1. Introdução ao Eletromagnetismo – Tópicos de Cálculo

A compreensão da teoria de eletromagnética é enormemente facilitada quando o
estudante tem uma boa compreensão da análise vetorial bem como das
operações como gradiente, divergente e rotacional entre outras. Por isso é
imprescindível compreender bem o significado geométrico/matemático dessas
operações.


1. Operador nabla; Gradiente; Divergência; Rotacional.


1.1 Operador nabla
O operador ∇ é um operador vetorial diferencial, denominado nabla ou del, o
qual é definido no sistema de coordenadas cartesiana como:
           ∂   ∂  ∂
    ∇=x      +y +z .                                                                     (1)
          ∂x   ∂y ∂z

Este operador não tem significado físico nem geométrico. Por ser um operador,
pode-se à esquerda aplica-lo a uma função à direita.
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                                    © Prof. João Antônio de Vasconcelos
Exemplo: Escreva a expressão do operador diferencial f ∇ ;                                           v⋅ ∇   e   v× ∇   .

1.2 Gradiente
Considere a função escalar f, contínua e com derivadas pelo menos até primeira
ordem:
     f = f (r = f ( x, y, z) .
             )                                                                                                             (2)
O gradiente da função f, grad f, é um vetor definido por:
          ∂f  ∂f  ∂f
    ∇f = x + y + z                .                                                                                        (3)
          ∂x  ∂y  ∂z

O grad f é um vetor que dá como resultado a máxima variação da função e a
direção em que esta máxima variação ocorre.

Verificação:
a) Qual o significado geométrico da direção fornecida pelo gradiente?
Considere o vetor posição r=xx+yy+zz. O deslocamento elementar dl = dr é
dado por:
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dl = dr = xdx+ydy+zdz.                                                                      (4)
Realizando o produto escalar entre Eqs. (3) e (4) resulta em:


                ∂f     ∂f   ∂f
    ∇f ⋅ dl =      dx + dy + dz = df                                                             (5)
                ∂x     ∂y   ∂z

Esse resultado nada mais é do que a diferencial df. Se f(x,y,z) = C, onde C é uma
constante, o resultado obtido ao se substituir f(x,y,z) = C em (5) é df = 0. Se
f(x,y,z) não é uma constante, a diferencial de f é nula (df = 0) somente se
       ∇f ⊥ dl.                                                                                  (6)
Como a diferencial df ao longo da superfície equipotencial é nula (qualquer
deslocamento elementar dl deve ser tangente à superfície equipotencial)
concluímos através de (5) que o gradiente de uma função f(r) é perpendicular à
superfície (equipotencial) f = constante.
       ∇ f ⊥ f( r) = C   .                                                                       (7)
Da Eq. (5) vemos que a variação df é máxima quando o deslocamento dl for
paralelo ao gradiente. Por outro lado, o gradiente é perpendicular à superfície
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f = constante, donde podemos concluir que a direção do gradiente dá a máxima
variação df da função f.
    ∇f // direção de df max .                                                                   (8)
b) E o módulo do gradiente? O que ele fornece como informação?
Considere o elemento de arco em coordenadas cartesianas

    dl=|dl|=[dx2+dy2+dz2]1/2.                                                                   (9)

Dividindo membro a membro a Eq. (5) pela (9), obtém-se:

    ∇f ⋅ dl            df
            = ∇f ⋅ u =      .                                                                   (10)
     | dl|             dl

Se dl é paralelo ao gradiente de f, logo u é um vetor unitário na direção do
gradiente e o resultado ∇f ⋅ u = ∇f . Portanto, o módulo do gradiente de f dá como
resultado a máxima taxa de variação da função, isto é:

           df 
     ∇f =                                                                                     (11)
           dl  max

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grad f(P2)
                                                                  f = C2

                                          grad f(P1)
                                                             f = C1




Assim, podemos repetir: O grad f é um vetor que dá como resultado a máxima
variação da função e a direção em que esta máxima variação ocorre.

Expressões do Gradiente nos Sistemas de Coordenadas:
 a) Cartesianas
             ∂f   ∂f ∂f
    ∇f = x      +y +z     .                                                                (12)
             ∂x   ∂y ∂z

  b)Cilíndricas
             ∂f     ∂f   ∂f
    ∇f =       +.     +z     .                                                            (13)
             ∂ρ    ρ∂α   ∂z


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c) Esféricas
          ∂f    ∂f       1     ∂f
    ∇f = r +      +.                     .                                                 (14)
          ∂r   r∂θ    rsin(θ ) ∂α

1.3 A Divergência
Seja v = v(r) = vx(x,y,z)x + vy(x,y,z)y + vz(x,y,z)z uma função vetorial contínua
e com derivadas contínuas pelo menos até à primeira ordem. Por definição, o
escalar

             ∂v x ∂v y ∂v z
     ∇⋅v ≡       +    +                                                                     (15)
              ∂x   ∂y   ∂z

é a divergência do vetor v (div v).



Significado Físico:
A divergência de um campo vetorial v(r), div v(r), dá como resultado o fluxo
líquido (fluxo que sai – fluxo que entra) por unidade de volume.


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Obs.: A divergência se aplica a um campo vetorial e dá como resultado um
escalar.

Ilustração Geométrica:


                 div v(r)  0                               div v(r) = 0                     div v(r)  0




Dedução:
Considere a lei de Gauss:

    ∫ D.ds = Q
     s
                                                                                                            (16)
Vamos aplicá-la à superfície fechada que envolve o volume infinitesimal, com
centro no ponto P, ilustrado a seguir:


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z


                                                                                                 D = Dxox + Dyoy + Dzoz
                                                                   P
                                                ∆z


                                                                                   ∆x
                                                                   ∆y



                                                                                            y

                       x




A superfície que envolve o volume é o resultado da soma das superfícies laterais.
Logo,

    ∫ D.ds = ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds
     s        frente           atrás          esq .        dir .        topo        base
                                                                                                                          (17)

Vamos considerar separadamente cada uma das integrais do lado direito de (17).


