ATLAS DE
PORTUGAL
WWW.PIRATATUGA.NET
APRESENTAÇÃO 17
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA 19
A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO
DO ESPAÇO PORTUGUÊS 20
O MAR QUE NOS ENVOLVE 25
A MORFOLOGIA DOS FUNDOS 25
CORRENTES OCEÂNICAS 26
O MAR E A ATMOSFERA 28
VARIAÇÕES DE TEMPERATURA 29
A TERRA QUE HABITAMOS 36
UNIDADES MORFOESTRUTURAIS 38
EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO OESTE PENINSULAR 38
O RELEVO DO CONTINENTE 43
FISIONOMIA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS 43
CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS 50
ELEMENTOS CLIMÁTICOS 50
A IRREGULARIDADE DO TEMPO NO CONTINENTE 54
AS ONDAS DE CALOR 59
O CLIMA DAS ILHAS 59
A REDE HIDROGRÁFICA 61
OS SOLOS 64
A VEGETAÇÃO ‘NATURAL’ 65
TIPOS DE PAISAGEM 66
DIVERSIDADE E GRUPOS DE PAISAGEM 66
ÁREAS PROTEGIDAS 70
AS ILHAS 73
REDE NATURA 2000 77
ÁREAS DE PROTECÇÃO DE AVIFAUNA 77
OS HOMENS E O MEIO 80
TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES 82
A POPULAÇÃO 86
EVOLUÇÃO RECENTE 86
UMA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL 86
BAIXOS NÍVEIS DE NATALIDADE E FORTES SALDOS
MIGRATÓRIOS 93
UM ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO 93
A EMERGÊNCIA DE NOVOS COMPORTAMENTOS 93
EDUCAÇÃO 94
TERRA DE MIGRAÇÕES 98
A EMIGRAÇÃO 98
O REGRESSO 100
A IMIGRAÇÃO 102
UMA POPULAÇÃO
QUE SE URBANIZA 104
UMA LEITURA ‘CLÁSSICA’ DO SISTEMA URBANO
NACIONAL 104
UMA AVALIAÇÃO RECENTE 106
MUDANÇAS RECENTES 110
LISBOA E PORTO COMO REFERÊNCIAS 110
‘PRODUZIR’ CIDADE 111
COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE
DA POPULAÇÃO 120
REDES DE COMUNICAÇÃO 120
SISTEMA DE TRANSPORTES 123
ÍNDICE
O PAÍS SOCIOECONÓMICO 130
ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE
MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS 132
ACTIVIDADES DA TERRA 138
A AGRICULTURA 139
AGRICULTURA EM MODO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICO145
PECUÁRIA 145
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 149
PRODUTOS TRADICIONAIS 150
A FLORESTA 154
A CAÇA 162
A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS EXTRACTÍVEIS 164
RECURSOS VIVOS MARINHOS 168
UM SECTOR ESTRATÉGICO 168
O SECTOR DAS PESCAS 172
ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO
REGIONAL 176
CRESCIMENTO ECONÓMICO 176
OS SECTORES DE ACTIVIDADE E A DIFERENCIAÇÃO
REGIONAL 177
MERCADO EXTERNO E COMPETITIVIDADE 183
A COESÃO SOCIAL 186
O DESENVOLVIMENTO HUMANO 189
TEMPO DE TURISMO 190
O TURISMO BALNEAR 191
NOVOS PRODUTOS 192
UM SECTOR ESTRATÉGICO DE FUTURO 195
POLÍTICAS DO TERRITÓRIO 198
A ADMINISTRAÇÃO 198
O PLANEAMENTO 202
A QUALIFICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL 204
PORTUGAL NUM MUNDO
DE RELAÇÃO 210
A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO 212
COMUNIDADES PORTUGUESAS 216
TESTEMUNHOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO 216
EVIDÊNCIAS CULTURAIS DE HOJE 217
IDENTIDADE E CULTURA
EM TEMPOS DE MUDANÇA 222
RIQUEZA E DIVERSIDADE DE CULTURAS 222
FRONTEIRAS DE UM PORTUGAL CULTURAL 223
ACTUAL SUPORTE À CULTURA 223
PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA 228
PORTUGAL NA EUROPA 229
A INTEGRAÇÃO DA EUROPA 229
TRANSFORMAÇÕES NA UE-15 230
PRIORIDADES SOCIAIS DA UE 230
DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO
E NÍVEL DE VIDA 231
ENERGIA: A MAIOR FRAGILIDADE DA UE 232
PRESIDÊNCIA PORTUGUESA NA UE 233
O ALARGAMENTO DA UE 234
UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA 235
O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO
DE PORTUGAL 236
ANEXOS 239
PLANTAS ESPONTÂNEAS, SUBESPONTÂNEAS
E ORNAMENTAIS MAIS COMUNS EM PORTUGAL 240
CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL ESCALA 1: 550 000
CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES
E DA MADEIRA ESCALA 1: 200 000 242
ÍNDICE ONOMÁSTICO 260
DIVISÃO ADMINISTRATIVA POR CONCELHOS 268
NOTAS BIOGRÁFICAS DOS AUTORES 272
BIBLIOGRAFIA 273
CRÉDITOS 274
16 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Editor
Instituto Geográfico Português
Coordenação Científica
Raquel Soeiro de Brito
Coordenação Geral
Rui Pedro Julião
José Norberto Fernandes
Assistente de Coordenação
Carlos Alberto Simões
Autores dos textos introdutórios
Augusto Mateus
Ernâni Rodrigues Lopes
Nuno Vieira Matias
Raquel Soeiro de Brito
Vasco Graça Moura
Textos e preparação dos temas
Carlos Pereira da Silva
Dulce Pimentel
Fátima Azevedo
Fernando Ribeiro Martins
Henrique Souto
João Carlos Silva
Lourdes Poeira
Maria Assunção Gato
Nuno Pires Soares
Raquel Soeiro de Brito
Rui Pedro Julião
Revisão dos textos
Cristina Sousa Meneses
Mapas
Municípia
Criação e concepção
Paz Comunicação Estratégica
Design
Interact
Grafismo e paginação
Jorge Silva
Infografia
Joaquim Guerreiro
Capa
Interact
Impressão
Editorial do Ministério da Educação
Parceiros Institucionais
ACIME – Alto Comissariado para a Integração das Minorias Étnicas
AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica
ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações
CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo
CCDRAlg – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve
CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro
CCDRLVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo
CCDRN – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte
CP – Caminhos de Ferro Portugueses
CTT – Correios de Portugal
DGAL – Direcção-Geral das Autarquias Locais
DGEEP – Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento
DGEMN – Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais
DGGE – Direcção-Geral de Geologia e Energia
DGOTDU – Direcção-Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano
DGRF – Direcção-Geral dos Recursos Florestais
DGT – Direcção-Geral do Turismo
DGTT – Direcção-Geral dos Transportes Terrestres
IA – Instituto do Ambiente
IC – Instituto Camões
ICN – Instituto da Conservação da Natureza
IDRHa – Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica
EP – Estradas de Portugal
IGeoE – Instituto Geográfico do Exército
IH – Instituto Hidrográfico
IM – Instituto de Meteorologia
INAG – Instituto da Água
INE – Instituto Nacional de Estatística
INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação
INIAP – Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas
ME – Ministério da Educação
MS – Ministério da Saúde
POS_Conhecimento – Programa Operacional Sociedade do Conhecimento
SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
SREA – Serviço Regional de Estatística dos Açores
SREM – Serviço Regional de Estatística da Madeira
Parceiros Financeiros
Caixa Geral de Depósitos
Agradecimentos
Academia de Marinha
ISBN
972-8867-14-X
Título: ATLAS DE PORTUGAL
Tipo de encadernação: B
Data: 2005
Editor: Instituto Geográfico Português
Morada: R. Artilharia Um, 107
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1099-052
Correio Electrónico: igeo@igeo.pt
Telefone: 213 819 600
Fax: 213 819 699
Depósito Legal
235 667/05
Tiragem da 1.ª Edição:
15 000 Exemplares
Projecto co-financiado pelo FEDER
ATLAS DE PORTUGAL IGP 17
Portugal sofreu nos últimos anos grandes transformações
sociais e económicas e uma profunda evolução das suas
estruturas territoriais. Até à data, este grande dinamismo
não foi acompanhado de um registo geográfico de síntese
e análise do passado recente que perspectivasse uma visão do
futuro da realidade nacional. Foi esta lacuna que nos
propusemos preencher com este projecto.
Os atlas são hoje obras que extravasam, completamente,
a parca definição de colecção de mapas ou cartas geográficas.
O Atlas de Portugal é uma excelente sinopse que,
por traduzir a realidade do nosso espaço geográfico,
se constitui num valioso e indispensável veículo de
transmissão de informação de suporte e apoio à decisão.
O Instituto Geográfico Português promoveu e acarinhou
este projecto em conjunto com uma equipa científica de
renome nacional e internacional coordenada pela Professora
Catedrática Raquel Soeiro de Brito. Do resultado desse afã
nasceu uma obra ímpar e de referência que integra
informação geográfica existente no Sistema Nacional
de Informação Geográfica e em vários organismos da
Administração Pública Portuguesa, e que, em conjunto,
representa uma visão coerente do Portugal de hoje,
simultaneamente numa perspectiva multi-sectorial
e territorial.
A reflexão sobre a realidade social, sobre a forma como
as populações se organizam e se relacionam com o meio
ambiente, sobre o seu posicionamento no sistema
económico nacional e internacional, assim como o seu
modo de vida e trajectórias culturais, constitui um
importante instrumento para a definição de políticas
e estratégias adequadas ao nosso tempo.
A análise científica destes temas permite encontrar novas
soluções e potencialidades, identificando e/ou localizando
fenómenos perturbadores susceptíveis de estrangular
o desenvolvimento do País. Este documento, ao traçar de
forma isenta e inequívoca um perfil de Portugal, constitui
uma referência para analisar, hierarquizar e justificar
intenções de investimento bem como servir de base
à investigação das transformações ocorridas. O Atlas de
Portugal, sendo um documento único no panorama nacional,
irá servir também de suporte às actividades de várias
Instituições Públicas e de Privados, dos estabelecimentos
de ensino, do processo de avaliação dos programas
comunitários e, naturalmente, do cidadão em geral.
APRESENTAÇÃO
ARMÉNIO DOS SANTOS CASTANHEIRA
PRESIDENTE DO IGP
Portugal Continental
0 25 50 km
Região Autónoma dos Açores, Grupo Oriental
São Miguel
0 5 10 km
Santa Maria
Faial
Pico
Região Autónoma dos Açores, Grupo Central
0 5 10 km
São Jorge
Região Autónoma dos Açores, Grupo Central
Graciosa
Terceira
0 5 10 km
Região Autónoma dos Açores, Grupo Ocidental
Corvo
Flores
Região Autónoma da Madeira
Ilhas Selvagens
Madeira
0 5 10 km
Ilhas Desertas
Porto Santo
18 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS
O MAR QUE NOS ENVOLVE
A MORFOLOGIA DOS FUNDOS
CORRENTES OCEÂNICAS
O MAR E A ATMOSFERA
VARIAÇÕES DE TEMPERATURA
A TERRA QUE HABITAMOS
UNIDADES MORFOESTRUTURAIS
EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO OESTE PENINSULAR
O RELEVO DO CONTINENTE
FISIONOMIA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS
CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS
ELEMENTOS CLIMÁTICOS
A IRREGULARIDADE DO TEMPO NO CONTINENTE
AS ONDAS DE CALOR
O CLIMA DAS ILHAS
A REDE HIDROGRÁFICA
OS SOLOS
A VEGETAÇÃO ‘NATURAL’
TIPOS DE PAISAGEM
DIVERSIDADE E GRUPOS DE PAISAGEM
ÁREAS PROTEGIDAS
AS ILHAS
REDE NATURA 2000
ÁREAS DE PROTECÇÃO DE AVIFAUNA
ATLAS DE PORTUGAL IGP 19
UM PAÍS
DE ÁREA REPARTIDA
20 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A Nação portuguesa encontrou no mar a causa primeira da sua
consolidação, deve aos oceanos o motivo da sua expansão universalista e vai
ter de continuar a retirar deles a força e a identidade que a forjou e
temperou, ao longo de quase nove séculos de existência. O mar poderá ser
também um potenciador pujante da economia portuguesa, mas é,
igualmente, merecedor de atenções de segurança colectiva, incluindo a da
população, dos bens e do ambiente. Estes pontos constituem um conjunto
de razões, historicamente concatenadas, em que vale a pena reflectir. É uma
reflexão que merece seguramente dimensões vastas, profundidade e
abertura, pelo interesse prospectivo de que se reveste. Contudo, por
motivos evidentes, apenas serão aqui afloradas com o intuito de estimular
o seu estudo. Na fase de formação de Portugal, no século XII, a população
do reino em nascimento é apontada, normalmente, como essencialmente
agrária, com franjas dedicadas à pesca e ao comércio e, como tal, sem
distinção do seu vizinho que justificasse o traçado da fronteira a Leste.
Trata-se de um conceito que, sem suscitar uma oposição frontal, merece
uma interpretação clarificadora.
A IMPORTÂNCIA DO MAR E
A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO
PORTUGUÊS
NUNO VIEIRA MATIAS
ATLAS DE PORTUGAL IGP 21
De facto, o mar começou, mesmo antes dessa altura, a
exercer os seus efeitos sobre as gentes do futuro Condado
Portucalense. As que se dedicavam à agricultura
perceberam que é perto da costa e dos rios que se
encontram as melhores condições de clima para essa
actividade, devido às temperaturas amenas que o mar
propicia e à humidade e à chuva transportadas pelos ventos
marítimos que sopram quase todo o ano. Na verdade, a
superfície do mar mantém uma temperatura normalmente
acima dos 15ºC, o que evita frios intensos na faixa costeira,
inibidores de muitas culturas. São factos que mesmo para
a população do arado constituíram motivo de atracção pela
proximidade do mar. Este deu também origem a uma
comunidade de pescadores que cedo descobriu a
importância do alimento que podia retirar das águas, assim
como motivou os mercadores a instalarem-se perto dele e,
sobretudo, nas áreas dos portos mais abrigados.
No início, o pequeno território apenas dispunha na Foz
do Douro de um porto frequentado por embarcações
provenientes de paragens distantes, mas depois, com o
avanço da reconquista cristã, as fozes do Tejo e do Sado e a
baía de Lagos juntaram-se ao Douro, na múltipla função de
locais de refúgio do mau tempo, fontes de apoio logístico
e entrepostos de trocas comerciais. Isto é, o território que
viria a ser Portugal e que fora referido em 561 por
Lucrécio, Bispo de Braga, no concílio realizado nessa
cidade, como “no próprio extremo do mundo” e “nas
regiões mais longínquas da província da Hispânia”, teve
o seu isolamento de finisterra quebrado pelo contacto com
marinheiros de outros povos que por aqui iam passando,
tais como os Fenícios, sobretudo no Sul, Gregos,
Romanos, Normandos, Árabes, Genoveses, etc.
Apesar destes factores que influenciaram positivamente o
tropismo das populações pela faixa costeira, outra
circunstância houve que teve sinal negativo. Foi a
insegurança provocada pelas incursões de navios das mais
diversas origens, que praticavam actos violentos,
aproveitando as sempre abertas portas da fachada atlântica.
A atenuação desta dificuldade começou a ser conseguida
com a reconquista cristã, pela utilização, de D. Afonso
Henriques a D. Afonso III, dos navios dos Cruzados que
acompanharam a progressão militar portuguesa para Sul e
apoiaram as conquistas de Lisboa, Alcácer, Silves, etc., até
ao final da tomada do Algarve, em 1249. Curiosamente,
esta conjunção de esforços, no mar e em terra, facilitou o
avanço mais rápido dos Cristãos na faixa costeira do que no
interior da Península, onde o último baluarte muçulmano,
Córdova, só cairia 242 anos depois daquela data.
Pode-se, assim, atribuir valor ao mar na génese da Nação
portuguesa pela forte atracção que exerceu sobre as
populações agrícolas, concentradas junto à costa, pelas
actividades de pesca e de comércio que possibilitou, pela
quebra de isolamento que originou, pelo desenvolvimento
cultural que induziu e pelo favorecimento que fez ao
avanço da reconquista cristã.
O mar ficou, pois, como marca original, genética,
indelével, no país acabado de criar, Portugal, referido, na
expressão feliz de Oliveira Martins, como “um anfiteatro
levantado em frente do Atlântico, que é uma arena.
A vastidão do circo desafia e provoca tentações nos
espectadores, arrastando-os afinal à laboriosa empresa
das navegações…”
Para essa empresa muitas causas poderão ter contribuído,
mas nenhuma terá sido, certamente, tão forte como a
localização geográfica, directamente apoiada na curiosidade
científica e na coragem dos Portugueses de então.
O ‘anfiteatro’ português, isolado no finisterra da Euro-Ásia,
dispunha de um horizonte difícil no seu lado tardoz.
Difícil pela distância agreste a percorrer até aos principais
centros urbanos do Continente e, mais difícil ainda,
“quando à Europa humilhada o castelhano impõe a lei com
a espada e o mosquete”, repetindo Oliveira Martins.
Aparentemente entalados entre a espada castelhana e a
parede do mar, os Portugueses não se furtaram a enfrentar
com coragem bem sucedida o aço toledano, quando
necessário, mas, por opção estratégica, decidiram derrubar
os obstáculos do mar, provenientes de lendas de caudal
crescente, desde a fonte bíblica até aos fantasmas medievais,
mas formados igualmente pelas barreiras da ignorância
técnica e científica e pelo desconhecimento do que estaria
para além do mar de que havia notícia.
A ‘parede’ que nos separava do mar foi também ajudada a
demolir pelas condições meteorológicas do nosso território,
com realce para o regime de ventos, assim como pela
característica morfologia da costa. Sem dúvida que os
ventos de Noroeste que na Primavera e no Verão sopram
bonançosos, durante a manhã, e, por vezes fortes, à tarde,
em toda a costa continental, a conhecida nortada, são como
22 ATLAS DE PORTUGAL IGP
que um convite para velejar com proa nos quadrantes
de Sul. É como, saídas as barras dos portos, deixar-se ir
na corrente do vento. Se percorrermos as listas de datas de
largada das expedições marítimas dos nossos antepassados,
será evidente que era a partir de Março que os navios saíam
em faina, barra fora.
Por outro lado, a costa continental portuguesa é limpa
de baixios, é batida por uma água mexida, às vezes dura,
própria para marinheiros viris, mas tem carácter leal
porque não esconde escolhos ou recifes traiçoeiros.
Os portos e abrigos do lado Oeste não são muito
numerosos, mas a qualidade náutica do estuário do Tejo
e o abrigo da baía de Lagos compensam o reduzido recorte
da costa. Podemos dizer, hoje, que a orientação da costa
e a dos ventos, em metade do ano, as águas de fundos
irrestritos e a vontade corajosa e curiosa de ‘conquistar
a distância’ formaram a rampa de lançamento da nossa
expansão multi-continental.
Porém, a coragem de partir implicava também a ousadia
de ser capaz de voltar. Mas, como voltar, se à vinda o vento
soprava quase sempre contrário e, quando pudesse ser a
favor, no Inverno, crescia frequentemente a tempestuoso,
capaz de ensacar os navios e de os atirar para cima de terra?
A curiosidade técnica e a estrutura científica criada pelos
Portugueses deram a resposta.
Entenda-se que o marinheiro de qualquer época é, por
adaptação profissional, muito curioso. A curiosidade é bem
marcada quando procura nos navios e embarcações dos
outros aquilo que é diferente no seu. Ciumento do que vê
melhor em navio estranho, mas orgulhoso daquilo em que
o seu possa ser superior, procura apreender tanto
as diferenças de material, como as técnicas e os
procedimentos. Não admira, por isso, que a frequência dos
nossos portos por navios estrangeiros nos tenha trazido as
novidades que iam aparecendo na construção naval, como,
por exemplo, o leme central montado no cadaste, usado
muito cedo no Báltico e na China em substituição do leme
de esparrela (steering oar), ou as velas triangulares (hoje
chamadas de latinas), empregues no Mediterrâneo e que
permitiam aos navios de casco de boa finura, ou boa
relação comprimento / boca, navegar até um ângulo limite
de 40º a 50º entre o eixo do navio e a linha do vento. Eram
os caravos ou caravelas (do árabe qarib).
A posição de Portugal favoreceu esses contactos com
regularidade por ser quase o promontório finisterra da
Europa, que era preciso dobrar entre o Norte e o Sul.
Por outro lado, é uma situação que lhe confere um clima
de influência atlântica e mediterrânea, capaz de
proporcionar muitas noites de céu limpo convidativas
ao estudo dos astros e que tem um regime de ventos que,
sabiamente aproveitados, permitiu, mesmo às grandes naus
de pano redondo, ir e voltar sempre a favor do vento.
De facto, uma das grandes descobertas dos Portugueses
foi a circulação do vento em torno dos anticiclones do
Atlântico Norte e do Atlântico Sul. A Norte, era como se,
por altura dos Açores, se situasse o centro de uma enorme
corrente circulatória de vento no sentido dos ponteiros
do relógio que, uma vez apanhada a Norte do Equador,
permitia, descrevendo uma enorme rota, quase
circunferência, chegar a Portugal, navegando sempre
com o vento nos sectores da popa dos navios.
Os vastos conhecimentos científicos e as técnicas
desenvolvidas em várias áreas do saber, a organização
estabelecida, ligando cientistas, financeiros, comerciantes,
marinheiros, militares, população e elites dirigentes, bem
como a posição geográfica lançaram-nos mar a dentro
a descobrir os caminhos para juntar oceanos, culturas
e gentes. O mar da nossa geografia marcou-nos com um
carácter próprio, granjeou-nos prestígio em todo o mundo,
deu-nos grandeza e algum ouro e levou o Português, raça
e língua, a mais três continentes fora do de berço.
Curiosamente, Portugal sentiu e viveu a importância do
mar de forma muito mais marcante entre duas revoluções,
a de 1383 e a de 1974, que claramente assinalaram as fases
de ascensão e de declínio da maritimidade portuguesa.
Esta, a de profunda queda, pode encontrar uma explicação,
apenas muito parcial, na independência dos territórios
ultramarinos de expressão portuguesa e na necessária
adesão à União Europeia (UE). De facto, outros factores de
grande importância deveriam ter impedido uma tão brusca
e gravosa recessão. É que, embora por motivos diferentes
dos de ontem, o mar tem hoje e terá seguramente
amanhã um valor de dimensão vital para o País, se for
convenientemente utilizado.
É uma mais valia assinalável em três aspectos: na afirmação
da identidade nacional, capaz de distinguir marcadamente
a Nação portuguesa no seio de uma Europa sem fronteiras
e de um generalizado processo de descaracterização de
A IMPORTÂNCIA DO MAR E
A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO
PORTUGUÊS
ATLAS DE PORTUGAL IGP 23
culturas; na contribuição para a economia nacional como
um dos seus pilares fundamentais; e na segurança e defesa
nacional, correlacionada com a dos nossos aliados.
Sobre a primeira questão, interessa ter presente que
a soberania tradicional do Estado-Nação português, tal
como de outros estados-nações, está a sofrer um acelerado
processo de mudança, devido à transferência para a UE
de poderes de decisão, legislativos, judiciais e monetários e
também por força da inevitável globalização, para a qual, de
resto, os Portugueses deram forte contributo ao ligarem, no
século XVI, pela primeira vez, os oceanos. Acresce ainda
a estes processos o facto de a enorme força da informação
global simultânea, do turismo e das migrações, entre outros
factores, poderem ser descaracterizadores da cultura
nacional.
A compensação para estes processos tem de ser encontrada
na valorização dos factores de identidade nacional, com
realce para a História, a Língua, a Cultura e a Geografia.
Em todos, note-se, está omnipresente o mar. Ele é,
realmente, uma presença constante para todos os
Portugueses que em esmagadora maioria o têm perto
de casa, na faixa litoral do Continente e nas onze ilhas
atlânticas e ainda o podem ver, mais a Sul, a partir do
paraíso ecológico das Ilhas Selvagens. É também o meio
físico que constitui o elo de ligação do nosso território,
profundamente disperso num amplo triângulo atlântico.
Ao mesmo tempo, confere-nos centralidade atlântica capaz
de compensar a posição de periferia continental e
estabelece uma via de comunicação com o resto do Mundo
onde se encontram muitos dos amigos e aliados, incluindo
190 milhões de pessoas que falam o Português. O mar
deve, por isso, funcionar como marcador indelével do
nosso carácter, como aglutinante da nossa identidade
colectiva e como potenciador do amor próprio e do
orgulho dos Portugueses.
Esta importância, geoestratégica para o Estado e moral para
a Nação, continua-se no campo económico pelo valor
actual e potencial das riquezas que o mar contém em si e
pelas actividades que viabiliza, directamente, no seu espaço
físico tridimensional e, indirectamente, nas proximidades
das suas margens. Em termos genéricos, o mar forma as
grandes vias de comunicação usadas pelos transportes
marítimos; acolhe, nos portos, actividades comerciais,
industriais e de serviços muito diversificadas; origina a
necessidade de indústrias de reparação e de construção
naval e outras de tecnologia oceânica; produz, dentro de si,
animais marinhos, de forma natural ou forçada, usados
na alimentação; tem um fundo de onde se podem extrair
combustíveis fósseis e minérios de metais, como o
manganês, o zinco, o cobre, o cobalto, etc.; disponibiliza a
sua água salgada para a produção de água potável e de sais
minerais, sobretudo o cloreto de sódio; contém uma vasta
diversidade de produtos genéticos para uso comercial
e industrial, incluindo o farmacêutico; é uma fonte de
energias renováveis, através das ondas, das correntes,
das marés, do vento e da massa térmica que transporta;
propicia inúmeras actividades de lazer aquáticas, razão
de ser do turismo marítimo; atrai, pela sua beleza, fluxos
turísticos para a zona costeira e constitui, por fim,
elemento de inesgotável interesse científico e cultural.
Portugal, Continental e Insular, porque exerce soberania
e jurisdição sobre três enorme áreas de mar que totalizam
1 830 milhares de quilómetros quadrados, ou seja, vinte
vezes a superfície da sua componente terrestre, tem
a possibilidade de desenvolver todas essas actividades
económicas e científicas, embora com potenciais diversos
e com prazos diferenciados.
De entre elas, o turismo, nas suas duas componentes
de linha de costa e oceânico, apresenta, simultaneamente,
o maior valor económico actual e encerra a capacidade de
crescimento mais significativa. De facto, o da faixa litoral
corresponde a 90% do total nacional e é, só por si,
responsável por 10% do PIB. O turismo oceânico tem ainda
reduzido peso, mas pode desenvolver se fortemente, pelo
aproveitamento mais intenso das condições naturais e das
crescentes infra-estruturas, nas actividades de cruzeiros,
vela de recreio, regatas, surf, windsurf e kite-surf, remo,
canoagem, pesca desportiva, observação de mamíferos,
peixes e aves marinhas em santuários, mergulho, pesca
submarina, arqueologia turística marítima, etc.
A posição geográfica de Portugal, junto às principais rotas
de navegação, entre o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, a
característica profundidade das suas águas e a ausência de
obstáculos à navegação nas zonas costeiras são factores que
podem contribuir para o desenvolvimento do transporte
marítimo e dos serviços portuários, sobretudo no
Continente. São, contudo, actividades que têm estado em
declínio nas últimas décadas, em contra-ciclo com o que se
24 ATLAS DE PORTUGAL IGP
passa no mundo, apesar de a nossa costa dispor de portos
magníficos, como o de Sines, com condições para poder ser
um dos maiores, senão o maior da Europa, capaz de
acolher os maiores navios de transporte de mercadorias.
Para passageiros, existem, nas três parcelas do território,
infra-estruturas portuárias e pontos de interesse turístico,
no mar e em terra, capazes de justificarem uma forte
actividade de visitas. Os navios de cruzeiro frequentam
cada vez mais os nossos portos e correspondem a um
mercado em forte expansão. Mais uma vez a posição
geográfica foi pródiga em boas condições.
Outro sector capaz de gerar riqueza é o da construção e da
reparação naval, também ele beneficiando da proximidade
das rotas de navegação e da existência do melhor estaleiro
de reparações da Europa, em Setúbal, e de um bom
estaleiro de construção em Viana do Castelo, para além de
outras infra-estruturas técnicas de menor dimensão.
Estas são parte de um todo a exigir reformas de
redimensionamento, de renovação técnica e de inovação
tecnológica e científica.
Os hábitos ancestrais de convivência com o mar fizeram
dos Portugueses grandes apreciadores de peixe, de tal
forma que o seu consumo é cerca de o triplo da média,
per capita, na UE. Contudo, o excesso de capturas praticado
nas nossa águas, sobretudo num passado recente, levou
à diminuição das populações piscícolas e à consequente
redução das capturas. Por isso, Portugal importa mais de
metade do peixe que consome. É previsível que as medidas
restritivas da pesca possam ajudar a recuperar a fauna
marítima, nalguma medida. No entanto, é no campo
da aquacultura que reside a possibilidade de um aumento
sustentado da produção de peixe.
O fundo dos mares portugueses não parece ser rico em
hidrocarbonetos, pelo menos a fazer fé na prospecção
e pesquisa petrolíferas feitas até hoje. Estas investigações
confirmam a existência de petróleo, mas nunca foram
identificadas quantidades que justificassem a sua
exploração. No entanto, as condições naturais do nosso
mar fazem admitir a probabilidade de se encontrarem
significativas quantidades de hidratos de metano, sobretudo
a partir dos 1 000 metros de profundidade.
Entre as energias renováveis susceptíveis de serem
aproveitadas por nós, a das ondas é a de maior potencial,
face à contínua agitação na costa ocidental do Continente
e da generalidade do mar das Ilhas. É um recurso
prospectivo da ordem dos 15GW/ano, no Continente e de
cerca de 6GW/ano, nos Arquipélagos, com interesse
crescente, que está a ser objecto de investigação científica
com boas esperanças.
Os oceanos, incluindo a parte que nos respeita, têm uma
enorme potencialidade para a biotecnologia, ou seja, a
utilização de organismos vivos para produzir ou modificar
produtos, nomeadamente, microorganismos para fins
específicos. Trata-se de um vasto acervo de substâncias e
produtos para uso em medicina, agricultura, aquacultura,
saneamento, etc., que encontram nas fontes termais de
profundidade locais privilegiados para a sua obtenção.
Assim, também na área da produção de riqueza, o mar
constitui uma impressionante fonte de recursos naturais
para o País, certamente a mais importante de todas. A sua
exploração requer uma visão integradora que percorra
transversalmente todas as actividades, a articular num
verdadeiro cluster. É um forte desafio para o futuro,
a encarar como as ‘Novas Descobertas’, pelas gerações
de hoje.
Trata-se, contudo, de um repto que exige, desde o início,
a satisfação de um pressuposto essencial, traduzido
na imperativa gestão integrada do Oceano de forma
ecologicamente sustentável. É, de facto, uma condição que
a não ser convenientemente entendida e praticada com
rigor por todos os agentes, públicos e privados, com
capacidade de intervenção no sistema marítimo, conduziria
não só à impossibilidade de desenvolvimento da economia
marítima, como tornaria inviável a que já existe.
Na verdade, não é imaginável incrementar, nem sequer
manter, o turismo de cariz marítimo, a produção piscícola,
a extracção de produtos de biotecnologia e a qualidade de
vida nas zonas costeiras, se o ecossistema marinho não for
bem preservado. E há até que contar, neste aspecto, com o
vício adquirido pela nossa população, ao longo de gerações,
de lançar no mar os subprodutos da sua actividade,
habituada à grande capacidade de assimilação das profundas
e dinâmicas águas do Oceano que a posição geográfica
de Portugal nos pôs à porta.
Este mau hábito, a pressão urbana, o desenvolvimento
das infra-estruturas da orla costeira e o funcionamento
das indústrias marítimas colocam cada vez mais exigências
e dificuldades à manutenção da linha de costa e do Oceano,
A IMPORTÂNCIA DO MAR E
A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO
PORTUGUÊS
ATLAS DE PORTUGAL IGP 25
que é já vítima, em termos de saúde e de produtividade, de
práticas passadas pouco cuidadosas, não planeadas, não
integradas, nem cientificamente investigadas. Estas são
precauções a tomar para não seguirmos o exemplo negativo
de muitas partes do mundo, envolvidas numa espiral
descendente de degradação do mar.
A investigação e as ciências do mar são essenciais à
protecção ambiental do oceano e tornam-se igualmente
indispensáveis à exploração económica e ao seu uso para
fins de segurança e de defesa. É uma necessidade evidente,
se atentarmos na circunstância de o oceano continuar a ser
razoavelmente desconhecido, apesar de usado desde longa
data. Faz-se mesmo a comparação dos 5% a 7% do fundo
dos oceanos cobertos por imagens ópticas ou acústicas com
o disponível conhecimento integral da superfície da Lua…
Hoje, tal como no passado histórico, não pode haver
investigação científica nem desenvolvimento das
economias baseadas no ambiente marinho sem liberdade
do uso do mar e sem a interdição desse espaço a actividades
condenadas pela lei internacional. Para isso, cada estado
costeiro de per si estende a autoridade soberana, ou apenas
a jurisdição, as áreas da sua competência, da mesma forma
que os estados, enquanto comunidade global, procuram
velar pelo cumprimento da lei internacional no alto mar,
ou seja, no grande espaço não sujeito a qualquer vínculo
de um só estado. Além disso, o mar pode também ser palco
de conflitos violentos entre estados, originados por disputas
de interesses cujo objecto tanto pode radicar nele como
em terra.
Existe, pois, a necessidade de os estados costeiros
preservarem a sua segurança e defesa contra riscos
e ameaças configuráveis no mar. Aqueles e estas têm, com
os tempos, vindo a tornar-se mais amplos, imprevisíveis
e intensos, mesmo fora dos quadros de conflito, como, por
exemplo, o terrorismo, a pirataria, o tráfico de armas, de
drogas e de pessoas, a imigração clandestina, o derrame
acidental ou intencional de substâncias perigosas, etc.
Também as ameaças clássicas impõem a necessidade de
serem dissuadidas ou contrariadas pela força, o que leva os
estados a considerarem, isoladamente ou em alianças,
o estabelecimento de uma componente marítima da sua
defesa.
Portugal não pode constituir excepção, por ser um estado
soberano, quase arquipelágico, detentor de vastas áreas
marítimas de grande importância geoestratégica e
económica e ainda por ter a responsabilidade de uma longa
linha de fronteira marítima da UE. Precisa, por isso,
de exercer autoridade no mar, em missões de paz diárias,
fazendo cumprir a sua lei e também a internacional, e de
proteger os utilizadores do mar dos efeitos agressivos do
ambiente marinho, assim como tem necessidade de estar
preparado para, isoladamente, ou como membro das
alianças que integra, defender os interesses que lhe são
próprios, dentro das suas alargadas fronteiras de defesa.
Ao seguir-se, assim, o percurso histórico de Portugal,
desenhado a partir da posição geográfica de finisterra,
verificamos que o mar esteve presente, de forma marcante,
na estruturação inicial do país, como elemento aglutinante
das suas gentes, como meio de rotura do isolamento
comercial e técnico-científico a que a geografia continental
o obrigava e como factor de mais valias estratégicas
da reconquista cristã. Depois, a posição de frente atlântica
do território, a morfologia da costa, a opção estratégica do
mar, a sabedoria, a organização e a coragem das suas gentes
constituíram a plataforma de lançamento para a gesta
dos descobrimentos. O Mar, transformado por nós em
Oceano, foi caminho de expansão, de encontro de culturas
e de engrandecimento do Povo que não quis caber
no ‘berço em que nasceu’.
Hoje, o Mar-Oceano assume nova importância vital para
a Nação ao oferecer-lhe a marca de identidade que a
distingue numa região e num mundo em homogeneização
e ao proporcionar-lhe recursos económicos inesgotáveis.
O Mar foi, é e será generoso para os Portugueses, mas
exige deles uma contrapartida importante. A de ser
protegido contra novas e velhas ameaças, provenientes quer
de prevaricadores compulsivos, quer de cidadãos ignorantes
do ambiente.
Foi nessa linha de rumo que o Mar da nossa geografia
ligou o passado de Portugal ao seu presente e vai, se nós
quisermos, ser a ponte oceânica para um futuro de boa
esperança.
26 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Portugal, finisterra a sudoeste do continente euro-asiático, deve à sua
posição os traços que mais o distinguem na Península Ibérica, onde
está inserido e de que é parte integrante, pelas suas estruturas geológica
e oro-hidrográfica. O mar, que o enfrenta a Oeste e a Sul, serviu-lhe
sempre de via de ligação humana e de comércio, primeiro com o ocidente
europeu, séculos depois na sua expansão pelos Novos Mundos, aventura
em que foi pioneiro e de que restam, ainda, na sua soberania, os
arquipélagos dos Açores e da Madeira. A grande parcela do território
português, no canto sudoeste da Europa, é bem, como dizia Orlando
Ribeiro, “mediterrânea por natureza, atlântica por posição”. Mas o País
não se confina a estes escassos 89 000km2: prolonga-se por cerca
de 1 100 milhas para ocidente e um total de mais de 3 000km2,
diferentemente repartidos pelas nove ilhas açorianas e pelas duas
principais madeirenses (únicas habitadas), o que confere toda a
legitimidade à expressão de Adriano Moreira ao falar da “maritimidade
e continentalidade” de Portugal.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:20 Página 27
28 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Henrique Souto
O MAR QUE NOS ENVOLVE
D
M
MC
A
Morfologia dos fundos do Oceano Atlântico Norte
A — AÇORES
M — MADEIRA
MC — MARGEM CONTINENTAL PORTUGUESA
D — DORSAL MÉDIO-ATLÂNTICA
A morfologia dos fundos
As dorsais médio-oceânicas (como a Atlântica) correspon-
dem aos locais a partir dos quais os fundos oceânicos se propa-
gam, pela injecção de material magmático (daí serem sísmica e
vulcanicamente activas), resultando elevações basálticas que ori-
ginaram ilhas. Atravessadas por falhas transversais, ditas trans-
formantes, estas regiões são, do ponto de vista geológico, extre-
mamente complexas.
Na imagem que configura o fundo do oceano Atlântico
Norte destaca-se a dorsal médio-atlântica (D) e respectivas
falhas; na área que interessa a Portugal, o arquipélago dos
Açores (A) na microplaca homónima, que se localiza na junção
das placas Norte-Americana, Euroasiática e Africana, o arquipé-
lago da Madeira (M) na placa Africana e a Margem Continental
Portuguesa (MC). São igualmente visíveis várias formas subma-
rinas, como bacias (planícies abissais) e montes (bancos). As
ilhas que constituem os arquipélagos dos Açores e da Madeira,
de origem vulcânica, mas formadas em diferentes épocas, sofre-
ram aos longo dos tempos (e os Açores ainda sofrem) vários
fenómenos de sismicidade e de vulcanismo; foram formadas e
erodidas, passaram por períodos de transgressão e de regressão
marinha... A batimetria junto aos arquipélagos é vigorosa, pas-
sando-se rapidamente para grandes profundidades.
A topografia do fundo do Arquipélago dos Açores é extre-
mamente complexa. Assente num planalto com uma profundi-
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 28
ATLAS DE PORTUGAL IGP 29
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
dade média de -1 500m, sobre o qual se formaram as ilhas, é
possível encontrar nesta área fossas profundas e montes (bancos)
a pouca profundidade. Entre as primeiras merece destaque a
fossa Hirondelle, com mais de 3 000m de profundidade; de entre
os segundos, merecem destaque o Banco D. João de Castro,
entre as ilhas de São Miguel e da Terceira, e os Bancos Açor e
Princesa Alice, a sudoeste da Ilha do Pico.
Ao invés, os fundos oceânicos junto ao continente português
revelam a sua origem continental, pois que o contacto entre as
crostas de origem oceânica e continental se faz ao largo e não
junto à linha de costa, num domínio designado por margem
continental; no caso português, esta margem é de tipo passivo.
Apresenta a configuração normal, ou seja, uma plataforma
continental de declive suave (até aos 200m de profundidade),
seguindo-se-lhe a vertente continental, de declive mais
acentuado, que liga a primeira aos grandes fundos oceânicos.
A plataforma continental portuguesa é estreita e cindida por
diversos vales e canhões submarinos, dos quais se destacam os
canhões da Nazaré, do Tejo (Lisboa) e do Sado (Setúbal). O
talude continental, que liga a plataforma às planícies abissais
apresenta declives variáveis, sendo mais vigorosos entre o Vale
de Aveiro e o Canhão da Nazaré e mais suaves no esporão da
Estremadura. O sopé do talude continental corresponde a uma
área de acumulação de sedimentos, essencialmente de origem
terrígena, que faz a ligação às grandes planícies abissais,
localizadas a mais de 2 000m de profundidade, ou a sistemas
mais complexos, como o do Banco Gorringe.
Correntes oceânicas
A circulação das massas de água superficiais no Oceano
Atlântico Norte é dominada por um largo giro (com aproxima-
damente 1 000km de diâmetro e que roda no sentido dos
ponteiros do relógio). Para os territórios nacionais a circulação a
norte do referido giro é a mais importante. Nela estão contidos:
A Corrente do Golfo (CG)
A CG é uma das mais fortes correntes oceânicas (atinge velo-
cidades da ordem dos 2,5m/s, transporta até 150Sv e tem uma
largura superior a 200km); transfere calor das regiões tropicais,
mais quentes, para as latitudes mais altas. Esta corrente tem
início no Golfo do México, desloca-se ao longo da costa leste
dos Estados Unidos até à Baía de Chesapeake, de onde parte
para o interior do Atlântico até atingir as ilhas britânicas. Embora
perca naturalmente calor na sua ‘viagem’, ainda conserva o
suficiente para moderar o clima do Norte da Europa (razão por
que, à mesma latitude, a costa norte-americana apresenta sem-
pre valores da temperatura do ar inferiores às registadas nas
regiões europeias mais próximas do oceano). A CG vai-se divi-
dindo em vários ramos, dando origem, entre outras, à Corrente
do Atlântico Norte, à deriva do Atlântico Norte (que se dis-
tribui entre as latitudes 50º e 64ºN e que não tem nenhum
influência nos territórios portugueses) e à Corrente dos Açores.
Correntes de superfície no Oceano Atlântico Norte
CG
SCP
CC
CA
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 29
30 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
1. Afloramentos rochosos na costa Norte da ilha da Madeira
Sonografia (imagem acústica) obtida com um sonar de varrimento
lateral, a 400kHz, na costa Norte da ilha da Madeira, na qual é
possível observar afloramentos rochosos com vários metros de
altura, típicos de zonas de origem vulcânica.
2. Sedimentos na costa Norte da ilha da Madeira
Sonografia (imagem acústica) obtida com um sonar de varrimento
lateral, a 400kHz, na costa Norte da ilha da Madeira. A imagem
corresponde a uma zona aplanada onde se observam manchas mais
escuras, correspondentes a depósitos de sedimento fino, que cobrem
parcialmente o fundo de areia grosseira. A areia apresenta fissuras
sedimentares que se desenvolvem transversalmente à corrente,
indicadoras de transporte pelo fundo, designadas ripples.
3. Perfil da costa Sul da ilha da Madeira
Perfil de reflexão sísmica de elevada resolução obtido na costa Sul da
ilha da Madeira com um sistema tipo sparker. A cobertura sedimentar,
onde se pode observar uma sequência progadante, assenta sobre uma
superfície rochosa, aplanada durante a subida do nível do mar.
1
2
3
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 30
ATLAS DE PORTUGAL IGP 31
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
Batimetria do Oceano Atlântico Norte na zona do ‘mar português’
Corrente dos Açores (CA)
A CA tem origem num ramo da Corrente do Golfo, na área
dos Grandes Bancos (40ºN, 45ºW). Supõe-se que no Inverno
esta corrente consiste num fluxo único, enquanto no Verão se
subdivide em dois ramos: o mais setentrional desloca-se directa-
mente para a região dos Açores enquanto o mais meridional
contorna o arquipélago pelo sudoeste, vindo a juntar-se, a sul
deste, com o ramo norte.
Muito complexa e variável, a CA tem uma largura de cerca
de 150km e 1 000m de profundidade. Caracteriza-se também
por possuir grandes gradientes termohalinos (isto é, bruscas
variações da temperatura e da salinidade). Calcula-se que o
fluxo da corrente principal seja da ordem dos 10 a 12Sv.
Corrente das Canárias (CC)
A CC flui ao longo da costa africana de Norte para Sul entre
30º e 10º de latitude Norte e, para o largo, até 20º de longitude
Oeste, influenciando as águas do arquipélago da Madeira. É uma
corrente larga (cerca de 1 000km), lenta (10 a 30cm/s), de águas
relativamente frias e com uma profundidade de cerca de 500m.
A CC dá origem a uma corrente de ressurgência (upwelling)
costeira.
Sistema de Correntes de Portugal (SCP)
O SCP é caracterizado, genericamente, por um fluxo de
sentido Norte-Sul, desde os 46º e os 36º de latitude Norte e,
para o largo, até aos 24º de longitude Oeste. É um sistema com-
plexo e de difícil definição espacial, devido às interacções entre
correntes costeiras e do largo, batimetria e massas de água.
Constituído por várias correntes (a Corrente de Portugal, a
Corrente Costeira de Portugal e a Contracorrente Costeira de
Portugal), o SCP é dominado pelo giro do Atlântico Norte, que
se caracteriza por ser uma região de circulação lenta entre a
Corrente do Atlântico Norte e a Corrente dos Açores.
A Corrente de Portugal propriamente dita marca,
grosseiramente, o limite norte da Corrente das Canárias e
tem uma largura estimada de 300km. Transporta cerca de
2Sv a uma velocidade média de 1,6cm/s.
O mar e a atmosfera
Dada a sua posição em latitude, o território português é
influenciado no Inverno pelas massas de ar húmidas que atra-
vessam o Atlântico em conformidade com a circulação geral da
atmosfera, de oeste para leste; no Verão, a subida para norte do
anticiclone dos Açores funciona como obstáculo à penetração
das referidas massas de ar no território nacional, tornando o
tempo quente e seco; as estações de transição (Primavera e
Outono) alternam os estados de tempo, ora com dias quentes
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 31
32 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
Batimetria do Canhão da Nazaré
A imagem do Canhão da Nazaré foi obtida através de um sistema
multifeixes de modo a mostrar a morfologia detalhada do canhão nos seus
primeiros 5km até uma profundidade de 330m. A imagem foi obtida pelo
Instituto Hidrográfico no âmbito do Projecto SECNA (Estudo Morfo-
dinâmico da Cabeça do Canhão da Nazaré) com uma ecosonda de feixes
múltiplos SIMRAD EM 950 instalada no UAM “Coral”. O sistema possui
uma largura de feixe de 3.3x 3.3º e um total de 60 feixes, com um ângulo
de cobertura de 130º. A área coberta é de aproximadamente 15km2.
Código colorido de 0 a 330m. Grelha de resolução de 3m.
Escala vertical exagerada 3 vezes.
Corrente do Golfo
A imagem, obtida por infravermelhos num dia sem nuvens, mostra a
temperatura das águas, sendo as de cor púrpura as mais frias (cerca de
7ºC), seguindo-se-lhe, por ordem de temperatura, o azul, o verde, o
amarelo e o vermelho (representando esta cor temperaturas da ordem dos
22ºC). Na imagem são visíveis movimentos giratórios de águas quentes
(eddies) no sentido dos ponteiros do relógio. Estes movimentos aumentam
as trocas de calor e de água entre as zonas costeiras e o largo.
e secos ora com dias chuvosos e com muito vento. O estado
do mar acompanha de perto o estado da atmosfera, mas com
nuances locais e regionais importantes.
Na costa ocidental (entre o rio Minho e o Cabo de São
Vicente) ocorrem, em cerca de 80% do ano, situações com vaga
associada aos ventos de norte e de noroeste, o que no Verão
ocasiona o regime de nortada, com importante variação diurna
(maiores alturas e períodos para o fim da tarde) enquanto todas
as áreas abrigadas de noroeste têm estados de mar muito calmos,
razão por que todos os portos da costa ocidental estão protegidos
deste quadrante. No Inverno e nas estações de transição são,
porém, comuns situações de ‘mar de sudoeste’ associadas a
depressões ou superfícies frontais que originam áreas de geração
de sudoeste, o que torna a entrada e a saída dos portos difícil, por
vezes durante vários dias. Todavia, para a navegação a maior
limitação é a ocorrência de ‘temporais de oeste’, no Inverno, o
que ocasiona o encerramento da maioria dos portos: associada à
descida em latitude de frentes polares, origina ondulação forte de
oeste (até 8m de altura) e persiste durante 8 ou mais dias.
Na costa sul (do Cabo de São Vicente ao rio Guadiana),
dada a sua orientação Oeste/Este e a sua menor latitude, o mar
é mais calmo e apresenta em mais de 70% do ano ondas de
altura inferior a 1m. Na maior parte do ano, a costa algarvia
apresenta o designado ‘mar de brisa’, gerado localmente e com
marcada periodicidade diurna: de manhã o mar apresenta-se
encrespado de sudoeste e pequena vaga (0,5m), rodando com
o vento para norte e tornando-se para o fim da tarde de cerca
de 1m de altura, para depois cair até de madrugada. Na costa
algarvia, as situações mais problemáticas para a navegação
prendem-se com o ‘mar de levante’, quando o vento sopra de
sudeste e a altura das ondas chega a ultrapassar os 3m; o vento
e a vaga associados a esta situação aparecem em poucas horas e
são provenientes do estreito de Gibraltar. Para além das
situações de Levante, também a ocorrência de ‘nortadas’
origina problemas à navegação pois dá origem a alturas de onda
crescentes com a distância a terra (0,5m a 5 milhas da costa e
1,5m a 20 milhas). As situações associadas a temporal de oeste,
na costa ocidental, originam na costa sul agitação marítima de
sudoeste, com 2 a 3m de altura, a qual diminui para sotavento.
Variações de temperatura
A temperatura da água de superfície apresenta uma variação
latitudinal normal, isto é, com a diminuição da temperatura de
sul para norte: no Inverno, entre os 15-16ºC na costa sul e os
12-13º nas águas mais setentrionais; no Verão, entre os 20-21º
do sul e os 17-18º C do norte. Este padrão geral é, no entanto,
complicado quando ocorrem ventos de nortada, situação em
que a temperatura das águas junto à costa diminui, como
consequência do ressurgimento (upwelling) de águas mais
profundas, e mais frias, que compensam o deslocamento para
oeste das águas superficiais. Pode esperar-se uma diminuição de
2º a 3ºC na temperatura das águas.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 32
ATLAS DE PORTUGAL IGP 33
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
Perfis orobatimétricos da costa portuguesa
Este ressurgimento de águas, por trazer para a superfície
águas mais ricas em nutrientes, potencia a produtividade
primária das águas (aumenta a biomassa de fitoplâncton), com
reflexos em toda a cadeia alimentar.
Inversamente, pode ocorrer um aumento de 1º a 2ºC
quando ocorrem ventos fortes dos quadrantes de sudoeste, com
a consequente deriva para a zona costeira de águas mais quentes.
As características das águas marinhas condicionam a ocorrên-
cia da vida no oceano, nomeadamente os níveis de luminosidade
(e respectivo fotoperíodo), a temperatura e a disponibilidade de
nutrientes nas águas superficiais. Dependente da fotossíntese,
como sobre os continentes, a elaboração de matéria orgânica
pelos organismos produtores (no caso dos oceanos,
essencialmente o fitoplâncton) tem características
marcadamente estacionais, com um ‘pico’ na Primavera. A
uma maior biomassa destes organismos corresponderá mais
zooplâncton, e, consequentemente, maior quantidade de
peixes planctófagos, como os pequenos pelágicos como a
sardinha (Sardina pilchardus), repercutindo-se, assim, na maior
ou menor biomassa passível de ser explorada pela pesca.
500
0
-500
-1 000
-1 500
10 00020 00030 00040 00050 00060 000
Perfil NE-SW
m
50 000100 000150 000
1 000
0
-1 000
-2 000
-3 000
-4 000
200 000250 000300 000
Perfil NE-SW
m
Perfil E-W
500
0
-500
-1 000
-1 500
-2 000
-2 500
-3 000
20 00040 00060 00080 000100 000
m
Costa alentejana – Banco Gorringe
Serra da Arrábida – Canhão de Setúbal
Nazaré – Canhão da Nazaré
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 33
34 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
O mar que nos envolve
DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan
%
1,49
0,36
2,13
16,16
9,00
15,79
39,79 38,73
21,11
5,40
6,55
2,55
DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan
10,41
2,35
11,34
31,84
24,76
42,66
49,67
52,98
37,46
21,64 23,04
14,38
%
DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan
%
40,00
33,88
57,81
69,01
81,56
89,19
92,64 95,82
85,50
64,48
69,43
34,93
10o
15o
20o
Leixões
10o
15o
20o
Peniche
10o
20o
15o
25o
Praia da Rocha
10o
15o
20o
Cabo de S.Maria
Dezembro
Novembro
Outubro
Setembro
Agosto
Julho
Junho
Maio
Abril
Março
Fevereiro
Janeiro
10o
15o
20o
Santa Marta
10o
15o
20o
Sines
Leixões
Peniche
Santa Marta
Sines
Praia da Rocha
Cabo de Santa Maria
Temperatura média mensal da água
do mar à superfície, às 09h00 TU
Altura das ondas inferior a 1m
Costa Ocidental
Zona da foz do rio Minho ao Cabo Raso
Ocorrência nos diferentes meses; registos: Cabo da Roca,
1976/1980
Costa Ocidental
Zona do Cabo Espichel ao Cabo de São Vicente
Ocorrência nos diferentes meses; registos: Sines, 1974/1980
Costa Sul
Zona do Cabo de Sagres à foz do Rio Guadiana
Ocorrência nos diferentes meses; registos: Faro, 1976/1980
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 34
Floração de fitoplâncton ao largo de Portugal
Na imagem é visível uma floração fitoplanctónica (bloom) ao largo da costa de Portugal; estas florações
ocorrem com mais frequência no início da Primavera. Observação no dia 23 de Abril 2002.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 35
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Raquel Soeiro de Brito
A TERRA QUE
HABITAMOS
Portugal Continental forma um rectângulo muito
alongado no sentido Norte-Sul (848km de
comprimento por uns escassos 250km de largura,
entre 42º9' e 36º57' de latitude Norte e 6º11' e
9º30' de longitude Oeste). As Regiões Autónomas
dispõem-se em dois grupos em pleno Atlântico:
o arquipélago dos Açores (2 333km2)
é formado por nove ilhas situadas, grosso modo,
à latitude de Sines, entre 1 400km e 2 000km a
oeste desta costa alentejana; o da Madeira, no seu
conjunto abrange 793km2, é composto por duas
ilhas principais – Madeira e Porto Santo –
localizadas a pouco mais de 1 000km a sudoeste de
Lisboa, à latitude do Cabo Branco, na costa
africana, da qual dista uns 800km, e também pelos
ilhéus das Desertas e pelo grupo das Selvagens,
localizados mais a sul, pela latitude de Agadir.
A posição de fachada atlântica da Península Ibérica
influencia decisivamente a fisionomia de Portugal Continen-
tal pelas condições naturais que lhe imprime: a persistência
de um clima mais húmido que no resto do País, solos mais
profundos, possibilidade de existência de maior variedade de
espécies cultivadas, presença de uma estreita faixa plana que
desde cedo foi aproveitada como eixo de comunicação Norte-
-Sul por uma população densa e dispersa e que, à medida da
sua cultura, soube aproveitar estes recursos naturais; mas,
também, o favorecimento de uma larga saída para o mar que,
sendo muitas vezes traiçoeiro, foi um elemento de primordial
importância ao longo da nossa História.
Contudo, o cariz atlântico que domina todo o ocidente do
país vai-se esvaindo à medida que se caminha para leste: o clima
torna-se mais seco e menos temperado, os campos tornam-se
‘dourados’ no início do Verão, quente e seco, a população
diminui e agrupa-se: é o Portugal ‘quase’ continental, a norte, e
mediterrânico, a sul.
A posição insular das Regiões Autónomas, aliada à sua
natureza vulcânica, confere aos arquipélagos aspectos
específicos, dos quais, para já, se salientam as acessibilidades e
a ocupação do espaço. Portugal Continental, fachada atlântica da Península Ibérica
36 ATLAS DE PORTUGAL IGP
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 36
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 37
38 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
Unidades morfoestruturais
Portugal faz parte da maior unidade morfoestrutural da
Península, o Maciço Antigo que, de Espanha, entra
largamente no nosso país, onde ocupa todo o Minho e Trás-
-os-Montes e a maior parte das Beiras e do Alentejo,
formando um conjunto de troços aplanados. A sua altitude
média ronda os 800-900m a norte da Serra da Estrela, a
maior elevação em Portugal (1 990m), no horst que forma a
Cordilheira Central e faz a separação entre os troços da
Meseta Norte e a do Sul, a qual não ultrapassa os 300-200m,
descaindo para sudoeste.
São cerca de sete décimos do território continental cons-
tituídos por um conjunto de rochas pré-câmbricas e
paleozóicas, com predomínio de xistos, granitos e quartzitos,
enrugados ou deslocados por vários ciclos orogénicos, de
entre os quais os movimentos hercínicos imprimiriam a
orientação de conjunto a afloramentos primários das cristas
quartzíticas, especialmente no Norte, mais fortemente
afectado por estes movimentos orogénicos.
Nas suas bordaduras, centro-oeste e sul, encontram-se as
Orlas Sedimentares, cujos sedimentos variados, sobretudo
calcários e margas, assentam num substrato pouco profundo e
sofreram várias fases sucessivas de enrugamentos e erosão.
O limite da Meseta com a Orla Sedimentar de Oeste, grosso
modo, de Aveiro até Tomar, segue a direcção Norte-
-Noroeste da linha de costa, em contacto abrupto, rectilíneo;
a partir da área de Tomar, e sempre para ocidente, o contacto
passa a fazer-se – de forma muito irregular e ‘recortada’,
atingindo, a Meseta, de dois a três quintos da largura de
Portugal ao longo do Alentejo – com as Bacias Cenozóicas do
Tejo e Sado, grandes áreas de abatimento, cuja subsidência foi
sendo gradualmente compensada pelo preenchimento com
materiais detríticos; estes são essencialmente continentais
(arenosos, cascalhentos, argilosos, calcários lacustres, aluviões
fluviais e fluvio-marinhos...) pouco deslocados e trans-
bordando sobre as rochas do Maciço Antigo. A partir de Sines
e até à Orla Sedimentar do sul do Algarve, o Maciço Antigo
estende-se de novo quase até ao mar, separado deste por
estreita fímbria de areias; e no Algarve alarga-se de lés a lés,
tendo como limite o sopé sul da Serra Algarvia, onde entra, de
novo, em contacto com calcários e margas mesozóicas.
Evolução geológica do Oeste Peninsular
As rochas mais antigas de Portugal formam grupos
litológicos muito heterogéneos, profundamente transformados
devido aos sucessivos agentes tectónicos e erosivos que os
afectaram; são de idade pré-câmbrica, quer seja designada por
série negra, como alguns gneisses, quartzitos e vulcanitos do
Nordeste Alentejano, ou complexo xisto-grauváquico com
grandes extensões de xisto na Beira e no leste do Douro.
Fa
Ca
Mo
o C
“d
em
tan
co
Ba
do
Or
Ma
Esquema morfoestrutural
Esquema das principais falhas activas
Bacias cenozóicas do Tejo e Sado
(Terciário-Quaternário)
Orlas Sedimentares (Secundário)
Maciço Antigo
Falhas
Cavalgamento
Morfoestruturalmente,
o Continente português foi
‘dividido’ pelos especialistas
nestas três áreas bem diferentes,
tanto quanto à natureza litológica
como quanto à estrutura.
Falha comprovada
Falha provável
Consideram-se activas as falhas
que tenham sofrido
movimentações nos últimos
2 milhões de anos.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 38
Carta geológica
de Portugal
continental
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
ATLAS DE PORTUGAL IGP 39
Uma das características
físicas do Continente
é a grande variedade
litológica e as inúmeras
falhas que o
atravessam.
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 39
Estuários do Tejo e Sado
Setembro 1998
40 ATLAS DE PORTUGAL IGP
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 40
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 41
42 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Carta hipsométrica
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
m
2 000
1 100
600
400
200
100
50
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 42
ATLAS DE PORTUGAL IGP 43
‘Ria’ de Faro, Setembro 1998
No decurso do Paleozóico ocorreram prolongados e com-
plexos ciclos orogénicos, de entre os quais se deverá salientar
a orogénese hercínica.
Ao longo do Mesozóico, inicia-se o ciclo da orogenia alpina,
embora os principais impulsos compressivos ocorressem no
Cenozóico, sendo muito atenuado nesta área da Península Ibé-
rica (devido ao afastamento do centro de actividade); apenas são
característicos nos relevos da Arrábida, essencialmente pela sua
direcção Este Nordeste-Oeste Sudoeste – e pelo intenso dobra-
mento dos seus materiais. É ainda no decurso do Mesozóico
que se sucedem avanços e recuos do nível marinho, dos quais
resultaram várias fases de transgressão e regressão, originando
diferentes tipos de calcários, margas e argilas, materiais das orlas
sedimentares.
Na passagem do Mesozóico para o Cenozóico, dá-se uma
acentuada actividade magmática originando os maciços de Sin-
tra, Sines e Monchique e, um pouco posteriormente, na região
de Lisboa, derrames de lava basáltica e episódios de fases explo-
sivas. Este final de período foi ainda marcado por uma emersão
generalizada do território, que continuaria a ser retocado por
agentes vários, entre os quais os paleoclimáticos Quaternários
são de grande importância pelas marcas ainda hoje visíveis:
praias levantadas e terraços fluviais, vales em U e depósitos
grosseiros (rañas)... enquanto, ainda no Pliocénico se estabe-
leciam a plataforma litoral e a actual rede hidrográfica.
O Miocénico foi caracterizado por várias incursões marinhas
que atingiram bacias litorais, nomeadamente a do Tejo e a do
Sado, atingindo áreas hoje tão longe do mar como Vendas Novas
e Ferreira do Alentejo. A partir do final deste período, as tensões
tectónicas, resultam do choque entre a placa euro-asiática e a afri-
cana, originando o basculamento da Península para sudoeste.
A energia libertada pelas numerosas falhas activas que atra-
vessam o território ou se encontram na sua vizinhança podem
originar sismos de intensidade variável, sendo Portugal consi-
derado como área de risco sísmico moderado, embora tenha
havido alguns de elevada intensidade. O mais catastrófico, foi
o histórico de 1 de Novembro de 1755; o último importante,
ocorreu a 28 de Fevereiro de 1969, com uma magnitude de 7,2
na escala de Richter, e foi sentido em todo o Continente, em
especial na costa atlântica e no ocidente do Algarve. Embora
o risco sísmico a que a área continental do país está sujeita seja
moderado, numerosos são os abalos de pequena e média
intensidade.
Nos Açores a sismicidade é muito elevada, seja de origem
tectónica ou vulcânica. Pelo contrário, na Madeira, situada numa
área de baixa intensidade sísmica, estes fenómenos são raros.
O relevo do Continente
Todo o relevo é o resultado, num dado momento geoló-
gico, da erosão sobre as estruturas. A Península Ibérica é, no
seu conjunto, uma área de terras altas, fendidas pelas bacias
dos rios mais importantes; em Portugal, no Norte monta-
nhoso concentram-se 95% das áreas de altitude superior a
400m e todos os altos cimos para além dos 1000m, que pela
maior parte das vezes se erguem bruscamente apenas a uns
escassos 50km da costa actual; no Sul predominam as terras
baixas e aplanadas onde, acima de 500m, só persistem alguns
relevos mais resistentes à erosão – os sinclinais de São
Mamede e as cristas de quartzite de Marvão, no Nordeste
alentejano, as corneanas de Évora e o maciço eruptivo de
Monchique-Fóia, no Sudoeste algarvio.
Fisionomia das Regiões Autónomas
As ilhas que formam as Regiões Autónomas dos Açores e da
Madeira são todas de origem vulcânica, diferindo umas das
outras pelo tipo de vulcanismo que as originou, pelo tempo de
exposição aos elementos erosivos a que estão sujeitas e pela sua
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 43
44 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
Carta de declives
%
25
15
8
3
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 44
ATLAS DE PORTUGAL IGP 45
posição em latitude, responsável pela variação da quantidade de
chuva e sua distribuição ao longo do ano.
Nos Açores, a estrutura mais simples pode ser exemplificada
pela ilha do Corvo, a mais complexa pela ilha de São Miguel.
O Corvo apresenta-se, hoje, como um cone dissimétrico
que se eleva do mar sempre bordejado por arribas que atingem
a oeste, alturas superiores a 400m, truncado por uma caldeira,
no fundo da qual se encontram pequenos cones secundários
A ilha mais complexa é a de São Miguel, formada por qua-
tro maciços eruptivos sucessivamente mais jovens de leste
para oeste: Povoação, Furnas, Fogo e Sete Cidades, separados
uns dos outros por plataformas de superfícies e alturas dife-
rentes, todas crivadas por grande número de cones secundá-
rios; a de Ponta Delgada é a mais extensa e mais baixa. O lito-
ral é todo de arriba, encontrando-se os troços mais elevados
(300-400m) no maciço de leste e os mais baixos na plataforma
de Ponta Delgada. A última erupção no arquipélago ocorreu em
1957/58, ao largo da ilha do Faial. Na madrugada do dia 27 de
Setembro ‘nascia’ um vulcão, quilómetro e meio a Oeste dos
Ilhéus dos Capelinhos (daí o seu nome); começou como uma
erupção submarina, com a projecção de jactos de água e gases, a
que se seguiu a de outros materiais com predominância de
cinzas, e finos lapilli, em jactos pontiagudos normalmente
acompanhados por altíssimas nuvens brancas, de vapor de água.
A acumulação deste material rapidamente originou uma clássica
ilha em ferradura, bem visível já a 5 de Outubro; após uma
sucessão de episódios no Outono de 1958, a erupção foi dada
como extinta.
No arquipélago da Madeira há muito que terminaram as
manifestações eruptivas. A ilha principal é muito complexa e as
formas vulcânicas provenientes dos grandes focos eruptivos do
interior foram totalmente desmanteladas pela erosão (tal como
acontece no maciço da Tronqueira, na ilha açoriana de São
Miguel); restam alguns cones no contorno da ilha e os dois
‘arcos’ – da Calheta e de São Jorge – que serão o que resta de
velhas caldeiras demolidas pela abrasão.
São Jorge
Planalto vulcânico crivado
de cones e utilizado para
pastagens
Santa Maria
Interior de uma velha caldeira
aberta para o mar, ocupada por
vinhas e casas de veraneio
Desertas
Barreira de basalto
levantando-se do mar
Selvagens
Baixas plataformas
basálticas
Intensidade sísmica
(escala de Richter) Compilação de dados
sísmicos, do ano 63 aC
a 1989 dC, na margem
Oeste da Península Ibérica,
segundo a teoria
de Keilis-Borola
X
IX
VIII
VII
VI
V
IV
Magnitudes
4
5
6
7
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 45
46 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
Sismos sentidos nos Açores com intensidade máxima superior
a V na escala de Mercalli, 1974/2001
2001
1999
1998
1997
1996
1993
1990
1989
1988
1984
1983
1981
1980
1977
1974
Arriba inferior a 200m
Arriba entre 200 e 400m
Arriba superior a 400m
Cones secundários
Caldeira
Plataforma meridional
Lagoa
Arriba fóssil
50
500
500
350
200
650
500
Esboço morfológico da ilha do Corvo
Curvas envolventes do relevo,
equidistantes de 100m
Plataformas subestruturais
Caldeira fresca
Caldeiras erodidas
Conjuntos eruptivos erodidos
Cones eruptivos
Cornija de lava
Plataformas de abrasão prováveis
Arriba com mais de 100m de altura
Arriba inferior a 100m
Cursos de água muito encaixados
BretanhaMosteiros
Ferraria
Relva
Lagoa
Água de Pau Caloura
Povoação
Vila Franca
Faial
Fajã do
Calhau
Nordeste
Achada
Ribeira
Grande
MaiaCapelas
Sete Cidades
L. do Fogo
Furnas
Rosto do Cão
Pta da Ajuda
Pta Formosa
Pta do Cintrão
Féteiras
Ponta Delgada
Esboço morfológico da ilha de São Miguel
V
VI
VII
VIII
IX
0 5 10 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 46
ATLAS DE PORTUGAL IGP 47
10
20
30
40
50
50
FarolFarolFarol
100
152
50
50100
124
12
207
127
151
100
110
50
30
30
20
50
50
50
90
80
7060
137
40
Farol Farol
Farol57
Farol
57
Farol
57
Farol
57
56 181
35
71
85
86
38
65
65
35
59
35
181 181
98
76
96
50
84
39
78
71
79
Evolução do vulcão dos Capelinhos
28 de Setembro 1957 10 de Outubro 1957 15 de Novembro 1957
18 de Dezembro 1957 28 de Janeiro 1958 21 de Fevereiro 1958
18 de Março 1958 15 de Abril 1958
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
A terra que habitamos
22 de Maio/12, 14 de Junho 1958
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 47
48 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Janeiro 1958
6 de Outubro 1957, 16h00
15 de Outubro, 14h50 18 de Outubro, 10h00
11 de Outubro, 07h30
Evolução do vulcão dos Capelinhos
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 48
ATLAS DE PORTUGAL IGP 49
2000
1979 1997
1971 1979
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:43 Página 49
50 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Raquel Soeiro de Brito
CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS
O clima, ou filme do tempo, é definido por séries de valores médios ou normais da atmosfera, num dado lugar,
durante um período relativamente longo (fixado em 30 anos no primeiro Congresso Internacional de
Meteorologia, começando a primeira série em 1901); o tempo é “a síntese do estado e dos fenómenos
atmosféricos” num lugar, num dado momento; às combinações meteorológicas mais frequentes dá-se o nome
de tipos de tempo. O clima é um dos mais importantes factores que contribuem para a formação das paisagens,
determinando o comportamento dos rios, ajudando a ‘fazer’ o solo e, consequentemente ‘preparando’ os
mosaicos de vegetação e, ainda hoje, de maneira muito activa, influenciando os tipos de agricultura. Os elementos
mais determinantes do clima são a precipitação, a temperatura, a humidade, a pressão atmosférica e o vento; as
suas variadas combinações originam as diferentes situações de tempo, sentidas pelo Homem e pelos seres vivos.
Precipitação >=1mm
Nº de dias
150
140
130
120
110
100
90
80
70
Temperatura média do ar anual
ºC
18
16
14
12
10
8
6
Insolação anual
Nº de horas
de sol
3 100
2 900
2 800
2 700
2 600
2 500
2 400
2 300
2 200
Notar a influência da latitude, altitude e afastamento do mar na distribuição dos elementos climáticos
Elementos climáticos
O tempo de uma região varia não só ao longo do ano, em
consequência do movimento de translação da Terra em torno
do Sol, como ao longo do dia, devido ao seu movimento de
rotação; para além desta variabilidade cíclica, há que contar
com variações não periódicas, por vezes de origem muito com-
plexa. Só dois exemplos: a variação de intensidade da radiação
solar e a da transparência da atmosfera terrestre, a qual pode ser
provocada por grandes erupções vulcânicas e, numa escala
menor, pela latitude, distância ao mar, posição nos relevos,
exposição aos ventos dominantes e, até, embora com um peso
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:43 Página 50
ATLAS DE PORTUGAL IGP 51
Precipitação total anual
Nota: os últimos apuramentos estatísticos disponíveis
referem-se ainda aos valores normais de 1961/1990.
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
mm
3 300
2 800
2 400
2 000
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 51
52 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Total Max. diária Nº dias/ Média Amplitude Média dos Média dos Máxima do Mínima do
anual (mês) ano anual méd. anual máx. mensais mín. mensais mês mais quente mês mais frio
(mês) (mês) (mês) (mês)
Precipitação (mm) Estações Temperatura (ºC)
1149,6 102,2 (Nov) 155 Porto 14,4 10,8 25,0 (Ago) 4,7 (Jan) 40,1 (Jul) -4,1 (Jan)
505,7 63,0 (Set) 79 Moncorvo 15,2 18,0 30,9 (Ago) 3,4 (Jan) 41,8 (Jul) -5,7 (Fev)
1916,3 243,5 (Fev) 144 Penhas Douradas 8,9 14,8 21,7 (Jun) -0,4 (Jan) 32,8 (Jul) -13,3 (Fev)
(+34 neve)
707,5 87,5 (Nov) 113 Lisboa 16,6 11,7 27,7 (Ago) 7,8 (Jan) 40,3 (Ago) -1,2 ( Fev)
518,8 93,0 (Nov) 84 Campo Maior 16,5 16,4 33,8 (Jul) 4,4 (Jan) 45,6 (Jul) -5,0 ( Fev)
452,6 129,0 (Nov) 62 Faro 17,8 11,8 28,2 (Jul/Ago) 9,0 (Jan) 41,3 (Jul) -0,8 ( Fev)
Precipitação e temperaturas
bem menor, pela interferência do homem, como é o caso do
chamado efeito de ilha urbana provocado pelas grandes cidades.
Num mundo em que o turismo atinge foros de importante
actividade económica, o conhecimento do clima torna-se cada
vez mais necessário tanto para a obtenção de informação o mais
precisa possível do estado médio – e valores extremos – do
tempo numa dada época do ano, como para a escolha da loca-
lização das estações turísticas.
As condições gerais da circulação atmosférica provocam
uma sensível diminuição da precipitação anual de norte para
sul do Continente, reforçada pela assimetria orográfica; a
barreira de relevos no Norte e o afastamento do litoral pro-
vocam menor queda de chuva no interior, notoriamente na
rede hidrográfica, muito encaixada, do Douro.
Em paralelo com a distribuição da chuva encontra-se a dis-
tribuição do número de dias com precipitação igual ou superior
a 1 mm e, em sua oposição, os valores da insolação – número de
horas de sol descoberto acima do horizonte – que atingem, no
Algarve, 3 100 horas, dos maiores valores da Europa.
A temperatura média do ar evolui em sentido contrário ao
das chuvas, ou seja, aumentando de norte para sul onde as
amplitudes térmicas são maiores; evolução idêntica se nota
entre as temperaturas ao longo do litoral – sempre mais amenas
e as do interior com muito maiores amplitudes térmicas. As
áreas montanhosas do Norte mantêm-se como ilhas de frescura
ao longo dos meses de Verão e no Inverno atingem as tempe-
raturas mais baixas sendo relativamente alto o risco de geada,
praticamente desconhecido a sul do Tejo e em todo o litoral.
A humidade relativa tem uma distribuição regional pouco
marcada de Inverno e uma diminuição acentuada, paralela ao
litoral, nos meses de Verão.
O vento, ou movimentos horizontais de massas de ar, é
outro elemento de clima que interfere muito directamente
com o sentimento de conforto sentido pelo Homem; e nele,
também, se encontra uma diferenciação entre o interior do
País, onde as direcções e intensidades são variáveis, em
correlação importante com o relevo e seus alinhamentos; e o
litoral, onde são bem marcadas as direcções norte e noroeste.
As frentes separam massas de ar de densidades diferentes;
pela sua posição, em especial o Continente e o arquipélago
dos Açores estão mais sujeitos à passagem de frentes no
Inverno do que no Verão; ainda devido à posição,
esporadicamente, o Continente e a Ilha da Madeira podem
ser atingidos por poeiras oriundas do Sara.
Da relação entre os vários elementos de clima obtêm-se
os índices de conforto bioclimático, através dos quais, uma
vez mais se nota, de uma maneira geral, o contraste entre o
Norte e o Sul. Outra medição menos frequente, mas
essencial pela repercussão em duas actividades importantes
– a pesca e o turismo – é a da temperatura da água do mar à
superfície, junto à costa que, tal como em terra, aumenta de
norte para sul e cuja média varia entre 12,3ºC, no mês de
Janeiro, em Leixões, e 21,4ºC, nos meses mais quentes (Julho
e Agosto), no Cabo de Santa Maria; mas, tal como noutros
indicadores, notam-se algumas diferenças ao longo dos anos;
por exemplo, em Leixões, entre 1956 e 1999 registou-se uma
significativa “tendência crescente de cerca de 0,04ºC/ano”.
Para além desta distribuição normal dos elementos
climáticos básicos, verificou-se, pelo estudo de séries longas
de valores registados nas estações meteorológicas mais
significativas do Continente, “que o aumento [actual] da
temperatura média do ar ocorre em todas as estações [do
ano], sendo maior no Outono/Inverno do que na
Primavera/Verão... e que a [tendência] da taxa de aumento da
temperatura média anual do ar, 0,0074ºC/ano, é semelhante à
da média global calculada para todo o planeta”.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 52
ATLAS DE PORTUGAL IGP 53
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Temperatura média do ar
nos meses de Verão
ºC
24
22
20
18
16
14
Média da temperatura
máxima do ar nos meses de Verão
ºC
32
30
28
26
24
22
20
Temperatura média do ar nos meses
de Inverno
ºC
14
12
10
8
6
4
2
Média da temperatura mínima do ar
nos meses de Inverno
ºC
10
8
6
4
2
0
Risco de geada
Muito elevado
Elevado
Médio
Baixo
Fraco ou
inexistente
Humidade relativa nos meses de Verão
(às 09h00 TU)
%
90
85
80
75
70
65
60
55
50
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 53
54 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Situação da frente fria de 6 de Fevereiro 2001, às 14h00
Imagem de radar mostrando a mancha nublosa associada a um sistema frontal
A irregularidade do tempo
no Continente
A irregularidade do tempo é uma característica do clima
do Continente, tanto na temperatura como na pluviosidade:
ocorrem anos de secas intensas (que tanto podem ser genera-
lizadas a todo o território, como afectar uma ou outra região)
e, com muita frequência, principalmente no Outono, ‘crises’
de elevada percentagem de precipitação, provocadas pela pas-
sagem de frentes frias; se estes episódios chuvosos intensos
são por vezes localizados e de curta duração, outro são mais
prolongados. Como “episódios prolongados de precipitação
intensa e generalizada que originaram cheias e inundações,
destacam-se os Outonos/Invernos de 1978/79, 1989/90 e
1995 /96”.
O período Outono/Inverno de 2000/2001 caracterizou-se
por valores muito altos de precipitação, no Norte e no Centro:
relativamente às médias normais de 1961/1990 os valores varia-
ram entre 44% em Faro e 272% nas Penhas Douradas, no mês
de Novembro, enquanto Dezembro foi, para a maioria das esta-
ções do Continente, o mês mais chuvoso da década 1991/2000:
a variação de pluviosidade, neste mês, atingiu os 157% em Faro
e 357% em Bragança e Castelo Branco. No mês de Março de
2001 “foram ultrapassados os valores máximos da quantidade de
Intensidade do vento
m/s
> 8
8
7,5
7
6,5
6
5,5
5
4,5
4
3,5
3
< 3
Rosas de vento
Altitude de 80m
Resultados de simulação
numérica
Média anual
de 1999 corrigida
pela variabilidade
de longo termo
Altitude de 80m
Resultados de simulação numérica
c=calma em %
Sistema Hayford-Gauss, Datum Lx (m)
% 50 100
C
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 54
Situação meteorológica no dia 5 de Novembro 1997
As regiões do Norte e Centro estiveram sob a acção de uma massa de ar
sub-tropical marítimo, que passou gradualmente a ar polar modificado
com a passagem de uma superfície frontal fria; as regiões do Sul estiveram
inicialmente sob a acção de uma massa de ar tropical marítimo, passando
rapidamente a ar sub-tropical e a ar polar modificado. A junção destes
dois sistemas acompanhada por cavamento generalizado do campo
da pressão em toda a Península, atravessou o território do Continente
de Sagres a Elvas. Na imagem observa-se a massa nebulosa, de grande
actividade, que se deslocava de sudoeste para nordeste
(as cores branca e azul são indicativas das zonas mais frias, isto é,
de maior actividade).
Imagem de satélite meteorológico METEOSAT do dia 5 de Novembro 1997
às 20h30.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 55
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Situação de frentes em 29 de Dezembro 1998
Frente fria
Frente quente
Frente oclusa
Depressão
Anticiclone
B
A
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 55
56 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Variação das temperaturas anuais
Média ºC
Índice de conforto bioclimático, 1941/2000
Julho
Janeiro
kcal/kg
Muito quente
Quente
Confortável (quente)
Confortável
Confortável (fresco)
Frio moderado fresco
Frio moderado
Frio
Variação dos valores da precipitação de Outubro a Março
Ano Valores
2002/03 normais
1961/1990
Viana do Castelo 15,9 14,6
Bragança 13,4 12,2
Vila Real 14,0 13,4
Porto – Serra do Pilar — 14,5
Penhas Douradas 9,9 9,0
Castelo Branco 16,2 15,7
Portalegre 15,9 15,1
Lisboa – Geofísico 17,8 16,8
Évora — 15,7
Beja 17,2 16,2
Faro 18,3 17,2
Ano 2002/03 Valores normais 1961/1990
Média Máxima Média Máxima
anual diária anual anual
Viana do Castelo 20,6 39,5 19,7 21,1
Bragança 18,9 39,5 17,6 19,1
Vila Real 18,7 38,3 18,6 19,7
Porto – Serra do Pilar — 39,5 19,1 20,2
Penhas Douradas 13,3 32,9 12,6 13,9
Castelo Branco 21,3 41,6 20,9 22,5
Portalegre 20,3 41,3 19,5 20,8
Lisboa – Geofísico 21,4 40,6 20,8 21,9
Évora — 43,0 20,6 21,8
Beja 22,9 45,4 22,2 23,5
Faro 22,2 39,6 21,9 22,5
Ano 2002/03 Valores normais 1961/1990
Média Mínima Média Mínima
anual diária anual anual
Viana do Castelo 11,2 -2,5 9,6 8,7
Bragança 8,0 -7,1 6,7 5,8
Vila Real 9,2 -2,9 8,1 7,4
Porto – Serra do Pilar 11,9 -0,2 9,9 9,1
Penhas Douradas 6,6 -8,6 5,4 4,1
Castelo Branco 11,1 -2,3 10,5 9,6
Portalegre 11,6 -1,0 10,8 9,3
Lisboa – Geofísico 14,2 2,4 12,8 11,9
Évora — -1,2 10,9 9,9
Beja 11,5 -1,6 10,1 9,3
Faro 14,4 1,4 12,5 11,4
1978/79 1989/90 1995/96 2000/01
mm mm mm mm
Viana do Castelo 1430 1106 1528 2094
Bragança 908 780 931 1237
Vila Real 1308 788 1147 1629
Viseu 1474 1125 1209 1900
Penhas Douradas 1503 898 1626 1925
Porto – Serra do Pilar 2024 1532 1349 2164
Coimbra 999 775 964 1216
Castelo Branco 990 1063 984 963
Portalegre 1073 761 1173 1124
Lisboa – Geofísico 987 801 1050 887
Évora 691 638 899 763
Beja 617 718 763 657
Faro 526 1029 895 411
Notar a grande variabilidade, embora mantendo sempre um máximo na Serra do Pilar (Porto)
e uma diminuição de norte para sul
Máxima ºC
Mínima ºC
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 56
Propagação das poeiras do deserto do Sara pelo Atlântico
até ao arquipélago da Madeira
Excepcionalmente vêem-se nuvens de fumo de um grande incêndio na serra
de Monchique. Imagem obtida no dia 13 de Setembro 2003
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 57
58 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Onda de calor
1 a 14 de Agosto 2003
Nº de dias
15 a 17
12 a 14
9 a 11
6 a 8
Não existiu
Média da temperatura máxima do ar
1 a 14 de Agosto 2003
ºC
40
38
36
34
32
Média da temperatura mínima do ar
1 a 14 de Agosto 2003
ºC
23
22
21
20
19
18
17
Anomalias de temperaturas mínimas do ar, 2002
ºC
>3,6
2,7 – 3,6
1,7 – 2,6
1,2 – 1,6
0,7 – 1,1
-0,3 – 0,6
-0,8 – -0,4
-1,3 – -0,9
-2,3 – -1,4
-3,4 – -2,4
<-3,4
Maio Setembro Novembro
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 58
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
precipitação alguma vez observados nos últimos sessenta a cem
anos nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real,
no nordeste do distrito de Aveiro e no noroeste do de Viseu”.
As ondas de calor
De tempos a tempos verificam-se importantes anomalias
térmicas e ocorrência de ‘crises’ de temperatura; quando
intensas e prolongadas, originam as ondas de calor – se duram,
pelo menos, seis dias consecutivos com a temperatura
máxima superior ao percentil 90. No último meio século, as
mais importantes ocorreram em Castelo Branco, em Julho de
1954, e em Amareleja, em Julho de 1991, ambas com a dura-
ção de dezanove dias cada uma. A última começou em 29 de
Julho de 2003 e prolongou-se até 14 de Agosto: foi das mais
severas, pela duração e pelas temperaturas muito elevadas que
se verificaram, em particular as temperaturas mínimas, que
ultrapassaram os 25ºC em grande parte do País e foram
superiores a 30ºC na área de Portalegre, sempre acompa-
nhadas por muito baixa humidade relativa do ar.
Entre outros incidentes causados por esta anomalia
destacam-se os fogos florestais, pela extensão de área ardida e
a intensidade alcançada.
O clima das Ilhas
A marca mais importante na distinção do clima entre os
arquipélagos advém da sua posição em latitude e é dada pela
distribuição das chuvas.
Os Açores estão sujeitos a um clima atlântico, com chuva
em todas as ilhas, sempre superior a 1 000mm anuais, bem
distribuídas ao longo do ano, aumentando muito com a
altitude, o que não exclui a ocorrência de valores
excepcionalmente altos por períodos de 24 horas (ou mais),
provocando enxurradas, desprendimentos de terras e
aumentos intempestivos nos caudais das ribeiras. Os dias de
Verão sem chuva e quentes, como no Continente, são uma
raridade e nos anos em que eles acontecem em maior número
pode ser uma calamidade para a economia do arquipélago,
muito centrada na criação de gado em pastos naturais.
Na Madeira, a distribuição anual da pluviosidade é mais
irregular, com uma acentuada quebra nos meses de Verão e
chuvadas muito fortes no Outono e na Primavera; o vigor e a
posição do relevo provocam uma queda de chuva mais
elevada na encosta norte do que na sul.
Apesar da diferença de latitudes a que se encontram os
arquipélagos, as diferenças nas temperaturas médias, no litoral,
não são significativas: nos Açores, por exemplo em São Miguel,
na plataforma baixa, oscilam entre os 15º-17ºC, subindo aos
22º-23ºC, nos meses de Verão e rondando os 12º-13ºC de
Inverno. Na Madeira, as temperaturas desenvolvem-se entre as
Precipitação total anual.
Terceira, São Miguel e Madeira
mm
5 000
3 800
3 400
3 000
2 600
2 200
1 800
1 400
1 000
800
600
500
400
Temperatura média anual do ar.
Terceira, São Miguel e Madeira
0C
20
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
ATLAS DE PORTUGAL IGP 59
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 59
60 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Precipitação total nos meses de Inverno.
Terceira, São Miguel e Madeira
Precipitação total nos meses de Verão.
Terceira, São Miguel e Madeira
Média da temperatura mínima do ar nos meses
de Inverno. Terceira, São Miguel e Madeira
Média da temperatura máxima do ar nos meses de Verão.
Terceira, São Miguel e Madeira
mm
1 800
1 400
1 200
1 000
800
600
500
400
300
200
mm
600
500
400
300
200
150
100
50
0C
24
23
22
21
20
19
18
17
16
15
0C
13
12
11
10
9
8
7
6
5
4
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 60
ATLAS DE PORTUGAL IGP 61ATLAS DE PORTUGAL IGP 61
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
médias de 15ºC dos três meses mais frios e a de 22ºC dos três
meses mais quentes.
Em ambos os arquipélagos a temperatura desce quando a
altitude sobe, tendo sido calculado um decréscimo de 0,6ºC
por cada 100 m.
A rede hidrográfica
Na distribuição da rede hidrográfica volta a notar-se a
maior importância no norte do Continente relativamente ao
sul. As características da rede hidrográfica estão ligadas à
natureza das rochas, acidentes tectónicos e tipos de clima das
áreas atravessadas. Os cursos de água, instalando-se ao longo
de zonas de fractura são um traço muito marcante do mode-
lado granítico, especialmente no norte do Continente
O regime dos rios reflecte as variações da pluviosidade,
quer no seu total anual, quer nas suas variações estacionais.
Por isso, os rios que correm em Portugal Continental têm um
regime de enorme irregularidade.
Durante o Inverno, quando o País é atravessado por ‘rosá-
rios de frentes’ que provocam forte e, por vezes, prolongada
precipitação, os rios ‘sobem’, podendo ocorrer cheias mais ou
menos importantes. Um facto de capital importância para as
pessoas e sua economia é o da subida repentina das águas,
que, em poucas horas, podem elevar-se umas duas dezenas
de metros, causando cheias catastróficas; embora com a
expansão das barragens este fenómeno se verifique com
menos frequência e em menor escala, ainda subsiste.
No Verão, as precipitações escasseiam e a evaporação aumen-
ta: o caudal diminui tanto mais quanto mais a sul se situam os
rios, podendo ficar reduzidos a uma sucessão de charcos.
Os rios que correm a Oeste, nomeadamente a norte do
Mondego, contrastam, pelos seus caudais maiores e mais
regulares ao longo do ano, com os rios que circulam a leste e a
sul, em áreas de menor queda de chuva e mais forte evaporação:
aqueles pertencem ao regime atlântico; estes, ao mediterrânico; mas
uns e outros sofrem enormes variações – anuais e estacionais –
Cheias do Tejo em Santarém, 7 de Janeiro 2001 Assoreamento do Tejo em Santarém, Maio 1997
Rede hidrográfica principal
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 61
62 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
Rios Percurso Km de Bacia hidrográfica
(km) fronteira (1 000km2)
Total Portugal Total Portugal
Minho 300 77,5 77,5 16,6 0,8
Lima 108 67 8,9 2,4 1,2
Douro 927 330 137,1 98,4 18,6
Tejo 875 225 52,6 80,1 24,4
Guadiana 711 240 122,8 66,9 11,5
Rios internacionais
Rio (estação) Anos Caudal médio Caudal máximo
de série m3/seg. m3/seg.
Minho (Foz do Mouro) 10.1973/04.2004 330,04 898,0 (07.02.79)
Lima (Rabaçal) 10.1971/09.1990 51,81 916,0 (30.12.78)
Douro (Rio Mau) 10.1976/09.1985 467,15 568,0 (15.01.77)
Mondego (Ponte Sta Clara) 10.1939/06.1985 79,74 147,0 (29.01.48)
Tejo (Ponte Santarém) 10.1943/11.1988 411,45 5078,6 (16.02.83)
Sado (Alvalade) 01.1980/07.2001 1,73 368,2 (06.06.91)
Guadiana (Pulo do Lobo) 10.1946/11.2000 161,28 127,3 (06.03.47)
Caudais dos principais rios
Extensão dos rios nacionais, em km
Ave 85
Vouga 136
Mondego 220
Sado 175
Mira 130
Algumas especificidades de rios portugueses
De entre os rios de percurso exclusivamente português
distinguem-se o Mondego – o mais longo e temido pelas cheias
periódicas a que era sujeito antes da construção da meia dúzia
de barragens que dominaram o seu curso, utilizadas para produção
de energia e para irrigação – e o Sado, por ter uma extensão
navegável de cerca de 40% do seu percurso e, na foz, o estuário
atingir mais de quilómetro e meio de largura.
Dos rios internacionais, o Minho é o único que limita integralmente
a fronteira, a Noroeste. No Lima, junto à aldeia do Lindoso foi
construída, ainda no princípio do século XX, a primeira central
hidroeléctrica do país. O Douro tem a maior bacia hidrográfica
da Península Ibérica, um quarto da qual situada em Portugal, e um
elevado potencial hidroeléctrico que, só na parte portuguesa, com
as oito barragens em funcionamento pode atingir os 10 000GWh.
O Tejo é o mais longo rio peninsular e no seu percurso total foram
realizados numerosos empreendimentos hidroeléctricos, dos quais
em Portugal se destacam os de Belver, Cabril, Castelo de Bode,
Fratel, Montargil e Maranhão; nas suas margens tem sido
descoberto grande número de gravuras rupestres, muitas delas
submersas por algumas das albufeiras, como no Fratel.
O Guadiana ocupa a terceira posição na Península, tanto pela
extensão como pela área da sua bacia; tendo um fraco perfil
longitudinal, apresenta, contudo, uma série de pequenos desníveis
significativos entre Serpa e Mértola, sendo o Pulo do Lobo o mais
notável. No seu percurso, a barragem do Alqueva, com capacidade
utilizável de 3150 hm3, irá proporcionar o “aproveitamento
de um empreendimento de fins múltiplos” (hidroeléctrico, rega,
turismo ...) e promover o desenvolvimento em duas dezenas
de concelhos alentejanos.
Bacias
hidrográficas
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 62
ATLAS DE PORTUGAL IGP 63
Exemplos de traçados de rios
Douro em terreno granítico.
Lizandro em terreno de calcário.
Mondego em terreno de xisto.
Mira em terrenos sedimentares ‘recentes’ da bacia cenozóica
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:46 Página 63
64 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
pelo que vários especialistas consideram os rios portugueses
como aqueles em que “o valor da oscilação do nível das águas se
conta entre os mais acentuados da Europa”.
Os rios que marcam mais profundamente o território
continental são todos internacionais; as suas águas, em per-
cursos de diferente importância limitam troços de fronteira;
como particularidade, o rio Minho define, na íntegra, a
fronteira do noroeste; as bacias hidrográficas dos quatro
principais rios ibéricos (Minho, Douro, Tejo e Guadiana)
ocupam, em território português, 53 600km2. O único
‘grande’ rio correndo exclusivamente em Portugal é o Mon-
dego (220km de comprimento).
Nas Ilhas, devido à sua pequenez e aos imponentes rele-
vos, centrais e marcadamente paralelos às costas mais alongadas,
os rios permanentes são curtos, por vezes com importantes
quedas de água; os de regime efémero têm, com muita
frequência, registos torrenciais, de acordo com as chuvadas
que fustigam os arquipélagos, principalmente no outono.
Os solos
Os solos, ou resultam de alterações químicas, físicas e bio-
lógicas das formações geológicas, as quais dependem, em grande
parte, do tipo de clima e do ritmo do tempo – dando os solos
eluvionares, em geral pouco espessos, pedregosos e de baixa pro-
dutividade –, ou são o resultado da acumulação de detritos
transportados pelos cursos de água – os aluviões ou solos alu-
vionares, em geral mais profundos do que aqueles, mas que só
se encontram em áreas reduzidas nos vales largos do norte e
nuns largos quilómetros quadrados nas bacias do Tejo-Sado.
Seja qual for a sua origem, os solos estão sujeitos a vários
tipos de erosão que contribuem para aumentar a sua degra-
dação e o seu empobrecimento. Um estudo efectuado no
início do último decénio do século passado, no Centro
Experimental de Erosão de Vale Formoso, perto de Mértola,
em terrenos xistosos e sob uma precipitação de 773,3mm
verificada de Setembro (1989) a Janeiro (1990) registou as
seguintes perdas de solo, segundo a ocupação de parcelas:
Com restolho: 1,130t/ha
Com trigo (lavoura segundo as curvas de nível):
10,101t/ha
Com solo nu (lavoura perpendicular às curvas
de nível): 40,992t/ha
Com pastagem natural: 0,041t/ha
A destruição da cobertura vegetal por incêndios é outra
causa acentuada de risco de degradação.
Nas Ilhas, apesar da intensa cobertura vegetal, nos solos
vulcânicos mais evoluídos, a seguir a grandes temporais, é
‘normal’ ver-se uma mancha de água amarelo-terroso interpor-
-se entre a terra firme e o mar habitualmente azul que as rodeia,
tão elevada é a quantidade de solo que escorre pelas encostas...
Distribuição de tipos de solos
Cambissolos solos castanhos relativamente móveis, produto de complexos rochosos antigos
Litossolos solos pedregosos muito pouco espessos e muito pouco evoluídos, estabelecidos
sobre rochas-mãe duras
Luvissolos solos argilosos com elevado grau de saturação em bases
Podzois solos ácidos cuja evolução é condicionada pela presença de um húmus
caracterizado por mineralização lenta da matéria orgânica fresca; são característicos
de florestas degradadas de resinosas
Fluviossolos solos formados sobre depósitos fluviais recentes
Regossolos solos muito pouco evoluídos, estabelecidos sobre rochas-mãe moles
Vertissolos solos negros e argilosos de regiões quentes com estação seca
Raukers solos pouco evoluídos, principalmente em áreas montanhosas de regiões temperadas
Solonchacks solos ligados à existência de toalhas de água salgada
Planossolos solos fracamente permeáveis, com características hidromorfas
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:46 Página 64
ATLAS DE PORTUGAL IGP 65
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Clima e suas influências
A vegetação ‘natural’
Pela latitude a que se encontra o território continental,
pela distribuição da temperatura, da queda de chuva e do seu
regime, distinguem-se duas regiões de vegetação ‘natural’: a
norte, caracteristicamente atlântica, com espécies de folha-
gem caduca, típicas da Europa oceânica – que encontram em
Portugal o seu limite meridional; a sul, a mediterrânea, predo-
minantemente com espécies de folha persistente e adaptações
xerofíticas, apanágio das áreas de clima mediterrânico.
Grosseiramente, pela latitude de Coimbra estabelece-se
uma faixa irregular de transição.
As Regiões Autónomas pertencem a um vasto conjunto
ambiental – a Macaronésia – que engloba também os arquipélagos
das Canárias e de Cabo Verde. Apesar das diferenças climáticas,
com especial relevo para a precipitação (muito abundante nos
Açores, rara em algumas ilhas cabo-verdeanas), todas as ilhas
foram revestidas por uma densa cobertura de árvores de grande
porte e de arbustos, porventura mais rica em número do que em
espécies: a laurissilva, floresta constituída maioritariamente por
lauráceas, como vinhático, pau branco, til, cedro do mato, entre
outras; foi desaparecendo pela intervenção do homem, primeiro
pela necessidade de arranjar espaço para culturas alimentares e
pastos para os gados, depois pelo desenvolvimento da popula-
ção e consequente aumento da construção imobiliária. Hoje, a
laurissilva só tem importante representação em algumas áreas
das Canárias Ocidentais e, principalmente, na Madeira, em
áreas compreendidas entre os 300-600m e os 1500m, em
especial nas encostas setentrionais; aqui, pelo seu significado e
extensão (15 mil hectares) foi integrada no seu Parque Natural
e classificada, em 1999, como Património da Humanidade.
Nos Açores, pelo interior, ainda hoje se vêem matas de vinhá-
tico, queiró, uva da serra, urze e loureiro, aparecendo as duas
última espécies também no litoral, em lavas vulcânicas em estado
avançado de evolução, frequentemente juntas com o incenso,
subespontâneo; todavia, o cedro do mato já desapareceu em
algumas ilhas, sendo raro, e só resistindo em lugares de refúgio,
noutras, como em São Miguel. Mas, se umas espécies se
extinguiram, outras foram introduzidas, um pouco de todo o
mundo, e, pelas condições locais, se espalharam e adaptaram de
tal maneira que constituem, hoje, um elemento inseparável
destas paisagens: fetos arbóreos, coníferas – entre as quais se
contam algumas variedades de araucárias e a criptoméria, umas
e outras formando extensos povoamentos – belas hortênsias,
que ainda vão dividindo os pastos, e as exóticas e perfumadas
conteiras que cobrem grandes áreas dos maciços montanhosos.
Nas ilhas do arquipélago da Madeira, “que do muito arvo-
redo assim se chama”, como escreveu Camões, a devastação
ainda foi maior, nomeadamente em Porto Santo e na vertente
sul da Madeira, onde da primitiva laurissilva, fora do Parque
Natural, já só se encontram algumas espécies em estado de relí-
quia, como o dragoeiro (que, pela sua beleza e imponência, é
plantado em jardins), o jasmineiro amarelo e o zimbreiro, entre
outras. Também neste arquipélago algumas plantas introdu-
zidas adquiriram carácter subespontâneo, como a opúncia, ou
tabaiba, e o agave, ou pita, de adaptação xerófita, aqui encon-
trando boa aclimatação nas encostas meridionais, evidenciando
bem os largos períodos de secura estival; são, ainda hoje,
indissociáveis da fisionomia destas ilhas.
Exemplos de vegetação
atlântica, mediterrânea e de laurissilva
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:03 Página 65
Geograficamente falando, uma paisagem – entidade espacial visual ( E.Troll) – resulta da “combinação dinâmica
de elementos físico-químicos, biológicos e antrópicos, reagindo uns sobre os outros, formando um conjunto
único e indissociável, em perpétua evolução” (P. Georges); é um espaço polifacetado, complexo, impregnado
de história mas dinâmico e independente da subjetividade de quem o estuda. Paisagens realmente naturais,
ou seja, derivadas exclusivamente da interação de elementos físico-químicos e biológicos pode dizer-se que
quase não existem; ao longo da história multissecular da Humanidade, foram cedendo lugar às paisagens mais
ou menos directa ou indirectamente humanizadas. Unidades de paisagem são áreas relativamente
homogéneas, com padrões determinados que as distinguem das unidades envolventes; nestas divisões é
fundamental ter em conta o factor escala pois ele vai determinar a malha adequada à observação pretendida.
66 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Carlos Pereira da Silva
TIPOS DE PAISAGEM
Diversidade e grupos de paisagem
A diversidade das paisagens portuguesas, principalmente
se conjugada com a pequena superfície do País, é devida a um
conjunto de factores naturais e histórico-culturais; entre os
primeiros, uma vez mais há que destacar a posição e a extensa
costa, a variedade litológica, a desigual distribuição do relevo,
a acentuada diferenciação climática; quanto aos segundos,
não se pode esquecer os diferentes povos que, em vagas
sucessivas, se foram instalando, mais ou menos longamente,
no território que veio a constituir Portugal, de alguns dos
quais ainda hoje restam marcas importantes.
As regiões do Continente, há muito detectadas pelos geó-
grafos, foram redesenhadas e aprofundadas pela mão de mestre
de Orlando Ribeiro, em 1945; no seu trabalho fundamental –
Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico – diz serem “blocos... vastos,
reunidos por uma tonalidade comum... dada pelo contraste entre
as influências mediterrânicas e atlânticas e, nestas, pela sua ate-
nuação com o afastamento do litoral”; foi a primeira grande
síntese da variedade do território, sob um pano de fundo
essencialmente cultural que distingue a terra portuguesa da sua
vizinha Espanha. Este estudo marcou uma época que, com
pequenas alterações, se manteve até aos anos 60, quando as
mudanças, na sequência da grande emigração para a Europa se
tornaram não só evidentes como, nalguns casos, alarmantes.
A perda de população no interior conduziu ao abandono
de lugares e à drástica alteração dos sistemas de exploração da
terra, com graves consequências para a erosão, devido a uma
desflorestação seguida de uma replantação por fases, primeiro
nos baldios (causando graves prejuízos à economia das popu-
lações serranas, pela incompreensão do seu modo de vida),
depois, em muitas terras agrícolas, mas quase sempre com
espécies de desenvolvimento rápido e de fácil combustão; à
concentração exagerada de população que conduziu à cons-
trução desregrada de bairros clandestinos, principalmente nas
áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e, no Algarve, a uma
construção desenfreada provocada pelo turismo, muitas vezes
em condições desastrosas quanto à erosão fluvial e até litoral;
à construção desordenada de habitações secundárias e até ter-
ciárias; à construção de centenas de quilómetros de auto-estra-
das nem sempre seguindo os traçados menos funestos...
Hoje existem indícios encorajadores no sentido da preser-
vação possível das paisagens, entre os quais o seguimento de
normas legais e de convenções internacionais relevantes para
a sua conservação e valorização.
Barros Gomes, ainda nas últimas décadas do século XIX,
esboçava um ensaio da divisão regional de Portugal; em mea-
dos do século passado, Orlando Ribeiro, no estudo referido,
inseriu um capítulo sobre os fundamentos da divisão regional
do Continente, caracterizando esta “pelo seu padrão miúdo e
rica variedade de aspectos e contrastes” e individualizando-a
não só pelas “condições gerais de clima e posição, mas ainda
pelas particularidades da natureza e do relevo do solo, pelo
manto vegetal e pelas marcas da presença humana [que] nos
darão o sentimento de não sairmos da mesma terra”. Eis as
divisões principais: Norte Atlântico, Norte Transmontano e
Sul, cada uma delas subdividida em várias unidades (23, no seu
conjunto), determinadas pelo relevo e/ou natureza das rochas
e pelas marcas da presença humana.
O estudo Contributos para a Identificação e Caracterização da
Paisagem em Portugal Continental, realizado na Universidade de
Évora, entre 1999 e 2002, identifica, numa primeira apreciação
das paisagens portuguesas, segundo os critérios de identidade,
coerência de usos, riqueza biológica, raridade dos elementos e, o
mais subjectivo de todos, sensação provocada no observador,
128 unidades de paisagem, associadas em 22 grupos.
Com meio século de intervalo e processos de análise
incomparáveis, apercebe-se, entre estes estudos, uma cons-
tância de individualização, proveniente da realidade física do
País.
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:03 Página 66
ATLAS DE PORTUGAL IGP 67
Exemplos de paisagens
Aldeia perto de Melgaço, paisagem atlântica
Moinho de maré no estuário do Tejo
Um trecho da Ribeira da Seda no Crato
Relevo basáltico no sudoeste da Ilha da Madeira
Coruche, um pequeno centro urbano
Serra da Arrábida, paisagem mediterrânea
Salinas de Aveiro
Perfil da Ilha do Pico, visto do Faial
Guadiana, Pulo do Lobo
Ilha do Faial, cidade da Horta
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 67
68 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
A–V: Grupos de unidades de paisagem
1-128: unidades de paisagem
A. Entre Douro e Minho
1. Vale do Minho
2. Entre Minho e Lima
3. Vale do Lima
4. Entre Lima e Cávado
5. Vale do Cávado
6. Entre Cávado e Ave
7. Vale do Ave
8. Serras de Valongo
9. Serras da Peneda – Gerês
10. Serra da Cabreira e Montelongo
11. Minho Interior
12. Baixo Tâmega e Sousa
B. Montes entre Larouco e Marão
13. Serras do Larouco e Barroso
14. Terras de Basto
15. Serras do Marão e Alvão
C. Trás-os-Montes
16. Veiga de Chaves
17. Vale do Corgo
18. Serras da Falperra e Padrela
19. Terra Fria Transmontana
20. Baixa de Valpaços
21. Terras de Bragança / Macedo de Cavaleiros
22. Vale do Sabor
23. Planalto Mirandês
24. Douro Internacional
25. Terra Quente Transmontana
26. Serra de Bornes
27. Baixo Tua e Ansiães
28. Baixo Sabor e Terras Altas de Moncorvo
D. Área Metropolitana do Porto
29. Litoral a Norte do Porto
30. Grande Porto
31. Espinho – Feira – S. João da Madeira
E. Douro
32. Baixo Douro
33. Riba-Douro
34. Douro Vinhateiro
35. Alto Douro
F. Beira Alta
36. Baixo Paiva
37. Serra de Montemuro
38. Pomares de Lamego e Moimenta da Beira
39. Planalto de Penedono
40. Serra da Arada
41. Montes Ocidentais da Beira Alta
42. Alto Paiva e Vouga
43. Serras de Leomil e Lapa
44. Serra do Caramulo
45. Dão e Médio Mondego
46. Cova de Celorico
G. Beira Interior
47. Planalto da Beira Transmontana
48. Vale do Côa
49. Cova da Beira
50. Penha Garcia e Serra da Malcata
51. Castelo Branco – Penamacor – Idanha
52. Campina de Idanha
53. Beira Baixa – Tejo Internacional
54. Tejo Superior e Internacional
55. Terras de Nisa
H. Beira Litoral
56. Ria de Aveiro e Baixo Vouga
57. Pinhal Litoral Aveiro – Nazaré
58. Bairrada
59. Coimbra e Baixo Mondego
60. Beira Litoral: Leiria – Ourém – Soure
I. Maciço Central
61. Serras da Lousã e Açor
62. Serra da Estrela
J. Pinhal do Centro
63. Pinhal Interior
64. Vale do Zêzere
65. Serras da Gardunha, de Alveolos e do Moradal
66. Mosaico Agroflorestal – Castelo Branco
K. Maciços Calcários da Estremadura
67. Maciço Calcário Coimbra – Tomar
68. Serras de Aire e Candeeiros
69. Colinas de Rio Maior – Ota
70. Serra de Montejunto
L. Estremadura Oeste
71. Oeste
72. Oeste Interior: Bucelas – Alenquer
73. Oeste Sul: Mafra – Sintra
M. Área Metropolitana de Lisboa – Norte
74. Terra Saloia
75. Serra de Sintra – Cabo da Roca
76. Linha de Sintra
77. Lisboa
78. Costa do Sol – Guincho
N. Área Metropolitana de Lisboa – Sul
79. Arco Ribeirinho Almada – Montijo
80. Outra Banda Interior
81. Charneca da Lagoa de Albufeira
82. Serra da Arrábida – Espichel
O. Ribatejo
83. Colinas do Ribatejo
84. Médio Tejo
85. Vale do Tejo – Lezíria
86. Charneca Ribatejana
87. Vale do Sorraia
P. Alto Alentejo
88. Serra de S. Mamede
89. Peneplanície do Alto Alentejo
90. Colinas de Elvas
91. Várzeas do Caia e Juromanha
Q. Terras do Sado
92. Areias de Pegões
93. Estuário do Sado
94. Charneca do Sado
95. Pinhais do Alentejo Litoral
96. Vale do Baixo Sado
97. Montados da Bacia do Sado
98. Terras do Alto Sado
R. Alentejo Central
99. Montados e Campos Abertos do Alentejo Central
100. Maciço Calcário; Estremoz – Borba – Vila Viçosa
101. Serra de Ossa
102. Terras de Alandroal e Terena
103. Serra de Monfurado
104. Campos Abertos de Évora
105. Campos de Reguengos de Monsaraz
106. Albufeira de Alqueva e envolventes
107. Terras de Amareleja – Mourão
108. Terras de Viana – Alvito
109. Serra de Portel
S. Baixo Alentejo
110. Terras Fortes do Baixo Alentejo
111. Vale do Baixo Guadiana e afluentes
112. Olivais de Moura e Serpa
113. Barrancos
114. Campo Branco de Castro Verde
115. Campos de Ourique – Almodôvar – Mértola
116. Serras de Serpa e Mértola
T. Costa Alentejana e Sudoeste Vicentino
117. Litoral Alentejano e Vicentino
118. Vale do Mira
119. Ponta de Sagres e Cabo de S. Vicente
U. Serras do Algarve e do Litoral Alentejano
120. Serras de Grândola e do Cercal
121. Colinas de Odemira
122. Serra do Caldeirão
123. Serra de Monchique e envolventes
V. Algarve
124. Barlavento Algarvio
125. Barrocal Algarvio
126. Litoral do Centro Algarvio
127. Ria Formosa
128. Foz do Guadiana
Unidades e grupos de unidades de paisagem
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 68
ATLAS DE PORTUGAL IGP 69
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
Divisões regionais do Continente
Esquema de Orlando Ribeiro
Limites
A – Limite entre o Norte e o Sul
B – Limites entre as áreas atlântica e transmontana
C – Outros limites importantes determinados
pelo relevo ou pela natureza das rochas
D – Limites entre áreas pertencentes ao mesmo
conjunto de paisagens
Unidades de paisagem
1. Entre Douro e Minho
2. Montanha do Minho
3. Montanhas do Norte da Beira e do Douro
4. Terras de média altitude da Beira Litoral
5. Planaltos da Beira Alta
6. Beira Litoral
7. Cordilheira Central
8. Planaltos e montanhas de Trás-os-Montes
9. Planaltos e montanhas da Beira transmontana
10. Alto Douro e depressões anexas
11. Baixo Mondego
12. Estremadura setentrional, geralmente baixa
13. Maciços calcários da Estremadura e Arrábida
14. Depressões e colinas
15. Estremadura meridional, geralmente acidentada
16. Beira Baixa
17. Ribatejo
18. Alentejo de planície com raras elevações isoladas
19. Alto Alentejo
20. Alentejo litoral com elevações
21. Depressão do Sado
22. Serra algarvia
23. Algarve litoral ou Baixo Algarve
A
D
B
C
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 69
2000/0495/9990/9485/8980/8475/791970/74
AçoresMadeiraContinente
2
10
19
12
6
9
7
70 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
Áreas Protegidas
É hoje reconhecido que o planeta se encontra num
momento crítico também ao nível da conservação da natureza
e da sua biodiversidade, com a crescente ameaça de desapare-
cimento de um número cada vez maior de espécies.
Esta situação resulta de diversos factores, nomeadamente,
a degradação de habitats únicos – em grande parte devido à
intensificação da exploração da actividade agrícola,
modificadora da paisagem –; a expansão da urbanização; a
industrialização; a intensificação da actividade turística e o seu
alargamento também aos espaços rurais; a crescente poluição
que nas suas diferentes formas vai degradando a paisagem,
condenando-a à consequente perda de biodiversidade.
Em Portugal, também são estes factores que ameaçam a
grande diversidade de valores naturais que, do Continente às
Ilhas constituem o nosso património natural ímpar e que
urge proteger.
A privilegiada localização geográfica de Portugal, conjugada
com a acção humana, compõe a herança natural única de um
país que continua a sofrer de graves problemas estruturais de
desenvolvimento, que relega quase sempre para segundo
plano as questões ligadas ao Ambiente e Ordenamento do
Território e onde se constata que a conservação da Natureza
ainda não é encarada como uma área prioritária de actuação.
As áreas protegidas representam muito mais do que zonas
livres da acção antrópica: são também territórios que reflectem
um equilíbrio entre a paisagem natural e as actividades desen-
volvidas pelo Homem e, no fundo, é da manutenção deste
equilíbrio que dependem actividades económicas importantes
como a agricultura, a caça, a criação de gado ou a pesca.
Também se tem verificado, em alguns exemplos de valores
naturais sujeitos a regimes de preservação e protecção, que os
mesmos acabam resultando em ‘ilhas de protecção’, isoladas
territorialmente e sem qualquer tipo de visão estratégica. O
seu apertado regime de protecção não concede às populações
envolvidas a possibilidade de encontrar novas alternativas de
desenvolvimento que sejam compatíveis com o desejado equi-
líbrio natural, tal como também não as sensibiliza e informa
convenientemente sobre as múltiplas vantagens que poderiam
retirar do facto de estarem integradas num território protegido,
nem sobre a importância dessas mesmas medidas.
As questões referentes às áreas protegidas em Portugal, no
sentido em que as entendemos hoje, são bastante recentes. A
primeira referência existente data de 1948, mencionando pela
primeira vez a criação de Parques Naturais. No entanto, os ver-
dadeiros alicerces para uma política de protecção da natureza só
seriam criados pela Lei n.º 9/70, que atribuía ao Governo a res-
ponsabilidade da promoção e protecção da natureza: “defesa de
áreas onde o meio natural deva ser reconstituído ou preservado
contra a degradação provocada pelo homem”, e do “uso racional
e a defesa de todos os recursos naturais em todo o território de
modo a possibilitar a sua fruição pelas gerações futuras”
(referência explícita ao desenvolvimento sustentável). Estes
objectivos deveriam ser atingidos pela criação de Parques
Nacionais e Reservas (figuras de protecção definidas em relação
aos diferentes objectivos).
No seguimento desta política é criada, em 1971, a primeira
Área Protegida – o Parque Nacional da Peneda-Gerês – o
único com este estatuto existente até então no território
nacional; só após 1974 as questões ligadas ao Ambiente e à
Conservação da Natureza ganharam um novo impulso com a
criação da Secretaria de Estado do Ambiente. Assim, através
da publicação do Decreto-Lei n.º 613/76, definiu-se a classi-
ficação das Áreas Protegidas com a introdução do conceito de
Parque Natural, que já existia em vários países europeus.
Outro momento muito importante para as Áreas Protegi-
das surgiu com a publicação da Lei n.º 11/87 – a Lei de Bases
do Ambiente – que referia a importância da regulamentação e
implementação de uma rede nacional de áreas protegidas,
definindo os estatutos nacionais, regionais e locais que as
mesmas deveriam ter, muito embora esta ideia só viesse a ser
concretizada seis anos depois, com o Decreto-Lei n.º 19/93
que, finalmente, criou a Rede Nacional de Áreas Protegidas.
Em Portugal, a criação de áreas protegidas seguiu de perto
a tendência mundial, já que uma boa parte das mesmas surgiu
a partir da segunda metade dos anos 70 – entre 1975 e 1984
foram criadas 29 áreas protegidas, o que representa quase
metade das existentes actualmente.
Este facto deveu-se sobretudo à nova dinâmica que a
Secretaria de Estado do Ambiente imprimiu neste sector após
1974, cabendo-lhe a responsabilidade da criação de grande
parte das Áreas Protegidas nacionais mais importantes, como
os Parques Naturais da Serra da Estrela, Arrábida, Aires e
Candeeiros e as Reservas do Estuário do Tejo e da Ria
Formosa, que mais tarde passou a Parque Natural.
Já nos anos 90, e na sequência da criação da Rede Nacional
de Áreas Protegidas, procedeu-se à reclassificação das áreas
existentes, para que melhor se adaptassem à nova legislação,
assistindo-se também à criação de Áreas Protegidas de
Criação de Áreas Protegidas, 1970/2004
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 70
ATLAS DE PORTUGAL IGP 71
Rede Nacional de Áreas Protegidas
Rios principais e albufeiras
Áreas protegidas
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
Áreas Protegidas Área (ha) Ano de criação
Parque Nacional
1. Peneda-Gerês 69 693 1971
Parques Naturais
2. Alvão 7 202 1983
3. Arrábida 11 054a 1998
4. Douro Internacional 85 146 1998
5. Montesinho 74 618 1997
6. Ria Formosa 17 664 1997
7. Serra da Estrela 101 060 1997
8. Serra de São Mamede 56 070 1986
9. Serras de Aire
e Candeeiros 38 393 1979
10. Sintra-Cascais 14 451 1994
11. Sudoeste Alentejano
e Costa Vicentina 60 624b 1995
12. Tejo Internacional 23 441 1956
13. Vale do Guadiana 69 773 1956
Reservas Naturais
14. Berlenga 104c 1998
15. Dunas de São Jacinto 680 1997
16. Estuário do Sado 23 971 1980
17. Estuário do Tejo 14 192 1970
18. Lagoas de Sto André
e Sancha 3 123d 2000
19. Paul de Arzila 580 1997
20. Paul do Boquilobo 550 1997
21. Sapal de Castro Marim e
Vila Real de Santo António 2 153 1975
22. Serra da Malcata 16 347 1999
Paisagens protegidas (âmbito nacional)
23. Arriba Fóssil
da Costa da Caparica 1 594 1981
24. Litoral de Esposende 399 1987
25. Serra do Açor 373 1982
Sítios Classificados
26. Açude da Agulada 268 1980
27. Açude do Monte da Barca 875 1980
28. Campo de Lapiás
da Granja dos Serrões 35 1991
29. Campo de Lapiás
de Negrais 50 1991
30. Centro Histórico
de Coruche —
31. Fonte Benémola 561 1991
32. Gruta do Zambujal 14 1979
33. Montes de Santa Olaia
e Ferrestelo 8 1991
34. Monte de São Bartolomeu
(ou de São Brás) 34 1979
35. Rocha da Pena 733 1991
Monumentos Naturais
36. Carenque 6 1997
37. Lagosteiros 5 1997
38. Pedra da Mua 7 1997
39. Pedreira do Avelino 1 1997
40. Pegadas de Dinossáurios
de Ourém / Torres Novas 54 1996
Paisagens protegidas (âmbito regional)
41. Albufeira do Azibo 4 897 1999
42. Corno do Bico 2 181 1999
43. Lagoas de Bertiandos
e São Pedro de Arcos 346 2000
44. Serra de Montejunto 3 710 1999
a Mais 5 699ha de área marítima
b Mais 28 992ha de área marítima
c Mais 9 560ha de área marítima
d Mais 2 143ha de área marítima
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 71
72 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
importância estratégica como são os casos dos Parques Natu-
rais do Vale do Guadiana (1995), do Douro Internacional
(1998) e do Tejo Internacional (2000).
Desta forma, Portugal apresenta no ano de 2004 uma Rede
Nacional de Áreas Protegidas constituída por Parques Nacio-
nais (1), Parques Naturais (12), Reservas Naturais (9), Paisa-
gens Protegidas (7, sendo 4 de âmbito regional), Sítios Classi-
ficados (10) e Monumentos Naturais (5). Esta rede ocupa
uma área com cerca de 700 000ha, correspondendo a cerca de
8% da área total do continente e dentro dos seus limites
residem aproximadamente 200 000 habitantes.
A paisagem existente nestas áreas reflecte quase sempre o
necessário equilíbrio entre a acção humana e o meio. A que-
bra deste equilíbrio devido à ausência da acção humana tra-
duz-se geralmente em consequências nefastas para todos,
como exemplificam os incêndios, a degradação e empobreci-
mento dos solos, as alterações climatéricas ou o despovoa-
mento de áreas consideráveis do território nacional.
Perante este cenário torna-se mais compreensível a
urgência em criar instrumentos que valorizem a acção dessas
populações e que as envolvam na gestão dessas áreas, con-
tribuindo-se desta forma também para a redução dos diversos
conflitos existentes entre populações residentes e entidades
gestoras do seu território.
Entretanto, a Rede Nacional de Áreas Protegidas depara-se
com problemas de funcionamento que impedem a concreti-
zação de grande parte dos seus objectivos: a não só habitual
falta de meios financeiros como também a de recursos huma-
nos para implementar políticas, fiscalizar e vigiar com eficácia
as Áreas Protegidas. Como exemplo refira-se o facto de, em
2002, existirem apenas cerca de 150 vigilantes da natureza, ou
seja, cada um deles tinha sob sua competência um pouco mais
de 4 400ha de Área Protegida.
Um outro problema que importa também aqui referir é a
ausência de Planos de Ordenamento destas áreas. Embora a
legislação preveja e obrigue à sua existência, o não cumprimento
dos prazos para a sua execução tem revelado um constante
desrespeito pela lei por parte de todos os responsáveis envolvi-
dos, chegando-se ao ponto de haver mesmo necessidade de alte-
rar a própria lei para evitar a desclassificação daquelas áreas.
Este facto tem sido co-responsável por muitos dos problemas
com que as Áreas Protegidas se deparam, vendo-se obrigadas a
uma gestão casuística, discricionária, sem estratégia e de curto
prazo.
Exemplo é o facto de, até 2004, apenas 2 entre as 29 áreas
exigidas por lei terem novos Planos de Ordenamento aprova-
dos. Desta forma, continuam a existir áreas sem planos válidos
ou então aprovados há mais de dez anos e completamente
desfasados da realidade e das necessidades actuais.
O litoral possui mais de 20% da sua extensão classificada
como área protegida, repartindo-se pelos Parques Naturais de
Sintra-Cascais, do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina e
ainda da Ria Formosa. Os valores florísticos, faunísticos e geo-
lógicos deste significativo conjunto são por demais reco-
nhecidos, embora se verifique demasiadas vezes que o estatuto
de protecção não chegue para travar a degradação ambiental.
Em relação à protecção do litoral importará salientar a
visão demasiado ‘terrestre’ que lhe é subjacente, na medida
em que o estatuto de protecção da faixa litoral descura
bastante a parte marinha. Com as excepções das Berlengas,
Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Lagoas de
Santo André e Sancha, a protecção da faixa litoral necessita
com urgência da criação de uma efectiva Rede Nacional de
Áreas Protegidas Marinhas, que, embora pensada, nunca foi
verdadeiramente implementada. Este facto é ainda mais
premente quando se considera a importância estratégica que
a área marinha tem para Portugal e as enormes pressões a que
está sujeita já que é um dos seus principais recursos.
Ainda outra situação que importa destacar na Rede Nacio-
nal de Áreas Protegidas é a tentativa de protecção de alguns
troços menos artificializados dos principais rios que correm
em Portugal (Douro, Tejo, Guadiana). Embora existam difi-
culdades acrescidas pela sua complexa gestão enquanto rios
internacionais, eles não deixam de ser um bom exemplo de
tentativa de gerir recursos transnacionais, passível de ser apli-
cado a outras áreas da conservação da natureza, onde a exis-
tência de limites artificiais – como as fronteiras – não deviam
ser entraves a uma gestão conjunta.
Em suma, pode-se dizer que as diversas situações acima
referidas são claramente demonstrativas da pequena impor-
tância que se dá ao sector do Ambiente em Portugal, de um
modo geral, e às Áreas Protegidas em particular. A constante
falta de meios, de acções e até mesmo de interesse, acabam
por comprometer as reais possibilidades de funcionamento
Exemplos de Áreas Protegidas: Peneda-Gerês, Douro, Arrábida e Sudoeste Alentejano
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 72
ATLAS DE PORTUGAL IGP 73
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
ha
AÇORES
Santa Maria
1. Reserva Natural da Baía da Maia 144
2. Reserva Natural da Baía dos Anjos 275
3. Reserva Natural da Baía da Praia 281
4. Reserva Natural da Baía
de São Lourenço 140
5. Reserva Natural Regional
dos Ilhéus das Formigas 52 527
6. Monumento Natural Regional
da Pedreira do Campo 150
São Miguel
7. Paisagem Protegida
das Sete Cidades 2 067
8. Reserva Natural da Lagoa
do Fogo 2 182
9. Reserva Natural do Ilhéu
de Vila Franca 43
10. Monumento Natural Regional
da Caldeira Velha 13
Terceira
11. Monumento Natural Regional
do Algar do Carvão 40
12. Monumento Natural Regional
das Furnas do Enxofre 7
Graciosa
13. Monumento Natural Regional
da Caldeira da Graciosa nd
ha
São Jorge
14. Reserva Natural Parcial da Lagoa
da Caldeira de Santo Cristo 23
15. Área Ecológica Especial da Lagoa
da Caldeira de Santo Cristo 18
16. Reserva Natural Parcial do Ilhéu
do Topo 25
Pico
17. Reserva Natural da Montanha
da Ilha do Pico 1 341
18. Paisagem Protegida de Interesse
Regional da Cultura da Vinha
da Ilha do Pico 3 078
19. Monumento Natural Regional
da Gruta das Torres 65
Faial
20. Reserva Natural da Caldeira
do Faial 321
21. Paisagem Protegida do Monte
da Guia 87
MADEIRA
1. Parque Natural da Madeira 52 000
2. Reserva Parcial do Garajau 376
3. Reserva Natural do sítio da Rocha
do Navio 1 710
4. Reserva Natural das Ilhas
Desertas 9 672
5. Reserva Natural das Ilhas
Selvagens 9 455
Áreas Protegidas das Regiões Autónomas dos Açores e Madeira
deste sector e, no caso das Áreas Protegidas, não deixa de ser
flagrante o seu comprometimento enquanto pilares estraté-
gicos de uma Política de Conservação da Natureza.
As Ilhas
Os arquipélagos da Madeira e dos Açores representam
territórios particularmente sensíveis e importantes em termos
de conservação da natureza, já que, devido à sua situação geo-
gráfica, mantêm alguns endemismos que importa preservar.
Tal como no Continente, a ameaça constantemente
dirigida a estes valores naturais resulta em boa parte da acção
humana, nomeadamente da alteração de práticas agrícolas e
piscatórias mais tradicionais para outras mais intensivas, da
criação de gado, dos incêndios florestais, da introdução de
espécies exóticas ou da expansão da urbanização, entre outros.
A Madeira tem um historial importante no que diz respeito
às áreas protegidas. Foi aí que surgiu a primeira Reserva
Natural de Portugal – as Ilhas Selvagens – em 1971. Em 1982,
o reconhecimento do valor do património natural desta ilha
levou à criação do Parque Natural da Madeira, cobrindo na sua
extensão cerca de dois terços da Ilha e que integra áreas com
diferentes estatutos (Reservas Naturais Integrais, Parciais, Pa-
isagens Protegidas, Reservas de Recreio e Montanha, Zonas de
Repouso e Silêncio e Zonas de Caça e Pastoreio). É aqui que se
encontra um dos mais significativos exemplos do património
natural da Madeira, a Laurissilva, cujo reconhecimento do seu
valor é feito também internacionalmente, estando classificada
como Reserva Biogenética do Conselho da Europa e pela
UNESCO como Património Mundial Natural.
A componente marinha da Madeira também é extrema-
mente importante, atestada pela criação, em 1986, da Reserva
Natural Parcial do Garajau, que procurou salvaguardar os
recursos existentes da actividade piscatória e a Reserva Natu-
ral das Ilhas Desertas, cujo valor mais importante consiste
numa colónia de lobos marinhos em vias de extinção; esta
reserva encontra-se igualmente classificada como Reserva
Biogenética do Conselho da Europa, desde 1992.
Nos Açores regista-se uma situação muito semelhante à da
Madeira em termos de valorização do seu diversificado patrimó-
nio natural, em que se destaca a flora terrestre com mais de 60
espécies referenciadas. Não obstante os importantes valores
florísticos, faunísticos, e paisagísticos presentes na componente
terrestre, também há que destacar a relevância da componente
marinha, a que muitas das suas áreas protegidas tem ligação
directa. Este arquipélago possui quase 40 000ha de área protegida
marinha, apresentando uma grande riqueza em habitats e
espécies, das quais se destacam mais de 23 espécies de cetáceos.
A primeira área protegida criada no arquipélago dos
Açores foi a Reserva Natural da Caldeira do Faial, em 1977, e
a ilha com maior extensão de área protegida é Santa Maria,
incluindo o Ilhéu das Formigas. É ainda imprescindível o
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 73
74 ATLAS DE PORTUGAL IGP
ha
AÇORES
Santa Maria
1. Ponta do Castelo 300
2. Ilhéu das Formigas
e Recife Dollabarat 3 800
São Miguel
3. Lagoa do Fogo 1 360
4. Caloura – Ponta da Galera 36
5. Banco D. João de Castro 1 500
Terceira
6. Serra de Sta. Bárbara e Pico Alto 4 809
7. Costa das Quatro Ribeiras 261
Graciosa
8. Ilhéu de Baixo, Restinga 243
9. Ponta Branca 78
São Jorge
10. Ponta dos Rosais 289
11. Costa NE Ponta do Topo 3 708
Pico
12. Baixa do Sul 524
13. Montanha do Pico, Praínha
e Caveiro 8 562
14. Ponta da Ilha 403
15. Lages do Pico 128
16. Ilhéus da Madalena 152
ha
Faial
17. Monte da Guia 360
18. Morro de Castelo Branco 138
19. Ponta do Varadouro 20
20. Caldeira e Capelinhos 2 040
Flores
21. Zona Central – Morro Alto 2 925
22. Costa Nordeste 1 243
Corvo
23. Costa e Caldeirão 981
MADEIRA
Madeira
1. Laurissilva da Madeira 13 355
2. Maciço Montanhoso Central
da Ilha da Madeira 8 212
3. Ponta de São Lourenço 2 043
4. Ilhéu da Viúva 9 672
5. Achadas da Cruz 205
6. Moledos – Madalena do Mar 18
7. Pináculo 33
Porto Santo
8. Ilhéus de Porto Santo 13 355
9. Pico Branco – Porto Santo 143
10. Ilhas Desertas 11 302
11. Ilhas Selvagens 5 752
ha
AÇORES
Santa Maria
1. Ilhéu da Vila e Costa Adjacente 48
São Miguel
2. Pico da Vara / Ribeira
do Guilherme 1 982
Terceira
3. Ponta das Contendas 93
4. Ilhéu das Cabras 28
Graciosa
5. Ilhéu de Baixo 30
6. Ilhéu da Praia 12
São Jorge
7. Ilhéu do Topo e Costa Adjacente 346
Pico
8. Ponta da Ilha 324
9. Lages do Pico 29
10. Zona Central do Pico 5 832
11. Furnas de Sto. António 23
Faial
12. Caldeira e Capelinhos 2 076
ha
Flores
13. Costa Nordeste 130
14. Costa Sul e Sudoeste 230
Corvo
15. Costa e Caldeirão 642
MADEIRA
Madeira
1. Laurissilva da Madeira 13 355
2. Maciço Montanhoso Central
da Ilha da Madeira 8 212
3. Ilhas Desertas 11 302
4. Ilhas Selvagens 5 752
Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Protecção Rede Natura 2000 – Sítios de Interesse Comunitário
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 74
ATLAS DE PORTUGAL IGP 75
Rios principais e albufeiras
Zona Especial de Protecção
Rede Natura 2000
Zonas Especiais de Protecção
ha
1. Estuários dos rios
Minho e Coura 3 393
2. Serra do Gerês 62 922
3. Montesinho / Nogueira 108 094
4. Rios Sabor e Maçãs 50 674
5. Douro Internacional
e Vale do Rio Águeda 50 744
6. Vale do Côa 20 628
7. Ria de Aveiro 20 737
8. Ria de Aveiro 30 642
9. Serra da Malcata 16 361
10. Paul do Taipal 233
11. Paul de Arzila 482
12. Paul de Madriz 89
13. Tejo Internacional,
Erges e Ponsul 25 764
14. Ilhas Berlengas 9 560
15. Paul de Boquilobo 433
16. Campo Maior 9 576
17. Estuário do Tejo 70 197
18. Lagoa Pequena 69
19. Estuário do Sado 24 632
20. Cabo Espichel 3 415
21. Açude da Murta 498
22. Mourão / Moura / Barrancos 77 632
23. Lagoa de Santo André 2 164
24. Lagoa da Sancha 409
25. Castro Verde 79 178
26. Vale do Guadiana 76 579
27. Costa Sudoeste 74 562
28. Sapais de Castro Marim 2 146
29. Leixão da Gaivota 0,1
30. Ria Formosa 23 296
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 75
76 ATLAS DE PORTUGAL IGP
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
Rios principais e albufeiras
Sítios de Interesse
Comunitário
Rede Natura 2000
Sítios de Interesse Comunitário
ha
1. Rio Minho 4 554
2. Côrno do Bico 5 139
3. Litoral Norte 740
4. Serra d’Arga 4 426
5. Peneda-Gerês 88 845
6. Montesinho / Nogueira 107 719
7. Samil 91
8. Serra d’Arga 68
9. Rio Lima 5 361
10. Litoral Norte 2 056
11. Rios Sabor e Maçãs 33 482
12. Minas de Sto Adrião 3 495
13. Morais 12 878
14. Romeu 4 768
15. Alvão / Marão 58 788
16. Valongo 2 552
17. Douro Internacional 36 186
18. Montemuro 38 762
19. Barrinha de Esmoriz 396
20. Rio Paiva 14 562
21. Serra da Freita e Arada 28 658
22. Rio Vouga 2 769
23. Cambarinho 23
24. Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas 498
25. Carregal do Sal 9 553
26. Serra da Estrela 88 291
27. Malcata 79 079
28. Complexo do Açor 1 363
29. Paul de Arzila 666
30. Gardunha 5 891
31. Serra da Lousã 15 158
32. Sicó / Alvaiázere 31 678
33. Azabuxo / Leiria 136
34. Serra d’Aire e Candeeiros 44 226
35. Arquipélago da Berlenga 96
36. Nisa / Laje da Prata 12 658
37. S. Mamede 116 114
38. Peniche / Santa Cruz 8 285
39. Serra de Montejunto 3 830
40. Cabeção 48 606
41. Caia 31 115
42. Sintra / Cascais 16 632
43. Estuário do Tejo 44 608
44. Guadiana / Juromenha 2 498
45. Fernão Ferro / Lagoa de Albufeira 4 318
46. Monfurado 23 878
47. Arrábida / Espichel 20 661
48. Estuário do Sado 30 967
49. Cabrela 56 554
50. Comporta / Galé 32 050
51. Alvito / Cuba 786
52. Alvito / Cuba 137
53. Moura / Barrancos 43 309
54. Costa Sudoeste 118 266
55. Guadiana 38 463
56. Monchique 76 008
57. Caldeirão 47 286
58. Barrocal 20 864
59. Arade / Odelouca 2 111
60. Ribeira de Quarteira 582
61. Ria de Alvor 1 454
62. Cerro da Cabeça 574
63. Ria Formosa / Castro Marim 17 519
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 76
ATLAS DE PORTUGAL IGP 77
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
destaque da Paisagem Protegida de Interesse Regional da
Cultura da Vinha da Ilha do Pico, criada em 1996, não só pela
sua extensão, mas também pelo seu reconhecimento enquanto
Património Mundial.
Na ilha de São Miguel, a Reserva Natural da Lagoa do
Fogo (1982) e a Paisagem Protegida das Sete Cidades (1995)
representam valores naturais igualmente importantes em ter-
mos de conservação e que, tal como o resto do arquipélago,
desempenham um papel preponderante no turismo de natu-
reza que cada vez mais caracteriza os Açores. Este é também
mais um motivo de peso para que a preservação e conservação
da natureza seja uma preocupação constante.
Rede Natura 2000
A Rede Natura 2000 é outro instrumento de relevo para a
conservação da natureza e consiste num conjunto de áreas
criadas por imposição comunitária, surgidas a partir do con-
tributo individual (e obrigatório) de todos os países membros
da União Europeia para uma listagem de áreas que con-
tribuíssem para a preservação de habitats naturais, da fauna e
flora, tendo em consideração as exigências económicas, sociais
e culturais. Foi assim criada a nível europeu uma rede ecológica
denominada Natura 2000, constituída por Zonas Especiais de
Protecção e que pretende a conservação de habitats de grande
valor ecológico, bem como a determinação de Zonas de
Protecção Específica (Sítios de Interesse Comunitário)
relativas à conservação de aves selvagens.
No caso português, a Rede Natura 2000 ocupa cerca de
20% do território continental, valor que é bastante superior
ao da Rede Nacional de Áreas Protegidas, 8%, mas que ainda
pode ser considerado insuficiente para a correcta manutenção
da biodiversidade e conservação de habitats.
No caso do Continente, esta Rede inclui 59 sítios, em
muitos casos com sobreposição das duas categorias. As áreas
húmidas são alvo de particulares atenções, nomeadamente
estuários de rios – Minho, Coura e Sabor – e faixa litoral;
incluídas em grande extensão na Rede Natura 2000. Também
são merecedoras de destaque algumas áreas de montanha como
a Serra de Arga, Monchique e Lousã.
Na Madeira existem 16 áreas pertencentes à Rede Natura
2000, que ocupam praticamente 80% do território do
Arquipélago. Ao contrário do que acontece nas Áreas
Protegidas, Porto Santo está representado com duas áreas com
mais de 370ha, consideradas como Sítios de Interesse
Comunitário – Ilhéus de Porto Santo e Pico Branco. As Ilhas
Desertas e os seus mais de 11 000ha reforçam ainda o seu papel
vital na conservação da natureza.
Nos Açores, as 38 áreas pertencentes à Rede Natura 2000
distribuem-se por todas as ilhas, ocupando 16% da área do
arquipélago. Em termos de objectivos visam salvaguardar não
só uma significativa parte da faixa litoral, como também áreas
mais elevadas, mais acidentadas e, por isso mesmo,
determinantes para a conservação de habitats específicos.
Face à acelerada degradação dos recursos naturais a que
actualmente se assiste, a criação e preservação de áreas
protegidas onde se deve incluir a Rede Natura 2000 é não só
o método mais expedito para a salvaguarda dos valores
naturais, mas também a estratégia mais importante para a
execução de uma política de conservação da natureza. Para
isso, é fundamental definir critérios claros de gestão e
ordenamento para estas áreas, bem como dotá-las de meios
financeiros e humanos que permitam a real implementação
de políticas de conservação da natureza, integradas numa
filosofia de desenvolvimento sustentável, sem o qual não será
possível manter o património natural existente.
Áreas de protecção de avifauna*
No final da década de 70 do século XX foi lançado um
projecto com vista à protecção de aves, algumas delas em risco
de extinção; para isso procedeu-se à identificação,
monotorização e protecção de Zonas Importantes para Aves
vulgarmente designadas IBA (abreviatura da terminologia
inglesa Important Bird Areas).
O projecto, da responsabilidade da Bird Life International é
de âmbito mundial e permitiu já referenciar mais de 20 000
dessas áreas, em todo o mundo, das quais mais de 3 600 só na
Europa. Em Portugal, o Serviço Nacional de Parques,
Reservas e Conservação da Natureza, primeiro, e, depois, a
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, referenciaram
90 IBA, das quais, 51 no Continente, 31 nas ilhas açoreanas e
8 no arquipélago da Madeira, cobrindo uma superfície total
de quase um milhão e meio de quilómetros quadrados,
correspondendo a cerca de 16% do território nacional. A sua
delimitação é parcialmente coincidente com as das Áreas
Protegidas (Rede Nacional e Rede Natura 2000).
Esta identificação baseou-se em critérios internacionais de
classificação tendo em conta, principalmente, a ocorrência de
espécies ameaçadas a nível “global, europeu e da União Euro-
peia”. O actual inventário das 90 IBA proporcionará a “protecção
a mais de 90% da população nacional de pelo menos 31
espécies de populações nidificantes (Directiva 79/409/CEE –
Cagarra, Calonectris diomedea, e flamingo, Phoenocopterus ruber
* Com base em COSTA et al (2003).
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 77
78 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Áreas de protecção de avifauna
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 78
ATLAS DE PORTUGAL IGP 79
UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
Tipos de paisagem
ha
CONTINENTE
1 Estuários do Minho e Coura 3 393
2 Serras da Peneda e Gerês 62 922
3 Serras de Montezinho
e Nogueira 108 094
4 Sabôr e Maçãs 50 674
5 Douro Internacional
e Vale do Águeda 50 744
6 Vale do Côa 20 628
7 Ria de Aveiro 51 378
8 Serra da Malcata 16 361
9 Paul do Taipal 233
10 Paul de Arzila 482
11 Paul de Madriz 89
12 Serra de Penha Garcia
e Campina de Toulões 15 733
13 Tejo Internacional 25 764
14 Berlenga e Farilhões 9 560
15 Paul de Boquilobo 433
16 Cabeção 48 606
17 Alter do Chão 1 317
18 Planície de Monforte 1 593
19 Campo Maior 9 575
20 Vila Fernando / Veiros 7 487
21 Estuário do Tejo 44 771
23 Estuário do Sado 24 632
24 Açude da Murta 497
25 Planície de Évora 53 134
26 Cuba 5 049
ha
27 Mourão, Moura e Barrancos 80 565
28 Lagoas de Santo André
e da Sancha 2 672
29 Castro Verde 79 066
30 Rio Guadiana 76 578
31 Costa Sudoeste 74 563
32 Leixão da Gaivota 0,16
33 Ria Formosa 23 296
34 Castro Marim 2 147
35 Lagoa dos Salgados 149
36 Barrinha de Esmoriz /
Lagoa de Paramos 396
37 Portas de Ródão e Vale Mourão 4 215
38 Serra da Estrela 99 870
39 Estuário do Mondego 1 518
40 Lagoa Pequena 68
41 Cabo Espichel 3 415
42 Salinas de Alverca e Forte da Casa 218
43 Cabrela 63 766
44 Arraiolos 12 982
45 Albufeira do Caia 8 985
46 Reguengos de Monsaraz 8 141
47 Ponta da Piedade 727
48 Luzianes 33 021
49 Serras do Alvão e Marão 58 788
50 Serra de Monchique 103 709
51 Serra do Caldeirão 70 445
91 Vilamoura 271
ha
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
Flores
52 Costa das Flores 937
Corvo
53 Costa do Corvo 374
Faial
54 Capelinhos 215
55 Baía do Varadouro 111
56 Ribeirinha 91
57 Lomba Grande 265
58 Cabeço do Fogo 995
Graciosa
59 Ilhéu de Baixo e costa adjacente 74
60 Ilhéu da Praia 11
61 Ilhéu da Baleia e da Ponta da Barca 39
62 Serra Branca 95
São Jorge
63 Ponta dos Rosais – Urzelina 979
64 Ilhéu do Topo e costa adjacente 230
65 Fajã das Almas 55
Terceira
66 Raminho – Pesqueiro Velho 71
67 Contendas 90
81 Ilhéu das Cabras 28
Santa Maria
68 Ilhéu da Vila 8
69 Ilhéu das Lagoinhas
e costa adjacente 210
ha
70 Ponta da Malbusca
e Ponta do Castelete 128
Pico
71 Costa Sudeste do Pico 209
72 Ponta do Ilha e Terra Alta 194
73 Mistério da Praínha 73
74 Furnas - Santo António 53
75 Zona Central do Pico 5 832
82 Lages do Pico 68
São Miguel
76 Feteiras 63
77 Mosteiros-Bretanha 295
78 Ponta do Cintrão 29
79 Faial da Terra e Ponta do Arnel 254
80 Pico da Vara 6 083
REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
Madeira
83 Laurissilva 15 242
84 Maciço Montanhoso Oriental 3 411
85 Ilhas Desertas 1 384
86 Ilhas Selvagens 265
87 Ponta de São Lourenço 321
88 Ponta do Pargo 1 161
Porto Santo
89 Ilhéus do Porto Santo 204
90 Porto Santo Oeste 929
Áreas de protecção de avifauna
Espécies que nidificam em Portugal
Colhereiro
Platalea leucorodia
Alfaiate
Recurvirostra avosetta
Roquinho
Oceanodroma castro
Gaivina-rosada
Sterna dougallii
Pintainho
Puffinus assimilis
Cagarra
Calonectris diomedea
Ilhas Selvagens
Graciosa
Ilha da Madeira
Ilhas Desertas
Ilhas Selvagens
Ilha da Madeira
Ilhas Desertas
Santa Maria
Directiva Aves) e “protegerá ainda entre 50-90% da população
nacional de oito espécies” indicadas no anexo dessa Directiva,
bem como dos respectivos habitats, de variados usos. Os habitats
naturais nas zonas húmidas são “particularmente importantes
para grandes concentrações de aves invernantes” e os montados
de azinho e sobro e as florestas de altitude, proporcionam boas
condições para espécies variadas. Nos arquipélagos dos Açores
e da Madeira, as áreas rochosas e de vegetação macaronésia são
importantes para as colónias de aves marinhas e para a propa-
gação de espécies exóticas. A concentração de aves migratórias
e a variedade de espécies em determinadas áreas constitui
também motivo de protecção; por exemplo, o elevado número
de cegonhas, aves de rapina ou grous, tantas vezes avistados
em várias áreas do Leste Alentejano e da Costa Sudoeste; e os
números significativos de populações de aves aquáticas em
algumas zonas húmidas, com destaque para os estuários do
Tejo e Sado e a Ria Formosa. Nas Ilhas, pela sua raridade
refiram-se as aves marinhas Cagarra (Calonectris diomedea) nos
Açores e o Gon-gon (Pterodroma feae) nas Desertas, Madeira,
para além do Priôlo (Pyrrhula murina) e da Freira (Pterodroma
madeira), endémicos, respectivamente, de São Miguel, e da
ilha da Madeira.
Ilhas Selvagens
Ilha da Madeira
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 79
80 ATLAS DE PORTUGAL IGP
TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES
A POPULAÇÃO
EVOLUÇÃO RECENTE
UMA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL
BAIXOS NÍVEIS DE NATALIDADE E FORTES
SALDOS MIGRATÓRIOS
UM ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO
A EMERGÊNCIA DE NOVOS COMPORTAMENTOS
EDUCAÇÃO
TERRA DE MIGRAÇÕES
A EMIGRAÇÃO
O REGRESSO
A IMIGRAÇÃO
UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA
UMA LEITURA ‘CLÁSSICA’ DO SISTEMA URBANO NACIONAL
UMA AVALIAÇÃO RECENTE
MUDANÇAS RECENTES
LISBOA E PORTO COMO REFERÊNCIAS
‘PRODUZIR’ CIDADE
COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE
DA POPULAÇÃO
REDES DE COMUNICAÇÃO
SISTEMA DE TRANSPORTES
871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 80
ATLAS DE PORTUGAL IGP 81
OS HOMENS
E O MEIO
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 81
82 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Qualquer território, num dado momento, é a expressão das marcas humanas
herdadas ao longo da História, sobrepostas às suas características físicas; os
homens conseguem adaptar-se a estas ou modificá-las em seu proveito,
segundo as técnicas de que dispõem e o estilo de vida que adoptam numa
determinada época. Umas marcas podem manter-se por muito tempo, outras
ser efémeras: mas sempre delas ficam sinais, que acabam por explicar parte
da paisagem que se desenrola sob os nossos olhos. Em cada momento, as
comunidades recompõem a História e recriam as paisagens. O ‘esqueleto’
geológico que enforma o nosso território é extremamente diferenciado
quando comparado com a morfologia visível; não é especificamente
‘português’, uma vez que o território ocupa o extremo sudoeste de uma
península de contornos maciços, ‘pesados’ e excêntrica em relação
ao continente europeu; a este Ocidente vêm ‘morrer’ quase todos
os elementos morfológicos da Ibéria.
TERRITÓRIO,
SUPORTE DAS GENTES
RAQUEL SOEIRO DE BRITO
O velho soco é separado em blocos divididos por falhas,
as quais ‘guiam’ grande parte dos rios, ora abrindo caminho
difícil através de rochas duras, ora deslizando com certa
facilidade entre os materiais mais brandos da orla costeira.
E é esta diversidade da faixa mais ocidental da Península que
dá originalidade a Portugal, reforçada pela influência das
massas de ar atlânticas, que suavizam as temperaturas – altas
e baixas – e permitem tanto o alastramento para Sul de plantas
da Europa Central como a tolerância das plantas mediterrâneas
nas terras mais a Norte.
É neste quadro natural que, desde tempos pré-históricos,
populações várias se foram ‘acomodando’, umas; introduzindo
modificações a pouco e pouco, outras; e quase nove séculos
de fronteira estável conseguiram fixar um dos Estados mais
velhos da Europa.
A Natureza criou a diferenciação e as várias civilizações que
passaram ou se instalaram na Península moldaram os espaços.
Apesar da escassez de fontes, parece poder afirmar-se que os
concheiros mesolíticos da Estremadura – o de Muge, no vale
do Baixo Tejo, é um dos mais importantes e conhecidos sítios
pré-históricos de Portugal – do Alentejo e do Algarve
identificam permanências sazonais de grupos colectores
de mariscos; que desde o Neolítico se encontram jazidas que
tornam possível a visão de um povoamento sedentário,
atestado pela ‘abundância e variedade’ de cerâmica e de
monumentos funerários que, no Noroeste, alcançam altitudes
semelhantes às do povoamento actual e onde, nos ‘mais
modernos’ aparecem já instrumentos de cobre; e que
“comunidades do Bronze Final – uns mil anos a.C. –
no extremo ocidental da Península Ibérica” se relacionaram
com outras comunidades da Bretanha e das Ilhas Britânicas,
enquanto, a Sul, existiria “um importante comércio ligado
à bacia do Mediterrâneo” (Carlos Fabião). São ainda formas
muito rudimentares de organização, mas que, no decorrer
do tempo, evoluem em relação profunda com a natureza
envolvente: em relevos ásperos e retalhados, propícios
ao isolamento e à autodependência, desenvolve-se uma
‘civilização castreja’ de pequenos agrupamentos harmónicos,
relativamente organizados, fechados em povoações
fortificadas, mas sem coesão política entre si; delas desceriam,
temporariamente, para áreas de mais fácil acesso, junto a
cursos de água com espaços agricultáveis, construindo abrigos
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 82
sem ‘preocupações defensivas’ e ‘com carácter mais precário’,
onde viriam cultivar e apascentar gado. Poder-se-á pensar que
sejam longínquos antepassados das brandas e inverneiras
do noroeste do País perfeitamente vivas ainda em fins
do século XX?
Povos vindos do Mediterrâneo Oriental foram estabelecendo
feitorias no litoral Leste e Sul da Península Ibérica e
“entabularam relações com os indígenas, exploraram ou
incrementaram a exploração das riquezas minerais”;
organizaram um território em volta da ‘sua’ cidade-porto, não
se estendendo muito para o interior.
Umas e outras destas civilizações em breve iriam ser
confrontadas com povos de organização superior: e estes já
deixaram marcas de tal forma fortes que ainda hoje é possível
detectá-las, embora quase sempre através de informações
indirectas. É o caso dos Celtas, oriundos do centro da Europa
que penetraram na Península, possivelmente através da
Aquitânia francesa, e se terão ‘misturado’ com os povos que no
Centro-Sul da Península desenvolveram a mais brilhante
civilização pré-romana: os Iberos.
A Romanização (séculos II e I a.C.) é a primeira acção
civilizacional que se manifestou em todo o espaço que
constitui hoje o território português, originando uma forte
transformação das paisagens e dos modos de viver: as
povoações alcandoradas e fortificadas foram, na sua maior
parte, abandonadas, mais ou menos compulsivamente,
‘transferindo-se’ a população para as terras baixas; uma
economia de montanha, rústica, foi sendo substituída por uma
economia baseada em áreas cultivadas, com solos remexidos
por arados de madeira, divididas em unidades agrárias com
limites fixados pela necessidade de tributação; caminhos
calcetados (estradas romanas e caminhos velhos, cujos
vestígios prevaleceram até aos nossos dias) iam ligando não só
entre si as principais cidades existentes – e outras que se iam
construindo no ocidente do Império Romano, de então – cuja
população diversificava os modos de vida, enriquecendo com
o comércio e circulação das diversas produções; por outro
lado, a construção e a evolução do Império viviam das ligações
regionais pelo que as cidades do Ocidente não eram estranhas
às restantes da Península. “O território português encontrava-se
então incorporado num conjunto político e comercial de cariz
mediterrâneo” (Orlando Ribeiro). Contudo, foi neste
longínquo canto ocidental da Península que, pela distância aos
principais centros, as marcas do Império Romano foram
menos grandiosas...
As Invasões Germânicas que se lhes seguiram, e das quais as
mais importantes foram a sueva e a visigótica, não trouxeram
modificações essenciais à organização românica, bem marcada
no espaço pela supremacia das cidades, que entretanto ia
esmorecendo – e com ela a estrutura administrativa
centralizada.
Os Mouros (populações várias, essencialmente vindas do
Norte de África, com forte percentagem de berbéres)
atravessaram o estreito de Gibraltar em 711 e tão rapidamente
subiram pelas terras peninsulares que, em 716, após a
conquista da Catalunha e ‘negociações constantes’ com vários
representantes do reino visigótico, em decadência, estava
completada a ocupação da Península. Deram a esta – em
especial no Sul – contribuição tão importante e persistente
como os Romanos; e, pela posição periférica de Portugal, uma
vez mais, não se formaram no nosso território, ao contrário do
que se passou em Espanha, grandes potentados políticos, nem
se erigiram imponentes obras de arte – a única mesquita é a de
Mértola; nas cidades (mais no Sul do que no Norte) só
algumas muralhas dos castelos que as defendiam, o traçado
tortuoso das ruelas e algumas paredes cegas recordam esta
influência, que, todavia, foi muito intensa na vida rural:
introduziram e melhoraram sistemas de rega, numerosas
árvores de fruto, plantas várias, comestíveis ou de interesse
‘industrial’, e técnicas de transformação de numerosos
produtos agrícolas. Restam nomes de origem árabe,
ou arabizados, mormente em numerosos lugares, e palavras
relativas à vida rural, ao passo que a norte do Douro,
as equivalentes designações romanas ou pré-romanas não
foram modificadas.
Durante a Reconquista, para além de conquistas e
reconquistas de terras entre cristãos e muçulmanos (mouros),
parece lícito pensar-se numa continuidade de povoamento
e de organização do espaço vinda bem de trás, embora
em épocas de maior conflito as populações se vissem
constrangidas a refugiarem-se, temporariamente, em lugares
mais seguros – castros e matas espessas – e a reforçarem laços
comunitários. Esta situação foi alterada “com o
estabelecimento dos condes, delegados dos reis de Oviedo
e de Leão” que “preferiram, decerto, criar fortalezas com
funções (...) de assegurarem a vigilância dos povoados
do respectivo território (...) e garantirem a submissão
dos habitantes da vizinhança” (José Mattoso), entretanto
regressados, na área que lhes fora confiada. Estabeleceu-se,
assim, uma rede de fortalezas que “reforçava a supremacia do
senhor”, o qual, para além de senhor da guerra, estava também
investido em funções administrativas e judiciais;
estas fortalezas vieram, mais tarde, a constituir povoações
muralhadas, onde, sempre que necessário, as populações
vizinhas se refugiavam.
Por certo, esta rede não cobria toda a superfície do território;
ATLAS DE PORTUGAL IGP 83
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 83
neste lento processo de repovoamento haveria espaços onde
permaneceram comunidades que, mais ou menos isoladas,
estabeleceram e fortaleceram laços entre si – seriam
agrupamentos de “homens livres, com jurisdição sobre
territórios equivalentes às antigas paróquias suevas (...) com
prevalência para os vínculos de parentesco” (Carlos Fabião)
e que, tantas vezes, por infortúnio da sorte, se viam obrigados
a submeter as suas vidas e as suas terra aos ‘senhores’ – quer
guerreiros, quer eclesiásticos; uns e outros, aumentavam,
assim, o seu poderio territorial. Para além da organização
militar-administrativa, também a organização eclesiástica,
“ascendendo aos tempos suevos e visigodos e apoiando-se nos
antigos bispados”, representou uma forma de organização
territorial que chega até aos nossos dias. E não se pode
esquecer o poder e a importância, mais tarde, das Ordens
Militares ao dilatarem, principalmente ao longo e ao Sul do
Tejo, o povoamento e a agricultura em vastíssimas extensões,
que viriam a integrar o território nacional.
A progressiva diferenciação cultural dos povos também
marcou o território português, pelo menos até meados do
século passado. Só alguns exemplos. Uma muito maior
religiosidade a norte do Tejo contrastando com o maior peso
de ‘não religiosidade’ observada em todo o Sul; as ‘casas de
brasileiro’, testemunho da vivência num mundo diferente – o
Brasil – , para onde uma forte densidade de população, aliada a
insuficientes recursos materiais, obrigou, no Norte, à saída de
milhares de pessoas, pelo menos desde o último quartel do
século XIX até meados do seguinte; no Sul, uma população que
sempre foi mais rarefeita do que em qualquer outra área do
País, era amplamente acrescida com a fixação de ‘gente de
fóra’, de áreas do interior, que para aí se deslocava em
trabalhos sazonais de campo, acabando por se integrar.
Assim, Portugal Continental foi-se forjando num território
fisicamente muito diversificado, onde muitos povos, com
diferentes capacidades e culturas, se acomodaram, embora
a sua ocupação conhecesse sucessos vários; os portugueses
foram (e somos) os seus continuadores na modelação de uma
terra que só aparentemente é una; as diversidades
contribuíram para as múltiplas singularidades regionais e locais
que chegaram até muito perto do nosso tempo, ao fim de
quase nove séculos de continuidade... Esta permanência está
estreitamente ligada à presença do mar-oceano. Mar imenso
e rude que moldou, afinal, um País e um povo que dele
sempre dependeu, mesmo quando o ignorou.
O Atlântico, ao longo da História geológica, oscilou entre
níveis altos e baixos e por isso retalhou plataformas litorais
e provocou o encaixe e a colmatagem da parte terminal de
alguns dos rios que irrigam a Península; e estes acidentes têm
forte impacte na ocupação do território. As plataformas, por
serem quase sempre varridas por ventos fortes, secos no Sul,
húmidos no Norte, e terem solos esqueléticos ou muito
pobres: humidade e solo condicionam a vegetação natural
e influenciam a gama possível de culturas. Os rios, quando
muito encaixados, dificultam as ligações entre margens; na
desembocadura, colmatam com rapidez e tornam difícil –
quando não impossibilitam por completo – a passagem para
o mar, via de comunicação de cabotagem usual até há muito
pouco tempo entre povoações costeiras; com mais graves
consequências, levaram ao fecho de numerosos portos,
importantes no tempo das Descobertas, que, por falta de águas
profundas, ficaram inutilizados para base de navios de maior
calado. Além disso, se repararmos na posição das povoações
que se desenvolveram em margens fluviais e em vertentes
montanhosas, verifica-se que a maior parte se situa na margem
direita, a menos escarpada pelos efeitos erosivos, a vertente
soalheira, a mais ocupada nas nossas latitudes.
As povoações são sempre atraídas pela água, quer fluvial quer
do mar; em Portugal, qualquer análise de povoamento mostra
que o apelo do Oceano foi sempre marcante; nos nossos dias,
quatro quintos da população vivem a menos de 50km da
costa, deixando atrás uma terra rarefeita de homens e de
actividades. Esses milhões de portugueses, tão junto do
Oceano, vivem em áreas urbanas, aldeias cada vez mais vilas,
vilas cada vez mais cidades.
Todo o agrupamento humano cria o seu ambiente local que
interfere com o ambiente envolvente através de uma rede de
relações físicas e mentais que contribuem para valorizar o
território. A cultura local, em geral, funciona como um factor
de resistência a qualquer mudança mesmo que, no fundo,
introduza melhorias. As transformações podem ser lentas,
aparentemente insensíveis à escala humana ou mais rápidas,
às vezes bruscas; no último meio século houve, por todo
o mundo, modificações importantes.
Uma transformação espectacular verifica-se no domínio das
cidades, quer na sua dimensão, quer nas suas funções;
as cidades dominam e estruturam o espaço; tanto mais e tão
mais longe quanto maior o seu poder demográfico, funcional
e político; sempre organizaram a área envolvente, com
expressões diversas, e absorveram espaço em seu proveito.
A maioria das cidades ‘tradicionais’ portuguesas era de tipo
administrativo ou militar-administrativo; estas funcionalidades
fizeram a diferença entre as pequenas cidades e as vilas que se
tornaram importantes pela valorização dos terrenos agrícolas e
agro-pastoris à sua volta, as quais, tantas vezes, evoluíram para
um complemento manufactureiro. Assim se formaram e
viveram, praticamente até à última década do século XX,
centros urbanos desligados entre si, mantendo relações
privilegiadas com as capitais de distrito, aos quais se juntaram
alguns outros com perfil histórico ou defensivo, sendo hoje
bem mais reconhecidos no apelo ao turismo. Nos fins do
século XIX, pela emergência do caminho-de-ferro que, a pouco
e pouco, os ia interligando configura-se uma malha urbana
84 ATLAS DE PORTUGAL IGP
TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 84
que ainda subsiste em nossos dias como uma das mais
consistentes, ainda que perturbada pelo sistema rodoviário
que, entretanto, se lhe tem vindo a sobrepor. As cidades,
enriquecidas pela multiplicidade de acessos, desenvolvem-se
funcionalmente: primeiro pelas indústrias, mais tarde pelos
serviços, alguns dos quais com especial importância na fixação
da população e sua maior ‘abertura’, como é o caso da
introdução do ensino superior. A revitalização proporcionada e
a possibilidade de fixação de mais população com maior nível
de conhecimentos é reforçada pelo desenvolvimento dos
modernos meios de comunicação; há jovens casais a trabalhar
e a viver permanentemente no meio do Alentejo, como em
Trás-os-Montes... opção de vida separada das raízes familiares,
por aí terem encontrado um meio agradável: mantêm-se
ligados ao ‘mundo mais próximo’ pelo automóvel, sempre
à mão – e também por bons meios de transporte ferro e
rodoviários – e ao ‘mundo distante’ pela variedade de
telecomunicações disponíveis.
Os núcleos urbanos não são só organizadores de espaço,
delineando o seu crescimento, mas também de funções; e se,
em Portugal, a Indústria raramente teve impacte primordial,
não a podemos menosprezar, nomeadamente no noroeste e seu
prolongamento litorâneo até Coimbra, e em alguns nichos de
certa importância como na área de Leiria e no Algarve;
é essencialmente manufactureira, muitas vezes resultante de
uma longa evolução cuja origem se perde nos tempos. Mas há
pelo menos duas excepções a esta difusa implantação espacial,
que se basearam na indústria pesada: uma, contornando o
‘Mar da Palha’ (ou seja, o interior do estuário do Tejo) pelo
sul, florescente ao longo de umas três décadas, mas extinta
há quase um quarto de século, e da qual dependeram alguns
milhares de habitantes, tendo atraído muita população
principalmente do Alentejo; outra, mais recente, localizada
em Sines, porto de águas profundas, destinado a ser uma
ampla plataforma europeia de matérias-primas para
a indústria petroquímica.
O seu conturbado desenvolvimento nunca permitiu
concretizar os objectivos propostos: a cidade de Santo
André, construída de raiz para abrigar os 100 000 habitantes
que se previa serem indispensáveis ao funcionamento
daquele pólo industrial, ficou muito aquém do intento
(tal como o próprio projecto industrial) e muitos dos bairros
construídos só muito mais tarde foram habitados; e, hoje,
a população residente nem está maioritariamente ligada
às indústrias aí localizadas.
Ainda mais recentemente, depois de abandonada a ideia dos
grandes projectos industriais, sem sucesso garantido, as cidades
voltam a preocupar-se em atrair actividades, oferecendo boas
condições em espaços especialmente infra-estruturados: Évora,
Almada, Aveiro, são bons exemplos. Noutros casos, a oferta de
condições atraentes encontra-se nos ‘serviços’: Lisboa, Aveiro,
Oeiras, são exemplos bem marcantes nesta opção
de desenvolvimento.
Outro aspecto da organização espacial das cidades diz
respeito ao mundo rural envolvente. A repartição regional
e local das culturas, das espécies florestais e dos efectivos
pecuários, está muito directamente dependente de factores
climáticos e pedológicos, mas é altamente influenciada por
factores de natureza socioeconómica; ao lado de áreas
de agricultura tecnicamente atrasada podem encontrar-se
‘explorações dinâmicas e eficientes’. É esta uma característica
bem marcante no Portugal de hoje, onde o ‘velho’ mundo
rural, quer no Continente, quer nas Ilhas, se transforma
rapidamente.
O espaço, não nos podemos esquecer, é cada vez mais
tridimensional – aprofunda-se à medida que se escavam
minas, abrem poços de petróleo, se multiplicam túneis para
passagem de vias de comunicação; eleva-se com o aumento
da altura dos arranha-céus e da circulação aérea, cada vez
mais intensa e atingindo maior altitude, mesmo sem falar na
já activa, embora incipiente, exploração planetária... E tudo
interligado por redes de telecomunicações cada vez mais
potentes e eficazes. Neste Mundo ‘emaranhado’, as tomadas
de decisões são cada vez mais difíceis e complexas; se,
antigamente, as organizações territoriais eram relativamente
autónomas e independentes, desde há séculos que tal
é impensável; hoje, pela evolução das técnicas de
comunicação, qualquer lugar fica exposto ao efeito de
decisões tomadas a milhares de quilómetros de distância,
às vezes, infelizmente, com franco desconhecimento das
características a ele específicas. Por isso, para quem procure
conceber uma melhor organização da sociedade, torna-se
indispensável compreender o mundo, conhecer a fundo
os seus vários aspectos, notoriamente a sua História e
Geografia, não só nas generalidades como, em especial,
nos desenvolvimentos sociais e económicos, porque,
se certos factos da Geografia podem explicar a repartição
de riquezas, genericamente falando é através da História
e da evolução das técnicas que elas podem ser valorizadas.
Desta simbiose, construída ao longo do tempo, resultam
particularismos regionais que permitem, por exemplo, em
Portugal, que um simples passeante distinga as terras mimosas
e frescas do Baixo Minho, das agrestes serras que se lhe
justapõem ou das extensas áreas aplanadas e secas do Alentejo;
ou a expandida e difusa cidade do Funchal, de qualquer uma
das dos Açores, muito mais compactas e ‘arrumadas’.
Diga-se, por fim, que qualquer espaço deverá ser organizado
de forma a suprir as necessidades da comunidade num dado
momento da sua vida social; e que tal organização tem de
respeitar as indicações da Natureza e ser servida pelas técnicas
disponíveis, que a ela se devem ajustar de modo a manter
um equilíbrio entre o natural e o humanizado.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 85
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 85
OS HOMENS E O MEIO
Portugal, nas últimas décadas, sofreu rápidas e profundas modificações que alteraram o seu perfil
demográfico ‘clássico’, aproximando-o do modelo europeu. À semelhança de outros Estados-Membros da
União Europeia (UE), a população residente em Portugal apresenta taxas de crescimento reduzidas,
estrutura etária envelhecida, baixos níveis de fecundidade e de mortalidade infantil e um progressivo
acréscimo de estrangeiros, que tornam o saldo migratório na principal componente da dinâmica
populacional. Por isso, do ponto de vista demográfico, é um país diferente daquele que era há pouco mais
de trinta anos, sendo surpreendente a velocidade com que se deu a mudança.
Em 2001, o número de habitantes era de 10 356 000, dos quais 5 000 000 homens (48%) e 5 356 000
mulheres (52%). Portugal ocupa a 9.ª posição entre os países mais povoados da UE, sensivelmente
a par da Bélgica e República Checa, mas apenas a 74.ª a nível mundial.
Dulce Pimentel
A POPULAÇÃO
Evolução recente
Entre o início e o fim do século XX a população de Por-
tugal duplicou, mas o ritmo de crescimento foi muito variá-
vel. Embora a tendência geral seja para o crescimento efec-
tivo da população, na década de 60, em virtude de saldos
migratórios negativos, a população diminuiu (3%); na déca-
da seguinte voltou a aumentar de forma significativa (cerca
de 14%), fruto de saldos migratórios muito elevados entre
1974 e 1976, em resultado da descolonização; nos anos 80
praticamente estagnou (0,4%) e nos anos 90 verificou-se um
novo acréscimo (5%).
Uma distribuição desigual
Em 2001, a densidade populacional era de 112hab/km2,
valor muito próximo da média da UE-25 (114hab/km2), mas
a repartição da população no terrritório português é muito
desigual: as densidades populacionais mais elevadas encon-
tram-se na faixa litoral Oeste até ao Sado e na orla algarvia,
enquanto no interior e, em particular no Alentejo, as densida-
des são muitas vezes inferiores a 20hab/km2.
Os contrastes regionais são ainda bem marcados, perpetuan-
do as diferenças existentes desde o início da nacionalidade.
No passado, a ‘divisão’ fundamental no Continente corres-
pondia ao curso do rio Tejo, que separava um Portugal densa-
mente povoado das terras montanhosas, húmidas, dominadas
População residente em Portugal, 1900/2001
Milhares
Mortalidade elevada
e emigração
Crescimento
natural forte
Fluxos
emigratórios
elevados
Regresso
ex-colónias
e da Europa
Imigração
0
1 100
2 200
3 300
4 400
5 500
6 600
7 700
8 800
9 900
11 000
20011991198119701960195019401930192019111900
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 86
OS HOMENS E O MEIO
A população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 87
pela influência do oceano – o Noroeste, e até os planaltos de
Nordeste –, de um Portugal quase vazio nas regiões secas,
quentes e planas, de características mediterrâneas – o Sul. Nas
últimas décadas é, contudo, mais evidente o contraste entre a
fachada atlântica e as terras do interior, acentuando-se a con-
centração populacional nas áreas metropolitanas de Lisboa e
do Porto.
Em 2001, mais de um quarto (25,7%) dos residentes con-
centra-se na região de Lisboa, relação que era somente de um
sexto no início da década de 60. Nas áreas metropolitanas de
Lisboa e do Porto reside 39% da população do País e a sua
importância demográfica tem vindo a acentuar-se nos últi-
mos quarenta anos.
O Algarve foi a região que registou o maior aumento
populacional no período 1991/2001, mais do triplo da média
nacional, enquanto o Alentejo e a Madeira perderam popula-
ção, 0,7% e 3,3% respectivamente; nos Açores a evolução
demográfica foi nesse período ligeiramente positiva (1,7%).
No Continente, quando se aumenta a escala de análise tor-
nam-se mais evidentes as assimetrias litoral/interior. As maio-
res taxas de crescimento demográfico registaram-se quase
sempre nos concelhos do litoral, com destaque para as áreas
Densidade populacional, 2001
hab/km2
35 000
1 000
500
200
100
Média nacional: 112hab/km2
Média do Continente: 111hab/km2
Média dos Açores: 104hab/km2
Média da Madeira: 312hab/km2
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 87
88 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Distribuição da população no Continente, 1940
Reconstruído com base no mapa da distribuição
da população em Portugal, realizado
no Centro de Estudos Geográficos da F. L. L.
OS HOMENS E O MEIO
A população
Rede hidrográfica principal em 2004
500 habitantes
Lisboa (cidade): 694 389 habitantes
Porto (cidade): 258 548 habitantes
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 88
ATLAS DE PORTUGAL IGP 89
Distribuição da população, 2001
OS HOMENS E O MEIO
A população
Rede hidrográfica principal
500 habitantes
Lisboa (cidade): 564 657 habitantes
Porto (cidade): 263 131 habitantes
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 89
90 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ano de máximo populacional
OS HOMENS E O MEIO
A população
metropolitanas de Lisboa e do Porto, enquanto a maioria dos
concelhos do interior perderam habitantes. No interior, assis-
te-se, no entanto, à confirmação da capacidade polarizadora dos
centros urbanos de maior dimensão. Os investimentos realiza-
dos em parques industriais, pólos universitários, melhoria das
acessibilidades e na cultura e lazer, têm contribuído para o cres-
cimento das cidades, mas teme-se que estas permaneçam como
‘ilhas’ incapazes de dinamizar as vastas áreas despovoadas que as
envolvem.
As Regiões Autónomas, no conjunto dos dois arquipéla-
gos, representam apenas cerca de 5% da população residente
em Portugal.
Nos Açores, em cada uma das nove ilhas, a ocupação é mui-
to desigual, desde o estilo do povoamento até à densidade da
população. Os casos extremos encontram-se no Corvo, onde a
sua única povoação, outrora bem aglomerada, faz lembrar as
pequenas aldeias serranas de Trás-os-Montes, mas à beira-mar,
e em São Miguel, onde há ainda poucas dezenas de anos se
encontrava o povoamento mais estritamente alinhado de todo o
arquipélago. Esta ilha, para além desta característica, que se vai
perdendo, é, também, a maior e a de maior diversidade de uti-
lização do território açoriano: detinha, aquando o último recen-
seamento, em 2001, 54% da população em 33% da superfície,
contrastando com a ilha mais pequena, o Corvo, com 0,7% da
Ano do Censo
2001
1991
1981
1970
1960
1950
1940
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 90
OS HOMENS E O MEIO
A população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 91
População residente, 1900/2001
Anos Portugal Continente Açores Madeira
1900 5 446 760 5 039 744 256 673 150 343
1911 5 999 146 5 586 053 243 002 170 091
1920 5 080 135 5 668 232 231 543 180 360
1930 5 802 429 6 334 507 255 464 212 458
1940 7 755 423 7 218 882 287 091 249 450
1950 8 510 240 7 921 913 318 558 269 769
1960 8 889 392 8 292 975 327 480 268 937
1970 8 663 252 8 123 310 286 989 252 953
1981 9 833 014 9 336 760 243 410 252 844
1991 9 867 147 9 375 926 237 795 253 426
2001 10 356 117 9 869 343 241 763 245 011
Variação da população residente, 1950/2001
1950/60 1960/70 1970/81 1981/91 1991/01
Portugal 4,5 -2,5 13,5 0,3 5,0
Continente 4,7 -2,0 14,9 0,4 5,3
Açores 2,8 -12,4 -15,2 -2,3 1,7
Madeira -0,3 -5,9 0,0 0,2 -3,3
Evolução da população, 1981/2001
Perfil da evolução
1981 1991 2001
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 91
área e 425 habitantes, ou seja, 0,17% do total de residentes no
Arquipélago, cuja densidade média é de 104hab/km2.
No arquipélago da Madeira, só a ilha do mesmo nome e a
do Porto Santo são habitadas; os três altos rochedos basálticos
que saem abruptamente do Oceano, as Desertas, e as três
pequenas superfícies quase ao rés da água, as Selvagens (Gran-
de, Pequena e Ilhéu de Fora), são, uns e outras, importantes
reservas ecológicas, só visitadas para estudo e, cada vez menos,
por um ou outro pescador ou caçador que aí se aventure. A ilha
da Madeira é a maior e a mais populosa do arquipélago:
745km2 de superfície, 241 000 habitantes em 2001, ao passo
que Porto Santo, em 40km2, detinha, na mesma data, cerca de
4 500 habitantes, localizados praticamente na vila e ao longo do
litoral Sul, hoje dedicado ao turismo, outrora a uma magra
agricultura de subsistência e a importante vinicultura.
A dissimetria na distribuição da população na ilha principal
é enorme e vem de longa data: já em meados do século passa-
do, 80% dos habitantes se dispersavam pela encosta Sul; hoje
só a cidade do Funchal abriga 40% da população da Ilha (no
concelho que detém a capital habita metade dos residentes).
OS HOMENS E O MEIO
A população
92 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Crescimento efectivo da população, 1991/2001 Crescimento natural, 1991/2001
Crescimento migratório, 1991/2001
%
50
10
5
0
-5
-10
%
11
5
0
-5
-10
%
37
10
5
0
-5
-10
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 92
Baixos níveis de natalidade
e fortes saldos migratórios
A dinâmica global da população resulta da conjugação de
duas componentes: a natural e a migratória. Nas últimas
décadas, o seu contributo foi desigual tanto a nível nacional
como regional.
Na origem dos reduzidos saldos naturais está a forte que-
bra observada no número de nascimentos (213 900 em 1960,
152 100 em 1991 e 114 500 em 2002), já que os níveis de
mortalidade se mantiveram estáveis em torno dos 100 000
óbitos anuais. O índice de fecundidade (número médio de
filhos por mulher) está hoje estabilizado em 1,5, nível inferior
ao necessário para assegurar a substituição de gerações (2,1) e
um dos mais baixos entre os países europeus. Nascem menos
crianças, mas a melhoria dos cuidados de saúde permitiu uma
evolução muito positiva das taxas de mortalidade infantil (de
22,2 ‰ em 1981 para 4,1 ‰ em 2003).
Esta evolução tem-se reflectido em ganhos consideráveis
na esperança de vida. No ínício dos anos 60, os homens
viviam em média 60 anos enquanto as mulheres não iam
além dos 66 anos, hoje a esperança de vida à nascença chega
aos 74 anos para o sexo masculino e ultrapassa os 80 para o
feminino.
Um envelhecimento progressivo
O aspecto mais marcante da situação demográfica portugue-
sa reside no envelhecimento da sua população. Apesar dos níveis
não atingirem os de outras regiões europeias, a redução no
número de jovens e o aumento do número de idosos deu-se em
Portugal de modo relativamente rápido. Em 2001, pela primeira
vez, o número de idosos (população com mais de 64 anos) foi
superior ao número de jovens (menos de 15 anos), 1 708 000 e
1 640 000, respectivamente. Entre 1991 e 2001 deu-se uma
diminuição de 16% no número de jovens e um acréscimo de
26% no de idosos.
Também a população em idade activa envelheceu mostran-
do no período de 1991 a 2001 duas tendências distintas: o gru-
po mais jovem (até 25 anos) diminuiu 8%, reflectindo o declí-
nio da natalidade iniciado na década de 80; por seu turno,
outros grupos registam aumentos (13,2% no grupo 25-44 anos
e 10,2% no de 45-64 anos) que acompanham a evolução dos
mais idosos; significativo é também o aumento destes: enquan-
to a população com 80 ou mais anos constituía em 2001 cerca
de 21% da população ‘senior’, a proporção dos mais de 85 anos
chegava a 9%, mas sendo de 11% para as mulheres, o que tra-
duz a sua maior esperança de vida.
O fenómeno do envelhecimento demográfico tem vindo a
acentuar-se. No início dos anos 60 os níveis de natalidade
eram elevados, representando os jovens quase 30% do total da
população. Ao nível europeu, Portugal apresentava uma
estrutura relativamente jovem, mas hoje é um dos países que
regista uma menor proporção de jovens. Por seu turno, o gru-
po de idosos mais que duplicou desde 1960, situando-se
actualmente próximo da média europeia; e com ele aumen-
tou também o índice de dependência total.
No início do século XXI a população é essencialmente
composta por adultos e pessoas idosas, o que tem inevitáveis
consequências tanto do ponto de vista demográfico, como
económico e social. O envelhecimento afecta todas as regiões,
mas é mais pronunciado quando se combinam fracos níveis
de fecundidade com saldos migratórios negativos. No Conti-
nente são ainda os concelhos do interior que apresentam
níveis de envelhecimento mais elevados, chegando a atingir 4
idosos por cada jovem. O Norte mantém a posição de região
mais jovem do Continente: 17,5% de jovens e 14% de idosos,
mas as populações dos dois arquipélagos são as mais jovens do
País – 21,4% da população açoriana tem menos de 15 anos e
apenas 13% tem mais de 64 anos, enquanto na Madeira, cer-
ca de um quinto da população tem menos de 15 anos e 14%
tem mais de 64 anos. Em consequência detêm os mais baixos
índices de envelhecimento: os Açores, 62, e a Madeira, 71,
quando em 2001 a média nacional foi de 104.
A emergência de novos comportamentos
O número de famílias aumentou nos últimos quarenta
anos em Portugal a ritmos ainda mais elevados que os do
crescimento demográfico. Neste período ocorreram grandes
transformações: a fecundidade é hoje metade do que era no
início dos anos 60, a esperança de vida teve ganhos na ordem
dos 12 anos e o número de divórcios tem vindo sempre a
aumentar, alterações que ocorreram num contexto de pro-
fundas mudanças sociais.
Em 2001 foram recenseadas cerca de 3 651 000 famílias, o
que representou um acréscimo de 16% em relação a 1991,
enquanto a população cresceu apenas 5%. Ao aumento do
número de famílias tem correspondido uma redução no
número de membros que as compõem (cerca de 4 pessoas em
1960 e menos de 3 pessoas em 2001). Esta tendência também
se verifica ao nível regional, embora nos Açores, na Madeira
e na região Norte, no Continente, o número de membros se
situe acima da média nacional.
Apesar do decréscimo da dimensão média, as famílias por-
tuguesas continuam a ser das mais numerosas na União
Europeia, cuja média é de 2,4 pessoas por família; este indica-
dor reflecte o peso que tradicionalmente as famílias numero-
sas tinham nos países do Sul da Europa.
O aumento do número de famílias evidencia uma altera-
ção na sua estrutura. Entre 1960 e 2001, a proporção de pes-
soas a viver só passou de 10,7% para 17,3%. Ao mesmo tem-
po decresce a proporção de famílias com 5 ou mais pessoas:
OS HOMENS E O MEIO
A população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 93
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 93
MulheresHomens
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2014*
* estimativa
Milhares Saldo migratórioSaldo natural
1991
2001
1981
1991
1970
1981
1960
1970
1950
1960
1940
1950
1930
1940
1920
1930
1911
1920
1900
1911
-1 500
-900
-300
300
900
1 500
‰ Anos
Mortalidade Infantil
Taxa de Natalidade
Taxa de Mortalidade
0
20
40
60
80
100
2003200019951990198519801975197019651960
94 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Taxas de natalidade, mortalidade
e mortalidade infantil, 1960/2003
Esperança de vida à nascençaSaldo natural e saldo migratório
29,1% em 1960, apenas 9,5% em 2001. Paralelamente à dimi-
nuição das famílias numerosas, aumenta o número de famí-
lias monoparentais (9,2% do total em 1991, 11,5% em 2001),
sendo a grande maioria (86,4%) do tipo ‘mãe com filhos’.
Hoje somente 19% dos agregados familiares é composto por
um casal com crianças; cerca de 9% de pessoas idosas vivem
sós. A esta situação estão associados factores como o declínio
da fecundidade, o retardar da idade no nascimento do primei-
ro filho e o aumento da esperança média de vida. Apesar da
rápida mudança, os laços intergeracionais mantêm-se fortes e
a família continua a ser, para a maioria dos portugueses, um
símbolo de felicidade e a principal base de confiança.
Educação
O sector educativo foi um dos que mais reflectiu as
mudanças demográficas, económicas e sociais das últimas
décadas em Portugal. O nível de escolarização dos mais
jovens é quase de 100%, a taxa de anafabetismo está finalmen-
te abaixo dos dois dígitos (9‰ em 2001) e o ensino superior
duplicou ao longo da década de 90.
Devido à quebra da natalidade, o número de alunos no
ensino básico tem vindo a diminuir: entre 1980 e 2000, a
redução foi de cerca de 400 000 alunos apenas no 1.º ciclo e
representou, só na década de 90, uma perda de 20% no total.
Em contrapartida, o 3.º ciclo registou, pela entrada em vigor
da escolaridade obrigatória de 9 anos, em 1986, um acréscimo
significativo no número de alunos matriculados nos anos 80,
sendo de assinalar um decréscimo na década seguinte. O
aumento do número de alunos no secundário, de certo modo
atenuou as perdas nos outros níveis de ensino. No entanto,
razões demográficas voltam a estar na origem da inflexão
observada a partir de meados da década de 90. Entre 1991 e
2003 foram encerradas 371 escolas do 2.º e 3.º ciclos e do
ensino secundário, para além das 881 do ensino básico media-
tizado extintas no mesmo período, devido à reorganização da
rede escolar e a extinção das designadas ‘tele-escolas’. Entre-
tanto foram criadas 79 escolas básicas integradas (24 das quais
com jardim de infância) que substituem algumas das que
Pirâmide de idades, 1960 e 2001
OS HOMENS E O MEIO
A população
População residente em Portugal por idades, em 2001
População residente em Portugal por idades, em 1960
0 20 00020 000 40 00040 000 60 00060 000 80 00080 000 0
100 ou +
95 anos
90 anos
85 anos
80 anos
75 anos
70 anos
65 anos
60 anos
55 anos
50 anos
45 anos
40 anos
35 anos
30 anos
25 anos
20 anos
15 anos
10 anos
5 anos
Até 1 ano
Mulheres
Total: 5 355 976
Total: 4 634 976
Homens
Total: 5 000 141
Total: 4 254 416
Esperança de vida à nascença: número médio de anos que uma pessoa poderá esperar viver, se as condições de mortalidade
observadas nesse momento se mantiverem ao longo da sua vida.
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 94
OS HOMENS E O MEIO
A população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 95
Índice de envelhecimento, 2001
tinham sido encerradas, e cuja distribuição não obedece a um
padrão geográfico homogéneo.
O maior crescimento no número de alunos deu-se no
ensino superior: entre 1990/91 e 2000/01 passou-se de cerca
de 200 000 para cerca de 400 000, em parte devido à oferta do
ensino particular e cooperativo.
Para o rápido crescimento do número de alunos, tanto no
secundário como no superior, muito contribuíram as mulheres.
Actualmente representam cerca de 60% dos estudantes no supe-
rior (apenas 29% em 1960) e são também maioritárias entre os
que concluem os estudos. O importante aumento do número de
diplomados não deve fazer esquecer que Portugal continua a
apresentar, no conjunto dos países da OCDE, uma das mais baixas
taxas de frequência do ensino superior de jovens entre os 19 e 24
anos (17% para as mulheres e 10% para os homens).
Apesar do investimento tardio no prolongamento da esco-
larização (apenas em 1986 se tornou obrigatória a escolaridade
Índice de dependência total, 2001
Estrutura das famílias segundo a dimensão média, 1960 e 2001Tendências de evolução dos alunos matriculados
(base 100=1990/91)
2001
% %
1960
5 ou mais
pessoas
4 pessoas 3 pessoas
2 pessoas
1 pessoa
5
10
15
20
25
30
N
0 25 50 km
%
100
80
70
50
Média nacional: 48
Média do Continente: 48
Média dos Açores: 51
Média da Madeira: 48
%
520
400
300
200
100
Média nacional: 104
Média do Continente: 107
Média dos Açores: 62
Média da Madeira: 71
Índice de envelhecimento: número de pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 pessoas com menos de 15 anos.
Índice de dependência total: número de pessoas em idade jovem (menos de 15 anos) e idosa (65 e + anos) por cada 100
pessoas em idade activa (15-64 anos).
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 95
OS HOMENS E O MEIO
A população
96 ATLAS DE PORTUGAL IGP
de 9 anos), Portugal é dos países da UE que dedica à educação
uma maior parcela do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2001,
a despesa pública em educação representou cerca de 6% do
PIB, valor que é ligeiramente superior à média da UE-15 e que
apenas foi ultrapassado pela Suécia, Finlândia e Bélgica.
O esforço continuado de investimento permitiu melhorar
o nível médio de qualificação dos portugueses. Entre 1991 e
2001 a proporção de pessoas com o ensino secundário quase
duplicou, enquanto os diplomados passaram de 5% para cer-
ca de 11%. Consequência da democratização no acesso aos
estudos, as gerações mais jovens têm vindo a alcançar níveis
de qualificação mais elevados que as gerações anteriores, no
entanto 60% dos portugueses em idade activa tem no máxi-
mo 6 anos de escolaridade.
As comparações internacionais são neste âmbito geralmen-
te desfavoráveis a Portugal. Em 2003, apenas 47% dos jovens
portugueses entre 20 e 24 anos tinham concluído pelo menos
o nível superior do ensino secundário, enquanto a média da
UE-15 era de 74%. É, no entanto, o país que registou o maior
crescimento nos últimos cinco anos, convergindo gradualmen-
te com os níveis de escolaridade dos outros Estados-membros.
