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revista educação 17
revista educação
v.14, n.1, 2019
DOI: 10.33947/1980-6469-v14n1-2846
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
A BUSINESS PEDAGOGY, CORPORATE EDUCATION AND MANAGEMENT OF PEOPLE
Valdec Romero Castelo Branco1
RESUMO
As profundas alterações no mundo empresarial vêm, concomitantemente, acompanhadas por uma intensa modi-
ficação nas atividades empresariais voltadas à educação corporativa, o que leva as empresas a destinarem maior
atenção e investimentos nessa área. O objetivo deste artigo é analisar a prática da atuação do pedagogo em-
presarial, a educação corporativa e a gestão de pessoas, visto que a empresa é um espaço educativo, portanto,
a pedagogia atua como agente promotora do alinhamento da educação corporativa às estratégias empresariais,
utilizando-se metodologias à busca de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, tendo como resultado final um
melhor aprimoramento, qualificação profissional e pessoal dos profissionais. A competitividade empresarial associa-
da a uma nova orientação pedagógica de ensino-aprendizagem corporativa é fundamentada no trabalho em equipe,
no inter-relacionamento pessoal, às competências gerenciais e capacidades cognitivas, formando um arcabouço
teórico-prático que poderá tornar a empresa mais competitiva.
PALAVRAS-CHAVE: A pedagogia Empresarial. Educação Corporativa. Gestão de Pessoas.
ABSTRACT
The profound changes in the business world are accompanied by an intense change in corporate activities aimed at
corporate education, which leads companies to focus more attention and investments in this area. The objective of
this article is to analyze the practice of the business education, corporate education and people management, since
the company is an educational space, therefore, pedagogy acts as an agent promoting the alignment of corporate
education with business strategies, using methodologies to search for new knowledge, skills and attitudes, resulting
in a better improvement, professional and personal qualification of professionals. The entrepreneurial competitive-
ness associated to a new pedagogical orientation of corporate teaching-learning is based on teamwork, personal
interpersonal relationships, managerial skills and cognitive skills, forming a theoretical-practical framework that can
make the company more competitive.
KEYWORDS: The Business Pedagogy. Corporative Education. People Management.
1
Professor universitário há 27 anos, formado em administração de empresas; mestre em administração de empresas; mestre em educação,
administração e comunicação (multidisciplinar); pós-graduação Lato Sensu em Docência do Ensino-Superior. Ministro, desde 1995,
palestras, cursos, treinamentos, seminários, workshops, cursos in company etc.; Projeto e implementação de Gestão de Pessoas Baseada
em Competências; - Projetos na Área de Recrutamento e Seleção (R&S); Comunicação Verbal: técnicas para apresentação em público,
apresentações criativas; comunicação assertiva; como conduzir reuniões produtivas etc.; Performance in Company (customização de
treinamentos, workshops, palestras). Leciono disciplinas ligadas as áreas de Administração (RH; Marketing; Logística), Ciências Contábeis;
Ciências Econômicas: Introdução à Economia; Macro e Microeconomia, Economia Brasileira; Comércio Exterior; Gestão de Negócios; Plano
de Negócios; Empreendedorismo; TGA; Gestão de Pessoas; Gestão Por Competência; Consultoria Interna de RH; Estratégia Corporativa;
Fundamentos de Comunicação e Marketing; entre outras. Ex-Coordenador do Curso de Administração das Faculdades Integradas de Ciências
Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos. Ex-Coordenador do Departamento Pentágono Carreira - Faculdade Pentágono Unidade Centro -
Santo André/SP. Ex-Coordenador do Departamento de Administração na UNIBAN (Universidade Bandeirante) Campus ABC - São Bernardo do
Campo/SP. Ex-coordenador do Departamento de Economia do UNIA (Centro Universitário de Santo-André) - Santo André/SP. Ex-sócio da Lume
Recursos Humanos, empresa especializada em mão de obra temporária e efetiva, terceirização, cursos, palestras, etc. Algumas empresas
públicas e privadas onde foram desenvolvidas palestras, workshops, projetos, treinamentos etc.: ISOMEDICAL; INNOVIA Consultoria; GRUPO
GI SOFTWARE; AL2 Participações: Consultoria e Negócios; Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo (ACISBEC );
Associação Empresarial de Joinville (ACIJ); Enora Leaders Consultoria/CBTI (Cia Brasileira de Tecnologia Industrial); CETEA (Centro
Tecnológico de Embalagens/Campinas). profvaldec@uol.com.br
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revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
INTRODUÇÃO
As empresas que buscam um bom posiciona-
mento no cenário econômico atual devem enxergar na
educação corporativa uma vantagem competitiva em
relação aos seus concorrentes, para tanto, é necessá-
rio um ensino-aprendizagem diferenciado na organiza-
ção, isso requer a presença de um pedagogo empre-
sarial para conduzir um processo didático alinhado as
necessidades da empresa.
As profundas alterações no mundo empresarial
vêm, concomitantemente, acompanhadas por uma in-
tensa modificação nas atividades empresariais volta-
das à educação corporativa, o que leva as empresas a
destinarem maior atenção e investimentos nessa área,
mas com a utilização aquém do necessário do profis-
sional de pedagogia nesse processo.
O objetivo deste artigo é analisar a prática da
atuação do pedagogo empresarial, a educação cor-
porativa e a gestão de pessoas, visto que a empresa
é um espaço educativo, portanto, a pedagogia atua
como agente promotora do alinhamento da educação
corporativa às estratégias empresariais, utilizando-se
metodologias à busca de novos conhecimentos, habili-
dades e atitudes, tendo como resultado final um melhor
aprimoramento, qualificação profissional e pessoal.
Neste contexto, é possível observar que a peda-
gogia empresarial, a educação corporativa e a gestão
de pessoas são instrumentos que fazem parte de um
mesmo constructo, voltado a oferecer alternativas efi-
cazes e eficientes de gestão das organizações.
O objeto de pesquisa deste artigo procura inter
-relacionar o campo de atuação e a relação existente
entre a formação e a prática profissional do pedagogo
na empresa; o processo e a inserção da educação cor-
porativa à estratégica nas organizações; o projeto peda-
gógico; a educação corporativa e a gestão de pessoas.
Esses instrumentos podem ser condicionantes
de sucesso da empresa em relação à concorrência,
essa construção competitiva sugere que a gestão es-
tratégica de recursos humanos pode contribuir para a
obtenção de vantagem competitiva sustentável, por
meio do desenvolvimento de conhecimentos, compe-
tências e habilidades.
O plano de aprendizagem organizacional é
constituído por elementos e processos empresariais,
inter-relacionados ativamente por todos os setores da
empresa, isto implica em atividades de ensino-apren-
dizagem corporativa continuamente renováveis pela
dinâmica do mercado.
A formação das pessoas é acompanhada pelo
desenvolvimento de novos conhecimentos e, a partir
deles, gerar novas competências técnicas e compor-
tamentais que impliquem o conhecimento de novos
processos e novas tecnologias, permitindo, também,
o fortalecimento de atitudes éticas, humanizadoras e
solidárias, acima de tudo.
A competitividade empresarial associada a uma
nova orientação pedagógica de ensino-aprendizagem
corporativa é fundamentada no trabalho em equipe,
no inter-relacionamento pessoal, das competências
gerenciais e capacidades cognitivas, formando um ar-
cabouço teórico-prático que poderá tornar a empresa
mais competitiva.
A fundamentação teórica refere-se à compreen-
são da teoria, análise, reflexão, interpretação, compre-
ensão dos assuntos estudados, para tanto, o desen-
volvimento metodológico da pesquisa foi baseado em
campo teórico, exploratório bibliográfico, tomando como
base livros, artigos científicos, trabalhos acadêmicos,
revistas acadêmicas, entre outras fontes de consulta.
1. A PEDAGOGIA E O CAMPO DE ATUAÇÃO
Antes de tratarmos da atuação do pedagogo
empresarial, precisamos definir o que é pedagogia
e seu campo de atuação. Entende-se por Pedagogia
a ciência que tem como objetivo fundamental a re-
flexão, a ordenação, a sistematização e a crítica do
processo educativo.
A Pedagogia tem um campo de conhecimento
que se ocupa do estudo sistemático da educa-
ção, um conjunto das ações, processos, influ-
ências, estruturas, que intervém do desenvolvi-
mento humano dos indivíduos e grupos na sua
relação ativa com o meio natural e social, num
determinado contexto de relações entre grupos
e classes sociais. [ ] Partimos então da ideia
de que Pedagogia é uma área de conhecimento
que investiga a realidade educativa, no geral e
no particular. Mediante conhecimentos científi-
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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
cos, filosóficos e técnico-profissionais, ela busca
a explicitação de objetos e formas de interven-
ção metodológica e organizativa em instancias
da atividade educativa implicadas no processo
de transmissão/apropriação ativa de saberes e
modos de ação (NOGUEIRA, 2005, p. 15).
A reflexão está associada ao pensamento que
pode ser entendido como um processo mental que
permite as pessoas modelarem o mundo e com isso
lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com o
estabelecimento de suas metas, planos e desejos. O
pensamento pode ser considerado a expressão mais
viva do espírito humano, visto que, por meio de ima-
gens e ideias revela justamente a vontade deste.
Sendo assim, ao se tratar sobre a relação exis-
tente entre a formação e a prática do pedagogo no
ambiente corporativo, parte-se da reflexão sobre a
transposição dos referenciais teóricos do campo da di-
dática, à aplicação prática numa perspectiva reflexiva.
Para tanto, há a necessidade do pedagogo em-
presarial seja capaz de refletir sobre sua prática e di-
recioná-la segundo a realidade em que atua e estar
voltada aos interesses e às necessidades dos profis-
sionais, fundamentada na epistemologia da prática, na
prática reflexiva e na figura do pedagogo empresarial
pesquisador, compondo uma ação-reflexiva-ação.
[...] a pedagogia assume a função de provocar
mudanças no comportamento das pessoas, com
o objetivo de garantir que todos trabalhem com-
prometidos em busca dos mesmos ideais, ape-
sar das diferenças individuais. As mudanças são
fundamentais para que as pessoas e as organi-
zações não permaneçam estáticas diante de um
cenário que a cada dia traz novos obstáculos e
oportunidades (CLARO e TORRES, 2012, p. 4).
Esse pensamento baseia-se nos saberes peda-
gógicos, saberes específicos e as experiências. Não
se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na
prática pedagógica, mas, com certeza, haverá momen-
tos em que o pedagogo estará em situações conflitan-
tes e ele não deverá pautar-se apenas nos critérios
técnicos pré-estabelecidos.
Esse é um dilema enfrentado pelo pedagogo
empresarial, na maioria das vezes, é obrigado a pau-
tar-se apenas nos critérios técnicos e responder as
exigências pré-estabelecidas pela empresa.
A realidade educativa não se restringe apenas
ao ambiente escolar, as empresas em virtude das re-
centes transformações no cenário político, econômico
e empresarial, tornando-se necessário à inserção da
educação corporativa na empresa, tendo como eixo
norteador à formação dos profissionais, visto que a
nova realidade apresenta enormes e complexas difi-
culdades, não somente para as empresas, mas para
os profissionais que nela atuam.
A pedagogia empresarial, a educação corporati-
va e a gestão de pessoas estão intimamente ligadas à
interdisciplinaridade, um construto oriundo das raízes
práticas do ensino-aprendizagem, entendendo que a
postura interdisciplinar deve ser encarada como algo
a ser exercido, compartilhado, coletivo e integrando os
diversos saberes envolvidos.
A formação de uma postura interdisciplinar deve
englobar não apenas o desenvolvimento e a aquisição
de conhecimento, mas uma ação pedagógica capaz
de propiciar transformações mais amplas na empresa
e seus profissionais.
[...] No projeto interdisciplinar não se ensina,
nem se aprende: vive-se, exerce-se. A respon-
sabilidade individual é a marca do projeto in-
terdisciplinar, mas essa responsabilidade está
imbuída do envolvimento – envolvimento esse
que diz respeito ao projeto em si, às pessoas
e às instituições a ele pertencentes (FAZENDA,
2001, p. 17).
Na concepção de Japiassu (1976, p. 74) “A in-
terdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das
trocas entre os especialistas e pelo grau de integração
real das disciplinas no interior de um mesmo projeto
de pesquisa”.
Em relação à educação corporativa, o pedago-
go empresarial tem que desenvolver projetos interdis-
ciplinares que promovam novas percepções acerca do
conhecimento, entendendo que não se deve considerá
-los como algo determinado, estático e finalizado. Pelo
contrário, os projetos interdisciplinares devem reafir-
mar a integração e a compreensão da totalidade, mas
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v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
fazer e o pensar crítico sobre ele, num exercício
que mescla razão e paixão.
A educação passa a ser fator decisivo no pro-
cesso de transformação em curso e como agente de
mudança cabe a ela liderar um novo processo social
transformacional, capaz de oferecer respostas mais
eficientes e eficazes para as novas exigências inter-
nacionais.
A educação segundo Delors (2003, p. 89):
[ ] deve transmitir, de fato, de forma maciça efi-
caz, cada vez mais saberes e saber-fazer evo-
lutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois
são as bases das competências do futuro. [...]
À educação cabe fornecer, de algum modo, os
mapas de um mundo complexo e constante-
mente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola
que permite navegar através dele.
