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“MADAME DU BARRY” (1919)
Um filme de ERNST LUBITSCH
Margarida Almeida
Realização: Ernst Lubitsch / Argumento: Fred Orbing e Hans Kraly / Fotografia: Theodor Sparkuhl e Kurt
Waschneck / Décors: Karl Machus e Kurt Richter / Guarda-Roupa: Ali Hupert / Interpretação: Pola Negri
(Jeanne, Condessa du Barry), Emil Jannings (Luís XV), Harry Liedtke (Armand Saint-Foy), Reinhold
Schünzel (Duque de Choiseul), Eduard von Winterstein (Conde du Barry), Karl Platen (Guillaume du
Barry), Elsa Berna (Duquesa de Grammond), Friedrich Inmler (Duque de Richelieu), Gustav Czimeg
(Duque d’Aiguillon), etc.
Produção: Union Film – UFA / Cópia: da Murnau Stiftung (Wiesbaden), em 35mm, tintada, mudo com
intertítulos em francês e alemão / Duração: 123 minutos (a 18 imagens por segundo) / Estreia: Berlim,
18 de Setembro de 1919 / Estreia em Portugal: 12 de Novembro de 1921, no cinema Central, com o
título alternativo de “Um Drama na Corte de Luís XV”.
“Madame Du Barry” foi o trigésimo quarto filme do famoso realizador alemão, Ernst Lubitsch, assim
como o seu bilhete de entrada para Hollywood. Este filme relata a história de uma das amantes mais
reconhecidas do rei Luís XV e que se tornou numa das mulheres mais poderosas da sua época, apesar
das suas origens humildes com o nome de Jeanne. Embora este filme se relacione com a História
francesa, este não se trata de um filme histórico, mas sim de um drama romântico influenciado pelo
percurso de Madame Du Barry.
Nos primeiros minutos, Lubitsch apresenta Jeanne, a rapariga que trabalha numa loja de chapéus e
mantém um relacionamento com o estudante Armand de Foix. Aquando da entrega de um dos chapéus,
Jeanne conhece um embaixador espanhol, Don Diego, que fica imediatamente encantado pela sua
beleza. Ao aperceber-se do estatuto e interesse de Don Diego por Jeanne, esta aproveita a oportunidade
para o seduzir, mostrando o seu desejo de ascensão social. Lubitsch foca assim a atenção do espetador
para o poder que a mulher consegue ter, através da sedução, para alcançar o que quer.
“Madame Du Barry” foi um dos primeiros filmes da carreira de Ernst Lubitsch, iniciada em 1914, que
mais êxito teve. Neste filme é revelada a essência dos projetos de Lubitsch, com uma forte presença da
decoração exuberante do rococó e com os jogos de sedução. Os elementos de decoração, como portas
e espelhos, chegam mesmo a desenrolar a história, como no momento em que Jeanne conhece pela
primeira vez o conde Du Barry através de um espelho. “Madame Du Barry” foi o primeiro filme do
realizador a ser projetado nos Estados Unidos da América, permitindo a entrada de Lubitsch para
Hollywood, onde se tornou tão famoso para o público, como os atores que utilizava. Foi também este
filme que, graças à sua popularidade entre os europeus, possibilitou reerguer o cinema alemão, que
tinha perdido o seu grande potencial após a Primeira Guerra Mundial. Depois do sucesso que obteve,
Lubitsch alternou entre comédias ficcionais e grandes produções de dramas históricos, como o caso de
“Anne Boleyn” (1920), o filme mais caro alguma vez produzido na Alemanha. Com o surgimento do
cinema sonoro, Lubistch começou a produzir comédias musicais como o filme “Love Parade” (1929).
