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UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA
                   Metodologias de Investigação em Educação




 Elaboração da proposta de projecto de investigação

 “A utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita”




Mestrado em Ciências de Educação – Especialização em Informática Educacional
Mestranda:
Susana Fernandes Alentejano

                                     Março de 2011
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
UCP                                                                 Susana Alentejano



                    Proposta de projecto de investigação


0. Escolher um domínio e dentro deste domínio um assunto.

Domínio: A utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita.
Assunto: A eficácia da utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e
          da escrita dos alunos do 1.º ano.
É pertinente e urgente compreender o papel e as mudanças que as novas tecnologias
proporcionadas pelo computador imprimem no meio educativo no âmbito da
aprendizagem da leitura e da escrita. Existem também poucas investigações
científicas neste domínio, motivo que torna esta investigação relevante e pertinente.


I. Definir a problemática ou problema(s) em estudo.

Considera-se como objectivo de partida para este trabalho, tentar perceber como as
novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) podem influenciar a
aprendizagem da leitura e da escrita, nomeadamente aprofundar estudos para
apurar o potencial das novas tecnologias de informação e comunicação.

Tem sido visível nas últimas décadas um crescente avanço tecnológico e a Educação
está integrada nesse processo de informação e construção do conhecimento, não se
pode ignorar os recursos media. É importante que os docentes reflictam nas diversas
possibilidades de mudança. Segundo Lagarto (2007) caminhamos, cada vez mais,
para a designada “Sociedade de Informação” sendo esta “uma sociedade onde a
produção e o acesso à informação e ao tratamento e utilização se democratizou e
facilitou de um modo nunca antes imaginado”.

Deste modo, o projecto de estudo deverá procurar ser capaz de contemplar uma
leitura de como a aprendizagem da leitura e da escrita tem sido implementada nos
últimos anos. Abordar-se-ão os resultados da implementação de um método
diferente de leitura e de escrita do usado anteriormente, desta vez com recurso às
novas tecnologias, bem como deverá ser apreciado o grau de satisfação dos alunos
face às novas metodologias utilizadas.

Por último, será crucial definir indicadores de impacto que possam apontar para os
resultados, e aferir, ou não, da eficácia da implementação das novas tecnologias na
aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos do 1.º ano.


                                                                                        1
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
UCP                                                                  Susana Alentejano


II. Redigir a(s) questão(ões) que guiarão a investigação.

Como podem as novas tecnologias influenciar o ensino/aprendizagem da leitura e da
escrita?

Porque podem as tecnologias de informação e comunicação contribuir para o
processo de aprendizagem da leitura e da escrita, bem como para uma mudança nas
estratégias de ensino-aprendizagem implementadas pelos professores?

Hipóteses: As novas tecnologias facilitam a aprendizagem da leitura e da escrita.

          A utilização das tecnologias de informação motivam as crianças para a
           aprendizagem da leitura e da escrita.

III. Metodologia(s) a privilegiar.

O problema em estudo insere-se no âmbito educativo, sendo este um campo
propício à adopção de metodologias qualitativas devido à natureza singular dos
fenómenos, à complexidade envolvida e às múltiplas interacções que proporciona
entre os diferentes participantes nos ambientes naturais em que se desenvolve.
Dado, também, que as questões colocadas apontam para um objecto de estudo que
abrange preferencialmente uma natureza descritiva e interpretativa, a metodologia
qualitativa é mais adequada, pois segundo Bogdan e Biklen (1994) consideram a
abordagem qualitativa como uma metodologia de investigação que enfatiza a
descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais.

Ao optar pela pesquisa qualitativa e envolvendo a obtenção de dados descritivos,
será dada mais relevância ao processo do que ao produto, havendo preocupação em
retratar a perspectiva dos participantes. Além disso, Bogdan e Biklen (1994)
identificam características que uma investigação qualitativa poderá possuir:
(a) o ambiente natural é a fonte directa dos dados, constituindo o investigador o
instrumento principal;
(b) os dados recolhidos são na sua essência descritivos;
(c) os investigadores qualitativos interessam-se mais pelos processos do que pelos
resultados ou produtos;
(d) os investigadores qualitativos tendem a analisar os dados de forma indutiva;
(e) é dada especial importância ao ponto de vista dos participantes.

