miasmática • Até o século XIX, pensava-se que a cólera, a varíola, a hanseníase, a malária, e até mesmo a Peste Negra, fossem causadas por miasmas • As epidemias começariam a partir de miasmas, emanados principalmente de matéria orgânica pútrida, como emanação do solo, ou causada pela descomposição de restos vegetais e animais, inclusive de pessoas mortas • Esta teoria foi aceita desde a Antiguidade até o final do século XIX, quando finalmente foi substituída pela Teoria Microbiana HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA (KARAMANOU et al., 2012)
  • 7. Teoria Miasmática na Antiguidade • Hipócrates usou o termo “miasma” no seu livro “Ares, Águas e Lugares” • Hipócrates pensava que se um grande número de pessoas estava afetado pelo mesmo mal, a causa deveria ser algo comum a todos os acometidos: o ar • Contágio e miasma não eram noções conflitantes no âmbito das teorias hipocráticas e mesmo galênicas: O ar transportaria os miasmas, e estes causariam o desequilíbrio dos humores, ou seja, a doença • Esta era uma ideia racional para a Antiguidade HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA (CZERESNIA, 1997)
  • 8. Teoria Miasmática como Precursora da Teoria Microbiana • Teoria Miasmática: teoria biológica hegemônica que antecedeu a Teoria Microbiana na explicação da causa de doenças contagiosas, vigente por centenas de anos • O termo “malária” tem origem em mala aria (maus ares) = acreditava-se que era causada pela presença do "mau ar“ de zonas pantanosas que produziam gases; as populações que habitavam esses locais frequentemente tinham malária • Uma teoria errada que trouxe benefícios à saúde pública: O conceito de miasmas foi responsável por medidas sanitárias - enterro dos mortos, aterro dos excrementos humanos, maior ventilação de hospitais, coleta do lixo HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA (MARTINS et al., 2009)
  • 9. • Houve mudança dos sepultamentos das igrejas para os cemitérios no decorrer do século XIX, pela influência das medidas higienistas que procuravam combater a proliferação dessas doenças com a reorganização do espaço urbano e o combate aos miasmas oriundos da decomposição da matéria orgânica em putrefação no solo • Os cemitérios foram condenados até meados do XX, quando a comunidade médica já conhecia a Bacteriologia, mas ainda conservava alguns preceitos da teoria dos miasmas (MASTROMAURO, 2011) HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA Teoria Miasmática como Precursora da Teoria Microbiana
  • 10. • A hipótese de que as doenças infecciosas fossem causadas por pequenos “animalículos”, “sementes” ou “vermes” não foi aventada pela primeira vez no século XIX Na Antiguidade, a hipótese da contagiosidade de certas enfermidades foi registrada pela primeira vez pelo historiador grego Tucídides, que mencionou a noção de contágio durante a Peste de Atenas, em sua obra “A Guerra do Peloponeso” (428 a.C.) • Só a partir do uso do microscópio como poderoso auxiliar na investigação desta hipótese, diferentes cientistas foram contribuindo para o estabelecimento de uma importante ruptura epistemológica: o início da Era Bacteriológica (BATISTELLA, 2007) O Início da Era Bacteriológica HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 11. PIONEIROS: A Teoria da Contagiosidade de Fracastoro • 1546: o médico italiano Girolamo Fracastoro aventou o conceito de contágio, observando epidemias de sífilis, peste e tifo, que devastaram a Itália no século XVI HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 12. A Teoria da Contagiosidade de Girolamo Fracastoro • Fracastoro definiu o contágio como um tipo de infecção, que passava de um indivíduo para outro, por intermédio de seres vivos que se reproduziam • Denominou estes seres de seminaria contagionum (sementes de contágio) transmitidos por contato direto, por intermédio de fômites ou à