Outra das características que representam Ernst Lubitsch é o que todos conhecem como “The Lubitsch
Touch”. Apesar de ser tão célebre, continua a não existir uma definição especifica, pelo que diversos
críticos do cinema, como Ray Durgnat tenta explicar este fenómeno da seguinte maneira: “O famoso
“Toque de Lubitsh” é ... não tanto uma coisa adicionada a uma história como um método de contar uma
história através de elipse e ênfase. Omitindo a apresentação óbvia, Lubitsch substitui detalhes alusivos e,
em seguida, enfatiza esse detalhe ...”. A elipse é uma técnica que permite condensar um espaço de
tempo dentro da narrativa, resumindo a ação. Ao contrário da elipse, dar ênfase é destacar alguma coisa
de uma forma exagerada. Nos seus filmes, Lubitsch omite momentos óbvios da ação (elipse), deixando-
nos por exemplo à porta da sala onde a ação irá continuar substituindo-a por um detalhe que explora ao
pormenor (ênfase). É através da forma como Lubitsch une estes dois elementos que surge o “Toque de
Lubitsch”.
Nas palavras de François Truffaut, no cinema de Lubitsch “o que está verdadeiramente em causa não é
contar uma história...”. Em “Madame Du Barry” podemos observar que o foco de interesse não se
encontra na ação ou disposição da mesma, mas sim no dramatismo e na exaltação da estética decorativa
rocócó. Tal como é possível constatar quando Lubitsch escolhe colocar a cena da morte do rei Luís XV
imediatamente antes da Revolução Francesa, quando na realidade, o rei morre em 1774, quinze anos
antes do inicio da revolução em 1789.
“Madame Du Barry” trata essencialmente a sedução e erotismo presentes na escada da ascensão social.
No inicio existe uma breve apresentação da personagem principal, Jeanne. Na ocasião em que o
embaixador espanhol Don Diego se mostra interessado por Jeanne, esta fica indecisa entre aceitar a
proposta do rico embaixador ou rejeitá-la, continuando o seu noivado com Armand de Foix. Lubitsch
representa este momento colocando Jeanne a contar os lacinhos do seu vestido antes de sair de casa
para se decidir se iria ao encontro de Armand de Foix ou se iria aceitar o convite do embaixador. É a
partir desta cena que se desenvolve a história de Jeanne e onde pela primeira vez vislumbramos o
desejo desta personagem de ascender socialmente. A partir daqui Jeanne decide encontrar-se com o
embaixador espanhol onde, nesse mesmo almoço, conhece o conde Du Barry. Este primeiro encontro é
conseguido através de um espelho, onde Du Barry apanha Jeanne a interagir secretamente com o
embaixador de forma sedutora, nas suas costas. A personalidade e beleza de Jeanne atraem, de
imediato, a atenção do conde. Num baile conseguimos perceber a paixão que Jeanne ainda nutre por
Armand de Foix, quando esta corre para os seus braços depois de o avistar, apesar de se encontrar na
companhia de Don Diego. O embaixador querendo a Jeanne só para si, defronta Armand de Foix num
duelo inesperado. Du Barry aproveitando-se da situação dá a sua espada a Foix, com a qual este acaba
por matar o embaixador espanhol.
Com a sucessão de eventos e o aprisionamento de Armand de Foix, Jeanne encontra-se destroçada.
Aproveitando a oportunidade, Du Barry leva-a para a sua residência. Utilizando elementos decorativos,
Lubitsch demonstra-nos a resistência e sofrimento de Jeanne, que atenta sair da sala onde se encontra
fechada com o conde, através das portas e janelas que se encontram trancadas. Depois de se acalmar,
Du Barry apresenta-lhe uma caixa onde se encontra um luxuoso colar. Aqui voltamos a deparamo-nos
com a hipocrisia inocente e oportunismo erótico que tanto caracteriza “Madame Du Barry”. Apesar de
todo o drama inicial, assim que Jeanne se depara com o colar e o observa em volta do seu pescoço ao
espelho, percebe a sua oportunidade para a entrada numa vida tão luxuosa como o colar que usa, não
oferendo qualquer resistência ao beijo que o conde lhe oferece logo de seguida. É a partir desta cena
que Lubitsch começa a utilizar a elipse mais significativamente. Saltando para a altura em que o conde
Du Barry informa Jeanne que está na falência, enviando-a a uma reunião com o ministro do rei para
tentar trocar a sua amante por cem mil libras. O ministro rejeita a proposta e não se deixa seduzir pelos
encantos de Jeanne. No entanto, quando à saída, Jeanne é observada pelo rei Luís XV que
imediatamente se apaixona pela sua beleza e charme. Enviando os seus súbditos em busca da mulher
que vira, o rei faz o necessário para que Jeanne se torne sua, pagando as cem mil libras ao conde Du
Barry.