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a) Face da Frente

    ∫ D.ds ≈ D.∆s
     frente
                      frente   = D.∆y∆zx = Dx , frente ∆y∆z                                           (18)

  O valor de Dx na face frontal pode ser aproximado através da expansão de
  Taylor:
                           ∆x ∂Dx
    Dx , frente = Dx 0 +                                                                              (19)
                           2 ∂x

  onde Dx0 é o valor de Dx no ponto central P. Substituindo este resultado em
  (18), tem-se:

                     ∆x ∂Dx 
    ∫frente 
      D.ds ≈  Dx 0 +
                      2 ∂x 
                              ∆y∆z                                                                   (20)

b) Face de Trás

    ∫ D.ds ≈ D.∆s
     atrás
                      atrás   = − D.∆y∆zx = − Dx , atrás ∆y∆z                                         (21)
  O valor de Dx na face de trás, empregando a expansão de Taylor, é:


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∆x ∂Dx
    Dx , atrás = Dx 0 −                                                                                (22)
                          2 ∂x

  Substituindo este resultado em (21), tem-se:

                      ∆x ∂Dx 
    ∫atrás
      D.ds ≈ − Dx 0 −
                      2 ∂x 
                               ∆y∆z                                                                   (23)

Somando as contribuições das duas faces (Eqs. (20) + (23)) temos:
                           ∂Dx
    ∫ D.ds + ∫ D.ds ≈
     frente     atrás       ∂x
                               ∆x∆y∆z                                                                  (24)

Esta equação dá como resultado o fluxo líquido que deixa a superfície na direção
x.

De modo análogo, as contribuições das faces da base + topo e esq.+dir. são:
                            ∂D y
    ∫ D.ds + ∫ D.ds ≈
     esq.       dir .       ∂y
                                   ∆x∆y∆z                                                              (25)



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∂D z
    ∫ D .d s + ∫ D . d s ≈
     base             topo            ∂z
                                          ∆ x ∆ y∆ z                                                     (26)

Estes três resultados somados (Eqs. (24) + (25) + (26)) permitem então avaliar o
fluxo líquido que deixa a superfície fechada envolvendo o cubo, isto é:

    ∫ D.ds = ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds
     s            frente     atrás          esq.        dir .        topo         base

                 ∂D  ∂D y ∂Dz                                                                          (27)
               ≈ x +
                 ∂x      +     ∆x∆y∆z
                               
                      ∂y   ∂z 

Dividindo ambos os lados de (27) por ∆x∆y∆z e tomando o limite de
∆v = ∆x∆y∆z 0, tem-se:Æ
         lim
                 ∫ D.ds
                  s      ∂D
                       = x +
                              ∂D y ∂Dz 
                                  +     = ∇⋅ D
                         ∂x
                 ∆x∆y∆z       ∂y   ∂z                                                                  (28)
    ∆x∆y∆z → 0
                                       

Este resultado é por definicão a divergência do campo vetorial D.

Da lei de Gaus (Eq. (16)) , fica óbvio que
     ∇ ⋅ D = ρ (x, y, z)                                                                                 (29)
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Expressão da Divergência de um Potencial Vetor A nos Sistemas
de Coordenadas:
                           ∂D   ∂D   ∂D
Cartesianas(x,y,z): ∇⋅ D =    +    +  x         y         z

                                    ∂x       ∂y      ∂z

                                   1 ∂ ( ρDρ ) 1 ∂Dα ∂Dz
Cilíndricas(ρ,α,z):       ∇⋅D =               +      +
                                   ρ ∂ρ         ρ ∂α   ∂z

                                    1 ∂(r 2 Dr )     1 ∂( sinθDθ )     1 ∂Dα
Esféricas(r,θ,α):         ∇⋅D =                  +                 +
                                   r 2
                                         ∂r        rsinθ    ∂θ       rsinθ ∂α




1.4 Rotacional
Em coordenadas cartesianas, o produto vetorial entre o operador nabla e um
campo vetorial v pode ser escrito da seguinte forma:

             x      y      z
     ∇ × v = ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z
                                                                                             (30)
            vx      vy    vz

ou
                         Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000
                                          © Prof. João Antônio de Vasconcelos
∇ × v = (∂v z ∂y − ∂v y ∂z )x + (∂v x ∂z − ∂v z ∂x )y + (∂v y ∂x − ∂v x ∂y )z               (31)
Significado Físico:
O rotacional de um campo vetorial v(r), rot v(r), dá como resultado um vetor
cujos componentes x,y e z dão a circulação desse campo vetorial por unidade de
área respectivamente nos planos normais a esses componentes.
Obs.: O rotacional se aplica a um campo vetorial e dá como resultado um vetor.

Ilustração Geométrica:


                                                z
                                                                      n
                                                                          (rot v)n




                                                                                 y


                                           x



                            Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000
                                           © Prof. João Antônio de Vasconcelos
Dedução:
Considere a figura abaixo, a qual será utilizada para aplicação da lei de Ampère
ao percurso diferencial fechado.


                                    z
                                                               (rot H)n
                                                   4          n             3


                                                                      2
                                             1


                                                 H=H0=Hxox + Hyoy + Hz0z


                                                                             y



                                x




A integral de linha fechada de H.dl, Eq. (32), é conhecida como Lei de Ampère.


