Filosofia Antiga
Pensamento Pré-socrático
      Prof. Aldenei Barros
  E.E. Prof.ª Sebastiana Braga
Introdução
Iniciemos esta viagem pelo tempo e investiguemos como a
consciência racional começou a suplantar a consciência mítica
na Grécia antiga, engendrando essa aventura do pensamento, a
filosofia, da qual derivaram todas as ciências.
Quem foram os principais atores desse processo inaugural?
O que buscavam, o que encontraram?
É o que veremos em seguida.
Pólis e Filosofia

A passagem do mito ao logos
Na história do pensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia
entre os séculos VII e VI a.C., promovendo a passagem do saber
mítico (alegórico) ao pensamento racional (logos).
Essa passagem ocorreu durante longo processo histórico, sem
um rompimento brusco e imediato com as formas de
conhecimentos utilizadas no passado.
Conforme analisa o historiador francês Pierre Grimal (1912-
1996) em A mitologia grega:
              O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão,
como a palavra que narra à palavra que demonstra.
              Logos e mito são as duas metades da linguagem,
duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito.
              O logos, sendo uma argumentação, pretende
convencer.
              O logos é verdadeiro, no caso de ser justo e
conforme à "lógica"; é falso quando dissimula alguma burla
secreta (sofisma).
Mas o mito tem por finalidade apenas a si mesmo.
             Acredita-se ou não nele, conforme a própria
vontade, mediante um ato de fé, caso pareça "belo" ou
verossímil, ou simplesmente porque se quer acreditar.
              O mito, assim, atrai em torno de si toda a parcela
do irracional existente no pensamento humano; por sua
própria natureza, é aparentado à arte, em todas as suas
criações.
              (p. 89).
Mitologia uma série de deuses (Zeus, Hera, Ares, Atena etc.),
Os gregos cultuavam
                    grega.
além de heróis ou semideuses (Teseu, Hércules, Perseu etc.).
Relatando a vida desses deuses e heróis e seu envolvimento com os
humanos, criaram uma rica mitologia, isto é, um conjunto de lendas e
crenças que, de modo simbólico, fornecem explicações para a realidade
universal.
Integra a mitologia grega grande número de "relatos maravilhosos" e de
lendas que inspiraram e ainda inspiram diversas obras artísticas ocidentais.
O mito de Édipo, rico em significados, é um exemplo disso.
 Na Antiguidade, foi utilizado pelo dramaturgo Sófocles (496-406 a.C.), na
tragédia Édipo rei, para uma reflexão sobre as questões da culpa e da
responsabilidade dos indivíduos perante as normas e os tabus
(comportamento que, dentro dos costumes de uma comunidade, é
considerado nocivo e perigoso, sendo por isso proibido a seus membros).
Pólis e razão
Retornemos a nosso tema, o nascimento da filosofia.
Segundo análise do historiador francês Jean-Pierre Vernant (1914-
2007), o momento histórico da Grécia antiga em que se afirma a
utilização do logos (a razão) para resolver os problemas da vida
estaria vinculado ao surgimento da pólis, cidade-Estado grega.
A pólis foi uma nova forma de organização social e política
desenvolvida entre os séculos VIII e VI a.C.
Nela, eram os cidadãos que dirigiam os destinos da cidade.
Como criação dos cidadãos, e não dos deuses, a pólis estava
organizada e podia ser explicada de forma racional, isto é, de
acordo com a razão.
Tales de Mileto ( 640-546 a.C.)
           Segundo geralmente se acredita, pode ser
           considerado o primeiro filósofo de que se
           tem notícia. Foi um notável cientista, que
           conseguiu prever com exatidão um eclipse
           solar em 585 a.C.
           O princípio originador de todas as coisas,
           para Tales seria a água. E ia mais longe, ao
           afirmar que todas as coisas existentes no
           universo derivam da água.
Anaximandro (610-547a.C.)