Ainda de acordo com Delors (2003 p. 89-90):
Para poder dar resposta ao conjunto das suas
missões, a educação deve organizar-se em tor-
no de quatro aprendizagens fundamentais que,
ao longo de toda vida, serão de algum modo
para cada indivíduo, os pilares do conhecimen-
to: aprender a conhecer, isso é adquirir os ins-
trumentos da compreensão; aprender a fazer,
para poder agir sobre o meio envolvente; apren-
der a viver juntos, a fim de participar e cooperar
com os outros em todas as atividades humanas;
finalmente aprender a ser via essencial que inte-
gra as três precedentes. É claro que estas qua-
tro vias do saber constituem apenas uma, dado
que existem entre elas múltiplos pontos de con-
tato, de relacionamento e permuta.
Outro fato que deve ser destacado é o papel
da educação, tanto na contribuição à geração de no-
vas tecnologias, por meio da pesquisa e da inovação,
quanto como instrumento de aprendizado e assimila-
ção dessas novas tecnologias. Na empresa essa dinâ-
mica é o que nos permite avaliar o valor das mudanças
no sistema produtivo, tendo em conta a abordagem
técnico-funcional da educação.
A qualidade na educação, seja ela na escola
capazes, ao mesmo tempo, em respeitar a autonomia
e a individualidade dos profissionais neles inseridos.
2 EDUCAÇÃO E O PROCESSO EDUCATIVO
A educação tem como finalidade a instrumentali-
zação do homem (a prática), bem como a instrumenta-
lização filosófica (a teoria), capacitando-o a agir sobre
o mundo e a época em que vive e, simultaneamente,
abrigar em si a compreensão à ação exercida.
Para Sá (2008, p. 1) etimologicamente, a palavra:
[ ]...educar origina-se do latim ec-ducere que
significa eduzir. No alemão, corresponde à pala-
vra erziehen, formada por ziehen, que significa
puxar, arrancar; e pelo prefixo er que denota um
movimento completo para fora. Logo, educar é
trazer para fora, é extrair de uma pessoa algo
que a torne transformada. É, de certo, também,
uma ação interativa e dialética realizada entre
as pessoas que atuam na sociedade e nela es-
tão imersas. Bem assim, educação é o processo
que renova uma pessoa, extraindo-lhe ou liber-
tando-lhe suas potencialidades criadoras. Ou
como diria Paulo Freire em Pedagogia do Opri-
mido: “os homens se educam entre si, mediati-
zados pelo mundo”.
A educação para Rios (2002, p. 17) está ligada
ao ato de fazer aulas com alegria e paixão:
Uma das coisas que realizo com maior alegria
é ensinar, fazer aulas. Gosto das aulas tanto
quanto gosto daquilo que ensino. Fui escolhen-
do devagar o meu ofício e hoje tenho certeza
de que não poderia fazer escolha melhor. Pode
soar romântico este testemunho, quando se
considera a situação em que vivem os professo-
res no Brasil. Não penso que sou uma exceção,
um caso raro. Não deixo de enfrentar limites, de
querer de vez em quando ‘largar tudo’, de ver às
vezes a esperança se afastar. Entretanto, é no
próprio espaço do trabalho que ‘esperanço’ de
novo, que retorno com vigor a luta, que encontro
possibilidades e alternativas. Auxiliam-me nesse
movimento a prática e a reflexão sobre ela, o
revista educação 21
revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
prática de educação, é o estudo do ensino em
situação, ou seja, no qual a aprendizagem e a
intencionalidade almejada, no qual os sujeitos
imediatamente envolvidos (professor e aluno)
e suas ações (o trabalho com o conhecimento)
são estudados nas suas determinações históri-
co-sociais.
Os fatores sociais, políticos e econômicos deter-
minam e influenciam o processo educativo. Esse pro-
cesso é definido de acordo com seu contexto histórico-
social, partindo dos esquemas educativos primários,
nas relações que o indivíduo adquire antes mesmo de
iniciar sua escolarização, passando pelo modo como a
educação escolar se inicia e, finalmente, como ela se
processa.
O pedagogo, por meio de um arcabouço teóri-
co-prático, está apto para atuar junto às empresas de
diversos ramos de atividade, seja ela privada ou públi-
ca, isso permite atuar de forma adequada na educação
corporativa auxiliando os processos de seleção, trei-
namento e o contínuo aperfeiçoamento na preparação
dos profissionais da organização.
O pedagogo ao atuar no mundo corporativo,
acima de tudo, precisa ter uma visão pluralista, reco-
nhecendo aspectos particulares de cada profissional e
as diversas formas da cognição, reconhecendo tam-
bém que as pessoas têm capacidades distintas para
adquirir conhecimentos e estilos diferentes de apren-
dizagem. Ele precisa entender que só a exposição, a
cobrança e a recompensa é um processo desassocia-
do da realidade. Logo, o espaço corporativo tornar-se
laboratório de ideias, onde o debate e a negociação
deve ser uma constante, representando a realidade.
Ao longo de séculos, os conhecimentos exis-
tentes vêm sendo difundidos por meio da educação,
incorporando-se novas parcelas de inovações tecnoló-
gicas. A acelerada capacidade na geração de conheci-
mentos à disposição do homem leva à necessidade de
enormes investimentos nos recursos humanos.
Pode-se caracterizar como “investimentos não
-materiais” os imensos investimentos na capacitação
dos recursos humanos da nação, neste contexto, a
educação, mais do que nunca, surge com uma força
potencial de transformação. (ARANHA, 1996, p. 23),
neste sentido as empresas buscam diariamente for-
ou na empresa, é fundamental. Neste sentido, Mello
(2008) tece considerações sobre a aprendizagem e a
qualidade do ensino:
[...] que ninguém facilita o desenvolvimento da-
quilo que não teve oportunidade de aprimorar
em si mesmo. Ninguém promove a aprendiza-
gem daquilo que não domina, ou seja, a cons-
tituição de significados que não compreende e
nem a autonomia que não pôde construir. Essas
são questões que podem explicar a qualidade
do ensino.
Não há dúvida que as transformações contem-
porâneas contribuíram para consolidar o entendimento
da educação como fenômeno que ocorre em vários
espaços, institucionalizado ou não, sob várias moda-
lidades. Nesse contexto, os pedagogos têm um papel
fundamental na articulação entre espaços educativos,
ensino e aprendizagem.
Quem ensina, ensina algo a alguém. O ensino
se caracteriza, portanto, como uma ação que se
articula à aprendizagem. Na verdade, é impos-
sível falar de ensino desvinculado de aprendi-
zagem. [ ] Se pensarmos o ensino como gesto
de socialização – construção e reconstrução –
de conhecimentos e valores, temos que afirmar
que ele ganha significado apenas na articulação
– dialética – com o processo de aprendizagem
(RIOS, 2003, p. 53):
Outro fator importante a se destacar é o proces-
so educativo corporativo que engloba o ensino-apren-
dizagem corporativo e todos os seus aspectos teóricos
e práticos, como: o processo de aprendizagem, os mé-
todos de ensino, o sistema de avaliação da aprendiza-
gem e o sistema educacional como um todo.
O processo educativo está intimamente ligado a
epistemologia da prática, seja na escola ou na empre-
sa e, segundo Pimenta (1996, p. 62-63):
[...] uma área de estudos da Ciência da Educa-
ção (Pedagogia), que, assim com esta, possui
um caráter prático (práxis). Seu objeto de estudo
específico é a problemática de ensino, enquanto
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revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
A conjuntura econômica atual impõe as empre-
sas uma nova realidade na formação dos recursos
humanos na empresa, exigindo a contratação de pro-
fissionais qualificados na área de educação de modo
a garantir resultados, soluções viáveis, rapidez e efici-
ência no processo educativo corporativo.
A área de atuação da pedagogia, nos últimos
anos, ultrapassou as fronteiras da docência, em virtude
das reformulações curriculares efetuadas nos últimos
anos nos cursos de formação em pedagogia. Isso per-
mitiu a atuação mais efetiva do pedagogo nas organi-
zações, principalmente na área de Recursos Humanos.
3. A EDUCAÇÃO CORPORATIVA
A educação corporativa tem uma instrumentali-
zação relacionada à prática, mas também é salutar a
utilização de uma instrumentalização filosófica pauta-
da pela teoria, capacitando os profissionais a agirem
sobre o mundo e a época em que vivem e, simulta-
neamente, abrigar em si a compreensão e apreensão
daquilo que aprende.
As empresas reconhecem a necessidade da
formação geral e continuada dos profissionais como
requisito para enfrentar a velocidade das intensas
transformações e inovações tecnológicas; os novos
sistemas de organização do trabalho; a alteração do
perfil profissional e as novas exigências impostas pelo
atual cenário internacionalizado.
Em relação a educação corporativa Colba-
ri (2007) diz que, diante das mudanças no universo
produtivo, como a “desmaterialização” do trabalho,
que transformou o conhecimento em instrumento para
concorrência nos mercados, ainda há uma exigência
mais desafiadora, que vai além da aquisição do co-
nhecimento técnico e instrumental: a implantação de
metodologias educacionais que acrescentem ao traba-
lhador o desenvolvimento de atitudes, posturas e habi-
lidade. (LUZ e FROM, 2016, p. 5).
Neste sentido a educação corporativa pode ser
entendida como uma transformação e evolução da
área de treinamento e desenvolvimento, pautada por
ações que objetivam o incremento de um processo
contínuo, organizado e estruturado de ensino-apren-
dizagem relacionado aos objetivos estratégicos da or-
ganização.
mas eficazes à qualificação de seus profissionais.
O processo humano de compreensão-ação é,
intrinsecamente, uma dinâmica que se lança continua-
mente diante da própria consciência de sua ação. Mas,
a ação, puramente consciente da ação, não realiza em
si uma práxis. A consciência-práxis é aquela que age
orientada por uma dada teoria e tem consciência de tal
orientação. Teoria e prática são processos indissociá-
veis.2
Essa práxis deve ser estendida também à práti-
ca educativa corporativa.
A contribuição da pedagogia na empresa está li-
gada a um conjunto de estratégias e metodologias que
garantam um ensino-aprendizagem voltado à apro-
priação de conhecimentos, transformando-os em com-
petências e habilidades que atendam às necessidades
da empresa e dos profissionais nela inseridos.
Há um contraponto em relação a contribuição da
pedagogia e o papel do pedagogo empresarial como
relata Claro e Torres (2012, p. 3):
O mercado desconhece a importância deste
profissional no contexto empresarial e as univer-
sidades não ofertam uma formação adequada
àqueles que desejam atuar nessa área, ressal-
tam Trevisan e Lameira (2003). A consciência
que vem se desenvolvendo sobre a importância
do Pedagogo nas empresas ganha força graças
ao novo contexto de intensa competitividade
global que levou as empresas a adaptarem suas
estruturas e seus modelos de gestão, fican-
do mais enxutas, flexíveis, delegando maiores
responsabilidades aos colaboradores e, con-
sequentemente, tendo de aumentar o leque de
competências individuais e organizacionais para
sobreviver no mercado.
A ação pedagógica na empresa está ligada à
implementação de projetos destinados a programas
de qualificação, requalificação profissional, produção
e construção de novos saberes, estruturação do se-
tor de treinamento e desenvolvimento, adequação
de métodos de informação e comunicação para as
práticas de ensino e aprendizagem.
2
GHEDIN, Evandro Luiz. Professor-reflexivo: da alienação da
técnica à autonomia da crítica. Disponível em http://www.anped.
org.br/reunioes/24/po80776477255.doc. Acessado em 24/10/2007
revista educação 23
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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
A apreensão de novos conhecimentos, por meio
da aprendizagem conduzida ou autodesenvolvida é o
que nos tornam capazes de construir e reconstruir me-
tas, objetivos, motivar e colocar tudo isso a favor de si
e da empresa.
O Pedagogo Empresarial deve ser um profis-
sional com um perfil especialista/generalista,
desenvolvendo uma visão abrangente e crítica
da educação inserida no mundo do trabalho. Es-
pecialista no sentido de dominar as técnicas e
os métodos que facilitam o processo de ensino
aprendizagem dentro das organizações. Gene-
ralista no sentido de compreender o contexto no
qual esta educação está ocorrendo, quais são
os objetivos do negócio e quais as peculiarida-
des da empresa em que trabalha. Este tipo de
perfil contribui para a construção de uma visão
sistêmica, que é a capacidade de enxergar as
partes relacionadas ao todo, permitindo ao Pe-
dagogo auxiliar os colaboradores como indiví-
duos e como equipes, que trabalham em torno
dos mesmos ideais, apesar de suas diferenças
individuais (CLARO E TORRES, 2012, p. 9).
Num projeto pedagógico empresarial a troca de
experiências vale muito quando se trata de capacita-
ção e qualificação, renovação dos conhecimentos e
das ideias a serem compartilhadas, porque todas elas
podem ser potencialmente educativas ou não, depen-
derá do profissional que estiver à frente desse projeto.
5. O PAPEL DO PEDAGOGO EMPRESARIAL
O pedagogo, seja na escola ou na empresa, lida
com educação, para tanto, sua atuação exerce forte
impacto sobre as pessoas e processos, entendendo
que o papel do pedagogo não é outro, mas sim, como
agente efetivo e afetivo no processo de ensino-apren-
dizagem, não sendo apenas um transmissor de conte-
údo, mas acima de tudo, um facilitador, transformador
e inovador nas vidas das pessoas.