Mas os problemas persistem, como nos recordam os
resultados do PISA 2000 (Programme for International Student
Assessment) realizado sob a égide da OCDE em cerca de 30 paí-
ses, a alunos de 15 anos. Os estudantes portugueses situam-se
abaixo da média tanto na compreensão da escrita como nas
matérias científicas. À fraca qualidade da aprendizagem junta-se
o abandono escolar. Segundo estatísticas do Eurostat, em 2003
a taxa de abandono escolar dos jovens dos 18 aos 24 anos, antes
ou logo após terem completado a escolaridade obrigatória, foi
de 41%, a mais elevada da UE, cuja média é de 18%. A situação
é tanto mais grave se atendermos ao facto de mais de um quar-
to destes jovens abandonar precocemente a escola, ou seja,
sem ter concluído o ensino básico.
Não restam dúvidas de que a educação constitui um fac-
tor determinante na construção de economias e sociedades do
conhecimento. Prosseguir os objectivos definidos na Estraté-
gia de Lisboa (2000) coloca a Portugal um duplo desafio: ter
que ultrapassar no espaço de uma década o atraso estrutural
num domínio tão sensível como a educação, promover a for-
mação ao longo da vida e, simultaneamente, não deixar agra-
var as clivagens regionais e entre grupos sociais.
Alunos no ensino público, por grau Despesa pública em educação
População segundo o nível
de ensino
1991 2001
% %
Sem nível de ensino 17,6 14,3
1º ciclo do ensino básico 43,8 35,1
2º ciclo 12,7 12,5
3º ciclo do ensino básico 10,9 10,9
Ensino secundário 8,7 15,7
Ensino médio 1,4 0,8
Ensino superior 4,9 10,7
Mulheres Homens
% %
Média OCDE 29 26
Alemanha 20 23
Espanha 39 32
França 37 32
Grécia 27 21
Irlanda 50 45
Itália 13 10
Portugal 17 10
Reino Unido 29 30
EUA 42 36
Japão 49 46
1991 2001
% %
6 anos de escolaridade 77,6 62,2
Ensino básico (9 anos escolaridade) 7,4 13,4
Ensino secundário 8,4 13,0
Ensino superior 6,6 11,4
População dos 25 aos 64 anos,
segundo a escolaridade
Jovens dos 19 aos 24 anos que
frequentam o ensino superior, 2002
Secundário
3º Ciclo 2º Ciclo
1º Ciclo
Superior 1980/81
1990/81
2000/01
300 000
450 000
150 000
600 000
750 000
900 000
0 1 2 3 4 5 6 7 8
UE-15
Portugal
UE-25
EUA
Japão
2000
1995
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 96
OS HOMENS E O MEIO
A população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 97
Escolas encerradas, 1991/2003 Escolas básicas integradas, criadas, 1991/2003
Escola Secundária
Escola Básica Integrada
Escola Básica do 2º e 3º Ciclos
com Ensino Secundário
Escola Básica do 2º e 3º Ciclos
Escola Básica do 1º e 2º Ciclos
N
0 25 50 km
Escola Básica Integrada
Escola Básica Integrada
com Jardim de Infância
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 97
OS HOMENS E O MEIO
98 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A emigração
No início do século XX e até 1914, o fluxo emigratório
essencialmente para o Brasil era muito grande, apresentando
um registo de 195 000 emigrantes só de 1911 a 1913. Nos
anos seguintes, em consequência das duas guerras mundiais e
da grave crise económica dos anos 30, a emigração sofre novo
decréscimo. É precisamente entre os anos 30 e meados dos
anos 40 que se regista o menor volume de emigrantes: 7 000
saídas anuais no período 1939/1945; foi o fim da fase transo-
ceânica que caracterizou a primeira metade do século XX, com
predomínio da emigração para o continente americano e em
especial para o Brasil, mas logo a seguir, com 26 000 saídas
anuais entre 1946 e 1955, inicia-se uma nova fase que deco-
rrerá até meados dos anos 70.
A Europa procura recompor-se dos danos causados pela
guerra, com o apoio financeiro dos Estados Unidos, através
do Plano Marshall. Com a formação do Mercado Comum,
atingem-se níveis elevados de crescimento económico, sen-
do as necessidades de mão-de-obra colmatadas com o
recrutamento de trabalhadores nos países do Sul da Euro-
pa: entre 1958 e 1973 foram emitidas 8 milhões de autori-
zações de trabalho. É nesse período que se registam os valo-
res mais elevados de emigração em Portugal: entre 1960 e
1974 terão emigrado mais de 1,5 milhão de portugueses, ou
seja, uma média de 100 000 saídas anuais, que só a crise
petrolífera de 1973 e consequente recessão económica veio
travar.
Até então, o movimento emigratório assume proporções
alarmantes, pois aos números oficiais há que acrescentar o
grande volume de saídas clandestinas. O máximo de emi-
grantes legais registou-se em 1966 (120 000), mas o record de
saídas foi alcançado em 1970 (173 300 emigrantes, dos quais
107 000 ilegais). Entre 1969 e 1973, período em que o movi-
mento de ‘clandestinos’ ganhou maior importância, 300 000
portugueses saíram ilegalmente do País, correspondendo a
54% do total de emigrantes.
Esta fase de intensa emigração para a Europa ocorreu
durante a guerra colonial e originou um decréscimo de 3% na
população entre 1960 e 1970. O principal destino foi a Fran-
ça, país que recebeu um terço (65 200) dos emigrantes na pri-
meira metade dos anos 60, 59% (264 000) durante a segunda
metade dessa década e 28% (81 000) no primeiro quinquénio
de 70. É precisamente nos primeiros anos de 70 que a Ale-
manha surge como destino preferencial dos emigrantes por-
tugueses (29% do total), estimando-se que em 1973 aí residi-
riam 100 000 portugueses.
A emigração intra-europeia alargou-se a todas as regiões
do território nacional, mas foi mais intensa nas áreas densa-
mente povoadas do Norte e Centro do Continente.
Desde finais dos anos 50, e sobretudo na década de 60,
foram também consideráveis os movimentos migratórios de
todos os territórios portugueses para as então colónias africa-
nas. É também neste período que a Venezuela se afirma como
destino da emigração portuguesa, em especial de madeirenses
(mais de 60% dos cerca de 400 000 residentes de origem por-
tuguesa), que também procuraram a África do Sul, onde hoje
residem cerca de 300 000 portugueses, maioritariamente
madeirenses. No continente americano, Estados Unidos e
Canadá não deixaram de exercer uma forte atracção, receben-
do sobretudo emigrantes açorianos.
Nos Açores, terra de emigração desde os mais recuados
tempos, o maior fenómeno emigratório moderno deu-se a par-
tir de 1957, aquando da erupção do vulcão dos Capelinhos, na
ilha do Faial: num gesto de solidariedade o Canadá ‘abriu’ a
imigração às vítimas do vulcão e, quase imediatamente, a todos
os açorianos. Houve freguesias que perderam metade e mais
dos seus habitantes, como na ilha das Flores; e, nas outras, se
bem que a proporção não tenha sido tão importante, foi gran-
de. Vejamos o exemplo da ilha de São Miguel, onde de 1957 a
1977 emigraram 107 131 pessoas, mais de metade das quais
para o Canadá e dois quintos para os Estados Unidos.
A abertura da imigração, como foi o caso do Canadá, ou a
sua reabertura após uns anos de dificuldades, como aconteceu
Dulce Pimentel
TERRA DE MIGRAÇÕES
A história da emigração portuguesa começa com a saída de colonos para se fixarem nas ilhas da Madeira
e dos Açores, logo após a sua ocupação definitiva em 1425 e 1427, respectivamente. Os cerca de 4,9
milhões de cidadãos portugueses ou de origem portuguesa que residem no estrangeiro constituem a prova
da importância que a emigração teve e continua a ter para Portugal. Ao longo de séculos, mas sobretudo no
século XX, os movimentos emigratórios sofreram alterações significativas de volume e de destinos, reflexo
do estado de desenvolvimento do País e da evolução do mercado internacional de trabalho.
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 98
OS HOMENS E O MEIO
Terra de migrações
ATLAS DE PORTUGAL IGP 99
A partir de meados dos anos 70 a emigração em Portugal
entra numa nova fase. Desde logo pela grande quebra verifi-
cada no número de saídas: entre 1974 e 1988 a emigração ofi-
cial cifrou-se em 230 000 saídas, o que corresponde a uma
média anual de, apenas, 15 000 emigrantes.
Paralelamente à contínua redução dos contingentes emigra-
tórios, apenas contrariada nos últimos anos da década de 80,
verifica-se uma maior diversificação dos destinos. Os portu-
gueses continuaram a partir para a Europa – França, Espanha,
Luxemburgo, Suíça e Alemanha, revitalizando redes já existen-
tes ou criando novos espaços de emigração – mas também para
os Estados Unidos e Canadá e outros destinos longínquos
como a Austrália, África do Sul e países do Médio Oriente.
Embora a emigração para alguns destinos, nomeadamente
os mais distantes, pressuponha o establecimento a longo pra-
zo, uma parte significativa dos emigrantes que saiu do Conti-
nente, nos anos 80, fê-lo com carácter temporário (43% do
total de saídas legais entre 1980 e 1988). O exemplo ‘francês’
é elucidativo: dos cerca de 42 000 emigrantes registados entre
1980 e 1988, 80% foram emigrantes temporários.
O decréscimo da emigração verificado nesta fase ficou a
dever-se a vários factores: por um lado, a crise económica
internacional de 1973 levou os principais países de imigração
na Europa – Alemanha (1973) e França (1974) – a adoptar
medidas restritivas à entrada de novos imigrantes e de incen-
tivo ao retorno aos países de origem, mas também a mudan-
ça de regime político em Portugal (1974) que conduziu ao
fim da guerra colonial e ao processo de independência das
colónias africanas.
A integração de Portugal na Comunidade Europeia, com as
necessidades do mercado internacional de trabalho, permitiu
que se criassem novas condições de mobilidade para os trabalha-
dores portugueses. Com efeito, a emigração não cessou. Entre
1992, data em que o Instituto Nacional de Estatística inicia a
com os Estados Unidos da América, trouxe grandes modifi-
cações de carácter socioeconómico ao Arquipélago: um ainda
maior desenvolvimento da criação de gado; a transformação
não só de muitos terrenos incultos, mas também de outros
ocupados com culturas alimentares e, até, industriais (em São
Miguel) para ‘construção’ de pastagens; o quase despovoa-
mento das freguesias mais afastadas dos maiores centros
populacionais (apesar de uma melhoria considerável nos
transportes e novos meios de comunicação) e uma conse-
quente ‘urbanização’ na maneira de estar na vida, a par do
desenvolvimento de actividades terciárias, principalmente
administração pública e construção civil.
Na Madeira, ilhas de grande densidade de população e
poucos recursos, não admira que a emigração tenha sido sem-
pre uma importante ‘válvula de escape’ para os seus habitan-
tes (de 1900 a 1974 o número de saídas legais elevou-se a
152 000, metade das quais no período 1955/1974); contudo, o
desenvolvimento turístico das últimas dezenas de anos fez
reduzir muitíssimo essa prática secular. E também fez alterar,
em muito, os modos de vida, pois uma população que em
meados do século passado ainda vivia principalmente dos tra-
balhos agrícolas e seus derivados, em 2001 só cerca de 6% da
população e 13% dos activos mantinha esta ocupação,
enquanto o sector dos serviços ocupava 66% dos activos, em
especial no turismo e na construção.
A composição dos fluxos emigratórios também se alterou:
inicialmente constituídos por mão-de-obra masculina, os
últimos anos da década de 60 revelam uma maior participação
feminina – 40% em 1966, 48% em 1967 e 54% em 1968 – e
uma maior proporção de jovens menores de 15 anos, valores
que evidenciam o processo de reagrupamento familiar em
curso nesse período. Em traços gerais, a maioria dos emigran-
tes era adulta, sobretudo homens com baixos níveis de esco-
laridade e de qualificação profissional.
Outros
Canadá
EUA
Suíça
R.Unido
França
Espanha
Alemanha58887
17252
84654
28760
71330
8573
4118
61731
Imigração
Emigração
Emigração clandestina
140 000
120 000
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0
1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000
40 000
35 000
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1994 199519931992 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
Emig. permanentes
Total
Emig. temporários
Evolução do fenómeno migratório
em Portugal, 1900/2003
Emigrantes segundo o tipo
de emigração, 1992/2003
Emigrantes por países de destino,
1992/2003
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 99
OS HOMENS E O MEIO
Terra de migrações
100 ATLAS DE PORTUGAL IGP
realização do Inquérito aos Movimentos Migratórios de Saída, e
2003 emigraram cerca de 336 200 pessoas, ou seja, uma média
anual de 28 000.
Esta emigração, maioritariamente temporária, envolve
sobretudo homens e jovens em idade activa – de 1999 a 2003,
apenas 23% dos emigrantes eram mulheres, 52% tinha idade
compreendida entre 15 e 29 anos e cerca de 30% entre 30 e 44
anos. A baixa proporção de menores de 15 anos – somente 6%
do total, no último quinquénio – reflecte a redução dos emi-
grantes permanentes. Os Açores são a única região do País em
que a emigração permanente é superior à temporária o que se
deve à importância dos destinos americanos.
Os portugueses continuam a emigrar para a Europa,
sobretudo para a França e Suiça, destinos de quase metade do
total de saídas nos últimos cinco anos. Alemanha, Reino Uni-
do e Espanha contam-se também entre os países que mais
recebem portugueses. Em conjunto, os cinco países acolhe-
ram 78% do total da emigração e o continente americano, em
particular Estados Unidos e Canadá, cerca de 4%. Em relação
a estes últimos a tendência é para a redução do número de
partidas, confirmada pelo Bureau of Citizenship and Immigration
Services: no decénio 1992-2001, a emigração portuguesa para
os Estados Unidos diminuiu 40%.
A quase totalidade dos fluxos de partida é gerada no Con-
tinente: entre 1999 e 2003, 95% do total, sendo 46% na região
Norte, enquanto do Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas
saiu pouco mais de 10%.
Dos indivíduos que emigraram durante este período 45%
possuía o 2.º ou 3.º ciclo do ensino básico, 9% o secundário
ou superior, e 10% não tinham qualquer grau de ensino. A
nova face da emigração portuguesa mostra uma maior pro-
porção de licenciados ou com o ensino secundário.
O aumento da taxa de desemprego, nomeadamente dos
diplomados (entre Maio de 2002 e Maio de 2003 o número
de desempregados com o ensino superior aumentou 44%)
tem impulsionado a partida de jovens qualificados, em que se
incluem muitos investigadores.
Remessas de emigrantes
Entre os impactos da emigração, um dos mais importantes
é, sem dúvida, as poupanças que são enviadas para Portugal. As
remessas são uma importante fonte de rendimento das famílias
e de dinamização da economia e têm contribuído para equili-
brar a balança de pagamentos nacional. Em 2001, os emigran-
tes enviaram para Portugal 3,7 mil milhões de euros, o que
representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e é superior ao
contributo do turismo ou do investimento estrangeiro.
A redução das remessas observada nos dois últimos anos
(cerca de 30%) era previsível, dado que com o euro desapare-
ceriam os ganhos cambiais que sempre constuituíram um
incentivo ao envio, e não deixará também de reflectir as alte-
rações no padrão de poupança dos novos emigrantes. A maio-
ria das remessas são provenientes de França e Suiça, países
onde residem importantes comunidades de portugueses e
para onde se dirigem os mais recentes fluxos de emigrantes.
Será, por certo merecedor de atenção o facto de a mais signi-
ficativa descida no envio de remessas ter sido precisamente
registada em França (-30%, entre 2001 e 2003).
Os últimos trinta anos da sociedade portuguesa regista-
ram, do ponto de vista dos movimentos migratórios, três
acontecimentos marcantes.
O primeiro foi a chegada, em poucos meses, de um inten-
so fluxo de mais de meio milhão de portugueses e de popula-
ção de origem portuguesa, residente nas ex-colónias africanas
(retornados), em consequência do 25 de Abril de 1974 e do
subsequente processo de descolonização que lhe esteve direc-
tamente associado. Pelas suas características, intensidade e
duração, constituiu um acontecimento ímpar na História
nacional, com repercussões significativas na estrutura demo-
gráfica, social e económica do País.
O segundo acontecimento foi o regresso parcial de emi-
grantes; o terceiro foi a intensificação dos fluxos imigratórios,
num país tradicionalmente de emigração.
O regresso
Paralelamente ao fenómeno da emigração, merece nota de
destaque um outro, muito menos notado na comunidade
científica e na sociedade portuguesa em geral, mas nem por
isso menos importante: o regresso de emigrantes portugueses
provenientes de países estrangeiros. O pouco destaque que
tem merecido deve-se a três características essenciais.
Em primeiro lugar, o facto de ser um fenómeno pratica-
mente contínuo no tempo e no espaço, que decorre princi-
palmente de decisões individuais e familiares, ainda que pos-
sa também estar relacionado com fenómenos políticos, legis-
lativos, económicos ou sociais.
Em segundo lugar, porque o regresso tem ocorrido para
praticamente todo o território nacional, ainda que os grandes
centros urbanos tenham importância significativa. Finalmen-
te, porque os regressados, apesar de indutores de mudança,
Milhões de euros
0
500
1 000
1 500
2 000
2 500
3 000
3 500
4 000
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
1984
1983
1982
1981
1980
1979
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 100
OS HOMENS E O MEIO
Terra de migrações
ATLAS DE PORTUGAL IGP 101
1996/2001
nomeadamente nas áreas rurais mais pobres do interior, exer-
cem fraca pressão sobre o mercado de trabalho e a estrutura
produtiva, em consequência do seu medo de investir e correr
riscos; por isso se dedicam com tanta frequência a pequenas
actividades por conta própria.
Os números oficiais do regresso de emigrantes, apurados
pelos recenseamentos decenais da população, do Instituto
Nacional de Estatística (INE), indicam que só nos períodos de
1976/81, 1986/91 e 1996/2001 chegaram mais de 295 000
indivíduos ao território nacional. Extrapolando estes valores
conclui-se que, em apenas um quarto de século (1976/2001),
terão talvez regressado quase 600 000 indivíduos, o que é
considerável dada a dimensão demográfica do país.
A análise parcelar dos dados disponíveis permite constatar
que o último quinquénio da década de 80 do século XX, relativa-
mente ao último da década anterior, registou uma quebra de
quase 9% no número de regressos, enquanto o último quinqué-
nio da década de 90 revela um acréscimo de quase 15%. Este
aumento significativo explica-se, em grande parte, pelo incre-
mento do número de portugueses provenientes da Suíça que
aumentou mais de cinco vezes e meia (+21 500 indivíduos) e da
Alemanha, quase duas vezes (+5 100). Os regressos de França
praticamente estabilizaram (+2%), registando 51 000 chegadas,
Regresso de emigrantes
portugueses
1976/1981
1986/1991
Nº de emigrantes
9 000
5 000
2 500
1 000
500
100
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 101
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
1989
1988
1987
1986
1985
1984
1983
1982
1981
1980
1979
1978
1977
1976
1975
450000
400000
350000
300000
250000
200000
150000
100000
50000
0
0 10000 20000 30000 40000 50000 60000
2003
1980
Moçambique
Holanda
S. Tomé e
Príncipe
Canadá
Guiné-Bissau
França
Venezuela
Angola
Alemanha
R. Unido
EUA
Brasil
Espanha
Cabo Verde
0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000
Bielorrússia
Guiné Conakry
Marrocos
S. Tomé e
Príncipe
Bulgária
Paquistão
Índia
China
Guiné-Bissau
Rússia
Angola
Cabo Verde
Roménia
Moldávia
Brasil
Ucrânia
OS HOMENS E O MEIO
Terra de migrações
102 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Estrangeiros residentes em Portugal,
1975/2003
assim como os da América do Norte (+4%), com apenas 12 000
regressos.
As últimas estimativas da Direcção-Geral dos Assuntos
Consulares e Comunidades Portuguesas indicam 4 835 500
cidadãos portugueses ou de origem portuguesa, espalhados
pelo mundo, dos quais 58% reside no continente americano,
31% na Europa, 7% em África, e os restantes 4% noutras par-
tes do mundo. Sendo um fenómeno quase tão antigo como o
da própria emigração, o regresso de emigrantes portugueses e
suas famílias deverá continuar a ocorrer, embora a ritmos,
naturalmente, diferentes.
A imigração
É o terceiro acontecimento marcante nas dinâmicas
migratórias pois, pela primeira vez na sua História, Portugal
deixou de ser um país de emigração para se tornar também
num país de imigração; o número de imigrantes legais tem,
nos últimos anos, superado o número de emigrantes. E, nes-
te aspecto, destacaram-se, primeiro, os provenientes de países
africanos de língua oficial portuguesa, depois os do Brasil e,
mais recentemente, os provenientes de países do Leste euro-
peu, que, rapidamente, passaram a constituir o grupo de
estrangeiros mais numeroso a residir em Portugal. Vejamos
alguns números.
De acordo com as estatísticas oficiais do Serviço de Estran-
geiros e Fronteiras (SEF), em 1975, residiam no território
nacional menos de 32 000 estrangeiros, número que não mais
parou de aumentar, atingindo quase 87 000 em 1986, data da
entrada de Portugal na então Comunidade Económica Euro-
peia, 168 300 em 1995 e 223 600 no final do ano de 2001.
Por anos, os acréscimos mais significativos registaram-se
em 1993 (+10,7%) e 1994 (14,7%) devido ao facto de se
incluírem os dados relativos ao Processo de Regularização
Extraordinária que decorreu entre Outubro de 1992 e Março
de 1993. O mesmo sucedeu nos anos de 1999, 2000 e 2001,
cujos acréscimos se devem à inclusão progressiva dos dados
estatísticos relativos ao Processo de Regularização Extraordi-
nária decorrido entre Junho e Dezembro de 1996.
Os números oficiais pecam, no entanto, por uma signifi-
cativa subavaliação, como se comprova pela aplicação do novo
dispositivo legal, surgido em 2001, de atribuição de Autoriza-
ções de Permanência a trabalhadores estrangeiros titulares de
contrato de trabalho. A ‘explosão’ registada nas cifras oficiais
naquele ano (+69%) e no seguinte (+18%) explicam-se ape-
nas pela aplicação da nova legislação.
Em 31 de Maio de 2002 haviam já sido atribuídas, segundo
o SEF, mais de 181 000 Autorizações de Permanência, elevan-
do o número total de imigrantes legalizados (incluindo os que
têm autorização de permanência) para 404 700 indivíduos (4%
da população portuguesa), o que equivale a um acréscimo de
quase 94% em relação ao final de 2000. Pela primeira vez as
estatísticas oficiais incluem o fluxo migratório oriundo do
Leste europeu, avaliado em quase 97 000 indivíduos, com par-
ticular destaque para os cidadãos ucranianos (mais de 65 000),
romenos (mais de 13 600) e russos (mais de 7 000).
Os últimos números provisórios disponíveis referentes ao
final do ano de 2003 apontam já para mais de 434 500 imi-
grantes com estatuto legal, entre residentes e com Autorizações
Principais países de origem
de estrangeiros com residência legalizada
Autorizações de permanência
concedidas, 2001/2003
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 102
OS HOMENS E O MEIO
Terra de migrações
ATLAS DE PORTUGAL IGP 103
Estrangeiros por 1 000 habitantes, 2001
de Permanência ao abrigo da legislação vigente. O grupo
mais numeroso é constituído por cidadãos de nacionalidade
cabo-verdiana e brasileira, respectivamente perto de 16% e de
14%, e ainda ucraniana (13%).
A distribuição geográfica da população estrangeira eviden-
cia uma maior concentração nas principais aglomerações
urbanas, com destaque para a área metropolitana de Lisboa,
onde de acordo com o censo de 2001 residiam 50% dos
estrangeiros.
Ao nível concelhio observam-se grandes assimetrias. É no
Algarve que a população estrangeira tem maior importância
relativa, representando 6% do total de habitantes da região.
Significativa é também a presença de estrangeiros em vários
concelhos da região de Lisboa – Amadora, Loures, Sintra,
Cascais, Odivelas e Seixal. Na região Norte o peso relativo da
população estrangeira é reduzido, assim como na região Cen-
tro, embora nesta seja notória a atracção exercida pelos con-
celhos do litoral.
Praticamente, num quarto de século, Portugal passa de
país de forte diáspora a país de imigração, sem contudo, aban-
donar por completo a tradição emigrante, iniciada há mais de
cinco séculos.
‰
94
49
18
12
7
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 103
OS HOMENS E O MEIO
Nuno Pires Soares
UMA POPULAÇÃO
QUE SE URBANIZA
A urbanização, fenómeno de civilização, continua ainda hoje a surpreender-nos, tanto pela rapidez com
que se expande no espaço como pela sua universalidade. O conceito de urbanização corresponde
tradicionalmente a um amplo conjunto de modificações de cariz marcadamente demográfico, económico
e espacial, resultante genericamente da passagem de população do meio rural para o meio urbano.
No entanto, numa abordagem abrangente, a urbanização deve ser entendida como um fenómeno cultural,
tanto mais que a cidade é em si criadora e transmissora de inovação, sendo geradora de novas formas de
cultura e de organização espacial, visíveis nas alterações dos estilos de vida, conteúdos e formas de estar.
104 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Uma leitura ‘clássica’
do sistema urbano nacional
No nosso país, a urbanização, apesar de mais tardia do que
na generalidade dos países europeus e assumindo algumas
nuances particulares – das quais se destacam a ausência de uma
verdadeira revolução industrial e o fortíssimo surto emigrató-
rio da população –, passou a ter o maior protagonismo no
âmbito das grandes transformações demográfico-espaciais
que o país tem atravessado, ao ponto de a sua população estar
hoje quase maioritariamente ‘urbanizada’.
A realidade urbana nacional, face à informação estatística
disponível, sempre se manteve como que envolta por alguma
indefinição ou omissão. Por exemplo, não existe ainda hoje
informação sobre o valor da população urbana nacional e só
recentemente (2004) passou a ser conhecida uma importan-
tíssima base de dados georeferenciada, para o conjunto de 141
cidades. Sendo particularmente relevante, esta última infor-
mação é todavia insuficiente para uma apreciação mais ampla
do fenómeno urbano, na medida em que deixa de fora
importantes lugares, como por exemplo muitas sedes de con-
celho, que não são cidades, mas que pelo protagonismo
social, administrativo e económico deveriam igualmente ser
objecto de análise estatística.
Em traços gerais, a realidade urbana nacional é marcada
desde muito cedo pela existência de um amplo conjunto de
cidades, mas de modesta dimensão demográfica. Ainda hoje,
com a excepção da cidade de Lisboa e do Porto e das suas res-
pectivas áreas metropolitanas, as restantes cidades comportam
um valor médio de população relativamente diminuto – ron-
da os 29 000 habitantes por cidade. A título de exemplo, refi-
ra-se que a lotação oficial dos novos estádios de futebol do
Euro 2004 comporta entre 65 000 e 30 000 espectadores, o que
ilustra comparativamente a escala das nossas pequenas cidades.
Todavia é substancialmente diferente a realidade urbana das
duas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Aqui se concen-
tram respectivamente 2 683 000 e 1 261 000 habitantes, o que
no seu conjunto corresponde a 39 % da população nacional. Se,
no caso de Lisboa, a designação de Área Metropolitana ou
conurbação metropolitana é correcta e apropriada, já no caso
do Porto o ‘centro’ não possui funções terciárias em número
ou em qualidade suficientemente polarizadoras, capazes de
gerar uma periferia com o mesmo grau de dependência da
existente na Área Metropolitana de Lisboa. Na área do Porto,
o processo de urbanização é essencialmente difuso, a par da
distribuição do emprego, e assim não se constitui um proces-
so de metropolização clássico, onde a grande cidade concentra
a quase totalidade dos serviços, sendo responsável pela eleva-
da pendularidade diária da sua população e estruturação
socioespacial de tipo centro/periferia.
Entre as duas áreas metropolitanas localizadas no litoral oes-
te atlântico e centradas, respectivamente, nas desembocaduras
dos dois maiores rios, Tejo e Douro, desenvolve-se uma exten-
sa, mas não muito larga faixa urbana, que desde muito cedo
fixou a população. Esta Faixa Litoral, na qual se incluem também
as outras maiores cidades, deve o seu protagonismo demográfi-
co a razões supostamente clássicas, mas que ainda hoje partici-
pam da explicação geral: existência de terras férteis, o estímulo
da vida marítima que favoreceu a atlantização do povoamento e
uma base topográfica relativamente plana, geradora de redes de
circulação terrestre mais cómodas. Estes factores induziram
também, mais tarde, o próprio investimento industrial a que se
seguiu o reforço da urbanização e da própria terciarização da
economia e da sociedade. Na faixa litoral, para além da referida
Faixa Urbana Oeste-Atlântica (que grosso modo se estende da foz
do rio Sado à foz do rio Lima) há ainda a Faixa Urbana Sul-
Atlântica que corresponde à importante e antiga rede de cidades
algarvias. O restante espaço nacional que poderemos designar
de Espaço Interior, é estruturado por uma matriz de pequenas e
médias cidades onde algumas entre si se congregam em subsis-
temas urbanos, nalguns casos de elevada importância regional e
mesmo supra-regional.
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 104
Espaços artificializados, 2004
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
ATLAS DE PORTUGAL IGP 105
Uso urbano, turístico e industrial
Outros usos
Itinerário Principal
Itinerário Complementar
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 105
Lugares com mais de 2 500 habitantes, 2001
Uma avaliação recente
O sistema urbano nacional apresenta uma dinâmica e den-
sa articulação interna, avaliada nos finais da década de 90 do
século passado (estudo Sistema Urbano Nacional. Cidades Médias
e Dinâmicas Territoriais, DGOTDU, 1997) tendo sido então iden-
tificados seis sistemas urbanos regionais:
1. Norte Litoral, polarizado pela cidade-aglomeração do
Porto, muito dinâmico, articulado numa lógica de valorização
de complementaridades e especificidades que lhe confere uma
capacidade de auto-regulação invulgar; ocupação do território
densa e difusa em termos de população e de actividades; mui-
to aberto ao relacionamento transfronteiriço com a Galiza.
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
106 ATLAS DE PORTUGAL IGP
2. Nordeste, estruturado por um eixo urbano linear em
consolidação (Vila Real-Peso da Régua-Lamego) e por três
cidades de dimensão média, pólos de retenção da população e
da criação de emprego parcialmente articulado em dois eixos
(Chaves-Vila Real-Peso da Régua-Lamego e Vila Real-
Mirandela-Bragança) coincidentes com os principais eixos
viários (IP3 e IP4), revelando-se insuficiências nas restantes
articulações.
3. Centro, estruturado por dois eixos em formação e con-
solidação (Coimbra-Figueira da Foz, Guarda-Covilhã-Castelo
Branco) e Viseu e a constelação de cidades/vilas envolventes
565 000
263 000
101 069
24 918
2 505
Cidade
Outros lugares
Lisboa (cidade): 565 000 habitantes
Porto (cidade): 263 000 habitantes
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 106
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
Abrantes 17 830 53
Agualva-Cacém 81 845 10
Águeda 14 504 67
Albufeira 13 646 69
Alcácer do Sal 6 602 118
Alcobaça 6 232 119
Almada 101 500 6
Almeirim 10 520 89
Alverca do Ribatejo 28 356 32
Amadora 175 872 4
Amarante 11 261 81
Amora 44 515 19
Anadia 3034 *
Angra do Heroísmo 10 221 91
Aveiro 55 291 12
Barcelos 20 625 49
Barreiro 40 859 23
Beja 21 658 46
Braga 109 460 5
Bragança 20 309 50
Caldas da Rainha 25 316 40
Câmara de Lobos 13 625 70
Cantanhede 5 004 127
Cartaxo 9 507 94
Castelo Branco 30 649 30
Chaves 17 535 55
Coimbra 101 069 7
Costa da Caparica 6 330 *
Covilhã 34 772 28
Elvas 15 115 65
Entroncamento 18 036 51
Ermesinde 38 270 25
Esmoriz 11 020 84
Espinho 21 589 47
Esposende 9 197 99
Estarreja 4 261 *
Estremoz 7 682 111
Évora 41 159 22
Fafe 14 144 68
Faro 41 934 21
Fátima 7 756 110
Felgueiras 15 525 63
Fiães 8 754 104
Figueira da Foz 27 742 34
Freamunde 7 452 113
Funchal 100 526 8
Fundão 8 369 107
Gafanha da Nazaré 12 321 75
Gandra 5 804 121
Gondomar 25 717 38
Gouveia 3 759 134
Guarda 26 061 35
Guimarães 52 181 13
Horta 4 459 130
Ílhavo 13 266 71
Lagoa 4 806 129
Lagos 14 675 66
Lamego 8 848 102
Leiria 42 745 20
Lisboa 564 657 1
Lixa 4 233 132
Lordelo 9 930 93
Loulé 12 103 78
Loures 15 967 60
Lourosa 9 204 98
Macedo de Cavaleiros 6 844 116
Machico 10 894 85
Maia 35 625 27
Mangualde 6 695 117
Marco de Canaveses 9 042 101
Marinha Grande 9 130 100
Matosinhos 45 703 18
Mealhada 4 043 133
Meda 2 004 *
Miranda do Douro 1 960 140
Mirandela 10 780 87
Montemor-o-Novo 8 298 108
Montijo 25 719 37
Moura 8 459 106
Odivelas 50 846 14
Olhão 24 876 41
Oliveira de Azeméis 12 047 79
Oliveira do Bairro 3 077 136
Oliveira do Hospital 5 222 125
Ourém 4 991 128
Ovar 16 849 56
Paços de Ferreira 8 118 109
Paredes 12 654 73
Penafiel 9 343 97
Peniche 15 595 62
Peso da Régua 9 353 96
Pinhel 2 578 138
Pombal 10 031 92
Ponta Delgada 46 102 17
Ponte de Sôr 7 331 115
Portalegre 15 238 64
Portimão 32 433 29
Porto 263 131 2
Póvoa de Santa Iria 24 277 44
Póvoa de Varzim 38 643 24
Praia da Vitória 2 315 139
Quarteira 12 288 76
Queluz 78 040 11
Rebordosa 10 813 86
Reguengos de Monsaraz 5 900 *
Ribeira Grande 11 129 82
Rio Maior 7 412 114
Rio Tinto 47 695 15
Sabugal 1 936 *
Sacavém 17 659 54
Santa Comba Dão 12 473 74
Santa Cruz 5 673 123
Santa Maria da Feira 11 040 83
Santana 1 336 141
Santarém 28 760 31
Santiago do Cacém 5 240 124
Santo Tirso 24 649 42
São João da Madeira 21 102 48
São Mamede de Infesta 23 542 45
Seia 5 702 122
Seixal 25 608 39
Serpa 5 201 126
Setúbal 89 303 9
Silves 5 869 120
Sines 11 303 80
Tarouca 1 111 *
Tavira 10 607 88
Tomar 15 764 61
Tondela 8 794 103
Torres Novas 12 156 77
Torres Vedras 16 461 58
Trancoso 1 457 *
Trofa 16 196 59
Valbom 14 129 *
Vale de Cambra 7 565 112
Valongo 17 978 52
Valpaços 3 737 135
Vendas Novas 9 485 95
Viana do Castelo 36 148 26
Vila Baleira 4 252 131
Vila do Conde 25 731 36
Vila Franca de Xira 16 554 57
Vila Nova de Famalicão 27 900 33
Vila Nova de Foz Côa 2 823 137
Vila Nova de Gaia 178 255 3
Vila Nova de Santo André 8 745 105
Vila Real 24 481 43
Vila Real de Santo António 10 489 90
Viseu 47 250 16
Vizela 12 698 72
Total de habitantes
das 150 cidades 4 067 899
ATLAS DE PORTUGAL IGP 107
Pop. Residente Ranking
(2001) popul.
Pop. Residente Ranking
(2001) popul.
Pop. Residente Ranking
(2001) popul.
* Recentemente elevada à categoria de cidade (DR nº 18, Série I-A de 2005-01-26) pelo que se indica apenas a população residente no lugar com o mesmo nome, por não existir à data
o valor total da população residente na referida cidade. Por este motivo, também não se considerou a posição destas novas cidades no ranking urbano.
Como se cria uma cidade em Portugal
É a Assembleia da República quem decide da elevação dos lugares
às categorias de vila e de cidade. Segundo a Lei nº 11/82 de 2 de Junho,
“uma vila só pode ser elevada à categoria de cidade quando conte com
um número de eleitores superior a 8 000, em aglomerado populacional
contínuo, e possua, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos
colectivos: instalações hospitalares com serviço de permanência;
farmácias; corporação de bombeiros; casa de espectáculos e centro
cultural; museu e biblioteca; instalações de hotelaria; estabelecimento
de ensino preparatório e secundário; estabelecimento de ensino
pré-primário e infantários” (art. 13º).
No entanto, “importantes razões de natureza histórica, cultural
e arquitectónica poderão justificar uma ponderação diferente destes
requisitos” (art. 14º). A imprecisão e a subjectividade das condições
consentidas pelo artigo 14º está na origem do aparecimento de muitas
povoações classificadas como cidades nas últimas décadas, mas que
efectivamente possuem diminuto número de atributos urbanos.
Para além desta fragilidade conceptual, a actual lei é omissa quanto
à delimitação das povoações, isto é, não exige descrição específica nem
cartografia que permita delimitar o perímetro dos lugares que aspiram
à categoria de cidade.
Cidades, 2004
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 107
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
108 ATLAS DE PORTUGAL IGP
População residente nas cidades, 2001
Habitantes
565 000
270 000
50 000
1 336
Lisboa: 564 657 habitantes
Porto: 263 131 habitantes
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 108
ALENTEJO
CENTRO
NORDESTE
FAIXA URBANA SUL-ATLÂNTICA
FAIXAURBANAOESTE-ATLÂNTICA
ALGARVE
LISBOA
E VALE DO TEJO
NORTE
LITORAL
Sistema urbano nacional
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
ATLAS DE PORTUGAL IGP 109
Variação da população 1991/2001:
Concelho
Faixa Urbana Oeste-Atlântica
Faixa Urbana Sul-Atlântica
SUBSISTEMA URBANO
Norte Litoral
Nordeste
Centro
Lisboa e Vale do Tejo
Alentejo
Algarve
Cidade
+
i
I–
+
i
I–
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 109
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
110 ATLAS DE PORTUGAL IGP
(Aveiro-Ílhavo-Águeda-Oliveira do Bairro), revela uma distri-
buição espacial equilibrada.
4. Lisboa e Vale do Tejo, fortemente polarizado pela Área
Metropolitana de Lisboa, que tende a integrar a dinâmica das
cidades mais próximas como Santarém, Rio Maior e Torres
Vedras; área muito densa, concentrada e dinâmica, fortemen-
te internacionalizada.
5. Alentejo integra dois pequenos eixos com fraca capacida-
de polarizadora (Estremoz-Vila Viçosa e Santiago do Cacém-
Sines-Santo André) e a cidade de Elvas, centro importante de
relacionamento transfronteiriço; em estruturação, enquadra-
do num território extenso, de fraca densidade, com um mode-
lo de povoamento muito concentrado e dinâmicas regressivas
significativas.
6. Algarve (forma linear, determinado por um processo de
forte urbanização da faixa litoral, implicando um esvaziamen-
to do interior da Serra; região polinucleada com característi-
cas de internacionalização de perfil turístico; muito aberto ao
relacionamento transfronteiriço.
Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira a atracção
pela orla costeira foi desde os primórdios factor determinante
do povoamento. Também aqui a orla litoral possui maiores
aptidões agrícolas, menor altitude e é maior a facilidade de
comunicações por terra. Ainda hoje a rede urbana das ilhas
ilustra parcialmente esta antiga e natural vocação pelas posições
litorais. Estruturadas pelas rotas de cabotagem, as cidades que
mais se desenvolveram correspondem às que melhores con-
dições ofereciam à navegação. Hoje são as redes rodoviárias a
imprimir novas nuances à matriz urbana nas ilhas atlânticas. As
estradas e as novas áreas de expansão urbana, ao não acom-
panharem a linha do litoral, condicionado por fortes arribas,
desenvolvem-se a cotas mais elevadas e assim tem-se assisti-
do à subida das povoações das pequenas enseadas para a
encosta, num movimento de sentido ascendente, inverso ao
verificado no continente – onde a tendência é a expansão dos
lugares dos pontos altos para as terras baixas.
Mudanças recentes
Portugal, no último meio ou quarto de século é marcado
por importantíssimas mudanças que ocorreram ao nível dos
‘territórios urbanos’.
Nestes territórios, localizados maioritariamente no litoral,
foi-se acumulando uma população oriunda de vastas áreas do
interior do país que aqui encontrou, genericamente, uma má
qualidade de vida, decorrente de uma lógica imobiliária pri-
mária a par de um manifesto incumprimento, ou desarticula-
ção, dos instrumentos de planeamento.
O actual cenário urbano é composto por dois importantes
quadros: por um lado a cidade propriamente dita, como entida-
de herdada e (re)conhecida tradicionalmente como tal, mono-
cêntrica, densa e contínua, que o vulgo da população e das ins-
tituições começa a reconhecer actualmente como património,
pese embora o decréscimo da sua população residente e a perda
de vitalidade das suas actividades económicas. O segundo qua-
dro é referente a uma outra entidade que poderemos designar
de ‘cidade contemporânea’ que não apresenta contornos espa-
ciais nem bem definidos nem contínuos, antes espaços profun-
damente fragmentados de densidade e tipo muito variado. A
cidade contemporânea, que é marcada pelo policentrismo, pela
descontinuidade e pela fragmentação inclui, na sua ampla diver-
sidade de espaços, a cidade com História e reconhecível por esse
atributo, a par da urbanização sem ‘alma’ onde a tradição, a
identidade e a noção de pertença estão ausentes.
A presente situação urbana, mais complexa e imprecisa,
ultrapassou o modelo metropolitano no qual era passível a
identificação do dualismo centro-periferia. Hoje, imperam a
mobilidade e as relações de fluxos em vastos quadros sistémi-
cos espaciais, fragmentados e descontínuos.
Portugal atravessa actualmente uma fase de urbanização
que se sobrepõe parcialmente a um período ainda mal conso-
lidado de terciarização onde sobressaíu um tipo de ‘urbaniza-
ção de génese ilegal’ a par da emergência da primeira geração
de Planos Directores. Sem ainda estar concluída esta fase,
assiste-se ao início de uma outra que corresponde à expansão
da rede de auto-estradas e à inauguração de hipermercados,
grandes centros comerciais, parques de escritórios e parques
temáticos a par de novos condomínios residenciais, dissemi-
nados entre cidades e construindo novas centralidades sem
um conhecimento exaustivo dos seus impactos a médio prazo.
Lisboa e Porto como referências
A informação existente sobre cidades permite identificar
alguns traços gerais. As cidades de Lisboa e do Porto e as suas
respectivas áreas metropolitanas possuem, em relação a vários
indicadores, um comportamento diferenciado do das restan-
tes cidades. Esse facto é notório ao nível do elevado número
de alojamentos por edifícios e da percentagem de grandes
edifícios a par da elevada percentagem de alojamentos ocupa-
dos por inquilinos.
Em relação à idade dos edifícios, constatamos a elevada
percentagem das novas construções de Norte a Sul do país,
sendo o seu peso particularmente expressivo nas áreas de
maior densidade e dinamismo demográfico – o Noroeste
Atlântico. Inversamente, os valores mais elevados de edifícios
envelhecidos e a necessitar de reparações, observam-se essen-
cialmente em Lisboa e no Porto, a par de outras cidades loca-
lizadas nas respectivas áreas metropolitanas. Correspondem
estes casos a antigos núcleos urbanos periféricos que actual-
mente já entraram em regressão demográfica mantendo par-
ques imobiliários já muito envelhecidos.
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 110
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
ATLAS DE PORTUGAL IGP 111
Alojamentos por edifício, 2001
Nº
>18
5
4
3
2
1
O peso da população estrangeira residente em cada cidade
revela um padrão de distribuição particularmente interessan-
te do qual se destaca a Faixa Litoral Oeste Atlântica e, nesta
em particular, algumas cidades da Área Metropolitana de Lis-
boa, a par da rede de cidades algarvias. As cidades do interior
e de pequena dimensão demográfica contêm um baixo
número de estrangeiros, visto possuírem diminuta oferta de
emprego. Esta distribuição não só releva um facto recente da
nossa realidade demográfica e urbana – a imigração – como
revela as cidades onde existem maior número de oportunida-
des de vida e de acolhimento, seja de cariz institucional ou
meramente informal de tipo familiar.
‘Produzir’ cidade
Vivemos hoje num quadro de profundas transformações
urbanas, do qual o conhecimento é escasso e pouco sistema-
tizado, mas já é possível constatar que muitas das tradicionais
metodologias académicas e práticas de planeamento não se
adequam aos actuais e reais cenários urbanos. Os novos espa-
ços urbanos atingiram em muitos casos uma desqualificação
e um grau de desarticulação que promovem o inverso de
muito daquilo que a vida urbana deveria ter. Por exemplo,
fará pouco sentido continuar a investir no centro antigo das
nossas pequenas e médias cidades, com o intuito de preservar
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 111
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
112 ATLAS DE PORTUGAL IGP
e recriar a noção da cidade antiga, onde a inovação está arre-
dada de qualquer tipo de intervenção – o centro da cidade é
meramente para ser visto e reconhecido como um museu a
céu aberto, e simultaneamente desenvolver a grande e difusa
periferia em torno da cidade antiga, onde é possível realizar
quase tudo o que é proíbido no centro. Mas assim se vão
organizando muitas das nossas cidades: um centro de cidade
preservado, cuidado, mas morto em termos de residentes e
actividades criadoras de riqueza e uma periferia que ainda
essencialmente residencial já conta com novas centralidades
geradoras de emprego, apoiadas essencialmente no transpor-
te privado e num urbanismo produtor de paisagens urbanas
desqualificadas.
Os tradicionais conceitos, por exemplo, de centro e peri-
ferias, património e modernidade, inovação e tradição, conti-
nuam ainda a modelar a visão e a acção de todos nós que,
consciente ou inconscientemente, fazemos a cidade. A cidade
é feita por todos. Todos os dias, nas nossas mais pequenas
decisões do quotidiano de utilização deste grande espaço, par-
ticipamos nesse grande acto colectivo de ‘produzir’ cidade.
Grandes edifícios, com 4 ou mais pavimentos, 2001
%
41
25
12
6
3
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 112
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
ATLAS DE PORTUGAL IGP 113
Edifícios por época de construção
1961/1980 1981/2001
Antes de 1945 1946/1960
%
100
80
60
40
20
10
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 113
Edifícios com necessidades de reparação, 2001
%
58
45
30
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
114 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Edifícios construídos depois de 1990
Índice de envelhecimento dos edifícios, 2001
%
31
24
12
%
Alto (150 a 370)
Médio (50 a 150)
Baixo (0 a 50)
Alojamentos ocupados pelos proprietários, 2001
%
70
60
50
40
Média das cidades: 53,51%
53 387
10 000
523
A dimensão dos círculos é proporcional
ao nº total de edifícios nas respectivas cidades
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 114
População estrangeira residente nas cidades, 2001
%
16
8
4
2
Média das cidades: 2%
OS HOMENS E O MEIO
Uma população que se urbaniza
ATLAS DE PORTUGAL IGP 115
Principal meio de transporte utilizado, 2001
Transporte público
Automóvel particular
A pé / motorizada
/ bicicleta
Profissões de nível intermédio
Profissões administrativas e similares
Pessoal dos serviços e vendedores
Agricultores e pescadores
Operários, artífices e similares
Trabalhadores não qualificados
Nota: o grupo constituído por quadros superiores
e dirigentes; profissões intelectuais e científicas;
membros das forças armadas, não predomina
em nenhuma cidade
Na página 114, a dimensão dos círculos
é proporcional ao número total de edifícios;
nesta página, à população residente
Profissão principal da população residente, 2001
565 000
270 000
50 000
1 336
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 115
Entroncamento, 2002
Évora e a sua envolvente, 2002
São João da Talha, Loures, 2002
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 116
Évora, 2002
Quinta do Conde, Sesimbra, 2002
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:34 Página 117
118 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Coimbra, 2002
Guimarães, 2002
Viseu, 2002
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 118
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 119
OS HOMENS E O MEIO
120 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Rui Pedro Julião
COMUNICAÇÕES E
MOBILIDADE DA POPULAÇÃO
Os elevados ritmos de transformação são uma característica da sociedade moderna, onde os aspectos
que têm permanecido como uma preocupação central são os da valorização da informação e do
conhecimento; ao longo do desenvolvimento recente da sociedade um dos aspectos estruturantes tem
sido o do aperfeiçoamento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC): é a era da Sociedade
de Informação ou da Sociedade de Inovação e do Conhecimento. Esta caracteriza-se por uma estrutura
de desenvolvimento social e económico onde os processos e tecnologias relativos à aquisição,
armazenamento, tratamento, exploração, distribuição e disseminação de informação assumem
um papel preponderante. Em paralelo registaram-se nas últimas décadas fortes investimentos
no domínio das infra-estruturas que transfiguraram o território nacional.
Redes de comunicação
O impulso tecnológico dos últimos trinta anos, sobretudo
sentido a partir da segunda metade da década de 90, com a
crescente integração dos sectores da informática e das teleco-
municações no dia-a-dia de todos nós, consolidou um novo
modelo de organização e funcionamento da sociedade, com
um enfoque primordial na informação e conhecimento, uti-
lizando as Tecnologias para agir sobre a Informação e não o
contrário com até aqui, construindo uma lógica de rede no
funcionamento dos processos com a partilha de recursos,
aumentando a flexibilidade das organizações e dos processos
baseada no emprego dos recursos tecnológicos e na conecti-
vidade e com uma crescente integração das tecnologias con-
vergindo para um sistema de informação global e eficaz.
Portugal tem efectuado um forte investimento no desen-
volvimento das suas infra-estruturas de suporte à Sociedade de
Informação. Neste aspecto tem sido um país inovador e tem
prosseguido uma política de incentivo e suporte às iniciativas
orientadas para a promoção e valorização do conhecimento.
A importância estratégica que os sucessivos governos
vêm conferindo a esta temática tem sido manifestada como
prioridade nacional, apostando-se de forma clara na genera-
lização do acesso aos meios de informação e de transmissão
do conhecimento através de programas específicos de que é
hoje exemplo o Programa Operacional para a Sociedade da Infor-
mação (POSI).
Esta orientação política surgiu, de forma mais evidente, a
partir de 1996 com a Iniciativa Nacional para a Sociedade da
Informação e a criação, pelo Conselho de Ministros, da Mis-
são para a Sociedade da Informação (MSI). No ano seguinte a MSI
lança o Livro Verde para a Sociedade da Informação, documento
estratégico com as principais linhas de orientação e de inter-
venção necessárias ao desenvolvimento da Sociedade de
Informação e do Conhecimento em Portugal.
A análise e o enquadramento das questões relativas à Socie-
dade da Informação passaram, a partir dessa data, a figurar nos
instrumentos chave de governação como as Grandes Opções do
Plano e o Plano Nacional de Emprego, nos documentos de orien-
tação produzidos por instâncias consultivas (como o Conselho
Económico e Social e o Conselho Nacional de Educação) e
nos instrumentos de concertação social (POSI, 2004).
No Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social
(PNDES), elaborado em finais dos anos 90 para suporte à pro-
gramação do III Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) é dedica-
do um espaço de destaque ao desafio das economias baseadas
no conhecimento e ao da sociedade de informação. Neste
contexto, foram definidos como objectivos mobilizadores para
promover o desenvolvimento da Sociedade de Informação em
Portugal:
— Desenvolver um Estado Aberto aos cidadãos e empresas;
— Criar condições para o acesso de todos os cidadãos aos
benefícios da Sociedade de Informação;
— Facilitar o acesso ao conhecimento, ao saber, à ciência e
à cultura;
— Promover o desenvolvimento da economia digital.
Sob a emblemática designação de Portugal Digital têm vindo
a ser financiados uma série de projectos com base em iniciativas
locais e regionais. Numa primeira fase, estas iniciativas condu-
ziram às chamadas Cidades Digitais, mas hoje a tónica centra-se
mais no conceito de Região Digital onde se exploram as siner-
gias das várias entidades signatárias dos projectos.
Estes 29 projectos representam uma cobertura quase inte-
gral do território nacional; todos têm como objectivos
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 120
ATLAS DE PORTUGAL IGP 121
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
comuns o acesso à informação digital, a melhoria dos serviços
da administração pública e a criação de acessos a serviços e
informação úteis ao cidadão.
Estes projectos contribuem para a aproximação das insti-
tuições públicas aos cidadãos através da modernização e agili-
zação do funcionamento das estruturas administrativas aos
mais variados níveis.
Após algumas experiências pioneiras como a Montra Digi-
tal de Aveiro ou o Cib@rcafé do Pavilhão do Conhecimento,
em Lisboa, hoje são já 182 concelhos (cerca de 60% do total) a
disponibilizar espaços Internet aos seus cidadãos. É o resultado
de cerca de 200 projectos que proporcionam mais de 1 600
computadores com ligação à Internet em espaços que vão des-
de os 3 até aos 35 postos de trabalho.
A quase totalidade dos projectos desenvolve-se no Conti-
nente; nos Açores, apenas no concelho de Nordeste, na Ilha
de São Miguel, e na Ilha da Madeira, nos concelhos de Ponta
do Sol e de Porto Moniz.
Para além das infra-estruturas de acesso público, também se
verificou nos últimos anos um considerável esforço no sentido
de ampliar as potencialidades de acesso privado a conteúdos atra-
vés de redes de grande capacidade, de tal forma que Portugal
regista a segunda maior taxa de penetração neste mercado com
50%, logo a seguir à Alemanha (53%) e à Finlândia (50,9%).
A ligação por cabo é uma das formas paradigmáticas para garan-
tir esse acesso a baixo custo. Entre 2000 e 2002 a extensão das
redes de cabo de fibra óptica duplicou a sua extensão, passando
de um pouco mais de 5 000km para quase 11 000km, assumin-
do-se hoje como um dos principais meios para acesso à Internet,
embora a maioria dos clientes (95%) ainda utilize as ligações
telefónicas normais para aceder à Internet.
Apesar do valor se encontrar sobre-estimado com a existên-
cia de clientes registados em mais do que um serviço de dial-up
Iniciativas no âmbito do POSI, 2004
Candidaturas – Cidades/Regiões digitais
Espaços Internet, 2004
Nº de terminais
50
35
15
10
A branco
quando não
existem valores
Lezíria
Vale do Ave
Beira Baixa
Litoral Alentejano
Vale do Minho
Oeste Digital
Gaia Digital
Lisboa
Beja
Vale do Lima
Leiria Digital
TMD
Algarve
Serra da Estrela
Vale do Sousa
Évora
Médio Tejo
Maia
Viseu Digital
ALO Digital
Setúbal
Braga
Coimbra
Entre Douro e Vouga
Seixal
Portalegre Digital
Primus
Aveiro Digital
Porto
Almada
N
0 25 50 km
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 121
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
122 ATLAS DE PORTUGAL IGP
(utilizando uma linha telefónica), verifica-se uma crescente per-
da de importância para os serviços de acesso por cabo (utilizan-
do a infra-estrutura de cabo de fibra óptica do sinal de televisão)
e ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) que registaram um
forte crescimento no dois últimos anos: multiplicando, respec-
tivamente por 10 e 25, os clientes existentes em 2001.
Outro indicador importante é o do número de alojamentos
cablados, ou seja, equipados com infra-estruturas de conectivi-
dade através de cabo de fibra óptica. Este valor tem crescido de
forma exponencial, sobretudo nas regiões do litoral.
Em termos do mercado associado ao sector das comunica-
ções, subdivido em dois grandes segmentos – Serviços Postais
e Telecomunicações – têm sido efectuados investimentos nos
últimos anos que representam, respectivamente, um esforço
na ordem dos 10% e 30% sobre as receitas neles geradas.
Os reflexos das iniciativas referentes à promoção das tec-
nologias de informação e comunicação manifestaram-se no
aumento registado nos serviços de comunicação postal, voz e
dados. Este facto está bem patente nos valores relativos às
receitas deste sector que, nos últimos anos, têm tido um cres-
cimento sustentado.
Nalguns casos pode afirmar-se que o crescimento foi
exponencial: nas comunicações móveis o número de assinan-
tes registados do serviço móvel terrestre aumentou de 37 mil
em 1992 para os 8,5 milhões em 2002. Portugal é um dos paí-
ses europeus onde se regista elevada taxa de penetração neste
sector só superada pelas do Luxemburgo, Itália, Finlândia e
Suécia; em paralelo, o serviço de acesso telefónico tradicional
(fixo) denuncia sinais de saturação na expansão da rede com
um declínio de 1,2% entre 2001 e 2002.
O serviço postal é um dos mais antigos, é mesmo o méto-
do precursor de transmissão de informação. Hoje, com a con-
corrência dos sistemas baseados nas modernas tecnologias de
informação e comunicação, este serviço registou uma perda
de importância em termos globais. A proliferação do correio
electrónico e também a crescente utilização do SMS (Short
Message Service) e mais recentemente do MMS (Multimedia
Message Service), ambos com uma base instalada e taxas de
penetração elevadíssimas, têm contribuído para a substituição
do correio tradicional.
Apesar da perda de importância registada na correspon-
dência tradicional, as 308 Estações e Postos que constituem a
actual rede de balcões dos Correios de Portugal (CTT), são
pontos vitais para a vida das comunidades, proporcionando
uma miríade de serviços úteis para além da recepção e expe-
dição da correspondência. Este aspecto da oferta de múltiplos
serviços é tanto mais importante quando se trata de comuni-
dades mais isoladas e/ou envelhecidas.
Num mundo em mudança, em que o progresso das tele-
comunicações é tão galopante como importante, não se deve
– nem se pode – menosprezar qualquer possibilidade de
comunicar, a qual, sob variadíssimas formas é tão velha como
a humanidade.
Estabelecimentos postais por concelho, 2004
Alojamentos cablados, 2003
Nº
112 530 - 997 907
73 052 - 112 529
35 274 - 73 051
15 532 - 35 273
9 616 - 15 531
0 - 9 615
Nº
90
60
30
10
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 122
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 123
Sistema de Transportes
Apesar do forte desenvolvimento verificado nos sistemas
de comunicação de informação, a necessidade de mobilidade
das pessoas e bens não registou qualquer tipo de abranda-
mento. Portugal, sobretudo desde o momento da adesão à
CEE, actual União Europeia, apostou de forma forte e decisi-
va no incremento e melhoria das infra-estruturas rodo-ferro-
viárias, aeroportuárias e marítimas. Esta aposta teve reflexos
profundos nos níveis de serviço, nos movimentos e na pró-
pria organização do território e actividades económicas.
Portugal tem uma posição geográfica periférica no contex-
to europeu, mas central quanto ao Atlântico. Já no passado
esta posição favoreceu o protagonismo nacional como ele-
mento de charneira no sistema internacional e poderá vir a
ser, novamente, uma base para a estruturação de uma estraté-
gia de desenvolvimento nacional.
Importa, assim, analisar a problemática associada ao sector
dos transportes, de acordo com três perspectivas distintas,
mas complementares: a mobilidade interna, a articulação no
contexto europeu e integração no contexto global.
A maior e mais importante infra-estrutura associada ao sis-
tema de transportes é constituída pela rede rodoviária nacional
que, só no Continente, atinge mais de 16 500km, distribuídos
por 2 600km de Itinerários Principais (IP), 3 500km de Itine-
rários Complementares (IC), 5 300km de Estradas Nacionais e
5 100km de Estradas Regionais; e a estes números ainda há
que somar os das diferentes redes municipais.
São já remotos os tempos em que os serviços pioneiros de
transporte no Continente asseguravam, em meados do século
XIX, uma deslocação Lisboa-Porto em 5 dias em que se conju-
gava o transporte fluvial (Lisboa-Carregado) com o terrestre.
Mais recentemente, sobretudo a partir da década de 80 e no
contexto dos financiamentos oriundos da Comunidade Euro-
peia, as modificações introduzidas na infra-estrutura rodoviária
alteraram por completo o padrão de acessibilidades existente.
Este processo continua o seu desenvolvimento e de acor-
do com o Plano Rodoviário Nacional (PRN) ainda estão previs-
tos vários troços para reforçar a estrutura de conectividade
interna, as ligações terrestres à vizinha Espanha e a integração
no sistema rodoviário europeu.
Está planeada, no âmbito do PRN 2000, uma rede funda-
mental (composta pela estrutura de 9 IP) e uma rede comple-
mentar (com 37 IC), ambas com a maioria dos seus troços
com o perfil de auto-estrada. Estas duas redes constituem os
principais elementos estruturantes do sistema de mobilidade
de pessoas e bens no Continente e encontram-se em grande
parte já concretizadas e em alguns casos em fase de melhoria
da capacidade dos seus troços.
As recentes e profundas transformações da infra-estrutura
rodoviária têm, para além dos reflexos sobre os serviços de
transporte rodoviário, um primeiro impacte ao nível da rede-
finição da acessibilidade potencial.
Tráfego postal por concelho, 2004
Telefones por 100 habitantes, 2003
Nº
60
50
40
30
Unidades
expedidas (103)
421 040
35 000
15 000
5 000
1 000
500
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 123
Aveiro
Beja
Braga
Bragança
Caia
Castelo Branco
Coimbra
Évora
Faro
Fátima
Galegos
Guarda
Leiria
Lisboa
Portalegre
Porto
Quintanilha
S. Gregório
S. Leonardo
Santarém
Segura
Setúbal
Valença do Minho
Viana do Castelo
Vila Real
V.Real Sto António
Vila Verde de Ficalho
Vila Verde da Raia
Vilar Formoso
Viseu -22
-11
-20
37
22
26
30
13
-2
2
20
21
-3
-4
-13
-8
78
69
3
-17
12
6
-34
41
32
-23
-54
-25
-28
-16
-3
31
1
-8
-32
20
7
-2
53
-5
25
49
-10
-27
-23
-11
-8
-20
-8
3
77
2
-4
-38
25
3
57
-7
-17
-5
52
22
-25
47
30
34
64
-9
20
-10
-1
4
2
62
53
13
-25
-4
-9
33
-27
-23
-35
-43
-47
-20
1
25
-12
26
-20
-39
3
66
-5
21
-10
-9
5
-14
64
65
-21
-31
-2
-24
-7
-26
32
14
17
-1
-47
-10
-11
0
24
-18
-10
-29
2
4
15
10
-21
2
-20
-3
-11
1
5
14
-14
1
13
38
17
4
3
-13
7
11
8
-1
0
-12
0
-11
73
10
-18
-27
-5
23
-48
2
-15
-7
-5
42
-33
-15
11
-34
3
12
10
34
5
-6
-6
-4
-5
-4
-2
-43
-13
-32
29
8
11
-4
-53
-16
8
-3
21
1
-16
-10
-2
-20
3
-12
4
-10
-26
-6
100
-3
-10
-83
-25
-13
111
62
-1
104
-32
131
33
13
25
26
-18
15
13
16
11
-4
48
40
-1
-10
27
26
11
11
19
13
17
13
0
-1
12
11
-19
2
-2
3
64
0
3
27
-7
43
80
22
-2
-1
19
0
4
4
19
-5
-24
-12
8
10
-18
4
-18
14
4
1
27
-7
-5
1
-16
66
3
-23
-32
-10
29
29
42
-8
13
-13
1
-18
19
23
-22
119
55
-9
-1
9
0
55
-3
27
51
-10
-25
-21
68
41
-5
-103
62
3
51
59
-20
6
-10
42
15
-11
-19
66
-8
-4
-43
61
-7
-7
54
39
47
44
-20
-16
5
18
-24
-11
-5
-11
-10
-5
-36
-5
-9
35
-25
-21
-33
-43
-17
-18
3
27
0
19
-18
-19
21
25
14
68
15
0
-28
-1
13
14
-22
11
-21
12
68
5
24
-3
-24
2
-10
66
57
1
-21
0
0
5
-5
29
4
0
-3
0
-1
12
11
-13
2
-2
3
-6
0
3
28
2
-25
-5
20
-2
0
15
0
4
24
8
-39
43
35
9
24
22
16
-28
-17
29
30
-22
6
-41
2
-2
21
23
13
-15
5
-21
69
23
-24
-37
-8
-103
-100
-75
-50
-25
0
Decréscimo no nº de Km
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
124 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Variação das distâncias entre localidades, 1975/2001
Distâncias entre localidades
-103
-100
-75
-50
-25
sem alteração
Decréscimo no número de km
Aveiro
Barrancos
Beja
Bemposta
Braga
Bragança
Caia
Castelo Branco
Castro Marim
Coimbra
Évora
Faro
Fátima
Galegos
Guarda
Leiria
Lisboa
Madalena
Miranda do Douro
Moimenta
Monção
Monfortinho
Portalegre
Portela do Homem
Portelo
Porto
Quintanilha
Rio de Onor
S. Gregório
S. Leonardo
Santarém
Segura
Setúbal
Valença do Minho
Viana do Castelo
Vila Nova de Cerveira
Vila Real
V.Real Sto António
Vila Verde de Ficalho
Vila Verde da Raia
Vilar Formoso
Viseu 112
269
164
665
468
508
183
727
530
570
660
598
71
202
97
168
748
676
213
347
242
36
147
727
655
192
326
221
59
15
163
743
671
208
342
237
464
423
463
449
297
204
518
388
362
330
461
463
466
316
460
398
385
186
226
214
113
363
322
362
346
396
258
413
284
258
184
324
160
547
506
546
524
232
67
593
394
434
658
404
513
512
50
106
64
214
794
722
259
393
288
355
578
450
371
551
304
288
309
145
714
652
122
251
245
42
357
580
452
373
553
308
262
313
147
716
654
124
253
247
244
242
162
501
249
355
353
115
76
119
102
637
575
169
236
131
241
44
42
353
576
448
369
549
304
288
309
143
712
650
120
249
243
242
112
248
246
166
604
360
459
461
115
99
120
144
740
668
135
339
234
435
407
332
411
409
489
169
161
155
192
438
422
443
332
305
243
399
225
242
168
472
382
368
386
384
526
337
227
29
343
475
459
480
329
473
411
398
201
241
492
455
132
360
132
365
362
36
624
372
479
481
19
77
43
180
760
688
222
359
254
300
410
435
208
76
269
80
78
335
604
476
397
577
284
270
283
127
740
678
95
234
270
133
418
371
397
298
98
254
72
96
398
566
456
358
591
349
335
348
188
702
640
183
174
234
407
289
71
493
456
112
349
130
354
351
102
558
370
480
471
75
74
81
165
761
630
211
355
255
438
607
550
448
296
230
398
549
317
553
551
482
193
80
283
47
431
390
436
407
330
239
477
426
330
146
308
383
420
318
238
172
298
392
187
396
394
350
262
78
225
179
301
260
300
262
462
336
329
257
158
258
316
331
211
249
330
162
188
310
221
203
225
223
364
357
247
149
382
313
297
318
169
493
431
236
43
79
193
177
248
461
402
440
460
173
22
440
412
324
416
414
494
190
166
160
213
443
427
448
362
326
264
429
230
272
157
238
26
126
328
393
430
328
218
152
308
402
197
406
404
360
342
58
205
159
311
270
310
407
442
316
474
275
317
393
353
519
413
281
708
728
766
707
499
331
687
738
584
742
740
741
258
347
486
248
690
674
695
686
63
212
753
556
596
226
178
126
293
198
131
553
502
540
560
273
105
540
512
369
516
514
594
64
120
260
96
543
527
548
460
200
138
531
330
370
258
473
85
226
156
75
206
242
311
348
258
257
221
232
320
121
324
322
290
322
138
244
239
241
194
240
190
522
396
257
185
86
518
197
60
438
323
490
458
326
753
699
737
752
470
302
737
709
629
713
711
785
229
392
457
293
735
734
740
656
7
149
723
527
566
401
188
204
430
149
104
93
169
227
421
302
340
522
70
99
402
312
299
316
314
554
268
158
57
274
405
407
410
260
404
342
327
130
170
216
291
338
94
226
269
95
305
289
216
556
514
552
556
285
74
536
524
404
528
526
588
111
184
272
181
539
447
539
472
294
232
539
342
386
500
288
685
296
488
714
378
388
197
368
498
280
79
57
295
358
383
223
20
217
25
23
327
552
424
345
525
278
262
283
119
688
626
106
225
219
211
488
354
689
184
492
639
260
392
262
250
380
69
274
263
84
424
387
48
235
64
239
237
118
556
312
411
413
67
51
72
96
692
620
141
291
186
235
126
497
285
682
339
485
711
430
385
194
450
508
302
39
178
319
355
380
283
150
241
154
152
351
549
439
342
555
302
305
302
143
685
623
210
157
217
563
502
566
172
282
119
336
78
149
256
204
371
276
179
570
580
618
570
532
183
550
590
447
594
592
602
110
198
339
144
553
520
552
536
122
61
605
408
448
101
604
531
607
154
323
189
365
107
245
285
218
412
305
238
599
621
659
599
393
197
579
631
476
635
633
631
57
227
380
203
582
549
581
579
192
50
646
449
489
406
403
301
129
282
388
252
568
77
325
523
153
290
163
143
273
197
318
313
197
321
285
177
306
74
310
308
229
363
205
308
306
180
147
179
163
572
463
234
192
87
Distâncias quilométricas tendo por base os melhores percursos
É no tempo de deslocação em transporte individual que se
regista o primeiro impacte, verificando-se que as distâncias-
-tempo das viagem no interior do Continente se encontram
substancialmente reduzidas em relação ao que se verificava
anteriormente.
Os serviços de transporte de pessoas e mercadorias, nas
ligações terrestres através do sistema rodoviário, assumem
um significado evidente no contexto das deslocações do Con-
tinente.
A faixa dos distritos litorais entre Lisboa e Porto, por ser
uma das áreas mais povoadas do continente, concentra os
principais fluxos de tráfego rodoviário.
O significado dos transportes terrestres é também eviden-
te na estruturação dos serviços de transporte rodoviário que
cobrem todo o território continental com particular evidência
para o eixo litoral em concorrência com o modo ferroviário.
A actual rede do sistema ferroviário centra-se sobretudo no
litoral com eixos de penetração para o interior com ligações a
Espanha. Desde meados da década dos anos 90 os caminhos-
-de-ferro transportam, por ano, cerca de 178 milhões de pas-
sageiros e 9,3 milhões de toneladas de mercadorias, numa rede
que tem uma extensão na ordem dos 3 000km.
A grande alteração que se avizinha ao nível ferroviário e que
tem criado fortes expectativas sobre o seu possível impacte,
Variação das distâncias tendo por base os melhores percursos
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 124
ATLAS DE PORTUGAL IGP 125
Plano Rodoviário Nacional, 2004
Rede de serviço expresso
rodoviário, 2004
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
IP
IP (estrada em construção)
IP (estrada a lançar)
IP (estrada em construção 2ª faixa)
IP (estrada a lançar 2ª faixa)
IC
IC (estrada em construção)
IC (estrada a lançar)
IC (estrada a lançar 2ª faixa)
EN
EN (estrada a lançar)
ER
ER (estrada a lançar)
EM
EM (estrada a lançar)
N
0 25 50 km
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 125
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
126 ATLAS DE PORTUGAL IGP
designadamente sobre as ligações aéreas Lisboa-Porto, é a do
início da exploração dos comboios de alta velocidade, cuja rede
irá estruturar o sistema ferroviário nacional e sua respectiva liga-
ção à Europa. O traçado desta rede, na sua versão actual, resul-
ta do Acordo de Ligações Internacionais em Alta Velocidade e Rede Con-
vencional, assinado no âmbito da XIX Cimeira Ibérica, Figueira da
Foz (2003): liga o norte ao sul do Continente ao longo do lito-
ral até Lisboa e, depois, pelo centro até Faro, passando por Évo-
ra. Destacam-se as três ligações a Espanha que constituem uma
oportunidade única para o reforço das plataformas logísticas da
fachada atlântica, designadamente dos portos de Lisboa e Sines,
através da articulação entre modos complementares de trans-
porte de mercadorias pesadas. No Norte, a ligação à Galiza vem
fortalecer os laços económicos já existentes. No Alentejo, Évo-
ra será a principal beneficiária da ligação rápida Lisboa-Madrid.
No Sul, a ligação a Sevilha, vem fortalecer as oportunidades do
Algarve, quer como destino turístico, quer como porta de entra-
da para a Andaluzia e Sul de Espanha.
Distâncias-tempo a partir das sedes de concelho, 2004Acessibilidade potencial a Lisboa, Porto e Faro, 2004
Distância-
-Tempo
(minutos)
121-330
91-120
61-90
31-60
16-30
0-15
Minutos
61-130
31-60
21-30
11-20
6-10
0-5
Sede de concelho
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 126
Rede Ferroviária Nacional, 2004
OS HOMENS E O MEIO
Comunicações e mobilidade da população
ATLAS DE PORTUGAL IGP 127
Serviço Alfa Pendular
Serviço Intercidades
Serviço Interregional
Serviço Regional
Estações Alfa Pendulares
Estações Intercidades
Estações Interregionais
Estações Regionais
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:36 Página 127
130 ATLAS DE PORTUGAL IGP
ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO
DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS
EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS
ACTIVIDADES DA TERRA
A AGRICULTURA
AGRICULTURA EM MODO DE PRODUÇÃO
BIOLÓGICO
PECUÁRIA
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
PRODUTOS TRADICIONAIS
A FLORESTA
A CAÇA
A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS EXTRACTÍVEIS
RECURSOS VIVOS MARINHOS
UM SECTOR ESTRATÉGICO
O SECTOR DAS PESCAS
ECONOMIA E
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
CRESCIMENTO ECONÓMICO
OS SECTORES DE ACTIVIDADE E A DIFERENCIAÇÃO
REGIONAL
MERCADO EXTERNO E COMPETITIVIDADE
A COESÃO SOCIAL
O DESENVOLVIMENTO HUMANO
TEMPO DE TURISMO
O TURISMO BALNEAR
NOVOS PRODUTOS
UM SECTOR ESTRATÉGICO DE FUTURO
POLÍTICAS DO TERRITÓRIO
A ADMINISTRAÇÃO
O PLANEAMENTO
A QUALIFICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:46 Página 130
ATLAS DE PORTUGAL IGP 131
O PAÍS
SOCIOECONÓMICO
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 131
132 ATLAS DE PORTUGAL IGP
ECONOMIA PORTUGUESA:
ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE
MUDANÇAS INTERNAS E
AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS
AUGUSTO MATEUS
A dificuldade da articulação entre as dinâmicas internas e
internacionais traduz, aliás, uma característica secular, quase
permanente, que molda, afinal, a própria trajectória de
muito longo prazo da:
— Economia de uma sociedade europeia que, se foi precoce
(final do século XIV e século XV) na manifestação dos
primeiros sinais de afirmação da burguesia como classe e do
capitalismo como forma de organização económica, foi
tardia (final do século XIX e meio do século XX) na plena
afirmação das realidades industriais e urbanas que
caracterizaram a plena afirmação de ambos;
— Economia de um Estado europeu que, sendo dos
primeiros a construir um império, beneficiando
duradouramente do respectivo retorno económico, no plano
interno, foi o último a descolonizar, sendo, talvez, o que
revelou maiores dificuldades de adaptação na montagem de
novas, equilibradas e significativas relações económicas com
as antigas colónias, seja na América, na África ou na Ásia;
— Economia de referência de empresários europeus que,
tendo liderado, com os Descobrimentos, a formação da
primeira configuração uma economia verdadeiramente
mundial, e tendo tido a ‘sorte’ (ou o ‘azar’...) de encontrar
sucessivos ciclos de comércio internacional proveitoso,
foram conhecendo dificuldades crescentes, seja na
diversificação de mercados, seja na diversificação e
valorização dos produtos de exportação, com a progressiva
internacionalização do comércio e do investimento,
sobretudo quando ela, acentuando a sua profundidade, se
passou a designar por globalização (os mares, onde os navios
portugueses dominaram esmagadoramente, como se sabe,
nos séculos XVI e XVII, com mais de dois terços dos efectivos,
exprimem com dureza este processo uma vez que, nos
nossos dias, bastante menos de 1% da frota comercial
mundial tem origem portuguesa).
A dificuldade da articulação entre as dinâmicas internas e
internacionais, que se justifica por um vasto e complexo
conjunto de factores e fenómenos históricos, sociais,
culturais, religiosos e políticos, muito para além dos aspectos
estritamente económicos, prende-se, também, com duas
questões relevantes que importa referir.
Em primeiro lugar, estas dificuldades apresentam um lado
particularmente estimulante, na medida em que
representam como que um ‘preço a pagar’ pelas sucessivas
realizações em matéria de superação da pequena dimensão
do território e da população que, em Portugal, suportam o
Estado e estruturam a economia. Outras sociedades
europeias de pequena dimensão, como é o caso da Bélgica e
Holanda, na velha região da ‘Flandres’, terão encontrado
uma solução diferente, e eventualmente melhor, para estas
dificuldades enveredando de forma mais determinada e
A evolução da economia portuguesa, tomada no ciclo longo que nos trouxe
do rescaldo da segunda guerra mundial do século XX até aos primeiros anos
do século XXI, corresponde, nas suas grandes linhas, a sucessivas
manifestações de avanços e recuos, de sucessos e desaires, no
desenvolvimento do processo de articulação entre as exigências competitivas
da globalização das economias e dos mercados, em aceleração desde os
choques do petróleo, e o ritmo e alcance das mudanças internas em termos
de qualidade da organização empresarial, competência dos recursos
humanos e eficácia e sustentabilidade dos modelos de governo
e administração pública.
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 132
ATLAS DE PORTUGAL IGP 133
qualificada para a plena especialização em funções de
intermediação entre os grandes espaços económicos da
economia mundial e percebendo as vantagens da ‘abertura’
sobre o ‘fecho’ das respectivas economias, mas muitas outras
não se conseguiram aproximar da relevância alcançada pela
sociedade portuguesa. O último grande investimento
português em Macau (um moderno aeroporto sem qualquer
ponto de contacto com a agenda portuguesa prática para
o início do século XXI) constitui, seguramente, um bom
exemplo da perda de coerência e do agravamento das
limitações surgidas das contradições suscitadas pelas
oscilações entre as opções por uma ‘lógica de império’,
sem base dimensional, político-militar e técnico-económica,
suficiente, ou por uma ‘lógica de intermediação’, sem
suficiente cultura de risco, abertura e cosmopolitismo.
Em segundo lugar, estas dificuldades apresentam um lado
bem menos estimulante, na medida em que representam
uma espécie de ‘deficiência’ associada a uma incapacidade
crónica de ordenamento do território e de valorização da
diversidade da geografia física e humana do país, produzindo
uma minimização e fragmentação da base espacial
da economia portuguesa e uma exagerada rivalidade
regionalista alimentada pela difusão de referenciais
demasiado comuns e imitativos, para os modelos de
produção e de consumo, e por formas de centralismo que
foram gerando progressivamente uma capital demasiado
grande para o país e demasiado pequena para a Europa
e para o Mundo. A resistência secular de uma organização
administrativa do país sem correspondência com a evolução
das realidades urbanas e empresariais, bem como
a proliferação, mais recente, da criação de ‘cidades’ sem
a dimensão de vilas ou de ‘áreas metropolitanas’, sem
a dimensão de cidades médias, constitui uma boa expressão
destas dificuldades associadas à gestão estratégica
do território, onde o ‘grande’ (exigindo centralização
e selectividade) e o ‘pequeno’ (exigindo descentralização
e equidade) parecem, quase sempre, assustar os modelos
estabelecidos de governação.
As dificuldades de articulação entre as dinâmicas interna e
externa encontram expressão, também, neste muito longo
prazo, no claro predomínio de estratégias incompletas
e unilaterais de crescimento económico, fossem elas
introvertidas (‘viradas para dentro’) ou extrovertidas
(‘puxadas de fora’), sobre algumas breves tentativas
estratégicas, mais completas e equilibradas, polarizadas pela
ideia de um desenvolvimento ‘a partir de dentro’, até porque
esse foi, quase sempre, o sentido prevalecente dos
mecanismos de suporte das principais forças económicas
e políticas.
A democratização (1974) e a plena integração da sociedade
portuguesa no processo de construção europeia (1986)
constituem, simultaneamente, as grandes rupturas e os
grandes marcos na evolução da economia portuguesa nos
últimos sessenta anos, tendo criado, à entrada do século XXI,
um regime económico e social onde não é reconhecível
quase nenhum dos traços do regime económico e social
vigente, à saída da segunda guerra mundial do século XX,
nomeadamente no que respeita
às formas de regulação dos mercados, aos mecanismos
de protecção social e à própria dimensão do sector público,
muito mais relevante como empregador, muito menos
relevante como produtor.
A economia portuguesa encontra-se, assim, finalmente,
plenamente inserida, nos nossos dias, nos exigentes desafios
de uma complexa articulação entre o funcionamento
conjunto do ‘mercado’ e da ‘democracia’, enquanto grandes
mecanismos de coordenação em acção e onde quer a
qualidade das estratégias de investimento e consumo, quer
a qualidade das formas de regulação e regulamentação
se tornaram ainda mais decisivas para o desenvolvimento
económico e social e para a qualidade de vida
das populações.
O impulso da democratização...
A democratização da sociedade portuguesa iniciou-se em
1974 que representou, igualmente, um momento explícito
de viragem à escala mundial, não só em termos económicos,
mas também com significativas transformações de origem
política, militar, social e cultural.
Os anos 70 foram, com efeito, marcados, no terreno
económico, pela combinação e desenvolvimento de quatro
rupturas que moldaram a transição de um crescimento
económico rápido e regular, conhecido na fase pós-guerra,
para um crescimento económico bem menos rápido e bem
mais irregular, na fase actual. Essas rupturas envolvem, em
linhas muito genéricas, os seguintes aspectos:
— Uma ruptura energética que, para além dos efeitos dos
vários ‘choques petrolíferos’, traduzidos em fortes oscilações
dos preços relativos, conduziu a uma alteração substancial
de normas de produção e de consumo criadas num
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 133
134 ATLAS DE PORTUGAL IGP
contexto, ultrapassado, de energia abundante e barata.
— Uma ruptura monetária e financeira, traduzida na
instabilidade estrutural do ‘sistema’ monetário internacional
e no enorme dinamismo dos mercados financeiros, e que
conduziu a uma muito difícil articulação entre a ‘economia
real’ e a ‘economia financeira’ no quadro, mais geral, da
afirmação de formas de ‘capitalismo patrimonial’ suportadas
pela financiarização generalizada de activos;
— Uma ruptura na natureza do crescimento industrial,
traduzida no esgotamento das formas de organização do
trabalho e de relação ecológica que estavam associadas ao
modelo então prevalecente, que tem conduzido a alterações,
relativamente radicais, no conteúdo em emprego
do crescimento económico (muito menor, em termos
quantitativos, muito mais exigente, em termos de
qualificações);
— Uma ruptura demográfica, traduzida em transformações
profundas nos perfis de natalidade e mortalidade e nos
modelos de organização familiar, dominadas pelo
envelhecimento no ‘velho’ mundo e acentuação dos fluxos
migratórios, com reflexos relevantes no dinamismo
económico, moderando-o na Europa e no Japão,
acentuando-o nos grandes países emergentes.
O crescimento económico português, no ciclo longo
em análise, produziu, neste quadro, um conjunto de
transformações de grande alcance que são normalmente
associadas, no referencial do emprego nos grandes sectores
de actividade, à perda da posição dominante da agricultura,
primeiro em favor da indústria, no final dos anos 60, depois
em favor do comércio e serviços, no início dos anos 70, que,
por sua vez, vieram a ultrapassar a indústria e construção no
início dos anos 80. A economia portuguesa realizou, assim,
em pouco mais de uma década, a passagem
da ‘desruralização’ à ‘terciarização’, processo que na
generalidade dos países europeus tinha requerido mais
do que uma geração a exprimir-se plenamente.
A análise das três décadas de crescimento económico que
trouxeram a economia portuguesa da abertura comercial,
nos anos 60, à concretização da plena adesão à União
Europeia, nos anos 80, no plano da repartição sectorial dos
recursos, do emprego e do valor acrescentado pelas grandes
actividades económicas, revela uma alteração estrutural
realmente profunda com repercussões muito relevantes na
configuração global da sociedade portuguesa,
nomeadamente em aspectos como a ocupação do território,
a urbanização, a demografia, as estruturas familiares,
os modelos culturais e de consumo e o grau e formas
de abertura ao exterior.
A evolução das grandes actividades económicas, intermédias
ou finais, reflecte uma transformação estrutural igualmente
significativa, cuja tendência pesada é representada, mais
detalhadamente, por três movimentos bem definidos:
— O reforço dos segmentos associados ao esforço directo
e indirecto de exportação nas cadeias têxtil (‘puxado’ pela
ascensão da confecção e do calçado) e metálica (‘puxado’
pela ascensão do material eléctrico e dos componentes para
automóveis);
— A estabilidade de longo prazo, embora com algumas
oscilações mais ou menos significativas ao longo dos anos
70, dos segmentos associados ao esforço directo e indirecto
de satisfação do consumo nas cadeias alimentar e metálica
e de exportação na cadeia florestal;
— O recuo mais ou menos acentuado dos segmentos
associados ao esforço directo e indirecto de satisfação do
consumo, na cadeia têxtil, e de equipamento duradouro nas
cadeias metálica e de materiais de construção.
...e da plena integração europeia
A plena integração da economia portuguesa no processo
de construção europeia possibilitou, para além de favorecer
a consolidação do processo de democratização da sociedade
portuguesa, concretizar um significativo conjunto
de transformações num ambiente caracterizado por um
significativo crescimento económico e por uma razoável
estabilidade macroeconómica.
A economia portuguesa pode, assim, alcançar resultados
positivos, quer nos seus esforços de convergência real,
aproximando o seu nível médio de vida, medido em
paridades de poder de compra, do nível médio de vida na
União Europeia (UE-15), passando de cerca de 55%, no ano
da adesão, para cerca de 70%, no ano de entrada em vigor
da moeda única, no final dos anos 90, quer nos seus esforços
de convergência nominal, reduzindo drasticamente as
disparidades em matéria de inflação e taxas de juro, o que
viria a permitir, em 1997, a entrada do país no grupo
dos fundadores da moeda única europeia.
Os esforços de convergência nominal e real coexistiram,
no entanto, com alguns traços particulares de modelo de
desenvolvimento, nomeadamente os que se traduziram num:
— Crescimento económico muito mais ‘puxado’ pelo
ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO
DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E
AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 134
ATLAS DE PORTUGAL IGP 135
aumento conjuntural do emprego apoiado numa
conservação da especialização produtiva em actividades
dotadas de insuficiente qualificação e diferenciação, do que
‘empurrado’ pelo crescimento sustentado da produtividade
ancorado numa mudança da especialização produtiva e dos
modelos de negócio em direcção a actividades de maior
produtividade e valor acrescentado;
— Crescimento onde o ritmo de expansão do consumo
público se revelou bem mais elevado do que o verificado
no conjunto das economias da União Europeia, por ‘boas’
(recuperação de atrasos em matéria de infra-estruturas
e protecção social, nomeadamente) e ‘más’ (ineficiência
e ineficácia dos aparelhos de administração e gestão,
insuficiente planeamento e controlo das despesas correntes,
baixa produtividade, nomeadamente) razões;
— Crescimento com uma significativa tendência de
desequilíbrio externo evidenciada por um ritmo de
crescimento das importações de bens e serviços que foi
superando, fora dos períodos de recessão, quase sempre
o das exportações e mantendo, desse modo, um défice
comercial de natureza estrutural (a evolução o défice
comercial nas relações com a Espanha ilustra bem esta
tendência).
O modelo de crescimento adoptado, não implicando uma
forte progressão qualitativa nem uma significativa
transformação da especialização de actividades, privilegiando
investimentos centrados no capital físico, seja ao nível
empresarial onde a renovação e modernização de
equipamentos se sobrepôs, com clareza, aos investimentos
imateriais, de organização ou de desenvolvimento do capital
humano, seja ao nível das infra-estruturas, onde a lógica da
respectiva construção se sobrepôs, também com clareza,
à lógica da respectiva utilização eficiente, da prestação de
serviços à logística, configurou-se, portanto, basicamente
como um modelo extensivo, apoiado, muito mais, na
criação de empregos num número limitado de actividades
do que na obtenção de ganhos significativos em termos
de produtividade (‘mais do mesmo’).
A economia portuguesa manteve, nesse contexto, uma taxa
de desemprego relativamente associada a subidas moderadas
do salário médio real, desempenho obtido, em grande parte,
pelo dinamismo da procura interna suportado pelo
progressivo endividamento das famílias e do sector público.
Com efeito, nos factores internos de dinamização da
economia portuguesa contaram, em muito, quer a expansão
do consumo de bens duradouros das famílias, ligado muito
em particular à construção, habitação e imobiliário e
induzido pela redução das taxas de juro, quer a expansão
da despesa corrente do Estado claramente acima do que
seria exigido por uma consolidação orçamental plenamente
orientada para concretizar os ajustamentos competitivos
e as reformas estruturais necessárias para enfrentar com
sucesso os desafios colocados pela globalização e pela lógica
de aprofundamento e alargamento da União Europeia.
A progressiva perda de ‘fôlego’ da convergência real,
sobretudo em termos de produtividade, revela bem que a
economia portuguesa se foi aproximando de uma
‘encruzilhada estratégica’, isto é, de uma situação em que não
só se esgotaram, em larga medida, quer o modelo de
crescimento económico, quer os factores competitivos em
acção nas duas últimas décadas, como se tornou claro que
os efeitos de dinamização da procura interna não seriam
sustentáveis no futuro, explicando, em boa parte, as
dificuldades de crescimento na economia portuguesa,
sentidas de forma expressiva a partir da entrada no século XXI.
A degradação do ritmo, e da qualidade do crescimento
económico, manifestou-se através do duro confronto com
uma produtividade demasiado baixa e uma especialização
produtiva demasiado vulnerável para os desafios da
globalização e da união económica e monetária, numa
Europa em alargamento a Leste, através do desequilíbrio
estrutural nas contas públicas, que vai reduzindo
a capacidade de manutenção e desenvolvimento
das infra-estruturas e serviços colectivos de eficiência,
coesão e competitividade.
A união económica e monetária
e o alargamento colocam novos desafios
O problema enfrentado pela economia portuguesa foi,
afinal, o da descoberta de que, num espaço europeu em
alargamento e aprofundamento, o início do caminho era
bem mais fácil do que a respectiva consolidação, ou, noutras
palavras, parece bem mais fácil ser ‘bom aluno’ como ‘país
da coesão’ do que como ‘país da moeda única’.
A economia portuguesa encontra-se, na fase actual, numa
fase crucial do seu processo de desenvolvimento e
modernização marcada, no essencial, pela necessidade de
desenvolver um vasto conjunto de ajustamentos estratégicos
suscitados quer pelo novo regime económico resultante da
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 135
136 ATLAS DE PORTUGAL IGP
concretização da União Económica e Monetária, quer pelo
alargamento da União Europeia a um vasto conjunto de
países dotados, de um modo geral, de níveis de remuneração
bastante mais baixos e de níveis de educação e qualificação
da sua população activa bastante mais elevados do que
os verificados em Portugal.
As alterações verificadas na política económica portuguesa
resultantes quer da perda dos instrumentos monetários
e cambial, transferidos para a nova dimensão da política
monetária e cambial da União Europeia, conduzida com
independência pelo Banco Central Europeu e dominada por
um mandato centrado na defesa da estabilidade dos preços,
quer da redução da margem de manobra das políticas
orçamental e fiscal, sujeitas a um regime de rigor e
harmonização impostas por um Pacto de Estabilidade e
Crescimento, exprimem com clareza a necessidade e o alcance
desses ajustamentos no plano das políticas públicas.
As alterações verificadas nas condições de localização
do investimento internacional na Europa, onde os países
da Europa do Sul, e em especial Portugal, se tornaram bem
menos atractivos do que os países do alargamento, enquanto
‘nova fronteira’ de transição e crescimento económico
interna à própria União Europeia, seja por razões de custos
unitários da produção, seja por razões logísticas, exprimem,
com igual clareza, a necessidade e o alcance desses
ajustamentos no plano do funcionamento das actividades
económicas, do mercado de trabalho e das estratégias
empresariais.
As debilidades competitivas da economia portuguesa,
traduzidas, num nível de produtividade que se tem mantido,
persistentemente, muito abaixo do atingido pelos nossos
parceiros da União Europeia, mesmo daqueles que
connosco partilham objectivos de convergência real,
correspondem, no essencial, a uma certa ‘cristalização’
da nossa especialização internacional em actividades de
transformação de baixo/médio valor acrescentado, inseridas
em formatos de subcontratação e sem especial espessura
ao nível das actividades de investigação, concepção
e distribuição.
A economia portuguesa tem vindo a assistir a uma
progressiva deterioração da rendibilidade potencial do seu
sector exportador, a partir do momento em que, terminado
o ciclo de desvalorização do escudo que repunha,
artificialmente, a competitividade-preço das exportações,
não se assistiu a uma suficiente alteração estrutural dos
factores competitivos em direcção à competitividade
não-custo, da especialização internacional em direcção
a actividades de maior valor acrescentado.
Portugal apresenta um dos maiores desequilíbrios na relação
entre evolução de preços e custos, penalizando
significativamente a rendibilidade das actividades de bens
e serviços transaccionáveis e gerando uma espécie de
‘desconexão’ entre a evolução dos preços e custos internos e
dos preços e custos internacionais.
A afirmação desta forma particular de dualismo económico
e, nesse sentido, de degradação da coesão económica do
País, traduzida em restrições cada vez mais duras para a
operação das actividades de bens transaccionáveis, seja em
termos de preços e margens reduzidos, seja em termos de
ajustamentos mais fracos e lentos na melhoria do quadro
de remuneração dos factores produtivos (rendibilidade das
empresas e/ou remuneração do trabalho), enquanto
as actividades de bens e serviços não transaccionáveis vão
escapando a essas restrições com níveis de progressão
de preços bem mais elevados, que tendem a atrasar os
processos de reorganização e desenvolvimento tecnológico,
necessários para gerar aumentos sustentados de
produtividade, e a agravar, gerando uma inflação interna
mais elevada, as dificuldades competitivas das actividades
expostas à concorrência internacional.
A pressão sobre o nível de coesão interna da economia
portuguesa é especialmente relevante no quadro da
formação de uma Europa alargada, que coloca, como vimos,
novas questões e dificuldades, nomeadamente as que
relevam da articulação entre uma necessidade de acelerar
a mudança do padrão de especialização em direcção
a actividades e modelos de negócio baseados em factores
avançados e sofisticados, por um lado, e uma necessidade
de ganhar dimensão e corrigir as desvantagens de uma
localização relativamente periférica, em relação ao novo
centro de gravidade desta Europa alargada, acelerando o
esforço global de abertura e internacionalização da economia
portuguesa.
ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO
DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E
AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 136
ATLAS DE PORTUGAL IGP 137
Autarcia e Proteccionismo (antes de 1959)
Protecção concorrencial interna e externa, salários e qualificações
muito baixos; Permanência de uma relevância global do modelo
colonial; Preponderância do pequeno mercado doméstico sujeito
a uma forte regulação estatal suportada por múltiplos
condicionamentos de tipo administrativo; Fraco dinamismo
económico estrutural e muito baixa produtividade num contexto
de ‘relações industriais’ congeladas pela organização corporativa;
Modelo de consumo truncado, limitado pelo baixo nível de vida da
população e polarizado pela despesa alimentar; Muito baixos níveis
globais de escolaridade e persistência de níveis elevados de
analfabetismo.
Abertura Comercial (EFTA) e Emigração
(1959/1973)
Desarmamento pautal controlado e maior acesso aos mercados
europeus ‘atlânticos’ e ‘nórdicos’ para certos produtos industriais;
Formação de um sector exportador mais moderno apoiado em
actividades de transformação de recursos naturais ou intensivas em
mão-de-obra; Desenvolvimento de uma emigração massiva para
o espaço central europeu (em especial, França e Alemanha)
arrastando um maior crescimento salarial em segmentos de
escassez ou qualificação mais elevada; Progressiva decomposição
do modelo colonial e da gestão administrativa das barreiras
à entrada nas actividades económicas; Crescimento significativo
da população nos centros urbanos; Passos muito limitados
nos mecanismos de protecção social do ‘Estado Providência’;
Lenta melhoria dos níveis de escolaridade.
Choques Petrolíferos, Descolonização
e Democratização (1974/1985)
Inflação elevada; Energia cara; Descolonização e perda de
relevância do ‘comércio colonial’; Nacionalização dos principais
grupos financeiros (bancos, seguros, indústria); Consagração das
liberdades democráticas, direitos laborais alargados, melhoria
significativa das condições de remuneração e redução do tempo
de trabalho; Reorganização das associações empresariais e sindicais
num quadro não corporativo; Desvalorização continuada do
escudo no quadro da resposta a crises na balança de pagamentos
(acordos com o FMI); Crescimento relevante do mercado
doméstico pelo aumento conjugado da população (travagem
abrupta da emigração e absorção dos retornados das ex-colónias)
e do poder de compra; Alargamento da escolaridade no secundário;
Maior presença nos mercados europeus e início da modernização
do modelo de consumo pela expansão do nível de equipamento
doméstico associado à urbanização concentrada.
Plena Adesão às Comunidades Europeias no
caminho do Mercado Interno Europeu
(1986/1992)
Início do acesso aos fundos estruturais europeus para desenvolver
infra-estruturas e apoiar o investimento produtivo privado;
Melhoria generalizada das condições básicas de vida e
desenvolvimento rápido dos mecanismos de protecção social;
Energia barata; Crescimento extrovertido e rápido, reflectindo
a ascensão de novas actividades de exportação dinamizadas pelo
investimento estrangeiro (automóvel, electrónica); Forte
penetração das importações no mercado doméstico em resposta
à modernização do modelo de consumo; Conjuntura de elevadas
taxas de juro; Afirmação de desequilíbrios orçamentais e perda
de eficiência fiscal; Passos na liberalização da ‘regulação estatal’
dos mercados com a eliminação dos controlos de preços e o início
do processo de privatizações; Recessão e degradação financeira
de muitas empresas no final do período.
Convergência Real e Nominal no caminho
da União Económica e Monetária Europeia
(1993/1999)
Intensificação do papel dos fundos estruturais no crescimento
económico, com a consolidação do investimento público e dos
incentivos ao investimento privado, através dos Quadros
Comunitários de Apoio a Portugal; Ligeira revalorização do escudo
e estabilização com a adesão ao mecanismo de taxas de câmbio do
Sistema Monetário Europeu, no quadro da preparação da moeda
única; Desinflação sustentada, com convergência para os valores
médios europeus, e redução sensível das taxas de juro; Aceleração
do processo de privatizações e redução do peso relativo da dívida
pública; Aumento da escolaridade no ensino superior; Empresas,
sectores e regiões com várias velocidades de modernização; Início
da internacionalização ao nível do investimento directo no exterior;
Abertura financeira e início do uso mais intensivo às tecnologias
de informação e comunicação.
Crise das Finanças Públicas e Dificuldades de
Convergência numa Europa de Moeda Única
e em Alargamento (depois de 2000)
Progressiva dificuldade em lidar com as exigências do Pacto de
Estabilidade e Crescimento (défice excessivo em 2001, défices
elevados, só contidos com receitas extraordinárias em 2002, 2003
e 2004); Manutenção de taxas de juro baixas; Aumento
generalizado do endividamento, das empresas, do sector financeiro
e do Estado e, muito especialmente, das famílias; Perda de
competitividade agravada pela valorização do euro e por uma
inflação interna tendencialmente superior à inflação média na
União Europeia; Progressiva transição da situação de ‘país
da coesão’ para a de ‘país da moeda única’; Aceleração drástica das
formas de integração económica entre Portugal e Espanha, que
se torna no seu principal parceiro, sucedendo ao Reino Unido
e ao eixo composto pela França e Alemanha; Os processos
de deslocalização industrial acentuam a necessidade de melhorias
muito significativas no padrão de especialização, na organização
empresarial e nos níveis de produtividade, pressionadas pelo
alargamento aos países da Europa Central com níveis de educação
mais elevados e níveis de salários mais baixos.
SEIS GRANDES PERÍODOS HISTÓRICOS
NA EVOLUÇÃO MAIS RECENTE
DA ECONOMIA PORTUGUESA
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 137
Fernando Ribeiro Martins
ACTIVIDADES DA TERRA
Regiões agrícolas
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
138 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Embora as condições
naturais do País (à excepção
de algumas ilhas dos Açores)
não sejam propícias para a
agricultura, Portugal tem
sido, até hoje, considerado
como um país agrícola.
A agricultura, porém, tem
vindo a perder
importância no
conjunto da
economia portuguesa,
à semelhança do que
se verifica em todos
os países
industrializados.
O peso do sector no
Produto Interno Bruto (PIB)
desceu mais de 3% entre
1988 e 2001 e 2,8% entre
1999 e 2001, mas continua
a ser mais elevado do que
o registado na média da UE.
O emprego na agricultura,
que representava quase 22%
do emprego total no
primeiro período, caiu para
menos de metade (10,2%)
entre 1999 e 2001. Por outro
lado, o valor acrescentado da
agricultura é muito variável,
sendo a produção total das
mais irregulares de toda
a UE, sendo o clima um
dos grandes responsáveis.
BEIRA
LITORAL
ENTRE
DOURO
E MINHO
TRÁS-OS-MONTES
BEIRA
INTERIOR
ALENTEJO
ALGARVE
OESTE
AÇORES
MADEIRA
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 138
A agricultura
Desde a adesão de Portugal à ex-CEE, a produção agrícola
tem crescido menos do que a oferta alimentar. O resultado é
um défice crescente do grau de auto-suficiência em produtos
agrícolas. Em 2002 Portugal produziu apenas 1/4 dos cereais
consumidos, cerca de 2/5 do trigo e do milho, 1/3 das oleagi-
nosas e do vinho de mesa, 2/3 da batata, 4/5 dos frutos e meta-
de do arroz, para referir apenas alguns exemplos. Houve no
entanto excedentários em alguns produtos tais como vinhos de
qualidade (mais do dobro do que os consumidos) e hortícolas,
(cerca de vez e meia); havia défice nas carnes de bovino, suíno,
caprino e ovino, cuja produção representou pouco mais de 3/5
Terra arável dentro das explorações, 1999
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 139
%
100
75
50
30
15
Sem terra arável
Outras áreas: 1,2
Improdutivos: 1,7
Áreas sociais: 2,8
Incultos: 23,1
Agricultura: 33,5
Floresta: 37,7
%
N
0 25 50 km
Ocupação do solo, 1999
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 139
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
0
1 000
2 000
3 000
4 000
5 000
6 000
7 000
70
72
74
76
78
80
82
84
Grau de auto-suficiência
(%)
Produção agrícola
(milhões de ecus)
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
Intracomunitárias
Extracomunitárias
Intracomunitárias
Extracomunitárias
IMPORTAÇÕES
EXPORTAÇÕES
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
Valor acrescentado (1999)
Emprego total (2001)
MadeiraAçoresAlgarveAlentejoLisboaCentroNorte
14,1
33,1
5,2
11,1
14,6
12,7
15,8
2,8
4,1
2,0
10,5
4,3
8,4
1,9
(milhões de ecus)
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
140 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Comércio agro-alimentar
português: fluxos comerciais
intra e extra comunitários, 1988/2002
Produção agrícola total e grau de
auto-suficiência em produtos agrícolas,
a preços correntes, 1988/2001
do consumo interno, embora o conjunto da produção animal
ultrapasse ligeiramente as necessidades. A agricultura tem uma
importância muito variável segundo as regiões. Em termos de
emprego é especialmente importante na região Centro, mas é
no Alentejo que o valor acrescentado é mais elevado. A antiga
NUT Lisboa e Vale do Tejo era a região que apresentava a
menor importância, embora aqui se concentrem os pomares e
as vinhas mais produtivas de Portugal.
A contribuição das regiões Norte e Centro para a produ-
ção agrícola nacional tem vindo a diminuir, principalmente
na região Norte (25,1% em 1995/96; 23,7% em 1990/00),
embora a agricultura continue a ser muito importante na eco-
nomia local destas regiões que apresentam padrões de espe-
cialização muito semelhantes quanto à produção vegetal. Os
produtos hortícolas, os frutos (incluindo as uvas) e o vinho
representam os principais sectores da produção. O vinho é
especialmente importante na região Norte, representando
quase 1/5 da produção agrícola regional e mais de 2/5 da pro-
dução total nacional. As duas regiões concentram a produção
nacional de centeio e mais de metade da de azeite. Apesar da
quebra registada na produção animal, o desenvolvimento no
sector leiteiro tem sido responsável pelo incremento de plan-
tas forrageiras que já representam mais de 6% da produção
agrícola nas duas regiões. Na região Centro, destaca-se ainda
o aumento da produção de aves embora a sua contribuição
para a produção total nacional tenha vindo a diminuir.
Na região do Alentejo, que apresenta o segundo PIB mais
baixo do país (54,5% da média da UE em 2000), logo a seguir
aos Açores, a agricultura representa uma parte importante da
economia regional, quer como emprego, quer como valor
acrescentado. Uma das suas características mais importantes é
a diferente especialização, relativamente às outras regiões, o
que, em certa medida, também está relacionado com a contri-
buição da Política Agrícola Comum (PAC), quer através de
instrumentos de apoio ao mercado, como aos preços (leite,
açúcar e bovinos), quer por pagamentos directos (cereais,
tabaco, oleaginosas, bovinos e ovinos). Ainda é no Alentejo
Importância da agricultura
a nível regional, em %
que se produzem mais de 40% dos cereais do país, toda a pro-
dução de trigo duro e cerca de 70% da de trigo mole assim
como a totalidade da cevada, aveia e oleaginosas. A produção
de tabaco em rama, açúcar, plantas forrageiras e azeite é igual-
mente importante, representando entre 18% (tabaco) e 30%
(açúcar) da produção nacional. Os hortícolas têm também
algum peso, embora menor do que nas restantes regiões
nacionais. Regista-se uma acentuada especialização no sector
da carne, cuja importância aumentou ao longo da década de
90; aqui se criam mais de 1/4 dos bovinos e mais de metade
dos ovinos.
A agricultura na região do Algarve baseia-se principalmen-
te na produção de frutos, nomeadamente de citrinos de que é
o maior produtor (3/5 da produção nacional); e mercê das
suas condições edafo-climáticas, a produção de frutos tropi-
cais equivale já a cerca de 1/4 da produção nacional. A produ-
ção de leite e de bovinos é igualmente importante a nível
regional, mas insignificante no cômputo geral.
As regiões da Madeira e dos Açores continuam muito
dependentes da agricultura, principalmente os Açores, cujo
sector leiteiro é particularmente importante tendo a produção
anual quase duplicado nos últimos dez anos, representando
actualmente, cerca de 1/4 da produção portuguesa (500 000
ton). Muitas terras aráveis foram convertidas em pastagem
para o gado leiteiro, principalmente entre os anos 60 e 70 do
século passado, originando importantes problemas, quer
ambientais, quer de escoamento do excesso de carne de vaca,
e a escassez de matéria-prima para a indústria açucareira local.
As explorações agrícolas portuguesas evoluíram muito nos
últimos dez anos. Em 2001, a superfície agrícola utilizada
(SAU) ascendia a 3 838 000ha (42% do território nacional), dos
quais 42% correspondiam a terras aráveis, 36% a áreas de pra-
dos e pastagens permanentes, 20% a culturas permanentes.
No conjunto, 85% da superfície agrícola localizava-se em áreas
consideradas desfavorecidas, das quais 29% em áreas ‘mon-
tanhosas’ o que constitui mais um obstáculo à intensificação
da agricultura.
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 140
ATLAS DE PORTUGAL IGP 141
SAU na superfície total das explorações, 1999
Distribuição dos usos do solo, por NUT II, 1999
Variação do número de tractores, 1989/1999
OutrasÁreas sociaisAgriculturaImprodutivosIncultosFloresta
ContinenteAlgarveAlentejoLisboa e
Vale do Tejo
CentroNorte
0
20
40
60
80
100
%
%
100
75
50
30
Sem SAU
0 50 100 150 200 250 300 350 400
Entre Douro e Minho
Trás-os-Montes
Beira Litoral
Beira Interior
Região Oeste
Alentejo
Algarve
Açores
Madeira
N
0 25 50 km
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 141
-80 -60 -40 -20 0 20
Madeira
Açores
Algarve
Alentejo
Região Oeste
Beira Interior
Beira Litoral
Trás-os-Montes
Entre-Douro e Minho
Continente
Portugal
-60 -40 -20 0 20 -60 -40 -20 0 20 40 60
Nº Expl.
Sup. (ha)
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Culturas permanentes na área de SAU, 1999
Distribuição do uso do solo agrícola
em Portugal
1989 a 1999: uma década de evolução
Cereais para grão Pomares de frutos frescos Pomares de citrinos
%
100
80
50
30
10
Sem explorações
142 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Culturas
permanentes
Pastagens
permanentes
Terras
aráveis
19991989
20,4%
36,9%
42,7%
19,6%
21,5%
58,9%
1979
24,5%
3,9%
71,6%
Nota: os dados correspondentes ao ano 1979 referem-se apenas
ao Continente. N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 142
-40 0 40 80 120 140
Madeira
Açores
Algarve
Alentejo
Região Oeste
Beira Interior
Beira Litoral
Trás-os-Montes
Entre-Douro e Minho
Continente
Portugal
-40 -20 0 20 40 -60 -40 -20 0 20 -40 0 40 80 120
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Fragmentação da propriedade, explorações
com mais de 10 blocos, 1999
%
75
50
30
15
5
Sem explorações
com este número
de blocos
ATLAS DE PORTUGAL IGP 143
Variação da SAU, 1989/1999
Prados e pastagens permanentes
N
0 25 50 km
Olival Pomares de frutos secosVinha
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 143
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Nesta última década, a área da SAU diminuiu 182 000ha
(4,5%), dos quais 739ha referentes a terras aráveis (31,5%).
Neste intervalo foram encerradas 34 600 explorações agríco-
las (7,7%), afectando principalmente as de dimensão infe-
rior a 5ha); contudo, a sua distribuição por área continua
muito desequilibrada: 55% tem menos de 2ha e 79% menos
de 5ha. Em contrapartida, as poucas explorações com 100ha
ou mais concentram mais de metade (53%) da SAU total. As
explorações agrícolas estão hoje muito melhor equipadas do
que em finais da década de 80. Apenas em dez anos
(1989/99), o número de tractores aumentou 27%, cifrando-
se em 168 500 unidades, isto é, em média, está presente 1
em cada 3 explorações; ou seja, no mesmo período, passou
de uma média de 3,3 tractores por cada 100ha de SAU para
4,4 o que revela uma significativa melhoria das condições
de mecanização, mais ainda porque foi também acompan-
hada por um ligeiro aumento de potência das máquinas
agrícolas.
Explorações agrícolas, Salvaterra de Magos, 1999
144 ATLAS DE PORTUGAL IGP
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 144
ATLAS DE PORTUGAL IGP 145
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
2002200120001999199819971996199519941993
2 799
7 183
10 192 9 182
12 193
29 533
47 974
50 002
70 857
85 912
2002200120001999199819971996199519941993
73
234
349
240
278
560
750 763
983
1 059
No Recenseamento Geral da Agricultura (1999) era ainda
reduzido o número de explorações que recorriam a práticas
agrícolas em modo de produção biológico (0,2%), menos lesi-
vas para o ambiente. Das 808 explorações recenseadas, a maior
parte localizava-se no Alentejo (35%), Beira Interior (18%) e
Trás-os-Montes (17%), sendo os arquipélagos dos Açores
(3,7%) e da Madeira (1,5%) os menos representados. A orien-
tação económica das explorações era muito variada e pouco
especializada, predominando a policultura (19% dos casos),
diversas culturas permanentes (15%), a olivicultura (11%) e a
fruticultura (10%). 4 em cada 10 destas explorações tinham 50
ou mais hectares e apenas 2 em cada 10 menos de 5ha.
Em Portugal, o número de agricultores e de área agrícola
dedicada à Agricultura Biológica tem vindo a crescer de forma
lenta mas gradual. A quebra verificada em 1996/97 deverá ter
sido causada pela transição de ciclos de medidas de apoio, no
quadro das medidas agro-ambientais; mas a retoma não tar-
dou, correspondendo quer a uma moda, quer ao sentir da
necessidade da melhoria na qualidade alimentar.
Pecuária
Também na criação de gado se verificam diferenças signi-
ficativas, tanto na dimensão das explorações como na reparti-
ção dos efectivos das principais espécies. A bovinicultura, por
exemplo, apresenta uma maior expressão nas regiões do Alen-
tejo, de Entre-Douro-e-Minho e dos Açores, que concen-
tram, respectivamente, 28%, 23% e 17% do efectivo total. As
explorações têm dimensões muito variáveis, desde as do Alen-
tejo, do Ribatejo e Oeste e dos Açores com uma média de 80,
34 e 24 animais por exploração, até às explorações de dimen-
são muito reduzida da Beira Litoral (6,4 animais) e sobretudo
da Madeira (apenas 2,2). Entre os dois últimos recenseamen-
tos (1989 e 1999) o número de explorações com bovinos
Agricultura em Modo
de Produção Biológico
No âmbito da agricultura europeia tem vindo crescente-
mente a impor-se o Modo de Produção Biológico de produtos
vegetais e animais e a sua transformação em alimentos desti-
nados a homens e animais. Este modo baseia-se na interacção
dinâmica entre o solo, as plantas e os animais – incluindo o
homem – conseguido pelo uso de técnicas diferenciadas das
tradicionais. A agricultura biológica, como é vulgarmente
designada, responde quer às exigências dos consumidores
quer à preservação do meio ambiente e da biodiversidade, res-
peitando o ‘saber fazer’ dos agricultores e utilizando técnicas
e produtos compatíveis com uma agricultura economicamen-
te viável e com a obtenção de produtos de qualidade.
De forma muito geral, pode dizer-se que a prática da agri-
cultura biológica obriga a que:
— As explorações agrícolas tenham que passar por um
período de conversão, de duração diversa, consoante as cir-
cunstâncias;
— A fertilidade e a actividade biológica dos solos devam
ser mantidas ou melhoradas através de culturas apropriadas,
sistemas de rotação adequados e incorporação nos solos de
matérias orgânicas específicas;
— A luta contra parasitas, doenças e infestantes, deva ser fei-
ta através da escolha de espécies e variedades adequadas, de pro-
gramas de rotação de culturas, de processos mecânicos de cultu-
ra e de protecção dos inimigos naturais dos parasitas das plantas;
— Os animais devam ser escolhidos de entre raças autócto-
nes ou particularmente bem adaptadas às condições locais,
devam dispor de uma área de movimentação livre e o seu
número tem que estar em equilíbrio com a dimensão da explo-
ração e as produções vegetais; a prevenção de doenças dos ani-
mais baseia-se na selecção das raças ou estirpes de animais, na
aplicação de práticas de produção animal adequadas às exigên-
cias de cada espécie, na utilização de alimentos de boa qualida-
de, juntamente com o exercício regular e o acesso à pastagem e
no número de animais adequado, que evite a sobrepopulação.
Evolução da área cultivada
em modo de produção biológico, 1993/2002
Agricultores em modo
de produção biológico, 1993/2002
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:44 Página 145
Concelho de residência dos produtores/
transformadores em modo de produção biológico,
2004
Repartição da área cultivada em modo
de produção biológico, 2002
Olival
Vinha
Culturas arvenses
Fruticultura
Produtos hortícolas
Frutos secos
Plantas aromáticas
Produtores de pastagens
Produtores de animais
Transformadores
de produtos biológicos
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
146 ATLAS DE PORTUGAL IGP
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:44 Página 146
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 147
Bovinos, 1999 Explorações com bovinos, 1999 Explorações com 50 e mais bovinos por exploração, 1999
Vacas leiteiras, 1999 Explorações com 50 e mais vacas leiteiras por exploração, 1999Explorações com vacas leiteiras, 1999
Nº
3 220
2 000
1 000
500
100
A branco quando não há
explorações
%
95
80
50
20
5
55 000
8 000
1 000
Os Concelhos de
São João da Madeira,
Porto, Lisboa e Mesão Frio
não apresentam valores
Nº
1 650
600
300
150
50
%
100
80
50
20
5
26 790
9 000
80
Os Concelhos de
São João da Madeira,
Porto, Lisboa e Mesão Frio
não apresentam valores
Nº
2 000
1 000
500
300
150
%
82
60
40
25
10
94 560
50 000
21
Os Concelhos de
São João da Madeira,
Porto e Lisboa
não apresentam valores
N
0 25 50 km
Distribuição de efectivos de gado e de explorações
Ovinos, 1999 Explorações com ovinos, 1999 Explorações com 50 e mais ovinos por exploração, 1999
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/15 11:13 Página 147
Nº Expl.
Sup. (ha)
-80 -60 -40 -20 0 20 40 60
Madeira
Açores
Algarve
Alentejo
Região Oeste
Beira Interior
Beira Litoral
Trás-os-Montes
Entre-Douro e Minho
Continente
Portugal
-60 -40 -20 0 20 40 60-60 -40 -20 0 20 40 60 -60 -40 -20 0 20
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
148 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Variação dos efectivos de gado, 1989/1999
Caprinos, 1999 Explorações com caprinos, 1999
Suínos, 1999 Explorações com suínos, 1999
Bovino Ovino Caprino Suíno
Nº
1 650
1 000
600
300
100
Nº
3 750
2 000
1 000
500
250
%
75
50
30
15
5
%
414
300
100
50
20
14 800
4 000
10
Os Concelhos de
São João da Madeira,
Porto e Lisboa
não apresentam valores
178 000
82 000
21 000
5 000
Os Concelhos de
São João da Madeira,
Porto e Lisboa
não apresentam valores
N
0 25 50 km
Explorações com 50 e mais suínos por exploração, 1999
Explorações com 20 e mais caprinos por exploração, 1999
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 148
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 149
decresceu em todas as regiões bem como o seu número, à
excepção do Alentejo e dos Açores onde o número de animais
aumentou.
O gado leiteiro concentra-se em Entre-Douro-e-Minho,
Beira Litoral e nos Açores (3/4 do efectivo total) sendo a pri-
meira região agrária a principal região leiteira do Continente.
É aqui que se encontram as explorações com a maior média
de animais, embora mais de metade delas tenham apenas 1 ou
2 cabeças.
A ovinicultura concentra-se maioritariamente no Alentejo,
(50% do total de animais) em apenas 15% das explorações;
estas reduziram-se quase de 30% entre 1989 e 1999, mas, tal
como no caso dos bovinos, o efectivo praticamente manteve-se.
Neste período, a dimensão média das explorações aumentou
em consequência da redução das que tinham menos de 10
animais e do aumento das de maior dimensão.
Os caprinos, apenas cerca de 1/5 dos ovinos, apresentam
uma maior dispersão da sua repartição, sendo, contudo, mais
numerosos na Beira Interior e no Alentejo, onde vivem, res-
pectivamente, 20% e 22% do total. A dimensão média das
explorações é bastante inferior à dos ovinos (cerca de 1/4),
predominando claramente as explorações com menos de 10
cabeças. Os efectivos caprinos estão em franca diminuição em
todas as regiões do país: entre 1989 e 1999, o número de
explorações diminuiu 42% e os animais 25%.
A criação de suínos ocorre por todo o país, estando presen-
te em mais de 70% das explorações, ainda que a maior parte
delas tenha apenas 1 ou 2 animais. Basta lembrarmo-nos da
tradicional matança do porco que ocorre pelo menos uma vez
por ano, e que tem constituído uma parte substancial do con-
sumo de carne de um grande número de famílias portugue-
sas. A região do Ribatejo e Oeste concentra 44% do efectivo,
localizando-se aqui as maiores suiniculturas do país. Entre
1989 e 1999, o número de explorações com suínos decresceu
44%, embora o número total de animais se tivesse mantido;
só no Alentejo e nas Regiões Autónomas se verificou uma
expansão da suinicultura.
Organização do trabalho
No conjunto do território português, no ano 2000, na activi-
dade agrícola empregavam-se 1 064 000 pessoas, menos 199 000
do que em 1993. A redução mais relevante registou-se ao nível
da mão-de-obra familiar, enquanto a ‘não familiar’ se mante-
ve praticamente estável (18% em 2000). Tal como noutros paí-
ses mediterrâneos, o trabalho a tempo parcial é a situação mais
frequente, estando nestas condições 83% dos empresários
agrícolas.
Uma percentagem significativa das explorações nacionais
é dirigida por agricultores de idade já avançada; o mesmo se
passa em relação à mão-de-obra agrícola, em que 65% dos tra-
balhadores tinham mais de 55 anos de idade (2000), bem mais
do que a média da UE-15 (antes do último alargamento).
O nível de instrução dos dirigentes é muitíssimo baixo: segun-
do o último recenseamento agrícola, de 1999, 34% não tinha
qualquer habilitação escolar, 51% apenas o 1.º ciclo do ensino
básico e menos de 6% tinha atingido o ensino secundário.
Três em cada 5 explorações agrícolas recorrem a ajudas ou
subsídios. As explorações das regiões agrárias do Alentejo
(71%) e do Entre-Douro-e-Minho (68%) foram as que mais
beneficiaram dos vários tipos de ajuda, enquanto as do Riba-
tejo e Oeste (49%), do Algarve (47%) e dos arquipélagos da
Madeira (48%) e dos Açores (39%), principalmente as deste
último, foram as que manifestaram menor adesão.
Explorações que recorreram a ajudas
e subsídios, 1999
Nível de instrução dos dirigentes
das explorações, 1999
Média anual da população empregada
no sector primário, 1974 a 2002
Repartição dos efectivos animais, 1999
Espécies N.º explorações N.º cabeças
Bovino 102 500 1 415 200
Suíno 132 600 2 418 400
Ovino 71 200 2 929 800
Caprino 55 000 537 200
0
300
600
900
1200
Milhares
02009896949290888684828078761974
Politéc./Sup.Secundário3º Ciclo2º Ciclo1º CicloNenhum
0 20 40 60 80 100
Portugal
Madeira
Açores
Algarve
Alentejo
Oeste
Beira Interior
Beira Litoral
Trás-os-Montes
Entre-Douro-Minho
0 20 40 60 80 100
Entre-Douro-Minho
Trás-os-Montes
Beira Litoral
Beira Interior
Oeste
Alentejo
Algarve
Açores
Madeira
Portugal
NãoSim
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 149
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
150 ATLAS DE PORTUGAL IGP
O subsídio ao gasóleo é o mais solicitado, sendo atribuído
a 1 em cada 4 explorações, seguido dos apoios às culturas
arvenses (18%) e ao azeite (17%); as medidas agro-alimenta-
res (12%) e as indemnizações compensatórias (11%) são
outras categorias de subsídios com alguma importância.
À medida que aumenta a dimensão das explorações – quer
física quer económica –, aumenta também, em termos de
importância relativa, a percentagem de explorações que recorre
a ajudas. Enquanto nas explorações com menos de 1ha de SAU,
apenas uma em cada três explorações recorre a ajudas comuni-
tárias, praticamente todas nas explorações com mais de 100ha
beneficiam de ajudas.
Dos quase 250 000 produtores agrícolas que recorreram a
ajudas ou subsídios, 63% tem 55 ou mais anos de idade e ape-
nas 4% menos de 35 anos; porém, os que se incluem neste
último grupo representam cerca de 90% dos agricultores nes-
sa faixa etária.
Em 1999, as actividades lucrativas não agrícolas – mas rela-
cionadas com a agricultura e os seus próprios recursos –, tais
como a transformação de produtos alimentares e de madeira,
a aquacultura, a produção de energias renováveis, o aluguer de
equipamentos, o turismo rural ou o artesanato, estavam pre-
sentes em quase 33 900 explorações (8%); quase sempre
(92%) cada exploração pratica apenas uma destas actividades.
Mais de metade (56%) das explorações tem actividades
lucrativas não agrícolas, das quais 85% se localizam na região
de Entre-Douro-e-Minho, enquanto nas restantes regiões,
apenas têm alguma expressão na Beira Litoral (15%) e no
Ribatejo e Oeste (10%).
A transformação de produtos agrícolas alimentares é fre-
quente (88% da actividade lucrativa não agrícola), embora os
produtos certificados correspondam apenas a pouco mais de
um terço (36%). O aluguer de equipamentos tem ainda algu-
ma representatividade (6%), mas as restantes actividades são
pouco frequentes: transformação de madeira (2%), turismo
rural e artesanato (1%).
Importância da actividade não agrícola, por região, 1999
Produtos
tradicionais
Ao longo dos tempos, um considerável
número de produtos nacionais foi
conquistando uma significativa reputação,
mercê da sua reconhecida qualidade,
genuinidade e ‘tradicionalidade’ no modo
de produção ou de fabrico, associadas
a uma determinada origem geográfica.
Produtos hortícolas, frutas frescas e secas,
frutos secos, azeitonas, azeites, queijos,
vinhos e mel, carnes e enchidos, são
exemplos de ‘produtos tradicionais’
reconhecidos, aquém e além fronteiras,
que muito têm contribuído para o
desenvolvimento e valorização do mundo
rural, em particular das áreas geográficas que
lhe estão associadas. Num tempo em que os
mercados são abastecidos com produtos de
proveniências cada vez mais longínquas e de
modo quase uniforme ao longo de todo o
ano, a tipicidade, a qualidade e o carácter
distintivo dos produtos tradicionais
reconhecidos e certificados são cada vez mais
procurados por consumidores exigentes que,
para os obter, se predispõem a pagar,
normalmente, preços mais elevados. Mas,
as vantagens da produção e comercialização
destes bens está muito para além das
características dos produtos em si mesmos:
respeito do património genético e da
biodiversidade dos ecossistemas, preservação
e melhoria das condições ambientais,
aproveitamento dos recursos existentes,
criação de emprego, melhoria das condições
para a fixação de população em áreas
economicamente menos favorecidas...
EDM TM BL BI RO AL ALG AÇ MAD
30
25
20
15
10
5
0
%
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 150
Frutos frescos e hortícolas Outros frutos
Batata de Trás-os-Montes
Maçã da Beira Alta
Maçã Bravo de Esmolfe
Maçã da Cova da Beira
Pêssego da Cova da Beira
Cereja da Cova da Beira
Pêra rocha do Oeste
Maçã de Alcobaça
Cereja de São Julião – Portalegre
Maçã de Portalegre
Ameixa d’Elvas
Citrinos do Algarve
Ananás de São Miguel
Maracujá de São Miguel
Anona da Madeira
Castanha da Terra Fria
Castanha da Padrela
Azeitona de conserva
Negrinha de Freixo
Amêndoa do Douro
Castanha dos Soutos da Lapa
Castanha de Marvão – Portalegre
Azeitonas para conserva
de Elvas e Campo Maior
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 151
AzeiteVinhos
1. Vinho Verde
2. Chaves
3. Valpaços
4. Planalto Mirandês
5. Porto-Douro
6. Tábua-Varosa
7. Lafões
8. Beira Interior
9. Dão
10. Bairrada
11. Encostas de Aire
12. Ribatejo
13. Alcobaça
14. Alentejo
15. Óbidos
16. Lourinhã
17. Torres Vedras
18. Alenquer
19. Arruda
20. Bucelas
21. Colares
22. Palmela
23. Carcavelos
24. Setúbal
25. Lagos
26. Portimão
27. Lagoa
28. Tavira
29. Graciosa
30. Biscoitos
31. Pico
32. Madeira
Trás-os-Montes
Beira Alta
Beira Baixa
Ribatejo
Norte alentejano
Alentejo Interior
Moura
Áreas geográficas dos principais produtos de qualidade certificados
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 151
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Carne de bovino Carne de ovino
Cordeiro do Barroso
Cordeiro Bragançano
Borrego Terrincho
Borrego da Beira
Borrego da Serra da Estrela
Borrego do Nordeste Alentejano
Borrego de Montemor-o-Novo
Borrego do Baixo Alentejo
Carne de Porco
Alentejano
Cabrito das Terras Altas
Cabrito do Barroso
Cabrito Transmontano
Cabrito da Gralheira
Cabrito da Beira
Carne de suíno
Carne Barrosã
Carne Cachena da Peneda
Carne de B. Cruzado dos
Lameiros do Barroso
Carne Mirandesa
Carne Maronesa
Carne Arouquesa
Carne Marinhoa
Vitela de Lafões
Carne Alentejana
Carne Mertolenga
Carne da Charneca
Carne dos Açores
Carne de caprino
152 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Áreas geográficas dos principais produtos de qualidade certificados
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 152
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Presunto de Barroso
Fumeiro de Barroso, Montalegre
Salpicão e Chouriça
de Carne de Vinhais
Enchidos de Portalegre
Enchidos de Estremoz e Borba
Linguiça do Baixo Alentejo
Paio de Beja
Presunto de Barrancos
Cabra Transmontano
Terrincho
Serra da Estrela
Requeijão da Serra da Estrela
Amarelo da Beira Baixa
Rabaçal
Picante da Beira Baixa
Nisa
Mestiço de Tolosa
Évora
Azeitão
Serpa
São Jorge
Pico
Queijo e outros produtos
à base de leite
Produtos de salsicharia
Mel
Terras Altas do Minho
Barroso
Parque de Montesinho
Terra Quente
Serra da Lousã
Ribatejo Norte – Alto Nabão
Ribatejo Norte
Ribatejo Norte Albufeira do Castelo de Bode
Ribatejo Norte – Serra D’Aire
Ribatejo Norte – Bairro
Alentejo
Serra de Monchique
Açores
ATLAS DE PORTUGAL IGP 153
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 153
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
154 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A floresta
A floresta actual é o resultado de um longo processo evo-
lutivo, marcado por influências edáficas e climáticas, e pela
acção modeladora/destruidora do Homem. Daí que a reparti-
ção actual das espécies já pouco tenha a ver com a de há
alguns séculos.
O alastrar da floresta portuguesa é relativamente recente e a
proliferação das duas espécies dominantes, o pinheiro bravo
(Pinus pinaster) e o eucalipto (Eucaliptus globulus), que cobrem
actualmente mais de metade do território continental (31% e
21%, respectivamente), ocorreu essencialmente durante o sécu-
lo XX. O pinheiro, principalmente a partir dos anos 40, primei-
ro, aquando da reflorestação de inúmeros baldios serranos, e,
depois, por substituição de áreas agrícolas abandonadas ou pou-
co produtivas, nomeadamente olivais.
A grande expansão do eucalipto é ainda mais recente (anos
70 em diante) e está associada à implantação das indústrias de
celulose e papel que, por um lado a realizaram e, por outro, a
fomentaram em terrenos particulares. A procura de matéria-
-prima e os lucros que o rápido desenvolvimento desta espécie
proporciona foram as causas da sua grande expansão e, simulta-
neamente, da polémica que lhe tem estado associada do ponto
de vista de ordenamento florestal, quer pela degradação dos
solos e elevada exigência de água, quer pelos inconvenientes da
monocultura e da perigosidade face à ocorrência de incêndios.
Apesar da relativa exiguidade do território nacional, a
diversidade e a coexistência de espécies oriundas de áreas
muito diversas do globo, são duas das principais característi-
cas da floresta portuguesa. Os regimes térmico e pluviométri-
co, e sobretudo o seu desencontro, ao longo do ano, principal
característica do território continental devido à sua posição
em latitude, são os principais responsáveis pela distribuição
das principais espécies vegetais. Definem-se, assim, duas áreas
principais: uma a Norte, onde se encontram espécies de folha
caduca típicas da Europa oceânica, que aqui encontram o seu
limite mais meridional; outra, de cariz significativamente
mediterrâneo a Sul do Continente, onde predominam espé-
cies de folha persistente e com adaptações xerófitas, vários cistus
e plantas aromáticas, são apenas alguns exemplos. Sempre
que outros factores climáticos, como a altitude, a exposição ao
sol e aos regimes de vento dominantes ou a proximidade a
linhas de água, se fazem sentir com maior ou menor intensi-
dade, assim as várias espécies de cariz mais atlântico ou mais
mediterrâneo vão encontrando condições limitantes ou favo-
ráveis ao seu desenvolvimento.
A floresta é um dos elementos fundamentais para o equilí-
brio dos ecossistemas (flora e fauna), e, simultaneamente, uma
importante e variada fonte de riqueza para a economia nacional.
A produção lenhosa extraída anualmente eleva-se a cerca de
11,5 milhões de m3, dos quais as duas principais espécies madei-
reiras, o pinheiro-bravo e o eucalipto, contribuem, respectiva-
mente, com 6,2 milhões de m3 e 4,5 milhões de m3.
Entre os produtos não lenhosos com maior valor económi-
co destacam-se a resina e a cortiça, principalmente esta última,
uma vez que a produção média anual de resina decaiu de cerca
de 100 000ton/ano para menos de 40 000ton/ano, nas duas últi-
mas décadas, em consequência da entrada no mercado mundial
de resinas sintéticas e das provenientes de países com baixos
custos de produção. Com uma produção de cortiça (amadia e
virgem) de cerca de 160 000ton/ano, Portugal é o primeiro pro-
dutor mundial, realizando um volume médio de negócios, cer-
ca de quatro vezes e meio superior ao dos produtos lenhosos e
mais do dobro do obtido no conjunto dos produtos florestais.
A produção de mel e frutos silvestres, castanha e de pinhão,
característicos da floresta mediterrânea, merece algum desta-
que, pois representa cerca de 9% das receitas anuais obtidas da
floresta.
Segundo os últimos dados disponíveis (1999), a floresta e
as actividades correlacionadas representaram mais de 100 mil
milhões de Euros, ou seja, 3,2% do VAB nacional e 3% do
emprego em Portugal, garantindo 140 000 postos de trabalho
permanente.
A floresta tem vindo a ser procurada e valorizada, cada vez
mais, como espaço de excelência para o recreio e lazer, onde se
procura ar puro e tranquilidade para além da agradabilidade do
espaço em si mesmo, de que os carvalhais do Parque Nacional da
Peneda-Gerês e do Nordeste Transmontano e os bosques do
Buçaco e da Serra de Sintra são apenas alguns exemplos. O desen-
volvimento turístico equilibrado e sustentado da floresta tem sido,
aliás, uma das apostas de muitas áreas rurais que, valorizando os
recursos endógenos, têm proporcionado mais e melhores condi-
ções de utilização da floresta, promovendo actividades culturais e
desportivas que têm tido uma procura crescente.
A valorização crescente dos espaços florestais, associada à
preservação do ambiente e a uma gestão correcta e eficiente,
tem sido responsável por um número crescente de iniciativas,
entre as quais se destacam a Lei de Bases da Política Florestal
(Lei n.º 33/96, de 17 de Agosto), o Plano de Desenvolvimento
Sustentável da Floresta Portuguesa (1999) e o Programa de
Acção Nacional de Combate à Desertificação (1999). Mas
muitas outras se poderiam enumerar, nomeadamente as rela-
cionadas com questões ambientais (Reserva Ecológica Nacional,
Rede Nacional de Áreas Protegidas, Natura 2000) e de Ordena-
mento (por exemplo, as previstas no III Quadro Comunitário de
Apoio que incluem, entre outros, aspectos relacionados com a
diversidade biológica, a resistência ao fogo das espécies florestais
e a valorização da função paisagística).
A nível internacional, Portugal tem colaborado em diversas
iniciativas, tanto para as Nações Unidas (co-organizando duas
reuniões sobre Reabilitação dos ecossistemas florestais degradados e
O papel das florestas plantadas na Gestão Florestal Sustentada), como
no âmbito da Comissão Europeia das Florestas (em 1998, reali-
zou-se em Lisboa a Conferência Ministerial para a Protecção das
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 154
Carta ecológica
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 155
Zonas Ecológicas
Basal Atlântica
Basal Mediterrâneo-Atlântica
Basal Atlante Mediterrânea
Submontana Subatlântica
Montana Subatlântica
Montana e Submontana Ibérica
Altimontana
Basal Submediterrânea
Basal Sub-Iberomediterrânea
Iberomediterrânea
Mediterrânea
Aluviões
Calcários
Dunas
Eólicas
Termo-subatlântica
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 155
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
156 ATLAS DE PORTUGAL IGP
DeinfluênciaatlânticaDeinfluênciamediterrânea
Espécies florestais indicadas para cada região de arborização
AlfarrobeiraCeratoniasiliqua
AmieiroAlnusglutinosa
AzinheiraQuercusrotundifolia
BétulaBetulaceltiberica
CarvalhoalvarinhoQuercusrobur
CarvalhocerquinhoQuercusfaginea
CarvalhoamericanoQuercusrubra
CarvalhonegralQuercuspyrenaica
CastanheiroCastaneasativa
CasuarinaCasuarinaequisetifolia
CerejeirabravaPrunusavium
CedrodoAtlasCedrusatlantica
CiprestesCupressusspp.
CipresteCupressussempervirens
CiprestedoBuçacoCupressuslusitanica
CiprestedeMontereyCupressusmacrocarpa
ChoupobrancoPopulusalba
ChouponegroPopulusnigra
Chouposhíbridos
EucaliptocomumEucalyptusglobulus
FreixocomumFraxinusangustifolia
JuníperosouzimbrosJuniperusspp.
MioporosMyoporumspp.
PinheirosPinusspp.
PinheirobravoPinuspinaster
PinheiroinsignePinusradiata
PinheirolarícioPinusnigra
PinheiromansoPinuspinea
PinheirosilvestrePinussylvestris
PinheirodeAlepoPinushalepensis
RobíniaRobiniapseudoacacia
SalgueirosSalixspp.
SamoucoMyricafaya
SobreiroQuercussuber
Basal Atlântica
Basal Mediterrâneo-Atlântica
Basal Atlante Mediterrânea
Submontana Subatlântica
Montana Subatlântica
Montana e submontana Ibérica
Altimontana
Aluviões
Dunas
Calcários
Basal Mediterrânea
Basal Submediterrânea
Basal Sub-Iberomediterrânea
Iberomediterrânea
Mediterrânea
Aluviões
Dunas
Eólicas
Florestas na Europa). O conhecimento global da floresta portu-
guesa e da sua importância económica é relativamente recente.
O primeiro inventário florestal nacional realizou-se há apenas
quatro décadas (anos de 1965 e 1966), a partir do qual foi possí-
vel avaliar, com algum rigor, a extensão das áreas florestais e os
acréscimos de povoamentos das principais espécies existentes
(pinheiro bravo e eucaliptos); tendo ocorrido já três revisões des-
se inventário (1980, 89 e 99), a última permitiu, pela primeira
vez, obter uma cobertura integral da ocupação do solo de Portu-
gal continental. Os últimos dados disponíveis indicam que 38%
da área do continente é de uso florestal (cerca de 3 500 000ha),
dos quais 61% correspondem a povoamentos de espécies folho-
sas, 26% de espécies resinosas e os restantes 13% a povoamen-
tos mistos de folhosas e resinosas.
A floresta da Região Autónoma da Madeira, pouco mais de
36 100ha, reparte-se quase equitativamente por floresta natu-
ral, Laurissilva, e por floresta exótica, como já foi referido.
A floresta introduzida é composta essencialmente por pinhei-
ro bravo (46%), eucalipto (12%), castanheiro (6%), acácia
(2%), e por inúmeras espécies folhosas e resinosas, entre as
quais, a nogueira, o carvalho, a criptoméria; em Porto Santo,
a floresta é constituída quase exclusivamente por pinheiro de
Alepo (600ha).
Nas nove ilhas do arquipélago dos Açores a floresta ocupa
cerca de 30% do território e pode agrupar-se em dois grandes
grupos: a floresta de protecção e a floresta de produção. Na
floresta de protecção, dominam as faias, laurifólias, ilex, zim-
bral e ericais que ocupam ainda longas áreas em todas as ilhas;
na floresta de produção, os povoamentos de criptoméria
(Cryptomeria japonica), acácia (Acacia melanoxylon), pinheiro bra-
vo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucaliptus globulus), predomi-
nam na Ilha de São Miguel.
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 156
ATLAS DE PORTUGAL IGP 157
Distribuição das espécies florestais, 1999
Tipos de floresta considerados relevantes para
a demarcação de núcleos críticos a incêndios
Pinheiro bravo
Pinheiro manso
Outras resinosas
Eucalipto
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 157
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
158 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Distribuição da floresta nas ilhas da Madeira e do Porto Santo, 2000
Floresta natural
Floresta exótica
1. Agrupamento de várias espécies pertencentes ao
grupo das folhosas, que inclui: acácia, alfarrobeira,
bétula, choupo, faia, freixo, medronheiro, salgueiro,
ulmeiro e folhosas diversas.
2. Agrupamento de várias espécies pertencentes ao
grupo das resinosas, que inclui: pinheiro silvestre,
pinheiro de alepo, pseudotsuga, cipreste, cedro, outros
pinheiros e resinosas diversas.
Distribuição dos tipos de povoamento florestal, 1999
%0 20 40 60 80 100
Outras resinosasPinheiro mansoPinheiro bravoOutras folhosasEucaliptoAzinheiraSobreiroCarvalhoCastanheiro
Norte
Centro
Lisboa e Vale Tejo
Alentejo
Algarve
Continente
1 2
N
0 5 10 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 158
Floresta, área de risco
As características climáticas do período estival,
marcadas por verões quentes e secos – tanto mais
acentuados quanto mais vincadas são as
características mediterrâneas no território nacional –
têm proporcionado condições susceptíveis da
ocorrência de incêndios, um dos maiores flagelos
da floresta portuguesa. Contudo, estas não derivam
apenas dos atributos climáticos desfavoráveis.
Também o decréscimo da população rural,
o abandono de terras agrícolas, a redução do
consumo de combustíveis e de fertilizantes vegetais,
a diminuição dos efectivos de gado e do seu
pastoreio, o desaparecimento de actividades
tradicionais (como a resinagem) e as alterações
de uso do coberto vegetal nas últimas décadas, onde
se inclui a expansão da monocultura de eucalipto,
figuram também como importantes causas
do agravamento da ocorrência de fogos.
Durante o período 1983/2004 os incêndios
dizimaram mais de 2,7 milhões de hectares. Só em
2003, ano de maior calamidade e que afectou com
particular incidência as regiões do Centro interior e
da Serra Algarvia, arderam 425 700ha (mais do que
havia ardido nos primeiros quatro anos da década
anterior). Os primeiros cinco anos deste século
foram particularmente graves (à média de
190 200 ha/ano), tendo já ardido mais de 1/10 da área
total do Continente (951 100ha). Imagens de satélite
tornaram possível avaliar os danos registados
na década anterior, de acordo com a ocupação
do solo. As espécies florestais mais sacrificadas foram
o pinheiro bravo (quase 161 400ha) seguido pela
floresta mista (principalmente pinhal bravo
e eucaliptal), quase 70 300ha, pelo eucaliptal, com
cerca de 53 400ha, e pelas espécies folhosas,
36 100ha. Comparativamente, as extensas áreas de
montado de sobro e azinho foram pouco afectadas
pelo fogo, tendo ardido, durante toda a última
década, um pouco menos de 8 900ha. Arderam
ainda mais de 102 800ha de áreas agrícolas,
das quais quase 54 900ha com culturas
anuais e quase 12 100ha de olival.
A restante área ardida (quase 500 000ha) estava
revestida de vegetação herbácea e arbustiva esparsa.
A utilização de meios técnicos adequados (a detecção
remota por satélite é das mais importantes) tem
permitido acompanhar de perto o flagelo dos fogos
florestais, não só na contabilização das áreas ardidas
como na análise da regeneração da vegetação nas
áreas afectadas pelo fogo, revelando-se um precioso
instrumento para delinear estratégias de prevenção e
actuação futuras.
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:47 Página 159
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
160 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Carta de risco de incêndio, 2000
As áreas de risco mais elevado correspondem
às de maior densidade de floresta e mato
ha
33 000
20 000
10 000
5 000
1 000
Áreas ardidas por concelho,
1995 a 2002
Risco de incêndio
Muito alto
Alto
Médio
Baixo
Muito baixo
Núcleos críticos
%
60
30
15
10
N
0 25 50 km
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:47 Página 160
ATLAS DE PORTUGAL IGP 161
Áreas ardidas, 1990 a 2003
Ano
2003
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
1994
1993
1992
1991
1990
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 161
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
162 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A caça
A caça, actividade milenar de sobrevivência, há muito se
tornou uma actividade lúdica apesar da grande importância
económica que tem em determinadas regiões, particularmen-
te nas mais rurais e interiores do país. Simultaneamente, a
crescente preocupação pela preservação ambiental dos ecos-
sistemas em geral, e das várias espécies florísticas e faunísticas
em particular, incluindo as espécies cinegéticas, tem permiti-
do encarar esta actividade de modo muito diferente, do de há
apenas três ou quatro décadas, quando um bom caçador era
avaliado pelo número de peças abatidas...
Actualmente, mais de 240 000 caçadores exercem actividade
em Portugal, dos quais cerca de 30% são membros de clubes ou
associações que administram zonas de caça ordenada, áreas em
que a legislação prevê normas para assegurar a sobrevivência das
espécies e a sua exploração racional. Nas áreas do denominado
terreno livre, o quadro legislativo em vigor e os diplomas que,
anualmente, definem o calendário venatório e as várias espécies
autorizadas, procuram assegurar também a preservação das
espécies, limitando, quer os períodos em que é permitido caçar,
quer o número de espécies abatidas diariamente.
Paralelamente, foram criadas várias reservas, algumas das
quais integradas em Parques e Reservas Naturais, onde o
exercício da caça é interdito ou condicionado por forma a
proteger determinadas espécies; são exemplos as migratórias
e algumas de maior porte, como o corço e o veado. O Estado
Português subscreveu directivas comunitárias e convenções
internacionais, nomeadamente a Directiva Aves e a Conven-
ção de Berna, que obrigam à criação de condições eficazes de
conservação dos recursos faunísticos, principalmente das
espécies mais ameaçadas. A denominada Lei da Caça, publica-
da em 1999, transpõe já esse espírito ao acentuar a necessida-
de dos “...recursos estarem sujeitos a gestão que garanta a sua
sustentabilidade, no respeito pelos princípios de conservação
da natureza e em harmonia com as outras formas de explora-
ção da terra...”.
Um vasto conjunto de outras actividades estão directa-
mente relacionadas com a caça, como por exemplo a indústria
de munições, do vestuário, do calçado e do turismo e a sua
importância, tanto lúdica como económica, tenderá a aumen-
tar com a melhor gestão dos recursos cinegéticos.
Ocupação do solo (ha)
(1986/90) 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Total
Áreas urbanas 188 624 282 515 105 417 152 618 174 66 548 151 3 028
Culturas anuais 1 886 520 3 954 9 625 2 108 1 970 6 576 4 397 7 157 1 065 14 359 3 647 54 858
Vinha 250 368 163 668 69 53 377 529 214 111 722 338 3 244
Pomar 81 248 80 464 107 39 325 213 181 17 456 180 2 062
Olival 360 500 1 081 4 415 544 366 933 1 074 914 101 1 555 1 109 12 092
Áreas agrícolas heterogéneas 1 021 025 2 716 12 444 1 456 805 993 3 762 1 003 334 5 049 2 026 30 588
Territórios agro-florestais 682 728 963 4282 886 520 833 1 691 1 492 210 3 792 1 024 15 693
Sobreiro 413 802 369 3029 388 99 775 758 434 76 502 1 186 7 616
Azinheira 89 406 8 194 29 13 172 249 90 4 244 234 1 237
Eucalipto 407 636 3 356 17 882 3 983 2 228 743 15 110 1 460 1 433 4 817 2 353 53 365
Outras folhosas 438 159 3 160 7 483 1 159 785 2 528 7 657 3 517 652 6 099 3 069 36 109
Pinheiro bravo 721 239 10 542 50 660 8 250 12 474 4 547 27 648 10 843 2 819 23 709 9 893 161 385
Pinheiro manso 2 356 9 39 9 60 9 20 2 2 47 38 235
Outras resinosas 77 729 751 1 066 194 720 388 546 1 462 254 1 275 344 7 000
Floresta mista 537 890 4 897 16 785 4 005 2 523 3 902 11 910 5 012 1 759 15 407 4 076 70 276
Veg. Arbustiva e herbácea 1 312 323 39 586 53 709 10 368 17 557 45 275 50 441 42 677 8 948 65 241 23 231 357 003
Áreas com pouca vegetação 320 812 56 686 11 789 2 120 5 377 11 077 13 049 12 665 2 823 20 111 6 675 142 372
Outras 105 344 192 1 118 122 46 100 112 65 27 236 170 2 188
Áreas ardidas anteriormente 1 938 3 491 2 745 7 335 20 015 25 122 7 547 85 479 23 619 177 291
Total 8 897 709 128 795 198 105 39 393 48 797 87 040 159 769 114 484 28 248 249 648 83 363 1 137 642
Áreas ardidas por tipo de ocupação do solo e por ano, 1993/1999
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 162
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 163
Caça maior
Javali Sus scrofa
Gamo Cervus dama
Veado Cervus elaphus
Corço Capreolus capreolus
Muflão Ovis ammon
Caça menor
Mamíferos
Lebre Lepus capensis
Coelho bravo Oryctolagus caniculus
Raposa Vulpes vulpes
Saca-rabo Herpestes ichneumon
Caça menor
Aves/Patos
Pato real Anas platyrhynchos
Frisada Anas strepera
Marrequinha Anas crecca
Pato trombeteiro Anas clypeata
Marreco Anas querquedula
Arrábio Anas acuta
Piadeira Anas penelope
Negrinha Aythya fuligula
Zarro comum Aythya ferina
Outras aves
Perdiz comum Alectoris rufa
Faisão Phasianus colchicus
Codorniz Coturnix coturnix
Galinha d'água Gallinula chloropus
Galeirão Fulica atra
Tarambola dourada Pluvialis apricaria
*Abibe Vanellus vanellus
Galinhola Scolopax rusticola
Narceja galega Lymnocryptes minimus
Narceja comum Gallinago gallinago
Pombo da rocha Columba livia
Pombo bravo Columba oenas
Pombo torcaz Columba palumbus
Rola Streptopelia turtur
*Melro Turdus merula
Tordo zornal Turdus pilaris
Tordo comum Turdus philomelos
Tordo ruivo Turdus iliacus
Tordeia Turdus viscivorus
*Gaio Garrulus glandarius
*Pega Pica pica
*Gralha preta Corvus corone
Estorninho malhado Sturnus vulgaris
Períodos em que o exercício da caça ou a
utilização de determinados processos de caça está
limitado a locais e condições fixados por edital.
Nos termos do artigo 101.º, n.os 1, 2, alínea a)
e 3, e do artigo 102.º, n.os 1 e 2, do Decreto-Lei
n.º 227-B/2000, de 15 de Setembro, com a
redacção que lhe foi conferida pelo Decreto-Lei
n.º 388/2001, de 26 de Dezembro.
Os processos de batida e de montaria só são
permitidos neste período.
Nos terrenos ordenados, de acordo com o plano
anual de exploração aprovado.
Nos terrenos não ordenados:
– a caça ao javali só pode ser autorizada nos
locais e condições estabelecidos por edital da
respectiva Direcção Regional de Agricultura;
– a caça ao veado, gamo, corço e muflão, só pode
ser exercida nos casos e nas condições
autorizados pelo Ministro da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas.
Processos de caça permitidos nos terrenos não
ordenados:
B – caça de batida
Ce – cetraria
Co – caça a corricão (só à raposa)
E – caça à espera
S – caça de salto
* Limite diário para o conjunto das espécies.
** Os limites diários de abate são por espécie e
não se aplicam quando os processos de caça uti-
lizados são os de batida ou a corricão.
*** Os limites diários de abate, nos terrenos
ordenados, obedecem aos respectivos planos anu-
ais de exploração.
Nota: Todos os anos é publicada uma Portaria que define as espécies cinegéticas que podem ser objecto de caça e os períodos e os processos de caça para cada grupo de espécies.
*Nos últimos anos não se têm podido caçar.
Espécies cinegéticas
Calendário venatório 2004/2005
Caça menor / espécies migradoras ou parcialmente migradoras
Rola comum
22 26
15
Patos, Galeirão comum
22
E Ce E Ce
15
*10
Galinha d’água
22
E Ce E Ce
16
10
Pombo Bravo
22
E Ce E Ce
20
10
Pombo torcaz, Pombo da rocha
22
E Ce E Ce
20
*50
Codorniz
5 28
10
Narcejas
3 13
10
Tarambola dourada
3
E
23
5
Galinhola
3 20
3
Tordos, Estorninho malhado
31
E Ce
20
*50
Caça menor / espécies sedentárias
Perdiz vermelha
3
***3
Faisão
3
***10
19
terreno ordenado ***
Coelho bravo
3 terreno não ordenado
26 10
19
terreno ordenado ***
Lebre
3 terreno não ordenado
26 1
Raposa, Saca-rabo
SE B Co
27 **3
Caça maior
Javali ***
Veado, Gamo, Corço, Muflão ***
Espécies Meses/dias Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Limite
diário
de abate
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 163
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
A exploração dos recursos extractíveis
A exploração dos recursos mineralógicos num qualquer
território, pressupondo a sua existência, depende da tecnolo-
gia disponível, das facilidades de transporte, das possibilidades
financeiras e da visão desenvolvimentista prevalecente no
momento. O seu carácter não renovável, o impacte ecológico
provocado pela sua extracção, a concorrência de outros locais
com jazidas mais ricas e/ou de maior facilidade de operação, a
instabilidade das cotações nos mercados internacionais, são
factores de peso no aparecimento de obstáculos temporais à
exploração destas riquezas.
O recenseamento de recursos mineralógicos em Portugal
revela uma grande dispersão, quanto à sua existência e variedade.
A extracção de minérios metálicos vem de longínquos
tempos; sabe-se, por exemplo, que os romanos exploraram,
entre outras, algumas jazidas de ouro; mas actualmente o seu
significado não é relevante. A actividade nas jazidas de mine-
rais energéticos é muito antiga; mas o carvão que se extraía
esteve sempre longe de ser, pela quantidade e qualidade, com-
petitivo com outras jazidas, mesmo europeias. A produção
máxima, em pouco ultrapassando as 600 000t/ano ocorreu em
1959, acompanhando um surto industrial que então se verifi-
cava e, embora as reservas tenham sido avaliadas em mais de
80 milhões de toneladas, pelos anos 90 do século passado já
laborava uma só mina (Pejão), com uma produção da ordem
das 200 000t/ano, actualmente encerrada.
Portugal, com reservas de urânio relativamente importantes,
em particular no centro interior, e destaque para as áreas de
Viseu e Portalegre, foi um dos primeiros países a explorá-lo,
logo após a sua descoberta nas jazidas da Urgeiriça, em 1907,
embora o fizesse para extracção de rádio e o urânio fosse rejei-
tado como ganga. Só com o advento da II Guerra Mundial se
dá valor a este recurso, matéria-prima para a energia nuclear,
actualmente produzida por fissão dos seus átomos; a sua explo-
ração, a princípio descontrolada, passou a ser, a partir de 1962,
dirigida pelo Estado. Entretanto a exploração na Urgeiriça ter-
minou, em sequência do encerramento da empresa em finais
de 1993.
Os minerais ferrosos, indispensáveis para diversas indús-
trias metalúrgicas e metalomecânicas, apresentam reservas
consideráveis, nomeadamente em Moncorvo, Marvão, Cercal
do Alentejo e na área de Cuba-Vidigueira; mas, mais uma vez,
a qualidade pouco satisfatória torna a sua exploração de pou-
co interesse. Dos minerais não ferrosos mais importantes,
como cobre, tungsténio, estanho e até ouro, só a exploração
de pirites no Sul do País, para indústrias químicas, resistiu até
aos nossos dias mas, mesmo assim, até a mina de Neves Corvo,
uma das principais, já foi fechada.
Restam como actividades extractivas de sucesso, a explora-
ção de rochas industriais e ornamentais principalmente liga-
das à construção civil – granitos, xistos, calcários – que ganha-
ram fama no estrangeiro e contribuem para melhorar o valor
das exportações. O Alentejo é o maior produtor de rochas
ornamentais, principalmente mármores e granitos.
As águas minerais têm boas potencialidades de desenvol-
vimento, dada a riqueza e variedade de recursos, utilizadas
nas estâncias termais e na alimentação, evidenciando-se o
Norte e o Centro do Continente onde se registam perto de
três quartos dos recursos hidrominerais.
Apesar de uma base diversificada, a exploração de recursos
mineralógicos tem um interesse económico limitado, o mes-
mo acontecendo em relação ao valor estratégico, aqui, à
excepção do urânio.
A última década
A produção global da indústria extractiva na última déca-
da do século XX cresceu 30% em termos de riqueza gerada,
passando de pouco mais de 480 milhões de Euros em 1991,
para mais de 620 milhões de Euros em 2001, período esse em
que a produtividade aumentou (de 34 000 para 54 700
Euros/trabalhador), em grande parte à custa da diminuição do
número de trabalhadores (emprego directo) de 14 150 para
cerca de 11 400.
— As alterações mais negativas ocorreram no subsector
dos minerais energéticos pelo abandono da produção de car-
vão (1994) e pela diminuição drástica da produção de urânio,
entretanto terminada;
— relativamente aos minérios metálicos, pelo arranque da
produção de concentrados de cobre e zinco na mina de Aljus-
trel em 1991 (interrompida em 1993 por razões técnicas e
evolução desfavorável da cotação dos metais), e pela paragem
da produção de ouro da mina de Jales em 1992;
— pela produção de concentrados de cobre e de estanho
provenientes da mina de Neves-Corvo, que em 1991 atingiu
a produção máxima destes concentrados (158 mil toneladas
de cobre e 5 300 toneladas de estanho), mas, de então para cá,
a produção tem vindo a decair em consequência da diminui-
ção do teor dos minérios extraídos, principalmente de estan-
ho, cujas reservas praticamente se esgotaram;
— depois de um período de actividade de mais de quaren-
ta anos, a produção de ferro-manganés proveniente da mina
do Cercal (distrito de Setúbal) terminou em consequência do
desmantelamento do alto forno siderúrgico do Seixal, única
unidade consumidora deste minério;
— a produção de concentrados de tungsténio, provenien-
te da mina da Panasqueira tem-se mantido, embora muito
irregular (1 029 toneladas em 1997 e 435 toneladas em 1999)
apesar das dificuldades de escoamento da produção, o que
levou ao encerramento temporário em 1994 ao qual se seguiu
a mudança de proprietário.
Prevê-se o arranque da produção de concentrados de zin-
co com cerca de 50 000t/ano.
164 ATLAS DE PORTUGAL IGP
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 164
Ocorrências geomineiras
O PAÍS O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
ATLAS DE PORTUGAL IGP 165
Minerais Metálicos e Energéticos
Estanho e tungsténio
Carvão
Cobre, chumbo e zinco
Ferro e manganês
Ouro
Urânio
Minerais e rochas industriais
e ornamentais
Areia comum
Areia especial
Argila
Caulino
Calcário industrial
Calcário ornamental
Diatomito
Granito e rochas similares
Mármore
Quartzo e feldspato
Sal-gema
Xisto
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 165
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
166 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Substâncias exploradas Áreas de produção e principais minas Destino da produção
NORTE
Talco Distrito de Bragança, Vinhais: Minas de Sete Fontes, Indústria cerâmica e também como fundente e como
Salselas e Vale da Porca carga nas indústrias de papel, tintas e fertilizantes
Caulino Distritos de Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo: Minas da Vista Alegre, Indústria cerâmica
Quinta da Antónia, Quelha das Borralhas, Valverde e Alvarães
Feldspato Distritos de Vila Real, Porto, Guarda, Viana do Castelo e Braga: Indústria cerâmica
Minas de Seixigal, Seixoso e Bajoca Minas de pequena dimensão
CENTRO
Minério de volfrâmio Distrito de Castelo Branco: Mina da Panasqueira
A mina da Panasqueira produz também minérios de cobre e estanho
Urânio Distrito de Viseu: Minas da Urgeiriça, Bica, Castelejo, Cunha Baixa,
Quinta do Bispo e Pinhal do Souto. Desde 1991 este minério foi perdendo importância
e deixou de se extrair; actualmente volta a ser explorado
Mistos de Estanho Distrito de Coimbra: Em várias minas de pequena dimensão
e inertes
Caulino Distrito de Coimbra: Mina do Chão. Única mina em exploração Indústria cerâmica
Sal-gema Distrito de Leiria, Pombal: Mina do Carriço Indústria química, agro-alimentar e de rações
Quartzo e feldspato Distritos da Guarda e Viseu: Minas de Real, Gralheira, Srª da Assunção
e Vila Seca. Minas de pequena dimensão
Pegmatito com lítio Distrito da Guarda: Minas de Alvarrões, Gonçalo Sul e Casanho Indústria cerâmica
LISBOA
Sal-gema Distrito de Lisboa, Torres Vedras: Mina de Matacães. Abriram-se cavidades Indústria química. É pouco significativo o consumo
no campo diapírico para armazenamento subterrâneo de gás para fins alimentares e outros
Diatomito Distrito de Leiria, Óbidos: Mina da Quinta do Jardim
Caulino Distritos de Leiria e Santarém: Minas de Mosteiros e Casal dos Braçais Indústria cerâmica
Iniciaram actividade em, respectivamente, 1991 e 1994
ALENTEJO
Cobre e estanho Distrito de Beja, Castro Verde: Mina de Neves Corvo Exportação
Iniciou actividade em 1988
Ferro-manganês Distrito de Setúbal: Mina do Cercal Minério consumido pela Siderurgia Nacional que
Já encerrada. Explorava-se também, esporadicamente, a barite, como subproduto o utilizava como fonte de manganês, no alto forno
Quartzo Distritos de Portalegre e Évora: Minas de Fronteira e Pedras Pintas Indústria cerâmica, de pavimentos e de revestimentos
e também exportação
Feldspato Distritos de Portalegre e Évora: Minas de Fronteira e Pedras Pintas Indústria cerâmica, de pavimentos e de revestimentos
Até 1995 estiveram em actividade no distrito de Évora mais 4 minas, e exportação
mas sem actividade regular
ALGARVE
Sal-gema Distrito de Faro, Loulé: Mina de Campina de Cima Indústria química
Única mina actualmente em exploração
Principais substâncias exploradas nas minas do Continente
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 166
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Actividades da terra
Quanto ao subsector dos minerais não metálicos, e de
acordo com o Instituto Geológico e Mineiro (actual INETI), o
que mais se destaca é o “...desenvolvimento (...) de rochas
ornamentais (...mármores, granitos [e ardósia, registando-se,
no conjunto, a duplicação do seu volume), a consolidação da
produção das] matérias-primas cerâmicas (caulino, feldspato,
argilas especiais e argilas comuns), e, em resposta às necessi-
dades de criação de infra-estruturas e renovação do parque
habitacional, a produção de areias, britas e calcário para a
indústria cimenteira...”.
Novas tendências da indústria extractiva
O conceito de indústria extractiva tem vindo a evoluir
rapidamente, em consequência da alteração dos paradigmas
(de ‘abastecimento’ para ‘sustentabilidade’ – com particular
destaque para as questões ambientais), e da abrangência a
novos domínios de actividade económica. Na denominada
‘nova’ indústria extractiva incluem-se, entre outras, as activi-
dades de extracção de águas minerais e de nascente, a geoter-
mia (de alta e baixa temperatura), a mineração inversa e a
exploração de areias e cascalho do fundo do mar.
O domínio da extracção de águas minerais e de nascente é
já de algum destaque, não só por ser um sector avançado tec-
nologicamente, empregar mais de 1 500 trabalhadores no ano
de 2000 e ter um volume de negócios significativo (179 milhões
de euros), mas também pelo crescimento que registou na última
década, mais que duplicando o volume de negócios.
A geotermia atinge já alguma expressão nas ilhas açorianas,
contribuindo com 40% da energia eléctrica produzida em São
Miguel, por exemplo. No Continente destacam-se já alguns usos
de geotermia de baixa temperatura ligados a surtos em S. Pedro
do Sul, Chaves, Vizela e no Hospital da Força Aérea (Lisboa).
Estudos efectuados em vários pontos da costa portuguesa
revelam boas perspectivas de exploração de minerais marinhos,
actividade importante em vários países europeus como a
Holanda e o Reino Unido.
No domínio da mineração inversa, entendida como “o retor-
no a condições estáveis de substâncias tóxicas ou ecologicamen-
te perigosas em depósito no subsolo”, estão previstos projectos
de recuperação de áreas mineiras degradadas, que apostam tam-
bém no desenvolvimento de actividades turístico-culturais,
valorizando o património arqueológico industrial abandonado
que até há pouco tempo era encarado como um problema de
difícil resolução; os projectos já concretizados nas minas de
Lousal e Cova dos Mouros são um bom exemplo.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 167
Indústria extractiva: volume e valor da produção
Volume Valor
(ton) (x103 euros)
1991 2000 1991 2000
Minerais energéticos
Minérios de urânio* — 450 — 368
Hulha* — 4 — 4
Minérios metálicos (contidos em concentrados)
Cobre 159 900 76 300 146 900 91 600
Estanho 3 100 1 200 8 200 6 500
Tungsténio 1 000 750 5 300 5 300
Minerais não metálicos
Sal-gema 582 638 584 516 2 561 2 678
Caulino 149 788 162 674 5 425 4 255
Feldspato 120 790 136 730 2 641 2 153
Talco 10 790 9 895 647 612
Rochas industriais
Argilas comuns n.d. 3 552 249 — 5 900
Argilas especiais 301 160 712 951 5 344 8 100
Rochas ornamentais 1 186 091 2 637 870 120 642 145 200
carbonatadas (mármores e outras) 947 761 939 052 96 706 81 500
silicatadas (granitos) 214 652 630 848 22 033 30 900
ardósia 23 678 42 630 1 903 3 700
pedra p/ calcetamento n.d. 1 025 300 — 29 100
Areia comum n.d. 6 804 682 — 21 600
Areia especial 562 333 961 900 3 300 10 400
Granulados 48 307 613 78 767 100 164 300 314 400
(inclui calcário p/ cimento)
Outras substâncias minerais — 17 200 4 800
Águas (1000 l) **399 570 756 200 81 480 179 200
Total da indústria extractiva — 482 400 820900
* Actualmente já não se produz ** Dados de 1992
Mina de sal-gema de Campina de Cima – Loulé, Algarve
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 167
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
168 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Henrique Souto
RECURSOS VIVOS MARINHOS
A costa do continente português, com mais de 800km de comprimento, onde alternam extensos areais,
elevadas arribas – tantas vezes intercortadas por pequeninas enseadas sempre ligadas à foz dos rios –
e áreas baixas, rochosas, é indissociável não só da nossa História como do nosso futuro. De todas as
formas de exploração dos recursos do Oceano, a pesca continua a ser, em Portugal, a mais significativa,
passada a época em que a extracção do sal marinho era primordial para a economia do país e moeda
de troca para diversas mercadorias.
Um sector estratégico
Considerado um sector estratégico para a economia por-
tuguesa pelo Estado Novo, período histórico durante o qual
se pode considerar que teve maior importância, nomeada-
mente pelo valor que assumia no Produto Interno Bruto
Nacional, a pesca assentava numa organização corporativa,
com fortes ligações às indústrias de construção e de reparação
naval, de conservas (sobretudo de sardinha, que possuía forte
peso nas exportações) e secagem de bacalhau, indústrias que
assentavam no uso de mão de obra feminina (abundante e
disponível nos principais portos) e mesmo infantil, fracamen-
te remunerada, no que se seguia o padrão nacional.
Assim, em meados dos anos 1960 a pesca portuguesa atin-
giu o seu auge, para o que contribuíram diversos factores:
externamente, recursos marinhos abundantes e praticamente
de acesso livre (o que possibilitou o desenvolvimento de uma
frota de pesca longínqua essencialmente destinada a capturar
bacalhau no Atlântico Norte) e com custos de exploração
relativamente baixos, nomeadamente devido ao preço dos
combustíveis; internamente, uma política de desenvolvimen-
to das pescas baseada na contenção dos custos de produção e
uma organização ‘quase militar’.
A transição da década de 1960 para a de 1970 veio trazer,
contudo, importantes alterações no sector, o primeiro dos
quais foi, sem dúvida, o eclodir da guerra nas colónias, fun-
cionando desde logo o recrutamento militar como sorvedou-
ro de recursos financeiros e de mão-de-obra da pesca.
A década de 1970 representou o virar da página, com uma
série de acontecimentos determinantes, nos planos interno e
externo. Internamente, a alteração do regime político em
Abril de 1974 e a consequente independência das colónias
com o fim da desgastante guerra que nelas prosseguia. Para as
pescas nacionais foi uma ‘revolução’, pois assistiu-se ao des-
moronamento da organização ‘quase militar’ do Estado
Novo, ao regresso de muita mão-de-obra às pescas e ao sur-
gimento de reivindicações salariais que fizeram aumentar os
custos de produção de todo o sector.
Mas se as alterações internas foram determinantes, mui-
to mais importantes foram os acontecimentos a nível exter-
no, nomeadamente: os choques petrolíferos, que fizeram
disparar os preços dos combustíveis e, consequentemente,
vieram em muito onerar a exploração da pesca, nomeada-
mente da frota longínqua; o ‘movimento das Zonas Econó-
micas Exclusivas (ZEE)’, isto é, o crescente estabelecimento
pelos estados ribeirinhos de zonas de pesca, até 200 milhas
marítimas, onde apenas passou a ser permitida a actividade
às frotas desses países. Este movimento, que se prolongou
por toda a década de 1970 (Portugal estabeleceu a sua ZEE de
200 milhas em 1977), foi a consequência directa da redução
dos recursos vivos marinhos, sobreexplorados durante as
décadas anteriores, e a tentativa dos estados de os gerir mais
directamente. Para Portugal, as crescentes limitações no
acesso aos recursos veio reduzir substancialmente o peso da
sua frota longínqua na estrutura da frota nacional e a dimi-
nuir cada vez mais a pesca de bacalhau no Atlântico Norte
(até à situação actual, em que praticamente todo o bacalhau
consumido em Portugal é importado).
Todos os estados costeiros possuem sobre os espaços marí-
timos contíguos aos seus territórios diferentes direitos e deve-
res consagrados na Convenção das Nações Unidas Sobre o
Direito do Mar (1982) – CNUDM, também conhecida como
Convenção de Montego Bay. Nela se institui um Mar Territorial
(MT) de 12 milhas contadas a partir da linha de base, uma
Zona Contígua (ZC), extensa no máximo até às 24 milhas, e
uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) até às 200 milhas con-
tadas a partir da linha de base. Portugal estabeleceu a sua ZEE
de 200 milhas pela Lei n.º 33/77, de 28 de Maio, que também
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 168
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
ATLAS DE PORTUGAL IGP 169
Zona Económica Exclusiva
fixou os limites do MT em 12 milhas, mas não delimitou a ZC,
situação que se mantém até à actualidade.
Além destas zonas, a CNUDM refere que um estado costeiro
pode reclamar áreas do leito e subsolo do oceano além do limi-
te das 200 milhas quando o bordo exterior da margem conti-
nental se situe para além desse limite. Este último aspecto care-
ce de uma delimitação científica precisa, pelo que Portugal criou
em 1998 uma Comissão Interministerial para a Delimitação da
Plataforma Continental que deverá apresentar uma proposta de
extensão da Plataforma Continental até ao ano de 2009 .
Portugal passou, pois, desde 1977, a contar com uma ZEE
de 1 714 800km2, assim repartida: 319 500km2 em Portugal
Continental; 984 300km2 na Região Autónoma dos Açores e
411 000km2 na Região Autónoma da Madeira. Em face da
possível futura extensão da Plataforma Continental, Portugal
poderá ainda alargar o seu espaço marítimo.
Mar Territorial, Zona Contígua e Zona Económica Exclu-
siva não representam figuras com o mesmo grau de interesse
para os estados costeiros: no Mar Territorial o estado costeiro
possui soberania absoluta, tal como se se tratasse do seu terri-
tório continental ou insular, salvo o direito de passagem
inofensiva de embarcações de outros estados; a Zona Contí-
gua serve, sobretudo, como zona tampão na qual o estado
pode exercer acções de fiscalização.
Na sua ZEE o estado ribeirinho possui “direitos de soberania
para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão
dos recursos naturais, vivos ou não vivos das águas sobrejacen-
tes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo, e no que se
refere a outras actividades com vista à exploração e aproveita-
mento da zona para fins económicos, como a produção de
energia a partir da água, das correntes e dos ventos” (CNUDM,
Art.º 56, 1a). Além disso, o Estado costeiro possui jurisdição no
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 169
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
Descargas de pescado fresco e refrigerado
por portos e principais espécies, 2002
19501945194019351930192519201915191019051900
223 884
27 717
41 816 26 714
34 478
47 214
Pescado (toneladas)
Pescadores
Pescadores no Continente, 1900/2002, e desembarques de pescado em Portugal (incluindo Ilhas), 1938/2003
Carapaus
Sardinha
Cavala
Pescadas
Atum e similares
Polvos
Restantes
Peixe-espada preto
ton.
28 300
12 500
2 900
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 170
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
20022000199519901985198019751970196519601955
17 550
134 986
283 155269 592
398 451
23 923
35 781
n/d
Descargas de pescado fresco e refrigerado por
portos e principais espécies, 2002
Carapaus
Sardinha
Cavala
Pescadas
Atum e similares
Polvos
Restantes
Peixe-espada preto
103 euros
29 000
12 750
2 900
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 171
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
172 ATLAS DE PORTUGAL IGP
TAB média por embarcação (%) Número de embarcações
23,8
6,5
2 917
246
que se refere a “colocação e utilização de ilhas artificiais, insta-
lações e estruturas”, “investigação científica marinha” e “protec-
ção e preservação do meio marinho” (id., 1b).
A enorme ZEE portuguesa representa, pois, um grande
potencial económico para o país, sobretudo se se considera-
rem recursos ainda não exploráveis, mas representa, também,
uma enorme responsabilidade face à preservação de tão exten-
sa área marítima.
O sector das pescas
A adesão do país à Comunidade Económica Europeia (CEE;
hoje União Europeia – UE), em 1986, veio introduzir novas
alterações no sector das pescas e a perca da autonomia nas
negociações com países terceiros, o que levou, já na década de
90, e no seguimento das percas de oportunidades de pesca em
diversos pesqueiros externos, ao fim de uma das pescarias
externas mais tradicionais (Marrocos). Sendo no essencial
uma política conservacionista, a política de pescas da UE veio
introduzir no sector mais restrições no acesso à profissão, à
actividade e aos recursos, sendo famosa a sua política de abate
de embarcações que, entre outras consequências, tem levado
ao desaparecimento de alguns tipos de barcos tradicionais de
Portugal.
Assim, a evolução recente da pesca em Portugal, se analisada
pela óptica das quantidades desembarcadas e quando compa-
rada com outros países da Europa e com o Mundo, mostra bem
o comportamento peculiar das pescas nacionais no contexto
global. Tendo registado um máximo histórico de capturas em
1964, e ao contrário do comportamento das pescas noutros paí-
ses, a produção nacional nunca mais voltou a aproximar-se dos
quantitativos dos anos 60 e a ligeira melhoria registada no início
dos anos 80 voltou a cair a partir de 1986, ano da adesão à CEE.
No contexto da produção das pescas dos estados que hoje inte-
gram a UE, o país assume posição modesta, apenas se colocando
à frente da Bélgica, da Finlândia e da Grécia, encontrando-se
muito longe dos níveis das principais potências haliêuticas,
como a Dinamarca e a Espanha. Todavia, quando verificados
outros indicadores, Portugal revela-se, na UE como um dos
Estados mais dependentes da pesca, quer pelo número de pes-
cadores empregues e sua relação com a população activa total,
Embarcações e TAB média
por embarcação, 2002
Espécies Toneladas % Euros (103) %
R. A. Açores
Atum e similares 1 918 24,5 2 262 9,6
Carapau negrão 1 472 18,7 2 362 10,0
Goraz 531 6,8 5 144 21,8
Outros 3 919 50,0 13 833 58,6
Total 7 840 100 23 601 100
R. A. Madeira
Atum e similares 2 819 37,1 6 653 43,6
Carapau negrão 358 4,7 672 4,4
Cavala 289 3,8 409 2,7
Peixe-espada preto 3 873 51 6 702 43,9
Outros 260 3,4 823 5,4
Total 7 599 100 15 259 100
Continente
Carapau 14 189 10,7 20 407 9,0
Cavala 5 131 3,9 1 984 0,9
Faneca 3 031 2,3 5 385 2,4
Peixe-espada preto 2 692 2,0 6 848 3,0
Sarda 2 908 2,2 1 470 0,6
Sardinha 63 577 47,9 38 015 16,7
Berbigão 3 517 2,6 1 323 0,6
Polvos 8 158 6,1 38 882 17,1
Outros 29 604 22,3 112 904 49,7
Total 132 807 100 227 218 100
Portugal 148 246 266 078
Espécies capturadas, 2002
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 172
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
ATLAS DE PORTUGAL IGP 173
Pescadores
matriculados por porto
e por arte, 2002
quer pelo consumo de pescado que revela (cerca de 60kg de
pescado por habitante/ano). Este consumo, de longe o mais ele-
vado da UE, quando comparado com os níveis de produção,
tem conduzido a uma balança comercial extremamente defici-
tária – com um ritmo crescente – entre as exportações e as
importações dos produtos da pesca, que de uma situação de
quase equilíbrio no início da década de 1980 passou para um
défice superior a 600 milhões de euros em 2002, sendo só o
bacalhau responsável por cerca de 40% desse valor.
O panorama das pescas nacionais no início do século XXI é,
pois, substancialmente diferente do verificado durante grande
parte do século anterior.
No ano de 2002 foram descarregadas pela frota nacional cer-
ca de 200 mil toneladas de pescado, 81% das quais correspon-
dentes a capturas em pesqueiros nacionais: cerca de 70% em
águas de Portugal Continental (divisão IX do ICES), 7% em
águas da Região Autónoma dos Açores (divisão X do ICES), 4%
em águas da Região Autónoma da Madeira (divisão 34.1.2 do
CECAF). Os restantes 18% foram capturados em pesqueiros
externos. Este pescado foi descarregado na sua quase totalidade
no estado fresco ou refrigerado, com excepção do capturado em
pesqueiros externos, que por motivos de conservação tem de
ser congelado a bordo. A quase totalidade da produção portu-
guesa é desembarcada em portos nacionais.
Sardinha
Bacalhau
Arrasto
Outras
3 700
1 560
520
180
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 173
Nesse mesmo ano, as descargas de pescado fresco e refri-
gerado, por regiões portuguesas, demonstram o pouco ‘peso’
que as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores têm no
contexto nacional.
As características das águas que banham os territórios e a
sua batimetria (já referida), resultado da sua posição geográfi-
ca, condicionam a qualidade e a quantidade dos recursos dis-
poníveis, e embora o número de espécies exploradas seja
extenso, existe uma clara predominância de pequenos pelági-
cos de baixo valor no mercado, no Continente, e de espécies
migradoras, nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores:
— No Continente, 58,6% do pescado descarregado corres-
pondeu a sardinha e a carapau, cujo valor de venda represen-
tou apenas 25,7%;
— Na Região Autónoma da Madeira, os tunídeos repre-
sentaram 37,1% em quantidade e 43,6% em valor de 1.ª venda
(embora nesta Região a principal espécie seja um batipelágico
— o peixe-espada preto, que representou 51% em quantidade
e 43,9% em valor de venda);
— Na Região Autónoma dos Açores, os tunídeos corres-
ponderam a 24,5% em quantidade mas apenas a 9,5% em
valor, sendo a diversidade de espécies capturadas a principal
característica desta Região (os demersais de alto valor no mer-
cado corresponderam a 50% das descargas, cujo valor repre-
sentou 56,6% das vendas).
O panorama das pescas portuguesas que hoje se verifica é,
pois, o resultado de diversas medidas restritivas impostas à
actividade, que tem visto todos os seus indicadores apresenta-
rem valores cada vez menores, quer se trate de quantidades
pescadas ou transformadas, do número de embarcações ou de
activos na pesca. O resultado é um peso no Produto Interno
Bruto (PIB) inferior a 1% e uma balança comercial de produ-
tos da pesca crescentemente negativa, porque Portugal man-
tém os mais altos níveis de consumo de pescado per capita da
Europa, apesar desta actividade revelar em algumas regiões
uma importância social considerável.
A diminuição das capturas de pescado não tem sido acom-
panhada por um reforço da produção da aquicultura, cujos
níveis não têm aumentado significativamente: a produção
actual ronda as 8 mil toneladas ano, sendo 33% corresponden-
tes a amêijoa produzida na Ria Formosa e 22% a dourada.
Na indústria da transformação de pescado, o tradicional
sector das conservas em molhos (sobretudo de sardinha e de
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
Produção de conservas de pescado por espécies
e por centro conserveiro, 2002
Produção de transformados, por tipo de produto, 1992/2002
N
0 25 50 km
Regiões Quantidades Valor
desembarcadas da 1.ª venda
% %
Continente 90 85
R. A. Açores 5 9
R. A. Madeira 5 6
Total 100 100
174 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Sardinha
Cavala
Atum e similares
Outras espécies
Semiconservas
13 640
5 000
1 400
871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 174
Milharesdeeuros
Água doce
Água Marinha
Água Marinha
Toneladas
Água doce
Água doce
Água salgada
Água doce
Água salgada
2 740
29
34 521
568
1 131
12
4 520
70
Produção aquícola, 2001
atum), embora conseguindo manter nos últimos anos níveis
de produção aceitáveis, foi ultrapassado pelo de congelados; o
sector de secos e salgados luta com as dificuldades inerentes
ao acesso à matéria-prima (maioritariamente bacalhau),
enquanto outras formas de conservação, como as semi-
conservas e os fumados, tendem a desaparecer.
Outros recursos marinhos que têm perdido importância
em Portugal são as plantas marinhas e a extracção de sal
marinho. A apanha de algas, outrora largamente utilizadas
como adubo natural na agricultura, tem vindo a perder
importância, e as estatísticas referentes à apanha de algas para
utilização industrial revelam valores pouco significativos e
decrescentes (em 2001, cerca de 500 toneladas – peso em
seco, no Continente e na Região Autónoma dos Açores). A
extracção de sal, noutros tempos presente em toda a costa
portuguesa, apresenta-se hoje praticamente restrita ao Algar-
ve, cuja produção no ano de 2002 representou 94% do total,
sendo a restante repartida entre a Ria de Aveiro (3%), o estuá-
rio do Mondego (1,6%) e o estuário do Sado (1,4%).
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Recursos vivos marinhos
ATLAS DE PORTUGAL IGP 175
Evolução da balança comercial dos produtos
de pesca, 1993/2002
-800 000
-700 000
-600 000
-500 000
-400 000
-300 000
-200 000
-100 000
0
2002200120001999199819971996199519941993
Milhares de euros
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:13 Página 175
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
“Por onde vai a economia portuguesa?” é a pergunta que repetidamente se coloca num País que ainda
mantém fortes assimetrias regionais e sociais, bem como os traços essenciais do padrão de especialização,
apesar das profundas transformações na estrutura produtiva nacional desde a adesão de Portugal à União
Europeia, factores esses que explicam a fraca competitividade em áreas decisivas para o crescimento
económico e desenvolvimento regional equilibrado. Os sectores tradicionais, orientados para o exterior
e assentes no factor trabalho, sofrem a forte concorrência de países em rápido crescimento como a China
e a Índia, enquanto que os sectores assentes na economia do conhecimento, com forte incidência
na componente científica e tecnológica, ainda não conseguiram assegurar o protagonismo necessário
para potenciar e consolidar a via da prosperidade.
176 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Crescimento económico
As transformações mais acentuadas na estrutura produtiva,
principalmente evidentes desde a década de 90, referem-se a:
declínio do sector primário; regressão do peso da indústria no
cômputo geral das actividades económicas e terciarização
progressiva da economia.
Se no sector primário a redução da representatividade é
generalizada à Agricultura, Silvicultura e Pescas, embora mais
acentuada neste último ramo, na indústria tem-se vindo a
manter o peso significativo de actividades pertencentes à filei-
ra têxtil-calçado e à fileira florestal, ainda que a posição rela-
tiva nas exportações esteja em progressiva regressão.
O processo de terciarização tem sido dinamizado pelos sec-
tores da Comunicação, bancos, serviços prestados às empre-
sas e serviços comercializáveis, donde se destaca o Turismo,
único gerador de receitas externas face a todos os outros,
orientados para o mercado interno.
No plano macroeconómico, os ganhos estão ainda confi-
nados às alterações de estrutura. Assim, diversos indicadores
macroeconómicos e caracterizadores do mercado de trabalho,
das contas externas ou da estrutura empresarial evidenciam,
de forma clara, o nosso posicionamento na União Europeia
(UE) com 15 ou com 25 países.
Com a acelerada abertura ao exterior, a capacidade compe-
titiva do país mantém-se fraca, evidenciando déficites impor-
tantes de modernização em factores como o tipo de gestão, a
valorização do capital humano, a inovação tecnológica, o mar-
keting, entre outros.
Lourdes Poeira
ECONOMIA E
DESENVOLVIMENTO REGIONAL*
* Com base em documentos do Departamento de Prospectiva e Planeamento, Ministério das Finanças,
nomeadamente Um Olhar sobre Portugal – 2004, Portugal, o Litoral e a Globalização, 2003, População
e Desenvolvimento Humano, 2002; documentos do INE Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, 2005.
Indicadores Unidade Período Portugal UE-15 UE-25
Macroeconómicos referência
PIB1 Euros (106) 2003 130 032,9 9 306 601,8 9 748 194,2
PIB1 TMAC (pr 95) 1999/03 1,0 1,7 1,8
PIB por habitante1 Euros 1999/03 12.500,0 24 300,0 21 300,0
PIB por habitante2 PP UE-15=100 1999/03 68,6 100,0 91,7
PIB por habitante2 PP UE-15=100 1999/03 75,0 109,0 100,0
Consumo Público1 PP UE-15=100 1999/03 2,3 2,4 2,4
FBCF4 PP UE-15=100 1999/03 -2,7 0,7 0,7
Procura Interna5 PP UE-15=100 1999/03 0,3 1,6 1,7
Exportações de Bens
e Serviços1 PP UE-15=100 1999/03 3,7 4,2 4,5
Procura Global1 PP UE-15=100 1999/03 1,1 2,3 2,4
Importações de Bens
e Serviços1 PP UE-15=100 1999/03 1,3 3,9 4,2
VAB pr base - total1 PP UE-15=100 1999/03 1,5 1,8 1,9
Agr., Silvicultura,
Caça e Pesca1 % do VAB 2003 3,8 2,0 2,1
Indústria
s/ construção1 % do VAB 2003 19,6 21,0 21,2
Construção1 % do VAB 2003 6,8 5,6 5,6
Serviços1 % do VAB 2003 69,8 71,4 71,1
PIB – Produto Interno Bruto
FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo
VAB – Valor Bruto Acrescentado
TMAC – Taxa Média Anual de Crescimento
PP – pontos percentuais
1. Estimativas Eurostat; no caso do VAB, com base em valores a preços correntes
2. Previsão da Comissão Europeia
3. Calculado com base em valores do Eurostat
4. Estimativas Eurostat. NEM10: FBC (inclui VE e ACOV)
5. Estimativas Eurostat. Inclui VE e ACOV
NEM10 – Dez Novos Países Europeus; VE – Variação de Existências
ACOV – Aquisições Líquidas de Cessões de Objectos de Valor
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:13 Página 176
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 177
Evolução do PIB per capita e do produto
por trabalhador em Portugal (PPC)
Produto Interno Bruto, a preços de mercado, por NUT III, 2001
Os sectores de actividade
e a diferenciação regional
Do ponto de vista sectorial, após um período de cresci-
mento industrial, coincidindo com a fase do ‘crescimento
dourado’ das décadas de 60 e 70, e depois das alterações estru-
turais da economia na sequência da democratização de insti-
tuições e da sociedade, a adesão à Comunidade Europeia nos
anos 80 correspondeu a um ascendente do papel dos serviços
na composição estrutural da produção.
Actualmente, verifica-se que os serviços contribuem deci-
sivamente para o PIB, sobretudo pelo dinamismo nas comuni-
cações, transportes e actividades financeiras e imobiliárias, a
par da retracção da produção agrícola e da letargia industrial.
É notória a tendência de desinvestimento na produção
agrícola, ainda que acompanhada por melhores níveis de pro-
dutividade e parece não haver dúvidas de que os sectores que
nas últimas dezenas de anos tiveram maior impulso foram os
da construção civil e do turismo. Este último simboliza uma
especialização, que tem sofrido nos últimos anos uma tentati-
va de diversificação, tanto de produtos como de mercados,
procurando responder às tendências mundiais nesta área.
