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Sociologia da educação:Sociologia da educação:
MAX WEBERMAX WEBER
Sociologia compreensiva,Sociologia compreensiva,
Desencantamento eDesencantamento e
EducaçãoEducação
SOCIOLOGIA COMPREENSIVASOCIOLOGIA COMPREENSIVA
 É a sociologia que se refere à análise dos comportamentos
movidos pela racionalidade dos sujeitos com relação aos
outros.
 A tarefa da sociologia de Weber é interpretar este agir de
modo que ele se torne um agir compreensível, e isto
significa, sem exceção, um agir de homens que se relacionam
uns com os outros.
O INDIVÍDUO E AS AÇÕES
SOCIAIS
 Para Weber, o indivíduo, no momento do agir, leva em
consideração o comportamento dos outros: é isso que faz da
ação, uma ação social. Além disso, as normas sociais
influenciam o agir do indivíduo na mesma medida em que são
resultados do agir dos próprios indivíduos ao longo do tempo
Como entender o funcionamento
disso?
Observando a diferença que Weber estabelece
entre os conceitos de “comunidade” e
“sociedade”.
Agir em comunidadeAgir em comunidade
 Agir em comunidade é aquele agir que seAgir em comunidade é aquele agir que se
baseia nas expectativas que temos com relaçãobaseia nas expectativas que temos com relação
ao comportamento dos outros.ao comportamento dos outros.
Agir em comunidade
 - O agir em comunidade também pode se fundamentar na
expectativa de que os outros dêem determinado peso a certos
valores e crenças, ou então na expectativa de que os outros se
comportem de um modo regular, na média dos comportamentos
geralmente usados para aquela situação. Ou, ainda, de que se
comportem de modo emotivo, irracional.
 EM RESUMO: Agir em comunidade é comportar-se
com base na expectativa de que os outros também se
comportem de um determinado modo.
AGIR EM SOCIEDADEAGIR EM SOCIEDADE
 - Agir em sociedade é um agir no qual as expectativas
se baseiam nos regulamentos sociais vigentes.
Exemplo: acredito que alguém não vai matar sua mãe,
não apenas porque imagino que goste dela, mas
porque tem certeza de que os assassinos são
condenados e presos pelo sistema legal vigente. Além
de pouco afetivo, praticar este ato seria bastante
irracional.
AGIR EM SOCIEDADEAGIR EM SOCIEDADE
 (...) No agir em sociedade, além do indivíduo
orientar-se por este tipo de expectativa baseada nos
regulamentos, supõe-se que tais regulamentos tenham
sido feitos justamente com o objetivo de que os
homens ajam segundo suas determinações, e não de
outra maneira. Exemplo: se um homem praticar sexo
com uma menor de 14 anos, não apenas poderá ser
malvisto na vizinhança, como pode ser preso.
 Quando o indivíduo calcula que é melhor agir com
base nas regras também porque os outros agem
igualmente segundo as regras, ele está agindo em
sociedade.
REGRA E ORDEM SOCIALREGRA E ORDEM SOCIAL
 As regras funcionam como uma espécie de condensação de
expectativas recíprocas e tornam o universo social organizado
e inteligível pelos atores individuais. Quando isso ocorre,
Weber diz que existe uma ordem social.
 A validade da norma não se baseia apenas nas expectativas
recíprocas. Quanto mais disseminada socialmente estiver a
convicção de cada um de que as regras são obrigatórias para
eles, melhor fundamentadas serão as expectativas de uns com
relação ao comportamento dos outros.
Um produto da sociedadeUm produto da sociedade
 A sociologia de Weber nos faz pensar que
embora estejamos obrigados a agir conforme
um pacote de regras que regulam a nossa vida,
é preciso considerar que essas regras (todas as
regras e não apenas as leis e os decretos)
foram criadas por indivíduos como nós, em
tempos passados, e continuam a ser criadas; e
também que elas estão ai para serem mudadas,
e portanto todos nós participamos disso.
