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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS
CUBAS
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS
CUBAS
Machado de AssisMachado de Assis
Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis
muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica
os privilégios da elite da época
• Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de
um filho abastado da elite brasileira do século XIX,
Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena
do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar
a sua infância, quando a narrativa segue de forma
mais ou menos linear – interrompida apenas por
comentários digressivos do narrador.
NARRADORNARRADOR
• A narração é feita em primeira pessoa e
postumamente, ou seja, o narrador se
autointitula um defunto-autor – um morto
que resolveu escrever suas memórias. Assim,
temos toda uma vida contada por alguém que
não pertence mais ao mundo terrestre. Com
esse procedimento, o narrador consegue ficar
além de nosso julgamento terreno e, desse
modo, pode contar as memórias da forma
como melhor lhe convém.
• A narração é feita em primeira pessoa e
postumamente, ou seja, o narrador se
autointitula um defunto-autor – um morto
que resolveu escrever suas memórias. Assim,
temos toda uma vida contada por alguém que
não pertence mais ao mundo terrestre. Com
esse procedimento, o narrador consegue ficar
além de nosso julgamento terreno e, desse
modo, pode contar as memórias da forma
como melhor lhe convém.
FOCO NARRATIVOFOCO NARRATIVO
• Com a narração em primeira pessoa, a história
é contada partindo de um relato do narrador-
observador e protagonista, que conduz o
leitor tendo em vista sua visão de mundo,
seus sentimentos e o que pensa da vida.
Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas
nos permitirão ter acesso aos bastidores da
sociedade carioca do século XIX.
• Com a narração em primeira pessoa, a história
é contada partindo de um relato do narrador-
observador e protagonista, que conduz o
leitor tendo em vista sua visão de mundo,
seus sentimentos e o que pensa da vida.
Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas
nos permitirão ter acesso aos bastidores da
sociedade carioca do século XIX.
TEMPOTEMPO
• A obra é apoiada em dois tempos. Um é o
tempo psicológico, do autor além-túmulo,
que, desse modo, pode contar sua vida de
maneira arbitrária, com digressões e
manipulando os fatos à revelia, sem seguir
uma ordem temporal linear. A morte, por
exemplo, é contada antes do nascimento e
dos fatos da vida.
• A obra é apoiada em dois tempos. Um é o
tempo psicológico, do autor além-túmulo,
que, desse modo, pode contar sua vida de
maneira arbitrária, com digressões e
manipulando os fatos à revelia, sem seguir
uma ordem temporal linear. A morte, por
exemplo, é contada antes do nascimento e
dos fatos da vida.
TEMPOTEMPO
• No tempo cronológico, os acontecimentos
obedecem a uma ordem lógica: infância,
adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e
morte. A estranheza da obra começa pelo título,
que sugere as memórias narradas por um
defunto. O próprio narrador, no início do livro,
ressalta sua condição: trata-se de um defunto-
autor, e não de um autor defunto. Isso consiste
em afirmar seus méritos não como os de um
grande escritor que morreu, mas de um morto
que é capaz de escrever.
• No tempo cronológico, os acontecimentos
obedecem a uma ordem lógica: infância,
adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e
morte. A estranheza da obra começa pelo título,
que sugere as memórias narradas por um
defunto. O próprio narrador, no início do livro,
ressalta sua condição: trata-se de um defunto-
autor, e não de um autor defunto. Isso consiste
em afirmar seus méritos não como os de um
grande escritor que morreu, mas de um morto
que é capaz de escrever.
TEMPOTEMPO
• O pacto de verossimilhança sofre um choque
aqui, pois os leitores da época, acostumados
com a linearidade das obras (início, meio e
fim), veem-se obrigados a situar-se nessa
incomum situação.
• O pacto de verossimilhança sofre um choque
aqui, pois os leitores da época, acostumados
com a linearidade das obras (início, meio e
fim), veem-se obrigados a situar-se nessa
incomum situação.
ENREDOENREDO
• A infância de Brás Cubas, como a de todo
membro da sociedade patriarcal brasileira da
época, é marcada por privilégios e caprichos
patrocinados pelos pais. O garoto tinha como
“brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio,
que lhe servia de montaria e para maus-tratos
em geral. Na escola, Brás era amigo de
traquinagem de Quincas Borba, que aparecerá no
futuro defendendo o humanitismo, misto da
teoria darwinista com o borbismo: “Aos
vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais
fortes e aptos devem sobreviver.
