Estudos do Evangelho
Capítulo 5 – Bem aventurados os aflitos - Instruções
dos Espíritos
Leonardo Pereira
Instruções dos Espíritos VIII – A Melancolia
IX – Provas Voluntárias e Verdadeiro Cilício
O evangelho e o Livro dos Espíritos
VIII – A Melancolia
FRANÇOIS DE GENÉVE
Bordeaux
O que é a melancolia?
Para Freud, “os traços mentais
distintivos da melancolia são um
desânimo profundamente penoso, a
cessação de interesse pelo mundo
externo, a perda da capacidade de
amar, a inibição de toda e qualquer
atividade e
uma diminuição dos sentimentos
de autoestima a ponto de encontrar
expressão em auto recriminação e
auto envilecimento, culminando
numa expectativa delirante de
punição” (4).
4 ) FREUD, S. – Obras completas – Edição
Standard Brasileira das Obras Psicológicas
Completas de Sigmund Freud, vol. XIV – “Luto
e Melancolia”(1917[1915]). Pág. 250.
25 – Sabeis por que uma
vaga tristeza se apodera por
vezes de vossos corações, e
vos faz sentir a vida tão
amarga?
É o vosso Espírito que
aspira à felicidade e à
liberdade, mas, ligado ao
corpo que lhe serve de
prisão, se cansa em vãos
esforços para escapar.
E, vendo que esses
esforços são inúteis, cai no
desânimo, fazendo o corpo
sofrer sua influência, com a
languidez, o abatimento e uma
espécie de apatia, que de vós
se apoderam, tornando-vos
infelizes.
Perda do Entusiasmo!
Entusiasmo (do grego en + theos,
literalmente 'em Deus')
Existem dois tipos de entusiasmo:
endógeno, que é gerado dentro do
próprio indivíduo; e o exógeno,
que depende de um estímulo
externo, chamado comumente de
motivação!
Fé Divina
Phides
Fé Humana
O homem pode gozar na Terra
uma felicidade completa?
920.- LE
— Não, pois a vida lhe foi dada
como prova ou expiação, mas
dele depende abrandar os seus
males e ser tão feliz, quanto se
pode ser na Terra.
A felicidade terrena é relativa à posição de cada
um; o que e suficiente para a felicidade de um faz
a desgraça de outro. Há, entretanto, uma medida
comum de felicidade para todos os homens?
922.- LE
- Para a vida material, a posse do
necessário; para a vida moral, a
consciência pura e a fé no futuro.
A civilização, criando novas
necessidades, não é a fonte de novas
aflições?
926.- LE
— Os males deste mundo estão na
razão das necessidades artificiais que
criais para vós mesmos. Aquele que
sabe limitar os seus desejos e ver sem
cobiça o que estafara das suas
possibilidades, poupa-se a
muitos aborrecimentos nesta vida. O
mais rico é aquele que tem menos
necessidades
Invejais os prazeres dos que
vos parecem os felizes do
mundo Mas sabeis, por acaso,
o que lhes está reservado?
Acreditai no que vos digo e
resisti com energia a essas
impressões que vos
enfraquecem a vontade. Essas
aspirações de uma vida melhor
são inatas no Espírito de todos
os homens, mas não a busqueis
neste mundo.
Agora, que Deus vos envia os
seus Espíritos, para vos
instruírem sobre a felicidade
que vos está reservada, esperai
pacientemente o anjo da
libertação, que vos ajudará a
romper os laços que mantém
cativo o vosso Espírito.
Pensai que tendes a cumprir,
durante vossa prova na Terra,
uma missão de que já não
podeis duvidar, seja pelo
devotamento à família, seja no
cumprimento dos diversos
deveres que Deus vos confiou.
Em que consiste a missão dos Espíritos
encarnados?
573. - LE
— Instruir os homens, ajudá-los
a avançar, melhorar as suas
instituições por meios diretos e
materiais. Mas as missões são mais
ou menos gerais e importantes.
Aquele que cultiva a terra cumpre
uma missão, como aquele que
governa ou aquele que instrui.
Tudo se encadeia na
Natureza; ao mesmo tempo que o
Espírito se depura pela
encarnação, também concorre por
essa forma para o cumprimento
dos desígnios da Providencia. Cada
um tem a sua missão neste
mundo, porque cada um pode ser
útil em algum sentido
E se, no curso dessa prova, no
cumprimento de vossa tarefa,
virdes tombarem sobre vós os
cuidados, as inquietações e os
pesares, sede fortes e
corajosos para os suportar.
