Monografia Gracielle Pedagogia 2009

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Pedagogia 2009

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Monografia Gracielle Pedagogia 2009

  1. 1. 11 INTRODUÇÃO O interesse de estudar sobre a atuação do pedagogo nas empresasnasceu da nossa trajetória profissional e acadêmica. Por muitos anos,desempenhando funções técnicas em empresas de médio e grande porte, otrabalho educativo sempre esteve presente em nossas atividades diárias. Aospoucos, devido ao interesse e habilidade natural em lidar com a dinâmica doensinar e aprender desenvolvida nas empresas foram surgindo oportunidadesde crescimento profissional na área de Recursos Humanos que nos possibilitoua buscar sempre mais conhecimentos no tocante à educação, humanização ecapacitação de pessoas. Porém, apesar do sucesso que o trabalho vinhaalcançando, a prática pedagógica desenvolvida era carregada deinformalidade, resultado de uma indevida dicotomia entre a teoria e a prática,gerada pela formação extremamente técnica e pela falta de conhecimentossobre a ciência da educação. Constatamos, então que, para tornar a prática educativa mais eficaz, sercapaz de trabalhar com maior rigor conceitual, sistematizar adequadamente osconhecimentos, ter uma clara definição dos fins a serem atingidos pelostreinamentos e escolher os meios mais eficazes a serem utilizados, era precisofazer algum curso que proporcionasse o conhecimento necessário paradesenvolver o processo educacional. Foi então que o curso de graduação dePedagogia na Universidade do Estado da Bahia – Campus VII nos fezapaixonar ainda mais pela educação de pessoas. Apesar do curso a priori estardirecionado à educação formal escolarizada, tornou-se bastante útil eaproveitável para as atividades na educação organizacional. À medida que o curso prosseguia, mais e mais, a presença doprofissional de Pedagogia nas organizações se fazia mais importante, pois, osprincípios filosóficos, sociológicos e antropológicos, as metodologias, adidática, a teoria do trabalho por projetos, dentre outros conteúdos estudados,muito contribuíam para o desenvolvimento e sucesso dos trabalhos educativos
  2. 2. 12na empresa. Porém, isto não era suficiente e a busca pela transposição dossaberes pedagógicos à realidade organizacional era árdua e solitária, pois oprojeto pedagógico do curso de Pedagogia não contemplava nenhum conteúdoespecífico com enfoque para a área de Gestão de Pessoas, que favorecesse odesenvolvimento do processo educacional desenvolvido nas empresas. Entretanto, partindo da nossa experiência pessoal na empresa Embasa– Empresa Baiana de Águas e Saneamento/ UNS – Unidade de Negócios deSenhor do Bonfim – BA, exercendo atividades na Gestão de Pessoaslaboramos este trabalho de conclusão do curso de Pedagogia com habilitaçãoem Docência e Gestão dos Processos Educativos, evidenciando a necessidadeda atuação do Pedagogo como educador organizacional e parceiro dos demaisprofissionais nos setores de Recursos Humanos. Neste trabalho, procuramos contribuir para o conhecimento sobre aeducação do trabalhador promovido pelas empresas e proceder à análisedeste processo pelo viés da Pedagogia que se ocupa do ensino-aprendizagemnas organizações empresariais. Para tanto, foram utilizadas pesquisas bibliográficas enriquecedoras quenortearam o nosso trabalho concernente à grande contribuição desseprofissional nos diversos setores organizacionais e a nossa metodologia detrabalho, constituiu-se, na primeira parte, em uma revisão bibliográfica daprodução acadêmica encontrada sobre o tema, o diálogo e a identificação desemelhanças e contrapontos presentes nas idéias de autores dedicados àsáreas de Gestão de Pessoas com autores da Educação e Trabalho, e entreaqueles das áreas de Educação e os da Pedagogia Empresarial (Amaral,Ribeiro, Chiavenato, Martins, Ferreira, Bom Sucesso, Pimenta, Almeida,Lopes, Santos, Libâneo, Greco, entre outros). Na segunda parte, constituída pela pesquisa in lócus, identificamos,através de questionário fechado e entrevistas aos gestores e componentes da
  3. 3. 13Embasa/UNS - Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim-BA, a respeito daimportância da atuação do Pedagogo na Gestão de Pessoas, para através daanálise dos discursos destes profissionais, elucidarmos as questõespesquisadas. As principais questões que nortearam este trabalho e constituíram parteimportante para situar o contexto e a problemática da pesquisa foramreferentes ao conhecimento do perfil do Pedagogo que atua nas organizaçõesempresariais e sua visão sobre a profissão, a contribuição que dá aodesenvolvimento profissional do trabalhador, as suas opiniões sobre oprocesso educativo realizado pelas empresas e, especialmente, o que constituio nosso objeto de estudo, os saberes utilizados e mobilizados por ele para estaprática educativa. Sob o ponto de vista da educação e do mundo do trabalho, este trabalhoobjetiva, sobretudo, trazer a educadores, empresários e gestores, um novoenfoque acerca da necessidade de uma abordagem pedagógica nosprogramas de educação desenvolvidos nas empresas, no sentido de que oprocesso de ensino-aprendizagem que se processa nas organizaçõesempresariais possa contribuir para a educação integral do trabalhador e para aconstrução de sua cidadania. Em relação à área da Pedagogia, o objetivo é trazer, através da leituradeste trabalho, uma oportunidade de reflexão e tomada de decisão em relaçãoao desenvolvimento dos saberes necessários à atuação do Pedagogo, paraque tanto estes, quanto os seus formadores, possam vislumbrar nasorganizações empresariais espaços para o desenvolvimento de umaverdadeira prática educativa, benéfica ao trabalhador, à sociedade e ao próprioPedagogo enquanto profissional. A Educação na empresa é uma ferramenta que tem como princípioaprender e aplicar. Os programas de capacitação técnica e a valorização
  4. 4. 14profissional produzem um grau elevado de desenvolvimento profissional emotivação pessoal para os trabalhadores. Nessa perspectiva, surgem alguns questionamentos a serem abordadosno decorrer deste trabalho:a) Qual a contribuição do profissional de pedagogia nas organizaçõesempresariais?b) Como a Pedagogia Empresarial tem ganhado cada vez mais espaço nomercado mundial de trabalho?c) Até que ponto a ação educativa está inserida na Gestão de Pessoas? Equal a importância de atuação do Pedagogo nesses setores?d) Qual a visão dada pelos gestores e componentes da Embasa/UNS emrelação à contribuição desenvolvida pelo pedagogo empresarial nestaempresa?
  5. 5. 15 CAPÍTULO I1.1 – O Pedagogo: Novas Perspectivas de Atuação As transformações ocorridas no Brasil e no mundo nesses últimostempos, decorrentes de um conjunto de eventos políticos, técnicos, sociais eeconômicos, estão associadas ao processo de reestruturação produtiva e fezas instituições de ensino, cientistas, pesquisadores e empresas voltarem suaatenção para a necessidade de desenvolvimento das pessoas no contextoempresarial. A reestruturação produtiva torna-se possível pela difusão de inovaçõestecnológicas e organizacionais nas cadeias produtivas e pela reorganizaçãodos mercados internos e externos em cada país. A globalização que seconsolida no mercado mundial com o advento da Internet muda as relações deconsumo e o comportamento do consumidor. As formas como as pessoas secomunicam e se relacionam passam a ser fator de peso no encaminhamentoda sua formação profissional. A formação profissional não cessa com aconclusão de um curso. Qualquer que seja, ela precisa continuar e acomodar-se no espírito do profissional sob pena de dissipar-se e desaparecer com otempo. Qualificar pedagogos e administradores para atuarem no âmbitoempresarial, visando os processos de planejamento, capacitação, treinamento,atualização e desenvolvimento do corpo funcional da empresa é o foco daPedagogia Empresarial. As mudanças nos requisitos de qualificação dosprofissionais podem tanto potencializar os mecanismos de exclusão socialeconômica, quanto pode significar, aliado as propostas mais amplas deredemocratização da sociedade, instrumento importante de construção dacidadania, inclusão social, inclusão digital e crescimento econômico do país.
  6. 6. 16 Neste sentido, torna-se imprescindível no interior das empresas, órgãospúblicos, instituições educativas e escolares de todos os níveis, Infantil,Fundamental, Médio, Superior, Jovens e Adultos e Profissionalizantes, apresença de profissionais com conhecimentos especializados em educação,qualificados na gestão, organização, planejamento, avaliação, seleção,recrutamento e treinamento de funcionários. A educação assume granderelevância perante essa reestruturação do mundo do trabalho. No universoprodutivo, portanto, faz-se necessário que o profissional da educação, dotadode bases teóricas e metodológicas sólidas, assuma um espaço de formaefetiva no interior das organizações. De fato, a sobrevivência em mercados competitivos exige posturasinovadoras, arrojadas e principalmente, calcados de reconhecimento evalorização do ser humano, alicerce fundamental a qualquer negócio.(CHIAVENATO, 1992, p. 52) A atuação desse novo profissional precisa ocorrerde forma relacionada e cooperativa com a dos outros profissionais de gestão.Assim será possível elaborar e consolidar planos, projetos e ações que visemcolaborar para a melhoria da atuação dos funcionários, bem como paramelhorar o desempenho da empresa. O que o pedagogo empresarial busca é efetivar os saberes corporativose com o seu domínio colaborará para a melhoria do clima organizacional, daqualidade laboral, da qualidade de vida e aumento da satisfação pessoal detodos. A atuação do pedagogo empresarial está aberta. É ampla e extrapola aaplicação de técnicas visando estabelecer políticas educacionais no contextoescolar. Sua atuação avança sobre as pessoas que fazem as instituições eempresas de todos os tipos, portes e áreas. A contemporaneidade revela uma“sociedade pedagógica” (Beillerot, 1985, p. 41), revelando amplos campos deatuação pedagógica, definindo ao pedagogo duas esferas de ação educativa:escolar e extra-escolar.
  7. 7. 171.2 – O Pedagogo Escolar x Extra-Escolar: Formação e Área de Atuação A educação está inserida nos diversos campos da sociedade, como:família, escola, organizações etc., ou seja, ela vai além do sistema educacionalformal. O indivíduo passa por processos educativos constantemente,interferindo assim no seu comportamento de forma cognitiva, social e afetiva.Esses conhecimentos são transmitidos através de reportagens sobre variadostemas, como meio-ambiente, drogas, saúde e etc. É uma forma deconscientizar as pessoas para um determinado problema. Libâneo (2000) refere que o pedagogo está inserido em dois espaços naprática educativa: a escola e a extra-escola. No campo da ação pedagógicaescolar destacam-se três tipos de atividades:a) a de professores do ensino público e privado de todos os níveis de ensino edos que exercem atividades correlatadas fora da escola convencional;b) a de especialista da ação educativa escolar operando nos níveis centrais,intermediários e locais dos sistemas de ensino (supervisores pedagógicos,gestores, administradores escolares, planejadores, coordenadores orientadoreseducacionais, etc);c) Especialistas em atividades pedagógicas paraescolares atuando em órgãospúblicos, privados e públicos não-estatais, envolvendo associações populares,educação de adultos, clínicas de orientação pedagógica/psicológica, entidadesde recuperação de deficientes etc, (instrutores, técnicos, animadores,consultores, orientadores, clínicos, psicopedagogos, etc.) No campo extra-escolar destacam-se profissionais que exercem deforma sistemática atividades pedagógicas e os que ocupam apenas parte deseu tempo nestas atividades:
  8. 8. 18a) formadores, animadores, instrutores, organizadores, técnicos, consultores,orientadores, que desenvolvem atividades pedagógicas (não-escolares) emórgãos públicos, privados e públicos não-estatais, ligadas às empresas, àcultura, aos serviços de saúde, alimentação, promoção social etc;b) formadores ocasionais que ocupam parte de seu tempo em atividadespedagógicas em órgãos públicos estatais e não estatais e empresas referentesà transmissão de saberes e técnicas, ligados à outra atividade profissionalespecializada. O campo da atividade pedagógica extra-escolar é extenso. Inclui-se toda a gama de agentes pedagógicos que atuam no âmbito da vida privada e social: pais, famílias, trabalhadores voluntários em partidos políticos, sindicatos, associações, centros de lazer, etc. (PIMENTA, 1998, p. 125) Dentre as atividades pedagógicas no campo extra-escolar, a empresa sedestaca por reconhecer gradativamente a necessidade de desenvolverpessoas. A fase em que o empregado era visto apenas como executante detarefas está sendo superada. Hoje o empregado passa a ser incentivado aoauto-conhecimento, a empresa necessita ter pessoas com um elevado grau deconhecimento para garantir a qualidade de seus produtos. Isto se tornapossível à medida que os empregados desenvolvem seu senso criativo e agemde forma eficaz diante da solução de problemas, ou seja, o empregado deveadquirir competências cognitivas e comportamentais e isso só é possívelatravés da educação. Tais observações nos levam a refletir sobre a inclusão do pedagogo emoutros campos de atuação, visto que, existe caráter intencional na educaçãoempresarial, portanto é necessária uma ação pedagógica. Desse modo, o curso de pedagogia deveria levar em consideração aquestão dessa intencionalidade da educação e desenvolver o pedagogotambém para atuar em outras áreas profissionais.
  9. 9. 19 Para Libâneo (2000, p.56) “A sociedade foi se tornando cada vez maispedagógica, enquanto a quantidade e qualidade profissional dos pedagogosforam diminuindo”. Diversificar as ações do pedagogo significa valorizar o seu papel nasociedade, pois sabemos que existe de certa forma, uma desvalorização desseprofissional no mercado de trabalho no momento que ele parte em busca deoutro campo de atuação. Para a sociedade o pedagogo só tinha competências para desenvolvertrabalho no sistema educacional formal. Mas, felizmente esse paradigmaanteriormente arraigado tem sido substituído por novas perspectivas. Opedagogo aos poucos vem conquistando novos espaços de atuação não sócomo educador, mas também como construtor de idéias muito além dasescolas e instituições, contudo, para as empresas organizacionais que sãoescolas de produção. Diante de nossas experiências profissionais na empresa Embasa/UNSUnidade de Negócios de Senhor do Bonfim na área de Gestão de Pessoas, anossa questão de pesquisa é refletir neste presente estudo sobre a importânciada atuação do Pedagogo Empresarial na ação educativa organizacional bemcomo parceiro dos demais profissionais nos setores de Recursos Humanos. Nessa perspectiva, apresentamos os objetivos a serem propostos nessetrabalho distribuídos da seguinte forma:1.3 – Objetivos geral e específicos: 1.3.1 – Objetivo Geral: Analisar as ações educativas dentro daPedagogia Empresarial.
  10. 10. 20 1.3.2 – Objetivo Específico: Elucidar a relevância da presença dopedagogo na Gestão de Pessoas, e nos setores de Recursos Humanos paraos gestores e componentes da Embasa/UNS.
  11. 11. 21 CAPÍTULO II QUADRO TEÓRICO A fim de analisar e refletir acerca das práticas educativas dentro daPedagogia Empresarial, no decorrer deste capítulo, abordaremos a relevânciada presença do pedagogo nas organizações empresariais, através de nossasexperiências vivenciadas na área de Gestão de Pessoas da Embasa/UNS –Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim e utilizaremos os seguintesconceitos que nortearam o nosso estudo: Pedagogia, Pedagogia Empresarial,O Pedagogo Empresarial.2.1 – Pedagogia: Breve Histórico A Pedagogia é um tema muito rico, e por ser muito extenso requer muitoestudo e pesquisa. Depende não só das gerações passadas, dosdesbravadores deste campo, mas também das novas gerações deprofissionais ousarem e produzirem trabalhos e pesquisa com qualidadescientíficas para dar continuidade ao trabalho já começado. A história é o exercício da memória realizado para compreender opresente e para nele ler as possibilidades do futuro, mesmo que seja um futuroa construir, a escolher, a tornar possível. A utilidade da história da pedagogia não pode ser posta em causa. Não falo apenas da atracção que ela pode exercer, [pois] a história da pedagogia não pode ser encarada unicamente como um espetáculo agradável: ela é, de facto, uma escola de educação, uma das fontes da pedagogia definitiva. Quando se trata de física ou de
  12. 12. 22 química, a história destas ciências no passado não é mais do que um assunto de erudição e de curiosidade... Na ciência da educação, pelo contrário, como em todas as ciências filosóficas, a história é a introdução necessária, a preparação para a própria ciência. (COMPAYERÉ, 1911 apud CAMBI,1999, p. 11). Pedagogia: Segundo o dicionário Aurélio é “a teoria e ciência daeducação e do ensino. Conjunto de doutrinas, princípios e métodos deeducação e instrução que tendem a um objetivo prático. O estudo dos ideais deeducação, segundo uma determinada concepção de vida, e dos meios(processos e técnicas) mais eficientes para efetivar estes ideais. Por fim,profissão ou prática de ensinar”. Para Pimenta (1998, p. 15) o centro da definição para a pedagogia é “areflexão sobre a prática educativa que se efetiva através e por meio dasdiversas Ciências Sociais e Humanas, procurando delimitar o “ser” do atoeducativo”. Segundo Cambi (1999, p.21) a história da pedagogia no sentido próprionasceu entre os séculos XVIII e XIX e desenvolveu-se no decorrer deste últimocomo pesquisa elaborada por pessoas ligadas à escola, empenhadas naorganização de uma instituição cada vez mais central na sociedade moderna(para formar técnicos e para formar cidadãos), preocupados, portanto emsublinhar os aspectos mais atuais da educação-instrução e as idéias mestrasque haviam guiado seu desenvolvimento histórico. A Grécia Clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. Noinício, na paidéia grega haviam ali “paidagogos” que significa “aquele queconduz a criança” (Aranha, 1996, p.41), ou, neste caso, o escravo queacompanha a criança para o local da relação ensino-aprendizagem; não eraexclusivamente um instrutor, ao contrário, era um condutor, alguémresponsável pela melhoria da conduta geral do estudante, moral e intelectual.No passado este era um simples escravo ou servo, tinha a norma para a boaeducação. Se por acaso, precisasse de especialistas para a instrução,conduzia a criança até lugares específicos, os lugares próprios para o "ensino
  13. 13. 23de idiomas, de gramática e cálculo", de um lado, e para a "educação corporal"de outro. O pedagogo (paidagogo) transportava a pequena bagagem de seujovem amo e a lanterna que servia para iluminar o caminho. Por vezes atétransportava a própria criança, se esta estivesse fatigada. E na educação romana percebemos três fases: a latina original, denatureza patriarcal; depois, a influência do helenismo (movimento grego) écriticada pelos defensores da tradição; por fim, dá-se a fusão entre a culturaromana e a helenística. A educação na idade média se resume a uma frase: a formação dohomem de fé. Os parâmetros da educação na idade média se fundam naconcepção do homem como criatura divina, de passagem pela Terra e quedeve cuidar, em primeiro lugar, da salvação da alma e da vida eterna.Predomina a visão teocêntrica, a de Deus como fundamento de toda a açãopedagógica e finalidade da formação do cristão. Quanto às técnicas de ensinar,a maneira de pensar rigorosa e formal cada vez mais determina os passos dotrabalho escolar. O mundo antigo coloca como central a figura do pedagogo,significativamente ativa na vida do indivíduo, reconhecendo-lhes as qualidades. No decorrer do tempo, a Pedagogia, com seus objetivos e currículopertinentes progredia, frente a novas exigências e novas fórmulas educativas,novos sujeitos dos processos formativos, educativos e novas orientaçõespolítico-culturais. A partir do século XXI, o universo da pedagogia se mostracomo que envolvido numa complexa fermentação, atravessado por impulsosradicais. A pedagogia, como bem nos aponta o verbete do dicionário, trabalhacom uma série de técnicas, fundamentações teóricas, experiência,conhecimento elaborado, com ideais educativos que passam a ser ideais devida. É um saber em transformação, em crise e em crescimento, atravessadopor várias tensões, por desafios novos e novas tarefas, por instâncias de
  14. 14. 24radicalização, de autocrítica, de desmascaramento de algumas ou de muitasestruturas. É um saber que se reexamina, que revê sua própria identidade,que se reprograma e se reconstrói, fixando novas fronteiras, elaborando novosprocedimentos. Portanto, a pedagogia pode-se dizer, mobiliza o indivíduo porinteiro. Para Libâneo (2005, p.200), (...) o que justifica a existência da pedagogia é o fato de esse campo ocupar-se do estudo sistemático das práticas educativas que se realizam em sociedade como processos fundamentais da condição humana. A pedagogia, segundo o autor, serve para investigar a natureza, as finalidades e os processos necessários às práticas educativas com o objetivo de propor a realização desses processos nos vários contextos em que essas práticas ocorrem. Ela se constitui, sob esse entendimento, em um campo de conhecimento que possui objeto, problemáticas e métodos próprios de investigação, configurando-se como “ciência da educação”. O momento atual, de grandes transformações já não se contenta com aaquisição, pura e simples, da leitura e da escrita. Hoje, temos um mundoprofundamente alterado, não só em termos da pós-industrialização, mas,sobretudo, em relação às demandas humanas, repleto de várias culturas econhecimentos que ocupam uma parte fundamental na vida e formação decada indivíduo. Conhecer é mais do que obter as informações ou ter acesso a elas.Conhecer significa trabalhar as informações para que lhes sejam úteis. Oconhecimento é complexo, não pode, simplesmente, ser transmitido de umapessoa para outra, mas construído a partir do diálogo e da relaçãointerpessoal. Só pode ser compreendido no todo se for relacionado com outrosconhecimentos, com a subjetividade e com a realidade social do indivíduo. Também chamada de “ciência da prática educativa” por Da Costa (1981,p. 23), a pedagogia ora é tomada como tecnologia, ora como ciência, ora comofilosofia aplicada.
  15. 15. 25 A pedagogia – ciência tradicional da educação – sofre toda uma evolução conduncente à afirmação das ciências da educação. Transita-se assim, em primeira análise, de uma via unidisciplinar a uma outra multi ou pluridisciplinar que se exprime através de uma mutação terminológica, a qual passa, numa fase intermediária, pelas “ciências pedagógicas”. A passagem do singular ao plural é acompanhada, finalmente, por um lado, pelo abandono do vocábulo (“pedagogia”), por outro, pela introdução do termo “educação”. (DIAS DE CARVALHO, 1988, p.185) A reflexão sobre educação não se esgota jamais. O processo educativo,seja o formal transmitido pela escola, seja o não-formal desenvolvido eminstituições educativas fora dos marcos institucionais, seja o obtido através daexperiência de vida, não é efêmero e se presta a insistentes debates e intensoestudo.2.1.1 – Pedagogia: Avanços Frente à Modernidade A explosão dos negócios mundiais, acompanhada pelo avançotecnológico da crescente robotização e automação das empresas, nos fazantever profundas modificações no trabalho e, conseqüentemente, naeducação. Diante das transformações da alta tecnologia, que muda em poucotempo os produtos e a maneira de produzi-los, extingui então umas profissõese surgi outras. Daí a necessidade de uma educação permanente, que permitao acesso às informações, mediante uma auto-formação continuada. Diante dessas perspectivas, o pedagogo vai progressivamenteadquirindo outras funções, nomeadamente ao nível da responsabilidade morale do cuidado geral sobre a criança. Na verdade, ao acompanhar a criança àpalestra, tornava-se necessário protegê-la contra os perigos da cidade. Porpassar com a criança grande parte do dia, o pedagogo exercia sobre o seupupilo uma contínua vigilância. Não é, pois de estranhar que, pouco a pouco,lhe fosse confiada à educação moral do seu pupilo. E isto quer dizer que,apesar do seu caráter servil e de pouco prestígio que muitas vezes lhe era
  16. 16. 26atribuído, o pedagogo cuidava da educação moral da criança, das suas boasmaneiras e do seu caráter. A identidade profissional do pedagogo se reconhece, portanto, na identidade do campo de investigação e na sua atuação dentro da variedade de atividades voltadas para o educacional e para o educativo. O aspecto educacional diz respeito a atividades do sistema educacional, da política educacional, da estrutura e gestão da educação em suas várias modalidades, das finalidades mais amplas da educação e de suas relações com a totalidade da vida social. (PIMENTA, 1998, p. 119-120) A pedagogia precisa pensar-se a si própria em sua relação com aprática na qual se enraíza e a partir da qual e para a qual estabeleceproposições. Partindo por esse ponto de vista, Schmied-Kowarzik (1983, p. 15)salienta que: (...) a pedagogia não é apenas “uma diretriz no plano teórico da ciência da educação, mas a preocupação teórico-científica da fundamentação da pedagogia como ciência que, enquanto prática, não possui seu sentido em si mesma, mas na humanização da práxis”. A pedagogia tem efeitos disciplinares sobre a conduta humana e sobreos modos como pensamos, falamos e atuamos em relação a questõeseducacionais. Tem efeitos disciplinares sobre os modos como os indivíduos sevêem a si próprios e sobre os modos como agem sobre si mesmos, bem comosobre os modos como significam o mundo e as relações sociais e nelasinterferem.2.2 – Pedagogia Empresarial: Educação x Humanização A pedagogia deixou de ser apenas mais uma disciplina da área deeducação, entrou no mercado de maneira mais ampla, suprindo asnecessidades da sociedade e das empresas, onde seleção, treinamento econtínuo aperfeiçoamento são a garantia da produtividade, e requer atenção e
  17. 17. 27profissionais adequados na preparação dos profissionais da organização(SANTOS, 2004, p. 7). Almeida (2006, p. 06) afirma que o foco da Pedagogia Empresarial é“qualificar pedagogos e administradores para atuarem no âmbito empresarial,visando aos processos de planejamento, capacitação, treinamento, atualizaçãoe desenvolvimento do corpo funcional da empresa”. Nas empresas, os pedagogos atuam na área de Recursos Humanos, emsetores como: desenvolvimento e treinamento, recrutamento e seleção,desenvolvimento gerenciado. O pedagogo acompanha todo o desenvolvimentoprofissional do funcionário através de sua performance e acompanha oprocesso de avaliação de desempenho desse profissional, sendo assim, aproximidade e o acesso a todos os funcionários é constante, o que dá condiçãoa esse profissional de exercer um papel significativo no desenvolvimento dosempregados. Segundo Santos (2004, p. 4) a pedagogia moderna visa preparar opedagogo para uma atuação junto às empresas de vários ramos: tem sido aperspectiva de um novo e amplo campo de trabalho para pessoas que desejamtrilhar uma nova carreira empresarial, que não esteja ligada, diretamente, àsáreas administrativa e econômica. Visa a utilizar técnicas diferenciadas, quesão aplicadas de acordo com a necessidade do setor ou das pessoas emanálise. Conforme Ferreira (1985, p. 74) “um dos propósitos da Pedagogia naEmpresa é a de qualificar todo o pessoal da organização nas áreasadministrativas, operacional, gerencial, elevando a qualidade e a produtividadeorganizacionais”.
  18. 18. 28 É interessante perceber que a atuação do pedagogo na empresa temcomo pressupostos principais a filosofia e a política de recursos humanosadotadas pela Organização. O impacto das transformações da sociedade nas organizações possibilita constatar o destaque dado a pontos como competências necessárias ao profissional moderno: espírito de liderança, orientação para o cliente, orientação para resultados, comunicação clara e objetiva, flexibilidade e adaptabilidade, criatividade e pró- atividade e aprendizagem contínua. (LOPES, TRINDADE, CARVALHO e CADINHA, 2006) A competência humana é uma qualidade profissional indispensável parao êxito no mercado de trabalho. É preciso humanizar a competência para quesaibamos lidar com o próximo, principalmente porque a formação humana é ogrande diferencial para o sucesso profissional. Cabe à Pedagogia a busca de estratégias e metodologias que garantamuma aprendizagem melhor e com apropriação de informações econhecimentos, tendo como base sempre a realização de idéias, se ocupandobasicamente com os conhecimentos, as competências, as habilidades eatitudes diagnosticadas, indispensáveis à melhoria da produtividade. E, paraisso, implantar projetos, dentre eles: programa de qualificação, requalificaçãoprofissional, produção e construção de conhecimento, estruturar o setor detreinamento, desenvolver e adequar métodos de informação e da comunicaçãopara as práticas de treinamento (FERREIRA, apud RIBEIRO, 1985). A pedagogia empresarial existe, portanto, para dar suporte tanto emrelação à estruturação das mudanças quanto em relação à ampliação e àaquisição de conhecimento no espaço organizacional. O pedagogo empresarial“promove a reconstrução de conceitos básicos, como criatividade, espírito deequipe e autonomia emocional e cognitiva”. (LOPES, 2006, p. 74).
  19. 19. 29 A realidade empresarial requer, hoje, um apoio específico deprofissionais que permitam uma garantia de resultados e soluções para osproblemas existentes com rapidez e eficiência.2.2.1 – A Pedagogia Empresarial e a Gestão de Pessoas Uma mudança fundamental em escala mundial vem ocorrendo no meioambiente e no contexto interno das organizações. Nos dias de hoje em plenoséculo XXI presenciamos essas novas e significativas mudanças nasorganizações empresariais. Até o final da década de 1970 prevalecia nas empresas o modeloorganizacional vertical e compartimentado, onde as várias áreas vivenciavam“seu negócio” e se comunicavam através de canais formais de hierarquia. Comisso sua integração ficava comprometida e o nível de responsabilidade dosgerentes, reduzido ao limites de seus setores. Já nos anos 1990, com o advento da estruturação das organizações porprocessos e com a competitividade sendo mandatária na era da globalização,eliminaram-se as barreiras internas e os gerentes foram obrigados a assumirpapéis de “donos” do negócio. Os gerentes tiveram seu perfil a uma nova realidade e a gestão dosrecursos humanos que estivessem sob sua responsabilidade passou a fazerparte da sua rotina de trabalho. Com isso sua capacitação passou a incluirdisciplinas voltadas para a área de comportamento, condição fundamental paraque pudessem se comunicar melhor com os subordinados, compreendendomelhor seus problemas pessoais. É como se entende hoje por Gestão dePessoas.
  20. 20. 30 A evolução da Administração de Recursos Humanos para Gestão dePessoas passa, necessariamente, pelo conhecimento dos ambientes internos eexternos, pela participação efetiva do planejamento estratégico global daorganização, buscando a efetividade dos produtos e/ou serviços oferecidos aosclientes, aos fornecedores e aos clientes internos da organização. Chiavenato (2003, p.80) afirma que: A moderna gestão de pessoas procura tratar as pessoas como pessoas e simultaneamente como recursos organizacionais, mas rompendo a maneira tradicional de tratá-las meramente como meios de produção. E completa afirmando que “é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas, ou recursos humanos, incluindo, recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação de desempenho”. A Gestão de Pessoas vem passando por um amplo processo detransformação, na medida em que os sistemas tradicionalmente utilizadoscomo referencial - centrados em cargos - vem demonstrando fragilidadesdiante do ambiente turbulento e mutável pelo qual vem passando asorganizações. A visão empresarial aponta para a busca de um corpo funcionalsaudável, tanto física como mentalmente. O aumento da produtividade e odiferencial competitivo entre as empresas podem estar diretamente vinculadosao incentivo ao bem-estar da força de trabalho. A qualidade de vida nocotidiano e no trabalho, a saúde no trabalho e produtividade, as principaisdoenças ocupacionais, o prazer no exercício da função, a evolução histórica dotrabalho e a implantação de programas de qualidade e investimento na saúdeocupacional como estratégia corporativa, têm se tornado grandes instrumentosde trabalho nas grandes empresas. As organizações começam a entender que precisam participar da transformação dessa realidade, desenvolvendo programas de conscientização e apoio visando encontrar um equilíbrio entre trabalho e melhoria da qualidade de vida, uma vez que as
  21. 21. 31 dificuldades emocionais decorrentes da vida pessoal interferem de forma significativa no desempenho profissional. (BOM SUCESSO, 2002, p. 13) Esse novo conceito de estratégia corporativa mostra-se recente nahistória do trabalho e na visão dos empresários. Há espaço suficiente eevoluções no sentido de descartar os conflitos, o autoritarismo, o ser humanoconsiderado como mero recurso e as relações friamente concebidas e buscarum cenário de qualidade de vida, prazeroso e altamente satisfatório, em quetanto as expectativas da empresa quanto as do trabalhador possam seratendidas. De suma importância é a atenção prestada ao ser humano – o homempor trás da máquina. Feliz em sua colocação, Bom Sucesso (2002, p.13)coloca que “O mais forte desafio tem sido viver com qualidade em um mundode alto desenvolvimento tecnológico e baixo desenvolvimento humano”.2.3 – O Pedagogo Empresarial O envolvimento das pessoas nas organizações nos chama atenção parao desafio no sentido de obter o compromisso da mudança constante dosenvolvidos. Compreender intelectualmente a necessidade e as vantagens damudança parece lugar comum. Agir de modo diferente do que têm feito é oponto crucial para as organizações. Treinamento e programas de formaçãoprofissional sustentam as mudanças e possibilitam melhores resultados commelhor qualidade de vida. Na perspectiva das mudanças nas organizações, asáreas da Gestão de Pessoas e da Pedagogia Empresarial estão sendochamados a responder de forma mais efetiva em termos da sua realcontribuição para o desempenho global da organização. Uma das alternativasmetodológicas, neste contexto, é a gerência de projetos que permite uma
  22. 22. 32capacitação de pessoas e o aumento da produtividade tanto em nível pessoalquanto organizacional para a valorização do ser humano nas empresas. No contexto em que mudanças ocorrem a todo o momento, aorganização precisa estar alinhada em torno de definições estratégicas claras,sustentadas por uma gestão com amplo envolvimento e participação. Umaorganização que pretende ter de si mesma uma visão estratégica precisa levarem conta que há um fluxo de conhecimentos que afeta a produção como umtodo. É preciso, portanto, estabelecer um compromisso com a força detrabalho, baseado em respeito mútuo em uma comunicação aberta, ou seja,com o envolvimento dos clientes internos e externos. O momento atual exigeampla transformação, uma nova "filosofia de gestão", o que implica umagrande mudança no paradigma anterior. Torna-se fundamental a criação de novas formas organizacionais emtorno de equipes e processo. De acordo com Martins (2003), as funções desempenhadas peloPedagogo dentro de uma companhia estão em constante movimento, já quesão influenciadas por diversos fatores, como o desenvolvimento tecnológico, acompetitividade e as exigências de mercado. Geralmente os pedagogos são responsáveis pelo programa deintegração de novos funcionários, ou seja, eles têm a responsabilidade deveicular, nos primeiros momentos do empregado novo na empresa todas asinformações que precisam saber sobre a organização e sobre a atividade queirá desenvolver. O momento da integração é fundamental para a empresa porque énesse momento que, além de transmitirem informações sobre a instituição,
  23. 23. 33informações técnicas, burocráticas, passa-se à ideologia da organização, àcultura, à missão, aos valores e às expectativas com relação ao trabalhadorque está entrando na Organização. Ou seja, o Pedagogo começa a exercerpoder e influência a partir do primeiro momento em que o trabalhador coloca ospés na empresa, é ele que mostra “a cara” da empresa. De acordo com Lorenzo (2007), o Pedagogo não é mais só oprofissional que atua no ambiente escolar. Ao contrário, dispõe de uma imensaárea de atuação, tais como: empresas de diversos setores, ONGS, editoras,sites, consultorias especializadas em T&D e em todas as áreas que requeiramum trabalho educativo. O Pedagogo dentro da Gestão de Pessoas acompanha todo odesenvolvimento profissional do funcionário, através de sua performance,viabilizando cursos internos e externos, técnicos ou comportamentais,palestras, cursos de idiomas e acompanha o processo de avaliação dedesempenho desse profissional. Sendo assim, a proximidade e o acesso atodos os funcionários é constante, o que dá condição a esse profissional deexercer um papel significativo no desenvolvimento dos empregados. A tarefa do Pedagogo Empresarial é, entre outras, a de ser o mediador eo articulador de ações educacionais na administração de informações dentrodo processo contínuo de mudanças e de gestão do conhecimento. Gerenciarprocessos de mudança exige novas posturas e novos valores organizacionais,características fundamentais para empresas que pretendem manter-se ativas ecompetitivas no mercado. Um outro aspecto do trabalho que o pedagogo pode vir realizar naempresa se refere à elaboração de programas instrucionais ou diretrizesdidáticas. Nas empresas podemos constatar que todas elas fazem umplanejamento prévio das etapas de treinamento contendo conteúdos, objetivos,técnicas e avaliação, porém esse planejamento é realizado sem suporte
  24. 24. 34educacional, ainda que o objetivo seja a qualificação dos trabalhadores, quepor mais restrito que se entenda esse conceito, em geral, refere-se à aquisiçãode conhecimentos do processo produtivo e desenvolvimento de capacidadesintelectuais e comportamentais no sujeito que aprende determinado conteúdo(GRECO, 2005, p. 42). Dessa forma, o profissional da educação atua na área de Gestão dePessoas direcionando seus conhecimentos para os colaboradores da empresacom o objetivo da melhoria de resultados coletivos, desenvolve projetoseducacionais, seleciona e planeja cursos de aperfeiçoamento e capacitação,representa a empresa em negociações, convenções, simpósios, realizapalestras, aporta novas tecnologias, pesquisa a utilização e a implantação denovos processos, avalia desempenho e desenvolve projetos para otreinamento dos funcionários. O pedagogo empresarial pode focar seus conhecimentos em duasdireções: no funcionário ou no produto da empresa. No primeiro caso, trata-seda atuação no departamento de Recursos Humanos (RH), realizandoatividades relacionadas ao treinamento e desenvolvimento do trabalhador. Opedagogo é o responsável pela criação de projetos educacionais que visamfacilitar o aprendizado dos funcionários. Estudos como o de Market (apud GRECO, 2005), demonstram anecessidade de desenvolver um conceito de qualificação profissional com basena nova forma de organizar a produção, e também, os novos modelosorganizacionais parecem requerer que as experiências adquiridas na prática dotrabalho estejam subsidiadas de suporte educacional a fim de traduzir omomento no qual o trabalhador despende sua força de trabalho em ganhosindividuais e que as equipes de trabalho inovem, troquem experiências einterajam entre si, não apenas em uma perspectiva de execução, mas deconcepção do trabalho.
  25. 25. 35 O pedagogo empresarial precisa de uma formação filosófica,humanística e técnica sólidas. Ele sabe que o foco do seu trabalho deve estardirecionado para as partes descritas, empregadores e empregados; ele aindainterage com todos os níveis hierárquicos, promovendo ações dereciprocidade, de trocas mútuas, através de suas ações de humanização. O maior patrimônio da empresa é o ser humano, por este motivo o focomaior é a Gestão de Pessoas. O pedagogo empresarial tem a capacidade econhecimentos necessários para identificar, selecionar e desenvolver pessoaspara o âmbito empresarial. Este profissional possui competências paratrabalhar com Recursos Humanos chegando até a estar frente numa empresa,na liderança e na execução de projetos.
  26. 26. 36 CAPÍTULO III METODOLOGIA Conforme especificamos no Capítulo I, os objetivos desta pesquisavisam analisar as ações educativas dentro da Pedagogia Empresarial eelucidar a relevância da presença do pedagogo na Gestão de Pessoas e nossetores de Recursos Humanos para os gestores e componentes daEmbasa/UNS. O alcance desses objetivos nos levou a definir como pontoprincipal a pesquisa qualitativa e etnográfica e optar pelas estratégias queexpomos a seguir:3.1 – Pesquisa Qualitativa e Etnográfica A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal depensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui numcaminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Ludke e André (1986, p. 10) “afirmam que todos os dados da pesquisasão considerados importantes, contudo, para se realizar uma pesquisa épreciso confronto entre dados, as evidências, as informações coletadas sobredeterminado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele”.Para eles, o pesquisador deve atentar para o maior número possível deelementos presentes supostamente triviais, mas que podem ser essenciaispara melhor compreensão do problema que está sendo estudado.
  27. 27. 37 Esta pesquisa é de caráter qualitativo, pois ainda segundo os autoresacima citados (1986, p. 11), “a pesquisa qualitativa tem ambiente natural comosua fonte direta de dados e pesquisador como seu principal instrumento, sendoo pesquisador um ativo descobridor de significados das ações e das relaçõessociais”. A pesquisa qualitativa supõe contato direto e prolongado do pesquisadorcom o ambiente e a situação que está sendo investigada. Portanto, esse tipode pesquisa focaliza a interpretação, dá mais ênfase na subjetividade inerenteao processo de pesquisa. É sob esse prisma que incluímos a pesquisa como o elementoarticulador entre a teoria e a prática, como a forma capaz de fazer com que opensar e o fazer, se encontrem em um movimento contínuo, estabelecendoassim a necessária sintonia entre o ensino e o mercado de trabalho de formadinâmica e contínua, como base não somente do trabalho científico, mastambém como processo de formação educativa. Por meio do ensino fundamentado na pesquisa, na medida em que ossujeitos se inserem no processo de produção do conhecimento como atores deuma prática coletiva que supõe compromisso histórico-social, não só contribuipara a formação desses sujeitos como faz com que continuem aprendendo narealidade do dia-a-dia, em que exercem a sua prática.3.1.1 – Pesquisa Etnográfica Esse instrumento de pesquisa tem sido fundamental em nosso trabalho.Como observador, recorremos aos conhecimentos e experiências profissionaisna Gestão de Pessoas e setores de Recursos Humanos da Embasa/UNS que
  28. 28. 38nos auxiliaram nos processos de compreensão e interpretação do fenômenoestudado. A descrição de um trabalho de pesquisa com enfoque etnográfico écomo um relato de nossas experiências de vida, sempre um processo muitodifícil que requer reflexão, habilidade na descrição e clareza, de tal forma quepermita expressar em palavras, acontecimentos, comportamentos, processossociais e contextos com vivências e experiências dos sujeitos. Originariamente desenvolvida na antropologia, a pesquisa etnográficapropõe-se a descrever e a interpretar ou explicar o que as pessoas fazem emum determinado ambiente, os resultados de suas interações, e o seuentendimento do que estão fazendo (Watson-Gegeo, 1988, p. 576). Em outraspalavras, esse tipo de pesquisa procura descrever o conjunto deentendimentos e de conhecimento específico compartilhado entre participantesque guia seu comportamento naquele contexto específico, ou seja, a culturadaquele grupo (Hornberger, 1994, p. 688). Portanto, parece consensual que aetnografia descreve a cultura de um grupo de pessoas, interessada no pontode vista dos sujeitos pesquisados. Ferreira (1986, p. 21) define a etnografia como “estudo e descrição dospovos, sua língua, raça, religião e manifestações materiais de sua atividade;descrição da cultura material dum determinado povo”. Ou seja, é a descriçãode determinados aspectos da cultura sem que se faça juízo de valor. Para André (1995, p. 41), a etnografia coloca, pois, (...) uma lente de aumento na dinâmica das relações e interações que constituem o seu dia-a-dia, apreendendo as forças que a impulsionam ou que a retêm, identificando estruturas de poder e os modos de organização do trabalho (...) e compreendendo o papel e a atuação de cada sujeito nesse complexo interacional onde ações, relações, conteúdos são construídos, negados, reconstruídos ou modificados.
  29. 29. 39 O pesquisador etnógrafo lida com uma modalidade de pesquisa que sevê conforme salienta André (2004, p. 20) “diante de diferentes formas deinterpretações da vida, formas de compreensão do senso comum, significadovariados atribuído pelos participantes às suas experiências e vivências e tentamostrar esses significados múltiplos ao leitor”. Outra característica definidora da pesquisa do tipo etnográfico é o fatode o pesquisador ser o instrumento principal na coleta e na análise dos dados.Este fato deixa implícito no trabalho o principio da interação, uma vez quesempre, entre o pesquisador e o objeto pesquisado, os dados são mediadospelo instrumento humano. O fato de ser uma pessoa o põe numa situaçãodiferenciada, pois permite-lhe fazer mudanças, rever, localizar outros sujeitos,enfim reorientar sua pesquisa quando for necessário. O etnógrafo observa e paralelamente interpreta. Seleciona do contexto o que há de significativo em relação à elaboração teórica que está realizando. Cria hipóteses, realiza uma multiplicidade de análises, reinterpreta, formula novas hipóteses. Constrói o conteúdo dos conceitos iniciais, não o pressupondo. Ao deparar-se com o aparente “caos” da realidade, que costuma provocar de imediato, juízos etnocêntricos, aprende a abandonar a formulação abstrata e demasiadamente precoce, pois é necessário “suspender o juízo” por um momento. Assim, é possível construir um objeto que dê conta da organização peculiar do contexto, incluindo as categorias sociais que expressam relações entre os sujeitos. No duplo processo de observação e interpretação, abre-se a possibilidade de criar e enriquecer a teoria (Rockwell, 1986, p. 50). Fazer pesquisas etnográficas é sempre um processo muito difícil, requerreflexão, habilidade na descrição e clareza que permita expressar em palavrasacontecimentos, comportamentos, processos sociais e contextos com vivênciase experiências significativas dos sujeitos.3.2 – Lócus de Pesquisa
  30. 30. 40 O lócus é de fundamental importância para a pesquisa, ele leva opesquisador a refletir sobre seu problema. Sendo assim, nosso lócus depesquisa foi realizado na empresa Embasa – Empresa Baiana de Águas eSaneamento S.A. – UNS- Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim,localizada na Avenida do Contorno, S/N, Casas Populares, no município deSenhor do Bonfim – BA, semi-árido baiano, diante de nossas experiênciasprofissionais na área de Gestão de Pessoas como mão de obra terceirizada.3.2.1 – A Estrutura Física Empresa de patrimônio público com economia mista, a Embasa –Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. – UNS- Unidade de Negóciosde Senhor do Bonfim está subdividida em 05 (cinco) divisões setoriais:Gerência Geral (UNS); Divisão Admnistrativa-Financeira (UNS-A); DivisãoComercial (UNS-C); Divisão Operacional (UNS-O) e Divisão de Manutenção(UNS-M). A Embasa atualmente atende a xxx municípios e xxx localidades,possuindo 23 (EL’s) Escritórios Locais distribuídos na macro região de Senhordo Bonfim. Possui uma estrutura física bastante considerável com 20 (vinte) salas;01 (uma) recepção; 01 (uma) cozinha; 04 (quatro) banheiros; 01 (uma) guarita;01 (uma) Estação de Tratamento de Água; 01 (uma) Casa de Bombas; 02(duas) oficinas, sendo que uma de manutenção e outra de hidrômetros; 01(hum) almoxarifado; 01 (hum) laboratório de controle da qualidade da água; 01(uma) loja de atendimento a clientes externos; estacionamento amplo paracarros e motos; ampla área verde e jardinada aos redores da empresa.3.2.2 – Quadro Funcional
  31. 31. 41 A Embasa – Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. – UNS-Unidade de Negócios de Senhor do Bonfim, possui um quadro funcionalbastante variado, composta por 123 (cento e vinte e três) funcionários efetivose concursados, 207 (duzentos e sete) funcionários terceirizados sendo que,200 (duzentos) de administração direta, 04 (quatro) vigilantes, 02 (dois)zeladores, 01 (hum) motorista, totalizando 329 funcionários; 08 (oito)estagiários de nível médio e 06 (seis) nível superior e 05 (cinco) jovensaprendizes.3.3 – Sujeitos da Pesquisa Para a realização desta pesquisa há fundamental participação econtribuição dos sujeitos. A reunião dos dados obtidos através da suacooperação incide para um melhor aproveitamento, análise e resultados destetrabalho. Os sujeitos desta pesquisa são os 15 componentes do quadro funcionalda Embasa/UNS que estão distribuídos da seguinte forma:02 Gerentes (Gerente Geral e Gerente Administrativo-Financeiro);05 Funcionários Efetivos;06 Funcionários Terceirizados;01 Estagiária (Nível Superior);01 Jovem Aprendiz.
  32. 32. 42 A escolha por estes sujeitos se deu pelo fato de se tratar decolaboradores atuantes nos diversos setores da empresa, a fim de obtermosum maior aproveitamento nos resultados deste trabalho.3.4 – Estratégias e Instrumentos da Pesquisa Para uma maior compreensão do objeto estudado, ao pesquisar aEmbasa/UNS, optou-se como instrumentos de coleta de dados: questionáriofechado para gestores e componentes do quadro funcional da empresa,entrevista semi-estruturada e análise documental sobre a empresa. Com o intuito de perceber se existe dentro da empresa a nãosegregação, ou seja, a inclusão de todos e quaisquer indivíduos independentede suas limitações, recorremos às abordagens qualitativas de pesquisanorteadas pela técnica da observação direta, questionário fechado, entrevistasemi-estruturada e análise documental. A observação direta possibilita umcontato pessoal e estreito entre pesquisador e pesquisando como afirma Ludke(1986, p. 26): A observação direta permite também que o observador chegue mais perto da “perspectiva do sujeito”, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar aprender sua visão de mundo, isto é o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações. Nosso grande desafio no decorrer desta pesquisa foi saber trabalhar oenvolvimento e a subjetividade, mantendo o necessário distanciamento, comoé exigido na execução de um trabalho científico. Para Lüdke e André (1986, p.28), a observação é instrumento válido e fidedigno de investigação, desde que
  33. 33. 43seja realizada de modo controlado e sistemático, o que supõe seuplanejamento cuidadoso e a rigoroso preparo do pesquisador. Tanto quanto a entrevista, a observação ocupa um lugar privilegiado nasnovas abordagens de pesquisa educacional. Usada como principal método deinvestigação ou associada a outras técnicas de coleta, a observação possibilitaum contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado, oque apresenta uma série de vantagens. Sendo o principal instrumento dainvestigação, o observador pode recorrer aos conhecimentos e experiênciaspessoais como auxiliares no processo de compreensão e interpretação dofenômeno estudado. (LÜDKE e ANDRÉ ,1986, p. 26). Nossa observação pautada pela pesquisa qualitativa e etnográfica e pormeio de análise documental, nos propiciou para um fortalecimento de laços deconfiança in lócus promovendo a interação entre todos os envolvidos nesseprocesso.3.4.1 – Questionário Fechado Com o objetivo de levantar informações sobre a percepção doscolaboradores da UNS sobre a importância da atuação do pedagogo nestaempresa foi aplicado um questionário fechado com 08 questões objetivas e umquestionário aberto por meio de entrevista semi-estruturada com 07 perguntasabertas sobre o tema abordado os quais foram respondidos individualmente(ver roteiro nos anexos 01). O questionário fechado assegura maior precisão na expressão deopiniões. É de quase total ausência de pressão sobre o indivíduo, poisgeralmente é permitido tempo para refletir sobre suas respostas.(GRESSLER,1989).
  34. 34. 443.4.2 – Entrevista Semi-Estruturada A entrevista semi-estruturada permite liberdade e espontaneidade doentrevistado. Como explicita Trivinos 1987 (p.145-146): Para a pesquisa qualitativa a entrevista semi-estruturada é um dos principais meios que tem o investigador para realizar a coleta de dados (...) Pois esta ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance liberdade e a espontaneidade necessária, enriquecendo a investigação. Por fim, vale dizer que, sempre que possível, é interessante que atranscrição das entrevistas seja feita pelo próprio pesquisador, tendo em vistaser este um rico momento de análise inicial de seu conteúdo. Pois, o processode transcrição simboliza a escuta em detalhe, palavra por palavra, tom a tom,tornando mesmo possível re-avivar seu contexto e dinâmica. Assim, é misterconsiderar, na transcrição, não apenas as falas, mas também as hesitações,risos, silêncios, lapsos, interrupções etc., muitas vezes reveladores deconteúdo.3.4.3 – Análise Documental A Análise documental é uma das técnicas de maior confiabilidade,segundo Godoy (1995, p.21). Os dados coletados na análise documentalpossibilitaram a validação das informações obtidas durante a entrevista com osgestores e componentes da Embasa/UNS pesquisadas na primeira etapa decoleta de dados. A análise documental consiste em uma série de operações que visam aestudar e a analisar um ou vários documentos, para descobrir as diversascircunstâncias com as quais podem estar relacionados. No caso específico
  35. 35. 45desta pesquisa a nossa análise documental constou de análises dos seguintesdocumentos: arquivos históricos da empresa, pesquisas na intranet, anotaçõesprévias pós-observações informais em reuniões setoriais, planejamentos eprojetos estratégicos de transformação e mobilização profissional, entre outrosdisponíveis na organização. Segundo Spink (2000, p. 126), os documentos são: produtos em tempo e componentes significativos do cotidiano; complementam, completam e competem com a narrativa e a memória. [...] Sua intersubjetividade é produto da interação com um outro des-conhecido, porém significativo e freqüentemente coletivo. Lüdke e André (1986) sugerem um procedimento diante do materialconstruído na pesquisa de campo, baseando-se no método proposto porMichelat (1980, p. 48): É preciso ler e reler o material até chegar a uma espécie de ‘impregnação’ do seu conteúdo. Essas leituras sucessivas devem possibilitar a divisão do material em seus elementos componentes, sem contudo perder de vista a relação desses elementos com todos os outros componentes Por estarem situados em tempo e refletirem a interação intersubjetiva deinterlocutores, constituem práticas discursivas que representam idéiasdiferentes, saberes, fazeres e múltiplos elementos, e que denunciam imagens,usos, sentidos e processos humanos. Todos esses instrumentos utilizados nos permitem uma variedade deinformações e nos levará a uma apreensão mais completa do objeto estudado.
  36. 36. 46 CAPÍTULO IV ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS A partir deste Capítulo, analisaremos os dados coletados desta pesquisadesenvolvida na empresa Embasa/UNS – Unidade de Negócios de Senhor doBonfim, com gestores e componentes desta organização, além de observaçãoparticipante no nosso ambiente de trabalho. Para tanto, utilizamos alguns elementos que nos auxiliaram para ummelhor aproveitamento desta pesquisa: os questionários fechados entregues aalguns gestores e componentes da empresa; a entrevista semi-estruturadarealizadas com o mesmo público e a observação participante.4.1 – A Embasa Fundada em 1971, atendendo a exigência do Plano Nacional deSaneamento – Planasa, que pedia a implantação de um organismo central emcada estado para comandar o setor de saneamento, a Embasa localizada emSalvador - BA vem ampliando seu Sistema de Abastecimento de Água a cadadia, atendendo atualmente em várias cidades baianas, disseminando essesSistemas em Unidades Norte e Sul de Negócios distribuídas em quase toda aBahia. O Sistema de Abastecimento de Água da Unidade de Negócios deSenhor do Bonfim atualmente atende a 240 localidades em 30 municípios.
  37. 37. 474.1.1 – A Embasa: Identidade Organizacional A Identidade Organizacional da Embasa está pautada em cima decritérios de excelência essenciais para o crescimento da empresa, tendo comoprincipal Negócio o abastecimento de água e esgotamento sanitário. SuaMissão é assegurar o abastecimento de água e serviços de esgotamentosanitário, garantindo a satisfação dos clientes, acionistas, colaboradores epoder concedente, interagindo com fornecedores, buscando o equilíbrioeconômico e financeiro, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dasociedade e a preservação do meio ambiente. A Visão norteadora da empresaé ser reconhecida nacionalmente como uma empresa de excelência no setorde saneamento. Seus Valores estão pautados na ética, no comprometimento,na criatividade, na responsabilidade ambiental e social, na integração,valorização e desenvolvimento de pessoas.4.1.2 – A Embasa: Política Organizacional A Política da Embasa consiste em um conjunto de regras ou enunciadosque orienta a tomada de decisões. São orientações para medidas futurasbaseadas em experiências passadas ou em crenças e valores. Enquanto ascrenças e valores dizem respeito ao âmbito mais geral da empresa, a Políticarefere-se geralmente, a sistemas. As principais Políticas empresariais daEmbasa são: Política da Qualidade, Política Administrativa, Política de Gestãode Pessoas, Política de Segurança do Trabalho, Política de Atendimento aoCliente, Política Operacional, Política Comercial, Política Financeira, Políticatecnológica, Política de Marketing e Comunicação, Política de Expansão ePolítica Ambiental.
  38. 38. 48 Dentre as políticas citadas, destacamos a Política de Gestão dePessoas que conforme o seu Planejamento Estratégico (2004/2007, p.15)consiste em “desenvolver, promover e valorizar os seres humanos, de forma aampliar continuamente o desempenho, a empregabilidade e o nível desatisfação, saúde e segurança dos profissionais da empresa”. Com base nesses fenômenos organizacionais estabelecidos naEmbasa/UNS mencionados acima, percebemos que tais aspectosinstrumentais tornam-se mais sensíveis à dinâmica das relações indivíduo-sociedade. As experiências cotidianas vivenciadas por nós neste ambiente detrabalho, nos fazem compreender que o espaço organizacional é, sobretudo,um espaço de valorização da dimensão e da dignidade humana.4.2 – O Perfil dos Sujeitos Como foi mencionado anteriormente foram aplicados questionáriosfechados a 02 (dois) gestores e 13 (treze) colaboradores da Embasa/UNS,onde por meio destes pudemos traçar o perfil dos sujeitos conforme a análisedos gráficos a seguir:4.2.1 – Idade e Gênero Conforme o Gráfico 4.2.1, procuramos variar a faixa etária doscolaboradores questionados a fim de melhor avaliarmos as opiniões coletadasnesta pesquisa. No quesito “Idade”, 46% possuíam idade entre 18 a 25 anos;27% entre 36 a 45 anos; 20% estavam entre 26 a 35 anos e 7% tinham maisde 45 anos de idade.
  39. 39. 49 Idade 7% 27% 46% 20% 18 a 25 anos 26 a 35 anos 36 a 45 anos acima de 45 anos Gráfico 4.2.1 “Idade” No Gráfico 4.2.2, no quesito “Gênero”, 60% eram mulheres e 40%homens. Nessa perspectiva, observamos a presença da mulher no mercado detrabalho que vem aumentando a cada ano. De acordo com a ConstituiçãoFederal, o artigo 5°, inciso I determina: “Homens e mulheres são iguais emdireitos e obrigações nos termos desta Constituição”, ficando destacado assimo princípio da igualdade. Das mulheres entrevistas, 56% são pedagogas,porém não atuam em sua profissão dentro da empresa, entretanto, suasopiniões não entraram em desacordo com os 44% das outras mulheres queparticiparam da entrevista. Gênero 40% 60% Femino Masculino Gráfico 4.2.2 “Gênero”
  40. 40. 504.2.2 – Escolaridade O Gráfico 4.2.3 a seguir, refere-se ao grau de escolaridade dosentrevistados, constatamos, onde 40% possuem o nível superior incompleto;33% o nível superior completo e 27% o nível médio completo. Nesta situação,podemos destacar que os 27% em sua maioria, referem-se aos funcionáriosmais antigos na empresa e que possuem uma idade mais avançada que aosdemais. Em contrapartida, os 73% restantes, por exigência do atual eglobalizado mercado de trabalho, têm buscado uma melhor posição acadêmicaa fim de conseguirem uma melhor posição dentro deste contexto. Escolaridade 27% 40% 33% Médio Completo Superior Completo Superior Incompleto Gráfico 4.2.3 “Escolaridade”4.2.3 – Situação e Função na Empresa Dos 15 sujeitos entrevistados, 46% são funcionários efetivos; 40%terceirizados; 7% estagiário de nível superior e 7% Jovem Aprendiz, conformeo Gráfico 4.2.4 “Situação na Empresa”. Dentre estes, destacamos 86% que
  41. 41. 51foram admitidos na empresa mediante concurso público, os demais, ou seja,14% foram efetivados na empresa em meados da década de 90, através deordem superior sancionada pelo ex-governador Valdir Pires. Situação na Empresa 7% 7% 46% 40% Efetivo Terceirizado Estagiário Jovem Aprendiz Gráfico 4.2.4 “Situação na Empresa” No que se refere à função exercida na empresa Embasa/UNS, dos 15sujeitos entrevistados o Gráfico 4.2.5 nos mostra que 7% exerce a função degerente geral; 7% gerente de divisão setorial; 7% a função de químico; 39%exercem a função de Agente de Serviço Administrativo exercendo atividadesnos diversos setores da empresa; e 40% possuem outras funções tais como(assistente social, técnico contábil, técnico operacional, coordenador deprocesso, dentre outras). Função na Empresa 7% 7% 7% 40% 39% Gerente Geral Gerente de Divisão Quimico Ag.Serv.Administrativo Outros Gráfico 4.2.5 “Função na Empresa”
  42. 42. 524.2.4 – Cargo Ocupacional e Qualificação Profissional Com respeito ao cargo ocupado pelos sujeitos questionadosconstatamos segundo o Gráfico 4.2.6 que 7% ocupa o cargo de Engenheiro;7% o cargo de Economista; 7% o de Técnico Contábil; 33% são Agentes deServiço Administrativo; e 46% ocupam outras funções na empresa como(Monitor de Serviço, Químico, Jovem Aprendiz, Estagiário, Assistente Social,entre outros. Cargo Ocupacional 7% 7% 46% 33% 7% Engenheiro Economista Ag.Serv.Administrativo Técnico Contábil Outros Gráfico 4.2.6 “Cargo Ocupacional” No quesito 07, perguntamos qual a qualificação dos sujeitosquestionados, onde 7% possuem a formação de Engenheiro Civil; 7%Economista; 7% Químico; 20% são Agentes de Serviço Administrativo; e 59%tinham outras qualificações profissionais na empresa, dentre elas: TécnicoContábil, Pedagogo (não atuante), Assistente Social, Estagiário Nível Superior,Jovem Aprendiz, entre outras, conforme o Gráfico 4.2.7 abaixo:
  43. 43. 53 Qualificação Profissional 7% 7% 20% 59% 7% Engenheiro Civil Economista Ag.Serv.Administrativo Químico Outros Gráfico 4.2.7 “Qualificação Profissional”4.2.5 – Tempo de Serviço No último quesito, perguntamos o tempo de serviço dos colaboradoresda Embasa/UNS tinham na empresa e o Gráfico 4.2.8 nos mostra os seguintesresultados: 40% estão na empresa entre 2 a 5 anos; 33% estão entre 6 a 12anos; 20% entre 6 a 12 meses; e 7% trabalham na empresa a mais de 20anos.Apesar dos entrevistados não atuarem na empresa durante o mesmo tempo deserviço, observamos que a percepção e opinião frente às questões levantadasnão se diferenciaram muito entre eles. Entretanto, vale ressaltar mediante estequesito que, a grande maioria dos entrevistados teve um pouco de dificuldadeem responder se a empresa já desenvolvia ações educativas antes de haver apresença do pedagogo empresarial, em vista de muitos não conhecerem ahistória da empresa antes de atuarem nela e/ou durante o seu pouco tempo deatuação nela.
  44. 44. 54 Tempo de Serviço 7% 20% 33% 40% 6 a 12 meses 2 a 5 anos 6 a 12 anos Acima de 20 anos Gráfico 4.2.8 “Tempo de Serviço”4.3 – A atuação do pedagogo nas empresas: O olhar dos gestores efuncionários Com o intuito de obtermos uma captação imediata e corrente dasinformações coletadas, entrevistamos 15 componentes da Embasa/UNS,sendo 02 (dois) gestores e 13 colaboradores dos diversos setores existentesna empresa, focalizando a reflexão dos interlocutores quanto à atuação dopedagogo nesta empresa, buscando a interação numa atmosfera de influênciarecíproca entre quem pergunta e quem responde. O processo de reflexão tende a ser mais burocratizado naquelas organizações que têm uma área de atuação mais voltada para o macrossocial, para a sociedade global; percebe-se que, em geral, essas organizações, apesar de algumas delas apresentarem nítidos traços de contestação do social, não inovaram ainda os seus processos de reflexão. (SERVA, 1993. p.39) A intensidade das interações é um dos fatores primordiais para umestado de vivência e avaliação do presente que se sobrepõe às preocupaçõescom o futuro, valorizando mais a política do cotidiano do que o planejamentode ações para longo prazo.
  45. 45. 55 A entrevista, especialmente a semi-estuturada, ocupa papel importantena construção da pesquisa etnográfica. Oliveira (2000, p.21) destaca aentrevista, ou o “ouvir”, como momento em que os participantes da pesquisarefletem acerca daquilo que foi “observado” pelo pesquisador, deixando que elese aproxime de suas significações. Assim, apresentamos abaixo as categorias que nos permitiramresponder a nossa questão de pesquisa:4.3.1 A importância do pedagogo na empresa Perguntamos aos gestores se existia a importância da presença dopedagogo empresarial na Gestão de Pessoas e nos setores de RecursosHumanos. Conforme mostra o Gráfico 4.3.1.1, 100% dos entrevistados achamque existe tal importância. Opinião dos Gestores 100% Sim Não Gráfico 4.3.1.1 “Opinião dos gestores quanto à importância do pedagogo na empresa”
  46. 46. 56 O Gráfico 4.3.2 nos mostra a opinião dos 13 funcionários entrevistadossendo unânime com 100% em suas respostas no que diz respeito àimportância de atuação do pedagogo nos setores acima citados. Opinião dos Funcionários 100% Sim Não Gráfico 4.3.1.2 “Opinião dos funcionários quanto à importância do pedagogo na empresa” Para salvaguardar a identidade dos sujeitos utilizamos o código “S”seguidos de numerais. Vejamos algumas respostas dos entrevistados: O “S” (1) 01 nos respondeu que: “(...) tanto o pedagogo como a empresa tem o mesmo objetivo emrelação às pessoas. Trabalhar a qualidade de vida, capacitando profissionaiscom o fim de atingir ideais e objetivos, tanto da empresa como do colaborador”. O “S” 02 nos afirma a importância “para uma melhor organização deatividades que contribuam para a qualificação dos funcionários”. O “S” 03 acrescenta dizendo que, ”é importante para a construção,manutenção e desenvolvimento do caráter e ética profissionais, assim comotambém é importante para a promoção da integração entre os colaboradoresda empresa como um todo”.
  47. 47. 57 Ribeiro (2007, p.9), salienta que “a atuação do pedagogo na empresatem como pressupostos principais a filosofia e a política de Recursos Humanosadotadas pela Organização”. Sua participação na empresa torna-se umelemento essencial de articulação entre o desenvolvimento das pessoas e asestratégias organizacionais.4.3.2 – As mudanças na empresa após a presença do pedagogo Apesar de detectarmos na opinião dos entrevistados a existência daimportância do pedagogo na Gestão de Pessoas e nos setores de RecursosHumanos, ao perguntarmos se antes de haver a presença do pedagogoempresarial, a empresa já desenvolvia ações educativas na gestão dePessoas, percebemos uma relatividade nas respostas, transparecendo assimque muitos desconheciam ou ainda não haviam refletido sobre tais práticaseducativas na empresa, conforme mostra o Gráfico 4.3.3, onde informa que53% disseram que sim; 27% disseram que não; e 20% não souberamresponder tal questão: A empresa desenvolvia ações educativas antes da presença do pedagogo 27% 53% 20% Disseram Que Sim Disseram Que Não Não Souberam Responder Gráfico 4.3.1.3 “Ações educativas antes da presença do pedagogo”
  48. 48. 58 Um outro ponto questionado aos entrevistados foi que tipo de açõeseducativas o pedagogo empresarial tem desempenhado na Gestão de Pessoase se essas ações têm promovido atitudes transformadoras, mobilizadoras emotivadoras dentro da empresa? Vejamos algumas respostas dadas: As ações desempenhadas pelo pedagogo têm transformado as atitudes dos colaboradores de forma positiva. Essas ações têm tornado o convívio e o trabalho mais harmonioso e prazeroso, devido à prática política do bom relacionamento e tratamento interpessoal entre funcionários, desde o superior (chefe) ao menos favorecido (pião). (“S” 04) O “S” 05 acrescenta: Hoje em dia há uma maior participação do corpo funcional nas atividades executadas (...) As dinâmicas e os encontros em datas e eventos festivos faz com que o funcionário se sinta valorizado, reconhecido e se integre aos demais. O “S” 06 enfoca as ações educativas exercidas pelo pedagogo “atravésdo conhecimento disseminado pelos cursos, palestras, seminários, osempregados tem oportunidade de analisar aspectos relacionados a sua saúdee qualidade de vida”. Ribeiro (2007, p. 58) enfatiza que é do papel do pedagogo empresarial: Auxiliar o desenvolvimento de instrumentos e capacitação quanto à observação sistemática do funcionário, à obtenção de dados e informações a respeito dos funcionários em termos de seu desempenho, assim como quanto à proposição de medidas com vistas a corrigir os desvios constatados. Vale acrescentar que o incentivo é um fator indispensável ao funcionárioposto que ele se sentirá valorizado no seu próprio trabalho, o que influirápositivamente na boa qualidade do seu desempenho.
  49. 49. 59 Tanto ações educativas como os programas de capacitação edesenvolvimento profissional são processos intercomplementares, nuncaexcludentes, cujos objetivos buscam muito mais do que acumular técnicas ouconhecimentos, mas, acima de tudo, promover mudanças de atitudes maisamplas que ultrapassem os limites do ambiente de trabalho.4.3.3 – Os pontos fracos da atuação Quando questionamos os pontos fracos que dificultam para um melhordesempenho das atividades do pedagogo empresarial na Embasa/UNSobtivemos os seguintes resultados conforme o Gráfico 4.3.4, sendo que 73%responderam que o fato de ser de um trabalho terceirizado, torna-se mais difícilpor muitas vezes não ter autonomia para tomar determinadas decisões, tendoque aguardar as posições e autorizações da chefia local (Senhor do Bonfim) ecentral (Salvador); 20% responderam que ainda há uma certa resistência porparte de alguns funcionários efetivos, talvez por se tratar da mesmacaracterística anterior(terceirização), ou por questões particulares; e 7%disseram que o fato de a Universidade em que o pedagogo estuda ainda nãoincluir em sua grade curricular disciplinas que discutam a PedagogiaEmpresarial incentivando uma reflexão maior sobre o tema, e/ou até mesmoatrapalhando no momento de implementações de projetos e açõespedagógicas-organizacionais.
  50. 50. 60 Pontos fracos que dificultam o desempenho das atividades 7% 20% 73% Trabalho Terceirizado/Falta de autonomia Resistência dos funcionários Conhecimento acadêmico do curso Gráfico 4.3.1.4 “Pontos Fracos que dificultam o desempenho das atividades” Observemos alguns comentários: O “S” 07 comenta que: por se tratar de uma mão-de-obra terceirizada , lotado especialmente em um setor que cuida especialmente de questões de ordem própria (o RH), a falta de autonomia em decisões pertinentes a estes serviços e a realização de determinadas ações, como por exemplo a realização de um certo treinamento (que depende da ordem superior), talvez seja uma grande dificuldade para o desempenho deste profissional na empresa. O “S” 08 nos diz que “existe a resistência por parte de algunscolaboradores às mudanças, principalmente por parte dos funcionários efetivosmais antigos e também pelo pedagogo ser terceirizado”. “O curso de Pedagogia na Universidade não está direcionado para asatividades empresariais”. (“S” 09) “A Universidade deveria incluir disciplinas que o ajudassem a melhordesenvolver suas atividades, pois assim, juntamente com o potencial desteprofissional, haveria muito mais benefícios para a empresa e para osfuncionários”. (“S” 10)
  51. 51. 61 Suchodolski (1977, p. 19) desenvolve a seguinte idéia: Este é o método de toda ciência moderna: conhecer a realidade através da construção de uma nova realidade. (...) A definição de pedagogia que aqui propomos assume precisamente esse caráter. Trata-se do conhecimento da realidade educativa mediante a participação na criação das formas mais adequadas às necessidades da civilização em desenvolvimento e às tarefas que a humanidade deve solucionar nestas condições. Ao considerar a pedagogia como uma ciência sobre a atividade transformadora da realidade educativa, temos a possibilidade de uma nova determinação dos objetivos da educação e de suas categorias fundamentais. Em termos práticos, percorrido esse processo de reflexão, nada impedeque se formule um núcleo de disciplinas nas Universidades que contemplemuma base comum de formação do educador, naturalmente sempre submetida auma análise metodológica crítico-social. A Pedagogia precisa pensar-se a si própria em sua relação com a prática na qual se enraíza e a partir da qual e para a qual estabelece proposições. Por isso ela não é apenas “uma diretriz no plano teórico da ciência da educação, mas a preocupação teórico- científica da fundamentação da pedagogia como ciência que, enquanto prática, não possui seu sentido em si mesma, mas na humanização da práxis”. (SCHMIED-KOWARZIK, 1983, apud PIMENTA, 1998 p.121) Ainda que as práticas educativas hoje se encontrem bastanteampliadas, não se reduzindo ao ensino, continua pertinente reconhecer nesseselementos constitutivos do pedagógico o núcleo de referência dosconhecimentos científicos, filosóficos e técnico-profissionais que compreendema competência profissional do pedagogo.4.3.4 – Como melhorar: Sugestões dos pesquisados Finalizando nossa entrevista, pedimos aos entrevistados que nosapontassem algumas oportunidades de melhoria que nos possibilitarão a ter
  52. 52. 62um melhor desempenho profissional na Embasa/UNS. Foram pontuadas asseguintes sugestões: Oportunidades de Melhoria Inserção do pedagogo como cargo efetivo Inclusão de disciplinas no curso de Pedagogia Maior autonomia na tomada das decisões Qualificação profissional reconhecida e uma formação contínua Persistência no trabalho Maior disseminação da importância de atuação do pedagogo nas empresas Desenvolver mais projetos que proporcione maior integração entre os funcionários Alcançar ao atendimento e sensibilização igualitários entre próprios e terceirizados Reconhecer como essencial esse profissional nas atividades da empresa Quadro 01: Oportunidades de Melhoria Numa organização empresarial, é essencial desenvolver a sensibilidadepara proceder às devidas adequações de modo que atendem, sempre, aomesmo tempo, os anseios dos indivíduos e da própria organização. Nestas organizações, observa-se uma intenção geral de que o trabalho seja uma atividade prazerosa, onde o processo de sua realização vincula-se à existência de uma participação efetiva de cada um na vida da organização. A intensidade das relações interpessoais é bastante elevada e pretende criar condições para a expressão de sentimentos no cotidiano. (AMARAL, 2007, P.104) Esse caminho a ser percorrido é, na verdade, uma construção pessoal eprofissional permanente, que nos leva para a reflexão e retomada do ponto departida. 4.4 – O olhar do pesquisador: A síntese
  53. 53. 63 Mediante as considerações desenvolvidas ao longo deste trabalho, econsiderando nossas experiências profissionais na Embasa/UNS, podemoscompreender a pesquisa como descoberta, criação e como diálogo a fim dedesenvolvermos olhares que nos permitam alcançar novos horizontes que noslevem a reflexão da nossa prática pedagógica dentro e fora da escola. Em vista de nossas experiências profissionais na empresa pesquisada ediante das sugestões colocadas pelos entrevistados, refletimos que o nossopapel como pedagogo empresarial na Gestão de Pessoas e nos setores deRecursos Humanos, assim como as nossas ações educativas, já sãoperceptíveis pelos gestores e componentes da empresa, porém, aindaprecisamos galgar muitos degraus para obtermos um melhor resultado emnossa atuação a fim de realizarmos um excelente trabalho no espaçoorganizacional. O nosso trabalho se propôs a contribuir com o desvelamento de novasquestões sobre a educação do trabalhador no interior das empresas pelo viésda Pedagogia Empresarial, entendida aqui, como a área da Pedagogia que seocupa do processo de ensino-aprendizagem nos ambientes organizacionais ouempresariais. O nosso intuito na pesquisa qualitativa e etnográfica foi o de conhecer oPedagogo atuante nas organizações empresariais e descobrir a visão que osgestores e componentes da Embasa/UNS têm sobre a atuação profissional doPedagogo Empresarial nesta empresa, assim como perceber qual acontribuição dada por este à educação do trabalhador e a sua opinião a cercado processo educativo realizado na empresa. Os discursos dos nossos entrevistados, sobre a experiência desteprofissional e sobre os saberes realmente utilizados por ele, levam-nos a inferirque são justamente os aspectos pedagógicos, sociais, filosóficos, éticos etécnicos presentes na formação do Pedagogo, assim como a missão e apostura de educador construídas ao longo de sua formação profissional, que
  54. 54. 64fazem a prática educativa desenvolvida por eles nas organizações ser bemsucedida e requerida pelas empresas. O diferencial entre o Pedagogo Empresarial e o Pedagogo Escolar estámenos nos saberes mobilizados e utilizados por ambos do que na amplitude devisão em relação ao papel do educador, na concepção de educação e naimportância dada ao processo de ensino-aprendizagem em outros ambientesfora dos "muros" da escola.
  55. 55. 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa foi realizada na empresa Embasa/UNS, com o objetivo deanalisar as ações educativas dentro da Pedagogia Empresarial e elucidar arelevância da presença do pedagogo na Gestão de Pessoas e nos setores deRecursos Humanos para os gestores e componentes desta empresa. O tema da pesquisa está voltado para a atuação do pedagogo nasempresas organizacionais e a sua contribuição como educador organizacional,visto que a empresa também é um espaço educativo para o crescimento dosfuncionários e da própria empresa. Os elementos utilizados nesta pesquisa nos possibilitaram uma melhorcompreensão ao coletarmos e analisarmos os dados durante esse processonos ajudando a não fugir dos nossos objetivos propostos. Apesar de ser um trabalho terceirizado na empresa, procuramosdesempenhar o nosso papel de forma séria e humanizada, e em se tratando deser uma empresa pública com um quadro funcional extenso, como em todoespaço de trabalho, encontramos dificuldades que por muitas vezes nos fazdesanimar, mas ao refletirmos e observarmos a importância da nossa atuaçãocomo pedagogo empresarial nas organizações empresariais, promovendoações educativas transformadoras e mobilizadoras, nos impulsiona cada vezmais a nos qualificarmos a cada dia para continuarmos inseridos dentro destecampo ainda não conhecido amplamente dentro da sociedade, mas com umvalor imenso de poder direcionar as ações e projetos desenvolvidos naempresa para obtenção da excelência no atendimento às exigências domercado e da sociedade. Sobre a perspectiva da Gestão de Pessoas, pontuamos a necessidade

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