Fundamentos da Interatividade Curso: Publicidade e Propaganda FACHA – Faculdades Hélio Alonso Setembro 2011 LUIZ AGNER MÍDIA II
Conceito de interatividade Marco Silva
Interatividade?
“ Teoria Matemática  da Comunicação” (1949) Claude Shanonn Modelo clássico  da comunicação Warren Weaver Engenheiros da Bell, Co.
Modelo clássico
Crítica ao funcionalismo da teoria clássica da comunicação Funcionalismo como herdeiro do positivismo Teoria estatística da informação (unidirecional): Shannon e Weaver Media: produtora de uniformização de atitudes Crítica aos meios  massivos
Filósofos de Frankfurt H. Marcuse, T. Adorno e Horkheimer
Crítica aos meios  massivos Teledifusão: modelo hierárquico, unidimensional, assimétrico, reducionista e utilitarista Instrumento da propaganda comercial e política Marcuse, Adorno e Horkheimer:  criticavam o papel estratégico  dos meios de comunicação no  sistema capitalista
1. Participação e Intervenção O público é visto como “intruso” no processo de comunicação social É a “parte fraca” do processo. Os gestores das mídias controlam todo o processo, e selecionam as mensagens. A intervenção do público tem sido somente uma “concessão” dos gestores.  PERSPECTIVA TECNOLÓGICA
1. Participação e Intervenção Tradição marxista: A diferenciação técnica entre emissores e receptores reflete a divisão social do trabalho. Propõe a intervenção dos excluídos no processo de comunicação.  PERSPECTIVA POLÍTICA
1. Participação e Intervenção Apertar botões, zapear, ou responder a programas determinados não mobiliza a autonomia, a criatividade e a imprevisibilidade.  O aspecto político evidencia a idéia de não haver distinção de princípios entre audiência e gestão da televisão. PERSPECTIVA POLÍTICA
1. Participação e Intervenção Quando se fala em liberdade de expressão se fala em liberdade dos empresários. As novas tecnologias vêm para “remediar” a situação desequilibrada, permitindo alguma participação dos receptores.  Justino Sinova: chegou a vez dos receptores terem expressão. PERSPECTIVA TECNOLÓGICA
1.Participação e Intervenção Brenda Laurel Computador  como teatro 4 variáveis: Frequência Opções  (escolhas disponíveis) Significação Imersão sensorial PERSPECTIVA SENSORIAL
1.Participação e Intervenção MUDANÇAS NO MODELO CLÁSSICO: 1. A  mensagem  muda de natureza O utilizador explora a mensagem à sua vontade (modo de conversação/interativo) Outrora acabada, a mensagem se torna modificável e flexível. 2. O  emissor  muda de papel Não visa mais emitir mensagem (no sentido clássico), mas construir um sistema. 3. O  receptor  muda de status Utilizador: organiza o seu passeio como quiser. PERSPECTIVA  COMUNICACIONAL
2.Bidirecionalidade e Hibridação Noção de  bidirecionalidade  e  co-autoria  nas artes plásticas, cênicas e literatura Origens: móbiles de Calder, happenings do grupo Fluxus, parangolés de Helio Oiticica Noção de  Obra Aberta  (H. Eco) A mensagem é processo, não produto final. É lugar de diálogo, sensorialidade e intervenção.
2.Bidirecionalidade e Hibridação Alexander Calder Mobiles e Stabiles O primeiro artista a  levar o movimento  à escultura
2.Bidirecionalidade e Hibridação Alexander Calder Mobiles
2.Bidirecionalidade e Hibridação Happening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960
2.Bidirecionalidade e Hibridação Happening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960
2.Bidirecionalidade e Hibridação Happening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960 YOKO ONO Busca da antiarte
2.Bidirecionalidade e Hibridação “ A morte do espectador e o nascimento do participante” A obra de Helio Oiticica (déc. 1960) PARANGOLÉ
2.Bidirecionalidade e Hibridação “ A mensagem não se consuma jamais, permanece sempre como fonte de informações possíveis.” (Eco) Origens: o  Livre  de Mallarmé, Ulisses de Joyce,  teatro de Brecht.
2.Bidirecionalidade e Hibridação Hibridação :  é mistura, sobreposição, sincretismo, fusão. Forte  alteração no estatuto  do autor, obra e do espectador: Estes não ocupam mais posições definidas e estanques.
