Preparação para o Exame Nacional 
Geografia A 
10 / 11 Ano 
Hugo Neves
 NNE – Nor-nordeste 
 ENE – És-nordeste 
 NNO – Nor-nordeste 
 ONO – Oés-nordeste 
 SSE –Su-sudeste 
 OSO – Oés-Sudeste 
 SSO – Su-Sudeste 
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Rosa-dos-ventos 
Pontos cardeais: 
 Norte 
 Sul 
 Este 
 Oeste 
Pontos colaterais: 
Pontos intermédios: 
 NE – Nordeste 
 NO – Noroeste 
 SE – Sudeste 
 SO – Sudeste 
Localização relativa – posição de um lugar em relação a outro. Desvantagens: não permite 
saber o local exato e é necessário um ponto de referência. 
Localização absoluta – determina o local exato na superfície terreste usando coordenadas. 
Coordenadas geográficas – São constituídas pela latitude e longitude, torna possível realizar as 
operações de localização necessárias as várias atividades humanas. 
Latitude – distância angular entre o equador e o paralelo que passa pelo lugar. 
Longitude - distância angular entre o semimeridiano de referência e semimeridiano do lugar. 
Círculos máximos ou Equador – Circulo perpendicular, que passa pelo centro da terra 
dividindo-a em duas partes iguais: hemisfério norte e sul. 
Paralelos ou círculos menores – paralelos ao equador e perpendiculares ao eixo da terra 
dividindo-a em duas partes desiguais, ao contrário do Equador. 
Meridianos – círculos máximos que passam pelos polos (Norte e Sul) e são perpendiculares ao 
equador. 
Meridiano de Greenwich – Semimeridiano de referência (0°), passa sobre a localidade 
de Greenwich (Reino Unido), divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir 
a longitude. 
Rede cartográfica – conjunto de linhas que representam, num mapa, os círculos essenciais da 
Terra.
Zonas terrestres 
3
Capitulo 1 
A posição de Portugal na Europa e no Mundo 
 A constituição de território nacional 
 A posição geográfica de Portugal continental e insular 
 A inserção de Portugal em diferentes espaços 
A população portuguesa: 
evolução e diferenças regionais 
 A evolução da população portuguesa na 2ª 
4 
Metade do seculo XX 
 As estruturas e os comportamentos 
sociodemográficos 
 Os principais problemas sociodemográficos 
 O rejuvenescimento e a valorização da população 
A distribuição da população 
 Os principais condicionantes da distribuição da população 
 Os problemas da distribuição da população
A posição de Portugal na Europa e no mundo 
Portugal situa-se entre o oceano Atlântico (832km de fronteira marítima) e a fronteira 
terrestre de 1215km. 
5 
Constituição do território nacional 
A configuração de Portugal continental assemelha-se a um 
rectângulo que ocupa cerca de um quinto da Península Ibérica, 
representando cerca de 89000km2 de superfície. 
De norte a sul, tem um comprimento de 560km (entre Melgaço e 
o Cabo de Santa Maria, próximo de Faro) e de oeste a este, uma 
largura entre os 110km e 220km, valor máximo registado entre a 
foz do rio Neiva (Viana do Castelo) e a ribeira de Castro (rio 
Douro). Comparado com o resto dos países da Europa é um 
território de dimensões médias. 
O território português é ainda formado por dois arquipélagos, 
ambos constituem duas regiões autónomas. 
Região autónoma – território com um sistema de organização politica, que possui liberdades 
para se organizar pelas suas próprias leis, excepto em áreas como a defesa, os negócios ou a 
política monetária.
6 
Organização administrativa de Portugal 
Portugal tem actualmente 18 distritos no continente e duas regiões autónomas. Os distritos 
portugueses apresentam uma dimensão muito variada que se estendem desde o enorme 
distrito de Beja (10224km2) até ao “pequeno” de Viana do Castelo (2108km2). 
Os conselhos surgem no nível seguinte na organização autárquica mais antiga. Portugal conta 
actualmente com 308 conselhos (278 no continente e 30 nas regiões autónomas). 
Os conselhos comportam 4241 freguesias, das quais 4037 no território continental e 204 nas 
regiões autónomas. 
Existem ainda uma outra forma de divisão que é constituído por NUT (Nomenclatura das 
Unidades Territoriais) que pretende estabelecer três níveis de desagregação territorial tendo 
por base, as características físicas, históricos, funcionais, etc, do território.
Nas grandes cidades de Lisboa e Porto, existe ainda outra figura administrativa que são as 
áreas metropolitanas, formadas pelos conselhos que registam uma maior ligação com as 
grandes cidades. 
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NNUT I NUT II 
NUT III 
(conselhos) 
Continente 
Norte 
Minho-Lima 
Cávado 
Ave 
Grande Porto 
Entre Douro e 
Vouga 
Tâmega 
Alto Trás-os-Montes 
Douro 
Centro 
Baixo Vouga 
Baixo Mondego 
Pinhal Litoral 
Dão-Lafões 
Pinhal Interior Norte 
Pinhal Interior Sul 
Beira Interior Norte 
Serra da Estrela 
Cova da Beira 
Beira Interior Sul 
Oeste 
Médio Tejo 
Grande Lisboa 
Grande Lisboa Norte 
Península de Setúbal 
Alentejo 
Alto Alentejo 
Alentejo Central 
Baixo Alentejo 
Alentejo Litoral 
Lezíria Tejo 
Algarve 
Todos os municípios 
Reg. Autónoma 
dos Açores 
Reg. Autónoma 
dos Açores 
Todos os municípios 
Reg. Autónoma 
da Madeira 
Reg. Autónoma 
da Madeira 
Todos os municípios 
NUT III tem um total 
de 30 municípios.
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Posição de geográfica de Portugal 
O continente europeu situa-se no hemisfério norte, aproximadamente entre os paralelos 35° 
e 
75°, de latitude norte, e os meridianos de 10°longitude oeste e 60° longitude este. 
Esta localização absoluta da Europa faz com que quase a totalidade do continente localize na 
zona temperada. 
Pontos extremos da Europa: 
Norte: o Cabo Norte (na Noruega) 72°N; 
Sul: a ilha de Creta (na Grécia) 35°N; 
Oeste: o Cabo da Roca (em Portugal) 10°O; 
Este: os montes Urais (na Rússia) 60°E. 
Na figura seguinte está reapresentada vermelho os pontos extremos da Europa: 
A posição geográfica de Portugal continental 
Portugal continental ocupa no continental europeu, uma localização periferia, ao situar-se no 
extremo ocidental da Europa, a sudoeste da Península Ibérica. 
A superfície continental é banhada a sul e oeste pelo oceano atlântico. Com uma área de 
88944km2, encontra-se aproximadamente entre as seguintes coordenadas:
9 
Latitude: 
 Extremo norte: 42° 9’N, na foz do Rio Trancoso; 
 Extremo sul: 36° 57’N, no cabo de Santa Maria; 
Longitude: 
 Extremo este: 6° 11’O, na foz da ribeira de Castro; 
 Extremo oeste: 9° 29’O, no cabo da Roca. 
Portugal localiza-se a oeste e sul de Espanha e o este e norte do Atlântico. 
Portugal e Espanha constituem a península Ibérica. 
Posição geográfica dos arquipélagos da Madeira e dos Açores 
Portugal insular é constituído por dois arquipélagos, que se situam no oceano Atlântico. 
Madeira 
Formado pelas ilhas da Madeira e Porto Santo e por dois conjuntos de ilhéus desabitados que 
constituem as ilhas desertas e selvagens. 
No total o arquipélago tem uma área de 794km2. 
Localiza-se a sudoeste de Portugal continental e dista cerca de 1000km do cabo de São 
Vicente. 
Encontra-se ainda a cerca de 700km da costa africana e menos de 600km das Canárias. 
A sua latitude ronda os 33°N e tem uma longitude próxima dos 17°O.
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Açores 
Tem uma superfície de 2247km2, situa-se a oeste da Europa, a cerca de 1 400km de distância. 
A sua localização no Atlântico, confere-lhe uma posição geoestratégica de grande importância 
(ilha das Lajes). 
O arquipélago é constituído por 3 grupos: 
Grupo Oriental – Santa Maria e São Miguel; 
Grupo Central - Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial; 
Grupo Ocidental – Flores e Corvo. 
A localização varia entre 25°O (Santa Maria) e 31° 15’O, nas Flores. 
A sua maior ilha é São Miguel, com cerca de 750km2 em oposição ao Corvo com 17km2, sendo 
a ilha mais pequena. A diferença entre estas ilhas é de 650km de distância.
11 
Portugal no contexto europeu 
Inserção de Portugal em diferentes espaços 
A Associação Europeia de Comercio Livre EFTA – foi criada em 1959, com a assinatura do 
tratado de Estocolmo, mas foi apenas a partir de 1960 (aprovado nos seus parlamentos) que 
entravam em vigor uma serie de medidas económicas nos países que a integravam. 
Portugal pertenceu a EFTA antes de integrar a União Europeia. O nosso país desta forma, 
conseguiu um progresso de alguma abertura a exterior com a integração nesta associação. 
Mais tarde com a saída de alguns países membros, em 1973, como o Reino Unido, Dinamarca 
e a Irlanda, depois Portugal, em 1986, mais tarde em 1995, a Áustria, a Finlândia e a Suécia, a 
EFTA perdeu a importância que esteve durante algum tempo, dando lugar ao crescente 
desenvolvimento da União Europeia, tanto a nível continental e mundial. 
Portugal na UE 
A actual União Europeia nasceu a 25 de Março de 1957 com a designação de CEE 
(Comunidade Económica Europeia), após o tratado de Roma, que entrou em vigor a 1 
de Janeiro de 1958. 
Quais os objectivos da EU: 
 Criação de um espaço de liberdade, segurança e justiça sem fronteiras internas, onde 
haja livre circulação de pessoas, bens, serviço e capitais. 
 Criação de mercado livre e concorrência no espaço comunitário. 
 Promoção do desenvolvimento sustentável, ao nível do emprego, progresso social e 
protecção do meio ambiente. 
 Promoção da coesão social, económica e do território e da solidariedade entre 
gerações. 
 Diversidade da riqueza cultural e linguística. 
 Salvaguarda e desenvolvimento do património cultural. 
Da UE ainda decorreu a criação da moeda única, o Euro, que começou a circular a 1 de Janeiro 
de 2002.
12 
Quais os países da EU 
Países Fundadores – 1957 
França, RFA, Países Baixos, Bélgica, 
Luxemburgo e Itália 
1º Alargamento – 1 Janeiro de 1973 
(Europa dos 9) 
Dinamarca, Reino Unido e Irlanda 
2º Alargamento – 1 Janeiro de 1981 
(Europa dos 10) 
Grécia 
3º Alargamento – 1 Janeiro de 1986 
(Europa dos 12) 
Portugal e Espanha 
4º Alargamento – 1 de Janeiro de 1995 
(Europa dos 15) 
Áustria, Finlândia e Suécia 
5º Alargamento – 1 de Maio de 2004 
(Europa dos 25) 
Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, 
Republica Checa, Eslováquia, 
Eslovénia, Hungria, Chipre e Malta 
6º Alargamento – 1 Janeiro de 2007 
(Europa dos 27) 
Bulgária e Roménia
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Portugal no contexto mundial 
Portugal apesar de possuir uma superfície que não chega ao 90 000 km2e a sua população ser 
apenas cerca de 10 milhões de habitantes, tem um papel no contexto mundial que ultrapassa 
estas realidades. 
Em termos linguísticos, verificamos que o português é uma das línguas maias faladas em todos 
os continentes, nomeada nos seguintes países: 
 Brasil – maior número de falantes (cerca de 150 milhões de habitantes); 
 Angola; 
 Moçambique; 
 Guiné-Bissau; 
 São Tomé e Príncipe; 
 Cabo Verde; 
 Timor-Leste – após a independência, adaptou o português com língua oficial e fator de 
identidade cultural. 
Todos estes países e ainda Macau, constituem aquilo que se pode designar de espaço 
lusófono. 
Portugal confer no mundo ainda uma presença de comunidades portuguesas que se enctram 
por todos os continetes, num total de 4 milhões e 800 mil cidadãos, espalahdos por paises 
como os EUA, com 1 milhão e 200 portugeses, até à Siria com 2 ou à Republica da Eslovaquia 
com 5. 
Deste modo Portugal juntamente com a ligua portugesa, constitui um marca no mundo de 
importante que ultrapassa a sua dimensão natural.
A criação da Organização das Nações Unidadas (ONU) vissou uma logica mundial que emanou, 
na decada de 50, com a constituição de dois grandes blocos politico-militares, 
respectivamente: 
 NATO ( liderada pelos EUA); 
 Pacto de Varsovia (dominado pela extinta União Soviética). 
Portugal torna-se membro por razões politicas e geoestrategicas, em 1949, membro fundador 
da NATO/OTAN (Organização de Atlântico Norte) 
Este ornagização tinha, inicialmente, uma tendência de ambito politico-militar, incluindo 
países ocidentais de frente altântica, numa prespectiva de defesa deste espaço face ameaça 
do outro bloco, o Pacto de Versovia. 
Com as alterações a leste ds anos 90, assistiu-se a uma alargamento desta organização a novos 
países como a Polónia, a Hungria e a República Checa. Recentemente aprofundou-se esse 
alargamento a novos Países de Leste. 
A organização das nações unidadas foi fundada em 1945, mas portugal só se tornou membro 
em 1955. Esta adesão visava quebrar o isolamento politico em que o páis se encontrava , facto 
que na pratica só consegui após o 25 de Abril de 1974. 
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Este isolamento comntribuiu para: 
O regime politico que dominava o país; 
A guerra colonial que Portugal manteve com os movimentos de libertação de Angola, de 
Moçambique e Guiné-Bisau (após 1961).
Depois desta data, portugal entrou num num novo perído que assumiu um compromisso como 
membro da comnindade internacional. Ao longo do tempo foi tomando posição nos 
organismos internacionais, e no que se refere à ONU, no nosso país desempenhou o cargo de 
membro não pertencente do Conselho de Segurança (órgão mais importante da organização) 
entre 1979 e 1980 e mais recentemente em 1997 e 1998. 
15 
A “nova” posição de Portugal no mundo 
A intragação de portugal no contexto mundial teve, como já foi referido, o sei inicio no pós - 
guerra, com a adessão a NATO em 1949, à ONU em 1955 e à EFTA 1960. Após o 25 de Abril de 
1974 existiu uma abertua total do nosso país a comunidade internacional e às vairias 
organizações. 
Principais organizações mundiais e europeias 
de que o estado português é membro 
Siglas e nomes das organizações 
Data da 
criação 
Data da adesão 
de Portugal 
OIT Organização Internacional do Trabalho 1919 1920 
BIRD 
Branco Internacional de Reconstrução e 
Desenvolvimento 
1944 1961 
FMI Fundo Munetário Internacional 1944 1960 
FAO 
Organização das Nações Unidas para 
Agricultura e Alimentação 
1945 1978 
ONU Organização das Nações Unidas 1945 1955 
OMS Organização Mundial de Saúde 1946 1948 
UNESCO 
Organização das Nações Unidas para a 
Educação, Ciência e cultura 
1946 1965 
GATT 
Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e 
Comercio 
1947 1962 
CE Conselho da Europa 1949 1976 
UEO União da Europa Ocidental 1954 1990 
BEI Banco Europeu de Investimento 1957 1986 
UE União Europeia (antiga CEE) 1957 1986 
OMC Organização Mundial do Comercio (GATT) 1995 1995 
ONU (Organização das Nações Unidas) – Fundada em 1945, na sequência da 2ª Guerra 
Mundial, com o objectivo de criar condições para a manutenção da paz e segurança no mundo, 
zelar pelos direitos fundamentais do ser humano e contribuir para o progresso economico, 
tecnologico, cientifico e cultural. Portugal aderiu em 1955. 
NATO/OTAN – (Organização Tratado do Atlântico Norte) – Organização criada em 1949, a 
seguir a 2ª Guerra Mundial. Establece um pacto militar entre estados-mebros, em caso de 
ataque dos países do Bloco Leste. Portugal integra a NATO desde o momento da sua fundação.
Bloco de Leste – é uma referencia a ex-União Sovietica e os aliados da Europa Central e de 
Leste, durante a Guerra Fria. 
Conselho da Europa – Fundado em 1949, como o objectivo de promover os Direito do 
Homem. Portugal pertence a esta organização desde 1976. 
OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) – Iniciu a sua 
actividade em 1961. 
16 
Os seus objectivos são: 
 Reforçar a economia dos paises-membros; 
 Melhorar a sua eficacia; 
 Promover a economia de mercado; 
 Desenvolver um sistema de trocas livres; 
 Contribuir para o desenvolvimento e industria dos países. 
A OCDE possiblilita aos sens estados-membros discutir, analisar e definir o modo como as 
sias politicas economicas e sociais poderão ser desenvolvidas de uma forma armoniosa e 
eficiente. 
Organiza-se em comités especializados com o ojectivo de proceder a este trabalho, 
desiganadamente ao nível de: 
 Comercio; 
 Merdos financeiros; 
 Ajuda ao desenvolvimento, ambiente e educação. 
Portugal foi membro-fundador da OCDE e tem participado activamente nas atividades ques 
esta organização promove a 40 anos. 
A politica externa de Portugal após o 25 de Abril assumiu três vertentes principais: 
 Manutenção do exio atlântico – que se traduziu no reforço das relações com os EUA e 
Canadá e num grande empenhamento na NATO; 
 Aprofundamento da ligação à Europa, patente na integração em diversos organismos 
como o Conselho da Europa, em 1978, e no pedido de adesão à CEE, que culminou 
com a integração plena em 1986; 
 Desenvolvimento de uma política com os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial 
Portuguesa) que permitisse uma completa reconciliação, após a guerra colonial, e 
permitisse uma estreita ligação entre Portugal e esses novos países de língua 
portuguesa. 
Existiu ainda um aprofundamento das relações de Portugal com outros países, que por 
motivos políticos, não havia relações diplomáticas; foi caso da China, da India e da ex - 
União Soviética. 
Portugal aderiu a Comunidade Económica Europeia, em 1986, que permitiu um 
protagonismo internacional e uma visibilidade muito maior do nosso país no contexto 
internacional.
Em 2002, Portugal foi destacado para a Bósnia-Herzegovina (Kosovo) e para Timor. Existem 
ainda militares portugueses em missões de paz, no âmbito da ONU, em Angola e Sara 
Ocidental. 
O facto de ter constituído o núcleo fundador da EURO, conferiu uma posição de relevo 
dentro da UE e a nível múndia. 
Portugal tem desempenhado um papel importante na dinamização da CPLP (Comunidade 
dos Países de Língua Portuguesa), constituída por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, 
Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. 
Timor-Leste ocupa, neste momento, uma posição de observador. 
CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 
Criada a 17 de Julho de 1996, tende, entre outros objetivos, promover e defender a Língua 
Portuguesa. Transformando-a num instrumento de comunicação para ser utilizada na 
resolução de questões de cooperação entre vários países-membros. 
No contexto desta organização Portugal, pode assumir um papel fundamental, na qualidade de 
interlocutor entre vários países e a comunidade internacional, nomeadamente a União 
Europeia. A cede desta comunidade situa-se em Portugal. 
Portugal tem um conjunto de eventos a nível cultural e desportivo que colocou numa 
posição de realce no contexto internacional. 
Tais como, a Exposição Universal de Lisboa (Expo’98), Lisboa e Porto capitais europeias 
da Cultural, o prémio Nobel da Literatura atribuído a José Saramago, o Campeonato 
Europeu de Futebol (Euro 2004) ou o Luís Figo (melhor jogador mundial), entre outros 
exemplos de protagonismo internacional. 
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Resumindo:
A população, utilizadora de recursos e organizadora de espaços 
A população: evolução e diferenças regionais 
A evolução da população na seguinte metade do seculo XX 
A evolução da população portuguesa na segunda metade do seculo XX 
18 
Portugal no mundo 
A taxa de natalidade (Tn) apresenta grande variação a nível mundial. 
푻풏 (‰) = 
푁 
푃퐴 
× 1000 
N – Nascimentos 
PA – População absoluta 
Tn alta > 30 ‰ 
Tn baixa < 20 ‰ 
Podemos considerar dois grandes grupos de países: 
Os países com taxa de natalidade mais elevada localizam-se, normalmente, no 
continente africano e no Médio Oriente. 
Os países com taxa de natalidade mais baixa situam-se quase exclusivamente no 
hemisfério norte, onde existe um maior desenvolvimento; é caso dos países da UE 
(incluindo Portugal), EUA e do Japão.
19 
Portugal na União Europeia 
O nosso país regista um valor bastante próximo da média da EU, verificando em 
conjunto com Espanha uma das maiores descidas ao nível de natalidade. 
Evolução da Taxa de Natalidade 
Em Portugal a TN tem registado uma descida de muito significativa passando de 24‰ para 
apenas 8,5‰ em 2012. 
Existem vários fatores que têm contribuído para o decréscimo desta natalidade, tais 
como: 
 A diminuição da população rural e o aumento da população urbana; 
 A integração da mulher na vida profissional; 
 A alteração das mentalidades, que se traduziu, entre outros aspetos, numa maior 
utilização dos métodos contracetivos; 
 A emigração para a Europa nos anos 60; 
 E o envelhecimento da população, entre outros. 
A evolução tem decrescido constantemente desde os anos 60, até 1995, em que atingiu o seu 
valor mínimo de 10,8‰. Após esta data verificou-se uma inversão da tendência, registando no 
ano 2000 o valor de 11,6‰, valor que diminui para 8,5‰ em 2012.
20 
Contrastes Regionais 
Tem-se verificado a nível regional contrastes em termos de distribuição da taxa de natalidade: 
 Entre o litoral e o interior, como valores mais elevados a localizarem-se numa faixa 
que se estende do Cávado à península de Setúbal e ao Algarve, a única exceção do 
Baixo Mondego, que regista valores bastante abaixo da média do país, como o interior. 
Por exemplo no Pinhal Interior Sul e na serra da Estrela que registava valores de 7‰ e 
7,7‰. 
 Entre o Norte e o Sul, com valores mais elevados a registarem-se no Tâmega e no Ave 
com valores de 14,6‰ e 13,8‰, bastante acima da média nacional e dos valores do 
Alentejo onde não ultrapassam os 9,5‰. 
 Entre o Continente e as regiões Autónomas, em especial no Açores os valores 
verificam-se superiores em relação ao Continente. 
Contraste da taxa de natalidade entre 1981 e 2012
A variação da taxa de mortalidade em Portugal 
Devidos as melhorias das condições de vida, Portugal tem registado ao nível dos cuidados de 
saúde e da alimentação, a taxa de mortalidade tem atualmente demonstrado uma tendência 
para crescer, ligeiramente, em consequência do envelhecimento da população. 
푻풎(‰) = 
푀 
푃퐴 
21 
× 1000 
M – total de óbitos 
PA – População absoluta 
Tm alta > 15‰ 
Tm baixa < 10‰ 
Portugal no Mundo 
A taxa de mortalidade (TM) apresenta grande variação a nível mundial. 
Pode-se considerar três grandes grupos de países: 
 Taxas mais elevadas ocorrem nos países menos desenvolvidos dos continentes 
africano e asiático, onde se registam problemas na alimentação e nos cuidados de 
saúde. 
 Taxas mais baixas que ocorrem nos países em desenvolvimento, têm resolvido os seus 
problemas de alimentação e de saúde, em virtude de serem constituídos por 
populações jovens, apresentando um menos números de óbitos. 
 Países mais desenvolvidos registam valores estáveis de mortalidade, uma vez que o 
envelhecimento da população e a morte natural por velhice são compensados por 
excelência de cuidados de saúde e alimentação. 
Portugal tem vindo a integrar este grupo de países ainda que não possua o mesmo 
nível de cuidados de saúde e de acompanhamentos aos idosos. 
Taxa de mortalidade infantil no mundo.
22 
Portugal na União Europeia 
Na UE, Portugal registou no ano de 2001, uma taxa de mortalidade de 10,2‰, o mesmo valor 
do ano de 2012, valor ligeiramente superior à média da UE que é de 9,9‰. O nosso país é dos 
que apresenta valores mais altos, que são superados pelos Países do Norte da Europa. 
Esta situação é devida ao desenvolvimento económica dos nossos parceiros, que se traduziu 
numa melhor assistência medica e num acompanhamento aos idosos. 
Evolução da taxa de mortalidade 
Em Portugal a taxa de mortalidade não regista uma grande tendência tão clara como a taxa de 
natalidade, uma vez que se juntam fatores que, por um lado a fazem descer e por outro são 
responsáveis para o seu aumento. 
Período pós-1960, que se verifica uma tendência geral que indica uma descida; deste modo a 
taxa de mortalidade desde de 11,1‰ em 1961 para 9,31‰ (o valor mínimo que se regista em 
1982). 
Fatores que tem contribuindo para o decréscimo da taxa são os seguintes: 
 Uma melhor alimentação; 
 Cuidados de saúde mais eficazes; 
 Uma rede de vacinação infantil generalizada a quase a toda a população; 
 Maior números de partos que ocorrem em maternidades; 
 Abastecimento de água canalizada na maior parte das habitações. 
Este período corresponde até a atualidade, após um ligeiro aumento, a taxa de mortalidade 
estabilizou-se em torno dos 10,5%, tendência essa que coloca nos países mais desenvolvidos. 
Isto é devido ao envelhecimento da população resultante das maiorias dos cuidados ao nível 
da saúde. 
Evolução da taxa de mortalidade em Portugal (1980/2012)
23 
Contrastes Regionais 
Em Portugal a taxa de mortalidade apresenta importantes diferenças. 
Litoral-interior mas também Norte-Sul (com valores mais elevados a registarem-se no Baixo 
Alentejo, 17,6‰, e nos mais baixos no Ave, 7,5‰). 
A principal cauda desta variação deve-se com as diferenças ao nível do envelhecimento da 
população, superior no interior do país (Alentejo e Pinhal ) e inferior no Norte litoral, onde 
ocorrem as mais elevadas taxas de natalidades. 
Variação da taxa de crescimento natural e da taxa de crescimento efetivo em Portugal 
Taxa de crescimento natural – diferença entre a taxa de natalidade e taxa de mortalidade. 
퐂퐧 = N − M 
Contrastes entre países: 
Países desenvolvidos registam valores muito baixos ou mesmo negativos de crescimento 
natural. 
Países menos desenvolvidos apresentam valores muito elevados, devido sobretudo às 
elevadas taxas de natalidade, e localizam-se, no continente africano e no Médio Oriente. 
Taxa de crescimento natural do mundo 
Evolução da taxa de crescimento natural em Portugal 
A evolução da taxa de crescimento natural em Portugal tem tido um decréscimo de taxa de 
natalidade, desde de 1960, quando o valor era de 13,37‰, para 0,7‰ em 2001. 
Portugal continua a registar um decréscimo de crescimento natural positivo, destacando-se 
assim de alguns países europeus que registam valores negativo como os casos de Itália, da 
Alemanha ou da Suécia.
24 
Evolução da taxa de crescimento efetivo 
Crescimento efetivo – é um indicador que nos permite saber qual foi o grau de crescimento ou 
de diminuição da população. 
푻풂풙풂 풅풆 풄풓풆풔풄풊풎풆풏풕풐 풆풇풆풄풕풊풗풐 = 푇. 퐶푟푒푠푐푖푒푚푛푡표 푁푎푡푢푟푎푙 + 푇. 푐푟푒푠푐푖푚푒푛푡표 푀푖푔푟푎푡ó푟푖표 
A evolução da taxa de crescimento efetivo regista uma variação de forma contrária à taxa de 
crescimento natural. Deste modo, a taxa de crescimento natural tem vindo a descer (devido a 
quebra de natalidade), a taxa de crescimento efetivo tem sido francamente negativa nos anos 
60 e início dos anos 70 (o valor mínimo registou em 1966, com -0,84‰), em resultado da 
emigração para a Europa. Portugal recuperou o aumento dessa taxa no período de 1975- 
1985, com o regresso das populações das ex-colónias e o fim do surto migratório. 
Nos anos 90, Portugal passa de país de emigrantes para destino migratório. Esta emigração 
vem dos PALOP (em especial Cabo Verde) do Brasil, e ainda de Leste (Rússia, Ucrânia e 
Moldávia). Estas pessoas vêm essencialmente, para construção civil e obras públicas (Ponte 
Vasco da Gama, Expo’98 e Euro 2004. 
Este movimento fez com que a taxa de crescimento efetivo seja de 0,8‰ em 2001. 
Contrastes regionais 
As taxas de crescimento natural e efetivo não diferem muito em termos de contrastes 
regionais. 
Os contrastes entre o litoral e o interior permanecem, e o facto mais relevante consiste numa 
evolução positiva em algumas regiões litorais como o Baixo Vouga, o Pinhal Litoral e o Oeste 
que apresentam valores superiores ao crescimento natural, o que evidencia uma capacidade 
atrativas por parte destas regiões. 
Variação da esperança média de vida em Portugal 
A esperança média de vida, constitui um indicador demográfico e contempla uma dimensão de 
cariz socioeconómico muito importante e que não pode deixar de ser levada em conta. 
Portugal no Mundo 
Apesar de revelar carências ao nível socioeconómico, tem uma taxa que nos coloca dentro dos 
grupos de países desenvolvidos.
A nível mundial são visíveis os seguintes contrastes: 
Países desenvolvidos – Europa, América do Norte (EUA e Canadá), Japão, Austrália e Nova 
Zelândia. 
 Esperança média de vida: aproximadamente os 77 anos; 
 Cuidados de saúde avançados; 
 Apoio a terceira idade e uma melhoria generalizada da qualidade de 
25 
vida das populações. 
Este aumento tem unido com quebras registadas de natalidade, que tem como 
consequência o envelhecimento da população nestes países. 
Países menos desenvolvidos – Africa e Asia Ocidental (onde o indicador é inferior a 50 
anos) 
 Carências alimentares; 
 Falta de cuidados de saúde; 
 Por vezes conflitos armados. 
Na maioria dos países, as mulheres vivem em média mais do que os homens. No entanto 
existe algumas exceções, como é o caso dos países do Medio Oriente e do Sul da Asia (como 
consequência de a mulher ter muitos filhos ao longo da vida). 
Distribuição da esperança média de vida no mundo. 
Portugal na União Europeia 
Apesar de registar o maior crescimento no período de 1960 e 2001 (passou de 61,2 para 73,5 
em 2001), continuamos com valores mais baixos de esperança média de vida da UE. Este valor 
indica o atraso que o nosso país continua a registar comparativamente aos outros países 
(ainda com alguma recuperação) a nível socioeconómico.
26 
Evolução da Esperança Media de Vida 
Tem tido no nosso país um sinal claro da sua evolução a nível do desenvolvimento. A análise 
da sua evolução desde 1920 permite-nos verificar que houve uma duplicação deste indicador 
que passou de 35,8 para 73,5 anos dois e 80,3 nas mulheres. Este aumento tem sido lento nos 
últimos 20 anos. 
Fatores que tem contribuído para o aumento da Esperança média de vida: 
 Alimentação mais rica e variada; 
 Cuidados de saúde avançados e mais eficazes (mais generalizados à totalidade da 
população); 
 Apoio a terceira idade; 
 Melhor qualidade de vida das populações. 
Contraste Regionais 
Embora os contrastes não sejam muito relevantes, há uma maior tendência para que a 
esperança média de vida se situe no litoral de Portugal. (em especial nas áreas metropolitanas 
de Lisboa e Porto) comparando com o interior do país. Isto deve-se aos cuidados hospitalares e 
um melhor nível de vida, associado a um maior envelhecimento que se regista nestas regiões. 
Taxa de mortalidade – Numero de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade, por cada 
mil nascimentos de vivos. 
Taxa de Mortalidade Infantil em Portugal 
Esta taxa é semelhante a da esperança média de vida, é um indicador que ultrapassa a simples 
parte demográfica. A análise desta taxa permite verificar a evolução dos níveis de 
desenvolvimento do país. 
푻풎풊(‰) = 
푀(0 − 1 푎푛표) 
푁 
× 1000
27 
Portugal no Mundo 
Este indicador é importante, pois reflete o estado de desenvolvimento da sociedade. 
Este indicador é dividido em dois tipos de grupos de países: 
Países mais desenvolvidos – Europa, América do Norte e Oceânia, que apresentam baixos 
índices de mortalidade infantil. Portugal faz parte deste grupo de países. 
Países menos desenvolvidos – Africa, alguns países da América Latina e o sul da Asia, onde se 
pode verificar os níveis mais elevados de mortalidade infantil. 
Distribuição da taxa de mortalidade no mundo. 
Portugal na União Europeia 
Portugal regista o maior decréscimo da taxa de mortalidade infantil nos últimos anos, 
aproximando-se da média da UE. 
Evolução da Taxa de Mortalidade Infantil 
Esta taxa tem tido uma evolução que tens constituído num constante e alimentado o 
decréscimo. 
Fatores que tem contribuído para esse decréscimo: 
 Cuidados na gravidez (realização de exames de diagnostico, analises, ecografias, etc.); 
 Acompanhamento na fase de pré e pós-parto; 
 Partos assistidos (em maternidades e hospitais); 
 Melhor alimentação da mãe e dos recém-nascidos; 
 Vacinação infantil; 
 Melhores condições de vida (agua canalizada, melhores habitações).
28 
Contraste Regionais 
A distribuição da taxa de mortalidade infantil regista variações importantes. 
Os principais contrastes ocorrem entre o Litoral sul e o Norte interior e ainda alguns sectores 
do litoral (Cávado e Entre Douro e Vouga). 
Os valores mais altos ocorrem na Beira Interior Norte (10‰), Açores (9,9‰) e Cávado (8,8‰), 
enquanto os mais baixos situam-se no Baixo Alentejo (1,8‰), na Cova da Beira (2,5‰) e na 
Lezíria do Tejo (3,5‰). 
As causas destas diferenças devem-se: 
 Baixa de natalidade que reduzindo o número de partos também reduz as carências 
que ainda permanecem em algumas zonas do país. 
 A manutenção dos partos no domicílio. 
Este costume, embora tenha diminuído, ainda continua-se a fazer em algumas zonas rurais do 
Centro interior e do Norte do País.
29 
Índice sintético de fecundidade 
Número de filhos que cada mulher tem, em média, durante a sua vida fecundada (dos 15 anos 
aos 49). 
Taxa de fecundidade = 풏º 풅풆 풏풂풅풐풔 −풗풊풗풐풔 
풏º 풅풆 풎풖풍풉풆풓풆풔 풆풎 풊풅풂풅풆 풑풐풓풄풓풊풂 (ퟏퟓ 풂풐풔 ퟒퟗ 풂풏풐풔) 
Causas do declínio do Indicie Sintético de fecundidade e da Taxa de Natalidade: 
 Crescente integração da mulher no mercado de trabalho; 
 Preocupações com a carreira profissional, situação que prolonga o período de 
formação e conduz ao casamento mais tardio; 
 Preocupação com a educação e o bem-estar dos filhos, exigindo investimentos cada 
vez maiores; 
 Acesso a métodos contracetivos mais eficazes; 
 Mudança de mentalidade e de filosofia de vida, incompatível com o número elevado 
de filhos. 
 Crescimento da taxa de urbanização que leva ao aumento de dificuldade para 
aquisição de habitação e no aumento do stress pela vida na cidade. 
Índice de renovação de gerações – número médio de filhos que cada mulher devia ter durante 
a sua vida fértil, para que as gerações pudessem ser substituídas. 
Saldo migratório 
A evolução da população, ou seja, o seu crescimento efetivo, não se explica unicamente pelo 
crescimento natural. Mas também pelo saldo migratório (SM), isto é, pela diferença entre o 
numero de imigrantes e o numero de emigrantes registados num dado tempo. 
푠푎푙푑표 푚푖푔푟푎푡표푟푖표 = 푖푚푖푔푟푎çã표 – 푒푚푖푔푟푎çã표
Taxa de crescimento migratório – saldo migratório durante um ano civil, referido à população 
média nesse período. 
30 
푇퐶푀 = 
퐼 − 퐸 
푃표푝푢푙푎çã표 푎푏푠표푙푢푡푎 
× 1000 
Tradicionalmente, Portugal pode ser considerado país de emigração, devido a nossa economia 
e desenvolvimento. 
Emigração permanente – Saída de população para outros países por período superior a um 
ano. 
Emigração temporária – saída de população para outros países por período igual ou inferior a 
um ano. 
Emigração sazonal – saída da população para outros países em determinadas estações do ano, 
para realização de trabalho, sazonais (por exemplo: vindimas, turismo balnear, etc.).
As estruturas e comportamentos sociodemográficos 
Estrutura etária de uma população consiste na sua repetição por grupos de idades e sexo. A 
sua análise é muito importante para a caracterização de uma população, nomeadamente no 
planeamento de determinados equipamentos coletivos no sector da saúde, educação e 
segurança social: Creches, escolas e lares de idosos. 
Há três grandes grupos etários na estrutura da população: 
 Os jovens dos 0 – 19 anos; 
 Os adultos dos 20 – 65 anos; 
 Os idosos com + de 65 anos 
 É através do número de efetivos de cada um destes grupos que se avaliam as 
características de determinada população, dependendo de fatores como a natalidade, 
a mortalidade, a fecundidade, a esperança média de vida ou ainda os fluxos 
migratórios. 
Pirâmide etária ou de idades de Portugal, de 1960 – 2000 
31
Existem quatro tipos de pirâmides etárias, classificadas quanto a sua forma: 
Pirâmide jovem ou crescente – base larga e um topo estreito. 
 Característica de um país menos desenvolvido com elevadas taxas de natalidade e 
esperança média de vida baixa. Existe um grande predomínio de jovens deste tipo de 
população. 
Pirâmide adulta ou de transição – zona central quase tão estreita quando a base. 
 De países em desenvolvimento que registam uma quebra da natalidade e um alto 
valor de adultos. Com a vantagem de registar uma taxa elevada de atividade, devido 
ao número de adultos. 
Pirâmide idosa ou decrescente – base estreia e um topo largo. 
 Característica dos países mais desenvolvidos, que registam desde há muito tempo, 
grandes quebras de natalidade, devido a elevada esperança média de vida. 
 Tem um número significativo de classes ocas (nome que se dá a uma classe que é 
menor que aquela que representa o escalão etário superior). Esta tendência deve -se a 
uma quebra da taxa de natalidade ou da mortalidade ou um fluxo emigratório. 
Pirâmide rejuvenescente – distingue-se da anterior (idosa) pelo aumento significativo e 
recente da natalidade, muitas vezes causadas pela consequência política governamentais 
(politicas natalistas). 
A partir da forma das pirâmides de idades, pode-se determinar as características demográficas 
de uma população, tais como a natalidade e a esperança média de vida. Permite ainda 
observar a relação jovens/idosos, fundamental na tomada de certas decisões politica. 
32
33 
Evolução da estrutura etária em Portugal 
Até a década de 60, Portugal foi um dos países da europa a possuir uma população 
predominante jovem. 
Para este facto contribuíram: 
 Características rurais da sociedade portuguesa; 
 A pouca difusão dos métodos anticoncecionais, devido a razões culturais e religiosas; 
 A fraca presença das mulheres no mercado de trabalho; 
 A elevada natalidade. 
Na década de 60, verificou-se algumas alterações, devido aos seguintes fatores: 
 A guerra colonial; 
 O fluxo migratório para a Europa; 
 Êxodo rural; 
 Fixação das populações nas grandes cidades, Lisboa e Porto; 
 Aumento do número de mulheres a trabalhar; 
 Maior utilização de métodos contracetivos (diminuição dos estratos jovens). 
As mesmas ocorrências aconteceram após o 25 de Abril de 1974, nomeadamente: 
 Alargamento da escolaridade obrigatória de penalização do trabalho infantil; 
 Alterações no modo de vida e na mentalidade das populações, com a integração da 
mulher no mercado de trabalho. 
Estes fatores contribuíram para a diminuição da taxa natalidade, e estratos etários 
mais baixos, deste modo, esta tendência tem atenuação com o regresso das ex - 
colónias, que distribuem por todos os estratos, com grande peso no grupo de menor 
idade e nos adultos jovens. 
Apos a integração na UE, a sociedade portuguesa sofreu transformações que fizeram acentuar 
esta tendência para o envelhecimento, deste modo Portugal tem uma aproximação com a 
Europa devido a sua estrutura etária. Assim: 
 Acentuou-se a diminuição da natalidade 
 Redução da natalidade; 
 Aumento da esperança média de vida (devido a melhoria dos cuidados de saúde e da 
assistência social a terceira idade). 
Estes factos provocam um estreitamento da base da pirâmide (classes etárias com menos de 
15 anos) e um alargamento do topo das classes (acima dos 65 anos).
Estrutura etária de Portugal no contexto da UE 
Portugal pode-se considerar atualmente como um “novo velho”. Isto verificou-se em 2001, 
quando Portugal registou, ao nível da população com idade inferior a 15 anos, valores 
inferiores à generalidade dos países e ao nível da média da UE, 17,3%. 
Em relação a população mais idosa, Portugal, com 16,5% (situa-se acima da media da EU, 
15,8%). Apresenta valores superiores ao Luxemburgo, 14,2% ou os Países Baixos, 13,4%, ou 
países que apresentam recentemente população mais envelhecida que a portuguesa. 
34 
Contraste regionais 
Os contrastes regionais em termos de estruturas etárias são claras e permitem perceber que o 
processo de envelhecimento da população se alastra em todas a regiões de Portugal, havendo 
ainda diferenças entre elas. 
A quebra da taxa de natalidade tem afetado todo o espaço nacional, deste modo não existem 
pirâmides crescentes, logo há uma redução dos efetivos nos estratos mais baixos. 
Na região Centro e Alentejo – diminuição dos efetivos jovens e dos estratos mais idosos, isto 
leva ao aumento significativo do peso dos efetivos no contexto da população. 
Região Norte e Regiões Autónomas – apresentam valores superiores dos efetivos jovens 
Região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve – tem uma posição intermédia, devido à fixação de 
jovens vindos de outras regiões. Atenuando deste modo o processo de envelhecimento da 
população. 
Evolução da estrutura ativa em Portugal 
Estrutura da população ativa (distribuição dos ativos pelos vários sectores de atividade) 
consiste na repartição desta pelos sectores de atividade e por este meio, fornecem-se 
importantes indicadores dobre o desenvolvimento da economia. Ao longo da historia a 
evolução dos sectores de atividade traduziram-se por: 
 Diminuição da população a trabalhar no sector primário à média que o pais se vai 
desenvolvendo (mecanização); 
 Aumento (inicial) do sector secundaria e posterior diminuição em função dos avanços 
tecnológicos; 
 Aumento gradual do sector terciaria que vai incorporando os activos dos outros 
sectores, devido à modernização e à diversificação.
 Setores de atividade económica 
35
Portugal no mundo – regista atualmente uma estrutura da população que se encontra em 
total sintonia com os valores apresentados na Europa. 
36 
Portugal na UE 
A estrutura da população na UE tem acompanhado a tendência dos países desenvolvidos. Esta 
descida de deve-se a descida dos sectores primário e secundário e pelo aumento do terciário. 
Portugal apresenta um atraso em relação a UE, relativamente a esta tendência. Embora tenha 
uma diminuição do sector primário, continua-mos a ter (12,5%), valor bem acima da União 
(4,7%). Pelo contrario, o sector terciário em Portugal, com 53%, continua a quem, da media da 
União que é 65,7%. 
Entres os vários países da UE, podemos formar três grupos correspondentes a três níveis de 
desenvolvimento: 
Países mais desenvolvidos – apresentam um número reduzido de ativos no sector primários e 
um elevado no terciário 
Países de desenvolvimento médio - com valores baixos no sector primário, mas superiores aos 
dos mais desenvolvidos. 
Países de menor desenvolvimento – apresentam um número significativos no sector primário. 
Taxa de atividade em Portugal 
Taxa de atividade – total de ativos por cada 100 habitantes. 
푇퐴(%) = 
푝표푝푢푙푎çã표 푎푐푡푖푣푎 
푃퐴 
× 100 
Em Portugal a evolução da população ativa tem sido mais tardia e lenta comparando com os 
países desenvolvidos. Tem tido um tendencial geral e apresenta a seguinte variação: 
 Sector primário (era de 50% - 1950, em 2001 era de 12,5%) – diminuição significativa 
deste setor primário na segunda metade do seculo XX. 
Isto deve-se ao progressivo abandono dos campos, para as áreas urbanas 
assim como para o estrangeiro. 
Também a modernização da agricultura (mecanização) e a as reestruturações 
do sector após a adesão da UE. 
 Sector secundário – (nos anos 50 era de 20,4% e atualmente é de 34%, tendo o valor 
mais elevado 1981, com 38,9%, aproximando-se com os valores dos países 
desenvolvidos. 
 Sector terciário – nas mesmas datas passa para o dobro, de 26,3% para 53,5%, 
assumindo como principal sector de emprego.
37 
Contrastes regionais 
Verifica-se, assim, diferentes dinâmicas nas várias regiões a nível nacional, tais como: 
 Região de Lisboa e Vale do Tejo – apresenta valores mais próximos dos países 
desenvolvidos, ou seja, baixos no sector primário e mais altos elevados no terciário 
com a presença importante do sector secundário. 
 Região do Algarve e da Madeira (grande presença da actividade turística), Alentejo e 
Açores verifica-se um predomínio do sector terciário, mas uma forte presença no 
primário. 
 Região Norte – região de maior presença industrial, deste modo o sector secundário 
que é equiparado ao sector terciário. 
 Região Centro – sectores que apresentam uma distribuição mais equilibrada, com 
presenças significativas de todos os sector, havendo ainda o predomínio do terciário. 
Nível de instrução e qualificação 
O nível de instrução e o nível de qualificação profissional é um facto fundamental para no 
desenvolvimento dos países. O modelo japonês é um bom exemplo, assente numa for te 
escolarização e qualificação da sua população, como recursos estratégicos no crescimento 
económico e no desenvolvimento deste país, apos a 2ª Guerra Mundial. 
Portugal tem registado grandes limitações neste sector, facto que tem contribuído para o seu 
atraso em termos de desenvolvido. 
Portugal no Mundo 
A taxa de alfabetização (nº de pessoas que sabem ler e escrever em cada 100 habitantes) , 
constitui um indicador muito importante na aferição dos contrastes a nível mundial de 
instruções das populações. Os contrastes existentes estabelecem três grupos de países que 
são: 
 Países desenvolvidos da Europa (incluindo Portugal), da América do Norte e da 
Oceânia juntam-se ainda países como Argentina, o Chile, Cuba, a Coreia do Sul, o 
Japão ou Singapura, com valores acima dos 90%, havendo mesmo casos de 100%. 
 Países em desenvolvimento, localizados na América do Sul, em Africa e na Asia, que 
apresentam valores intermédios. 
 Países africanos e do sul da Ásia, com valores muito baixos, revelando o seu menor 
desenvolvimento.
38 
Evolução do Grau de Instrução em Portugal 
Apesar de continuar atrasado aos países desenvolvidos da Europa e do Mundo, Portugal tem 
registado um grande desenvolvimento a nível de instrução da sua população. 
Assim, em 1960 a quantidade de população sem ensino primário atingia 61,4%, enquanto o 
ensino superior se limitava apenas a 0,6% da população portuguesa. 
Em 2001 estes valores são de 12,4% no primeiro. Relativamente à população com curso 
superior é de 6,0% e a frequentar 3,8%. 
Estes valores indicam uma franca melhoria dos níveis de instrução para os quais contribuem 
fatores como o alargamento da escolaridade obrigatória, que era inicialmente de 4 anos (até 
1964), de 9 anos em 1986 e 12 anos em 2012. 
Outro facto importante é a valorização social da instrução e a penalização do trabalho infantil. 
Os principais problemas sociodemográficos 
Existem vários problemas sociodemográficos, tais como: 
 Envelhecimento da população; 
 O declínio da fecundidade; 
 O baixo nível educacional; 
 O desemprego, entre outros. 
Portugal do Mundo 
A população com mais de 65 anos constitui um excelente indicador para conferir o grau de 
envelhecimento da população. Em termos mundiais regista-se um contraste entre: 
 Países desenvolvidos – nomeadamente os da Europa e Portugal (incluído apesar do 
seu tardio envelhecimento), a América do Norte, a Oceânia, o Japão e ainda a 
Argentina, resistam valores de população idosa superior a 15% da população total; 
 Países em desenvolvimento – onde existem políticas de diminuição da natalidade, que 
se situam numa situação intermedia. 
 Países menos desenvolvidos – continentes africano e asiático, com valores baixos de 
população idosa (inferiores a 10%). 
Portugal na UE 
A UE tem um espaço com população muito envelhecida, isto leva a quebras na natalidade e 
também ao aumento da esperança média de vida, o que leva a melhoria da qualidade de vida. 
Entre 1960 e 1997, segundo o Eurostat, no conjunto dos países da união, a população com 65 
e mais anos passa de apenas para10,6% para 15,8.
39 
Evolução do envelhecimento em Portugal 
Índice de envelhecimento – relação de população idosa (65 anos ou mais) e a população 
jovem (menos de 15 anos), por cada 100 indivíduos. 
I. Env.= 
푃표푝. (≥ 65) 
푃표푝. (−15) 
× 100 
Este indicador é o que melhor representa o grau de envelhecimento da população. 
Entre 1960 e 2001, verificou-se um registo de aumento crescente e constante até aos dias de 
hoje, deste modo os idosos ultrapassam os mais jovens. 
Neste período verificou-se um valor triplo, passando de 27,3 para 103,6%. 
As causas desde processo são várias, entre elas estão: 
 Quebra de natalidade; 
 Aumento da esperança média de vida; 
 Emigração, que afetou sobretudo os adultos jovens; 
 E a crescente urbanização/terciarização da sociedade portuguesa.
40 
Contrastes regionais 
Ao analisar a distribuição do índice de envelhecimento, nas NUT III, verifica-se que o número 
de idosos já ultrapassa os jovens. Assim temos: 
 Interior e algumas regiões do litoral centro e sul – o índice ultrapassam os 100% (nº 
de idosos que são o dobro dos jovens), sendo o valor máximo na Beira Interior Sul com 
2018,9%. 
 Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve - com valores, com a consequência de 
atração de população em idade jovem que se desloca para estas regiões, em busca de 
emprego e qualidade de vida superior, o que diminui o envelhecimento. 
 No litoral, em especial no Norte e ainda nas regiões Autónomas – é onde se regista o 
predomínio dos jovens relativamente a idosos, a causa é a elevada taxa de natalidade 
superior nestas regiões.
Variação dos incides de dependência em Portugal 
Índice de dependência total – Percentagem de dependestes em relação a população adulta. 
41 
퐼푑푡 = 
푃표푝. < 15 + 푝표푝. ≥ 65 
푃표푝. 15 − 65 
× 100 
Nos últimos 50 anos Portugal, registou a seguinte tendência: 
O Idt tem vindo a diminuir lentamente (passou de 59,1% para 48,1%), depois do período de 
crescimento. Isto deve-se: 
 Saída da população em idade ativa (emigração para a Europa), no período da década 
de 60 até meados da de 70. 
 Quebra de população jovem, o que leva ao aumento da população idosa. 
Declínio da fecundidade 
É atualmente um dos principais problemas demográficos com que o nosso país se debate. A 
queda da taxa de fecundidade tem sido regular desde há cinco décadas. 
A quebra na natalidade e profundas alterações socioculturais (aumento da população urbana, 
feminização da mão-de-obra e o uso generalidade dos meios contracepetivos) são os principais 
fatores. 
54ghPortugal no Mundo 
É essencial que as gerações velhas sejam substituídas pelas novas, é importante que a relação 
entre o total de nascimentos e a população feminina em idade de procriar (dos 15 anos aos 49) 
seja igual ou superior a 2,1 filhos. Assim é designado o índice de renovação de gerações, 
sendo muito importante na caracterização demográfica de um país. 
Devido a consequência de comportamentos demográficos, há dois grandes grupos de países 
com características diferentes: 
 Países menos desenvolvidos – valor elevado, pelo que a renovação de gerações está 
assegurada. 
 Países mais desenvolvidos (dos quais Portugal) – apresentam valores baixos, deste 
modo as gerações nem sempre estão garantidas. Esta situação pode comprometer o 
futuro destas populações.
42 
Portugal na UE 
Na UE o decréscimo da fecundidade tem sido constante. 
Houve um decréscimo para metade no índice sintético de fecundidade (numero de crianças 
que, em media cada mulher tem durante a sua vida fecundada (15 – 49 anos) para os 2,5 filhos 
por mulher (valor este suficiente para garantir a substituição de gerações) para 1,5 em 1998. 
Em 1960 Portugal, registava um valor de 3,1 filhos por mulher, numero que era superado pela 
irlanda, uma valor igual ao da media da União, ou seja 1,5 filhos por mulher, facto que 
demostra que o nosso país regista um decréscimo de fecundidade. 
Os valores mais elevados continuam a ser os da Irlanda, com 1,9 filhos por mulher (ainda assim 
inferior ao mínimo necessário). 
Valor mais baixo é o de Espanha e Itália com apenas 1,2 filhos por mulher em idade fértil. 
Evolução do índice de fecundidade em Portugal 
O índice sintético de fecundidade, como o nome indica, é a media de filhos que mulher pode 
ter durante o período fértil. 
Em Portugal este indicador tem vindo a descer de forma quase continua desde 1960 até 1995, 
altura em que regista uma certa recuperação. 
Esta tendência de recuperação prede-se com a ligeira subida registada na natalidade, em 
especial no estrato das mulheres entre os 30 e 34 anos. 
Baixo nível educacional 
Portugal contínua apresentar um conjunto de indicadores que o coloca abaixo do nível 
educacional dos restantes países desenvolvidos. Apesar dos progressos neste sector, 
nomeadamente: 
 Diminuição da taxa de analfabetismo; 
 Aumento da taxa de escolarização; 
 Aumento do número de anos de escolaridade obrigatória. 
Portugal no mundo 
Comparando com os anos de escolaridade obrigatória nos diferentes países do mundo, 
verificamos, que o nosso país continua a ocupar uma posição intermedia no contexto mundial, 
registando valores inferiores aos dos países desenvolvidos, com Países Baixos, Bélgica ou 
Alemanha. 
Estas dificuldades estruturais na educação implicam que se compare a nível geral de formação 
em Portugal, com o predomínio de 90% do ensino básico e atualmente o ensino secundário ou 
até mesmo o ensino profissional. Fica um pouco aquém dos países mais desenvolvidos com a 
Alemanha ou Reino Unido, onde os valores ficam abaixo dos 50% da população total.
A escolaridade em Portugal é obrigatória e deve ser um direito de todos, previsto a 
Constituição da República. Do ponto de vista regional ainda é possível assistir a alguns 
contrastes em termos de equipamentos de ensino. 
Tem sido ao longo do tempo uma preocupação das autarquias locais aumentar o número de 
equipamentos de educação (como campos desportivos e pavilhões, entres outros), constando 
dos seus PDM (Plano Diretor Municipal). Estes valores não permitem verificar o estado dos 
equipamentos, nem a qualidade dos mesmos em termos de subequipamentos, como as 
bibliotecas, as infraestruturas desportivas ou laboratórios. 
43 
O Desemprego 
Constitui, sem qualquer dúvida, um problema socioeconómico de profundas implicações. 
A sua origem pode ter varias causas e varia consoante o grau de desenvolvimento do país. 
Quando se analisa este problema a nível mundial, devemos ter em conta as especificidades 
regionais. 
Portugal no Mundo 
Pode existir diferentes factores que condicionam, o desemprego: 
Países menos desenvolvidos – têm precários sistemas estatísticos, pelo que o desemprego 
aparece subavaliado. Países situados na Africa e na Asia que apresem valores de desemprego 
superiores registados, nestes países há uma presença de emprego temporário, trabalho 
infantil e outras formas de trabalho precário são uma realidade. Nos países mais desenvolvidos 
é menos frequente este tipo de situações. 
Países mais desenvolvidos – com realidade diferentes conforme a situação de 
desenvolvimento da sua economia, entre cerca de 20% de taxa de desemprego registada em 
Espanha e os 3,4% no Japão existe uma grande diferença. 
Portugal na UE 
O desemprego é um problema que afeta toda a União, pois além de um problema económico, 
devido a sua grande quantidade de recursos financeiros necessária para o pagamento de 
subsídios, é também, um grave problema social pelas implicações que tem junto das 
populações que são afetadas por ele. 
Evolução do Desemprego em Portugal 
A evolução da taxa de desemprego em Portugal, caracterizou-se por: 
Crescimento até 1986 – consequência das alterações económicas após o 25 de Abril e 
agravadas pela diminuição do surto emigratório e pelo regresso dos “retornados” das ex - 
colónias. 
Decréscimo no período entre 1986 e 1992 – altera da adesão a UE e a chegada de incentivos 
económicos criaram muitos postos de trabalho.
Novo crescimento entre 1991 e 1996 – consequência da crise económica nos países mais 
desenvolvidos, nomeadamente na União, EUA e Japão que constituem os principais 
investidores e clientes de Portugal. 
Novo decréscimo até 2000 – tem como fatores o crescimento económico resultante do II QCA 
(quadro comunitário de apoio) e realização de várias obras públicas (Expo’98, Ponte Vasco da 
Gama ou a Barragem do Alqueva). 
Rejuvenescimento e valorização da população 
44 
Os tipos de políticas demográficas 
Políticas demográficas – conjunto de medidas e de programas, implementados pelos governos, 
tem em vista estimular ou inibir a natalidade. 
Existem dois tipos: 
 Politicas antinatalista – visa reduzir de forma significativa as taxas de natalidade 
verificada. É nos países menos desenvolvidos onde há excesso de nascimentos onde as 
medidas tornam-se necessárias. (por exemplo a China). 
 Politica natalista – pretende aumentar os índices de natalidade existente. Caso dos 
países desenvolvidos, com problemas de envelhecimento da população. 
Países industrializados confrontam-se com problemas demográficos de outra ordem: um 
envelhecimento das populações, resultante da diminuição da natalidade associadas ao 
aumento da esperança média de vida. Esta situação leva a problemas sociais e económicos 
como o aumento da população idosa (reformados), este aspeto origina grandes encargos nos 
sistemas de segurança social que entram, muitas vezes em reputa ou mesmo falência. 
As políticas natalistas tem a finalidade de incentivar o aumento da natalidade, e têm sido 
implementadas nos países da Europa do Norte e Ocidental, países como Taiwan ou Singapura. 
Existem medidas pró-natalistas, estas estão em destaque: 
 Subsídios progressivos atribuídos aos casais a partir do primeiro filho, atingindo 
valores elevados a partir do quarto filho; 
 Serviços médicos e materno-infantis totalmente gratuitos; 
 Alargamento do período de licença de parto para os pais, podendo usufruir desta o pai 
ou mãe; 
 Incentivos fiscais atribuídos a famílias numerosas; 
 Facilidade do acesso à habitação, compatíveis com o alargamento do agregado 
familiar; 
 Redução do horário e atribuição de subsídios para a mãe no período de amamentação; 
 Legislação laboral que protege a mulher durante a gravidez e no período pós-natal.
Os resultados destas medidas nem sempre tem sido o esperado pelos governos, pois alguns 
aspetos tem-no impedido: 
 Casamentos tardios; 
 Redução do número de filhos por casal; 
 Aumento das atribuições profissionais das mulheres; 
 Novos comportamentos sociais, nomeadamente casais a viverem em coabitação, o 
aumento de famílias monoparentais, entre outras. 
45 
Políticas demográficas em Portugal 
Devido à sua evolução demográfica (população não muito envelhecida até aos anos 80/90), 
Portugal não sentiu durante esses anos necessidade de implantar este tipo de iniciativas. 
No decorrer da década de 90, para atenuar o envelhecimento crescente, verificado, o Estado 
introduziu alguns mecanismos de apoio à mãe durante a gravidez e após o parto. Prevendo 
futuramente criar esquemas fiscais de incentivo aos casais com mais de 2 filhos. 
Incentivos a natalidade 
Portugal, durante um período mais longo do que os outros países da Europa, manteve uma 
elevada fecundidade devido aos seguintes fatores: 
 A sociedade era predominantemente rural até a década de 60; 
 A utilização de meios contracetivos era muito limitada; 
 Grande influência da igreja católica que condicionava a contraceção; 
 Número de mulheres a trabalhar fora de casa era relativamente restrito. 
 Escolaridade obrigatória era de 4 anos passando depois para 6. 
Esta situação, e o constante envelhecimento da população, motivou Portugal a tomar medidas 
e incentivos à natalidade. 
A União Europeia 
Entre as medidas implementadas pelas União, inclui-se a regulamentação das licenças de 
parto. 
Esta regulamentação indica dois sentidos principais: 
 Alargamento do período pós-parto, aumentando assim o tempo em que a mãe está 
com a criança; 
 Possibilidade de usufruto desta licença pelo pai , aumentando por isso a paridade entre 
mulher e homem. 
Também legislação de proteção à família, aumento dos direitos para as mulheres gravidas 
em termos laborais, visam e permitem, de algum modo, estimular a natalidade.
46 
Qualificação da mão-de-obra 
Reconhecendo que os níveis de instrução e o grau de qualificação da mão-de-obra em Portugal 
constituíam um dos maiores embaraços no desenvolvimento do país, compreende -se que a 
valorização da qualificação da mão-de-obra é hoje fundamental para o desenvolvimento do 
mesmo. Comparando os valores de custo de hora de trabalho nos finais dos anos 90, verifica-se 
que Portugal apresenta o valor mais baixo da “Zona Euro”. 
Eis algumas medidas que poderão contribuir para uma valorização da qualificação da mão-de-obra, 
que garanta um modelo de desenvolvimento menos sustentável para Portugal: 
 Aposta no sector de educação – apesar de grande evolução registada da despesa (em 
1972 era de 1,5% do PIB enquanto em 2000 era de 5,8%), ficamos muito a quem dos 
países desenvolvidos; 
 Aumento das habilitações gerais da população – no que diz respeito à quantidade de 
portugueses com curso superior, é um facto que hoje já se regista, ainda que 
continuamos a ser o país com menos licenciados da UE. 
 Aposta no ensino técnico-profissional – que enriqueça o país com técnicos 
qualificados; 
 Aposta na formação profissional e na requalificação dos trabalhos menos qualificados; 
 Aposta na investigação científica e tecnológica; 
 Criação de centros tecnológicos; 
 Desenvolvimento do ensino a distância.
A distribuição da população portuguesa 
A densidade populacional em Portugal, face aos resultados do Censo de 2001, é de 108 
hab./km2. 
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47 
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A distribuição da população na superfície da Terra regista grandes disparidades, cujas causas 
se predem com dois tipos de fatores: 
 Físicos – clima, relevo, posição geográfica, entre outros; 
 Humanos – atividades económicas, vias de comunicação, passado histórico, condições 
politica, etc. 
Não sendo possível justificar totalmente as causas da distribuição da população mundial, 
pode-se estabelecer um conjunto de grandes tendências a que essa distribuição obedece. 
Assim: 
 Cerca de 90% da população habita no hemisfério norte; 
 Cerca de 70% está concentrada entre os paralelos 20° e 60° N, ou seja, com 
predomínio na zona temperada norte; 
 Cerca de 90% habita até aos 500 metros de altitude; 
 Mais de dois terços vivem a uma distância inferior a 500km do litoral.
A população portuguesa integra-se neste tendência geral, ao habitar no hemisfério norte, na 
zona temperada, num território onde mais de dois terços da superfície têm uma altitude 
inferior a 400 metros e que pela sua configuração dista do mar nunca mais de 220 km. 
Também na Europa regista-se grandes desequilíbrios na distribuição da população. Assim: 
 Europa Ocidental e Central (Países Baixos, Bélgica) apresentam densidades 
populacionais mais elevadas. Esta importante concentração humana é consequência 
dos seguintes fatores favoráveis: 
 Físicos: clima ameno, relevo pouco irregular e bons solos; 
 Humanos: forte industrialização, economias prósperas. 
 Portugal – no contexto europeu, apresenta uma densidade populacional média de 108 
hab/km2, muito superior a Espanha com 77 hab/km2. 
 As densidades mais baixas situam-se no Leste e Norte da Europa, consequência de 
fatores de ordem física menos favoráveis, como o clima mais rigoroso. 
48
49 
Densidade populacional da Europa. 
A UE, dada a importância regional e mundial dos países que a constituem, representa um 
espaço muito importante no contexto do continente. Portugal dentro deste espaço, tem uma 
presença de densidade populacional média, colocando muito próximo do valore regi stado pela 
densidade do espaço comunitário no seu total é de 118 hab/km2.
A distribuição da população portuguesa, contraste regionais: 
50 
Analisando a distribuição da 
população, podemos constatar que 
atualmente verifica-se as seguintes 
tendências de distribuição: 
 Grande contração na 
Grande Lisboa e Porto: 
Alargamento dessas regiões para 
áreas envolventes: 
Grande Porto: Cávado, Ave, 
Tâmega, Entre Douro e Vouga e 
Baixo Vouga 
Grande Lisboa: Península de Setúbal 
Densidades importantes em todo o 
litoral desde o Norte (Minho e Lima) 
até ao Algarve litoral, que se como 
se comporta como qualquer região 
do restante Alentejo; 
Região autónoma da Madeira 
destaca-se em relação aos Açores, 
com densidades muito superiores; 
 Baixas densidades em toda 
a região do interior, desde o Alto Trás-os-Montes até ao Baixo Alentejo; 
 Existência de um crescimento demográfico para o interior (acompanhando alguns 
eixos rodoviários) que se representa em densidades medias em regiões com o Douro 
(Vila Real); Dão-Lafões (Viseu) ou a Cova da Beira (Covilhã). 
Estas densidades são muito suportadas pelo crescimento de algumas cidades do interior 
como as referidas para o qual contribuem para a melhoria de acessibilidade e 
desenvolvimento das universidades e institutos politécnicos.
Fatores de distribuição da população: 
51 
Fatores Físicos 
Solo 
Rede hidrográfica 
Posição geográfica 
Recursos do subsolo 
Clima 
Revelo 
Fatores físicos 
Fatores Humanos 
Económicos 
Atividade económica 
Vias de comunicação 
Exploração de recursos de 
subsolos 
Histórico e Sociais 
São vários os fatores físicos que interferem na distribuição da população. As áreas mais 
atrativas para a fixação do Homem são historicamente as regiões, com o clima ameno, as 
planícies com solos férteis e as regiões próximas do litoral, Portugal não 
foge a regra. 
Regiões de baixa altitude – os efeitos negativos da altitude no organismo 
humano e nas atividades económicas, originaram a fixação de cerca de 90% 
da população até aos 500 metros. 
A preferência pelas planícies aluviais, locais historicamente de grande 
densidade populacional, deve-se ao fornecimento de águas às populações, 
à riqueza dos solos e ainda ao facto de os rios constituírem excelentes vias 
de comunicação. A fixação da população portuguesa nas planícies do Tejo 
ou Sado e fraca densidade populacional regista em Trás-os-Montes 
confirmam em absolto esta tendência geral. 
Clima temperado – as regiões de clima temperado constituíram sempre 
áreas de forte densidade populacional. Para este fato contribuíram as 
tempestades amenas registas e as chuvas relativamente abundantes que 
favoreciam a prática da agricultura. 
O território português está totalmente integrado na zona temperada norte, pois não se verifica 
grandes diferenças climáticas, mas pelo contrario uma pequena diversidade resultante das 
diferenças de altitude e da proximidade do mar. Ao nível da temperatura o nosso país não tem 
grandes influências na distribuição da população.
Posição litoral – a aproximação com o mar sempre foi um fator de localização privilegiadas e 
gerador de fixação de populações. 
52 
As razões para esta atração são: 
Clima mais ameno (amplitudes térmicas anuais menores) 
O mar (pesca e recolha de sal) – foi durante muitos séculos a principal via de comunicação no 
mundo. 
A densidade populacional no nosso país regista-se mais na faixa litoral que se estende desde o 
Minho-Lima até a península de Setúbal. 
Fertilidade dos solos – a riqueza dos solos foi um fator primordial importante na fixação do 
Homem. 
Pois, a agricultura foi a atividade económica predominante do seculo passado (solos férteis 
eram os mais procurados). 
A fixação junto ao vales dos rios (Douro, Vouga, Mondego, Tejo e Sado) contribuíram para 
elevadas densidades regionais, até mesmo nos dias de hoje, onde a agricul tura não tem 
grande relevância. 
Exposição de vertentes – fator de grande importância ao nível regional, uma vez que 
introduziu diferenças entre a vertente norte (vertente sombria ou umbria) e a vertente sul 
(vertente soalheira). A ilha da Madeira constitui um excelente exemplo desta importância. 
Fatores Humanos 
Dos fatores humanos que condicionam a população, destacam-se: 
Fatores económicos – fator muito importante por ter sido responsável pelo desenvolvimento 
de certos espaços de grande fixação humana (capacidade de carga humana). 
Estes fatores destacam-se os seguintes: 
A industrialização – constituiu um fator atrativo para a população, pois a indústria 
proporcionou a oferta de emprego (provocando fenómenos de êxodo rural). 
A terciarização – consiste no aumento do setor terciário, não foi tão responsável quanto o 
industrial, na fixação de populações. 
Países com desenvolvimento económico industrializados, e após 1986 (data de adesão a União 
Europeia), este setor terá contribuído para a manutenção do emprego urbano, 
nomeadamente nas áreas metropolitanas dos Porto e Lisboa. 
Verifica-se ainda situações de desenvolvimento da atividade turística, que está ligada com a 
fixação e manutenção de populações; são os casos do Algarve (Portimão, Albufeira ou 
Vilamoura), Funchal, na ilha da Madeira e Troia na Península de Setúbal.
Vias de comunicação – assumiram sempre grande importância na fixação das populações. 
Os eixos rodoferroviários, influenciaram este fator, com a forte presença no litoral 
(eixo entre Braga e Setúbal), que agravaram esta tendência. 
Embora Portugal não seja muito rico em recursos do subsolo, como os minerais e recursos 
energéticos, pois estes também são uma forte atração para o Homem, ao criarem postos de 
trabalho. 
Fatores Históricos e Sociais – são fatores importantes, mas não justificam na totalidade a 
existência de grandes concentrações. Estes fatores tem grande relevância nos arquipélagos da 
Madeira e Açores conde o seu povoamento obedece certamente a circunstancia de caracter 
histórico. 