Norma e institucionalizaçãoNorma e institucionalização
 + Para Weber, historicamente, as associações
políticas humanas, e o Estado em particular,
passaram por um processo de
institucionalização. Nesse processo, as regras
foram se tornando cada vez mais racionais,
foram sendo feitas com vistas a fins
específicos e estabelecendo os meios mais
adequados para levá-los a cabo (punições em
dinheiro ou reclusão).
Norma, dominação eNorma, dominação e
consensoconsenso
Quando as pessoas obedecem às regras não
apenas porque temem a punição, mas também
porque estão convencidas da necessidade de
obedecer, porque introjetaram a norma, Weber
diz que a dominação baseia-se no consenso da
legitimidade.
O que guardar de tudo o que foi
dito até agora?
O fundamental não é o fato dos homens serem
coagidos, mas sim o fato de agirem racionalmente,
e de que esta racionalidade os faz consentirem com
a dominação à qual estão sujeitos, para que possam
com isso ganhar condições de previsibilidade com
relação à ação dos outros homens que estão
também sujeitos à mesma relação de dominação e,
em decorrência, possam viver em sociedade.
Um mundo desencantadoUm mundo desencantado
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DESENCANTAMENTO DODESENCANTAMENTO DO
MUNDOMUNDO
Para Weber, o estabelecimento de uma ordem social
“com relação a fins” vai se tornando cada vez mais
amplo. O consenso aí construído é obtido mediante
regras e mediante coação, e uma crescente
transformação com relação a fins se opera na
sociedade. (Sentido histórico que Weber chama de
racionalização).
Racionalização eRacionalização e
desencantamentodesencantamento
A história humana, segundo ele, é um processo de
crescente racionalização da vida, de abandono das
concepções mágicas e tradicionais como justificativas para
o comportamento dos homens e para a administração
social
Os três tipos puros de dominação:
 A dominação tradicional: legitimidade
baseada na tradição.
 A dominação carismática: legitimidade
baseada no carisma do líder.
 A dominação racional-legal: legitimidade
baseada na lei e na racionalidade (adequação
entre os meios e fins) que está por trás da lei.
Cá entre nósCá entre nós
Se a associação estatal passa por um processo de
racionalização, as formas de dominação no Ocidente
caminham, tendencialmente, para o tipo racional-legal.
Recapitulando para compreender
melhor a idéia de racionalização
 A sociologia de Max Weber parte da ação e da interação dos
indivíduos como constitutivas da sociedade.
 Quanto mais complexas as sociedades (maior sua
racionalização), maior o número de regulamentos sociais a
serem obedecidos.
 Quanto mais complexa a sociedade, mais conflitiva tende a ser
a interação entre os indivíduos e grupos, uma vez que maiores
serão as “constelações de interesses” que se contrapõem e
maior também a necessidade de regulamentá-los. Para Weber
a complexificação gera conflito, o que por sua vez gera a
necessidade da regra.
dominação
• ingresso dos indivíduos nesta grande associação, na
qual estão obrigados a submeter-se ao poder já
instituído, não é voluntário, e as regras são feitas, diz
ele, por meio da força, da imposição da vontade de
alguns indivíduos e grupos sobre outros indivíduos e
grupos: uns mandam, outros obedecem (A esse
processo Weber chama de dominação).
 + Para legitimar-se (= garantir a aceitação dos
comandados) a dominação se baseia na tradição, no
carisma do líder ou na forma do direito racional.
Implicações do pensamento de
Weber para a educação:
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Educação e racionalizaçãoEducação e racionalização
A educação, para Weber, é o modo pelo qual os
homens são preparados para exercer as funções que a
transformação causada pela racionalização da vida
lhes colocou à disposição.
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Capitalismo e racionalidadeCapitalismo e racionalidade
burocráticaburocrática
 A lógica da racionalidade, da obediência à lei eA lógica da racionalidade, da obediência à lei e
do treinamento das pessoas para administrar asdo treinamento das pessoas para administrar as
tarefas burocráticas do estado foi aos poucos setarefas burocráticas do estado foi aos poucos se
disseminando.disseminando.
