SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 29
I FORUM INTERNACIONAL
“NOVAS ABORDAGENS EM SAÚDE
MENTAL INFANTOJUVENIL”
SÃO PAULO, ABRIL DE 2018
Ricardo Lugon
ricardolugon@gmail.com
AS MUITAS VOZES DAS LUTAS E RESISTÊNCIAS
EM TORNO DA DISCUSSÃO DA LEI 13.438/2017
ILANA KATZ, MARIA APARECIDA MOYSÉS, CECÍLIA COLLARES,
BIANCHA ANGELUCCI, BÁRBARA COSTA, LUCIANA SURJUS,
MARIA DE LOURDES ZANOLLI,
CRISTINA VENTURA ET ALLI
A vida é a arte do encontro
embora haja tanto desencontro pela vida
Vinícius de Moraes
O CONTEXTO DO DEBATE:
Lei 13438/2017 que altera o art. 14. do ECA:
O Sistema Único de Saúde promoverá programas de
assistência médica e odontológica para a prevenção das
enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e
campanhas de educação sanitária para pais, educadores e
alunos.
(...)
 § 5º É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos
seus primeiros dezoito meses de vida, de protocolo ou
outro instrumento construído com a finalidade de facilitar
a detecção, em consulta pediátrica de acompanhamento
da criança, de risco para o seu desenvolvimento
psíquico.
 Defensores da lei assim argumentaram:
 “a referida lei contribui na promoção de
saúde permitindo detectar dificuldades na constituição
psíquica de 0 a 18 meses, que tornem possível a
intervenção quando necessário, antes de que as
mesmas possam se tornar uma psicopatologia
específica” (grifo meu)
 Revisitando termos e suas genealogias
 Promoção em Saúde
 Risco
 Rastreamento ou vigilância?
(termos implícitos)
HÁ MAIS DE 20 ANOS, SAÚDE NÃO É MERA
AUSÊNCIA DE DOENÇA...
 Em sentido amplo, a saúde é a resultante das
condições de alimentação, habitação, educação,
renda, meio ambiente, trabalho, transporte,
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra
e acesso aos serviços de saúde. Sendo assim, é
principalmente resultado das formas de
organização social, de produção, as quais podem
gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. (III
Conferencia Nacional de Saúde, 1996)
 “A Reforma Sanitária é um Projeto Civilizatório”
(Sergio Arouca)
 “Completo bem estar, físico, mental e social”????
DETERMINANTES SOCIAIS EM SAÚDE
 As desigualdades decorrentes das condições
sociais em que as pessoas vivem e trabalham são
injustas e inaceitáveis, e por isso são denominadas
iniquidades:
 probabilidade cinco vezes maior de uma criança morrer
antes de alcançar o primeiro ano de vida pelo fato de
ter nascido no Nordeste e não no Sudeste.
 chance três vezes maior de uma criança morrer antes
de chegar aos cinco anos de idade pelo fato de sua
mãe ter quatro anos de estudo e não oito.
MODELO CONCEITUAL DOS
DETERMINANTES SOCIAIS
MODELO CONCEITUAL DOS
DETERMINANTES SOCIAIS
 Para combater iniquidades em saúde,
precisamos:
 conhecer melhor as condições de vida e
trabalho dos diversos grupos da população
 estabelecer as relações dessas condições de
vida e trabalho, por um lado, com determinantes
mais gerais da sociedade e, por outro, com
determinantes mais específicos próprios dos
indivíduos que compõem esses grupos
 definir, implementar e avaliar políticas e
programas que pretendam interferir nessas
determinações
PROMOÇÃO DE SAÚDE
(FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)
 Promoção neoliberal
 Nasce no contexto que buscava menor intervenção do Estado na
economia em nome do livre mercado: quanto menor sua
participação, maior o poder dos indivíduos e, assim, mais
rapidamente a sociedade pode se desenvolver e progredir para o
bem dos cidadãos
 cidadãos são atores racionais, autônomos e que o Estado deve
intervir o mínimo possível nos assuntos privados e no bem-estar
dos cidadãos em nome da felicidade individual, somos
encorajados a nos tornar ‘sujeitos de nós mesmos’ (Lupton,
2003)
 Ideário da Promoção de Saúde
 Ênfase na importância dos determinantes sociais, econômicos,
culturais e políticos da saúde
 “A Promoção da Saúde defende o esforço coletivo para se
alcançar saúde. Os governos, por meio de políticas públicas, têm
uma responsabilidade especial em garantir condições básicas
para uma vida saudável e fazer com que as escolhas mais
saudáveis sejam as mais fáceis” (WHO, 1984, p.3)
 Documentos importantes: “promoção neoliberal”
 Informe Lalonde (Min Saude Canadá)
 Conceito de ‘campo da saúde’ , onde a biologia humana, o
meio ambiente e o estilo de vida sobem ao mesmo nível de
importância da assistência médica.
 a noção de risco é muito mais fortemente associada à
categoria estilo de vida do que à de meio ambiente
 Relatorio Healthy People, EUA, 1979
 “A promoção da saúde começa com pessoas basicamente
saudáveis e visa o desenvolvimento de medidas comunitárias
e individuais que possam ajudá-las a desenvolver estilos de
vida que possam manter e melhorar o estado de
bemestar” [grifo nosso] (U.S. Department of Health,
Education, and Welfare, 1979).
PROMOÇÃO DE SAÚDE
(FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)
 Documentos importantes: Ideário da Promoção de
