Pedalei como se fugisse. E eu fugia. Dela, das sensações, das recordações, de tudo. Pensei que depois esquecia, tinha a certeza de que ia conseguir esquecer. Mas,  agora  que  estou  velho e que  desperdicei  a vida,  agora  que  conheci  tantas mulheres que  me  disseram «Lembra-te de mim», tendo-as esquecido a todas, ainda  hoje  ela é a única que  eu   nunca   esqueci . Malena.
Mas,  agora  que  estou  velho e temporal   pessoal/temporal que  desperdicei  a vida,  agora  que pessoal  temporal conheci  tantas mulheres que  me pessoal  pessoal   disseram «Lembra-te de mim», tendo-as esquecido a todas, ainda  hoje  ela é a temporal única que  eu   nunca   esqueci . Malena. pessoal temporal pessoal
«E aqui está...» (p. 135) 1.1.  O narrador refere-se aos  sogros .
1.2. O sogro do narrador é cuidadoso (« penteadinho », «todo catita», «fez a barba com mais  cuidado »), submisso («não sei como pobre aguentava», « obediente »).
A sogra é, quase doentiamente,  minuciosa  («com as minúcias habituais», «a endireitar-lhe o casaco, a limpar com a ponta do lenço o que não estava sujo na cara») e perfecionista (« a inventar um traço que ninguém notou », «por vontade dela engraxava a sola também»).
2.  Enquanto o pintor do quadro na p. 134 parece retratar os pais com carinho, neste trecho de Lobo Antunes são destacados os traços menos  agradáveis/simpáticos  de cada um dos parentes.
2.1  O recurso estilístico que mais contribui para expressar essa atitude crítica relativamente às duas figuras é a ironia, presente, por exemplo, no uso de expressões paternalistas («todo catita»), nelas se incluindo os diminutivos (« penteadinho », gorducho»).
[Vê o cimo da p. 336, com valores do diminutivo. No caso dos supracitados diminutivos reconheceríamos valores de ironia/sarcasmo, mas talvez também de  depreciação  e até de  carinho/afecto .]
«Retrato do artista quando jovem» (pp. 141-142) 1./1.1  O «artista» mencionado no título e o  narrador  são a mesma entidade («resolvi», «meu», «cheguei», «experimentei», «fiquei», «me», entre muitas outras, são marcas desse narrador homodiegético).
1.2  Trata-se de crónica de cariz autobiográfico, ao longo da qual o narrador se  retrata  enquanto criança e adolescente.
2.  Reflectir sobre a sua infância e sobre a opção por  uma carreira artística .
3.  Desde «Estranho» (linha 39) a « admiro » (linha  47 ).
3.1 Comparação por exclusão. 3.2 Permite ao narrador apresentar-se e, ao mesmo tempo, descrever o escritor português tipo, de cuja imagem  pretende afastar-se .
4.  a) «em», « a », « com », «de».
b) « franjinhas », «sapatos».
c) « resolvesse ». d) «outrora».
 
boazinha / boa /  adjectivo espetadinhas /  espetada  /  nome   (< adjetivo) franguinho /  frango  /  nome lombinhos /  lombo  /  nome campinho /  campo  /  nome guisadinhas /  guisada  /  adjetivo linguinha /  língua  /  nome coelhinho /  coelho  /  nome
saborzinho /  sabor  /  nome   gostosinho (gostos[oz]inho) /  gosto (gostoso)  /  nome (adjetivo) molhozinho /  molho  /  nome  porquinho /  porco  /  nome gustativinhas /  gustativas  /  adjetivo peruzinho /  peru  /  nome suculentozinho /  suculento  /  adjetivo peixinho /  peixe  /  nome
talhinho /  talho  /  nome poucochinho /  pouco  /  advérbio tempinho /  tempo  /  nome parvalhãozinho /  parvalhão  /  adjetivo ou nome cretinazinha /  cretina  /  adjetivo talhantezinho /  talhante  /  nome pegazinha / pega /  nome ou adjetivo ruinha! /  rua!  /  interjeição
Os sufixos diminutivos dão à palavra primitiva valores variados (pequenez, estima, desprezo, etc.). Neste caso, a maioria dos diminutivos visava dar mostras de  estima , sendo os últimos, depois de se perceber que a cliente não ia comprar carne, de  ironia .
Vê também como a ligação do sufixo - inho  à palavra primitiva pode requerer alguma ligação suplementar (com - z-  ou com outra consoante) —  molhozinho ,  poucochinho ,  cretinazinha  — ou não —  ruinha .
Um quil inho  de kunami. N  N É kunami do bom. N  A É fruta tropical raríssima. N  A  A Paiz inho ! N
Isto é bom, muito raro. A  A Por isso o preço é upa-upa, puxad ote . N  (A)  A Olh'ò kunami fresqu inho ! N  A Isto é só fruta podre. N  A
É preciso ter um gosto sofisticado. N  A Doc inho ... Maravilha! A  N Isto faz um sum inho ... N Alface velha, ameixas podres, ... N  A  N  A
Com todo  o  respeito, a sua mulher é uma pega. A  N  N  É um bocad inho , é. N Ainda há gente simpática. N  A
TPC Enquanto revisão, no manual lê a secção ‘Relações semânticas entre as palavras’ (pp. 314-316). Depois, no  Caderno de Actividades , e talvez durante toda a semana, vai resolvendo — desportivamente, digamos — os exercícios relativos a ‘Relações entre as palavras’ (pp. 28-37), cujas correções estão na p. 90.

