Chove. Que fiz eu da vida?
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Estrutura Externa
Este poema é do poeta Fernando Pessoa, assinado pelo o seu nome, ou seja
Fernando Pessoa ortónimo. É constituído por três quadras, com rima cruzada
( esquema ABAB). Os versos têm todos seis sílabas métricas, ou seja, são
versos hexassilábicos.
Estrutura Interna
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
A reflexão sobre o seu passado e sobre a sua vida é um dos temas mais
referidos na poesia de Fernando Pessoa ortónima. Na primeira estrofe, o
sujeito poético compara a natureza (chuva) com a sua vida, encontrando um
paralelo na chuva exterior com a “chuva interior” (tristeza interior). Através
“Fiz o que ela fez de mim” percebe-se que o sujeito viveu uma vida em que
não teve controlo sobre os seus acontecimentos.
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
O sujeito sente uma angústia indefinida, que é o sentimento de alguém que
existe mas sem razão para existir pois tudo o que desejava que acontecesse
nunca se realizou, e por isso levando-o a uma condição de “ser entre saudade
e tédio”. Através da segunda estrofe o sujeito poético mostra que está á
espera que tudo (vida) acabe.
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
Nesta última estrofe, o sujeito diz que o seu passado está “partido” e que o
“outro eu”, o “quem eu pudero ter sido”, na verdade não existe, ou que, se
existe, está numa realidade inalcançável, numa realidade imaginada. Assim,
percebe-se que o sujeito poético está perdido, não só na vida mas também de
si mesmo, ou seja, este “outro eu” está “partido” de si mesmo. Então o seu
último desejo é que parasse de chover, que tudo parasse, que este sofrimento
acabasse.

Fernando pessoa ortónimo

  • 1.
    Chove. Que fizeu da vida? Chove. Que fiz eu da vida? Fiz o que ela fez de mim... De pensada, mal vivida... Triste de quem é assim! Numa angústia sem remédio Tenho febre na alma, e, ao ser, Tenho saudade, entre o tédio, Só do que nunca quis ter... Quem eu pudera ter sido, Que é dele? Entre ódios pequenos De mim, estou de mim partido. Se ao menos chovesse menos!
  • 2.
    Estrutura Externa Este poemaé do poeta Fernando Pessoa, assinado pelo o seu nome, ou seja Fernando Pessoa ortónimo. É constituído por três quadras, com rima cruzada ( esquema ABAB). Os versos têm todos seis sílabas métricas, ou seja, são versos hexassilábicos. Estrutura Interna Chove. Que fiz eu da vida? Fiz o que ela fez de mim... De pensada, mal vivida... Triste de quem é assim! A reflexão sobre o seu passado e sobre a sua vida é um dos temas mais referidos na poesia de Fernando Pessoa ortónima. Na primeira estrofe, o sujeito poético compara a natureza (chuva) com a sua vida, encontrando um paralelo na chuva exterior com a “chuva interior” (tristeza interior). Através “Fiz o que ela fez de mim” percebe-se que o sujeito viveu uma vida em que não teve controlo sobre os seus acontecimentos. Numa angústia sem remédio Tenho febre na alma, e, ao ser, Tenho saudade, entre o tédio, Só do que nunca quis ter... O sujeito sente uma angústia indefinida, que é o sentimento de alguém que existe mas sem razão para existir pois tudo o que desejava que acontecesse nunca se realizou, e por isso levando-o a uma condição de “ser entre saudade e tédio”. Através da segunda estrofe o sujeito poético mostra que está á espera que tudo (vida) acabe.
  • 3.
    Quem eu puderater sido, Que é dele? Entre ódios pequenos De mim, estou de mim partido. Se ao menos chovesse menos! Nesta última estrofe, o sujeito diz que o seu passado está “partido” e que o “outro eu”, o “quem eu pudero ter sido”, na verdade não existe, ou que, se existe, está numa realidade inalcançável, numa realidade imaginada. Assim, percebe-se que o sujeito poético está perdido, não só na vida mas também de si mesmo, ou seja, este “outro eu” está “partido” de si mesmo. Então o seu último desejo é que parasse de chover, que tudo parasse, que este sofrimento acabasse.