Saúde
 Conferencia de Alma Ata (1978): Saude para todos no
ano 2000
 Saúde como um direito fundamental, a defesa da
democratização na tomada de decisões na área da saúde,
da redução das desigualdades e a vinculação da saúde aos
determinantes políticos:
PROMOÇÃO DE SAÚDE
(FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)
PROMOÇÃO DE SAÚDE
 Documentos importantes: Ideário da Promoção de Saúde
 Conceitos e Principios da Promoção em Saúde (OMS,
1984)
 “(1) envolve a população como um todo em sua vida cotidiana,
em vez de focalizar grupos de risco para determinadas doenças;
 (2) voltada para a ação sobre determinantes ou causas da saúde;
 (3) combina métodos ou abordagens diversos, porém
complementares: comunicação, educação, legislação, medidas
fiscais, mudanças organizacionais, desenvolvimento comunitário
e atividades locais espontâneas contra as ameaças à saúde;
 (4) visa particularmente à efetiva e concreta participação pública;
 (5) é atividade dos campos social e da saúde, e não um serviço
médico, logo: os profissionais da saúde – particularmente os da
atenção primária – têm um importante papel a desempenhar em
estimular e possibilitar a Promoção da Saúde” (WHO, 1984, p.2).
DIFERENÇA ENTRE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO:
PEQUENA MAS RADICAL
(CZERESNIA, 2003)
 Promoção e prevenção, ambas fazem uso do conhecimento
científico e de seus conceitos clássicos: doença, transmissão
e risco. Entretanto, não basta conhecer o funcionamento das
doenças e encontrar mecanismos para seu controle.
 Discurso preventivo:
 conhecimento epidemiológico moderno  controle da
transmissão de doenças infecciosas e/ou a redução do risco de
doenças degenerativas ou outros agravos específico
 Divulgação de informação científica e de recomendações
normativas de mudanças de hábitos.
 Promoção em Saúde
 “Buscar a saúde é questão não só de sobrevivência, mas de
qualificação da existência (Santos, 1987). É algo que remete à
dimensão social, existencial e ética, a uma trajetória própria
referida a situações concretas, ao engajamento e
comprometimento ativo dos sujeitos, os quais dedicam sua
singularidade a colocar o conhecido a serviço do que não é
conhecido na busca da verdade que emerge na experiência
vivida (Badiou, 1995).”
RISCO
 Hoje, a relação entre a vida biológica do indivíduo e o
bem estar da coletividade é colocada em prática a partir
de uma série de estratégias que buscam identificar,
tratar, gerir ou administrar aquelas pessoas, grupos ou
ambientes onde o risco é considerado alto (Rose, 2001)
 Hipertensão arterial; vários eventos na gravidez justificam o
encaminhamento para um regime de vigilância
 A prioridade é reconhecer a identificação dos indicadores
de “riscos” e intervir precocemente
 Processos de medicalização  redução do coletivo ao
particular
O RISCO DO RISCO
 A “Medicina Social” (das populações) nasce junto com
a constituição dos estados modernos:
 Medicina Urbana Francesa: redesenha as cidades
 Staatswissenschaft (estatística) + Medizinichepolizei
(polícia médica alemã
 “Medicina dos Pobres” inglesa: “acesso universal ao
atendimento médico”
 Noção de “Caso”: individualiza o fenômeno coletivo da
doença e faz integrar no interior de um campo coletivo
os fenômenos individuais, apagando singularidades e
instaurando processos de normalização e
padronização. (FOUCAULT, 2008)
O RISCO DO RISCO
 A estatística enquanto análise da distribuição dos
casos tornaria possível identificar a propósito de cada
individuo ou de cada grupo individualizado – etário,
territorial, ocupacional – qual o risco de cada “um”
(supondo todos “iguais”), seja de pegar uma doença,
seja de morrer dela, seja de se curar.
 Risco e caso silenciariam, para Foucault, as
demarcações entre doentes e não-doentes, como que
fazendo supor uma população sem descontinuidade,
sem ruptura, que pode ser reduzida a uma curva de
distribuição normal.
RISCO
 A questão do risco nasce com as empresas de seguros
de vida, na Inglaterra do seculo XVIII, que cobrava taxas
extras para portadores de gota, hérnia e sem história de
sarampo
 Estudo de Framingham sobre doenças cardiovasculares
 Se nos seguros o risco segue um gradiente, na saúde
ele é do tipo TEM/NÃO TEM
 Os discursos sobre fatores de risco envolvem a
distribuição de responsabilidade/culpabilização pois
concebem risco como consequência de escolha de
estilos de vida feita por indivíduos e enfatizam a
necessidade de auto controle
Com quais lentes estamos olhando
para a questão do “risco” nos bebês??
LÓGICA DA PROMOÇÃO:
MARCO LEGAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA
 Art. 4o As políticas públicas voltadas ao atendimento dos
direitos da criança na primeira infância serão elaboradas e
executadas de forma a:
 IV - reduzir as desigualdades no acesso aos bens e serviços que
atendam aos direitos da criança na primeira infância, priorizando
o investimento público na promoção da justiça social, da