53 
Problemas da distribuição da população 
A distribuição da população portuguesa é profundamente desequilibrada. Deste modo 
Portugal confronta-se com uma dupla tendência de distribuição, que se resume: 
 Grande concentração no litoral do país – entre Braga e Setúbal (Litoralização); 
 Despovoamento profundo do interior do país 
Estes fatores contribuem para problemas diretos e indiretos no desenvolvimento do 
País.
54 
A Litoralização 
Desde a história de Portugal, que existe uma tendência para a maior fixação da população no 
litoral: 
 Históricos – resultantes do perigo de invasões estrangeiras ser maior no interior do 
que no litoral. 
 Físicos – o clima junto ao litoral é muito mais ameno e o relevo menos acidentado 
 Humano – a proximidade com o mar, possibilita atividades como a pesca, extração do 
sal, lazer e desporto e comercio. 
Estes fatores, como outros, permitem explicar uma tendência que acompanha a 
história do nosso país, que se agravou nos últimos 30 anos. 
Este processo de concentração de população terá atingido o seu máximo nos anos 90, por 
consequência dos investimentos da UE, que em vez de promover o desenvolvimento mais 
harmonioso, acabou por agravar estas assimetrias, já existentes. 
No processo de litoralização, registou-se alguns números incluídos no artigo “O Estado da 
Nação”, da revista Grande Reportagem, que nos permitiu analisar a grandeza do fenómeno. 
 Entre 1981 e 2001 – 124 dos 305 municípios então existentes, perderam a população, 
enquanto apenas 59 ganharam. Destes estão quase todos localizados nas áreas 
metropolitanas de Lisboa e Porto e ainda no distrito de Braga. 
 Os cincos conselhos mais populosos do País – Lisboa, Loures, Sintra, Vila Nova de Gaia 
e Porto, representam 18% da população do País, mas apenas 0,8% da superfície do 
mesmo. 
 Os 23 conselhos com mais de cem mil habitantes localizam-se no litoral e entre eles 
apenas Coimbra, Leiria e Feira não pertencem aos distritos de Lisboa, Porto, Setúbal e 
Braga. 
 Em oposição, regista-se os 118 conselhos mais interiores têm atualmente 17% da 
população total enquanto a sua superfície representa mais de metade do território 
nacional. Desses, 24 estão “em vias de extinção”, havendo quatro (Alcoutim, Idanha-a- 
Nova, Penamacor e Vila Velha de Rodão) que estão em forte perda populacional pois 
têm entre os 35% e 40% de população com mais de 65 anos e apenas 10% com menos 
de 15 anos.
Em suma, pode-se afirmar que a litoralização é um problema em termos de distribuição de 
população, pois provoca inconvenientes para as regiões do interior de Portugal. Tendo assim: 
 No Interior, provoca desertificação humana, agrava o processo de envelhecimento da 
população e potencia o declínio económico, com abandono dos campos e a diminuição 
do consumo. 
 No Litoral, motiva um crescimento descontrolado das áreas urbanas (em especi al as 
suburbanas), com o agravamento de situações: 
Trânsito caótico, a insegurança, a rutura de equipamentos sociais, má qualidade de 
vida para a população que habita nestas áreas. 
55
56 
Despovoamento do interior 
Num processo totalmente inverso ao da litoralização, o interior do país tem tido um progressivo 
despovoamento. 
São várias as razões para este fenómeno, para além dos aspetos físicos, já mencionados, existem outros 
que tem maior relevância. São eles: 
 Fluxo migratório para o estrangeiro; 
 Êxodo rural interno para o litoral. 
Fluxo migratório para o estrangeiro 
Razões como o fraco desenvolvimento das regiões rurais do interior (contrastando com as 
oportunidades de emprego no estrangeiro) associado ao deflagrar a guerra colonial e ao endurecimento 
do regime política nos anos 60, causarem este aumento. 
O processo emigratório conhece um enorme decréscimo na década de 70 (mesmo com o regresso de 
algumas populações) para nos últimos anos voltar a conhecer um pequeno aumento, que naturalmente 
não poder ser muito elevado dadas as características das populações do interior, maioritariamente 
envelhecida. 
Êxodo rural interno 
a emigração foi uma causa de despovoamento do interior, o abandono das regiões do interior para a 
fixação no litoral do país, em especial nas cidades de Lisboa e Porto, está realidade também verificou a 
partir dos anos 60. 
As povoações que sentiram esta consequência, do interior como o distrito de Faro, do Alentejo, Leiria, 
Santarém e do Pinhal. 
Para o seu destino principal são as cidades de Lisboa (Sintra, Loures, Cascais, Barreiro, Setúbal) e Porto 
(Gondomar, Matosinhos, Maia, Valongo) conselhos periféricos. Deste modo constitui -se as áreas 
periféricas que ultrapassam os seus limites admirativos . 
Nos anos 80/90, em especial após a adesão de Portugal à União Europeia, este processo não ter 
nenhum inverso, pelo contrário, verificou-se o aumento do despovoamento, como os conselhos de 
Monchique, Montalegre, Oleiros ou Pampilhosa da Serra (com uma população envelhecida), onde esse 
decréscimo é superior a 15%. 
Em conclusão deste fenómeno negativo para o país pode-se referir os seguintes: 
 Agravamento do envelhecimento demográfico; 
 A estagnação económica da região do país; 
 O abandono dos campos e quebra da atividade agrícola; 
 O não tratamento das áreas florestais; 
 Fecho das escolas, por falta de população; 
 A venda de terras e outro património para cidadãos estrangeiros com a consequente 
descaracterização cultural; 
 Um grande desequilíbrio em termos de desenvolvimento regional.
57 
As políticas de ordenamento 
Fatores de correção de assimetrias regionais 
A diminuição das assimetrias regionais que, provocam um desequilíbrio grave no desenvolvimento de 
Portugal, que por via do processo de litoralização, quer pelo crescente despovoamento do interior do 
país, isto implica a tomada de medidas e a implementação de políticas que permitam corrigir a atual 
distribuição da população. Esta implementação política é feita a três níveis: 
 Da União Europeia 
 A nível nacional 
 E municipal 
Desenvolvimento regional – possibilita maior autonomia, suportada pela diversidade entre regiões, 
como forma de assegurar o reforço da identidade das populações inseridas nos diferentes países da UE. 
O forte desenvolvimento industrial e urbano que se verificou na Europa após a Revolução Industrial 
conduziu a desequilíbrios ambientais que se refletiram na qualidade de vida e no bem-estar da 
população. As políticas de ordenamento do território tentam estabelecer um equilíbrio entre os 
ecossistemas e as atividade económica, para isso são necessários os três objetivos proprietários: 
 Promover o desenvolvimento e o ajustamento estrutural das regiões menos desenvolvidas 
permitindo a fixação das populações ; 
 Converter as regiões fortemente atingidas pelo declínio das suas indústrias, combater o 
desemprego de longa duração e atenuar a dificuldade de integração profissional dos jovens; 
 Promover o desenvolvimento das áreas rurais e o ajustamento acelerado das estruturas 
agrícolas. 
Os principais instrumentos para a execução destes objetivos são os três principais fundos estruturais: 
 Fundo social (FSE), que visa melhorar as possibilidades de trabalho e a mobili dade profissional 
dos trabalhadores. 
 Fundo de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA), que rem como objetivos melhorar as 
condições de produção e de comercialização dos produtos agrícolas. 
 Fundo de Coesão, que tende assegurar o financiamento dos projetos de interesse comum nos 
domínios da proteção do ambiente e das redes de transporte. 
Estes apoios encontram-se integrados nos chamados Quadros Estruturais (2000-2006), e foram 
implementados localmente através de Programas – desenvolvimento rural e operações integradas 
(como a do Norte Alentejo). 
A nível Nacional - os vários governos, conscientes do problema das assimetrias regionais, tem 
procurado implementar um conjunto de medidas e programas que tem como objetivo minorar este 
problema. 
Entre outras medidas, estas destacam-se: 
 Incentivos fiscais às empresas que se instalem nas regiões consideradas deprimidas (a 
generalidade do interior do país) tentando por esta via estimular o emprego local; 
 Continuação do programa de melhoria das acessibilidades (com a concretização do Plano 
Rodoviário Nacional), consideram como a principal causa do isolamento e da estagnação 
económica e demográfica destas regiões;
 Implementação de programas no âmbito da admi nistração publica dando incentivos à 
deslocação de técnicos e quadros da admi nistração do Estado para certas regiões carenciadas; 
 Criação de polos universitários e politécnicos que transmitem um grande dinamismo aos locais 
onde se instalam (Évora, Viseu, Covilhã ou Castelo Branco, por exemplo) e por esse vai têm 
contribuído para alguma recuperação demográfica. 
 Promoção de um programa que visa o desenvolvimento de uma rede de “cidades de média 
dimensão” que contribuíram para a fixação das populações, em especial os jovens. 
O programa Polis (adota medidas excecionais em termos da requalificação urbana e na 
valorização ambiental das cidades), onde insere-se nesta politica as cidades do interior como, 
Bragança, Vila Real, Covilhã, Viseu, Évora e Beja. 
A nível municipal – as autarquias locais podem implementar grandes medidas tendo em conta 
a correção de assimetrias regionais. 
Das quais, destacam-se as seguintes iniciativas: 
 A construção de loteamentos industriais infraestruturas que disponibilizam a baixo 
custo, de forma a atrair empresas e desse modo tentar criar postos de trabalho; 
 Oferta de habitação para técnicos e quadros superiores (professores, médicos e 
58 
outros); 
 Incentivos monetários aos casais que se fixam e tenham filhos, e assim contribuem 
para o crescimento da população.
Capitulo 2 
Os recursos do subsolo de que a 
população dispõe: 
Usos, limites e potencialidades 
59 
1. Recursos do subsolo 
2. A radiação solar 
3. Os recursos hídricos 
4. Os recursos marítimos
Áreas de exploração de recursos minerais em Portugal 
A distribuição das áreas de exploração de recursos minerais em Portugal é profundamente 
influenciada pela grande diversidade/complexidade do território do ponto de vista geológico. 
Portugal Continental distingue-se por três grandes unidades geomorfológraficas (grandes 
áreas com a mesma origem/características semelhantes em termos geológicos), que é possível 
verificar uma certa aglomeração de alguns recursos minerais incluem nesta indústria, que são: 
Maciço Hespérico (ou Maciço Antigo) – a unidade geológica mais antiga e também aquela 
que abrange uma área maior do território nacional. Apresenta uma grande variedade de 
rochas muito antigas e de grande dureza (granitos e xistos) . Nele localiza-se as maiores jazidas 
de minerais energéticos, metálicos e de rochas ornamentais cristalinas. 
Orlas ocidentais – registam o predomínio de rochas de origem 
sedimentar, tais como areias, arenitos, argilas, margas e calcários. As 
jazidas em exploração correspondem essencialmente às do sector 
das rochas industriais. Encontram-se desde o litoral de Espinho até à 
Serra da Arrábida e o litoral algravio (meridional). 
Bacias do Tejo e do Sado – constituem unidades geomorfológicas 
mais recentes do país e correspondem a áreas de sedimentação 
marinha e fluvial. São dominantes as rochas sedimentares: cascalho, 
areias, argilas e calcários. 
Tal como as orlas e de acordo com as características físicas desta 
unidade, as potencialidades encontram-se viradas para o setor das 
rochas industriais. 
60
61 
A indústria extrativa 
Apesar desta industria estar pouco desenvolvida e ter uma importância económica pouco 
significativa (0,75% do PIB em 2005). Portugal é um país relativamente rico no que respeita à 
quantidade e diversidade de recursos naturais, nomeadamente de rochas industriais e 
ornamentais, e de águas minerais e de nascente. 
Minerais energéticos – encontrando-se reduzida a sua extração de quantidades mínimas de 
uranio, extraído em algumas minas do centro do país. Corresponde a 1% do total em Portugal. 
Este setor quase desapareceu após o 
encerramento das minas de carvão. 
Minerais metálicos – os que apresentam 
maior importância são, o cobre, o estanho, o 
ferro e o volfrâmio. A sua extração localiza-se 
no baixo Alentejo, região Centro e Norte (é o 
caso das minas Neves Corvo e da Panasqueira). 
Minerais não metálicos – apresentam uma 
importância pouco relevante na nossa 
economia, predominando nas regiões Centro e 
Sul. Destaca-se o sal-gema, explorado nas 
regiões de Leiria, Lisboa e Faro. 
Outro minerais não-metálicos explorados são o 
diatomito, o pegmatito com lítio, barita e o 
talco. 
Rochas Industriais – as mais exploradas em 
Portugal são: o calcário sedimentar comum, 
argilas comuns (concelhos de Águeda e Leiria) 
e as areias (exploradas ao longo de todo o 
litoral). 
Rochas Ornamentais – dividem-se em dois 
grupos: o grupo das rochas carbonadas – 
mármores e rochas afins (em especial no 
Alentejo, Estremoz, Borba e Vila Viçosa). 
E as rochas siliciosas – granito e rochas afins 
(em destaque em Portalegre e Évora, com 
existência no norte do país). 
Águas minerais - Situam-se em maioria na região norte do Tejo, onde se encontra maior 
abundância de água.
62 
Os recursos do sobsolo 
Recurso minerais – concertação de minerais na crosta terrestre cujas características fazem 
com que a sua extração seja, ou possa chegar a ser, técnica e economicamente viável. 
A diversidade dos recursos minerais 
São materiais que de acordo com a sua génese, podem apresentar-se de uma forma solida ou 
liquida e que têm uma composição química bem definida, com certas características físicas. 
E classificam-se: 
Minerais metálicos – mineral formado por substâncias metálicas. Os mais importantes são 
ferro e cobre que representam mais de metade da produção mundial de minerais, embora o 
alumínio, que se obtém do bauxite, esteja a adquirir uma maior importância. O caso do ouro, 
prata, chumbo, estanho ou zinco, cuja exploração é igualmente significativa, embora não tanto 
importante como os anteriores minerais metálicos. 
Mas tem-se verificado um declino na exploração destes minerais, e começa a haver uma 
tendência para um aumento de exploração de subsetores das rochas ornamentais e das rochas 
industriais, que cada vez aumenta a sua importância económica. 
Minerais não metálicos – mineral cuja 
constituição é formada por substâncias não 
metálicas (sal-gema, quartzo, caulino, etc.); 
Minerais energéticos – minerais que se 
destinam à produção de energia (carvão, 
petróleo); 
Rochas industrias – rochas utilizadas na 
construção civil (calcário, granito, margas, entre 
outras); 
Rochas ornamentais – rochas utilizadas para fins 
decorativos (mármore, granito, etc.); 
Aguas minerais naturais – as que provêm de 
fonte natural e cujas propriedades físico-químicas 
lhe confere ação terapêutica.
Jazidas – local onde a concentração de minerais permite a sua exploração. 
Industrias extrativas – que fazem exploração de recursos. Este setor (primário) atualmente 
encontra-se a passar alterações profundas que decorrem da conjuntura globalizante que a 
economia mundial está atravessar. 
No contexto mundial, Portugal não tem a exploração de minerais energéticos assim como os 
minerais metálicos. 
63 
Exemplos de minerais em Portugal 
Minerais metálicos 
No Alentejo, o projeto com maior importância a nível de minério situa-se nas Minas de Neves 
Corvo (produtora de cobre e estanho, atualmente com atividade suspensa) e o segundo centro 
mais importante são as minas da Panasqueira (produtora de volfrâmio). 
Dos metais mais importantes, o cobre é muito utilizado nas indústrias elétricas, sendo assim o 
ótimo condutor de corrente elétrica. As maiores reservas de cobre da Europa situam-se no 
nosso país. 
O ferro teve um decréscimo de produção, a sua exploração em Portugal, faz-se apenas nas 
minas do Cercal (Alentejo). Existem quantidades razoáveis deste mineral, que constitui a 
principal matéria-prima utilizada na industria siderúrgica. É atualmente exportado em matéria 
bruta. 
O volfrâmio, destinado ao fabrico de aço extraduro e aos filamentos das lâmpadas 
incandescentes, o nosso país abunda desta matéria, com referência da mina da Panasqueira. 
O ouro e prata, foram suspensas as extrações (minas de Jales) devido ao mercado competitivo 
internacional. 
Exemplos minerais 
metálicos 
Alumínio – indústria aeronáutica e naval, construção civil. (Áustria, Guiné). 
Zinco 
Ferro – setores siderúrgicos (aço), atividade industrial. (Rússia, Brasil, Áustria). 
Ouro 
Cobre – produção de condutores elétricos. (EUA, Chile, Zâmbia) 
Prata
Sal-gema (cloreto de sódio) – utlizado na indústria química 
Quartzo – indústria de cerâmica e vidro 
Caulino (argila branca) – industria cerâmica 
64 
Minerais não-metálicos 
Situados sobretudo nas regiões centro e sul. A sua importância é pouco significativa na 
economia do país. 
O quartzo e feldspato (industria de cerâmica e vidro), são provenientes das minas localizadas a 
norte e sul. 
O sal-gema (industrias químicas, agroalimentares e rações), explorado apenas por três minas 
situadas em Leiria, Lisboa e Faro. 
Exemplos de minerais 
não-metálicos 
Minerais energéticos 
Estas explorações são muito reduzidas, apenas existe quantidades mínimas de uranio, na 
região centro. Correspondente a 1% de produção em Portugal. 
Após o encerramento das minas de carvão (Pejão e em Pedro da Cova), este subsetor quase 
desapareceu. 
Exemplos de minerais 
energéticos 
Carvão 
Petróleo 
Gás natural 
Uranio 
Rochas industriais e ornamentais 
Rochas industriais 
Utilizadas essencialmente como matéria-prima na construção civil e nas indústrias de cerâmica 
e vidro. 
O calcário, proveniente do maciço calcário situado no Algarve. 
As argilas dispersas pelos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Faro. 
As areias, são exploradas ao longo do litoral.
65 
Rochas ornamentais 
Encontram-se subdivididas: 
 Rochas carbonadas (como o mármore, calcário e brecha calcária) - O mármore 
representa 25% das rochas ornamentais, e é sobretudo nas regiões centro e sul que 
esta exploração se concentra. A maior jazida deste mineral situa-se na faixa de 
Estremoz-Borba-Vila viçosa, como 90% de mármore extraído no nosso país, cuja 
qualidade é conhecida no estrangeiro. 
 Rochas siliciosas (como o granito, sienito, gabro, serpentinito, diorito, pórfido ácido) ) 
– dispersas por todo o território nacional. A sua exploração é predominante no 
Alentejo (distritos de Évora e Portalegre). 
 Ardósias e xistos ornamentais (explorados na região de Valongo, Porto) 
Em 2005, 46% da nossa produção de rochas ornamentais, principalmente de mármore e 
granito, têm com destino o mercado externo, sendo uma mais-valia para o país. 
Exemplos de rochas 
industriais 
Calcário 
Granito 
Exemplos de rochas 
ornamentais 
Mármore 
Granito
66 
Águas minerais e águas de nascente 
Água mineral – águas cuja concentração de um ou mais elementos químicos é muito 
acentuada. Estas águas são, normalmente captadas em profundidade. 
Água de nascente – todas as que provêm de fonte natural e que são consideradas próprias 
para beber. 
Portugal dispõe um considerável potencial hidromineral. Em 2004, existia em atividade 32 
unidades/oficinas de engarrafamento no continente localizadas sobre tudo a norte do rio Tejo. 
Nos Açores existe também abundância de água mineral, em particular na ilha de São Miguel . 
A venda de água engarrafada teve um crescimento muito significativo devido à melhoria do 
nível de vida das pessoas e da exigência do consumidor. Tem-se verificado um aumento das 
exportações de águas engarrafadas, sobretudo para Angola, Espanha e Cabo Verde. 
Termalismo 
Águas termais – águas com fins medicinais. 
As unidades termais, são dotadas de serviços de saúde apropriados, deste modo contribui para 
uma fonte de atração, ajudando a diminuir a forte sazonalidade e a excessiva concentração 
turística. 
Existe uma grande procura das estâncias termais, como destinos de lazer, para férias e fins -de-semana 
(turismo termal – aproveitamento de aguas termais que levam a procura de atividades 
físicas e desportivas (fitness), mais propriamente para atenuar os problemas de stress.
Para que haja um aumento de crescimento do setor hidromineral, é necessário que se 
promova a realização de estudos hidrogeológicos de modo a criar novas captações e a 
aumentar os caudais já disponíveis. 
O termalismo constitui um dos maiores exemplos de recursos endógenos que devemos dar 
uma maior importância, pois podem constituir-se polos geradores de emprego, contribuindo 
deste modo o despovoamento, a desertificação, a baixa densidade populacional e o 
envelhecimento da população em muitos regiões do país. 
67
Os problemas na exploração dos recursos do subsolo 
68 
Impactes ambientais da indústria extrativa 
Em Portugal, existem alguns fatores que dificultam a exploração dos recursos geológicos e os 
problemas associados à sua produção e comercialização. 
Localização das jazidas 
 Áreas de difícil acesso; 
 Grande profundidade (torna a extração difícil e dispendiosa); 
 Áreas protegidas (inviabiliza a sua exploração). 
Fraca ligação a indústria 
transformadora 
 Custos de produção elevados; 
 Preços de colocação no mercado pouco competitivos; 
 Leva a forte dependência de recursos externos. 
Concorrência internacional 
 Domínio do mercado internacional (como o Brasil, Chile, Afica do 
Sul e sobretudo a China), onde a mão-de-obra é muita barata e 
as normas ambientais e de segurança são pouco exigentes. 
Impactes ambientais 
 Contaminação dos solos, aguas e aquíferos de produtos químicos, 
tóxicos e radioativos; 
 Poluição da atmosférica - poeiras de alto teor químico; 
 Poluição sonora - movimentação de máquinas e rebentação de 
cargas explosivas; 
 Encerramento e abandono de minas - formação de escombreiras 
(acumulação de resíduos), muitas a céu aberto, expostas à chuva 
que dissolvem e arrastam produtos químicos nocivos; 
 Degradação da paisagem – impacto visual (caso das pedreiras e 
minas).
69 
Os recursos energéticos 
A sua importância 
A utilização dos recursos energéticos variou em função das necessidades do Homem, bem 
como da tecnologia de que foi dispondo ao longo da sua história. 
O marco para o aumento do consumo de energia foi com a Revolução Industrial do séc. XVIII. 
Esses recursos podem ser de dois tipos: 
São o caso do petróleo, carvão, gás natural e as substâncias radioativas. 
Carvão mineral – rocha sedimentar que tem a sua origem na decomposição de restos de 
vegetais. Este mineral constituiu a fonte de energia mais utlizada na primeira fase da 
Revolução Industrial, e nos dias de hoje é muito importante, nomeadamente na produção de 
energia elétrica e de aço. 
Petróleo – recurso não renovável resultante da transformação de matéria orgânica, 
constituído atualmente a fonte mais utilizada e a base da atual sociedade industrial. 
A sua utilização é fundamental na produção de energia elétrica, combustíveis para meios de 
transportes e maquinas industriais. Matéria-prima ainda de um conjunto de diversos produtos 
(plásticos, etc.). 
Gás natural – constituiu atualmente uma das principais fontes de energia doméstica, industrial 
e cada vez mais utilizada nos transportes, sendo de todas a menos poluente. 
Energia nuclear – economicamente a energia mais rentável, e com alguns defensores, é 
atualmente criticada pelas consequências dos perigos provocados em termos ambientais. 
Redes de distribuição e consumo 
O consumo energético em Portugal tem aumentado de forma acentuada nos últimos anos, 
obrigando a grandes importações de energia primária, como petróleo, carvão e gás natural. 
O petróleo pode ser distribuído por redes de oleodutos que permitem o seu transporte até às 
grandes áreas de tratamentos (refinarias de Leça e Sines). Para as restantes partes do 
território nacional são transportados por camiões-cisterna. 
O carvão, é também importado, após a suspensão da sua exploração em 1994. Chega aos 
principais portos nacionais e seguindo via terrestre para as duas centrais a carvão (Sines e no 
Pego, Abrantes). Utilizado ainda por indústria muito exigente de energia.
O gás natural, teve uma grande aposta no nosso país, a partir de meados da década de 90, 
com uma rede de gasodutos que permitem aproveitar o gás natural produzido na Argélia. Foi 
então construído um troço entre Setúbal e Braga que possui uma ligação entre Leiria à rede 
espanhola. 
70 
Rede de gasodutos em Portugal. 
Existe um contraste evidente no nosso país relativamente à produção e consumo de energia. 
As áreas metropolitanas são as que mais consomem combustíveis fósseis, enquanto o 
consumo da eletricidade se encontra mais disperso ao longo de toda a faixa litoral (devido ao 
consumo doméstico). 
Em termos globais, a indústria e os transportes são os setores que mais contribuem para o 
consumo final de energia. 
Impactes ambientais do setor energético 
O consumo e a distribuição de energia levam a problemas relacionados, com a contaminação 
ambiental, com segurança e com a nossa dependência externa face aos combustíveis fosseis. 
 Risco ambientais: 
As emissões de gases poluentes para a atmosfera (agravando o efeito de estufa); 
Os frequentes acidentes e derrames (durante o transporte de combustíveis, tanto 
marítimo como terrestre), originando desastres ambientais, como marés negras; 
Desperdício de energia que aumentam o consumo e os impactos ambientais.
71 
 Problemas de segurança: 
Risco de incêndio – nos postos de abastecimento, com a agravante nas áreas urbanas; 
Perigo de derrame ou incêndios – nas refinarias, oleodutos e gasodutos. 
Perigo para as populações – em caso de acidente no transporte de energia, sobretudo 
rodoviário. 
Medidas para melhorar os fatos anteriores: 
 Aumentar a produção de energia a partir de fontes renováveis a partir de fontes 
renováveis e endógenas; 
 Diversificar as fontes e as proveniências geográficas, no que respeita aos combustíveis 
fósseis; 
 Aumentar a eficiência energética, através da racionalização dos consumos, adequação 
das tecnologias de distribuição, maquinas e equipamentos elétricos e adoção de 
medidas que possam reduzir os consumos (tarifa bi -horaria). 
Desigualdades no consumo de energia 
Portugal ao nível da UE, apresenta como o país com menor consumo de energia per capita, 
abaixo de Espanha, Grécia e Itália. Isto deve-se ao atraso socioeconómico do país, que explica 
um menor consumo energético industrial , ao baixo nível de vida dos portugueses e ainda os 
aspetos climáticos favoráveis do nosso país que faz com que comparado com os país europeus 
haja um menor consumo energético. 
Contudo Portugal tem registado, nos últimos anos um aumento a este nível, este facto deve-se 
ao desenvolvimento da indústria e especialmente dos transportes (setores que consomem 
mais energia), da mecanização da agricultura e, claro da melhoria das condições de vida da 
população, que se tem verificado após a adesão à UE. 
Onde há maior registo de consumo energético é junto ao litoral (mais povoados e 
industrializados e com maior comercio e serviços), relativamente ao interior, onde se verifica 
menor concentração destes factos, gravados pelo envelhecimento que também contribuem 
para este baixo valor. 
Recursos energéticos renováveis 
As energias renováveis passaram a ser mais utilizadas após a crise do petróleo nos anos 70. 
Entre elas, destacam-se as seguintes: 
Energia hídrica – produzida a partir da força da água, constitui a fonte de energia renovável 
mais utilizada no mundo, devidas as suas grandes potencialidades e ao fato de não ser 
poluente. Esta energia é instalada em barragens e mini -hidricas (barragens de pequenas 
dimensões). 
Em Portugal, o aproveitamento hidrelétrico tem lugar em centenas de grandes barragens e 
mini-hidricas.
Estas encontram-se predominantemente localizadas a norte do rio Tejo e na região Norte 
(onde se verificam melhores condições para as suas construções e onde as precipitações são 
mais abundantes). 
O problema que se coloca na construção de energia hidrelétrica relaciona-se com os elevados 
custos a que estão sujeitos as construções de infraestrutura. 
Uma parte da energia consumida no nosso país é de origem hídrica (cerca de 40% da 
contribuição das centrais. Em ano mais seco, regista-se apenas 20% da energia). 
Energia solar – aproveitada através de painéis que utilizam células fotovoltaicas para gerar 
eletricidade a partir da luz solar. 
Portugal é um dos países da Europa com mais disponibilidade de radiação solar, contudo, este 
aproveitamento é tipicamente usado para fins energéticos. 
Utilizada nas habitações em sistemas de aquecimento, sinalização marítima (bóias e faróis), 
em passagens de nível, semáforos e nas telecomunicações (sistemas SOS instalados nas 
autoestradas). 
Energia geotérmica – energia calorifica que utiliza o calor interno da Terra, que fazem 
funcionar turbinas que geram eletricidade. 
As áreas passíveis de aproveitamento deste tipo de energia, tem uma predominância a norte 
do país (características geológicas e estruturais). Onde há o valor mais significativo desta 
energia é na central geotérmica da Ribeira Grande, S. Miguel, Açores, que tem a capacidade de 
satisfazer 60% das necessidades de energia elétrica da ilha. 
Energia das ondas e marés – energia produzida a partir da força das marés, aproveitando a 
energia dos oceanos através das ondas (energia maré motriz). 
Portugal tem excelentes condições naturais muito favoráveis para este aproveitamento (toda a 
costa ocidental do continente e as ilhas açorianas). O nosso país é um dos pioneiros de 
produção desta energia, com duas centrais na ilha do Pico (junto a costa) e em Castelo de 
Neiva (no mar) 
Energia eólica – energia produzida a partir da força do vento. 
Apesar de não ser um país ventoso, Portugal tem bastantes condições favoráveis para este 
aproveitamento. Nos arquipélagos da Madeira e Açores são onde o potencial é mais elevado, 
mas atualmente a distribuição destas centrais abrange quase todo o território nacional. 
Energia da biomassa – energia produzida a partir de matéria orgânica (resíduos das florestas, 
plantas, de exploração agroalimentares e dejetos de animais). 
Em Portugal existe atualmente perto de uma centena de sistemas de biogás, a sua maior parte 
provenientes do tratamento de efluentes agropecuários (aproximadamente 85%). O biogás 
representa atualmente cerca de dois terços de contributo energia primária em Portugal, tem 
capacidade para aumentar este potencial. 
72
Novas perspetivas de exploração e utilização dos recursos do subsolo 
Existem perspetivas bastante positivas na exploração e utilização dos recursos do subsolo. 
Os recursos do subsolo, sobretudo os setores das rochas industriais e ornamentais e o das 
águas minerais e de nascente constituem riquezas nacionais. 
Valorizar e potencializar a exploração dos recursos endógenos é de extrema importância para 
o nosso país. A potencialização desses recursos só é possível se, no setor das rochas industriais 
e ornamentais, continuar-se a apostar na qualidade do produto final e se limitarem os 
impactes ambientais decorrentes desta atividade. 
O nosso país é relativamente pobre em recursos energéticos de origem fóssil, dependendo por 
isso fundamentalmente das importações, as quais representam cerca de 86% da energia 
primária consumida. No entanto, o potencial das energias renováveis passíveis de serem 
exploradas é significativo, com destaque para a energia hídrica, da biomassa, eólica, solar e 
geotérmica. Com relevância as potencialidades hídricas e da biomassa, que têm vindo a ser 
exploradas em níveis com algum significado. 
Apesar de Portugal ter vindo a investir nos últimos anos neste aproveitamento, continua 
subaproveitado em relação a alguns dos nossos parceiros comunitários. 
Produção de energia elétrica a partir de fontes de energia renovável, em alguns países da UE, em 20 10. 
73
74 
A Radiação Solar 
A variabilidade da radiação solar em Portugal Continental e Insular 
A atmosfera e a radiação solar 
O Sol constitui a principal fonte de luz e calor do nosso planeta. Sem ela a Terra seria um 
mundo escuro, gelado e sem vida. 
A energia produzida pelo Sol é enviada para o espaço sobre forma de radiação 
eletromagnética solar. 
Propaga-se através de movimentos ondulatórios ou vibratórios e em vários comprimentos de 
onda, que no conjunto formam os espectro solar. 
O nosso planeta está constantemente a receber radiação solar, a temperatura do planeta não 
aumenta, mas mantém-se estável (nos 15°C). 
Cerca de metade desta energia atinge diretamente a superfície terrestre, chamada radiação 
direta. Restante energia perde-se nos processos atmosféricos de absorção, reflexão e difusão. 
A absorção é feita essencialmente pelo ozono estratosférico, que absorve grande parte das 
radiações ultravioletas, e pelo vapor de água, dióxido de carbono, poerias e nuvens. Na 
troposfera são retidas sobretudo as radiações de grande comprimento de onda (infra-vermelhas). 
A reflexão ocorre no limite superior da atmosfera, nas nuvens e superfície terrestre (oceanos, 
mares, lagos e rios). A percentagem de energia refletida, em relação a energia incidente, 
corresponde ao chamado albedo (percentagem de energia refletida por um corpo em relação 
ao total de energia incidente sobre esse corpo).
A difusão resulta de inúmeras reflexões dos raios solares sobre as moléculas de gás e, 
sobretudo sobre as partículas sólidas que se encontram em suspensão na atmosfera (poeiras e 
impurezas). Deste modo acontece a radiação difusa, quando parte da radiação dispersa-se 
para a alta atmosfera e para o espaço interplanetário, outra parte dela acaba por atingir a 
superfície da terra. 
A radiação difusa, ao atingir o solo, junta-se à radiação solar direta e forma a radiação global 
(ronda certa dos 48% da constante solar = 32% de radiação solar direta e 16% de radiação 
difusa). 
Radiação solar direta – a que incide diretamente sobre a superfície terrestre. 
Radiação solar global – total de energia solar que atinge a superfície terreste. 
A radiação global é então absorvida pela superfície pela superfície da terra e rapidamente 
convertida em energia calorifica, sendo posteriormente reenviada para a atmosfera, em igual 
quantidade à que havia sido recebida, através da chamada radiação terrestre. 
75
Tendo em conta que a quantidade de energia recebida na superfície terrestre é igual à 
desenvolvida para a atmosfera, através da emissão de radiações de grande comprimento de 
onda (radiações de calor), a Terra encontra-se em equilíbrio térmico. Se assim não fosse, o 
planeta não conseguia manter uma temperatura média da ordem dos 15°C, iria aquecendo ou 
arrefecendo constantemente. 
A atmosfera é praticamente transparente à radiação solar, mas também bastante opaca à 
radiação terrestre, devolvendo novamente à superfície da Terra, principalmente por 
intermedio das nuvens, uma grande parte da energia recebida, através de um fenómeno de 
contra radiação. Este fenómeno de retenção de calor da baixa atmosfera é reconhecido por 
efeito de estufa, pois se ele não se verificasse as temperaturas podiam descer até aos 30° 
negativos. 
76 
Funções da atmosfera 
A atmosfera terrestre possui um conjunto de funções que apresentam-se como fundamentais 
para a vida na terra: 
Funções da atmosfera 
Filtra e absorve 
Apresenta-se como uma «capa protetora» ou filtro do globo, refletindo para 
o espaço ou absorvendo as radiações solares que seriam excessivas para a 
vida terrestre. 
Protege 
Constitui uma barreira imprescindível à entrada de corpos estranhos na 
atmosfera, como meteoritos. Estes, devido ao atrito provocado pelo ar, 
incendeiam-se e acabam por pulverizar-se evitando que atinjam a superfície 
do planeta. 
Controla a 
temperatura 
Absorve uma parte significativa da radiação ultravioleta (através do ozono) 
que ao atingir a Terra inviabilizaria a vida de muitas espécies atuais. Evita o 
calor libertado pela superfície da terra, irradiação terrestre, se perca para 
algumas camadas da atmosfera e fique retido na troposfera, assegurando, 
deste modo, a manutenção das temperaturas durante a noite (efeito de 
estufa). 
É fonte de vida 
Concentra na sua composição elementos fundamentais à vida, 
nomeadamente o oxigénio.
Efeito de estufa – retenção de calor (energia) devido a atmosfera ser praticamente 
transparente à radiação solar. 
77 
A variação da radiação solar 
Embora a nível global verifica-se um equilíbrio energético ou térmico 
no sistema Terra-Atmosfera – a energia perdida é igual a recebida – tal 
não acontece na maior parte das regiões do globo. 
Na zona intertropical (faixa compreendida entre os 36° de latitude 
Norte e Sul) a quantidade de energia recebida à superfície é superior 
àquela que é emitida, verifica-se um excede de energia (calor). 
Entre os 37° e os 38° de latitude verifica-se um equilíbrio entre a 
radiação adquirida e a perdida. 
Regiões situadas a partir dos 38° de latitude o saldo passa a ser 
negativo (existe mais perdas de energia que ganhos). 
Apesar das diferenças, o equilíbrio energético global é uma realidade, 
devido essencialmente à dinâmica da atmosfera, que se faz a 
transferência de energia entre as regiões excedentárias e deficitárias. 
A latitude influência o ângulo de incidência da luz do Sol e o que leva a 
variação de energia que chega a diversas regiões da Terra. 
Fatores de variação da radiação solar
78 
São eles: 
 Forma esférica da Terra; 
 A inclinação do seu eixo; 
 Os movimentos de rotação e translação; 
 Condições locais – transparência da atmosfera, 
relevo, superfície, etc. 
Apesar do equilíbrio energético global, há diferenças ao 
nível das regiões: 
 A forma quase esférica da Terra, que influencia a 
radiação solar diminui com a latitude; 
 E a inclinação do seu eixo face ao plano de órbita, 
ou seja aumenta o angulo de incidência e diminui 
a massa atmosférica atravessada pelos raios 
solares (faz com que haja perdas por absorção, 
reflexão e difusão sejam maiores) isto leva a diminuição de radiação. 
 Quanto maior o angulo de incidência maior também é a sua superfície pela qual a 
radiação se distribui, o que reduz significativamente a quantidade de energia recebida 
por unidade de superfície e naturalmente a capacidade de aquecimento. 
Isto origina uma importante variação do aquecimento da superfície terrestre. 
Raio de incidência – menor angulo formando entre os raios solares e a superfície terrestre. 
Quando é menor: 
 Luz solar atinge a superfície de forma mais próxima da perpendicular; 
 A área pela qual se distribui a radiação solar é menor; 
 É maior a quantidade de energia recebida por unidade de superfície; 
 Em média, verifica-se um excesso energético. 
Quando é maior: 
 A quantidade de energia por unidade de superfície é menor; 
 Em média, verifica-se um défice energético.
79 
Os movimentos da Terra 
Quantidade de energia solar que atinge uma região, varia ao longo do ano, isto deve-se ao 
movimento de translação da Terra. Que faz variar o ângulo de incidência da radiação solar e a 
duração dos dias e das noites. 
Os movimentos de rotação têm implicações na variação diurna da radiação, uma vez que 
origina a sucessão dos dia naturais e da noites, e a variação do ângulo de incidência e da massa 
atmosférica atravessada pelos raios solares ao longo do dia natural. 
Ao longo do dia, a radiação solar direta, com a radiação difusa e a própria radiação da 
atmosfera, fornecem-nos calor. 
Durante a noite como não há radiação solar, verifica-te uma perda de calor por radiação 
terrestre, passando o equilíbrio térmico da Terra a ter uma saldo negativo. O arrefecimento 
noturno será tanto maior quanto mais límpida estiver a atmosfera, uma vez que a intensidade 
do efeito de estufa for menor. 
Movimento de rotação 
Movimento que a Terra faz em torno do seu próprio eixo e que dura cerca de 24 horas, é 
responsável pela sucessão dos dias e das noites. 
A variação diária da temperatura regista o máximo diário durante o dia (cerca de 14 ou 15 
horas) e o mínimo durante a noite, antes do nascer do sol (cerca das 6 horas), período que se 
regista maior arrefecimento.
80 
Movimento de translação 
Movimento que a Terra executa em torno do Sol (que tem a duração de 365 dias e 6 horas), e 
a inclinação do eixo da Terra fazem com que esta não tenha sempre a mesma posição em 
relação ao Sol e descreva o seu movimento aparente anual entre os trópicos de Câncer e de 
Capricórnio. 
Deste modo, este movimento determina, para além das estações do ano, a duração dos dias e 
das noites, assim como o número de horas recebidas (insolação), que varia ao longo de todo o 
ano, exceto para as regiões do equador, em que os dias são sempre iguais às noites. 
No solstício de junho 
 Início do verão no hemisfério norte; 
 Radiação global é maior (luz do Sol 
incide perpendicularmente sobre o 
trópico de câncer); 
 Raios solares atingem o território 
português com menor obliquidade; 
 Dias têm maior duração (aumenta o 
tempo de exposição à radiação solar); 
 Em Portugal, situado na faixa de 
latitude entre 32° e 42° norte. 
 A temperatura mensal mais elevada é 
entre julho e agosto.
81 
No solstício de dezembro 
 Início do inverno do hemisfério norte; 
 Radiação global é menor (luz do Sol 
incide na vertical sobre o trópico de 
capricórnio); 
 E atinge com maior obliquidade o 
território português (menor duração do 
dia). 
 As temperaturas mais elevadas são 
entre dezembro e Janeiro. 
Distribuição da Radiação Solar 
Dada a localização do território português 
numa faixa de latitude intermédia, 
variabilidade sazonal da radiação global é 
acentuada. 
Os valores de radiação global média são mais 
elevados no verão e mais baixos no inverno. 
Verifica-se também uma significativa diferenciação espacial 
Distribuição da radiação global anual e média dos meses de janeiro e julho, em Portugal Continental.
82 
Em Portugal Continental 
Valores médios da radiação global anual, diminuem, em geral, de sudeste para noroeste 
embora com algumas diferenças sazonais. 
No inverno: 
 Registam-se valores mais altos no sul, 
 Variação para nordeste no vale inferior do Tejo e até ao vale do Mondego, 
 Valores mais baixos em todo o extremo norte. 
No verão: 
 Máximo de radiação solar ocorre no Algarve 
 Prolongando-se por todo o interior, numa faixa que se estreita para norte 
 Valores mínimos registam-se no litoral, a norte do cabo Carvoeiro, voltando a 
aumentar no vale inferior do Douro. 
Principais fatores que explicam a variação da radiação solar: 
A latitude - as regiões do sul, situadas a menor latitude, recebem 
maior radiação solar. 
O efeito da altitude aumenta a nebulosidade, reduzindo a insolação 
e a radiação global, assim como influência da disposição das 
vertentes. 
Vertentes expostas a ventos marítimos - têm maior nebulosidade 
e recebem menor insolação e menor radiação global. 
Encostas soalheiras - recebem maior radiação solar e têm maior 
insolação do que as encostas umbrias que são mais sombrias. 
A proximidade do mar - no litoral, sobretudo a norte do Tejo, há 
menor radiação solar a proximidade do mar aumenta a 
nebulosidade. 
A diferença entre litoral e interior torna-se mais evidente no verão, 
sendo mais seco no interior, permitindo uma maior insolação e, 
como tal, maiores valores da radiação global. 
Variação da radiação solar nos arquipélagos: 
Variação espacial da insolação média anual, em 
Portugal Continental (valores médios 1961–90). 
No que diz respeito as regiões insulares, é preciso ter em conta a reduzida dimensão dos seus 
territórios, alguns fatores relacionados com a localização, bem como as características locais. O 
facto de serem pequenas e situarem-se no meio do oceano Atlântico contribui para que a 
influencia deste se faça sentir com maior intensidade. 
Deste modo, ocorre um aumento da quantidade de vapor de água atmosfera e da 
nebulosidade, o que vai contribuir para uma maior absorção, reflexão e difusão da energia por
parte desta, o que se traduz numa quantidade de energia que atinge a superfície terrestre e 
que por ela é absorvida. 
Na Madeira, a radiação global é maior, principalmente na vertente sul, mais soalheira. 
Nos Açores, forte influência oceânica aumenta a humidade do ar e a nebulosidade redução 
da insolação e da radiação global. 
A distribuição da temperatura no território nacional 
Apesar da amenidade das temperaturas, regista-se uma variação anual e uma distribuição 
espacial bastante significativas. 
83 
Pode-se verificar as seguintes variações: 
 A variação anual: Portugal insere-se nas características térmicas da zona temperada 
do norte. 
 A variação espacial: influenciada, essencialmente, pela latitude e pelo relevo. 
 A amplitude de variação térmica anual: influenciada pela proximidade ou pelo 
afastamento do mar. 
 Em Portugal: temperatura do ar tem valores médios anuais moderados.
Em janeiro (inverno), a temperatura média mensal diminui de sudoeste para nordeste. A 
distribuição das isotérmicas revela a conjugação de dois fatores ( latitude e continentalidade). 
Esta distribuição está relacionada com a influência exercida pelo oceano Atlântico, que 
desempenha nas regiões do litoral uma ação moderadora, e com o aumento da latitude. Faz 
com que a inclinação dos raios solares seja maior a quantidade de energia solar recebida 
menor, baixando as temperaturas. Os valores mais baixos registam-se no nordeste 
transmontano (áreas de montanha, com a exceção do vale superior do Douro) e os mais 
elevados ocorrem em algumas áreas da costa alentejana e do litoral algarvio. 
Em julho (verão), a temperatura média mensal diminui do litoral para o interior. Verifica-se 
para além de os valores serem mais elevados, a própria disposição das linhas isotérmicas 
apresentam uma configuração diferente, estando as mesmas paralelas à linha de costa e com 
um aumento dos valores da temperatura do litoral para o interior. A disposição das 
isotérmicas demonstra uma influência do mar (continentalidade) na distribuição da 
temperatura. Os valores mais elevados são registados em toda a faixa interior, enquanto os 
valores mais baixos registam-se numa faixa estreita do litoral. Junto à cordilheira central 
regista-se uma inflexão das isotérmicas para Este, o que se explica pela penetração dos ventos 
húmidos de Oeste, a qual é possibilitada pela orientação desta massa montanhosa. 
84
85 
Fatores de variação da temperatura 
A desigual distribuição espacial da temperatura no território continental, visível nos mapas de 
isotéricos reais, revela a influência de vários fatores (latitude, o relevo e o mar). 
A análise do mapa da variação térmica permite ver a oposição existente entre o litoral e o 
interior. 
É visível a menor amplitude térmica nas regiões do litoral, influencia pelo oceano Atlântico, 
que apresenta-se com agente moderador dos contrastes térmicos uma vez que regula a 
temperatura, para que: 
 No verão as temperaturas não atingem valores muitos elevados; 
 No inverno as temperaturas não são muito baixas. 
Já no interior, as amplitudes térmicas são superiores (quanto mais o afastamento dos mar 
maior é a amplitude térmica): 
 No verão, os valores da temperatura são muito elevados; 
 No inverno, as temperaturas são muito baixas, devido a 
continentalidade. 
Em termos gerais, pode-se dizer que: 
A temperatura aumenta de norte para sul, por ação da latitude; 
A temperatura apresenta menores contrastes anuais no litoral, por 
ação amenizadora do oceano; 
As temperaturas médias anuais mais baixas registam-se no Noroeste e 
sobretudo na cordilheira central, devido aos fatores de latitude e 
altitude.
86 
Conjunto de fatores que influenciam a temperatura. 
Distribuição da temperatura nos arquipélagos: 
Tanto nas ilhas da Madeira e Açores, a variação da temperatura não depende apena da 
latitude e da influência do mar, há que ter em conta a altitude e a exposição aos raios solares, 
o que vai conduzir a diferenças muito sensíveis entre as te rras baixas e as terras altas, bem 
como ao nível das vertentes norte, mais frias (umbrias) e das vertentes sul, mais quentes 
(soalheiras). 
Em ambos os arquipélagos, a amplitude térmica anual não é muito elevada, merce da 
influência oceânica. 
Assim, os invernos são suaves e os verões não muito quentes.
87
88 
Valorização da radiação solar 
Portugal é a nível europeu um dos países com maior número de horas de Sol por ano, pelo 
que seria natural que fossemos também um dos maiores produtores/consumidores de energia 
solar. 
Sistemas solares térmicos (aquecimento) 
Consiste no aquecimento de um fluido (liquido ou gasoso) em coletores solares e corresponde 
à utilização mais frequente da energia solar. 
As aplicações em Portugal, são: 
 Uso domésticos (aquecimento de aguas quentes sanitárias e aquecimento ambiente); 
 Piscinas; 
 Estufas; 
 Recintos gimnodesportivos; 
 Hotéis; 
 Hospitais. 
Sistemas solares passivos 
O aproveitamento passivo da energia solar consiste na utilização para aquecimento de 
edifícios, através de uma conceção cuidada e fazendo uso térmico de construções inovadoras. 
A arquitetura solar passiva tem em atenção o aproveitamento dos ganhos solares no inverno, 
minimizando também as suas perdas para o exterior e restringe os ganhos excessivos de calor 
no verão. Este tipo de aproveitamento de energia solar apresenta uma vantagem de grande 
relevo, o baixo custo de algumas soluções. Os aspetos a ter em conta na construção dos 
edifícios são, a orientação do edifício, o isolamento térmico (paredes com grande inércia 
térmica). 
Sistemas fotovoltaicos (produção de energia elétrica) 
Em Portugal já temos algumas aplicações da energia solar fotovoltaica, nomeadamente no 
fornecimento das necessidades básicas de energia elétrica às habitações. Existem ainda outras 
aplicações desta energia, como por exemplo na irrigação agrícola, alimentação de máquinas de 
pré-pagamento de estacionamento, sistemas de telecomunicações ou semáforos. 
Fraco desenvolvimento da energia solar em Portugal, deve-se a: 
 Algumas más experiencias no primeiro período de expansão do solar (década de 80), 
associadas à falta de qualidade de equipamentos, instalações, que afetou de forma 
negativa a sua imagem; 
 Falta de informação específica sobre as razões de interesse e as possibilidades desta 
tecnologia junto dos potenciais utilizadores; 
 Custo elevado do investimento inicial, desencorajando a adoção de uma solução que 
pode competir com as alternativas convencionais; 
 Insuficiência e inadequação das medidas de incentivo.
89 
Turismo 
Este setor é um dos mais importantes da economia portuguesa, representando entre 7% e 8% 
do PIB e absorvendo perto dos 10% do emprego. 
O clima agradável português, beleza da costa marítima, o mar, praias e as paisagens, a cultura, 
os monumentos e locais históricos, o ambiente hospitaleiro, a gastronomia e as infraestruturas 
para a prática desportiva, são as principais razões para Portugal se encontrar entre os 
principais destinos turísticos do mundo. 
A radiação solar constitui um fator de desenvolvimento, pois a atividade turística: 
 Gera emprego 
 Proporciona a entrada de divisas 
 Induz efeitos multiplicadores (desenvolvimento de outras atividades como o comércio, 
os transportes, o artesanato, etc. 
O turismo sénior, tem vindo a ganhar relevância em Portugal associado à amenidade do clima, 
contribuindo desta forma para a redução do problema da sazonalidade, associando à atividade 
turística, que se prolonga durante todo o ano. 
O setor imobiliário, beneficia da amenidade e luminosidade do território português, 
sobretudo no Algarve. 
Muitos estrangeiros, principalmente ingleses, compram casas de segunda habitação no nosso 
país.
90 
Os Recursos Hídricos 
A especificidade do clima português 
A importância da água 
A água é um recurso natural, renovável, escasso e imprescindível à vida. 
Como recurso natural, a água é utilizada pelo Homem, de modo mais ou menos intenso, em 
quase todas as suas atividades: 
 Na agricultura (rega e pecuária); 
 Na indústria (matéria-prima, lavagens, sistemas de 
arrefecimento, etc.); 
 No abastecimento doméstico e público; 
 Na produção de energia. 
Para além destas utilizações, onde maior parte dos casos, é 
usada como meio de produção, a água pode ser utilizada como 
meio de transporte de bens e pessoas (navegação), como meio 
diluidor e escoamento de cargas poluentes e, ainda, numa 
grande variedade de atividades de recreio e lazer. 
Evolução do consumo de água no Mundo, por setor 
A nivel global, estima-se que a totalidade de água existente na Terra, nos três estados fisicos 
(sólidos, liquido e gasosos) ronda os cerca de 1400 milhões de km3; contudo, este valor não 
representa abundancia em termos de recursos hídricos, pois 97,6% desse total encontra-se 
nos oceanos e mares, sendo, protanto, impropria para consumo. 
A água doce representa apenas 2,4% no entanto, grande parte, cerca de 2,1%, encontra-se 
sob forma de gelo nas grandes calotes polares e glaciares. As águas continentais, repartidas 
pelos cursos de agua, lagos, solo e toalhas freáticas, representam apenas 0,31%. Na atmosfera 
encontra-se somente 0,0009% do volume total de água existente no planeta. 
A água doce representa apenas 2,4% da água da Terra. 
Dos 2,4% de água doce existente na Terra, doi s terços 
são gelo ou neve permanentes e um terço, ou seja, 110 
mi l milhões de m3, é água das chuvas dos quai s 70 mi l 
mi lhões es tão em permanente evaporação. 
Conclui-se assim que a água apesar 
de ser um recurso natural 
abundante na Terra, está muito 
mal distribuída e, por esse motivo, 
apenas uma pequeníssima parte 
está disponível para ser utilizadas 
pelo Homem, nas suas atividades. 
Dos restantes 40 mil milhões, 20% encontra -se pouco 
acessível (em montanhas, sobretudo). A Humanidade 
poderia saciar-se com os restantes 32 mil milhões de m3 
aparentemente di sponívei s . 
No entanto, a água está tão mal repartida no globo que 
a acessível representa apenas 12 500 mi l mi lhares de 
m3, volume insuficiente em termos globai s . 
Distribuição de água no planeta.
Embora nos últimos tempos o consumo de água e a deterioração da sua qualidade tenha vindo 
a aumentar, o que acentua as situações de escassez em determinadas áreas do globo, isso não 
põe em causa a existência de este precioso bem, pois ao contrario de muitos outros recursos 
naturais, a água é um recurso renovável, não se perde nem desaparece, antes se transfere e 
renova-se, através do ciclo hidrológico. 
91 
Ciclo hidrológico ou ciclo da água 
Corresponde a circulação constante de água, acompanhada de fase de transição (mudanças de 
estado físico), que estabelece a ligação entre a terra, os oceanos e a atmosfera. 
Fases do ciclo 
 A água do globo é transferida por evapotranspiração para atmosfera, onde é 
transportada e se condensa, formando nuvens; 
 Para voltar para a terra por precipitação; 
 Na superfície da terra, parte da água escoa-se e outro fica retida, infiltrando-se; 
 Por fim, volta a evaporar-se de novo. 
Isto é influenciado pela radiação solar e a gravidade. A primeira, promove a evaporação e a 
segunda, permite que a água regresse à superfície terrestre. 
Ciclo hidrográfico
Traços fundamentais da circulação geral da atmosfera 
A especialidade do clima português decorre da posição geográfica do território nacional e só 
pode ser verdadeiramente explicada e compreendida se tivermos em conta o modo como se 
processa a circulação da atmosfera às nossas latitudes, bem como a sua dinâmica geral. 
A circulação geral da atmosfera é determinada pela localização dos grandes centros 
barométricos (centros de altas e centros de baixas pressões) em latitude. 
Centros de altas pressões ou anticiclone Centros de baixas pressões ou ciclone 
Embora a localização destes centros barométricos não seja sempre a mesma, de um modo 
geral eles posicionam-se da seguinte forma: 
 Na região equatorial predomina uma faixa de baixas pressões, as chamadas baixas 
pressões equatoriais, em que manifesta a relação de elevadas temperaturas, que 
provocam o movimento ascende do ar; 
 Nas regiões próximas dos trópicos, a cerca de 30° de latitude Norte e Sul, surgem as 
faixas das altas pressões subtropicais; 
 Nas margens superiores das latitudes médias, próximas dos 60° Norte e Sul, aparecem 
92 
as baixas pressões subpolares; 
 Nas regiões polares Norte e Sul, predominam as altas pressões polares, devido ao 
movimento descente do ar provocado pelas baixas temperaturas que se fazem sentir 
nestas áreas do globo.
Entre estas diferenças faixas de pressão estabelecem-se movimentos do ar, que determinam a 
direção e o sentido dos ventos dominantes nas várias regiões do globo e, por consequência 
toda a circulação da atmosfera. 
Na região intertropical o ar desloca-se das altas pressões subtropicais, que determinam uma 
zona de divergência, para as baixas pressões equatoriais, que constituem uma zona de 
convergência, originando os ventos alísios. 
Esta convergência dos alísios, provenientes dos hemisférios Norte e do Sul, origina a CIT 
(Convergência Intertropical). Contundo, por vezes, os alísios enfraquecem de tal modo que 
originam grandes espaços sem vento. Formando-se assim, as chamadas calmas equatoriais ou 
doldrums. 
Nas zonas temperadas o ar desloca-se das altas pressões subtropicais para as baixas pressões 
subpolares, dando origem aos ventos de oeste. 
Estes fluxos de ar são os que mais afetam o território nacional ao longo do ano. 
Nas regiões polares a circulação do ar realiza-se das altas pressões polares para as baixas 
pressões subpolares, dando origem aos ventos de este ou de leste. 
As várias faixas polares de pressão não ocupam permanentemente as mesmas posições. Ao 
longo do ano deslocam-se em latitude, ou seja, movimentam-se para Norte e para Sul, 
acompanhando com ligeiro atraso o movimento anual aparente do Sol. 
93
No solstício de junho os centros barométricos estão deslocados para Norte, uma vez que o Sol 
está no mesmo plano do trópico de Câncer. 
No Solstício de dezembro os centros de ação estão deslocados para Sul devido ao facto do Sol 
se encontrar no mesmo plano de Trópico de Capricórnio. 
Esta oscilação em latitude dos centros barométricos e, consequentemente, das faixas dos 
ventos, tem grande importância nas regiões das latitudes médias, onde esse situa Portugal, 
uma vez que ficam sujeitas à influência alternada: 
 Dos centros de altas pressões subtropicais e das massas de ar tropicais (marítima e 
94 
continental), no Verão; 
 Dos centros de baixas pressões subpolares e de massas de ar polares (marítimas e 
continental), sobretudo no Inverno. 
Nesta época do ano, devido ao 
deslocamento para Sul das 
baixas pressões subpolares, é 
muito comum certificar-se sobre 
o território a convergência de 
massas polares e tropicais, da 
qual resulta a formação de 
superfícies frontais e frentes.
95 
Superfícies frontais e frentes 
Quando duas massas de ar de características muito diferentes convergem e entram em 
contato uma com a outra não se misturam, ou misturam-se muito lentamente, pelo que ficam 
separadas por uma zona de transição a que se dá o nome de superfície frontal. Está em 
contacto com a superfície da Terra dá origem à chamada frente. 
Superfície frontal – superfície de contacto entre duas massas de ar com características físicas 
(temperatura e humidade) muito diferentes. 
Frente – linha que resulta da intersecção da superfície da Terra. 
Considerando o movimento geral das massas de ar, as frentes podem ser: 
 Quentes – se o ar quente substituir o frio; 
 Frias – se o ar frio substituir o quente. 
O movimento das massas de ar pode corresponder a uma avanço do ar quente sobre o ar frio, 
dando assim origem a superfície frontal quente e, consequentemente, a uma frente quente, 
ou, pelo contrário, pode corresponder a uma avanço do ar frio sob o ar quente, o que dará 
origem a uma superfície frontal fria e consequentemente, a uma fria. 
De entre várias frentes do globo a que mais interesse desperta, não só pela sua importância, 
mas pela influência que exerce sobre nós, é a frente polar que tem origem na superfície frontal 
polar do hemisfério Norte. 
A frente polar norte resulta do confronto entre as massas de ar frio polares, que tendem a 
deslocar-se para Sul, e massas de ar quente tropicais, que tendem a movimentar-se para 
Norte.
Desse confronto vão surgindo ao logo da frente ondulações cada vez mais prenunciadas. 
Primeiramente, a frente polar apresenta um traçado mais ou menos retilíneo, devido à fraca 
interpenetração das massas de ar, que se deslocam de forma quase paralela entre si. A massa 
de ar polar, no sentido este-oeste e massa de ar tropical, no sentido contrário, ou seja, de 
oeste para este. Nestas condições a frente polar designa-se de frente estacionária. 
Com o evoluir da situação, ou seja, com o avanço do ar frio polar para sul e do ar quente 
tropical para norte, a interpenetração das massas de ar vai sendo maior, pelo que se forma 
uma superfície frontal cada vez mais ondulada. 
Por último, quando a ondulação é já muito pronunciada diferem-se setores de ar frio polar e 
de ar quente tropical, separados pelas respetivas superfícies frontais e frentes. Formam-se 
assim os chamados sistemas frontais, que quando associados a depressões barométricas dão 
origem a perturbações frontais. 
96
As perturbações frontais da frente polar estão em permanente movimento. Por um lado, 
porque sobem e descem em latitude, acompanhado com um ligeiro atraso o movimento anual 
aparente do sol; por outro, porque vão-se deslocando, de forma incessante, no sentido oeste-este. 
À medida que as perturbações frontais ou sistemas frontais avançam, no sentido oeste-este, 
ou, seja no sentido sudoeste-nordeste, vão provocando, nos diversos lugares do seu trajeto, 
uma sucessão de estados do tempo bastante característicos. 
Estados do tempo associados à passagem de uma perturbação frontal 
Para ser mais fácil perceber as sucessivas alterações no estado do tempo, que decorrem da 
passagem de uma perturbação frontal, vejamos as situações que se seguem, tendo como 
referencia o lugar A. 
1. Embora ainda sob a influencia do ar frio anterior, a aproximação da frente quente marca o 
inicio do agravamento do estado do tempo: 
 Formam-se nuvens de grande desenvolvimento horizontal (altas e finas), devido à 
subida lenta do ar ao longo da superfície frontal quente; 
 Ocorrem as primeiras precipitações, sob a forma de chuviscos (chuva miudinha e 
97 
persistente). 
2. Aquando da passagem da frente quente, e nos momentos que a precedem, as condições 
meteorológicas tendem a piorar. Verifica-se então: 
 A existência de muita nebulosidade, sobretudo nuvens de fraco desenvolvimento 
vertical (pouco espessas); 
 A ocorrência de chuvas contínuas e de longa duração (chuviscos); 
 Temperaturas relativamente baixa, embora com uma tendência de subia progressiva, 
devido à aproximação da massa de ar quente; 
 A diminuição da pressão atmosférica; 
 A ocorrência de vento fraco.
3. Após a passagem da frente quente e já sob a influência do ar quente verfica-se uma 
melhoria geral no estado do tempo: 
 O céu apresenta-se, de um modo geral, pouco nublado, embora possam ocorrer 
períodos de precipitação, alternando com períodos de boas abertas (céu limpo); 
 O vento é moderado; 
 A temperatura é relativamente elevada para época. 
4. Com a aproximação e passagem de frente fria surge um novo agravamento no estado do 
tempo, depois da relativa acalmia do setor do ar quente tropical: 
 A nebulosidade aumenta, e são sobretudo nuvens de grande desenvolvimento vertical 
(muito espessas), devido à rápida subida do ar quente ao longo da superfície frontal 
fria; 
 A precipitação é intensa e de curta duração (aguaceiros) e é frequentemente 
98 
acompanhada de trovoada; 
 A temperatura diminui, devido à aproximação da massa de ar frio do setor posterior; 
 A pressão atmosférica aumenta rapidamente; 
 O rumo do vento altera-se e a sua velocidade aumenta.
5. Depois da passagem da frente fria e já sob a influencia do ar frio posterior tende a verificar-se 
uma maior estabilidade no estado do tempo: 
 O vento muda de direção; 
 A nebulosidade diminui; 
 A precipitação enfraquece, embora possam ainda ocorrer alguns aguaceiros dispersos; 
 A temperatura mantém-se reduzida, devido à presença de massa de ar frio. 
À medida que a perturbação ou sistema frontal avança no sentido oeste-este, para além das 
alterações no estado do tempo, ela própria também vai evoluindo. No decurso desta evolução, 
o ar frio posterior, ao penetrar em forma de cunha sob o ar quente que se lhe segue, obriga-o 
a subir mais rapidamente, o que faz com que a superfície frontal fria progrida com maior 
velocidade que a superfície frontal quente. 
Nestas circunstâncias, o ar quente vai sofrendo um progressivo estrangulamento, a ponto da 
distância que separa as duas frentes se reduzir cada vez mais. A dada altura, a frente fria acaba 
então por alcançar a frente quente, o que origina a frente oclusa, pelo que o ar frio posterior 
junta-se ao anterior, obrigando todo o ar quente a subir. Com o decorrer do tempo, o ar 
quente, agora em altitude, tende a arrefecer e a misturar-se com o frio, dando-se a 
homogeneização das massas de ar. Assiste-se, assim, à oclusão da perturbação. Ou seja, ao 
desaparecimento do sistema frontal. 
O tempo que decorre entre a formação e a oclusão dos sistemas e das perturbações frontais é 
geralmente muito curto, não indo além dos dois, três dias e apenas raramente poderá atingir 
cerca de uma semana. 
99
100 
Tipos de precipitação mais frequentes 
Para que há precipitação (queda de água no estado liquido, chuva e no estado solido, neve e 
granizo) é necessário que haja nuvens e para que esta se formem é essencial que tenha havido 
uma subia do ar capaz de lhe provocar um arrefecimento suficiente para ser ultrapassado o 
ponto de saturação e haver lugar à condensação do vapor de água. 
Contudo, não basta só a existência de nuvens, também é necessário pequeníssimas de 
gotículas de água (ou cristais de gelo) que se vão juntando, formando-se assim, devido à 
turbulência do ar, através de um processo que designamos de coalescência, de modo a 
aumentarem de volume, e por consequência de peso, de modo a vencer a resistência do ar 
ascendente. 
De acordo com o mecanismo que provoca a subida do ar e o seu arrefecimento, pode-se 
destingir três tipos de precipitação: 
Precipitação frontal ou ciclónica – provocada pelo contacto entre dias massas de ar de 
características diferentes, ar frio e ar quente. 
A ascendência de ar quente é relativamente lenta ao longo da superfície quente, devido aos 
seguintes fatores: 
 Consequência da sua inclinação; 
 Arrefecimento do ar; 
 Aumento da humidade relativa; 
 Vapor de água acontece lentamente. 
Isto leva as nuvens apresentarem grande desenvolvimento horizontal e por sua vez uma 
precipitação pouco intensa, mas contínua e de longa duração (chuviscos). 
No caso da superfície frontal fria, é o contrário, o ar ascende de forma rápida, devido ao 
declive que a superfície frontal apresenta, isto deve-se aos seguintes fatores: 
 Arrefecimento do ar; 
 Aumento da humidade relativa 
 Condensação do vapor de água acontece violentamente.
As nuvens que se formam, neste caso, têm grande desenvolvimento vertical e dão origem a 
precipitação intensa e de curta duração (aguaceiros). 
Estas precipitações são características nas zonas de convergência das latitudes médias (baixas 
pressões subpolares). Que são predominantes em Portugal, sobretudo no Norte, 
principalmente no Inverno. 
Precipitações orográfias (provocada pela subida do ar devido ao relevo). Verifica-se assim o 
arrefecimento do ar, à condensação do vapor de água e à formação de nuvens, que dão 
origem à precipitação. 
Estas precipitações são frequentes em todas as áreas de relevo acidentado, especialmente ao 
longo das vertentes expostas aos ventos húmidos. 
Nas vertentes opostas, as precipitações são mais escassas devido ao movimento descendente 
do ar e ao consequente aquecimento do mesmo. Em Portugal continental ocorre sobretudo na 
metade Norte, principalmente do lado dos grandes alinhamentos montanhosos, expostos aos 
ventos húmidos vindo do Atlântico. 
Também é muito frequente nos Açores e na Madeira, sendo mais intensas quanto mais alta for 
a ilha e mais exposta estiver as massas de ar de origem marítima. 
Precipitações convectivas – provocada pela subida brusca de ar devido ao intenso 
aquecimento da superfície da Terra. Ao subir, o ar arrefece, provocando a condensação do 
vapor de água e a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, que origina chuva 
intensa e de curta duração (aguaceiros), as quais são frequentemente acompanhadas de 
trovoadas. 
Chuvas convectivas ou de convenção são típicas da zona intertropical (região do equador). Na 
época do verão também são frequentes no interior dos continentes das regiões temperadas, 
pelo que também acontecem em Portugal devido às altas temperaturas que se verificam. 
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103 
Distribuição da precipitação 
Portugal denota uma grande irregularidade, temporal e espacial em termos de precipitação. 
A irregularidade intra e interanual da precipitação 
Ao longo do ano a precipitação varia de forma idêntica em praticamente todo o território 
nacional e caracteriza-se essencialmente pelos acentuados contrastes sazonais. 
Os valores de precipitação mais elevados ocorrem normalmente entre novembro e março, 
devido, essencialmente, à influência dos centros de baixas pressões subpolares e à passagem 
frequente dos sistemas frontais sobre o nosso país, uma vez que nesta altura do ano se 
encontram deslocados para Sul. 
Variação da precipitação média mensal, ao 
longo do ano. 
Os valores mais baixos de precipitação 
registam-se habitualmente, nos meses 
de julho e agosto. Nesta época do ano as 
pressões e os sistemas frontais 
encontram-se deslocados para o norte 
da Europa, ficando no nosso território 
mais influenciado pelas altas pressões 
subtropicais, nomeadamente pelo 
anticiclone dos Açores, e pelas massas de ar tropical continental, quentes e secas. 
Ao longo dos anos, as diferenças de precipitação registadas nos mesmos meses e sobretudo as 
que respeitam às quantidades totais anuais, são também bastante significativas. 
A principal causa destas irregularidades é o diferente comportamento, de ano para ano, das 
baixas pressões subpolares e das altas pressões subtropicais, nomeadamente no que se refere 
às suas deslocações em latitude.
104 
Distribuição espacial da precipitação 
Também Portugal regista contrastes pluviométricos assinaláveis em termos gerais. 
No território continental: 
A quantidade de precipitação anual diminui, de um modo geral, do norte para o sul e do litoral 
para o interior. 
Os valores mais elevados ocorrem na metade ocidental a norte 
do Tejo, mais precisamente ao longo de uma faixa que se 
estende do extremo noroeste até à Cordilheira Central. 
Os valores mais reduzidos registam-se na orla algarvia, na faixa 
oriental do Alentejo (margem esquerda do Guadiana) e no vale 
superior do rio Douro. Barca de Alva (nordeste) e Albufeira 
(algarve) são as áreas mais secas do território continental. 