distância • Os germes ainda eram concebidos mas como substâncias químicas susceptíveis de evaporação e difusão atmosférica, e não como microorganismos vivos HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 13. A Teoria da Contagiosidade de Girolamo Fracastoro • A teoria contagiosa de Fracastoro é considerada a primeira declaração teórica do contágio nas doenças, três séculos antes das pesquisas de Pasteur e Koch • Já foi uma vitória do racionalismo, em um período em que o conceito de contágio era de difícil aceitação • Até meados do século XIX, as teorias do contágio foram consideradas especulativas, absurdas e sem fundamentação HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 14. O advento da Microscopia Para que a teoria microbiana se desenvolvesse, foi necessária a invenção do microscópio HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 15. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Invenção do microscópio – final dos anos 1590 - fundamental para o avanço da teoria microbiana das doenças • 1590 - Invenção do primeiro microscópio - holandeses conhecedores de óptica - Hans e Zacharias Janssen – duas lentes em um cilindro – aumento de 3 a 9 vezes A Invenção do Microscópio - Hans e Zacharias Janssen
  • 16. Antony van Leeuwenhoek (1674) HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • O microscópio foi aperfeiçoado pelo naturalista holandês Antony van Leeuwenhoek, que o utilizou na observação de seres vivos – microscópio ainda rudimentar • Familiarizado com o uso de lentes de aumento para inspecionar tecelagens, passou a usá-las para observar fluídos biológicos, como água, saliva, fezes e sangue • Dotado de apenas uma lente de vidro, o microscópio primitivo permitia aumento de percepção visual de até 300 vezes e com razoável nitidez
  • 17. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Leeuwenhoek visualizou microorganismos = Mesmo sem formação científica, observou em 1683 “animalículos”, que seriam futuramente chamados de bactérias • Os animalículos foram associados à fermentação e à putrefação, cujo mecanismo ainda não estava claro = a explicação foi buscada na teoria da geração espontânea Antony van Leeuwenhoek (1674)
  • 18. Robert Hooke HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • 1665: O microscópio primitivo de Leeuwenhoek foi aprimorado por Robert Hooke, ganhando mais uma lente e maior ampliação de imagem – Hooke publicou suas observações no trabalho “Micrographia”, uma das mais importantes obras científicas de todos os tempos
  • 19. A contribuição de Athanasius Kircher • O padre jesuíta Kircher não era médico: um intelectual de interesses amplos; dedicava-se a estudar novidades científicas da época • Principal contagionista da época, conservou o discurso de Fracastoro, apesar de utilizar o microscópio em suas observações • 1658 – Livro "Pesquisa físico-médica sobre a doença contagiosa que se chama de peste" “Todo contágio pressupõe putrefação” (Athanasius Kircher)  As teorias de Kircher foram ridicularizadas na época HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 20. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Acreditava-se que a putrefação surgia de materiais simples por processo de geração espontânea, noção já postulada inicialmente por Aristóteles (382-322 a.C.) para explicar a decomposição de animais • Kircher introduziu a ideia de contagion animatum, supondo que organismos podiam se desenvolver a partir de matéria não viva – baseado na “Teoria da Geração Espontânea” Athanasius Kircher: “Todo contágio pressupõe putrefação” O que se entendia por “putrefação”?
  • 21. Teoria da Geração Espontânea ou Abiogênese HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Século XVII: o médico belga Jean BaptisteVan Helmont anunciou sua famosa “receita” para obter ratos, a partir da mistura de roupa suja com sementes de trigo!...