O atual contexto competitivo internacionalizado
obriga as empresas a adaptarem-se às exigências do
mercado, isto requer uma nova abordagem em relação
a capacitação dos profissionais, visto que as empresas
A educação corporativa proporciona um modelo
de ensino-aprendizagem com caráter abrangente na
formação e desenvolvimento dos profissionais, por
meio das “diversificadas ações educativas e atividades
relacionadas à gestão do conhecimento” (LUZ; FROM,
2016, p. 6).
A utilização da educação corporativa tem um
caráter estratégico à organização, visto que contribui
significativamente a formação profissional, além de
permitirem a obtenção de melhores resultados ope-
racionais e financeiros, compreendendo que a prática
educativa corporativa treina, desenvolve e estimula
os profissionais à aquisição de novas competências e
habilidades, alinhados aos objetivos organizacionais,
além de prepará-los para atuarem em um ambiente
organizacional em constate mudança e extremamente
competitivo.
4. A PEDAGOGIA EMPRESARIAL
A pedagogia empresarial está ligada ao desen-
volvimento da aprendizagem significativa dentro das
empresas, deste modo, contribui à formação e capa-
citação dos profissionais nela inseridos, aprofundando
os conhecimentos que já possuem, bem como, à aqui-
sição de novas competências e habilidades.
Para tanto, há a necessidade do pedagogo em-
presarial seja capaz de refletir sobre sua prática e di-
recioná-la segundo a realidade em que atua e voltada
aos interesses da empresa e as necessidades dos pro-
fissionais, tendo como base o que é desenvolvido ou
praticado no seu cotidiano, a partir daí analisar a apli-
cação prática ou transposição didática dos referenciais
teóricos, numa perspectiva reflexiva.
A capacidade da empresa de adaptar-se às
exigências do mercado depende da forma como ela
estimula seus profissionais a buscar, refletir e aplicar
os conhecimentos. Paralelamente, amplia-se a per-
cepção de que as empresas dependem de seu capital
humano para inovar, e os aspectos intangíveis relacio-
nados à gestão de pessoas ganham cada vez mais
destaque. (CLARO e TORRES, 2012, p. 3)
A aprendizagem, a qualificação e o conhecimen-
to sejam no campo profissional ou não, devem tornar
os seres humanos melhores, livres e reflexivos, capa-
zes de transformar a realidade que os cerca.
revista educação 24
revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
trução do conhecimento, na complexa e variada
trama das relações dos homens com os outros
homens. Por fim, entendemos que o conhe-
cimento é histórico, construído pelos homens
através dos tempos, em uma luta incessante
pela apreensão do objeto, em um ‘longo e difí-
cil caminho da ignorância ao conhecimento’, em
um processo que, como a própria prática social,
vai do pensamento complexo ao pensamento
mais complexo (ALVES e GARCIA, 2006).
Essa afirmativa permite destacar a importância
do pedagogo empresarial dentro das organizações e,
os rumos que a pedagogia empresarial precisa assumir
frente a esse novo contexto competitivo internaciona-
lizado, mas ainda não é uma realidade nas empresas
no Brasil, visto que há uma dificuldade de encontrar
pedagogos atuando fora de ambientes escolares.
O pedagogo empresarial tem como eixo norte-
ador o desenvolvimento de projetos de aprendizagem
organizacional capaz de propor soluções de proble-
mas; a melhoria dos processos; a garantia da quali-
dade no atendimento a clientes; a promoção e a insta-
lação da cultura institucional da formação continuada
dos profissionais.
A tarefa do pedagogo empresarial é, entre outras,
a de ser o mediador e o articulador de ações edu-
cacionais na administração de informações dentro
do processo contínuo de mudanças e de gestão do
conhecimento. Gerenciar processos de mudança
exige novas posturas e novos valores organizacio-
nais, características fundamentais para empresas
que pretendem manter-se ativas e competitivas no
mercado. Dessa forma, o profissional da educa-
ção atua na área de Recursos Humanos direcio-
nando seus conhecimentos para os colaboradores
da empresa com o objetivo da melhoria de resulta-
dos coletivos, desenvolve projetos educacionais,
seleciona e planeja cursos de aperfeiçoamento e
capacitação, representa a empresa em negocia-
ções, convenções, simpósios, realiza palestras,
aporta novas tecnologias, pesquisa a utilização e
a implantação de novos processos, avalia desem-
penho e desenvolve projetos para o treinamento
dos funcionários (GRECO, 2005, p. 19).
dependem do capital humano para inovar e, estão di-
retamente relacionados à gestão de pessoas.
As severas alterações no mundo coorporativo
também modificaram as funções do pedagogo dentro
da organização, isto o levou a uma constante especia-
lização em virtude do desenvolvimento tecnológico, da
competitividade e as exigências do mercado.
Ensinar bem, em uma empresa, não é apenas
ensinar eficientemente um conteúdo, mas o êxito em
apreender esses conhecimentos e ser capaz de com-
partilhar esse aprendizado com os demais profissio-
nais. A motivação e o empenho são importantes à em-
presa numa reflexão institucionalmente abrangente e
o firme propósito de alterar as práticas que as movem.
O pedagogo pode atuar em várias frentes na
empresa, a mais comum é a alocação no departamen-
to de Recursos Humanos, particularmente no desen-
volvimento e treinamento, recrutamento e seleção,
projetos de integração, no gerenciamento de projetos
sociais. A sua atuação pode ser como analista, consul-
tor e assessor na área de gestão de pessoas.
O pedagogo empresarial atua como “articulador
entre as peculiaridades organizacionais, expressas em
termos de perfis de desempenho considerados ideais
para cada cargo/função, e os desejos e aspirações do
grupo de pessoas que a compõem” (OLIVEIRA, 2012,
p. 8).
Este profissional se destaca, neste processo,
porque acompanha todo o desenvolvimento profis-
sional dos profissionais na empresa, age como me-
diador de ações educativas no gerenciamento de
informações, em um processo marcado por um con-
tínuo movimento de mudanças, demandando novas
formas de gestão do conhecimento.
A gestão do conhecimento na empresa exige
novas posturas e novos valores, características fun-
damentais às organizações que pretendem se manter
ativas e competitivas nessa nova ordem econômica.
Entende-se que o conhecimento é uma busca
permanente, admitimos que ele é prático, pois
se dá graças à experiência prática do sujeito
que nela se relaciona permanentemente com o
objeto. Por outro lado, admitimos que o conhe-
cimento é social: a inter-relação dialética sujei-
to-objeto só é possível, no que se refere à cons-
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revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
A proposta do projeto pedagógico empresarial
procura desenvolver integralmente o profissional para:
 Ser capaz de dominar os diversos conteúdos
desenvolvidos na empresa, conquistar um re-
pertório de saberes, tornando-o um profissional
melhor, acima de tudo, um cidadão mais cons-
ciente de suas obrigações.
 Assumir valores e princípios éticos em qualquer
situação: respeito à diversidade, tolerância, soli-
dariedade, responsabilidade pessoal e social.
 A reflexão contínua sobre as próprias ações e
ser capaz de tomar decisões adequadas nos di-
ferentes aspectos da vida e na empresa.
 Ser capaz de enfrentar os mais diversos desa-
fios que demandam esforço pessoal e supera-
ção de limitações e dificuldades.
 A capacidade em refletir e estabelecer relações
entre informações e conhecimentos, fazer gene-
ralizações, contextualizar os saberes adquiridos
e utilizá-los conforme a necessidade.
 Fazer uma escolha profissional compatível com
suas características e interesses pessoais.
 O desenvolvimento dos diferentes usos da lingua-
gem: a capacidade de ler, escrever, falar em públi-
co e analisar criticamente o que ouve, vê e lê.
O pedagogo empresarial é o responsável pela ela-
boração de projetos pedagógicos nas empresas e é repre-
sentado por um conjunto de ações que objetivam explorar
o potencial de aprendizagem e a capacidade produtiva
dos profissionais em uma empresa, tem-se como objetivo
a maximização do desempenho profissional.
O tradicional departamento de Treinamento e
Desenvolvimento (T&D) vem sendo substituído pela
Educação Corporativa, que oferece um processo de
ensino-aprendizagem mais abrangente e completo de
desenvolvimento dos indivíduos na empresa, frente as
inúmeras competências e habilidades exigidas neste
novo contexto competitivo.
Cabe aqui, ressaltar que o projeto pedagógico é
elaborado para desenvolver competências e habilida-
des de profissionais dentro de uma empresa, promo-
vendo a integração e interação em suas ações, visan-
do o aperfeiçoamento do desempenho, o aumento da
produtividade e das relações interpessoais.
A promoção, o desenvolvimento e a implemen-
tação de projetos pedagógicos empresariais pressu-
põem uma nova base à gestão de pessoas. Esses
projetos devem promover ações transformadoras e
mobilizadoras capazes de gerar novas competências
organizacionais e individuais, decorrentes do reali-
nhamento e a redistribuição das práticas e as funções
exercidas pelos profissionais na empresa.
6. PROJETOS PEDAGÓGICOS
O papel do pedagogo empresarial, por meio das
ações educativas são capazes de transformar, modifi-
car, renovar o ambiente organizacional, utilizando mé-
todos e recursos para inovar e humanizar a empresa.
Os projetos pedagógicos nas empresas podem modifi-
car o cotidiano na prática educativa corporativa.
Projetos sempre implicam realizações dos ato-
res, ou seja, um projeto está ligado à vontade de fazer
algo, à ação, assim sendo, projetar é lançar para fren-
te, antever sua realização. O projeto pedagógico é a
concretização da autonomia da educação corporativa,
por meio do trabalho coletivo (PAIVA, 2008).
A capacidade de elaborar projeto é própria do
homem, deste modo, trabalhar coletivamente exige
mudança de mentalidade que supere o individualismo
peculiar à nossa cultura ocidental e tão arraigado no
currículo disciplinar, com seu conhecimento fragmen-
tado. Projetos podem ser entendidos como construção
de uma rede de significados. (Idem, 2008).
Num projeto pedagógico tudo é relevante na
teia das relações escolares, porque todas
elas são potencialmente educativas ou dese-
ducativas. Ensinar bem, por exemplo, não é
apenas ensinar eficientemente uma disciplina,
mas é também o êxito em integrar esse ensino
aos ideais educativos da escola. Enfim, o im-
portante é a motivação e o empenho comum
numa reflexão institucionalmente abrangente
e o firme propósito de alterar práticas nos sen-
tidos indicados por essa reflexão. Para isso,
não há fórmulas prontas e convém não espe-
rar auxílio de uma inexistente “ciência dos pro-
jetos ou de roteiros burocratizados” (AZANHA,
2000, p.18-24).
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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
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relações de trabalho, graças à competitividade.
 O descompasso entre a percepção de proble-
mas e as práticas de gestão de pessoas.
 A fase de transição de uma atuação operacional
para modelos mais estratégicos.
 O papel estratégico dos Recursos Humanos
que passa a repensar as atividades próprias da
área, de forma a integrar os objetivos de longo
prazo da organização, às variáveis do ambiente
e as necessidades das pessoas.
 A tecnologia de informação subsidia novos ar-
ranjos organizacionais da gestão de pessoas.
 A necessidade de organizações mais flexíveis e
dinâmicas, alterando o modelo tradicional de gerir
pessoas para o modelo político de gestão de pes-
soas, na qual as organizações desenvolvem no-
vos conceitos de aprendizagem, como por exem-
plo a criação das Universidades Corporativas.
 A legitimação da área vinculada a sua capacida-
de de desenvolver pessoas.
O pedagogo empresarial assume a responsabili-
dade em alinhar os objetivos da empresa aos objetivos
das pessoas, ocupando espaço nas decisões estraté-
gicas, por meio de um novo modelo de ensino-apren-
dizagem, apoiada em uma nova práxis pedagógica re-
ferenciada pela reflexão-ação-reflexão. Práxis significa
atividade e ação. Assim, práxis pedagógica significa
atividade e ação voltadas ao ensino. Ou seja, pedagogo
empresarial coloca seus saberes em ação para trans-
formar o ambiente e aqueles que estão nele inseridos.
Destaca-se o processo de ensino-aprendiza-
gem, com a utilização do “método interacionista e
construtivista”3
que tem como cerne a ideia de que
nada, a rigor, está pronto, acabado, o conhecimento
não é determinado, como algo finalizado, tem como
base a teoria da aprendizagem significativa, condu-
zindo a aprendizagem, por meio da ação do próprio
aluno (ou profissional), com pouca intervenção do
professor (pedagogo empresarial), dotando-o de au-
tonomia para construir o seu conhecimento, a partir
3
Nesse contexto, vários autores elaboram suas obras
tomando como base a teoria do desenvolvimento
e aprendizagem dos psicólogos Jean Piaget e Lev
Semenovich Vygotsky. Disponível em: <https://
pedagogiaaopedaletra.com/comparando-teoria-piaget-
vygotsky/>. Acesso em: 10/novembro/2016.
7. A GESTÃO DE PESSOAS E A PEDAGOGIA
EMPRESARIAL
A gestão de pessoas tem como objetivo capa-
citar, treinar e desenvolver as pessoas na busca con-
tínua de melhores resultados, por meio do gerencia-
mento eficaz de equipes e profissionais, viabilizando
a formação de processos de liderança, promotores da
realização do trabalho coletivo, facilitando uma melhor
compreensão do “espírito de equipe” e sua contribui-
ção na busca de resultados competitivos.