                      Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000
                                     © Prof. João Antônio de Vasconcelos
∫ H .dl = ∫ J .ds                                                                                    (32)
É suposto que uma densidade de corrente, não especificada, produza no centro
da face um campo de referência Ho. Aplicando a Eq. (32) ao percurso fechado
1 -2-3-4-1 da figura anterior, obtem-se:
               2                  3          4           1

    ∫ H .dl = ∫ H .dl + ∫ H .dl + ∫ H .dl + ∫ H .dl
               1                  2          3           4
                                                                                                          (33)

A integral sobre o lado 1-2 pode ser aproximada por:
    2

    ∫ H .dl ≈ H
    1
                   y,1 - 2   ∆y                                                                           (34)

O valor de Hy sobre este lado pode ser aproximado por:

                             ∆x ∂H y
    H y,1 - 2 = H y0 +                                                                                    (35)
                             2 ∂x

Substituindo a Eq. (35) em (34) tem-se:



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                                                     © Prof. João Antônio de Vasconcelos
        ∆x ∂H y 
    2

    ∫ H .dl ≈  H y0 +
              
                      2 ∂x 
                                ∆y
                                                                                                  (36)
    1


Se se considera agora o percurso 3-4, tem-se:

                       ∆x ∂H y 
    4

    ∫ H .dl ≈ − H y0 −
               
                       2 ∂x  .
                                 ∆y
                                                                                                  (37)
    3


Somando-se as contribuições dos percuros 1-2+3-4, Eqs. (36) + (37), tem-se:
    2        4
                          ∂H y
    ∫ H .dl + ∫ H .dl ≈   ∂x
                                 ∆x∆y .                                                            (38)
    1        3




De forma análoga, para a contribuição dos percursos 2-3+4-1, tem-se:
    3        1
                            ∂H x
    ∫ H .dl + ∫ H .dl ≈ −    ∂y
                                 ∆x∆y .                                                            (39)
    2        4




Com estes resultados, a integral de linha fechada para o elemento de área
diferencial se resume a:
                               Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000
                                              © Prof. João Antônio de Vasconcelos
 ∂H y ∂H x            
     ∫ H .dl ≈ 
                ∂x − ∂y
               
                                       ∆x∆y .
                                      
                                      
                                                                                                         (40)

O lado direito da Eq. (32) pode ser avaliado no elemento de área diferencial
como:

     ∫ J .ds ≈ J ∆x∆y .
               z                                                                                         (41)
Assim, a Eq. (32), pode ser reescrita usando (40) e (41):

                ∂H y ∂H x            
     ∫ H .dl ≈ 
                ∂x − ∂y
               
                                      ∆x∆y ≈ J z ∆x∆y .
                                      
                                      
                                                                                                         (42)

ou

     ∫ H .dl ≈ ∂H       y
                            −
                                ∂H x
                                     ≈ Jz .
     ∆x∆y          ∂x            ∂y                                                                      (43)

Tomando o limite de ∆x∆x tendendo a zero, obtem-se:



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lim
              ∫ H .dl = ∂H   y
                                 −
                                     ∂H x
                                          = Jz
    ∆x∆y →0   ∆x∆y      ∂x            ∂y                                                                 (44)


Se se escolhe percursos fechados orientados perpendicularmente a x e y,
equações similares à Eq. (44) podem ser obtidas (veja Eqs. (45) e (46)).



     lim
              ∫ H .dl = ∂H   z
                                 −
                                     ∂H y
                                             = Jx
    ∆y∆z →0   ∆y∆z      ∂y             ∂z                                                                (45)




     lim
              ∫ H .dl = ∂H   x
                                 −
                                      ∂H z
                                           = Jy
    ∆x∆z →0   ∆x∆z      ∂z             ∂x                                                                (46)


As Eqs. (44) a (46) mostram que os componentes da densidade de corrente
podem ser obtidos tomando-se o quociente entre a integral de linha fechada do
campo magnético em um percurso infinitesimal no plano perpendicular a cada
um desses componentes pela área envolvida quando esta tende a zero.
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Este resultado recebe o nome de Rotacional.

De uma forma geral, o componente n do rotacional de um campo vetorial A
qualquer, (rot A)n, é dada por:



    ( rot A) n = lim
                         ∫ A.dl
                ∆sn →0    ∆sn                                                                                   (47)



Expressão do Rotacional de um Campo Vetorial A nos Sistemas de
Coordenadas:
Cartesianas(x,y,z): ∇ × A =  ∂A − ∂A x +  ∂A − ∂A y +  ∂A − ∂A z
                            
                                      
                                      
                                           z      y
                                                           x
                                                                    z           x      z

                                       ∂y     ∂z       ∂z      ∂x        ∂z     ∂x 

                                  1 ∂A z ∂A α              ∂A ρ ∂A z         1 ∂(ρA α ) 1 ∂A ρ 
Cilíndricas(ρ,α,z):               ρ ∂α − ∂z
                            ∇× A=                      + 
                                                            ∂z − ∂ρ      . + 
                                                                                ρ ∂ρ − ρ ∂α  z   
                                                                                               
                                        1  ∂ (sin θA α ) ∂A θ  1  1 ∂A r ∂( rA α )  1  ∂( rA θ ) ∂A r 
Esféricas(r,θ,α):           ∇× A =                      −     r +         −         +          −     .
                                      rsin θ    ∂θ        ∂α  r  sin θ ∂α   ∂r  r  ∂r             ∂θ 



                                Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000
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2. Operadores e Operações de Segunda Ordem.

Pode-se formar com o operador diferencial nabla, dois operadores de segunda
ordem:
    ∇×∇                                                                                  (48)
e
    ∇⋅∇                                                                                  (49)

As expressões em coordenadas cartesianas são respectivamente:




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x     y     z
           ∂    ∂     ∂      ∂2      ∂2        ∂2      ∂2   ∂2           ∂2 
    ∇×∇ =                    ∂y∂z − ∂z∂y  + y  ∂z∂x − ∂x∂z  + z  ∂x∂y − ∂y∂x 
                         = x                                                 
          ∂x    ∂y    ∂z                                                              (50)
           ∂    ∂     ∂
          ∂x    ∂y    ∂z

e

              ∂2 ∂2  ∂2
    ∇⋅∇ = ∇ = 2 + 2 + 2
            2
                                                                                            (51)
             ∂x  ∂y  ∂z

A operação dada em (48) não tem um nome específico, entretanto em (49) o
operador é conhecido por Laplaciano.
Expressão do Laplaciano nos Sistemas de Coordenadas:
Cartesianas(x,y,z): ∇ = ∂ + ∂ + ∂
                                 2      2      2
                          2

                               ∂x 2   ∂y 2   ∂z 2

                               1 ∂   ∂    1 ∂2  ∂2
Cilíndricas(ρ,α,z):     ∇2 =       (ρ ) + 2    + 2
                               ρ ∂ρ ∂ρ ρ ∂α 2 ∂z

                               1 ∂ 2 ∂           1    ∂         ∂    1     ∂2
Esféricas(r,θ,α):       ∇2 =          (r    )+ 2         (sin θ ) + 2 2
                               r 2 ∂r    ∂r   r sin θ ∂θ       ∂θ r sin θ ∂α 2


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                                       © Prof. João Antônio de Vasconcelos
Sendo o operador Laplaciano é um escalar, ele pode ser aplicado a uma função
escalar ou vetorial.