No sector industrial, a indústria transformadora é domi-
nante. A dinâmica desta actividade evidencia, no entanto, uma
desaceleração nas indústrias tradicionalmente de vocação
exportadora, como os minerais não metálicos e os produtos
1999 2001 2003 1999 2001 2003
Taxa de var. em volume Taxa de var. de preços
Agricultura, silvicultura e pescas 7,4 -0,3 -3,4 -6,6 13,7 9,2
Energia2 4,6 4 5,3 -3,6 -1,2 2,1
Indústria3 0,8 1,2 -1,5 2,6 1,8 1,2
Construção 3 2,9 -11,4 3,7 4,1 2,8
Serviços 5,3 3,5 -0,2 2,3 4,3 5,1
Comércio, restaurantes e hotéis 3 2,3 -0,3 1,3 6 2,8
Transportes e comunicações 5 7,7 1 -0,3 -1,2 1,7
Actividades financeiras
e imobiliárias 11,1 5,2 1,2 -4,4 1,7 2
Outros serviços 3,9 2,1 -1,3 6,7 5 2,2
Serviços de intermediação
financeira indirec. medidos (-) 21,3 13 -1,2 -15,6 -2,8 -3
VAB 3,1 2 -1,1 3,3 4,5 2,4
Impostos 8,3 -0,4 -1,2 1,8 3,5 4
PIB a preços de mercado 3,8 1,6 -1,2 3,1 4,4 2,3
Notas: 1. contas nacionais trimestrais; 2. Electricidade, gás e água
3. Extractiva e transformadora
Produto Interno Bruto, óptica sectorial1, 1999/2003
75
%
65
55
45
35
1960 1964 1968 1972 1976 1980 1984 1988 1992 1996 2000 2002
PIB per capita
Produto por trabalhador
103
euros
20,6
20
10
8
Dados provisórios
As variáveis expressas em unidades monetárias são apresentadas a preços correntes.
As contas regionais foram elaboradas em escudos e convertidas no final em euros
através da taxa de conversão fixa 1 euro=200,482 PTE – de acordo com
o regulamento (CE) nº 2866/98
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 177
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
178 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Consumo de electricidade industrial per capita,
por concelho, 2002
Taxa variação homóloga (corrigida dias úteis)
1999 2001 2003
Índice de Produção Industrial
Total 0,2 3,1 -0,1
Bens de Consumo -1 0,5 -2,3
Bens Intermédios 3,1 2,9 2,6
Bens de Investimento -2,4 4,7 -8,2
Energia -1,4 8,1 5,1
Indústrias Extractivas -4,9 1,8 -9,4
Produção e distribuição de electricidade, gás e água -1,1 9 5,4
Indústrias Transformadoras 0,5 2,3 -0,6
Taxa de utilização da capacidade produtiva % % %
Indústria transformadora 81,7 81,2 79,9
Bens de consumo 81,7 80,4 79,4
Bens intermédios 80,8 78,6 78,6
Outros bens de equipamento 89,9 90,3 76
Fabricação de automóveis 83 94,2 92,9
Evolução da actividade industrial, 1999/2003
Estabelecimentos financeiros, 2002
em couro, a par de uma retracção nos sectores do material de
transporte e de máquinas e equipamentos que espelha a situa-
ção dos últimos anos de um crescimento sustentado pelo con-
sumo.
O crescimento da economia portuguesa entre 1995 e 1999,
no âmbito do processo de desinflação inerente à pré-adesão ao
euro, permitiu um aumento significativo do rendimento dis-
ponível das famílias e, com a descida tendencial das taxas de
juro, a construção, nomeadamente de edifícios residenciais,
aumentou fortemente. Do ponto de vista das obras públicas, a
construção de infra-estruturas como a ponte Vasco da Gama e
as auto-estradas e o desenvolvimento do Parque das Nações e,
mais tarde, dos equipamentos e infra-estruturas do Euro 2004,
impulsionou a actividade da construção, implicando a renova-
ção do parque habitacional português.
O carácter atractivo das cidades ditou não só a tendência de
abandono do interior, mas uma reformulação do mercado de
consumo, nomeadamente do comércio, onde em apenas duas
décadas se implantaram e consolidaram as grandes superfícies
que têm determinado a readaptação ou simples mudança do
kW/h
>800
200-800
80-200
40-80
20-40
10-20
5-10
<5
Nº
668
300
100
50
25
10
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 178
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 179
Indústria extractiva
Alimentação, bebidas e tabaco
Têxteis, vestuário e calçado
Madeira e papel
Químicos, borrachas e plásticos
Indústrias pesadas
Produtos metálicos e máquinas
Máquinas e material eléctrico
Material de transporte
Sem especialização industrial
Total do emprego nos sectores
industriais considerados
Especialização industrial
–Índice na região superior ao triplo do índice
no país (Quociente de localização superior a 3),
para os seguintes sectores industriais
450 62 880 123 590
Síntese da especialização industrial por regiões (NUT III),
cálculos a partir do emprego, 1999
Estrutura Empresarial1, 2001
Estrutura Empresarial1 Unidade Portugal UE-15 UE-25
Grandes Empresas
Nº de Empregados % do total 19,8 35,0 34,6
Volume de negócios 28,9 43,8 43,4
PME
Nº de Empregados % do total 80,2 65,0 65,4
Volume de negócios % do total 71,1 56,2 56,6
1. Não considera a Agricultura, Silvicultura e Pescas, por indisponibilidade de dados
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 179
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
180 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Índice de Poder de Compra per capita, 2004
Rendimento Líquido Médio do agregado familiar por NUT III,
2001
Índice de Poder de Compra “turístico”, 2004
Mercado de Trabalho Unidade Período Portugal UE-15 UE-25
de
referência
Taxa de Actividade (15-64) % Pop. Total 2003 72,9 70,0 69,3
Emprego
Total TMAC 1999/03 0,7 1,0 0,7
Emprego: Agricultura % do total 2003 12,6 4,0 5,2
Emprego: Indústria1 % do total 2003 32,3 24,6 25,5
Emprego: Serviços % do total 2003 55,0 71,4 69,2
Emprego por nível habilitação (15-64)2:
9º ano escolaridade % do emp. do 2003 74,6 25,8 23,7
mesmo grupo
12º ano escolaridade % do emp. do 2003 13,8 43,2 47,4
Ensino superior mesmo grupo 2003 11,5 23,4 22,5
Intensidade Tecnológica3
Emprego nos serviços
intensivos em tecnologia % do total 1,4 3,5 3,2
Emprego na indústria transf.
intensiva em tecnologia % do total 3,1 7,1 6,6
Desemprego4
Total TMAC 1999/03 10,5 -0,8 0,5
Taxa de desemprego total % pop. activa 2003 6,3 8,1 9,1
Taxa de desemprego
jovens c/ -25 anos % pop. activa 2003 14,4 15,9 18,4
1. inclui construção
2. com base em valores relativos ao 2º trimestre do ano
3. CAE, Ver. 1.1 e estimativas do Eurostat para UE-15 e UE-25
4. Taxa de desemprego harmonizada sem considerar a sazonalidade
Estrutura de emprego, 2004
103 euros
13,5
12,5
10
9
8
167
150
100
75
3
1
0
-0,1
-0,5
-1
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 180
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 181
População empregada no sector primário, 2001 População empregada no sector secundário, 2001
População empregada no sector terciário, 2001 Sector de actividade dominante, 2001
%
50
30
20
10
5
%
84
70
60
50
%
75
60
45
30
Sector primário
Sector secundário
Sector terciário social
Sector terciário económico
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 181
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
182 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Sociedades industriais com 10 e mais pessoas ao serviçoSociedades na indústria transformadora, 2001
IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 2000 Variação de IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 1999/2000
%
> 30
10-30
0-10
-10-0
-30--10
> -30
106 euros
>1 000
100 –1 000
50 – 100
20 – 50
10 – 20
1 – 10
<1
%
60
30
10
Média das cidades:
15,04%
A dimensão dos círculos
é proporcional ao número de
sociedades nas respectivas cidades
%
30
24
12
Média das cidades:
15,04%
A dimensão dos círculos
é proporcional ao número de
sociedades nas respectivas cidades
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 182
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 183
sector, com o desaparecimento de muitas pequenas empresas.
A estrutura do emprego evidencia a inércia das tendências
tradicionais do nosso tipo de desenvolvimento, tal como a
estrutura empresarial.
Mercado externo e competitividade
No início dos anos 2000, a posição de Portugal no comér-
cio internacional podia-se caracterizar do seguinte modo:
— forte presença em sectores de trabalho intensivo com
fraco peso de inovação, onde se incluem o calçado, cablagens
e vestuário, e também de sectores baseados nos recursos
naturais;
— presença em sectores dependentes da escala de produ-
ção, nomeadamente sector automóvel, pouco estruturada e
dependente de uma empresa dominante – AUTOEUROPA – e
de um conjunto de produtores estrangeiros que fabricam em
Portugal componentes de reduzida complexidade;
— presença fraca na electrónica dirigida a um produto
final – os autorádios.
A exportação de bens intensivos em trabalho representava
em 2001 cerca de 32% do total de exportações; os bens pro-
duzidos em economias de escala representavam cerca de 26%
e os bens obtidos de produtos naturais endógenos cerca de
21%, o que perfaz um total de cerca de 80%. Os bens inten-
sivos em conhecimento representavam 11% do total de
exportações e os baseados na média tecnologia, 9%.
A maioria dos bens e serviços que constituem a oferta
internacional de Portugal provêm das sub-regiões do litoral
ocidental e sul, sendo o Algarve responsável por grande parte
das exportações de serviços de turismo e o litoral ocidental
pelas exportações de bens.
Com base numa tipologia de produtos para avaliação do
desempenho das sub-regiões portuguesas face à dinâmica do
comércio internacional, é possível aferir o tipo de competiti-
vidade regional:
— Competitividade baseada na intensidade de trabalho – o
vestuário e acessórios de vestuário dominam com mais de
18% das exportações do País, seguindo-se o calçado, com
pouco mais de 6%. Os equipamentos para distribuição de
energia eléctrica correspondem a cerca de 3% do total. As
sub-regiões onde dominam (mais de 10% das exportações) os
bens intensivos em trabalho são o Ave, o Grande Porto e o
Cávado, seguidas do Tâmega, Entre-Douro-e-Vouga e Baixo
Vouga (7 a 10%);
— Competitividade baseada nas economias de escala –
domínio dos bens associados ao sector automóvel, sendo a
península de Setúbal responsável por quase metade da totali-
dade dos bens dependentes das economias de escala; seguem-se
Lisboa (10%) e Porto (8%);
— Competitividade baseada na intensidade dos recursos –
sobressaem o sector florestal, com 9% do total dos bens
exportados, nomeadamente cortiça e madeira, o sector agro-
-alimentar, com cerca de 7%; os minerais não metálicos
representam 3%. Destacam-se (com pesos entre 12 e 16% do
total das exportações respectivas) a Grande Lisboa e o Grande
Porto, Entre-Douro-e-Vouga e Baixo Mondego;
— Competitividade baseada no conhecimento – apesar da
pouca expressividade deste factor, destaca-se o grupo que
integra os aparelhos e equipamento de telecomunicações e de
som, responsáveis por cerca de 3% das exportações, e de ilu-
minação, com cerca de 2%. Os produtos medicinais e farma-
cêuticos apresentam valores ligeiramente superiores a 1%.
Salientam-se, uma vez mais, as áreas da Grande Lisboa (33%)
e Grande Porto (27%), península de Setúbal (13%), Ave
(12%) e Cavado (menos de 10%);
— Competitividade baseada na tecnologia e na diferenciação
– destes bens, apenas “peças separadas e acessórios, não eléc-
tricas, de máquinas e aparelhos” registam um valor superior a
1%. Destacam-se a Grande Lisboa (23%) seguida do Baixo
Vouga e Grande Porto (com 14% cada).
Com o actual padrão de competitividade das exportações a
economia portuguesa está confrontada com uma forte concor-
rência de várias regiões mundiais:
— dos países asiáticos no têxtil/vestuário e electrónica;
— dos países mediterrâneos no têxtil/vestuário, cablagens
e produtos agro-alimentares;
— dos países da Europa Central em produtos intensivos
em trabalho ou em produções de economia de escala.
Assim, podem-se retirar algumas ilações importantes
sobre o desempenho da economia portuguesa:
1. uma forte presença em sectores de trabalho intensivos
em que a inovação ainda é insuficiente para diferenciar os
produtos, sendo provável a perda de emprego em sectores
como o calçado, cablagens e vestuário;
2. uma presença em sectores dependentes da escala de
produção – nomeadamente no sector automóvel – ainda pou-
co estruturada e em que Portugal fabrica componentes, como
cablagens, assentos, mas cuja possibilidade de deslocalização é
sempre um cenário;
3. uma fraca presença na electrónica, centrada em torno de
um produto final – auto-rádios – em que conta com vários
fabricantes;
4. um papel-chave dos investimentos principalmente ale-
mães nas actividades exportadoras que mais cresceram na
última década.
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 183
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
184 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Factor intensidade trabalho >70%
Factor intensidade trabalho e recursos naturais >50%
Factor recursos naturais >50%
Factor intensidade trabalho e recursos naturais >50% e produtos
diferenciados/conhecimento >a15%
Factor recursos naturais e produtos diferenciados >60%
Factor economia de escala + recursos naturais + intensidade trabalho
Factor recursos naturais e economias de escala >70%
Factor recursos naturais, factor intensidade de conhecimento
+ factor produtos diferenciados, factor economias de escala >80%
Factor economia de escala >60%
Factores de competitividade nas regiões do litoral, 2003 Competitividade, 2004
Competitividade Unidade Período de Portugal UE-15 UE-25
referência
Indicadores Gerais
Produtividade por TMAC
pessoa empregada (pr 95) 1999/03 0,5 0,9 1,3
Produtividade por
pessoa empregada euros, 2003 41,9 100,0 88,4
UE-15=100
Produtividade por euros,
pessoa empregada UE-25=100 2003 47,4 113,1 100,0
Produtividade sectorial
por pessoa empregada, euros,
total1 UE-15=100 2003 46,6 100,0 89,1
1. Preços correntes. UE-25 e NEM10: excluindo Malta e Chipre
Estrutura do Comércio Externo1, 2004
Contas Externas Unidade Período de Portugal UE-15 UE-25
referência
EXPORTAÇÕES
Para a UE % do total 2003 80,6 67,0 67,9
Manufacturados1 % do total 2002 88,0 82,0 82,2
Por níveis de intensidade tecnológica1
Alta Tecnologia % manufacturados 2002 8,7 18,4 18,0
Média/Alta Tecnologia % manufacturados 2002 32,1 42,0 41,8
Média/Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 17,6 20,8 21,0
Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 41,6 18,8 19,1
IMPORTAÇÕES
Da UE % do total 2003 78,4 65,0 65,3
Manufacturados1 2002 74,6 76,8 77,1
Por níveis de intensidade tecnológica1
Alta Tecnologia % manufacturados 2002 14,9 20,1 19,7
Média/Alta Tecnologia % manufacturados 2002 36,7 37,6 37,8
Média/Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 22,2 21,1 25,7
Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 26,3 21,2 21,0
1. UE-25 e NEM10: excluindo Malta e Chipre
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 184
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 185
Comércio internacional, exportações para a UE,
por NUT III, 2002
Comércio internacional, total de exportações,
por NUT III, 2002
Comércio internacional, importações da UE,
por NUT III, 2002
Comércio internacional, total de importações,
por NUT III, 2002
106 euros
>1 000
500 - 1 000
100 - 500
50 - 100
<50
106 euros
>1 000
500 - 1 000
100 - 500
50 - 100
<50
106 euros
>5 000
1 000 - 5 000
500 - 1 000
100 - 500
50 - 100
<50
106 euros
>5 000
1 000 - 5 000
500 - 1 000
100 - 500
50 - 100
<50
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 185
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
186 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A coesão social
O Estado, seja através da Administração Central, onde se
definem anualmente as orientações do PIDAC, Plano de Inves-
timentos da Administração Central, e da execução dos QCA,
Quadro Comunitário de Apoio, seja através da Administração
Local, tem um papel decisivo no progresso obtido em termos
do bem-estar das populações.
Infra-estruturas, Saúde, Educação e Segurança Social são
alguns dos principais domínios em que o Estado tem um
papel decisivo para assegurar o equilíbrio, o desenvolvimento
e a protecção da sociedade. As receitas de impostos são uma
componente essencial para garantir as intervenções do Estado.
As despesas com a protecção no desemprego e as pensões
já superam as contribuições pagas pelos contribuintes, sinal
do envelhecimento da população.
As autarquias mantêm o seu papel de charneira na ligação
do Estado à população e no atendimento e resolução dos pro-
blemas que as afectam. Para tanto dispõem de uma carteira de
receitas que vão desde os Fundos Municipais até às receitas
próprias cujo montante tem vindo a crescer nos últimos anos,
destacando-se a Contribuição Autárquica e o Imposto sobre
os Veículos.
IRS médio liquidado por agregado familiar, por distrito, 2000
Beneficiários do subsídio de desemprego
com menos de 30 anos, 2003
Segurança social, 1999/2003
1999 2001 2003
Indicadores físicos
Total de pensionistas (Nº) (a) 1 979 608 2 483 199 2 574 800
Nº beneficiários, segundo
principais benefícios concedidos:
Pensão de sobrevivência 494 378 603 823 629 200
Pensão de invalidez 359 847 348 984 349 800
Pensões de velhice 1 125 383 1 530 392 1 595 800
Trabalhadores subsidiados,
por desemprego (Nº) 314 403 337 100 nd
Indicadores financeiros (b)
Receitas correntes (103 euros) (1) 10 449 606 12 336 583 11 437 200
Contribuições de beneficiários 2 900 434 6 733 160 nd
Contribuições patronais 5 119 157 2 824 713 nd
Despesas correntes (103 euros) (2) 9 607 161 11 567 168 13 892 800
Abono de família 424 896 485 031 nd
Subsídios à população activa 1 282 030 1 510 071 1 987 100
Apoio ao emprego e protecção
no desemprego 720 862 869 998 nd
Pensão de velhice 934 807 1 129 358 1 340 200
Pensões de sobrevivência 1 142 895 1 193 933 1 300 100
Pensões de invalidez 4 175 247 5 209 006 6 415 100
Saldo Global (103 euros) (1)-(2) 842 445 769 415 -2 455 600
Notas: os valores de 2002 e 2003 são provisórios (a) Regimes de segurança social dos
trabalhadores do sector privado, incluindo todos os regimes, excepto em 1999, ano em que
a informação concerne ao Regime Geral e Regime não Contributivo da Segurança Social.
(b) Valores retirados da Conta Global dos regimes de protecção social dos trabalhadores
do sector privado (inclui regime não contributivo).
103 euros
2,39
2
1,5
1
%
60
50
40
30
20
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 186
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 187
Receitas: fundos municipais, 2002Receitas totais das Câmaras Municipais, 2002
Receitas: empréstimos, 2002 Receitas: contribuição autárquica, 2002
%
27
20
10
5
1
103 euros
719 787
500 000
100 000
50 000
10 000
%
80
75
50
40
30
20
10
%
51
50
20
10
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 187
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
188 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Receitas das Câmaras Municipais, 2002
Despesas: investimento, 2002
Despesas: pessoal, 2002
Despesas totais das Câmaras Municipais, 2002
Outros: 43
Investimentos: 35
%
%
Com o pessoal: 22
Outros: 50
Fundos Municipais: 28
Empréstimos: 14
Contribuição
Autárquica: 8
Despesas das Câmaras Municipais, 2002
103 euros
>200
100 - 200
50 - 100
20 - 50
10 - 20
5 - 10
<5
%
>60
51 - 60
41 - 50
31 - 40
21 - 30
<20
%
>40
30 - 40
20 - 30
<20
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 188
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Economia e desenvolvimento regional
ATLAS DE PORTUGAL IGP 189
O conceito de Desenvolvimento Humano tem vindo a
ser abordado pelas Nações Unidas desde 1990, tendo
como premissa que “As pessoas são a verdadeira riqueza
das nações”. Medir esse Desenvolvimento é o objectivo do
Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que foca três
dimensões fundamentais: viver uma vida longa e saudável,
medida pela esperança de vida à nascença, ser instruído,
medida pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa de
escolarização bruta combinada do primário, secundário e
superior (com ponderação de um terço), e ter um padrão de
vida digno, medida pelo PIB per capita.
O valor máximo que pode atingir o IDH é 1, consideran-
do-se diversos patamares abaixo desse valor: Desenvolvi-
mento Humano Elevado, de 0,800 a 1, onde encontramos,
na escala mundial e em 2002, a Noruega em 1º lugar e Por-
tugal no 26º; Desenvolvimento Humano Médio, de 0,500
a 0,800, onde se encontram entre outros o Brasil em 72º
lugar, Cabo Verde em 105º e S. Tomé e Príncipe em 123º;
Desenvolvimento Humano Baixo, de 0,273 a 0,500, onde
se encontram Timor Leste em 158º lugar, a Guiné em 160º,
Angola em 166º e Moçambique em 171º.
Portugal tem registado um forte crescimento do IDH, des-
de 1970, bem como dos Índices intermédios que o compõem,
principalmente nas décadas de 70 e 80. Relativamente ao
último ano de observação, 1999, é a Região de Lisboa e Vale
do Tejo que apresenta o valor mais elevado, (0,925) superior
à média nacional (0,905). As regiões com valores de IDH
mais baixos são o Alentejo (0,872) e a Região Autónoma da
Madeira (0,889), seguindo-se a Região Centro com 0,894, a
Região Norte com 0,899, o Algarve com 0,900, e os Açores
com 0,903.
De notar que ao nível das sub-regiões, a dicotomia entre
Litoral e Interior se mantém entre 1970 e 1999, apesar da evo-
lução dos valores de IDH entre essas datas. Por outro lado, o
Litoral é mais restrito em 1999 do que em 1970 e do que em
1991. A sub-região com valor mais elevado de IDH, em 1999,
é a Grande Lisboa, com 0,938, e a que apresenta valor mais
baixo é o Baixo Alentejo, 0,862.
Evolução do índice de desenvolvimento humano (IDH-ONU) por NUT III
1970
0,900
0,850
0,750
0,650
1981
0,900
0,850
0,750
0,650
2001
0,900
0,850
0,750
0,650
1991
0,900
0,850
0,750
0,650
O desenvolvimento humano
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 189
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
190 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Milhares de euros
0
1 000 000
2 000 000
3 000 000
4 000 000
5 000 000
6 000 000
7 000 000
2003*2002*2001*2000199919981997199619951994199319921991199019891988198719861985198419831982198119801979197819771976197519741973197219711970196919681967196619651964
Carlos Pereira da Silva
TEMPO DE TURISMO
Terminada a II Guerra Mundial e a favor de uma considerável evolução
social e nos meios de transporte, iniciou-se um movimento de massas,
aparentemente imparável, desejosas de conhecer novos lugares e novas
gentes. Poucos locais no mundo escapam a esta apetência. Portugal possui
excelentes condições para as actividades do turismo e lazer graças à sua
grande diversidade paisagística – que possibilita a satisfação de um vasto
leque de motivações num pequeno espaço geográfico – ao clima ameno
e também à estabilidade social que, no mundo actual, é um factor cada vez
mais relevante na escolha dos destinos turísticos.
Receitas do Turismo, 1964/2003
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 190
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
ATLAS DE PORTUGAL IGP 191
O turismo balnear
A procura turística em Portugal continental concentra-se
em duas regiões determinantes – Algarve e Lisboa. Fora des-
te território, a ilha da Madeira tem no turismo o principal
suporte da sua economia, graças a uma imagem de qualidade
já consolidada, ao clima ameno ao longo do ano e à excelên-
cia da sua qualidade paisagística, onde importa destacar os
valores naturais. No seu conjunto, estas três áreas reúnem
mais de 2/3 da capacidade de alojamento nacional, com des-
taque para a Madeira que, em 2002, registou a mais elevada
taxa de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros a nível
nacional e um dos maiores valores em relação à estadia média
de turistas. O seu parque hoteleiro destaca-se pela grande
qualificação e pelo correspondente volume de receitas que é
capaz de gerar, independentemente da sazonalidade.
A estes valores deve ainda ser acrescentada a oferta dos
parques de campismo, que concentram grande parte dos seus
quase 168 000 lugares disponíveis na faixa litoral, reforçando
a dependência do turismo balnear.
O turismo balnear, o mais antigo e ainda o mais procurado
dos nossos produtos turísticos, aproveita uma extensa linha de
costa onde estão registados mais de 500 locais identificados
como praias. Deste universo, em 2004, foram consideradas
como zonas balneares no Continente, Açores e Madeira, 365
praias, 162 das quais distinguidas com bandeiras azuis. Um
reflexo da importância dada a este recurso é o investimento que
tem sido feito ano após ano na sua qualificação e que no ime-
diato se traduz pela atribuição deste galardão, que demonstra
não só uma exigência em termos de qualidade mas também a
atenção concedida a aspectos ligados à educação ambiental.
A aposta no turismo balnear tem vindo a modificar por
completo a região do Algarve, que concentra uma grande par-
te da oferta e procura turística do nosso país e se mantém, até
hoje, como o principal destino estival para os portugueses e
para os turistas estrangeiros provenientes maioritariamente
de vários países europeus. Esta situação, que foi responsável
por um forte dinamismo económico na região, teve como
contrapartida problemas graves de ordenamento territorial,
fruto de uma construção desenfreada, pouco planeada e que
se traduziu numa grave descaracterização da paisagem, com a
evidente perda de qualidade ambiental que, actualmente,
também é responsável pelo declínio do poder de atracção
turística que esta região começa a demonstrar, muito embora
continue sendo o principal destino turístico português, e tenha
mais de quatro dezenas de praias a hastear a bandeira azul.
Capacidade de alojamento dos estabelecimentos
hoteleiros, 2001
Taxa de ocupação dos estabelecimentos
hoteleiros, 2002
%
40
20
5
1
%
60
50
40
30
20
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:22 Página 191
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
192 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Novos produtos
A actividade turística em Portugal estende-se para além do
Algarve e do fenómeno balnear, uma vez que existem regiões
que se destacam em segmentos específicos.
A região da Grande Lisboa é um bom exemplo, pois apro-
veita o facto de ser a cidade capital, ganhando uma crescente
notoriedade através da organização de reuniões, congressos,
acontecimentos desportivos e outros eventos internacionais de
relevo, como foi o caso da Lisboa Capital Europeia da Cultura
em 1994, da Exposição Mundial de 1998 – Expo'98 – e de um
papel de destaque durante o Campeonato Europeu de Futebol
de 2004. O património cultural e histórico da cidade e a sua
situação geográfica privilegiada também têm contribuído para
que um número crescente de navios de cruzeiro faça escala no
Porto de Lisboa.
A procura de novos produtos turísticos – como o golfe, o
turismo de natureza ou o rural – impõe-se como uma das prin-
cipais medidas para diminuir a excessiva dependência do turismo
balnear e para permitir taxas de ocupação em estabelecimentos
hoteleiros mais constantes. À excepção da Madeira, Algarve,
Grande Lisboa e Açores, os valores das taxas de ocupação dos alo-
jamentos turísticos no restante território nacional podem ser con-
siderados fracos, na medida em que se situam abaixo dos 40%.
O golfe é um dos novos produtos que embora ainda se con-
centre em maior número nas regiões tradicionalmente turísticas
– como o Algarve, Lisboa e Madeira – tem vindo a merecer
alguma descentralização. Esta realidade permite, simulta-
neamente, tirar melhor partido das condições climáticas do
território português e da existência de um parque hoteleiro
qualificado, atraindo turistas com maior poder de compra e
com tempos de permanência mais longos. Por tudo isto, é de
esperar que o golfe venha a ter um papel de maior destaque no
turismo nacional, não sendo de recear a sua competição com
outros destinos e actividades.
O termalismo é outro produto turístico que também come-
ça a ganhar um maior destaque no panorama português. Até
há relativamente pouco tempo, e não obstante os estabeleci-
mentos hoteleiros de qualidade que lhe estavam afectos, o
termalismo era associado a doenças e a estratos etários mais
elevados. Na sequência de novos hábitos de consumo e do
avanço da medicina, esta opção terapêutica começou a perder
importância, o que se reflectiu na perda de clientes, de recei-
tas e na consequente degradação dos equipamentos.
Esta fase parece ter sido ultrapassada, assistindo-se actual-
mente a um novo vigor no desenvolvimento do termalismo
Parques de campismo, 2003Estadia média por hóspede em estabelecimentos
hoteleiros, 2002
Nº de dias
6
4
2
Média nacional: 3,2
Número
Capacidade
30 000
15 000
10 000
2 000
1 000
23
10
1
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:22 Página 192
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
ATLAS DE PORTUGAL IGP 193
Porto Covo, Sines
Exemplo de desenvolvimento
turístico baseado na procura balnear
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 193
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
194 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Campos de golfe, 2002Turismo rural, 2002
Praias com Bandeira Azul, 2004 Concelhos com estabelecimentos termais, 2002
Número de estabelecimentos
Capacidade de alojamento
884
600
400
200
100
Segredo estatístico
95
25
1
Dois estabelecimentos termais
Um estabelecimento termal
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 194
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
ATLAS DE PORTUGAL IGP 195
em Portugal, o que se reflecte não só numa maior qualificação
da oferta mas também num maior aumento da procura, que
poderá estar relacionado com uma tentativa de fuga ao stress e
aos ritmos de vida urbanos, cada vez mais intensos. Obede-
cendo a uma relativa dispersão geográfica pelo país e marcan-
do a sua presença em áreas de menor tradição turística, o ter-
malismo pode ainda desempenhar um importante papel de
dinamização em áreas economicamente deprimidas, que
poderão encontrar nesta actividade turística de excepção um
novo fôlego.
Um outro tipo de produto que tem vindo a ser encarado
como uma forte possibilidade de diversificação e consequen-
te criação de riqueza é o turismo em espaço rural. As múltiplas
áreas rurais que assistiram à quase extinção da actividade agrí-
cola podem encontrar neste tipo de turismo uma forma de
gerar rendimentos complementares à agricultura; de recupe-
rar níveis demográficos; a conservação e/ou recuperação de
patrimónios arquitectónicos; a dinamização e divulgação de
produtos regionais como o artesanato ou a gastronomia e,
sobretudo, a manutenção da paisagem e de modos de vida tra-
dicionais. A oferta deste tipo de turismo encontra-se mais
concentrada no litoral norte de Portugal – cerca de 1/3 do total
nacional – e no Alentejo – com mais de 10% – duas áreas que,
tradicionalmente, não costumavam fazer parte dos destinos
turísticos mais comuns.
Assim se compreende a importância atribuída ao turismo
rural, cada vez mais procurado em virtude do respeito e valori-
zação da questão ambiental, que encontra em grande parte do
interior do Continente português e nas ilhas da Madeira e Aço-
res condições impares para o seu desenvolvimento. É de salien-
tar o caso emergente dos Açores, que procura atrair um merca-
do mais interessado no contacto com os valores naturais tirando
o melhor partido da sua grande qualidade paisagística, em detri-
mento da grande massificação turística. A reduzida capacidade
de alojamento e a menor acessibilidade são ainda entraves a um
maior desenvolvimento deste sector, embora se adivinhem
soluções nesse sentido para um futuro próximo, uma vez que
as campanhas de promoção deste destino turístico têm desenca-
deado um aumento da procura no mercado interno e externo.
Um sector estratégico de futuro
Reconhecido como um dos sectores estratégicos da econo-
mia portuguesa, o turismo desempenha um papel vital para o
desenvolvimento do país, tal como mostram as receitas gera-
das. Desde os anos 60 que se assiste a um crescimento turísti-
co continuado, embora com algumas inflexões pontuais, em
que o momento mais crítico foi atingido em meados dos anos
70 devido à instabilidade política então vivida.
A evolução nas receitas tem sido acompanhada pela evolu-
ção do número de turistas que tem visitado Portugal e que
passou de pouco mais de 1 milhão nos finais dos anos 60 para
Regiões de Turismo
Leiria/Fátima
Templários
Oeste
Ribatejo
Norte Alentejano
Costa Azul/Setúbal
Évora
Planície Dourada
Algarve
Municípios não integrados
em regiões de turismo
Alto Minho
Alto Tâmega e Barroso
Nordeste Transmontano
Verde Minho
Serra do Marão
Douro Sul
Rota da Luz
Dão Lafões
Serra da Estrela
Centro
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 195
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
196 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Exemplos de áreas de turismo litoral
Armação de Pêra, Algarve
Peniche
Porto Covo, Sines
Exemplos de áreas de turismo rural
Arrábida
Pinhão, Douro
Ilha do Pico
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 196
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Tempo de turismo
mais de 11 milhões em 2002. Estes números são o reflexo de
um processo que ainda mantém a sua principal aposta no
turismo balnear mas que começa já a dar passos significativos
noutros produtos turísticos que urge desenvolver, na medida
em que as quebras sentidas neste sector nos últimos anos
também se devem ao surgimento de novos destinos interna-
cionais mais competitivos.
O facto do turismo balnear permanecer como o principal
produto turístico em Portugal, e a sua incapacidade para esca-
par à condicionante sazonal, representa uma importante fragi-
lidade deste sector, que conduz simultaneamente à excessiva
concentração regional do fenómeno, como demonstra o Algar-
ve. Entretanto, outra fragilidade importa apontar ao sector
turístico português: a excessiva concentração da sua procura
turística num número reduzido de mercados. Portugal é um
destino turístico procurado essencialmente por europeus (em
2002, mais de 80% dos turistas estrangeiros eram oriundos de
5 países europeus), sendo metade provenientes de Espanha.
Perante o reconhecimento do turismo como um dos mais
importantes recursos económicos nacionais, num tempo que
privilegia o lazer e as viagens, transformando os espaços em
espectáculos para consumo turístico, torna-se cada vez mais
evidente a necessidade de Portugal se abrir a novos mercados
e de apostar mais fortemente na promoção de produtos de
excepção. Entretanto, também é urgente trabalhar melhor no
campo da formação profissional para se atingirem melhores
padrões de qualidade.
O facto do sector turístico se encontrar sujeito a uma cons-
tante e crescente competitividade, torna-o o alvo da necessida-
de de investimentos constantes de forma a permitir a inovação
e a atracção evitando o declínio. A possibilidade ganha por
Portugal de organizar eventos de grande visibilidade como foi
o caso da Expo'98 e do Euro2004, representou uma excelente
oportunidade de promoção turística de um país que, cada vez
mais, procura a notoriedade através da dinamização e da con-
solidação do sector turístico. Entretanto, também importará
ter em conta que esta notoriedade depende bastante do espa-
ço, não só em termos de qualidades turísticas mas também de
equilíbrio e respeito pelo ambiente e pelas necessárias regras
de construção e utilização.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 197
Entrada de turistas em Portugal, 1967/2000 Evolução dos principais países
de origem de turistas, 1984/2002
Principais origens dos turistas
entrados em Portugal, 2002
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 197
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
A Administração
Nos nossos dias, governo tende a ser cada vez mais Gover-
nança, ou seja gestão participada.
Actualmente o modo como se organiza o território, face à
complexidade da gestão, é também fruto do cruzamento de
iniciativas ‘voluntaristas’ das comunidades locais ou regionais,
e das propostas da Administração Central, nível de Governança
que determina a maioria das grandes decisões sobre o território
de Portugal, sejam elas Programas ou Planos ou simplesmente
classificações de nível administrativo que, em qualquer caso,
são depois sustentáculo de decisões a jusante.
O percurso histórico da organização administrativa portu-
guesa até aos nossos dias segue, na sua essência, o desenvolvi-
mento e consolidação dos Municípios face ao governo central
e a outros poderes detidos, durante muito tempo em grandes
áreas do território, por senhores da terra, nomeadamente
durante a época feudal, ou por ordens religiosas, militares ou
outras que acabaram por ter uma importância fundamental na
estruturação de unidades organizativas do território, cujas
marcas, em muitos casos, ainda subsistem.
Por outro lado, as diferenças naturais no espaço que hoje
constitui o território português também explicam o diferente
peso das formas de organização e administração do território,
sendo que essas diferenças tenderam a criar unidades locais e
regionais, ‘pré-portucalenses’, ainda que com pouco vínculo
entre si mas cujas respectivas identidades, em muitos casos,
chegaram até nós, proporcionando sempre que necessário
fundamentação para reclamar diferenças e reivindicar especi-
ficidades regionais ou locais.
O território genético de Portugal, o Entre-Douro-e-Minho
e litoral oeste até ao Mondego, é o território que proporcio-
nou, desde o século XI, maior facilidade de administração e
controlo central pelas condições naturais – menos montanho-
so, abundante em água e perto da costa – sendo, por isso, bas-
tante povoado, com uma grande proximidade entre as unida-
des de povoamento e maior facilidade de ligação entre si.
Os territórios interiores, organizaram-se desde cedo em
comunidades e concelhos que tiveram um papel determinan-
te na consolidação do território português, principalmente os
de zonas isoladas de Trás-os-Montes e Beira, que dada a insta-
bilidade nos primeiros séculos da nossa História, se submete-
ram facilmente, ou até por sua própria vontade, às autoridades
senhoriais ou religiosas, multiplicando o modelo de depen-
dência a ‘governos intermédios’ que, por isso, cobravam direi-
tos aos que supervisionavam. Na primeira metade do século
XV, o governo do Rei consegue instituir formas de exercício de
poder acima de todos os outros, em todo o território de Portu-
gal, através dos Corregedores e das respectivas Comarcas, áreas
onde se controlava a recolha do imposto que recaía sobre a
economia local alimentada principalmente pela actividade
agrícola.
Neste quadro, as cidades e os concelhos com cidades já
constituíam pontos de atracção no território em geral, pela
acumulação de gentes e riqueza. De facto, a cidade sempre foi
uma unidade territorial interessante para os poderes, não sen-
do igual, ainda hoje, exercer poder sobre um concelho rural
ou sobre um concelho urbano. Na época da reconquista não
é indiferente conquistar uma vila ou uma cidade e as cidades,
tal como hoje ainda acontece, estão no litoral, que oferece
melhores condições, e menos no interior.
Assim, a estruturação das formas de governo, face à diferen-
ciação do território em áreas mais e menos interessantes, come-
çou muito cedo na nossa história, criando, por seu lado, novas
198 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Lourdes Poeira
POLÍTICAS DO TERRITÓRIO
Quando se fala de território, fala-se da terra que é detida ou gerida por uma entidade, singular ou
colectiva, laica, religiosa ou militar. Se o território é o nacional, fala-se de Governo, de Administração,
de Gestão ou de Governança, o termo que mais recentemente entrou no discurso das políticas com
o significado mais abrangente. As formas que a Governança tem seguido ao longo dos tempos históricos
sobrepuseram-se na mudança e moldaram a base dos sistemas governativos que hoje temos nos diferentes
níveis ou escalas. Se as primeiras preocupações de Governo, quando Portugal inicia o seu percurso
enquanto país, se centravam na definição e consolidação dos limites, mais tarde fronteiras, depressa
emergiram outras, já de cariz administrativo que, a pouco e pouco, evidenciaram a necessidade de definir
sub-territórios, diferenciados uns de outros por razões de ordem natural e/ou humana, e onde o exercício
do poder devia ser mais directamente evidenciado, não só por exigências de controlo de pessoas e terras,
mas também da economia local, fonte dos tributos e impostos devidos por se ser governado.
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 198
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
ATLAS DE PORTUGAL IGP 199
Comarcas, século XV
Distritos Concelhos
Províncias
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 199
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
diferenças que se mantiveram ou que se esbateram conforme
‘os desafios de época’: os sítios defensivos ao longo da fronteira,
alguns dos quais receberam os primeiros forais entre todos os
concelhos de Portugal, já foram tão importantes quanto outros,
nomeadamente as cidades do litoral, e acabaram desajustados no
contexto nacional recente.
A matriz concelhia, ainda que transformada à medida das
políticas de época, é a que melhor caracteriza a diferenciação
da organização administrativa de Portugal, sendo também a
mais estável e a que melhor espelha a identificação das popu-
lações com o território em que vivem. É também a que mais
pulveriza a acção de governar num total de 308 concelhos, dos
quais 30 correspondentes às Regiões Autónomas da Madeira
(11) e dos Açores (19).
Muitas têm sido as propostas de reorganização territorial
no sentido de criar níveis regionais de administração, no sen-
tido de se ultrapassar a ‘excessiva’ dispersão local do poder e
da capacidade de decisão, reconhecendo-se que, em muitos
casos, o défice de massa crítica local em recursos e pessoas,
condena à ineficácia muitas políticas e medidas de desenvol-
vimento, tendo em conta a necessidade de afirmação e repre-
sentação no espaço da Europa Comunitária em que, maiorita-
riamente, as escalas de decisão são diferentes.
As Províncias, de certo modo inspiradas nas regiões genéti-
cas de Portugal e nas Comarcas Reais, foram o veículo privi-
legiado do Estado Novo para caracterizar o Portugal rural e
tradicional da primeira metade do século XX. Por seu lado, os
Distritos foram definidos como unidades de controlo adminis-
trativo e político, bem como de organização da segurança do
Estado, limitando as veleidades de poder das autarquias locais.
Neste percurso de estruturação da organização administra-
tiva do território foi-se perdendo o sentido das regiões com
limites estabelecidos, ainda que, na tradição oral, todos man-
tenham as referências à região de origem, principalmente no
interior do país. São excepção neste modo regional as Regiões
Autónomas da Madeira e dos Açores, as únicas regiões autó-
nomas portuguesas.
Com a adesão à Comunidade Europeia, em 1986, e no sen-
tido de organizar o território de Portugal para fins de desenvol-
vimento dada a não definição de regiões, são definidas Unida-
des Territoriais Administrativas para fins Estatísticos, as NUT, equi-
paradas a unidades territoriais com objectivos idênticos nos
outros países da Comunidade Europeia: o País é a NUT I, divi-
dido em 7 NUT II, das quais 2 são as Regiões Autónomas da
Madeira e dos Açores, e 5 são, no Continente, equivalentes a
‘Regiões’, por sua vez divididas em 29 NUT III, equivalentes a
‘Sub-Regiões’. As NUT tiveram a vantagem de “regionalizar a
administração”, por via da necessidade de organização da
informação e sobretudo da acção sectorial da Administração
Central, no sentido de garantir resposta às exigências da
Comunidade em matéria de acesso e redistribuição dos Fun-
dos de Desenvolvimento Regional. Assim e apesar de não
existirem regiões e as respectivas autarquias, a Administração
Central tem conduzido a sua acção cada vez mais de forma
descentralizada, apoiando-se nos serviços sectoriais regionali-
zados.
Tendo sido goradas as iniciativas de constituir autarquias
regionais, já na década de 90 do século XX, foi desencadeado
pelo XV Governo Constitucional, em Maio de 2003, o proces-
so para instituir, ainda e sempre com intuitos organizacionais
do território nacional, as Comunidades Urbanas e as Grandes
Áreas Metropolitanas que abrem possibilidades de organização
regional do território português com base no sistema urbano,
ou seja, com base nos pólos mais dinâmicos do território.
Dever-se-á notar que, até ao surgimento desta iniciativa,
tinham sido definidas duas Áreas Metropolitanas, a de Lisboa
e a do Porto, em 1991.
De sublinhar, mais uma vez, a importância das cidades nomea-
damente a sua importância política: sempre que se desenharam
propostas de reorganização administrativa, houve a preocupação
com a elevação de centros urbanos à categoria de Cidade, mes-
mo que nem sempre os parâmetros estatísticos, definidos em
1982 no Decreto-Lei n.º 11, de 2 de Junho, confirmem essa posi-
ção. Hoje existem 141 cidades no Continente, das quais 18 são
200 ATLAS DE PORTUGAL IGP
NUT II e III e Áreas Metropolitanas, 2004
Área Metropolitana do Porto
Área Metropolitana de Lisboa
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/15 11:16 Página 200
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
ATLAS DE PORTUGAL IGP 201
Cidades por época de nomeação
Antiga
Séc. XV/XVI
Séc. XVIII/XIX
Séc. XX
1ª metade do Séc. XX
Anos 70
Anos 80
Anos 90/2004
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 201
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
‘capitais de Distrito’. Nas Regiões Autónomas, existem 12 cida-
des, 6 na Madeira e 6 nos Açores.
Entre as mais antigas cidades portuguesas contam-se Lis-
boa, Porto, Viseu, Braga, Coimbra, Évora, Guarda, Lamego,
Silves, Faro, Lagos e Tavira com origens pré-portucalenses e
detentoras de uma história urbana romana ou árabe ou ambas,
como no caso das cidades do Sul e mesmo Lisboa; as cidades
criadas ou reconfirmadas pelos forais novos, nos séculos XV e
XVI reforçaram a presença do Estado em regiões ainda instá-
veis como o Norte Interior – Bragança e Miranda do Douro
– e o Alentejo, aqui com Beja, Elvas e Portalegre, a que se jun-
tam Leiria no litoral Oeste e Funchal, Ponta Delgada e Angra
do Heroísmo nas Regiões Autónomas. No século XVIII, pou-
cas nomeações são feitas: Aveiro, Castelo Branco, Penafiel e
Pinhel; no século XIX surgem Covilhã, Figueira da Foz, Gui-
marães, Santarém, Setúbal, Tomar e Viana do Castelo.
No início do século XX, foram cidades, Abrantes, Barcelos,
Caldas da Rainha, Chaves, Estremoz, Portimão e Vila Real.
Durante as décadas de 30, 40, 50 e 60 não houve nomeações
para cidades e nos anos 70 são classificadas Almada, Amado-
ra, Espinho e Torres Vedras, única deste grupo não integrada
em Áreas Metropolitanas. Nos anos 80 são nomeadas 36
cidades, das quais 23 nas regiões do litoral oeste e sul; nos
anos 90 são nomeadas 43, das quais 33 nas mesmas regiões
litorâneas; já no início do século XXI foram criadas 9 cidades,
7 no litoral.
O Planeamento
A organização e administração dos territórios não se limi-
tam a medidas delimitadoras de sub-territórios para controlo
da prática administrativa. Para enquadrar decisões, Planos e
Programas permitem chegar a concretizações pré-definidas e
avaliadas em custos e impactes, no quadro dos objectivos e
orientações do desenvolvimento territorial, quer quanto à
organização do espaço (planos de ordenamento), quer quanto
ao desenvolvimento SOCIOECONÓMICO (planos de des-
envolvimento).
O Sistema de Planeamento Português começou a ser
estruturado, a diversas escalas, na década de 70 do século XX,
ainda que já existissem Planos de Ordenamento, para deter-
minados objectivos e áreas, principalmente urbanas, como o
caso de Lisboa e Costa do Estoril, e de Desenvolvimento
como foram os Planos de Fomento e o projecto de Sines.
Contudo, os ensaios dos anos 70 e 80 pecam pela falta de arti-
culação entre as orientações definidas nos diplomas de então.
Actualmente, o Sistema de Planeamento Português, no
que concerne os Planos de Ordenamento e de Desenvolvi-
mento, inclui três escalas em estreita interdependência: nacio-
nal, regional e local. Nos dois primeiros níveis, os Planos são
estratégicos e a nível local inserem-se as preocupações com o
ordenamento do território.
O primeiro nível a ser estruturado foi o concelhio, até pela
obrigatoriedade, criada então, da existência de Plano Director
Municipal, PDM, para aceder aos Fundos de Desenvolvimento
Regional da Comunidade Europeia. Hoje todos os concelhos
têm PDM e muitos estão em fase de revisão, dez anos passados
sobre a respectiva aprovação e ratificação pelo governo central.
O mesmo não se pode dizer dos Planos Regionais de
Ordenamento do Território, PROT, cuja malha continua aber-
ta. A nível nacional deverá ser estabelecido o PNPOT, Progra-
ma Nacional de Política de Ordenamento do Território, o
qual deverá propor as linhas mestras que norteiem a melhor
organização espacial do território português.
Ainda no quadro do Sistema de Planeamento Português
estão definidos outros tipos de Planos de Ordenamento,
como é o caso dos Planos Especiais de Ordenamento do
Território, PEOT, aplicáveis a situações territoriais que reque-
rem cuidados especiais, como é o caso das áreas envolventes
das albufeiras criadas pelas barragens, os Planos de Ordena-
mento da Orla Costeira, POOC, e os Planos Sectoriais, Planos
de desenvolvimento sectorial com incidências directas no
espaço, todos estes de nível regional e cujos objectivos deve-
rão integrar os definidos nos PROT. Também os objectivos e
propostas dos PDM deverão ser compatibilizados com os dos
planos regionais.
Com o objectivo de ajustar e ordenar as diferentes reali-
dades do nosso processo de desenvolvimento, diversas áreas
de actuação territorial têm proposto outros tipos de plano ou
simplesmente definido espaços de acção fora do Sistema de
Planeamento Português. É o caso do Ambiente, com a defi-
nição das Áreas Protegidas para territórios de excepcional
importância em matéria de recursos naturais; o caso da ges-
tão das Redes Hidrográficas, através da definição das Áreas de
Bacia Hidrográfica; os casos que se prendem com a gestão da
economia regional onde sobressaem as Regiões de Turismo e
as Regiões Vinícolas, hoje Regiões com Denominação de
Origem.
Ainda do ponto de vista da melhoria do desempenho das
potencialidades territoriais, têm-se definido diversos progra-
mas sectoriais, alguns deles com evidentes resultados regio-
nais ou locais como os que se têm preocupado com as cidades
e outros espaços urbanos portugueses. Estes programas têm o
mérito de reforçar o papel que os centros urbanos em geral,
classificados ou não como cidades, evidenciam na estrutura-
ção do território. Destacam-se, assim, os que incidiram na
cidade como um todo, como o PROSIURB, Programa de Con-
solidação do Sistema Urbano Nacional, definido no final dos
anos 80 do século XX e que se propunha reforçar o papel das
cidades médias portuguesas, maioritariamente capitais de dis-
trito; anteriormente, e com menos recursos, o PRAUD, Progra-
ma de Renovação das Áreas Urbanas Degradadas, incidiu
principalmente nos centros históricos.
De cariz mais sectorial mas com grande importância princi-
palmente quando em sinergia com outros programas, devem-se
202 ATLAS DE PORTUGAL IGP
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 202
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
nomear o PROCOM/URBCOM destinado a renovar e reestruturar
o comércio urbano; o RECRIA, Regulamento Especial de Con-
servação e Renovação de Imóveis e o PER, Programa de Erradi-
cação de Barracas, destinado às Áreas Metropolitanas de Lisboa
e Porto. Todas estas medidas ajudaram os centros urbanos por-
tugueses a saírem de algumas dificuldades, por vezes sérias, de
ordenamento e gestão urbanística, geradas nos anos 60 do sécu-
lo XX e decorrentes de uma desestruturação profunda da econo-
mia portuguesa que empurrou as populações do interior para as
cidades, principalmente do litoral, em busca de melhores condi-
ções de vida.
O POLIS, Programa de Requalificação Urbana e valorização
Ambiental das Cidades, é a mais recente iniciativa da Admi-
nistração Central para reforçar a melhoria da qualidade urba-
na das cidades portuguesas, aproveitando disponibilidades
financeiras do III Quadro Comunitário de Apoio.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 203
Planos Regionais de Ordenamento do Território aprovadosPlanos Directores Municipais por ano de ratificação
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
Até 1999
Aprovados
PROZEA
PROTAML
PROZED
PROZAG
PROZOM
Em revisão
PROTAL
PROTALI
Em elaboração
PROTAM
PROTCL
PROTO
PROT-TMAD
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 203
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
A Qualificação
e o Desenvolvimento Sustentável
Os processos de desenvolvimento têm a vantagem intrínseca
dos seus objectivos mas também outras, como sejam o melhor
conhecimento dos territórios e das comunidades para além de
acordarem nestas o interesse pelas suas próprias condições de
vida face ao que hoje se preconiza a nível de qualidade.
O Portugal do final do século XX já é um Portugal no
caminho dos cânones mais actuais em matéria de desenvolvi-
mento, ainda que, no quadro dos países da União Europeia,
se ressinta de algum desfasamento.
No que concerne as conduções básicas de vida, como o
acesso às infra-estruturas de água e saneamento e energia,
redes de transportes e comunicações, nomeadamente teleco-
municações, todos os indicadores evidenciam um salto quali-
tativo notável, tendo em conta o défice em meados dos anos
70 do século passado. Quanto a indicadores de qualificação
mais sofisticados, é notória a evolução nos centros urbanos,
onde reside 80% da população portuguesa, a partir dos quais
se tem evoluído no sentido da promoção dos parâmetros de
vida das populações da área rural, muito despovoada.
Para tanto tem contribuído algum ‘regresso à origens’ de
alguma população urbana, mais jovem, que vê na área rural,
até há bem pouco só apetecida por estrangeiros em fuga da
pressão do grande desenvolvimento europeu, a chave de
sucesso para projectos especiais económicos mas também
sócio-culturais. Quer isto dizer, mais do que caracterizar
novos e peculiares modos de vida, que o nosso território con-
seguiu manter a atractividade e o interesse que desde tempos
remotos o individualizaram, seja pela variedade paisagística,
pela proximidade do mar, pela amenidade do clima ou sim-
plesmente porque, apesar de tudo, tem e mostra uma identi-
dade forte e peculiar na Ibéria e na Europa.
Entre os indicadores que melhor podem caracterizar os
resultados do processo de desenvolvimento e qualificação do
território português, seleccionaram-se os seguintes, por NUT III:
Alojamentos/100 famílias residentes, 2001
População residente/alojamento, 2001
Mortalidade infantil, 1998/2002
Índice de envelhecimento, 2002
Consumo de água, habitação e serviços/per capita, 2002
Resíduos tratados, 2002
População servida com sistemas de drenagem de águas residuais, 2002
População servida por ETAR, 2002
Balanço depósitos/créditos nos bancos portugueses, 2002
Licenciados/1 000 habitantes c/ qualificação académica, 2001
Profissionais qualificados e quadros/1 000 habitantes, 2001
Médicos/1 000 habitantes, 2002
Consumo doméstico de electricidade/família, 2002
Veículos ligeiros e mistos/1 000 habitantes, 2001
Área desportiva útil/1 000 habitantes, 2002
Indicador de qualidade do desenvolvimento, 2002
204 ATLAS DE PORTUGAL IGP
POLIS
PROSIURB
PRAUD
Programas Urbanos – PRAUD, PROSIURB e POLIS
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 204
ATLAS DE PORTUGAL IGP 205
População residente por alojamento, 2001
A média de residentes por alojamento é baixa no Continente: 2,04 em
2001. As sub-regiões que apresentam média mais elevada, acima de 2,5
mas sem chegar a 3, situam-se no Norte do país: Cávado, Ave, Tâmega
e Entre-Douro e Vouga. A estas acrescentam-se as Regiões Autónomas.
Alojamentos por cada 100 famílias residentes, 2001
Em Portugal existiam, em 2001, em média, 138 alojamentos por cada
100 famílias residentes. As sub-regiões com valores acima desta média são
as de abandono de habitações por efeito da emigração, quase todas no interior
norte de Portugal; e o Algarve, onde se atingem 185 alojamentos por 100
famílias. As sub-regiões com menor número de alojamentos por família
situam-se todas ao longo da costa ocidental, entre os rios Minho e Sado,
com algumas extensões para o interior. As Regiões Autónomas apresentam
também o mais baixo número de alojamentos por 100 famílias.
180 a 185
140 a 179
120 a 139
2,5 a 2,9
2,0 a 2,4
1,5 a 1,9
<1,5
Taxa média de mortalidade infantil, 1998/2002
Mostra valores mais elevados nas sub-regiões do Norte de Portugal,
na Grande Lisboa, Oeste, Alentejo Litoral e Algarve, ou seja, mantém
valores mais desfavoráveis em sub-regiões onde tradicionalmente
esta taxa é mais elevada e também nas sub-regiões urbanas mais
cosmopolitas.
%
5 a 7,5
2 a 5
<2
Índice de envelhecimento, 2002
Apresenta uma média elevada para Portugal: 108 em 2002, e valores
especialmente elevados nas sub-regiões do interior do país, com destaque
para o Pinhal Interior Sul, Beira Interior Sul e Alto Alentejo, com valores
acima de 200. As sub-regiões menos envelhecidas estão no litoral norte,
rodeando o Grande Porto, e também a Península de Setúbal e as Regiões
Autónomas.
>200
150 a 200
100 a 149
<100
N
0 25 50 km
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 205
206 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Consumo de água, capitação em m3/ano, 2002
O consumo de água na habitação e serviços está ligado aos estilos de vida,
sabendo-se que os consumos mais elevados se registam nas regiões mais
urbanizadas e mais cosmopolitas. Assim, o Algarve apresenta o consumo
anual, per capita, mais elevado de Portugal, 81m3, seguindo-se as sub-regiões
mais urbanizadas e/ou mais turísticas do litoral oeste a sul de Lisboa,
incluindo a Grande Lisboa, além da Beira Interior e dos Açores. A maior
parte do território português consome entre 30 e 50m3, existindo 5 sub-regiões
entre o Centro e o Norte com capitações anuais abaixo dos 30m3.
Resíduos tratados, 2002
De um total de 4,8 milhões de toneladas recolhidos em Portugal, em média
pouco mais de 480kg/habitante/ano (99% da população é abrangida por
sistemas de recolha), em 2002, só 5% eram tratados (reciclados, vendidos
ou cedidos). A sub-região com mais elevada percentagem é o Ave, com 18%,
seguindo-se os Açores com 12%. As restantes sub-regiões, mesmo as mais
urbanizadas, não atingem em média os 10%.
População servida com sistemas de drenagem de águas residuais, 2002
Os sistemas de drenagem de águas residuais serviam em média, 72%
da população de Portugal. As sub-regiões mais bem servidas, acima
dos 80% da população abrangida, eram as do Interior, do Algarve,
da Península de Setúbal, a Grande Lisboa e o Oeste. As sub-regiões
mais mal servidas encontram-se no Noroeste; nesta classe inclui-se
a Região Autónoma dos Açores.
População servida com ETAR, 2002
As Estações de Tratamento de Águas Residuais, ETAR, serviam em média,
57% da população portuguesa, correspondendo as mais baixas percentagens
de serviço a algumas sub-regiões do Centro, Península de Setúbal, às sub-
-regiões do Vale do Douro e Alto Minho e também às Regiões Autónomas
da Madeira e Açores.
m3
81
50
30
%
98
80
50
%
88
80
50
%
18
10
5
3
1
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 206
ATLAS DE PORTUGAL IGP 207
Balanço Depósitos/Créditos, 2002
Nos bancos portugueses, revela um país urbano ‘devedor’ nas
sub-regiões urbanas ao longo do litoral português contrastando com
o país que aforra, nas sub-regiões interiores, onde dominam
as remessas dos emigrantes ou ex-emigrantes; e também o Algarve,
aqui por via do turismo.
Licenciados por 1 000 habitantes com qualificação académica, 2001
Revela-nos um país com qualificação pouco elevada: em média só existem
71 licenciados por 1 000 habitantes com qualificação académica.
As sub-regiões melhor posicionadas são as que detêm as mais importantes e
antigas universidades do país, caso do Grande Porto, Baixo Mondego e
Grande Lisboa.
Profissionais qualificados e quadros por 1 000 habitantes, 2001
Evidenciam uma média de 115 destes profissionais para o total do País,
sendo mais baixa nas Regiões Autónomas. As sub-regiões com médias acima
deste valor são o Grande Porto, o Baixo Mondego, a Grande Lisboa e
a Península de Setúbal. De resto, as sub-regiões com melhor qualificação
encontram-se entre as urbanas do litoral, às quais se acrescentam
a Beira Interior Sul e o Alentejo central.
Nº
>150
91 a 150
71 a 90
50 a 70
Médicos por 1 000 habitantes, 2002
Revela as maiores concentrações nas principais sub-regiões urbanas,
Grande Porto, Baixo Mondego e Grande Lisboa e uma evidente rarefacção
na maior parte do território de Portugal (número de médicos segundo o local
de residência).
Nº
>5
2 a 5
<2
>1,5
1 a 1,5
<1
Nº
>100
81 a 100
30 a 80
N
0 25 50 km
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 207
A apreciação conjunta destes indicadores, os possíveis e
comuns a todo o país, no sentido de abordar a questão da qua-
lidade de desenvolvimento em Portugal, proporciona uma
imagem pouco consolidada e coerente de qualidade do desen-
volvimento.
Nas questões da habitação/população, verifica-se em
simultâneo existir maior número de alojamentos do que
famílias, mesmo em regiões menos afectadas pela emigração
e pelo turismo, assim como baixo número de pessoas por alo-
jamento; os valores mais altos de alojamentos face às famílias
registam-se na sub-regiões interiores coexistindo com a mais
baixa taxa de ocupação dos mesmos, ou seja, o interior de
Portugal está duplamente despovoado.
Não se estranha que os valores mais elevados de consumo
doméstico de electricidade estejam nas sub-regiões do litoral,
bem como a mais elevada permilagem de veículos ligeiros e
mistos.
O mesmo não se pode dizer dos consumos de água cuja liga-
ção ao modo de vida urbano depende mais dos estilos de vida
do que da taxa de urbanização, encontrando-se, por isso, uma
forte ligação de elevados consumos às sub-regiões turísticas.
Nos sistemas que tratam as águas residuais ou que reci-
clam os resíduos, no sentido de melhorar as condições
ambientais, verifica-se um melhor desempenho, em média
no território de Portugal, nos Sistemas de Drenagem de
Águas Residuais do que em ETAR ou Reciclagem de Resí-
duos, não sendo, no entanto, muito evidente a dicotomia
Litoral-Interior.
Se a distribuição geográfica dos valores da taxa de mortali-
dade infantil estão dependentes do acesso aos cuidados de
saúde, o índice de envelhecimento evidencia que as regiões
despovoadas são também envelhecidas.
Nessas sub-regiões, o balanço entre os depósitos e os crédi-
tos bancários pende a favor dos primeiros, situação muito liga-
208 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Consumo doméstico de electricidade por família, 2002
Sublinha as sub-regiões mais urbanas de Portugal Continental,
distribuídas ao longo da costa, que apresentam consumos médios iguais
ou acima da média do Continente, 2,3KWh/família. As Regiões
Autónomas apresentam consumos médios ‘urbanos’.
Veículos ligeiros e mistos por 1 000 habitantes, 2001
Portugal apresenta uma média elevada de veículos ligeiros e mistos, VLM,
por 1 000 habitantes, 411 em 2001, sendo mais baixa nas Regiões
Autónomas, 312, e mais elevada no Continente, 416. A sub-região com
a média mais elevada é o Pinhal Litoral, com 501 VLM /1 000 habitantes,
entre as sub-regiões maioritariamente urbanas e junto à costa, onde esta
permilagem é a mais elevada.
kw/h
>3
2 a 3
<2
Nº
>450
401 a 450
290 a 400
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 208
m2
4000 a 6940
2500 a 3999
<2500
Área desportiva útil por 1 000 habitantes, 2002
Inclui campos de jogos e pistas de atletismo, espaços cobertos, piscinas
cobertas e descobertas, mas exclui os campos de golfe e os novos estádios
do Euro 2004; evidencia um relativo bom índice de equipamento da maior
parte do país, excluindo as regiões mais povoadas e urbanas onde
a superfície desportiva útil por 1 000 habitantes é a mais reduzida
(inferior a 2 500m2).
Indicador de Qualidade de Desenvolvimento, 2002
Aprecia os resultados do processo de desenvolvimento regional, tendo em
conta 13 dos 15 Indicadores sectoriais considerados (não foram incluídos
os depósitos/créditos bancários e a área desportiva/1 000hab.). Por cada
indicador foram analisados os desempenhos regionais face à média do país
e ponderadas, numa escala de 1 a 3, as diferenças encontradas.
As ponderações mais elevadas correspondem às qualificações académica
e profissional, à população servida por ETAR e à percentagem de resíduos
tratados, ao consumo de electricidade e ao número de veículos/1 000 hab.
da às características do povoamento já assinaladas, mas também
ao facto de serem essas as regiões que mais beneficiam dos
dinheiros da forte emigração desde sempre aí registada.
Assim, se a mais elevada permilagem de superfície despor-
tiva útil existe em muitas sub-regiões do interior, podemos
concluir que o respectivo planeamento não teve em conta
dados básicos demográficos respectivos.
A permilagem de médicos, para além de evidenciar valo-
res elevados nas principais sub-regiões urbanas do país,
situação esperada, apresenta a restante distribuição bastante
incaracterística. A análise das permilagens dos profissionais
qualificados e dos licenciados reforça uma certa dicotomia
entre sub-regiões mais urbanas do litoral e sub-regiões do
interior, embora nestas seja evidente a importância dos pólos
universitários que explicam algumas permilagens mais eleva-
das de licenciados como nos casos das sub-regiões do Centro
e Norte e, também de iniciativas de dinamização económica
que explicam algumas permilagens de profissionais qualifica-
dos, como é o caso da Beira Interior Sul.
Existe então um país do litoral ocidental e sul, a que se acres-
centa o Alentejo Central, onde os indicadores configuram, pelo
menos, um estilo de vida francamente urbano, com melhores
indicadores clássicos de desenvolvimento, com mais dívidas
que aforros e uso acentuado de veículos privados; o país interior
tem menos dinâmica demográfica e por isso beneficia de mais
fácil acesso a serviços básicos, saneamento e tratamento de resí-
duos, ou a equipamentos, no caso, os desportivos, e talvez por
isso ainda usa menos o veículo privado, aforra mais do que gas-
ta, apresenta benefícios a explorar no futuro a partir de uma
população que também já tem acesso a educação superior e que
demonstra alguma iniciativa no sentido de uma nova fase de
desenvolvimento económico.
As Regiões Autónomas apresentam características entre o
Litoral e o Interior de Portugal Continental.
1,6
1,3
1
0,9
0,8
0,7
0,6
ATLAS DE PORTUGAL IGP 209
N
0 25 50 km
O PAÍS SOCIOECONÓMICO
Políticas do território
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/15 11:18 Página 209
210 ATLAS DE PORTUGAL IGP
A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO
COMUNIDADES PORTUGUESAS
TESTEMUNHOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO
EVIDÊNCIAS CULTURAIS DE HOJE
IDENTIDADE E CULTURA EM TEMPOS
DE MUDANÇA
RIQUEZA E DIVERSIDADE DE CULTURAS
FRONTEIRAS DE UM PORTUGAL CULTURAL
ACTUAL SUPORTE À CULTURA
PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA
PORTUGAL NA EUROPA
A INTEGRAÇÃO DA EUROPA
TRANSFORMAÇÕES NA UE-15
PRIORIDADES SOCIAIS DA UE
DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E NÍVEL DE VIDA
ENERGIA: A MAIOR FRAGILIDADE DA UE
PRESIDÊNCIA PORTUGUESA NA UE
O ALARGAMENTO DA UE
UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA
871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:33 Página 210
ATLAS DE PORTUGAL IGP 211
PORTUGAL NUM
MUNDO DE RELAÇÃO
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 211
212 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Proponho ao leitor um rápido exercício de imaginação histórica:
suponha que consegue recuar no tempo e vai embarcado numa nau
que, pela primeira vez, chega a um outro continente, África,
América ou Ásia. Não estamos evidentemente a falar da África do
Norte, em que as populações falavam e falam uma língua para a qual
havia interpretação disponível, alguma memória ainda viva e
contactos ainda possíveis com os respectivos falantes entre os povos
cristãos na Península Ibérica. Estamos a considerar, sim, povos cujas
línguas e sistemas de escrita eram completamente diferentes da
nossa, apresentando aos recém-chegados um grau de opacidade e de
indecifrabilidade que podemos dizer total, sendo a inversa
igualmente verdadeira.
A LÍNGUA PORTUGUESA:
UM TRAÇO DE UNIÃO
À RODA DO MUNDO
VASCO GRAÇA MOURA
O leitor, desembarcando, pela primeira vez, com soldados,
marinheiros, religiosos, comerciantes, ou simples
aventureiros, num lugar em tais condições, sem intérpretes à
mão e, muitas vezes, sem condições até para fazer entender
por gestos alguns aspectos mais elementares ligados à
comunicação entre seres humanos, estaria colocado
exactamente na mesma situação em que muitos portugueses
se encontraram.
Nem o português era falado, ou, sequer, conhecido, nessas
paragens, nem os portugueses, ou outros europeus, estavam
em condições de se fazerem entender.
E todavia… entendiam-se! E apesar de, ao que parece, Vasco
da Gama ter confundido o culto de uma deusa local com o
da Virgem Maria, podemos ler em Camões um exemplo
interessante, de que devemos registar a complexidade
abstracta da proposta feita pelo nauta português ao
Samorim:
E se queres, com pactos e lianças
De paz e amizade, sacra e nua,
Comércio consentir das abondanças
Das fazendas da terra sua e tua,
Por que cresçam as rendas e abastanças
(Por quem a gente mais trabalha e sua)
De vossos Reinos, será certamente
De ti proveito e dele glória ingente.
(Lusíadas, VII, 62)
Mas imaginemos agora o que se passava, não já em
Calecute, à chegada do Gama, que sempre podia dispor de
um ‘língua’, ou intérprete, relativamente fácil de arranjar
entre os falantes de árabe que pululavam na costa oriental de
África, muito em especial de Mombaça para cima.
Imaginemos um missionário, ou um comerciante português
a chegar às partes da China ou do Japão. Ou à costa
brasileira. E começarem a entregar-se à sua actividade,
falando e fazendo-se entender…
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 212
Num curto prazo o terão conseguido e não só. Também se
dedicaram ao estabelecimento de vocabulários e gramáticas,
à redacção de catecismos, à transmissão da língua portuguesa
às populações nativas com que iam contactando. E além
disso, deixaram relatos, informações organizadas e esboços
históricos das partes longínquas com que iam contactando,
em termos que supõem uma grande capacidade de
compreensão da informação local, nas línguas locais, muitas
vezes, decerto, apenas colhida pela via oral.
Em muitos pontos do globo, a língua portuguesa terá
‘entrado e saído’ com relativa precariedade. Mas em muitos
ficou e ainda hoje perdura. As razões que o explicam são,
evidentemente, de natureza histórica, política e
administrativa, institucional, social, cultural e familiar.
E as condições dessa mesma permanência variaram, no
tempo e no espaço em termos muito diferentes entre si.
Basta comparar o relativamente frouxo conhecimento do
português por parte dos habitantes chineses de Macau, onde,
sem uma política concertada com as autoridades daquela
autonomia especial da República Popular da China, ele
estaria condenado a desaparecer de todo a breve trecho, com
o que se passa na Índia, ocupada pelas tropas indianas desde
fins de 1961 e desde então subtraída ao domínio português:
ainda hoje, em Goa, Damão e Diu, há uma geração das
populações fixadas nesses territórios antes da intervenção
indiana que fala e escreve em português corrente. Questões
culturais, questões familiares, questões institucionais (o
Código Civil Português de 1867 ainda hoje lá se aplica),
questões enfim ligadas a uma afirmação de identidade
própria face ao mosaico étnico, cultural e religioso de que se
compõe a União Indiana, podem explicá-lo, embora possa
também dizer-se que em Goa, Damão e Diu a língua
portuguesa está em regressão e só poderá ultrapassar esse
estado se houver políticas de cooperação bilateral
suficientemente fortes e sugestivas que o permitam.
Diferente parece ser também a questão de Timor Leste,
o oitavo país de língua portuguesa. A tradição cultural e
religiosa, aliada à cooperação bilateral e inscrita em todo
o complexo processo que levou à independência de Timor
em relação à Indonésia, levam a que o português possa aspirar
a um papel importante na construção desse novo país.
É, de resto, o que acontece em África. Em cada um dos seis
países africanos de língua oficial portuguesa, a nossa língua é
um factor de unidade nacional, um instrumento de acção
política e de prática administrativa, um valor essencial de
cultura e um factor imprescindível para a ciência e a
tecnologia, a formação e o desenvolvimento. Nem os crioulos,
onde os há, provaram ser idóneos para o ensino ou para
a formulação do pensamento abstracto, nem a existência
de dezenas de línguas nativas o teria permitido.
Nesses países, além disso, há uma fortíssima ligação
humana, adensada ao longo de séculos e muitas vezes
estreitada por laços de parentesco próximo, com o povo
português. E é de supor, mau grado as oposições, por vezes
muito negativas para a nossa língua, entre o francês e o
português, em Cabo Verde e na Guiné, ou entre o inglês
e o português, em Moçambique, que a nossa língua não
perderá a sua posição dominante.
Numa situação internacional assaz complexa, poderá dizer-se
que a verdadeira oposição em África é a que ocorre entre
‘latinofonia’ e ‘anglofonia’, mas que isso diz respeito à opção
por uma determinada língua veicular internacional e não à
língua que os povos desses estados falam e escrevem
realmente na sua realidade quotidiana.
De resto, a criação cultural desses seis países africanos no
plano literário e noutros (teatral, cinematográfico, crítico, etc.)
é, quase exclusivamente, feita em língua portuguesa.
Diferente ainda é o caso do Brasil, gigantesco espaço
geográfico e humano da América do Sul. Desde o tempo do
Marquês de Pombal que a resolveu ‘totalitariamente’, à boa
maneira do despotismo iluminado, que a questão não
se põe. O português é a língua do Brasil, com variantes
de pronúncia, sintaxe e vocabulário, é certo, mas que não
são mais do que isso.
É no Brasil que o português é falado por mais gente do que
em todo o restante universo da língua portuguesa no mundo.
E é por isso a partir do Brasil que ele tem mais peso
no contexto internacional, sendo também de supor que é
no Brasil, hoje país da fusão multicultural por excelência,
que ele evoluirá em termos mais significativos.
Detenhamo-nos um pouco: podemos comparar o trajecto,
a expansão e a projecção da língua portuguesa no mundo, à
viagem de Pedro Álvares Cabral em 1500, a primeira, na
História da Humanidade, a ligar por mar os cinco continentes.
Nesse sentido, o olhar que hoje temos sobre a importância
das nossa língua no mundo é um olhar… ‘cabralino’.
E aqui têm cabimento alguns números a testemunharem
das ordens de grandeza.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 213
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 213
214 ATLAS DE PORTUGAL IGP
O português é a sétima língua mais falada do mundo, depois do
chinês de Pequim, do inglês, do indi-urdu, do espanhol,
do russo e do indonésio-malaio. Encontra-se à frente do
árabe, do bengali, do francês, do japonês e do alemão.
Mas já ocupa o quarto lugar entre as línguas europeias mais faladas
no mundo, depois do inglês, do espanhol e do russo, e antes
do alemão, do francês e do italiano.
Todavia, o português é uma das línguas nacionais menos
faladas no território europeu, como qualquer comparação
demográfica elementar permite concluir. Confinado à
Europa, se Portugal não fosse um país independente e acaso
se tivesse tornado uma ‘autonomia ibérica’, o português
provavelmente seria hoje considerado ‘língua minoritária’...
Por outro lado, o português ‘de Portugal’, dada a estabilidade
das nossas fronteiras ao longo de perto de oito séculos,
cobriu todo o território nacional, com apreciável unidade e
sem variantes dialectais que a tal respeito possam considerar-
-se significativas. Teve e tem, por isso mesmo, um papel
fundamental na consolidação da nossa identidade
e pode aspirar ao estatuto de paradigma só acessível a uma
língua que conte com numerosos clássicos no seu
património literário. Dos países de língua portuguesa,
Portugal ocupa naturalmente o primeiro lugar quanto
a este aspecto.
Mas é ainda de ponderar que o número, a dimensão
demográfica e territorial e a importância geo-estratégica dos
países em que uma dada língua é falada contribui em larga
medida para o seu potencial num mundo em globalização
acelerada. Nessa escala, a desproporção é evidente: o inglês
é falado em aproximadamente 47 países, o francês em 30,
o árabe em 21, o espanhol em 20 e o português, conquanto
venha em quinto lugar nesta série, em apenas 8...
Se acrescentarmos que a maioria destes últimos oito se
compõe de países ainda em vias de desenvolvimento, alguns
com enormes dificuldades e dependentes de impressivas
ajudas externas, podemos concluir que é neste quadro que
devemos ser extremamente realistas.
Mas há ainda outro aspecto que não podemos escamotear.
É que a língua portuguesa muito provavelmente evoluirá de
maneira diferente consoante os territórios em que é falada,
tanto na pronúncia, como no léxico e na gramática.
Este aspecto centrífugo, que encerra, em si mesmo,
potencialidades de enriquecimento e versatilidade da língua
como um todo, é todavia contrariado por um aspecto
centrípeto: tanto o Brasil como Portugal, e como ainda
possivelmente os países africanos de língua oficial
portuguesa, reúnem condições para assegurar a unidade
da língua nos tempos de globalização acelerada em que
vivemos hoje: na língua portuguesa se comunica em tempo
real graças a tecnologias que a transportam com as suas
actuais características, na língua portuguesa se cria literatura,
imprensa e produção audiovisual que circula rapidamente
entre os vários espaços em que é falada, na língua
portuguesa se intervém no plano multilateral dos oito
Estados em questão e no plano internacional das principais
organizações, na língua portuguesa se processam as várias
modalidades de cooperação que vão sendo desenvolvidas.
A língua portuguesa é pois um traço de união que não se
limita a uma simples memória histórica. Assegura o
funcionamento de um complexo sistema no presente
e tende, com os aperfeiçoamentos de que esse sistema
é susceptível, a sê-lo cada vez mais no futuro.
É o facto de esse traço de união, ou, se se preferir, esse
denominador comum a perto de duzentos milhões de seres
humanos existir que, por um lado, permite uma visão do
mundo, uma Weltanschauung afim em tantas partes
geográfica, histórica, cultural e etnicamente tão afastadas
entre si no globo e, por outro, representa um bloco com
características próprias ante várias entidades e instituições
que estão actualmente a enquadrar os Estados tradicionais
em novas modalidades de organização e coordenação de
actividade: perante a União Europeia, a NAFTA,
o Mercosur, as organizações emergentes no Oriente e
no Extremo-Oriente, a língua portuguesa permite que
os Estados em que é falada sejam vistos e respeitados como
uma ponte interactiva e capaz de assegurar ligações mais
eficazes: Portugal pertence à União Europeia, o Brasil
integra o Mercosur, Angola, Moçambique, a Guiné,
S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde estão em relação estreita
com a Organização de Unidade Africana e os países ACP
e assim sucessivamente. Mesmo em potências e blocos
asiáticos emergentes, a que pertencem a Índia, a China e o
Japão, o português ganha um novo espaço nesta perspectiva,
isto sem falar nas comunidades de emigrantes que em certas
áreas (Estados Unidos, África do Sul) criam importantes
focos de irradiação da nossa língua.
A LÍNGUA PORTUGUESA:
UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 214
ATLAS DE PORTUGAL IGP 215
Pode dizer-se que os Portugueses têm uma especial
responsabilidade quanto aos níveis qualitativos de utilização
da sua língua: por razões históricas e sócio-culturais que
me dispenso de desenvolver, a maior parte do grande
património cultural que, ao longo dos séculos, se vem
exprimindo em língua portuguesa teve a sua origem em
Portugal.
O que, do mesmo passo, envolve a indispensabilidade
do português ‘de Portugal’ para o cânone da língua-padrão.
Temos interesse em que o português que falamos seja, tanto
quanto possível numa área tão complexa e tão sensível, uma
referência paradigmática.
Hoje, todavia, temos de reconhecer que uma língua é uma
realidade imaterial e dinâmica que pertence a todos quantos a
falam enquanto língua materna ou língua nacional.
No caso do português, mesmo nos países em que este
é oficialmente considerado língua veicular, e sem qualquer
desrespeito por outras situações sócio-linguísticas, pode
dar-se como assente que, sem ele, não seriam possíveis
à escala nacional a prática política, a prática legislativa, a
prática administrativa, a prática jurisdicional, a aprendizagem
científica e técnica, a criação cultural praticamente em todos
os campos, os contactos internacionais a todos os níveis…
Recapitulemos alguns pontos:
Os Portugueses não são donos da língua portuguesa.
São apenas os que primeiro a falaram e lhe deram aptidões
modernas de expressão e comunicação, sobretudo a partir
do século XVI, de modo a que ela pudesse proporcionar aos
seus falantes um relacionamento eficaz com o mundo
e uma determinada visão dele.
A língua tem características eminentemente evolutivas em
que se deparam tensões de vária natureza entre a chamada
língua-padrão, que tende para estabilizar as suas normas
em nome de um cânone reputado ideal, e as outras e tão
diversas expressões em que se manifesta. Esta situação não
é estática: tende a dar-se uma interacção permanente entre
as duas esferas.
Dadas a dispersão geográfica, a situação histórica e a muito
grande diversidade cultural dos falantes do português,
aquelas forças centrífugas poderão tornar-se mais
intensamente actuantes.
Mas a permanência das características fundamentais
da língua-padrão, bem como o apreço pelo seu cultivo,
provavelmente pode ser assegurada pela grande intensidade
das comunicações que actualmente são feitas em tempo real
ou em tempo extremamente curto. E também pela
circulação da produção científica e técnica, bem como da
produção cultural, nomeadamente a literária e a audiovisual,
mas não só ela, em português, através de todos os espaços
em que o português é falado.
Essa circulação, sujeita embora a forças centrífugas, pode em
si mesma constituir um valioso vector centrípeto e de
reequilíbrio. No que nos diz respeito, ela deve assentar no
prestígio e na qualidade do português ‘de Portugal’, num
melhor apetrechamento humano, técnico e até económico
para promover a sua difusão, num interesse geo-político
muito relevante da nossa parte e numa vontade política de
agir nesse sentido.
Isto significa que as políticas de cooperação, necessariamente
multilateral nesta matéria, muito em especial as atinentes ao
ensino e aprendizagem da língua portuguesa e à circulação,
em todas as direcções, dos textos produzidos nela, poderão
ter um papel crucial quanto ao seu futuro. Elas contribuirão
para consolidar, e do mesmo passo enriquecer, o português-
padrão, assegurando-lhe uma particular coerência na
diversidade inevitável das pronúncias, dos léxicos, das
sintaxes e de outros vários tropismos que possam ocorrer.
Por último pode perguntar-se: e em Portugal, o que é que
acontece ao português? É claro, desde há muito, que a
língua que falamos é um factor de identidade e de unidade
nacional. O facto de se tratar de uma língua sem variantes
dialectais notáveis para o que aqui nos interessa, conjugado
com a estabilidade das nossas fronteiras continentes nos
últimos oito séculos, tem permitido, cada vez mais, que
a língua portuguesa seja o principal instrumento que
permite identificarmo-nos como pertencente a um grupo
que tem uma visão do mundo e se reconhece nela. Importa
também que seja um instrumento de aquisição de
conhecimento e de elaboração e expressão do pensamento.
E que recupere, na escola e na prática quotidiana em todos
os planos da vida, um nível qualitativo de utilização que
está em vias de perder e requer políticas muito decididas
para se contrariar o presente estado de coisas.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 215
216 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Maria Assunção Gato
COMUNIDADES
PORTUGUESAS
A epopeia dos Descobrimentos levou os portugueses a procurar alternativas de vida pelos cinco
continentes, transformando-os desde cedo numa espécie de emigrantes no seu próprio império.
Se o povoamento das ilhas atlânticas dos Açores e Madeira se fez com população maioritariamente
originária de Portugal, o de Cabo Verde também viria a contar com muitos portugueses que,
posteriormente, se foram miscigenando principalmente com africanos da costa fronteira, alargando-se
ainda estes agrupamentos às terras do Brasil. Assim se traçaram os primeiros contornos
da emigração enquanto fenómeno estrutural da sociedade portuguesa, talvez mais impulsionada pelas
necessidades de sobrevivência de muitos do que pelo desejo de aventura e glória de alguns. Face aos
parcos recursos naturais e à quase total dependência de uma actividade agrícola pobre e de proveitos
muito variáveis, as sucessivas vagas de emigração a que Portugal foi assistindo desde o século XV deixaram
marcas consideráveis a nível interno, mas foi graças a elas que a cultura e língua portuguesas conheceram
uma notável expansão mundial.
Testemunhos de um passado longínquo
Para além de uma boa parte da África negra e do gigantes-
co Brasil, os portugueses estenderam a sua presença a diver-
sos pontos do Oriente, ora deixando testemunhos mais
ténues da sua passagem, como é o caso do Japão e Malaca, ora
perpetuando a sua herança cultural em territórios que gover-
naram até ao século XX, como aconteceu com Goa, Damão,
Diu, Macau e Timor.
Uma vez dissolvido o Império, continuam a prevalecer no
espaço português de outrora os inconfundíveis traços da sua
arquitectura que, em conjunto com a língua, compõem as
marcas privilegiadas de um património cultural que não só
impõe uma referência obrigatória ao passado histórico dos
lugares, como celebra a expansão da alma portuguesa pelo
mundo. Em Goa, o intenso comércio mantido pelos portu-
gueses, entre as suas diversas possessões do Oriente e a Euro-
pa, fez desta cidade uma das mais ricas e famosas do universo
de então. Em 1557 e ainda em contínuo desenvolvimento,
dizia-se que Goa era “tão grande e bela como Lisboa”. E na
verdade, as evidentes influências portuguesas no espaço cons-
truído ainda fazem dela um território à parte no contexto da
União Indiana, com uma paisagem cultural quase única e
rigorosamente delimitada pela fronteira.
O ex-libris de Macau continua sendo a fachada de grani-
to do velho Colégio Madre de Deus, que sobreviveu ao
incêndio de 1835 e onde, em 1592, os jesuítas haviam fun-
dado a primeira Universidade ocidental. E se a expansão
portuguesa sempre se caracterizou por um complexo pro-
cesso de aculturação, em nenhum outro lado ela foi tão
importante e profunda como no Brasil, onde são por demais
evidentes os exemplos de arquitectura portuguesa espalha-
dos naquele imenso território. Nas antigas colónias africa-
nas, a ainda recente descolonização, em conjunto com os
estreitos laços de cooperação e o elevado grau de mobilida-
de das populações para Portugal, faz com que as marcas da
cultura portuguesa se confundam com as locais, numa
imbricação que se vai perpetuando no tempo e em espaços
que falam a mesma língua.
Com efeito, a língua portuguesa é, provavelmente, a
expressão mais profunda da nossa identidade e o elo privile-
giado de ligação entre o povo português – na sua heterogenei-
dade cultural interna – e as novas nações que ele ajudou a
fundar, mantendo-se até à actualidade como língua oficial das
cinco antigas colónias de África (Cabo Verde, Guiné Bissau,
S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), para além do
Brasil e de Timor.
Na Ásia também continua a ser possível ouvir falar o por-
tuguês nos territórios indianos de Goa, Damão e Diu, muito
embora os grupos de falantes sejam cada vez mais restritos
com o passar dos anos e o mesmo tenda a acontecer também
no caso de Macau, onde a posse administrativa portuguesa se
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 216
ATLAS DE PORTUGAL IGP 217
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Comunidades portuguesas
Alguns testemunhos da presença portuguesa
Velha Goa, vista geral, 1957
Macau, ruínas de São Paulo
Velha Goa, ruínas de Sto Agostinho
Goa, Igreja de Chandor
Fortaleza de Diu
Cabo Verde, Mindelo
Sri Lanka, fortaleza de Galle
Brasil, São Salvador da Baía
prolongou mais no tempo. Quanto ao jovem Timor livre, é
de esperar que a língua lusa se vá diluindo lentamente entre
os dialectos locais e o inglês, que acaba por ser a língua fran-
ca em tão longínqua parte do mundo.
Evidências culturais de hoje
Actualmente o português continua a ser uma língua viva
junto de múltiplas comunidades repartidas por todos os con-
tinentes devido à emigração que, desde a segunda metade do
século XIX até mais de metade do século XX, manteve uma
expressão bastante intensa, agudizando-se em momentos par-
ticulares de crise política e económica. Uma das características
mais significativas desta emigração é o seu padrão regionalista
mais ou menos fiel, em que as pessoas de determinadas
regiões mantêm os mesmos destinos ao longo de várias gera-
ções, retomando no exterior os mesmos laços familiares e
comunitários do lugar de origem. Assim se compreendem as
grandes comunidades de madeirenses em Caracas (Venezuela)
e Joanesburgo (África do Sul), as enormes comunidades de
açoreanos em cidades dos Estados Unidos como Massachu-
setts, New Bedford, Boston entre outras, ou as expressivas
comunidades de nortenhos espalhados por toda a França,
Reino Unido, Suíça e Alemanha.
De entre o total de população portuguesa e de origem por-
tuguesa a residir no estrangeiro em 2002, estima-se que só o
continente americano comporte cerca de 58% (24% nos EUA,
14% no Brasil, 10% no Canadá e 8% na Venezuela), seguin-
do-se a Europa com 31%, seguida de longe pela África com
7%, que na sua quase totalidade se encontram na África do
Sul. No conjunto destes destinos mais representativos da pre-
sença portuguesa haverá lugar para graus bastante variáveis de
inserção social e aculturação, tal como variável será também a
influência que os portugueses exerceram e continuam a exer-
cer junto das comunidades que os acolheram.
Uma outra forma de manter viva a memória cultural dos
portugueses residentes no estrangeiro é a gastronomia. Daí a
presença obrigatória do comércio de produtos alimentares
provenientes de Portugal junto das grandes comunidades
emigrantes e de alguns restaurantes, o que sempre vai dando
para matar as saudades da pátria.
Estes espaços comerciais podem ser entendidos como mar-
ca cultural representativa da influência portuguesa no exterior.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 217
Rio Mandov
Ruínas
Perímetros de antigos edifícios religiosos
Perímetros de antigos edifícios de serviços públicos
Equipamentos no Séc. XVI
Largos e ruas de maior comércio no Sec. XVI
Eixos principais de circulação
(a ponteado os mais importantes,
a cheio os existentes na actualidade)
Rio Mandovi
Devalaias
Igrejas
Velhas conquistas
Novas conquistas
Mesquitas
Distribuição de igrejas, devalaias e mesquitas, 1960
Rio Mandovi
Reconstrução, a partir de uma planta
e documentos do início do séc. XX,
da cidade de Velha Goa no séc. XVI
Distribuição de igrejas, devalaias e mesquitas, 1960
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Comunidades portuguesas
86
82
85
83
84
66
103
100
99
98
95
94
92
93
95
107
106
115
116
117
114
111
113
112
108
110
109
105
104
62
68
67
65
87
86
66
88
89
91
77
73
76
90
64
70
72
55
54
56
71
60 15
13
17
18
20
5152
53
19
57
58
59
61
6369
12
11
10
8
9
14
13
30
31
23
96
97
102
101
32
33
41
49
46
47
48
40
34
38
39
37
35
36
50
42
43
44
45
21
16
81
74
75
22
Ruínas
Locais de antigos edifícios religiosos
Locais de antigos edifícios de serviços públicos
Equipamentos no séc. XVI
Largos e ruas de maior comércio no séc. XVI
Principais eixos de circulação
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 218
500 m
N
vi
ATLAS DE PORTUGAL IGP 219
1. Local do Convento da Madre de Deus
2. Local da Igreja de S. José
3. Calçada de Daugim
4. Rua das Flores
5. Local da Igreja de Sta. Luzia
6. Adro de Sta. Luzia
7. Rua de Sta. Luzia
8. Local da Balança ou Pezo
9. Local do Bazar Grande
10. Local da Alfândega
11. Rua do Bazar Grande
12. Rua de S. Domingos
13. Rua do Monte ou do Vigário Geral
14. Local do Convento de S. Domingos
15. Rua do Mandovi
16. Calçada de N. Sra do Monte
17. Rua dos Surradores
18. Rua do Açougue
19. Local do Açougue
20. Local do Tribunal
21. Rua da Árvore
22. Rua da N. Sra do Monte
23. Local do Convento das Carmelitas
24. Igreja da N. Sra do Monte
25. Local da Igreja de Sto. Amaro
26. Rua de S. Lázaro
27. Adro de S. Lázaro
28. Local do Hospital de S. Lázaro
29. Campo de S. Lázaro
30. Local da Igreja de S. Thomé
31. Rua de S. Thomé
32. Local do seminário da Sta Fé
ou Colégio de S. Paulo
33. Capela de S. Francisco Xavier
34. Rua de S. Paulo
35. Local da Igreja de Sto Aleixo
36. Local do Hospital dos Pobres
37. Rua do Hospital dos Pobres
ou Mão Cortada
38. Rua da Santíssima Trindade
39. Local da Igreja da Santíssima
Trindade
40. Local do antigo Pagode
41. Tirta
42. Ruína da Forca
43. Ruína do Convento da Cruz
dos Milagres
44. Calçada da Cruz dos Milagres
45. Caminho da Forca
46. Caminho das Portas de Moula
47. Local da Igreja da N. Sra da Luz
48. Adro da N. Sra da Luz
49. Calçada da N. Sra da Luz
50. Pelourinho Novo
51. Rua dos Ourives
52. Rua dos Pannos
53. Local do Bazar Velho
ou Pelourinho Velho
54. Local da Porta dos Bachareis
ou Baçaes
55. Local do Recolhimento da Serra
56. Cemitério
57. Rua Direita ou dos Leilões
58. Casa das Bullas
59. Arco da N. Sra da Conceição
60. Convento de S. Caetano
61. Palácio dos Governadores
62. Local do Palácio dos Vice-Reis
63. Terreiro dos Vice-Reis
64. Local do Tronco
65. Arco dos Vice-Reis
66. Cais dos Vice-Reis
67. Ribeira das Galeras
68. Local da casa do Senado
69. Terreiro de Sabaio
70. Local da Igreja de S. Thomé
71. Rua do Crucifixo
72. Local da Misericórdia
73. Rua do Bazar Velho
74. Rua dos Banianes
75. Igreja e casa professa do Bom Jesus
76. Casa dos Peregrinos
77. Terreiro dos Gallos
78. Rua dos Carregados
79. Rua da Graça ou das Mónicas
80. Rua das Três Boticas
81. Rua dos Chapeleiros
82. Convento de S. Francisco
de Assiz
83. Palácio do Arcebispo
84. Sé
85. Quartel
86. Cais de Sta. Catharina
ou do Arcebispo
87. Local do Aljube
88. Capela de Sta. Catharina
89. Local do Hospital Real
90. Local da Alfândega
91. Rua do Bazarinho de S. Francisco
92. Local da Ribeira Grande ou Arsenal
93. Estufa
94. Local da Capela das Chagas
95. Rua das Naus de Ormuz
96. Convento de Sta Mónica
97. Convento de S. João de Deus
98. Local da Igreja de Sto André
99. Rua dos Judeus
100. Ruínas do Colégio do Populo
101. Local do Arco do Populo
102. Ruínas de N. Sra da Graça
e Convento de Sto Agostinho
103. Terreiro de Sto Agostinho
104. Praça de Sto António
105. Capela de Sto António
106. Local do Convento de S. Roque
107. Priorado da N. Sra do Rosário
108. Calçada da N. Sra do Rosário
109. Beco dos Bachareis
110. Local do Convento de S. Boaventura
111. Rua de S. Boaventura
112. Cemitério de S. Pedro
113. Local do Convento de S. Thomás
de Aquino
114. Igreja de S. Pedro
115. Ruínas do Palácio de Panelim
116. Capela da N. Sra da Piedade
117. Rua de S. Pedro
Planta geral de Velha Goa
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Comunidades portuguesas
No entanto, esta característica, por si só, não consegue impôr,
nem no tempo nem no espaço distante, o sentimento de per-
tença e de partilha de um património identitário. Com efeito,
tanto no caso das visitas anuais regulares como nas mais raras,
o que acontece com uma boa parte dos emigrantes (e os por-
tugueses não são caso único) é uma espécie de duplo desenrai-
zamento, que pode ser colmatado numa terceira cultura, ou seja,
numa sobreposição das influências culturais trazidas com as
que são recebidas, conjugando-se este somatório de maneiras
muito próprias.
No fundo, estas terceiras culturas são hoje uma característi-
ca cada vez mais frequente no mundo multicultural em que
vivemos, desempenhando em crescendo o necessário papel de
mediadoras entre referências culturais que se multiplicam,
identidades nacionais que tendem a perder-se ou a exacerbar-se.
No actual mundo globalizado, a par do processo de homo-
geneização cultural, assiste-se a um certo re-inventar das cul-
turas locais e ao elogio dos seus particularismos. As festas, a
gastronomia, a música, o traje e a língua são, neste contexto,
elementos privilegiados que não só alimentam o sentimento
de pertença das comunidades aos seus espaços como também
sustentam a riqueza da sua memória colectiva e fazem a pon-
te com a identidade nacional.
Se dentro do país se verifica a necessidade de fomentar e
explorar o significado de todas estas expressões culturais, no
exterior essa necessidade será ainda mais urgente, quer pelos
laços que nunca deixarão de unir as comunidades portugue-
sas à sua pátria, quer pela própria posição que a cultura por-
tuguesa conquistou no mundo. Neste contexto importará
destacar o papel de instituições oficiais como o Instituto
Camões, que ao longo de vários anos tem vindo a desenvol-
ver uma rede de docência da língua e cultura portuguesas em
universidades estrangeiras, coordenando centros culturais e
de línguas, bem como apoiando edições no estrangeiro.
Entretanto, não menos importantes que as instituições
oficiais de apoio à cultura e comunidades portuguesas, serão
os organismos, associações e colectividades que os próprios
portugueses criaram nas terras de destino. Nelas se poderão
encontrar muitas das soluções aos problemas que se vão colo-
cando no seu quotidiano, os imprescindíveis laços de amiza-
de e solidariedade, os necessários sentimentos de pertença
para com as duas culturas em sobreposição e, sobretudo –
ainda que com algumas distorções ou adaptações – manter
viva a cultura portuguesa no mundo para que Portugal tam-
bém não esqueça toda a sua gente que está fora.
26
28
25
24
4
3
6
5
7
2
1
29
27
N
0 125 250 m
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 219
>1 000 000
500 000 a 1 000 000
100 000 a 500 000
10 000 a 100 000
1 000 a 9 999
1 a 999
0
Europa
31%
Oceania
1%
América
58%
Ásia
3%
África
7%
Bélgica
Espanha
Luxemburgo
Alemanha
Suíça
ReinoUnido
ÁfricadoSul
Venezuela
Canadá
Brasil
França
EUA
38000
47064
65000
132625
160672
250000
300000
400000
506270
700000
788683
1177112
Europa
31%
Oceania
1%
América
58%
Ásia
3%
África
7%
220 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Comunidades portuguesas
População nos países de língua portuguesa, 2001
Principais países
de residência
dos portugueses,
2003
Distribuição dos
portugueses por
continente, 2003
TIMOR
750 000
MOÇAMBIQUE
18 600 000
ANGOLA
12 800 000
S. TOMÉ E PRÍNCIPE
175 000
GUINÉ-BISSAU
1 200 000
BRASIL
169 800 000
CABO VERDE
434 800
PORTUGAL
10 336 000
População de origem portuguesa residente no estrangeiro, 2003
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 220
ATLAS DE PORTUGAL IGP 221
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Comunidades portuguesas
Associações
de portugueses
Conselheiro cultural
Centro cultural
Centro de línguas
Cátedras
Leitores
2
2
156
55
58
42
137
23
24
9
611
101
1
2 11
2 240
59
19
23
19
1
1
4
3
1
1
1
1 1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
3
3
3
1
1
2
1
1
1
110
3
1
3
33
11
3
33
22
1 11 11
11 11 11
11
22
21 55
21 11
1 33
66
1 21 11 99
1 11 11 11
11
11 11
11 11
11 11
11 11
11 11 11
11 11 11
11 11
11
11
11
1111
11 33 44 11 33 44
11 11 22
11 11 44
11 11 55
111
1111
1 11
1 51
Presença cultural do Instituto Camões e associações de portugueses no mundo, 2004
Meios de comunicação social em português no mundo, 2004
412
9 6
6
6
7
2
1
1 1
1
1
1
2
35 6
2
2
1
1
3
3
2
Jornais
Rádios
TV
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 221
222 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Maria Assunção Gato
IDENTIDADE E CULTURA
EM TEMPOS DE MUDANÇA
A longa História de Portugal deixou pelo mundo um património de elevado valor e, dentro do seu
território preservado no último século a devastações como nenhum outro país europeu, subsistem marcas
de cultura tradicional que deverão ser aproveitadas como factor de identificação e desenvolvimento.
A construção da moderna identidade cultural portuguesa é o resultado de cruzamentos profundamente
dispares: sobre um estrato herdado na sua maioria dos Romanos e Árabes (sem esquecer Fenícios, Celtas
e outros) ganham forma os traços culturais portugueses. Até aos anos 50/60 do século passado, Portugal era
um país fechado; em parte mais por via do regime político de então, e do entendimento que esse mesmo
regime fazia da cultura portuguesa, do que pelo afastamento geográfico. Depois de 1974, a chegada
de portugueses e africanos das ex-colónias e o regresso de muitos emigrantes, viria a ser engrossada pelas
primeiras levas de imigrantes do Leste: Portugal torna-se permeável a traços de culturas diferentes que
lhe conferem, hoje, um lado verdadeiramente genuíno do ponto de vista cultural e duplamente interessante
pela diversidade e multiplicidade, dada a reduzida dimensão do País.
Riqueza e diversidade de culturas
Nas décadas de 40/50 do século passado o território conti-
nental foi percorrido por equipas de especialistas em várias
áreas do conhecimento, com o objectivo de conhecer os usos
e práticas dos portugueses. As pesquisas conduzidas por
Orlando Ribeiro (Geografia), Jorge Dias (Etnografia), Lin-
dley Cintra (Linguística) e Keil do Amaral (Arquitectura)
confirmaram a riqueza e a diversidade de um Portugal plural.
Jorge Dias apresenta, em 1950, o ensaio Os Elementos Fun-
damentais da Cultura Portuguesa no qual faz depender a defini-
ção de uma personalidade-base da Nação de uma herança
cultural, fatalmente afectada pela diversidade cultural ineren-
te às várias regiões espaciais que a compõem, bem como pelos
diferentes estratos sociais da sua população, inevitavelmente
influenciada pelo exterior e naturalmente transformada no
decorrer da sua própria evolução.
Apesar do reconhecimento de tão ‘arriscada e difícil’ tare-
fa, Jorge Dias assentou a cultura portuguesa em bases estru-
turais geográficas e históricas: se por um lado os lusitanos
resultam de uma variada fusão étnica entre povos do Norte e
do Sul, compondo à sua maneira a herança de traços de per-
sonalidade obtidos de uns e outros, por outro lado, foi a situa-
ção geográfica de Portugal que contribuiu indiscutivelmente
para o carácter expansivo da cultura portuguesa.
Com mais de meio século passado sobre esta caracteriza-
ção, tanto se pode questionar a actualidade deste retrato como
a aparente inércia do nosso carácter, num tempo repleto de
grandes e rápidas mudanças.
Na leitura de Boaventura Sousa Santos (1994), o ensaio de
Jorge Dias é classificado como um dos textos mais representa-
tivos dos discursos míticos sobre Portugal, que, à força de tan-
to ser repetido, se torna evidente e verdadeiro. Mas não obs-
tante esta crítica, as suas reflexões sobre as contradições de um
Portugal que foi simultaneamente centro de um grande impé-
rio colonial que não conseguiu gerir convenientemente, e a
periferia de uma Europa que se vai desenvolvendo sem quase
o incluir, não deixam de ir ao encontro da dupla representação
do carácter do homem português e da plasticidade, ambigui-
dade e indefinição de que falava Jorge Dias. Neste sentido, a
concepção de cultura de fronteira que Sousa Santos aplica à cul-
tura portuguesa para a caracterizar, não deixa de corresponder
à capacidade de adaptação reconhecida por Jorge Dias.
Nesta cultura de fronteira cabem igualmente as regiões autó-
nomas da Madeira e dos Açores que, pelas suas características
geográficas e históricas, não só reclamam uma autonomia
político-administrativa como também cultural, visto a sua
heterogeneidade populacional – devida à diversidade de colo-
nizadores idos de Portugal e de alguns países da Europa do
Noroeste – funcionar como uma identidade homogénea face
às culturas do continente. Por contraste, os ilhéus dos Açores
e Madeira são uns portugueses diferentes. Importará aqui des-
tacar tanto o aspecto cosmopolita de algumas destas ilhas
devido à emigração e aos habitantes e visitantes estrangeiros,
como o grande isolamento a que outras estão votadas pela sua
pequena dimensão e posição geográfica.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 222
ATLAS DE PORTUGAL IGP 223
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Identidade e cultura em tempos de mudança
Nas palavras de Vitorino Nemésio, citado por João Leal
(2000), os Açores surgem como “um corpo autónomo de terras
portuguesas”, “um Portugal requintado” porque recebeu dele
toda a glória e prosperidade da época quatrocentista e assim
permaneceu; daí a reflexão sobre a “açorianidade” se fixar no
português de Quatrocentos, valorizando também as especifici-
dades culturais devidas à realidade geográfica das ilhas.
Fronteiras de um Portugal cultural
Num tempo que está para além da modernidade e em glo-
balização cada vez mais intensa, verifica-se que com alguma fre-
quência se continua a recorrer à forma paradoxal de ser e agir
dos portugueses – entendidos enquanto grupo cultural homo-
géneo – para justificar bons e maus resultados que vão conse-
guindo nas mais variadas tarefas e projectos, bem como para
reinventar especificidades culturais e recuperar memórias que
se vão desvanecendo na descaracterização que a todos afecta.
Não obstante as grandes transformações sofridas após a con-
quista da democracia, parece teimar-se no comum discurso do
sonho e da glória para nos projectarmos no exterior, quando
internamente nos ligamos irremediavelmente a um fado dema-
siado fatalista para justificar as grandes dificuldades estruturais
de que o País sempre padeceu e que ainda não soube contrariar.
A propósito da definição da identidade cultural portuguesa,
Boaventura Sousa Santos propõe como hipótese de trabalho o
esvaziamento do seu conteúdo, restando-lhe apenas a forma,
que é a fronteira ou a zona fronteiriça. Nas suas palavras, “a nos-
sa cultura nunca se conseguiu diferenciar totalmente perante
culturas exteriores, no que configurou um défice de identidade
pela diferenciação. Por outro lado, a nossa cultura manteve uma
enorme heterogeneidade interna, no que configurou um défice
de identidade pela homogeneidade.”.
Perante estas palavras, torna-se mais evidente a construção
e contínua divulgação do anterior discurso identitário, tal
como se compreende melhor porque é que os portugueses
insistem na criação de ícones para se reconhecerem enquan-
to grupo cultural, num tempo em que se torna cada vez mais
difícil falar de identidades nacionais.
Enquanto nação multicultural, cosmopolita e europeia, os
nossos ícones ou símbolos de distinção são os novos heróis
do momento que nos projectam no exterior e os eventos
internacionais que ocasionalmente vamos organizando:
Exposição Mundial de Lisboa – Expo'98 –, Campeonato
Europeu de Futebol – Euro 2004 –, Festival internacional de
música de iniciativa brasileira – Rock in Rio Lisboa; de figu-
ras de renome internacional – Figo, Eusébio, Amália, Mariza,
Siza Vieira, Manoel de Oliveira, José Saramago e outros, de
cujo mérito nos apropriamos para alimentar o nosso orgulho
em ser português no mundo.
Entretanto e na convivência quotidiana interna, não ficamos
alheios à ampla e rápida difusão de referências culturais divulgadas
essencialmente pelos meios de comunicação social, que nos envol-
vem em culturas de consumo tipicamente urbanas e que nos aju-
dam a definir e a compor novos estilos de vida cosmopolitas. Mas
importará não esquecer que a cultura portuguesa não começa – e
tão pouco se esgota – nas novas imagens e símbolos de moderni-
dade que têm vindo a transformar as principais cidades do País.
Para além destas, permanecem territórios mais esquecidos e com
ritmos diferentes de mudança que, contribuindo de igual forma
para a complexa caracterização de uma identidade nacional, conti-
nuam a viver em muitos casos, na total ausência de uma produção
cultural que não seja o seu próprio quotidiano, sequiosos de infor-
mação e entretenimento que não se esgote nos vulgares aparelhos
de televisão e rádio que possuem, quando é esse o caso.
Actual suporte à cultura
Quando falamos em Cultura Portuguesa não deixamos de
pensar na enorme diversidade de testemunhos que, de Norte
a Sul do Continente e da Madeira aos Açores, marcam as nos-
sas especificidades de carácter, reflexão e acção enquanto
membros de um único País.
Mas se falarmos em Produção Cultural, imprimimos uma
dimensão bem mais dinâmica a esse património existente,
reconhecendo-se que é através de uma actividade cultural
Bibliotecas, 2001
Por 10 000 hab.
4
3
2
1
Nº
482
83
8
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 223
224 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Identidade e cultura em tempos de mudança
constante, abrangente, participativa e não-selectiva que as
sociedades conseguem atingir níveis de desenvolvimento de
qualidade superior e mais igualitários.
Em termos de uma ‘cultura posta em prática’, não são
necessárias as estatísticas para que facilmente se perceba que,
em Portugal, também se fazem sentir grandes disparidades no
sector da produção cultural. Esta realidade pode ser atribuída
a factores tão diversos como:
— os profundos atrasos no campo da educação e que a ainda
recente democracia nem sempre parece conseguir recuperar;
— a centralização dos bens culturais nas principais cidades
do País (sobretudo no litoral), não só devida às maiores con-
centrações de público mas também por causas que se pren-
dem com as políticas públicas de desenvolvimento regional
que contemplam o dinamismo cultural;
— os parcos investimentos que as administrações locais
fazem, de uma maneira geral, no sector da Cultura;
— a crescente tendência para a privatização da actividade
cultural e respectiva sujeição às regras de um mercado cada
vez mais massificado;
— as dificuldades económicas de uma boa parte da popu-
lação e a sua incapacidade de aceder a bens culturais cujos
preços ditados pelas entidades privadas continuam a fazer da
cultura algo de muito erudito, selectivo e discriminatório;
— uma certa inércia, descrédito ou até mesmo ausência de
um prazer quotidiano pela Cultura nas suas múltiplas moda-
lidades que parece existir numa parte da população portugue-
sa, independentemente da sua localização, nível de instrução
e grupo económico.
É obvio que esta tentativa de interpretação da realidade cul-
tural em Portugal não esgota as razões que explicam o porquê
da hegemonia (quase ditadura) da televisão enquanto meio pri-
vilegiado de informação e elemento cultural massificador. Tão
pouco explicam os elevados níveis de iliteracia na população
jovem e os baixos níveis de leitura e compra de livros pela
população em geral, quando até se verifica o aumento do
número de bibliotecas disponíveis em todo o território nacio-
nal.
Apesar do destaque dos jornais desportivos, a imprensa
diária também se pauta na generalidade do País por tiragens
insignificantes se comparadas num contexto internacional. A
imprensa especializada dirige-se a segmentos sociais específi-
cos, definidos em função do género, geração, instrução ou
categoria socioprofissional, reconhecendo-se o sucesso que a
chamada ‘imprensa cor-de-rosa’ parece ter junto de um públi-
co económica e socialmente tão distinto daquele que retrata.
Face a estes breves exemplos, não será de estranhar a ‘capaci-
dade de absorção’ que uma boa parte das população urbana por-
Museus, 2001 Cinemas, 2001
Os dados apresentados
correspondem aos museus
que, no ano de referência,
cumpriam os seguintes
critérios:
Existência de, pelo menos,
uma sala ou espaço de
exposição.
Abertura ao público,
permanente ou sazonal.
Existência de, pelo menos,
um conservador.
Por 10 000 hab.
10
4
3
2
Nº
35
9
2
Nº
53
20
15
10
5
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 224
ATLAS DE PORTUGAL IGP 225
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Identidade e cultura em tempos de mudança
tuguesa parece ter em relação aos modelos, modas e estilos cul-
turais massificados. Os recentes desenvolvimentos dos meios de
informação e comunicação têm tido um papel determinante na
criação e divulgação de uma cultura que tende cada vez mais para
a globalização e descaracterização local, embora deixando nichos
que favorecem o fortalecimento dos seus laços identitários.
Contudo, não se podem dissociar estas tendências do
suporte consumista que lhe está associado e tão pouco se
pode ignorar o crescimento e a transformação urbanística que
as cidades do litoral, de um modo geral, têm demonstrado.
Neste cenário é também importante a referência ao surgi-
mento de mais 33 museus em Portugal em apenas um ano,
dos quais 30 no Continente, 2 na Madeira e 1 nos Açores, a
somar aos 201 que já existiam; e também ao acréscimo de
mais um milhão de visitantes registados na totalidade dos
museus nacionais no mesmo período (2000/2001).
Para esta realidade contribuirão factores como a crescente
procura do turismo e de visitas escolares, mas também o evi-
dente esforço de modernização que estes espaços de cultura
têm vindo a desenvolver, oferecendo cada vez mais conforto
e serviços complementares aos seus visitantes.
Apesar de ser significativo o investimento que algumas
vilas e cidades de menor dimensão estão a fazer no sector da
cultura, o protagonismo continua a pertencer às duas grandes
Palácios e paços
Antas e menires
Capelas e igrejas
Fortes, castelos e torres
Distribuição do Património Classificado, 2004
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 225
226 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Identidade e cultura em tempos de mudança
áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que parecem apostar
cada vez mais num modelo de consumo cultural em espaços
multifuncionais, onde as novas temporalidades das sociedades
urbanizadas fazem conjugar o consumo e o lazer no espaço do
shopping. A proliferação dos centros comerciais – que reúnem
num mesmo espaço o hipermercado, as lojas de vestuário, cal-
çado, electrodomésticos, electrónica, decoração e restauração
das grandes cadeias internacionais, espaços de divertimento e
várias salas de cinema de projecção contínua e simultânea – é
um claro exemplo de um modelo de cultura de consumo que
poderá ser adjectivada como volátil, efémera, inconsistente ou
superficial, mas que não deixa de espelhar a sociedade urbana
que, de uma forma geral, a põe em prática.
Se na área metropolitana do Porto existem 7 espaços comer-
ciais que correspondem a esta descrição (e entre os quais se
encontram 70 salas de cinema) na área metropolitana de Lisboa
o número de centros comerciais com idênticas características é
de 25, com o total de 175 salas de cinema, estendendo-se desde
as áreas mais centrais da capital até às novas urbanizações dos
concelhos periféricos.
Estas novas pequenas salas de projecção em centros
comerciais estão na origem do desaparecimento de algumas
das grandes salas de cinema e teatro, sobretudo nas grandes
cidades, ou ainda de umas quantas reconversões sob a forma
de auditórios ou centros culturais. Mas também existem
casos de novos espaços culturais, alguns de natureza privada,
que têm feito um reconhecido trabalho ao nivel da promoção
e divulgação de programas culturais bem diversificados, tal
como é merecedor de destaque o trabalho de conquista de
novos palcos para as diversas artes do espectáculo, como palá-
cios, jardins, conventos, igrejas, praças de touros, armazéns,
fábricas...
Mas as duas grandes cidades de Lisboa e Porto continuam
a liderar em termos de frequência de espectáculos e na exis-
tência de grandes espaços para esse efeito quando o ritmo da
adesão da população aos eventos parece cada vez mais marca-
do por uma sazonalidade estival e pela moda dos festivais de
música em espaços públicos.
Património mundial, 2004 Monumentos nacionais por concelho, 2004
Data de
classificação
1. Centro Histórico de Angra do Heroísmo 1983
2. Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém em Lisboa 1983
3. Mosteiro da Batalha 1983
4. Convento de Cristo em Tomar 1983
5. Centro Histórico de Évora 1988
6. Mosteiro de Alcobaça 1989
7. Paisagem Cultural de Sintra 1995
8. Centro Historico do Porto 1996
9. Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa 1998
10. Floresta Laurissilva na Madeira 1999
11. Centro Histórico de Guimarães 2001
12. Alto Douro Vinhateiro 2001
13. Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico 2004
Nº
59
30
15
6
2
nenhum
N
0 25 50 km
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/15 11:23 Página 226
ATLAS DE PORTUGAL IGP 227
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Identidade e cultura em tempos de mudança
A típica silly season televisiva de verão parece ser, simulta-
neamente, uma das causas/efeitos da crescente onda de festi-
vais musicais, que do Rock ao Jazz, passando pelos clássicos e
pela dança, vão acontecendo um pouco por todo o País, aju-
dando a descentralizar a cultura e a divulgar sítios e culturas
locais mais esquecidas. Importará não esquecer que o verão
português há muito que se divide entre o Litoral que vai a
banhos e o Interior que renova a sua fé nas romarias e festas
religiosas, as quais não dispensam espectáculos públicos
variados – como touradas, concursos, bailes, concertos musi-
cais de cantores com sucesso no momento.
Mais recentemente, parece haver uma tendência para con-
ciliar tudo isto num modelo de férias ‘vá para fora cá dentro’
através dos Festivais de Verão, privilegiadamente dirigidos a
grupos mais jovens. Será esta uma nova forma de descentrali-
zar a cultura portuguesa, levando a população urbana a desco-
brir ‘velhos’ territórios; mas para as populações locais, também
representa a oportunidade de contacto com uma realidade
extra-quotidiana, cuja promoção identitária poderá vir a ser
aproveitada de diferentes formas.
Fazendo nossas as palavras de Augusto Santos Silva,
“A aposta em eventos marcantes, crescentemente aceites nos
círculos críticos, com eco na imprensa de referência e atraindo
consumidores culturais tidos por regulares e esclarecidos, é tam-
bém uma aposta em ‘pôr no mapa’ – pôr em vários mapas várias
coisas. No mapa dos sistemas culturais, nalguns casos interna-
cionalizados, e também no mapa do território português e na
competição política e simbólica entre cidades e regiões, ou no
mapa dos circuitos turísticos e patrimoniais, ou no mapa dos
investimentos públicos e privados.”
Parece cada vez mais frequente a procura de projecção
internacional do país através de realizações culturais, patrimo-
nialização de conjuntos urbanos e promoção turística. Nesta
situação podem-se incluir as referidas candidaturas à realiza-
ção de Exposições Internacionais ou Mundiais e a eventos des-
portivos, as candidaturas a Capitais Europeias da Cultura (Lis-
boa 94, Porto 2001, Coimbra 2003, Faro 2005), a elevação a
património mundial de conjuntos urbanos significativos
(como os centros históricos de Évora, Angra do Heroísmo,
Guimarães ou Sintra) e múltiplos festivais – gastronomia, fol-
clore, fumeiro, vinho, fotografia, teatro, cinema, etc. – que um
pouco por toda a parte vão enriquecendo a agenda cultural do
território português e promovendo os sítios onde se realizam.
A enorme quantidade e variedade de património classificado
na totalidade do território português, do qual se destaca o Patri-
mónio Mundial, não só permite a representação do passado e a
evocação de uma memória colectiva, levando-nos a recordar
que muitas terras do interior já tiveram uma dinâmica cultural
bem mais significativa do que actualmente, como também não
nos deixa esquecer os variados testemunhos originais da histó-
ria do País e património arquitectónico, cultural e identitário da
sua gente.
Mas para além de tudo isto, importará referir igualmente
os dividendos turístico-económicos que se retiram da patri-
monialização reconhecida internacionalmente, o incremento
nas ofertas culturais e a procura da preservação das paisagens
dos lugares classificados que, simbolicamente, pertencem ao
globalizado mundo contemporâneo.
A tendência observada em algumas povoações com carac-
terísticas patrimoniais mais emblemáticas mas, que apresen-
tam sérios riscos de abandono e destruição, tem sido a sua
musealização e, em complementaridade desta tendência mas
a uma escala diferente, também se tem assistido, um pouco
por toda a parte, ao sucesso do turismo rural e de habitação,
que não deixa de ser uma espécie de ‘museu vivo’ de modos
de viver que caíram em desuso nas rotinas urbanas.
Será precisamente a necessidade de fuga a estas rotinas que
também tem contribuído para reavivar o interesse pela preser-
vação das ‘aldeias’ e ‘vilas’ históricas portuguesas que, de um
modo geral se vêem cada vez mais divulgadas nos roteiros
turísticos internos. Actualmente, Monsanto continua a ser
uma referência bem portuguesa, mas não o é mais do que
Penha Garcia, Idanha-a-Velha, Marvão, Óbidos, Monsaraz,
Mértola ou Barrancos... Entretanto e porque a expressão cul-
tural de um País não se resume a alguns eventos marcantes,
serão necessárias políticas culturais bem mais efectivas, des-
centralizadas, mobilizadoras e menos elitistas para alterar, um
pouco que seja, o sentir e o viver da cultura em Portugal.
Exemplos de locais classificados como património mundial
Centro de Angra, vinhas do Pico, Mosteiro da Batalha e centro histórico do Porto
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 227
POLÓNIA
CHECOSLOVÁQUIA
ROMÉNIA
JUGOSLÁVIA
ALBÂNIA
FRANÇA
ANDORRA
ITÁLIA
RFA
RDA
ÁUSTRIA
BÉLGICA
LUXEMBURGO
SUÍÇA
HOLANDA
DINAMARCA
REINO
UNIDO
IRLANDA
SUÉCIA
NORUEGA
ISLÂNDIA
FINLÂNDIA
GRÉCIA
TURQUIA
CHIPRE
MALTA
PORTUGAL
ESPANHA
HUNGRIA
U R S S
BULGÁRIA
228 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Raquel Soeiro de Brito
PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA*
A ideia de uma Europa Unida era um sonho antigo na mente de líderes e visionários. Entre 1945 e 1950,
homens como Jean Monet, Winston Churchill, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi e Robert Schuman,
entre outros, criaram as condições para “uma nova era, uma nova ordem no Oeste europeu, baseada numa
comparticipação de interesses dos povos e das nações, fundamentada numa série de Tratados garantindo
o papel da lei e da igualdade entre todos os países”. Os principais são o Tratado de Paris (1951), que
originou a Comunidade do Carvão e do Aço, e o Tratado de Roma (1957), donde emergiu a Comunidade
Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica, posteriormente revistos no Acto
Único Europeu (1986) e nos tratados de Maastricht (1992), Amsterdam (1997) e de Nice (2001),
conseguindo o alargamento e o aprofundamento político da União Europeia (UE).
Europa de 1945
* Com base em http://europa.eu.int
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 228
Portugal na Europa
Portugal é membro da UE desde 1 de Junho de 1986 e, tal
como os outros Estados-membros, beneficiou largamente
dos diversos Fundos Comunitários atribuídos, que propor-
cionaram grandes melhorias em todos os aspectos da vida
nacional; contudo, não conseguiu sair de uma posição de
atraso relativamente a outros parceiros. Uma das razões pode
ser encontrada no nível, ainda hoje, baixo de educação, tanto
sob o ponto de vista quantitativo como qualificativo, da sua
população; por isso urge que as entidades responsáveis insis-
tam na necessidade de fortalecer este factor, de modo a que a
posição portuguesa seja melhorada no mais curto espaço de
tempo.
CE-6 – 1957 CE-9 – 1973 CE-10 – 1981 CE-12 – 1986
UE-15 – 1995 UE-25 – 2004 UE-27 – 2007 UE-27+1 – >2007
ATLAS DE PORTUGAL IGP 229
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
1948
7/11 Maio
Congresso de Haia:
delegados de uma
vintena de países
europeus debatem novas
formas de cooperação
para a Europa.
1949
27/28 Janeiro
Como resultado do
Congresso de Haia
é criado o Conselho
da Europa.
1950
9 Maio
Robert Schuman propõe
à França e à República
Federal da Alemanha
(RFA) que disponibilizem
os seus recursos de Carvão
e de Aço numa nova
organização a que outros
países europeus possam
aderir; nasce a Europa.
1951
18 Abril
Assinatura do Tratado de
Paris: institui a
Comunidade Europeia
do Carvão e do Aço
(CECA), constituída pela
Bélgica, França,
Holanda, Itália,
Luxemburgo e RFA.
Datas-chave para a construção da Europa
A integração da Europa
Desde o Tratado de Roma, foi garantida a livre circulação
dos trabalhadores europeus e dos capitais, com a liberdade de
prestação de serviços e o direito de estabelecimento profissio-
nal; o Tratado de Maastricht manteve estes direitos dos cida-
dãos, confirmados em Nice, com a Carta dos Direitos Funda-
mentais da UE.
Dez anos após o Tratado de Maastricht, em 1 de Janeiro de
2002, mais de 300 milhões de europeus começaram a usar uma
moeda única, que não só concorreu para estreitar a união eco-
nómica da Europa, como deu aos cidadãos um sentimento de
participação numa entidade europeia comum. Mas, para que
haja a sensação de ‘ser europeu’ não se pode focar apenas o
tema ‘economia’: é indispensável realçar o da ‘cultura’. Por isso,
entre as primeiras séries de Programas para a Europa foi dada
atenção aos Programas educacionais e culturais: Erasmus, pro-
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 229
230 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
Superfície da Europa População, 2003 Densidade populacional, 2003
movendo a mobilidade de estudantes entre os países comuni-
tários; Comett, desenvolvendo a instrução e a educação tecno-
lógicas; Língua, encorajando a aprendizagem de línguas
estrangeiras; Televisão Sem Fronteiras, para melhor acesso aos
programas televisivos produzidos na Europa; Cultura 2000
(2000/ 2004), para encorajar a cooperação entre criadores de
programas, promotores e instituições culturais; e Media
(2000/2005), para suporte da indústria audiovisual e encoraja-
mento de distribuição de filmes e programas europeus.
Assim se vai construindo a UE, que, ainda só com os 15
países aderentes até Maio de 2004, já abrangia uma área do
Círculo Polar Árctico ao Mediterrâneo e do Atlântico ao Mar
Egeu, ou seja, aproximadamente 1/3 da superfície dos Estados
Unidos da América e uma população de 350 milhões de habi-
tantes (6% da população mundial), a terceira maior do mun-
do, a seguir à China e à Índia.
Transformações na UE-15
Ao longo do último meio século ocorreram grandes trans-
formações na vida dos europeus (e não só): na década de 50,
mais de 20% da população activa dos 6 países da Comunida-
de do Carvão e do Aço (o berço da UE) trabalhavam no sector
da agricultura e 40% no da indústria; em 2001, na Europa dos
15, esses números baixavam, respectivamente, para 4% e 29%,
subindo, em muito, o dos serviços. Neste sector, o comércio
tornou-se mais fácil graças à remoção de barreiras fronteiriças
e direitos alfandegários inter UE, quase duplicando em valor
entre 1990 e 2000, no conjunto dos 15 países-membros,
enquanto para a Irlanda, quase quadruplicou.
Os 10 novos estados-membros (e os 3 países candidatos)
são menos ricos que a maior parte dos países da UE-15, embo-
ra aí existam, tal como nestes, grandes diferenças de nível de
vida. Mas, com o esforço desenvolvido em importantes refor-
mas obtiveram um nível de crescimento económico global
(5% em 2000) que excede a média da UE-15.
Prioridades sociais da UE
Não obstante a grande diversidade étnica e cultural da UE
– uma das suas maiores riquezas – todos os Estados-membros
estão comprometidos no respeito pelos direitos humanos, na
construção e partilha da prosperidade e no exercício da sua
influência colectiva e conjunta, na cena mundial.
1957
25 Março
Assinatura do Tratado
de Roma: institui
a Comunidade
Económica Europeia
(CEE) e a Comunidade
Europeia da Energia
Atómica (EURATOM).
1960
4 Janeiro
Convenção de
Estocolmo:
é criada a Associação
Europeia do Comércio
Livre (EFTA), que
reúne vários países
fora da CEE.
1970
22 Abril
Assinatura do Tratado do
Luxemburgo: permite às
Comunidades Europeias
(CE) serem financiadas
por recursos próprios e
confere maiores poderes
ao Parlamento Europeu.
1973
1 Janeiro
Dinamarca, Irlanda e
Reino Unido aderem
à CE, que passam
a contar com 9
estados-membros.
Programa Erasmus, 1987/88 a 2000/01
1987/88 88/89 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01
120 000
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0
3 244 111 084
Estudantes
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
3154
357
84
31
43
505
305
544
132
34
70
301
3
92
244
411
10
3
km2
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
Milhões
379,5
82,5
8,1
10,4
5,4
40,7
5,2
59,6
11,0
16,2
4,0
57,3
0,4
10,4
59,3
8,9
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
120,3
231,2
96,2
339,3
124,9
80,6
17,1
109,6
83,7
478,0
56,4
190,2
173,4
113,2
243,3
21,8
hab/km2
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 230
ATLAS DE PORTUGAL IGP 231
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
Uma prioridade na UE é o investimento na educação e na
investigação científica, para reforço da sua competitividade e
para dar aos europeus ‘as capacidades necessárias’ a uma vida
melhor no século XXI; e como os jovens compreendem cada
vez mais o valor da obtenção de melhores qualificações, o
número de estudantes, principalmente no ensino superior,
tem vindo a crescer; mesmo o grupo feminino, cujas possibi-
lidades eram inferiores às dos homens, já os alcançou ou,
mesmo, ultrapassou. Só o programa Erasmus, desde o seu
início, em 1987, já contribuiu para a possibilidade de mais de
um milhão de estudantes prosseguirem total ou parcialmen-
te cursos em países europeus que não o seu.
O modelo social europeu assume diferentes formas conso-
ante os países, mas todos eles desejam ‘sociedades justas e soli-
dárias’; por isso foram instituídos os fundos estruturais com o fim
de reduzir as diferenças de nível de vida entre as regiões, aju-
dando a desenvolver as economias das mais pobres e se “procu-
ra redistribuir a riqueza através de pagamentos na forma de
benefícios sociais concebidos para reduzir a diferença entre ricos e
pobres e proteger os membros vulneráveis da sociedade, como
os doentes, os idosos e os desempregados”. Apesar destas medi-
1981
1 Janeiro
Grécia adere às CE,
aumentando para
10 o número de
estados-membros.
1986
1 Janeiro
Portugal e Espanha
aderem às CE, subindo
para 12 o número dos
estados-membros.
1986
17 e 28
Fevereiro
Assinatura do Acto
Único Europeu, no
Luxemburgo e em Haia,
relançando a integração
europeia.
1990
19 Junho
Assinatura do Acordo
de Schengen:
suprime os controlos
de fronteira entre os
estados-membros
da CE.
Estudantes, excepto pré-primária, 2000 Despesa com I & D, 2001
PIB em paridade de poder de compra
(ppc)/habitante, 2001
das o nível de vida é ainda muito diferenciado de país para país,
mesmo de região para região. O mesmo acontece com a taxa de
desemprego, além disso também muito desigual entre homens
e mulheres; em todo o caso, na Primavera de 2002 mais de 64%
das ‘pessoas em idade de trabalhar’ tinham emprego e havia
mais 1,7 milhões de empregos do que na Primavera anterior. E
para que a Europa possa ser ‘tão competitiva quanto possível’
com o resto do mundo, e apoiar os reformados de amanhã,
necessita que a sua população trabalhadora aumente, o que se
admite só ser possível favorecendo mais flexibilidade no merca-
do de trabalho, atraindo mais mulheres para ele, promovendo o
trabalho a tempo parcial e atrasando a idade da reforma – quase
tudo orientações nada fáceis de concretizar.
Desenvolvimento tecnológico
e nível de vida
O desenvolvimento tecnológico, que está guiando o mun-
do para a sociedade de informação/conhecimento, está cada
vez mais ao alcance dos jovens, e pode contribuir largamente
Milhões
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
14,5
1,5
2,2
1,0
7,8
1,2
11,9
1,9
3,2
1,0
9,0
0,07
2,0
15,0
2,1
74,3
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
6405
7329
7464
6888
7805
3867
5622
7266
3971
7392
3875
6186
10559
3644
6181
7065
Comércio
Educação
Governo
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
%do PIB
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
23400
23500
26100
25000
26900
19700
24300
24500
15700
26500
27500
23400
16500
45400
24600
24800
Despesa em protecção social/habitante, 2001
(em ppc)
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 231
232 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
Desemprego, 2003
Telemóveis por 100 habitantes, 2002 Exportações para a UE no total
da exportação, 2001
Importação de energia em milhares de
toneladas equivalentes de petróleo, 2001
Empregados na Primavera, 2002
Computadores por 100 habitantes, 2001
1990
3 Outubro
Reunificação da
Alemanha. 1992
7 Fevereiro
Assinatura, em
Maastricht, do Tratado
da União Europeia:
altera formas de
cooperação entre os
estados-membros e a
designação de CEE para
“União Europeia” .
1995
1 Janeiro
Áustria, Finlândia e
Suécia juntam-se à UE,
que passa a ser
constituída por 15
estados-membros.
1997
2 Outubro
Assinatura do Tratado
de Amsterdam: atribui
novos poderes e
responsabilidades
à UE.
para estes desígnios; por exemplo, se em 1990 só 1 em 100
pessoas (na UE-15) usava telemóvel, em 2002 já esse número
tinha crescido cerca de 78% e um ano mais tarde atingia os
80%, colocando a Europa à frente dos Estados Unidos da
América e do Japão, “em parte porque os países europeus lide-
ram na tecnologia do fabrico destes telefones”. E todos sabem
como este meio de comunicação veio aproximar o mundo em
todos os aspectos e é, por isso, fonte de enriquecimento. Os
computadores pessoais (PC) são outra destas fontes, nomeada-
mente pelas possibilidades enormes dadas pela Internet; esta,
embora a sua utilização possa – e deva – ser uma chave para
modernizar os sistemas educativos e criar empregos e o seu
uso esteja crescendo rapidamente, ainda não é tão popular
como nos Estados Unidos da América. Este sucesso pôde ser
alcançado porque todos os cidadãos da UE-15 aumentaram o
seu nível de vida ao longo da última década; mas foram os
irlandeses que realizaram os maiores progressos.
Energia: a maior fragilidade da UE
A Europa, pela enorme falta de energia própria, é muito vul-
nerável às crises políticas internacionais que envolvam países
exportadores de petróleo, pois só dois dos seus países (Dina-
marca e Reino Unido) produzem e exportam este bem, graças
às reservas de petróleo e gás natural do Mar do Norte; mais de
metade da energia consumida tem de ser importada, o que, alia-
do às condicionantes do mercado, aumenta o seu custo; esta é
uma das razões porque em quase todos os países se trabalha
intensamente para desenvolver recursos próprios e alternativos
neste sector. Em Portugal, por exemplo, estão em curso progra-
mas de desenvolvimento para o uso mais amplo das energias
eólicas, minihídricas e geotérmicas. Outro benefício dos recur-
sos alternativos é a redução da queima de combustíveis fósseis,
que lança anidrido carbónico (CO2, ‘gás de estufa’) para a atmos-
fera, o qual contribui para o aquecimento global que parece
Mulher
Homem
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
7,2
8,9
9,5
9,0
4,1
4,5
7,2
8,7
5,0
5,7
8,2
16,3
9,4
8,9
8,2
10,5
6,1
14,3
3,4
3,7
4,8
4,1
6,9
11,8
2,6
4,7
5,4
7,3
5,6
4,4
5,6
5,0
%
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
765589
215648
19622
48710
-5714
98763
18905
132426
22322
31409
13106
147261
3687
21538
-21109
19015
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
64,2
65,4
68,2
59,7
76,4
58,4
69,1
62,9
56,9
74,5
65,0
55,4
63,6
68,6
71,5
74,0
%
JAPEUASUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
31
35
30
36
45
17
43
34
9
43
39
20
45
22
37
56
62
35
JAPEUASUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALE
72
79
79
83
82
87
65
85
74
76
94
106
83
83
89
49
64
SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15
55,1
61,5
74,8
65,7
71,4
53,7
60,8
41,0
78,7
63,0
53,8
86,9
80,1
57,5
54,6
61,8
%
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 232
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL
70,7
77,4
109,7
98,4
30,0
109,0
53,0
36,1
1257,3
122,2
129,4
91,3
90,6
Milhões hab/km210 km23
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL
7,8
0,7
5,4
2,0
1,4
10,1
3,5
2,3
0,4
38,2
10,2
21,8
70,2
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL
110,9
9,2
49,0
20,3
45,2
93,0
65,3
64,6
0,3
312,7
78,9
238,4
774,8
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL
14,5
4,3
17,6
6,6
10,2
5,8
13,4
10,7
7,4
19,3
7,5
6,8
10,0
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL
32
55
54
77
65
68
47
39
70
36
84
23
35
TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBULUE 15
31
5
22
15
28
18
10
7
15
23
9
14
4
4
ATLAS DE PORTUGAL IGP 233
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
Superfície
Desemprego, 2003
População, 2003
Telemóveis por 100 habitantes, 2002
Densidade populacional, 2003
Computadores por 100 habitantes, 2001
1999
3/4 Junho
O Conselho Europeu,
em Colónia, decide
organizar uma
Convenção para elaborar
a Carta dos Direitos
Fundamentais da UE.
2000
23/24
Março
O Conselho Europeu,
reunido em Lisboa,
define nova estratégia
para fomentar o
emprego, a economia e a
coesão social, baseada
nos pressupostos de
uma “sociedade
do conhecimento”.
2000
7/8
Dezembro
Em Nice é preparado
novo alargamento e
proclamada a Carta dos
Direitos Fundamentais
da UE.
2001
26 Fevereiro
Assinatura do Tratado de
Nice: introduz novas
alterações nos Tratados
da UE e modifica o
modo de funcionamento
das Instituições,
passando as votações a
serem efectivadas por
maioria qualificada.
mesmo estar a atingir-nos. E como a poluição não reconhece
fronteiras, é urgente a tomada de medidas colectivas para prote-
ger o ambiente, ajudando a contribuir para uma das maiores
prioridades da UE, o desenvolvimento sustentável.
Presidência portuguesa na UE
Portugal presidiu, no primeiro semestre do ano 2000, aos
destinos de uma ‘nova Europa’, ainda em alargamento.
Em 23 e 24 de Março de esse ano realizou-se a Cimeira de
Lisboa que fixou um objectivo estratégico para a UE a ser
alcançado ao longo desta década: a definição de uma estraté-
gia de desenvolvimento económico e social capaz de respon-
der positivamente aos novos desafios da globalização, da
mudança tecnológica e das alterações demográficas. Por
outras palavras, fazer da UE “uma economia baseada no
conhecimento (...) capaz de um crescimento económico
sustentável com mais e melhores empregos e mais coesão
social” sendo necessário para tal “combinar a estratégia euro-
peia com as políticas nacionais”.
Estas orientações originaram uma longa agenda, que veio
a ser conhecida como a Estratégia de Lisboa, e a realização de
Conselhos Europeus de Primavera, “momento anual de balanço
e impulso adicional desta estratégia” nomeadamente em
relação às questões económicas e sociais, o que lhes confere
um papel muito importante de coordenação, avaliação, aná-
lise e calendarização. A Estratégia de Lisboa foi a mais
importante contribuição da presidência portuguesa de 2000
para o futuro da UE.
O Conselho Europeu de Santa Maria da Feira, de 19 e 20 de Junho
de 2000, realizou “um primeiro balanço da execução da nova
estratégia” adoptada na Cimeira de Lisboa, três meses antes, mas
o grande teste terá de se ir fazendo ao longo do decénio.
Europa do alargamento
%
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 233
234 ATLAS DE PORTUGAL IGP
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
2002
1 Janeiro
Entrada em circulação
da moeda única
europeia, o euro.
2002
31 Maio
Ratificação pelos 15
países-membros do
Protocolo de Quioto
para redução da poluição
atmosférica.
2003
4 Outubro
Ínicio da Conferência
Intergovernamental que
redigirá um novo
Tratado da UE,
incorporando a
Constituição Europeia.
2004
1 de Maio
Adesão de Chipre,
Eslováquia, Eslovénia,
Estónia, Hungria,
Letónia, Lituânia, Malta,
Polónia e República
Checa, formando
a UE-25.
O alargamento da UE
Com o alargamento, no período de 2004/2007, a UE alcan-
ça uma oportunidade histórica – a quase unificação de um
continente até há pouco muito dividido – e a criação de uma
“Europa democrática, pacífica e estável”. Este alargamento vai
aumentar o espaço europeu em mais um milhão de quilóme-
tros quadrados e criar “um mercado único de uns 500 milhões
de consumidores, com bom potencial de crescimento econó-
mico e prosperidade”. Com a entrada da Turquia, haveria um
acréscimo extra de 70 milhões de habitantes.
A UE passou a ser constituída por 25 países-membros e
“finalmente conseguirá reconciliar a sua História com a sua
Geografia”; com adicionais alargamentos da União Europeia,
que constituem “uma parte do rápido e radical mundo em
mudança”, veremos redesenhar novas fronteiras – geográfi-
cas, políticas, culturais. A primeira legislatura do Parlamento
Europeu a ser eleita por sufrágio universal data de Julho de
1979, nele tendo tido assento 410 deputados; a partir desta
data o escrutínio passou a ser quinquenal e o número de
deputados foi aumentando à medida que a UE se alargou. Nas
eleições de Junho de 2004, os cidadãos da UE-25 elegeram 732
representantes, cabendo 24 a Portugal.
Portugal está, geográfica e culturalmente, bem posiciona-
do para enfrentar este jogo internacional, nomeadamente se
voltar a integrar o mar que lhe faz face na sua estratégia de
médio prazo; mas só o conseguirá com muito esforço e a boa
vontade de todos.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 234
Uma Constituição para a Europa
Na reunião do Conselho Europeu, em Lacken – na Bélgica –
em Dezembro de 2001, num momento considerado decisivo
para a orientação política da UE, foi convocada uma Convenção
encarregue de formular propostas sobre a “aproximação dos
cidadãos ao projecto europeu e às instituições europeias”, a
“estruturação da vida política e do espaço político europeu, na
UE alargada” e a transformação da UE num “factor de estabili-
zação e uma marca na nova organização do mundo”.
Os argumentos finais trazidos para a discussão dessas pro-
postas conduziram à elaboração de um projecto de Tratado insti-
tuindo uma Constituição para a Europa, texto que, apresentado
pelo presidente da Convenção em sessão plenária, em Junho
de 2003, mereceu um largo consenso. Os aspectos fundamen-
tais do Tratado estão estabelecidos em 113 artigos agrupados
em duas partes. A primeira trata os valores e objectivos da
União e a sua personalidade jurídica, os aspectos financeiros, as
competências, as instituições e a vida democrática da UE, as
relações privilegiadas com os estados vizinhos, os critérios de
adesão, de suspensão de direitos de pertença, de retirada volun-
tária da UE. A segunda parte define, larga e essencialmente, os
direitos fundamentais dos cidadãos.
O projecto de Tratado termina com três protocolos: sobre o
papel dos parlamentos nacionais na UE, a aplicação dos prin-
cípios de subsidiaridade e de proporcionalidade e a represen-
tação dos cidadãos no Parlamento Europeu e sua ponderação
nos Conselhos Europeus e de Ministros. Estamos, sem dúvi-
da, perante os fundamentos “de um futuro Tratado instituin-
do a Constituição Europeia”.
ATLAS DE PORTUGAL IGP 235
PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO
Portugal na União Europeia
Mapa oficial da UE-25
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 235
236 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Este Atlas, aqui encerrado, contém (como qualquer atlas)
no interior do conceito, três elementos: 1) um, de carácter
descritivo, que é a sua vocação primordial; 2) outro,
de carácter analítico, que resulta da definição subjacente
da temática e da subsequente incorporação da informação
seleccionada; e 3) um terceiro, de visão de conjunto, i.e.,
o esforço (subjacente no atlas, para além de cada um dos
mapas, quadros e textos que o integram) de sistematização
de múltiplas dimensões e perspectivas num corpo tornado
coerente em função do objectivo geral de elaboração,
precisamente, desse atlas – e não de um outro.
Em paralelo, um atlas induz, como pista de reflexão
[dir-se-ia: como texto vivo e não mero suporte morto
de um documento factual], três binários de tipos de leitura:
1) o dinâmico face ao estático [i.e., a consciência do que
permanentemente está a mudar por sobre o que, em cada
momento, parece permanecer]; 2) o sintético face
ao analítico [i.e., a compreensão da realidade (ou a sua
percepção) na sua natureza sistémica – e para além dos
aspectos parcelares que, simplesmente, são melhor
identificáveis e cognoscíveis] e 3) a acção face ao quadro
[i.e., a relação permanente e eterna entre a realização
concreta e efectiva da vontade dos homens (o sujeito) por
sobre a realidade das coisas (o objecto), assim construindo
o processo histórico].
Deste modo, o Atlas constitui [desde que se saibam articular
os três elementos da sua definição com os três tipos binários
da sua leitura] um ponto de partida, particularmente
vantajoso, para o leitor estruturar a sequência necessária que
subjaz a todo o comportamento humano:
1) compreender; 2) assumir e 3) agir.
Desde logo, compreender: é o resultado directo da
conjugação dos três elementos de carácter descritivo,
analítico e de visão de conjunto. Cada mapa, cada gráfico e
cada nota explicativa contém uma multitude de elementos
de informação que se situam para lá da mera informação
pictórica ou redaccional; para além da informação neles
processada, situa-se o resultado do esforço de compreensão
que aprofunda e alarga o conhecimento. A clássica sequência
de dados/informação/conhecimento é, simultaneamente,
suscitada e posta à prova cada vez que se aborda um atlas;
daí a conveniência de – sempre – se procurar – com espírito
de abertura, de humildade e de crítica – ‘fazer o atlas [ou o
mapa] falar’ – ele dirá, para cada leitor, mais do que aquilo
que o seu autor incluiu na expressão formal do seu trabalho.
De seguida, assumir: é um passo para lá do conteúdo directo
do atlas, porquanto corresponde a uma alteração qualitativa,
por parte do leitor, no modo de leitura, ao passar de um
simples acto intelectual de compreensão para uma atitude,
necessariamente interior, de estruturação da vivência.
O atlas permanece como ponto de partida, fica como
detonador; mas o leitor adquire, por si e (inicialmente,
apenas) para si, uma dimensão adicional que o conduz a
ultrapassar o aspecto racional estrito – e que o leva a, no seu
íntimo, se identificar com alguma ou algumas ideias-força
que encontra, que extrai, que induz ou que extrapola da sua
compreensão do atlas.
Por fim, agir: situa-se, necessariamente, para além do que é
a vocação directa do atlas; mas é, também, o resultado
esperado da sua elaboração. Um atlas não é elaborado para,
simplesmente, ficar depositado nas estantes de uma
biblioteca; mas também não pode, espontaneamente, aspirar
a que seja um factor explícito da acção humana – é um
instrumento estruturado de informação preparatória
da decisão e da execução da acção humana.
Deste breve esboço sobre a natureza e o papel de um atlas,
compreender-se-á facilmente que convirá passar a alguma
aplicação específica.
No caso do presente Atlas de Portugal, dois casos de aplicação
assumem posição de destaque: 1) a relação de Portugal com
o mar e 2) a leitura prospectiva da afirmação de Portugal.
A relação de Portugal com o mar
No plano da compreensão, trata-se de percorrer um
itinerário obrigatório: o rigor metodológico do
conhecimento científico, nas suas múltiplas disciplinas,
completado por um duplo esforço de comparação e de
enquadramento. Trata-se, em suma, de: 1) descrever
a realidade a partir de uma grelha seleccionada; 2) teorizar
e explicar; 3) enquadrar e 4) comparar com a realidade
de outros países.
Desse modo, poderá compreender-se essa relação
encontrando respostas às questões elementares de:
1) o que é; 2) como se explica o funcionamento;
3) como compara e 4) para que serve.
A relação de Portugal com o mar é uma realidade
multifacetada, de carácter geográfico, histórico, cultural e
económico. Cada uma destas dimensões está revestida de
lógica própria e traduz-se por conteúdos específicos que, umas
e outros, variam significativamente ao longo do tempo – mas
que, no seu conjunto, definem uma matriz estrutural sobre
que assenta e que estabelece a natureza da própria relação.
Um ensaio de explicação do estabelecimento e, sobretudo,
do funcionamento da relação levam-nos a seleccionar quatro
componentes essenciais: 1) a realidade geopolítica; 2) a base
económica; 3) a herança cultural e 4) a verificação de um
apego lírico.
O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO
DE PORTUGAL
ERNÂNI RODRIGUES LOPES
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 236
ATLAS DE PORTUGAL IGP 237
A realidade geopolítica constitui, porventura, o componente
dominante, na medida em que o papel do mar, o Oceano
Atlântico, na formação e no desenvolvimento da estrutura
política do Reino se mostra decisivo, em dois planos:
1) na estruturação do espaço físico da faixa costeira face à
formação poderosa da Meseta, conferindo uma dupla lógica
de organização ao território português: a cabotagem no
litoral a Ocidente e Sul e a construção de fortalezas de
fronteira a Norte e Oriente e 2) na preservação, em
permanência, de linhas de comunicação, de expansão
(e, certamente, também de invasão por mar) convertendo
o Oceano Atlântico no grande espaço de compensação
geopolítica face à pressão estratégica, também permanente,
proveniente do espaço continental da Meseta, no seu
processo multisecular de unificação por via da força
centrípeta do centro geopolítico da Meseta.
Todos os momentos decisivos, de crise e de afirmação
da existência de Portugal, mostram o peso concreto
(político, económico e cultural) da utilização desta dinâmica
geopolítica da contraposição entre o marítimo
e o continental em que, do ponto de vista analítico,
encontramos a chave da compreensão do fenómeno
português: a única estrutura política, saída da Reconquista
Cristã na Península Ibérica, que mantém a sua
independência política face ao poder aglutinador de Castela.
No que respeita aos aspectos económicos, a questão pode,
na actualidade, colocar-se em função de três linhas
fundamentais de raciocínio: 1) a verificação, apesar de tudo,
de uma tradição de actividade no mar, em que avultam
a pesca, alguma navegação mercante de transporte de
mercadorias e, indirectamente, um extenso conjunto de
actividades turísticas (ainda que submetidas ao conceito
rudimentar de ‘sol e praia’); 2) a resignação com que
os responsáveis (públicos e privados) se amoldam à perda
consistente de posição das actividades económicas ligadas
ao mar no conjunto da economia portuguesa e 3) o que é,
inequivocamente, mais importante: a assumpção consciente
do papel do hypercluster da economia do mar no quadro
da indispensável reconfiguração estratégica da economia
portuguesa – que tarda demasiado.
O aspecto económico, anteriormente referido, está bastante
ligado à herança cultural que, em última análise, resulta da
íntima familiaridade das populações (sobretudo ribeirinhas)
com o mar. Por outro lado e num plano ainda de carácter
imediato, importará salientar, desde logo, a transmissão
cultural da relação pessoal e social com o mar, no contexto
da tradição familiar e, num plano mais sofisticado, o largo
espectro e a longa tradição de produção científica e de cultura
literária e artística sobre matérias e temas ligados ao mar.
E importará, sobretudo, ter presente que, na base da
afirmação de todas as potências marítimas está a permanente
criação, transmissão e difusão de padrões culturais de
pensamento e de comportamento em que o indivíduo
aprende – culturalmente – a conviver, a amar, a conhecer, a
aproveitar, a saber valorizar o mar – e a nele e com ele
afirmar-se a si próprio e contribuir para a afirmação da sua
sociedade.
Encontramo-nos, nesta perspectiva, nos antípodas da
banalidade do chamado e invocado apego ‘lírico’ ao mar;
trata-se, este, de uma versão truncada da herança cultural
mas que, no limite, permitirá ir salvaguardando ao menos
uma referência, ainda que de fraca valia, aos assuntos do
mar; não será por essa via que se recuperará uma capacidade
reinventada de afirmação.
A comparação da situação portuguesa com a de outros países
de vocação marítima é desfavorável – e, consequentemente,
teremos de aprender, com alguns dos que anteriormente
aprenderam, com os Portugueses, a explorar os oceanos e a
organizar a relação das suas economias com o mar.
E a aprender, ainda, as exigências que a lucidez, a firmeza,
o pragmatismo, a persistência e a paciência impõem para
que uma estratégia seja bem sucedida; caso contrário, o
consolo psicológico da expressão poética da ‘ligação ao mar’
nada vale – é pura fantasia irrelevante.
Finalmente, ao estudar devidamente este Atlas, vendo o mar
oceano e a relação de Portugal com ele, convirá explicitar
o papel dessa leitura reflexiva, i.e., estarmos atentos à
questão elementar de procurarmos saber ‘para que serve’.
Para além de fonte de novos conhecimentos (o que, em si,
já é suficientemente interessante) a leitura reflexiva
conduz-nos a duas linhas fundamentais, porventura
decisivas, para o futuro de Portugal. Desde logo, a realidade
objectiva de o hypercluster da economia do mar constituir dos
poucos domínios com potencial de preenchimento do gap
estratégico entre um cenário (espontâneo) de definhamento
e um outro (aspiracional) de afirmação da economia
portuguesa.
E, seguidamente e sobretudo, a realidade subjectiva e
colectiva (e, por isso mesmo, superiormente relevante e
historicamente decisiva) da função da ligação de Portugal
ao mar oceano como suporte definidor e diferenciador
da identidade nacional. Haverá que reconhecer que tudo
o resto lhe está subjacente, porque submetido – caso
contrário, a questão não se colocaria porque o inexistente
não pode ser identidade.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 237
238 ATLAS DE PORTUGAL IGP
O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO
DE PORTUGAL
A leitura prospectiva da afirmação de Portugal
Na apresentação deste segundo caso de aplicação, é utilizada
a mesma sistematização do anterior abordando,
sucessivamente, as respostas às quatro questões elementares
antes seleccionadas.
Dever-se-á, consequentemente, começar explicitando
que a leitura prospectiva da afirmação de Portugal é, por
natureza, um exercício intelectual e formal em que
se pretende reflectir sobre o futuro, para melhor agir
no presente.
Daí decorre a capacidade de leitura prospectiva para actuar
como formadora de um contexto conceptual gerador de
uma visão para o futuro e é, necessariamente, com base
numa visão para o futuro, partilhada pelos cidadãos, que
pode ocorrer o processo, indispensável e único, de
aprofundamento da natureza identitária da entidade
específica que é Portugal como Pátria.
Buscando compreender os mecanismos de funcionamento
da articulação entre leitura prospectiva e afirmação de
Portugal, importará salientar, sobretudo, que a afirmação
resulta do processo (complexo) de projecção, para o exterior
– e no exterior – do potencial interior contido na identidade
e nas capacidades de Portugal.
Há, portanto, ao reflectirmos sobre a afirmação de Portugal
no futuro, a dupla exigência de: 1) estruturação das
condições de desenvolvimento de capacidades na economia
e na sociedade portuguesas e 2) organização estratégica da
projecção nacional para o exterior, nas suas múltiplas
dimensões.
Nem uma, nem outra, estão devidamente acauteladas neste
período da viragem do último quartel do século XX para o
primeiro do século XXI – muito embora a matriz profunda
do sentir e da identidade do Povo constitua garante
de resposta histórica, sociologicamente expressa e,
inexoravelmente, fonte de interpelação, mais ou menos
consciente, mais ou menos angustiada, feita às elites
[ou às não-elites] e, frequentemente, deixada sem resposta
válida ou, sequer, credível.
Perante este quadro, não surpreende muito que, ao
procurarmos estabelecer uma comparação com outros países
(nomeadamente europeus) Portugal se revele como
contendo no seu interior uma sobre-identificação que
se traduz, face ao exterior, numa sub-afirmação.
Portugal exprime a sua sobre-identificação (que sente e vive
no seu interior) praticamente sem termo médio e sensato:
auto-crítica permanente, exacerbação de comportamentos
entre euforias (que mais não são do que auto-ilusões) e
depressões ou pessimismo (que traduzem, frequentemente,
um pólo oposto equilibrador e facilitador, porque
auto-justificativo); mas essa sobre-identificação expressa-se
mais consistentemente ao verificar-se que a já citada
debilidade do termo médio ocorre superficialmente, sobre
um subestrato, não expresso, de resiliência e continuidade
(que, historicamente, se mostra muito sólido).
Por outro lado, a leitura prospectiva da afirmação
de Portugal pressupõe o processamento, teórico e político,
da sequência obrigatória de quatro passos essenciais, cada
um deles de relevância crítica: 1) começa pelo espaço
geográfico; 2) segue pela leitura geopolítica e prospectiva;
3) assenta na vontade e na capacidade de acção dos homens
e 4) culmina na força interior resultante da convicção
de uma estratégia para o futuro.
As considerações genéricas acima formuladas sobre a leitura
prospectiva da afirmação de Portugal têm implicações
relevantes para o futuro de Portugal – em boa medida,
é para isso mesmo que servem.
Com efeito, atentas as realidades com que nos
confrontamos, uma reflexão sobre o futuro (que procure
colocar-se para além do mero circunstancialismo episódico)
induz uma ideia dominante: a de reinvenção de Portugal.
Neste termo (‘reinvenção’) situamo-nos muito para além
do exercício de prospectiva, para nos colocarmos,
colectivamente, na dimensão de uma reflexão de
comprometimento, com uma tripla exigência acrescida:
1) de responsabilidade de cidadania; 2) de criatividade na
vida económico-social e 3) de sentido de Estado face
às exigências do bem-comum dos Portugueses e do corpo
estruturado da Nação.
Reinventar, no sentido aqui referido, não tem conotação
negativa de destruição. Antes pelo contrário, significa:
fazer de novo e (sobretudo) melhor; corrigir e prevenir
erros verificados; extrair o potencial estratégico contido
na economia e na sociedade (ultrapassando os
constrangimentos e os bloqueios); compreender, assimilar
e revivificar a herança do passado com visão criativa para
o futuro. Em suma: trata-se de articular, no seu conjunto,
uma visão estratégica, uma vontade de acção e uma
capacidade de concretização.
Para concluir, apenas uma nota final que, absorvendo todas
as considerações anteriores, procura sintetizar o essencial
desta reflexão sobre o presente Atlas de Portugal: este Atlas
servirá, sobretudo, para nos interrogarmos – e sabermos
responder – quanto à questão central: o que é ser Português,
na segunda metade do século XXI.
Com estudo e trabalho, cada um de nós saberá responder;
e, ao fazermo-lo, estaremos a dar a resposta colectiva perante
a História – não apenas a do passado; também a do presente
que vivemos e a do futuro que construímos.
871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 238
ATLAS DE PORTUGAL IGP 239
ANEXOS
PLANTAS ESPONTÂNEAS, SUBESPONTÂNEAS
E ORNAMENTAIS MAIS COMUNS EM PORTUGAL
CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL
ESCALA 1: 550 000
CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS
DOS AÇORES E DA MADEIRA
ESCALA 1: 200 000
ÍNDICE ONOMÁSTICO
DIVISÃO ADMINISTRATIVA POR CONCELHOS
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:10 Página 239
240 ATLAS DE PORTUGAL IGP
CONTINENTE
Abacateiro [Persea gratissima] Orig. México. Árvore de
fruto.
Abeto-Branco [Abies alba] Regiões montanhosas do Norte
e Centro. Orig. Europa Central. Ornamental.
Abrunheiro [Prunus insistita] Arbusto ou pequena árvore
de fruto.
Abrunheiro-bravo [Prunus spinosa] Arbusto ou pequena
árvore de fruto.
Acácia-Austrália [Acacia melanoxylon] Todo o território.
Todos os meios. Orig. Austrália. Infestante.
Acácia-mimosa [Acacia dealbata] Todo o território.
Todos os meios. Orig. Austrália. Infestante.
Aderno [Phillyrea latifolia] Centro e Sul.
Aderno-de-folhas-largas [Phillyrea latifolia] Litoral
do Centro e do Sul.
Ailanto [Ailanthus altissima] Orig. China. Ornamental.
Infestante.
Alcachofra-branca [Cynara humilis] Centro e Sul. Vivaz.
Alecrim [Rosmarinus officinalis] Todo o território. Arbusto
perenifólio.
Alfarrobeira [Ceratonia siliqua] Centro e Sul. Árvore de
fruto
Alfazema [Lavandula angustifolia] Todo o território.
Almeirão (Chicória-do-café) [Chicorium intybus] Todo o
território. Vivaz. Prefere solos calcários.
Aloendro (Loendro) [Rhodondendron ponticum sp. baeticum]
Mata ribeirinha, sobretudo no Sul. Ornamental. Tóxica.
Amendoeira [Prunus amygdalus] Todo o território,
sobretudo Trás-os-Montes e Algarve. Orig. Ásia e Norte de
África. Árvore de fruto.
Amieiro [Alnus glutinosa] Mata ribeirinha de todo o
território.
Amieiro-negro (Sanguinho-de-água) [Thamnus frangula]
Mata ribeirinha.
Amoreiras [Morus sp.] Diversas espécies, sobretudo Morus
alba e Morus nigra. Orig. China, Am. Norte, México,
Irão e Rússia. Árvore de fruto. Ornamental.
Araucária [Araucaria heterophylla] Ornamental.
Aroeira (Lentisco) [Pistacia lentiscus] Centro e Sul.
Árvore-da-borracha [Ficus elastica] Orig. Ásia.
Ornamental.
Aveleira [Corylus avellana] Terras altas do Norte.
Azereiro [Prunus lusitanica sp. lusitanica] Terras altas do
Norte e Centro. Arbusto ou pequena árvore.
Azevinho [Ilex aquifolium] Regiões montanhosas do Norte
e Centro. Bagas tóxicas. Espécie em perigo de extinção.
Protegida pelo Decreto-Lei nº 423/89.
Azinheira [Quercus rotundifolia] Todo o território,
especialmente a Sul do rio Tejo.
Azola [Azolla filliculoides] Sul. Infestante aquática.
Bela-sombra [Phytolacca dioica] Ornamental.
Bidoeiro (Vidoeiro) [Betula celtiberica] Norte.
Bordo (Plátano-bastardo) [Acer pseudoplatanus]
Todo o território. Ornamental.
Borragem [Borago officinalis] Todo o território. Anual.
Borrazeira-branca [Salix salvifolia sp. australis] Norte.
Protegida no âmbito da Directiva Habitats.
Braquiquiton [Brachychiton populneum] Orig. Austrália.
Ornamental.
Buxo [Buxo sempervirens] Todo o território. Ornamental.
Camarinha [Corema album] Litoral Centro. Anual.
Camélia [Camellia japonica] Orig. China e Japão.
Ornamental.
Campainhas-amarelas [Narcissus bulbocodium]
Todo o território. Vivaz.
Cardo [Galactites tomentosa] Todo o território. Anual.
Cardo-corredor [Eryngium campestre] Norte. Vivaz.
Cardo-leiteiro [Silybum marianum] Todo o território. Anual
ou bienal.
Carqueja [Pterospartum tridentatum] Todo o território. Vivaz
Carrasco [Quercus coccifera] Sobretudo Centro e Sul.
Carvalho-alvarinho (Carvalho-roble) [Quercus robur]
Sobretudo Norte.
Carvalho-americano [Quercus rubra] Orig. Am. Norte.
Ornamental.
Carvalho-cerquinho [Quercus faginea sp. broteroi]
Sobretudo Centro e Sul. Prefere solos calcários.
Carvalho-negral [Quercus pyrenaica] Sobretudo Norte
e Centro.
Castanheiro [Castanea sativa] Norte e Centro. Exclusiva
de solos ácidos. Árvore de fruto.
Castanheiro-da-Índia [Aesculus hippocastanum;
Aesculus x carnea] Orig. América Norte e Balcãs. Ornamental.
Casuarina [Casuarina equisetifolia] Orig. Austrália.
Ornamental.
Catalpa [Catalpa bignoniodes] Orig. América do Norte.
Ornamental.
Catapereiro [Pyrus communis sp. piraster] Todo o território.
Cedro-do-Atlas [Cedrus atlantica] Áreas montanhosas
do Norte e Centro. Orig. Montes Atlas. Ornamental.
Cedro-do-Bussaco [Cupressus lusitanica] Áreas
montanhosas do Norte e Centro. Orig. México. Ornamental.
Cedro-do-Líbano [Cedrus libani] Orig. Líbano.
Ornamental.
Cerejeira [Prunus avium] Orig. Ásia Central. Árvore de
fruto.
Cerejeira-brava [Prunus avium sp. actiana] Centro.
Chorão-das-dunas (Chorão) [Carprobutus edulis] Litoral.
Orig. Sul de África. Infestante.
Choupo-branco (Faia-branca) [Populus alba] Mata
ribeirinha de todo o território. Ornamental. Espontânea.
Choupo-cinzento [Populus canescens] Mata ribeirinha
de todo o território. Ornamental.
Choupo-negro [Populus nigra spp. betulifolia] Mata
ribeirinha de todo o território, sobretudo Norte. Espontânea.
Choupo-tremedor (Faia-preta) [Populus tremula] Norte
e Centro. Ornamental.
Cipreste-comum [Cupressus sempervirens] Todo o território.
Orig. Ásia Menor e Mediterrâneo. Ornamental.
Cipreste-do-Buçaco [Cupressus lusitanica] Orig. América
Central. Ornamental.
Damasqueiro [Prunus armeniaica] Orig. China. Árvore
de fruto.
Dedaleira [Digitallis purpurea] Áreas montanhosas do Norte
e Centro. Extremamente Tóxica.
Erva-das-sete-sangrias [Lithodora prostrata sp. prostrata]
Todo o território. Subarbusto.
Ervilhaca [Vicia sativa] Todo o território. Anual.
Esteva [Cistus ladaniferus] Centro e Sul. Vivaz ou Anual.
Estevão [Cistus populifolius] Centro e Sul. Vivaz ou Anual.
Estevinha [Cistus salvifolius] Centro e Sul. Vivaz ou Anual.
Estorno [Ammophila arenaria] Litoral.
Eucaliptos. Designação genérica dada a diversas espécies do
género Eucalyptus utilizadas em Portugal como ornamentais.
Na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra, existe um
exemplar de Eucalyptus diversicolor com 75m de altura e mais
de 30m de tronco, que se supõe ser a árvore mais alta
existente na Europa.
Eucalipto-comum [Eucalyptus globulus] Todo o território,
todos os meios. Orig. Austrália. Plantado em Portugal para
transformação em pasta de papel.
Há em diversos pontos do país exemplares centenários que
atingem mais de 60m de altura.
Figueira [Ficus carica] Todo o território. Árvore de fruto.
Figueira-da-Índia [Opuntia ficus] Todo o território,
sobretudo Sul. Orig. México.
Figueira-do-Inferno [Datura stramonium] Todo o
território. Orig. América. Anual.
Figueira-dos-Pagodes [Ficus religiosa] Orig. Ásia.
Ornamental.
Freixo [Fraxinus angustifolia] Mata ribeirinha. Ornamental.
Fumária [Fumaria officinalis] Todo o território. Anual.
Funcho [Foeniculum vulgare] Todo o território. Vivaz.
Giesta [Spartium junceum] Sobretudo Centro e Sul. Vivaz
arbustiva. Prefere solos calcários.
Gilbardeira [Ruscus acullatus] Terras altas do Norte.
Ginkgo [Ginkgo biloba] Orig. China e Japão. Ornamental.
Grevília [Grevillea robusta] Orig. Austrália. Ornamental.
Hipericão [Hypericum perforatum] Todo o território. Vivaz.
Hortelã-brava [Mentha suaveolens] Todo o território. Vivaz.
Jacarandá [Jacaranda ovalifolia] Orig. Brasil. Ornamental.
Jacinto-aquático [Eichhornia crassipes] Orig. Ásia. Infestante
aquática.
Jacinto-das-searas [Muscari comosum] Todo o território.
Vivaz.
Kiwizeiro [Actinida chinensis] Orig. China. Trepadeira
arbórea de fruto.
Esta planta foi introduzida nos E.U.A. em 1904 e na Nova
Zelândia em 1906. Em Portugal começou a ser cultivada, no
litoral Norte, nos anos 1980.
Laranjeira [Citrus sinensis] Árvore de fruto.
Lariço [Larix decidua] Mata ribeirinha. Orig. zonas frias do
Hemisfério Norte.
Lentisco (Aroeira) [Pistacia lentiscus] Centro e Sul.
Limoeiro [Citrus medica] Orig. India. Árvore de fruto
Liquidambar [Liquidambar sp.] Orig. Ásia Menor.
Ornamental.
No Parque de Serralves, no Porto, está provavelmente o
melhor conjunto destas árvores em Portugal.
Liriodendro (Tulipeira) [Liriodendron tulipifera] Orig. Am
Norte. Ornamental.
Lódão-bastardo [Celtis australis] Mata ribeirinha.
Ornamental.
Loureiro [Laurus nobilis] Todo o território.
Arbusto ou pequena árvore. Ornamental.
Folhas utilizadas como condimento culinário.
Lúcia-lima [Lippia citriodora] Orig. América do Sul.
Arbusto ornamental.
Luzerna [Medicato sativa sp. sativa] Todo o território.
Vivaz subespontânea.
Macieira [Pyrus malus] Árvore de fruto.
Madressilva [Lonicera implexa] Todo o território. Perenifólia
trepadora.
Magnólia [Magnolia sp.] Orig. América, Ásia e Himalaias.
Ornamental.
Malmequer [Chrysanthemum coronarium] Sobretudo Centro
e Sul. Anual.
Malva [Malva silvestris] Todo o território. Bienal. Nitrófila
Malva-bastarda [Lavatera cretica] Sobretudo Centro e Sul.
Anual.
Marmeleiro [Cydonia vulgaris = Cydonia oblonga]
Todo o território. Orig. Cáucaso. Arbusto de fruto.
Medronheiro [Arbutus unedo] Todo o território.
Frutos comestíveis.
Os frutos do medronheiro apresentam a particularidade de
demorarem dois anos a amadurecer. São utilizados, sobretudo
no Algarve, para o fabrico de aguardente.
Mélia [Melia azedarach] Orig. Ásia. Ornamental.
Morraça [Spartina maritima] Litoral.
Morrião [Anagalis arvensis] Todo o território. Anual ou
bienal.
Mostajeiro [Sorbus aria sp. torminalis] Interior Norte.
Mostarda-branca [Sinapsis alba sp. alba] Todo o território.
Anual. Infestante em searas, vinhas e incultos.
Murta [Myrtus communis] Todo o território. Ornamental.
Plantas espontâneas, subespontâneas e ornamentais mais comuns em Portugal
Nome comum
Nome científico
Áreas/meios onde ocorre
Observações
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:10 Página 240
Negrilho (Ulmeiro) [Ulmus procera] Mata ribeirinha
de todo o território. Ornamental.
Nespereira [Eriobotrya japonica] Todo o território. Orig.
China e Japão. Árvore de fruto.
Nogueira-comum [Juglans regia] Todo o território.
Orig. Ásia Oriental. Árvore de fruto.
Olaia [Cercis australis] Orig. Palestina. Ornamental.
Oliveira [Olea europaea var. europaea] Todo o território.
Árvore de fruto.
Oliveira-do-Paraíso [Elaeagnus angustifolia] Orig. Sul
da Europa. Ornamental.
Orégão [Origanum virens] Todo o território. Vivaz.
Palmeira [Washingtonia filifera] Orig. Califórnia.
Ornamental.
Palmeira-das-Canárias [Phoenix canariensis]
Orig. Canárias. Ornamental.
Palmeira-das-vassouras [Chamaerops humilis] Algarve.
Ornamental.
Papoila [Papaver dubium] Todo o território. Anual.
Papoila-vulgar [Papaver rhoeas] Todo o território. Anual.
Prefere solos calcários.
Pepino-bravo [Ecballium elaterium] Sobretudo Centro e
Sul. Vivaz. Prefere solos básicos.
Pereira [Pyrus communis] Árvore de fruto.
Pessegueiro [Prunus persica] Orig. Norte da China.
Árvore de fruto.
Pilriteiro [Crataegus monogyna sp. brevispina]
Todo o território. Arbusto. Ornamental.
Pimenteira-bastarda [Schinus molle] Orig. Califórnia.
Ornamental.
Pimposo [Anacyclus radiatus] Todo o território. Anual.
Nitrófila.
Pinheirinha-de-água [Myriophyllum aquaticum] Centro e
Sul. Infestante aquática.
Pinheiro-bravo [Pinus pinaster] Todo o território,
sobretudo no litoral. Orig. Europa Mediterrânea.
Existem exemplares centerários em diversos pontos do país,
alcançando em alguns casos mais de 40m de altura.
Os pinheiros bravos retorcidos por acção do vento no litoral,
como os existentes na Mata Nacional de Leiria, em São
Pedro de Moel, são designados “pinheiros-serpente”.
Pinheiro-do-Alepo [Pinus halepensis] Sobretudo Centro.
Pinheiro-manso [Pinus pinea] Todo o território.
Na Freguesia de Loivos (Chaves) existe um exemplar
notável, classificado de interesse público desde 1953.
Pinheiro-silvestre [Pinus sylvestris] Norte.
Piorno-amarelo [Lygos sphaerocarpa] Todo o território.
Piorno-branco [Lygos monosperma] Todo o território.
Plátano [Platanus x hispanica sin. Platanus x acerifolia]
Ornamental.
Poejo [Mentha pulegium] Mata ribeirinha do Centro e Sul.
Porros-bravos [Allium ampeloprasum] Centro e Sul. Vivaz.
Robínia [Robinia pseudoacacia] Orig. América do Norte.
Ornamental.
Romãzeira [Punica granatum] Orig. Índias Ocidentais.
Arbusto ou árvore de fruto.
Roselha-grande [Cistus albidus] Centro e Sul.
Rosmaninho [Lavandula stoechas] Todo o território.
Sabina-da-praia [Juniperus phoenicea] Litoral. Orig.
Europa Central e América Boreal.
Saboeira [Saponaria officinalis] Norte e Centro.
Sabugueiro [Sambuncus nigra] Montanhas do Norte
e Centro.
Salgueiro-frágil (Vimeiro) [Salix fragilis] Mata ribeirinha
em todo o território.
Salgueiro-branco [Salix alba] Mata ribeirinha do Centro
e Sul.
Salgueiro-chorão [Salix babylonica] Orig. China.
Ornamental.
Sanguinho-das-sebes [Rhamnus alaternus] Litoral Sul.
Saramago [Raphanus raphanistrum] Todo o território.
Anual
Sargaço [Cistus monspeliensis] Centro e Sul.
Soagem [Echium plantagineum] Todo o território. Anual
ou vivaz.
Sobreiro [Quercus suber] Sobretudo Centro e Sul.
Sorveira [Sorbus aria] Montanhas do Norte.
Tamareira [Phoenix dactylifera] Orig. Norte de África.
Frutos comestíveis. Ornamental.
Teixo [Taxus baccata] Montanhas do Norte e Centro.
Calcífuga. Sementes tóxicas. Ornamental.
No Lugar de Tranguinha, Bragança, existe um teixo,
classificado de interesse público, com mais de 700 anos
de idade. Existem ainda exemplares notáveis em Teixoso
(Covilhã), Seia, Belas e Lisboa.
Tília-das-folhas-grandes [Tilia platyphyllos] Ornamental
Tília-das-folhas-pequenas [Tilia cordata sin. Tilia
parvifloria] Ornamental.
Tília-prateada [Tilia tomentosa] Orig. Europa Oriental.
Ornamental.
Tipuana [Tipuana tipu] Orig. América do Sul. Ornamental
Tojo [Ulex sp.] Todo o território.
Tramazeira [Sorbus aucuparia] Montanhas do Norte
e Centro.
Urze [Erica lusitanica; Calluna vulgaris] Todo o território.
Urze-branca [Erica arborea] Todo o território.
Urze-das-vassouras [Erica scoparia] Todo o território.
Valeriana-das-boticas [Valeriana officinalis] Todo o
território.
Verbasco-ondeado [Verbascum sinuatum] Todo o território.
Bienal.
Verbena [Verbena officinalis] Todo o território. Anual ou
vivaz.
Verdisela [Convolvulus arvensis] Centro e Sul. Vivaz
rastejante.
Videira [Vitis vinifera] Orig. Ásia Menor. Arbusto trepador
de fruto.
Zambujeiro [Olea europaea, var. sylvestris] Centro e Sul.
Zimbro [Juniperus communis] Zonas altas do Norte e
Centro.
Frutos utilizados na preparação da genebra.
MADEIRA
Aderno [Thamnus alaternus] Endémica.
Alecrim-da-serra [Thynus caepitius].
Aloés [Aloe arborescens] Litoral.
Anona [Anona cherimolia] Orig. Andes.
Árvore de fruto.
Arméria [Armeria maderensis]
Bananeira [Musa sp.] Orig. Polinésia. Herbácea vivaz.
Barbusano [Apollonia barbujana].
Carqueja [Ulex europeus].
Castanheiro [Castanea sativa].
Dragoeiro [Dracanea draco].
Faia [Myrica faia] Tecto de nuvens.
Feiteira [Pterdium aquilinum].
Folhado [Clethra arborea] Tecto de nuvens.
Giesta [Cytisus scoparius].
Jasmineiro-amarelo [Jasminuns odoratissimum] Litoral,
a cerca de 300/400m de altitude.
Loureiro [Laurus canariensis] Tecto de nuvens.
Marmulano [Sideroxylon marmulans] Litoral.
Murta [Myrtus communis] Litoral.
Oliveira-brava [Olea europea var. oleaster].
Pau-branco [Notelaea excelsea] Tecto de nuvens. Rara.
Piorno [Genista vingata] Litoral.
Piteira [Agave americana] Litoral.
Seixeiro [Salix canariensis] Litoral.
Tabaiteria [Opuntia tuna] Declives rochosos da costa
Oeste.
Til [Ocotea foetens] Endémica.
Urze [Erica arborea] A menos de 1 400m de altitude.
Uveira [Vaccinium maderense] Tecto de nuvens.
Vinhático [Persea indica] Tecto de nuvens.
Zimbreiro [Juniperus phoenica] Litoral.
AÇORES
Alfacinha [Lactuca watsoniana] Endémica.
Ananaseiro [Ananas comosus] Orig. América do Sul. Planta
de fruto.
Araucária [Auracaria sp.] Ornamental.
Azevinho [Ilex perado sp. azorica] Endémica.
Bermin [Silene vulgaris spp. cratericola] Cratera do Pico.
Bermin [Silene vulgaris sp. maritima] Litoral.
Bracel [Festuca jubata] Endémica.
Bracéu (Bracel-da-rocha) [Festuca petraea] Endémica.
Cana [Arundo donax] Orig. Sul da Europa. Infestante.
Cedro-do-mato [Juniperus brevifolia]. Rara. Entre 500
e 1500m de altitude. Litoral na ilha do Pico. Endémica.
Cletra [Clethra arborea] Orig. Ilha da Madeira.
Infestante.
Conteira [Hedychium gardneranum] Orig. Himalaias.
Infestante.
Criptoméria [Criptomeria japonica] Orig. Japão e China.
Dragoeiro [Dracanea draco] Zonas costeira abrigadas.
Erva-do-Capitão [Sanicula azorica] Endémica.
Erva-leiteira [Euphorbia azorica]. Litoral. Endémica.
Espigos-de-cedro [Arceuthobium azoricum] Endémica.
Faia [Myrica faia] Endémica.
Feto-arbóreo [Sphaeropteris cooperi].
Figueira-brava [Pericalis malvifolia] Endémica.
Folhado [Viburnum tinus sp. subcordatum] Endémica.
Fona-de-porco [Solanum mauritianum] Orig. Am. Central.
Infestante.
Gigante [Gunnera tinctoria] Orig. Am. Sul. Infestante.
Ginja [Prunus lusitanica sp. azorica] Endémica.
Hortênsia [Hydrangea hortensis] Orig. China e Japão.
Infestante.
Incenso [Pittosporum undulatum] Orig. Austrália. Infestante.
Lantana [Lantana camara] Orig. América do Sul.
Infestante.
Loureiro (Louro) [Laurus azorica] Endémica.
Loureiro-falso [Persea azorica].
Malfurada [Hypericum foliosum].
Metrosidero [Metrosideros robusta] Zonas costeiras
abrigadas.
Musgão [Sphagnum sp.].
Musgo [Selaginella braussiana].
Pastel [Isatis tinctoria].
Pau-branco [Picconia azorica] Endémica.
Perpétua-silvestre [Gnaphalium lueo-album] Litoral.
Queiró [Calluna vulgaris].
Sanguinho [Frangula azorica].
Silva [Rubus ulmifolius].
Tamargueira [Tamarix gallica].
Tamujo [Myrsine africana] Endémica.
Teixo [Taxus baccata] Endémica.
Tomilho-bravo [Thymus sp.].
Trovisco-macho [Euphorbia stygiana] Endémica.
Urze [Erica scoparia sp. azorica] Endémica.
Uva-da-serra [Vaccinium cylimdraceum].
Vidália [Azoriana vidalli] Endémica.
Vinhático [Persea indica].