   Anaximandro tomou uma direção oposta à de Tales. Enquanto Tales
   acreditava que todo o universo derivava de uma única substância material,
   Anaximandro ensinava que o princípio originador de todas as coisas era o
   apeiron. Embora não se conheça com exatidão a tradução exata,
   Anaximandro qualificava o apeiron como uma realidade indeterminada ou o
   infinito, ou ainda , o ilimitado , segundo algumas traduções de alguns
   fragmentos de seus escritos. Os atributos que o apeiron possui são,
   evidentemente, atributos de divindade, já que o mesmo é eterno, imortal,
   transcendental, imperecível e não-gerado. Podemos afirmar, que
   Anaximandro “chegou perto de um conceito de divindade”.
Anaxímenes (588-524 a.C.)
         Segundo o escritor Jostein Gaarder, para
         Anaxímenes, “o ar ou o sopro de ar era a
         substância básica de todas as coisas” (3). Segundo
         Anaximandro , todas as coisas eram produtos do ar
         e a ele retornavam , por um duplo movimento de
         condensação e rarefação. O ar se condensaria e se
         transformaria em água. Através da compressão, a
         água se transformaria em terra, a terra em fogo e
         assim por diante.
Pitágoras (c. 570-490 a.C.)



Resposta bastante distinta na busca da arché veio de Pitágoras de Samos.
Profundo estudioso da matemática, Pitágoras defendeu a tese de que
todas as coisas são números.
Se para Pitágoras "tudo é número", isso quer dizer que o princípio
fundamental (a arché) seria a estrutura numérica, matemática, da
realidade.
 A diferença entre as coisas resultaria, essencialmente, de uma questão
de números.
Os pitagóricos entendiam, por exemplo, que os corpos eram
constituídos por pontos e a quantidade de pontos de um corpo definiria
suas propriedades.
Heráclito (535 – 475 a.C.)
        Assim como os pensadores de Mileto, Heráclito
        observava que a realidade é dinâmica e que a vida está
        em constante transformação.
        Mas, diferentemente dos milésios - que buscavam na
        mudança aquilo que permanece -, decidiu concentrar
        sua reflexão sobre o que muda.
        Assim, o filósofo dirá que tudo flui, nada persiste nem
        permanece o mesmo. O ser não é mais que o vir a
        ser. "Tu não podes descer duas vezes no mesmo rio,
        porque novas águas correm sobre ti" (HERÁCLITO,
        em SOUZA, Pré-socráticos, p. XXXI).
Parmênides de Eléia ( “a filosofia de ParmênidesC.)pode
        Segundo García Morente,
                                515-450 a. não
             ser compreendida se não se coloca em relação polêmica com
             a filosofia de Heráclito .(...) Parmênides, analisando a ideia
             mesma de devir, de fluir, de mudar, encontra nessa ideia o
             elemento de que o ser deixa de ser o que é para tornar-se
             outra coisa, e , ao mesmo tempo que se torna outra coisa,
             deixa de ser o que é para tornar-se outra coisa. Verifica-se,
             pois, que, dentro da ideia do devir, há uma contradição lógica:
             que o ser não é; que aquele que é não é, visto que o que é
             neste momento já não é neste momento , antes passa a ser
             outra coisa. (...)Como pode alguém compreender que o que
             é não seja, e , o que não é seja? (...)Temos, pois, que opor às
             contradições, aos absurdos, à ininteligibilidade da filosofia de
             Heráclito um princípio de razão, um princípio de pensamento
             que não possa nunca falhar. Qual será este princípio? Este: o
             ser é; o não ser não é.(...)As coisas tem um ser, este ser é. Se
             não tem ser, o não-ser não é” (9).
Zenão de Eléia (490-430 a.C.)
      Coube a Zenão, discípulo de Parmênides, elaborar a
      apologia ao pensamento do mestre, como Platão faria a
      respeito de Sócrates, alguns anos mais tardes.
      Russel Norman Champlin fez uma análise detalhada dos
      chamados paradoxos de Zenão. Trata-se de uma série de
      seis argumentos elaborados por Zenão, a fim de criticar a
      teoria heraclítica do movimento e assim, reafirmar a
      concepção parmenideana da imutabilidade do ser. Zenão
      tornou-se famoso por seu método de investigação filosófica
      conhecido como reductio ad absudum ( redução ao
      absurdo) outra regra consagrada da lógica.
