a ante após   até com conforme contra   de desde durante em   entre excepto mediante para   perante por salvo   segundo   sem sob sobre trás
Preposições que podem aparecer em contracção a de em por
25  de  Abril — FERIADO! A setora  de  Português mandou-nos fazer entrevistas  a  gente da nossa idade  sobre  o que foi o 25  de  Abril. Instalei-me  com  a Cátia e o Miguel junto à paragem das camionetas. Quase toda a malta jovem ia  para  a praia. À nossa pergunta respondiam: —  Uma coisa histórica. —  Atiraram abaixo  com  um presidente chamado Salazar.
—  Qual quê! O homem caiu  de  uma cadeira e morreu. —  Foi uma revolução qualquer, há muito tempo,  antes de  eu nascer. —  É um feriado. E basta. Todos bateram palmas. Pois  em  minha casa logo pela manhã a mãe espeta um cravo vermelho numa jarrinha. Dantes punha-o ao peito. E faz rodar um disco antigo do Zeca Afonso, que  por  acaso até é giro.
O meu pai levanta-se tarde, veste-se à balda  para  o almoço  de  confraternização  com  os seus companheiros do 25  de  Abril.  A  uns arrancaram unhas, outro tem marcas  de  pontas  de  cigarro pelo corpo. A Maria das Dores esteve  a  fazer  de  estátua, que não é propriamente posar  para  um escultor mas estar  de  pé dias e noites  com  uma luz virada  para  os olhos. O meu pai não sofreu nada. A prisão deve ter sido a grande aventura
da vida dele — esteve  com  assaltantes  a  quartéis, participou  em  fugas, trocava mensagens  por  pancadinhas na parede. Foi até na prisão que se casou. Do seu tempo  de  revolucionário ficou esta sardinhada anual, regada  a  vinho tinto. Pois vivam as revoluções que dão feriado! Infelizmente são só três: o 5  de  Outubro, o 1.º  de  Dezembro e o 25  de  Abril.
25  de  Abril — FERIADO! A setora  de  Português mandou-nos fazer entrevistas  a  gente  da  nossa idade  sobre  o que foi o 25  de  Abril. Instalei-me  com  a Cátia e o Miguel  junto à  paragem  das  camionetas. Quase toda a malta jovem ia  para  a praia. À  nossa pergunta respondiam: —  Uma coisa histórica. —  Atiraram abaixo  com  um presidente chamado Salazar.
—  Qual quê! O homem caiu  de  uma cadeira e morreu. —  Foi uma revolução qualquer, há muito tempo,  antes de  eu nascer. —  É um feriado. E basta. Todos bateram palmas. Pois  em  minha casa logo  pela  manhã a mãe espeta um cravo vermelho  numa  jarrinha. Dantes punha-o  ao  peito. E faz rodar um disco antigo  do  Zeca Afonso, que  por  acaso até é giro.
O meu pai levanta-se tarde, veste-se  à  balda  para  o almoço  de  confraternização  com  os seus companheiros  do  25  de  Abril.  A  uns arrancaram unhas, outro tem marcas  de  pontas  de  cigarro  pelo  corpo. A Maria  das  Dores esteve  a  fazer  de  estátua, que não é propriamente posar  para  um escultor mas estar  de  pé dias e noites  com  uma luz virada  para  os olhos. O meu pai não sofreu nada. A prisão deve ter sido a grande aventura
da  vida  dele  — esteve  com  assaltantes  a  quartéis, participou  em  fugas, trocava mensagens  por  pancadinhas  na  parede. Foi até  na  prisão que se casou. Do  seu tempo  de  revolucionário ficou esta sardinhada anual, regada  a  vinho tinto. Pois vivam as revoluções que dão feriado! Infelizmente são só três: o 5  de  Outubro, o 1.º  de  Dezembro e o 25  de  Abril.