Apesar do comprimento do filme, Lubitsch representa toda a ascensão social de Jeanne nos trinta e sete
minutos inicias. Depois de conhecer o embaixador espanhol Don Diego, rapidamente Jeanne conquista os
corações do conde Du Barry e do rei Luís XV. Todos os que se depararam com Jeanne apaixonaram-se
pela sua beleza, sensualidade e personalidade à primeira vista. O homem apenas ao vê-la apaixona-se
imediatamente. Isto é um claro efeito criado por Lubitsch que enfatiza de uma forma dramática como
uma mulher pode ser o ponto fraco de um homem, assim como, demonstra a astúcia que as mulheres
têm, aproveitando-se dos pontos fracos dos homens para o seu próprio benefício. Lubitsch aborda ainda
um lado mais sentimental e romântico, na sequência de eventos que sucedem o casamento de Jeanne
com o irmão do conde Du Barry e o anúncio oficial que declara a condessa Du Barry como amante do rei
Luís XV.
Depois de Armand de Foix sair da prisão pelo assassinato do embaixador espanhol Don Diego, arranja
um trabalho como guarda do castelo do rei. Através de um grupo de pessoas que começavam a criticar a
maneira como os membros da corte viviam e como a amante do rei estava a levar o reino ao infortúnio,
Armand começa a odiar a condessa Du Barry. Esta ao vê-lo, pela janela, a guardar o castelo, arranja um
encontro secretamente. Armand de Foix chega ao quarto da condessa, com os olhos vedados, não faz
ideia de que se iria encontrar com Jeanne. Ao aperceber-se que a sua outrora noiva era agora a amante
do rei que tinha começado a odiar, Armand fica horrorizado sem conseguir acreditar no que via. Apesar
do primeiro momento de choque, é possível observar o carinho que ambos sentem um pelo outro,
quando se começam a abraçar. Ao sair do castelo, Armand dirige-se para a casa do seu amigo, um
sapateiro com um filho pequeno e uma mulher doente. Ao deparar-se com as condições em que esta
família se encontra, sem nada para comer, devido ao aumento do preço da comida e dos impostos,
Armand une uma multidão para invadir uma padaria onde, mais uma vez, é preso. Armand de Foix sai em
liberdade com a promessa de continuar a sua revolução, formando de imediato um grupo rebelde que irá
tentar chamar a atenção rei para as condições em que o país se encontra.
O rei Luís XV encontra-se no jardim, na presença da sua amante e de elementos da corte, a brincar ao
jogo da ‘cabra cega’, quando se sente mal, tendo de ser carregado de volta para o castelo. Um médico,
após observar o rei, declara que o mesmo está a morrer de varíola. Em pouco tempo é possível observar
o estado deteriorado em que o rei se encontra. No momento em que Madame Du Barry se apercebe de
que o rei morreu, podemos ver a sua expressão de receio, pois perdera possivelmente a única pessoa
que a protegera até agora da fúria do povo. Lubitsch com esta sequência quebra a linha temporal, pois
em cinco minutos passamos de ver o rei a cair no jardim, para a cena onde ele já se encontra na cama
cheio de borbulhas e num estado demente. É a partir desta cena que o ritmo da sucessão de eventos
volta a acelerar, tal como acontecera no inicio do filme com a ascensão social de Jeanne, porém agora,
observamos a súbita queda de Madame Du Barry. Por ordem do rei Luís XVI, Madame Du Barry é
ordenada a sair do castelo. Mais uma vez, Lubitsch traz-nos o drama romântico, quando Madame Du
Barry ao sair do castelo vê os soldados a carregar o caixão do rei Luís XV e corre desesperadamente
para se agarrar ao luxuoso caixão onde se encontrava o seu amante. É também com a morte do rei que
surge a oportunidade para o grupo rebelde iniciar a sua revolução, começando pela Tomada da Bastilha.