equidade e da inclusão sem discriminação da criança;
 V - articular as dimensões ética, humanista e política da criança
cidadã com as evidências científicas e a prática profissional no
atendimento da primeira infância;
 “Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado
voltadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio
do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da
equidade no acesso a ações e serviços para promoção,
proteção e recuperação da saúde.
 Garantia de Direitos = Receber Atendimento?
EXPERIENCIA INSPIRADORA: O DOCUMENTO
P
 A experiência do Centre de Guidance Infantile do
Institut de Puericulture no 14º Distrito de Paris
(Michel Soule)
 “Modo como emergem as demandas ocultas”
 “Não esperar pela demanda explícita, buscar
reconhecer as maneiras pelas quais o sofrimento, a
incapacidade, o conflito e o luto são expressos“
 “As pessoas em torno da criança podem ter
dificuldades em conciliar as demandas da criança
com as suas próprias e com as restrições
socioeconomicas às quais estão submetidas”
EXPERIENCIA INSPIRADORA: O DOCUMENTO
P
 Periodo Prenatal
 Antecedentes obstetricos
 Antecedentes psiquiatricos
 Antecedentes pessoais: familias
“partidas”, viver em instituição
 Situação parental: mãe solteira ou
com crises conjugais
 Idade materna
 Mãe em situação de rua, em uma
pensão, condições precárias de
vida
 Condições extenuantes (trabalho,
morar longo do trabalho)
 Descobrir tardiamente a gravidez
 Abandonos prévios de outras
crianças
 Não ter planos para a criança que
vai nascer
 Não ter seguro social
 Busca por meios abortivos que foi
mal sucedida
 Periodo Posnatal
 Nascimento prematuro
 Experiência ruim durante o parto
 Relacionamento ruim com a
criança “espontaneamente”
 Depressão puerperal ou psicose
 Descoberta de fatores sociais de
risco (desemprego, sit de rua)
 Primeiro parto na França de
refugiada/estrangeira
 Não receber visitas
 Não preparaçao para a chegada
do bebê
 Nascimento anônimo ou
problemas legais com a
aceitação
 Saída precoce ou tardia da
maternindade
PROMOÇÃO DE
SAÚDE MENTAL
LÓGICA DO RISCO: “DETECÇÃO PRECOCE”
 Objetiva identificar pessoas sob risco.
 Diferenciar “diagnóstico” de “classificação diagnóstica”: toda
constatação que é enunciada é um “diagnóstico”, embora
nem sempre seja feita em termos nosográficos
 Detecção de um problema de saúde em sua fase inicial,
(desde de que tal identificação precoce traga mais
benefícios que prejuízos aos indivíduos).  “mais cedo
é sempre melhor”?
 Baseia-se na premissa de que algumas doenças têm
maiores chances de cura, sobrevida e/ou qualidade de
vida do indivíduo quando diagnosticadas o mais cedo
possível.
 Onde está o foco? Na doença abstrata ou nos sujeitos
concretos?
RASTREAMENTO OU VIGILÂNCIA?
 Rastreamento: algum teste, protocolo, ou instrumento é
aplicado para todos os indivíduos, indiscriminadamente,
independentemente de haver queixa ou preocupação
 Triagem auditiva neonatal, fenilcetonúria etc. Maior chance
de falsos positivos, depende de um bom planejamento e
das especificidades do problema a ser rastreado
(causalidades menos complexas)
 Vigilância:
 Enquanto procedimento: aplicação de um protocolo quando
há preocupação manifesta  resultados mais confiáveis
para os processos mais complexos
 Enquanto processo: acompanhamento longitudinal dos
determinantes do processo saúde-doença de uma
população
RASTREAMENTO DE BEBÊS ABAIXO DE 18
MESES: REINO UNIDO
 http://legacyscreening.phe.org.uk/autism
 A própria contestação desta recomendação,
divulgada no site, afirma:
 Entre as ferramentas que podem ser usadas por pais
ou cuidadores, o M-CHAT parece ser promissor, por
oferecer valores preditivos positivos razoáveis (desde
que as crianças rastreadas tenham pelo menos
DOIS anos
ABAIXO DE 18 MESES:
EUA#1
 U.S. Preventive Services Task Forc:
Screening for Autism Spectrum
Disorder in Young Children: A
Systematic Evidence Review
 Revisão de vários estudos incluindo
mais de 130.000 crianças
 “Evidencias indiretas sugerem que os
estudos voltados para as faixas etárias
abaixo dos 16 meses apontam tanto
sub-identificação (baixa sensibilidade e
valor preditivo positivo) quanto sobre-
identificação (baixa especificidade).
Alguns instrumentos (p ex M-CHAT)
ainda nao foram exaustivamente
estudados em populações muito
jovens, logo as características a
respeito do seu desempenho ainda
não estao disponíveis
ABAIXO DE 18
MESES: EUA # 2
 Recomendações da
Academia Americana
de Pediatria e
endossadas pelo CDC
 2: Realizar vigilância
quando houver
irmã(o) com autismo
e/ou houver
preocupação/
“queixa” dos
cuidadores
 Só aplica ferramenta
específica se houver
“queixa” e/ou tiver mais
que 18 meses
ABAIXO DE 18 MESES:
EUROPA
 Revisão de Garcia-Primo
et alli, 2014
 Mais de 70.000 crianças
rastreadas
 Nenhum país europeu
aplica rastreamento
universal
 Quanto menor a idade,
maior o número de falsos
positivos e mais difícil
diferenciar de outros
atrasos do desenvolvimento
OBRIGADO!