Para Gil (2001, p. 17) “Gestão de Pessoas é a
função gerencial que visa à cooperação das pessoas
que atuam nas organizações para o alcance dos obje-
tivos tanto organizacionais quanto individuais”.
Entende-se por modelo de gestão de pessoas
a maneira pela qual uma empresa se organi-
za para gerenciar e orientar o comportamento
humano no trabalho. Para isso, a empresa se
estrutura definindo princípios, estratégias, políti-
cas e práticas ou processos de gestão. Quanto
mais a empresa se concentra no chamado ativo
intangível (marcas, performance, inovação tec-
nológica e de produto, atendimento diferencia-
do etc.), mais forte se torna a dependência dos
negócios ao desempenho humano. (FISHER e
FLEURY, 2002, p.12)
No processo de gestão de pessoas são desen-
volvidas ações para a compreensão da evolução das
mudanças de paradigmas; conceitos de liderança e
gerenciamento; definição do papel gerencial - compe-
tências básicas e conceitos administrativos; seleção
dos profissionais por competências; o papel e a impor-
tância da comunicação; motivação, incentivo e remu-
neração competitiva; feedback, feedforward, programa
de coaching e mentoring; tomada de decisão, delega-
ção e administração de conflitos; valores e ética profis-
sional; avaliação de desempenho e acompanhamento,
entre tantas outras.
A gestão de pessoas e o atual contexto compe-
titivo internacionalizado contemplam:
 O contexto com amplos processos de mudança
organizacional, com consequente mudanças nas
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A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
jetivo estabelecido. A diferença entre líder e liderança
está na função e não no indivíduo, ou seja, o líder é o
indivíduo; já, a liderança é a função ou atividade que
esse indivíduo executa.
A liderança agrega dois papéis:
1. O de guia - líder visionário que assinala um ca-
minho adiante, transmitindo a missão e valores
da organização, grupo ou comunidade.
2. O de educador - líder que estimula o desenvol-
vimento das competências dos seus liderados.
Neste contexto, destacam-se as lideranças dis-
sonante e ressonante. A liderança dissonante é aquela
que não mantém contato com os sentimentos do gru-
po, exercida de maneira totalmente imparcial. A lide-
rança ressoante é aquela que se preocupa em sintoni-
zar as emoções e anseios do líder com as emoções e
anseios da equipe (liderados).
A liderança depende de vontade e iniciativa, ao
contrário do que muita gente imagina, a liderança não
é inata e nem depende das condições sociais, mas,
fundamentalmente, da vontade individual.
A liderança tem algumas implicações:
 Observação e busca por resultados;
 Criação e manutenção do clima e da cultura or-
ganizacional;
 Decidir ou conduzir à decisão;
 Trabalhar em equipe, montar equipes, gerenciar
talentos;
 Identificar características pessoais e do grupo;
 Autodescobrimento e superação de dificulda-
des;
 Lidar com valores morais vigentes;
 Estimular, orientar, compartilhar, reconhecer.
Em relação ao aprendizado podemos destacar:
 O líder e o aprendizado sobre si mesmo;
 O líder e a convivência social (em relação a ges-
tão de pessoas, a equipe);
 O líder e a capacidade em lidar com críticas e
fazer críticas;
 O líder e a capacidade em lidar com conflitos e
entender a importância deles na gestão de pes-
soas;
das soluções de problemas e a vivência teórico-práti-
ca da área de sua atuação.
O projeto pedagógico na educação corporativa
baseia-se na andragogia, cooperativismo, entre outras
práticas pedagógicas, utilizando atividades de cunho
técnico-vivencial, correlacionadas ao dia a dia corpora-
tivo, o que permite ao profissional interagir e associar o
conteúdo teórico à prática.
As empresas precisam ser cada vez mais fle-
xíveis as mudanças, buscando ações de desenvolvi-
mento dos recursos humanos e necessitam de pesso-
as com características empreendedoras, inovadoras,
com capacidade de liderança e tomadores de decisões
mais acertadas, neste sentido, a pedagogia empresa-
rial tem papel importantíssimo na gestão de pessoas.
8. A GESTÃO DE PESSOAS E
DESENVOLVIMENTO GERENCIAL
O momento é de intensas mudanças, todos os
dias somos atingidos pelas constantes transforma-
ções, por conseguinte, o governo, as empresas, os
profissionais, precisam se transformar em uma veloci-
dade jamais vista. Nota-se no dia a dia corporativo, em
geral, que as pessoas não são contra as mudanças,
elas são contra a possibilidade de serem mudadas,
por esse motivo, há uma enorme dificuldade, por parte
considerável dos profissionais, em relação ao novo, ao
inusitado e ao inesperado.
Outro item importantíssimo na gestão de pesso-
as é o papel do líder e o seu estilo de liderança nesse
processo. Neste contexto pergunta-se o que é ser lí-
der? Líder do quê? Líder de quem? Como é ser líder?
Quais as implicações em ser líder? Quais as vanta-
gens em ser líder? Quais os maiores desafios?
A liderança, neste novo contexto organizacional,
é baseada em valores, e para liderar não é suficiente
apenas possuir habilidades técnicas, como: conheci-
mento específico, qualidade total, produtividade, pla-
nejamento estratégico, capacidade em aumentar a
produtividade, a competitividade etc. Implica em en-
tender o mundo interno das pessoas, o que é impor-
tante para elas, o que as motiva, como se sentem.
A liderança pode ser definida como o processo
de influência pelo qual o líder, com suas ações, orienta
de forma compartilhada seus liderados rumo a um ob-
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revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
 O líder e a identificação e a forma em lidar com
os próprios sentimentos. (especialmente na re-
lação amor-ódio)
O fator humano nas empresas é o diferencial
nas empresas de sucesso, um denominador comum
entre aquelas que atingiram posições consolidadas.
Não basta as empresas buscarem manter seus pro-
fissionais motivados, os profissionais precisam fazer a
sua parte, se quiserem ser inseridos nessa nova reali-
dade empresarial.
Uma nova configuração entre a liderança e os
liderados ocorrerá a partir de uma inter-relação basea-
da na confiança e valorização nas relações humanas,
isso demanda um exercício solidário, cada vez mais
presente, entre líderes e liderados, por meio da cons-
trução de uma base sólida que norteará todos os ní-
veis da empresa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para que se preconizem inovações nas orga-
nizações, o componente intelectual demonstra ser
indispensável à aprendizagem corporativa e o papel
do pedagogo empresarial, porque tudo parece indicar
que somente com uma articulação de nível intelectual
poderemos avançar no âmbito da qualificação profis-
sional desejada. Essa articulação compreende a inte-
ração com a realidade, por meio do questionamento
constante das práticas educativas empregadas pela
empresa.
Diante dessas transformações nas organiza-
ções surge a necessidade de novas formas de apren-
dizado e a construção de novos saberes. Cada vez
mais as organizações descobrem a importância da
educação no trabalho e a influência da ação educativa
do pedagogo na empresa.
Nesse sentido, cabe ao pedagogo empresarial
apresentar estratégias e metodologias que garan-
tam um processo ensino-aprendizagem motivador de
melhores resultados econômico-financeiro, além de
ser capaz de provocar mudanças comportamentais,
ampliando o desempenho profissional e pessoal.
O pedagogo empresarial precisa de uma forma-
ção filosófica, humanística e técnicas – competências
e habilidades na área pedagógica, mas vai além disso,
sua formação precisa estar associada a um amplo co-
nhecimento na área de gestão empresarial.
O foco principal do trabalho do pedagogo em-
presarial está direcionado a formação, qualificação e
requalificação de profissionais; a interação com todos
os níveis hierárquicos, promovendo ações de recipro-
cidade, de trocas mútuas, por meio de suas ações de
ensino, aprendizagem e humanização.
O pedagogo empresarial tem a capacidade e
conhecimentos necessários para identificar, selecio-
nar e desenvolver pessoas para o âmbito empresarial.
Este profissional deve possuir competências para tra-
balhar com Recursos Humanos, exercer a liderança e
executar projetos.
O foco da gestão de pessoas deve firmar-se na
amplitude das atitudes, ações e decisões dos empre-
gados envolvidos em qualquer projeto, procurando
ajustar o foco das suas atenções; atender suas neces-
sidades e aspirações; ultrapassar os obstáculos inter-
nos e externos que possam desfavorecer o atingimen-
to do objetivo, seja ele empresarial ou pessoal.
A humanização e satisfação nas empresas es-
tão, indiscutivelmente, cada vez mais dependentes
das políticas de qualidade de vida no trabalho desen-
volvidas pela organização, associadas a liberdade e
responsabilidade compartilhadas, tanto por líderes,
quanto por liderados.
As empresas precisam reconhecer a impor-
tância do pedagogo na empresa por tratar-se de um
profissional habilitado para trabalhar com a educação
corporativa, porque é mais vantajoso e lucrativo man-
ter um funcionário melhor qualificado, visto que, a ca-
pacitação profissional o motivará a crescer e a produzir
mais na empresa e na vida pessoal.
A empresa tradicional, não conseguirá atingir a
transposição entre uma empresa tradicional focada no
produto para uma empresa contemporânea focada no
cliente, se não entender o papel fundamental que as
pessoas exercem nesse novo contexto.
A liderança precisa ser o agente de mudança
interno na empresa e promover essas alterações nos
valores, crenças e na sua forma de agir, acompanha-
do claro, de profissionais com uma nova mentalidade,
portadores de várias habilidades e competências.
A empresa, no entanto, deverá estabelecer
ações que garantam aos profissionais uma atmosfe-
revista educação 29
revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
Valdec Romero Castelo Branco
ra que favoreça a autonomia, a responsabilidade e a
capacidade de compreenderem o papel que devem
desempenhar na organização. Entendendo que o
processo de ensino-aprendizagem, a geração, a apli-
cação e transmissão do conhecimento são, hoje, os
motores de geração de vantagens competitivas em re-
lação aos concorrentes e a gênese de riquezas para
as organizações.
O plano de aprendizagem organizacional per-
mite estabelecer e fortalecer certas competências nos
gestores, por exemplo, iniciativa, criatividade, habili-
dade de relacionamento interpessoal, liderança, agre-
gadas ao conhecimento e a prudência, essenciais à
elaboração da estratégia e à tomada de decisão.
O plano de aprendizagem organizacional re-
quer, além da iniciativa de caráter estrutural, uma nova
orientação pedagogia empresarial. Esse novo rumo
deve orientar a estratégia, mas motivada pela forma-
ção e pelo desenvolvimento do capital intelectual.
A formação das pessoas é essencial ao desen-
volvimento de novos conhecimentos e, a partir deles,
gerar novas competências e habilidades, pressupondo
o conhecimento de novos processos, novas tecnolo-
gias, atitudes e comportamentos compatíveis com as
atribuições a serem desempenhadas pelos profissio-
nais na empresa.
A cultura da aprendizagem difere dos tradicio-
nais modelos de treinamento e desenvolvimento. Esse
novo processo baseia-se em vários padrões, não po-
dendo ser representado por um processo único ou pré
-estabelecido, mas por um conjunto de medidas que
envolvem todos dentro da empresa.
O conhecimento não deve ser visto como um fim
último para as empresas, mas como uma ferramenta
que se adquire em um novo processo de aprendiza-
gem organizacional. Por que a educação corporativa
é baseada na gestão do conhecimento, componente
capaz de mudar o sentido da administração empresa-
rial tradicional.
Conclui-se que há um forte inter-relacionamento
entre o campo de atuação e a relação existente entre
a formação e a prática profissional do pedagogo na
empresa; o processo e a inserção da educação corpo-
rativa à estratégica nas organizações; o projeto peda-
gógico; a educação corporativa e a gestão de pessoas.
Apesar de se tratar de uma pesquisa bibliográ-
fica foi possível apontar a urgente necessidade de se
repensar o modelo tradicional de treinamento e de-
senvolvimento nas empresas, substituindo-se por um
modelo na qual a pedagogia empresarial, a educação
corporativa e a gestão de pessoas sejam entendidas
como instrumentos que fazem parte de uma mesmo
construto, voltados a oferecer alternativas eficazes e
eficientes à gestão organizacional.
