Estrutura e Funcionamento da
          Educação

   Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares,
          Roseane Nascimento




              Recife, 2009
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade
Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos


Produção Gráfica e Editorial
Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Glaydson da Silva
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

   Plano da Disciplina ...............................................................................4


   Apresentação ........................................................................................9


   Conhecendo o Volume 1 ....................................................................10


   Capítulo 1 - A Educação no Período do Brasil-Colônia até a
   primeira República..............................................................................12


   Capítulo 2 - A Educação no Brasil a partir da Primeira República
   (1889-1930) até a década de 1980......................................................25


   Capítulo 3 - As Constituições Brasileiras: Panorama Histórico-
   social e Concepções de Educação ...................................................35


   Capítulo 4 - A Educação na Constituição de 1988 ...........................52


   Considerações Finais .........................................................................64


   Conheça as Autoras ...........................................................................66
Plano da Disciplina

     Carga horária: 60h

     Ementa da Disciplina: Realizar a análise histórica de como ocorreu a estruturação
     do Sistema Escolar Brasileiro, frente aos fundamentos filosóficos, históricos e
     socioeconômicos e políticos, de forma a refletir conhecimentos e valores éticos
     aos graduandos, futuros profissionais da educação, nos diferentes níveis de
     ensino. Destaque para os termos da LDB 9394/96 no processo de mudanças da
     educação brasileira e o papel dos profissionais de educação enquanto agentes
     de transformação da educação.

 Objetivos

     Objetivo Geral

 1 Contextualizar a evolução do processo de organização e funcionamento da
   educação brasileira, focalizando o Ensino Fundamental e Médio e o momento
   histórico atual, de modo a possibilitar ao graduando analisar criticamente e
   posicionar-se como agente desse processo, tendo como referencial básico a
   legislação educacional.

 	   Objetivos	Específicos

 1 Conhecer a base teórico-legal e as condições materiais para a organização e o
   funcionamento da educação, no Brasil, como parte do processo histórico-social.

 2 Caracterizar as relações entre educação e sociedade no Brasil, considerando o
   desenvolvimento da economia, a evolução da cultura e a estruturação do poder
   político. Bem como perceber a dependência das leis em relação ao jogo de
   influências e interesses que atuam na sociedade.

 3 Refletir sobre fatores condicionantes da alta seletividade que marcam o sistema
   educacional brasileiro, situando-os dentro e fora da escola;

 4 Reconhecer as principais instituições e movimentos educacionais e o papel que
   tiveram no quadro geral da educação brasileira;

 5 Refletir sobre a delimitação da Constituição Federal de 1988 e dos limites e
   possibilidades da nova LDB (lei no. 9394/96) face ao panorama atual das políticas
   neoliberais quanto ao quadro de formação dos professores.
Conteúdo Programático

   Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no Brasil: Da Colônia
até a Década de 1980

   Carga horária do Módulo 1: 15h

   1 A Educação no Período do Brasil-Colônia até a Primeira República.

   2 A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de
     1980.

   3 As Constituições Brasileiras

   4 A Educação na Constituição de 1988.

  Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96

   Carga horária do Módulo 2: 15h

   1 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96 – trajetória e perspectivas
     dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais.

   2 Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional conforme a
     legislação vigente.

   3 Educação Básica e Superior na LDB

       3.1   Educação Infantil

       3.2   Educação Fundamental

       3.3   Ensino Médio

       3.4   Educação Superior

   4 Modalidades da Educação na LDB

       4.1   Educação de Jovens e Adultos

       4.2   Educação Especial

       4.3   Educação Profissional

       4.4   Educação a Distância

  Módulo	3	-	Os	Profissionais	da	Educação	e	os	Recursos	Financeiros	
destinados à Educação

   Carga horária do Módulo 3: 15h
1 Profissionais da Educação

   2 Recursos Financeiros para Educação

   3 Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação

   Módulo 4 - Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros
curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +)

   Carga horária do Módulo 4: 15h

   1 Análise crítica das Diretrizes Curriculares Nacionais

   2 Abordagem crítica dos Parâmetros Curriculares Nacionais

  Avaliação

      Será avaliada a participação dos alunos através das atividades propostas em
      cada módulo, mediante os seguintes critérios: fundamentação teórica, autonomia
      das ideias, coesão e coerência textual.

      A avaliação será construída ao longo do processo de ensino-aprendizagem,
      privilegiando-se uma abordagem formativa. Serão considerados os seguintes
      instrumentos para os processos avaliativos:

   1 Participação em fóruns orientados de discussões

   2 Participações em chats orientados

   3 Pesquisas orientadas

   4 Socialização de pesquisas e leituras

   5 Auto-avaliação

   6 Resolução de atividades propostas no material didático impresso

   7 Resolução de webquests

   8 Provas presenciais

  Metodologia

      A metodologia a ser empregada irá priorizar os seguintes instrumentos didático-
      pedagógicos:

   1 Pesquisa bibliográfica.

   2 Estudo dirigido

   3 Participação nos debates (chat e fórum)
4 Socialização de leituras e experiências didático-pedagógicas

5 Produção de texto individual .

6 Leitura do material didático impresso de acordo com o cronograma proposto.

7 Fóruns de discussão (participação quantitativa e participação qualitativa nos
  fóruns temáticos propostos).

8 Chats temáticos (participação quantitativa e participação qualitativa nos chats
  temáticos propostos).

9 Quiz (os alunos serão estimulados à participação em exercícios propostos no
  Quiz como forma de contribuir para o seu processo de auto-avaliação).

10 Vídeos-aula: apresentação de vídeos-aula com temas do conteúdo proposto no
   material didático impresso.

11 Propostas de pesquisas e leituras dirigidas com base nas temáticas propostas.

12 Exercícios de revisão.

Referências

Bibliografia	Básica:

  ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989

  BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96.

  BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São
  Paulo: Cortez, 2001.

  COSTA, M. A educação nas Constituições do Brasil: dados e direções. Rio de
  Janeiro: DP & A, 2002.

  FAVERO, O. A educação nas Constituições brasileiras: 1823-1988: Campinas,
  SP: Autores Associados, 1996

  GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

  HAGUETTE, A. Educação: bico, vocação ou profissão? In: Educação &
  Sociedade, n. 38, abril/91.

  LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São
  Paulo: Cortez, 2006.

  POLETTI, R. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001
  (Coleção Constituições Brasileiras, V.3)

  ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973). 25. ed. Petrópolis:
Vozes, 2001.

  SILVA, R. Educação e trabalho: o planejamento de ensino como uma das
  expressões da organização do trabalho pedagógico para uma escola pública e de
  qualidade. Conferência Internacional: Educação, Globalização e Cidadania. CE/
  UFPB – João Pessoa/ PB, Fev. 2008.

Bibliografia	Complementar

  FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez e Moraes, 1986.

  RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15ª.
  Ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998.

  SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores associados,
  1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/
Apresentação

   Caros(as) Cursistas,

   Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Esta
disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos com a estrutura da organização
educacional e com a legislação pertinente a cada nível de ensino. Para tanto, faremos
uma breve retrospectiva histórica, seguida de uma análise das leis que regem a
educação brasileira.

   Neste primeiro módulo, vamos conhecer um pouco do breve histórico da organização
educacional no Brasil, considerando o período do Brasil-Colônia até década de 1980. É
importante que vocês percebam que a educação está ancorada em processos históricos,
políticos e sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores,
no sentido de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros.

   Convidamos todos vocês para embarcarem nesta viagem rumo ao universo mágico
da educação, tendo em vista as transformações históricas e sociais que nortearam o
panorama da educação no cenário brasileiro.

   Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá?

   Abraços Virtuais,

                                 Ivanda Martins Silva
                                  Maria Lúcia Soares
                                 Roseane Nascimento
                                 Professoras Autoras
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Conhecendo o Volume 1

                  Neste primeiro volume, você irá encontrar o módulo 01 da
               disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar
               seus estudos, veja a organização deste primeiro módulo.

                  Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no
               Brasil: Da Colônia até a Década de 1980.

                   Carga Horária do Módulo 1: 15 h/aula

                  Objetivo do Módulo 1: Construir um panorama crítico da
               educação brasileira, considerando um breve histórico da organização
               educacional apresentada no Brasil-Colônia até a década de 1980,
               fornecendo subsídios para uma visão crítica dos aspectos históricos,
               sociais e políticos subjacentes aos processos educacionais.

                   Conteúdo Programático do Módulo 1:

                   • A Educação no Período do Brasil-colônia até a Primeira
                     República

                   • A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-
                     1930) até a década de 1980

                   • As Constituições Brasileiras

                   • A Educação na Constituição de 1988.




                                        10
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Capítulo 1



  A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira
República

  O que vamos estudar neste capítulo?

   • A Educação no Período do Brasil-Colônia

   • O papel dos jesuítas na educação brasileira




                                           11
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Capítulo 1 - A Educação no
               Período do Brasil-Colônia até a
               primeira República


                  Vamos conversar sobre o assunto?

                   Você já parou para pensar como está estruturada a Educação
               no Brasil? Quais são as leis que regem nossa educação? Ainda
               não? Então, é hora de começarmos a discutir a organização dos
               processos educacionais no Brasil, considerando a contextualização
               histórico-social que fundamenta os principais episódios e a legislação
               educacional no cenário brasileiro. Para iniciarmos a nossa conversa,
               vamos lançar alguns questionamentos para você. Vamos lá?

                  Você conhece a Constituição de 1988? Já analisou a Lei de
               Diretrizes e Bases da Educação (LDB) no Brasil, Lei nº 9394/96?
               Já parou para pensar na importância de conhecer criticamente os
               documentos que norteiam as diretrizes da educação brasileira? Nos
               cursos de licenciatura, para a formação de futuros professores, é
               fundamental ampliarmos as discussões sobre os temas que orientam
               a regulamentação da legislação educacional, bem como os estudos
               sobre os processos de contextualização histórico-social da educação.

                   Assim, é fundamental que você perceba a importância de conhecer
               criticamente a organização do ensino, reconhecendo os papéis
               dos educadores neste processo. Para que os educadores atuem
               como agentes de transformação social, é essencial que percebam
               que as concepções de ensino-aprendizagem, currículo, avaliação,
               prática pedagógica estão diretamente relacionadas a aspectos
               políticos, históricos e sociais que estão subjacentes aos processos
               educacionais.


               A educação no Brasil-Colônia

                  Alguma vez você já parou para refletir sobre o início dos processos
               educacionais em território brasileiro? Em outros termos, você seria
               capaz de dizer exatamente quando começou a educação brasileira?
               Refletiu? Chegou a alguma conclusão?

                  Podemos observar que as ações no âmbito da educação são

                                        12
Estrutura e Funcionamento da Educação



anteriores à chegada dos Portugueses em solo brasileiro, pois já
existia a educação informal com os nossos primeiros habitantes,
os “índios”. Os nativos já tinham suas estratégias relacionadas aos
processos de ensino-aprendizagem, transmitindo conhecimentos e
perpetuando os ensinamentos, as histórias, as tradições, as lendas
ao longo dos anos. De geração em geração, os índios já vivenciam a
educação de forma intuitiva, percebendo as conexões entre ensinar e
aprender como processos estreitamente ligados.

    Em 1500, com a chegada dos portugueses no Brasil, inicia-se
o processo de colonização e o confronto entre culturas e línguas
diferentes. Sabemos que o processo de colonização, no Brasil, se
realizou de forma exploratória, ou seja, o processo de colonização
foi bastante devastador, cujo objetivo principal era o de exploração
da terra e de todas as riquezas do solo brasileiro. Nesse processo
de colonização, inicia-se também a aculturação do povo nativo, por
meio da imposição da cultura lusitana, dos princípios religiosos, das
convenções da língua portuguesa, além de diversos valores que eram
impostos aos índios, primeiros habitantes do solo brasileiro.

    Nesse período de colonização, os jesuítas1 iniciaram o processo
de catequese e começaram a desenvolver experiências educacionais.
                                                                                                Atenção
Com o intuito de catequizar os índios, a educação iniciada pelos
jesuítas estava fundamentada nos ensinamentos da cultura do                           1
                                                                                        Os jesuítas eram
colonizador, valorizando elementos característicos da língua e da                     representantes
                                                                                      religiosos da
religião dos portugueses. Nesse contexto, houve um jesuíta que se                     Igreja Católica
                                                                                      que tinham como
destacou pelo seu trabalho de catequese: o Padre José de Anchieta.                    missão difundir
Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Padre José de                        os preceitos do
                                                                                      catolicismo.
Anchieta?




         Figura 1 - Padre José de Anchieta catequizando os índios brasileiros


                                                        13
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                                      Mini-biografia

                                           Padre José de Anchieta

                        O grande piahy (“supremo pajé branco”), como era conhecido
                        pelos índios, nasceu na ilha de Tenerife, uma das ilhas Canárias,
                        em 1534. Chegou no Brasil em 1553, fundando no ano seguinte
                        um colégio em pleno planalto paulista, na cidade de São Paulo.
                        Faleceu em 1579, no litoral do Espírito Santo. José de Anchieta
                        organizou a primeira gramática do tupi-guarani, espécie de
                        cartilha para o ensino da língua dos nativos (Arte da gramática
                        da língua mais usada na costa do Brasil) e publicou vários
                        poemas e peças teatrais.

                        Anchieta destacou-se por pesquisar a cultura do nativo e
                        utilizar as crenças e as lendas do povo indígena para realizar o
                        processo de catequese.

                        O padre José de Anchieta destacou-se pela sua produção
                        literária, didática e religiosa. Escreveu poemas, gramáticas,
                        peças teatrais e outras obras que se destacaram neste período.
                        Sua peça mais admirada é Na Festa de São Lourenço,
                        representada pela primeira vez em Niterói, em 1583. A maior
                        parte dos versos foi redigida em tupi; o restante, em espanhol
                        e português.



                        Veja as principais obras de Anchieta:

                        Obras de Anchieta

                        1. Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil
                        (1595)
                        2. Informações (1933)
                        3. Cartas (1933)
                        4. Fragmentos Históricos e Sermões (1933)
                        5. Na Festa de São Lourenço (teatro)
                        6. Na Visitação de Santa Isabel (teatro)

                        Poemas famosos de Anchieta

                        1. A Santa Inês
                        2. Do Santíssimo Sacramento
                        3. Em Deus, Meu Criador
                        4. Poema à Virgem




                                         14
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Filmoteca: Cinema em Ação


    Você já assistiu ao filme A Missão? Ainda não? Veja a sinopse do
filme e depois tente assisti-lo para ampliar sua compreensão sobre o
papel de alguns jesuítas no período da colonização.


                                         No final do século XVIII Mendoza
                                         (Robert De Niro), um mercador de
                                         escravos, fica com crise de consciência
                                         por ter matado Felipe (Aidan Quinn),
                                         seu irmão, num duelo, pois Felipe
                                         se envolveu com Carlotta (Cherie
                                         Lunghi). Ela havia se apaixonado por
                                         Felipe e Mendoza não aceitou isto,
                                         pois ela tinha um relacionamento
                                         com ele. Para tentar se penitenciar
                                         Mendoza se torna um padre e se une a
                                         Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem
                                         intencionado que luta para defender os
                                         índios, mas se depara com interesses
                                         econômicos.


              Fonte: http://www.cinemenu.com.br/filmes/a-missao-1986/sobre-o-filme


   Após assistir ao filme, discuta com seus colegas a temática
apresentada em um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos
professores/tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento
das atividades virtuais.

   De volta ao assunto

    No contexto do Brasil-Colônia, a educação escolarizada era
interessante e conveniente para a camada dominante (portugueses).
A camada dominada (índios) deveria ser catequizada e instruída.

   Naquela época, existiam dois Planos de Estudo que divergiam: o
Plano de Estudo do Pe. Manoel da Nóbrega que era materializado na
prática e o Ratio que era o plano do Rei.

   Veja o esquema a seguir e observe as características dos dois
planos.




                                                    15
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                               Planos de Estudo

                                 DE NÓBREGA                            DE RATIO

                           Aprendizado do Português               Curso de Humanidades




                                 Doutrina cristã                    Curso de Filosofia




                            Escola de ler e escrever                Curso de Teologia


                      Canto orfeônico             Música
                                               instrumental
                                                                    Viagem à Europa
                       Aprendizado              Estrutura
                     profissional geral          latina
                         e agrícola

                                Viagem à Europa




                 Conhecendo um pouco mais sobre o Plano de Estudo de
               Nóbrega e de Ratio

                  O plano de estudo de Nóbrega começava pelo aprendizado do
               português e o ensino da doutrina cristã (ambos auxiliando no processo
               de aculturação) que eram obrigatórios. Em caráter opcional eram
               oferecidos canto orfeônico e música instrumental. Dentro da escola
               de ler e escrever, que também era obrigatória, havia uma subdivisão
               − o aprendizado profissional e agrícola e, do outro lado, gramática e
               viagem de estudos à Europa.

                  Inicialmente, Nóbrega recrutava às vocações sacerdotais os
               indígenas, mas, logo percebeu a adequação destes à formação
               sacerdotal católica e como havia o interesse em prepará-los para as
               funções essenciais à vida da colônia, exerceu influência na proposição
               de um ensino profissional e agrícola.

                   Este plano sofreu sérias resistências a partir de 1556 até 1570,
               com a morte de Nóbrega. Após sua morte, a Companhia de Jesus
               reformula o processo educacional através do Plano de Estudo de
               Ratio, publicado em 1599, que concentrava sua programação nos
               elementos da cultura europeia, demonstrando seu desinteresse em
               “instruir” também o índio.


                                          16
Estrutura e Funcionamento da Educação



 “O plano legal (catequizar e instruir os índios) e o plano real se distanciavam. Os
 instruídos serão descendentes dos colonizadores. Os indígenas serão apenas
 catequizados”.

                                                             (RIBEIRO, 2001, p. 23).




Um novo período para a Educação

   Em 1759, você sabe o que aconteceu? Os jesuítas foram expulsos
do Brasil e seus bens que equivaliam a 10% do PIB brasileiro foram
confiscados, ou seja, o 1º grande desvio de verbas da educação.
Começa uma fase negra na educação, poucos recursos, aulas
esporádicas e professores mal preparados e mal remunerados. Esse
período se estendeu até a chegada da corte portuguesa no Brasil, em
1808, após Portugal ter sido invadido pelas tropas francesas.

    A instalação imediata do governo português em território colonial
obrigou a uma reorganização administrativa. A partir desta nova
realidade (o Brasil como sede da Coroa Portuguesa) se fez necessária
uma série de medidas atinentes ao campo intelectual geral, como:
a criação da Imprensa régia (1808), Biblioteca Pública (1810), o 1º
jornal “A Gazeta do Rio” (1812), a 1ª revista “As variações ou Ensaios
de Literatura (1813).

   Você acha que essas medidas interessaram a quem? Será que a
camada popular tinha acesso a elas? Não, claro que não. Só quem
teve acesso a todos esses investimentos foi a corte.

   Quando a corte portuguesa volta à Portugal e o Brasil passa pela
fase imperial com Dom Pedro I, em 1879, é decretada a reforma
Leôncio Carvalho. Entre as medidas necessárias estavam:

 a) Liberdade de Ensino

 b) O exercício do magistério era incompatível com o de cargos públicos e
 administrativos.

 c) Liberdade de frequência.

   Desde o período agrário-comercial exportador dependente (1894 a
1920) já trazia a composição educacional:

 1 – Ensino Primário (atualmente denominado Ensino Fundamental)

 2 – Ensino Médio

 3 – Ensino Superior


                                                       17
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Aos poucos, devido o crescente processo de industrialização e
               urbanização do país, novas demandas são postas à formação de mão-
               de-obra para o trabalho. Nesse contexto, abrem-se oportunidades
               para que a camada social popular, historicamente desfavorecida,
               tenha acesso à educação escolar, a níveis cada vez maiores de
               escolarização.

                  Será que isso foi de uma hora para outra? Você provavelmente
               respondeu que não, pois a educação só é disponibilizada para as
               camadas populares quando há interesses políticos e econômicos das
               classes dominantes.




                          Conheça Mais


                  Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste
               capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em
               um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma
               metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia.