Empédocles ( 490 – 430 a. C.)
      Ocupou-se em refutar a noção de que todas as coisas no universo
      vieram à tona através de um princípio. Segundo ele, não existe aquilo
      que podemos chama de “criação”, já que o que existe são ciclos
      eternos de começos e fins.
      Também introduz a idéia de que, ao invés do que ensinavam Tales,
      Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito , não haveria um único
      “elemento primordial” e sim quatro elementos: terra, ar, fogo e água.
      Todos esses elementos seriam unidos pelo amor, o que equivale ao
      início de um novo ciclo, e separados por Conflito, ocasionando a
      separação dos elementos e também ao fim de um ciclo. Segundo ele,
      tal processo se repetiria eternamente.
      Apesar de oferecerem outras alternativas para a questão do princípio
      originador de todas as coisas, Anaxágoras e Empédocles não
      apresentaram uma solução satisfatória para a oposição existente
      entre ser e devir, razão pela qual, o filósofo Platão de Atenas e
      Sócrates, seu antecessor e mestre, retomarão o tema e a partir deste,
      constituirão uma nova escola filosófica: o idealismo.
Demócrito (460 – 370 a.C.)
     Demócrito foi o filósofo responsável - junto com seu mestre, Leucipo - pelo
     desenvolvimento de uma doutrina conhecida pelo nome de atomismo.
     Concordava com a necessidade de plenitude e unidade do ser (como havia
     afirmado Parmênides), mas não aceitava que o não ser (o movimento, a
     multiplicidade) fosse uma ilusão.
     Para ele, a experiência d’o movimento era justamente a prova da existência de
     um não ser, que em sua concepção era o vazio.
     Segundo sua doutrina, todas as coisas que formam a realidade são constituídas
     por partículas invisíveis (porque muito minúsculas) e indivisíveis.
     Denominou-as, por isso, átomos, palavra de origem grega que significa "não
     divisível" (a, negação; tomo, "parte, divisão").
     O átomo democrítico seria equivalente ao ser parmenídico: uno, pleno e
     eterno.
     No entanto, além dos átomos, Demócrito concebeu a noção de que toda a
     realidade é composta também do vazio, que representaria a ausência de ser (o
     não ser).

Filosofia antiga

  • 2.
    Filosofia Antiga Pensamento Pré-socrático Prof. Aldenei Barros E.E. Prof.ª Sebastiana Braga
  • 3.
    Introdução Iniciemos esta viagempelo tempo e investiguemos como a consciência racional começou a suplantar a consciência mítica na Grécia antiga, engendrando essa aventura do pensamento, a filosofia, da qual derivaram todas as ciências. Quem foram os principais atores desse processo inaugural? O que buscavam, o que encontraram? É o que veremos em seguida.
  • 4.
    Pólis e Filosofia Apassagem do mito ao logos
  • 5.
    Na história dopensamento ocidental, a filosofia nasce na Grécia entre os séculos VII e VI a.C., promovendo a passagem do saber mítico (alegórico) ao pensamento racional (logos). Essa passagem ocorreu durante longo processo histórico, sem um rompimento brusco e imediato com as formas de conhecimentos utilizadas no passado.
  • 6.
    Conforme analisa ohistoriador francês Pierre Grimal (1912- 1996) em A mitologia grega: O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão, como a palavra que narra à palavra que demonstra. Logos e mito são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito. O logos, sendo uma argumentação, pretende convencer. O logos é verdadeiro, no caso de ser justo e conforme à "lógica"; é falso quando dissimula alguma burla secreta (sofisma).
  • 7.
    Mas o mitotem por finalidade apenas a si mesmo. Acredita-se ou não nele, conforme a própria vontade, mediante um ato de fé, caso pareça "belo" ou verossímil, ou simplesmente porque se quer acreditar. O mito, assim, atrai em torno de si toda a parcela do irracional existente no pensamento humano; por sua própria natureza, é aparentado à arte, em todas as suas criações. (p. 89).
  • 8.