Apresentação para décimo ano de 2011 2, aula 20

  • 1.
  • 2.
    Pedalei como sefugisse. E eu fugia. Dela, das sensações, das recordações, de tudo. Pensei que depois esquecia, tinha a certeza de que ia conseguir esquecer. Mas, agora que estou velho e que desperdicei a vida, agora que conheci tantas mulheres que me disseram «Lembra-te de mim», tendo-as esquecido a todas, ainda hoje ela é a única que eu nunca esqueci . Malena.
  • 3.
    Mas, agora que estou velho e temporal pessoal/temporal que desperdicei a vida, agora que pessoal temporal conheci tantas mulheres que me pessoal pessoal disseram «Lembra-te de mim», tendo-as esquecido a todas, ainda hoje ela é a temporal única que eu nunca esqueci . Malena. pessoal temporal pessoal
  • 4.
    «E aqui está...»(p. 135) 1.1. O narrador refere-se aos sogros .
  • 5.
    1.2. O sogrodo narrador é cuidadoso (« penteadinho », «todo catita», «fez a barba com mais cuidado »), submisso («não sei como pobre aguentava», « obediente »).
  • 6.
    A sogra é,quase doentiamente, minuciosa («com as minúcias habituais», «a endireitar-lhe o casaco, a limpar com a ponta do lenço o que não estava sujo na cara») e perfecionista (« a inventar um traço que ninguém notou », «por vontade dela engraxava a sola também»).
  • 7.
    2. Enquantoo pintor do quadro na p. 134 parece retratar os pais com carinho, neste trecho de Lobo Antunes são destacados os traços menos agradáveis/simpáticos de cada um dos parentes.
  • 8.
    2.1 Orecurso estilístico que mais contribui para expressar essa atitude crítica relativamente às duas figuras é a ironia, presente, por exemplo, no uso de expressões paternalistas («todo catita»), nelas se incluindo os diminutivos (« penteadinho », gorducho»).
  • 9.
    [Vê o cimoda p. 336, com valores do diminutivo. No caso dos supracitados diminutivos reconheceríamos valores de ironia/sarcasmo, mas talvez também de depreciação e até de carinho/afecto .]
  • 10.
    «Retrato do artistaquando jovem» (pp. 141-142) 1./1.1 O «artista» mencionado no título e o narrador são a mesma entidade («resolvi», «meu», «cheguei», «experimentei», «fiquei», «me», entre muitas outras, são marcas desse narrador homodiegético).
  • 11.
    1.2 Trata-sede crónica de cariz autobiográfico, ao longo da qual o narrador se retrata enquanto criança e adolescente.
  • 12.
    2. Reflectirsobre a sua infância e sobre a opção por uma carreira artística .
  • 13.
    3. Desde«Estranho» (linha 39) a « admiro » (linha 47 ).
  • 14.
    3.1 Comparação porexclusão. 3.2 Permite ao narrador apresentar-se e, ao mesmo tempo, descrever o escritor português tipo, de cuja imagem pretende afastar-se .
  • 15.
    4. a)«em», « a », « com », «de».
  • 16.
    b) « franjinhas», «sapatos».
  • 17.
    c) « resolvesse». d) «outrora».
  • 18.
  • 19.
    boazinha / boa/ adjectivo espetadinhas / espetada / nome (< adjetivo) franguinho / frango / nome lombinhos / lombo / nome campinho / campo / nome guisadinhas / guisada / adjetivo linguinha / língua / nome coelhinho / coelho / nome
  • 20.
    saborzinho / sabor / nome gostosinho (gostos[oz]inho) / gosto (gostoso) / nome (adjetivo) molhozinho / molho / nome porquinho / porco / nome gustativinhas / gustativas / adjetivo peruzinho / peru / nome suculentozinho / suculento / adjetivo peixinho / peixe / nome
  • 21.
    talhinho / talho / nome poucochinho / pouco / advérbio tempinho / tempo / nome parvalhãozinho / parvalhão / adjetivo ou nome cretinazinha / cretina / adjetivo talhantezinho / talhante / nome pegazinha / pega / nome ou adjetivo ruinha! / rua! / interjeição
  • 22.
    Os sufixos diminutivosdão à palavra primitiva valores variados (pequenez, estima, desprezo, etc.). Neste caso, a maioria dos diminutivos visava dar mostras de estima , sendo os últimos, depois de se perceber que a cliente não ia comprar carne, de ironia .
  • 23.
    Vê também comoa ligação do sufixo - inho à palavra primitiva pode requerer alguma ligação suplementar (com - z- ou com outra consoante) — molhozinho , poucochinho , cretinazinha — ou não — ruinha .
  • 24.
    Um quil inho de kunami. N N É kunami do bom. N A É fruta tropical raríssima. N A A Paiz inho ! N
  • 25.
    Isto é bom,muito raro. A A Por isso o preço é upa-upa, puxad ote . N (A) A Olh'ò kunami fresqu inho ! N A Isto é só fruta podre. N A
  • 26.
    É preciso terum gosto sofisticado. N A Doc inho ... Maravilha! A N Isto faz um sum inho ... N Alface velha, ameixas podres, ... N A N A
  • 27.
    Com todo o respeito, a sua mulher é uma pega. A N N É um bocad inho , é. N Ainda há gente simpática. N A
  • 28.
    TPC Enquanto revisão,no manual lê a secção ‘Relações semânticas entre as palavras’ (pp. 314-316). Depois, no Caderno de Actividades , e talvez durante toda a semana, vai resolvendo — desportivamente, digamos — os exercícios relativos a ‘Relações entre as palavras’ (pp. 28-37), cujas correções estão na p. 90.