Enfrentai-os decisivamente,
pois são de curta duração e
devem conduzir-vos junto aos
amigos que chorais, que se
alegrarão com a vossa chegada
e vos estenderão os braços,
para vos conduzirem a um
lugar onde não têm acesso às
amarguras terrenas.
O Espírito que se encarna para cumprir
uma missão tem as mesmas apreensões
daquele que o faz como prova?
580. - LE
— Não; ele tem
experiência.
IX – Provas
Voluntárias e
Verdadeiro Cilício
UM ANJO DA GUARDA
Paris, 1863
Cilício era uma túnica, cinto ou cordão
de crina, que se trazia sobre a pele para
mortificação ou penitência.
O termo vem do latim cilicinus que quer
dizer feito de pêlo de cabra,
ou cilicium que quer dizer tecido áspero
ou grosseiro de pelo de cabra ou vestido
de gente pobre. Hoje é conhecido como
forma de mortificação voluntária ao lado
do jejum e abstinência dentre outras
formas.
26 – Perguntais se é permitido
abrandar a vossas provas. Essa
pergunta lembra estas outras:
É permitido ao que se afoga
procurar salvar-se?
E a quem se espetou num espinho,
retirá-lo?
Ao que está doente, chamar um
médico?
As provas têm por fim exercitar a
inteligência, assim como a
paciência e a resignação.
Um homem pode nascer numa
posição penosa e difícil,
precisamente para obrigá-lo a
procurar os meios de vencer as
dificuldades.
O médico consiste em suportar
sem murmurações as
consequências dos males que não
se podem evitar, em preservar na
luta, em não se desesperar quando
não se sai bem, e nunca em deixar
as coisas correrem, que seria antes
preguiça que virtude.
O instante em que o Espírito deve encarnar-
se é para ele um instante solene? Cumpre ele
esse ato como coisa grave e importante?
340.. - LE
— É como um viajante que embarca
para uma travessia perigosa e não
sabe se vai encontrar a morte nas
vagas que afronta.
Comentário de Kardec: O viajante que
embarca sabe a que perigos se expõe,
mas não sabe se naufragará. Assim se
dá com o Espírito: ele conhece o
gênero de provas a que se submete,
mas não sabe se sucumbirá.
Há uma grande distinção a fazer.
Quanto a vós, pessoalmente,
contentai-vos com as provas que
Deus vos manda, não aumenteis a
carga já por vezes bem pesada;.
aceitai-as sem queixas e com fé,
eis tudo o que Ele vos pede. Não
enfraqueçais o vosso corpo com
privações inúteis e macerações
sem propósito, porque tendes
necessidades de todas as vossas
forças, para cumprir vossa missão
de trabalho na Terra.
Torturar voluntariamente,
martirizar o vosso corpo, é infligir a
lei de Deus, que vos dá os meios
de sustentá-lo e de fortalecê-lo.
Debilitá-lo sem necessidade é um
verdadeiro suicídio. Usai, mas não
abuseis: tal é a lei.
O abuso das melhores
coisas traz as suas
punições, pelas
consequências inevitáveis.
Que pensar do homem que procura nos
excessos de toda espécie um refinamento
dos seus gozos?
714.- LE
— Pobre criatura que
devemos lastimar e não
invejar, porque está bem
próxima da morte!
É da morte física ou da morte moral que
ele se aproxima?
714 – a) .- LE
— De uma e de outra.
• Comentário de Kardec: O homem que
procura, nos excessos de toda espécie um
refinamento dos gozos coloca-se abaixo dos
animais, porque estes sabem limitar-se à
satisfação de suas necessidades. Ele abdica
da razão que Deus lhe deu para guia e
quanto maiores forem os seus excessos
maior é o império que concedeu a sua
natureza animal sobre a espiritual. As
doenças, a decadência, a própria morte,
que são a consequência do abuso, são
também a punição da transgressão da lei
de Deus.
Bem outra é a questão dos
sofrimentos que uma pessoa se
impõe para aliviar o próximo. Se
suportardes o frio e a fome para
agasalhar e alimentar aquele que
necessita, e vosso corpo sofrer
com isso, eis um sacrifício que é
abençoado por Deus.