O método de investigação a adoptar será o estudo de caso pois tal como Macnealy
(1997) refere deve ser usado quando existe necessidade de explorar uma situação
que não está bem definida. Tendo em conta, também, que as questões que guiarão a
                                                                                         2
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
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investigação têm como perguntas centrais "como" e "porquê", Yin (1994) refere
também que o método referenciado anteriormente é o mais indicado pois permite
responder às questões explorando, descrevendo ou explicando o assunto.

Segundo Guba & Lincoln (1994) o objectivo do estudo de caso adequa-se a esta
investigação pois pretende-se relatar os factos como sucederam, descrever situações
ou factos, proporcionar conhecimento acerca do fenómeno estudado e comprovar
ou contrastar efeitos e relações presentes no caso.



IV. Campo onde irá desenvolver a investigação.

De acordo com Fernandes (1991) na investigação qualitativa não há, em geral,
qualquer preocupação com a dimensão das amostras nem com a generalização de
resultados. Almeida e Freire (2008, p.123) referem, também, que quando não se tem
como objectivo abarcar as características de uma população ou generalização de
resultados recorre-se muitas vezes ao estudo de grupos e não de amostras.

Bravo (1998) refere que num estudo de caso a escolha da amostra adquire um
sentido muito particular, apesar da selecção da amostra ser extremamente
importante, no entanto, Stake (1995) adverte que a investigação, num estudo de
caso, não é baseada em amostragem.

Desta forma, a investigação focar-se-á numa escola localizada no concelho de Loures
em que a população do estudo compreende uma turma com cerca de 25 alunos do
1.º ano - 1º Ciclo do Ensino Básico.



V. Técnicas de recolha de dados a privilegiar.

Os instrumentos de recolha de dados que irei privilegiar neste estudo centrar-se-ão
em entrevistas, diário de bordo, observação participante, bem como registos áudio,
vídeo e fotográficos, estudos de campo, conversas informais e ainda as produções
dos alunos. Pretende-se recolher informação a partir de múltiplas fontes, que
permitam realizar a triangulação de dados (Bogdan e Biklen, 1994).
As entrevistas serão utilizadas com o propósito de proporcionar o contacto directo
com os sujeitos, na tentativa de “explorar determinadas ideias, testar respostas,
investigar motivos e sentimentos” (Bell, 2004: 137). Preferencialmente irão ser
aplicadas entrevistas do tipo semi-estruturadas ou, como designa Bell (p.141,
ibidem), “entrevista guiada ou focalizada” em que um conjunto de tópicos principais
                                                                                      3
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
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a serem indagados foi estabelecido num guião previamente estabelecido (Bodgan e
Biklen, 1994), sujeito a sofrer alterações, de forma que, seguindo um percurso
escolhido, se dará liberdade aos entrevistados para exprimir as suas opiniões sobre o
assunto em estudo (Bell, 2004: 141).

Os dados resultantes da observação participante, serão compilados num diário de
bordo que segundo Bogdan e Biklen (1994) constitui um dos principais instrumentos
do estudo de caso na medida em que tem como objectivo ser um instrumento em
que o investigador vai registando as notas retiradas das suas observações no campo.
Os mesmos autores referem que essas notas são “o relato escrito daquilo que o
investigador ouve, vê, experiência e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre
os dados de um estudo qualitativo”(p.150, ibidem). O diário de bordo representa,
não só, uma fonte importante de dados, mas também pode apoiar o investigador a
acompanhar o desenvolvimento do estudo e será também um suplemento
importante a outros métodos de recolha de dados que irão ser utilizados (Bogdan e
Biklen, 1994).



VI. Técnicas de análise de dados.

Conforme o descrito no Ponto III - Metodologias a privilegiar e tendo em conta as
técnicas de recolha de dados referidas no ponto anterior, irei centrar-me na técnica
da análise de conteúdo. Denscombe (1998) caracteriza genericamente este
instrumento como um recurso que ajuda o investigador a analisar o conteúdo de
documentos, podendo ser aplicado em qualquer conteúdo de comunicação,
reproduzida através de escrita, som ou imagem.