  • 22. A Teoria da Geração Espontânea foi contestada pelo médico italiano Francesco Redi no século XVII HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA Francesco Redi demonstrou, por meio de experimento, que o surgimento de larvas na carne em decomposição não ocorria de forma espontânea, mas a partir de moscas que ali depositavam seus ovos
  • 23. Controvérsia Needhan vs Spallanzani HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • 1745: Needhan era abiogenista e vitalista, sustentava que havia uma força vital que originava a vida – fez experimentos com caldo nutritivo aquecido em frascos • 1770: Spallanzani era biogenista; repetiu os experimentos de Needhan e sugeriu que os resultados obtidos por este se deviam à entrada de microorganismos do ar no caldo NEEDHAN
  • 24. • Com o uso do microscópio, o médico italiano Cosmo Bonomo foi o primeiro a identificar o patógeno de uma doença em 1687 • Bonomo descreveu através de seu microscópio o parasita da sarna, o ácaro Sarcoptes scabieii, e atribuiu claramente a causa da doença • O trabalho de Bonomo foi esquecido (BATISTELLA, 2007) HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DO PATÓGENO DE UMA DOENÇA
  • 25. • Século XVIII: Descoberta da vacina antivariólica • O médico Inglês Edward Jenner fundou a vacinação, embora não tenha sido o primeiro a utilizar esta técnica • Em 1796, foram estabelecidas as primeiras bases científicas com a vacinação por varíola bovina: primeira tentativa científica de prevenção de uma doença infecciosa O advento da vacinação antecedeu a inauguração propriamente dita da Teoria Microbiana HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 26. História da Saúde Pública Edward Jenner: O “Pai” da Vacinação Jenner inoculou pus da varíola humana em uma criança, que não adquiriu a doença: Esta foi a única vacina existente até Instituto Pasteur, 90 anos depois, no final do século XIX, produzir vacina contra a raiva (vide aula História da Saúde Pública – Parte I)
  • 27. AGOSTINO BASSI E A MUSCARDINA HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Em 1835, Agostino Bassi, entomologista italiano, afirmou a natureza infecciosa da muscardina, infecção que afetava os bichos-da-seda – fungo chamado atualmente de Bavaria bassiana – proporcionou a primeira prova experimental de um agente biológico como causa de doença • Portanto, Bassi contribuiu para reforçar a teoria de que as doenças contagiosas poderiam ter origem microbiana
  • 28. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • A base real para a criação da Teoria Microbiana também se deve ao trabalho de Jacob Henle em 1840 • Artigo “Von den Miasmen und Contagien”: Baseado nas descobertas de Agostino Bassi sobre a etiologia microbiana específica das fermentações • Intuiu a natureza do contágio e reconheceu que sua teoria necessitava de apoio • Um de seus alunos, Robert Koch, mais tarde, converteu a teoria em fatos que comprovavam a relação entre os microorganismos e a doença A contribuição de Jacob Henle
  • 29. ARMAND DE QUATREFAGES E A PEBRINA HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Entre 1858 e 1860, o naturalista Armand de Quatrefages estudou a doença dos bichos-da-seda na França, e que chamou de “pebrina”, afirmando que era diferente da muscardina estudada antes por Bassi entre 1808 e 1835 • Quatrefages não considerou que os microorganismos eram a causa da doença, e sim um sintoma, e com base na teoria dos miasmas, explicou que o contágio era provocado pelo ar contaminado – Recomendou, então, que os criadores adotassem medidas de higiene e ambiente arejado • Como as lagartas doentes geravam ovos já contaminados, levantou-se a hipótese de que a pebrina fosse hereditária
  • 30. Casimir Davaine, precursor de Pasteur em relação ao Antraz HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • 1863: influenciado pela pesquisa de Pasteur sobre fermentação, o francês Davaine elucidou a causa do antraz, mas sua explicação foi contrariada por aqueles que se opuseram à ideia de que se tratava de uma infecção por microorganismo • Entre 1878 e 1880, Pasteur publicou vários artigos sobre o Antraz, usando a terminologia de Davaine para bactérias – bacteridias • As pesquisas de Davaine foram ampliadas e confirmadas por Pasteur e por Koch, que mostraram que o antraz é causado por um bacilo • Pasteur e Davaine defenderam a ideia de que as doenças eram causadas por microorganismos, porém o nome lembrado é apenas o de Pasteur