Nos Açores, a precipitação é abundante em praticamente todas 
as ilhas. As mais pluviosas são, as do grupo ocidental, devido a 
influência dos ventos húmidos de oeste e pela passagem das 
perturbações frontais. 
A ilha de Santa Maria é a que regista menos precipitação por se 
situar mais para oriente e possuir menor altitudes. 
Na Madeira, as precipitações são relativamente abundantes na 
vertente norte e nas áreas de maior altitude, mas são escassas 
na vertente sul, especialmente na faixa litoral, por se encontrar mais abrigada dos ventos 
húmidos e mais exposta aos ventos provenientes do continente africano. 
Porto Santo, regista valores de precipitação bastante reduzidos, devido ao relevo baixo. 
Fatores influentes na distribuição da precipitação 
A desigualdade espacial da precipitação deve-se à ação simultânea de um conjunto de fatores, 
dos quais se destacam os seguintes: 
 Latitude – faz-se sentir sobretudo no contraste pluviométrico norte-sul. O norte é 
mais pluvioso porque é mais afetado pela passagem das perturbações frontais, que 
normalmente seguem um trajeto de sudoeste para nordeste. O sul regista valores 
menores, influenciados sobretudo pelos anticiclones subtropicais e pelas massas de 
ar tropical (quentes e secas, oriunda do Norte de Africa, e não é tão atingido pelas 
perturbações frontais). 
 Altitude – com o seu aumento a temperatura diminui o que facilita a condensação e a 
ocorrência de precipitação. Nas regiões de maior altitude que se registam valores de 
precipitação mais elevados. Sendo mais abundantes no caso das elevações
concordantes, uma vez que se opõem à penetração para o interior do ar húmido 
proveniente do oceano, circunstância que conduz mais facilmente à queda de 
precipitação do tipo orográfica ou de relevo. 
Esta situação verifica-se no noroeste do território continental onde a chamada 
Barreira de condensação (conjunto montanhoso, de relevo concordante, que origina 
precipitações orográficas abundantes), formanda pelas serras da Peneda, Gerês, 
Cabreira, Alvão, Marão, Montemuro e Caramulo, faz com esta área do país seja uma 
das mais pluviosas. 
 Continentalidade – devido a largura reduzida do país, a realidade é que, à medida que 
nos afastamos do litoral e avançamos para leste, vai -se sentido a diminuição da 
influência atlântica, a qual é acentuada quando existem montanhas concordantes, 
que exercem o efeito de barreira. Isto acontece, porque ao longo do seu trajeto, as 
precipitações que se vão desencadear a medida devido as perdas no ar marítimo. 
 Posições dos vales dos rios – apresentam uma posição oeste-este, servem de 
corredores por onde as massas de ar húmido podem circular e penetrar até ao interior 
do país, o que favorece a ocorrência de níveis de precipitação mais elevados em áreas 
que, em circunstâncias, normais não teriam. No Douro não acontece este facto, devido 
a à Barreira de condensação. 
Estados do tempo mais frequentes em Portugal 
Situado na zona temperada norte, Portugal vai registando, ao longo do ano, situações 
meterológicas muito diversas, verificando-se mais frequentemente no inverno e no verão. 
Estas situações são normalmente visíveis por imagem de satélite e de uma rede de postos de 
observação dos quais se salientam as estações terrestres. Posteriormente, são representadas 
por cartas sinópticas (mapas que representam as condições atmosféricas através de símbolos, 
assim como prever o modo como o tempo vai evoluir nas próximas horas ou dias) – previsão a 
curtos e medio prazo. 
105
106
Situação meteorológica prevista para 5 de janeiro de 2001 
107 
Situações meteorológicas de inverno 
No inverno, o nosso país, assim como 
toda a Europa Ocidental, tem 
influência dos centros de baixas 
pressões subpolares e pela passagem 
sistemática das perturbações frontais 
(frente polar) que, ao descerem em 
descerem em latitude e ao 
deslocarem-se em vagas sucessivas de 
oeste para este, vão provocando mau 
tempo. 
A estas características meteorológicas 
juntam-se as reduzidas temperaturas 
médias diurnas e mensais, resultantes da maior inclinação dos raios solares, da menor duração 
do dia natural e da maior influencia das massas de ar frio polar. 
A passagem da frente quente é acompanhada de céu encoberto e chuva mais ou menos 
intensa e prolongada. Com o evoluir da situação o nosso país passará a ser invadido por 
massas de ar tropical marítimo (TM) que determinarão uma subida de temperatura. 
A passagem da frente fria é acompanhada de céu muito nublado e de chuvas mais ou menos 
intensas, do tipo aguaceiros. No seguimento da situação o país é invadido por massas de ar 
polar marítimo (Pm) que determinam uma descida brusca de temperatura. 
Por vezes, devido ao intenso arrefecimento da Europa Ocidental, forma-se sobre esta região, e 
em particular sobre a Península Ibérica, um anticiclone de origem térmica. 
A presença deste anticiclone, proporciona tempo com céu pouco nublado ou limpo, embora 
com temperaturas baixas e vento fraco ou moderado. 
Esta situação é também favorável à formação de geada durante a noite, sobretudo no interior, 
onde o arrefecimento noturno é maior. 
Situações meteorológicas de verão 
No verão, Portugal é mais estável, sendo mais estáveis os fatores que o condicionam. 
Nesta época do ano o nosso país é predominantemente influenciado pelas altas pressões, com 
destaque para o anticiclone dos Açores, deslocado para o Norte, estendendo-se em cista 
sobre a Península Ibérica, proporcionando uma situação de bom tempo. O céu apresente-se 
limpo ou pouco nublado, o vento é fraco e as temperaturas do ar são elevadas, isto deve-se a 
menor obliquidade com que os raios solares incidem no nosso país, da maior duração do dia 
natural e da maior influencia das massas de ar quente tropical.
Situação meteorológica prevista para 20 de julho de 2001 
108 
Esta situação de bom tempo é mais 
frequente no verão, mas não significa 
que não possa ocorrer estados de 
tempo bastante diferentes, por 
exemplo, o elevado aquecimento 
diurno, verificado no interior da 
Península Ibérica, origina uma 
depressão de origem térmica, sendo 
responsável pela ocorrência de 
precipitação convectiva e até de 
tavoadas, principalmente no interior 
do país. 
Ocasionalmente esta depressão 
barométrica estende-se até ao norte de Africa e se conjugar com o anticiclone centrado na 
Europa, a península tem fortes probabilidades de ser invadida por massas de ar quente. Faz -se 
sentir o “vento de levante”, responsável por tempo muito quente e seco. 
Quando o centro de baixas pressões se centra sobre a península e o anticiclone dos Açores se 
localiza um pouco a norte deste arquipélago, faz-se sentir a “nortada”, principalmente ao 
longo da costa oeste. 
Situações metrológicas nas estações intermedias (primavera e outono) – ocorrem situações 
metrológicas de transição, entre as verificadas no inverno e verão. 
Na primavera, principalmente de finais de Março a meados de Maio, o tempo é ainda muito 
instável, devido sobretudo à presença mais ou menos frequente das baixas pressões 
subpolares e à passagem das perturbações frontais. Com o aproximar do verão a frente polar 
vai-se deslocando para norte, cedendo lugar ao anticiclone Açores que, ao subir em latitude, 
tende a tornar cada vez mais intensa a sua influência no território nacional. Avança-se assim 
para uma maior estabilidade atmosférica e para o predomínio do bom tempo. 
No outono, inicia-se a deslocação para sul das baixas pressões subpolares e das perturbações 
da frente polar, pelo que estas vão tomando as posições antes ocupadas pelo anticiclone dos 
Açores. A atmosfera torna-se progressivamente mais instável e as situações de mau tempo 
são mais frequentes. 
O clima de Portugal – apresenta alguma diversidade climática, tanto no continente como 
arquipélagos. 
Clima no Continente 
Embora o clima seja predominantemente temperado Mediterrânico, podem distinguir-se, 
essencialmente, três conjuntos climáticos:
109 
Norte Litoral 
 Verões relativamente frescos; 
 Invernos suaves; 
 Amplitudes térmicas anuais que não ultrapassam os 10°C; 
 Precipitações mais ou menos abundantes (outono e inverno); 
 Trata-se de um clima temperado de feição marítima. 
Norte Interior 
 Verões muito quentes; 
 Invernos muito frios e longos; 
 Amplitudes térmicas anuais que quase atingem os 20°C 
 Precipitações menos intensas e frequentes no que noroeste 
 Trata-se de um clima de feição continental. 
Sul 
 Verões muito quentes, longos e secos; 
 Invernos curtos e suaves; 
 Precipitações escassas e irregulares, concentradas no fim de outono e inverno; 
 Trata-se de um clima temperado mediterrânico. 
Clima dos Açores 
Com influência atlântica, o clima açoriano é, de uma forma geral, do tipo temperado marítimo. 
Como as seguintes características: 
 Verões relativamente frescos; 
 Invernos suaves; 
 Amplitudes térmicas fracas e precipitações mais ou menos abundantes ao longo do 
ano, principalmente nos finais de outono e no inverno. 
Clima da Madeira 
É predominantemente temperado mediterrânico. 
 Verões muito quentes, longos e secos; 
 Invernos curtos e suaves 
 Precipitações escassas e irregulares. 
Na Ilha da Madeira, devido à orientação oeste-este do relevo, verifica-se um claro contraste 
com a parte norte e a parte sul da ilha. A vertente Norte (umbria) é mais fria e tem um período 
seco muito curto, fruto dos consideráveis níveis de precipitação (chuvas orográficas). A 
vertente Sul (soalheira), tem temperaturas mais elevadas e um período seco mais longo 
(semelhante ao do Algarve) devido aos menores níveis de precipitação.
A ilha de Porto Santo, de relevo quase plano, possui temperaturas mais elevadas e 
precipitações ainda mais reduzidas do que a Ilha da Madeira, razões pelas quais apresenta 
maior período estival. 
Estação seca estival – número de meses considerados secos. 
A existência deste período mais ou menos prolongado verifica-se em todo o território 
continental, no arquipélago da Madeira e algumas ilhas dos Açores, pelo que constitui uma 
das características mais marcantes do nosso clima. 
Isto está relacionado principalmente com a irregularidade na distribuição anual da 
precipitação e a sua durabilidade tem grande influência nas reservas hídricas. 
110
111 
As disponibilidades hídricas 
A quantidade de água disponível de uma região 
depende das características do clima e, muito 
especialmente, da precipitação, quer em termos de 
valores totais registados quer na distribuição ao longo 
do ano. 
Correspondem, no essencial, à água que se encontra em 
circulação nos continentes, tanto à superfície, as 
chamadas águas superficiais (rio, lagos, lagoas e 
albufeiras), como em profundidade, as ditas águas 
subterrâneas (nascentes naturais e lençóis de água 
existentes no subsolo). 
Apesar da relativa abundância das nossas 
disponibilidades hídricas, a realidade é que a 
irregularidade temporal com que surgem, a 
desigualdade distribuição no espaço, a acentuada 
dependência de Espanha (sobretudo no que se refere 
aos rios internacionais) e as diferentes necessidades 
regionais, conduzem frequentemente a situação de 
carência de água em muitas regiões do país, 
principalmente durante a época estival. 
Águas superficiais – de origem das precipitações que 
caem sobre a superfície da terra e constituem a principal fonte de alimentação dos cursos de 
água, sejam eles temporários o permanentes. 
Numa primeira fase, essas águas escorrem de forma desordenada ao longo das vertentes, mas, 
devido à ação da gravidade e às características do relevo existentes, rapidamente começam a 
organizar-se, formando pequenos riachos, ribeiros, rios maiores, que levarão a água até aos 
oceanos. Fica assim organizada uma rede hidrográfica – conjunto formando por um rio e seus 
afluentes. 
A rede hidrográfica no território continental é dominada pelos rios luso-espanhóis: 
Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. 
Existem outro, exclusivamente portugueses: 
Vouga, Mondego e Sado. 
A maioria dos rios nacionais tem uma orientação geral nordeste-sudoeste (NE-SW), seguindo 
a inclinação e a orientação das principais falhas tectónicas.
Existem casos, como o Sado e Guadiana, que escoam noutras direções, de Sul para Norte e 
vice-versa. 
Não é só a influência do relevo que orienta os rios, é responsável juntamente o clima, pelas 
diferenças na densidade hidrográfica do território nacional. 
No Norte, onde o relevo é mais acidentado e o clima mais pluvioso, a rede hidrográfica é mais 
densa e está melhor hierarquizada. Os rios escoam por vales mais ou menos apertados e 
profundos, regra geral, com perfis transversais em “V” fechado ou em forma de “V” aberto, 
com grande declive e consideráveis irregularidades ao longo do percurso. 
No Sul e Centro litoral a situação é bem diferente. Aqui desenvolvem-se vastas planícies 
aluviais e o clima regista maior secura, pelo que a rede hidrográfica é menos densa. 
Nesta região os cursos de água têm percursos com maior declive e leitos muito mais regulares, 
ao mesmo tempo que escoam em vales mais abertos, frequentemente designados por “caleira 
aluvial”. 
Nos arquipélagos, devido às reduzidas dimensões das diferentes ilhas, bem como às 
características do relevo existente, os cursos de água são pouco extensos e designam-se de 
ribeiras. 
As ribeiras possuem perfis longitudinais (linha que resulta da união de todos os pontos de 
maior profundidade do leito de um rio, desde a nascente até à foz) com declives acentuados e 
112
grandes irregularidades. As suas águas escoam normalmente ao longo de vales em forma de 
“V” fechado ou garganta. 
As várias redes hidrográficas são as responsáveis pela drenagem das águas que caem em cada 
uma das respetivas bacias hidrográficas. 
113 
Principais bacias hidrográficas 
Designa-se por bacia hidrográfica a área drenada por um curso de água e seus afluentes. 
Em Portugal continental, destacam-se quinze bacias hidrográficas, das quais se destacam – 
Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana – têm bacias que se estendem, parcialmente por 
território espanhol, o que é uma fator muito importante para as nossas disponibilidades 
hídricas dos dois países e atesta bem a nossa dependência, em termos de recursos hídricos, 
face ao país vizinho. 
De entre várias bacias hidrográficas (nacionais e internacionais) a do Douro é a que ocupa 
maior superfície (superior a de Portugal Continental). A do Tejo, por seu lado, é a que abrange 
maior área em território exclusivamente nacional. 
As bacias hidrográficas inteiramente portuguesas são pouco extensas, e delas destacam-se as 
dos rios Sado, Mondego e Vouga. 
Nas bacias hidrográficas as disponibilidades hídricas são fortemente condicionadas pela 
irregularidade da precipitação e pela forma como se processa o escoamento. 
Relativamente à sua distribuição no tempo é possível observar que o escoamento é mais 
acentuado nos meses de inverno (cerca de 60% do valor anual médio) e mais reduzido no 
período estival. 
A repartição geográfica do escoamento decalca a das chuvas. As regiõe s com maior 
abundancia são o Noroeste e a Cordilheira Central, precisamente as mais chuvosas. 
De salientar que temos em termos de balanço hídrico (distribuição da precipitação pela 
evapotranspiração e pelo escoamento superficial e subterrâneo), o escoamento do nosso país,
corresponde apenas a cerca de um terço do total de precipitação registada, sendo que os 
outros dois terços dizem respeito à evapotranspiração. 
Variação do caudal dos rios é particularmente condicionado por: 
 Variação anual e espacial da precipitação; 
 Características do relevo (forma de declive das vertentes); 
 Natureza dos terrenos (tipos de rocha que os constitui e grau de permeabilidade); 
 Cobertura vegetal; 
 Ação do homem. 
Por consequência das condições climáticas (temperatura e precipitação) ao longo do ano, os 
cursos de água portugueses apresentam um regime irregular, com caracter torrencial, ou seja, 
tem caudais muito reduzidos ou mesmo nulos durante a estiagem (caudal de estiagem) e 
elevados nas épocas de maior precipitação (Dezembro a Março). 
Esta irregularidade aumenta de norte para sul e do litoral para o interior e acompanha a forma 
como se distribuem as precipitações. 
Face a esta irregularidade Portugal, optou pela construção de barragens (anos 50-60 e até aos 
dias de hoje). 
As barragens permitem, minimizar os problemas de escassez e grandes irregularidades dos 
recursos hídricos potencialmente disponíveis no Sul, através do armazenamento de água em 
albufeiras e, por outro, potencializar a abundancia deste recurso, no Norte, sobretudo na 
produção de energia hidroelétrica. 
114
115 
Finalidades das Barragens: 
 Rega; 
 Produção de energia; 
 Abastecimento de água para fins domésticos e industriais; 
 Controlo de cheias e marés/regularização do caudal de rios; 
 Navegação/uso recreativo; 
 Aquacultura; 
 Recarga de aquíferos. 
As duas maiores barragens 
portuguesas são, até ao presente, o 
Alqueva, na bacia do Guadiana e 
Castelo de Bode, na bacia do Tejo. 
Além dos rios, existem no nosso país 
outros reservatórios naturais de 
águas à superfície. É o caso das 
lagoas de origem marinho-fluvial, 
glaciaria e tectónica. 
Barragem do Alqueva 
No Continente as lagoas marinho-fluviais são em número superior, têm em geral pequena 
profundidade e situam-se predominantemente ao longo da faixa litoral. As mais importantes 
A Norte do Tejo: Paramos, Tocha, Vela, Três Braços, Ervedeira; Óbidos; Albufeira. 
A Sul do Tejo: Albufeira, Melides, Santo André e Sancha. 
As lagoas de origem glaciária são cerca de uma dezena e situam-se, na sua quase totalidade, 
nas zonas mais elevadas da Serra da Estrela. De entre elas destacam-se a Lagoa Comprida, 
com cerca de 1 km de extensão, que é alimentada pelas chuvas e pela fusão de neve e gelo. 
As lagoas de origem tectónica localiza-se no Maciço Calcário Estremenho. As mais importantes 
são as de Mira, Minde e Arrimal. 
Nos Açores (à exceção das ilhas de S. Jorge e do Pico), existem numerosas lagoas de origem 
vulcânica, em consequência da acumulação de águas pluviais e de nascente nas depressões 
resultantes do abatimento de antigas crateras. A caldeira das Setes Cidades, na ilha de S. 
Miguel, é talvez o caso mais conhecido, pois está ocupado por duas importantes lagoas, a 
Lagoa Verde e a Lagoa Azul. Importantes nesta ilha são também as lagoas de Fogo e das 
Furnas. 
As águas subterrâneas 
Constituem uma das componentes fundamentais dos recursos hídricos e encontram-se nos 
aquíferos, formações geológicas que permitem a circulação e armazenamento da água nos 
espaços vazios, proporcionando o seu aproveitamento pelas populações.
Os recursos hídricos subterrâneos dependem da precipitação ocorrida, mas também. E 
fundamentalmente, da natureza das formações rochosas, especialmente no que diz respeito 
ao grau de permeabilidade. 
As formações rochosas de granito, xisto e basalto são pouco permeáveis, pelo que dificultam 
a infiltração da água e formação de aquíferos. As formações sedimentares de origem detrítica 
(areias e arenitos), pelo contrário, são bastante permeáveis, o que facilita a infiltração da água 
e formação de aquíferos importantes. Muito permeáveis são também as formações calcárias 
ou cársicas pois a água dissolve o calcário quando há presença do dióxido de carbono. As 
fendas habitualmente existentes em qualquer tipo de rochas, são rapidamente alargadas. O 
escoamento superficial acaba assim por ser rapidamente substituído por uma circulação 
subterrânea cada vez mais importante, dando origem às toalhas cársicas. 
Nestas regiões observa-se assim, à superfície, uma circulação escassa e desorganizada das 
águas, acompanhado pela presença de formas de relevo únicas. 
Em profundidade a circulação acaba por desenvolver um sistema de galerias e cavernas com 
formações muito curiosas como é o caso das estalactites e das estalagmites. Quando 
abundantes, as águas dão origem a autênticos rios subterrâneos de traçado muito complexo. 
A circulação das águas num carso vai evoluindo com a idade do mesmo, sendo habitual 
distinguir três fases distintas: 
116 
 Juventude; 
 Maturidade; 
 Senilidade. 
Esta evolução acaba por estar diretamente depende do tipo de clima em que se encontra, uma 
vez que a temperatura influência o poder de dissolução da água. 
A região cársica mais representativa no nosso país é o Maciço Calcário Estremenho constituído 
pelas Serras dos Candeeiros, Santo António, Aire e Planalto de S. Mamede.
Repartição geográfica dos sistemas de aquíferos 
O estudo dos sistemas de aquíferos em território nacional reveste -se de alguma dificuldade 
uma vez que não existe concordância relativamente à sua delimitação entre vários organismos 
com interesse nesta matéria. 
Contudo, pode dizer-se que as grandes unidades hidrogeológicas decalcam as unidades 
estruturais. 
O Maciço Antigo – unidade mais extensa, pela sua composição litológica e permeabilidade 
reduzida (granitos) a muito reduzida (xistos), é muito pobre em aquíferos. Além de poucos, a 
maior parte deles tem também uma reduzida produtividade aquífera. 
A orla Ocidental - pela diversidade litológica que apresenta é a que possui mais sistemas de 
aquíferos, cerca de 30, cárcicos e porosos. Esta diversidade impl ica também uma 
produtividade muito variável. 
A orla Meridional - de composição litológica, semelhante a anterior, possui 17 sistemas de 
aquíferos com produtividade inferior. 
As Bacias Sedimentares do Tejo e Sado - formam a unidade hidrológica mais importante do 
país, pela extensão, espessura e produtividade dos seus aquíferos. 
Os aquíferos são reservatórios subterrâneos de água e tem vantagem, em relação às águas 
superficiais, de se encontrarem mais protegidos relativamente a eventuais fontes poluidores. 
Convém, no entanto, referir que têm também as suas vulnerabilidades, pois se ocorrem focos 
de poluição, torna-se praticamente impossível recupera-los, dada a sua localização 
subterrânea. 
117
PROBLEMAS NA UTILIZAÇÃO DA ÁGUA 
Consumo excessivo Diminuição das reservas Poluição 
118 
Salinização Alterações 
climáticas 
Desflorestaçã 
o 
Efluentes 
 Domésticos 
 Industriais 
 Agropecuários 
Eutrofização* 
*enriquecimento excessivo da água em matérias nutritivas. Geram a absorção exagerada de oxigénio e 
a consequente asfixia desse meio aquático. 
Causas da exploração/aproveitamento dos recursos hídricos 
A ocupação e o uso do solo à superfície são fatores muito importantes que podem conduzir à 
degradação da qualidade das águas, de forma muitas vezes irreversível. 
A utilização desregrada de fertilizantes, pesticidas e herbicidas ou a descarga de sustâncias 
toxicas no solo ou em cursos de águas superficiais pode conduzir à perda definitiva destas 
toalhas freáticas. 
Outro dos cuidados a ter prende-se com a captação de águas superficiais pode conduzir à 
perda definitiva destas toalhas freáticas. 
Apesar de os recursos hídricos subterrâneos renováveis representarem apenas 16% do total de 
recursos hídricos gerado em Portugal continental suportam cerca de 54% do consumo total de 
água anual. 
Esta situação reflete uma pressão humana muito maior sobre as águas subterrâneas do que 
sobre as águas superficiais, pois são utilizados anualmente 79% dos recursos hídricos 
renováveis, enquanto que os superficiais são utilizados apenas 13%. 
O setor responsável por esta situação é a agricultura, que “consume” cerca de 75% da água 
total e 89% da água subterrânea. 
O Algarve é de todas as regiões a mais dependente das águas subterrâneas uma vez que 80% 
do total das suas utilizações provêm dos aquíferos. 
Nas zonas litorais, a exploração intensiva das águas subterrâneas pode, a longo prazo, 
desencadear o risco de ocorrência de uma diminuição do nível dos lençóis freáticos e conduzir 
à intrusão de água do mar com a possibilidade de salinização das águas captadas.
119 
A gestão dos recursos hídricos 
Os recursos hídricos são limitados, pois é necessário protege-los e conservá-los. 
No Continente a variabilidade da disponibilidade hídrica de superfície e subterrânea é 
extremamente elevada, quer em termos sazonais, quer em termos anuais. Verifica-se assim, 
períodos por vezes prolongados, em que a precipitação é significativamente inferior ou 
superior à média. O desafio coloca-se, então, na criação de um sistema eficaz que permita 
armazenar a água nos períodos de abundância para poder ser consumida nos momentos de 
carência ou seca. Até ao momento a opção tem sido a construção de barragens. 
Atividades humanas que interferem na quantidade e qualidade das águas 
A questão da quantidade está diretamente relacionada com o progressivo desenvolvimento da 
economia e da sociedade em geral. Sabe-se, pela experiencia dos países mais desenvolvidos, 
que existe uma relação entre desenvolvimento económico e consumo, sendo assim de esperar 
para os próximos anos um aumento constante nas necessidades de fornecimento á população 
e atividades produtivas. 
A questão da qualidade prende-se com a cada vez maior dificuldade em assegurar níveis 
mínimos de qualidade que não ponham em risco a saúde das populações. 
Esta situação crítica é, em Portugal, reforça pelo facto de uma parte considerável dos nossos 
recursos não se encontrar sob alçada dos nossos organismo, visto que as nossas bacias 
hidrográficas dos nossos principais rios situação em Espanha. 
A principal causa da degradação no nosso país, resulta de descargas de águas residuais de 
origem urbana e efluentes industriais, a par daquela que é proveniente das utilização de 
pesticidas e fertilizantes na agricultura. 
Isto leva a frequente eutrofização do meio aquático, com consequência da perda da qualidade 
da água, podendo levar a situações de elevada toxidade, com maior repercussão nos períodos 
de estiagem. 
Uma das formas de corrigir este problema e garantir o equilíbrio dos ecossistemas passa pelo 
tratamento das águas residuais em locais destinados para esse efeito – as Estações de 
Tratamento de Águas Residuais (ETAR). 
Risco na gestão dos recursos hídricos 
A Directiva-Quadro da Água defende que este recurso constitui um “património que deve ser 
protegido, defendido e tratado com tal”. 
Esta preocupação comunitária, ao nível da quantidade e da qualidade das águas, confirma a 
necessidade de ações que conduzem a uma gestão eficiente dos recursos hídricos. É de 
salientar que uma boa gestão implica a consciencialização de que os recursos hídricos são 
limitados sendo, necessário protege-los e conserva-los.
120 
Ou seja: 
 Tem que haver uma boa gestão e consciencialização; 
 Uma alteração profunda das práticas relativas a sua utilização; 
 Uso eficiente; 
 Contenção de desperdícios; 
 Tratamento e aproveitamento das águas já utilizadas. 
Na agricultura são cada vez mais habituais técnicas mais eficientes no consumo de água: 
 Rega por aspersão; 
 Gota-a-gota; 
 Dispositivos de transportes de água que evitem as perdas por infiltração; 
 Utilização de espécies menos exigentes. 
Noutros setores promove-se a utilização de circuitos fechados, onde a água, depois de 
utilizada é tratada e utilizada de novo. Método este utilizado, na indústria e em grandes 
espaços residências. 
No entanto, há que referir que os hábitos de consumos são sempre difíceis de alterar. Para isto 
é necessário e fundamental apostar na educação ambiental. Os atuais jovens serão 
consumidores no futuro, assim como a alteração de comportamentos das famílias. 
Gestão dos recursos hídricos e os acordos internacionais 
Esta gestão passa obrigatoriamente pela articulação com o planeamento e gestão dos recursos 
hídricos da parte espanhola. 
O nosso país é subscrito de importantes convenções multilaterais e no plano bilateral, 
acordou com Espanha um conjunto de normas com vista à partilha dos recursos hídricos das 5 
bacias hidrográficas internacionais – Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Com este acordo 
foram garantidos a Portugal caudais mínimos anuais e pela primeira vez foi consagrada a 
existência de uma comissão conjunta para analisar a aplicação desta Convenção. 
Decorrem, em simultâneo, as negociações no âmbito da UE, cujos trabalhos conduziram à 
aprovação da Diretiva-Quadro da Água. 
Lei-Quadro da Água – lei que assegura a transposição da Diretiva Quadro da Água, 
estabelecendo as bases para a gestão sustentável dos recursos hídricos e definindo todo um 
novo quadro institucional para o setor. 
MEDIDAS DE CONTROLO DA QUALIDADE DA ÁGUA 
Plano Nacional da Água (PNA) – define orientações de âmbito nacional para a gestão nacional 
para a gestão integrada das águas, fundamentadas em diagnóstico da situação atual e na 
definição de objetivos a alcançar através de medidas e ações.
Planos de Bacia Hidrográfica (PBH) – definem orientações de valorização, proteção e gestão 
equilibrada da água, de âmbito territorial, para uma bacia hidrográfica ou agregação de 
pequenas bacias. 
Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas (POAAP) – regulamentam a gestão 
ordenada de albufeiras de águas públicas que tenham como fins principais a rega, a produção 
de energia hidrelétrica e abastecimentos às populações. 
121
122 
Os Recursos Marítimos 
AS POTENCIALIDADES DO LITORAL 
Atualmente estima-se que uma elevada percentagem da população mundial viva em áreas 
litorais ou em espaços que dependem fortemente das áreas litorais. 
As áreas litorais são espaços de grande beleza, diversidade e riqueza ecológica sendo, assim, 
muito valorizada socialmente. As facilidades ao nível das comunicações, a fertilidade dos 
solos, a possibilidade de fruição de paisagens únicas e a amenidade do clima proporcionada 
pela presença oceânica têm sido alguns fatores que justificam esta elevada concentração 
demográfica. 
PORTUGAL 
Também regista uma levada concentração demográfica no litoral, a ponto de se falar de 
litoralização do território. 
Apesar de se falar muito sobre o litoral, não existe um consenso sobre os limites deste 
espaço. A sua grande mobilidade e o elevado número de elementos atuantes (litosfera, 
hidrosfera e atmosfera) tornam a sua delimitação um desafio teórico difícil para a maioria dos 
especialistas e uma preocupação para quem tem responsabilidade no planeamento do 
território. 
Do ponto de vista jurídico e administrativo destacam-se, nesta áreas, o seu carater público e 
a proliferação de instituições de tutela que realizam a gestão por vezes com alguma 
sobreposição de competências. 
A ocupação das áreas litorais deve revestir-se de particular cuidado, respeitando o 
funcionamento dos ecossistemas e adotando um planeamento estratégico. Justificando assim 
uma abordagem sistémica, que implica um esforço acrescido na planificação e gestão. 
As definições são várias e dependem dos critérios utilizados que, por sua vez, resultam dos fins 
a que se destinam. 
ECOSSISTEMA – comunidade de organismo constituída por produtores, consumidores e 
decompositores, funcionalmente relacionados entre si e com o meio ambiente, e considerados 
com uma entidade única. 
Como proposta de delimitação apresentamos aquela que foi apresentada no Plano Geral de 
Monitorização da Orla Costeira de Portugal Continental – é um plano que visa abordar de 
uma forma integrada toda a área costeira, incluindo a faixa de plataforma continental até 30 
km, bem como as águas de transição. 
DO LADO MAR – profundidade para além da qual as alterações morfológicas decorrentes dos 
processos de transporte longitudinais e normais à linha de costa passam a ser considerados 
desprezáveis.
DO LADO DE TERRA – a linha para além da qual as formações costeiras naturais não são 
influenciadas pela ação e interação entre os diversos agentes da fisiografia costeira, 
nomeadamente a onda e o transporte eólico. 
Estas áreas destacam-se pela sua complexidade. O grande número de elementos atuantes 
transforma-as em espaços de ocupação condicionada, devendo adaptar-se uma perspetiva 
sustentável na ocupação territorial, procurando preservar os recursos atuais que as gerações 
futuras possam também desfrutar dos mesmos. 
A COSTA PORTUGUESA – tem uma extensão, com cerca, de 1845 km – distribuída por uma 
área continental cuja linha de costa possui uma dimensão aproximada de 942 km de 
comprimento, acrescida de 691 km do arquipélago dos Açores e de 212 km do arquipélago da 
Madeira, sendo uma das mais extensas dos países da UE. 
O litoral continental português, possuindo um contorno praticamente retangular, apresenta 
algumas de relevo particulares, que resultam, da constituição geológica das áreas em causa 
de ação erosiva do mar, a costa apresentam-se em algumas áreas alta e rochosa e noutras 
baixa e arenosa. 
A orla costeira, para além de estar sujeita a 
intervenção humana (extração de areias, 
urbanização crescente, etc.), é também alvo de 
constantes alterações naturais. De entre essas 
alterações naturais é de realçar os processos de 
desgaste, transporte e acumulação de 
materiais rochosos levados a cabo pelo mar e 
que se designa de erosão marítima – provocada 
pelo mar nas margens continentais ou 
insulares. 
A ação do mar sobre o litoral faz-se sentir 
essencialmente através da erosão mecânica 
(abrasão marinha – processo de desgaste 
mecânico, provocado pela ação do mar e dos 
materiais sólidos transportados pelas correntes 
marinhas.), sendo no entanto de descurar os 
processos de erosão química. 
Em toda a linha de costa o mar tem também 
uma intensa atividade de transporte e 
deposição de sedimentos. Estes sedimentos 
depositados vão dar origem a varias formas de 
acumulação de que são exemplos as praias, as 
restingas, os cordões litorais e os tômbolos. 
123
TODOS OS ANOS PORTUGAL PERDE DEZ METROS DE COSTA 
Uma pequena parte da erosão costeira deve-se a causas naturais. A restante deve-se a ação do 
Homem – construção de barragens, extração de areias, edificação de esporões e proteções 
laterais, e construção desordenada em cima da linha de costa, nomeadamente em dunas e 
arribas. 
Intervenções possíveis para melhoramento da costa: 
 Construção de esporões de intervenção; 
 Deixa-se o mar avançar e nós recuamos; 
 Realimentar as praias, fortalecer e reconstruir as dunas e realizar a transferência de 
areias dos locais onde ela é artificialmente retida para as zonas erodidas a sul. 
124 
LITORAIS ROCHOSOS – AS ARRIBAS 
Normalmente resistentes à erosão, é comum encontrar formas de relevo altas e de paredes 
quase verticais, chamadas arribas – (ou falésia) forma particular de vertente costeira abrupta 
ou com declive forte, em regra talhada em rochas pela ação conjunta dos agentes marinhos, 
continentais e biológicos. 
Quando esta entra em contacto com o mar é alvo de escavamento na base pelo que se torna 
instável devido ao aumento de declive e à falta de suporte. As ondas de conjunto com os 
detritos arrancados à base da arriba vão acelerar o processo de escavamento. 
Esta instabilidade induz a movimentos de massa de diversos tipos como desabamentos, 
deslizamentos, queda de blocos e fluxos de detritos, razão pela qual a ocupação pelo homem 
deve obedecer a critérios rígidos de modo a evitar situações de risco desnecessário. 
Esta ação contínua do mar provoca o progressivo recuo da arriba levando a que, a pouco e 
pouco, as ondas deixem de atacar a sua parte inferior, transformando a arriba viva numa 
arriba morta (ou fóssil). 
Esquema representativo do desmoronamento e recuo progressivo das arribas
125 
LITORAIS ARENOSOS – AS PRAIAS 
Com costa baixa, encontramos as praias. A origem dos sedimentos (areias) que as constituem 
é diversa, podendo resultar da desagregação das arribas ou do transporte fluvial e posterior 
deslocamento e deposição por ação das correntes marítimas. 
As inúmeras construções de barragens ao lado dos principais rios tem conduzido a uma 
crescente retenção dos sedimentos, reduzindo a alimentação ao longo da costa. 
Como as correntes litorais deixam de repor os materiais retirados pela ação erosiva do mar, a 
consequência tem sido o estreitamento progressivo destas acumulações de areia. 
Nos últimos anos têm sido desenvolvidos esforços no sentido de diminuir os efeitos deste 
estreitamento, que através de uma cuidadosa intervenção ao nível da cobertura florestal, quer 
através da construção de paliçadas vegetais semipermeáveis. 
Em Portugal, tem-se verificado o progressivo aumento da subida do nível medio das águas do 
mar. Este aumento não é fácil de quantificar mas está diretamente relacionado com o 
aumento da temperatura do planeta que, por sua vez, resulta do aumento da concentração 
dos gases responsáveis pelo efeito de estufa. 
Pode-se assim concluir, que a ocupação do litoral não pode continua a fazer-se como se nada 
não estivesse acontecer. 
AS DUNAS – formas de acumulação eólica cujo material de origem são areias marinhas. 
Estas são muito frequentes ao longo de toda a costa, que se caracterizam pela sua elevada 
mobilidade. Este movimento é tanto mais importante quanto menos for a proteção 
proporcionada pela cobertura vegetal. Com a intervenção do homem, alterou-se estas áreas, 
transformando-as em campos agrícolas, como por exemplo as masseiras, ou para ocupações 
menos validas, com uma urbanização descontrolada. 
ESTUÁRIOS DE DELTAS 
Os estuários e os deltas localizam-se na foz dos cursos de água, e estendem-se pelo rio até 
onde se faz sentir a presença da água salobra. No mar prolonga-se até onde vai a corrente 
fluvial. 
Estuário – parte terminal de um rio, constituída por um braço que geralmente se alarga e 
aprofunda junto à foz. 
Delta – forma de acumulação que surge quando há colmatação na desembocadura do rio, 
originando que este se ramifique em vários braços. 
Os estuários, o balanço sedimentar é geralmente negativo, ao contrário do que se passa nos 
deltas. Nestes o avanço da área da foz costuma ser habitual em resultado da forte acumulação 
de materiais de origem sedimentar. 
Na costa portuguesa apenas os rios Vouga e Tejo desaguam em delta interiores, enquanto 
todos os outros fazem através de estuários, estas áreas são ecologicamente muito
importantes, pois aí residem inúmeras espécies vegetais e animais únicas e servem 
habitualmente como local de passagem e nidificação de muitas espécies migratórias. 
As costas lagunares – habitualmente formadas em costas baixas, são constituídas por uma 
zona húmida – laguna (massa de água pouco profunda, ligada ao mar por um pequeno canal), 
isolada do mar por um cordão litoral ou por uma restinga. 
As mais importantes são o haff-delta de Aveiro e a ria Formosa. Outras de menor importância 
(lagoa de Óbidos, lagoa de Albufeira, lagoas de Melides, Santo André e Chanca) constituem 
também valioso ecossistema, que urge preservar. 
A maior parte das lagunas apresenta sinais evidentes de assoreamento, que conduzem a uma 
eutrofização progressiva. Para minimizar os efeitos deste processo é periodicamente efetuada 
uma abertura no sistema, de modo a fazer-se a renovação das águas e a entrada de novos 
exemplares piscícolas. 
126
127 
A PLATAFORMA CONTINENTAL 
A estrutura das áreas litorais, apesar da grande diversidade de situações, apresenta um 
conjunto de unidades que, de forma mais ou menos desenvolvida, estão habitualmente 
presentes. Estas unidades são, da costa para o mar, a plataforma continental, o talude 
continental e a zona abissal. 
A plataforma continental vai até cerca de 200 metros de profundidade. É de todas a mais 
importante por ser aquela onde a riqueza de recursos piscícolas é maior. Este facto deve -se à 
conjugação de uma serie de fatores dos quais se destacam: 
 Riqueza de nutrientes, transportados pelos rios, os quais dão origem a grandes 
quantidades de pequenos organismos vegetais e animais, que constituem a base 
alimentar de inúmeras espécies – o plâncton; 
 A reduzida profundidade das águas, o que aumenta os índices de luminosidade, facto 
fundamental para a realização de fotossíntese pelo fitoplâncton; 
 Os elevados teores de oxigénio, em resultado da constante agitação das águas; 
 O teor de sal relativamente baixo, em resultado da mistura da água do mar com 
aquela que é proveniente dos rios. 
A nossa plataforma continental não é das mais extensas, raramente ultrapassando os 60 km 
de largura. 
Nestas áreas são fundamentais as correntes marítimas, pois contribuem para a renovação das 
águas e dos nutrientes, aumentando a variedade de espécies marinhais. 
Portugal situa-se numa área onde se encontram massas de água com diferentes 
proveniências, as correntes marítimas, das quais poderíamos destacar: 
 As águas profundas do Atlântico Norte; 
 As águas de origem mediterrânica; 
 As águas do Atlântico Norte; 
Estas contribuem de forma decisiva para a nossa riqueza piscícola.
Por Portugal passa uma corrente com origem no Golfo do México – corrente de Portugal, mas 
que ao longo do seu trajeto foi alterando progressivamente as suas características e o seu grau 
de salinidade. 
Existem outros movimentos, em profundidade, que tem grande 
importância na quantidade de recursos piscícolas o upwelling – 
corrente marítima ascendente, rica em nutrientes e 
diretamente relacionada com a existência de plâncton e 
diversas espécies piscícolas, que alimentam algumas espécies 
fundamentais para o nosso país, tal como a sardinha. São 
impulsionadas pela ação dos ventos à superfície. Este 
fenómeno, dá-se principalmente no verão. Constitui um 
movimento ascendente de águas profundas promovido pela 
ação do vento à superfície, principalmente quando este sopra 
da terra para o mar. 
128 
ATIVIDADE PISCATÓRIA 
Portugal, enquanto Estado costeiro, continental e insular, possui, para além do mar territorial 
e da respetiva zona contígua, uma das mais extensa Zona Económicas Exclusivas (ZEE) – desde 
1982 que a ZEE de cada país é de 200 milhas, a partir da linha de costa, os países costeiros: 
detêm os direitos de exploração e administração de todos os recursos (até do subsolo). O 
nosso país possui a maior ZEE dos países da Europa e também uma das maiores do mundo. 
Atividade piscatória deveria representar para Portugal uma importante fonte de receitas e 
empregar um número de trabalhadores muito superior àquela que emprega atualmente. 
Só certa de 5% da população ativa do setor primário represente este subsetor é de facto, 
desproporciona-te face à importância do nosso espaço marítimo.
É importante que o nosso país faça um esforço para reforçar as atividades de investigação, 
desenvolvimento e patrulhamento deste imenso espaço, para melhor o poder explorar e 
proteger. 
Nas últimas décadas esta atividade no nosso país tem vindo a perder importância, 
apresentando neste momento um peso no PIB que ronda os 0,8%. 
No entanto, continua a manter relações importantes com outras atividades: construção e 
reparação naval, fabrico de utensílios de pesca, indústria conserveira e toda a área de 
comercialização, pelo que a sua importância está longe de ser negligenciável. 
FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A RIQUEZA PISCATÓRIA: 
129 
 Características térmicas; 
 A salinidade; 
 Poluição das águas; 
 A luz; 
 Afluência das águas continentais; 
 Disponibilidade de nutrientes; 
 Oxigénio; 
 Profundidade da água; 
 As intensidades das ondas; 
 As correntes marítimas; 
 Agitação das águas. 
Tendo em conta as áreas onde é praticada, a tipologia das embarcações e o tipo de técnicas 
que utiliza, podemos considerar, para efeitos de estudos, três tipos de pesca: 
PESCA LOCAL – realizada perto da costa (até as 12 milhas) e nas águas interiores. É 
habitualmente uma pesca executada com técnicas artesanais, que se pratica com embarcações 
de pequena dimensão, pequena tAB (unidade média, que exprime a capacidade total de carga 
de uma embarcação), e em que o tempo no mar não vai além de um período máximo de 24 
horas. 
PESCA COSTEIRA – realizada para lá das 12 milhas, possuí uma duração entre uma a duas 
semanas. Utiliza embarcações de maior dimensão e tecnologicamente mais avançadas, com 
mecanismos de conservação do pescado. 
PESCA LONGÍNQUA OU LARGO – pratica-se nas principais áreas de pesca mundial, com 
embarcações dotadas da mais moderna tecnologia e onde o pescado é rapidamente 
transformado, congelado, e em alguns caso embalado. 
Trata-se de um tipo de pesca industrial, que exige investimentos muito avultados. O volume 
das capturas é elevado, e estas efetuam-se em águas internacionais ou em ZEE de outros 
países, obedecendo por isso a rígidas normas internacionais.
CONTRASTES ENTRE A PESCA ARTESANAL E INDUSTRIAL 
130
131 
AS PRINCIPAIS ÁREAS DE PESCA 
A ZEE portuguesa apresenta um volume relativamente reduzido de pescado, tanto em 
quantidade como diversidade de espécies. Por esse motivo, a atividade piscatória nacional, 
para além de ocorrer na nossa ZEE, também se desenvolve em pesqueiros externos em 
águas internacionais, das quais se destacam a zona NAFO (Organização das pescarias do 
Noroeste Atlântico), a Islândia e Marrocos. 
Globalmente, a nossa produção de pescado tem vindo a diminuir ao longo do tempo. Das 
espécies mais capturadas pela frota portuguesa destacam-se a sardinha, a cavala, o carapau, 
os polvos, o atum e outros similares.
132 
As infraestruturas portuárias e a frota 
Pode-se caracterizar a frota pesqueira portuguesa como pequena, mal equipada e com 
reduzida produtividade. 
A situação de crise tem-se agravado ainda mais devido à incapacidade de renovação das 
embarcações portuguesas, que limitam fortemente a nossa capacidade de concorrer com as 
frotas de outro país da UE, em particular com a espanhola. 
Os subsídios atribuídos para a renovação não tiveram resultados positivos, ao mesmo tem que 
se assiste a uma diminuição constante das quotas de pesca atribuídas pela UE ao nosso país. 
Estas quotas são definidas com base nos Totais Admissíveis de Capturas (TAC) – níveis 
máximos de captura autorizados. Para todos os países da UE. 
Outro problema tem sido o do progressivo esgotamento dos stocks de determinadas espécies 
piscícolas. Apesar da fixação de áreas de pesca, de defesos (período em que é proibida a 
captura um uma espécie), da atribuição de subsídios de imobilização e do controlo da malha 
das redes utilizadas, algumas espécies de grande relevância tiveram quebras acentuadas nas 
suas capturas. 
Apesar destes indicadores, Portugal continua a ser uma dos países da Europa com maior 
consumo de peixe per capita, com um valor médio de 59,3 kg (2004). Apresenta, assim, um 
desempenho bem menos positivo em termos de produção, 
o que demonstra, por um lado, a importância que este 
setor continua a ter para a população portuguesa. 
Estes hábitos alimentares acabam por ser responsáveis por 
elevados volumes de peixe importando: mais de 340 mil 
toneladas em 2004, o que representa, mais do dobro de 
todo o pescado por nós capturado. Estas importações 
representam cerca de 1000 milhões de euros, 
contribuindo para acentuar o desequilíbrio da nossa 
balança de transações. 
Numa costa predominantemente rectílinea, exposta 
sobretudo aos ventos do norte (nortada) e de sudoeste, 
como é o caso da maior parte da costa portuguesa, os 
acidentes litorais (embocaduras dos rios, barras, acidentes 
geológicos relevantes) foram aproveitados, desde tempos 
mais ou menos recuados, para a localização de portos de 
pesca e dos portos comerciais atuais. 
Relativamente aos principais portos de pesca, a tendência 
tem sido para a concentração do desembarque naqueles 
que apresentam melhores infraestruturas: Matosinhos, 
Peniche, Olhão, Sesimbra, Portimão, Figueira da Foz, 
Sines e Aveiro. Principais portos Portugueses
133 
A QUALIFICAÇÃO DA MÃO-DA-OBRA 
A população ativa neste setor tem vindo a diminuir progressivamente nas últimas décadas, 
tendo cerca de 35 mil pessoas, em 1991, passando para 22 mil, em 2004. Na década de 50 este 
valor ultrapassava os 45 mil efetivos. 
Estruturalmente o pessoal da pesca carateriza-se pelo predomínio de uma população 
envelhecida (a idade media ronda os 42 anos) e com um nível de qualificação insuficiente, 
apesar dos esforços que têm sido desenvolvidos para contrariar esta situação. A aposta na 
formação profissional continua a não dar os resultados esperados, apesar da proliferação dos 
centros de formação (disseminados pelos principais portos de pesca do continente) e dos 
apoios desmobilizados pela União Europeia, através do Fundo social Europeu. 
O baixo de nível de qualificação da mão-de-obra e, consequentemente, a sua baixa 
produtividade é um dos principais condicionalismos do setor. Exige-se, um reforço no esforço 
de valorização dos recursos humanos deste setor, correndo o risco, se tal não acontecer, de 
condicionarmos de forma irremediável o futuro da atividade piscícola em Portugal. 
GESTÃO DO ESPAÇO MARÍTIMO 
A litoralização crescente, traduzida na fixação da população e das diferentes atividades 
económicas, aliada à utilizada do mar, tem levantado problemas de varia ordem, dos quais de 
destacam as dificuldades na gestão e controlo da nossa ZEE, sobre-exploração dos recursos e 
população das águas. 
GESTÃO E CONTROLO DA NOSSA ZEE 
Portugal possui uma das maires ZEE’s da Europa com cerca de 1,6 milhões de km2, ou seja, 
cerca de 17 vezes a sua área terrestre. Sendo este vasto espaço de importância estratégica 
em termos ambientais, económicos e sociais, impõe-se que o nosso país realize a sua 
eficiente gestão. 
Zona Económica Exclusiva (ZEE) Portuguesa
A gestão do espaço marítimo português faz-se atualmente em sintonia com as orientações 
emanadas para os restantes países comunitários que possuem a ZEE. 
Nas próximas décadas, a UE procurará, por um lado, a criação de melhores condições de 
trabalho para os pescadores europeus e, por outro, a salvaguarda dos recursos marinhos, com 
o controlo da degradação das reservas de várias espécies. A Nova Politica Comum da Pesca 
(conhecida por Europa Azul – tem como objetivo “garantir que a exploração dos recursos 
aquáticos vivos crie condições sustentáveis dos pontos de vista económico, ambiental e social ) 
constitui assim um enorme desafio. 
A SOBRE-EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS PISCÍCOLAS 
Visível na captura de juvenis, através da utilização de rede de malha estreita, e na utilização 
de técnicas como o arrasto, tem contribuído para a diminuição dos stocks de algumas 
espécies. 
Torna-se assim fundamental desenvolver não só um controlo e uma apertada fiscalização da 
atividade piscatória, bem como a investigação do domínio dos recursos piscícolas que 
permitem avaliar o estado dos stocks das diferentes espécies. 
Em Portugal, cabe ao Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), realizar a 
avaliação dos recursos, o ordenamento da pesca litoral e avaliação dos impactos da 
tecnologia na pesca, entre outras. 
134 
A POLUIÇÃO DAS ÁGUAS 
A poluição das áreas litorais e do oceano é hoje uma realidade preocupante. 
Isto deve-se a litoralização e urbanização, bem como o desenvolvimento de algumas atividades 
económicas, em particular a industria e o turismo, que têm contribuído para o crescente 
aumento da poluição nas áreas costeiras. 
Junta-se ainda aqueles que ocorrem nas águas oceânicas. É exemplo disso o derrame de crude, 
resultante de descargas, lavagem de tanques ou acidentes com petroleiros, que originam as 
conhecidas marés negras – grandes quantidades de petróleo derramado no mar. 
Dada a localização do território nacional, o nosso espaço marítimo apresenta um elevado risco 
de poluição, devido a ser um local de passagem para uma grande quantidade de navios, 
muitos dos quais transportando hidrocarbonetos ou outros produtos perigosos. 
A sobre-exploração dos recursos piscícolas e a contaminação das águas têm contribuído para a 
degradação do litoral. 
Como forma de minimizar a degradação das áreas litorais, surgiram os Planos de Ordenamento 
da Orla Costeira (POOC’s), que têm como objetivo planear, de forma integrada, os recursos do 
litoral, estabelecendo regras para a util ização de toda a orla costeira. Estes planos são da 
iniciativa da administração central e encontram-se articulados com os Planos Diretores 
Municipais (PDM’s) dos municípios abrangidos.
A RENTABILIDADE DO LITORAL E DOS RECURSOS MARÍTIMOS 
Portugal terá de fazer um esforço grande nos próximos anos para aumentar a rentabilidade 
dos seus recursos marítimos. As medidas para aumentar a competitividade do setor das pescas 
não são especificas – muitas são transversais aos restantes setores económicas – e passam 
por: 
 Fixação de quotas apertadas, para evitar a delapidação dos recursos marítimos; 
 Reforço das operações de vigilância, para evitar utilizações abusivas e predatórias; 
 Redução da frota de alguns sectores menos rentáveis; 
 Modernização da frota pesqueira; 
 Utilização de novas técnicas de captura, mais eficientes mas mais “amigas do 
135 
ambiente”; 
 Apoio financeiro às atividade de I&D (investigação e desenvolvimento); 
 Regulamentação dos circuitos profissionais; 
 Aumento das iniciativas de formação profissional; 
 Reforço do investimento em setores subaproveitados; 
 Negociação de acordos de cooperação com países detentores de recursos. 
Uma das áreas que pode servir de exemplo para ilustrar as estratégias futuras de 
desenvolvimento do setor é a aquicultura – exploração piscícola em rios, no mar ou nas 
proximidades, garantindo a produção industrial de várias espécies em quantidade e qualidade. 
Existem vários regimes de exploração possíveis: 
 O regime extensivo – assegura a alimentação dos animais pela passagem da água e 
respetivos nutrientes nos tanques; 
 O regime semi-intensivo – recorre, de forma menos parcial as rações indústrias; 
 O regime intensivo – a alimentação destes, é assegurada apenas por rações. 
Atualmente as espécies aquícolas mais importantes são a amêijoa, a dourada e a truta. Em 
termos de distribuição geográfica, o Algarve domina claramente, com mais de metade da 
produção. Do ponto de vista estrutural, podemos caracterizar estas explorações como 
artesanais, de pequena dimensão, tecnicamente pouco evoluídas e onde domina o regime 
extensivo. 
Para além disto, o mar oferecem-nos ainda mais um conjunto muito vasto de outros recursos 
que importa explorar de forma sustentada. 
Destes recursos, salienta-se a produção de energias renováveis (eólica) e o aproveitamento de 
energia das ondas e das marés (ou maremotriz), as quais constituem um dos desafios a vencer, 
dada a elevada dependência energética do nosso país. 
O solo e subsolo marinhos de Portugal encerram ainda um outro conjunto de recursos, como 
hidrocarbonetos e minerais (manganês, estanho e volfrâmio…), alguns dos quais passiveis de 
exploração. 
O mar permite ainda a extração de sal e a apanha de algas para a indústria farmacêutica e 
alimentar.
A grande extensão da nossa costa é um elemento fundamental para que a atividade turística 
assuma um papel de particular importância, nomeadamente no turismo balnear e nos 
desportos aquáticos. 
A possibilidade de proceder à dessalinização de água do mar para fazer face à escassez de água 
potável é outro dos recursos que o mar nos oferece. 
Este processo, embora sendo pouco utilizado nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, 
está ainda pouco vulgarizado, devido aos elevados custos. 
Pode-se concluir, que o mar constitui uma enorme fonte de recursos, que vão muito além da 
atividade piscatória e que importa conhecer e explorar de forma sustentável. 
Justifica-se assim que para o futuro esta exploração do espaço marítimo se transforme numa 
das estratégias centrais de desenvolvimento do nosso país. 
Potencialidades do litoral 
Linha de costa Plataforma continental Correntes marítimas 
136 
 Costa de arriba 
 Costa de praia 
 Ação do mar sobre a 
linha de costa 
 Recuo das arribas 
 Acidentes do litoral 
Maior quantidade e 
diversidade da fauna 
marinha 
Em Portugal 
Relativamente estreito no 
Continente 
Quase inexistente nas 
Regiões Antónomas 
Condições favoráveis à 
existência de pescado 
Em Portugal 
Correntes de Portugal 
Fenómeno de upwelling 
de verão 
Corrente fria das canárias 
Influencia a atividade piscatória 
Influência na 
localização dos 
principais portos 
marítimos
Capitulo 3 
Os espaços organizados pela população: 
137 
As áreas rurais em mudança 
As áreas urbanas - dinâmicas internas 
A rede urbana e as novas relações cidade/campo
138 
Áreas rurais e urbanas 
As áreas rurais em mudança 
As fragilidades dos sistemas agrários e dos espaços rurais 
A agricultura tem vindo a perder importância na ocupação da população ativa e na economia 
portuguesa. Apesar da modernização de alguns sistemas de produção, sobretudo após a 
adesão à UE, a agricultura continua a enfrentar problemas que se prendem, essencialmente, 
com as estruturas fundiárias, os níveis de rendimento e produtividade, a qualificação 
profissional dos agricultores e adequação dos usos do solo às suas aptidões naturais. 
Em Portugal, esta atividade económica cuja contribuição para a riqueza é expressa, por 
exemplo, no Produto Interno Bruto e no Valor Acrescentado Bruto, tem vindo a decrescer. A 
tendência de diminuição mantem-se, a exemplo do que acontece nos restantes Estados-membros 
da UE e deve-se, essencialmente, ao desenvolvimento das atividades dos setores 
secundários e terciários, havendo um aumento que tende a crescer, sobretudo no setor 
terciário. 
Este setor ainda mantém ainda algum peso na criação de emprego e detém uma grande 
importância na ocupação do espaço e na preservação da paisagem, constituindo mesmo a 
base económica essencial de algumas áreas acentuadamente rurais do país.
PIB – Produto Interno Bruto – valor de todos os bens e serviços produzidos num país, por 
empresas nacionais ou estrangeiras, num dado período, geralmente um ano. 
VAB – Valor Acrescentado Bruto – Diferença entre o valor da produção e o valor dos custos 
dessa produção. 
Principais fatores condicionantes da agricultura 
A agricultura portuguesa é influenciada por fatores naturais e humanos de ordem 
historia, cultural e política (nacional e comunitária). 
Principais fatores fisicos 
Clima 
Recursos 
hidricos 
Fertilidade 
do solo 
Relevo 
Clima – um dos fatores que mais condiciona a produção agrícola, pela temperatura, 
mas sobretudo pela irregularidade da precipitação. 
Recursos hídricos – fundamental para esta produção, pelo que esta se torna fácil e 
abundante em áreas onde a precipitação é maior e mais regular. Em áreas de menor 
precipitação, é necessário recorrer a sistemas de rega artificial. 
139 
Fertilidade do solo 
Natural – depende das características geológicas, do relevo e do clima. 
Criadas pelo Homem – fertilização e correção dos solos, influencia diretamente a 
produção, tanto em quantidade como em qualidade. Em Portugal, predomina os solos 
de fertilidade natural média ou baixa, o que condiciona bastante a agricultura. 
Relevo plano - quando este predomina, a fertilidade dos solos é geralmente maior, 
assim como a possibilidade de modernização das explorações. Se o relevo é mais 
acidentado, a fertilidade dos solos torna-se menor e há maior limitação no uso da 
tecnologia agrícola e no aproveitamento e organização do espaço. 
Principais fatores humanos 
Passado histórico 
Objetivo da 
produção 
Tecnologias e 
práticas utilizadas 
Políticas agrícolas
Passado histórico – um dos fatores que permite compreender a atual ocupação e organização 
do solo. Aspetos como a maior ou menos densidade populacional e acontecimentos ou 
processos históricos refletem-se, ainda hoje, nas estruturas fundiárias – dimensão e forma das 
propriedades rurais. 
No Norte, a fragmentação da propriedade foi favorecida por fatores como: 
 O relevo acidentado, a abundancia de água e a fertilidade natural dos solos; 
 O carater anárquico do processo da Reconquista e parcelamento de terras pelo clero e 
140 
pela nobreza; 
 A elevada densidade populacional; 
 A sucessiva partilha de heranças beneficiando igualmente todos os filhos. 
No Sul, o predomínio de grandes propriedades está relacionado com: 
 O relevo mais ou menos aplanado, o clima mais seco e a menor fertilidade natural dos 
solos; 
 A feição mais organizada da Reconquista e a doação de vastos domínios nobres e às 
ordens religiosas militares. 
Objetivo de produção – fator que influencia a ocupação do solo. 
Autoconsumo – explorações geralmente de menor dimensão e, muitas vezes, continuam a 
utilizar técnicas mais artesanais. 
Tecnologia moderna – produção que se destina ao mercado, as explorações tendem a ser de 
maior dimensão e mais especializadas em determinados produtos, utilizando maquinas, 
sistemas de rega, estufas, etc., o que contribui para uma maior produtividade do trabalho e do 
solo. 
Politicas agrícolas – orientações e medidas legislativas – quer nacionais quer comunitárias 
(UE), são atualmente fatores que grande importância, uma vez que influenciam as opções dos 
agricultores relativamente aos produtos cultivados, regulamentam práticas agrícolas, como a 
utilização de produtos químicos, criam incentivos financeiros, apoiam a modernização das 
explorações, etc. 
As paisagens agrárias 
Espaço rural – parte que ocupa significativa do território português e nele se desenvolve as 
atividades agrícolas, mas também outras, como o artesanato, o turismo e produção de 
energias renováveis. 
No espaço rural, destaca-se o espaço agrário – áreas ocupadas com a produção agrícola 
(vegetal e animal), pastagens e florestas, habitações dos agricultores e, ainda infraestruturas e 
equipamentos associados à atividade agrícola (caminhos, canais de rega, estábulos, etc.). No 
espaço agrário individualizam-se: 
 Espaço agrícola – área utilizada para a produção vegetal e/ou animal; 
 Superfície Agrícola Utilizada (SAU) – área do espaço agrícola ocupada com culturas.
Paisagens agrárias – diferentes culturas, forma e o arranjo dos campos, a malha dos caminhos 
e tipo de povoamento. 
Paisagens agrárias 
141 
Sistema de 
culturas 
Ocupação do solo Intensivo Extensivo 
Culturas Policultura Monocultura 
Necessidade de água Regadio Sequeiro 
Morfologia 
dos campos 
Dimensão Pequena Média Grande 
Forma Regular Irregular 
Vedação Campo aberto Campo irregular 
Povoamento Disperso Concentrado Misto 
Sistemas de cultura – conjunto de plantas cultivadas, forma com estas se associam e técnicas 
utilizadas no seu cultivo – são diferentes de região para região, devido, a fatores relacionados 
com o relevo, o clima e os solos. 
Sistemas intensivos – o solo é total e continuamente ocupado e, nos tradicionais, é comum a 
policultura – mistura de culturas no mesmo campo e colheitas que se sucedem umas às 
outras. São sistemas utilizados em áreas de solos férteis e de abundancia de água, mesmo no 
verão, e de mão-de-obra agrícola numerosa. Por isso, predominam as culturas de regadio – 
que precisam de rega regular – predominantes nas regiões agrarias do Litoral Norte, Madeira e 
algumas ilhas dos Açores. 
Trás-os-Montes e o Alentejo, não há uma ocupação permanente e contínua do solo. Pratica-se 
a rotação de culturas – superfície agrícola dividida em folhas (setores) que, rotativamente, são 
ocupadas com culturas diferentes, alternando os cultivos de varias espécies, de forma a 
melhorar a qualidade dos solos. Por vezes é utlizado o pousio – uma folha permanece em 
descanso sem qualquer cultivo (pastagem). Este sistema é tradicional utilizado em áreas de 
solos mais pobres e secos no verão, associando-se à monocultura – cultura de um só produto 
no mesmo campo – e às culturas de sequeiro – com pouca necessidade de água. 
Atualmente, os sistemas extensivos (sem pousio) associam-se a uma agricultura mecanizada e 
voltada para o mercado, sobretudo nas regiões do Alentejo e do Ribatejo e Oeste. 
As paisagens agrárias são também caracterizadas pela morfologia – aspeto dos campos no que 
respeita à forma e dimensão das parcelas e à rede dos caminhos.
Explorações de pequenas dimensões – constituídas por varias parcelas de forma irregular e 
quase sempre vedadas – campos fechados – com muros ou renques de árvores ou arbustos, 
que delimitam a propriedade e protegem as culturas do vento e da invasão do gado. 
Verificadas principalmente Entre Douto e Minho, Beira Litoral, Algarve, Madeira e algumas 
ilhas dos Açores. 
Explorações de média e grande dimensão – vastas parcelas de forma retangular, sendo 
atualmente delimitadas por sebes metálicas, eram tradicionalmente campos abertos – sem 
vedação. Predominantes no Alentejo e no Ribatejo e Oeste. 
A diversidade das paisagens agrárias resulta também das diferentes formas de povoamento, 
que variam desde a aglomeração total à pura dispersão. 
142 
Emparcelamento 
É um agrupamento de pequenas parcelas, de forma a constituir conjuntos mais vastos que 
viabilizem a introdução de tecnologias modernas, de forma a aumentar o rendimento e a 
produtividade. Esta prática é uma solução para o problema da estrutura fundiária típico da 
região de Entre-Douro-e-Minho. 
Vantagens do Emparcelamento: 
 Pode levar ao aumento da produtividade e do rendimento; 
 Mecanização racional de um maior número de explorações agrícolas; 
 Introdução de novas culturas e de novas tecnologias; 
 Diminuição do tempo e esforço empregues na agricultura; 
 Diminuição dos custos de produção. 
Características das explorações agrícolas 
A distribuição regional das explorações, segundo o seu número, evidencia o contraste Norte- 
Sul e reflete as desigualdades no que respeita à sua dimensão. 
A tendência atual é de redução do numero de explorações e, consequentemente, do aumento 
da sua dimensão média. 
No Norte de Portugal Continental (Beira Litoral, Entre Douro e Minho), predominam as 
explorações de pequena dimensão que, correspondem a minifúndios – pequena propriedade.
Pelo contrário, no Sul (Alentejo) predominam as explorações de grande dimensão que, 
constituíram latifúndios. 
Nas regiões autónomas, dominam a pequena dimensão das explorações, sobretudo na 
Madeira. 
Em Portugal, o grande número de pequenas explorações condiciona o desenvolvimento da 
agricultura, uma vez que esta limita a mecanização e a modernização dos sistemas de 
produção. Estas características das explorações refletem-se na sua dimensão económica. 
Distribuição das explorações por região agraria, em 2008. 
143
144 
Quadro Resumo das Paisagens Agrárias
Distribuição, estrutura e formas de exploração da SAU 
Superfície Agrícola Utilizada (SAU) está associada à extensão das explorações, pelo que 
apresenta também uma distribuição regional marcada pela desigualdade, salientando-se o 
Alentejo com cerca de metade da SAU nacional. 
Esta desigualdade deve-se, especialmente, às características do relevo e a ocupação humana. 
O relevo aplanado, a fraca densidade populacional e o povoamento concentrado permite a 
existência de vastas extensões de áreas cultivadas, no Alentejo. Nas regiões de relevo mais 
acidentado, maior densidade populacional e povoamento disperso, como a Madeira, a Beira 
Litoral e Entre Douro e Minho, a áreas ocupada pela SAU é menor. 
145 
SAU engloba: 
 Terras aráveis – ocupadas com culturas temporárias (de ciclo vegetativo anual ou que 
tem de ser ressemeadas com intervalos inferiores a cinco anos) e com os campos em 
pousio; 
 Culturas permanentes – plantações que ocupam as terras durantes um longo período, 
com um olival, uma vinha, um pomar, etc.; 
 Pastagens permanentes – áreas onde são semeadas espécies por um período superior 
a cinco anos, destinadas ao pasto de gado; 
 Horta familiar – superfície ocupada com produtos hortícolas ou frutos destinados a 
autoconsumo. 
Na Beira Litoral, as terras aráveis ocupam mais de metade da SAU, seguidas das culturas 
permanentes. As culturas permanentes têm maior importância no Algarve e na Madeira, onde 
a produção de frutas e vinho é importante. As pastagens permanentes ocupam a totalidade da 
SAU dos Açores, onde as condições climáticas favorecem a formação de prados naturais e a 
criação de gado bovino é muito importante, e cerca de dois terços no Alentejo, onde o 
aumento das pastagens permanentes reflete o investimento na criação de prados artificiais, 
com recurso a modernos sistemas de rega, sobretudo para gado bovino. 
O agricultor nem sempre é proprietário das terras que explora, pelo que podem considerar-se 
duas principais formas de exploração da SAU: 
 Conta própria – o produtor também é proprietário; 
É considerado vantajoso. O proprietário procura obter o melhor aproveitamento 
da terra, visto que está a cuidar do que é seu, preocupa-se com a preservação dos 
solos e investe em melhoramentos fundiários, como a construção de redes de 
drenagem, a colocação de instalações de rega permanentes, etc. 
 Arrendamento – o produtor paga um valor ao proprietário da terra pela sua utilização. 
Pode ser desvantajoso, pois os arrendatários nem sempre se interessam pela 
valorização e preservação das terras, preocupa-se mais em tirar delas o máximo 
proveito durante a vigência de contrato.
146 
A produção agrícola nacional 
A produção agrícola reflete as diferenças atrás enunciadas, sobretudo das condições naturais, 
que influenciam os produtos cultivados em cada região. Apesar das dificuldades impostas pela 
dimensão média das explorações, sobretudo no Norte do País e na Madeira, tem-se verificado 
uma tendência de aumento do valor da produção vegetal e animal. 
As pequenas oscilações anuais do valor da produção vegetal resultam das alterações dos 
preços de mercado e das diferentes condições meteorológicas verificadas durantes os ciclos 
vegetativos. Estes fatores refletem-se também na estrutura do valor da produção. 
No setor vegetal, a superfície ocupada pelas principais culturas e o volume da produção de 
cada uma delas apresenta também algumas desigualdades. 
Rendimento agrícola – relação entre a produção e a superfície cultivada (kg/ha; t/ha; hl/ha). 
Atualmente, utiliza-se a expressão rendimento da atividade e rendimento do agricultor, em 
valor monetário. 
Culturas industriais – que se destinam à transformação industrial – como o tomate e o 
girassol, devido ao recurso de fertilizantes químicos e à aposta na modernização dos trabalhos 
agrícolas. Estas culturas são produzidas na totalidade no Alentejo e Ribatejo e Oeste, onde 
verifica-se maior modernização. 
As principais culturas 
Produção vegetal 
 Cereais: 
o Trigo – cereal de sequeiro, cultivado em sistema extensivo, que ocupa a maior 
parte da área dedicada às culturas cerealíferas e apresenta uma produção 
anual irregular, muito dependente e vulnerável às condições meteorológicas. 