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Aula reforma psiquiátrica
Aula reforma psiquiátricaAula reforma psiquiátrica
Aula reforma psiquiátrica
Aroldo Gavioli
 

Mais procurados (20)

Saúde Coletiva - 1. introdução e conceitos fundamentais
Saúde Coletiva - 1. introdução e conceitos fundamentaisSaúde Coletiva - 1. introdução e conceitos fundamentais
Saúde Coletiva - 1. introdução e conceitos fundamentais
 
Projeto terapeutico singular
Projeto terapeutico singularProjeto terapeutico singular
Projeto terapeutico singular
 
Saúde Mental
Saúde Mental Saúde Mental
Saúde Mental
 
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciárioAtenção à saúde no nível secundário e terciário
Atenção à saúde no nível secundário e terciário
 
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)
 
Aula biossegurança
Aula biossegurançaAula biossegurança
Aula biossegurança
 
Aula reforma psiquiátrica
Aula reforma psiquiátricaAula reforma psiquiátrica
Aula reforma psiquiátrica
 
Pnab -programa nacional da Atenção básica
Pnab -programa nacional da Atenção básicaPnab -programa nacional da Atenção básica
Pnab -programa nacional da Atenção básica
 
Saúde Coletiva.pptx
Saúde Coletiva.pptxSaúde Coletiva.pptx
Saúde Coletiva.pptx
 
Aula 1 saúde coletiva i slides aula - cópia
Aula 1 saúde coletiva i   slides aula - cópiaAula 1 saúde coletiva i   slides aula - cópia
Aula 1 saúde coletiva i slides aula - cópia
 
Programa nacional de imunizacao pni-aula-nadja
Programa nacional de imunizacao pni-aula-nadjaPrograma nacional de imunizacao pni-aula-nadja
Programa nacional de imunizacao pni-aula-nadja
 
Aula 4 biossegurança ii
Aula 4   biossegurança iiAula 4   biossegurança ii
Aula 4 biossegurança ii
 
Aula Introdutória de Saúde Coletiva
Aula Introdutória de Saúde ColetivaAula Introdutória de Saúde Coletiva
Aula Introdutória de Saúde Coletiva
 
Saúde pública no Brasil
Saúde pública no BrasilSaúde pública no Brasil
Saúde pública no Brasil
 
Redes de atenção à saúde
Redes de atenção à saúdeRedes de atenção à saúde
Redes de atenção à saúde
 
Aula 2 saúde e doença
Aula 2   saúde e doençaAula 2   saúde e doença
Aula 2 saúde e doença
 
Biossegurança
BiossegurançaBiossegurança
Biossegurança
 
Saúde Mental
Saúde MentalSaúde Mental
Saúde Mental
 
A GESTÃO DO SUS
A GESTÃO DO SUSA GESTÃO DO SUS
A GESTÃO DO SUS
 
Aula 1
Aula 1Aula 1
Aula 1
 

Semelhante a Medicalização na infância

1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
klenio2
 
Saúde Pública Grupo 2
Saúde Pública Grupo 2Saúde Pública Grupo 2
Saúde Pública Grupo 2
ANDRESSA-LOPES
 
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
ANDRESSA-LOPES
 
Aula 6 Políticas Públicas de Saúde
Aula 6 Políticas Públicas de SaúdeAula 6 Políticas Públicas de Saúde
Aula 6 Políticas Públicas de Saúde
Jesiele Spindler
 

Semelhante a Medicalização na infância (20)

Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
Processo saúde doença
Processo saúde doençaProcesso saúde doença
Processo saúde doença
 
Conceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública.pptx
Conceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública.pptxConceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública.pptx
Conceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública.pptx
 
1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
1 Noções de saúde coletiva - Copia.pptx
 
Saúde Pública Grupo 2
Saúde Pública Grupo 2Saúde Pública Grupo 2
Saúde Pública Grupo 2
 
Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
A saúde coletiva no brasil slides atual 2.1 (1)
 
Slide da apresentação
Slide da apresentaçãoSlide da apresentação
Slide da apresentação
 
Saúde Pública
Saúde PúblicaSaúde Pública
Saúde Pública
 
Eixo temático - Saúde
Eixo temático - SaúdeEixo temático - Saúde
Eixo temático - Saúde
 
Aula 6 Políticas Públicas de Saúde
Aula 6 Políticas Públicas de SaúdeAula 6 Políticas Públicas de Saúde
Aula 6 Políticas Públicas de Saúde
 
Politica nac prom_saude
Politica nac prom_saudePolitica nac prom_saude
Politica nac prom_saude
 
Saúde pública
Saúde públicaSaúde pública
Saúde pública
 
Cartilha Luta Pela Saude CNTE
Cartilha Luta Pela Saude CNTECartilha Luta Pela Saude CNTE
Cartilha Luta Pela Saude CNTE
 
Saúde Pública - História Natural da Doença
Saúde Pública - História Natural da DoençaSaúde Pública - História Natural da Doença
Saúde Pública - História Natural da Doença
 
Aula 1 - Introdução a Saúde Coletiva.pdf
Aula 1 - Introdução a Saúde Coletiva.pdfAula 1 - Introdução a Saúde Coletiva.pdf
Aula 1 - Introdução a Saúde Coletiva.pdf
 
Princípios e campos.pptx
Princípios e campos.pptxPrincípios e campos.pptx
Princípios e campos.pptx
 

Mais de CENAT Cursos

Mais de CENAT Cursos (20)

Abordagem GAM- Gestão Autônoma da Medicação
Abordagem GAM- Gestão Autônoma da MedicaçãoAbordagem GAM- Gestão Autônoma da Medicação
Abordagem GAM- Gestão Autônoma da Medicação
 