Vós, que deixais vossos
toucadores perfumados para levar
consolação aos aposentos infectos;
que sujais vossas mãos delicadas
curando chagas; que vos privais do
sono para velar à cabeceira de um
doente que é vosso irmão em
Deus; vós, enfim, que aplicais a
vossa saúde na prática das boas
obras, tendes nisso o vosso cilício,
verdadeiro cilício de bênçãos,
porque as alegrias do mundo não
ressecaram o vosso coração. Vós
não adormecestes no seio das
voluptuosidades enlanguescedoras
da fortuna,
mas vos transformastes nos
anjos consoladores dos
pobres deserdados.
Mas vós que vos retirais do
mundo para evitar suas seduções e
viver no isolamento, qual a vossa
utilidade na Terra? Onde está a
vossa coragem nas provas, pois que
fugis da luta e desertais do
combate? Se quiserdes um cilício,
aplicai-o à vossa alma e não ao
vosso corpo;
mortificai o vosso Espírito e não a
vossa carne;
fustigai o vosso orgulho; recebei as
humilhações sem vos queixardes;
machucai vosso amor próprio;
insensibilizai-vos para a dor da
injúria e da calúnia, mais pungente
que a dor física.
Eis aí o verdadeiro cilício, cujas
feridas vos serão contadas, porque
atestarão a vossa coragem e a
vossa submissão à vontade de
Deus.
*
BERNARDIN
Espírito protetor, Bordeaux, 1863
27 – Deve-se pôr termo às
provas do próximo, quando
se pode, ou devemos, por
respeito aos desígnios de
Deus, deixá-las seguir o seu
curso?
Já vos dissemos e repetimos,
muitas vezes, que estão na terra de
expiação para completarem as vossas
provas, e que tudo o que vos acontece
é consequência de vossas existências
anteriores, as parcelas da dívida que
tendes a pagar.
Mas este pensamento provoca em
certas pessoas reflexões que devem
ser afastadas, porque podem ter
funestas consequências.
Lei de Ação e Reação
X
Karma
Pensam alguns que, uma vez
quase está na Terra para expiar, é
necessário que as provas sigam o
seu curso. Há outros que chegam a
pensar que não somente devemos
evitar atenuá-las, mas também
devemos contribuir para torná-las
mais proveitosas, agravando-as. É
um grande erro.
Sim, vossas provas devem seguir o
curso que Deus lhes traçou, mas
acaso conheceis esse curso? Sabeis
até que ponto elas devem ir, e se
vosso Pai Misericordioso não disse
ao sofrimento deste ou daquele
vosso irmão: “Não irás além disto?”
Sabeis se a Providência não vos
escolheu, não como instrumento
de suplício, para agravar o
sofrimento do culpado, mas
como bálsamo consolador, que
deve cicatrizar as chagas abertas
pela sua justiça?
Qual o verdadeiro sentido da
palavra caridade, como a entendia Jesus?
886) .- LE
— Benevolência para com
todos, indulgência para as
imperfeições alheias, perdão das
ofensas.
Comentário de Kardec: O amor e a
caridade são o complemento da lei de
justiça, porque amar ao próximo é
fazer-lhe todo o bem possível, que
desejaríamos que nos fosse feito. Tal é
o sentido das palavras de Jesus: “Amai-
vos uns aos outros, como irmãos”.
Não digais, portanto, aos
verdes um irmão ferido: “É a
justiça de Deus, e é necessário
que siga o seu curso”, mas dizei,
ao contrário: “Vejamos que
meios nosso Pai misericordioso
me concedeu, para aliviar o
sofrimento de meu irmão.
Vejamos se o meu conforto moral,
meu amparo material, meus
conselhos, poderão ajudá-lo a
transpor esta prova com mais força,
paciência e resignação. Vejamos
mesmo se Deus não me pôs nas
mãos os meios de fazer cessar este
sofrimento; se não me deu, como
prova também, ou talvez como
expiação, o poder de cortar o mal e
substituí-lo pela benção da paz”.
Alerta aos Espíritas
Auxiliai-vos sempre, pois em
vossas provas mútuas, e jamais vos
encareis como instrumentos de
tortura.
Esse pensamento deve revoltar
todo homem de bom coração,
sobretudo os espíritas.