• A infância de Brás Cubas, como a de todo
membro da sociedade patriarcal brasileira da
época, é marcada por privilégios e caprichos
patrocinados pelos pais. O garoto tinha como
“brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio,
que lhe servia de montaria e para maus-tratos
em geral. Na escola, Brás era amigo de
traquinagem de Quincas Borba, que aparecerá no
futuro defendendo o humanitismo, misto da
teoria darwinista com o borbismo: “Aos
vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais
fortes e aptos devem sobreviver.
• Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta
dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo,
chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase:
“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de
réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a
maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem.
Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em
nenhum momento, a caracterização nesses termos.
Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor
capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que
Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele
lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o
amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e
interesse financeiro estão intimamente ligados.
• Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta
dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo,
chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase:
“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de
réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a
maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem.
Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em
nenhum momento, a caracterização nesses termos.
Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor
capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que
Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele
lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o
amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e
interesse financeiro estão intimamente ligados.
• Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta
enormes recursos da família com festas,
presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai,
para dar um basta à situação, toma a resolução
mais comum para as classes ricas da época:
manda o filho para a Europa estudar leis e
garantir o título de bacharel em Coimbra.Brás
Cubas, no entanto, segue contrariado para a
universidade. Marcela não vai, como combinara,
despedir-se dele, e a viagem começa triste e
lúgubre.
• Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta
enormes recursos da família com festas,
presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai,
para dar um basta à situação, toma a resolução
mais comum para as classes ricas da época:
manda o filho para a Europa estudar leis e
garantir o título de bacharel em Coimbra.Brás
Cubas, no entanto, segue contrariado para a
universidade. Marcela não vai, como combinara,
despedir-se dele, e a viagem começa triste e
lúgubre.
• Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o
diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho,
Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência
parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos
do país.Em certo momento da narrativa, Brás Cubas
tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se
de Virgília, parente de um ministro da corte,
aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela
um futuro político. No entanto, ela acaba se casando
com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não
apenas a noiva como também a candidatura a
deputado que o pai preparava.
• Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o
diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho,
Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência
parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos
do país.Em certo momento da narrativa, Brás Cubas
tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se
de Virgília, parente de um ministro da corte,
aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela
um futuro político. No entanto, ela acaba se casando
com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não
apenas a noiva como também a candidatura a
deputado que o pai preparava.
Brás Cubas e Virgília
• A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha
tradição, pois construíra a fortuna com a
fabricação de cubas, tachos, à maneira
burguesa. Isso não era louvável no mundo das
aparências sociais. Assim, a entrada na política
era vista como maneira de ascensão social,
uma espécie de título de nobreza que ainda
faltava a eles.
• A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha
tradição, pois construíra a fortuna com a
fabricação de cubas, tachos, à maneira
burguesa. Isso não era louvável no mundo das
aparências sociais. Assim, a entrada na política
era vista como maneira de ascensão social,
uma espécie de título de nobreza que ainda
faltava a eles.
NÃO-REALIZAÇÕESNÃO-REALIZAÇÕES
• O romance não apresenta grandes feitos, não
há um acontecimento significativo que se
realize por completo. A obra termina, nas
palavras do narrador, com um capítulo só de
negativas. Brás Cubas não se casa; não
consegue concluir o emplasto, medicamento
que imaginara criar para conquistar a glória na
sociedade; acaba se tornando deputado, mas
seu desempenho é medíocre; e não tem
filhos.
• O romance não apresenta grandes feitos, não
há um acontecimento significativo que se
realize por completo. A obra termina, nas
palavras do narrador, com um capítulo só de
negativas. Brás Cubas não se casa; não
consegue concluir o emplasto, medicamento
que imaginara criar para conquistar a glória na
sociedade; acaba se tornando deputado, mas
seu desempenho é medíocre; e não tem
filhos.
Memórias Póstumas de Brás Cubas
• A força da obra está justamente nessas não-
realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre
à espera do desenlace que a narrativa parece
prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da
existência do protagonista. É preciso ficar atento para
a maneira como os fatos são narrados. Tudo está
mediado pela posição de classe do narrador, por sua
ideologia. Assim, esse romance poderia ser
conceituado como a história dos caprichos da elite
brasileira do século XIX e seus desdobramentos,
contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um
representante.