O Alentejo é onde se verifica valores de maior produção, de seguida Trás-os- 
Montes e o Ribatejo e Oeste. Esta revela-se insuficiente para dar resposta as 
necessidades do mercado nacional, o que obriga a importação elevada do 
mesmo. 
o Milho - cereal de regadio, os valores máximos de produção registam-se Entre 
Douro e Minho, Beira Litoral e Ribatejo e Oeste. Usado sobretudo para 
alimentação de gado, é atualmente o cereal com maior valor e volume de 
produção no país, apesar de ser insuficiente para responder as necessidades 
nacionais. 
o Arroz – exige solos alagados e temperaturas elevadas, para se desenvolver, 
localizando-se nas planícies aluviais dos principais rios português (Mondego, 
Tejo, Sado, Sorraia). O rendimento agrícola deste produto têm vindo a 
aumentar, mas a produção total obtida é ainda deficitária em relação ao nosso 
mercado.
 Batata – este produto revela uma grande importância na dieta alimentar dos 
portugueses, a sua cultura está disseminada por todo o território nacional, com registo 
mais elevados na Beira Litoral, Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e do Ribatejo e 
Oeste. Apresenta grandes irregularidades de produção, devido à sua sensibilidade às 
pragas e às condições meteorológicas. 
 Vinha – cultivada por todo o país, sendo a produção de grande significado económico, 
representando mais de metade do valor das exportações portuguesas de produtos 
agrícolas. A produção viticultura organizada em Regiões Demarcadas, que garantem a 
qualidade e diversidade, agrupando-se assim nos seguintes tipos: verdes, maduros e 
generosos, com destaque, o vinho do Porto, com projeção a nível internacional. 
 Azeite – mediterrânico por excelência, é um dos produtos mais importantes para a 
nossa agricultura, encontrando-se por todo o país. Apresenta grandes variações de 
colheita para colheita, devido a irregularidade meteorológica, registando-se valor mais 
elevados no Alentejo, Trás-os-Montes e Alto Douro. Atravessa um período de crise, 
atualmente, provocado pelo custo de mão de obra, pois a dificuldade de mecanização, 
do envelhecimento de muitos olivais e da concorrência em relação ao consumo dos 
óleos alimentares. 
147 
 Culturas Industriais: 
o Tomate – a sua cultura tem como destino a transformação industrial 
(concentrados), destinados grande parte para exportação. As regiões de 
produção são o Alentejo e Ribatejo e Oste. O excesso de produção no espaço 
comunitário levou a introdução de quota que penalizou este setor. 
o Girassol – cultura recente no país, destinada a produção de óleos alimentares. 
Com áreas de eleição de produção no Alentejo e Ribatejo e Oeste , 
o Beterraba-açucareira – cultura recente em Portugal, as áreas de áreas de 
produção tem vindo a aumentar, localizando-se, nas regiões do Alentejo e 
Ribatejo e Oeste. 
o Tabaco – a área e o volume de produção tem vindo a aumentar 
progressivamente, sendo a Beira Interior a região onde a sua cultura tem mais 
expressão. 
 Fruticultura – o nosso país é ótimo para este tipo de cultura, sendo um dos setores da 
agricultura que mostra mais potencialidades. Com destaque dos citrinos, em especial 
no sul do país, a pêra rocha, a maçã e frutos tropicais, como a banana, o ananas e o 
kiwi. 
 Horticultura – com excelentes condições, no que diz respeito ao clima, destacando-se 
as mais importantes áreas agrarias do Ribatejo e Oeste e o Algarve. Tem-se assistido à 
difusão em estufa de várias espécies em estufa, sobretudo as que têm maior valor de 
mercado. 
 Floricultura – encontra-se em fase de expansão e com alto rendimento económico no 
nosso país. Realizada essencialmente em estufa. O litoral apresenta melhores 
condições para o seu desenvolvimento, com destaque para o Ribatejo e Oeste e 
também para a ilha da Madeira, onde é possível a produção de espécies subtropicais.
148 
Produção animal 
Gado bobino – de grande interesse na atividade agro-pecuaria, registando aumentos 
significativos no que diz respeito ao total de efetivos criados assim como na introdução de 
novas espécies. Até há pouco o Norte era a principal região de criação deste gado, devido ao 
vasto pasto e condições climatéricas favoráveis. Atualmente, esta criação é muito expressiva 
na produção de leite, especialmente nas regiões agrarias de entre Douro e Minho e Beira 
Litoral, sendo realizada em sistema intensivo ou misto. 
No Alentejo, esta produção é destinada a carna bobina, já nos Açores, a criação bovina tem 
especial importância para a produção de leite. 
Gado ovino e caprino – está criação domina no interior e no sul do país, tanto para a produção 
de carna e de leite, sendo este ultimo, o suporte de desenvolvimento de certas produções 
regionais (exemplo: produção de queijo da Serra da Estrela). 
Suinicultura – assumindo, atualmente, um lugar de destaque na pecuária nacional, esta 
produção tem registado um aumento significativo. Com destaque na região Ribatejo e Oeste, 
com uma produção próxima dos 50% do total nacional. 
Avicultura – criação de aves em aviário, tendo em vista a produção de carne e ovos. Pedindo-se 
encontrar um pouco por todo o país, sendo na faixa litoral, onde se concentra o maior 
número de aviários. (junto aos grande aglomerados consumidores). 
População agrícola 
A população ativa no setor primário representa, em 2005, cerca de 12% do emprego em 
Portugal e, sua maioria, fazia parte da população agrícola familiar – produtor agrícola e os 
membros do seu agregado doméstico, trabalharem ou não na exploração. 
Verificou nos últimos anos um decréscimo da população agraria familiar, isto deve-se ao 
desaparecimento de muitas explorações e a um ligeiro decréscimo na dimensão média do 
agregado familiar de 3,0 para 2,7 indivíduos. 
A modernização da mesma e à oferta de emprego de outros setores de atividade também 
influenciaram este decréscimo. De este modo, provocou o êxodo rural – transferência de mão-de- 
obra para outros setores de atividade, ainda que mantendo a resistência nas áreas rurais. 
Tal evolução influenciou a estrutura etária da população envelhecimento. 
O nível de instrução dos agricultores, embora tenha vida a aumentar, é ainda relativamente 
baixo. Apenas um pequena parte tem habilitações que vão além do segundo ciclo do ensino 
básico. 
A formação profissional da larga maioria dos agricultores continua a ser exclusivamente 
prática. Transmissão de conhecimentos e experiencias de pais para filhos continua a ser o 
maior modo de formação.
O envelhecimento da população e os baixos níveis de instrução e de formação profissional da 
população agrícola constituem um entrave ao desenvolvimento da agricultura, 
nomeadamente no que respeita à adesão a inovações (tecnologia, métodos de cultivo, praticas 
amigas do ambiente, etc.), à capacidade de investir e arriscar e à adaptação às normas 
comunitárias de produção e de comercialização. 
149 
Composição da mão-de-obra agrícola 
Esta é principalmente familiar, representando cerca de 80 do volume de trabalho. Nas regiões 
com maior dimensão média das explorações, a importância da mão-de-obra agrícola não 
familiar é mais relevante, sobretudo devido à maior especialização da agricultura que é mais 
exigente na qualificação da mão-de-obra. 
O papel da mulher na agricultura 
Representam, cerca de um quarto do total da população ativa, mas esta realidade poderá 
estar subestimada, uma vez que muitas mulheres trabalham na agricultura mas identificam-se 
como domesticas. No entanto, verifica-se uma tendência de crescimentos da população ativa 
agrícola feminina. 
Pluriatividade e plurirrendimento 
Em Portugal, apenas uma pequena parte da população agrícola se dedica a tempo inteiro à 
agricultura. A maioria surge como atividade secundaria relativamente ao trabalho noutros 
setores, como a indústria, a construção civil, o comércio, o artesanato, os serviços públicos 
locais, etc. 
Pluriatividade – prática, em simultâneo, do trabalho da agricultura e noutras atividades – pode 
ser encarada como alternativa para aumentar o rendimento das famílias dos agricultores. 
Deste modo, as famílias rurais tendem, a ser multifuncionais. O próprio produtor deixa de ter 
apenas a função produtiva, sendo recompensado por serviços de preservação do ambiente e 
das paisagens. Pode, então, falar-se de plurirrendimento – acumulação dos rendimentos 
provenientes da agricultura com os de outras atividades. 
Problemas estruturais da agricultura portuguesa 
 Dependência externa; 
 Níveis de rendimento e produtividade; 
 Fraca utilização dos solo. 
Problemas estruturais e oportunidades 
Apesar dos progressos do setor agrícola português e a consequência da nossa adesão à UE, 
continuam a persistir problemas estruturais que se relacionam principalmente aspetos 
técnicos, organizativos e de inserção nos mercados. No entanto, existem muitas 
potencialidades que poderão contribuir para melhorar a sustentabilidade da agricultura.
150 
Dependência externa 
A produção agrícola nacional ainda não permite satisfazer as necessidades de consumo 
interno, pelo que a balança alimentar portuguesa continua a ser deficitária em grande parte 
dos produtos, mantendo-se, assim, uma forte dependência externa. 
As modernas facilidades de transporte, o agressivo marketing, a globalização da economia e o 
aumento da exigência dos consumidores portugueses também levam a importação de 
produtos agrícolas de outros países do mundo. 
Níveis de rendimento e produtividade 
Os problemas estruturais da agricultura portuguesa refletem-se nos níveis de rendimento e de 
produtividade, ainda se situam abaixo da média e de produtividade, sobre tudo da União 
Europeia dos 15. 
Para avaliar os níveis de rendimento da agricultura são, necessários indiciadores a nível 
comunitário, dos quais se destacam rendimento dos fatores, que influencia o rendimento 
empresarial líquido, cuja evolução tem sido positiva, em parte, graças aos apoios comunitários. 
Rendimento agrícola – relação e entre a produção e a superfície cultivada, também influencia 
o rendimento empresarial, uma vez que, quanto maior a quantidade produzida por unidade de
superfície, maior será o valor da produção, o que se refletirá positivamente no rendimento 
empresarial. 
A produtividade agrícola está diretamente ligada com a mão-de-obra e depende de fatores 
como as tecnologias utilizadas, a formação profissional e o grau de mecanização. 
Este crescimento tem sido positivo, mas continua a ser inferior à média comunitária, o que 
dificulta a nossa conetividade. Para esta situação, contribuíram os seguintes fatores: 
 Condições meteorológicas irregulares, por vezes desfavoráveis; 
 Características da população agrícola: envelhecida e com baixos níveis de instrução e 
151 
de formação profissional; 
 Utilização em excesso de técnicas tradicionais; 
 Uso inadequado de adubos e pesticidas; 
 Predomínio de explorações de pequena dimensão; 
 Desajustamento frequentes das culturas à aptidão dos solos; 
 Elevados custos de produção (combustíveis, impostos superiores aos país de UE); 
 Soluções para aumentar os níveis de rendimento/produtividade: 
o Acelerar o seu ajustamento estrutural; 
o Apostar na mecanização; 
o Na orientação para o mercado (aproveitando as nossas potencialidades 
endógenas). 
Utilização do solo 
A ocupação do solo é uma problemática de grande atualidade e importância. Nos últimos 
decénios, deram-se mudanças muito significativas nos usos do solo, em Portugal. Estas 
alterações prosseguem a ritmos variados e são determinadas pelos seguintes fatores: 
 Condições naturais; 
 Políticas do nível: setorial, regional, ambiente, etc. 
Conclui-se, assim, que muitas atividade agrícolas se desenvolvem em solos pouco aptos para a 
agricultura. Isto condiciona o rendimento da terra e dos agricultores, contribuindo para os 
baixos níveis de rendimento de produtividade da agricultura portuguesa.
152 
PAC (Política Agrícola Comum) 
Desde de 1986, o setor agrário nacional tem sido condicionado pela Politica Agrícola Comum. 
Os objetivos da PAC, em 1962, pretendiam: 
 Aumentar a produção agrícola; 
 Melhorar o nível de vida dos agricultores; 
 Assegurar preços razoáveis dos produtos agrícolas junto dos consumidores; 
 Proteger os produtos comunitários da concorrência estrangeira. 
Os princípios que levaram à concretizações destes objetivos constituem os chamados pilares 
da PAC: 
 Unicidade de mercado: criação de uma organização comum de mercado - OCM - para 
cada um dos produtos, conseguida através da definição de preços institucionais e de 
regras de concorrência. 
 Preferência comunitária: pretende evitar a concorrência de produtos de outros países, 
através do estabelecimento de um preço mínimo para as importações e de subsídios 
para as exportações. 
 Solidariedade financeira: pressupõe que os custos de funcionamento da 
PAC sejam suportados em comum, a partir de um Fundo Comunitário, FEOGA - Fundo 
Europeu de Orientação e Garantia Agrícola. 
 O FEOGA estava dividido em duas secções: 
A secção "Orientação", financia os programas e projetos destinados a melhorar as estruturas 
agrícolas (por exemplo, realizando investimentos em novos equipamentos e tecnologias) e 
desenvolvimento das áreas rurais; 
A secção "Garantia", que financia as despesas relativas à organização comum dos 
mercados, ou seja, financia as despesas de regulação dos preços e dos mercados (por exemplo, 
a compra e armazenamento de excedentes e o fomento das exportações agrícolas, apoio 
direto aos agricultores, restituições às exportações, etc). 
A secção "Garantia" é de longe a mais importante e está classificada como despesa obrigatória 
no orçamento comunitário. A secção "Orientação" faz parte dos fundos estruturais 
vocacionados para promover o desenvolvimento regional e reduzir as disparidades regionais 
na Europa. 
A agricultura da União europeia teve um grande desenvolvimento nos primeiros anos de 
implementação da PAC, conseguindo-se uma aproximação aos seus objetivos: 
A produção agrícola triplicou; 
Reduziram-se a superfície e a mão-de-obra utilizadas: 
Aumentaram a produtividade e o rendimento dos agricultores. No entanto, os resultados 
acabaram por exceder as expectativas, uma vez que a produção disparou, tornando-
se excedentária, dando origem a uma crise de superprodução, associada a um aumento de 
despesas dificilmente comportáveis pelo orçamento geral da comunidade. Por outro lado, a 
intensificação das assimetrias regionais continuou a verificar-se, assim como a manutenção do 
baixo nível de vida dos agricultores. Simultaneamente, eclodiram graves problemas 
ambientais, pela utilização exagerada de produtos químicos para aumentar a produção. 
153 
As reformas da PAC 
O desajustamento da PAC levou a sucessivas alterações, tendo sido tomadas algumas 
medidas: 
1984 
 Introdução do sistema de quotas na produção agrícola para definir um 
limite de produção relativamente a alguns produtos excedentários 
(inicialmente no setor do leite). 
1988 
Implementação de medidas como o set-aside, que previa a retirada de 15% de terras 
da área de produção em explorações que ultrapassem a produção de 92 toneladas 
por ano; 
Regime de incentivo à cessação da atividade agrícola ou reforma antecipada; 
Reconversão dos produtos excedentários. 
1992 
A mais profunda reforma da PAC. 
Principais objetivos: 
1. Reequilíbrio entre a oferta e a procura; 
2. Promoção de um maior respeito pelo ambiente. 
A PAC deixa de estar centrada no produtor para passar a centrar-se no produto. 
O agricultor europeu passa a desempenhar o papel de guardião do espaço rural. 
Criação do segundo pilar de apoio da PAC – o desenvolvimento rural – tendo os 
principais objetivos: 
1. Reduzir a produção; 
2. Reduzir o preço dos produtos junto ao consumidor; 
3. Diminuir os encargos comunitários como setor agrícola; 
4. Incentivar práticas agrícolas ambientalmente menos agressivas; 
5. Apoiar as explorações de carácter familiar. 
 Conjunto de medidas para levar à prática as referidas intenções: 
1. Diminuição dos preços agrícolas garantidos; 
2. Criação de ajudas diretas aos produtores sem ligação com as quantidades 
produzidas; 
3. Definição de medidas para melhorar os sistemas de produção tornando-os 
mais amigos do ambiente: 
4. Concessão de reformas antecipadas; 
 Desenvolvimento da pluriatividade; 
 Pousio temporários
 Prática da agricultura biológica 
 Apoio à reconversão da produção. 
 Esta reforma foi geralmente considerada um êxito mas mantiveram-se 
154 
problemas. 
1999 
 Nova reforma no âmbito da Agenda 2000 
 Agenda 2000 foi a base da reforma mais radical e global da PAC. Reafirma os 
princípios do processo iniciado em 1992, dando prioridade: 
1. Ao desenvolvimento rural; 
2. À segurança alimentar; 
3. Ao bem-estar animal; 
4. À melhoria do ambiente; 
5. À promoção de uma agricultura sustentável. 
 A reforma contempla medidas destinadas a: 
1. Reforçar a competitividade dos produtos agrícolas no mercado 
doméstico e nos mercados mundiais; 
2. Promover um nível de vida equitativo e digno para a população agrícola; 
3. Criar postos de trabalho de substituição e outras fontes de rendimento para 
os agricultores; 
4. Definir uma nova política de desenvolvimento rural, que passa a ser o 
segundo pilar da PAC; 
5. Melhorar a qualidade e a segurança dos alimentos; 
6. Simplificar a legislação agrícola e a descentralização da sua aplicação, a fim de 
tornar as normas e regulamentos mais claros, transparentes e de fácil acesso. 
 A reforma irá criar condições para o desenvolvimento de uma agricultura 
multifuncional, sustentável e competitiva na UE. 
 Estas medidas não foram suficientes para resolver todos os problemas. 
2003 
 Aprofunda as metas da Agenda 2000 e reforça a política de desenvolvimento 
rural. 
O impacte da PAC na agricultura portuguesa 
Desde a adesão à UE e a apesar das medidas comunitárias de apoio ao sector, proporcionadas 
pelo PEDAP (Programa Especifico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa) 
implementadas com o intuito de, nos primeiros anos subsequentes à adesão, conduzir à sua 
rápida modernização, tornando-o competitivo face aos restantes mercados, continua a 
revelar-se um sector em crise, lutando com enormes dificuldades. 
Apesar das condições especiais garantidas à agricultura portuguesa durante o período de 
adaptação e além das suas fragilidades estruturais e da concretização do Mercado Único, as 
sucessivas alterações da PAC vieram tornar mais difícil a integração.
O sector agrícola português teve de se confrontar com as dificuldades acrescidas em relação à 
PAC: 
 Sofreu limitações à produção; 
 Foi desfavorecido pelo sistema de repartição dos apoios; 
 Favoreceu o endividamento dos agricultores. 
No entanto, no final do segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA II- 1994 a 1999) o sector 
agrícola apresentava uma situação mais favorável ao ter beneficiado de apoios a programas 
de reflorestação (PAMAF- Programa de Apoio à Modernização Agrícola e Florestal) tendo em 
vista uma utilização mais ajustada do solo relativamente às suas aptidões; da construção de 
infraestruturas de apoio à atividade agrícola; da diminuição do número de explorações 
agrícolas e da qualificação da mão-de-obra. 
No âmbito do III QCA (2000-2006), Programa Operacional Agricultura e Desenvolvimento 
Rural (AGRO), garantiu apoios para a modernização do sector agrícola e para a sua adaptação 
às novas realidades de um mercado global, cada vez mas agressivo e exigente. 
155 
As transformações do setor agrário 
A potencialização do setor agrário é fundamental, mas exige a implementação de uma série 
de medidas que conduzam a transformações profundas, capazes de aumentar a 
competitividade: 
Redimensionar as estruturas fundiárias – aumentar a sua superfície, através de: 
Emparcelamento; 
Incentivo à extinção de atividade dos agricultores mais idosos (reformas antecipadas). 
Este processo serve para: 
 Racionalizar a utilização do solo, intensificar e, nalguns casos, introduzir mecanização; 
 Diminuir os custos de produção; 
 Viabilizar economicamente a construção de infraestruturas. 
Promover o associativismo – incentivar a organização dos agricultores em cooperativas ou 
associações, para: 
 Garantir a defesa dos seus direitos; 
 O acesso ao crédito; 
 Melhorar as redes de comercialização e armazenamento; 
 Aceder a formação profissional; 
 Etc..
Incentivar a especialização produtiva e introduzir ou desenvolver novas culturas – de acordo 
com as condições naturais das diferentes regiões e com a procura no mercado (a produção 
terá de responder às necessidades de mercado e terá de se produzir com qualidade). 
Aumentar o nível de instrução e de qualificação profissional – tornar os agricultores 
competentes param a utilização de novas técnicas e tecnologias. 
Rejuvenescer a população ativa – incentivar as reformas antecipadas ou atrair para a 
agricultura, através da criação de condições de vida atrativas à fixação da população jovem. 
Modernizar os meios de produção e transformação – promovendo a aquisição de máquinas e 
divulgando a utilização de técnicas de cultivo modernas. 
Adequar a qualidade dos solos às culturas produzidas – aumentar o rendimento e a 
produtividade. 
Utilizar de forma equilibrada os fundos comunitários – chegam através de vários programas. 
Promover sistemas de produção amigos do ambiente – garantir a conservação dos recursos 
naturais e a qualidade dos produtos. Por exemplo, a agricultura biológica pode constituir uma 
forma de aumentar a competitividade da agricultura portuguesa. 
Medidas da Velha PAC Medidas da Nova PAC 
Agricultura Industrial Agricultura Biológica 
Quantidade Qualidade 
Produção Intensiva Produção Extensiva – Proteção ambiental 
Prioridade ao produtor Prioridade ao Consumidor 
Reprodução artificial na pecuária Reprodução natural da pecuária 
Uso de medicamentos/antibióticos Uso controlado de medicamentos e eliminação do uso 
156 
de antibióticos 
Maior consumo de produtos 
alimentares nacionais e estrangeiros 
Maior consumo de produtos regionais e locais 
Subsídios à Produção Subsídios centrados no progresso rural
157 
Garantir a sustentabilidade 
No desafio da competitividade, os produtores agrícolas têm de associar, cada vez mais, 
a preocupação económica à preservação ambiental. 
Reduzindo os seguintes impactes ambientais: 
 Contaminação dos solos e das águas subterrâneas e superficiais, devido a aplicação 
de produtos químicos; 
 Na pecuária, os dejetos e as águas de lavagem, provocam impactes ambientais graves; 
 Erosão dos solos e a diminuição da qualidade do habitat de muitas espécies, 
diminuição do pousio, a frequência de mobilidade dos solos e a utilização de 
maquinaria potente; 
Agricultura Biológica 
A agricultura biológica é uma forma de exploração sustentável, alternativa à agricultura 
tradicional. 
É um sistema de produção de base ecológica que recorre ao uso de boas práticas agrícolas, 
visando: 
 A manutenção e melhoria da fertilidade do solo; 
 O equilíbrio e a diversidade do ecossistema agrícola; 
 Promover a qualidade ambiental, o bem-estar animal e a 
saúde humana. 
Recorre à prática de rotações variadas que incluem culturas de leguminosas, à adição de 
estrumes, detritos orgânicos, rochas ou minerais triturados e ao controlo biológico de pragas, 
não utilizando fertilizantes nem pesticidas de síntese química. 
Promove a qualidade nutritiva dos alimentos e não apenas a quantidade. 
A diversidade das áreas rurais portuguesas 
As áreas rurais portuguesas apresentam alguma diversidade de características, problemas e 
potencialidades. 
Aas mais próximas dos centros urbanos, as do Litoral, beneficiam do dinamismo das áreas 
urbanas, dependendo essencialmente em termos de emprego e serviços. Muitas vezes, são 
mesmo ocupadas por atividades ou pela população urbana que aí fica residência, surgindo 
espaços periurbanos – onde consegue-se destingir entre o rural e o urbano. 
Um pouco por todo o país, existem áreas rurais, sobretudo as mais periféricas, que enfrentam 
problemas que as tornam vulneráveis.
Não são apenas problemas, que enfrentam as áreas rurais, a maioria apresentam também 
recursos endógenos – recursos naturais e humanos próprios de território – que muitas vezes 
constituem vantagens para o seu desenvolvimento. 
Pontos fracos Pontos fortes 
158 
Perda e envelhecimento da 
população 
Património rico de diversificado (histórico, arqueológico, 
natural e paisagístico) 
Baixo nível de qualificação 
Valor paisagístico das culturas e de espécies florestais 
(vinha, olival, pomar, montado, soutos) 
Explorações de pequena dimensão 
económica 
Baixos níveis de poluição e preservação ambiental 
Falta de emprego 
Melhoria das infraestruturas (equipamentos sociais e da 
rede acessibilidade) 
Abandono de terras agrícolas Saber-fazer tradicional 
Insuficiência das redes de transporte Procura de produtos de qualidade e atividades de lazer 
Baixo poder de compra Valorização das energias renováveis 
Fraco dinamismo económico Preservação dos recursos naturais e do ambiente 
Turismo no espaço rural – TER – conjunto de atividades e serviços de alojamento e 
animação em empreendimentos de natureza familiar, realizados e prestados a turistas, 
mediante remuneração, no espaço rural. 
Tem-se registado uma tendência de aumento da procura do TER, isto deve-se: 
 Maior interesse pelo património, pela Natureza e sua relação com a saúde; 
 Necessidade de descanso e evasão e a busca de paz e tranquilidade; 
 Valorização da diferença e da oferta turística mais personalizada; 
 Aumento dos tempos de lazer e do nível de instrução e cultural da população; 
 Crescente mobilidade da população a melhoria das acessibilidades. 
Em Portugal existe 5 tipos de diferentes modalidades de turismo em espaço rural que são: 
Turismo de habitação - desenvolve-se em solares, casas apalaçadas ou residenciais com valor 
arquitetónico, com dimensões adequadas, com mobiliário e decoração de qualidade. Os 
rendimentos desta atividade têm a vantagem de contribuir para o restauro, a conservação e a 
dinamização destas casas. 
Turismo rural - casas rusticas particulares, com características arquitetónicas próprias ao meio 
rural em que se insere, são geralmente de pequenas dimensões, com mobiliário simples e são 
utilizadas como habitação do proprietário. 
Agroturismo - permite que os hospedes observem, aprendam e participem nas atividade das 
explorações agrícolas, em tarefas como a vindima, apanha de fruta, desfolhada, etc.
Casas de campo - são casas rurais e abrigos de montanha onde se preste hospedagem. 
Integram-se na arquitetura o ambiente característico da região, pela sua traça e pelos 
materiais de construção. 
Turismo de aldeia - desenvolve-se em empreendimentos que incluem, no mínimo, 5 casas 
particulares inseridas em aldeias que mantem as suas características arquitetónicas e 
paisagísticas tradicionais da região. Esta modalidade é uma das melhores que pode promover 
a conservação e valorização do património edificado, contribui também para a melhoria de 
acessibilidade das aldeias, que estavam quase isoladas, criação de emprego na restauração, 
nos postos de turismo, nas atividades dinamização no comércio local e no artesanato, o que 
poderá combater o despovoamento de certas áreas desfavorecidas. 
Outras formas de turismo em espaço rural são: 
 Turismo ambiental - esta atividade é cada vez mais procurado, pela aventura, pelo 
contacto com a Natureza e pela multiplicidade de atividades ao ar livre, desde a 
canoagem, rafting, parapente, etc.. 
 As áreas protegidas - não maioria são localizadas em áreas rurais, são espaços 
privilegiados para o turismo ambiental tendo, em média, 220 mil visitantes 
anuais. Muitas pequenas empresas tem vindo a aproveitar este nicho de mercado, 
gerando emprego e dinamizando as áreas rurais. 
 Turismo fluvial - valoriza a importância da água como fonte de lazer, obtém cada vez 
mais adeptos, que preferem a calma. Este interesse tem sido acompanhado de 
programas de valorização das áreas ribeirinhas, com vista a proporcionar espaços 
seguros para a prática da atividade balnear, tal como a sua valorização ambiental e 
paisagística. 
 Turismo cultural - valorização do património arquitetónico, histórico e etnográfico 
local. Castelos, solares, templos, museus e romarias com roteiros próprios, 
organização de visitas guiadas, documentação pormenorizada e outros apoios, 
contribuem para dinamizar as áreas rurais. 
 O turismo gustativo e o enoturismo - dinamizam as áreas rurais, aproveitando a 
grande diversidade e qualidade da gastronomia e dos vinhos regionais. Desde 1996 
tem vindo a ser constituídas as rotas dos vinhos, que representam um conjunto de 
locais organizados em rede, numa região vinícola demarcada com interesse turístico. 
Oferecem aos turistas a possibilidade de participarem nas diversas atividades ligadas à 
produção do vinho, como as vindimas ou o pisar da uva. O enoturismo representa uma 
forma de conhecer, através do vinho, muitos aspetos culturais e turísticos de uma 
região. 
159
 Turismo cinegético e turismo termal - o turismo cinegético esta ligado a caça. Estes 2 
tipos de turismo são das formas mais antigas de turismo em áreas rurais. O 
primeiro turismo cria emprego nas atividades de preservação do ambiente, nas zonas 
de caça turística e associativa. As termas aproveitam as características específicas das 
águas subterrâneas e têm sido elementos importantes na dinamização turística de 
muitas áreas rurais do nosso país. 
160 
Sustentabilidade do turismo 
As atividades turísticas nas áreas rurais devem ser planeadas no respeito pelo ambiente e 
pelos valores culturais locais, promovendo a qualidade da oferta. Sendo indiscutível a 
importância do turismo para o desenvolvimento regional e das áreas rurais, em particular, é 
também certo que esta atividade comporta alguns riscos que é necessário precaver, de modo 
a garantir a sustentabilidade. Em Portugal, existem varias regiões que começam a apostar no 
turismo em geral e em diferentes modalidades de TER como por exemplo o Alentejo. Estas 
regiões devem planear e promover as atividades turísticas de uma forma sustentável, evitando 
problemas que ocorrem noutros locais associados à procura de lucros rápidos, como: 
 O alargamento excessivo das capacidades de alojamento; 
 O subaproveitamento do solo agrícola; 
 A especulação fundiária e imobiliária; 
 A falta de formação profissional; 
 A perda do elemento humano e das relações personalizadas e a massificação das 
formas de turismo mais acessíveis. 
 A degradação dos recursos naturais; 
 A perturbação dos ecossistemas e a desfiguração da paisagem; 
A atividade turística nas áreas rurais não devera ser entendida como uma atividade 
“milagrosa” mas sim como um complemento em equilíbrio com as atividades tradicionais e 
inseridas num modelo de desenvolvimento integrado. 
Vantagem e desvantagens do Turismo nas áreas Rurais 
Vantagens: 
 Cria postos de trabalho; 
 Promove desenvolvimento de atividades e serviços e também industrias; 
 Contribui para encontro de culturas; 
 Projeta a cultura portuguesa para o mundo, mostrando-a; 
 Incentiva o desenvolvimento do artesanato; 
 Valoriza património cultural e paisagístico; 
 Evita o despovoamento das áreas rurais; 
 Melhoramento dos rendimentos da população; 
 Minimiza simetrias sociais, culturais e demográficas;
161 
Desvantagens: 
 O caráter sazonal do turismo, que pode levar á existência de tempos em que não á 
ocupação “tempos mortos” para a mão-de-obra; 
 Abandono das atividades agrícolas; 
 Excessivo aumento de equipamentos e infraestruturas podem ocupar solos com 
aptidão para a agricultura; 
 Degradação ambiental. 
Soluções: 
 Formar e sensibilizar população local para importância do turismo; 
 Redução dos “tempos mortos” através de implantação e alargamento do turismo 
sénior apoiado socialmente; 
 Divulgar e promover culturas tradicionais locais; 
 Valorizar produtos locais; 
 Promover turismo verde; 
 Potencializar a nível hospitaleiro a população rural e o seu património cultural . 
Indústria e desenvolvimento rural 
A indústria funciona como “motor” de desenvolvimento para qualquer região, pelo que a sua 
instalação em áreas rurais acolhe, normalmente, consenso. Grande parte dessas indústrias 
utiliza recursos naturais aí existentes ou produzidos.
162 
Desenvolver a silvicultura 
As áreas de floresta são uma parte essencial dos espaços rurais em Portugal. 
Entre as funções desempenhadas pelas áreas florestais destacam-se: 
 A função económica - produz matérias-primas e frutos, gerando emprego e riqueza; 
 A função social - ar puro e espaços de lazer; 
 A função ambiental - contribui para a preservação dos solos, conservação da água, 
regularização do ciclo hidrológico, armazenamento de carbono e a proteção da 
biodiversidade. 
Problemas: 
 Fragmentação da propriedade florestal, agravada pelo desconhecimento frequente 
dos seus limites por parte dos proprietários; 
 Baixa rentabilidade, lento crescimento das espécies; 
 Elevado risco da atividade, pelos incêndios florestais, frequentes no verão. 
Acrescenta-se ainda o despovoamento e o abandono de práticas de pastorícia e de recolha do 
mato. 
Soluções 
 Promoção do emparcelamento; 
 Criação de instrumentos de ordenamento e gestão florestal; 
 Simplificação do associativismo; 
 Diversificação das atividades; 
 Combate à vulnerabilidade a pragas e doenças; 
 Prevenção de incêndios, com limpeza das matas, otimização dos pontos de água, 
melhoria da rede viária, abertura de faixas de segurança. 
Produzir energias renováveis 
A produção de energia a partir de fontes renováveis é uma das formas de valorizar os recursos 
disponíveis nas áreas rurais e de criar oportunidades de produção. 
Como por exemplo: 
Biomassa-bioenergia 
Produção de eletricidade - produtos e resíduos da floresta constituem um enorme potencial 
para a sua produção; 
Biocombustíveis - podem ser produzidos a partir de culturas energéticas de onde se obtém o 
biodiesel e o etanol; 
Energia eólica - parques eólicos situados por todo o país como fonte de criação de energia;
Energia hídrico - recurso mais utilizado a nível nacional para a produção de eletricidade nas 
centrais hidroelétricas. Existem também as mini-hídricas que causam menor impacto 
ambiental e se adequam ao interesses locais. 
163 
Estratégias de desenvolvimento rural 
Desde a Agenda 2000 têm vindo a ser aprofundadas medidas de apoio ao desenvolvimento 
rural: 
 Medidas agroambientais – incentivam os métodos de produção agrícola que visam a 
proteção ambiental 
 Indemnizações compensatórias para zonas desfavorecidas – manutenção de uma 
agricultura ambientalmente sustentável 
 Apoios à silvicultura 
 LEADER 
Iniciativa comunitária LEADER 
Iniciativa LEADER – Ligação Entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural 
- apoio comunitário ao desenvolvimento rural. A sua aplicação teve efeitos 
positivos em quase todas as áreas rurais de Portugal. 
A partir do Quadro Comunitário de Apoio (QCA) III a iniciativa passou a chamar-se LEADER+ e 
evoluiu a nível dos projetos de desenvolvimento. 
LEADER+ consegue envolver as comunidades locais na definição de estratégias de 
desenvolvimento de forma sustentável e integrada e tem como objetivos específicos para 
Portugal:
LEADER+ prospera-se a partir dos Grupos de Ação Local – GAL, em parceria com o setor 
privado podendo elaborar/aplicar uma estratégia de desenvolvimento para a área rural 
através dos Planos de Desenvolvimento Local – PDL. 
164 
Territórios abrangidos pelo LEADER+ em Portugal. 
A Politica de Desenvolvimento Rural, valoriza a sustentabilidade das áreas rurais, 
promovendo a sua competitividade e a melhoria do ambiente e da qualidade de vida.
As áreas urbanas: dinâmicas internas 
165 
Espaço rural e Espaço urbano 
A ocupação do território confere á paisagem características que permitem fazer diferenciações 
espaciais. O espaço urbano é um espaço predominantemente ocupado por áreas residenciais e 
por atividades dos sectores secundário, e sobretudo terciário, nas quais se ocupa grande parte 
da população ativa, contrariamente, o espaço rural é um espaço onde a ocupação do solo é 
predominantemente agrícola, a habitação é geralmente unifamiliar e a população ativa se 
ocupa, sobretudo, na agricultura. 
Definir cidade 
À cidade associa-se um conjunto de características como: 
 A densa ocupação humana e elevado índice de construção; 
 Intensa afluência de trânsito; 
 Elevada concentração de atividades económicas, com predomínio de 
atividades do sector terciário, nomeadamente, serviços administrativos, 
sociais e políticos; 
 Elevado número de equipamentos sociais e culturais. 
Não é possível, encontrar um conceito universal de cidade, pois os critérios utilizados variam 
de país para país, e por vezes, no mesmo país, são aplicados de maneira diferente. Entre os 
critérios mais utilizados para definir cidade, destacam-se o demográfico, o funcional e o 
jurídico-administrativo. 
 Critério demográfico (população absoluta) – O total de habitantes de um aglomerado 
constitui um dos critérios mais vulgarmente utilizados. Cada país, determina um numero 
mínimo de habitantes, a partir do qual um aglomerado pode ser considerado cidade. No 
entanto, este critério varia de país para país, não permitindo portanto, estabelecer 
comparações universais. De uma maneria geral. Nas cidades, o valor da densidade 
populacional é elevado. Contudo, este critério também não é universal, registando-se 
disparidades muito grandes de país para país. 
 Critério funcional (distribuição da população ativa por sectores de atividade) – Este 
critério tem em conta a influência exercida pela cidade sobre as áreas envolvente e o tipo 
de atividades a que a população se dedica, que devem ser maioritariamente dos sectores 
secundário e terciário. Muitas cidades do Interior e das regiões autónomas apesar de
terem um número de habitantes relativamente reduzido, desempenham funções 
importantes e estabelecem relações de interdependência com a sua área envolvente. 
 Critério jurídico-administrativo – Aplica-se às cidades definidas por decisão legislativa. São 
exemplos as capitais de distrito e as cidades criadas por vontade régia, como forma de 
incentivar o povoamento, de recompensar serviços prestados ou de garantir a defesa de 
regiões de fronteira. 
166 
Portugal 
Verifica-se em Portugal, a concentração da população e das atividades nas áreas urbanas, 
consideradas como motor de crescimento económico, de competitividade e de emprego. 
O ritmo de crescimento urbano foi particularmente intenso, o que reflete no comportamento 
da taxa de urbanização – percentagem de população urbana em relação à total. 
Atualmente, o Sistema Estatístico Nacional considera urbanos, para além das cidades, os locais 
com população superior a 5000 habitantes ou com densidade populacional superior a 500 
habitantes/km2. 
A combinação (demográfico/funcional) 
Na conferência europeia de estatística ficou definido que as aglomerações com mais de 10 000 
habitantes seriam considerados cidades, ou então teriam no mínimo 2000, desde que a 
população ativa a trabalhar na agricultura não ultrapassasse os 25% do total. 
 As cidades devem apresentar alguns aspetos comuns que as permitem caracterizar: 
o Deve predominar sempre o sector secundário e o terciário; 
o Deve haver diversidade nos equipamentos e serviços prestados; 
o Existir áreas de recreio e lazer; 
o Paisagem construída – edifícios, praças e ruas com características morfológicas 
estéticas e funcionais diferentes; 
A cidade em Portugal 
 Centro Urbano – Engloba todas as sedes de distrito e os aglomerados populacionais com 
mais de 10 000 habitantes. 
 Cidade – Aglomerado populacional que ascende a esta categoria independemente de ter ou 
não ter 10000 de habitantes. Pode ascender a esta categoria por ser uma entidade político-administrativa 
ou por lhe ter sido atribuída por forma honorífica.
Os transportes e a organização do espaço urbano 
A tendência geral para o aumento da taxa de urbanização em Portugal, com reflexos no 
despovoamento do meio rural, é, em grande medida, o resultado da revolução verificadas nos 
transportes, que veio melhora a acessibilidade em todo o território nacional. Ao aumentar a 
mobilidade, aumenta também o número de ligações entre as cidades e o restante território. 
Constituindo polos de elevado poder de atracão, as cidades começaram, assim, a crescer em 
número e em dimensão demográfica. A própria organização interna das cidades pode ser alterada 
como resultado de novas acessibilidades criadas no tecido urbano. O crescimento dos subúrbios, o 
despovoamento dos centros de algumas cidades podem ser explicados por alterações associadas 
aos transportes. Também, regra geral, a renda locativa aumenta de forma proporcional ao 
aumento da acessibilidade dos lugares, e com ela, a especulação fundiárias, assim como o 
surgimento de áreas de solo expectante. 
167 
A organização das áreas urbanas 
A distribuição das várias atividades no espaço urbano assim como a residência da população, não 
se processam ao acaso. É possível identificar regularidades espaciais nessa distribuição, podendo 
individualizar-se áreas funcionais, quer dizer, áreas que apresentam uma certa homogeneidade da 
função dominante e que se destacam das restantes por apresentarem características próprias. A 
individualização destas áreas resulta da variação do preço do solo, o qual, por seu lado, depende da 
acessibilidade. O preço do terreno é tanto maior, quanto menor for a distância do centro, uma 
vez que é aí que s cruzam os eixos de comunicação, constituindo a área de maior acessibilidade no 
interior do espaço urbano e, por isso, a mais atrativa para muitas atividades do sector terciário, que 
ai tendem a instalar-se. Da concentração de atividades resulta uma forte competição pelo espaço, 
verificando-se, frequentemente, uma procura superior á oferta. Criam-se, assim, as condições para 
a especulação imobiliária, com a subida dos preços do solo. À medida que aumenta a distancia ao 
centro, a acessibilidade diminui, decrescendo também a procura do solo pelas atividades 
terciarias e, consequentemente, o seu preço. Outras atividades se vão, deste modo, instalando, 
nomeadamente as que se encontram ligadas à indústria e á função residencial. Além da distância 
ao centro, outros fatores podem condicionar a ocupação do solo, existindo áreas que, apesar de 
muito afastadas do centro, podem ser objeto de grande procura, assistindo-se portanto à subida do 
preço dos terrenos. Como causas dessa situação pode apontar-se a proximidade de boas vias de 
comunicação, a existência de um bom serviço de transportes públicos, um meio ambientalmente 
bem conservado, entre tantas outras.
168 
As áreas terciárias 
CBD (central business district) – Esta área, mais vulgarmente designada de baixa ou centro da 
cidade, caracteriza-se por um elevado grau de acessibilidade, dado que nela convergem os 
transportes públicos – torna-se assim atrativa para numerosas atividades do sector terciário, 
especialmente do terciário superior, cuja rentabilidade depende da existência de uma clientela 
numerosa. Este é considerado o centro financeiro da cidade, uma vez que aí se concentram grande 
número de sedes bancárias, de companhias de seguros, de escritórios das grandes empresas e 
comércio grossista e a retalho, geralmente muito especializado. Também é no CBD que se 
encontram restaurantes, hotéis e salas de espetáculo, bem como muitas atividades administrativas 
e escritórios de profissões liberais. O solo torna-se assim escasso (devido á elevada procura), e 
como tal, recorre-se á construção em altura, um dos aspetos mais característicos das áreas 
centrais. A distribuição das atividades apresenta-se diferenciada, quer no plano vertical quer no 
plano horizontal – no plano vertical é vulgar verificar-se a ocupação dos pisos térreos pelo 
comércio, destinando-se os pisos superiores á residência, escritórios e armazéns; a análise da 
organização das atividades no plano horizontal revela a existência de áreas de forte especialização 
no interior do CBD, como o centro financeiro, a área de comércio a retalho, a áreas de comércio 
grossista, a área de hotéis e restauração. Tem-se vindo a assistir à descentralização de muitas 
atividades terciarias do centro para outras áreas da cidade, motivada pela enorme concentração de 
atividades nessa áreas, pela crescente falta de espaço, agravada pelo valos excessivos dos preços 
dos terrenos, assim como o congestionamento do tráfego urbano, cuja intensidade se vai 
traduzindo em crescentes dificuldades de deslocação e de estacionamento. 
As áreas residenciais 
A função residencial encontra-se distribuída por todo o espaço urbano. Esta função desempenha 
um papel importante nas cidades, pois distingue áreas com características próprias, cuja localização 
está diretamente relacionada com o custo do solo, e por isso, reflete as características sociais da 
população que nela habita. Pode mesmo dizer-se que existe uma segregação espacial, isto é, uma 
tendência para organização do espaço em áreas de grande homogeneidade interna e forte 
disparidade entre elas, também em termos de hierarquia. 
As classes sociais de rendimentos mais elevados, escolhem como áreas de residência zonas mais 
aprazíveis da cidade, pouco poluídas, com espaços verdes e de lazer, bem serv idas por vias de 
comunicação e onde os preços do solo atingem valores, por norma, elevados. A classe média 
ocupa a maior parte do espaço urbano e as áreas residenciais apresentam aspetos muito 
diversificados. Os blocos de habitação plurifamiliares apresentam uma certa uniformidade do 
porto de vista arquitetónico e materiais de construção menos qualidade – localizam-se geralmente
em áreas bem servidas de transportes públicos, com equipamentos sociais diversificados como 
escolas, centros de saúde, etc. 
A população com menos recursos, ocupa, geralmente, bairros de habitação precária ou de 
habitação social. Os bairros de habitação social construídos pelo Estado destinam-se a acolher as 
classes de menos recursos, muitas vezes com o objetivo de realojar as classes de menos recursos, 
ou famílias afetadas por calamidades, ou no âmbito de programas que têm em vista a erradicação 
de “barracas “. De construção económica e arquitetura simples, muito semelhantes entre sim, 
localizam-se por vezes, em áreas de fraca acessibilidade, caracterizando-se, frequentemente, pela 
falta de qualidade dos materiais de construção, pela pequena dimensão da habitação, e por 
deficiências ao nível de infraestruturas e equipamentos. 
As áreas industriais 
Durante muito tempo, o espaço urbano constitui uma área de localização preferencial para 
numerosas industrias, o que se justificava pela abundância de mão-de-obra, infraestruturas, 
equipamentos e serviços de apoio à produção que aí se concentravam. Contudo, a existência das 
indústrias modernas em espaços cada vez mais vastos, associada à sua crescente escassez no 
interior das cidades, à poluição provocada por muitas delas e às dificuldades do trânsito urbano, 
atuou como facto repulsivo, obrigando à sua deslocação para a periferia das aglomerações. 
Atualmente, a sua implantação faz-se em parques industriais. No interior das cidades, ficam as 
indústrias não poluentes, pouco exigentes em espaço, consumidoras de matérias-primas pouco 
volumosas, e que para subsistirem, necessitam de estar em lugares de grande acessibilidade, de 
forma a ficarem próximas da clientela, como as indústrias de confeção, de artes gráficas 
(tipografias) e de panificação. 
Expansão urbana 
A expansão urbana tem-se feito à custa das áreas periféricas das cidades e é determinada por 
vários fatores. As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, resultando dessa expansão, são 
aglomerações urbanas de grande dinamismo e polarizadoras do desenvolvimento regional e 
nacional. 
 O crescimento da taxa de urbanização de Portugal, é especialmente significativo a par tir da 
década de 80 e vai refletir-se numa organização do espaço, a qual, entre vários fatores, é 
imposta pela afirmação de novos modelos de comércio e por meios de transporte mais 
rápidos e eficazes que servem um território urbano, fortemente expandido. 
 O crescimento das cidades caracteriza-se por duas fases: 
o Uma primeira fase designada por fase centrípeta, pela concentração da população e 
das atividades económicas no seu interior – esta situação vai conduzir à alteração 
169 
As s iste-se, à crescente expansão das 
áreas residências da classe média para 
a peri feria, principalmente por famílias 
jovens .
das condições de vida urbana, o que se traduz, quase sempre, na diminuição da 
qualidade de vida da população. 
o A falta da habitação, a poluição sonora e atmosférica, a insuficiência de espaços 
verdes e de lazer e o aumento do trânsito são exemplos de alguns dos problemas 
com que a população passa a debater-se e que estão na origem de um movimento 
de sentido contrário. Assiste-se, assim, á deslocação da população e das atividades 
económicas para a periferia das aglomerações urbanas. Este movimento 
corresponde à fase centrífuga do crescimento das cidades, ou seja, à fase de 
desconcentração urbana. 
 A expansão urbana resulta ainda de outros fatores: 
o A dinâmica da construção civil, tanto no que toca ao parque habitacional, como à 
edificação de espaços destinados a atividades económicas; 
o O desenvolvimento das próprias atividades económicas, que conduz à necessidade 
de expandir e modernizar as empresas e, como tal, à procura de novos espaços de 
localização; 
o O desenvolvimento dos transportes e das infraestruturas viárias, que aumenta a 
acessibilidade e diminui os tempos e os custos das deslocações; 
o O aumento da taxa de motorização das famílias, que permite deslocações mais 
170 
longínquas. 
 A expansão urbana acompanha, geralmente, os principais eixos viários de acesso à cidade, 
verificando-se uma forte relação entre a sua localização e a densidade de construção. 
A suburbanização 
A expansão das cidades faz-se à custa das áreas periféricas das cidades, dando origem à ocupação 
urbana dos subúrbios. 
 A suburbanização é a expansão das cidades pela ocupação urbana dos subúrbios. Por sua 
vez, os subúrbios são zonas periferias, mais ou menos urbanizadas das cidades, mas 
totalmente dependentes destas. 
 Em termos de paisagem urbana é difícil estabelecer a fronteira entre cidade propriamente 
dita e os subúrbios imediatos, pelo que só os limites administrativos permitem a separação 
destas duas entidades geográficas. 
Fatores de expansão dos subúrbios: 
 O desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação; 
 A densificação da rede de comunicações;
 A modernização e expansão dos transportes coletivos urbanos. 
O uso crescente do automóvel permitiu uma rápida ligação entre vários locais da periferia e 
sobretudo entre esta e a cidade, possibilitando uma separação crescente entre os locais de 
trabalho e a residência. 
O crescimento dos subúrbios traduz-se frequentemente, em problemas económicos e sociais na diminuição 
da qualidade de vida da população, podendo salientar-se: crescimento muito rápido e desordenado, que 
não é acompanhado pela construção, ao mesmo ritmo, de infraestruturas e equipamentos; intensificação 
dos movimentos pendulares com todas as consequências negativas daí resultantes (aumento do consumo 
de energias, da poluição e desperdício de tempo); destruição de solos com boa aptidão agrícola; aumento 
da construção clandestina, realizada à margem dos processos de planeamento. 
Periurbanização 
O crescimento das cidades para além dos seus limites torna cada vez mais difícil estabelecer as 
fronteiras do espaço urbano e do espaço rural, podendo observar-se, para além da cintura formada 
pelos subúrbios, áreas onde atividade e estruturas urbanas se desenvolvem, misturando-se com 
outra de caracter rural, processo conhecido por periurbanização. 
A rurbanização 
Atualmente assiste-se a uma nova forma de expansão urbana, abrangendo áreas mais vastas, 
conhecida por rurbanização. Trata-se de uma forma de progressão urbana mais difusa que, 
invadindo os meios rurais, não se traduz, contudo, na urbanização contínua do espaço. Constitui 
uma nova tendência de deslocação da população urbana para os espaços rurais, em busca de 
condições de vida com mais qualidade do que as que encontra nas cidades e nos subúrbios. 
Reflete-se em alterações significativas de aspetos sociais e culturais que caracterizam os meios 
rurais. 
As áreas metropolitanas 
A área metropolitana é a designação dada ao conjunto formado por uma grande cidade e todo o 
espaço mais ou menos urbanizado que a envolve uma estreita relação de interdependências. A 
deslocação da população e das actividades económicas para os espaços periféricos das cidades tem 
conduzido ao processo de suburbanização, assistindo-se ao crescimento de alguns aglomerados 
que acabam assim, por se expandir e adquirir alguma dinâmica própria. Decorrendo deste processo 
continuando, forma-se, deste modo, Áreas Metropolitanas que constituem amplas áreas 
urbanizadas, englobando uma grande cidade, que exerce um efeito polarizador sobre as restantes 
aglomerações urbanas. Neste espaço desenvolve-se um complexo sistema de inter-relações entre a 
cidade principal e as cidades envolventes que, por sua vez, também se encontram interligadas. As 
cidades e os centros urbanos das áreas metropolitanas formaram um sistema policêntrico, ligado 
171
por relações de complementaridade, que reforçam a coesão do território e promovem maior 
eficácia de funcionamento e dinamismo económico. Estas detêm um elevado potencial polarizador 
do território, uma vez que o seu dinamismo económico atrai população e emprego. O dinamismo 
funcional e territorial assenta numa densa rede de transportes multimodal, onde se concretizam 
intensos fluxos de pessoas e bens, quer interurbanos que intraurbanos, motivados, para além do 
trabalho, por razoes ligadas ao ensino, à cultura ou ao desporto, entre outras e que cada vez 
assumem maior importância. Os movimentos pendulares constituem um dos aspetos relevantes 
desses fluxos que atingem o seu auge nas horas de ponta e traduzem uma organização territorial 
nova, em que não se verifica coincidência entre o local de residência e o local de trabalho. 
As Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa 
As áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa foram criadas, administrativamente, em 1991 e em 
2003 foram reorganizadas, passando a ser designadas de Grandes Áreas Metropolitanas, as GAM. 
Contudo, há ainda uma indefinição relativamente a meio e competências atribuídas a estas áreas, 
no quadro de reorganização territorial. 
172 
Porto 
 Na GAM do Porto, concentra-se cerca de 15% da 
população portuguesa, isto é, aproximadamente 
1,5 milhões de habitantes. Tal como acontece 
na GAM de Lisboa, também o concelho do porto 
tem registado uma diminuição da população, 
face aos concelhos periféricos. 
Lisboa 
 A GAM de Lisboa é constituída por 18 
concelhos, nove do distrito de Lisboa e outros 
nove do distrito de Setúbal, nela se 
concentrando, em meados da década de 90 
do século XX, cerca de 26% da população 
portuguesa. 
Para além da l itoralização (localização preferencial da maior 
parte dos centros urbanos junto ao litoral), acrescenta -se o 
reforço da bipolari zação que caracteri za a rede urbana 
portuguesa – As áreas metropol i tanas de Li sboa e Porto, 
concentram, actualmente, cerca de 40% da população 
portuguesa.
As condições de vida urbana 
O rápido crescimento de algumas cidades portuguesa, aliado à especulação imobiliária, e a um 
planeamento pouco eficaz, tem conduzido ao aparecimento de espaços sem qualidade estética, 
funcional e social. A deterioração das condições de vida, reflete-se na diminuição do bem-estar e 
da qualidade de vida dos cidadãos. As cidades deixaram, em alguns casos, de ser lugares apelativos 
para residir e trabalhar. No sentido de inverter esta situação, tona-se imprescindível implementar 
processos de planeamento territorial, que, de forma eficaz ajudem à construção de um território 
ordenado. Para um crescimento mais harmonioso e sustentando das cidades, tem contribuído a 
implementada dos PMOT (Planos Municipais de Ordenamento do Território) que variam 
dependendo da área de intervenção: 
o PDM (Plano Diretor Municipal) – incidem a sua aplicação a nível local, concelhio, 
logo é promovida pela autarquia; tem vigência de 10anos, e devem ser flexíveis e 
dinâmicos; 
o PU (Plano Urbanização) – definem a organização espacial de uma determinada 
área do território municipal que exige uma intervenção integrada do 
planeamento; 
o PP (Plano de Pormenor) – trata com detalhe, áreas ainda mais limitadas 
territorialmente, definindo modos de ocupação do espaço em causa. 
173
174 
As características da rede urbana 
As aglomerações urbanas no território 
Nas últimas décadas, tem-se verificado um crescimento urbano em Portugal muito significativo. Os 
centros urbanos do Litoral (Porto e Lisboa, principalmente) continuam a ser uma forte ponto de 
atracão da população oferecendo emprego e melhores condições de vida. O interior continua a 
despovoar-se, registando um envelhecimento da população acentuado, que afecta o dinamismo, 
fazendo com que exista um grande contraste com o litoral, onde centros urbanos e cidades 
crescem rapidamente. A distribuição da população portuguesa evidencia assimetrias registadas no 
nosso país, relativamente à localização destes aglomerados. Verifica-se a localização do maior nº 
de cidades junto ao litoral, principalmente próximos de Porto e Lisboa. Fazendo assim contraste 
com esta situação, interior do país apresenta um número muito reduzido de cidades com 
dimensões populacionais reduzidas. Estas diferenças registadas entre norte e o sul do pais, 
refletem as desigualdades na repartição de atividades económicas e na distribuição da rede de 
acessibilidade e transportes. Não só no continente como nas regiões autónomas, os principais 
aglomerados populacionais se localizam no litoral, próximos de portos marítimos (que permitem 
ligações com o exterior). Por outro lado o caracter acidentado das ilhas, não incentiva a fixação da 
população no interior. 
A hierarquia na rede 
Na cidade, independemente da sua dimensão, estabelece com o espaço envolvente, relações de 
complementaridade, nomeadamente de carácter económico, social e cultura, sendo a força 
atrativa e polarizadora superior à que é exercida por este ultimo sobre ela. A área que envolve a 
cidade e se encontra sob sua dependência denomina-se área de influência. A delimitação dessa 
área de influência das diferentes cidades é uma tarefa complicada, contudo, é importante para o 
processo de planeamento, nomeadamente no que se refere aos serviços públicos como o ensino 
ou a saúde. É possível definir área de influencia em torno de todos o aglomerados, tenham o 
estatuto de cidade ou não, isto é, todos os lugares que oferecem bem e/ou serviço à população da 
área envolvente podem denominar-se de área envolvente. Designa-se de lugar centras, todo 
aglomerado que exerça pelo menos uma função centras, entendido como qualquer actividade 
económica, social e cultural que assegure o fornecimento de bem centrais (hospital, escola, livraria, 
etc). Considera-se bem central o produto ou o serviço que se pode adquirir num lugar central, 
podendo assim destituir-se os bens vulgares dos bens raros. Os bens vulgares, são bens de 
utilização frequente que se podem adquirir em qualquer lugar central (como pão, agua, leite, 
etc…), os bens raros caracterizam-se por ser de utilização menos frequente, só possíveis de obter 
em lugares centrais de nível hierárquico superior (como serviços médicos, serviços notariais, etc...).
A área de influência de cada lugar é determinada pelo alcance da função central mais rara, 
prestada nesse lugar central, entendendo-se por raio de eficiência de um bem central, isto é, a 
distancia máxima que a população está disposta a percorrer para adquirir um determinado bem ou 
serviço, tendo em conta o tempo e os custos dessa deslocação. Os lugares centrais hierarquizam-se 
de acordo com a sua centralidade, isto é, a razão entre a quantidade de bens e serviços que o lugar 
oferece à população e a quantidade de bem e serviços que essa população necessita. A hierarquia 
dos centros urbanos pode ser feita tendo por base a dimensão demográfica, pois há uma relação 
entre o total de habitantes e as funções centrais que nesses centros urbanos existem. A rede 
urbana nacional apresenta-se desequilibrada e de padrão macrocéfalo ou bimacrocéfalo com duas 
grandes cidades, Lisboa e Porto, a dominarem um elevado número de cidades de pequena 
dimensão com áreas de influência muito reduzidas que ocupam a base da hierarquia. Verifica-se 
um pequeno número de centros urbanos de pequena dimensão com capacidade de dinamizarem a 
região onde se enquadram permitindo a fixação da população e evitando a sua fuga para os 
maiores centros do Litoral. Para além disso, é de assinalar a localização preferencial da maior parte 
dos centros urbanos junto ao Litoral, bem como o seu contínuo crescimento que acentua as 
assimetrias existentes. Além da Litoralização acrescenta-se o reforço da bipolarização que 
caracteriza a rede urbana portuguesa – as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, concentram 
cerca de 40% da população do país. As atividades económicas tendem em localizar-se em 
aglomerações urbanas, onde existe mão-de-obra abundante e qualifica, de numerosos serviços, 
fornecedores, de infraestruturas e equipamentos (água, energia, saneamento, transportes). 
A população também é atraída pelas grandes aglomerações visto estas disporem de maiores 
oportunidades de emprego, grande variedade de serviços, infraestruturas, equipamentos sociais, e 
culturais. A localização nas grandes aglomerações urbanas permite às empresas e também á 
população beneficiar dos princípios das economias de escala, que consiste na redução do custo 
médio de um bem á medida que aumenta o volume da sua produção. Quando o crescimento de 
uma aglomeração se processa a um ritmo de tal forma acelerado que conduz á saturação dos 
espaços e infraestruturas entra-se numa fase designadas de deseconomia de escola, isto é, os 
equipamentos e as infraestruturas são insuficientes para satisfazer as empresas e a população. 
Aumentaram os problemas de trânsito, aumento o custo do solo e a degradação ambiental. 
Assiste-se á falta de habitação, mau funcionamento dos equipamentos sociais (centros de saúde, 
escolas…). Estes problemas fazem-se notar principalmente nas grandes aglomerações do litoral e 
traduzem-se no aumento dos custos de produções ao nível das empresas, e na sua diminuição da 
qualidade de vida da população 
175
176 
A reorganização da rede urbana 
O papel das cidades médias 
O desenvolvimento do nosso país passa pela reorganização do sistema urbano e este pela 
revitalização das cidades de média dimensão. Estas cidades, pelas funções que exercem e pelas 
oportunidades que oferecem à população, podem contribuir para a dinamização do território onde 
se insere, reduzindo assim, as assimetrias regionais e melhorando a qualidade e nível de vida dos 
cidadãos. Investir nas cidades de média dimensão poderá construir uma estratégia para a 
implantação de atividades económicas, valorizando os recursos regionais, e preservando o 
equilíbrio do ambiente, ajuda à fixação da população e despovoamento, o envelhecimento e a 
estagnação das áreas mais deprimidas. Simultaneamente pode contribuir para atenuar o 
crescimento das grandes aglomerações que se debatem atualmente com o excesso de população, 
face às infraestruturas e equipamentos, que dispõem, que levam a graves problemas sociais, 
económicos e ambientais. 
Atenuar o crescimento das grandes aglomerações 
A diminuição das assimetrias e o reforço da coesão e da 
solidariedade internas, passam pela reorganização da rede 
urbana, de que resulta o desenvolvimento de uma rede 
policêntrica formada por centro de grande, média e pequena 
dimensão distribuídos de forma equilibrada pelo território 
nacional e ligados entre si, de forma articulada por relações 
de complementaridade. Esta reorganização assenta na 
melhoria das acessibilidades entre os vários centros urbanos e 
no incentivo publico e privado ao investimento em atividade 
que potenciem o desenvolvimento económico regional. As 
condições enunciadas permitem aumentar as capacidades de 
atração das cidades médias, aumentar a sua área de 
influência, ajudando assim a intensificar as relações entre o 
meio urbano e o meio rural. Apesar das melhorias a que, nas 
últimas décadas se tem assistido ao nível do desenvolvimento 
da rede viária, nomeadamente da rede nacional estruturante 
da rede que liga as áreas rurais e urbanas, assim como das 
condições para a fixação dos mais diversos serviços e 
atividades. O litoral continua a destacar-se do interior, quer 
no número de cidadãos, quer na diminuição demográfica das mesmas.
Inserção na rede urbana europeia 
Integrado na União Europeia e num mundo cada vez mais global, importa 
equacionar a capacidade de afirmação de afirmação, de projecção e de 
competição que Portugal detém a nível internacional e principalmente a 
nível europeu. A afirmação internacional exige, igualmente, a existência 
de cidades que exerçam funções de nível superior, que lhes permita 
desempenhar um papel com relevância a nível económico, tecnológico, 
cultural e científico, no cenário internacional. No entanto Portugal não 
tem nenhuma cidade com capacidade de afirmação a esse nível, pois 
quer Lisboa quer o Porto, ocupam posições secundárias nesse contexto. 
A posição hierárquica da AML E AMP na rede europeia 
Numa lógica de integração na União Europeia e de globalização da sociedade, a dinâmica 
económicas das regiões depende muito da capacidade que as cidades têm para se afirmarem 
internacionalmente, projetando a região e o País. No contexto internacional, as cidades 
portuguesas ocupam uma posição relativamente modesta. A hierarquização das cidades na rede 
internacional avalia-se de vários critérios, entre os quais se salienta o total de população, o número 
de feiras e exposições de cariz internacional, realizadas, o trafego aéreo, o desenvolvimento de 
atividades de caracter cultural, a presença de sedes multinacionais, entre várias a enunciar. 
Posição internacional das duas maiores cidades portuguesas 
A abertura económica do exterior, expressa pelo valor das exportações e das importações e do 
movimento nos portos e aeroportos, constitui também uma das formas de internacionalização do 
Pais e de avaliação da projeção externa das cidades. Lisboa e Porto são as cidades portuguesas de 
maior expressão internacional, que assumem uma posição relevante no sistema ibérico. 
As cidades portuguesas não apresentam capacidade de afirmação na rede internacional . Como principal causa desta situação, 
aponta-se, tradicionalmente, a pacificidade do nosso território, situações que pode, entretanto, alterar -se, com o desenvolvimento 
dos transportes e das telecomunicações. A localização geográfica de Portugal no extremo sudoeste da Europa poderá transformar - 
se numa vantagem comparativa, se o território nacional passar a funcionar como uma porta de comunicação entre a europa e o 
resto do mundo. Portugal poderá transformar -se numa plataforma intercontinental de prestação de serviços, nomeadamente ao 
nível dos transportes, capaz de atrair investimentos, atividades, população, etc. 
A população, como se movimenta e comunica 
Não existe actualmente nenhum país, cuja economia se desenvolva num circuito fechado, pelo 
contrário, são cada vez mais numerosas as trocas entres os diferentes países, as quais têm na sua 
base a complementaridade entre várias regiões. A crescente interação espacial tem como suporte 
a rede transportes e os vários meios de transporte, que tem vindo a sofrer constantes evoluções. O 
aumento da mobilidade permitiu desenvolver o comércio e consequentemente, as atividade 
produtivas, tanto a nível regional, quer a nível internacional, diminuir as assimetrias regionais e 
177
portanto, melhorar as condições de vida e o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, ajudou á 
expansão de novas formas de organização do espaço, referindo-se a título de exemplo o 
crescimento dos subúrbios nas grandes cidades, à redistribuição espacial da população, com a 
eclosão e intensificação de movimentos migratórios, assim como à massificação de fenómenos 
sociais, culturais e económicos, como é o caso do turismo. 
A competitividade dos diferentes modos de transporte 
As principais redes de transporte utilizadas para o estabelecimento de ligações são: 
178 
 Rede rodoviária; 
 Rede ferroviária; 
 Rede marítima; 
 Rede área; 
A escolha do modo de transporte a utilizar depende de vários fatores, podendo enunciar-se como 
os mais importantes o custo do transporte, o tipo de mercadoria a transportar, a distancia a 
percorrer, o tempo gasto no percurso e ainda o tipo de trajeto a percorrer. Em Portugal, no 
trafego interno de mercadorias e de passageiros utiliza-se, fundamentalmente, o transporte 
rodoviário. Relativamente ao trafego internacional de mercadorias, o transporte é realizada, na 
maioria dos casos, por via marítima, ao qual se segue os transportes rodoviário, que nos últimos 
anos tem registado um crescimento assinalável, sobretudo o que se dirige aos países da União 
Europeia. 
Rede de transportes 
Conjunto de vias de comunicação (estradas, mar, rios, tubos, etc) que servem determinada região. 
Meios de transporte 
Veículos e vias utilizados para a deslocação. 
Transporte rodoviário 
 Em Portugal tem registado um aumento significativo, tanto nos veículos pesados como nos 
ligeiros; 
 Apresenta grande flexibilidade, permite o transporte porta-a-porta, é rápido e cómodo.
 Como tem sido objeto de evolução tecnológica, isso traduz-se na capacidade de carga que 
aumenta, bem como a especialização, isto é para o transporte de mercadorias 
diversificadas. 
 Provoca impacto negativo na atmosfera devido á libertação de gases poluentes; 
 Elevado consumo de combustível, e aumento do “desgaste psicológico”, relacionado como 
dificuldade em estacionar, entre outros; 
179 
 Elevada sinistralidade; 
Transporte ferroviário 
 Durante a primeira metade do século XX, foi um meio de transporte muito utlizado e 
constituiu um importante fator para o desenvolvimento do pais em vários níveis. No 
entanto, face ao desenvolvimento do transporte rodoviário, o ferroviário, perdeu 
capacidade competitiva, quer no transporte de passageiros, quer no transporte de 
mercadorias, apresentando uma utilização bastante modesta, quer nas utilizações 
nacionais, quer nas internacionais; 
 Os aspetos negativos deste transporte, nomeadamente o carácter fixo dos seus itinerários, 
o que se traduz numa menor flexibilidade e na exigência de transbordo, o que além de 
retirar comodidade, aumenta o custo do transporte, não só pela perda de tempo que 
implica como pelo aumento da mão-de-obra utilizada, estiveram na origem da perda de 
competitividade deste meio de transporte; 
 Revela-se um meio de transporte com elevados encargos ao nível de manutenção e 
funcionamento de infraestruturas e equipamentos, quando comparado com o transporte 
rodoviário; 
 Contudo apresenta-se um meio de transporte economicamente vantajoso para o tráfego 
de mercadorias pesadas e volumosas; 
 Baixa sinistralidade. 
Transporte marítimo 
 80% do comercio internacional em Portugal, é realizado por via marítima; 
 Revela-se especialmente vantajoso sob o ponto de vista económico, no tráfego de 
mercadorias pesadas e volumosas, a longas distâncias, revelando-se muitas vezes o único 
possível quando se trata de trajetos intercontinentais; a crescente especialização que vem 
apresentando (petroleiros, metaneiros, etc), torna-o cada vez mais atrativo, pois confere-lhe 
a possibilidade de transportar variados tipos de mercadorias em boas condições de 
acondicionamento; 
 O transporte marítimo apresenta, como principais inconvenientes a menor velocidade 
média alcançada e a exigência de transbordo;
180 
Transporte aéreo 
 Encontra-se vocacionado para o tráfego de passageiros, dada a rapidez, comodidade e 
segurança que oferece; 
 A sua utilização tem vindo a aumentar muito significativamente em todo o mundo, para 
viagens longas e também para médias distâncias; relativamente a mercadorias, a sua 
utilização é restrita dada a fraca capacidade de carga e os elevados custos de transporte; 
 Apresenta também aspetos negativos como a poluição, o enorme consumo de energia e a 
saturação do espaço aéreo. 
 Tal como em todo o mundo, também em Portugal, o transporte aéreo tem vindo a crescer 
especialmente os voos internacionais. 
Transporte intermodal 
 O transporte intermodal apresenta-se como uma solução para reduzir a utilização 
excessiva do transporte rodoviário no tráfego de mercadorias, ao permitir que a 
mercadoria, numa parte do seu percurso, viaje utilizando outro meio de transporte, 
designadamente ferroviário. São várias as vantagens que daí resultam, pois permite 
diminuir o trânsito nas vias rodoviárias, reduzir a poluição e o consumo de energia, assim 
como o tempo de deslocação. 