Ainda que o objetivo da presente pesquisa tenha
sido atingido, vale salientar que as limitações impostas
pelo campo teórico, por meio da pesquisa bibliográfica,
ficam evidentes e, como sugestão para pesquisas futu-
ras, sugere-se a investigação por meio de uma pesqui-
sa exploratória que incorpore os elementos de análise
das inter-relações entre a pedagogia empresarial, a
educação corporativa e a gestão de pessoas e os di-
versos agentes envolvidos nesse processo, capaz de
mensurar o grau de desenvolvimento em uma empresa,
permitindo aprofundar a compreensão das potencialida-
des, limitações e suas implicações desse processo.
revista educação 30
revista educação
v.14, n.1, 2019
A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS
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  • 1. revista educação 17 revista educação v.14, n.1, 2019 DOI: 10.33947/1980-6469-v14n1-2846 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS A BUSINESS PEDAGOGY, CORPORATE EDUCATION AND MANAGEMENT OF PEOPLE Valdec Romero Castelo Branco1 RESUMO As profundas alterações no mundo empresarial vêm, concomitantemente, acompanhadas por uma intensa modi- ficação nas atividades empresariais voltadas à educação corporativa, o que leva as empresas a destinarem maior atenção e investimentos nessa área. O objetivo deste artigo é analisar a prática da atuação do pedagogo em- presarial, a educação corporativa e a gestão de pessoas, visto que a empresa é um espaço educativo, portanto, a pedagogia atua como agente promotora do alinhamento da educação corporativa às estratégias empresariais, utilizando-se metodologias à busca de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, tendo como resultado final um melhor aprimoramento, qualificação profissional e pessoal dos profissionais. A competitividade empresarial associa- da a uma nova orientação pedagógica de ensino-aprendizagem corporativa é fundamentada no trabalho em equipe, no inter-relacionamento pessoal, às competências gerenciais e capacidades cognitivas, formando um arcabouço teórico-prático que poderá tornar a empresa mais competitiva. PALAVRAS-CHAVE: A pedagogia Empresarial. Educação Corporativa. Gestão de Pessoas. ABSTRACT The profound changes in the business world are accompanied by an intense change in corporate activities aimed at corporate education, which leads companies to focus more attention and investments in this area. The objective of this article is to analyze the practice of the business education, corporate education and people management, since the company is an educational space, therefore, pedagogy acts as an agent promoting the alignment of corporate education with business strategies, using methodologies to search for new knowledge, skills and attitudes, resulting in a better improvement, professional and personal qualification of professionals. The entrepreneurial competitive- ness associated to a new pedagogical orientation of corporate teaching-learning is based on teamwork, personal interpersonal relationships, managerial skills and cognitive skills, forming a theoretical-practical framework that can make the company more competitive. KEYWORDS: The Business Pedagogy. Corporative Education. People Management. 1 Professor universitário há 27 anos, formado em administração de empresas; mestre em administração de empresas; mestre em educação, administração e comunicação (multidisciplinar); pós-graduação Lato Sensu em Docência do Ensino-Superior. Ministro, desde 1995, palestras, cursos, treinamentos, seminários, workshops, cursos in company etc.; Projeto e implementação de Gestão de Pessoas Baseada em Competências; - Projetos na Área de Recrutamento e Seleção (R&S); Comunicação Verbal: técnicas para apresentação em público, apresentações criativas; comunicação assertiva; como conduzir reuniões produtivas etc.; Performance in Company (customização de treinamentos, workshops, palestras). Leciono disciplinas ligadas as áreas de Administração (RH; Marketing; Logística), Ciências Contábeis; Ciências Econômicas: Introdução à Economia; Macro e Microeconomia, Economia Brasileira; Comércio Exterior; Gestão de Negócios; Plano de Negócios; Empreendedorismo; TGA; Gestão de Pessoas; Gestão Por Competência; Consultoria Interna de RH; Estratégia Corporativa; Fundamentos de Comunicação e Marketing; entre outras. Ex-Coordenador do Curso de Administração das Faculdades Integradas de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos. Ex-Coordenador do Departamento Pentágono Carreira - Faculdade Pentágono Unidade Centro - Santo André/SP. Ex-Coordenador do Departamento de Administração na UNIBAN (Universidade Bandeirante) Campus ABC - São Bernardo do Campo/SP. Ex-coordenador do Departamento de Economia do UNIA (Centro Universitário de Santo-André) - Santo André/SP. Ex-sócio da Lume Recursos Humanos, empresa especializada em mão de obra temporária e efetiva, terceirização, cursos, palestras, etc. Algumas empresas públicas e privadas onde foram desenvolvidas palestras, workshops, projetos, treinamentos etc.: ISOMEDICAL; INNOVIA Consultoria; GRUPO GI SOFTWARE; AL2 Participações: Consultoria e Negócios; Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo (ACISBEC ); Associação Empresarial de Joinville (ACIJ); Enora Leaders Consultoria/CBTI (Cia Brasileira de Tecnologia Industrial); CETEA (Centro Tecnológico de Embalagens/Campinas). profvaldec@uol.com.br
  • 2. revista educação 18 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco INTRODUÇÃO As empresas que buscam um bom posiciona- mento no cenário econômico atual devem enxergar na educação corporativa uma vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes, para tanto, é necessá- rio um ensino-aprendizagem diferenciado na organiza- ção, isso requer a presença de um pedagogo empre- sarial para conduzir um processo didático alinhado as necessidades da empresa. As profundas alterações no mundo empresarial vêm, concomitantemente, acompanhadas por uma in- tensa modificação nas atividades empresariais volta- das à educação corporativa, o que leva as empresas a destinarem maior atenção e investimentos nessa área, mas com a utilização aquém do necessário do profis- sional de pedagogia nesse processo. O objetivo deste artigo é analisar a prática da atuação do pedagogo empresarial, a educação cor- porativa e a gestão de pessoas, visto que a empresa é um espaço educativo, portanto, a pedagogia atua como agente promotora do alinhamento da educação corporativa às estratégias empresariais, utilizando-se metodologias à busca de novos conhecimentos, habili- dades e atitudes, tendo como resultado final um melhor aprimoramento, qualificação profissional e pessoal. Neste contexto, é possível observar que a peda- gogia empresarial, a educação corporativa e a gestão de pessoas são instrumentos que fazem parte de um mesmo constructo, voltado a oferecer alternativas efi- cazes e eficientes de gestão das organizações. O objeto de pesquisa deste artigo procura inter -relacionar o campo de atuação e a relação existente entre a formação e a prática profissional do pedagogo na empresa; o processo e a inserção da educação cor- porativa à estratégica nas organizações; o projeto peda- gógico; a educação corporativa e a gestão de pessoas. Esses instrumentos podem ser condicionantes de sucesso da empresa em relação à concorrência, essa construção competitiva sugere que a gestão es- tratégica de recursos humanos pode contribuir para a obtenção de vantagem competitiva sustentável, por meio do desenvolvimento de conhecimentos, compe- tências e habilidades. O plano de aprendizagem organizacional é constituído por elementos e processos empresariais, inter-relacionados ativamente por todos os setores da empresa, isto implica em atividades de ensino-apren- dizagem corporativa continuamente renováveis pela dinâmica do mercado. A formação das pessoas é acompanhada pelo desenvolvimento de novos conhecimentos e, a partir deles, gerar novas competências técnicas e compor- tamentais que impliquem o conhecimento de novos processos e novas tecnologias, permitindo, também, o fortalecimento de atitudes éticas, humanizadoras e solidárias, acima de tudo. A competitividade empresarial associada a uma nova orientação pedagógica de ensino-aprendizagem corporativa é fundamentada no trabalho em equipe, no inter-relacionamento pessoal, das competências gerenciais e capacidades cognitivas, formando um ar- cabouço teórico-prático que poderá tornar a empresa mais competitiva. A fundamentação teórica refere-se à compreen- são da teoria, análise, reflexão, interpretação, compre- ensão dos assuntos estudados, para tanto, o desen- volvimento metodológico da pesquisa foi baseado em campo teórico, exploratório bibliográfico, tomando como base livros, artigos científicos, trabalhos acadêmicos, revistas acadêmicas, entre outras fontes de consulta. 1. A PEDAGOGIA E O CAMPO DE ATUAÇÃO Antes de tratarmos da atuação do pedagogo empresarial, precisamos definir o que é pedagogia e seu campo de atuação. Entende-se por Pedagogia a ciência que tem como objetivo fundamental a re- flexão, a ordenação, a sistematização e a crítica do processo educativo. A Pedagogia tem um campo de conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educa- ção, um conjunto das ações, processos, influ- ências, estruturas, que intervém do desenvolvi- mento humano dos indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais. [ ] Partimos então da ideia de que Pedagogia é uma área de conhecimento que investiga a realidade educativa, no geral e no particular. Mediante conhecimentos científi-
  • 3. revista educação 19 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco cos, filosóficos e técnico-profissionais, ela busca a explicitação de objetos e formas de interven- ção metodológica e organizativa em instancias da atividade educativa implicadas no processo de transmissão/apropriação ativa de saberes e modos de ação (NOGUEIRA, 2005, p. 15). A reflexão está associada ao pensamento que pode ser entendido como um processo mental que permite as pessoas modelarem o mundo e com isso lidar com ele de uma forma efetiva e de acordo com o estabelecimento de suas metas, planos e desejos. O pensamento pode ser considerado a expressão mais viva do espírito humano, visto que, por meio de ima- gens e ideias revela justamente a vontade deste. Sendo assim, ao se tratar sobre a relação exis- tente entre a formação e a prática do pedagogo no ambiente corporativo, parte-se da reflexão sobre a transposição dos referenciais teóricos do campo da di- dática, à aplicação prática numa perspectiva reflexiva. Para tanto, há a necessidade do pedagogo em- presarial seja capaz de refletir sobre sua prática e di- recioná-la segundo a realidade em que atua e estar voltada aos interesses e às necessidades dos profis- sionais, fundamentada na epistemologia da prática, na prática reflexiva e na figura do pedagogo empresarial pesquisador, compondo uma ação-reflexiva-ação. [...] a pedagogia assume a função de provocar mudanças no comportamento das pessoas, com o objetivo de garantir que todos trabalhem com- prometidos em busca dos mesmos ideais, ape- sar das diferenças individuais. As mudanças são fundamentais para que as pessoas e as organi- zações não permaneçam estáticas diante de um cenário que a cada dia traz novos obstáculos e oportunidades (CLARO e TORRES, 2012, p. 4). Esse pensamento baseia-se nos saberes peda- gógicos, saberes específicos e as experiências. Não se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na prática pedagógica, mas, com certeza, haverá momen- tos em que o pedagogo estará em situações conflitan- tes e ele não deverá pautar-se apenas nos critérios técnicos pré-estabelecidos. Esse é um dilema enfrentado pelo pedagogo empresarial, na maioria das vezes, é obrigado a pau- tar-se apenas nos critérios técnicos e responder as exigências pré-estabelecidas pela empresa. A realidade educativa não se restringe apenas ao ambiente escolar, as empresas em virtude das re- centes transformações no cenário político, econômico e empresarial, tornando-se necessário à inserção da educação corporativa na empresa, tendo como eixo norteador à formação dos profissionais, visto que a nova realidade apresenta enormes e complexas difi- culdades, não somente para as empresas, mas para os profissionais que nela atuam. A pedagogia empresarial, a educação corporati- va e a gestão de pessoas estão intimamente ligadas à interdisciplinaridade, um construto oriundo das raízes práticas do ensino-aprendizagem, entendendo que a postura interdisciplinar deve ser encarada como algo a ser exercido, compartilhado, coletivo e integrando os diversos saberes envolvidos. A formação de uma postura interdisciplinar deve englobar não apenas o desenvolvimento e a aquisição de conhecimento, mas uma ação pedagógica capaz de propiciar transformações mais amplas na empresa e seus profissionais. [...] No projeto interdisciplinar não se ensina, nem se aprende: vive-se, exerce-se. A respon- sabilidade individual é a marca do projeto in- terdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do envolvimento – envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si, às pessoas e às instituições a ele pertencentes (FAZENDA, 2001, p. 17). Na concepção de Japiassu (1976, p. 74) “A in- terdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Em relação à educação corporativa, o pedago- go empresarial tem que desenvolver projetos interdis- ciplinares que promovam novas percepções acerca do conhecimento, entendendo que não se deve considerá -los como algo determinado, estático e finalizado. Pelo contrário, os projetos interdisciplinares devem reafir- mar a integração e a compreensão da totalidade, mas