• A força da obra está justamente nessas não-
realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre
à espera do desenlace que a narrativa parece
prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da
existência do protagonista. É preciso ficar atento para
a maneira como os fatos são narrados. Tudo está
mediado pela posição de classe do narrador, por sua
ideologia. Assim, esse romance poderia ser
conceituado como a história dos caprichos da elite
brasileira do século XIX e seus desdobramentos,
contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um
representante.
• O que está em jogo é se esses caprichos vão ou
não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação
ao começar a obra pelo fim ou pelo começo;
comparar suas memórias às sagradas escrituras;
desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote,
chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever
após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida
repleta de caprichos, em virtude de sua posição
de classe, é natural que, ao escrever suas
memórias, o livro se componha desse mesmo
jeito.
• O que está em jogo é se esses caprichos vão ou
não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação
ao começar a obra pelo fim ou pelo começo;
comparar suas memórias às sagradas escrituras;
desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote,
chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever
após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida
repleta de caprichos, em virtude de sua posição
de classe, é natural que, ao escrever suas
memórias, o livro se componha desse mesmo
jeito.
• O mais importante não é a realização ou não dessas
veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado
apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o
exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são
personagens secundários e trabalham para os grandes. A
primeira nasceu para uma vida de sofrimentos:
“Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos
na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado
pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás.
Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor,
Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília
possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada
para isso.
• O mais importante não é a realização ou não dessas
veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado
apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o
exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são
personagens secundários e trabalham para os grandes. A
primeira nasceu para uma vida de sofrimentos:
“Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos
na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado
pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás.
Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor,
Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília
possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada
para isso.
• Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora
ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera
os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o
encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro
fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare
com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio.
O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa
condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua
única referência de como lidar com a situação era essa,
afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado
anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender
ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum
tipo de dívida nem obrigação a cumprir.
• Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora
ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera
os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o
encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro
fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare
com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio.
O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa
condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua
única referência de como lidar com a situação era essa,
afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado
anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender
ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum
tipo de dívida nem obrigação a cumprir.
CONCLUSÃOCONCLUSÃO
• Machado alia nesse romance profundidade e
sutileza, expondo muitos problemas de nossa
sociedade que existem até hoje. Daí o prazer
da leitura e a importância de seu texto, pois
atualiza, de forma irônica, os processos em
que nosso país foi formado, suas contradições
e os desmandos que ainda estão presentes.
• Machado alia nesse romance profundidade e
sutileza, expondo muitos problemas de nossa
sociedade que existem até hoje. Daí o prazer
da leitura e a importância de seu texto, pois
atualiza, de forma irônica, os processos em
que nosso país foi formado, suas contradições
e os desmandos que ainda estão presentes.
PERSONAGENSPERSONAGENS
Os personagens da obra são basicamente
representantes da elite brasileira do século XIX.
Há, no entanto, figuras de menor expressão
social, pertencentes à escravidão ou à classe
média, que têm significado relevante nas
relações sociais entre as classes. Assim,
Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de seu
enorme valor literário, funciona como
instrumento de entendimento desse aspecto
social de nossas classes, como se verá adiante
nas caracterizações de Dona Plácida e do negro
Prudêncio.
Os personagens da obra são basicamente
representantes da elite brasileira do século XIX.
Há, no entanto, figuras de menor expressão
social, pertencentes à escravidão ou à classe
média, que têm significado relevante nas
relações sociais entre as classes. Assim,
Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de seu
enorme valor literário, funciona como
instrumento de entendimento desse aspecto
social de nossas classes, como se verá adiante
nas caracterizações de Dona Plácida e do negro
Prudêncio.
• A sociedade da época se estruturava a partir de
uma divisão nítida. Havia, de um lado, os donos
de escravos, urbanos e rurais, que constituíam a
classe mandante do país. Estão representados
invariavelmente como políticos: ministros,
senadores e deputados. De outro, a escravidão é
a responsável direta pelo trabalho e pelo
sustento da nação e, por assim dizer, das elites.
No meio, há uma classe média formada por
pequenos comerciantes, funcionários públicos e
outros servidores, que são dependentes e
agregados dos favores dos grandes privilegiados.
• A sociedade da época se estruturava a partir de
uma divisão nítida. Havia, de um lado, os donos
de escravos, urbanos e rurais, que constituíam a
classe mandante do país. Estão representados
invariavelmente como políticos: ministros,
senadores e deputados. De outro, a escravidão é
a responsável direta pelo trabalho e pelo
sustento da nação e, por assim dizer, das elites.