A primeira pessoa a ser aprisionada é precisamente Madame Du Barry, que já não usufruía da proteção
que o rei lhe oferecia. Quando levada ao Tribunal Revolucionário, do qual Armand de Foix é presindete,
Madame Du Barry é julgada por um grupo de homens que rapidamente lhe declaram a pena de morte,
Armand no entanto, tendo a palavra final entra num conflito interno, entre seguir a multidão que grita
pela pena de morte ou perdoar o amor da sua vida. Esta indecisão é observável no momento em que
Armand hesita a responder, olhando em volta para o público que grita e exige a morte de Madame Du
Barry, que se encontra ajoelhada à sua frente a suplicar por misericórdia.
Na sequência final, Armand de Foix condena Madame Du Barry à morte. No entanto, assim que todos
saem do tribunal, Armand promete salvá-la. Na cena a seguir encontramos Madame Du Barry virada para
a parede de uma cela suja, quando entra Armand e a abraça contando-lhe que ficaria no seu lugar para
que ela não tivesse de morrer. Contudo, no exato momento em que eles estão a trocar de roupa, entram
na cela os companheiros rebeldes de Armand, que o chamam de traidor. Num momento intenso, em que
um dos rebeldes segura uma arma apontada para Armand, o mesmo acaba por cair ao chão nos braços
de Jeanne que grita desesperadamente em pânico ao ver o seu amor morrer nos seus braços.
Nesta cena final, Lubitsch expõe o interior de Jeanne, tornando-a numa espécie de heroína trágica que
no final volta ao seu primeiro amor só para o ver desfalecer nos seus braços e logo de seguida ser
decapitada em frente de uma multidão.
Neste filme, o sentido dramático de Lubitsch encontra-se não só na decoração ou na atuação, mas
também na rapidez de sucessão de eventos. No inicio, apresenta-nos a rápida ascensão social de Jeanne
e no final, representa-nos uma ainda mais rápida queda de Madame Du Barry. Lubitsch destaca-se
assim, com este filme, no cinema mudo por conseguir conjugar a dramaticidade, o decorativismo e o
ênfase num filme representativo de um tema/ fase da História Francesa.

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Cinema Mudo: "Madame Du Barry" (1919)

  • 1. Curso de Comunicação Audiovisual – Cinema Imagem e Som A / 12º P / 2016-2017 Professor Manuel Guerra “MADAME DU BARRY” (1919) Um filme de ERNST LUBITSCH Margarida Almeida Realização: Ernst Lubitsch / Argumento: Fred Orbing e Hans Kraly / Fotografia: Theodor Sparkuhl e Kurt Waschneck / Décors: Karl Machus e Kurt Richter / Guarda-Roupa: Ali Hupert / Interpretação: Pola Negri (Jeanne, Condessa du Barry), Emil Jannings (Luís XV), Harry Liedtke (Armand Saint-Foy), Reinhold Schünzel (Duque de Choiseul), Eduard von Winterstein (Conde du Barry), Karl Platen (Guillaume du Barry), Elsa Berna (Duquesa de Grammond), Friedrich Inmler (Duque de Richelieu), Gustav Czimeg (Duque d’Aiguillon), etc. Produção: Union Film – UFA / Cópia: da Murnau Stiftung (Wiesbaden), em 35mm, tintada, mudo com intertítulos em francês e alemão / Duração: 123 minutos (a 18 imagens por segundo) / Estreia: Berlim, 18 de Setembro de 1919 / Estreia em Portugal: 12 de Novembro de 1921, no cinema Central, com o título alternativo de “Um Drama na Corte de Luís XV”.