 Na formação do Estado moderno e doNa formação do Estado moderno e do
capitalismo moderno, que são inseparáveis umcapitalismo moderno, que são inseparáveis um
do outro, Weber dá especial atenção a doisdo outro, Weber dá especial atenção a dois
aspectos: de um lado, a constituição de umaspectos: de um lado, a constituição de um
direito racional, um dos pilares do processo dedireito racional, um dos pilares do processo de
racionalização da vida, e de outro, aracionalização da vida, e de outro, a
constituição de uma administração racional emconstituição de uma administração racional em
moldes burocráticos.moldes burocráticos.
uma administração racionaluma administração racional
em moldes burocráticosem moldes burocráticos
O direito racional oferece as garantias contratuaisO direito racional oferece as garantias contratuais
e a codificação básica das relações de trocae a codificação básica das relações de troca
econômica enquanto eu o desenvolvimento daeconômica enquanto eu o desenvolvimento da
empresa capitalista moderna oferece o modeloempresa capitalista moderna oferece o modelo
para a constituição da empresa de dominaçãopara a constituição da empresa de dominação
política própria do capitalismo, o Estadopolítica própria do capitalismo, o Estado
burocráticoburocrático
A educação da racionalidadeA educação da racionalidade
 A educação sistemática, para Weber, passou a ser
“pacote” de conteúdos e de disposições voltados para
o treinamento de indivíduos que tivessem de fato
condições de operar essas novas funções, de “pilotar”
o Estado, as empresas e a própria política, de um
modo “racional”. Um dos elementos essenciais na
constituição do Estado moderno é a formação de uma
administração burocrática em moldes racionais.
 Esse processo só ocorreu de modo completo no
Ocidente, com a substituição paulatina de um
funcionalismo não especializado por um mais
especificamente treinado e politicamente orientado
com base em regulamentos racionais.
encantamento/racionalidadeencantamento/racionalidade
 O Oriente aparece como protótipo da administração irracional,
pois esteve baseada na concepção mágica de que a virtude do
Imperador (Exemplo da China) e dos funcionários, de sua
superioridade em matéria literária, para governar.
 + O capitalismo moderno prosperou no Estado racional. Este
se funda na burocracia profissional e no direito racional.
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Treinar, em vez de cultivar o
intelecto
A racionalização e a burocratização alteraram
radicalmente os modos de educar. Alteraram também
o status, o reconhecimento e o acesso a bens materiais
por parte dos indivíduos que se submetem à educação
sistemática.
 Educar no sentido da racionalização passou a ser
fundamental para o Estado, porque ele precisa de um
direito racional e de uma burocracia montada em
moldes racionais.
 Educar no sentido da racionalização também passou a
ser fundamental para empresa capitalista, pois ela se
pauta na lógica do lucro, do cálculo de custos e
benefícios, e precisa de profissionais treinados para
isso.
menos encantadomenos encantado
mais racionalmais racional
 Mais que profissionais da empresa ou da administração
pública, o capitalismo e o Estado capitalista forjaram um novo
homem: um homem racional, tendencialmente livre de
concepções mágicas, para o qual não existe mais lugar
reservado à obediência que não seja a obediência ao direito
racional. Para este homem, o mundo perdeu o encantamento.
Não é mais o mundo do sobrenatural e dos desígnios de Deus
ou dos imperadores.É o mundo do império da lei e da razão.
Educar num mundo assim, certamente não é o mesmo que
educar antes dessa grande transformação, provocada pelo
advento do capitalismo moderno
educação = distinçãoeducação = distinção
Educação, na medida em que a sociedade se
racionaliza, historicamente, torna-se um fator de
estratificação social, um meio de distinção, de
obtenção de honras, de poder e de dinheiro.
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Educação: três tipos de finalidades
1 -Despertar o carisma (não constitui propriamente uma pedagogia,1 -Despertar o carisma (não constitui propriamente uma pedagogia,
pois não se aplica a pessoas comuns, mas apenas àquelaspois não se aplica a pessoas comuns, mas apenas àquelas
capazes de revelar qualidades mágicas ou dons heróicos:capazes de revelar qualidades mágicas ou dons heróicos:
ascetismo mágico antigo e dos heróis guerreiros da Antiguidade eascetismo mágico antigo e dos heróis guerreiros da Antiguidade e
do mundo medieval, que eram educados para adquirir uma “novado mundo medieval, que eram educados para adquirir uma “nova
alma”, renascer).alma”, renascer).