                  Então, vamos continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as
               indicações a seguir:

                      www.histedbr.fae.unicamp.br

                      www.brasilescola.com/historiab/brasil-colonia.htm

                      www.portalbrasil.net.educacao.htm




                          Você Sabia?


                  Você sabia que a Carta de Pero Vaz de Caminha é um documento
               que descreve as terras encontradas no Brasil e os nativos? Caminha,
               escrivão português, tinha como missão relatar tudo o que encontrasse
               em terras brasileiras. Iniciada em 26 de abril e concluída no dia 1º
               de maio de 1500, a carta de Pero Vaz de Caminha foi enviada para
               o rei de Portugal por intermédio de Gaspar de Lemos, anunciando
               a “descoberta” de terras. É interessante observar como Caminha
               descreve os nativos.



                                        18
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Observe um trecho da carta:

 “Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir                         Atenção
 nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como
 têm de mostrar no rosto. Eles porém contudo andam muito bem curados e muito         2
                                                                                       Escritor
 limpos e naquilo me parece ainda mais que são como as aves ou alimárias             do período
 monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque        Modernista
 os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais         Brasileiro.
 ser”.                                                                               Destacou-se com
                                                                                     as publicações
                              Fonte: A carta de Pero Vaz Caminha, escrita em 1500.   frequentes:
                                                                                     “A Poesia em
                                                                                     Pânico” (1937);
   No período do Modernismo Brasileiro, vários autores revisitaram                   “O Visionário”
                                                                                     (1941); “As
a carta de Pero Vaz de Caminha e elaboraram vários textos que                        Metamorfoses”
mantêm relações dialógicas (intertextuais) com o documento escrito                   (1944); “Mundo
                                                                                     Enigma” e
pelo escrivão Português. Veja a seguir, o poema de Murilo Mendes                     “O Discípulo
                                                                                     de Emaús”
que revista a carta de Caminha com tom irônico.                                      (1945); “Poesia
                                                                                     Liberdade”
                                                                                     (1947); “Janela
                           A CARTA DE PERO VAZ                                       do Caos” (1949),
                                                                                     na França, numa
                                                Murilo Mendes2                       edição especial
                                                                                     com litografias de
                                                                                     Francis Picabia;
                A terra é mui graciosa,
                                                                                     “Contemplação
                Tão fértil eu nunca vi.                                              de Ouro Preto”
                A gente vai passear,                                                 (1954); além de
                No chão espeta um caniço,                                            outras obras.
                No dia seguinte nasce
                Bengala de castão de oiro.
                Tem goiabas, melancias,
                Bananas que nem chuchu.
                Quanto aos bichos, têm-nos muitos,
                De plumagens mui vistosas.
                Tem macaco até demais
                Diamantes tem à vontade
                Esmeraldas é para os trouxas.

                                                                                               Atenção

                                                                                     3
                                                                                       Segundo
                                                                                     Bernie Doge,
           Webquest: pesquisa em ação                                                WebQuest é “uma
                                                                                     investigação
                                                                                     orientada na qual
                                                                                     algumas ou todas
   Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado                       as informações
                                                                                     com as quais
neste capítulo?                                                                      os aprendizes
                                                                                     interagem são
   Título da WebQuest: O papel dos jesuítas na educação do                           originadas de
                                                                                     recursos da
Brasil-Colônia                                                                       Internet”. Acesse:
                                                                                     WWW.webquest.
                                                                                     futuro.usp.
   Introdução                                                                        br∕artigos∕textos_
                                                                                     bernie.html
   Os jesuítas tiveram papel importante na formação dos princípios da
educação no período do Brasil-Colônia. Há muitas discussões sobre

                                                     19
Estrutura e Funcionamento da Educação



                    a função da catequese como estratégia para disseminar a cultura do
                    colonizador. Muitos jesuítas apropriaram-se da cultura do nativo, a
                    fim de desenvolver estratégias de ensino direcionadas aos valores e
                    crenças dos próprios índios.

                       A Tarefa

                       Sua missão é atuar como um repórter, a fim de realizar um
                    documentário sobre o papel dos jesuítas na educação do período
                    Brasil-Colônia. Para realizar este documentário, você precisa
                    entrevistar pessoas sobre o tema, pesquisar sobre o assunto e depois
                    tentar desenvolver um roteiro para um breve documentário que será
                    transmitido por uma mega emissora de TV.
         Atenção

                       O Processo
4
 O Movie
Maker é uma
ferramenta para
                        Realize pesquisas em sites, livros, revistas, a fim de coletar
você criar filmes   informações sobre o tema. Assista a filmes sobre o período colonial,
no computador.
Tente montar        investigando o papel da educação neste contexto histórico-social.
seu storyboard,
coloque imagens,
                    O seu documentário poderá ser realizado no formato movie maker4,
clipes, fotos,      ferramenta para produção de pequenos vídeos. Você poderá incluir
músicas e você
terá seu filme      fotos, imagens, pinturas, poemas, entrevistas, legendas, músicas,
pronto para ser
assistido.
                    enfim, o documentário poderá ser elaborado com base em uma
Para saber mais     diversidade de textos, linguagens e recursos, a fim de chamar a
sobre movie
maker, acesse:      atenção dos espectadores.
http://www.
microsoft.com/         Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os
brasil/windowsxp/
moviemaker/         quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão
videos/create.
mspx                acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta
                    disciplina.

                       Após elaborar o seu documentário, tente publicá-lo na plataforma
                    do ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam
                    visualizar a sua produção. Apenas lembramos que os vídeos para o
                    moodle devem ser curtos.

                       A Avaliação




                       Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios:

                                            20
Estrutura e Funcionamento da Educação



   •   A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário

   • As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para
     subsidiar a produção do documentário.

   • Clareza, coerência e coesão na organização da produção
     textual apresentada no documentário.

   • Integração de outras linguagens, quando da produção do vídeo
     (música, pintura, textos escritos, charges, imagens, fotografias,
     etc.).

   Conclusão

   Caro(a) Cursista,

    Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar
pesquisas e continuar estudando sobre a influência dos jesuítas na
educação do Brasil-Colônia. Também pode experienciar a produção
de pequenos vídeos, tendo em vista o gênero textual do documentário
como forma de divulgar as pesquisas realizadas. Certamente, a
criatividade e a criticidade foram premissas fundamentais para a
elaboração desta atividade. Compartilhe suas experiências com
outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente.
Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que
estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade.
Boa sorte e bons estudos!

   Referências

    Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a
atividade proposta de forma eficaz.

       www. webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html

       www.scielo.br/pdf/ensaio/v12.n45/v12n45a03.pdf

       www.uefs.br/sitientibus/pdf/29/a_educacao_no_brasil_no_
       periodo_colonial.pdf

       http://webquest.org/search/index.php

       http://webquest.sp.senac.br/textos/ref

       http://bestwebquests.com/default.asp

       http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/



                                                21
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Atividades e Orientações de estudo



                  Vamos	fazer	uma	reflexão?

                  Tente refletir sobre os seguintes tópicos. Você poderá utilizar
               os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Lembre-se! É
               importante trocar experiências com seus(suas) colegas, a fim de
               construir aprendizagens significativas. Se precisar de ajuda, você
               poderá interagir com os(as) professores(as) que irão acompanhar os
               seus percursos de aprendizagem. Boa sorte e bons estudos! Agora, é
               hora de refletir. Vamos lá?

                   1– O    contexto     histórico   (político-econômico-social)   vem
                      influenciando a estrutura e o funcionamento de ensino? Por
                      quê?

                   2– Por que é importante conhecer a estrutura e o funcionamento
                      de ensino?

                   3– A legislação é importante para regulamentar essa estrutura?
                      Por quê?

                  Vamos participar de um chat?

                  Agora que você já estudou o assunto deste capítulo, é hora de
               continuar conversando e discutindo sobre a temática abordada, a fim
               de ampliar as discussões sobre a educação no período colonial.

                  Que tal participar de um chat temático sobre o tema? Lembre-se!
               Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação
               das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não
               perca esta oportunidade! Mantenha a interação com seus colegas
               e com os professores que estão mediando a sua participação no
               ambiente virtual de aprendizagem.




                          Vamos revisar?


                  Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto
               abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos

                                        22
Estrutura e Funcionamento da Educação



e continuar aprendendo.

    Lembre-se! Aprender a aprender é um pilar da educação muito
importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância.
O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu esforço,
no sentido de ampliar a motivação para “aprender a aprender”,
descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes
virtuais de aprendizagem.

   Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a
seguir e bons estudos!.

 Resumo

 Neste capítulo, você estudou a educação no período do Brasil-Colônia,
 percebendo a importância de fatores históricos e sociais que influenciam os
 processos educacionais. Você percebeu a influência dos jesuítas no período de
 colonização, quando desenvolveram estratégias e estudos sobre a catequese do
 povo nativo. É bom lembrar que o Plano de Estudo de Nóbrega começava pela
 aprendizagem da língua portuguesa, enfatizando também a doutrina cristã, ou
 seja, enfocando o processo de aculturação. Esse plano, como já foi dito, sofreu
 muitas resistências e só se manteve até a morte de Nóbrega. Após sua morte,
 a companhia de Jesus reformula o processo educacional através do Plano de
 Estudo de Ratio que enfatizava os elementos da cultura europeia, demonstrando
 desinteresse em instruir os índios.




                                                    23
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 2



                  A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-
               1930) até a década de 1980

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • A Educação no Brasil a partir da Primeira República

                   • A Educação no Brasil a partir da década de 1930

                   • Reformas educacionais




                                        24
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 2 - A Educação no
Brasil a partir da Primeira
República (1889-1930) até a
década de 1980


   Vamos conversar sobre o assunto?

   No capítulo anterior, você estudou a influência dos jesuítas na
educação do Brasil-Colônia. Neste capítulo, daremos continuidade
à forma como se desenvolveu a educação no Brasil, percorrendo o
período a partir da Primeira República. Antes, porém, vamos fazer
uma retomada na linha do tempo.

    Você sabe o que aconteceu no Brasil quando se tornou
“independente” de Portugal? Passamos um período de transição
em que o imperador D. Pedro I governou o Brasil. Nesse contexto,
aconteceram as pressões sociais das camadas dominantes em prol
da autonomia política do país. Em que sentido? No sentido de que
apesar do nosso país gozar da condição de independente de Portugal,
quem ainda regia o Brasil era o imperador D. Pedro I. Este, mesmo
desvencilhado da corte portuguesa, mantinha resquícios da lógica
monárquica.

   Mas, o que será que aconteceu quando houve a queda da
monarquia? Com a queda da monarquia em 1889 se inicia o que se
denomina de Primeira República (também conhecida como República
Oligárquica, República do café, República dos coronéis).

   É partir da constituição de 1891 que se instaura o governo
representativo (federal e presidencial), os estados ganham autonomia
a partir do federalismo e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro
e Minas Gerais são favorecidos, gerando-se, assim, o crescimento
desigual entre os estados no Brasil.




                                           25
Estrutura e Funcionamento da Educação




                  Figura 2 e 3 - A Primeira República tem início em 1889, com a declaração da República
                    pelo Marechal Deodoro da Fonseca (rosto em destaque), e finaliza no ano de 1930,
                quando o presidente Washington Luís é deposto pelos militares, e Getúlio Vargas assume a
                                                        presidência.


                  Nesse contexto, a passagem de um modelo exclusivamente
               agrário-exportador para um modelo parcialmente urbano industrial,
               impulsiona o surgimento de novas demandas emergentes de recursos
               humanos. Desse modo, a estreita oferta de ensino começou a chocar-
               se com a demanda social de educação.

                  Frente ao crescente processo de urbanização e industrialização
               pelo qual passa o Brasil já no início do século XX, cresce, então, a
               defasagem existente entre educação e desenvolvimento no Brasil. A
               demanda pelas escolas cresce e não há um quantitativo de vagas
               suficientes para atendê-la. Desse modo, gera um desequilíbrio entre
               a demanda social por vagas nas escolas e as vagas efetivamente
               ofertadas à sociedade.




                  Figura 4 - Visita de autoridades à escola Visconde de Ouro Preto. Diretor de Instrução
                  Pública Fernando de Azevedo, com o Presidente Washington Luís e o Prefeito Antonio
                              Prado Jr. Fotografia de Augusto Malta. 24 set. 1927 (IEB/USP).


                   Desse modo, é no contexto do final do século XIX e primeiras
               décadas do século XX que vemos acontecer movimentos em prol da
               institucionalização e expansão da escola pública. Tais movimentos,
               identificados enquanto de entusiasmo e otimismo pedagógico,

                                            26
Estrutura e Funcionamento da Educação



se tornaram um marco na história da educação do Brasil. Suas
reivindicações a favor de uma escola pública, gratuita, obrigatória e
leiga para todos culminaram com a publicação de um documento em                                 Atenção
1932, elaborado por Fernando de Azevedo5 e assinado por vinte e
                                                                                      5
                                                                                        Funcionário
seis educadores, foi denominado de O manifesto dos pioneiros da                       público,
escola nova7                                                                          sociólogo
                                                                                      e educador
                                                                                      brasileiro nascido
                                                                                      em Minas Gerais,
                                                                                      foi um dos
                                                                                      responsáveis pela
                                                                                      reforma do ensino
                                                                                      no país, a partir
                                                                                      de experiências
                                                                                      feitas no Ceará
                                                                                      (1923) e Rio de
                                                                                      Janeiro (1926).
                                                                                      Inicialmente
                                                                                      um seminarista
                                                                                      formou-se em
                                                                                      direito e abraçou
                                                                                      o magistério.


             Figura 5 - Fernando de Azevedo: o elaborador do documento
                        Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova.




                                                                                                Atenção

                                                                                      6
                                                                                        O Manifesto
                                                                                      dos Pioneiros da
                                                                                      Escola Nova foi
                                                                                      um documento
                                                                                      assinado por
                                                                                      26 educadores
                                                                                      renomados.
                                                                                      Destacamos
                                                                                      ainda que o termo
                                                                                      ensino Leigo,
                                                                                      neste contexto,
       Figura 6 - Anísio Teixeira6: um dos principais expoentes do movimento dos      significa em
                                 pioneiros da escola nova                             oposição
                                                                                      ao ensino
                                                                                      eclesiástico (da
                                                                                      igreja).



   8
     Anísio Teixeira fez seus primeiros estudos em colégios jesuítas em Salvador.
   Ingressou na faculdade de direito no Rio de Janeiro, formando-se em 1922.
   De volta à Bahia, assumiu o cargo de Inspetor Geral de Ensino, iniciando
   sua carreira de pedagogo e administrador público. Em 1928, ingressou na
   Universidade de Columbia, em Nova York, onde obteve o título de mestre e
   conheceu o educador John Dewey. Tornou-se Secretário da Educação do
   Rio de Janeiro em 1931 e realizou uma ampla reforma na rede de ensino,
   integrando o ensino da escola primária à universidade. Anísio Teixeira
   viveu até 1945.




                                                        27
Estrutura e Funcionamento da Educação



                      A Educação no Brasil a partir da década de
                      1930

          Atenção        A partir do que já foi exposto, pode-se afirmar que, para o
                      entendimento de como a educação brasileira foi se constituindo ao
7
  A Reforma           longo de sua trajetória, é necessário retomar a história da organização
Francisco
Campos, em            social brasileira, ou seja, é fundamental considerar as relações
1931, representou
de fato uma           econômicas, políticas, sociais, de cada período histórico.
ação objetiva
do Estado                 Nesse sentido, Romanelli (2001), em seu livro História da
em relação
à educação,           Educação no Brasil, ao analisar a relação entre educação e
ou seja, uma          desenvolvimento no Brasil a partir de 1930 até a década de 60, expõe
organização
da estrutura do       três fases da evolução do sistema educacional brasileiro: de 1930 até
ensino à base
de um sistema         1937; de 1937 até 1946 e de 1946 até 1961. A seguir destacamos
nacional.             alguns elementos relacionados a cada fase:
Regulamentou
uma estrutura
orgânica               A) De 1930 a 1937
ao ensino
secundário,
comercial
                       No campo político vemos a atuação do governo provisório com Getúlio Vargas.
e superior             No campo educacional, destacamos, nesse período, a Reforma Francisco
da época.              Campos7 ocorrida em 1931 e a luta dos Pioneiros da Escola Nova contra as
Teoricamente           forças conservadoras da época, culminando com a carta de manifesto de 1932.
foi uma grande
reforma, na
prática, entretanto    B) De 1937 a 1946
volveu-se
preferencialmente
para organização       Verifica-se outra fase do governo Vargas que faz a trajetória entre os anos de
do sistema             1937 até os anos de 1945. Um período de regime político totalitário (ditadura),
educacional            denominado de período do Estado Novo. No campo educacional, representou
das elites.            um intervalo nas lutas ideológicas em torno dos problemas educacionais.
(ROMANELLI,            Destacamos, também, as Leis Orgânicas do Ensino10, as quais começaram a
2001).                 ser promulgadas a partir de 1942, e estruturaram o ensino técnico-profissional
                       durante o período.


                       C) De 1946-1961

                       Em 1946 é votada a constituição que restabelece o regime democrático no Brasil.
                       Assim sendo, reinicia-se às lutas ideológicas em torno do Projeto de Lei para a
                       construção das Diretrizes e Bases da Educação do Brasil. Em 1961, após treze
                       anos de discussões, é promulgada a primeira Lei que regulamenta as Diretrizes
                       e Bases da Educação Nacional, a Lei11 nº. 4.024/61.


                          Já a partir de 1964, constata-se uma crise na educação marcada
                      pelo Golpe Militar e os Acordos Internacionais. Esse período de regime
                      militar no Brasil caracterizou-se basicamente por práticas autoritárias9
                      nas ações do Estado, pela supressão dos direitos constitucionais, pela
                      intimidação aos oposicionistas e pela imposição de censura prévia a
                      todos os meios de comunicação.



                                                28
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                                                               Atenção


                                                                                     8
                                                                                       Reforma relativa
                                                                                     ao ensino
                                                                                     secundário,
                                                                                     também
    No que se refere especificamente à educação, vários acordos são                  conhecida
                                                                                     como a reforma
firmados entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) do Brasil                    CAPANEMA,
                                                                                     em virtude do
com a Agência Norte-americana de Desenvolvimento Internacional
                                                                                     ministro Gustavo
(USAID). O objetivo principal desses era a implantação no Brasil                     Capanema que
                                                                                     por iniciativa
de Programas americanos. Nesse período histórico, a educação no                      própria iniciou
                                                                                     as reformas em
Brasil foi marcada por uma ênfase no tecnicismo e por duas reformas,
                                                                                     1942, ainda de
uma no ensino primário, outra no ensino superior. A reforma do ensino                forma parcial.

superior, a partir da Lei nº. 5.540 de 1968, foi implantada de forma
altamente autoritária, sem nenhuma discussão com a sociedade civil
ou com as universidades. Tal reforma institui a departamentalização
nas universidades, a matrícula por disciplina, o regime de créditos e
o vestibular classificatório. Já na década de 1970, com a Lei 5692/71,
há uma reforma no ensino do 1º e 2º. Graus, tornando o 2º. grau
profissionalizante.




            Filmoteca: Cinema em Ação


   Você sabia que o cinema brasileiro tem várias produções                                     Atenção

que reportam à época da ditadura militar? Para ampliar seus
                                                                                     9
                                                                                       Você já leu o
conhecimentos sobre o que representou esse período tenebroso                         livro “Brasil:
para o Brasil, indicamos o filme “Que é isso, companheiro”. Seguem                   Nunca Mais
                                                                                     “ ? Esta obra
a sinopse e informações técnicas dessa produção cinematográfica.                     foi organizada
                                                                                     por Dom Paulo
Pronto(a) para pegar a pipoca? Bom filme!!                                           Evaristo Arns. O
                                                                                     livro apresenta
                                Sinopse do Filme                                     vários exemplos
                                                                                     de torturas que
                                                                                     foram realizadas
 Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após          no período da
 alguns anos de manifestações políticas, é promulgado, em dezembro de 1968,          Didatura Militar.
 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois      É uma obra que
 acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período, vários      revela o lado
 estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade. Em 1969,             cruel de nossa
 militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados       história no
 Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados   período do regime
 nos porões da ditadura.                                                             militar.