  • 4. revista educação 20 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco fazer e o pensar crítico sobre ele, num exercício que mescla razão e paixão. A educação passa a ser fator decisivo no pro- cesso de transformação em curso e como agente de mudança cabe a ela liderar um novo processo social transformacional, capaz de oferecer respostas mais eficientes e eficazes para as novas exigências inter- nacionais. A educação segundo Delors (2003, p. 89): [ ] deve transmitir, de fato, de forma maciça efi- caz, cada vez mais saberes e saber-fazer evo- lutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. [...] À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constante- mente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele. Ainda de acordo com Delors (2003 p. 89-90): Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em tor- no de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimen- to: aprender a conhecer, isso é adquirir os ins- trumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; apren- der a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser via essencial que inte- gra as três precedentes. É claro que estas qua- tro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de con- tato, de relacionamento e permuta. Outro fato que deve ser destacado é o papel da educação, tanto na contribuição à geração de no- vas tecnologias, por meio da pesquisa e da inovação, quanto como instrumento de aprendizado e assimila- ção dessas novas tecnologias. Na empresa essa dinâ- mica é o que nos permite avaliar o valor das mudanças no sistema produtivo, tendo em conta a abordagem técnico-funcional da educação. A qualidade na educação, seja ela na escola capazes, ao mesmo tempo, em respeitar a autonomia e a individualidade dos profissionais neles inseridos. 2 EDUCAÇÃO E O PROCESSO EDUCATIVO A educação tem como finalidade a instrumentali- zação do homem (a prática), bem como a instrumenta- lização filosófica (a teoria), capacitando-o a agir sobre o mundo e a época em que vive e, simultaneamente, abrigar em si a compreensão à ação exercida. Para Sá (2008, p. 1) etimologicamente, a palavra: [ ]...educar origina-se do latim ec-ducere que significa eduzir. No alemão, corresponde à pala- vra erziehen, formada por ziehen, que significa puxar, arrancar; e pelo prefixo er que denota um movimento completo para fora. Logo, educar é trazer para fora, é extrair de uma pessoa algo que a torne transformada. É, de certo, também, uma ação interativa e dialética realizada entre as pessoas que atuam na sociedade e nela es- tão imersas. Bem assim, educação é o processo que renova uma pessoa, extraindo-lhe ou liber- tando-lhe suas potencialidades criadoras. Ou como diria Paulo Freire em Pedagogia do Opri- mido: “os homens se educam entre si, mediati- zados pelo mundo”. A educação para Rios (2002, p. 17) está ligada ao ato de fazer aulas com alegria e paixão: Uma das coisas que realizo com maior alegria é ensinar, fazer aulas. Gosto das aulas tanto quanto gosto daquilo que ensino. Fui escolhen- do devagar o meu ofício e hoje tenho certeza de que não poderia fazer escolha melhor. Pode soar romântico este testemunho, quando se considera a situação em que vivem os professo- res no Brasil. Não penso que sou uma exceção, um caso raro. Não deixo de enfrentar limites, de querer de vez em quando ‘largar tudo’, de ver às vezes a esperança se afastar. Entretanto, é no próprio espaço do trabalho que ‘esperanço’ de novo, que retorno com vigor a luta, que encontro possibilidades e alternativas. Auxiliam-me nesse movimento a prática e a reflexão sobre ela, o
  • 5. revista educação 21 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco prática de educação, é o estudo do ensino em situação, ou seja, no qual a aprendizagem e a intencionalidade almejada, no qual os sujeitos imediatamente envolvidos (professor e aluno) e suas ações (o trabalho com o conhecimento) são estudados nas suas determinações históri- co-sociais. Os fatores sociais, políticos e econômicos deter- minam e influenciam o processo educativo. Esse pro- cesso é definido de acordo com seu contexto histórico- social, partindo dos esquemas educativos primários, nas relações que o indivíduo adquire antes mesmo de iniciar sua escolarização, passando pelo modo como a educação escolar se inicia e, finalmente, como ela se processa. O pedagogo, por meio de um arcabouço teóri- co-prático, está apto para atuar junto às empresas de diversos ramos de atividade, seja ela privada ou públi- ca, isso permite atuar de forma adequada na educação corporativa auxiliando os processos de seleção, trei- namento e o contínuo aperfeiçoamento na preparação dos profissionais da organização. O pedagogo ao atuar no mundo corporativo, acima de tudo, precisa ter uma visão pluralista, reco- nhecendo aspectos particulares de cada profissional e as diversas formas da cognição, reconhecendo tam- bém que as pessoas têm capacidades distintas para adquirir conhecimentos e estilos diferentes de apren- dizagem. Ele precisa entender que só a exposição, a cobrança e a recompensa é um processo desassocia- do da realidade. Logo, o espaço corporativo tornar-se laboratório de ideias, onde o debate e a negociação deve ser uma constante, representando a realidade. Ao longo de séculos, os conhecimentos exis- tentes vêm sendo difundidos por meio da educação, incorporando-se novas parcelas de inovações tecnoló- gicas. A acelerada capacidade na geração de conheci- mentos à disposição do homem leva à necessidade de enormes investimentos nos recursos humanos. Pode-se caracterizar como “investimentos não -materiais” os imensos investimentos na capacitação dos recursos humanos da nação, neste contexto, a educação, mais do que nunca, surge com uma força potencial de transformação. (ARANHA, 1996, p. 23), neste sentido as empresas buscam diariamente for- ou na empresa, é fundamental. Neste sentido, Mello (2008) tece considerações sobre a aprendizagem e a qualidade do ensino: [...] que ninguém facilita o desenvolvimento da- quilo que não teve oportunidade de aprimorar em si mesmo. Ninguém promove a aprendiza- gem daquilo que não domina, ou seja, a cons- tituição de significados que não compreende e nem a autonomia que não pôde construir. Essas são questões que podem explicar a qualidade do ensino. Não há dúvida que as transformações contem- porâneas contribuíram para consolidar o entendimento da educação como fenômeno que ocorre em vários espaços, institucionalizado ou não, sob várias moda- lidades. Nesse contexto, os pedagogos têm um papel fundamental na articulação entre espaços educativos, ensino e aprendizagem. Quem ensina, ensina algo a alguém. O ensino se caracteriza, portanto, como uma ação que se articula à aprendizagem. Na verdade, é impos- sível falar de ensino desvinculado de aprendi- zagem. [ ] Se pensarmos o ensino como gesto de socialização – construção e reconstrução – de conhecimentos e valores, temos que afirmar que ele ganha significado apenas na articulação – dialética – com o processo de aprendizagem (RIOS, 2003, p. 53): Outro fator importante a se destacar é o proces- so educativo corporativo que engloba o ensino-apren- dizagem corporativo e todos os seus aspectos teóricos e práticos, como: o processo de aprendizagem, os mé- todos de ensino, o sistema de avaliação da aprendiza- gem e o sistema educacional como um todo. O processo educativo está intimamente ligado a epistemologia da prática, seja na escola ou na empre- sa e, segundo Pimenta (1996, p. 62-63): [...] uma área de estudos da Ciência da Educa- ção (Pedagogia), que, assim com esta, possui um caráter prático (práxis). Seu objeto de estudo específico é a problemática de ensino, enquanto
  • 6. revista educação 22 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco A conjuntura econômica atual impõe as empre- sas uma nova realidade na formação dos recursos humanos na empresa, exigindo a contratação de pro- fissionais qualificados na área de educação de modo a garantir resultados, soluções viáveis, rapidez e efici- ência no processo educativo corporativo. A área de atuação da pedagogia, nos últimos anos, ultrapassou as fronteiras da docência, em virtude das reformulações curriculares efetuadas nos últimos anos nos cursos de formação em pedagogia. Isso per- mitiu a atuação mais efetiva do pedagogo nas organi- zações, principalmente na área de Recursos Humanos. 3. A EDUCAÇÃO CORPORATIVA A educação corporativa tem uma instrumentali- zação relacionada à prática, mas também é salutar a utilização de uma instrumentalização filosófica pauta- da pela teoria, capacitando os profissionais a agirem sobre o mundo e a época em que vivem e, simulta- neamente, abrigar em si a compreensão e apreensão daquilo que aprende. As empresas reconhecem a necessidade da formação geral e continuada dos profissionais como requisito para enfrentar a velocidade das intensas transformações e inovações tecnológicas; os novos sistemas de organização do trabalho; a alteração do perfil profissional e as novas exigências impostas pelo atual cenário internacionalizado. Em relação a educação corporativa Colba- ri (2007) diz que, diante das mudanças no universo produtivo, como a “desmaterialização” do trabalho, que transformou o conhecimento em instrumento para concorrência nos mercados, ainda há uma exigência mais desafiadora, que vai além da aquisição do co- nhecimento técnico e instrumental: a implantação de metodologias educacionais que acrescentem ao traba- lhador o desenvolvimento de atitudes, posturas e habi- lidade. (LUZ e FROM, 2016, p. 5). Neste sentido a educação corporativa pode ser entendida como uma transformação e evolução da área de treinamento e desenvolvimento, pautada por ações que objetivam o incremento de um processo contínuo, organizado e estruturado de ensino-apren- dizagem relacionado aos objetivos estratégicos da or- ganização. mas eficazes à qualificação de seus profissionais. O processo humano de compreensão-ação é, intrinsecamente, uma dinâmica que se lança continua- mente diante da própria consciência de sua ação. Mas, a ação, puramente consciente da ação, não realiza em si uma práxis. A consciência-práxis é aquela que age orientada por uma dada teoria e tem consciência de tal orientação. Teoria e prática são processos indissociá- veis.2 Essa práxis deve ser estendida também à práti- ca educativa corporativa. A contribuição da pedagogia na empresa está li- gada a um conjunto de estratégias e metodologias que garantam um ensino-aprendizagem voltado à apro- priação de conhecimentos, transformando-os em com- petências e habilidades que atendam às necessidades da empresa e dos profissionais nela inseridos. Há um contraponto em relação a contribuição da pedagogia e o papel do pedagogo empresarial como relata Claro e Torres (2012, p. 3): O mercado desconhece a importância deste profissional no contexto empresarial e as univer- sidades não ofertam uma formação adequada àqueles que desejam atuar nessa área, ressal- tam Trevisan e Lameira (2003). A consciência que vem se desenvolvendo sobre a importância do Pedagogo nas empresas ganha força graças ao novo contexto de intensa competitividade global que levou as empresas a adaptarem suas estruturas e seus modelos de gestão, fican- do mais enxutas, flexíveis, delegando maiores responsabilidades aos colaboradores e, con- sequentemente, tendo de aumentar o leque de competências individuais e organizacionais para sobreviver no mercado. A ação pedagógica na empresa está ligada à implementação de projetos destinados a programas de qualificação, requalificação profissional, produção e construção de novos saberes, estruturação do se- tor de treinamento e desenvolvimento, adequação de métodos de informação e comunicação para as práticas de ensino e aprendizagem. 2 GHEDIN, Evandro Luiz. Professor-reflexivo: da alienação da técnica à autonomia da crítica. Disponível em http://www.anped. org.br/reunioes/24/po80776477255.doc. Acessado em 24/10/2007
  • 7. revista educação 23 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco A apreensão de novos conhecimentos, por meio da aprendizagem conduzida ou autodesenvolvida é o que nos tornam capazes de construir e reconstruir me- tas, objetivos, motivar e colocar tudo isso a favor de si e da empresa. O Pedagogo Empresarial deve ser um profis- sional com um perfil especialista/generalista, desenvolvendo uma visão abrangente e crítica da educação inserida no mundo do trabalho. Es- pecialista no sentido de dominar as técnicas e os métodos que facilitam o processo de ensino aprendizagem dentro das organizações. Gene- ralista no sentido de compreender o contexto no qual esta educação está ocorrendo, quais são os objetivos do negócio e quais as peculiarida- des da empresa em que trabalha. Este tipo de perfil contribui para a construção de uma visão sistêmica, que é a capacidade de enxergar as partes relacionadas ao todo, permitindo ao Pe- dagogo auxiliar os colaboradores como indiví- duos e como equipes, que trabalham em torno dos mesmos ideais, apesar de suas diferenças individuais (CLARO E TORRES, 2012, p. 9). Num projeto pedagógico empresarial a troca de experiências vale muito quando se trata de capacita- ção e qualificação, renovação dos conhecimentos e das ideias a serem compartilhadas, porque todas elas podem ser potencialmente educativas ou não, depen- derá do profissional que estiver à frente desse projeto. 5. O PAPEL DO PEDAGOGO EMPRESARIAL O pedagogo, seja na escola ou na empresa, lida com educação, para tanto, sua atuação exerce forte impacto sobre as pessoas e processos, entendendo que o papel do pedagogo não é outro, mas sim, como agente efetivo e afetivo no processo de ensino-apren- dizagem, não sendo apenas um transmissor de conte- údo, mas acima de tudo, um facilitador, transformador e inovador nas vidas das pessoas. O atual contexto competitivo internacionalizado obriga as empresas a adaptarem-se às exigências do mercado, isto requer uma nova abordagem em relação a capacitação dos profissionais, visto que as empresas A educação corporativa proporciona um modelo de ensino-aprendizagem com caráter abrangente na formação e desenvolvimento dos profissionais, por meio das “diversificadas ações educativas e atividades relacionadas à gestão do conhecimento” (LUZ; FROM, 2016, p. 6). A utilização da educação corporativa tem um caráter estratégico à organização, visto que contribui significativamente a formação profissional, além de permitirem a obtenção de melhores resultados ope- racionais e financeiros, compreendendo que a prática educativa corporativa treina, desenvolve e estimula os profissionais à aquisição de novas competências e habilidades, alinhados aos objetivos organizacionais, além de prepará-los para atuarem em um ambiente organizacional em constate mudança e extremamente competitivo. 4. A PEDAGOGIA EMPRESARIAL A pedagogia empresarial está ligada ao desen- volvimento da aprendizagem significativa dentro das empresas, deste modo, contribui à formação e capa- citação dos profissionais nela inseridos, aprofundando os conhecimentos que já possuem, bem como, à aqui- sição de novas competências e habilidades. Para tanto, há a necessidade do pedagogo em- presarial seja capaz de refletir sobre sua prática e di- recioná-la segundo a realidade em que atua e voltada aos interesses da empresa e as necessidades dos pro- fissionais, tendo como base o que é desenvolvido ou praticado no seu cotidiano, a partir daí analisar a apli- cação prática ou transposição didática dos referenciais teóricos, numa perspectiva reflexiva. A capacidade da empresa de adaptar-se às exigências do mercado depende da forma como ela estimula seus profissionais a buscar, refletir e aplicar os conhecimentos. Paralelamente, amplia-se a per- cepção de que as empresas dependem de seu capital humano para inovar, e os aspectos intangíveis relacio- nados à gestão de pessoas ganham cada vez mais destaque. (CLARO e TORRES, 2012, p. 3) A aprendizagem, a qualificação e o conhecimen- to sejam no campo profissional ou não, devem tornar os seres humanos melhores, livres e reflexivos, capa- zes de transformar a realidade que os cerca.