    ∇ ⋅ ∇f = ∇ 2 f                                                                                  (52)

    ∇ 2 A = ∇ 2 ( A x x + A y y + A z z) = ∇ 2 A x x + ∇ 2 A y y + ∇ 2 A z z                        (53)
Em (52), o Laplaciano pode ser interpretado como sendo a divergência do
gradiente. Em (53) esta interpretação não é válida, pois o gradiente não se aplica
a uma função vetorial. Em (53), quando é o sitema de coordenadas cartesianas,
as componentes do Laplaciano de uma função vetorial são os Laplacianos das
componentes cartesianas.

Em sistemas de coordenadas curvilíneas, em geral tem-se:


    ∇ 2 A = ∇ 2 ( A 1 u 1 + A 2 u 2 + A 3 u 3 ) ≠ ∇ 2 A 1u 1 + ∇ 2 A 2 u 2 + ∇ 2 A 3 u 3            (54)

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Isto se deve ao fato de que os unitários curvilíneos são função do ponto e não
podem portanto serem extraídos da operação de diferenciação. As expressões em
coordenadas curvilíneas podem ser encontradas na página 17 do livro
Eletromagnetismo (Annita Macedo).

O operador ∇ × ∇ , dado em (48), aplicado a uma função de ponto será sempre nulo
se a função for contínua e tiver contínuas as derivadas segundas mistas. Isto só
não ocorre com as grandezas do eletromagnetismo [AnnitaMacedo]. A Tabela a
seguir mostra outras operações possíveis com este operador.

                             Operações com o Operador Nabla
     ( ∇ × ∇ )f = ∇ × ( ∇ f ) = 0                                                                (55)
     (∇ × ∇) ⋅ A = 0                                                                             (56)
     (∇ × ∇) × A = 0                                                                             (57)
                      ∂Ax        ∂Ay       ∂A
     ∇ (∇ ⋅ A) = ∇(       ) + ∇(     ) + ∇( z )                                                  (58)
                      ∂x          ∂y        ∂z


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∇ ⋅ (∇ × A ) = 0                                                                           (59)
     ∇ × (∇ × A) = ∇ (∇ ⋅ A) − ∇ 2 A                                                            (60)



De (55), pode-se concluir que se o campo é irrotacional, então ele pode ser
escrito como sendo o gradiente de um escalar:
    ∇×A = 0             ⇒    A = ∇f      .                                                      (61)

Se além de ser irrotacional, o campo for soleinodal (div A = 0), então:

    ∇⋅A = 0             ⇒    ∇2f = 0 .                                                          (62)

Se o gradiente de uma função for irrotacional e solenoidal, ela é dita ser
harmônica.




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3. Teoremas em Eletromagnetismo (Gauss e Stokes)

O teorema da divergência ou de Gauss estabelece que a integral de volume da
divergência de qualquer campo vetorial é igual à integral de superfície fechada
da componente normal desse campo à superfície S.



    ∫∫∫ ∇ ⋅ Adv = ∫∫ A ⋅ ds                                                              (63)


                                              n



             s
                                                  V




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O teorema de Stokes estabelece que a integral de superfície aberta da
componente normal do rotacional de qualquer campo vetorial à superfície S é
igual à integral desse campo ao longo do percurso fechado que limita S.



    ∫∫ ∇ × A ⋅ ds = ∫ A ⋅ d l
      s                                                                                     (64)




                                                                    (rot H)n
                                                          n



                                                                       s

                                  l

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4. Função Delta de Dirac
Essa função embora possa parecer um pouco estranha, ela é muito útil em
eletromagnetismo. Considere a função abaixo:


                     0             se | x − x 0 |  1
                                                                2m
    δm ( x − x 0 ) = 
                     1             se | x − x 0 |  1                                        (65)
                                                                2m
onde m é um escalar positivo com dimensão m-1. A figura abaixo ilustra esta
função.

Considere agora uma região qualquer R sobre o eixo x. Se R conter o intervalo
x-1/2m  x  x+1/2m, então a integral de δm(x-x0) sobre esta região será sempre
igual a unidade. Caso contrário será nula.




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δm(x-x0)



                m




                                  x0-1/2m            x0           x0+1/2m
                                                                                           x
                                                  1/m


Isto é:


                         0             se | x − x 0 |  1 / 2m ∉ R
     ∫ δm (x − x 0 )dx = 1
     R                                 se | x − x 0 |  1 / 2m ∈ R                            (66)



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Numericamete, essa integral é a área hachurada da figura anterior, a qual tem
valor unitário independente do valor de m.

A função delta de Dirac pode agora ser definida como:

     δ( x − x 0 ) ≡ lim δ m ( x − x 0 )                                                       (67)
                    m→∞


Com essa definição, verifica-se que δ( x − x 0 ) = 0 se x≠x0, e

                       0               se x 0 ∉ R
     ∫ δ(x − x 0 )dx = 1
     R                                 se x 0 ∈ R                                            (68)




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δ (x-x0)




                                                                 x0             x


As propriedades desta distribuição que nos interessam são dadas a seguir: Esta
distribuição é simétrica em relação a seu ponto singular e seu produto por uma
função finita será sempre igual a zero, exceto para o ponto singular, o que mostra
a equação.