Como implementar um grupo ouvidores de vozes
Como implementar um grupo ouvidores de vozes Como implementar um grupo ouvidores de vozes
Como implementar um grupo ouvidores de vozes
 
Autonomias possíveis: práticas e desafios em saúde mental
Autonomias possíveis: práticas e desafios em saúde mentalAutonomias possíveis: práticas e desafios em saúde mental
Autonomias possíveis: práticas e desafios em saúde mental
 
Mitos, estereótipos: uma visão alternativa do autismo
Mitos, estereótipos: uma visão alternativa do autismoMitos, estereótipos: uma visão alternativa do autismo
Mitos, estereótipos: uma visão alternativa do autismo
 
MANEJOS DE CRISES EM ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE
MANEJOS DE CRISES EM ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADEMANEJOS DE CRISES EM ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE
MANEJOS DE CRISES EM ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE
 
Deslocando sentidos diante de “adolescentes e suas práticas para morrer”
Deslocando sentidos diante de “adolescentes e suas práticas para morrer”Deslocando sentidos diante de “adolescentes e suas práticas para morrer”
Deslocando sentidos diante de “adolescentes e suas práticas para morrer”
 
Política de saúde mental infantojuvenil
Política de saúde mental infantojuvenilPolítica de saúde mental infantojuvenil
Política de saúde mental infantojuvenil
 
Como implementar um grupo ouvidores de vozes na comunidade
Como implementar um grupo ouvidores de vozes na comunidadeComo implementar um grupo ouvidores de vozes na comunidade
Como implementar um grupo ouvidores de vozes na comunidade
 
Experiências em Gestão Autônoma de Medicação
Experiências em Gestão Autônoma de MedicaçãoExperiências em Gestão Autônoma de Medicação
Experiências em Gestão Autônoma de Medicação
 
Manifesto: Os Direitos Humanos dos Ouvidores de Vozes
Manifesto: Os Direitos Humanos dos Ouvidores de VozesManifesto: Os Direitos Humanos dos Ouvidores de Vozes
Manifesto: Os Direitos Humanos dos Ouvidores de Vozes
 
Medicalização: o que ela faz para uma nova abordagem em saúde mental?
Medicalização: o que ela faz para uma nova abordagem em saúde mental?Medicalização: o que ela faz para uma nova abordagem em saúde mental?
Medicalização: o que ela faz para uma nova abordagem em saúde mental?
 
Suporte em Pares - Open Dialogue
Suporte em Pares - Open DialogueSuporte em Pares - Open Dialogue
Suporte em Pares - Open Dialogue
 
Autoajuda e Suporte em pares: Enik Recovery College
Autoajuda e Suporte em pares: Enik Recovery CollegeAutoajuda e Suporte em pares: Enik Recovery College
Autoajuda e Suporte em pares: Enik Recovery College
 
A estratégia da Gestão Autônoma da Medicação
A estratégia da Gestão Autônoma da MedicaçãoA estratégia da Gestão Autônoma da Medicação
A estratégia da Gestão Autônoma da Medicação
 
Revisitando princípios da clínica
Revisitando princípios da clínicaRevisitando princípios da clínica
Revisitando princípios da clínica
 
A EXPERIÊNCIA DA GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO
A EXPERIÊNCIA DA GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃOA EXPERIÊNCIA DA GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO
A EXPERIÊNCIA DA GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO
 
Emotional CPR
Emotional CPR Emotional CPR
Emotional CPR
 
Uma nova abordagem sobre ouvir vozes
Uma nova abordagem sobre ouvir vozesUma nova abordagem sobre ouvir vozes
Uma nova abordagem sobre ouvir vozes
 
Medicalização no contexto da atenção psicossocial
Medicalização no contexto da atenção psicossocialMedicalização no contexto da atenção psicossocial
Medicalização no contexto da atenção psicossocial
 
Tecnologias leves para o cuidado em saúde mental
Tecnologias leves para o cuidado em saúde mentalTecnologias leves para o cuidado em saúde mental
Tecnologias leves para o cuidado em saúde mental
 

Último

Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
DanieldaSade
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
DanieldaSade
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
HELLEN CRISTINA
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
HELLEN CRISTINA
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Prof. Marcus Renato de Carvalho
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
HELLEN CRISTINA
 
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Prof. Marcus Renato de Carvalho
 

Último (10)

01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
01 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA.pdf
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV.pdf
 
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdfManual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis.pdf
 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdfRELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I.pdf
 
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdfrelatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
relatorio de estagio de terapia ocupacional.pdf
 
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades PúblicasAlimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
Alimentação / Amamentação Lactentes em Calamidades Públicas
 
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion  ais.pdfrelatorio ciencias morfofuncion  ais.pdf
relatorio ciencias morfofuncion ais.pdf
 
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino FelisbertoAltas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
Altas habilidades/superdotação. Adelino Felisberto
 
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUSHomens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
Homens Trans tem Caderneta de Pré-Natal especial / Programa Transgesta - SUS
 
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclosCaracterísticas gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
Características gerais dos vírus- Estrutura, ciclos
 