No meio, há uma classe média formada por
pequenos comerciantes, funcionários públicos e
outros servidores, que são dependentes e
agregados dos favores dos grandes privilegiados.
BRÁS CUBASBRÁS CUBAS
• Filho abastado da família Cubas, é o narrador
do livro; contas suas memórias, escritas após
a morte e, nessa condição, é responsável pela
caracterização de todas as personagens.
• Filho abastado da família Cubas, é o narrador
do livro; contas suas memórias, escritas após
a morte e, nessa condição, é responsável pela
caracterização de todas as personagens.
VIRGÍLIA (URSA MAIOR)VIRGÍLIA (URSA MAIOR)
• grande amor de Brás Cubas, sobrinha de
ministro, e a quem o pai do protagonista via
como grande possibilidade de acesso, para o
filho, ao mundo da política nacional.
• grande amor de Brás Cubas, sobrinha de
ministro, e a quem o pai do protagonista via
como grande possibilidade de acesso, para o
filho, ao mundo da política nacional.
MARCELAMARCELA
• É a primeira namorada, o primeiro amor, o da
juventude. Trata-se de uma espanhola de vida
censurável, com quem Brás Cubas gasta uma
apreciável fortuna, vinda do pai - logicamente.
Marcela é atacada pela varíola, adquirindo
indeléveis marcas, prazerosamente descritas
pelo narrador. Desfaz-se o namoro.
• É a primeira namorada, o primeiro amor, o da
juventude. Trata-se de uma espanhola de vida
censurável, com quem Brás Cubas gasta uma
apreciável fortuna, vinda do pai - logicamente.
Marcela é atacada pela varíola, adquirindo
indeléveis marcas, prazerosamente descritas
pelo narrador. Desfaz-se o namoro.
EUGÊNIAEUGÊNIA
• a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que
era filha de um casal que ele havia flagrado,
quando criança, namorando atrás de uma
moita; o protagonista se interessa por ela,
mas não se dispõe a levar adiante um
romance, porque a garota era coxa.
• a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que
era filha de um casal que ele havia flagrado,
quando criança, namorando atrás de uma
moita; o protagonista se interessa por ela,
mas não se dispõe a levar adiante um
romance, porque a garota era coxa.
NHÃ LO LÓNHÃ LO LÓ
• última possibilidade de casamento para Brás
Cubas, moça simples, que morre de febre
amarela aos 19 anos.
• última possibilidade de casamento para Brás
Cubas, moça simples, que morre de febre
amarela aos 19 anos.
LOBO NEVESLOBO NEVES
• casa-se com Virgília e tem carreira política
sólida, mas sofre o adultério da esposa com o
protagonista.
• casa-se com Virgília e tem carreira política
sólida, mas sofre o adultério da esposa com o
protagonista.
QUINCAS BORBAQUINCAS BORBA
• teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás
Cubas adere, morre demente.
• teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás
Cubas adere, morre demente.
DONA PLÁCIDADONA PLÁCIDA
• representante da classe média, tem uma vida
de muito trabalho e sofrimento.
• representante da classe média, tem uma vida
de muito trabalho e sofrimento.
PRUDÊNCIOPRUDÊNCIO
• escravo da infância de Brás Cubas, ganha
depois sua alforria.
• escravo da infância de Brás Cubas, ganha
depois sua alforria.
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Memórias Póstumas de Brás Cubas

  • 1. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS Machado de AssisMachado de Assis
  • 2. Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época • Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de um filho abastado da elite brasileira do século XIX, Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar a sua infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear – interrompida apenas por comentários digressivos do narrador.
  • 3. NARRADORNARRADOR • A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém. • A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.
  • 4. FOCO NARRATIVOFOCO NARRATIVO • Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador- observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX. • Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador- observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX.
  • 5. TEMPOTEMPO • A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida. • A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida.
  • 6. TEMPOTEMPO • No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto- autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever. • No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto- autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever.
  • 7. TEMPOTEMPO • O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação. • O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação.
  • 8. ENREDOENREDO • A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borba, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver. • A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borba, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.
  • 9. • Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados. • Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
  • 10. • Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre. • Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.
  • 11. • Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava. • Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava.
  • 12. Brás Cubas e Virgília
  • 13. • A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles. • A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.
