Estoucansado,éclaro,
ÁlvarodeCampos
ÁlvarodeCampos
“Nasceu em Tavira em 1890, estudou
engenharia naval em Glasgow, viajou pelo
Oriente, viveu alguns anos em Inglaterra, onde
cortejava rapazes e mulheres por igual, e finalmente
regressou a Portugal, fixando residência em Lisboa.”
ÁlvarodeCampos
“Os primeiros poemas de Campos, como a Ode Triunfal,
celebravam as máquinas e a idade moderna com
exuberante e estrepitoso fôlego. Com o passar do tempo, os seus
poemas tornaram-se mais curtos e melancólicos, mas a
doutrina central de Campos seria sempre:
ÁlvarodeCampos
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma cousa de todos os modos possíveis
ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidadede todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(A Passagem das Horas)
ÁlvarodeCampos
“Para além das obras literárias publicadas em revistas,
Campos assinava cartas dirigidas aos jornais,
dava entrevistase entrava em polémicas(opondo-se, por
vezes, às teses defendidas por Fernando Pessoa).”
ÁlvarodeCampos
“Era tão «real»que até intervinha na vida quotidiana
do seu criador, substituindo-o, por exemplo, em alguns encontros
com Ofélia Queiroz, que não gostava nada do engenheiro,nem
«em Pessoa», nem nas cartas que dele recebia.”
Decadentista
Futurista
Pessimista
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimentoretrospectivo. . .
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
24-06-1935
Bibliografia/Webgrafia
ZENITH, Richard (2008) Fotobiografias Século XX: Fernando Pessoa
Rio de Mouro: Temas e Debates
https://prezi.com/8evh2bbefdpj/alvaro-de-campos/
https://www.youtube.com/watch?v=732PAD3FnLU
http://arquivopessoa.net/textos/2481
FichaTécnica
MargaridaAlmeida
Nº20
12ºP
Ano Letivo 2016/2017
Português
Prof. Teresa Atouguia

"Estou cansado, é claro," Álvaro de Campos

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  • 2.
    ÁlvarodeCampos “Nasceu em Taviraem 1890, estudou engenharia naval em Glasgow, viajou pelo Oriente, viveu alguns anos em Inglaterra, onde cortejava rapazes e mulheres por igual, e finalmente regressou a Portugal, fixando residência em Lisboa.”
  • 3.
    ÁlvarodeCampos “Os primeiros poemasde Campos, como a Ode Triunfal, celebravam as máquinas e a idade moderna com exuberante e estrepitoso fôlego. Com o passar do tempo, os seus poemas tornaram-se mais curtos e melancólicos, mas a doutrina central de Campos seria sempre:
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    ÁlvarodeCampos Sentir tudo detodas as maneiras, Viver tudo de todos os lados, Ser a mesma cousa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, Realizar em si toda a humanidadede todos os momentos Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo. (A Passagem das Horas)
  • 5.
    ÁlvarodeCampos “Para além dasobras literárias publicadas em revistas, Campos assinava cartas dirigidas aos jornais, dava entrevistase entrava em polémicas(opondo-se, por vezes, às teses defendidas por Fernando Pessoa).”
  • 6.
    ÁlvarodeCampos “Era tão «real»queaté intervinha na vida quotidiana do seu criador, substituindo-o, por exemplo, em alguns encontros com Ofélia Queiroz, que não gostava nada do engenheiro,nem «em Pessoa», nem nas cartas que dele recebia.”
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    Estou cansado, éclaro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto — Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma transparência lúcida Do entendimentoretrospectivo. . .
  • 10.
    E a luxúriaúnica de não ter já esperanças? Sou inteligente: eis tudo. Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá, Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa. 24-06-1935
  • 11.
    Bibliografia/Webgrafia ZENITH, Richard (2008)Fotobiografias Século XX: Fernando Pessoa Rio de Mouro: Temas e Debates https://prezi.com/8evh2bbefdpj/alvaro-de-campos/ https://www.youtube.com/watch?v=732PAD3FnLU http://arquivopessoa.net/textos/2481
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