    Mitologia uma sériede deuses (Zeus, Hera, Ares, Atena etc.), Os gregos cultuavam grega. além de heróis ou semideuses (Teseu, Hércules, Perseu etc.). Relatando a vida desses deuses e heróis e seu envolvimento com os humanos, criaram uma rica mitologia, isto é, um conjunto de lendas e crenças que, de modo simbólico, fornecem explicações para a realidade universal. Integra a mitologia grega grande número de "relatos maravilhosos" e de lendas que inspiraram e ainda inspiram diversas obras artísticas ocidentais. O mito de Édipo, rico em significados, é um exemplo disso. Na Antiguidade, foi utilizado pelo dramaturgo Sófocles (496-406 a.C.), na tragédia Édipo rei, para uma reflexão sobre as questões da culpa e da responsabilidade dos indivíduos perante as normas e os tabus (comportamento que, dentro dos costumes de uma comunidade, é considerado nocivo e perigoso, sendo por isso proibido a seus membros).
  • 9.
    Pólis e razão Retornemosa nosso tema, o nascimento da filosofia. Segundo análise do historiador francês Jean-Pierre Vernant (1914- 2007), o momento histórico da Grécia antiga em que se afirma a utilização do logos (a razão) para resolver os problemas da vida estaria vinculado ao surgimento da pólis, cidade-Estado grega. A pólis foi uma nova forma de organização social e política desenvolvida entre os séculos VIII e VI a.C. Nela, eram os cidadãos que dirigiam os destinos da cidade. Como criação dos cidadãos, e não dos deuses, a pólis estava organizada e podia ser explicada de forma racional, isto é, de acordo com a razão.
  • 11.
    Tales de Mileto( 640-546 a.C.) Segundo geralmente se acredita, pode ser considerado o primeiro filósofo de que se tem notícia. Foi um notável cientista, que conseguiu prever com exatidão um eclipse solar em 585 a.C. O princípio originador de todas as coisas, para Tales seria a água. E ia mais longe, ao afirmar que todas as coisas existentes no universo derivam da água.
  • 12.
    Anaximandro (610-547a.C.) Anaximandro tomou uma direção oposta à de Tales. Enquanto Tales acreditava que todo o universo derivava de uma única substância material, Anaximandro ensinava que o princípio originador de todas as coisas era o apeiron. Embora não se conheça com exatidão a tradução exata, Anaximandro qualificava o apeiron como uma realidade indeterminada ou o infinito, ou ainda , o ilimitado , segundo algumas traduções de alguns fragmentos de seus escritos. Os atributos que o apeiron possui são, evidentemente, atributos de divindade, já que o mesmo é eterno, imortal, transcendental, imperecível e não-gerado. Podemos afirmar, que Anaximandro “chegou perto de um conceito de divindade”.
  • 13.
    Anaxímenes (588-524 a.C.) Segundo o escritor Jostein Gaarder, para Anaxímenes, “o ar ou o sopro de ar era a substância básica de todas as coisas” (3). Segundo Anaximandro , todas as coisas eram produtos do ar e a ele retornavam , por um duplo movimento de condensação e rarefação. O ar se condensaria e se transformaria em água. Através da compressão, a água se transformaria em terra, a terra em fogo e assim por diante.
  • 14.
    Pitágoras (c. 570-490a.C.) Resposta bastante distinta na busca da arché veio de Pitágoras de Samos. Profundo estudioso da matemática, Pitágoras defendeu a tese de que todas as coisas são números. Se para Pitágoras "tudo é número", isso quer dizer que o princípio fundamental (a arché) seria a estrutura numérica, matemática, da realidade. A diferença entre as coisas resultaria, essencialmente, de uma questão de números. Os pitagóricos entendiam, por exemplo, que os corpos eram constituídos por pontos e a quantidade de pontos de um corpo definiria suas propriedades.
  • 15.
    Heráclito (535 –475 a.C.) Assim como os pensadores de Mileto, Heráclito observava que a realidade é dinâmica e que a vida está em constante transformação. Mas, diferentemente dos milésios - que buscavam na mudança aquilo que permanece -, decidiu concentrar sua reflexão sobre o que muda. Assim, o filósofo dirá que tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo. O ser não é mais que o vir a ser. "Tu não podes descer duas vezes no mesmo rio, porque novas águas correm sobre ti" (HERÁCLITO, em SOUZA, Pré-socráticos, p. XXXI).