 Uma vez que o comércio externo português se faz essencialmente com a Europa, os 
projetos de ligação às redes transeuropeias têm também como objetivo prioritário a 
articulação entre os vários meios de transporte, de forma a permitir a utilização 
combinada de transportes complementares. 
A inserção nas redes transeuropeias 
A política comum de transportes, apresenta como um dos seus principais objetivos a criação de 
uma rede de transportes que integre as redes dos vários modos de transportes, capaz de promover 
a construção de um espaço sem fronteiras, onde as ligações entre as regiões mais periféricas e as 
regiões centrais, mais desenvolvidas, sejam facilitadas. A construção de uma rede transeuropeia 
que promova a intermodalidade permitirá diminuir os problemas ambientais resultantes da 
poluição e do consumo de energia e permitirá deslocações mais rápidas.
A revolução das telecomunicações e o seu impacte nas relações interterritoriais; Os 
transportes, as comunicações e a qualidade de vida 
A distribuição espacial das redes de comunicação 
A crescente internacionalização da economia e o acesso à informação tem como protagonista o 
desenvolvimento das telecomunicações. A difusão da informação é realizada cada vez de forma 
mais rápida, permitindo aumentar os intercâmbios e promover relações de complementaridade 
entre regiões. 
A modernização do sector das comunicações, aliada à do sector dos transportes, tem alterado o 
modo como o espaço geográfico é apreendido e vivenciado. O espaço e as distâncias são, desta 
forma, cada vez mais relativos, podendo medir-se em unidade de distância-tempo e distância-custo. 
O planeta em que vivemos, assume assim, contornos de uma verdadeira “aldeia global”. 
O aumento da mobilidade e da facilidade na difusão da informação está na origem de novas formas 
de trabalho e comercia, bem como de novos modelos e organização de espaço. 
Para garantir igualdade de acesso a todos os portugueses aos transportes e as TIC é preciso investir 
na modernização das redes, mas também na formação relativamente ao domínio das novas 
tecnologias. 
Na sequência da integração de Portugal na União Europeia as telecomunicações nacionais foram 
objeto de enorme modernização, tendo-se assistido à expansão das redes e melhorias substanciais 
na sua qualidade. Prevalecem, no entanto ainda algumas assimetrias entre o litoral e o interior que 
é preciso debelar. 
Um dos grandes objetivos das políticas da União Europeia, no domínio das telecomunicações é 
promover a igualdade de condições no acesso à informação, entre todos os cidadãos. A iniciática 
“eEuropa – uma sociedade para todos”, tem como objetivo garantir o acesso pleno das TIC no 
espaço comunitário. 
Os sectores dos transportes e das comunicações, apresentam alguns problemas associados ao 
ambiente, à segurança e à saúde que se torna necessário combater, nomeadamente através de 
campanhas de prevenção. 
181
A integração de Portugal na União Europeia: novos desafios, novas oportunidades. 
182 
União europeia: 
 CECA (Tratado de Paris) – Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo; 
 CEE (Tratado de Roma 1957) – Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo; 
 Alargamentos: 
 1973 – Dinamarca, Irlanda, Reino Unido; 
 1981 – Grécia; 
 1986 – Espanha e Portugal; 
 1990 – Antiga RDA; 
 1995 – Áustria, Finlândia, Suécia; 
 2004 – Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, 
Polónia e Republica Checa. 
 Países candidatos: Croácia, Turquia e Macedónia; A Islândia fez o pedido em 
Julho de 2009. 
 Instituições da U.E: Parlamento Europeu, Conselho Europeu e Comissão 
Europeia. 
 Conselho de Copenhaga (1993): definiu os critérios de adesão: 
 Critério político – o país candidato tem de possuir instituições estáveis que 
garantam a democracia, o Estado de direito, os direitos humanos e a sua proteção. 
 Critério económico – a economia do país têm de ser uma economia de mercado 
com capacidade para responder à pressão da concorrência. 
 Critério jurídico – o país candidato tem de proceder à transposição para o seu 
direito interno de todas as normas políticas comunitárias e de estar em condições 
de assumir as suas obrigações, incluindo a adesão aos objetivos da união 
monetária e económica. 
 
Com base nestes critérios a adesão da Roménia e da Bulgária foi prolongada até 
2007. 
 Acervo comunitário – Conjunto de leis e normas da EU que cada pais deve transpor para 
a sua legislação nacional. 
 ESTRATEGIAS DE PRÉ ADESÃO – Definidas pelo Conselho Europeu em 1997:
 Criação de parcerias de adesão a celebrar com cada pais definido as prioridades 
nacionais de preparação da adesão nomeadamente o acervo comunitário. 
 Definição de novos instrumentos de apoio técnico e financeiro: 
1. IEPA- Instrumento Estrutural de Pré – adesão, destinado a financiar a 
convergência com as normas comunitárias de infraestruturas em matéria 
de transportes e ambiente. 
2. O SAPARD – Programa Especial para a Agricultura e o Desenvolvimento 
Rural com vista à modernização das estruturas e processos de produção 
agrícola e à diversificação económica dos espaços rurais de modo a 
promover a integração na PAC. 
3. Reforço do PHARE (Polónia e Hungria) para recuperar a economia e facilitar 
o cumprimento do critério económico. 
 Chipre e Malta receberam uma ajuda de pré adesão, não beneficiaram do PHARE. 
A Turquia, a Croácia e a Republica da Macedónia e os potenciais candidatos 
beneficiam de uma estratégia de pré adesão. 
183 
Desafios e oportunidades do alargamento: 
Oportunidades 
 O grande aumento da dimensão territorial. 
 A expansão do Mercado Único. 
 O reforço da posição da União no contexto político e no mercado mundial. 
Desafios 
 O empobrecimento registado a nível comunitário (na maioria dos novos países 
membros o PIB por Habitante é muito inferior à média comunitária). 
 Maior heterogeneidade económica, social e cultural. 
 Necessidade de adaptar as políticas comunitárias e funcionamento das instituições 
 Os esforços de adaptação institucional, iniciaram-se com o tratado de Amesterdão, 
aprofundados com o tratado de Nice e concluíram-se com o tratado de Lisboa. 
Principais alterações introduzidas pelo tratado de Lisboa: 
1. Surge o cargo de presidente da União Europeia em substituição das presidênc ias rotativas. 
2. Passa a existir um alto representante da União Europeia para a Politica Externa e de Segurança que coordena a 
diplomacia da União Europeia. 
3. As decisões no Conselho da União Europeia serão tomadas por dupla maioria – 55% dos países representando pelo 
menos 65% da população em vez da divisão de votos por pais criada no tratado de Nice ( 2001). 
4. O número de assentos no parlamento passa de 785 para 751 e o princípio é o da proporcionalidade degressiva (os 
países de menor dimensão estão proporcionalmente à sua população mais fortemente representados do que os 
maiores).
184 
Desafios e oportunidades para Portugal 
Desvantagem face aos novos 
Estados-membros: 
Vantagens face aos novos estados-membros: 
1. A posição periférica do pais, afastado 
geograficamente dos países com maior 
poder de compra. 
2. Alguns dos novos países apresentam maior 
produtividade do trabalho e mão–de–obra 
mais barata, instruída e qualificada 
1. Melhores infraestruturas e estruturas 
produtivas mais organizadas 
2. Maior desenvolvimento social 
3. Maior estabilidade política e 
económica. 
4. Integração na Zona euro. 
5. Sistema bancário mais eficiente e 
credível. 
Política comunitária do Ambiente 
 Tratado de Maastricht – definiu os principais objetivos da política comunitária no domínio 
ambiental: 
1. Preservação, proteção e melhoria da qualidade do ambiente; 
2. Proteção da saúde das pessoas; 
3. Utilização racional dos recursos naturais; 
4. Promoção no plano internacional de medidas para enfrentar os problemas globais; 
 O Tratado de Amesterdão coloca o desenvolvimento sustentável e a obtenção de um nível 
elevado de proteção ambiental entre as principais prioridades da política comunitária. 
 O Sexto Programa de Ação em Matéria de Ambiente (2001-2010) define as prioridades e 
objetivos da politica ambiental europeia e em conjunto com a Estratégia Europeia para o 
Desenvolvimento Sustentável e a Estratégia de Lisboa apresenta como meta global para a 
União Europeia atingir padrões de produção e consumo sustentável , maximizar a 
eficiência dos produtos , serviços e investimentos numa perspetiva de racionalidade 
económica equidade social e proteção ambiental. 
 A política ambiental comunitária definiu 4 domínios de intervenção: 
1. Domínio das Alterações climáticas: Finalidade – Chamar a atenção para o facto de 
as alterações climáticas constituírem um grande desafio e contribuir para o 
objetivo a longo prazo de estabilizar a concentração de gases com efeito de estufa 
na atmosfera a um nível perigoso para o sistema climático.
2. Domínio da Natureza e biodiversidade: Finalidade – Proteger, conservar, 
restabelecer e desenvolver o funcionamento dos ecossistemas, dos habitats 
naturais, fauna e flora a fim de travar a desertificação e a perda de biodiversidade. 
3. Domínio do Ambiente e Saúde e Qualidade de Vida: Finalidade- Contribuir para 
melhorar o nível de qualidade de vida dos cidadãos proporcionando um ambiente 
em que o nível de poluição não provoque efeitos nocivos na saúde humana 
encorajando o desenvolvimento urbano sustentável. 
4. Domínio dos Recursos Naturais e resíduos: Finalidade- Aumentar a eficiência na 
utilização dos recursos naturais e gestão de recursos e resíduos, dissociando a 
produção e utilização dos resíduos do crescimento económico. 
185 
Alterações Climáticas: 
 A União Europeia cumpriu o compromisso do protocolo de Quioto de em 2000 estabilizar 
as emissões de CO2 em níveis aproximados de 1990. A principal prioridade é reduzir até 
2012 8% das emissões de gases com efeito de estufa face a 1990. A longo prazo a meta é a 
redução de 70% das emissões através da inovação e do desenvolvimento científico e 
tecnológico que permitam manter as atividades económicas e reduzir as emissões de 
gases. 
 Medidas adotadas a nível comunitário nacional: 
1. Financiamento de projetos que visam otimizar a produção de energia a partir de 
fontes não poluentes 
2. Desenvolver novos veículos impulsionados a eletricidade ou não poluentes 
3. Desenvolver estruturas urbanas que consomem menos energia e reduzem a 
utilização de transportes rodoviários 
4. Apoio técnico e financeiro às empresas no sentido de reduzirem e otimizarem o 
consumo de energia para reduzirem as emissões de gases 
5. Criar sistemas de monitorização da qualidade do ar 
6. Elaboração do programa Europeu para as Alterações Climáticas que enquadra a 
estratégia e ações da união europeia neste domínio

Geografia A - 10º/11º Ano

  • 1.
    Preparação para oExame Nacional Geografia A 10 / 11 Ano Hugo Neves
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     NNE –Nor-nordeste  ENE – És-nordeste  NNO – Nor-nordeste  ONO – Oés-nordeste  SSE –Su-sudeste  OSO – Oés-Sudeste  SSO – Su-Sudeste 2 Rosa-dos-ventos Pontos cardeais:  Norte  Sul  Este  Oeste Pontos colaterais: Pontos intermédios:  NE – Nordeste  NO – Noroeste  SE – Sudeste  SO – Sudeste Localização relativa – posição de um lugar em relação a outro. Desvantagens: não permite saber o local exato e é necessário um ponto de referência. Localização absoluta – determina o local exato na superfície terreste usando coordenadas. Coordenadas geográficas – São constituídas pela latitude e longitude, torna possível realizar as operações de localização necessárias as várias atividades humanas. Latitude – distância angular entre o equador e o paralelo que passa pelo lugar. Longitude - distância angular entre o semimeridiano de referência e semimeridiano do lugar. Círculos máximos ou Equador – Circulo perpendicular, que passa pelo centro da terra dividindo-a em duas partes iguais: hemisfério norte e sul. Paralelos ou círculos menores – paralelos ao equador e perpendiculares ao eixo da terra dividindo-a em duas partes desiguais, ao contrário do Equador. Meridianos – círculos máximos que passam pelos polos (Norte e Sul) e são perpendiculares ao equador. Meridiano de Greenwich – Semimeridiano de referência (0°), passa sobre a localidade de Greenwich (Reino Unido), divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. Rede cartográfica – conjunto de linhas que representam, num mapa, os círculos essenciais da Terra.
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    Capitulo 1 Aposição de Portugal na Europa e no Mundo  A constituição de território nacional  A posição geográfica de Portugal continental e insular  A inserção de Portugal em diferentes espaços A população portuguesa: evolução e diferenças regionais  A evolução da população portuguesa na 2ª 4 Metade do seculo XX  As estruturas e os comportamentos sociodemográficos  Os principais problemas sociodemográficos  O rejuvenescimento e a valorização da população A distribuição da população  Os principais condicionantes da distribuição da população  Os problemas da distribuição da população
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    A posição dePortugal na Europa e no mundo Portugal situa-se entre o oceano Atlântico (832km de fronteira marítima) e a fronteira terrestre de 1215km. 5 Constituição do território nacional A configuração de Portugal continental assemelha-se a um rectângulo que ocupa cerca de um quinto da Península Ibérica, representando cerca de 89000km2 de superfície. De norte a sul, tem um comprimento de 560km (entre Melgaço e o Cabo de Santa Maria, próximo de Faro) e de oeste a este, uma largura entre os 110km e 220km, valor máximo registado entre a foz do rio Neiva (Viana do Castelo) e a ribeira de Castro (rio Douro). Comparado com o resto dos países da Europa é um território de dimensões médias. O território português é ainda formado por dois arquipélagos, ambos constituem duas regiões autónomas. Região autónoma – território com um sistema de organização politica, que possui liberdades para se organizar pelas suas próprias leis, excepto em áreas como a defesa, os negócios ou a política monetária.
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    6 Organização administrativade Portugal Portugal tem actualmente 18 distritos no continente e duas regiões autónomas. Os distritos portugueses apresentam uma dimensão muito variada que se estendem desde o enorme distrito de Beja (10224km2) até ao “pequeno” de Viana do Castelo (2108km2). Os conselhos surgem no nível seguinte na organização autárquica mais antiga. Portugal conta actualmente com 308 conselhos (278 no continente e 30 nas regiões autónomas). Os conselhos comportam 4241 freguesias, das quais 4037 no território continental e 204 nas regiões autónomas. Existem ainda uma outra forma de divisão que é constituído por NUT (Nomenclatura das Unidades Territoriais) que pretende estabelecer três níveis de desagregação territorial tendo por base, as características físicas, históricos, funcionais, etc, do território.
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    Nas grandes cidadesde Lisboa e Porto, existe ainda outra figura administrativa que são as áreas metropolitanas, formadas pelos conselhos que registam uma maior ligação com as grandes cidades. 7 NNUT I NUT II NUT III (conselhos) Continente Norte Minho-Lima Cávado Ave Grande Porto Entre Douro e Vouga Tâmega Alto Trás-os-Montes Douro Centro Baixo Vouga Baixo Mondego Pinhal Litoral Dão-Lafões Pinhal Interior Norte Pinhal Interior Sul Beira Interior Norte Serra da Estrela Cova da Beira Beira Interior Sul Oeste Médio Tejo Grande Lisboa Grande Lisboa Norte Península de Setúbal Alentejo Alto Alentejo Alentejo Central Baixo Alentejo Alentejo Litoral Lezíria Tejo Algarve Todos os municípios Reg. Autónoma dos Açores Reg. Autónoma dos Açores Todos os municípios Reg. Autónoma da Madeira Reg. Autónoma da Madeira Todos os municípios NUT III tem um total de 30 municípios.
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    8 Posição degeográfica de Portugal O continente europeu situa-se no hemisfério norte, aproximadamente entre os paralelos 35° e 75°, de latitude norte, e os meridianos de 10°longitude oeste e 60° longitude este. Esta localização absoluta da Europa faz com que quase a totalidade do continente localize na zona temperada. Pontos extremos da Europa: Norte: o Cabo Norte (na Noruega) 72°N; Sul: a ilha de Creta (na Grécia) 35°N; Oeste: o Cabo da Roca (em Portugal) 10°O; Este: os montes Urais (na Rússia) 60°E. Na figura seguinte está reapresentada vermelho os pontos extremos da Europa: A posição geográfica de Portugal continental Portugal continental ocupa no continental europeu, uma localização periferia, ao situar-se no extremo ocidental da Europa, a sudoeste da Península Ibérica. A superfície continental é banhada a sul e oeste pelo oceano atlântico. Com uma área de 88944km2, encontra-se aproximadamente entre as seguintes coordenadas:
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    9 Latitude: Extremo norte: 42° 9’N, na foz do Rio Trancoso;  Extremo sul: 36° 57’N, no cabo de Santa Maria; Longitude:  Extremo este: 6° 11’O, na foz da ribeira de Castro;  Extremo oeste: 9° 29’O, no cabo da Roca. Portugal localiza-se a oeste e sul de Espanha e o este e norte do Atlântico. Portugal e Espanha constituem a península Ibérica. Posição geográfica dos arquipélagos da Madeira e dos Açores Portugal insular é constituído por dois arquipélagos, que se situam no oceano Atlântico. Madeira Formado pelas ilhas da Madeira e Porto Santo e por dois conjuntos de ilhéus desabitados que constituem as ilhas desertas e selvagens. No total o arquipélago tem uma área de 794km2. Localiza-se a sudoeste de Portugal continental e dista cerca de 1000km do cabo de São Vicente. Encontra-se ainda a cerca de 700km da costa africana e menos de 600km das Canárias. A sua latitude ronda os 33°N e tem uma longitude próxima dos 17°O.
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    10 Açores Temuma superfície de 2247km2, situa-se a oeste da Europa, a cerca de 1 400km de distância. A sua localização no Atlântico, confere-lhe uma posição geoestratégica de grande importância (ilha das Lajes). O arquipélago é constituído por 3 grupos: Grupo Oriental – Santa Maria e São Miguel; Grupo Central - Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial; Grupo Ocidental – Flores e Corvo. A localização varia entre 25°O (Santa Maria) e 31° 15’O, nas Flores. A sua maior ilha é São Miguel, com cerca de 750km2 em oposição ao Corvo com 17km2, sendo a ilha mais pequena. A diferença entre estas ilhas é de 650km de distância.
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    11 Portugal nocontexto europeu Inserção de Portugal em diferentes espaços A Associação Europeia de Comercio Livre EFTA – foi criada em 1959, com a assinatura do tratado de Estocolmo, mas foi apenas a partir de 1960 (aprovado nos seus parlamentos) que entravam em vigor uma serie de medidas económicas nos países que a integravam. Portugal pertenceu a EFTA antes de integrar a União Europeia. O nosso país desta forma, conseguiu um progresso de alguma abertura a exterior com a integração nesta associação. Mais tarde com a saída de alguns países membros, em 1973, como o Reino Unido, Dinamarca e a Irlanda, depois Portugal, em 1986, mais tarde em 1995, a Áustria, a Finlândia e a Suécia, a EFTA perdeu a importância que esteve durante algum tempo, dando lugar ao crescente desenvolvimento da União Europeia, tanto a nível continental e mundial. Portugal na UE A actual União Europeia nasceu a 25 de Março de 1957 com a designação de CEE (Comunidade Económica Europeia), após o tratado de Roma, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1958. Quais os objectivos da EU:  Criação de um espaço de liberdade, segurança e justiça sem fronteiras internas, onde haja livre circulação de pessoas, bens, serviço e capitais.  Criação de mercado livre e concorrência no espaço comunitário.  Promoção do desenvolvimento sustentável, ao nível do emprego, progresso social e protecção do meio ambiente.  Promoção da coesão social, económica e do território e da solidariedade entre gerações.  Diversidade da riqueza cultural e linguística.  Salvaguarda e desenvolvimento do património cultural. Da UE ainda decorreu a criação da moeda única, o Euro, que começou a circular a 1 de Janeiro de 2002.
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    12 Quais ospaíses da EU Países Fundadores – 1957 França, RFA, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo e Itália 1º Alargamento – 1 Janeiro de 1973 (Europa dos 9) Dinamarca, Reino Unido e Irlanda 2º Alargamento – 1 Janeiro de 1981 (Europa dos 10) Grécia 3º Alargamento – 1 Janeiro de 1986 (Europa dos 12) Portugal e Espanha 4º Alargamento – 1 de Janeiro de 1995 (Europa dos 15) Áustria, Finlândia e Suécia 5º Alargamento – 1 de Maio de 2004 (Europa dos 25) Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Republica Checa, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Chipre e Malta 6º Alargamento – 1 Janeiro de 2007 (Europa dos 27) Bulgária e Roménia
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    13 Portugal nocontexto mundial Portugal apesar de possuir uma superfície que não chega ao 90 000 km2e a sua população ser apenas cerca de 10 milhões de habitantes, tem um papel no contexto mundial que ultrapassa estas realidades. Em termos linguísticos, verificamos que o português é uma das línguas maias faladas em todos os continentes, nomeada nos seguintes países:  Brasil – maior número de falantes (cerca de 150 milhões de habitantes);  Angola;  Moçambique;  Guiné-Bissau;  São Tomé e Príncipe;  Cabo Verde;  Timor-Leste – após a independência, adaptou o português com língua oficial e fator de identidade cultural. Todos estes países e ainda Macau, constituem aquilo que se pode designar de espaço lusófono. Portugal confer no mundo ainda uma presença de comunidades portuguesas que se enctram por todos os continetes, num total de 4 milhões e 800 mil cidadãos, espalahdos por paises como os EUA, com 1 milhão e 200 portugeses, até à Siria com 2 ou à Republica da Eslovaquia com 5. Deste modo Portugal juntamente com a ligua portugesa, constitui um marca no mundo de importante que ultrapassa a sua dimensão natural.
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    A criação daOrganização das Nações Unidadas (ONU) vissou uma logica mundial que emanou, na decada de 50, com a constituição de dois grandes blocos politico-militares, respectivamente:  NATO ( liderada pelos EUA);  Pacto de Varsovia (dominado pela extinta União Soviética). Portugal torna-se membro por razões politicas e geoestrategicas, em 1949, membro fundador da NATO/OTAN (Organização de Atlântico Norte) Este ornagização tinha, inicialmente, uma tendência de ambito politico-militar, incluindo países ocidentais de frente altântica, numa prespectiva de defesa deste espaço face ameaça do outro bloco, o Pacto de Versovia. Com as alterações a leste ds anos 90, assistiu-se a uma alargamento desta organização a novos países como a Polónia, a Hungria e a República Checa. Recentemente aprofundou-se esse alargamento a novos Países de Leste. A organização das nações unidadas foi fundada em 1945, mas portugal só se tornou membro em 1955. Esta adesão visava quebrar o isolamento politico em que o páis se encontrava , facto que na pratica só consegui após o 25 de Abril de 1974. 14 Este isolamento comntribuiu para: O regime politico que dominava o país; A guerra colonial que Portugal manteve com os movimentos de libertação de Angola, de Moçambique e Guiné-Bisau (após 1961).
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    Depois desta data,portugal entrou num num novo perído que assumiu um compromisso como membro da comnindade internacional. Ao longo do tempo foi tomando posição nos organismos internacionais, e no que se refere à ONU, no nosso país desempenhou o cargo de membro não pertencente do Conselho de Segurança (órgão mais importante da organização) entre 1979 e 1980 e mais recentemente em 1997 e 1998. 15 A “nova” posição de Portugal no mundo A intragação de portugal no contexto mundial teve, como já foi referido, o sei inicio no pós - guerra, com a adessão a NATO em 1949, à ONU em 1955 e à EFTA 1960. Após o 25 de Abril de 1974 existiu uma abertua total do nosso país a comunidade internacional e às vairias organizações. Principais organizações mundiais e europeias de que o estado português é membro Siglas e nomes das organizações Data da criação Data da adesão de Portugal OIT Organização Internacional do Trabalho 1919 1920 BIRD Branco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento 1944 1961 FMI Fundo Munetário Internacional 1944 1960 FAO Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação 1945 1978 ONU Organização das Nações Unidas 1945 1955 OMS Organização Mundial de Saúde 1946 1948 UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e cultura 1946 1965 GATT Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comercio 1947 1962 CE Conselho da Europa 1949 1976 UEO União da Europa Ocidental 1954 1990 BEI Banco Europeu de Investimento 1957 1986 UE União Europeia (antiga CEE) 1957 1986 OMC Organização Mundial do Comercio (GATT) 1995 1995 ONU (Organização das Nações Unidas) – Fundada em 1945, na sequência da 2ª Guerra Mundial, com o objectivo de criar condições para a manutenção da paz e segurança no mundo, zelar pelos direitos fundamentais do ser humano e contribuir para o progresso economico, tecnologico, cientifico e cultural. Portugal aderiu em 1955. NATO/OTAN – (Organização Tratado do Atlântico Norte) – Organização criada em 1949, a seguir a 2ª Guerra Mundial. Establece um pacto militar entre estados-mebros, em caso de ataque dos países do Bloco Leste. Portugal integra a NATO desde o momento da sua fundação.
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    Bloco de Leste– é uma referencia a ex-União Sovietica e os aliados da Europa Central e de Leste, durante a Guerra Fria. Conselho da Europa – Fundado em 1949, como o objectivo de promover os Direito do Homem. Portugal pertence a esta organização desde 1976. OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) – Iniciu a sua actividade em 1961. 16 Os seus objectivos são:  Reforçar a economia dos paises-membros;  Melhorar a sua eficacia;  Promover a economia de mercado;  Desenvolver um sistema de trocas livres;  Contribuir para o desenvolvimento e industria dos países. A OCDE possiblilita aos sens estados-membros discutir, analisar e definir o modo como as sias politicas economicas e sociais poderão ser desenvolvidas de uma forma armoniosa e eficiente. Organiza-se em comités especializados com o ojectivo de proceder a este trabalho, desiganadamente ao nível de:  Comercio;  Merdos financeiros;  Ajuda ao desenvolvimento, ambiente e educação. Portugal foi membro-fundador da OCDE e tem participado activamente nas atividades ques esta organização promove a 40 anos. A politica externa de Portugal após o 25 de Abril assumiu três vertentes principais:  Manutenção do exio atlântico – que se traduziu no reforço das relações com os EUA e Canadá e num grande empenhamento na NATO;  Aprofundamento da ligação à Europa, patente na integração em diversos organismos como o Conselho da Europa, em 1978, e no pedido de adesão à CEE, que culminou com a integração plena em 1986;  Desenvolvimento de uma política com os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) que permitisse uma completa reconciliação, após a guerra colonial, e permitisse uma estreita ligação entre Portugal e esses novos países de língua portuguesa. Existiu ainda um aprofundamento das relações de Portugal com outros países, que por motivos políticos, não havia relações diplomáticas; foi caso da China, da India e da ex - União Soviética. Portugal aderiu a Comunidade Económica Europeia, em 1986, que permitiu um protagonismo internacional e uma visibilidade muito maior do nosso país no contexto internacional.
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    Em 2002, Portugalfoi destacado para a Bósnia-Herzegovina (Kosovo) e para Timor. Existem ainda militares portugueses em missões de paz, no âmbito da ONU, em Angola e Sara Ocidental. O facto de ter constituído o núcleo fundador da EURO, conferiu uma posição de relevo dentro da UE e a nível múndia. Portugal tem desempenhado um papel importante na dinamização da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), constituída por Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Timor-Leste ocupa, neste momento, uma posição de observador. CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Criada a 17 de Julho de 1996, tende, entre outros objetivos, promover e defender a Língua Portuguesa. Transformando-a num instrumento de comunicação para ser utilizada na resolução de questões de cooperação entre vários países-membros. No contexto desta organização Portugal, pode assumir um papel fundamental, na qualidade de interlocutor entre vários países e a comunidade internacional, nomeadamente a União Europeia. A cede desta comunidade situa-se em Portugal. Portugal tem um conjunto de eventos a nível cultural e desportivo que colocou numa posição de realce no contexto internacional. Tais como, a Exposição Universal de Lisboa (Expo’98), Lisboa e Porto capitais europeias da Cultural, o prémio Nobel da Literatura atribuído a José Saramago, o Campeonato Europeu de Futebol (Euro 2004) ou o Luís Figo (melhor jogador mundial), entre outros exemplos de protagonismo internacional. 17 Resumindo:
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    A população, utilizadorade recursos e organizadora de espaços A população: evolução e diferenças regionais A evolução da população na seguinte metade do seculo XX A evolução da população portuguesa na segunda metade do seculo XX 18 Portugal no mundo A taxa de natalidade (Tn) apresenta grande variação a nível mundial. 푻풏 (‰) = 푁 푃퐴 × 1000 N – Nascimentos PA – População absoluta Tn alta > 30 ‰ Tn baixa < 20 ‰ Podemos considerar dois grandes grupos de países: Os países com taxa de natalidade mais elevada localizam-se, normalmente, no continente africano e no Médio Oriente. Os países com taxa de natalidade mais baixa situam-se quase exclusivamente no hemisfério norte, onde existe um maior desenvolvimento; é caso dos países da UE (incluindo Portugal), EUA e do Japão.
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    19 Portugal naUnião Europeia O nosso país regista um valor bastante próximo da média da EU, verificando em conjunto com Espanha uma das maiores descidas ao nível de natalidade. Evolução da Taxa de Natalidade Em Portugal a TN tem registado uma descida de muito significativa passando de 24‰ para apenas 8,5‰ em 2012. Existem vários fatores que têm contribuído para o decréscimo desta natalidade, tais como:  A diminuição da população rural e o aumento da população urbana;  A integração da mulher na vida profissional;  A alteração das mentalidades, que se traduziu, entre outros aspetos, numa maior utilização dos métodos contracetivos;  A emigração para a Europa nos anos 60;  E o envelhecimento da população, entre outros. A evolução tem decrescido constantemente desde os anos 60, até 1995, em que atingiu o seu valor mínimo de 10,8‰. Após esta data verificou-se uma inversão da tendência, registando no ano 2000 o valor de 11,6‰, valor que diminui para 8,5‰ em 2012.
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    20 Contrastes Regionais Tem-se verificado a nível regional contrastes em termos de distribuição da taxa de natalidade:  Entre o litoral e o interior, como valores mais elevados a localizarem-se numa faixa que se estende do Cávado à península de Setúbal e ao Algarve, a única exceção do Baixo Mondego, que regista valores bastante abaixo da média do país, como o interior. Por exemplo no Pinhal Interior Sul e na serra da Estrela que registava valores de 7‰ e 7,7‰.  Entre o Norte e o Sul, com valores mais elevados a registarem-se no Tâmega e no Ave com valores de 14,6‰ e 13,8‰, bastante acima da média nacional e dos valores do Alentejo onde não ultrapassam os 9,5‰.  Entre o Continente e as regiões Autónomas, em especial no Açores os valores verificam-se superiores em relação ao Continente. Contraste da taxa de natalidade entre 1981 e 2012
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    A variação dataxa de mortalidade em Portugal Devidos as melhorias das condições de vida, Portugal tem registado ao nível dos cuidados de saúde e da alimentação, a taxa de mortalidade tem atualmente demonstrado uma tendência para crescer, ligeiramente, em consequência do envelhecimento da população. 푻풎(‰) = 푀 푃퐴 21 × 1000 M – total de óbitos PA – População absoluta Tm alta > 15‰ Tm baixa < 10‰ Portugal no Mundo A taxa de mortalidade (TM) apresenta grande variação a nível mundial. Pode-se considerar três grandes grupos de países:  Taxas mais elevadas ocorrem nos países menos desenvolvidos dos continentes africano e asiático, onde se registam problemas na alimentação e nos cuidados de saúde.  Taxas mais baixas que ocorrem nos países em desenvolvimento, têm resolvido os seus problemas de alimentação e de saúde, em virtude de serem constituídos por populações jovens, apresentando um menos números de óbitos.  Países mais desenvolvidos registam valores estáveis de mortalidade, uma vez que o envelhecimento da população e a morte natural por velhice são compensados por excelência de cuidados de saúde e alimentação. Portugal tem vindo a integrar este grupo de países ainda que não possua o mesmo nível de cuidados de saúde e de acompanhamentos aos idosos. Taxa de mortalidade infantil no mundo.
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    22 Portugal naUnião Europeia Na UE, Portugal registou no ano de 2001, uma taxa de mortalidade de 10,2‰, o mesmo valor do ano de 2012, valor ligeiramente superior à média da UE que é de 9,9‰. O nosso país é dos que apresenta valores mais altos, que são superados pelos Países do Norte da Europa. Esta situação é devida ao desenvolvimento económica dos nossos parceiros, que se traduziu numa melhor assistência medica e num acompanhamento aos idosos. Evolução da taxa de mortalidade Em Portugal a taxa de mortalidade não regista uma grande tendência tão clara como a taxa de natalidade, uma vez que se juntam fatores que, por um lado a fazem descer e por outro são responsáveis para o seu aumento. Período pós-1960, que se verifica uma tendência geral que indica uma descida; deste modo a taxa de mortalidade desde de 11,1‰ em 1961 para 9,31‰ (o valor mínimo que se regista em 1982). Fatores que tem contribuindo para o decréscimo da taxa são os seguintes:  Uma melhor alimentação;  Cuidados de saúde mais eficazes;  Uma rede de vacinação infantil generalizada a quase a toda a população;  Maior números de partos que ocorrem em maternidades;  Abastecimento de água canalizada na maior parte das habitações. Este período corresponde até a atualidade, após um ligeiro aumento, a taxa de mortalidade estabilizou-se em torno dos 10,5%, tendência essa que coloca nos países mais desenvolvidos. Isto é devido ao envelhecimento da população resultante das maiorias dos cuidados ao nível da saúde. Evolução da taxa de mortalidade em Portugal (1980/2012)
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    23 Contrastes Regionais Em Portugal a taxa de mortalidade apresenta importantes diferenças. Litoral-interior mas também Norte-Sul (com valores mais elevados a registarem-se no Baixo Alentejo, 17,6‰, e nos mais baixos no Ave, 7,5‰). A principal cauda desta variação deve-se com as diferenças ao nível do envelhecimento da população, superior no interior do país (Alentejo e Pinhal ) e inferior no Norte litoral, onde ocorrem as mais elevadas taxas de natalidades. Variação da taxa de crescimento natural e da taxa de crescimento efetivo em Portugal Taxa de crescimento natural – diferença entre a taxa de natalidade e taxa de mortalidade. 퐂퐧 = N − M Contrastes entre países: Países desenvolvidos registam valores muito baixos ou mesmo negativos de crescimento natural. Países menos desenvolvidos apresentam valores muito elevados, devido sobretudo às elevadas taxas de natalidade, e localizam-se, no continente africano e no Médio Oriente. Taxa de crescimento natural do mundo Evolução da taxa de crescimento natural em Portugal A evolução da taxa de crescimento natural em Portugal tem tido um decréscimo de taxa de natalidade, desde de 1960, quando o valor era de 13,37‰, para 0,7‰ em 2001. Portugal continua a registar um decréscimo de crescimento natural positivo, destacando-se assim de alguns países europeus que registam valores negativo como os casos de Itália, da Alemanha ou da Suécia.
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    24 Evolução dataxa de crescimento efetivo Crescimento efetivo – é um indicador que nos permite saber qual foi o grau de crescimento ou de diminuição da população. 푻풂풙풂 풅풆 풄풓풆풔풄풊풎풆풏풕풐 풆풇풆풄풕풊풗풐 = 푇. 퐶푟푒푠푐푖푒푚푛푡표 푁푎푡푢푟푎푙 + 푇. 푐푟푒푠푐푖푚푒푛푡표 푀푖푔푟푎푡ó푟푖표 A evolução da taxa de crescimento efetivo regista uma variação de forma contrária à taxa de crescimento natural. Deste modo, a taxa de crescimento natural tem vindo a descer (devido a quebra de natalidade), a taxa de crescimento efetivo tem sido francamente negativa nos anos 60 e início dos anos 70 (o valor mínimo registou em 1966, com -0,84‰), em resultado da emigração para a Europa. Portugal recuperou o aumento dessa taxa no período de 1975- 1985, com o regresso das populações das ex-colónias e o fim do surto migratório. Nos anos 90, Portugal passa de país de emigrantes para destino migratório. Esta emigração vem dos PALOP (em especial Cabo Verde) do Brasil, e ainda de Leste (Rússia, Ucrânia e Moldávia). Estas pessoas vêm essencialmente, para construção civil e obras públicas (Ponte Vasco da Gama, Expo’98 e Euro 2004. Este movimento fez com que a taxa de crescimento efetivo seja de 0,8‰ em 2001. Contrastes regionais As taxas de crescimento natural e efetivo não diferem muito em termos de contrastes regionais. Os contrastes entre o litoral e o interior permanecem, e o facto mais relevante consiste numa evolução positiva em algumas regiões litorais como o Baixo Vouga, o Pinhal Litoral e o Oeste que apresentam valores superiores ao crescimento natural, o que evidencia uma capacidade atrativas por parte destas regiões. Variação da esperança média de vida em Portugal A esperança média de vida, constitui um indicador demográfico e contempla uma dimensão de cariz socioeconómico muito importante e que não pode deixar de ser levada em conta. Portugal no Mundo Apesar de revelar carências ao nível socioeconómico, tem uma taxa que nos coloca dentro dos grupos de países desenvolvidos.
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    A nível mundialsão visíveis os seguintes contrastes: Países desenvolvidos – Europa, América do Norte (EUA e Canadá), Japão, Austrália e Nova Zelândia.  Esperança média de vida: aproximadamente os 77 anos;  Cuidados de saúde avançados;  Apoio a terceira idade e uma melhoria generalizada da qualidade de 25 vida das populações. Este aumento tem unido com quebras registadas de natalidade, que tem como consequência o envelhecimento da população nestes países. Países menos desenvolvidos – Africa e Asia Ocidental (onde o indicador é inferior a 50 anos)  Carências alimentares;  Falta de cuidados de saúde;  Por vezes conflitos armados. Na maioria dos países, as mulheres vivem em média mais do que os homens. No entanto existe algumas exceções, como é o caso dos países do Medio Oriente e do Sul da Asia (como consequência de a mulher ter muitos filhos ao longo da vida). Distribuição da esperança média de vida no mundo. Portugal na União Europeia Apesar de registar o maior crescimento no período de 1960 e 2001 (passou de 61,2 para 73,5 em 2001), continuamos com valores mais baixos de esperança média de vida da UE. Este valor indica o atraso que o nosso país continua a registar comparativamente aos outros países (ainda com alguma recuperação) a nível socioeconómico.
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    26 Evolução daEsperança Media de Vida Tem tido no nosso país um sinal claro da sua evolução a nível do desenvolvimento. A análise da sua evolução desde 1920 permite-nos verificar que houve uma duplicação deste indicador que passou de 35,8 para 73,5 anos dois e 80,3 nas mulheres. Este aumento tem sido lento nos últimos 20 anos. Fatores que tem contribuído para o aumento da Esperança média de vida:  Alimentação mais rica e variada;  Cuidados de saúde avançados e mais eficazes (mais generalizados à totalidade da população);  Apoio a terceira idade;  Melhor qualidade de vida das populações. Contraste Regionais Embora os contrastes não sejam muito relevantes, há uma maior tendência para que a esperança média de vida se situe no litoral de Portugal. (em especial nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto) comparando com o interior do país. Isto deve-se aos cuidados hospitalares e um melhor nível de vida, associado a um maior envelhecimento que se regista nestas regiões. Taxa de mortalidade – Numero de óbitos de crianças com menos de 1 ano de idade, por cada mil nascimentos de vivos. Taxa de Mortalidade Infantil em Portugal Esta taxa é semelhante a da esperança média de vida, é um indicador que ultrapassa a simples parte demográfica. A análise desta taxa permite verificar a evolução dos níveis de desenvolvimento do país. 푻풎풊(‰) = 푀(0 − 1 푎푛표) 푁 × 1000
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    27 Portugal noMundo Este indicador é importante, pois reflete o estado de desenvolvimento da sociedade. Este indicador é dividido em dois tipos de grupos de países: Países mais desenvolvidos – Europa, América do Norte e Oceânia, que apresentam baixos índices de mortalidade infantil. Portugal faz parte deste grupo de países. Países menos desenvolvidos – Africa, alguns países da América Latina e o sul da Asia, onde se pode verificar os níveis mais elevados de mortalidade infantil. Distribuição da taxa de mortalidade no mundo. Portugal na União Europeia Portugal regista o maior decréscimo da taxa de mortalidade infantil nos últimos anos, aproximando-se da média da UE. Evolução da Taxa de Mortalidade Infantil Esta taxa tem tido uma evolução que tens constituído num constante e alimentado o decréscimo. Fatores que tem contribuído para esse decréscimo:  Cuidados na gravidez (realização de exames de diagnostico, analises, ecografias, etc.);  Acompanhamento na fase de pré e pós-parto;  Partos assistidos (em maternidades e hospitais);  Melhor alimentação da mãe e dos recém-nascidos;  Vacinação infantil;  Melhores condições de vida (agua canalizada, melhores habitações).
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    28 Contraste Regionais A distribuição da taxa de mortalidade infantil regista variações importantes. Os principais contrastes ocorrem entre o Litoral sul e o Norte interior e ainda alguns sectores do litoral (Cávado e Entre Douro e Vouga). Os valores mais altos ocorrem na Beira Interior Norte (10‰), Açores (9,9‰) e Cávado (8,8‰), enquanto os mais baixos situam-se no Baixo Alentejo (1,8‰), na Cova da Beira (2,5‰) e na Lezíria do Tejo (3,5‰). As causas destas diferenças devem-se:  Baixa de natalidade que reduzindo o número de partos também reduz as carências que ainda permanecem em algumas zonas do país.  A manutenção dos partos no domicílio. Este costume, embora tenha diminuído, ainda continua-se a fazer em algumas zonas rurais do Centro interior e do Norte do País.
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    29 Índice sintéticode fecundidade Número de filhos que cada mulher tem, em média, durante a sua vida fecundada (dos 15 anos aos 49). Taxa de fecundidade = 풏º 풅풆 풏풂풅풐풔 −풗풊풗풐풔 풏º 풅풆 풎풖풍풉풆풓풆풔 풆풎 풊풅풂풅풆 풑풐풓풄풓풊풂 (ퟏퟓ 풂풐풔 ퟒퟗ 풂풏풐풔) Causas do declínio do Indicie Sintético de fecundidade e da Taxa de Natalidade:  Crescente integração da mulher no mercado de trabalho;  Preocupações com a carreira profissional, situação que prolonga o período de formação e conduz ao casamento mais tardio;  Preocupação com a educação e o bem-estar dos filhos, exigindo investimentos cada vez maiores;  Acesso a métodos contracetivos mais eficazes;  Mudança de mentalidade e de filosofia de vida, incompatível com o número elevado de filhos.  Crescimento da taxa de urbanização que leva ao aumento de dificuldade para aquisição de habitação e no aumento do stress pela vida na cidade. Índice de renovação de gerações – número médio de filhos que cada mulher devia ter durante a sua vida fértil, para que as gerações pudessem ser substituídas. Saldo migratório A evolução da população, ou seja, o seu crescimento efetivo, não se explica unicamente pelo crescimento natural. Mas também pelo saldo migratório (SM), isto é, pela diferença entre o numero de imigrantes e o numero de emigrantes registados num dado tempo. 푠푎푙푑표 푚푖푔푟푎푡표푟푖표 = 푖푚푖푔푟푎çã표 – 푒푚푖푔푟푎çã표
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    Taxa de crescimentomigratório – saldo migratório durante um ano civil, referido à população média nesse período. 30 푇퐶푀 = 퐼 − 퐸 푃표푝푢푙푎çã표 푎푏푠표푙푢푡푎 × 1000 Tradicionalmente, Portugal pode ser considerado país de emigração, devido a nossa economia e desenvolvimento. Emigração permanente – Saída de população para outros países por período superior a um ano. Emigração temporária – saída de população para outros países por período igual ou inferior a um ano. Emigração sazonal – saída da população para outros países em determinadas estações do ano, para realização de trabalho, sazonais (por exemplo: vindimas, turismo balnear, etc.).
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    As estruturas ecomportamentos sociodemográficos Estrutura etária de uma população consiste na sua repetição por grupos de idades e sexo. A sua análise é muito importante para a caracterização de uma população, nomeadamente no planeamento de determinados equipamentos coletivos no sector da saúde, educação e segurança social: Creches, escolas e lares de idosos. Há três grandes grupos etários na estrutura da população:  Os jovens dos 0 – 19 anos;  Os adultos dos 20 – 65 anos;  Os idosos com + de 65 anos  É através do número de efetivos de cada um destes grupos que se avaliam as características de determinada população, dependendo de fatores como a natalidade, a mortalidade, a fecundidade, a esperança média de vida ou ainda os fluxos migratórios. Pirâmide etária ou de idades de Portugal, de 1960 – 2000 31
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    Existem quatro tiposde pirâmides etárias, classificadas quanto a sua forma: Pirâmide jovem ou crescente – base larga e um topo estreito.  Característica de um país menos desenvolvido com elevadas taxas de natalidade e esperança média de vida baixa. Existe um grande predomínio de jovens deste tipo de população. Pirâmide adulta ou de transição – zona central quase tão estreita quando a base.  De países em desenvolvimento que registam uma quebra da natalidade e um alto valor de adultos. Com a vantagem de registar uma taxa elevada de atividade, devido ao número de adultos. Pirâmide idosa ou decrescente – base estreia e um topo largo.  Característica dos países mais desenvolvidos, que registam desde há muito tempo, grandes quebras de natalidade, devido a elevada esperança média de vida.  Tem um número significativo de classes ocas (nome que se dá a uma classe que é menor que aquela que representa o escalão etário superior). Esta tendência deve -se a uma quebra da taxa de natalidade ou da mortalidade ou um fluxo emigratório. Pirâmide rejuvenescente – distingue-se da anterior (idosa) pelo aumento significativo e recente da natalidade, muitas vezes causadas pela consequência política governamentais (politicas natalistas). A partir da forma das pirâmides de idades, pode-se determinar as características demográficas de uma população, tais como a natalidade e a esperança média de vida. Permite ainda observar a relação jovens/idosos, fundamental na tomada de certas decisões politica. 32
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    33 Evolução daestrutura etária em Portugal Até a década de 60, Portugal foi um dos países da europa a possuir uma população predominante jovem. Para este facto contribuíram:  Características rurais da sociedade portuguesa;  A pouca difusão dos métodos anticoncecionais, devido a razões culturais e religiosas;  A fraca presença das mulheres no mercado de trabalho;  A elevada natalidade. Na década de 60, verificou-se algumas alterações, devido aos seguintes fatores:  A guerra colonial;  O fluxo migratório para a Europa;  Êxodo rural;  Fixação das populações nas grandes cidades, Lisboa e Porto;  Aumento do número de mulheres a trabalhar;  Maior utilização de métodos contracetivos (diminuição dos estratos jovens). As mesmas ocorrências aconteceram após o 25 de Abril de 1974, nomeadamente:  Alargamento da escolaridade obrigatória de penalização do trabalho infantil;  Alterações no modo de vida e na mentalidade das populações, com a integração da mulher no mercado de trabalho. Estes fatores contribuíram para a diminuição da taxa natalidade, e estratos etários mais baixos, deste modo, esta tendência tem atenuação com o regresso das ex - colónias, que distribuem por todos os estratos, com grande peso no grupo de menor idade e nos adultos jovens. Apos a integração na UE, a sociedade portuguesa sofreu transformações que fizeram acentuar esta tendência para o envelhecimento, deste modo Portugal tem uma aproximação com a Europa devido a sua estrutura etária. Assim:  Acentuou-se a diminuição da natalidade  Redução da natalidade;  Aumento da esperança média de vida (devido a melhoria dos cuidados de saúde e da assistência social a terceira idade). Estes factos provocam um estreitamento da base da pirâmide (classes etárias com menos de 15 anos) e um alargamento do topo das classes (acima dos 65 anos).
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    Estrutura etária dePortugal no contexto da UE Portugal pode-se considerar atualmente como um “novo velho”. Isto verificou-se em 2001, quando Portugal registou, ao nível da população com idade inferior a 15 anos, valores inferiores à generalidade dos países e ao nível da média da UE, 17,3%. Em relação a população mais idosa, Portugal, com 16,5% (situa-se acima da media da EU, 15,8%). Apresenta valores superiores ao Luxemburgo, 14,2% ou os Países Baixos, 13,4%, ou países que apresentam recentemente população mais envelhecida que a portuguesa. 34 Contraste regionais Os contrastes regionais em termos de estruturas etárias são claras e permitem perceber que o processo de envelhecimento da população se alastra em todas a regiões de Portugal, havendo ainda diferenças entre elas. A quebra da taxa de natalidade tem afetado todo o espaço nacional, deste modo não existem pirâmides crescentes, logo há uma redução dos efetivos nos estratos mais baixos. Na região Centro e Alentejo – diminuição dos efetivos jovens e dos estratos mais idosos, isto leva ao aumento significativo do peso dos efetivos no contexto da população. Região Norte e Regiões Autónomas – apresentam valores superiores dos efetivos jovens Região de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve – tem uma posição intermédia, devido à fixação de jovens vindos de outras regiões. Atenuando deste modo o processo de envelhecimento da população. Evolução da estrutura ativa em Portugal Estrutura da população ativa (distribuição dos ativos pelos vários sectores de atividade) consiste na repartição desta pelos sectores de atividade e por este meio, fornecem-se importantes indicadores dobre o desenvolvimento da economia. Ao longo da historia a evolução dos sectores de atividade traduziram-se por:  Diminuição da população a trabalhar no sector primário à média que o pais se vai desenvolvendo (mecanização);  Aumento (inicial) do sector secundaria e posterior diminuição em função dos avanços tecnológicos;  Aumento gradual do sector terciaria que vai incorporando os activos dos outros sectores, devido à modernização e à diversificação.
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     Setores deatividade económica 35
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    Portugal no mundo– regista atualmente uma estrutura da população que se encontra em total sintonia com os valores apresentados na Europa. 36 Portugal na UE A estrutura da população na UE tem acompanhado a tendência dos países desenvolvidos. Esta descida de deve-se a descida dos sectores primário e secundário e pelo aumento do terciário. Portugal apresenta um atraso em relação a UE, relativamente a esta tendência. Embora tenha uma diminuição do sector primário, continua-mos a ter (12,5%), valor bem acima da União (4,7%). Pelo contrario, o sector terciário em Portugal, com 53%, continua a quem, da media da União que é 65,7%. Entres os vários países da UE, podemos formar três grupos correspondentes a três níveis de desenvolvimento: Países mais desenvolvidos – apresentam um número reduzido de ativos no sector primários e um elevado no terciário Países de desenvolvimento médio - com valores baixos no sector primário, mas superiores aos dos mais desenvolvidos. Países de menor desenvolvimento – apresentam um número significativos no sector primário. Taxa de atividade em Portugal Taxa de atividade – total de ativos por cada 100 habitantes. 푇퐴(%) = 푝표푝푢푙푎çã표 푎푐푡푖푣푎 푃퐴 × 100 Em Portugal a evolução da população ativa tem sido mais tardia e lenta comparando com os países desenvolvidos. Tem tido um tendencial geral e apresenta a seguinte variação:  Sector primário (era de 50% - 1950, em 2001 era de 12,5%) – diminuição significativa deste setor primário na segunda metade do seculo XX. Isto deve-se ao progressivo abandono dos campos, para as áreas urbanas assim como para o estrangeiro. Também a modernização da agricultura (mecanização) e a as reestruturações do sector após a adesão da UE.  Sector secundário – (nos anos 50 era de 20,4% e atualmente é de 34%, tendo o valor mais elevado 1981, com 38,9%, aproximando-se com os valores dos países desenvolvidos.  Sector terciário – nas mesmas datas passa para o dobro, de 26,3% para 53,5%, assumindo como principal sector de emprego.
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    37 Contrastes regionais Verifica-se, assim, diferentes dinâmicas nas várias regiões a nível nacional, tais como:  Região de Lisboa e Vale do Tejo – apresenta valores mais próximos dos países desenvolvidos, ou seja, baixos no sector primário e mais altos elevados no terciário com a presença importante do sector secundário.  Região do Algarve e da Madeira (grande presença da actividade turística), Alentejo e Açores verifica-se um predomínio do sector terciário, mas uma forte presença no primário.  Região Norte – região de maior presença industrial, deste modo o sector secundário que é equiparado ao sector terciário.  Região Centro – sectores que apresentam uma distribuição mais equilibrada, com presenças significativas de todos os sector, havendo ainda o predomínio do terciário. Nível de instrução e qualificação O nível de instrução e o nível de qualificação profissional é um facto fundamental para no desenvolvimento dos países. O modelo japonês é um bom exemplo, assente numa for te escolarização e qualificação da sua população, como recursos estratégicos no crescimento económico e no desenvolvimento deste país, apos a 2ª Guerra Mundial. Portugal tem registado grandes limitações neste sector, facto que tem contribuído para o seu atraso em termos de desenvolvido. Portugal no Mundo A taxa de alfabetização (nº de pessoas que sabem ler e escrever em cada 100 habitantes) , constitui um indicador muito importante na aferição dos contrastes a nível mundial de instruções das populações. Os contrastes existentes estabelecem três grupos de países que são:  Países desenvolvidos da Europa (incluindo Portugal), da América do Norte e da Oceânia juntam-se ainda países como Argentina, o Chile, Cuba, a Coreia do Sul, o Japão ou Singapura, com valores acima dos 90%, havendo mesmo casos de 100%.  Países em desenvolvimento, localizados na América do Sul, em Africa e na Asia, que apresentam valores intermédios.  Países africanos e do sul da Ásia, com valores muito baixos, revelando o seu menor desenvolvimento.
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    38 Evolução doGrau de Instrução em Portugal Apesar de continuar atrasado aos países desenvolvidos da Europa e do Mundo, Portugal tem registado um grande desenvolvimento a nível de instrução da sua população. Assim, em 1960 a quantidade de população sem ensino primário atingia 61,4%, enquanto o ensino superior se limitava apenas a 0,6% da população portuguesa. Em 2001 estes valores são de 12,4% no primeiro. Relativamente à população com curso superior é de 6,0% e a frequentar 3,8%. Estes valores indicam uma franca melhoria dos níveis de instrução para os quais contribuem fatores como o alargamento da escolaridade obrigatória, que era inicialmente de 4 anos (até 1964), de 9 anos em 1986 e 12 anos em 2012. Outro facto importante é a valorização social da instrução e a penalização do trabalho infantil. Os principais problemas sociodemográficos Existem vários problemas sociodemográficos, tais como:  Envelhecimento da população;  O declínio da fecundidade;  O baixo nível educacional;  O desemprego, entre outros. Portugal do Mundo A população com mais de 65 anos constitui um excelente indicador para conferir o grau de envelhecimento da população. Em termos mundiais regista-se um contraste entre:  Países desenvolvidos – nomeadamente os da Europa e Portugal (incluído apesar do seu tardio envelhecimento), a América do Norte, a Oceânia, o Japão e ainda a Argentina, resistam valores de população idosa superior a 15% da população total;  Países em desenvolvimento – onde existem políticas de diminuição da natalidade, que se situam numa situação intermedia.  Países menos desenvolvidos – continentes africano e asiático, com valores baixos de população idosa (inferiores a 10%). Portugal na UE A UE tem um espaço com população muito envelhecida, isto leva a quebras na natalidade e também ao aumento da esperança média de vida, o que leva a melhoria da qualidade de vida. Entre 1960 e 1997, segundo o Eurostat, no conjunto dos países da união, a população com 65 e mais anos passa de apenas para10,6% para 15,8.
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    39 Evolução doenvelhecimento em Portugal Índice de envelhecimento – relação de população idosa (65 anos ou mais) e a população jovem (menos de 15 anos), por cada 100 indivíduos. I. Env.= 푃표푝. (≥ 65) 푃표푝. (−15) × 100 Este indicador é o que melhor representa o grau de envelhecimento da população. Entre 1960 e 2001, verificou-se um registo de aumento crescente e constante até aos dias de hoje, deste modo os idosos ultrapassam os mais jovens. Neste período verificou-se um valor triplo, passando de 27,3 para 103,6%. As causas desde processo são várias, entre elas estão:  Quebra de natalidade;  Aumento da esperança média de vida;  Emigração, que afetou sobretudo os adultos jovens;  E a crescente urbanização/terciarização da sociedade portuguesa.
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    40 Contrastes regionais Ao analisar a distribuição do índice de envelhecimento, nas NUT III, verifica-se que o número de idosos já ultrapassa os jovens. Assim temos:  Interior e algumas regiões do litoral centro e sul – o índice ultrapassam os 100% (nº de idosos que são o dobro dos jovens), sendo o valor máximo na Beira Interior Sul com 2018,9%.  Grande Lisboa, Península de Setúbal e Algarve - com valores, com a consequência de atração de população em idade jovem que se desloca para estas regiões, em busca de emprego e qualidade de vida superior, o que diminui o envelhecimento.  No litoral, em especial no Norte e ainda nas regiões Autónomas – é onde se regista o predomínio dos jovens relativamente a idosos, a causa é a elevada taxa de natalidade superior nestas regiões.
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    Variação dos incidesde dependência em Portugal Índice de dependência total – Percentagem de dependestes em relação a população adulta. 41 퐼푑푡 = 푃표푝. < 15 + 푝표푝. ≥ 65 푃표푝. 15 − 65 × 100 Nos últimos 50 anos Portugal, registou a seguinte tendência: O Idt tem vindo a diminuir lentamente (passou de 59,1% para 48,1%), depois do período de crescimento. Isto deve-se:  Saída da população em idade ativa (emigração para a Europa), no período da década de 60 até meados da de 70.  Quebra de população jovem, o que leva ao aumento da população idosa. Declínio da fecundidade É atualmente um dos principais problemas demográficos com que o nosso país se debate. A queda da taxa de fecundidade tem sido regular desde há cinco décadas. A quebra na natalidade e profundas alterações socioculturais (aumento da população urbana, feminização da mão-de-obra e o uso generalidade dos meios contracepetivos) são os principais fatores. 54ghPortugal no Mundo É essencial que as gerações velhas sejam substituídas pelas novas, é importante que a relação entre o total de nascimentos e a população feminina em idade de procriar (dos 15 anos aos 49) seja igual ou superior a 2,1 filhos. Assim é designado o índice de renovação de gerações, sendo muito importante na caracterização demográfica de um país. Devido a consequência de comportamentos demográficos, há dois grandes grupos de países com características diferentes:  Países menos desenvolvidos – valor elevado, pelo que a renovação de gerações está assegurada.  Países mais desenvolvidos (dos quais Portugal) – apresentam valores baixos, deste modo as gerações nem sempre estão garantidas. Esta situação pode comprometer o futuro destas populações.
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    42 Portugal naUE Na UE o decréscimo da fecundidade tem sido constante. Houve um decréscimo para metade no índice sintético de fecundidade (numero de crianças que, em media cada mulher tem durante a sua vida fecundada (15 – 49 anos) para os 2,5 filhos por mulher (valor este suficiente para garantir a substituição de gerações) para 1,5 em 1998. Em 1960 Portugal, registava um valor de 3,1 filhos por mulher, numero que era superado pela irlanda, uma valor igual ao da media da União, ou seja 1,5 filhos por mulher, facto que demostra que o nosso país regista um decréscimo de fecundidade. Os valores mais elevados continuam a ser os da Irlanda, com 1,9 filhos por mulher (ainda assim inferior ao mínimo necessário). Valor mais baixo é o de Espanha e Itália com apenas 1,2 filhos por mulher em idade fértil. Evolução do índice de fecundidade em Portugal O índice sintético de fecundidade, como o nome indica, é a media de filhos que mulher pode ter durante o período fértil. Em Portugal este indicador tem vindo a descer de forma quase continua desde 1960 até 1995, altura em que regista uma certa recuperação. Esta tendência de recuperação prede-se com a ligeira subida registada na natalidade, em especial no estrato das mulheres entre os 30 e 34 anos. Baixo nível educacional Portugal contínua apresentar um conjunto de indicadores que o coloca abaixo do nível educacional dos restantes países desenvolvidos. Apesar dos progressos neste sector, nomeadamente:  Diminuição da taxa de analfabetismo;  Aumento da taxa de escolarização;  Aumento do número de anos de escolaridade obrigatória. Portugal no mundo Comparando com os anos de escolaridade obrigatória nos diferentes países do mundo, verificamos, que o nosso país continua a ocupar uma posição intermedia no contexto mundial, registando valores inferiores aos dos países desenvolvidos, com Países Baixos, Bélgica ou Alemanha. Estas dificuldades estruturais na educação implicam que se compare a nível geral de formação em Portugal, com o predomínio de 90% do ensino básico e atualmente o ensino secundário ou até mesmo o ensino profissional. Fica um pouco aquém dos países mais desenvolvidos com a Alemanha ou Reino Unido, onde os valores ficam abaixo dos 50% da população total.
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    A escolaridade emPortugal é obrigatória e deve ser um direito de todos, previsto a Constituição da República. Do ponto de vista regional ainda é possível assistir a alguns contrastes em termos de equipamentos de ensino. Tem sido ao longo do tempo uma preocupação das autarquias locais aumentar o número de equipamentos de educação (como campos desportivos e pavilhões, entres outros), constando dos seus PDM (Plano Diretor Municipal). Estes valores não permitem verificar o estado dos equipamentos, nem a qualidade dos mesmos em termos de subequipamentos, como as bibliotecas, as infraestruturas desportivas ou laboratórios. 43 O Desemprego Constitui, sem qualquer dúvida, um problema socioeconómico de profundas implicações. A sua origem pode ter varias causas e varia consoante o grau de desenvolvimento do país. Quando se analisa este problema a nível mundial, devemos ter em conta as especificidades regionais. Portugal no Mundo Pode existir diferentes factores que condicionam, o desemprego: Países menos desenvolvidos – têm precários sistemas estatísticos, pelo que o desemprego aparece subavaliado. Países situados na Africa e na Asia que apresem valores de desemprego superiores registados, nestes países há uma presença de emprego temporário, trabalho infantil e outras formas de trabalho precário são uma realidade. Nos países mais desenvolvidos é menos frequente este tipo de situações. Países mais desenvolvidos – com realidade diferentes conforme a situação de desenvolvimento da sua economia, entre cerca de 20% de taxa de desemprego registada em Espanha e os 3,4% no Japão existe uma grande diferença. Portugal na UE O desemprego é um problema que afeta toda a União, pois além de um problema económico, devido a sua grande quantidade de recursos financeiros necessária para o pagamento de subsídios, é também, um grave problema social pelas implicações que tem junto das populações que são afetadas por ele. Evolução do Desemprego em Portugal A evolução da taxa de desemprego em Portugal, caracterizou-se por: Crescimento até 1986 – consequência das alterações económicas após o 25 de Abril e agravadas pela diminuição do surto emigratório e pelo regresso dos “retornados” das ex - colónias. Decréscimo no período entre 1986 e 1992 – altera da adesão a UE e a chegada de incentivos económicos criaram muitos postos de trabalho.
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    Novo crescimento entre1991 e 1996 – consequência da crise económica nos países mais desenvolvidos, nomeadamente na União, EUA e Japão que constituem os principais investidores e clientes de Portugal. Novo decréscimo até 2000 – tem como fatores o crescimento económico resultante do II QCA (quadro comunitário de apoio) e realização de várias obras públicas (Expo’98, Ponte Vasco da Gama ou a Barragem do Alqueva). Rejuvenescimento e valorização da população 44 Os tipos de políticas demográficas Políticas demográficas – conjunto de medidas e de programas, implementados pelos governos, tem em vista estimular ou inibir a natalidade. Existem dois tipos:  Politicas antinatalista – visa reduzir de forma significativa as taxas de natalidade verificada. É nos países menos desenvolvidos onde há excesso de nascimentos onde as medidas tornam-se necessárias. (por exemplo a China).  Politica natalista – pretende aumentar os índices de natalidade existente. Caso dos países desenvolvidos, com problemas de envelhecimento da população. Países industrializados confrontam-se com problemas demográficos de outra ordem: um envelhecimento das populações, resultante da diminuição da natalidade associadas ao aumento da esperança média de vida. Esta situação leva a problemas sociais e económicos como o aumento da população idosa (reformados), este aspeto origina grandes encargos nos sistemas de segurança social que entram, muitas vezes em reputa ou mesmo falência. As políticas natalistas tem a finalidade de incentivar o aumento da natalidade, e têm sido implementadas nos países da Europa do Norte e Ocidental, países como Taiwan ou Singapura. Existem medidas pró-natalistas, estas estão em destaque:  Subsídios progressivos atribuídos aos casais a partir do primeiro filho, atingindo valores elevados a partir do quarto filho;  Serviços médicos e materno-infantis totalmente gratuitos;  Alargamento do período de licença de parto para os pais, podendo usufruir desta o pai ou mãe;  Incentivos fiscais atribuídos a famílias numerosas;  Facilidade do acesso à habitação, compatíveis com o alargamento do agregado familiar;  Redução do horário e atribuição de subsídios para a mãe no período de amamentação;  Legislação laboral que protege a mulher durante a gravidez e no período pós-natal.
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    Os resultados destasmedidas nem sempre tem sido o esperado pelos governos, pois alguns aspetos tem-no impedido:  Casamentos tardios;  Redução do número de filhos por casal;  Aumento das atribuições profissionais das mulheres;  Novos comportamentos sociais, nomeadamente casais a viverem em coabitação, o aumento de famílias monoparentais, entre outras. 45 Políticas demográficas em Portugal Devido à sua evolução demográfica (população não muito envelhecida até aos anos 80/90), Portugal não sentiu durante esses anos necessidade de implantar este tipo de iniciativas. No decorrer da década de 90, para atenuar o envelhecimento crescente, verificado, o Estado introduziu alguns mecanismos de apoio à mãe durante a gravidez e após o parto. Prevendo futuramente criar esquemas fiscais de incentivo aos casais com mais de 2 filhos. Incentivos a natalidade Portugal, durante um período mais longo do que os outros países da Europa, manteve uma elevada fecundidade devido aos seguintes fatores:  A sociedade era predominantemente rural até a década de 60;  A utilização de meios contracetivos era muito limitada;  Grande influência da igreja católica que condicionava a contraceção;  Número de mulheres a trabalhar fora de casa era relativamente restrito.  Escolaridade obrigatória era de 4 anos passando depois para 6. Esta situação, e o constante envelhecimento da população, motivou Portugal a tomar medidas e incentivos à natalidade. A União Europeia Entre as medidas implementadas pelas União, inclui-se a regulamentação das licenças de parto. Esta regulamentação indica dois sentidos principais:  Alargamento do período pós-parto, aumentando assim o tempo em que a mãe está com a criança;  Possibilidade de usufruto desta licença pelo pai , aumentando por isso a paridade entre mulher e homem. Também legislação de proteção à família, aumento dos direitos para as mulheres gravidas em termos laborais, visam e permitem, de algum modo, estimular a natalidade.
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    46 Qualificação damão-de-obra Reconhecendo que os níveis de instrução e o grau de qualificação da mão-de-obra em Portugal constituíam um dos maiores embaraços no desenvolvimento do país, compreende -se que a valorização da qualificação da mão-de-obra é hoje fundamental para o desenvolvimento do mesmo. Comparando os valores de custo de hora de trabalho nos finais dos anos 90, verifica-se que Portugal apresenta o valor mais baixo da “Zona Euro”. Eis algumas medidas que poderão contribuir para uma valorização da qualificação da mão-de-obra, que garanta um modelo de desenvolvimento menos sustentável para Portugal:  Aposta no sector de educação – apesar de grande evolução registada da despesa (em 1972 era de 1,5% do PIB enquanto em 2000 era de 5,8%), ficamos muito a quem dos países desenvolvidos;  Aumento das habilitações gerais da população – no que diz respeito à quantidade de portugueses com curso superior, é um facto que hoje já se regista, ainda que continuamos a ser o país com menos licenciados da UE.  Aposta no ensino técnico-profissional – que enriqueça o país com técnicos qualificados;  Aposta na formação profissional e na requalificação dos trabalhos menos qualificados;  Aposta na investigação científica e tecnológica;  Criação de centros tecnológicos;  Desenvolvimento do ensino a distância.
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    A distribuição dapopulação portuguesa A densidade populacional em Portugal, face aos resultados do Censo de 2001, é de 108 hab./km2. 푫풆풏풔풊풅풂풅풆 풑풐풑풖풍풂풄풊풐풏풂풍 = 47 푝표푝푢푙푎çã표 푎푏푠표푙푢푡푎 푠푢푝푒푟푓í푐푖푒 A distribuição da população na superfície da Terra regista grandes disparidades, cujas causas se predem com dois tipos de fatores:  Físicos – clima, relevo, posição geográfica, entre outros;  Humanos – atividades económicas, vias de comunicação, passado histórico, condições politica, etc. Não sendo possível justificar totalmente as causas da distribuição da população mundial, pode-se estabelecer um conjunto de grandes tendências a que essa distribuição obedece. Assim:  Cerca de 90% da população habita no hemisfério norte;  Cerca de 70% está concentrada entre os paralelos 20° e 60° N, ou seja, com predomínio na zona temperada norte;  Cerca de 90% habita até aos 500 metros de altitude;  Mais de dois terços vivem a uma distância inferior a 500km do litoral.
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    A população portuguesaintegra-se neste tendência geral, ao habitar no hemisfério norte, na zona temperada, num território onde mais de dois terços da superfície têm uma altitude inferior a 400 metros e que pela sua configuração dista do mar nunca mais de 220 km. Também na Europa regista-se grandes desequilíbrios na distribuição da população. Assim:  Europa Ocidental e Central (Países Baixos, Bélgica) apresentam densidades populacionais mais elevadas. Esta importante concentração humana é consequência dos seguintes fatores favoráveis:  Físicos: clima ameno, relevo pouco irregular e bons solos;  Humanos: forte industrialização, economias prósperas.  Portugal – no contexto europeu, apresenta uma densidade populacional média de 108 hab/km2, muito superior a Espanha com 77 hab/km2.  As densidades mais baixas situam-se no Leste e Norte da Europa, consequência de fatores de ordem física menos favoráveis, como o clima mais rigoroso. 48
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    49 Densidade populacionalda Europa. A UE, dada a importância regional e mundial dos países que a constituem, representa um espaço muito importante no contexto do continente. Portugal dentro deste espaço, tem uma presença de densidade populacional média, colocando muito próximo do valore regi stado pela densidade do espaço comunitário no seu total é de 118 hab/km2.