ATLAS DE PORTUGAL IGP 241
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:14 Página 241
242 ATLAS DE PORTUGAL IGP
CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL
ESCALA 1: 550 000
CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS
DOS AÇORES E DA MADEIRA
ESCALA 1: 200 000
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:15 Página 242
ATLAS DE PORTUGAL IGP 243
Ampliar Imagem
244 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 245
Ampliar Imagem
246 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 247
Ampliar Imagem
248 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 249
Ampliar Imagem
250 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 251
Ampliar Imagem
252 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 253
Ampliar Imagem
254 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 255
Ampliar Imagem
256 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 257
Ampliar Imagem
258 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Ampliar Imagem
ATLAS DE PORTUGAL IGP 259
Ampliar Imagem
260 ATLAS DE PORTUGAL IGP
CONTINENTE
A
A do Corvo 251 Ca
Abação 244 Cb
Abaças 244 Dd
Abade de Neiva 244 Ca
Abadim 244 Cc
Abambres 245 Cb
Abedim 244 Ab
Abela 250 Ac
Abitureiras 248 Ac
Abiul 246 Dc
Aboadela 244 Dc
Aboboreira 246 Ed
Aboim 244 Dc
Aboim da Nóbrega 244 Bb
Aboim das Choças 244 Bb
Aborim 244 Ca
Abrã 248 Ac
Abragão 244 Db
Abrantes 249 Aa
Abraveses 247 Aa
Abreiro 245 Da
Abrigada 248 Bb
Abrunheira 246 Cb
Abrunhosa-a-Velha 247 Bb
Achete 248 Ac
Açoreira 245 Db
Açores 247 Ab
Açude dAagolada (SC) 248 Cd
Açude da Raiva 246 Cc
Açude do Monte
da Barca (SC) 248 Cd
Açude do Vale das Bicas 248 Dc
Açude do Vale
de Coelheiros 248 Ec
Adão 247 Bc
Adaufe 244 Cb
Ade 247 Bc
Adeganha 245 Db
Adorigo 244 Dd
A-dos-Cunhados 248 Ba
A-dos-Francos 248 Ab
A-dos-Negros 248 Ab
Adoufe 244 Dd
Afife 244 Ba
Afonsoeiro 248 Db
Agadão 246 Bc
Agilde 244 Dc
Agrela 244 Cc
Agrobom 245 Db
Agrochão 245 Bb
Água das Casas 246 Ed
Água Longa 244 Db
Água Revés e Castro 245 Ca
Aguada de Baixo 246 Bc
Aguada de Cima 246 Bc
Agualva-Cacém 248 Ca
Águas 247 Cc
Águas Belas 246 Ec
Águas Frias 245 Ba
Águas Santas 244 Db
Aguçadoura 244 Ca
Aguda 246 Dc
Águeda 246 Bc
Aguiã 244 Bb
Aguiar 249 Ea
Aguiar da Beira 247 Ab
Aguiar de Sousa 244 Eb
Aguieira 246 Bd
Aguieiras 245 Bb
Aguim 246 Bc
Airães 244 Db
Airó 244 Cb
Ala 245 Cb
Alagoa 249 Ac
Alandroal 249 Dc
Albergaria dos Doze 246 Eb
Albergaria-a-Velha 246 Ac
Albernoa 251 Ba
Albufeira 250 Ed
Alburitel 246 Ec
Alcabideche 248 Da
Alcácer do Sal 248 Ed
Alcáçovas 249 Ea
Alcafache 247 Ba
Alcafozes 247 Dc
Alcaide 247 Cb
Alcains 247 Db
Alcanede 248 Ac
Alcanena 248 Ac
Alcanhões 248 Bc
Alcantarilha 250 Ed
Alcaravela 246 Ed
Alcaria 246 Eb
Alcaria 247 Cb
Alcaria Ruiva 251 Bb
Alcobaça 248 Ab
Alcobertas 248 Ac
Alcochete 248 Cb
Alcoentre 248 Bb
Alcofra 246 Bd
Alcongosta 247 Cb
Alcorochel 248 Ad
Alcôrrego 249 Cb
Alcoutim 251 Cc
Aldeia da Mata 249 Bb
Aldeia da Ponte 247 Bd
Aldeia da Ribeira 247 Bd
Aldeia das Dez 247 Ca
Aldeia de Joanes 247 Cb
Aldeia de João Pires 247 Cc
Aldeia de Nacomba 244 Ed
Aldeia de S. Francisco
de Assis 247 Ca
Aldeia de Sta. Margarida 247 Db
Aldeia de Sto. António 247 Cc
Aldeia do Bispo 247 Cc
Aldeia do Bispo 247 Cd
Aldeia do Mato 249 Aa
Aldeia do Meco 248 Eb
Aldeia do Souto 247 Bb
Aldeia dos Fernandes 251 Ca
Aldeia Galega
da Merceana 248 Bb
Aldeia Gavinha 248 Bb
Aldeia Nova 247 Ab
Aldeia Nova 247 Ac
Aldeia Velha 247 Cd
Aldeia Velha 249 Ba
Aldeia Viçosa 247 Bb
Aldeias 244 Ed
Aldeias 247 Bb
Aldeias de Montoito 249 Dc
Alegrete 249 Bc
Alenquer 248 Bb
Alfaião 245 Bc
Alfaiates 247 Bd
Alfândega da Fé 245 Db
Alfarela de Jales 244 Cd
Alfarelos 246 Cb
Alfeizerão 248 Ab
Alfena 244 Db
Alferce 250 Dc
Alferrarede 249 Aa
Alfundão 251 Aa
Algeriz 245 Ca
Algodres 245 Eb
Algodres 247 Ab
Algoso 245 Cc
Algoz 250 Dd
Alguber 248 Bb
Algueirão Mem Martins 248 Ca
Alhadas 246 Cb
Alhais 247 Aa
Alhandra 248 Cb
Alheira 244 Ca
Alhões 244 Ec
Alhos Vedros 248 Db
Alijó 245 Da
Aljezur 250 Db
Aljubarrota 246 Ea
Aljustrel 250 Bd
Almaceda 247 Da
Almada 248 Db
Almagreira 246 Db
Almalaguês 246 Cc
Almansil 251 Ea
Almargem do Bispo 248 Ca
Almeida 247 Ad
Almeirim 248 Bc
Almendra 245 Eb
Almodôvar 251 Ca
Almofala 244 Ed
Almofala 247 Ad
Almoster 246 Dc
Almoster 248 Bc
Alpalhão 249 Ab
Alpedrinha 247 Cb
Alpedriz 246 Ea
Alpendurada e Matos 244 Eb
Alpiarça 248 Bd
Alqueidão 246 Cb
Alqueidão 246 Ec
Alqueidão da Serra 246 Eb
Alquerubim 246 Bc
Alqueva 251 Ab
Alte 250 Dd
Alter do Chão 249 Bb
Alto Estanqueiro Jardia 248 Db
Altura 251 Dc
Alturas do Barroso 244 Bd
Alva 246 Ad
Alvações do Corgo 244 Dd
Alvadia 244 Cd
Alvados 248 Ac
Alvaiázere 246 Dc
Alvalade 250 Bd
Alvão (PNT) 244 Dd
Alvarães 244 Ca
Alvaredo 244 Ab
Alvarelhos 244 Da
Alvarelhos 245 Ba
Alvarenga 244 Ec
Álvares 246 Dd
Álvaro 246 Dd
Alvega 249 Aa
Alvelanoso 245 Cd
Alvelos 244 Ca
Alverca da Beira 247 Ac
Alverca do Ribatejo 248 Cb
Alviobeira 246 Ec
Alvite 244 Cc
Alvite 244 Ed
Alvites 245 Cb
Alvito 249 Ea
Alvito da Beira 247 Da
Alvoco da Serra 247 Ca
Alvor 250 Ec
Alvorge 246 Dc
Alvorninha 248 Ab
Amadora 248 Ca
Amarante 244 Dc
Amareleja 251 Ac
Amares 244 Cb
Ameal 246 Cc
Amedo 245 Da
Ameixial 251 Da
Amêndoa 246 Ed
Amendoeira 245 Cb
Amendoeira da Serra 251 Bb
Amiais de Baixo 248 Ac
Amieira 247 Da
Amieira 249 Ec
Amieira do Tejo 249 Ab
Amor 246 Eb
Amora 248 Db
Amoreira 247 Bc
Amoreira 248 Ab
Amoreira da Gândara 246 Bb
Amorim 244 Da
Anadia 246 Bc
Anais 244 Bb
Ançã 246 Cc
Ancas 246 Bc
Ancede 244 Ec
Anceriz 247 Ca
Âncora 244 Ba
Andrães 244 Dd
Anelhe 244 Cd
Angeja 246 Ac
Angueira 245 Cd
Anjos 244 Cc
Anobra 246 Cc
Ansiães 244 Dc
Ansião 246 Dc
Antanhol 246 Cc
Antas 244 Ca
Antas 245 Ea
Antes 246 Bc
Antime 244 Cc
Antuzede 246 Cc
Apúlia 244 Ca
Arada 244 Ea
Aradas 246 Bb
Aranhas 247 Cc
Arão 244 Aa
Arazede 246 Cb
Arca 246 Bd
Arcas 245 Cb
Arco de Baúlhe 244 Cc
Arcos 244 Ba
Arcos 244 Ed
Arcos 246 Bc
Arcos 249 Cc
Arcos de Valdevez 244 Bb
Arcossó 244 Cd
Arcozelo 244 Ba
Arcozelo 244 Ca
Arcozelo 244 Ea
Arcozelo 247 Bb
Arcozelo das Maias 246 Ac
Arcozelos 244 Ed
Ardãos 244 Bd
Arega 246 Dc
Areias 244 Db
Areias 246 Ec
Arelho 248 Ab
Areosa 244 Ba
Arez 249 Ab
Arga de Baixo 244 Ba
Arga de Cima 244 Ba
Arga de S. João 244 Ba
Arganil 246 Cd
Argela 244 Ba
Argivai 244 Da
Argoncilhe 244 Eb
Argozelo 245 Cc
Aricera 244 Ed
Ariz 244 Eb
Armação de Pêra 250 Ed
Armamar 244 Ed
Armil 244 Cc
Arnas 247 Ab
Arneiro das Milhariças 248 Ac
Arnoia 244 Dc
Arões 244 Cb
Arões 246 Ac
Arouca 244 Eb
Arrabal 246 Eb
Arrábida (PNT) 248 Eb
Arraiolos 249 Da
Arranhó 248 Cb
Arreigada 244 Db
Arrentela 248 Db
Arriba Fóssil da Costa
da Caparica (PP) 248 Db
Arrifana 244 Eb
Arrifana 246 Cc
Arrifana 247 Bc
Arrifana 248 Bc
Arrimal 248 Ac
Arronches 249 Bd
Arrouquelas 248 Bb
Arruda dos Pisões 248 Ac
Arruda dos Vinhos 248 Cb
Árvore 244 Da
Assafarge 246 Cc
Asseiceira 248 Ad
Asseiceira 248 Bb
Assentiz 246 Ec
Assentiz 248 Bc
Assumar 249 Bc
Atães 244 Bb
Ataide 244 Dc
Atalaia 247 Ac
Atalaia 248 Ad
Atalaia 248 Ba
Atalaia 248 Db
Atalaia 249 Ab
Atalaia do Campo 247 Db
Atei 244 Cc
Atenor 245 Cd
Atiães 244 Cb
Atouguia 246 Eb
Atouguia da Baleia 248 Aa
Avanca 246 Ac
Avantos 245 Cb
Aveiras de Baixo 248 Bc
Aveiras de Cima 248 Bb
Aveiro 246 Bb
Avelal 247 Aa
Avelar 246 Dc
Avelãs da Ribeira 247 Ac
Avelãs de Caminho 246 Bc
Avelãs de Cima 246 Bc
Aveleda 244 Cb
Aveleda 244 Db
Aveleda 245 Bc
Aveloso 245 Ea
Aver-o-Mar 244 Da
Aves 244 Db
Avessadas 244 Dc
Avidagos 245 Da
Avintes 244 Eb
Avis 249 Bb
Avô 247 Ca
Azambuja 248 Bc
Azambujeira 248 Bc
Azenhas do Mar 248 Ca
Ázere 246 Cd
Azevedo 244 Ba
Azevo 247 Ac
Azias 244 Bb
Azinhaga 248 Ad
Azinhal 251 Dc
Azinheira dos Barros 250 Ac
Azinhoso 245 Dc
Azóia 246 Eb
Azóia de Baixo 248 Bc
Azóia de Cima 248 Ac
Azueira 248 Ca
Azurara 244 Da
Azurém 244 Cb
B
Babe 245 Bc
Baçal 245 Bc
Baguim do Monte 244 Db
Bagunte 244 Da
Baía de Lagos 250 Ec
Baía de Setúbal 248 Ec
Baião 244 Dc
Bairro 244 Db
Bairros 244 E b
Baixa da Banheira 248 Db
Bajouca 246 Db
Balazar 244 Da
Baleal 248 Aa
Baleizão 251 Ab
Baltar 244 Db
Balugães 244 Ca
Baraçal 247 Bc
Barão de S. João 250 Eb
Barão de S. Miguel 250 Eb
Barbacena 249 Cd
Barbeita 244 Ab
Barbudo 244 Cb
Barcarena 248 Da
Barcelinhos 244 Ca
Barcelos 244 Ca
Barco 247 Ca
Barcoço 246 Cc
Barcos 244 Ed
Barosa 246 Eb
Barqueiros 244 Ca
Barqueiros 244 Dc
Barragem Cimeira 244 Dd
Barragem da Agueira 246 Cd
Barragem da Apartadura 249 Ac
Barragem da Bouça 246 Dc
Barragem da Bravura 250 Dc
Barragem da Caniçada 244 Cb
Barragem da Capinha 247 Cb
Barragem
da Carrasqueira 249 Cb
Barragem da Idanha 247 Dc
Barragem da Lameira 249 Bb
Barragem da Meimoa 247 Cc
Barragem
da Misericórdia 250 Bd
Barragem da Paradela 244 Bc
Barragem da Póvoa 249 Ac
Barragem da Pracana 247 Ea
Barragem da Régua 244 Ed
Barragem da Tapada
Grande 251 Cb
Barragem da Toulica 247 Dc
Barragem da Tuorega 249 Da
Barragem da Varosa 244 Ed
Barragem
da Venda Nova 244 Cc
Barragem
da Venda Velha 248 Dc
Barragem das Águas
Claras 250 Bd
Barragem
de Aldeadávila 245 Dc
Barragem de Alfândega
da Fé 245 Db
Barragem de Alter 249 Bb
Barragem de Arade 250 Dd
Barragem de Beliche 251 Dc
Barragem de Belver 249 Aa
Barragem de Bemposta 245 Dd
Barragem de Cabido 249 Db
Barragem de Campilhas 250 Bc
Barragem de
Crestuma-Lever 244 Eb
Barragem de Daroeira 250 Bd
Barragem de Divor 249 Da
Barragem de Enxoé 251 Ac
Barragem de Fagilde 247 Ba
Barragem de Fratel 249 Ab
Barragem de Fronhas 246 Cd
Barragem de Guilhofrei 244 Cc
Barragem de Lucefeci 249 Dc
Barragem de Magos 248 Cc
Barragem de Montargil 249 Ba
Barragem de Monte
Redondo 246 Cd
Barragem de Morgavel 250 Bb
Barragem de Odeleite 251 Dc
Barragem de Odivelas 251 Aa
Barragem de Oeiras 251 Ca
Barragem de Penha
Garcia 247 Dc
Barragem de Ranhados 245 Ea
Barragem de Salamonde 244 Bc
Barragem de Santa
Águeda 247 Db
Barragem de Santa
Clara 250 Cc
Barragem de Santa
Luzia 247 Da
Barragem de Santa
Maria de Aguiar 247 Ad
Barragem de São
Domingos 248 Aa
Barragem de Saucelle 245 Ec
Barragem de Terragido 244 Dd
Barragem de Touvedo 244 Bb
Barragem de Vale
do Gaio 250 Ad
Barragem de Valeira 245 Da
Barragem de Vilar 245 Ea
Barragem de Vilarinho
das Furnas 244 Bc
Barragem do Alqueva 251 Ac
Barragem do Alto
Cávado 244 Bd
Barragem do Alto Ceira 247 Ca
Barragem do Alto
Rabagão 244 Bc
Barragem do Alvito 249 Eb
Barragem do Azibo 245 Cc
Barragem do Azibo (PP) 245 Cc
Barragem do Cabril 246 Dd
Barragem do Caia 249 Cd
Barragem do Caldeirão 247 Bb
Barragem
do Carrapetelo 244 Ec
Barragem do Castelo
de Bode 248 Ad
Barragem do Chança 251 Cb
Barragem do Covão
do Meio 247 Ca
Barragem do Freigil 244 E c
Barragem do Funcho 250 Dd
Barragem do Lindoso 244 Bb
Barragem do Maranhão 249 Ca
Barragem do Monte
Novo 249 Db
Barragem do Pego
de Altar 248 Ed
Barragem do Pereiro 245 Db
Barragem do Picote 245 Dd
Barragem do Pisco 247 Db
Barragem do Pocinho 245 Db
Barragem do Poio 249 Ac
Barragem do Rebocho 248 Cd
Barragem do Rei
de Moinhos 246 Cd
Barragem do Roxo 251 Ba
Barragem do Sabugal 247 Cc
Barragem do Salgueiro 245 Db
Barragem do Torrão 244 Eb
Barragem do Torres 249 Db
Barragem do Vigia 249 Db
Barragem do Viriato 247 Cb
Barragem dos Vinte
e Dois 248 Dc
Barragem Fonte Serne 250 Bc
Barragem Monte
da Rocha 250 Bd
Barrancos 251 Ad
Barreira 245 Eb
Barreira 246 Eb
Barreiro 248 Db
Barreiro de Besteiros 246 Bd
Barril de Alva 246 Cd
Barrinha 246 Bb
Barrinha de Esmoriz 244 Ea
Bárrio 244 Ba
Bárrio 248 Ab
Barrô 244 Ec
Barrô 246 Bc
Barroca 247 Ca
Barroças e Taias 244 Ab
Barrosa 248 Cc
Barroselas 244 Ca
Basto 244 Cc
Basto 244 Cc
Batalha 246 Eb
Beça 244 Bd
Beco 246 Ec
Beduído 246 Ab
Beijós 246 Bd
Beirã 249 Ac
Beiriz 244 Da
Beja 251 Ab
Bela 244 Ab
Belas 248 Ca
Belazaima do Chão 246 Bc
Belinho 244 Ca
Belmonte 247 Cb
Belver 245 Da
Belver 249 Aa
Bemposta 245 Dd
Bemposta 247 Dc
Bemposta 249 Aa
Benafim 250 Dd
Benavente 248 Cc
Benavila 249 Bb
Bencatel 249 Dc
Bendada 247 Bc
Benedita 248 Ab
Benespera 247 Bb
Benfeita 246 Cd
Benfica do Ribatejo 248 Bc
Benquerença 247 Cc
Benquerenças 247 Eb
Bensafrim 250 Dc
Beringel 251 Aa
Berlenga 248 Aa
Berlengas (RN) 248 Aa
Beselga 245 Ea
Beselga 246 Ec
Bezerreira 246 Bd
Bico 244 Bb
Bicos 250 Bc
Bigorne 244 Ec
Bilhó 244 Dd
Biscainho 248 Cc
Bitarães 244 Db
BoAaldeia 246 Bd
Boa Vista 246 Eb
Boalhosa 244 Bb
Bobadela 244 Bd
Bobadela 248 Cb
Bodiosa 246 Ad
Boelhe 244 Db
Bogas de Baixo 247 Da
Bogas de Cima 247 Da
Boidobra 247 Cb
Boim 244 Db
Boivão 244 Ab
Bolho 246 Bc
Boliqueime 250 Ed
Bombarral 248 Bb
Borba 249 Cc
Borba da Montanha 244 Dc
Borba de Godim 244 Dc
Borbela 244 Dd
Bordeira 250 Db
Bornes 245 Cb
Bornes de Aguiar 244 Cd
Borralha 246 Bc
Botão 246 Cc
Boticas 244 Cd
Bouça 245 Ca
Bouçoães 245 Ba
Bougado 244 Da
Bouro 244 Cb
Braga 244 Cb
Bragado 244 Cd
Bragança 245 Bc
Branca 246 Ac
Branca 248 Cc
Brasfemes 246 Cc
Bravães 244 Bb
Brejão 250 Cc
Brenha 246 Cb
Brinches 251 Ab
Briteiros 244 Cb
Britelo 244 Bb
Britiande 244 Ed
Brito 244 Cb
Brogueira 248 Ad
Brotas 249 Ca
Bruçó 245 Dc
Brufe 244 Bb
Brufe 244 Ca
Brunhoso 245 Dc
Buarcos 246 Cb
Índice
onomástico
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 260
ATLAS DE PORTUGAL IGP 261
Bucelas 248 Cb
Bucos 244 Cc
Budens 250 Eb
Bugalhos 248 Ac
Bugio 248 Da
Bunheiro 246 Ab
Buraca 248 Db
Burgães 244 Db
Burgo 244 Eb
Bustelo 244 Dc
Bustelo 244 Ec
Bustelo 245 Ba
Bustêlo 244 Db
Bustelo do Caima 246 Ac
Bustos 246 Bb
C
Cabaços 244 Ba
Cabaços 244 Ed
Cabana Maior 244 Bb
Cabanas 246 Bd
Cabanas 251 Eb
Cabanas de Torres 248 Bb
Cabanelas 244 Cb
Cabanelas 245 Cb
Cabeça 247 Ca
Cabeça Boa 245 Db
Cabeça Gorda 248 Ad
Cabeça Gorda 251 Bb
Cabeça Santa 244 Eb
Cabeção 249 Ca
Cabeceiras de Basto 244 Cc
Cabeceiras de Basto 244 Cc
Cabeço de Vide 249 Bb
Cabeçudo 246 Dd
Cabo Carvoeiro 248 Aa
Cabo Carvoeiro 250 Ed
Cabo da Roca 248 Ca
Cabo de S. Vicente 250 Eb
Cabo de Sines 250 Bb
Cabo de Sta. Maria 251 Eb
Cabo Espichel 248 Ea
Cabo Mondego 246 Ca
Cabo Raso 248 Da
Cabo Sardão 250 Cb
Cabração 244 Ba
Cabreira 247 Bc
Cabreiro 244 Bb
Cabreiros 244 Cb
Cabrela 248 Dd
Cabril 244 Bc
Cabril 244 Ec
Cabril 247 Da
Caçarelhos 245 Cd
Caçarilhe 244 Cc
Cachoeiras 248 Cb
Cachopo 251 Db
Cacia 246 Ab
Cacilhas 248 Db
Cadafais 248 Cb
Cadafaz 246 Cd
Cadaval 248 Bb
Cadima 246 Cb
Cafede 247 Db
Caia 249 Cd
Caia e S.Pedro 249 Cd
Caíde de Rei 244 Db
Caires 244 Cb
Caldas da Rainha 248 Ab
Caldas de S. Jorge 244 Eb
Calde 247 Aa
Caldelas 244 Cb
Caldelas 244 Cb
Calhandriz 248 Cb
Calheiros 244 Bb
Calvão 244 Bd
Calvão 246 Bb
Calvaria de Cima 246 Eb
Calvelhe 245 Cc
Calvelo 244 Ca
Camarate 248 Cb
Cambas 247 Da
Cambeses 244 Ab
Cambeses 244 Cb
Cambra 246 Ad
Cambres 244 Ed
Caminha 244 Ba
Campanhó 244 Dc
Campeã 244 Dc
Campelo 244 Dc
Campelo 246 Dc
Campelos 248 Bb
Campia 246 Ad
Campinho 249 Ec
Campo 244 Ca
Campo 244 Db
Campo 246 Ad
Campo 249 Ec
Campo de Besteiros 246 Bd
Campo de Víboras 245 Cc
Campo Maior 249 Cd
Campos 244 Ba
Campos 244 Cb
Canadelo 244 Dc
Canas de Santa Maria 246 Bd
Canas de Senhorim 247 Ba
Canaveses 245 Ca
Canaviais 249 Db
Candedo 245 Bb
Candedo 245 Da
Candemil 244 Ba
Candemil 244 Dc
Candosa 246 Cd
Candoso 244 Cb
Caneças 248 Ca
Canedo 244 Cd
Canedo 244 Eb
Canedo de Basto 244 Cc
Canelas 244 Ea
Canelas 244 Eb
Canelas 244 Eb
Canelas 246 Ac
Canha 248 Cc
Canhestros 250 Ad
Caniçada 244 Cc
Canidelo 244 Ea
Cano 249 Cb
Cantanhede 246 Cb
Cantelães 244 Cc
Caparica 248 Db
Caparrosa 246 Bd
Capela 244 Eb
Capelins 249 Dc
Capeludos 244 Cd
Capinha 247 Cb
Caramos 244 Dc
Caranguejeira 246 Eb
Carapeços 244 Ca
Carapelhos 246 Bb
Carapinha 246 Cd
Carapinheira 246 Cb
Carapito 247 Ab
Caravelas 245 Cb
Carção 245 Cc
Carcavelos 248 Da
Cardanha 245 Db
Cardielos 244 Ba
Cardigos 246 Ed
Cardosa 247 Da
Cardosas 248 Cb
Caria 244 Ed
Caria 247 Cb
Carlão 245 Da
Carmões 248 Bb
Carnaxide 248 Da
Carnide 246 Db
Carnota 248 Bb
Carquere 244 Ec
Carragosa 245 Bc
Carralcova 244 Bb
Carrazeda de Ansiães 245 Da
Carrazedo 244 Cb
Carrazedo
de Montenegro 245 Ca
Carreagem 250 Db
Carreço 244 B a
Carregado 248 Cb
Carregal 244 Ed
Carregal do Sal 246 Bd
Carregosa 246 Ac
Carregueira 248 Ad
Carregueiros 246 Ec
Carreira 244 Db
Carreiras 249 Ac
Carriço 246 Db
Cartaxo 248 Bc
Carva 244 Dd
Carvalhais 245 Cb
Carvalhais 246 Ad
Carvalhal 244 Ca
Carvalhal 246 Dd
Carvalhal 247 Ac
Carvalhal 248 Bb
Carvalhal 248 Ec
Carvalhal Benfeito 248 Ab
Carvalhal de Vermilhas 246 Ad
Carvalhal Meão 247 Bc
Carvalhal Redondo 247 Ba
Carvalheira 244 Bb
Carvalho 244 Dc
Carvalho 246 Cc
Carvalhosa 244 Db
Carviçais 245 Db
Carvide 246 Db
Carvoeira 248 Bb
Carvoeira 248 Ca
Carvoeiro 244 Ca
Carvoeiro 247 Ea
Carvoeiro 250 Ec
Casa Branca 249 Cb
Casa Branca 249 Da
Casais 246 Ec
Casais das Boiças 248 Bb
Casal Comba 246 Cc
Casal de Cinza 247 Bc
Casal de Ermio 246 Cc
Casal dos Bernardos 246 Ec
Casalinho 248 Bd
Casas do Soeiro 247 Bb
Cascais 248 Da
Casegas 247 Ca
Casével 248 Ac
Casével 250 Bd
Castainço 245 Ea
Castanheira 244 Bb
Castanheira 247 Bc
Castanheira de Pêra 246 Dd
Castanheira do Ribatejo 248 Cb
Castanheira do Vouga 246 Bc
Castanheiro 245 Da
Castanheiro do Sul 245 Ea
Castedo 245 Da
Castedo 245 Db
Castelãos 245 Cb
Casteleiro 247 Cc
Castelejo 247 Cb
Castelejo 250 Eb
Castelo 244 Ed
Castelo 246 Dd
Castelo Bom 247 Bd
Castelo Branco 245 Dc
Castelo Branco 247 Db
Castelo de Paiva 244 Eb
Castelo de Penalva 247 Aa
Castelo de Vide 249 Ac
Castelo do Neiva 244 Ca
Castelo Melhor 245 Eb
Castelo Novo 247 Cb
Castelo Viegas 246 Cc
Castelões 244 Cc
Castelões 244 Dc
Castelões 246 Bd
Castrelos 245 Bb
Castro Daire 244 Ec
Castro Laboreiro 244 Ac
Castro Marim 251 Dc
Castro Verde 251 Ca
Castro Vicente 245 Dc
Cativelos 247 Ba
Cavernães 247 Aa
Cavês 244 Cc
Caxarias 246 Ec
Cebolais de Cima 247 Eb
Cedães 245 Cb
Cedovim 245 Ea
Cedrim 246 Ac
Ceira 246 Cc
Ceivães 244 Ab
Cela 248 Ab
Celas 245 Bb
Celavisa 246 Cd
Celeirós 244 Cb
Celorico da Beira 247 Ab
Celorico de Basto 244 Dc
Cepães 244 Cc
Cepões 244 Ba
Cepões 244 Ed
Cepões 247 Aa
Cercal 246 Eb
Cercal 248 Bb
Cercal do Alentejo 250 Bc
Cercosa 246 Cc
Cerdal 244 Aa
Cerdeira 247 Bc
Cerdeira 247 Ca
Cerejais 245 Db
Cernache 246 Cc
Cernache do Bonjardim 246 Dd
Cerva 244 Cd
Cervães 244 Cb
Cervos 244 Bd
Cete 244 Db
Chã 244 Bd
Chacim 245 Cb
Chaínça 246 Eb
Chamusca 248 Ad
Chancelaria 248 Ad
Chancelaria 249 Bb
Chão de Couce 246 Dc
Chãos 246 Ec
Charneca de Caparica 248 Db
Chãs 245 Eb
Chãs de Tavares 247 Ba
Chavães 244 Ed
Chave 244 Eb
Chaves 245 Ba
Chaviães 244 Ab
Cheleiros 248 Ca
Chorense 244 Bb
Chosendo 245 Ea
Chouto 248 Bd
Cibões 244 Bb
Ciborro 249 Ca
Cicouro 245 Cd
Cidadelhe 245 Eb
Ciladas 249 Cc
Cimo de Vila
da Castanheira 245 Ba
Cinco Vilas 247 Ac
Cinfães 244 Ec
Cisterna 245 Ab
Cobro 245 Ca
Coelhoso 245 Cc
Coentral 246 Dd
Coimbra 246 Cc
Coimbrão 246 Db
Coina 248 Db
Coja 246 Cd
Colares 248 Ca
Colmeal 246 Cd
Colmeal da Torre 247 Bb
Colmeias 246 Eb
Colos 250 Bc
Comenda 249 Ab
Comporta 248 Ec
Concavada 249 Aa
Conceição 250 Bd
Conceição 251 Db
Conceição 251 Ea
Condeçoso 244 Dc
Condeixa-a-Nova 246 Cc
Condeixa-a-Velha 246 Cc
Consolação 248 Aa
Constance 244 Dc
Constância 248 Ad
Constantim 244 Dd
Contim 244 Bc
Cordinhã 246 Cc
Corgas 247 Ea
Coriscada 247 Ac
Corno do Bico (PP) 244 Bb
Coronado 244 Da
Correlhã 244 Ba
Corroios 248 Db
Corte do Pinto 251 Bc
Corte Sines 251 Bb
Cortegaça 244 Ea
Cortegaça 246 Bc
Cortes 244 Ab
Cortes 246 Eb
Cortes do Meio 247 Cb
Cortiçada 247 Ab
Cortiçadas do Lavre 248 Cd
Cortiços 245 Cb
Coruche 247 Ab
Coruche 248 Cd
Corujas 245 Cb
Corval 249 Ec
Cós 246 Ea
Cossourado 244 Ca
Costa da Caparica 248 Da
Cota 247 Aa
Coto 248 Ab
Couço 248 Cd
Coura 244 Ba
Coura 244 Ed
Cousso 244 Ab
Coutada 247 Cb
Couto 244 Bb
Couto 244 Db
Couto de Baixo 246 Ad
Couto de Cima 246 Ad
Couto de Esteves 246 Ac
Couto do Mosteiro 246 Bd
Cova 244 Cc
Cova da Piedade 248 Db
Covão do Lobo 246 Bb
Covas 244 Ba
Covas 244 Bb
Covas 247 Ca
Covas do Barroso 244 Cd
Covas do Douro 244 Dd
Covelães 244 Bc
Covelas 244 Ec
Covelo 244 Eb
Covelo 246 Cd
Covide 244 Bc
Covilhã 247 Cb
Covões 246 Bb
Crasto 244 Bb
Crato 249 Bb
Creixomil 244 Ca
Creixomil 244 Cb
Cristelo 244 Ba
Cristelo 244 Ca
Cristelo Covo 244 Aa
Cristoval 244 Ac
Croca 244 Db
Cuba 251 Aa
Cubalhão 244 Ab
Cujó 244 Ed
Cumeada 246 Ed
Cumeeira 246 Dc
Cumieira 244 Dd
Cunha 244 Ba
Cunha 247 Ab
Cunha Baixa 247 Ba
Cunheira 249 Ab
Curalha 245 Ba
Curopos 245 Bb
Currelos 246 Bd
Curvite 244 Cb
Curvos 244 Ca
Custóias 245 Ea
D
Dálvares 244 Ed
Damaia 248 Db
Dardavaz 246 Bd
Darque 244 Ca
Deão 244 Ba
Degracias 246 Dc
Deilão 245 Bc
Delães 244 Db
Dem 244 Ba
Destriz 246 Ac
Dois Portos 248 Bb
Donai 245 Bc
Donões 244 Bd
Dornelas 244 Cd
Dornelas 246 Ac
Dornelas 247 Ab
Dornelas do Zêzere 247 Ca
Dornes 246 Ec
Douro Internacional
(PNT) 245 Dc
Duas Igrejas 244 Bb
Duas Igrejas 244 Db
Duas Igrejas 244 Db
Duas Igrejas 245 Cd
Dume 244 Cb
Dunas de S. Jacinto 246 Ab
Durrães 244 Ca
E
Edral 245 Bb
Edrosa 245 Bb
Ega 246 Cc
Eira Vedra 244 Cc
Eirado 247 Ab
Eiras 244 Bb
Eiras 245 Ba
Eiras 246 Cc
Eirol 246 Bc
Eixo 246 Bc
Eja 244 Eb
Elvas 249 Cd
Encarnação 248 Ba
Entradas 251 Ba
Entre Ambos os Rios 244 Bb
Entroncamento 248 Ad
Envendos 247 Ea
Enxara do Bispo 248 Ca
Erada 247 Ca
Ereira 248 Bc
Ericeira 248 Ca
Ermelo 244 Bb
Ermelo 244 Dc
Ermesinde 244 Db
Ermida 244 Bb
Ermida 244 Ec
Ermida 246 Dd
Ermidas-Sado 250 Ac
Erra 248 Cd
Ervedal 249 Bb
Ervedal da Beira 247 Ba
Ervededo 245 Ba
Ervedosa 245 Bb
Ervedosa 247 Ac
Ervedosa do Douro 245 Da
Ervidel 251 Ba
Ervões 245 Ca
Escalhão 245 Eb
Escalos de Baixo 247 Db
Escalos de Cima 247 Db
Escarigo 247 Cb
Escariz 244 Eb
Escoural 246 Cb
Esgueira 246 Bb
Esmolfe 247 Aa
Esmoriz 244 Ea
Espadanedo 244 Ec
Espariz 246 Cd
Esperança 249 Bd
Espinhal 246 Dc
Espinheiro 248 Ac
Espinhel 246 Bc
Espinho 244 Cb
Espinho 244 Ea
Espinho 246 Bc
Espinho 247 Ba
Espinhosa 245 Ea
Espinhosela 245 Bc
Espírito Santo 251 Cb
Espite 246 Eb
Espiunca 244 Eb
Esporões 244 Cb
Esposende 244 Ca
Estarreja 246 Ac
Este 244 Cb
Estela 244 Ca
Estelas 248 Aa
Ester 244 Ec
Estói 251 Ea
Estômbar 250 Ec
Estorãos 244 Ba
Estorãos 244 Cc
Estoril 248 Da
Estreito 247 Da
Estremoz 249 Cc
Estuário do Sado (RN) 248 Ec
Estuário do Tejo (RN) 248 Cb
Évora 249 Db
Évora de Alcobaça 248 Ab
Évora Monte
(Sta. Maria) 249 Cb
Extremo 244 Ab
F
Facha 244 Ba
Fafe 244 Cc
Faia 244 Cc
Fail 246 Bd
Failde 245 Bc
Faiões 245 Ba
Fajão 246 Cd
Fajarda 248 Cc
Fajões 244 Eb
Fajozes 244 Da
Famalicão 247 Bb
Famalicão 248 Ab
Fanhões 248 Cb
Fanzeres 244 Db
Fão 244 Ca
Farilhões 248 Aa
Farminhão 246 Bd
Faro 251 Ea
Faro do Alentejo 251 Aa
Fataunços 246 Ad
Fatela 247 Cb
Fátima 246 Eb
Favaios 245 Da
Favões 244 Eb
Fazendas de Almeirim 248 Bd
Febres 246 Bb
Feiteira 251 Da
Feitosa 244 Ba
Felgar 245 Db
Felgueiras 244 Dc
Felgueiras 244 Ec
Felgueiras 245 Db
Fermedo 244 Eb
Fermelã 246 Ac
Fermentelos 246 Bc
Fermentões 244 Cb
Fernão Ferro 248 Db
Fernão Joanes 247 Bb
Ferradosa 245 Db
Ferragudo 250 Ec
Ferral 244 Bc
Ferreira 244 Ba
Ferreira 245 Cb
Ferreira de Aves 247 Aa
Ferreira do Alentejo 250 Ad
Ferreira do Zêzere 246 Ec
Ferreira-a-Nova 246 Cb
Ferreiras 250 Ed
Ferreirim 244 Ed
Ferreirim 245 Ea
Ferreiros 244 Cb
Ferreiros 244 Cb
Ferreiros de Tendais 244 Ec
Ferreirós do Dão 246 Bd
Ferrel 248 Aa
Ferro 247 Cb
Fervença 244 Dc
Fiães 244 Ac
Fiães 245 Ba
Fiães 247 Ab
Figueira da Foz 246 Ca
Figueira de Castelo
Rodrigo 245 Eb
Figueira de Lorvão 246 Cc
Figueira dos Cavaleiros 250 Ad
Figueira e Barros 249 Bb
Figueiredo 246 Dd
Figueiredo de Alva 246 Ad
Figueirinha 251 Ba
Figueiró 244 Db
Figueiró da Serra 247 Bb
Figueiró do Campo 246 Cb
Figueiró dos Vinhos 246 Dd
Figueiros 248 Bb
Filães 244 Eb
Filhós 248 Ac
Fiolhoso 245 Ca
Fiscal 244 Cb
Flor da Rosa 249 Bb
Fóios 247 Cd
Folgosa 244 Db
Folgosa 244 Dd
Folgosinho 247 Bb
Folhadela 244 Dd
Folques 246 Cd
Fontão 244 Ba
Fonte Arcada 244 Cb
Fonte Arcada 244 Db
Fonte Arcada 245 Ea
Fonte Benémola (SC) 251 Da
Fonte Boa 244 Ca
Fonte de Angeão 246 Bb
Fonte Longa 245 Da
Fontelas 244 Dd
Fontes 244 Dd
Fontes 246 Ed
Fontoura 244 Ba
Forcalhos 247 Bd
Forjães 244 Ca
Formariz 244 Ba
Formigais 246 Ec
Fornelo 244 Da
Fornelo do Monte 246 Ad
Fornelos 244 Bb
Fornelos 244 Cc
Fornelos 244 Dd
Fornelos 244 Ec
Forninhos 247 Ab
Forno Telheiro 247 Ab
Fornos 244 Dc
Fornos 244 Eb
Fornos 244 Eb
Fornos 245 Dc
Fornos de Algodres 247 Bb
Fornos de Arrão 249 Ba
Fornos de Maceira Dão 247 Ba
Fornos do Pinhal 245 Ca
Foros de Salvaterra 248 Cc
Foros de Vale Figueira 248 Dd
Forte da Casa 248 Cb
Fortios 249 Ac
Foz de Arouce 246 Cc
Foz do Arelho 248 Ab
Foz do Farelo 250 Dc
Foz do Sousa 244 Eb
Fradelos 244 Da
Fradizela 245 Cb
Fragosela 247 Ba
Fragoso 244 Ca
Fráguas 247 Aa
Fráguas 248 Ac
Fraião 244 Cb
França 245 Bc
Franco 245 Ca
Franzilhal 245 Da
Fratel 247 Ea
Frazão 244 Db
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 261
262 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Freamunde 244 Db
Frechas 245 Db
Freches 247 Ab
Fregim 244 Dc
Freineda 247 Bd
Freiria 248 Ba
Freitas 244 Cc
Freixeda 245 Cb
Freixeda do Torrão 245 Eb
Freixedas 247 Ac
Freixial 247 Ac
Freixial do Campo 247 Db
Freixianda 246 Ec
Freixieiro de Soutelo 244 Ba
Freixiel 245 Da
Freixinho 245 Ea
Freixo 244 Ca
Freixo 247 Bc
Freixo de Baixo 244 Dc
Freixo de Cima 244 Dc
Freixo de Espada à Cinta 245 Ec
Freixo de Numão 245 Eb
Frende 244 Ec
Fresufe 245 Bb
Friande 244 Dc
Friastelas 244 Ca
Fridão 244 Dc
Friões 245 Ca
Friurmes 246 Cd
Fronteira 249 Bb
Frossos 246 Ac
Fundada 246 Ed
Fundão 247 Cb
Furadouro 246 Ab
Fuseta 251 Eb
G
Gaeiras 248 Ab
Gafanha da Boa Hora 246 Bb
Gafanha da Encarnação 246 Bb
Gafanha da Nazaré 246 Bb
Gafanha do Carmo 246 Bb
Gafanhoeira (S. Pedro) 249 Da
Gafanhoeiras 249 Ec
Gafete 249 Ab
Gagos 244 Cc
Gagos 247 Bc
Galafura 244 Dd
Galegos 244 Ca
Galegos 244 Cb
Galegos 244 Db
Galegos 249 Ac
Galveias 249 Ba
Gambia-Pontes-Alto
da Guerra 248 Dc
Gandra 244 Aa
Gandra 244 Bb
Gandra 244 Ca
Gandra 244 Db
Ganfei 244 Aa
Garfe 244 Cb
Garvão 250 Cd
Gatão 244 Dc
Gatões 246 Cb
Gave 244 Ab
Gavião 244 Cb
Gavião 249 Ab
Gavieira 244 Bb
Geme 244 Cb
Gémeos 244 Dc
Gemeses 244 Ca
Gemieira 244 Bb
Gemunde 244 Da
Genísio 245 Cd
Geraz do Lima 244 Ba
Geraz do Minho 244 Cb
Germil 244 Bb
Germil 247 Aa
Gestaçô 244 Dc
Gesteira 246 Db
Gião 244 Da
Giela 244 Bb
Giesteiras Cimeiras 247 Ea
Gilmonde 244 Ca
Gimonde 245 Bc
Giões 251 Cb
Girabolhos 247 Ba
Glória 249 Cc
Glória do Ribatejo 248 Bc
Goães 244 Cb
Godim 244 Dd
Godinhaços 244 Bb
Góis 246 Cd
Golães 244 Cb
Golegã 248 Ad
Golpilheira 246 Eb
Gomes Aires 250 Cd
Gomide 244 Bb
Gonçalo 247 Bb
Gonçalo Bocas 247 Bc
Gondar 244 Cb
Gondar 244 Dc
Gondarém 244 Ba
Gondemaria 246 Eb
Gondiães 244 Cd
Gondifelos 244 Ca
Gondomar 244 Bb
Gondomar 244 Db
Gondomil 244 Aa
Gondoriz 244 Bb
Gondufe 244 Bb
Gontim 244 Cc
Gosende 244 Ec
Gostei 245 Bc
Gouveia 244 Dc
Gouveia 245 Db
Gouveia 247 Bb
Gouveias 247 Ac
Gouviães 244 Ed
Gouvinhas 244 Dd
Gove 244 Ec
Graça 246 Dd
Grade 244 Bb
Gradil 248 Ca
Gralhas 244 Bd
Gralhós 244 Bd
Grândola 250 Ac
Granho 248 Bc
Granja 245 Ea
Granja 249 Ed
Granja do Tedo 244 Ed
Granja Nova 244 Ed
Grijó 244 Ea
Grijó 245 Cb
Grijó de Parada 245 Bc
Grilo 244 Dc
Grimancelos 244 Ca
Gualtar 244 Cb
Guarda 247 Bb
Guardião 246 Bd
Guetim 244 Ea
Guia 248 Da
Guia 250 Ed
Guiães 244 Dd
Guilhabreu 244 Da
Guilhadeses 244 Bb
Guilheiro 245 Ea
Guilhofrei 244 Cc
Guilhufe 244 Db
Guimarães 244 Cb
Guimarei 244 Db
Gulpilhares 244 Ea
H
Horta da Vilariça 245 Db
Hortas de Baixo 249 Bd
I
Idães 244 Db
Idanha-a-Nova 247 Dc
Idanha-a-Velha 247 Dc
Ifanes 245 Cd
Igreja Nova 248 Ca
Igreja Nova do Sobral 246 Ec
Igrejinha 249 Db
Ilha de Armona 251 Eb
Ilha de Faro 251 Ea
Ilha de Tavira 251 Eb
Ilha do Pessegueiro 250 Bb
Ílhavo 246 Bb
Ilhéu de Fora 248 Aa
Infantas 244 Cb
Infesta 244 Ba
Inguias 247 Cc
Insalde 244 Bb
Insua 247 Aa
Irivo 244 Db
J
Janeiro de Baixo 247 Da
Janeiro de Cima 247 Da
Jarmelo 247 Bc
Jazente 244 Dc
Joane 244 Cb
João Antão 247 Bc
Jolda 244 Bb
Jou 245 Ca
Jovim 244 Eb
Jugueiros 244 Dc
Juncais 247 Bb
Juncal 246 Eb
Juncal do Campo 247 Db
Junceira 246 Ec
Junqueira 244 Da
Junqueira 246 Ac
Juromenha 249 Dd
L
Labruge 244 Da
Labruja 244 Ba
Labrujó 244 Bb
Ladoeiro 247 Dc
Lagares 244 Db
Lagares 247 Ba
Lagarinhos 247 Ba
Lagarteira 246 Dc
Lago 244 Cb
Lagoa 245 Cc
Lagoa 246 Bb
Lagoa 250 Ed
Lagoa Comprida 247 Ba
Lagoa da Vela 246 Cb
Lagoa de Albufeira 248 Db
Lagoa de Bertiandos (PP) 244 Ba
Lagoa de Melides 250 Ab
Lagoa de Óbidos 248 Aa
Lagoa de Santo André 250 Ab
Lagoa dos Braços 246 Cb
Lagoa dos Patos 251 Aa
Lagoa dos Teixoeiros 246 Cb
Lagoa Salgueira 246 Cb
Lagoaça 245 Dc
Lagoas de Sto. André
e de Sancha (RN) 250 Ab
Lagos 250 Ec
Lajeosa 246 Bd
Lajeosa 247 Cd
Lajeosa do Mondego 247 Bb
Lalim 244 Ed
Lama 244 Cb
Lama de Arcos 245 Ba
Lamalonga 245 Cb
Lamares 244 Dd
Lamarosa 246 Cb
Lamas 245 Cb
Lamas 246 Cc
Lamas 248 Bb
Lamas de Mouro 244 Ac
Lamas de Olo 244 Dd
Lamas de Orelhão 245 Ca
Lamegal 247 Ac
Lamego 244 Ed
Lameiras 247 Ac
Landal 248 Ab
Landeira 248 Dc
Landim 244 Db
Lanhelas 244 Ba
Lanheses 244 Ba
Lanhoso 244 Cb
Lapa 248 Bc
Lapa dos Dinheiros 247 Ba
Lapas 248 Ad
Lapela 244 Ab
Lara 244 Ab
Laranjeiro 248 Db
Lardosa 247 Db
Larinho 245 Db
Laundos 244 Ca
Lavacolhos 247 Cb
Lavandeira 245 Da
Lavos 246 Cb
Lavra 244 Da
Lavradio 248 Db
Lavre 248 Cd
Lazarim 244 Ed
Lebução 245 Ba
Leça da Palmeira 244 Da
Leça do Bailio 244 Da
Leiria 246 Eb
Leomil 244 Ed
Leomil 247 Ac
Ligares 245 Eb
Lijó 244 Ca
Limões 244 Cd
Lindoso 244 Bc
Linhares 245 Da
Linhares 247 Bb
Lisboa 248 Db
Litoral de Esposende (PP) 244 Ca
Lixa 244 Dc
Lixa do Alvão 244 Cd
Lobão 244 Eb
Lobão da Beira 246 Bd
Lobrigos 244 Dd
Lodares 244 Db
Loivo 244 Ba
Loivos 245 Ca
Loivos do Monte 244 Dc
Lomar 244 Cb
Lomba 244 Eb
Lomba 247 Bc
Lombo 245 Cc
Longa 244 Ed
Longomel 249 Aa
Longos 244 Cb
Longos Vales 244 Ab
Longroiva 245 Eb
Lordelo 244 Db
Lordelo 244 Db
Lordelo 244 Dd
Lordosa 247 Aa
Loriga 247 Ca
Lorvão 246 Cc
Loulé 251 Ea
Louredo 244 Cc
Louredo 244 Db
Louredo 244 Dd
Louredo 244 E b
Loureira 244 Cb
Loureiro 244 Dd
Loureiro 246 Ac
Loureiro de Silgueiros 246 Bd
Loures 248 Cb
Louriçal 246 Db
Louriçal do Campo 247 Db
Louriceira 248 Ac
Lourinhã 248 Ba
Louro 244 Cb
Lourosa 244 Eb
Lourosa 246 Cd
Lousa 245 Db
Lousa 247 Db
Lousa 248 Cb
Lousã 246 Cd
Lousada 244 Db
Lousado 244 Db
Ludares 244 Dd
Lufrei 244 Dc
Luso 246 Bc
Lustosa 244 Db
Luz 249 Ec
Luz 250 Ec
Luz 251 Eb
Luzianes-Gare 250 Cc
Luzim 244 Db
Luzio 244 Ab
M
Maçainhas 247 Bb
Maçainhas 247 Bc
Mação 249 Aa
Maçãs de Caminho 246 Dc
Maçãs de D. Maria 246 Dc
Maceda 244 Ea
Macedo de Cavaleiros 245 Cb
Macedo do Mato 245 Cc
Maceira 246 Eb
Maceira 247 Ab
Maceira 248 Ba
Machados 251 Ac
Machio 246 Dd
Macieira 244 Db
Macieira 245 Ea
Macieira da Lixa 244 Dc
Macieira da Maia 244 Da
Macieira de Alcoba 246 Bc
Macieira de Rates 244 Ca
Macinhata do Vouga 246 Ac
Maçores 245 Eb
Maçussa 248 Bc
Madalena 244 Dc
Madalena 244 Ea
Madalena 246 Ec
Madeirã 246 Dd
Mafra 248 Ca
Magoito 248 Ca
Magueija 244 Ec
Magusteiro 244 Cc
Maia 244 Da
Maiorca 246 Cb
Maiorga 246 Ea
Mairos 245 Ba
Malaqueijo 248 Bc
Malcata 247 Cc
Malhada Sorda 247 Bd
Malhadas 245 Cd
Malhou 248 Ac
Malpica do Tejo 247 Eb
Malveira 248 Ca
Mamarrosa 246 Bb
Mamouros 246 Ad
Mancelos 244 Dc
Mangualde 247 Ba
Manhouce 246 Ad
Manique do Intendente 248 Bc
Mansores 244 Eb
Manteigas 247 Bb
Mar 244 Ca
Maranhão 249 Ca
Marateca 248 Dc
Marco de Canaveses 244 Dc
Margem 249 Ab
Marialva 245 Ea
Marinha das Ondas 246 Db
Marinha Grande 246 Ea
Marinhais 248 Bc
Marinhas 244 Ca
Marmeleira 246 Cc
Marmeleira 248 Bc
Marmeleiro 246 Ed
Marmeleiro 247 Bc
Marmelete 250 Dc
Marmelos 245 Cb
Marrancos 244 Cb
Marrazes 246 Eb
Marteleira 248 Ba
Martim 244 Cb
Martim Longo 251 Cb
Martinchel 248 Ad
Martingança 246 Ea
Marvão 249 Ac
Marzagão 245 Da
Mascarenhas 245 Cb
Mata 247 Db
Mata de Lobos 245 Eb
Mata Mourisca 246 Db
Matacães 248 Bb
Matança 247 Ab
Matas 246 Eb
Matas 246 Eb
Matela 245 Cc
Mateus 244 Dd
Matos 248 Ad
Matosinhos 244 Da
Maxial 248 Bb
Mazarefes 244 Ca
Mazedo 244 Ab
Mazouco 245 Dc
Meadela 244 Ba
Mealhada 246 Bc
Meãs do Campo 246 Cb
Meca 248 Bb
Meda 245 Ea
Medas 244 Eb
Medelim 247 Dc
Medelo 244 Cc
Meijinhos 244 Ed
Meimão 247 Cc
Meimoa 247 Cc
Meinedo 244 Db
Meirinhos 245 Dc
Meixedo 244 Bd
Meixide 244 Bd
Melgaço 244 Ab
Melides 250 Ac
Melo 247 Bb
Melres 244 Eb
Memória 246 Eb
Mendiga 248 Ac
Merelim 244 Cb
Merinhas 246 Db
Mértola 251 Cb
Merufe 244 Ab
Meruge 247 Ba
Mesão Frio 244 Cb
Mesão Frio 244 Dc
Mesquitela 247 Ba
Mesquitela 247 Bb
Messegães 244 Ab
Messejana 250 Bd
Mexilhoeira Grande 250 Dc
Mezio 244 Ec
Midões 246 Bd
Milagres 246 Eb
Milhão 245 Bc
Milharado 248 Cb
Milhazes 244 Ca
Milheirós de Poiares 244 Eb
Milhundos 244 Db
Mina da Juliana 251 Ba
Mina de S. Domingos 251 Cc
Minde 248 Ac
Mindelo 244 Da
Minhotães 244 Ca
Mioma 247 Aa
Mira 246 Bb
Mira de Aire 248 Ac
Miragaia 248 Ba
Miranda 244 Bb
Miranda do Corvo 246 Dc
Miranda do Douro 245 Cd
Mirandela 245 Cb
Mire de Tibães 244 Cb
Miuzela 247 Bc
Moçarria 248 Bc
Modivas 244 Da
Mões 247 Aa
Mofreita 245 Bb
Mogadouro 245 Dc
Mogofores 246 Bc
Moimenta 244 Bb
Moimenta 245 Bb
Moimenta da Beira 244 Ed
Moimenta da Serra 247 Ba
Moimenta de Maceira
Dão 247 Ba
Moita 246 Bc
Moita 246 Ea
Moita 247 Cc
Moita 248 Db
Moita do Norte 248 Ad
Moita dos Ferreiros 248 Bb
Moitas Venda 248 Ac
Molares 244 Cc
Moldes 244 Eb
Moledo 244 Ba
Moledo 247 Aa
Moledo 247 Ba
Moledo 248 Ba
Molelos 246 Bd
Mombeja 251 Aa
Monção 244 Ab
Moncarapacho 251 Eb
Monchique 250 Dc
Mondim da Beira 244 Ed
Mondim de Basto 244 Cc
Monforte 249 Bc
Monforte da Beira 247 Ec
Monfortinho 247 Dd
Monsanto 247 Dc
Monsanto 248 Ac
Monsaraz 249 Ec
Monsul 244 Cb
Montalegre 244 Bd
Montalvão 247 Eb
Montalvo 248 Ad
Montargil 249 Ba
Montaria 244 Ba
Monte 244 Bb
Monte 244 Cc
Monte 246 Ab
Monte Clerigo 250 Db
Monte Córdova 244 Db
Monte da Pedra 249 Ab
Monte do Trigo 249 Eb
Monte Fidalgo 247 Eb
Monte Gordo 251 Dc
Monte Margarida 247 Bc
Monte Negro 251 Ea
Monte Perobolso 247 Bc
Monte Real 246 Db
Monte Redondo 246 Db
Monte Redondo 248 Bb
Monteiras 244 Ec
Montelavar 248 Ca
Montemor-o-Novo 249 Da
Montemor-o-Velho 246 Cb
Montes 246 Ea
Montes 246 Ec
Montes da Senhora 247 Ea
Montezinho 245 Bc
Montezinho (PNT) 245 Bb
Montijo 248 Db
Montoito 249 Dc
Montouto 245 Bb
Mora 249 Ca
Morais 245 Cc
Moreira 244 Ab
Moreira 244 Da
Moreira de Cónegos 244 Db
Moreira de Rei 247 Ab
Moreira do Castelo 244 Dc
Moreira do Lima 244 Ba
Moreira do Rei 244 Cc
Moreiras 245 Ca
Morgade 244 Bd
Mortágua 246 Bd
Mós 244 Cb
Mós 245 Bc
Mós 245 Db
Moscavide 248 Cb
Moselos 244 Eb
Mosteiro 244 Cc
Mosteiro 246 Dd
Mosteiro de Fráguas 246 Bd
Mosteiros 249 Bc
Mouçós 244 Dd
Moura Morta 244 Ec
Mourão 249 Ec
Mouraz 246 Bd
Moure 244 Cb
Moure 244 Dc
Mourilhe 244 Bd
Mouriscas 249 Aa
Mouriz 244 Db
Mouronho 246 Cd
Mte. do Guerreiro 251 Ca
Muge 248 Bc
Mujães 244 Ca
Mundão 247 Aa
Murça 245 Ca
Murça 245 Eb
Murços 245 Cb
Múrias 245 Cb
Murtede 246 Cc
Murtosa 246 Ab
Muxagata 245 Eb
N
Nabais 247 Bb
Nabo 245 Db
Nadadouro 248 Ab
Nagosa 244 Ed
Nagozelo do Douro 245 Da
Nandufe 246 Bd
Nariz 246 Bb
Navais 244 Ca
Navalho 245 Da
Nave 247 Bc
Nave de Haver 247 Bd
Naves 247 Ad
Nazaré 246 Ea
Negreiros 244 Ca
Negrelos 244 Db
Negrões 244 Bd
Neiva 244 Ca
Nelas 247 Ba
Nesperal 246 Ed
Nespereira 244 Db
Nespereira 244 Db
Nespereira 244 Ec
Nespereira 247 Bb
Nevogilde 244 Db
Nine 244 Ca
Ninho do Açor 247 Db
Nisa 249 Ab
Nogueira 244 Ba
Nogueira 244 Cb
Nogueira 244 Da
Nogueira 244 Dd
Nogueira 245 Bc
Nogueira da Montanha 245 Ca
Nogueira da Regedoura 244 Ea
Nogueira do Cravo 244 Eb
Nogueira do Cravo 247 Ca
Nogueiró 244 Cb
Nossa Sra. da Boa Fé 249 Da
Nossa Sra. da Graça
de Póvoa e Meadas 249 Ac
Nossa Sra. da Graça
do Divor 249 Db
Nossa Sra. da Graça
dos Degolados 249 Bd
Nossa Sra. da Tourega 249 Da
Nossa Sra. das Neves 251 Ab
Nossa Sra. de Guadalupe 249 Da
Nossa Sra. de Machede 249 Db
Noura 245 Da
Novelas 244 Db
Nozelos 245 Ba
Nuéz 245 Bc
Numão 245 Ea
O
Óbidos 248 Ab
Odeceixe 250 Cb
Odeleite 251 Dc
Odemira 250 Cc
Odiáxere 250 Ec
Odivelas 248 Cb
Odivelas 250 Ad
Índice onomástico
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 262
ATLAS DE PORTUGAL IGP 263
Oeiras 248 Da
Oiã 246 Bc
Óis da Ribeira 246 Bc
Óis do Bairro 246 Bc
Olaia 248 Ad
Olalhas 246 E c
Oldrões 244 Db
Oledo 247 Db
Oleiros 244 Bb
Oleiros 244 Cb
Oleiros 247 Da
Olhalvo 248 Bb
Olhão da Restauração 251 Eb
Olho Marinho 248 Ab
Olhos de Àgua 250 Ed
Olival 244 Eb
Olival 246 Eb
Olival de Basto 248 Cb
Oliveira 244 Dd
Oliveira de Azeméis 246 Ac
Oliveira de Frades 246 Ad
Oliveira do Bairro 246 Bc
Oliveira do Conde 246 Bd
Oliveira do Douro 244 Ec
Oliveira do Hospital 247 Ba
Oliveira do Mondego 246 Cd
Oliveirinha 246 Bb
Oliveirinha 250 Bb
Olivença 249 Dd
Orada 249 Cc
Orca 247 Db
Orgens 246 Ad
Oriola 249 Eb
Orjais 247 Cb
Ortiga 249 Aa
Ortigosa 246 Db
Orvalho 247 Da
Ota 248 Bb
Ouça 246 Bb
Oucidres 245 Ba
Ouguela 249 Bd
Oura 244 Cd
Ourém 246 Eb
Ourentã 246 Bc
Ourique 250 Cd
Ourondo 247 Ca
Ousilhão 245 Bb
Outão 248 Db
Outeiro 244 Ba
Outeiro 244 Cc
Outeiro 245 Bc
Outeiro da Cabeça 248 Bb
Outeiro da Cortiçada 248 Ac
Outeiro de Gatos 245 Ea
Outeiro Seco 245 Ba
Outil 246 Cb
Ovar 246 Ab
Ovil 244 Dc
Óvoa 246 Bd
Ozendo 247 Cc
P
Paço 246 Ec
Paçó 245 Bb
Paçô 244 Bb
Paço de Arcos 248 Da
Paço de Mato 246 Ac
Paço de Sousa 244 Db
Paço Vedro de Magalhães 244 Bb
Paços 244 Ab
Paços da Serra 247 Bb
Paços de Brandão 244 Ea
Paços de Ferreira 244 Db
Paços de Gaiolo 244 Ec
Paderne 244 Ab
Paderne 250 Dd
Padornelo 244 Bb
Padornelos 244 Bd
Padrela e Tazém 245 Ca
Padronelo 244 Dc
Padroso 244 Bb
Padroso 244 Bd
Paialvo 246 E c
Paião 246 Db
Painho 248 Bb
Painzela 244 Cc
Paio Mendes 246 Ec
Pala 246 Bc
Pala 247 Ac
Palaçoulo 245 Cd
Palhaça 246 Bb
Palhais 246 Ed
Palhais 247 Ab
Palhais 248 Db
Palheiros 245 Da
Palme 244 Ca
Palmeira 244 Cb
Palmeira de Faro 244 Ca
Palmela 248 Db
Pampilhosa da Serra 246 Dd
Pampilhosa do Botão 246 Cc
Panchora 244 Ec
Panóias 250 Bd
Panóias de Cima 247 Bc
Papizios 246 Bd
Parada 245 Bc
Parada 245 Dc
Parada 246 Bd
Parada 247 Bc
Parada de Cunhos 244 Dd
Parada de Ester 244 Ec
Parada de Gatim 244 Cb
Parada de Gonta 246 Bd
Parada de Monteiros 244 Cd
Parada de Pinhão 244 Dd
Parada do Monte 244 Ab
Paradela 244 Ca
Paradela 245 Cd
Paradela 245 Dc
Paradela 246 Ac
Paradela 246 Bc
Paradela 246 Cd
Paradinha 244 Ed
Paradinha Nova 245 Cc
Paraíso 244 Eb
Parambos 245 Da
Parâmio 245 Bb
Paramos 244 Ea
Paranhos da Beira 247 Ba
Parceiros 246 Eb
Parceiros de Igreja 248 Ac
Parchal 250 Ec
Pardais 249 Dc
Pardilhó 246 Ab
Parede 248 Da
Paredes 244 Db
Paredes da Beira 245 Ea
Paredes de Coura 244 Bb
Paredes de Viadores 244 Ec
Parreira 248 Bd
Passô 244 Ed
Passos 244 Cb
Passos 244 Dd
Passos 245 Ca
Pataias 246 Ea
Paúl 247 Ca
Paúl de Arzila (RN) 246 Cc
Paúl do Boquilobo (RN) 248 Ad
Paus 244 Ec
Pavia 249 Ca
Pechão 251 Ea
Pedome 244 Cb
Pedorido 244 Eb
Pedraça 244 Cc
Pedreira 244 Dc
Pedreira 246 Ec
Pedreiras 246 Eb
Pedrogão 246 Da
Pedrogão 247 Cc
Pedrogão 248 Ad
Pedrogão 251 Ab
Pedrogão Grande 246 Dd
Pedrogão Pequeno 246 Dd
Pedroso 244 Eb
Pega 247 Bc
Pegarinhos 245 Da
Pego 249 Aa
Pegões 248 Dc
Pelariga 246 Db
Pelmá 246 Ec
Pena 244 Dd
Pena Lobio 247 Bc
Pena Verde 247 Ab
Penacova 246 Cc
Penafiel 244 Db
Penajoia 244 Ed
Penalva de Alva 247 Ca
Penalva do Castelo 247 Aa
Penamacor 247 Cc
Penas Roias 245 Dc
Pendilhe 244 Ed
Peneda Gerês (PN) 244 Bc
Penedono 245 Ea
Penela 246 Dc
Penela da Beira 245 Ea
Penha de Aguia 247 Ac
Penha Garcia 247 Dc
Penha Longa 244 Ec
Penhas Juntas 245 Bb
Penhascoso 249 Aa
Peniche 248 Aa
Pensalvos 244 Cd
Penso 245 Bb
Penso 245 Ea
Penude 244 Ec
Pepim 246 Ad
Pêra 250 Ed
Pêra do Moço 247 Bc
Pêra Velha 244 Ed
Peraboa 247 Cb
Perafita 244 Da
Perais 247 Eb
Peral 247 Ea
Peral 248 Bb
Peredo 245 Cc
Peredo da Bemposta 245 Dd
Peredo dos Castelhanos 245 Eb
Pereira 244 Ca
Pereira 246 Cb
Pereiras-Gare 250 Cd
Pereiro 247 Ac
Pereiro 249 Ac
Pereiro 251 Cb
Pereiros 245 Da
Perelhal 244 Ca
Pernes 248 Ac
Pero Moniz 248 Bb
Pero Pinheiro 248 Ca
Pero Soares 247 Bb
Pêro Viseu 247 Cb
Peroguarda 251 Aa
Perosinho 244 Ea
Perre 244 Ba
Perreiro de Palhacana 248 Bb
Peso 247 Cb
Peso da Régua 244 Dd
Pessegueiro 246 Dd
Pessegueiro do Vouga 246 Ac
Petisqueira 245 Bc
Peva 247 Aa
Peva 247 Ac
Pias 244 Ab
Pias 246 Ec
Pias 251 Ac
Pico 244 Bb
Pico de Regalados 244 Cb
Picote 245 Cd
Pindelo 246 Ac
Pindelo dos Milagres 246 Ad
Pindo 247 Aa
Pinela 245 Cc
Pinelo 245 Cc
Pinhal do Douro 245 Da
Pinhal do Norte 245 Da
Pinhal Novo 248 Dc
Pinhanços 247 Ba
Pinhão 245 Da
Pinheiro 244 Ec
Pinheiro 246 Ad
Pinheiro 247 Ab
Pinheiro da Bemposta 246 Ac
Pinheiro de Àzere 246 Cd
Pinheiro de Coja 246 Cd
Pinheiro Grande 248 Ad
Pinheiro Novo 245 Bb
Pinheiros 244 Ab
Pinheiros 244 Ed
Pinhel 247 Ac
Pinho 244 Cd
Pinho 246 Ad
Pinzio 247 Bc
Piodão 247 Ca
Pitões de Júnias 244 Bc
Pó 248 Bb
Pocariça 246 Bc
Poceirão 248 Dc
Poço do Canto 245 Ea
Podame 244 Ab
Podence 245 Cb
Podentes 246 Dc
Poiares 244 Ca
Poiares 244 Dd
Poiares 245 Ec
Polvoreira 244 Db
Pomares 247 Ac
Pomares 247 Ca
Pombal 245 Da
Pombal 245 Db
Pombal 246 Db
Pombalinho 246 Dc
Pombalinho 248 Ad
Pombares 245 Cc
Pombas 246 Dd
Pombeiro da Beira 246 Cd
Pombeiro de Ribavizela 244 Db
Ponta dAatalaia 250 Db
Ponta da Lamparoeira 248 Ba
Ponta da Piedade 250 Ec
Ponta da Torre 250 Eb
Ponta de Almadena 250 Ec
Ponta de Arrifana 250 Db
Ponta de Sagres 250 Eb
Ponte 244 Cb
Ponte da Barca 244 Bb
Ponte de Lima 244 Ba
Ponte de Rol 248 Ba
Ponte de Sor 249 Ba
Ponte de Vagos 246 Bb
Pontével 248 Bc
Pontinha 248 Cb
Porches 250 Ed
Porta da Velha 247 Bd
Portalegre 249 Bc
Portel 249 Eb
Portela 244 Ab
Portela 244 Bb
Portela 244 Eb
Portela 248 Cb
Portela do Fojo 246 Dd
Portimão 250 Ec
Porto 244 Da
Porto Covo 250 Bb
Porto da Carne 247 Bb
Porto de Lagos 250 Dc
Porto de Mós 246 Eb
Portunhos 246 Cc
Possacos 245 Ca
Pousa 244 Cb
Pousada 247 Bc
Pousada de Saramagos 244 Cb
Pousaflores 246 Dc
Pousafoles do Bispo 247 Bc
Pousos 246 Eb
Póvoa 244 Ed
Póvoa 245 Cd
Póvoa 248 Bb
Póvoa da Isenta 248 Bc
Póvoa de Agrações 245 Ca
Póvoa de Atalaia 247 Db
Póvoa de Lanhoso 244 Cb
Póvoa de Midões 246 Bd
Póvoa de Penela 245 Ea
Póvoa de Rio de Moinhos 247 Db
Póvoa de Santarém 248 Ac
Póvoa de São Miguel 249 Ec
Póvoa de Sta. Iria 248 Cb
Póvoa de Sto. Adrião 248 Cb
Póvoa de Varzim 244 Da
Póvoa do Concelho 247 Ac
Póvoa Nova 247 Ba
Povolide 247 Aa
Prado 244 Cb
Prado (S. Miguel) 244 Bb
Pragal 248 Db
Pragança 248 Bb
Praia dAareia Branca 248 Ba
Praia da Bordeira 250 Db
Praia da Granja 244 Ea
Praia da Nova Vaga 248 Da
Praia da Rocha 250 Ec
Praia da Tocha 246 Cb
Praia das Maçãs 248 Ca
Praia de Cortegaça 244 Ea
Praia de Esmoriz 244 Ea
Praia de Mira 246 Bb
Praia de Mira 246 Bb
Praia de Odeceixe 250 Cb
Praia do Ribatejo 248 Ad
Praia Grande do Guincho 248 Da
Prestimo 246 Bc
Proença-a-Nova 247 Ea
Proença-a-Velha 247 Dc
Prova 245 Ea
Provesende 244 Dd
Prozelo 244 Bb
Pussos 246 Ec
Q
Quadrazais 247 Cc
Quarteira 250 Ed
Queimada 244 Ed
Queimadela 244 Cc
Queirã 246 Ad
Queiriga 247 Aa
Queiriz 247 Ab
Quelfes 251 Eb
Queluz 248 Ca
Querença 251 Da
Quiaios 246 Cb
Quinchães 244 Cc
Quintã de Pero Martins 247 Ac
Quinta de S. Bartolomeu 247 Bc
Quinta do Anjo 248 Db
Quinta do Conde 248 Db
Quintanilha 245 Bc
Quintela 247 Ab
Quintela de Azurara 247 Ba
Quintela de Lampaços 245 Cc
Quintos 251 Bb
Quirás 245 Bb
R
Rabaçal 246 Dc
Rabaçal 247 Ab
Raimonda 244 Db
Raiva 244 Eb
Ramada 248 Cb
Ramalhal 248 Bb
Ranhados 245 Ea
Ranhados 247 Ba
Rans 244 Db
Rapa 247 Bb
Raposa 248 Bd
Raposeira 250 Eb
Rapoula do Côa 247 Bc
Rates 244 Ca
Real 244 Dc
Real 244 Eb
Reboleira 248 Cb
Reboleiro 247 Ab
Rebolosa 247 Bd
Rebordãos 245 Bc
Rebordelo 244 Dc
Rebordelo 245 Bb
Rebordões 244 Ba
Rebordões 244 Db
Rebordosa 244 Db
Reboreda 244 Ba
Recardães 246 Bc
Recarei 244 Db
Recezinhos 244 Db
Redinha 246 Dc
Redondelo 244 Bd
Redondo 249 Dc
Refoios do Lima 244 Bb
Refojos de Basto 244 Cc
Regadas 244 Dc
Rego 244 Cc
Rego da Murta 246 Ec
Regoufe 246 Ad
Regueira de Pontes 246 Eb
Reguenga 244 Db
Reguengo 249 Bc
Reguengo do Fetal 246 Eb
Reguengo Grande 248 Bb
Reguengos de Monsaraz 249 Ec
Reigada 247 Ac
Reigada 247 Ad
Reigoso 244 Bc
Reigoso 246 Ac
Relíquias 250 Bc
Remelhe 244 Ca
Remoães 244 Ab
Remondes 245 Dc
Rendo 247 Bc
Rendufe 244 Ba
Rendufe 244 Cb
Rendufinho 244 Cb
Requeixo 246 Bc
Requião 244 Db
Reriz 244 Ec
Resende 244 Ba
Resende 244 Ec
Retaxo 247 Eb
Revelhe 244 Cc
Ria de Aveiro 246 Ab
Ria Formosa (PNT) 251 Eb
Riachos 248 Ad
Riba de Âncora 244 Ba
Riba de Ave 244 Db
Riba de Mouro 244 Ab
Ribadouro 244 Ec
Ribafeita 246 Ad
Ribafria 248 Bb
Ribalonga 245 Da
Ribamar 248 Ba
Ribamondego 247 Bb
Ribas 244 Cc
Ribeira 244 Bb
RibeirAalmuro 249 Cc
Ribeira Branca 248 Ac
Ribeira da Carrapateira 250 Db
Ribeira da Figueira 250 Ad
Ribeira da Foupana 251 Db
Ribeira da Igreja 245 Bc
Ribeira da Lamarosa 248 Bd
Ribeira da Meimoa 247 Cc
Ribeira da Murta 246 Ec
Ribeira da Ota 248 Bb
Ribeira da Pampilhosa 247 Da
Ribeira da Pardiela 249 Db
Ribeira da Raia 249 Ca
Ribeira da Sertã 246 Dd
Ribeira das Alcáçovas 249 Ea
Ribeira das Cabras 247 Ac
Ribeira das Pias 246 Ec
Ribeira de Alcobertas 248 Bc
Ribeira de Alcôrrego 249 Cb
Ribeira de Alferrarede 249 Aa
Ribeira de Alge 246 Dc
Ribeira de Algibre 251 Da
Ribeira de Aljezur 250 Db
Ribeira de Almadafe 249 Cb
Ribeira de Almansor 249 Da
Ribeira de Almoster 248 Bc
Ribeira de Alportel 251 Db
Ribeira de Alpreade 247 Db
Ribeira de Alvito 247 Da
Ribeira de Ana Loura 249 Cc
Ribeira de Arão 250 Dc
Ribeira de Aravil 247 Dc
Ribeira de Arcassó 245 Ba
Ribeira de Arre 248 Bd
Ribeira de Arronches 249 Bc
Ribeira de Avis 249 Bc
Ribeira de Beliche 251 Db
Ribeira de Campilhas 250 Bc
Ribeira de Canha 248 Dd
Ribeira de Canhestros 250 Ad
Ribeira de Cardeira 251 Bb
Ribeira de Caria 247 Bc
Ribeira de Carreiras 251 Cb
Ribeira de Ceife 247 Cc
Ribeira de Cobras 251 Bb
Ribeira de Codes 246 Ed
Ribeira de Coja 247 Ab
Ribeira de Enxoé 251 Ab
Ribeira de Fárrio 246 Ec
Ribeira de Figueiró 249 Ab
Ribeira de Frades 246 Cc
Ribeira de Fráguas 246 Ac
Ribeira de Grândola 250 Ac
Ribeira de Isna 246 Ed
Ribeira de Lavre 248 Cd
Ribeira de Limas 251 Bc
Ribeira de Magueija 247 Da
Ribeira de Marateca 248 Dd
Ribeira de Massueime 245 Eb
Ribeira de Mega 246 Dd
Ribeira de Mós 245 Eb
Ribeira de Muge 248 Bc
Ribeira de Mures 249 Cd
Ribeira de Murtega 251 Ad
Ribeira de Murtigão 251 Ad
Ribeira de Nisa 249 Ab
Ribeira de Nisa 249 Ac
Ribeira de Ocreza 247 Db
Ribeira de Odearce 251 Ab
Ribeira de Odeleite 251 Db
Ribeira de Odelouca 250 Dd
Ribeira de Odivelas 250 Ad
Ribeira de Oeiras 251 Cb
Ribeira de Pega 247 Ac
Ribeira de Pena 244 Cd
Ribeira de Pracana 247 Ea
Ribeira de Quarteira 250 Ed
Ribeira de Safareja 251 Ad
Ribeira de Safarujo 248 Ca
Ribeira de Santo Estevão 248 Cc
Ribeira de São Cristovão 249 Da
Ribeira de São Domingos 250 Bc
Ribeira de São João 249 Ac
Ribeira de São Martinho 248 Dd
Ribeira de Sarrazola 249 Bb
Ribeira de Seda 249 Bc
Ribeira de Seia 247 Ba
Ribeira de Seiça 246 Ec
Ribeira de Seixe 250 Dc
Ribeira de Sor 249 Ba
Ribeira de Sousel 249 Cb
Ribeira de Taveira 247 Cb
Ribeira de Teja 245 Ea
Ribeira de Tera 249 Cb
Ribeira de Terges 251 Ba
Ribeira de Torgal 250 Cc
Ribeira de Tourões 247 Ad
Ribeira de Toutalga 251 Ac
Ribeira de Vide 249 Ac
Ribeira de Vide 249 Ca
Ribeira de Vilares 245 Bb
Ribeira de Vilariça 245 Db
Ribeira de Zacarias 245 Db
Ribeira do Divor 249 Ca
Ribeira do Roxo 250 Bd
Ribeira do Vascão 251 Cb
Ribeira Sever 249 Ac
Ribeira Sobrena 249 Ea
Ribeira Teixeira 247 Cb
Ribeiradio 246 Ac
Ribeirão 244 Da
Ribeiro de Cima 244 Bb
Ribolhos 246 Ad
Rio Agadão 246 Bd
Rio Águeda 246 Bc
Rio Alcabrichel 248 Bb
Rio Alcoa 246 Eb
Rio Alfusqueiro 246 Ac
Rio Almonda 248 Ad
Rio Alpiarça 248 Ad
Rio Alva 246 Cd
Rio Alva 247 Ba
Rio Alviela 248 Ac
Rio Alvoco 247 Ca
Rio Alvor 250 Dc
Rio Âncora 244 Ba
Rio Angueira 245 Cd
Rio Arade 250 Dd
Rio Arcão 248 Ed
Rio Ardila 251 Ac
Rio Arnoia 248 Bb
Rio Arouce 246 Cc
Rio Ave 244 Cb
Rio Ave 244 Da
Rio Azilo 245 Cc
Rio Baça 248 Ab
Rio Baceiro 245 Bc
Rio Balsemão 244 Ec
Rio Beça 244 Bd
Rio Beságueda 247 Cc
Rio Beselga 246 Ec
Rio Botão 246 Cc
Rio Caia 249 Bc
Rio Caia 249 Cd
Rio Caima 246 Ac
Rio Caldo 244 Bc
Rio Caldo 244 Cb
Rio Caldo 245 Ba
Rio Carnide 246 Db
Rio Cávado 244 Cb
Rio Ceira 247 Ca
Rio Cértima 246 Bb
Rio Côa 245 Eb
Rio Côa 247 Bc
Rio Corgo 244 Cd
Rio Corvo 246 Dc
Rio Coura 244 Ba
Rio Covas 244 Cd
Rio Covo 244 Ca
Rio Criz 246 Bd
Rio dAareia 246 Ea
Rio Dão 246 Bd
Rio Dão 247 Ab
Rio de Chança 251 Bc
Rio de Couros 246 Ec
Rio de Frades 246 Ad
Rio de Galinhas 244 Dc
Rio de Mel 247 Ab
Rio de Moinhos 244 Bb
Rio de Moinhos 244 Eb
Rio de Moinhos 247 Aa
Rio de Moinhos 249 Aa
Rio de Moinhos 249 Cc
Rio de Moinhos 250 Bd
Rio de Mouro 248 Ca
Rio de Onor 245 Bc
Rio de Onor 245 Bc
Rio Degebe 249 Db
Rio Dinha 246 Bd
Rio Douro 244 Cc
Rio Douro 245 Cd
Rio Douro 245 Da
Rio Erges 247 Dd
Rio Fresno 245 Cd
Rio Frio 244 Bb
Rio Frio 245 Bc
Rio Grande 248 Bb
Rio Guadiana 251 Bb
Rio Guadiana 251 Dc
Rio Homem 244 Bb
Rio Juliano 248 Cc
Rio Laboreiro 244 Bc
Rio Leça 244 Db
Rio Lima 244 Ba
Rio Lizandro 248 Ca
Rio Maçãs 245 Bc
Rio Maior 248 Ac
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 263
264 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Rio Maior 248 Bc
Rio Mau 244 Bb
Rio Mau 244 Da
Rio Mau 246 Ac
Rio Meão 244 Ea
Rio Minho 244 Aa
Rio Mira 250 Cc
Rio Mira 251 Ca
Rio Mondego 246 Cc
Rio Mondego 247 Ba
Rio Mouro 244 Ab
Rio Nabão 246 Dc
Rio Neiva 244 Ca
Rio Noeime 247 Bc
Rio Olo 244 Dc
Rio Orelhão 245 Da
Rio Ovelha 244 Dc
Rio Paiva 244 Ec
Rio Paiva 247 Aa
Rio Paúl 247 Ca
Rio Ponsul 247 Dc
Rio Ponsul 247 E b
Rio Rabaçal 245 Bb
Rio Real 248 Bb
Rio Sabor 245 Cc
Rio Sabor 245 Db
Rio Sado 248 Ec
Rio Sado 250 Bd
Rio Satão 247 Aa
Rio Seco 245 Eb
Rio Sizandro 248 Ba
Rio Sorraia 248 Cb
Rio Sorraia 248 Cd
Rio Sousa 244 Db
Rio Tâmega 244 Cd
Rio Tanha 244 Dd
Rio Távora 245 Ea
Rio Tedo 244 Ed
Rio Tejo 247 Ea
Rio Tejo 248 Bc
Rio Tinhela 245 Ca
Rio Tinto 244 Db
Rio Torto 245 Ca
Rio Torto 245 Ca
Rio Torto 245 Ea
Rio Torto 247 Ba
Rio Torto 247 Cc
Rio Torto 249 Aa
Rio Torto 249 Eb
Rio Torto 250 Cd
Rio Touro 244 Ed
Rio Trancão 248 Cb
Rio Tripeiro 247 Db
Rio Tua 245 Db
Rio Tuela 245 Bb
Rio Varosa 244 Ed
Rio Vez 244 Ab
Rio Vide 246 Cc
Rio Vouga 247 Aa
Rio Xarrama 249 Ea
Rio Xévora 249 Bd
Rio Zêzere 247 Da
Rocas do Vouga 246 Ac
Rocha da Pena (SC) 250 Dd
Rochoso 247 Bc
Roge 246 Ac
Rogil 250 Db
Róios 245 Db
Roliça 248 Ab
Romarigães 244 Ba
Romariz 244 Eb
Romãs 247 Aa
Romeira 248 Bc
Romeu 245 Cb
Ronfe 244 Cb
Roriz 244 Ca
Roriz 244 Db
Roriz 245 Ba
Rosário 251 Ca
Rosmaninhal 247 Ec
Rossas 244 Cc
Rossas 244 Eb
Rossio ao Sul do Tejo 249 Aa
Roussas 244 Ab
Rua 244 Ed
Rubiães 244 Ba
Ruilhe 244 Cb
Ruivães 244 Cc
Ruivães 244 Db
Ruivos 247 Bc
Runa 248 Bb
S
S. Barnabé 250 Dd
S. Bartolomeu da Serra 250 Ac
S. Bartolomeu
de Messines 250 Dd
S. Bartolomeu
de Via Glória 251 Cb
S. Bartolomeu do Outeiro 249 Eb
S. Bartolomeu
dos Galegos 248 Ba
S. Bento 248 Ac
S. Bento de Ana Loura 249 Cc
S. Bento do Ameixial 249 Cb
S. Bento do Cortiço 249 Cc
S. Bento do Mato 249 Db
S. Bernardino 248 Aa
S. Bernardo 246 Bb
S. Brás 249 Cd
S. Brás de Alportel 251 Da
S. Brás dos Matos 249 Dc
S. Brissos 251 Aa
S. Caetano 246 Bb
S. Cipriano 244 Ec
S. Cipriano 246 Ad
S. Cosmado 244 Ed
S. Cristovão 248 Dd
S. Cristovão de Lafões 246 Ad
S. Cristovão de Nogueira 244 Ec
S. Domingos 250 Bc
S. Domingos
de Ana Loura 249 Cc
S. Domingos de Rana 248 Da
S. Facundo 249 Aa
S. Félix 246 Ad
S. Félix da Marinha 244 Ea
S. Francisco 248 Db
S. Francisco da Serra 250 Ac
S. Gens 244 Cc
S. Gião 247 Ca
S. Gregório 249 Cb
S. Gregório da Fanadia 248 Ab
S. Jacinto 246 Ab
S. Joaninho 244 Ec
S. Joaninho 246 Bd
S. João da Boa Vista 246 Cd
S. João da Corveira 245 Ca
S. João da Fresta 247 Bb
S. João da Madeira 244 Eb
S. João da Pesqueira 245 Da
S. João da Ribeira 248 Bc
S. João da Talha 248 Cb
S. João das Lampas 248 Ca
S. João de Areias 246 Bd
S. João de Fontoura 244 Ec
S. João de Loure 246 Bc
S. João de Lourosa 247 B a
S. João de Negrilhos 250 Bd
S. João de Rei 244 Cb
S. João de Tarouca 244 Ed
S. João de Ver 244 Eb
S. João do Campo 246 Cc
S. João do Monte 246 Bc
S. João do Peso 246 Ed
S. João dos Caldeireiros 251 Cb
S. João dos Montes 248 Cb
S. Jomil 245 Bb
S. Jorge 244 Bb
S. Jorge da Beira 247 Ca
S. José da Lamarosa 248 Bd
S. Julião 249 Bc
S. Julião 244 Ba
S. Julião de Palácios 245 Bc
S. Lourenço 248 Db
S. Lourenço
de Mamporcão 249 Cc
S. Lourenço
de Ribapinhão 245 Da
S. Lourenço do Bairro 246 Bc
S. Luís 250 Bc
S. Mamede 246 Eb
S. Mamede de Infesta 244 Da
S. Mamede de Ribatua 245 Da
S. Manços 249 Eb
S. Marcos da Serra 250 Dd
S. Marcos de Ataboeira 251 Ba
S. Margarida da Coutada 248 Ad
S. Martinho 247 Ba
S. Martinho (Casebres) 248 Dd
S. Martinho da Árvore 246 Cc
S. Martinho da Cortiça 246 Cd
S. Martinho da Gândara 246 Ac
S. Martinho
das Amoreiras 250 Cd
S. Martinho das Chãs 244 Ed
S. Martinho das Moitas 246 Ad
S. Martinho de Angueira 245 Cd
S. Martinho de Antas 244 Dd
S. Martinho de Mouros 244 Ec
S. Martinho do Peso 245 Cc
S. Martinho do Porto 248 Ab
S. Matias 247 Ea
S. Matias 251 Aa
S. Miguel de Acha 247 Db
S. Miguel de Alcainça 248 Ca
S. Miguel de Machede 249 Db
S. Miguel de Poiares 246 Cd
S. Miguel de Vila Boa 247 Aa
S. Miguel do Mato 244 Eb
S. Miguel do Mato 246 Ad
S. Miguel do Outeiro 246 Bd
S. Miguel do Pinheiro 251 Cb
S. Miguel do Rio Torto 249 Aa
S. Paio 244 Ab
S. Paio 247 Bb
S. Paio de Gramaços 247 Ca
S. Paio do Mondego 246 Cd
S. Paulo de Frades 246 Cc
S. Pedro dAalva 246 Cd
S. Pedro da Cadeira 248 Ba
S. Pedro da Cova 244 Db
S. Pedro da Torre 244 Aa
S. Pedro de Agostém 245 Ca
S. Pedro de Castelões 246 Ac
S. Pedro de France 247 Aa
S. Pedro de Muel 246 Ea
S. Pedro de Rio Seco 247 Ad
S. Pedro de Solis 251 Ca
S. Pedro de Tomar 248 Ad
S. Pedro de Veiga de Lila 245 Ca
S. Pedro do Esteval 247 Ea
S. Pedro do Sul 246 Ad
S. Pedro Velho 245 Bb
S. Romão 247 Ba
S. Roque 246 Ac
S. Salvador 247 Aa
S. Salvador da Aramenha 249 Ac
S. Salvador de Viveiro 244 Cd
S. Saturnino 249 Cc
S. Sebastião da Giesteira 249 Da
S. Sebastião dos Carros 251 Cb
S. Silvestre 246 Cc
S. Simão 247 Ea
S. Simão 248 Db
S. Simão de Litém 246 Db
S. Teotónio 250 Cc
S. Tomé do Castelo 244 Dd
S. Torcato 244 Cb
S. Torpes 250 Bb
S. Vicente 245 Ba
S. Vicente da Beira 247 Db
S. Vicente da Pereira Jusã 246 Ac
S. Vicente de Paúl 248 Ac
S. Vicente do Pigeiro 249 Ec
S. Vicente e Ventosa 249 Cd
S.ª Amarela 244 Bb
S.ª da Adiça 251 Bc
S.ª da Arrábida 248 Db
S.ª da Cabreira 244 Cc
S.ª da Coroa 245 Bb
S.ª da Gardunha 247 Db
S.ª da Lapa 247 A b
S.ª da Lousã 246 Dd
S.ª da Marofa 247 Ac
S.ª da Padrela 245 Ca
S.ª da Peneda 244 Ab
S.ª de Açor 247 Ca
S.ª de Aire 248 Ac
S.ª de Alvão 244 Dd
S.ª de Alvelos 246 Dd
S.ª de Arada 246 Ad
S.ª de Arga 244 Ba
S.ª de Bornes 245 Cb
S.ª de Espinhaço de Cão 250 Db
S.ª de Grândola 250 Ac
S.ª de Laboreiro 244 Ac
S.ª de Leomil 244 Ed
S.ª de Malcata 247 Cc
S.ª de Mendro 249 Eb
S.ª de Mogadouro 245 Dc
S.ª de Monchique 250 Dc
S.ª de Monfurado 249 Da
S.ª de Monte Figo 251 Eb
S.ª de Montejunto 248 Bb
S.ª de Montemuro 244 Ec
S.ª de Montezinho 245 Bc
S.ª de Nogueira 245 Cb
S.ª de Ossa 249 Dc
S.ª de S. Mamede 249 Bc
S.ª de Sicó 246 Db
S.ª de Sintra 248 Ca
S.ª do Barroso 244 Bc
S.ª do Buçaco 246 Cc
S.ª do Caldeirão 251 Da
S.ª do Caramulo 246 Bd
S.ª do Cercal 250 Bc
S.ª do Gerês 244 Bc
S.ª do Larouco 244 Bd
S.ª do Marão 244 Dc
S.ª do Muradal 247 Da
S.ª do Soajo 244 Bb
S.ª dos Candeeiros 248 Ab
Sabacheira 246 Ec
Sabadim 244 Bb
Sabóia 250 Cc
Sabrosa 244 Dd
Sabugal 247 Cc
Sabugosa 246 Bd
Sabugueiro 247 Ba
Sabugueiro 249 Ca
Sacavém 248 Cb
Sado 248 Dc
Safara 251 Ac
Safurdão 247 Ac
Sago 244 Ab
Sagres 250 Eb
Salamonde 244 Cc
Saldanha 245 Cc
Salgueirais 247 Bb
Salgueiro 247 Cb
Salgueiro do Campo 247 Db
Salir 251 Da
Salir de Matos 248 Ab
Salir do Porto 248 Ab
Salreu 246 Ac
Salsas 245 Cc
Salselas 245 Cc
Salto 244 Cc
Salvada 251 Bb
Salvador 245 Cb
Salvador 247 Cc
Salvador do Monte 244 Dc
Salvaterra de Magos 248 Bc
Salvaterra do Extremo 247 Dc
Salzedas 244 Ed
Sambade 245 Cb
Sameiro 247 Bb
Samil 245 Bc
Samodães 244 Dd
Samões 245 Db
Samora Correia 248 Cc
Samouco 248 Db
Sampaio 245 Db
Samuel 246 Cb
Sande 244 Bb
Sande 244 Cb
Sande 244 Ec
Sande 244 Ed
Sandim 244 Eb
Sandim 245 Bb
Sandomil 247 Ca
Sanfins 245 Ba
Sanfins 245 Ca
Sanfins do Douro 245 Da
Sangalhos 246 Bc
Sanguedo 244 Eb
Sanguinheira 246 Cb
Santa Catarina da Serra 246 Eb
Santa Clara de Louredo 251 Ba
Santa Clara-a-Velha 250 Cc
Santa Comba 244 Eb
Santa Comba 245 Eb
Santa Comba 247 Ba
Santa Comba Dão 246 Bd
Santa Cruz 248 Ba
Santa Cruz 250 Ac
Santa Eufémia 246 Eb
Santa Eufémia 247 Ac
Santa Eulália 249 Cc
Santa Iria da Ribeira
de Santarém 248 Bc
Santa Justa 249 Db
Santa Luzia 251 Eb
Santa Margarida da Serra 250 Ac
Santa Marta de Penaguião 244 Dc
Santa Susana 248 Ed
Santalha 245 Bb
Santana 246 Cb
Santana 247 Ea
Santana 249 Eb
Santana dAazinha 247 Bc
Santana da Serra 250 Cd
Santana de Cambas 251 Cb
Santana do Mato 248 Cd
Santão 244 Dc
Santar 247 Ba
Santarém 248 Bc
Santiago 244 Ed
Santiago 245 Ca
Santiago 247 Ba
Santiago da Guarda 246 Dc
Santiago de Besteiros 246 Bd
Santiago de Cassurrães 247 Ba
Santiago de Litém 246 Db
Santiago de Montalegre 246 Ed
Santiago de Piães 244 Ec
Santiago de Riba-Ul 246 Ac
Santiago do Cacém 250 Ac
Santiago do Escoural 249 Da
Santiago dos Velhos 248 Cb
Santiago Maior 249 Dc
Santo Amaro 245 Eb
Santo André 244 Bd
Santo André 250 Ab
Santo Estevão 247 Cc
Santo Estevão 248 Cc
Santo Isidro de Pegões 248 Dc
Santo Tirso 244 Db
Santos Evos 247 Aa
Santulhão 245 Cc
Sapal de Castro Marim e Vila
Real de Sto António (RN) 251 Db
Sapardos 244 Ba
Sapataria 248 Cb
Sapiãos 244 Bd
Sardeiras de Baixo 246 Dd
Sardoal 249 Aa
Sarilhos Grandes 248 Db
Sarilhos Pequenos 248 Db
Sarnadas de S. Simão 247 Da
Sarnadas do Rodão 247 Eb
Sarraquinhos 244 Bd
Sarzeda 245 Ea
Sarzedas 247 Da
Sarzedo 244 Ed
Sarzedo 246 Cd
Satão 247 Aa
Sazes do Lorvão 246 Cc
Seara 244 Ba
Sebadelhe 245 Ea
Sebadelhe da Serra 247 Ab
Sebal 246 Cc
Secarias 246 Cd
Seda 249 Bb
Sedielos 244 Dc
Segadães 246 Bc
Segude 244 Ab
Segura 247 Dc
Seia 247 Ba
Seiça 246 Ec
Seixal 248 Db
Seixas 244 Ba
Seixas 245 Bb
Seixas 245 Ea
Seixo 246 Bb
Seixo Amarelo 247 Bb
Seixo da Beira 247 Ba
Seixo de Ansiães 245 Da
Seixo de Gatões 246 Cb
Seixo de Manhoses 245 Db
Seixo do Coa 247 Bc
Selmes 251 Ab
Semide 246 Cc
Semideiro 248 Ad
Sendas 245 Cc
Sendim 244 Dc
Sendim 245 Dd
Sendim 245 Ea
Senharei 244 Bb
Senhorim 247 Ba
Sepins 246 Bc
Sequeiros 247 Ab
Serafão 244 Cb
Serapicos 245 Cc
Serdedelo 244 Bb
Sernancelhe 247 Ab
Serpa 251 Bb
Serpins 246 Cd
Serra 246 Ec
Serra da Estrela 247 Ca
Serra da Estrela (PNT) 247 Bb
Serra da Malcata (RN) 247 Cc
Serra de Aire
e Candeeiros (PNT) 248 Ac
Serra de Aires 249 Cc
Serra de Montejunto (PP) 248 Bb
Serra de S. Mamede
(PNT) 249 Ac
Serra de Sto. António 248 Ac
Serra d'El Rei 248 Aa
Serra do Açor (PP) 247 Ca
Serra do Bouro 248 Ab
Serrazes 246 Ad
Serreleis 244 Ba
Serro Ventoso 248 Ac
Sertã 246 Dd
Serzedelo 244 Cc
Serzedelo 244 Db
Serzedo 244 Ea
Sesimbra 248 Eb
Setúbal 248 Dc
Sever 244 Dd
Sever 244 Ed
Sever do Vouga 246 Ac
Sezulfe 245 Cb
Sezures 247 Ab
Silva 244 Ca
Silva 245 Cd
Silvã de Cima 247 Aa
Silva Escura 246 Ac
Silvalde 244 Ea
Silvares 244 Cb
Silvares 244 Cc
Silvares 244 Db
Silvares 246 Bd
Silvares 247 Ca
Silveira 247 Ea
Silveira 248 Ba
Silveiras 248 Dd
Silveiros 244 Ca
Silves 250 Dc
Sinde 246 Cd
Sines 250 Bb
Sintra 248 Ca
Sintra - Cascais (PNT) 248 Ca
Sistelo 244 Ab
Soajo 244 Bb
Soalhães 244 Dc
Soalheira 247 Db
Sobradelo da Goma 244 Cc
Sobrado 244 Db
Sobrado 244 Eb
Sobral 246 Bc
Sobral 246 Dd
Sobral 248 Ba
Sobral dAabelheira 248 Ca
Sobral dAadiça 251 Ac
Sobral da Lagoa 248 Ab
Sobral da Serra 247 Bc
Sobral de Monte Agraço 248 Cb
Sobral de Papízios 246 Bd
Sobral de S. Miguel 247 Ca
Sobral do Campo 247 Db
Sobreda 248 Db
Sobreira 244 Db
Sobreira Formosa 247 Ea
Sobreiro de Baixo 245 Bb
Solveira 244 Bd
Sopo 244 Ba
Sortelha 247 Cc
Sortes 245 Bc
Sosa 246 Bb
Soure 246 Db
Souro Pires 247 Ac
Sousel 249 Cb
Sousela 244 Db
Souselas 246 Cc
Souselo 244 Eb
Soutelinho da Raia 244 Bd
Soutelo 244 Cb
Soutelo 245 Dc
Soutelo de Aguiar 244 Cd
Soutelo do Douro 245 Da
Souto 244 Bb
Souto 244 Cb
Souto 244 Cb
Souto 244 Ea
Souto 245 Ea
Souto 246 Ec
Souto 247 Bc
Souto da Carpalhosa 246 Db
Souto da Casa 247 Cb
Souto de Aguiar da Beira 247 Ab
Souto de Lafões 246 Ad
Souto Maior 244 Dd
Sra. da Graça de Padrões 251 Ca
Sra. da Hora 244 Da
Sta Margarida 250 Dd
Sta. Bárbara 248 Ba
Sta. Bárbara de Nexe 251 Ea
Sta. Bárbara de Padrões 251 Ca
Sta. Catarina 248 Ab
Sta. Catarina da Fonte
do Bispo 251 Db
Sta. Clara-a-Nova 250 Cd
Sta. Comba de Rossas 245 Cc
Sta. Comba de Vilariça 245 Db
Sta. Cruz 245 Bb
Sta. Cruz 251 Ca
Sta. Cruz da Trapa 246 Ad
Sta. Cruz do Bispo 244 Da
Sta. Cruz do Douro 244 Ec
Sta. Cruz do Lima 244 Bb
Sta. Eugénia 245 Da
Sta. Eulália 244 Db
Sta. Eulália 244 Eb
Sta. Iria dAazóia 248 Cb
Sta. Leocádia 245 Ca
Sta. Luzia 250 Bd
Sta. Margarida do Sado 250 Ad
Sta. Maria da Feira 244 Eb
Sta. Maria de Emeres 245 Ca
Sta. Maria de Lamas 244 Eb
Sta. Maria de Sardoura 244 Eb
Sta. Marinha 244 Cd
Sta. Marinha 247 Ba
Sta. Marinha do Zêzere 244 Dc
Sta. Marta de Portuzelo 244 Ba
Sta. Valha 245 Ca
Sta. Vitória 251 Ba
Sta. Vitória do Ameixial 249 Cb
Sto. Adrião 244 Db
Sto. Aleixo 249 Cc
Sto. Aleixo da Restauração 251 Ad
Sto. Amador 251 Ac
Sto. Amaro 249 Cc
Sto. André 248 Db
Sto. André das Tojeiras 247 Da
Sto. Antão do Tojal 248 Cb
Sto. António
da Charneca 248 Db
Sto. António das Areias 249 Ac
Sto. António
de Monforte 245 Ba
Sto. António
dos Cavaleiros 248 Cb
Sto. Emilião 244 Cb
Sto. Estevão 245 Ba
Sto. Estevão 249 Cc
Sto. Estevão 251 Eb
Sto. Estevão das Galés 248 Ca
Sto. Ildefonso 249 Cd
Sto. Isidoro 248 Ca
Sto. Isidoro 244 Dc
Sto. Quintino 248 Cb
Sto. Varão 246 Cb
Subportela 244 Ca
Sucçães 245 Ca
Sudoeste Alentejano
e Costa Vicentina (PN) 250 Cb
Sul 246 Ad
T
Taboeira 246 Cb
Tábua 246 Bd
Tabuaças 244 Cc
Tabuaço 244 Ed
Taião 244 Aa
Taíde 244 Cb
Talhadas 246 Ac
Talhas 245 Cc
Talhinhas 245 Cc
Tamanhos 247 Ab
Tamel 244 Ca
Tamengos 246 Bc
Tancos 248 Ad
Tangil 244 Ab
Tapéus 246 Dc
Tarouca 244 Ed
Tarouquela 244 Ec
Tavarede 246 Cb
Taveiro 246 Cc
Tavira 251 Eb
Távora 244 Bb
Távora 245 Ea
Teixeira 244 Dc
Teixeira 245 Cd
Teixeira 247 Ca
Teixoso 247 Cb
Tejo Internacional (PNT) 247 Ec
Telhadela 246 Ac
Telhado 244 Cb
Telhado 247 Cb
Telões 244 Cd
Telões 244 Dc
Tendais 244 Ec
Tentugal 246 Cb
Terena 249 Dc
Termas de Monfortinho 247 Dd
Terras de Bouro 244 Bb
Índice onomástico
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 264
ATLAS DE PORTUGAL IGP 265
Terroso 244 Ca
Terrugem 248 Ca
Terrugem 249 Cc
Tinalhas 247 Db
Tinhela 245 Ba
Tó 245 Dc
Tocha 246 Cb
Tolosa 249 Ab
Tomar 246 Ec
Tonda 246 Bd
Tondela 246 Bd
Tôr 251 Da
Torgueda 244 Dd
Tornada 248 Ab
Torno 244 Dc
Torrados 244 Db
Torrão 248 Cc
Torrão 249 Ea
Torre de Coelheiros 249 Eb
Torre de D. Chama 245 Cb
Torre de Moncorvo 245 Db
Torre de Vale de Todos 246 Dc
Torre do Pinhão 244 Dd
Torredeita 246 Bd
Torreira 246 Ab
Torres do Mondego 246 Cc
Torres Novas 248 Ad
Torres Vedras 248 Ba
Torrozelo 247 Ba
Tortosendo 247 Cb
Toulões 247 Dc
Tourais 247 Ba
Tourém 244 Bc
Tourigo 246 Bd
Touro 244 Ed
Trafaria 248 Da
Tramagal 249 Aa
Trancoso 247 Ab
Travanca 244 Dc
Travanca 244 E b
Travanca 245 Bb
Travanca 245 Dd
Travanca de Lagos 247 Ba
Travanca do Mondego 246 Cd
Travancas 245 Ba
Travancinha 247 Ba
Travassô 246 Bc
Travassos 244 Cb
Travassós 244 Cb
Treixedo 246 Bd
Tremês 248 Ac
Tresminas 245 Ca
Tresouras 244 Dc
Trevões 245 Ea
Trezói 246 Bc
Trigaches 251 Aa
Trindade 245 Db
Trindade 251 Ba
Trinta 247 Bb
Trofa 244 Db
Trofa 246 Bc
Tróia 248 Dc
Tronco 245 Ba
Tropeço 244 Eb
Trouxemil 246 Cc
Troviscal 246 Bc
Troviscal 246 Dd
Troviscoso 244 Ab
Trute 244 Ab
Tuias 244 Dc
Tuizelo 245 Bb
Tunes 250 Dd
Turcifal 248 Ba
Turiz 244 Cb
Turquel 248 Ab
U
Ucanha 244 Ed
Ucha 244 Cb
Ul 246 Ac
Ulme 248 Bd
Unhais da Serra 247 Ca
Unhais-o-Velho 247 Ca
Unhão 244 Db
Urgezes 244 Cb
Urqueira 246 Eb
Urra 249 Bc
Urrô 244 Eb
Urros 245 Dd
Urros 245 Eb
Usseira 248 Ab
V
V. Boa do Bispo 244 Dc
V. Caiz 244 Dc
V. Chão do Marão 244 Dc
V. Cova de Carros 244 Db
V. Cova de Lixa 244 Dc
V. Franca da Serra 247 Bb
V. Frescaínha 244 Ca
V. Nova da Rainha 248 Bc
V. Nova da Telha 244 Da
V. Nova de Oliveirinha 246 Bd
V. Nova de Santo André 250 Ac
V. Nova de Souto
D'El Rei 244 Ed
V. Nova de Tázem 247 Ba
V. Nova do Ceira 246 Cd
V. Seca 244 Ca
Vacariça 246 Bc
Vagos 246 Bb
Vaiamonte 249 Bc
Vairão 244 Da
Vala dAazambuja 248 Bc
Vala de Alpiarça 248 Bd
Valada 248 Bc
Valada dos Frades 246 Ea
Valadares 244 Dc
Valadares 244 Ea
Valadares 246 Ad
Valbom 244 Bb
Valbom 244 Eb
Valbom 247 Ac
Valbom 247 Da
Valdigem 244 Ed
Valdosende 244 Cb
Valdreu 244 Bb
Valdujo 247 Ab
Vale 244 Bb
Vale 244 Cb
Vale 244 Eb
Vale Benfeito 245 Cb
Vale Covo 248 Bb
Vale da Figueira 245 Ea
Vale da Horta 249 Ba
Vale da Mula 247 Ad
Vale da Pedra 248 Bc
Vale da Pinta 248 Bc
Vale da Porca 245 Cb
Vale da Senhora da Póvoa 247 Cc
Vale da trave 248 Ac
Vale das Fontes 245 Bb
Vale das Mós 249 Aa
Vale de Açor 249 Bb
Vale de Àgua 250 Bc
Vale de Anta 245 Ba
Vale de Arca 248 Ed
Vale de Asnes 245 Cb
Vale de Azares 247 Bb
Vale de Bouro 244 Cc
Vale de Cambra 246 Ac
Vale de Cavalos 248 Bd
Vale de Espinho 247 Cd
Vale de Estrela 247 Bb
Vale de Figueira 248 Bc
Vale de Frades 245 Cd
Vale de Gouvinhas 245 Cb
Vale de Guizo 248 Ed
Vale de Janeiro 245 Bb
Vale de Madeira 247 Ac
Vale de Nogueiras 244 Dd
Vale de Prados 245 Cb
Vale de Prazeres 247 Cb
Vale de Remigio 246 Bc
Vale de Rossim 247 Bb
Vale de Russins 251 Bb
Vale de Salgueiro 245 Cb
Vale de Santarém 248 Bc
Vale de Santiago 250 Bc
Vale de Telhas 245 Cb
Vale de Torno 245 Db
Vale de Vargo 251 A c
Vale do Guadiana (PNT) 251 Cb
Vale do Paraiso 248 Bc
Vale do Peso 249 Ab
Vale Feitoso 247 Dc
Vale Flor 245 Ea
Vale Formoso 247 Bb
Vale Pereiro 245 Db
Valega 246 Ab
Valença 244 Aa
Vales 245 Ca
Vales 245 Ca
Vales 245 Db
Vales do Rio 247 Cb
Vales Mortos 251 Bc
Valhascos 249 Aa
Valhelhas 247 Bb
Valmaior 246 Ac
Valões 244 Bb
Valongo 244 Db
Valongo 247 Bc
Valongo 249 Bb
Valongo de Milhais 245 Ca
Valongo do Vouga 246 Bc
Valongo dos Azeites 245 Ea
Valoura 245 Ca
Valpaços 245 Ca
Valverde 245 Db
Valverde 245 Dc
Valverde 247 Ab
Valverde 247 Cb
Vaqueiros 248 Ac
Vaqueiros 251 Db
Várzea 244 Ca
Várzea 244 Dc
Várzea 244 Eb
Várzea 246 Ad
Várzea 248 Bc
Várzea Cova 244 Cc
Várzea da Ovelha
e Aliviada 244 Dc
Várzea da Serra 244 Ed
Várzea de Trevões 245 Ea
Várzea do Douro 244 Eb
Várzea dos Cavaleiros 246 Ed
Varzielas 246 Bd
Vassal 245 Ca
Vau 248 Ab
Veade 244 Cc
Veiros 246 Ab
Veiros 249 Cc
Vela 247 Bb
Velosa 247 Ab
Venade 244 Ba
Venda do Pinheiro 248 Ca
Venda Nova 244 Cc
Vendas Novas 248 Dd
Ventosa 246 Ad
Ventosa 248 Ba
Ventosa 248 Bb
Ventosa do Bairro 246 Bc
Vera Cruz 251 Ab
Verdelhos 247 Bb
Verderena 248 Db
Verdoejo 244 Aa
Verim 244 Cb
Vermelha 248 Bb
Vermil 244 Cb
Vermiosa 247 Ad
Vermoil 246 Db
Vermoim 244 Cb
Verride 246 Cb
Vestiaria 246 Ea
Viade de Baixo 244 Bc
Vialonga 248 Cb
Viana do Alentejo 249 Ea
Viana do Castelo 244 Ca
Viariz 244 Dc
Viatodos 244 Ca
Vidago 244 Cd
Vidais 248 Ab
Vide 247 Ca
Videmonte 247 Bb
Vidigueira 251 Ab
Vieira de Leiria 246 Da
Vieira do Minho 244 Cc
Vila Alva 249 Eb
Vila Boa 244 Ca
Vila Boa 247 Bc
Vila Boa de Ousilhão 245 Bb
Vila Boa de Quires 244 Dc
Vila Boim 249 Cd
Vila Cã 246 Dc
Vila Chã 244 Bb
Vila Chã 244 Ca
Vila Chã 244 Da
Vila Chã 245 Da
Vila Chã 246 Ac
Vila Chã 248 Bb
Vila Chã de Braciosa 245 Cd
Vila Chã de Ourique 248 Bc
Vila Chã de Sá 246 Bd
Vila Cova 244 Dd
Vila Cova à Coelheira 247 Aa
Vila Cova de Alva 246 Cd
Vila da Ponte 244 Bc
Vila da Ponte 245 Ea
Vila de Ala 245 Dc
Vila de Cucujães 246 Ac
Vila de Frades 251 Aa
Vila de Moura 251 Ac
Vila de Punhe 244 Ca
Vila de Rei 246 Ed
Vila do Bispo 250 Eb
Vila do Carvalho 247 Cb
Vila do Conde 244 Da
Vila do Touro 247 Bc
Vila Facaia 246 Dd
Vila Fernando 247 Bc
Vila Fernando 249 Cc
Vila Flor 245 Db
Vila Franca 244 Ca
Vila Franca das Naves 247 Ab
Vila Franca de Xira 248 Cb
Vila Franca do Rosário 248 Ca
Vila Fria 244 Ca
Vila Garcia 247 Bc
Vila Longa 247 Ab
Vila Maior 244 Eb
Vila Maior 246 Ad
Vila Marim 244 Dc
Vila Marim 244 Dd
Vila Moreira 248 Ac
Vila Nova 246 Dc
Vila Nova 246 Ec
Vila Nova da Barca 246 Cb
Vila Nova da Baronia 249 E a
Vila Nova da Barquinha 248 Ad
Vila Nova de Anços 246 Cb
Vila Nova de Anha 244 Ca
Vila Nova de Cacela 251 Dc
Vila Nova de Cerveira 244 Ba
Vila Nova de Famalicão 244 Da
Vila Nova de Foz Côa 245 Eb
Vila Nova de Gaia 244 Da
Vila Nova de Milfontes 250 Bb
Vila Nova de Monsarros 246 Bc
Vila Nova de Muía 244 Bb
Vila Nova de Paiva 247 Aa
Vila Nova de Poiares 246 Cd
Vila Nova de S. Bento 251 Bc
Vila Nova de S. Pedro 248 Bc
Vila Pouca de Aguiar 244 Cd
Vila Real 244 Dd
Vila Real de Sto. António 251 Dc
Vila Ruiva 249 Eb
Vila Seca 244 Ed
Vila Seca 246 Cc
Vila Soeiro 247 Bb
Vila Velha de Rodão 247 E a
Vila Verde 244 Cb
Vila Verde 245 Bb
Vila Verde 245 Cb
Vila Verde 245 Da
Vila Verde 246 Cb
Vila Verde da Raia 245 Ba
Vila Verde de Ficalho 251 Bc
Vila Verde dos Francos 248 Bb
Vila Viçosa 249 Cc
Vilamar 246 Bb
Vilar 244 Ed
Vilar 248 Bb
Vilar Barroco 247 Da
Vilar Chão 245 Dc
Vilar da Veiga 244 Bc
Vilar de Besteiros 246 Bd
Vilar de Cunhas 244 Cc
Vilar de Ferreiros 244 Dc
Vilar de Maçada 244 Dd
Vilar de Mouros 244 Ba
Vilar de Nantes 245 Ba
Vilar de Ossos 245 Bb
Vilar de Perdizes 244 Bd
Vilar de Peregrinos 245 Bb
Vilar de Rei 245 Dc
Vilar do Monte 244 Bb
Vilar do Monte 245 Cb
Vilar do Paraiso 244 E a
Vilar do Ruivo 246 E d
Vilar Formoso 247 Bd
Vilar Maior 247 Bd
Vilar Seco 245 Cd
Vilar Seco 247 Ba
Vilar Seco de Lomba 245 Bb
Vilar Torpim 247 Ac
Vilarandelo 245 Ca
Vilardevós 245 Ba
Vilarelho 244 Ba
Vilarelho da Raia 245 Ba
Vilarelhos 245 Db
Vilares 245 Ca
Vilares 247 Ab
Vilares de Vilariça 245 Db
Vilarinho 244 Bd
Vilarinho 246 Cd
Vilarinho da Castanheira 245 Da
Vilarinho das Azenhas 245 Db
Vilarinho das Cambas 244 Da
Vilarinho de Agrochão 245 Cb
Vilarinho de S. Romão 244 Dd
Vilarinho de Samardã 244 Dd
Vilarinho do Bairro 246 Bc
Vilarinho dos Freires 244 Dd
Vilarinho dos Galegos 245 Dc
Vilarouco 245 Ea
Vilas Boas 245 Db
Vilela 244 Cb
Vilela 244 Db
Vilela do Tâmega 245 Ca
Vilela Seca 245 Ba
Vimeiro 248 Ab
Vimeiro 248 Ba
Vimieiro 249 Cb
Vimioso 245 Cc
Vinha da Raínha 246 Db
Vinhais 245 Bb
Vinhal 246 Bd
Vinhas 245 Cc
Vinhó 247 Ba
Viseu 247 Aa
Vitorino das Donas 244 Ba
Vitorino dos Piães 244 Ca
Vizela 244 Db
Vouzela 246 Ad
Vreia de Bornes 244 Cd
Vreia de Jales 244 Cd
Z
Zambujal 246 Dc
Zambujeira 250 Cc
Zambujeira do Mar 250 Cb
Zebreira 247 Dc
Zibreira 248 Ac
Zoio 245 Bb
REGIÃO AUTÓNOMA
DOS AÇORES
A
A Cruzinha Terceira 256 Ca
Abegoaria Faial 254 Eb
Abelheira São Miguel 252 Bd
Achada São Miguel 253 Ac
Achadinha São Miguel 253 Ac
Adegas Pico 255 Fc
Aeroporto Faial 254 Eb
Aeroporto Santa Maria 253 Bb
Aeroporto São Miguel 252 Cc
Aeroporto Terceira 256 Bd
Água de Alto São Miguel 253 Ca
Água de Pau São Miguel 252 Ce
Água Retorta São Miguel 253 Bd
Agualva Terceira 256 Bc
Alagadiços Terceira 256 Bc
Algar do Carvão
Terceira 256 Cc
Algarvia São Miguel 253 Ac
Almagreira Pico 255 Ga
Almagreira Santa Maria 253 Bb
Almas Santa Maria 253 Bc
Altamora Pico 255 Gc
Altares Terceira 256 Bb
Alto do Barreiro
Pico 254 Ed
Alto do Sul Graciosa 256 Bc
Angra do Heroísmo
Terceira 256 Db
Angústias Faial 254 Ec
Anjos Santa Maria 253 Ab
Areeiro Terceira 256 Bd
Areia Larga Pico 254 Ed
Areias Faial 254 Db
Arieiro Faial 254 Ea
Arieiro Pico 254 Fd
Arrebentão Santa Maria 253 Ac
Arrifana São Jorge 254 Bb
Arrife Faial 254 Ec
Arrife Pico 255 Gb
Arrifes São Miguel 252 Bc
Arrochela Faial 254 Ec
Arrochela Terceira 256 Bb
As doze Terceira 256 Ca
Atafoneiro Faial 254 Ec
Atalaia Faial 254 Eb
Atalhadas São Miguel 252 Cd
Azenhas Santa Maria 253 Bc
B
Baía da Barca Pico 254 Ed
Baía da Caldeirinha
Graciosa 256 Bb
Baía da Engrade
Graciosa 256 Bc
Baía da Folga Graciosa 256 Bc
Baía da Fonte Pico 255 Gd
Baía da Lagoa Graciosa 256 Bc
Baía da Praia Santa Maria 253 Bb
Baía da Ribeira das Cabras
Faial 254 Da
Baía da Salga Terceira 256 Dd
Baía da Vila Terceira 256 Dd
Baía das Canas Pico 255 Fb
Baía das Pedrinhas
Pico 254 Fd
Baía das Quatro
Ribeiras Terceira 256 Ab
Baía de Entre-Morros
São Jorge 254 Bb
Baía de São Lourenço
Santa Maria 253 Ac
Baía do Cachorro
Pico 254 Ee
Baía do Calhau
Pico 255 Fd
Baía do Zimbral
Terceira 256 Bd
Baixo da Serreta
Terceira 256 Ba
Bandeiras Pico 254 Ed
Barreiras São Jorge 255 Dc
Barreiro São Jorge 255 Dd
Barrosa São Miguel 252 Ce
Beira São Jorge 254 Bb
Bicadas Pico 254 Ed
Biscoito Queimado
Pico 255 Gd
Biscoitos Faial 254 Ea
Biscoitos Pico 254 Fd
Biscoitos São Jorge 255 Cb
Biscoitos Terceira 256 Bb
Boa Vista São Miguel 252 Bd
Boca da Baleia
Flores 257 Eb
Bom Despacho
Santa Maria 253 Bb
Bom Jesus Graciosa 256 Ab
Brasileira Graciosa 256 Bb
Brejo Santa Maria 253 Bb
Bretanha São Miguel 252 Ab
Burguete São Miguel 253 Bb
C
Cabeço Chão Pico 254 Ed
Cabeço da Cruz
Pico 255 Fa
Cabeço das Cabras
Pico 255 Gc
Cabeço do Caveiro
Pico 255 Fb
Cabeço do Ferrobo
Pico 255 Fa
Cabeço do Gato
Pico 254 Ed
Cabeço do Moiro
Pico 255 Fa
Cabeço do Silvado
Pico 255 Fa
Cabeço do Sintrão
Pico 255 Fa
Cabeço Escalvado
Pico 254 Fe
Cabeço Gordo
Pico 254 Fd
Cabeço Grande
Pico 254 Ee
Cabeço Silvado
Pico 255 Gc
Cabeço Verde Faial 254 Da
Cabeços Faial 254 Dc
Cabeços do Mistério
Pico 255 Fa
Cabo da Praia Terceira 256 Cd
Cabouco São Miguel 252 Bd
Cabouco Terceira 256 Ba
Cabouco do Cume
Terceira 256 Cc
Cabrita Terceira 256 Cc
Cabrito Pico 254 Ee
Cadeira Terceira 256 Bc
Cais do Galego
Pico 255 Fc
Cais do Mourato
Pico 254 Ed
Cais do Pico Pico 255 Ea
Caldeira Faial 254 Db
Caldeira Flores 257 Db
Caldeira Graciosa 256 Bc
Caldeira São Miguel 252 Be
Caldeira Terceira 256 Bb
Caldeira das Sete
Cidades São Miguel 252 Ab
Caldeira de Cima
São Jorge 255 Cc
Caldeira de Guilherme
Moniz Terceira 256 Cc
Caldeira de Santa
Bárbara Pico 255 Gb
Caldeira do Alferes
São Miguel 252 Ab
Caldeira do Inferno
Faial 254 Ec
Caldeira Funda
Flores 257 Db
Caldeira Funda
Flores 257 Eb
Caldeira Rasa Flores 257 Eb
Caldeirão Corvo 257 Ac
Caldeiras São Miguel 253 Bb
Calhau Pico 254 Fd
Calhau Pico 255 Fd
Calheta São Jorge 255 Cb
Calheta Santa Maria 253 Bc
Calheta de Nesquim
Pico 255 Gc
Calhetas São Miguel 252 Bd
Caloura São Miguel 252 Ce
Calvário Faial 254 Dc
Caminho da Pedra
São Jorge 255 Dd
Caminho das Almas
Graciosa 256 Bb
Caminho de Baixo
Pico 255 Gb
Caminho de Cima
Pico 255 Gb
Campo Raso Pico 254 Fd
Canada da Praia
Terceira 256 Cc
Canada da Salga
Terceira 256 Ab
Canada do Bacelo
Pico 254 Ed
Canada do Barão
Faial 254 Db
Canada do Barreiro
Terceira 256 Bc
Canada do Caldeiro
Terceira 256 Bb
Canada dos Morros
Terceira 256 Bb
Canada Longa Graciosa 256 Bc
Canado do Arrabalde
Faial 254 Db
Cancela de Água
São Jorge 255 Dd
Candelária Pico 254 Fd
Candelária São Miguel 252 Bb
Caneira das Mercês
Terceira 256 Dc
Canto Faial 254 Da
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 265
Canto Pico 254 Fd
Canto Pico 254 Ee
Canto da Areia
Pico 255 Fb
Canto da Relva
São Jorge 254 Bb
Canto do Norte
São Jorge 255 Dd
Capelas São Miguel 252 Bc
Capelo Faial 254 Da
Carapacho Graciosa 256 Bc
Carreira Faial 254 Eb
Carreira Santa Maria 253 Bb
Casa da Queimada
de Baixo Terceira 256 Bb
Casa da Queimada
de Cima Terceira 256 Bb
Casa da Ribeira
Terceira 256 Cd
Casa de Abrigo
Pico 254 Fe
Cascalheira Pico 255 Gc
Cascalho Faial 254 Db
Casteletes São Jorge 255 Ca
Castelhano Faial 254 Db
Castelhano Terceira 256 Cb
Castelo Branco
Faial 254 Eb
Caveira Flores 257 Dc
Cedros Faial 254 Db
Cedros Flores 257 Dc
Cerrado do Gato
Faial 254 Db
Cerrado dos Almanços
Faial 254 Eb
Cerrado dos Bezerros
São Miguel 253 Cb
Chã da Cruz Faial 254 Dc
Chão Frio Faial 254 Ec
Cinco Picos Terceira 256 Cc
Clemente da Costa
São Miguel 252 Ce
Companhia de Baixo
Pico 255 Ga
Companhia de Cima
Pico 254 Ge
Comprido Faial 254 Da
Conceição Faial 254 Ec
Contendas Terceira 256 Dd
Corre Água Pico 255 Fa
Corvo Corvo 257 Bc
Costa Flores 257 Eb
Courelas Faial 254 Eb
Cova da Pedra Flores 257 Db
Covas Graciosa 256 Bc
Covões Faial 254 Db
Coxo Terceira 256 Bd
Criação Velha Pico 254 Ed
Cruz Santa Maria 253 Bc
Cruz Terceira 256 Bc
Cruz do Bairro
Graciosa 256 Ab
D
Detrás da Ladeira
Faial 254 Dc
Dores Graciosa 256 Ab
Doze Ribeiras Terceira 256 Ca
Duas Ribeiras Terceira 256 Cb
E
Escaleiras Faial 254 Db
Espalhafatos Faial 254 Dc
Espanha Faial 254 Db
Esperança Velha
Graciosa 256 Bb
F
Faial da Terra São Miguel 253 Cc
Faias Terceira 256 Bc
Fajã Faial 254 Da
Fajã Graciosa 256 Bb
Fajã Terceira 256 Ba
Fajã da Caldeira
São Jorge 255 Cc
Fajã da Fundura
São Jorge 255 Bb
Fajã da Penedia
São Jorge 255 Bb
Fajã da Ponta
Furada São Jorge 255 Ba
Fajã da Ribeira
da Areia São Jorge 255 Bb
Fajã da Ribeira
Funda São Jorge 255 Cd
Fajã das AlmasSão Jorge 255 Cb
Fajã das Pontas
São Jorge 255 Bb
Fajã de Além São Jorge 255 Dd
Fajã de Baixo São Miguel 252 Cc
Fajã de Cima São Miguel 252 Bc
Fajã de São João
São Jorge 255 Dd
Fajã do AraújoSão Miguel 253 Bd
Fajã do Belo São Jorge 255 Cc
Fajã do Calhau
São Miguel 253 Cd
Fajã do João Dias
São Jorge 254 Ab
Fajã do Labaçal
São Jorge 255 Dd
Fajã do Nortezinho
São Jorge 255 Dd
Fajã do Ouvidor
São Jorge 255 Bb
Fajã do Salti Verde
São Jorge 255 Cd
Fajã do Sanguinhal
São Jorge 255 Cc
Fajã do Valado São Jorge 254 Bb
Fajã dos Bodes São Jorge 255 Dc
Fajã dos Cubres
São Jorge 255 Dd
Fajã dos Cubres
São Jorge 255 Cc
Fajã dos Vimes
São Jorge 255 Cc
Fajã Entre
Ribeiras São Jorge 255 Cd
Fajã Grande Flores 257 Db
Fajã Grande São Jorge 255 Cb
Fajã Redonda São Jorge 255 Cc
Fajazinha Flores 257 Db
Fajazinha São Jorge 255 De
Farol dos Rosais
São Jorge 254 Aa
Farrobim do Norte
Faial 254 Eb
Farrobo Pico 254 Ee
Fazenda Flores 257 Ec
Fazenda de Santa
Cruz Flores 257 Dc
Feiteira Graciosa 256 Bc
Fenais Graciosa 256 Bc
Fenais da Ajuda
São Miguel 253 Ab
Fenais da Luz São Miguel 252 Bd
Fetais Pico 255 Gc
Feteira Faial 254 Eb
Feteira Pico 255 Gc
Feteira Terceira 256 Dc
Feteiras Santa Maria 253 Ac
Feteiras São Miguel 252 Bb
Feteiras de Baixo
Santa Maria 253 Ab
Feteiras de Cima
Santa Maria 253 Ab
Figueiras São Jorge 254 Bb
Flamengos Faial 254 Ec
Fontainhas Pico 255 Ea
Fonte do Bastardo
Terceira 256 Cd
Fonte do Jordão
Santa Maria 253 Bc
Fonte do Mato
Graciosa 256 Bc
Fonte Faneca Terceira 256 Cb
Fontes Graciosa 256 Bc
Fontinhas Terceira 256 Bc
Fontinhas Terceira 256 Bd
Foros Pico 255 Gc
Fortaleza de São João
Baptista Terceira 256 Db
Furna de Frei Matias
Pico 254 Fd
Furnas São Miguel 253 Bb
Furnas do Enxofre
Terceira 256 Cb
G
Gigona Pico 255 Gc
Ginetes São Miguel 252 Aa
Ginjeira Pico 254 Fd
Glória Santa Maria 253 Bc
Granja Faial 254 Eb
Grota do Meio
Faial 254 Eb
Guadalupe Graciosa 256 Bb
Guindaste Pico 254 Fd
H
Horta Faial 254 Ec
I
Igreja Pico 254 Ee
Ilhéu Alagoa Flores 257 Dc
Ilhéu da Gadelha
Flores 257 Cb
Ilhéu da Praia Graciosa 256 Bc
Ilhéu da Vila Santa Maria 253 Bb
Ilhéu das Formigas
Formigas 253 Aa
Ilhéu das Lagoinhas
Santa Maria 253 Ac
Ilhéu das Poças
Flores 257 Dc
Ilhéu de Álvaro
Rodrigues Flores 257 Dc
Ilhéu de Baixo
Graciosa 256 Bc
Ilhéu de Monchique
Flores 257 Db
Ilhéu de São
Lourenço Santa Maria 253 Ac
Ilhéu de Vila Franca
São Miguel 253 Ca
Ilhéu Deitado Pico 254 Ed
Ilhéu do Cartário
Flores 257 Eb
Ilhéu do Norte
Terceira 256 Bd
Ilhéu do Topo São Jorge 255 De
Ilhéu dos Abrões
Flores 257 Db
Ilhéu dos
Fradinhos Terceira 256 Dc
Ilhéu dos
Mosteiros São Miguel 252 Aa
Ilhéu Francisco
Flores 257 Cb
Ilhéu Garajau Flores 257 Dc
Ilhéus das
Cabras Terceira 256 Dc
J
Janalves Faial 254 Db
João Bom São Miguel 252 Ab
Jorge Gomes Graciosa 256 Bb
Juncal Terceira 256 Bd
L
Ladeira Grande
Terceira 256 Dc
Lagoa Graciosa 256 Bc
Lagoa São Miguel 252 Cd
Lagoa Azul São Miguel 252 Ab
Lagoa das Furnas
São Miguel 253 Bb
Lagoa de Santiago
São Miguel 252 Ab
Lagoa de São Brás
São Miguel 253 Ba
Lagoa do Caiado
Pico 255 Fa
LagoadoCanário
São Miguel 252 Bb
Lagoa do Capitão
Pico 255 Fa
Lagoa do Carvão
São Miguel 252 Bb
Lagoa do Congro
São Miguel 253 Ca
Lagoa do FogoSão Miguel 252 Ce
Lagoa do Ginjal
Terceira 256 Cc
Lagoa do Junco
Terceira 256 Cc
Lagoa do Negro
Terceira 256 Bb
Lagoa do Paúl Pico 255 Gb
Lagoa do Peixinho
Pico 255 Gb
Lagoa do Rosado
Pico 255 Gb
Lagoa Negra Terceira 256 Ba
Lagoa Rasa São Miguel 252 Ab
Lagoa Seca Pico 255 Fb
Lagoa Verde São Miguel 252 Ab
Lagoínhas Santa Maria 253 Ac
Lagos Santa Maria 253 Ac
Lajedo Flores 257 Eb
Lajedo Terceira 256 Cd
Lajes Terceira 256 Bc
Lajes das Flores
Flores 257 Ec
Lajes do Pico Pico 255 Ga
Lajido Pico 254 Ed
Lajido Pico 254 Ee
Lajido do Meio
Pico 254 Ee
Lapa de Baixo Santa Maria 253 Bc
Lapa de Cima Santa Maria 253 Bc
Limeira Graciosa 256 Bc
Livramento São Miguel 252 Cd
Lomba Flores 257 Ec
Lomba São Jorge 255 De
Lomba da Cruz
São Miguel 252 Bb
Lomba da Fazenda
São Miguel 253 Ad
Lomba da Maia
São Miguel 253 Bb
Lomba das Fagundes
São Miguel 253 Cd
Lomba de Santa
Bárbara São Miguel 252 Be
Lomba de São Mateus
Pico 254 Fe
Lomba do Cácere
Pico 255 Gb
Lomba do Meio
São Miguel 253 Bd
Lomba Grande
Faial 254 Dc
Lombadas São Miguel 253 Ba
Lombega Faial 254 Eb
Loural 1.º São Jorge 255 Dc
Loural 2.º São Jorge 255 Dc
Loural 3.º São Jorge 255 Dc
Luz Graciosa 256 Bc
M
Madalena Pico 254 Ed
Maia Santa Maria 253 Bc
Maia São Miguel 253 Ba
Malbusca Santa Maria 253 Bc
Manadas (Santa Bárbara)
São Jorge 255 Ca
Mangona São Miguel 253 Ac
Manhenhas Pico 255 Gd
Manuel Gaspar
Graciosa 256 Bb
Mateus Pico 254 Fe
Matriz Faial 254 Ec
Miragaia Faial 254 Db
Miragaia Faial 254 Dc
Miragaia Pico 254 E e
Mirateca Pico 254 Fd
Mistério Negro
Terceira 256 Bb
Monte Pico 254 Fd
Monte Brasil Terceira 256 Db
Monte da Guia
Faial 254 Ec
Morro das Capelas
São Miguel 252 Ac
Morro do Rabo
de Peixe São Miguel 252 Bd
Morro dos Homens
Corvo 257 Bc
Morro Pelado São Jorge 255 Ba
Mosteiro Flores 257 Eb
Mosteiros São Miguel 252 Ab
N
Necessidades São Miguel 252 Cd
Nordeste São Miguel 253 Bd
Nordestinho São Miguel 253 Ac
Norte Grande (Neves)
São Jorge 255 Bb
Norte Pequeno
Faial 254 Da
Norte Pequeno
São Jorge 255 Cb
Nossa Senhora dos
Remédios São Miguel 253 Bc
O
Outeiro da Cruz
São Jorge 255 Ba
Outeiro Filipe Terceira 256 Bc
P
Pasteleiro Faial 254 Ec
Pau Velho Terceira 256 Bb
Pedras de São Pedro
Santa Maria 253 Bb
Pedregulho São Jorge 254 Bb
Pedreira São Miguel 253 Bd
Pedreiras Graciosa 256 Bb
Pedro Miguel Faial 254 Ec
Pesqueiro Terceira 256 Db
Pico Pico 254 Fe
Pico Alto Terceira 256 Bc
Pico da Bagacina
Terceira 256 Cb
Pico da Choupana
São Jorge 255 Ba
Pico da Pedra São Miguel 252 Bd
Pico da Urze Pico 254 Fe
Pico da Vara São Miguel 253 Bc
Pico das Brenhas
São Jorge 255 Cb
Pico das Caldeirinhas
São Jorge 255 Ba
Pico dos Sete Pés
Flores 257 Db
Pico João de Moura
Corvo 257 Bc
Pico Timão Graciosa 256 Bc
Piedade Pico 255 Gc
Pilar São Miguel 252 Ab
Pingas Corvo 257 Bc
Planalto dos
Graminhais São Miguel 253 Bc
Pocinho Pico 254 Fd
Ponta Flores 257 Db
Ponta Branca Graciosa 256 Bb
Ponta da Achada
São Miguel 253 Ac
Ponta da Agulha
São Miguel 252 Ac
Ponta da Ajuda
São Miguel 253 Ab
Ponta da Barca
Graciosa 256 Ab
Ponta da Bretanha
São Miguel 252 Ab
Ponta da
Caldeira São Jorge 255 Cc
Ponta da
Candelária São Miguel 252 Ba
Ponta da Caveira
Flores 257 Dc
Ponta da Espalamaca
Faial 254 Ec
Ponta da Faca Pico 254 Ge
Ponta da Ferraria
São Miguel 252 Aa
Ponta da Forcada
Terceira 256 Bc
Ponta da Galera
São Miguel 252 Ce
Ponta da Garça
São Miguel 253 Cb
Ponta da Ilha Pico 255 Gd
Ponta da Laboreira
São Miguel 253 Cb
Ponta da Luzerna
Pico 255 Ea
Ponta da Má Merenda
Terceira 256 Bd
Ponta da Madre Silva
Pico 254 Fd
Ponta da Madruga
São Miguel 253 Bd
Ponta da Marquesa
São Miguel 253 Bd
Ponta da Queimada
Pico 255 Gb
Ponta da Restinga
Graciosa 256 Bc
Ponta da Ribeira
Faial 254 Dc
Ponta da Ribeira
São Miguel 253 Ad
Ponta da Rocha Alta
Flores 257 Eb
Ponta das Baixas
Pico 255 E a
Ponta das Contendas
Terceira 256 Dd
Ponta das Eiras
São Jorge 254 Bb
Ponta das Prombetas
Pico 255 Fd
Ponta das Vinhas
São Jorge 255 Dd
Ponta de Castelo
Branco Faial 254 Eb
Ponta de Fora Flores 257 Ec
Ponta de Gil Afonso
Pico 255 Gc
Ponta de Santo
António Terceira 256 Db
Ponta de São João
Pico 254 Ge
Ponta de São Jorge
Terceira 256 Cd
Ponta DelgadaFlores 257 Cb
Ponta DelgadaSão Miguel 252 Cc
Ponta do Albarnaz
Flores 257 Cb
Ponta do Arnel
São Miguel 253 Bd
Ponta do Arrife
Pico 255 Gb
Ponta do Baixio
Flores 257 Db
Ponta do Boqueirão
Pico 255 Fb
Ponta do Castelete
Pico 255 Ga
Ponta do Castelete
Pico 255 Gd
Ponta do Castelo
Santa Maria 253 Bc
Ponta do Cedro
Santa Maria 253 Bc
Ponta do Cintrão
São Miguel 252 Ae
Ponta do
Enxudreiro Graciosa 256 Bc
Ponta do Espartel
Pico 254 Fd
Ponta do Espigão
Pico 255 Fc
Ponta do Faial São Miguel 253 Cc
Ponta do Forte
Faial 254 Eb
Ponta do Garajau
São Miguel 253 Cb
Ponta do Ilhéu
Flores 257 Db
Ponta do Lobaio
Santa Maria 253 Ab
Ponta do Malmerendo
Santa Maria 253 Bb
Ponta do Marco
Corvo 257 Ac
Ponta do Mistério
Pico 255 Fb
Ponta do Mistério
Terceira 256 Ac
Ponta do Norte
Santa Maria 253 Ac
Ponta do Norte
Grande São Jorge 255 Bb
Ponta do Norte
Pequeno São Jorge 255 Bb
Ponta do Pargo
Pico 255 Ga
Ponta do Queimado
Terceira 256 Ba
Ponta do RasoPico 255 Ea
Ponta do SalãoFaial 254 Db
Ponta do Sousa
Pico 255 Gc
Ponta do Topo
São Jorge 255 De
Ponta do Varadouro
Faial 254 Ea
Ponta dos Biscoitos
Pico 255 Gb
Ponta dos Biscoitos
Terceira 256 Ab
Ponta dos Bredos
Flores 257 Db
Ponta dos Capelinhos
Faial 254 Da
Ponta dos Carneiros
Terceira 256 Bd
Ponta dos Casteletes
São Jorge 255 Ca
PontadosCedros
Faial 254 Db
Ponta dos Fanais
Flores 257 Db
Ponta dos Frades
Santa Maria 253 Ab
Ponta dos Ilhéus
Flores 257 Eb
Ponta dos Monteiros
São Jorge 255 Dd
Ponta dos Mosteiros
São Miguel 252 Ab
Ponta dos Ouriços
Pico 255 Gd
Ponta dos Rosais
São Jorge 254 Aa
Ponta Formosa
São Miguel 253 Ba
Ponta Garça São Miguel 253 Cb
Ponta Gorda Pico 255 Fc
Ponta João Dias
Faial 254 Ec
Ponta Malbusca
Santa Maria 253 Bc
Ponta Negra Corvo 257 Bc
Ponta Oeste Corvo 257 Bc
Ponta Ruiva Flores 257 Dc
Ponta Torrais Corvo 257 A c
Pontas NegrasPico 255 Gb
Ponte de São Macário
Pico 254 Fe
Pópulo São Miguel 252 Cd
Portal São Jorge 255 Cc
Portela Faial 254 Eb
Porto Afonso Graciosa 256 Bb
Porto Cachorro
Pico 254 Ee
Porto da Aguada
Pico 255 Gb
Porto da BaixaPico 254 Ge
Porto da Eira Faial 254 Db
Porto da Formosinha
Pico 254 Ed
Porto da Prainha
Pico 254 Ge
Porto da Redonda
Faial 254 Dc
Porto de São Mateus
Pico 254 Fd
Porto do Boqueirão
Corvo 257 Bc
Porto Formoso
São Miguel 253 Ba
Porto Judeu Terceira 256 Dc
Porto Martins Terceira 256 Cd
Porto Novo Terceira 256 Cd
Porto Pim Faial 254 Ec
Portinho da Areia
Corvo 257 Bc
Posto Santo Terceira 256 Cb
Povoação São Miguel 253 Cc
Praia Santa Maria 253 Bb
Praia (São Mateus)
Graciosa 256 Bc
Praia do Almoxarife
Faial 254 Ec
Praia do Norte
Faial 254 Da
Prainha Pico 255 Fb
Prainha da Cima
Pico 255 Fb
Q
Quatro Ribeiras
Terceira 256 Bb
Quebrada Faial 254 Db
Queimada Pico 254 E e
Queimada Pico 255 Gb
Queimada São Jorge 255 Ba
Queimadas Pico 254 Ge
Quinta das Rosas
Pico 254 Ed
Quinta
do Botelho São Miguel 252 Cd
R
Rabo de Peixe São Miguel 252 Bd
Ramalho São Miguel 252 Cc
Raminho Terceira 256 Ba
Refugo Terceira 256 Dc
Rego de Água São Miguel 252 Bd
Reguinho Terceira 256 Cc
Relva São Miguel 252 Cc
Relvinha São Jorge 255 Cb
Remédios São Miguel 252 Ab
266 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Índice onomástico
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 266
ATLAS DE PORTUGAL IGP 267
Ribeira Graciosa 256 Bc
Ribeira Chã São Miguel 252 Ce
Ribeira da Areia
São Jorge 255 Bb
Ribeira da Areia
Terceira 256 Cc
Ribeira da Badanela
Flores 257 Dc
Ribeira da Borda do
Mistério Pico 254 Fe
Ribeira da Calheta
Pico 254 Fe
Ribeira da Fonte Nova
Faial 254 Dc
Ribeira da Laje
Pico 255 Gb
Ribeira da Lapa
Corvo 257 Bc
Ribeira da Lapa
São Jorge 255 Bb
Ribeira da Lapa
Terceira 256 Bb
Ribeira da Lombega
Faial 254 Eb
Ribeira da Mulher
São Miguel 253 Bc
Ribeira da Praia
Faial 254 Ec
Ribeira das Águas Claras
Faial 254 Eb
Ribeira das Cabras
Faial 254 Db
Ribeira das Doze
Terceira 256 Ca
Ribeira das Lapas
Terceira 256 Ba
Ribeira das Taínhas
São Miguel 253 Ca
Ribeira de Agualva
Terceira 256 Bc
Ribeira de Dentro
Pico 255 Fa
Ribeira de Flamengos
Faial 254 Eb
Ribeira de Santa
Catarina Faial 254 Eb
Ribeira de Santana
Santa Maria 253 Ab
Ribeira de São Pedro
Faial 254 E b
Ribeira de São Tomé
São Jorge 255 Dd
Ribeira do Adão
Faial 254 Db
Ribeira do Cabo
Faial 254 Ea
Ribeira do
Guilherme São Miguel 253 Bd
Ribeira do Lajido
Pico 255 Fb
Ribeira do Meio
Pico 255 Ga
Ribeira do Mistério
Pico 255 Fa
Ribeira do Moinho
Flores 257 Db
Ribeira do Nabo
São Jorge 255 Ba
Ribeira do Salto
Santa Maria 253 Bc
Ribeira do Soldão
Pico 255 Fa
Ribeira do Testo
Terceira 256 Cc
Ribeira dos Fetais
Pico 255 Fa
Ribeira Funda Faial 254 Db
Ribeira Funda São Miguel 253 Bb
Ribeira Grande
Faial 254 E b
Ribeira Grande
Flores 257 Db
Ribeira Grande
Pico 255 Gc
Ribeira Grande
Santa Maria 253 Bc
Ribeira Grande
São Miguel 252 Be
Ribeira Joanas Pico 254 Fe
Ribeira Nova Pico 254 Ee
Ribeira Quente
São Miguel 253 Cb
Ribeira Seca Pico 255 Gb
Ribeira Seca São Jorge 255 Cc
Ribeira Seca São Miguel 252 Be
Ribeira Seca Terceira 256 Cd
Ribeira Seca do Porto
São Miguel 253 Ba
Ribeiras Pico 255 Gb
Ribeirinha Faial 254 Dc
Ribeirinha Graciosa 256 Bb
Ribeirinha Pico 255 Fc
Ribeirinha São Miguel 252 Be
Ribeirinha Terceira 256 Dc
Rocha Vermelha
Faial 254 Ec
Roída da Praia São Miguel 252 Ce
Rosais São Jorge 254 Bb
Rosário Pico 254 Ed
Rosto de Cão São Miguel 252 Cc
Rua de Cima Pico 254 Ee
S
Salão Faial 254 Db
Salga São Miguel 253 Ab
Salto do Cavalo
São Miguel 253 Bc
Sanguinho São Miguel 253 Cc
Sant' Ana Terceira 256 Cc
Santa Bárbara Pico 255 Gb
Santa Bárbara Santa Maria 253 Ac
Santa Bárbara São Miguel 252 Ac
Santa Bárbara Terceira 256 Ca
Santa CatarinaPico 255 Ga
Santa Cruz São Miguel 252 Cd
Santa Cruz
da Graciosa Graciosa 256 Ac
Santa Cruz
das Flores Flores 257 Dc
Santa Luzia Pico 254 Ee
Santa Rita Terceira 256 Bd
Santa Rosa São Jorge 255 Dd
Santana Pico 254 Ee
Santana Santa Maria 253 Ab
Santana São Miguel 253 Ac
Santo Amaro Graciosa 256 Bc
Santo Amaro Pico 255 Fb
Santo Amaro São Jorge 255 Ba
Santo Amaro Terceira 256 Dc
Santo Antão São Jorge 255 Dd
Santo AntónioPico 255 Ea
Santo AntónioSão Jorge 255 Ba
Santo AntónioSanta Maria 253 Bc
Santo AntónioSão Miguel 252 Ac
Santo AntónioTerceira 256 Bc
Santo Espírito Pico 255 Ea
Santo Espírito Santa Maria 253 Bc
São Bartolomeu
de Regatos Terceira 256 Cb
São Bento Terceira 256 Dc
São Brás São Miguel 252 Cc
São Brás Terceira 256 Bc
São Caetano Pico 254 Fe
São Domingos
Pico 255 Ea
São João Faial 254 Eb
São João Pico 255 Ga
São Lourenço Santa Maria 253 Ac
São Mateus Pico 254 Ee
São Mateus
da Calheta Terceira 256 Db
São Miguel
Arcanjo Pico 255 Fa
São Pedro Pico 255 Fb
São Pedro Santa Maria 253 Ab
São Roque São Miguel 252 Cd
São Roque
do Pico Pico 255 Ea
São Sebastião Pico 255 Ga
São Sebastião Terceira 256 Dd
São Tomé São Jorge 255 Dd
São Vicente Pico 255 Ea
São Vicente Ferreira
São Miguel 252 Bc
Senhora da Conceição
Pico 254 Ee
Senhora da Estrela
Pico 254 Ed
Senhora da Piedade
Pico 255 Fb
Senhora da Piedade
São Miguel 253 Cb
Senhora de Fátima
Terceira 256 Cb
Senhora do Mato
Terceira 256 Cc
Senhora do Monte
São Miguel 253 Bc
Senhora do Pilar
Terceira 256 Cb
Serra da Feteira
Faial 254 Eb
Serra da Ribeirinha
Terceira 256 Cc
Serra da Tronqueira
São Miguel 253 Bd
Serra das Fontes
Graciosa 256 Bc
Serra de Água de Pau
São Miguel 252 Ce
Serra de Santa
Bárbara Terceira 256 Ca
Serra do Cume
Terceira 256 Cc
Serra do Labaçal
Terceira 256 Bb
Serra do Morião
Terceira 256 Cb
Serra do Topo São Jorge 255 Cc
Serra Dormida
Graciosa 256 Bc
Serreta Terceira 256 Ba
Serrinha Terceira 256 Dc
Serroa São Jorge 254 Bb
Sete Cidades Pico 254 Ed
Sete Cidades São Miguel 252 Ab
Sete Fontes São Jorge 254 Ab
Silveira Pico 255 Ga
T
Tapada Comprida
Flores 257 Db
Terra Alta Pico 255 Fc
Terra Chã São Miguel 253 Bd
Terra Chã Terceira 256 Cb
Terra do Pão Pico 254 Ge
Terras Pico 255 Gb
Terras Chãs Pico 255 Gb
Terreiro da Marcela
Terceira 256 Bc
Terreiro dos Padres
Terceira 256 Cb
Terreiros São Jorge 255 Ca
Toledo São Jorge 255 Ba
Toledos Pico 254 Ed
Topo (Nossa Senhora
do Rosário) São Jorge 255 De
Três Caminhos
Pico 254 Ee
Trupes Faial 254 Da
U
Urzal São Jorge 255 Cb
Urzelina (São Mateus)
São Jorge 255 Ca
V
Vale de Linhares
Terceira 256 Cc
Valverde Pico 254 E d
Valverde Santa Maria 253 Bb
Varadouro Faial 254 Ea
Várzea São Miguel 252 Aa
Velas (São Jorge)
São Jorge 254 Bb
Vila do Porto Santa Maria 253 Bb
Vila Franca do Campo
São Miguel 253 Ca
Vila Nova Terceira 256 Bc
Vila Praia da Vitória
Terceira 256 Bd
Vitória Graciosa 256 Bb
REGIÃO AUTÓNOMA
DA MADEIRA
A
Achadas da Cruz
Madeira 258 Ab
Aeroporto Madeira 259 Ca
Aeroporto Porto Santo 259 Aa
Água de Pena Madeira 259 Ca
Amparo Madeira 258 Bb
Apresentação Madeira 258 Cc
Arco da Calheta
Madeira 258 Cc
Arco de São Jorge
Madeira 258 Ad
Arieiro Madeira 258 Be
B
Baixa do MeioPorto Santo 259 Ab
Baixa dos Barbeiros
Porto Santo 259 Ab
Balcões Madeira 258 Ce
Banda de Além
Madeira 259 Cb
Barra da Urra Madeira 258 Ac
Boaventura Madeira 258 Ad
Boqueirão da Cima
Porto Santo 259 Bb
Boqueirão de Baixo
Porto Santo 259 Ba
Bugio Desertas 259 Gd
C
Cabeço Desertas 259 Gd
Cabo Madeira 258 Ab
Cabo Girão Madeira 258 Dd
Caldeirão Verde
Madeira 258 Be
Calhau das Areias
Desertas 259 Fd
Calheta Madeira 258 Cb
Camacha Madeira 259 Ca
Camacha Porto Santo 259 Aa
Câmara
de Lobos Madeira 258 Dd
Campanário Madeira 258 Cd
Campo de Baixo
Porto Santo 259 Ba
Campo de Cima
Porto Santo 259 Ba
Canhas Madeira 258 Cc
Caniçal Madeira 259 Cb
Caniço Madeira 259 Da
Caramanhão Madeira 259 Ca
Caramujo Madeira 258 Bc
Carmo Madeira 258 Cd
Carreira Madeira 258 Cc
Covas Madeira 258 Cd
Cruz da Guarda
Madeira 259 Ba
Curral das Freiras
Madeira 258 Cd
D
Deserta Grande
Desertas 259 Ed
Doca Desertas 259 Fd
Dragoal Porto Santo 259 Bb
E
Eira do Serrado Madeira
258 Ce
Eirinha Madeira 258 Cd
Encumeada Madeira 258 Bd
Entre Águas Madeira 259 Bb
Espigão Madeira 258 Cd
Estreito
da Calheta Madeira 258 Bb
Estreito de Câmara
de Lobos Madeira 258 Cd
F
Faial Madeira 259 Ba
Faias Madeira 258 Ae
Fajã da Areia Madeira 258 Ad
Fajã da
Nogueira Madeira 258 Be
Fajã da OvelhaMadeira 258 Bb
Fajã da Parreira
Madeira 258 Ac
Fajã da Urtiga Madeira 258 Cc
Fajã do Cedro
Gordo Madeira 258 Be
Fajã do Penedo
Madeira 258 Bd
Fajã Grande Madeira 258 Be
Fajã Nova Madeira 258 Aa
Fajã Redonda Madeira 258 Cd
Farrobo de Baixo
Madeira 259 Da
FeiteiradoNuno
Madeira 258 Be
Feiteiras Madeira 258 Ad
Florenças Madeira 258 Cc
Focinho do Forte
Porto Santo 259 Ab
Fonte dos
Almocreves Madeira 259 Ca
Funchal Madeira 258 De
Furna Desertas 259 Gd
Furna dos Gatos
Desertas 259 Fd
G
Garachico Madeira 258 Cd
Gaula Madeira 259 Ca
Ginjas Madeira 258 Bd
I
Ilha Madeira 258 Ae
Ilhas Desertas Desertas 259 Fc
Ilhéu do
Guincho Madeira 259 Bb
Ilhéu Chão Desertas 259 Ed
Ilhéu da Fonte
da Areia Porto Santo 259 Aa
Ilhéu das Cenouras
Porto Santo 259 Ab
Ilhéu de Agostinho
Madeira 259 Cb
Ilhéu de Baixo
ou da Cal Porto Santo 259 Ba
Ilhéu de CimaPorto Santo 259 Bb
Ilhéu de Ferro Porto Santo 259 Ba
Ilhéu de Fora Porto Santo 259 Ab
Ilhéu do Faial Madeira 259 Ba
Ilhéu Mole Madeira 258 Ab
Ilhéu Preto Madeira 258 Ad
Ilhéu Vermelho
Madeira 258 Ad
Ilhéus da Ribeira
da Janela Madeira 258 Ab
J
Janeiro Madeira 259 Ca
Jardim do Mar
Madeira 258 Bb
Jogo da Bola Madeira 258 Ae
L
Lanceiros Madeira 258 Ab
Lanço Madeira 258 Bc
Lapinhas Madeira 258 Bd
Laranjal Madeira 258 Ce
Levadas Madeira 259 Da
Lomba do Moiro
Madeira 258 Bd
Lomba dos Marinheiros
Madeira 258 Bb
Lombada Madeira 258 Cc
Lombada Madeira 258 Ad
Lombada do Loreto
Madeira 258 Cb
Lombo da Atouguia
Madeira 258 Cb
Lombo do Moleiro
Madeira 258 Bd
Lombo dos Amarelos
Porto Santo 259 Ab
Lombo dos Moinhos
Madeira 258 Bb
Loural Madeira 258 Bd
M
Machico Madeira 259 Cb
Madalena do Mar
Madeira 258 Cc
Madre de Água
Madeira 259 Ca
Maloeira Madeira 258 Bb
Marinheira Madeira 258 Cd
Maroços Madeira 259 Ca
Monte Madeira 258 Ce
P
Panasqueira Madeira 258 Cd
Passo Madeira 258 Bd
Paúl da Serra Madeira 258 Bc
Paúl do Mar Madeira 258 Bb
Pedras do Leão
Madeira 258 Cc
Penedo Alto Porto Santo 259 Ba
Pico Alto Madeira 258 Ab
Pico do Castelo
Porto Santo 259 Ab
Pico Grande Madeira 258 Bd
Pico Ruivo Madeira 258 Be
Pinheiro Madeira 258 Cd
Poiso Madeira 258 Ce
Pombais Madeira 258 Ab
Ponta Porto Santo 259 Ba
Ponta AmarelaDesertas 259 Fd
Ponta Comprida
Desertas 259 Fd
Ponta da Agulha
Desertas 259 Ge
Ponta da Atalaia
Madeira 259 Da
Ponta da Cabra
Porto Santo 259 Ba
Ponta da Calheta
Porto Santo 259 Ba
Ponta da Castanheira
Desertas 259 Ed
Ponta da Coada
Desertas 259 E d
Ponta da CruzMadeira 258 De
Ponta da Fajã Grande
Desertas 259 Fd
Ponta da Fajã
Pequena Desertas 259 E d
Ponta da Galé Madeira 258 Cb
Ponta
da Oliveira Madeira 259 Da
Ponta da Pesqueira
de Baixo Madeira 258 Ba
Ponta da Poça Desertas 259 Ge
Ponta da Polé Madeira 259 Da
Ponta da Queimada
Madeira 259 Cb
Ponta das Capelas
Madeira 258 Cc
Ponta das
Contreiras Madeira 258 Ac
Ponta
das GaivotasMadeira 259 Cb
Ponta das Malhas
Brancas Desertas 259 Fd
Ponta de Santa
Catarina Madeira 259 Ca
Ponta de Santana
Madeira 258 Ae
Ponta de São
Jorge Madeira 258 Ae
Ponta DelgadaMadeira 258 Ad
Ponta do Cágado
Desertas 259 Fd
Ponta
do Castelo Madeira 259 Bb
Ponta do Espigão
Amarelo Madeira 259 Ba
Ponta
do Furadinho
Desertas 259 Fd
Ponta do Furado
Madeira 259 Cb
Ponta do Garajau
Madeira 259 Da
Ponta do IlhéuPorto Santo 259 Ba
Ponta do Jardim
Madeira 258 Bb
Ponta do Judeu
Madeira 258 Cc
Ponta do Pargo
Madeira 258 Aa
Ponta
do Pedregal Desertas 259 Ed
Ponta do Poiso
Madeira 258 Ac
Ponta do Polé Desertas 259 Gd
Ponta do Sol Madeira 258 Cc
Ponta do Tabaqueiro
Desertas 259 Fd
Ponta do Tristão
ou Fazenda Madeira 258 Ab
Ponta do Varadouro
Porto Santo 259 Aa
Ponta dos Ferreiros
Porto Santo 259 Ab
Ponta dos Reis
Magos Madeira 259 Da
Ponta Molha Rabos
Desertas 259 Ed
Porto da Cruz Madeira 259 Ba
Porto da Laje Madeira 258 Ac
Porto da Ponta
do Clérigo Madeira 259 Ba
Porto das Salemas
Porto Santo 259 Aa
Porto do Paúl Madeira 258 Bb
Porto Moniz Madeira 258 Bb
Porto Santo Porto Santo 259 Bb
Pousada dos
Vinháticos Madeira 258 Bd
Praia Formosa Madeira 258 De
Prazeres Madeira 258 Bb
Q
Quebrada Nova
Madeira 258 Ab
Queimada Madeira 259 Ca
Queimadas Madeira 258 Be
Quinta Grande
Madeira 258 Cd
R
Rabaçal Madeira 258 Bc
Raposeira do Logarinho
Madeira 258 Bb
Ribeira Brava Madeira 258 Cc
Ribeira Brava Madeira 258 Cd
Ribeira
da Calheta Madeira 258 Bb
Ribeira da Janela
Madeira 258 Bb
Ribeira da Ponta
do Sol Madeira 258 Cc
Ribeira da Vaca
Madeira 258 Ab
Ribeira
de Machico Madeira 259 Ca
Ribeira de Santa
Cruz Madeira 259 Ca
Ribeira de Santa
Luzia Madeira 258 Ce
Ribeira de São
Jorge Madeira 258 Be
Ribeira de São
Vicente Madeira 258 Bd
Ribeira
de Tábua Madeira 258 Cc
Ribeira do
CampanárioMadeira 258 Cd
Ribeira do Porco
Madeira 258 Bd
Ribeira do Seixal
Madeira 258 Bc
Ribeira dos
Socorridos Madeira 258 Cd
Ribeira Funda Madeira 258 Ac
Ribeira Funda Madeira 258 Ae
Ribeira Funda Madeira 258 Bb
Ribeira PetetesMadeira 259 Da
Ribeira Seca Madeira 258 Bb
Ribeira Seca Madeira 258 Be
Ribeira Seca Madeira 259 Ca
Ribeiro Frio Madeira 258 Be
S
Salão Madeira 258 Aa
Santa Madeira 258 Ab
Santa Cruz Madeira 259 Ca
Santana Madeira 258 Ae
Santo António
da Serra Madeira 259 Ca
São Gonçalo Madeira 258 De
São Jorge Madeira 258 Ae
São Martinho Madeira 258 De
São Roque Madeira 258 Ce
São Roque do Faial
Madeira 259 Ba
São Vicente Madeira 258 Bd
Seixal Madeira 258 Ac
Serra de Água Madeira 258 Cd
Serra de Fora Porto Santo 259 Ab
Serro do Guindaste
Madeira 259 Ba
Silveira Madeira 258 Ae
T
Tábua Madeira 258 Cc
Tendeira Madeira 259 Da
Terra Chão Madeira 258 Cd
Terreiro da Luta
Madeira 258 Ce
Torre Madeira 258 Dd
V
Vale Madeira 259 Da
Vale do Paraíso
Madeira 258 Ce
Vargem Madeira 258 Bd
Vigra Madeira 258 Cd
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 267
268 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Concelhos do Continente
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 268
ATLAS DE PORTUGAL IGP 269
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 269
270 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Concelhos da Região Autónoma dos Açores
Grupo Oriental
Grupo Central
Faial, Pico, Graciosa e São Jorge
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 270
ATLAS DE PORTUGAL IGP 271
Grupo Central
Terceira
Grupo Ocidental
Concelhos da Região Autónoma da Madeira
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 271
272 ATLAS DE PORTUGAL IGP
Carlos Pereira da Silva
Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela Universida-
de Nova de Lisboa (UNL) onde é professor e investigador no
Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional. Tem
desenvolvido investigação na área da gestão integrada litoral, mais
especificamente na definição da capacidade de carga de praias e
avaliação e percepção de paisagens litorais. Colabora regularmen-
te com diversas universidades europeias, nomeadamente em pro-
jectos de investigação ligados ao ordenamento e gestão litoral.
Dulce Pimentel
Geógrafa, Doutor pela UNL onde é professora e investigadora
no Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional e
no Instituto de Dinâmica do Espaço; principais áreas de interes-
se científico – migrações, recursos humanos, desenvolvimento
regional e local; correspondente do Cybergeo Online Journal
publicado por Géographie-cités, CNRS/UMR. Tem realizado
missões no estrangeiro e colaborado com universidades estran-
geiras, no âmbito do programa ERASMUS, e tem participado
em vários projectos de investigação na área de Desenvolvimen-
to Regional.
Fernando Ribeiro Martins
Doutor em Geografia e Planeamento Regional, especialidade de
Planeamento e Gestão do Território, pela UNL onde é profes-
sor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Plane-
amento Regional; tem-se dedicado em especial a temas de
migrações e desenvolvimento rural e local.
Henrique Souto
Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela UNL; pro-
fessor desta Universidade, ensinando e investigando nas áreas
da Ecologia e das Pescas; autor de diversos estudos sobre as pes-
cas portuguesas. É membro de diversas sociedades científicas e
profissionais, com destaque para a Sociedade de Geografia de
Lisboa onde é membro da Secção de Geografia dos Oceanos.
Foi galardoado em 2002 com o Prémio Almirante Teixeira da
Mota, da Academia de Marinha.
Lourdes Poeira
Licenciada em Geografia pela Universidade Clássica de Lisboa
(UL),1972; frequência do 1º Mestrado em Planeamento Regio-
nal e Urbano na Universidade Técnica de Lisboa (UTL),
1973/74; estágio em Démographie Historique (École des Hautes
Études en Sciences Sociales, Universidade de Paris); curso
Avançado Internacional NATO/ASI Transformations Through
Space and Time, Dinamarca,1985; Assistente do Departamento
de Geografia e Planeamento Regional (UNL), 1983/96. A acti-
vidade profissional extra docente referiu-se à área do Desenvol-
vimento Regional e Urbano, tendo participado, como represen-
tante nacional, em diversos grupos de peritos, nacionais e inter-
nacionais. É Directora do Gabinete para o Desenvolvimento
Municipal da Câmara Municipal de Oeiras.
Maria Assunção Gato
Licenciada em Antropologia e Mestre em Geografia – Gestão do
Território pela UNL. Foi investigadora no Centro de Estudos
Territoriais do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa e professora na Escola Superior de Educação Jean Pia-
get, de Almada; prepara o Doutoramento em antropologia cul-
tural e social na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
UNL, na área da antropologia do espaço.
Nuno Pires Soares
Doutor em Geografia e Planeamento Regional, especialidade de
Planeamento e Gestão do Território, pela UNL onde é profes-
sor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Plane-
amento Regional; tem leccionado disciplinas ligadas às áreas da
geografia urbana, história do urbanismo, cartografia temática e
informação e tratamento gráfico; no campo da investigação
tem-se dedicado essencialmente à evolução do sistema urbano
nacional e às alterações urbano-demográficas ocorridas na Área
Metropolitana de Lisboa.
Raquel Soeiro de Brito
Doutor em Geografia pela UL,1955; Professora Associada,
1960/66, e Catedrática, 1966/77, no Instituto Superior de Ciências
Sociais e Políticas da UTL, onde exerceu também as funções de
Presidente da Comissão Directiva,1974/77; na Faculdade de Ciên-
cias Sociais e Humanas da UNL, para além de Professora Cate-
drática, exerceu várias vezes as funções de Vice Directora, fundou
os Departamentos de Antropologia, em 1977, e de Geografia e
Planeamento Regional, em 1980, o Mestrado em GPR-Gestão do
Território, em 1993, o Centro de Estudos de Geografia e Planea-
mento Regional e o Instituto de Dinâmica do Espaço. Professora
convidada das universidades de Limoges (vários períodos ao lon-
go de quase uma década) e de Paris X (Nanterre), em 1980/81.
Como actividades científicas principais, para além da docência,
contam-se inúmeras missões de estudo em todos os ex-territórios
ultramarinos, Brasil e África Ocidental; participação activa em
numerosas reuniões científicas, nacionais e estrangeiras e em Pro-
gramas Comunitários de Investigação; publicação de trabalhos
científicos (várias dezenas de títulos), sendo o último São Miguel,
a Ilha Verde, Estudo Geográfico 1950-2000, Ribeira Grande, Coingra,
2004. Entre as várias distinções honoríficas nacionais e estrangei-
ras distingue-se a de Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da
Espada, (1998). É vice-presidente da Academia de Marinha.
Rui Pedro Julião
Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela UNL, onde
é professor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e
Planeamento Regional e do Instituto de Dinâmica do Espaço. É
autor de várias publicações e participa regularmente em confe-
rências nacionais e internacionais dos domínios da ciência e sis-
temas de informação geográfica. É vice-presidente do Instituto
Geográfico Português.
Augusto Mateus
Nasceu em Lisboa, em 1950. Licenciado em Economia (ISCEF,
UTL) em 1972; Seminários de pós-graduação na Universidade
de Paris X (Nanterre), em Economia e Recursos Humanos
(1979) e em Economia Internacional (1980). Professor Catedrá-
tico convidado no Instituto Superior de Economia e Gestão
(ISEG, UTL). Colaborador em vários Institutos Superiores
(ISCTE, INA, IESF) e em várias Universidades (Açores, Beira,
Coimbra, Lusófona, Porto e UNL). Participação em numerosos
projectos de investigação, em revistas e em obras da especialida-
de; intervenções numerosíssimas em reuniões e conferências
científicas da especialidade tanto em Portugal como no estran-
geiro. Quase uma centena de trabalhos publicados. Fundador
do Centro de Investigação sobre Economia Portuguesa
(CISEP) e Presidente da respectiva Assembleia Geral. Secretá-
rio de Estado da Indústria (1995/1996) e Ministro da Economia
(1996/1997), no XIII Governo Constitucional. Autor do Plano
Mateus, destinado a fomentar as receitas do Estado pelo aperfei-
çoamento dos mecanismos de cobrança da dívida fiscal. Presi-
dente do Instituto de Formação Empresarial Avançada (IFEA).
Consultor em várias empresas e entidades públicas.
Ernâni Rodrigues Lopes
Nasceu em Lisboa em 1942. Licenciado em Economia (ISCEF,
UTL) em 1964. Assistente e Encarregado de Curso de Cadeiras
do 2º Grupo – Economia, no ISCEF (1966-1974). Doutorado
em Economia (Universidade Católica Portuguesa – Faculdade
de Ciências Técnicas e Empresariais) em 1982. Director e Pro-
fessor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Cató-
lica Portuguesa (desde 1980). Conferencista dos cursos de
Defesa Nacional (Instituto de Defesa Nacional), de Promoção
a Oficial General (dos Institutos Superiores dos três ramos das
Forças Armadas) e de Estado-Maior (Instituto de Altos Estudos
Militares). Professor-coordenador da Área de Economia e
membro do Conselho Pedagógico do CAGB – Curso Avança-
do de Gestão Bancária do Instituto de Formação Bancária
(1987-2002). Consultor económico de várias empresas, institui-
ções e Governos (desde 1962). Director de Serviços de Estatística e
Estudos Económicos do Banco de Portugal (1974/1975). Embaixador
dePortugalemBona(1975/1979);embaixador-chefedaMissãodePor-
tugal junto das Comunidades Europeias, Bruxelas (1979/1983); minis-
trodasFinançasedoPlanodoIXGovernoConstitucional(1983/1985);
comissário português do Congresso Portugal-Brasil Ano 2000
(1997/2000). Membro de órgãos sociais de várias empresas e institui-
ções, nomeadamente sócio-gerente da SaeR; membro correspondente
da Academia Internacional de Direito e Economia, São Paulo,
Brasil (desde 1995); membro efectivo da Academia de Marinha
(desde 2003); Sócio-fundador do CR XXI – Clube de Reflexão
(desde 1996). Presidente de Assembleias Gerais de várias Insti-
tuições. Entre várias condecorações nacionais e estrangeiras
destaca a de Comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da
Conceição de Vila Viçosa (2003).
Nuno Gonçalo Vieira Matias
Nasceu em Porto de Mós, em 1939, e teve o primeiro contacto
com o mar em Portimão, onde começou a aprender a velejar aos
12 anos. Ingressou, em 1957, na Escola do Exército para um ano
de estudos académicos, com vista ao reencontro com o mar, na
Escola Naval. Terminada a licenciatura em Marinha, embarcou,
no final de 1961, como 2º tenente, na fragata Vasco da Gama,
em Angola. Especializou-se em Artilharia e, mais tarde, em
Fuzileiro Especial. Esta especialização fê-lo conhecer o comba-
te nos rios e em terra, na Guiné, como Comandante do Desta-
camento N.º 13 de Fuzileiros Especiais, de 1968 a 1970. Des-
empenhou depois, sucessivamente, as funções de professor da
Escola Naval e de Director do Laboratório de Explosivos,
Comandante da Força de Fuzileiros do Continente, Capitão dos
portos de Portimão e de Lagos, Comandante do N.R.P. João
Belo, Chefe de Divisão do Estado-Maior da Armada e professor
do I.S. Naval de Guerra. Frequentou, em países da OTAN, uma
dezena de cursos, o último dos quais, em 1988/89, no Naval
War College, EUA. Nos postos de almirante, foi subchefe do
Estado-Maior da Armada, superintendente dos Serviços do
Material, comandante naval e Commander-in-Chief Iberian Atlan-
tic Area. Entre 1997 e 2002 desempenhou o cargo de Chefe do
Estado-Maior da Armada. Terminado o serviço no activo, tem-
se dedicado a actividades de cidadania que visam a ligação de
Portugal ao mar, como a Comissão Estratégica dos Oceanos. É
professor convidado da Universidade Católica e membro do
European Security Research Advisory Board da UE. Entre várias
obras publicadas, a última foi o Caderno Naval intitulado O
mar, um oceano de oportunidades para Portugal (2005). Das várias
condecorações nacionais e estrangeiras destacam-se a Grã Cruz
da Ordem Militar de Cristo e a Grã Cruz da Ordem Militar de
Aviz.
Vasco Graça Moura
Nasceu no Porto, em 1942. Escritor. Actualmente, deputado ao
Parlamento Europeu (2004). Advogado no Porto entre 1966 e
1983. Duas vezes secretário de Estado (1975). Director da
Radiotelevisão Portuguesa (1978). Administrador da Imprensa
Nacional – Casa da Moeda (1979/89). Comissário-Geral de
Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988/92) e para
as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1988/95).
Director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Funda-
ção Calouste Gulbenkian (1996/99). Tem extensa bibliografia,
como poeta, romancista, ensaísta, cronista e tradutor (Dante
Alighieri, Petrarca, François Villon, Ronsard, Racine, Garcia
Lorca, Rainer Marie Rilke, Shakespeare, Seamus Heaney, Gott-
fried Benn, H. M. Enzensberger, Walter Benjamin, entre
outros). Colabora regularmente na imprensa, rádio e televisão
como crítico literário e comentador político. Entre os prémios
literários que recebeu destacam-se o Prémio Pessoa/1995, o
grande prémio de poesia da Associação Portuguesa de Escrito-
res/97, o prémio de poesia do Pen Club/94, o grande prémio de
tradução do Pen Club e o prémio Jacinto do Prado Coelho da
Associação Internacional dos Críticos Literários/86. Em 1998, a
cidade de Florença atribuiu-lhe a sua medalha de ouro. Em
2002 recebeu, em Itália, o prémio internacional La cultura del
mare. Prémio Diego Valleri, Monselice, Itália (2004). Prémio
Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga, 2004.
Notas biográficas dos autores
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 272
ATLAS DE PORTUGAL IGP 273
AAVV – A Presidência Portuguesa na União Europeia.
Janeiro a Junho 2000, n.º 7. Lisboa: Centro de Informação Euro-
peia Jacques Delors, 2000.
AAVV – Europa Novas Fronteiras. A Estratégia de Lisboa.
Dezembro 2001, n.º 9/10. Lisboa: Centro de Informação Euro-
peia Jacques Delors, 2001.
ACADEMIA DE MARINHA – Simpósio O Mar no Futuro
de Portugal. Lisboa: AC, 2003.
AFONSO, M. I. R. et al. – Plantas do Algarve. Lisboa: Serviço
Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1991.
ALMEIDA, A. N. de – Famílias. In Portugal Social 1991-2001.
Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2003.
ANACOM – Anuário Estatístico 2002. Lisboa: ANACOM,
2003.
ARROTEIA, J. C. – Aspectos económicos e sociais da população nos
Censos 2001. In Seminário Censos 2001 [em linha]. Instituto
Nacional de Estatística, 2002 [http://www.ine.pt/prodserv/estu-
dos/pdf/Censos_2001_JA.pdf].
BRANCO, J. F. – Camponeses da Madeira: as bases mate-
riais do quotidiano no Arquipélago (1750-1900). Lisboa:
Publicações Dom Quixote, 1987.
CABRAL, F. C. et al. – A Árvore em Portugal, Lisboa: Assírio
& Alvim, 1999.
CARNEIRO, R. (coord.) – O futuro da educação em Portu-
gal, tendências e oportunidades. Um estudo de reflexão
prospectiva. Lisboa: Ministério da Educação. 2000.
CARNEIRO, R. (coord.) – O Milénio Português. Lisboa: Cír-
culo de Leitores, 2001
COMBES, J. (dir.) – L'Europe de la préhistoire à nos jours.
Ecully: Horvath Edit., 1991.
COMISSÃO MUNDIAL INDEPENDENTE PARA OS
OCEANOS – O Oceano Nosso Futuro. Lisboa: Expo 98 e
Fundação Mário Soares, 1998.
CORBIN, A. – História dos Tempos Livres. Lisboa: Editora
Teorema,. 1995.
COSTA, L.; et. al – Zonas importantes para as aves em Por-
tugal. (1.ª ed.) Lisboa: Sociedade Portuguesa para o Estudo das
Aves, 2003.
COSTA, M. – Resinosas. In Árvores e Arbustos Florestais. Lis-
boa: Litexa Ed., 1998.
CUNHA, L. – Perspectivas e Tendências do Turismo. Lis-
boa: Edições Universitárias Lusófona, 2003.
DIAS, J. – Os Elementos Fundamentais da Cultura Portu-
guesa. Ensaios Etnológicos. Lisboa: Junta de Investigações do
Ultramar. 1961.
DIRECÇÃO-GERAL DE AGRICULTURA – Situação da Agri-
cultura em Portugal. In Relatório sobre a situação da Agricultu-
ra em Portugal. Documento de trabalho DG AGRI. 2003.
Comunicação da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Euro-
peu.
DIRECÇÃO-GERAL DAS FLORESTAS – Inventário Flores-
tal Nacional, 1995-1998. Relatório final (3.ª revisão). Lisboa:
Direcção-Geral das Florestas, 2001.
DIRECÇÃO-GERAL DAS FLORESTAS – Programa de
Acção para o Sector Florestal. Lisboa: Direcção-Geral das Flo-
restas, 2003.
DIRECÇÃO-GERAL DO ORDENAMENTO DO TERRI-
TÓRIO E DESENVOLVIMENTO URBANO – Relatório de
Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, 2001
(não publicado).
DIRECÇÃO REGIONAL DO AMBIENTE DOS AÇORES –
Plano Sectorial para a Rede Natura 2000 na Região Autó-
noma dos Açores 2004.
DIRECÇÃO REGIONAL DO AMBIENTE E RECURSOS
NATURAIS DA MADEIRA – Plano Regional da Política de
Ambiente 2000.
FERNANDES, A. et al. – Flórula Vascular da Mata da Bufarda.
Lisboa: Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da
Natureza, 1991.
FERNANDES, F. M. et al. – Portugal Botânico de A a Z.
Plantas Portuguesas e Exóticas. Lisboa: Lidel, 2003.
FERRÃO, J. – Três décadas de consolidação do Portugal demográfico
moderno. In BARRETO, A. (org.) – A Situação Social em Por-
tugal 1960-1995 (1ª ed.) Lisboa: Universidade de Lisboa-Institu-
to de Ciências Sociais, 1996.
FORJAZ, V. H. (coord. e ed.) – Vulcão dos Capelinhos –
retrospectivas. Vol. I. Ponta Delgada: Observatório Vulcanológico
e Geotérmico dos Açores, 1997.
FOUCHER, M. (dir.) – Asies Nouvelles. Paris: Éditions Belin,
2002.
FRANCO, J. A. – Nova Flora de Portugal (Continente e
Açores). 2 vols. Sociedade Astória, 1971 e 1984.
FRANQUINHO, L. O. et al. – Madeira. Plantas e Flores. Fun-
chal: Francisco Ribeiro Ed., 1990.
INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – Pla-
no Sectorial da Rede Natura 2000. Lisboa: ICN, 2005.
INSTITUTO HIDROGRÁFICO – Roteiro da Costa de Por-
tugal. Lisboa: IH, 1990.
INSTITUTO PARA A INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO – Pes-
cas e Aquicultura em Portugal. Lisboa: INOFOR, 2001.
INSTITUTO NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO – A face
oculta da Governança: Cidadania, Administração Pública
e Sociedade. Oeiras: INA, 2001.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Recensea-
mento Agrícola do Continente. Gado. 1979. Lisboa: INE, 1979.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Recensea-
mento geral de agricultura 1999. Portugal. Análise de
resultados. Lisboa: INE, 2001.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Atlas das
cidades de Portugal, Lisboa: INE, 2002.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – 30 Anos de
25 de Abril. Um retrato estatístico. Lisboa: INE, 2004.
JARDIM, R. et al. – Flores da Madeira. Lisboa: Livros e Livros.
2005.
JULIÃO, R. P. – Tecnologias de Informação Geográfica e
Ciência Regional: Contributos Metodológicos para a Defi-
nição de Modelos de Apoio à Decisão em Desenvolvimento
Regional. Dissertação de Doutoramento. Lisboa: Universidade
Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2001.
LEAL, J. – Cultura Popular e Identidade Nacional in Etnografias
Portuguesas (1870-1970). Lisboa: Publicações Dom Quixote,
2000.
LIDON, F. J. C. et al. – Plantas de Portugal. Evolução e Taxo-
nomia. Lisboa: Escolar Editora. 2005.
LOURENÇO, E. – O Labirinto da Saudade. Lisboa: Círculo
de Leitores, 1988.
MARTINS, F. R. – Pinhal Interior Sul e o regresso de emi-
grantes (1975-2001). Dissertação de doutoramento. Lisboa:
Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas, 2003.
MEDEIROS, C. A. – A ilha do Corvo. Lisboa: IAC-Centro de
Estudos Geográficos, 1967.
MEDEIROS, C. A. – Geografia de Portugal. Ambiente
Natural e Ocupação Humana; uma introdução. Lisboa: Edi-
torial Estampa, 1987.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DESENVOLVIMENTO
RURAL E PESCAS – Programa de acção para o sector flo-
restal. Lisboa: MADRP, 2003.
MINISTÉRIO DAS CIDADES E ORDENAMENTO DO
TERRITÓRIO – Relatório de Estado do Ambiente 2001.
Lisboa: MCOT, 2002.
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE
PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – População e desen-
volvimento humano. Lisboa: MF-DPP, 2002.
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE
PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – Portugal, o litoral e a
globalização. Ed. MF-DPP, 2003
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE
PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – Um Olhar sobre Por-
tugal. Lisboa: MF-DPP, 2004.
MONIZ, A. B. et al. – Pescas e Pescadores. Futuros para o
Emprego e os Recursos. Oeiras: Celta Editora, 2000.
MORAIS, P. de et al. – Porto de partida – Porto de Chegada.
A emigração portuguesa (1.ª ed.). Lisboa: Âncora Editora,
2003.
MORTON, B. et al. – Coastal Ecology of the Azores. Ponta
Delgada: Sociedade Afonso Chaves, 1998.
MOUGENOT, D. – Geologia da Margem Portuguesa. Lis-
boa: Instituto Hidrográfico, 1989.
MISSÃO PARA A SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO – Livro
Verde para a Sociedade de Informação. Lisboa: Missão para a
Sociedade de Iinformação-Ministério da Ciência e Tecnologia, 1997.
NAZARETH, M. – População. In Portugal Social 19991-2001.
Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2003.
PARLAMENTO EUROPEU – Manual da Política Comum
da Pesca. Série Agricultura – Florestas – Pesca, E-2., 1994.
PEARCE, D. – Tourist Development. Londres: Longman,
1989.
PEIXOTO, J. – País de emigração ou país de imigração? Mudança e con-
tinuidade no regime migratório em Portugal. In Socius Working
Papers n.º 2. [em linha]. Lisboa: Universidade Técnica de
Lisboa-Instituto Superior de Economia e Gestão, 2004
[http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/wp/wp200402.pdf].
PENA, A. et al. – Roteiros da Natureza. Açores. Lisboa: Temas
e Debates, 1997.
PEREIRA DA SILVA, C. – Áreas Protegidas em Portugal: Que papel?
In Geoinova n.º 2, Conservação da Natureza e Desenvolvi-
mento Económico. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-
Departamento de Geografia e Planeamento Regional, 2000.
PEREIRA DA SILVA, C. – Environmental Issues in Portugal: Towards
a Sustainable Future? In SYRETT, S. (ed.) – Contemporary Por-
tugal. Dimensions of economics and political change. Lon-
dres: Ashgate Publishing, 2002.
PEREIRA DA SILVA, C. – Gestão Litoral. Integração de
Estudos de Percepção da Paisagem e Imagens Digitais na
Definição da Capacidade de Carga de Praia. O Troço Lito-
ral S.Torpes – Ilha do Pessegueiro. Dissertação de Doutora-
mento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciên-
cias Sociais e Humanas, 2002.
PEREIRA, J. M.; SANTOS, M. T. – Áreas queimadas e risco
de incêndio em Portugal. Lisboa: Ministério da Agricultura,
Desenvolvimento Rural e Pescas, 2003.
PIMENTEL, D. – Mobilidade geográfica e desenvolvimen-
to regional. O caso da Beira Interior Sul. Dissertação de dou-
toramento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas, 1999 (policopiado).
RAIMUNDO, A. et al. – Manual Ilustrado de Espécies da
Flora Portuguesa. Continente (2 vols). Direcção-Geral de Pla-
neamento e Agricultura. S/d.
RESENDE. J. M. ; VIEIRA, M. M. – Educação. In Portugal
Social 19991-2001. Lisboa: INE, 2003.
RIBEIRO, M. A. – A Zona Económica Exclusiva. Lisboa:
Universidade Técnica de Lisboa-Instituto Superior de Ciências
Sociais e Políticas, 1992
RIBEIRO, O. – A ilha da Madeira em meados do séc. XX.
Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1985.
RIBEIRO, O. – Geografia de Portugal (4 vols.). Lisboa: João Sá
da Costa Edições, 1987.
RIBEIRO, O.; LAUTENSACH, H.; DAVEAU, S. – O Povo Por-
tuguês. In Geografia de Portugal (vol. III). Lisboa: Edições João
Sá da Costa, 1989.
RIBEIRO, O. ; SOEIRO de BRITO, R. – Primeira notícia do vulcão
dos Capelinhos na ilha do Faial. In Naturalia, vol. II, fasc. I-IV,
1957-58.
ROCA, M. N.; PIMENTEL, D. – Dinâmicas populacionais e desen-
volvimento territorial em Portugal nos anos noventa: uma análise prelimi-
nar. In IV Congresso da Geografia Portuguesa: actas. Lisboa:
APG, 2001 (CD-ROM) [http://e-geo.fcsh.unl.pt/pdf/cgp_2001
_roca_pimentel_%20website.pdf].
ROSA, M. J.; VIEIRA, C. – A população portuguesa no século XX. In
Análise dos Censos de 1900 a 2001 (1.ª ed.). Lisboa: Universi-
dade de Lisboa-Instituto de Ciências Sociais, 2003.
SANTOS, B. de S. – Pela Mão de Alice: O Social e o Políti-
co na Pós-Modernidade. Porto: Afrontamento, 1994.
SERVIÇO REGIONAL DE ESTATÍSTICA DA MADEIRA –
Anuário estatístico da Região Autónoma da Madeira.
SREM. Vários números.
SERVIÇO REGIONAL DE ESTATÍSTICA DOS AÇORES –
Séries Estatísticas. SREA. Vários números.
SILVA, A. S. – A Dinâmica Cultural das Cidades Médias: uma sonda-
gem do lado da oferta. In FORTUNA, C. (org.), 2002.
SILVA, A. S. (org.) – Projecto e Circunstância: Culturas
Urbanas em Portugal. Porto: Afrontamento, 2002.
SILVA, J. F. – Oceanos. Glossário Anotado de Termos
Correntes. Lisboa: Expo'98, 1998.
SOARES, N. – O sistema urbano português (1890-1991).
Dissertação de doutoramento. Lisboa: Universidade Nova de Lis-
boa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1998 (policopiado).
SOEIRO de BRITO, R. – Uma Aldeia da Montanha do Minho: o
Soajo – Estudo de Geografia Humana. Lisboa: Separata da Revista
da Faculdade de Letras de Lisboa, Tomo XVIII, 2.ª Série,
n.º 1 e 3, 1953.
SOEIRO de BRITO, R. – Les Îles de l’Atlantique et leur rôle dans
l’Histoire des Découvertes Maritimes. In Atti del II Convegno Inter-
nazionale di Studi Colombiani Génova, 1977.
SOEIRO de BRITO, R. (dir.) – Portugal Perfil Geográfico.
Lisboa: Editorial Estampa, 2ª edição, 1997.
SOEIRO de BRITO, R. – No Trilho dos Descobrimentos.
Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Desco-
brimentos Portugueses, 1997.
SOEIRO de BRITO, R. – Goa e as Praças do Norte revisita-
das. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Des-
cobrimentos Portugueses, 1998 (edição actualizada).
SOEIRO de BRITO, R. – Nordeste Alentejano em Mudan-
ça. Lisboa: Edições INAPA, 2000.
SOEIRO de BRITO, R. – São Miguel: a ilha verde. Ribeira
Grande: Coingra Edições, 2004 (edição actualizada).
SOUTO, H. – Comunidades de Pesca Artesanal na Costa
Portuguesa. Dissertação de Doutoramento. Lisboa: Universidade
Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1998.
VASCONCELLOS, J. L. de – Etnografia Portuguesa (vols III
e IV). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1982.
VIEIRA, J.; PINTO, M.; PEREIRA, R. (coord.) – Florestas de
Portugal. Lisboa: Direcção-Geral das Florestas, 2000.
Bibliografia
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 273
274 ATLAS DE PORTUGAL IGP
MAPAS
18-19 Carta de Portugal Instituto Geográfico Português (IGP)
28 Morfologia dos fundos do Oceano Atlântico Norte Ins-
tituto Hidrográfico (IH) 29 Correntes de superfície no Oceano
Atlântico Norte IH 31 Batimetria do Oceano Atlântico
Norte na zona do ‘mar português’ IH 33 Perfis orobatimé-
tricos da costa portuguesa IH 38 Esquema das principais
falhas activas / Esquema morfoestrutural Instituto Nacional de
Engenharia, Tecnologia e Inovação [INETI (ex-IGM)] 39 Carta geo-
lógica de Portugal continental INETI (ex-IGM). Generalização
a partir da Carta Geológica de Portugal à escala 1/500 000 – 5.ª edição
(1992) dos Serviços Geológicos de Portugal: T. A. Cunha. Digitalização e
Sistemas de Informação Geográfica: T. A. Cunha, T. Prates. Coordenado-
res: Mesozóico/Cenozóico, M. M. Ramalho. Precâmbrico /Paleozóico, J. T.
Oliveira. 2004 42 Carta hipsométrica IGP 44 Carta de decli-
ves IGP 45 Intensidade sísmica (escala de Richter) / Com-
pilação de dados sísmicos, do ano 63 aC a 1989 dC, na mar-
gem Oeste da Península Ibérica, segundo a teoria de Keilis-
-Borola Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa 46 Esboço
morfológico da ilha do Corvo MEDEIROS (1967) / Esboço
morfológico da ilha de São Miguel SOEIRO de BRITO (2004)
47 Evolução do vulcão dos Capelinhos MACHADO e FREI-
RE in FORJAZ (1997) 50 Precipitação >=1mm / Insolação
anual / Temperatura média do ar anual Instituto de Meteorologia
(IM) 51 Precipitação total anual IM 53 Temperatura média
do ar nos meses de Verão IM / Média da temperatura máxi-
ma do ar nos meses de Verão / Humidade relativa nos meses
de Verão (às 09h00TU) / Temperatura média do ar nos
meses de Inverno / Média da temperatura mínima do ar nos
meses de Inverno / Risco de geada IM 54 Intensidade do
vento / Rosas de vento IM 56 Índice de conforto bioclimáti-
co, 1941/2000 IM 58 Anomalias de temperaturas mínimas
do ar, 2002 / Onda de calor / Média da temperatura máxima
do ar / Média da temperatura mínima do ar IM 59 Precipi-
tação total anual. Terceira, São Miguel e Madeira / Tempe-
ratura média anual do ar. Terceira, São Miguel e Madeira
IM 60 Precipitação total nos meses de Inverno. Terceira,
São Miguel e Madeira / Precipitação total nos meses de
Verão. Terceira, São Miguel e Madeira / Média da tempera-
tura mínima do ar nos meses de Inverno. Terceira, São
Miguel e Madeira / Média da temperatura máxima do ar
nos meses de Verão. Terceira, São Miguel e Madeira IM 61
Rede hidrográfica Instituto da Água (INAG) 62 Bacias hidro-
gráficas INAG 64Distribuição de tipos de solos Direcção-Geral
do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTDU)
68-69Unidades e grupos de unidades de paisagem DGOTDU/
Divisões regionais do Continente Esquema de Orlando Ribeiro
71 Rede Nacional de Áreas Protegidas Instituto de Conservação
da Natureza (ICN) 73 Áreas Protegidas das Regiões Autóno-
mas dos Açores e Madeira Secretaria Regional do Ambiente e do Mar,
Região Autónoma dos Açores; Secretaria Regional do Ambiente e Recursos
Naturais, Região Autónoma da Madeira 74 Rede Natura – Zonas
Especiais de Protecção / Sítios de Interesse Comunitário
Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, Região Autónoma dos Açores;
Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Região Autónoma da
Madeira; Professor João Porteiro, Universidade dos Açores, e Dr. Richard da
Mata 75 Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Protecção
ICN 76 Rede Natura 2000 – Sítios de Interesse Comunitá-
rio ICN 78 Áreas de protecção de avifauna Associação Portugue-
sa para o Estudo das Aves (APEA) 79 Espécies que nidificam em
Portugal APEA 87 Densidade populacional, 2001 Instituto
Nacional de Estatística (INE) 88 Distribuição da população no
continente, 1940 INE 89 Distribuição da população, 2001
INE 90 Ano de máximo populacional INE 91 Evolução da
população, 1981/2001 INE 92 Crescimento efectivo da
população, 1991/2001 / Crescimento natural, 1991/2001 /
Crescimento migratório, 1991/2001 INE 95Índice de envelhe-
cimento, 2001 / Índice de dependência total, 2001 INE
97 Escolas encerradas, 1991/2003 / Escolas básicas integra-
das, criadas entre 1991/2003 Ministério da Educação 101 Regres-
so de emigrantes portugueses – 1976/1981 / 1986/1991 / 1996/
2001 INE 103 Estrangeiros por 1 000 habitantes, 2001
INE 105 Espaços artificializados, 2004 DGOTDU 106 Luga-
res com mais de 2 500 habitantes, 2001 INE 108 População
residente nas cidades, 2001 INE 109 Sistema urbano nacio-
nal INE 111 Alojamento por edifício, 2001 INE 112 Gran-
des edifícios, com 4 ou mais pavimentos, 2001 INE 113 Edi-
fícios por época de construção INE 114 Alojamentos ocu-
pados pelos proprietários, 2001 / Índice de envelhecimento
dos edifícios, 2001 / Edifícios construídos depois de 1990 /
Edifícios com necessidade de reparação, 2001 INE 115 Prin-
cipal meio de transporte utilizado, 2001 / População estran-
geira residente nas cidades, 2001 / Profissão principal da
população residente, 2001 INE 121Iniciativas no âmbito do
POSI, 2004 / Espaços Internet, 2004 Programa Operacional Socie-
dade da Informação (POSI) 122 Alojamentos cablados, 2003
Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) / Estabeleci-
mentos postais por concelho, 2004 Correios de Portugal (CTT)
123 Telefones por 100 habitantes, 2003 ANACOM / Tráfego
postal por concelho, 2004 CTT 125 Plano Rodoviário
Nacional, 2004 Estradas de Portugal (EP) / Rede de serviço
expresso rodoviário, 2004 Direcção-Geral de Transportes Terrestres e
Fluviais 126 Acessibilidade potencial a Lisboa, Porto e Faro,
2004 / Distâncias-tempo a partir das sedes de concelho, 2004
Construído po Rui Pedro Julião a partir de dados de Estradas de Portugal
127 Rede Ferroviária Nacional, 2004 Caminhos-de-Ferro Portu-
gueses (CP) 128 Tipologias do serviço ferroviário nacional,
2004 CP 129 Traçado da rede ibérica de alta velocidade XIX
Cimeira Ibérica, 2003 / Portos e marinas, aeroportos e
aeródromos, 2004 Municípia 138 Regiões agrícolas INE
139 Terra arável, dentro das explorações, 1999 INE 141 SAU
na superfície total das explorações, 1999 INE 142 Culturas
permanentes na área de SAU, 1999 INE 143 Fragmentação
da propriedade, explorações com mais de 10 blocos, 1999
INE 146 Concelho de residência dos produtores/transfor-
madores em modo de produção biológico, 2004 Instituto de
Desenvolvimento Rural e Hidráulica (IDRHa) 147-148 Distribui-
ção de efectivos de gado e de explorações, 1999 INE 151-
-153 Áreas geográficas dos principais produtos de qualida-
de certificados IDRHa 155 Carta ecológica Direcção-Geral dos
Recursos Florestais (DGRF) 157 Distribuição das espécies flo-
restais, 1999 Adaptado de PEREIRA e SANTOS (2003) 158 Distri-
buição da floresta nas ilhas da Madeira e do Porto Santo,
2000 Adaptado de VIEIRA e tal. (2000) 160 Carta de risco de
incêndio, 2000 Adaptado de PEREIRA et tal. (2003) / Áreas ardi-
das por concelho, 1995/2002 DGRF 161 Áreas ardidas,
1990/2003 Adaptado de PEREIRA e tal. (2003) 165 Ocorrências
geomineiras INETI (ex-IGM) 169 Zona Económica Exclusi-
va IH 170 Descargas de pescado fresco e refrigerado por
portos e principais espécies, 2002 INE 171 Descargas de pes-
cado fresco e refrigerado por portos e principais espécies,
2002 INE 172 Embarcações e TAB média por embarcação,
2002 INE 173 Pescadores matriculados por porto e por arte,
2002 INE 174 Produção de conservas de pescado por espé-
cies e centros conserveiros, 2002 INE 175 Produção aquícola,
2001 INE 177 Produto Interno Bruto, a preços de mercado,
por NUT III, 2001, INE 178 Estabelecimentos financeiros,
2002 / Consumo de electricidade industrial per capita, por
concelho, 2002 INE 179 Síntese da especialização Industrial
por regiões (NUT III), cálculos a partir do emprego, 1999
Departamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério das Finanças
(DPP) 180 Rendimento Líquido Médio do agregado fami-
liar por NUT III, 2001 / Índice de Poder de Compra per
capita, 2004 INE / Índice de Poder de Compra “turístico”,
2004 adaptado de INE 181 População empregada no sector
primário, 2001 / População empregada no sector secundá-
rio, 2001 / População empregada no sector terciário, 2001 /
Sector de actividade dominante, 2001 INE 182 Sociedades
na indústria transformadora, 2001 / Sociedades industriais
com 10 e mais pessoas ao serviço, 2001 / IRC liquidado por
distritos e regiões autónomas, 2000 / Variação do IRC
liquidado por distritos e regiões autónomas, 1999/2000 INE
184 Factores de competitividade nas regiões do litoral, 2003
DPP (2003) 185 Comércio Internacional, exportações para
a UE, por NUT III, 2002 / Comércio Internacional, total de
exportações, por NUT III, 2002 / Comércio Internacional,
importações da UE, por NUT III, 2002 /Comércio Interna-
cional, total de importações, por NUT III, 2002 INE 186IRS
médio liquidado por agregado familiar, por distrito, 2000
Direcção Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) / Beneficiários
do subsídio de desemprego com menos de 30 anos, 2003 INE
e Instituto de Gestão Financeira e Segurança Social (IGFSS) 187 Recei-
tas totais das Câmaras Municipais, 2002 – fundos munici-
pais / empréstimos /contribuição autárquica INE 188 Des-
pesas totais das Câmaras Municipais, 2002 – investimento /
pessoal INE 199 Comarcas, século XV CARNEIRO et al
(2001) / Províncias Reforma administrativa de 1936 / Distri-
tos / Concelhos IGP 200 NUT II e III e Áreas Metropolita-
nas, 2004 DGOTDU 201 Cidades por época de nomeação
INE 203 Planos Directores Municipais por ano de ratifica-
ção / Planos Regionais de Ordenamento do Território apro-
vados DGOTDU 204 Programas Urbanos – PRAUD, PRO-
SIURB e POLIS DGOTDU 205 Alojamentos por cada 100
famílias residentes, 2001 / População residente por aloja-
mento, 2001 / Taxa média da mortalidade infantil, 1998/2002
/ Índice de envelhecimento, 2002 INE 206 Consumo de
água, capitação em m3/ano, 2002 / Resíduos tratados, 2002 /
População com sistemas de drenagem de águas residuais,
2002 / População servida com ETAR, 2002 INE 207 Balanço
depósitos/créditos, 2002 / Licenciados por 1 000 habitantes
com qualificação académica, 2001 / Profissionais qualifica-
dos e quadros por 1 000 habitantes, 2001 / Médicos por 1 000
habitantes, 2002 INE 208 Consumo doméstico de electrici-
dade por família, 2002 INE / Veículos ligeiros e mistos por
1 000 habitantes, 2001 Instituto de Seguros de Portugal (ISP) 209
Área desportiva útil por 1 000 habitantes, 2002 Instituto do Des-
porto de Portugal (IDP) / Indicador de Qualidade de Desenvol-
vimento, 2002 Construído po Lourdes Poeira a partir dos indicadores
atrás considerados 218-219 Reconstrução da cidade de Velha
Goa, século XVI / Distribuição de igrejas, devalaias e mes-
quitas, 1960 Raquel soeiro de Brito, 1998 220 População nos paí-
ses de língua portuguesa, 2001 Instituto Português de Apoio ao
Desenvolvimento / População de origem portuguesa residente
no estrangeiro, 2003 Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e
Comunidades Portuguesas 221 Presença cultural do Instituto
Camões e associações de portugueses no mundo, 2004 Ins-
tituto Camões e Secretaria de Estado das Comunidades
Portuguesas / Meios de comunicação social em português
no mundo, 2004 Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas
223 Bibliotecas, 2001 INE 224 Museus, 2001 / Cinemas, 2001
INE 225 Distribuição do Património classificado, 2004 –
Antas e menires / Fortes, castelos e torres / Capelas e igrejas
/ Palácios e paços Instituto Português do Património Arquitectónico
(IPPAR) 226 Localização do Património mundial, 2004
IPPAR / Monumentos nacionais por concelho, 2004 Direcção-
Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) 228 Europa
de 1945 http://europa.eu.int 229 Alargamento do número de
países-membros de 1957 a 2007 http://europa.eu.int 235 Mapa
Oficial da UE-25 http://europa.eu.int
GRÁFICOS
33 Perfis orobatimétricos da costa portuguesa Instituto
Hidrográfico (IH) 34 Altura das ondas inferior a 1m IH 46
Sismos sentidos nos Açores com intensidade máxima
superior a V na escala de Mercalli, 1974/2001 Faculdade de
Ciências da Universidade de Lisboa / Temperatura média mensal
da água do mar à superfície, às 09h00 TU IH 62 Extensão
dos rios nacionais Instituto da Água (INAG) 70 Criação de
Áreas Protegidas, 1970/2004 Instituto de Conservação da Natureza
(ICN) 86 População residente em Portugal, 1900/2001 Insti-
tuto Nacional de Estatística (INE) 94 Saldo natural e saldo
migratório / Taxas de natalidade, mortalidade e mortali-
dade infantil, 1960/2003 / Esperança de vida à nascença /
Pirâmide de idades, 1960 e 2001 INE 95 Tendências de
evolução dos alunos matriculados Ministério da Educação
(ME) / Estrutura das famílias segundo a dimensão média,
1960 e 2001 INE 96 Alunos no ensino público, por grau ME
/ Despesa pública em educação EUROSTAT 99 Evolução
do fenómeno migratório em Portugal, 1900/2003 Adaptado
de MORAIS (2003) / Emigrantes segundo o tipo de emigra-
ção, 1992/2003 / Emigrantes por países de destino,
1992/2003 INE 100 Remessas de emigrantes Banco de Por-
tugal 102 Estrangeiros residentes em Portugal 1975/2003 /
Principais países de origem de estrangeiros com residên-
cia legalizada / Autorizações de permanência concedidas,
2001-2003 Serviço de Estrangeiros e de Fronteiras 124 Variação das
distâncias entre localidades, 1975/2001 / Distâncias entre
localidades Automóvel Club de Portugal 139 Ocupação do solo,
1999 INE 140 Produção agrícola total e grau de auto-sufi-
ciência em produtos agrícolas a preços correntes,
1988/2001 / Comércio agro-alimentar português: fluxos
comerciais intra e extra comunitários, 1988/2002 INE /
Importância da agricultura a nível regional EUROSTAT
141 Distribuição dos usos do solo, por NUT II, 1999 /
Variação do número de tractores, 1989/1999 INE 142 Dis-
tribuição do uso do solo agrícola em Portugal, 1979/1999
INE 142-143 1989 a 1999: uma década de evolução – cere-
ais para grão / pomares de frutos frescos / pomares de
citrinos / pomares de frutos secos / vinha / olival / prados e
pastagens permanentes INE 143 Variação da SAU, 1989/
1999 INE 145 Evolução da área cultivada em modo de pro-
dução biológico, 1993/2002 / Agricultores em modo de produ-
ção biológico, 1993/2002 Instituto de Desenvolvimento Rural e
Hidráulica (IDRHa) 146 Repartição da área cultivada em
modo de produção biológico, 2002 IDRHa 148-149 Varia-
ção dos efectivos de gado, 1989 e 1999 INE 149 Média
anual da população empregada no sector primário,
1974/2002 / Nível de instrução dos dirigentes das explora-
ções, 1999 / Explorações que recorrem a ajudas e subsídios,
1999 INE 150 Importância da actividade não agrícola, por
região, 1999 INE 158 Distribuição dos tipos de povoamen-
to florestal, 1999 Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF)
170-171 Pescadores no Continente, 1900/2002, e desem-
barques de pescado em Portugal (incluindo ilhas),
Créditos
Os números a azul designam as páginas. A negro, o título da figura.