Porque o espírito mais que
qualquer outro, deve compreender
a extensão infinita da bondade de
Deus.
O espírita deve pensar que sua vida
inteira tem de ser um ato de amor e de
abnegação, e que por mais que faça
para contrariar as decisões do Senhor,
sua justiça seguirá o seu curso.
Ele pode, pois, sem medo, fazer todos
os esforços para aliviar o amargor da
expiação, porque somente Deus pode
cortá-la ou prolongá-la, segundo o que
julgar a respeito.
Não seria excessivo orgulho, da
parte do homem, julgar-se com o
direito de revolver, por assim
dizer, a arma na ferida?
De aumentar a dose de veneno
para aquele que sofre, sob o
pretexto de que essa é a sua
expiação
Oh!, considerai-vos sempre como o
instrumento escolhido para fazê-la
cessar.
Resumamos assim: estais todos na
Terra para expiar; mas todos, sem
exceção, deveis fazer todos os esforços
para aliviar a expiação de vossos
irmãos, segundo a lei de amor e
caridade.
• SÃO LUIS - Paris, 1860
28 – Um homem agoniza, presa de
cruéis sofrimentos. Sabe-se que o
seu estado é sem esperança.
É permitido poupar-lhe alguns
instantes de agonia, abreviando-lhe
o fim?
Eutanásia
Mas quem vos daria o direito de prejulgar os
desígnios de Deus?
Não pode ele conduzir um homem até a beira da
sepultura, para em seguida retirá-lo, com o fim de
fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar lhe os
pensamentos?
E.Q.M
A que extremos tenha chegado
um moribundo, ninguém pode
dizer com certeza que soou sua
hora final.
A ciência, por ação, nunca se
enganou nas suas previsões?
Bem sei que há casos que se podem
considerar, com razão, como
desesperados. Mas se não há
nenhuma esperança possível de um
retorno definitivo à vida e à saúde,
não há também inúmeros exemplos
de que, no momento do último
suspiro, o doente se reanima e
recobra suas faculdades por alguns
instantes?
Pois bem: essa hora de graça que
lhe é concedida, pode ser para
ele da maior importância, pois
ignorais as reflexões que o seu
Espírito poderia ter feito nas
convulsões da agonia, e quantos
tormentos podem ser poupados
por um súbito clarão de
arrependimento.
O materialista, que só vê o corpo, não
levando em conta a existência da alma,
não pode compreender essas coisas. Mas
o espírita, que sabe o que se passa além
túmulo, conhece o valor do último
pensamento. Aliviai os últimos
sofrimentos o mais que puderdes, mas
guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que
seja apenas um minuto, porque esse
minuto pode poupar muitas lágrimas no
futuro.
SÃO LUIS - Paris, 1860
29 – Aquele que está desgostoso da
vida, mas não querendo abreviá-la, será
culpado, indo procurar a morte num
campo de batalha, com o pensamento
de torná-la útil?
Quer o homem se mate ou se faça
matar, o objetivo é sempre o de
abreviar a vida, e por conseguinte,
há o suicídio de intenção, embora
não haja de fato. O pensamento de
que a sua morte servirá para
alguma coisa é ilusório, simples
pretexto, para disfarçar a ação
criminosa e desculpá-los aos seus
próprios olhos.
Se ele tivesse seriamente o desejo de
servir à pátria, procuraria antes viver
para dedicar-se à sua defesa, e não
morrer, porque uma vez morto já não
serve para nada. A verdadeira
abnegação consiste em não temer a
morte quando se trata de ser útil, em
enfrentar o perigo e oferecer o sacrifício
da vida, antecipadamente e sem pesar,
se isso for necessário.
Mas a intenção premeditada
de procurar a morte,
expondo-se para tanto ao
perigo, mesmo a serviço,
anula o mérito da ação.
SÃO LUIS - Paris, 1860
30 – Um homem se expôs a um perigo
iminente para salvar a vida de um
semelhante, sabendo que ele mesmo
sucumbirá; isso pode ser considerado
como suicídio?
Não havendo a intenção de
procurar a morte, não há suicídio,
mas devotamento e abnegação,
mesmo com a certeza de perecer.
Mas quem pode ter essa certeza?
Quem diz que a Providência não
reservará um meio inesperado de
salvação, no momento mais
crítico?