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    A distribuição dapopulação portuguesa, contraste regionais: 50 Analisando a distribuição da população, podemos constatar que atualmente verifica-se as seguintes tendências de distribuição:  Grande contração na Grande Lisboa e Porto: Alargamento dessas regiões para áreas envolventes: Grande Porto: Cávado, Ave, Tâmega, Entre Douro e Vouga e Baixo Vouga Grande Lisboa: Península de Setúbal Densidades importantes em todo o litoral desde o Norte (Minho e Lima) até ao Algarve litoral, que se como se comporta como qualquer região do restante Alentejo; Região autónoma da Madeira destaca-se em relação aos Açores, com densidades muito superiores;  Baixas densidades em toda a região do interior, desde o Alto Trás-os-Montes até ao Baixo Alentejo;  Existência de um crescimento demográfico para o interior (acompanhando alguns eixos rodoviários) que se representa em densidades medias em regiões com o Douro (Vila Real); Dão-Lafões (Viseu) ou a Cova da Beira (Covilhã). Estas densidades são muito suportadas pelo crescimento de algumas cidades do interior como as referidas para o qual contribuem para a melhoria de acessibilidade e desenvolvimento das universidades e institutos politécnicos.
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    Fatores de distribuiçãoda população: 51 Fatores Físicos Solo Rede hidrográfica Posição geográfica Recursos do subsolo Clima Revelo Fatores físicos Fatores Humanos Económicos Atividade económica Vias de comunicação Exploração de recursos de subsolos Histórico e Sociais São vários os fatores físicos que interferem na distribuição da população. As áreas mais atrativas para a fixação do Homem são historicamente as regiões, com o clima ameno, as planícies com solos férteis e as regiões próximas do litoral, Portugal não foge a regra. Regiões de baixa altitude – os efeitos negativos da altitude no organismo humano e nas atividades económicas, originaram a fixação de cerca de 90% da população até aos 500 metros. A preferência pelas planícies aluviais, locais historicamente de grande densidade populacional, deve-se ao fornecimento de águas às populações, à riqueza dos solos e ainda ao facto de os rios constituírem excelentes vias de comunicação. A fixação da população portuguesa nas planícies do Tejo ou Sado e fraca densidade populacional regista em Trás-os-Montes confirmam em absolto esta tendência geral. Clima temperado – as regiões de clima temperado constituíram sempre áreas de forte densidade populacional. Para este fato contribuíram as tempestades amenas registas e as chuvas relativamente abundantes que favoreciam a prática da agricultura. O território português está totalmente integrado na zona temperada norte, pois não se verifica grandes diferenças climáticas, mas pelo contrario uma pequena diversidade resultante das diferenças de altitude e da proximidade do mar. Ao nível da temperatura o nosso país não tem grandes influências na distribuição da população.
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    Posição litoral –a aproximação com o mar sempre foi um fator de localização privilegiadas e gerador de fixação de populações. 52 As razões para esta atração são: Clima mais ameno (amplitudes térmicas anuais menores) O mar (pesca e recolha de sal) – foi durante muitos séculos a principal via de comunicação no mundo. A densidade populacional no nosso país regista-se mais na faixa litoral que se estende desde o Minho-Lima até a península de Setúbal. Fertilidade dos solos – a riqueza dos solos foi um fator primordial importante na fixação do Homem. Pois, a agricultura foi a atividade económica predominante do seculo passado (solos férteis eram os mais procurados). A fixação junto ao vales dos rios (Douro, Vouga, Mondego, Tejo e Sado) contribuíram para elevadas densidades regionais, até mesmo nos dias de hoje, onde a agricul tura não tem grande relevância. Exposição de vertentes – fator de grande importância ao nível regional, uma vez que introduziu diferenças entre a vertente norte (vertente sombria ou umbria) e a vertente sul (vertente soalheira). A ilha da Madeira constitui um excelente exemplo desta importância. Fatores Humanos Dos fatores humanos que condicionam a população, destacam-se: Fatores económicos – fator muito importante por ter sido responsável pelo desenvolvimento de certos espaços de grande fixação humana (capacidade de carga humana). Estes fatores destacam-se os seguintes: A industrialização – constituiu um fator atrativo para a população, pois a indústria proporcionou a oferta de emprego (provocando fenómenos de êxodo rural). A terciarização – consiste no aumento do setor terciário, não foi tão responsável quanto o industrial, na fixação de populações. Países com desenvolvimento económico industrializados, e após 1986 (data de adesão a União Europeia), este setor terá contribuído para a manutenção do emprego urbano, nomeadamente nas áreas metropolitanas dos Porto e Lisboa. Verifica-se ainda situações de desenvolvimento da atividade turística, que está ligada com a fixação e manutenção de populações; são os casos do Algarve (Portimão, Albufeira ou Vilamoura), Funchal, na ilha da Madeira e Troia na Península de Setúbal.
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    Vias de comunicação– assumiram sempre grande importância na fixação das populações. Os eixos rodoferroviários, influenciaram este fator, com a forte presença no litoral (eixo entre Braga e Setúbal), que agravaram esta tendência. Embora Portugal não seja muito rico em recursos do subsolo, como os minerais e recursos energéticos, pois estes também são uma forte atração para o Homem, ao criarem postos de trabalho. Fatores Históricos e Sociais – são fatores importantes, mas não justificam na totalidade a existência de grandes concentrações. Estes fatores tem grande relevância nos arquipélagos da Madeira e Açores conde o seu povoamento obedece certamente a circunstancia de caracter histórico. 53 Problemas da distribuição da população A distribuição da população portuguesa é profundamente desequilibrada. Deste modo Portugal confronta-se com uma dupla tendência de distribuição, que se resume:  Grande concentração no litoral do país – entre Braga e Setúbal (Litoralização);  Despovoamento profundo do interior do país Estes fatores contribuem para problemas diretos e indiretos no desenvolvimento do País.
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    54 A Litoralização Desde a história de Portugal, que existe uma tendência para a maior fixação da população no litoral:  Históricos – resultantes do perigo de invasões estrangeiras ser maior no interior do que no litoral.  Físicos – o clima junto ao litoral é muito mais ameno e o relevo menos acidentado  Humano – a proximidade com o mar, possibilita atividades como a pesca, extração do sal, lazer e desporto e comercio. Estes fatores, como outros, permitem explicar uma tendência que acompanha a história do nosso país, que se agravou nos últimos 30 anos. Este processo de concentração de população terá atingido o seu máximo nos anos 90, por consequência dos investimentos da UE, que em vez de promover o desenvolvimento mais harmonioso, acabou por agravar estas assimetrias, já existentes. No processo de litoralização, registou-se alguns números incluídos no artigo “O Estado da Nação”, da revista Grande Reportagem, que nos permitiu analisar a grandeza do fenómeno.  Entre 1981 e 2001 – 124 dos 305 municípios então existentes, perderam a população, enquanto apenas 59 ganharam. Destes estão quase todos localizados nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e ainda no distrito de Braga.  Os cincos conselhos mais populosos do País – Lisboa, Loures, Sintra, Vila Nova de Gaia e Porto, representam 18% da população do País, mas apenas 0,8% da superfície do mesmo.  Os 23 conselhos com mais de cem mil habitantes localizam-se no litoral e entre eles apenas Coimbra, Leiria e Feira não pertencem aos distritos de Lisboa, Porto, Setúbal e Braga.  Em oposição, regista-se os 118 conselhos mais interiores têm atualmente 17% da população total enquanto a sua superfície representa mais de metade do território nacional. Desses, 24 estão “em vias de extinção”, havendo quatro (Alcoutim, Idanha-a- Nova, Penamacor e Vila Velha de Rodão) que estão em forte perda populacional pois têm entre os 35% e 40% de população com mais de 65 anos e apenas 10% com menos de 15 anos.
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    Em suma, pode-seafirmar que a litoralização é um problema em termos de distribuição de população, pois provoca inconvenientes para as regiões do interior de Portugal. Tendo assim:  No Interior, provoca desertificação humana, agrava o processo de envelhecimento da população e potencia o declínio económico, com abandono dos campos e a diminuição do consumo.  No Litoral, motiva um crescimento descontrolado das áreas urbanas (em especi al as suburbanas), com o agravamento de situações: Trânsito caótico, a insegurança, a rutura de equipamentos sociais, má qualidade de vida para a população que habita nestas áreas. 55
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    56 Despovoamento dointerior Num processo totalmente inverso ao da litoralização, o interior do país tem tido um progressivo despovoamento. São várias as razões para este fenómeno, para além dos aspetos físicos, já mencionados, existem outros que tem maior relevância. São eles:  Fluxo migratório para o estrangeiro;  Êxodo rural interno para o litoral. Fluxo migratório para o estrangeiro Razões como o fraco desenvolvimento das regiões rurais do interior (contrastando com as oportunidades de emprego no estrangeiro) associado ao deflagrar a guerra colonial e ao endurecimento do regime política nos anos 60, causarem este aumento. O processo emigratório conhece um enorme decréscimo na década de 70 (mesmo com o regresso de algumas populações) para nos últimos anos voltar a conhecer um pequeno aumento, que naturalmente não poder ser muito elevado dadas as características das populações do interior, maioritariamente envelhecida. Êxodo rural interno a emigração foi uma causa de despovoamento do interior, o abandono das regiões do interior para a fixação no litoral do país, em especial nas cidades de Lisboa e Porto, está realidade também verificou a partir dos anos 60. As povoações que sentiram esta consequência, do interior como o distrito de Faro, do Alentejo, Leiria, Santarém e do Pinhal. Para o seu destino principal são as cidades de Lisboa (Sintra, Loures, Cascais, Barreiro, Setúbal) e Porto (Gondomar, Matosinhos, Maia, Valongo) conselhos periféricos. Deste modo constitui -se as áreas periféricas que ultrapassam os seus limites admirativos . Nos anos 80/90, em especial após a adesão de Portugal à União Europeia, este processo não ter nenhum inverso, pelo contrário, verificou-se o aumento do despovoamento, como os conselhos de Monchique, Montalegre, Oleiros ou Pampilhosa da Serra (com uma população envelhecida), onde esse decréscimo é superior a 15%. Em conclusão deste fenómeno negativo para o país pode-se referir os seguintes:  Agravamento do envelhecimento demográfico;  A estagnação económica da região do país;  O abandono dos campos e quebra da atividade agrícola;  O não tratamento das áreas florestais;  Fecho das escolas, por falta de população;  A venda de terras e outro património para cidadãos estrangeiros com a consequente descaracterização cultural;  Um grande desequilíbrio em termos de desenvolvimento regional.
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    57 As políticasde ordenamento Fatores de correção de assimetrias regionais A diminuição das assimetrias regionais que, provocam um desequilíbrio grave no desenvolvimento de Portugal, que por via do processo de litoralização, quer pelo crescente despovoamento do interior do país, isto implica a tomada de medidas e a implementação de políticas que permitam corrigir a atual distribuição da população. Esta implementação política é feita a três níveis:  Da União Europeia  A nível nacional  E municipal Desenvolvimento regional – possibilita maior autonomia, suportada pela diversidade entre regiões, como forma de assegurar o reforço da identidade das populações inseridas nos diferentes países da UE. O forte desenvolvimento industrial e urbano que se verificou na Europa após a Revolução Industrial conduziu a desequilíbrios ambientais que se refletiram na qualidade de vida e no bem-estar da população. As políticas de ordenamento do território tentam estabelecer um equilíbrio entre os ecossistemas e as atividade económica, para isso são necessários os três objetivos proprietários:  Promover o desenvolvimento e o ajustamento estrutural das regiões menos desenvolvidas permitindo a fixação das populações ;  Converter as regiões fortemente atingidas pelo declínio das suas indústrias, combater o desemprego de longa duração e atenuar a dificuldade de integração profissional dos jovens;  Promover o desenvolvimento das áreas rurais e o ajustamento acelerado das estruturas agrícolas. Os principais instrumentos para a execução destes objetivos são os três principais fundos estruturais:  Fundo social (FSE), que visa melhorar as possibilidades de trabalho e a mobili dade profissional dos trabalhadores.  Fundo de Orientação e Garantia Agrícola (FEOGA), que rem como objetivos melhorar as condições de produção e de comercialização dos produtos agrícolas.  Fundo de Coesão, que tende assegurar o financiamento dos projetos de interesse comum nos domínios da proteção do ambiente e das redes de transporte. Estes apoios encontram-se integrados nos chamados Quadros Estruturais (2000-2006), e foram implementados localmente através de Programas – desenvolvimento rural e operações integradas (como a do Norte Alentejo). A nível Nacional - os vários governos, conscientes do problema das assimetrias regionais, tem procurado implementar um conjunto de medidas e programas que tem como objetivo minorar este problema. Entre outras medidas, estas destacam-se:  Incentivos fiscais às empresas que se instalem nas regiões consideradas deprimidas (a generalidade do interior do país) tentando por esta via estimular o emprego local;  Continuação do programa de melhoria das acessibilidades (com a concretização do Plano Rodoviário Nacional), consideram como a principal causa do isolamento e da estagnação económica e demográfica destas regiões;
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     Implementação deprogramas no âmbito da admi nistração publica dando incentivos à deslocação de técnicos e quadros da admi nistração do Estado para certas regiões carenciadas;  Criação de polos universitários e politécnicos que transmitem um grande dinamismo aos locais onde se instalam (Évora, Viseu, Covilhã ou Castelo Branco, por exemplo) e por esse vai têm contribuído para alguma recuperação demográfica.  Promoção de um programa que visa o desenvolvimento de uma rede de “cidades de média dimensão” que contribuíram para a fixação das populações, em especial os jovens. O programa Polis (adota medidas excecionais em termos da requalificação urbana e na valorização ambiental das cidades), onde insere-se nesta politica as cidades do interior como, Bragança, Vila Real, Covilhã, Viseu, Évora e Beja. A nível municipal – as autarquias locais podem implementar grandes medidas tendo em conta a correção de assimetrias regionais. Das quais, destacam-se as seguintes iniciativas:  A construção de loteamentos industriais infraestruturas que disponibilizam a baixo custo, de forma a atrair empresas e desse modo tentar criar postos de trabalho;  Oferta de habitação para técnicos e quadros superiores (professores, médicos e 58 outros);  Incentivos monetários aos casais que se fixam e tenham filhos, e assim contribuem para o crescimento da população.
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    Capitulo 2 Osrecursos do subsolo de que a população dispõe: Usos, limites e potencialidades 59 1. Recursos do subsolo 2. A radiação solar 3. Os recursos hídricos 4. Os recursos marítimos
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    Áreas de exploraçãode recursos minerais em Portugal A distribuição das áreas de exploração de recursos minerais em Portugal é profundamente influenciada pela grande diversidade/complexidade do território do ponto de vista geológico. Portugal Continental distingue-se por três grandes unidades geomorfológraficas (grandes áreas com a mesma origem/características semelhantes em termos geológicos), que é possível verificar uma certa aglomeração de alguns recursos minerais incluem nesta indústria, que são: Maciço Hespérico (ou Maciço Antigo) – a unidade geológica mais antiga e também aquela que abrange uma área maior do território nacional. Apresenta uma grande variedade de rochas muito antigas e de grande dureza (granitos e xistos) . Nele localiza-se as maiores jazidas de minerais energéticos, metálicos e de rochas ornamentais cristalinas. Orlas ocidentais – registam o predomínio de rochas de origem sedimentar, tais como areias, arenitos, argilas, margas e calcários. As jazidas em exploração correspondem essencialmente às do sector das rochas industriais. Encontram-se desde o litoral de Espinho até à Serra da Arrábida e o litoral algravio (meridional). Bacias do Tejo e do Sado – constituem unidades geomorfológicas mais recentes do país e correspondem a áreas de sedimentação marinha e fluvial. São dominantes as rochas sedimentares: cascalho, areias, argilas e calcários. Tal como as orlas e de acordo com as características físicas desta unidade, as potencialidades encontram-se viradas para o setor das rochas industriais. 60
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    61 A indústriaextrativa Apesar desta industria estar pouco desenvolvida e ter uma importância económica pouco significativa (0,75% do PIB em 2005). Portugal é um país relativamente rico no que respeita à quantidade e diversidade de recursos naturais, nomeadamente de rochas industriais e ornamentais, e de águas minerais e de nascente. Minerais energéticos – encontrando-se reduzida a sua extração de quantidades mínimas de uranio, extraído em algumas minas do centro do país. Corresponde a 1% do total em Portugal. Este setor quase desapareceu após o encerramento das minas de carvão. Minerais metálicos – os que apresentam maior importância são, o cobre, o estanho, o ferro e o volfrâmio. A sua extração localiza-se no baixo Alentejo, região Centro e Norte (é o caso das minas Neves Corvo e da Panasqueira). Minerais não metálicos – apresentam uma importância pouco relevante na nossa economia, predominando nas regiões Centro e Sul. Destaca-se o sal-gema, explorado nas regiões de Leiria, Lisboa e Faro. Outro minerais não-metálicos explorados são o diatomito, o pegmatito com lítio, barita e o talco. Rochas Industriais – as mais exploradas em Portugal são: o calcário sedimentar comum, argilas comuns (concelhos de Águeda e Leiria) e as areias (exploradas ao longo de todo o litoral). Rochas Ornamentais – dividem-se em dois grupos: o grupo das rochas carbonadas – mármores e rochas afins (em especial no Alentejo, Estremoz, Borba e Vila Viçosa). E as rochas siliciosas – granito e rochas afins (em destaque em Portalegre e Évora, com existência no norte do país). Águas minerais - Situam-se em maioria na região norte do Tejo, onde se encontra maior abundância de água.
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    62 Os recursosdo sobsolo Recurso minerais – concertação de minerais na crosta terrestre cujas características fazem com que a sua extração seja, ou possa chegar a ser, técnica e economicamente viável. A diversidade dos recursos minerais São materiais que de acordo com a sua génese, podem apresentar-se de uma forma solida ou liquida e que têm uma composição química bem definida, com certas características físicas. E classificam-se: Minerais metálicos – mineral formado por substâncias metálicas. Os mais importantes são ferro e cobre que representam mais de metade da produção mundial de minerais, embora o alumínio, que se obtém do bauxite, esteja a adquirir uma maior importância. O caso do ouro, prata, chumbo, estanho ou zinco, cuja exploração é igualmente significativa, embora não tanto importante como os anteriores minerais metálicos. Mas tem-se verificado um declino na exploração destes minerais, e começa a haver uma tendência para um aumento de exploração de subsetores das rochas ornamentais e das rochas industriais, que cada vez aumenta a sua importância económica. Minerais não metálicos – mineral cuja constituição é formada por substâncias não metálicas (sal-gema, quartzo, caulino, etc.); Minerais energéticos – minerais que se destinam à produção de energia (carvão, petróleo); Rochas industrias – rochas utilizadas na construção civil (calcário, granito, margas, entre outras); Rochas ornamentais – rochas utilizadas para fins decorativos (mármore, granito, etc.); Aguas minerais naturais – as que provêm de fonte natural e cujas propriedades físico-químicas lhe confere ação terapêutica.
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    Jazidas – localonde a concentração de minerais permite a sua exploração. Industrias extrativas – que fazem exploração de recursos. Este setor (primário) atualmente encontra-se a passar alterações profundas que decorrem da conjuntura globalizante que a economia mundial está atravessar. No contexto mundial, Portugal não tem a exploração de minerais energéticos assim como os minerais metálicos. 63 Exemplos de minerais em Portugal Minerais metálicos No Alentejo, o projeto com maior importância a nível de minério situa-se nas Minas de Neves Corvo (produtora de cobre e estanho, atualmente com atividade suspensa) e o segundo centro mais importante são as minas da Panasqueira (produtora de volfrâmio). Dos metais mais importantes, o cobre é muito utilizado nas indústrias elétricas, sendo assim o ótimo condutor de corrente elétrica. As maiores reservas de cobre da Europa situam-se no nosso país. O ferro teve um decréscimo de produção, a sua exploração em Portugal, faz-se apenas nas minas do Cercal (Alentejo). Existem quantidades razoáveis deste mineral, que constitui a principal matéria-prima utilizada na industria siderúrgica. É atualmente exportado em matéria bruta. O volfrâmio, destinado ao fabrico de aço extraduro e aos filamentos das lâmpadas incandescentes, o nosso país abunda desta matéria, com referência da mina da Panasqueira. O ouro e prata, foram suspensas as extrações (minas de Jales) devido ao mercado competitivo internacional. Exemplos minerais metálicos Alumínio – indústria aeronáutica e naval, construção civil. (Áustria, Guiné). Zinco Ferro – setores siderúrgicos (aço), atividade industrial. (Rússia, Brasil, Áustria). Ouro Cobre – produção de condutores elétricos. (EUA, Chile, Zâmbia) Prata
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    Sal-gema (cloreto desódio) – utlizado na indústria química Quartzo – indústria de cerâmica e vidro Caulino (argila branca) – industria cerâmica 64 Minerais não-metálicos Situados sobretudo nas regiões centro e sul. A sua importância é pouco significativa na economia do país. O quartzo e feldspato (industria de cerâmica e vidro), são provenientes das minas localizadas a norte e sul. O sal-gema (industrias químicas, agroalimentares e rações), explorado apenas por três minas situadas em Leiria, Lisboa e Faro. Exemplos de minerais não-metálicos Minerais energéticos Estas explorações são muito reduzidas, apenas existe quantidades mínimas de uranio, na região centro. Correspondente a 1% de produção em Portugal. Após o encerramento das minas de carvão (Pejão e em Pedro da Cova), este subsetor quase desapareceu. Exemplos de minerais energéticos Carvão Petróleo Gás natural Uranio Rochas industriais e ornamentais Rochas industriais Utilizadas essencialmente como matéria-prima na construção civil e nas indústrias de cerâmica e vidro. O calcário, proveniente do maciço calcário situado no Algarve. As argilas dispersas pelos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Faro. As areias, são exploradas ao longo do litoral.
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    65 Rochas ornamentais Encontram-se subdivididas:  Rochas carbonadas (como o mármore, calcário e brecha calcária) - O mármore representa 25% das rochas ornamentais, e é sobretudo nas regiões centro e sul que esta exploração se concentra. A maior jazida deste mineral situa-se na faixa de Estremoz-Borba-Vila viçosa, como 90% de mármore extraído no nosso país, cuja qualidade é conhecida no estrangeiro.  Rochas siliciosas (como o granito, sienito, gabro, serpentinito, diorito, pórfido ácido) ) – dispersas por todo o território nacional. A sua exploração é predominante no Alentejo (distritos de Évora e Portalegre).  Ardósias e xistos ornamentais (explorados na região de Valongo, Porto) Em 2005, 46% da nossa produção de rochas ornamentais, principalmente de mármore e granito, têm com destino o mercado externo, sendo uma mais-valia para o país. Exemplos de rochas industriais Calcário Granito Exemplos de rochas ornamentais Mármore Granito
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    66 Águas mineraise águas de nascente Água mineral – águas cuja concentração de um ou mais elementos químicos é muito acentuada. Estas águas são, normalmente captadas em profundidade. Água de nascente – todas as que provêm de fonte natural e que são consideradas próprias para beber. Portugal dispõe um considerável potencial hidromineral. Em 2004, existia em atividade 32 unidades/oficinas de engarrafamento no continente localizadas sobre tudo a norte do rio Tejo. Nos Açores existe também abundância de água mineral, em particular na ilha de São Miguel . A venda de água engarrafada teve um crescimento muito significativo devido à melhoria do nível de vida das pessoas e da exigência do consumidor. Tem-se verificado um aumento das exportações de águas engarrafadas, sobretudo para Angola, Espanha e Cabo Verde. Termalismo Águas termais – águas com fins medicinais. As unidades termais, são dotadas de serviços de saúde apropriados, deste modo contribui para uma fonte de atração, ajudando a diminuir a forte sazonalidade e a excessiva concentração turística. Existe uma grande procura das estâncias termais, como destinos de lazer, para férias e fins -de-semana (turismo termal – aproveitamento de aguas termais que levam a procura de atividades físicas e desportivas (fitness), mais propriamente para atenuar os problemas de stress.
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    Para que hajaum aumento de crescimento do setor hidromineral, é necessário que se promova a realização de estudos hidrogeológicos de modo a criar novas captações e a aumentar os caudais já disponíveis. O termalismo constitui um dos maiores exemplos de recursos endógenos que devemos dar uma maior importância, pois podem constituir-se polos geradores de emprego, contribuindo deste modo o despovoamento, a desertificação, a baixa densidade populacional e o envelhecimento da população em muitos regiões do país. 67
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    Os problemas naexploração dos recursos do subsolo 68 Impactes ambientais da indústria extrativa Em Portugal, existem alguns fatores que dificultam a exploração dos recursos geológicos e os problemas associados à sua produção e comercialização. Localização das jazidas  Áreas de difícil acesso;  Grande profundidade (torna a extração difícil e dispendiosa);  Áreas protegidas (inviabiliza a sua exploração). Fraca ligação a indústria transformadora  Custos de produção elevados;  Preços de colocação no mercado pouco competitivos;  Leva a forte dependência de recursos externos. Concorrência internacional  Domínio do mercado internacional (como o Brasil, Chile, Afica do Sul e sobretudo a China), onde a mão-de-obra é muita barata e as normas ambientais e de segurança são pouco exigentes. Impactes ambientais  Contaminação dos solos, aguas e aquíferos de produtos químicos, tóxicos e radioativos;  Poluição da atmosférica - poeiras de alto teor químico;  Poluição sonora - movimentação de máquinas e rebentação de cargas explosivas;  Encerramento e abandono de minas - formação de escombreiras (acumulação de resíduos), muitas a céu aberto, expostas à chuva que dissolvem e arrastam produtos químicos nocivos;  Degradação da paisagem – impacto visual (caso das pedreiras e minas).
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    69 Os recursosenergéticos A sua importância A utilização dos recursos energéticos variou em função das necessidades do Homem, bem como da tecnologia de que foi dispondo ao longo da sua história. O marco para o aumento do consumo de energia foi com a Revolução Industrial do séc. XVIII. Esses recursos podem ser de dois tipos: São o caso do petróleo, carvão, gás natural e as substâncias radioativas. Carvão mineral – rocha sedimentar que tem a sua origem na decomposição de restos de vegetais. Este mineral constituiu a fonte de energia mais utlizada na primeira fase da Revolução Industrial, e nos dias de hoje é muito importante, nomeadamente na produção de energia elétrica e de aço. Petróleo – recurso não renovável resultante da transformação de matéria orgânica, constituído atualmente a fonte mais utilizada e a base da atual sociedade industrial. A sua utilização é fundamental na produção de energia elétrica, combustíveis para meios de transportes e maquinas industriais. Matéria-prima ainda de um conjunto de diversos produtos (plásticos, etc.). Gás natural – constituiu atualmente uma das principais fontes de energia doméstica, industrial e cada vez mais utilizada nos transportes, sendo de todas a menos poluente. Energia nuclear – economicamente a energia mais rentável, e com alguns defensores, é atualmente criticada pelas consequências dos perigos provocados em termos ambientais. Redes de distribuição e consumo O consumo energético em Portugal tem aumentado de forma acentuada nos últimos anos, obrigando a grandes importações de energia primária, como petróleo, carvão e gás natural. O petróleo pode ser distribuído por redes de oleodutos que permitem o seu transporte até às grandes áreas de tratamentos (refinarias de Leça e Sines). Para as restantes partes do território nacional são transportados por camiões-cisterna. O carvão, é também importado, após a suspensão da sua exploração em 1994. Chega aos principais portos nacionais e seguindo via terrestre para as duas centrais a carvão (Sines e no Pego, Abrantes). Utilizado ainda por indústria muito exigente de energia.
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    O gás natural,teve uma grande aposta no nosso país, a partir de meados da década de 90, com uma rede de gasodutos que permitem aproveitar o gás natural produzido na Argélia. Foi então construído um troço entre Setúbal e Braga que possui uma ligação entre Leiria à rede espanhola. 70 Rede de gasodutos em Portugal. Existe um contraste evidente no nosso país relativamente à produção e consumo de energia. As áreas metropolitanas são as que mais consomem combustíveis fósseis, enquanto o consumo da eletricidade se encontra mais disperso ao longo de toda a faixa litoral (devido ao consumo doméstico). Em termos globais, a indústria e os transportes são os setores que mais contribuem para o consumo final de energia. Impactes ambientais do setor energético O consumo e a distribuição de energia levam a problemas relacionados, com a contaminação ambiental, com segurança e com a nossa dependência externa face aos combustíveis fosseis.  Risco ambientais: As emissões de gases poluentes para a atmosfera (agravando o efeito de estufa); Os frequentes acidentes e derrames (durante o transporte de combustíveis, tanto marítimo como terrestre), originando desastres ambientais, como marés negras; Desperdício de energia que aumentam o consumo e os impactos ambientais.
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    71  Problemasde segurança: Risco de incêndio – nos postos de abastecimento, com a agravante nas áreas urbanas; Perigo de derrame ou incêndios – nas refinarias, oleodutos e gasodutos. Perigo para as populações – em caso de acidente no transporte de energia, sobretudo rodoviário. Medidas para melhorar os fatos anteriores:  Aumentar a produção de energia a partir de fontes renováveis a partir de fontes renováveis e endógenas;  Diversificar as fontes e as proveniências geográficas, no que respeita aos combustíveis fósseis;  Aumentar a eficiência energética, através da racionalização dos consumos, adequação das tecnologias de distribuição, maquinas e equipamentos elétricos e adoção de medidas que possam reduzir os consumos (tarifa bi -horaria). Desigualdades no consumo de energia Portugal ao nível da UE, apresenta como o país com menor consumo de energia per capita, abaixo de Espanha, Grécia e Itália. Isto deve-se ao atraso socioeconómico do país, que explica um menor consumo energético industrial , ao baixo nível de vida dos portugueses e ainda os aspetos climáticos favoráveis do nosso país que faz com que comparado com os país europeus haja um menor consumo energético. Contudo Portugal tem registado, nos últimos anos um aumento a este nível, este facto deve-se ao desenvolvimento da indústria e especialmente dos transportes (setores que consomem mais energia), da mecanização da agricultura e, claro da melhoria das condições de vida da população, que se tem verificado após a adesão à UE. Onde há maior registo de consumo energético é junto ao litoral (mais povoados e industrializados e com maior comercio e serviços), relativamente ao interior, onde se verifica menor concentração destes factos, gravados pelo envelhecimento que também contribuem para este baixo valor. Recursos energéticos renováveis As energias renováveis passaram a ser mais utilizadas após a crise do petróleo nos anos 70. Entre elas, destacam-se as seguintes: Energia hídrica – produzida a partir da força da água, constitui a fonte de energia renovável mais utilizada no mundo, devidas as suas grandes potencialidades e ao fato de não ser poluente. Esta energia é instalada em barragens e mini -hidricas (barragens de pequenas dimensões). Em Portugal, o aproveitamento hidrelétrico tem lugar em centenas de grandes barragens e mini-hidricas.
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    Estas encontram-se predominantementelocalizadas a norte do rio Tejo e na região Norte (onde se verificam melhores condições para as suas construções e onde as precipitações são mais abundantes). O problema que se coloca na construção de energia hidrelétrica relaciona-se com os elevados custos a que estão sujeitos as construções de infraestrutura. Uma parte da energia consumida no nosso país é de origem hídrica (cerca de 40% da contribuição das centrais. Em ano mais seco, regista-se apenas 20% da energia). Energia solar – aproveitada através de painéis que utilizam células fotovoltaicas para gerar eletricidade a partir da luz solar. Portugal é um dos países da Europa com mais disponibilidade de radiação solar, contudo, este aproveitamento é tipicamente usado para fins energéticos. Utilizada nas habitações em sistemas de aquecimento, sinalização marítima (bóias e faróis), em passagens de nível, semáforos e nas telecomunicações (sistemas SOS instalados nas autoestradas). Energia geotérmica – energia calorifica que utiliza o calor interno da Terra, que fazem funcionar turbinas que geram eletricidade. As áreas passíveis de aproveitamento deste tipo de energia, tem uma predominância a norte do país (características geológicas e estruturais). Onde há o valor mais significativo desta energia é na central geotérmica da Ribeira Grande, S. Miguel, Açores, que tem a capacidade de satisfazer 60% das necessidades de energia elétrica da ilha. Energia das ondas e marés – energia produzida a partir da força das marés, aproveitando a energia dos oceanos através das ondas (energia maré motriz). Portugal tem excelentes condições naturais muito favoráveis para este aproveitamento (toda a costa ocidental do continente e as ilhas açorianas). O nosso país é um dos pioneiros de produção desta energia, com duas centrais na ilha do Pico (junto a costa) e em Castelo de Neiva (no mar) Energia eólica – energia produzida a partir da força do vento. Apesar de não ser um país ventoso, Portugal tem bastantes condições favoráveis para este aproveitamento. Nos arquipélagos da Madeira e Açores são onde o potencial é mais elevado, mas atualmente a distribuição destas centrais abrange quase todo o território nacional. Energia da biomassa – energia produzida a partir de matéria orgânica (resíduos das florestas, plantas, de exploração agroalimentares e dejetos de animais). Em Portugal existe atualmente perto de uma centena de sistemas de biogás, a sua maior parte provenientes do tratamento de efluentes agropecuários (aproximadamente 85%). O biogás representa atualmente cerca de dois terços de contributo energia primária em Portugal, tem capacidade para aumentar este potencial. 72
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    Novas perspetivas deexploração e utilização dos recursos do subsolo Existem perspetivas bastante positivas na exploração e utilização dos recursos do subsolo. Os recursos do subsolo, sobretudo os setores das rochas industriais e ornamentais e o das águas minerais e de nascente constituem riquezas nacionais. Valorizar e potencializar a exploração dos recursos endógenos é de extrema importância para o nosso país. A potencialização desses recursos só é possível se, no setor das rochas industriais e ornamentais, continuar-se a apostar na qualidade do produto final e se limitarem os impactes ambientais decorrentes desta atividade. O nosso país é relativamente pobre em recursos energéticos de origem fóssil, dependendo por isso fundamentalmente das importações, as quais representam cerca de 86% da energia primária consumida. No entanto, o potencial das energias renováveis passíveis de serem exploradas é significativo, com destaque para a energia hídrica, da biomassa, eólica, solar e geotérmica. Com relevância as potencialidades hídricas e da biomassa, que têm vindo a ser exploradas em níveis com algum significado. Apesar de Portugal ter vindo a investir nos últimos anos neste aproveitamento, continua subaproveitado em relação a alguns dos nossos parceiros comunitários. Produção de energia elétrica a partir de fontes de energia renovável, em alguns países da UE, em 20 10. 73
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    74 A RadiaçãoSolar A variabilidade da radiação solar em Portugal Continental e Insular A atmosfera e a radiação solar O Sol constitui a principal fonte de luz e calor do nosso planeta. Sem ela a Terra seria um mundo escuro, gelado e sem vida. A energia produzida pelo Sol é enviada para o espaço sobre forma de radiação eletromagnética solar. Propaga-se através de movimentos ondulatórios ou vibratórios e em vários comprimentos de onda, que no conjunto formam os espectro solar. O nosso planeta está constantemente a receber radiação solar, a temperatura do planeta não aumenta, mas mantém-se estável (nos 15°C). Cerca de metade desta energia atinge diretamente a superfície terrestre, chamada radiação direta. Restante energia perde-se nos processos atmosféricos de absorção, reflexão e difusão. A absorção é feita essencialmente pelo ozono estratosférico, que absorve grande parte das radiações ultravioletas, e pelo vapor de água, dióxido de carbono, poerias e nuvens. Na troposfera são retidas sobretudo as radiações de grande comprimento de onda (infra-vermelhas). A reflexão ocorre no limite superior da atmosfera, nas nuvens e superfície terrestre (oceanos, mares, lagos e rios). A percentagem de energia refletida, em relação a energia incidente, corresponde ao chamado albedo (percentagem de energia refletida por um corpo em relação ao total de energia incidente sobre esse corpo).
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    A difusão resultade inúmeras reflexões dos raios solares sobre as moléculas de gás e, sobretudo sobre as partículas sólidas que se encontram em suspensão na atmosfera (poeiras e impurezas). Deste modo acontece a radiação difusa, quando parte da radiação dispersa-se para a alta atmosfera e para o espaço interplanetário, outra parte dela acaba por atingir a superfície da terra. A radiação difusa, ao atingir o solo, junta-se à radiação solar direta e forma a radiação global (ronda certa dos 48% da constante solar = 32% de radiação solar direta e 16% de radiação difusa). Radiação solar direta – a que incide diretamente sobre a superfície terrestre. Radiação solar global – total de energia solar que atinge a superfície terreste. A radiação global é então absorvida pela superfície pela superfície da terra e rapidamente convertida em energia calorifica, sendo posteriormente reenviada para a atmosfera, em igual quantidade à que havia sido recebida, através da chamada radiação terrestre. 75
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    Tendo em contaque a quantidade de energia recebida na superfície terrestre é igual à desenvolvida para a atmosfera, através da emissão de radiações de grande comprimento de onda (radiações de calor), a Terra encontra-se em equilíbrio térmico. Se assim não fosse, o planeta não conseguia manter uma temperatura média da ordem dos 15°C, iria aquecendo ou arrefecendo constantemente. A atmosfera é praticamente transparente à radiação solar, mas também bastante opaca à radiação terrestre, devolvendo novamente à superfície da Terra, principalmente por intermedio das nuvens, uma grande parte da energia recebida, através de um fenómeno de contra radiação. Este fenómeno de retenção de calor da baixa atmosfera é reconhecido por efeito de estufa, pois se ele não se verificasse as temperaturas podiam descer até aos 30° negativos. 76 Funções da atmosfera A atmosfera terrestre possui um conjunto de funções que apresentam-se como fundamentais para a vida na terra: Funções da atmosfera Filtra e absorve Apresenta-se como uma «capa protetora» ou filtro do globo, refletindo para o espaço ou absorvendo as radiações solares que seriam excessivas para a vida terrestre. Protege Constitui uma barreira imprescindível à entrada de corpos estranhos na atmosfera, como meteoritos. Estes, devido ao atrito provocado pelo ar, incendeiam-se e acabam por pulverizar-se evitando que atinjam a superfície do planeta. Controla a temperatura Absorve uma parte significativa da radiação ultravioleta (através do ozono) que ao atingir a Terra inviabilizaria a vida de muitas espécies atuais. Evita o calor libertado pela superfície da terra, irradiação terrestre, se perca para algumas camadas da atmosfera e fique retido na troposfera, assegurando, deste modo, a manutenção das temperaturas durante a noite (efeito de estufa). É fonte de vida Concentra na sua composição elementos fundamentais à vida, nomeadamente o oxigénio.
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    Efeito de estufa– retenção de calor (energia) devido a atmosfera ser praticamente transparente à radiação solar. 77 A variação da radiação solar Embora a nível global verifica-se um equilíbrio energético ou térmico no sistema Terra-Atmosfera – a energia perdida é igual a recebida – tal não acontece na maior parte das regiões do globo. Na zona intertropical (faixa compreendida entre os 36° de latitude Norte e Sul) a quantidade de energia recebida à superfície é superior àquela que é emitida, verifica-se um excede de energia (calor). Entre os 37° e os 38° de latitude verifica-se um equilíbrio entre a radiação adquirida e a perdida. Regiões situadas a partir dos 38° de latitude o saldo passa a ser negativo (existe mais perdas de energia que ganhos). Apesar das diferenças, o equilíbrio energético global é uma realidade, devido essencialmente à dinâmica da atmosfera, que se faz a transferência de energia entre as regiões excedentárias e deficitárias. A latitude influência o ângulo de incidência da luz do Sol e o que leva a variação de energia que chega a diversas regiões da Terra. Fatores de variação da radiação solar
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    78 São eles:  Forma esférica da Terra;  A inclinação do seu eixo;  Os movimentos de rotação e translação;  Condições locais – transparência da atmosfera, relevo, superfície, etc. Apesar do equilíbrio energético global, há diferenças ao nível das regiões:  A forma quase esférica da Terra, que influencia a radiação solar diminui com a latitude;  E a inclinação do seu eixo face ao plano de órbita, ou seja aumenta o angulo de incidência e diminui a massa atmosférica atravessada pelos raios solares (faz com que haja perdas por absorção, reflexão e difusão sejam maiores) isto leva a diminuição de radiação.  Quanto maior o angulo de incidência maior também é a sua superfície pela qual a radiação se distribui, o que reduz significativamente a quantidade de energia recebida por unidade de superfície e naturalmente a capacidade de aquecimento. Isto origina uma importante variação do aquecimento da superfície terrestre. Raio de incidência – menor angulo formando entre os raios solares e a superfície terrestre. Quando é menor:  Luz solar atinge a superfície de forma mais próxima da perpendicular;  A área pela qual se distribui a radiação solar é menor;  É maior a quantidade de energia recebida por unidade de superfície;  Em média, verifica-se um excesso energético. Quando é maior:  A quantidade de energia por unidade de superfície é menor;  Em média, verifica-se um défice energético.
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    79 Os movimentosda Terra Quantidade de energia solar que atinge uma região, varia ao longo do ano, isto deve-se ao movimento de translação da Terra. Que faz variar o ângulo de incidência da radiação solar e a duração dos dias e das noites. Os movimentos de rotação têm implicações na variação diurna da radiação, uma vez que origina a sucessão dos dia naturais e da noites, e a variação do ângulo de incidência e da massa atmosférica atravessada pelos raios solares ao longo do dia natural. Ao longo do dia, a radiação solar direta, com a radiação difusa e a própria radiação da atmosfera, fornecem-nos calor. Durante a noite como não há radiação solar, verifica-te uma perda de calor por radiação terrestre, passando o equilíbrio térmico da Terra a ter uma saldo negativo. O arrefecimento noturno será tanto maior quanto mais límpida estiver a atmosfera, uma vez que a intensidade do efeito de estufa for menor. Movimento de rotação Movimento que a Terra faz em torno do seu próprio eixo e que dura cerca de 24 horas, é responsável pela sucessão dos dias e das noites. A variação diária da temperatura regista o máximo diário durante o dia (cerca de 14 ou 15 horas) e o mínimo durante a noite, antes do nascer do sol (cerca das 6 horas), período que se regista maior arrefecimento.
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    80 Movimento detranslação Movimento que a Terra executa em torno do Sol (que tem a duração de 365 dias e 6 horas), e a inclinação do eixo da Terra fazem com que esta não tenha sempre a mesma posição em relação ao Sol e descreva o seu movimento aparente anual entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio. Deste modo, este movimento determina, para além das estações do ano, a duração dos dias e das noites, assim como o número de horas recebidas (insolação), que varia ao longo de todo o ano, exceto para as regiões do equador, em que os dias são sempre iguais às noites. No solstício de junho  Início do verão no hemisfério norte;  Radiação global é maior (luz do Sol incide perpendicularmente sobre o trópico de câncer);  Raios solares atingem o território português com menor obliquidade;  Dias têm maior duração (aumenta o tempo de exposição à radiação solar);  Em Portugal, situado na faixa de latitude entre 32° e 42° norte.  A temperatura mensal mais elevada é entre julho e agosto.
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    81 No solstíciode dezembro  Início do inverno do hemisfério norte;  Radiação global é menor (luz do Sol incide na vertical sobre o trópico de capricórnio);  E atinge com maior obliquidade o território português (menor duração do dia).  As temperaturas mais elevadas são entre dezembro e Janeiro. Distribuição da Radiação Solar Dada a localização do território português numa faixa de latitude intermédia, variabilidade sazonal da radiação global é acentuada. Os valores de radiação global média são mais elevados no verão e mais baixos no inverno. Verifica-se também uma significativa diferenciação espacial Distribuição da radiação global anual e média dos meses de janeiro e julho, em Portugal Continental.
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    82 Em PortugalContinental Valores médios da radiação global anual, diminuem, em geral, de sudeste para noroeste embora com algumas diferenças sazonais. No inverno:  Registam-se valores mais altos no sul,  Variação para nordeste no vale inferior do Tejo e até ao vale do Mondego,  Valores mais baixos em todo o extremo norte. No verão:  Máximo de radiação solar ocorre no Algarve  Prolongando-se por todo o interior, numa faixa que se estreita para norte  Valores mínimos registam-se no litoral, a norte do cabo Carvoeiro, voltando a aumentar no vale inferior do Douro. Principais fatores que explicam a variação da radiação solar: A latitude - as regiões do sul, situadas a menor latitude, recebem maior radiação solar. O efeito da altitude aumenta a nebulosidade, reduzindo a insolação e a radiação global, assim como influência da disposição das vertentes. Vertentes expostas a ventos marítimos - têm maior nebulosidade e recebem menor insolação e menor radiação global. Encostas soalheiras - recebem maior radiação solar e têm maior insolação do que as encostas umbrias que são mais sombrias. A proximidade do mar - no litoral, sobretudo a norte do Tejo, há menor radiação solar a proximidade do mar aumenta a nebulosidade. A diferença entre litoral e interior torna-se mais evidente no verão, sendo mais seco no interior, permitindo uma maior insolação e, como tal, maiores valores da radiação global. Variação da radiação solar nos arquipélagos: Variação espacial da insolação média anual, em Portugal Continental (valores médios 1961–90). No que diz respeito as regiões insulares, é preciso ter em conta a reduzida dimensão dos seus territórios, alguns fatores relacionados com a localização, bem como as características locais. O facto de serem pequenas e situarem-se no meio do oceano Atlântico contribui para que a influencia deste se faça sentir com maior intensidade. Deste modo, ocorre um aumento da quantidade de vapor de água atmosfera e da nebulosidade, o que vai contribuir para uma maior absorção, reflexão e difusão da energia por
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    parte desta, oque se traduz numa quantidade de energia que atinge a superfície terrestre e que por ela é absorvida. Na Madeira, a radiação global é maior, principalmente na vertente sul, mais soalheira. Nos Açores, forte influência oceânica aumenta a humidade do ar e a nebulosidade redução da insolação e da radiação global. A distribuição da temperatura no território nacional Apesar da amenidade das temperaturas, regista-se uma variação anual e uma distribuição espacial bastante significativas. 83 Pode-se verificar as seguintes variações:  A variação anual: Portugal insere-se nas características térmicas da zona temperada do norte.  A variação espacial: influenciada, essencialmente, pela latitude e pelo relevo.  A amplitude de variação térmica anual: influenciada pela proximidade ou pelo afastamento do mar.  Em Portugal: temperatura do ar tem valores médios anuais moderados.
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    Em janeiro (inverno),a temperatura média mensal diminui de sudoeste para nordeste. A distribuição das isotérmicas revela a conjugação de dois fatores ( latitude e continentalidade). Esta distribuição está relacionada com a influência exercida pelo oceano Atlântico, que desempenha nas regiões do litoral uma ação moderadora, e com o aumento da latitude. Faz com que a inclinação dos raios solares seja maior a quantidade de energia solar recebida menor, baixando as temperaturas. Os valores mais baixos registam-se no nordeste transmontano (áreas de montanha, com a exceção do vale superior do Douro) e os mais elevados ocorrem em algumas áreas da costa alentejana e do litoral algarvio. Em julho (verão), a temperatura média mensal diminui do litoral para o interior. Verifica-se para além de os valores serem mais elevados, a própria disposição das linhas isotérmicas apresentam uma configuração diferente, estando as mesmas paralelas à linha de costa e com um aumento dos valores da temperatura do litoral para o interior. A disposição das isotérmicas demonstra uma influência do mar (continentalidade) na distribuição da temperatura. Os valores mais elevados são registados em toda a faixa interior, enquanto os valores mais baixos registam-se numa faixa estreita do litoral. Junto à cordilheira central regista-se uma inflexão das isotérmicas para Este, o que se explica pela penetração dos ventos húmidos de Oeste, a qual é possibilitada pela orientação desta massa montanhosa. 84
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    85 Fatores devariação da temperatura A desigual distribuição espacial da temperatura no território continental, visível nos mapas de isotéricos reais, revela a influência de vários fatores (latitude, o relevo e o mar). A análise do mapa da variação térmica permite ver a oposição existente entre o litoral e o interior. É visível a menor amplitude térmica nas regiões do litoral, influencia pelo oceano Atlântico, que apresenta-se com agente moderador dos contrastes térmicos uma vez que regula a temperatura, para que:  No verão as temperaturas não atingem valores muitos elevados;  No inverno as temperaturas não são muito baixas. Já no interior, as amplitudes térmicas são superiores (quanto mais o afastamento dos mar maior é a amplitude térmica):  No verão, os valores da temperatura são muito elevados;  No inverno, as temperaturas são muito baixas, devido a continentalidade. Em termos gerais, pode-se dizer que: A temperatura aumenta de norte para sul, por ação da latitude; A temperatura apresenta menores contrastes anuais no litoral, por ação amenizadora do oceano; As temperaturas médias anuais mais baixas registam-se no Noroeste e sobretudo na cordilheira central, devido aos fatores de latitude e altitude.
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    86 Conjunto defatores que influenciam a temperatura. Distribuição da temperatura nos arquipélagos: Tanto nas ilhas da Madeira e Açores, a variação da temperatura não depende apena da latitude e da influência do mar, há que ter em conta a altitude e a exposição aos raios solares, o que vai conduzir a diferenças muito sensíveis entre as te rras baixas e as terras altas, bem como ao nível das vertentes norte, mais frias (umbrias) e das vertentes sul, mais quentes (soalheiras). Em ambos os arquipélagos, a amplitude térmica anual não é muito elevada, merce da influência oceânica. Assim, os invernos são suaves e os verões não muito quentes.
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    88 Valorização daradiação solar Portugal é a nível europeu um dos países com maior número de horas de Sol por ano, pelo que seria natural que fossemos também um dos maiores produtores/consumidores de energia solar. Sistemas solares térmicos (aquecimento) Consiste no aquecimento de um fluido (liquido ou gasoso) em coletores solares e corresponde à utilização mais frequente da energia solar. As aplicações em Portugal, são:  Uso domésticos (aquecimento de aguas quentes sanitárias e aquecimento ambiente);  Piscinas;  Estufas;  Recintos gimnodesportivos;  Hotéis;  Hospitais. Sistemas solares passivos O aproveitamento passivo da energia solar consiste na utilização para aquecimento de edifícios, através de uma conceção cuidada e fazendo uso térmico de construções inovadoras. A arquitetura solar passiva tem em atenção o aproveitamento dos ganhos solares no inverno, minimizando também as suas perdas para o exterior e restringe os ganhos excessivos de calor no verão. Este tipo de aproveitamento de energia solar apresenta uma vantagem de grande relevo, o baixo custo de algumas soluções. Os aspetos a ter em conta na construção dos edifícios são, a orientação do edifício, o isolamento térmico (paredes com grande inércia térmica). Sistemas fotovoltaicos (produção de energia elétrica) Em Portugal já temos algumas aplicações da energia solar fotovoltaica, nomeadamente no fornecimento das necessidades básicas de energia elétrica às habitações. Existem ainda outras aplicações desta energia, como por exemplo na irrigação agrícola, alimentação de máquinas de pré-pagamento de estacionamento, sistemas de telecomunicações ou semáforos. Fraco desenvolvimento da energia solar em Portugal, deve-se a:  Algumas más experiencias no primeiro período de expansão do solar (década de 80), associadas à falta de qualidade de equipamentos, instalações, que afetou de forma negativa a sua imagem;  Falta de informação específica sobre as razões de interesse e as possibilidades desta tecnologia junto dos potenciais utilizadores;  Custo elevado do investimento inicial, desencorajando a adoção de uma solução que pode competir com as alternativas convencionais;  Insuficiência e inadequação das medidas de incentivo.
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    89 Turismo Estesetor é um dos mais importantes da economia portuguesa, representando entre 7% e 8% do PIB e absorvendo perto dos 10% do emprego. O clima agradável português, beleza da costa marítima, o mar, praias e as paisagens, a cultura, os monumentos e locais históricos, o ambiente hospitaleiro, a gastronomia e as infraestruturas para a prática desportiva, são as principais razões para Portugal se encontrar entre os principais destinos turísticos do mundo. A radiação solar constitui um fator de desenvolvimento, pois a atividade turística:  Gera emprego  Proporciona a entrada de divisas  Induz efeitos multiplicadores (desenvolvimento de outras atividades como o comércio, os transportes, o artesanato, etc. O turismo sénior, tem vindo a ganhar relevância em Portugal associado à amenidade do clima, contribuindo desta forma para a redução do problema da sazonalidade, associando à atividade turística, que se prolonga durante todo o ano. O setor imobiliário, beneficia da amenidade e luminosidade do território português, sobretudo no Algarve. Muitos estrangeiros, principalmente ingleses, compram casas de segunda habitação no nosso país.
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    90 Os RecursosHídricos A especificidade do clima português A importância da água A água é um recurso natural, renovável, escasso e imprescindível à vida. Como recurso natural, a água é utilizada pelo Homem, de modo mais ou menos intenso, em quase todas as suas atividades:  Na agricultura (rega e pecuária);  Na indústria (matéria-prima, lavagens, sistemas de arrefecimento, etc.);  No abastecimento doméstico e público;  Na produção de energia. Para além destas utilizações, onde maior parte dos casos, é usada como meio de produção, a água pode ser utilizada como meio de transporte de bens e pessoas (navegação), como meio diluidor e escoamento de cargas poluentes e, ainda, numa grande variedade de atividades de recreio e lazer. Evolução do consumo de água no Mundo, por setor A nivel global, estima-se que a totalidade de água existente na Terra, nos três estados fisicos (sólidos, liquido e gasosos) ronda os cerca de 1400 milhões de km3; contudo, este valor não representa abundancia em termos de recursos hídricos, pois 97,6% desse total encontra-se nos oceanos e mares, sendo, protanto, impropria para consumo. A água doce representa apenas 2,4% no entanto, grande parte, cerca de 2,1%, encontra-se sob forma de gelo nas grandes calotes polares e glaciares. As águas continentais, repartidas pelos cursos de agua, lagos, solo e toalhas freáticas, representam apenas 0,31%. Na atmosfera encontra-se somente 0,0009% do volume total de água existente no planeta. A água doce representa apenas 2,4% da água da Terra. Dos 2,4% de água doce existente na Terra, doi s terços são gelo ou neve permanentes e um terço, ou seja, 110 mi l milhões de m3, é água das chuvas dos quai s 70 mi l mi lhões es tão em permanente evaporação. Conclui-se assim que a água apesar de ser um recurso natural abundante na Terra, está muito mal distribuída e, por esse motivo, apenas uma pequeníssima parte está disponível para ser utilizadas pelo Homem, nas suas atividades. Dos restantes 40 mil milhões, 20% encontra -se pouco acessível (em montanhas, sobretudo). A Humanidade poderia saciar-se com os restantes 32 mil milhões de m3 aparentemente di sponívei s . No entanto, a água está tão mal repartida no globo que a acessível representa apenas 12 500 mi l mi lhares de m3, volume insuficiente em termos globai s . Distribuição de água no planeta.
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    Embora nos últimostempos o consumo de água e a deterioração da sua qualidade tenha vindo a aumentar, o que acentua as situações de escassez em determinadas áreas do globo, isso não põe em causa a existência de este precioso bem, pois ao contrario de muitos outros recursos naturais, a água é um recurso renovável, não se perde nem desaparece, antes se transfere e renova-se, através do ciclo hidrológico. 91 Ciclo hidrológico ou ciclo da água Corresponde a circulação constante de água, acompanhada de fase de transição (mudanças de estado físico), que estabelece a ligação entre a terra, os oceanos e a atmosfera. Fases do ciclo  A água do globo é transferida por evapotranspiração para atmosfera, onde é transportada e se condensa, formando nuvens;  Para voltar para a terra por precipitação;  Na superfície da terra, parte da água escoa-se e outro fica retida, infiltrando-se;  Por fim, volta a evaporar-se de novo. Isto é influenciado pela radiação solar e a gravidade. A primeira, promove a evaporação e a segunda, permite que a água regresse à superfície terrestre. Ciclo hidrográfico
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    Traços fundamentais dacirculação geral da atmosfera A especialidade do clima português decorre da posição geográfica do território nacional e só pode ser verdadeiramente explicada e compreendida se tivermos em conta o modo como se processa a circulação da atmosfera às nossas latitudes, bem como a sua dinâmica geral. A circulação geral da atmosfera é determinada pela localização dos grandes centros barométricos (centros de altas e centros de baixas pressões) em latitude. Centros de altas pressões ou anticiclone Centros de baixas pressões ou ciclone Embora a localização destes centros barométricos não seja sempre a mesma, de um modo geral eles posicionam-se da seguinte forma:  Na região equatorial predomina uma faixa de baixas pressões, as chamadas baixas pressões equatoriais, em que manifesta a relação de elevadas temperaturas, que provocam o movimento ascende do ar;  Nas regiões próximas dos trópicos, a cerca de 30° de latitude Norte e Sul, surgem as faixas das altas pressões subtropicais;  Nas margens superiores das latitudes médias, próximas dos 60° Norte e Sul, aparecem 92 as baixas pressões subpolares;  Nas regiões polares Norte e Sul, predominam as altas pressões polares, devido ao movimento descente do ar provocado pelas baixas temperaturas que se fazem sentir nestas áreas do globo.
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    Entre estas diferençasfaixas de pressão estabelecem-se movimentos do ar, que determinam a direção e o sentido dos ventos dominantes nas várias regiões do globo e, por consequência toda a circulação da atmosfera. Na região intertropical o ar desloca-se das altas pressões subtropicais, que determinam uma zona de divergência, para as baixas pressões equatoriais, que constituem uma zona de convergência, originando os ventos alísios. Esta convergência dos alísios, provenientes dos hemisférios Norte e do Sul, origina a CIT (Convergência Intertropical). Contundo, por vezes, os alísios enfraquecem de tal modo que originam grandes espaços sem vento. Formando-se assim, as chamadas calmas equatoriais ou doldrums. Nas zonas temperadas o ar desloca-se das altas pressões subtropicais para as baixas pressões subpolares, dando origem aos ventos de oeste. Estes fluxos de ar são os que mais afetam o território nacional ao longo do ano. Nas regiões polares a circulação do ar realiza-se das altas pressões polares para as baixas pressões subpolares, dando origem aos ventos de este ou de leste. As várias faixas polares de pressão não ocupam permanentemente as mesmas posições. Ao longo do ano deslocam-se em latitude, ou seja, movimentam-se para Norte e para Sul, acompanhando com ligeiro atraso o movimento anual aparente do Sol. 93
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    No solstício dejunho os centros barométricos estão deslocados para Norte, uma vez que o Sol está no mesmo plano do trópico de Câncer. No Solstício de dezembro os centros de ação estão deslocados para Sul devido ao facto do Sol se encontrar no mesmo plano de Trópico de Capricórnio. Esta oscilação em latitude dos centros barométricos e, consequentemente, das faixas dos ventos, tem grande importância nas regiões das latitudes médias, onde esse situa Portugal, uma vez que ficam sujeitas à influência alternada:  Dos centros de altas pressões subtropicais e das massas de ar tropicais (marítima e 94 continental), no Verão;  Dos centros de baixas pressões subpolares e de massas de ar polares (marítimas e continental), sobretudo no Inverno. Nesta época do ano, devido ao deslocamento para Sul das baixas pressões subpolares, é muito comum certificar-se sobre o território a convergência de massas polares e tropicais, da qual resulta a formação de superfícies frontais e frentes.
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    95 Superfícies frontaise frentes Quando duas massas de ar de características muito diferentes convergem e entram em contato uma com a outra não se misturam, ou misturam-se muito lentamente, pelo que ficam separadas por uma zona de transição a que se dá o nome de superfície frontal. Está em contacto com a superfície da Terra dá origem à chamada frente. Superfície frontal – superfície de contacto entre duas massas de ar com características físicas (temperatura e humidade) muito diferentes. Frente – linha que resulta da intersecção da superfície da Terra. Considerando o movimento geral das massas de ar, as frentes podem ser:  Quentes – se o ar quente substituir o frio;  Frias – se o ar frio substituir o quente. O movimento das massas de ar pode corresponder a uma avanço do ar quente sobre o ar frio, dando assim origem a superfície frontal quente e, consequentemente, a uma frente quente, ou, pelo contrário, pode corresponder a uma avanço do ar frio sob o ar quente, o que dará origem a uma superfície frontal fria e consequentemente, a uma fria. De entre várias frentes do globo a que mais interesse desperta, não só pela sua importância, mas pela influência que exerce sobre nós, é a frente polar que tem origem na superfície frontal polar do hemisfério Norte. A frente polar norte resulta do confronto entre as massas de ar frio polares, que tendem a deslocar-se para Sul, e massas de ar quente tropicais, que tendem a movimentar-se para Norte.
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    Desse confronto vãosurgindo ao logo da frente ondulações cada vez mais prenunciadas. Primeiramente, a frente polar apresenta um traçado mais ou menos retilíneo, devido à fraca interpenetração das massas de ar, que se deslocam de forma quase paralela entre si. A massa de ar polar, no sentido este-oeste e massa de ar tropical, no sentido contrário, ou seja, de oeste para este. Nestas condições a frente polar designa-se de frente estacionária. Com o evoluir da situação, ou seja, com o avanço do ar frio polar para sul e do ar quente tropical para norte, a interpenetração das massas de ar vai sendo maior, pelo que se forma uma superfície frontal cada vez mais ondulada. Por último, quando a ondulação é já muito pronunciada diferem-se setores de ar frio polar e de ar quente tropical, separados pelas respetivas superfícies frontais e frentes. Formam-se assim os chamados sistemas frontais, que quando associados a depressões barométricas dão origem a perturbações frontais. 96
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    As perturbações frontaisda frente polar estão em permanente movimento. Por um lado, porque sobem e descem em latitude, acompanhado com um ligeiro atraso o movimento anual aparente do sol; por outro, porque vão-se deslocando, de forma incessante, no sentido oeste-este. À medida que as perturbações frontais ou sistemas frontais avançam, no sentido oeste-este, ou, seja no sentido sudoeste-nordeste, vão provocando, nos diversos lugares do seu trajeto, uma sucessão de estados do tempo bastante característicos. Estados do tempo associados à passagem de uma perturbação frontal Para ser mais fácil perceber as sucessivas alterações no estado do tempo, que decorrem da passagem de uma perturbação frontal, vejamos as situações que se seguem, tendo como referencia o lugar A. 1. Embora ainda sob a influencia do ar frio anterior, a aproximação da frente quente marca o inicio do agravamento do estado do tempo:  Formam-se nuvens de grande desenvolvimento horizontal (altas e finas), devido à subida lenta do ar ao longo da superfície frontal quente;  Ocorrem as primeiras precipitações, sob a forma de chuviscos (chuva miudinha e 97 persistente). 2. Aquando da passagem da frente quente, e nos momentos que a precedem, as condições meteorológicas tendem a piorar. Verifica-se então:  A existência de muita nebulosidade, sobretudo nuvens de fraco desenvolvimento vertical (pouco espessas);  A ocorrência de chuvas contínuas e de longa duração (chuviscos);  Temperaturas relativamente baixa, embora com uma tendência de subia progressiva, devido à aproximação da massa de ar quente;  A diminuição da pressão atmosférica;  A ocorrência de vento fraco.
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    3. Após apassagem da frente quente e já sob a influência do ar quente verfica-se uma melhoria geral no estado do tempo:  O céu apresenta-se, de um modo geral, pouco nublado, embora possam ocorrer períodos de precipitação, alternando com períodos de boas abertas (céu limpo);  O vento é moderado;  A temperatura é relativamente elevada para época. 4. Com a aproximação e passagem de frente fria surge um novo agravamento no estado do tempo, depois da relativa acalmia do setor do ar quente tropical:  A nebulosidade aumenta, e são sobretudo nuvens de grande desenvolvimento vertical (muito espessas), devido à rápida subida do ar quente ao longo da superfície frontal fria;  A precipitação é intensa e de curta duração (aguaceiros) e é frequentemente 98 acompanhada de trovoada;  A temperatura diminui, devido à aproximação da massa de ar frio do setor posterior;  A pressão atmosférica aumenta rapidamente;  O rumo do vento altera-se e a sua velocidade aumenta.
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    5. Depois dapassagem da frente fria e já sob a influencia do ar frio posterior tende a verificar-se uma maior estabilidade no estado do tempo:  O vento muda de direção;  A nebulosidade diminui;  A precipitação enfraquece, embora possam ainda ocorrer alguns aguaceiros dispersos;  A temperatura mantém-se reduzida, devido à presença de massa de ar frio. À medida que a perturbação ou sistema frontal avança no sentido oeste-este, para além das alterações no estado do tempo, ela própria também vai evoluindo. No decurso desta evolução, o ar frio posterior, ao penetrar em forma de cunha sob o ar quente que se lhe segue, obriga-o a subir mais rapidamente, o que faz com que a superfície frontal fria progrida com maior velocidade que a superfície frontal quente. Nestas circunstâncias, o ar quente vai sofrendo um progressivo estrangulamento, a ponto da distância que separa as duas frentes se reduzir cada vez mais. A dada altura, a frente fria acaba então por alcançar a frente quente, o que origina a frente oclusa, pelo que o ar frio posterior junta-se ao anterior, obrigando todo o ar quente a subir. Com o decorrer do tempo, o ar quente, agora em altitude, tende a arrefecer e a misturar-se com o frio, dando-se a homogeneização das massas de ar. Assiste-se, assim, à oclusão da perturbação. Ou seja, ao desaparecimento do sistema frontal. O tempo que decorre entre a formação e a oclusão dos sistemas e das perturbações frontais é geralmente muito curto, não indo além dos dois, três dias e apenas raramente poderá atingir cerca de uma semana. 99
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    100 Tipos deprecipitação mais frequentes Para que há precipitação (queda de água no estado liquido, chuva e no estado solido, neve e granizo) é necessário que haja nuvens e para que esta se formem é essencial que tenha havido uma subia do ar capaz de lhe provocar um arrefecimento suficiente para ser ultrapassado o ponto de saturação e haver lugar à condensação do vapor de água. Contudo, não basta só a existência de nuvens, também é necessário pequeníssimas de gotículas de água (ou cristais de gelo) que se vão juntando, formando-se assim, devido à turbulência do ar, através de um processo que designamos de coalescência, de modo a aumentarem de volume, e por consequência de peso, de modo a vencer a resistência do ar ascendente. De acordo com o mecanismo que provoca a subida do ar e o seu arrefecimento, pode-se destingir três tipos de precipitação: Precipitação frontal ou ciclónica – provocada pelo contacto entre dias massas de ar de características diferentes, ar frio e ar quente. A ascendência de ar quente é relativamente lenta ao longo da superfície quente, devido aos seguintes fatores:  Consequência da sua inclinação;  Arrefecimento do ar;  Aumento da humidade relativa;  Vapor de água acontece lentamente. Isto leva as nuvens apresentarem grande desenvolvimento horizontal e por sua vez uma precipitação pouco intensa, mas contínua e de longa duração (chuviscos). No caso da superfície frontal fria, é o contrário, o ar ascende de forma rápida, devido ao declive que a superfície frontal apresenta, isto deve-se aos seguintes fatores:  Arrefecimento do ar;  Aumento da humidade relativa  Condensação do vapor de água acontece violentamente.
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    As nuvens quese formam, neste caso, têm grande desenvolvimento vertical e dão origem a precipitação intensa e de curta duração (aguaceiros). Estas precipitações são características nas zonas de convergência das latitudes médias (baixas pressões subpolares). Que são predominantes em Portugal, sobretudo no Norte, principalmente no Inverno. Precipitações orográfias (provocada pela subida do ar devido ao relevo). Verifica-se assim o arrefecimento do ar, à condensação do vapor de água e à formação de nuvens, que dão origem à precipitação. Estas precipitações são frequentes em todas as áreas de relevo acidentado, especialmente ao longo das vertentes expostas aos ventos húmidos. Nas vertentes opostas, as precipitações são mais escassas devido ao movimento descendente do ar e ao consequente aquecimento do mesmo. Em Portugal continental ocorre sobretudo na metade Norte, principalmente do lado dos grandes alinhamentos montanhosos, expostos aos ventos húmidos vindo do Atlântico. Também é muito frequente nos Açores e na Madeira, sendo mais intensas quanto mais alta for a ilha e mais exposta estiver as massas de ar de origem marítima. Precipitações convectivas – provocada pela subida brusca de ar devido ao intenso aquecimento da superfície da Terra. Ao subir, o ar arrefece, provocando a condensação do vapor de água e a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, que origina chuva intensa e de curta duração (aguaceiros), as quais são frequentemente acompanhadas de trovoadas. Chuvas convectivas ou de convenção são típicas da zona intertropical (região do equador). Na época do verão também são frequentes no interior dos continentes das regiões temperadas, pelo que também acontecem em Portugal devido às altas temperaturas que se verificam. 101
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    103 Distribuição daprecipitação Portugal denota uma grande irregularidade, temporal e espacial em termos de precipitação. A irregularidade intra e interanual da precipitação Ao longo do ano a precipitação varia de forma idêntica em praticamente todo o território nacional e caracteriza-se essencialmente pelos acentuados contrastes sazonais. Os valores de precipitação mais elevados ocorrem normalmente entre novembro e março, devido, essencialmente, à influência dos centros de baixas pressões subpolares e à passagem frequente dos sistemas frontais sobre o nosso país, uma vez que nesta altura do ano se encontram deslocados para Sul. Variação da precipitação média mensal, ao longo do ano. Os valores mais baixos de precipitação registam-se habitualmente, nos meses de julho e agosto. Nesta época do ano as pressões e os sistemas frontais encontram-se deslocados para o norte da Europa, ficando no nosso território mais influenciado pelas altas pressões subtropicais, nomeadamente pelo anticiclone dos Açores, e pelas massas de ar tropical continental, quentes e secas. Ao longo dos anos, as diferenças de precipitação registadas nos mesmos meses e sobretudo as que respeitam às quantidades totais anuais, são também bastante significativas. A principal causa destas irregularidades é o diferente comportamento, de ano para ano, das baixas pressões subpolares e das altas pressões subtropicais, nomeadamente no que se refere às suas deslocações em latitude.