                                                     29
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                    Informações Técnicas

                       Título no Brasil: O que é isso, Companheiro?
                       Título Original: O que é isso, Companheiro?
                       País de Origem: Brasil
                       Gênero: Drama
                       Tempo de Duração: 105 minutos
                       Ano de Lançamento: 1997
                       Direção: Bruno Barreto




                                  Você Sabia?
           Atenção


10
  Com o                   No período da ditadura militar, vários pensadores, políticos e artistas
acirramento da        foram exilados do Brasil, em virtude de perseguições políticas. Chico
ditadura militar
estabelecida em       Buarque de Holanda foi um dos artistas que sofreu as consequências
1964, a produção
artística de          do exílio. Suas canções retratavam, de forma metafórica, o período da
Chico Buarque         ditadura militar, denunciando a fala de liberdade de expressão como
sofreu grande
impacto. Em           um dos grandes entraves neste cenário político-histórico-social.
1967, ele estreou
o espetáculo
“Roda-Viva”,
                         Veja a letra da música a seguir. Trata-se da canção “Cálice”, de
que acabou            autoria de Chico Buarque10 e Gilberto Gil. A letra da música denuncia a
censurado.
Em 1968, dada         falta da liberdade de expressão do período. O próprio título (“Cálice”)
a repressão
política, Chico
                      é uma figura de linguagem que, do ponto de vista sonoro, apresenta
Buarque preferiu      duplo sentido. Podemos interpretar a expressão como o objeto
o exílio na Itália.
                      (cálice de vinho tinto de sangue) e também podemos analisar como a
                      expressão “Cale-se”!, a qual apresenta a mesma sonoridade. Assim,
                      em um sentido figurado, a letra a seguir pode ser interpretada como
                      um manifesto contra a falta da liberdade de expressão que mantinha
                      as pessoas caladas, sem voz, diante das atrocidades da ditadura
                      militar.




                                               30
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                CÁLICE

                           (Gilberto Gil - Chico Buarque)

                Pai, afasta de mim esse cálice
                Pai, afasta de mim esse cálice
                Pai, afasta de mim esse cálice
                De vinho tinto de sangue
                Como beber dessa bebida amarga
                Tragar a dor, engolir a labuta
                Mesmo calada a boca, resta o peito
                Silêncio na cidade não se escuta
                De que me vale ser filho da santa
                Melhor seria ser filho da outra
                Outra realidade menos morta
                Tanta mentira, tanta força bruta
                Como é difícil acordar calado
                Se na calada da noite eu me dano
                Quero lançar um grito desumano
                Que é uma maneira de ser escutado
                Esse silêncio todo me atordoa
                Atordoado, eu permaneço atento
                Na arquibancada pra a qualquer momento
                Ver emergir o monstro da lagoa
                De muito gorda a porca já não anda
                De muito usada a faca já não corta
                Como é difícil, pai, abrir a porta
                Esse pileque homérico no mundo
                De que adianta ter boa vontade
                Mesmo calado o peito, resta a cuca
                Dos bêbados do centro da cidade
                Talvez o mundo não seja pequeno
                Nem seja a vida um fato consumado
                Quero inventar o meu próprio pecado
                Quero morrer do meu próprio veneno
                Quero perder de vez tua cabeça
                Minha cabeça perder teu juízo
                Quero cheirar fumaça de óleo diesel
                Me embriagar até que alguém me esqueça.




Pós-ditadura militar: o processo de
democratização do Brasil

   Após vinte anos de ditadura militar, o Brasil reiniciou seu processo
de democratização e, em 1988, é aprovada a Constituição Democrática
de 1988. A partir desta carta magna, novos direitos são assegurados
aos cidadãos brasileiros. Direito do cidadão de eleger os prefeitos dos
municípios, os governadores dos Estados e o presidente da República,
o reconhecimento e ampliação dos direitos dos trabalhadores, dentre
outros.

   No que se refere especificamente à educação, a constituição


                                               31
Estrutura e Funcionamento da Educação



                      de 1988 garante o ensino público e gratuito. Desse modo, objetiva
                      universalizar o Ensino Fundamental, obriga o Estado a oferecer a
                      todos o Ensino Fundamental e propõe erradicar o analfabetismo em
                      dez anos.




                      A educação no contexto atual

           Atenção       Atualmente, no Brasil, a educação escolar é regulamentada pela
                      Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)11 Lei no. 9394/96.
11
  Você já conhece     Assim sendo, a educação escolar pode ser oferecida em escolas
a Lei de Diretrizes
e Bases da            da rede pública e da rede particular de ensino. As escolas públicas,
Educação? Ainda
não? Então,
                      cuja oferta é gratuita, são mantidas e administradas pelos governos
acesse:               Federal, Estadual e Municipal. As escolas privadas, mantidas por
http://www.
planalto.gov.br/      pessoas ou empresas, podem ser com fins lucrativos ou sem fins
ccivil_03/LEIS/
L9394.htm
                      lucrativos. As escolas caracterizadas enquanto sem fins lucrativos
Acesso em: 05         podem ser denominadas de: comunitária; confessionais (religiosas e
abr. 2009.
                      filantrópicas).




                                  Conheça Mais


                        Amplie e aprofunde os seus conhecimentos a partir de pesquisas
                      em outras fontes. Abaixo seguem algumas indicações:

                             http://www.pedagogia.com.br/historia.php

                             http://.sbhe.org.br

                             http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/

                             ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna,
                             1989.


                                              32
Estrutura e Funcionamento da Educação




            Atividades e Orientações de Estudo


    Explore ao máximo o uso dos fóruns de discussão para colocar
suas ideias e interagir com seus(suas) colegas, a fim de construir
aprendizagens significativas. Quando necessário, você poderá
interagir também com os(as) professores(as)/tutores(as) que irão
acompanhar seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora, é
hora de refletir. Vamos lá?

   1– Qual a relação que se estabelece entre a educação e o
      contexto econômico, político, social, de cada período histórico
      no Brasil?

   2– Na atualidade, o Brasil ainda vive resquício do período de
      ditadura militar?




            Vamos revisar?


   Lembre-se! É muito importante, para o seu sucesso no curso
e nesta disciplina, esforço e dedicação constantes. A leitura e a
pesquisa para aprofundamento das temáticas aqui discutidas devem
fazer parte de sua prática cotidiana. Reserve um tempo de estudo
para você aprofundar suas leituras e pesquisas.

   Vamos revisar juntos? Leia com atenção e bons estudos!.

 Resumo

 Você estudou, neste capítulo, aspectos sociais, econômicos e políticos que
 influenciaram e/ou determinaram a forma como a educação no Brasil se organizou,
 desde a Primeira República (1889-1930) até o processo de democratização
 na década de 1980. No início do século XX, vemos a demanda pelas escolas
 crescer e a não existência de quantitativo de vagas suficientes para atendê-
 la, fruto do desenvolvimento econômico e urbano do período. Esse momento
 histórico de crise acentuada na educação impulsionou movimentos educacionais
 que culminou na assinatura da Carta do Manifesto dos Pioneiros da Escola
 Nova, em 1932 (movimento que defendeu a escola pública, obrigatória, gratuita e
 laica). Estudamos, também, várias reformas educacionais ocorridas nos diversos
 períodos aqui refletidos, bem como a promulgação da 1ª. Lei de Diretrizes e
 Bases da Educação (LDB) nº. 4.024/61 e a segunda LDB, a qual está em vigor,
 a LDB nº. 9394/96.




                                                    33
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 3



                  As Constituições Brasileiras

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • Constituição Brasileira de 1824

                   • Constituição Brasileira de 1891

                   • Constituição Brasileira de 1934

                   • Constituição Brasileira de 1937

                   • Constituição Brasileira de 1946

                   • Constituição Brasileira de 1967

                   • Constituição Brasileira de 1988

                   • Concepções         de   educação   nas   diferentes   constituições
                     brasileiras

                   • Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração
                      das constituições brasileiras




                                        34
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 3 - As Constituições
Brasileiras: Panorama
Histórico-social e Concepções
de Educação


   Vamos conversar sobre o assunto?

   Você já parou para pensar como as discussões sobre educação
estão presentes nas constituições brasileiras? Ainda não? Então, é
hora de começarmos a refletir sobre esse assunto, analisando o papel
da educação nas diferentes constituições brasileiras.

   Certamente, você sabe que a linguagem jurídica utiliza uma
terminologia própria. Algumas vezes, para pessoas que ainda não
conhecem essa linguagem, pode parecer que é algo complicado e até
chato. Mas, quando entendemos a linguagem que é utilizada, esta se
torna muito mais fácil.
                                                                                            Atenção
   Por exemplo, normalmente uma lei está em uma determinada
categoria e recebe uma numeração, que é seguida do ano da                          12
                                                                                     Você sabe
promulgação12.                                                                     o que é
                                                                                   promulgação?
                                                                                   É quando a lei é
   Normalmente a lei é subdividida em partes. Observe:
                                                                                   aprovada e deve
                                                                                   entrar em vigor.
 • Título: com a numeração romana → indica o assunto que está tratando.

   Ex: Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais

 • Capítulo: é uma divisão da temática maior (Título) → especifica sobre que
 parte está falando.

   Ex: Capítulo 1 Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

 • Seção → sub-parte do Capítulo

   Ex: Seção I Disposições Gerais

 • Artigos → é a normatização propriamente dita. Escreve-se em numeração
 indoarábico,

   Ex: Art. 1º

 • Incisos → subdivisão dos artigos

   Na área educacional, algumas leis são extremamente importantes,
dentre elas:

                                                    35
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   • A Constituição Federal (Constituição da República Federativa
                     do Brasil)

                   • A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB)

                  Vamos, então, começar a discutir cada uma delas?


               Conhecendo um pouco sobre a Constituição
               Brasileira

                  As constituições recebem a denominação de Carta Magna.

                 Por que será que as Constituições recebem o nome de Carta
               Magna?

                      O que é uma Constituição?

                             Para que serve?

                                    Por quem é elaborada?

                  Que tal refletirmos juntos(as) sobre esses questionamentos?




                                        Figura 7 – Constituição de 1988


                    A Constituição é chamada Carta Magna porque é o documento
               inicial que traz a base legal para as diversas áreas da sociedade. Nela,
               está contida a legislação de um modo geral, desde a organização
               política, econômica e social do país, bem como seus segmentos. Sua
               utilidade é nortear os regulamentos da sociedade. Por isso mesmo é
               elaborada conjuntamente por diversos segmentos da sociedade.

                  Até o presente momento já tivemos sete (07) constituições. No
               entanto, alguns autores consideram as reformulações que houve, em
               1969, como características de uma outra constituição. Optamos por
               classificarmos em 07 (sete), uma vez que oficialmente só tivemos 07
               constituições e não 08 (oito).

                                        36
Estrutura e Funcionamento da Educação



   É bom lembrar que nem todas tiveram caráter democrático. Em
alguns momentos, tivemos avanços e em outros retrocessos.

   Vejamos um exemplo: a gratuidade do ensino.

    A gratuidade surge como uma inovação na Carta Imperial de 1824;
desaparece na 1ª Constituição republicana em 1891. A partir de 1934
passa a ser reconhecida como um direito social atribuído ao cidadão.
A Constituição de 1946 atribui à União a competência de legislar sobre
fundamentos e políticas sociais de educação. Este é o começo do
ciclo das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ou seja,
as disposições constitucionais vão ajustando a educação à estrutura
política do país.

   No Brasil, houve sete (07) constituições, como foi comentado
anteriormente, desde a Independência em 1822 até os dias atuais. É
importante ressaltar que cada uma delas foi recebendo emendas.

   As Constituições de 1967 e 1988 foram abundantemente
emendadas, fazendo com que a redação atual se distancie muito da
redação original.

   As Constituições geralmente são promulgadas de dois a três
anos após sua formulação (tempo utilizado para convocação de uma
Assembleia Constituinte e para elaboração e aprovação do texto
constitucional).

  Vamos conhecer um pouquinho sobre nossas constituições?
Vamos lá?


A Constituição de 1824




                     Figura 8 – Imperador Dom Pedro II


                                                  37
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Nossa 1ª Constituição foi resultante da Declaração de
               Independência do país, que ocorreu em 1822. Após a Independência
               houve uma séria crise política entre o imperador e os deputados,
               então D. Pedro II dissolve a Assembleia Constituinte de 1823, nomeia
               um Conselho de Estado com 10 membros e em poucos dias elabora e
               outorga o texto constitucional.

                  Por que ela é outorgada e não promulgada? Porque não foi
               uma lei debatida e aprovada democraticamente, como também
               não foi aprovada por uma Assembleia Constituinte. Mas apesar do
               caráter ditatorial, os estudiosos sobre o assunto afirmam que ela era
               “adiantada” para a época.

                   Essa Constituição dispunha sobre a formação do Poder Legislativo,
               do Poder Judiciário e do Poder Moderador. Criou um Estado Unitário,
               representado pelo monarca. A 1ª Constituição ficou em vigência
               durante 65 anos. Em 1834, sofreu modificação com o Ato Adicional.
               Dentre as inovações estão: a criação de Assembleias Legislativas nas
               províncias (legislavam sobre vários assuntos, inclusive instrução),
               criação do Município Neutro (a Corte) e extinção do Conselho do
               Estado.

                  Ter uma Constituição brasileira já foi um passo importante para o
               país. Observe que só aconteceu em 1824, ou seja, já havia passado
               quantos anos da colonização e submissão a Portugal?

                  Relembrando os Avanços e Retrocessos da Constituição de
               1824

                  Que avanços tivemos em nossa primeira Constituição?

                   Apesar de ter sido uma constituição outorgada e não promulgada
               trouxe avanços significativos, como, por exemplo, no Art. 1º do Título
               1º, quando é anunciado que o Império do Brasil é a associação
               política de todos os cidadãos brasileiros formando uma Nação livre
               e independente. Outro avanço é ter permitido legalmente outras
               religiões que não seja a Católica Apostólica Romana, mesmo que
               sendo apenas um culto doméstico ou particular. Em relação à área
               educacional, tem-se a gratuidade a todos os cidadãos da instrução
               primária.

                  Como retrocesso, nós temos o fato de ter sido arbitrária e autoritária
               a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e ao engavetamento
               do projeto de constituição que estava sendo debatido. Sendo nomeado

                                        38
Estrutura e Funcionamento da Educação



um Conselho de Estado que elaborou outro texto constitucional que
foi outorgado pelo Imperador?


A Constituição de 1891




              Figura 9 – Proclamação da República (Rio de Janeiro)


    A nossa 2ª Constituição foi resultante do advento da República,
proclamada em 15 de novembro de 1889. O Congresso Constituinte
foi instalado no 1º aniversário da Proclamação da República; era tida
como presidencialista, democrática e liberal. Como inovações trouxe: a
separação entre a igreja e o Estado; a regulamentação do casamento,
do registro civil e secularização dos cemitérios. Dispunha muito pouco
sobre educação. Durou 43 anos, tendo a primeira modificação em
1926, que pouco alterou a “Lei Maior”.                                                       Atenção


   Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição                          13
                                                                                      Outorgado
                                                                                    [Part. de
de 1891                                                                             outorgar.]
                                                                                    Adjetivo.
   E a nossa 2ª constituição foi democrática? Ela foi promulgada ou                 1.Que se
                                                                                    outorgou; que
outorgada13?                                                                        teve concessão;
                                                                                    aprovado,
   Pelas discussões que fizemos anteriormente, você deve ter                        permitido,
                                                                                    concedido.
observado que ela foi promulgada14, o que foi um grande avanço                      Substantivo
político.                                                                           masculino.
                                                                                    2.Aquele a quem
                                                                                    se outorga
   Define as atribuições dos poderes e os direitos dos cidadãos.                    (mandato,
Prescreve o ensino leigo em estabelecimentos públicos e afirma que                  poderes, etc.);
                                                                                    beneficiário de
nenhum culto ou igreja gozará de subvenção oficial.                                 outorga.

   O simples fato de o ensino não ser vinculado à igreja católica rompe             Fonte: Dicionário
                                                                                    Aurélio.
a tradição do período colonial, uma vez que o mesmo foi marcado
pelo ensino jesuítico e depois pelos resquícios deste.

                                                     39
Estrutura e Funcionamento da Educação



                          No Art. 70 são eleitores os cidadãos maiores de 21 anos, que se
                      alistarem na forma da Lei.
          Atenção
                          Observe o fragmento a seguir:
14
  Do lat.              § 1º Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais ou estaduais:
[Promulgare]
Verbo transitivo
direto. Ordenar a      1° Os mendigos;
publicação de(lei).
                       2° Os analfabetos;
Fonte: Dicionário
Aurélio.               3° As praças de pret, excetuados os alunos das escolas militares de ensino
                       superior;

                       4° Os religiosos de ordem monásticas, companhias, congregações ou
                       comunidades de qualquer denominação, sujeitas a voto de obediência, regra ou
                       estatuto, que importe a renúncia da liberdade individual.

                       [...]


                         Já era um avanço a possibilidade de votação, é claro que essa
                      eleição ainda era muito restrita às camadas dominantes, pois estes
                      detinham não só o poder econômico como também o político e o
                      social.

                         É bom lembrar que esta Constituição surgiu após a Proclamação
                      da República, que foi um avanço político após a transição entre uma
                      monarquia colonizadora, passando por um período imperial até enfim
                      chegar num regime político próprio do povo brasileiro.


                      A Constituição de 1934

                          A Constituição de 1934 surgiu quatro anos após a Revolução
                      de 1930, tendo como maior representante Getúlio Vargas. Nesse
                      período, a situação econômica do país não era boa (reflexo direto do
                      colapso na Bolsa de Nova Iorque ocorrido em 1929). As eleições eram
                      fraudulentas e manipuladas por chefes políticos (coronéis), levando
                      insatisfação popular, inclusive entre os oficiais mais jovens (dando
                      origem ao movimento “Tenentismo”).

                         O clima do Governo Vargas continuava difícil do ponto de vista
                      econômico e político. A Constituição de 1934 foi considerada liberal e
                      avançada, pois trouxe inovações como: direito de voto por parte das
                      mulheres e eleição de “deputados classistas”. No entanto, teve uma
                      curta duração, sendo vários dos seus direitos anulados com o “Estado
                      de Sítio” (1935).


                                                40
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Segundo Poletti (2001, p. 48):

 “Seu pequeno tempo de vigência não afasta ou elimina a sua importância
 histórica.	Ela,	embora	durasse	pouco,	projetou	e	ainda	o	faz,	sua	influência	
 sobre o tempo futuro”.

    A educação ocupou lugar de destaque na Constituição, sendo
tratada no Capítulo II e em outros artigos, no corpo do texto legal,
apontando e incorporando varias discussões e propostas dos
educadores e intelectuais da época. Propunha: plano nacional
de educação, obrigatoriedade e gratuidade do ensino primário,
organização dos sistemas educacionais, liberdade de cátedra,
vinculação de recursos de impostos pra manutenção e desenvolvimento
dos sistemas de ensino, entre outros.

   Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição
de 1934

    A Constituição de 1934 atribui à União a competência de traçar as
diretrizes da educação nacional, não excluindo a legislação estadual
supletiva ou complementar sobre a educação.

 Art. 10 compete concorrentemente a União e aos Estados:

 VI. difundir a instrução pública em todos os seus graus.


   Nesta Constituição, há algumas alterações em relação a quem
pode ser um eleitor brasileiro. Por exemplo, a abertura para serem
eleitores as pessoas de ambos os sexos acima de 18 anos. No
entanto, algumas restrições continuam.

 Art 18 ...

 Parágrafo Único: Não se podem alistar eleitores:

 a) os que não saibam ler e escrever;

 b) as praças de pret, salvo os sargentos do Exército e da Armada, e das forças
 auxiliares do Exército, bem como os alunos da escolas militares de ensino
 superior e os aspirantes a oficial;

 c) os mendigos;

 d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos
 políticos.

   Nesta Constituição, um Capítulo inteiro é destinado à Educação e
à Cultura. O Capítulo II do Título V contém 10 artigos.


                                                    41
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Nesse capítulo específico, para a Educação, no Art. 149, coloca-se
               que:

                “A educação é direito de todos e deve ser ministrada pela família e
                pelos poderes públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros
                e	 estrangeiros	 domiciliados	 no	 País,	 de	 modo	 que	 possibilite	 eficientes	
                fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito
                brasileiro a consciência da solidariedade humana.”