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  • 3. “Madame Du Barry” foi o trigésimo quarto filme do famoso realizador alemão, Ernst Lubitsch, assim como o seu bilhete de entrada para Hollywood. Este filme relata a história de uma das amantes mais reconhecidas do rei Luís XV e que se tornou numa das mulheres mais poderosas da sua época, apesar das suas origens humildes com o nome de Jeanne. Embora este filme se relacione com a História francesa, este não se trata de um filme histórico, mas sim de um drama romântico influenciado pelo percurso de Madame Du Barry. Nos primeiros minutos, Lubitsch apresenta Jeanne, a rapariga que trabalha numa loja de chapéus e mantém um relacionamento com o estudante Armand de Foix. Aquando da entrega de um dos chapéus, Jeanne conhece um embaixador espanhol, Don Diego, que fica imediatamente encantado pela sua beleza. Ao aperceber-se do estatuto e interesse de Don Diego por Jeanne, esta aproveita a oportunidade para o seduzir, mostrando o seu desejo de ascensão social. Lubitsch foca assim a atenção do espetador para o poder que a mulher consegue ter, através da sedução, para alcançar o que quer. “Madame Du Barry” foi um dos primeiros filmes da carreira de Ernst Lubitsch, iniciada em 1914, que mais êxito teve. Neste filme é revelada a essência dos projetos de Lubitsch, com uma forte presença da decoração exuberante do rococó e com os jogos de sedução. Os elementos de decoração, como portas e espelhos, chegam mesmo a desenrolar a história, como no momento em que Jeanne conhece pela primeira vez o conde Du Barry através de um espelho. “Madame Du Barry” foi o primeiro filme do realizador a ser projetado nos Estados Unidos da América, permitindo a entrada de Lubitsch para Hollywood, onde se tornou tão famoso para o público, como os atores que utilizava. Foi também este filme que, graças à sua popularidade entre os europeus, possibilitou reerguer o cinema alemão, que tinha perdido o seu grande potencial após a Primeira Guerra Mundial. Depois do sucesso que obteve, Lubitsch alternou entre comédias ficcionais e grandes produções de dramas históricos, como o caso de “Anne Boleyn” (1920), o filme mais caro alguma vez produzido na Alemanha. Com o surgimento do cinema sonoro, Lubistch começou a produzir comédias musicais como o filme “Love Parade” (1929). Outra das características que representam Ernst Lubitsch é o que todos conhecem como “The Lubitsch Touch”. Apesar de ser tão célebre, continua a não existir uma definição especifica, pelo que diversos críticos do cinema, como Ray Durgnat tenta explicar este fenómeno da seguinte maneira: “O famoso “Toque de Lubitsh” é ... não tanto uma coisa adicionada a uma história como um método de contar uma história através de elipse e ênfase. Omitindo a apresentação óbvia, Lubitsch substitui detalhes alusivos e, em seguida, enfatiza esse detalhe ...”. A elipse é uma técnica que permite condensar um espaço de tempo dentro da narrativa, resumindo a ação. Ao contrário da elipse, dar ênfase é destacar alguma coisa de uma forma exagerada. Nos seus filmes, Lubitsch omite momentos óbvios da ação (elipse), deixando- nos por exemplo à porta da sala onde a ação irá continuar substituindo-a por um detalhe que explora ao pormenor (ênfase). É através da forma como Lubitsch une estes dois elementos que surge o “Toque de Lubitsch”. Nas palavras de François Truffaut, no cinema de Lubitsch “o que está verdadeiramente em causa não é contar uma história...”. Em “Madame Du Barry” podemos observar que o foco de interesse não se encontra na ação ou disposição da mesma, mas sim no dramatismo e na exaltação da estética decorativa rocócó. Tal como é possível constatar quando Lubitsch escolhe colocar a cena da morte do rei Luís XV imediatamente antes da Revolução Francesa, quando na realidade, o rei morre em 1774, quinze anos antes do inicio da revolução em 1789.