  • 16.
    Parmênides de Eléia( “a filosofia de ParmênidesC.)pode Segundo García Morente, 515-450 a. não ser compreendida se não se coloca em relação polêmica com a filosofia de Heráclito .(...) Parmênides, analisando a ideia mesma de devir, de fluir, de mudar, encontra nessa ideia o elemento de que o ser deixa de ser o que é para tornar-se outra coisa, e , ao mesmo tempo que se torna outra coisa, deixa de ser o que é para tornar-se outra coisa. Verifica-se, pois, que, dentro da ideia do devir, há uma contradição lógica: que o ser não é; que aquele que é não é, visto que o que é neste momento já não é neste momento , antes passa a ser outra coisa. (...)Como pode alguém compreender que o que é não seja, e , o que não é seja? (...)Temos, pois, que opor às contradições, aos absurdos, à ininteligibilidade da filosofia de Heráclito um princípio de razão, um princípio de pensamento que não possa nunca falhar. Qual será este princípio? Este: o ser é; o não ser não é.(...)As coisas tem um ser, este ser é. Se não tem ser, o não-ser não é” (9).
  • 17.
    Zenão de Eléia(490-430 a.C.) Coube a Zenão, discípulo de Parmênides, elaborar a apologia ao pensamento do mestre, como Platão faria a respeito de Sócrates, alguns anos mais tardes. Russel Norman Champlin fez uma análise detalhada dos chamados paradoxos de Zenão. Trata-se de uma série de seis argumentos elaborados por Zenão, a fim de criticar a teoria heraclítica do movimento e assim, reafirmar a concepção parmenideana da imutabilidade do ser. Zenão tornou-se famoso por seu método de investigação filosófica conhecido como reductio ad absudum ( redução ao absurdo) outra regra consagrada da lógica.
  • 18.
    Empédocles ( 490– 430 a. C.) Ocupou-se em refutar a noção de que todas as coisas no universo vieram à tona através de um princípio. Segundo ele, não existe aquilo que podemos chama de “criação”, já que o que existe são ciclos eternos de começos e fins. Também introduz a idéia de que, ao invés do que ensinavam Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito , não haveria um único “elemento primordial” e sim quatro elementos: terra, ar, fogo e água. Todos esses elementos seriam unidos pelo amor, o que equivale ao início de um novo ciclo, e separados por Conflito, ocasionando a separação dos elementos e também ao fim de um ciclo. Segundo ele, tal processo se repetiria eternamente. Apesar de oferecerem outras alternativas para a questão do princípio originador de todas as coisas, Anaxágoras e Empédocles não apresentaram uma solução satisfatória para a oposição existente entre ser e devir, razão pela qual, o filósofo Platão de Atenas e Sócrates, seu antecessor e mestre, retomarão o tema e a partir deste, constituirão uma nova escola filosófica: o idealismo.
  • 19.
    Demócrito (460 –370 a.C.) Demócrito foi o filósofo responsável - junto com seu mestre, Leucipo - pelo desenvolvimento de uma doutrina conhecida pelo nome de atomismo. Concordava com a necessidade de plenitude e unidade do ser (como havia afirmado Parmênides), mas não aceitava que o não ser (o movimento, a multiplicidade) fosse uma ilusão. Para ele, a experiência d’o movimento era justamente a prova da existência de um não ser, que em sua concepção era o vazio. Segundo sua doutrina, todas as coisas que formam a realidade são constituídas por partículas invisíveis (porque muito minúsculas) e indivisíveis. Denominou-as, por isso, átomos, palavra de origem grega que significa "não divisível" (a, negação; tomo, "parte, divisão"). O átomo democrítico seria equivalente ao ser parmenídico: uno, pleno e eterno. No entanto, além dos átomos, Demócrito concebeu a noção de que toda a realidade é composta também do vazio, que representaria a ausência de ser (o não ser).