                                                            Fonte: Constituição Brasileira de 1934.


                  O que significa tudo isso? Por que essa constituição se preocupou
               tanto com a educação? Esta Constituição foi um avanço para
               Educação. Ela foi influenciada pelo movimento da Escola Nova e suas
               propostas revelavam-se avançadas para a época, um período que se
               investiu na produção industrial, precisando-se, desta forma, de mão
               de obra qualificada.

                  Outro aspecto importante foi a prescrição da necessidade da
               construção de um Plano Nacional para a Educação que fosse
               periodicamente reformulado. Outro avanço, também significativo, foi o
               estabelecimento da cota, nunca menos, de dez por cento, para a União
               e Municípios, e nunca menos de vinte por cento para os Estados e o
               Distrito Federal, investirem na Educação. Isto significou dar a devida
               importância que a Educação tem e disponibilizar oficialmente recursos
               públicos para mantê-la.


               A Constituição de 1937




                                       Figura 11 – Presidente Getúlio Vargas


                   Em 10 de novembro de 1937 foi dado o “Golpe de Estado”,
               instituindo-se a nova constituição, com Getúlio Vargas tornando-


                                         42
Estrutura e Funcionamento da Educação



se a autoridade suprema do Estado, tendo o poder de dissolver o
Congresso, indicar candidatos à chefia do governo e expedir decretos-
leis. Nesta constituição, havia toda uma seção dedicada à educação
e à cultura.

    Apesar de ser um avanço dedicar uma seção à educação trazia
traços ditatoriais, como, por exemplo, a exigência de uma contribuição
módica mensal para a “caixa escolar”, para que os alunos não
alegassem escassez de recursos financeiros, além de omitir vinculação
de recursos para a manutenção e desenvolvimento do ensino.

   Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição
de 1937

   A Constituição anterior, apesar de ter sido uma das mais
inovadoras em termos educacionais, teve curta duração. Em 1937,
dentro do novo contexto político e econômico que foi sendo assumido
construiu-se uma nova constituição.

   Dentre as diferenças em relação à Constituição de 1934 estão:

   • Estabelecer uma cota (caixa escolar) para os alunos que não
     provarem ser pobres;

   • Preocupação maior com o ensino profissional;

   • Não estabeleceu a cota mínima de contribuição com os
     impostos para educação das diversas esferas.

   O	que	isso	significou?

   Houve um retrocesso em relação à importância atribuída para a
educação na sociedade.

   Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição
de 1967

   A Constituição de 1967 foi promulgada durante o período da
Ditadura Militar.

   Será que esse contexto influenciou a formulação da Lei? Claro que
sim! Por exemplo, em relação aos direitos políticos estabelece:




                                             43
Estrutura e Funcionamento da Educação




                Art. 142. São eleitores os brasileiros maiores de 18 anos, alistados na forma
                da lei.

                § 1º. O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos
                os	sexos,	salvo	as	exceções	previstas	em	lei.

                (Nas constituições anteriores não era obrigatório)

                §	 2º.	 Os	 militares	 são	 alistáveis	 desde	 que	 oficiais,	 aspirantes	 a	 oficiais,	
                guarda-marinha,	 subtenentes	 ou	 suboficiais,	 sargentos	 ou	 alunos	 das	
                escolas	militares	de	ensino	superior	para	formação	de	oficiais.


                   Em constituições anteriores, não é cogitada, de forma escrita
               (legal), a candidatura dos militares. Observe o inciso a seguir:

                § 3º Não podem alistar-se eleitores:

                os analfabetos;

                os	que	não	saibam	exprimir-se	na	língua	nacional;

                os	 que	 estejam	 privados,	 temporária	 ou	 definitivamente,	 dos	 direitos	
                políticos.

                Em constituições anteriores não podiam votar os praças e vários outros
                cargos militares que agora não só podem votar como também ser eleitos.


                  Nesta Constituição, um Título é destinado à Educação. Vamos
               observar o trecho a seguir?

                Título IV. Da Família, da Educação e da Cultura.

                No Art. 168. A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola;
                assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no princípio da
                unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana.


                   Acrescentou-se à lei a importância do lar para formação do
               indivíduo e o princípio da Unidade Nacional, característica do regime
               militar.

                   Outro ponto a destacar está a questão da determinação da faixa
               etária obrigatória para o ensino primário e a gratuidade caso haja
               comprovação da falta ou insuficiência de recursos para o ensino oficial
               ulterior ao primário.




                                           44
Estrutura e Funcionamento da Educação




 § 3º

 (...)

 II. O ensino dos sete aos quatorze anos é obrigatório para todos e gratuito
 nos	estabelecimentos	primários	oficiais.

 III.	 O	 ensino	 oficial	 ulterior	 ao	 primário	 será,	 igualmente,	 gratuito	 para	
 quantos, demonstrando efetivo aproveitamento, provarem falta ou
 insuficiência	de	recursos.	Sempre	que	possível,	o	Poder	Público	substituirá	
 o	regime	de	gratuidade	pelo	de	concessão	de	bolsas	de	estudo,	exigido	o	
 posterior reembolso no caso do ensino de grau superior.


   A questão do reembolso também é caracterizada como uma
novidade.

    Vamos agora observar a Constituição de 1946. Vamos lá?


A Constituição de 1946



                                                                                                   Atenção


                                                                                          15
                                                                                            Você já assistiu
                                                                                          ao filme Pearl
                                                                                          Harbor? Veja a
                                                                                          dica de filma a
                                                                                          seguir:
                                                                                          “O diretor
                                                                                          Michael Bay
                                                                                          (Armageddon)
         Figura 12 – Ataque dos Japoneses a Pearl Harbor (USA)15 – 2ª Guerra Mundial      apresenta o
                                                                                          bombardeio
                                                                                          japonês a Pearl
    Em 02 de dezembro de 1945, foram eleitos deputados e                                  Harbor e o
                                                                                          envolvimento
senadores para formar a Assembleia Constituinte, incumbida de                             de dois amigos
elaborar a Constituição. Na época, o Brasil estava em um processo                         na batalha que
                                                                                          fez com que os
de redemocratização, passando por uma ampla anistia política e a                          Estados Unidos
                                                                                          entrassem na 2ª
criação de novos partidos políticos. Essa Constituição foi considerada                    Guerra Mundial.
adiantada e liberal, concedia grande autonomia aos Estados e como                         Com Ben Affleck,
                                                                                          Cuba Gooding
forma de governo uma República federativa e democrática.                                  Jr., Jon Voight
                                                                                          e Alec Baldwin.
   Dedicou o Capítulo II do Título VI à educação e à cultura,                             Vencedor
                                                                                          do Oscar de
estabelecendo o ensino primário obrigatório e gratuito, determinando                      Melhores Efeitos
                                                                                          Sonoros”.
que a União, os Estados e os Municípios deveriam aplicar um                               Fonte: http://www.
determinado percentual de seus impostos par manutenção e                                  adorocinema.
                                                                                          com/filmes/pearl-
desenvolvimento do ensino. Estabeleceu, também, que à União cabia                         harbor/pearl-
                                                                                          harbor.asp
legislar sobre “diretrizes e bases” da educação nacional (art. 5º, XV, “d”)

                                                           45
Estrutura e Funcionamento da Educação



               que deu origem às discussões sobre a elaboração da Lei de Diretrizes
               e Bases (LDB) da educação nacional. Esta constituição recebeu 21
               emendas e depois do Golpe de 1964, quatro Atos Institucionais.

                  Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição
               de 1946

                  Você está lembrado em que contexto esta Constituição foi
               promulgada?

                   Será que o fato de ter sido promulgada após a 2ª Guerra Mundial
               altera alguma coisa?

                  Você já tem subsídios para responder a estas e outras questões.

                  Em relação, por exemplo, à questão da nacionalidade e à cidadania
               continuam não podendo alistar-se:

                Art. 132 ...

                os analfabetos.

                os	que	não	saibam	exprimir-se	na	língua	nacional.

                os	 que	 estejam	 privados,	 temporária	 ou	 definitivamente,	 dos	 direitos	
                políticos.

                Parágrafo Único – Também não podem alistar-se eleitores as praças de pré,
                salvo	os	aspirantes	a	oficial,	os	suboficiais,	os	subtenentes,	os	sargentos	e	
                os alunos das escolas militares de ensino superior.


                  Quanto à Educação, foi destinado a essa, juntamente com a
               Cultura, o Capítulo II, com 10 artigos.

                  A questão da educação como direito de todos permanece,
               acrescenta a informação de que esta deve inspirar-se nos princípios
               da liberdade e nos ideais de solidariedade humana.

                  Provavelmente, a questão de ter vivenciado uma Guerra
               fundamentou tais princípios.

                  Entre as inovações, nesta lei, está a obrigatoriedade de manter
               o ensino primário gratuito para os seus servidores e os filhos destes
               das empresas industriais, comerciais e agrícolas em que trabalham
               mais de cem pessoas.




                                        46
Estrutura e Funcionamento da Educação



   No Art. 168...

 V. o ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de
 matricula facultativa e será ministrado de acordo com a confissão religiosa do
 aluno, manifestada por ele, se for capaz, ou pelo seu representante legal ou
 responsável.

   A inovação está no poder de escolha. Volta-se a estabelecer uma
cota de contribuição para educação.

 Art. 169. Anualmente, a União aplicará nunca menos de dez por cento, e os
 Estados, o distrito Federal e os Municípios nunca menos de vinte por cento da
 renda resultante dos impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino.


   Em relação à organização do ensino, observe.

 Art. 171. Os Estados e Distrito Federal organizarão os seus sistemas de ensino.

 Parágrafo Único – Para o desenvolvimento desses sistemas a União cooperará
 com auxílio pecuniário, o qual, em relação ao ensino primário, proverá do
 respectivo Fundo Nacional.

   É hora de analisarmos a Constituição de 1967. Então, pronto(a)
para conhecer um pouco mais sobre essa Constituição? Vamos lá!


A Constituição de 1967




    O período que sucedeu o Golpe Militar foi marcado pelo
autoritarismo, supressão de direitos, perseguição policial e militar,
tortura e censura prévia dos meios de comunicação.

   Nesse contexto, foi aprovada a Constituição de 1967, a 6ª do país;
em relação à educação, tratada em maior parte no Título “Da Família,
da Educação e da Cultura”. Este título ampliava a obrigatoriedade

                                                      47
Estrutura e Funcionamento da Educação



               do ensino primário, dos sete aos quatorze anos; omitia a fixação de
               percentuais de impostos para a manutenção e o desenvolvimento do
               ensino; previa a concessão de bolsas de estudos, mediante restituição,
               substituindo o regime de gratuidade do ensino médio e superior.


               Emenda Constitucional 1, de 17/10/1969
               chamada de Constituição de 1969

                  Em relação à educação, manteve-se o texto original da Constituição
               de 1967, mas introduziu-se a vinculação de 20%, pelo menos, da
               receita tributária municipal para o ensino primário.

                  A Emenda Constitucional 24/1983 (Emenda João Calmon)
               determinava que a União aplicaria “nunca menos de treze por cento,
               e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por
               cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, na manutenção
               e no desenvolvimento do ensino”.

                  Trataremos, no próximo capítulo, sobre a Constituição de 1988.




                          Conheça Mais


                  Continue pesquisando sobre o assunto. Veja as indicações de
               referências para você continuar lendo e estudando mais sobre a
               temática abordada.

                   • COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil:
                     dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

                   • POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília:
                     Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3).

                   • ROMANELLI, Otaíza de O. História da educação no Brasil.
                     13. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.




                                        48
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Atividades e Orientações de estudo



   Atividade 1

   Vamos tentar refletir um pouco sobre o que estudamos? Responda
às questões e formule um pequeno texto-síntese. Após a construção
desse pequeno texto, tente adaptá-lo para uma linguagem musical,
um rap, paródia ou outro gênero musical.

   1– Qual a importância das Constituições no contexto político,
      econômico e social do país?

   2– A partir da retrospectiva histórica, que foi traçada, defina os
      avanços e retrocessos que tivemos em relação à educação.

   3– Analise criticamente as contribuições das Constituições.

   E então, conseguiu elaborar o texto-síntese? Agora socialize
suas produções no fórum de discussão que será organizado pelos
professores/tutores da disciplina. Lembre-se! Em um curso a
distância, você precisa compartilhar suas experiências de leitura e
suas produções textuais. É muito importante manter a interatividade
e estabelecer a comunicação com os professores/tutores e com os
colegas também. Vamos ampliar a nossa interatividade?

   Atividade 2

   Nesta segunda proposta de atividade, lançaremos um desafio para
você. Que tal elaborar notícias para um jornal sobre a educação,
considerando o panorama histórico das diversas constituições
apresentadas até o momento. Essa atividade deverá ser elaborada em
pequenos grupos que serão organizados pelos professores/tutores.

   A ideia é elaborar um jornal com notícias e artigos sobre educação,
considerando todo o panorama histórico-social comentado até o
momento e as diversas concepções de educação apresentadas nas
Constituições analisadas.

    Cada grupo poderá criar um nome bem interessante para o
jornalzinho que estará produzindo. Neste jornal, vocês poderão
colocar poemas, canções representativas das épocas, indicações
de filmes, apresentar curiosidades, receitas culinárias, horóscopo,

                                             49
Estrutura e Funcionamento da Educação



               enfim, o que vocês desejaram publicar. O importante é que o jornal
               apresente notícias e artigos de opinião sobre a educação no Brasil,
               retomando o panorama histórico-social apresentado a partir das
               diferentes constituições brasileiras.




                                                                                 Lembrete

                   Após a elaboração do pequeno jornal, publique suas produções textuais no
                   ambiente para socializar com todos(as). É importante que você organize
                   um portfólio com todas as suas produções de textos, pesquisas e leituras
                   realizadas. Lembre-se! Na Educação a Distância, é preciso investir na auto-
                   aprendizagem. A elaboração de portfólios para armazenar suas atividades,
                   pesquisas e produções é uma estratégia importante para contribuir para sua
                   autonomia.




                           Vamos revisar?


                  É hora de reler o capítulo e tirar todas as suas dúvidas com os
               professores/tutores. Vamos revisar os principais tópicos apresentados
               neste capítulo?

                Resumo

                Neste capítulo, você estudou as constituições brasileiras. Nós tivemos 07(sete)
                Constituições Brasileiras, a primeira foi em 1824 sendo outorgada pelo então
                imperador D.Pedro I. Foi um grande marco no sentido de ser o primeiro registro
                legal em todas as áreas da sociedade. Nossa segunda Constituição foi promulgada
                em 1891, a terceira em 1934, a quarta em 1937, a quinta em 1946, a sexta em
                1967 e sétima e última em 1988. Cada uma delas foi influenciada pelo contexto
                em que foi formulada, tendo obviamente alguns avanços e alguns retrocessos de
                acordo com o momento político-econômico e social que estava sendo vivenciado
                pela sociedade.




                                         50
Estrutura e Funcionamento da Educação




       Capítulo 4



A Educação na Constituição de 1988

O que vamos estudar neste capítulo?

• Constituição Brasileira de 1888

• Concepções     de   educação      nas   diferentes   constituições
  brasileiras

• Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração
  das constituições brasileiras

• Princípios que regem o ensino nacional na Constituição de
  1988

• A organização do sistema de ensino no Brasil na constituição
  de 1988




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Estrutura e Funcionamento da Educação



                     Capítulo 4 - A Educação na
                     Constituição de 1988

          Atenção
                        Vamos conversar sobre o assunto?
16
  Em algumas            Estudamos, no capítulo anterior, que já foram adotadas,no Brasil,
fontes de
pesquisa             um total de sete constituições. Assim, destacamos a educação nas
encontra-se a
indicação de
                     constituições de: 1824; 1891; 1934; 1937; 1946;196716.
que houve uma
constituição            Nesse capítulo, veremos como a educação é tratada na constituição
em 1969.
Neste trabalho,
                     brasileira atual. Você sabe qual é a constituição que está em vigor?
considera-se o
fato de que, em         Se você respondeu a constituição de 1988, acertou! A constituição
1969, o que de
fato houve foi       de 1988 é a sétima constituição adotada no país. É a lei fundamental
uma reforma          e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as
no texto da
constituição de      demais espécies normativas, ou seja, ela é a carta magna do Brasil.
1967. É no texto
constitucional a        Quem era o presidente da república quando ocorreu a promulgação
partir de 1969 que
se escreve que a     da constituição de 1988?
educação é dever
do Estado.
                        A Constituição Federal em vigor foi promulgada no dia 5 de
                     outubro de 198817), durante o governo do então presidente José
                     Sarney (1985-1990). A promulgação veio três anos após a eleição de
                     Tancredo Neves, primeiro presidente civil depois do golpe de 1964,
                     por problemas de saúde não tomou posse, tendo assumido o governo
                     o seu companheiro de chapa José Sarney.


          Atenção

17
   No dia 1º
de fevereiro
de 1987, 559
parlamentares já
tinham iniciado
os trabalhos
para aprovar a
nova lei suprema
brasileira




                                Figuras 13 e 14 - Tancredo Neves e José Sarney (1985-1990)

                        Até a carta magna de 1988 ser promulgada, foram necessários 18
                     meses de discussões. A constituição de 198818 substitui a de 1967,
                     imposta pelo regime militar.

                                             52
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Você alguma vez já leu a constituição brasileira de 1988?

    Quais os principais direitos adquiridos pela sociedade brasileira, a                 Atenção
partir da promulgação da constituição de 1988? De um modo geral,
podemos afirmar que a constituição de 1988 ampliou e fortaleceu os             18
                                                                                 A Constituição
                                                                               1988 assegurou
direitos individuais e as liberdades públicas, portanto, democrática19.        garantias sociais,
                                                                               entretanto,
   No que tange especificamente à educação, você já observou                   completou
                                                                               duas décadas
quais são as normas específicas que a regem? Como estão postas                 de existência,
as garantias constitucionais para a Educação? Pois bem, ao                     em outubro
                                                                               de 2008, com
considerarmos tais questionamentos, refletiremos neste capítulo                reformulações
                                                                               apresentadas
como a educação é contemplada na constituição de 1988.                         através de
                                                                               várias emendas.
   Você já comparou o que a constituição de 1988 traz de novo para             A ampliação
                                                                               é resultado
a educação do país em relação às constituições anteriores?                     das mudanças
                                                                               promovidas
   Refletiremos, inicialmente, destacando que é no artigo 6º. da               no texto pelos
                                                                               parlamentares.
Constituição de 1988 que se declara o direito à Educação. Observe              A Constituição
                                                                               guarda em si a
o Art. 6º                                                                      possibilidade de
                                                                               ser modificada,
 Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia,      para melhor ou
 o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à      para pior. Existe
 infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.        a possibilidade
                                                                               de ela ser
 (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000)
                                                                               modificada com
                                                                               três quintos dos
   É pela primeira vez na história das constituições que se explicita a        votos de todos
                                                                               os deputados
declaração dos Direitos Sociais, e o direito à educação é destacado            e senadores
                                                                               do congresso
com primazia.                                                                  nacional.

   Assim, a declaração do direito à educação na constituição de 1988
representa um salto de qualidade com relação à legislação anterior.




                                                                                         Atenção


                                                                               19
                                                                                 Estendeu o
                                                                               direito de voto
                                                                               facultativo para
                                                                               os analfabetos
   Entretanto, ao mesmo tempo em que a constituição se apresenta               e jovens de 16
enquanto avançada em muitos aspectos, ela nos remete ao fato de,               e 17 anos, bem
                                                                               como reforça a
no Brasil, parece que se fazem leis na certeza de que muitas delas             necessidade de
                                                                               defesa do meio
não serão cumpridas. De qualquer modo, é sem dúvida a constituição             ambiente.
mais democrática que nós já tivemos.



                                                53
Estrutura e Funcionamento da Educação




                   Qual o artigo que trata especificamente sobre a educação enquanto
               direito de todos? É no artigo 205 que a educação é declarada enquanto
               direito de todos e dever do Estado e da família. Vamos observar?

                Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
                promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
                desenvolvimento	da	pessoa,	seu	preparo	para	o	exercício	da	cidadania	e	
                sua	qualificação	para	o	trabalho.