Com base nos autores Bardin (2004) e Carmo & Ferreira (1998) a Análise de
Conteúdo deve ser realizada através de uma série de etapas:
     (i). Definição de categorias para separar os dados observáveis;
     (ii). Definição de unidades de análise;
     (iii). Distribuição das unidades de análise pelas categorias anteriormente
           estabelecidas;
     (iv). Interpretação dos resultados obtidos nas perspectivas qualitativas.

A análise de conteúdo apresenta-se como uma técnica muito útil para analisar os
dados das entrevistas e observações realizadas. Segundo Fraenkel & Wallen (2008), a
principal vantagem da análise de conteúdo é a inexistência de intromissão. Como o

                                                                                        4
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
UCP                                                                Susana Alentejano



investigador interage com materiais (documentos, som, imagem), pode “observar”
sem ser observado pois não há influência da presença do investigador. A informação
que pode ser difícil, ou mesmo impossível de se obter através de observação, pode
ser analisada sem que o seu autor tenha consciência de que esteja a ser analisado.



VII. Fases da investigação e sua distribuição ao longo do tempo.
A investigação que pretendo desenvolver realizar-se-á no ano lectivo 2011/2012,
estando previstas as seguintes fases, de acordo com Quivy & Campenhoudt (1988):
Fase 1 - Pesquisa / Planeamento / Enquadramento
Leitura de textos, selecção e resumo de textos apontados na bibliografia e de textos
de enquadramento/historial a incorporar no trabalho.
Planeamento detalhado do estudo a realizar.

Fase 2 – Entrevistas exploratórias a interlocutores privilegiados
Realização de entrevistas a docentes, investigadores e peritos no domínio da
investigação (pessoas que conhecem o tema e que têm experiência de investigação),
visando a melhoria da investigação e das leituras, bem como a identificação de
conceitos e possíveis indicadores de análise.

Fase 3 - Análise e problematização dos dados recolhidos
Fazer o balanço das entrevistas e elucidar as problemáticas possíveis, definição da
problemática do estudo com vista a uma possível reformulação das perguntas de
partida.

Fase 4 - Construção do modelo de análise
Construção das hipóteses e do modelo, precisando as relações entre os conceitos, as
suas dimensões e indicadores.
Nesta etapa procurar-se-á construir os instrumentos de observação capazes de
fornecer as informações adequadas para testar as hipóteses de partida, como por
exemplo guiões de entrevista, questionários, grelhas de observação, etc.

Fase 5 - Observação e recolha de dados
Antes de se efectuar a recolha de dados, os instrumentos de observação serão
testados de modo a assegurar a sua fiabilidade, grau de adequação e de precisão.
Depois deste passo inicial proceder-se-á à recolha das informações.




                                                                                       5
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
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Fase 6 - Análise e tratamento de dados
Nesta etapa procurar-se-á descrever, preparar os dados para a análise de conteúdo e
medir as relações entre as variáveis.
Efectuar-se-ão comparações dos resultados esperados com os resultados
observados, procurando-se um significado para as possíveis divergências.

Fase 7 – Redacção da dissertação
Redacção da dissertação incluindo possíveis reformulações e conclusões.

Fase 8 – Conclusões e recomendações
Elaboração das conclusões, apresentação dos resultados e das possíveis
recomendações, pondo em evidência os novos conhecimentos e as consequências
práticas.



Proposta de Cronograma

                                          2011                                 2012

             Fases                 Set   Out   Nov   Dez   Jan   Fev   Mar   Abr   Mai   Jun   Jul     Ago

1 - Pesquisa/ planeamento/
    Enquadramento
2 – Entrevistas exploratórias a
    interlocutores privilegiados
3 -Análise e problematização dos
    dados recolhidos
4 -Construção do modelo de
   análise
5 - Observação e recolha de
    dados

6 -Análise e tratamento de dados


7 - Redacção da dissertação


8 - Conclusões e recomendações



A entrega do Projecto de Investigação será feita até 31 de Janeiro de 2012.