2.Bidirecionalidade e Hibridação Autor Obra Espectador Autor  Obra Espectador
3.Permutabilidade e Potencialidade A  liberdade de navegação  aleatória no hipertexto e na hipermídia. Origens : na literatura, os termos  “arte permutatória”  e  “literatura potencial”  - buscam liberdade criadora e expressiva a partir do aleatório, probabilístico e do indeterminado.
3.Permutabilidade e Potencialidade Poesia de Haroldo de Campos A obra é lançada para ser infinitamente manipulável pelo leitor-operador.
3.Permutabilidade e Potencialidade Haroldo de Campos O ADMIRÁVEL o louvável o notável o adorável o grandioso o fabuloso o fenomenal o colossal o formidável o assombroso o miraculoso o maravilhoso o generoso o excelso o portentoso o espaventoso o espetacular o suntuário o feerífico o feérico o meritíssimo o venerando o sacratíssimo o sereníssimo o impoluto o incorrupto o intemerato o intimorato O ADMERDÁVEL o loucrável o nojável o adourável o ganglioso o flatuloso o fedormental o culossádico o fornicaldo o ascumbroso o irgaulosso o matravisgoso o degeneroso o incéstuo o pusdentoso o espamventroso o espertacular o supurário o feezívero o pestifério o merdentíssimo o venalando o cacratíssimo o silfelíssimo o empaluto o encornupto o entumurado o intumorato Alea 1 - Variações  Semânticas (1963) utiliza um conjunto de  letras que, combinadas,  permitem a produção  de 3.628.800 palavras
3.Permutabilidade e Potencialidade Décio  Pignatari Poesia Concreta
3.Permutabilidade e Potencialidade Hipertexto
3.Permutabilidade e Potencialidade Rizoma sistema a-centrado e não hierárquico
3.Permutabilidade e Potencialidade Hipertexto  Pierre Lévy
3.Permutabilidade e Potencialidade 6 princípios do hipertexto  (Pierre Lévy): Metamorfose Heterogeneidade Multiplicidade (fractais) Exterioridade (crescimento depende de um exterior indeterminado) Topologia (funciona por proximidade, vizinhança) Mobilidade dos centros (rede é a-centrada).
O que vimos Três pilares da interatividade: Participação/Intervenção Bidirecionalidade/Hibridação Permutabilidade/Potencialidade
Para saber mais... Marco Silva: “ A Sala de Aula Interativa”
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4 - Fundamentos da interatividade

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    Fundamentos da InteratividadeCurso: Publicidade e Propaganda FACHA – Faculdades Hélio Alonso Setembro 2011 LUIZ AGNER MÍDIA II
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    “ Teoria Matemática da Comunicação” (1949) Claude Shanonn Modelo clássico da comunicação Warren Weaver Engenheiros da Bell, Co.
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    Crítica ao funcionalismoda teoria clássica da comunicação Funcionalismo como herdeiro do positivismo Teoria estatística da informação (unidirecional): Shannon e Weaver Media: produtora de uniformização de atitudes Crítica aos meios massivos
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    Filósofos de FrankfurtH. Marcuse, T. Adorno e Horkheimer
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    Crítica aos meios massivos Teledifusão: modelo hierárquico, unidimensional, assimétrico, reducionista e utilitarista Instrumento da propaganda comercial e política Marcuse, Adorno e Horkheimer: criticavam o papel estratégico dos meios de comunicação no sistema capitalista
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    1. Participação eIntervenção O público é visto como “intruso” no processo de comunicação social É a “parte fraca” do processo. Os gestores das mídias controlam todo o processo, e selecionam as mensagens. A intervenção do público tem sido somente uma “concessão” dos gestores. PERSPECTIVA TECNOLÓGICA
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    1. Participação eIntervenção Tradição marxista: A diferenciação técnica entre emissores e receptores reflete a divisão social do trabalho. Propõe a intervenção dos excluídos no processo de comunicação. PERSPECTIVA POLÍTICA
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    1. Participação eIntervenção Apertar botões, zapear, ou responder a programas determinados não mobiliza a autonomia, a criatividade e a imprevisibilidade. O aspecto político evidencia a idéia de não haver distinção de princípios entre audiência e gestão da televisão. PERSPECTIVA POLÍTICA
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    1. Participação eIntervenção Quando se fala em liberdade de expressão se fala em liberdade dos empresários. As novas tecnologias vêm para “remediar” a situação desequilibrada, permitindo alguma participação dos receptores. Justino Sinova: chegou a vez dos receptores terem expressão. PERSPECTIVA TECNOLÓGICA
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    1.Participação e IntervençãoBrenda Laurel Computador como teatro 4 variáveis: Frequência Opções (escolhas disponíveis) Significação Imersão sensorial PERSPECTIVA SENSORIAL
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    1.Participação e IntervençãoMUDANÇAS NO MODELO CLÁSSICO: 1. A mensagem muda de natureza O utilizador explora a mensagem à sua vontade (modo de conversação/interativo) Outrora acabada, a mensagem se torna modificável e flexível. 2. O emissor muda de papel Não visa mais emitir mensagem (no sentido clássico), mas construir um sistema. 3. O receptor muda de status Utilizador: organiza o seu passeio como quiser. PERSPECTIVA COMUNICACIONAL
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoNoção de bidirecionalidade e co-autoria nas artes plásticas, cênicas e literatura Origens: móbiles de Calder, happenings do grupo Fluxus, parangolés de Helio Oiticica Noção de Obra Aberta (H. Eco) A mensagem é processo, não produto final. É lugar de diálogo, sensorialidade e intervenção.