Medicalização na infância

  • 1. I FORUM INTERNACIONAL “NOVAS ABORDAGENS EM SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL” SÃO PAULO, ABRIL DE 2018 Ricardo Lugon ricardolugon@gmail.com
  • 2. AS MUITAS VOZES DAS LUTAS E RESISTÊNCIAS EM TORNO DA DISCUSSÃO DA LEI 13.438/2017 ILANA KATZ, MARIA APARECIDA MOYSÉS, CECÍLIA COLLARES, BIANCHA ANGELUCCI, BÁRBARA COSTA, LUCIANA SURJUS, MARIA DE LOURDES ZANOLLI, CRISTINA VENTURA ET ALLI A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida Vinícius de Moraes
  • 3. O CONTEXTO DO DEBATE: Lei 13438/2017 que altera o art. 14. do ECA: O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos. (...)  § 5º É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos seus primeiros dezoito meses de vida, de protocolo ou outro instrumento construído com a finalidade de facilitar a detecção, em consulta pediátrica de acompanhamento da criança, de risco para o seu desenvolvimento psíquico.
  • 4.  Defensores da lei assim argumentaram:  “a referida lei contribui na promoção de saúde permitindo detectar dificuldades na constituição psíquica de 0 a 18 meses, que tornem possível a intervenção quando necessário, antes de que as mesmas possam se tornar uma psicopatologia específica” (grifo meu)  Revisitando termos e suas genealogias  Promoção em Saúde  Risco  Rastreamento ou vigilância? (termos implícitos)
  • 5. HÁ MAIS DE 20 ANOS, SAÚDE NÃO É MERA AUSÊNCIA DE DOENÇA...  Em sentido amplo, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde. Sendo assim, é principalmente resultado das formas de organização social, de produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. (III Conferencia Nacional de Saúde, 1996)  “A Reforma Sanitária é um Projeto Civilizatório” (Sergio Arouca)  “Completo bem estar, físico, mental e social”????
  • 6. DETERMINANTES SOCIAIS EM SAÚDE  As desigualdades decorrentes das condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham são injustas e inaceitáveis, e por isso são denominadas iniquidades:  probabilidade cinco vezes maior de uma criança morrer antes de alcançar o primeiro ano de vida pelo fato de ter nascido no Nordeste e não no Sudeste.  chance três vezes maior de uma criança morrer antes de chegar aos cinco anos de idade pelo fato de sua mãe ter quatro anos de estudo e não oito.
  • 8. MODELO CONCEITUAL DOS DETERMINANTES SOCIAIS  Para combater iniquidades em saúde, precisamos:  conhecer melhor as condições de vida e trabalho dos diversos grupos da população  estabelecer as relações dessas condições de vida e trabalho, por um lado, com determinantes mais gerais da sociedade e, por outro, com determinantes mais específicos próprios dos indivíduos que compõem esses grupos  definir, implementar e avaliar políticas e programas que pretendam interferir nessas determinações
  • 9. PROMOÇÃO DE SAÚDE (FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)  Promoção neoliberal  Nasce no contexto que buscava menor intervenção do Estado na economia em nome do livre mercado: quanto menor sua participação, maior o poder dos indivíduos e, assim, mais rapidamente a sociedade pode se desenvolver e progredir para o bem dos cidadãos  cidadãos são atores racionais, autônomos e que o Estado deve intervir o mínimo possível nos assuntos privados e no bem-estar dos cidadãos em nome da felicidade individual, somos encorajados a nos tornar ‘sujeitos de nós mesmos’ (Lupton, 2003)  Ideário da Promoção de Saúde  Ênfase na importância dos determinantes sociais, econômicos, culturais e políticos da saúde  “A Promoção da Saúde defende o esforço coletivo para se alcançar saúde. Os governos, por meio de políticas públicas, têm uma responsabilidade especial em garantir condições básicas para uma vida saudável e fazer com que as escolhas mais saudáveis sejam as mais fáceis” (WHO, 1984, p.3)
  • 10.  Documentos importantes: “promoção neoliberal”  Informe Lalonde (Min Saude Canadá)  Conceito de ‘campo da saúde’ , onde a biologia humana, o meio ambiente e o estilo de vida sobem ao mesmo nível de importância da assistência médica.  a noção de risco é muito mais fortemente associada à categoria estilo de vida do que à de meio ambiente  Relatorio Healthy People, EUA, 1979  “A promoção da saúde começa com pessoas basicamente saudáveis e visa o desenvolvimento de medidas comunitárias e individuais que possam ajudá-las a desenvolver estilos de vida que possam manter e melhorar o estado de bemestar” [grifo nosso] (U.S. Department of Health, Education, and Welfare, 1979). PROMOÇÃO DE SAÚDE (FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)
  • 11.  Documentos importantes: Ideário da Promoção de Saúde  Conferencia de Alma Ata (1978): Saude para todos no ano 2000  Saúde como um direito fundamental, a defesa da democratização na tomada de decisões na área da saúde, da redução das desigualdades e a vinculação da saúde aos determinantes políticos: PROMOÇÃO DE SAÚDE (FERREIRA, CASTIEL E CARDOSO, SD)
  • 12. PROMOÇÃO DE SAÚDE  Documentos importantes: Ideário da Promoção de Saúde  Conceitos e Principios da Promoção em Saúde (OMS, 1984)  “(1) envolve a população como um todo em sua vida cotidiana, em vez de focalizar grupos de risco para determinadas doenças;  (2) voltada para a ação sobre determinantes ou causas da saúde;  (3) combina métodos ou abordagens diversos, porém complementares: comunicação, educação, legislação, medidas fiscais, mudanças organizacionais, desenvolvimento comunitário e atividades locais espontâneas contra as ameaças à saúde;  (4) visa particularmente à efetiva e concreta participação pública;  (5) é atividade dos campos social e da saúde, e não um serviço médico, logo: os profissionais da saúde – particularmente os da atenção primária – têm um importante papel a desempenhar em estimular e possibilitar a Promoção da Saúde” (WHO, 1984, p.2).
  • 13. DIFERENÇA ENTRE PREVENÇÃO E PROMOÇÃO: PEQUENA MAS RADICAL (CZERESNIA, 2003)  Promoção e prevenção, ambas fazem uso do conhecimento científico e de seus conceitos clássicos: doença, transmissão e risco. Entretanto, não basta conhecer o funcionamento das doenças e encontrar mecanismos para seu controle.  Discurso preventivo:  conhecimento epidemiológico moderno  controle da transmissão de doenças infecciosas e/ou a redução do risco de doenças degenerativas ou outros agravos específico  Divulgação de informação científica e de recomendações normativas de mudanças de hábitos.  Promoção em Saúde  “Buscar a saúde é questão não só de sobrevivência, mas de qualificação da existência (Santos, 1987). É algo que remete à dimensão social, existencial e ética, a uma trajetória própria referida a situações concretas, ao engajamento e comprometimento ativo dos sujeitos, os quais dedicam sua singularidade a colocar o conhecido a serviço do que não é conhecido na busca da verdade que emerge na experiência vivida (Badiou, 1995).”
  • 14. RISCO  Hoje, a relação entre a vida biológica do indivíduo e o bem estar da coletividade é colocada em prática a partir de uma série de estratégias que buscam identificar, tratar, gerir ou administrar aquelas pessoas, grupos ou ambientes onde o risco é considerado alto (Rose, 2001)  Hipertensão arterial; vários eventos na gravidez justificam o encaminhamento para um regime de vigilância  A prioridade é reconhecer a identificação dos indicadores de “riscos” e intervir precocemente  Processos de medicalização  redução do coletivo ao particular