                   Sabemos que a educação do nosso País está longe de ser
               satisfatória. Embora os dados dos últimos anos apontem índices mais
               positivos, ainda há muito a ser feito. Mais do que o direito à escola, o
               direito de aprender deve ser estendido a todos os educandos.




                                        54
Estrutura e Funcionamento da Educação



   No que se refere aos princípios que regem o ensino nacional, você
sabe quais são?

    Sobre os princípios que regem o ensino, podemos constatá-los no
artigo 206, que aborda igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade,
valorização dos profissionais, gestão democrática, garantia de padrão
de qualidade, piso salarial profissional nacional para os profissionais
da educação escolar pública. Observe:

 Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

 I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

 II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a
 arte e o saber;

 III	-	pluralismo	de	idéias	e	de	concepções	pedagógicas,	e	coexistência	de	
 instituições públicas e privadas de ensino;

 IV	-	gratuidade	do	ensino	público	em	estabelecimentos	oficiais;

 V	-	valorização	dos	profissionais	da	educação	escolar,	garantidos,	na	forma	
 da	 lei,	 planos	 de	 carreira,	 com	 ingresso	 exclusivamente	 por	 concurso	
 público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela
 Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

 VII - garantia de padrão de qualidade.

 VIII	-	piso	salarial	profissional	nacional	para	os	profissionais	da	educação	
 escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda
 Constitucional nº 53, de 2006)


   A partir do que se declara no inciso VI, reflita e pesquise:

   Podemos afirmar, de maneira generalizada, que o ensino público
do Brasil assume a gestão democrática enquanto princípio? Quais
são os elementos característicos de um ensino pautado no princípio
da democracia?




                                                   55
Estrutura e Funcionamento da Educação


                  Já no inciso IV, o mesmo assegura “gratuidade do ensino público em
               estabelecimentos oficiais”, sem excluir nenhum dos níveis e nenhuma
               das etapas da educação. Fato até então inédito, pois o ensino médio
               nas constituições anteriores era abordado como exceção e, no caso
               do ensino superior, nível nunca antes contemplado. Desse modo, a
               formulação do inciso IV do artigo 206 torna-se inovadora.

                  Entretanto, é bom lembrarmos que, no artigo 208, o qual detalha
               o Direito à Educação, inciso II, não está afirmada a obrigatoriedade
               por parte do Estado na oferta do ensino médio, e sim a “progressiva
               universalização do ensino médio gratuito”. Redação esta que
               passou a vigorar a partir da Emenda Constitucional no. 14 de 1996.
               Originalmente o texto estava expresso como “progressiva	extensão	
               da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Assim sendo, a
               mudança na lei foi substancial, ficou o Estado desobrigado de ofertar
               o ensino médio.

                   Quanto ao piso salarial do professor, é no inciso VIII, do artigo 206,
               que trata do piso salarial profissional nacional para os profissionais da
               educação escolar pública, nos termos de lei federal. O piso salarial foi
               incluído pela Emenda Constitucional nº. 53, de 2006.




                  Quando, então, começou a vigorar esse piso salarial profissional
               nacional para os profissionais da educação escolar pública?

                  Esse piso salarial do professor começou a vigorar no dia 1º de
               janeiro de 2009. O aumento, concedido pela União através da Lei
               11.738/2008, no entanto, será concedido parcialmente. Os professores
               do magistério e do ensino básico da rede pública poderão contar com
               o novo piso salarial de R$ 950,00, por 40 horas/aula semanais.

                  Em seu ponto de vista, você acredita que esse é um valor justo
               para um piso salarial de professor, para um trabalho de 40 horas/aula
               semanais?




                                        56
Estrutura e Funcionamento da Educação


   Sabemos que ainda há quem defenda que este valor é justo, ou
até mesmo alto.

   Mas, em um país em que a educação ainda não é tratada com o
devido valor e seriedade, quem então se importa com a valorização
da categoria profissional dos professores?




   Você sabia que é no artigo 208 que se detalha o direito à
educação?

   Pois bem, é no artigo 208 que se declara o dever do Estado com a
educação, a ser efetivado mediante garantia de:

 I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta
 gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; (Redação
 dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela
 Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
 preferencialmente na rede regular de ensino;

 IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de
 idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

 V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística,
 segundo a capacidade de cada um;

 VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

 VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas
 suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência
 à saúde.

 § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

 § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta
 irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.

 § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental,
 fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à
 escola.

                                                       57
Estrutura e Funcionamento da Educação



                        No artigo 2008, destacamos enquanto uma das novidades na
                     constituição o inciso I, ao precisar que o dever do Estado para com
                     o ensino estende-se mesmo aos que “a ele não tiveram acesso na
                     idade própria”. Esse, sem dúvida, é um grande avanço na constituição
                     em vigor.




                        No que se refere ao inciso IV, do mesmo artigo, a educação infantil
                     ofertada para crianças até os cinco anos de idade, é importante
          Atenção    lembrarmos que é obrigatória a matrícula do aluno a partir dos seis
                     anos de idade no Ensino Fundamental. A educação infantil no Brasil
20
  A educação
básica no Brasil é   é a primeira etapa da educação básica20, ou seja, é incorporada
composta de três     ao sistema regular de ensino, o que não ocorria na vigência da
etapas: educação
infantil; ensino     constituição anterior, pois esse nível de ensino era livre. Assim,
fundamental e
ensino médio.        “ensino livre” opõe-se ao ensino oficial, ensino não regulamentado
                     pela legislação educacional.




                        No que se refere ao inciso II, “progressiva universalização do
                     ensino médio gratuito”, lembramos que este texto veio com a alteração
                     dada a partir da Emenda Constitucional no. 14, de setembro de 2006.
          Atenção
                          Originalmente, o texto declarava “progressiva extensão da
21
  A ideia era        obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Desse modo, havia
ampliar o período    sido retomado um aspecto importante do texto de 1934, que aponta a
de gratuidade e
obrigatoriedade,     perspectiva21 de “progressiva extensão da gratuidade e obrigatoriedade
tornando o
ensino médio         do ensino médio”. Assim, atualmente, a Emenda no. 14, de setembro
parte do Direito à   de 2006, não só desobriga o Estado de ofertar o ensino médio, como
Educação.
                     torna menos efetivo o compromisso do Estado na incorporação futura


                                             58
Estrutura e Funcionamento da Educação



deste nível de ensino à educação compulsória.

    O inciso VI, do artigo 2008, sobre a “oferta de ensino noturno
regular, adequado às condições do educando”, é um dispositivo de
relevância significativa, uma vez que expressa o reconhecimento
do dever do Estado para com a garantia ao cidadão trabalhador, a
possibilidade de frequentar o ensino regular, além de especificar a
necessidade de adequação às condições do educando.




    Ainda em relação ao artigo 2008, vemos no § 2º um outro elemento
inovador que é a possibilidade de responsabilizar não apenas o Poder
Público em geral, mas também responsabilizar, de forma pessoal e
direta, a autoridade incumbida da oferta a educação.

   Sobre a organização do sistema de ensino no Brasil, vemos que a
normatização dada é o regime de colaboração entre os sistemas. Fica
assim declarado:

 Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em
 regime de colaboração seus sistemas de ensino.

 § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará
 as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional,
 função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades
 educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência
 técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação
 dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação
 infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental
 e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios
 definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do
 ensino obrigatório.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)

 § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.
 (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)


                                                       59
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  No que se refere especificamente ao financiamento da educação,
               vemos, no artigo 212, que anualmente a União aplicará nunca
               menos que 18% e os Estados, Distrito Federal e os Municípios 25%,
               no mínimo, “da receita resultante de impostos, compreendida a
               proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do
               ensino”.




                  Em relação ao Plano Nacional de Educação, só após doze anos
               depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, é que surge
               à norma legislativa posta no seu artigo 214 e requerida pela Lei de
               Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB no. 9394/96). A Lei
               que aprova o PNE é a de número nº 10.172/2001, e o mesmo se
               encerra em 2010 e deve entrar em vigor o PNE correspondente à
               década seguinte.

                   Assim está posto na constituição de 1988. Observe!

                Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual,
                visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e
                à integração das ações do Poder Público que conduzam à:

                I - erradicação do analfabetismo;

                II - universalização do atendimento escolar;

                III - melhoria da qualidade do ensino;

                IV - formação para o trabalho;

                V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.

                  O Plano Nacional de Educação (PNE) foi criado pelo MEC, o
               documento traça as diretrizes e metas para a Educação brasileira,
               que devem ser cumpridas até o final desta década (2.010). O MEC

                                         60
Estrutura e Funcionamento da Educação



contou com a participação de mais de 60 entidades, entre sindicatos,
associações, conselhos e secretarias de Educação. O plano foi
enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional no final de 1997.
Parlamentares apresentaram um projeto substitutivo e, após muitos
debates e emendas, o plano foi sancionado pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso em 9 de janeiro de 2001.




          Atividades e Orientações de estudo


   Vamos sistematizar o que estudamos? Formule um texto-síntese,
contemplando os seguintes tópicos:

   1– Qual a importância da Constituição de 1988 no contexto político,
      econômico e social do país?

   2– A partir das análises que foram esboçadas, elenque os avanços
      que tivemos na educação a partir da constituição de 1988.

   Após elaborar o seu texto-síntese, arquive sua produção em seu
portfólio de atividades. Registre todas as atividades que você está
realizando. Lembre-se! Você também será avaliado continuamente
pelas atividades virtuais que está realizando.

   Refletindo um pouco mais...

   Para refletir um pouco mais e pesquisar:

   O Estado brasileiro está acima das leis que regem o nosso país?

   O Estado brasileiro tem obrigações para com o cidadão?




          Você Sabia?


   Você sabia que existem dispositivos estabelecidos pela Constituição
de 1988 para defender o cidadão quando seus direitos são negados?

   Você já ouviu falar em alguns desses dispositivos estabelecidos
pela constituição de 1988 e o que eles significam?

   a) Habeas-corpus.



                                              61
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   b) Habeas-data.

                   c) Mandado de Segurança.

                   d) Mandado de injunção.

                   e) Ação popular.

                  Que tal pesquisar um pouco sobre esses termos? Entreviste um
               profissional da área de direito e vá ao dicionário para pesquisar sobre
               esses termos. É importante reconhecer que a construção da cidadania
               efetiva-se quando conhecemos os nossos direitos e deveres.




                           Vamos revisar?


                  Após as informações apresentadas neste capítulo, procure refletir
               um pouco mais. Reserve um tempo para organizar seus estudos
               e revise os conteúdos apresentados. É hora de reler o capítulo e
               verificar se não restam dúvidas. Lembre-se! Em um curso a distância,
               você, caro(a) aluno(a), precisa desenvolver um metodologia de estudo
               baseada na auto-aprendizagem. Portanto, leia muito e continue
               pesquisando sobre os conteúdos abordados.

                  Vamos revisar os pontos principais deste capítulo?

                Resumo

                A Constituição de 1988 foi um marco importante na história de nossa legislação.
                Foi formulada e promulgada na efervescência do processo de redemocratização.
                Vários grupos de interesses distintos estavam fazendo parte da Assembleia
                Constituinte, deixando por isso algumas “brechas” na lei, já que a mesma tentava
                contemplar os interesses distintos. No momento, já se passaram mais de 20
                anos de sua promulgação e apesar das emendas que sofreu e de algumas
                discussões sobre a necessidade de uma nova Constituição, a nossa continua
                sendo considerada inovadora. Desse modo, o que parece de fato ser necessário
                a ser realizado é um esforço maior por parte de toda a sociedade para que essa
                lei, em sua totalidade, possa ser efetivada.


                                         62
Estrutura e Funcionamento da Educação




           Conheça Mais


   Continue ampliando as suas leituras e vá pesquisando sobre os
conteúdos propostos. Lembre-se! A pesquisa faz parte de todo o
percurso de aprendizagem, culminando, na Educação a Distância,
com o processo de autoconhecimento e com o desenvolvimento da
autonomia do aluno. Então, mãos à obra. Vamos pesquisar?

     BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988.

     COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil.
     Rio de Janeiro: DP&A , 2002.

     FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições
     brasileiras:1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados,
     1996.

     h t t p : / / c d i j . p g r. m p f . g o v. b r / n o t i c i a s / c f - 2 0 - a n o s /
     particularidades-1988 Acesso em: 05 abr. 2009.

     http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/novembro-2008/a-
     constituicao-de-1988-nos-seus-20-anos-iv/ Acesso em: 05 abr.
     2009.

     http://magrs.net/?p=333 Acesso em: 05 abr. 2009.




                                                            63
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Considerações Finais

                  Olá, Cursista!

                  Esperamos que você tenha aproveitado este primeiro módulo da
               disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação.

                  No próximo módulo, estudaremos a LDB e suas especificidades.
               Você vai perceber a importância da LDB como instrumento
               regulamentar para as diversas áreas da educação brasileira.

                  Nesse sentido, o final deste módulo já é uma motivação para
               que você fique curioso(a) para as próximas reflexões sobre nossa
               legislação.

                  Aguardamos sua participação no próximo módulo.

                  Até lá e bons estudos!

                  Abraços Virtuais,

                                         Ivanda Martins Silva
                                          Maria Lúcia Soares
                                         Roseane Nascimento
                                         Professoras Autoras




                                        64
Estrutura e Funcionamento da Educação




       Referências



Bibliografia	Básica

  ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna,
  1989.

  BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988.

  BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº.
  9394/96.

  BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se
  entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997.

  COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil:
  dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

  FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições
  brasileiras: 1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados,
  1996.

  GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo:
  Cortez, 2000.

  LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e
  organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

  POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília:
  Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3).

  ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973).
  25. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

Bibliografia	Complementar	

  FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez
  e Moraes, 1986.

  LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e
  organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

  RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a
  organização escolar. 15ª.Ed. Campinas, São Paulo: Autores
  Associados, 1998.


                                        65
Estrutura e Funcionamento da Educação



                      SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores
                      associados, 1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/



               Conheça as Autoras


                  Ivanda Maria Martins Silva

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural
               de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a
               Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática
               (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na
               elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a
               distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais
               didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e
               Produção Textual e Português Instrumental.

                   Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo
               pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e
               Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos
               nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei
               alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária
               à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo
               Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual:
               múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo
               frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão:
               múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações
               editadas pela Baraúna/Recife.

                  Maria Lúcia Soares

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade
               Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na
               Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da
               Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando
               na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de
               Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista.
               Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas

                                        66
Estrutura e Funcionamento da Educação



Pedagógicas e Projetos Educacionais.

   Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas
sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em
diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares.

   Roseane Nascimento

   Olá, Cursistas!!

   Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de
pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento
e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela
UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo
pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional.

   Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no
Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora
conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das
Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA).
Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão a
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática
Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia
Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração,
execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção
acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e
Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos
didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.




                                           67
Estrutura e Funcionamento
       da Educação

 Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares,
        Roseane Nascimento




            Recife, 2009
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade
Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos


Produção Gráfica e Editorial
Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Pablo Martins e Glaydson da Silva
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

   Apresentação ........................................................................................4


   Conhecendo o Volume 2 ......................................................................5


   Capítulo 1 - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº
   9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da
   globalização, das políticas neoliberais...............................................7


   Capítulo 2 - A Educação Básica e Superior na LDB ........................21


   Capítulo 3 - Modalidades da Educação na LDB ...............................34


   Conheça as Autoras ...........................................................................50
Apresentação

   Caros(as) Cursistas,

   Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Vimos
desde o primeiro módulo que esta disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos
com a estrutura da organização educacional e com a legislação que regulamenta a
mesma. Desse modo, iniciamos a nossa caminhada com uma breve retrospectiva
histórica.

   Neste segundo módulo, vamos conhecer um pouco da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional que está em vigor, Lei nº. 9394/96. Seguiremos a mesma lógica de
entendimento percorrida por nós no primeiro módulo, ou seja, ampliar e aprofundar o
entendimento de que a educação está ancorada em processos históricos, políticos e
sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores, no sentido
de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros.

   Convidamos, mais uma vez, você para embarcar nesta viagem rumo ao interessante
universo da educação, a partir da legislação específica vigente que regulamenta a
educação no nosso país.

   Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá?

   Abraços Virtuais,

                                  Ivanda Martins Silva
                                   Maria Lúcia Soares
                                 Roseane Nascimento

                                       As autoras
Estrutura e Funcionamento da Educação



Conhecendo o Volume 2

   Neste segundo volume, você irá encontrar o segundo módulo da
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar
seus estudos, veja a organização deste segundo módulo.

   Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº
9394/96

   Carga horária do Módulo 2: 15 h/aula

   Objetivo do Módulo 2: Analisar a organização da educação
brasileira a partir da legislação específica vigente, Lei nº. 9394/96.

   Conteúdo Programático do Módulo 2:

   1. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória
      e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das
      políticas neoliberais.

      Níveis e modalidades de ensino e sua estrutura organizacional
      conforme a legislação vigente.

   2. Educação Básica e Superior na LDB

       • Educação Infantil

       • Educação Fundamental

       • Ensino Médio

       • Educação Superior

   3. Modalidades da Educação na LDB

       • Educação de Jovens e Adultos

       • Educação Especial

       • Educação Profissional

       • Educação a Distância




                                               5
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 1



                  A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96
               – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da
               globalização, das políticas neoliberais

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória
                     e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das
                     políticas neoliberais.

                   • Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional
                     conforme a legislação vigente.




                                        6
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 1 - A Lei de
Diretrizes e Bases da
Educação, nº 9394/96 –
Trajetória e perspectivas
dentro do panorama atual da
globalização, das políticas
neoliberais


   Vamos conversar sobre o assunto?

   Você já parou para pensar quais os caminhos e processos
percorridos até a aprovação de uma Lei? Quanto tempo levou a
discussão até a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases que rege a
educação no nosso país, Lei nº. 9394/96?




   Pois bem, esta é a hora de iniciarmos a discussão sobre a legislação
específica que regulamenta os níveis e modalidades da educação no
Brasil. Para iniciarmos a nossa conversa, vamos lançar mais alguns
questionamentos para você refletir um pouco mais. Vamos lá?

   Você conhece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB), Lei nº. 9394/96? Já parou para analisar como ficou estruturada
a Educação no Brasil a partir dessa lei? Você acredita que para um
cidadão comum, e mais ainda para um profissional da educação, é
fundamental o conhecimento da legislação que regulamenta o sistema
de ensino no Brasil?

   Ao considerarmos tais questionamentos, iniciamos nosso percurso
de estudos afirmando que um dos pressupostos que orientam o
presente módulo é o da importância de nós, enquanto profissionais,
conhecermos a legislação educacional, bem como refletirmos

                                               7
Estrutura e Funcionamento da Educação



               criticamente sobre essas leis e, a partir delas, atuarmos enquanto
               agentes de transformação social, com vistas a uma educação
               efetivamente democrática, inclusiva e de qualidade para todos.

                  Vamos agora conhecer um pouco sobre a Lei específica que rege
               o nosso sistema de ensino? Vamos lá?


               A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no.
               9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do
               panorama atual da globalização, das políticas
               neoliberais

                 Você já parou para pensar que a legislação educacional no Brasil
               sempre esteve em consonância com o modelo político de sociedade
               em cada período histórico?

                  E você sabe qual é o atual modelo político de sociedade que rege
               o nosso país?

                  Refletiu? A qual conclusão você chegou?

                  É importante frisarmos que a Lei vigente foi fruto de intensas lutas
               ideológicas entre interesses de grupos sociais divergentes.




                   Basicamente, podemos caracterizar esse momento de embate em
               torno da aprovação dessa Lei maior da Educação Brasileira a partir
               de dois projetos que se confrontaram: àquele que representava, de
               certa forma, interesses mais ligados às bandeiras de movimentos e
               entidades organizadas da sociedade civil ligados à defesa do setor
               público, e, em contrapartida, o projeto do Senado, que traduzia
               interesses mais ligados à burocracia estatal.




