Fernando   Pessoa   Vida e obra… Profª.: Carol Loçasso Pereira
Retrato de  Fernando Pessoa  feito por João Luiz Roth.
A infância
Nasceu em 13 de Junho de 1888, em Lisboa.  Vivia com o pai, a mãe, a avó (doente mental) e duas criadas. Foi batizado em 21 de Julho. Seu nome completo era Fernando Antônio Nogueira Pessoa. No dia 24 de Julho, o seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. Deixando Pessoa órfão de pai aos 5 anos de idade.
A sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895, com o comandante João Miguel Rosa. Após o casamento, Pessoa e a sua família foram viver na África do Sul. Na África, Pessoa viria a demonstrar suas habilidades para a literatura. A mãe tinha que dividir a sua atenção com os filhos e o padrasto. Pessoa isola-se, o que lhe propiciava momentos de reflexão. Na África, recebe uma educação britânica. Com exceção de “ Mensagem” , os únicos livros publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses.
Fez o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street. Após o falecimento da irmã, Pessoa e a sua família voltam a Portugal, onde escreve a poesia “ Quando ela passa”. Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto todos regressam para a África e volta a juntar-se a família em 1903. Escreve poesia e prosa em inglês.
Encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul após realizar na Universidade o «Intermediate Examination in Arts», adquirindo bons resultados.
Regresso às origens
Deixando a família na África, regressou definitivamente à capital portuguesa, em 1905. Continua a produção de poemas em inglês. Em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras. Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança. Em 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial. Inicia a sua atividade de crítico literário com a publicação, em 1912, na revista «Águia», do artigo «A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada».
Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática“. No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos (associada a uma cirrose hepática provocada pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida). Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês:  I know not what tomorrow will bring  ("Eu não sei o que o amanhã trará").
Legado
Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro  eu , ou se tudo não tivesse passado de mais um produto da sua vasta criação.  O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa“. Nas próprias palavras do poeta, ditas pelo heterônimo Bernardo Soares, "minha pátria é a língua portuguesa “
Ou então, através de um poema:  “ Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar  Quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da Civilização e o alargamento da consciência da humanidade.”   Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano premiado com o Nobel da Literatura, Octavio Paz, diz que "os poetas não têm biografia, a sua obra é a sua biografia“. Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.
A mística e Pessoa
Possuía ligações com o ocultismo e o misticismo, salientando-se a Maçonaria e a Rosa-Cruz. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz“. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo.
Pessoa Ortônimo
Os poemas assinados por Fernando Pessoa (ele mesmo) têm facetas distintas entre si, mas que no entanto se completam: captou o lirismo do passado português e evoluiu deste  saudosismo  para o  paulismo  e, depois para o  interseccionismo  e o sensacionismo. Paulismo: Este movimento literário prima por ambientes sombrios e de águas escuras e "paradas", nas quais o poeta "não se encontra". Os locais que o poeta descreve estão normalmente associados a ambientes aquáticos. Interseccionismo: caracteriza pela intersecção no poema de vários níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objetiva e a subjetiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc.  Sensacionismo: confere contornos mais vastos que os que definem o Futurismo, reconhecendo neste movimento de vanguarda apenas uma influência
A obra ortônima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido. O ortônimo foi profundamente influenciado, em vários momentos, por doutrinas religiosas. A principal obra de "Pessoa ele-mesmo" é “ Mensagem” , uma coletânea de poemas sobre os grandes personagens históricos portugueses.
Características Poemas lúcidos: emoções filtrada pela razão Meditação introvertida = intimista: interroga o sentido da existência Metalinguagem, versos curtos e rimados
Pessoa heterônimo O seu gênio manifestou-se na sua personalidade fragmentária
 
Carta de Pessoa “ Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterônimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurastênico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenômenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registro dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação.”
Fernando Pessoa constitui um caso ímpar de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas, o que se torna visível por sua capacidade de deixar-se possuir por outros seres, que como ele são poetas, e de assim criar os outros “ eus” , os heterônimos. Os heterônimos não são pseudônimos. Fernando Pessoa não inventou personagens-poetas, mas criou obras de poetas e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.