Não pode a salvar até mesmo
aquele que estiver na boca de
um canhão? Pode ela, muitas
vezes, querer levar a prova da
resignação até o último limite, e
então uma circunstância
inesperada desvia o golpe fatal.
SÃO LUIS - Paris, 1860
31 – Os que aceitam com resignação
os seus sofrimentos, por submissão à
vontade de Deus e com vistas à sua
felicidade futura, não trabalham
apenas para eles mesmos, e podem
tornar os seus sofrimentos proveitosos
para outros?
Esses sofrimentos podem ser
proveitosos para outros,
material e moralmente.
Materialmente, se, pelo
trabalho, as privações e os
sacrifícios que se impõem
contribuem para o bem-estar
material do próximo.
Alerta aos Espíritas
Moralmente, pelo exemplo que
dão, com sua submissão à vontade
de Deus.
Esse exemplo do poder da fé
espírita pode incitar os infelizes à
resignação, salvando-os do
desespero e de suas funestas
consequências para o futuro.
Uma linda noite e uma Feliz Semana!

Estudos do evangelho 6

  • 1.
    Estudos do Evangelho Capítulo5 – Bem aventurados os aflitos - Instruções dos Espíritos Leonardo Pereira
  • 2.
    Instruções dos EspíritosVIII – A Melancolia IX – Provas Voluntárias e Verdadeiro Cilício
  • 3.
    O evangelho eo Livro dos Espíritos
  • 4.
    VIII – AMelancolia FRANÇOIS DE GENÉVE Bordeaux
  • 5.
    O que éa melancolia?
  • 6.
    Para Freud, “ostraços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade e
  • 7.
    uma diminuição dossentimentos de autoestima a ponto de encontrar expressão em auto recriminação e auto envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição” (4). 4 ) FREUD, S. – Obras completas – Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. XIV – “Luto e Melancolia”(1917[1915]). Pág. 250.
  • 8.
    25 – Sabeispor que uma vaga tristeza se apodera por vezes de vossos corações, e vos faz sentir a vida tão amarga?
  • 9.
    É o vossoEspírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo que lhe serve de prisão, se cansa em vãos esforços para escapar.
  • 10.
    E, vendo queesses esforços são inúteis, cai no desânimo, fazendo o corpo sofrer sua influência, com a languidez, o abatimento e uma espécie de apatia, que de vós se apoderam, tornando-vos infelizes.
  • 11.
    Perda do Entusiasmo! Entusiasmo(do grego en + theos, literalmente 'em Deus')
  • 12.
    Existem dois tiposde entusiasmo: endógeno, que é gerado dentro do próprio indivíduo; e o exógeno, que depende de um estímulo externo, chamado comumente de motivação!
  • 13.
  • 14.
    O homem podegozar na Terra uma felicidade completa? 920.- LE
  • 15.
    — Não, poisa vida lhe foi dada como prova ou expiação, mas dele depende abrandar os seus males e ser tão feliz, quanto se pode ser na Terra.
  • 16.
    A felicidade terrenaé relativa à posição de cada um; o que e suficiente para a felicidade de um faz a desgraça de outro. Há, entretanto, uma medida comum de felicidade para todos os homens? 922.- LE
  • 17.
    - Para avida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro.
  • 18.
    A civilização, criandonovas necessidades, não é a fonte de novas aflições? 926.- LE
  • 19.
    — Os malesdeste mundo estão na razão das necessidades artificiais que criais para vós mesmos. Aquele que sabe limitar os seus desejos e ver sem cobiça o que estafara das suas possibilidades, poupa-se a muitos aborrecimentos nesta vida. O mais rico é aquele que tem menos necessidades
  • 20.
    Invejais os prazeresdos que vos parecem os felizes do mundo Mas sabeis, por acaso, o que lhes está reservado?
  • 21.
    Acreditai no quevos digo e resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens, mas não a busqueis neste mundo.
  • 22.
    Agora, que Deusvos envia os seus Espíritos, para vos instruírem sobre a felicidade que vos está reservada, esperai pacientemente o anjo da libertação, que vos ajudará a romper os laços que mantém cativo o vosso Espírito.
  • 23.
    Pensai que tendesa cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão de que já não podeis duvidar, seja pelo devotamento à família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou.
  • 24.
    Em que consistea missão dos Espíritos encarnados? 573. - LE
  • 25.
    — Instruir oshomens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições por meios diretos e materiais. Mas as missões são mais ou menos gerais e importantes. Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui.
  • 26.
    Tudo se encadeiana Natureza; ao mesmo tempo que o Espírito se depura pela encarnação, também concorre por essa forma para o cumprimento dos desígnios da Providencia. Cada um tem a sua missão neste mundo, porque cada um pode ser útil em algum sentido
  • 27.
    E se, nocurso dessa prova, no cumprimento de vossa tarefa, virdes tombarem sobre vós os cuidados, as inquietações e os pesares, sede fortes e corajosos para os suportar. Enfrentai-os decisivamente, pois são de curta duração e
  • 28.
    devem conduzir-vos juntoaos amigos que chorais, que se alegrarão com a vossa chegada e vos estenderão os braços, para vos conduzirem a um lugar onde não têm acesso às amarguras terrenas.
  • 29.
    O Espírito quese encarna para cumprir uma missão tem as mesmas apreensões daquele que o faz como prova? 580. - LE
  • 30.
    — Não; eletem experiência.
  • 31.
    IX – Provas Voluntáriase Verdadeiro Cilício UM ANJO DA GUARDA Paris, 1863
  • 32.
    Cilício era umatúnica, cinto ou cordão de crina, que se trazia sobre a pele para mortificação ou penitência. O termo vem do latim cilicinus que quer dizer feito de pêlo de cabra, ou cilicium que quer dizer tecido áspero ou grosseiro de pelo de cabra ou vestido de gente pobre. Hoje é conhecido como forma de mortificação voluntária ao lado do jejum e abstinência dentre outras formas.
  • 33.
    26 – Perguntaisse é permitido abrandar a vossas provas. Essa pergunta lembra estas outras: É permitido ao que se afoga procurar salvar-se?
  • 34.
    E a quemse espetou num espinho, retirá-lo? Ao que está doente, chamar um médico?
  • 35.
    As provas têmpor fim exercitar a inteligência, assim como a paciência e a resignação. Um homem pode nascer numa posição penosa e difícil, precisamente para obrigá-lo a procurar os meios de vencer as dificuldades.
  • 36.
    O médico consisteem suportar sem murmurações as consequências dos males que não se podem evitar, em preservar na luta, em não se desesperar quando não se sai bem, e nunca em deixar as coisas correrem, que seria antes preguiça que virtude.
  • 37.
    O instante emque o Espírito deve encarnar- se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante? 340.. - LE
  • 38.
    — É comoum viajante que embarca para uma travessia perigosa e não sabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta. Comentário de Kardec: O viajante que embarca sabe a que perigos se expõe, mas não sabe se naufragará. Assim se dá com o Espírito: ele conhece o gênero de provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá.
  • 39.
    Há uma grandedistinção a fazer. Quanto a vós, pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos manda, não aumenteis a carga já por vezes bem pesada;.
  • 40.
    aceitai-as sem queixase com fé, eis tudo o que Ele vos pede. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem propósito, porque tendes necessidades de todas as vossas forças, para cumprir vossa missão de trabalho na Terra.
  • 41.
    Torturar voluntariamente, martirizar ovosso corpo, é infligir a lei de Deus, que vos dá os meios de sustentá-lo e de fortalecê-lo. Debilitá-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis: tal é a lei.
  • 42.
    O abuso dasmelhores coisas traz as suas punições, pelas consequências inevitáveis.
  • 43.
    Que pensar dohomem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos seus gozos? 714.- LE
  • 44.
    — Pobre criaturaque devemos lastimar e não invejar, porque está bem próxima da morte!
  • 45.
    É da mortefísica ou da morte moral que ele se aproxima? 714 – a) .- LE
  • 46.
    — De umae de outra. • Comentário de Kardec: O homem que procura, nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu para guia e quanto maiores forem os seus excessos maior é o império que concedeu a sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a própria morte, que são a consequência do abuso, são também a punição da transgressão da lei de Deus.
  • 47.
    Bem outra éa questão dos sofrimentos que uma pessoa se impõe para aliviar o próximo. Se suportardes o frio e a fome para agasalhar e alimentar aquele que necessita, e vosso corpo sofrer com isso, eis um sacrifício que é abençoado por Deus.
  • 48.