 
a     à  |  ao ante após até
com conforme contra de do  |  da  |  das
desde durante em   na  |  numa entre
excepto mediante para perante
por pelo  |  pela salvo segundo sem sob sobre trás ________________________________ antes de junto a   junto à
Vou dar um trevo  ao elefante .  Complemento  indirecto   a
Vi o programa  do Bruno Aleixo . Modificador restritivo (do nome) de
Nos próximos minutos , assistiremos a um  sketch  pornográfico. Modificador (do grupo verbal) em
O Busto foi desmentido  pelo Bruno . Complemento  agente da passiva por
O Bruno  desmentiu  o Busto . sujeito  complemento directo O Busto  foi desmentido  pelo Bruno . sujeito   agente da passiva
A primeira consiste em usar-se a  preposição , omitindo o restante grupo preposicional. Talvez porque, dado o contexto, fique muito implícito o que se quer dizer, o locutor pode dar-se ao luxo de suspender a frase logo depois de pronunciar a preposição.
Ora realística ora caricaturalmente, o professor  Adolfo Coelho  (nota que o nome corresponde, efectivamente, àquele que se pode considerar o primeiro linguista português — contemporâneo, por exemplo, de Eça de Queirós) ou o apresentador dizem  «Podemos não chegado  a »; «Mas estamos  a  caminhar  para »; «Fiz uma tentativa  de »; «Esperamos estar cá  para ».
 
A segunda é começar frases por  infinitivos , quando se esperaria o uso de outro tempo, com pessoa: «Em primeiro lugar,  dizer que  [...]»; «Antes de continuarmos,  aplaudir  [...]»; «Antes de mais,  registar  [...]».
(Um pouco à margem deste tique, repara que nas frases fica claro um dos papéis que podem ter os grupos preposicionais, o de  conectores : é o caso de « Em primeiro lugar », « Antes de continuarmos », « Antes de mais ». Outras classes gramaticais que cumprem frequentemente esse papel de estabelecer relações entre segmentos textuais são a  conjunção , o próprio  advérbio .)
Os dois fenómenos caricaturados (suspensão da frase na preposição; começo da frase por um infinitivo) são talvez evoluções em curso na língua portuguesa, relativas a mudanças de ordem  sintática .
Isto parece-se  com Prefiro este  àquele Ficou  sob  a jurisdição de
Tem  a  ver com  (Tem  que  ver com) Onde  moras? Dá-me  com  força Tenho  de  ir
Compara esta folha  com  aquela O gelado  de  que gosto mais As pessoas  com  que falei  Hás  de  vir
Na última linha, o erro não resulta propriamente de má escolha da preposição, mas de se flexionar mal a forma verbal. Como se faz uma analogia com outras segundas pessoas do singular, que terminam em  –s , cria-se uma forma terminada em  –s , amalgamando a preposição. É o mesmo processo que leva a que, por vezes, se use, para a terceira pessoa do plural, «hadem» (em vez da forma correcta « hão de »).
Foi o facto  de ele  ter mentido que me agradou.  Apesar  de ela  ser bonita, é muito feia. Diz  ao  polícia que morri.  Gostava  de os  avisar de que a lontra adoeceu.
 
Miguel Esteves Cardoso escreve diariamente uma  mini-crónica  no  Público , com o nome genérico «Ainda ontem». Muitos destes seus textos têm sido  declarações de felicidade e de amor  pela mulher. A do dia 2 de outubro versou « Um dia bem passado ».  Ainda que com menos extensão (talvez com  cerca de cento e cinquenta palavras ), escreve uma nota de recordação de um dia, um momento, bem passado. Assume que o texto é de «ainda ontem».
TPC  — Recorrendo, ou não, a um dicionário, encontra um verbo interessante (pouco usual, complicado, engraçado na sua sonoridade, extenso, etc. — enfim, um verbo que, por algum motivo, consideres simpático ou original). Escreve toda a sua flexão, incluindo tempos simples e compostos. Aproveita para veres bem a folha com um modelo de flexão («Fazer») dada na aula 6 e para te ires familiarizando com a conjugação dos verbos. Transcreve também o essencial do verbete do dicionário relativo ao verbo escolhido.