Álvaro de Campos,  o poeta das sensações do homem moderno Poesia marcada pela inquietação do século XX, personalidade citadina, que louva o movimento e as máquinas. Tomado pela emoção da existência, tem a consciência da vida, do progresso, da era das máquinas, do barulho, da eletricidade e  da velocidade. Mas é triste, devastadoramente triste. Seus poemas mais conhecidos são  Ode Triunfal ,  Tabacaria  e  Poema em Linha Reta .
Características Engenheiro naval e elétrico Manifestação mais MODERNA da obra de Fernando Pessoa = FUTURISTA Liberdade total nos versos Decadentista Pessimista
Ode triunfal (fragmento) À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica  Tenho febre e escrevo.  Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,  Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.  Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!  Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!  Em fúria fora e dentro de mim,  Por todos os meus nervos dissecados fora,  Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!  Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
Ricardo Reis , o poeta neoclássico Helenista e, portanto, cultivador de características estruturais e de temas clássicos, Ricardo Reis tem sua poesia marcada pelo “ carpe diem ”   horaciano, ou seja, em suas odes, aparecerá o lema “gozar a brevidade da vida, o momento, aproveitar cada segundo, gozar o dia, desfrutar o que se possa obter do momento em que se vive”. Cultua o paganismo.
Características Poeta neoclássico, erudito Simplicidade forjada através do intelecto Preocupação formal, poemas metrificados e com sintaxe rebuscada Pastoras: Lídia, Neera e Cloe CARPE DIEM
Para ser grande, sê inteiro: nada  Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és  No mínimo que fazes.  Assim como em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
Alberto Caeiro , o poeta pastor (O mestre) Fernando Pessoa chamava-o de “Meu Mestre Caeiro”, o mais importante de seus heterônimos. Era um homem do campo, simples. No entanto, um ser especulativo, perquiridor do mundo. Seus poemas mais importantes estão reunidos sob o título  O Guardador de Rebanhos e Poemas Completos de Caeiro. Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
Características Completa naturalidade, simplicidade: prega a vida simples no campo. Panteísta (crença que identifica o universo com Deus). Linguagem simples, vocabulário limitado, versos livres e brancos (com métrica e sem rima). Realidade captada pelas sensações = sensacionismo.
O guardador de rebanhos (fragmento) O mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama, Nem sabe porque ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar...
Curiosidades
Numa tarde em que tinha combinado encontrar-se com um amigo Pessoa apareceu como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos, pedindo perdão por Pessoa não ter podido aparecer ao encontro.  O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte "bloqueio intestinal“. Existe a Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto, criada em homenagem ao poeta.
Obra
“ Mensagem”  (1934) é um livro exemplar. Composto por 44 poemas, é mesmo uma “mensagem” ao povo português em plena ditadura salazarista. É como se Pessoa quisesse sacudir os brios da Pátria e fazê-la lembrar-se de um tempo de grandeza, conquista e prosperidade. O livro Mensagem  (1934) está dividido em três partes:  Poemas que glorificam o valor simbólico dos heróis do passado, como os descobrimentos portugueses. Está dividido em três partes: Brasão = revisita algumas personalidades da história do país Mar Português = grandes navegações O Encoberto = sebastianismo
“ Autopsicografia” O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
Análise do título
Auto  +  psico  +  grafia Auto: de si próprio Psico: intimo/sentimental Grafia: escrita
Análise do poema
1ª estrofe  – o poeta sente uma dor, mas só passado algum tempo é que passa para o papel. Logo, há uma transfiguração da dor sentida, numa dor que é já pensada. 1º verso - é a partir deste verso que o poema se vai desenrolar.  Fingidor - para Pessoa, não e aquele que engana: é aquele que cria/transfigura.
2ªestrofe  – o leitor só tem acesso à dor que o poeta nos quer fazer sentir. 1º verso – o leitor não sente a dor real, porque esta pertence ao poeta. 2º verso – não sente a dor imaginária porque esta pertence ao seu criador. 3º verso – ele sente que ele próprio sentiu. 4º verso – o leitor só sente a dor lida.