                                                                                                       6
Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011
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VIII. Referências bibliográficas

Almeida, L., Freire, T. (2008). Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação.
5.ª Edição, Psiquilíbrios Edições, Braga.

Bardin (2004). Análise de Conteúdo. 3ª Ed. Lisboa: Edições 70.

Bell, J. (2004). Como realizar um projecto de investigação. 3.ª Edição. Lisboa: Gravida.
Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação. Uma
    Introdução à Teoria e aos Métodos. Colecção Ciências da Educação. Porto: Porto
    Editora.
Bravo, Mª Pilar Colás; Eisman, Leonor Buendia (1998). Investigación Educativa, 3ª Ed.
     Sevilha: Ediciones Alfar.

Carmo, H., Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação: Guia para auto-
     aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.

Denscombe, M. (1998). The Good Research Guide for small-scale social research
    projects. Philadelphia: Open University press. Consultado em 26-03-2011 de:
    www.valsci-edu.weebly.com/uploads/2/7/9/1/.../the_good_research_guide.pdf

Fernandes, Domingos (1991). Notas sobre os paradigmas de investigação em
     educação. Noesis (18) 64-66. Consultado em 26-03-2011 de:
     www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi2/Fernandes.pdf

Fraenkel, J., Wallen, N. (2008). How to Design and Evaluate Research in Education.
     7th Ed. New York: McGraw-Hill International Edition.

Guba, Egon, Lincoln, Yvonna (1994). Competing paradigms in qualitative research In
    Denzin, Norman; Lincoln, Yvonna (Ed) (1994) Handbook of Qualitative Research,
    Thousand Oaks, CA: Sage Publications, pp. 105-117.

Lagarto, J., Andrade, A. (2010). A Escola XXI : Aprender com TIC. Universidade Católica
     Editora, Lisboa.
Macnealy, M. S. (1997). Toward better case study research. IEEE Transactions on
    professional Communication, v. 40, n. 3, p. 182-195. Consultado em 26-03-2011
    de: www.faculty.english.ttu.edu/rickly/5363/Better%20Case%20Studies.pdf
Quivy, R., Campenhoudt, L. (1988). Manual de Investigação em Ciências Sociais.
     Lisboa: Gradiva.
Stake, Robert E (1995). The Art of Case Study Research. Thousand Oaks, CA: Sage
     Publications.
Yin, Robert (1994). Case Study Research: Design and Methods (2ª Ed) Thousand Oaks,
      CA: Sage Publications.
                                                                                          7

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Projecto de investigação simplificado susana a.