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    104 Distribuição espacialda precipitação Também Portugal regista contrastes pluviométricos assinaláveis em termos gerais. No território continental: A quantidade de precipitação anual diminui, de um modo geral, do norte para o sul e do litoral para o interior. Os valores mais elevados ocorrem na metade ocidental a norte do Tejo, mais precisamente ao longo de uma faixa que se estende do extremo noroeste até à Cordilheira Central. Os valores mais reduzidos registam-se na orla algarvia, na faixa oriental do Alentejo (margem esquerda do Guadiana) e no vale superior do rio Douro. Barca de Alva (nordeste) e Albufeira (algarve) são as áreas mais secas do território continental. Nos Açores, a precipitação é abundante em praticamente todas as ilhas. As mais pluviosas são, as do grupo ocidental, devido a influência dos ventos húmidos de oeste e pela passagem das perturbações frontais. A ilha de Santa Maria é a que regista menos precipitação por se situar mais para oriente e possuir menor altitudes. Na Madeira, as precipitações são relativamente abundantes na vertente norte e nas áreas de maior altitude, mas são escassas na vertente sul, especialmente na faixa litoral, por se encontrar mais abrigada dos ventos húmidos e mais exposta aos ventos provenientes do continente africano. Porto Santo, regista valores de precipitação bastante reduzidos, devido ao relevo baixo. Fatores influentes na distribuição da precipitação A desigualdade espacial da precipitação deve-se à ação simultânea de um conjunto de fatores, dos quais se destacam os seguintes:  Latitude – faz-se sentir sobretudo no contraste pluviométrico norte-sul. O norte é mais pluvioso porque é mais afetado pela passagem das perturbações frontais, que normalmente seguem um trajeto de sudoeste para nordeste. O sul regista valores menores, influenciados sobretudo pelos anticiclones subtropicais e pelas massas de ar tropical (quentes e secas, oriunda do Norte de Africa, e não é tão atingido pelas perturbações frontais).  Altitude – com o seu aumento a temperatura diminui o que facilita a condensação e a ocorrência de precipitação. Nas regiões de maior altitude que se registam valores de precipitação mais elevados. Sendo mais abundantes no caso das elevações
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    concordantes, uma vezque se opõem à penetração para o interior do ar húmido proveniente do oceano, circunstância que conduz mais facilmente à queda de precipitação do tipo orográfica ou de relevo. Esta situação verifica-se no noroeste do território continental onde a chamada Barreira de condensação (conjunto montanhoso, de relevo concordante, que origina precipitações orográficas abundantes), formanda pelas serras da Peneda, Gerês, Cabreira, Alvão, Marão, Montemuro e Caramulo, faz com esta área do país seja uma das mais pluviosas.  Continentalidade – devido a largura reduzida do país, a realidade é que, à medida que nos afastamos do litoral e avançamos para leste, vai -se sentido a diminuição da influência atlântica, a qual é acentuada quando existem montanhas concordantes, que exercem o efeito de barreira. Isto acontece, porque ao longo do seu trajeto, as precipitações que se vão desencadear a medida devido as perdas no ar marítimo.  Posições dos vales dos rios – apresentam uma posição oeste-este, servem de corredores por onde as massas de ar húmido podem circular e penetrar até ao interior do país, o que favorece a ocorrência de níveis de precipitação mais elevados em áreas que, em circunstâncias, normais não teriam. No Douro não acontece este facto, devido a à Barreira de condensação. Estados do tempo mais frequentes em Portugal Situado na zona temperada norte, Portugal vai registando, ao longo do ano, situações meterológicas muito diversas, verificando-se mais frequentemente no inverno e no verão. Estas situações são normalmente visíveis por imagem de satélite e de uma rede de postos de observação dos quais se salientam as estações terrestres. Posteriormente, são representadas por cartas sinópticas (mapas que representam as condições atmosféricas através de símbolos, assim como prever o modo como o tempo vai evoluir nas próximas horas ou dias) – previsão a curtos e medio prazo. 105
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    Situação meteorológica previstapara 5 de janeiro de 2001 107 Situações meteorológicas de inverno No inverno, o nosso país, assim como toda a Europa Ocidental, tem influência dos centros de baixas pressões subpolares e pela passagem sistemática das perturbações frontais (frente polar) que, ao descerem em descerem em latitude e ao deslocarem-se em vagas sucessivas de oeste para este, vão provocando mau tempo. A estas características meteorológicas juntam-se as reduzidas temperaturas médias diurnas e mensais, resultantes da maior inclinação dos raios solares, da menor duração do dia natural e da maior influencia das massas de ar frio polar. A passagem da frente quente é acompanhada de céu encoberto e chuva mais ou menos intensa e prolongada. Com o evoluir da situação o nosso país passará a ser invadido por massas de ar tropical marítimo (TM) que determinarão uma subida de temperatura. A passagem da frente fria é acompanhada de céu muito nublado e de chuvas mais ou menos intensas, do tipo aguaceiros. No seguimento da situação o país é invadido por massas de ar polar marítimo (Pm) que determinam uma descida brusca de temperatura. Por vezes, devido ao intenso arrefecimento da Europa Ocidental, forma-se sobre esta região, e em particular sobre a Península Ibérica, um anticiclone de origem térmica. A presença deste anticiclone, proporciona tempo com céu pouco nublado ou limpo, embora com temperaturas baixas e vento fraco ou moderado. Esta situação é também favorável à formação de geada durante a noite, sobretudo no interior, onde o arrefecimento noturno é maior. Situações meteorológicas de verão No verão, Portugal é mais estável, sendo mais estáveis os fatores que o condicionam. Nesta época do ano o nosso país é predominantemente influenciado pelas altas pressões, com destaque para o anticiclone dos Açores, deslocado para o Norte, estendendo-se em cista sobre a Península Ibérica, proporcionando uma situação de bom tempo. O céu apresente-se limpo ou pouco nublado, o vento é fraco e as temperaturas do ar são elevadas, isto deve-se a menor obliquidade com que os raios solares incidem no nosso país, da maior duração do dia natural e da maior influencia das massas de ar quente tropical.
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    Situação meteorológica previstapara 20 de julho de 2001 108 Esta situação de bom tempo é mais frequente no verão, mas não significa que não possa ocorrer estados de tempo bastante diferentes, por exemplo, o elevado aquecimento diurno, verificado no interior da Península Ibérica, origina uma depressão de origem térmica, sendo responsável pela ocorrência de precipitação convectiva e até de tavoadas, principalmente no interior do país. Ocasionalmente esta depressão barométrica estende-se até ao norte de Africa e se conjugar com o anticiclone centrado na Europa, a península tem fortes probabilidades de ser invadida por massas de ar quente. Faz -se sentir o “vento de levante”, responsável por tempo muito quente e seco. Quando o centro de baixas pressões se centra sobre a península e o anticiclone dos Açores se localiza um pouco a norte deste arquipélago, faz-se sentir a “nortada”, principalmente ao longo da costa oeste. Situações metrológicas nas estações intermedias (primavera e outono) – ocorrem situações metrológicas de transição, entre as verificadas no inverno e verão. Na primavera, principalmente de finais de Março a meados de Maio, o tempo é ainda muito instável, devido sobretudo à presença mais ou menos frequente das baixas pressões subpolares e à passagem das perturbações frontais. Com o aproximar do verão a frente polar vai-se deslocando para norte, cedendo lugar ao anticiclone Açores que, ao subir em latitude, tende a tornar cada vez mais intensa a sua influência no território nacional. Avança-se assim para uma maior estabilidade atmosférica e para o predomínio do bom tempo. No outono, inicia-se a deslocação para sul das baixas pressões subpolares e das perturbações da frente polar, pelo que estas vão tomando as posições antes ocupadas pelo anticiclone dos Açores. A atmosfera torna-se progressivamente mais instável e as situações de mau tempo são mais frequentes. O clima de Portugal – apresenta alguma diversidade climática, tanto no continente como arquipélagos. Clima no Continente Embora o clima seja predominantemente temperado Mediterrânico, podem distinguir-se, essencialmente, três conjuntos climáticos:
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    109 Norte Litoral  Verões relativamente frescos;  Invernos suaves;  Amplitudes térmicas anuais que não ultrapassam os 10°C;  Precipitações mais ou menos abundantes (outono e inverno);  Trata-se de um clima temperado de feição marítima. Norte Interior  Verões muito quentes;  Invernos muito frios e longos;  Amplitudes térmicas anuais que quase atingem os 20°C  Precipitações menos intensas e frequentes no que noroeste  Trata-se de um clima de feição continental. Sul  Verões muito quentes, longos e secos;  Invernos curtos e suaves;  Precipitações escassas e irregulares, concentradas no fim de outono e inverno;  Trata-se de um clima temperado mediterrânico. Clima dos Açores Com influência atlântica, o clima açoriano é, de uma forma geral, do tipo temperado marítimo. Como as seguintes características:  Verões relativamente frescos;  Invernos suaves;  Amplitudes térmicas fracas e precipitações mais ou menos abundantes ao longo do ano, principalmente nos finais de outono e no inverno. Clima da Madeira É predominantemente temperado mediterrânico.  Verões muito quentes, longos e secos;  Invernos curtos e suaves  Precipitações escassas e irregulares. Na Ilha da Madeira, devido à orientação oeste-este do relevo, verifica-se um claro contraste com a parte norte e a parte sul da ilha. A vertente Norte (umbria) é mais fria e tem um período seco muito curto, fruto dos consideráveis níveis de precipitação (chuvas orográficas). A vertente Sul (soalheira), tem temperaturas mais elevadas e um período seco mais longo (semelhante ao do Algarve) devido aos menores níveis de precipitação.
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    A ilha dePorto Santo, de relevo quase plano, possui temperaturas mais elevadas e precipitações ainda mais reduzidas do que a Ilha da Madeira, razões pelas quais apresenta maior período estival. Estação seca estival – número de meses considerados secos. A existência deste período mais ou menos prolongado verifica-se em todo o território continental, no arquipélago da Madeira e algumas ilhas dos Açores, pelo que constitui uma das características mais marcantes do nosso clima. Isto está relacionado principalmente com a irregularidade na distribuição anual da precipitação e a sua durabilidade tem grande influência nas reservas hídricas. 110
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    111 As disponibilidadeshídricas A quantidade de água disponível de uma região depende das características do clima e, muito especialmente, da precipitação, quer em termos de valores totais registados quer na distribuição ao longo do ano. Correspondem, no essencial, à água que se encontra em circulação nos continentes, tanto à superfície, as chamadas águas superficiais (rio, lagos, lagoas e albufeiras), como em profundidade, as ditas águas subterrâneas (nascentes naturais e lençóis de água existentes no subsolo). Apesar da relativa abundância das nossas disponibilidades hídricas, a realidade é que a irregularidade temporal com que surgem, a desigualdade distribuição no espaço, a acentuada dependência de Espanha (sobretudo no que se refere aos rios internacionais) e as diferentes necessidades regionais, conduzem frequentemente a situação de carência de água em muitas regiões do país, principalmente durante a época estival. Águas superficiais – de origem das precipitações que caem sobre a superfície da terra e constituem a principal fonte de alimentação dos cursos de água, sejam eles temporários o permanentes. Numa primeira fase, essas águas escorrem de forma desordenada ao longo das vertentes, mas, devido à ação da gravidade e às características do relevo existentes, rapidamente começam a organizar-se, formando pequenos riachos, ribeiros, rios maiores, que levarão a água até aos oceanos. Fica assim organizada uma rede hidrográfica – conjunto formando por um rio e seus afluentes. A rede hidrográfica no território continental é dominada pelos rios luso-espanhóis: Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Existem outro, exclusivamente portugueses: Vouga, Mondego e Sado. A maioria dos rios nacionais tem uma orientação geral nordeste-sudoeste (NE-SW), seguindo a inclinação e a orientação das principais falhas tectónicas.
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    Existem casos, comoo Sado e Guadiana, que escoam noutras direções, de Sul para Norte e vice-versa. Não é só a influência do relevo que orienta os rios, é responsável juntamente o clima, pelas diferenças na densidade hidrográfica do território nacional. No Norte, onde o relevo é mais acidentado e o clima mais pluvioso, a rede hidrográfica é mais densa e está melhor hierarquizada. Os rios escoam por vales mais ou menos apertados e profundos, regra geral, com perfis transversais em “V” fechado ou em forma de “V” aberto, com grande declive e consideráveis irregularidades ao longo do percurso. No Sul e Centro litoral a situação é bem diferente. Aqui desenvolvem-se vastas planícies aluviais e o clima regista maior secura, pelo que a rede hidrográfica é menos densa. Nesta região os cursos de água têm percursos com maior declive e leitos muito mais regulares, ao mesmo tempo que escoam em vales mais abertos, frequentemente designados por “caleira aluvial”. Nos arquipélagos, devido às reduzidas dimensões das diferentes ilhas, bem como às características do relevo existente, os cursos de água são pouco extensos e designam-se de ribeiras. As ribeiras possuem perfis longitudinais (linha que resulta da união de todos os pontos de maior profundidade do leito de um rio, desde a nascente até à foz) com declives acentuados e 112
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    grandes irregularidades. Assuas águas escoam normalmente ao longo de vales em forma de “V” fechado ou garganta. As várias redes hidrográficas são as responsáveis pela drenagem das águas que caem em cada uma das respetivas bacias hidrográficas. 113 Principais bacias hidrográficas Designa-se por bacia hidrográfica a área drenada por um curso de água e seus afluentes. Em Portugal continental, destacam-se quinze bacias hidrográficas, das quais se destacam – Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana – têm bacias que se estendem, parcialmente por território espanhol, o que é uma fator muito importante para as nossas disponibilidades hídricas dos dois países e atesta bem a nossa dependência, em termos de recursos hídricos, face ao país vizinho. De entre várias bacias hidrográficas (nacionais e internacionais) a do Douro é a que ocupa maior superfície (superior a de Portugal Continental). A do Tejo, por seu lado, é a que abrange maior área em território exclusivamente nacional. As bacias hidrográficas inteiramente portuguesas são pouco extensas, e delas destacam-se as dos rios Sado, Mondego e Vouga. Nas bacias hidrográficas as disponibilidades hídricas são fortemente condicionadas pela irregularidade da precipitação e pela forma como se processa o escoamento. Relativamente à sua distribuição no tempo é possível observar que o escoamento é mais acentuado nos meses de inverno (cerca de 60% do valor anual médio) e mais reduzido no período estival. A repartição geográfica do escoamento decalca a das chuvas. As regiõe s com maior abundancia são o Noroeste e a Cordilheira Central, precisamente as mais chuvosas. De salientar que temos em termos de balanço hídrico (distribuição da precipitação pela evapotranspiração e pelo escoamento superficial e subterrâneo), o escoamento do nosso país,
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    corresponde apenas acerca de um terço do total de precipitação registada, sendo que os outros dois terços dizem respeito à evapotranspiração. Variação do caudal dos rios é particularmente condicionado por:  Variação anual e espacial da precipitação;  Características do relevo (forma de declive das vertentes);  Natureza dos terrenos (tipos de rocha que os constitui e grau de permeabilidade);  Cobertura vegetal;  Ação do homem. Por consequência das condições climáticas (temperatura e precipitação) ao longo do ano, os cursos de água portugueses apresentam um regime irregular, com caracter torrencial, ou seja, tem caudais muito reduzidos ou mesmo nulos durante a estiagem (caudal de estiagem) e elevados nas épocas de maior precipitação (Dezembro a Março). Esta irregularidade aumenta de norte para sul e do litoral para o interior e acompanha a forma como se distribuem as precipitações. Face a esta irregularidade Portugal, optou pela construção de barragens (anos 50-60 e até aos dias de hoje). As barragens permitem, minimizar os problemas de escassez e grandes irregularidades dos recursos hídricos potencialmente disponíveis no Sul, através do armazenamento de água em albufeiras e, por outro, potencializar a abundancia deste recurso, no Norte, sobretudo na produção de energia hidroelétrica. 114
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    115 Finalidades dasBarragens:  Rega;  Produção de energia;  Abastecimento de água para fins domésticos e industriais;  Controlo de cheias e marés/regularização do caudal de rios;  Navegação/uso recreativo;  Aquacultura;  Recarga de aquíferos. As duas maiores barragens portuguesas são, até ao presente, o Alqueva, na bacia do Guadiana e Castelo de Bode, na bacia do Tejo. Além dos rios, existem no nosso país outros reservatórios naturais de águas à superfície. É o caso das lagoas de origem marinho-fluvial, glaciaria e tectónica. Barragem do Alqueva No Continente as lagoas marinho-fluviais são em número superior, têm em geral pequena profundidade e situam-se predominantemente ao longo da faixa litoral. As mais importantes A Norte do Tejo: Paramos, Tocha, Vela, Três Braços, Ervedeira; Óbidos; Albufeira. A Sul do Tejo: Albufeira, Melides, Santo André e Sancha. As lagoas de origem glaciária são cerca de uma dezena e situam-se, na sua quase totalidade, nas zonas mais elevadas da Serra da Estrela. De entre elas destacam-se a Lagoa Comprida, com cerca de 1 km de extensão, que é alimentada pelas chuvas e pela fusão de neve e gelo. As lagoas de origem tectónica localiza-se no Maciço Calcário Estremenho. As mais importantes são as de Mira, Minde e Arrimal. Nos Açores (à exceção das ilhas de S. Jorge e do Pico), existem numerosas lagoas de origem vulcânica, em consequência da acumulação de águas pluviais e de nascente nas depressões resultantes do abatimento de antigas crateras. A caldeira das Setes Cidades, na ilha de S. Miguel, é talvez o caso mais conhecido, pois está ocupado por duas importantes lagoas, a Lagoa Verde e a Lagoa Azul. Importantes nesta ilha são também as lagoas de Fogo e das Furnas. As águas subterrâneas Constituem uma das componentes fundamentais dos recursos hídricos e encontram-se nos aquíferos, formações geológicas que permitem a circulação e armazenamento da água nos espaços vazios, proporcionando o seu aproveitamento pelas populações.
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    Os recursos hídricossubterrâneos dependem da precipitação ocorrida, mas também. E fundamentalmente, da natureza das formações rochosas, especialmente no que diz respeito ao grau de permeabilidade. As formações rochosas de granito, xisto e basalto são pouco permeáveis, pelo que dificultam a infiltração da água e formação de aquíferos. As formações sedimentares de origem detrítica (areias e arenitos), pelo contrário, são bastante permeáveis, o que facilita a infiltração da água e formação de aquíferos importantes. Muito permeáveis são também as formações calcárias ou cársicas pois a água dissolve o calcário quando há presença do dióxido de carbono. As fendas habitualmente existentes em qualquer tipo de rochas, são rapidamente alargadas. O escoamento superficial acaba assim por ser rapidamente substituído por uma circulação subterrânea cada vez mais importante, dando origem às toalhas cársicas. Nestas regiões observa-se assim, à superfície, uma circulação escassa e desorganizada das águas, acompanhado pela presença de formas de relevo únicas. Em profundidade a circulação acaba por desenvolver um sistema de galerias e cavernas com formações muito curiosas como é o caso das estalactites e das estalagmites. Quando abundantes, as águas dão origem a autênticos rios subterrâneos de traçado muito complexo. A circulação das águas num carso vai evoluindo com a idade do mesmo, sendo habitual distinguir três fases distintas: 116  Juventude;  Maturidade;  Senilidade. Esta evolução acaba por estar diretamente depende do tipo de clima em que se encontra, uma vez que a temperatura influência o poder de dissolução da água. A região cársica mais representativa no nosso país é o Maciço Calcário Estremenho constituído pelas Serras dos Candeeiros, Santo António, Aire e Planalto de S. Mamede.
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    Repartição geográfica dossistemas de aquíferos O estudo dos sistemas de aquíferos em território nacional reveste -se de alguma dificuldade uma vez que não existe concordância relativamente à sua delimitação entre vários organismos com interesse nesta matéria. Contudo, pode dizer-se que as grandes unidades hidrogeológicas decalcam as unidades estruturais. O Maciço Antigo – unidade mais extensa, pela sua composição litológica e permeabilidade reduzida (granitos) a muito reduzida (xistos), é muito pobre em aquíferos. Além de poucos, a maior parte deles tem também uma reduzida produtividade aquífera. A orla Ocidental - pela diversidade litológica que apresenta é a que possui mais sistemas de aquíferos, cerca de 30, cárcicos e porosos. Esta diversidade impl ica também uma produtividade muito variável. A orla Meridional - de composição litológica, semelhante a anterior, possui 17 sistemas de aquíferos com produtividade inferior. As Bacias Sedimentares do Tejo e Sado - formam a unidade hidrológica mais importante do país, pela extensão, espessura e produtividade dos seus aquíferos. Os aquíferos são reservatórios subterrâneos de água e tem vantagem, em relação às águas superficiais, de se encontrarem mais protegidos relativamente a eventuais fontes poluidores. Convém, no entanto, referir que têm também as suas vulnerabilidades, pois se ocorrem focos de poluição, torna-se praticamente impossível recupera-los, dada a sua localização subterrânea. 117
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    PROBLEMAS NA UTILIZAÇÃODA ÁGUA Consumo excessivo Diminuição das reservas Poluição 118 Salinização Alterações climáticas Desflorestaçã o Efluentes  Domésticos  Industriais  Agropecuários Eutrofização* *enriquecimento excessivo da água em matérias nutritivas. Geram a absorção exagerada de oxigénio e a consequente asfixia desse meio aquático. Causas da exploração/aproveitamento dos recursos hídricos A ocupação e o uso do solo à superfície são fatores muito importantes que podem conduzir à degradação da qualidade das águas, de forma muitas vezes irreversível. A utilização desregrada de fertilizantes, pesticidas e herbicidas ou a descarga de sustâncias toxicas no solo ou em cursos de águas superficiais pode conduzir à perda definitiva destas toalhas freáticas. Outro dos cuidados a ter prende-se com a captação de águas superficiais pode conduzir à perda definitiva destas toalhas freáticas. Apesar de os recursos hídricos subterrâneos renováveis representarem apenas 16% do total de recursos hídricos gerado em Portugal continental suportam cerca de 54% do consumo total de água anual. Esta situação reflete uma pressão humana muito maior sobre as águas subterrâneas do que sobre as águas superficiais, pois são utilizados anualmente 79% dos recursos hídricos renováveis, enquanto que os superficiais são utilizados apenas 13%. O setor responsável por esta situação é a agricultura, que “consume” cerca de 75% da água total e 89% da água subterrânea. O Algarve é de todas as regiões a mais dependente das águas subterrâneas uma vez que 80% do total das suas utilizações provêm dos aquíferos. Nas zonas litorais, a exploração intensiva das águas subterrâneas pode, a longo prazo, desencadear o risco de ocorrência de uma diminuição do nível dos lençóis freáticos e conduzir à intrusão de água do mar com a possibilidade de salinização das águas captadas.
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    119 A gestãodos recursos hídricos Os recursos hídricos são limitados, pois é necessário protege-los e conservá-los. No Continente a variabilidade da disponibilidade hídrica de superfície e subterrânea é extremamente elevada, quer em termos sazonais, quer em termos anuais. Verifica-se assim, períodos por vezes prolongados, em que a precipitação é significativamente inferior ou superior à média. O desafio coloca-se, então, na criação de um sistema eficaz que permita armazenar a água nos períodos de abundância para poder ser consumida nos momentos de carência ou seca. Até ao momento a opção tem sido a construção de barragens. Atividades humanas que interferem na quantidade e qualidade das águas A questão da quantidade está diretamente relacionada com o progressivo desenvolvimento da economia e da sociedade em geral. Sabe-se, pela experiencia dos países mais desenvolvidos, que existe uma relação entre desenvolvimento económico e consumo, sendo assim de esperar para os próximos anos um aumento constante nas necessidades de fornecimento á população e atividades produtivas. A questão da qualidade prende-se com a cada vez maior dificuldade em assegurar níveis mínimos de qualidade que não ponham em risco a saúde das populações. Esta situação crítica é, em Portugal, reforça pelo facto de uma parte considerável dos nossos recursos não se encontrar sob alçada dos nossos organismo, visto que as nossas bacias hidrográficas dos nossos principais rios situação em Espanha. A principal causa da degradação no nosso país, resulta de descargas de águas residuais de origem urbana e efluentes industriais, a par daquela que é proveniente das utilização de pesticidas e fertilizantes na agricultura. Isto leva a frequente eutrofização do meio aquático, com consequência da perda da qualidade da água, podendo levar a situações de elevada toxidade, com maior repercussão nos períodos de estiagem. Uma das formas de corrigir este problema e garantir o equilíbrio dos ecossistemas passa pelo tratamento das águas residuais em locais destinados para esse efeito – as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Risco na gestão dos recursos hídricos A Directiva-Quadro da Água defende que este recurso constitui um “património que deve ser protegido, defendido e tratado com tal”. Esta preocupação comunitária, ao nível da quantidade e da qualidade das águas, confirma a necessidade de ações que conduzem a uma gestão eficiente dos recursos hídricos. É de salientar que uma boa gestão implica a consciencialização de que os recursos hídricos são limitados sendo, necessário protege-los e conserva-los.
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    120 Ou seja:  Tem que haver uma boa gestão e consciencialização;  Uma alteração profunda das práticas relativas a sua utilização;  Uso eficiente;  Contenção de desperdícios;  Tratamento e aproveitamento das águas já utilizadas. Na agricultura são cada vez mais habituais técnicas mais eficientes no consumo de água:  Rega por aspersão;  Gota-a-gota;  Dispositivos de transportes de água que evitem as perdas por infiltração;  Utilização de espécies menos exigentes. Noutros setores promove-se a utilização de circuitos fechados, onde a água, depois de utilizada é tratada e utilizada de novo. Método este utilizado, na indústria e em grandes espaços residências. No entanto, há que referir que os hábitos de consumos são sempre difíceis de alterar. Para isto é necessário e fundamental apostar na educação ambiental. Os atuais jovens serão consumidores no futuro, assim como a alteração de comportamentos das famílias. Gestão dos recursos hídricos e os acordos internacionais Esta gestão passa obrigatoriamente pela articulação com o planeamento e gestão dos recursos hídricos da parte espanhola. O nosso país é subscrito de importantes convenções multilaterais e no plano bilateral, acordou com Espanha um conjunto de normas com vista à partilha dos recursos hídricos das 5 bacias hidrográficas internacionais – Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Com este acordo foram garantidos a Portugal caudais mínimos anuais e pela primeira vez foi consagrada a existência de uma comissão conjunta para analisar a aplicação desta Convenção. Decorrem, em simultâneo, as negociações no âmbito da UE, cujos trabalhos conduziram à aprovação da Diretiva-Quadro da Água. Lei-Quadro da Água – lei que assegura a transposição da Diretiva Quadro da Água, estabelecendo as bases para a gestão sustentável dos recursos hídricos e definindo todo um novo quadro institucional para o setor. MEDIDAS DE CONTROLO DA QUALIDADE DA ÁGUA Plano Nacional da Água (PNA) – define orientações de âmbito nacional para a gestão nacional para a gestão integrada das águas, fundamentadas em diagnóstico da situação atual e na definição de objetivos a alcançar através de medidas e ações.
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    Planos de BaciaHidrográfica (PBH) – definem orientações de valorização, proteção e gestão equilibrada da água, de âmbito territorial, para uma bacia hidrográfica ou agregação de pequenas bacias. Planos de Ordenamento de Albufeiras de Águas Públicas (POAAP) – regulamentam a gestão ordenada de albufeiras de águas públicas que tenham como fins principais a rega, a produção de energia hidrelétrica e abastecimentos às populações. 121
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    122 Os RecursosMarítimos AS POTENCIALIDADES DO LITORAL Atualmente estima-se que uma elevada percentagem da população mundial viva em áreas litorais ou em espaços que dependem fortemente das áreas litorais. As áreas litorais são espaços de grande beleza, diversidade e riqueza ecológica sendo, assim, muito valorizada socialmente. As facilidades ao nível das comunicações, a fertilidade dos solos, a possibilidade de fruição de paisagens únicas e a amenidade do clima proporcionada pela presença oceânica têm sido alguns fatores que justificam esta elevada concentração demográfica. PORTUGAL Também regista uma levada concentração demográfica no litoral, a ponto de se falar de litoralização do território. Apesar de se falar muito sobre o litoral, não existe um consenso sobre os limites deste espaço. A sua grande mobilidade e o elevado número de elementos atuantes (litosfera, hidrosfera e atmosfera) tornam a sua delimitação um desafio teórico difícil para a maioria dos especialistas e uma preocupação para quem tem responsabilidade no planeamento do território. Do ponto de vista jurídico e administrativo destacam-se, nesta áreas, o seu carater público e a proliferação de instituições de tutela que realizam a gestão por vezes com alguma sobreposição de competências. A ocupação das áreas litorais deve revestir-se de particular cuidado, respeitando o funcionamento dos ecossistemas e adotando um planeamento estratégico. Justificando assim uma abordagem sistémica, que implica um esforço acrescido na planificação e gestão. As definições são várias e dependem dos critérios utilizados que, por sua vez, resultam dos fins a que se destinam. ECOSSISTEMA – comunidade de organismo constituída por produtores, consumidores e decompositores, funcionalmente relacionados entre si e com o meio ambiente, e considerados com uma entidade única. Como proposta de delimitação apresentamos aquela que foi apresentada no Plano Geral de Monitorização da Orla Costeira de Portugal Continental – é um plano que visa abordar de uma forma integrada toda a área costeira, incluindo a faixa de plataforma continental até 30 km, bem como as águas de transição. DO LADO MAR – profundidade para além da qual as alterações morfológicas decorrentes dos processos de transporte longitudinais e normais à linha de costa passam a ser considerados desprezáveis.
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    DO LADO DETERRA – a linha para além da qual as formações costeiras naturais não são influenciadas pela ação e interação entre os diversos agentes da fisiografia costeira, nomeadamente a onda e o transporte eólico. Estas áreas destacam-se pela sua complexidade. O grande número de elementos atuantes transforma-as em espaços de ocupação condicionada, devendo adaptar-se uma perspetiva sustentável na ocupação territorial, procurando preservar os recursos atuais que as gerações futuras possam também desfrutar dos mesmos. A COSTA PORTUGUESA – tem uma extensão, com cerca, de 1845 km – distribuída por uma área continental cuja linha de costa possui uma dimensão aproximada de 942 km de comprimento, acrescida de 691 km do arquipélago dos Açores e de 212 km do arquipélago da Madeira, sendo uma das mais extensas dos países da UE. O litoral continental português, possuindo um contorno praticamente retangular, apresenta algumas de relevo particulares, que resultam, da constituição geológica das áreas em causa de ação erosiva do mar, a costa apresentam-se em algumas áreas alta e rochosa e noutras baixa e arenosa. A orla costeira, para além de estar sujeita a intervenção humana (extração de areias, urbanização crescente, etc.), é também alvo de constantes alterações naturais. De entre essas alterações naturais é de realçar os processos de desgaste, transporte e acumulação de materiais rochosos levados a cabo pelo mar e que se designa de erosão marítima – provocada pelo mar nas margens continentais ou insulares. A ação do mar sobre o litoral faz-se sentir essencialmente através da erosão mecânica (abrasão marinha – processo de desgaste mecânico, provocado pela ação do mar e dos materiais sólidos transportados pelas correntes marinhas.), sendo no entanto de descurar os processos de erosão química. Em toda a linha de costa o mar tem também uma intensa atividade de transporte e deposição de sedimentos. Estes sedimentos depositados vão dar origem a varias formas de acumulação de que são exemplos as praias, as restingas, os cordões litorais e os tômbolos. 123
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    TODOS OS ANOSPORTUGAL PERDE DEZ METROS DE COSTA Uma pequena parte da erosão costeira deve-se a causas naturais. A restante deve-se a ação do Homem – construção de barragens, extração de areias, edificação de esporões e proteções laterais, e construção desordenada em cima da linha de costa, nomeadamente em dunas e arribas. Intervenções possíveis para melhoramento da costa:  Construção de esporões de intervenção;  Deixa-se o mar avançar e nós recuamos;  Realimentar as praias, fortalecer e reconstruir as dunas e realizar a transferência de areias dos locais onde ela é artificialmente retida para as zonas erodidas a sul. 124 LITORAIS ROCHOSOS – AS ARRIBAS Normalmente resistentes à erosão, é comum encontrar formas de relevo altas e de paredes quase verticais, chamadas arribas – (ou falésia) forma particular de vertente costeira abrupta ou com declive forte, em regra talhada em rochas pela ação conjunta dos agentes marinhos, continentais e biológicos. Quando esta entra em contacto com o mar é alvo de escavamento na base pelo que se torna instável devido ao aumento de declive e à falta de suporte. As ondas de conjunto com os detritos arrancados à base da arriba vão acelerar o processo de escavamento. Esta instabilidade induz a movimentos de massa de diversos tipos como desabamentos, deslizamentos, queda de blocos e fluxos de detritos, razão pela qual a ocupação pelo homem deve obedecer a critérios rígidos de modo a evitar situações de risco desnecessário. Esta ação contínua do mar provoca o progressivo recuo da arriba levando a que, a pouco e pouco, as ondas deixem de atacar a sua parte inferior, transformando a arriba viva numa arriba morta (ou fóssil). Esquema representativo do desmoronamento e recuo progressivo das arribas
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    125 LITORAIS ARENOSOS– AS PRAIAS Com costa baixa, encontramos as praias. A origem dos sedimentos (areias) que as constituem é diversa, podendo resultar da desagregação das arribas ou do transporte fluvial e posterior deslocamento e deposição por ação das correntes marítimas. As inúmeras construções de barragens ao lado dos principais rios tem conduzido a uma crescente retenção dos sedimentos, reduzindo a alimentação ao longo da costa. Como as correntes litorais deixam de repor os materiais retirados pela ação erosiva do mar, a consequência tem sido o estreitamento progressivo destas acumulações de areia. Nos últimos anos têm sido desenvolvidos esforços no sentido de diminuir os efeitos deste estreitamento, que através de uma cuidadosa intervenção ao nível da cobertura florestal, quer através da construção de paliçadas vegetais semipermeáveis. Em Portugal, tem-se verificado o progressivo aumento da subida do nível medio das águas do mar. Este aumento não é fácil de quantificar mas está diretamente relacionado com o aumento da temperatura do planeta que, por sua vez, resulta do aumento da concentração dos gases responsáveis pelo efeito de estufa. Pode-se assim concluir, que a ocupação do litoral não pode continua a fazer-se como se nada não estivesse acontecer. AS DUNAS – formas de acumulação eólica cujo material de origem são areias marinhas. Estas são muito frequentes ao longo de toda a costa, que se caracterizam pela sua elevada mobilidade. Este movimento é tanto mais importante quanto menos for a proteção proporcionada pela cobertura vegetal. Com a intervenção do homem, alterou-se estas áreas, transformando-as em campos agrícolas, como por exemplo as masseiras, ou para ocupações menos validas, com uma urbanização descontrolada. ESTUÁRIOS DE DELTAS Os estuários e os deltas localizam-se na foz dos cursos de água, e estendem-se pelo rio até onde se faz sentir a presença da água salobra. No mar prolonga-se até onde vai a corrente fluvial. Estuário – parte terminal de um rio, constituída por um braço que geralmente se alarga e aprofunda junto à foz. Delta – forma de acumulação que surge quando há colmatação na desembocadura do rio, originando que este se ramifique em vários braços. Os estuários, o balanço sedimentar é geralmente negativo, ao contrário do que se passa nos deltas. Nestes o avanço da área da foz costuma ser habitual em resultado da forte acumulação de materiais de origem sedimentar. Na costa portuguesa apenas os rios Vouga e Tejo desaguam em delta interiores, enquanto todos os outros fazem através de estuários, estas áreas são ecologicamente muito
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    importantes, pois aíresidem inúmeras espécies vegetais e animais únicas e servem habitualmente como local de passagem e nidificação de muitas espécies migratórias. As costas lagunares – habitualmente formadas em costas baixas, são constituídas por uma zona húmida – laguna (massa de água pouco profunda, ligada ao mar por um pequeno canal), isolada do mar por um cordão litoral ou por uma restinga. As mais importantes são o haff-delta de Aveiro e a ria Formosa. Outras de menor importância (lagoa de Óbidos, lagoa de Albufeira, lagoas de Melides, Santo André e Chanca) constituem também valioso ecossistema, que urge preservar. A maior parte das lagunas apresenta sinais evidentes de assoreamento, que conduzem a uma eutrofização progressiva. Para minimizar os efeitos deste processo é periodicamente efetuada uma abertura no sistema, de modo a fazer-se a renovação das águas e a entrada de novos exemplares piscícolas. 126
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    127 A PLATAFORMACONTINENTAL A estrutura das áreas litorais, apesar da grande diversidade de situações, apresenta um conjunto de unidades que, de forma mais ou menos desenvolvida, estão habitualmente presentes. Estas unidades são, da costa para o mar, a plataforma continental, o talude continental e a zona abissal. A plataforma continental vai até cerca de 200 metros de profundidade. É de todas a mais importante por ser aquela onde a riqueza de recursos piscícolas é maior. Este facto deve -se à conjugação de uma serie de fatores dos quais se destacam:  Riqueza de nutrientes, transportados pelos rios, os quais dão origem a grandes quantidades de pequenos organismos vegetais e animais, que constituem a base alimentar de inúmeras espécies – o plâncton;  A reduzida profundidade das águas, o que aumenta os índices de luminosidade, facto fundamental para a realização de fotossíntese pelo fitoplâncton;  Os elevados teores de oxigénio, em resultado da constante agitação das águas;  O teor de sal relativamente baixo, em resultado da mistura da água do mar com aquela que é proveniente dos rios. A nossa plataforma continental não é das mais extensas, raramente ultrapassando os 60 km de largura. Nestas áreas são fundamentais as correntes marítimas, pois contribuem para a renovação das águas e dos nutrientes, aumentando a variedade de espécies marinhais. Portugal situa-se numa área onde se encontram massas de água com diferentes proveniências, as correntes marítimas, das quais poderíamos destacar:  As águas profundas do Atlântico Norte;  As águas de origem mediterrânica;  As águas do Atlântico Norte; Estas contribuem de forma decisiva para a nossa riqueza piscícola.
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    Por Portugal passauma corrente com origem no Golfo do México – corrente de Portugal, mas que ao longo do seu trajeto foi alterando progressivamente as suas características e o seu grau de salinidade. Existem outros movimentos, em profundidade, que tem grande importância na quantidade de recursos piscícolas o upwelling – corrente marítima ascendente, rica em nutrientes e diretamente relacionada com a existência de plâncton e diversas espécies piscícolas, que alimentam algumas espécies fundamentais para o nosso país, tal como a sardinha. São impulsionadas pela ação dos ventos à superfície. Este fenómeno, dá-se principalmente no verão. Constitui um movimento ascendente de águas profundas promovido pela ação do vento à superfície, principalmente quando este sopra da terra para o mar. 128 ATIVIDADE PISCATÓRIA Portugal, enquanto Estado costeiro, continental e insular, possui, para além do mar territorial e da respetiva zona contígua, uma das mais extensa Zona Económicas Exclusivas (ZEE) – desde 1982 que a ZEE de cada país é de 200 milhas, a partir da linha de costa, os países costeiros: detêm os direitos de exploração e administração de todos os recursos (até do subsolo). O nosso país possui a maior ZEE dos países da Europa e também uma das maiores do mundo. Atividade piscatória deveria representar para Portugal uma importante fonte de receitas e empregar um número de trabalhadores muito superior àquela que emprega atualmente. Só certa de 5% da população ativa do setor primário represente este subsetor é de facto, desproporciona-te face à importância do nosso espaço marítimo.
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    É importante queo nosso país faça um esforço para reforçar as atividades de investigação, desenvolvimento e patrulhamento deste imenso espaço, para melhor o poder explorar e proteger. Nas últimas décadas esta atividade no nosso país tem vindo a perder importância, apresentando neste momento um peso no PIB que ronda os 0,8%. No entanto, continua a manter relações importantes com outras atividades: construção e reparação naval, fabrico de utensílios de pesca, indústria conserveira e toda a área de comercialização, pelo que a sua importância está longe de ser negligenciável. FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A RIQUEZA PISCATÓRIA: 129  Características térmicas;  A salinidade;  Poluição das águas;  A luz;  Afluência das águas continentais;  Disponibilidade de nutrientes;  Oxigénio;  Profundidade da água;  As intensidades das ondas;  As correntes marítimas;  Agitação das águas. Tendo em conta as áreas onde é praticada, a tipologia das embarcações e o tipo de técnicas que utiliza, podemos considerar, para efeitos de estudos, três tipos de pesca: PESCA LOCAL – realizada perto da costa (até as 12 milhas) e nas águas interiores. É habitualmente uma pesca executada com técnicas artesanais, que se pratica com embarcações de pequena dimensão, pequena tAB (unidade média, que exprime a capacidade total de carga de uma embarcação), e em que o tempo no mar não vai além de um período máximo de 24 horas. PESCA COSTEIRA – realizada para lá das 12 milhas, possuí uma duração entre uma a duas semanas. Utiliza embarcações de maior dimensão e tecnologicamente mais avançadas, com mecanismos de conservação do pescado. PESCA LONGÍNQUA OU LARGO – pratica-se nas principais áreas de pesca mundial, com embarcações dotadas da mais moderna tecnologia e onde o pescado é rapidamente transformado, congelado, e em alguns caso embalado. Trata-se de um tipo de pesca industrial, que exige investimentos muito avultados. O volume das capturas é elevado, e estas efetuam-se em águas internacionais ou em ZEE de outros países, obedecendo por isso a rígidas normas internacionais.
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    CONTRASTES ENTRE APESCA ARTESANAL E INDUSTRIAL 130
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    131 AS PRINCIPAISÁREAS DE PESCA A ZEE portuguesa apresenta um volume relativamente reduzido de pescado, tanto em quantidade como diversidade de espécies. Por esse motivo, a atividade piscatória nacional, para além de ocorrer na nossa ZEE, também se desenvolve em pesqueiros externos em águas internacionais, das quais se destacam a zona NAFO (Organização das pescarias do Noroeste Atlântico), a Islândia e Marrocos. Globalmente, a nossa produção de pescado tem vindo a diminuir ao longo do tempo. Das espécies mais capturadas pela frota portuguesa destacam-se a sardinha, a cavala, o carapau, os polvos, o atum e outros similares.
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    132 As infraestruturasportuárias e a frota Pode-se caracterizar a frota pesqueira portuguesa como pequena, mal equipada e com reduzida produtividade. A situação de crise tem-se agravado ainda mais devido à incapacidade de renovação das embarcações portuguesas, que limitam fortemente a nossa capacidade de concorrer com as frotas de outro país da UE, em particular com a espanhola. Os subsídios atribuídos para a renovação não tiveram resultados positivos, ao mesmo tem que se assiste a uma diminuição constante das quotas de pesca atribuídas pela UE ao nosso país. Estas quotas são definidas com base nos Totais Admissíveis de Capturas (TAC) – níveis máximos de captura autorizados. Para todos os países da UE. Outro problema tem sido o do progressivo esgotamento dos stocks de determinadas espécies piscícolas. Apesar da fixação de áreas de pesca, de defesos (período em que é proibida a captura um uma espécie), da atribuição de subsídios de imobilização e do controlo da malha das redes utilizadas, algumas espécies de grande relevância tiveram quebras acentuadas nas suas capturas. Apesar destes indicadores, Portugal continua a ser uma dos países da Europa com maior consumo de peixe per capita, com um valor médio de 59,3 kg (2004). Apresenta, assim, um desempenho bem menos positivo em termos de produção, o que demonstra, por um lado, a importância que este setor continua a ter para a população portuguesa. Estes hábitos alimentares acabam por ser responsáveis por elevados volumes de peixe importando: mais de 340 mil toneladas em 2004, o que representa, mais do dobro de todo o pescado por nós capturado. Estas importações representam cerca de 1000 milhões de euros, contribuindo para acentuar o desequilíbrio da nossa balança de transações. Numa costa predominantemente rectílinea, exposta sobretudo aos ventos do norte (nortada) e de sudoeste, como é o caso da maior parte da costa portuguesa, os acidentes litorais (embocaduras dos rios, barras, acidentes geológicos relevantes) foram aproveitados, desde tempos mais ou menos recuados, para a localização de portos de pesca e dos portos comerciais atuais. Relativamente aos principais portos de pesca, a tendência tem sido para a concentração do desembarque naqueles que apresentam melhores infraestruturas: Matosinhos, Peniche, Olhão, Sesimbra, Portimão, Figueira da Foz, Sines e Aveiro. Principais portos Portugueses
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    133 A QUALIFICAÇÃODA MÃO-DA-OBRA A população ativa neste setor tem vindo a diminuir progressivamente nas últimas décadas, tendo cerca de 35 mil pessoas, em 1991, passando para 22 mil, em 2004. Na década de 50 este valor ultrapassava os 45 mil efetivos. Estruturalmente o pessoal da pesca carateriza-se pelo predomínio de uma população envelhecida (a idade media ronda os 42 anos) e com um nível de qualificação insuficiente, apesar dos esforços que têm sido desenvolvidos para contrariar esta situação. A aposta na formação profissional continua a não dar os resultados esperados, apesar da proliferação dos centros de formação (disseminados pelos principais portos de pesca do continente) e dos apoios desmobilizados pela União Europeia, através do Fundo social Europeu. O baixo de nível de qualificação da mão-de-obra e, consequentemente, a sua baixa produtividade é um dos principais condicionalismos do setor. Exige-se, um reforço no esforço de valorização dos recursos humanos deste setor, correndo o risco, se tal não acontecer, de condicionarmos de forma irremediável o futuro da atividade piscícola em Portugal. GESTÃO DO ESPAÇO MARÍTIMO A litoralização crescente, traduzida na fixação da população e das diferentes atividades económicas, aliada à utilizada do mar, tem levantado problemas de varia ordem, dos quais de destacam as dificuldades na gestão e controlo da nossa ZEE, sobre-exploração dos recursos e população das águas. GESTÃO E CONTROLO DA NOSSA ZEE Portugal possui uma das maires ZEE’s da Europa com cerca de 1,6 milhões de km2, ou seja, cerca de 17 vezes a sua área terrestre. Sendo este vasto espaço de importância estratégica em termos ambientais, económicos e sociais, impõe-se que o nosso país realize a sua eficiente gestão. Zona Económica Exclusiva (ZEE) Portuguesa
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    A gestão doespaço marítimo português faz-se atualmente em sintonia com as orientações emanadas para os restantes países comunitários que possuem a ZEE. Nas próximas décadas, a UE procurará, por um lado, a criação de melhores condições de trabalho para os pescadores europeus e, por outro, a salvaguarda dos recursos marinhos, com o controlo da degradação das reservas de várias espécies. A Nova Politica Comum da Pesca (conhecida por Europa Azul – tem como objetivo “garantir que a exploração dos recursos aquáticos vivos crie condições sustentáveis dos pontos de vista económico, ambiental e social ) constitui assim um enorme desafio. A SOBRE-EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS PISCÍCOLAS Visível na captura de juvenis, através da utilização de rede de malha estreita, e na utilização de técnicas como o arrasto, tem contribuído para a diminuição dos stocks de algumas espécies. Torna-se assim fundamental desenvolver não só um controlo e uma apertada fiscalização da atividade piscatória, bem como a investigação do domínio dos recursos piscícolas que permitem avaliar o estado dos stocks das diferentes espécies. Em Portugal, cabe ao Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), realizar a avaliação dos recursos, o ordenamento da pesca litoral e avaliação dos impactos da tecnologia na pesca, entre outras. 134 A POLUIÇÃO DAS ÁGUAS A poluição das áreas litorais e do oceano é hoje uma realidade preocupante. Isto deve-se a litoralização e urbanização, bem como o desenvolvimento de algumas atividades económicas, em particular a industria e o turismo, que têm contribuído para o crescente aumento da poluição nas áreas costeiras. Junta-se ainda aqueles que ocorrem nas águas oceânicas. É exemplo disso o derrame de crude, resultante de descargas, lavagem de tanques ou acidentes com petroleiros, que originam as conhecidas marés negras – grandes quantidades de petróleo derramado no mar. Dada a localização do território nacional, o nosso espaço marítimo apresenta um elevado risco de poluição, devido a ser um local de passagem para uma grande quantidade de navios, muitos dos quais transportando hidrocarbonetos ou outros produtos perigosos. A sobre-exploração dos recursos piscícolas e a contaminação das águas têm contribuído para a degradação do litoral. Como forma de minimizar a degradação das áreas litorais, surgiram os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC’s), que têm como objetivo planear, de forma integrada, os recursos do litoral, estabelecendo regras para a util ização de toda a orla costeira. Estes planos são da iniciativa da administração central e encontram-se articulados com os Planos Diretores Municipais (PDM’s) dos municípios abrangidos.
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    A RENTABILIDADE DOLITORAL E DOS RECURSOS MARÍTIMOS Portugal terá de fazer um esforço grande nos próximos anos para aumentar a rentabilidade dos seus recursos marítimos. As medidas para aumentar a competitividade do setor das pescas não são especificas – muitas são transversais aos restantes setores económicas – e passam por:  Fixação de quotas apertadas, para evitar a delapidação dos recursos marítimos;  Reforço das operações de vigilância, para evitar utilizações abusivas e predatórias;  Redução da frota de alguns sectores menos rentáveis;  Modernização da frota pesqueira;  Utilização de novas técnicas de captura, mais eficientes mas mais “amigas do 135 ambiente”;  Apoio financeiro às atividade de I&D (investigação e desenvolvimento);  Regulamentação dos circuitos profissionais;  Aumento das iniciativas de formação profissional;  Reforço do investimento em setores subaproveitados;  Negociação de acordos de cooperação com países detentores de recursos. Uma das áreas que pode servir de exemplo para ilustrar as estratégias futuras de desenvolvimento do setor é a aquicultura – exploração piscícola em rios, no mar ou nas proximidades, garantindo a produção industrial de várias espécies em quantidade e qualidade. Existem vários regimes de exploração possíveis:  O regime extensivo – assegura a alimentação dos animais pela passagem da água e respetivos nutrientes nos tanques;  O regime semi-intensivo – recorre, de forma menos parcial as rações indústrias;  O regime intensivo – a alimentação destes, é assegurada apenas por rações. Atualmente as espécies aquícolas mais importantes são a amêijoa, a dourada e a truta. Em termos de distribuição geográfica, o Algarve domina claramente, com mais de metade da produção. Do ponto de vista estrutural, podemos caracterizar estas explorações como artesanais, de pequena dimensão, tecnicamente pouco evoluídas e onde domina o regime extensivo. Para além disto, o mar oferecem-nos ainda mais um conjunto muito vasto de outros recursos que importa explorar de forma sustentada. Destes recursos, salienta-se a produção de energias renováveis (eólica) e o aproveitamento de energia das ondas e das marés (ou maremotriz), as quais constituem um dos desafios a vencer, dada a elevada dependência energética do nosso país. O solo e subsolo marinhos de Portugal encerram ainda um outro conjunto de recursos, como hidrocarbonetos e minerais (manganês, estanho e volfrâmio…), alguns dos quais passiveis de exploração. O mar permite ainda a extração de sal e a apanha de algas para a indústria farmacêutica e alimentar.
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    A grande extensãoda nossa costa é um elemento fundamental para que a atividade turística assuma um papel de particular importância, nomeadamente no turismo balnear e nos desportos aquáticos. A possibilidade de proceder à dessalinização de água do mar para fazer face à escassez de água potável é outro dos recursos que o mar nos oferece. Este processo, embora sendo pouco utilizado nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, está ainda pouco vulgarizado, devido aos elevados custos. Pode-se concluir, que o mar constitui uma enorme fonte de recursos, que vão muito além da atividade piscatória e que importa conhecer e explorar de forma sustentável. Justifica-se assim que para o futuro esta exploração do espaço marítimo se transforme numa das estratégias centrais de desenvolvimento do nosso país. Potencialidades do litoral Linha de costa Plataforma continental Correntes marítimas 136  Costa de arriba  Costa de praia  Ação do mar sobre a linha de costa  Recuo das arribas  Acidentes do litoral Maior quantidade e diversidade da fauna marinha Em Portugal Relativamente estreito no Continente Quase inexistente nas Regiões Antónomas Condições favoráveis à existência de pescado Em Portugal Correntes de Portugal Fenómeno de upwelling de verão Corrente fria das canárias Influencia a atividade piscatória Influência na localização dos principais portos marítimos
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    Capitulo 3 Osespaços organizados pela população: 137 As áreas rurais em mudança As áreas urbanas - dinâmicas internas A rede urbana e as novas relações cidade/campo
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    138 Áreas ruraise urbanas As áreas rurais em mudança As fragilidades dos sistemas agrários e dos espaços rurais A agricultura tem vindo a perder importância na ocupação da população ativa e na economia portuguesa. Apesar da modernização de alguns sistemas de produção, sobretudo após a adesão à UE, a agricultura continua a enfrentar problemas que se prendem, essencialmente, com as estruturas fundiárias, os níveis de rendimento e produtividade, a qualificação profissional dos agricultores e adequação dos usos do solo às suas aptidões naturais. Em Portugal, esta atividade económica cuja contribuição para a riqueza é expressa, por exemplo, no Produto Interno Bruto e no Valor Acrescentado Bruto, tem vindo a decrescer. A tendência de diminuição mantem-se, a exemplo do que acontece nos restantes Estados-membros da UE e deve-se, essencialmente, ao desenvolvimento das atividades dos setores secundários e terciários, havendo um aumento que tende a crescer, sobretudo no setor terciário. Este setor ainda mantém ainda algum peso na criação de emprego e detém uma grande importância na ocupação do espaço e na preservação da paisagem, constituindo mesmo a base económica essencial de algumas áreas acentuadamente rurais do país.
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    PIB – ProdutoInterno Bruto – valor de todos os bens e serviços produzidos num país, por empresas nacionais ou estrangeiras, num dado período, geralmente um ano. VAB – Valor Acrescentado Bruto – Diferença entre o valor da produção e o valor dos custos dessa produção. Principais fatores condicionantes da agricultura A agricultura portuguesa é influenciada por fatores naturais e humanos de ordem historia, cultural e política (nacional e comunitária). Principais fatores fisicos Clima Recursos hidricos Fertilidade do solo Relevo Clima – um dos fatores que mais condiciona a produção agrícola, pela temperatura, mas sobretudo pela irregularidade da precipitação. Recursos hídricos – fundamental para esta produção, pelo que esta se torna fácil e abundante em áreas onde a precipitação é maior e mais regular. Em áreas de menor precipitação, é necessário recorrer a sistemas de rega artificial. 139 Fertilidade do solo Natural – depende das características geológicas, do relevo e do clima. Criadas pelo Homem – fertilização e correção dos solos, influencia diretamente a produção, tanto em quantidade como em qualidade. Em Portugal, predomina os solos de fertilidade natural média ou baixa, o que condiciona bastante a agricultura. Relevo plano - quando este predomina, a fertilidade dos solos é geralmente maior, assim como a possibilidade de modernização das explorações. Se o relevo é mais acidentado, a fertilidade dos solos torna-se menor e há maior limitação no uso da tecnologia agrícola e no aproveitamento e organização do espaço. Principais fatores humanos Passado histórico Objetivo da produção Tecnologias e práticas utilizadas Políticas agrícolas
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    Passado histórico –um dos fatores que permite compreender a atual ocupação e organização do solo. Aspetos como a maior ou menos densidade populacional e acontecimentos ou processos históricos refletem-se, ainda hoje, nas estruturas fundiárias – dimensão e forma das propriedades rurais. No Norte, a fragmentação da propriedade foi favorecida por fatores como:  O relevo acidentado, a abundancia de água e a fertilidade natural dos solos;  O carater anárquico do processo da Reconquista e parcelamento de terras pelo clero e 140 pela nobreza;  A elevada densidade populacional;  A sucessiva partilha de heranças beneficiando igualmente todos os filhos. No Sul, o predomínio de grandes propriedades está relacionado com:  O relevo mais ou menos aplanado, o clima mais seco e a menor fertilidade natural dos solos;  A feição mais organizada da Reconquista e a doação de vastos domínios nobres e às ordens religiosas militares. Objetivo de produção – fator que influencia a ocupação do solo. Autoconsumo – explorações geralmente de menor dimensão e, muitas vezes, continuam a utilizar técnicas mais artesanais. Tecnologia moderna – produção que se destina ao mercado, as explorações tendem a ser de maior dimensão e mais especializadas em determinados produtos, utilizando maquinas, sistemas de rega, estufas, etc., o que contribui para uma maior produtividade do trabalho e do solo. Politicas agrícolas – orientações e medidas legislativas – quer nacionais quer comunitárias (UE), são atualmente fatores que grande importância, uma vez que influenciam as opções dos agricultores relativamente aos produtos cultivados, regulamentam práticas agrícolas, como a utilização de produtos químicos, criam incentivos financeiros, apoiam a modernização das explorações, etc. As paisagens agrárias Espaço rural – parte que ocupa significativa do território português e nele se desenvolve as atividades agrícolas, mas também outras, como o artesanato, o turismo e produção de energias renováveis. No espaço rural, destaca-se o espaço agrário – áreas ocupadas com a produção agrícola (vegetal e animal), pastagens e florestas, habitações dos agricultores e, ainda infraestruturas e equipamentos associados à atividade agrícola (caminhos, canais de rega, estábulos, etc.). No espaço agrário individualizam-se:  Espaço agrícola – área utilizada para a produção vegetal e/ou animal;  Superfície Agrícola Utilizada (SAU) – área do espaço agrícola ocupada com culturas.
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    Paisagens agrárias –diferentes culturas, forma e o arranjo dos campos, a malha dos caminhos e tipo de povoamento. Paisagens agrárias 141 Sistema de culturas Ocupação do solo Intensivo Extensivo Culturas Policultura Monocultura Necessidade de água Regadio Sequeiro Morfologia dos campos Dimensão Pequena Média Grande Forma Regular Irregular Vedação Campo aberto Campo irregular Povoamento Disperso Concentrado Misto Sistemas de cultura – conjunto de plantas cultivadas, forma com estas se associam e técnicas utilizadas no seu cultivo – são diferentes de região para região, devido, a fatores relacionados com o relevo, o clima e os solos. Sistemas intensivos – o solo é total e continuamente ocupado e, nos tradicionais, é comum a policultura – mistura de culturas no mesmo campo e colheitas que se sucedem umas às outras. São sistemas utilizados em áreas de solos férteis e de abundancia de água, mesmo no verão, e de mão-de-obra agrícola numerosa. Por isso, predominam as culturas de regadio – que precisam de rega regular – predominantes nas regiões agrarias do Litoral Norte, Madeira e algumas ilhas dos Açores. Trás-os-Montes e o Alentejo, não há uma ocupação permanente e contínua do solo. Pratica-se a rotação de culturas – superfície agrícola dividida em folhas (setores) que, rotativamente, são ocupadas com culturas diferentes, alternando os cultivos de varias espécies, de forma a melhorar a qualidade dos solos. Por vezes é utlizado o pousio – uma folha permanece em descanso sem qualquer cultivo (pastagem). Este sistema é tradicional utilizado em áreas de solos mais pobres e secos no verão, associando-se à monocultura – cultura de um só produto no mesmo campo – e às culturas de sequeiro – com pouca necessidade de água. Atualmente, os sistemas extensivos (sem pousio) associam-se a uma agricultura mecanizada e voltada para o mercado, sobretudo nas regiões do Alentejo e do Ribatejo e Oeste. As paisagens agrárias são também caracterizadas pela morfologia – aspeto dos campos no que respeita à forma e dimensão das parcelas e à rede dos caminhos.
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    Explorações de pequenasdimensões – constituídas por varias parcelas de forma irregular e quase sempre vedadas – campos fechados – com muros ou renques de árvores ou arbustos, que delimitam a propriedade e protegem as culturas do vento e da invasão do gado. Verificadas principalmente Entre Douto e Minho, Beira Litoral, Algarve, Madeira e algumas ilhas dos Açores. Explorações de média e grande dimensão – vastas parcelas de forma retangular, sendo atualmente delimitadas por sebes metálicas, eram tradicionalmente campos abertos – sem vedação. Predominantes no Alentejo e no Ribatejo e Oeste. A diversidade das paisagens agrárias resulta também das diferentes formas de povoamento, que variam desde a aglomeração total à pura dispersão. 142 Emparcelamento É um agrupamento de pequenas parcelas, de forma a constituir conjuntos mais vastos que viabilizem a introdução de tecnologias modernas, de forma a aumentar o rendimento e a produtividade. Esta prática é uma solução para o problema da estrutura fundiária típico da região de Entre-Douro-e-Minho. Vantagens do Emparcelamento:  Pode levar ao aumento da produtividade e do rendimento;  Mecanização racional de um maior número de explorações agrícolas;  Introdução de novas culturas e de novas tecnologias;  Diminuição do tempo e esforço empregues na agricultura;  Diminuição dos custos de produção. Características das explorações agrícolas A distribuição regional das explorações, segundo o seu número, evidencia o contraste Norte- Sul e reflete as desigualdades no que respeita à sua dimensão. A tendência atual é de redução do numero de explorações e, consequentemente, do aumento da sua dimensão média. No Norte de Portugal Continental (Beira Litoral, Entre Douro e Minho), predominam as explorações de pequena dimensão que, correspondem a minifúndios – pequena propriedade.
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    Pelo contrário, noSul (Alentejo) predominam as explorações de grande dimensão que, constituíram latifúndios. Nas regiões autónomas, dominam a pequena dimensão das explorações, sobretudo na Madeira. Em Portugal, o grande número de pequenas explorações condiciona o desenvolvimento da agricultura, uma vez que esta limita a mecanização e a modernização dos sistemas de produção. Estas características das explorações refletem-se na sua dimensão económica. Distribuição das explorações por região agraria, em 2008. 143
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    144 Quadro Resumodas Paisagens Agrárias
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    Distribuição, estrutura eformas de exploração da SAU Superfície Agrícola Utilizada (SAU) está associada à extensão das explorações, pelo que apresenta também uma distribuição regional marcada pela desigualdade, salientando-se o Alentejo com cerca de metade da SAU nacional. Esta desigualdade deve-se, especialmente, às características do relevo e a ocupação humana. O relevo aplanado, a fraca densidade populacional e o povoamento concentrado permite a existência de vastas extensões de áreas cultivadas, no Alentejo. Nas regiões de relevo mais acidentado, maior densidade populacional e povoamento disperso, como a Madeira, a Beira Litoral e Entre Douro e Minho, a áreas ocupada pela SAU é menor. 145 SAU engloba:  Terras aráveis – ocupadas com culturas temporárias (de ciclo vegetativo anual ou que tem de ser ressemeadas com intervalos inferiores a cinco anos) e com os campos em pousio;  Culturas permanentes – plantações que ocupam as terras durantes um longo período, com um olival, uma vinha, um pomar, etc.;  Pastagens permanentes – áreas onde são semeadas espécies por um período superior a cinco anos, destinadas ao pasto de gado;  Horta familiar – superfície ocupada com produtos hortícolas ou frutos destinados a autoconsumo. Na Beira Litoral, as terras aráveis ocupam mais de metade da SAU, seguidas das culturas permanentes. As culturas permanentes têm maior importância no Algarve e na Madeira, onde a produção de frutas e vinho é importante. As pastagens permanentes ocupam a totalidade da SAU dos Açores, onde as condições climáticas favorecem a formação de prados naturais e a criação de gado bovino é muito importante, e cerca de dois terços no Alentejo, onde o aumento das pastagens permanentes reflete o investimento na criação de prados artificiais, com recurso a modernos sistemas de rega, sobretudo para gado bovino. O agricultor nem sempre é proprietário das terras que explora, pelo que podem considerar-se duas principais formas de exploração da SAU:  Conta própria – o produtor também é proprietário; É considerado vantajoso. O proprietário procura obter o melhor aproveitamento da terra, visto que está a cuidar do que é seu, preocupa-se com a preservação dos solos e investe em melhoramentos fundiários, como a construção de redes de drenagem, a colocação de instalações de rega permanentes, etc.  Arrendamento – o produtor paga um valor ao proprietário da terra pela sua utilização. Pode ser desvantajoso, pois os arrendatários nem sempre se interessam pela valorização e preservação das terras, preocupa-se mais em tirar delas o máximo proveito durante a vigência de contrato.
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    146 A produçãoagrícola nacional A produção agrícola reflete as diferenças atrás enunciadas, sobretudo das condições naturais, que influenciam os produtos cultivados em cada região. Apesar das dificuldades impostas pela dimensão média das explorações, sobretudo no Norte do País e na Madeira, tem-se verificado uma tendência de aumento do valor da produção vegetal e animal. As pequenas oscilações anuais do valor da produção vegetal resultam das alterações dos preços de mercado e das diferentes condições meteorológicas verificadas durantes os ciclos vegetativos. Estes fatores refletem-se também na estrutura do valor da produção. No setor vegetal, a superfície ocupada pelas principais culturas e o volume da produção de cada uma delas apresenta também algumas desigualdades. Rendimento agrícola – relação entre a produção e a superfície cultivada (kg/ha; t/ha; hl/ha). Atualmente, utiliza-se a expressão rendimento da atividade e rendimento do agricultor, em valor monetário. Culturas industriais – que se destinam à transformação industrial – como o tomate e o girassol, devido ao recurso de fertilizantes químicos e à aposta na modernização dos trabalhos agrícolas. Estas culturas são produzidas na totalidade no Alentejo e Ribatejo e Oeste, onde verifica-se maior modernização. As principais culturas Produção vegetal  Cereais: o Trigo – cereal de sequeiro, cultivado em sistema extensivo, que ocupa a maior parte da área dedicada às culturas cerealíferas e apresenta uma produção anual irregular, muito dependente e vulnerável às condições meteorológicas. O Alentejo é onde se verifica valores de maior produção, de seguida Trás-os- Montes e o Ribatejo e Oeste. Esta revela-se insuficiente para dar resposta as necessidades do mercado nacional, o que obriga a importação elevada do mesmo. o Milho - cereal de regadio, os valores máximos de produção registam-se Entre Douro e Minho, Beira Litoral e Ribatejo e Oeste. Usado sobretudo para alimentação de gado, é atualmente o cereal com maior valor e volume de produção no país, apesar de ser insuficiente para responder as necessidades nacionais. o Arroz – exige solos alagados e temperaturas elevadas, para se desenvolver, localizando-se nas planícies aluviais dos principais rios português (Mondego, Tejo, Sado, Sorraia). O rendimento agrícola deste produto têm vindo a aumentar, mas a produção total obtida é ainda deficitária em relação ao nosso mercado.
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     Batata –este produto revela uma grande importância na dieta alimentar dos portugueses, a sua cultura está disseminada por todo o território nacional, com registo mais elevados na Beira Litoral, Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e do Ribatejo e Oeste. Apresenta grandes irregularidades de produção, devido à sua sensibilidade às pragas e às condições meteorológicas.  Vinha – cultivada por todo o país, sendo a produção de grande significado económico, representando mais de metade do valor das exportações portuguesas de produtos agrícolas. A produção viticultura organizada em Regiões Demarcadas, que garantem a qualidade e diversidade, agrupando-se assim nos seguintes tipos: verdes, maduros e generosos, com destaque, o vinho do Porto, com projeção a nível internacional.  Azeite – mediterrânico por excelência, é um dos produtos mais importantes para a nossa agricultura, encontrando-se por todo o país. Apresenta grandes variações de colheita para colheita, devido a irregularidade meteorológica, registando-se valor mais elevados no Alentejo, Trás-os-Montes e Alto Douro. Atravessa um período de crise, atualmente, provocado pelo custo de mão de obra, pois a dificuldade de mecanização, do envelhecimento de muitos olivais e da concorrência em relação ao consumo dos óleos alimentares. 147  Culturas Industriais: o Tomate – a sua cultura tem como destino a transformação industrial (concentrados), destinados grande parte para exportação. As regiões de produção são o Alentejo e Ribatejo e Oste. O excesso de produção no espaço comunitário levou a introdução de quota que penalizou este setor. o Girassol – cultura recente no país, destinada a produção de óleos alimentares. Com áreas de eleição de produção no Alentejo e Ribatejo e Oeste , o Beterraba-açucareira – cultura recente em Portugal, as áreas de áreas de produção tem vindo a aumentar, localizando-se, nas regiões do Alentejo e Ribatejo e Oeste. o Tabaco – a área e o volume de produção tem vindo a aumentar progressivamente, sendo a Beira Interior a região onde a sua cultura tem mais expressão.  Fruticultura – o nosso país é ótimo para este tipo de cultura, sendo um dos setores da agricultura que mostra mais potencialidades. Com destaque dos citrinos, em especial no sul do país, a pêra rocha, a maçã e frutos tropicais, como a banana, o ananas e o kiwi.  Horticultura – com excelentes condições, no que diz respeito ao clima, destacando-se as mais importantes áreas agrarias do Ribatejo e Oeste e o Algarve. Tem-se assistido à difusão em estufa de várias espécies em estufa, sobretudo as que têm maior valor de mercado.  Floricultura – encontra-se em fase de expansão e com alto rendimento económico no nosso país. Realizada essencialmente em estufa. O litoral apresenta melhores condições para o seu desenvolvimento, com destaque para o Ribatejo e Oeste e também para a ilha da Madeira, onde é possível a produção de espécies subtropicais.
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    148 Produção animal Gado bobino – de grande interesse na atividade agro-pecuaria, registando aumentos significativos no que diz respeito ao total de efetivos criados assim como na introdução de novas espécies. Até há pouco o Norte era a principal região de criação deste gado, devido ao vasto pasto e condições climatéricas favoráveis. Atualmente, esta criação é muito expressiva na produção de leite, especialmente nas regiões agrarias de entre Douro e Minho e Beira Litoral, sendo realizada em sistema intensivo ou misto. No Alentejo, esta produção é destinada a carna bobina, já nos Açores, a criação bovina tem especial importância para a produção de leite. Gado ovino e caprino – está criação domina no interior e no sul do país, tanto para a produção de carna e de leite, sendo este ultimo, o suporte de desenvolvimento de certas produções regionais (exemplo: produção de queijo da Serra da Estrela). Suinicultura – assumindo, atualmente, um lugar de destaque na pecuária nacional, esta produção tem registado um aumento significativo. Com destaque na região Ribatejo e Oeste, com uma produção próxima dos 50% do total nacional. Avicultura – criação de aves em aviário, tendo em vista a produção de carne e ovos. Pedindo-se encontrar um pouco por todo o país, sendo na faixa litoral, onde se concentra o maior número de aviários. (junto aos grande aglomerados consumidores). População agrícola A população ativa no setor primário representa, em 2005, cerca de 12% do emprego em Portugal e, sua maioria, fazia parte da população agrícola familiar – produtor agrícola e os membros do seu agregado doméstico, trabalharem ou não na exploração. Verificou nos últimos anos um decréscimo da população agraria familiar, isto deve-se ao desaparecimento de muitas explorações e a um ligeiro decréscimo na dimensão média do agregado familiar de 3,0 para 2,7 indivíduos. A modernização da mesma e à oferta de emprego de outros setores de atividade também influenciaram este decréscimo. De este modo, provocou o êxodo rural – transferência de mão-de- obra para outros setores de atividade, ainda que mantendo a resistência nas áreas rurais. Tal evolução influenciou a estrutura etária da população envelhecimento. O nível de instrução dos agricultores, embora tenha vida a aumentar, é ainda relativamente baixo. Apenas um pequena parte tem habilitações que vão além do segundo ciclo do ensino básico. A formação profissional da larga maioria dos agricultores continua a ser exclusivamente prática. Transmissão de conhecimentos e experiencias de pais para filhos continua a ser o maior modo de formação.