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Educação: três tipos de finalidades
2- Preparar o aluno para uma conduta de vida (Weber chama de
pedagogia do cultivo, pois procura formar um tipo de homem que
seja culto, onde o ideal de cultura depende da camada social para a
qual o indivíduo está sendo preparado, e que implica em prepará-lo
para certos tipos de comportamento interior e exterior);
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Educação: três tipos de finalidades
3- Transmitir conhecimento especializado (Pedagogia do treinamento: Com a
racionalização da vida social e a crescente burocratização do aparato
público de dominação política e dos aparatos próprios às grandes
corporações capitalistas privadas, a educação deixa paulatinamente de ter
como meta a qualidade da posição do homem na vida e torna-se cada vez
mais um preparo especializado com o objetivo de tornar o indivíduo um
perito).
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Educação e sociedade: umEducação e sociedade: um
projetoprojeto
 Para Weber, além de minimizar a formação humanística de
caráter mais integral, a educação racionalizada (pedagogia do
treinamento), continua a ser usada como mecanismo de
ascensão social e de obtenção de status privado.
 O capitalismo reduzia tudo, inclusive a educação, à mera
busca por riqueza material e status.
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E nós?E nós?
Que “educação” queremos?Que “educação” queremos?
Marx via no capitalismo a escravidão do ser humano por meio
da alienação do trabalho, e na educação a possibilidade de
romper com ela. Weber via na pedagogia do treinamento
imposta pela racionalização da vida, o fim da possibilidade de
desenvolver o talento humano, em nome da preparação para a
obtenção de poder e dinheiro. A racionalização é inexorável,
invencível, e a educação especializada, a lógica do
treinamento, para Weber, também é. Para ele, não há nada que
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Vimos com Weber: o olhar éVimos com Weber: o olhar é
apenas uma perspectiva doapenas uma perspectiva do
realreal
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Oh Capitan, my Capitan!Oh Capitan, my Capitan!
 Então talvez possamos responder melhor hoje aEntão talvez possamos responder melhor hoje a
pergunta de 4 meses atráspergunta de 4 meses atrás
 ““Tá, professora, mas como a gente pode na práticaTá, professora, mas como a gente pode na prática
fazer algo de diferente na sala de aula, que mudefazer algo de diferente na sala de aula, que mude
mesmo o ponto de vista?” (Natanael, julho de 2010)mesmo o ponto de vista?” (Natanael, julho de 2010)
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questão de ponto de vista…questão de ponto de vista…
Oh Capitan, my Capitan!”Oh Capitan, my Capitan!”
ouou
““Professora, a senhora é louca!” (Flávia, novembro, 2010)?Professora, a senhora é louca!” (Flávia, novembro, 2010)?
…… mais louco é quem me diz, que não é feliz…mais louco é quem me diz, que não é feliz…
…… não é feliz!não é feliz!
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Afinal que educaçãoAfinal que educação
que queremos?que queremos?
Uma educação crítica,Uma educação crítica,
transformadora, implica nostransformadora, implica nos
permitirmos outras perspectivas,permitirmos outras perspectivas,
“enlouquecer” um pouco, romper“enlouquecer” um pouco, romper
com pontos de vista e confortos…com pontos de vista e confortos…
Carpe diem!Carpe diem!
 OBRIGADA!!!!OBRIGADA!!!!
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ReferênciasReferências
http://sociedadeducacao.blogspot.com/2007/10/sociedhttp://sociedadeducacao.blogspot.com/2007/10/socieda
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia daRODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da
Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: lamparina,Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: lamparina,
2007.2007.
Fotos: Flávia Motta e Roberta RoqueFotos: Flávia Motta e Roberta Roque
““Modelos” , trabalhos e obras de arte: Turma daModelos” , trabalhos e obras de arte: Turma da
pedagogia 2010/2. Sociologia da Educaçãopedagogia 2010/2. Sociologia da Educação
Imagens:Imagens:
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