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  • 5. “Madame Du Barry” trata essencialmente a sedução e erotismo presentes na escada da ascensão social. No inicio existe uma breve apresentação da personagem principal, Jeanne. Na ocasião em que o embaixador espanhol Don Diego se mostra interessado por Jeanne, esta fica indecisa entre aceitar a proposta do rico embaixador ou rejeitá-la, continuando o seu noivado com Armand de Foix. Lubitsch representa este momento colocando Jeanne a contar os lacinhos do seu vestido antes de sair de casa para se decidir se iria ao encontro de Armand de Foix ou se iria aceitar o convite do embaixador. É a partir desta cena que se desenvolve a história de Jeanne e onde pela primeira vez vislumbramos o desejo desta personagem de ascender socialmente. A partir daqui Jeanne decide encontrar-se com o embaixador espanhol onde, nesse mesmo almoço, conhece o conde Du Barry. Este primeiro encontro é conseguido através de um espelho, onde Du Barry apanha Jeanne a interagir secretamente com o embaixador de forma sedutora, nas suas costas. A personalidade e beleza de Jeanne atraem, de imediato, a atenção do conde. Num baile conseguimos perceber a paixão que Jeanne ainda nutre por Armand de Foix, quando esta corre para os seus braços depois de o avistar, apesar de se encontrar na companhia de Don Diego. O embaixador querendo a Jeanne só para si, defronta Armand de Foix num duelo inesperado. Du Barry aproveitando-se da situação dá a sua espada a Foix, com a qual este acaba por matar o embaixador espanhol. Com a sucessão de eventos e o aprisionamento de Armand de Foix, Jeanne encontra-se destroçada. Aproveitando a oportunidade, Du Barry leva-a para a sua residência. Utilizando elementos decorativos, Lubitsch demonstra-nos a resistência e sofrimento de Jeanne, que atenta sair da sala onde se encontra fechada com o conde, através das portas e janelas que se encontram trancadas. Depois de se acalmar, Du Barry apresenta-lhe uma caixa onde se encontra um luxuoso colar. Aqui voltamos a deparamo-nos com a hipocrisia inocente e oportunismo erótico que tanto caracteriza “Madame Du Barry”. Apesar de todo o drama inicial, assim que Jeanne se depara com o colar e o observa em volta do seu pescoço ao espelho, percebe a sua oportunidade para a entrada numa vida tão luxuosa como o colar que usa, não oferendo qualquer resistência ao beijo que o conde lhe oferece logo de seguida. É a partir desta cena que Lubitsch começa a utilizar a elipse mais significativamente. Saltando para a altura em que o conde Du Barry informa Jeanne que está na falência, enviando-a a uma reunião com o ministro do rei para tentar trocar a sua amante por cem mil libras. O ministro rejeita a proposta e não se deixa seduzir pelos encantos de Jeanne. No entanto, quando à saída, Jeanne é observada pelo rei Luís XV que imediatamente se apaixona pela sua beleza e charme. Enviando os seus súbditos em busca da mulher que vira, o rei faz o necessário para que Jeanne se torne sua, pagando as cem mil libras ao conde Du Barry. Apesar do comprimento do filme, Lubitsch representa toda a ascensão social de Jeanne nos trinta e sete minutos inicias. Depois de conhecer o embaixador espanhol Don Diego, rapidamente Jeanne conquista os corações do conde Du Barry e do rei Luís XV. Todos os que se depararam com Jeanne apaixonaram-se pela sua beleza, sensualidade e personalidade à primeira vista. O homem apenas ao vê-la apaixona-se imediatamente. Isto é um claro efeito criado por Lubitsch que enfatiza de uma forma dramática como uma mulher pode ser o ponto fraco de um homem, assim como, demonstra a astúcia que as mulheres têm, aproveitando-se dos pontos fracos dos homens para o seu próprio benefício. Lubitsch aborda ainda um lado mais sentimental e romântico, na sequência de eventos que sucedem o casamento de Jeanne com o irmão do conde Du Barry e o anúncio oficial que declara a condessa Du Barry como amante do rei Luís XV.