A itálico fino, a fonte
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 274
ATLAS DE PORTUGAL IGP 275
1938/2003 INE 174 Produção de transformados, por tipo
de produto, 1992/2002 INE 175 Evolução da balança
comercial dos produtos de pesca, 1993/2002 INE 177 Evo-
lução do PIB per capita e do produto por trabalhador em
Portugal (PPC), 2003 EUROSTAT 188 Receitas das Câma-
ras Municipais, 2002 / Despesas das Câmaras Municipais,
2002 INE 190 Receitas do Turismo, 1964/2003 Direcção-Geral
do Turismo (DGT) 197 Entrada de turistas em Portugal,
1967/2002 / Evolução dos principais países de origem de
turistas, 1984/2002 / Principais origens dos turistas entrados
em Portugal, 2002 DGT 220 Principais países de residên-
cia dos portugueses, 2003 / Distribuição dos portugueses
por continente, 2003 Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e
Comunidades Portuguesas 230 Superfície da Europa / Popula-
ção, 2003 / Densidade populacional, 2003 / Programa Eras-
mus, 1987/88 a 2000/01 http://europa.eu.int 231 Estudantes,
excepto pré-primária, 2000 / Despesa com I & D, 2001 / PIB
em paridade de poder de compra (PPC)/habitante, 2001 /
Despesa em protecção social/habitante, 2001 http://
europa.eu.int 232 Empregados na Primavera, 2002 / Desem-
prego, 2003 / Importação de energia em milhares de tone-
ladas equivalente de petróleo, 2001 / Computadores por
100 habitantes, 2001 / Telemóveis por 100 habitantes, 2002
/ Exportações para a EU no total da exportação, 2001
http://europa.eu.int 233 Europa do alargamento – Superfície /
População, 2003 / Densidade populacional, 2003 / Desem-
prego, 2003 / Telemóveis por 100 habitantes, 2002 / Com-
putadores por 100 habitantes, 2001 http://europa.eu.int
QUADROS
52 Precipitação e temperaturas Instituto de Metereologia (IM)
56 Variação das temperaturas anuais / Variação dos valores
da precipitação de Outubro a Março IM 62 Rios interna-
cionais / Caudais dos principais rios Instituto da Água (INAG)
91 População residente, 1900/2001 / Variação da população
residente, 1950/2001 Instituto Nacional de Estatística (INE) 96
População segundo o nível de ensino / População dos 25
aos 64 anos, segundo a escolaridade INE / Jovens dos 19 aos
24 anos que frequentam o ensino superior, 2002 OCDE,
Education at a Glance 2003 107 Cidades, 2004 INE 128 Movi-
mento comercial nos principais portos de Portugal conti-
nental, 2003 INE 129 Tráfego aéreo em Portugal, 2003
Aeroportos e Navegação Aérea, SA (ANA) 149 Repartição dos
efectivos animais, 1999 INE 156 Espécies florestais indica-
das para cada região de arborização Direcção-Geral dos Recur-
sos Florestais (DGRF) 162 Áreas ardidas por tipo de ocupação
do solo e por ano, 1993/1999 Adaptado de PEREIRA e SANTOS
(2003) 163 Espécies cinegéticas Adaptado de CARVALHO in
VIEIRA et al. (2000) / Calendário venatório, 2004/2005 DGRF.
Disponível em www.dgf.min-agricultura.pt 166 Principais subs-
tâncias exploradas nas minas do Continente INETI (ex-
IGM) [Consult. Nov. 2004] Disponível em www.igm.ineti.pt/edicoes_
online/inf_estatistica 167 Indústria extractiva: volume e valor
da produção INETI (ex-IGM) 172 Espécies capturadas INE
174 Quantidades desembarcadas e valor da 1.ª venda,
2002 INE 176 Indicadores Macroeconómicos, 2004 Depar-
tamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério das Finanças
(DPP) 177 Produto Interno Bruto, óptica sectorial,
1999/2003 DPP 178 Evolução da actividade industrial,
1999/2003 DPP 179 Estrutura Empresarial, 2001 DPP 180
Estrutura do Emprego, 2004 DPP 184 Competitividade,
2004 / Estrutura do Comércio Externo, 2004 DPP 186
Segurança Social 1999/2003 INE e Instituto de Gestão Financeira
e Segurança Social (IGFSS) 229-234 Datas-chave para a cons-
trução da Europa http://europa.eu.int
FOTOGRAFIAS
27 Porto Côvo Raquel Soeiro de Brito 30 Afloramentos rocho-
sos na costa Norte da ilha da Madeira / Sedimentos na cos-
ta Norte da ilha da Madeira / Perfil da costa Sul da ilha da
Madeira Instituto Hidrográfico (IH) 32 Batimetria do Canhão
da Nazaré IH / Corrente do Golfo NASA 35 Floração de
fitoplâncton ao largo de Portugal NASA 36-37 Portugal
Continental, fachada atlântica da Península Ibérica NASA
40-41 Estuários do Tejo e Sado, Setembro 1998 IGP
43 'Ria' de Faro, Setembro 1998 IGP 45 São Jorge / Santa
Maria / Desertas / Selvagens Raquel Soeiro de Brito 48 Evolu-
ção do vulcão dos Capelinhos – Janeiro 1958 / 6 de Outu-
bro 1957, 16h00 / 11 de Outubro, 07h30 / 15 de Outubro,
14h50 / 18 de Outubro, 10h00 Raquel Soeiro de Brito 49 Evolu-
ção do vulcão dos Capelinhos – 2000 / 1971 / 1979 / 1979 /
1997 Raquel Soeiro de Brito 54 Situação da frente fria de 6 de
Fevereiro 2001, às 14h00 Instituto de Meteorologia (IM) 55 Situa-
ção meteorológica no dia 5 de Novembro 1997 / Situação
de frentes em 29 de Dezembro 1998 IM 57 Propagação das
poeiras do deserto do Sara pelo Atlântico até ao arquipé-
lago da Madeira NASA 61 Cheias do Tejo em Santarém, 7
de Janeiro 2001 / Assoreamento do Tejo em Santarém,
Maio 1997 Fernando Martins 63 Exemplos de traçados de
rios: rio Douro em terreno granítico / Mondego em terre-
no de xisto / Lizandro em terreno de calcário / Mira em
terrenos sedimentares 'recentes' da bacia cenozóica
Municípia 65 Exemplos de vegetação atlântica, mediterrâ-
nea e de laurissilva Raquel Soeiro de Brito 67 Exemplos de pai-
sagens: aldeia perto de Melgaço, paisagem atlântica /
Moinho de maré no estuário do Tejo / Um trecho da
Ribeira da Seda no Crato / Relevo basáltico no sudoeste da
Ilha da Madeira / Coruche, um pequeno centro urbano /
Serra da Arrábida, paisagem mediterrânica / Salinas de
Aveiro / Perfil da ilha do Pico, visto do Faial / Guadiana,
Pulo do Lobo / Ilha do Faial, cidade da Horta Raquel Soeiro
de Brito / Serra da Arrábida, paisagem mediterrânea / Gua-
diana, Pulo do Lobo Carlos Pereira da Silva 72 Exemplos de
Áreas Protegidas – Peneda-Gerês / Douro / Arrábida / Sud-
oeste Alentejano Carlos Pereira da Silva 77 Cagarra Ricardo
Santos / Flamingo Bruno Portela 80-81 Ilha de São Miguel,
Faial da Terra Raquel Soeiro de Brito 116 Évora e a sua envol-
vente, 2002 / Entroncamento, 2002 / São João da Talha,
Loures, 2002 Instituto Geográfico Português (IGP) 117 Évora,
2002 / Quinta do Conde, Sesimbra, 2002 Municípia
118 Viseu, 2002 / Guimarães, 2002 IGP 119 Coimbra, 2002
IGP 130-131 Área Industrial de Sines Abílio Leitão
144 Explorações agrícolas, Salvaterra de Magos, 1999 IGP
159 Floresta, área de risco NASA 167 Mina de sal-gema de
Campina de Cima – Loulé, Algarve INETI (ex-IGM). Dispo-
nível em www.igm.ineti.pt/edicoes _online/inf_estatistica 193 Porto
Côvo, Sines University of Ulster / e-GEO Centro de Estudos de Geo-
grafia e Planeamento Regional, Universidade Nova de Lisboa
196 Exemplos de áreas de turismo litoral: Armação de
Pera, Algarve / Porto Covo, Sines / Exemplos de áreas de
turismo rural: Arrábida / Pinhão, Douro / Ilha do Pico
Carlos Pereira da Silva 210-211 Fortaleza de Diu Raquel Soeiro
de Brito 217 Alguns testemunhos da presença portuguesa –
Velha Goa, vista geral, 1957 / Macau / Velha Goa, ruínas de
Sto Agostinho / Goa, igreja de Chandor / Fortaleza de Diu
Raquel Soeiro de Brito / Mindelo, Cabo Verde António Sachetti /
Malaca / Brasil, São Salvador da Baía Raquel Soeiro de Brito
227 Exemplos de locais classificados como património
mundial – Centro de Angra Maria Adelina Soares / Vinhas do
Pico Ricardo Santos / Mosteiro da Batalha / Centro histórico
do Porto Raquel Soeiro de Brito 234 Imagem do mundo esfé-
rico, centrado na Europa Google earth
871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 275

Atlas portugal

  • 1.
  • 2.
    APRESENTAÇÃO 17 UM PAÍSDE ÁREA REPARTIDA 19 A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS 20 O MAR QUE NOS ENVOLVE 25 A MORFOLOGIA DOS FUNDOS 25 CORRENTES OCEÂNICAS 26 O MAR E A ATMOSFERA 28 VARIAÇÕES DE TEMPERATURA 29 A TERRA QUE HABITAMOS 36 UNIDADES MORFOESTRUTURAIS 38 EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO OESTE PENINSULAR 38 O RELEVO DO CONTINENTE 43 FISIONOMIA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS 43 CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS 50 ELEMENTOS CLIMÁTICOS 50 A IRREGULARIDADE DO TEMPO NO CONTINENTE 54 AS ONDAS DE CALOR 59 O CLIMA DAS ILHAS 59 A REDE HIDROGRÁFICA 61 OS SOLOS 64 A VEGETAÇÃO ‘NATURAL’ 65 TIPOS DE PAISAGEM 66 DIVERSIDADE E GRUPOS DE PAISAGEM 66 ÁREAS PROTEGIDAS 70 AS ILHAS 73 REDE NATURA 2000 77 ÁREAS DE PROTECÇÃO DE AVIFAUNA 77 OS HOMENS E O MEIO 80 TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES 82 A POPULAÇÃO 86 EVOLUÇÃO RECENTE 86 UMA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL 86 BAIXOS NÍVEIS DE NATALIDADE E FORTES SALDOS MIGRATÓRIOS 93 UM ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO 93 A EMERGÊNCIA DE NOVOS COMPORTAMENTOS 93 EDUCAÇÃO 94 TERRA DE MIGRAÇÕES 98 A EMIGRAÇÃO 98 O REGRESSO 100 A IMIGRAÇÃO 102 UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA 104 UMA LEITURA ‘CLÁSSICA’ DO SISTEMA URBANO NACIONAL 104 UMA AVALIAÇÃO RECENTE 106 MUDANÇAS RECENTES 110 LISBOA E PORTO COMO REFERÊNCIAS 110 ‘PRODUZIR’ CIDADE 111 COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE DA POPULAÇÃO 120 REDES DE COMUNICAÇÃO 120 SISTEMA DE TRANSPORTES 123 ÍNDICE
  • 3.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO130 ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS 132 ACTIVIDADES DA TERRA 138 A AGRICULTURA 139 AGRICULTURA EM MODO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICO145 PECUÁRIA 145 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 149 PRODUTOS TRADICIONAIS 150 A FLORESTA 154 A CAÇA 162 A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS EXTRACTÍVEIS 164 RECURSOS VIVOS MARINHOS 168 UM SECTOR ESTRATÉGICO 168 O SECTOR DAS PESCAS 172 ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL 176 CRESCIMENTO ECONÓMICO 176 OS SECTORES DE ACTIVIDADE E A DIFERENCIAÇÃO REGIONAL 177 MERCADO EXTERNO E COMPETITIVIDADE 183 A COESÃO SOCIAL 186 O DESENVOLVIMENTO HUMANO 189 TEMPO DE TURISMO 190 O TURISMO BALNEAR 191 NOVOS PRODUTOS 192 UM SECTOR ESTRATÉGICO DE FUTURO 195 POLÍTICAS DO TERRITÓRIO 198 A ADMINISTRAÇÃO 198 O PLANEAMENTO 202 A QUALIFICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 204 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO 210 A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO 212 COMUNIDADES PORTUGUESAS 216 TESTEMUNHOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO 216 EVIDÊNCIAS CULTURAIS DE HOJE 217 IDENTIDADE E CULTURA EM TEMPOS DE MUDANÇA 222 RIQUEZA E DIVERSIDADE DE CULTURAS 222 FRONTEIRAS DE UM PORTUGAL CULTURAL 223 ACTUAL SUPORTE À CULTURA 223 PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA 228 PORTUGAL NA EUROPA 229 A INTEGRAÇÃO DA EUROPA 229 TRANSFORMAÇÕES NA UE-15 230 PRIORIDADES SOCIAIS DA UE 230 DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E NÍVEL DE VIDA 231 ENERGIA: A MAIOR FRAGILIDADE DA UE 232 PRESIDÊNCIA PORTUGUESA NA UE 233 O ALARGAMENTO DA UE 234 UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA 235 O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO DE PORTUGAL 236 ANEXOS 239 PLANTAS ESPONTÂNEAS, SUBESPONTÂNEAS E ORNAMENTAIS MAIS COMUNS EM PORTUGAL 240 CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL ESCALA 1: 550 000 CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES E DA MADEIRA ESCALA 1: 200 000 242 ÍNDICE ONOMÁSTICO 260 DIVISÃO ADMINISTRATIVA POR CONCELHOS 268 NOTAS BIOGRÁFICAS DOS AUTORES 272 BIBLIOGRAFIA 273 CRÉDITOS 274
  • 4.
    16 ATLAS DEPORTUGAL IGP Editor Instituto Geográfico Português Coordenação Científica Raquel Soeiro de Brito Coordenação Geral Rui Pedro Julião José Norberto Fernandes Assistente de Coordenação Carlos Alberto Simões Autores dos textos introdutórios Augusto Mateus Ernâni Rodrigues Lopes Nuno Vieira Matias Raquel Soeiro de Brito Vasco Graça Moura Textos e preparação dos temas Carlos Pereira da Silva Dulce Pimentel Fátima Azevedo Fernando Ribeiro Martins Henrique Souto João Carlos Silva Lourdes Poeira Maria Assunção Gato Nuno Pires Soares Raquel Soeiro de Brito Rui Pedro Julião Revisão dos textos Cristina Sousa Meneses Mapas Municípia Criação e concepção Paz Comunicação Estratégica Design Interact Grafismo e paginação Jorge Silva Infografia Joaquim Guerreiro Capa Interact Impressão Editorial do Ministério da Educação Parceiros Institucionais ACIME – Alto Comissariado para a Integração das Minorias Étnicas AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo CCDRAlg – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro CCDRLVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo CCDRN – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte CP – Caminhos de Ferro Portugueses CTT – Correios de Portugal DGAL – Direcção-Geral das Autarquias Locais DGEEP – Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento DGEMN – Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais DGGE – Direcção-Geral de Geologia e Energia DGOTDU – Direcção-Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano DGRF – Direcção-Geral dos Recursos Florestais DGT – Direcção-Geral do Turismo DGTT – Direcção-Geral dos Transportes Terrestres IA – Instituto do Ambiente IC – Instituto Camões ICN – Instituto da Conservação da Natureza IDRHa – Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica EP – Estradas de Portugal IGeoE – Instituto Geográfico do Exército IH – Instituto Hidrográfico IM – Instituto de Meteorologia INAG – Instituto da Água INE – Instituto Nacional de Estatística INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação INIAP – Instituto Nacional de Investigação Agrária e das Pescas ME – Ministério da Educação MS – Ministério da Saúde POS_Conhecimento – Programa Operacional Sociedade do Conhecimento SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras SREA – Serviço Regional de Estatística dos Açores SREM – Serviço Regional de Estatística da Madeira Parceiros Financeiros Caixa Geral de Depósitos Agradecimentos Academia de Marinha ISBN 972-8867-14-X Título: ATLAS DE PORTUGAL Tipo de encadernação: B Data: 2005 Editor: Instituto Geográfico Português Morada: R. Artilharia Um, 107 Localidade: Lisboa Código Postal: 1099-052 Correio Electrónico: igeo@igeo.pt Telefone: 213 819 600 Fax: 213 819 699 Depósito Legal 235 667/05 Tiragem da 1.ª Edição: 15 000 Exemplares Projecto co-financiado pelo FEDER
  • 5.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 17 Portugal sofreu nos últimos anos grandes transformações sociais e económicas e uma profunda evolução das suas estruturas territoriais. Até à data, este grande dinamismo não foi acompanhado de um registo geográfico de síntese e análise do passado recente que perspectivasse uma visão do futuro da realidade nacional. Foi esta lacuna que nos propusemos preencher com este projecto. Os atlas são hoje obras que extravasam, completamente, a parca definição de colecção de mapas ou cartas geográficas. O Atlas de Portugal é uma excelente sinopse que, por traduzir a realidade do nosso espaço geográfico, se constitui num valioso e indispensável veículo de transmissão de informação de suporte e apoio à decisão. O Instituto Geográfico Português promoveu e acarinhou este projecto em conjunto com uma equipa científica de renome nacional e internacional coordenada pela Professora Catedrática Raquel Soeiro de Brito. Do resultado desse afã nasceu uma obra ímpar e de referência que integra informação geográfica existente no Sistema Nacional de Informação Geográfica e em vários organismos da Administração Pública Portuguesa, e que, em conjunto, representa uma visão coerente do Portugal de hoje, simultaneamente numa perspectiva multi-sectorial e territorial. A reflexão sobre a realidade social, sobre a forma como as populações se organizam e se relacionam com o meio ambiente, sobre o seu posicionamento no sistema económico nacional e internacional, assim como o seu modo de vida e trajectórias culturais, constitui um importante instrumento para a definição de políticas e estratégias adequadas ao nosso tempo. A análise científica destes temas permite encontrar novas soluções e potencialidades, identificando e/ou localizando fenómenos perturbadores susceptíveis de estrangular o desenvolvimento do País. Este documento, ao traçar de forma isenta e inequívoca um perfil de Portugal, constitui uma referência para analisar, hierarquizar e justificar intenções de investimento bem como servir de base à investigação das transformações ocorridas. O Atlas de Portugal, sendo um documento único no panorama nacional, irá servir também de suporte às actividades de várias Instituições Públicas e de Privados, dos estabelecimentos de ensino, do processo de avaliação dos programas comunitários e, naturalmente, do cidadão em geral. APRESENTAÇÃO ARMÉNIO DOS SANTOS CASTANHEIRA PRESIDENTE DO IGP
  • 6.
  • 7.
  • 8.
    Região Autónoma dosAçores, Grupo Oriental São Miguel 0 5 10 km
  • 9.
  • 10.
    Faial Pico Região Autónoma dosAçores, Grupo Central 0 5 10 km
  • 11.
  • 12.
    Região Autónoma dosAçores, Grupo Central Graciosa Terceira 0 5 10 km
  • 13.
    Região Autónoma dosAçores, Grupo Ocidental Corvo Flores
  • 14.
    Região Autónoma daMadeira Ilhas Selvagens Madeira 0 5 10 km
  • 15.
  • 16.
    18 ATLAS DEPORTUGAL IGP A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS O MAR QUE NOS ENVOLVE A MORFOLOGIA DOS FUNDOS CORRENTES OCEÂNICAS O MAR E A ATMOSFERA VARIAÇÕES DE TEMPERATURA A TERRA QUE HABITAMOS UNIDADES MORFOESTRUTURAIS EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO OESTE PENINSULAR O RELEVO DO CONTINENTE FISIONOMIA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS ELEMENTOS CLIMÁTICOS A IRREGULARIDADE DO TEMPO NO CONTINENTE AS ONDAS DE CALOR O CLIMA DAS ILHAS A REDE HIDROGRÁFICA OS SOLOS A VEGETAÇÃO ‘NATURAL’ TIPOS DE PAISAGEM DIVERSIDADE E GRUPOS DE PAISAGEM ÁREAS PROTEGIDAS AS ILHAS REDE NATURA 2000 ÁREAS DE PROTECÇÃO DE AVIFAUNA
  • 17.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 19 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA
  • 18.
    20 ATLAS DEPORTUGAL IGP A Nação portuguesa encontrou no mar a causa primeira da sua consolidação, deve aos oceanos o motivo da sua expansão universalista e vai ter de continuar a retirar deles a força e a identidade que a forjou e temperou, ao longo de quase nove séculos de existência. O mar poderá ser também um potenciador pujante da economia portuguesa, mas é, igualmente, merecedor de atenções de segurança colectiva, incluindo a da população, dos bens e do ambiente. Estes pontos constituem um conjunto de razões, historicamente concatenadas, em que vale a pena reflectir. É uma reflexão que merece seguramente dimensões vastas, profundidade e abertura, pelo interesse prospectivo de que se reveste. Contudo, por motivos evidentes, apenas serão aqui afloradas com o intuito de estimular o seu estudo. Na fase de formação de Portugal, no século XII, a população do reino em nascimento é apontada, normalmente, como essencialmente agrária, com franjas dedicadas à pesca e ao comércio e, como tal, sem distinção do seu vizinho que justificasse o traçado da fronteira a Leste. Trata-se de um conceito que, sem suscitar uma oposição frontal, merece uma interpretação clarificadora. A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS NUNO VIEIRA MATIAS
  • 19.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 21 De facto, o mar começou, mesmo antes dessa altura, a exercer os seus efeitos sobre as gentes do futuro Condado Portucalense. As que se dedicavam à agricultura perceberam que é perto da costa e dos rios que se encontram as melhores condições de clima para essa actividade, devido às temperaturas amenas que o mar propicia e à humidade e à chuva transportadas pelos ventos marítimos que sopram quase todo o ano. Na verdade, a superfície do mar mantém uma temperatura normalmente acima dos 15ºC, o que evita frios intensos na faixa costeira, inibidores de muitas culturas. São factos que mesmo para a população do arado constituíram motivo de atracção pela proximidade do mar. Este deu também origem a uma comunidade de pescadores que cedo descobriu a importância do alimento que podia retirar das águas, assim como motivou os mercadores a instalarem-se perto dele e, sobretudo, nas áreas dos portos mais abrigados. No início, o pequeno território apenas dispunha na Foz do Douro de um porto frequentado por embarcações provenientes de paragens distantes, mas depois, com o avanço da reconquista cristã, as fozes do Tejo e do Sado e a baía de Lagos juntaram-se ao Douro, na múltipla função de locais de refúgio do mau tempo, fontes de apoio logístico e entrepostos de trocas comerciais. Isto é, o território que viria a ser Portugal e que fora referido em 561 por Lucrécio, Bispo de Braga, no concílio realizado nessa cidade, como “no próprio extremo do mundo” e “nas regiões mais longínquas da província da Hispânia”, teve o seu isolamento de finisterra quebrado pelo contacto com marinheiros de outros povos que por aqui iam passando, tais como os Fenícios, sobretudo no Sul, Gregos, Romanos, Normandos, Árabes, Genoveses, etc. Apesar destes factores que influenciaram positivamente o tropismo das populações pela faixa costeira, outra circunstância houve que teve sinal negativo. Foi a insegurança provocada pelas incursões de navios das mais diversas origens, que praticavam actos violentos, aproveitando as sempre abertas portas da fachada atlântica. A atenuação desta dificuldade começou a ser conseguida com a reconquista cristã, pela utilização, de D. Afonso Henriques a D. Afonso III, dos navios dos Cruzados que acompanharam a progressão militar portuguesa para Sul e apoiaram as conquistas de Lisboa, Alcácer, Silves, etc., até ao final da tomada do Algarve, em 1249. Curiosamente, esta conjunção de esforços, no mar e em terra, facilitou o avanço mais rápido dos Cristãos na faixa costeira do que no interior da Península, onde o último baluarte muçulmano, Córdova, só cairia 242 anos depois daquela data. Pode-se, assim, atribuir valor ao mar na génese da Nação portuguesa pela forte atracção que exerceu sobre as populações agrícolas, concentradas junto à costa, pelas actividades de pesca e de comércio que possibilitou, pela quebra de isolamento que originou, pelo desenvolvimento cultural que induziu e pelo favorecimento que fez ao avanço da reconquista cristã. O mar ficou, pois, como marca original, genética, indelével, no país acabado de criar, Portugal, referido, na expressão feliz de Oliveira Martins, como “um anfiteatro levantado em frente do Atlântico, que é uma arena. A vastidão do circo desafia e provoca tentações nos espectadores, arrastando-os afinal à laboriosa empresa das navegações…” Para essa empresa muitas causas poderão ter contribuído, mas nenhuma terá sido, certamente, tão forte como a localização geográfica, directamente apoiada na curiosidade científica e na coragem dos Portugueses de então. O ‘anfiteatro’ português, isolado no finisterra da Euro-Ásia, dispunha de um horizonte difícil no seu lado tardoz. Difícil pela distância agreste a percorrer até aos principais centros urbanos do Continente e, mais difícil ainda, “quando à Europa humilhada o castelhano impõe a lei com a espada e o mosquete”, repetindo Oliveira Martins. Aparentemente entalados entre a espada castelhana e a parede do mar, os Portugueses não se furtaram a enfrentar com coragem bem sucedida o aço toledano, quando necessário, mas, por opção estratégica, decidiram derrubar os obstáculos do mar, provenientes de lendas de caudal crescente, desde a fonte bíblica até aos fantasmas medievais, mas formados igualmente pelas barreiras da ignorância técnica e científica e pelo desconhecimento do que estaria para além do mar de que havia notícia. A ‘parede’ que nos separava do mar foi também ajudada a demolir pelas condições meteorológicas do nosso território, com realce para o regime de ventos, assim como pela característica morfologia da costa. Sem dúvida que os ventos de Noroeste que na Primavera e no Verão sopram bonançosos, durante a manhã, e, por vezes fortes, à tarde, em toda a costa continental, a conhecida nortada, são como
  • 20.
    22 ATLAS DEPORTUGAL IGP que um convite para velejar com proa nos quadrantes de Sul. É como, saídas as barras dos portos, deixar-se ir na corrente do vento. Se percorrermos as listas de datas de largada das expedições marítimas dos nossos antepassados, será evidente que era a partir de Março que os navios saíam em faina, barra fora. Por outro lado, a costa continental portuguesa é limpa de baixios, é batida por uma água mexida, às vezes dura, própria para marinheiros viris, mas tem carácter leal porque não esconde escolhos ou recifes traiçoeiros. Os portos e abrigos do lado Oeste não são muito numerosos, mas a qualidade náutica do estuário do Tejo e o abrigo da baía de Lagos compensam o reduzido recorte da costa. Podemos dizer, hoje, que a orientação da costa e a dos ventos, em metade do ano, as águas de fundos irrestritos e a vontade corajosa e curiosa de ‘conquistar a distância’ formaram a rampa de lançamento da nossa expansão multi-continental. Porém, a coragem de partir implicava também a ousadia de ser capaz de voltar. Mas, como voltar, se à vinda o vento soprava quase sempre contrário e, quando pudesse ser a favor, no Inverno, crescia frequentemente a tempestuoso, capaz de ensacar os navios e de os atirar para cima de terra? A curiosidade técnica e a estrutura científica criada pelos Portugueses deram a resposta. Entenda-se que o marinheiro de qualquer época é, por adaptação profissional, muito curioso. A curiosidade é bem marcada quando procura nos navios e embarcações dos outros aquilo que é diferente no seu. Ciumento do que vê melhor em navio estranho, mas orgulhoso daquilo em que o seu possa ser superior, procura apreender tanto as diferenças de material, como as técnicas e os procedimentos. Não admira, por isso, que a frequência dos nossos portos por navios estrangeiros nos tenha trazido as novidades que iam aparecendo na construção naval, como, por exemplo, o leme central montado no cadaste, usado muito cedo no Báltico e na China em substituição do leme de esparrela (steering oar), ou as velas triangulares (hoje chamadas de latinas), empregues no Mediterrâneo e que permitiam aos navios de casco de boa finura, ou boa relação comprimento / boca, navegar até um ângulo limite de 40º a 50º entre o eixo do navio e a linha do vento. Eram os caravos ou caravelas (do árabe qarib). A posição de Portugal favoreceu esses contactos com regularidade por ser quase o promontório finisterra da Europa, que era preciso dobrar entre o Norte e o Sul. Por outro lado, é uma situação que lhe confere um clima de influência atlântica e mediterrânea, capaz de proporcionar muitas noites de céu limpo convidativas ao estudo dos astros e que tem um regime de ventos que, sabiamente aproveitados, permitiu, mesmo às grandes naus de pano redondo, ir e voltar sempre a favor do vento. De facto, uma das grandes descobertas dos Portugueses foi a circulação do vento em torno dos anticiclones do Atlântico Norte e do Atlântico Sul. A Norte, era como se, por altura dos Açores, se situasse o centro de uma enorme corrente circulatória de vento no sentido dos ponteiros do relógio que, uma vez apanhada a Norte do Equador, permitia, descrevendo uma enorme rota, quase circunferência, chegar a Portugal, navegando sempre com o vento nos sectores da popa dos navios. Os vastos conhecimentos científicos e as técnicas desenvolvidas em várias áreas do saber, a organização estabelecida, ligando cientistas, financeiros, comerciantes, marinheiros, militares, população e elites dirigentes, bem como a posição geográfica lançaram-nos mar a dentro a descobrir os caminhos para juntar oceanos, culturas e gentes. O mar da nossa geografia marcou-nos com um carácter próprio, granjeou-nos prestígio em todo o mundo, deu-nos grandeza e algum ouro e levou o Português, raça e língua, a mais três continentes fora do de berço. Curiosamente, Portugal sentiu e viveu a importância do mar de forma muito mais marcante entre duas revoluções, a de 1383 e a de 1974, que claramente assinalaram as fases de ascensão e de declínio da maritimidade portuguesa. Esta, a de profunda queda, pode encontrar uma explicação, apenas muito parcial, na independência dos territórios ultramarinos de expressão portuguesa e na necessária adesão à União Europeia (UE). De facto, outros factores de grande importância deveriam ter impedido uma tão brusca e gravosa recessão. É que, embora por motivos diferentes dos de ontem, o mar tem hoje e terá seguramente amanhã um valor de dimensão vital para o País, se for convenientemente utilizado. É uma mais valia assinalável em três aspectos: na afirmação da identidade nacional, capaz de distinguir marcadamente a Nação portuguesa no seio de uma Europa sem fronteiras e de um generalizado processo de descaracterização de A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS
  • 21.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 23 culturas; na contribuição para a economia nacional como um dos seus pilares fundamentais; e na segurança e defesa nacional, correlacionada com a dos nossos aliados. Sobre a primeira questão, interessa ter presente que a soberania tradicional do Estado-Nação português, tal como de outros estados-nações, está a sofrer um acelerado processo de mudança, devido à transferência para a UE de poderes de decisão, legislativos, judiciais e monetários e também por força da inevitável globalização, para a qual, de resto, os Portugueses deram forte contributo ao ligarem, no século XVI, pela primeira vez, os oceanos. Acresce ainda a estes processos o facto de a enorme força da informação global simultânea, do turismo e das migrações, entre outros factores, poderem ser descaracterizadores da cultura nacional. A compensação para estes processos tem de ser encontrada na valorização dos factores de identidade nacional, com realce para a História, a Língua, a Cultura e a Geografia. Em todos, note-se, está omnipresente o mar. Ele é, realmente, uma presença constante para todos os Portugueses que em esmagadora maioria o têm perto de casa, na faixa litoral do Continente e nas onze ilhas atlânticas e ainda o podem ver, mais a Sul, a partir do paraíso ecológico das Ilhas Selvagens. É também o meio físico que constitui o elo de ligação do nosso território, profundamente disperso num amplo triângulo atlântico. Ao mesmo tempo, confere-nos centralidade atlântica capaz de compensar a posição de periferia continental e estabelece uma via de comunicação com o resto do Mundo onde se encontram muitos dos amigos e aliados, incluindo 190 milhões de pessoas que falam o Português. O mar deve, por isso, funcionar como marcador indelével do nosso carácter, como aglutinante da nossa identidade colectiva e como potenciador do amor próprio e do orgulho dos Portugueses. Esta importância, geoestratégica para o Estado e moral para a Nação, continua-se no campo económico pelo valor actual e potencial das riquezas que o mar contém em si e pelas actividades que viabiliza, directamente, no seu espaço físico tridimensional e, indirectamente, nas proximidades das suas margens. Em termos genéricos, o mar forma as grandes vias de comunicação usadas pelos transportes marítimos; acolhe, nos portos, actividades comerciais, industriais e de serviços muito diversificadas; origina a necessidade de indústrias de reparação e de construção naval e outras de tecnologia oceânica; produz, dentro de si, animais marinhos, de forma natural ou forçada, usados na alimentação; tem um fundo de onde se podem extrair combustíveis fósseis e minérios de metais, como o manganês, o zinco, o cobre, o cobalto, etc.; disponibiliza a sua água salgada para a produção de água potável e de sais minerais, sobretudo o cloreto de sódio; contém uma vasta diversidade de produtos genéticos para uso comercial e industrial, incluindo o farmacêutico; é uma fonte de energias renováveis, através das ondas, das correntes, das marés, do vento e da massa térmica que transporta; propicia inúmeras actividades de lazer aquáticas, razão de ser do turismo marítimo; atrai, pela sua beleza, fluxos turísticos para a zona costeira e constitui, por fim, elemento de inesgotável interesse científico e cultural. Portugal, Continental e Insular, porque exerce soberania e jurisdição sobre três enorme áreas de mar que totalizam 1 830 milhares de quilómetros quadrados, ou seja, vinte vezes a superfície da sua componente terrestre, tem a possibilidade de desenvolver todas essas actividades económicas e científicas, embora com potenciais diversos e com prazos diferenciados. De entre elas, o turismo, nas suas duas componentes de linha de costa e oceânico, apresenta, simultaneamente, o maior valor económico actual e encerra a capacidade de crescimento mais significativa. De facto, o da faixa litoral corresponde a 90% do total nacional e é, só por si, responsável por 10% do PIB. O turismo oceânico tem ainda reduzido peso, mas pode desenvolver se fortemente, pelo aproveitamento mais intenso das condições naturais e das crescentes infra-estruturas, nas actividades de cruzeiros, vela de recreio, regatas, surf, windsurf e kite-surf, remo, canoagem, pesca desportiva, observação de mamíferos, peixes e aves marinhas em santuários, mergulho, pesca submarina, arqueologia turística marítima, etc. A posição geográfica de Portugal, junto às principais rotas de navegação, entre o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, a característica profundidade das suas águas e a ausência de obstáculos à navegação nas zonas costeiras são factores que podem contribuir para o desenvolvimento do transporte marítimo e dos serviços portuários, sobretudo no Continente. São, contudo, actividades que têm estado em declínio nas últimas décadas, em contra-ciclo com o que se
  • 22.
    24 ATLAS DEPORTUGAL IGP passa no mundo, apesar de a nossa costa dispor de portos magníficos, como o de Sines, com condições para poder ser um dos maiores, senão o maior da Europa, capaz de acolher os maiores navios de transporte de mercadorias. Para passageiros, existem, nas três parcelas do território, infra-estruturas portuárias e pontos de interesse turístico, no mar e em terra, capazes de justificarem uma forte actividade de visitas. Os navios de cruzeiro frequentam cada vez mais os nossos portos e correspondem a um mercado em forte expansão. Mais uma vez a posição geográfica foi pródiga em boas condições. Outro sector capaz de gerar riqueza é o da construção e da reparação naval, também ele beneficiando da proximidade das rotas de navegação e da existência do melhor estaleiro de reparações da Europa, em Setúbal, e de um bom estaleiro de construção em Viana do Castelo, para além de outras infra-estruturas técnicas de menor dimensão. Estas são parte de um todo a exigir reformas de redimensionamento, de renovação técnica e de inovação tecnológica e científica. Os hábitos ancestrais de convivência com o mar fizeram dos Portugueses grandes apreciadores de peixe, de tal forma que o seu consumo é cerca de o triplo da média, per capita, na UE. Contudo, o excesso de capturas praticado nas nossa águas, sobretudo num passado recente, levou à diminuição das populações piscícolas e à consequente redução das capturas. Por isso, Portugal importa mais de metade do peixe que consome. É previsível que as medidas restritivas da pesca possam ajudar a recuperar a fauna marítima, nalguma medida. No entanto, é no campo da aquacultura que reside a possibilidade de um aumento sustentado da produção de peixe. O fundo dos mares portugueses não parece ser rico em hidrocarbonetos, pelo menos a fazer fé na prospecção e pesquisa petrolíferas feitas até hoje. Estas investigações confirmam a existência de petróleo, mas nunca foram identificadas quantidades que justificassem a sua exploração. No entanto, as condições naturais do nosso mar fazem admitir a probabilidade de se encontrarem significativas quantidades de hidratos de metano, sobretudo a partir dos 1 000 metros de profundidade. Entre as energias renováveis susceptíveis de serem aproveitadas por nós, a das ondas é a de maior potencial, face à contínua agitação na costa ocidental do Continente e da generalidade do mar das Ilhas. É um recurso prospectivo da ordem dos 15GW/ano, no Continente e de cerca de 6GW/ano, nos Arquipélagos, com interesse crescente, que está a ser objecto de investigação científica com boas esperanças. Os oceanos, incluindo a parte que nos respeita, têm uma enorme potencialidade para a biotecnologia, ou seja, a utilização de organismos vivos para produzir ou modificar produtos, nomeadamente, microorganismos para fins específicos. Trata-se de um vasto acervo de substâncias e produtos para uso em medicina, agricultura, aquacultura, saneamento, etc., que encontram nas fontes termais de profundidade locais privilegiados para a sua obtenção. Assim, também na área da produção de riqueza, o mar constitui uma impressionante fonte de recursos naturais para o País, certamente a mais importante de todas. A sua exploração requer uma visão integradora que percorra transversalmente todas as actividades, a articular num verdadeiro cluster. É um forte desafio para o futuro, a encarar como as ‘Novas Descobertas’, pelas gerações de hoje. Trata-se, contudo, de um repto que exige, desde o início, a satisfação de um pressuposto essencial, traduzido na imperativa gestão integrada do Oceano de forma ecologicamente sustentável. É, de facto, uma condição que a não ser convenientemente entendida e praticada com rigor por todos os agentes, públicos e privados, com capacidade de intervenção no sistema marítimo, conduziria não só à impossibilidade de desenvolvimento da economia marítima, como tornaria inviável a que já existe. Na verdade, não é imaginável incrementar, nem sequer manter, o turismo de cariz marítimo, a produção piscícola, a extracção de produtos de biotecnologia e a qualidade de vida nas zonas costeiras, se o ecossistema marinho não for bem preservado. E há até que contar, neste aspecto, com o vício adquirido pela nossa população, ao longo de gerações, de lançar no mar os subprodutos da sua actividade, habituada à grande capacidade de assimilação das profundas e dinâmicas águas do Oceano que a posição geográfica de Portugal nos pôs à porta. Este mau hábito, a pressão urbana, o desenvolvimento das infra-estruturas da orla costeira e o funcionamento das indústrias marítimas colocam cada vez mais exigências e dificuldades à manutenção da linha de costa e do Oceano, A IMPORTÂNCIA DO MAR E A LOCALIZAÇÃO DO ESPAÇO PORTUGUÊS
  • 23.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 25 que é já vítima, em termos de saúde e de produtividade, de práticas passadas pouco cuidadosas, não planeadas, não integradas, nem cientificamente investigadas. Estas são precauções a tomar para não seguirmos o exemplo negativo de muitas partes do mundo, envolvidas numa espiral descendente de degradação do mar. A investigação e as ciências do mar são essenciais à protecção ambiental do oceano e tornam-se igualmente indispensáveis à exploração económica e ao seu uso para fins de segurança e de defesa. É uma necessidade evidente, se atentarmos na circunstância de o oceano continuar a ser razoavelmente desconhecido, apesar de usado desde longa data. Faz-se mesmo a comparação dos 5% a 7% do fundo dos oceanos cobertos por imagens ópticas ou acústicas com o disponível conhecimento integral da superfície da Lua… Hoje, tal como no passado histórico, não pode haver investigação científica nem desenvolvimento das economias baseadas no ambiente marinho sem liberdade do uso do mar e sem a interdição desse espaço a actividades condenadas pela lei internacional. Para isso, cada estado costeiro de per si estende a autoridade soberana, ou apenas a jurisdição, as áreas da sua competência, da mesma forma que os estados, enquanto comunidade global, procuram velar pelo cumprimento da lei internacional no alto mar, ou seja, no grande espaço não sujeito a qualquer vínculo de um só estado. Além disso, o mar pode também ser palco de conflitos violentos entre estados, originados por disputas de interesses cujo objecto tanto pode radicar nele como em terra. Existe, pois, a necessidade de os estados costeiros preservarem a sua segurança e defesa contra riscos e ameaças configuráveis no mar. Aqueles e estas têm, com os tempos, vindo a tornar-se mais amplos, imprevisíveis e intensos, mesmo fora dos quadros de conflito, como, por exemplo, o terrorismo, a pirataria, o tráfico de armas, de drogas e de pessoas, a imigração clandestina, o derrame acidental ou intencional de substâncias perigosas, etc. Também as ameaças clássicas impõem a necessidade de serem dissuadidas ou contrariadas pela força, o que leva os estados a considerarem, isoladamente ou em alianças, o estabelecimento de uma componente marítima da sua defesa. Portugal não pode constituir excepção, por ser um estado soberano, quase arquipelágico, detentor de vastas áreas marítimas de grande importância geoestratégica e económica e ainda por ter a responsabilidade de uma longa linha de fronteira marítima da UE. Precisa, por isso, de exercer autoridade no mar, em missões de paz diárias, fazendo cumprir a sua lei e também a internacional, e de proteger os utilizadores do mar dos efeitos agressivos do ambiente marinho, assim como tem necessidade de estar preparado para, isoladamente, ou como membro das alianças que integra, defender os interesses que lhe são próprios, dentro das suas alargadas fronteiras de defesa. Ao seguir-se, assim, o percurso histórico de Portugal, desenhado a partir da posição geográfica de finisterra, verificamos que o mar esteve presente, de forma marcante, na estruturação inicial do país, como elemento aglutinante das suas gentes, como meio de rotura do isolamento comercial e técnico-científico a que a geografia continental o obrigava e como factor de mais valias estratégicas da reconquista cristã. Depois, a posição de frente atlântica do território, a morfologia da costa, a opção estratégica do mar, a sabedoria, a organização e a coragem das suas gentes constituíram a plataforma de lançamento para a gesta dos descobrimentos. O Mar, transformado por nós em Oceano, foi caminho de expansão, de encontro de culturas e de engrandecimento do Povo que não quis caber no ‘berço em que nasceu’. Hoje, o Mar-Oceano assume nova importância vital para a Nação ao oferecer-lhe a marca de identidade que a distingue numa região e num mundo em homogeneização e ao proporcionar-lhe recursos económicos inesgotáveis. O Mar foi, é e será generoso para os Portugueses, mas exige deles uma contrapartida importante. A de ser protegido contra novas e velhas ameaças, provenientes quer de prevaricadores compulsivos, quer de cidadãos ignorantes do ambiente. Foi nessa linha de rumo que o Mar da nossa geografia ligou o passado de Portugal ao seu presente e vai, se nós quisermos, ser a ponte oceânica para um futuro de boa esperança.
  • 24.
    26 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Portugal, finisterra a sudoeste do continente euro-asiático, deve à sua posição os traços que mais o distinguem na Península Ibérica, onde está inserido e de que é parte integrante, pelas suas estruturas geológica e oro-hidrográfica. O mar, que o enfrenta a Oeste e a Sul, serviu-lhe sempre de via de ligação humana e de comércio, primeiro com o ocidente europeu, séculos depois na sua expansão pelos Novos Mundos, aventura em que foi pioneiro e de que restam, ainda, na sua soberania, os arquipélagos dos Açores e da Madeira. A grande parcela do território português, no canto sudoeste da Europa, é bem, como dizia Orlando Ribeiro, “mediterrânea por natureza, atlântica por posição”. Mas o País não se confina a estes escassos 89 000km2: prolonga-se por cerca de 1 100 milhas para ocidente e um total de mais de 3 000km2, diferentemente repartidos pelas nove ilhas açorianas e pelas duas principais madeirenses (únicas habitadas), o que confere toda a legitimidade à expressão de Adriano Moreira ao falar da “maritimidade e continentalidade” de Portugal.
  • 25.
  • 26.
    28 ATLAS DEPORTUGAL IGP Henrique Souto O MAR QUE NOS ENVOLVE D M MC A Morfologia dos fundos do Oceano Atlântico Norte A — AÇORES M — MADEIRA MC — MARGEM CONTINENTAL PORTUGUESA D — DORSAL MÉDIO-ATLÂNTICA A morfologia dos fundos As dorsais médio-oceânicas (como a Atlântica) correspon- dem aos locais a partir dos quais os fundos oceânicos se propa- gam, pela injecção de material magmático (daí serem sísmica e vulcanicamente activas), resultando elevações basálticas que ori- ginaram ilhas. Atravessadas por falhas transversais, ditas trans- formantes, estas regiões são, do ponto de vista geológico, extre- mamente complexas. Na imagem que configura o fundo do oceano Atlântico Norte destaca-se a dorsal médio-atlântica (D) e respectivas falhas; na área que interessa a Portugal, o arquipélago dos Açores (A) na microplaca homónima, que se localiza na junção das placas Norte-Americana, Euroasiática e Africana, o arquipé- lago da Madeira (M) na placa Africana e a Margem Continental Portuguesa (MC). São igualmente visíveis várias formas subma- rinas, como bacias (planícies abissais) e montes (bancos). As ilhas que constituem os arquipélagos dos Açores e da Madeira, de origem vulcânica, mas formadas em diferentes épocas, sofre- ram aos longo dos tempos (e os Açores ainda sofrem) vários fenómenos de sismicidade e de vulcanismo; foram formadas e erodidas, passaram por períodos de transgressão e de regressão marinha... A batimetria junto aos arquipélagos é vigorosa, pas- sando-se rapidamente para grandes profundidades. A topografia do fundo do Arquipélago dos Açores é extre- mamente complexa. Assente num planalto com uma profundi- 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 28
  • 27.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 29 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve dade média de -1 500m, sobre o qual se formaram as ilhas, é possível encontrar nesta área fossas profundas e montes (bancos) a pouca profundidade. Entre as primeiras merece destaque a fossa Hirondelle, com mais de 3 000m de profundidade; de entre os segundos, merecem destaque o Banco D. João de Castro, entre as ilhas de São Miguel e da Terceira, e os Bancos Açor e Princesa Alice, a sudoeste da Ilha do Pico. Ao invés, os fundos oceânicos junto ao continente português revelam a sua origem continental, pois que o contacto entre as crostas de origem oceânica e continental se faz ao largo e não junto à linha de costa, num domínio designado por margem continental; no caso português, esta margem é de tipo passivo. Apresenta a configuração normal, ou seja, uma plataforma continental de declive suave (até aos 200m de profundidade), seguindo-se-lhe a vertente continental, de declive mais acentuado, que liga a primeira aos grandes fundos oceânicos. A plataforma continental portuguesa é estreita e cindida por diversos vales e canhões submarinos, dos quais se destacam os canhões da Nazaré, do Tejo (Lisboa) e do Sado (Setúbal). O talude continental, que liga a plataforma às planícies abissais apresenta declives variáveis, sendo mais vigorosos entre o Vale de Aveiro e o Canhão da Nazaré e mais suaves no esporão da Estremadura. O sopé do talude continental corresponde a uma área de acumulação de sedimentos, essencialmente de origem terrígena, que faz a ligação às grandes planícies abissais, localizadas a mais de 2 000m de profundidade, ou a sistemas mais complexos, como o do Banco Gorringe. Correntes oceânicas A circulação das massas de água superficiais no Oceano Atlântico Norte é dominada por um largo giro (com aproxima- damente 1 000km de diâmetro e que roda no sentido dos ponteiros do relógio). Para os territórios nacionais a circulação a norte do referido giro é a mais importante. Nela estão contidos: A Corrente do Golfo (CG) A CG é uma das mais fortes correntes oceânicas (atinge velo- cidades da ordem dos 2,5m/s, transporta até 150Sv e tem uma largura superior a 200km); transfere calor das regiões tropicais, mais quentes, para as latitudes mais altas. Esta corrente tem início no Golfo do México, desloca-se ao longo da costa leste dos Estados Unidos até à Baía de Chesapeake, de onde parte para o interior do Atlântico até atingir as ilhas britânicas. Embora perca naturalmente calor na sua ‘viagem’, ainda conserva o suficiente para moderar o clima do Norte da Europa (razão por que, à mesma latitude, a costa norte-americana apresenta sem- pre valores da temperatura do ar inferiores às registadas nas regiões europeias mais próximas do oceano). A CG vai-se divi- dindo em vários ramos, dando origem, entre outras, à Corrente do Atlântico Norte, à deriva do Atlântico Norte (que se dis- tribui entre as latitudes 50º e 64ºN e que não tem nenhum influência nos territórios portugueses) e à Corrente dos Açores. Correntes de superfície no Oceano Atlântico Norte CG SCP CC CA 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 29
  • 28.
    30 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve 1. Afloramentos rochosos na costa Norte da ilha da Madeira Sonografia (imagem acústica) obtida com um sonar de varrimento lateral, a 400kHz, na costa Norte da ilha da Madeira, na qual é possível observar afloramentos rochosos com vários metros de altura, típicos de zonas de origem vulcânica. 2. Sedimentos na costa Norte da ilha da Madeira Sonografia (imagem acústica) obtida com um sonar de varrimento lateral, a 400kHz, na costa Norte da ilha da Madeira. A imagem corresponde a uma zona aplanada onde se observam manchas mais escuras, correspondentes a depósitos de sedimento fino, que cobrem parcialmente o fundo de areia grosseira. A areia apresenta fissuras sedimentares que se desenvolvem transversalmente à corrente, indicadoras de transporte pelo fundo, designadas ripples. 3. Perfil da costa Sul da ilha da Madeira Perfil de reflexão sísmica de elevada resolução obtido na costa Sul da ilha da Madeira com um sistema tipo sparker. A cobertura sedimentar, onde se pode observar uma sequência progadante, assenta sobre uma superfície rochosa, aplanada durante a subida do nível do mar. 1 2 3 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 30
  • 29.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 31 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve Batimetria do Oceano Atlântico Norte na zona do ‘mar português’ Corrente dos Açores (CA) A CA tem origem num ramo da Corrente do Golfo, na área dos Grandes Bancos (40ºN, 45ºW). Supõe-se que no Inverno esta corrente consiste num fluxo único, enquanto no Verão se subdivide em dois ramos: o mais setentrional desloca-se directa- mente para a região dos Açores enquanto o mais meridional contorna o arquipélago pelo sudoeste, vindo a juntar-se, a sul deste, com o ramo norte. Muito complexa e variável, a CA tem uma largura de cerca de 150km e 1 000m de profundidade. Caracteriza-se também por possuir grandes gradientes termohalinos (isto é, bruscas variações da temperatura e da salinidade). Calcula-se que o fluxo da corrente principal seja da ordem dos 10 a 12Sv. Corrente das Canárias (CC) A CC flui ao longo da costa africana de Norte para Sul entre 30º e 10º de latitude Norte e, para o largo, até 20º de longitude Oeste, influenciando as águas do arquipélago da Madeira. É uma corrente larga (cerca de 1 000km), lenta (10 a 30cm/s), de águas relativamente frias e com uma profundidade de cerca de 500m. A CC dá origem a uma corrente de ressurgência (upwelling) costeira. Sistema de Correntes de Portugal (SCP) O SCP é caracterizado, genericamente, por um fluxo de sentido Norte-Sul, desde os 46º e os 36º de latitude Norte e, para o largo, até aos 24º de longitude Oeste. É um sistema com- plexo e de difícil definição espacial, devido às interacções entre correntes costeiras e do largo, batimetria e massas de água. Constituído por várias correntes (a Corrente de Portugal, a Corrente Costeira de Portugal e a Contracorrente Costeira de Portugal), o SCP é dominado pelo giro do Atlântico Norte, que se caracteriza por ser uma região de circulação lenta entre a Corrente do Atlântico Norte e a Corrente dos Açores. A Corrente de Portugal propriamente dita marca, grosseiramente, o limite norte da Corrente das Canárias e tem uma largura estimada de 300km. Transporta cerca de 2Sv a uma velocidade média de 1,6cm/s. O mar e a atmosfera Dada a sua posição em latitude, o território português é influenciado no Inverno pelas massas de ar húmidas que atra- vessam o Atlântico em conformidade com a circulação geral da atmosfera, de oeste para leste; no Verão, a subida para norte do anticiclone dos Açores funciona como obstáculo à penetração das referidas massas de ar no território nacional, tornando o tempo quente e seco; as estações de transição (Primavera e Outono) alternam os estados de tempo, ora com dias quentes 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 31
  • 30.
    32 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve Batimetria do Canhão da Nazaré A imagem do Canhão da Nazaré foi obtida através de um sistema multifeixes de modo a mostrar a morfologia detalhada do canhão nos seus primeiros 5km até uma profundidade de 330m. A imagem foi obtida pelo Instituto Hidrográfico no âmbito do Projecto SECNA (Estudo Morfo- dinâmico da Cabeça do Canhão da Nazaré) com uma ecosonda de feixes múltiplos SIMRAD EM 950 instalada no UAM “Coral”. O sistema possui uma largura de feixe de 3.3x 3.3º e um total de 60 feixes, com um ângulo de cobertura de 130º. A área coberta é de aproximadamente 15km2. Código colorido de 0 a 330m. Grelha de resolução de 3m. Escala vertical exagerada 3 vezes. Corrente do Golfo A imagem, obtida por infravermelhos num dia sem nuvens, mostra a temperatura das águas, sendo as de cor púrpura as mais frias (cerca de 7ºC), seguindo-se-lhe, por ordem de temperatura, o azul, o verde, o amarelo e o vermelho (representando esta cor temperaturas da ordem dos 22ºC). Na imagem são visíveis movimentos giratórios de águas quentes (eddies) no sentido dos ponteiros do relógio. Estes movimentos aumentam as trocas de calor e de água entre as zonas costeiras e o largo. e secos ora com dias chuvosos e com muito vento. O estado do mar acompanha de perto o estado da atmosfera, mas com nuances locais e regionais importantes. Na costa ocidental (entre o rio Minho e o Cabo de São Vicente) ocorrem, em cerca de 80% do ano, situações com vaga associada aos ventos de norte e de noroeste, o que no Verão ocasiona o regime de nortada, com importante variação diurna (maiores alturas e períodos para o fim da tarde) enquanto todas as áreas abrigadas de noroeste têm estados de mar muito calmos, razão por que todos os portos da costa ocidental estão protegidos deste quadrante. No Inverno e nas estações de transição são, porém, comuns situações de ‘mar de sudoeste’ associadas a depressões ou superfícies frontais que originam áreas de geração de sudoeste, o que torna a entrada e a saída dos portos difícil, por vezes durante vários dias. Todavia, para a navegação a maior limitação é a ocorrência de ‘temporais de oeste’, no Inverno, o que ocasiona o encerramento da maioria dos portos: associada à descida em latitude de frentes polares, origina ondulação forte de oeste (até 8m de altura) e persiste durante 8 ou mais dias. Na costa sul (do Cabo de São Vicente ao rio Guadiana), dada a sua orientação Oeste/Este e a sua menor latitude, o mar é mais calmo e apresenta em mais de 70% do ano ondas de altura inferior a 1m. Na maior parte do ano, a costa algarvia apresenta o designado ‘mar de brisa’, gerado localmente e com marcada periodicidade diurna: de manhã o mar apresenta-se encrespado de sudoeste e pequena vaga (0,5m), rodando com o vento para norte e tornando-se para o fim da tarde de cerca de 1m de altura, para depois cair até de madrugada. Na costa algarvia, as situações mais problemáticas para a navegação prendem-se com o ‘mar de levante’, quando o vento sopra de sudeste e a altura das ondas chega a ultrapassar os 3m; o vento e a vaga associados a esta situação aparecem em poucas horas e são provenientes do estreito de Gibraltar. Para além das situações de Levante, também a ocorrência de ‘nortadas’ origina problemas à navegação pois dá origem a alturas de onda crescentes com a distância a terra (0,5m a 5 milhas da costa e 1,5m a 20 milhas). As situações associadas a temporal de oeste, na costa ocidental, originam na costa sul agitação marítima de sudoeste, com 2 a 3m de altura, a qual diminui para sotavento. Variações de temperatura A temperatura da água de superfície apresenta uma variação latitudinal normal, isto é, com a diminuição da temperatura de sul para norte: no Inverno, entre os 15-16ºC na costa sul e os 12-13º nas águas mais setentrionais; no Verão, entre os 20-21º do sul e os 17-18º C do norte. Este padrão geral é, no entanto, complicado quando ocorrem ventos de nortada, situação em que a temperatura das águas junto à costa diminui, como consequência do ressurgimento (upwelling) de águas mais profundas, e mais frias, que compensam o deslocamento para oeste das águas superficiais. Pode esperar-se uma diminuição de 2º a 3ºC na temperatura das águas. 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:21 Página 32
  • 31.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 33 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve Perfis orobatimétricos da costa portuguesa Este ressurgimento de águas, por trazer para a superfície águas mais ricas em nutrientes, potencia a produtividade primária das águas (aumenta a biomassa de fitoplâncton), com reflexos em toda a cadeia alimentar. Inversamente, pode ocorrer um aumento de 1º a 2ºC quando ocorrem ventos fortes dos quadrantes de sudoeste, com a consequente deriva para a zona costeira de águas mais quentes. As características das águas marinhas condicionam a ocorrên- cia da vida no oceano, nomeadamente os níveis de luminosidade (e respectivo fotoperíodo), a temperatura e a disponibilidade de nutrientes nas águas superficiais. Dependente da fotossíntese, como sobre os continentes, a elaboração de matéria orgânica pelos organismos produtores (no caso dos oceanos, essencialmente o fitoplâncton) tem características marcadamente estacionais, com um ‘pico’ na Primavera. A uma maior biomassa destes organismos corresponderá mais zooplâncton, e, consequentemente, maior quantidade de peixes planctófagos, como os pequenos pelágicos como a sardinha (Sardina pilchardus), repercutindo-se, assim, na maior ou menor biomassa passível de ser explorada pela pesca. 500 0 -500 -1 000 -1 500 10 00020 00030 00040 00050 00060 000 Perfil NE-SW m 50 000100 000150 000 1 000 0 -1 000 -2 000 -3 000 -4 000 200 000250 000300 000 Perfil NE-SW m Perfil E-W 500 0 -500 -1 000 -1 500 -2 000 -2 500 -3 000 20 00040 00060 00080 000100 000 m Costa alentejana – Banco Gorringe Serra da Arrábida – Canhão de Setúbal Nazaré – Canhão da Nazaré 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 33
  • 32.
    34 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA O mar que nos envolve DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan % 1,49 0,36 2,13 16,16 9,00 15,79 39,79 38,73 21,11 5,40 6,55 2,55 DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan 10,41 2,35 11,34 31,84 24,76 42,66 49,67 52,98 37,46 21,64 23,04 14,38 % DezNovOutSetAgoJulJunMaiAbrMarFevJan % 40,00 33,88 57,81 69,01 81,56 89,19 92,64 95,82 85,50 64,48 69,43 34,93 10o 15o 20o Leixões 10o 15o 20o Peniche 10o 20o 15o 25o Praia da Rocha 10o 15o 20o Cabo de S.Maria Dezembro Novembro Outubro Setembro Agosto Julho Junho Maio Abril Março Fevereiro Janeiro 10o 15o 20o Santa Marta 10o 15o 20o Sines Leixões Peniche Santa Marta Sines Praia da Rocha Cabo de Santa Maria Temperatura média mensal da água do mar à superfície, às 09h00 TU Altura das ondas inferior a 1m Costa Ocidental Zona da foz do rio Minho ao Cabo Raso Ocorrência nos diferentes meses; registos: Cabo da Roca, 1976/1980 Costa Ocidental Zona do Cabo Espichel ao Cabo de São Vicente Ocorrência nos diferentes meses; registos: Sines, 1974/1980 Costa Sul Zona do Cabo de Sagres à foz do Rio Guadiana Ocorrência nos diferentes meses; registos: Faro, 1976/1980 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 34
  • 33.
    Floração de fitoplânctonao largo de Portugal Na imagem é visível uma floração fitoplanctónica (bloom) ao largo da costa de Portugal; estas florações ocorrem com mais frequência no início da Primavera. Observação no dia 23 de Abril 2002. 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:34 Página 35
  • 34.
    UM PAÍS DEÁREA REPARTIDA Raquel Soeiro de Brito A TERRA QUE HABITAMOS Portugal Continental forma um rectângulo muito alongado no sentido Norte-Sul (848km de comprimento por uns escassos 250km de largura, entre 42º9' e 36º57' de latitude Norte e 6º11' e 9º30' de longitude Oeste). As Regiões Autónomas dispõem-se em dois grupos em pleno Atlântico: o arquipélago dos Açores (2 333km2) é formado por nove ilhas situadas, grosso modo, à latitude de Sines, entre 1 400km e 2 000km a oeste desta costa alentejana; o da Madeira, no seu conjunto abrange 793km2, é composto por duas ilhas principais – Madeira e Porto Santo – localizadas a pouco mais de 1 000km a sudoeste de Lisboa, à latitude do Cabo Branco, na costa africana, da qual dista uns 800km, e também pelos ilhéus das Desertas e pelo grupo das Selvagens, localizados mais a sul, pela latitude de Agadir. A posição de fachada atlântica da Península Ibérica influencia decisivamente a fisionomia de Portugal Continen- tal pelas condições naturais que lhe imprime: a persistência de um clima mais húmido que no resto do País, solos mais profundos, possibilidade de existência de maior variedade de espécies cultivadas, presença de uma estreita faixa plana que desde cedo foi aproveitada como eixo de comunicação Norte- -Sul por uma população densa e dispersa e que, à medida da sua cultura, soube aproveitar estes recursos naturais; mas, também, o favorecimento de uma larga saída para o mar que, sendo muitas vezes traiçoeiro, foi um elemento de primordial importância ao longo da nossa História. Contudo, o cariz atlântico que domina todo o ocidente do país vai-se esvaindo à medida que se caminha para leste: o clima torna-se mais seco e menos temperado, os campos tornam-se ‘dourados’ no início do Verão, quente e seco, a população diminui e agrupa-se: é o Portugal ‘quase’ continental, a norte, e mediterrânico, a sul. A posição insular das Regiões Autónomas, aliada à sua natureza vulcânica, confere aos arquipélagos aspectos específicos, dos quais, para já, se salientam as acessibilidades e a ocupação do espaço. Portugal Continental, fachada atlântica da Península Ibérica 36 ATLAS DE PORTUGAL IGP 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 36
  • 35.
    UM PAÍS DEÁREA REPARTIDA A terra que habitamos 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 37
  • 36.
    38 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos Unidades morfoestruturais Portugal faz parte da maior unidade morfoestrutural da Península, o Maciço Antigo que, de Espanha, entra largamente no nosso país, onde ocupa todo o Minho e Trás- -os-Montes e a maior parte das Beiras e do Alentejo, formando um conjunto de troços aplanados. A sua altitude média ronda os 800-900m a norte da Serra da Estrela, a maior elevação em Portugal (1 990m), no horst que forma a Cordilheira Central e faz a separação entre os troços da Meseta Norte e a do Sul, a qual não ultrapassa os 300-200m, descaindo para sudoeste. São cerca de sete décimos do território continental cons- tituídos por um conjunto de rochas pré-câmbricas e paleozóicas, com predomínio de xistos, granitos e quartzitos, enrugados ou deslocados por vários ciclos orogénicos, de entre os quais os movimentos hercínicos imprimiriam a orientação de conjunto a afloramentos primários das cristas quartzíticas, especialmente no Norte, mais fortemente afectado por estes movimentos orogénicos. Nas suas bordaduras, centro-oeste e sul, encontram-se as Orlas Sedimentares, cujos sedimentos variados, sobretudo calcários e margas, assentam num substrato pouco profundo e sofreram várias fases sucessivas de enrugamentos e erosão. O limite da Meseta com a Orla Sedimentar de Oeste, grosso modo, de Aveiro até Tomar, segue a direcção Norte- -Noroeste da linha de costa, em contacto abrupto, rectilíneo; a partir da área de Tomar, e sempre para ocidente, o contacto passa a fazer-se – de forma muito irregular e ‘recortada’, atingindo, a Meseta, de dois a três quintos da largura de Portugal ao longo do Alentejo – com as Bacias Cenozóicas do Tejo e Sado, grandes áreas de abatimento, cuja subsidência foi sendo gradualmente compensada pelo preenchimento com materiais detríticos; estes são essencialmente continentais (arenosos, cascalhentos, argilosos, calcários lacustres, aluviões fluviais e fluvio-marinhos...) pouco deslocados e trans- bordando sobre as rochas do Maciço Antigo. A partir de Sines e até à Orla Sedimentar do sul do Algarve, o Maciço Antigo estende-se de novo quase até ao mar, separado deste por estreita fímbria de areias; e no Algarve alarga-se de lés a lés, tendo como limite o sopé sul da Serra Algarvia, onde entra, de novo, em contacto com calcários e margas mesozóicas. Evolução geológica do Oeste Peninsular As rochas mais antigas de Portugal formam grupos litológicos muito heterogéneos, profundamente transformados devido aos sucessivos agentes tectónicos e erosivos que os afectaram; são de idade pré-câmbrica, quer seja designada por série negra, como alguns gneisses, quartzitos e vulcanitos do Nordeste Alentejano, ou complexo xisto-grauváquico com grandes extensões de xisto na Beira e no leste do Douro. Fa Ca Mo o C “d em tan co Ba do Or Ma Esquema morfoestrutural Esquema das principais falhas activas Bacias cenozóicas do Tejo e Sado (Terciário-Quaternário) Orlas Sedimentares (Secundário) Maciço Antigo Falhas Cavalgamento Morfoestruturalmente, o Continente português foi ‘dividido’ pelos especialistas nestas três áreas bem diferentes, tanto quanto à natureza litológica como quanto à estrutura. Falha comprovada Falha provável Consideram-se activas as falhas que tenham sofrido movimentações nos últimos 2 milhões de anos. 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 38
  • 37.
    Carta geológica de Portugal continental UMPAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos ATLAS DE PORTUGAL IGP 39 Uma das características físicas do Continente é a grande variedade litológica e as inúmeras falhas que o atravessam. N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 39
  • 38.
    Estuários do Tejoe Sado Setembro 1998 40 ATLAS DE PORTUGAL IGP 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 40
  • 39.
    UM PAÍS DEÁREA REPARTIDA A terra que habitamos 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:35 Página 41
  • 40.
    42 ATLAS DEPORTUGAL IGP Carta hipsométrica UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos m 2 000 1 100 600 400 200 100 50 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 42
  • 41.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 43 ‘Ria’ de Faro, Setembro 1998 No decurso do Paleozóico ocorreram prolongados e com- plexos ciclos orogénicos, de entre os quais se deverá salientar a orogénese hercínica. Ao longo do Mesozóico, inicia-se o ciclo da orogenia alpina, embora os principais impulsos compressivos ocorressem no Cenozóico, sendo muito atenuado nesta área da Península Ibé- rica (devido ao afastamento do centro de actividade); apenas são característicos nos relevos da Arrábida, essencialmente pela sua direcção Este Nordeste-Oeste Sudoeste – e pelo intenso dobra- mento dos seus materiais. É ainda no decurso do Mesozóico que se sucedem avanços e recuos do nível marinho, dos quais resultaram várias fases de transgressão e regressão, originando diferentes tipos de calcários, margas e argilas, materiais das orlas sedimentares. Na passagem do Mesozóico para o Cenozóico, dá-se uma acentuada actividade magmática originando os maciços de Sin- tra, Sines e Monchique e, um pouco posteriormente, na região de Lisboa, derrames de lava basáltica e episódios de fases explo- sivas. Este final de período foi ainda marcado por uma emersão generalizada do território, que continuaria a ser retocado por agentes vários, entre os quais os paleoclimáticos Quaternários são de grande importância pelas marcas ainda hoje visíveis: praias levantadas e terraços fluviais, vales em U e depósitos grosseiros (rañas)... enquanto, ainda no Pliocénico se estabe- leciam a plataforma litoral e a actual rede hidrográfica. O Miocénico foi caracterizado por várias incursões marinhas que atingiram bacias litorais, nomeadamente a do Tejo e a do Sado, atingindo áreas hoje tão longe do mar como Vendas Novas e Ferreira do Alentejo. A partir do final deste período, as tensões tectónicas, resultam do choque entre a placa euro-asiática e a afri- cana, originando o basculamento da Península para sudoeste. A energia libertada pelas numerosas falhas activas que atra- vessam o território ou se encontram na sua vizinhança podem originar sismos de intensidade variável, sendo Portugal consi- derado como área de risco sísmico moderado, embora tenha havido alguns de elevada intensidade. O mais catastrófico, foi o histórico de 1 de Novembro de 1755; o último importante, ocorreu a 28 de Fevereiro de 1969, com uma magnitude de 7,2 na escala de Richter, e foi sentido em todo o Continente, em especial na costa atlântica e no ocidente do Algarve. Embora o risco sísmico a que a área continental do país está sujeita seja moderado, numerosos são os abalos de pequena e média intensidade. Nos Açores a sismicidade é muito elevada, seja de origem tectónica ou vulcânica. Pelo contrário, na Madeira, situada numa área de baixa intensidade sísmica, estes fenómenos são raros. O relevo do Continente Todo o relevo é o resultado, num dado momento geoló- gico, da erosão sobre as estruturas. A Península Ibérica é, no seu conjunto, uma área de terras altas, fendidas pelas bacias dos rios mais importantes; em Portugal, no Norte monta- nhoso concentram-se 95% das áreas de altitude superior a 400m e todos os altos cimos para além dos 1000m, que pela maior parte das vezes se erguem bruscamente apenas a uns escassos 50km da costa actual; no Sul predominam as terras baixas e aplanadas onde, acima de 500m, só persistem alguns relevos mais resistentes à erosão – os sinclinais de São Mamede e as cristas de quartzite de Marvão, no Nordeste alentejano, as corneanas de Évora e o maciço eruptivo de Monchique-Fóia, no Sudoeste algarvio. Fisionomia das Regiões Autónomas As ilhas que formam as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira são todas de origem vulcânica, diferindo umas das outras pelo tipo de vulcanismo que as originou, pelo tempo de exposição aos elementos erosivos a que estão sujeitas e pela sua UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 43
  • 42.
    44 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos Carta de declives % 25 15 8 3 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 44
  • 43.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 45 posição em latitude, responsável pela variação da quantidade de chuva e sua distribuição ao longo do ano. Nos Açores, a estrutura mais simples pode ser exemplificada pela ilha do Corvo, a mais complexa pela ilha de São Miguel. O Corvo apresenta-se, hoje, como um cone dissimétrico que se eleva do mar sempre bordejado por arribas que atingem a oeste, alturas superiores a 400m, truncado por uma caldeira, no fundo da qual se encontram pequenos cones secundários A ilha mais complexa é a de São Miguel, formada por qua- tro maciços eruptivos sucessivamente mais jovens de leste para oeste: Povoação, Furnas, Fogo e Sete Cidades, separados uns dos outros por plataformas de superfícies e alturas dife- rentes, todas crivadas por grande número de cones secundá- rios; a de Ponta Delgada é a mais extensa e mais baixa. O lito- ral é todo de arriba, encontrando-se os troços mais elevados (300-400m) no maciço de leste e os mais baixos na plataforma de Ponta Delgada. A última erupção no arquipélago ocorreu em 1957/58, ao largo da ilha do Faial. Na madrugada do dia 27 de Setembro ‘nascia’ um vulcão, quilómetro e meio a Oeste dos Ilhéus dos Capelinhos (daí o seu nome); começou como uma erupção submarina, com a projecção de jactos de água e gases, a que se seguiu a de outros materiais com predominância de cinzas, e finos lapilli, em jactos pontiagudos normalmente acompanhados por altíssimas nuvens brancas, de vapor de água. A acumulação deste material rapidamente originou uma clássica ilha em ferradura, bem visível já a 5 de Outubro; após uma sucessão de episódios no Outono de 1958, a erupção foi dada como extinta. No arquipélago da Madeira há muito que terminaram as manifestações eruptivas. A ilha principal é muito complexa e as formas vulcânicas provenientes dos grandes focos eruptivos do interior foram totalmente desmanteladas pela erosão (tal como acontece no maciço da Tronqueira, na ilha açoriana de São Miguel); restam alguns cones no contorno da ilha e os dois ‘arcos’ – da Calheta e de São Jorge – que serão o que resta de velhas caldeiras demolidas pela abrasão. São Jorge Planalto vulcânico crivado de cones e utilizado para pastagens Santa Maria Interior de uma velha caldeira aberta para o mar, ocupada por vinhas e casas de veraneio Desertas Barreira de basalto levantando-se do mar Selvagens Baixas plataformas basálticas Intensidade sísmica (escala de Richter) Compilação de dados sísmicos, do ano 63 aC a 1989 dC, na margem Oeste da Península Ibérica, segundo a teoria de Keilis-Borola X IX VIII VII VI V IV Magnitudes 4 5 6 7 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 45
  • 44.
    46 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos Sismos sentidos nos Açores com intensidade máxima superior a V na escala de Mercalli, 1974/2001 2001 1999 1998 1997 1996 1993 1990 1989 1988 1984 1983 1981 1980 1977 1974 Arriba inferior a 200m Arriba entre 200 e 400m Arriba superior a 400m Cones secundários Caldeira Plataforma meridional Lagoa Arriba fóssil 50 500 500 350 200 650 500 Esboço morfológico da ilha do Corvo Curvas envolventes do relevo, equidistantes de 100m Plataformas subestruturais Caldeira fresca Caldeiras erodidas Conjuntos eruptivos erodidos Cones eruptivos Cornija de lava Plataformas de abrasão prováveis Arriba com mais de 100m de altura Arriba inferior a 100m Cursos de água muito encaixados BretanhaMosteiros Ferraria Relva Lagoa Água de Pau Caloura Povoação Vila Franca Faial Fajã do Calhau Nordeste Achada Ribeira Grande MaiaCapelas Sete Cidades L. do Fogo Furnas Rosto do Cão Pta da Ajuda Pta Formosa Pta do Cintrão Féteiras Ponta Delgada Esboço morfológico da ilha de São Miguel V VI VII VIII IX 0 5 10 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 46
  • 45.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 47 10 20 30 40 50 50 FarolFarolFarol 100 152 50 50100 124 12 207 127 151 100 110 50 30 30 20 50 50 50 90 80 7060 137 40 Farol Farol Farol57 Farol 57 Farol 57 Farol 57 56 181 35 71 85 86 38 65 65 35 59 35 181 181 98 76 96 50 84 39 78 71 79 Evolução do vulcão dos Capelinhos 28 de Setembro 1957 10 de Outubro 1957 15 de Novembro 1957 18 de Dezembro 1957 28 de Janeiro 1958 21 de Fevereiro 1958 18 de Março 1958 15 de Abril 1958 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA A terra que habitamos 22 de Maio/12, 14 de Junho 1958 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 47
  • 46.
    48 ATLAS DEPORTUGAL IGP Janeiro 1958 6 de Outubro 1957, 16h00 15 de Outubro, 14h50 18 de Outubro, 10h00 11 de Outubro, 07h30 Evolução do vulcão dos Capelinhos 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 12:36 Página 48
  • 47.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 49 2000 1979 1997 1971 1979 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:43 Página 49
  • 48.
    50 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Raquel Soeiro de Brito CLIMA E SUAS INFLUÊNCIAS O clima, ou filme do tempo, é definido por séries de valores médios ou normais da atmosfera, num dado lugar, durante um período relativamente longo (fixado em 30 anos no primeiro Congresso Internacional de Meteorologia, começando a primeira série em 1901); o tempo é “a síntese do estado e dos fenómenos atmosféricos” num lugar, num dado momento; às combinações meteorológicas mais frequentes dá-se o nome de tipos de tempo. O clima é um dos mais importantes factores que contribuem para a formação das paisagens, determinando o comportamento dos rios, ajudando a ‘fazer’ o solo e, consequentemente ‘preparando’ os mosaicos de vegetação e, ainda hoje, de maneira muito activa, influenciando os tipos de agricultura. Os elementos mais determinantes do clima são a precipitação, a temperatura, a humidade, a pressão atmosférica e o vento; as suas variadas combinações originam as diferentes situações de tempo, sentidas pelo Homem e pelos seres vivos. Precipitação >=1mm Nº de dias 150 140 130 120 110 100 90 80 70 Temperatura média do ar anual ºC 18 16 14 12 10 8 6 Insolação anual Nº de horas de sol 3 100 2 900 2 800 2 700 2 600 2 500 2 400 2 300 2 200 Notar a influência da latitude, altitude e afastamento do mar na distribuição dos elementos climáticos Elementos climáticos O tempo de uma região varia não só ao longo do ano, em consequência do movimento de translação da Terra em torno do Sol, como ao longo do dia, devido ao seu movimento de rotação; para além desta variabilidade cíclica, há que contar com variações não periódicas, por vezes de origem muito com- plexa. Só dois exemplos: a variação de intensidade da radiação solar e a da transparência da atmosfera terrestre, a qual pode ser provocada por grandes erupções vulcânicas e, numa escala menor, pela latitude, distância ao mar, posição nos relevos, exposição aos ventos dominantes e, até, embora com um peso N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:43 Página 50
  • 49.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 51 Precipitação total anual Nota: os últimos apuramentos estatísticos disponíveis referem-se ainda aos valores normais de 1961/1990. UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências mm 3 300 2 800 2 400 2 000 1 800 1 600 1 400 1 200 1 000 800 600 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 51
  • 50.
    52 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Total Max. diária Nº dias/ Média Amplitude Média dos Média dos Máxima do Mínima do anual (mês) ano anual méd. anual máx. mensais mín. mensais mês mais quente mês mais frio (mês) (mês) (mês) (mês) Precipitação (mm) Estações Temperatura (ºC) 1149,6 102,2 (Nov) 155 Porto 14,4 10,8 25,0 (Ago) 4,7 (Jan) 40,1 (Jul) -4,1 (Jan) 505,7 63,0 (Set) 79 Moncorvo 15,2 18,0 30,9 (Ago) 3,4 (Jan) 41,8 (Jul) -5,7 (Fev) 1916,3 243,5 (Fev) 144 Penhas Douradas 8,9 14,8 21,7 (Jun) -0,4 (Jan) 32,8 (Jul) -13,3 (Fev) (+34 neve) 707,5 87,5 (Nov) 113 Lisboa 16,6 11,7 27,7 (Ago) 7,8 (Jan) 40,3 (Ago) -1,2 ( Fev) 518,8 93,0 (Nov) 84 Campo Maior 16,5 16,4 33,8 (Jul) 4,4 (Jan) 45,6 (Jul) -5,0 ( Fev) 452,6 129,0 (Nov) 62 Faro 17,8 11,8 28,2 (Jul/Ago) 9,0 (Jan) 41,3 (Jul) -0,8 ( Fev) Precipitação e temperaturas bem menor, pela interferência do homem, como é o caso do chamado efeito de ilha urbana provocado pelas grandes cidades. Num mundo em que o turismo atinge foros de importante actividade económica, o conhecimento do clima torna-se cada vez mais necessário tanto para a obtenção de informação o mais precisa possível do estado médio – e valores extremos – do tempo numa dada época do ano, como para a escolha da loca- lização das estações turísticas. As condições gerais da circulação atmosférica provocam uma sensível diminuição da precipitação anual de norte para sul do Continente, reforçada pela assimetria orográfica; a barreira de relevos no Norte e o afastamento do litoral pro- vocam menor queda de chuva no interior, notoriamente na rede hidrográfica, muito encaixada, do Douro. Em paralelo com a distribuição da chuva encontra-se a dis- tribuição do número de dias com precipitação igual ou superior a 1 mm e, em sua oposição, os valores da insolação – número de horas de sol descoberto acima do horizonte – que atingem, no Algarve, 3 100 horas, dos maiores valores da Europa. A temperatura média do ar evolui em sentido contrário ao das chuvas, ou seja, aumentando de norte para sul onde as amplitudes térmicas são maiores; evolução idêntica se nota entre as temperaturas ao longo do litoral – sempre mais amenas e as do interior com muito maiores amplitudes térmicas. As áreas montanhosas do Norte mantêm-se como ilhas de frescura ao longo dos meses de Verão e no Inverno atingem as tempe- raturas mais baixas sendo relativamente alto o risco de geada, praticamente desconhecido a sul do Tejo e em todo o litoral. A humidade relativa tem uma distribuição regional pouco marcada de Inverno e uma diminuição acentuada, paralela ao litoral, nos meses de Verão. O vento, ou movimentos horizontais de massas de ar, é outro elemento de clima que interfere muito directamente com o sentimento de conforto sentido pelo Homem; e nele, também, se encontra uma diferenciação entre o interior do País, onde as direcções e intensidades são variáveis, em correlação importante com o relevo e seus alinhamentos; e o litoral, onde são bem marcadas as direcções norte e noroeste. As frentes separam massas de ar de densidades diferentes; pela sua posição, em especial o Continente e o arquipélago dos Açores estão mais sujeitos à passagem de frentes no Inverno do que no Verão; ainda devido à posição, esporadicamente, o Continente e a Ilha da Madeira podem ser atingidos por poeiras oriundas do Sara. Da relação entre os vários elementos de clima obtêm-se os índices de conforto bioclimático, através dos quais, uma vez mais se nota, de uma maneira geral, o contraste entre o Norte e o Sul. Outra medição menos frequente, mas essencial pela repercussão em duas actividades importantes – a pesca e o turismo – é a da temperatura da água do mar à superfície, junto à costa que, tal como em terra, aumenta de norte para sul e cuja média varia entre 12,3ºC, no mês de Janeiro, em Leixões, e 21,4ºC, nos meses mais quentes (Julho e Agosto), no Cabo de Santa Maria; mas, tal como noutros indicadores, notam-se algumas diferenças ao longo dos anos; por exemplo, em Leixões, entre 1956 e 1999 registou-se uma significativa “tendência crescente de cerca de 0,04ºC/ano”. Para além desta distribuição normal dos elementos climáticos básicos, verificou-se, pelo estudo de séries longas de valores registados nas estações meteorológicas mais significativas do Continente, “que o aumento [actual] da temperatura média do ar ocorre em todas as estações [do ano], sendo maior no Outono/Inverno do que na Primavera/Verão... e que a [tendência] da taxa de aumento da temperatura média anual do ar, 0,0074ºC/ano, é semelhante à da média global calculada para todo o planeta”. 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 52
  • 51.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 53 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Temperatura média do ar nos meses de Verão ºC 24 22 20 18 16 14 Média da temperatura máxima do ar nos meses de Verão ºC 32 30 28 26 24 22 20 Temperatura média do ar nos meses de Inverno ºC 14 12 10 8 6 4 2 Média da temperatura mínima do ar nos meses de Inverno ºC 10 8 6 4 2 0 Risco de geada Muito elevado Elevado Médio Baixo Fraco ou inexistente Humidade relativa nos meses de Verão (às 09h00 TU) % 90 85 80 75 70 65 60 55 50 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 53
  • 52.
    54 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Situação da frente fria de 6 de Fevereiro 2001, às 14h00 Imagem de radar mostrando a mancha nublosa associada a um sistema frontal A irregularidade do tempo no Continente A irregularidade do tempo é uma característica do clima do Continente, tanto na temperatura como na pluviosidade: ocorrem anos de secas intensas (que tanto podem ser genera- lizadas a todo o território, como afectar uma ou outra região) e, com muita frequência, principalmente no Outono, ‘crises’ de elevada percentagem de precipitação, provocadas pela pas- sagem de frentes frias; se estes episódios chuvosos intensos são por vezes localizados e de curta duração, outro são mais prolongados. Como “episódios prolongados de precipitação intensa e generalizada que originaram cheias e inundações, destacam-se os Outonos/Invernos de 1978/79, 1989/90 e 1995 /96”. O período Outono/Inverno de 2000/2001 caracterizou-se por valores muito altos de precipitação, no Norte e no Centro: relativamente às médias normais de 1961/1990 os valores varia- ram entre 44% em Faro e 272% nas Penhas Douradas, no mês de Novembro, enquanto Dezembro foi, para a maioria das esta- ções do Continente, o mês mais chuvoso da década 1991/2000: a variação de pluviosidade, neste mês, atingiu os 157% em Faro e 357% em Bragança e Castelo Branco. No mês de Março de 2001 “foram ultrapassados os valores máximos da quantidade de Intensidade do vento m/s > 8 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 3,5 3 < 3 Rosas de vento Altitude de 80m Resultados de simulação numérica Média anual de 1999 corrigida pela variabilidade de longo termo Altitude de 80m Resultados de simulação numérica c=calma em % Sistema Hayford-Gauss, Datum Lx (m) % 50 100 C N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 54
  • 53.
    Situação meteorológica nodia 5 de Novembro 1997 As regiões do Norte e Centro estiveram sob a acção de uma massa de ar sub-tropical marítimo, que passou gradualmente a ar polar modificado com a passagem de uma superfície frontal fria; as regiões do Sul estiveram inicialmente sob a acção de uma massa de ar tropical marítimo, passando rapidamente a ar sub-tropical e a ar polar modificado. A junção destes dois sistemas acompanhada por cavamento generalizado do campo da pressão em toda a Península, atravessou o território do Continente de Sagres a Elvas. Na imagem observa-se a massa nebulosa, de grande actividade, que se deslocava de sudoeste para nordeste (as cores branca e azul são indicativas das zonas mais frias, isto é, de maior actividade). Imagem de satélite meteorológico METEOSAT do dia 5 de Novembro 1997 às 20h30. ATLAS DE PORTUGAL IGP 55 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Situação de frentes em 29 de Dezembro 1998 Frente fria Frente quente Frente oclusa Depressão Anticiclone B A 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 55
  • 54.
    56 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Variação das temperaturas anuais Média ºC Índice de conforto bioclimático, 1941/2000 Julho Janeiro kcal/kg Muito quente Quente Confortável (quente) Confortável Confortável (fresco) Frio moderado fresco Frio moderado Frio Variação dos valores da precipitação de Outubro a Março Ano Valores 2002/03 normais 1961/1990 Viana do Castelo 15,9 14,6 Bragança 13,4 12,2 Vila Real 14,0 13,4 Porto – Serra do Pilar — 14,5 Penhas Douradas 9,9 9,0 Castelo Branco 16,2 15,7 Portalegre 15,9 15,1 Lisboa – Geofísico 17,8 16,8 Évora — 15,7 Beja 17,2 16,2 Faro 18,3 17,2 Ano 2002/03 Valores normais 1961/1990 Média Máxima Média Máxima anual diária anual anual Viana do Castelo 20,6 39,5 19,7 21,1 Bragança 18,9 39,5 17,6 19,1 Vila Real 18,7 38,3 18,6 19,7 Porto – Serra do Pilar — 39,5 19,1 20,2 Penhas Douradas 13,3 32,9 12,6 13,9 Castelo Branco 21,3 41,6 20,9 22,5 Portalegre 20,3 41,3 19,5 20,8 Lisboa – Geofísico 21,4 40,6 20,8 21,9 Évora — 43,0 20,6 21,8 Beja 22,9 45,4 22,2 23,5 Faro 22,2 39,6 21,9 22,5 Ano 2002/03 Valores normais 1961/1990 Média Mínima Média Mínima anual diária anual anual Viana do Castelo 11,2 -2,5 9,6 8,7 Bragança 8,0 -7,1 6,7 5,8 Vila Real 9,2 -2,9 8,1 7,4 Porto – Serra do Pilar 11,9 -0,2 9,9 9,1 Penhas Douradas 6,6 -8,6 5,4 4,1 Castelo Branco 11,1 -2,3 10,5 9,6 Portalegre 11,6 -1,0 10,8 9,3 Lisboa – Geofísico 14,2 2,4 12,8 11,9 Évora — -1,2 10,9 9,9 Beja 11,5 -1,6 10,1 9,3 Faro 14,4 1,4 12,5 11,4 1978/79 1989/90 1995/96 2000/01 mm mm mm mm Viana do Castelo 1430 1106 1528 2094 Bragança 908 780 931 1237 Vila Real 1308 788 1147 1629 Viseu 1474 1125 1209 1900 Penhas Douradas 1503 898 1626 1925 Porto – Serra do Pilar 2024 1532 1349 2164 Coimbra 999 775 964 1216 Castelo Branco 990 1063 984 963 Portalegre 1073 761 1173 1124 Lisboa – Geofísico 987 801 1050 887 Évora 691 638 899 763 Beja 617 718 763 657 Faro 526 1029 895 411 Notar a grande variabilidade, embora mantendo sempre um máximo na Serra do Pilar (Porto) e uma diminuição de norte para sul Máxima ºC Mínima ºC N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 56
  • 55.
    Propagação das poeirasdo deserto do Sara pelo Atlântico até ao arquipélago da Madeira Excepcionalmente vêem-se nuvens de fumo de um grande incêndio na serra de Monchique. Imagem obtida no dia 13 de Setembro 2003 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:44 Página 57
  • 56.
    58 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Onda de calor 1 a 14 de Agosto 2003 Nº de dias 15 a 17 12 a 14 9 a 11 6 a 8 Não existiu Média da temperatura máxima do ar 1 a 14 de Agosto 2003 ºC 40 38 36 34 32 Média da temperatura mínima do ar 1 a 14 de Agosto 2003 ºC 23 22 21 20 19 18 17 Anomalias de temperaturas mínimas do ar, 2002 ºC >3,6 2,7 – 3,6 1,7 – 2,6 1,2 – 1,6 0,7 – 1,1 -0,3 – 0,6 -0,8 – -0,4 -1,3 – -0,9 -2,3 – -1,4 -3,4 – -2,4 <-3,4 Maio Setembro Novembro N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 58
  • 57.
    UM PAÍS DEÁREA REPARTIDA Clima e suas influências precipitação alguma vez observados nos últimos sessenta a cem anos nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, no nordeste do distrito de Aveiro e no noroeste do de Viseu”. As ondas de calor De tempos a tempos verificam-se importantes anomalias térmicas e ocorrência de ‘crises’ de temperatura; quando intensas e prolongadas, originam as ondas de calor – se duram, pelo menos, seis dias consecutivos com a temperatura máxima superior ao percentil 90. No último meio século, as mais importantes ocorreram em Castelo Branco, em Julho de 1954, e em Amareleja, em Julho de 1991, ambas com a dura- ção de dezanove dias cada uma. A última começou em 29 de Julho de 2003 e prolongou-se até 14 de Agosto: foi das mais severas, pela duração e pelas temperaturas muito elevadas que se verificaram, em particular as temperaturas mínimas, que ultrapassaram os 25ºC em grande parte do País e foram superiores a 30ºC na área de Portalegre, sempre acompa- nhadas por muito baixa humidade relativa do ar. Entre outros incidentes causados por esta anomalia destacam-se os fogos florestais, pela extensão de área ardida e a intensidade alcançada. O clima das Ilhas A marca mais importante na distinção do clima entre os arquipélagos advém da sua posição em latitude e é dada pela distribuição das chuvas. Os Açores estão sujeitos a um clima atlântico, com chuva em todas as ilhas, sempre superior a 1 000mm anuais, bem distribuídas ao longo do ano, aumentando muito com a altitude, o que não exclui a ocorrência de valores excepcionalmente altos por períodos de 24 horas (ou mais), provocando enxurradas, desprendimentos de terras e aumentos intempestivos nos caudais das ribeiras. Os dias de Verão sem chuva e quentes, como no Continente, são uma raridade e nos anos em que eles acontecem em maior número pode ser uma calamidade para a economia do arquipélago, muito centrada na criação de gado em pastos naturais. Na Madeira, a distribuição anual da pluviosidade é mais irregular, com uma acentuada quebra nos meses de Verão e chuvadas muito fortes no Outono e na Primavera; o vigor e a posição do relevo provocam uma queda de chuva mais elevada na encosta norte do que na sul. Apesar da diferença de latitudes a que se encontram os arquipélagos, as diferenças nas temperaturas médias, no litoral, não são significativas: nos Açores, por exemplo em São Miguel, na plataforma baixa, oscilam entre os 15º-17ºC, subindo aos 22º-23ºC, nos meses de Verão e rondando os 12º-13ºC de Inverno. Na Madeira, as temperaturas desenvolvem-se entre as Precipitação total anual. Terceira, São Miguel e Madeira mm 5 000 3 800 3 400 3 000 2 600 2 200 1 800 1 400 1 000 800 600 500 400 Temperatura média anual do ar. Terceira, São Miguel e Madeira 0C 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 ATLAS DE PORTUGAL IGP 59 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 59
  • 58.
    60 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Precipitação total nos meses de Inverno. Terceira, São Miguel e Madeira Precipitação total nos meses de Verão. Terceira, São Miguel e Madeira Média da temperatura mínima do ar nos meses de Inverno. Terceira, São Miguel e Madeira Média da temperatura máxima do ar nos meses de Verão. Terceira, São Miguel e Madeira mm 1 800 1 400 1 200 1 000 800 600 500 400 300 200 mm 600 500 400 300 200 150 100 50 0C 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 0C 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 60
  • 59.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 61ATLAS DE PORTUGAL IGP 61 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências médias de 15ºC dos três meses mais frios e a de 22ºC dos três meses mais quentes. Em ambos os arquipélagos a temperatura desce quando a altitude sobe, tendo sido calculado um decréscimo de 0,6ºC por cada 100 m. A rede hidrográfica Na distribuição da rede hidrográfica volta a notar-se a maior importância no norte do Continente relativamente ao sul. As características da rede hidrográfica estão ligadas à natureza das rochas, acidentes tectónicos e tipos de clima das áreas atravessadas. Os cursos de água, instalando-se ao longo de zonas de fractura são um traço muito marcante do mode- lado granítico, especialmente no norte do Continente O regime dos rios reflecte as variações da pluviosidade, quer no seu total anual, quer nas suas variações estacionais. Por isso, os rios que correm em Portugal Continental têm um regime de enorme irregularidade. Durante o Inverno, quando o País é atravessado por ‘rosá- rios de frentes’ que provocam forte e, por vezes, prolongada precipitação, os rios ‘sobem’, podendo ocorrer cheias mais ou menos importantes. Um facto de capital importância para as pessoas e sua economia é o da subida repentina das águas, que, em poucas horas, podem elevar-se umas duas dezenas de metros, causando cheias catastróficas; embora com a expansão das barragens este fenómeno se verifique com menos frequência e em menor escala, ainda subsiste. No Verão, as precipitações escasseiam e a evaporação aumen- ta: o caudal diminui tanto mais quanto mais a sul se situam os rios, podendo ficar reduzidos a uma sucessão de charcos. Os rios que correm a Oeste, nomeadamente a norte do Mondego, contrastam, pelos seus caudais maiores e mais regulares ao longo do ano, com os rios que circulam a leste e a sul, em áreas de menor queda de chuva e mais forte evaporação: aqueles pertencem ao regime atlântico; estes, ao mediterrânico; mas uns e outros sofrem enormes variações – anuais e estacionais – Cheias do Tejo em Santarém, 7 de Janeiro 2001 Assoreamento do Tejo em Santarém, Maio 1997 Rede hidrográfica principal N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 61
  • 60.
    62 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências Rios Percurso Km de Bacia hidrográfica (km) fronteira (1 000km2) Total Portugal Total Portugal Minho 300 77,5 77,5 16,6 0,8 Lima 108 67 8,9 2,4 1,2 Douro 927 330 137,1 98,4 18,6 Tejo 875 225 52,6 80,1 24,4 Guadiana 711 240 122,8 66,9 11,5 Rios internacionais Rio (estação) Anos Caudal médio Caudal máximo de série m3/seg. m3/seg. Minho (Foz do Mouro) 10.1973/04.2004 330,04 898,0 (07.02.79) Lima (Rabaçal) 10.1971/09.1990 51,81 916,0 (30.12.78) Douro (Rio Mau) 10.1976/09.1985 467,15 568,0 (15.01.77) Mondego (Ponte Sta Clara) 10.1939/06.1985 79,74 147,0 (29.01.48) Tejo (Ponte Santarém) 10.1943/11.1988 411,45 5078,6 (16.02.83) Sado (Alvalade) 01.1980/07.2001 1,73 368,2 (06.06.91) Guadiana (Pulo do Lobo) 10.1946/11.2000 161,28 127,3 (06.03.47) Caudais dos principais rios Extensão dos rios nacionais, em km Ave 85 Vouga 136 Mondego 220 Sado 175 Mira 130 Algumas especificidades de rios portugueses De entre os rios de percurso exclusivamente português distinguem-se o Mondego – o mais longo e temido pelas cheias periódicas a que era sujeito antes da construção da meia dúzia de barragens que dominaram o seu curso, utilizadas para produção de energia e para irrigação – e o Sado, por ter uma extensão navegável de cerca de 40% do seu percurso e, na foz, o estuário atingir mais de quilómetro e meio de largura. Dos rios internacionais, o Minho é o único que limita integralmente a fronteira, a Noroeste. No Lima, junto à aldeia do Lindoso foi construída, ainda no princípio do século XX, a primeira central hidroeléctrica do país. O Douro tem a maior bacia hidrográfica da Península Ibérica, um quarto da qual situada em Portugal, e um elevado potencial hidroeléctrico que, só na parte portuguesa, com as oito barragens em funcionamento pode atingir os 10 000GWh. O Tejo é o mais longo rio peninsular e no seu percurso total foram realizados numerosos empreendimentos hidroeléctricos, dos quais em Portugal se destacam os de Belver, Cabril, Castelo de Bode, Fratel, Montargil e Maranhão; nas suas margens tem sido descoberto grande número de gravuras rupestres, muitas delas submersas por algumas das albufeiras, como no Fratel. O Guadiana ocupa a terceira posição na Península, tanto pela extensão como pela área da sua bacia; tendo um fraco perfil longitudinal, apresenta, contudo, uma série de pequenos desníveis significativos entre Serpa e Mértola, sendo o Pulo do Lobo o mais notável. No seu percurso, a barragem do Alqueva, com capacidade utilizável de 3150 hm3, irá proporcionar o “aproveitamento de um empreendimento de fins múltiplos” (hidroeléctrico, rega, turismo ...) e promover o desenvolvimento em duas dezenas de concelhos alentejanos. Bacias hidrográficas N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:45 Página 62
  • 61.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 63 Exemplos de traçados de rios Douro em terreno granítico. Lizandro em terreno de calcário. Mondego em terreno de xisto. Mira em terrenos sedimentares ‘recentes’ da bacia cenozóica 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:46 Página 63
  • 62.
    64 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências pelo que vários especialistas consideram os rios portugueses como aqueles em que “o valor da oscilação do nível das águas se conta entre os mais acentuados da Europa”. Os rios que marcam mais profundamente o território continental são todos internacionais; as suas águas, em per- cursos de diferente importância limitam troços de fronteira; como particularidade, o rio Minho define, na íntegra, a fronteira do noroeste; as bacias hidrográficas dos quatro principais rios ibéricos (Minho, Douro, Tejo e Guadiana) ocupam, em território português, 53 600km2. O único ‘grande’ rio correndo exclusivamente em Portugal é o Mon- dego (220km de comprimento). Nas Ilhas, devido à sua pequenez e aos imponentes rele- vos, centrais e marcadamente paralelos às costas mais alongadas, os rios permanentes são curtos, por vezes com importantes quedas de água; os de regime efémero têm, com muita frequência, registos torrenciais, de acordo com as chuvadas que fustigam os arquipélagos, principalmente no outono. Os solos Os solos, ou resultam de alterações químicas, físicas e bio- lógicas das formações geológicas, as quais dependem, em grande parte, do tipo de clima e do ritmo do tempo – dando os solos eluvionares, em geral pouco espessos, pedregosos e de baixa pro- dutividade –, ou são o resultado da acumulação de detritos transportados pelos cursos de água – os aluviões ou solos alu- vionares, em geral mais profundos do que aqueles, mas que só se encontram em áreas reduzidas nos vales largos do norte e nuns largos quilómetros quadrados nas bacias do Tejo-Sado. Seja qual for a sua origem, os solos estão sujeitos a vários tipos de erosão que contribuem para aumentar a sua degra- dação e o seu empobrecimento. Um estudo efectuado no início do último decénio do século passado, no Centro Experimental de Erosão de Vale Formoso, perto de Mértola, em terrenos xistosos e sob uma precipitação de 773,3mm verificada de Setembro (1989) a Janeiro (1990) registou as seguintes perdas de solo, segundo a ocupação de parcelas: Com restolho: 1,130t/ha Com trigo (lavoura segundo as curvas de nível): 10,101t/ha Com solo nu (lavoura perpendicular às curvas de nível): 40,992t/ha Com pastagem natural: 0,041t/ha A destruição da cobertura vegetal por incêndios é outra causa acentuada de risco de degradação. Nas Ilhas, apesar da intensa cobertura vegetal, nos solos vulcânicos mais evoluídos, a seguir a grandes temporais, é ‘normal’ ver-se uma mancha de água amarelo-terroso interpor- -se entre a terra firme e o mar habitualmente azul que as rodeia, tão elevada é a quantidade de solo que escorre pelas encostas... Distribuição de tipos de solos Cambissolos solos castanhos relativamente móveis, produto de complexos rochosos antigos Litossolos solos pedregosos muito pouco espessos e muito pouco evoluídos, estabelecidos sobre rochas-mãe duras Luvissolos solos argilosos com elevado grau de saturação em bases Podzois solos ácidos cuja evolução é condicionada pela presença de um húmus caracterizado por mineralização lenta da matéria orgânica fresca; são característicos de florestas degradadas de resinosas Fluviossolos solos formados sobre depósitos fluviais recentes Regossolos solos muito pouco evoluídos, estabelecidos sobre rochas-mãe moles Vertissolos solos negros e argilosos de regiões quentes com estação seca Raukers solos pouco evoluídos, principalmente em áreas montanhosas de regiões temperadas Solonchacks solos ligados à existência de toalhas de água salgada Planossolos solos fracamente permeáveis, com características hidromorfas N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 15:46 Página 64
  • 63.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 65 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Clima e suas influências A vegetação ‘natural’ Pela latitude a que se encontra o território continental, pela distribuição da temperatura, da queda de chuva e do seu regime, distinguem-se duas regiões de vegetação ‘natural’: a norte, caracteristicamente atlântica, com espécies de folha- gem caduca, típicas da Europa oceânica – que encontram em Portugal o seu limite meridional; a sul, a mediterrânea, predo- minantemente com espécies de folha persistente e adaptações xerofíticas, apanágio das áreas de clima mediterrânico. Grosseiramente, pela latitude de Coimbra estabelece-se uma faixa irregular de transição. As Regiões Autónomas pertencem a um vasto conjunto ambiental – a Macaronésia – que engloba também os arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde. Apesar das diferenças climáticas, com especial relevo para a precipitação (muito abundante nos Açores, rara em algumas ilhas cabo-verdeanas), todas as ilhas foram revestidas por uma densa cobertura de árvores de grande porte e de arbustos, porventura mais rica em número do que em espécies: a laurissilva, floresta constituída maioritariamente por lauráceas, como vinhático, pau branco, til, cedro do mato, entre outras; foi desaparecendo pela intervenção do homem, primeiro pela necessidade de arranjar espaço para culturas alimentares e pastos para os gados, depois pelo desenvolvimento da popula- ção e consequente aumento da construção imobiliária. Hoje, a laurissilva só tem importante representação em algumas áreas das Canárias Ocidentais e, principalmente, na Madeira, em áreas compreendidas entre os 300-600m e os 1500m, em especial nas encostas setentrionais; aqui, pelo seu significado e extensão (15 mil hectares) foi integrada no seu Parque Natural e classificada, em 1999, como Património da Humanidade. Nos Açores, pelo interior, ainda hoje se vêem matas de vinhá- tico, queiró, uva da serra, urze e loureiro, aparecendo as duas última espécies também no litoral, em lavas vulcânicas em estado avançado de evolução, frequentemente juntas com o incenso, subespontâneo; todavia, o cedro do mato já desapareceu em algumas ilhas, sendo raro, e só resistindo em lugares de refúgio, noutras, como em São Miguel. Mas, se umas espécies se extinguiram, outras foram introduzidas, um pouco de todo o mundo, e, pelas condições locais, se espalharam e adaptaram de tal maneira que constituem, hoje, um elemento inseparável destas paisagens: fetos arbóreos, coníferas – entre as quais se contam algumas variedades de araucárias e a criptoméria, umas e outras formando extensos povoamentos – belas hortênsias, que ainda vão dividindo os pastos, e as exóticas e perfumadas conteiras que cobrem grandes áreas dos maciços montanhosos. Nas ilhas do arquipélago da Madeira, “que do muito arvo- redo assim se chama”, como escreveu Camões, a devastação ainda foi maior, nomeadamente em Porto Santo e na vertente sul da Madeira, onde da primitiva laurissilva, fora do Parque Natural, já só se encontram algumas espécies em estado de relí- quia, como o dragoeiro (que, pela sua beleza e imponência, é plantado em jardins), o jasmineiro amarelo e o zimbreiro, entre outras. Também neste arquipélago algumas plantas introdu- zidas adquiriram carácter subespontâneo, como a opúncia, ou tabaiba, e o agave, ou pita, de adaptação xerófita, aqui encon- trando boa aclimatação nas encostas meridionais, evidenciando bem os largos períodos de secura estival; são, ainda hoje, indissociáveis da fisionomia destas ilhas. Exemplos de vegetação atlântica, mediterrânea e de laurissilva 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:03 Página 65
  • 64.
    Geograficamente falando, umapaisagem – entidade espacial visual ( E.Troll) – resulta da “combinação dinâmica de elementos físico-químicos, biológicos e antrópicos, reagindo uns sobre os outros, formando um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução” (P. Georges); é um espaço polifacetado, complexo, impregnado de história mas dinâmico e independente da subjetividade de quem o estuda. Paisagens realmente naturais, ou seja, derivadas exclusivamente da interação de elementos físico-químicos e biológicos pode dizer-se que quase não existem; ao longo da história multissecular da Humanidade, foram cedendo lugar às paisagens mais ou menos directa ou indirectamente humanizadas. Unidades de paisagem são áreas relativamente homogéneas, com padrões determinados que as distinguem das unidades envolventes; nestas divisões é fundamental ter em conta o factor escala pois ele vai determinar a malha adequada à observação pretendida. 66 ATLAS DE PORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Carlos Pereira da Silva TIPOS DE PAISAGEM Diversidade e grupos de paisagem A diversidade das paisagens portuguesas, principalmente se conjugada com a pequena superfície do País, é devida a um conjunto de factores naturais e histórico-culturais; entre os primeiros, uma vez mais há que destacar a posição e a extensa costa, a variedade litológica, a desigual distribuição do relevo, a acentuada diferenciação climática; quanto aos segundos, não se pode esquecer os diferentes povos que, em vagas sucessivas, se foram instalando, mais ou menos longamente, no território que veio a constituir Portugal, de alguns dos quais ainda hoje restam marcas importantes. As regiões do Continente, há muito detectadas pelos geó- grafos, foram redesenhadas e aprofundadas pela mão de mestre de Orlando Ribeiro, em 1945; no seu trabalho fundamental – Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico – diz serem “blocos... vastos, reunidos por uma tonalidade comum... dada pelo contraste entre as influências mediterrânicas e atlânticas e, nestas, pela sua ate- nuação com o afastamento do litoral”; foi a primeira grande síntese da variedade do território, sob um pano de fundo essencialmente cultural que distingue a terra portuguesa da sua vizinha Espanha. Este estudo marcou uma época que, com pequenas alterações, se manteve até aos anos 60, quando as mudanças, na sequência da grande emigração para a Europa se tornaram não só evidentes como, nalguns casos, alarmantes. A perda de população no interior conduziu ao abandono de lugares e à drástica alteração dos sistemas de exploração da terra, com graves consequências para a erosão, devido a uma desflorestação seguida de uma replantação por fases, primeiro nos baldios (causando graves prejuízos à economia das popu- lações serranas, pela incompreensão do seu modo de vida), depois, em muitas terras agrícolas, mas quase sempre com espécies de desenvolvimento rápido e de fácil combustão; à concentração exagerada de população que conduziu à cons- trução desregrada de bairros clandestinos, principalmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e, no Algarve, a uma construção desenfreada provocada pelo turismo, muitas vezes em condições desastrosas quanto à erosão fluvial e até litoral; à construção desordenada de habitações secundárias e até ter- ciárias; à construção de centenas de quilómetros de auto-estra- das nem sempre seguindo os traçados menos funestos... Hoje existem indícios encorajadores no sentido da preser- vação possível das paisagens, entre os quais o seguimento de normas legais e de convenções internacionais relevantes para a sua conservação e valorização. Barros Gomes, ainda nas últimas décadas do século XIX, esboçava um ensaio da divisão regional de Portugal; em mea- dos do século passado, Orlando Ribeiro, no estudo referido, inseriu um capítulo sobre os fundamentos da divisão regional do Continente, caracterizando esta “pelo seu padrão miúdo e rica variedade de aspectos e contrastes” e individualizando-a não só pelas “condições gerais de clima e posição, mas ainda pelas particularidades da natureza e do relevo do solo, pelo manto vegetal e pelas marcas da presença humana [que] nos darão o sentimento de não sairmos da mesma terra”. Eis as divisões principais: Norte Atlântico, Norte Transmontano e Sul, cada uma delas subdividida em várias unidades (23, no seu conjunto), determinadas pelo relevo e/ou natureza das rochas e pelas marcas da presença humana. O estudo Contributos para a Identificação e Caracterização da Paisagem em Portugal Continental, realizado na Universidade de Évora, entre 1999 e 2002, identifica, numa primeira apreciação das paisagens portuguesas, segundo os critérios de identidade, coerência de usos, riqueza biológica, raridade dos elementos e, o mais subjectivo de todos, sensação provocada no observador, 128 unidades de paisagem, associadas em 22 grupos. Com meio século de intervalo e processos de análise incomparáveis, apercebe-se, entre estes estudos, uma cons- tância de individualização, proveniente da realidade física do País. 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:03 Página 66
  • 65.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 67 Exemplos de paisagens Aldeia perto de Melgaço, paisagem atlântica Moinho de maré no estuário do Tejo Um trecho da Ribeira da Seda no Crato Relevo basáltico no sudoeste da Ilha da Madeira Coruche, um pequeno centro urbano Serra da Arrábida, paisagem mediterrânea Salinas de Aveiro Perfil da Ilha do Pico, visto do Faial Guadiana, Pulo do Lobo Ilha do Faial, cidade da Horta 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 67
  • 66.
    68 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem A–V: Grupos de unidades de paisagem 1-128: unidades de paisagem A. Entre Douro e Minho 1. Vale do Minho 2. Entre Minho e Lima 3. Vale do Lima 4. Entre Lima e Cávado 5. Vale do Cávado 6. Entre Cávado e Ave 7. Vale do Ave 8. Serras de Valongo 9. Serras da Peneda – Gerês 10. Serra da Cabreira e Montelongo 11. Minho Interior 12. Baixo Tâmega e Sousa B. Montes entre Larouco e Marão 13. Serras do Larouco e Barroso 14. Terras de Basto 15. Serras do Marão e Alvão C. Trás-os-Montes 16. Veiga de Chaves 17. Vale do Corgo 18. Serras da Falperra e Padrela 19. Terra Fria Transmontana 20. Baixa de Valpaços 21. Terras de Bragança / Macedo de Cavaleiros 22. Vale do Sabor 23. Planalto Mirandês 24. Douro Internacional 25. Terra Quente Transmontana 26. Serra de Bornes 27. Baixo Tua e Ansiães 28. Baixo Sabor e Terras Altas de Moncorvo D. Área Metropolitana do Porto 29. Litoral a Norte do Porto 30. Grande Porto 31. Espinho – Feira – S. João da Madeira E. Douro 32. Baixo Douro 33. Riba-Douro 34. Douro Vinhateiro 35. Alto Douro F. Beira Alta 36. Baixo Paiva 37. Serra de Montemuro 38. Pomares de Lamego e Moimenta da Beira 39. Planalto de Penedono 40. Serra da Arada 41. Montes Ocidentais da Beira Alta 42. Alto Paiva e Vouga 43. Serras de Leomil e Lapa 44. Serra do Caramulo 45. Dão e Médio Mondego 46. Cova de Celorico G. Beira Interior 47. Planalto da Beira Transmontana 48. Vale do Côa 49. Cova da Beira 50. Penha Garcia e Serra da Malcata 51. Castelo Branco – Penamacor – Idanha 52. Campina de Idanha 53. Beira Baixa – Tejo Internacional 54. Tejo Superior e Internacional 55. Terras de Nisa H. Beira Litoral 56. Ria de Aveiro e Baixo Vouga 57. Pinhal Litoral Aveiro – Nazaré 58. Bairrada 59. Coimbra e Baixo Mondego 60. Beira Litoral: Leiria – Ourém – Soure I. Maciço Central 61. Serras da Lousã e Açor 62. Serra da Estrela J. Pinhal do Centro 63. Pinhal Interior 64. Vale do Zêzere 65. Serras da Gardunha, de Alveolos e do Moradal 66. Mosaico Agroflorestal – Castelo Branco K. Maciços Calcários da Estremadura 67. Maciço Calcário Coimbra – Tomar 68. Serras de Aire e Candeeiros 69. Colinas de Rio Maior – Ota 70. Serra de Montejunto L. Estremadura Oeste 71. Oeste 72. Oeste Interior: Bucelas – Alenquer 73. Oeste Sul: Mafra – Sintra M. Área Metropolitana de Lisboa – Norte 74. Terra Saloia 75. Serra de Sintra – Cabo da Roca 76. Linha de Sintra 77. Lisboa 78. Costa do Sol – Guincho N. Área Metropolitana de Lisboa – Sul 79. Arco Ribeirinho Almada – Montijo 80. Outra Banda Interior 81. Charneca da Lagoa de Albufeira 82. Serra da Arrábida – Espichel O. Ribatejo 83. Colinas do Ribatejo 84. Médio Tejo 85. Vale do Tejo – Lezíria 86. Charneca Ribatejana 87. Vale do Sorraia P. Alto Alentejo 88. Serra de S. Mamede 89. Peneplanície do Alto Alentejo 90. Colinas de Elvas 91. Várzeas do Caia e Juromanha Q. Terras do Sado 92. Areias de Pegões 93. Estuário do Sado 94. Charneca do Sado 95. Pinhais do Alentejo Litoral 96. Vale do Baixo Sado 97. Montados da Bacia do Sado 98. Terras do Alto Sado R. Alentejo Central 99. Montados e Campos Abertos do Alentejo Central 100. Maciço Calcário; Estremoz – Borba – Vila Viçosa 101. Serra de Ossa 102. Terras de Alandroal e Terena 103. Serra de Monfurado 104. Campos Abertos de Évora 105. Campos de Reguengos de Monsaraz 106. Albufeira de Alqueva e envolventes 107. Terras de Amareleja – Mourão 108. Terras de Viana – Alvito 109. Serra de Portel S. Baixo Alentejo 110. Terras Fortes do Baixo Alentejo 111. Vale do Baixo Guadiana e afluentes 112. Olivais de Moura e Serpa 113. Barrancos 114. Campo Branco de Castro Verde 115. Campos de Ourique – Almodôvar – Mértola 116. Serras de Serpa e Mértola T. Costa Alentejana e Sudoeste Vicentino 117. Litoral Alentejano e Vicentino 118. Vale do Mira 119. Ponta de Sagres e Cabo de S. Vicente U. Serras do Algarve e do Litoral Alentejano 120. Serras de Grândola e do Cercal 121. Colinas de Odemira 122. Serra do Caldeirão 123. Serra de Monchique e envolventes V. Algarve 124. Barlavento Algarvio 125. Barrocal Algarvio 126. Litoral do Centro Algarvio 127. Ria Formosa 128. Foz do Guadiana Unidades e grupos de unidades de paisagem 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 68
  • 67.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 69 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem Divisões regionais do Continente Esquema de Orlando Ribeiro Limites A – Limite entre o Norte e o Sul B – Limites entre as áreas atlântica e transmontana C – Outros limites importantes determinados pelo relevo ou pela natureza das rochas D – Limites entre áreas pertencentes ao mesmo conjunto de paisagens Unidades de paisagem 1. Entre Douro e Minho 2. Montanha do Minho 3. Montanhas do Norte da Beira e do Douro 4. Terras de média altitude da Beira Litoral 5. Planaltos da Beira Alta 6. Beira Litoral 7. Cordilheira Central 8. Planaltos e montanhas de Trás-os-Montes 9. Planaltos e montanhas da Beira transmontana 10. Alto Douro e depressões anexas 11. Baixo Mondego 12. Estremadura setentrional, geralmente baixa 13. Maciços calcários da Estremadura e Arrábida 14. Depressões e colinas 15. Estremadura meridional, geralmente acidentada 16. Beira Baixa 17. Ribatejo 18. Alentejo de planície com raras elevações isoladas 19. Alto Alentejo 20. Alentejo litoral com elevações 21. Depressão do Sado 22. Serra algarvia 23. Algarve litoral ou Baixo Algarve A D B C N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 69
  • 68.
    2000/0495/9990/9485/8980/8475/791970/74 AçoresMadeiraContinente 2 10 19 12 6 9 7 70 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem Áreas Protegidas É hoje reconhecido que o planeta se encontra num momento crítico também ao nível da conservação da natureza e da sua biodiversidade, com a crescente ameaça de desapare- cimento de um número cada vez maior de espécies. Esta situação resulta de diversos factores, nomeadamente, a degradação de habitats únicos – em grande parte devido à intensificação da exploração da actividade agrícola, modificadora da paisagem –; a expansão da urbanização; a industrialização; a intensificação da actividade turística e o seu alargamento também aos espaços rurais; a crescente poluição que nas suas diferentes formas vai degradando a paisagem, condenando-a à consequente perda de biodiversidade. Em Portugal, também são estes factores que ameaçam a grande diversidade de valores naturais que, do Continente às Ilhas constituem o nosso património natural ímpar e que urge proteger. A privilegiada localização geográfica de Portugal, conjugada com a acção humana, compõe a herança natural única de um país que continua a sofrer de graves problemas estruturais de desenvolvimento, que relega quase sempre para segundo plano as questões ligadas ao Ambiente e Ordenamento do Território e onde se constata que a conservação da Natureza ainda não é encarada como uma área prioritária de actuação. As áreas protegidas representam muito mais do que zonas livres da acção antrópica: são também territórios que reflectem um equilíbrio entre a paisagem natural e as actividades desen- volvidas pelo Homem e, no fundo, é da manutenção deste equilíbrio que dependem actividades económicas importantes como a agricultura, a caça, a criação de gado ou a pesca. Também se tem verificado, em alguns exemplos de valores naturais sujeitos a regimes de preservação e protecção, que os mesmos acabam resultando em ‘ilhas de protecção’, isoladas territorialmente e sem qualquer tipo de visão estratégica. O seu apertado regime de protecção não concede às populações envolvidas a possibilidade de encontrar novas alternativas de desenvolvimento que sejam compatíveis com o desejado equi- líbrio natural, tal como também não as sensibiliza e informa convenientemente sobre as múltiplas vantagens que poderiam retirar do facto de estarem integradas num território protegido, nem sobre a importância dessas mesmas medidas. As questões referentes às áreas protegidas em Portugal, no sentido em que as entendemos hoje, são bastante recentes. A primeira referência existente data de 1948, mencionando pela primeira vez a criação de Parques Naturais. No entanto, os ver- dadeiros alicerces para uma política de protecção da natureza só seriam criados pela Lei n.º 9/70, que atribuía ao Governo a res- ponsabilidade da promoção e protecção da natureza: “defesa de áreas onde o meio natural deva ser reconstituído ou preservado contra a degradação provocada pelo homem”, e do “uso racional e a defesa de todos os recursos naturais em todo o território de modo a possibilitar a sua fruição pelas gerações futuras” (referência explícita ao desenvolvimento sustentável). Estes objectivos deveriam ser atingidos pela criação de Parques Nacionais e Reservas (figuras de protecção definidas em relação aos diferentes objectivos). No seguimento desta política é criada, em 1971, a primeira Área Protegida – o Parque Nacional da Peneda-Gerês – o único com este estatuto existente até então no território nacional; só após 1974 as questões ligadas ao Ambiente e à Conservação da Natureza ganharam um novo impulso com a criação da Secretaria de Estado do Ambiente. Assim, através da publicação do Decreto-Lei n.º 613/76, definiu-se a classi- ficação das Áreas Protegidas com a introdução do conceito de Parque Natural, que já existia em vários países europeus. Outro momento muito importante para as Áreas Protegi- das surgiu com a publicação da Lei n.º 11/87 – a Lei de Bases do Ambiente – que referia a importância da regulamentação e implementação de uma rede nacional de áreas protegidas, definindo os estatutos nacionais, regionais e locais que as mesmas deveriam ter, muito embora esta ideia só viesse a ser concretizada seis anos depois, com o Decreto-Lei n.º 19/93 que, finalmente, criou a Rede Nacional de Áreas Protegidas. Em Portugal, a criação de áreas protegidas seguiu de perto a tendência mundial, já que uma boa parte das mesmas surgiu a partir da segunda metade dos anos 70 – entre 1975 e 1984 foram criadas 29 áreas protegidas, o que representa quase metade das existentes actualmente. Este facto deveu-se sobretudo à nova dinâmica que a Secretaria de Estado do Ambiente imprimiu neste sector após 1974, cabendo-lhe a responsabilidade da criação de grande parte das Áreas Protegidas nacionais mais importantes, como os Parques Naturais da Serra da Estrela, Arrábida, Aires e Candeeiros e as Reservas do Estuário do Tejo e da Ria Formosa, que mais tarde passou a Parque Natural. Já nos anos 90, e na sequência da criação da Rede Nacional de Áreas Protegidas, procedeu-se à reclassificação das áreas existentes, para que melhor se adaptassem à nova legislação, assistindo-se também à criação de Áreas Protegidas de Criação de Áreas Protegidas, 1970/2004 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 70
  • 69.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 71 Rede Nacional de Áreas Protegidas Rios principais e albufeiras Áreas protegidas UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem Áreas Protegidas Área (ha) Ano de criação Parque Nacional 1. Peneda-Gerês 69 693 1971 Parques Naturais 2. Alvão 7 202 1983 3. Arrábida 11 054a 1998 4. Douro Internacional 85 146 1998 5. Montesinho 74 618 1997 6. Ria Formosa 17 664 1997 7. Serra da Estrela 101 060 1997 8. Serra de São Mamede 56 070 1986 9. Serras de Aire e Candeeiros 38 393 1979 10. Sintra-Cascais 14 451 1994 11. Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina 60 624b 1995 12. Tejo Internacional 23 441 1956 13. Vale do Guadiana 69 773 1956 Reservas Naturais 14. Berlenga 104c 1998 15. Dunas de São Jacinto 680 1997 16. Estuário do Sado 23 971 1980 17. Estuário do Tejo 14 192 1970 18. Lagoas de Sto André e Sancha 3 123d 2000 19. Paul de Arzila 580 1997 20. Paul do Boquilobo 550 1997 21. Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António 2 153 1975 22. Serra da Malcata 16 347 1999 Paisagens protegidas (âmbito nacional) 23. Arriba Fóssil da Costa da Caparica 1 594 1981 24. Litoral de Esposende 399 1987 25. Serra do Açor 373 1982 Sítios Classificados 26. Açude da Agulada 268 1980 27. Açude do Monte da Barca 875 1980 28. Campo de Lapiás da Granja dos Serrões 35 1991 29. Campo de Lapiás de Negrais 50 1991 30. Centro Histórico de Coruche — 31. Fonte Benémola 561 1991 32. Gruta do Zambujal 14 1979 33. Montes de Santa Olaia e Ferrestelo 8 1991 34. Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) 34 1979 35. Rocha da Pena 733 1991 Monumentos Naturais 36. Carenque 6 1997 37. Lagosteiros 5 1997 38. Pedra da Mua 7 1997 39. Pedreira do Avelino 1 1997 40. Pegadas de Dinossáurios de Ourém / Torres Novas 54 1996 Paisagens protegidas (âmbito regional) 41. Albufeira do Azibo 4 897 1999 42. Corno do Bico 2 181 1999 43. Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos 346 2000 44. Serra de Montejunto 3 710 1999 a Mais 5 699ha de área marítima b Mais 28 992ha de área marítima c Mais 9 560ha de área marítima d Mais 2 143ha de área marítima N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 71
  • 70.
    72 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem importância estratégica como são os casos dos Parques Natu- rais do Vale do Guadiana (1995), do Douro Internacional (1998) e do Tejo Internacional (2000). Desta forma, Portugal apresenta no ano de 2004 uma Rede Nacional de Áreas Protegidas constituída por Parques Nacio- nais (1), Parques Naturais (12), Reservas Naturais (9), Paisa- gens Protegidas (7, sendo 4 de âmbito regional), Sítios Classi- ficados (10) e Monumentos Naturais (5). Esta rede ocupa uma área com cerca de 700 000ha, correspondendo a cerca de 8% da área total do continente e dentro dos seus limites residem aproximadamente 200 000 habitantes. A paisagem existente nestas áreas reflecte quase sempre o necessário equilíbrio entre a acção humana e o meio. A que- bra deste equilíbrio devido à ausência da acção humana tra- duz-se geralmente em consequências nefastas para todos, como exemplificam os incêndios, a degradação e empobreci- mento dos solos, as alterações climatéricas ou o despovoa- mento de áreas consideráveis do território nacional. Perante este cenário torna-se mais compreensível a urgência em criar instrumentos que valorizem a acção dessas populações e que as envolvam na gestão dessas áreas, con- tribuindo-se desta forma também para a redução dos diversos conflitos existentes entre populações residentes e entidades gestoras do seu território. Entretanto, a Rede Nacional de Áreas Protegidas depara-se com problemas de funcionamento que impedem a concreti- zação de grande parte dos seus objectivos: a não só habitual falta de meios financeiros como também a de recursos huma- nos para implementar políticas, fiscalizar e vigiar com eficácia as Áreas Protegidas. Como exemplo refira-se o facto de, em 2002, existirem apenas cerca de 150 vigilantes da natureza, ou seja, cada um deles tinha sob sua competência um pouco mais de 4 400ha de Área Protegida. Um outro problema que importa também aqui referir é a ausência de Planos de Ordenamento destas áreas. Embora a legislação preveja e obrigue à sua existência, o não cumprimento dos prazos para a sua execução tem revelado um constante desrespeito pela lei por parte de todos os responsáveis envolvi- dos, chegando-se ao ponto de haver mesmo necessidade de alte- rar a própria lei para evitar a desclassificação daquelas áreas. Este facto tem sido co-responsável por muitos dos problemas com que as Áreas Protegidas se deparam, vendo-se obrigadas a uma gestão casuística, discricionária, sem estratégia e de curto prazo. Exemplo é o facto de, até 2004, apenas 2 entre as 29 áreas exigidas por lei terem novos Planos de Ordenamento aprova- dos. Desta forma, continuam a existir áreas sem planos válidos ou então aprovados há mais de dez anos e completamente desfasados da realidade e das necessidades actuais. O litoral possui mais de 20% da sua extensão classificada como área protegida, repartindo-se pelos Parques Naturais de Sintra-Cascais, do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina e ainda da Ria Formosa. Os valores florísticos, faunísticos e geo- lógicos deste significativo conjunto são por demais reco- nhecidos, embora se verifique demasiadas vezes que o estatuto de protecção não chegue para travar a degradação ambiental. Em relação à protecção do litoral importará salientar a visão demasiado ‘terrestre’ que lhe é subjacente, na medida em que o estatuto de protecção da faixa litoral descura bastante a parte marinha. Com as excepções das Berlengas, Arrábida, Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Lagoas de Santo André e Sancha, a protecção da faixa litoral necessita com urgência da criação de uma efectiva Rede Nacional de Áreas Protegidas Marinhas, que, embora pensada, nunca foi verdadeiramente implementada. Este facto é ainda mais premente quando se considera a importância estratégica que a área marinha tem para Portugal e as enormes pressões a que está sujeita já que é um dos seus principais recursos. Ainda outra situação que importa destacar na Rede Nacio- nal de Áreas Protegidas é a tentativa de protecção de alguns troços menos artificializados dos principais rios que correm em Portugal (Douro, Tejo, Guadiana). Embora existam difi- culdades acrescidas pela sua complexa gestão enquanto rios internacionais, eles não deixam de ser um bom exemplo de tentativa de gerir recursos transnacionais, passível de ser apli- cado a outras áreas da conservação da natureza, onde a exis- tência de limites artificiais – como as fronteiras – não deviam ser entraves a uma gestão conjunta. Em suma, pode-se dizer que as diversas situações acima referidas são claramente demonstrativas da pequena impor- tância que se dá ao sector do Ambiente em Portugal, de um modo geral, e às Áreas Protegidas em particular. A constante falta de meios, de acções e até mesmo de interesse, acabam por comprometer as reais possibilidades de funcionamento Exemplos de Áreas Protegidas: Peneda-Gerês, Douro, Arrábida e Sudoeste Alentejano 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 72
  • 71.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 73 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem ha AÇORES Santa Maria 1. Reserva Natural da Baía da Maia 144 2. Reserva Natural da Baía dos Anjos 275 3. Reserva Natural da Baía da Praia 281 4. Reserva Natural da Baía de São Lourenço 140 5. Reserva Natural Regional dos Ilhéus das Formigas 52 527 6. Monumento Natural Regional da Pedreira do Campo 150 São Miguel 7. Paisagem Protegida das Sete Cidades 2 067 8. Reserva Natural da Lagoa do Fogo 2 182 9. Reserva Natural do Ilhéu de Vila Franca 43 10. Monumento Natural Regional da Caldeira Velha 13 Terceira 11. Monumento Natural Regional do Algar do Carvão 40 12. Monumento Natural Regional das Furnas do Enxofre 7 Graciosa 13. Monumento Natural Regional da Caldeira da Graciosa nd ha São Jorge 14. Reserva Natural Parcial da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo 23 15. Área Ecológica Especial da Lagoa da Caldeira de Santo Cristo 18 16. Reserva Natural Parcial do Ilhéu do Topo 25 Pico 17. Reserva Natural da Montanha da Ilha do Pico 1 341 18. Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico 3 078 19. Monumento Natural Regional da Gruta das Torres 65 Faial 20. Reserva Natural da Caldeira do Faial 321 21. Paisagem Protegida do Monte da Guia 87 MADEIRA 1. Parque Natural da Madeira 52 000 2. Reserva Parcial do Garajau 376 3. Reserva Natural do sítio da Rocha do Navio 1 710 4. Reserva Natural das Ilhas Desertas 9 672 5. Reserva Natural das Ilhas Selvagens 9 455 Áreas Protegidas das Regiões Autónomas dos Açores e Madeira deste sector e, no caso das Áreas Protegidas, não deixa de ser flagrante o seu comprometimento enquanto pilares estraté- gicos de uma Política de Conservação da Natureza. As Ilhas Os arquipélagos da Madeira e dos Açores representam territórios particularmente sensíveis e importantes em termos de conservação da natureza, já que, devido à sua situação geo- gráfica, mantêm alguns endemismos que importa preservar. Tal como no Continente, a ameaça constantemente dirigida a estes valores naturais resulta em boa parte da acção humana, nomeadamente da alteração de práticas agrícolas e piscatórias mais tradicionais para outras mais intensivas, da criação de gado, dos incêndios florestais, da introdução de espécies exóticas ou da expansão da urbanização, entre outros. A Madeira tem um historial importante no que diz respeito às áreas protegidas. Foi aí que surgiu a primeira Reserva Natural de Portugal – as Ilhas Selvagens – em 1971. Em 1982, o reconhecimento do valor do património natural desta ilha levou à criação do Parque Natural da Madeira, cobrindo na sua extensão cerca de dois terços da Ilha e que integra áreas com diferentes estatutos (Reservas Naturais Integrais, Parciais, Pa- isagens Protegidas, Reservas de Recreio e Montanha, Zonas de Repouso e Silêncio e Zonas de Caça e Pastoreio). É aqui que se encontra um dos mais significativos exemplos do património natural da Madeira, a Laurissilva, cujo reconhecimento do seu valor é feito também internacionalmente, estando classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa e pela UNESCO como Património Mundial Natural. A componente marinha da Madeira também é extrema- mente importante, atestada pela criação, em 1986, da Reserva Natural Parcial do Garajau, que procurou salvaguardar os recursos existentes da actividade piscatória e a Reserva Natu- ral das Ilhas Desertas, cujo valor mais importante consiste numa colónia de lobos marinhos em vias de extinção; esta reserva encontra-se igualmente classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, desde 1992. Nos Açores regista-se uma situação muito semelhante à da Madeira em termos de valorização do seu diversificado patrimó- nio natural, em que se destaca a flora terrestre com mais de 60 espécies referenciadas. Não obstante os importantes valores florísticos, faunísticos, e paisagísticos presentes na componente terrestre, também há que destacar a relevância da componente marinha, a que muitas das suas áreas protegidas tem ligação directa. Este arquipélago possui quase 40 000ha de área protegida marinha, apresentando uma grande riqueza em habitats e espécies, das quais se destacam mais de 23 espécies de cetáceos. A primeira área protegida criada no arquipélago dos Açores foi a Reserva Natural da Caldeira do Faial, em 1977, e a ilha com maior extensão de área protegida é Santa Maria, incluindo o Ilhéu das Formigas. É ainda imprescindível o 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 73
  • 72.
    74 ATLAS DEPORTUGAL IGP ha AÇORES Santa Maria 1. Ponta do Castelo 300 2. Ilhéu das Formigas e Recife Dollabarat 3 800 São Miguel 3. Lagoa do Fogo 1 360 4. Caloura – Ponta da Galera 36 5. Banco D. João de Castro 1 500 Terceira 6. Serra de Sta. Bárbara e Pico Alto 4 809 7. Costa das Quatro Ribeiras 261 Graciosa 8. Ilhéu de Baixo, Restinga 243 9. Ponta Branca 78 São Jorge 10. Ponta dos Rosais 289 11. Costa NE Ponta do Topo 3 708 Pico 12. Baixa do Sul 524 13. Montanha do Pico, Praínha e Caveiro 8 562 14. Ponta da Ilha 403 15. Lages do Pico 128 16. Ilhéus da Madalena 152 ha Faial 17. Monte da Guia 360 18. Morro de Castelo Branco 138 19. Ponta do Varadouro 20 20. Caldeira e Capelinhos 2 040 Flores 21. Zona Central – Morro Alto 2 925 22. Costa Nordeste 1 243 Corvo 23. Costa e Caldeirão 981 MADEIRA Madeira 1. Laurissilva da Madeira 13 355 2. Maciço Montanhoso Central da Ilha da Madeira 8 212 3. Ponta de São Lourenço 2 043 4. Ilhéu da Viúva 9 672 5. Achadas da Cruz 205 6. Moledos – Madalena do Mar 18 7. Pináculo 33 Porto Santo 8. Ilhéus de Porto Santo 13 355 9. Pico Branco – Porto Santo 143 10. Ilhas Desertas 11 302 11. Ilhas Selvagens 5 752 ha AÇORES Santa Maria 1. Ilhéu da Vila e Costa Adjacente 48 São Miguel 2. Pico da Vara / Ribeira do Guilherme 1 982 Terceira 3. Ponta das Contendas 93 4. Ilhéu das Cabras 28 Graciosa 5. Ilhéu de Baixo 30 6. Ilhéu da Praia 12 São Jorge 7. Ilhéu do Topo e Costa Adjacente 346 Pico 8. Ponta da Ilha 324 9. Lages do Pico 29 10. Zona Central do Pico 5 832 11. Furnas de Sto. António 23 Faial 12. Caldeira e Capelinhos 2 076 ha Flores 13. Costa Nordeste 130 14. Costa Sul e Sudoeste 230 Corvo 15. Costa e Caldeirão 642 MADEIRA Madeira 1. Laurissilva da Madeira 13 355 2. Maciço Montanhoso Central da Ilha da Madeira 8 212 3. Ilhas Desertas 11 302 4. Ilhas Selvagens 5 752 Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Protecção Rede Natura 2000 – Sítios de Interesse Comunitário UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:04 Página 74
  • 73.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 75 Rios principais e albufeiras Zona Especial de Protecção Rede Natura 2000 Zonas Especiais de Protecção ha 1. Estuários dos rios Minho e Coura 3 393 2. Serra do Gerês 62 922 3. Montesinho / Nogueira 108 094 4. Rios Sabor e Maçãs 50 674 5. Douro Internacional e Vale do Rio Águeda 50 744 6. Vale do Côa 20 628 7. Ria de Aveiro 20 737 8. Ria de Aveiro 30 642 9. Serra da Malcata 16 361 10. Paul do Taipal 233 11. Paul de Arzila 482 12. Paul de Madriz 89 13. Tejo Internacional, Erges e Ponsul 25 764 14. Ilhas Berlengas 9 560 15. Paul de Boquilobo 433 16. Campo Maior 9 576 17. Estuário do Tejo 70 197 18. Lagoa Pequena 69 19. Estuário do Sado 24 632 20. Cabo Espichel 3 415 21. Açude da Murta 498 22. Mourão / Moura / Barrancos 77 632 23. Lagoa de Santo André 2 164 24. Lagoa da Sancha 409 25. Castro Verde 79 178 26. Vale do Guadiana 76 579 27. Costa Sudoeste 74 562 28. Sapais de Castro Marim 2 146 29. Leixão da Gaivota 0,1 30. Ria Formosa 23 296 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 75
  • 74.
    76 ATLAS DEPORTUGAL IGP UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem Rios principais e albufeiras Sítios de Interesse Comunitário Rede Natura 2000 Sítios de Interesse Comunitário ha 1. Rio Minho 4 554 2. Côrno do Bico 5 139 3. Litoral Norte 740 4. Serra d’Arga 4 426 5. Peneda-Gerês 88 845 6. Montesinho / Nogueira 107 719 7. Samil 91 8. Serra d’Arga 68 9. Rio Lima 5 361 10. Litoral Norte 2 056 11. Rios Sabor e Maçãs 33 482 12. Minas de Sto Adrião 3 495 13. Morais 12 878 14. Romeu 4 768 15. Alvão / Marão 58 788 16. Valongo 2 552 17. Douro Internacional 36 186 18. Montemuro 38 762 19. Barrinha de Esmoriz 396 20. Rio Paiva 14 562 21. Serra da Freita e Arada 28 658 22. Rio Vouga 2 769 23. Cambarinho 23 24. Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas 498 25. Carregal do Sal 9 553 26. Serra da Estrela 88 291 27. Malcata 79 079 28. Complexo do Açor 1 363 29. Paul de Arzila 666 30. Gardunha 5 891 31. Serra da Lousã 15 158 32. Sicó / Alvaiázere 31 678 33. Azabuxo / Leiria 136 34. Serra d’Aire e Candeeiros 44 226 35. Arquipélago da Berlenga 96 36. Nisa / Laje da Prata 12 658 37. S. Mamede 116 114 38. Peniche / Santa Cruz 8 285 39. Serra de Montejunto 3 830 40. Cabeção 48 606 41. Caia 31 115 42. Sintra / Cascais 16 632 43. Estuário do Tejo 44 608 44. Guadiana / Juromenha 2 498 45. Fernão Ferro / Lagoa de Albufeira 4 318 46. Monfurado 23 878 47. Arrábida / Espichel 20 661 48. Estuário do Sado 30 967 49. Cabrela 56 554 50. Comporta / Galé 32 050 51. Alvito / Cuba 786 52. Alvito / Cuba 137 53. Moura / Barrancos 43 309 54. Costa Sudoeste 118 266 55. Guadiana 38 463 56. Monchique 76 008 57. Caldeirão 47 286 58. Barrocal 20 864 59. Arade / Odelouca 2 111 60. Ribeira de Quarteira 582 61. Ria de Alvor 1 454 62. Cerro da Cabeça 574 63. Ria Formosa / Castro Marim 17 519 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 76
  • 75.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 77 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem destaque da Paisagem Protegida de Interesse Regional da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, criada em 1996, não só pela sua extensão, mas também pelo seu reconhecimento enquanto Património Mundial. Na ilha de São Miguel, a Reserva Natural da Lagoa do Fogo (1982) e a Paisagem Protegida das Sete Cidades (1995) representam valores naturais igualmente importantes em ter- mos de conservação e que, tal como o resto do arquipélago, desempenham um papel preponderante no turismo de natu- reza que cada vez mais caracteriza os Açores. Este é também mais um motivo de peso para que a preservação e conservação da natureza seja uma preocupação constante. Rede Natura 2000 A Rede Natura 2000 é outro instrumento de relevo para a conservação da natureza e consiste num conjunto de áreas criadas por imposição comunitária, surgidas a partir do con- tributo individual (e obrigatório) de todos os países membros da União Europeia para uma listagem de áreas que con- tribuíssem para a preservação de habitats naturais, da fauna e flora, tendo em consideração as exigências económicas, sociais e culturais. Foi assim criada a nível europeu uma rede ecológica denominada Natura 2000, constituída por Zonas Especiais de Protecção e que pretende a conservação de habitats de grande valor ecológico, bem como a determinação de Zonas de Protecção Específica (Sítios de Interesse Comunitário) relativas à conservação de aves selvagens. No caso português, a Rede Natura 2000 ocupa cerca de 20% do território continental, valor que é bastante superior ao da Rede Nacional de Áreas Protegidas, 8%, mas que ainda pode ser considerado insuficiente para a correcta manutenção da biodiversidade e conservação de habitats. No caso do Continente, esta Rede inclui 59 sítios, em muitos casos com sobreposição das duas categorias. As áreas húmidas são alvo de particulares atenções, nomeadamente estuários de rios – Minho, Coura e Sabor – e faixa litoral; incluídas em grande extensão na Rede Natura 2000. Também são merecedoras de destaque algumas áreas de montanha como a Serra de Arga, Monchique e Lousã. Na Madeira existem 16 áreas pertencentes à Rede Natura 2000, que ocupam praticamente 80% do território do Arquipélago. Ao contrário do que acontece nas Áreas Protegidas, Porto Santo está representado com duas áreas com mais de 370ha, consideradas como Sítios de Interesse Comunitário – Ilhéus de Porto Santo e Pico Branco. As Ilhas Desertas e os seus mais de 11 000ha reforçam ainda o seu papel vital na conservação da natureza. Nos Açores, as 38 áreas pertencentes à Rede Natura 2000 distribuem-se por todas as ilhas, ocupando 16% da área do arquipélago. Em termos de objectivos visam salvaguardar não só uma significativa parte da faixa litoral, como também áreas mais elevadas, mais acidentadas e, por isso mesmo, determinantes para a conservação de habitats específicos. Face à acelerada degradação dos recursos naturais a que actualmente se assiste, a criação e preservação de áreas protegidas onde se deve incluir a Rede Natura 2000 é não só o método mais expedito para a salvaguarda dos valores naturais, mas também a estratégia mais importante para a execução de uma política de conservação da natureza. Para isso, é fundamental definir critérios claros de gestão e ordenamento para estas áreas, bem como dotá-las de meios financeiros e humanos que permitam a real implementação de políticas de conservação da natureza, integradas numa filosofia de desenvolvimento sustentável, sem o qual não será possível manter o património natural existente. Áreas de protecção de avifauna* No final da década de 70 do século XX foi lançado um projecto com vista à protecção de aves, algumas delas em risco de extinção; para isso procedeu-se à identificação, monotorização e protecção de Zonas Importantes para Aves vulgarmente designadas IBA (abreviatura da terminologia inglesa Important Bird Areas). O projecto, da responsabilidade da Bird Life International é de âmbito mundial e permitiu já referenciar mais de 20 000 dessas áreas, em todo o mundo, das quais mais de 3 600 só na Europa. Em Portugal, o Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, primeiro, e, depois, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, referenciaram 90 IBA, das quais, 51 no Continente, 31 nas ilhas açoreanas e 8 no arquipélago da Madeira, cobrindo uma superfície total de quase um milhão e meio de quilómetros quadrados, correspondendo a cerca de 16% do território nacional. A sua delimitação é parcialmente coincidente com as das Áreas Protegidas (Rede Nacional e Rede Natura 2000). Esta identificação baseou-se em critérios internacionais de classificação tendo em conta, principalmente, a ocorrência de espécies ameaçadas a nível “global, europeu e da União Euro- peia”. O actual inventário das 90 IBA proporcionará a “protecção a mais de 90% da população nacional de pelo menos 31 espécies de populações nidificantes (Directiva 79/409/CEE – Cagarra, Calonectris diomedea, e flamingo, Phoenocopterus ruber * Com base em COSTA et al (2003). 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 77
  • 76.
    78 ATLAS DEPORTUGAL IGP Áreas de protecção de avifauna UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 78
  • 77.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 79 UM PAÍS DE ÁREA REPARTIDA Tipos de paisagem ha CONTINENTE 1 Estuários do Minho e Coura 3 393 2 Serras da Peneda e Gerês 62 922 3 Serras de Montezinho e Nogueira 108 094 4 Sabôr e Maçãs 50 674 5 Douro Internacional e Vale do Águeda 50 744 6 Vale do Côa 20 628 7 Ria de Aveiro 51 378 8 Serra da Malcata 16 361 9 Paul do Taipal 233 10 Paul de Arzila 482 11 Paul de Madriz 89 12 Serra de Penha Garcia e Campina de Toulões 15 733 13 Tejo Internacional 25 764 14 Berlenga e Farilhões 9 560 15 Paul de Boquilobo 433 16 Cabeção 48 606 17 Alter do Chão 1 317 18 Planície de Monforte 1 593 19 Campo Maior 9 575 20 Vila Fernando / Veiros 7 487 21 Estuário do Tejo 44 771 23 Estuário do Sado 24 632 24 Açude da Murta 497 25 Planície de Évora 53 134 26 Cuba 5 049 ha 27 Mourão, Moura e Barrancos 80 565 28 Lagoas de Santo André e da Sancha 2 672 29 Castro Verde 79 066 30 Rio Guadiana 76 578 31 Costa Sudoeste 74 563 32 Leixão da Gaivota 0,16 33 Ria Formosa 23 296 34 Castro Marim 2 147 35 Lagoa dos Salgados 149 36 Barrinha de Esmoriz / Lagoa de Paramos 396 37 Portas de Ródão e Vale Mourão 4 215 38 Serra da Estrela 99 870 39 Estuário do Mondego 1 518 40 Lagoa Pequena 68 41 Cabo Espichel 3 415 42 Salinas de Alverca e Forte da Casa 218 43 Cabrela 63 766 44 Arraiolos 12 982 45 Albufeira do Caia 8 985 46 Reguengos de Monsaraz 8 141 47 Ponta da Piedade 727 48 Luzianes 33 021 49 Serras do Alvão e Marão 58 788 50 Serra de Monchique 103 709 51 Serra do Caldeirão 70 445 91 Vilamoura 271 ha REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Flores 52 Costa das Flores 937 Corvo 53 Costa do Corvo 374 Faial 54 Capelinhos 215 55 Baía do Varadouro 111 56 Ribeirinha 91 57 Lomba Grande 265 58 Cabeço do Fogo 995 Graciosa 59 Ilhéu de Baixo e costa adjacente 74 60 Ilhéu da Praia 11 61 Ilhéu da Baleia e da Ponta da Barca 39 62 Serra Branca 95 São Jorge 63 Ponta dos Rosais – Urzelina 979 64 Ilhéu do Topo e costa adjacente 230 65 Fajã das Almas 55 Terceira 66 Raminho – Pesqueiro Velho 71 67 Contendas 90 81 Ilhéu das Cabras 28 Santa Maria 68 Ilhéu da Vila 8 69 Ilhéu das Lagoinhas e costa adjacente 210 ha 70 Ponta da Malbusca e Ponta do Castelete 128 Pico 71 Costa Sudeste do Pico 209 72 Ponta do Ilha e Terra Alta 194 73 Mistério da Praínha 73 74 Furnas - Santo António 53 75 Zona Central do Pico 5 832 82 Lages do Pico 68 São Miguel 76 Feteiras 63 77 Mosteiros-Bretanha 295 78 Ponta do Cintrão 29 79 Faial da Terra e Ponta do Arnel 254 80 Pico da Vara 6 083 REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA Madeira 83 Laurissilva 15 242 84 Maciço Montanhoso Oriental 3 411 85 Ilhas Desertas 1 384 86 Ilhas Selvagens 265 87 Ponta de São Lourenço 321 88 Ponta do Pargo 1 161 Porto Santo 89 Ilhéus do Porto Santo 204 90 Porto Santo Oeste 929 Áreas de protecção de avifauna Espécies que nidificam em Portugal Colhereiro Platalea leucorodia Alfaiate Recurvirostra avosetta Roquinho Oceanodroma castro Gaivina-rosada Sterna dougallii Pintainho Puffinus assimilis Cagarra Calonectris diomedea Ilhas Selvagens Graciosa Ilha da Madeira Ilhas Desertas Ilhas Selvagens Ilha da Madeira Ilhas Desertas Santa Maria Directiva Aves) e “protegerá ainda entre 50-90% da população nacional de oito espécies” indicadas no anexo dessa Directiva, bem como dos respectivos habitats, de variados usos. Os habitats naturais nas zonas húmidas são “particularmente importantes para grandes concentrações de aves invernantes” e os montados de azinho e sobro e as florestas de altitude, proporcionam boas condições para espécies variadas. Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, as áreas rochosas e de vegetação macaronésia são importantes para as colónias de aves marinhas e para a propa- gação de espécies exóticas. A concentração de aves migratórias e a variedade de espécies em determinadas áreas constitui também motivo de protecção; por exemplo, o elevado número de cegonhas, aves de rapina ou grous, tantas vezes avistados em várias áreas do Leste Alentejano e da Costa Sudoeste; e os números significativos de populações de aves aquáticas em algumas zonas húmidas, com destaque para os estuários do Tejo e Sado e a Ria Formosa. Nas Ilhas, pela sua raridade refiram-se as aves marinhas Cagarra (Calonectris diomedea) nos Açores e o Gon-gon (Pterodroma feae) nas Desertas, Madeira, para além do Priôlo (Pyrrhula murina) e da Freira (Pterodroma madeira), endémicos, respectivamente, de São Miguel, e da ilha da Madeira. Ilhas Selvagens Ilha da Madeira 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 79
  • 78.
    80 ATLAS DEPORTUGAL IGP TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES A POPULAÇÃO EVOLUÇÃO RECENTE UMA DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL BAIXOS NÍVEIS DE NATALIDADE E FORTES SALDOS MIGRATÓRIOS UM ENVELHECIMENTO PROGRESSIVO A EMERGÊNCIA DE NOVOS COMPORTAMENTOS EDUCAÇÃO TERRA DE MIGRAÇÕES A EMIGRAÇÃO O REGRESSO A IMIGRAÇÃO UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA UMA LEITURA ‘CLÁSSICA’ DO SISTEMA URBANO NACIONAL UMA AVALIAÇÃO RECENTE MUDANÇAS RECENTES LISBOA E PORTO COMO REFERÊNCIAS ‘PRODUZIR’ CIDADE COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE DA POPULAÇÃO REDES DE COMUNICAÇÃO SISTEMA DE TRANSPORTES 871_05_Miolo_Pags1a80 06/02/01 16:05 Página 80
  • 79.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 81 OS HOMENS E O MEIO 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 81
  • 80.
    82 ATLAS DEPORTUGAL IGP Qualquer território, num dado momento, é a expressão das marcas humanas herdadas ao longo da História, sobrepostas às suas características físicas; os homens conseguem adaptar-se a estas ou modificá-las em seu proveito, segundo as técnicas de que dispõem e o estilo de vida que adoptam numa determinada época. Umas marcas podem manter-se por muito tempo, outras ser efémeras: mas sempre delas ficam sinais, que acabam por explicar parte da paisagem que se desenrola sob os nossos olhos. Em cada momento, as comunidades recompõem a História e recriam as paisagens. O ‘esqueleto’ geológico que enforma o nosso território é extremamente diferenciado quando comparado com a morfologia visível; não é especificamente ‘português’, uma vez que o território ocupa o extremo sudoeste de uma península de contornos maciços, ‘pesados’ e excêntrica em relação ao continente europeu; a este Ocidente vêm ‘morrer’ quase todos os elementos morfológicos da Ibéria. TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES RAQUEL SOEIRO DE BRITO O velho soco é separado em blocos divididos por falhas, as quais ‘guiam’ grande parte dos rios, ora abrindo caminho difícil através de rochas duras, ora deslizando com certa facilidade entre os materiais mais brandos da orla costeira. E é esta diversidade da faixa mais ocidental da Península que dá originalidade a Portugal, reforçada pela influência das massas de ar atlânticas, que suavizam as temperaturas – altas e baixas – e permitem tanto o alastramento para Sul de plantas da Europa Central como a tolerância das plantas mediterrâneas nas terras mais a Norte. É neste quadro natural que, desde tempos pré-históricos, populações várias se foram ‘acomodando’, umas; introduzindo modificações a pouco e pouco, outras; e quase nove séculos de fronteira estável conseguiram fixar um dos Estados mais velhos da Europa. A Natureza criou a diferenciação e as várias civilizações que passaram ou se instalaram na Península moldaram os espaços. Apesar da escassez de fontes, parece poder afirmar-se que os concheiros mesolíticos da Estremadura – o de Muge, no vale do Baixo Tejo, é um dos mais importantes e conhecidos sítios pré-históricos de Portugal – do Alentejo e do Algarve identificam permanências sazonais de grupos colectores de mariscos; que desde o Neolítico se encontram jazidas que tornam possível a visão de um povoamento sedentário, atestado pela ‘abundância e variedade’ de cerâmica e de monumentos funerários que, no Noroeste, alcançam altitudes semelhantes às do povoamento actual e onde, nos ‘mais modernos’ aparecem já instrumentos de cobre; e que “comunidades do Bronze Final – uns mil anos a.C. – no extremo ocidental da Península Ibérica” se relacionaram com outras comunidades da Bretanha e das Ilhas Britânicas, enquanto, a Sul, existiria “um importante comércio ligado à bacia do Mediterrâneo” (Carlos Fabião). São ainda formas muito rudimentares de organização, mas que, no decorrer do tempo, evoluem em relação profunda com a natureza envolvente: em relevos ásperos e retalhados, propícios ao isolamento e à autodependência, desenvolve-se uma ‘civilização castreja’ de pequenos agrupamentos harmónicos, relativamente organizados, fechados em povoações fortificadas, mas sem coesão política entre si; delas desceriam, temporariamente, para áreas de mais fácil acesso, junto a cursos de água com espaços agricultáveis, construindo abrigos 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 82
  • 81.
    sem ‘preocupações defensivas’e ‘com carácter mais precário’, onde viriam cultivar e apascentar gado. Poder-se-á pensar que sejam longínquos antepassados das brandas e inverneiras do noroeste do País perfeitamente vivas ainda em fins do século XX? Povos vindos do Mediterrâneo Oriental foram estabelecendo feitorias no litoral Leste e Sul da Península Ibérica e “entabularam relações com os indígenas, exploraram ou incrementaram a exploração das riquezas minerais”; organizaram um território em volta da ‘sua’ cidade-porto, não se estendendo muito para o interior. Umas e outras destas civilizações em breve iriam ser confrontadas com povos de organização superior: e estes já deixaram marcas de tal forma fortes que ainda hoje é possível detectá-las, embora quase sempre através de informações indirectas. É o caso dos Celtas, oriundos do centro da Europa que penetraram na Península, possivelmente através da Aquitânia francesa, e se terão ‘misturado’ com os povos que no Centro-Sul da Península desenvolveram a mais brilhante civilização pré-romana: os Iberos. A Romanização (séculos II e I a.C.) é a primeira acção civilizacional que se manifestou em todo o espaço que constitui hoje o território português, originando uma forte transformação das paisagens e dos modos de viver: as povoações alcandoradas e fortificadas foram, na sua maior parte, abandonadas, mais ou menos compulsivamente, ‘transferindo-se’ a população para as terras baixas; uma economia de montanha, rústica, foi sendo substituída por uma economia baseada em áreas cultivadas, com solos remexidos por arados de madeira, divididas em unidades agrárias com limites fixados pela necessidade de tributação; caminhos calcetados (estradas romanas e caminhos velhos, cujos vestígios prevaleceram até aos nossos dias) iam ligando não só entre si as principais cidades existentes – e outras que se iam construindo no ocidente do Império Romano, de então – cuja população diversificava os modos de vida, enriquecendo com o comércio e circulação das diversas produções; por outro lado, a construção e a evolução do Império viviam das ligações regionais pelo que as cidades do Ocidente não eram estranhas às restantes da Península. “O território português encontrava-se então incorporado num conjunto político e comercial de cariz mediterrâneo” (Orlando Ribeiro). Contudo, foi neste longínquo canto ocidental da Península que, pela distância aos principais centros, as marcas do Império Romano foram menos grandiosas... As Invasões Germânicas que se lhes seguiram, e das quais as mais importantes foram a sueva e a visigótica, não trouxeram modificações essenciais à organização românica, bem marcada no espaço pela supremacia das cidades, que entretanto ia esmorecendo – e com ela a estrutura administrativa centralizada. Os Mouros (populações várias, essencialmente vindas do Norte de África, com forte percentagem de berbéres) atravessaram o estreito de Gibraltar em 711 e tão rapidamente subiram pelas terras peninsulares que, em 716, após a conquista da Catalunha e ‘negociações constantes’ com vários representantes do reino visigótico, em decadência, estava completada a ocupação da Península. Deram a esta – em especial no Sul – contribuição tão importante e persistente como os Romanos; e, pela posição periférica de Portugal, uma vez mais, não se formaram no nosso território, ao contrário do que se passou em Espanha, grandes potentados políticos, nem se erigiram imponentes obras de arte – a única mesquita é a de Mértola; nas cidades (mais no Sul do que no Norte) só algumas muralhas dos castelos que as defendiam, o traçado tortuoso das ruelas e algumas paredes cegas recordam esta influência, que, todavia, foi muito intensa na vida rural: introduziram e melhoraram sistemas de rega, numerosas árvores de fruto, plantas várias, comestíveis ou de interesse ‘industrial’, e técnicas de transformação de numerosos produtos agrícolas. Restam nomes de origem árabe, ou arabizados, mormente em numerosos lugares, e palavras relativas à vida rural, ao passo que a norte do Douro, as equivalentes designações romanas ou pré-romanas não foram modificadas. Durante a Reconquista, para além de conquistas e reconquistas de terras entre cristãos e muçulmanos (mouros), parece lícito pensar-se numa continuidade de povoamento e de organização do espaço vinda bem de trás, embora em épocas de maior conflito as populações se vissem constrangidas a refugiarem-se, temporariamente, em lugares mais seguros – castros e matas espessas – e a reforçarem laços comunitários. Esta situação foi alterada “com o estabelecimento dos condes, delegados dos reis de Oviedo e de Leão” que “preferiram, decerto, criar fortalezas com funções (...) de assegurarem a vigilância dos povoados do respectivo território (...) e garantirem a submissão dos habitantes da vizinhança” (José Mattoso), entretanto regressados, na área que lhes fora confiada. Estabeleceu-se, assim, uma rede de fortalezas que “reforçava a supremacia do senhor”, o qual, para além de senhor da guerra, estava também investido em funções administrativas e judiciais; estas fortalezas vieram, mais tarde, a constituir povoações muralhadas, onde, sempre que necessário, as populações vizinhas se refugiavam. Por certo, esta rede não cobria toda a superfície do território; ATLAS DE PORTUGAL IGP 83 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 83
  • 82.
    neste lento processode repovoamento haveria espaços onde permaneceram comunidades que, mais ou menos isoladas, estabeleceram e fortaleceram laços entre si – seriam agrupamentos de “homens livres, com jurisdição sobre territórios equivalentes às antigas paróquias suevas (...) com prevalência para os vínculos de parentesco” (Carlos Fabião) e que, tantas vezes, por infortúnio da sorte, se viam obrigados a submeter as suas vidas e as suas terra aos ‘senhores’ – quer guerreiros, quer eclesiásticos; uns e outros, aumentavam, assim, o seu poderio territorial. Para além da organização militar-administrativa, também a organização eclesiástica, “ascendendo aos tempos suevos e visigodos e apoiando-se nos antigos bispados”, representou uma forma de organização territorial que chega até aos nossos dias. E não se pode esquecer o poder e a importância, mais tarde, das Ordens Militares ao dilatarem, principalmente ao longo e ao Sul do Tejo, o povoamento e a agricultura em vastíssimas extensões, que viriam a integrar o território nacional. A progressiva diferenciação cultural dos povos também marcou o território português, pelo menos até meados do século passado. Só alguns exemplos. Uma muito maior religiosidade a norte do Tejo contrastando com o maior peso de ‘não religiosidade’ observada em todo o Sul; as ‘casas de brasileiro’, testemunho da vivência num mundo diferente – o Brasil – , para onde uma forte densidade de população, aliada a insuficientes recursos materiais, obrigou, no Norte, à saída de milhares de pessoas, pelo menos desde o último quartel do século XIX até meados do seguinte; no Sul, uma população que sempre foi mais rarefeita do que em qualquer outra área do País, era amplamente acrescida com a fixação de ‘gente de fóra’, de áreas do interior, que para aí se deslocava em trabalhos sazonais de campo, acabando por se integrar. Assim, Portugal Continental foi-se forjando num território fisicamente muito diversificado, onde muitos povos, com diferentes capacidades e culturas, se acomodaram, embora a sua ocupação conhecesse sucessos vários; os portugueses foram (e somos) os seus continuadores na modelação de uma terra que só aparentemente é una; as diversidades contribuíram para as múltiplas singularidades regionais e locais que chegaram até muito perto do nosso tempo, ao fim de quase nove séculos de continuidade... Esta permanência está estreitamente ligada à presença do mar-oceano. Mar imenso e rude que moldou, afinal, um País e um povo que dele sempre dependeu, mesmo quando o ignorou. O Atlântico, ao longo da História geológica, oscilou entre níveis altos e baixos e por isso retalhou plataformas litorais e provocou o encaixe e a colmatagem da parte terminal de alguns dos rios que irrigam a Península; e estes acidentes têm forte impacte na ocupação do território. As plataformas, por serem quase sempre varridas por ventos fortes, secos no Sul, húmidos no Norte, e terem solos esqueléticos ou muito pobres: humidade e solo condicionam a vegetação natural e influenciam a gama possível de culturas. Os rios, quando muito encaixados, dificultam as ligações entre margens; na desembocadura, colmatam com rapidez e tornam difícil – quando não impossibilitam por completo – a passagem para o mar, via de comunicação de cabotagem usual até há muito pouco tempo entre povoações costeiras; com mais graves consequências, levaram ao fecho de numerosos portos, importantes no tempo das Descobertas, que, por falta de águas profundas, ficaram inutilizados para base de navios de maior calado. Além disso, se repararmos na posição das povoações que se desenvolveram em margens fluviais e em vertentes montanhosas, verifica-se que a maior parte se situa na margem direita, a menos escarpada pelos efeitos erosivos, a vertente soalheira, a mais ocupada nas nossas latitudes. As povoações são sempre atraídas pela água, quer fluvial quer do mar; em Portugal, qualquer análise de povoamento mostra que o apelo do Oceano foi sempre marcante; nos nossos dias, quatro quintos da população vivem a menos de 50km da costa, deixando atrás uma terra rarefeita de homens e de actividades. Esses milhões de portugueses, tão junto do Oceano, vivem em áreas urbanas, aldeias cada vez mais vilas, vilas cada vez mais cidades. Todo o agrupamento humano cria o seu ambiente local que interfere com o ambiente envolvente através de uma rede de relações físicas e mentais que contribuem para valorizar o território. A cultura local, em geral, funciona como um factor de resistência a qualquer mudança mesmo que, no fundo, introduza melhorias. As transformações podem ser lentas, aparentemente insensíveis à escala humana ou mais rápidas, às vezes bruscas; no último meio século houve, por todo o mundo, modificações importantes. Uma transformação espectacular verifica-se no domínio das cidades, quer na sua dimensão, quer nas suas funções; as cidades dominam e estruturam o espaço; tanto mais e tão mais longe quanto maior o seu poder demográfico, funcional e político; sempre organizaram a área envolvente, com expressões diversas, e absorveram espaço em seu proveito. A maioria das cidades ‘tradicionais’ portuguesas era de tipo administrativo ou militar-administrativo; estas funcionalidades fizeram a diferença entre as pequenas cidades e as vilas que se tornaram importantes pela valorização dos terrenos agrícolas e agro-pastoris à sua volta, as quais, tantas vezes, evoluíram para um complemento manufactureiro. Assim se formaram e viveram, praticamente até à última década do século XX, centros urbanos desligados entre si, mantendo relações privilegiadas com as capitais de distrito, aos quais se juntaram alguns outros com perfil histórico ou defensivo, sendo hoje bem mais reconhecidos no apelo ao turismo. Nos fins do século XIX, pela emergência do caminho-de-ferro que, a pouco e pouco, os ia interligando configura-se uma malha urbana 84 ATLAS DE PORTUGAL IGP TERRITÓRIO, SUPORTE DAS GENTES 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 84
  • 83.
    que ainda subsisteem nossos dias como uma das mais consistentes, ainda que perturbada pelo sistema rodoviário que, entretanto, se lhe tem vindo a sobrepor. As cidades, enriquecidas pela multiplicidade de acessos, desenvolvem-se funcionalmente: primeiro pelas indústrias, mais tarde pelos serviços, alguns dos quais com especial importância na fixação da população e sua maior ‘abertura’, como é o caso da introdução do ensino superior. A revitalização proporcionada e a possibilidade de fixação de mais população com maior nível de conhecimentos é reforçada pelo desenvolvimento dos modernos meios de comunicação; há jovens casais a trabalhar e a viver permanentemente no meio do Alentejo, como em Trás-os-Montes... opção de vida separada das raízes familiares, por aí terem encontrado um meio agradável: mantêm-se ligados ao ‘mundo mais próximo’ pelo automóvel, sempre à mão – e também por bons meios de transporte ferro e rodoviários – e ao ‘mundo distante’ pela variedade de telecomunicações disponíveis. Os núcleos urbanos não são só organizadores de espaço, delineando o seu crescimento, mas também de funções; e se, em Portugal, a Indústria raramente teve impacte primordial, não a podemos menosprezar, nomeadamente no noroeste e seu prolongamento litorâneo até Coimbra, e em alguns nichos de certa importância como na área de Leiria e no Algarve; é essencialmente manufactureira, muitas vezes resultante de uma longa evolução cuja origem se perde nos tempos. Mas há pelo menos duas excepções a esta difusa implantação espacial, que se basearam na indústria pesada: uma, contornando o ‘Mar da Palha’ (ou seja, o interior do estuário do Tejo) pelo sul, florescente ao longo de umas três décadas, mas extinta há quase um quarto de século, e da qual dependeram alguns milhares de habitantes, tendo atraído muita população principalmente do Alentejo; outra, mais recente, localizada em Sines, porto de águas profundas, destinado a ser uma ampla plataforma europeia de matérias-primas para a indústria petroquímica. O seu conturbado desenvolvimento nunca permitiu concretizar os objectivos propostos: a cidade de Santo André, construída de raiz para abrigar os 100 000 habitantes que se previa serem indispensáveis ao funcionamento daquele pólo industrial, ficou muito aquém do intento (tal como o próprio projecto industrial) e muitos dos bairros construídos só muito mais tarde foram habitados; e, hoje, a população residente nem está maioritariamente ligada às indústrias aí localizadas. Ainda mais recentemente, depois de abandonada a ideia dos grandes projectos industriais, sem sucesso garantido, as cidades voltam a preocupar-se em atrair actividades, oferecendo boas condições em espaços especialmente infra-estruturados: Évora, Almada, Aveiro, são bons exemplos. Noutros casos, a oferta de condições atraentes encontra-se nos ‘serviços’: Lisboa, Aveiro, Oeiras, são exemplos bem marcantes nesta opção de desenvolvimento. Outro aspecto da organização espacial das cidades diz respeito ao mundo rural envolvente. A repartição regional e local das culturas, das espécies florestais e dos efectivos pecuários, está muito directamente dependente de factores climáticos e pedológicos, mas é altamente influenciada por factores de natureza socioeconómica; ao lado de áreas de agricultura tecnicamente atrasada podem encontrar-se ‘explorações dinâmicas e eficientes’. É esta uma característica bem marcante no Portugal de hoje, onde o ‘velho’ mundo rural, quer no Continente, quer nas Ilhas, se transforma rapidamente. O espaço, não nos podemos esquecer, é cada vez mais tridimensional – aprofunda-se à medida que se escavam minas, abrem poços de petróleo, se multiplicam túneis para passagem de vias de comunicação; eleva-se com o aumento da altura dos arranha-céus e da circulação aérea, cada vez mais intensa e atingindo maior altitude, mesmo sem falar na já activa, embora incipiente, exploração planetária... E tudo interligado por redes de telecomunicações cada vez mais potentes e eficazes. Neste Mundo ‘emaranhado’, as tomadas de decisões são cada vez mais difíceis e complexas; se, antigamente, as organizações territoriais eram relativamente autónomas e independentes, desde há séculos que tal é impensável; hoje, pela evolução das técnicas de comunicação, qualquer lugar fica exposto ao efeito de decisões tomadas a milhares de quilómetros de distância, às vezes, infelizmente, com franco desconhecimento das características a ele específicas. Por isso, para quem procure conceber uma melhor organização da sociedade, torna-se indispensável compreender o mundo, conhecer a fundo os seus vários aspectos, notoriamente a sua História e Geografia, não só nas generalidades como, em especial, nos desenvolvimentos sociais e económicos, porque, se certos factos da Geografia podem explicar a repartição de riquezas, genericamente falando é através da História e da evolução das técnicas que elas podem ser valorizadas. Desta simbiose, construída ao longo do tempo, resultam particularismos regionais que permitem, por exemplo, em Portugal, que um simples passeante distinga as terras mimosas e frescas do Baixo Minho, das agrestes serras que se lhe justapõem ou das extensas áreas aplanadas e secas do Alentejo; ou a expandida e difusa cidade do Funchal, de qualquer uma das dos Açores, muito mais compactas e ‘arrumadas’. Diga-se, por fim, que qualquer espaço deverá ser organizado de forma a suprir as necessidades da comunidade num dado momento da sua vida social; e que tal organização tem de respeitar as indicações da Natureza e ser servida pelas técnicas disponíveis, que a ela se devem ajustar de modo a manter um equilíbrio entre o natural e o humanizado. ATLAS DE PORTUGAL IGP 85 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 85
  • 84.
    OS HOMENS EO MEIO Portugal, nas últimas décadas, sofreu rápidas e profundas modificações que alteraram o seu perfil demográfico ‘clássico’, aproximando-o do modelo europeu. À semelhança de outros Estados-Membros da União Europeia (UE), a população residente em Portugal apresenta taxas de crescimento reduzidas, estrutura etária envelhecida, baixos níveis de fecundidade e de mortalidade infantil e um progressivo acréscimo de estrangeiros, que tornam o saldo migratório na principal componente da dinâmica populacional. Por isso, do ponto de vista demográfico, é um país diferente daquele que era há pouco mais de trinta anos, sendo surpreendente a velocidade com que se deu a mudança. Em 2001, o número de habitantes era de 10 356 000, dos quais 5 000 000 homens (48%) e 5 356 000 mulheres (52%). Portugal ocupa a 9.ª posição entre os países mais povoados da UE, sensivelmente a par da Bélgica e República Checa, mas apenas a 74.ª a nível mundial. Dulce Pimentel A POPULAÇÃO Evolução recente Entre o início e o fim do século XX a população de Por- tugal duplicou, mas o ritmo de crescimento foi muito variá- vel. Embora a tendência geral seja para o crescimento efec- tivo da população, na década de 60, em virtude de saldos migratórios negativos, a população diminuiu (3%); na déca- da seguinte voltou a aumentar de forma significativa (cerca de 14%), fruto de saldos migratórios muito elevados entre 1974 e 1976, em resultado da descolonização; nos anos 80 praticamente estagnou (0,4%) e nos anos 90 verificou-se um novo acréscimo (5%). Uma distribuição desigual Em 2001, a densidade populacional era de 112hab/km2, valor muito próximo da média da UE-25 (114hab/km2), mas a repartição da população no terrritório português é muito desigual: as densidades populacionais mais elevadas encon- tram-se na faixa litoral Oeste até ao Sado e na orla algarvia, enquanto no interior e, em particular no Alentejo, as densida- des são muitas vezes inferiores a 20hab/km2. Os contrastes regionais são ainda bem marcados, perpetuan- do as diferenças existentes desde o início da nacionalidade. No passado, a ‘divisão’ fundamental no Continente corres- pondia ao curso do rio Tejo, que separava um Portugal densa- mente povoado das terras montanhosas, húmidas, dominadas População residente em Portugal, 1900/2001 Milhares Mortalidade elevada e emigração Crescimento natural forte Fluxos emigratórios elevados Regresso ex-colónias e da Europa Imigração 0 1 100 2 200 3 300 4 400 5 500 6 600 7 700 8 800 9 900 11 000 20011991198119701960195019401930192019111900 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:23 Página 86
  • 85.
    OS HOMENS EO MEIO A população ATLAS DE PORTUGAL IGP 87 pela influência do oceano – o Noroeste, e até os planaltos de Nordeste –, de um Portugal quase vazio nas regiões secas, quentes e planas, de características mediterrâneas – o Sul. Nas últimas décadas é, contudo, mais evidente o contraste entre a fachada atlântica e as terras do interior, acentuando-se a con- centração populacional nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Em 2001, mais de um quarto (25,7%) dos residentes con- centra-se na região de Lisboa, relação que era somente de um sexto no início da década de 60. Nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto reside 39% da população do País e a sua importância demográfica tem vindo a acentuar-se nos últi- mos quarenta anos. O Algarve foi a região que registou o maior aumento populacional no período 1991/2001, mais do triplo da média nacional, enquanto o Alentejo e a Madeira perderam popula- ção, 0,7% e 3,3% respectivamente; nos Açores a evolução demográfica foi nesse período ligeiramente positiva (1,7%). No Continente, quando se aumenta a escala de análise tor- nam-se mais evidentes as assimetrias litoral/interior. As maio- res taxas de crescimento demográfico registaram-se quase sempre nos concelhos do litoral, com destaque para as áreas Densidade populacional, 2001 hab/km2 35 000 1 000 500 200 100 Média nacional: 112hab/km2 Média do Continente: 111hab/km2 Média dos Açores: 104hab/km2 Média da Madeira: 312hab/km2 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 87
  • 86.
    88 ATLAS DEPORTUGAL IGP Distribuição da população no Continente, 1940 Reconstruído com base no mapa da distribuição da população em Portugal, realizado no Centro de Estudos Geográficos da F. L. L. OS HOMENS E O MEIO A população Rede hidrográfica principal em 2004 500 habitantes Lisboa (cidade): 694 389 habitantes Porto (cidade): 258 548 habitantes 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 88
  • 87.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 89 Distribuição da população, 2001 OS HOMENS E O MEIO A população Rede hidrográfica principal 500 habitantes Lisboa (cidade): 564 657 habitantes Porto (cidade): 263 131 habitantes N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 89
  • 88.
    90 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ano de máximo populacional OS HOMENS E O MEIO A população metropolitanas de Lisboa e do Porto, enquanto a maioria dos concelhos do interior perderam habitantes. No interior, assis- te-se, no entanto, à confirmação da capacidade polarizadora dos centros urbanos de maior dimensão. Os investimentos realiza- dos em parques industriais, pólos universitários, melhoria das acessibilidades e na cultura e lazer, têm contribuído para o cres- cimento das cidades, mas teme-se que estas permaneçam como ‘ilhas’ incapazes de dinamizar as vastas áreas despovoadas que as envolvem. As Regiões Autónomas, no conjunto dos dois arquipéla- gos, representam apenas cerca de 5% da população residente em Portugal. Nos Açores, em cada uma das nove ilhas, a ocupação é mui- to desigual, desde o estilo do povoamento até à densidade da população. Os casos extremos encontram-se no Corvo, onde a sua única povoação, outrora bem aglomerada, faz lembrar as pequenas aldeias serranas de Trás-os-Montes, mas à beira-mar, e em São Miguel, onde há ainda poucas dezenas de anos se encontrava o povoamento mais estritamente alinhado de todo o arquipélago. Esta ilha, para além desta característica, que se vai perdendo, é, também, a maior e a de maior diversidade de uti- lização do território açoriano: detinha, aquando o último recen- seamento, em 2001, 54% da população em 33% da superfície, contrastando com a ilha mais pequena, o Corvo, com 0,7% da Ano do Censo 2001 1991 1981 1970 1960 1950 1940 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 90
  • 89.
    OS HOMENS EO MEIO A população ATLAS DE PORTUGAL IGP 91 População residente, 1900/2001 Anos Portugal Continente Açores Madeira 1900 5 446 760 5 039 744 256 673 150 343 1911 5 999 146 5 586 053 243 002 170 091 1920 5 080 135 5 668 232 231 543 180 360 1930 5 802 429 6 334 507 255 464 212 458 1940 7 755 423 7 218 882 287 091 249 450 1950 8 510 240 7 921 913 318 558 269 769 1960 8 889 392 8 292 975 327 480 268 937 1970 8 663 252 8 123 310 286 989 252 953 1981 9 833 014 9 336 760 243 410 252 844 1991 9 867 147 9 375 926 237 795 253 426 2001 10 356 117 9 869 343 241 763 245 011 Variação da população residente, 1950/2001 1950/60 1960/70 1970/81 1981/91 1991/01 Portugal 4,5 -2,5 13,5 0,3 5,0 Continente 4,7 -2,0 14,9 0,4 5,3 Açores 2,8 -12,4 -15,2 -2,3 1,7 Madeira -0,3 -5,9 0,0 0,2 -3,3 Evolução da população, 1981/2001 Perfil da evolução 1981 1991 2001 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 91
  • 90.
    área e 425habitantes, ou seja, 0,17% do total de residentes no Arquipélago, cuja densidade média é de 104hab/km2. No arquipélago da Madeira, só a ilha do mesmo nome e a do Porto Santo são habitadas; os três altos rochedos basálticos que saem abruptamente do Oceano, as Desertas, e as três pequenas superfícies quase ao rés da água, as Selvagens (Gran- de, Pequena e Ilhéu de Fora), são, uns e outras, importantes reservas ecológicas, só visitadas para estudo e, cada vez menos, por um ou outro pescador ou caçador que aí se aventure. A ilha da Madeira é a maior e a mais populosa do arquipélago: 745km2 de superfície, 241 000 habitantes em 2001, ao passo que Porto Santo, em 40km2, detinha, na mesma data, cerca de 4 500 habitantes, localizados praticamente na vila e ao longo do litoral Sul, hoje dedicado ao turismo, outrora a uma magra agricultura de subsistência e a importante vinicultura. A dissimetria na distribuição da população na ilha principal é enorme e vem de longa data: já em meados do século passa- do, 80% dos habitantes se dispersavam pela encosta Sul; hoje só a cidade do Funchal abriga 40% da população da Ilha (no concelho que detém a capital habita metade dos residentes). OS HOMENS E O MEIO A população 92 ATLAS DE PORTUGAL IGP Crescimento efectivo da população, 1991/2001 Crescimento natural, 1991/2001 Crescimento migratório, 1991/2001 % 50 10 5 0 -5 -10 % 11 5 0 -5 -10 % 37 10 5 0 -5 -10 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 92
  • 91.