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoAlexander Calder Mobiles e Stabiles O primeiro artista a levar o movimento à escultura
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoAlexander Calder Mobiles
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoHappening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoHappening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoHappening Grupo Fluxus N. York, dec. 1960 YOKO ONO Busca da antiarte
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    2.Bidirecionalidade e Hibridação“ A morte do espectador e o nascimento do participante” A obra de Helio Oiticica (déc. 1960) PARANGOLÉ
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    2.Bidirecionalidade e Hibridação“ A mensagem não se consuma jamais, permanece sempre como fonte de informações possíveis.” (Eco) Origens: o Livre de Mallarmé, Ulisses de Joyce, teatro de Brecht.
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoHibridação : é mistura, sobreposição, sincretismo, fusão. Forte alteração no estatuto do autor, obra e do espectador: Estes não ocupam mais posições definidas e estanques.
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    2.Bidirecionalidade e HibridaçãoAutor Obra Espectador Autor Obra Espectador
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    3.Permutabilidade e PotencialidadeA liberdade de navegação aleatória no hipertexto e na hipermídia. Origens : na literatura, os termos “arte permutatória” e “literatura potencial” - buscam liberdade criadora e expressiva a partir do aleatório, probabilístico e do indeterminado.
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    3.Permutabilidade e PotencialidadePoesia de Haroldo de Campos A obra é lançada para ser infinitamente manipulável pelo leitor-operador.
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    3.Permutabilidade e PotencialidadeHaroldo de Campos O ADMIRÁVEL o louvável o notável o adorável o grandioso o fabuloso o fenomenal o colossal o formidável o assombroso o miraculoso o maravilhoso o generoso o excelso o portentoso o espaventoso o espetacular o suntuário o feerífico o feérico o meritíssimo o venerando o sacratíssimo o sereníssimo o impoluto o incorrupto o intemerato o intimorato O ADMERDÁVEL o loucrável o nojável o adourável o ganglioso o flatuloso o fedormental o culossádico o fornicaldo o ascumbroso o irgaulosso o matravisgoso o degeneroso o incéstuo o pusdentoso o espamventroso o espertacular o supurário o feezívero o pestifério o merdentíssimo o venalando o cacratíssimo o silfelíssimo o empaluto o encornupto o entumurado o intumorato Alea 1 - Variações Semânticas (1963) utiliza um conjunto de letras que, combinadas, permitem a produção de 3.628.800 palavras
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    3.Permutabilidade e PotencialidadeDécio Pignatari Poesia Concreta
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    3.Permutabilidade e PotencialidadeRizoma sistema a-centrado e não hierárquico
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    3.Permutabilidade e PotencialidadeHipertexto Pierre Lévy
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    3.Permutabilidade e Potencialidade6 princípios do hipertexto (Pierre Lévy): Metamorfose Heterogeneidade Multiplicidade (fractais) Exterioridade (crescimento depende de um exterior indeterminado) Topologia (funciona por proximidade, vizinhança) Mobilidade dos centros (rede é a-centrada).
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    O que vimosTrês pilares da interatividade: Participação/Intervenção Bidirecionalidade/Hibridação Permutabilidade/Potencialidade
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    Para saber mais...Marco Silva: “ A Sala de Aula Interativa”
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