                                        8
Estrutura e Funcionamento da Educação




   De início, os grupos de educadores defendiam um anteprojeto
de lei que tinha como princípios àqueles propostos durante a IV
Conferência Brasileira da Educação – CBE, de 1986. O intuito
era subsidiar a Constituinte Nacional, com relação às políticas
educacionais. Posteriormente, outros princípios foram dando corpo à
proposta inicial e resultou na elaboração do anteprojeto de LDB no.
1.258-C/88 defendido pelo movimento social denominado Fórum em
Defesa da Escola Pública.

   Oito anos de debate intenso, de trama legislativa e atuação do
executivo conseguiram descaracterizar o primeiro anteprojeto da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e seus substitutivos
apresentados à Câmara Federal e defendidos pelos educadores.
Ou seja, o projeto desejado pelos educadores não vingou, pois em
contraposição a este foi aprovado um outro que teve como ponto de
partida o anteprojeto do Senador Darcy Ribeiro, elaborado de forma
pouco democrática, em conciliação com o executivo, com suporte
decisivo do governo federal. Assim, Darcy Ribeiro foi o relator da Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 20 de
dezembro de 1996 e que leva o seu nome.




   A literatura educacional crítica aponta que a LDB nº 9394/96 é
de cunho essencialmente neoliberal. Ou seja, em muitos aspectos

                                              9
Estrutura e Funcionamento da Educação



                     o Estado apresenta-se enquanto mínimo e/ou inexistente no que se
                     refere a promover a efetivação de direitos educacionais aos cidadãos,
          Atenção
                     restando a estes buscarem por “forças próprias” o alcance de tais
1
  O Neoliberalismo
                     objetivos.
se configurou
em países da
América Latina,
a exemplo do
Brasil, enquanto
um projeto
de sociedade
que tem se
materializado,
efetivamente, nas
ações políticas
com a des-
regulamentação
do papel do
estado enquanto
provedor das
questões sociais.
A doutrina
neoliberal
caracteriza-se
por pregar que o
Estado intervenha
o mínimo na             Pois bem, ao reconhecermos que a Lei de Diretrizes e Bases da
economia,
mantenha a           Educação Nacional nº. 9394/96 é essencialmente de cunho neoliberal1
regulamentação
das atividades       não significa desconhecer o importante papel que lhe cabe na
econômicas           formulação e no gerenciamento de uma política educacional para a
privadas num
mínimo e deixe       nossa sociedade.
agir livremente
os mecanismos
do mercado. O
neoliberalismo
nasceu logo
após a II Guerra
Mundial, na
Europa e na
América do norte
onde imperava o
capitalismo. Nas
últimas décadas
esse movimento
passou a ser em
escala mundial.




                                            10
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                   Mini-biografia

                         Quem foi Darcy Ribeiro?

        Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Darcy
        Ribeiro?

        Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922, em Montes
                                                                                          Atenção
        Claros, no Norte de Minas. Etnólogo, antropólogo, professor,
        educador, ensaísta e romancista, notabilizou-se como um dos
        maiores educadores brasileiros. Dedicou seus primeiros anos              2
                                                                                   Você encontrará
        de vida profissional ao estudo dos índios da Amazônia (1946-             esta biografia
        1956), período em que fundou o Museu Nacional do Índio,                  e outras
        no Rio de Janeiro. Foi ministro da Educação e da Casa Civil              informações
        no governo João Goulart. Fundou a Universidade de Brasília               sobre o educador
                                                                                 Darcy Ribeiro em:
        (UnB). Depois da Revolução de 1964, foi exilado, morando em
                                                                                 http://www.uai.
        vários países da América Latina. Em 1972, no Chile, trabalhou            com.br/UAI/htlm/
        com Salvador Allende. Retornou ao Brasil em 1976. Foi eleito             sessão_2/2009/02/
        vice-governador do Rio (1982), onde implantou 500 Cieps e                15/em_noticia_
        200 salas de aula no sambódromo. Foi eleito senador em 1990              internaid_
        e relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,             sessao=2&id_
        sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que leva o seu                    noticia=99257/
        nome. Darcy, eleito para a Academia Brasileira de Letras em              em_noticia
        1992, teve mais de 35 livros publicados. Depois de sua morte,            _interna.shtml
                                                                                 Acesso em: 19
        em fevereiro de 1997, teve publicado o livro Confissões, no
                                                                                 abr 2009.
        qual conta suas memórias2.




          Cinema em Ação


   Para uma melhor compreensão de uma das formas de como o
fenômeno do neoliberalismo pode se manifestar socialmente com
aparência de “naturalidade”, sugerimos que você assista ao filme “À
procura da felicidade”.


                                                  11
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   Também, sugerimos que você realize a leitura de uma análise
               crítica sobre o filme contida no endereço eletrônico a seguir: http://
               www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=6085&ida=59 Acesso em: 19
               abr 2009.




                   Veja a sinopse do filme!

                                                       Sinopse

                 Em À Procura da Felicidade, Chris Gardner (Will Smith) é um homem de
                 família lutando para sobreviver. Apesar de todas as tentativas para manter a
                 família unida, a mãe (Thandie Newton) de seu filho de cinco anos Christopher
                 (Jaden Christopher Syre Smith) está constantemente sobre uma forte pressão
                 financeira. Sem condições de suportar a situação, ela relutantemente decide partir.
                 Chris, agora um pai solteiro, continua a perseguir desesperadamente um emprego
                 com melhor remuneração, usando toda sua habilidade de vendedor. Ele ingressa
                 como estagiário numa grande importante corretora de ações, e apesar de não
                 haver salário, ele aceita, na esperança de no final do programa conseguir um
                 emprego e um futuro promissor. Sem apoio financeiro, Chris e seu filho são
                 despejados de seu apartamento e logo são forçados a dormir em abrigos, estações
                 de ônibus, banheiros e onde quer que possam achar refúgio durante a noite.
                 Apesar dos problemas, Chris continua a honrar seu compromisso como um pai
                 amoroso e afetuoso, usando a afeição e a confiança que seu filho depositou nele
                 para superar os obstáculos que encontra.

                 Já Viu o Filme?

                 Informações Técnicas
                 Título no Brasil: À Procura da Felicidade
                 Título Original: The Pursuit of Happyness
                 País de Origem: EUA
                 Gênero: Drama
                 Classificação etária: Livre
                 Tempo de Duração: 117 minutos
                 Ano de Lançamento: 2006
                 Estréia no Brasil: 02/02/2007
                 Site Oficial: http://www.aprocuradafelicidade.com .br
                 Estúdio/Distrib.: Columbia Pictures
                 Direção: Gabriele Muccino

                  http://www.adorocinema.com/filmes/a-procura-da-felicidade/a-procura-da-felicidade.asp
                                                                             Acesso em: 10 mai 2009.



                                           12
Estrutura e Funcionamento da Educação



    Discuta com seus colegas a temática apresentada pelo filme em
um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos professores/
tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento das atividades
virtuais. Participe!

   De volta ao assunto

   A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em
discussão desde 1988, finalmente foi aprovada como lei ordinária no
Congresso Nacional (Lei no. 9394/96).

   Na LDB/96, são regulamentados pontos do capítulo sobre
educação da Constituição Federal, ocupando-se da educação
escolar, embora apresente uma visão ampliada de educação. Como
já estudamos no módulo anterior, a educação brasileira, tal como
estabelece os artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988, visa
ao pleno desenvolvimento da pessoa, a seu preparo para o exercício
da cidadania e a sua qualificação para o trabalho.




    Assim sendo, a LDB/96 suscitou e tem suscitado muitos debates,
boa medida em função das expectativas geradas junto às pessoas
que constituem a comunidade à qual a legislação se dirige, como seus
destinatários específicos. Veremos essas especificidades no segundo
e terceiro capítulo desse módulo.

   Assim sendo, no tópico a seguir, vamos analisar quais são os níveis
e modalidades de ensino e a estrutura organizacional da educação
escolar no Brasil, conforme regulamenta a legislação vigente.


Níveis e modalidades de ensino e sua
estrutura organizacional conforme a
legislação vigente

   Você sabia que, na LDB nº 9394/96, a educação escolar está
organizada em níveis e modalidades?

                                             13
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Em qual(is) dessa(s) categoria(s) está situado o curso de graduação
               que agora você está fazendo?

                  Já refletiu? Então, vamos lá!

                  De acordo com a LDB 9394/96 a educação escolar compõem-
               se de dois níveis: educação básica e educação superior. De acordo
               com o artigo 21, a educação básica é formada pela educação infantil,
               ensino fundamental e ensino médio. Assim sendo, se você respondeu
               que o seu curso faz parte do nível superior, acertou!!!!

                  No que se refere às modalidades de ensino, temos: educação
               profissional; educação de jovens e adultos e educação especial.

                   A educação profissional é abordada do capítulo 39 até o capítulo
               42, os quais afirmam que esta modalidade de ensino deve estar
               integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e
               à tecnologia e visa ao permanente desenvolvimento de aptidões para
               a vida produtiva.

                  Os artigos 37 e 38 da LDB/96 regulamentam que a educação de
               Jovens e Adultos destina-se aos que não tiveram acesso ao ensino
               fundamental e médio na idade própria, bem como àqueles que
               desejam dar continuidade de estudos nesses níveis de ensino.

                  São os artigos 58, 59 e 60 da LDB 9394/96 que regulamentam
               a modalidade de educação especial. Segundo a lei, tal modalidade
               deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para
               educandos portadores de necessidades especiais.




                          Conheça Mais


                  Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você
               desenvolva uma sistemática de estudo, a fim de construir o seu
               conhecimento sobre o tema abordado e sua autonomia enquanto
               sujeito do processo. Continue lendo e pesquisando cada vez mais
               sobre os vários pontos abordados neste capítulo. Então, vamos
               continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as indicações a
               seguir:

                      http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=
                      article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em:


                                        14
Estrutura e Funcionamento da Educação



      19 abr 2009

      Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_
      completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009

      http://www.uai.com.br/UAI/html/sessão_2/2009/02/15/em_
      noticia_inteerna,id_sessão=2&id_noticia=99257/em_noticia_                      Atenção

      interna.shtml Acesso em: 19 abr 2009                                 3
                                                                             Segundo
                                                                           Bernie Doge,
                                                                           WebQuest é “uma
                                                                           investigação
                                                                           orientada na qual
                                                                           algumas ou todas
          Webquest: pesquisa em ação                                       as informações
                                                                           com as quais
                                                                           os aprendizes
                                                                           interagem são
   Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado             originadas de
                                                                           recursos da
neste capítulo?                                                            Internet”. Acesse:
                                                                           WWW.webquest.
  Título da WebQuest: Educação e processos de globalização e               futuro.usp.
                                                                           br∕artigos∕textos_
neoliberalismo no Brasil:um olhar crítico sobre a LDB 9394/96              bernie.html




   A Tarefa

   Sua missão é atuar como um pesquisador, a fim de elencar e
analisar pontos contidos na LDB 9394/96 que podem ser caracterizados
enquanto expressão de uma política educacional neoliberal no Brasil.
Produza um texto dissertativo de, no mínimo, duas laudas. Lembre-
se! O texto dissertativo precisar apresentar início (introdução), meio
(desenvolvimento) e fim (conclusão). Trata-se de um texto de caráter
argumentativo, em que você deve deixar claro o seu ponto de vista
sobre o assunto abordado.




                                             15
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  O Processo

                   Realize pesquisas em livros, revistas, sites, a fim de coletar
               informações sobre o tema.

                  Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais
               deverão ser orientados pelos professores que estarão acompanhando
               os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina.

                  Após elaborar o seu documento, tente publicá-lo na plataforma do
               ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam visualizar
               a sua produção.

                  A Avaliação




                   Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes
               critérios:

                   • Clareza, coerência e coesão na organização da produção
                     textual.

                   • As referências utilizadas para subsidiar a produção do
                     documento.

                  Conclusão

                  Caro(a) Cursista,

                  Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar
               pesquisas e continuar estudando sobre a Lei de Diretrizes e Bases da
               Educação Nacional LDB 9394/96. Compartilhe suas experiências com
               outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente.
               Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que
               estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade.
               Boa sorte e bons estudos!

                  Referências

                  Pesquise a partir dos sites indicados para que você consiga
               desenvolver a atividade proposta.

                                        16
Estrutura e Funcionamento da Educação



      www.webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html

      h t t p : / / w w w. s c i e l o . b r / s c i e l o . p h p ? p i d = S 0 1 0 1 -
      73302003000100005&scrpt=sci_arttext&ing=es Acesso em: 20
      abr 2009.

      Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar.
      google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C
      3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar
      &lr= Acesso em: 20 abr 2009

      Política educacional em tempos neoliberais – o econômico
      definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/
      scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli
      beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr=Acesso
      em: 20 abr 2009




           Atividades e Orientações de Estudo



   Vamos fazer uma reflexão?

     Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns
aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É
importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá
utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar
de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as) que estão
à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu
processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir.
Vamos lá?

   1– Por qual(is) motivo(s) formular uma Lei de Diretrizes e Bases
      para a educação nacional suscita tantos debates e lutas
      ideológicas entre diferentes grupos sociais?

   2– Por que é importante conhecermos a legislação que regulamenta
      o sistema de ensino de nosso país?

   3– É coerente atribuirmos a uma lei educacional força ou mesmo
      potencialidade para provocar uma revolução da educação do
      país?



                                                        17
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Vamos participar de um chat?




                  Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre
               a temática que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e
               aprofundar as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases da
               Educação Nacional LDB 9394/96.

                   Que tal participar de um chat temático? Lembre-se! Você está
               sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das
               atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não
               perca esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e
               professores/tutores!




                          Vamos revisar?


                  É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar
               aprendendo.

                  Lembre-se! Aprender a conhecer é um pilar da educação muito
               importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. O
               sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação
               depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação
               para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da aprendizagem
               significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem.

                  Então, vamos aprender juntos(as)? Leia com atenção o resumo a
               seguir e bons estudos!.




                                        18
Estrutura e Funcionamento da Educação




Resumo

Neste capítulo, você estudou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº.
9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das
políticas neoliberais. Também, você conheceu quais são os níveis e modalidades
de ensino no Brasil, a estrutura organizacional conforme a legislação vigente.
Ou seja, o nível básico e superior de ensino. As modalidades de educação
profissional, educação de jovens e adultos e educação especial. Refletiu sobre
a importância não só de conhecermos sobre a lei específica da educação, como
também, e necessariamente, o papel social que a categoria de professores tem
que assumir, enquanto sujeitos críticos e interventores frente às problemáticas
significativas postas à educação, ao social.




                                                    19
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 2



                  A Educação Básica e Superior na LDB

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • A educação básica:

                      • Educação Infantil

                      • Ensino Fundamental

                      • Ensino Médio

                   • Educação Superior




                                        20
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 2 - A Educação Básica
e Superior na LDB


   Vamos conversar sobre o assunto?

   Você lembra que, no capítulo anterior, aprendemos que a educação,
no Brasil, a partir da LDB nº 9394/96, ficou composta de dois níveis?
Lembra? Nível básico e nível superior.

   Neste capítulo, vamos estudar como estão estruturadas as etapas
da educação básica, bem como a organização da educação superior.
Vamos refletir sobre o assunto?


Educação Básica

   No Brasil, a educação básica, a partir da LDB nº 9394/96, é
composta de três etapas: educação infantil, ensino fundamental
e ensino médio. Tem por finalidade desenvolver o educando,
assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício
da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em
estudos posteriores.




   Que tal iniciarmos com a organização dos níveis escolares proposta
pela LDB? Leia o texto a seguir e observe como a LDB/Lei Nº 9.394,
de 20 de dezembro de 1996 define a educação básica no Brasil.




                                            21
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                     Da Composição dos Níveis Escolares

                Art. 21. A educação escolar compõe-se de:

                I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e
                ensino médio;

                II - educação superior.

                                                     Capítulo II

                                                Da Educação Básica

                                                       Seção I

                                             Das Disposições Gerais

                Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando,
                assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da
                cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos
                posteriores.

                     Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.


                   Você percebeu que a Educação Básica é formada pela educação
               infantil, ensino fundamental e ensino médio? Então, é hora de
               começarmos a entender melhor cada uma dessas modalidades de
               ensino. Vamos lá?

                  Vamos iniciar nossa discussão apresentando a educação infantil
               como primeira modalidade a ser comentada nesta trajetória. Você já
               parou para pensar sobre a organização da educação infantil? Ainda
               não? Então, é hora de refletirmos sobre o assunto.


               A Educação Infantil

                   A educação infantil é entendida na Lei nº 9394/96 enquanto primeira
               etapa da educação básica. O artigo 29 da lei expressa que essa etapa
               de ensino tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança
               até 6 anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, social e
               intelectual, complementando a ação da família e da comunidade.
               Nesse sentido, tal forma de entendimento da educação infantil passa
               a ser apontada como um dos avanços da lei.




                                           22
Estrutura e Funcionamento da Educação




   A partir da Lei no. 11.274/2006 que institui o ensino fundamental
de 9 anos de duração e a inclusão das crianças de seis anos de
idade, a educação infantil, que antes era dos 0 aos 6 anos passa
a ser atualmente dos 0 até os 5 anos. Antes da Lei 9394/96, a
educação infantil inexistia enquanto espaço de uma das etapas da
formação escolar. Era uma perspectiva apenas assistencialista e
sem preocupação pedagógica, nem mesmo exigia o envolvimento de
profissionais da área educacional.




   Veja como a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define a
educação infantil.

                               Da Educação Infantil

 Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como
 finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em
 seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a
 ação da família e da comunidade.

 Art. 30. A educação infantil será oferecida em:

 I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de
 idade;

 II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.

 Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento
 e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo
 para o acesso ao ensino fundamental.

     Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.



                                                        23
Estrutura e Funcionamento da Educação



                       Como dever do Estado, a educação infantil é uma novidade na
                    Constituição Federal de 1988. Na LDB/96, aparece como incumbência
                    dos municípios e deve estar integrada ao respectivo sistema de ensino.
                    De acordo com o artigo 30, a educação infantil deve ser oferecida em
                    creches, ou entidades equivalentes e em pré-escolas.
          Atenção

4
  O ensino          O Ensino Fundamental
Fundamental,
constitucio-
nalmente, se
configura como
direito público
subjetivo.Ou
seja, equivale a
reconhecer que é
de aplicabilidade
imediata,
não exige
regulamentação.
Além disso, se
não for ofertado       O ensino fundamental4 é dever do Estado e etapa obrigatória da
pelo Estado
pode ser exigido    educação básica. Segundo o artigo 32, da LDB n° 9394/96, o ensino
judicialmente.
                    fundamental é obrigatório e gratuito na escola pública, tem como
                    objetivo a formação básica do cidadão. A LDB sinalizou para o ensino
                    obrigatório de nove anos de duração, ao iniciar-se aos seis anos de
                    idade, fato este só regulamentado a partir da Lei n°. 11.274/2006 de
                    seis de fevereiro de 2006, ou seja, uma década após.

                       O ensino fundamental compreende o acompanhamento da
                    aprendizagem dos alunos do 1º ao 9º ano. Esse período corresponde
                    à fase da alfabetização (1º ano) ao 9º ano (antiga 8ª série).

                       Durante o ensino fundamental, os alunos vão aprofundando suas
                    competências por meio de ciclos de aprendizagem estreitamente
                    associados. Assim, a aprendizagem vai sendo construída de forma
                    contínua, tendo em vista os conteúdos propostos e as articulações
                    entre os conhecimentos escolarizados e as experiências prévias dos
                    alunos.

                      Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o
                    Ensino Fundamental.




                                            24
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                      Seção III

                             Do Ensino Fundamental

 Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos,
 gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por
 objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei
 nº 11.274, de 2006)

 I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos
 o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;

 II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da
 tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;

 III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista
 a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e
 valores;

 IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade
 humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.

     Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.