    δ( x − x 0 ) = δ( x 0 − x )                                                                (69)

    f ( x )δ( x − x 0 ) = f ( x 0 )δ( x − x 0 )                                                (70)
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0        se x 0 ∉ R
     ∫ f (x)δ(x − x 0 )dx = f (x 0 ) se x 0 ∈ R
     R                                                                                      (71)


De forma sucinta, essa última equação estabelece que a integral do produto de
uma função pela delta de Dirac é igual ao valor da função no ponto que anula o
argumento da delta.

Para duas e três dimensões, análises similares podem ser feitas. Em duas e três
dimensões, a delta de Dirac é definida como:


    δ(r − r0 ) = δ( x − x 0 )δ( y − y 0 )                                Æ        em 2D      (72)

    δ(r − r0 ) = δ( x − x 0 )δ( y − y 0 )δ(z − z 0 )                     Æ        em 3D      (73)
As propriedades da delta em 2D e 3D são similares àquelas em 1D. Finalmente,
as expressões para a delta de Dirac em coordenadas cartesianas e esféricas são
dadas na pág. 28 do livro Eletromagnetismo (Annita Macedo).
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LISTA DE EXERCÍCIOS 01
DISCIPLINA: ELETROMAGNETISMO
PROF. JOÃO ANTÔNIO DE VASCONCELOS



1) Usando coordenadas e componentes cartesianas, demonstre as equações A.1.56 e A.1.57 (pág. 624) do livro
   texto.

2) Resolva o problema 1.3.5 da página 10 do livro texto.

3) Explique em poucas palavras o significado do gradiente, da divergência e do rotacional.

4) O que é um campo solenoidal? E irrotacional?

5) Explique o teorema de Stokes e da Divergência?

6) Resolva o problema 1.5.3 da página 19 do livro texto.

7) Resolva o problema 1.5.6 da página 19 do livro de eletromagnetismo.

                                                               .