  • 15. O RISCO DO RISCO  A “Medicina Social” (das populações) nasce junto com a constituição dos estados modernos:  Medicina Urbana Francesa: redesenha as cidades  Staatswissenschaft (estatística) + Medizinichepolizei (polícia médica alemã  “Medicina dos Pobres” inglesa: “acesso universal ao atendimento médico”  Noção de “Caso”: individualiza o fenômeno coletivo da doença e faz integrar no interior de um campo coletivo os fenômenos individuais, apagando singularidades e instaurando processos de normalização e padronização. (FOUCAULT, 2008)
  • 16. O RISCO DO RISCO  A estatística enquanto análise da distribuição dos casos tornaria possível identificar a propósito de cada individuo ou de cada grupo individualizado – etário, territorial, ocupacional – qual o risco de cada “um” (supondo todos “iguais”), seja de pegar uma doença, seja de morrer dela, seja de se curar.  Risco e caso silenciariam, para Foucault, as demarcações entre doentes e não-doentes, como que fazendo supor uma população sem descontinuidade, sem ruptura, que pode ser reduzida a uma curva de distribuição normal.
  • 17. RISCO  A questão do risco nasce com as empresas de seguros de vida, na Inglaterra do seculo XVIII, que cobrava taxas extras para portadores de gota, hérnia e sem história de sarampo  Estudo de Framingham sobre doenças cardiovasculares  Se nos seguros o risco segue um gradiente, na saúde ele é do tipo TEM/NÃO TEM  Os discursos sobre fatores de risco envolvem a distribuição de responsabilidade/culpabilização pois concebem risco como consequência de escolha de estilos de vida feita por indivíduos e enfatizam a necessidade de auto controle
  • 18. Com quais lentes estamos olhando para a questão do “risco” nos bebês??
  • 19. LÓGICA DA PROMOÇÃO: MARCO LEGAL DA PRIMEIRA INFÂNCIA  Art. 4o As políticas públicas voltadas ao atendimento dos direitos da criança na primeira infância serão elaboradas e executadas de forma a:  IV - reduzir as desigualdades no acesso aos bens e serviços que atendam aos direitos da criança na primeira infância, priorizando o investimento público na promoção da justiça social, da equidade e da inclusão sem discriminação da criança;  V - articular as dimensões ética, humanista e política da criança cidadã com as evidências científicas e a prática profissional no atendimento da primeira infância;  “Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.  Garantia de Direitos = Receber Atendimento?
  • 20. EXPERIENCIA INSPIRADORA: O DOCUMENTO P  A experiência do Centre de Guidance Infantile do Institut de Puericulture no 14º Distrito de Paris (Michel Soule)  “Modo como emergem as demandas ocultas”  “Não esperar pela demanda explícita, buscar reconhecer as maneiras pelas quais o sofrimento, a incapacidade, o conflito e o luto são expressos“  “As pessoas em torno da criança podem ter dificuldades em conciliar as demandas da criança com as suas próprias e com as restrições socioeconomicas às quais estão submetidas”
  • 21. EXPERIENCIA INSPIRADORA: O DOCUMENTO P  Periodo Prenatal  Antecedentes obstetricos  Antecedentes psiquiatricos  Antecedentes pessoais: familias “partidas”, viver em instituição  Situação parental: mãe solteira ou com crises conjugais  Idade materna  Mãe em situação de rua, em uma pensão, condições precárias de vida  Condições extenuantes (trabalho, morar longo do trabalho)  Descobrir tardiamente a gravidez  Abandonos prévios de outras crianças  Não ter planos para a criança que vai nascer  Não ter seguro social  Busca por meios abortivos que foi mal sucedida  Periodo Posnatal  Nascimento prematuro  Experiência ruim durante o parto  Relacionamento ruim com a criança “espontaneamente”  Depressão puerperal ou psicose  Descoberta de fatores sociais de risco (desemprego, sit de rua)  Primeiro parto na França de refugiada/estrangeira  Não receber visitas  Não preparaçao para a chegada do bebê  Nascimento anônimo ou problemas legais com a aceitação  Saída precoce ou tardia da maternindade
  • 23. LÓGICA DO RISCO: “DETECÇÃO PRECOCE”  Objetiva identificar pessoas sob risco.  Diferenciar “diagnóstico” de “classificação diagnóstica”: toda constatação que é enunciada é um “diagnóstico”, embora nem sempre seja feita em termos nosográficos  Detecção de um problema de saúde em sua fase inicial, (desde de que tal identificação precoce traga mais benefícios que prejuízos aos indivíduos).  “mais cedo é sempre melhor”?  Baseia-se na premissa de que algumas doenças têm maiores chances de cura, sobrevida e/ou qualidade de vida do indivíduo quando diagnosticadas o mais cedo possível.  Onde está o foco? Na doença abstrata ou nos sujeitos concretos?
  • 24. RASTREAMENTO OU VIGILÂNCIA?  Rastreamento: algum teste, protocolo, ou instrumento é aplicado para todos os indivíduos, indiscriminadamente, independentemente de haver queixa ou preocupação  Triagem auditiva neonatal, fenilcetonúria etc. Maior chance de falsos positivos, depende de um bom planejamento e das especificidades do problema a ser rastreado (causalidades menos complexas)  Vigilância:  Enquanto procedimento: aplicação de um protocolo quando há preocupação manifesta  resultados mais confiáveis para os processos mais complexos  Enquanto processo: acompanhamento longitudinal dos determinantes do processo saúde-doença de uma população
  • 25. RASTREAMENTO DE BEBÊS ABAIXO DE 18 MESES: REINO UNIDO  http://legacyscreening.phe.org.uk/autism  A própria contestação desta recomendação, divulgada no site, afirma:  Entre as ferramentas que podem ser usadas por pais ou cuidadores, o M-CHAT parece ser promissor, por oferecer valores preditivos positivos razoáveis (desde que as crianças rastreadas tenham pelo menos DOIS anos
  • 26. ABAIXO DE 18 MESES: EUA#1  U.S. Preventive Services Task Forc: Screening for Autism Spectrum Disorder in Young Children: A Systematic Evidence Review  Revisão de vários estudos incluindo mais de 130.000 crianças  “Evidencias indiretas sugerem que os estudos voltados para as faixas etárias abaixo dos 16 meses apontam tanto sub-identificação (baixa sensibilidade e valor preditivo positivo) quanto sobre- identificação (baixa especificidade). Alguns instrumentos (p ex M-CHAT) ainda nao foram exaustivamente estudados em populações muito jovens, logo as características a respeito do seu desempenho ainda não estao disponíveis
  • 27. ABAIXO DE 18 MESES: EUA # 2  Recomendações da Academia Americana de Pediatria e endossadas pelo CDC  2: Realizar vigilância quando houver irmã(o) com autismo e/ou houver preocupação/ “queixa” dos cuidadores  Só aplica ferramenta específica se houver “queixa” e/ou tiver mais que 18 meses
  • 28. ABAIXO DE 18 MESES: EUROPA  Revisão de Garcia-Primo et alli, 2014  Mais de 70.000 crianças rastreadas  Nenhum país europeu aplica rastreamento universal  Quanto menor a idade, maior o número de falsos positivos e mais difícil diferenciar de outros atrasos do desenvolvimento