                                                                                                    Atenção

O Ensino Médio                                                                            5
                                                                                            A Emenda
                                                                                          Constitucional
    O Ensino Médio é a última etapa da educação básica. É                                 no. 14, de 12
                                                                                          de setembro de
regulamentado no artigo 35 da LDB/96, com duração mínima de três                          1996. Modifica
                                                                                          os artigos 34,
anos. Dentre outros, tem como finalidades consolidar e aprofundar                         208,211 e 212
os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando a                       da Constituição
                                                                                          Federal. Na
continuidade de estudos. Também, comporta diferentes concepções:                          emenda 14, inciso
                                                                                          II, regulamenta
ora compreendido enquanto destinado a preparar os alunos para a                           a progressiva
continuidade dos estudos no curso superior; ora entendido enquanto                        universalização
                                                                                          do ensino médio
preparação de mão-de-obra para o trabalho; ora entendido no sentido                       gratuito
mais amplo, enquanto integração das duas concepções acima citadas,
que se constroem e reconstroem pela ação humana, pela produção
cultural do cidadão5.




                                                         25
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   O Ensino Médio constitui-se na etapa final da educação básica,
               tendo em vista o aprofundamento das competências construídas desde
               o ensino fundamental. O Ensino Médio tem como eixos norteadores
               os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade. A
               contextualização visa à articulação entre os conhecimentos teóricos
               e as experiências cotidianas vivenciadas pelos alunos. Não basta
               aprender, é preciso aprender dentro de uma situação didática concreta,
               articulando-se os conhecimentos construídos no ambiente escolar
               e as demandas sociais apresentadas na diversidade de contextos e
               experiências cotidianas.

                 Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o
               Ensino Médio.

                                                      Seção IV

                Do Ensino Médio

                Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração
                mínima de três anos, terá como finalidades:

                I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no
                ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;

                II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para
                continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade
                a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;

                III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo
                a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do
                pensamento crítico;

                IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
                produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada
                disciplina.

                     Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.




                            Você sabia?


                  Na LDB 9394/96, no artigo 26, ao tratar das propostas curriculares
               do ensino fundamental e médio, ficou definido que elas devem ter
               uma base nacional comum, e uma parte diversificada?

                  Por que a necessidade de existência de uma parte diversificada no
               currículo?

                                           26
Estrutura e Funcionamento da Educação



    A parte diversificada deve ser complementada pelos sistemas de
ensino escolar para cobrir as características regionais e locais, da
sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Posteriormente,
nos pareceres delimitadores das Diretrizes Curriculares Nacionais, o
Conselho Nacional de Educação explicitou que a parte diversificada
poderia ter até 25% da carga horária anual ou total, de cada período
letivo, 200 horas anuais ou 600 horas pelo curso ou grau.


A Educação Superior




   São nos artigos 43 a 57 da LDB 9394/96 que se expressa sobre a
educação superior. A mesma tem por finalidade formar profissionais
nas diferentes áreas de saber, promovendo a divulgação dos
conhecimentos culturais, científicos e técnicos e comunicando-os
por meio do ensino. Visa divulgar à população a criação cultural e
a pesquisa científica e tecnológica geradas nas instituições que
oferecem a formação em nível superior e produzem conhecimento.
Objetiva estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito
científico e do pensamento reflexivo, incentivando o trabalho de
pesquisa e a investigação científica e promovendo a extensão.

   No artigo 44, se expressa que a educação superior abrange os
seguintes cursos e programas:

   I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de
       abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos
       estabelecidos pelas instituições de ensino;

   II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o
       ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em
       processo seletivo;



                                            27
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e
                        doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros,
                        abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e
                        que atendam às exigências das instituições de ensino;

                   IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos
                      estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino.

                   O Decreto 2.306/97 que regulamenta a LDB, no que diz respeito ao
               sistema de ensino federal, prevê a organização da educação superior
               sob a forma de universidades, centros universitários, faculdades
               integradas, faculdades e institutos superiores ou escolas superiores.




                          Cinema em Ação


                  Você já parou para pensar que dentro de uma sociedade desigual,
               a exemplo do próprio Brasil, muitas crianças e jovens não têm acesso
               à educação? Ou a maioria tem acesso a uma educação escolar que
               deixa muito a desejar, frente às demandas postas pelo social?

                   Você já assistiu ao filme Pro dia nascer feliz? É um documentário
               que, dentre várias questões abordadas, relacionadas à educação, traz
               à tona questões, como, por exemplo, a desigualdade social.




                                        28
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                     Sinopse

“Pro Dia Nascer Feliz” é o segundo longa-metragem do diretor João Jardim,
diretor do cultuado documentário “Janela da Alma” que, em 2002, bateu recordes
de público no gênero. Através de uma investigação do relacionamento do
adolescente com a escola - ambiente fundamental em sua formação - o diretor
traz à tona, além de questões comuns a qualquer adolescente dentro do ambiente
escolar, questões como a desigualdade social e o impacto da banalização da
violência no desenvolvimento de muitos desses jovens.

Título original
Pro Dia Nascer Feliz

Lançamento
2007-02-02

Direção
João Jardim

Co-produção
Globo Filmes, Tambellini Filmes, Fogo Azul Filmes

Distribuição
Copacabana Filmes

Ficha técnica
Roteiro: João Jardim
Montagem: João Jardim
Produção: Flávio R. Tambellini
Diretor de Fotografia: Gustavo Hadba
Música: Dado Villa-Lobos
Som: Heron Alencar, Aluisio Compasso
Edição de Som: Waldir Xavier
Mixagem: Tom Paul
Direção de Produção: Gabriela Weeks

  Disponível em: http://www.interfilmes.com/filme_16779_Pro.Dia.Nascer.Feliz-(Pro.Dia.
                                           Nascer.Feliz).html Acesso em: 08 mai 2009.




           Conheça Mais


  Você já conhece quais são os pilares da educação?

Aprender a ser

Aprender a conhecer

Aprender a fazer

Aprender a conviver



                                                       29
Estrutura e Funcionamento da Educação



                       Você sabe o que significa cada um desses conceitos? Então,
                     vamos lá!

                         Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamentos
                     da educação baseados no Relatório para a UNESCO da Comissão
                     Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por
                     Jacques Delors. Com base nesses pilares, constatou-se que o
                     cidadão é um ser que vive em sociedade e, portanto, deve aprender
                     a se autoconhecer, sabendo respeitar as suas dificuldades e
                     potencialidades, aprendendo, assim, a ser um individuo singular que
                     vive no meio social.

                        Deve aprender a conhecer o novo, buscar sempre aprender
                     em todas as circunstâncias, com todas as pessoas e em todos os
                     lugares.

                        Precisa estar consciente que pode utilizar todos os conhecimentos
                     aprendidos para modificar o mundo à sua volta, podendo, assim,
                     utilizar os conhecimentos teóricos para modificar na prática o meio à
                     sua volta.

                        Mas, para que utilize todos esses conhecimentos, equilibradamente,
                     precisa saber conviver com o outro com suas limitações e
                     potencialidades.
          Atenção       Quanto ao pilar aprender a ser, existe um conjunto de princípios
                     obrigatórios que regem a Educação básica, contidos nas Diretrizes
6
  No que se refere
à educação           Curriculares Nacionais (DCN)6.
infantil, veja
o Parecer                De acordo com as DCN da educação infantil, os projetos
CNE 22/98.
Para o ensino        desenvolvidos na escola devem observar os princípios estéticos
fundamental
– Consultar o
                     da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e das diversidades
Parecer do CNE       artísticas e culturais.
04/98. Para o
ensino médio
– Parecer CNE
                        Conforme as DCN do ensino fundamental, os projetos devem
15/98.               conduzir ao reconhecimento da identidade pessoal dos alunos, dos
                     professores, da escola e do seu contexto.

                        Segundo as DCN do ensino médio, os projetos devem valorizar
                     aspectos relativos à estética da sensibilidade.




                                            30
Estrutura e Funcionamento da Educação




            Atividades e Orientações de Estudo


  É hora de colocar em prática o que você estudou neste capítulo.
Vamos lá? Tente refletir sobre os questionamentos a seguir.

 1 – Quais os motivos que justificaram a ampliação do ensino fundamental de 8
 para 9 anos?

 2 – A quem compete a oferta da educação infantil?

 3 – A quem compete a oferta do ensino fundamental?

 4 – A quem compete a oferta do ensino médio?

    Lembre-se! Você poderá utilizar os fóruns de discussão para
colocar suas ideias. Você poderá interagir com os(as) professores(as)/
tutores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas,
acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora
é hora de refletir. Vamos lá?

   Consulte a Emenda Constitucional no. 14, de 12 de setembro de
1996.

 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:l
 egislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em: 19 abr 2009


   Vamos participar de um chat?




    Vamos continuar conversando e discutindo sobre a temática
educação básica e educação superior? Que tal participar de um chat
temático? Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente
com seus colegas e professor! Lembre-se! Você está sendo
continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades
virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Os professores/
tutores estarão agendando previamente o chat para que todos
participem. Será uma oportunidade para você trocar ideias, leituras e
experiências com outros colegas. Vamos interagir?


                                                     31
Estrutura e Funcionamento da Educação




                           Vamos revisar?


                   Chegamos ao final do capítulo. É hora de reler os assuntos
               abordados e tirar suas dúvidas. Revise os pontos principais discutidos
               e leia com atenção o resumo a seguir.

                Resumo

                Neste capítulo, estudamos como estão estruturadas as etapas da educação
                básica, bem como a organização da educação superior. Vimos que a educação
                básica no Brasil, a partir da LDB 9394/96, é composta de três etapas:
                educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A educação básica
                tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum
                indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir
                no trabalho e em estudos posteriores. Quanto ao ensino superior, estudamos
                que este nível de ensino tem por finalidade formar profissionais nas diferentes
                áreas de saber, promovendo a divulgação do conhecimentos culturais,científicos
                e técnicos e comunicando-os por meio do ensino.




                                         32
Estrutura e Funcionamento da Educação




       Capítulo 3




Modalidades da Educação na LDB

 O que vamos estudar neste capítulo?

 • Educação de Jovens e Adultos

 • Educação Especial

 • Educação Profissional

 • Educação a distância




                                       33
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Capítulo 3 - Modalidades da
               Educação na LDB


                  Vamos conversar sobre o assunto?




                  No primeiro capítulo, já estudamos que são três as modalidades
               da Educação na LDB 9394/96, (educação de jovens e adultos,
               educação especial e educação profissional). Está lembrado(a)?
               Nesse momento, nós vamos estudar mais especificidades de cada
               uma dessas modalidades, bem como estudaremos sobre a Educação
               a Distância (EAD), modalidade em que seu curso está inserido.




                 Vamos iniciar discutindo um pouco sobre a Educação de Jovens e
               Adultos. Vamos lá?


               Educação de Jovens e Adultos




                   Você lembra que, no primeiro módulo, abordarmos sobre a
               constituição de 1988? Nela está estabelecida que a “educação é
               direito de todos e dever do Estado e da família”... e ainda, ensino
               fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta garantia para
               todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria.

                                        34
Estrutura e Funcionamento da Educação



   São os artigos 37 e 38 da LDB 9394/96 que abordam sobre a
educação de jovens e adultos (EJA). Pois bem, o termo Educação de
Jovens e Adultos na LDB 9394/ destina-se àqueles que não tiveram,
na idade própria, acesso e/ou continuidade dos estudos no ensino
fundamental e médio.

   A Educação de Jovens e Adultos prevê cursos e exames supletivos
a serem realizados no nível de conclusão do ensino fundamental, para
maiores de 15 anos, e no nível de conclusão do ensino médio, para
maiores de 18 anos.




          Você sabia?


   Você sabia que existe uma ciência ou arte de orientar adultos a
aprender?

   Então responda: qual o nome dessa ciência ou arte?


                                                                                    Atenção

                                                                          6
                                                                            Nos anos 60,
                                                                          um Yugoslavo,
                                                                          educador
                                                                          de adultos,
                                                                          participando de
                                                                          um seminário de
                                                                          verão na Boston
                                                                          University,
   Se você respondeu Andragogia6, acertou!!!!!!! Muito bem!!!             expôs o termo
                                                                          “andragogia”,
    O termo remete a um conceito de educação voltada para adultos,        como um
                                                                          conceito mais
em contraposição à pedagogia, termo que se refere à educação de           organizado a
                                                                          respeito da
crianças (do grego paidós, criança).                                      educação de
                                                                          adultos.
                                                                          Andragogia foi
                                                                          apresentada
                                                                          como a arte e
                                                                          a ciência de
                                                                          ajudar o adulto
                                                                          a aprender e era
                                                                          ostensivamente
                                                                          a antítese
                                                                          do modelo
                                                                          pedagógico
                                                                          que significa,
                                                                          literalmente, a
                                                                          arte e ciência de
                                                                          ensinar crianças (
                                                                          Chotguis, 2009).



                                            35
Estrutura e Funcionamento da Educação




                O modelo andragógico é baseado em vários pressupostos que são diferentes
                daqueles do modelo pedagógico:

                1. A Necessidade de Saber. Os adultos têm necessidade de saber por que eles
                precisam aprender algo, antes de se disporem a aprender.

                2. Autoconceito do Aprendiz. Os adultos tendem ao autoconceito de serem
                responsáveis por suas decisões, por suas próprias vidas.

                3. O Papel das Experiências dos Aprendizes. Os adultos se envolvem em uma
                atividade educacional com grande número de experiências, mas diferentes em
                qualidade daquelas da juventude.

                4. Prontos para Aprender. Adultos estão prontos para aprender aquelas
                coisas que precisam saber e capacitar-se para fazer, com o objetivo de resolver
                efetivamente as situações da vida real.

                5. Orientação para Aprendizagem. Em contraste com a orientação centrada
                no conteúdo própria da aprendizagem das crianças e jovens (pelo menos na
                escola), os adultos são centrados na vida, nos problemas, nas tarefas, na sua
                orientação para aprendizagem.

                6. Motivação. Enquanto os adultos atendem alguns motivadores externos (melhor
                emprego, promoção, maior salário, etc.), o motivador mais potente são pressões
                internas (o desejo de crescente satisfação no trabalho, auto-estima, qualidade de
                vida, etc.). Pesquisas de comportamento mostram que todos adultos normais são
                motivados a continuar crescendo e se desenvolvendo.

                                                                        Fonte: CHOTGUIS (2009).


                   Viu como é importante a Educação de Jovens e Adultos? Que
               tal entrevistar alguém que esteja participando desta modalidade de
               ensino? Faça uma pesquisa em seu município e liste as escolas que
               trabalham com educação de jovens e adultos. Depois converse com
               seus colegas sobre a entrevista realizada.

                 Agora, vamos continuar conversando um pouco sobre a Educação
               Especial.




                                         36
Estrutura e Funcionamento da Educação



Educação Especial

   São os artigos 58, 59 e 60 da LDB/96 que tratam da educação7
                                                                                    Atenção
especial.

   Esta modalidade de ensino deve situar-se preferencialmente na
                                                                          7
                                                                            O Conceito de
                                                                          necessidades
rede regular de ensino, esse processo tem sido chamado de inclusão.       especiais amplia
                                                                          o conceito de
Para tanto, a lei requer capacitação dos professores e especialização     deficiência.
para atendimento especializado.

    Prevê, se necessário, a existência de serviços de apoio
especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da
clientela de educação especial.

   Propõe o recurso de classes, escolas ou serviços especializados
                                                                                    Atenção
quando não for possível a integração em classes comuns. Esta oferta
de ensino se dará a partir da educação infantil.                          8
                                                                            Da mesma
                                                                          maneira que o
   A Constituição Federal de 1988, nos artigos 205 e 208, e na            cão guia ajuda
                                                                          o dono cego a
LDB/96, artigo 58 no parágrafo terceiro, prevê que a oferta de            se situar num
                                                                          espaço que ele
educação especial é dever do Estado.                                      não pode ver, o
                                                                          cão para surdos
   O processo de inclusão de alunos especiais teve início antes mesmo     faz com que
                                                                          o dono tome
da capacitação dos professores. Estes se sentem desconfortáveis           consciência do
com situações complexas que não sabem como lidar, muitas vezes            universo sonoro
                                                                          a sua volta. A
gerando, dentro do suposto processo de “inclusão”, outras dimensões       ideia básica do
                                                                          treinamento do
da exclusão.                                                              cão para surdos
                                                                          é que ele reaja
                                                                          a certos sons
                                                                          familiares no
                                                                          lugar do dono.
                                                                          Ensina-se o
                                                                          animal a registrar
          Você sabia?
                                                                          prioritariamente
                                                                          quatro sons: a
                                                                          campanhia da
                                                                          porta de entrada;
   1– Você sabia que existem cães para surdos?                            a do telefone; a
                                                                          do despertador
   2– Você sabia que existe uma rede social parecida com o ORKUT,         e o choro de
                                                                          um bebê. O
      só que somente para surdos9 e ouvintes que conhecem surdos,         cão identifica
      e vice-versa?                                                       e determina a
                                                                          origem do som,
                                                                          é treinado para
   3– Você sabia que cerca de 75% de todas as crianças autistas10         chamar a atenção
      são do sexo masculino?                                              do dono e levá-lo
                                                                          até a origem do
                                                                          som percebido.
   4– Você sabia que pelo menos metade dos 40 milhões de                  http://www.
                                                                          dogtimes.com.
      cegos existentes no mundo poderiam ter salvo sua visão, se          br/surdos.htm
      conhecessem as doenças, sintomas e situações que podem              Acesso em: 16
                                                                          mai 2009.
      levar à cegueira?

                                            37
Estrutura e Funcionamento da Educação



                          http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38      Acesso
                          em: 16 mai 2009.

                       5– Na gravidez, doenças como rubéola e toxoplasmose, durante a
                          gravidez, podem causar cegueira e problemas neurológicos na
                          criança10?

                          http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38      Acesso
                          em: 16 mai 2009.




                              Vamos fazer uma reflexão?


                       Você acredita que ser portador de alguma necessidade especial
          Atenção
                    impossibilita o sujeito de ter uma participação efetiva no social?
9
 Acesse o
seguinte
                       Você conhece a história de Hellen Keller?
endereço: http://
www.rede.              Leia abaixo uma minibiografia de Hellen Keller e reflita novamente
surdosol.com.
br/home.php         sobre a questão acima.
Acesso em: 16
mai 2009




                                            38
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                 Mini-biografia                        Atenção

                           Helen Keller
                                                                             10
                                                                               AUTISMO é um
                                                                             distúrbio mental
                                                                             raro e grave que
Nascida Helen Adams Keller, em 27 de junho de 1880 em                        afeta crianças.
Tuscumbia, Alabama, EUA, a criança desenvolveu uma febre aos                 Entre os sintomas
18 meses de idade. Em seguida, Helen ficou cega, surda e muda.               que ocasiona,
Quando tinha seis anos, a professora Anne Mansfield Sullivan,                destaca-se um
da Perkins School for the Blind (Escola para cegos Perkins),                 olhar estranho e
foi contratada como professora de Helen. A moça, de 20 anos,                 distante.
ensinou a Helen a linguagem de sinais e o braile. A história da              O verdadeiro
                                                                             autismo que
professora e sua aluna foi recontada na peça e no filme de William
                                                                             é chamado de
Gibson, “The Miracle Worker (O milagre de Anne Sullivan)”.                   autismo infantil
Aos dez anos, Helen Keller aprendeu a falar. Em 1898,                        prematuro, ocorre
Helen entrou para a Cambridge School for Young Ladies                        aproximadamente
(Escola para moças Cambridge). No outono de 1900,                            em um caso
Helen matriculou-se no Radcliffe College. Conseguiu o                        a cada 30 mil
bacharelado cum laude (com louvor) em Letras em 1904.                        crianças, mas
Através dos anos, Anne Sullivan permaneceu ao lado de sua                    o termo autismo
aluna. Ela formava letras na mão de Helen para compreensão                   também é usado
                                                                             para designar
de livros de texto, palestras da faculdade e conversação.
                                                                             outras formas
                                                                             graves de doença
              A cruzada pessoal de Helen Keller                              mental que se
                                                                             assemelham
Em 1915, Helen juntou-se à primeira diretoria do                             ao autismo
                                                                             verdadeiro.
Permanent Blind Relief War Fund (Fundo permanente de
                                                                             Cerca de 75% de
ajuda aos cegos de guerra), mais tarde conhecido como                        todas as crianças
American Braille Press (Imprensa braile americana).                          autistas são do
Em 1924, a jovem fundou a Helen Keller Endowment Fund                        sexo masculino.
(Fundo de dedicação Hellen Keller). No mesmo ano, Helen                      http://www.
ligou-se à American Foundation for the Blind (Fundação                       guia.heu.nom.
americana para portadores de deficiência visual) como                        br/autismo.htm
conselheira para relações nacionais e internacionais.                        Acesso em: 10
Em 1946, Helen Keller tornou-se conselheira para                             mai 2009.
relações     internacionais    da     American      Foundation
for Overseas Blind (Fundação americana para os
deficientes visuais estrangeiros). Visitou 35 países.
Sua vida virou filme. “Helen Keller in Her Story” (Helen Keller
e sua História) recebeu o “Oscar” de melhor documentário
da Academia de artes e ciências cinematográficas em 1955.
Helen Keller fez sua última aparição pública em
Washington, D.C., EUA, em 1961. Recebeu o Prêmio
Humanitário Lions por uma vida inteira de dedicação.
Em 1971, a Directoria do Lions Clubs International declarou que
o dia 1º de Junho seria lembrado como o “Dia de Helen Keller”.
Helen morreu em 1º de Junho de 1968, aos 87 anos.

