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Fernando Pessoa

  Vida e obra…
      Profª.: Carol Loçasso Pereira
Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth.
A infância
• Nasceu em 13 de Junho de 1888, em Lisboa.
• Vivia com o pai, a mãe, a avó (doente mental) e
  duas criadas.
• Foi batizado em 21 de Julho.
• Seu nome completo era Fernando Antônio
  Nogueira Pessoa.
• No dia 24 de Julho, o seu pai morre com 43 anos
  vítima de tuberculose. Deixando Pessoa órfão de
  pai aos 5 anos de idade.
• A sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895,
  com o comandante João Miguel Rosa.
• Após o casamento, Pessoa e a sua família foram
  viver na África do Sul.
• Na África, Pessoa viria a demonstrar suas
  habilidades para a literatura.
• A mãe tinha que dividir a sua atenção com os
  filhos e o padrasto. Pessoa isola-se, o que lhe
  propiciava momentos de reflexão.
• Na África, recebe uma educação britânica.
• Com exceção de “Mensagem”, os únicos livros
  publicados em vida são os das coletâneas dos
  seus poemas ingleses.
• Fez o curso primário na escola de freiras
  irlandesas da West Street.
• Após o falecimento da irmã, Pessoa e a sua família
  voltam a Portugal, onde escreve a poesia “Quando
  ela passa”.
• Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto
  todos regressam para a África e volta a juntar-se
  a família em 1903.
• Escreve poesia e prosa em inglês.
• Encerra os seus bem sucedidos estudos na
  África do Sul após realizar na Universidade o
  «Intermediate Examination in Arts», adquirindo
  bons resultados.
Regresso às
  origens
• Deixando a família na África, regressou
  definitivamente à capital portuguesa, em 1905.
• Continua a produção de poemas em inglês.
• Em 1906 matricula-se no Curso Superior de
  Letras.
• Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia,
  deixando-lhe uma pequena herança.
• Em 1908, dedica-se à tradução de
  correspondência comercial.
• Inicia a sua atividade de crítico literário com a
  publicação, em 1912, na revista «Águia», do
  artigo «A nova poesia portuguesa
  sociologicamente considerada».
• Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de
  1935, no Hospital de São Luís dos Franceses,
  com diagnóstico de "cólica hepática“.
• No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos
  (associada a uma cirrose hepática provocada
  pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua
  vida).
• Nos últimos momentos da sua vida pede os
  óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua
  última frase é escrita no idioma no qual foi
  educado, o inglês: I know not what tomorrow
  will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").
Legado
• Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada
  a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas
  através dos seus heterônimos.
• Alguns críticos questionam se Pessoa realmente
  teria transparecido o seu verdadeiro eu, ou se
  tudo não tivesse passado de mais um produto
  da sua vasta criação.
• O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa
  declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em
  pessoa“.
• Nas próprias palavras do poeta, ditas pelo
  heterônimo Bernardo Soares, "minha pátria é a
  língua portuguesa “
• Ou então, através de um poema:
   “Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e
                           trabalhar
  Quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da
  Civilização e o alargamento da consciência da humanidade.”
• Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano
  premiado com o Nobel da Literatura, Octavio
  Paz, diz que "os poetas não têm biografia, a sua
  obra é a sua biografia“.
• Na comemoração do centenário do seu
  nascimento em 1988, o seu corpo foi
  transladado para o Mosteiro dos Jerônimos,
  confirmando o reconhecimento que não teve em
  vida.
A mística e
  Pessoa
• Possuía ligações com o ocultismo e o
  misticismo, salientando-se a Maçonaria e a
  Rosa-Cruz.
• O seu poema hermético mais conhecido e
  apreciado entre os estudantes de esoterismo
  intitula-se "No Túmulo de Christian
  Rosenkreutz“.
• Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas
  para si mesmo.
Pessoa
Ortônimo
Os poemas assinados por Fernando Pessoa
   (ele mesmo) têm facetas distintas entre si,
   mas que no entanto se completam: captou o
   lirismo do passado português e evoluiu deste
   saudosismo para o paulismo e, depois para o
   interseccionismo e o sensacionismo.
 Paulismo: Este movimento literário prima por ambientes sombrios e
  de águas escuras e "paradas", nas quais o poeta "não se encontra".
  Os locais que o poeta descreve estão normalmente associados a
  ambientes aquáticos.
 Interseccionismo: caracteriza pela intersecção no poema de vários
  níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objetiva e
  a subjetiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o
  outro, etc.
 Sensacionismo: confere contornos mais vastos que os que definem o
  Futurismo, reconhecendo neste movimento de vanguarda apenas uma
  influência
• A obra ortônima de Pessoa passou por
  diferentes fases, mas envolve basicamente a
  procura de um certo patriotismo perdido.
• O ortônimo foi profundamente influenciado,
  em vários momentos, por doutrinas religiosas.
• A principal obra de "Pessoa ele-mesmo" é
  “Mensagem”, uma coletânea de poemas sobre
  os grandes personagens históricos
  portugueses.
Características
• Poemas lúcidos: emoções filtrada pela razão