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Eletromagnetismo

  • 1.
    1. Introdução aoEletromagnetismo – Tópicos de Cálculo A compreensão da teoria de eletromagnética é enormemente facilitada quando o estudante tem uma boa compreensão da análise vetorial bem como das operações como gradiente, divergente e rotacional entre outras. Por isso é imprescindível compreender bem o significado geométrico/matemático dessas operações. 1. Operador nabla; Gradiente; Divergência; Rotacional. 1.1 Operador nabla O operador ∇ é um operador vetorial diferencial, denominado nabla ou del, o qual é definido no sistema de coordenadas cartesiana como: ∂ ∂ ∂ ∇=x +y +z . (1) ∂x ∂y ∂z Este operador não tem significado físico nem geométrico. Por ser um operador, pode-se à esquerda aplica-lo a uma função à direita. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 2.
    Exemplo: Escreva aexpressão do operador diferencial f ∇ ; v⋅ ∇ e v× ∇ . 1.2 Gradiente Considere a função escalar f, contínua e com derivadas pelo menos até primeira ordem: f = f (r = f ( x, y, z) . ) (2) O gradiente da função f, grad f, é um vetor definido por: ∂f ∂f ∂f ∇f = x + y + z . (3) ∂x ∂y ∂z O grad f é um vetor que dá como resultado a máxima variação da função e a direção em que esta máxima variação ocorre. Verificação: a) Qual o significado geométrico da direção fornecida pelo gradiente? Considere o vetor posição r=xx+yy+zz. O deslocamento elementar dl = dr é dado por: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 3.
    dl = dr= xdx+ydy+zdz. (4) Realizando o produto escalar entre Eqs. (3) e (4) resulta em: ∂f ∂f ∂f ∇f ⋅ dl = dx + dy + dz = df (5) ∂x ∂y ∂z Esse resultado nada mais é do que a diferencial df. Se f(x,y,z) = C, onde C é uma constante, o resultado obtido ao se substituir f(x,y,z) = C em (5) é df = 0. Se f(x,y,z) não é uma constante, a diferencial de f é nula (df = 0) somente se ∇f ⊥ dl. (6) Como a diferencial df ao longo da superfície equipotencial é nula (qualquer deslocamento elementar dl deve ser tangente à superfície equipotencial) concluímos através de (5) que o gradiente de uma função f(r) é perpendicular à superfície (equipotencial) f = constante. ∇ f ⊥ f( r) = C . (7) Da Eq. (5) vemos que a variação df é máxima quando o deslocamento dl for paralelo ao gradiente. Por outro lado, o gradiente é perpendicular à superfície Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 4.
    f = constante,donde podemos concluir que a direção do gradiente dá a máxima variação df da função f. ∇f // direção de df max . (8) b) E o módulo do gradiente? O que ele fornece como informação? Considere o elemento de arco em coordenadas cartesianas dl=|dl|=[dx2+dy2+dz2]1/2. (9) Dividindo membro a membro a Eq. (5) pela (9), obtém-se: ∇f ⋅ dl df = ∇f ⋅ u = . (10) | dl| dl Se dl é paralelo ao gradiente de f, logo u é um vetor unitário na direção do gradiente e o resultado ∇f ⋅ u = ∇f . Portanto, o módulo do gradiente de f dá como resultado a máxima taxa de variação da função, isto é:  df  ∇f =   (11)  dl  max Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 5.
    grad f(P2) f = C2 grad f(P1) f = C1 Assim, podemos repetir: O grad f é um vetor que dá como resultado a máxima variação da função e a direção em que esta máxima variação ocorre. Expressões do Gradiente nos Sistemas de Coordenadas: a) Cartesianas ∂f ∂f ∂f ∇f = x +y +z . (12) ∂x ∂y ∂z b)Cilíndricas ∂f ∂f ∂f ∇f = +. +z . (13) ∂ρ ρ∂α ∂z Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 6.
    c) Esféricas ∂f ∂f 1 ∂f ∇f = r + +. . (14) ∂r r∂θ rsin(θ ) ∂α 1.3 A Divergência Seja v = v(r) = vx(x,y,z)x + vy(x,y,z)y + vz(x,y,z)z uma função vetorial contínua e com derivadas contínuas pelo menos até à primeira ordem. Por definição, o escalar ∂v x ∂v y ∂v z ∇⋅v ≡ + + (15) ∂x ∂y ∂z é a divergência do vetor v (div v). Significado Físico: A divergência de um campo vetorial v(r), div v(r), dá como resultado o fluxo líquido (fluxo que sai – fluxo que entra) por unidade de volume. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 7.
    Obs.: A divergênciase aplica a um campo vetorial e dá como resultado um escalar. Ilustração Geométrica: div v(r) 0 div v(r) = 0 div v(r) 0 Dedução: Considere a lei de Gauss: ∫ D.ds = Q s (16) Vamos aplicá-la à superfície fechada que envolve o volume infinitesimal, com centro no ponto P, ilustrado a seguir: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 8.
    z D = Dxox + Dyoy + Dzoz P ∆z ∆x ∆y y x A superfície que envolve o volume é o resultado da soma das superfícies laterais. Logo, ∫ D.ds = ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds s frente atrás esq . dir . topo base (17) Vamos considerar separadamente cada uma das integrais do lado direito de (17). Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 9.
    a) Face daFrente ∫ D.ds ≈ D.∆s frente frente = D.∆y∆zx = Dx , frente ∆y∆z (18) O valor de Dx na face frontal pode ser aproximado através da expansão de Taylor: ∆x ∂Dx Dx , frente = Dx 0 + (19) 2 ∂x onde Dx0 é o valor de Dx no ponto central P. Substituindo este resultado em (18), tem-se:  ∆x ∂Dx  ∫frente  D.ds ≈  Dx 0 + 2 ∂x   ∆y∆z (20) b) Face de Trás ∫ D.ds ≈ D.∆s atrás atrás = − D.∆y∆zx = − Dx , atrás ∆y∆z (21) O valor de Dx na face de trás, empregando a expansão de Taylor, é: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 10.
    ∆x ∂Dx Dx , atrás = Dx 0 − (22) 2 ∂x Substituindo este resultado em (21), tem-se:  ∆x ∂Dx  ∫atrás D.ds ≈ − Dx 0 −  2 ∂x   ∆y∆z (23) Somando as contribuições das duas faces (Eqs. (20) + (23)) temos: ∂Dx ∫ D.ds + ∫ D.ds ≈ frente atrás ∂x ∆x∆y∆z (24) Esta equação dá como resultado o fluxo líquido que deixa a superfície na direção x. De modo análogo, as contribuições das faces da base + topo e esq.+dir. são: ∂D y ∫ D.ds + ∫ D.ds ≈ esq. dir . ∂y ∆x∆y∆z (25) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 11.