  • 14. NÃO-REALIZAÇÕESNÃO-REALIZAÇÕES • O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos. • O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos.
  • 16. • A força da obra está justamente nessas não- realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante. • A força da obra está justamente nessas não- realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante.
  • 17. • O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito. • O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito.
  • 18. • O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso. • O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso.
  • 19. • Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir. • Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir.
  • 20. CONCLUSÃOCONCLUSÃO • Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes. • Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes.
  • 21. PERSONAGENSPERSONAGENS Os personagens da obra são basicamente representantes da elite brasileira do século XIX. Há, no entanto, figuras de menor expressão social, pertencentes à escravidão ou à classe média, que têm significado relevante nas relações sociais entre as classes. Assim, Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de seu enorme valor literário, funciona como instrumento de entendimento desse aspecto social de nossas classes, como se verá adiante nas caracterizações de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Os personagens da obra são basicamente representantes da elite brasileira do século XIX. Há, no entanto, figuras de menor expressão social, pertencentes à escravidão ou à classe média, que têm significado relevante nas relações sociais entre as classes. Assim, Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de seu enorme valor literário, funciona como instrumento de entendimento desse aspecto social de nossas classes, como se verá adiante nas caracterizações de Dona Plácida e do negro Prudêncio.
  • 22. • A sociedade da época se estruturava a partir de uma divisão nítida. Havia, de um lado, os donos de escravos, urbanos e rurais, que constituíam a classe mandante do país. Estão representados invariavelmente como políticos: ministros, senadores e deputados. De outro, a escravidão é a responsável direta pelo trabalho e pelo sustento da nação e, por assim dizer, das elites. No meio, há uma classe média formada por pequenos comerciantes, funcionários públicos e outros servidores, que são dependentes e agregados dos favores dos grandes privilegiados. • A sociedade da época se estruturava a partir de uma divisão nítida. Havia, de um lado, os donos de escravos, urbanos e rurais, que constituíam a classe mandante do país. Estão representados invariavelmente como políticos: ministros, senadores e deputados. De outro, a escravidão é a responsável direta pelo trabalho e pelo sustento da nação e, por assim dizer, das elites. No meio, há uma classe média formada por pequenos comerciantes, funcionários públicos e outros servidores, que são dependentes e agregados dos favores dos grandes privilegiados.
  • 23. BRÁS CUBASBRÁS CUBAS • Filho abastado da família Cubas, é o narrador do livro; contas suas memórias, escritas após a morte e, nessa condição, é responsável pela caracterização de todas as personagens. • Filho abastado da família Cubas, é o narrador do livro; contas suas memórias, escritas após a morte e, nessa condição, é responsável pela caracterização de todas as personagens.
  • 24. VIRGÍLIA (URSA MAIOR)VIRGÍLIA (URSA MAIOR) • grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional. • grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional.
  • 25. MARCELAMARCELA • É a primeira namorada, o primeiro amor, o da juventude. Trata-se de uma espanhola de vida censurável, com quem Brás Cubas gasta uma apreciável fortuna, vinda do pai - logicamente. Marcela é atacada pela varíola, adquirindo indeléveis marcas, prazerosamente descritas pelo narrador. Desfaz-se o namoro. • É a primeira namorada, o primeiro amor, o da juventude. Trata-se de uma espanhola de vida censurável, com quem Brás Cubas gasta uma apreciável fortuna, vinda do pai - logicamente. Marcela é atacada pela varíola, adquirindo indeléveis marcas, prazerosamente descritas pelo narrador. Desfaz-se o namoro.
  • 26. EUGÊNIAEUGÊNIA • a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança, namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance, porque a garota era coxa. • a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança, namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance, porque a garota era coxa.
  • 27. NHÃ LO LÓNHÃ LO LÓ • última possibilidade de casamento para Brás Cubas, moça simples, que morre de febre amarela aos 19 anos. • última possibilidade de casamento para Brás Cubas, moça simples, que morre de febre amarela aos 19 anos.
  • 28. LOBO NEVESLOBO NEVES • casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista. • casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista.
  • 29. QUINCAS BORBAQUINCAS BORBA • teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente. • teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente.
  • 30. DONA PLÁCIDADONA PLÁCIDA • representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento. • representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento.
  • 31. PRUDÊNCIOPRUDÊNCIO • escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria. • escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria.