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CLIPPING – 18/02/2015
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Café: crônica de uma quebra de safra anunciada
Valor Econômico
18/02/2015
Carine Ferreira
Link: http://www.valor.com.br/agro/3913768/cronica-de-uma-quebra-de-safra-anunciada.
À primeira vista, as lavouras de café de Altinópolis, no
tradicional polo da Alta Mogiana Paulista, parecem
saudáveis. Com as chuvas recentes, estão bem verdes e
bonitas. Olhando mais de perto, contudo, é possível ver
que as plantas, por mais resistentes que sejam, acusam
os efeitos da seca de 2014 e de janeiro.
Os ramos estão pequenos e as folhas, queimadas. A
produtividade será mais baixa nesta safra, e o potencial da
próxima colheita, no ano que vem, já está comprometido.
Ainda que chova nas próximas semanas, já não é mais possível evitar o legado deixado pela falta de
água e pelo forte calor.
Em maior ou menor escala, cafezais de outras regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e
Espírito Santo enfrentam o mesmo tipo de problema. E, como observa o engenheiro agrônomo
Marcelo Laurenti, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em São Sebastião do Paraíso
(Cooparaiso) – cuja área de atuação compreende o sul e o sudoeste de Minas e a Alta Mogiana
Paulista -, o cenário pode piorar. Se faltar chuva até o mês que vem, a maturação dos grãos para a
colheita deste ano será ainda mais prejudicada, e menos gemas se transformarão em flores e frutos
para o ciclo 2016/17.
Para a próxima temporada, estima-se perdas por conta do menor crescimento das plantas e de
distúrbios fisiológicos, como o aparecimento de flores fora de época e ramos laterais. Em períodos
inadequados, as flores não se transformam em grãos, explica Laurenti. E os ramos na haste principal
do pé de café acabam competindo com outros ramos produtivos, puxando mais energia da planta,
mas sem produzir. Isso sem contar os ramos secos.
Também engenheiro agrônomo, Emerson Tinoco (foto: Anna Carolina Negri/Valor), coordenador do
departamento técnico da Cooparaiso, afirma que, em 2014, a seca em São Sebastião do Paraíso, no
sudoeste mineiro, não foi tão intensa quanto no sul do Estado, por exemplo. As chuvas deste mês
estão mais volumosas que em fevereiro do ano passado, mas em janeiro as precipitações foram
baixas.
Segundo dados coletados pelas estações meteorológicas da Cooparaiso, em janeiro a média das
precipitações em sua área de atuação foi de 79 milímetros, ante os pífios 58,6 mm do mesmo mês de
2014 e os 348,1 mm de janeiro de 2013. Desde 1973, a média anual das precipitações para o período
alcança 296,9 milímetros.
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Mas o problema maior são as altas temperaturas, observa Tinoco. Acima de 32 graus Celsius, o
metabolismo da planta é afetado. Em 15 de outubro de 2014, por exemplo, a temperatura chegou a
35,4 graus, o que já foi um problema, enquanto a mínima foi de 20,6 graus. Para lavouras novas, a
combinação entre frio noturno e seca gera 65% de desfolha.
Como as chuvas foram escassas em setembro e outubro do ano passado, época das floradas, já
foram perdidos três meses do período em que a planta desenvolve os ramos para a produção do ano
seguinte (de setembro a março). Neste momento, nas plantações de São Sebastião e Altinópolis, as
plantas têm menos ramos que o desejado, como nesta mesma época de 2014. O ideal é que fossem
encontrados de oito a 12 internódios (gemas de crescimento do caule dos cafeeiros para a formação
dos grãos), mas, em geral, há entre quatro e oito.
Grãos chochos também podem ser encontrados nos cafezais, mas, nesse caso, a situação não é tão
grave como era em 2014. A planta não apresenta deficiência nutricional, mas não cresce. Os pés de
café deveriam formar um paredão, com os ramos crescendo e encostando na planta vizinha. Mas os
paredões não estão homogêneos. “Se tudo correr bem, teremos uma lavoura bonita em 2017 para
produzir bem em 2018″, afirma Tinoco.
Não bastasse esse triste roteiro, a seca também favoreceu a ocorrência de pragas. Há tempos o
bicho mineiro, uma larva que mata as folhas das plantas, não se divertia tanto na região. Tinoco
estima que a safra a ser colhida neste ano (2015/16) na região de atuação da Cooparaiso deverá ser
entre 10% e 15% menor que o volume previsto em dezembro – 2,6 milhões de sacas, ante 3,1
milhões em 2014/15.
Mesmo em lavouras irrigadas, como a do produtor Daniel de Figueiredo Felippe, em Altinópolis, o
forte calor causou a escaldadura (queimadura) das folhas. E observando os cafeeiros, uma linha
plantada está mais afetada que outra. “Mesmo molhada, a planta não aguenta”, diz.
Felippe, que tem áreas próprias e arrendadas na região de Altinópolis, enfrentou menor
disponibilidade de água para irrigar. Ele tem outorga para usar a água de nascentes localizadas em
suas propriedades e que alimentam uma represa. Há dois anos, no fim de janeiro o produtor contava
com uma vazão de 30 mil litros por hora, mas hoje tem que se contentar com entre 4 mil e 5 mil litros.
No auge da seca, ficou com mil litros. “Imaginei que fosse secar. Não consegui irrigar direito”. Na
média, Felippe diz que jogou nas lavouras 40% menos água do que o ideal.
Nos últimos anos, a produtividade média dos cafezais de Felippe ficou em torno de 35 sacas por
hectare – acima da média no município entre 25 e 28 sacas, graças à irrigação. De 190 hectares
totais, o produtor irriga 80, com sistema de gotejamento. No mês passado, ele precisou irrigar as
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lavouras por cerca de 15 dias. Uma situação atípica, já que em janeiro normalmente chove o
suficiente.
Felippe acredita que, em virtude da atual crise hídrica, haverá restrições para novos financiamentos
para irrigação e maior dificuldade para a obtenção de outorga para o uso da água. Ele conta que
começou a irrigar seus cafezais para aumentar a produtividade, pois nunca havia registrado problema
sério de falta de água para as lavouras. Nos últimos anos, investiu cerca de R$ 400 mil em irrigação e
mais R$ 400 mil na aquisição de uma colhedora e de um trator. Se o mercado permitir, tem planos
para continuar renovando suas plantações.
A jornalista viajou a convite da Cooparaiso.
Café: dívidas sobrevivem à alta de preços
Valor Econômico
18/02/2015
Carine Ferreira
Link: http://www.valor.com.br/agro/3913770/dividas-sobrevivem-alta-de-precos
Pequenos produtores de café que dependem exclusivamente da atividade
na região de São Sebastião do Paraíso, no sudoeste mineiro dizem
amargar prejuízos há anos. Apesar de os preços da commodity terem
registrado alta expressiva desde o ano passado em razão da estiagem no
Centro-Sul do país, eles garantem que não conseguiram lucrar por conta
dos menores volumes colhidos.
Douglas de Oliveira Iza é um dos que reclamam dessa situação. Ele colheu 2,5 mil sacas de café em
2013 em seus 150 hectares entre terras próprias e arrendadas. Em 2014, a estiagem e o calor
contribuíram para reduzir a colheita para 2 mil sacas. "Gastamos 50% a mais de frutos colhidos para
fazer uma saca de café", diz. Neste ano, ele estima que vai colher em torno de 3 mil sacas. Não
fossem as intempéries, suas lavouras teriam potencial para 4,5 mil sacas.
Iza, que também é engenheiro agrônomo, afirma que as plantações estão com grãos chochos, mas
que ainda não é possível saber o tamanho das perdas nesta temporada (2015/16). E afirma que sua
conta não fecha. Em 2012, diz, uma saca de 60 quilos valia de R$ 240 a R$ 250, para um custo de
produção de R$ 350. Em 2014, o preço aumentou, mas não havia produto suficiente para aproveitar a
bonança. Em 2013, ele vendeu no mercado futuro 50% de sua safra a R$ 350 para entrega em 2014.
As cotações superaram esse valor, e o produtor lamenta que perdeu rentabilidade e teve que
carregar o prejuízo da safra anterior.
"Se o mercado não mantiver o nível atual [cerca de R$ 500 a saca], o produtor não atravessa 2015,
não terá rentabilidade", afirma Iza. Ele calcula que seu endividamento está em R$ 3 milhões e
amarga dificuldades para obter crédito rural com juros reduzidos. "Quando tinha café na mão, não
tinha preço. Quando teve preço, não tinha café", concorda Antonio Jacinto Caetano, presidente do
Sindicato Rural de São Sebastião do Paraíso e também cafeicultor na região.
De acordo com análise da Cooparaiso, o preço médio do café arábica entre 1994 e 2014 não
compensou o aumento de custos como salário mínimo, óleo diesel, adubo, energia e calcário. Além
disso, aponta o levantamento, o preço médio de venda nesses 20 anos foi inferior ao custo médio de
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produção, o que provocou o endividamento. No intervalo, o salário mínimo teve aumento de
1.247,8%, o óleo diesel de 765,1% e o adubo subiu 652,5%. Já o preço do café tipo 6 bebida dura
aumentou 245,9%.
O café é a principal atividade econômica de São Sebastião do Paraíso. As usinas sucroalcooleiras da
região fecharam suas portas há cerca de três anos, inviabilizadas pela crise no segmento.
Apesar dessa equação e dos recentes problemas climáticos, a situação podia ser pior. Caetano
observa que na região de São Sebastião do Paraíso a seca não foi implacável como em algumas
áreas do Sul de Minas. "Estamos no céu, naquela região tem muitas pessoas que estão entregando
suas propriedades aos bancos". Alguns têm deixado o campo em busca de emprego na cidade".
"A cada dia que passa estamos morrendo", diz Iza. Mas ele afirma que deixar a atividade não é algo
fácil. Por ser uma cultura perene e com alto custo de implantação, é difícil simplesmente abandonar o
café. "E se eu não plantar lavouras novas, como vou pagar minha dívida?", concorda Caetano.
Altinópolis (SP): mecanização substitui mão de obra no café
Valor Econômico
18/02/2015
Carine Ferreira
Link: http://www.valor.com.br/agro/3913772/mecanizacao-substitui-mao-de-obra
Em Altinópolis, município da Alta Mogiana Paulista, a mecanização das lavouras de café tem resistido
até agora às turbulências financeiras aprofundadas pela estiagem e continua avançando. Muitos
produtores estão abandonando áreas onde não é possível colher os grãos com as máquinas e
transferindo seus cafezais para regiões mais planas.
A mecanização surge como resposta a uma mão de obra cada vez mais escassa e cara e a novas
exigências da legislação trabalhista.
Daniel de Figueiredo Felippe, cafeicultor que mantém 190 hectares em propriedades próprias e áreas
arrendadas na região de Altinópolis, diz que em locais não muito aptos à mecanização apenas as
áreas "nobres" permanecem com lavouras de café. São as que têm produtividade muito elevada e
geram grãos para a produção de bebidas de boa qualidade. Os "espaços" deixados pela cafeicultura
são ocupados por eucalipto e pastos.
Apesar do rearranjo das áreas de café diante do movimento da mecanização, não houve redução da
área de café. Pelo contrário, ela até aumentou, diz Felippe. Ele afirma que o município tinha
historicamente cerca de 7 mil hectares, e hoje tem perto de 8 mil hectares. Há cerca de 20 anos,
Altinópolis chegou a ter 12 mil hectares com cafezais, segundo João Abrão Filho, diretor do Sindicato
Rural de Altinópolis.
Abrão Filho acredita que existe espaço para que a área com a commodity cresça no município,
essencialmente agrícola. A cafeicultura é a atividade que gera mais renda para a cidade, embora a
área plantada seja inferior aos cerca de 20 mil hectares de cana-de-açúcar e os 20 mil de eucalipto.
Ele estima que se o preço do café continuar em patamares altos, a área com a cultura na região de
Altinópolis poderá crescer em torno de 5% ao ano.
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Para fazer frente aos recentes investimentos em mecanização, os cafeicultores precisam produzir um
volume maior para obter rentabilidade. Além disso, as lavouras têm de ser renovadas constantemente
em busca de maior produtividade.
O diretor do Sindicato Rural de Altinópolis estima que cada máquina para colheita nos cafezais
substitui 120 pessoas no campo. E, apesar da redução da mão de obra devido ao avanço da
mecanização, o município continua a receber migrantes do norte de Minas e da Bahia para trabalhar
na colheita do grão. A colheita de café ainda deve representar a geração de vagas temporárias para
1,5 mil a 2 mil pessoas por safra, mas há 15 anos eram cerca de 5 mil trabalhadores por ciclo.
O custo da colheita manual de café na região varia de R$ 100 a R$ 150 por saca. Na mecânica, esse
valor cai para entre R$ 20 e R$ 30, conforme Abrão Filho. A mecanização da colheita de café e a alta
produtividade são, para ele, condições para que a cafeicultura seja viável, principalmente quando os
preços da commodity ficam abaixo do custo de produção.
O cafeicultor Daniel de Figueiredo Felippe diz que, apesar da recuperação dos preços da commodity,
a rentabilidade ficou aquém do esperado por conta da quebra da safra provocada pela seca no ano
passado. Em 2013, Felippe vendeu uma parte de sua safra por R$ 310 a saca para entrega em 2014.
No ano passado, ele travou o preço por R$ 511 para entrega em 2015.
Cenário da cafeicultura preocupa produtores
Ascom FAEMG
18/02/2015
Produtores de café e representantes de
sindicatos rurais se reuniram, dia 12, na
Comissão Técnica de Café da FAEMG,
para discutir o cenário de quebra de
safra e falta de chuvas que o setor está
enfrentando em Minas Gerais.
Os problemas com déficit hídrico nas
lavouras começaram ainda em 2013 e,
pela avaliação do diretor da FAEMG e
presidente da Comissão, Breno
Mesquita, a seca vai impactar nas safras 2015/16: “Nosso objetivo é levar as demandas para a
ministra Kátia Abreu, para contornar os impactos destes problemas na cafeicultura”.
Representantes do Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Chapada apresentaram
demandas diferentes e atuais, que se complementam, reforçou Breno Mesquita. No rol dos pedidos
que figuraram na reunião está a liberação dos créditos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia
Cafeeira) no período adequado a cada região e melhoria do preço mínimo estabelecido pelo Governo
Federal. Outro ponto levantado, por representantes do Cerrado, é a solução para entraves na
legislação ambiental, quanto a realizar barramentos e retenção de água na propriedade. Há também
grande apreensão com a falta de água recorrente.
As lavouras mineiras passaram por três secas consecutivas, nos principais momentos de
desenvolvimento das plantas: Um veranico em 2014, seca na florada do mesmo ano e outro veranico
este ano, que vai impactar diretamente na qualidade das lavouras para 2016. Os reflexos já podem
ser percebidos nos cafezais espalhados pelo estado. Dos 853 municípios mineiros, 563 plantam café.
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Cerca de 200 deles, são responsáveis por 90% da produção e os 50 maiores respondem por quase
50% do volume do café mineiro.
A cafeicultura está enfrentando uma situação preocupante. “Custos altos e preços não condizentes
com a realidade levam o produtor a ficar descapitalizado. Com menos capital, o valor investido na
produção diminui e isso reflete diretamente na cultura. Uma de nossas metas é tentar reescalonar os
pagamentos atrasados e elaborar uma política de venda para os produtos, na qual os produtores
consigam equilibrar seus passivos”.
Pesquisa – Segundo o pesquisador da Fundação Procafé, Alysson Fagundes, a entidade está
preparando um levantamento para o início de março, a pedido do CNC (Conselho Nacional do Café),
sobre a safra em Minas. Como o grão possui um ciclo bienal, e o período de déficit hídrico ocorreu
em janeiro nos dois anos, no primeiro momento afetou o crescimento e, no segundo, a formação dos
frutos. Em grande parte dos cafezais mineiros os frutos estão mal formados, com espaços ou pretos.
Outro fator que vem atrapalhando o crescimento dos frutos no estado é a temperatura em algumas
regiões. De acordo com Alysson, 15 dias sem chuva em janeiro e fevereiro não é algo fora do normal,
porém quando a temperatura atinge 40 graus a situação é diferente. “O cafeicultor deve dobrar os
cuidados com as suas lavouras para que elas consigam suportar adversidades climáticas”.
De acordo com o engenheiro agrônomo da mesma entidade, Rodrigo Naves Paiva, os períodos mais
críticos ocasionados pelo déficit hídrico elevado ocorreram em janeiro, fevereiro, outubro e novembro
de 2014. Período que os cafezais estavam no momento de floração. “Para complicar ainda mais a
situação, janeiro de 2015 ficou sem chuvas, o que impactou na granação desta safra e poderá trazer
reflexos negativos para a safra de 2016.”
Sindicatos – Alguns municípios produtores de café estão em situação crítica por causa da estiagem
severa. Na região da cidade de Lajinha, não choveu por 45 dias. Em dezembro de 2014 houve
precipitação de 148 mm e, no mês seguinte, apenas 1,5 mm. Com esta drástica redução, associada a
altas temperaturas, a queda na produção deverá ser mais significativa em lavouras de 1ª ou 2ª safra,
afirmou o presidente do Sindicato de Lajinha, Evaldo Afonso Rodrigues.
Em Boa Esperança, Sul de Minas, a situação não é diferente. Segundo o presidente do Sindicato
Rural, Manoel Joaquim da Costa, foi decretada situação de emergência no município. Nos
levantamentos preliminares, foi estimada quebra de safra da ordem de 30% na cultura do café. As
perdas também foram qualitativas, devido à má formação dos grãos, gerando um maior percentual na
catação do café beneficiado.
Chuva alivia, mas não resolve problema da cultura do café em MG
Globo Rural
18/02/2015
A volta das chuvas trouxe algum alívio para os produtores de café do sul de Minas Gerais, só que já
não dá mais para reverter o prejuízo provocado pela seca dos últimos meses.
No belo cenário do sul de Minas, Maria Clara Braga mantém 96 hectares de café no município de
Varginha. Filha e neta de agricultores, ela se diz apaixonada pelo cultivo, só que do ano passado
para cá, o prazer da atividade foi dando lugar a preocupação.
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Em 2014, Varginha recebeu apenas 698 milímetros de chuvas, 47% da média histórica para o
município, e a falta d’água prejudicou os cafezais. Algumas plantas ficaram com poucos frutos e
outras sem nada de produção.
Maria Clara conta que o aumento das chuvas nas últimas semanas foi muito importante para que os
grãos que sobraram nos pés possam completar o desenvolvimento até a fase de colheita, que
começa em maio. Mesmo assim, o que já foi perdido nos últimos meses, isso não tem mais volta.
A produtora faz parte de uma das maiores cooperativas de café da região. A Minas Sul reúne 5,2 mil
produtores médios, grandes e pequenos, todos prejudicados pela seca.
Agrônomo da cooperativa, Silvio de Almeida lembra que a queda na produção varia muito de uma
fazenda para outra, mas a estimativa de perda é de 20% do que seria produzido em um ano normal.
Além de reduzir a safra deste ano, a seca dos últimos meses também deve afetar a produção do ano
que vem. O agrônomo André Luís Garcia, da Fundação Procafé, explica que a falta de água
atrapalhou o crescimento dos ramos.
A queda na produção deste ano também deve provocar aumento nos custos da colheita. Marcos
Frota cultiva 40 hectares no município de Carmo da Cachoeira e explica que, com menos grãos nos
pés, a panha manual fica mais difícil e mais cara.
Os custos também poderão sofrer impacto da alta do dólar que vem ocorrendo nos últimos meses,
afinal, boa parte dos adubos e defensivos aplicados nas lavouras é importado ou contém ingredientes
importados. Outra dor de cabeça é a subida do preço do diesel, que torna mais caro o uso de tratores
e colheitadeiras.
A boa notícia é que nem tudo é problema na atividade. Um ponto positivo para os agricultores é que o
preço do café tem se mantido em patamares elevados nos últimos meses e pode até subir justamente
pela escassez do produto.
Falta de chuva prejudica formação dos grãos do café conilon no ES
Globo Rural
18/02/2015
Alessandro Bacheti
Em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, o maior produtor de café conilon do país, as perdas nos
cafezais levaram a prefeitura a decretar estado de calamidade pública.
O cafeicultor João Bastos tem 16 mil pés de café conilon em São Gabriel da Palha. A falta de chuva
nos últimos 60 dias e o sol forte prejudicaram a formação dos grãos. “O sol penetrou 100% em cima
desses grãos muito nele e as perdas chegam a 50%”, conta Bastos.
É o que o produtor chama de café "bombinha". Os cafeicultores não podem mais contar com a água
do Rio São José, o principal do município, para irrigar as lavouras. Ele está com apenas 15% da
vazão normal para o período.
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Muitos produtores têm reservatório de água para irrigar as lavouras de café, mas a água não é
suficiente. Os tanques estão secando e o jeito foi desligar as bombas de irrigação. “Estou há 50 dias
sem irrigar o café”, explica o produtor rural, João Bastos.
O cenário na lavoura influencia na comercialização dos grãos nos armazéns. Para a safra 2015 já é
esperado um café de qualidade ruim. Durante a semana voltou a chover, mas o café queimado pelo
sol não tem recuperação.
Por causa das perdas na cafeicultura, São Gabriel da Palha decretou estado de calamidade pública.
A Secretaria de Agricultura informa que já pediu aos bancos a prorrogação e a renegociação de
dívidas além da abertura de novas linhas de crédito para os produtores de café. Os bancos ainda não
responderam.
GCA: estoques de café verde dos EUA caem 216.964 sacas em janeiro
Agência SAFRAS
18/02/2015
Cândida Schaedler
Os estoques norte-americanos de café verde (em grão) caíram 216.964 sacas de
60 quilos em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2014, conforme
relatório mensal da Green Coffee Association (GCA). O total de café verde
depositado nos armazéns credenciados pela GCA em 31 de janeiro de 2015
chegava a 5.308.000 sacas, ante as 5.524.964 sacas em 31 de dezembro de 2014. Confira, abaixo,
quadro de estoques por praças depositárias nos EUA (por saca de 60 quilos). Veja também a
diferença em sacas de um mês para outro.
Camarões: exportação de café arábica tem leve queda na safra 2013/14
Agência Estado
18/02/2015
As exportações de café arábica por Camarões na safra 2013/14, encerrada em 30 de setembro,
atingiram 2.165 toneladas, ligeiramente abaixo das 2.175 toneladas de 2012/13 (-0,45%). Já a
produção cresceu de 2.734 toneladas para 2.849 toneladas entre os ciclos (+4%). Os números foram
apresentados pelo ministério do comércio do país. Fonte: Dow Jones Newswires.
Tanzânia: receita com exportação de café no acumulado da 2014/15 cai quase 30%
Agência Estado
18/02/2015
A receita da Tanzânia com exportação de café caiu 28,9% no acumulado da safra 2014/15, iniciada
em abril, até dezembro, para US$ 121,5 milhões. O Banco Central do país, que não informou o
volume de embarques, disse que a queda deveu-se à quebra de produção durante o ano por causa
de adversidades climáticas e doenças.
A expectativa é de que a Tanzânia exporte 40 mil toneladas de café na atual temporada, menos que
as 61,8 mil toneladas do ciclo anterior. A Tanzânia é o quarto maior produtor africano de café, atrás
de Etiópia, Uganda e Costa do Marfim. Praticamente toda a produção nacional é exportada. Fonte:
Dow Jones Newswires.

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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck CLIPPING – 18/02/2015 Acesse: www.cncafe.com.br Café: crônica de uma quebra de safra anunciada Valor Econômico 18/02/2015 Carine Ferreira Link: http://www.valor.com.br/agro/3913768/cronica-de-uma-quebra-de-safra-anunciada. À primeira vista, as lavouras de café de Altinópolis, no tradicional polo da Alta Mogiana Paulista, parecem saudáveis. Com as chuvas recentes, estão bem verdes e bonitas. Olhando mais de perto, contudo, é possível ver que as plantas, por mais resistentes que sejam, acusam os efeitos da seca de 2014 e de janeiro. Os ramos estão pequenos e as folhas, queimadas. A produtividade será mais baixa nesta safra, e o potencial da próxima colheita, no ano que vem, já está comprometido. Ainda que chova nas próximas semanas, já não é mais possível evitar o legado deixado pela falta de água e pelo forte calor. Em maior ou menor escala, cafezais de outras regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo enfrentam o mesmo tipo de problema. E, como observa o engenheiro agrônomo Marcelo Laurenti, da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em São Sebastião do Paraíso (Cooparaiso) – cuja área de atuação compreende o sul e o sudoeste de Minas e a Alta Mogiana Paulista -, o cenário pode piorar. Se faltar chuva até o mês que vem, a maturação dos grãos para a colheita deste ano será ainda mais prejudicada, e menos gemas se transformarão em flores e frutos para o ciclo 2016/17. Para a próxima temporada, estima-se perdas por conta do menor crescimento das plantas e de distúrbios fisiológicos, como o aparecimento de flores fora de época e ramos laterais. Em períodos inadequados, as flores não se transformam em grãos, explica Laurenti. E os ramos na haste principal do pé de café acabam competindo com outros ramos produtivos, puxando mais energia da planta, mas sem produzir. Isso sem contar os ramos secos. Também engenheiro agrônomo, Emerson Tinoco (foto: Anna Carolina Negri/Valor), coordenador do departamento técnico da Cooparaiso, afirma que, em 2014, a seca em São Sebastião do Paraíso, no sudoeste mineiro, não foi tão intensa quanto no sul do Estado, por exemplo. As chuvas deste mês estão mais volumosas que em fevereiro do ano passado, mas em janeiro as precipitações foram baixas. Segundo dados coletados pelas estações meteorológicas da Cooparaiso, em janeiro a média das precipitações em sua área de atuação foi de 79 milímetros, ante os pífios 58,6 mm do mesmo mês de 2014 e os 348,1 mm de janeiro de 2013. Desde 1973, a média anual das precipitações para o período alcança 296,9 milímetros.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Mas o problema maior são as altas temperaturas, observa Tinoco. Acima de 32 graus Celsius, o metabolismo da planta é afetado. Em 15 de outubro de 2014, por exemplo, a temperatura chegou a 35,4 graus, o que já foi um problema, enquanto a mínima foi de 20,6 graus. Para lavouras novas, a combinação entre frio noturno e seca gera 65% de desfolha. Como as chuvas foram escassas em setembro e outubro do ano passado, época das floradas, já foram perdidos três meses do período em que a planta desenvolve os ramos para a produção do ano seguinte (de setembro a março). Neste momento, nas plantações de São Sebastião e Altinópolis, as plantas têm menos ramos que o desejado, como nesta mesma época de 2014. O ideal é que fossem encontrados de oito a 12 internódios (gemas de crescimento do caule dos cafeeiros para a formação dos grãos), mas, em geral, há entre quatro e oito. Grãos chochos também podem ser encontrados nos cafezais, mas, nesse caso, a situação não é tão grave como era em 2014. A planta não apresenta deficiência nutricional, mas não cresce. Os pés de café deveriam formar um paredão, com os ramos crescendo e encostando na planta vizinha. Mas os paredões não estão homogêneos. “Se tudo correr bem, teremos uma lavoura bonita em 2017 para produzir bem em 2018″, afirma Tinoco. Não bastasse esse triste roteiro, a seca também favoreceu a ocorrência de pragas. Há tempos o bicho mineiro, uma larva que mata as folhas das plantas, não se divertia tanto na região. Tinoco estima que a safra a ser colhida neste ano (2015/16) na região de atuação da Cooparaiso deverá ser entre 10% e 15% menor que o volume previsto em dezembro – 2,6 milhões de sacas, ante 3,1 milhões em 2014/15. Mesmo em lavouras irrigadas, como a do produtor Daniel de Figueiredo Felippe, em Altinópolis, o forte calor causou a escaldadura (queimadura) das folhas. E observando os cafeeiros, uma linha plantada está mais afetada que outra. “Mesmo molhada, a planta não aguenta”, diz. Felippe, que tem áreas próprias e arrendadas na região de Altinópolis, enfrentou menor disponibilidade de água para irrigar. Ele tem outorga para usar a água de nascentes localizadas em suas propriedades e que alimentam uma represa. Há dois anos, no fim de janeiro o produtor contava com uma vazão de 30 mil litros por hora, mas hoje tem que se contentar com entre 4 mil e 5 mil litros. No auge da seca, ficou com mil litros. “Imaginei que fosse secar. Não consegui irrigar direito”. Na média, Felippe diz que jogou nas lavouras 40% menos água do que o ideal. Nos últimos anos, a produtividade média dos cafezais de Felippe ficou em torno de 35 sacas por hectare – acima da média no município entre 25 e 28 sacas, graças à irrigação. De 190 hectares totais, o produtor irriga 80, com sistema de gotejamento. No mês passado, ele precisou irrigar as
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck lavouras por cerca de 15 dias. Uma situação atípica, já que em janeiro normalmente chove o suficiente. Felippe acredita que, em virtude da atual crise hídrica, haverá restrições para novos financiamentos para irrigação e maior dificuldade para a obtenção de outorga para o uso da água. Ele conta que começou a irrigar seus cafezais para aumentar a produtividade, pois nunca havia registrado problema sério de falta de água para as lavouras. Nos últimos anos, investiu cerca de R$ 400 mil em irrigação e mais R$ 400 mil na aquisição de uma colhedora e de um trator. Se o mercado permitir, tem planos para continuar renovando suas plantações. A jornalista viajou a convite da Cooparaiso. Café: dívidas sobrevivem à alta de preços Valor Econômico 18/02/2015 Carine Ferreira Link: http://www.valor.com.br/agro/3913770/dividas-sobrevivem-alta-de-precos Pequenos produtores de café que dependem exclusivamente da atividade na região de São Sebastião do Paraíso, no sudoeste mineiro dizem amargar prejuízos há anos. Apesar de os preços da commodity terem registrado alta expressiva desde o ano passado em razão da estiagem no Centro-Sul do país, eles garantem que não conseguiram lucrar por conta dos menores volumes colhidos. Douglas de Oliveira Iza é um dos que reclamam dessa situação. Ele colheu 2,5 mil sacas de café em 2013 em seus 150 hectares entre terras próprias e arrendadas. Em 2014, a estiagem e o calor contribuíram para reduzir a colheita para 2 mil sacas. "Gastamos 50% a mais de frutos colhidos para fazer uma saca de café", diz. Neste ano, ele estima que vai colher em torno de 3 mil sacas. Não fossem as intempéries, suas lavouras teriam potencial para 4,5 mil sacas. Iza, que também é engenheiro agrônomo, afirma que as plantações estão com grãos chochos, mas que ainda não é possível saber o tamanho das perdas nesta temporada (2015/16). E afirma que sua conta não fecha. Em 2012, diz, uma saca de 60 quilos valia de R$ 240 a R$ 250, para um custo de produção de R$ 350. Em 2014, o preço aumentou, mas não havia produto suficiente para aproveitar a bonança. Em 2013, ele vendeu no mercado futuro 50% de sua safra a R$ 350 para entrega em 2014. As cotações superaram esse valor, e o produtor lamenta que perdeu rentabilidade e teve que carregar o prejuízo da safra anterior. "Se o mercado não mantiver o nível atual [cerca de R$ 500 a saca], o produtor não atravessa 2015, não terá rentabilidade", afirma Iza. Ele calcula que seu endividamento está em R$ 3 milhões e amarga dificuldades para obter crédito rural com juros reduzidos. "Quando tinha café na mão, não tinha preço. Quando teve preço, não tinha café", concorda Antonio Jacinto Caetano, presidente do Sindicato Rural de São Sebastião do Paraíso e também cafeicultor na região. De acordo com análise da Cooparaiso, o preço médio do café arábica entre 1994 e 2014 não compensou o aumento de custos como salário mínimo, óleo diesel, adubo, energia e calcário. Além disso, aponta o levantamento, o preço médio de venda nesses 20 anos foi inferior ao custo médio de
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck produção, o que provocou o endividamento. No intervalo, o salário mínimo teve aumento de 1.247,8%, o óleo diesel de 765,1% e o adubo subiu 652,5%. Já o preço do café tipo 6 bebida dura aumentou 245,9%. O café é a principal atividade econômica de São Sebastião do Paraíso. As usinas sucroalcooleiras da região fecharam suas portas há cerca de três anos, inviabilizadas pela crise no segmento. Apesar dessa equação e dos recentes problemas climáticos, a situação podia ser pior. Caetano observa que na região de São Sebastião do Paraíso a seca não foi implacável como em algumas áreas do Sul de Minas. "Estamos no céu, naquela região tem muitas pessoas que estão entregando suas propriedades aos bancos". Alguns têm deixado o campo em busca de emprego na cidade". "A cada dia que passa estamos morrendo", diz Iza. Mas ele afirma que deixar a atividade não é algo fácil. Por ser uma cultura perene e com alto custo de implantação, é difícil simplesmente abandonar o café. "E se eu não plantar lavouras novas, como vou pagar minha dívida?", concorda Caetano. Altinópolis (SP): mecanização substitui mão de obra no café Valor Econômico 18/02/2015 Carine Ferreira Link: http://www.valor.com.br/agro/3913772/mecanizacao-substitui-mao-de-obra Em Altinópolis, município da Alta Mogiana Paulista, a mecanização das lavouras de café tem resistido até agora às turbulências financeiras aprofundadas pela estiagem e continua avançando. Muitos produtores estão abandonando áreas onde não é possível colher os grãos com as máquinas e transferindo seus cafezais para regiões mais planas. A mecanização surge como resposta a uma mão de obra cada vez mais escassa e cara e a novas exigências da legislação trabalhista. Daniel de Figueiredo Felippe, cafeicultor que mantém 190 hectares em propriedades próprias e áreas arrendadas na região de Altinópolis, diz que em locais não muito aptos à mecanização apenas as áreas "nobres" permanecem com lavouras de café. São as que têm produtividade muito elevada e geram grãos para a produção de bebidas de boa qualidade. Os "espaços" deixados pela cafeicultura são ocupados por eucalipto e pastos. Apesar do rearranjo das áreas de café diante do movimento da mecanização, não houve redução da área de café. Pelo contrário, ela até aumentou, diz Felippe. Ele afirma que o município tinha historicamente cerca de 7 mil hectares, e hoje tem perto de 8 mil hectares. Há cerca de 20 anos, Altinópolis chegou a ter 12 mil hectares com cafezais, segundo João Abrão Filho, diretor do Sindicato Rural de Altinópolis. Abrão Filho acredita que existe espaço para que a área com a commodity cresça no município, essencialmente agrícola. A cafeicultura é a atividade que gera mais renda para a cidade, embora a área plantada seja inferior aos cerca de 20 mil hectares de cana-de-açúcar e os 20 mil de eucalipto. Ele estima que se o preço do café continuar em patamares altos, a área com a cultura na região de Altinópolis poderá crescer em torno de 5% ao ano.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Para fazer frente aos recentes investimentos em mecanização, os cafeicultores precisam produzir um volume maior para obter rentabilidade. Além disso, as lavouras têm de ser renovadas constantemente em busca de maior produtividade. O diretor do Sindicato Rural de Altinópolis estima que cada máquina para colheita nos cafezais substitui 120 pessoas no campo. E, apesar da redução da mão de obra devido ao avanço da mecanização, o município continua a receber migrantes do norte de Minas e da Bahia para trabalhar na colheita do grão. A colheita de café ainda deve representar a geração de vagas temporárias para 1,5 mil a 2 mil pessoas por safra, mas há 15 anos eram cerca de 5 mil trabalhadores por ciclo. O custo da colheita manual de café na região varia de R$ 100 a R$ 150 por saca. Na mecânica, esse valor cai para entre R$ 20 e R$ 30, conforme Abrão Filho. A mecanização da colheita de café e a alta produtividade são, para ele, condições para que a cafeicultura seja viável, principalmente quando os preços da commodity ficam abaixo do custo de produção. O cafeicultor Daniel de Figueiredo Felippe diz que, apesar da recuperação dos preços da commodity, a rentabilidade ficou aquém do esperado por conta da quebra da safra provocada pela seca no ano passado. Em 2013, Felippe vendeu uma parte de sua safra por R$ 310 a saca para entrega em 2014. No ano passado, ele travou o preço por R$ 511 para entrega em 2015. Cenário da cafeicultura preocupa produtores Ascom FAEMG 18/02/2015 Produtores de café e representantes de sindicatos rurais se reuniram, dia 12, na Comissão Técnica de Café da FAEMG, para discutir o cenário de quebra de safra e falta de chuvas que o setor está enfrentando em Minas Gerais. Os problemas com déficit hídrico nas lavouras começaram ainda em 2013 e, pela avaliação do diretor da FAEMG e presidente da Comissão, Breno Mesquita, a seca vai impactar nas safras 2015/16: “Nosso objetivo é levar as demandas para a ministra Kátia Abreu, para contornar os impactos destes problemas na cafeicultura”. Representantes do Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Chapada apresentaram demandas diferentes e atuais, que se complementam, reforçou Breno Mesquita. No rol dos pedidos que figuraram na reunião está a liberação dos créditos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) no período adequado a cada região e melhoria do preço mínimo estabelecido pelo Governo Federal. Outro ponto levantado, por representantes do Cerrado, é a solução para entraves na legislação ambiental, quanto a realizar barramentos e retenção de água na propriedade. Há também grande apreensão com a falta de água recorrente. As lavouras mineiras passaram por três secas consecutivas, nos principais momentos de desenvolvimento das plantas: Um veranico em 2014, seca na florada do mesmo ano e outro veranico este ano, que vai impactar diretamente na qualidade das lavouras para 2016. Os reflexos já podem ser percebidos nos cafezais espalhados pelo estado. Dos 853 municípios mineiros, 563 plantam café.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Cerca de 200 deles, são responsáveis por 90% da produção e os 50 maiores respondem por quase 50% do volume do café mineiro. A cafeicultura está enfrentando uma situação preocupante. “Custos altos e preços não condizentes com a realidade levam o produtor a ficar descapitalizado. Com menos capital, o valor investido na produção diminui e isso reflete diretamente na cultura. Uma de nossas metas é tentar reescalonar os pagamentos atrasados e elaborar uma política de venda para os produtos, na qual os produtores consigam equilibrar seus passivos”. Pesquisa – Segundo o pesquisador da Fundação Procafé, Alysson Fagundes, a entidade está preparando um levantamento para o início de março, a pedido do CNC (Conselho Nacional do Café), sobre a safra em Minas. Como o grão possui um ciclo bienal, e o período de déficit hídrico ocorreu em janeiro nos dois anos, no primeiro momento afetou o crescimento e, no segundo, a formação dos frutos. Em grande parte dos cafezais mineiros os frutos estão mal formados, com espaços ou pretos. Outro fator que vem atrapalhando o crescimento dos frutos no estado é a temperatura em algumas regiões. De acordo com Alysson, 15 dias sem chuva em janeiro e fevereiro não é algo fora do normal, porém quando a temperatura atinge 40 graus a situação é diferente. “O cafeicultor deve dobrar os cuidados com as suas lavouras para que elas consigam suportar adversidades climáticas”. De acordo com o engenheiro agrônomo da mesma entidade, Rodrigo Naves Paiva, os períodos mais críticos ocasionados pelo déficit hídrico elevado ocorreram em janeiro, fevereiro, outubro e novembro de 2014. Período que os cafezais estavam no momento de floração. “Para complicar ainda mais a situação, janeiro de 2015 ficou sem chuvas, o que impactou na granação desta safra e poderá trazer reflexos negativos para a safra de 2016.” Sindicatos – Alguns municípios produtores de café estão em situação crítica por causa da estiagem severa. Na região da cidade de Lajinha, não choveu por 45 dias. Em dezembro de 2014 houve precipitação de 148 mm e, no mês seguinte, apenas 1,5 mm. Com esta drástica redução, associada a altas temperaturas, a queda na produção deverá ser mais significativa em lavouras de 1ª ou 2ª safra, afirmou o presidente do Sindicato de Lajinha, Evaldo Afonso Rodrigues. Em Boa Esperança, Sul de Minas, a situação não é diferente. Segundo o presidente do Sindicato Rural, Manoel Joaquim da Costa, foi decretada situação de emergência no município. Nos levantamentos preliminares, foi estimada quebra de safra da ordem de 30% na cultura do café. As perdas também foram qualitativas, devido à má formação dos grãos, gerando um maior percentual na catação do café beneficiado. Chuva alivia, mas não resolve problema da cultura do café em MG Globo Rural 18/02/2015 A volta das chuvas trouxe algum alívio para os produtores de café do sul de Minas Gerais, só que já não dá mais para reverter o prejuízo provocado pela seca dos últimos meses. No belo cenário do sul de Minas, Maria Clara Braga mantém 96 hectares de café no município de Varginha. Filha e neta de agricultores, ela se diz apaixonada pelo cultivo, só que do ano passado para cá, o prazer da atividade foi dando lugar a preocupação.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Em 2014, Varginha recebeu apenas 698 milímetros de chuvas, 47% da média histórica para o município, e a falta d’água prejudicou os cafezais. Algumas plantas ficaram com poucos frutos e outras sem nada de produção. Maria Clara conta que o aumento das chuvas nas últimas semanas foi muito importante para que os grãos que sobraram nos pés possam completar o desenvolvimento até a fase de colheita, que começa em maio. Mesmo assim, o que já foi perdido nos últimos meses, isso não tem mais volta. A produtora faz parte de uma das maiores cooperativas de café da região. A Minas Sul reúne 5,2 mil produtores médios, grandes e pequenos, todos prejudicados pela seca. Agrônomo da cooperativa, Silvio de Almeida lembra que a queda na produção varia muito de uma fazenda para outra, mas a estimativa de perda é de 20% do que seria produzido em um ano normal. Além de reduzir a safra deste ano, a seca dos últimos meses também deve afetar a produção do ano que vem. O agrônomo André Luís Garcia, da Fundação Procafé, explica que a falta de água atrapalhou o crescimento dos ramos. A queda na produção deste ano também deve provocar aumento nos custos da colheita. Marcos Frota cultiva 40 hectares no município de Carmo da Cachoeira e explica que, com menos grãos nos pés, a panha manual fica mais difícil e mais cara. Os custos também poderão sofrer impacto da alta do dólar que vem ocorrendo nos últimos meses, afinal, boa parte dos adubos e defensivos aplicados nas lavouras é importado ou contém ingredientes importados. Outra dor de cabeça é a subida do preço do diesel, que torna mais caro o uso de tratores e colheitadeiras. A boa notícia é que nem tudo é problema na atividade. Um ponto positivo para os agricultores é que o preço do café tem se mantido em patamares elevados nos últimos meses e pode até subir justamente pela escassez do produto. Falta de chuva prejudica formação dos grãos do café conilon no ES Globo Rural 18/02/2015 Alessandro Bacheti Em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, o maior produtor de café conilon do país, as perdas nos cafezais levaram a prefeitura a decretar estado de calamidade pública. O cafeicultor João Bastos tem 16 mil pés de café conilon em São Gabriel da Palha. A falta de chuva nos últimos 60 dias e o sol forte prejudicaram a formação dos grãos. “O sol penetrou 100% em cima desses grãos muito nele e as perdas chegam a 50%”, conta Bastos. É o que o produtor chama de café "bombinha". Os cafeicultores não podem mais contar com a água do Rio São José, o principal do município, para irrigar as lavouras. Ele está com apenas 15% da vazão normal para o período.
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    Conselho Nacional doCafé – CNC SCN Quadra 01, Bl. “C”, Ed. Brasília Trade Center, 11º andar, sala 1.101 - CEP 70711-902 – Brasília (DF) Assessoria de Comunicação: (61) 3226-2269 / 8114-6632 E-mail: imprensa@cncafe.com.br / www.twitter.com/pauloandreck Muitos produtores têm reservatório de água para irrigar as lavouras de café, mas a água não é suficiente. Os tanques estão secando e o jeito foi desligar as bombas de irrigação. “Estou há 50 dias sem irrigar o café”, explica o produtor rural, João Bastos. O cenário na lavoura influencia na comercialização dos grãos nos armazéns. Para a safra 2015 já é esperado um café de qualidade ruim. Durante a semana voltou a chover, mas o café queimado pelo sol não tem recuperação. Por causa das perdas na cafeicultura, São Gabriel da Palha decretou estado de calamidade pública. A Secretaria de Agricultura informa que já pediu aos bancos a prorrogação e a renegociação de dívidas além da abertura de novas linhas de crédito para os produtores de café. Os bancos ainda não responderam. GCA: estoques de café verde dos EUA caem 216.964 sacas em janeiro Agência SAFRAS 18/02/2015 Cândida Schaedler Os estoques norte-americanos de café verde (em grão) caíram 216.964 sacas de 60 quilos em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2014, conforme relatório mensal da Green Coffee Association (GCA). O total de café verde depositado nos armazéns credenciados pela GCA em 31 de janeiro de 2015 chegava a 5.308.000 sacas, ante as 5.524.964 sacas em 31 de dezembro de 2014. Confira, abaixo, quadro de estoques por praças depositárias nos EUA (por saca de 60 quilos). Veja também a diferença em sacas de um mês para outro. Camarões: exportação de café arábica tem leve queda na safra 2013/14 Agência Estado 18/02/2015 As exportações de café arábica por Camarões na safra 2013/14, encerrada em 30 de setembro, atingiram 2.165 toneladas, ligeiramente abaixo das 2.175 toneladas de 2012/13 (-0,45%). Já a produção cresceu de 2.734 toneladas para 2.849 toneladas entre os ciclos (+4%). Os números foram apresentados pelo ministério do comércio do país. Fonte: Dow Jones Newswires. Tanzânia: receita com exportação de café no acumulado da 2014/15 cai quase 30% Agência Estado 18/02/2015 A receita da Tanzânia com exportação de café caiu 28,9% no acumulado da safra 2014/15, iniciada em abril, até dezembro, para US$ 121,5 milhões. O Banco Central do país, que não informou o volume de embarques, disse que a queda deveu-se à quebra de produção durante o ano por causa de adversidades climáticas e doenças. A expectativa é de que a Tanzânia exporte 40 mil toneladas de café na atual temporada, menos que as 61,8 mil toneladas do ciclo anterior. A Tanzânia é o quarto maior produtor africano de café, atrás de Etiópia, Uganda e Costa do Marfim. Praticamente toda a produção nacional é exportada. Fonte: Dow Jones Newswires.