• Meditação introvertida = intimista: interroga o
  sentido da existência

• Metalinguagem, versos curtos e rimados
Pessoa
     heterônimo
O seu gênio manifestou-se na sua
  personalidade fragmentária
Carta de Pessoa

“Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus
  heterônimos é o fundo traço de histeria que
  existe em mim. Não sei se sou simplesmente
  histérico, se sou, mais propriamente, um histero-
  neurastênico. Tendo para esta segunda hipótese,
  porque há em mim fenômenos de abulia que a
  histeria, propriamente dita, não enquadra no
  registro dos seus sintomas. Seja como for, a
  origem mental dos meus heterônimos está na
  minha tendência orgânica e constante para a
  despersonalização e para a simulação.”
Fernando Pessoa constitui um caso ímpar de
  desdobramento de si mesmo em outras
  personalidades poéticas, o que se torna visível
  por sua capacidade de deixar-se possuir por
  outros seres, que como ele são poetas, e de assim
  criar os outros “eus”, os heterônimos.
Os heterônimos não são pseudônimos. Fernando
  Pessoa não inventou personagens-poetas, mas
  criou obras de poetas e, em função delas, as
  biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e
  Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.
Álvaro de Campos, o poeta das sensações do
                  homem moderno
  Poesia marcada pela inquietação do século XX,
  personalidade citadina, que louva o movimento
  e as máquinas. Tomado pela emoção da
  existência, tem a consciência da vida, do
  progresso, da era das máquinas, do barulho, da
  eletricidade e da velocidade. Mas é triste,
  devastadoramente triste.
Seus poemas mais conhecidos são Ode Triunfal,
  Tabacaria e Poema em Linha Reta.
Características

• Engenheiro naval e elétrico
• Manifestação mais MODERNA         da   obra   de
  Fernando Pessoa = FUTURISTA
• Liberdade total nos versos
• Decadentista
• Pessimista
Ode triunfal (fragmento)
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da
                      fábrica
              Tenho febre e escrevo.
  Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza
                       disto,
 Para a beleza disto totalmente desconhecida dos
                      antigos.
   Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
 Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
          Em fúria fora e dentro de mim,
    Por todos os meus nervos dissecados fora,
   Por todas as papilas fora de tudo com que eu
                       sinto!
      Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos
                    modernos,
Ricardo Reis, o poeta neoclássico
Helenista e, portanto, cultivador de
características estruturais e de temas
clássicos, Ricardo Reis tem sua poesia
marcada pelo “carpe diem” horaciano, ou seja,
em suas odes, aparecerá o lema “gozar a
brevidade da vida, o momento, aproveitar cada
segundo, gozar o dia, desfrutar o que se possa
obter do momento em que se vive”. Cultua o
paganismo.
Características

• Poeta neoclássico, erudito
• Simplicidade forjada através do intelecto
• Preocupação formal, poemas metrificados e com
  sintaxe rebuscada
• Pastoras: Lídia, Neera e Cloe
• CARPE DIEM
Para ser grande, sê inteiro: nada
      Teu exagera ou exclui.
      Sê todo em cada coisa.
           Põe quanto és
       No mínimo que fazes.
Assim como em cada lago a lua toda
      Brilha, porque alta vive.
Alberto Caeiro, o poeta pastor (O mestre)