    Baixos níveis denatalidade e fortes saldos migratórios A dinâmica global da população resulta da conjugação de duas componentes: a natural e a migratória. Nas últimas décadas, o seu contributo foi desigual tanto a nível nacional como regional. Na origem dos reduzidos saldos naturais está a forte que- bra observada no número de nascimentos (213 900 em 1960, 152 100 em 1991 e 114 500 em 2002), já que os níveis de mortalidade se mantiveram estáveis em torno dos 100 000 óbitos anuais. O índice de fecundidade (número médio de filhos por mulher) está hoje estabilizado em 1,5, nível inferior ao necessário para assegurar a substituição de gerações (2,1) e um dos mais baixos entre os países europeus. Nascem menos crianças, mas a melhoria dos cuidados de saúde permitiu uma evolução muito positiva das taxas de mortalidade infantil (de 22,2 ‰ em 1981 para 4,1 ‰ em 2003). Esta evolução tem-se reflectido em ganhos consideráveis na esperança de vida. No ínício dos anos 60, os homens viviam em média 60 anos enquanto as mulheres não iam além dos 66 anos, hoje a esperança de vida à nascença chega aos 74 anos para o sexo masculino e ultrapassa os 80 para o feminino. Um envelhecimento progressivo O aspecto mais marcante da situação demográfica portugue- sa reside no envelhecimento da sua população. Apesar dos níveis não atingirem os de outras regiões europeias, a redução no número de jovens e o aumento do número de idosos deu-se em Portugal de modo relativamente rápido. Em 2001, pela primeira vez, o número de idosos (população com mais de 64 anos) foi superior ao número de jovens (menos de 15 anos), 1 708 000 e 1 640 000, respectivamente. Entre 1991 e 2001 deu-se uma diminuição de 16% no número de jovens e um acréscimo de 26% no de idosos. Também a população em idade activa envelheceu mostran- do no período de 1991 a 2001 duas tendências distintas: o gru- po mais jovem (até 25 anos) diminuiu 8%, reflectindo o declí- nio da natalidade iniciado na década de 80; por seu turno, outros grupos registam aumentos (13,2% no grupo 25-44 anos e 10,2% no de 45-64 anos) que acompanham a evolução dos mais idosos; significativo é também o aumento destes: enquan- to a população com 80 ou mais anos constituía em 2001 cerca de 21% da população ‘senior’, a proporção dos mais de 85 anos chegava a 9%, mas sendo de 11% para as mulheres, o que tra- duz a sua maior esperança de vida. O fenómeno do envelhecimento demográfico tem vindo a acentuar-se. No início dos anos 60 os níveis de natalidade eram elevados, representando os jovens quase 30% do total da população. Ao nível europeu, Portugal apresentava uma estrutura relativamente jovem, mas hoje é um dos países que regista uma menor proporção de jovens. Por seu turno, o gru- po de idosos mais que duplicou desde 1960, situando-se actualmente próximo da média europeia; e com ele aumen- tou também o índice de dependência total. No início do século XXI a população é essencialmente composta por adultos e pessoas idosas, o que tem inevitáveis consequências tanto do ponto de vista demográfico, como económico e social. O envelhecimento afecta todas as regiões, mas é mais pronunciado quando se combinam fracos níveis de fecundidade com saldos migratórios negativos. No Conti- nente são ainda os concelhos do interior que apresentam níveis de envelhecimento mais elevados, chegando a atingir 4 idosos por cada jovem. O Norte mantém a posição de região mais jovem do Continente: 17,5% de jovens e 14% de idosos, mas as populações dos dois arquipélagos são as mais jovens do País – 21,4% da população açoriana tem menos de 15 anos e apenas 13% tem mais de 64 anos, enquanto na Madeira, cer- ca de um quinto da população tem menos de 15 anos e 14% tem mais de 64 anos. Em consequência detêm os mais baixos índices de envelhecimento: os Açores, 62, e a Madeira, 71, quando em 2001 a média nacional foi de 104. A emergência de novos comportamentos O número de famílias aumentou nos últimos quarenta anos em Portugal a ritmos ainda mais elevados que os do crescimento demográfico. Neste período ocorreram grandes transformações: a fecundidade é hoje metade do que era no início dos anos 60, a esperança de vida teve ganhos na ordem dos 12 anos e o número de divórcios tem vindo sempre a aumentar, alterações que ocorreram num contexto de pro- fundas mudanças sociais. Em 2001 foram recenseadas cerca de 3 651 000 famílias, o que representou um acréscimo de 16% em relação a 1991, enquanto a população cresceu apenas 5%. Ao aumento do número de famílias tem correspondido uma redução no número de membros que as compõem (cerca de 4 pessoas em 1960 e menos de 3 pessoas em 2001). Esta tendência também se verifica ao nível regional, embora nos Açores, na Madeira e na região Norte, no Continente, o número de membros se situe acima da média nacional. Apesar do decréscimo da dimensão média, as famílias por- tuguesas continuam a ser das mais numerosas na União Europeia, cuja média é de 2,4 pessoas por família; este indica- dor reflecte o peso que tradicionalmente as famílias numero- sas tinham nos países do Sul da Europa. O aumento do número de famílias evidencia uma altera- ção na sua estrutura. Entre 1960 e 2001, a proporção de pes- soas a viver só passou de 10,7% para 17,3%. Ao mesmo tem- po decresce a proporção de famílias com 5 ou mais pessoas: OS HOMENS E O MEIO A população ATLAS DE PORTUGAL IGP 93 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 93
  • 92.
    MulheresHomens 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1920 1930 19401950 1960 1970 1980 1990 2000 2014* * estimativa Milhares Saldo migratórioSaldo natural 1991 2001 1981 1991 1970 1981 1960 1970 1950 1960 1940 1950 1930 1940 1920 1930 1911 1920 1900 1911 -1 500 -900 -300 300 900 1 500 ‰ Anos Mortalidade Infantil Taxa de Natalidade Taxa de Mortalidade 0 20 40 60 80 100 2003200019951990198519801975197019651960 94 ATLAS DE PORTUGAL IGP Taxas de natalidade, mortalidade e mortalidade infantil, 1960/2003 Esperança de vida à nascençaSaldo natural e saldo migratório 29,1% em 1960, apenas 9,5% em 2001. Paralelamente à dimi- nuição das famílias numerosas, aumenta o número de famí- lias monoparentais (9,2% do total em 1991, 11,5% em 2001), sendo a grande maioria (86,4%) do tipo ‘mãe com filhos’. Hoje somente 19% dos agregados familiares é composto por um casal com crianças; cerca de 9% de pessoas idosas vivem sós. A esta situação estão associados factores como o declínio da fecundidade, o retardar da idade no nascimento do primei- ro filho e o aumento da esperança média de vida. Apesar da rápida mudança, os laços intergeracionais mantêm-se fortes e a família continua a ser, para a maioria dos portugueses, um símbolo de felicidade e a principal base de confiança. Educação O sector educativo foi um dos que mais reflectiu as mudanças demográficas, económicas e sociais das últimas décadas em Portugal. O nível de escolarização dos mais jovens é quase de 100%, a taxa de anafabetismo está finalmen- te abaixo dos dois dígitos (9‰ em 2001) e o ensino superior duplicou ao longo da década de 90. Devido à quebra da natalidade, o número de alunos no ensino básico tem vindo a diminuir: entre 1980 e 2000, a redução foi de cerca de 400 000 alunos apenas no 1.º ciclo e representou, só na década de 90, uma perda de 20% no total. Em contrapartida, o 3.º ciclo registou, pela entrada em vigor da escolaridade obrigatória de 9 anos, em 1986, um acréscimo significativo no número de alunos matriculados nos anos 80, sendo de assinalar um decréscimo na década seguinte. O aumento do número de alunos no secundário, de certo modo atenuou as perdas nos outros níveis de ensino. No entanto, razões demográficas voltam a estar na origem da inflexão observada a partir de meados da década de 90. Entre 1991 e 2003 foram encerradas 371 escolas do 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário, para além das 881 do ensino básico media- tizado extintas no mesmo período, devido à reorganização da rede escolar e a extinção das designadas ‘tele-escolas’. Entre- tanto foram criadas 79 escolas básicas integradas (24 das quais com jardim de infância) que substituem algumas das que Pirâmide de idades, 1960 e 2001 OS HOMENS E O MEIO A população População residente em Portugal por idades, em 2001 População residente em Portugal por idades, em 1960 0 20 00020 000 40 00040 000 60 00060 000 80 00080 000 0 100 ou + 95 anos 90 anos 85 anos 80 anos 75 anos 70 anos 65 anos 60 anos 55 anos 50 anos 45 anos 40 anos 35 anos 30 anos 25 anos 20 anos 15 anos 10 anos 5 anos Até 1 ano Mulheres Total: 5 355 976 Total: 4 634 976 Homens Total: 5 000 141 Total: 4 254 416 Esperança de vida à nascença: número médio de anos que uma pessoa poderá esperar viver, se as condições de mortalidade observadas nesse momento se mantiverem ao longo da sua vida. 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 94
  • 93.
    OS HOMENS EO MEIO A população ATLAS DE PORTUGAL IGP 95 Índice de envelhecimento, 2001 tinham sido encerradas, e cuja distribuição não obedece a um padrão geográfico homogéneo. O maior crescimento no número de alunos deu-se no ensino superior: entre 1990/91 e 2000/01 passou-se de cerca de 200 000 para cerca de 400 000, em parte devido à oferta do ensino particular e cooperativo. Para o rápido crescimento do número de alunos, tanto no secundário como no superior, muito contribuíram as mulheres. Actualmente representam cerca de 60% dos estudantes no supe- rior (apenas 29% em 1960) e são também maioritárias entre os que concluem os estudos. O importante aumento do número de diplomados não deve fazer esquecer que Portugal continua a apresentar, no conjunto dos países da OCDE, uma das mais baixas taxas de frequência do ensino superior de jovens entre os 19 e 24 anos (17% para as mulheres e 10% para os homens). Apesar do investimento tardio no prolongamento da esco- larização (apenas em 1986 se tornou obrigatória a escolaridade Índice de dependência total, 2001 Estrutura das famílias segundo a dimensão média, 1960 e 2001Tendências de evolução dos alunos matriculados (base 100=1990/91) 2001 % % 1960 5 ou mais pessoas 4 pessoas 3 pessoas 2 pessoas 1 pessoa 5 10 15 20 25 30 N 0 25 50 km % 100 80 70 50 Média nacional: 48 Média do Continente: 48 Média dos Açores: 51 Média da Madeira: 48 % 520 400 300 200 100 Média nacional: 104 Média do Continente: 107 Média dos Açores: 62 Média da Madeira: 71 Índice de envelhecimento: número de pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 pessoas com menos de 15 anos. Índice de dependência total: número de pessoas em idade jovem (menos de 15 anos) e idosa (65 e + anos) por cada 100 pessoas em idade activa (15-64 anos). 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 95
  • 94.
    OS HOMENS EO MEIO A população 96 ATLAS DE PORTUGAL IGP de 9 anos), Portugal é dos países da UE que dedica à educação uma maior parcela do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2001, a despesa pública em educação representou cerca de 6% do PIB, valor que é ligeiramente superior à média da UE-15 e que apenas foi ultrapassado pela Suécia, Finlândia e Bélgica. O esforço continuado de investimento permitiu melhorar o nível médio de qualificação dos portugueses. Entre 1991 e 2001 a proporção de pessoas com o ensino secundário quase duplicou, enquanto os diplomados passaram de 5% para cer- ca de 11%. Consequência da democratização no acesso aos estudos, as gerações mais jovens têm vindo a alcançar níveis de qualificação mais elevados que as gerações anteriores, no entanto 60% dos portugueses em idade activa tem no máxi- mo 6 anos de escolaridade. As comparações internacionais são neste âmbito geralmen- te desfavoráveis a Portugal. Em 2003, apenas 47% dos jovens portugueses entre 20 e 24 anos tinham concluído pelo menos o nível superior do ensino secundário, enquanto a média da UE-15 era de 74%. É, no entanto, o país que registou o maior crescimento nos últimos cinco anos, convergindo gradualmen- te com os níveis de escolaridade dos outros Estados-membros. Mas os problemas persistem, como nos recordam os resultados do PISA 2000 (Programme for International Student Assessment) realizado sob a égide da OCDE em cerca de 30 paí- ses, a alunos de 15 anos. Os estudantes portugueses situam-se abaixo da média tanto na compreensão da escrita como nas matérias científicas. À fraca qualidade da aprendizagem junta-se o abandono escolar. Segundo estatísticas do Eurostat, em 2003 a taxa de abandono escolar dos jovens dos 18 aos 24 anos, antes ou logo após terem completado a escolaridade obrigatória, foi de 41%, a mais elevada da UE, cuja média é de 18%. A situação é tanto mais grave se atendermos ao facto de mais de um quar- to destes jovens abandonar precocemente a escola, ou seja, sem ter concluído o ensino básico. Não restam dúvidas de que a educação constitui um fac- tor determinante na construção de economias e sociedades do conhecimento. Prosseguir os objectivos definidos na Estraté- gia de Lisboa (2000) coloca a Portugal um duplo desafio: ter que ultrapassar no espaço de uma década o atraso estrutural num domínio tão sensível como a educação, promover a for- mação ao longo da vida e, simultaneamente, não deixar agra- var as clivagens regionais e entre grupos sociais. Alunos no ensino público, por grau Despesa pública em educação População segundo o nível de ensino 1991 2001 % % Sem nível de ensino 17,6 14,3 1º ciclo do ensino básico 43,8 35,1 2º ciclo 12,7 12,5 3º ciclo do ensino básico 10,9 10,9 Ensino secundário 8,7 15,7 Ensino médio 1,4 0,8 Ensino superior 4,9 10,7 Mulheres Homens % % Média OCDE 29 26 Alemanha 20 23 Espanha 39 32 França 37 32 Grécia 27 21 Irlanda 50 45 Itália 13 10 Portugal 17 10 Reino Unido 29 30 EUA 42 36 Japão 49 46 1991 2001 % % 6 anos de escolaridade 77,6 62,2 Ensino básico (9 anos escolaridade) 7,4 13,4 Ensino secundário 8,4 13,0 Ensino superior 6,6 11,4 População dos 25 aos 64 anos, segundo a escolaridade Jovens dos 19 aos 24 anos que frequentam o ensino superior, 2002 Secundário 3º Ciclo 2º Ciclo 1º Ciclo Superior 1980/81 1990/81 2000/01 300 000 450 000 150 000 600 000 750 000 900 000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 UE-15 Portugal UE-25 EUA Japão 2000 1995 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:24 Página 96
  • 95.
    OS HOMENS EO MEIO A população ATLAS DE PORTUGAL IGP 97 Escolas encerradas, 1991/2003 Escolas básicas integradas, criadas, 1991/2003 Escola Secundária Escola Básica Integrada Escola Básica do 2º e 3º Ciclos com Ensino Secundário Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Escola Básica do 1º e 2º Ciclos N 0 25 50 km Escola Básica Integrada Escola Básica Integrada com Jardim de Infância 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 97
  • 96.
    OS HOMENS EO MEIO 98 ATLAS DE PORTUGAL IGP A emigração No início do século XX e até 1914, o fluxo emigratório essencialmente para o Brasil era muito grande, apresentando um registo de 195 000 emigrantes só de 1911 a 1913. Nos anos seguintes, em consequência das duas guerras mundiais e da grave crise económica dos anos 30, a emigração sofre novo decréscimo. É precisamente entre os anos 30 e meados dos anos 40 que se regista o menor volume de emigrantes: 7 000 saídas anuais no período 1939/1945; foi o fim da fase transo- ceânica que caracterizou a primeira metade do século XX, com predomínio da emigração para o continente americano e em especial para o Brasil, mas logo a seguir, com 26 000 saídas anuais entre 1946 e 1955, inicia-se uma nova fase que deco- rrerá até meados dos anos 70. A Europa procura recompor-se dos danos causados pela guerra, com o apoio financeiro dos Estados Unidos, através do Plano Marshall. Com a formação do Mercado Comum, atingem-se níveis elevados de crescimento económico, sen- do as necessidades de mão-de-obra colmatadas com o recrutamento de trabalhadores nos países do Sul da Euro- pa: entre 1958 e 1973 foram emitidas 8 milhões de autori- zações de trabalho. É nesse período que se registam os valo- res mais elevados de emigração em Portugal: entre 1960 e 1974 terão emigrado mais de 1,5 milhão de portugueses, ou seja, uma média de 100 000 saídas anuais, que só a crise petrolífera de 1973 e consequente recessão económica veio travar. Até então, o movimento emigratório assume proporções alarmantes, pois aos números oficiais há que acrescentar o grande volume de saídas clandestinas. O máximo de emi- grantes legais registou-se em 1966 (120 000), mas o record de saídas foi alcançado em 1970 (173 300 emigrantes, dos quais 107 000 ilegais). Entre 1969 e 1973, período em que o movi- mento de ‘clandestinos’ ganhou maior importância, 300 000 portugueses saíram ilegalmente do País, correspondendo a 54% do total de emigrantes. Esta fase de intensa emigração para a Europa ocorreu durante a guerra colonial e originou um decréscimo de 3% na população entre 1960 e 1970. O principal destino foi a Fran- ça, país que recebeu um terço (65 200) dos emigrantes na pri- meira metade dos anos 60, 59% (264 000) durante a segunda metade dessa década e 28% (81 000) no primeiro quinquénio de 70. É precisamente nos primeiros anos de 70 que a Ale- manha surge como destino preferencial dos emigrantes por- tugueses (29% do total), estimando-se que em 1973 aí residi- riam 100 000 portugueses. A emigração intra-europeia alargou-se a todas as regiões do território nacional, mas foi mais intensa nas áreas densa- mente povoadas do Norte e Centro do Continente. Desde finais dos anos 50, e sobretudo na década de 60, foram também consideráveis os movimentos migratórios de todos os territórios portugueses para as então colónias africa- nas. É também neste período que a Venezuela se afirma como destino da emigração portuguesa, em especial de madeirenses (mais de 60% dos cerca de 400 000 residentes de origem por- tuguesa), que também procuraram a África do Sul, onde hoje residem cerca de 300 000 portugueses, maioritariamente madeirenses. No continente americano, Estados Unidos e Canadá não deixaram de exercer uma forte atracção, receben- do sobretudo emigrantes açorianos. Nos Açores, terra de emigração desde os mais recuados tempos, o maior fenómeno emigratório moderno deu-se a par- tir de 1957, aquando da erupção do vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial: num gesto de solidariedade o Canadá ‘abriu’ a imigração às vítimas do vulcão e, quase imediatamente, a todos os açorianos. Houve freguesias que perderam metade e mais dos seus habitantes, como na ilha das Flores; e, nas outras, se bem que a proporção não tenha sido tão importante, foi gran- de. Vejamos o exemplo da ilha de São Miguel, onde de 1957 a 1977 emigraram 107 131 pessoas, mais de metade das quais para o Canadá e dois quintos para os Estados Unidos. A abertura da imigração, como foi o caso do Canadá, ou a sua reabertura após uns anos de dificuldades, como aconteceu Dulce Pimentel TERRA DE MIGRAÇÕES A história da emigração portuguesa começa com a saída de colonos para se fixarem nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo após a sua ocupação definitiva em 1425 e 1427, respectivamente. Os cerca de 4,9 milhões de cidadãos portugueses ou de origem portuguesa que residem no estrangeiro constituem a prova da importância que a emigração teve e continua a ter para Portugal. Ao longo de séculos, mas sobretudo no século XX, os movimentos emigratórios sofreram alterações significativas de volume e de destinos, reflexo do estado de desenvolvimento do País e da evolução do mercado internacional de trabalho. 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 98
  • 97.
    OS HOMENS EO MEIO Terra de migrações ATLAS DE PORTUGAL IGP 99 A partir de meados dos anos 70 a emigração em Portugal entra numa nova fase. Desde logo pela grande quebra verifi- cada no número de saídas: entre 1974 e 1988 a emigração ofi- cial cifrou-se em 230 000 saídas, o que corresponde a uma média anual de, apenas, 15 000 emigrantes. Paralelamente à contínua redução dos contingentes emigra- tórios, apenas contrariada nos últimos anos da década de 80, verifica-se uma maior diversificação dos destinos. Os portu- gueses continuaram a partir para a Europa – França, Espanha, Luxemburgo, Suíça e Alemanha, revitalizando redes já existen- tes ou criando novos espaços de emigração – mas também para os Estados Unidos e Canadá e outros destinos longínquos como a Austrália, África do Sul e países do Médio Oriente. Embora a emigração para alguns destinos, nomeadamente os mais distantes, pressuponha o establecimento a longo pra- zo, uma parte significativa dos emigrantes que saiu do Conti- nente, nos anos 80, fê-lo com carácter temporário (43% do total de saídas legais entre 1980 e 1988). O exemplo ‘francês’ é elucidativo: dos cerca de 42 000 emigrantes registados entre 1980 e 1988, 80% foram emigrantes temporários. O decréscimo da emigração verificado nesta fase ficou a dever-se a vários factores: por um lado, a crise económica internacional de 1973 levou os principais países de imigração na Europa – Alemanha (1973) e França (1974) – a adoptar medidas restritivas à entrada de novos imigrantes e de incen- tivo ao retorno aos países de origem, mas também a mudan- ça de regime político em Portugal (1974) que conduziu ao fim da guerra colonial e ao processo de independência das colónias africanas. A integração de Portugal na Comunidade Europeia, com as necessidades do mercado internacional de trabalho, permitiu que se criassem novas condições de mobilidade para os trabalha- dores portugueses. Com efeito, a emigração não cessou. Entre 1992, data em que o Instituto Nacional de Estatística inicia a com os Estados Unidos da América, trouxe grandes modifi- cações de carácter socioeconómico ao Arquipélago: um ainda maior desenvolvimento da criação de gado; a transformação não só de muitos terrenos incultos, mas também de outros ocupados com culturas alimentares e, até, industriais (em São Miguel) para ‘construção’ de pastagens; o quase despovoa- mento das freguesias mais afastadas dos maiores centros populacionais (apesar de uma melhoria considerável nos transportes e novos meios de comunicação) e uma conse- quente ‘urbanização’ na maneira de estar na vida, a par do desenvolvimento de actividades terciárias, principalmente administração pública e construção civil. Na Madeira, ilhas de grande densidade de população e poucos recursos, não admira que a emigração tenha sido sem- pre uma importante ‘válvula de escape’ para os seus habitan- tes (de 1900 a 1974 o número de saídas legais elevou-se a 152 000, metade das quais no período 1955/1974); contudo, o desenvolvimento turístico das últimas dezenas de anos fez reduzir muitíssimo essa prática secular. E também fez alterar, em muito, os modos de vida, pois uma população que em meados do século passado ainda vivia principalmente dos tra- balhos agrícolas e seus derivados, em 2001 só cerca de 6% da população e 13% dos activos mantinha esta ocupação, enquanto o sector dos serviços ocupava 66% dos activos, em especial no turismo e na construção. A composição dos fluxos emigratórios também se alterou: inicialmente constituídos por mão-de-obra masculina, os últimos anos da década de 60 revelam uma maior participação feminina – 40% em 1966, 48% em 1967 e 54% em 1968 – e uma maior proporção de jovens menores de 15 anos, valores que evidenciam o processo de reagrupamento familiar em curso nesse período. Em traços gerais, a maioria dos emigran- tes era adulta, sobretudo homens com baixos níveis de esco- laridade e de qualificação profissional. Outros Canadá EUA Suíça R.Unido França Espanha Alemanha58887 17252 84654 28760 71330 8573 4118 61731 Imigração Emigração Emigração clandestina 140 000 120 000 100 000 80 000 60 000 40 000 20 000 0 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 40 000 35 000 30 000 25 000 20 000 15 000 10 000 5 000 0 1994 199519931992 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Emig. permanentes Total Emig. temporários Evolução do fenómeno migratório em Portugal, 1900/2003 Emigrantes segundo o tipo de emigração, 1992/2003 Emigrantes por países de destino, 1992/2003 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 99
  • 98.
    OS HOMENS EO MEIO Terra de migrações 100 ATLAS DE PORTUGAL IGP realização do Inquérito aos Movimentos Migratórios de Saída, e 2003 emigraram cerca de 336 200 pessoas, ou seja, uma média anual de 28 000. Esta emigração, maioritariamente temporária, envolve sobretudo homens e jovens em idade activa – de 1999 a 2003, apenas 23% dos emigrantes eram mulheres, 52% tinha idade compreendida entre 15 e 29 anos e cerca de 30% entre 30 e 44 anos. A baixa proporção de menores de 15 anos – somente 6% do total, no último quinquénio – reflecte a redução dos emi- grantes permanentes. Os Açores são a única região do País em que a emigração permanente é superior à temporária o que se deve à importância dos destinos americanos. Os portugueses continuam a emigrar para a Europa, sobretudo para a França e Suiça, destinos de quase metade do total de saídas nos últimos cinco anos. Alemanha, Reino Uni- do e Espanha contam-se também entre os países que mais recebem portugueses. Em conjunto, os cinco países acolhe- ram 78% do total da emigração e o continente americano, em particular Estados Unidos e Canadá, cerca de 4%. Em relação a estes últimos a tendência é para a redução do número de partidas, confirmada pelo Bureau of Citizenship and Immigration Services: no decénio 1992-2001, a emigração portuguesa para os Estados Unidos diminuiu 40%. A quase totalidade dos fluxos de partida é gerada no Con- tinente: entre 1999 e 2003, 95% do total, sendo 46% na região Norte, enquanto do Alentejo, Algarve e Regiões Autónomas saiu pouco mais de 10%. Dos indivíduos que emigraram durante este período 45% possuía o 2.º ou 3.º ciclo do ensino básico, 9% o secundário ou superior, e 10% não tinham qualquer grau de ensino. A nova face da emigração portuguesa mostra uma maior pro- porção de licenciados ou com o ensino secundário. O aumento da taxa de desemprego, nomeadamente dos diplomados (entre Maio de 2002 e Maio de 2003 o número de desempregados com o ensino superior aumentou 44%) tem impulsionado a partida de jovens qualificados, em que se incluem muitos investigadores. Remessas de emigrantes Entre os impactos da emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, as poupanças que são enviadas para Portugal. As remessas são uma importante fonte de rendimento das famílias e de dinamização da economia e têm contribuído para equili- brar a balança de pagamentos nacional. Em 2001, os emigran- tes enviaram para Portugal 3,7 mil milhões de euros, o que representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e é superior ao contributo do turismo ou do investimento estrangeiro. A redução das remessas observada nos dois últimos anos (cerca de 30%) era previsível, dado que com o euro desapare- ceriam os ganhos cambiais que sempre constuituíram um incentivo ao envio, e não deixará também de reflectir as alte- rações no padrão de poupança dos novos emigrantes. A maio- ria das remessas são provenientes de França e Suiça, países onde residem importantes comunidades de portugueses e para onde se dirigem os mais recentes fluxos de emigrantes. Será, por certo merecedor de atenção o facto de a mais signi- ficativa descida no envio de remessas ter sido precisamente registada em França (-30%, entre 2001 e 2003). Os últimos trinta anos da sociedade portuguesa regista- ram, do ponto de vista dos movimentos migratórios, três acontecimentos marcantes. O primeiro foi a chegada, em poucos meses, de um inten- so fluxo de mais de meio milhão de portugueses e de popula- ção de origem portuguesa, residente nas ex-colónias africanas (retornados), em consequência do 25 de Abril de 1974 e do subsequente processo de descolonização que lhe esteve direc- tamente associado. Pelas suas características, intensidade e duração, constituiu um acontecimento ímpar na História nacional, com repercussões significativas na estrutura demo- gráfica, social e económica do País. O segundo acontecimento foi o regresso parcial de emi- grantes; o terceiro foi a intensificação dos fluxos imigratórios, num país tradicionalmente de emigração. O regresso Paralelamente ao fenómeno da emigração, merece nota de destaque um outro, muito menos notado na comunidade científica e na sociedade portuguesa em geral, mas nem por isso menos importante: o regresso de emigrantes portugueses provenientes de países estrangeiros. O pouco destaque que tem merecido deve-se a três características essenciais. Em primeiro lugar, o facto de ser um fenómeno pratica- mente contínuo no tempo e no espaço, que decorre princi- palmente de decisões individuais e familiares, ainda que pos- sa também estar relacionado com fenómenos políticos, legis- lativos, económicos ou sociais. Em segundo lugar, porque o regresso tem ocorrido para praticamente todo o território nacional, ainda que os grandes centros urbanos tenham importância significativa. Finalmen- te, porque os regressados, apesar de indutores de mudança, Milhões de euros 0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 3 000 3 500 4 000 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 1984 1983 1982 1981 1980 1979 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:27 Página 100
  • 99.
    OS HOMENS EO MEIO Terra de migrações ATLAS DE PORTUGAL IGP 101 1996/2001 nomeadamente nas áreas rurais mais pobres do interior, exer- cem fraca pressão sobre o mercado de trabalho e a estrutura produtiva, em consequência do seu medo de investir e correr riscos; por isso se dedicam com tanta frequência a pequenas actividades por conta própria. Os números oficiais do regresso de emigrantes, apurados pelos recenseamentos decenais da população, do Instituto Nacional de Estatística (INE), indicam que só nos períodos de 1976/81, 1986/91 e 1996/2001 chegaram mais de 295 000 indivíduos ao território nacional. Extrapolando estes valores conclui-se que, em apenas um quarto de século (1976/2001), terão talvez regressado quase 600 000 indivíduos, o que é considerável dada a dimensão demográfica do país. A análise parcelar dos dados disponíveis permite constatar que o último quinquénio da década de 80 do século XX, relativa- mente ao último da década anterior, registou uma quebra de quase 9% no número de regressos, enquanto o último quinqué- nio da década de 90 revela um acréscimo de quase 15%. Este aumento significativo explica-se, em grande parte, pelo incre- mento do número de portugueses provenientes da Suíça que aumentou mais de cinco vezes e meia (+21 500 indivíduos) e da Alemanha, quase duas vezes (+5 100). Os regressos de França praticamente estabilizaram (+2%), registando 51 000 chegadas, Regresso de emigrantes portugueses 1976/1981 1986/1991 Nº de emigrantes 9 000 5 000 2 500 1 000 500 100 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 101
  • 100.
    2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 1989 1988 1987 1986 1985 1984 1983 1982 1981 1980 1979 1978 1977 1976 1975 450000 400000 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 0 0 10000 2000030000 40000 50000 60000 2003 1980 Moçambique Holanda S. Tomé e Príncipe Canadá Guiné-Bissau França Venezuela Angola Alemanha R. Unido EUA Brasil Espanha Cabo Verde 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 Bielorrússia Guiné Conakry Marrocos S. Tomé e Príncipe Bulgária Paquistão Índia China Guiné-Bissau Rússia Angola Cabo Verde Roménia Moldávia Brasil Ucrânia OS HOMENS E O MEIO Terra de migrações 102 ATLAS DE PORTUGAL IGP Estrangeiros residentes em Portugal, 1975/2003 assim como os da América do Norte (+4%), com apenas 12 000 regressos. As últimas estimativas da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas indicam 4 835 500 cidadãos portugueses ou de origem portuguesa, espalhados pelo mundo, dos quais 58% reside no continente americano, 31% na Europa, 7% em África, e os restantes 4% noutras par- tes do mundo. Sendo um fenómeno quase tão antigo como o da própria emigração, o regresso de emigrantes portugueses e suas famílias deverá continuar a ocorrer, embora a ritmos, naturalmente, diferentes. A imigração É o terceiro acontecimento marcante nas dinâmicas migratórias pois, pela primeira vez na sua História, Portugal deixou de ser um país de emigração para se tornar também num país de imigração; o número de imigrantes legais tem, nos últimos anos, superado o número de emigrantes. E, nes- te aspecto, destacaram-se, primeiro, os provenientes de países africanos de língua oficial portuguesa, depois os do Brasil e, mais recentemente, os provenientes de países do Leste euro- peu, que, rapidamente, passaram a constituir o grupo de estrangeiros mais numeroso a residir em Portugal. Vejamos alguns números. De acordo com as estatísticas oficiais do Serviço de Estran- geiros e Fronteiras (SEF), em 1975, residiam no território nacional menos de 32 000 estrangeiros, número que não mais parou de aumentar, atingindo quase 87 000 em 1986, data da entrada de Portugal na então Comunidade Económica Euro- peia, 168 300 em 1995 e 223 600 no final do ano de 2001. Por anos, os acréscimos mais significativos registaram-se em 1993 (+10,7%) e 1994 (14,7%) devido ao facto de se incluírem os dados relativos ao Processo de Regularização Extraordinária que decorreu entre Outubro de 1992 e Março de 1993. O mesmo sucedeu nos anos de 1999, 2000 e 2001, cujos acréscimos se devem à inclusão progressiva dos dados estatísticos relativos ao Processo de Regularização Extraordi- nária decorrido entre Junho e Dezembro de 1996. Os números oficiais pecam, no entanto, por uma signifi- cativa subavaliação, como se comprova pela aplicação do novo dispositivo legal, surgido em 2001, de atribuição de Autoriza- ções de Permanência a trabalhadores estrangeiros titulares de contrato de trabalho. A ‘explosão’ registada nas cifras oficiais naquele ano (+69%) e no seguinte (+18%) explicam-se ape- nas pela aplicação da nova legislação. Em 31 de Maio de 2002 haviam já sido atribuídas, segundo o SEF, mais de 181 000 Autorizações de Permanência, elevan- do o número total de imigrantes legalizados (incluindo os que têm autorização de permanência) para 404 700 indivíduos (4% da população portuguesa), o que equivale a um acréscimo de quase 94% em relação ao final de 2000. Pela primeira vez as estatísticas oficiais incluem o fluxo migratório oriundo do Leste europeu, avaliado em quase 97 000 indivíduos, com par- ticular destaque para os cidadãos ucranianos (mais de 65 000), romenos (mais de 13 600) e russos (mais de 7 000). Os últimos números provisórios disponíveis referentes ao final do ano de 2003 apontam já para mais de 434 500 imi- grantes com estatuto legal, entre residentes e com Autorizações Principais países de origem de estrangeiros com residência legalizada Autorizações de permanência concedidas, 2001/2003 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 102
  • 101.
    OS HOMENS EO MEIO Terra de migrações ATLAS DE PORTUGAL IGP 103 Estrangeiros por 1 000 habitantes, 2001 de Permanência ao abrigo da legislação vigente. O grupo mais numeroso é constituído por cidadãos de nacionalidade cabo-verdiana e brasileira, respectivamente perto de 16% e de 14%, e ainda ucraniana (13%). A distribuição geográfica da população estrangeira eviden- cia uma maior concentração nas principais aglomerações urbanas, com destaque para a área metropolitana de Lisboa, onde de acordo com o censo de 2001 residiam 50% dos estrangeiros. Ao nível concelhio observam-se grandes assimetrias. É no Algarve que a população estrangeira tem maior importância relativa, representando 6% do total de habitantes da região. Significativa é também a presença de estrangeiros em vários concelhos da região de Lisboa – Amadora, Loures, Sintra, Cascais, Odivelas e Seixal. Na região Norte o peso relativo da população estrangeira é reduzido, assim como na região Cen- tro, embora nesta seja notória a atracção exercida pelos con- celhos do litoral. Praticamente, num quarto de século, Portugal passa de país de forte diáspora a país de imigração, sem contudo, aban- donar por completo a tradição emigrante, iniciada há mais de cinco séculos. ‰ 94 49 18 12 7 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 103
  • 102.
    OS HOMENS EO MEIO Nuno Pires Soares UMA POPULAÇÃO QUE SE URBANIZA A urbanização, fenómeno de civilização, continua ainda hoje a surpreender-nos, tanto pela rapidez com que se expande no espaço como pela sua universalidade. O conceito de urbanização corresponde tradicionalmente a um amplo conjunto de modificações de cariz marcadamente demográfico, económico e espacial, resultante genericamente da passagem de população do meio rural para o meio urbano. No entanto, numa abordagem abrangente, a urbanização deve ser entendida como um fenómeno cultural, tanto mais que a cidade é em si criadora e transmissora de inovação, sendo geradora de novas formas de cultura e de organização espacial, visíveis nas alterações dos estilos de vida, conteúdos e formas de estar. 104 ATLAS DE PORTUGAL IGP Uma leitura ‘clássica’ do sistema urbano nacional No nosso país, a urbanização, apesar de mais tardia do que na generalidade dos países europeus e assumindo algumas nuances particulares – das quais se destacam a ausência de uma verdadeira revolução industrial e o fortíssimo surto emigrató- rio da população –, passou a ter o maior protagonismo no âmbito das grandes transformações demográfico-espaciais que o país tem atravessado, ao ponto de a sua população estar hoje quase maioritariamente ‘urbanizada’. A realidade urbana nacional, face à informação estatística disponível, sempre se manteve como que envolta por alguma indefinição ou omissão. Por exemplo, não existe ainda hoje informação sobre o valor da população urbana nacional e só recentemente (2004) passou a ser conhecida uma importan- tíssima base de dados georeferenciada, para o conjunto de 141 cidades. Sendo particularmente relevante, esta última infor- mação é todavia insuficiente para uma apreciação mais ampla do fenómeno urbano, na medida em que deixa de fora importantes lugares, como por exemplo muitas sedes de con- celho, que não são cidades, mas que pelo protagonismo social, administrativo e económico deveriam igualmente ser objecto de análise estatística. Em traços gerais, a realidade urbana nacional é marcada desde muito cedo pela existência de um amplo conjunto de cidades, mas de modesta dimensão demográfica. Ainda hoje, com a excepção da cidade de Lisboa e do Porto e das suas res- pectivas áreas metropolitanas, as restantes cidades comportam um valor médio de população relativamente diminuto – ron- da os 29 000 habitantes por cidade. A título de exemplo, refi- ra-se que a lotação oficial dos novos estádios de futebol do Euro 2004 comporta entre 65 000 e 30 000 espectadores, o que ilustra comparativamente a escala das nossas pequenas cidades. Todavia é substancialmente diferente a realidade urbana das duas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Aqui se concen- tram respectivamente 2 683 000 e 1 261 000 habitantes, o que no seu conjunto corresponde a 39 % da população nacional. Se, no caso de Lisboa, a designação de Área Metropolitana ou conurbação metropolitana é correcta e apropriada, já no caso do Porto o ‘centro’ não possui funções terciárias em número ou em qualidade suficientemente polarizadoras, capazes de gerar uma periferia com o mesmo grau de dependência da existente na Área Metropolitana de Lisboa. Na área do Porto, o processo de urbanização é essencialmente difuso, a par da distribuição do emprego, e assim não se constitui um proces- so de metropolização clássico, onde a grande cidade concentra a quase totalidade dos serviços, sendo responsável pela eleva- da pendularidade diária da sua população e estruturação socioespacial de tipo centro/periferia. Entre as duas áreas metropolitanas localizadas no litoral oes- te atlântico e centradas, respectivamente, nas desembocaduras dos dois maiores rios, Tejo e Douro, desenvolve-se uma exten- sa, mas não muito larga faixa urbana, que desde muito cedo fixou a população. Esta Faixa Litoral, na qual se incluem também as outras maiores cidades, deve o seu protagonismo demográfi- co a razões supostamente clássicas, mas que ainda hoje partici- pam da explicação geral: existência de terras férteis, o estímulo da vida marítima que favoreceu a atlantização do povoamento e uma base topográfica relativamente plana, geradora de redes de circulação terrestre mais cómodas. Estes factores induziram também, mais tarde, o próprio investimento industrial a que se seguiu o reforço da urbanização e da própria terciarização da economia e da sociedade. Na faixa litoral, para além da referida Faixa Urbana Oeste-Atlântica (que grosso modo se estende da foz do rio Sado à foz do rio Lima) há ainda a Faixa Urbana Sul- Atlântica que corresponde à importante e antiga rede de cidades algarvias. O restante espaço nacional que poderemos designar de Espaço Interior, é estruturado por uma matriz de pequenas e médias cidades onde algumas entre si se congregam em subsis- temas urbanos, nalguns casos de elevada importância regional e mesmo supra-regional. 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 104
  • 103.
    Espaços artificializados, 2004 OSHOMENS E O MEIO Uma população que se urbaniza ATLAS DE PORTUGAL IGP 105 Uso urbano, turístico e industrial Outros usos Itinerário Principal Itinerário Complementar N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 105
  • 104.
    Lugares com maisde 2 500 habitantes, 2001 Uma avaliação recente O sistema urbano nacional apresenta uma dinâmica e den- sa articulação interna, avaliada nos finais da década de 90 do século passado (estudo Sistema Urbano Nacional. Cidades Médias e Dinâmicas Territoriais, DGOTDU, 1997) tendo sido então iden- tificados seis sistemas urbanos regionais: 1. Norte Litoral, polarizado pela cidade-aglomeração do Porto, muito dinâmico, articulado numa lógica de valorização de complementaridades e especificidades que lhe confere uma capacidade de auto-regulação invulgar; ocupação do território densa e difusa em termos de população e de actividades; mui- to aberto ao relacionamento transfronteiriço com a Galiza. OS HOMENS E O MEIO Uma população que se urbaniza 106 ATLAS DE PORTUGAL IGP 2. Nordeste, estruturado por um eixo urbano linear em consolidação (Vila Real-Peso da Régua-Lamego) e por três cidades de dimensão média, pólos de retenção da população e da criação de emprego parcialmente articulado em dois eixos (Chaves-Vila Real-Peso da Régua-Lamego e Vila Real- Mirandela-Bragança) coincidentes com os principais eixos viários (IP3 e IP4), revelando-se insuficiências nas restantes articulações. 3. Centro, estruturado por dois eixos em formação e con- solidação (Coimbra-Figueira da Foz, Guarda-Covilhã-Castelo Branco) e Viseu e a constelação de cidades/vilas envolventes 565 000 263 000 101 069 24 918 2 505 Cidade Outros lugares Lisboa (cidade): 565 000 habitantes Porto (cidade): 263 000 habitantes N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 106
  • 105.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza Abrantes 17 830 53 Agualva-Cacém 81 845 10 Águeda 14 504 67 Albufeira 13 646 69 Alcácer do Sal 6 602 118 Alcobaça 6 232 119 Almada 101 500 6 Almeirim 10 520 89 Alverca do Ribatejo 28 356 32 Amadora 175 872 4 Amarante 11 261 81 Amora 44 515 19 Anadia 3034 * Angra do Heroísmo 10 221 91 Aveiro 55 291 12 Barcelos 20 625 49 Barreiro 40 859 23 Beja 21 658 46 Braga 109 460 5 Bragança 20 309 50 Caldas da Rainha 25 316 40 Câmara de Lobos 13 625 70 Cantanhede 5 004 127 Cartaxo 9 507 94 Castelo Branco 30 649 30 Chaves 17 535 55 Coimbra 101 069 7 Costa da Caparica 6 330 * Covilhã 34 772 28 Elvas 15 115 65 Entroncamento 18 036 51 Ermesinde 38 270 25 Esmoriz 11 020 84 Espinho 21 589 47 Esposende 9 197 99 Estarreja 4 261 * Estremoz 7 682 111 Évora 41 159 22 Fafe 14 144 68 Faro 41 934 21 Fátima 7 756 110 Felgueiras 15 525 63 Fiães 8 754 104 Figueira da Foz 27 742 34 Freamunde 7 452 113 Funchal 100 526 8 Fundão 8 369 107 Gafanha da Nazaré 12 321 75 Gandra 5 804 121 Gondomar 25 717 38 Gouveia 3 759 134 Guarda 26 061 35 Guimarães 52 181 13 Horta 4 459 130 Ílhavo 13 266 71 Lagoa 4 806 129 Lagos 14 675 66 Lamego 8 848 102 Leiria 42 745 20 Lisboa 564 657 1 Lixa 4 233 132 Lordelo 9 930 93 Loulé 12 103 78 Loures 15 967 60 Lourosa 9 204 98 Macedo de Cavaleiros 6 844 116 Machico 10 894 85 Maia 35 625 27 Mangualde 6 695 117 Marco de Canaveses 9 042 101 Marinha Grande 9 130 100 Matosinhos 45 703 18 Mealhada 4 043 133 Meda 2 004 * Miranda do Douro 1 960 140 Mirandela 10 780 87 Montemor-o-Novo 8 298 108 Montijo 25 719 37 Moura 8 459 106 Odivelas 50 846 14 Olhão 24 876 41 Oliveira de Azeméis 12 047 79 Oliveira do Bairro 3 077 136 Oliveira do Hospital 5 222 125 Ourém 4 991 128 Ovar 16 849 56 Paços de Ferreira 8 118 109 Paredes 12 654 73 Penafiel 9 343 97 Peniche 15 595 62 Peso da Régua 9 353 96 Pinhel 2 578 138 Pombal 10 031 92 Ponta Delgada 46 102 17 Ponte de Sôr 7 331 115 Portalegre 15 238 64 Portimão 32 433 29 Porto 263 131 2 Póvoa de Santa Iria 24 277 44 Póvoa de Varzim 38 643 24 Praia da Vitória 2 315 139 Quarteira 12 288 76 Queluz 78 040 11 Rebordosa 10 813 86 Reguengos de Monsaraz 5 900 * Ribeira Grande 11 129 82 Rio Maior 7 412 114 Rio Tinto 47 695 15 Sabugal 1 936 * Sacavém 17 659 54 Santa Comba Dão 12 473 74 Santa Cruz 5 673 123 Santa Maria da Feira 11 040 83 Santana 1 336 141 Santarém 28 760 31 Santiago do Cacém 5 240 124 Santo Tirso 24 649 42 São João da Madeira 21 102 48 São Mamede de Infesta 23 542 45 Seia 5 702 122 Seixal 25 608 39 Serpa 5 201 126 Setúbal 89 303 9 Silves 5 869 120 Sines 11 303 80 Tarouca 1 111 * Tavira 10 607 88 Tomar 15 764 61 Tondela 8 794 103 Torres Novas 12 156 77 Torres Vedras 16 461 58 Trancoso 1 457 * Trofa 16 196 59 Valbom 14 129 * Vale de Cambra 7 565 112 Valongo 17 978 52 Valpaços 3 737 135 Vendas Novas 9 485 95 Viana do Castelo 36 148 26 Vila Baleira 4 252 131 Vila do Conde 25 731 36 Vila Franca de Xira 16 554 57 Vila Nova de Famalicão 27 900 33 Vila Nova de Foz Côa 2 823 137 Vila Nova de Gaia 178 255 3 Vila Nova de Santo André 8 745 105 Vila Real 24 481 43 Vila Real de Santo António 10 489 90 Viseu 47 250 16 Vizela 12 698 72 Total de habitantes das 150 cidades 4 067 899 ATLAS DE PORTUGAL IGP 107 Pop. Residente Ranking (2001) popul. Pop. Residente Ranking (2001) popul. Pop. Residente Ranking (2001) popul. * Recentemente elevada à categoria de cidade (DR nº 18, Série I-A de 2005-01-26) pelo que se indica apenas a população residente no lugar com o mesmo nome, por não existir à data o valor total da população residente na referida cidade. Por este motivo, também não se considerou a posição destas novas cidades no ranking urbano. Como se cria uma cidade em Portugal É a Assembleia da República quem decide da elevação dos lugares às categorias de vila e de cidade. Segundo a Lei nº 11/82 de 2 de Junho, “uma vila só pode ser elevada à categoria de cidade quando conte com um número de eleitores superior a 8 000, em aglomerado populacional contínuo, e possua, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos colectivos: instalações hospitalares com serviço de permanência; farmácias; corporação de bombeiros; casa de espectáculos e centro cultural; museu e biblioteca; instalações de hotelaria; estabelecimento de ensino preparatório e secundário; estabelecimento de ensino pré-primário e infantários” (art. 13º). No entanto, “importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica poderão justificar uma ponderação diferente destes requisitos” (art. 14º). A imprecisão e a subjectividade das condições consentidas pelo artigo 14º está na origem do aparecimento de muitas povoações classificadas como cidades nas últimas décadas, mas que efectivamente possuem diminuto número de atributos urbanos. Para além desta fragilidade conceptual, a actual lei é omissa quanto à delimitação das povoações, isto é, não exige descrição específica nem cartografia que permita delimitar o perímetro dos lugares que aspiram à categoria de cidade. Cidades, 2004 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 107
  • 106.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza 108 ATLAS DE PORTUGAL IGP População residente nas cidades, 2001 Habitantes 565 000 270 000 50 000 1 336 Lisboa: 564 657 habitantes Porto: 263 131 habitantes N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 108
  • 107.
    ALENTEJO CENTRO NORDESTE FAIXA URBANA SUL-ATLÂNTICA FAIXAURBANAOESTE-ATLÂNTICA ALGARVE LISBOA EVALE DO TEJO NORTE LITORAL Sistema urbano nacional OS HOMENS E O MEIO Uma população que se urbaniza ATLAS DE PORTUGAL IGP 109 Variação da população 1991/2001: Concelho Faixa Urbana Oeste-Atlântica Faixa Urbana Sul-Atlântica SUBSISTEMA URBANO Norte Litoral Nordeste Centro Lisboa e Vale do Tejo Alentejo Algarve Cidade + i I– + i I– N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 109
  • 108.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza 110 ATLAS DE PORTUGAL IGP (Aveiro-Ílhavo-Águeda-Oliveira do Bairro), revela uma distri- buição espacial equilibrada. 4. Lisboa e Vale do Tejo, fortemente polarizado pela Área Metropolitana de Lisboa, que tende a integrar a dinâmica das cidades mais próximas como Santarém, Rio Maior e Torres Vedras; área muito densa, concentrada e dinâmica, fortemen- te internacionalizada. 5. Alentejo integra dois pequenos eixos com fraca capacida- de polarizadora (Estremoz-Vila Viçosa e Santiago do Cacém- Sines-Santo André) e a cidade de Elvas, centro importante de relacionamento transfronteiriço; em estruturação, enquadra- do num território extenso, de fraca densidade, com um mode- lo de povoamento muito concentrado e dinâmicas regressivas significativas. 6. Algarve (forma linear, determinado por um processo de forte urbanização da faixa litoral, implicando um esvaziamen- to do interior da Serra; região polinucleada com característi- cas de internacionalização de perfil turístico; muito aberto ao relacionamento transfronteiriço. Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira a atracção pela orla costeira foi desde os primórdios factor determinante do povoamento. Também aqui a orla litoral possui maiores aptidões agrícolas, menor altitude e é maior a facilidade de comunicações por terra. Ainda hoje a rede urbana das ilhas ilustra parcialmente esta antiga e natural vocação pelas posições litorais. Estruturadas pelas rotas de cabotagem, as cidades que mais se desenvolveram correspondem às que melhores con- dições ofereciam à navegação. Hoje são as redes rodoviárias a imprimir novas nuances à matriz urbana nas ilhas atlânticas. As estradas e as novas áreas de expansão urbana, ao não acom- panharem a linha do litoral, condicionado por fortes arribas, desenvolvem-se a cotas mais elevadas e assim tem-se assisti- do à subida das povoações das pequenas enseadas para a encosta, num movimento de sentido ascendente, inverso ao verificado no continente – onde a tendência é a expansão dos lugares dos pontos altos para as terras baixas. Mudanças recentes Portugal, no último meio ou quarto de século é marcado por importantíssimas mudanças que ocorreram ao nível dos ‘territórios urbanos’. Nestes territórios, localizados maioritariamente no litoral, foi-se acumulando uma população oriunda de vastas áreas do interior do país que aqui encontrou, genericamente, uma má qualidade de vida, decorrente de uma lógica imobiliária pri- mária a par de um manifesto incumprimento, ou desarticula- ção, dos instrumentos de planeamento. O actual cenário urbano é composto por dois importantes quadros: por um lado a cidade propriamente dita, como entida- de herdada e (re)conhecida tradicionalmente como tal, mono- cêntrica, densa e contínua, que o vulgo da população e das ins- tituições começa a reconhecer actualmente como património, pese embora o decréscimo da sua população residente e a perda de vitalidade das suas actividades económicas. O segundo qua- dro é referente a uma outra entidade que poderemos designar de ‘cidade contemporânea’ que não apresenta contornos espa- ciais nem bem definidos nem contínuos, antes espaços profun- damente fragmentados de densidade e tipo muito variado. A cidade contemporânea, que é marcada pelo policentrismo, pela descontinuidade e pela fragmentação inclui, na sua ampla diver- sidade de espaços, a cidade com História e reconhecível por esse atributo, a par da urbanização sem ‘alma’ onde a tradição, a identidade e a noção de pertença estão ausentes. A presente situação urbana, mais complexa e imprecisa, ultrapassou o modelo metropolitano no qual era passível a identificação do dualismo centro-periferia. Hoje, imperam a mobilidade e as relações de fluxos em vastos quadros sistémi- cos espaciais, fragmentados e descontínuos. Portugal atravessa actualmente uma fase de urbanização que se sobrepõe parcialmente a um período ainda mal conso- lidado de terciarização onde sobressaíu um tipo de ‘urbaniza- ção de génese ilegal’ a par da emergência da primeira geração de Planos Directores. Sem ainda estar concluída esta fase, assiste-se ao início de uma outra que corresponde à expansão da rede de auto-estradas e à inauguração de hipermercados, grandes centros comerciais, parques de escritórios e parques temáticos a par de novos condomínios residenciais, dissemi- nados entre cidades e construindo novas centralidades sem um conhecimento exaustivo dos seus impactos a médio prazo. Lisboa e Porto como referências A informação existente sobre cidades permite identificar alguns traços gerais. As cidades de Lisboa e do Porto e as suas respectivas áreas metropolitanas possuem, em relação a vários indicadores, um comportamento diferenciado do das restan- tes cidades. Esse facto é notório ao nível do elevado número de alojamentos por edifícios e da percentagem de grandes edifícios a par da elevada percentagem de alojamentos ocupa- dos por inquilinos. Em relação à idade dos edifícios, constatamos a elevada percentagem das novas construções de Norte a Sul do país, sendo o seu peso particularmente expressivo nas áreas de maior densidade e dinamismo demográfico – o Noroeste Atlântico. Inversamente, os valores mais elevados de edifícios envelhecidos e a necessitar de reparações, observam-se essen- cialmente em Lisboa e no Porto, a par de outras cidades loca- lizadas nas respectivas áreas metropolitanas. Correspondem estes casos a antigos núcleos urbanos periféricos que actual- mente já entraram em regressão demográfica mantendo par- ques imobiliários já muito envelhecidos. 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 110
  • 109.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza ATLAS DE PORTUGAL IGP 111 Alojamentos por edifício, 2001 Nº >18 5 4 3 2 1 O peso da população estrangeira residente em cada cidade revela um padrão de distribuição particularmente interessan- te do qual se destaca a Faixa Litoral Oeste Atlântica e, nesta em particular, algumas cidades da Área Metropolitana de Lis- boa, a par da rede de cidades algarvias. As cidades do interior e de pequena dimensão demográfica contêm um baixo número de estrangeiros, visto possuírem diminuta oferta de emprego. Esta distribuição não só releva um facto recente da nossa realidade demográfica e urbana – a imigração – como revela as cidades onde existem maior número de oportunida- des de vida e de acolhimento, seja de cariz institucional ou meramente informal de tipo familiar. ‘Produzir’ cidade Vivemos hoje num quadro de profundas transformações urbanas, do qual o conhecimento é escasso e pouco sistema- tizado, mas já é possível constatar que muitas das tradicionais metodologias académicas e práticas de planeamento não se adequam aos actuais e reais cenários urbanos. Os novos espa- ços urbanos atingiram em muitos casos uma desqualificação e um grau de desarticulação que promovem o inverso de muito daquilo que a vida urbana deveria ter. Por exemplo, fará pouco sentido continuar a investir no centro antigo das nossas pequenas e médias cidades, com o intuito de preservar N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 111
  • 110.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza 112 ATLAS DE PORTUGAL IGP e recriar a noção da cidade antiga, onde a inovação está arre- dada de qualquer tipo de intervenção – o centro da cidade é meramente para ser visto e reconhecido como um museu a céu aberto, e simultaneamente desenvolver a grande e difusa periferia em torno da cidade antiga, onde é possível realizar quase tudo o que é proíbido no centro. Mas assim se vão organizando muitas das nossas cidades: um centro de cidade preservado, cuidado, mas morto em termos de residentes e actividades criadoras de riqueza e uma periferia que ainda essencialmente residencial já conta com novas centralidades geradoras de emprego, apoiadas essencialmente no transpor- te privado e num urbanismo produtor de paisagens urbanas desqualificadas. Os tradicionais conceitos, por exemplo, de centro e peri- ferias, património e modernidade, inovação e tradição, conti- nuam ainda a modelar a visão e a acção de todos nós que, consciente ou inconscientemente, fazemos a cidade. A cidade é feita por todos. Todos os dias, nas nossas mais pequenas decisões do quotidiano de utilização deste grande espaço, par- ticipamos nesse grande acto colectivo de ‘produzir’ cidade. Grandes edifícios, com 4 ou mais pavimentos, 2001 % 41 25 12 6 3 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:28 Página 112
  • 111.
    OS HOMENS EO MEIO Uma população que se urbaniza ATLAS DE PORTUGAL IGP 113 Edifícios por época de construção 1961/1980 1981/2001 Antes de 1945 1946/1960 % 100 80 60 40 20 10 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 113
  • 112.
    Edifícios com necessidadesde reparação, 2001 % 58 45 30 OS HOMENS E O MEIO Uma população que se urbaniza 114 ATLAS DE PORTUGAL IGP Edifícios construídos depois de 1990 Índice de envelhecimento dos edifícios, 2001 % 31 24 12 % Alto (150 a 370) Médio (50 a 150) Baixo (0 a 50) Alojamentos ocupados pelos proprietários, 2001 % 70 60 50 40 Média das cidades: 53,51% 53 387 10 000 523 A dimensão dos círculos é proporcional ao nº total de edifícios nas respectivas cidades 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 114
  • 113.
    População estrangeira residentenas cidades, 2001 % 16 8 4 2 Média das cidades: 2% OS HOMENS E O MEIO Uma população que se urbaniza ATLAS DE PORTUGAL IGP 115 Principal meio de transporte utilizado, 2001 Transporte público Automóvel particular A pé / motorizada / bicicleta Profissões de nível intermédio Profissões administrativas e similares Pessoal dos serviços e vendedores Agricultores e pescadores Operários, artífices e similares Trabalhadores não qualificados Nota: o grupo constituído por quadros superiores e dirigentes; profissões intelectuais e científicas; membros das forças armadas, não predomina em nenhuma cidade Na página 114, a dimensão dos círculos é proporcional ao número total de edifícios; nesta página, à população residente Profissão principal da população residente, 2001 565 000 270 000 50 000 1 336 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 115
  • 114.
    Entroncamento, 2002 Évora ea sua envolvente, 2002 São João da Talha, Loures, 2002 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:33 Página 116
  • 115.
    Évora, 2002 Quinta doConde, Sesimbra, 2002 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:34 Página 117
  • 116.
    118 ATLAS DEPORTUGAL IGP Coimbra, 2002 Guimarães, 2002 Viseu, 2002 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 118
  • 117.
  • 118.
    OS HOMENS EO MEIO 120 ATLAS DE PORTUGAL IGP Rui Pedro Julião COMUNICAÇÕES E MOBILIDADE DA POPULAÇÃO Os elevados ritmos de transformação são uma característica da sociedade moderna, onde os aspectos que têm permanecido como uma preocupação central são os da valorização da informação e do conhecimento; ao longo do desenvolvimento recente da sociedade um dos aspectos estruturantes tem sido o do aperfeiçoamento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC): é a era da Sociedade de Informação ou da Sociedade de Inovação e do Conhecimento. Esta caracteriza-se por uma estrutura de desenvolvimento social e económico onde os processos e tecnologias relativos à aquisição, armazenamento, tratamento, exploração, distribuição e disseminação de informação assumem um papel preponderante. Em paralelo registaram-se nas últimas décadas fortes investimentos no domínio das infra-estruturas que transfiguraram o território nacional. Redes de comunicação O impulso tecnológico dos últimos trinta anos, sobretudo sentido a partir da segunda metade da década de 90, com a crescente integração dos sectores da informática e das teleco- municações no dia-a-dia de todos nós, consolidou um novo modelo de organização e funcionamento da sociedade, com um enfoque primordial na informação e conhecimento, uti- lizando as Tecnologias para agir sobre a Informação e não o contrário com até aqui, construindo uma lógica de rede no funcionamento dos processos com a partilha de recursos, aumentando a flexibilidade das organizações e dos processos baseada no emprego dos recursos tecnológicos e na conecti- vidade e com uma crescente integração das tecnologias con- vergindo para um sistema de informação global e eficaz. Portugal tem efectuado um forte investimento no desen- volvimento das suas infra-estruturas de suporte à Sociedade de Informação. Neste aspecto tem sido um país inovador e tem prosseguido uma política de incentivo e suporte às iniciativas orientadas para a promoção e valorização do conhecimento. A importância estratégica que os sucessivos governos vêm conferindo a esta temática tem sido manifestada como prioridade nacional, apostando-se de forma clara na genera- lização do acesso aos meios de informação e de transmissão do conhecimento através de programas específicos de que é hoje exemplo o Programa Operacional para a Sociedade da Infor- mação (POSI). Esta orientação política surgiu, de forma mais evidente, a partir de 1996 com a Iniciativa Nacional para a Sociedade da Informação e a criação, pelo Conselho de Ministros, da Mis- são para a Sociedade da Informação (MSI). No ano seguinte a MSI lança o Livro Verde para a Sociedade da Informação, documento estratégico com as principais linhas de orientação e de inter- venção necessárias ao desenvolvimento da Sociedade de Informação e do Conhecimento em Portugal. A análise e o enquadramento das questões relativas à Socie- dade da Informação passaram, a partir dessa data, a figurar nos instrumentos chave de governação como as Grandes Opções do Plano e o Plano Nacional de Emprego, nos documentos de orien- tação produzidos por instâncias consultivas (como o Conselho Económico e Social e o Conselho Nacional de Educação) e nos instrumentos de concertação social (POSI, 2004). No Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (PNDES), elaborado em finais dos anos 90 para suporte à pro- gramação do III Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) é dedica- do um espaço de destaque ao desafio das economias baseadas no conhecimento e ao da sociedade de informação. Neste contexto, foram definidos como objectivos mobilizadores para promover o desenvolvimento da Sociedade de Informação em Portugal: — Desenvolver um Estado Aberto aos cidadãos e empresas; — Criar condições para o acesso de todos os cidadãos aos benefícios da Sociedade de Informação; — Facilitar o acesso ao conhecimento, ao saber, à ciência e à cultura; — Promover o desenvolvimento da economia digital. Sob a emblemática designação de Portugal Digital têm vindo a ser financiados uma série de projectos com base em iniciativas locais e regionais. Numa primeira fase, estas iniciativas condu- ziram às chamadas Cidades Digitais, mas hoje a tónica centra-se mais no conceito de Região Digital onde se exploram as siner- gias das várias entidades signatárias dos projectos. Estes 29 projectos representam uma cobertura quase inte- gral do território nacional; todos têm como objectivos 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 120
  • 119.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 121 OS HOMENS E O MEIO Comunicações e mobilidade da população comuns o acesso à informação digital, a melhoria dos serviços da administração pública e a criação de acessos a serviços e informação úteis ao cidadão. Estes projectos contribuem para a aproximação das insti- tuições públicas aos cidadãos através da modernização e agili- zação do funcionamento das estruturas administrativas aos mais variados níveis. Após algumas experiências pioneiras como a Montra Digi- tal de Aveiro ou o Cib@rcafé do Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, hoje são já 182 concelhos (cerca de 60% do total) a disponibilizar espaços Internet aos seus cidadãos. É o resultado de cerca de 200 projectos que proporcionam mais de 1 600 computadores com ligação à Internet em espaços que vão des- de os 3 até aos 35 postos de trabalho. A quase totalidade dos projectos desenvolve-se no Conti- nente; nos Açores, apenas no concelho de Nordeste, na Ilha de São Miguel, e na Ilha da Madeira, nos concelhos de Ponta do Sol e de Porto Moniz. Para além das infra-estruturas de acesso público, também se verificou nos últimos anos um considerável esforço no sentido de ampliar as potencialidades de acesso privado a conteúdos atra- vés de redes de grande capacidade, de tal forma que Portugal regista a segunda maior taxa de penetração neste mercado com 50%, logo a seguir à Alemanha (53%) e à Finlândia (50,9%). A ligação por cabo é uma das formas paradigmáticas para garan- tir esse acesso a baixo custo. Entre 2000 e 2002 a extensão das redes de cabo de fibra óptica duplicou a sua extensão, passando de um pouco mais de 5 000km para quase 11 000km, assumin- do-se hoje como um dos principais meios para acesso à Internet, embora a maioria dos clientes (95%) ainda utilize as ligações telefónicas normais para aceder à Internet. Apesar do valor se encontrar sobre-estimado com a existên- cia de clientes registados em mais do que um serviço de dial-up Iniciativas no âmbito do POSI, 2004 Candidaturas – Cidades/Regiões digitais Espaços Internet, 2004 Nº de terminais 50 35 15 10 A branco quando não existem valores Lezíria Vale do Ave Beira Baixa Litoral Alentejano Vale do Minho Oeste Digital Gaia Digital Lisboa Beja Vale do Lima Leiria Digital TMD Algarve Serra da Estrela Vale do Sousa Évora Médio Tejo Maia Viseu Digital ALO Digital Setúbal Braga Coimbra Entre Douro e Vouga Seixal Portalegre Digital Primus Aveiro Digital Porto Almada N 0 25 50 km N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 121
  • 120.
    OS HOMENS EO MEIO Comunicações e mobilidade da população 122 ATLAS DE PORTUGAL IGP (utilizando uma linha telefónica), verifica-se uma crescente per- da de importância para os serviços de acesso por cabo (utilizan- do a infra-estrutura de cabo de fibra óptica do sinal de televisão) e ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) que registaram um forte crescimento no dois últimos anos: multiplicando, respec- tivamente por 10 e 25, os clientes existentes em 2001. Outro indicador importante é o do número de alojamentos cablados, ou seja, equipados com infra-estruturas de conectivi- dade através de cabo de fibra óptica. Este valor tem crescido de forma exponencial, sobretudo nas regiões do litoral. Em termos do mercado associado ao sector das comunica- ções, subdivido em dois grandes segmentos – Serviços Postais e Telecomunicações – têm sido efectuados investimentos nos últimos anos que representam, respectivamente, um esforço na ordem dos 10% e 30% sobre as receitas neles geradas. Os reflexos das iniciativas referentes à promoção das tec- nologias de informação e comunicação manifestaram-se no aumento registado nos serviços de comunicação postal, voz e dados. Este facto está bem patente nos valores relativos às receitas deste sector que, nos últimos anos, têm tido um cres- cimento sustentado. Nalguns casos pode afirmar-se que o crescimento foi exponencial: nas comunicações móveis o número de assinan- tes registados do serviço móvel terrestre aumentou de 37 mil em 1992 para os 8,5 milhões em 2002. Portugal é um dos paí- ses europeus onde se regista elevada taxa de penetração neste sector só superada pelas do Luxemburgo, Itália, Finlândia e Suécia; em paralelo, o serviço de acesso telefónico tradicional (fixo) denuncia sinais de saturação na expansão da rede com um declínio de 1,2% entre 2001 e 2002. O serviço postal é um dos mais antigos, é mesmo o méto- do precursor de transmissão de informação. Hoje, com a con- corrência dos sistemas baseados nas modernas tecnologias de informação e comunicação, este serviço registou uma perda de importância em termos globais. A proliferação do correio electrónico e também a crescente utilização do SMS (Short Message Service) e mais recentemente do MMS (Multimedia Message Service), ambos com uma base instalada e taxas de penetração elevadíssimas, têm contribuído para a substituição do correio tradicional. Apesar da perda de importância registada na correspon- dência tradicional, as 308 Estações e Postos que constituem a actual rede de balcões dos Correios de Portugal (CTT), são pontos vitais para a vida das comunidades, proporcionando uma miríade de serviços úteis para além da recepção e expe- dição da correspondência. Este aspecto da oferta de múltiplos serviços é tanto mais importante quando se trata de comuni- dades mais isoladas e/ou envelhecidas. Num mundo em mudança, em que o progresso das tele- comunicações é tão galopante como importante, não se deve – nem se pode – menosprezar qualquer possibilidade de comunicar, a qual, sob variadíssimas formas é tão velha como a humanidade. Estabelecimentos postais por concelho, 2004 Alojamentos cablados, 2003 Nº 112 530 - 997 907 73 052 - 112 529 35 274 - 73 051 15 532 - 35 273 9 616 - 15 531 0 - 9 615 Nº 90 60 30 10 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 122
  • 121.
    OS HOMENS EO MEIO Comunicações e mobilidade da população ATLAS DE PORTUGAL IGP 123 Sistema de Transportes Apesar do forte desenvolvimento verificado nos sistemas de comunicação de informação, a necessidade de mobilidade das pessoas e bens não registou qualquer tipo de abranda- mento. Portugal, sobretudo desde o momento da adesão à CEE, actual União Europeia, apostou de forma forte e decisi- va no incremento e melhoria das infra-estruturas rodo-ferro- viárias, aeroportuárias e marítimas. Esta aposta teve reflexos profundos nos níveis de serviço, nos movimentos e na pró- pria organização do território e actividades económicas. Portugal tem uma posição geográfica periférica no contex- to europeu, mas central quanto ao Atlântico. Já no passado esta posição favoreceu o protagonismo nacional como ele- mento de charneira no sistema internacional e poderá vir a ser, novamente, uma base para a estruturação de uma estraté- gia de desenvolvimento nacional. Importa, assim, analisar a problemática associada ao sector dos transportes, de acordo com três perspectivas distintas, mas complementares: a mobilidade interna, a articulação no contexto europeu e integração no contexto global. A maior e mais importante infra-estrutura associada ao sis- tema de transportes é constituída pela rede rodoviária nacional que, só no Continente, atinge mais de 16 500km, distribuídos por 2 600km de Itinerários Principais (IP), 3 500km de Itine- rários Complementares (IC), 5 300km de Estradas Nacionais e 5 100km de Estradas Regionais; e a estes números ainda há que somar os das diferentes redes municipais. São já remotos os tempos em que os serviços pioneiros de transporte no Continente asseguravam, em meados do século XIX, uma deslocação Lisboa-Porto em 5 dias em que se conju- gava o transporte fluvial (Lisboa-Carregado) com o terrestre. Mais recentemente, sobretudo a partir da década de 80 e no contexto dos financiamentos oriundos da Comunidade Euro- peia, as modificações introduzidas na infra-estrutura rodoviária alteraram por completo o padrão de acessibilidades existente. Este processo continua o seu desenvolvimento e de acor- do com o Plano Rodoviário Nacional (PRN) ainda estão previs- tos vários troços para reforçar a estrutura de conectividade interna, as ligações terrestres à vizinha Espanha e a integração no sistema rodoviário europeu. Está planeada, no âmbito do PRN 2000, uma rede funda- mental (composta pela estrutura de 9 IP) e uma rede comple- mentar (com 37 IC), ambas com a maioria dos seus troços com o perfil de auto-estrada. Estas duas redes constituem os principais elementos estruturantes do sistema de mobilidade de pessoas e bens no Continente e encontram-se em grande parte já concretizadas e em alguns casos em fase de melhoria da capacidade dos seus troços. As recentes e profundas transformações da infra-estrutura rodoviária têm, para além dos reflexos sobre os serviços de transporte rodoviário, um primeiro impacte ao nível da rede- finição da acessibilidade potencial. Tráfego postal por concelho, 2004 Telefones por 100 habitantes, 2003 Nº 60 50 40 30 Unidades expedidas (103) 421 040 35 000 15 000 5 000 1 000 500 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 123
  • 122.
    Aveiro Beja Braga Bragança Caia Castelo Branco Coimbra Évora Faro Fátima Galegos Guarda Leiria Lisboa Portalegre Porto Quintanilha S. Gregório S.Leonardo Santarém Segura Setúbal Valença do Minho Viana do Castelo Vila Real V.Real Sto António Vila Verde de Ficalho Vila Verde da Raia Vilar Formoso Viseu -22 -11 -20 37 22 26 30 13 -2 2 20 21 -3 -4 -13 -8 78 69 3 -17 12 6 -34 41 32 -23 -54 -25 -28 -16 -3 31 1 -8 -32 20 7 -2 53 -5 25 49 -10 -27 -23 -11 -8 -20 -8 3 77 2 -4 -38 25 3 57 -7 -17 -5 52 22 -25 47 30 34 64 -9 20 -10 -1 4 2 62 53 13 -25 -4 -9 33 -27 -23 -35 -43 -47 -20 1 25 -12 26 -20 -39 3 66 -5 21 -10 -9 5 -14 64 65 -21 -31 -2 -24 -7 -26 32 14 17 -1 -47 -10 -11 0 24 -18 -10 -29 2 4 15 10 -21 2 -20 -3 -11 1 5 14 -14 1 13 38 17 4 3 -13 7 11 8 -1 0 -12 0 -11 73 10 -18 -27 -5 23 -48 2 -15 -7 -5 42 -33 -15 11 -34 3 12 10 34 5 -6 -6 -4 -5 -4 -2 -43 -13 -32 29 8 11 -4 -53 -16 8 -3 21 1 -16 -10 -2 -20 3 -12 4 -10 -26 -6 100 -3 -10 -83 -25 -13 111 62 -1 104 -32 131 33 13 25 26 -18 15 13 16 11 -4 48 40 -1 -10 27 26 11 11 19 13 17 13 0 -1 12 11 -19 2 -2 3 64 0 3 27 -7 43 80 22 -2 -1 19 0 4 4 19 -5 -24 -12 8 10 -18 4 -18 14 4 1 27 -7 -5 1 -16 66 3 -23 -32 -10 29 29 42 -8 13 -13 1 -18 19 23 -22 119 55 -9 -1 9 0 55 -3 27 51 -10 -25 -21 68 41 -5 -103 62 3 51 59 -20 6 -10 42 15 -11 -19 66 -8 -4 -43 61 -7 -7 54 39 47 44 -20 -16 5 18 -24 -11 -5 -11 -10 -5 -36 -5 -9 35 -25 -21 -33 -43 -17 -18 3 27 0 19 -18 -19 21 25 14 68 15 0 -28 -1 13 14 -22 11 -21 12 68 5 24 -3 -24 2 -10 66 57 1 -21 0 0 5 -5 29 4 0 -3 0 -1 12 11 -13 2 -2 3 -6 0 3 28 2 -25 -5 20 -2 0 15 0 4 24 8 -39 43 35 9 24 22 16 -28 -17 29 30 -22 6 -41 2 -2 21 23 13 -15 5 -21 69 23 -24 -37 -8 -103 -100 -75 -50 -25 0 Decréscimo no nº de Km OS HOMENS E O MEIO Comunicações e mobilidade da população 124 ATLAS DE PORTUGAL IGP Variação das distâncias entre localidades, 1975/2001 Distâncias entre localidades -103 -100 -75 -50 -25 sem alteração Decréscimo no número de km Aveiro Barrancos Beja Bemposta Braga Bragança Caia Castelo Branco Castro Marim Coimbra Évora Faro Fátima Galegos Guarda Leiria Lisboa Madalena Miranda do Douro Moimenta Monção Monfortinho Portalegre Portela do Homem Portelo Porto Quintanilha Rio de Onor S. Gregório S. Leonardo Santarém Segura Setúbal Valença do Minho Viana do Castelo Vila Nova de Cerveira Vila Real V.Real Sto António Vila Verde de Ficalho Vila Verde da Raia Vilar Formoso Viseu 112 269 164 665 468 508 183 727 530 570 660 598 71 202 97 168 748 676 213 347 242 36 147 727 655 192 326 221 59 15 163 743 671 208 342 237 464 423 463 449 297 204 518 388 362 330 461 463 466 316 460 398 385 186 226 214 113 363 322 362 346 396 258 413 284 258 184 324 160 547 506 546 524 232 67 593 394 434 658 404 513 512 50 106 64 214 794 722 259 393 288 355 578 450 371 551 304 288 309 145 714 652 122 251 245 42 357 580 452 373 553 308 262 313 147 716 654 124 253 247 244 242 162 501 249 355 353 115 76 119 102 637 575 169 236 131 241 44 42 353 576 448 369 549 304 288 309 143 712 650 120 249 243 242 112 248 246 166 604 360 459 461 115 99 120 144 740 668 135 339 234 435 407 332 411 409 489 169 161 155 192 438 422 443 332 305 243 399 225 242 168 472 382 368 386 384 526 337 227 29 343 475 459 480 329 473 411 398 201 241 492 455 132 360 132 365 362 36 624 372 479 481 19 77 43 180 760 688 222 359 254 300 410 435 208 76 269 80 78 335 604 476 397 577 284 270 283 127 740 678 95 234 270 133 418 371 397 298 98 254 72 96 398 566 456 358 591 349 335 348 188 702 640 183 174 234 407 289 71 493 456 112 349 130 354 351 102 558 370 480 471 75 74 81 165 761 630 211 355 255 438 607 550 448 296 230 398 549 317 553 551 482 193 80 283 47 431 390 436 407 330 239 477 426 330 146 308 383 420 318 238 172 298 392 187 396 394 350 262 78 225 179 301 260 300 262 462 336 329 257 158 258 316 331 211 249 330 162 188 310 221 203 225 223 364 357 247 149 382 313 297 318 169 493 431 236 43 79 193 177 248 461 402 440 460 173 22 440 412 324 416 414 494 190 166 160 213 443 427 448 362 326 264 429 230 272 157 238 26 126 328 393 430 328 218 152 308 402 197 406 404 360 342 58 205 159 311 270 310 407 442 316 474 275 317 393 353 519 413 281 708 728 766 707 499 331 687 738 584 742 740 741 258 347 486 248 690 674 695 686 63 212 753 556 596 226 178 126 293 198 131 553 502 540 560 273 105 540 512 369 516 514 594 64 120 260 96 543 527 548 460 200 138 531 330 370 258 473 85 226 156 75 206 242 311 348 258 257 221 232 320 121 324 322 290 322 138 244 239 241 194 240 190 522 396 257 185 86 518 197 60 438 323 490 458 326 753 699 737 752 470 302 737 709 629 713 711 785 229 392 457 293 735 734 740 656 7 149 723 527 566 401 188 204 430 149 104 93 169 227 421 302 340 522 70 99 402 312 299 316 314 554 268 158 57 274 405 407 410 260 404 342 327 130 170 216 291 338 94 226 269 95 305 289 216 556 514 552 556 285 74 536 524 404 528 526 588 111 184 272 181 539 447 539 472 294 232 539 342 386 500 288 685 296 488 714 378 388 197 368 498 280 79 57 295 358 383 223 20 217 25 23 327 552 424 345 525 278 262 283 119 688 626 106 225 219 211 488 354 689 184 492 639 260 392 262 250 380 69 274 263 84 424 387 48 235 64 239 237 118 556 312 411 413 67 51 72 96 692 620 141 291 186 235 126 497 285 682 339 485 711 430 385 194 450 508 302 39 178 319 355 380 283 150 241 154 152 351 549 439 342 555 302 305 302 143 685 623 210 157 217 563 502 566 172 282 119 336 78 149 256 204 371 276 179 570 580 618 570 532 183 550 590 447 594 592 602 110 198 339 144 553 520 552 536 122 61 605 408 448 101 604 531 607 154 323 189 365 107 245 285 218 412 305 238 599 621 659 599 393 197 579 631 476 635 633 631 57 227 380 203 582 549 581 579 192 50 646 449 489 406 403 301 129 282 388 252 568 77 325 523 153 290 163 143 273 197 318 313 197 321 285 177 306 74 310 308 229 363 205 308 306 180 147 179 163 572 463 234 192 87 Distâncias quilométricas tendo por base os melhores percursos É no tempo de deslocação em transporte individual que se regista o primeiro impacte, verificando-se que as distâncias- -tempo das viagem no interior do Continente se encontram substancialmente reduzidas em relação ao que se verificava anteriormente. Os serviços de transporte de pessoas e mercadorias, nas ligações terrestres através do sistema rodoviário, assumem um significado evidente no contexto das deslocações do Con- tinente. A faixa dos distritos litorais entre Lisboa e Porto, por ser uma das áreas mais povoadas do continente, concentra os principais fluxos de tráfego rodoviário. O significado dos transportes terrestres é também eviden- te na estruturação dos serviços de transporte rodoviário que cobrem todo o território continental com particular evidência para o eixo litoral em concorrência com o modo ferroviário. A actual rede do sistema ferroviário centra-se sobretudo no litoral com eixos de penetração para o interior com ligações a Espanha. Desde meados da década dos anos 90 os caminhos- -de-ferro transportam, por ano, cerca de 178 milhões de pas- sageiros e 9,3 milhões de toneladas de mercadorias, numa rede que tem uma extensão na ordem dos 3 000km. A grande alteração que se avizinha ao nível ferroviário e que tem criado fortes expectativas sobre o seu possível impacte, Variação das distâncias tendo por base os melhores percursos 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 124
  • 123.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 125 Plano Rodoviário Nacional, 2004 Rede de serviço expresso rodoviário, 2004 OS HOMENS E O MEIO Comunicações e mobilidade da população IP IP (estrada em construção) IP (estrada a lançar) IP (estrada em construção 2ª faixa) IP (estrada a lançar 2ª faixa) IC IC (estrada em construção) IC (estrada a lançar) IC (estrada a lançar 2ª faixa) EN EN (estrada a lançar) ER ER (estrada a lançar) EM EM (estrada a lançar) N 0 25 50 km N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 125
  • 124.
    OS HOMENS EO MEIO Comunicações e mobilidade da população 126 ATLAS DE PORTUGAL IGP designadamente sobre as ligações aéreas Lisboa-Porto, é a do início da exploração dos comboios de alta velocidade, cuja rede irá estruturar o sistema ferroviário nacional e sua respectiva liga- ção à Europa. O traçado desta rede, na sua versão actual, resul- ta do Acordo de Ligações Internacionais em Alta Velocidade e Rede Con- vencional, assinado no âmbito da XIX Cimeira Ibérica, Figueira da Foz (2003): liga o norte ao sul do Continente ao longo do lito- ral até Lisboa e, depois, pelo centro até Faro, passando por Évo- ra. Destacam-se as três ligações a Espanha que constituem uma oportunidade única para o reforço das plataformas logísticas da fachada atlântica, designadamente dos portos de Lisboa e Sines, através da articulação entre modos complementares de trans- porte de mercadorias pesadas. No Norte, a ligação à Galiza vem fortalecer os laços económicos já existentes. No Alentejo, Évo- ra será a principal beneficiária da ligação rápida Lisboa-Madrid. No Sul, a ligação a Sevilha, vem fortalecer as oportunidades do Algarve, quer como destino turístico, quer como porta de entra- da para a Andaluzia e Sul de Espanha. Distâncias-tempo a partir das sedes de concelho, 2004Acessibilidade potencial a Lisboa, Porto e Faro, 2004 Distância- -Tempo (minutos) 121-330 91-120 61-90 31-60 16-30 0-15 Minutos 61-130 31-60 21-30 11-20 6-10 0-5 Sede de concelho N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:35 Página 126
  • 125.
    Rede Ferroviária Nacional,2004 OS HOMENS E O MEIO Comunicações e mobilidade da população ATLAS DE PORTUGAL IGP 127 Serviço Alfa Pendular Serviço Intercidades Serviço Interregional Serviço Regional Estações Alfa Pendulares Estações Intercidades Estações Interregionais Estações Regionais N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:36 Página 127
  • 126.
    130 ATLAS DEPORTUGAL IGP ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS ACTIVIDADES DA TERRA A AGRICULTURA AGRICULTURA EM MODO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICO PECUÁRIA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PRODUTOS TRADICIONAIS A FLORESTA A CAÇA A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS EXTRACTÍVEIS RECURSOS VIVOS MARINHOS UM SECTOR ESTRATÉGICO O SECTOR DAS PESCAS ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL CRESCIMENTO ECONÓMICO OS SECTORES DE ACTIVIDADE E A DIFERENCIAÇÃO REGIONAL MERCADO EXTERNO E COMPETITIVIDADE A COESÃO SOCIAL O DESENVOLVIMENTO HUMANO TEMPO DE TURISMO O TURISMO BALNEAR NOVOS PRODUTOS UM SECTOR ESTRATÉGICO DE FUTURO POLÍTICAS DO TERRITÓRIO A ADMINISTRAÇÃO O PLANEAMENTO A QUALIFICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 871_05_Miolo_Pags81a130 06/02/01 17:46 Página 130
  • 127.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 131 O PAÍS SOCIOECONÓMICO 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 131
  • 128.
    132 ATLAS DEPORTUGAL IGP ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS AUGUSTO MATEUS A dificuldade da articulação entre as dinâmicas internas e internacionais traduz, aliás, uma característica secular, quase permanente, que molda, afinal, a própria trajectória de muito longo prazo da: — Economia de uma sociedade europeia que, se foi precoce (final do século XIV e século XV) na manifestação dos primeiros sinais de afirmação da burguesia como classe e do capitalismo como forma de organização económica, foi tardia (final do século XIX e meio do século XX) na plena afirmação das realidades industriais e urbanas que caracterizaram a plena afirmação de ambos; — Economia de um Estado europeu que, sendo dos primeiros a construir um império, beneficiando duradouramente do respectivo retorno económico, no plano interno, foi o último a descolonizar, sendo, talvez, o que revelou maiores dificuldades de adaptação na montagem de novas, equilibradas e significativas relações económicas com as antigas colónias, seja na América, na África ou na Ásia; — Economia de referência de empresários europeus que, tendo liderado, com os Descobrimentos, a formação da primeira configuração uma economia verdadeiramente mundial, e tendo tido a ‘sorte’ (ou o ‘azar’...) de encontrar sucessivos ciclos de comércio internacional proveitoso, foram conhecendo dificuldades crescentes, seja na diversificação de mercados, seja na diversificação e valorização dos produtos de exportação, com a progressiva internacionalização do comércio e do investimento, sobretudo quando ela, acentuando a sua profundidade, se passou a designar por globalização (os mares, onde os navios portugueses dominaram esmagadoramente, como se sabe, nos séculos XVI e XVII, com mais de dois terços dos efectivos, exprimem com dureza este processo uma vez que, nos nossos dias, bastante menos de 1% da frota comercial mundial tem origem portuguesa). A dificuldade da articulação entre as dinâmicas internas e internacionais, que se justifica por um vasto e complexo conjunto de factores e fenómenos históricos, sociais, culturais, religiosos e políticos, muito para além dos aspectos estritamente económicos, prende-se, também, com duas questões relevantes que importa referir. Em primeiro lugar, estas dificuldades apresentam um lado particularmente estimulante, na medida em que representam como que um ‘preço a pagar’ pelas sucessivas realizações em matéria de superação da pequena dimensão do território e da população que, em Portugal, suportam o Estado e estruturam a economia. Outras sociedades europeias de pequena dimensão, como é o caso da Bélgica e Holanda, na velha região da ‘Flandres’, terão encontrado uma solução diferente, e eventualmente melhor, para estas dificuldades enveredando de forma mais determinada e A evolução da economia portuguesa, tomada no ciclo longo que nos trouxe do rescaldo da segunda guerra mundial do século XX até aos primeiros anos do século XXI, corresponde, nas suas grandes linhas, a sucessivas manifestações de avanços e recuos, de sucessos e desaires, no desenvolvimento do processo de articulação entre as exigências competitivas da globalização das economias e dos mercados, em aceleração desde os choques do petróleo, e o ritmo e alcance das mudanças internas em termos de qualidade da organização empresarial, competência dos recursos humanos e eficácia e sustentabilidade dos modelos de governo e administração pública. 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 132
  • 129.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 133 qualificada para a plena especialização em funções de intermediação entre os grandes espaços económicos da economia mundial e percebendo as vantagens da ‘abertura’ sobre o ‘fecho’ das respectivas economias, mas muitas outras não se conseguiram aproximar da relevância alcançada pela sociedade portuguesa. O último grande investimento português em Macau (um moderno aeroporto sem qualquer ponto de contacto com a agenda portuguesa prática para o início do século XXI) constitui, seguramente, um bom exemplo da perda de coerência e do agravamento das limitações surgidas das contradições suscitadas pelas oscilações entre as opções por uma ‘lógica de império’, sem base dimensional, político-militar e técnico-económica, suficiente, ou por uma ‘lógica de intermediação’, sem suficiente cultura de risco, abertura e cosmopolitismo. Em segundo lugar, estas dificuldades apresentam um lado bem menos estimulante, na medida em que representam uma espécie de ‘deficiência’ associada a uma incapacidade crónica de ordenamento do território e de valorização da diversidade da geografia física e humana do país, produzindo uma minimização e fragmentação da base espacial da economia portuguesa e uma exagerada rivalidade regionalista alimentada pela difusão de referenciais demasiado comuns e imitativos, para os modelos de produção e de consumo, e por formas de centralismo que foram gerando progressivamente uma capital demasiado grande para o país e demasiado pequena para a Europa e para o Mundo. A resistência secular de uma organização administrativa do país sem correspondência com a evolução das realidades urbanas e empresariais, bem como a proliferação, mais recente, da criação de ‘cidades’ sem a dimensão de vilas ou de ‘áreas metropolitanas’, sem a dimensão de cidades médias, constitui uma boa expressão destas dificuldades associadas à gestão estratégica do território, onde o ‘grande’ (exigindo centralização e selectividade) e o ‘pequeno’ (exigindo descentralização e equidade) parecem, quase sempre, assustar os modelos estabelecidos de governação. As dificuldades de articulação entre as dinâmicas interna e externa encontram expressão, também, neste muito longo prazo, no claro predomínio de estratégias incompletas e unilaterais de crescimento económico, fossem elas introvertidas (‘viradas para dentro’) ou extrovertidas (‘puxadas de fora’), sobre algumas breves tentativas estratégicas, mais completas e equilibradas, polarizadas pela ideia de um desenvolvimento ‘a partir de dentro’, até porque esse foi, quase sempre, o sentido prevalecente dos mecanismos de suporte das principais forças económicas e políticas. A democratização (1974) e a plena integração da sociedade portuguesa no processo de construção europeia (1986) constituem, simultaneamente, as grandes rupturas e os grandes marcos na evolução da economia portuguesa nos últimos sessenta anos, tendo criado, à entrada do século XXI, um regime económico e social onde não é reconhecível quase nenhum dos traços do regime económico e social vigente, à saída da segunda guerra mundial do século XX, nomeadamente no que respeita às formas de regulação dos mercados, aos mecanismos de protecção social e à própria dimensão do sector público, muito mais relevante como empregador, muito menos relevante como produtor. A economia portuguesa encontra-se, assim, finalmente, plenamente inserida, nos nossos dias, nos exigentes desafios de uma complexa articulação entre o funcionamento conjunto do ‘mercado’ e da ‘democracia’, enquanto grandes mecanismos de coordenação em acção e onde quer a qualidade das estratégias de investimento e consumo, quer a qualidade das formas de regulação e regulamentação se tornaram ainda mais decisivas para o desenvolvimento económico e social e para a qualidade de vida das populações. O impulso da democratização... A democratização da sociedade portuguesa iniciou-se em 1974 que representou, igualmente, um momento explícito de viragem à escala mundial, não só em termos económicos, mas também com significativas transformações de origem política, militar, social e cultural. Os anos 70 foram, com efeito, marcados, no terreno económico, pela combinação e desenvolvimento de quatro rupturas que moldaram a transição de um crescimento económico rápido e regular, conhecido na fase pós-guerra, para um crescimento económico bem menos rápido e bem mais irregular, na fase actual. Essas rupturas envolvem, em linhas muito genéricas, os seguintes aspectos: — Uma ruptura energética que, para além dos efeitos dos vários ‘choques petrolíferos’, traduzidos em fortes oscilações dos preços relativos, conduziu a uma alteração substancial de normas de produção e de consumo criadas num 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 133
  • 130.
    134 ATLAS DEPORTUGAL IGP contexto, ultrapassado, de energia abundante e barata. — Uma ruptura monetária e financeira, traduzida na instabilidade estrutural do ‘sistema’ monetário internacional e no enorme dinamismo dos mercados financeiros, e que conduziu a uma muito difícil articulação entre a ‘economia real’ e a ‘economia financeira’ no quadro, mais geral, da afirmação de formas de ‘capitalismo patrimonial’ suportadas pela financiarização generalizada de activos; — Uma ruptura na natureza do crescimento industrial, traduzida no esgotamento das formas de organização do trabalho e de relação ecológica que estavam associadas ao modelo então prevalecente, que tem conduzido a alterações, relativamente radicais, no conteúdo em emprego do crescimento económico (muito menor, em termos quantitativos, muito mais exigente, em termos de qualificações); — Uma ruptura demográfica, traduzida em transformações profundas nos perfis de natalidade e mortalidade e nos modelos de organização familiar, dominadas pelo envelhecimento no ‘velho’ mundo e acentuação dos fluxos migratórios, com reflexos relevantes no dinamismo económico, moderando-o na Europa e no Japão, acentuando-o nos grandes países emergentes. O crescimento económico português, no ciclo longo em análise, produziu, neste quadro, um conjunto de transformações de grande alcance que são normalmente associadas, no referencial do emprego nos grandes sectores de actividade, à perda da posição dominante da agricultura, primeiro em favor da indústria, no final dos anos 60, depois em favor do comércio e serviços, no início dos anos 70, que, por sua vez, vieram a ultrapassar a indústria e construção no início dos anos 80. A economia portuguesa realizou, assim, em pouco mais de uma década, a passagem da ‘desruralização’ à ‘terciarização’, processo que na generalidade dos países europeus tinha requerido mais do que uma geração a exprimir-se plenamente. A análise das três décadas de crescimento económico que trouxeram a economia portuguesa da abertura comercial, nos anos 60, à concretização da plena adesão à União Europeia, nos anos 80, no plano da repartição sectorial dos recursos, do emprego e do valor acrescentado pelas grandes actividades económicas, revela uma alteração estrutural realmente profunda com repercussões muito relevantes na configuração global da sociedade portuguesa, nomeadamente em aspectos como a ocupação do território, a urbanização, a demografia, as estruturas familiares, os modelos culturais e de consumo e o grau e formas de abertura ao exterior. A evolução das grandes actividades económicas, intermédias ou finais, reflecte uma transformação estrutural igualmente significativa, cuja tendência pesada é representada, mais detalhadamente, por três movimentos bem definidos: — O reforço dos segmentos associados ao esforço directo e indirecto de exportação nas cadeias têxtil (‘puxado’ pela ascensão da confecção e do calçado) e metálica (‘puxado’ pela ascensão do material eléctrico e dos componentes para automóveis); — A estabilidade de longo prazo, embora com algumas oscilações mais ou menos significativas ao longo dos anos 70, dos segmentos associados ao esforço directo e indirecto de satisfação do consumo nas cadeias alimentar e metálica e de exportação na cadeia florestal; — O recuo mais ou menos acentuado dos segmentos associados ao esforço directo e indirecto de satisfação do consumo, na cadeia têxtil, e de equipamento duradouro nas cadeias metálica e de materiais de construção. ...e da plena integração europeia A plena integração da economia portuguesa no processo de construção europeia possibilitou, para além de favorecer a consolidação do processo de democratização da sociedade portuguesa, concretizar um significativo conjunto de transformações num ambiente caracterizado por um significativo crescimento económico e por uma razoável estabilidade macroeconómica. A economia portuguesa pode, assim, alcançar resultados positivos, quer nos seus esforços de convergência real, aproximando o seu nível médio de vida, medido em paridades de poder de compra, do nível médio de vida na União Europeia (UE-15), passando de cerca de 55%, no ano da adesão, para cerca de 70%, no ano de entrada em vigor da moeda única, no final dos anos 90, quer nos seus esforços de convergência nominal, reduzindo drasticamente as disparidades em matéria de inflação e taxas de juro, o que viria a permitir, em 1997, a entrada do país no grupo dos fundadores da moeda única europeia. Os esforços de convergência nominal e real coexistiram, no entanto, com alguns traços particulares de modelo de desenvolvimento, nomeadamente os que se traduziram num: — Crescimento económico muito mais ‘puxado’ pelo ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 134
  • 131.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 135 aumento conjuntural do emprego apoiado numa conservação da especialização produtiva em actividades dotadas de insuficiente qualificação e diferenciação, do que ‘empurrado’ pelo crescimento sustentado da produtividade ancorado numa mudança da especialização produtiva e dos modelos de negócio em direcção a actividades de maior produtividade e valor acrescentado; — Crescimento onde o ritmo de expansão do consumo público se revelou bem mais elevado do que o verificado no conjunto das economias da União Europeia, por ‘boas’ (recuperação de atrasos em matéria de infra-estruturas e protecção social, nomeadamente) e ‘más’ (ineficiência e ineficácia dos aparelhos de administração e gestão, insuficiente planeamento e controlo das despesas correntes, baixa produtividade, nomeadamente) razões; — Crescimento com uma significativa tendência de desequilíbrio externo evidenciada por um ritmo de crescimento das importações de bens e serviços que foi superando, fora dos períodos de recessão, quase sempre o das exportações e mantendo, desse modo, um défice comercial de natureza estrutural (a evolução o défice comercial nas relações com a Espanha ilustra bem esta tendência). O modelo de crescimento adoptado, não implicando uma forte progressão qualitativa nem uma significativa transformação da especialização de actividades, privilegiando investimentos centrados no capital físico, seja ao nível empresarial onde a renovação e modernização de equipamentos se sobrepôs, com clareza, aos investimentos imateriais, de organização ou de desenvolvimento do capital humano, seja ao nível das infra-estruturas, onde a lógica da respectiva construção se sobrepôs, também com clareza, à lógica da respectiva utilização eficiente, da prestação de serviços à logística, configurou-se, portanto, basicamente como um modelo extensivo, apoiado, muito mais, na criação de empregos num número limitado de actividades do que na obtenção de ganhos significativos em termos de produtividade (‘mais do mesmo’). A economia portuguesa manteve, nesse contexto, uma taxa de desemprego relativamente associada a subidas moderadas do salário médio real, desempenho obtido, em grande parte, pelo dinamismo da procura interna suportado pelo progressivo endividamento das famílias e do sector público. Com efeito, nos factores internos de dinamização da economia portuguesa contaram, em muito, quer a expansão do consumo de bens duradouros das famílias, ligado muito em particular à construção, habitação e imobiliário e induzido pela redução das taxas de juro, quer a expansão da despesa corrente do Estado claramente acima do que seria exigido por uma consolidação orçamental plenamente orientada para concretizar os ajustamentos competitivos e as reformas estruturais necessárias para enfrentar com sucesso os desafios colocados pela globalização e pela lógica de aprofundamento e alargamento da União Europeia. A progressiva perda de ‘fôlego’ da convergência real, sobretudo em termos de produtividade, revela bem que a economia portuguesa se foi aproximando de uma ‘encruzilhada estratégica’, isto é, de uma situação em que não só se esgotaram, em larga medida, quer o modelo de crescimento económico, quer os factores competitivos em acção nas duas últimas décadas, como se tornou claro que os efeitos de dinamização da procura interna não seriam sustentáveis no futuro, explicando, em boa parte, as dificuldades de crescimento na economia portuguesa, sentidas de forma expressiva a partir da entrada no século XXI. A degradação do ritmo, e da qualidade do crescimento económico, manifestou-se através do duro confronto com uma produtividade demasiado baixa e uma especialização produtiva demasiado vulnerável para os desafios da globalização e da união económica e monetária, numa Europa em alargamento a Leste, através do desequilíbrio estrutural nas contas públicas, que vai reduzindo a capacidade de manutenção e desenvolvimento das infra-estruturas e serviços colectivos de eficiência, coesão e competitividade. A união económica e monetária e o alargamento colocam novos desafios O problema enfrentado pela economia portuguesa foi, afinal, o da descoberta de que, num espaço europeu em alargamento e aprofundamento, o início do caminho era bem mais fácil do que a respectiva consolidação, ou, noutras palavras, parece bem mais fácil ser ‘bom aluno’ como ‘país da coesão’ do que como ‘país da moeda única’. A economia portuguesa encontra-se, na fase actual, numa fase crucial do seu processo de desenvolvimento e modernização marcada, no essencial, pela necessidade de desenvolver um vasto conjunto de ajustamentos estratégicos suscitados quer pelo novo regime económico resultante da 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 135
  • 132.
    136 ATLAS DEPORTUGAL IGP concretização da União Económica e Monetária, quer pelo alargamento da União Europeia a um vasto conjunto de países dotados, de um modo geral, de níveis de remuneração bastante mais baixos e de níveis de educação e qualificação da sua população activa bastante mais elevados do que os verificados em Portugal. As alterações verificadas na política económica portuguesa resultantes quer da perda dos instrumentos monetários e cambial, transferidos para a nova dimensão da política monetária e cambial da União Europeia, conduzida com independência pelo Banco Central Europeu e dominada por um mandato centrado na defesa da estabilidade dos preços, quer da redução da margem de manobra das políticas orçamental e fiscal, sujeitas a um regime de rigor e harmonização impostas por um Pacto de Estabilidade e Crescimento, exprimem com clareza a necessidade e o alcance desses ajustamentos no plano das políticas públicas. As alterações verificadas nas condições de localização do investimento internacional na Europa, onde os países da Europa do Sul, e em especial Portugal, se tornaram bem menos atractivos do que os países do alargamento, enquanto ‘nova fronteira’ de transição e crescimento económico interna à própria União Europeia, seja por razões de custos unitários da produção, seja por razões logísticas, exprimem, com igual clareza, a necessidade e o alcance desses ajustamentos no plano do funcionamento das actividades económicas, do mercado de trabalho e das estratégias empresariais. As debilidades competitivas da economia portuguesa, traduzidas, num nível de produtividade que se tem mantido, persistentemente, muito abaixo do atingido pelos nossos parceiros da União Europeia, mesmo daqueles que connosco partilham objectivos de convergência real, correspondem, no essencial, a uma certa ‘cristalização’ da nossa especialização internacional em actividades de transformação de baixo/médio valor acrescentado, inseridas em formatos de subcontratação e sem especial espessura ao nível das actividades de investigação, concepção e distribuição. A economia portuguesa tem vindo a assistir a uma progressiva deterioração da rendibilidade potencial do seu sector exportador, a partir do momento em que, terminado o ciclo de desvalorização do escudo que repunha, artificialmente, a competitividade-preço das exportações, não se assistiu a uma suficiente alteração estrutural dos factores competitivos em direcção à competitividade não-custo, da especialização internacional em direcção a actividades de maior valor acrescentado. Portugal apresenta um dos maiores desequilíbrios na relação entre evolução de preços e custos, penalizando significativamente a rendibilidade das actividades de bens e serviços transaccionáveis e gerando uma espécie de ‘desconexão’ entre a evolução dos preços e custos internos e dos preços e custos internacionais. A afirmação desta forma particular de dualismo económico e, nesse sentido, de degradação da coesão económica do País, traduzida em restrições cada vez mais duras para a operação das actividades de bens transaccionáveis, seja em termos de preços e margens reduzidos, seja em termos de ajustamentos mais fracos e lentos na melhoria do quadro de remuneração dos factores produtivos (rendibilidade das empresas e/ou remuneração do trabalho), enquanto as actividades de bens e serviços não transaccionáveis vão escapando a essas restrições com níveis de progressão de preços bem mais elevados, que tendem a atrasar os processos de reorganização e desenvolvimento tecnológico, necessários para gerar aumentos sustentados de produtividade, e a agravar, gerando uma inflação interna mais elevada, as dificuldades competitivas das actividades expostas à concorrência internacional. A pressão sobre o nível de coesão interna da economia portuguesa é especialmente relevante no quadro da formação de uma Europa alargada, que coloca, como vimos, novas questões e dificuldades, nomeadamente as que relevam da articulação entre uma necessidade de acelerar a mudança do padrão de especialização em direcção a actividades e modelos de negócio baseados em factores avançados e sofisticados, por um lado, e uma necessidade de ganhar dimensão e corrigir as desvantagens de uma localização relativamente periférica, em relação ao novo centro de gravidade desta Europa alargada, acelerando o esforço global de abertura e internacionalização da economia portuguesa. ECONOMIA PORTUGUESA: ARTICULAÇÃO DIFÍCIL ENTRE MUDANÇAS INTERNAS E AS EXIGÊNCIAS COMPETITIVAS 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 136
  • 133.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 137 Autarcia e Proteccionismo (antes de 1959) Protecção concorrencial interna e externa, salários e qualificações muito baixos; Permanência de uma relevância global do modelo colonial; Preponderância do pequeno mercado doméstico sujeito a uma forte regulação estatal suportada por múltiplos condicionamentos de tipo administrativo; Fraco dinamismo económico estrutural e muito baixa produtividade num contexto de ‘relações industriais’ congeladas pela organização corporativa; Modelo de consumo truncado, limitado pelo baixo nível de vida da população e polarizado pela despesa alimentar; Muito baixos níveis globais de escolaridade e persistência de níveis elevados de analfabetismo. Abertura Comercial (EFTA) e Emigração (1959/1973) Desarmamento pautal controlado e maior acesso aos mercados europeus ‘atlânticos’ e ‘nórdicos’ para certos produtos industriais; Formação de um sector exportador mais moderno apoiado em actividades de transformação de recursos naturais ou intensivas em mão-de-obra; Desenvolvimento de uma emigração massiva para o espaço central europeu (em especial, França e Alemanha) arrastando um maior crescimento salarial em segmentos de escassez ou qualificação mais elevada; Progressiva decomposição do modelo colonial e da gestão administrativa das barreiras à entrada nas actividades económicas; Crescimento significativo da população nos centros urbanos; Passos muito limitados nos mecanismos de protecção social do ‘Estado Providência’; Lenta melhoria dos níveis de escolaridade. Choques Petrolíferos, Descolonização e Democratização (1974/1985) Inflação elevada; Energia cara; Descolonização e perda de relevância do ‘comércio colonial’; Nacionalização dos principais grupos financeiros (bancos, seguros, indústria); Consagração das liberdades democráticas, direitos laborais alargados, melhoria significativa das condições de remuneração e redução do tempo de trabalho; Reorganização das associações empresariais e sindicais num quadro não corporativo; Desvalorização continuada do escudo no quadro da resposta a crises na balança de pagamentos (acordos com o FMI); Crescimento relevante do mercado doméstico pelo aumento conjugado da população (travagem abrupta da emigração e absorção dos retornados das ex-colónias) e do poder de compra; Alargamento da escolaridade no secundário; Maior presença nos mercados europeus e início da modernização do modelo de consumo pela expansão do nível de equipamento doméstico associado à urbanização concentrada. Plena Adesão às Comunidades Europeias no caminho do Mercado Interno Europeu (1986/1992) Início do acesso aos fundos estruturais europeus para desenvolver infra-estruturas e apoiar o investimento produtivo privado; Melhoria generalizada das condições básicas de vida e desenvolvimento rápido dos mecanismos de protecção social; Energia barata; Crescimento extrovertido e rápido, reflectindo a ascensão de novas actividades de exportação dinamizadas pelo investimento estrangeiro (automóvel, electrónica); Forte penetração das importações no mercado doméstico em resposta à modernização do modelo de consumo; Conjuntura de elevadas taxas de juro; Afirmação de desequilíbrios orçamentais e perda de eficiência fiscal; Passos na liberalização da ‘regulação estatal’ dos mercados com a eliminação dos controlos de preços e o início do processo de privatizações; Recessão e degradação financeira de muitas empresas no final do período. Convergência Real e Nominal no caminho da União Económica e Monetária Europeia (1993/1999) Intensificação do papel dos fundos estruturais no crescimento económico, com a consolidação do investimento público e dos incentivos ao investimento privado, através dos Quadros Comunitários de Apoio a Portugal; Ligeira revalorização do escudo e estabilização com a adesão ao mecanismo de taxas de câmbio do Sistema Monetário Europeu, no quadro da preparação da moeda única; Desinflação sustentada, com convergência para os valores médios europeus, e redução sensível das taxas de juro; Aceleração do processo de privatizações e redução do peso relativo da dívida pública; Aumento da escolaridade no ensino superior; Empresas, sectores e regiões com várias velocidades de modernização; Início da internacionalização ao nível do investimento directo no exterior; Abertura financeira e início do uso mais intensivo às tecnologias de informação e comunicação. Crise das Finanças Públicas e Dificuldades de Convergência numa Europa de Moeda Única e em Alargamento (depois de 2000) Progressiva dificuldade em lidar com as exigências do Pacto de Estabilidade e Crescimento (défice excessivo em 2001, défices elevados, só contidos com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004); Manutenção de taxas de juro baixas; Aumento generalizado do endividamento, das empresas, do sector financeiro e do Estado e, muito especialmente, das famílias; Perda de competitividade agravada pela valorização do euro e por uma inflação interna tendencialmente superior à inflação média na União Europeia; Progressiva transição da situação de ‘país da coesão’ para a de ‘país da moeda única’; Aceleração drástica das formas de integração económica entre Portugal e Espanha, que se torna no seu principal parceiro, sucedendo ao Reino Unido e ao eixo composto pela França e Alemanha; Os processos de deslocalização industrial acentuam a necessidade de melhorias muito significativas no padrão de especialização, na organização empresarial e nos níveis de produtividade, pressionadas pelo alargamento aos países da Europa Central com níveis de educação mais elevados e níveis de salários mais baixos. SEIS GRANDES PERÍODOS HISTÓRICOS NA EVOLUÇÃO MAIS RECENTE DA ECONOMIA PORTUGUESA 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 137
  • 134.
    Fernando Ribeiro Martins ACTIVIDADESDA TERRA Regiões agrícolas O PAÍS SOCIOECONÓMICO 138 ATLAS DE PORTUGAL IGP Embora as condições naturais do País (à excepção de algumas ilhas dos Açores) não sejam propícias para a agricultura, Portugal tem sido, até hoje, considerado como um país agrícola. A agricultura, porém, tem vindo a perder importância no conjunto da economia portuguesa, à semelhança do que se verifica em todos os países industrializados. O peso do sector no Produto Interno Bruto (PIB) desceu mais de 3% entre 1988 e 2001 e 2,8% entre 1999 e 2001, mas continua a ser mais elevado do que o registado na média da UE. O emprego na agricultura, que representava quase 22% do emprego total no primeiro período, caiu para menos de metade (10,2%) entre 1999 e 2001. Por outro lado, o valor acrescentado da agricultura é muito variável, sendo a produção total das mais irregulares de toda a UE, sendo o clima um dos grandes responsáveis. BEIRA LITORAL ENTRE DOURO E MINHO TRÁS-OS-MONTES BEIRA INTERIOR ALENTEJO ALGARVE OESTE AÇORES MADEIRA N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 138
  • 135.
    A agricultura Desde aadesão de Portugal à ex-CEE, a produção agrícola tem crescido menos do que a oferta alimentar. O resultado é um défice crescente do grau de auto-suficiência em produtos agrícolas. Em 2002 Portugal produziu apenas 1/4 dos cereais consumidos, cerca de 2/5 do trigo e do milho, 1/3 das oleagi- nosas e do vinho de mesa, 2/3 da batata, 4/5 dos frutos e meta- de do arroz, para referir apenas alguns exemplos. Houve no entanto excedentários em alguns produtos tais como vinhos de qualidade (mais do dobro do que os consumidos) e hortícolas, (cerca de vez e meia); havia défice nas carnes de bovino, suíno, caprino e ovino, cuja produção representou pouco mais de 3/5 Terra arável dentro das explorações, 1999 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 139 % 100 75 50 30 15 Sem terra arável Outras áreas: 1,2 Improdutivos: 1,7 Áreas sociais: 2,8 Incultos: 23,1 Agricultura: 33,5 Floresta: 37,7 % N 0 25 50 km Ocupação do solo, 1999 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 139
  • 136.
    1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 0 1 000 2 000 3000 4 000 5 000 6 000 7 000 70 72 74 76 78 80 82 84 Grau de auto-suficiência (%) Produção agrícola (milhões de ecus) 3 500 3 000 2 500 2 000 1 500 1 000 500 0 Intracomunitárias Extracomunitárias Intracomunitárias Extracomunitárias IMPORTAÇÕES EXPORTAÇÕES 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Valor acrescentado (1999) Emprego total (2001) MadeiraAçoresAlgarveAlentejoLisboaCentroNorte 14,1 33,1 5,2 11,1 14,6 12,7 15,8 2,8 4,1 2,0 10,5 4,3 8,4 1,9 (milhões de ecus) O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra 140 ATLAS DE PORTUGAL IGP Comércio agro-alimentar português: fluxos comerciais intra e extra comunitários, 1988/2002 Produção agrícola total e grau de auto-suficiência em produtos agrícolas, a preços correntes, 1988/2001 do consumo interno, embora o conjunto da produção animal ultrapasse ligeiramente as necessidades. A agricultura tem uma importância muito variável segundo as regiões. Em termos de emprego é especialmente importante na região Centro, mas é no Alentejo que o valor acrescentado é mais elevado. A antiga NUT Lisboa e Vale do Tejo era a região que apresentava a menor importância, embora aqui se concentrem os pomares e as vinhas mais produtivas de Portugal. A contribuição das regiões Norte e Centro para a produ- ção agrícola nacional tem vindo a diminuir, principalmente na região Norte (25,1% em 1995/96; 23,7% em 1990/00), embora a agricultura continue a ser muito importante na eco- nomia local destas regiões que apresentam padrões de espe- cialização muito semelhantes quanto à produção vegetal. Os produtos hortícolas, os frutos (incluindo as uvas) e o vinho representam os principais sectores da produção. O vinho é especialmente importante na região Norte, representando quase 1/5 da produção agrícola regional e mais de 2/5 da pro- dução total nacional. As duas regiões concentram a produção nacional de centeio e mais de metade da de azeite. Apesar da quebra registada na produção animal, o desenvolvimento no sector leiteiro tem sido responsável pelo incremento de plan- tas forrageiras que já representam mais de 6% da produção agrícola nas duas regiões. Na região Centro, destaca-se ainda o aumento da produção de aves embora a sua contribuição para a produção total nacional tenha vindo a diminuir. Na região do Alentejo, que apresenta o segundo PIB mais baixo do país (54,5% da média da UE em 2000), logo a seguir aos Açores, a agricultura representa uma parte importante da economia regional, quer como emprego, quer como valor acrescentado. Uma das suas características mais importantes é a diferente especialização, relativamente às outras regiões, o que, em certa medida, também está relacionado com a contri- buição da Política Agrícola Comum (PAC), quer através de instrumentos de apoio ao mercado, como aos preços (leite, açúcar e bovinos), quer por pagamentos directos (cereais, tabaco, oleaginosas, bovinos e ovinos). Ainda é no Alentejo Importância da agricultura a nível regional, em % que se produzem mais de 40% dos cereais do país, toda a pro- dução de trigo duro e cerca de 70% da de trigo mole assim como a totalidade da cevada, aveia e oleaginosas. A produção de tabaco em rama, açúcar, plantas forrageiras e azeite é igual- mente importante, representando entre 18% (tabaco) e 30% (açúcar) da produção nacional. Os hortícolas têm também algum peso, embora menor do que nas restantes regiões nacionais. Regista-se uma acentuada especialização no sector da carne, cuja importância aumentou ao longo da década de 90; aqui se criam mais de 1/4 dos bovinos e mais de metade dos ovinos. A agricultura na região do Algarve baseia-se principalmen- te na produção de frutos, nomeadamente de citrinos de que é o maior produtor (3/5 da produção nacional); e mercê das suas condições edafo-climáticas, a produção de frutos tropi- cais equivale já a cerca de 1/4 da produção nacional. A produ- ção de leite e de bovinos é igualmente importante a nível regional, mas insignificante no cômputo geral. As regiões da Madeira e dos Açores continuam muito dependentes da agricultura, principalmente os Açores, cujo sector leiteiro é particularmente importante tendo a produção anual quase duplicado nos últimos dez anos, representando actualmente, cerca de 1/4 da produção portuguesa (500 000 ton). Muitas terras aráveis foram convertidas em pastagem para o gado leiteiro, principalmente entre os anos 60 e 70 do século passado, originando importantes problemas, quer ambientais, quer de escoamento do excesso de carne de vaca, e a escassez de matéria-prima para a indústria açucareira local. As explorações agrícolas portuguesas evoluíram muito nos últimos dez anos. Em 2001, a superfície agrícola utilizada (SAU) ascendia a 3 838 000ha (42% do território nacional), dos quais 42% correspondiam a terras aráveis, 36% a áreas de pra- dos e pastagens permanentes, 20% a culturas permanentes. No conjunto, 85% da superfície agrícola localizava-se em áreas consideradas desfavorecidas, das quais 29% em áreas ‘mon- tanhosas’ o que constitui mais um obstáculo à intensificação da agricultura. 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 140
  • 137.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 141 SAU na superfície total das explorações, 1999 Distribuição dos usos do solo, por NUT II, 1999 Variação do número de tractores, 1989/1999 OutrasÁreas sociaisAgriculturaImprodutivosIncultosFloresta ContinenteAlgarveAlentejoLisboa e Vale do Tejo CentroNorte 0 20 40 60 80 100 % % 100 75 50 30 Sem SAU 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Entre Douro e Minho Trás-os-Montes Beira Litoral Beira Interior Região Oeste Alentejo Algarve Açores Madeira N 0 25 50 km O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:29 Página 141
  • 138.
    -80 -60 -40-20 0 20 Madeira Açores Algarve Alentejo Região Oeste Beira Interior Beira Litoral Trás-os-Montes Entre-Douro e Minho Continente Portugal -60 -40 -20 0 20 -60 -40 -20 0 20 40 60 Nº Expl. Sup. (ha) O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra Culturas permanentes na área de SAU, 1999 Distribuição do uso do solo agrícola em Portugal 1989 a 1999: uma década de evolução Cereais para grão Pomares de frutos frescos Pomares de citrinos % 100 80 50 30 10 Sem explorações 142 ATLAS DE PORTUGAL IGP Culturas permanentes Pastagens permanentes Terras aráveis 19991989 20,4% 36,9% 42,7% 19,6% 21,5% 58,9% 1979 24,5% 3,9% 71,6% Nota: os dados correspondentes ao ano 1979 referem-se apenas ao Continente. N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 142
  • 139.
    -40 0 4080 120 140 Madeira Açores Algarve Alentejo Região Oeste Beira Interior Beira Litoral Trás-os-Montes Entre-Douro e Minho Continente Portugal -40 -20 0 20 40 -60 -40 -20 0 20 -40 0 40 80 120 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra Fragmentação da propriedade, explorações com mais de 10 blocos, 1999 % 75 50 30 15 5 Sem explorações com este número de blocos ATLAS DE PORTUGAL IGP 143 Variação da SAU, 1989/1999 Prados e pastagens permanentes N 0 25 50 km Olival Pomares de frutos secosVinha 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 143
  • 140.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra Nesta última década, a área da SAU diminuiu 182 000ha (4,5%), dos quais 739ha referentes a terras aráveis (31,5%). Neste intervalo foram encerradas 34 600 explorações agríco- las (7,7%), afectando principalmente as de dimensão infe- rior a 5ha); contudo, a sua distribuição por área continua muito desequilibrada: 55% tem menos de 2ha e 79% menos de 5ha. Em contrapartida, as poucas explorações com 100ha ou mais concentram mais de metade (53%) da SAU total. As explorações agrícolas estão hoje muito melhor equipadas do que em finais da década de 80. Apenas em dez anos (1989/99), o número de tractores aumentou 27%, cifrando- se em 168 500 unidades, isto é, em média, está presente 1 em cada 3 explorações; ou seja, no mesmo período, passou de uma média de 3,3 tractores por cada 100ha de SAU para 4,4 o que revela uma significativa melhoria das condições de mecanização, mais ainda porque foi também acompan- hada por um ligeiro aumento de potência das máquinas agrícolas. Explorações agrícolas, Salvaterra de Magos, 1999 144 ATLAS DE PORTUGAL IGP 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:30 Página 144
  • 141.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 145 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra 2002200120001999199819971996199519941993 2 799 7 183 10 192 9 182 12 193 29 533 47 974 50 002 70 857 85 912 2002200120001999199819971996199519941993 73 234 349 240 278 560 750 763 983 1 059 No Recenseamento Geral da Agricultura (1999) era ainda reduzido o número de explorações que recorriam a práticas agrícolas em modo de produção biológico (0,2%), menos lesi- vas para o ambiente. Das 808 explorações recenseadas, a maior parte localizava-se no Alentejo (35%), Beira Interior (18%) e Trás-os-Montes (17%), sendo os arquipélagos dos Açores (3,7%) e da Madeira (1,5%) os menos representados. A orien- tação económica das explorações era muito variada e pouco especializada, predominando a policultura (19% dos casos), diversas culturas permanentes (15%), a olivicultura (11%) e a fruticultura (10%). 4 em cada 10 destas explorações tinham 50 ou mais hectares e apenas 2 em cada 10 menos de 5ha. Em Portugal, o número de agricultores e de área agrícola dedicada à Agricultura Biológica tem vindo a crescer de forma lenta mas gradual. A quebra verificada em 1996/97 deverá ter sido causada pela transição de ciclos de medidas de apoio, no quadro das medidas agro-ambientais; mas a retoma não tar- dou, correspondendo quer a uma moda, quer ao sentir da necessidade da melhoria na qualidade alimentar. Pecuária Também na criação de gado se verificam diferenças signi- ficativas, tanto na dimensão das explorações como na reparti- ção dos efectivos das principais espécies. A bovinicultura, por exemplo, apresenta uma maior expressão nas regiões do Alen- tejo, de Entre-Douro-e-Minho e dos Açores, que concen- tram, respectivamente, 28%, 23% e 17% do efectivo total. As explorações têm dimensões muito variáveis, desde as do Alen- tejo, do Ribatejo e Oeste e dos Açores com uma média de 80, 34 e 24 animais por exploração, até às explorações de dimen- são muito reduzida da Beira Litoral (6,4 animais) e sobretudo da Madeira (apenas 2,2). Entre os dois últimos recenseamen- tos (1989 e 1999) o número de explorações com bovinos Agricultura em Modo de Produção Biológico No âmbito da agricultura europeia tem vindo crescente- mente a impor-se o Modo de Produção Biológico de produtos vegetais e animais e a sua transformação em alimentos desti- nados a homens e animais. Este modo baseia-se na interacção dinâmica entre o solo, as plantas e os animais – incluindo o homem – conseguido pelo uso de técnicas diferenciadas das tradicionais. A agricultura biológica, como é vulgarmente designada, responde quer às exigências dos consumidores quer à preservação do meio ambiente e da biodiversidade, res- peitando o ‘saber fazer’ dos agricultores e utilizando técnicas e produtos compatíveis com uma agricultura economicamen- te viável e com a obtenção de produtos de qualidade. De forma muito geral, pode dizer-se que a prática da agri- cultura biológica obriga a que: — As explorações agrícolas tenham que passar por um período de conversão, de duração diversa, consoante as cir- cunstâncias; — A fertilidade e a actividade biológica dos solos devam ser mantidas ou melhoradas através de culturas apropriadas, sistemas de rotação adequados e incorporação nos solos de matérias orgânicas específicas; — A luta contra parasitas, doenças e infestantes, deva ser fei- ta através da escolha de espécies e variedades adequadas, de pro- gramas de rotação de culturas, de processos mecânicos de cultu- ra e de protecção dos inimigos naturais dos parasitas das plantas; — Os animais devam ser escolhidos de entre raças autócto- nes ou particularmente bem adaptadas às condições locais, devam dispor de uma área de movimentação livre e o seu número tem que estar em equilíbrio com a dimensão da explo- ração e as produções vegetais; a prevenção de doenças dos ani- mais baseia-se na selecção das raças ou estirpes de animais, na aplicação de práticas de produção animal adequadas às exigên- cias de cada espécie, na utilização de alimentos de boa qualida- de, juntamente com o exercício regular e o acesso à pastagem e no número de animais adequado, que evite a sobrepopulação. Evolução da área cultivada em modo de produção biológico, 1993/2002 Agricultores em modo de produção biológico, 1993/2002 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:44 Página 145
  • 142.
    Concelho de residênciados produtores/ transformadores em modo de produção biológico, 2004 Repartição da área cultivada em modo de produção biológico, 2002 Olival Vinha Culturas arvenses Fruticultura Produtos hortícolas Frutos secos Plantas aromáticas Produtores de pastagens Produtores de animais Transformadores de produtos biológicos O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra 146 ATLAS DE PORTUGAL IGP N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:44 Página 146
  • 143.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 147 Bovinos, 1999 Explorações com bovinos, 1999 Explorações com 50 e mais bovinos por exploração, 1999 Vacas leiteiras, 1999 Explorações com 50 e mais vacas leiteiras por exploração, 1999Explorações com vacas leiteiras, 1999 Nº 3 220 2 000 1 000 500 100 A branco quando não há explorações % 95 80 50 20 5 55 000 8 000 1 000 Os Concelhos de São João da Madeira, Porto, Lisboa e Mesão Frio não apresentam valores Nº 1 650 600 300 150 50 % 100 80 50 20 5 26 790 9 000 80 Os Concelhos de São João da Madeira, Porto, Lisboa e Mesão Frio não apresentam valores Nº 2 000 1 000 500 300 150 % 82 60 40 25 10 94 560 50 000 21 Os Concelhos de São João da Madeira, Porto e Lisboa não apresentam valores N 0 25 50 km Distribuição de efectivos de gado e de explorações Ovinos, 1999 Explorações com ovinos, 1999 Explorações com 50 e mais ovinos por exploração, 1999 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/15 11:13 Página 147
  • 144.
    Nº Expl. Sup. (ha) -80-60 -40 -20 0 20 40 60 Madeira Açores Algarve Alentejo Região Oeste Beira Interior Beira Litoral Trás-os-Montes Entre-Douro e Minho Continente Portugal -60 -40 -20 0 20 40 60-60 -40 -20 0 20 40 60 -60 -40 -20 0 20 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra 148 ATLAS DE PORTUGAL IGP Variação dos efectivos de gado, 1989/1999 Caprinos, 1999 Explorações com caprinos, 1999 Suínos, 1999 Explorações com suínos, 1999 Bovino Ovino Caprino Suíno Nº 1 650 1 000 600 300 100 Nº 3 750 2 000 1 000 500 250 % 75 50 30 15 5 % 414 300 100 50 20 14 800 4 000 10 Os Concelhos de São João da Madeira, Porto e Lisboa não apresentam valores 178 000 82 000 21 000 5 000 Os Concelhos de São João da Madeira, Porto e Lisboa não apresentam valores N 0 25 50 km Explorações com 50 e mais suínos por exploração, 1999 Explorações com 20 e mais caprinos por exploração, 1999 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 148
  • 145.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 149 decresceu em todas as regiões bem como o seu número, à excepção do Alentejo e dos Açores onde o número de animais aumentou. O gado leiteiro concentra-se em Entre-Douro-e-Minho, Beira Litoral e nos Açores (3/4 do efectivo total) sendo a pri- meira região agrária a principal região leiteira do Continente. É aqui que se encontram as explorações com a maior média de animais, embora mais de metade delas tenham apenas 1 ou 2 cabeças. A ovinicultura concentra-se maioritariamente no Alentejo, (50% do total de animais) em apenas 15% das explorações; estas reduziram-se quase de 30% entre 1989 e 1999, mas, tal como no caso dos bovinos, o efectivo praticamente manteve-se. Neste período, a dimensão média das explorações aumentou em consequência da redução das que tinham menos de 10 animais e do aumento das de maior dimensão. Os caprinos, apenas cerca de 1/5 dos ovinos, apresentam uma maior dispersão da sua repartição, sendo, contudo, mais numerosos na Beira Interior e no Alentejo, onde vivem, res- pectivamente, 20% e 22% do total. A dimensão média das explorações é bastante inferior à dos ovinos (cerca de 1/4), predominando claramente as explorações com menos de 10 cabeças. Os efectivos caprinos estão em franca diminuição em todas as regiões do país: entre 1989 e 1999, o número de explorações diminuiu 42% e os animais 25%. A criação de suínos ocorre por todo o país, estando presen- te em mais de 70% das explorações, ainda que a maior parte delas tenha apenas 1 ou 2 animais. Basta lembrarmo-nos da tradicional matança do porco que ocorre pelo menos uma vez por ano, e que tem constituído uma parte substancial do con- sumo de carne de um grande número de famílias portugue- sas. A região do Ribatejo e Oeste concentra 44% do efectivo, localizando-se aqui as maiores suiniculturas do país. Entre 1989 e 1999, o número de explorações com suínos decresceu 44%, embora o número total de animais se tivesse mantido; só no Alentejo e nas Regiões Autónomas se verificou uma expansão da suinicultura. Organização do trabalho No conjunto do território português, no ano 2000, na activi- dade agrícola empregavam-se 1 064 000 pessoas, menos 199 000 do que em 1993. A redução mais relevante registou-se ao nível da mão-de-obra familiar, enquanto a ‘não familiar’ se mante- ve praticamente estável (18% em 2000). Tal como noutros paí- ses mediterrâneos, o trabalho a tempo parcial é a situação mais frequente, estando nestas condições 83% dos empresários agrícolas. Uma percentagem significativa das explorações nacionais é dirigida por agricultores de idade já avançada; o mesmo se passa em relação à mão-de-obra agrícola, em que 65% dos tra- balhadores tinham mais de 55 anos de idade (2000), bem mais do que a média da UE-15 (antes do último alargamento). O nível de instrução dos dirigentes é muitíssimo baixo: segun- do o último recenseamento agrícola, de 1999, 34% não tinha qualquer habilitação escolar, 51% apenas o 1.º ciclo do ensino básico e menos de 6% tinha atingido o ensino secundário. Três em cada 5 explorações agrícolas recorrem a ajudas ou subsídios. As explorações das regiões agrárias do Alentejo (71%) e do Entre-Douro-e-Minho (68%) foram as que mais beneficiaram dos vários tipos de ajuda, enquanto as do Riba- tejo e Oeste (49%), do Algarve (47%) e dos arquipélagos da Madeira (48%) e dos Açores (39%), principalmente as deste último, foram as que manifestaram menor adesão. Explorações que recorreram a ajudas e subsídios, 1999 Nível de instrução dos dirigentes das explorações, 1999 Média anual da população empregada no sector primário, 1974 a 2002 Repartição dos efectivos animais, 1999 Espécies N.º explorações N.º cabeças Bovino 102 500 1 415 200 Suíno 132 600 2 418 400 Ovino 71 200 2 929 800 Caprino 55 000 537 200 0 300 600 900 1200 Milhares 02009896949290888684828078761974 Politéc./Sup.Secundário3º Ciclo2º Ciclo1º CicloNenhum 0 20 40 60 80 100 Portugal Madeira Açores Algarve Alentejo Oeste Beira Interior Beira Litoral Trás-os-Montes Entre-Douro-Minho 0 20 40 60 80 100 Entre-Douro-Minho Trás-os-Montes Beira Litoral Beira Interior Oeste Alentejo Algarve Açores Madeira Portugal NãoSim 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 149
  • 146.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 150 ATLAS DE PORTUGAL IGP O subsídio ao gasóleo é o mais solicitado, sendo atribuído a 1 em cada 4 explorações, seguido dos apoios às culturas arvenses (18%) e ao azeite (17%); as medidas agro-alimenta- res (12%) e as indemnizações compensatórias (11%) são outras categorias de subsídios com alguma importância. À medida que aumenta a dimensão das explorações – quer física quer económica –, aumenta também, em termos de importância relativa, a percentagem de explorações que recorre a ajudas. Enquanto nas explorações com menos de 1ha de SAU, apenas uma em cada três explorações recorre a ajudas comuni- tárias, praticamente todas nas explorações com mais de 100ha beneficiam de ajudas. Dos quase 250 000 produtores agrícolas que recorreram a ajudas ou subsídios, 63% tem 55 ou mais anos de idade e ape- nas 4% menos de 35 anos; porém, os que se incluem neste último grupo representam cerca de 90% dos agricultores nes- sa faixa etária. Em 1999, as actividades lucrativas não agrícolas – mas rela- cionadas com a agricultura e os seus próprios recursos –, tais como a transformação de produtos alimentares e de madeira, a aquacultura, a produção de energias renováveis, o aluguer de equipamentos, o turismo rural ou o artesanato, estavam pre- sentes em quase 33 900 explorações (8%); quase sempre (92%) cada exploração pratica apenas uma destas actividades. Mais de metade (56%) das explorações tem actividades lucrativas não agrícolas, das quais 85% se localizam na região de Entre-Douro-e-Minho, enquanto nas restantes regiões, apenas têm alguma expressão na Beira Litoral (15%) e no Ribatejo e Oeste (10%). A transformação de produtos agrícolas alimentares é fre- quente (88% da actividade lucrativa não agrícola), embora os produtos certificados correspondam apenas a pouco mais de um terço (36%). O aluguer de equipamentos tem ainda algu- ma representatividade (6%), mas as restantes actividades são pouco frequentes: transformação de madeira (2%), turismo rural e artesanato (1%). Importância da actividade não agrícola, por região, 1999 Produtos tradicionais Ao longo dos tempos, um considerável número de produtos nacionais foi conquistando uma significativa reputação, mercê da sua reconhecida qualidade, genuinidade e ‘tradicionalidade’ no modo de produção ou de fabrico, associadas a uma determinada origem geográfica. Produtos hortícolas, frutas frescas e secas, frutos secos, azeitonas, azeites, queijos, vinhos e mel, carnes e enchidos, são exemplos de ‘produtos tradicionais’ reconhecidos, aquém e além fronteiras, que muito têm contribuído para o desenvolvimento e valorização do mundo rural, em particular das áreas geográficas que lhe estão associadas. Num tempo em que os mercados são abastecidos com produtos de proveniências cada vez mais longínquas e de modo quase uniforme ao longo de todo o ano, a tipicidade, a qualidade e o carácter distintivo dos produtos tradicionais reconhecidos e certificados são cada vez mais procurados por consumidores exigentes que, para os obter, se predispõem a pagar, normalmente, preços mais elevados. Mas, as vantagens da produção e comercialização destes bens está muito para além das características dos produtos em si mesmos: respeito do património genético e da biodiversidade dos ecossistemas, preservação e melhoria das condições ambientais, aproveitamento dos recursos existentes, criação de emprego, melhoria das condições para a fixação de população em áreas economicamente menos favorecidas... EDM TM BL BI RO AL ALG AÇ MAD 30 25 20 15 10 5 0 % 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 150
  • 147.
    Frutos frescos ehortícolas Outros frutos Batata de Trás-os-Montes Maçã da Beira Alta Maçã Bravo de Esmolfe Maçã da Cova da Beira Pêssego da Cova da Beira Cereja da Cova da Beira Pêra rocha do Oeste Maçã de Alcobaça Cereja de São Julião – Portalegre Maçã de Portalegre Ameixa d’Elvas Citrinos do Algarve Ananás de São Miguel Maracujá de São Miguel Anona da Madeira Castanha da Terra Fria Castanha da Padrela Azeitona de conserva Negrinha de Freixo Amêndoa do Douro Castanha dos Soutos da Lapa Castanha de Marvão – Portalegre Azeitonas para conserva de Elvas e Campo Maior O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 151 AzeiteVinhos 1. Vinho Verde 2. Chaves 3. Valpaços 4. Planalto Mirandês 5. Porto-Douro 6. Tábua-Varosa 7. Lafões 8. Beira Interior 9. Dão 10. Bairrada 11. Encostas de Aire 12. Ribatejo 13. Alcobaça 14. Alentejo 15. Óbidos 16. Lourinhã 17. Torres Vedras 18. Alenquer 19. Arruda 20. Bucelas 21. Colares 22. Palmela 23. Carcavelos 24. Setúbal 25. Lagos 26. Portimão 27. Lagoa 28. Tavira 29. Graciosa 30. Biscoitos 31. Pico 32. Madeira Trás-os-Montes Beira Alta Beira Baixa Ribatejo Norte alentejano Alentejo Interior Moura Áreas geográficas dos principais produtos de qualidade certificados N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:45 Página 151
  • 148.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra Carne de bovino Carne de ovino Cordeiro do Barroso Cordeiro Bragançano Borrego Terrincho Borrego da Beira Borrego da Serra da Estrela Borrego do Nordeste Alentejano Borrego de Montemor-o-Novo Borrego do Baixo Alentejo Carne de Porco Alentejano Cabrito das Terras Altas Cabrito do Barroso Cabrito Transmontano Cabrito da Gralheira Cabrito da Beira Carne de suíno Carne Barrosã Carne Cachena da Peneda Carne de B. Cruzado dos Lameiros do Barroso Carne Mirandesa Carne Maronesa Carne Arouquesa Carne Marinhoa Vitela de Lafões Carne Alentejana Carne Mertolenga Carne da Charneca Carne dos Açores Carne de caprino 152 ATLAS DE PORTUGAL IGP Áreas geográficas dos principais produtos de qualidade certificados 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 152
  • 149.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra Presunto de Barroso Fumeiro de Barroso, Montalegre Salpicão e Chouriça de Carne de Vinhais Enchidos de Portalegre Enchidos de Estremoz e Borba Linguiça do Baixo Alentejo Paio de Beja Presunto de Barrancos Cabra Transmontano Terrincho Serra da Estrela Requeijão da Serra da Estrela Amarelo da Beira Baixa Rabaçal Picante da Beira Baixa Nisa Mestiço de Tolosa Évora Azeitão Serpa São Jorge Pico Queijo e outros produtos à base de leite Produtos de salsicharia Mel Terras Altas do Minho Barroso Parque de Montesinho Terra Quente Serra da Lousã Ribatejo Norte – Alto Nabão Ribatejo Norte Ribatejo Norte Albufeira do Castelo de Bode Ribatejo Norte – Serra D’Aire Ribatejo Norte – Bairro Alentejo Serra de Monchique Açores ATLAS DE PORTUGAL IGP 153 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 153
  • 150.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 154 ATLAS DE PORTUGAL IGP A floresta A floresta actual é o resultado de um longo processo evo- lutivo, marcado por influências edáficas e climáticas, e pela acção modeladora/destruidora do Homem. Daí que a reparti- ção actual das espécies já pouco tenha a ver com a de há alguns séculos. O alastrar da floresta portuguesa é relativamente recente e a proliferação das duas espécies dominantes, o pinheiro bravo (Pinus pinaster) e o eucalipto (Eucaliptus globulus), que cobrem actualmente mais de metade do território continental (31% e 21%, respectivamente), ocorreu essencialmente durante o sécu- lo XX. O pinheiro, principalmente a partir dos anos 40, primei- ro, aquando da reflorestação de inúmeros baldios serranos, e, depois, por substituição de áreas agrícolas abandonadas ou pou- co produtivas, nomeadamente olivais. A grande expansão do eucalipto é ainda mais recente (anos 70 em diante) e está associada à implantação das indústrias de celulose e papel que, por um lado a realizaram e, por outro, a fomentaram em terrenos particulares. A procura de matéria- -prima e os lucros que o rápido desenvolvimento desta espécie proporciona foram as causas da sua grande expansão e, simulta- neamente, da polémica que lhe tem estado associada do ponto de vista de ordenamento florestal, quer pela degradação dos solos e elevada exigência de água, quer pelos inconvenientes da monocultura e da perigosidade face à ocorrência de incêndios. Apesar da relativa exiguidade do território nacional, a diversidade e a coexistência de espécies oriundas de áreas muito diversas do globo, são duas das principais característi- cas da floresta portuguesa. Os regimes térmico e pluviométri- co, e sobretudo o seu desencontro, ao longo do ano, principal característica do território continental devido à sua posição em latitude, são os principais responsáveis pela distribuição das principais espécies vegetais. Definem-se, assim, duas áreas principais: uma a Norte, onde se encontram espécies de folha caduca típicas da Europa oceânica, que aqui encontram o seu limite mais meridional; outra, de cariz significativamente mediterrâneo a Sul do Continente, onde predominam espé- cies de folha persistente e com adaptações xerófitas, vários cistus e plantas aromáticas, são apenas alguns exemplos. Sempre que outros factores climáticos, como a altitude, a exposição ao sol e aos regimes de vento dominantes ou a proximidade a linhas de água, se fazem sentir com maior ou menor intensi- dade, assim as várias espécies de cariz mais atlântico ou mais mediterrâneo vão encontrando condições limitantes ou favo- ráveis ao seu desenvolvimento. A floresta é um dos elementos fundamentais para o equilí- brio dos ecossistemas (flora e fauna), e, simultaneamente, uma importante e variada fonte de riqueza para a economia nacional. A produção lenhosa extraída anualmente eleva-se a cerca de 11,5 milhões de m3, dos quais as duas principais espécies madei- reiras, o pinheiro-bravo e o eucalipto, contribuem, respectiva- mente, com 6,2 milhões de m3 e 4,5 milhões de m3. Entre os produtos não lenhosos com maior valor económi- co destacam-se a resina e a cortiça, principalmente esta última, uma vez que a produção média anual de resina decaiu de cerca de 100 000ton/ano para menos de 40 000ton/ano, nas duas últi- mas décadas, em consequência da entrada no mercado mundial de resinas sintéticas e das provenientes de países com baixos custos de produção. Com uma produção de cortiça (amadia e virgem) de cerca de 160 000ton/ano, Portugal é o primeiro pro- dutor mundial, realizando um volume médio de negócios, cer- ca de quatro vezes e meio superior ao dos produtos lenhosos e mais do dobro do obtido no conjunto dos produtos florestais. A produção de mel e frutos silvestres, castanha e de pinhão, característicos da floresta mediterrânea, merece algum desta- que, pois representa cerca de 9% das receitas anuais obtidas da floresta. Segundo os últimos dados disponíveis (1999), a floresta e as actividades correlacionadas representaram mais de 100 mil milhões de Euros, ou seja, 3,2% do VAB nacional e 3% do emprego em Portugal, garantindo 140 000 postos de trabalho permanente. A floresta tem vindo a ser procurada e valorizada, cada vez mais, como espaço de excelência para o recreio e lazer, onde se procura ar puro e tranquilidade para além da agradabilidade do espaço em si mesmo, de que os carvalhais do Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Nordeste Transmontano e os bosques do Buçaco e da Serra de Sintra são apenas alguns exemplos. O desen- volvimento turístico equilibrado e sustentado da floresta tem sido, aliás, uma das apostas de muitas áreas rurais que, valorizando os recursos endógenos, têm proporcionado mais e melhores condi- ções de utilização da floresta, promovendo actividades culturais e desportivas que têm tido uma procura crescente. A valorização crescente dos espaços florestais, associada à preservação do ambiente e a uma gestão correcta e eficiente, tem sido responsável por um número crescente de iniciativas, entre as quais se destacam a Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96, de 17 de Agosto), o Plano de Desenvolvimento Sustentável da Floresta Portuguesa (1999) e o Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (1999). Mas muitas outras se poderiam enumerar, nomeadamente as rela- cionadas com questões ambientais (Reserva Ecológica Nacional, Rede Nacional de Áreas Protegidas, Natura 2000) e de Ordena- mento (por exemplo, as previstas no III Quadro Comunitário de Apoio que incluem, entre outros, aspectos relacionados com a diversidade biológica, a resistência ao fogo das espécies florestais e a valorização da função paisagística). A nível internacional, Portugal tem colaborado em diversas iniciativas, tanto para as Nações Unidas (co-organizando duas reuniões sobre Reabilitação dos ecossistemas florestais degradados e O papel das florestas plantadas na Gestão Florestal Sustentada), como no âmbito da Comissão Europeia das Florestas (em 1998, reali- zou-se em Lisboa a Conferência Ministerial para a Protecção das 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 154
  • 151.
    Carta ecológica O PAÍSSOCIOECONÓMICO Actividades da terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 155 Zonas Ecológicas Basal Atlântica Basal Mediterrâneo-Atlântica Basal Atlante Mediterrânea Submontana Subatlântica Montana Subatlântica Montana e Submontana Ibérica Altimontana Basal Submediterrânea Basal Sub-Iberomediterrânea Iberomediterrânea Mediterrânea Aluviões Calcários Dunas Eólicas Termo-subatlântica N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 155
  • 152.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 156 ATLAS DE PORTUGAL IGP DeinfluênciaatlânticaDeinfluênciamediterrânea Espécies florestais indicadas para cada região de arborização AlfarrobeiraCeratoniasiliqua AmieiroAlnusglutinosa AzinheiraQuercusrotundifolia BétulaBetulaceltiberica CarvalhoalvarinhoQuercusrobur CarvalhocerquinhoQuercusfaginea CarvalhoamericanoQuercusrubra CarvalhonegralQuercuspyrenaica CastanheiroCastaneasativa CasuarinaCasuarinaequisetifolia CerejeirabravaPrunusavium CedrodoAtlasCedrusatlantica CiprestesCupressusspp. CipresteCupressussempervirens CiprestedoBuçacoCupressuslusitanica CiprestedeMontereyCupressusmacrocarpa ChoupobrancoPopulusalba ChouponegroPopulusnigra Chouposhíbridos EucaliptocomumEucalyptusglobulus FreixocomumFraxinusangustifolia JuníperosouzimbrosJuniperusspp. MioporosMyoporumspp. PinheirosPinusspp. PinheirobravoPinuspinaster PinheiroinsignePinusradiata PinheirolarícioPinusnigra PinheiromansoPinuspinea PinheirosilvestrePinussylvestris PinheirodeAlepoPinushalepensis RobíniaRobiniapseudoacacia SalgueirosSalixspp. SamoucoMyricafaya SobreiroQuercussuber Basal Atlântica Basal Mediterrâneo-Atlântica Basal Atlante Mediterrânea Submontana Subatlântica Montana Subatlântica Montana e submontana Ibérica Altimontana Aluviões Dunas Calcários Basal Mediterrânea Basal Submediterrânea Basal Sub-Iberomediterrânea Iberomediterrânea Mediterrânea Aluviões Dunas Eólicas Florestas na Europa). O conhecimento global da floresta portu- guesa e da sua importância económica é relativamente recente. O primeiro inventário florestal nacional realizou-se há apenas quatro décadas (anos de 1965 e 1966), a partir do qual foi possí- vel avaliar, com algum rigor, a extensão das áreas florestais e os acréscimos de povoamentos das principais espécies existentes (pinheiro bravo e eucaliptos); tendo ocorrido já três revisões des- se inventário (1980, 89 e 99), a última permitiu, pela primeira vez, obter uma cobertura integral da ocupação do solo de Portu- gal continental. Os últimos dados disponíveis indicam que 38% da área do continente é de uso florestal (cerca de 3 500 000ha), dos quais 61% correspondem a povoamentos de espécies folho- sas, 26% de espécies resinosas e os restantes 13% a povoamen- tos mistos de folhosas e resinosas. A floresta da Região Autónoma da Madeira, pouco mais de 36 100ha, reparte-se quase equitativamente por floresta natu- ral, Laurissilva, e por floresta exótica, como já foi referido. A floresta introduzida é composta essencialmente por pinhei- ro bravo (46%), eucalipto (12%), castanheiro (6%), acácia (2%), e por inúmeras espécies folhosas e resinosas, entre as quais, a nogueira, o carvalho, a criptoméria; em Porto Santo, a floresta é constituída quase exclusivamente por pinheiro de Alepo (600ha). Nas nove ilhas do arquipélago dos Açores a floresta ocupa cerca de 30% do território e pode agrupar-se em dois grandes grupos: a floresta de protecção e a floresta de produção. Na floresta de protecção, dominam as faias, laurifólias, ilex, zim- bral e ericais que ocupam ainda longas áreas em todas as ilhas; na floresta de produção, os povoamentos de criptoméria (Cryptomeria japonica), acácia (Acacia melanoxylon), pinheiro bra- vo (Pinus pinaster) e eucalipto (Eucaliptus globulus), predomi- nam na Ilha de São Miguel. 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 156
  • 153.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 157 Distribuição das espécies florestais, 1999 Tipos de floresta considerados relevantes para a demarcação de núcleos críticos a incêndios Pinheiro bravo Pinheiro manso Outras resinosas Eucalipto O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 157
  • 154.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 158 ATLAS DE PORTUGAL IGP Distribuição da floresta nas ilhas da Madeira e do Porto Santo, 2000 Floresta natural Floresta exótica 1. Agrupamento de várias espécies pertencentes ao grupo das folhosas, que inclui: acácia, alfarrobeira, bétula, choupo, faia, freixo, medronheiro, salgueiro, ulmeiro e folhosas diversas. 2. Agrupamento de várias espécies pertencentes ao grupo das resinosas, que inclui: pinheiro silvestre, pinheiro de alepo, pseudotsuga, cipreste, cedro, outros pinheiros e resinosas diversas. Distribuição dos tipos de povoamento florestal, 1999 %0 20 40 60 80 100 Outras resinosasPinheiro mansoPinheiro bravoOutras folhosasEucaliptoAzinheiraSobreiroCarvalhoCastanheiro Norte Centro Lisboa e Vale Tejo Alentejo Algarve Continente 1 2 N 0 5 10 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:46 Página 158
  • 155.
    Floresta, área derisco As características climáticas do período estival, marcadas por verões quentes e secos – tanto mais acentuados quanto mais vincadas são as características mediterrâneas no território nacional – têm proporcionado condições susceptíveis da ocorrência de incêndios, um dos maiores flagelos da floresta portuguesa. Contudo, estas não derivam apenas dos atributos climáticos desfavoráveis. Também o decréscimo da população rural, o abandono de terras agrícolas, a redução do consumo de combustíveis e de fertilizantes vegetais, a diminuição dos efectivos de gado e do seu pastoreio, o desaparecimento de actividades tradicionais (como a resinagem) e as alterações de uso do coberto vegetal nas últimas décadas, onde se inclui a expansão da monocultura de eucalipto, figuram também como importantes causas do agravamento da ocorrência de fogos. Durante o período 1983/2004 os incêndios dizimaram mais de 2,7 milhões de hectares. Só em 2003, ano de maior calamidade e que afectou com particular incidência as regiões do Centro interior e da Serra Algarvia, arderam 425 700ha (mais do que havia ardido nos primeiros quatro anos da década anterior). Os primeiros cinco anos deste século foram particularmente graves (à média de 190 200 ha/ano), tendo já ardido mais de 1/10 da área total do Continente (951 100ha). Imagens de satélite tornaram possível avaliar os danos registados na década anterior, de acordo com a ocupação do solo. As espécies florestais mais sacrificadas foram o pinheiro bravo (quase 161 400ha) seguido pela floresta mista (principalmente pinhal bravo e eucaliptal), quase 70 300ha, pelo eucaliptal, com cerca de 53 400ha, e pelas espécies folhosas, 36 100ha. Comparativamente, as extensas áreas de montado de sobro e azinho foram pouco afectadas pelo fogo, tendo ardido, durante toda a última década, um pouco menos de 8 900ha. Arderam ainda mais de 102 800ha de áreas agrícolas, das quais quase 54 900ha com culturas anuais e quase 12 100ha de olival. A restante área ardida (quase 500 000ha) estava revestida de vegetação herbácea e arbustiva esparsa. A utilização de meios técnicos adequados (a detecção remota por satélite é das mais importantes) tem permitido acompanhar de perto o flagelo dos fogos florestais, não só na contabilização das áreas ardidas como na análise da regeneração da vegetação nas áreas afectadas pelo fogo, revelando-se um precioso instrumento para delinear estratégias de prevenção e actuação futuras. 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:47 Página 159
  • 156.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 160 ATLAS DE PORTUGAL IGP Carta de risco de incêndio, 2000 As áreas de risco mais elevado correspondem às de maior densidade de floresta e mato ha 33 000 20 000 10 000 5 000 1 000 Áreas ardidas por concelho, 1995 a 2002 Risco de incêndio Muito alto Alto Médio Baixo Muito baixo Núcleos críticos % 60 30 15 10 N 0 25 50 km N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:47 Página 160
  • 157.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 161 Áreas ardidas, 1990 a 2003 Ano 2003 2002 2001 2000 1999 1998 1997 1996 1995 1994 1993 1992 1991 1990 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 161
  • 158.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 162 ATLAS DE PORTUGAL IGP A caça A caça, actividade milenar de sobrevivência, há muito se tornou uma actividade lúdica apesar da grande importância económica que tem em determinadas regiões, particularmen- te nas mais rurais e interiores do país. Simultaneamente, a crescente preocupação pela preservação ambiental dos ecos- sistemas em geral, e das várias espécies florísticas e faunísticas em particular, incluindo as espécies cinegéticas, tem permiti- do encarar esta actividade de modo muito diferente, do de há apenas três ou quatro décadas, quando um bom caçador era avaliado pelo número de peças abatidas... Actualmente, mais de 240 000 caçadores exercem actividade em Portugal, dos quais cerca de 30% são membros de clubes ou associações que administram zonas de caça ordenada, áreas em que a legislação prevê normas para assegurar a sobrevivência das espécies e a sua exploração racional. Nas áreas do denominado terreno livre, o quadro legislativo em vigor e os diplomas que, anualmente, definem o calendário venatório e as várias espécies autorizadas, procuram assegurar também a preservação das espécies, limitando, quer os períodos em que é permitido caçar, quer o número de espécies abatidas diariamente. Paralelamente, foram criadas várias reservas, algumas das quais integradas em Parques e Reservas Naturais, onde o exercício da caça é interdito ou condicionado por forma a proteger determinadas espécies; são exemplos as migratórias e algumas de maior porte, como o corço e o veado. O Estado Português subscreveu directivas comunitárias e convenções internacionais, nomeadamente a Directiva Aves e a Conven- ção de Berna, que obrigam à criação de condições eficazes de conservação dos recursos faunísticos, principalmente das espécies mais ameaçadas. A denominada Lei da Caça, publica- da em 1999, transpõe já esse espírito ao acentuar a necessida- de dos “...recursos estarem sujeitos a gestão que garanta a sua sustentabilidade, no respeito pelos princípios de conservação da natureza e em harmonia com as outras formas de explora- ção da terra...”. Um vasto conjunto de outras actividades estão directa- mente relacionadas com a caça, como por exemplo a indústria de munições, do vestuário, do calçado e do turismo e a sua importância, tanto lúdica como económica, tenderá a aumen- tar com a melhor gestão dos recursos cinegéticos. Ocupação do solo (ha) (1986/90) 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Total Áreas urbanas 188 624 282 515 105 417 152 618 174 66 548 151 3 028 Culturas anuais 1 886 520 3 954 9 625 2 108 1 970 6 576 4 397 7 157 1 065 14 359 3 647 54 858 Vinha 250 368 163 668 69 53 377 529 214 111 722 338 3 244 Pomar 81 248 80 464 107 39 325 213 181 17 456 180 2 062 Olival 360 500 1 081 4 415 544 366 933 1 074 914 101 1 555 1 109 12 092 Áreas agrícolas heterogéneas 1 021 025 2 716 12 444 1 456 805 993 3 762 1 003 334 5 049 2 026 30 588 Territórios agro-florestais 682 728 963 4282 886 520 833 1 691 1 492 210 3 792 1 024 15 693 Sobreiro 413 802 369 3029 388 99 775 758 434 76 502 1 186 7 616 Azinheira 89 406 8 194 29 13 172 249 90 4 244 234 1 237 Eucalipto 407 636 3 356 17 882 3 983 2 228 743 15 110 1 460 1 433 4 817 2 353 53 365 Outras folhosas 438 159 3 160 7 483 1 159 785 2 528 7 657 3 517 652 6 099 3 069 36 109 Pinheiro bravo 721 239 10 542 50 660 8 250 12 474 4 547 27 648 10 843 2 819 23 709 9 893 161 385 Pinheiro manso 2 356 9 39 9 60 9 20 2 2 47 38 235 Outras resinosas 77 729 751 1 066 194 720 388 546 1 462 254 1 275 344 7 000 Floresta mista 537 890 4 897 16 785 4 005 2 523 3 902 11 910 5 012 1 759 15 407 4 076 70 276 Veg. Arbustiva e herbácea 1 312 323 39 586 53 709 10 368 17 557 45 275 50 441 42 677 8 948 65 241 23 231 357 003 Áreas com pouca vegetação 320 812 56 686 11 789 2 120 5 377 11 077 13 049 12 665 2 823 20 111 6 675 142 372 Outras 105 344 192 1 118 122 46 100 112 65 27 236 170 2 188 Áreas ardidas anteriormente 1 938 3 491 2 745 7 335 20 015 25 122 7 547 85 479 23 619 177 291 Total 8 897 709 128 795 198 105 39 393 48 797 87 040 159 769 114 484 28 248 249 648 83 363 1 137 642 Áreas ardidas por tipo de ocupação do solo e por ano, 1993/1999 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 162
  • 159.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 163 Caça maior Javali Sus scrofa Gamo Cervus dama Veado Cervus elaphus Corço Capreolus capreolus Muflão Ovis ammon Caça menor Mamíferos Lebre Lepus capensis Coelho bravo Oryctolagus caniculus Raposa Vulpes vulpes Saca-rabo Herpestes ichneumon Caça menor Aves/Patos Pato real Anas platyrhynchos Frisada Anas strepera Marrequinha Anas crecca Pato trombeteiro Anas clypeata Marreco Anas querquedula Arrábio Anas acuta Piadeira Anas penelope Negrinha Aythya fuligula Zarro comum Aythya ferina Outras aves Perdiz comum Alectoris rufa Faisão Phasianus colchicus Codorniz Coturnix coturnix Galinha d'água Gallinula chloropus Galeirão Fulica atra Tarambola dourada Pluvialis apricaria *Abibe Vanellus vanellus Galinhola Scolopax rusticola Narceja galega Lymnocryptes minimus Narceja comum Gallinago gallinago Pombo da rocha Columba livia Pombo bravo Columba oenas Pombo torcaz Columba palumbus Rola Streptopelia turtur *Melro Turdus merula Tordo zornal Turdus pilaris Tordo comum Turdus philomelos Tordo ruivo Turdus iliacus Tordeia Turdus viscivorus *Gaio Garrulus glandarius *Pega Pica pica *Gralha preta Corvus corone Estorninho malhado Sturnus vulgaris Períodos em que o exercício da caça ou a utilização de determinados processos de caça está limitado a locais e condições fixados por edital. Nos termos do artigo 101.º, n.os 1, 2, alínea a) e 3, e do artigo 102.º, n.os 1 e 2, do Decreto-Lei n.º 227-B/2000, de 15 de Setembro, com a redacção que lhe foi conferida pelo Decreto-Lei n.º 388/2001, de 26 de Dezembro. Os processos de batida e de montaria só são permitidos neste período. Nos terrenos ordenados, de acordo com o plano anual de exploração aprovado. Nos terrenos não ordenados: – a caça ao javali só pode ser autorizada nos locais e condições estabelecidos por edital da respectiva Direcção Regional de Agricultura; – a caça ao veado, gamo, corço e muflão, só pode ser exercida nos casos e nas condições autorizados pelo Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. Processos de caça permitidos nos terrenos não ordenados: B – caça de batida Ce – cetraria Co – caça a corricão (só à raposa) E – caça à espera S – caça de salto * Limite diário para o conjunto das espécies. ** Os limites diários de abate são por espécie e não se aplicam quando os processos de caça uti- lizados são os de batida ou a corricão. *** Os limites diários de abate, nos terrenos ordenados, obedecem aos respectivos planos anu- ais de exploração. Nota: Todos os anos é publicada uma Portaria que define as espécies cinegéticas que podem ser objecto de caça e os períodos e os processos de caça para cada grupo de espécies. *Nos últimos anos não se têm podido caçar. Espécies cinegéticas Calendário venatório 2004/2005 Caça menor / espécies migradoras ou parcialmente migradoras Rola comum 22 26 15 Patos, Galeirão comum 22 E Ce E Ce 15 *10 Galinha d’água 22 E Ce E Ce 16 10 Pombo Bravo 22 E Ce E Ce 20 10 Pombo torcaz, Pombo da rocha 22 E Ce E Ce 20 *50 Codorniz 5 28 10 Narcejas 3 13 10 Tarambola dourada 3 E 23 5 Galinhola 3 20 3 Tordos, Estorninho malhado 31 E Ce 20 *50 Caça menor / espécies sedentárias Perdiz vermelha 3 ***3 Faisão 3 ***10 19 terreno ordenado *** Coelho bravo 3 terreno não ordenado 26 10 19 terreno ordenado *** Lebre 3 terreno não ordenado 26 1 Raposa, Saca-rabo SE B Co 27 **3 Caça maior Javali *** Veado, Gamo, Corço, Muflão *** Espécies Meses/dias Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Limite diário de abate 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 163
  • 160.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra A exploração dos recursos extractíveis A exploração dos recursos mineralógicos num qualquer território, pressupondo a sua existência, depende da tecnolo- gia disponível, das facilidades de transporte, das possibilidades financeiras e da visão desenvolvimentista prevalecente no momento. O seu carácter não renovável, o impacte ecológico provocado pela sua extracção, a concorrência de outros locais com jazidas mais ricas e/ou de maior facilidade de operação, a instabilidade das cotações nos mercados internacionais, são factores de peso no aparecimento de obstáculos temporais à exploração destas riquezas. O recenseamento de recursos mineralógicos em Portugal revela uma grande dispersão, quanto à sua existência e variedade. A extracção de minérios metálicos vem de longínquos tempos; sabe-se, por exemplo, que os romanos exploraram, entre outras, algumas jazidas de ouro; mas actualmente o seu significado não é relevante. A actividade nas jazidas de mine- rais energéticos é muito antiga; mas o carvão que se extraía esteve sempre longe de ser, pela quantidade e qualidade, com- petitivo com outras jazidas, mesmo europeias. A produção máxima, em pouco ultrapassando as 600 000t/ano ocorreu em 1959, acompanhando um surto industrial que então se verifi- cava e, embora as reservas tenham sido avaliadas em mais de 80 milhões de toneladas, pelos anos 90 do século passado já laborava uma só mina (Pejão), com uma produção da ordem das 200 000t/ano, actualmente encerrada. Portugal, com reservas de urânio relativamente importantes, em particular no centro interior, e destaque para as áreas de Viseu e Portalegre, foi um dos primeiros países a explorá-lo, logo após a sua descoberta nas jazidas da Urgeiriça, em 1907, embora o fizesse para extracção de rádio e o urânio fosse rejei- tado como ganga. Só com o advento da II Guerra Mundial se dá valor a este recurso, matéria-prima para a energia nuclear, actualmente produzida por fissão dos seus átomos; a sua explo- ração, a princípio descontrolada, passou a ser, a partir de 1962, dirigida pelo Estado. Entretanto a exploração na Urgeiriça ter- minou, em sequência do encerramento da empresa em finais de 1993. Os minerais ferrosos, indispensáveis para diversas indús- trias metalúrgicas e metalomecânicas, apresentam reservas consideráveis, nomeadamente em Moncorvo, Marvão, Cercal do Alentejo e na área de Cuba-Vidigueira; mas, mais uma vez, a qualidade pouco satisfatória torna a sua exploração de pou- co interesse. Dos minerais não ferrosos mais importantes, como cobre, tungsténio, estanho e até ouro, só a exploração de pirites no Sul do País, para indústrias químicas, resistiu até aos nossos dias mas, mesmo assim, até a mina de Neves Corvo, uma das principais, já foi fechada. Restam como actividades extractivas de sucesso, a explora- ção de rochas industriais e ornamentais principalmente liga- das à construção civil – granitos, xistos, calcários – que ganha- ram fama no estrangeiro e contribuem para melhorar o valor das exportações. O Alentejo é o maior produtor de rochas ornamentais, principalmente mármores e granitos. As águas minerais têm boas potencialidades de desenvol- vimento, dada a riqueza e variedade de recursos, utilizadas nas estâncias termais e na alimentação, evidenciando-se o Norte e o Centro do Continente onde se registam perto de três quartos dos recursos hidrominerais. Apesar de uma base diversificada, a exploração de recursos mineralógicos tem um interesse económico limitado, o mes- mo acontecendo em relação ao valor estratégico, aqui, à excepção do urânio. A última década A produção global da indústria extractiva na última déca- da do século XX cresceu 30% em termos de riqueza gerada, passando de pouco mais de 480 milhões de Euros em 1991, para mais de 620 milhões de Euros em 2001, período esse em que a produtividade aumentou (de 34 000 para 54 700 Euros/trabalhador), em grande parte à custa da diminuição do número de trabalhadores (emprego directo) de 14 150 para cerca de 11 400. — As alterações mais negativas ocorreram no subsector dos minerais energéticos pelo abandono da produção de car- vão (1994) e pela diminuição drástica da produção de urânio, entretanto terminada; — relativamente aos minérios metálicos, pelo arranque da produção de concentrados de cobre e zinco na mina de Aljus- trel em 1991 (interrompida em 1993 por razões técnicas e evolução desfavorável da cotação dos metais), e pela paragem da produção de ouro da mina de Jales em 1992; — pela produção de concentrados de cobre e de estanho provenientes da mina de Neves-Corvo, que em 1991 atingiu a produção máxima destes concentrados (158 mil toneladas de cobre e 5 300 toneladas de estanho), mas, de então para cá, a produção tem vindo a decair em consequência da diminui- ção do teor dos minérios extraídos, principalmente de estan- ho, cujas reservas praticamente se esgotaram; — depois de um período de actividade de mais de quaren- ta anos, a produção de ferro-manganés proveniente da mina do Cercal (distrito de Setúbal) terminou em consequência do desmantelamento do alto forno siderúrgico do Seixal, única unidade consumidora deste minério; — a produção de concentrados de tungsténio, provenien- te da mina da Panasqueira tem-se mantido, embora muito irregular (1 029 toneladas em 1997 e 435 toneladas em 1999) apesar das dificuldades de escoamento da produção, o que levou ao encerramento temporário em 1994 ao qual se seguiu a mudança de proprietário. Prevê-se o arranque da produção de concentrados de zin- co com cerca de 50 000t/ano. 164 ATLAS DE PORTUGAL IGP 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 164
  • 161.
    Ocorrências geomineiras O PAÍSO PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividades da terra ATLAS DE PORTUGAL IGP 165 Minerais Metálicos e Energéticos Estanho e tungsténio Carvão Cobre, chumbo e zinco Ferro e manganês Ouro Urânio Minerais e rochas industriais e ornamentais Areia comum Areia especial Argila Caulino Calcário industrial Calcário ornamental Diatomito Granito e rochas similares Mármore Quartzo e feldspato Sal-gema Xisto N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 165
  • 162.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra 166 ATLAS DE PORTUGAL IGP Substâncias exploradas Áreas de produção e principais minas Destino da produção NORTE Talco Distrito de Bragança, Vinhais: Minas de Sete Fontes, Indústria cerâmica e também como fundente e como Salselas e Vale da Porca carga nas indústrias de papel, tintas e fertilizantes Caulino Distritos de Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo: Minas da Vista Alegre, Indústria cerâmica Quinta da Antónia, Quelha das Borralhas, Valverde e Alvarães Feldspato Distritos de Vila Real, Porto, Guarda, Viana do Castelo e Braga: Indústria cerâmica Minas de Seixigal, Seixoso e Bajoca Minas de pequena dimensão CENTRO Minério de volfrâmio Distrito de Castelo Branco: Mina da Panasqueira A mina da Panasqueira produz também minérios de cobre e estanho Urânio Distrito de Viseu: Minas da Urgeiriça, Bica, Castelejo, Cunha Baixa, Quinta do Bispo e Pinhal do Souto. Desde 1991 este minério foi perdendo importância e deixou de se extrair; actualmente volta a ser explorado Mistos de Estanho Distrito de Coimbra: Em várias minas de pequena dimensão e inertes Caulino Distrito de Coimbra: Mina do Chão. Única mina em exploração Indústria cerâmica Sal-gema Distrito de Leiria, Pombal: Mina do Carriço Indústria química, agro-alimentar e de rações Quartzo e feldspato Distritos da Guarda e Viseu: Minas de Real, Gralheira, Srª da Assunção e Vila Seca. Minas de pequena dimensão Pegmatito com lítio Distrito da Guarda: Minas de Alvarrões, Gonçalo Sul e Casanho Indústria cerâmica LISBOA Sal-gema Distrito de Lisboa, Torres Vedras: Mina de Matacães. Abriram-se cavidades Indústria química. É pouco significativo o consumo no campo diapírico para armazenamento subterrâneo de gás para fins alimentares e outros Diatomito Distrito de Leiria, Óbidos: Mina da Quinta do Jardim Caulino Distritos de Leiria e Santarém: Minas de Mosteiros e Casal dos Braçais Indústria cerâmica Iniciaram actividade em, respectivamente, 1991 e 1994 ALENTEJO Cobre e estanho Distrito de Beja, Castro Verde: Mina de Neves Corvo Exportação Iniciou actividade em 1988 Ferro-manganês Distrito de Setúbal: Mina do Cercal Minério consumido pela Siderurgia Nacional que Já encerrada. Explorava-se também, esporadicamente, a barite, como subproduto o utilizava como fonte de manganês, no alto forno Quartzo Distritos de Portalegre e Évora: Minas de Fronteira e Pedras Pintas Indústria cerâmica, de pavimentos e de revestimentos e também exportação Feldspato Distritos de Portalegre e Évora: Minas de Fronteira e Pedras Pintas Indústria cerâmica, de pavimentos e de revestimentos Até 1995 estiveram em actividade no distrito de Évora mais 4 minas, e exportação mas sem actividade regular ALGARVE Sal-gema Distrito de Faro, Loulé: Mina de Campina de Cima Indústria química Única mina actualmente em exploração Principais substâncias exploradas nas minas do Continente 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:57 Página 166
  • 163.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Actividadesda terra Quanto ao subsector dos minerais não metálicos, e de acordo com o Instituto Geológico e Mineiro (actual INETI), o que mais se destaca é o “...desenvolvimento (...) de rochas ornamentais (...mármores, granitos [e ardósia, registando-se, no conjunto, a duplicação do seu volume), a consolidação da produção das] matérias-primas cerâmicas (caulino, feldspato, argilas especiais e argilas comuns), e, em resposta às necessi- dades de criação de infra-estruturas e renovação do parque habitacional, a produção de areias, britas e calcário para a indústria cimenteira...”. Novas tendências da indústria extractiva O conceito de indústria extractiva tem vindo a evoluir rapidamente, em consequência da alteração dos paradigmas (de ‘abastecimento’ para ‘sustentabilidade’ – com particular destaque para as questões ambientais), e da abrangência a novos domínios de actividade económica. Na denominada ‘nova’ indústria extractiva incluem-se, entre outras, as activi- dades de extracção de águas minerais e de nascente, a geoter- mia (de alta e baixa temperatura), a mineração inversa e a exploração de areias e cascalho do fundo do mar. O domínio da extracção de águas minerais e de nascente é já de algum destaque, não só por ser um sector avançado tec- nologicamente, empregar mais de 1 500 trabalhadores no ano de 2000 e ter um volume de negócios significativo (179 milhões de euros), mas também pelo crescimento que registou na última década, mais que duplicando o volume de negócios. A geotermia atinge já alguma expressão nas ilhas açorianas, contribuindo com 40% da energia eléctrica produzida em São Miguel, por exemplo. No Continente destacam-se já alguns usos de geotermia de baixa temperatura ligados a surtos em S. Pedro do Sul, Chaves, Vizela e no Hospital da Força Aérea (Lisboa). Estudos efectuados em vários pontos da costa portuguesa revelam boas perspectivas de exploração de minerais marinhos, actividade importante em vários países europeus como a Holanda e o Reino Unido. No domínio da mineração inversa, entendida como “o retor- no a condições estáveis de substâncias tóxicas ou ecologicamen- te perigosas em depósito no subsolo”, estão previstos projectos de recuperação de áreas mineiras degradadas, que apostam tam- bém no desenvolvimento de actividades turístico-culturais, valorizando o património arqueológico industrial abandonado que até há pouco tempo era encarado como um problema de difícil resolução; os projectos já concretizados nas minas de Lousal e Cova dos Mouros são um bom exemplo. ATLAS DE PORTUGAL IGP 167 Indústria extractiva: volume e valor da produção Volume Valor (ton) (x103 euros) 1991 2000 1991 2000 Minerais energéticos Minérios de urânio* — 450 — 368 Hulha* — 4 — 4 Minérios metálicos (contidos em concentrados) Cobre 159 900 76 300 146 900 91 600 Estanho 3 100 1 200 8 200 6 500 Tungsténio 1 000 750 5 300 5 300 Minerais não metálicos Sal-gema 582 638 584 516 2 561 2 678 Caulino 149 788 162 674 5 425 4 255 Feldspato 120 790 136 730 2 641 2 153 Talco 10 790 9 895 647 612 Rochas industriais Argilas comuns n.d. 3 552 249 — 5 900 Argilas especiais 301 160 712 951 5 344 8 100 Rochas ornamentais 1 186 091 2 637 870 120 642 145 200 carbonatadas (mármores e outras) 947 761 939 052 96 706 81 500 silicatadas (granitos) 214 652 630 848 22 033 30 900 ardósia 23 678 42 630 1 903 3 700 pedra p/ calcetamento n.d. 1 025 300 — 29 100 Areia comum n.d. 6 804 682 — 21 600 Areia especial 562 333 961 900 3 300 10 400 Granulados 48 307 613 78 767 100 164 300 314 400 (inclui calcário p/ cimento) Outras substâncias minerais — 17 200 4 800 Águas (1000 l) **399 570 756 200 81 480 179 200 Total da indústria extractiva — 482 400 820900 * Actualmente já não se produz ** Dados de 1992 Mina de sal-gema de Campina de Cima – Loulé, Algarve 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 167
  • 164.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO 168ATLAS DE PORTUGAL IGP Henrique Souto RECURSOS VIVOS MARINHOS A costa do continente português, com mais de 800km de comprimento, onde alternam extensos areais, elevadas arribas – tantas vezes intercortadas por pequeninas enseadas sempre ligadas à foz dos rios – e áreas baixas, rochosas, é indissociável não só da nossa História como do nosso futuro. De todas as formas de exploração dos recursos do Oceano, a pesca continua a ser, em Portugal, a mais significativa, passada a época em que a extracção do sal marinho era primordial para a economia do país e moeda de troca para diversas mercadorias. Um sector estratégico Considerado um sector estratégico para a economia por- tuguesa pelo Estado Novo, período histórico durante o qual se pode considerar que teve maior importância, nomeada- mente pelo valor que assumia no Produto Interno Bruto Nacional, a pesca assentava numa organização corporativa, com fortes ligações às indústrias de construção e de reparação naval, de conservas (sobretudo de sardinha, que possuía forte peso nas exportações) e secagem de bacalhau, indústrias que assentavam no uso de mão de obra feminina (abundante e disponível nos principais portos) e mesmo infantil, fracamen- te remunerada, no que se seguia o padrão nacional. Assim, em meados dos anos 1960 a pesca portuguesa atin- giu o seu auge, para o que contribuíram diversos factores: externamente, recursos marinhos abundantes e praticamente de acesso livre (o que possibilitou o desenvolvimento de uma frota de pesca longínqua essencialmente destinada a capturar bacalhau no Atlântico Norte) e com custos de exploração relativamente baixos, nomeadamente devido ao preço dos combustíveis; internamente, uma política de desenvolvimen- to das pescas baseada na contenção dos custos de produção e uma organização ‘quase militar’. A transição da década de 1960 para a de 1970 veio trazer, contudo, importantes alterações no sector, o primeiro dos quais foi, sem dúvida, o eclodir da guerra nas colónias, fun- cionando desde logo o recrutamento militar como sorvedou- ro de recursos financeiros e de mão-de-obra da pesca. A década de 1970 representou o virar da página, com uma série de acontecimentos determinantes, nos planos interno e externo. Internamente, a alteração do regime político em Abril de 1974 e a consequente independência das colónias com o fim da desgastante guerra que nelas prosseguia. Para as pescas nacionais foi uma ‘revolução’, pois assistiu-se ao des- moronamento da organização ‘quase militar’ do Estado Novo, ao regresso de muita mão-de-obra às pescas e ao sur- gimento de reivindicações salariais que fizeram aumentar os custos de produção de todo o sector. Mas se as alterações internas foram determinantes, mui- to mais importantes foram os acontecimentos a nível exter- no, nomeadamente: os choques petrolíferos, que fizeram disparar os preços dos combustíveis e, consequentemente, vieram em muito onerar a exploração da pesca, nomeada- mente da frota longínqua; o ‘movimento das Zonas Econó- micas Exclusivas (ZEE)’, isto é, o crescente estabelecimento pelos estados ribeirinhos de zonas de pesca, até 200 milhas marítimas, onde apenas passou a ser permitida a actividade às frotas desses países. Este movimento, que se prolongou por toda a década de 1970 (Portugal estabeleceu a sua ZEE de 200 milhas em 1977), foi a consequência directa da redução dos recursos vivos marinhos, sobreexplorados durante as décadas anteriores, e a tentativa dos estados de os gerir mais directamente. Para Portugal, as crescentes limitações no acesso aos recursos veio reduzir substancialmente o peso da sua frota longínqua na estrutura da frota nacional e a dimi- nuir cada vez mais a pesca de bacalhau no Atlântico Norte (até à situação actual, em que praticamente todo o bacalhau consumido em Portugal é importado). Todos os estados costeiros possuem sobre os espaços marí- timos contíguos aos seus territórios diferentes direitos e deve- res consagrados na Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar (1982) – CNUDM, também conhecida como Convenção de Montego Bay. Nela se institui um Mar Territorial (MT) de 12 milhas contadas a partir da linha de base, uma Zona Contígua (ZC), extensa no máximo até às 24 milhas, e uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) até às 200 milhas con- tadas a partir da linha de base. Portugal estabeleceu a sua ZEE de 200 milhas pela Lei n.º 33/77, de 28 de Maio, que também 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 168
  • 165.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursosvivos marinhos ATLAS DE PORTUGAL IGP 169 Zona Económica Exclusiva fixou os limites do MT em 12 milhas, mas não delimitou a ZC, situação que se mantém até à actualidade. Além destas zonas, a CNUDM refere que um estado costeiro pode reclamar áreas do leito e subsolo do oceano além do limi- te das 200 milhas quando o bordo exterior da margem conti- nental se situe para além desse limite. Este último aspecto care- ce de uma delimitação científica precisa, pelo que Portugal criou em 1998 uma Comissão Interministerial para a Delimitação da Plataforma Continental que deverá apresentar uma proposta de extensão da Plataforma Continental até ao ano de 2009 . Portugal passou, pois, desde 1977, a contar com uma ZEE de 1 714 800km2, assim repartida: 319 500km2 em Portugal Continental; 984 300km2 na Região Autónoma dos Açores e 411 000km2 na Região Autónoma da Madeira. Em face da possível futura extensão da Plataforma Continental, Portugal poderá ainda alargar o seu espaço marítimo. Mar Territorial, Zona Contígua e Zona Económica Exclu- siva não representam figuras com o mesmo grau de interesse para os estados costeiros: no Mar Territorial o estado costeiro possui soberania absoluta, tal como se se tratasse do seu terri- tório continental ou insular, salvo o direito de passagem inofensiva de embarcações de outros estados; a Zona Contí- gua serve, sobretudo, como zona tampão na qual o estado pode exercer acções de fiscalização. Na sua ZEE o estado ribeirinho possui “direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos das águas sobrejacen- tes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo, e no que se refere a outras actividades com vista à exploração e aproveita- mento da zona para fins económicos, como a produção de energia a partir da água, das correntes e dos ventos” (CNUDM, Art.º 56, 1a). Além disso, o Estado costeiro possui jurisdição no 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 169
  • 166.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursosvivos marinhos Descargas de pescado fresco e refrigerado por portos e principais espécies, 2002 19501945194019351930192519201915191019051900 223 884 27 717 41 816 26 714 34 478 47 214 Pescado (toneladas) Pescadores Pescadores no Continente, 1900/2002, e desembarques de pescado em Portugal (incluindo Ilhas), 1938/2003 Carapaus Sardinha Cavala Pescadas Atum e similares Polvos Restantes Peixe-espada preto ton. 28 300 12 500 2 900 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 170
  • 167.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursosvivos marinhos 20022000199519901985198019751970196519601955 17 550 134 986 283 155269 592 398 451 23 923 35 781 n/d Descargas de pescado fresco e refrigerado por portos e principais espécies, 2002 Carapaus Sardinha Cavala Pescadas Atum e similares Polvos Restantes Peixe-espada preto 103 euros 29 000 12 750 2 900 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 171
  • 168.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursosvivos marinhos 172 ATLAS DE PORTUGAL IGP TAB média por embarcação (%) Número de embarcações 23,8 6,5 2 917 246 que se refere a “colocação e utilização de ilhas artificiais, insta- lações e estruturas”, “investigação científica marinha” e “protec- ção e preservação do meio marinho” (id., 1b). A enorme ZEE portuguesa representa, pois, um grande potencial económico para o país, sobretudo se se considera- rem recursos ainda não exploráveis, mas representa, também, uma enorme responsabilidade face à preservação de tão exten- sa área marítima. O sector das pescas A adesão do país à Comunidade Económica Europeia (CEE; hoje União Europeia – UE), em 1986, veio introduzir novas alterações no sector das pescas e a perca da autonomia nas negociações com países terceiros, o que levou, já na década de 90, e no seguimento das percas de oportunidades de pesca em diversos pesqueiros externos, ao fim de uma das pescarias externas mais tradicionais (Marrocos). Sendo no essencial uma política conservacionista, a política de pescas da UE veio introduzir no sector mais restrições no acesso à profissão, à actividade e aos recursos, sendo famosa a sua política de abate de embarcações que, entre outras consequências, tem levado ao desaparecimento de alguns tipos de barcos tradicionais de Portugal. Assim, a evolução recente da pesca em Portugal, se analisada pela óptica das quantidades desembarcadas e quando compa- rada com outros países da Europa e com o Mundo, mostra bem o comportamento peculiar das pescas nacionais no contexto global. Tendo registado um máximo histórico de capturas em 1964, e ao contrário do comportamento das pescas noutros paí- ses, a produção nacional nunca mais voltou a aproximar-se dos quantitativos dos anos 60 e a ligeira melhoria registada no início dos anos 80 voltou a cair a partir de 1986, ano da adesão à CEE. No contexto da produção das pescas dos estados que hoje inte- gram a UE, o país assume posição modesta, apenas se colocando à frente da Bélgica, da Finlândia e da Grécia, encontrando-se muito longe dos níveis das principais potências haliêuticas, como a Dinamarca e a Espanha. Todavia, quando verificados outros indicadores, Portugal revela-se, na UE como um dos Estados mais dependentes da pesca, quer pelo número de pes- cadores empregues e sua relação com a população activa total, Embarcações e TAB média por embarcação, 2002 Espécies Toneladas % Euros (103) % R. A. Açores Atum e similares 1 918 24,5 2 262 9,6 Carapau negrão 1 472 18,7 2 362 10,0 Goraz 531 6,8 5 144 21,8 Outros 3 919 50,0 13 833 58,6 Total 7 840 100 23 601 100 R. A. Madeira Atum e similares 2 819 37,1 6 653 43,6 Carapau negrão 358 4,7 672 4,4 Cavala 289 3,8 409 2,7 Peixe-espada preto 3 873 51 6 702 43,9 Outros 260 3,4 823 5,4 Total 7 599 100 15 259 100 Continente Carapau 14 189 10,7 20 407 9,0 Cavala 5 131 3,9 1 984 0,9 Faneca 3 031 2,3 5 385 2,4 Peixe-espada preto 2 692 2,0 6 848 3,0 Sarda 2 908 2,2 1 470 0,6 Sardinha 63 577 47,9 38 015 16,7 Berbigão 3 517 2,6 1 323 0,6 Polvos 8 158 6,1 38 882 17,1 Outros 29 604 22,3 112 904 49,7 Total 132 807 100 227 218 100 Portugal 148 246 266 078 Espécies capturadas, 2002 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 172
  • 169.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursosvivos marinhos ATLAS DE PORTUGAL IGP 173 Pescadores matriculados por porto e por arte, 2002 quer pelo consumo de pescado que revela (cerca de 60kg de pescado por habitante/ano). Este consumo, de longe o mais ele- vado da UE, quando comparado com os níveis de produção, tem conduzido a uma balança comercial extremamente defici- tária – com um ritmo crescente – entre as exportações e as importações dos produtos da pesca, que de uma situação de quase equilíbrio no início da década de 1980 passou para um défice superior a 600 milhões de euros em 2002, sendo só o bacalhau responsável por cerca de 40% desse valor. O panorama das pescas nacionais no início do século XXI é, pois, substancialmente diferente do verificado durante grande parte do século anterior. No ano de 2002 foram descarregadas pela frota nacional cer- ca de 200 mil toneladas de pescado, 81% das quais correspon- dentes a capturas em pesqueiros nacionais: cerca de 70% em águas de Portugal Continental (divisão IX do ICES), 7% em águas da Região Autónoma dos Açores (divisão X do ICES), 4% em águas da Região Autónoma da Madeira (divisão 34.1.2 do CECAF). Os restantes 18% foram capturados em pesqueiros externos. Este pescado foi descarregado na sua quase totalidade no estado fresco ou refrigerado, com excepção do capturado em pesqueiros externos, que por motivos de conservação tem de ser congelado a bordo. A quase totalidade da produção portu- guesa é desembarcada em portos nacionais. Sardinha Bacalhau Arrasto Outras 3 700 1 560 520 180 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 173
  • 170.
    Nesse mesmo ano,as descargas de pescado fresco e refri- gerado, por regiões portuguesas, demonstram o pouco ‘peso’ que as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores têm no contexto nacional. As características das águas que banham os territórios e a sua batimetria (já referida), resultado da sua posição geográfi- ca, condicionam a qualidade e a quantidade dos recursos dis- poníveis, e embora o número de espécies exploradas seja extenso, existe uma clara predominância de pequenos pelági- cos de baixo valor no mercado, no Continente, e de espécies migradoras, nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores: — No Continente, 58,6% do pescado descarregado corres- pondeu a sardinha e a carapau, cujo valor de venda represen- tou apenas 25,7%; — Na Região Autónoma da Madeira, os tunídeos repre- sentaram 37,1% em quantidade e 43,6% em valor de 1.ª venda (embora nesta Região a principal espécie seja um batipelágico — o peixe-espada preto, que representou 51% em quantidade e 43,9% em valor de venda); — Na Região Autónoma dos Açores, os tunídeos corres- ponderam a 24,5% em quantidade mas apenas a 9,5% em valor, sendo a diversidade de espécies capturadas a principal característica desta Região (os demersais de alto valor no mer- cado corresponderam a 50% das descargas, cujo valor repre- sentou 56,6% das vendas). O panorama das pescas portuguesas que hoje se verifica é, pois, o resultado de diversas medidas restritivas impostas à actividade, que tem visto todos os seus indicadores apresenta- rem valores cada vez menores, quer se trate de quantidades pescadas ou transformadas, do número de embarcações ou de activos na pesca. O resultado é um peso no Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 1% e uma balança comercial de produ- tos da pesca crescentemente negativa, porque Portugal man- tém os mais altos níveis de consumo de pescado per capita da Europa, apesar desta actividade revelar em algumas regiões uma importância social considerável. A diminuição das capturas de pescado não tem sido acom- panhada por um reforço da produção da aquicultura, cujos níveis não têm aumentado significativamente: a produção actual ronda as 8 mil toneladas ano, sendo 33% corresponden- tes a amêijoa produzida na Ria Formosa e 22% a dourada. Na indústria da transformação de pescado, o tradicional sector das conservas em molhos (sobretudo de sardinha e de O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursos vivos marinhos Produção de conservas de pescado por espécies e por centro conserveiro, 2002 Produção de transformados, por tipo de produto, 1992/2002 N 0 25 50 km Regiões Quantidades Valor desembarcadas da 1.ª venda % % Continente 90 85 R. A. Açores 5 9 R. A. Madeira 5 6 Total 100 100 174 ATLAS DE PORTUGAL IGP Sardinha Cavala Atum e similares Outras espécies Semiconservas 13 640 5 000 1 400 871_05_Miolo_Pags131a174 06/02/02 9:58 Página 174
  • 171.