    ∂D z ∫ D .d s + ∫ D . d s ≈ base topo ∂z ∆ x ∆ y∆ z (26) Estes três resultados somados (Eqs. (24) + (25) + (26)) permitem então avaliar o fluxo líquido que deixa a superfície fechada envolvendo o cubo, isto é: ∫ D.ds = ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds + ∫ D.ds s frente atrás esq. dir . topo base  ∂D ∂D y ∂Dz  (27) ≈ x +  ∂x +  ∆x∆y∆z   ∂y ∂z  Dividindo ambos os lados de (27) por ∆x∆y∆z e tomando o limite de ∆v = ∆x∆y∆z 0, tem-se:Æ lim ∫ D.ds s  ∂D = x + ∂D y ∂Dz  +  = ∇⋅ D  ∂x ∆x∆y∆z  ∂y ∂z  (28) ∆x∆y∆z → 0  Este resultado é por definicão a divergência do campo vetorial D. Da lei de Gaus (Eq. (16)) , fica óbvio que ∇ ⋅ D = ρ (x, y, z) (29) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 12.
    Expressão da Divergênciade um Potencial Vetor A nos Sistemas de Coordenadas: ∂D ∂D ∂D Cartesianas(x,y,z): ∇⋅ D = + + x y z ∂x ∂y ∂z 1 ∂ ( ρDρ ) 1 ∂Dα ∂Dz Cilíndricas(ρ,α,z): ∇⋅D = + + ρ ∂ρ ρ ∂α ∂z 1 ∂(r 2 Dr ) 1 ∂( sinθDθ ) 1 ∂Dα Esféricas(r,θ,α): ∇⋅D = + + r 2 ∂r rsinθ ∂θ rsinθ ∂α 1.4 Rotacional Em coordenadas cartesianas, o produto vetorial entre o operador nabla e um campo vetorial v pode ser escrito da seguinte forma: x y z ∇ × v = ∂ ∂x ∂ ∂y ∂ ∂z (30) vx vy vz ou Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 13.
    ∇ × v= (∂v z ∂y − ∂v y ∂z )x + (∂v x ∂z − ∂v z ∂x )y + (∂v y ∂x − ∂v x ∂y )z (31) Significado Físico: O rotacional de um campo vetorial v(r), rot v(r), dá como resultado um vetor cujos componentes x,y e z dão a circulação desse campo vetorial por unidade de área respectivamente nos planos normais a esses componentes. Obs.: O rotacional se aplica a um campo vetorial e dá como resultado um vetor. Ilustração Geométrica: z n (rot v)n y x Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 14.
    Dedução: Considere a figuraabaixo, a qual será utilizada para aplicação da lei de Ampère ao percurso diferencial fechado. z (rot H)n 4 n 3 2 1 H=H0=Hxox + Hyoy + Hz0z y x A integral de linha fechada de H.dl, Eq. (32), é conhecida como Lei de Ampère. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 15.
    ∫ H .dl= ∫ J .ds (32) É suposto que uma densidade de corrente, não especificada, produza no centro da face um campo de referência Ho. Aplicando a Eq. (32) ao percurso fechado 1 -2-3-4-1 da figura anterior, obtem-se: 2 3 4 1 ∫ H .dl = ∫ H .dl + ∫ H .dl + ∫ H .dl + ∫ H .dl 1 2 3 4 (33) A integral sobre o lado 1-2 pode ser aproximada por: 2 ∫ H .dl ≈ H 1 y,1 - 2 ∆y (34) O valor de Hy sobre este lado pode ser aproximado por: ∆x ∂H y H y,1 - 2 = H y0 + (35) 2 ∂x Substituindo a Eq. (35) em (34) tem-se: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 16.
    ∆x ∂H y  2 ∫ H .dl ≈  H y0 +   2 ∂x   ∆y  (36) 1 Se se considera agora o percurso 3-4, tem-se:  ∆x ∂H y  4 ∫ H .dl ≈ − H y0 −   2 ∂x  .  ∆y  (37) 3 Somando-se as contribuições dos percuros 1-2+3-4, Eqs. (36) + (37), tem-se: 2 4 ∂H y ∫ H .dl + ∫ H .dl ≈ ∂x ∆x∆y . (38) 1 3 De forma análoga, para a contribuição dos percursos 2-3+4-1, tem-se: 3 1 ∂H x ∫ H .dl + ∫ H .dl ≈ − ∂y ∆x∆y . (39) 2 4 Com estes resultados, a integral de linha fechada para o elemento de área diferencial se resume a: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 17.
     ∂H y∂H x  ∫ H .dl ≈   ∂x − ∂y   ∆x∆y .   (40) O lado direito da Eq. (32) pode ser avaliado no elemento de área diferencial como: ∫ J .ds ≈ J ∆x∆y . z (41) Assim, a Eq. (32), pode ser reescrita usando (40) e (41):  ∂H y ∂H x  ∫ H .dl ≈   ∂x − ∂y  ∆x∆y ≈ J z ∆x∆y .   (42) ou ∫ H .dl ≈ ∂H y − ∂H x ≈ Jz . ∆x∆y ∂x ∂y (43) Tomando o limite de ∆x∆x tendendo a zero, obtem-se: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 18.
    lim ∫ H .dl = ∂H y − ∂H x = Jz ∆x∆y →0 ∆x∆y ∂x ∂y (44) Se se escolhe percursos fechados orientados perpendicularmente a x e y, equações similares à Eq. (44) podem ser obtidas (veja Eqs. (45) e (46)). lim ∫ H .dl = ∂H z − ∂H y = Jx ∆y∆z →0 ∆y∆z ∂y ∂z (45) lim ∫ H .dl = ∂H x − ∂H z = Jy ∆x∆z →0 ∆x∆z ∂z ∂x (46) As Eqs. (44) a (46) mostram que os componentes da densidade de corrente podem ser obtidos tomando-se o quociente entre a integral de linha fechada do campo magnético em um percurso infinitesimal no plano perpendicular a cada um desses componentes pela área envolvida quando esta tende a zero. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 19.
    Este resultado recebeo nome de Rotacional. De uma forma geral, o componente n do rotacional de um campo vetorial A qualquer, (rot A)n, é dada por: ( rot A) n = lim ∫ A.dl ∆sn →0 ∆sn (47) Expressão do Rotacional de um Campo Vetorial A nos Sistemas de Coordenadas: Cartesianas(x,y,z): ∇ × A =  ∂A − ∂A x +  ∂A − ∂A y +  ∂A − ∂A z      z y   x z x z  ∂y ∂z   ∂z ∂x   ∂z ∂x   1 ∂A z ∂A α   ∂A ρ ∂A z   1 ∂(ρA α ) 1 ∂A ρ  Cilíndricas(ρ,α,z):  ρ ∂α − ∂z ∇× A=  +    ∂z − ∂ρ . +    ρ ∂ρ − ρ ∂α  z        1  ∂ (sin θA α ) ∂A θ  1  1 ∂A r ∂( rA α )  1  ∂( rA θ ) ∂A r  Esféricas(r,θ,α): ∇× A =  − r +  −  +  − . rsin θ  ∂θ ∂α  r  sin θ ∂α ∂r  r  ∂r ∂θ  Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 20.
    2. Operadores eOperações de Segunda Ordem. Pode-se formar com o operador diferencial nabla, dois operadores de segunda ordem: ∇×∇ (48) e ∇⋅∇ (49) As expressões em coordenadas cartesianas são respectivamente: Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 21.
    x y z ∂ ∂ ∂  ∂2 ∂2   ∂2 ∂2   ∂2 ∂2  ∇×∇ =  ∂y∂z − ∂z∂y  + y  ∂z∂x − ∂x∂z  + z  ∂x∂y − ∂y∂x  = x      ∂x ∂y ∂z       (50) ∂ ∂ ∂ ∂x ∂y ∂z e ∂2 ∂2 ∂2 ∇⋅∇ = ∇ = 2 + 2 + 2 2 (51) ∂x ∂y ∂z A operação dada em (48) não tem um nome específico, entretanto em (49) o operador é conhecido por Laplaciano. Expressão do Laplaciano nos Sistemas de Coordenadas: Cartesianas(x,y,z): ∇ = ∂ + ∂ + ∂ 2 2 2 2 ∂x 2 ∂y 2 ∂z 2 1 ∂ ∂ 1 ∂2 ∂2 Cilíndricas(ρ,α,z): ∇2 = (ρ ) + 2 + 2 ρ ∂ρ ∂ρ ρ ∂α 2 ∂z 1 ∂ 2 ∂ 1 ∂ ∂ 1 ∂2 Esféricas(r,θ,α): ∇2 = (r )+ 2 (sin θ ) + 2 2 r 2 ∂r ∂r r sin θ ∂θ ∂θ r sin θ ∂α 2 Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 22.