3ª estrofe  – é a conclusão, explica o papel do coração (do sentimento) e da inteligência (da razão). 2-coração- vai entreter a razão
Análise formal do poema Neste poema, a estrutura externa pode ser explicada da seguinte forma: estamos perante um poema de versificação tradicional (feita através de quadras) regular, e composto por três quadras. Esquema de rima : ABAB\CDCD\EFEF   (rima cruzada) Métrica :”o| poe|ta| é| um| fin|gi|dor”    (Redondilha maior)
Figuras de estilo Hipérbato (Inversão)  – consiste na separação de palavras que pertencem ao mesmo segmento por outras palavras não pertencentes a este lugar: “ E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração” Perífrase  – consiste em utilizar uma expressão composta por vários elementos em vez do emprego de um só termo: “ Os que lêem o que escreve”
Metáfora  – consiste em igualar ou aproximar dois termos que pertencem à mesma categoria sintáctica mas cujos traços se excluem mutuamente. “ Gira, a entreter a razão/Esse comboio de corda”
Responda: O poema apresenta como tema a  criação artística , desenvolvendo-o em três planos ou em três níveis, demarcados pelas estrofes. De que trata cada uma das estrofes? Levando em conta que o poeta é um fingidor, levante hipóteses: Por que, de acordo com a 1ª estrofe, o poeta “chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”?
De acordo com a 2ª estrofe: A que dores se refere o texto no verso “Não as duas que ele teve”? Os leitores não sentem as duas dores do poeta, “Mas só a que eles não têm”. Levante hipóteses: Que dor pode ser essa sentida pelos leitores?
Na última estrofe, são aproximados dois elementos que, historicamente, são a base da criação artística em todos os tempos, ora com o predomínio de um, ora com o predomínio de outro. Quais são esses elementos? Que importância têm esses elementos no jogo da criação literária?
O poema tem como título “Autopsicografia”. O termo  psicografia  significa a relação mediúnica estabelecida entre dois seres humanos, um morto e um vivo, sendo este o meio pelo qual aquele escreve; o prefixo  auto-  significa “por si mesmo”. Levando em conta esses dados e considerações entre realidade, imaginação ou fingimento observadas no poema, dê uma interpretação coerente ao título do poema.
Estude bastante! Acredito em você! Mil beijos.... Carol

Fernando pessoa

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    Fernando Pessoa Vida e obra… Profª.: Carol Loçasso Pereira
  • 2.
    Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth.
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    Nasceu em 13de Junho de 1888, em Lisboa. Vivia com o pai, a mãe, a avó (doente mental) e duas criadas. Foi batizado em 21 de Julho. Seu nome completo era Fernando Antônio Nogueira Pessoa. No dia 24 de Julho, o seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. Deixando Pessoa órfão de pai aos 5 anos de idade.
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    A sua mãecasa-se pela segunda vez em 1895, com o comandante João Miguel Rosa. Após o casamento, Pessoa e a sua família foram viver na África do Sul. Na África, Pessoa viria a demonstrar suas habilidades para a literatura. A mãe tinha que dividir a sua atenção com os filhos e o padrasto. Pessoa isola-se, o que lhe propiciava momentos de reflexão. Na África, recebe uma educação britânica. Com exceção de “ Mensagem” , os únicos livros publicados em vida são os das coletâneas dos seus poemas ingleses.
  • 6.
    Fez o cursoprimário na escola de freiras irlandesas da West Street. Após o falecimento da irmã, Pessoa e a sua família voltam a Portugal, onde escreve a poesia “ Quando ela passa”. Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto todos regressam para a África e volta a juntar-se a família em 1903. Escreve poesia e prosa em inglês.
  • 7.
    Encerra os seusbem sucedidos estudos na África do Sul após realizar na Universidade o «Intermediate Examination in Arts», adquirindo bons resultados.
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    Deixando a famíliana África, regressou definitivamente à capital portuguesa, em 1905. Continua a produção de poemas em inglês. Em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras. Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança. Em 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial. Inicia a sua atividade de crítico literário com a publicação, em 1912, na revista «Águia», do artigo «A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada».
  • 10.
    Pessoa é internadono dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática“. No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos (associada a uma cirrose hepática provocada pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida). Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").
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  • 12.
    Podemos dizer quea vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu , ou se tudo não tivesse passado de mais um produto da sua vasta criação. O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa“. Nas próprias palavras do poeta, ditas pelo heterônimo Bernardo Soares, "minha pátria é a língua portuguesa “
  • 13.
    Ou então, atravésde um poema: “ Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar Quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da Civilização e o alargamento da consciência da humanidade.” Sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano premiado com o Nobel da Literatura, Octavio Paz, diz que "os poetas não têm biografia, a sua obra é a sua biografia“. Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.
  • 14.