    Vós, que deixaisvossos toucadores perfumados para levar consolação aos aposentos infectos; que sujais vossas mãos delicadas curando chagas; que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que é vosso irmão em Deus; vós, enfim, que aplicais a vossa saúde na prática das boas
  • 49.
    obras, tendes nissoo vosso cilício, verdadeiro cilício de bênçãos, porque as alegrias do mundo não ressecaram o vosso coração. Vós não adormecestes no seio das voluptuosidades enlanguescedoras da fortuna,
  • 50.
    mas vos transformastesnos anjos consoladores dos pobres deserdados.
  • 51.
    Mas vós quevos retirais do mundo para evitar suas seduções e viver no isolamento, qual a vossa utilidade na Terra? Onde está a vossa coragem nas provas, pois que fugis da luta e desertais do combate? Se quiserdes um cilício, aplicai-o à vossa alma e não ao vosso corpo;
  • 52.
    mortificai o vossoEspírito e não a vossa carne; fustigai o vosso orgulho; recebei as humilhações sem vos queixardes; machucai vosso amor próprio; insensibilizai-vos para a dor da injúria e da calúnia, mais pungente que a dor física.
  • 53.
    Eis aí overdadeiro cilício, cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão a vossa coragem e a vossa submissão à vontade de Deus. * BERNARDIN Espírito protetor, Bordeaux, 1863
  • 54.
    27 – Deve-sepôr termo às provas do próximo, quando se pode, ou devemos, por respeito aos desígnios de Deus, deixá-las seguir o seu curso?
  • 55.
    Já vos dissemose repetimos, muitas vezes, que estão na terra de expiação para completarem as vossas provas, e que tudo o que vos acontece é consequência de vossas existências anteriores, as parcelas da dívida que tendes a pagar. Mas este pensamento provoca em certas pessoas reflexões que devem ser afastadas, porque podem ter funestas consequências.
  • 56.
    Lei de Açãoe Reação X Karma
  • 57.
    Pensam alguns que,uma vez quase está na Terra para expiar, é necessário que as provas sigam o seu curso. Há outros que chegam a pensar que não somente devemos evitar atenuá-las, mas também devemos contribuir para torná-las mais proveitosas, agravando-as. É um grande erro.
  • 58.
    Sim, vossas provasdevem seguir o curso que Deus lhes traçou, mas acaso conheceis esse curso? Sabeis até que ponto elas devem ir, e se vosso Pai Misericordioso não disse ao sofrimento deste ou daquele vosso irmão: “Não irás além disto?”
  • 59.
    Sabeis se aProvidência não vos escolheu, não como instrumento de suplício, para agravar o sofrimento do culpado, mas como bálsamo consolador, que deve cicatrizar as chagas abertas pela sua justiça?
  • 60.
    Qual o verdadeirosentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? 886) .- LE
  • 61.
    — Benevolência paracom todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas. Comentário de Kardec: O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: “Amai- vos uns aos outros, como irmãos”.
  • 62.
    Não digais, portanto,aos verdes um irmão ferido: “É a justiça de Deus, e é necessário que siga o seu curso”, mas dizei, ao contrário: “Vejamos que meios nosso Pai misericordioso me concedeu, para aliviar o sofrimento de meu irmão.
  • 63.
    Vejamos se omeu conforto moral, meu amparo material, meus conselhos, poderão ajudá-lo a transpor esta prova com mais força, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não me pôs nas mãos os meios de fazer cessar este sofrimento; se não me deu, como prova também, ou talvez como expiação, o poder de cortar o mal e substituí-lo pela benção da paz”.
  • 64.
  • 65.
    Auxiliai-vos sempre, poisem vossas provas mútuas, e jamais vos encareis como instrumentos de tortura. Esse pensamento deve revoltar todo homem de bom coração, sobretudo os espíritas. Porque o espírito mais que qualquer outro, deve compreender a extensão infinita da bondade de Deus.
  • 66.
    O espírita devepensar que sua vida inteira tem de ser um ato de amor e de abnegação, e que por mais que faça para contrariar as decisões do Senhor, sua justiça seguirá o seu curso. Ele pode, pois, sem medo, fazer todos os esforços para aliviar o amargor da expiação, porque somente Deus pode cortá-la ou prolongá-la, segundo o que julgar a respeito.
  • 67.