Apresentação para décimo ano de 2011 2, aula 8

  • 1.
  • 2.
    a ante após até com conforme contra de desde durante em entre excepto mediante para perante por salvo segundo sem sob sobre trás
  • 3.
    Preposições que podemaparecer em contracção a de em por
  • 4.
    25 de Abril — FERIADO! A setora de Português mandou-nos fazer entrevistas a gente da nossa idade sobre o que foi o 25 de Abril. Instalei-me com a Cátia e o Miguel junto à paragem das camionetas. Quase toda a malta jovem ia para a praia. À nossa pergunta respondiam: — Uma coisa histórica. — Atiraram abaixo com um presidente chamado Salazar.
  • 5.
    — Qualquê! O homem caiu de uma cadeira e morreu. — Foi uma revolução qualquer, há muito tempo, antes de eu nascer. — É um feriado. E basta. Todos bateram palmas. Pois em minha casa logo pela manhã a mãe espeta um cravo vermelho numa jarrinha. Dantes punha-o ao peito. E faz rodar um disco antigo do Zeca Afonso, que por acaso até é giro.
  • 6.
    O meu pailevanta-se tarde, veste-se à balda para o almoço de confraternização com os seus companheiros do 25 de Abril. A uns arrancaram unhas, outro tem marcas de pontas de cigarro pelo corpo. A Maria das Dores esteve a fazer de estátua, que não é propriamente posar para um escultor mas estar de pé dias e noites com uma luz virada para os olhos. O meu pai não sofreu nada. A prisão deve ter sido a grande aventura
  • 7.
    da vida dele— esteve com assaltantes a quartéis, participou em fugas, trocava mensagens por pancadinhas na parede. Foi até na prisão que se casou. Do seu tempo de revolucionário ficou esta sardinhada anual, regada a vinho tinto. Pois vivam as revoluções que dão feriado! Infelizmente são só três: o 5 de Outubro, o 1.º de Dezembro e o 25 de Abril.
  • 8.
    25 de Abril — FERIADO! A setora de Português mandou-nos fazer entrevistas a gente da nossa idade sobre o que foi o 25 de Abril. Instalei-me com a Cátia e o Miguel junto à paragem das camionetas. Quase toda a malta jovem ia para a praia. À nossa pergunta respondiam: — Uma coisa histórica. — Atiraram abaixo com um presidente chamado Salazar.
  • 9.
    — Qualquê! O homem caiu de uma cadeira e morreu. — Foi uma revolução qualquer, há muito tempo, antes de eu nascer. — É um feriado. E basta. Todos bateram palmas. Pois em minha casa logo pela manhã a mãe espeta um cravo vermelho numa jarrinha. Dantes punha-o ao peito. E faz rodar um disco antigo do Zeca Afonso, que por acaso até é giro.
  • 10.
    O meu pailevanta-se tarde, veste-se à balda para o almoço de confraternização com os seus companheiros do 25 de Abril. A uns arrancaram unhas, outro tem marcas de pontas de cigarro pelo corpo. A Maria das Dores esteve a fazer de estátua, que não é propriamente posar para um escultor mas estar de pé dias e noites com uma luz virada para os olhos. O meu pai não sofreu nada. A prisão deve ter sido a grande aventura
  • 11.
    da vida dele — esteve com assaltantes a quartéis, participou em fugas, trocava mensagens por pancadinhas na parede. Foi até na prisão que se casou. Do seu tempo de revolucionário ficou esta sardinhada anual, regada a vinho tinto. Pois vivam as revoluções que dão feriado! Infelizmente são só três: o 5 de Outubro, o 1.º de Dezembro e o 25 de Abril.
  • 12.
  • 13.
    a à | ao ante após até
  • 14.
    com conforme contrade do | da | das
  • 15.
    desde durante em na | numa entre
  • 16.
  • 17.
    por pelo | pela salvo segundo sem sob sobre trás ________________________________ antes de junto a junto à
  • 18.
    Vou dar umtrevo ao elefante . Complemento indirecto a
  • 19.