  • 1. UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA Metodologias de Investigação em Educação Elaboração da proposta de projecto de investigação “A utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita” Mestrado em Ciências de Educação – Especialização em Informática Educacional Mestranda: Susana Fernandes Alentejano Março de 2011
  • 2. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano Proposta de projecto de investigação 0. Escolher um domínio e dentro deste domínio um assunto. Domínio: A utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita. Assunto: A eficácia da utilização das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos do 1.º ano. É pertinente e urgente compreender o papel e as mudanças que as novas tecnologias proporcionadas pelo computador imprimem no meio educativo no âmbito da aprendizagem da leitura e da escrita. Existem também poucas investigações científicas neste domínio, motivo que torna esta investigação relevante e pertinente. I. Definir a problemática ou problema(s) em estudo. Considera-se como objectivo de partida para este trabalho, tentar perceber como as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) podem influenciar a aprendizagem da leitura e da escrita, nomeadamente aprofundar estudos para apurar o potencial das novas tecnologias de informação e comunicação. Tem sido visível nas últimas décadas um crescente avanço tecnológico e a Educação está integrada nesse processo de informação e construção do conhecimento, não se pode ignorar os recursos media. É importante que os docentes reflictam nas diversas possibilidades de mudança. Segundo Lagarto (2007) caminhamos, cada vez mais, para a designada “Sociedade de Informação” sendo esta “uma sociedade onde a produção e o acesso à informação e ao tratamento e utilização se democratizou e facilitou de um modo nunca antes imaginado”. Deste modo, o projecto de estudo deverá procurar ser capaz de contemplar uma leitura de como a aprendizagem da leitura e da escrita tem sido implementada nos últimos anos. Abordar-se-ão os resultados da implementação de um método diferente de leitura e de escrita do usado anteriormente, desta vez com recurso às novas tecnologias, bem como deverá ser apreciado o grau de satisfação dos alunos face às novas metodologias utilizadas. Por último, será crucial definir indicadores de impacto que possam apontar para os resultados, e aferir, ou não, da eficácia da implementação das novas tecnologias na aprendizagem da leitura e da escrita dos alunos do 1.º ano. 1
  • 3. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano II. Redigir a(s) questão(ões) que guiarão a investigação. Como podem as novas tecnologias influenciar o ensino/aprendizagem da leitura e da escrita? Porque podem as tecnologias de informação e comunicação contribuir para o processo de aprendizagem da leitura e da escrita, bem como para uma mudança nas estratégias de ensino-aprendizagem implementadas pelos professores? Hipóteses: As novas tecnologias facilitam a aprendizagem da leitura e da escrita. A utilização das tecnologias de informação motivam as crianças para a aprendizagem da leitura e da escrita. III. Metodologia(s) a privilegiar. O problema em estudo insere-se no âmbito educativo, sendo este um campo propício à adopção de metodologias qualitativas devido à natureza singular dos fenómenos, à complexidade envolvida e às múltiplas interacções que proporciona entre os diferentes participantes nos ambientes naturais em que se desenvolve. Dado, também, que as questões colocadas apontam para um objecto de estudo que abrange preferencialmente uma natureza descritiva e interpretativa, a metodologia qualitativa é mais adequada, pois segundo Bogdan e Biklen (1994) consideram a abordagem qualitativa como uma metodologia de investigação que enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais. Ao optar pela pesquisa qualitativa e envolvendo a obtenção de dados descritivos, será dada mais relevância ao processo do que ao produto, havendo preocupação em retratar a perspectiva dos participantes. Além disso, Bogdan e Biklen (1994) identificam características que uma investigação qualitativa poderá possuir: (a) o ambiente natural é a fonte directa dos dados, constituindo o investigador o instrumento principal; (b) os dados recolhidos são na sua essência descritivos; (c) os investigadores qualitativos interessam-se mais pelos processos do que pelos resultados ou produtos; (d) os investigadores qualitativos tendem a analisar os dados de forma indutiva; (e) é dada especial importância ao ponto de vista dos participantes. O método de investigação a adoptar será o estudo de caso pois tal como Macnealy (1997) refere deve ser usado quando existe necessidade de explorar uma situação que não está bem definida. Tendo em conta, também, que as questões que guiarão a 2