  • 31. LOUIS PASTEUR • Cientista francês, químico de formação, conquistou admiração, respeito e grande prestígio em vida, sendo reconhecido como herói nacional da França e benfeitor da Humanidade • A Pasteur atribui-se a Teoria Microbiana das Doenças Infecciosas HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 32. Trabalhos científicos importantes na História da Medicina atribuídos a Louis Pasteur • Fermentação alcoólica • Pasteurização • Vacinas • Regras básicas de esterilização e assepsia • Demonstração da inexistência da geração espontânea • Teoria microbiana das doenças infecciosas HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 33. Pasteur no embate Abiogênese vs Biogênese HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 34. • Embates científicos importantes envolvendo Pasteur HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA  A contenda Pouchét-Pasteur sobre biogênese/abiogênese  A discussão Pasteur-Béchamp sobre a teoria microbiana  A controvérsia Pasteur Liebig-Pasteur sobre a fermentação e o vitalismo  O embate Pasteur vs Bastian sobre geração espontânea  A controvérsia Pasteur-Clement le Fort  O debate Pasteur vs Claude-Bernard sobre micróbios e meio interno  A disputa Koch-Pasteur no estabelecimento da causa do Antraz
  • 35. • PASTEUR, POUCHET E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA  O debate entre Felix-Archimède Pouchet e Pasteur sobre a geração espontânea na Academia de Ciências da França  Pouchet afirmava que todas as formas de vida nasciam de ovos, mas que estes nasciam por geração espontânea – realizou uma série de experiências, demonstrando que microorganismos nasciam espontaneamente  Pasteur demonstrou que os microorganismos, que pareciam nascer espontaneamente em experimentos de Pouchet, provinham do ar contaminado
  • 36. Embate científico Antoine Béchamp vs Louis Pasteur HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Propõem duas explicações aparentemente opostas sobre a doença • Pasteur defendeu a teoria microbiana: são os germes que produzem as doenças • Béchamp apresentou a teoria celular (vitalismo): são as doenças que tornam os micróbios patogênicos - não nega que as bactérias possam provocar doenças, mas que a maioria das bactérias são inofensivas até haver desequilíbrio do organismo • O modelo hegemônico de medicina na época e no século XX escolheu as explicações de Pasteur; este ficou famoso enquanto Béchamp foi esquecido pela História Pasteur era hostil a Béchamp, cujo trabalho era visto como ameaça à sua teoria
  • 37. A Rivalidade entre Pasteur e Koch HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Uma rivalidade feroz mas fecunda para a Microbiologia: “duelos” com publicações científicas, cartas abertas, comunicações em congressos médicos, embates acusadores • A controvérsia Pastor-Koch refletiu, em parte, o então antagonismo geopolítico entre a França e a Alemanha na época • As escolas de microbiologia de Pasteur e Koch tinham diferentes métodos e filosofias • As contendas foram desencadeados pelas duras críticas de Koch ao trabalho de Pasteur sobre a atenuação de vírus; Pasteur e Koch escreveram editoriais s que aparecem em 1883 no Boston Medical and Surgical Journal com críticas de Pasteur à revisão de Koch e de Koch sobre a pesquisa de Pasteur a respeito da inoculação do bacilo do Antraz • Cada um fez descobertas fundamentais na Teoria Microbiana que revolucionaram a medicina
  • 38. Pasteur e a Muscardina HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • 1865 - Investigando a doença do bicho-da-seda, Pasteur divulgou que um protozoário causava a infecção (muscardina) – utilizando os dados de Agostino Bassi, descreveu métodos para isolar o agente microbiano • Bassi é considerado por alguns historiadores o fundador mais importante que Pasteur na ciência da microbiologia • Contudo, a tendência a depreciar as contribuições de Pasteur deve ser evitada pois não está de acordo com o verdadeiro espírito científico
  • 39. Pasteur e a contribuição de Emile Roux HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA Um dos colaboradores mais próximos de Louis Pasteur Cofundador do Instituto Pasteur Responsável pela produção do soro antidiftérico pelo Instituto, a primeira terapia eficaz para esta doença Importantes contribuições relacionadas à vacina contra a raiva – possivelmente superiores às de Pasteur