    Vi o programa do Bruno Aleixo . Modificador restritivo (do nome) de
  • 20.
    Nos próximos minutos, assistiremos a um sketch pornográfico. Modificador (do grupo verbal) em
  • 21.
    O Busto foidesmentido pelo Bruno . Complemento agente da passiva por
  • 22.
    O Bruno desmentiu o Busto . sujeito complemento directo O Busto foi desmentido pelo Bruno . sujeito agente da passiva
  • 23.
    A primeira consisteem usar-se a preposição , omitindo o restante grupo preposicional. Talvez porque, dado o contexto, fique muito implícito o que se quer dizer, o locutor pode dar-se ao luxo de suspender a frase logo depois de pronunciar a preposição.
  • 24.
    Ora realística oracaricaturalmente, o professor Adolfo Coelho (nota que o nome corresponde, efectivamente, àquele que se pode considerar o primeiro linguista português — contemporâneo, por exemplo, de Eça de Queirós) ou o apresentador dizem «Podemos não chegado a »; «Mas estamos a caminhar para »; «Fiz uma tentativa de »; «Esperamos estar cá para ».
  • 25.
  • 26.
    A segunda écomeçar frases por infinitivos , quando se esperaria o uso de outro tempo, com pessoa: «Em primeiro lugar, dizer que [...]»; «Antes de continuarmos, aplaudir [...]»; «Antes de mais, registar [...]».
  • 27.
    (Um pouco àmargem deste tique, repara que nas frases fica claro um dos papéis que podem ter os grupos preposicionais, o de conectores : é o caso de « Em primeiro lugar », « Antes de continuarmos », « Antes de mais ». Outras classes gramaticais que cumprem frequentemente esse papel de estabelecer relações entre segmentos textuais são a conjunção , o próprio advérbio .)
  • 28.
    Os dois fenómenoscaricaturados (suspensão da frase na preposição; começo da frase por um infinitivo) são talvez evoluções em curso na língua portuguesa, relativas a mudanças de ordem sintática .
  • 29.
    Isto parece-se com Prefiro este àquele Ficou sob a jurisdição de
  • 30.
    Tem a ver com (Tem que ver com) Onde moras? Dá-me com força Tenho de ir
  • 31.
    Compara esta folha com aquela O gelado de que gosto mais As pessoas com que falei Hás de vir
  • 32.
    Na última linha,o erro não resulta propriamente de má escolha da preposição, mas de se flexionar mal a forma verbal. Como se faz uma analogia com outras segundas pessoas do singular, que terminam em –s , cria-se uma forma terminada em –s , amalgamando a preposição. É o mesmo processo que leva a que, por vezes, se use, para a terceira pessoa do plural, «hadem» (em vez da forma correcta « hão de »).
  • 33.
    Foi o facto de ele ter mentido que me agradou. Apesar de ela ser bonita, é muito feia. Diz ao polícia que morri. Gostava de os avisar de que a lontra adoeceu.
  • 34.
  • 35.
    Miguel Esteves Cardosoescreve diariamente uma mini-crónica no Público , com o nome genérico «Ainda ontem». Muitos destes seus textos têm sido declarações de felicidade e de amor pela mulher. A do dia 2 de outubro versou « Um dia bem passado ». Ainda que com menos extensão (talvez com cerca de cento e cinquenta palavras ), escreve uma nota de recordação de um dia, um momento, bem passado. Assume que o texto é de «ainda ontem».
  • 36.
    TPC —Recorrendo, ou não, a um dicionário, encontra um verbo interessante (pouco usual, complicado, engraçado na sua sonoridade, extenso, etc. — enfim, um verbo que, por algum motivo, consideres simpático ou original). Escreve toda a sua flexão, incluindo tempos simples e compostos. Aproveita para veres bem a folha com um modelo de flexão («Fazer») dada na aula 6 e para te ires familiarizando com a conjugação dos verbos. Transcreve também o essencial do verbete do dicionário relativo ao verbo escolhido.