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    Possuía ligações como ocultismo e o misticismo, salientando-se a Maçonaria e a Rosa-Cruz. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz“. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo.
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    Os poemas assinadospor Fernando Pessoa (ele mesmo) têm facetas distintas entre si, mas que no entanto se completam: captou o lirismo do passado português e evoluiu deste saudosismo para o paulismo e, depois para o interseccionismo e o sensacionismo. Paulismo: Este movimento literário prima por ambientes sombrios e de águas escuras e "paradas", nas quais o poeta "não se encontra". Os locais que o poeta descreve estão normalmente associados a ambientes aquáticos. Interseccionismo: caracteriza pela intersecção no poema de vários níveis simultâneos de realidade: a interior e a exterior, a objetiva e a subjetiva, o sonho e a realidade, o presente e o passado, o eu e o outro, etc. Sensacionismo: confere contornos mais vastos que os que definem o Futurismo, reconhecendo neste movimento de vanguarda apenas uma influência
  • 18.
    A obra ortônimade Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido. O ortônimo foi profundamente influenciado, em vários momentos, por doutrinas religiosas. A principal obra de "Pessoa ele-mesmo" é “ Mensagem” , uma coletânea de poemas sobre os grandes personagens históricos portugueses.
  • 19.
    Características Poemas lúcidos:emoções filtrada pela razão Meditação introvertida = intimista: interroga o sentido da existência Metalinguagem, versos curtos e rimados
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    Pessoa heterônimo Oseu gênio manifestou-se na sua personalidade fragmentária
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    Carta de Pessoa“ Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterônimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurastênico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenômenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registro dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterônimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação.”
  • 23.
    Fernando Pessoa constituium caso ímpar de desdobramento de si mesmo em outras personalidades poéticas, o que se torna visível por sua capacidade de deixar-se possuir por outros seres, que como ele são poetas, e de assim criar os outros “ eus” , os heterônimos. Os heterônimos não são pseudônimos. Fernando Pessoa não inventou personagens-poetas, mas criou obras de poetas e, em função delas, as biografias de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, seus principais heterônimos.
  • 24.
    Álvaro de Campos, o poeta das sensações do homem moderno Poesia marcada pela inquietação do século XX, personalidade citadina, que louva o movimento e as máquinas. Tomado pela emoção da existência, tem a consciência da vida, do progresso, da era das máquinas, do barulho, da eletricidade e da velocidade. Mas é triste, devastadoramente triste. Seus poemas mais conhecidos são Ode Triunfal , Tabacaria e Poema em Linha Reta .
  • 25.
    Características Engenheiro navale elétrico Manifestação mais MODERNA da obra de Fernando Pessoa = FUTURISTA Liberdade total nos versos Decadentista Pessimista
  • 26.
    Ode triunfal (fragmento)À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! Em fúria fora e dentro de mim, Por todos os meus nervos dissecados fora, Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto! Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
  • 27.
    Ricardo Reis ,o poeta neoclássico Helenista e, portanto, cultivador de características estruturais e de temas clássicos, Ricardo Reis tem sua poesia marcada pelo “ carpe diem ” horaciano, ou seja, em suas odes, aparecerá o lema “gozar a brevidade da vida, o momento, aproveitar cada segundo, gozar o dia, desfrutar o que se possa obter do momento em que se vive”. Cultua o paganismo.
  • 28.
    Características Poeta neoclássico,erudito Simplicidade forjada através do intelecto Preocupação formal, poemas metrificados e com sintaxe rebuscada Pastoras: Lídia, Neera e Cloe CARPE DIEM
  • 29.
    Para ser grande,sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim como em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
  • 30.
    Alberto Caeiro ,o poeta pastor (O mestre) Fernando Pessoa chamava-o de “Meu Mestre Caeiro”, o mais importante de seus heterônimos. Era um homem do campo, simples. No entanto, um ser especulativo, perquiridor do mundo. Seus poemas mais importantes estão reunidos sob o título O Guardador de Rebanhos e Poemas Completos de Caeiro. Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.
  • 31.
    Características Completa naturalidade,simplicidade: prega a vida simples no campo. Panteísta (crença que identifica o universo com Deus). Linguagem simples, vocabulário limitado, versos livres e brancos (com métrica e sem rima). Realidade captada pelas sensações = sensacionismo.
  • 32.
    O guardador derebanhos (fragmento) O mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama, Nem sabe porque ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar...
  • 33.