  • 40. Pasteur, a vacina contra o Antraz e a contribuição de Jean Joseph Henri Toussaint HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA  Médico veterinário que desenvolveu um método para produção da vacina contra o antraz  1880: Toussaint apresentou resultados bem sucedidos com a vacina atenuada contra o antraz (Chevallier-Jussiau, 2010)  Pasteur contestou os resultados de Toussaint porque este usou um método químico diferente do seu, mas passou a usar esse mesmo método para produzir vacinas em seu laboratório, e o crédito pela criação da vacina acabou sendo dado a Pasteur
  • 41. Claude Bernard vs Louis Pasteur HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • O trabalho de Claude Bernard estava alinhado com o de Béchamp, mas era próximo a Pasteur • Claude Bernard, célebre médico francês, que fundou muitas bases da fisiologia moderna, postulava que a saúde do organismo depende do seu próprio meio interno • Pasteur, pouco antes de morrer, afirmou: “Bernard tinha razão, eu estava errado, o micróbio não é nada, o terreno é tudo”
  • 42. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 43. GEISON, G. A Ciência Particular de Louis Pasteur. São Paulo: Contraponto, 2002 Martins RA, Martins LAP, Ferreira RR, Toledo MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 8. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap08.html Impostura e plagiarismo na obra de Pasteur? HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA - Philippe Decourt, membro da Academia Internacional da História da Medicina - livro Les Vérités indésirables. Comment on falsifie l’histoire: le cas Pasteur (As Verdades Indesejáveis. Como falsificamos a história: o caso Pasteur), publicado nos anos 1990 - Ethel Douglas Hume, autora do livro publicado em 1948 “Bechamp or Pasteur?: A Lost Chapter in the History of Biology” (Béchamp ou Pasteur. Um capítulo perdido da história da biologia)
  • 44. (MARTINS, 2009) HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 45. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA CASE, T. F. Microbiologia. Porto Alegre: ArtMed, 2017
  • 46. Outras descobertas importantes na história da Teoria Microbiana das doenças  Assepsia cirúrgica: Joseph Lister  Infecção hospitalar: Ignaz Semelweiss  Veiculação hídrica da cólera: John Snow HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 47. Joseph Lister HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA 1860 - Ao aplicar a teoria de Pasteur, o cirurgião britânico Joseph Lister encontrou os fundamentos a partir dos quais surgiria a antissepsia • A introdução do processo antisséptico diminuiu mortes por infecção após procedimentos cirúrgicos • O primeiro a utilizar uma solução de ácido carbólico (fenol) como um eficiente agente antisséptico
  • 48. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Ao se deparar com os elevados índices de febre puerperal na maternidade de Viena, o médico húngaro Ignaz Semmelweis postulou a relação entre lavagem das mãos e infecção hospitalar prevenção da febre puerperal na maternidade de Viena Ignaz Semmelweis e a
  • 49. Ignaz Semmelweis e a “matéria cadavérica” HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • 1847: Semmelweis publicou trabalho que viria a confirmar a sua hipótese da transmissão de infecções hospitalares na maternidade de Viena • Demonstração da incidência da infecção puerperal maior nas parturientes assistidas por médicos que nas assistidas por parteiras; os estudantes de medicina circulavam livremente pela sala de autópsia e pelas enfermarias da maternidade
  • 50. Ignaz Semmelweis e a “matéria cadavérica” HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Em necropsia feita em um patologista que morrera após ferimento no dedo na mesma clínica, os achados foram semelhantes aos vistos nas pacientes que morreram por febre puerperal • Antes mesmo da descoberta dos microrganismos, Semmelweis constatou que havia transmissão cruzada de infecção • Semmelweis escolheu o hipoclorito de cálcio como desinfetante para remover “venenos cadavéricos” e determinou que todos os médicos, estudantes e pessoal de enfermagem deviam lavar as mãos com solução clorada
  • 51. Ignaz Philipp Semmelweis HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA Gráfico comparativo a evolução da mortalidade de puérperas entre as maternidades de Dublin e Viena (Autoria: Domínio Público) Gráfico comparativo a evolução da mortalidade de puérperas na maternidade de Viena antes e após a instituição da lavagem das mãos pela equipe de saúde (Autoria: Domínio Público) Semmelweiss e a prevenção da febre puerperal