  • 4. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano investigação têm como perguntas centrais "como" e "porquê", Yin (1994) refere também que o método referenciado anteriormente é o mais indicado pois permite responder às questões explorando, descrevendo ou explicando o assunto. Segundo Guba & Lincoln (1994) o objectivo do estudo de caso adequa-se a esta investigação pois pretende-se relatar os factos como sucederam, descrever situações ou factos, proporcionar conhecimento acerca do fenómeno estudado e comprovar ou contrastar efeitos e relações presentes no caso. IV. Campo onde irá desenvolver a investigação. De acordo com Fernandes (1991) na investigação qualitativa não há, em geral, qualquer preocupação com a dimensão das amostras nem com a generalização de resultados. Almeida e Freire (2008, p.123) referem, também, que quando não se tem como objectivo abarcar as características de uma população ou generalização de resultados recorre-se muitas vezes ao estudo de grupos e não de amostras. Bravo (1998) refere que num estudo de caso a escolha da amostra adquire um sentido muito particular, apesar da selecção da amostra ser extremamente importante, no entanto, Stake (1995) adverte que a investigação, num estudo de caso, não é baseada em amostragem. Desta forma, a investigação focar-se-á numa escola localizada no concelho de Loures em que a população do estudo compreende uma turma com cerca de 25 alunos do 1.º ano - 1º Ciclo do Ensino Básico. V. Técnicas de recolha de dados a privilegiar. Os instrumentos de recolha de dados que irei privilegiar neste estudo centrar-se-ão em entrevistas, diário de bordo, observação participante, bem como registos áudio, vídeo e fotográficos, estudos de campo, conversas informais e ainda as produções dos alunos. Pretende-se recolher informação a partir de múltiplas fontes, que permitam realizar a triangulação de dados (Bogdan e Biklen, 1994). As entrevistas serão utilizadas com o propósito de proporcionar o contacto directo com os sujeitos, na tentativa de “explorar determinadas ideias, testar respostas, investigar motivos e sentimentos” (Bell, 2004: 137). Preferencialmente irão ser aplicadas entrevistas do tipo semi-estruturadas ou, como designa Bell (p.141, ibidem), “entrevista guiada ou focalizada” em que um conjunto de tópicos principais 3
  • 5. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano a serem indagados foi estabelecido num guião previamente estabelecido (Bodgan e Biklen, 1994), sujeito a sofrer alterações, de forma que, seguindo um percurso escolhido, se dará liberdade aos entrevistados para exprimir as suas opiniões sobre o assunto em estudo (Bell, 2004: 141). Os dados resultantes da observação participante, serão compilados num diário de bordo que segundo Bogdan e Biklen (1994) constitui um dos principais instrumentos do estudo de caso na medida em que tem como objectivo ser um instrumento em que o investigador vai registando as notas retiradas das suas observações no campo. Os mesmos autores referem que essas notas são “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiência e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre os dados de um estudo qualitativo”(p.150, ibidem). O diário de bordo representa, não só, uma fonte importante de dados, mas também pode apoiar o investigador a acompanhar o desenvolvimento do estudo e será também um suplemento importante a outros métodos de recolha de dados que irão ser utilizados (Bogdan e Biklen, 1994). VI. Técnicas de análise de dados. Conforme o descrito no Ponto III - Metodologias a privilegiar e tendo em conta as técnicas de recolha de dados referidas no ponto anterior, irei centrar-me na técnica da análise de conteúdo. Denscombe (1998) caracteriza genericamente este instrumento como um recurso que ajuda o investigador a analisar o conteúdo de documentos, podendo ser aplicado em qualquer conteúdo de comunicação, reproduzida através de escrita, som ou imagem. Com base nos autores Bardin (2004) e Carmo & Ferreira (1998) a Análise de Conteúdo deve ser realizada através de uma série de etapas: (i). Definição de categorias para separar os dados observáveis; (ii). Definição de unidades de análise; (iii). Distribuição das unidades de análise pelas categorias anteriormente estabelecidas; (iv). Interpretação dos resultados obtidos nas perspectivas qualitativas. A análise de conteúdo apresenta-se como uma técnica muito útil para analisar os dados das entrevistas e observações realizadas. Segundo Fraenkel & Wallen (2008), a principal vantagem da análise de conteúdo é a inexistência de intromissão. Como o 4