   Fernando Pessoa chamava-o de “Meu
Mestre Caeiro”, o mais importante de seus
heterônimos. Era um homem do campo,
simples. No entanto, um ser especulativo,
perquiridor do mundo.
   Seus poemas mais importantes estão
reunidos sob o título O Guardador de
Rebanhos e Poemas Completos de Caeiro.
   Dos principais heterônimos de Fernando
Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em
prosa. Alegava que somente a poesia seria
capaz de dar conta da realidade.
Características


• Completa naturalidade, simplicidade: prega a vida
  simples no campo.
• Panteísta (crença que identifica o universo com
  Deus).
• Linguagem simples, vocabulário limitado, versos
  livres e brancos (com métrica e sem rima).
• Realidade    captada     pelas    sensações    =
  sensacionismo.
O guardador de rebanhos (fragmento)


     O mundo não se fez para pensarmos nele
         (Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
     Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
        Mas porque a amo, e amo-a por isso,
     Porque quem ama nunca sabe o que ama,
    Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
            Amar é a eterna inocência,
          E a única inocência não pensar...
Curiosidades
• Numa tarde em que tinha combinado
  encontrar-se com um amigo Pessoa apareceu
  como de costume, com algumas horas de
  atraso, declarando ser Álvaro de Campos,
  pedindo perdão por Pessoa não ter podido
  aparecer ao encontro.
• O assento de óbito de Pessoa indica como
  causa da morte "bloqueio intestinal“.
• Existe a Universidade Fernando Pessoa
  (UFP), com sede no Porto, criada em
  homenagem ao poeta.
Obra
“Mensagem” (1934) é um livro exemplar. Composto
  por 44 poemas, é mesmo uma “mensagem” ao povo
  português em plena ditadura salazarista. É como se
  Pessoa quisesse sacudir os brios da Pátria e fazê-la
  lembrar-se de um tempo de grandeza, conquista e
  prosperidade.
      O livro Mensagem (1934) está dividido em três
  partes:
      Poemas que glorificam o valor simbólico dos heróis do
  passado, como os descobrimentos portugueses.
      Está dividido em três partes:

8. Brasão = revisita algumas personalidades da história do
   país
9. Mar Português = grandes navegações
10.O Encoberto = sebastianismo
“Autopsicografia”
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Análise do
  título
Auto + psico + grafia