    Sendo o operadorLaplaciano é um escalar, ele pode ser aplicado a uma função escalar ou vetorial. ∇ ⋅ ∇f = ∇ 2 f (52) ∇ 2 A = ∇ 2 ( A x x + A y y + A z z) = ∇ 2 A x x + ∇ 2 A y y + ∇ 2 A z z (53) Em (52), o Laplaciano pode ser interpretado como sendo a divergência do gradiente. Em (53) esta interpretação não é válida, pois o gradiente não se aplica a uma função vetorial. Em (53), quando é o sitema de coordenadas cartesianas, as componentes do Laplaciano de uma função vetorial são os Laplacianos das componentes cartesianas. Em sistemas de coordenadas curvilíneas, em geral tem-se: ∇ 2 A = ∇ 2 ( A 1 u 1 + A 2 u 2 + A 3 u 3 ) ≠ ∇ 2 A 1u 1 + ∇ 2 A 2 u 2 + ∇ 2 A 3 u 3 (54) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 23.
    Isto se deveao fato de que os unitários curvilíneos são função do ponto e não podem portanto serem extraídos da operação de diferenciação. As expressões em coordenadas curvilíneas podem ser encontradas na página 17 do livro Eletromagnetismo (Annita Macedo). O operador ∇ × ∇ , dado em (48), aplicado a uma função de ponto será sempre nulo se a função for contínua e tiver contínuas as derivadas segundas mistas. Isto só não ocorre com as grandezas do eletromagnetismo [AnnitaMacedo]. A Tabela a seguir mostra outras operações possíveis com este operador. Operações com o Operador Nabla ( ∇ × ∇ )f = ∇ × ( ∇ f ) = 0 (55) (∇ × ∇) ⋅ A = 0 (56) (∇ × ∇) × A = 0 (57) ∂Ax ∂Ay ∂A ∇ (∇ ⋅ A) = ∇( ) + ∇( ) + ∇( z ) (58) ∂x ∂y ∂z Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 24.
    ∇ ⋅ (∇× A ) = 0 (59) ∇ × (∇ × A) = ∇ (∇ ⋅ A) − ∇ 2 A (60) De (55), pode-se concluir que se o campo é irrotacional, então ele pode ser escrito como sendo o gradiente de um escalar: ∇×A = 0 ⇒ A = ∇f . (61) Se além de ser irrotacional, o campo for soleinodal (div A = 0), então: ∇⋅A = 0 ⇒ ∇2f = 0 . (62) Se o gradiente de uma função for irrotacional e solenoidal, ela é dita ser harmônica. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 25.
    3. Teoremas emEletromagnetismo (Gauss e Stokes) O teorema da divergência ou de Gauss estabelece que a integral de volume da divergência de qualquer campo vetorial é igual à integral de superfície fechada da componente normal desse campo à superfície S. ∫∫∫ ∇ ⋅ Adv = ∫∫ A ⋅ ds (63) n s V Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 26.
    O teorema deStokes estabelece que a integral de superfície aberta da componente normal do rotacional de qualquer campo vetorial à superfície S é igual à integral desse campo ao longo do percurso fechado que limita S. ∫∫ ∇ × A ⋅ ds = ∫ A ⋅ d l s (64) (rot H)n n s l Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 27.
    4. Função Deltade Dirac Essa função embora possa parecer um pouco estranha, ela é muito útil em eletromagnetismo. Considere a função abaixo: 0 se | x − x 0 | 1  2m δm ( x − x 0 ) =  1 se | x − x 0 | 1 (65)  2m onde m é um escalar positivo com dimensão m-1. A figura abaixo ilustra esta função. Considere agora uma região qualquer R sobre o eixo x. Se R conter o intervalo x-1/2m x x+1/2m, então a integral de δm(x-x0) sobre esta região será sempre igual a unidade. Caso contrário será nula. Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 28.
    δm(x-x0) m x0-1/2m x0 x0+1/2m x 1/m Isto é: 0 se | x − x 0 | 1 / 2m ∉ R ∫ δm (x − x 0 )dx = 1 R  se | x − x 0 | 1 / 2m ∈ R (66) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 29.
    Numericamete, essa integralé a área hachurada da figura anterior, a qual tem valor unitário independente do valor de m. A função delta de Dirac pode agora ser definida como: δ( x − x 0 ) ≡ lim δ m ( x − x 0 ) (67) m→∞ Com essa definição, verifica-se que δ( x − x 0 ) = 0 se x≠x0, e 0 se x 0 ∉ R ∫ δ(x − x 0 )dx = 1 R  se x 0 ∈ R (68) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 30.
    δ (x-x0) x0 x As propriedades desta distribuição que nos interessam são dadas a seguir: Esta distribuição é simétrica em relação a seu ponto singular e seu produto por uma função finita será sempre igual a zero, exceto para o ponto singular, o que mostra a equação. δ( x − x 0 ) = δ( x 0 − x ) (69) f ( x )δ( x − x 0 ) = f ( x 0 )δ( x − x 0 ) (70) Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 31.
    0 se x 0 ∉ R ∫ f (x)δ(x − x 0 )dx = f (x 0 ) se x 0 ∈ R R  (71) De forma sucinta, essa última equação estabelece que a integral do produto de uma função pela delta de Dirac é igual ao valor da função no ponto que anula o argumento da delta. Para duas e três dimensões, análises similares podem ser feitas. Em duas e três dimensões, a delta de Dirac é definida como: δ(r − r0 ) = δ( x − x 0 )δ( y − y 0 ) Æ em 2D (72) δ(r − r0 ) = δ( x − x 0 )δ( y − y 0 )δ(z − z 0 ) Æ em 3D (73) As propriedades da delta em 2D e 3D são similares àquelas em 1D. Finalmente, as expressões para a delta de Dirac em coordenadas cartesianas e esféricas são dadas na pág. 28 do livro Eletromagnetismo (Annita Macedo). Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos
  • 32.
    LISTA DE EXERCÍCIOS01 DISCIPLINA: ELETROMAGNETISMO PROF. JOÃO ANTÔNIO DE VASCONCELOS 1) Usando coordenadas e componentes cartesianas, demonstre as equações A.1.56 e A.1.57 (pág. 624) do livro texto. 2) Resolva o problema 1.3.5 da página 10 do livro texto. 3) Explique em poucas palavras o significado do gradiente, da divergência e do rotacional. 4) O que é um campo solenoidal? E irrotacional? 5) Explique o teorema de Stokes e da Divergência? 6) Resolva o problema 1.5.3 da página 19 do livro texto. 7) Resolva o problema 1.5.6 da página 19 do livro de eletromagnetismo. . Eletromagnetismo – Departamento de Engenharia Elétrica – Ano 2000 © Prof. João Antônio de Vasconcelos