  • 8. revista educação 24 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco trução do conhecimento, na complexa e variada trama das relações dos homens com os outros homens. Por fim, entendemos que o conhe- cimento é histórico, construído pelos homens através dos tempos, em uma luta incessante pela apreensão do objeto, em um ‘longo e difí- cil caminho da ignorância ao conhecimento’, em um processo que, como a própria prática social, vai do pensamento complexo ao pensamento mais complexo (ALVES e GARCIA, 2006). Essa afirmativa permite destacar a importância do pedagogo empresarial dentro das organizações e, os rumos que a pedagogia empresarial precisa assumir frente a esse novo contexto competitivo internaciona- lizado, mas ainda não é uma realidade nas empresas no Brasil, visto que há uma dificuldade de encontrar pedagogos atuando fora de ambientes escolares. O pedagogo empresarial tem como eixo norte- ador o desenvolvimento de projetos de aprendizagem organizacional capaz de propor soluções de proble- mas; a melhoria dos processos; a garantia da quali- dade no atendimento a clientes; a promoção e a insta- lação da cultura institucional da formação continuada dos profissionais. A tarefa do pedagogo empresarial é, entre outras, a de ser o mediador e o articulador de ações edu- cacionais na administração de informações dentro do processo contínuo de mudanças e de gestão do conhecimento. Gerenciar processos de mudança exige novas posturas e novos valores organizacio- nais, características fundamentais para empresas que pretendem manter-se ativas e competitivas no mercado. Dessa forma, o profissional da educa- ção atua na área de Recursos Humanos direcio- nando seus conhecimentos para os colaboradores da empresa com o objetivo da melhoria de resulta- dos coletivos, desenvolve projetos educacionais, seleciona e planeja cursos de aperfeiçoamento e capacitação, representa a empresa em negocia- ções, convenções, simpósios, realiza palestras, aporta novas tecnologias, pesquisa a utilização e a implantação de novos processos, avalia desem- penho e desenvolve projetos para o treinamento dos funcionários (GRECO, 2005, p. 19). dependem do capital humano para inovar e, estão di- retamente relacionados à gestão de pessoas. As severas alterações no mundo coorporativo também modificaram as funções do pedagogo dentro da organização, isto o levou a uma constante especia- lização em virtude do desenvolvimento tecnológico, da competitividade e as exigências do mercado. Ensinar bem, em uma empresa, não é apenas ensinar eficientemente um conteúdo, mas o êxito em apreender esses conhecimentos e ser capaz de com- partilhar esse aprendizado com os demais profissio- nais. A motivação e o empenho são importantes à em- presa numa reflexão institucionalmente abrangente e o firme propósito de alterar as práticas que as movem. O pedagogo pode atuar em várias frentes na empresa, a mais comum é a alocação no departamen- to de Recursos Humanos, particularmente no desen- volvimento e treinamento, recrutamento e seleção, projetos de integração, no gerenciamento de projetos sociais. A sua atuação pode ser como analista, consul- tor e assessor na área de gestão de pessoas. O pedagogo empresarial atua como “articulador entre as peculiaridades organizacionais, expressas em termos de perfis de desempenho considerados ideais para cada cargo/função, e os desejos e aspirações do grupo de pessoas que a compõem” (OLIVEIRA, 2012, p. 8). Este profissional se destaca, neste processo, porque acompanha todo o desenvolvimento profis- sional dos profissionais na empresa, age como me- diador de ações educativas no gerenciamento de informações, em um processo marcado por um con- tínuo movimento de mudanças, demandando novas formas de gestão do conhecimento. A gestão do conhecimento na empresa exige novas posturas e novos valores, características fun- damentais às organizações que pretendem se manter ativas e competitivas nessa nova ordem econômica. Entende-se que o conhecimento é uma busca permanente, admitimos que ele é prático, pois se dá graças à experiência prática do sujeito que nela se relaciona permanentemente com o objeto. Por outro lado, admitimos que o conhe- cimento é social: a inter-relação dialética sujei- to-objeto só é possível, no que se refere à cons-
  • 9. revista educação 25 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco A proposta do projeto pedagógico empresarial procura desenvolver integralmente o profissional para:  Ser capaz de dominar os diversos conteúdos desenvolvidos na empresa, conquistar um re- pertório de saberes, tornando-o um profissional melhor, acima de tudo, um cidadão mais cons- ciente de suas obrigações.  Assumir valores e princípios éticos em qualquer situação: respeito à diversidade, tolerância, soli- dariedade, responsabilidade pessoal e social.  A reflexão contínua sobre as próprias ações e ser capaz de tomar decisões adequadas nos di- ferentes aspectos da vida e na empresa.  Ser capaz de enfrentar os mais diversos desa- fios que demandam esforço pessoal e supera- ção de limitações e dificuldades.  A capacidade em refletir e estabelecer relações entre informações e conhecimentos, fazer gene- ralizações, contextualizar os saberes adquiridos e utilizá-los conforme a necessidade.  Fazer uma escolha profissional compatível com suas características e interesses pessoais.  O desenvolvimento dos diferentes usos da lingua- gem: a capacidade de ler, escrever, falar em públi- co e analisar criticamente o que ouve, vê e lê. O pedagogo empresarial é o responsável pela ela- boração de projetos pedagógicos nas empresas e é repre- sentado por um conjunto de ações que objetivam explorar o potencial de aprendizagem e a capacidade produtiva dos profissionais em uma empresa, tem-se como objetivo a maximização do desempenho profissional. O tradicional departamento de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) vem sendo substituído pela Educação Corporativa, que oferece um processo de ensino-aprendizagem mais abrangente e completo de desenvolvimento dos indivíduos na empresa, frente as inúmeras competências e habilidades exigidas neste novo contexto competitivo. Cabe aqui, ressaltar que o projeto pedagógico é elaborado para desenvolver competências e habilida- des de profissionais dentro de uma empresa, promo- vendo a integração e interação em suas ações, visan- do o aperfeiçoamento do desempenho, o aumento da produtividade e das relações interpessoais. A promoção, o desenvolvimento e a implemen- tação de projetos pedagógicos empresariais pressu- põem uma nova base à gestão de pessoas. Esses projetos devem promover ações transformadoras e mobilizadoras capazes de gerar novas competências organizacionais e individuais, decorrentes do reali- nhamento e a redistribuição das práticas e as funções exercidas pelos profissionais na empresa. 6. PROJETOS PEDAGÓGICOS O papel do pedagogo empresarial, por meio das ações educativas são capazes de transformar, modifi- car, renovar o ambiente organizacional, utilizando mé- todos e recursos para inovar e humanizar a empresa. Os projetos pedagógicos nas empresas podem modifi- car o cotidiano na prática educativa corporativa. Projetos sempre implicam realizações dos ato- res, ou seja, um projeto está ligado à vontade de fazer algo, à ação, assim sendo, projetar é lançar para fren- te, antever sua realização. O projeto pedagógico é a concretização da autonomia da educação corporativa, por meio do trabalho coletivo (PAIVA, 2008). A capacidade de elaborar projeto é própria do homem, deste modo, trabalhar coletivamente exige mudança de mentalidade que supere o individualismo peculiar à nossa cultura ocidental e tão arraigado no currículo disciplinar, com seu conhecimento fragmen- tado. Projetos podem ser entendidos como construção de uma rede de significados. (Idem, 2008). Num projeto pedagógico tudo é relevante na teia das relações escolares, porque todas elas são potencialmente educativas ou dese- ducativas. Ensinar bem, por exemplo, não é apenas ensinar eficientemente uma disciplina, mas é também o êxito em integrar esse ensino aos ideais educativos da escola. Enfim, o im- portante é a motivação e o empenho comum numa reflexão institucionalmente abrangente e o firme propósito de alterar práticas nos sen- tidos indicados por essa reflexão. Para isso, não há fórmulas prontas e convém não espe- rar auxílio de uma inexistente “ciência dos pro- jetos ou de roteiros burocratizados” (AZANHA, 2000, p.18-24).
  • 10. revista educação 26 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco relações de trabalho, graças à competitividade.  O descompasso entre a percepção de proble- mas e as práticas de gestão de pessoas.  A fase de transição de uma atuação operacional para modelos mais estratégicos.  O papel estratégico dos Recursos Humanos que passa a repensar as atividades próprias da área, de forma a integrar os objetivos de longo prazo da organização, às variáveis do ambiente e as necessidades das pessoas.  A tecnologia de informação subsidia novos ar- ranjos organizacionais da gestão de pessoas.  A necessidade de organizações mais flexíveis e dinâmicas, alterando o modelo tradicional de gerir pessoas para o modelo político de gestão de pes- soas, na qual as organizações desenvolvem no- vos conceitos de aprendizagem, como por exem- plo a criação das Universidades Corporativas.  A legitimação da área vinculada a sua capacida- de de desenvolver pessoas. O pedagogo empresarial assume a responsabili- dade em alinhar os objetivos da empresa aos objetivos das pessoas, ocupando espaço nas decisões estraté- gicas, por meio de um novo modelo de ensino-apren- dizagem, apoiada em uma nova práxis pedagógica re- ferenciada pela reflexão-ação-reflexão. Práxis significa atividade e ação. Assim, práxis pedagógica significa atividade e ação voltadas ao ensino. Ou seja, pedagogo empresarial coloca seus saberes em ação para trans- formar o ambiente e aqueles que estão nele inseridos. Destaca-se o processo de ensino-aprendiza- gem, com a utilização do “método interacionista e construtivista”3 que tem como cerne a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, o conhecimento não é determinado, como algo finalizado, tem como base a teoria da aprendizagem significativa, condu- zindo a aprendizagem, por meio da ação do próprio aluno (ou profissional), com pouca intervenção do professor (pedagogo empresarial), dotando-o de au- tonomia para construir o seu conhecimento, a partir 3 Nesse contexto, vários autores elaboram suas obras tomando como base a teoria do desenvolvimento e aprendizagem dos psicólogos Jean Piaget e Lev Semenovich Vygotsky. Disponível em: <https:// pedagogiaaopedaletra.com/comparando-teoria-piaget- vygotsky/>. Acesso em: 10/novembro/2016. 7. A GESTÃO DE PESSOAS E A PEDAGOGIA EMPRESARIAL A gestão de pessoas tem como objetivo capa- citar, treinar e desenvolver as pessoas na busca con- tínua de melhores resultados, por meio do gerencia- mento eficaz de equipes e profissionais, viabilizando a formação de processos de liderança, promotores da realização do trabalho coletivo, facilitando uma melhor compreensão do “espírito de equipe” e sua contribui- ção na busca de resultados competitivos. Para Gil (2001, p. 17) “Gestão de Pessoas é a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos obje- tivos tanto organizacionais quanto individuais”. Entende-se por modelo de gestão de pessoas a maneira pela qual uma empresa se organi- za para gerenciar e orientar o comportamento humano no trabalho. Para isso, a empresa se estrutura definindo princípios, estratégias, políti- cas e práticas ou processos de gestão. Quanto mais a empresa se concentra no chamado ativo intangível (marcas, performance, inovação tec- nológica e de produto, atendimento diferencia- do etc.), mais forte se torna a dependência dos negócios ao desempenho humano. (FISHER e FLEURY, 2002, p.12) No processo de gestão de pessoas são desen- volvidas ações para a compreensão da evolução das mudanças de paradigmas; conceitos de liderança e gerenciamento; definição do papel gerencial - compe- tências básicas e conceitos administrativos; seleção dos profissionais por competências; o papel e a impor- tância da comunicação; motivação, incentivo e remu- neração competitiva; feedback, feedforward, programa de coaching e mentoring; tomada de decisão, delega- ção e administração de conflitos; valores e ética profis- sional; avaliação de desempenho e acompanhamento, entre tantas outras. A gestão de pessoas e o atual contexto compe- titivo internacionalizado contemplam:  O contexto com amplos processos de mudança organizacional, com consequente mudanças nas