Auto: de si próprio

Psico: intimo/sentimental

Grafia: escrita
Análise do
  poema
1ª estrofe – o poeta sente uma dor, mas só
  passado algum tempo é que passa para o papel.
  Logo, há uma transfiguração da dor sentida,
  numa dor que é já pensada.
  1º verso - é a partir deste verso que o poema
  se vai desenrolar.
      Fingidor - para Pessoa, não e aquele que
  engana: é aquele que cria/transfigura.
2ªestrofe – o leitor só tem acesso à dor que o
  poeta nos quer fazer sentir.
     1º verso – o leitor não sente a dor real,
  porque esta pertence ao poeta.
     2º verso – não sente a dor imaginária
  porque esta pertence ao seu criador.
     3º verso – ele sente que ele próprio sentiu.
     4º verso – o leitor só sente a dor lida.
3ª estrofe – é a conclusão, explica o papel do
coração (do sentimento) e da inteligência (da
razão).
   2-coração- vai entreter a razão
• Análise formal do poema
      Neste poema, a estrutura externa pode
  ser explicada da seguinte forma: estamos
  perante um poema de versificação tradicional
  (feita através de quadras) regular, e composto
  por três quadras.
• Esquema de rima: ABABCDCDEFEF
                       (rima cruzada)
• Métrica:”o| poe|ta| é| um| fin|gi|dor”
               (Redondilha maior)
Figuras de estilo
Hipérbato (Inversão) – consiste na separação de
  palavras que pertencem ao mesmo segmento por
  outras palavras não pertencentes a este lugar:
              “E assim nas calhas de roda
               Gira, a entreter a razão,
                Esse comboio de corda
                Que se chama coração”
Perífrase – consiste em utilizar uma expressão
  composta por vários elementos em vez do
  emprego de um só termo:
      “Os que lêem o que escreve”
Metáfora – consiste em igualar ou aproximar
dois termos que pertencem à mesma categoria
sintáctica mas cujos traços se excluem
mutuamente.
   “Gira, a entreter a razão/Esse comboio de
                     corda”
Responda:
• O poema apresenta como tema a criação
  artística, desenvolvendo-o em três planos
  ou em três níveis, demarcados pelas
  estrofes. De que trata cada uma das
  estrofes?
• Levando em conta que o poeta é um
  fingidor, levante hipóteses: Por que, de
  acordo com a 1ª estrofe, o poeta “chega a
  fingir que é dor / A dor que deveras
  sente”?
• De acordo com a 2ª estrofe:
c) A que dores se refere o texto no
   verso “Não as duas que ele teve”?
d) Os leitores não sentem as duas
   dores do poeta, “Mas só a que eles
   não têm”. Levante hipóteses: Que
   dor pode ser essa sentida pelos
   leitores?
•  Na última estrofe, são aproximados
   dois elementos que, historicamente,
   são a base da criação artística em
   todos os tempos, ora com o predomínio
   de um, ora com o predomínio de outro.
b) Quais são esses elementos?
c) Que importância têm esses elementos
   no jogo da criação literária?
• O poema tem como título
  “Autopsicografia”. O termo psicografia
  significa a relação mediúnica estabelecida
  entre dois seres humanos, um morto e um
  vivo, sendo este o meio pelo qual aquele
  escreve; o prefixo auto- significa “por si
  mesmo”. Levando em conta esses dados e
  considerações entre realidade, imaginação
  ou fingimento observadas no poema, dê
  uma interpretação coerente ao título do
  poema.
Estude bastante!
    Acredito em você!
         Mil beijos....
              Carol