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    O envelhecimento dapopulação e os baixos níveis de instrução e de formação profissional da população agrícola constituem um entrave ao desenvolvimento da agricultura, nomeadamente no que respeita à adesão a inovações (tecnologia, métodos de cultivo, praticas amigas do ambiente, etc.), à capacidade de investir e arriscar e à adaptação às normas comunitárias de produção e de comercialização. 149 Composição da mão-de-obra agrícola Esta é principalmente familiar, representando cerca de 80 do volume de trabalho. Nas regiões com maior dimensão média das explorações, a importância da mão-de-obra agrícola não familiar é mais relevante, sobretudo devido à maior especialização da agricultura que é mais exigente na qualificação da mão-de-obra. O papel da mulher na agricultura Representam, cerca de um quarto do total da população ativa, mas esta realidade poderá estar subestimada, uma vez que muitas mulheres trabalham na agricultura mas identificam-se como domesticas. No entanto, verifica-se uma tendência de crescimentos da população ativa agrícola feminina. Pluriatividade e plurirrendimento Em Portugal, apenas uma pequena parte da população agrícola se dedica a tempo inteiro à agricultura. A maioria surge como atividade secundaria relativamente ao trabalho noutros setores, como a indústria, a construção civil, o comércio, o artesanato, os serviços públicos locais, etc. Pluriatividade – prática, em simultâneo, do trabalho da agricultura e noutras atividades – pode ser encarada como alternativa para aumentar o rendimento das famílias dos agricultores. Deste modo, as famílias rurais tendem, a ser multifuncionais. O próprio produtor deixa de ter apenas a função produtiva, sendo recompensado por serviços de preservação do ambiente e das paisagens. Pode, então, falar-se de plurirrendimento – acumulação dos rendimentos provenientes da agricultura com os de outras atividades. Problemas estruturais da agricultura portuguesa  Dependência externa;  Níveis de rendimento e produtividade;  Fraca utilização dos solo. Problemas estruturais e oportunidades Apesar dos progressos do setor agrícola português e a consequência da nossa adesão à UE, continuam a persistir problemas estruturais que se relacionam principalmente aspetos técnicos, organizativos e de inserção nos mercados. No entanto, existem muitas potencialidades que poderão contribuir para melhorar a sustentabilidade da agricultura.
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    150 Dependência externa A produção agrícola nacional ainda não permite satisfazer as necessidades de consumo interno, pelo que a balança alimentar portuguesa continua a ser deficitária em grande parte dos produtos, mantendo-se, assim, uma forte dependência externa. As modernas facilidades de transporte, o agressivo marketing, a globalização da economia e o aumento da exigência dos consumidores portugueses também levam a importação de produtos agrícolas de outros países do mundo. Níveis de rendimento e produtividade Os problemas estruturais da agricultura portuguesa refletem-se nos níveis de rendimento e de produtividade, ainda se situam abaixo da média e de produtividade, sobre tudo da União Europeia dos 15. Para avaliar os níveis de rendimento da agricultura são, necessários indiciadores a nível comunitário, dos quais se destacam rendimento dos fatores, que influencia o rendimento empresarial líquido, cuja evolução tem sido positiva, em parte, graças aos apoios comunitários. Rendimento agrícola – relação e entre a produção e a superfície cultivada, também influencia o rendimento empresarial, uma vez que, quanto maior a quantidade produzida por unidade de
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    superfície, maior seráo valor da produção, o que se refletirá positivamente no rendimento empresarial. A produtividade agrícola está diretamente ligada com a mão-de-obra e depende de fatores como as tecnologias utilizadas, a formação profissional e o grau de mecanização. Este crescimento tem sido positivo, mas continua a ser inferior à média comunitária, o que dificulta a nossa conetividade. Para esta situação, contribuíram os seguintes fatores:  Condições meteorológicas irregulares, por vezes desfavoráveis;  Características da população agrícola: envelhecida e com baixos níveis de instrução e 151 de formação profissional;  Utilização em excesso de técnicas tradicionais;  Uso inadequado de adubos e pesticidas;  Predomínio de explorações de pequena dimensão;  Desajustamento frequentes das culturas à aptidão dos solos;  Elevados custos de produção (combustíveis, impostos superiores aos país de UE);  Soluções para aumentar os níveis de rendimento/produtividade: o Acelerar o seu ajustamento estrutural; o Apostar na mecanização; o Na orientação para o mercado (aproveitando as nossas potencialidades endógenas). Utilização do solo A ocupação do solo é uma problemática de grande atualidade e importância. Nos últimos decénios, deram-se mudanças muito significativas nos usos do solo, em Portugal. Estas alterações prosseguem a ritmos variados e são determinadas pelos seguintes fatores:  Condições naturais;  Políticas do nível: setorial, regional, ambiente, etc. Conclui-se, assim, que muitas atividade agrícolas se desenvolvem em solos pouco aptos para a agricultura. Isto condiciona o rendimento da terra e dos agricultores, contribuindo para os baixos níveis de rendimento de produtividade da agricultura portuguesa.
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    152 PAC (PolíticaAgrícola Comum) Desde de 1986, o setor agrário nacional tem sido condicionado pela Politica Agrícola Comum. Os objetivos da PAC, em 1962, pretendiam:  Aumentar a produção agrícola;  Melhorar o nível de vida dos agricultores;  Assegurar preços razoáveis dos produtos agrícolas junto dos consumidores;  Proteger os produtos comunitários da concorrência estrangeira. Os princípios que levaram à concretizações destes objetivos constituem os chamados pilares da PAC:  Unicidade de mercado: criação de uma organização comum de mercado - OCM - para cada um dos produtos, conseguida através da definição de preços institucionais e de regras de concorrência.  Preferência comunitária: pretende evitar a concorrência de produtos de outros países, através do estabelecimento de um preço mínimo para as importações e de subsídios para as exportações.  Solidariedade financeira: pressupõe que os custos de funcionamento da PAC sejam suportados em comum, a partir de um Fundo Comunitário, FEOGA - Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola.  O FEOGA estava dividido em duas secções: A secção "Orientação", financia os programas e projetos destinados a melhorar as estruturas agrícolas (por exemplo, realizando investimentos em novos equipamentos e tecnologias) e desenvolvimento das áreas rurais; A secção "Garantia", que financia as despesas relativas à organização comum dos mercados, ou seja, financia as despesas de regulação dos preços e dos mercados (por exemplo, a compra e armazenamento de excedentes e o fomento das exportações agrícolas, apoio direto aos agricultores, restituições às exportações, etc). A secção "Garantia" é de longe a mais importante e está classificada como despesa obrigatória no orçamento comunitário. A secção "Orientação" faz parte dos fundos estruturais vocacionados para promover o desenvolvimento regional e reduzir as disparidades regionais na Europa. A agricultura da União europeia teve um grande desenvolvimento nos primeiros anos de implementação da PAC, conseguindo-se uma aproximação aos seus objetivos: A produção agrícola triplicou; Reduziram-se a superfície e a mão-de-obra utilizadas: Aumentaram a produtividade e o rendimento dos agricultores. No entanto, os resultados acabaram por exceder as expectativas, uma vez que a produção disparou, tornando-
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    se excedentária, dandoorigem a uma crise de superprodução, associada a um aumento de despesas dificilmente comportáveis pelo orçamento geral da comunidade. Por outro lado, a intensificação das assimetrias regionais continuou a verificar-se, assim como a manutenção do baixo nível de vida dos agricultores. Simultaneamente, eclodiram graves problemas ambientais, pela utilização exagerada de produtos químicos para aumentar a produção. 153 As reformas da PAC O desajustamento da PAC levou a sucessivas alterações, tendo sido tomadas algumas medidas: 1984  Introdução do sistema de quotas na produção agrícola para definir um limite de produção relativamente a alguns produtos excedentários (inicialmente no setor do leite). 1988 Implementação de medidas como o set-aside, que previa a retirada de 15% de terras da área de produção em explorações que ultrapassem a produção de 92 toneladas por ano; Regime de incentivo à cessação da atividade agrícola ou reforma antecipada; Reconversão dos produtos excedentários. 1992 A mais profunda reforma da PAC. Principais objetivos: 1. Reequilíbrio entre a oferta e a procura; 2. Promoção de um maior respeito pelo ambiente. A PAC deixa de estar centrada no produtor para passar a centrar-se no produto. O agricultor europeu passa a desempenhar o papel de guardião do espaço rural. Criação do segundo pilar de apoio da PAC – o desenvolvimento rural – tendo os principais objetivos: 1. Reduzir a produção; 2. Reduzir o preço dos produtos junto ao consumidor; 3. Diminuir os encargos comunitários como setor agrícola; 4. Incentivar práticas agrícolas ambientalmente menos agressivas; 5. Apoiar as explorações de carácter familiar.  Conjunto de medidas para levar à prática as referidas intenções: 1. Diminuição dos preços agrícolas garantidos; 2. Criação de ajudas diretas aos produtores sem ligação com as quantidades produzidas; 3. Definição de medidas para melhorar os sistemas de produção tornando-os mais amigos do ambiente: 4. Concessão de reformas antecipadas;  Desenvolvimento da pluriatividade;  Pousio temporários
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     Prática daagricultura biológica  Apoio à reconversão da produção.  Esta reforma foi geralmente considerada um êxito mas mantiveram-se 154 problemas. 1999  Nova reforma no âmbito da Agenda 2000  Agenda 2000 foi a base da reforma mais radical e global da PAC. Reafirma os princípios do processo iniciado em 1992, dando prioridade: 1. Ao desenvolvimento rural; 2. À segurança alimentar; 3. Ao bem-estar animal; 4. À melhoria do ambiente; 5. À promoção de uma agricultura sustentável.  A reforma contempla medidas destinadas a: 1. Reforçar a competitividade dos produtos agrícolas no mercado doméstico e nos mercados mundiais; 2. Promover um nível de vida equitativo e digno para a população agrícola; 3. Criar postos de trabalho de substituição e outras fontes de rendimento para os agricultores; 4. Definir uma nova política de desenvolvimento rural, que passa a ser o segundo pilar da PAC; 5. Melhorar a qualidade e a segurança dos alimentos; 6. Simplificar a legislação agrícola e a descentralização da sua aplicação, a fim de tornar as normas e regulamentos mais claros, transparentes e de fácil acesso.  A reforma irá criar condições para o desenvolvimento de uma agricultura multifuncional, sustentável e competitiva na UE.  Estas medidas não foram suficientes para resolver todos os problemas. 2003  Aprofunda as metas da Agenda 2000 e reforça a política de desenvolvimento rural. O impacte da PAC na agricultura portuguesa Desde a adesão à UE e a apesar das medidas comunitárias de apoio ao sector, proporcionadas pelo PEDAP (Programa Especifico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa) implementadas com o intuito de, nos primeiros anos subsequentes à adesão, conduzir à sua rápida modernização, tornando-o competitivo face aos restantes mercados, continua a revelar-se um sector em crise, lutando com enormes dificuldades. Apesar das condições especiais garantidas à agricultura portuguesa durante o período de adaptação e além das suas fragilidades estruturais e da concretização do Mercado Único, as sucessivas alterações da PAC vieram tornar mais difícil a integração.
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    O sector agrícolaportuguês teve de se confrontar com as dificuldades acrescidas em relação à PAC:  Sofreu limitações à produção;  Foi desfavorecido pelo sistema de repartição dos apoios;  Favoreceu o endividamento dos agricultores. No entanto, no final do segundo Quadro Comunitário de Apoio (QCA II- 1994 a 1999) o sector agrícola apresentava uma situação mais favorável ao ter beneficiado de apoios a programas de reflorestação (PAMAF- Programa de Apoio à Modernização Agrícola e Florestal) tendo em vista uma utilização mais ajustada do solo relativamente às suas aptidões; da construção de infraestruturas de apoio à atividade agrícola; da diminuição do número de explorações agrícolas e da qualificação da mão-de-obra. No âmbito do III QCA (2000-2006), Programa Operacional Agricultura e Desenvolvimento Rural (AGRO), garantiu apoios para a modernização do sector agrícola e para a sua adaptação às novas realidades de um mercado global, cada vez mas agressivo e exigente. 155 As transformações do setor agrário A potencialização do setor agrário é fundamental, mas exige a implementação de uma série de medidas que conduzam a transformações profundas, capazes de aumentar a competitividade: Redimensionar as estruturas fundiárias – aumentar a sua superfície, através de: Emparcelamento; Incentivo à extinção de atividade dos agricultores mais idosos (reformas antecipadas). Este processo serve para:  Racionalizar a utilização do solo, intensificar e, nalguns casos, introduzir mecanização;  Diminuir os custos de produção;  Viabilizar economicamente a construção de infraestruturas. Promover o associativismo – incentivar a organização dos agricultores em cooperativas ou associações, para:  Garantir a defesa dos seus direitos;  O acesso ao crédito;  Melhorar as redes de comercialização e armazenamento;  Aceder a formação profissional;  Etc..
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    Incentivar a especializaçãoprodutiva e introduzir ou desenvolver novas culturas – de acordo com as condições naturais das diferentes regiões e com a procura no mercado (a produção terá de responder às necessidades de mercado e terá de se produzir com qualidade). Aumentar o nível de instrução e de qualificação profissional – tornar os agricultores competentes param a utilização de novas técnicas e tecnologias. Rejuvenescer a população ativa – incentivar as reformas antecipadas ou atrair para a agricultura, através da criação de condições de vida atrativas à fixação da população jovem. Modernizar os meios de produção e transformação – promovendo a aquisição de máquinas e divulgando a utilização de técnicas de cultivo modernas. Adequar a qualidade dos solos às culturas produzidas – aumentar o rendimento e a produtividade. Utilizar de forma equilibrada os fundos comunitários – chegam através de vários programas. Promover sistemas de produção amigos do ambiente – garantir a conservação dos recursos naturais e a qualidade dos produtos. Por exemplo, a agricultura biológica pode constituir uma forma de aumentar a competitividade da agricultura portuguesa. Medidas da Velha PAC Medidas da Nova PAC Agricultura Industrial Agricultura Biológica Quantidade Qualidade Produção Intensiva Produção Extensiva – Proteção ambiental Prioridade ao produtor Prioridade ao Consumidor Reprodução artificial na pecuária Reprodução natural da pecuária Uso de medicamentos/antibióticos Uso controlado de medicamentos e eliminação do uso 156 de antibióticos Maior consumo de produtos alimentares nacionais e estrangeiros Maior consumo de produtos regionais e locais Subsídios à Produção Subsídios centrados no progresso rural
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    157 Garantir asustentabilidade No desafio da competitividade, os produtores agrícolas têm de associar, cada vez mais, a preocupação económica à preservação ambiental. Reduzindo os seguintes impactes ambientais:  Contaminação dos solos e das águas subterrâneas e superficiais, devido a aplicação de produtos químicos;  Na pecuária, os dejetos e as águas de lavagem, provocam impactes ambientais graves;  Erosão dos solos e a diminuição da qualidade do habitat de muitas espécies, diminuição do pousio, a frequência de mobilidade dos solos e a utilização de maquinaria potente; Agricultura Biológica A agricultura biológica é uma forma de exploração sustentável, alternativa à agricultura tradicional. É um sistema de produção de base ecológica que recorre ao uso de boas práticas agrícolas, visando:  A manutenção e melhoria da fertilidade do solo;  O equilíbrio e a diversidade do ecossistema agrícola;  Promover a qualidade ambiental, o bem-estar animal e a saúde humana. Recorre à prática de rotações variadas que incluem culturas de leguminosas, à adição de estrumes, detritos orgânicos, rochas ou minerais triturados e ao controlo biológico de pragas, não utilizando fertilizantes nem pesticidas de síntese química. Promove a qualidade nutritiva dos alimentos e não apenas a quantidade. A diversidade das áreas rurais portuguesas As áreas rurais portuguesas apresentam alguma diversidade de características, problemas e potencialidades. Aas mais próximas dos centros urbanos, as do Litoral, beneficiam do dinamismo das áreas urbanas, dependendo essencialmente em termos de emprego e serviços. Muitas vezes, são mesmo ocupadas por atividades ou pela população urbana que aí fica residência, surgindo espaços periurbanos – onde consegue-se destingir entre o rural e o urbano. Um pouco por todo o país, existem áreas rurais, sobretudo as mais periféricas, que enfrentam problemas que as tornam vulneráveis.
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    Não são apenasproblemas, que enfrentam as áreas rurais, a maioria apresentam também recursos endógenos – recursos naturais e humanos próprios de território – que muitas vezes constituem vantagens para o seu desenvolvimento. Pontos fracos Pontos fortes 158 Perda e envelhecimento da população Património rico de diversificado (histórico, arqueológico, natural e paisagístico) Baixo nível de qualificação Valor paisagístico das culturas e de espécies florestais (vinha, olival, pomar, montado, soutos) Explorações de pequena dimensão económica Baixos níveis de poluição e preservação ambiental Falta de emprego Melhoria das infraestruturas (equipamentos sociais e da rede acessibilidade) Abandono de terras agrícolas Saber-fazer tradicional Insuficiência das redes de transporte Procura de produtos de qualidade e atividades de lazer Baixo poder de compra Valorização das energias renováveis Fraco dinamismo económico Preservação dos recursos naturais e do ambiente Turismo no espaço rural – TER – conjunto de atividades e serviços de alojamento e animação em empreendimentos de natureza familiar, realizados e prestados a turistas, mediante remuneração, no espaço rural. Tem-se registado uma tendência de aumento da procura do TER, isto deve-se:  Maior interesse pelo património, pela Natureza e sua relação com a saúde;  Necessidade de descanso e evasão e a busca de paz e tranquilidade;  Valorização da diferença e da oferta turística mais personalizada;  Aumento dos tempos de lazer e do nível de instrução e cultural da população;  Crescente mobilidade da população a melhoria das acessibilidades. Em Portugal existe 5 tipos de diferentes modalidades de turismo em espaço rural que são: Turismo de habitação - desenvolve-se em solares, casas apalaçadas ou residenciais com valor arquitetónico, com dimensões adequadas, com mobiliário e decoração de qualidade. Os rendimentos desta atividade têm a vantagem de contribuir para o restauro, a conservação e a dinamização destas casas. Turismo rural - casas rusticas particulares, com características arquitetónicas próprias ao meio rural em que se insere, são geralmente de pequenas dimensões, com mobiliário simples e são utilizadas como habitação do proprietário. Agroturismo - permite que os hospedes observem, aprendam e participem nas atividade das explorações agrícolas, em tarefas como a vindima, apanha de fruta, desfolhada, etc.
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    Casas de campo- são casas rurais e abrigos de montanha onde se preste hospedagem. Integram-se na arquitetura o ambiente característico da região, pela sua traça e pelos materiais de construção. Turismo de aldeia - desenvolve-se em empreendimentos que incluem, no mínimo, 5 casas particulares inseridas em aldeias que mantem as suas características arquitetónicas e paisagísticas tradicionais da região. Esta modalidade é uma das melhores que pode promover a conservação e valorização do património edificado, contribui também para a melhoria de acessibilidade das aldeias, que estavam quase isoladas, criação de emprego na restauração, nos postos de turismo, nas atividades dinamização no comércio local e no artesanato, o que poderá combater o despovoamento de certas áreas desfavorecidas. Outras formas de turismo em espaço rural são:  Turismo ambiental - esta atividade é cada vez mais procurado, pela aventura, pelo contacto com a Natureza e pela multiplicidade de atividades ao ar livre, desde a canoagem, rafting, parapente, etc..  As áreas protegidas - não maioria são localizadas em áreas rurais, são espaços privilegiados para o turismo ambiental tendo, em média, 220 mil visitantes anuais. Muitas pequenas empresas tem vindo a aproveitar este nicho de mercado, gerando emprego e dinamizando as áreas rurais.  Turismo fluvial - valoriza a importância da água como fonte de lazer, obtém cada vez mais adeptos, que preferem a calma. Este interesse tem sido acompanhado de programas de valorização das áreas ribeirinhas, com vista a proporcionar espaços seguros para a prática da atividade balnear, tal como a sua valorização ambiental e paisagística.  Turismo cultural - valorização do património arquitetónico, histórico e etnográfico local. Castelos, solares, templos, museus e romarias com roteiros próprios, organização de visitas guiadas, documentação pormenorizada e outros apoios, contribuem para dinamizar as áreas rurais.  O turismo gustativo e o enoturismo - dinamizam as áreas rurais, aproveitando a grande diversidade e qualidade da gastronomia e dos vinhos regionais. Desde 1996 tem vindo a ser constituídas as rotas dos vinhos, que representam um conjunto de locais organizados em rede, numa região vinícola demarcada com interesse turístico. Oferecem aos turistas a possibilidade de participarem nas diversas atividades ligadas à produção do vinho, como as vindimas ou o pisar da uva. O enoturismo representa uma forma de conhecer, através do vinho, muitos aspetos culturais e turísticos de uma região. 159
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     Turismo cinegéticoe turismo termal - o turismo cinegético esta ligado a caça. Estes 2 tipos de turismo são das formas mais antigas de turismo em áreas rurais. O primeiro turismo cria emprego nas atividades de preservação do ambiente, nas zonas de caça turística e associativa. As termas aproveitam as características específicas das águas subterrâneas e têm sido elementos importantes na dinamização turística de muitas áreas rurais do nosso país. 160 Sustentabilidade do turismo As atividades turísticas nas áreas rurais devem ser planeadas no respeito pelo ambiente e pelos valores culturais locais, promovendo a qualidade da oferta. Sendo indiscutível a importância do turismo para o desenvolvimento regional e das áreas rurais, em particular, é também certo que esta atividade comporta alguns riscos que é necessário precaver, de modo a garantir a sustentabilidade. Em Portugal, existem varias regiões que começam a apostar no turismo em geral e em diferentes modalidades de TER como por exemplo o Alentejo. Estas regiões devem planear e promover as atividades turísticas de uma forma sustentável, evitando problemas que ocorrem noutros locais associados à procura de lucros rápidos, como:  O alargamento excessivo das capacidades de alojamento;  O subaproveitamento do solo agrícola;  A especulação fundiária e imobiliária;  A falta de formação profissional;  A perda do elemento humano e das relações personalizadas e a massificação das formas de turismo mais acessíveis.  A degradação dos recursos naturais;  A perturbação dos ecossistemas e a desfiguração da paisagem; A atividade turística nas áreas rurais não devera ser entendida como uma atividade “milagrosa” mas sim como um complemento em equilíbrio com as atividades tradicionais e inseridas num modelo de desenvolvimento integrado. Vantagem e desvantagens do Turismo nas áreas Rurais Vantagens:  Cria postos de trabalho;  Promove desenvolvimento de atividades e serviços e também industrias;  Contribui para encontro de culturas;  Projeta a cultura portuguesa para o mundo, mostrando-a;  Incentiva o desenvolvimento do artesanato;  Valoriza património cultural e paisagístico;  Evita o despovoamento das áreas rurais;  Melhoramento dos rendimentos da população;  Minimiza simetrias sociais, culturais e demográficas;
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    161 Desvantagens: O caráter sazonal do turismo, que pode levar á existência de tempos em que não á ocupação “tempos mortos” para a mão-de-obra;  Abandono das atividades agrícolas;  Excessivo aumento de equipamentos e infraestruturas podem ocupar solos com aptidão para a agricultura;  Degradação ambiental. Soluções:  Formar e sensibilizar população local para importância do turismo;  Redução dos “tempos mortos” através de implantação e alargamento do turismo sénior apoiado socialmente;  Divulgar e promover culturas tradicionais locais;  Valorizar produtos locais;  Promover turismo verde;  Potencializar a nível hospitaleiro a população rural e o seu património cultural . Indústria e desenvolvimento rural A indústria funciona como “motor” de desenvolvimento para qualquer região, pelo que a sua instalação em áreas rurais acolhe, normalmente, consenso. Grande parte dessas indústrias utiliza recursos naturais aí existentes ou produzidos.
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    162 Desenvolver asilvicultura As áreas de floresta são uma parte essencial dos espaços rurais em Portugal. Entre as funções desempenhadas pelas áreas florestais destacam-se:  A função económica - produz matérias-primas e frutos, gerando emprego e riqueza;  A função social - ar puro e espaços de lazer;  A função ambiental - contribui para a preservação dos solos, conservação da água, regularização do ciclo hidrológico, armazenamento de carbono e a proteção da biodiversidade. Problemas:  Fragmentação da propriedade florestal, agravada pelo desconhecimento frequente dos seus limites por parte dos proprietários;  Baixa rentabilidade, lento crescimento das espécies;  Elevado risco da atividade, pelos incêndios florestais, frequentes no verão. Acrescenta-se ainda o despovoamento e o abandono de práticas de pastorícia e de recolha do mato. Soluções  Promoção do emparcelamento;  Criação de instrumentos de ordenamento e gestão florestal;  Simplificação do associativismo;  Diversificação das atividades;  Combate à vulnerabilidade a pragas e doenças;  Prevenção de incêndios, com limpeza das matas, otimização dos pontos de água, melhoria da rede viária, abertura de faixas de segurança. Produzir energias renováveis A produção de energia a partir de fontes renováveis é uma das formas de valorizar os recursos disponíveis nas áreas rurais e de criar oportunidades de produção. Como por exemplo: Biomassa-bioenergia Produção de eletricidade - produtos e resíduos da floresta constituem um enorme potencial para a sua produção; Biocombustíveis - podem ser produzidos a partir de culturas energéticas de onde se obtém o biodiesel e o etanol; Energia eólica - parques eólicos situados por todo o país como fonte de criação de energia;
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    Energia hídrico -recurso mais utilizado a nível nacional para a produção de eletricidade nas centrais hidroelétricas. Existem também as mini-hídricas que causam menor impacto ambiental e se adequam ao interesses locais. 163 Estratégias de desenvolvimento rural Desde a Agenda 2000 têm vindo a ser aprofundadas medidas de apoio ao desenvolvimento rural:  Medidas agroambientais – incentivam os métodos de produção agrícola que visam a proteção ambiental  Indemnizações compensatórias para zonas desfavorecidas – manutenção de uma agricultura ambientalmente sustentável  Apoios à silvicultura  LEADER Iniciativa comunitária LEADER Iniciativa LEADER – Ligação Entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural - apoio comunitário ao desenvolvimento rural. A sua aplicação teve efeitos positivos em quase todas as áreas rurais de Portugal. A partir do Quadro Comunitário de Apoio (QCA) III a iniciativa passou a chamar-se LEADER+ e evoluiu a nível dos projetos de desenvolvimento. LEADER+ consegue envolver as comunidades locais na definição de estratégias de desenvolvimento de forma sustentável e integrada e tem como objetivos específicos para Portugal:
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    LEADER+ prospera-se apartir dos Grupos de Ação Local – GAL, em parceria com o setor privado podendo elaborar/aplicar uma estratégia de desenvolvimento para a área rural através dos Planos de Desenvolvimento Local – PDL. 164 Territórios abrangidos pelo LEADER+ em Portugal. A Politica de Desenvolvimento Rural, valoriza a sustentabilidade das áreas rurais, promovendo a sua competitividade e a melhoria do ambiente e da qualidade de vida.
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    As áreas urbanas:dinâmicas internas 165 Espaço rural e Espaço urbano A ocupação do território confere á paisagem características que permitem fazer diferenciações espaciais. O espaço urbano é um espaço predominantemente ocupado por áreas residenciais e por atividades dos sectores secundário, e sobretudo terciário, nas quais se ocupa grande parte da população ativa, contrariamente, o espaço rural é um espaço onde a ocupação do solo é predominantemente agrícola, a habitação é geralmente unifamiliar e a população ativa se ocupa, sobretudo, na agricultura. Definir cidade À cidade associa-se um conjunto de características como:  A densa ocupação humana e elevado índice de construção;  Intensa afluência de trânsito;  Elevada concentração de atividades económicas, com predomínio de atividades do sector terciário, nomeadamente, serviços administrativos, sociais e políticos;  Elevado número de equipamentos sociais e culturais. Não é possível, encontrar um conceito universal de cidade, pois os critérios utilizados variam de país para país, e por vezes, no mesmo país, são aplicados de maneira diferente. Entre os critérios mais utilizados para definir cidade, destacam-se o demográfico, o funcional e o jurídico-administrativo.  Critério demográfico (população absoluta) – O total de habitantes de um aglomerado constitui um dos critérios mais vulgarmente utilizados. Cada país, determina um numero mínimo de habitantes, a partir do qual um aglomerado pode ser considerado cidade. No entanto, este critério varia de país para país, não permitindo portanto, estabelecer comparações universais. De uma maneria geral. Nas cidades, o valor da densidade populacional é elevado. Contudo, este critério também não é universal, registando-se disparidades muito grandes de país para país.  Critério funcional (distribuição da população ativa por sectores de atividade) – Este critério tem em conta a influência exercida pela cidade sobre as áreas envolvente e o tipo de atividades a que a população se dedica, que devem ser maioritariamente dos sectores secundário e terciário. Muitas cidades do Interior e das regiões autónomas apesar de
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    terem um númerode habitantes relativamente reduzido, desempenham funções importantes e estabelecem relações de interdependência com a sua área envolvente.  Critério jurídico-administrativo – Aplica-se às cidades definidas por decisão legislativa. São exemplos as capitais de distrito e as cidades criadas por vontade régia, como forma de incentivar o povoamento, de recompensar serviços prestados ou de garantir a defesa de regiões de fronteira. 166 Portugal Verifica-se em Portugal, a concentração da população e das atividades nas áreas urbanas, consideradas como motor de crescimento económico, de competitividade e de emprego. O ritmo de crescimento urbano foi particularmente intenso, o que reflete no comportamento da taxa de urbanização – percentagem de população urbana em relação à total. Atualmente, o Sistema Estatístico Nacional considera urbanos, para além das cidades, os locais com população superior a 5000 habitantes ou com densidade populacional superior a 500 habitantes/km2. A combinação (demográfico/funcional) Na conferência europeia de estatística ficou definido que as aglomerações com mais de 10 000 habitantes seriam considerados cidades, ou então teriam no mínimo 2000, desde que a população ativa a trabalhar na agricultura não ultrapassasse os 25% do total.  As cidades devem apresentar alguns aspetos comuns que as permitem caracterizar: o Deve predominar sempre o sector secundário e o terciário; o Deve haver diversidade nos equipamentos e serviços prestados; o Existir áreas de recreio e lazer; o Paisagem construída – edifícios, praças e ruas com características morfológicas estéticas e funcionais diferentes; A cidade em Portugal  Centro Urbano – Engloba todas as sedes de distrito e os aglomerados populacionais com mais de 10 000 habitantes.  Cidade – Aglomerado populacional que ascende a esta categoria independemente de ter ou não ter 10000 de habitantes. Pode ascender a esta categoria por ser uma entidade político-administrativa ou por lhe ter sido atribuída por forma honorífica.
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    Os transportes ea organização do espaço urbano A tendência geral para o aumento da taxa de urbanização em Portugal, com reflexos no despovoamento do meio rural, é, em grande medida, o resultado da revolução verificadas nos transportes, que veio melhora a acessibilidade em todo o território nacional. Ao aumentar a mobilidade, aumenta também o número de ligações entre as cidades e o restante território. Constituindo polos de elevado poder de atracão, as cidades começaram, assim, a crescer em número e em dimensão demográfica. A própria organização interna das cidades pode ser alterada como resultado de novas acessibilidades criadas no tecido urbano. O crescimento dos subúrbios, o despovoamento dos centros de algumas cidades podem ser explicados por alterações associadas aos transportes. Também, regra geral, a renda locativa aumenta de forma proporcional ao aumento da acessibilidade dos lugares, e com ela, a especulação fundiárias, assim como o surgimento de áreas de solo expectante. 167 A organização das áreas urbanas A distribuição das várias atividades no espaço urbano assim como a residência da população, não se processam ao acaso. É possível identificar regularidades espaciais nessa distribuição, podendo individualizar-se áreas funcionais, quer dizer, áreas que apresentam uma certa homogeneidade da função dominante e que se destacam das restantes por apresentarem características próprias. A individualização destas áreas resulta da variação do preço do solo, o qual, por seu lado, depende da acessibilidade. O preço do terreno é tanto maior, quanto menor for a distância do centro, uma vez que é aí que s cruzam os eixos de comunicação, constituindo a área de maior acessibilidade no interior do espaço urbano e, por isso, a mais atrativa para muitas atividades do sector terciário, que ai tendem a instalar-se. Da concentração de atividades resulta uma forte competição pelo espaço, verificando-se, frequentemente, uma procura superior á oferta. Criam-se, assim, as condições para a especulação imobiliária, com a subida dos preços do solo. À medida que aumenta a distancia ao centro, a acessibilidade diminui, decrescendo também a procura do solo pelas atividades terciarias e, consequentemente, o seu preço. Outras atividades se vão, deste modo, instalando, nomeadamente as que se encontram ligadas à indústria e á função residencial. Além da distância ao centro, outros fatores podem condicionar a ocupação do solo, existindo áreas que, apesar de muito afastadas do centro, podem ser objeto de grande procura, assistindo-se portanto à subida do preço dos terrenos. Como causas dessa situação pode apontar-se a proximidade de boas vias de comunicação, a existência de um bom serviço de transportes públicos, um meio ambientalmente bem conservado, entre tantas outras.
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    168 As áreasterciárias CBD (central business district) – Esta área, mais vulgarmente designada de baixa ou centro da cidade, caracteriza-se por um elevado grau de acessibilidade, dado que nela convergem os transportes públicos – torna-se assim atrativa para numerosas atividades do sector terciário, especialmente do terciário superior, cuja rentabilidade depende da existência de uma clientela numerosa. Este é considerado o centro financeiro da cidade, uma vez que aí se concentram grande número de sedes bancárias, de companhias de seguros, de escritórios das grandes empresas e comércio grossista e a retalho, geralmente muito especializado. Também é no CBD que se encontram restaurantes, hotéis e salas de espetáculo, bem como muitas atividades administrativas e escritórios de profissões liberais. O solo torna-se assim escasso (devido á elevada procura), e como tal, recorre-se á construção em altura, um dos aspetos mais característicos das áreas centrais. A distribuição das atividades apresenta-se diferenciada, quer no plano vertical quer no plano horizontal – no plano vertical é vulgar verificar-se a ocupação dos pisos térreos pelo comércio, destinando-se os pisos superiores á residência, escritórios e armazéns; a análise da organização das atividades no plano horizontal revela a existência de áreas de forte especialização no interior do CBD, como o centro financeiro, a área de comércio a retalho, a áreas de comércio grossista, a área de hotéis e restauração. Tem-se vindo a assistir à descentralização de muitas atividades terciarias do centro para outras áreas da cidade, motivada pela enorme concentração de atividades nessa áreas, pela crescente falta de espaço, agravada pelo valos excessivos dos preços dos terrenos, assim como o congestionamento do tráfego urbano, cuja intensidade se vai traduzindo em crescentes dificuldades de deslocação e de estacionamento. As áreas residenciais A função residencial encontra-se distribuída por todo o espaço urbano. Esta função desempenha um papel importante nas cidades, pois distingue áreas com características próprias, cuja localização está diretamente relacionada com o custo do solo, e por isso, reflete as características sociais da população que nela habita. Pode mesmo dizer-se que existe uma segregação espacial, isto é, uma tendência para organização do espaço em áreas de grande homogeneidade interna e forte disparidade entre elas, também em termos de hierarquia. As classes sociais de rendimentos mais elevados, escolhem como áreas de residência zonas mais aprazíveis da cidade, pouco poluídas, com espaços verdes e de lazer, bem serv idas por vias de comunicação e onde os preços do solo atingem valores, por norma, elevados. A classe média ocupa a maior parte do espaço urbano e as áreas residenciais apresentam aspetos muito diversificados. Os blocos de habitação plurifamiliares apresentam uma certa uniformidade do porto de vista arquitetónico e materiais de construção menos qualidade – localizam-se geralmente
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    em áreas bemservidas de transportes públicos, com equipamentos sociais diversificados como escolas, centros de saúde, etc. A população com menos recursos, ocupa, geralmente, bairros de habitação precária ou de habitação social. Os bairros de habitação social construídos pelo Estado destinam-se a acolher as classes de menos recursos, muitas vezes com o objetivo de realojar as classes de menos recursos, ou famílias afetadas por calamidades, ou no âmbito de programas que têm em vista a erradicação de “barracas “. De construção económica e arquitetura simples, muito semelhantes entre sim, localizam-se por vezes, em áreas de fraca acessibilidade, caracterizando-se, frequentemente, pela falta de qualidade dos materiais de construção, pela pequena dimensão da habitação, e por deficiências ao nível de infraestruturas e equipamentos. As áreas industriais Durante muito tempo, o espaço urbano constitui uma área de localização preferencial para numerosas industrias, o que se justificava pela abundância de mão-de-obra, infraestruturas, equipamentos e serviços de apoio à produção que aí se concentravam. Contudo, a existência das indústrias modernas em espaços cada vez mais vastos, associada à sua crescente escassez no interior das cidades, à poluição provocada por muitas delas e às dificuldades do trânsito urbano, atuou como facto repulsivo, obrigando à sua deslocação para a periferia das aglomerações. Atualmente, a sua implantação faz-se em parques industriais. No interior das cidades, ficam as indústrias não poluentes, pouco exigentes em espaço, consumidoras de matérias-primas pouco volumosas, e que para subsistirem, necessitam de estar em lugares de grande acessibilidade, de forma a ficarem próximas da clientela, como as indústrias de confeção, de artes gráficas (tipografias) e de panificação. Expansão urbana A expansão urbana tem-se feito à custa das áreas periféricas das cidades e é determinada por vários fatores. As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, resultando dessa expansão, são aglomerações urbanas de grande dinamismo e polarizadoras do desenvolvimento regional e nacional.  O crescimento da taxa de urbanização de Portugal, é especialmente significativo a par tir da década de 80 e vai refletir-se numa organização do espaço, a qual, entre vários fatores, é imposta pela afirmação de novos modelos de comércio e por meios de transporte mais rápidos e eficazes que servem um território urbano, fortemente expandido.  O crescimento das cidades caracteriza-se por duas fases: o Uma primeira fase designada por fase centrípeta, pela concentração da população e das atividades económicas no seu interior – esta situação vai conduzir à alteração 169 As s iste-se, à crescente expansão das áreas residências da classe média para a peri feria, principalmente por famílias jovens .
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    das condições devida urbana, o que se traduz, quase sempre, na diminuição da qualidade de vida da população. o A falta da habitação, a poluição sonora e atmosférica, a insuficiência de espaços verdes e de lazer e o aumento do trânsito são exemplos de alguns dos problemas com que a população passa a debater-se e que estão na origem de um movimento de sentido contrário. Assiste-se, assim, á deslocação da população e das atividades económicas para a periferia das aglomerações urbanas. Este movimento corresponde à fase centrífuga do crescimento das cidades, ou seja, à fase de desconcentração urbana.  A expansão urbana resulta ainda de outros fatores: o A dinâmica da construção civil, tanto no que toca ao parque habitacional, como à edificação de espaços destinados a atividades económicas; o O desenvolvimento das próprias atividades económicas, que conduz à necessidade de expandir e modernizar as empresas e, como tal, à procura de novos espaços de localização; o O desenvolvimento dos transportes e das infraestruturas viárias, que aumenta a acessibilidade e diminui os tempos e os custos das deslocações; o O aumento da taxa de motorização das famílias, que permite deslocações mais 170 longínquas.  A expansão urbana acompanha, geralmente, os principais eixos viários de acesso à cidade, verificando-se uma forte relação entre a sua localização e a densidade de construção. A suburbanização A expansão das cidades faz-se à custa das áreas periféricas das cidades, dando origem à ocupação urbana dos subúrbios.  A suburbanização é a expansão das cidades pela ocupação urbana dos subúrbios. Por sua vez, os subúrbios são zonas periferias, mais ou menos urbanizadas das cidades, mas totalmente dependentes destas.  Em termos de paisagem urbana é difícil estabelecer a fronteira entre cidade propriamente dita e os subúrbios imediatos, pelo que só os limites administrativos permitem a separação destas duas entidades geográficas. Fatores de expansão dos subúrbios:  O desenvolvimento dos transportes e vias de comunicação;  A densificação da rede de comunicações;
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     A modernizaçãoe expansão dos transportes coletivos urbanos. O uso crescente do automóvel permitiu uma rápida ligação entre vários locais da periferia e sobretudo entre esta e a cidade, possibilitando uma separação crescente entre os locais de trabalho e a residência. O crescimento dos subúrbios traduz-se frequentemente, em problemas económicos e sociais na diminuição da qualidade de vida da população, podendo salientar-se: crescimento muito rápido e desordenado, que não é acompanhado pela construção, ao mesmo ritmo, de infraestruturas e equipamentos; intensificação dos movimentos pendulares com todas as consequências negativas daí resultantes (aumento do consumo de energias, da poluição e desperdício de tempo); destruição de solos com boa aptidão agrícola; aumento da construção clandestina, realizada à margem dos processos de planeamento. Periurbanização O crescimento das cidades para além dos seus limites torna cada vez mais difícil estabelecer as fronteiras do espaço urbano e do espaço rural, podendo observar-se, para além da cintura formada pelos subúrbios, áreas onde atividade e estruturas urbanas se desenvolvem, misturando-se com outra de caracter rural, processo conhecido por periurbanização. A rurbanização Atualmente assiste-se a uma nova forma de expansão urbana, abrangendo áreas mais vastas, conhecida por rurbanização. Trata-se de uma forma de progressão urbana mais difusa que, invadindo os meios rurais, não se traduz, contudo, na urbanização contínua do espaço. Constitui uma nova tendência de deslocação da população urbana para os espaços rurais, em busca de condições de vida com mais qualidade do que as que encontra nas cidades e nos subúrbios. Reflete-se em alterações significativas de aspetos sociais e culturais que caracterizam os meios rurais. As áreas metropolitanas A área metropolitana é a designação dada ao conjunto formado por uma grande cidade e todo o espaço mais ou menos urbanizado que a envolve uma estreita relação de interdependências. A deslocação da população e das actividades económicas para os espaços periféricos das cidades tem conduzido ao processo de suburbanização, assistindo-se ao crescimento de alguns aglomerados que acabam assim, por se expandir e adquirir alguma dinâmica própria. Decorrendo deste processo continuando, forma-se, deste modo, Áreas Metropolitanas que constituem amplas áreas urbanizadas, englobando uma grande cidade, que exerce um efeito polarizador sobre as restantes aglomerações urbanas. Neste espaço desenvolve-se um complexo sistema de inter-relações entre a cidade principal e as cidades envolventes que, por sua vez, também se encontram interligadas. As cidades e os centros urbanos das áreas metropolitanas formaram um sistema policêntrico, ligado 171
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    por relações decomplementaridade, que reforçam a coesão do território e promovem maior eficácia de funcionamento e dinamismo económico. Estas detêm um elevado potencial polarizador do território, uma vez que o seu dinamismo económico atrai população e emprego. O dinamismo funcional e territorial assenta numa densa rede de transportes multimodal, onde se concretizam intensos fluxos de pessoas e bens, quer interurbanos que intraurbanos, motivados, para além do trabalho, por razoes ligadas ao ensino, à cultura ou ao desporto, entre outras e que cada vez assumem maior importância. Os movimentos pendulares constituem um dos aspetos relevantes desses fluxos que atingem o seu auge nas horas de ponta e traduzem uma organização territorial nova, em que não se verifica coincidência entre o local de residência e o local de trabalho. As Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa As áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa foram criadas, administrativamente, em 1991 e em 2003 foram reorganizadas, passando a ser designadas de Grandes Áreas Metropolitanas, as GAM. Contudo, há ainda uma indefinição relativamente a meio e competências atribuídas a estas áreas, no quadro de reorganização territorial. 172 Porto  Na GAM do Porto, concentra-se cerca de 15% da população portuguesa, isto é, aproximadamente 1,5 milhões de habitantes. Tal como acontece na GAM de Lisboa, também o concelho do porto tem registado uma diminuição da população, face aos concelhos periféricos. Lisboa  A GAM de Lisboa é constituída por 18 concelhos, nove do distrito de Lisboa e outros nove do distrito de Setúbal, nela se concentrando, em meados da década de 90 do século XX, cerca de 26% da população portuguesa. Para além da l itoralização (localização preferencial da maior parte dos centros urbanos junto ao litoral), acrescenta -se o reforço da bipolari zação que caracteri za a rede urbana portuguesa – As áreas metropol i tanas de Li sboa e Porto, concentram, actualmente, cerca de 40% da população portuguesa.
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    As condições devida urbana O rápido crescimento de algumas cidades portuguesa, aliado à especulação imobiliária, e a um planeamento pouco eficaz, tem conduzido ao aparecimento de espaços sem qualidade estética, funcional e social. A deterioração das condições de vida, reflete-se na diminuição do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos. As cidades deixaram, em alguns casos, de ser lugares apelativos para residir e trabalhar. No sentido de inverter esta situação, tona-se imprescindível implementar processos de planeamento territorial, que, de forma eficaz ajudem à construção de um território ordenado. Para um crescimento mais harmonioso e sustentando das cidades, tem contribuído a implementada dos PMOT (Planos Municipais de Ordenamento do Território) que variam dependendo da área de intervenção: o PDM (Plano Diretor Municipal) – incidem a sua aplicação a nível local, concelhio, logo é promovida pela autarquia; tem vigência de 10anos, e devem ser flexíveis e dinâmicos; o PU (Plano Urbanização) – definem a organização espacial de uma determinada área do território municipal que exige uma intervenção integrada do planeamento; o PP (Plano de Pormenor) – trata com detalhe, áreas ainda mais limitadas territorialmente, definindo modos de ocupação do espaço em causa. 173
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    174 As característicasda rede urbana As aglomerações urbanas no território Nas últimas décadas, tem-se verificado um crescimento urbano em Portugal muito significativo. Os centros urbanos do Litoral (Porto e Lisboa, principalmente) continuam a ser uma forte ponto de atracão da população oferecendo emprego e melhores condições de vida. O interior continua a despovoar-se, registando um envelhecimento da população acentuado, que afecta o dinamismo, fazendo com que exista um grande contraste com o litoral, onde centros urbanos e cidades crescem rapidamente. A distribuição da população portuguesa evidencia assimetrias registadas no nosso país, relativamente à localização destes aglomerados. Verifica-se a localização do maior nº de cidades junto ao litoral, principalmente próximos de Porto e Lisboa. Fazendo assim contraste com esta situação, interior do país apresenta um número muito reduzido de cidades com dimensões populacionais reduzidas. Estas diferenças registadas entre norte e o sul do pais, refletem as desigualdades na repartição de atividades económicas e na distribuição da rede de acessibilidade e transportes. Não só no continente como nas regiões autónomas, os principais aglomerados populacionais se localizam no litoral, próximos de portos marítimos (que permitem ligações com o exterior). Por outro lado o caracter acidentado das ilhas, não incentiva a fixação da população no interior. A hierarquia na rede Na cidade, independemente da sua dimensão, estabelece com o espaço envolvente, relações de complementaridade, nomeadamente de carácter económico, social e cultura, sendo a força atrativa e polarizadora superior à que é exercida por este ultimo sobre ela. A área que envolve a cidade e se encontra sob sua dependência denomina-se área de influência. A delimitação dessa área de influência das diferentes cidades é uma tarefa complicada, contudo, é importante para o processo de planeamento, nomeadamente no que se refere aos serviços públicos como o ensino ou a saúde. É possível definir área de influencia em torno de todos o aglomerados, tenham o estatuto de cidade ou não, isto é, todos os lugares que oferecem bem e/ou serviço à população da área envolvente podem denominar-se de área envolvente. Designa-se de lugar centras, todo aglomerado que exerça pelo menos uma função centras, entendido como qualquer actividade económica, social e cultural que assegure o fornecimento de bem centrais (hospital, escola, livraria, etc). Considera-se bem central o produto ou o serviço que se pode adquirir num lugar central, podendo assim destituir-se os bens vulgares dos bens raros. Os bens vulgares, são bens de utilização frequente que se podem adquirir em qualquer lugar central (como pão, agua, leite, etc…), os bens raros caracterizam-se por ser de utilização menos frequente, só possíveis de obter em lugares centrais de nível hierárquico superior (como serviços médicos, serviços notariais, etc...).
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    A área deinfluência de cada lugar é determinada pelo alcance da função central mais rara, prestada nesse lugar central, entendendo-se por raio de eficiência de um bem central, isto é, a distancia máxima que a população está disposta a percorrer para adquirir um determinado bem ou serviço, tendo em conta o tempo e os custos dessa deslocação. Os lugares centrais hierarquizam-se de acordo com a sua centralidade, isto é, a razão entre a quantidade de bens e serviços que o lugar oferece à população e a quantidade de bem e serviços que essa população necessita. A hierarquia dos centros urbanos pode ser feita tendo por base a dimensão demográfica, pois há uma relação entre o total de habitantes e as funções centrais que nesses centros urbanos existem. A rede urbana nacional apresenta-se desequilibrada e de padrão macrocéfalo ou bimacrocéfalo com duas grandes cidades, Lisboa e Porto, a dominarem um elevado número de cidades de pequena dimensão com áreas de influência muito reduzidas que ocupam a base da hierarquia. Verifica-se um pequeno número de centros urbanos de pequena dimensão com capacidade de dinamizarem a região onde se enquadram permitindo a fixação da população e evitando a sua fuga para os maiores centros do Litoral. Para além disso, é de assinalar a localização preferencial da maior parte dos centros urbanos junto ao Litoral, bem como o seu contínuo crescimento que acentua as assimetrias existentes. Além da Litoralização acrescenta-se o reforço da bipolarização que caracteriza a rede urbana portuguesa – as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, concentram cerca de 40% da população do país. As atividades económicas tendem em localizar-se em aglomerações urbanas, onde existe mão-de-obra abundante e qualifica, de numerosos serviços, fornecedores, de infraestruturas e equipamentos (água, energia, saneamento, transportes). A população também é atraída pelas grandes aglomerações visto estas disporem de maiores oportunidades de emprego, grande variedade de serviços, infraestruturas, equipamentos sociais, e culturais. A localização nas grandes aglomerações urbanas permite às empresas e também á população beneficiar dos princípios das economias de escala, que consiste na redução do custo médio de um bem á medida que aumenta o volume da sua produção. Quando o crescimento de uma aglomeração se processa a um ritmo de tal forma acelerado que conduz á saturação dos espaços e infraestruturas entra-se numa fase designadas de deseconomia de escola, isto é, os equipamentos e as infraestruturas são insuficientes para satisfazer as empresas e a população. Aumentaram os problemas de trânsito, aumento o custo do solo e a degradação ambiental. Assiste-se á falta de habitação, mau funcionamento dos equipamentos sociais (centros de saúde, escolas…). Estes problemas fazem-se notar principalmente nas grandes aglomerações do litoral e traduzem-se no aumento dos custos de produções ao nível das empresas, e na sua diminuição da qualidade de vida da população 175
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    176 A reorganizaçãoda rede urbana O papel das cidades médias O desenvolvimento do nosso país passa pela reorganização do sistema urbano e este pela revitalização das cidades de média dimensão. Estas cidades, pelas funções que exercem e pelas oportunidades que oferecem à população, podem contribuir para a dinamização do território onde se insere, reduzindo assim, as assimetrias regionais e melhorando a qualidade e nível de vida dos cidadãos. Investir nas cidades de média dimensão poderá construir uma estratégia para a implantação de atividades económicas, valorizando os recursos regionais, e preservando o equilíbrio do ambiente, ajuda à fixação da população e despovoamento, o envelhecimento e a estagnação das áreas mais deprimidas. Simultaneamente pode contribuir para atenuar o crescimento das grandes aglomerações que se debatem atualmente com o excesso de população, face às infraestruturas e equipamentos, que dispõem, que levam a graves problemas sociais, económicos e ambientais. Atenuar o crescimento das grandes aglomerações A diminuição das assimetrias e o reforço da coesão e da solidariedade internas, passam pela reorganização da rede urbana, de que resulta o desenvolvimento de uma rede policêntrica formada por centro de grande, média e pequena dimensão distribuídos de forma equilibrada pelo território nacional e ligados entre si, de forma articulada por relações de complementaridade. Esta reorganização assenta na melhoria das acessibilidades entre os vários centros urbanos e no incentivo publico e privado ao investimento em atividade que potenciem o desenvolvimento económico regional. As condições enunciadas permitem aumentar as capacidades de atração das cidades médias, aumentar a sua área de influência, ajudando assim a intensificar as relações entre o meio urbano e o meio rural. Apesar das melhorias a que, nas últimas décadas se tem assistido ao nível do desenvolvimento da rede viária, nomeadamente da rede nacional estruturante da rede que liga as áreas rurais e urbanas, assim como das condições para a fixação dos mais diversos serviços e atividades. O litoral continua a destacar-se do interior, quer no número de cidadãos, quer na diminuição demográfica das mesmas.
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    Inserção na redeurbana europeia Integrado na União Europeia e num mundo cada vez mais global, importa equacionar a capacidade de afirmação de afirmação, de projecção e de competição que Portugal detém a nível internacional e principalmente a nível europeu. A afirmação internacional exige, igualmente, a existência de cidades que exerçam funções de nível superior, que lhes permita desempenhar um papel com relevância a nível económico, tecnológico, cultural e científico, no cenário internacional. No entanto Portugal não tem nenhuma cidade com capacidade de afirmação a esse nível, pois quer Lisboa quer o Porto, ocupam posições secundárias nesse contexto. A posição hierárquica da AML E AMP na rede europeia Numa lógica de integração na União Europeia e de globalização da sociedade, a dinâmica económicas das regiões depende muito da capacidade que as cidades têm para se afirmarem internacionalmente, projetando a região e o País. No contexto internacional, as cidades portuguesas ocupam uma posição relativamente modesta. A hierarquização das cidades na rede internacional avalia-se de vários critérios, entre os quais se salienta o total de população, o número de feiras e exposições de cariz internacional, realizadas, o trafego aéreo, o desenvolvimento de atividades de caracter cultural, a presença de sedes multinacionais, entre várias a enunciar. Posição internacional das duas maiores cidades portuguesas A abertura económica do exterior, expressa pelo valor das exportações e das importações e do movimento nos portos e aeroportos, constitui também uma das formas de internacionalização do Pais e de avaliação da projeção externa das cidades. Lisboa e Porto são as cidades portuguesas de maior expressão internacional, que assumem uma posição relevante no sistema ibérico. As cidades portuguesas não apresentam capacidade de afirmação na rede internacional . Como principal causa desta situação, aponta-se, tradicionalmente, a pacificidade do nosso território, situações que pode, entretanto, alterar -se, com o desenvolvimento dos transportes e das telecomunicações. A localização geográfica de Portugal no extremo sudoeste da Europa poderá transformar - se numa vantagem comparativa, se o território nacional passar a funcionar como uma porta de comunicação entre a europa e o resto do mundo. Portugal poderá transformar -se numa plataforma intercontinental de prestação de serviços, nomeadamente ao nível dos transportes, capaz de atrair investimentos, atividades, população, etc. A população, como se movimenta e comunica Não existe actualmente nenhum país, cuja economia se desenvolva num circuito fechado, pelo contrário, são cada vez mais numerosas as trocas entres os diferentes países, as quais têm na sua base a complementaridade entre várias regiões. A crescente interação espacial tem como suporte a rede transportes e os vários meios de transporte, que tem vindo a sofrer constantes evoluções. O aumento da mobilidade permitiu desenvolver o comércio e consequentemente, as atividade produtivas, tanto a nível regional, quer a nível internacional, diminuir as assimetrias regionais e 177
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    portanto, melhorar ascondições de vida e o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, ajudou á expansão de novas formas de organização do espaço, referindo-se a título de exemplo o crescimento dos subúrbios nas grandes cidades, à redistribuição espacial da população, com a eclosão e intensificação de movimentos migratórios, assim como à massificação de fenómenos sociais, culturais e económicos, como é o caso do turismo. A competitividade dos diferentes modos de transporte As principais redes de transporte utilizadas para o estabelecimento de ligações são: 178  Rede rodoviária;  Rede ferroviária;  Rede marítima;  Rede área; A escolha do modo de transporte a utilizar depende de vários fatores, podendo enunciar-se como os mais importantes o custo do transporte, o tipo de mercadoria a transportar, a distancia a percorrer, o tempo gasto no percurso e ainda o tipo de trajeto a percorrer. Em Portugal, no trafego interno de mercadorias e de passageiros utiliza-se, fundamentalmente, o transporte rodoviário. Relativamente ao trafego internacional de mercadorias, o transporte é realizada, na maioria dos casos, por via marítima, ao qual se segue os transportes rodoviário, que nos últimos anos tem registado um crescimento assinalável, sobretudo o que se dirige aos países da União Europeia. Rede de transportes Conjunto de vias de comunicação (estradas, mar, rios, tubos, etc) que servem determinada região. Meios de transporte Veículos e vias utilizados para a deslocação. Transporte rodoviário  Em Portugal tem registado um aumento significativo, tanto nos veículos pesados como nos ligeiros;  Apresenta grande flexibilidade, permite o transporte porta-a-porta, é rápido e cómodo.
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     Como temsido objeto de evolução tecnológica, isso traduz-se na capacidade de carga que aumenta, bem como a especialização, isto é para o transporte de mercadorias diversificadas.  Provoca impacto negativo na atmosfera devido á libertação de gases poluentes;  Elevado consumo de combustível, e aumento do “desgaste psicológico”, relacionado como dificuldade em estacionar, entre outros; 179  Elevada sinistralidade; Transporte ferroviário  Durante a primeira metade do século XX, foi um meio de transporte muito utlizado e constituiu um importante fator para o desenvolvimento do pais em vários níveis. No entanto, face ao desenvolvimento do transporte rodoviário, o ferroviário, perdeu capacidade competitiva, quer no transporte de passageiros, quer no transporte de mercadorias, apresentando uma utilização bastante modesta, quer nas utilizações nacionais, quer nas internacionais;  Os aspetos negativos deste transporte, nomeadamente o carácter fixo dos seus itinerários, o que se traduz numa menor flexibilidade e na exigência de transbordo, o que além de retirar comodidade, aumenta o custo do transporte, não só pela perda de tempo que implica como pelo aumento da mão-de-obra utilizada, estiveram na origem da perda de competitividade deste meio de transporte;  Revela-se um meio de transporte com elevados encargos ao nível de manutenção e funcionamento de infraestruturas e equipamentos, quando comparado com o transporte rodoviário;  Contudo apresenta-se um meio de transporte economicamente vantajoso para o tráfego de mercadorias pesadas e volumosas;  Baixa sinistralidade. Transporte marítimo  80% do comercio internacional em Portugal, é realizado por via marítima;  Revela-se especialmente vantajoso sob o ponto de vista económico, no tráfego de mercadorias pesadas e volumosas, a longas distâncias, revelando-se muitas vezes o único possível quando se trata de trajetos intercontinentais; a crescente especialização que vem apresentando (petroleiros, metaneiros, etc), torna-o cada vez mais atrativo, pois confere-lhe a possibilidade de transportar variados tipos de mercadorias em boas condições de acondicionamento;  O transporte marítimo apresenta, como principais inconvenientes a menor velocidade média alcançada e a exigência de transbordo;
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    180 Transporte aéreo  Encontra-se vocacionado para o tráfego de passageiros, dada a rapidez, comodidade e segurança que oferece;  A sua utilização tem vindo a aumentar muito significativamente em todo o mundo, para viagens longas e também para médias distâncias; relativamente a mercadorias, a sua utilização é restrita dada a fraca capacidade de carga e os elevados custos de transporte;  Apresenta também aspetos negativos como a poluição, o enorme consumo de energia e a saturação do espaço aéreo.  Tal como em todo o mundo, também em Portugal, o transporte aéreo tem vindo a crescer especialmente os voos internacionais. Transporte intermodal  O transporte intermodal apresenta-se como uma solução para reduzir a utilização excessiva do transporte rodoviário no tráfego de mercadorias, ao permitir que a mercadoria, numa parte do seu percurso, viaje utilizando outro meio de transporte, designadamente ferroviário. São várias as vantagens que daí resultam, pois permite diminuir o trânsito nas vias rodoviárias, reduzir a poluição e o consumo de energia, assim como o tempo de deslocação.  Uma vez que o comércio externo português se faz essencialmente com a Europa, os projetos de ligação às redes transeuropeias têm também como objetivo prioritário a articulação entre os vários meios de transporte, de forma a permitir a utilização combinada de transportes complementares. A inserção nas redes transeuropeias A política comum de transportes, apresenta como um dos seus principais objetivos a criação de uma rede de transportes que integre as redes dos vários modos de transportes, capaz de promover a construção de um espaço sem fronteiras, onde as ligações entre as regiões mais periféricas e as regiões centrais, mais desenvolvidas, sejam facilitadas. A construção de uma rede transeuropeia que promova a intermodalidade permitirá diminuir os problemas ambientais resultantes da poluição e do consumo de energia e permitirá deslocações mais rápidas.
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    A revolução dastelecomunicações e o seu impacte nas relações interterritoriais; Os transportes, as comunicações e a qualidade de vida A distribuição espacial das redes de comunicação A crescente internacionalização da economia e o acesso à informação tem como protagonista o desenvolvimento das telecomunicações. A difusão da informação é realizada cada vez de forma mais rápida, permitindo aumentar os intercâmbios e promover relações de complementaridade entre regiões. A modernização do sector das comunicações, aliada à do sector dos transportes, tem alterado o modo como o espaço geográfico é apreendido e vivenciado. O espaço e as distâncias são, desta forma, cada vez mais relativos, podendo medir-se em unidade de distância-tempo e distância-custo. O planeta em que vivemos, assume assim, contornos de uma verdadeira “aldeia global”. O aumento da mobilidade e da facilidade na difusão da informação está na origem de novas formas de trabalho e comercia, bem como de novos modelos e organização de espaço. Para garantir igualdade de acesso a todos os portugueses aos transportes e as TIC é preciso investir na modernização das redes, mas também na formação relativamente ao domínio das novas tecnologias. Na sequência da integração de Portugal na União Europeia as telecomunicações nacionais foram objeto de enorme modernização, tendo-se assistido à expansão das redes e melhorias substanciais na sua qualidade. Prevalecem, no entanto ainda algumas assimetrias entre o litoral e o interior que é preciso debelar. Um dos grandes objetivos das políticas da União Europeia, no domínio das telecomunicações é promover a igualdade de condições no acesso à informação, entre todos os cidadãos. A iniciática “eEuropa – uma sociedade para todos”, tem como objetivo garantir o acesso pleno das TIC no espaço comunitário. Os sectores dos transportes e das comunicações, apresentam alguns problemas associados ao ambiente, à segurança e à saúde que se torna necessário combater, nomeadamente através de campanhas de prevenção. 181
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    A integração dePortugal na União Europeia: novos desafios, novas oportunidades. 182 União europeia:  CECA (Tratado de Paris) – Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo;  CEE (Tratado de Roma 1957) – Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo;  Alargamentos:  1973 – Dinamarca, Irlanda, Reino Unido;  1981 – Grécia;  1986 – Espanha e Portugal;  1990 – Antiga RDA;  1995 – Áustria, Finlândia, Suécia;  2004 – Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e Republica Checa.  Países candidatos: Croácia, Turquia e Macedónia; A Islândia fez o pedido em Julho de 2009.  Instituições da U.E: Parlamento Europeu, Conselho Europeu e Comissão Europeia.  Conselho de Copenhaga (1993): definiu os critérios de adesão:  Critério político – o país candidato tem de possuir instituições estáveis que garantam a democracia, o Estado de direito, os direitos humanos e a sua proteção.  Critério económico – a economia do país têm de ser uma economia de mercado com capacidade para responder à pressão da concorrência.  Critério jurídico – o país candidato tem de proceder à transposição para o seu direito interno de todas as normas políticas comunitárias e de estar em condições de assumir as suas obrigações, incluindo a adesão aos objetivos da união monetária e económica.  Com base nestes critérios a adesão da Roménia e da Bulgária foi prolongada até 2007.  Acervo comunitário – Conjunto de leis e normas da EU que cada pais deve transpor para a sua legislação nacional.  ESTRATEGIAS DE PRÉ ADESÃO – Definidas pelo Conselho Europeu em 1997:
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     Criação deparcerias de adesão a celebrar com cada pais definido as prioridades nacionais de preparação da adesão nomeadamente o acervo comunitário.  Definição de novos instrumentos de apoio técnico e financeiro: 1. IEPA- Instrumento Estrutural de Pré – adesão, destinado a financiar a convergência com as normas comunitárias de infraestruturas em matéria de transportes e ambiente. 2. O SAPARD – Programa Especial para a Agricultura e o Desenvolvimento Rural com vista à modernização das estruturas e processos de produção agrícola e à diversificação económica dos espaços rurais de modo a promover a integração na PAC. 3. Reforço do PHARE (Polónia e Hungria) para recuperar a economia e facilitar o cumprimento do critério económico.  Chipre e Malta receberam uma ajuda de pré adesão, não beneficiaram do PHARE. A Turquia, a Croácia e a Republica da Macedónia e os potenciais candidatos beneficiam de uma estratégia de pré adesão. 183 Desafios e oportunidades do alargamento: Oportunidades  O grande aumento da dimensão territorial.  A expansão do Mercado Único.  O reforço da posição da União no contexto político e no mercado mundial. Desafios  O empobrecimento registado a nível comunitário (na maioria dos novos países membros o PIB por Habitante é muito inferior à média comunitária).  Maior heterogeneidade económica, social e cultural.  Necessidade de adaptar as políticas comunitárias e funcionamento das instituições  Os esforços de adaptação institucional, iniciaram-se com o tratado de Amesterdão, aprofundados com o tratado de Nice e concluíram-se com o tratado de Lisboa. Principais alterações introduzidas pelo tratado de Lisboa: 1. Surge o cargo de presidente da União Europeia em substituição das presidênc ias rotativas. 2. Passa a existir um alto representante da União Europeia para a Politica Externa e de Segurança que coordena a diplomacia da União Europeia. 3. As decisões no Conselho da União Europeia serão tomadas por dupla maioria – 55% dos países representando pelo menos 65% da população em vez da divisão de votos por pais criada no tratado de Nice ( 2001). 4. O número de assentos no parlamento passa de 785 para 751 e o princípio é o da proporcionalidade degressiva (os países de menor dimensão estão proporcionalmente à sua população mais fortemente representados do que os maiores).
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    184 Desafios eoportunidades para Portugal Desvantagem face aos novos Estados-membros: Vantagens face aos novos estados-membros: 1. A posição periférica do pais, afastado geograficamente dos países com maior poder de compra. 2. Alguns dos novos países apresentam maior produtividade do trabalho e mão–de–obra mais barata, instruída e qualificada 1. Melhores infraestruturas e estruturas produtivas mais organizadas 2. Maior desenvolvimento social 3. Maior estabilidade política e económica. 4. Integração na Zona euro. 5. Sistema bancário mais eficiente e credível. Política comunitária do Ambiente  Tratado de Maastricht – definiu os principais objetivos da política comunitária no domínio ambiental: 1. Preservação, proteção e melhoria da qualidade do ambiente; 2. Proteção da saúde das pessoas; 3. Utilização racional dos recursos naturais; 4. Promoção no plano internacional de medidas para enfrentar os problemas globais;  O Tratado de Amesterdão coloca o desenvolvimento sustentável e a obtenção de um nível elevado de proteção ambiental entre as principais prioridades da política comunitária.  O Sexto Programa de Ação em Matéria de Ambiente (2001-2010) define as prioridades e objetivos da politica ambiental europeia e em conjunto com a Estratégia Europeia para o Desenvolvimento Sustentável e a Estratégia de Lisboa apresenta como meta global para a União Europeia atingir padrões de produção e consumo sustentável , maximizar a eficiência dos produtos , serviços e investimentos numa perspetiva de racionalidade económica equidade social e proteção ambiental.  A política ambiental comunitária definiu 4 domínios de intervenção: 1. Domínio das Alterações climáticas: Finalidade – Chamar a atenção para o facto de as alterações climáticas constituírem um grande desafio e contribuir para o objetivo a longo prazo de estabilizar a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera a um nível perigoso para o sistema climático.
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    2. Domínio daNatureza e biodiversidade: Finalidade – Proteger, conservar, restabelecer e desenvolver o funcionamento dos ecossistemas, dos habitats naturais, fauna e flora a fim de travar a desertificação e a perda de biodiversidade. 3. Domínio do Ambiente e Saúde e Qualidade de Vida: Finalidade- Contribuir para melhorar o nível de qualidade de vida dos cidadãos proporcionando um ambiente em que o nível de poluição não provoque efeitos nocivos na saúde humana encorajando o desenvolvimento urbano sustentável. 4. Domínio dos Recursos Naturais e resíduos: Finalidade- Aumentar a eficiência na utilização dos recursos naturais e gestão de recursos e resíduos, dissociando a produção e utilização dos resíduos do crescimento económico. 185 Alterações Climáticas:  A União Europeia cumpriu o compromisso do protocolo de Quioto de em 2000 estabilizar as emissões de CO2 em níveis aproximados de 1990. A principal prioridade é reduzir até 2012 8% das emissões de gases com efeito de estufa face a 1990. A longo prazo a meta é a redução de 70% das emissões através da inovação e do desenvolvimento científico e tecnológico que permitam manter as atividades económicas e reduzir as emissões de gases.  Medidas adotadas a nível comunitário nacional: 1. Financiamento de projetos que visam otimizar a produção de energia a partir de fontes não poluentes 2. Desenvolver novos veículos impulsionados a eletricidade ou não poluentes 3. Desenvolver estruturas urbanas que consomem menos energia e reduzem a utilização de transportes rodoviários 4. Apoio técnico e financeiro às empresas no sentido de reduzirem e otimizarem o consumo de energia para reduzirem as emissões de gases 5. Criar sistemas de monitorização da qualidade do ar 6. Elaboração do programa Europeu para as Alterações Climáticas que enquadra a estratégia e ações da união europeia neste domínio