  • 11. revista educação 27 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco jetivo estabelecido. A diferença entre líder e liderança está na função e não no indivíduo, ou seja, o líder é o indivíduo; já, a liderança é a função ou atividade que esse indivíduo executa. A liderança agrega dois papéis: 1. O de guia - líder visionário que assinala um ca- minho adiante, transmitindo a missão e valores da organização, grupo ou comunidade. 2. O de educador - líder que estimula o desenvol- vimento das competências dos seus liderados. Neste contexto, destacam-se as lideranças dis- sonante e ressonante. A liderança dissonante é aquela que não mantém contato com os sentimentos do gru- po, exercida de maneira totalmente imparcial. A lide- rança ressoante é aquela que se preocupa em sintoni- zar as emoções e anseios do líder com as emoções e anseios da equipe (liderados). A liderança depende de vontade e iniciativa, ao contrário do que muita gente imagina, a liderança não é inata e nem depende das condições sociais, mas, fundamentalmente, da vontade individual. A liderança tem algumas implicações:  Observação e busca por resultados;  Criação e manutenção do clima e da cultura or- ganizacional;  Decidir ou conduzir à decisão;  Trabalhar em equipe, montar equipes, gerenciar talentos;  Identificar características pessoais e do grupo;  Autodescobrimento e superação de dificulda- des;  Lidar com valores morais vigentes;  Estimular, orientar, compartilhar, reconhecer. Em relação ao aprendizado podemos destacar:  O líder e o aprendizado sobre si mesmo;  O líder e a convivência social (em relação a ges- tão de pessoas, a equipe);  O líder e a capacidade em lidar com críticas e fazer críticas;  O líder e a capacidade em lidar com conflitos e entender a importância deles na gestão de pes- soas; das soluções de problemas e a vivência teórico-práti- ca da área de sua atuação. O projeto pedagógico na educação corporativa baseia-se na andragogia, cooperativismo, entre outras práticas pedagógicas, utilizando atividades de cunho técnico-vivencial, correlacionadas ao dia a dia corpora- tivo, o que permite ao profissional interagir e associar o conteúdo teórico à prática. As empresas precisam ser cada vez mais fle- xíveis as mudanças, buscando ações de desenvolvi- mento dos recursos humanos e necessitam de pesso- as com características empreendedoras, inovadoras, com capacidade de liderança e tomadores de decisões mais acertadas, neste sentido, a pedagogia empresa- rial tem papel importantíssimo na gestão de pessoas. 8. A GESTÃO DE PESSOAS E DESENVOLVIMENTO GERENCIAL O momento é de intensas mudanças, todos os dias somos atingidos pelas constantes transforma- ções, por conseguinte, o governo, as empresas, os profissionais, precisam se transformar em uma veloci- dade jamais vista. Nota-se no dia a dia corporativo, em geral, que as pessoas não são contra as mudanças, elas são contra a possibilidade de serem mudadas, por esse motivo, há uma enorme dificuldade, por parte considerável dos profissionais, em relação ao novo, ao inusitado e ao inesperado. Outro item importantíssimo na gestão de pesso- as é o papel do líder e o seu estilo de liderança nesse processo. Neste contexto pergunta-se o que é ser lí- der? Líder do quê? Líder de quem? Como é ser líder? Quais as implicações em ser líder? Quais as vanta- gens em ser líder? Quais os maiores desafios? A liderança, neste novo contexto organizacional, é baseada em valores, e para liderar não é suficiente apenas possuir habilidades técnicas, como: conheci- mento específico, qualidade total, produtividade, pla- nejamento estratégico, capacidade em aumentar a produtividade, a competitividade etc. Implica em en- tender o mundo interno das pessoas, o que é impor- tante para elas, o que as motiva, como se sentem. A liderança pode ser definida como o processo de influência pelo qual o líder, com suas ações, orienta de forma compartilhada seus liderados rumo a um ob-
  • 12. revista educação 28 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco  O líder e a identificação e a forma em lidar com os próprios sentimentos. (especialmente na re- lação amor-ódio) O fator humano nas empresas é o diferencial nas empresas de sucesso, um denominador comum entre aquelas que atingiram posições consolidadas. Não basta as empresas buscarem manter seus pro- fissionais motivados, os profissionais precisam fazer a sua parte, se quiserem ser inseridos nessa nova reali- dade empresarial. Uma nova configuração entre a liderança e os liderados ocorrerá a partir de uma inter-relação basea- da na confiança e valorização nas relações humanas, isso demanda um exercício solidário, cada vez mais presente, entre líderes e liderados, por meio da cons- trução de uma base sólida que norteará todos os ní- veis da empresa. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que se preconizem inovações nas orga- nizações, o componente intelectual demonstra ser indispensável à aprendizagem corporativa e o papel do pedagogo empresarial, porque tudo parece indicar que somente com uma articulação de nível intelectual poderemos avançar no âmbito da qualificação profis- sional desejada. Essa articulação compreende a inte- ração com a realidade, por meio do questionamento constante das práticas educativas empregadas pela empresa. Diante dessas transformações nas organiza- ções surge a necessidade de novas formas de apren- dizado e a construção de novos saberes. Cada vez mais as organizações descobrem a importância da educação no trabalho e a influência da ação educativa do pedagogo na empresa. Nesse sentido, cabe ao pedagogo empresarial apresentar estratégias e metodologias que garan- tam um processo ensino-aprendizagem motivador de melhores resultados econômico-financeiro, além de ser capaz de provocar mudanças comportamentais, ampliando o desempenho profissional e pessoal. O pedagogo empresarial precisa de uma forma- ção filosófica, humanística e técnicas – competências e habilidades na área pedagógica, mas vai além disso, sua formação precisa estar associada a um amplo co- nhecimento na área de gestão empresarial. O foco principal do trabalho do pedagogo em- presarial está direcionado a formação, qualificação e requalificação de profissionais; a interação com todos os níveis hierárquicos, promovendo ações de recipro- cidade, de trocas mútuas, por meio de suas ações de ensino, aprendizagem e humanização. O pedagogo empresarial tem a capacidade e conhecimentos necessários para identificar, selecio- nar e desenvolver pessoas para o âmbito empresarial. Este profissional deve possuir competências para tra- balhar com Recursos Humanos, exercer a liderança e executar projetos. O foco da gestão de pessoas deve firmar-se na amplitude das atitudes, ações e decisões dos empre- gados envolvidos em qualquer projeto, procurando ajustar o foco das suas atenções; atender suas neces- sidades e aspirações; ultrapassar os obstáculos inter- nos e externos que possam desfavorecer o atingimen- to do objetivo, seja ele empresarial ou pessoal. A humanização e satisfação nas empresas es- tão, indiscutivelmente, cada vez mais dependentes das políticas de qualidade de vida no trabalho desen- volvidas pela organização, associadas a liberdade e responsabilidade compartilhadas, tanto por líderes, quanto por liderados. As empresas precisam reconhecer a impor- tância do pedagogo na empresa por tratar-se de um profissional habilitado para trabalhar com a educação corporativa, porque é mais vantajoso e lucrativo man- ter um funcionário melhor qualificado, visto que, a ca- pacitação profissional o motivará a crescer e a produzir mais na empresa e na vida pessoal. A empresa tradicional, não conseguirá atingir a transposição entre uma empresa tradicional focada no produto para uma empresa contemporânea focada no cliente, se não entender o papel fundamental que as pessoas exercem nesse novo contexto. A liderança precisa ser o agente de mudança interno na empresa e promover essas alterações nos valores, crenças e na sua forma de agir, acompanha- do claro, de profissionais com uma nova mentalidade, portadores de várias habilidades e competências. A empresa, no entanto, deverá estabelecer ações que garantam aos profissionais uma atmosfe-
  • 13. revista educação 29 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco ra que favoreça a autonomia, a responsabilidade e a capacidade de compreenderem o papel que devem desempenhar na organização. Entendendo que o processo de ensino-aprendizagem, a geração, a apli- cação e transmissão do conhecimento são, hoje, os motores de geração de vantagens competitivas em re- lação aos concorrentes e a gênese de riquezas para as organizações. O plano de aprendizagem organizacional per- mite estabelecer e fortalecer certas competências nos gestores, por exemplo, iniciativa, criatividade, habili- dade de relacionamento interpessoal, liderança, agre- gadas ao conhecimento e a prudência, essenciais à elaboração da estratégia e à tomada de decisão. O plano de aprendizagem organizacional re- quer, além da iniciativa de caráter estrutural, uma nova orientação pedagogia empresarial. Esse novo rumo deve orientar a estratégia, mas motivada pela forma- ção e pelo desenvolvimento do capital intelectual. A formação das pessoas é essencial ao desen- volvimento de novos conhecimentos e, a partir deles, gerar novas competências e habilidades, pressupondo o conhecimento de novos processos, novas tecnolo- gias, atitudes e comportamentos compatíveis com as atribuições a serem desempenhadas pelos profissio- nais na empresa. A cultura da aprendizagem difere dos tradicio- nais modelos de treinamento e desenvolvimento. Esse novo processo baseia-se em vários padrões, não po- dendo ser representado por um processo único ou pré -estabelecido, mas por um conjunto de medidas que envolvem todos dentro da empresa. O conhecimento não deve ser visto como um fim último para as empresas, mas como uma ferramenta que se adquire em um novo processo de aprendiza- gem organizacional. Por que a educação corporativa é baseada na gestão do conhecimento, componente capaz de mudar o sentido da administração empresa- rial tradicional. Conclui-se que há um forte inter-relacionamento entre o campo de atuação e a relação existente entre a formação e a prática profissional do pedagogo na empresa; o processo e a inserção da educação corpo- rativa à estratégica nas organizações; o projeto peda- gógico; a educação corporativa e a gestão de pessoas. Apesar de se tratar de uma pesquisa bibliográ- fica foi possível apontar a urgente necessidade de se repensar o modelo tradicional de treinamento e de- senvolvimento nas empresas, substituindo-se por um modelo na qual a pedagogia empresarial, a educação corporativa e a gestão de pessoas sejam entendidas como instrumentos que fazem parte de uma mesmo construto, voltados a oferecer alternativas eficazes e eficientes à gestão organizacional. Ainda que o objetivo da presente pesquisa tenha sido atingido, vale salientar que as limitações impostas pelo campo teórico, por meio da pesquisa bibliográfica, ficam evidentes e, como sugestão para pesquisas futu- ras, sugere-se a investigação por meio de uma pesqui- sa exploratória que incorpore os elementos de análise das inter-relações entre a pedagogia empresarial, a educação corporativa e a gestão de pessoas e os di- versos agentes envolvidos nesse processo, capaz de mensurar o grau de desenvolvimento em uma empresa, permitindo aprofundar a compreensão das potencialida- des, limitações e suas implicações desse processo.
  • 14. revista educação 30 revista educação v.14, n.1, 2019 A PEDAGOGIA EMPRESARIAL, A EDUCAÇÃO CORPORATIVA E A GESTÃO DE PESSOAS Valdec Romero Castelo Branco REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. Pedagogia empresarial: saberes, práti- cas e referências. Rio de Janeiro: Brasport, 2006. ALVES, Nilda; GARCIA, Regina Leite. A construção do conhecimento e o currículo dos cursos de formação de professores na vivência de um processo. In: LINHA- RES, Célia et. al. Formação de professores: pensar e fazer. São Paulo: Cortez, 2006. ANDRADE; Marcos Eduardo de; CUNHA, Marion Ma- chado. Pedagogia empresarial: o pedagogo fora da sala de aula. Revista Eventos Pedagógicos. v. 5, n.2 (11. ed.), número regular, p. 221 - 230, jun./jul. 2014. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educa- ção. São Paulo: Moderna,1996. AZANHA, José Pires. A escola de cara nova: pla- nejamento. São Paulo: SE/CENP, 2000, p. 18-24. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br>. Acesso em: 24 out. 2007. BRANCO, Valdec Romero Castelo. Avaliação na es- cola: muito mais que um processo para mensurar re- sultados. Artigo Científico Publicado na Revista CON- TEXTO Radial: Faculdades Radial, n. 9, dez. 2007. ISSN 1806-0579. São Paulo: Radial, 2007a, p. 29-44. CLARO, José Alberto C. dos Santos; TORRES, Ma- riana de Oliveira F. Pedagogia empresarial: a atuação dos profissionais da educação na gestão de pessoas. Revista Contrapontos - Eletrônica, v. 12, n. 2, p. 207-216, maio/ago. 2012. DELORS, Jacques. Educação um tesouro a desco- brir. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2003. CAMPOS, Silmara de; PESSOA, Valda Fontenele. Discutindo a formação de professoras e de profes- sores com Donald Schön. In: GERALDI, Corinta M.; FIORENTINI, Dario; PEREIRA, Elisabete M. de Aguiar. Cartografias do trabalho docente. Campinas: Mer- cado das Letras, 2003. FAZENDA, Ivani C. A. Práticas interdisciplinares na escola. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 17. FLEURY, Maria T. L. (Coord.). As pessoas na organi- zação. São Paulo: Gente, 2002. GIL, Antonio Carlos. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2001. GRECO, Myriam Glória. O pedagogo empresarial. Rio de Janeiro: Universidade Veiga de Almeida, 2005. JAPIASSU, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976. LUZ, Marcello Costa; FROM, Danieli Aparecida. Peda- gogia empresarial e educação corporativa: o pedagogo na empresa para quê? Vitrine Prod. Acad., Curitiba, v. 4, n. 2, p. 183-195, jul./dez. 2016. MACÊDO, Ivanildo Izaias de et. al. Aspectos com- portamentais da gestão de pessoas. 4. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2005. MEISTER, Jeanne. C. Educação corporativa. São Paulo: Makron Books, 1999. MELLO, Guiomar Namo de. Formação inicial de pro- fessores para educação básica: uma (re)visão radi- cal. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov. br/prf_a.php?t=003.>. Acesso em: 14 fev. 2008. NOGUEIRA, Rodrigo dos Santos. A importância do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Universidade Veiga de Almeida, 2005. OLIVEIRA, Ligia Bitencourt. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo nas organizações. VI Colóquio Internacional – Educação e Contemporaneidade. São Criatovão-SE/Brazil, 20 a 22 de setembro de 2012. PAIVA, Cirlei. Projetos. Material de aula da disciplina Interdisciplinaridade II do Curso de Pós-Graduação em Didática do Ensino Superior da Faculdade Anchieta, 2008. PASSONI, Mariana Daiane; ARRUDA, Aparecida Luvi- zotto Medina Martins. A importância do pedagogo em- presarial. Revista Eletrônica Saberes da Educação, v. 6, n. 1, 2015. PIMENTA, 1996:62-63 apud MONTEIRO, Silas Bor- ges. Em busca de conceituação de epistemologia da prática. Disponível em: <http://www.anped.org.br/ reunioes/24/P0461051970573.doc>. Acesso em: 24 out. 2007. RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia em- presarial: a atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wark, 2003. RIOS, Terezinha Azeredo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2003. SÁ, Lúcia Helena Alves de. Paulo Freire: educar para esperançar. Centro de Ensino Fundamental 104 Norte, Brasília, DF. Disponível em: <http://www.projetomemo- ria.art.br/PauloFreire/pecas_culturais/redacao/alfa03. html>. Acesso em: 30 jul. 2008.