  • 52. John Snow e a Veiculação Hídrica da Cólera • John Snow revolucionou a concepção sobre a causa de doenças infecciosas com suas investigações, refutando a teoria dos miasmas e abrindo as portas para a teoria microbiana • John Snow investigou epidemias de cólera de Londres em 1850 • Antecipou a teoria microbiana antes mesmo de Pasteur HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 53. A partir dos estudos de Snow sobre a cólera - com provas epidemiológicas - as descobertas de Pasteur e Koch – com provas microbiológicas - a Teoria Microbiana firmou-se como explicação hegemônica para a causalidade das doenças no final do século XIX (vide AULA História da Saúde Pública – Parte I) Assim, começou o período conhecido como Era Bacteriológica (1880-1920) HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA John Snow e a Veiculação Hídrica da Cólera
  • 54. Robert Koch HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • O próximo passo para uma maior compreensão da importância dos microrganismos foi dado pelo médico alemão Robert Koch • Estudando o antraz, foi o primeiro a provar que um tipo específico de micróbio causa uma determinada doença, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da Teoria Microbiana das Doenças (1876) Pioneiro na comprovação de que as bactérias podem provocar doenças nos seres vivos
  • 55. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA • Descobriu o bacilo causador da tuberculose (1882) – Nobel de Medicina em 1905 • Descobriu também o Vibrio cholerae • Na década de 1890: expedição a vários países para estudar a transmissão da malária; pesquisou sobre a hanseníase, a peste bovina, a peste bubônica e a doença do sono Desenvolveu os Postulados de Koch, conjunto de medidas para demonstrar que um microrganismo seja considerado a causa de uma doença - sistematizou a pesquisa e identificação de doenças provocadas por bactérias ROBERT KOCH
  • 56. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA A bacteriologia, então, tornou-se uma disciplina acadêmica consolidada com as descobertas e a classificação subsequente de uma série de bactérias patogênicas após o final do século XIX
  • 57. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA
  • 58. HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA “The microscope or the telescope, which of the two has the grander view?” (Victor Hugo, 1862, “Les Miserables”)
  • 59. REFERÊNCIAS • BATISTELLA, C. Saúde, Doença e Cuidado: Saúde, Doença e Cuidado: complexidade teórica e necessidade histórica. In: FONSECA, A. F. O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/educacao_profissional_docencia_saude_v1.pdf • CHEVALLIER-JUSSIAU N. Henry Toussaint and Louis Pasteur. Rivalry over a vaccine. Hist Sci Med. 2010;44(1):55-64. • CZERESNIA, D.: 'Do contágio à transmissão: urna mudança na estrutura perceptiva de apreensão da epidemia'. História, Ciências, Saúde— Manguinhos, 4 (1): 75-94, 1997 • FONTANA, R. T. As infecções hospitalares e a evolução histórica das infecções. Rev. bras. enferm. 59 (5): 703-706, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n5/v59n5a21.pdf • KARAMANOU M, PANAYIOTAKOPOULOS G, TSOUCALAS G. et al. From miasmas to germs: a historical approach to theories of infectious disease transmission. Le Infezioni in Medicina, 1: 52-56, 2012. Disponível em: http://www.infezmed.it/media/journal/Vol_20_1_2012_9.pdf • MASTROMAURO, G. C. Surtos epidêmicos, teoria miasmática e teoria bacteriológica: instrumentos de intervenção nos comportamentos dos habitantes da cidade do século XIX e início do XX. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH São Paulo, 2011 [online] Disponível em: http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300472386_ARQUIVO_Mastromauro.pdf • GEISON, G. A Ciência Particular de Louis Pasteur. São Paulo: Contraponto, 2002 • MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 8. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap08.html • MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 10. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap10.html • MARTINS RA, MARTINS LAP, FERREIRA RR, TOLEDO MCF. Contágio: história da prevenção das doenças transmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997. Cap. 6. [Online] Disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/pag111.html • MARTINS, L. A. C. P. Pasteur e a geração espontânea: uma história equivocada. Filosofia e História da Biologia, 4: 65-100, 2009. Disponível em: http://www.abfhib.org/FHB/FHB-04/FHB-v04-03-Lilian-Martins.pdf HISTÓRIA DA TEORIA MICROBIANA