    Milharesdeeuros Água doce Água Marinha ÁguaMarinha Toneladas Água doce Água doce Água salgada Água doce Água salgada 2 740 29 34 521 568 1 131 12 4 520 70 Produção aquícola, 2001 atum), embora conseguindo manter nos últimos anos níveis de produção aceitáveis, foi ultrapassado pelo de congelados; o sector de secos e salgados luta com as dificuldades inerentes ao acesso à matéria-prima (maioritariamente bacalhau), enquanto outras formas de conservação, como as semi- conservas e os fumados, tendem a desaparecer. Outros recursos marinhos que têm perdido importância em Portugal são as plantas marinhas e a extracção de sal marinho. A apanha de algas, outrora largamente utilizadas como adubo natural na agricultura, tem vindo a perder importância, e as estatísticas referentes à apanha de algas para utilização industrial revelam valores pouco significativos e decrescentes (em 2001, cerca de 500 toneladas – peso em seco, no Continente e na Região Autónoma dos Açores). A extracção de sal, noutros tempos presente em toda a costa portuguesa, apresenta-se hoje praticamente restrita ao Algar- ve, cuja produção no ano de 2002 representou 94% do total, sendo a restante repartida entre a Ria de Aveiro (3%), o estuá- rio do Mondego (1,6%) e o estuário do Sado (1,4%). O PAÍS SOCIOECONÓMICO Recursos vivos marinhos ATLAS DE PORTUGAL IGP 175 Evolução da balança comercial dos produtos de pesca, 1993/2002 -800 000 -700 000 -600 000 -500 000 -400 000 -300 000 -200 000 -100 000 0 2002200120001999199819971996199519941993 Milhares de euros N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:13 Página 175
  • 172.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO “Poronde vai a economia portuguesa?” é a pergunta que repetidamente se coloca num País que ainda mantém fortes assimetrias regionais e sociais, bem como os traços essenciais do padrão de especialização, apesar das profundas transformações na estrutura produtiva nacional desde a adesão de Portugal à União Europeia, factores esses que explicam a fraca competitividade em áreas decisivas para o crescimento económico e desenvolvimento regional equilibrado. Os sectores tradicionais, orientados para o exterior e assentes no factor trabalho, sofrem a forte concorrência de países em rápido crescimento como a China e a Índia, enquanto que os sectores assentes na economia do conhecimento, com forte incidência na componente científica e tecnológica, ainda não conseguiram assegurar o protagonismo necessário para potenciar e consolidar a via da prosperidade. 176 ATLAS DE PORTUGAL IGP Crescimento económico As transformações mais acentuadas na estrutura produtiva, principalmente evidentes desde a década de 90, referem-se a: declínio do sector primário; regressão do peso da indústria no cômputo geral das actividades económicas e terciarização progressiva da economia. Se no sector primário a redução da representatividade é generalizada à Agricultura, Silvicultura e Pescas, embora mais acentuada neste último ramo, na indústria tem-se vindo a manter o peso significativo de actividades pertencentes à filei- ra têxtil-calçado e à fileira florestal, ainda que a posição rela- tiva nas exportações esteja em progressiva regressão. O processo de terciarização tem sido dinamizado pelos sec- tores da Comunicação, bancos, serviços prestados às empre- sas e serviços comercializáveis, donde se destaca o Turismo, único gerador de receitas externas face a todos os outros, orientados para o mercado interno. No plano macroeconómico, os ganhos estão ainda confi- nados às alterações de estrutura. Assim, diversos indicadores macroeconómicos e caracterizadores do mercado de trabalho, das contas externas ou da estrutura empresarial evidenciam, de forma clara, o nosso posicionamento na União Europeia (UE) com 15 ou com 25 países. Com a acelerada abertura ao exterior, a capacidade compe- titiva do país mantém-se fraca, evidenciando déficites impor- tantes de modernização em factores como o tipo de gestão, a valorização do capital humano, a inovação tecnológica, o mar- keting, entre outros. Lourdes Poeira ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL* * Com base em documentos do Departamento de Prospectiva e Planeamento, Ministério das Finanças, nomeadamente Um Olhar sobre Portugal – 2004, Portugal, o Litoral e a Globalização, 2003, População e Desenvolvimento Humano, 2002; documentos do INE Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio, 2005. Indicadores Unidade Período Portugal UE-15 UE-25 Macroeconómicos referência PIB1 Euros (106) 2003 130 032,9 9 306 601,8 9 748 194,2 PIB1 TMAC (pr 95) 1999/03 1,0 1,7 1,8 PIB por habitante1 Euros 1999/03 12.500,0 24 300,0 21 300,0 PIB por habitante2 PP UE-15=100 1999/03 68,6 100,0 91,7 PIB por habitante2 PP UE-15=100 1999/03 75,0 109,0 100,0 Consumo Público1 PP UE-15=100 1999/03 2,3 2,4 2,4 FBCF4 PP UE-15=100 1999/03 -2,7 0,7 0,7 Procura Interna5 PP UE-15=100 1999/03 0,3 1,6 1,7 Exportações de Bens e Serviços1 PP UE-15=100 1999/03 3,7 4,2 4,5 Procura Global1 PP UE-15=100 1999/03 1,1 2,3 2,4 Importações de Bens e Serviços1 PP UE-15=100 1999/03 1,3 3,9 4,2 VAB pr base - total1 PP UE-15=100 1999/03 1,5 1,8 1,9 Agr., Silvicultura, Caça e Pesca1 % do VAB 2003 3,8 2,0 2,1 Indústria s/ construção1 % do VAB 2003 19,6 21,0 21,2 Construção1 % do VAB 2003 6,8 5,6 5,6 Serviços1 % do VAB 2003 69,8 71,4 71,1 PIB – Produto Interno Bruto FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo VAB – Valor Bruto Acrescentado TMAC – Taxa Média Anual de Crescimento PP – pontos percentuais 1. Estimativas Eurostat; no caso do VAB, com base em valores a preços correntes 2. Previsão da Comissão Europeia 3. Calculado com base em valores do Eurostat 4. Estimativas Eurostat. NEM10: FBC (inclui VE e ACOV) 5. Estimativas Eurostat. Inclui VE e ACOV NEM10 – Dez Novos Países Europeus; VE – Variação de Existências ACOV – Aquisições Líquidas de Cessões de Objectos de Valor 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:13 Página 176
  • 173.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 177 Evolução do PIB per capita e do produto por trabalhador em Portugal (PPC) Produto Interno Bruto, a preços de mercado, por NUT III, 2001 Os sectores de actividade e a diferenciação regional Do ponto de vista sectorial, após um período de cresci- mento industrial, coincidindo com a fase do ‘crescimento dourado’ das décadas de 60 e 70, e depois das alterações estru- turais da economia na sequência da democratização de insti- tuições e da sociedade, a adesão à Comunidade Europeia nos anos 80 correspondeu a um ascendente do papel dos serviços na composição estrutural da produção. Actualmente, verifica-se que os serviços contribuem deci- sivamente para o PIB, sobretudo pelo dinamismo nas comuni- cações, transportes e actividades financeiras e imobiliárias, a par da retracção da produção agrícola e da letargia industrial. É notória a tendência de desinvestimento na produção agrícola, ainda que acompanhada por melhores níveis de pro- dutividade e parece não haver dúvidas de que os sectores que nas últimas dezenas de anos tiveram maior impulso foram os da construção civil e do turismo. Este último simboliza uma especialização, que tem sofrido nos últimos anos uma tentati- va de diversificação, tanto de produtos como de mercados, procurando responder às tendências mundiais nesta área. No sector industrial, a indústria transformadora é domi- nante. A dinâmica desta actividade evidencia, no entanto, uma desaceleração nas indústrias tradicionalmente de vocação exportadora, como os minerais não metálicos e os produtos 1999 2001 2003 1999 2001 2003 Taxa de var. em volume Taxa de var. de preços Agricultura, silvicultura e pescas 7,4 -0,3 -3,4 -6,6 13,7 9,2 Energia2 4,6 4 5,3 -3,6 -1,2 2,1 Indústria3 0,8 1,2 -1,5 2,6 1,8 1,2 Construção 3 2,9 -11,4 3,7 4,1 2,8 Serviços 5,3 3,5 -0,2 2,3 4,3 5,1 Comércio, restaurantes e hotéis 3 2,3 -0,3 1,3 6 2,8 Transportes e comunicações 5 7,7 1 -0,3 -1,2 1,7 Actividades financeiras e imobiliárias 11,1 5,2 1,2 -4,4 1,7 2 Outros serviços 3,9 2,1 -1,3 6,7 5 2,2 Serviços de intermediação financeira indirec. medidos (-) 21,3 13 -1,2 -15,6 -2,8 -3 VAB 3,1 2 -1,1 3,3 4,5 2,4 Impostos 8,3 -0,4 -1,2 1,8 3,5 4 PIB a preços de mercado 3,8 1,6 -1,2 3,1 4,4 2,3 Notas: 1. contas nacionais trimestrais; 2. Electricidade, gás e água 3. Extractiva e transformadora Produto Interno Bruto, óptica sectorial1, 1999/2003 75 % 65 55 45 35 1960 1964 1968 1972 1976 1980 1984 1988 1992 1996 2000 2002 PIB per capita Produto por trabalhador 103 euros 20,6 20 10 8 Dados provisórios As variáveis expressas em unidades monetárias são apresentadas a preços correntes. As contas regionais foram elaboradas em escudos e convertidas no final em euros através da taxa de conversão fixa 1 euro=200,482 PTE – de acordo com o regulamento (CE) nº 2866/98 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 177
  • 174.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 178 ATLAS DE PORTUGAL IGP Consumo de electricidade industrial per capita, por concelho, 2002 Taxa variação homóloga (corrigida dias úteis) 1999 2001 2003 Índice de Produção Industrial Total 0,2 3,1 -0,1 Bens de Consumo -1 0,5 -2,3 Bens Intermédios 3,1 2,9 2,6 Bens de Investimento -2,4 4,7 -8,2 Energia -1,4 8,1 5,1 Indústrias Extractivas -4,9 1,8 -9,4 Produção e distribuição de electricidade, gás e água -1,1 9 5,4 Indústrias Transformadoras 0,5 2,3 -0,6 Taxa de utilização da capacidade produtiva % % % Indústria transformadora 81,7 81,2 79,9 Bens de consumo 81,7 80,4 79,4 Bens intermédios 80,8 78,6 78,6 Outros bens de equipamento 89,9 90,3 76 Fabricação de automóveis 83 94,2 92,9 Evolução da actividade industrial, 1999/2003 Estabelecimentos financeiros, 2002 em couro, a par de uma retracção nos sectores do material de transporte e de máquinas e equipamentos que espelha a situa- ção dos últimos anos de um crescimento sustentado pelo con- sumo. O crescimento da economia portuguesa entre 1995 e 1999, no âmbito do processo de desinflação inerente à pré-adesão ao euro, permitiu um aumento significativo do rendimento dis- ponível das famílias e, com a descida tendencial das taxas de juro, a construção, nomeadamente de edifícios residenciais, aumentou fortemente. Do ponto de vista das obras públicas, a construção de infra-estruturas como a ponte Vasco da Gama e as auto-estradas e o desenvolvimento do Parque das Nações e, mais tarde, dos equipamentos e infra-estruturas do Euro 2004, impulsionou a actividade da construção, implicando a renova- ção do parque habitacional português. O carácter atractivo das cidades ditou não só a tendência de abandono do interior, mas uma reformulação do mercado de consumo, nomeadamente do comércio, onde em apenas duas décadas se implantaram e consolidaram as grandes superfícies que têm determinado a readaptação ou simples mudança do kW/h >800 200-800 80-200 40-80 20-40 10-20 5-10 <5 Nº 668 300 100 50 25 10 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 178
  • 175.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 179 Indústria extractiva Alimentação, bebidas e tabaco Têxteis, vestuário e calçado Madeira e papel Químicos, borrachas e plásticos Indústrias pesadas Produtos metálicos e máquinas Máquinas e material eléctrico Material de transporte Sem especialização industrial Total do emprego nos sectores industriais considerados Especialização industrial –Índice na região superior ao triplo do índice no país (Quociente de localização superior a 3), para os seguintes sectores industriais 450 62 880 123 590 Síntese da especialização industrial por regiões (NUT III), cálculos a partir do emprego, 1999 Estrutura Empresarial1, 2001 Estrutura Empresarial1 Unidade Portugal UE-15 UE-25 Grandes Empresas Nº de Empregados % do total 19,8 35,0 34,6 Volume de negócios 28,9 43,8 43,4 PME Nº de Empregados % do total 80,2 65,0 65,4 Volume de negócios % do total 71,1 56,2 56,6 1. Não considera a Agricultura, Silvicultura e Pescas, por indisponibilidade de dados N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 179
  • 176.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 180 ATLAS DE PORTUGAL IGP Índice de Poder de Compra per capita, 2004 Rendimento Líquido Médio do agregado familiar por NUT III, 2001 Índice de Poder de Compra “turístico”, 2004 Mercado de Trabalho Unidade Período Portugal UE-15 UE-25 de referência Taxa de Actividade (15-64) % Pop. Total 2003 72,9 70,0 69,3 Emprego Total TMAC 1999/03 0,7 1,0 0,7 Emprego: Agricultura % do total 2003 12,6 4,0 5,2 Emprego: Indústria1 % do total 2003 32,3 24,6 25,5 Emprego: Serviços % do total 2003 55,0 71,4 69,2 Emprego por nível habilitação (15-64)2: 9º ano escolaridade % do emp. do 2003 74,6 25,8 23,7 mesmo grupo 12º ano escolaridade % do emp. do 2003 13,8 43,2 47,4 Ensino superior mesmo grupo 2003 11,5 23,4 22,5 Intensidade Tecnológica3 Emprego nos serviços intensivos em tecnologia % do total 1,4 3,5 3,2 Emprego na indústria transf. intensiva em tecnologia % do total 3,1 7,1 6,6 Desemprego4 Total TMAC 1999/03 10,5 -0,8 0,5 Taxa de desemprego total % pop. activa 2003 6,3 8,1 9,1 Taxa de desemprego jovens c/ -25 anos % pop. activa 2003 14,4 15,9 18,4 1. inclui construção 2. com base em valores relativos ao 2º trimestre do ano 3. CAE, Ver. 1.1 e estimativas do Eurostat para UE-15 e UE-25 4. Taxa de desemprego harmonizada sem considerar a sazonalidade Estrutura de emprego, 2004 103 euros 13,5 12,5 10 9 8 167 150 100 75 3 1 0 -0,1 -0,5 -1 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 180
  • 177.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 181 População empregada no sector primário, 2001 População empregada no sector secundário, 2001 População empregada no sector terciário, 2001 Sector de actividade dominante, 2001 % 50 30 20 10 5 % 84 70 60 50 % 75 60 45 30 Sector primário Sector secundário Sector terciário social Sector terciário económico N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:20 Página 181
  • 178.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 182 ATLAS DE PORTUGAL IGP Sociedades industriais com 10 e mais pessoas ao serviçoSociedades na indústria transformadora, 2001 IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 2000 Variação de IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 1999/2000 % > 30 10-30 0-10 -10-0 -30--10 > -30 106 euros >1 000 100 –1 000 50 – 100 20 – 50 10 – 20 1 – 10 <1 % 60 30 10 Média das cidades: 15,04% A dimensão dos círculos é proporcional ao número de sociedades nas respectivas cidades % 30 24 12 Média das cidades: 15,04% A dimensão dos círculos é proporcional ao número de sociedades nas respectivas cidades N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 182
  • 179.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 183 sector, com o desaparecimento de muitas pequenas empresas. A estrutura do emprego evidencia a inércia das tendências tradicionais do nosso tipo de desenvolvimento, tal como a estrutura empresarial. Mercado externo e competitividade No início dos anos 2000, a posição de Portugal no comér- cio internacional podia-se caracterizar do seguinte modo: — forte presença em sectores de trabalho intensivo com fraco peso de inovação, onde se incluem o calçado, cablagens e vestuário, e também de sectores baseados nos recursos naturais; — presença em sectores dependentes da escala de produ- ção, nomeadamente sector automóvel, pouco estruturada e dependente de uma empresa dominante – AUTOEUROPA – e de um conjunto de produtores estrangeiros que fabricam em Portugal componentes de reduzida complexidade; — presença fraca na electrónica dirigida a um produto final – os autorádios. A exportação de bens intensivos em trabalho representava em 2001 cerca de 32% do total de exportações; os bens pro- duzidos em economias de escala representavam cerca de 26% e os bens obtidos de produtos naturais endógenos cerca de 21%, o que perfaz um total de cerca de 80%. Os bens inten- sivos em conhecimento representavam 11% do total de exportações e os baseados na média tecnologia, 9%. A maioria dos bens e serviços que constituem a oferta internacional de Portugal provêm das sub-regiões do litoral ocidental e sul, sendo o Algarve responsável por grande parte das exportações de serviços de turismo e o litoral ocidental pelas exportações de bens. Com base numa tipologia de produtos para avaliação do desempenho das sub-regiões portuguesas face à dinâmica do comércio internacional, é possível aferir o tipo de competiti- vidade regional: — Competitividade baseada na intensidade de trabalho – o vestuário e acessórios de vestuário dominam com mais de 18% das exportações do País, seguindo-se o calçado, com pouco mais de 6%. Os equipamentos para distribuição de energia eléctrica correspondem a cerca de 3% do total. As sub-regiões onde dominam (mais de 10% das exportações) os bens intensivos em trabalho são o Ave, o Grande Porto e o Cávado, seguidas do Tâmega, Entre-Douro-e-Vouga e Baixo Vouga (7 a 10%); — Competitividade baseada nas economias de escala – domínio dos bens associados ao sector automóvel, sendo a península de Setúbal responsável por quase metade da totali- dade dos bens dependentes das economias de escala; seguem-se Lisboa (10%) e Porto (8%); — Competitividade baseada na intensidade dos recursos – sobressaem o sector florestal, com 9% do total dos bens exportados, nomeadamente cortiça e madeira, o sector agro- -alimentar, com cerca de 7%; os minerais não metálicos representam 3%. Destacam-se (com pesos entre 12 e 16% do total das exportações respectivas) a Grande Lisboa e o Grande Porto, Entre-Douro-e-Vouga e Baixo Mondego; — Competitividade baseada no conhecimento – apesar da pouca expressividade deste factor, destaca-se o grupo que integra os aparelhos e equipamento de telecomunicações e de som, responsáveis por cerca de 3% das exportações, e de ilu- minação, com cerca de 2%. Os produtos medicinais e farma- cêuticos apresentam valores ligeiramente superiores a 1%. Salientam-se, uma vez mais, as áreas da Grande Lisboa (33%) e Grande Porto (27%), península de Setúbal (13%), Ave (12%) e Cavado (menos de 10%); — Competitividade baseada na tecnologia e na diferenciação – destes bens, apenas “peças separadas e acessórios, não eléc- tricas, de máquinas e aparelhos” registam um valor superior a 1%. Destacam-se a Grande Lisboa (23%) seguida do Baixo Vouga e Grande Porto (com 14% cada). Com o actual padrão de competitividade das exportações a economia portuguesa está confrontada com uma forte concor- rência de várias regiões mundiais: — dos países asiáticos no têxtil/vestuário e electrónica; — dos países mediterrâneos no têxtil/vestuário, cablagens e produtos agro-alimentares; — dos países da Europa Central em produtos intensivos em trabalho ou em produções de economia de escala. Assim, podem-se retirar algumas ilações importantes sobre o desempenho da economia portuguesa: 1. uma forte presença em sectores de trabalho intensivos em que a inovação ainda é insuficiente para diferenciar os produtos, sendo provável a perda de emprego em sectores como o calçado, cablagens e vestuário; 2. uma presença em sectores dependentes da escala de produção – nomeadamente no sector automóvel – ainda pou- co estruturada e em que Portugal fabrica componentes, como cablagens, assentos, mas cuja possibilidade de deslocalização é sempre um cenário; 3. uma fraca presença na electrónica, centrada em torno de um produto final – auto-rádios – em que conta com vários fabricantes; 4. um papel-chave dos investimentos principalmente ale- mães nas actividades exportadoras que mais cresceram na última década. 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 183
  • 180.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 184 ATLAS DE PORTUGAL IGP Factor intensidade trabalho >70% Factor intensidade trabalho e recursos naturais >50% Factor recursos naturais >50% Factor intensidade trabalho e recursos naturais >50% e produtos diferenciados/conhecimento >a15% Factor recursos naturais e produtos diferenciados >60% Factor economia de escala + recursos naturais + intensidade trabalho Factor recursos naturais e economias de escala >70% Factor recursos naturais, factor intensidade de conhecimento + factor produtos diferenciados, factor economias de escala >80% Factor economia de escala >60% Factores de competitividade nas regiões do litoral, 2003 Competitividade, 2004 Competitividade Unidade Período de Portugal UE-15 UE-25 referência Indicadores Gerais Produtividade por TMAC pessoa empregada (pr 95) 1999/03 0,5 0,9 1,3 Produtividade por pessoa empregada euros, 2003 41,9 100,0 88,4 UE-15=100 Produtividade por euros, pessoa empregada UE-25=100 2003 47,4 113,1 100,0 Produtividade sectorial por pessoa empregada, euros, total1 UE-15=100 2003 46,6 100,0 89,1 1. Preços correntes. UE-25 e NEM10: excluindo Malta e Chipre Estrutura do Comércio Externo1, 2004 Contas Externas Unidade Período de Portugal UE-15 UE-25 referência EXPORTAÇÕES Para a UE % do total 2003 80,6 67,0 67,9 Manufacturados1 % do total 2002 88,0 82,0 82,2 Por níveis de intensidade tecnológica1 Alta Tecnologia % manufacturados 2002 8,7 18,4 18,0 Média/Alta Tecnologia % manufacturados 2002 32,1 42,0 41,8 Média/Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 17,6 20,8 21,0 Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 41,6 18,8 19,1 IMPORTAÇÕES Da UE % do total 2003 78,4 65,0 65,3 Manufacturados1 2002 74,6 76,8 77,1 Por níveis de intensidade tecnológica1 Alta Tecnologia % manufacturados 2002 14,9 20,1 19,7 Média/Alta Tecnologia % manufacturados 2002 36,7 37,6 37,8 Média/Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 22,2 21,1 25,7 Baixa Tecnologia % manufacturados 2002 26,3 21,2 21,0 1. UE-25 e NEM10: excluindo Malta e Chipre N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 184
  • 181.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 185 Comércio internacional, exportações para a UE, por NUT III, 2002 Comércio internacional, total de exportações, por NUT III, 2002 Comércio internacional, importações da UE, por NUT III, 2002 Comércio internacional, total de importações, por NUT III, 2002 106 euros >1 000 500 - 1 000 100 - 500 50 - 100 <50 106 euros >1 000 500 - 1 000 100 - 500 50 - 100 <50 106 euros >5 000 1 000 - 5 000 500 - 1 000 100 - 500 50 - 100 <50 106 euros >5 000 1 000 - 5 000 500 - 1 000 100 - 500 50 - 100 <50 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 185
  • 182.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 186 ATLAS DE PORTUGAL IGP A coesão social O Estado, seja através da Administração Central, onde se definem anualmente as orientações do PIDAC, Plano de Inves- timentos da Administração Central, e da execução dos QCA, Quadro Comunitário de Apoio, seja através da Administração Local, tem um papel decisivo no progresso obtido em termos do bem-estar das populações. Infra-estruturas, Saúde, Educação e Segurança Social são alguns dos principais domínios em que o Estado tem um papel decisivo para assegurar o equilíbrio, o desenvolvimento e a protecção da sociedade. As receitas de impostos são uma componente essencial para garantir as intervenções do Estado. As despesas com a protecção no desemprego e as pensões já superam as contribuições pagas pelos contribuintes, sinal do envelhecimento da população. As autarquias mantêm o seu papel de charneira na ligação do Estado à população e no atendimento e resolução dos pro- blemas que as afectam. Para tanto dispõem de uma carteira de receitas que vão desde os Fundos Municipais até às receitas próprias cujo montante tem vindo a crescer nos últimos anos, destacando-se a Contribuição Autárquica e o Imposto sobre os Veículos. IRS médio liquidado por agregado familiar, por distrito, 2000 Beneficiários do subsídio de desemprego com menos de 30 anos, 2003 Segurança social, 1999/2003 1999 2001 2003 Indicadores físicos Total de pensionistas (Nº) (a) 1 979 608 2 483 199 2 574 800 Nº beneficiários, segundo principais benefícios concedidos: Pensão de sobrevivência 494 378 603 823 629 200 Pensão de invalidez 359 847 348 984 349 800 Pensões de velhice 1 125 383 1 530 392 1 595 800 Trabalhadores subsidiados, por desemprego (Nº) 314 403 337 100 nd Indicadores financeiros (b) Receitas correntes (103 euros) (1) 10 449 606 12 336 583 11 437 200 Contribuições de beneficiários 2 900 434 6 733 160 nd Contribuições patronais 5 119 157 2 824 713 nd Despesas correntes (103 euros) (2) 9 607 161 11 567 168 13 892 800 Abono de família 424 896 485 031 nd Subsídios à população activa 1 282 030 1 510 071 1 987 100 Apoio ao emprego e protecção no desemprego 720 862 869 998 nd Pensão de velhice 934 807 1 129 358 1 340 200 Pensões de sobrevivência 1 142 895 1 193 933 1 300 100 Pensões de invalidez 4 175 247 5 209 006 6 415 100 Saldo Global (103 euros) (1)-(2) 842 445 769 415 -2 455 600 Notas: os valores de 2002 e 2003 são provisórios (a) Regimes de segurança social dos trabalhadores do sector privado, incluindo todos os regimes, excepto em 1999, ano em que a informação concerne ao Regime Geral e Regime não Contributivo da Segurança Social. (b) Valores retirados da Conta Global dos regimes de protecção social dos trabalhadores do sector privado (inclui regime não contributivo). 103 euros 2,39 2 1,5 1 % 60 50 40 30 20 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 186
  • 183.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 187 Receitas: fundos municipais, 2002Receitas totais das Câmaras Municipais, 2002 Receitas: empréstimos, 2002 Receitas: contribuição autárquica, 2002 % 27 20 10 5 1 103 euros 719 787 500 000 100 000 50 000 10 000 % 80 75 50 40 30 20 10 % 51 50 20 10 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 187
  • 184.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional 188 ATLAS DE PORTUGAL IGP Receitas das Câmaras Municipais, 2002 Despesas: investimento, 2002 Despesas: pessoal, 2002 Despesas totais das Câmaras Municipais, 2002 Outros: 43 Investimentos: 35 % % Com o pessoal: 22 Outros: 50 Fundos Municipais: 28 Empréstimos: 14 Contribuição Autárquica: 8 Despesas das Câmaras Municipais, 2002 103 euros >200 100 - 200 50 - 100 20 - 50 10 - 20 5 - 10 <5 % >60 51 - 60 41 - 50 31 - 40 21 - 30 <20 % >40 30 - 40 20 - 30 <20 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 188
  • 185.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Economiae desenvolvimento regional ATLAS DE PORTUGAL IGP 189 O conceito de Desenvolvimento Humano tem vindo a ser abordado pelas Nações Unidas desde 1990, tendo como premissa que “As pessoas são a verdadeira riqueza das nações”. Medir esse Desenvolvimento é o objectivo do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, que foca três dimensões fundamentais: viver uma vida longa e saudável, medida pela esperança de vida à nascença, ser instruído, medida pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa de escolarização bruta combinada do primário, secundário e superior (com ponderação de um terço), e ter um padrão de vida digno, medida pelo PIB per capita. O valor máximo que pode atingir o IDH é 1, consideran- do-se diversos patamares abaixo desse valor: Desenvolvi- mento Humano Elevado, de 0,800 a 1, onde encontramos, na escala mundial e em 2002, a Noruega em 1º lugar e Por- tugal no 26º; Desenvolvimento Humano Médio, de 0,500 a 0,800, onde se encontram entre outros o Brasil em 72º lugar, Cabo Verde em 105º e S. Tomé e Príncipe em 123º; Desenvolvimento Humano Baixo, de 0,273 a 0,500, onde se encontram Timor Leste em 158º lugar, a Guiné em 160º, Angola em 166º e Moçambique em 171º. Portugal tem registado um forte crescimento do IDH, des- de 1970, bem como dos Índices intermédios que o compõem, principalmente nas décadas de 70 e 80. Relativamente ao último ano de observação, 1999, é a Região de Lisboa e Vale do Tejo que apresenta o valor mais elevado, (0,925) superior à média nacional (0,905). As regiões com valores de IDH mais baixos são o Alentejo (0,872) e a Região Autónoma da Madeira (0,889), seguindo-se a Região Centro com 0,894, a Região Norte com 0,899, o Algarve com 0,900, e os Açores com 0,903. De notar que ao nível das sub-regiões, a dicotomia entre Litoral e Interior se mantém entre 1970 e 1999, apesar da evo- lução dos valores de IDH entre essas datas. Por outro lado, o Litoral é mais restrito em 1999 do que em 1970 e do que em 1991. A sub-região com valor mais elevado de IDH, em 1999, é a Grande Lisboa, com 0,938, e a que apresenta valor mais baixo é o Baixo Alentejo, 0,862. Evolução do índice de desenvolvimento humano (IDH-ONU) por NUT III 1970 0,900 0,850 0,750 0,650 1981 0,900 0,850 0,750 0,650 2001 0,900 0,850 0,750 0,650 1991 0,900 0,850 0,750 0,650 O desenvolvimento humano N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 189
  • 186.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO 190ATLAS DE PORTUGAL IGP Milhares de euros 0 1 000 000 2 000 000 3 000 000 4 000 000 5 000 000 6 000 000 7 000 000 2003*2002*2001*2000199919981997199619951994199319921991199019891988198719861985198419831982198119801979197819771976197519741973197219711970196919681967196619651964 Carlos Pereira da Silva TEMPO DE TURISMO Terminada a II Guerra Mundial e a favor de uma considerável evolução social e nos meios de transporte, iniciou-se um movimento de massas, aparentemente imparável, desejosas de conhecer novos lugares e novas gentes. Poucos locais no mundo escapam a esta apetência. Portugal possui excelentes condições para as actividades do turismo e lazer graças à sua grande diversidade paisagística – que possibilita a satisfação de um vasto leque de motivações num pequeno espaço geográfico – ao clima ameno e também à estabilidade social que, no mundo actual, é um factor cada vez mais relevante na escolha dos destinos turísticos. Receitas do Turismo, 1964/2003 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:21 Página 190
  • 187.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo ATLAS DE PORTUGAL IGP 191 O turismo balnear A procura turística em Portugal continental concentra-se em duas regiões determinantes – Algarve e Lisboa. Fora des- te território, a ilha da Madeira tem no turismo o principal suporte da sua economia, graças a uma imagem de qualidade já consolidada, ao clima ameno ao longo do ano e à excelên- cia da sua qualidade paisagística, onde importa destacar os valores naturais. No seu conjunto, estas três áreas reúnem mais de 2/3 da capacidade de alojamento nacional, com des- taque para a Madeira que, em 2002, registou a mais elevada taxa de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros a nível nacional e um dos maiores valores em relação à estadia média de turistas. O seu parque hoteleiro destaca-se pela grande qualificação e pelo correspondente volume de receitas que é capaz de gerar, independentemente da sazonalidade. A estes valores deve ainda ser acrescentada a oferta dos parques de campismo, que concentram grande parte dos seus quase 168 000 lugares disponíveis na faixa litoral, reforçando a dependência do turismo balnear. O turismo balnear, o mais antigo e ainda o mais procurado dos nossos produtos turísticos, aproveita uma extensa linha de costa onde estão registados mais de 500 locais identificados como praias. Deste universo, em 2004, foram consideradas como zonas balneares no Continente, Açores e Madeira, 365 praias, 162 das quais distinguidas com bandeiras azuis. Um reflexo da importância dada a este recurso é o investimento que tem sido feito ano após ano na sua qualificação e que no ime- diato se traduz pela atribuição deste galardão, que demonstra não só uma exigência em termos de qualidade mas também a atenção concedida a aspectos ligados à educação ambiental. A aposta no turismo balnear tem vindo a modificar por completo a região do Algarve, que concentra uma grande par- te da oferta e procura turística do nosso país e se mantém, até hoje, como o principal destino estival para os portugueses e para os turistas estrangeiros provenientes maioritariamente de vários países europeus. Esta situação, que foi responsável por um forte dinamismo económico na região, teve como contrapartida problemas graves de ordenamento territorial, fruto de uma construção desenfreada, pouco planeada e que se traduziu numa grave descaracterização da paisagem, com a evidente perda de qualidade ambiental que, actualmente, também é responsável pelo declínio do poder de atracção turística que esta região começa a demonstrar, muito embora continue sendo o principal destino turístico português, e tenha mais de quatro dezenas de praias a hastear a bandeira azul. Capacidade de alojamento dos estabelecimentos hoteleiros, 2001 Taxa de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros, 2002 % 40 20 5 1 % 60 50 40 30 20 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:22 Página 191
  • 188.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo 192 ATLAS DE PORTUGAL IGP Novos produtos A actividade turística em Portugal estende-se para além do Algarve e do fenómeno balnear, uma vez que existem regiões que se destacam em segmentos específicos. A região da Grande Lisboa é um bom exemplo, pois apro- veita o facto de ser a cidade capital, ganhando uma crescente notoriedade através da organização de reuniões, congressos, acontecimentos desportivos e outros eventos internacionais de relevo, como foi o caso da Lisboa Capital Europeia da Cultura em 1994, da Exposição Mundial de 1998 – Expo'98 – e de um papel de destaque durante o Campeonato Europeu de Futebol de 2004. O património cultural e histórico da cidade e a sua situação geográfica privilegiada também têm contribuído para que um número crescente de navios de cruzeiro faça escala no Porto de Lisboa. A procura de novos produtos turísticos – como o golfe, o turismo de natureza ou o rural – impõe-se como uma das prin- cipais medidas para diminuir a excessiva dependência do turismo balnear e para permitir taxas de ocupação em estabelecimentos hoteleiros mais constantes. À excepção da Madeira, Algarve, Grande Lisboa e Açores, os valores das taxas de ocupação dos alo- jamentos turísticos no restante território nacional podem ser con- siderados fracos, na medida em que se situam abaixo dos 40%. O golfe é um dos novos produtos que embora ainda se con- centre em maior número nas regiões tradicionalmente turísticas – como o Algarve, Lisboa e Madeira – tem vindo a merecer alguma descentralização. Esta realidade permite, simulta- neamente, tirar melhor partido das condições climáticas do território português e da existência de um parque hoteleiro qualificado, atraindo turistas com maior poder de compra e com tempos de permanência mais longos. Por tudo isto, é de esperar que o golfe venha a ter um papel de maior destaque no turismo nacional, não sendo de recear a sua competição com outros destinos e actividades. O termalismo é outro produto turístico que também come- ça a ganhar um maior destaque no panorama português. Até há relativamente pouco tempo, e não obstante os estabeleci- mentos hoteleiros de qualidade que lhe estavam afectos, o termalismo era associado a doenças e a estratos etários mais elevados. Na sequência de novos hábitos de consumo e do avanço da medicina, esta opção terapêutica começou a perder importância, o que se reflectiu na perda de clientes, de recei- tas e na consequente degradação dos equipamentos. Esta fase parece ter sido ultrapassada, assistindo-se actual- mente a um novo vigor no desenvolvimento do termalismo Parques de campismo, 2003Estadia média por hóspede em estabelecimentos hoteleiros, 2002 Nº de dias 6 4 2 Média nacional: 3,2 Número Capacidade 30 000 15 000 10 000 2 000 1 000 23 10 1 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:22 Página 192
  • 189.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo ATLAS DE PORTUGAL IGP 193 Porto Covo, Sines Exemplo de desenvolvimento turístico baseado na procura balnear 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 193
  • 190.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo 194 ATLAS DE PORTUGAL IGP Campos de golfe, 2002Turismo rural, 2002 Praias com Bandeira Azul, 2004 Concelhos com estabelecimentos termais, 2002 Número de estabelecimentos Capacidade de alojamento 884 600 400 200 100 Segredo estatístico 95 25 1 Dois estabelecimentos termais Um estabelecimento termal N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 194
  • 191.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo ATLAS DE PORTUGAL IGP 195 em Portugal, o que se reflecte não só numa maior qualificação da oferta mas também num maior aumento da procura, que poderá estar relacionado com uma tentativa de fuga ao stress e aos ritmos de vida urbanos, cada vez mais intensos. Obede- cendo a uma relativa dispersão geográfica pelo país e marcan- do a sua presença em áreas de menor tradição turística, o ter- malismo pode ainda desempenhar um importante papel de dinamização em áreas economicamente deprimidas, que poderão encontrar nesta actividade turística de excepção um novo fôlego. Um outro tipo de produto que tem vindo a ser encarado como uma forte possibilidade de diversificação e consequen- te criação de riqueza é o turismo em espaço rural. As múltiplas áreas rurais que assistiram à quase extinção da actividade agrí- cola podem encontrar neste tipo de turismo uma forma de gerar rendimentos complementares à agricultura; de recupe- rar níveis demográficos; a conservação e/ou recuperação de patrimónios arquitectónicos; a dinamização e divulgação de produtos regionais como o artesanato ou a gastronomia e, sobretudo, a manutenção da paisagem e de modos de vida tra- dicionais. A oferta deste tipo de turismo encontra-se mais concentrada no litoral norte de Portugal – cerca de 1/3 do total nacional – e no Alentejo – com mais de 10% – duas áreas que, tradicionalmente, não costumavam fazer parte dos destinos turísticos mais comuns. Assim se compreende a importância atribuída ao turismo rural, cada vez mais procurado em virtude do respeito e valori- zação da questão ambiental, que encontra em grande parte do interior do Continente português e nas ilhas da Madeira e Aço- res condições impares para o seu desenvolvimento. É de salien- tar o caso emergente dos Açores, que procura atrair um merca- do mais interessado no contacto com os valores naturais tirando o melhor partido da sua grande qualidade paisagística, em detri- mento da grande massificação turística. A reduzida capacidade de alojamento e a menor acessibilidade são ainda entraves a um maior desenvolvimento deste sector, embora se adivinhem soluções nesse sentido para um futuro próximo, uma vez que as campanhas de promoção deste destino turístico têm desenca- deado um aumento da procura no mercado interno e externo. Um sector estratégico de futuro Reconhecido como um dos sectores estratégicos da econo- mia portuguesa, o turismo desempenha um papel vital para o desenvolvimento do país, tal como mostram as receitas gera- das. Desde os anos 60 que se assiste a um crescimento turísti- co continuado, embora com algumas inflexões pontuais, em que o momento mais crítico foi atingido em meados dos anos 70 devido à instabilidade política então vivida. A evolução nas receitas tem sido acompanhada pela evolu- ção do número de turistas que tem visitado Portugal e que passou de pouco mais de 1 milhão nos finais dos anos 60 para Regiões de Turismo Leiria/Fátima Templários Oeste Ribatejo Norte Alentejano Costa Azul/Setúbal Évora Planície Dourada Algarve Municípios não integrados em regiões de turismo Alto Minho Alto Tâmega e Barroso Nordeste Transmontano Verde Minho Serra do Marão Douro Sul Rota da Luz Dão Lafões Serra da Estrela Centro N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:26 Página 195
  • 192.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo 196 ATLAS DE PORTUGAL IGP Exemplos de áreas de turismo litoral Armação de Pêra, Algarve Peniche Porto Covo, Sines Exemplos de áreas de turismo rural Arrábida Pinhão, Douro Ilha do Pico 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 196
  • 193.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Tempode turismo mais de 11 milhões em 2002. Estes números são o reflexo de um processo que ainda mantém a sua principal aposta no turismo balnear mas que começa já a dar passos significativos noutros produtos turísticos que urge desenvolver, na medida em que as quebras sentidas neste sector nos últimos anos também se devem ao surgimento de novos destinos interna- cionais mais competitivos. O facto do turismo balnear permanecer como o principal produto turístico em Portugal, e a sua incapacidade para esca- par à condicionante sazonal, representa uma importante fragi- lidade deste sector, que conduz simultaneamente à excessiva concentração regional do fenómeno, como demonstra o Algar- ve. Entretanto, outra fragilidade importa apontar ao sector turístico português: a excessiva concentração da sua procura turística num número reduzido de mercados. Portugal é um destino turístico procurado essencialmente por europeus (em 2002, mais de 80% dos turistas estrangeiros eram oriundos de 5 países europeus), sendo metade provenientes de Espanha. Perante o reconhecimento do turismo como um dos mais importantes recursos económicos nacionais, num tempo que privilegia o lazer e as viagens, transformando os espaços em espectáculos para consumo turístico, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de Portugal se abrir a novos mercados e de apostar mais fortemente na promoção de produtos de excepção. Entretanto, também é urgente trabalhar melhor no campo da formação profissional para se atingirem melhores padrões de qualidade. O facto do sector turístico se encontrar sujeito a uma cons- tante e crescente competitividade, torna-o o alvo da necessida- de de investimentos constantes de forma a permitir a inovação e a atracção evitando o declínio. A possibilidade ganha por Portugal de organizar eventos de grande visibilidade como foi o caso da Expo'98 e do Euro2004, representou uma excelente oportunidade de promoção turística de um país que, cada vez mais, procura a notoriedade através da dinamização e da con- solidação do sector turístico. Entretanto, também importará ter em conta que esta notoriedade depende bastante do espa- ço, não só em termos de qualidades turísticas mas também de equilíbrio e respeito pelo ambiente e pelas necessárias regras de construção e utilização. ATLAS DE PORTUGAL IGP 197 Entrada de turistas em Portugal, 1967/2000 Evolução dos principais países de origem de turistas, 1984/2002 Principais origens dos turistas entrados em Portugal, 2002 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 197
  • 194.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO AAdministração Nos nossos dias, governo tende a ser cada vez mais Gover- nança, ou seja gestão participada. Actualmente o modo como se organiza o território, face à complexidade da gestão, é também fruto do cruzamento de iniciativas ‘voluntaristas’ das comunidades locais ou regionais, e das propostas da Administração Central, nível de Governança que determina a maioria das grandes decisões sobre o território de Portugal, sejam elas Programas ou Planos ou simplesmente classificações de nível administrativo que, em qualquer caso, são depois sustentáculo de decisões a jusante. O percurso histórico da organização administrativa portu- guesa até aos nossos dias segue, na sua essência, o desenvolvi- mento e consolidação dos Municípios face ao governo central e a outros poderes detidos, durante muito tempo em grandes áreas do território, por senhores da terra, nomeadamente durante a época feudal, ou por ordens religiosas, militares ou outras que acabaram por ter uma importância fundamental na estruturação de unidades organizativas do território, cujas marcas, em muitos casos, ainda subsistem. Por outro lado, as diferenças naturais no espaço que hoje constitui o território português também explicam o diferente peso das formas de organização e administração do território, sendo que essas diferenças tenderam a criar unidades locais e regionais, ‘pré-portucalenses’, ainda que com pouco vínculo entre si mas cujas respectivas identidades, em muitos casos, chegaram até nós, proporcionando sempre que necessário fundamentação para reclamar diferenças e reivindicar especi- ficidades regionais ou locais. O território genético de Portugal, o Entre-Douro-e-Minho e litoral oeste até ao Mondego, é o território que proporcio- nou, desde o século XI, maior facilidade de administração e controlo central pelas condições naturais – menos montanho- so, abundante em água e perto da costa – sendo, por isso, bas- tante povoado, com uma grande proximidade entre as unida- des de povoamento e maior facilidade de ligação entre si. Os territórios interiores, organizaram-se desde cedo em comunidades e concelhos que tiveram um papel determinan- te na consolidação do território português, principalmente os de zonas isoladas de Trás-os-Montes e Beira, que dada a insta- bilidade nos primeiros séculos da nossa História, se submete- ram facilmente, ou até por sua própria vontade, às autoridades senhoriais ou religiosas, multiplicando o modelo de depen- dência a ‘governos intermédios’ que, por isso, cobravam direi- tos aos que supervisionavam. Na primeira metade do século XV, o governo do Rei consegue instituir formas de exercício de poder acima de todos os outros, em todo o território de Portu- gal, através dos Corregedores e das respectivas Comarcas, áreas onde se controlava a recolha do imposto que recaía sobre a economia local alimentada principalmente pela actividade agrícola. Neste quadro, as cidades e os concelhos com cidades já constituíam pontos de atracção no território em geral, pela acumulação de gentes e riqueza. De facto, a cidade sempre foi uma unidade territorial interessante para os poderes, não sen- do igual, ainda hoje, exercer poder sobre um concelho rural ou sobre um concelho urbano. Na época da reconquista não é indiferente conquistar uma vila ou uma cidade e as cidades, tal como hoje ainda acontece, estão no litoral, que oferece melhores condições, e menos no interior. Assim, a estruturação das formas de governo, face à diferen- ciação do território em áreas mais e menos interessantes, come- çou muito cedo na nossa história, criando, por seu lado, novas 198 ATLAS DE PORTUGAL IGP Lourdes Poeira POLÍTICAS DO TERRITÓRIO Quando se fala de território, fala-se da terra que é detida ou gerida por uma entidade, singular ou colectiva, laica, religiosa ou militar. Se o território é o nacional, fala-se de Governo, de Administração, de Gestão ou de Governança, o termo que mais recentemente entrou no discurso das políticas com o significado mais abrangente. As formas que a Governança tem seguido ao longo dos tempos históricos sobrepuseram-se na mudança e moldaram a base dos sistemas governativos que hoje temos nos diferentes níveis ou escalas. Se as primeiras preocupações de Governo, quando Portugal inicia o seu percurso enquanto país, se centravam na definição e consolidação dos limites, mais tarde fronteiras, depressa emergiram outras, já de cariz administrativo que, a pouco e pouco, evidenciaram a necessidade de definir sub-territórios, diferenciados uns de outros por razões de ordem natural e/ou humana, e onde o exercício do poder devia ser mais directamente evidenciado, não só por exigências de controlo de pessoas e terras, mas também da economia local, fonte dos tributos e impostos devidos por se ser governado. 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 198
  • 195.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território ATLAS DE PORTUGAL IGP 199 Comarcas, século XV Distritos Concelhos Províncias N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 199
  • 196.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território diferenças que se mantiveram ou que se esbateram conforme ‘os desafios de época’: os sítios defensivos ao longo da fronteira, alguns dos quais receberam os primeiros forais entre todos os concelhos de Portugal, já foram tão importantes quanto outros, nomeadamente as cidades do litoral, e acabaram desajustados no contexto nacional recente. A matriz concelhia, ainda que transformada à medida das políticas de época, é a que melhor caracteriza a diferenciação da organização administrativa de Portugal, sendo também a mais estável e a que melhor espelha a identificação das popu- lações com o território em que vivem. É também a que mais pulveriza a acção de governar num total de 308 concelhos, dos quais 30 correspondentes às Regiões Autónomas da Madeira (11) e dos Açores (19). Muitas têm sido as propostas de reorganização territorial no sentido de criar níveis regionais de administração, no sen- tido de se ultrapassar a ‘excessiva’ dispersão local do poder e da capacidade de decisão, reconhecendo-se que, em muitos casos, o défice de massa crítica local em recursos e pessoas, condena à ineficácia muitas políticas e medidas de desenvol- vimento, tendo em conta a necessidade de afirmação e repre- sentação no espaço da Europa Comunitária em que, maiorita- riamente, as escalas de decisão são diferentes. As Províncias, de certo modo inspiradas nas regiões genéti- cas de Portugal e nas Comarcas Reais, foram o veículo privi- legiado do Estado Novo para caracterizar o Portugal rural e tradicional da primeira metade do século XX. Por seu lado, os Distritos foram definidos como unidades de controlo adminis- trativo e político, bem como de organização da segurança do Estado, limitando as veleidades de poder das autarquias locais. Neste percurso de estruturação da organização administra- tiva do território foi-se perdendo o sentido das regiões com limites estabelecidos, ainda que, na tradição oral, todos man- tenham as referências à região de origem, principalmente no interior do país. São excepção neste modo regional as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, as únicas regiões autó- nomas portuguesas. Com a adesão à Comunidade Europeia, em 1986, e no sen- tido de organizar o território de Portugal para fins de desenvol- vimento dada a não definição de regiões, são definidas Unida- des Territoriais Administrativas para fins Estatísticos, as NUT, equi- paradas a unidades territoriais com objectivos idênticos nos outros países da Comunidade Europeia: o País é a NUT I, divi- dido em 7 NUT II, das quais 2 são as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e 5 são, no Continente, equivalentes a ‘Regiões’, por sua vez divididas em 29 NUT III, equivalentes a ‘Sub-Regiões’. As NUT tiveram a vantagem de “regionalizar a administração”, por via da necessidade de organização da informação e sobretudo da acção sectorial da Administração Central, no sentido de garantir resposta às exigências da Comunidade em matéria de acesso e redistribuição dos Fun- dos de Desenvolvimento Regional. Assim e apesar de não existirem regiões e as respectivas autarquias, a Administração Central tem conduzido a sua acção cada vez mais de forma descentralizada, apoiando-se nos serviços sectoriais regionali- zados. Tendo sido goradas as iniciativas de constituir autarquias regionais, já na década de 90 do século XX, foi desencadeado pelo XV Governo Constitucional, em Maio de 2003, o proces- so para instituir, ainda e sempre com intuitos organizacionais do território nacional, as Comunidades Urbanas e as Grandes Áreas Metropolitanas que abrem possibilidades de organização regional do território português com base no sistema urbano, ou seja, com base nos pólos mais dinâmicos do território. Dever-se-á notar que, até ao surgimento desta iniciativa, tinham sido definidas duas Áreas Metropolitanas, a de Lisboa e a do Porto, em 1991. De sublinhar, mais uma vez, a importância das cidades nomea- damente a sua importância política: sempre que se desenharam propostas de reorganização administrativa, houve a preocupação com a elevação de centros urbanos à categoria de Cidade, mes- mo que nem sempre os parâmetros estatísticos, definidos em 1982 no Decreto-Lei n.º 11, de 2 de Junho, confirmem essa posi- ção. Hoje existem 141 cidades no Continente, das quais 18 são 200 ATLAS DE PORTUGAL IGP NUT II e III e Áreas Metropolitanas, 2004 Área Metropolitana do Porto Área Metropolitana de Lisboa N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/15 11:16 Página 200
  • 197.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território ATLAS DE PORTUGAL IGP 201 Cidades por época de nomeação Antiga Séc. XV/XVI Séc. XVIII/XIX Séc. XX 1ª metade do Séc. XX Anos 70 Anos 80 Anos 90/2004 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 201
  • 198.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território ‘capitais de Distrito’. Nas Regiões Autónomas, existem 12 cida- des, 6 na Madeira e 6 nos Açores. Entre as mais antigas cidades portuguesas contam-se Lis- boa, Porto, Viseu, Braga, Coimbra, Évora, Guarda, Lamego, Silves, Faro, Lagos e Tavira com origens pré-portucalenses e detentoras de uma história urbana romana ou árabe ou ambas, como no caso das cidades do Sul e mesmo Lisboa; as cidades criadas ou reconfirmadas pelos forais novos, nos séculos XV e XVI reforçaram a presença do Estado em regiões ainda instá- veis como o Norte Interior – Bragança e Miranda do Douro – e o Alentejo, aqui com Beja, Elvas e Portalegre, a que se jun- tam Leiria no litoral Oeste e Funchal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo nas Regiões Autónomas. No século XVIII, pou- cas nomeações são feitas: Aveiro, Castelo Branco, Penafiel e Pinhel; no século XIX surgem Covilhã, Figueira da Foz, Gui- marães, Santarém, Setúbal, Tomar e Viana do Castelo. No início do século XX, foram cidades, Abrantes, Barcelos, Caldas da Rainha, Chaves, Estremoz, Portimão e Vila Real. Durante as décadas de 30, 40, 50 e 60 não houve nomeações para cidades e nos anos 70 são classificadas Almada, Amado- ra, Espinho e Torres Vedras, única deste grupo não integrada em Áreas Metropolitanas. Nos anos 80 são nomeadas 36 cidades, das quais 23 nas regiões do litoral oeste e sul; nos anos 90 são nomeadas 43, das quais 33 nas mesmas regiões litorâneas; já no início do século XXI foram criadas 9 cidades, 7 no litoral. O Planeamento A organização e administração dos territórios não se limi- tam a medidas delimitadoras de sub-territórios para controlo da prática administrativa. Para enquadrar decisões, Planos e Programas permitem chegar a concretizações pré-definidas e avaliadas em custos e impactes, no quadro dos objectivos e orientações do desenvolvimento territorial, quer quanto à organização do espaço (planos de ordenamento), quer quanto ao desenvolvimento SOCIOECONÓMICO (planos de des- envolvimento). O Sistema de Planeamento Português começou a ser estruturado, a diversas escalas, na década de 70 do século XX, ainda que já existissem Planos de Ordenamento, para deter- minados objectivos e áreas, principalmente urbanas, como o caso de Lisboa e Costa do Estoril, e de Desenvolvimento como foram os Planos de Fomento e o projecto de Sines. Contudo, os ensaios dos anos 70 e 80 pecam pela falta de arti- culação entre as orientações definidas nos diplomas de então. Actualmente, o Sistema de Planeamento Português, no que concerne os Planos de Ordenamento e de Desenvolvi- mento, inclui três escalas em estreita interdependência: nacio- nal, regional e local. Nos dois primeiros níveis, os Planos são estratégicos e a nível local inserem-se as preocupações com o ordenamento do território. O primeiro nível a ser estruturado foi o concelhio, até pela obrigatoriedade, criada então, da existência de Plano Director Municipal, PDM, para aceder aos Fundos de Desenvolvimento Regional da Comunidade Europeia. Hoje todos os concelhos têm PDM e muitos estão em fase de revisão, dez anos passados sobre a respectiva aprovação e ratificação pelo governo central. O mesmo não se pode dizer dos Planos Regionais de Ordenamento do Território, PROT, cuja malha continua aber- ta. A nível nacional deverá ser estabelecido o PNPOT, Progra- ma Nacional de Política de Ordenamento do Território, o qual deverá propor as linhas mestras que norteiem a melhor organização espacial do território português. Ainda no quadro do Sistema de Planeamento Português estão definidos outros tipos de Planos de Ordenamento, como é o caso dos Planos Especiais de Ordenamento do Território, PEOT, aplicáveis a situações territoriais que reque- rem cuidados especiais, como é o caso das áreas envolventes das albufeiras criadas pelas barragens, os Planos de Ordena- mento da Orla Costeira, POOC, e os Planos Sectoriais, Planos de desenvolvimento sectorial com incidências directas no espaço, todos estes de nível regional e cujos objectivos deve- rão integrar os definidos nos PROT. Também os objectivos e propostas dos PDM deverão ser compatibilizados com os dos planos regionais. Com o objectivo de ajustar e ordenar as diferentes reali- dades do nosso processo de desenvolvimento, diversas áreas de actuação territorial têm proposto outros tipos de plano ou simplesmente definido espaços de acção fora do Sistema de Planeamento Português. É o caso do Ambiente, com a defi- nição das Áreas Protegidas para territórios de excepcional importância em matéria de recursos naturais; o caso da ges- tão das Redes Hidrográficas, através da definição das Áreas de Bacia Hidrográfica; os casos que se prendem com a gestão da economia regional onde sobressaem as Regiões de Turismo e as Regiões Vinícolas, hoje Regiões com Denominação de Origem. Ainda do ponto de vista da melhoria do desempenho das potencialidades territoriais, têm-se definido diversos progra- mas sectoriais, alguns deles com evidentes resultados regio- nais ou locais como os que se têm preocupado com as cidades e outros espaços urbanos portugueses. Estes programas têm o mérito de reforçar o papel que os centros urbanos em geral, classificados ou não como cidades, evidenciam na estrutura- ção do território. Destacam-se, assim, os que incidiram na cidade como um todo, como o PROSIURB, Programa de Con- solidação do Sistema Urbano Nacional, definido no final dos anos 80 do século XX e que se propunha reforçar o papel das cidades médias portuguesas, maioritariamente capitais de dis- trito; anteriormente, e com menos recursos, o PRAUD, Progra- ma de Renovação das Áreas Urbanas Degradadas, incidiu principalmente nos centros históricos. De cariz mais sectorial mas com grande importância princi- palmente quando em sinergia com outros programas, devem-se 202 ATLAS DE PORTUGAL IGP 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 202
  • 199.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território nomear o PROCOM/URBCOM destinado a renovar e reestruturar o comércio urbano; o RECRIA, Regulamento Especial de Con- servação e Renovação de Imóveis e o PER, Programa de Erradi- cação de Barracas, destinado às Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. Todas estas medidas ajudaram os centros urbanos por- tugueses a saírem de algumas dificuldades, por vezes sérias, de ordenamento e gestão urbanística, geradas nos anos 60 do sécu- lo XX e decorrentes de uma desestruturação profunda da econo- mia portuguesa que empurrou as populações do interior para as cidades, principalmente do litoral, em busca de melhores condi- ções de vida. O POLIS, Programa de Requalificação Urbana e valorização Ambiental das Cidades, é a mais recente iniciativa da Admi- nistração Central para reforçar a melhoria da qualidade urba- na das cidades portuguesas, aproveitando disponibilidades financeiras do III Quadro Comunitário de Apoio. ATLAS DE PORTUGAL IGP 203 Planos Regionais de Ordenamento do Território aprovadosPlanos Directores Municipais por ano de ratificação 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Até 1999 Aprovados PROZEA PROTAML PROZED PROZAG PROZOM Em revisão PROTAL PROTALI Em elaboração PROTAM PROTCL PROTO PROT-TMAD N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 203
  • 200.
    O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticasdo território A Qualificação e o Desenvolvimento Sustentável Os processos de desenvolvimento têm a vantagem intrínseca dos seus objectivos mas também outras, como sejam o melhor conhecimento dos territórios e das comunidades para além de acordarem nestas o interesse pelas suas próprias condições de vida face ao que hoje se preconiza a nível de qualidade. O Portugal do final do século XX já é um Portugal no caminho dos cânones mais actuais em matéria de desenvolvi- mento, ainda que, no quadro dos países da União Europeia, se ressinta de algum desfasamento. No que concerne as conduções básicas de vida, como o acesso às infra-estruturas de água e saneamento e energia, redes de transportes e comunicações, nomeadamente teleco- municações, todos os indicadores evidenciam um salto quali- tativo notável, tendo em conta o défice em meados dos anos 70 do século passado. Quanto a indicadores de qualificação mais sofisticados, é notória a evolução nos centros urbanos, onde reside 80% da população portuguesa, a partir dos quais se tem evoluído no sentido da promoção dos parâmetros de vida das populações da área rural, muito despovoada. Para tanto tem contribuído algum ‘regresso à origens’ de alguma população urbana, mais jovem, que vê na área rural, até há bem pouco só apetecida por estrangeiros em fuga da pressão do grande desenvolvimento europeu, a chave de sucesso para projectos especiais económicos mas também sócio-culturais. Quer isto dizer, mais do que caracterizar novos e peculiares modos de vida, que o nosso território con- seguiu manter a atractividade e o interesse que desde tempos remotos o individualizaram, seja pela variedade paisagística, pela proximidade do mar, pela amenidade do clima ou sim- plesmente porque, apesar de tudo, tem e mostra uma identi- dade forte e peculiar na Ibéria e na Europa. Entre os indicadores que melhor podem caracterizar os resultados do processo de desenvolvimento e qualificação do território português, seleccionaram-se os seguintes, por NUT III: Alojamentos/100 famílias residentes, 2001 População residente/alojamento, 2001 Mortalidade infantil, 1998/2002 Índice de envelhecimento, 2002 Consumo de água, habitação e serviços/per capita, 2002 Resíduos tratados, 2002 População servida com sistemas de drenagem de águas residuais, 2002 População servida por ETAR, 2002 Balanço depósitos/créditos nos bancos portugueses, 2002 Licenciados/1 000 habitantes c/ qualificação académica, 2001 Profissionais qualificados e quadros/1 000 habitantes, 2001 Médicos/1 000 habitantes, 2002 Consumo doméstico de electricidade/família, 2002 Veículos ligeiros e mistos/1 000 habitantes, 2001 Área desportiva útil/1 000 habitantes, 2002 Indicador de qualidade do desenvolvimento, 2002 204 ATLAS DE PORTUGAL IGP POLIS PROSIURB PRAUD Programas Urbanos – PRAUD, PROSIURB e POLIS N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:27 Página 204
  • 201.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 205 População residente por alojamento, 2001 A média de residentes por alojamento é baixa no Continente: 2,04 em 2001. As sub-regiões que apresentam média mais elevada, acima de 2,5 mas sem chegar a 3, situam-se no Norte do país: Cávado, Ave, Tâmega e Entre-Douro e Vouga. A estas acrescentam-se as Regiões Autónomas. Alojamentos por cada 100 famílias residentes, 2001 Em Portugal existiam, em 2001, em média, 138 alojamentos por cada 100 famílias residentes. As sub-regiões com valores acima desta média são as de abandono de habitações por efeito da emigração, quase todas no interior norte de Portugal; e o Algarve, onde se atingem 185 alojamentos por 100 famílias. As sub-regiões com menor número de alojamentos por família situam-se todas ao longo da costa ocidental, entre os rios Minho e Sado, com algumas extensões para o interior. As Regiões Autónomas apresentam também o mais baixo número de alojamentos por 100 famílias. 180 a 185 140 a 179 120 a 139 2,5 a 2,9 2,0 a 2,4 1,5 a 1,9 <1,5 Taxa média de mortalidade infantil, 1998/2002 Mostra valores mais elevados nas sub-regiões do Norte de Portugal, na Grande Lisboa, Oeste, Alentejo Litoral e Algarve, ou seja, mantém valores mais desfavoráveis em sub-regiões onde tradicionalmente esta taxa é mais elevada e também nas sub-regiões urbanas mais cosmopolitas. % 5 a 7,5 2 a 5 <2 Índice de envelhecimento, 2002 Apresenta uma média elevada para Portugal: 108 em 2002, e valores especialmente elevados nas sub-regiões do interior do país, com destaque para o Pinhal Interior Sul, Beira Interior Sul e Alto Alentejo, com valores acima de 200. As sub-regiões menos envelhecidas estão no litoral norte, rodeando o Grande Porto, e também a Península de Setúbal e as Regiões Autónomas. >200 150 a 200 100 a 149 <100 N 0 25 50 km O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticas do território 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 205
  • 202.
    206 ATLAS DEPORTUGAL IGP Consumo de água, capitação em m3/ano, 2002 O consumo de água na habitação e serviços está ligado aos estilos de vida, sabendo-se que os consumos mais elevados se registam nas regiões mais urbanizadas e mais cosmopolitas. Assim, o Algarve apresenta o consumo anual, per capita, mais elevado de Portugal, 81m3, seguindo-se as sub-regiões mais urbanizadas e/ou mais turísticas do litoral oeste a sul de Lisboa, incluindo a Grande Lisboa, além da Beira Interior e dos Açores. A maior parte do território português consome entre 30 e 50m3, existindo 5 sub-regiões entre o Centro e o Norte com capitações anuais abaixo dos 30m3. Resíduos tratados, 2002 De um total de 4,8 milhões de toneladas recolhidos em Portugal, em média pouco mais de 480kg/habitante/ano (99% da população é abrangida por sistemas de recolha), em 2002, só 5% eram tratados (reciclados, vendidos ou cedidos). A sub-região com mais elevada percentagem é o Ave, com 18%, seguindo-se os Açores com 12%. As restantes sub-regiões, mesmo as mais urbanizadas, não atingem em média os 10%. População servida com sistemas de drenagem de águas residuais, 2002 Os sistemas de drenagem de águas residuais serviam em média, 72% da população de Portugal. As sub-regiões mais bem servidas, acima dos 80% da população abrangida, eram as do Interior, do Algarve, da Península de Setúbal, a Grande Lisboa e o Oeste. As sub-regiões mais mal servidas encontram-se no Noroeste; nesta classe inclui-se a Região Autónoma dos Açores. População servida com ETAR, 2002 As Estações de Tratamento de Águas Residuais, ETAR, serviam em média, 57% da população portuguesa, correspondendo as mais baixas percentagens de serviço a algumas sub-regiões do Centro, Península de Setúbal, às sub- -regiões do Vale do Douro e Alto Minho e também às Regiões Autónomas da Madeira e Açores. m3 81 50 30 % 98 80 50 % 88 80 50 % 18 10 5 3 1 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticas do território 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 206
  • 203.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 207 Balanço Depósitos/Créditos, 2002 Nos bancos portugueses, revela um país urbano ‘devedor’ nas sub-regiões urbanas ao longo do litoral português contrastando com o país que aforra, nas sub-regiões interiores, onde dominam as remessas dos emigrantes ou ex-emigrantes; e também o Algarve, aqui por via do turismo. Licenciados por 1 000 habitantes com qualificação académica, 2001 Revela-nos um país com qualificação pouco elevada: em média só existem 71 licenciados por 1 000 habitantes com qualificação académica. As sub-regiões melhor posicionadas são as que detêm as mais importantes e antigas universidades do país, caso do Grande Porto, Baixo Mondego e Grande Lisboa. Profissionais qualificados e quadros por 1 000 habitantes, 2001 Evidenciam uma média de 115 destes profissionais para o total do País, sendo mais baixa nas Regiões Autónomas. As sub-regiões com médias acima deste valor são o Grande Porto, o Baixo Mondego, a Grande Lisboa e a Península de Setúbal. De resto, as sub-regiões com melhor qualificação encontram-se entre as urbanas do litoral, às quais se acrescentam a Beira Interior Sul e o Alentejo central. Nº >150 91 a 150 71 a 90 50 a 70 Médicos por 1 000 habitantes, 2002 Revela as maiores concentrações nas principais sub-regiões urbanas, Grande Porto, Baixo Mondego e Grande Lisboa e uma evidente rarefacção na maior parte do território de Portugal (número de médicos segundo o local de residência). Nº >5 2 a 5 <2 >1,5 1 a 1,5 <1 Nº >100 81 a 100 30 a 80 N 0 25 50 km O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticas do território 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 207
  • 204.
    A apreciação conjuntadestes indicadores, os possíveis e comuns a todo o país, no sentido de abordar a questão da qua- lidade de desenvolvimento em Portugal, proporciona uma imagem pouco consolidada e coerente de qualidade do desen- volvimento. Nas questões da habitação/população, verifica-se em simultâneo existir maior número de alojamentos do que famílias, mesmo em regiões menos afectadas pela emigração e pelo turismo, assim como baixo número de pessoas por alo- jamento; os valores mais altos de alojamentos face às famílias registam-se na sub-regiões interiores coexistindo com a mais baixa taxa de ocupação dos mesmos, ou seja, o interior de Portugal está duplamente despovoado. Não se estranha que os valores mais elevados de consumo doméstico de electricidade estejam nas sub-regiões do litoral, bem como a mais elevada permilagem de veículos ligeiros e mistos. O mesmo não se pode dizer dos consumos de água cuja liga- ção ao modo de vida urbano depende mais dos estilos de vida do que da taxa de urbanização, encontrando-se, por isso, uma forte ligação de elevados consumos às sub-regiões turísticas. Nos sistemas que tratam as águas residuais ou que reci- clam os resíduos, no sentido de melhorar as condições ambientais, verifica-se um melhor desempenho, em média no território de Portugal, nos Sistemas de Drenagem de Águas Residuais do que em ETAR ou Reciclagem de Resí- duos, não sendo, no entanto, muito evidente a dicotomia Litoral-Interior. Se a distribuição geográfica dos valores da taxa de mortali- dade infantil estão dependentes do acesso aos cuidados de saúde, o índice de envelhecimento evidencia que as regiões despovoadas são também envelhecidas. Nessas sub-regiões, o balanço entre os depósitos e os crédi- tos bancários pende a favor dos primeiros, situação muito liga- 208 ATLAS DE PORTUGAL IGP Consumo doméstico de electricidade por família, 2002 Sublinha as sub-regiões mais urbanas de Portugal Continental, distribuídas ao longo da costa, que apresentam consumos médios iguais ou acima da média do Continente, 2,3KWh/família. As Regiões Autónomas apresentam consumos médios ‘urbanos’. Veículos ligeiros e mistos por 1 000 habitantes, 2001 Portugal apresenta uma média elevada de veículos ligeiros e mistos, VLM, por 1 000 habitantes, 411 em 2001, sendo mais baixa nas Regiões Autónomas, 312, e mais elevada no Continente, 416. A sub-região com a média mais elevada é o Pinhal Litoral, com 501 VLM /1 000 habitantes, entre as sub-regiões maioritariamente urbanas e junto à costa, onde esta permilagem é a mais elevada. kw/h >3 2 a 3 <2 Nº >450 401 a 450 290 a 400 O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticas do território 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:28 Página 208
  • 205.
    m2 4000 a 6940 2500a 3999 <2500 Área desportiva útil por 1 000 habitantes, 2002 Inclui campos de jogos e pistas de atletismo, espaços cobertos, piscinas cobertas e descobertas, mas exclui os campos de golfe e os novos estádios do Euro 2004; evidencia um relativo bom índice de equipamento da maior parte do país, excluindo as regiões mais povoadas e urbanas onde a superfície desportiva útil por 1 000 habitantes é a mais reduzida (inferior a 2 500m2). Indicador de Qualidade de Desenvolvimento, 2002 Aprecia os resultados do processo de desenvolvimento regional, tendo em conta 13 dos 15 Indicadores sectoriais considerados (não foram incluídos os depósitos/créditos bancários e a área desportiva/1 000hab.). Por cada indicador foram analisados os desempenhos regionais face à média do país e ponderadas, numa escala de 1 a 3, as diferenças encontradas. As ponderações mais elevadas correspondem às qualificações académica e profissional, à população servida por ETAR e à percentagem de resíduos tratados, ao consumo de electricidade e ao número de veículos/1 000 hab. da às características do povoamento já assinaladas, mas também ao facto de serem essas as regiões que mais beneficiam dos dinheiros da forte emigração desde sempre aí registada. Assim, se a mais elevada permilagem de superfície despor- tiva útil existe em muitas sub-regiões do interior, podemos concluir que o respectivo planeamento não teve em conta dados básicos demográficos respectivos. A permilagem de médicos, para além de evidenciar valo- res elevados nas principais sub-regiões urbanas do país, situação esperada, apresenta a restante distribuição bastante incaracterística. A análise das permilagens dos profissionais qualificados e dos licenciados reforça uma certa dicotomia entre sub-regiões mais urbanas do litoral e sub-regiões do interior, embora nestas seja evidente a importância dos pólos universitários que explicam algumas permilagens mais eleva- das de licenciados como nos casos das sub-regiões do Centro e Norte e, também de iniciativas de dinamização económica que explicam algumas permilagens de profissionais qualifica- dos, como é o caso da Beira Interior Sul. Existe então um país do litoral ocidental e sul, a que se acres- centa o Alentejo Central, onde os indicadores configuram, pelo menos, um estilo de vida francamente urbano, com melhores indicadores clássicos de desenvolvimento, com mais dívidas que aforros e uso acentuado de veículos privados; o país interior tem menos dinâmica demográfica e por isso beneficia de mais fácil acesso a serviços básicos, saneamento e tratamento de resí- duos, ou a equipamentos, no caso, os desportivos, e talvez por isso ainda usa menos o veículo privado, aforra mais do que gas- ta, apresenta benefícios a explorar no futuro a partir de uma população que também já tem acesso a educação superior e que demonstra alguma iniciativa no sentido de uma nova fase de desenvolvimento económico. As Regiões Autónomas apresentam características entre o Litoral e o Interior de Portugal Continental. 1,6 1,3 1 0,9 0,8 0,7 0,6 ATLAS DE PORTUGAL IGP 209 N 0 25 50 km O PAÍS SOCIOECONÓMICO Políticas do território 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/15 11:18 Página 209
  • 206.
    210 ATLAS DEPORTUGAL IGP A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO COMUNIDADES PORTUGUESAS TESTEMUNHOS DE UM PASSADO LONGÍNQUO EVIDÊNCIAS CULTURAIS DE HOJE IDENTIDADE E CULTURA EM TEMPOS DE MUDANÇA RIQUEZA E DIVERSIDADE DE CULTURAS FRONTEIRAS DE UM PORTUGAL CULTURAL ACTUAL SUPORTE À CULTURA PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA PORTUGAL NA EUROPA A INTEGRAÇÃO DA EUROPA TRANSFORMAÇÕES NA UE-15 PRIORIDADES SOCIAIS DA UE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E NÍVEL DE VIDA ENERGIA: A MAIOR FRAGILIDADE DA UE PRESIDÊNCIA PORTUGUESA NA UE O ALARGAMENTO DA UE UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA 871_05_Miolo_Pags175a210 06/02/02 10:33 Página 210
  • 207.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 211 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 211
  • 208.
    212 ATLAS DEPORTUGAL IGP Proponho ao leitor um rápido exercício de imaginação histórica: suponha que consegue recuar no tempo e vai embarcado numa nau que, pela primeira vez, chega a um outro continente, África, América ou Ásia. Não estamos evidentemente a falar da África do Norte, em que as populações falavam e falam uma língua para a qual havia interpretação disponível, alguma memória ainda viva e contactos ainda possíveis com os respectivos falantes entre os povos cristãos na Península Ibérica. Estamos a considerar, sim, povos cujas línguas e sistemas de escrita eram completamente diferentes da nossa, apresentando aos recém-chegados um grau de opacidade e de indecifrabilidade que podemos dizer total, sendo a inversa igualmente verdadeira. A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO VASCO GRAÇA MOURA O leitor, desembarcando, pela primeira vez, com soldados, marinheiros, religiosos, comerciantes, ou simples aventureiros, num lugar em tais condições, sem intérpretes à mão e, muitas vezes, sem condições até para fazer entender por gestos alguns aspectos mais elementares ligados à comunicação entre seres humanos, estaria colocado exactamente na mesma situação em que muitos portugueses se encontraram. Nem o português era falado, ou, sequer, conhecido, nessas paragens, nem os portugueses, ou outros europeus, estavam em condições de se fazerem entender. E todavia… entendiam-se! E apesar de, ao que parece, Vasco da Gama ter confundido o culto de uma deusa local com o da Virgem Maria, podemos ler em Camões um exemplo interessante, de que devemos registar a complexidade abstracta da proposta feita pelo nauta português ao Samorim: E se queres, com pactos e lianças De paz e amizade, sacra e nua, Comércio consentir das abondanças Das fazendas da terra sua e tua, Por que cresçam as rendas e abastanças (Por quem a gente mais trabalha e sua) De vossos Reinos, será certamente De ti proveito e dele glória ingente. (Lusíadas, VII, 62) Mas imaginemos agora o que se passava, não já em Calecute, à chegada do Gama, que sempre podia dispor de um ‘língua’, ou intérprete, relativamente fácil de arranjar entre os falantes de árabe que pululavam na costa oriental de África, muito em especial de Mombaça para cima. Imaginemos um missionário, ou um comerciante português a chegar às partes da China ou do Japão. Ou à costa brasileira. E começarem a entregar-se à sua actividade, falando e fazendo-se entender… 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 212
  • 209.
    Num curto prazoo terão conseguido e não só. Também se dedicaram ao estabelecimento de vocabulários e gramáticas, à redacção de catecismos, à transmissão da língua portuguesa às populações nativas com que iam contactando. E além disso, deixaram relatos, informações organizadas e esboços históricos das partes longínquas com que iam contactando, em termos que supõem uma grande capacidade de compreensão da informação local, nas línguas locais, muitas vezes, decerto, apenas colhida pela via oral. Em muitos pontos do globo, a língua portuguesa terá ‘entrado e saído’ com relativa precariedade. Mas em muitos ficou e ainda hoje perdura. As razões que o explicam são, evidentemente, de natureza histórica, política e administrativa, institucional, social, cultural e familiar. E as condições dessa mesma permanência variaram, no tempo e no espaço em termos muito diferentes entre si. Basta comparar o relativamente frouxo conhecimento do português por parte dos habitantes chineses de Macau, onde, sem uma política concertada com as autoridades daquela autonomia especial da República Popular da China, ele estaria condenado a desaparecer de todo a breve trecho, com o que se passa na Índia, ocupada pelas tropas indianas desde fins de 1961 e desde então subtraída ao domínio português: ainda hoje, em Goa, Damão e Diu, há uma geração das populações fixadas nesses territórios antes da intervenção indiana que fala e escreve em português corrente. Questões culturais, questões familiares, questões institucionais (o Código Civil Português de 1867 ainda hoje lá se aplica), questões enfim ligadas a uma afirmação de identidade própria face ao mosaico étnico, cultural e religioso de que se compõe a União Indiana, podem explicá-lo, embora possa também dizer-se que em Goa, Damão e Diu a língua portuguesa está em regressão e só poderá ultrapassar esse estado se houver políticas de cooperação bilateral suficientemente fortes e sugestivas que o permitam. Diferente parece ser também a questão de Timor Leste, o oitavo país de língua portuguesa. A tradição cultural e religiosa, aliada à cooperação bilateral e inscrita em todo o complexo processo que levou à independência de Timor em relação à Indonésia, levam a que o português possa aspirar a um papel importante na construção desse novo país. É, de resto, o que acontece em África. Em cada um dos seis países africanos de língua oficial portuguesa, a nossa língua é um factor de unidade nacional, um instrumento de acção política e de prática administrativa, um valor essencial de cultura e um factor imprescindível para a ciência e a tecnologia, a formação e o desenvolvimento. Nem os crioulos, onde os há, provaram ser idóneos para o ensino ou para a formulação do pensamento abstracto, nem a existência de dezenas de línguas nativas o teria permitido. Nesses países, além disso, há uma fortíssima ligação humana, adensada ao longo de séculos e muitas vezes estreitada por laços de parentesco próximo, com o povo português. E é de supor, mau grado as oposições, por vezes muito negativas para a nossa língua, entre o francês e o português, em Cabo Verde e na Guiné, ou entre o inglês e o português, em Moçambique, que a nossa língua não perderá a sua posição dominante. Numa situação internacional assaz complexa, poderá dizer-se que a verdadeira oposição em África é a que ocorre entre ‘latinofonia’ e ‘anglofonia’, mas que isso diz respeito à opção por uma determinada língua veicular internacional e não à língua que os povos desses estados falam e escrevem realmente na sua realidade quotidiana. De resto, a criação cultural desses seis países africanos no plano literário e noutros (teatral, cinematográfico, crítico, etc.) é, quase exclusivamente, feita em língua portuguesa. Diferente ainda é o caso do Brasil, gigantesco espaço geográfico e humano da América do Sul. Desde o tempo do Marquês de Pombal que a resolveu ‘totalitariamente’, à boa maneira do despotismo iluminado, que a questão não se põe. O português é a língua do Brasil, com variantes de pronúncia, sintaxe e vocabulário, é certo, mas que não são mais do que isso. É no Brasil que o português é falado por mais gente do que em todo o restante universo da língua portuguesa no mundo. E é por isso a partir do Brasil que ele tem mais peso no contexto internacional, sendo também de supor que é no Brasil, hoje país da fusão multicultural por excelência, que ele evoluirá em termos mais significativos. Detenhamo-nos um pouco: podemos comparar o trajecto, a expansão e a projecção da língua portuguesa no mundo, à viagem de Pedro Álvares Cabral em 1500, a primeira, na História da Humanidade, a ligar por mar os cinco continentes. Nesse sentido, o olhar que hoje temos sobre a importância das nossa língua no mundo é um olhar… ‘cabralino’. E aqui têm cabimento alguns números a testemunharem das ordens de grandeza. ATLAS DE PORTUGAL IGP 213 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 213
  • 210.
    214 ATLAS DEPORTUGAL IGP O português é a sétima língua mais falada do mundo, depois do chinês de Pequim, do inglês, do indi-urdu, do espanhol, do russo e do indonésio-malaio. Encontra-se à frente do árabe, do bengali, do francês, do japonês e do alemão. Mas já ocupa o quarto lugar entre as línguas europeias mais faladas no mundo, depois do inglês, do espanhol e do russo, e antes do alemão, do francês e do italiano. Todavia, o português é uma das línguas nacionais menos faladas no território europeu, como qualquer comparação demográfica elementar permite concluir. Confinado à Europa, se Portugal não fosse um país independente e acaso se tivesse tornado uma ‘autonomia ibérica’, o português provavelmente seria hoje considerado ‘língua minoritária’... Por outro lado, o português ‘de Portugal’, dada a estabilidade das nossas fronteiras ao longo de perto de oito séculos, cobriu todo o território nacional, com apreciável unidade e sem variantes dialectais que a tal respeito possam considerar- -se significativas. Teve e tem, por isso mesmo, um papel fundamental na consolidação da nossa identidade e pode aspirar ao estatuto de paradigma só acessível a uma língua que conte com numerosos clássicos no seu património literário. Dos países de língua portuguesa, Portugal ocupa naturalmente o primeiro lugar quanto a este aspecto. Mas é ainda de ponderar que o número, a dimensão demográfica e territorial e a importância geo-estratégica dos países em que uma dada língua é falada contribui em larga medida para o seu potencial num mundo em globalização acelerada. Nessa escala, a desproporção é evidente: o inglês é falado em aproximadamente 47 países, o francês em 30, o árabe em 21, o espanhol em 20 e o português, conquanto venha em quinto lugar nesta série, em apenas 8... Se acrescentarmos que a maioria destes últimos oito se compõe de países ainda em vias de desenvolvimento, alguns com enormes dificuldades e dependentes de impressivas ajudas externas, podemos concluir que é neste quadro que devemos ser extremamente realistas. Mas há ainda outro aspecto que não podemos escamotear. É que a língua portuguesa muito provavelmente evoluirá de maneira diferente consoante os territórios em que é falada, tanto na pronúncia, como no léxico e na gramática. Este aspecto centrífugo, que encerra, em si mesmo, potencialidades de enriquecimento e versatilidade da língua como um todo, é todavia contrariado por um aspecto centrípeto: tanto o Brasil como Portugal, e como ainda possivelmente os países africanos de língua oficial portuguesa, reúnem condições para assegurar a unidade da língua nos tempos de globalização acelerada em que vivemos hoje: na língua portuguesa se comunica em tempo real graças a tecnologias que a transportam com as suas actuais características, na língua portuguesa se cria literatura, imprensa e produção audiovisual que circula rapidamente entre os vários espaços em que é falada, na língua portuguesa se intervém no plano multilateral dos oito Estados em questão e no plano internacional das principais organizações, na língua portuguesa se processam as várias modalidades de cooperação que vão sendo desenvolvidas. A língua portuguesa é pois um traço de união que não se limita a uma simples memória histórica. Assegura o funcionamento de um complexo sistema no presente e tende, com os aperfeiçoamentos de que esse sistema é susceptível, a sê-lo cada vez mais no futuro. É o facto de esse traço de união, ou, se se preferir, esse denominador comum a perto de duzentos milhões de seres humanos existir que, por um lado, permite uma visão do mundo, uma Weltanschauung afim em tantas partes geográfica, histórica, cultural e etnicamente tão afastadas entre si no globo e, por outro, representa um bloco com características próprias ante várias entidades e instituições que estão actualmente a enquadrar os Estados tradicionais em novas modalidades de organização e coordenação de actividade: perante a União Europeia, a NAFTA, o Mercosur, as organizações emergentes no Oriente e no Extremo-Oriente, a língua portuguesa permite que os Estados em que é falada sejam vistos e respeitados como uma ponte interactiva e capaz de assegurar ligações mais eficazes: Portugal pertence à União Europeia, o Brasil integra o Mercosur, Angola, Moçambique, a Guiné, S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde estão em relação estreita com a Organização de Unidade Africana e os países ACP e assim sucessivamente. Mesmo em potências e blocos asiáticos emergentes, a que pertencem a Índia, a China e o Japão, o português ganha um novo espaço nesta perspectiva, isto sem falar nas comunidades de emigrantes que em certas áreas (Estados Unidos, África do Sul) criam importantes focos de irradiação da nossa língua. A LÍNGUA PORTUGUESA: UM TRAÇO DE UNIÃO À RODA DO MUNDO 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 214
  • 211.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 215 Pode dizer-se que os Portugueses têm uma especial responsabilidade quanto aos níveis qualitativos de utilização da sua língua: por razões históricas e sócio-culturais que me dispenso de desenvolver, a maior parte do grande património cultural que, ao longo dos séculos, se vem exprimindo em língua portuguesa teve a sua origem em Portugal. O que, do mesmo passo, envolve a indispensabilidade do português ‘de Portugal’ para o cânone da língua-padrão. Temos interesse em que o português que falamos seja, tanto quanto possível numa área tão complexa e tão sensível, uma referência paradigmática. Hoje, todavia, temos de reconhecer que uma língua é uma realidade imaterial e dinâmica que pertence a todos quantos a falam enquanto língua materna ou língua nacional. No caso do português, mesmo nos países em que este é oficialmente considerado língua veicular, e sem qualquer desrespeito por outras situações sócio-linguísticas, pode dar-se como assente que, sem ele, não seriam possíveis à escala nacional a prática política, a prática legislativa, a prática administrativa, a prática jurisdicional, a aprendizagem científica e técnica, a criação cultural praticamente em todos os campos, os contactos internacionais a todos os níveis… Recapitulemos alguns pontos: Os Portugueses não são donos da língua portuguesa. São apenas os que primeiro a falaram e lhe deram aptidões modernas de expressão e comunicação, sobretudo a partir do século XVI, de modo a que ela pudesse proporcionar aos seus falantes um relacionamento eficaz com o mundo e uma determinada visão dele. A língua tem características eminentemente evolutivas em que se deparam tensões de vária natureza entre a chamada língua-padrão, que tende para estabilizar as suas normas em nome de um cânone reputado ideal, e as outras e tão diversas expressões em que se manifesta. Esta situação não é estática: tende a dar-se uma interacção permanente entre as duas esferas. Dadas a dispersão geográfica, a situação histórica e a muito grande diversidade cultural dos falantes do português, aquelas forças centrífugas poderão tornar-se mais intensamente actuantes. Mas a permanência das características fundamentais da língua-padrão, bem como o apreço pelo seu cultivo, provavelmente pode ser assegurada pela grande intensidade das comunicações que actualmente são feitas em tempo real ou em tempo extremamente curto. E também pela circulação da produção científica e técnica, bem como da produção cultural, nomeadamente a literária e a audiovisual, mas não só ela, em português, através de todos os espaços em que o português é falado. Essa circulação, sujeita embora a forças centrífugas, pode em si mesma constituir um valioso vector centrípeto e de reequilíbrio. No que nos diz respeito, ela deve assentar no prestígio e na qualidade do português ‘de Portugal’, num melhor apetrechamento humano, técnico e até económico para promover a sua difusão, num interesse geo-político muito relevante da nossa parte e numa vontade política de agir nesse sentido. Isto significa que as políticas de cooperação, necessariamente multilateral nesta matéria, muito em especial as atinentes ao ensino e aprendizagem da língua portuguesa e à circulação, em todas as direcções, dos textos produzidos nela, poderão ter um papel crucial quanto ao seu futuro. Elas contribuirão para consolidar, e do mesmo passo enriquecer, o português- padrão, assegurando-lhe uma particular coerência na diversidade inevitável das pronúncias, dos léxicos, das sintaxes e de outros vários tropismos que possam ocorrer. Por último pode perguntar-se: e em Portugal, o que é que acontece ao português? É claro, desde há muito, que a língua que falamos é um factor de identidade e de unidade nacional. O facto de se tratar de uma língua sem variantes dialectais notáveis para o que aqui nos interessa, conjugado com a estabilidade das nossas fronteiras continentes nos últimos oito séculos, tem permitido, cada vez mais, que a língua portuguesa seja o principal instrumento que permite identificarmo-nos como pertencente a um grupo que tem uma visão do mundo e se reconhece nela. Importa também que seja um instrumento de aquisição de conhecimento e de elaboração e expressão do pensamento. E que recupere, na escola e na prática quotidiana em todos os planos da vida, um nível qualitativo de utilização que está em vias de perder e requer políticas muito decididas para se contrariar o presente estado de coisas. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 215
  • 212.
    216 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Maria Assunção Gato COMUNIDADES PORTUGUESAS A epopeia dos Descobrimentos levou os portugueses a procurar alternativas de vida pelos cinco continentes, transformando-os desde cedo numa espécie de emigrantes no seu próprio império. Se o povoamento das ilhas atlânticas dos Açores e Madeira se fez com população maioritariamente originária de Portugal, o de Cabo Verde também viria a contar com muitos portugueses que, posteriormente, se foram miscigenando principalmente com africanos da costa fronteira, alargando-se ainda estes agrupamentos às terras do Brasil. Assim se traçaram os primeiros contornos da emigração enquanto fenómeno estrutural da sociedade portuguesa, talvez mais impulsionada pelas necessidades de sobrevivência de muitos do que pelo desejo de aventura e glória de alguns. Face aos parcos recursos naturais e à quase total dependência de uma actividade agrícola pobre e de proveitos muito variáveis, as sucessivas vagas de emigração a que Portugal foi assistindo desde o século XV deixaram marcas consideráveis a nível interno, mas foi graças a elas que a cultura e língua portuguesas conheceram uma notável expansão mundial. Testemunhos de um passado longínquo Para além de uma boa parte da África negra e do gigantes- co Brasil, os portugueses estenderam a sua presença a diver- sos pontos do Oriente, ora deixando testemunhos mais ténues da sua passagem, como é o caso do Japão e Malaca, ora perpetuando a sua herança cultural em territórios que gover- naram até ao século XX, como aconteceu com Goa, Damão, Diu, Macau e Timor. Uma vez dissolvido o Império, continuam a prevalecer no espaço português de outrora os inconfundíveis traços da sua arquitectura que, em conjunto com a língua, compõem as marcas privilegiadas de um património cultural que não só impõe uma referência obrigatória ao passado histórico dos lugares, como celebra a expansão da alma portuguesa pelo mundo. Em Goa, o intenso comércio mantido pelos portu- gueses, entre as suas diversas possessões do Oriente e a Euro- pa, fez desta cidade uma das mais ricas e famosas do universo de então. Em 1557 e ainda em contínuo desenvolvimento, dizia-se que Goa era “tão grande e bela como Lisboa”. E na verdade, as evidentes influências portuguesas no espaço cons- truído ainda fazem dela um território à parte no contexto da União Indiana, com uma paisagem cultural quase única e rigorosamente delimitada pela fronteira. O ex-libris de Macau continua sendo a fachada de grani- to do velho Colégio Madre de Deus, que sobreviveu ao incêndio de 1835 e onde, em 1592, os jesuítas haviam fun- dado a primeira Universidade ocidental. E se a expansão portuguesa sempre se caracterizou por um complexo pro- cesso de aculturação, em nenhum outro lado ela foi tão importante e profunda como no Brasil, onde são por demais evidentes os exemplos de arquitectura portuguesa espalha- dos naquele imenso território. Nas antigas colónias africa- nas, a ainda recente descolonização, em conjunto com os estreitos laços de cooperação e o elevado grau de mobilida- de das populações para Portugal, faz com que as marcas da cultura portuguesa se confundam com as locais, numa imbricação que se vai perpetuando no tempo e em espaços que falam a mesma língua. Com efeito, a língua portuguesa é, provavelmente, a expressão mais profunda da nossa identidade e o elo privile- giado de ligação entre o povo português – na sua heterogenei- dade cultural interna – e as novas nações que ele ajudou a fundar, mantendo-se até à actualidade como língua oficial das cinco antigas colónias de África (Cabo Verde, Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), para além do Brasil e de Timor. Na Ásia também continua a ser possível ouvir falar o por- tuguês nos territórios indianos de Goa, Damão e Diu, muito embora os grupos de falantes sejam cada vez mais restritos com o passar dos anos e o mesmo tenda a acontecer também no caso de Macau, onde a posse administrativa portuguesa se 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 216
  • 213.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 217 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Comunidades portuguesas Alguns testemunhos da presença portuguesa Velha Goa, vista geral, 1957 Macau, ruínas de São Paulo Velha Goa, ruínas de Sto Agostinho Goa, Igreja de Chandor Fortaleza de Diu Cabo Verde, Mindelo Sri Lanka, fortaleza de Galle Brasil, São Salvador da Baía prolongou mais no tempo. Quanto ao jovem Timor livre, é de esperar que a língua lusa se vá diluindo lentamente entre os dialectos locais e o inglês, que acaba por ser a língua fran- ca em tão longínqua parte do mundo. Evidências culturais de hoje Actualmente o português continua a ser uma língua viva junto de múltiplas comunidades repartidas por todos os con- tinentes devido à emigração que, desde a segunda metade do século XIX até mais de metade do século XX, manteve uma expressão bastante intensa, agudizando-se em momentos par- ticulares de crise política e económica. Uma das características mais significativas desta emigração é o seu padrão regionalista mais ou menos fiel, em que as pessoas de determinadas regiões mantêm os mesmos destinos ao longo de várias gera- ções, retomando no exterior os mesmos laços familiares e comunitários do lugar de origem. Assim se compreendem as grandes comunidades de madeirenses em Caracas (Venezuela) e Joanesburgo (África do Sul), as enormes comunidades de açoreanos em cidades dos Estados Unidos como Massachu- setts, New Bedford, Boston entre outras, ou as expressivas comunidades de nortenhos espalhados por toda a França, Reino Unido, Suíça e Alemanha. De entre o total de população portuguesa e de origem por- tuguesa a residir no estrangeiro em 2002, estima-se que só o continente americano comporte cerca de 58% (24% nos EUA, 14% no Brasil, 10% no Canadá e 8% na Venezuela), seguin- do-se a Europa com 31%, seguida de longe pela África com 7%, que na sua quase totalidade se encontram na África do Sul. No conjunto destes destinos mais representativos da pre- sença portuguesa haverá lugar para graus bastante variáveis de inserção social e aculturação, tal como variável será também a influência que os portugueses exerceram e continuam a exer- cer junto das comunidades que os acolheram. Uma outra forma de manter viva a memória cultural dos portugueses residentes no estrangeiro é a gastronomia. Daí a presença obrigatória do comércio de produtos alimentares provenientes de Portugal junto das grandes comunidades emigrantes e de alguns restaurantes, o que sempre vai dando para matar as saudades da pátria. Estes espaços comerciais podem ser entendidos como mar- ca cultural representativa da influência portuguesa no exterior. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 217
  • 214.
    Rio Mandov Ruínas Perímetros deantigos edifícios religiosos Perímetros de antigos edifícios de serviços públicos Equipamentos no Séc. XVI Largos e ruas de maior comércio no Sec. XVI Eixos principais de circulação (a ponteado os mais importantes, a cheio os existentes na actualidade) Rio Mandovi Devalaias Igrejas Velhas conquistas Novas conquistas Mesquitas Distribuição de igrejas, devalaias e mesquitas, 1960 Rio Mandovi Reconstrução, a partir de uma planta e documentos do início do séc. XX, da cidade de Velha Goa no séc. XVI Distribuição de igrejas, devalaias e mesquitas, 1960 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Comunidades portuguesas 86 82 85 83 84 66 103 100 99 98 95 94 92 93 95 107 106 115 116 117 114 111 113 112 108 110 109 105 104 62 68 67 65 87 86 66 88 89 91 77 73 76 90 64 70 72 55 54 56 71 60 15 13 17 18 20 5152 53 19 57 58 59 61 6369 12 11 10 8 9 14 13 30 31 23 96 97 102 101 32 33 41 49 46 47 48 40 34 38 39 37 35 36 50 42 43 44 45 21 16 81 74 75 22 Ruínas Locais de antigos edifícios religiosos Locais de antigos edifícios de serviços públicos Equipamentos no séc. XVI Largos e ruas de maior comércio no séc. XVI Principais eixos de circulação 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 218
  • 215.
    500 m N vi ATLAS DEPORTUGAL IGP 219 1. Local do Convento da Madre de Deus 2. Local da Igreja de S. José 3. Calçada de Daugim 4. Rua das Flores 5. Local da Igreja de Sta. Luzia 6. Adro de Sta. Luzia 7. Rua de Sta. Luzia 8. Local da Balança ou Pezo 9. Local do Bazar Grande 10. Local da Alfândega 11. Rua do Bazar Grande 12. Rua de S. Domingos 13. Rua do Monte ou do Vigário Geral 14. Local do Convento de S. Domingos 15. Rua do Mandovi 16. Calçada de N. Sra do Monte 17. Rua dos Surradores 18. Rua do Açougue 19. Local do Açougue 20. Local do Tribunal 21. Rua da Árvore 22. Rua da N. Sra do Monte 23. Local do Convento das Carmelitas 24. Igreja da N. Sra do Monte 25. Local da Igreja de Sto. Amaro 26. Rua de S. Lázaro 27. Adro de S. Lázaro 28. Local do Hospital de S. Lázaro 29. Campo de S. Lázaro 30. Local da Igreja de S. Thomé 31. Rua de S. Thomé 32. Local do seminário da Sta Fé ou Colégio de S. Paulo 33. Capela de S. Francisco Xavier 34. Rua de S. Paulo 35. Local da Igreja de Sto Aleixo 36. Local do Hospital dos Pobres 37. Rua do Hospital dos Pobres ou Mão Cortada 38. Rua da Santíssima Trindade 39. Local da Igreja da Santíssima Trindade 40. Local do antigo Pagode 41. Tirta 42. Ruína da Forca 43. Ruína do Convento da Cruz dos Milagres 44. Calçada da Cruz dos Milagres 45. Caminho da Forca 46. Caminho das Portas de Moula 47. Local da Igreja da N. Sra da Luz 48. Adro da N. Sra da Luz 49. Calçada da N. Sra da Luz 50. Pelourinho Novo 51. Rua dos Ourives 52. Rua dos Pannos 53. Local do Bazar Velho ou Pelourinho Velho 54. Local da Porta dos Bachareis ou Baçaes 55. Local do Recolhimento da Serra 56. Cemitério 57. Rua Direita ou dos Leilões 58. Casa das Bullas 59. Arco da N. Sra da Conceição 60. Convento de S. Caetano 61. Palácio dos Governadores 62. Local do Palácio dos Vice-Reis 63. Terreiro dos Vice-Reis 64. Local do Tronco 65. Arco dos Vice-Reis 66. Cais dos Vice-Reis 67. Ribeira das Galeras 68. Local da casa do Senado 69. Terreiro de Sabaio 70. Local da Igreja de S. Thomé 71. Rua do Crucifixo 72. Local da Misericórdia 73. Rua do Bazar Velho 74. Rua dos Banianes 75. Igreja e casa professa do Bom Jesus 76. Casa dos Peregrinos 77. Terreiro dos Gallos 78. Rua dos Carregados 79. Rua da Graça ou das Mónicas 80. Rua das Três Boticas 81. Rua dos Chapeleiros 82. Convento de S. Francisco de Assiz 83. Palácio do Arcebispo 84. Sé 85. Quartel 86. Cais de Sta. Catharina ou do Arcebispo 87. Local do Aljube 88. Capela de Sta. Catharina 89. Local do Hospital Real 90. Local da Alfândega 91. Rua do Bazarinho de S. Francisco 92. Local da Ribeira Grande ou Arsenal 93. Estufa 94. Local da Capela das Chagas 95. Rua das Naus de Ormuz 96. Convento de Sta Mónica 97. Convento de S. João de Deus 98. Local da Igreja de Sto André 99. Rua dos Judeus 100. Ruínas do Colégio do Populo 101. Local do Arco do Populo 102. Ruínas de N. Sra da Graça e Convento de Sto Agostinho 103. Terreiro de Sto Agostinho 104. Praça de Sto António 105. Capela de Sto António 106. Local do Convento de S. Roque 107. Priorado da N. Sra do Rosário 108. Calçada da N. Sra do Rosário 109. Beco dos Bachareis 110. Local do Convento de S. Boaventura 111. Rua de S. Boaventura 112. Cemitério de S. Pedro 113. Local do Convento de S. Thomás de Aquino 114. Igreja de S. Pedro 115. Ruínas do Palácio de Panelim 116. Capela da N. Sra da Piedade 117. Rua de S. Pedro Planta geral de Velha Goa PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Comunidades portuguesas No entanto, esta característica, por si só, não consegue impôr, nem no tempo nem no espaço distante, o sentimento de per- tença e de partilha de um património identitário. Com efeito, tanto no caso das visitas anuais regulares como nas mais raras, o que acontece com uma boa parte dos emigrantes (e os por- tugueses não são caso único) é uma espécie de duplo desenrai- zamento, que pode ser colmatado numa terceira cultura, ou seja, numa sobreposição das influências culturais trazidas com as que são recebidas, conjugando-se este somatório de maneiras muito próprias. No fundo, estas terceiras culturas são hoje uma característi- ca cada vez mais frequente no mundo multicultural em que vivemos, desempenhando em crescendo o necessário papel de mediadoras entre referências culturais que se multiplicam, identidades nacionais que tendem a perder-se ou a exacerbar-se. No actual mundo globalizado, a par do processo de homo- geneização cultural, assiste-se a um certo re-inventar das cul- turas locais e ao elogio dos seus particularismos. As festas, a gastronomia, a música, o traje e a língua são, neste contexto, elementos privilegiados que não só alimentam o sentimento de pertença das comunidades aos seus espaços como também sustentam a riqueza da sua memória colectiva e fazem a pon- te com a identidade nacional. Se dentro do país se verifica a necessidade de fomentar e explorar o significado de todas estas expressões culturais, no exterior essa necessidade será ainda mais urgente, quer pelos laços que nunca deixarão de unir as comunidades portugue- sas à sua pátria, quer pela própria posição que a cultura por- tuguesa conquistou no mundo. Neste contexto importará destacar o papel de instituições oficiais como o Instituto Camões, que ao longo de vários anos tem vindo a desenvol- ver uma rede de docência da língua e cultura portuguesas em universidades estrangeiras, coordenando centros culturais e de línguas, bem como apoiando edições no estrangeiro. Entretanto, não menos importantes que as instituições oficiais de apoio à cultura e comunidades portuguesas, serão os organismos, associações e colectividades que os próprios portugueses criaram nas terras de destino. Nelas se poderão encontrar muitas das soluções aos problemas que se vão colo- cando no seu quotidiano, os imprescindíveis laços de amiza- de e solidariedade, os necessários sentimentos de pertença para com as duas culturas em sobreposição e, sobretudo – ainda que com algumas distorções ou adaptações – manter viva a cultura portuguesa no mundo para que Portugal tam- bém não esqueça toda a sua gente que está fora. 26 28 25 24 4 3 6 5 7 2 1 29 27 N 0 125 250 m 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 219
  • 216.
    >1 000 000 500000 a 1 000 000 100 000 a 500 000 10 000 a 100 000 1 000 a 9 999 1 a 999 0 Europa 31% Oceania 1% América 58% Ásia 3% África 7% Bélgica Espanha Luxemburgo Alemanha Suíça ReinoUnido ÁfricadoSul Venezuela Canadá Brasil França EUA 38000 47064 65000 132625 160672 250000 300000 400000 506270 700000 788683 1177112 Europa 31% Oceania 1% América 58% Ásia 3% África 7% 220 ATLAS DE PORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Comunidades portuguesas População nos países de língua portuguesa, 2001 Principais países de residência dos portugueses, 2003 Distribuição dos portugueses por continente, 2003 TIMOR 750 000 MOÇAMBIQUE 18 600 000 ANGOLA 12 800 000 S. TOMÉ E PRÍNCIPE 175 000 GUINÉ-BISSAU 1 200 000 BRASIL 169 800 000 CABO VERDE 434 800 PORTUGAL 10 336 000 População de origem portuguesa residente no estrangeiro, 2003 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 220
  • 217.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 221 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Comunidades portuguesas Associações de portugueses Conselheiro cultural Centro cultural Centro de línguas Cátedras Leitores 2 2 156 55 58 42 137 23 24 9 611 101 1 2 11 2 240 59 19 23 19 1 1 4 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 3 3 3 1 1 2 1 1 1 110 3 1 3 33 11 3 33 22 1 11 11 11 11 11 11 22 21 55 21 11 1 33 66 1 21 11 99 1 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 1111 11 33 44 11 33 44 11 11 22 11 11 44 11 11 55 111 1111 1 11 1 51 Presença cultural do Instituto Camões e associações de portugueses no mundo, 2004 Meios de comunicação social em português no mundo, 2004 412 9 6 6 6 7 2 1 1 1 1 1 1 2 35 6 2 2 1 1 3 3 2 Jornais Rádios TV 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 221
  • 218.
    222 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Maria Assunção Gato IDENTIDADE E CULTURA EM TEMPOS DE MUDANÇA A longa História de Portugal deixou pelo mundo um património de elevado valor e, dentro do seu território preservado no último século a devastações como nenhum outro país europeu, subsistem marcas de cultura tradicional que deverão ser aproveitadas como factor de identificação e desenvolvimento. A construção da moderna identidade cultural portuguesa é o resultado de cruzamentos profundamente dispares: sobre um estrato herdado na sua maioria dos Romanos e Árabes (sem esquecer Fenícios, Celtas e outros) ganham forma os traços culturais portugueses. Até aos anos 50/60 do século passado, Portugal era um país fechado; em parte mais por via do regime político de então, e do entendimento que esse mesmo regime fazia da cultura portuguesa, do que pelo afastamento geográfico. Depois de 1974, a chegada de portugueses e africanos das ex-colónias e o regresso de muitos emigrantes, viria a ser engrossada pelas primeiras levas de imigrantes do Leste: Portugal torna-se permeável a traços de culturas diferentes que lhe conferem, hoje, um lado verdadeiramente genuíno do ponto de vista cultural e duplamente interessante pela diversidade e multiplicidade, dada a reduzida dimensão do País. Riqueza e diversidade de culturas Nas décadas de 40/50 do século passado o território conti- nental foi percorrido por equipas de especialistas em várias áreas do conhecimento, com o objectivo de conhecer os usos e práticas dos portugueses. As pesquisas conduzidas por Orlando Ribeiro (Geografia), Jorge Dias (Etnografia), Lin- dley Cintra (Linguística) e Keil do Amaral (Arquitectura) confirmaram a riqueza e a diversidade de um Portugal plural. Jorge Dias apresenta, em 1950, o ensaio Os Elementos Fun- damentais da Cultura Portuguesa no qual faz depender a defini- ção de uma personalidade-base da Nação de uma herança cultural, fatalmente afectada pela diversidade cultural ineren- te às várias regiões espaciais que a compõem, bem como pelos diferentes estratos sociais da sua população, inevitavelmente influenciada pelo exterior e naturalmente transformada no decorrer da sua própria evolução. Apesar do reconhecimento de tão ‘arriscada e difícil’ tare- fa, Jorge Dias assentou a cultura portuguesa em bases estru- turais geográficas e históricas: se por um lado os lusitanos resultam de uma variada fusão étnica entre povos do Norte e do Sul, compondo à sua maneira a herança de traços de per- sonalidade obtidos de uns e outros, por outro lado, foi a situa- ção geográfica de Portugal que contribuiu indiscutivelmente para o carácter expansivo da cultura portuguesa. Com mais de meio século passado sobre esta caracteriza- ção, tanto se pode questionar a actualidade deste retrato como a aparente inércia do nosso carácter, num tempo repleto de grandes e rápidas mudanças. Na leitura de Boaventura Sousa Santos (1994), o ensaio de Jorge Dias é classificado como um dos textos mais representa- tivos dos discursos míticos sobre Portugal, que, à força de tan- to ser repetido, se torna evidente e verdadeiro. Mas não obs- tante esta crítica, as suas reflexões sobre as contradições de um Portugal que foi simultaneamente centro de um grande impé- rio colonial que não conseguiu gerir convenientemente, e a periferia de uma Europa que se vai desenvolvendo sem quase o incluir, não deixam de ir ao encontro da dupla representação do carácter do homem português e da plasticidade, ambigui- dade e indefinição de que falava Jorge Dias. Neste sentido, a concepção de cultura de fronteira que Sousa Santos aplica à cul- tura portuguesa para a caracterizar, não deixa de corresponder à capacidade de adaptação reconhecida por Jorge Dias. Nesta cultura de fronteira cabem igualmente as regiões autó- nomas da Madeira e dos Açores que, pelas suas características geográficas e históricas, não só reclamam uma autonomia político-administrativa como também cultural, visto a sua heterogeneidade populacional – devida à diversidade de colo- nizadores idos de Portugal e de alguns países da Europa do Noroeste – funcionar como uma identidade homogénea face às culturas do continente. Por contraste, os ilhéus dos Açores e Madeira são uns portugueses diferentes. Importará aqui des- tacar tanto o aspecto cosmopolita de algumas destas ilhas devido à emigração e aos habitantes e visitantes estrangeiros, como o grande isolamento a que outras estão votadas pela sua pequena dimensão e posição geográfica. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 222
  • 219.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 223 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Identidade e cultura em tempos de mudança Nas palavras de Vitorino Nemésio, citado por João Leal (2000), os Açores surgem como “um corpo autónomo de terras portuguesas”, “um Portugal requintado” porque recebeu dele toda a glória e prosperidade da época quatrocentista e assim permaneceu; daí a reflexão sobre a “açorianidade” se fixar no português de Quatrocentos, valorizando também as especifici- dades culturais devidas à realidade geográfica das ilhas. Fronteiras de um Portugal cultural Num tempo que está para além da modernidade e em glo- balização cada vez mais intensa, verifica-se que com alguma fre- quência se continua a recorrer à forma paradoxal de ser e agir dos portugueses – entendidos enquanto grupo cultural homo- géneo – para justificar bons e maus resultados que vão conse- guindo nas mais variadas tarefas e projectos, bem como para reinventar especificidades culturais e recuperar memórias que se vão desvanecendo na descaracterização que a todos afecta. Não obstante as grandes transformações sofridas após a con- quista da democracia, parece teimar-se no comum discurso do sonho e da glória para nos projectarmos no exterior, quando internamente nos ligamos irremediavelmente a um fado dema- siado fatalista para justificar as grandes dificuldades estruturais de que o País sempre padeceu e que ainda não soube contrariar. A propósito da definição da identidade cultural portuguesa, Boaventura Sousa Santos propõe como hipótese de trabalho o esvaziamento do seu conteúdo, restando-lhe apenas a forma, que é a fronteira ou a zona fronteiriça. Nas suas palavras, “a nos- sa cultura nunca se conseguiu diferenciar totalmente perante culturas exteriores, no que configurou um défice de identidade pela diferenciação. Por outro lado, a nossa cultura manteve uma enorme heterogeneidade interna, no que configurou um défice de identidade pela homogeneidade.”. Perante estas palavras, torna-se mais evidente a construção e contínua divulgação do anterior discurso identitário, tal como se compreende melhor porque é que os portugueses insistem na criação de ícones para se reconhecerem enquan- to grupo cultural, num tempo em que se torna cada vez mais difícil falar de identidades nacionais. Enquanto nação multicultural, cosmopolita e europeia, os nossos ícones ou símbolos de distinção são os novos heróis do momento que nos projectam no exterior e os eventos internacionais que ocasionalmente vamos organizando: Exposição Mundial de Lisboa – Expo'98 –, Campeonato Europeu de Futebol – Euro 2004 –, Festival internacional de música de iniciativa brasileira – Rock in Rio Lisboa; de figu- ras de renome internacional – Figo, Eusébio, Amália, Mariza, Siza Vieira, Manoel de Oliveira, José Saramago e outros, de cujo mérito nos apropriamos para alimentar o nosso orgulho em ser português no mundo. Entretanto e na convivência quotidiana interna, não ficamos alheios à ampla e rápida difusão de referências culturais divulgadas essencialmente pelos meios de comunicação social, que nos envol- vem em culturas de consumo tipicamente urbanas e que nos aju- dam a definir e a compor novos estilos de vida cosmopolitas. Mas importará não esquecer que a cultura portuguesa não começa – e tão pouco se esgota – nas novas imagens e símbolos de moderni- dade que têm vindo a transformar as principais cidades do País. Para além destas, permanecem territórios mais esquecidos e com ritmos diferentes de mudança que, contribuindo de igual forma para a complexa caracterização de uma identidade nacional, conti- nuam a viver em muitos casos, na total ausência de uma produção cultural que não seja o seu próprio quotidiano, sequiosos de infor- mação e entretenimento que não se esgote nos vulgares aparelhos de televisão e rádio que possuem, quando é esse o caso. Actual suporte à cultura Quando falamos em Cultura Portuguesa não deixamos de pensar na enorme diversidade de testemunhos que, de Norte a Sul do Continente e da Madeira aos Açores, marcam as nos- sas especificidades de carácter, reflexão e acção enquanto membros de um único País. Mas se falarmos em Produção Cultural, imprimimos uma dimensão bem mais dinâmica a esse património existente, reconhecendo-se que é através de uma actividade cultural Bibliotecas, 2001 Por 10 000 hab. 4 3 2 1 Nº 482 83 8 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 223
  • 220.
    224 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Identidade e cultura em tempos de mudança constante, abrangente, participativa e não-selectiva que as sociedades conseguem atingir níveis de desenvolvimento de qualidade superior e mais igualitários. Em termos de uma ‘cultura posta em prática’, não são necessárias as estatísticas para que facilmente se perceba que, em Portugal, também se fazem sentir grandes disparidades no sector da produção cultural. Esta realidade pode ser atribuída a factores tão diversos como: — os profundos atrasos no campo da educação e que a ainda recente democracia nem sempre parece conseguir recuperar; — a centralização dos bens culturais nas principais cidades do País (sobretudo no litoral), não só devida às maiores con- centrações de público mas também por causas que se pren- dem com as políticas públicas de desenvolvimento regional que contemplam o dinamismo cultural; — os parcos investimentos que as administrações locais fazem, de uma maneira geral, no sector da Cultura; — a crescente tendência para a privatização da actividade cultural e respectiva sujeição às regras de um mercado cada vez mais massificado; — as dificuldades económicas de uma boa parte da popu- lação e a sua incapacidade de aceder a bens culturais cujos preços ditados pelas entidades privadas continuam a fazer da cultura algo de muito erudito, selectivo e discriminatório; — uma certa inércia, descrédito ou até mesmo ausência de um prazer quotidiano pela Cultura nas suas múltiplas moda- lidades que parece existir numa parte da população portugue- sa, independentemente da sua localização, nível de instrução e grupo económico. É obvio que esta tentativa de interpretação da realidade cul- tural em Portugal não esgota as razões que explicam o porquê da hegemonia (quase ditadura) da televisão enquanto meio pri- vilegiado de informação e elemento cultural massificador. Tão pouco explicam os elevados níveis de iliteracia na população jovem e os baixos níveis de leitura e compra de livros pela população em geral, quando até se verifica o aumento do número de bibliotecas disponíveis em todo o território nacio- nal. Apesar do destaque dos jornais desportivos, a imprensa diária também se pauta na generalidade do País por tiragens insignificantes se comparadas num contexto internacional. A imprensa especializada dirige-se a segmentos sociais específi- cos, definidos em função do género, geração, instrução ou categoria socioprofissional, reconhecendo-se o sucesso que a chamada ‘imprensa cor-de-rosa’ parece ter junto de um públi- co económica e socialmente tão distinto daquele que retrata. Face a estes breves exemplos, não será de estranhar a ‘capaci- dade de absorção’ que uma boa parte das população urbana por- Museus, 2001 Cinemas, 2001 Os dados apresentados correspondem aos museus que, no ano de referência, cumpriam os seguintes critérios: Existência de, pelo menos, uma sala ou espaço de exposição. Abertura ao público, permanente ou sazonal. Existência de, pelo menos, um conservador. Por 10 000 hab. 10 4 3 2 Nº 35 9 2 Nº 53 20 15 10 5 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:38 Página 224
  • 221.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 225 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Identidade e cultura em tempos de mudança tuguesa parece ter em relação aos modelos, modas e estilos cul- turais massificados. Os recentes desenvolvimentos dos meios de informação e comunicação têm tido um papel determinante na criação e divulgação de uma cultura que tende cada vez mais para a globalização e descaracterização local, embora deixando nichos que favorecem o fortalecimento dos seus laços identitários. Contudo, não se podem dissociar estas tendências do suporte consumista que lhe está associado e tão pouco se pode ignorar o crescimento e a transformação urbanística que as cidades do litoral, de um modo geral, têm demonstrado. Neste cenário é também importante a referência ao surgi- mento de mais 33 museus em Portugal em apenas um ano, dos quais 30 no Continente, 2 na Madeira e 1 nos Açores, a somar aos 201 que já existiam; e também ao acréscimo de mais um milhão de visitantes registados na totalidade dos museus nacionais no mesmo período (2000/2001). Para esta realidade contribuirão factores como a crescente procura do turismo e de visitas escolares, mas também o evi- dente esforço de modernização que estes espaços de cultura têm vindo a desenvolver, oferecendo cada vez mais conforto e serviços complementares aos seus visitantes. Apesar de ser significativo o investimento que algumas vilas e cidades de menor dimensão estão a fazer no sector da cultura, o protagonismo continua a pertencer às duas grandes Palácios e paços Antas e menires Capelas e igrejas Fortes, castelos e torres Distribuição do Património Classificado, 2004 N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 225
  • 222.
    226 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Identidade e cultura em tempos de mudança áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que parecem apostar cada vez mais num modelo de consumo cultural em espaços multifuncionais, onde as novas temporalidades das sociedades urbanizadas fazem conjugar o consumo e o lazer no espaço do shopping. A proliferação dos centros comerciais – que reúnem num mesmo espaço o hipermercado, as lojas de vestuário, cal- çado, electrodomésticos, electrónica, decoração e restauração das grandes cadeias internacionais, espaços de divertimento e várias salas de cinema de projecção contínua e simultânea – é um claro exemplo de um modelo de cultura de consumo que poderá ser adjectivada como volátil, efémera, inconsistente ou superficial, mas que não deixa de espelhar a sociedade urbana que, de uma forma geral, a põe em prática. Se na área metropolitana do Porto existem 7 espaços comer- ciais que correspondem a esta descrição (e entre os quais se encontram 70 salas de cinema) na área metropolitana de Lisboa o número de centros comerciais com idênticas características é de 25, com o total de 175 salas de cinema, estendendo-se desde as áreas mais centrais da capital até às novas urbanizações dos concelhos periféricos. Estas novas pequenas salas de projecção em centros comerciais estão na origem do desaparecimento de algumas das grandes salas de cinema e teatro, sobretudo nas grandes cidades, ou ainda de umas quantas reconversões sob a forma de auditórios ou centros culturais. Mas também existem casos de novos espaços culturais, alguns de natureza privada, que têm feito um reconhecido trabalho ao nivel da promoção e divulgação de programas culturais bem diversificados, tal como é merecedor de destaque o trabalho de conquista de novos palcos para as diversas artes do espectáculo, como palá- cios, jardins, conventos, igrejas, praças de touros, armazéns, fábricas... Mas as duas grandes cidades de Lisboa e Porto continuam a liderar em termos de frequência de espectáculos e na exis- tência de grandes espaços para esse efeito quando o ritmo da adesão da população aos eventos parece cada vez mais marca- do por uma sazonalidade estival e pela moda dos festivais de música em espaços públicos. Património mundial, 2004 Monumentos nacionais por concelho, 2004 Data de classificação 1. Centro Histórico de Angra do Heroísmo 1983 2. Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém em Lisboa 1983 3. Mosteiro da Batalha 1983 4. Convento de Cristo em Tomar 1983 5. Centro Histórico de Évora 1988 6. Mosteiro de Alcobaça 1989 7. Paisagem Cultural de Sintra 1995 8. Centro Historico do Porto 1996 9. Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa 1998 10. Floresta Laurissilva na Madeira 1999 11. Centro Histórico de Guimarães 2001 12. Alto Douro Vinhateiro 2001 13. Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico 2004 Nº 59 30 15 6 2 nenhum N 0 25 50 km 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/15 11:23 Página 226
  • 223.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 227 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Identidade e cultura em tempos de mudança A típica silly season televisiva de verão parece ser, simulta- neamente, uma das causas/efeitos da crescente onda de festi- vais musicais, que do Rock ao Jazz, passando pelos clássicos e pela dança, vão acontecendo um pouco por todo o País, aju- dando a descentralizar a cultura e a divulgar sítios e culturas locais mais esquecidas. Importará não esquecer que o verão português há muito que se divide entre o Litoral que vai a banhos e o Interior que renova a sua fé nas romarias e festas religiosas, as quais não dispensam espectáculos públicos variados – como touradas, concursos, bailes, concertos musi- cais de cantores com sucesso no momento. Mais recentemente, parece haver uma tendência para con- ciliar tudo isto num modelo de férias ‘vá para fora cá dentro’ através dos Festivais de Verão, privilegiadamente dirigidos a grupos mais jovens. Será esta uma nova forma de descentrali- zar a cultura portuguesa, levando a população urbana a desco- brir ‘velhos’ territórios; mas para as populações locais, também representa a oportunidade de contacto com uma realidade extra-quotidiana, cuja promoção identitária poderá vir a ser aproveitada de diferentes formas. Fazendo nossas as palavras de Augusto Santos Silva, “A aposta em eventos marcantes, crescentemente aceites nos círculos críticos, com eco na imprensa de referência e atraindo consumidores culturais tidos por regulares e esclarecidos, é tam- bém uma aposta em ‘pôr no mapa’ – pôr em vários mapas várias coisas. No mapa dos sistemas culturais, nalguns casos interna- cionalizados, e também no mapa do território português e na competição política e simbólica entre cidades e regiões, ou no mapa dos circuitos turísticos e patrimoniais, ou no mapa dos investimentos públicos e privados.” Parece cada vez mais frequente a procura de projecção internacional do país através de realizações culturais, patrimo- nialização de conjuntos urbanos e promoção turística. Nesta situação podem-se incluir as referidas candidaturas à realiza- ção de Exposições Internacionais ou Mundiais e a eventos des- portivos, as candidaturas a Capitais Europeias da Cultura (Lis- boa 94, Porto 2001, Coimbra 2003, Faro 2005), a elevação a património mundial de conjuntos urbanos significativos (como os centros históricos de Évora, Angra do Heroísmo, Guimarães ou Sintra) e múltiplos festivais – gastronomia, fol- clore, fumeiro, vinho, fotografia, teatro, cinema, etc. – que um pouco por toda a parte vão enriquecendo a agenda cultural do território português e promovendo os sítios onde se realizam. A enorme quantidade e variedade de património classificado na totalidade do território português, do qual se destaca o Patri- mónio Mundial, não só permite a representação do passado e a evocação de uma memória colectiva, levando-nos a recordar que muitas terras do interior já tiveram uma dinâmica cultural bem mais significativa do que actualmente, como também não nos deixa esquecer os variados testemunhos originais da histó- ria do País e património arquitectónico, cultural e identitário da sua gente. Mas para além de tudo isto, importará referir igualmente os dividendos turístico-económicos que se retiram da patri- monialização reconhecida internacionalmente, o incremento nas ofertas culturais e a procura da preservação das paisagens dos lugares classificados que, simbolicamente, pertencem ao globalizado mundo contemporâneo. A tendência observada em algumas povoações com carac- terísticas patrimoniais mais emblemáticas mas, que apresen- tam sérios riscos de abandono e destruição, tem sido a sua musealização e, em complementaridade desta tendência mas a uma escala diferente, também se tem assistido, um pouco por toda a parte, ao sucesso do turismo rural e de habitação, que não deixa de ser uma espécie de ‘museu vivo’ de modos de viver que caíram em desuso nas rotinas urbanas. Será precisamente a necessidade de fuga a estas rotinas que também tem contribuído para reavivar o interesse pela preser- vação das ‘aldeias’ e ‘vilas’ históricas portuguesas que, de um modo geral se vêem cada vez mais divulgadas nos roteiros turísticos internos. Actualmente, Monsanto continua a ser uma referência bem portuguesa, mas não o é mais do que Penha Garcia, Idanha-a-Velha, Marvão, Óbidos, Monsaraz, Mértola ou Barrancos... Entretanto e porque a expressão cul- tural de um País não se resume a alguns eventos marcantes, serão necessárias políticas culturais bem mais efectivas, des- centralizadas, mobilizadoras e menos elitistas para alterar, um pouco que seja, o sentir e o viver da cultura em Portugal. Exemplos de locais classificados como património mundial Centro de Angra, vinhas do Pico, Mosteiro da Batalha e centro histórico do Porto 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 227
  • 224.
    POLÓNIA CHECOSLOVÁQUIA ROMÉNIA JUGOSLÁVIA ALBÂNIA FRANÇA ANDORRA ITÁLIA RFA RDA ÁUSTRIA BÉLGICA LUXEMBURGO SUÍÇA HOLANDA DINAMARCA REINO UNIDO IRLANDA SUÉCIA NORUEGA ISLÂNDIA FINLÂNDIA GRÉCIA TURQUIA CHIPRE MALTA PORTUGAL ESPANHA HUNGRIA U R SS BULGÁRIA 228 ATLAS DE PORTUGAL IGP Raquel Soeiro de Brito PORTUGAL NA UNIÃO EUROPEIA* A ideia de uma Europa Unida era um sonho antigo na mente de líderes e visionários. Entre 1945 e 1950, homens como Jean Monet, Winston Churchill, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi e Robert Schuman, entre outros, criaram as condições para “uma nova era, uma nova ordem no Oeste europeu, baseada numa comparticipação de interesses dos povos e das nações, fundamentada numa série de Tratados garantindo o papel da lei e da igualdade entre todos os países”. Os principais são o Tratado de Paris (1951), que originou a Comunidade do Carvão e do Aço, e o Tratado de Roma (1957), donde emergiu a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica, posteriormente revistos no Acto Único Europeu (1986) e nos tratados de Maastricht (1992), Amsterdam (1997) e de Nice (2001), conseguindo o alargamento e o aprofundamento político da União Europeia (UE). Europa de 1945 * Com base em http://europa.eu.int 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 228
  • 225.
    Portugal na Europa Portugalé membro da UE desde 1 de Junho de 1986 e, tal como os outros Estados-membros, beneficiou largamente dos diversos Fundos Comunitários atribuídos, que propor- cionaram grandes melhorias em todos os aspectos da vida nacional; contudo, não conseguiu sair de uma posição de atraso relativamente a outros parceiros. Uma das razões pode ser encontrada no nível, ainda hoje, baixo de educação, tanto sob o ponto de vista quantitativo como qualificativo, da sua população; por isso urge que as entidades responsáveis insis- tam na necessidade de fortalecer este factor, de modo a que a posição portuguesa seja melhorada no mais curto espaço de tempo. CE-6 – 1957 CE-9 – 1973 CE-10 – 1981 CE-12 – 1986 UE-15 – 1995 UE-25 – 2004 UE-27 – 2007 UE-27+1 – >2007 ATLAS DE PORTUGAL IGP 229 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia 1948 7/11 Maio Congresso de Haia: delegados de uma vintena de países europeus debatem novas formas de cooperação para a Europa. 1949 27/28 Janeiro Como resultado do Congresso de Haia é criado o Conselho da Europa. 1950 9 Maio Robert Schuman propõe à França e à República Federal da Alemanha (RFA) que disponibilizem os seus recursos de Carvão e de Aço numa nova organização a que outros países europeus possam aderir; nasce a Europa. 1951 18 Abril Assinatura do Tratado de Paris: institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), constituída pela Bélgica, França, Holanda, Itália, Luxemburgo e RFA. Datas-chave para a construção da Europa A integração da Europa Desde o Tratado de Roma, foi garantida a livre circulação dos trabalhadores europeus e dos capitais, com a liberdade de prestação de serviços e o direito de estabelecimento profissio- nal; o Tratado de Maastricht manteve estes direitos dos cida- dãos, confirmados em Nice, com a Carta dos Direitos Funda- mentais da UE. Dez anos após o Tratado de Maastricht, em 1 de Janeiro de 2002, mais de 300 milhões de europeus começaram a usar uma moeda única, que não só concorreu para estreitar a união eco- nómica da Europa, como deu aos cidadãos um sentimento de participação numa entidade europeia comum. Mas, para que haja a sensação de ‘ser europeu’ não se pode focar apenas o tema ‘economia’: é indispensável realçar o da ‘cultura’. Por isso, entre as primeiras séries de Programas para a Europa foi dada atenção aos Programas educacionais e culturais: Erasmus, pro- 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 229
  • 226.
    230 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia Superfície da Europa População, 2003 Densidade populacional, 2003 movendo a mobilidade de estudantes entre os países comuni- tários; Comett, desenvolvendo a instrução e a educação tecno- lógicas; Língua, encorajando a aprendizagem de línguas estrangeiras; Televisão Sem Fronteiras, para melhor acesso aos programas televisivos produzidos na Europa; Cultura 2000 (2000/ 2004), para encorajar a cooperação entre criadores de programas, promotores e instituições culturais; e Media (2000/2005), para suporte da indústria audiovisual e encoraja- mento de distribuição de filmes e programas europeus. Assim se vai construindo a UE, que, ainda só com os 15 países aderentes até Maio de 2004, já abrangia uma área do Círculo Polar Árctico ao Mediterrâneo e do Atlântico ao Mar Egeu, ou seja, aproximadamente 1/3 da superfície dos Estados Unidos da América e uma população de 350 milhões de habi- tantes (6% da população mundial), a terceira maior do mun- do, a seguir à China e à Índia. Transformações na UE-15 Ao longo do último meio século ocorreram grandes trans- formações na vida dos europeus (e não só): na década de 50, mais de 20% da população activa dos 6 países da Comunida- de do Carvão e do Aço (o berço da UE) trabalhavam no sector da agricultura e 40% no da indústria; em 2001, na Europa dos 15, esses números baixavam, respectivamente, para 4% e 29%, subindo, em muito, o dos serviços. Neste sector, o comércio tornou-se mais fácil graças à remoção de barreiras fronteiriças e direitos alfandegários inter UE, quase duplicando em valor entre 1990 e 2000, no conjunto dos 15 países-membros, enquanto para a Irlanda, quase quadruplicou. Os 10 novos estados-membros (e os 3 países candidatos) são menos ricos que a maior parte dos países da UE-15, embo- ra aí existam, tal como nestes, grandes diferenças de nível de vida. Mas, com o esforço desenvolvido em importantes refor- mas obtiveram um nível de crescimento económico global (5% em 2000) que excede a média da UE-15. Prioridades sociais da UE Não obstante a grande diversidade étnica e cultural da UE – uma das suas maiores riquezas – todos os Estados-membros estão comprometidos no respeito pelos direitos humanos, na construção e partilha da prosperidade e no exercício da sua influência colectiva e conjunta, na cena mundial. 1957 25 Março Assinatura do Tratado de Roma: institui a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM). 1960 4 Janeiro Convenção de Estocolmo: é criada a Associação Europeia do Comércio Livre (EFTA), que reúne vários países fora da CEE. 1970 22 Abril Assinatura do Tratado do Luxemburgo: permite às Comunidades Europeias (CE) serem financiadas por recursos próprios e confere maiores poderes ao Parlamento Europeu. 1973 1 Janeiro Dinamarca, Irlanda e Reino Unido aderem à CE, que passam a contar com 9 estados-membros. Programa Erasmus, 1987/88 a 2000/01 1987/88 88/89 89/90 90/91 91/92 92/93 93/94 94/95 95/96 96/97 97/98 98/99 99/00 00/01 120 000 100 000 80 000 60 000 40 000 20 000 0 3 244 111 084 Estudantes SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 3154 357 84 31 43 505 305 544 132 34 70 301 3 92 244 411 10 3 km2 SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 Milhões 379,5 82,5 8,1 10,4 5,4 40,7 5,2 59,6 11,0 16,2 4,0 57,3 0,4 10,4 59,3 8,9 SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 120,3 231,2 96,2 339,3 124,9 80,6 17,1 109,6 83,7 478,0 56,4 190,2 173,4 113,2 243,3 21,8 hab/km2 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 230
  • 227.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 231 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia Uma prioridade na UE é o investimento na educação e na investigação científica, para reforço da sua competitividade e para dar aos europeus ‘as capacidades necessárias’ a uma vida melhor no século XXI; e como os jovens compreendem cada vez mais o valor da obtenção de melhores qualificações, o número de estudantes, principalmente no ensino superior, tem vindo a crescer; mesmo o grupo feminino, cujas possibi- lidades eram inferiores às dos homens, já os alcançou ou, mesmo, ultrapassou. Só o programa Erasmus, desde o seu início, em 1987, já contribuiu para a possibilidade de mais de um milhão de estudantes prosseguirem total ou parcialmen- te cursos em países europeus que não o seu. O modelo social europeu assume diferentes formas conso- ante os países, mas todos eles desejam ‘sociedades justas e soli- dárias’; por isso foram instituídos os fundos estruturais com o fim de reduzir as diferenças de nível de vida entre as regiões, aju- dando a desenvolver as economias das mais pobres e se “procu- ra redistribuir a riqueza através de pagamentos na forma de benefícios sociais concebidos para reduzir a diferença entre ricos e pobres e proteger os membros vulneráveis da sociedade, como os doentes, os idosos e os desempregados”. Apesar destas medi- 1981 1 Janeiro Grécia adere às CE, aumentando para 10 o número de estados-membros. 1986 1 Janeiro Portugal e Espanha aderem às CE, subindo para 12 o número dos estados-membros. 1986 17 e 28 Fevereiro Assinatura do Acto Único Europeu, no Luxemburgo e em Haia, relançando a integração europeia. 1990 19 Junho Assinatura do Acordo de Schengen: suprime os controlos de fronteira entre os estados-membros da CE. Estudantes, excepto pré-primária, 2000 Despesa com I & D, 2001 PIB em paridade de poder de compra (ppc)/habitante, 2001 das o nível de vida é ainda muito diferenciado de país para país, mesmo de região para região. O mesmo acontece com a taxa de desemprego, além disso também muito desigual entre homens e mulheres; em todo o caso, na Primavera de 2002 mais de 64% das ‘pessoas em idade de trabalhar’ tinham emprego e havia mais 1,7 milhões de empregos do que na Primavera anterior. E para que a Europa possa ser ‘tão competitiva quanto possível’ com o resto do mundo, e apoiar os reformados de amanhã, necessita que a sua população trabalhadora aumente, o que se admite só ser possível favorecendo mais flexibilidade no merca- do de trabalho, atraindo mais mulheres para ele, promovendo o trabalho a tempo parcial e atrasando a idade da reforma – quase tudo orientações nada fáceis de concretizar. Desenvolvimento tecnológico e nível de vida O desenvolvimento tecnológico, que está guiando o mun- do para a sociedade de informação/conhecimento, está cada vez mais ao alcance dos jovens, e pode contribuir largamente Milhões SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 14,5 1,5 2,2 1,0 7,8 1,2 11,9 1,9 3,2 1,0 9,0 0,07 2,0 15,0 2,1 74,3 SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 6405 7329 7464 6888 7805 3867 5622 7266 3971 7392 3875 6186 10559 3644 6181 7065 Comércio Educação Governo SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 %do PIB SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 23400 23500 26100 25000 26900 19700 24300 24500 15700 26500 27500 23400 16500 45400 24600 24800 Despesa em protecção social/habitante, 2001 (em ppc) 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 231
  • 228.
    232 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia Desemprego, 2003 Telemóveis por 100 habitantes, 2002 Exportações para a UE no total da exportação, 2001 Importação de energia em milhares de toneladas equivalentes de petróleo, 2001 Empregados na Primavera, 2002 Computadores por 100 habitantes, 2001 1990 3 Outubro Reunificação da Alemanha. 1992 7 Fevereiro Assinatura, em Maastricht, do Tratado da União Europeia: altera formas de cooperação entre os estados-membros e a designação de CEE para “União Europeia” . 1995 1 Janeiro Áustria, Finlândia e Suécia juntam-se à UE, que passa a ser constituída por 15 estados-membros. 1997 2 Outubro Assinatura do Tratado de Amsterdam: atribui novos poderes e responsabilidades à UE. para estes desígnios; por exemplo, se em 1990 só 1 em 100 pessoas (na UE-15) usava telemóvel, em 2002 já esse número tinha crescido cerca de 78% e um ano mais tarde atingia os 80%, colocando a Europa à frente dos Estados Unidos da América e do Japão, “em parte porque os países europeus lide- ram na tecnologia do fabrico destes telefones”. E todos sabem como este meio de comunicação veio aproximar o mundo em todos os aspectos e é, por isso, fonte de enriquecimento. Os computadores pessoais (PC) são outra destas fontes, nomeada- mente pelas possibilidades enormes dadas pela Internet; esta, embora a sua utilização possa – e deva – ser uma chave para modernizar os sistemas educativos e criar empregos e o seu uso esteja crescendo rapidamente, ainda não é tão popular como nos Estados Unidos da América. Este sucesso pôde ser alcançado porque todos os cidadãos da UE-15 aumentaram o seu nível de vida ao longo da última década; mas foram os irlandeses que realizaram os maiores progressos. Energia: a maior fragilidade da UE A Europa, pela enorme falta de energia própria, é muito vul- nerável às crises políticas internacionais que envolvam países exportadores de petróleo, pois só dois dos seus países (Dina- marca e Reino Unido) produzem e exportam este bem, graças às reservas de petróleo e gás natural do Mar do Norte; mais de metade da energia consumida tem de ser importada, o que, alia- do às condicionantes do mercado, aumenta o seu custo; esta é uma das razões porque em quase todos os países se trabalha intensamente para desenvolver recursos próprios e alternativos neste sector. Em Portugal, por exemplo, estão em curso progra- mas de desenvolvimento para o uso mais amplo das energias eólicas, minihídricas e geotérmicas. Outro benefício dos recur- sos alternativos é a redução da queima de combustíveis fósseis, que lança anidrido carbónico (CO2, ‘gás de estufa’) para a atmos- fera, o qual contribui para o aquecimento global que parece Mulher Homem SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 7,2 8,9 9,5 9,0 4,1 4,5 7,2 8,7 5,0 5,7 8,2 16,3 9,4 8,9 8,2 10,5 6,1 14,3 3,4 3,7 4,8 4,1 6,9 11,8 2,6 4,7 5,4 7,3 5,6 4,4 5,6 5,0 % SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 765589 215648 19622 48710 -5714 98763 18905 132426 22322 31409 13106 147261 3687 21538 -21109 19015 SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 64,2 65,4 68,2 59,7 76,4 58,4 69,1 62,9 56,9 74,5 65,0 55,4 63,6 68,6 71,5 74,0 % JAPEUASUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 31 35 30 36 45 17 43 34 9 43 39 20 45 22 37 56 62 35 JAPEUASUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALE 72 79 79 83 82 87 65 85 74 76 94 106 83 83 89 49 64 SUERUPORLUXITAIRLHOLGREFRAFINESPDINBELAUSALEUE-15 55,1 61,5 74,8 65,7 71,4 53,7 60,8 41,0 78,7 63,0 53,8 86,9 80,1 57,5 54,6 61,8 % 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 232
  • 229.
    TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL 70,7 77,4 109,7 98,4 30,0 109,0 53,0 36,1 1257,3 122,2 129,4 91,3 90,6 Milhões hab/km210 km23 TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL 7,8 0,7 5,4 2,0 1,4 10,1 3,5 2,3 0,4 38,2 10,2 21,8 70,2 TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL 110,9 9,2 49,0 20,3 45,2 93,0 65,3 64,6 0,3 312,7 78,9 238,4 774,8 TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL 14,5 4,3 17,6 6,6 10,2 5,8 13,4 10,7 7,4 19,3 7,5 6,8 10,0 TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBUL 32 55 54 77 65 68 47 39 70 36 84 23 35 TURROMRCHPOLMALLITLETHUNESTESNESQCHIBULUE15 31 5 22 15 28 18 10 7 15 23 9 14 4 4 ATLAS DE PORTUGAL IGP 233 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia Superfície Desemprego, 2003 População, 2003 Telemóveis por 100 habitantes, 2002 Densidade populacional, 2003 Computadores por 100 habitantes, 2001 1999 3/4 Junho O Conselho Europeu, em Colónia, decide organizar uma Convenção para elaborar a Carta dos Direitos Fundamentais da UE. 2000 23/24 Março O Conselho Europeu, reunido em Lisboa, define nova estratégia para fomentar o emprego, a economia e a coesão social, baseada nos pressupostos de uma “sociedade do conhecimento”. 2000 7/8 Dezembro Em Nice é preparado novo alargamento e proclamada a Carta dos Direitos Fundamentais da UE. 2001 26 Fevereiro Assinatura do Tratado de Nice: introduz novas alterações nos Tratados da UE e modifica o modo de funcionamento das Instituições, passando as votações a serem efectivadas por maioria qualificada. mesmo estar a atingir-nos. E como a poluição não reconhece fronteiras, é urgente a tomada de medidas colectivas para prote- ger o ambiente, ajudando a contribuir para uma das maiores prioridades da UE, o desenvolvimento sustentável. Presidência portuguesa na UE Portugal presidiu, no primeiro semestre do ano 2000, aos destinos de uma ‘nova Europa’, ainda em alargamento. Em 23 e 24 de Março de esse ano realizou-se a Cimeira de Lisboa que fixou um objectivo estratégico para a UE a ser alcançado ao longo desta década: a definição de uma estraté- gia de desenvolvimento económico e social capaz de respon- der positivamente aos novos desafios da globalização, da mudança tecnológica e das alterações demográficas. Por outras palavras, fazer da UE “uma economia baseada no conhecimento (...) capaz de um crescimento económico sustentável com mais e melhores empregos e mais coesão social” sendo necessário para tal “combinar a estratégia euro- peia com as políticas nacionais”. Estas orientações originaram uma longa agenda, que veio a ser conhecida como a Estratégia de Lisboa, e a realização de Conselhos Europeus de Primavera, “momento anual de balanço e impulso adicional desta estratégia” nomeadamente em relação às questões económicas e sociais, o que lhes confere um papel muito importante de coordenação, avaliação, aná- lise e calendarização. A Estratégia de Lisboa foi a mais importante contribuição da presidência portuguesa de 2000 para o futuro da UE. O Conselho Europeu de Santa Maria da Feira, de 19 e 20 de Junho de 2000, realizou “um primeiro balanço da execução da nova estratégia” adoptada na Cimeira de Lisboa, três meses antes, mas o grande teste terá de se ir fazendo ao longo do decénio. Europa do alargamento % 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 233
  • 230.
    234 ATLAS DEPORTUGAL IGP PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia 2002 1 Janeiro Entrada em circulação da moeda única europeia, o euro. 2002 31 Maio Ratificação pelos 15 países-membros do Protocolo de Quioto para redução da poluição atmosférica. 2003 4 Outubro Ínicio da Conferência Intergovernamental que redigirá um novo Tratado da UE, incorporando a Constituição Europeia. 2004 1 de Maio Adesão de Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa, formando a UE-25. O alargamento da UE Com o alargamento, no período de 2004/2007, a UE alcan- ça uma oportunidade histórica – a quase unificação de um continente até há pouco muito dividido – e a criação de uma “Europa democrática, pacífica e estável”. Este alargamento vai aumentar o espaço europeu em mais um milhão de quilóme- tros quadrados e criar “um mercado único de uns 500 milhões de consumidores, com bom potencial de crescimento econó- mico e prosperidade”. Com a entrada da Turquia, haveria um acréscimo extra de 70 milhões de habitantes. A UE passou a ser constituída por 25 países-membros e “finalmente conseguirá reconciliar a sua História com a sua Geografia”; com adicionais alargamentos da União Europeia, que constituem “uma parte do rápido e radical mundo em mudança”, veremos redesenhar novas fronteiras – geográfi- cas, políticas, culturais. A primeira legislatura do Parlamento Europeu a ser eleita por sufrágio universal data de Julho de 1979, nele tendo tido assento 410 deputados; a partir desta data o escrutínio passou a ser quinquenal e o número de deputados foi aumentando à medida que a UE se alargou. Nas eleições de Junho de 2004, os cidadãos da UE-25 elegeram 732 representantes, cabendo 24 a Portugal. Portugal está, geográfica e culturalmente, bem posiciona- do para enfrentar este jogo internacional, nomeadamente se voltar a integrar o mar que lhe faz face na sua estratégia de médio prazo; mas só o conseguirá com muito esforço e a boa vontade de todos. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 234
  • 231.
    Uma Constituição paraa Europa Na reunião do Conselho Europeu, em Lacken – na Bélgica – em Dezembro de 2001, num momento considerado decisivo para a orientação política da UE, foi convocada uma Convenção encarregue de formular propostas sobre a “aproximação dos cidadãos ao projecto europeu e às instituições europeias”, a “estruturação da vida política e do espaço político europeu, na UE alargada” e a transformação da UE num “factor de estabili- zação e uma marca na nova organização do mundo”. Os argumentos finais trazidos para a discussão dessas pro- postas conduziram à elaboração de um projecto de Tratado insti- tuindo uma Constituição para a Europa, texto que, apresentado pelo presidente da Convenção em sessão plenária, em Junho de 2003, mereceu um largo consenso. Os aspectos fundamen- tais do Tratado estão estabelecidos em 113 artigos agrupados em duas partes. A primeira trata os valores e objectivos da União e a sua personalidade jurídica, os aspectos financeiros, as competências, as instituições e a vida democrática da UE, as relações privilegiadas com os estados vizinhos, os critérios de adesão, de suspensão de direitos de pertença, de retirada volun- tária da UE. A segunda parte define, larga e essencialmente, os direitos fundamentais dos cidadãos. O projecto de Tratado termina com três protocolos: sobre o papel dos parlamentos nacionais na UE, a aplicação dos prin- cípios de subsidiaridade e de proporcionalidade e a represen- tação dos cidadãos no Parlamento Europeu e sua ponderação nos Conselhos Europeus e de Ministros. Estamos, sem dúvi- da, perante os fundamentos “de um futuro Tratado instituin- do a Constituição Europeia”. ATLAS DE PORTUGAL IGP 235 PORTUGAL NUM MUNDO DE RELAÇÃO Portugal na União Europeia Mapa oficial da UE-25 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 235
  • 232.
    236 ATLAS DEPORTUGAL IGP Este Atlas, aqui encerrado, contém (como qualquer atlas) no interior do conceito, três elementos: 1) um, de carácter descritivo, que é a sua vocação primordial; 2) outro, de carácter analítico, que resulta da definição subjacente da temática e da subsequente incorporação da informação seleccionada; e 3) um terceiro, de visão de conjunto, i.e., o esforço (subjacente no atlas, para além de cada um dos mapas, quadros e textos que o integram) de sistematização de múltiplas dimensões e perspectivas num corpo tornado coerente em função do objectivo geral de elaboração, precisamente, desse atlas – e não de um outro. Em paralelo, um atlas induz, como pista de reflexão [dir-se-ia: como texto vivo e não mero suporte morto de um documento factual], três binários de tipos de leitura: 1) o dinâmico face ao estático [i.e., a consciência do que permanentemente está a mudar por sobre o que, em cada momento, parece permanecer]; 2) o sintético face ao analítico [i.e., a compreensão da realidade (ou a sua percepção) na sua natureza sistémica – e para além dos aspectos parcelares que, simplesmente, são melhor identificáveis e cognoscíveis] e 3) a acção face ao quadro [i.e., a relação permanente e eterna entre a realização concreta e efectiva da vontade dos homens (o sujeito) por sobre a realidade das coisas (o objecto), assim construindo o processo histórico]. Deste modo, o Atlas constitui [desde que se saibam articular os três elementos da sua definição com os três tipos binários da sua leitura] um ponto de partida, particularmente vantajoso, para o leitor estruturar a sequência necessária que subjaz a todo o comportamento humano: 1) compreender; 2) assumir e 3) agir. Desde logo, compreender: é o resultado directo da conjugação dos três elementos de carácter descritivo, analítico e de visão de conjunto. Cada mapa, cada gráfico e cada nota explicativa contém uma multitude de elementos de informação que se situam para lá da mera informação pictórica ou redaccional; para além da informação neles processada, situa-se o resultado do esforço de compreensão que aprofunda e alarga o conhecimento. A clássica sequência de dados/informação/conhecimento é, simultaneamente, suscitada e posta à prova cada vez que se aborda um atlas; daí a conveniência de – sempre – se procurar – com espírito de abertura, de humildade e de crítica – ‘fazer o atlas [ou o mapa] falar’ – ele dirá, para cada leitor, mais do que aquilo que o seu autor incluiu na expressão formal do seu trabalho. De seguida, assumir: é um passo para lá do conteúdo directo do atlas, porquanto corresponde a uma alteração qualitativa, por parte do leitor, no modo de leitura, ao passar de um simples acto intelectual de compreensão para uma atitude, necessariamente interior, de estruturação da vivência. O atlas permanece como ponto de partida, fica como detonador; mas o leitor adquire, por si e (inicialmente, apenas) para si, uma dimensão adicional que o conduz a ultrapassar o aspecto racional estrito – e que o leva a, no seu íntimo, se identificar com alguma ou algumas ideias-força que encontra, que extrai, que induz ou que extrapola da sua compreensão do atlas. Por fim, agir: situa-se, necessariamente, para além do que é a vocação directa do atlas; mas é, também, o resultado esperado da sua elaboração. Um atlas não é elaborado para, simplesmente, ficar depositado nas estantes de uma biblioteca; mas também não pode, espontaneamente, aspirar a que seja um factor explícito da acção humana – é um instrumento estruturado de informação preparatória da decisão e da execução da acção humana. Deste breve esboço sobre a natureza e o papel de um atlas, compreender-se-á facilmente que convirá passar a alguma aplicação específica. No caso do presente Atlas de Portugal, dois casos de aplicação assumem posição de destaque: 1) a relação de Portugal com o mar e 2) a leitura prospectiva da afirmação de Portugal. A relação de Portugal com o mar No plano da compreensão, trata-se de percorrer um itinerário obrigatório: o rigor metodológico do conhecimento científico, nas suas múltiplas disciplinas, completado por um duplo esforço de comparação e de enquadramento. Trata-se, em suma, de: 1) descrever a realidade a partir de uma grelha seleccionada; 2) teorizar e explicar; 3) enquadrar e 4) comparar com a realidade de outros países. Desse modo, poderá compreender-se essa relação encontrando respostas às questões elementares de: 1) o que é; 2) como se explica o funcionamento; 3) como compara e 4) para que serve. A relação de Portugal com o mar é uma realidade multifacetada, de carácter geográfico, histórico, cultural e económico. Cada uma destas dimensões está revestida de lógica própria e traduz-se por conteúdos específicos que, umas e outros, variam significativamente ao longo do tempo – mas que, no seu conjunto, definem uma matriz estrutural sobre que assenta e que estabelece a natureza da própria relação. Um ensaio de explicação do estabelecimento e, sobretudo, do funcionamento da relação levam-nos a seleccionar quatro componentes essenciais: 1) a realidade geopolítica; 2) a base económica; 3) a herança cultural e 4) a verificação de um apego lírico. O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO DE PORTUGAL ERNÂNI RODRIGUES LOPES 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 236
  • 233.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 237 A realidade geopolítica constitui, porventura, o componente dominante, na medida em que o papel do mar, o Oceano Atlântico, na formação e no desenvolvimento da estrutura política do Reino se mostra decisivo, em dois planos: 1) na estruturação do espaço físico da faixa costeira face à formação poderosa da Meseta, conferindo uma dupla lógica de organização ao território português: a cabotagem no litoral a Ocidente e Sul e a construção de fortalezas de fronteira a Norte e Oriente e 2) na preservação, em permanência, de linhas de comunicação, de expansão (e, certamente, também de invasão por mar) convertendo o Oceano Atlântico no grande espaço de compensação geopolítica face à pressão estratégica, também permanente, proveniente do espaço continental da Meseta, no seu processo multisecular de unificação por via da força centrípeta do centro geopolítico da Meseta. Todos os momentos decisivos, de crise e de afirmação da existência de Portugal, mostram o peso concreto (político, económico e cultural) da utilização desta dinâmica geopolítica da contraposição entre o marítimo e o continental em que, do ponto de vista analítico, encontramos a chave da compreensão do fenómeno português: a única estrutura política, saída da Reconquista Cristã na Península Ibérica, que mantém a sua independência política face ao poder aglutinador de Castela. No que respeita aos aspectos económicos, a questão pode, na actualidade, colocar-se em função de três linhas fundamentais de raciocínio: 1) a verificação, apesar de tudo, de uma tradição de actividade no mar, em que avultam a pesca, alguma navegação mercante de transporte de mercadorias e, indirectamente, um extenso conjunto de actividades turísticas (ainda que submetidas ao conceito rudimentar de ‘sol e praia’); 2) a resignação com que os responsáveis (públicos e privados) se amoldam à perda consistente de posição das actividades económicas ligadas ao mar no conjunto da economia portuguesa e 3) o que é, inequivocamente, mais importante: a assumpção consciente do papel do hypercluster da economia do mar no quadro da indispensável reconfiguração estratégica da economia portuguesa – que tarda demasiado. O aspecto económico, anteriormente referido, está bastante ligado à herança cultural que, em última análise, resulta da íntima familiaridade das populações (sobretudo ribeirinhas) com o mar. Por outro lado e num plano ainda de carácter imediato, importará salientar, desde logo, a transmissão cultural da relação pessoal e social com o mar, no contexto da tradição familiar e, num plano mais sofisticado, o largo espectro e a longa tradição de produção científica e de cultura literária e artística sobre matérias e temas ligados ao mar. E importará, sobretudo, ter presente que, na base da afirmação de todas as potências marítimas está a permanente criação, transmissão e difusão de padrões culturais de pensamento e de comportamento em que o indivíduo aprende – culturalmente – a conviver, a amar, a conhecer, a aproveitar, a saber valorizar o mar – e a nele e com ele afirmar-se a si próprio e contribuir para a afirmação da sua sociedade. Encontramo-nos, nesta perspectiva, nos antípodas da banalidade do chamado e invocado apego ‘lírico’ ao mar; trata-se, este, de uma versão truncada da herança cultural mas que, no limite, permitirá ir salvaguardando ao menos uma referência, ainda que de fraca valia, aos assuntos do mar; não será por essa via que se recuperará uma capacidade reinventada de afirmação. A comparação da situação portuguesa com a de outros países de vocação marítima é desfavorável – e, consequentemente, teremos de aprender, com alguns dos que anteriormente aprenderam, com os Portugueses, a explorar os oceanos e a organizar a relação das suas economias com o mar. E a aprender, ainda, as exigências que a lucidez, a firmeza, o pragmatismo, a persistência e a paciência impõem para que uma estratégia seja bem sucedida; caso contrário, o consolo psicológico da expressão poética da ‘ligação ao mar’ nada vale – é pura fantasia irrelevante. Finalmente, ao estudar devidamente este Atlas, vendo o mar oceano e a relação de Portugal com ele, convirá explicitar o papel dessa leitura reflexiva, i.e., estarmos atentos à questão elementar de procurarmos saber ‘para que serve’. Para além de fonte de novos conhecimentos (o que, em si, já é suficientemente interessante) a leitura reflexiva conduz-nos a duas linhas fundamentais, porventura decisivas, para o futuro de Portugal. Desde logo, a realidade objectiva de o hypercluster da economia do mar constituir dos poucos domínios com potencial de preenchimento do gap estratégico entre um cenário (espontâneo) de definhamento e um outro (aspiracional) de afirmação da economia portuguesa. E, seguidamente e sobretudo, a realidade subjectiva e colectiva (e, por isso mesmo, superiormente relevante e historicamente decisiva) da função da ligação de Portugal ao mar oceano como suporte definidor e diferenciador da identidade nacional. Haverá que reconhecer que tudo o resto lhe está subjacente, porque submetido – caso contrário, a questão não se colocaria porque o inexistente não pode ser identidade. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 237
  • 234.
    238 ATLAS DEPORTUGAL IGP O ATLAS E O POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO DE PORTUGAL A leitura prospectiva da afirmação de Portugal Na apresentação deste segundo caso de aplicação, é utilizada a mesma sistematização do anterior abordando, sucessivamente, as respostas às quatro questões elementares antes seleccionadas. Dever-se-á, consequentemente, começar explicitando que a leitura prospectiva da afirmação de Portugal é, por natureza, um exercício intelectual e formal em que se pretende reflectir sobre o futuro, para melhor agir no presente. Daí decorre a capacidade de leitura prospectiva para actuar como formadora de um contexto conceptual gerador de uma visão para o futuro e é, necessariamente, com base numa visão para o futuro, partilhada pelos cidadãos, que pode ocorrer o processo, indispensável e único, de aprofundamento da natureza identitária da entidade específica que é Portugal como Pátria. Buscando compreender os mecanismos de funcionamento da articulação entre leitura prospectiva e afirmação de Portugal, importará salientar, sobretudo, que a afirmação resulta do processo (complexo) de projecção, para o exterior – e no exterior – do potencial interior contido na identidade e nas capacidades de Portugal. Há, portanto, ao reflectirmos sobre a afirmação de Portugal no futuro, a dupla exigência de: 1) estruturação das condições de desenvolvimento de capacidades na economia e na sociedade portuguesas e 2) organização estratégica da projecção nacional para o exterior, nas suas múltiplas dimensões. Nem uma, nem outra, estão devidamente acauteladas neste período da viragem do último quartel do século XX para o primeiro do século XXI – muito embora a matriz profunda do sentir e da identidade do Povo constitua garante de resposta histórica, sociologicamente expressa e, inexoravelmente, fonte de interpelação, mais ou menos consciente, mais ou menos angustiada, feita às elites [ou às não-elites] e, frequentemente, deixada sem resposta válida ou, sequer, credível. Perante este quadro, não surpreende muito que, ao procurarmos estabelecer uma comparação com outros países (nomeadamente europeus) Portugal se revele como contendo no seu interior uma sobre-identificação que se traduz, face ao exterior, numa sub-afirmação. Portugal exprime a sua sobre-identificação (que sente e vive no seu interior) praticamente sem termo médio e sensato: auto-crítica permanente, exacerbação de comportamentos entre euforias (que mais não são do que auto-ilusões) e depressões ou pessimismo (que traduzem, frequentemente, um pólo oposto equilibrador e facilitador, porque auto-justificativo); mas essa sobre-identificação expressa-se mais consistentemente ao verificar-se que a já citada debilidade do termo médio ocorre superficialmente, sobre um subestrato, não expresso, de resiliência e continuidade (que, historicamente, se mostra muito sólido). Por outro lado, a leitura prospectiva da afirmação de Portugal pressupõe o processamento, teórico e político, da sequência obrigatória de quatro passos essenciais, cada um deles de relevância crítica: 1) começa pelo espaço geográfico; 2) segue pela leitura geopolítica e prospectiva; 3) assenta na vontade e na capacidade de acção dos homens e 4) culmina na força interior resultante da convicção de uma estratégia para o futuro. As considerações genéricas acima formuladas sobre a leitura prospectiva da afirmação de Portugal têm implicações relevantes para o futuro de Portugal – em boa medida, é para isso mesmo que servem. Com efeito, atentas as realidades com que nos confrontamos, uma reflexão sobre o futuro (que procure colocar-se para além do mero circunstancialismo episódico) induz uma ideia dominante: a de reinvenção de Portugal. Neste termo (‘reinvenção’) situamo-nos muito para além do exercício de prospectiva, para nos colocarmos, colectivamente, na dimensão de uma reflexão de comprometimento, com uma tripla exigência acrescida: 1) de responsabilidade de cidadania; 2) de criatividade na vida económico-social e 3) de sentido de Estado face às exigências do bem-comum dos Portugueses e do corpo estruturado da Nação. Reinventar, no sentido aqui referido, não tem conotação negativa de destruição. Antes pelo contrário, significa: fazer de novo e (sobretudo) melhor; corrigir e prevenir erros verificados; extrair o potencial estratégico contido na economia e na sociedade (ultrapassando os constrangimentos e os bloqueios); compreender, assimilar e revivificar a herança do passado com visão criativa para o futuro. Em suma: trata-se de articular, no seu conjunto, uma visão estratégica, uma vontade de acção e uma capacidade de concretização. Para concluir, apenas uma nota final que, absorvendo todas as considerações anteriores, procura sintetizar o essencial desta reflexão sobre o presente Atlas de Portugal: este Atlas servirá, sobretudo, para nos interrogarmos – e sabermos responder – quanto à questão central: o que é ser Português, na segunda metade do século XXI. Com estudo e trabalho, cada um de nós saberá responder; e, ao fazermo-lo, estaremos a dar a resposta colectiva perante a História – não apenas a do passado; também a do presente que vivemos e a do futuro que construímos. 871_05_Miolo_Pags211a238 06/02/02 10:46 Página 238
  • 235.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 239 ANEXOS PLANTAS ESPONTÂNEAS, SUBESPONTÂNEAS E ORNAMENTAIS MAIS COMUNS EM PORTUGAL CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL ESCALA 1: 550 000 CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES E DA MADEIRA ESCALA 1: 200 000 ÍNDICE ONOMÁSTICO DIVISÃO ADMINISTRATIVA POR CONCELHOS 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:10 Página 239
  • 236.
    240 ATLAS DEPORTUGAL IGP CONTINENTE Abacateiro [Persea gratissima] Orig. México. Árvore de fruto. Abeto-Branco [Abies alba] Regiões montanhosas do Norte e Centro. Orig. Europa Central. Ornamental. Abrunheiro [Prunus insistita] Arbusto ou pequena árvore de fruto. Abrunheiro-bravo [Prunus spinosa] Arbusto ou pequena árvore de fruto. Acácia-Austrália [Acacia melanoxylon] Todo o território. Todos os meios. Orig. Austrália. Infestante. Acácia-mimosa [Acacia dealbata] Todo o território. Todos os meios. Orig. Austrália. Infestante. Aderno [Phillyrea latifolia] Centro e Sul. Aderno-de-folhas-largas [Phillyrea latifolia] Litoral do Centro e do Sul. Ailanto [Ailanthus altissima] Orig. China. Ornamental. Infestante. Alcachofra-branca [Cynara humilis] Centro e Sul. Vivaz. Alecrim [Rosmarinus officinalis] Todo o território. Arbusto perenifólio. Alfarrobeira [Ceratonia siliqua] Centro e Sul. Árvore de fruto Alfazema [Lavandula angustifolia] Todo o território. Almeirão (Chicória-do-café) [Chicorium intybus] Todo o território. Vivaz. Prefere solos calcários. Aloendro (Loendro) [Rhodondendron ponticum sp. baeticum] Mata ribeirinha, sobretudo no Sul. Ornamental. Tóxica. Amendoeira [Prunus amygdalus] Todo o território, sobretudo Trás-os-Montes e Algarve. Orig. Ásia e Norte de África. Árvore de fruto. Amieiro [Alnus glutinosa] Mata ribeirinha de todo o território. Amieiro-negro (Sanguinho-de-água) [Thamnus frangula] Mata ribeirinha. Amoreiras [Morus sp.] Diversas espécies, sobretudo Morus alba e Morus nigra. Orig. China, Am. Norte, México, Irão e Rússia. Árvore de fruto. Ornamental. Araucária [Araucaria heterophylla] Ornamental. Aroeira (Lentisco) [Pistacia lentiscus] Centro e Sul. Árvore-da-borracha [Ficus elastica] Orig. Ásia. Ornamental. Aveleira [Corylus avellana] Terras altas do Norte. Azereiro [Prunus lusitanica sp. lusitanica] Terras altas do Norte e Centro. Arbusto ou pequena árvore. Azevinho [Ilex aquifolium] Regiões montanhosas do Norte e Centro. Bagas tóxicas. Espécie em perigo de extinção. Protegida pelo Decreto-Lei nº 423/89. Azinheira [Quercus rotundifolia] Todo o território, especialmente a Sul do rio Tejo. Azola [Azolla filliculoides] Sul. Infestante aquática. Bela-sombra [Phytolacca dioica] Ornamental. Bidoeiro (Vidoeiro) [Betula celtiberica] Norte. Bordo (Plátano-bastardo) [Acer pseudoplatanus] Todo o território. Ornamental. Borragem [Borago officinalis] Todo o território. Anual. Borrazeira-branca [Salix salvifolia sp. australis] Norte. Protegida no âmbito da Directiva Habitats. Braquiquiton [Brachychiton populneum] Orig. Austrália. Ornamental. Buxo [Buxo sempervirens] Todo o território. Ornamental. Camarinha [Corema album] Litoral Centro. Anual. Camélia [Camellia japonica] Orig. China e Japão. Ornamental. Campainhas-amarelas [Narcissus bulbocodium] Todo o território. Vivaz. Cardo [Galactites tomentosa] Todo o território. Anual. Cardo-corredor [Eryngium campestre] Norte. Vivaz. Cardo-leiteiro [Silybum marianum] Todo o território. Anual ou bienal. Carqueja [Pterospartum tridentatum] Todo o território. Vivaz Carrasco [Quercus coccifera] Sobretudo Centro e Sul. Carvalho-alvarinho (Carvalho-roble) [Quercus robur] Sobretudo Norte. Carvalho-americano [Quercus rubra] Orig. Am. Norte. Ornamental. Carvalho-cerquinho [Quercus faginea sp. broteroi] Sobretudo Centro e Sul. Prefere solos calcários. Carvalho-negral [Quercus pyrenaica] Sobretudo Norte e Centro. Castanheiro [Castanea sativa] Norte e Centro. Exclusiva de solos ácidos. Árvore de fruto. Castanheiro-da-Índia [Aesculus hippocastanum; Aesculus x carnea] Orig. América Norte e Balcãs. Ornamental. Casuarina [Casuarina equisetifolia] Orig. Austrália. Ornamental. Catalpa [Catalpa bignoniodes] Orig. América do Norte. Ornamental. Catapereiro [Pyrus communis sp. piraster] Todo o território. Cedro-do-Atlas [Cedrus atlantica] Áreas montanhosas do Norte e Centro. Orig. Montes Atlas. Ornamental. Cedro-do-Bussaco [Cupressus lusitanica] Áreas montanhosas do Norte e Centro. Orig. México. Ornamental. Cedro-do-Líbano [Cedrus libani] Orig. Líbano. Ornamental. Cerejeira [Prunus avium] Orig. Ásia Central. Árvore de fruto. Cerejeira-brava [Prunus avium sp. actiana] Centro. Chorão-das-dunas (Chorão) [Carprobutus edulis] Litoral. Orig. Sul de África. Infestante. Choupo-branco (Faia-branca) [Populus alba] Mata ribeirinha de todo o território. Ornamental. Espontânea. Choupo-cinzento [Populus canescens] Mata ribeirinha de todo o território. Ornamental. Choupo-negro [Populus nigra spp. betulifolia] Mata ribeirinha de todo o território, sobretudo Norte. Espontânea. Choupo-tremedor (Faia-preta) [Populus tremula] Norte e Centro. Ornamental. Cipreste-comum [Cupressus sempervirens] Todo o território. Orig. Ásia Menor e Mediterrâneo. Ornamental. Cipreste-do-Buçaco [Cupressus lusitanica] Orig. América Central. Ornamental. Damasqueiro [Prunus armeniaica] Orig. China. Árvore de fruto. Dedaleira [Digitallis purpurea] Áreas montanhosas do Norte e Centro. Extremamente Tóxica. Erva-das-sete-sangrias [Lithodora prostrata sp. prostrata] Todo o território. Subarbusto. Ervilhaca [Vicia sativa] Todo o território. Anual. Esteva [Cistus ladaniferus] Centro e Sul. Vivaz ou Anual. Estevão [Cistus populifolius] Centro e Sul. Vivaz ou Anual. Estevinha [Cistus salvifolius] Centro e Sul. Vivaz ou Anual. Estorno [Ammophila arenaria] Litoral. Eucaliptos. Designação genérica dada a diversas espécies do género Eucalyptus utilizadas em Portugal como ornamentais. Na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra, existe um exemplar de Eucalyptus diversicolor com 75m de altura e mais de 30m de tronco, que se supõe ser a árvore mais alta existente na Europa. Eucalipto-comum [Eucalyptus globulus] Todo o território, todos os meios. Orig. Austrália. Plantado em Portugal para transformação em pasta de papel. Há em diversos pontos do país exemplares centenários que atingem mais de 60m de altura. Figueira [Ficus carica] Todo o território. Árvore de fruto. Figueira-da-Índia [Opuntia ficus] Todo o território, sobretudo Sul. Orig. México. Figueira-do-Inferno [Datura stramonium] Todo o território. Orig. América. Anual. Figueira-dos-Pagodes [Ficus religiosa] Orig. Ásia. Ornamental. Freixo [Fraxinus angustifolia] Mata ribeirinha. Ornamental. Fumária [Fumaria officinalis] Todo o território. Anual. Funcho [Foeniculum vulgare] Todo o território. Vivaz. Giesta [Spartium junceum] Sobretudo Centro e Sul. Vivaz arbustiva. Prefere solos calcários. Gilbardeira [Ruscus acullatus] Terras altas do Norte. Ginkgo [Ginkgo biloba] Orig. China e Japão. Ornamental. Grevília [Grevillea robusta] Orig. Austrália. Ornamental. Hipericão [Hypericum perforatum] Todo o território. Vivaz. Hortelã-brava [Mentha suaveolens] Todo o território. Vivaz. Jacarandá [Jacaranda ovalifolia] Orig. Brasil. Ornamental. Jacinto-aquático [Eichhornia crassipes] Orig. Ásia. Infestante aquática. Jacinto-das-searas [Muscari comosum] Todo o território. Vivaz. Kiwizeiro [Actinida chinensis] Orig. China. Trepadeira arbórea de fruto. Esta planta foi introduzida nos E.U.A. em 1904 e na Nova Zelândia em 1906. Em Portugal começou a ser cultivada, no litoral Norte, nos anos 1980. Laranjeira [Citrus sinensis] Árvore de fruto. Lariço [Larix decidua] Mata ribeirinha. Orig. zonas frias do Hemisfério Norte. Lentisco (Aroeira) [Pistacia lentiscus] Centro e Sul. Limoeiro [Citrus medica] Orig. India. Árvore de fruto Liquidambar [Liquidambar sp.] Orig. Ásia Menor. Ornamental. No Parque de Serralves, no Porto, está provavelmente o melhor conjunto destas árvores em Portugal. Liriodendro (Tulipeira) [Liriodendron tulipifera] Orig. Am Norte. Ornamental. Lódão-bastardo [Celtis australis] Mata ribeirinha. Ornamental. Loureiro [Laurus nobilis] Todo o território. Arbusto ou pequena árvore. Ornamental. Folhas utilizadas como condimento culinário. Lúcia-lima [Lippia citriodora] Orig. América do Sul. Arbusto ornamental. Luzerna [Medicato sativa sp. sativa] Todo o território. Vivaz subespontânea. Macieira [Pyrus malus] Árvore de fruto. Madressilva [Lonicera implexa] Todo o território. Perenifólia trepadora. Magnólia [Magnolia sp.] Orig. América, Ásia e Himalaias. Ornamental. Malmequer [Chrysanthemum coronarium] Sobretudo Centro e Sul. Anual. Malva [Malva silvestris] Todo o território. Bienal. Nitrófila Malva-bastarda [Lavatera cretica] Sobretudo Centro e Sul. Anual. Marmeleiro [Cydonia vulgaris = Cydonia oblonga] Todo o território. Orig. Cáucaso. Arbusto de fruto. Medronheiro [Arbutus unedo] Todo o território. Frutos comestíveis. Os frutos do medronheiro apresentam a particularidade de demorarem dois anos a amadurecer. São utilizados, sobretudo no Algarve, para o fabrico de aguardente. Mélia [Melia azedarach] Orig. Ásia. Ornamental. Morraça [Spartina maritima] Litoral. Morrião [Anagalis arvensis] Todo o território. Anual ou bienal. Mostajeiro [Sorbus aria sp. torminalis] Interior Norte. Mostarda-branca [Sinapsis alba sp. alba] Todo o território. Anual. Infestante em searas, vinhas e incultos. Murta [Myrtus communis] Todo o território. Ornamental. Plantas espontâneas, subespontâneas e ornamentais mais comuns em Portugal Nome comum Nome científico Áreas/meios onde ocorre Observações 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:10 Página 240
  • 237.
    Negrilho (Ulmeiro) [Ulmusprocera] Mata ribeirinha de todo o território. Ornamental. Nespereira [Eriobotrya japonica] Todo o território. Orig. China e Japão. Árvore de fruto. Nogueira-comum [Juglans regia] Todo o território. Orig. Ásia Oriental. Árvore de fruto. Olaia [Cercis australis] Orig. Palestina. Ornamental. Oliveira [Olea europaea var. europaea] Todo o território. Árvore de fruto. Oliveira-do-Paraíso [Elaeagnus angustifolia] Orig. Sul da Europa. Ornamental. Orégão [Origanum virens] Todo o território. Vivaz. Palmeira [Washingtonia filifera] Orig. Califórnia. Ornamental. Palmeira-das-Canárias [Phoenix canariensis] Orig. Canárias. Ornamental. Palmeira-das-vassouras [Chamaerops humilis] Algarve. Ornamental. Papoila [Papaver dubium] Todo o território. Anual. Papoila-vulgar [Papaver rhoeas] Todo o território. Anual. Prefere solos calcários. Pepino-bravo [Ecballium elaterium] Sobretudo Centro e Sul. Vivaz. Prefere solos básicos. Pereira [Pyrus communis] Árvore de fruto. Pessegueiro [Prunus persica] Orig. Norte da China. Árvore de fruto. Pilriteiro [Crataegus monogyna sp. brevispina] Todo o território. Arbusto. Ornamental. Pimenteira-bastarda [Schinus molle] Orig. Califórnia. Ornamental. Pimposo [Anacyclus radiatus] Todo o território. Anual. Nitrófila. Pinheirinha-de-água [Myriophyllum aquaticum] Centro e Sul. Infestante aquática. Pinheiro-bravo [Pinus pinaster] Todo o território, sobretudo no litoral. Orig. Europa Mediterrânea. Existem exemplares centerários em diversos pontos do país, alcançando em alguns casos mais de 40m de altura. Os pinheiros bravos retorcidos por acção do vento no litoral, como os existentes na Mata Nacional de Leiria, em São Pedro de Moel, são designados “pinheiros-serpente”. Pinheiro-do-Alepo [Pinus halepensis] Sobretudo Centro. Pinheiro-manso [Pinus pinea] Todo o território. Na Freguesia de Loivos (Chaves) existe um exemplar notável, classificado de interesse público desde 1953. Pinheiro-silvestre [Pinus sylvestris] Norte. Piorno-amarelo [Lygos sphaerocarpa] Todo o território. Piorno-branco [Lygos monosperma] Todo o território. Plátano [Platanus x hispanica sin. Platanus x acerifolia] Ornamental. Poejo [Mentha pulegium] Mata ribeirinha do Centro e Sul. Porros-bravos [Allium ampeloprasum] Centro e Sul. Vivaz. Robínia [Robinia pseudoacacia] Orig. América do Norte. Ornamental. Romãzeira [Punica granatum] Orig. Índias Ocidentais. Arbusto ou árvore de fruto. Roselha-grande [Cistus albidus] Centro e Sul. Rosmaninho [Lavandula stoechas] Todo o território. Sabina-da-praia [Juniperus phoenicea] Litoral. Orig. Europa Central e América Boreal. Saboeira [Saponaria officinalis] Norte e Centro. Sabugueiro [Sambuncus nigra] Montanhas do Norte e Centro. Salgueiro-frágil (Vimeiro) [Salix fragilis] Mata ribeirinha em todo o território. Salgueiro-branco [Salix alba] Mata ribeirinha do Centro e Sul. Salgueiro-chorão [Salix babylonica] Orig. China. Ornamental. Sanguinho-das-sebes [Rhamnus alaternus] Litoral Sul. Saramago [Raphanus raphanistrum] Todo o território. Anual Sargaço [Cistus monspeliensis] Centro e Sul. Soagem [Echium plantagineum] Todo o território. Anual ou vivaz. Sobreiro [Quercus suber] Sobretudo Centro e Sul. Sorveira [Sorbus aria] Montanhas do Norte. Tamareira [Phoenix dactylifera] Orig. Norte de África. Frutos comestíveis. Ornamental. Teixo [Taxus baccata] Montanhas do Norte e Centro. Calcífuga. Sementes tóxicas. Ornamental. No Lugar de Tranguinha, Bragança, existe um teixo, classificado de interesse público, com mais de 700 anos de idade. Existem ainda exemplares notáveis em Teixoso (Covilhã), Seia, Belas e Lisboa. Tília-das-folhas-grandes [Tilia platyphyllos] Ornamental Tília-das-folhas-pequenas [Tilia cordata sin. Tilia parvifloria] Ornamental. Tília-prateada [Tilia tomentosa] Orig. Europa Oriental. Ornamental. Tipuana [Tipuana tipu] Orig. América do Sul. Ornamental Tojo [Ulex sp.] Todo o território. Tramazeira [Sorbus aucuparia] Montanhas do Norte e Centro. Urze [Erica lusitanica; Calluna vulgaris] Todo o território. Urze-branca [Erica arborea] Todo o território. Urze-das-vassouras [Erica scoparia] Todo o território. Valeriana-das-boticas [Valeriana officinalis] Todo o território. Verbasco-ondeado [Verbascum sinuatum] Todo o território. Bienal. Verbena [Verbena officinalis] Todo o território. Anual ou vivaz. Verdisela [Convolvulus arvensis] Centro e Sul. Vivaz rastejante. Videira [Vitis vinifera] Orig. Ásia Menor. Arbusto trepador de fruto. Zambujeiro [Olea europaea, var. sylvestris] Centro e Sul. Zimbro [Juniperus communis] Zonas altas do Norte e Centro. Frutos utilizados na preparação da genebra. MADEIRA Aderno [Thamnus alaternus] Endémica. Alecrim-da-serra [Thynus caepitius]. Aloés [Aloe arborescens] Litoral. Anona [Anona cherimolia] Orig. Andes. Árvore de fruto. Arméria [Armeria maderensis] Bananeira [Musa sp.] Orig. Polinésia. Herbácea vivaz. Barbusano [Apollonia barbujana]. Carqueja [Ulex europeus]. Castanheiro [Castanea sativa]. Dragoeiro [Dracanea draco]. Faia [Myrica faia] Tecto de nuvens. Feiteira [Pterdium aquilinum]. Folhado [Clethra arborea] Tecto de nuvens. Giesta [Cytisus scoparius]. Jasmineiro-amarelo [Jasminuns odoratissimum] Litoral, a cerca de 300/400m de altitude. Loureiro [Laurus canariensis] Tecto de nuvens. Marmulano [Sideroxylon marmulans] Litoral. Murta [Myrtus communis] Litoral. Oliveira-brava [Olea europea var. oleaster]. Pau-branco [Notelaea excelsea] Tecto de nuvens. Rara. Piorno [Genista vingata] Litoral. Piteira [Agave americana] Litoral. Seixeiro [Salix canariensis] Litoral. Tabaiteria [Opuntia tuna] Declives rochosos da costa Oeste. Til [Ocotea foetens] Endémica. Urze [Erica arborea] A menos de 1 400m de altitude. Uveira [Vaccinium maderense] Tecto de nuvens. Vinhático [Persea indica] Tecto de nuvens. Zimbreiro [Juniperus phoenica] Litoral. AÇORES Alfacinha [Lactuca watsoniana] Endémica. Ananaseiro [Ananas comosus] Orig. América do Sul. Planta de fruto. Araucária [Auracaria sp.] Ornamental. Azevinho [Ilex perado sp. azorica] Endémica. Bermin [Silene vulgaris spp. cratericola] Cratera do Pico. Bermin [Silene vulgaris sp. maritima] Litoral. Bracel [Festuca jubata] Endémica. Bracéu (Bracel-da-rocha) [Festuca petraea] Endémica. Cana [Arundo donax] Orig. Sul da Europa. Infestante. Cedro-do-mato [Juniperus brevifolia]. Rara. Entre 500 e 1500m de altitude. Litoral na ilha do Pico. Endémica. Cletra [Clethra arborea] Orig. Ilha da Madeira. Infestante. Conteira [Hedychium gardneranum] Orig. Himalaias. Infestante. Criptoméria [Criptomeria japonica] Orig. Japão e China. Dragoeiro [Dracanea draco] Zonas costeira abrigadas. Erva-do-Capitão [Sanicula azorica] Endémica. Erva-leiteira [Euphorbia azorica]. Litoral. Endémica. Espigos-de-cedro [Arceuthobium azoricum] Endémica. Faia [Myrica faia] Endémica. Feto-arbóreo [Sphaeropteris cooperi]. Figueira-brava [Pericalis malvifolia] Endémica. Folhado [Viburnum tinus sp. subcordatum] Endémica. Fona-de-porco [Solanum mauritianum] Orig. Am. Central. Infestante. Gigante [Gunnera tinctoria] Orig. Am. Sul. Infestante. Ginja [Prunus lusitanica sp. azorica] Endémica. Hortênsia [Hydrangea hortensis] Orig. China e Japão. Infestante. Incenso [Pittosporum undulatum] Orig. Austrália. Infestante. Lantana [Lantana camara] Orig. América do Sul. Infestante. Loureiro (Louro) [Laurus azorica] Endémica. Loureiro-falso [Persea azorica]. Malfurada [Hypericum foliosum]. Metrosidero [Metrosideros robusta] Zonas costeiras abrigadas. Musgão [Sphagnum sp.]. Musgo [Selaginella braussiana]. Pastel [Isatis tinctoria]. Pau-branco [Picconia azorica] Endémica. Perpétua-silvestre [Gnaphalium lueo-album] Litoral. Queiró [Calluna vulgaris]. Sanguinho [Frangula azorica]. Silva [Rubus ulmifolius]. Tamargueira [Tamarix gallica]. Tamujo [Myrsine africana] Endémica. Teixo [Taxus baccata] Endémica. Tomilho-bravo [Thymus sp.]. Trovisco-macho [Euphorbia stygiana] Endémica. Urze [Erica scoparia sp. azorica] Endémica. Uva-da-serra [Vaccinium cylimdraceum]. Vidália [Azoriana vidalli] Endémica. Vinhático [Persea indica]. ATLAS DE PORTUGAL IGP 241 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:14 Página 241
  • 238.
    242 ATLAS DEPORTUGAL IGP CARTA DE PORTUGAL CONTINENTAL ESCALA 1: 550 000 CARTA DAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES E DA MADEIRA ESCALA 1: 200 000 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:15 Página 242
  • 239.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 243 Ampliar Imagem
  • 240.
    244 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 241.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 245 Ampliar Imagem
  • 242.
    246 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 243.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 247 Ampliar Imagem
  • 244.
    248 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 245.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 249 Ampliar Imagem
  • 246.
    250 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 247.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 251 Ampliar Imagem
  • 248.
    252 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 249.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 253 Ampliar Imagem
  • 250.
    254 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 251.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 255 Ampliar Imagem
  • 252.
    256 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 253.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 257 Ampliar Imagem
  • 254.
    258 ATLAS DEPORTUGAL IGP Ampliar Imagem
  • 255.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 259 Ampliar Imagem
  • 256.