  • 34.
    Numa tarde emque tinha combinado encontrar-se com um amigo Pessoa apareceu como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos, pedindo perdão por Pessoa não ter podido aparecer ao encontro. O assento de óbito de Pessoa indica como causa da morte "bloqueio intestinal“. Existe a Universidade Fernando Pessoa (UFP), com sede no Porto, criada em homenagem ao poeta.
  • 35.
  • 36.
    “ Mensagem” (1934) é um livro exemplar. Composto por 44 poemas, é mesmo uma “mensagem” ao povo português em plena ditadura salazarista. É como se Pessoa quisesse sacudir os brios da Pátria e fazê-la lembrar-se de um tempo de grandeza, conquista e prosperidade. O livro Mensagem (1934) está dividido em três partes: Poemas que glorificam o valor simbólico dos heróis do passado, como os descobrimentos portugueses. Está dividido em três partes: Brasão = revisita algumas personalidades da história do país Mar Português = grandes navegações O Encoberto = sebastianismo
  • 37.
    “ Autopsicografia” Opoeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
  • 38.
  • 39.
    Auto + psico + grafia Auto: de si próprio Psico: intimo/sentimental Grafia: escrita
  • 40.
  • 41.
    1ª estrofe – o poeta sente uma dor, mas só passado algum tempo é que passa para o papel. Logo, há uma transfiguração da dor sentida, numa dor que é já pensada. 1º verso - é a partir deste verso que o poema se vai desenrolar. Fingidor - para Pessoa, não e aquele que engana: é aquele que cria/transfigura.
  • 42.
    2ªestrofe –o leitor só tem acesso à dor que o poeta nos quer fazer sentir. 1º verso – o leitor não sente a dor real, porque esta pertence ao poeta. 2º verso – não sente a dor imaginária porque esta pertence ao seu criador. 3º verso – ele sente que ele próprio sentiu. 4º verso – o leitor só sente a dor lida.
  • 43.
    3ª estrofe – é a conclusão, explica o papel do coração (do sentimento) e da inteligência (da razão). 2-coração- vai entreter a razão
  • 44.
    Análise formal dopoema Neste poema, a estrutura externa pode ser explicada da seguinte forma: estamos perante um poema de versificação tradicional (feita através de quadras) regular, e composto por três quadras. Esquema de rima : ABAB\CDCD\EFEF (rima cruzada) Métrica :”o| poe|ta| é| um| fin|gi|dor” (Redondilha maior)
  • 45.
    Figuras de estiloHipérbato (Inversão) – consiste na separação de palavras que pertencem ao mesmo segmento por outras palavras não pertencentes a este lugar: “ E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração” Perífrase – consiste em utilizar uma expressão composta por vários elementos em vez do emprego de um só termo: “ Os que lêem o que escreve”
  • 46.
    Metáfora –consiste em igualar ou aproximar dois termos que pertencem à mesma categoria sintáctica mas cujos traços se excluem mutuamente. “ Gira, a entreter a razão/Esse comboio de corda”
  • 47.
    Responda: O poemaapresenta como tema a criação artística , desenvolvendo-o em três planos ou em três níveis, demarcados pelas estrofes. De que trata cada uma das estrofes? Levando em conta que o poeta é um fingidor, levante hipóteses: Por que, de acordo com a 1ª estrofe, o poeta “chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”?
  • 48.
    De acordo coma 2ª estrofe: A que dores se refere o texto no verso “Não as duas que ele teve”? Os leitores não sentem as duas dores do poeta, “Mas só a que eles não têm”. Levante hipóteses: Que dor pode ser essa sentida pelos leitores?
  • 49.
    Na última estrofe,são aproximados dois elementos que, historicamente, são a base da criação artística em todos os tempos, ora com o predomínio de um, ora com o predomínio de outro. Quais são esses elementos? Que importância têm esses elementos no jogo da criação literária?
  • 50.
    O poema temcomo título “Autopsicografia”. O termo psicografia significa a relação mediúnica estabelecida entre dois seres humanos, um morto e um vivo, sendo este o meio pelo qual aquele escreve; o prefixo auto- significa “por si mesmo”. Levando em conta esses dados e considerações entre realidade, imaginação ou fingimento observadas no poema, dê uma interpretação coerente ao título do poema.
  • 51.
    Estude bastante! Acreditoem você! Mil beijos.... Carol