Notas do Editor

  1. A prevenção de doenças compreende três categorias: manutenção de baixo risco, redução de risco e detecção precoce. 15 RASTREAMENTO a) Manutenção de baixo risco tem por objetivo assegurar que as pessoas de baixo risco para problemas de saúde permaneçam com essa condição e encontrem meios de evitar doenças. b) Redução de risco foca nas características que implicam risco de moderado a alto, entre os indivíduos ou segmentos da população, e busca maneiras de controlar ou diminuir a prevalência da doença. c) Detecção precoce visa estimular a conscientização dos sinais precoces de problemas de saúde – tanto entre usuários leigos como em profissionais – e rastrear pessoas sob risco de modo a detectar um problema de saúde em sua fase inicial, se essa identificação precoce traz mais benefícios que prejuízos aos indivíduos. Ela baseia-se na premissa de que algumas doenças têm maiores chances de cura, sobrevida e/ou qualidade de vida do indivíduo quando diagnosticadas o mais cedo possível. Alguns tipos de câncer, as doenças cardiovasculares, o diabetes e a osteoporose são alguns exemplos. A detecção precoce pode ser realizada tanto nos encontros clínicos – em que o paciente procura o serviço por algum motivo – quanto nos encontros em que não há demanda por cuidado, como: atestados e relatórios, acompanhamento de familiares, vacinação, coleta de Papanicolau etc. Em ambos os casos, os profissionais de saúde precisam estar receptivos e atentos para, além das atividades em foco (o motivo principal do encontro), observar possíveis sinais de doenças e, se necessário, tomar as providências para detectá-los precocemente.