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Fernandopessoa1

  • 1. Fernando Pessoa Vida e obra… Profª.: Carol Loçasso Pereira
  • 2. Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth.
  • 4. • Nasceu em 13 de Junho de 1888, em Lisboa. • Vivia com o pai, a mãe, a avó (doente mental) e duas criadas. • Foi batizado em 21 de Julho. • Seu nome completo era Fernando Antônio Nogueira Pessoa. • No dia 24 de Julho, o seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. Deixando Pessoa órfão de pai aos 5 anos de idade.
  • 5. • A sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895, com o comandante João Miguel Rosa. • Após o casamento, Pessoa e a sua família foram viver na África do Sul. • Na África, Pessoa viria a demonstrar suas habilidades para a literatura. • A mãe tinha que dividir a sua atenção com os filhos e o padrasto. Pessoa isola-se, o que lhe propiciava momentos de reflexão. • Na África, recebe uma educação britânica. • Com exceção de “Mensagem”, os únicos livros publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses.
  • 6. • Fez o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street. • Após o falecimento da irmã, Pessoa e a sua família voltam a Portugal, onde escreve a poesia “Quando ela passa”. • Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto todos regressam para a África e volta a juntar-se a família em 1903. • Escreve poesia e prosa em inglês.
  • 7. • Encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul após realizar na Universidade o «Intermediate Examination in Arts», adquirindo bons resultados.
  • 8. Regresso às origens
  • 9. • Deixando a família na África, regressou definitivamente à capital portuguesa, em 1905. • Continua a produção de poemas em inglês. • Em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras. • Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança. • Em 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial. • Inicia a sua atividade de crítico literário com a publicação, em 1912, na revista «Águia», do artigo «A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada».
  • 10. • Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática“. • No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos (associada a uma cirrose hepática provocada pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida). • Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").
  • 12. • Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos. • Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu, ou se tudo não tivesse passado de mais um produto da sua vasta criação. • O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa“. • Nas próprias palavras do poeta, ditas pelo heterônimo Bernardo Soares, "minha pátria é a língua portuguesa “
  • 13. • Ou então, através de um poema: “Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar Quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da Civilização e o alargamento da consciência da humanidade.” • Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano premiado com o Nobel da Literatura, Octavio Paz, diz que "os poetas não têm biografia, a sua obra é a sua biografia“. • Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.
  • 14. A mística e Pessoa
  • 15. • Possuía ligações com o ocultismo e o misticismo, salientando-se a Maçonaria e a Rosa-Cruz. • O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz“. • Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo.
  • 17. Os poemas assinados por Fernando Pessoa (ele mesmo) têm facetas distintas entre si, mas que no entanto se completam: captou o lirismo do passado português e evoluiu deste saudosismo para o paulismo e, depois para o interseccionismo e o sensacionismo.  Paulismo: Este movimento literário prima por ambientes sombrios e de águas escuras e "paradas", nas quais o poeta "não se encontra". Os locais que o poeta descreve estão normalmente associados a ambientes aquáticos.  Interseccionismo: caracteriza pela intersecção no poema de vários níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objetiva e a subjetiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc.  Sensacionismo: confere contornos mais vastos que os que definem o Futurismo, reconhecendo neste movimento de vanguarda apenas uma influência
  • 18. • A obra ortônima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido. • O ortônimo foi profundamente influenciado, em vários momentos, por doutrinas religiosas. • A principal obra de "Pessoa ele-mesmo" é “Mensagem”, uma coletânea de poemas sobre os grandes personagens históricos portugueses.
  • 19. Características • Poemas lúcidos: emoções filtrada pela razão • Meditação introvertida = intimista: interroga o sentido da existência • Metalinguagem, versos curtos e rimados
  • 20. Pessoa heterônimo O seu gênio manifestou-se na sua personalidade fragmentária
  • 21.
  • 22. Carta de Pessoa “Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterônimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero- neurastênico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenômenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registro dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação.”
  • 23. Fernando Pessoa constitui um caso ímpar de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas, o que se torna visível por sua capacidade de deixar-se possuir por outros seres, que como ele são poetas, e de assim criar os outros “eus”, os heterônimos. Os heterônimos não são pseudônimos. Fernando Pessoa não inventou personagens-poetas, mas criou obras de poetas e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.
  • 24. Álvaro de Campos, o poeta das sensações do homem moderno Poesia marcada pela inquietação do século XX, personalidade citadina, que louva o movimento e as máquinas. Tomado pela emoção da existência, tem a consciência da vida, do progresso, da era das máquinas, do barulho, da eletricidade e da velocidade. Mas é triste, devastadoramente triste. Seus poemas mais conhecidos são Ode Triunfal, Tabacaria e Poema em Linha Reta.