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  • 7. Depois de Armand de Foix sair da prisão pelo assassinato do embaixador espanhol Don Diego, arranja um trabalho como guarda do castelo do rei. Através de um grupo de pessoas que começavam a criticar a maneira como os membros da corte viviam e como a amante do rei estava a levar o reino ao infortúnio, Armand começa a odiar a condessa Du Barry. Esta ao vê-lo, pela janela, a guardar o castelo, arranja um encontro secretamente. Armand de Foix chega ao quarto da condessa, com os olhos vedados, não faz ideia de que se iria encontrar com Jeanne. Ao aperceber-se que a sua outrora noiva era agora a amante do rei que tinha começado a odiar, Armand fica horrorizado sem conseguir acreditar no que via. Apesar do primeiro momento de choque, é possível observar o carinho que ambos sentem um pelo outro, quando se começam a abraçar. Ao sair do castelo, Armand dirige-se para a casa do seu amigo, um sapateiro com um filho pequeno e uma mulher doente. Ao deparar-se com as condições em que esta família se encontra, sem nada para comer, devido ao aumento do preço da comida e dos impostos, Armand une uma multidão para invadir uma padaria onde, mais uma vez, é preso. Armand de Foix sai em liberdade com a promessa de continuar a sua revolução, formando de imediato um grupo rebelde que irá tentar chamar a atenção rei para as condições em que o país se encontra. O rei Luís XV encontra-se no jardim, na presença da sua amante e de elementos da corte, a brincar ao jogo da ‘cabra cega’, quando se sente mal, tendo de ser carregado de volta para o castelo. Um médico, após observar o rei, declara que o mesmo está a morrer de varíola. Em pouco tempo é possível observar o estado deteriorado em que o rei se encontra. No momento em que Madame Du Barry se apercebe de que o rei morreu, podemos ver a sua expressão de receio, pois perdera possivelmente a única pessoa que a protegera até agora da fúria do povo. Lubitsch com esta sequência quebra a linha temporal, pois em cinco minutos passamos de ver o rei a cair no jardim, para a cena onde ele já se encontra na cama cheio de borbulhas e num estado demente. É a partir desta cena que o ritmo da sucessão de eventos volta a acelerar, tal como acontecera no inicio do filme com a ascensão social de Jeanne, porém agora, observamos a súbita queda de Madame Du Barry. Por ordem do rei Luís XVI, Madame Du Barry é ordenada a sair do castelo. Mais uma vez, Lubitsch traz-nos o drama romântico, quando Madame Du Barry ao sair do castelo vê os soldados a carregar o caixão do rei Luís XV e corre desesperadamente para se agarrar ao luxuoso caixão onde se encontrava o seu amante. É também com a morte do rei que surge a oportunidade para o grupo rebelde iniciar a sua revolução, começando pela Tomada da Bastilha. A primeira pessoa a ser aprisionada é precisamente Madame Du Barry, que já não usufruía da proteção que o rei lhe oferecia. Quando levada ao Tribunal Revolucionário, do qual Armand de Foix é presindete, Madame Du Barry é julgada por um grupo de homens que rapidamente lhe declaram a pena de morte, Armand no entanto, tendo a palavra final entra num conflito interno, entre seguir a multidão que grita pela pena de morte ou perdoar o amor da sua vida. Esta indecisão é observável no momento em que Armand hesita a responder, olhando em volta para o público que grita e exige a morte de Madame Du Barry, que se encontra ajoelhada à sua frente a suplicar por misericórdia. Na sequência final, Armand de Foix condena Madame Du Barry à morte. No entanto, assim que todos saem do tribunal, Armand promete salvá-la. Na cena a seguir encontramos Madame Du Barry virada para a parede de uma cela suja, quando entra Armand e a abraça contando-lhe que ficaria no seu lugar para que ela não tivesse de morrer. Contudo, no exato momento em que eles estão a trocar de roupa, entram na cela os companheiros rebeldes de Armand, que o chamam de traidor. Num momento intenso, em que um dos rebeldes segura uma arma apontada para Armand, o mesmo acaba por cair ao chão nos braços de Jeanne que grita desesperadamente em pânico ao ver o seu amor morrer nos seus braços.
  • 8. Nesta cena final, Lubitsch expõe o interior de Jeanne, tornando-a numa espécie de heroína trágica que no final volta ao seu primeiro amor só para o ver desfalecer nos seus braços e logo de seguida ser decapitada em frente de uma multidão. Neste filme, o sentido dramático de Lubitsch encontra-se não só na decoração ou na atuação, mas também na rapidez de sucessão de eventos. No inicio, apresenta-nos a rápida ascensão social de Jeanne e no final, representa-nos uma ainda mais rápida queda de Madame Du Barry. Lubitsch destaca-se assim, com este filme, no cinema mudo por conseguir conjugar a dramaticidade, o decorativismo e o ênfase num filme representativo de um tema/ fase da História Francesa.