    Não seria excessivoorgulho, da parte do homem, julgar-se com o direito de revolver, por assim dizer, a arma na ferida? De aumentar a dose de veneno para aquele que sofre, sob o pretexto de que essa é a sua expiação
  • 68.
    Oh!, considerai-vos semprecomo o instrumento escolhido para fazê-la cessar. Resumamos assim: estais todos na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis fazer todos os esforços para aliviar a expiação de vossos irmãos, segundo a lei de amor e caridade. • SÃO LUIS - Paris, 1860
  • 69.
    28 – Umhomem agoniza, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que o seu estado é sem esperança. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, abreviando-lhe o fim? Eutanásia
  • 70.
    Mas quem vosdaria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir um homem até a beira da sepultura, para em seguida retirá-lo, com o fim de fazê-lo examinar-se a si mesmo e modificar lhe os pensamentos? E.Q.M
  • 71.
    A que extremostenha chegado um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que soou sua hora final. A ciência, por ação, nunca se enganou nas suas previsões?
  • 72.
    Bem sei quehá casos que se podem considerar, com razão, como desesperados. Mas se não há nenhuma esperança possível de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há também inúmeros exemplos de que, no momento do último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes?
  • 73.
    Pois bem: essahora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, pois ignorais as reflexões que o seu Espírito poderia ter feito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos podem ser poupados por um súbito clarão de arrependimento.
  • 74.
    O materialista, quesó vê o corpo, não levando em conta a existência da alma, não pode compreender essas coisas. Mas o espírita, que sabe o que se passa além túmulo, conhece o valor do último pensamento. Aliviai os últimos sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja apenas um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro. SÃO LUIS - Paris, 1860
  • 75.
    29 – Aqueleque está desgostoso da vida, mas não querendo abreviá-la, será culpado, indo procurar a morte num campo de batalha, com o pensamento de torná-la útil?
  • 76.
    Quer o homemse mate ou se faça matar, o objetivo é sempre o de abreviar a vida, e por conseguinte, há o suicídio de intenção, embora não haja de fato. O pensamento de que a sua morte servirá para alguma coisa é ilusório, simples pretexto, para disfarçar a ação criminosa e desculpá-los aos seus próprios olhos.
  • 77.
    Se ele tivesseseriamente o desejo de servir à pátria, procuraria antes viver para dedicar-se à sua defesa, e não morrer, porque uma vez morto já não serve para nada. A verdadeira abnegação consiste em não temer a morte quando se trata de ser útil, em enfrentar o perigo e oferecer o sacrifício da vida, antecipadamente e sem pesar, se isso for necessário.
  • 78.
    Mas a intençãopremeditada de procurar a morte, expondo-se para tanto ao perigo, mesmo a serviço, anula o mérito da ação. SÃO LUIS - Paris, 1860
  • 79.
    30 – Umhomem se expôs a um perigo iminente para salvar a vida de um semelhante, sabendo que ele mesmo sucumbirá; isso pode ser considerado como suicídio?
  • 80.
    Não havendo aintenção de procurar a morte, não há suicídio, mas devotamento e abnegação, mesmo com a certeza de perecer. Mas quem pode ter essa certeza? Quem diz que a Providência não reservará um meio inesperado de salvação, no momento mais crítico?
  • 81.
    Não pode asalvar até mesmo aquele que estiver na boca de um canhão? Pode ela, muitas vezes, querer levar a prova da resignação até o último limite, e então uma circunstância inesperada desvia o golpe fatal. SÃO LUIS - Paris, 1860
  • 82.
    31 – Osque aceitam com resignação os seus sofrimentos, por submissão à vontade de Deus e com vistas à sua felicidade futura, não trabalham apenas para eles mesmos, e podem tornar os seus sofrimentos proveitosos para outros?
  • 83.
    Esses sofrimentos podemser proveitosos para outros, material e moralmente. Materialmente, se, pelo trabalho, as privações e os sacrifícios que se impõem contribuem para o bem-estar material do próximo.
  • 84.
  • 85.
    Moralmente, pelo exemploque dão, com sua submissão à vontade de Deus. Esse exemplo do poder da fé espírita pode incitar os infelizes à resignação, salvando-os do desespero e de suas funestas consequências para o futuro.
  • 86.
    Uma linda noitee uma Feliz Semana!