  • 25. Características • Engenheiro naval e elétrico • Manifestação mais MODERNA da obra de Fernando Pessoa = FUTURISTA • Liberdade total nos versos • Decadentista • Pessimista
  • 26. Ode triunfal (fragmento) À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
  • 27. Ricardo Reis, o poeta neoclássico Helenista e, portanto, cultivador de características estruturais e de temas clássicos, Ricardo Reis tem sua poesia marcada pelo “carpe diem” horaciano, ou seja, em suas odes, aparecerá o lema “gozar a brevidade da vida, o momento, aproveitar cada segundo, gozar o dia, desfrutar o que se possa obter do momento em que se vive”. Cultua o paganismo.
  • 28. Características • Poeta neoclássico, erudito • Simplicidade forjada através do intelecto • Preocupação formal, poemas metrificados e com sintaxe rebuscada • Pastoras: Lídia, Neera e Cloe • CARPE DIEM
  • 29. Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim como em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
  • 30. Alberto Caeiro, o poeta pastor (O mestre) Fernando Pessoa chamava-o de “Meu Mestre Caeiro”, o mais importante de seus heterônimos. Era um homem do campo, simples. No entanto, um ser especulativo, perquiridor do mundo. Seus poemas mais importantes estão reunidos sob o título O Guardador de Rebanhos e Poemas Completos de Caeiro. Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
  • 31. Características • Completa naturalidade, simplicidade: prega a vida simples no campo. • Panteísta (crença que identifica o universo com Deus). • Linguagem simples, vocabulário limitado, versos livres e brancos (com métrica e sem rima). • Realidade captada pelas sensações = sensacionismo.
  • 32. O guardador de rebanhos (fragmento) O mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama, Nem sabe porque ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar...
  • 34. • Numa tarde em que tinha combinado encontrar-se com um amigo Pessoa apareceu como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos, pedindo perdão por Pessoa não ter podido aparecer ao encontro. • O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte "bloqueio intestinal“. • Existe a Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto, criada em homenagem ao poeta.
  • 35. Obra
  • 36. “Mensagem” (1934) é um livro exemplar. Composto por 44 poemas, é mesmo uma “mensagem” ao povo português em plena ditadura salazarista. É como se Pessoa quisesse sacudir os brios da Pátria e fazê-la lembrar-se de um tempo de grandeza, conquista e prosperidade. O livro Mensagem (1934) está dividido em três partes: Poemas que glorificam o valor simbólico dos heróis do passado, como os descobrimentos portugueses. Está dividido em três partes: 8. Brasão = revisita algumas personalidades da história do país 9. Mar Português = grandes navegações 10.O Encoberto = sebastianismo
  • 37. “Autopsicografia” O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
  • 38. Análise do título
  • 39. Auto + psico + grafia Auto: de si próprio Psico: intimo/sentimental Grafia: escrita
  • 40. Análise do poema
  • 41. 1ª estrofe – o poeta sente uma dor, mas só passado algum tempo é que passa para o papel. Logo, há uma transfiguração da dor sentida, numa dor que é já pensada. 1º verso - é a partir deste verso que o poema se vai desenrolar. Fingidor - para Pessoa, não e aquele que engana: é aquele que cria/transfigura.
  • 42. 2ªestrofe – o leitor só tem acesso à dor que o poeta nos quer fazer sentir. 1º verso – o leitor não sente a dor real, porque esta pertence ao poeta. 2º verso – não sente a dor imaginária porque esta pertence ao seu criador. 3º verso – ele sente que ele próprio sentiu. 4º verso – o leitor só sente a dor lida.
  • 43. 3ª estrofe – é a conclusão, explica o papel do coração (do sentimento) e da inteligência (da razão). 2-coração- vai entreter a razão
  • 44. • Análise formal do poema Neste poema, a estrutura externa pode ser explicada da seguinte forma: estamos perante um poema de versificação tradicional (feita através de quadras) regular, e composto por três quadras. • Esquema de rima: ABABCDCDEFEF (rima cruzada) • Métrica:”o| poe|ta| é| um| fin|gi|dor” (Redondilha maior)
  • 45. Figuras de estilo Hipérbato (Inversão) – consiste na separação de palavras que pertencem ao mesmo segmento por outras palavras não pertencentes a este lugar: “E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração” Perífrase – consiste em utilizar uma expressão composta por vários elementos em vez do emprego de um só termo: “Os que lêem o que escreve”
  • 46. Metáfora – consiste em igualar ou aproximar dois termos que pertencem à mesma categoria sintáctica mas cujos traços se excluem mutuamente. “Gira, a entreter a razão/Esse comboio de corda”
  • 47. Responda: • O poema apresenta como tema a criação artística, desenvolvendo-o em três planos ou em três níveis, demarcados pelas estrofes. De que trata cada uma das estrofes? • Levando em conta que o poeta é um fingidor, levante hipóteses: Por que, de acordo com a 1ª estrofe, o poeta “chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”?
  • 48. • De acordo com a 2ª estrofe: c) A que dores se refere o texto no verso “Não as duas que ele teve”? d) Os leitores não sentem as duas dores do poeta, “Mas só a que eles não têm”. Levante hipóteses: Que dor pode ser essa sentida pelos leitores?
  • 49. • Na última estrofe, são aproximados dois elementos que, historicamente, são a base da criação artística em todos os tempos, ora com o predomínio de um, ora com o predomínio de outro. b) Quais são esses elementos? c) Que importância têm esses elementos no jogo da criação literária?
  • 50. • O poema tem como título “Autopsicografia”. O termo psicografia significa a relação mediúnica estabelecida entre dois seres humanos, um morto e um vivo, sendo este o meio pelo qual aquele escreve; o prefixo auto- significa “por si mesmo”. Levando em conta esses dados e considerações entre realidade, imaginação ou fingimento observadas no poema, dê uma interpretação coerente ao título do poema.
  • 51. Estude bastante! Acredito em você! Mil beijos.... Carol