    260 ATLAS DEPORTUGAL IGP CONTINENTE A A do Corvo 251 Ca Abação 244 Cb Abaças 244 Dd Abade de Neiva 244 Ca Abadim 244 Cc Abambres 245 Cb Abedim 244 Ab Abela 250 Ac Abitureiras 248 Ac Abiul 246 Dc Aboadela 244 Dc Aboboreira 246 Ed Aboim 244 Dc Aboim da Nóbrega 244 Bb Aboim das Choças 244 Bb Aborim 244 Ca Abrã 248 Ac Abragão 244 Db Abrantes 249 Aa Abraveses 247 Aa Abreiro 245 Da Abrigada 248 Bb Abrunheira 246 Cb Abrunhosa-a-Velha 247 Bb Achete 248 Ac Açoreira 245 Db Açores 247 Ab Açude dAagolada (SC) 248 Cd Açude da Raiva 246 Cc Açude do Monte da Barca (SC) 248 Cd Açude do Vale das Bicas 248 Dc Açude do Vale de Coelheiros 248 Ec Adão 247 Bc Adaufe 244 Cb Ade 247 Bc Adeganha 245 Db Adorigo 244 Dd A-dos-Cunhados 248 Ba A-dos-Francos 248 Ab A-dos-Negros 248 Ab Adoufe 244 Dd Afife 244 Ba Afonsoeiro 248 Db Agadão 246 Bc Agilde 244 Dc Agrela 244 Cc Agrobom 245 Db Agrochão 245 Bb Água das Casas 246 Ed Água Longa 244 Db Água Revés e Castro 245 Ca Aguada de Baixo 246 Bc Aguada de Cima 246 Bc Agualva-Cacém 248 Ca Águas 247 Cc Águas Belas 246 Ec Águas Frias 245 Ba Águas Santas 244 Db Aguçadoura 244 Ca Aguda 246 Dc Águeda 246 Bc Aguiã 244 Bb Aguiar 249 Ea Aguiar da Beira 247 Ab Aguiar de Sousa 244 Eb Aguieira 246 Bd Aguieiras 245 Bb Aguim 246 Bc Airães 244 Db Airó 244 Cb Ala 245 Cb Alagoa 249 Ac Alandroal 249 Dc Albergaria dos Doze 246 Eb Albergaria-a-Velha 246 Ac Albernoa 251 Ba Albufeira 250 Ed Alburitel 246 Ec Alcabideche 248 Da Alcácer do Sal 248 Ed Alcáçovas 249 Ea Alcafache 247 Ba Alcafozes 247 Dc Alcaide 247 Cb Alcains 247 Db Alcanede 248 Ac Alcanena 248 Ac Alcanhões 248 Bc Alcantarilha 250 Ed Alcaravela 246 Ed Alcaria 246 Eb Alcaria 247 Cb Alcaria Ruiva 251 Bb Alcobaça 248 Ab Alcobertas 248 Ac Alcochete 248 Cb Alcoentre 248 Bb Alcofra 246 Bd Alcongosta 247 Cb Alcorochel 248 Ad Alcôrrego 249 Cb Alcoutim 251 Cc Aldeia da Mata 249 Bb Aldeia da Ponte 247 Bd Aldeia da Ribeira 247 Bd Aldeia das Dez 247 Ca Aldeia de Joanes 247 Cb Aldeia de João Pires 247 Cc Aldeia de Nacomba 244 Ed Aldeia de S. Francisco de Assis 247 Ca Aldeia de Sta. Margarida 247 Db Aldeia de Sto. António 247 Cc Aldeia do Bispo 247 Cc Aldeia do Bispo 247 Cd Aldeia do Mato 249 Aa Aldeia do Meco 248 Eb Aldeia do Souto 247 Bb Aldeia dos Fernandes 251 Ca Aldeia Galega da Merceana 248 Bb Aldeia Gavinha 248 Bb Aldeia Nova 247 Ab Aldeia Nova 247 Ac Aldeia Velha 247 Cd Aldeia Velha 249 Ba Aldeia Viçosa 247 Bb Aldeias 244 Ed Aldeias 247 Bb Aldeias de Montoito 249 Dc Alegrete 249 Bc Alenquer 248 Bb Alfaião 245 Bc Alfaiates 247 Bd Alfândega da Fé 245 Db Alfarela de Jales 244 Cd Alfarelos 246 Cb Alfeizerão 248 Ab Alfena 244 Db Alferce 250 Dc Alferrarede 249 Aa Alfundão 251 Aa Algeriz 245 Ca Algodres 245 Eb Algodres 247 Ab Algoso 245 Cc Algoz 250 Dd Alguber 248 Bb Algueirão Mem Martins 248 Ca Alhadas 246 Cb Alhais 247 Aa Alhandra 248 Cb Alheira 244 Ca Alhões 244 Ec Alhos Vedros 248 Db Alijó 245 Da Aljezur 250 Db Aljubarrota 246 Ea Aljustrel 250 Bd Almaceda 247 Da Almada 248 Db Almagreira 246 Db Almalaguês 246 Cc Almansil 251 Ea Almargem do Bispo 248 Ca Almeida 247 Ad Almeirim 248 Bc Almendra 245 Eb Almodôvar 251 Ca Almofala 244 Ed Almofala 247 Ad Almoster 246 Dc Almoster 248 Bc Alpalhão 249 Ab Alpedrinha 247 Cb Alpedriz 246 Ea Alpendurada e Matos 244 Eb Alpiarça 248 Bd Alqueidão 246 Cb Alqueidão 246 Ec Alqueidão da Serra 246 Eb Alquerubim 246 Bc Alqueva 251 Ab Alte 250 Dd Alter do Chão 249 Bb Alto Estanqueiro Jardia 248 Db Altura 251 Dc Alturas do Barroso 244 Bd Alva 246 Ad Alvações do Corgo 244 Dd Alvadia 244 Cd Alvados 248 Ac Alvaiázere 246 Dc Alvalade 250 Bd Alvão (PNT) 244 Dd Alvarães 244 Ca Alvaredo 244 Ab Alvarelhos 244 Da Alvarelhos 245 Ba Alvarenga 244 Ec Álvares 246 Dd Álvaro 246 Dd Alvega 249 Aa Alvelanoso 245 Cd Alvelos 244 Ca Alverca da Beira 247 Ac Alverca do Ribatejo 248 Cb Alviobeira 246 Ec Alvite 244 Cc Alvite 244 Ed Alvites 245 Cb Alvito 249 Ea Alvito da Beira 247 Da Alvoco da Serra 247 Ca Alvor 250 Ec Alvorge 246 Dc Alvorninha 248 Ab Amadora 248 Ca Amarante 244 Dc Amareleja 251 Ac Amares 244 Cb Ameal 246 Cc Amedo 245 Da Ameixial 251 Da Amêndoa 246 Ed Amendoeira 245 Cb Amendoeira da Serra 251 Bb Amiais de Baixo 248 Ac Amieira 247 Da Amieira 249 Ec Amieira do Tejo 249 Ab Amor 246 Eb Amora 248 Db Amoreira 247 Bc Amoreira 248 Ab Amoreira da Gândara 246 Bb Amorim 244 Da Anadia 246 Bc Anais 244 Bb Ançã 246 Cc Ancas 246 Bc Ancede 244 Ec Anceriz 247 Ca Âncora 244 Ba Andrães 244 Dd Anelhe 244 Cd Angeja 246 Ac Angueira 245 Cd Anjos 244 Cc Anobra 246 Cc Ansiães 244 Dc Ansião 246 Dc Antanhol 246 Cc Antas 244 Ca Antas 245 Ea Antes 246 Bc Antime 244 Cc Antuzede 246 Cc Apúlia 244 Ca Arada 244 Ea Aradas 246 Bb Aranhas 247 Cc Arão 244 Aa Arazede 246 Cb Arca 246 Bd Arcas 245 Cb Arco de Baúlhe 244 Cc Arcos 244 Ba Arcos 244 Ed Arcos 246 Bc Arcos 249 Cc Arcos de Valdevez 244 Bb Arcossó 244 Cd Arcozelo 244 Ba Arcozelo 244 Ca Arcozelo 244 Ea Arcozelo 247 Bb Arcozelo das Maias 246 Ac Arcozelos 244 Ed Ardãos 244 Bd Arega 246 Dc Areias 244 Db Areias 246 Ec Arelho 248 Ab Areosa 244 Ba Arez 249 Ab Arga de Baixo 244 Ba Arga de Cima 244 Ba Arga de S. João 244 Ba Arganil 246 Cd Argela 244 Ba Argivai 244 Da Argoncilhe 244 Eb Argozelo 245 Cc Aricera 244 Ed Ariz 244 Eb Armação de Pêra 250 Ed Armamar 244 Ed Armil 244 Cc Arnas 247 Ab Arneiro das Milhariças 248 Ac Arnoia 244 Dc Arões 244 Cb Arões 246 Ac Arouca 244 Eb Arrabal 246 Eb Arrábida (PNT) 248 Eb Arraiolos 249 Da Arranhó 248 Cb Arreigada 244 Db Arrentela 248 Db Arriba Fóssil da Costa da Caparica (PP) 248 Db Arrifana 244 Eb Arrifana 246 Cc Arrifana 247 Bc Arrifana 248 Bc Arrimal 248 Ac Arronches 249 Bd Arrouquelas 248 Bb Arruda dos Pisões 248 Ac Arruda dos Vinhos 248 Cb Árvore 244 Da Assafarge 246 Cc Asseiceira 248 Ad Asseiceira 248 Bb Assentiz 246 Ec Assentiz 248 Bc Assumar 249 Bc Atães 244 Bb Ataide 244 Dc Atalaia 247 Ac Atalaia 248 Ad Atalaia 248 Ba Atalaia 248 Db Atalaia 249 Ab Atalaia do Campo 247 Db Atei 244 Cc Atenor 245 Cd Atiães 244 Cb Atouguia 246 Eb Atouguia da Baleia 248 Aa Avanca 246 Ac Avantos 245 Cb Aveiras de Baixo 248 Bc Aveiras de Cima 248 Bb Aveiro 246 Bb Avelal 247 Aa Avelar 246 Dc Avelãs da Ribeira 247 Ac Avelãs de Caminho 246 Bc Avelãs de Cima 246 Bc Aveleda 244 Cb Aveleda 244 Db Aveleda 245 Bc Aveloso 245 Ea Aver-o-Mar 244 Da Aves 244 Db Avessadas 244 Dc Avidagos 245 Da Avintes 244 Eb Avis 249 Bb Avô 247 Ca Azambuja 248 Bc Azambujeira 248 Bc Azenhas do Mar 248 Ca Ázere 246 Cd Azevedo 244 Ba Azevo 247 Ac Azias 244 Bb Azinhaga 248 Ad Azinhal 251 Dc Azinheira dos Barros 250 Ac Azinhoso 245 Dc Azóia 246 Eb Azóia de Baixo 248 Bc Azóia de Cima 248 Ac Azueira 248 Ca Azurara 244 Da Azurém 244 Cb B Babe 245 Bc Baçal 245 Bc Baguim do Monte 244 Db Bagunte 244 Da Baía de Lagos 250 Ec Baía de Setúbal 248 Ec Baião 244 Dc Bairro 244 Db Bairros 244 E b Baixa da Banheira 248 Db Bajouca 246 Db Balazar 244 Da Baleal 248 Aa Baleizão 251 Ab Baltar 244 Db Balugães 244 Ca Baraçal 247 Bc Barão de S. João 250 Eb Barão de S. Miguel 250 Eb Barbacena 249 Cd Barbeita 244 Ab Barbudo 244 Cb Barcarena 248 Da Barcelinhos 244 Ca Barcelos 244 Ca Barco 247 Ca Barcoço 246 Cc Barcos 244 Ed Barosa 246 Eb Barqueiros 244 Ca Barqueiros 244 Dc Barragem Cimeira 244 Dd Barragem da Agueira 246 Cd Barragem da Apartadura 249 Ac Barragem da Bouça 246 Dc Barragem da Bravura 250 Dc Barragem da Caniçada 244 Cb Barragem da Capinha 247 Cb Barragem da Carrasqueira 249 Cb Barragem da Idanha 247 Dc Barragem da Lameira 249 Bb Barragem da Meimoa 247 Cc Barragem da Misericórdia 250 Bd Barragem da Paradela 244 Bc Barragem da Póvoa 249 Ac Barragem da Pracana 247 Ea Barragem da Régua 244 Ed Barragem da Tapada Grande 251 Cb Barragem da Toulica 247 Dc Barragem da Tuorega 249 Da Barragem da Varosa 244 Ed Barragem da Venda Nova 244 Cc Barragem da Venda Velha 248 Dc Barragem das Águas Claras 250 Bd Barragem de Aldeadávila 245 Dc Barragem de Alfândega da Fé 245 Db Barragem de Alter 249 Bb Barragem de Arade 250 Dd Barragem de Beliche 251 Dc Barragem de Belver 249 Aa Barragem de Bemposta 245 Dd Barragem de Cabido 249 Db Barragem de Campilhas 250 Bc Barragem de Crestuma-Lever 244 Eb Barragem de Daroeira 250 Bd Barragem de Divor 249 Da Barragem de Enxoé 251 Ac Barragem de Fagilde 247 Ba Barragem de Fratel 249 Ab Barragem de Fronhas 246 Cd Barragem de Guilhofrei 244 Cc Barragem de Lucefeci 249 Dc Barragem de Magos 248 Cc Barragem de Montargil 249 Ba Barragem de Monte Redondo 246 Cd Barragem de Morgavel 250 Bb Barragem de Odeleite 251 Dc Barragem de Odivelas 251 Aa Barragem de Oeiras 251 Ca Barragem de Penha Garcia 247 Dc Barragem de Ranhados 245 Ea Barragem de Salamonde 244 Bc Barragem de Santa Águeda 247 Db Barragem de Santa Clara 250 Cc Barragem de Santa Luzia 247 Da Barragem de Santa Maria de Aguiar 247 Ad Barragem de São Domingos 248 Aa Barragem de Saucelle 245 Ec Barragem de Terragido 244 Dd Barragem de Touvedo 244 Bb Barragem de Vale do Gaio 250 Ad Barragem de Valeira 245 Da Barragem de Vilar 245 Ea Barragem de Vilarinho das Furnas 244 Bc Barragem do Alqueva 251 Ac Barragem do Alto Cávado 244 Bd Barragem do Alto Ceira 247 Ca Barragem do Alto Rabagão 244 Bc Barragem do Alvito 249 Eb Barragem do Azibo 245 Cc Barragem do Azibo (PP) 245 Cc Barragem do Cabril 246 Dd Barragem do Caia 249 Cd Barragem do Caldeirão 247 Bb Barragem do Carrapetelo 244 Ec Barragem do Castelo de Bode 248 Ad Barragem do Chança 251 Cb Barragem do Covão do Meio 247 Ca Barragem do Freigil 244 E c Barragem do Funcho 250 Dd Barragem do Lindoso 244 Bb Barragem do Maranhão 249 Ca Barragem do Monte Novo 249 Db Barragem do Pego de Altar 248 Ed Barragem do Pereiro 245 Db Barragem do Picote 245 Dd Barragem do Pisco 247 Db Barragem do Pocinho 245 Db Barragem do Poio 249 Ac Barragem do Rebocho 248 Cd Barragem do Rei de Moinhos 246 Cd Barragem do Roxo 251 Ba Barragem do Sabugal 247 Cc Barragem do Salgueiro 245 Db Barragem do Torrão 244 Eb Barragem do Torres 249 Db Barragem do Vigia 249 Db Barragem do Viriato 247 Cb Barragem dos Vinte e Dois 248 Dc Barragem Fonte Serne 250 Bc Barragem Monte da Rocha 250 Bd Barrancos 251 Ad Barreira 245 Eb Barreira 246 Eb Barreiro 248 Db Barreiro de Besteiros 246 Bd Barril de Alva 246 Cd Barrinha 246 Bb Barrinha de Esmoriz 244 Ea Bárrio 244 Ba Bárrio 248 Ab Barrô 244 Ec Barrô 246 Bc Barroca 247 Ca Barroças e Taias 244 Ab Barrosa 248 Cc Barroselas 244 Ca Basto 244 Cc Basto 244 Cc Batalha 246 Eb Beça 244 Bd Beco 246 Ec Beduído 246 Ab Beijós 246 Bd Beirã 249 Ac Beiriz 244 Da Beja 251 Ab Bela 244 Ab Belas 248 Ca Belazaima do Chão 246 Bc Belinho 244 Ca Belmonte 247 Cb Belver 245 Da Belver 249 Aa Bemposta 245 Dd Bemposta 247 Dc Bemposta 249 Aa Benafim 250 Dd Benavente 248 Cc Benavila 249 Bb Bencatel 249 Dc Bendada 247 Bc Benedita 248 Ab Benespera 247 Bb Benfeita 246 Cd Benfica do Ribatejo 248 Bc Benquerença 247 Cc Benquerenças 247 Eb Bensafrim 250 Dc Beringel 251 Aa Berlenga 248 Aa Berlengas (RN) 248 Aa Beselga 245 Ea Beselga 246 Ec Bezerreira 246 Bd Bico 244 Bb Bicos 250 Bc Bigorne 244 Ec Bilhó 244 Dd Biscainho 248 Cc Bitarães 244 Db BoAaldeia 246 Bd Boa Vista 246 Eb Boalhosa 244 Bb Bobadela 244 Bd Bobadela 248 Cb Bodiosa 246 Ad Boelhe 244 Db Bogas de Baixo 247 Da Bogas de Cima 247 Da Boidobra 247 Cb Boim 244 Db Boivão 244 Ab Bolho 246 Bc Boliqueime 250 Ed Bombarral 248 Bb Borba 249 Cc Borba da Montanha 244 Dc Borba de Godim 244 Dc Borbela 244 Dd Bordeira 250 Db Bornes 245 Cb Bornes de Aguiar 244 Cd Borralha 246 Bc Botão 246 Cc Boticas 244 Cd Bouça 245 Ca Bouçoães 245 Ba Bougado 244 Da Bouro 244 Cb Braga 244 Cb Bragado 244 Cd Bragança 245 Bc Branca 246 Ac Branca 248 Cc Brasfemes 246 Cc Bravães 244 Bb Brejão 250 Cc Brenha 246 Cb Brinches 251 Ab Briteiros 244 Cb Britelo 244 Bb Britiande 244 Ed Brito 244 Cb Brogueira 248 Ad Brotas 249 Ca Bruçó 245 Dc Brufe 244 Bb Brufe 244 Ca Brunhoso 245 Dc Buarcos 246 Cb Índice onomástico 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 260
  • 257.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 261 Bucelas 248 Cb Bucos 244 Cc Budens 250 Eb Bugalhos 248 Ac Bugio 248 Da Bunheiro 246 Ab Buraca 248 Db Burgães 244 Db Burgo 244 Eb Bustelo 244 Dc Bustelo 244 Ec Bustelo 245 Ba Bustêlo 244 Db Bustelo do Caima 246 Ac Bustos 246 Bb C Cabaços 244 Ba Cabaços 244 Ed Cabana Maior 244 Bb Cabanas 246 Bd Cabanas 251 Eb Cabanas de Torres 248 Bb Cabanelas 244 Cb Cabanelas 245 Cb Cabeça 247 Ca Cabeça Boa 245 Db Cabeça Gorda 248 Ad Cabeça Gorda 251 Bb Cabeça Santa 244 Eb Cabeção 249 Ca Cabeceiras de Basto 244 Cc Cabeceiras de Basto 244 Cc Cabeço de Vide 249 Bb Cabeçudo 246 Dd Cabo Carvoeiro 248 Aa Cabo Carvoeiro 250 Ed Cabo da Roca 248 Ca Cabo de S. Vicente 250 Eb Cabo de Sines 250 Bb Cabo de Sta. Maria 251 Eb Cabo Espichel 248 Ea Cabo Mondego 246 Ca Cabo Raso 248 Da Cabo Sardão 250 Cb Cabração 244 Ba Cabreira 247 Bc Cabreiro 244 Bb Cabreiros 244 Cb Cabrela 248 Dd Cabril 244 Bc Cabril 244 Ec Cabril 247 Da Caçarelhos 245 Cd Caçarilhe 244 Cc Cachoeiras 248 Cb Cachopo 251 Db Cacia 246 Ab Cacilhas 248 Db Cadafais 248 Cb Cadafaz 246 Cd Cadaval 248 Bb Cadima 246 Cb Cafede 247 Db Caia 249 Cd Caia e S.Pedro 249 Cd Caíde de Rei 244 Db Caires 244 Cb Caldas da Rainha 248 Ab Caldas de S. Jorge 244 Eb Calde 247 Aa Caldelas 244 Cb Caldelas 244 Cb Calhandriz 248 Cb Calheiros 244 Bb Calvão 244 Bd Calvão 246 Bb Calvaria de Cima 246 Eb Calvelhe 245 Cc Calvelo 244 Ca Camarate 248 Cb Cambas 247 Da Cambeses 244 Ab Cambeses 244 Cb Cambra 246 Ad Cambres 244 Ed Caminha 244 Ba Campanhó 244 Dc Campeã 244 Dc Campelo 244 Dc Campelo 246 Dc Campelos 248 Bb Campia 246 Ad Campinho 249 Ec Campo 244 Ca Campo 244 Db Campo 246 Ad Campo 249 Ec Campo de Besteiros 246 Bd Campo de Víboras 245 Cc Campo Maior 249 Cd Campos 244 Ba Campos 244 Cb Canadelo 244 Dc Canas de Santa Maria 246 Bd Canas de Senhorim 247 Ba Canaveses 245 Ca Canaviais 249 Db Candedo 245 Bb Candedo 245 Da Candemil 244 Ba Candemil 244 Dc Candosa 246 Cd Candoso 244 Cb Caneças 248 Ca Canedo 244 Cd Canedo 244 Eb Canedo de Basto 244 Cc Canelas 244 Ea Canelas 244 Eb Canelas 244 Eb Canelas 246 Ac Canha 248 Cc Canhestros 250 Ad Caniçada 244 Cc Canidelo 244 Ea Cano 249 Cb Cantanhede 246 Cb Cantelães 244 Cc Caparica 248 Db Caparrosa 246 Bd Capela 244 Eb Capelins 249 Dc Capeludos 244 Cd Capinha 247 Cb Caramos 244 Dc Caranguejeira 246 Eb Carapeços 244 Ca Carapelhos 246 Bb Carapinha 246 Cd Carapinheira 246 Cb Carapito 247 Ab Caravelas 245 Cb Carção 245 Cc Carcavelos 248 Da Cardanha 245 Db Cardielos 244 Ba Cardigos 246 Ed Cardosa 247 Da Cardosas 248 Cb Caria 244 Ed Caria 247 Cb Carlão 245 Da Carmões 248 Bb Carnaxide 248 Da Carnide 246 Db Carnota 248 Bb Carquere 244 Ec Carragosa 245 Bc Carralcova 244 Bb Carrazeda de Ansiães 245 Da Carrazedo 244 Cb Carrazedo de Montenegro 245 Ca Carreagem 250 Db Carreço 244 B a Carregado 248 Cb Carregal 244 Ed Carregal do Sal 246 Bd Carregosa 246 Ac Carregueira 248 Ad Carregueiros 246 Ec Carreira 244 Db Carreiras 249 Ac Carriço 246 Db Cartaxo 248 Bc Carva 244 Dd Carvalhais 245 Cb Carvalhais 246 Ad Carvalhal 244 Ca Carvalhal 246 Dd Carvalhal 247 Ac Carvalhal 248 Bb Carvalhal 248 Ec Carvalhal Benfeito 248 Ab Carvalhal de Vermilhas 246 Ad Carvalhal Meão 247 Bc Carvalhal Redondo 247 Ba Carvalheira 244 Bb Carvalho 244 Dc Carvalho 246 Cc Carvalhosa 244 Db Carviçais 245 Db Carvide 246 Db Carvoeira 248 Bb Carvoeira 248 Ca Carvoeiro 244 Ca Carvoeiro 247 Ea Carvoeiro 250 Ec Casa Branca 249 Cb Casa Branca 249 Da Casais 246 Ec Casais das Boiças 248 Bb Casal Comba 246 Cc Casal de Cinza 247 Bc Casal de Ermio 246 Cc Casal dos Bernardos 246 Ec Casalinho 248 Bd Casas do Soeiro 247 Bb Cascais 248 Da Casegas 247 Ca Casével 248 Ac Casével 250 Bd Castainço 245 Ea Castanheira 244 Bb Castanheira 247 Bc Castanheira de Pêra 246 Dd Castanheira do Ribatejo 248 Cb Castanheira do Vouga 246 Bc Castanheiro 245 Da Castanheiro do Sul 245 Ea Castedo 245 Da Castedo 245 Db Castelãos 245 Cb Casteleiro 247 Cc Castelejo 247 Cb Castelejo 250 Eb Castelo 244 Ed Castelo 246 Dd Castelo Bom 247 Bd Castelo Branco 245 Dc Castelo Branco 247 Db Castelo de Paiva 244 Eb Castelo de Penalva 247 Aa Castelo de Vide 249 Ac Castelo do Neiva 244 Ca Castelo Melhor 245 Eb Castelo Novo 247 Cb Castelo Viegas 246 Cc Castelões 244 Cc Castelões 244 Dc Castelões 246 Bd Castrelos 245 Bb Castro Daire 244 Ec Castro Laboreiro 244 Ac Castro Marim 251 Dc Castro Verde 251 Ca Castro Vicente 245 Dc Cativelos 247 Ba Cavernães 247 Aa Cavês 244 Cc Caxarias 246 Ec Cebolais de Cima 247 Eb Cedães 245 Cb Cedovim 245 Ea Cedrim 246 Ac Ceira 246 Cc Ceivães 244 Ab Cela 248 Ab Celas 245 Bb Celavisa 246 Cd Celeirós 244 Cb Celorico da Beira 247 Ab Celorico de Basto 244 Dc Cepães 244 Cc Cepões 244 Ba Cepões 244 Ed Cepões 247 Aa Cercal 246 Eb Cercal 248 Bb Cercal do Alentejo 250 Bc Cercosa 246 Cc Cerdal 244 Aa Cerdeira 247 Bc Cerdeira 247 Ca Cerejais 245 Db Cernache 246 Cc Cernache do Bonjardim 246 Dd Cerva 244 Cd Cervães 244 Cb Cervos 244 Bd Cete 244 Db Chã 244 Bd Chacim 245 Cb Chaínça 246 Eb Chamusca 248 Ad Chancelaria 248 Ad Chancelaria 249 Bb Chão de Couce 246 Dc Chãos 246 Ec Charneca de Caparica 248 Db Chãs 245 Eb Chãs de Tavares 247 Ba Chavães 244 Ed Chave 244 Eb Chaves 245 Ba Chaviães 244 Ab Cheleiros 248 Ca Chorense 244 Bb Chosendo 245 Ea Chouto 248 Bd Cibões 244 Bb Ciborro 249 Ca Cicouro 245 Cd Cidadelhe 245 Eb Ciladas 249 Cc Cimo de Vila da Castanheira 245 Ba Cinco Vilas 247 Ac Cinfães 244 Ec Cisterna 245 Ab Cobro 245 Ca Coelhoso 245 Cc Coentral 246 Dd Coimbra 246 Cc Coimbrão 246 Db Coina 248 Db Coja 246 Cd Colares 248 Ca Colmeal 246 Cd Colmeal da Torre 247 Bb Colmeias 246 Eb Colos 250 Bc Comenda 249 Ab Comporta 248 Ec Concavada 249 Aa Conceição 250 Bd Conceição 251 Db Conceição 251 Ea Condeçoso 244 Dc Condeixa-a-Nova 246 Cc Condeixa-a-Velha 246 Cc Consolação 248 Aa Constance 244 Dc Constância 248 Ad Constantim 244 Dd Contim 244 Bc Cordinhã 246 Cc Corgas 247 Ea Coriscada 247 Ac Corno do Bico (PP) 244 Bb Coronado 244 Da Correlhã 244 Ba Corroios 248 Db Corte do Pinto 251 Bc Corte Sines 251 Bb Cortegaça 244 Ea Cortegaça 246 Bc Cortes 244 Ab Cortes 246 Eb Cortes do Meio 247 Cb Cortiçada 247 Ab Cortiçadas do Lavre 248 Cd Cortiços 245 Cb Coruche 247 Ab Coruche 248 Cd Corujas 245 Cb Corval 249 Ec Cós 246 Ea Cossourado 244 Ca Costa da Caparica 248 Da Cota 247 Aa Coto 248 Ab Couço 248 Cd Coura 244 Ba Coura 244 Ed Cousso 244 Ab Coutada 247 Cb Couto 244 Bb Couto 244 Db Couto de Baixo 246 Ad Couto de Cima 246 Ad Couto de Esteves 246 Ac Couto do Mosteiro 246 Bd Cova 244 Cc Cova da Piedade 248 Db Covão do Lobo 246 Bb Covas 244 Ba Covas 244 Bb Covas 247 Ca Covas do Barroso 244 Cd Covas do Douro 244 Dd Covelães 244 Bc Covelas 244 Ec Covelo 244 Eb Covelo 246 Cd Covide 244 Bc Covilhã 247 Cb Covões 246 Bb Crasto 244 Bb Crato 249 Bb Creixomil 244 Ca Creixomil 244 Cb Cristelo 244 Ba Cristelo 244 Ca Cristelo Covo 244 Aa Cristoval 244 Ac Croca 244 Db Cuba 251 Aa Cubalhão 244 Ab Cujó 244 Ed Cumeada 246 Ed Cumeeira 246 Dc Cumieira 244 Dd Cunha 244 Ba Cunha 247 Ab Cunha Baixa 247 Ba Cunheira 249 Ab Curalha 245 Ba Curopos 245 Bb Currelos 246 Bd Curvite 244 Cb Curvos 244 Ca Custóias 245 Ea D Dálvares 244 Ed Damaia 248 Db Dardavaz 246 Bd Darque 244 Ca Deão 244 Ba Degracias 246 Dc Deilão 245 Bc Delães 244 Db Dem 244 Ba Destriz 246 Ac Dois Portos 248 Bb Donai 245 Bc Donões 244 Bd Dornelas 244 Cd Dornelas 246 Ac Dornelas 247 Ab Dornelas do Zêzere 247 Ca Dornes 246 Ec Douro Internacional (PNT) 245 Dc Duas Igrejas 244 Bb Duas Igrejas 244 Db Duas Igrejas 244 Db Duas Igrejas 245 Cd Dume 244 Cb Dunas de S. Jacinto 246 Ab Durrães 244 Ca E Edral 245 Bb Edrosa 245 Bb Ega 246 Cc Eira Vedra 244 Cc Eirado 247 Ab Eiras 244 Bb Eiras 245 Ba Eiras 246 Cc Eirol 246 Bc Eixo 246 Bc Eja 244 Eb Elvas 249 Cd Encarnação 248 Ba Entradas 251 Ba Entre Ambos os Rios 244 Bb Entroncamento 248 Ad Envendos 247 Ea Enxara do Bispo 248 Ca Erada 247 Ca Ereira 248 Bc Ericeira 248 Ca Ermelo 244 Bb Ermelo 244 Dc Ermesinde 244 Db Ermida 244 Bb Ermida 244 Ec Ermida 246 Dd Ermidas-Sado 250 Ac Erra 248 Cd Ervedal 249 Bb Ervedal da Beira 247 Ba Ervededo 245 Ba Ervedosa 245 Bb Ervedosa 247 Ac Ervedosa do Douro 245 Da Ervidel 251 Ba Ervões 245 Ca Escalhão 245 Eb Escalos de Baixo 247 Db Escalos de Cima 247 Db Escarigo 247 Cb Escariz 244 Eb Escoural 246 Cb Esgueira 246 Bb Esmolfe 247 Aa Esmoriz 244 Ea Espadanedo 244 Ec Espariz 246 Cd Esperança 249 Bd Espinhal 246 Dc Espinheiro 248 Ac Espinhel 246 Bc Espinho 244 Cb Espinho 244 Ea Espinho 246 Bc Espinho 247 Ba Espinhosa 245 Ea Espinhosela 245 Bc Espírito Santo 251 Cb Espite 246 Eb Espiunca 244 Eb Esporões 244 Cb Esposende 244 Ca Estarreja 246 Ac Este 244 Cb Estela 244 Ca Estelas 248 Aa Ester 244 Ec Estói 251 Ea Estômbar 250 Ec Estorãos 244 Ba Estorãos 244 Cc Estoril 248 Da Estreito 247 Da Estremoz 249 Cc Estuário do Sado (RN) 248 Ec Estuário do Tejo (RN) 248 Cb Évora 249 Db Évora de Alcobaça 248 Ab Évora Monte (Sta. Maria) 249 Cb Extremo 244 Ab F Facha 244 Ba Fafe 244 Cc Faia 244 Cc Fail 246 Bd Failde 245 Bc Faiões 245 Ba Fajão 246 Cd Fajarda 248 Cc Fajões 244 Eb Fajozes 244 Da Famalicão 247 Bb Famalicão 248 Ab Fanhões 248 Cb Fanzeres 244 Db Fão 244 Ca Farilhões 248 Aa Farminhão 246 Bd Faro 251 Ea Faro do Alentejo 251 Aa Fataunços 246 Ad Fatela 247 Cb Fátima 246 Eb Favaios 245 Da Favões 244 Eb Fazendas de Almeirim 248 Bd Febres 246 Bb Feiteira 251 Da Feitosa 244 Ba Felgar 245 Db Felgueiras 244 Dc Felgueiras 244 Ec Felgueiras 245 Db Fermedo 244 Eb Fermelã 246 Ac Fermentelos 246 Bc Fermentões 244 Cb Fernão Ferro 248 Db Fernão Joanes 247 Bb Ferradosa 245 Db Ferragudo 250 Ec Ferral 244 Bc Ferreira 244 Ba Ferreira 245 Cb Ferreira de Aves 247 Aa Ferreira do Alentejo 250 Ad Ferreira do Zêzere 246 Ec Ferreira-a-Nova 246 Cb Ferreiras 250 Ed Ferreirim 244 Ed Ferreirim 245 Ea Ferreiros 244 Cb Ferreiros 244 Cb Ferreiros de Tendais 244 Ec Ferreirós do Dão 246 Bd Ferrel 248 Aa Ferro 247 Cb Fervença 244 Dc Fiães 244 Ac Fiães 245 Ba Fiães 247 Ab Figueira da Foz 246 Ca Figueira de Castelo Rodrigo 245 Eb Figueira de Lorvão 246 Cc Figueira dos Cavaleiros 250 Ad Figueira e Barros 249 Bb Figueiredo 246 Dd Figueiredo de Alva 246 Ad Figueirinha 251 Ba Figueiró 244 Db Figueiró da Serra 247 Bb Figueiró do Campo 246 Cb Figueiró dos Vinhos 246 Dd Figueiros 248 Bb Filães 244 Eb Filhós 248 Ac Fiolhoso 245 Ca Fiscal 244 Cb Flor da Rosa 249 Bb Fóios 247 Cd Folgosa 244 Db Folgosa 244 Dd Folgosinho 247 Bb Folhadela 244 Dd Folques 246 Cd Fontão 244 Ba Fonte Arcada 244 Cb Fonte Arcada 244 Db Fonte Arcada 245 Ea Fonte Benémola (SC) 251 Da Fonte Boa 244 Ca Fonte de Angeão 246 Bb Fonte Longa 245 Da Fontelas 244 Dd Fontes 244 Dd Fontes 246 Ed Fontoura 244 Ba Forcalhos 247 Bd Forjães 244 Ca Formariz 244 Ba Formigais 246 Ec Fornelo 244 Da Fornelo do Monte 246 Ad Fornelos 244 Bb Fornelos 244 Cc Fornelos 244 Dd Fornelos 244 Ec Forninhos 247 Ab Forno Telheiro 247 Ab Fornos 244 Dc Fornos 244 Eb Fornos 244 Eb Fornos 245 Dc Fornos de Algodres 247 Bb Fornos de Arrão 249 Ba Fornos de Maceira Dão 247 Ba Fornos do Pinhal 245 Ca Foros de Salvaterra 248 Cc Foros de Vale Figueira 248 Dd Forte da Casa 248 Cb Fortios 249 Ac Foz de Arouce 246 Cc Foz do Arelho 248 Ab Foz do Farelo 250 Dc Foz do Sousa 244 Eb Fradelos 244 Da Fradizela 245 Cb Fragosela 247 Ba Fragoso 244 Ca Fráguas 247 Aa Fráguas 248 Ac Fraião 244 Cb França 245 Bc Franco 245 Ca Franzilhal 245 Da Fratel 247 Ea Frazão 244 Db 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 261
  • 258.
    262 ATLAS DEPORTUGAL IGP Freamunde 244 Db Frechas 245 Db Freches 247 Ab Fregim 244 Dc Freineda 247 Bd Freiria 248 Ba Freitas 244 Cc Freixeda 245 Cb Freixeda do Torrão 245 Eb Freixedas 247 Ac Freixial 247 Ac Freixial do Campo 247 Db Freixianda 246 Ec Freixieiro de Soutelo 244 Ba Freixiel 245 Da Freixinho 245 Ea Freixo 244 Ca Freixo 247 Bc Freixo de Baixo 244 Dc Freixo de Cima 244 Dc Freixo de Espada à Cinta 245 Ec Freixo de Numão 245 Eb Frende 244 Ec Fresufe 245 Bb Friande 244 Dc Friastelas 244 Ca Fridão 244 Dc Friões 245 Ca Friurmes 246 Cd Fronteira 249 Bb Frossos 246 Ac Fundada 246 Ed Fundão 247 Cb Furadouro 246 Ab Fuseta 251 Eb G Gaeiras 248 Ab Gafanha da Boa Hora 246 Bb Gafanha da Encarnação 246 Bb Gafanha da Nazaré 246 Bb Gafanha do Carmo 246 Bb Gafanhoeira (S. Pedro) 249 Da Gafanhoeiras 249 Ec Gafete 249 Ab Gagos 244 Cc Gagos 247 Bc Galafura 244 Dd Galegos 244 Ca Galegos 244 Cb Galegos 244 Db Galegos 249 Ac Galveias 249 Ba Gambia-Pontes-Alto da Guerra 248 Dc Gandra 244 Aa Gandra 244 Bb Gandra 244 Ca Gandra 244 Db Ganfei 244 Aa Garfe 244 Cb Garvão 250 Cd Gatão 244 Dc Gatões 246 Cb Gave 244 Ab Gavião 244 Cb Gavião 249 Ab Gavieira 244 Bb Geme 244 Cb Gémeos 244 Dc Gemeses 244 Ca Gemieira 244 Bb Gemunde 244 Da Genísio 245 Cd Geraz do Lima 244 Ba Geraz do Minho 244 Cb Germil 244 Bb Germil 247 Aa Gestaçô 244 Dc Gesteira 246 Db Gião 244 Da Giela 244 Bb Giesteiras Cimeiras 247 Ea Gilmonde 244 Ca Gimonde 245 Bc Giões 251 Cb Girabolhos 247 Ba Glória 249 Cc Glória do Ribatejo 248 Bc Goães 244 Cb Godim 244 Dd Godinhaços 244 Bb Góis 246 Cd Golães 244 Cb Golegã 248 Ad Golpilheira 246 Eb Gomes Aires 250 Cd Gomide 244 Bb Gonçalo 247 Bb Gonçalo Bocas 247 Bc Gondar 244 Cb Gondar 244 Dc Gondarém 244 Ba Gondemaria 246 Eb Gondiães 244 Cd Gondifelos 244 Ca Gondomar 244 Bb Gondomar 244 Db Gondomil 244 Aa Gondoriz 244 Bb Gondufe 244 Bb Gontim 244 Cc Gosende 244 Ec Gostei 245 Bc Gouveia 244 Dc Gouveia 245 Db Gouveia 247 Bb Gouveias 247 Ac Gouviães 244 Ed Gouvinhas 244 Dd Gove 244 Ec Graça 246 Dd Grade 244 Bb Gradil 248 Ca Gralhas 244 Bd Gralhós 244 Bd Grândola 250 Ac Granho 248 Bc Granja 245 Ea Granja 249 Ed Granja do Tedo 244 Ed Granja Nova 244 Ed Grijó 244 Ea Grijó 245 Cb Grijó de Parada 245 Bc Grilo 244 Dc Grimancelos 244 Ca Gualtar 244 Cb Guarda 247 Bb Guardião 246 Bd Guetim 244 Ea Guia 248 Da Guia 250 Ed Guiães 244 Dd Guilhabreu 244 Da Guilhadeses 244 Bb Guilheiro 245 Ea Guilhofrei 244 Cc Guilhufe 244 Db Guimarães 244 Cb Guimarei 244 Db Gulpilhares 244 Ea H Horta da Vilariça 245 Db Hortas de Baixo 249 Bd I Idães 244 Db Idanha-a-Nova 247 Dc Idanha-a-Velha 247 Dc Ifanes 245 Cd Igreja Nova 248 Ca Igreja Nova do Sobral 246 Ec Igrejinha 249 Db Ilha de Armona 251 Eb Ilha de Faro 251 Ea Ilha de Tavira 251 Eb Ilha do Pessegueiro 250 Bb Ílhavo 246 Bb Ilhéu de Fora 248 Aa Infantas 244 Cb Infesta 244 Ba Inguias 247 Cc Insalde 244 Bb Insua 247 Aa Irivo 244 Db J Janeiro de Baixo 247 Da Janeiro de Cima 247 Da Jarmelo 247 Bc Jazente 244 Dc Joane 244 Cb João Antão 247 Bc Jolda 244 Bb Jou 245 Ca Jovim 244 Eb Jugueiros 244 Dc Juncais 247 Bb Juncal 246 Eb Juncal do Campo 247 Db Junceira 246 Ec Junqueira 244 Da Junqueira 246 Ac Juromenha 249 Dd L Labruge 244 Da Labruja 244 Ba Labrujó 244 Bb Ladoeiro 247 Dc Lagares 244 Db Lagares 247 Ba Lagarinhos 247 Ba Lagarteira 246 Dc Lago 244 Cb Lagoa 245 Cc Lagoa 246 Bb Lagoa 250 Ed Lagoa Comprida 247 Ba Lagoa da Vela 246 Cb Lagoa de Albufeira 248 Db Lagoa de Bertiandos (PP) 244 Ba Lagoa de Melides 250 Ab Lagoa de Óbidos 248 Aa Lagoa de Santo André 250 Ab Lagoa dos Braços 246 Cb Lagoa dos Patos 251 Aa Lagoa dos Teixoeiros 246 Cb Lagoa Salgueira 246 Cb Lagoaça 245 Dc Lagoas de Sto. André e de Sancha (RN) 250 Ab Lagos 250 Ec Lajeosa 246 Bd Lajeosa 247 Cd Lajeosa do Mondego 247 Bb Lalim 244 Ed Lama 244 Cb Lama de Arcos 245 Ba Lamalonga 245 Cb Lamares 244 Dd Lamarosa 246 Cb Lamas 245 Cb Lamas 246 Cc Lamas 248 Bb Lamas de Mouro 244 Ac Lamas de Olo 244 Dd Lamas de Orelhão 245 Ca Lamegal 247 Ac Lamego 244 Ed Lameiras 247 Ac Landal 248 Ab Landeira 248 Dc Landim 244 Db Lanhelas 244 Ba Lanheses 244 Ba Lanhoso 244 Cb Lapa 248 Bc Lapa dos Dinheiros 247 Ba Lapas 248 Ad Lapela 244 Ab Lara 244 Ab Laranjeiro 248 Db Lardosa 247 Db Larinho 245 Db Laundos 244 Ca Lavacolhos 247 Cb Lavandeira 245 Da Lavos 246 Cb Lavra 244 Da Lavradio 248 Db Lavre 248 Cd Lazarim 244 Ed Lebução 245 Ba Leça da Palmeira 244 Da Leça do Bailio 244 Da Leiria 246 Eb Leomil 244 Ed Leomil 247 Ac Ligares 245 Eb Lijó 244 Ca Limões 244 Cd Lindoso 244 Bc Linhares 245 Da Linhares 247 Bb Lisboa 248 Db Litoral de Esposende (PP) 244 Ca Lixa 244 Dc Lixa do Alvão 244 Cd Lobão 244 Eb Lobão da Beira 246 Bd Lobrigos 244 Dd Lodares 244 Db Loivo 244 Ba Loivos 245 Ca Loivos do Monte 244 Dc Lomar 244 Cb Lomba 244 Eb Lomba 247 Bc Lombo 245 Cc Longa 244 Ed Longomel 249 Aa Longos 244 Cb Longos Vales 244 Ab Longroiva 245 Eb Lordelo 244 Db Lordelo 244 Db Lordelo 244 Dd Lordosa 247 Aa Loriga 247 Ca Lorvão 246 Cc Loulé 251 Ea Louredo 244 Cc Louredo 244 Db Louredo 244 Dd Louredo 244 E b Loureira 244 Cb Loureiro 244 Dd Loureiro 246 Ac Loureiro de Silgueiros 246 Bd Loures 248 Cb Louriçal 246 Db Louriçal do Campo 247 Db Louriceira 248 Ac Lourinhã 248 Ba Louro 244 Cb Lourosa 244 Eb Lourosa 246 Cd Lousa 245 Db Lousa 247 Db Lousa 248 Cb Lousã 246 Cd Lousada 244 Db Lousado 244 Db Ludares 244 Dd Lufrei 244 Dc Luso 246 Bc Lustosa 244 Db Luz 249 Ec Luz 250 Ec Luz 251 Eb Luzianes-Gare 250 Cc Luzim 244 Db Luzio 244 Ab M Maçainhas 247 Bb Maçainhas 247 Bc Mação 249 Aa Maçãs de Caminho 246 Dc Maçãs de D. Maria 246 Dc Maceda 244 Ea Macedo de Cavaleiros 245 Cb Macedo do Mato 245 Cc Maceira 246 Eb Maceira 247 Ab Maceira 248 Ba Machados 251 Ac Machio 246 Dd Macieira 244 Db Macieira 245 Ea Macieira da Lixa 244 Dc Macieira da Maia 244 Da Macieira de Alcoba 246 Bc Macieira de Rates 244 Ca Macinhata do Vouga 246 Ac Maçores 245 Eb Maçussa 248 Bc Madalena 244 Dc Madalena 244 Ea Madalena 246 Ec Madeirã 246 Dd Mafra 248 Ca Magoito 248 Ca Magueija 244 Ec Magusteiro 244 Cc Maia 244 Da Maiorca 246 Cb Maiorga 246 Ea Mairos 245 Ba Malaqueijo 248 Bc Malcata 247 Cc Malhada Sorda 247 Bd Malhadas 245 Cd Malhou 248 Ac Malpica do Tejo 247 Eb Malveira 248 Ca Mamarrosa 246 Bb Mamouros 246 Ad Mancelos 244 Dc Mangualde 247 Ba Manhouce 246 Ad Manique do Intendente 248 Bc Mansores 244 Eb Manteigas 247 Bb Mar 244 Ca Maranhão 249 Ca Marateca 248 Dc Marco de Canaveses 244 Dc Margem 249 Ab Marialva 245 Ea Marinha das Ondas 246 Db Marinha Grande 246 Ea Marinhais 248 Bc Marinhas 244 Ca Marmeleira 246 Cc Marmeleira 248 Bc Marmeleiro 246 Ed Marmeleiro 247 Bc Marmelete 250 Dc Marmelos 245 Cb Marrancos 244 Cb Marrazes 246 Eb Marteleira 248 Ba Martim 244 Cb Martim Longo 251 Cb Martinchel 248 Ad Martingança 246 Ea Marvão 249 Ac Marzagão 245 Da Mascarenhas 245 Cb Mata 247 Db Mata de Lobos 245 Eb Mata Mourisca 246 Db Matacães 248 Bb Matança 247 Ab Matas 246 Eb Matas 246 Eb Matela 245 Cc Mateus 244 Dd Matos 248 Ad Matosinhos 244 Da Maxial 248 Bb Mazarefes 244 Ca Mazedo 244 Ab Mazouco 245 Dc Meadela 244 Ba Mealhada 246 Bc Meãs do Campo 246 Cb Meca 248 Bb Meda 245 Ea Medas 244 Eb Medelim 247 Dc Medelo 244 Cc Meijinhos 244 Ed Meimão 247 Cc Meimoa 247 Cc Meinedo 244 Db Meirinhos 245 Dc Meixedo 244 Bd Meixide 244 Bd Melgaço 244 Ab Melides 250 Ac Melo 247 Bb Melres 244 Eb Memória 246 Eb Mendiga 248 Ac Merelim 244 Cb Merinhas 246 Db Mértola 251 Cb Merufe 244 Ab Meruge 247 Ba Mesão Frio 244 Cb Mesão Frio 244 Dc Mesquitela 247 Ba Mesquitela 247 Bb Messegães 244 Ab Messejana 250 Bd Mexilhoeira Grande 250 Dc Mezio 244 Ec Midões 246 Bd Milagres 246 Eb Milhão 245 Bc Milharado 248 Cb Milhazes 244 Ca Milheirós de Poiares 244 Eb Milhundos 244 Db Mina da Juliana 251 Ba Mina de S. Domingos 251 Cc Minde 248 Ac Mindelo 244 Da Minhotães 244 Ca Mioma 247 Aa Mira 246 Bb Mira de Aire 248 Ac Miragaia 248 Ba Miranda 244 Bb Miranda do Corvo 246 Dc Miranda do Douro 245 Cd Mirandela 245 Cb Mire de Tibães 244 Cb Miuzela 247 Bc Moçarria 248 Bc Modivas 244 Da Mões 247 Aa Mofreita 245 Bb Mogadouro 245 Dc Mogofores 246 Bc Moimenta 244 Bb Moimenta 245 Bb Moimenta da Beira 244 Ed Moimenta da Serra 247 Ba Moimenta de Maceira Dão 247 Ba Moita 246 Bc Moita 246 Ea Moita 247 Cc Moita 248 Db Moita do Norte 248 Ad Moita dos Ferreiros 248 Bb Moitas Venda 248 Ac Molares 244 Cc Moldes 244 Eb Moledo 244 Ba Moledo 247 Aa Moledo 247 Ba Moledo 248 Ba Molelos 246 Bd Mombeja 251 Aa Monção 244 Ab Moncarapacho 251 Eb Monchique 250 Dc Mondim da Beira 244 Ed Mondim de Basto 244 Cc Monforte 249 Bc Monforte da Beira 247 Ec Monfortinho 247 Dd Monsanto 247 Dc Monsanto 248 Ac Monsaraz 249 Ec Monsul 244 Cb Montalegre 244 Bd Montalvão 247 Eb Montalvo 248 Ad Montargil 249 Ba Montaria 244 Ba Monte 244 Bb Monte 244 Cc Monte 246 Ab Monte Clerigo 250 Db Monte Córdova 244 Db Monte da Pedra 249 Ab Monte do Trigo 249 Eb Monte Fidalgo 247 Eb Monte Gordo 251 Dc Monte Margarida 247 Bc Monte Negro 251 Ea Monte Perobolso 247 Bc Monte Real 246 Db Monte Redondo 246 Db Monte Redondo 248 Bb Monteiras 244 Ec Montelavar 248 Ca Montemor-o-Novo 249 Da Montemor-o-Velho 246 Cb Montes 246 Ea Montes 246 Ec Montes da Senhora 247 Ea Montezinho 245 Bc Montezinho (PNT) 245 Bb Montijo 248 Db Montoito 249 Dc Montouto 245 Bb Mora 249 Ca Morais 245 Cc Moreira 244 Ab Moreira 244 Da Moreira de Cónegos 244 Db Moreira de Rei 247 Ab Moreira do Castelo 244 Dc Moreira do Lima 244 Ba Moreira do Rei 244 Cc Moreiras 245 Ca Morgade 244 Bd Mortágua 246 Bd Mós 244 Cb Mós 245 Bc Mós 245 Db Moscavide 248 Cb Moselos 244 Eb Mosteiro 244 Cc Mosteiro 246 Dd Mosteiro de Fráguas 246 Bd Mosteiros 249 Bc Mouçós 244 Dd Moura Morta 244 Ec Mourão 249 Ec Mouraz 246 Bd Moure 244 Cb Moure 244 Dc Mourilhe 244 Bd Mouriscas 249 Aa Mouriz 244 Db Mouronho 246 Cd Mte. do Guerreiro 251 Ca Muge 248 Bc Mujães 244 Ca Mundão 247 Aa Murça 245 Ca Murça 245 Eb Murços 245 Cb Múrias 245 Cb Murtede 246 Cc Murtosa 246 Ab Muxagata 245 Eb N Nabais 247 Bb Nabo 245 Db Nadadouro 248 Ab Nagosa 244 Ed Nagozelo do Douro 245 Da Nandufe 246 Bd Nariz 246 Bb Navais 244 Ca Navalho 245 Da Nave 247 Bc Nave de Haver 247 Bd Naves 247 Ad Nazaré 246 Ea Negreiros 244 Ca Negrelos 244 Db Negrões 244 Bd Neiva 244 Ca Nelas 247 Ba Nesperal 246 Ed Nespereira 244 Db Nespereira 244 Db Nespereira 244 Ec Nespereira 247 Bb Nevogilde 244 Db Nine 244 Ca Ninho do Açor 247 Db Nisa 249 Ab Nogueira 244 Ba Nogueira 244 Cb Nogueira 244 Da Nogueira 244 Dd Nogueira 245 Bc Nogueira da Montanha 245 Ca Nogueira da Regedoura 244 Ea Nogueira do Cravo 244 Eb Nogueira do Cravo 247 Ca Nogueiró 244 Cb Nossa Sra. da Boa Fé 249 Da Nossa Sra. da Graça de Póvoa e Meadas 249 Ac Nossa Sra. da Graça do Divor 249 Db Nossa Sra. da Graça dos Degolados 249 Bd Nossa Sra. da Tourega 249 Da Nossa Sra. das Neves 251 Ab Nossa Sra. de Guadalupe 249 Da Nossa Sra. de Machede 249 Db Noura 245 Da Novelas 244 Db Nozelos 245 Ba Nuéz 245 Bc Numão 245 Ea O Óbidos 248 Ab Odeceixe 250 Cb Odeleite 251 Dc Odemira 250 Cc Odiáxere 250 Ec Odivelas 248 Cb Odivelas 250 Ad Índice onomástico 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 262
  • 259.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 263 Oeiras 248 Da Oiã 246 Bc Óis da Ribeira 246 Bc Óis do Bairro 246 Bc Olaia 248 Ad Olalhas 246 E c Oldrões 244 Db Oledo 247 Db Oleiros 244 Bb Oleiros 244 Cb Oleiros 247 Da Olhalvo 248 Bb Olhão da Restauração 251 Eb Olho Marinho 248 Ab Olhos de Àgua 250 Ed Olival 244 Eb Olival 246 Eb Olival de Basto 248 Cb Oliveira 244 Dd Oliveira de Azeméis 246 Ac Oliveira de Frades 246 Ad Oliveira do Bairro 246 Bc Oliveira do Conde 246 Bd Oliveira do Douro 244 Ec Oliveira do Hospital 247 Ba Oliveira do Mondego 246 Cd Oliveirinha 246 Bb Oliveirinha 250 Bb Olivença 249 Dd Orada 249 Cc Orca 247 Db Orgens 246 Ad Oriola 249 Eb Orjais 247 Cb Ortiga 249 Aa Ortigosa 246 Db Orvalho 247 Da Ota 248 Bb Ouça 246 Bb Oucidres 245 Ba Ouguela 249 Bd Oura 244 Cd Ourém 246 Eb Ourentã 246 Bc Ourique 250 Cd Ourondo 247 Ca Ousilhão 245 Bb Outão 248 Db Outeiro 244 Ba Outeiro 244 Cc Outeiro 245 Bc Outeiro da Cabeça 248 Bb Outeiro da Cortiçada 248 Ac Outeiro de Gatos 245 Ea Outeiro Seco 245 Ba Outil 246 Cb Ovar 246 Ab Ovil 244 Dc Óvoa 246 Bd Ozendo 247 Cc P Paço 246 Ec Paçó 245 Bb Paçô 244 Bb Paço de Arcos 248 Da Paço de Mato 246 Ac Paço de Sousa 244 Db Paço Vedro de Magalhães 244 Bb Paços 244 Ab Paços da Serra 247 Bb Paços de Brandão 244 Ea Paços de Ferreira 244 Db Paços de Gaiolo 244 Ec Paderne 244 Ab Paderne 250 Dd Padornelo 244 Bb Padornelos 244 Bd Padrela e Tazém 245 Ca Padronelo 244 Dc Padroso 244 Bb Padroso 244 Bd Paialvo 246 E c Paião 246 Db Painho 248 Bb Painzela 244 Cc Paio Mendes 246 Ec Pala 246 Bc Pala 247 Ac Palaçoulo 245 Cd Palhaça 246 Bb Palhais 246 Ed Palhais 247 Ab Palhais 248 Db Palheiros 245 Da Palme 244 Ca Palmeira 244 Cb Palmeira de Faro 244 Ca Palmela 248 Db Pampilhosa da Serra 246 Dd Pampilhosa do Botão 246 Cc Panchora 244 Ec Panóias 250 Bd Panóias de Cima 247 Bc Papizios 246 Bd Parada 245 Bc Parada 245 Dc Parada 246 Bd Parada 247 Bc Parada de Cunhos 244 Dd Parada de Ester 244 Ec Parada de Gatim 244 Cb Parada de Gonta 246 Bd Parada de Monteiros 244 Cd Parada de Pinhão 244 Dd Parada do Monte 244 Ab Paradela 244 Ca Paradela 245 Cd Paradela 245 Dc Paradela 246 Ac Paradela 246 Bc Paradela 246 Cd Paradinha 244 Ed Paradinha Nova 245 Cc Paraíso 244 Eb Parambos 245 Da Parâmio 245 Bb Paramos 244 Ea Paranhos da Beira 247 Ba Parceiros 246 Eb Parceiros de Igreja 248 Ac Parchal 250 Ec Pardais 249 Dc Pardilhó 246 Ab Parede 248 Da Paredes 244 Db Paredes da Beira 245 Ea Paredes de Coura 244 Bb Paredes de Viadores 244 Ec Parreira 248 Bd Passô 244 Ed Passos 244 Cb Passos 244 Dd Passos 245 Ca Pataias 246 Ea Paúl 247 Ca Paúl de Arzila (RN) 246 Cc Paúl do Boquilobo (RN) 248 Ad Paus 244 Ec Pavia 249 Ca Pechão 251 Ea Pedome 244 Cb Pedorido 244 Eb Pedraça 244 Cc Pedreira 244 Dc Pedreira 246 Ec Pedreiras 246 Eb Pedrogão 246 Da Pedrogão 247 Cc Pedrogão 248 Ad Pedrogão 251 Ab Pedrogão Grande 246 Dd Pedrogão Pequeno 246 Dd Pedroso 244 Eb Pega 247 Bc Pegarinhos 245 Da Pego 249 Aa Pegões 248 Dc Pelariga 246 Db Pelmá 246 Ec Pena 244 Dd Pena Lobio 247 Bc Pena Verde 247 Ab Penacova 246 Cc Penafiel 244 Db Penajoia 244 Ed Penalva de Alva 247 Ca Penalva do Castelo 247 Aa Penamacor 247 Cc Penas Roias 245 Dc Pendilhe 244 Ed Peneda Gerês (PN) 244 Bc Penedono 245 Ea Penela 246 Dc Penela da Beira 245 Ea Penha de Aguia 247 Ac Penha Garcia 247 Dc Penha Longa 244 Ec Penhas Juntas 245 Bb Penhascoso 249 Aa Peniche 248 Aa Pensalvos 244 Cd Penso 245 Bb Penso 245 Ea Penude 244 Ec Pepim 246 Ad Pêra 250 Ed Pêra do Moço 247 Bc Pêra Velha 244 Ed Peraboa 247 Cb Perafita 244 Da Perais 247 Eb Peral 247 Ea Peral 248 Bb Peredo 245 Cc Peredo da Bemposta 245 Dd Peredo dos Castelhanos 245 Eb Pereira 244 Ca Pereira 246 Cb Pereiras-Gare 250 Cd Pereiro 247 Ac Pereiro 249 Ac Pereiro 251 Cb Pereiros 245 Da Perelhal 244 Ca Pernes 248 Ac Pero Moniz 248 Bb Pero Pinheiro 248 Ca Pero Soares 247 Bb Pêro Viseu 247 Cb Peroguarda 251 Aa Perosinho 244 Ea Perre 244 Ba Perreiro de Palhacana 248 Bb Peso 247 Cb Peso da Régua 244 Dd Pessegueiro 246 Dd Pessegueiro do Vouga 246 Ac Petisqueira 245 Bc Peva 247 Aa Peva 247 Ac Pias 244 Ab Pias 246 Ec Pias 251 Ac Pico 244 Bb Pico de Regalados 244 Cb Picote 245 Cd Pindelo 246 Ac Pindelo dos Milagres 246 Ad Pindo 247 Aa Pinela 245 Cc Pinelo 245 Cc Pinhal do Douro 245 Da Pinhal do Norte 245 Da Pinhal Novo 248 Dc Pinhanços 247 Ba Pinhão 245 Da Pinheiro 244 Ec Pinheiro 246 Ad Pinheiro 247 Ab Pinheiro da Bemposta 246 Ac Pinheiro de Àzere 246 Cd Pinheiro de Coja 246 Cd Pinheiro Grande 248 Ad Pinheiro Novo 245 Bb Pinheiros 244 Ab Pinheiros 244 Ed Pinhel 247 Ac Pinho 244 Cd Pinho 246 Ad Pinzio 247 Bc Piodão 247 Ca Pitões de Júnias 244 Bc Pó 248 Bb Pocariça 246 Bc Poceirão 248 Dc Poço do Canto 245 Ea Podame 244 Ab Podence 245 Cb Podentes 246 Dc Poiares 244 Ca Poiares 244 Dd Poiares 245 Ec Polvoreira 244 Db Pomares 247 Ac Pomares 247 Ca Pombal 245 Da Pombal 245 Db Pombal 246 Db Pombalinho 246 Dc Pombalinho 248 Ad Pombares 245 Cc Pombas 246 Dd Pombeiro da Beira 246 Cd Pombeiro de Ribavizela 244 Db Ponta dAatalaia 250 Db Ponta da Lamparoeira 248 Ba Ponta da Piedade 250 Ec Ponta da Torre 250 Eb Ponta de Almadena 250 Ec Ponta de Arrifana 250 Db Ponta de Sagres 250 Eb Ponte 244 Cb Ponte da Barca 244 Bb Ponte de Lima 244 Ba Ponte de Rol 248 Ba Ponte de Sor 249 Ba Ponte de Vagos 246 Bb Pontével 248 Bc Pontinha 248 Cb Porches 250 Ed Porta da Velha 247 Bd Portalegre 249 Bc Portel 249 Eb Portela 244 Ab Portela 244 Bb Portela 244 Eb Portela 248 Cb Portela do Fojo 246 Dd Portimão 250 Ec Porto 244 Da Porto Covo 250 Bb Porto da Carne 247 Bb Porto de Lagos 250 Dc Porto de Mós 246 Eb Portunhos 246 Cc Possacos 245 Ca Pousa 244 Cb Pousada 247 Bc Pousada de Saramagos 244 Cb Pousaflores 246 Dc Pousafoles do Bispo 247 Bc Pousos 246 Eb Póvoa 244 Ed Póvoa 245 Cd Póvoa 248 Bb Póvoa da Isenta 248 Bc Póvoa de Agrações 245 Ca Póvoa de Atalaia 247 Db Póvoa de Lanhoso 244 Cb Póvoa de Midões 246 Bd Póvoa de Penela 245 Ea Póvoa de Rio de Moinhos 247 Db Póvoa de Santarém 248 Ac Póvoa de São Miguel 249 Ec Póvoa de Sta. Iria 248 Cb Póvoa de Sto. Adrião 248 Cb Póvoa de Varzim 244 Da Póvoa do Concelho 247 Ac Póvoa Nova 247 Ba Povolide 247 Aa Prado 244 Cb Prado (S. Miguel) 244 Bb Pragal 248 Db Pragança 248 Bb Praia dAareia Branca 248 Ba Praia da Bordeira 250 Db Praia da Granja 244 Ea Praia da Nova Vaga 248 Da Praia da Rocha 250 Ec Praia da Tocha 246 Cb Praia das Maçãs 248 Ca Praia de Cortegaça 244 Ea Praia de Esmoriz 244 Ea Praia de Mira 246 Bb Praia de Mira 246 Bb Praia de Odeceixe 250 Cb Praia do Ribatejo 248 Ad Praia Grande do Guincho 248 Da Prestimo 246 Bc Proença-a-Nova 247 Ea Proença-a-Velha 247 Dc Prova 245 Ea Provesende 244 Dd Prozelo 244 Bb Pussos 246 Ec Q Quadrazais 247 Cc Quarteira 250 Ed Queimada 244 Ed Queimadela 244 Cc Queirã 246 Ad Queiriga 247 Aa Queiriz 247 Ab Quelfes 251 Eb Queluz 248 Ca Querença 251 Da Quiaios 246 Cb Quinchães 244 Cc Quintã de Pero Martins 247 Ac Quinta de S. Bartolomeu 247 Bc Quinta do Anjo 248 Db Quinta do Conde 248 Db Quintanilha 245 Bc Quintela 247 Ab Quintela de Azurara 247 Ba Quintela de Lampaços 245 Cc Quintos 251 Bb Quirás 245 Bb R Rabaçal 246 Dc Rabaçal 247 Ab Raimonda 244 Db Raiva 244 Eb Ramada 248 Cb Ramalhal 248 Bb Ranhados 245 Ea Ranhados 247 Ba Rans 244 Db Rapa 247 Bb Raposa 248 Bd Raposeira 250 Eb Rapoula do Côa 247 Bc Rates 244 Ca Real 244 Dc Real 244 Eb Reboleira 248 Cb Reboleiro 247 Ab Rebolosa 247 Bd Rebordãos 245 Bc Rebordelo 244 Dc Rebordelo 245 Bb Rebordões 244 Ba Rebordões 244 Db Rebordosa 244 Db Reboreda 244 Ba Recardães 246 Bc Recarei 244 Db Recezinhos 244 Db Redinha 246 Dc Redondelo 244 Bd Redondo 249 Dc Refoios do Lima 244 Bb Refojos de Basto 244 Cc Regadas 244 Dc Rego 244 Cc Rego da Murta 246 Ec Regoufe 246 Ad Regueira de Pontes 246 Eb Reguenga 244 Db Reguengo 249 Bc Reguengo do Fetal 246 Eb Reguengo Grande 248 Bb Reguengos de Monsaraz 249 Ec Reigada 247 Ac Reigada 247 Ad Reigoso 244 Bc Reigoso 246 Ac Relíquias 250 Bc Remelhe 244 Ca Remoães 244 Ab Remondes 245 Dc Rendo 247 Bc Rendufe 244 Ba Rendufe 244 Cb Rendufinho 244 Cb Requeixo 246 Bc Requião 244 Db Reriz 244 Ec Resende 244 Ba Resende 244 Ec Retaxo 247 Eb Revelhe 244 Cc Ria de Aveiro 246 Ab Ria Formosa (PNT) 251 Eb Riachos 248 Ad Riba de Âncora 244 Ba Riba de Ave 244 Db Riba de Mouro 244 Ab Ribadouro 244 Ec Ribafeita 246 Ad Ribafria 248 Bb Ribalonga 245 Da Ribamar 248 Ba Ribamondego 247 Bb Ribas 244 Cc Ribeira 244 Bb RibeirAalmuro 249 Cc Ribeira Branca 248 Ac Ribeira da Carrapateira 250 Db Ribeira da Figueira 250 Ad Ribeira da Foupana 251 Db Ribeira da Igreja 245 Bc Ribeira da Lamarosa 248 Bd Ribeira da Meimoa 247 Cc Ribeira da Murta 246 Ec Ribeira da Ota 248 Bb Ribeira da Pampilhosa 247 Da Ribeira da Pardiela 249 Db Ribeira da Raia 249 Ca Ribeira da Sertã 246 Dd Ribeira das Alcáçovas 249 Ea Ribeira das Cabras 247 Ac Ribeira das Pias 246 Ec Ribeira de Alcobertas 248 Bc Ribeira de Alcôrrego 249 Cb Ribeira de Alferrarede 249 Aa Ribeira de Alge 246 Dc Ribeira de Algibre 251 Da Ribeira de Aljezur 250 Db Ribeira de Almadafe 249 Cb Ribeira de Almansor 249 Da Ribeira de Almoster 248 Bc Ribeira de Alportel 251 Db Ribeira de Alpreade 247 Db Ribeira de Alvito 247 Da Ribeira de Ana Loura 249 Cc Ribeira de Arão 250 Dc Ribeira de Aravil 247 Dc Ribeira de Arcassó 245 Ba Ribeira de Arre 248 Bd Ribeira de Arronches 249 Bc Ribeira de Avis 249 Bc Ribeira de Beliche 251 Db Ribeira de Campilhas 250 Bc Ribeira de Canha 248 Dd Ribeira de Canhestros 250 Ad Ribeira de Cardeira 251 Bb Ribeira de Caria 247 Bc Ribeira de Carreiras 251 Cb Ribeira de Ceife 247 Cc Ribeira de Cobras 251 Bb Ribeira de Codes 246 Ed Ribeira de Coja 247 Ab Ribeira de Enxoé 251 Ab Ribeira de Fárrio 246 Ec Ribeira de Figueiró 249 Ab Ribeira de Frades 246 Cc Ribeira de Fráguas 246 Ac Ribeira de Grândola 250 Ac Ribeira de Isna 246 Ed Ribeira de Lavre 248 Cd Ribeira de Limas 251 Bc Ribeira de Magueija 247 Da Ribeira de Marateca 248 Dd Ribeira de Massueime 245 Eb Ribeira de Mega 246 Dd Ribeira de Mós 245 Eb Ribeira de Muge 248 Bc Ribeira de Mures 249 Cd Ribeira de Murtega 251 Ad Ribeira de Murtigão 251 Ad Ribeira de Nisa 249 Ab Ribeira de Nisa 249 Ac Ribeira de Ocreza 247 Db Ribeira de Odearce 251 Ab Ribeira de Odeleite 251 Db Ribeira de Odelouca 250 Dd Ribeira de Odivelas 250 Ad Ribeira de Oeiras 251 Cb Ribeira de Pega 247 Ac Ribeira de Pena 244 Cd Ribeira de Pracana 247 Ea Ribeira de Quarteira 250 Ed Ribeira de Safareja 251 Ad Ribeira de Safarujo 248 Ca Ribeira de Santo Estevão 248 Cc Ribeira de São Cristovão 249 Da Ribeira de São Domingos 250 Bc Ribeira de São João 249 Ac Ribeira de São Martinho 248 Dd Ribeira de Sarrazola 249 Bb Ribeira de Seda 249 Bc Ribeira de Seia 247 Ba Ribeira de Seiça 246 Ec Ribeira de Seixe 250 Dc Ribeira de Sor 249 Ba Ribeira de Sousel 249 Cb Ribeira de Taveira 247 Cb Ribeira de Teja 245 Ea Ribeira de Tera 249 Cb Ribeira de Terges 251 Ba Ribeira de Torgal 250 Cc Ribeira de Tourões 247 Ad Ribeira de Toutalga 251 Ac Ribeira de Vide 249 Ac Ribeira de Vide 249 Ca Ribeira de Vilares 245 Bb Ribeira de Vilariça 245 Db Ribeira de Zacarias 245 Db Ribeira do Divor 249 Ca Ribeira do Roxo 250 Bd Ribeira do Vascão 251 Cb Ribeira Sever 249 Ac Ribeira Sobrena 249 Ea Ribeira Teixeira 247 Cb Ribeiradio 246 Ac Ribeirão 244 Da Ribeiro de Cima 244 Bb Ribolhos 246 Ad Rio Agadão 246 Bd Rio Águeda 246 Bc Rio Alcabrichel 248 Bb Rio Alcoa 246 Eb Rio Alfusqueiro 246 Ac Rio Almonda 248 Ad Rio Alpiarça 248 Ad Rio Alva 246 Cd Rio Alva 247 Ba Rio Alviela 248 Ac Rio Alvoco 247 Ca Rio Alvor 250 Dc Rio Âncora 244 Ba Rio Angueira 245 Cd Rio Arade 250 Dd Rio Arcão 248 Ed Rio Ardila 251 Ac Rio Arnoia 248 Bb Rio Arouce 246 Cc Rio Ave 244 Cb Rio Ave 244 Da Rio Azilo 245 Cc Rio Baça 248 Ab Rio Baceiro 245 Bc Rio Balsemão 244 Ec Rio Beça 244 Bd Rio Beságueda 247 Cc Rio Beselga 246 Ec Rio Botão 246 Cc Rio Caia 249 Bc Rio Caia 249 Cd Rio Caima 246 Ac Rio Caldo 244 Bc Rio Caldo 244 Cb Rio Caldo 245 Ba Rio Carnide 246 Db Rio Cávado 244 Cb Rio Ceira 247 Ca Rio Cértima 246 Bb Rio Côa 245 Eb Rio Côa 247 Bc Rio Corgo 244 Cd Rio Corvo 246 Dc Rio Coura 244 Ba Rio Covas 244 Cd Rio Covo 244 Ca Rio Criz 246 Bd Rio dAareia 246 Ea Rio Dão 246 Bd Rio Dão 247 Ab Rio de Chança 251 Bc Rio de Couros 246 Ec Rio de Frades 246 Ad Rio de Galinhas 244 Dc Rio de Mel 247 Ab Rio de Moinhos 244 Bb Rio de Moinhos 244 Eb Rio de Moinhos 247 Aa Rio de Moinhos 249 Aa Rio de Moinhos 249 Cc Rio de Moinhos 250 Bd Rio de Mouro 248 Ca Rio de Onor 245 Bc Rio de Onor 245 Bc Rio Degebe 249 Db Rio Dinha 246 Bd Rio Douro 244 Cc Rio Douro 245 Cd Rio Douro 245 Da Rio Erges 247 Dd Rio Fresno 245 Cd Rio Frio 244 Bb Rio Frio 245 Bc Rio Grande 248 Bb Rio Guadiana 251 Bb Rio Guadiana 251 Dc Rio Homem 244 Bb Rio Juliano 248 Cc Rio Laboreiro 244 Bc Rio Leça 244 Db Rio Lima 244 Ba Rio Lizandro 248 Ca Rio Maçãs 245 Bc Rio Maior 248 Ac 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 263
  • 260.
    264 ATLAS DEPORTUGAL IGP Rio Maior 248 Bc Rio Mau 244 Bb Rio Mau 244 Da Rio Mau 246 Ac Rio Meão 244 Ea Rio Minho 244 Aa Rio Mira 250 Cc Rio Mira 251 Ca Rio Mondego 246 Cc Rio Mondego 247 Ba Rio Mouro 244 Ab Rio Nabão 246 Dc Rio Neiva 244 Ca Rio Noeime 247 Bc Rio Olo 244 Dc Rio Orelhão 245 Da Rio Ovelha 244 Dc Rio Paiva 244 Ec Rio Paiva 247 Aa Rio Paúl 247 Ca Rio Ponsul 247 Dc Rio Ponsul 247 E b Rio Rabaçal 245 Bb Rio Real 248 Bb Rio Sabor 245 Cc Rio Sabor 245 Db Rio Sado 248 Ec Rio Sado 250 Bd Rio Satão 247 Aa Rio Seco 245 Eb Rio Sizandro 248 Ba Rio Sorraia 248 Cb Rio Sorraia 248 Cd Rio Sousa 244 Db Rio Tâmega 244 Cd Rio Tanha 244 Dd Rio Távora 245 Ea Rio Tedo 244 Ed Rio Tejo 247 Ea Rio Tejo 248 Bc Rio Tinhela 245 Ca Rio Tinto 244 Db Rio Torto 245 Ca Rio Torto 245 Ca Rio Torto 245 Ea Rio Torto 247 Ba Rio Torto 247 Cc Rio Torto 249 Aa Rio Torto 249 Eb Rio Torto 250 Cd Rio Touro 244 Ed Rio Trancão 248 Cb Rio Tripeiro 247 Db Rio Tua 245 Db Rio Tuela 245 Bb Rio Varosa 244 Ed Rio Vez 244 Ab Rio Vide 246 Cc Rio Vouga 247 Aa Rio Xarrama 249 Ea Rio Xévora 249 Bd Rio Zêzere 247 Da Rocas do Vouga 246 Ac Rocha da Pena (SC) 250 Dd Rochoso 247 Bc Roge 246 Ac Rogil 250 Db Róios 245 Db Roliça 248 Ab Romarigães 244 Ba Romariz 244 Eb Romãs 247 Aa Romeira 248 Bc Romeu 245 Cb Ronfe 244 Cb Roriz 244 Ca Roriz 244 Db Roriz 245 Ba Rosário 251 Ca Rosmaninhal 247 Ec Rossas 244 Cc Rossas 244 Eb Rossio ao Sul do Tejo 249 Aa Roussas 244 Ab Rua 244 Ed Rubiães 244 Ba Ruilhe 244 Cb Ruivães 244 Cc Ruivães 244 Db Ruivos 247 Bc Runa 248 Bb S S. Barnabé 250 Dd S. Bartolomeu da Serra 250 Ac S. Bartolomeu de Messines 250 Dd S. Bartolomeu de Via Glória 251 Cb S. Bartolomeu do Outeiro 249 Eb S. Bartolomeu dos Galegos 248 Ba S. Bento 248 Ac S. Bento de Ana Loura 249 Cc S. Bento do Ameixial 249 Cb S. Bento do Cortiço 249 Cc S. Bento do Mato 249 Db S. Bernardino 248 Aa S. Bernardo 246 Bb S. Brás 249 Cd S. Brás de Alportel 251 Da S. Brás dos Matos 249 Dc S. Brissos 251 Aa S. Caetano 246 Bb S. Cipriano 244 Ec S. Cipriano 246 Ad S. Cosmado 244 Ed S. Cristovão 248 Dd S. Cristovão de Lafões 246 Ad S. Cristovão de Nogueira 244 Ec S. Domingos 250 Bc S. Domingos de Ana Loura 249 Cc S. Domingos de Rana 248 Da S. Facundo 249 Aa S. Félix 246 Ad S. Félix da Marinha 244 Ea S. Francisco 248 Db S. Francisco da Serra 250 Ac S. Gens 244 Cc S. Gião 247 Ca S. Gregório 249 Cb S. Gregório da Fanadia 248 Ab S. Jacinto 246 Ab S. Joaninho 244 Ec S. Joaninho 246 Bd S. João da Boa Vista 246 Cd S. João da Corveira 245 Ca S. João da Fresta 247 Bb S. João da Madeira 244 Eb S. João da Pesqueira 245 Da S. João da Ribeira 248 Bc S. João da Talha 248 Cb S. João das Lampas 248 Ca S. João de Areias 246 Bd S. João de Fontoura 244 Ec S. João de Loure 246 Bc S. João de Lourosa 247 B a S. João de Negrilhos 250 Bd S. João de Rei 244 Cb S. João de Tarouca 244 Ed S. João de Ver 244 Eb S. João do Campo 246 Cc S. João do Monte 246 Bc S. João do Peso 246 Ed S. João dos Caldeireiros 251 Cb S. João dos Montes 248 Cb S. Jomil 245 Bb S. Jorge 244 Bb S. Jorge da Beira 247 Ca S. José da Lamarosa 248 Bd S. Julião 249 Bc S. Julião 244 Ba S. Julião de Palácios 245 Bc S. Lourenço 248 Db S. Lourenço de Mamporcão 249 Cc S. Lourenço de Ribapinhão 245 Da S. Lourenço do Bairro 246 Bc S. Luís 250 Bc S. Mamede 246 Eb S. Mamede de Infesta 244 Da S. Mamede de Ribatua 245 Da S. Manços 249 Eb S. Marcos da Serra 250 Dd S. Marcos de Ataboeira 251 Ba S. Margarida da Coutada 248 Ad S. Martinho 247 Ba S. Martinho (Casebres) 248 Dd S. Martinho da Árvore 246 Cc S. Martinho da Cortiça 246 Cd S. Martinho da Gândara 246 Ac S. Martinho das Amoreiras 250 Cd S. Martinho das Chãs 244 Ed S. Martinho das Moitas 246 Ad S. Martinho de Angueira 245 Cd S. Martinho de Antas 244 Dd S. Martinho de Mouros 244 Ec S. Martinho do Peso 245 Cc S. Martinho do Porto 248 Ab S. Matias 247 Ea S. Matias 251 Aa S. Miguel de Acha 247 Db S. Miguel de Alcainça 248 Ca S. Miguel de Machede 249 Db S. Miguel de Poiares 246 Cd S. Miguel de Vila Boa 247 Aa S. Miguel do Mato 244 Eb S. Miguel do Mato 246 Ad S. Miguel do Outeiro 246 Bd S. Miguel do Pinheiro 251 Cb S. Miguel do Rio Torto 249 Aa S. Paio 244 Ab S. Paio 247 Bb S. Paio de Gramaços 247 Ca S. Paio do Mondego 246 Cd S. Paulo de Frades 246 Cc S. Pedro dAalva 246 Cd S. Pedro da Cadeira 248 Ba S. Pedro da Cova 244 Db S. Pedro da Torre 244 Aa S. Pedro de Agostém 245 Ca S. Pedro de Castelões 246 Ac S. Pedro de France 247 Aa S. Pedro de Muel 246 Ea S. Pedro de Rio Seco 247 Ad S. Pedro de Solis 251 Ca S. Pedro de Tomar 248 Ad S. Pedro de Veiga de Lila 245 Ca S. Pedro do Esteval 247 Ea S. Pedro do Sul 246 Ad S. Pedro Velho 245 Bb S. Romão 247 Ba S. Roque 246 Ac S. Salvador 247 Aa S. Salvador da Aramenha 249 Ac S. Salvador de Viveiro 244 Cd S. Saturnino 249 Cc S. Sebastião da Giesteira 249 Da S. Sebastião dos Carros 251 Cb S. Silvestre 246 Cc S. Simão 247 Ea S. Simão 248 Db S. Simão de Litém 246 Db S. Teotónio 250 Cc S. Tomé do Castelo 244 Dd S. Torcato 244 Cb S. Torpes 250 Bb S. Vicente 245 Ba S. Vicente da Beira 247 Db S. Vicente da Pereira Jusã 246 Ac S. Vicente de Paúl 248 Ac S. Vicente do Pigeiro 249 Ec S. Vicente e Ventosa 249 Cd S.ª Amarela 244 Bb S.ª da Adiça 251 Bc S.ª da Arrábida 248 Db S.ª da Cabreira 244 Cc S.ª da Coroa 245 Bb S.ª da Gardunha 247 Db S.ª da Lapa 247 A b S.ª da Lousã 246 Dd S.ª da Marofa 247 Ac S.ª da Padrela 245 Ca S.ª da Peneda 244 Ab S.ª de Açor 247 Ca S.ª de Aire 248 Ac S.ª de Alvão 244 Dd S.ª de Alvelos 246 Dd S.ª de Arada 246 Ad S.ª de Arga 244 Ba S.ª de Bornes 245 Cb S.ª de Espinhaço de Cão 250 Db S.ª de Grândola 250 Ac S.ª de Laboreiro 244 Ac S.ª de Leomil 244 Ed S.ª de Malcata 247 Cc S.ª de Mendro 249 Eb S.ª de Mogadouro 245 Dc S.ª de Monchique 250 Dc S.ª de Monfurado 249 Da S.ª de Monte Figo 251 Eb S.ª de Montejunto 248 Bb S.ª de Montemuro 244 Ec S.ª de Montezinho 245 Bc S.ª de Nogueira 245 Cb S.ª de Ossa 249 Dc S.ª de S. Mamede 249 Bc S.ª de Sicó 246 Db S.ª de Sintra 248 Ca S.ª do Barroso 244 Bc S.ª do Buçaco 246 Cc S.ª do Caldeirão 251 Da S.ª do Caramulo 246 Bd S.ª do Cercal 250 Bc S.ª do Gerês 244 Bc S.ª do Larouco 244 Bd S.ª do Marão 244 Dc S.ª do Muradal 247 Da S.ª do Soajo 244 Bb S.ª dos Candeeiros 248 Ab Sabacheira 246 Ec Sabadim 244 Bb Sabóia 250 Cc Sabrosa 244 Dd Sabugal 247 Cc Sabugosa 246 Bd Sabugueiro 247 Ba Sabugueiro 249 Ca Sacavém 248 Cb Sado 248 Dc Safara 251 Ac Safurdão 247 Ac Sago 244 Ab Sagres 250 Eb Salamonde 244 Cc Saldanha 245 Cc Salgueirais 247 Bb Salgueiro 247 Cb Salgueiro do Campo 247 Db Salir 251 Da Salir de Matos 248 Ab Salir do Porto 248 Ab Salreu 246 Ac Salsas 245 Cc Salselas 245 Cc Salto 244 Cc Salvada 251 Bb Salvador 245 Cb Salvador 247 Cc Salvador do Monte 244 Dc Salvaterra de Magos 248 Bc Salvaterra do Extremo 247 Dc Salzedas 244 Ed Sambade 245 Cb Sameiro 247 Bb Samil 245 Bc Samodães 244 Dd Samões 245 Db Samora Correia 248 Cc Samouco 248 Db Sampaio 245 Db Samuel 246 Cb Sande 244 Bb Sande 244 Cb Sande 244 Ec Sande 244 Ed Sandim 244 Eb Sandim 245 Bb Sandomil 247 Ca Sanfins 245 Ba Sanfins 245 Ca Sanfins do Douro 245 Da Sangalhos 246 Bc Sanguedo 244 Eb Sanguinheira 246 Cb Santa Catarina da Serra 246 Eb Santa Clara de Louredo 251 Ba Santa Clara-a-Velha 250 Cc Santa Comba 244 Eb Santa Comba 245 Eb Santa Comba 247 Ba Santa Comba Dão 246 Bd Santa Cruz 248 Ba Santa Cruz 250 Ac Santa Eufémia 246 Eb Santa Eufémia 247 Ac Santa Eulália 249 Cc Santa Iria da Ribeira de Santarém 248 Bc Santa Justa 249 Db Santa Luzia 251 Eb Santa Margarida da Serra 250 Ac Santa Marta de Penaguião 244 Dc Santa Susana 248 Ed Santalha 245 Bb Santana 246 Cb Santana 247 Ea Santana 249 Eb Santana dAazinha 247 Bc Santana da Serra 250 Cd Santana de Cambas 251 Cb Santana do Mato 248 Cd Santão 244 Dc Santar 247 Ba Santarém 248 Bc Santiago 244 Ed Santiago 245 Ca Santiago 247 Ba Santiago da Guarda 246 Dc Santiago de Besteiros 246 Bd Santiago de Cassurrães 247 Ba Santiago de Litém 246 Db Santiago de Montalegre 246 Ed Santiago de Piães 244 Ec Santiago de Riba-Ul 246 Ac Santiago do Cacém 250 Ac Santiago do Escoural 249 Da Santiago dos Velhos 248 Cb Santiago Maior 249 Dc Santo Amaro 245 Eb Santo André 244 Bd Santo André 250 Ab Santo Estevão 247 Cc Santo Estevão 248 Cc Santo Isidro de Pegões 248 Dc Santo Tirso 244 Db Santos Evos 247 Aa Santulhão 245 Cc Sapal de Castro Marim e Vila Real de Sto António (RN) 251 Db Sapardos 244 Ba Sapataria 248 Cb Sapiãos 244 Bd Sardeiras de Baixo 246 Dd Sardoal 249 Aa Sarilhos Grandes 248 Db Sarilhos Pequenos 248 Db Sarnadas de S. Simão 247 Da Sarnadas do Rodão 247 Eb Sarraquinhos 244 Bd Sarzeda 245 Ea Sarzedas 247 Da Sarzedo 244 Ed Sarzedo 246 Cd Satão 247 Aa Sazes do Lorvão 246 Cc Seara 244 Ba Sebadelhe 245 Ea Sebadelhe da Serra 247 Ab Sebal 246 Cc Secarias 246 Cd Seda 249 Bb Sedielos 244 Dc Segadães 246 Bc Segude 244 Ab Segura 247 Dc Seia 247 Ba Seiça 246 Ec Seixal 248 Db Seixas 244 Ba Seixas 245 Bb Seixas 245 Ea Seixo 246 Bb Seixo Amarelo 247 Bb Seixo da Beira 247 Ba Seixo de Ansiães 245 Da Seixo de Gatões 246 Cb Seixo de Manhoses 245 Db Seixo do Coa 247 Bc Selmes 251 Ab Semide 246 Cc Semideiro 248 Ad Sendas 245 Cc Sendim 244 Dc Sendim 245 Dd Sendim 245 Ea Senharei 244 Bb Senhorim 247 Ba Sepins 246 Bc Sequeiros 247 Ab Serafão 244 Cb Serapicos 245 Cc Serdedelo 244 Bb Sernancelhe 247 Ab Serpa 251 Bb Serpins 246 Cd Serra 246 Ec Serra da Estrela 247 Ca Serra da Estrela (PNT) 247 Bb Serra da Malcata (RN) 247 Cc Serra de Aire e Candeeiros (PNT) 248 Ac Serra de Aires 249 Cc Serra de Montejunto (PP) 248 Bb Serra de S. Mamede (PNT) 249 Ac Serra de Sto. António 248 Ac Serra d'El Rei 248 Aa Serra do Açor (PP) 247 Ca Serra do Bouro 248 Ab Serrazes 246 Ad Serreleis 244 Ba Serro Ventoso 248 Ac Sertã 246 Dd Serzedelo 244 Cc Serzedelo 244 Db Serzedo 244 Ea Sesimbra 248 Eb Setúbal 248 Dc Sever 244 Dd Sever 244 Ed Sever do Vouga 246 Ac Sezulfe 245 Cb Sezures 247 Ab Silva 244 Ca Silva 245 Cd Silvã de Cima 247 Aa Silva Escura 246 Ac Silvalde 244 Ea Silvares 244 Cb Silvares 244 Cc Silvares 244 Db Silvares 246 Bd Silvares 247 Ca Silveira 247 Ea Silveira 248 Ba Silveiras 248 Dd Silveiros 244 Ca Silves 250 Dc Sinde 246 Cd Sines 250 Bb Sintra 248 Ca Sintra - Cascais (PNT) 248 Ca Sistelo 244 Ab Soajo 244 Bb Soalhães 244 Dc Soalheira 247 Db Sobradelo da Goma 244 Cc Sobrado 244 Db Sobrado 244 Eb Sobral 246 Bc Sobral 246 Dd Sobral 248 Ba Sobral dAabelheira 248 Ca Sobral dAadiça 251 Ac Sobral da Lagoa 248 Ab Sobral da Serra 247 Bc Sobral de Monte Agraço 248 Cb Sobral de Papízios 246 Bd Sobral de S. Miguel 247 Ca Sobral do Campo 247 Db Sobreda 248 Db Sobreira 244 Db Sobreira Formosa 247 Ea Sobreiro de Baixo 245 Bb Solveira 244 Bd Sopo 244 Ba Sortelha 247 Cc Sortes 245 Bc Sosa 246 Bb Soure 246 Db Souro Pires 247 Ac Sousel 249 Cb Sousela 244 Db Souselas 246 Cc Souselo 244 Eb Soutelinho da Raia 244 Bd Soutelo 244 Cb Soutelo 245 Dc Soutelo de Aguiar 244 Cd Soutelo do Douro 245 Da Souto 244 Bb Souto 244 Cb Souto 244 Cb Souto 244 Ea Souto 245 Ea Souto 246 Ec Souto 247 Bc Souto da Carpalhosa 246 Db Souto da Casa 247 Cb Souto de Aguiar da Beira 247 Ab Souto de Lafões 246 Ad Souto Maior 244 Dd Sra. da Graça de Padrões 251 Ca Sra. da Hora 244 Da Sta Margarida 250 Dd Sta. Bárbara 248 Ba Sta. Bárbara de Nexe 251 Ea Sta. Bárbara de Padrões 251 Ca Sta. Catarina 248 Ab Sta. Catarina da Fonte do Bispo 251 Db Sta. Clara-a-Nova 250 Cd Sta. Comba de Rossas 245 Cc Sta. Comba de Vilariça 245 Db Sta. Cruz 245 Bb Sta. Cruz 251 Ca Sta. Cruz da Trapa 246 Ad Sta. Cruz do Bispo 244 Da Sta. Cruz do Douro 244 Ec Sta. Cruz do Lima 244 Bb Sta. Eugénia 245 Da Sta. Eulália 244 Db Sta. Eulália 244 Eb Sta. Iria dAazóia 248 Cb Sta. Leocádia 245 Ca Sta. Luzia 250 Bd Sta. Margarida do Sado 250 Ad Sta. Maria da Feira 244 Eb Sta. Maria de Emeres 245 Ca Sta. Maria de Lamas 244 Eb Sta. Maria de Sardoura 244 Eb Sta. Marinha 244 Cd Sta. Marinha 247 Ba Sta. Marinha do Zêzere 244 Dc Sta. Marta de Portuzelo 244 Ba Sta. Valha 245 Ca Sta. Vitória 251 Ba Sta. Vitória do Ameixial 249 Cb Sto. Adrião 244 Db Sto. Aleixo 249 Cc Sto. Aleixo da Restauração 251 Ad Sto. Amador 251 Ac Sto. Amaro 249 Cc Sto. André 248 Db Sto. André das Tojeiras 247 Da Sto. Antão do Tojal 248 Cb Sto. António da Charneca 248 Db Sto. António das Areias 249 Ac Sto. António de Monforte 245 Ba Sto. António dos Cavaleiros 248 Cb Sto. Emilião 244 Cb Sto. Estevão 245 Ba Sto. Estevão 249 Cc Sto. Estevão 251 Eb Sto. Estevão das Galés 248 Ca Sto. Ildefonso 249 Cd Sto. Isidoro 248 Ca Sto. Isidoro 244 Dc Sto. Quintino 248 Cb Sto. Varão 246 Cb Subportela 244 Ca Sucçães 245 Ca Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PN) 250 Cb Sul 246 Ad T Taboeira 246 Cb Tábua 246 Bd Tabuaças 244 Cc Tabuaço 244 Ed Taião 244 Aa Taíde 244 Cb Talhadas 246 Ac Talhas 245 Cc Talhinhas 245 Cc Tamanhos 247 Ab Tamel 244 Ca Tamengos 246 Bc Tancos 248 Ad Tangil 244 Ab Tapéus 246 Dc Tarouca 244 Ed Tarouquela 244 Ec Tavarede 246 Cb Taveiro 246 Cc Tavira 251 Eb Távora 244 Bb Távora 245 Ea Teixeira 244 Dc Teixeira 245 Cd Teixeira 247 Ca Teixoso 247 Cb Tejo Internacional (PNT) 247 Ec Telhadela 246 Ac Telhado 244 Cb Telhado 247 Cb Telões 244 Cd Telões 244 Dc Tendais 244 Ec Tentugal 246 Cb Terena 249 Dc Termas de Monfortinho 247 Dd Terras de Bouro 244 Bb Índice onomástico 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 264
  • 261.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 265 Terroso 244 Ca Terrugem 248 Ca Terrugem 249 Cc Tinalhas 247 Db Tinhela 245 Ba Tó 245 Dc Tocha 246 Cb Tolosa 249 Ab Tomar 246 Ec Tonda 246 Bd Tondela 246 Bd Tôr 251 Da Torgueda 244 Dd Tornada 248 Ab Torno 244 Dc Torrados 244 Db Torrão 248 Cc Torrão 249 Ea Torre de Coelheiros 249 Eb Torre de D. Chama 245 Cb Torre de Moncorvo 245 Db Torre de Vale de Todos 246 Dc Torre do Pinhão 244 Dd Torredeita 246 Bd Torreira 246 Ab Torres do Mondego 246 Cc Torres Novas 248 Ad Torres Vedras 248 Ba Torrozelo 247 Ba Tortosendo 247 Cb Toulões 247 Dc Tourais 247 Ba Tourém 244 Bc Tourigo 246 Bd Touro 244 Ed Trafaria 248 Da Tramagal 249 Aa Trancoso 247 Ab Travanca 244 Dc Travanca 244 E b Travanca 245 Bb Travanca 245 Dd Travanca de Lagos 247 Ba Travanca do Mondego 246 Cd Travancas 245 Ba Travancinha 247 Ba Travassô 246 Bc Travassos 244 Cb Travassós 244 Cb Treixedo 246 Bd Tremês 248 Ac Tresminas 245 Ca Tresouras 244 Dc Trevões 245 Ea Trezói 246 Bc Trigaches 251 Aa Trindade 245 Db Trindade 251 Ba Trinta 247 Bb Trofa 244 Db Trofa 246 Bc Tróia 248 Dc Tronco 245 Ba Tropeço 244 Eb Trouxemil 246 Cc Troviscal 246 Bc Troviscal 246 Dd Troviscoso 244 Ab Trute 244 Ab Tuias 244 Dc Tuizelo 245 Bb Tunes 250 Dd Turcifal 248 Ba Turiz 244 Cb Turquel 248 Ab U Ucanha 244 Ed Ucha 244 Cb Ul 246 Ac Ulme 248 Bd Unhais da Serra 247 Ca Unhais-o-Velho 247 Ca Unhão 244 Db Urgezes 244 Cb Urqueira 246 Eb Urra 249 Bc Urrô 244 Eb Urros 245 Dd Urros 245 Eb Usseira 248 Ab V V. Boa do Bispo 244 Dc V. Caiz 244 Dc V. Chão do Marão 244 Dc V. Cova de Carros 244 Db V. Cova de Lixa 244 Dc V. Franca da Serra 247 Bb V. Frescaínha 244 Ca V. Nova da Rainha 248 Bc V. Nova da Telha 244 Da V. Nova de Oliveirinha 246 Bd V. Nova de Santo André 250 Ac V. Nova de Souto D'El Rei 244 Ed V. Nova de Tázem 247 Ba V. Nova do Ceira 246 Cd V. Seca 244 Ca Vacariça 246 Bc Vagos 246 Bb Vaiamonte 249 Bc Vairão 244 Da Vala dAazambuja 248 Bc Vala de Alpiarça 248 Bd Valada 248 Bc Valada dos Frades 246 Ea Valadares 244 Dc Valadares 244 Ea Valadares 246 Ad Valbom 244 Bb Valbom 244 Eb Valbom 247 Ac Valbom 247 Da Valdigem 244 Ed Valdosende 244 Cb Valdreu 244 Bb Valdujo 247 Ab Vale 244 Bb Vale 244 Cb Vale 244 Eb Vale Benfeito 245 Cb Vale Covo 248 Bb Vale da Figueira 245 Ea Vale da Horta 249 Ba Vale da Mula 247 Ad Vale da Pedra 248 Bc Vale da Pinta 248 Bc Vale da Porca 245 Cb Vale da Senhora da Póvoa 247 Cc Vale da trave 248 Ac Vale das Fontes 245 Bb Vale das Mós 249 Aa Vale de Açor 249 Bb Vale de Àgua 250 Bc Vale de Anta 245 Ba Vale de Arca 248 Ed Vale de Asnes 245 Cb Vale de Azares 247 Bb Vale de Bouro 244 Cc Vale de Cambra 246 Ac Vale de Cavalos 248 Bd Vale de Espinho 247 Cd Vale de Estrela 247 Bb Vale de Figueira 248 Bc Vale de Frades 245 Cd Vale de Gouvinhas 245 Cb Vale de Guizo 248 Ed Vale de Janeiro 245 Bb Vale de Madeira 247 Ac Vale de Nogueiras 244 Dd Vale de Prados 245 Cb Vale de Prazeres 247 Cb Vale de Remigio 246 Bc Vale de Rossim 247 Bb Vale de Russins 251 Bb Vale de Salgueiro 245 Cb Vale de Santarém 248 Bc Vale de Santiago 250 Bc Vale de Telhas 245 Cb Vale de Torno 245 Db Vale de Vargo 251 A c Vale do Guadiana (PNT) 251 Cb Vale do Paraiso 248 Bc Vale do Peso 249 Ab Vale Feitoso 247 Dc Vale Flor 245 Ea Vale Formoso 247 Bb Vale Pereiro 245 Db Valega 246 Ab Valença 244 Aa Vales 245 Ca Vales 245 Ca Vales 245 Db Vales do Rio 247 Cb Vales Mortos 251 Bc Valhascos 249 Aa Valhelhas 247 Bb Valmaior 246 Ac Valões 244 Bb Valongo 244 Db Valongo 247 Bc Valongo 249 Bb Valongo de Milhais 245 Ca Valongo do Vouga 246 Bc Valongo dos Azeites 245 Ea Valoura 245 Ca Valpaços 245 Ca Valverde 245 Db Valverde 245 Dc Valverde 247 Ab Valverde 247 Cb Vaqueiros 248 Ac Vaqueiros 251 Db Várzea 244 Ca Várzea 244 Dc Várzea 244 Eb Várzea 246 Ad Várzea 248 Bc Várzea Cova 244 Cc Várzea da Ovelha e Aliviada 244 Dc Várzea da Serra 244 Ed Várzea de Trevões 245 Ea Várzea do Douro 244 Eb Várzea dos Cavaleiros 246 Ed Varzielas 246 Bd Vassal 245 Ca Vau 248 Ab Veade 244 Cc Veiros 246 Ab Veiros 249 Cc Vela 247 Bb Velosa 247 Ab Venade 244 Ba Venda do Pinheiro 248 Ca Venda Nova 244 Cc Vendas Novas 248 Dd Ventosa 246 Ad Ventosa 248 Ba Ventosa 248 Bb Ventosa do Bairro 246 Bc Vera Cruz 251 Ab Verdelhos 247 Bb Verderena 248 Db Verdoejo 244 Aa Verim 244 Cb Vermelha 248 Bb Vermil 244 Cb Vermiosa 247 Ad Vermoil 246 Db Vermoim 244 Cb Verride 246 Cb Vestiaria 246 Ea Viade de Baixo 244 Bc Vialonga 248 Cb Viana do Alentejo 249 Ea Viana do Castelo 244 Ca Viariz 244 Dc Viatodos 244 Ca Vidago 244 Cd Vidais 248 Ab Vide 247 Ca Videmonte 247 Bb Vidigueira 251 Ab Vieira de Leiria 246 Da Vieira do Minho 244 Cc Vila Alva 249 Eb Vila Boa 244 Ca Vila Boa 247 Bc Vila Boa de Ousilhão 245 Bb Vila Boa de Quires 244 Dc Vila Boim 249 Cd Vila Cã 246 Dc Vila Chã 244 Bb Vila Chã 244 Ca Vila Chã 244 Da Vila Chã 245 Da Vila Chã 246 Ac Vila Chã 248 Bb Vila Chã de Braciosa 245 Cd Vila Chã de Ourique 248 Bc Vila Chã de Sá 246 Bd Vila Cova 244 Dd Vila Cova à Coelheira 247 Aa Vila Cova de Alva 246 Cd Vila da Ponte 244 Bc Vila da Ponte 245 Ea Vila de Ala 245 Dc Vila de Cucujães 246 Ac Vila de Frades 251 Aa Vila de Moura 251 Ac Vila de Punhe 244 Ca Vila de Rei 246 Ed Vila do Bispo 250 Eb Vila do Carvalho 247 Cb Vila do Conde 244 Da Vila do Touro 247 Bc Vila Facaia 246 Dd Vila Fernando 247 Bc Vila Fernando 249 Cc Vila Flor 245 Db Vila Franca 244 Ca Vila Franca das Naves 247 Ab Vila Franca de Xira 248 Cb Vila Franca do Rosário 248 Ca Vila Fria 244 Ca Vila Garcia 247 Bc Vila Longa 247 Ab Vila Maior 244 Eb Vila Maior 246 Ad Vila Marim 244 Dc Vila Marim 244 Dd Vila Moreira 248 Ac Vila Nova 246 Dc Vila Nova 246 Ec Vila Nova da Barca 246 Cb Vila Nova da Baronia 249 E a Vila Nova da Barquinha 248 Ad Vila Nova de Anços 246 Cb Vila Nova de Anha 244 Ca Vila Nova de Cacela 251 Dc Vila Nova de Cerveira 244 Ba Vila Nova de Famalicão 244 Da Vila Nova de Foz Côa 245 Eb Vila Nova de Gaia 244 Da Vila Nova de Milfontes 250 Bb Vila Nova de Monsarros 246 Bc Vila Nova de Muía 244 Bb Vila Nova de Paiva 247 Aa Vila Nova de Poiares 246 Cd Vila Nova de S. Bento 251 Bc Vila Nova de S. Pedro 248 Bc Vila Pouca de Aguiar 244 Cd Vila Real 244 Dd Vila Real de Sto. António 251 Dc Vila Ruiva 249 Eb Vila Seca 244 Ed Vila Seca 246 Cc Vila Soeiro 247 Bb Vila Velha de Rodão 247 E a Vila Verde 244 Cb Vila Verde 245 Bb Vila Verde 245 Cb Vila Verde 245 Da Vila Verde 246 Cb Vila Verde da Raia 245 Ba Vila Verde de Ficalho 251 Bc Vila Verde dos Francos 248 Bb Vila Viçosa 249 Cc Vilamar 246 Bb Vilar 244 Ed Vilar 248 Bb Vilar Barroco 247 Da Vilar Chão 245 Dc Vilar da Veiga 244 Bc Vilar de Besteiros 246 Bd Vilar de Cunhas 244 Cc Vilar de Ferreiros 244 Dc Vilar de Maçada 244 Dd Vilar de Mouros 244 Ba Vilar de Nantes 245 Ba Vilar de Ossos 245 Bb Vilar de Perdizes 244 Bd Vilar de Peregrinos 245 Bb Vilar de Rei 245 Dc Vilar do Monte 244 Bb Vilar do Monte 245 Cb Vilar do Paraiso 244 E a Vilar do Ruivo 246 E d Vilar Formoso 247 Bd Vilar Maior 247 Bd Vilar Seco 245 Cd Vilar Seco 247 Ba Vilar Seco de Lomba 245 Bb Vilar Torpim 247 Ac Vilarandelo 245 Ca Vilardevós 245 Ba Vilarelho 244 Ba Vilarelho da Raia 245 Ba Vilarelhos 245 Db Vilares 245 Ca Vilares 247 Ab Vilares de Vilariça 245 Db Vilarinho 244 Bd Vilarinho 246 Cd Vilarinho da Castanheira 245 Da Vilarinho das Azenhas 245 Db Vilarinho das Cambas 244 Da Vilarinho de Agrochão 245 Cb Vilarinho de S. Romão 244 Dd Vilarinho de Samardã 244 Dd Vilarinho do Bairro 246 Bc Vilarinho dos Freires 244 Dd Vilarinho dos Galegos 245 Dc Vilarouco 245 Ea Vilas Boas 245 Db Vilela 244 Cb Vilela 244 Db Vilela do Tâmega 245 Ca Vilela Seca 245 Ba Vimeiro 248 Ab Vimeiro 248 Ba Vimieiro 249 Cb Vimioso 245 Cc Vinha da Raínha 246 Db Vinhais 245 Bb Vinhal 246 Bd Vinhas 245 Cc Vinhó 247 Ba Viseu 247 Aa Vitorino das Donas 244 Ba Vitorino dos Piães 244 Ca Vizela 244 Db Vouzela 246 Ad Vreia de Bornes 244 Cd Vreia de Jales 244 Cd Z Zambujal 246 Dc Zambujeira 250 Cc Zambujeira do Mar 250 Cb Zebreira 247 Dc Zibreira 248 Ac Zoio 245 Bb REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES A A Cruzinha Terceira 256 Ca Abegoaria Faial 254 Eb Abelheira São Miguel 252 Bd Achada São Miguel 253 Ac Achadinha São Miguel 253 Ac Adegas Pico 255 Fc Aeroporto Faial 254 Eb Aeroporto Santa Maria 253 Bb Aeroporto São Miguel 252 Cc Aeroporto Terceira 256 Bd Água de Alto São Miguel 253 Ca Água de Pau São Miguel 252 Ce Água Retorta São Miguel 253 Bd Agualva Terceira 256 Bc Alagadiços Terceira 256 Bc Algar do Carvão Terceira 256 Cc Algarvia São Miguel 253 Ac Almagreira Pico 255 Ga Almagreira Santa Maria 253 Bb Almas Santa Maria 253 Bc Altamora Pico 255 Gc Altares Terceira 256 Bb Alto do Barreiro Pico 254 Ed Alto do Sul Graciosa 256 Bc Angra do Heroísmo Terceira 256 Db Angústias Faial 254 Ec Anjos Santa Maria 253 Ab Areeiro Terceira 256 Bd Areia Larga Pico 254 Ed Areias Faial 254 Db Arieiro Faial 254 Ea Arieiro Pico 254 Fd Arrebentão Santa Maria 253 Ac Arrifana São Jorge 254 Bb Arrife Faial 254 Ec Arrife Pico 255 Gb Arrifes São Miguel 252 Bc Arrochela Faial 254 Ec Arrochela Terceira 256 Bb As doze Terceira 256 Ca Atafoneiro Faial 254 Ec Atalaia Faial 254 Eb Atalhadas São Miguel 252 Cd Azenhas Santa Maria 253 Bc B Baía da Barca Pico 254 Ed Baía da Caldeirinha Graciosa 256 Bb Baía da Engrade Graciosa 256 Bc Baía da Folga Graciosa 256 Bc Baía da Fonte Pico 255 Gd Baía da Lagoa Graciosa 256 Bc Baía da Praia Santa Maria 253 Bb Baía da Ribeira das Cabras Faial 254 Da Baía da Salga Terceira 256 Dd Baía da Vila Terceira 256 Dd Baía das Canas Pico 255 Fb Baía das Pedrinhas Pico 254 Fd Baía das Quatro Ribeiras Terceira 256 Ab Baía de Entre-Morros São Jorge 254 Bb Baía de São Lourenço Santa Maria 253 Ac Baía do Cachorro Pico 254 Ee Baía do Calhau Pico 255 Fd Baía do Zimbral Terceira 256 Bd Baixo da Serreta Terceira 256 Ba Bandeiras Pico 254 Ed Barreiras São Jorge 255 Dc Barreiro São Jorge 255 Dd Barrosa São Miguel 252 Ce Beira São Jorge 254 Bb Bicadas Pico 254 Ed Biscoito Queimado Pico 255 Gd Biscoitos Faial 254 Ea Biscoitos Pico 254 Fd Biscoitos São Jorge 255 Cb Biscoitos Terceira 256 Bb Boa Vista São Miguel 252 Bd Boca da Baleia Flores 257 Eb Bom Despacho Santa Maria 253 Bb Bom Jesus Graciosa 256 Ab Brasileira Graciosa 256 Bb Brejo Santa Maria 253 Bb Bretanha São Miguel 252 Ab Burguete São Miguel 253 Bb C Cabeço Chão Pico 254 Ed Cabeço da Cruz Pico 255 Fa Cabeço das Cabras Pico 255 Gc Cabeço do Caveiro Pico 255 Fb Cabeço do Ferrobo Pico 255 Fa Cabeço do Gato Pico 254 Ed Cabeço do Moiro Pico 255 Fa Cabeço do Silvado Pico 255 Fa Cabeço do Sintrão Pico 255 Fa Cabeço Escalvado Pico 254 Fe Cabeço Gordo Pico 254 Fd Cabeço Grande Pico 254 Ee Cabeço Silvado Pico 255 Gc Cabeço Verde Faial 254 Da Cabeços Faial 254 Dc Cabeços do Mistério Pico 255 Fa Cabo da Praia Terceira 256 Cd Cabouco São Miguel 252 Bd Cabouco Terceira 256 Ba Cabouco do Cume Terceira 256 Cc Cabrita Terceira 256 Cc Cabrito Pico 254 Ee Cadeira Terceira 256 Bc Cais do Galego Pico 255 Fc Cais do Mourato Pico 254 Ed Cais do Pico Pico 255 Ea Caldeira Faial 254 Db Caldeira Flores 257 Db Caldeira Graciosa 256 Bc Caldeira São Miguel 252 Be Caldeira Terceira 256 Bb Caldeira das Sete Cidades São Miguel 252 Ab Caldeira de Cima São Jorge 255 Cc Caldeira de Guilherme Moniz Terceira 256 Cc Caldeira de Santa Bárbara Pico 255 Gb Caldeira do Alferes São Miguel 252 Ab Caldeira do Inferno Faial 254 Ec Caldeira Funda Flores 257 Db Caldeira Funda Flores 257 Eb Caldeira Rasa Flores 257 Eb Caldeirão Corvo 257 Ac Caldeiras São Miguel 253 Bb Calhau Pico 254 Fd Calhau Pico 255 Fd Calheta São Jorge 255 Cb Calheta Santa Maria 253 Bc Calheta de Nesquim Pico 255 Gc Calhetas São Miguel 252 Bd Caloura São Miguel 252 Ce Calvário Faial 254 Dc Caminho da Pedra São Jorge 255 Dd Caminho das Almas Graciosa 256 Bb Caminho de Baixo Pico 255 Gb Caminho de Cima Pico 255 Gb Campo Raso Pico 254 Fd Canada da Praia Terceira 256 Cc Canada da Salga Terceira 256 Ab Canada do Bacelo Pico 254 Ed Canada do Barão Faial 254 Db Canada do Barreiro Terceira 256 Bc Canada do Caldeiro Terceira 256 Bb Canada dos Morros Terceira 256 Bb Canada Longa Graciosa 256 Bc Canado do Arrabalde Faial 254 Db Cancela de Água São Jorge 255 Dd Candelária Pico 254 Fd Candelária São Miguel 252 Bb Caneira das Mercês Terceira 256 Dc Canto Faial 254 Da 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 265
  • 262.
    Canto Pico 254Fd Canto Pico 254 Ee Canto da Areia Pico 255 Fb Canto da Relva São Jorge 254 Bb Canto do Norte São Jorge 255 Dd Capelas São Miguel 252 Bc Capelo Faial 254 Da Carapacho Graciosa 256 Bc Carreira Faial 254 Eb Carreira Santa Maria 253 Bb Casa da Queimada de Baixo Terceira 256 Bb Casa da Queimada de Cima Terceira 256 Bb Casa da Ribeira Terceira 256 Cd Casa de Abrigo Pico 254 Fe Cascalheira Pico 255 Gc Cascalho Faial 254 Db Casteletes São Jorge 255 Ca Castelhano Faial 254 Db Castelhano Terceira 256 Cb Castelo Branco Faial 254 Eb Caveira Flores 257 Dc Cedros Faial 254 Db Cedros Flores 257 Dc Cerrado do Gato Faial 254 Db Cerrado dos Almanços Faial 254 Eb Cerrado dos Bezerros São Miguel 253 Cb Chã da Cruz Faial 254 Dc Chão Frio Faial 254 Ec Cinco Picos Terceira 256 Cc Clemente da Costa São Miguel 252 Ce Companhia de Baixo Pico 255 Ga Companhia de Cima Pico 254 Ge Comprido Faial 254 Da Conceição Faial 254 Ec Contendas Terceira 256 Dd Corre Água Pico 255 Fa Corvo Corvo 257 Bc Costa Flores 257 Eb Courelas Faial 254 Eb Cova da Pedra Flores 257 Db Covas Graciosa 256 Bc Covões Faial 254 Db Coxo Terceira 256 Bd Criação Velha Pico 254 Ed Cruz Santa Maria 253 Bc Cruz Terceira 256 Bc Cruz do Bairro Graciosa 256 Ab D Detrás da Ladeira Faial 254 Dc Dores Graciosa 256 Ab Doze Ribeiras Terceira 256 Ca Duas Ribeiras Terceira 256 Cb E Escaleiras Faial 254 Db Espalhafatos Faial 254 Dc Espanha Faial 254 Db Esperança Velha Graciosa 256 Bb F Faial da Terra São Miguel 253 Cc Faias Terceira 256 Bc Fajã Faial 254 Da Fajã Graciosa 256 Bb Fajã Terceira 256 Ba Fajã da Caldeira São Jorge 255 Cc Fajã da Fundura São Jorge 255 Bb Fajã da Penedia São Jorge 255 Bb Fajã da Ponta Furada São Jorge 255 Ba Fajã da Ribeira da Areia São Jorge 255 Bb Fajã da Ribeira Funda São Jorge 255 Cd Fajã das AlmasSão Jorge 255 Cb Fajã das Pontas São Jorge 255 Bb Fajã de Além São Jorge 255 Dd Fajã de Baixo São Miguel 252 Cc Fajã de Cima São Miguel 252 Bc Fajã de São João São Jorge 255 Dd Fajã do AraújoSão Miguel 253 Bd Fajã do Belo São Jorge 255 Cc Fajã do Calhau São Miguel 253 Cd Fajã do João Dias São Jorge 254 Ab Fajã do Labaçal São Jorge 255 Dd Fajã do Nortezinho São Jorge 255 Dd Fajã do Ouvidor São Jorge 255 Bb Fajã do Salti Verde São Jorge 255 Cd Fajã do Sanguinhal São Jorge 255 Cc Fajã do Valado São Jorge 254 Bb Fajã dos Bodes São Jorge 255 Dc Fajã dos Cubres São Jorge 255 Dd Fajã dos Cubres São Jorge 255 Cc Fajã dos Vimes São Jorge 255 Cc Fajã Entre Ribeiras São Jorge 255 Cd Fajã Grande Flores 257 Db Fajã Grande São Jorge 255 Cb Fajã Redonda São Jorge 255 Cc Fajazinha Flores 257 Db Fajazinha São Jorge 255 De Farol dos Rosais São Jorge 254 Aa Farrobim do Norte Faial 254 Eb Farrobo Pico 254 Ee Fazenda Flores 257 Ec Fazenda de Santa Cruz Flores 257 Dc Feiteira Graciosa 256 Bc Fenais Graciosa 256 Bc Fenais da Ajuda São Miguel 253 Ab Fenais da Luz São Miguel 252 Bd Fetais Pico 255 Gc Feteira Faial 254 Eb Feteira Pico 255 Gc Feteira Terceira 256 Dc Feteiras Santa Maria 253 Ac Feteiras São Miguel 252 Bb Feteiras de Baixo Santa Maria 253 Ab Feteiras de Cima Santa Maria 253 Ab Figueiras São Jorge 254 Bb Flamengos Faial 254 Ec Fontainhas Pico 255 Ea Fonte do Bastardo Terceira 256 Cd Fonte do Jordão Santa Maria 253 Bc Fonte do Mato Graciosa 256 Bc Fonte Faneca Terceira 256 Cb Fontes Graciosa 256 Bc Fontinhas Terceira 256 Bc Fontinhas Terceira 256 Bd Foros Pico 255 Gc Fortaleza de São João Baptista Terceira 256 Db Furna de Frei Matias Pico 254 Fd Furnas São Miguel 253 Bb Furnas do Enxofre Terceira 256 Cb G Gigona Pico 255 Gc Ginetes São Miguel 252 Aa Ginjeira Pico 254 Fd Glória Santa Maria 253 Bc Granja Faial 254 Eb Grota do Meio Faial 254 Eb Guadalupe Graciosa 256 Bb Guindaste Pico 254 Fd H Horta Faial 254 Ec I Igreja Pico 254 Ee Ilhéu Alagoa Flores 257 Dc Ilhéu da Gadelha Flores 257 Cb Ilhéu da Praia Graciosa 256 Bc Ilhéu da Vila Santa Maria 253 Bb Ilhéu das Formigas Formigas 253 Aa Ilhéu das Lagoinhas Santa Maria 253 Ac Ilhéu das Poças Flores 257 Dc Ilhéu de Álvaro Rodrigues Flores 257 Dc Ilhéu de Baixo Graciosa 256 Bc Ilhéu de Monchique Flores 257 Db Ilhéu de São Lourenço Santa Maria 253 Ac Ilhéu de Vila Franca São Miguel 253 Ca Ilhéu Deitado Pico 254 Ed Ilhéu do Cartário Flores 257 Eb Ilhéu do Norte Terceira 256 Bd Ilhéu do Topo São Jorge 255 De Ilhéu dos Abrões Flores 257 Db Ilhéu dos Fradinhos Terceira 256 Dc Ilhéu dos Mosteiros São Miguel 252 Aa Ilhéu Francisco Flores 257 Cb Ilhéu Garajau Flores 257 Dc Ilhéus das Cabras Terceira 256 Dc J Janalves Faial 254 Db João Bom São Miguel 252 Ab Jorge Gomes Graciosa 256 Bb Juncal Terceira 256 Bd L Ladeira Grande Terceira 256 Dc Lagoa Graciosa 256 Bc Lagoa São Miguel 252 Cd Lagoa Azul São Miguel 252 Ab Lagoa das Furnas São Miguel 253 Bb Lagoa de Santiago São Miguel 252 Ab Lagoa de São Brás São Miguel 253 Ba Lagoa do Caiado Pico 255 Fa LagoadoCanário São Miguel 252 Bb Lagoa do Capitão Pico 255 Fa Lagoa do Carvão São Miguel 252 Bb Lagoa do Congro São Miguel 253 Ca Lagoa do FogoSão Miguel 252 Ce Lagoa do Ginjal Terceira 256 Cc Lagoa do Junco Terceira 256 Cc Lagoa do Negro Terceira 256 Bb Lagoa do Paúl Pico 255 Gb Lagoa do Peixinho Pico 255 Gb Lagoa do Rosado Pico 255 Gb Lagoa Negra Terceira 256 Ba Lagoa Rasa São Miguel 252 Ab Lagoa Seca Pico 255 Fb Lagoa Verde São Miguel 252 Ab Lagoínhas Santa Maria 253 Ac Lagos Santa Maria 253 Ac Lajedo Flores 257 Eb Lajedo Terceira 256 Cd Lajes Terceira 256 Bc Lajes das Flores Flores 257 Ec Lajes do Pico Pico 255 Ga Lajido Pico 254 Ed Lajido Pico 254 Ee Lajido do Meio Pico 254 Ee Lapa de Baixo Santa Maria 253 Bc Lapa de Cima Santa Maria 253 Bc Limeira Graciosa 256 Bc Livramento São Miguel 252 Cd Lomba Flores 257 Ec Lomba São Jorge 255 De Lomba da Cruz São Miguel 252 Bb Lomba da Fazenda São Miguel 253 Ad Lomba da Maia São Miguel 253 Bb Lomba das Fagundes São Miguel 253 Cd Lomba de Santa Bárbara São Miguel 252 Be Lomba de São Mateus Pico 254 Fe Lomba do Cácere Pico 255 Gb Lomba do Meio São Miguel 253 Bd Lomba Grande Faial 254 Dc Lombadas São Miguel 253 Ba Lombega Faial 254 Eb Loural 1.º São Jorge 255 Dc Loural 2.º São Jorge 255 Dc Loural 3.º São Jorge 255 Dc Luz Graciosa 256 Bc M Madalena Pico 254 Ed Maia Santa Maria 253 Bc Maia São Miguel 253 Ba Malbusca Santa Maria 253 Bc Manadas (Santa Bárbara) São Jorge 255 Ca Mangona São Miguel 253 Ac Manhenhas Pico 255 Gd Manuel Gaspar Graciosa 256 Bb Mateus Pico 254 Fe Matriz Faial 254 Ec Miragaia Faial 254 Db Miragaia Faial 254 Dc Miragaia Pico 254 E e Mirateca Pico 254 Fd Mistério Negro Terceira 256 Bb Monte Pico 254 Fd Monte Brasil Terceira 256 Db Monte da Guia Faial 254 Ec Morro das Capelas São Miguel 252 Ac Morro do Rabo de Peixe São Miguel 252 Bd Morro dos Homens Corvo 257 Bc Morro Pelado São Jorge 255 Ba Mosteiro Flores 257 Eb Mosteiros São Miguel 252 Ab N Necessidades São Miguel 252 Cd Nordeste São Miguel 253 Bd Nordestinho São Miguel 253 Ac Norte Grande (Neves) São Jorge 255 Bb Norte Pequeno Faial 254 Da Norte Pequeno São Jorge 255 Cb Nossa Senhora dos Remédios São Miguel 253 Bc O Outeiro da Cruz São Jorge 255 Ba Outeiro Filipe Terceira 256 Bc P Pasteleiro Faial 254 Ec Pau Velho Terceira 256 Bb Pedras de São Pedro Santa Maria 253 Bb Pedregulho São Jorge 254 Bb Pedreira São Miguel 253 Bd Pedreiras Graciosa 256 Bb Pedro Miguel Faial 254 Ec Pesqueiro Terceira 256 Db Pico Pico 254 Fe Pico Alto Terceira 256 Bc Pico da Bagacina Terceira 256 Cb Pico da Choupana São Jorge 255 Ba Pico da Pedra São Miguel 252 Bd Pico da Urze Pico 254 Fe Pico da Vara São Miguel 253 Bc Pico das Brenhas São Jorge 255 Cb Pico das Caldeirinhas São Jorge 255 Ba Pico dos Sete Pés Flores 257 Db Pico João de Moura Corvo 257 Bc Pico Timão Graciosa 256 Bc Piedade Pico 255 Gc Pilar São Miguel 252 Ab Pingas Corvo 257 Bc Planalto dos Graminhais São Miguel 253 Bc Pocinho Pico 254 Fd Ponta Flores 257 Db Ponta Branca Graciosa 256 Bb Ponta da Achada São Miguel 253 Ac Ponta da Agulha São Miguel 252 Ac Ponta da Ajuda São Miguel 253 Ab Ponta da Barca Graciosa 256 Ab Ponta da Bretanha São Miguel 252 Ab Ponta da Caldeira São Jorge 255 Cc Ponta da Candelária São Miguel 252 Ba Ponta da Caveira Flores 257 Dc Ponta da Espalamaca Faial 254 Ec Ponta da Faca Pico 254 Ge Ponta da Ferraria São Miguel 252 Aa Ponta da Forcada Terceira 256 Bc Ponta da Galera São Miguel 252 Ce Ponta da Garça São Miguel 253 Cb Ponta da Ilha Pico 255 Gd Ponta da Laboreira São Miguel 253 Cb Ponta da Luzerna Pico 255 Ea Ponta da Má Merenda Terceira 256 Bd Ponta da Madre Silva Pico 254 Fd Ponta da Madruga São Miguel 253 Bd Ponta da Marquesa São Miguel 253 Bd Ponta da Queimada Pico 255 Gb Ponta da Restinga Graciosa 256 Bc Ponta da Ribeira Faial 254 Dc Ponta da Ribeira São Miguel 253 Ad Ponta da Rocha Alta Flores 257 Eb Ponta das Baixas Pico 255 E a Ponta das Contendas Terceira 256 Dd Ponta das Eiras São Jorge 254 Bb Ponta das Prombetas Pico 255 Fd Ponta das Vinhas São Jorge 255 Dd Ponta de Castelo Branco Faial 254 Eb Ponta de Fora Flores 257 Ec Ponta de Gil Afonso Pico 255 Gc Ponta de Santo António Terceira 256 Db Ponta de São João Pico 254 Ge Ponta de São Jorge Terceira 256 Cd Ponta DelgadaFlores 257 Cb Ponta DelgadaSão Miguel 252 Cc Ponta do Albarnaz Flores 257 Cb Ponta do Arnel São Miguel 253 Bd Ponta do Arrife Pico 255 Gb Ponta do Baixio Flores 257 Db Ponta do Boqueirão Pico 255 Fb Ponta do Castelete Pico 255 Ga Ponta do Castelete Pico 255 Gd Ponta do Castelo Santa Maria 253 Bc Ponta do Cedro Santa Maria 253 Bc Ponta do Cintrão São Miguel 252 Ae Ponta do Enxudreiro Graciosa 256 Bc Ponta do Espartel Pico 254 Fd Ponta do Espigão Pico 255 Fc Ponta do Faial São Miguel 253 Cc Ponta do Forte Faial 254 Eb Ponta do Garajau São Miguel 253 Cb Ponta do Ilhéu Flores 257 Db Ponta do Lobaio Santa Maria 253 Ab Ponta do Malmerendo Santa Maria 253 Bb Ponta do Marco Corvo 257 Ac Ponta do Mistério Pico 255 Fb Ponta do Mistério Terceira 256 Ac Ponta do Norte Santa Maria 253 Ac Ponta do Norte Grande São Jorge 255 Bb Ponta do Norte Pequeno São Jorge 255 Bb Ponta do Pargo Pico 255 Ga Ponta do Queimado Terceira 256 Ba Ponta do RasoPico 255 Ea Ponta do SalãoFaial 254 Db Ponta do Sousa Pico 255 Gc Ponta do Topo São Jorge 255 De Ponta do Varadouro Faial 254 Ea Ponta dos Biscoitos Pico 255 Gb Ponta dos Biscoitos Terceira 256 Ab Ponta dos Bredos Flores 257 Db Ponta dos Capelinhos Faial 254 Da Ponta dos Carneiros Terceira 256 Bd Ponta dos Casteletes São Jorge 255 Ca PontadosCedros Faial 254 Db Ponta dos Fanais Flores 257 Db Ponta dos Frades Santa Maria 253 Ab Ponta dos Ilhéus Flores 257 Eb Ponta dos Monteiros São Jorge 255 Dd Ponta dos Mosteiros São Miguel 252 Ab Ponta dos Ouriços Pico 255 Gd Ponta dos Rosais São Jorge 254 Aa Ponta Formosa São Miguel 253 Ba Ponta Garça São Miguel 253 Cb Ponta Gorda Pico 255 Fc Ponta João Dias Faial 254 Ec Ponta Malbusca Santa Maria 253 Bc Ponta Negra Corvo 257 Bc Ponta Oeste Corvo 257 Bc Ponta Ruiva Flores 257 Dc Ponta Torrais Corvo 257 A c Pontas NegrasPico 255 Gb Ponte de São Macário Pico 254 Fe Pópulo São Miguel 252 Cd Portal São Jorge 255 Cc Portela Faial 254 Eb Porto Afonso Graciosa 256 Bb Porto Cachorro Pico 254 Ee Porto da Aguada Pico 255 Gb Porto da BaixaPico 254 Ge Porto da Eira Faial 254 Db Porto da Formosinha Pico 254 Ed Porto da Prainha Pico 254 Ge Porto da Redonda Faial 254 Dc Porto de São Mateus Pico 254 Fd Porto do Boqueirão Corvo 257 Bc Porto Formoso São Miguel 253 Ba Porto Judeu Terceira 256 Dc Porto Martins Terceira 256 Cd Porto Novo Terceira 256 Cd Porto Pim Faial 254 Ec Portinho da Areia Corvo 257 Bc Posto Santo Terceira 256 Cb Povoação São Miguel 253 Cc Praia Santa Maria 253 Bb Praia (São Mateus) Graciosa 256 Bc Praia do Almoxarife Faial 254 Ec Praia do Norte Faial 254 Da Prainha Pico 255 Fb Prainha da Cima Pico 255 Fb Q Quatro Ribeiras Terceira 256 Bb Quebrada Faial 254 Db Queimada Pico 254 E e Queimada Pico 255 Gb Queimada São Jorge 255 Ba Queimadas Pico 254 Ge Quinta das Rosas Pico 254 Ed Quinta do Botelho São Miguel 252 Cd R Rabo de Peixe São Miguel 252 Bd Ramalho São Miguel 252 Cc Raminho Terceira 256 Ba Refugo Terceira 256 Dc Rego de Água São Miguel 252 Bd Reguinho Terceira 256 Cc Relva São Miguel 252 Cc Relvinha São Jorge 255 Cb Remédios São Miguel 252 Ab 266 ATLAS DE PORTUGAL IGP Índice onomástico 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 266
  • 263.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 267 Ribeira Graciosa 256 Bc Ribeira Chã São Miguel 252 Ce Ribeira da Areia São Jorge 255 Bb Ribeira da Areia Terceira 256 Cc Ribeira da Badanela Flores 257 Dc Ribeira da Borda do Mistério Pico 254 Fe Ribeira da Calheta Pico 254 Fe Ribeira da Fonte Nova Faial 254 Dc Ribeira da Laje Pico 255 Gb Ribeira da Lapa Corvo 257 Bc Ribeira da Lapa São Jorge 255 Bb Ribeira da Lapa Terceira 256 Bb Ribeira da Lombega Faial 254 Eb Ribeira da Mulher São Miguel 253 Bc Ribeira da Praia Faial 254 Ec Ribeira das Águas Claras Faial 254 Eb Ribeira das Cabras Faial 254 Db Ribeira das Doze Terceira 256 Ca Ribeira das Lapas Terceira 256 Ba Ribeira das Taínhas São Miguel 253 Ca Ribeira de Agualva Terceira 256 Bc Ribeira de Dentro Pico 255 Fa Ribeira de Flamengos Faial 254 Eb Ribeira de Santa Catarina Faial 254 Eb Ribeira de Santana Santa Maria 253 Ab Ribeira de São Pedro Faial 254 E b Ribeira de São Tomé São Jorge 255 Dd Ribeira do Adão Faial 254 Db Ribeira do Cabo Faial 254 Ea Ribeira do Guilherme São Miguel 253 Bd Ribeira do Lajido Pico 255 Fb Ribeira do Meio Pico 255 Ga Ribeira do Mistério Pico 255 Fa Ribeira do Moinho Flores 257 Db Ribeira do Nabo São Jorge 255 Ba Ribeira do Salto Santa Maria 253 Bc Ribeira do Soldão Pico 255 Fa Ribeira do Testo Terceira 256 Cc Ribeira dos Fetais Pico 255 Fa Ribeira Funda Faial 254 Db Ribeira Funda São Miguel 253 Bb Ribeira Grande Faial 254 E b Ribeira Grande Flores 257 Db Ribeira Grande Pico 255 Gc Ribeira Grande Santa Maria 253 Bc Ribeira Grande São Miguel 252 Be Ribeira Joanas Pico 254 Fe Ribeira Nova Pico 254 Ee Ribeira Quente São Miguel 253 Cb Ribeira Seca Pico 255 Gb Ribeira Seca São Jorge 255 Cc Ribeira Seca São Miguel 252 Be Ribeira Seca Terceira 256 Cd Ribeira Seca do Porto São Miguel 253 Ba Ribeiras Pico 255 Gb Ribeirinha Faial 254 Dc Ribeirinha Graciosa 256 Bb Ribeirinha Pico 255 Fc Ribeirinha São Miguel 252 Be Ribeirinha Terceira 256 Dc Rocha Vermelha Faial 254 Ec Roída da Praia São Miguel 252 Ce Rosais São Jorge 254 Bb Rosário Pico 254 Ed Rosto de Cão São Miguel 252 Cc Rua de Cima Pico 254 Ee S Salão Faial 254 Db Salga São Miguel 253 Ab Salto do Cavalo São Miguel 253 Bc Sanguinho São Miguel 253 Cc Sant' Ana Terceira 256 Cc Santa Bárbara Pico 255 Gb Santa Bárbara Santa Maria 253 Ac Santa Bárbara São Miguel 252 Ac Santa Bárbara Terceira 256 Ca Santa CatarinaPico 255 Ga Santa Cruz São Miguel 252 Cd Santa Cruz da Graciosa Graciosa 256 Ac Santa Cruz das Flores Flores 257 Dc Santa Luzia Pico 254 Ee Santa Rita Terceira 256 Bd Santa Rosa São Jorge 255 Dd Santana Pico 254 Ee Santana Santa Maria 253 Ab Santana São Miguel 253 Ac Santo Amaro Graciosa 256 Bc Santo Amaro Pico 255 Fb Santo Amaro São Jorge 255 Ba Santo Amaro Terceira 256 Dc Santo Antão São Jorge 255 Dd Santo AntónioPico 255 Ea Santo AntónioSão Jorge 255 Ba Santo AntónioSanta Maria 253 Bc Santo AntónioSão Miguel 252 Ac Santo AntónioTerceira 256 Bc Santo Espírito Pico 255 Ea Santo Espírito Santa Maria 253 Bc São Bartolomeu de Regatos Terceira 256 Cb São Bento Terceira 256 Dc São Brás São Miguel 252 Cc São Brás Terceira 256 Bc São Caetano Pico 254 Fe São Domingos Pico 255 Ea São João Faial 254 Eb São João Pico 255 Ga São Lourenço Santa Maria 253 Ac São Mateus Pico 254 Ee São Mateus da Calheta Terceira 256 Db São Miguel Arcanjo Pico 255 Fa São Pedro Pico 255 Fb São Pedro Santa Maria 253 Ab São Roque São Miguel 252 Cd São Roque do Pico Pico 255 Ea São Sebastião Pico 255 Ga São Sebastião Terceira 256 Dd São Tomé São Jorge 255 Dd São Vicente Pico 255 Ea São Vicente Ferreira São Miguel 252 Bc Senhora da Conceição Pico 254 Ee Senhora da Estrela Pico 254 Ed Senhora da Piedade Pico 255 Fb Senhora da Piedade São Miguel 253 Cb Senhora de Fátima Terceira 256 Cb Senhora do Mato Terceira 256 Cc Senhora do Monte São Miguel 253 Bc Senhora do Pilar Terceira 256 Cb Serra da Feteira Faial 254 Eb Serra da Ribeirinha Terceira 256 Cc Serra da Tronqueira São Miguel 253 Bd Serra das Fontes Graciosa 256 Bc Serra de Água de Pau São Miguel 252 Ce Serra de Santa Bárbara Terceira 256 Ca Serra do Cume Terceira 256 Cc Serra do Labaçal Terceira 256 Bb Serra do Morião Terceira 256 Cb Serra do Topo São Jorge 255 Cc Serra Dormida Graciosa 256 Bc Serreta Terceira 256 Ba Serrinha Terceira 256 Dc Serroa São Jorge 254 Bb Sete Cidades Pico 254 Ed Sete Cidades São Miguel 252 Ab Sete Fontes São Jorge 254 Ab Silveira Pico 255 Ga T Tapada Comprida Flores 257 Db Terra Alta Pico 255 Fc Terra Chã São Miguel 253 Bd Terra Chã Terceira 256 Cb Terra do Pão Pico 254 Ge Terras Pico 255 Gb Terras Chãs Pico 255 Gb Terreiro da Marcela Terceira 256 Bc Terreiro dos Padres Terceira 256 Cb Terreiros São Jorge 255 Ca Toledo São Jorge 255 Ba Toledos Pico 254 Ed Topo (Nossa Senhora do Rosário) São Jorge 255 De Três Caminhos Pico 254 Ee Trupes Faial 254 Da U Urzal São Jorge 255 Cb Urzelina (São Mateus) São Jorge 255 Ca V Vale de Linhares Terceira 256 Cc Valverde Pico 254 E d Valverde Santa Maria 253 Bb Varadouro Faial 254 Ea Várzea São Miguel 252 Aa Velas (São Jorge) São Jorge 254 Bb Vila do Porto Santa Maria 253 Bb Vila Franca do Campo São Miguel 253 Ca Vila Nova Terceira 256 Bc Vila Praia da Vitória Terceira 256 Bd Vitória Graciosa 256 Bb REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA A Achadas da Cruz Madeira 258 Ab Aeroporto Madeira 259 Ca Aeroporto Porto Santo 259 Aa Água de Pena Madeira 259 Ca Amparo Madeira 258 Bb Apresentação Madeira 258 Cc Arco da Calheta Madeira 258 Cc Arco de São Jorge Madeira 258 Ad Arieiro Madeira 258 Be B Baixa do MeioPorto Santo 259 Ab Baixa dos Barbeiros Porto Santo 259 Ab Balcões Madeira 258 Ce Banda de Além Madeira 259 Cb Barra da Urra Madeira 258 Ac Boaventura Madeira 258 Ad Boqueirão da Cima Porto Santo 259 Bb Boqueirão de Baixo Porto Santo 259 Ba Bugio Desertas 259 Gd C Cabeço Desertas 259 Gd Cabo Madeira 258 Ab Cabo Girão Madeira 258 Dd Caldeirão Verde Madeira 258 Be Calhau das Areias Desertas 259 Fd Calheta Madeira 258 Cb Camacha Madeira 259 Ca Camacha Porto Santo 259 Aa Câmara de Lobos Madeira 258 Dd Campanário Madeira 258 Cd Campo de Baixo Porto Santo 259 Ba Campo de Cima Porto Santo 259 Ba Canhas Madeira 258 Cc Caniçal Madeira 259 Cb Caniço Madeira 259 Da Caramanhão Madeira 259 Ca Caramujo Madeira 258 Bc Carmo Madeira 258 Cd Carreira Madeira 258 Cc Covas Madeira 258 Cd Cruz da Guarda Madeira 259 Ba Curral das Freiras Madeira 258 Cd D Deserta Grande Desertas 259 Ed Doca Desertas 259 Fd Dragoal Porto Santo 259 Bb E Eira do Serrado Madeira 258 Ce Eirinha Madeira 258 Cd Encumeada Madeira 258 Bd Entre Águas Madeira 259 Bb Espigão Madeira 258 Cd Estreito da Calheta Madeira 258 Bb Estreito de Câmara de Lobos Madeira 258 Cd F Faial Madeira 259 Ba Faias Madeira 258 Ae Fajã da Areia Madeira 258 Ad Fajã da Nogueira Madeira 258 Be Fajã da OvelhaMadeira 258 Bb Fajã da Parreira Madeira 258 Ac Fajã da Urtiga Madeira 258 Cc Fajã do Cedro Gordo Madeira 258 Be Fajã do Penedo Madeira 258 Bd Fajã Grande Madeira 258 Be Fajã Nova Madeira 258 Aa Fajã Redonda Madeira 258 Cd Farrobo de Baixo Madeira 259 Da FeiteiradoNuno Madeira 258 Be Feiteiras Madeira 258 Ad Florenças Madeira 258 Cc Focinho do Forte Porto Santo 259 Ab Fonte dos Almocreves Madeira 259 Ca Funchal Madeira 258 De Furna Desertas 259 Gd Furna dos Gatos Desertas 259 Fd G Garachico Madeira 258 Cd Gaula Madeira 259 Ca Ginjas Madeira 258 Bd I Ilha Madeira 258 Ae Ilhas Desertas Desertas 259 Fc Ilhéu do Guincho Madeira 259 Bb Ilhéu Chão Desertas 259 Ed Ilhéu da Fonte da Areia Porto Santo 259 Aa Ilhéu das Cenouras Porto Santo 259 Ab Ilhéu de Agostinho Madeira 259 Cb Ilhéu de Baixo ou da Cal Porto Santo 259 Ba Ilhéu de CimaPorto Santo 259 Bb Ilhéu de Ferro Porto Santo 259 Ba Ilhéu de Fora Porto Santo 259 Ab Ilhéu do Faial Madeira 259 Ba Ilhéu Mole Madeira 258 Ab Ilhéu Preto Madeira 258 Ad Ilhéu Vermelho Madeira 258 Ad Ilhéus da Ribeira da Janela Madeira 258 Ab J Janeiro Madeira 259 Ca Jardim do Mar Madeira 258 Bb Jogo da Bola Madeira 258 Ae L Lanceiros Madeira 258 Ab Lanço Madeira 258 Bc Lapinhas Madeira 258 Bd Laranjal Madeira 258 Ce Levadas Madeira 259 Da Lomba do Moiro Madeira 258 Bd Lomba dos Marinheiros Madeira 258 Bb Lombada Madeira 258 Cc Lombada Madeira 258 Ad Lombada do Loreto Madeira 258 Cb Lombo da Atouguia Madeira 258 Cb Lombo do Moleiro Madeira 258 Bd Lombo dos Amarelos Porto Santo 259 Ab Lombo dos Moinhos Madeira 258 Bb Loural Madeira 258 Bd M Machico Madeira 259 Cb Madalena do Mar Madeira 258 Cc Madre de Água Madeira 259 Ca Maloeira Madeira 258 Bb Marinheira Madeira 258 Cd Maroços Madeira 259 Ca Monte Madeira 258 Ce P Panasqueira Madeira 258 Cd Passo Madeira 258 Bd Paúl da Serra Madeira 258 Bc Paúl do Mar Madeira 258 Bb Pedras do Leão Madeira 258 Cc Penedo Alto Porto Santo 259 Ba Pico Alto Madeira 258 Ab Pico do Castelo Porto Santo 259 Ab Pico Grande Madeira 258 Bd Pico Ruivo Madeira 258 Be Pinheiro Madeira 258 Cd Poiso Madeira 258 Ce Pombais Madeira 258 Ab Ponta Porto Santo 259 Ba Ponta AmarelaDesertas 259 Fd Ponta Comprida Desertas 259 Fd Ponta da Agulha Desertas 259 Ge Ponta da Atalaia Madeira 259 Da Ponta da Cabra Porto Santo 259 Ba Ponta da Calheta Porto Santo 259 Ba Ponta da Castanheira Desertas 259 Ed Ponta da Coada Desertas 259 E d Ponta da CruzMadeira 258 De Ponta da Fajã Grande Desertas 259 Fd Ponta da Fajã Pequena Desertas 259 E d Ponta da Galé Madeira 258 Cb Ponta da Oliveira Madeira 259 Da Ponta da Pesqueira de Baixo Madeira 258 Ba Ponta da Poça Desertas 259 Ge Ponta da Polé Madeira 259 Da Ponta da Queimada Madeira 259 Cb Ponta das Capelas Madeira 258 Cc Ponta das Contreiras Madeira 258 Ac Ponta das GaivotasMadeira 259 Cb Ponta das Malhas Brancas Desertas 259 Fd Ponta de Santa Catarina Madeira 259 Ca Ponta de Santana Madeira 258 Ae Ponta de São Jorge Madeira 258 Ae Ponta DelgadaMadeira 258 Ad Ponta do Cágado Desertas 259 Fd Ponta do Castelo Madeira 259 Bb Ponta do Espigão Amarelo Madeira 259 Ba Ponta do Furadinho Desertas 259 Fd Ponta do Furado Madeira 259 Cb Ponta do Garajau Madeira 259 Da Ponta do IlhéuPorto Santo 259 Ba Ponta do Jardim Madeira 258 Bb Ponta do Judeu Madeira 258 Cc Ponta do Pargo Madeira 258 Aa Ponta do Pedregal Desertas 259 Ed Ponta do Poiso Madeira 258 Ac Ponta do Polé Desertas 259 Gd Ponta do Sol Madeira 258 Cc Ponta do Tabaqueiro Desertas 259 Fd Ponta do Tristão ou Fazenda Madeira 258 Ab Ponta do Varadouro Porto Santo 259 Aa Ponta dos Ferreiros Porto Santo 259 Ab Ponta dos Reis Magos Madeira 259 Da Ponta Molha Rabos Desertas 259 Ed Porto da Cruz Madeira 259 Ba Porto da Laje Madeira 258 Ac Porto da Ponta do Clérigo Madeira 259 Ba Porto das Salemas Porto Santo 259 Aa Porto do Paúl Madeira 258 Bb Porto Moniz Madeira 258 Bb Porto Santo Porto Santo 259 Bb Pousada dos Vinháticos Madeira 258 Bd Praia Formosa Madeira 258 De Prazeres Madeira 258 Bb Q Quebrada Nova Madeira 258 Ab Queimada Madeira 259 Ca Queimadas Madeira 258 Be Quinta Grande Madeira 258 Cd R Rabaçal Madeira 258 Bc Raposeira do Logarinho Madeira 258 Bb Ribeira Brava Madeira 258 Cc Ribeira Brava Madeira 258 Cd Ribeira da Calheta Madeira 258 Bb Ribeira da Janela Madeira 258 Bb Ribeira da Ponta do Sol Madeira 258 Cc Ribeira da Vaca Madeira 258 Ab Ribeira de Machico Madeira 259 Ca Ribeira de Santa Cruz Madeira 259 Ca Ribeira de Santa Luzia Madeira 258 Ce Ribeira de São Jorge Madeira 258 Be Ribeira de São Vicente Madeira 258 Bd Ribeira de Tábua Madeira 258 Cc Ribeira do CampanárioMadeira 258 Cd Ribeira do Porco Madeira 258 Bd Ribeira do Seixal Madeira 258 Bc Ribeira dos Socorridos Madeira 258 Cd Ribeira Funda Madeira 258 Ac Ribeira Funda Madeira 258 Ae Ribeira Funda Madeira 258 Bb Ribeira PetetesMadeira 259 Da Ribeira Seca Madeira 258 Bb Ribeira Seca Madeira 258 Be Ribeira Seca Madeira 259 Ca Ribeiro Frio Madeira 258 Be S Salão Madeira 258 Aa Santa Madeira 258 Ab Santa Cruz Madeira 259 Ca Santana Madeira 258 Ae Santo António da Serra Madeira 259 Ca São Gonçalo Madeira 258 De São Jorge Madeira 258 Ae São Martinho Madeira 258 De São Roque Madeira 258 Ce São Roque do Faial Madeira 259 Ba São Vicente Madeira 258 Bd Seixal Madeira 258 Ac Serra de Água Madeira 258 Cd Serra de Fora Porto Santo 259 Ab Serro do Guindaste Madeira 259 Ba Silveira Madeira 258 Ae T Tábua Madeira 258 Cc Tendeira Madeira 259 Da Terra Chão Madeira 258 Cd Terreiro da Luta Madeira 258 Ce Torre Madeira 258 Dd V Vale Madeira 259 Da Vale do Paraíso Madeira 258 Ce Vargem Madeira 258 Bd Vigra Madeira 258 Cd 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 267
  • 264.
    268 ATLAS DEPORTUGAL IGP Concelhos do Continente 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 268
  • 265.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 269 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 269
  • 266.
    270 ATLAS DEPORTUGAL IGP Concelhos da Região Autónoma dos Açores Grupo Oriental Grupo Central Faial, Pico, Graciosa e São Jorge 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 270
  • 267.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 271 Grupo Central Terceira Grupo Ocidental Concelhos da Região Autónoma da Madeira 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 271
  • 268.
    272 ATLAS DEPORTUGAL IGP Carlos Pereira da Silva Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela Universida- de Nova de Lisboa (UNL) onde é professor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional. Tem desenvolvido investigação na área da gestão integrada litoral, mais especificamente na definição da capacidade de carga de praias e avaliação e percepção de paisagens litorais. Colabora regularmen- te com diversas universidades europeias, nomeadamente em pro- jectos de investigação ligados ao ordenamento e gestão litoral. Dulce Pimentel Geógrafa, Doutor pela UNL onde é professora e investigadora no Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional e no Instituto de Dinâmica do Espaço; principais áreas de interes- se científico – migrações, recursos humanos, desenvolvimento regional e local; correspondente do Cybergeo Online Journal publicado por Géographie-cités, CNRS/UMR. Tem realizado missões no estrangeiro e colaborado com universidades estran- geiras, no âmbito do programa ERASMUS, e tem participado em vários projectos de investigação na área de Desenvolvimen- to Regional. Fernando Ribeiro Martins Doutor em Geografia e Planeamento Regional, especialidade de Planeamento e Gestão do Território, pela UNL onde é profes- sor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Plane- amento Regional; tem-se dedicado em especial a temas de migrações e desenvolvimento rural e local. Henrique Souto Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela UNL; pro- fessor desta Universidade, ensinando e investigando nas áreas da Ecologia e das Pescas; autor de diversos estudos sobre as pes- cas portuguesas. É membro de diversas sociedades científicas e profissionais, com destaque para a Sociedade de Geografia de Lisboa onde é membro da Secção de Geografia dos Oceanos. Foi galardoado em 2002 com o Prémio Almirante Teixeira da Mota, da Academia de Marinha. Lourdes Poeira Licenciada em Geografia pela Universidade Clássica de Lisboa (UL),1972; frequência do 1º Mestrado em Planeamento Regio- nal e Urbano na Universidade Técnica de Lisboa (UTL), 1973/74; estágio em Démographie Historique (École des Hautes Études en Sciences Sociales, Universidade de Paris); curso Avançado Internacional NATO/ASI Transformations Through Space and Time, Dinamarca,1985; Assistente do Departamento de Geografia e Planeamento Regional (UNL), 1983/96. A acti- vidade profissional extra docente referiu-se à área do Desenvol- vimento Regional e Urbano, tendo participado, como represen- tante nacional, em diversos grupos de peritos, nacionais e inter- nacionais. É Directora do Gabinete para o Desenvolvimento Municipal da Câmara Municipal de Oeiras. Maria Assunção Gato Licenciada em Antropologia e Mestre em Geografia – Gestão do Território pela UNL. Foi investigadora no Centro de Estudos Territoriais do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e professora na Escola Superior de Educação Jean Pia- get, de Almada; prepara o Doutoramento em antropologia cul- tural e social na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, na área da antropologia do espaço. Nuno Pires Soares Doutor em Geografia e Planeamento Regional, especialidade de Planeamento e Gestão do Território, pela UNL onde é profes- sor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Plane- amento Regional; tem leccionado disciplinas ligadas às áreas da geografia urbana, história do urbanismo, cartografia temática e informação e tratamento gráfico; no campo da investigação tem-se dedicado essencialmente à evolução do sistema urbano nacional e às alterações urbano-demográficas ocorridas na Área Metropolitana de Lisboa. Raquel Soeiro de Brito Doutor em Geografia pela UL,1955; Professora Associada, 1960/66, e Catedrática, 1966/77, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da UTL, onde exerceu também as funções de Presidente da Comissão Directiva,1974/77; na Faculdade de Ciên- cias Sociais e Humanas da UNL, para além de Professora Cate- drática, exerceu várias vezes as funções de Vice Directora, fundou os Departamentos de Antropologia, em 1977, e de Geografia e Planeamento Regional, em 1980, o Mestrado em GPR-Gestão do Território, em 1993, o Centro de Estudos de Geografia e Planea- mento Regional e o Instituto de Dinâmica do Espaço. Professora convidada das universidades de Limoges (vários períodos ao lon- go de quase uma década) e de Paris X (Nanterre), em 1980/81. Como actividades científicas principais, para além da docência, contam-se inúmeras missões de estudo em todos os ex-territórios ultramarinos, Brasil e África Ocidental; participação activa em numerosas reuniões científicas, nacionais e estrangeiras e em Pro- gramas Comunitários de Investigação; publicação de trabalhos científicos (várias dezenas de títulos), sendo o último São Miguel, a Ilha Verde, Estudo Geográfico 1950-2000, Ribeira Grande, Coingra, 2004. Entre as várias distinções honoríficas nacionais e estrangei- ras distingue-se a de Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, (1998). É vice-presidente da Academia de Marinha. Rui Pedro Julião Doutor em Geografia e Planeamento Regional pela UNL, onde é professor e investigador no Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional e do Instituto de Dinâmica do Espaço. É autor de várias publicações e participa regularmente em confe- rências nacionais e internacionais dos domínios da ciência e sis- temas de informação geográfica. É vice-presidente do Instituto Geográfico Português. Augusto Mateus Nasceu em Lisboa, em 1950. Licenciado em Economia (ISCEF, UTL) em 1972; Seminários de pós-graduação na Universidade de Paris X (Nanterre), em Economia e Recursos Humanos (1979) e em Economia Internacional (1980). Professor Catedrá- tico convidado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG, UTL). Colaborador em vários Institutos Superiores (ISCTE, INA, IESF) e em várias Universidades (Açores, Beira, Coimbra, Lusófona, Porto e UNL). Participação em numerosos projectos de investigação, em revistas e em obras da especialida- de; intervenções numerosíssimas em reuniões e conferências científicas da especialidade tanto em Portugal como no estran- geiro. Quase uma centena de trabalhos publicados. Fundador do Centro de Investigação sobre Economia Portuguesa (CISEP) e Presidente da respectiva Assembleia Geral. Secretá- rio de Estado da Indústria (1995/1996) e Ministro da Economia (1996/1997), no XIII Governo Constitucional. Autor do Plano Mateus, destinado a fomentar as receitas do Estado pelo aperfei- çoamento dos mecanismos de cobrança da dívida fiscal. Presi- dente do Instituto de Formação Empresarial Avançada (IFEA). Consultor em várias empresas e entidades públicas. Ernâni Rodrigues Lopes Nasceu em Lisboa em 1942. Licenciado em Economia (ISCEF, UTL) em 1964. Assistente e Encarregado de Curso de Cadeiras do 2º Grupo – Economia, no ISCEF (1966-1974). Doutorado em Economia (Universidade Católica Portuguesa – Faculdade de Ciências Técnicas e Empresariais) em 1982. Director e Pro- fessor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Cató- lica Portuguesa (desde 1980). Conferencista dos cursos de Defesa Nacional (Instituto de Defesa Nacional), de Promoção a Oficial General (dos Institutos Superiores dos três ramos das Forças Armadas) e de Estado-Maior (Instituto de Altos Estudos Militares). Professor-coordenador da Área de Economia e membro do Conselho Pedagógico do CAGB – Curso Avança- do de Gestão Bancária do Instituto de Formação Bancária (1987-2002). Consultor económico de várias empresas, institui- ções e Governos (desde 1962). Director de Serviços de Estatística e Estudos Económicos do Banco de Portugal (1974/1975). Embaixador dePortugalemBona(1975/1979);embaixador-chefedaMissãodePor- tugal junto das Comunidades Europeias, Bruxelas (1979/1983); minis- trodasFinançasedoPlanodoIXGovernoConstitucional(1983/1985); comissário português do Congresso Portugal-Brasil Ano 2000 (1997/2000). Membro de órgãos sociais de várias empresas e institui- ções, nomeadamente sócio-gerente da SaeR; membro correspondente da Academia Internacional de Direito e Economia, São Paulo, Brasil (desde 1995); membro efectivo da Academia de Marinha (desde 2003); Sócio-fundador do CR XXI – Clube de Reflexão (desde 1996). Presidente de Assembleias Gerais de várias Insti- tuições. Entre várias condecorações nacionais e estrangeiras destaca a de Comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (2003). Nuno Gonçalo Vieira Matias Nasceu em Porto de Mós, em 1939, e teve o primeiro contacto com o mar em Portimão, onde começou a aprender a velejar aos 12 anos. Ingressou, em 1957, na Escola do Exército para um ano de estudos académicos, com vista ao reencontro com o mar, na Escola Naval. Terminada a licenciatura em Marinha, embarcou, no final de 1961, como 2º tenente, na fragata Vasco da Gama, em Angola. Especializou-se em Artilharia e, mais tarde, em Fuzileiro Especial. Esta especialização fê-lo conhecer o comba- te nos rios e em terra, na Guiné, como Comandante do Desta- camento N.º 13 de Fuzileiros Especiais, de 1968 a 1970. Des- empenhou depois, sucessivamente, as funções de professor da Escola Naval e de Director do Laboratório de Explosivos, Comandante da Força de Fuzileiros do Continente, Capitão dos portos de Portimão e de Lagos, Comandante do N.R.P. João Belo, Chefe de Divisão do Estado-Maior da Armada e professor do I.S. Naval de Guerra. Frequentou, em países da OTAN, uma dezena de cursos, o último dos quais, em 1988/89, no Naval War College, EUA. Nos postos de almirante, foi subchefe do Estado-Maior da Armada, superintendente dos Serviços do Material, comandante naval e Commander-in-Chief Iberian Atlan- tic Area. Entre 1997 e 2002 desempenhou o cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada. Terminado o serviço no activo, tem- se dedicado a actividades de cidadania que visam a ligação de Portugal ao mar, como a Comissão Estratégica dos Oceanos. É professor convidado da Universidade Católica e membro do European Security Research Advisory Board da UE. Entre várias obras publicadas, a última foi o Caderno Naval intitulado O mar, um oceano de oportunidades para Portugal (2005). Das várias condecorações nacionais e estrangeiras destacam-se a Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo e a Grã Cruz da Ordem Militar de Aviz. Vasco Graça Moura Nasceu no Porto, em 1942. Escritor. Actualmente, deputado ao Parlamento Europeu (2004). Advogado no Porto entre 1966 e 1983. Duas vezes secretário de Estado (1975). Director da Radiotelevisão Portuguesa (1978). Administrador da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (1979/89). Comissário-Geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988/92) e para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1988/95). Director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Funda- ção Calouste Gulbenkian (1996/99). Tem extensa bibliografia, como poeta, romancista, ensaísta, cronista e tradutor (Dante Alighieri, Petrarca, François Villon, Ronsard, Racine, Garcia Lorca, Rainer Marie Rilke, Shakespeare, Seamus Heaney, Gott- fried Benn, H. M. Enzensberger, Walter Benjamin, entre outros). Colabora regularmente na imprensa, rádio e televisão como crítico literário e comentador político. Entre os prémios literários que recebeu destacam-se o Prémio Pessoa/1995, o grande prémio de poesia da Associação Portuguesa de Escrito- res/97, o prémio de poesia do Pen Club/94, o grande prémio de tradução do Pen Club e o prémio Jacinto do Prado Coelho da Associação Internacional dos Críticos Literários/86. Em 1998, a cidade de Florença atribuiu-lhe a sua medalha de ouro. Em 2002 recebeu, em Itália, o prémio internacional La cultura del mare. Prémio Diego Valleri, Monselice, Itália (2004). Prémio Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga, 2004. Notas biográficas dos autores 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:26 Página 272
  • 269.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 273 AAVV – A Presidência Portuguesa na União Europeia. Janeiro a Junho 2000, n.º 7. Lisboa: Centro de Informação Euro- peia Jacques Delors, 2000. AAVV – Europa Novas Fronteiras. A Estratégia de Lisboa. Dezembro 2001, n.º 9/10. Lisboa: Centro de Informação Euro- peia Jacques Delors, 2001. ACADEMIA DE MARINHA – Simpósio O Mar no Futuro de Portugal. Lisboa: AC, 2003. AFONSO, M. I. R. et al. – Plantas do Algarve. Lisboa: Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1991. ALMEIDA, A. N. de – Famílias. In Portugal Social 1991-2001. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2003. ANACOM – Anuário Estatístico 2002. Lisboa: ANACOM, 2003. ARROTEIA, J. C. – Aspectos económicos e sociais da população nos Censos 2001. In Seminário Censos 2001 [em linha]. Instituto Nacional de Estatística, 2002 [http://www.ine.pt/prodserv/estu- dos/pdf/Censos_2001_JA.pdf]. BRANCO, J. F. – Camponeses da Madeira: as bases mate- riais do quotidiano no Arquipélago (1750-1900). Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1987. CABRAL, F. C. et al. – A Árvore em Portugal, Lisboa: Assírio & Alvim, 1999. CARNEIRO, R. (coord.) – O futuro da educação em Portu- gal, tendências e oportunidades. Um estudo de reflexão prospectiva. Lisboa: Ministério da Educação. 2000. CARNEIRO, R. (coord.) – O Milénio Português. Lisboa: Cír- culo de Leitores, 2001 COMBES, J. (dir.) – L'Europe de la préhistoire à nos jours. Ecully: Horvath Edit., 1991. COMISSÃO MUNDIAL INDEPENDENTE PARA OS OCEANOS – O Oceano Nosso Futuro. Lisboa: Expo 98 e Fundação Mário Soares, 1998. CORBIN, A. – História dos Tempos Livres. Lisboa: Editora Teorema,. 1995. COSTA, L.; et. al – Zonas importantes para as aves em Por- tugal. (1.ª ed.) Lisboa: Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, 2003. COSTA, M. – Resinosas. In Árvores e Arbustos Florestais. Lis- boa: Litexa Ed., 1998. CUNHA, L. – Perspectivas e Tendências do Turismo. Lis- boa: Edições Universitárias Lusófona, 2003. DIAS, J. – Os Elementos Fundamentais da Cultura Portu- guesa. Ensaios Etnológicos. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar. 1961. DIRECÇÃO-GERAL DE AGRICULTURA – Situação da Agri- cultura em Portugal. In Relatório sobre a situação da Agricultu- ra em Portugal. Documento de trabalho DG AGRI. 2003. Comunicação da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Euro- peu. DIRECÇÃO-GERAL DAS FLORESTAS – Inventário Flores- tal Nacional, 1995-1998. Relatório final (3.ª revisão). Lisboa: Direcção-Geral das Florestas, 2001. DIRECÇÃO-GERAL DAS FLORESTAS – Programa de Acção para o Sector Florestal. Lisboa: Direcção-Geral das Flo- restas, 2003. DIRECÇÃO-GERAL DO ORDENAMENTO DO TERRI- TÓRIO E DESENVOLVIMENTO URBANO – Relatório de Estado do Ambiente e Ordenamento do Território, 2001 (não publicado). DIRECÇÃO REGIONAL DO AMBIENTE DOS AÇORES – Plano Sectorial para a Rede Natura 2000 na Região Autó- noma dos Açores 2004. DIRECÇÃO REGIONAL DO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS DA MADEIRA – Plano Regional da Política de Ambiente 2000. FERNANDES, A. et al. – Flórula Vascular da Mata da Bufarda. Lisboa: Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, 1991. FERNANDES, F. M. et al. – Portugal Botânico de A a Z. Plantas Portuguesas e Exóticas. Lisboa: Lidel, 2003. FERRÃO, J. – Três décadas de consolidação do Portugal demográfico moderno. In BARRETO, A. (org.) – A Situação Social em Por- tugal 1960-1995 (1ª ed.) Lisboa: Universidade de Lisboa-Institu- to de Ciências Sociais, 1996. FORJAZ, V. H. (coord. e ed.) – Vulcão dos Capelinhos – retrospectivas. Vol. I. Ponta Delgada: Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, 1997. FOUCHER, M. (dir.) – Asies Nouvelles. Paris: Éditions Belin, 2002. FRANCO, J. A. – Nova Flora de Portugal (Continente e Açores). 2 vols. Sociedade Astória, 1971 e 1984. FRANQUINHO, L. O. et al. – Madeira. Plantas e Flores. Fun- chal: Francisco Ribeiro Ed., 1990. INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA – Pla- no Sectorial da Rede Natura 2000. Lisboa: ICN, 2005. INSTITUTO HIDROGRÁFICO – Roteiro da Costa de Por- tugal. Lisboa: IH, 1990. INSTITUTO PARA A INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO – Pes- cas e Aquicultura em Portugal. Lisboa: INOFOR, 2001. INSTITUTO NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO – A face oculta da Governança: Cidadania, Administração Pública e Sociedade. Oeiras: INA, 2001. INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Recensea- mento Agrícola do Continente. Gado. 1979. Lisboa: INE, 1979. INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Recensea- mento geral de agricultura 1999. Portugal. Análise de resultados. Lisboa: INE, 2001. INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – Atlas das cidades de Portugal, Lisboa: INE, 2002. INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA – 30 Anos de 25 de Abril. Um retrato estatístico. Lisboa: INE, 2004. JARDIM, R. et al. – Flores da Madeira. Lisboa: Livros e Livros. 2005. JULIÃO, R. P. – Tecnologias de Informação Geográfica e Ciência Regional: Contributos Metodológicos para a Defi- nição de Modelos de Apoio à Decisão em Desenvolvimento Regional. Dissertação de Doutoramento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2001. LEAL, J. – Cultura Popular e Identidade Nacional in Etnografias Portuguesas (1870-1970). Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2000. LIDON, F. J. C. et al. – Plantas de Portugal. Evolução e Taxo- nomia. Lisboa: Escolar Editora. 2005. LOURENÇO, E. – O Labirinto da Saudade. Lisboa: Círculo de Leitores, 1988. MARTINS, F. R. – Pinhal Interior Sul e o regresso de emi- grantes (1975-2001). Dissertação de doutoramento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2003. MEDEIROS, C. A. – A ilha do Corvo. Lisboa: IAC-Centro de Estudos Geográficos, 1967. MEDEIROS, C. A. – Geografia de Portugal. Ambiente Natural e Ocupação Humana; uma introdução. Lisboa: Edi- torial Estampa, 1987. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DESENVOLVIMENTO RURAL E PESCAS – Programa de acção para o sector flo- restal. Lisboa: MADRP, 2003. MINISTÉRIO DAS CIDADES E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO – Relatório de Estado do Ambiente 2001. Lisboa: MCOT, 2002. MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – População e desen- volvimento humano. Lisboa: MF-DPP, 2002. MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – Portugal, o litoral e a globalização. Ed. MF-DPP, 2003 MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, DEPARTAMENTO DE PROSPECTIVA E PLANEAMENTO – Um Olhar sobre Por- tugal. Lisboa: MF-DPP, 2004. MONIZ, A. B. et al. – Pescas e Pescadores. Futuros para o Emprego e os Recursos. Oeiras: Celta Editora, 2000. MORAIS, P. de et al. – Porto de partida – Porto de Chegada. A emigração portuguesa (1.ª ed.). Lisboa: Âncora Editora, 2003. MORTON, B. et al. – Coastal Ecology of the Azores. Ponta Delgada: Sociedade Afonso Chaves, 1998. MOUGENOT, D. – Geologia da Margem Portuguesa. Lis- boa: Instituto Hidrográfico, 1989. MISSÃO PARA A SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO – Livro Verde para a Sociedade de Informação. Lisboa: Missão para a Sociedade de Iinformação-Ministério da Ciência e Tecnologia, 1997. NAZARETH, M. – População. In Portugal Social 19991-2001. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, 2003. PARLAMENTO EUROPEU – Manual da Política Comum da Pesca. Série Agricultura – Florestas – Pesca, E-2., 1994. PEARCE, D. – Tourist Development. Londres: Longman, 1989. PEIXOTO, J. – País de emigração ou país de imigração? Mudança e con- tinuidade no regime migratório em Portugal. In Socius Working Papers n.º 2. [em linha]. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa-Instituto Superior de Economia e Gestão, 2004 [http://pascal.iseg.utl.pt/~socius/wp/wp200402.pdf]. PENA, A. et al. – Roteiros da Natureza. Açores. Lisboa: Temas e Debates, 1997. PEREIRA DA SILVA, C. – Áreas Protegidas em Portugal: Que papel? In Geoinova n.º 2, Conservação da Natureza e Desenvolvi- mento Económico. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa- Departamento de Geografia e Planeamento Regional, 2000. PEREIRA DA SILVA, C. – Environmental Issues in Portugal: Towards a Sustainable Future? In SYRETT, S. (ed.) – Contemporary Por- tugal. Dimensions of economics and political change. Lon- dres: Ashgate Publishing, 2002. PEREIRA DA SILVA, C. – Gestão Litoral. Integração de Estudos de Percepção da Paisagem e Imagens Digitais na Definição da Capacidade de Carga de Praia. O Troço Lito- ral S.Torpes – Ilha do Pessegueiro. Dissertação de Doutora- mento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciên- cias Sociais e Humanas, 2002. PEREIRA, J. M.; SANTOS, M. T. – Áreas queimadas e risco de incêndio em Portugal. Lisboa: Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, 2003. PIMENTEL, D. – Mobilidade geográfica e desenvolvimen- to regional. O caso da Beira Interior Sul. Dissertação de dou- toramento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1999 (policopiado). RAIMUNDO, A. et al. – Manual Ilustrado de Espécies da Flora Portuguesa. Continente (2 vols). Direcção-Geral de Pla- neamento e Agricultura. S/d. RESENDE. J. M. ; VIEIRA, M. M. – Educação. In Portugal Social 19991-2001. Lisboa: INE, 2003. RIBEIRO, M. A. – A Zona Económica Exclusiva. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa-Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, 1992 RIBEIRO, O. – A ilha da Madeira em meados do séc. XX. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1985. RIBEIRO, O. – Geografia de Portugal (4 vols.). Lisboa: João Sá da Costa Edições, 1987. RIBEIRO, O.; LAUTENSACH, H.; DAVEAU, S. – O Povo Por- tuguês. In Geografia de Portugal (vol. III). Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1989. RIBEIRO, O. ; SOEIRO de BRITO, R. – Primeira notícia do vulcão dos Capelinhos na ilha do Faial. In Naturalia, vol. II, fasc. I-IV, 1957-58. ROCA, M. N.; PIMENTEL, D. – Dinâmicas populacionais e desen- volvimento territorial em Portugal nos anos noventa: uma análise prelimi- nar. In IV Congresso da Geografia Portuguesa: actas. Lisboa: APG, 2001 (CD-ROM) [http://e-geo.fcsh.unl.pt/pdf/cgp_2001 _roca_pimentel_%20website.pdf]. ROSA, M. J.; VIEIRA, C. – A população portuguesa no século XX. In Análise dos Censos de 1900 a 2001 (1.ª ed.). Lisboa: Universi- dade de Lisboa-Instituto de Ciências Sociais, 2003. SANTOS, B. de S. – Pela Mão de Alice: O Social e o Políti- co na Pós-Modernidade. Porto: Afrontamento, 1994. SERVIÇO REGIONAL DE ESTATÍSTICA DA MADEIRA – Anuário estatístico da Região Autónoma da Madeira. SREM. Vários números. SERVIÇO REGIONAL DE ESTATÍSTICA DOS AÇORES – Séries Estatísticas. SREA. Vários números. SILVA, A. S. – A Dinâmica Cultural das Cidades Médias: uma sonda- gem do lado da oferta. In FORTUNA, C. (org.), 2002. SILVA, A. S. (org.) – Projecto e Circunstância: Culturas Urbanas em Portugal. Porto: Afrontamento, 2002. SILVA, J. F. – Oceanos. Glossário Anotado de Termos Correntes. Lisboa: Expo'98, 1998. SOARES, N. – O sistema urbano português (1890-1991). Dissertação de doutoramento. Lisboa: Universidade Nova de Lis- boa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1998 (policopiado). SOEIRO de BRITO, R. – Uma Aldeia da Montanha do Minho: o Soajo – Estudo de Geografia Humana. Lisboa: Separata da Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, Tomo XVIII, 2.ª Série, n.º 1 e 3, 1953. SOEIRO de BRITO, R. – Les Îles de l’Atlantique et leur rôle dans l’Histoire des Découvertes Maritimes. In Atti del II Convegno Inter- nazionale di Studi Colombiani Génova, 1977. SOEIRO de BRITO, R. (dir.) – Portugal Perfil Geográfico. Lisboa: Editorial Estampa, 2ª edição, 1997. SOEIRO de BRITO, R. – No Trilho dos Descobrimentos. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Desco- brimentos Portugueses, 1997. SOEIRO de BRITO, R. – Goa e as Praças do Norte revisita- das. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Des- cobrimentos Portugueses, 1998 (edição actualizada). SOEIRO de BRITO, R. – Nordeste Alentejano em Mudan- ça. Lisboa: Edições INAPA, 2000. SOEIRO de BRITO, R. – São Miguel: a ilha verde. Ribeira Grande: Coingra Edições, 2004 (edição actualizada). SOUTO, H. – Comunidades de Pesca Artesanal na Costa Portuguesa. Dissertação de Doutoramento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa-Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 1998. VASCONCELLOS, J. L. de – Etnografia Portuguesa (vols III e IV). Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1982. VIEIRA, J.; PINTO, M.; PEREIRA, R. (coord.) – Florestas de Portugal. Lisboa: Direcção-Geral das Florestas, 2000. Bibliografia 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 273
  • 270.
    274 ATLAS DEPORTUGAL IGP MAPAS 18-19 Carta de Portugal Instituto Geográfico Português (IGP) 28 Morfologia dos fundos do Oceano Atlântico Norte Ins- tituto Hidrográfico (IH) 29 Correntes de superfície no Oceano Atlântico Norte IH 31 Batimetria do Oceano Atlântico Norte na zona do ‘mar português’ IH 33 Perfis orobatimé- tricos da costa portuguesa IH 38 Esquema das principais falhas activas / Esquema morfoestrutural Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação [INETI (ex-IGM)] 39 Carta geo- lógica de Portugal continental INETI (ex-IGM). Generalização a partir da Carta Geológica de Portugal à escala 1/500 000 – 5.ª edição (1992) dos Serviços Geológicos de Portugal: T. A. Cunha. Digitalização e Sistemas de Informação Geográfica: T. A. Cunha, T. Prates. Coordenado- res: Mesozóico/Cenozóico, M. M. Ramalho. Precâmbrico /Paleozóico, J. T. Oliveira. 2004 42 Carta hipsométrica IGP 44 Carta de decli- ves IGP 45 Intensidade sísmica (escala de Richter) / Com- pilação de dados sísmicos, do ano 63 aC a 1989 dC, na mar- gem Oeste da Península Ibérica, segundo a teoria de Keilis- -Borola Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa 46 Esboço morfológico da ilha do Corvo MEDEIROS (1967) / Esboço morfológico da ilha de São Miguel SOEIRO de BRITO (2004) 47 Evolução do vulcão dos Capelinhos MACHADO e FREI- RE in FORJAZ (1997) 50 Precipitação >=1mm / Insolação anual / Temperatura média do ar anual Instituto de Meteorologia (IM) 51 Precipitação total anual IM 53 Temperatura média do ar nos meses de Verão IM / Média da temperatura máxi- ma do ar nos meses de Verão / Humidade relativa nos meses de Verão (às 09h00TU) / Temperatura média do ar nos meses de Inverno / Média da temperatura mínima do ar nos meses de Inverno / Risco de geada IM 54 Intensidade do vento / Rosas de vento IM 56 Índice de conforto bioclimáti- co, 1941/2000 IM 58 Anomalias de temperaturas mínimas do ar, 2002 / Onda de calor / Média da temperatura máxima do ar / Média da temperatura mínima do ar IM 59 Precipi- tação total anual. Terceira, São Miguel e Madeira / Tempe- ratura média anual do ar. Terceira, São Miguel e Madeira IM 60 Precipitação total nos meses de Inverno. Terceira, São Miguel e Madeira / Precipitação total nos meses de Verão. Terceira, São Miguel e Madeira / Média da tempera- tura mínima do ar nos meses de Inverno. Terceira, São Miguel e Madeira / Média da temperatura máxima do ar nos meses de Verão. Terceira, São Miguel e Madeira IM 61 Rede hidrográfica Instituto da Água (INAG) 62 Bacias hidro- gráficas INAG 64Distribuição de tipos de solos Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTDU) 68-69Unidades e grupos de unidades de paisagem DGOTDU/ Divisões regionais do Continente Esquema de Orlando Ribeiro 71 Rede Nacional de Áreas Protegidas Instituto de Conservação da Natureza (ICN) 73 Áreas Protegidas das Regiões Autóno- mas dos Açores e Madeira Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, Região Autónoma dos Açores; Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Região Autónoma da Madeira 74 Rede Natura – Zonas Especiais de Protecção / Sítios de Interesse Comunitário Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, Região Autónoma dos Açores; Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Região Autónoma da Madeira; Professor João Porteiro, Universidade dos Açores, e Dr. Richard da Mata 75 Rede Natura 2000 – Zonas Especiais de Protecção ICN 76 Rede Natura 2000 – Sítios de Interesse Comunitá- rio ICN 78 Áreas de protecção de avifauna Associação Portugue- sa para o Estudo das Aves (APEA) 79 Espécies que nidificam em Portugal APEA 87 Densidade populacional, 2001 Instituto Nacional de Estatística (INE) 88 Distribuição da população no continente, 1940 INE 89 Distribuição da população, 2001 INE 90 Ano de máximo populacional INE 91 Evolução da população, 1981/2001 INE 92 Crescimento efectivo da população, 1991/2001 / Crescimento natural, 1991/2001 / Crescimento migratório, 1991/2001 INE 95Índice de envelhe- cimento, 2001 / Índice de dependência total, 2001 INE 97 Escolas encerradas, 1991/2003 / Escolas básicas integra- das, criadas entre 1991/2003 Ministério da Educação 101 Regres- so de emigrantes portugueses – 1976/1981 / 1986/1991 / 1996/ 2001 INE 103 Estrangeiros por 1 000 habitantes, 2001 INE 105 Espaços artificializados, 2004 DGOTDU 106 Luga- res com mais de 2 500 habitantes, 2001 INE 108 População residente nas cidades, 2001 INE 109 Sistema urbano nacio- nal INE 111 Alojamento por edifício, 2001 INE 112 Gran- des edifícios, com 4 ou mais pavimentos, 2001 INE 113 Edi- fícios por época de construção INE 114 Alojamentos ocu- pados pelos proprietários, 2001 / Índice de envelhecimento dos edifícios, 2001 / Edifícios construídos depois de 1990 / Edifícios com necessidade de reparação, 2001 INE 115 Prin- cipal meio de transporte utilizado, 2001 / População estran- geira residente nas cidades, 2001 / Profissão principal da população residente, 2001 INE 121Iniciativas no âmbito do POSI, 2004 / Espaços Internet, 2004 Programa Operacional Socie- dade da Informação (POSI) 122 Alojamentos cablados, 2003 Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) / Estabeleci- mentos postais por concelho, 2004 Correios de Portugal (CTT) 123 Telefones por 100 habitantes, 2003 ANACOM / Tráfego postal por concelho, 2004 CTT 125 Plano Rodoviário Nacional, 2004 Estradas de Portugal (EP) / Rede de serviço expresso rodoviário, 2004 Direcção-Geral de Transportes Terrestres e Fluviais 126 Acessibilidade potencial a Lisboa, Porto e Faro, 2004 / Distâncias-tempo a partir das sedes de concelho, 2004 Construído po Rui Pedro Julião a partir de dados de Estradas de Portugal 127 Rede Ferroviária Nacional, 2004 Caminhos-de-Ferro Portu- gueses (CP) 128 Tipologias do serviço ferroviário nacional, 2004 CP 129 Traçado da rede ibérica de alta velocidade XIX Cimeira Ibérica, 2003 / Portos e marinas, aeroportos e aeródromos, 2004 Municípia 138 Regiões agrícolas INE 139 Terra arável, dentro das explorações, 1999 INE 141 SAU na superfície total das explorações, 1999 INE 142 Culturas permanentes na área de SAU, 1999 INE 143 Fragmentação da propriedade, explorações com mais de 10 blocos, 1999 INE 146 Concelho de residência dos produtores/transfor- madores em modo de produção biológico, 2004 Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica (IDRHa) 147-148 Distribui- ção de efectivos de gado e de explorações, 1999 INE 151- -153 Áreas geográficas dos principais produtos de qualida- de certificados IDRHa 155 Carta ecológica Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) 157 Distribuição das espécies flo- restais, 1999 Adaptado de PEREIRA e SANTOS (2003) 158 Distri- buição da floresta nas ilhas da Madeira e do Porto Santo, 2000 Adaptado de VIEIRA e tal. (2000) 160 Carta de risco de incêndio, 2000 Adaptado de PEREIRA et tal. (2003) / Áreas ardi- das por concelho, 1995/2002 DGRF 161 Áreas ardidas, 1990/2003 Adaptado de PEREIRA e tal. (2003) 165 Ocorrências geomineiras INETI (ex-IGM) 169 Zona Económica Exclusi- va IH 170 Descargas de pescado fresco e refrigerado por portos e principais espécies, 2002 INE 171 Descargas de pes- cado fresco e refrigerado por portos e principais espécies, 2002 INE 172 Embarcações e TAB média por embarcação, 2002 INE 173 Pescadores matriculados por porto e por arte, 2002 INE 174 Produção de conservas de pescado por espé- cies e centros conserveiros, 2002 INE 175 Produção aquícola, 2001 INE 177 Produto Interno Bruto, a preços de mercado, por NUT III, 2001, INE 178 Estabelecimentos financeiros, 2002 / Consumo de electricidade industrial per capita, por concelho, 2002 INE 179 Síntese da especialização Industrial por regiões (NUT III), cálculos a partir do emprego, 1999 Departamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério das Finanças (DPP) 180 Rendimento Líquido Médio do agregado fami- liar por NUT III, 2001 / Índice de Poder de Compra per capita, 2004 INE / Índice de Poder de Compra “turístico”, 2004 adaptado de INE 181 População empregada no sector primário, 2001 / População empregada no sector secundá- rio, 2001 / População empregada no sector terciário, 2001 / Sector de actividade dominante, 2001 INE 182 Sociedades na indústria transformadora, 2001 / Sociedades industriais com 10 e mais pessoas ao serviço, 2001 / IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 2000 / Variação do IRC liquidado por distritos e regiões autónomas, 1999/2000 INE 184 Factores de competitividade nas regiões do litoral, 2003 DPP (2003) 185 Comércio Internacional, exportações para a UE, por NUT III, 2002 / Comércio Internacional, total de exportações, por NUT III, 2002 / Comércio Internacional, importações da UE, por NUT III, 2002 /Comércio Interna- cional, total de importações, por NUT III, 2002 INE 186IRS médio liquidado por agregado familiar, por distrito, 2000 Direcção Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) / Beneficiários do subsídio de desemprego com menos de 30 anos, 2003 INE e Instituto de Gestão Financeira e Segurança Social (IGFSS) 187 Recei- tas totais das Câmaras Municipais, 2002 – fundos munici- pais / empréstimos /contribuição autárquica INE 188 Des- pesas totais das Câmaras Municipais, 2002 – investimento / pessoal INE 199 Comarcas, século XV CARNEIRO et al (2001) / Províncias Reforma administrativa de 1936 / Distri- tos / Concelhos IGP 200 NUT II e III e Áreas Metropolita- nas, 2004 DGOTDU 201 Cidades por época de nomeação INE 203 Planos Directores Municipais por ano de ratifica- ção / Planos Regionais de Ordenamento do Território apro- vados DGOTDU 204 Programas Urbanos – PRAUD, PRO- SIURB e POLIS DGOTDU 205 Alojamentos por cada 100 famílias residentes, 2001 / População residente por aloja- mento, 2001 / Taxa média da mortalidade infantil, 1998/2002 / Índice de envelhecimento, 2002 INE 206 Consumo de água, capitação em m3/ano, 2002 / Resíduos tratados, 2002 / População com sistemas de drenagem de águas residuais, 2002 / População servida com ETAR, 2002 INE 207 Balanço depósitos/créditos, 2002 / Licenciados por 1 000 habitantes com qualificação académica, 2001 / Profissionais qualifica- dos e quadros por 1 000 habitantes, 2001 / Médicos por 1 000 habitantes, 2002 INE 208 Consumo doméstico de electrici- dade por família, 2002 INE / Veículos ligeiros e mistos por 1 000 habitantes, 2001 Instituto de Seguros de Portugal (ISP) 209 Área desportiva útil por 1 000 habitantes, 2002 Instituto do Des- porto de Portugal (IDP) / Indicador de Qualidade de Desenvol- vimento, 2002 Construído po Lourdes Poeira a partir dos indicadores atrás considerados 218-219 Reconstrução da cidade de Velha Goa, século XVI / Distribuição de igrejas, devalaias e mes- quitas, 1960 Raquel soeiro de Brito, 1998 220 População nos paí- ses de língua portuguesa, 2001 Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento / População de origem portuguesa residente no estrangeiro, 2003 Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas 221 Presença cultural do Instituto Camões e associações de portugueses no mundo, 2004 Ins- tituto Camões e Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas / Meios de comunicação social em português no mundo, 2004 Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas 223 Bibliotecas, 2001 INE 224 Museus, 2001 / Cinemas, 2001 INE 225 Distribuição do Património classificado, 2004 – Antas e menires / Fortes, castelos e torres / Capelas e igrejas / Palácios e paços Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) 226 Localização do Património mundial, 2004 IPPAR / Monumentos nacionais por concelho, 2004 Direcção- Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) 228 Europa de 1945 http://europa.eu.int 229 Alargamento do número de países-membros de 1957 a 2007 http://europa.eu.int 235 Mapa Oficial da UE-25 http://europa.eu.int GRÁFICOS 33 Perfis orobatimétricos da costa portuguesa Instituto Hidrográfico (IH) 34 Altura das ondas inferior a 1m IH 46 Sismos sentidos nos Açores com intensidade máxima superior a V na escala de Mercalli, 1974/2001 Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa / Temperatura média mensal da água do mar à superfície, às 09h00 TU IH 62 Extensão dos rios nacionais Instituto da Água (INAG) 70 Criação de Áreas Protegidas, 1970/2004 Instituto de Conservação da Natureza (ICN) 86 População residente em Portugal, 1900/2001 Insti- tuto Nacional de Estatística (INE) 94 Saldo natural e saldo migratório / Taxas de natalidade, mortalidade e mortali- dade infantil, 1960/2003 / Esperança de vida à nascença / Pirâmide de idades, 1960 e 2001 INE 95 Tendências de evolução dos alunos matriculados Ministério da Educação (ME) / Estrutura das famílias segundo a dimensão média, 1960 e 2001 INE 96 Alunos no ensino público, por grau ME / Despesa pública em educação EUROSTAT 99 Evolução do fenómeno migratório em Portugal, 1900/2003 Adaptado de MORAIS (2003) / Emigrantes segundo o tipo de emigra- ção, 1992/2003 / Emigrantes por países de destino, 1992/2003 INE 100 Remessas de emigrantes Banco de Por- tugal 102 Estrangeiros residentes em Portugal 1975/2003 / Principais países de origem de estrangeiros com residên- cia legalizada / Autorizações de permanência concedidas, 2001-2003 Serviço de Estrangeiros e de Fronteiras 124 Variação das distâncias entre localidades, 1975/2001 / Distâncias entre localidades Automóvel Club de Portugal 139 Ocupação do solo, 1999 INE 140 Produção agrícola total e grau de auto-sufi- ciência em produtos agrícolas a preços correntes, 1988/2001 / Comércio agro-alimentar português: fluxos comerciais intra e extra comunitários, 1988/2002 INE / Importância da agricultura a nível regional EUROSTAT 141 Distribuição dos usos do solo, por NUT II, 1999 / Variação do número de tractores, 1989/1999 INE 142 Dis- tribuição do uso do solo agrícola em Portugal, 1979/1999 INE 142-143 1989 a 1999: uma década de evolução – cere- ais para grão / pomares de frutos frescos / pomares de citrinos / pomares de frutos secos / vinha / olival / prados e pastagens permanentes INE 143 Variação da SAU, 1989/ 1999 INE 145 Evolução da área cultivada em modo de pro- dução biológico, 1993/2002 / Agricultores em modo de produ- ção biológico, 1993/2002 Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica (IDRHa) 146 Repartição da área cultivada em modo de produção biológico, 2002 IDRHa 148-149 Varia- ção dos efectivos de gado, 1989 e 1999 INE 149 Média anual da população empregada no sector primário, 1974/2002 / Nível de instrução dos dirigentes das explora- ções, 1999 / Explorações que recorrem a ajudas e subsídios, 1999 INE 150 Importância da actividade não agrícola, por região, 1999 INE 158 Distribuição dos tipos de povoamen- to florestal, 1999 Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF) 170-171 Pescadores no Continente, 1900/2002, e desem- barques de pescado em Portugal (incluindo ilhas), Créditos Os números a azul designam as páginas. A negro, o título da figura. A itálico fino, a fonte 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 274
  • 271.
    ATLAS DE PORTUGALIGP 275 1938/2003 INE 174 Produção de transformados, por tipo de produto, 1992/2002 INE 175 Evolução da balança comercial dos produtos de pesca, 1993/2002 INE 177 Evo- lução do PIB per capita e do produto por trabalhador em Portugal (PPC), 2003 EUROSTAT 188 Receitas das Câma- ras Municipais, 2002 / Despesas das Câmaras Municipais, 2002 INE 190 Receitas do Turismo, 1964/2003 Direcção-Geral do Turismo (DGT) 197 Entrada de turistas em Portugal, 1967/2002 / Evolução dos principais países de origem de turistas, 1984/2002 / Principais origens dos turistas entrados em Portugal, 2002 DGT 220 Principais países de residên- cia dos portugueses, 2003 / Distribuição dos portugueses por continente, 2003 Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas 230 Superfície da Europa / Popula- ção, 2003 / Densidade populacional, 2003 / Programa Eras- mus, 1987/88 a 2000/01 http://europa.eu.int 231 Estudantes, excepto pré-primária, 2000 / Despesa com I & D, 2001 / PIB em paridade de poder de compra (PPC)/habitante, 2001 / Despesa em protecção social/habitante, 2001 http:// europa.eu.int 232 Empregados na Primavera, 2002 / Desem- prego, 2003 / Importação de energia em milhares de tone- ladas equivalente de petróleo, 2001 / Computadores por 100 habitantes, 2001 / Telemóveis por 100 habitantes, 2002 / Exportações para a EU no total da exportação, 2001 http://europa.eu.int 233 Europa do alargamento – Superfície / População, 2003 / Densidade populacional, 2003 / Desem- prego, 2003 / Telemóveis por 100 habitantes, 2002 / Com- putadores por 100 habitantes, 2001 http://europa.eu.int QUADROS 52 Precipitação e temperaturas Instituto de Metereologia (IM) 56 Variação das temperaturas anuais / Variação dos valores da precipitação de Outubro a Março IM 62 Rios interna- cionais / Caudais dos principais rios Instituto da Água (INAG) 91 População residente, 1900/2001 / Variação da população residente, 1950/2001 Instituto Nacional de Estatística (INE) 96 População segundo o nível de ensino / População dos 25 aos 64 anos, segundo a escolaridade INE / Jovens dos 19 aos 24 anos que frequentam o ensino superior, 2002 OCDE, Education at a Glance 2003 107 Cidades, 2004 INE 128 Movi- mento comercial nos principais portos de Portugal conti- nental, 2003 INE 129 Tráfego aéreo em Portugal, 2003 Aeroportos e Navegação Aérea, SA (ANA) 149 Repartição dos efectivos animais, 1999 INE 156 Espécies florestais indica- das para cada região de arborização Direcção-Geral dos Recur- sos Florestais (DGRF) 162 Áreas ardidas por tipo de ocupação do solo e por ano, 1993/1999 Adaptado de PEREIRA e SANTOS (2003) 163 Espécies cinegéticas Adaptado de CARVALHO in VIEIRA et al. (2000) / Calendário venatório, 2004/2005 DGRF. Disponível em www.dgf.min-agricultura.pt 166 Principais subs- tâncias exploradas nas minas do Continente INETI (ex- IGM) [Consult. Nov. 2004] Disponível em www.igm.ineti.pt/edicoes_ online/inf_estatistica 167 Indústria extractiva: volume e valor da produção INETI (ex-IGM) 172 Espécies capturadas INE 174 Quantidades desembarcadas e valor da 1.ª venda, 2002 INE 176 Indicadores Macroeconómicos, 2004 Depar- tamento de Prospectiva e Planeamento do Ministério das Finanças (DPP) 177 Produto Interno Bruto, óptica sectorial, 1999/2003 DPP 178 Evolução da actividade industrial, 1999/2003 DPP 179 Estrutura Empresarial, 2001 DPP 180 Estrutura do Emprego, 2004 DPP 184 Competitividade, 2004 / Estrutura do Comércio Externo, 2004 DPP 186 Segurança Social 1999/2003 INE e Instituto de Gestão Financeira e Segurança Social (IGFSS) 229-234 Datas-chave para a cons- trução da Europa http://europa.eu.int FOTOGRAFIAS 27 Porto Côvo Raquel Soeiro de Brito 30 Afloramentos rocho- sos na costa Norte da ilha da Madeira / Sedimentos na cos- ta Norte da ilha da Madeira / Perfil da costa Sul da ilha da Madeira Instituto Hidrográfico (IH) 32 Batimetria do Canhão da Nazaré IH / Corrente do Golfo NASA 35 Floração de fitoplâncton ao largo de Portugal NASA 36-37 Portugal Continental, fachada atlântica da Península Ibérica NASA 40-41 Estuários do Tejo e Sado, Setembro 1998 IGP 43 'Ria' de Faro, Setembro 1998 IGP 45 São Jorge / Santa Maria / Desertas / Selvagens Raquel Soeiro de Brito 48 Evolu- ção do vulcão dos Capelinhos – Janeiro 1958 / 6 de Outu- bro 1957, 16h00 / 11 de Outubro, 07h30 / 15 de Outubro, 14h50 / 18 de Outubro, 10h00 Raquel Soeiro de Brito 49 Evolu- ção do vulcão dos Capelinhos – 2000 / 1971 / 1979 / 1979 / 1997 Raquel Soeiro de Brito 54 Situação da frente fria de 6 de Fevereiro 2001, às 14h00 Instituto de Meteorologia (IM) 55 Situa- ção meteorológica no dia 5 de Novembro 1997 / Situação de frentes em 29 de Dezembro 1998 IM 57 Propagação das poeiras do deserto do Sara pelo Atlântico até ao arquipé- lago da Madeira NASA 61 Cheias do Tejo em Santarém, 7 de Janeiro 2001 / Assoreamento do Tejo em Santarém, Maio 1997 Fernando Martins 63 Exemplos de traçados de rios: rio Douro em terreno granítico / Mondego em terre- no de xisto / Lizandro em terreno de calcário / Mira em terrenos sedimentares 'recentes' da bacia cenozóica Municípia 65 Exemplos de vegetação atlântica, mediterrâ- nea e de laurissilva Raquel Soeiro de Brito 67 Exemplos de pai- sagens: aldeia perto de Melgaço, paisagem atlântica / Moinho de maré no estuário do Tejo / Um trecho da Ribeira da Seda no Crato / Relevo basáltico no sudoeste da Ilha da Madeira / Coruche, um pequeno centro urbano / Serra da Arrábida, paisagem mediterrânica / Salinas de Aveiro / Perfil da ilha do Pico, visto do Faial / Guadiana, Pulo do Lobo / Ilha do Faial, cidade da Horta Raquel Soeiro de Brito / Serra da Arrábida, paisagem mediterrânea / Gua- diana, Pulo do Lobo Carlos Pereira da Silva 72 Exemplos de Áreas Protegidas – Peneda-Gerês / Douro / Arrábida / Sud- oeste Alentejano Carlos Pereira da Silva 77 Cagarra Ricardo Santos / Flamingo Bruno Portela 80-81 Ilha de São Miguel, Faial da Terra Raquel Soeiro de Brito 116 Évora e a sua envol- vente, 2002 / Entroncamento, 2002 / São João da Talha, Loures, 2002 Instituto Geográfico Português (IGP) 117 Évora, 2002 / Quinta do Conde, Sesimbra, 2002 Municípia 118 Viseu, 2002 / Guimarães, 2002 IGP 119 Coimbra, 2002 IGP 130-131 Área Industrial de Sines Abílio Leitão 144 Explorações agrícolas, Salvaterra de Magos, 1999 IGP 159 Floresta, área de risco NASA 167 Mina de sal-gema de Campina de Cima – Loulé, Algarve INETI (ex-IGM). Dispo- nível em www.igm.ineti.pt/edicoes _online/inf_estatistica 193 Porto Côvo, Sines University of Ulster / e-GEO Centro de Estudos de Geo- grafia e Planeamento Regional, Universidade Nova de Lisboa 196 Exemplos de áreas de turismo litoral: Armação de Pera, Algarve / Porto Covo, Sines / Exemplos de áreas de turismo rural: Arrábida / Pinhão, Douro / Ilha do Pico Carlos Pereira da Silva 210-211 Fortaleza de Diu Raquel Soeiro de Brito 217 Alguns testemunhos da presença portuguesa – Velha Goa, vista geral, 1957 / Macau / Velha Goa, ruínas de Sto Agostinho / Goa, igreja de Chandor / Fortaleza de Diu Raquel Soeiro de Brito / Mindelo, Cabo Verde António Sachetti / Malaca / Brasil, São Salvador da Baía Raquel Soeiro de Brito 227 Exemplos de locais classificados como património mundial – Centro de Angra Maria Adelina Soares / Vinhas do Pico Ricardo Santos / Mosteiro da Batalha / Centro histórico do Porto Raquel Soeiro de Brito 234 Imagem do mundo esfé- rico, centrado na Europa Google earth 871_05_Miolo_Pags239a276 06/02/02 11:30 Página 275