  • 6. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano investigador interage com materiais (documentos, som, imagem), pode “observar” sem ser observado pois não há influência da presença do investigador. A informação que pode ser difícil, ou mesmo impossível de se obter através de observação, pode ser analisada sem que o seu autor tenha consciência de que esteja a ser analisado. VII. Fases da investigação e sua distribuição ao longo do tempo. A investigação que pretendo desenvolver realizar-se-á no ano lectivo 2011/2012, estando previstas as seguintes fases, de acordo com Quivy & Campenhoudt (1988): Fase 1 - Pesquisa / Planeamento / Enquadramento Leitura de textos, selecção e resumo de textos apontados na bibliografia e de textos de enquadramento/historial a incorporar no trabalho. Planeamento detalhado do estudo a realizar. Fase 2 – Entrevistas exploratórias a interlocutores privilegiados Realização de entrevistas a docentes, investigadores e peritos no domínio da investigação (pessoas que conhecem o tema e que têm experiência de investigação), visando a melhoria da investigação e das leituras, bem como a identificação de conceitos e possíveis indicadores de análise. Fase 3 - Análise e problematização dos dados recolhidos Fazer o balanço das entrevistas e elucidar as problemáticas possíveis, definição da problemática do estudo com vista a uma possível reformulação das perguntas de partida. Fase 4 - Construção do modelo de análise Construção das hipóteses e do modelo, precisando as relações entre os conceitos, as suas dimensões e indicadores. Nesta etapa procurar-se-á construir os instrumentos de observação capazes de fornecer as informações adequadas para testar as hipóteses de partida, como por exemplo guiões de entrevista, questionários, grelhas de observação, etc. Fase 5 - Observação e recolha de dados Antes de se efectuar a recolha de dados, os instrumentos de observação serão testados de modo a assegurar a sua fiabilidade, grau de adequação e de precisão. Depois deste passo inicial proceder-se-á à recolha das informações. 5
  • 7. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano Fase 6 - Análise e tratamento de dados Nesta etapa procurar-se-á descrever, preparar os dados para a análise de conteúdo e medir as relações entre as variáveis. Efectuar-se-ão comparações dos resultados esperados com os resultados observados, procurando-se um significado para as possíveis divergências. Fase 7 – Redacção da dissertação Redacção da dissertação incluindo possíveis reformulações e conclusões. Fase 8 – Conclusões e recomendações Elaboração das conclusões, apresentação dos resultados e das possíveis recomendações, pondo em evidência os novos conhecimentos e as consequências práticas. Proposta de Cronograma 2011 2012 Fases Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago 1 - Pesquisa/ planeamento/ Enquadramento 2 – Entrevistas exploratórias a interlocutores privilegiados 3 -Análise e problematização dos dados recolhidos 4 -Construção do modelo de análise 5 - Observação e recolha de dados 6 -Análise e tratamento de dados 7 - Redacção da dissertação 8 - Conclusões e recomendações A entrega do Projecto de Investigação será feita até 31 de Janeiro de 2012. 6
  • 8. Metodologias de Investigação em Educação- Março de 2011 UCP Susana Alentejano VIII. Referências bibliográficas Almeida, L., Freire, T. (2008). Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação. 5.ª Edição, Psiquilíbrios Edições, Braga. Bardin (2004). Análise de Conteúdo. 3ª Ed. Lisboa: Edições 70. Bell, J. (2004). Como realizar um projecto de investigação. 3.ª Edição. Lisboa: Gravida. Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em Educação. Uma Introdução à Teoria e aos Métodos. Colecção Ciências da Educação. Porto: Porto Editora. Bravo, Mª Pilar Colás; Eisman, Leonor Buendia (1998). Investigación Educativa, 3ª Ed. Sevilha: Ediciones Alfar. Carmo, H., Ferreira, M. (1998). Metodologia da Investigação: Guia para auto- aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta. Denscombe, M. (1998). The Good Research Guide for small-scale social research projects. Philadelphia: Open University press. Consultado em 26-03-2011 de: www.valsci-edu.weebly.com/uploads/2/7/9/1/.../the_good_research_guide.pdf Fernandes, Domingos (1991). Notas sobre os paradigmas de investigação em educação. Noesis (18) 64-66. Consultado em 26-03-2011 de: www.educ.fc.ul.pt/docentes/ichagas/mi2/Fernandes.pdf Fraenkel, J., Wallen, N. (2008). How to Design and Evaluate Research in Education. 7th Ed. New York: McGraw-Hill International Edition. Guba, Egon, Lincoln, Yvonna (1994). Competing paradigms in qualitative research In Denzin, Norman; Lincoln, Yvonna (Ed) (1994) Handbook of Qualitative Research, Thousand Oaks, CA: Sage Publications, pp. 105-117. Lagarto, J., Andrade, A. (2010). A Escola XXI : Aprender com TIC. Universidade Católica Editora, Lisboa. Macnealy, M. S. (1997). Toward better case study research. IEEE Transactions on professional Communication, v. 40, n. 3, p. 182-195. Consultado em 26-03-2011 de: www.faculty.english.ttu.edu/rickly/5363/Better%20Case%20Studies.pdf Quivy, R., Campenhoudt, L. (1988). Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva. Stake, Robert E (1995). The Art of Case Study Research. Thousand Oaks, CA: Sage Publications. Yin, Robert (1994). Case Study Research: Design and Methods (2ª Ed) Thousand Oaks, CA: Sage Publications. 7