Num dos seus escritos, ela diz:

“Várias vezes pensei que seria uma bênção se todo ser
humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias
no princípio da vida adulta. As trevas fariam-o apreciar mais
a visão e o silêncio ensinar-lhe-ia as alegrias do som”.

     http://www.lionsclubs.org/PO/content/vision_services_keller.shtml
                                             Acesso em: 16 mai 2009


                                               39
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Educação Profissional




                   Os artigos 39, 40,41 e 42 da LDB/96 abordam sobre a educação
               profissional. Há uma previsão da interação profissional com as
               diferentes formas de educação, o trabalho, a ciência e a tecnologia.
               Também, a articulação com o ensino regular ou outras estratégias
               de educação continuada. Prevê o aproveitamento do conhecimento
               obtido através da educação profissional para fins de prosseguimento
               ou conclusão de estudos, além da oferta de cursos especiais abertos
               à comunidade pelas escolas técnicas e profissionais.

                   Entretanto, a lei não define instâncias, competências e finalidades
               de cada um dos níveis de governo para com esse ramo do ensino.
               Na verdade, alguns autores afirmam que, no que se refere a essa
               modalidade de ensino, a LDB/96 nada mais é do que uma carta de
               intenções. O ensino profissional só toma uma configuração nítida
               de fato só a partir de uma série de Decretos e Portarias posteriores
               à LDB, documentos que vêm a regulamentar essa modalidade de
               ensino.


               Educação a Distância




                  As bases legais para a Educação a Distância, no Brasil, só foram
               estabelecidas em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases
               da Educação Nacional (também conhecida como LDB - Lei nº 9.394,
               de 20 de dezembro de 1996), que foi primeiramente revista em 1998,
               pelo decreto nº 2.494 e, posteriormente, regulamentada pelo Decreto


                                        40
Estrutura e Funcionamento da Educação



n.º 5.622, publicado em dezembro de 2005.

   Veja como o Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, define
a Educação a Distância:

 “Art. 1º- Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-
 aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente
 organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados
 isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de
 comunicação”.

   A seguir vamos discutir alguns pontos mais importantes da Lei e dos
decretos subsequentes. Observe atentamente os pontos colocados a
partir da regulamentação da EAD no Brasil.

 1- Cursos na modalidade a distância só serão oferecidos por instituições
 especificamente credenciadas pela União, ou seja, para que o seu curso seja
 válido, é preciso procurar instituições credenciadas pelo MEC. É preciso ter
 cuidado, porque nem todo mundo é idôneo. Fazer um curso a distância em uma
 instituição não credenciada implica que o certificado que você obterá ao final do
 curso não tem valor




 2- Cabe à União (isto é, ao governo federal) regulamentar os requisitos de
 avaliação e de emissão dos diplomas. Então, para que o curso seja válido, é
 preciso que as avaliações das disciplinas obedeçam às regras estabelecidas
 pelo governo federal.


 3- A Educação a distância deverá ser utilizada para promover oportunidades
 educacionais apropriadas (isto é, o governo incentiva a criação de cursos de
 EAD desde o nível básico, técnico e superior) para o alunado com características
 diversas e diferentes interesses, condições de vida e de trabalho. A ideia é
 mesmo proporcionar a todos acesso à educação de qualidade, independente de
 sua localização e situação de vida e trabalho




                                                     41
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Atenção

11
  A EAD só é
regulamentada
para o ensino
fundamental
no âmbito
da Educação
de Jovens e
Adultos. O ensino
fundamental
regular não está
contemplado
para ofertas na       4- É possível oferecer cursos nos diversos níveis: de ensino fundamental11 (para
modalidade a          jovens e adultos); de ensino médio; de educação profissional; de graduação e
distância.            pós. Cada nível tem sua legislação específica.


                      5- .A avaliação12 do aluno deve ser feita obrigatoriamente por meios presenciais,
                      cabendo à instituição que oferta o curso realizá-la




          Atenção

12
  Conforme Art.
7º do Decreto
2494, a avaliação
do rendimento do
aluno para fins
de promoção,
certificação
ou diplomação
deverá ser              Em síntese, é importante que você perceba que a Educação a
realizada:           Distância tem sua regulamentação própria e está se destacando cada
- durante o
processo das         vez mais no cenário da educação brasileira como “uma estratégia de
atividades do
curso a distância;   ampliação democrática do acesso à educação de qualidade, direito
- por meio           do cidadão e dever do Estado e da sociedade, que os textos legais e
de exames
presenciais que      as normas oficiais passam a tratar”. (LOBO, 2000, p.09).
“deverão avaliar
competências
                        O artigo 80 da LDB/96 afirma que “O Poder Público incentivará o
descritas nas
diretrizes           desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância,
curriculares
nacionais, quando    em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação
for o caso, bem
                     continuada”.
como conteúdos
e habilidades
que cada curso          É importante frisarmos que a educação a distância reconhece a
se propõe a
desenvolver”.
                     escola como espaço privilegiado da atividade educacional, podendo
(Art. 7º, Parág.     ampliar seu potencial didático-pedagógico, através de um sistema
Único”.
                     tecnológico.


                                               42
Estrutura e Funcionamento da Educação



   A secretaria de Educação a Distância do MEC foi criada em 1995 e
se articula com os demais órgãos do ministério, a fim de institucionalizar
                                                                                           Atenção
a EAD no país. Entre as principais ações desta secretaria estão a TV
escola13 e o Programa Nacional de Informática na escola (Proinfo)14.             13
                                                                                   A TV Escola
                                                                                 é um canal do
                                                                                 Ministério da
                                                                                 Educação, sobre
                                                                                 educação e para
                                                                                 a educação. No
   14
       Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) é uma              ar 24 horas por
   iniciativa do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação      dia, o canal exibe
   a Distância – SEED, criado pela Portaria nº 522, de 09 de abril de 1997,      os melhores
                                                                                 documentários e
   sendo desenvolvido em parceria com os governos estaduais e alguns
                                                                                 séries nacionais e
   municipais. As diretrizes do Programa são estabelecidas pelo MEC e pelo       internacionais.
   CONSED (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação). Em           Para professores
   cada unidade da federação, há uma Comissão Estadual de Informática            é uma ferramenta
   na Educação cujo papel principal é o de introduzir as Novas Tecnologias       de formação
   de Informação e Comunicação nas escolas públicas de ensino médio e            continuada, pois,
   fundamental.                                                                  além dos vídeos,
                                                                                 exibe comentários
                                                                                 e dicas
   O objetivo do PROINFO é o de promover o desenvolvimento e o uso da            pedagógicas.
   telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico,                      Para os alunos,
                                                                                 uma fonte de
   http://br.geocities.com/nteposse/proinfo.htm Acesso em: 10 mai de 2009        conhecimento
                                                                                 e aprendizagem
                                                                                 sobre História,
                                                                                 Ciências,
                                                                                 Matemática,
                                                                                 Geografia, Língua
                                                                                 Portuguesa e
                                                                                 todas as outras
                                                                                 áreas curriculares
           Você sabia?                                                           da Educação
                                                                                 Básica


   Você sabia que a EAD, em sua forma empírica, é conhecida desde
o século XIX? Entretanto, apenas recentemente, nas últimas décadas,
passou a fazer parte das atenções pedagógicas. Seus referenciais
atuais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do século
XXI publicados pela UNESCO, e que você já conhece. Lembra quais
são? Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e
aprender a ser.




           Conheça Mais


   Na modalidade de ensino a distância, como você bem já experencia,
estudantes e professores não necessitam estar presentes num local
específico durante o período de formação. As funções pedagógicas
são garantidas na construção da ambiência de aprendizagem e à


                                                   43
Estrutura e Funcionamento da Educação



                      utilização das tecnologias da informação e comunicação.

           Atenção       Ao longo dos tempos, várias foram as sistemáticas utilizadas para
                      se efetivar o ensino a distância, ou seja, correspondência postal, seja
15
  No Brasil, as
bases legais para     na forma escrita, fitas cassetes, áudio, CD-ROMs, vídeos, Internet.
a modalidade
                      Com o advento de recursos tecnológicos mais avançados, Internet,
de EAD foram
estabelecidas         email, World wide web, ampliou-se o campo de atuação da Educação
pela LDB
9.394/96 , que foi    a Distância.
regulamentada
pelo Decreto no.         Assim, no Brasil, a EAD é aplicada na educação básica,
5.622 de 20/12/05
(que revogou          educação superior, educação profissional, pós-graduação, para
o Decreto no.
2.494, de 10 de
                      diplomas e certificados de cursos a distância emitidos por instituições
fevereiro de 1998,    estrangeiras15.
e o Decreto no.
2.561, de 27 de
abril de 1998) com
normatização
definida
na Portaria
Ministerial no.                   Cinema em Ação
4.361, de 2004
(que revogou
a Portaria
Ministerial no.           O filme que indicamos para que você assista está ligado à temática
301, de 07 de abril   da Educação Especial. Assista ao filme, tente elaborar questões e
de 1998). E em 03
de abril de 2001,     comentários vinculados aos pontos explorados em nossos estudos
a Resolução no.
1, do Conselho        e compartilhe suas ideias e questionamentos em nossos espaços
Nacional de           virtuais.
Educação
estabeleceu as
normas para a
pós graduação                 Meu Pé Esquerdo (My Left Foot: The Story of Christy Brown)
lato e stricto
sensu.                                                   Sinopse: Christy Brown (Daniel Day-Lewis)
                                                         é o filho de uma pobre família irlandesa. Ele
                                                         nasce com paralisia cerebral, trazendo sérias
                                                         conseqüencias para os movimentos do seu
                                                         corpo. Com o único movimento que tem, do seu
                                                         pé esquerdo, Christy consegue se revelar como
                                                         ótimo escritor e pintor. Oscar de Melhor Ator
                                                         para Daniel Day-Lewis e Atriz Coadjuvante para
                                                         Brenda Fricker.

                                                         Ficha técnica
                                                         (My Left Foot, 1989)

                                                         • Direção: Jim Sheridan
                                                         • Roteiro: Christy Brown (livro), Shane
                                                         Connaughton, Jim Sheridan
                                                         • Gênero: Biografia/Drama
                                                         • Origem: Inglaterra/Irlanda
                                                         • Duração: 103 minutos
                                                         • Tipo: Longa

                        Disponível em: www.interfilmes.com/filme_13903_Meu.Pe.Esquerdo-(My.Left.Foot.The.
                                                        Story.of.Christy.Brown).html Acesso em: 08 mai 2009.



                                                 44
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Atividades e Orientações de Estudo



   Vamos fazer uma reflexão?


                A sabedoria

                  começa

                     na

                  reflexão.



                  Sócrates



     Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns
aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É
importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá
utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar
de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as)/tutores(as)
que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar
o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de
refletir. Vamos lá?

   1– A LDB 9394/96, em suas propostas, dá ênfase à garantia da
      qualidade da educação. Isso se concretiza na prática?

   2– Qual a concepção de educação expressa na LDB?




          Conheça Mais


    Para facilitar seus estudos, continue pesquisando sobre
as temáticas abordadas neste capítulo. Lembre-se de realizar
sistematizações de suas leituras, ou seja, tente elaborar fichamentos
e resumos dos textos lidos e das pesquisas realizadas. Vá registrando
suas produções em seu portfólio. Isso irá facilitar os seus percursos
de aprendizagem.


                                             45
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Veja as indicações de leitura a seguir.

                      BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988.

                      BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº.
                      9394/96.

                      LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e
                      organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

                      SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001.
                      183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação,
                      Centro Educação/UFPE. Recife, PE.

                  Vamos participar de um chat?

                  Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática
               que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e aprofundar as
               discussões sobre as modalidades de ensino e a educação a distancia
               na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96.

                   Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente com
               seus colegas e professores/tutores! Lembre-se! Você está sendo
               continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades
               virtuais que estão sendo realizadas no ambiente.




                          Vamos revisar?


                  É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar
               aprendendo.

                  Lembre-se! O sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento
               da Educação depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar
               a motivação para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da
               aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem.

                  Leia, com atenção, o resumo a seguir e bons estudos!




                                        46
Estrutura e Funcionamento da Educação




Resumo

Neste capítulo, estudamos mais detalhadamente as três modalidades de ensino
contidas na LDB 9394/96, bem como a educação a distância. Em relação à
modalidade de educação infantil, vimos que a concepção expressa na lei se
constitui enquanto avanço, bem como no que se refere ao ensino fundamental,
destacamos que o compromisso do Estado de ofertar esse nível de ensino a
todos, até mesmo para aqueles que estão fora da faixa de escolarização devida,
se constitui um grande avanço da lei, se comparada com as leis anteriores. Quanto
ao ensino médio, vimos que se constitui enquanto uma etapa da educação básica
que gera ainda bastante polêmica entre os estudiosos da área. Já em relação
à Educação a Distância, a mesma se constitui cada vez mais em expansão,
podendo ser vivenciada nos vários níveis da educação no Brasil.




                                                    47
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Considerações Finais
                  Caro(a) Cursista,

                  Por meio das atividades propostas, você percebeu a relevância de
               proceder a leituras e sistematizações constantes sobre as temáticas
               em tela, bem como da necessidade de exercitar continuamente a
               pesquisa, para ampliar e aprofundar aspectos aqui pontuados ou a
               eles relacionados.

                  Em breve estaremos mais uma vez juntos, no terceiro módulo
               e cada vez mais atribuindo sentido e significado aos conteúdos até
               então estudados.

                   Será que você já está curioso(a) para saber o que vamos estudar
               no próximo módulo? Acreditamos que sim. No próximo módulo,
               continuaremos com a nossa caminhada e discutiremos sobre o debate
               atual no Brasil sobre os profissionais da educação, sobre os recursos
               financeiros destinados à educação e o Plano de Desenvolvimento
               Nacional da Educação. O que você acha? Bem, podemos adiantar que
               são temas de suma importância para a área educacional. Contamos
               com você, até breve!

                  Abraços Virtuais,

                                         Ivanda Martins Silva
                                          Maria Lúcia Soares
                                         Roseane Nascimento

                                              As autoras




                                        48
Estrutura e Funcionamento da Educação




    Referências

BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República
Federativa do Brasil. Brasília, 1988.

_______. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº.
9394/96.

______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996.
Brasília, 1996.

______. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes e Bases da
Educação Nacional. Brasília, 1996.

______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de
Educação. Brasília, 2001.

______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento
da Educação: razões e programas. Brasília, 2007.

CHOTGUIS. José. Andragogia: arte e ciência na
aprendizagem do adulto. Disponível em: http://www.nead.ufpr.
br Acesso em: 08 mai 2009

LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e
organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar.
google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C
3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar
&lr= Acesso em: 20 abr 2009.

Política educacional em tempos neoliberais – o econômico
definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/
scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli
beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr= Acesso
em: 20 abr 2009

Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_
completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009.

SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001.
183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação,
Centro Educação/UFPE. Recife, PE.



                                        49
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Conheça as Autoras


                  Ivanda Maria Martins Silva


                  Olá, Pessoal!

                   Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural
               de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a
               Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática
               (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na
               elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a
               distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais
               didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e
               Produção Textual e Português Instrumental.

                  Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo
               pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e
               Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos
               nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei
               alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária
               à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo
               Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual:
               múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo
               frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão:
               múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações
               editadas pela Baraúna/Recife.

                  Maria Lúcia Soares

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade
               Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na
               Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da
               Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando
               na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de
               Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista.
               Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas
               Pedagógicas e Projetos Educacionais.

                  Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas


                                        50
Estrutura e Funcionamento da Educação



sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em
diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares.

   Roseane Nascimento

   Olá, Cursistas!!

   Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-
graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e
Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE,
na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa
em políticas públicas de qualificação profissional.

   Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no
Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora
conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das
Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA).
Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática
Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia
Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração,
execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção
acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e
Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos
didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.




                                           51
Estrutura e Funcionamento
       da Educação

 Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares,
        Roseane Nascimento




            Recife, 2009
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade
Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos


Produção Gráfica e Editorial
Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Glaucia Micaele e Everton Felix
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Diego Almeida
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

   Apresentação ........................................................................................4


   Conhecendo o Volume 3 ......................................................................5


   Capítulo 1 - Profissionais da Educação..............................................7


      Uma reflexão sobre nosso contexto atual ..........................................7


      Os profissionais da educação no texto Constitucional e na LDB .......8


      Mas o que é o Plano Nacional de Educação? ..................................12


   Capítulo 2 - O Financiamento da Educação Brasileira desde a
   Colonização até os Dias Atuais .........................................................22


      Vamos tentar entender melhor como tudo começou... .....................22


      Primeira Municipalização ..................................................................23


      Período Republicano ........................................................................23


      O Financiamento da Educação na Constituição de 1988 e na LDB nº
      9394/96 .............................................................................................26


      Vinculação de Recursos na Constituição de 1988 ...........................29


   Capítulo 3 - Plano de Desenvolvimento da Educação ....................34


      A relação entre o PDE e as Políticas Públicas para Educação ........37


      O Plano de Desenvolvimento da Escola ..........................................39


   Considerações Finais .........................................................................43


   Conheça as Autoras ...........................................................................46
Apresentação

   Caros(as) Cursistas,

   Já vivemos a aventura histórica de percorrer o período da colonização aos dias atuais.
Depois estudamos as Constituições Brasileiras, enfatizando a Constituição (denominada
de Constituição-Cidadã) de 1988. Vimos tudo isto no Módulo 1.

   No Módulo 2, estudamos a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) atual e suas nuances nos
diversos ambientes educacionais.

   E agora, neste Módulo 3, abordaremos os seguintes assuntos:

   1 – Profissionais da Educação.

   2 – Recursos Financeiros para Educação.

   3 – Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação.

   Contamos mais uma vez com a sua valiosa participação.

   Abraços Virtuais,

                                     Ivanda Martins
                                  Maria Lúcia Soares
                                 Roseane Nascimento

                                       As autoras
Estrutura e Funcionamento da Educação



Conhecendo o Volume 3

   Este volume tratará de três assuntos de extrema importância para
a Educação.

   No primeiro capítulo, trataremos a questão da valorização do
profissional da Educação, enfatizando os documentos legais que a
regulamentam.

    O segundo capítulo refere-se à questão do financiamento da
Educação. Sobre esta temática, faremos uma breve retrospectiva
histórica de como vem sendo realizado o financiamento do setor
educacional brasileiro, da época da Colonização até os dias atuais.
Em seguida, analisaremos a Constituição Federal de 1988 e a LDB nº
9394/96. Por fim, detalharemos as fontes de financiamento atuais.

   No terceiro capítulo, estudaremos o plano de desenvolvimento da
educação nos âmbitos nacional e local (escolas).



   Módulo 3 – Os Profissionais da Educação e os Recursos
Financeiros destinados à Educação

   Carga Horária do Módulo 3: 15h/a

   Objetivo do Módulo 3: Refletir sobre questões polêmicas e
atuais na Educação que envolvem desde as fontes de financiamento,
o processo de valorização do magistério e o plano nacional de
Educação.

   Conteúdo Programático do Módulo 3

   1– Valorização do Profissional da Educação: formação, piso
      salarial.

   2– Financiamento da educação brasileira: histórico, base legal e
      fontes.

   3– Plano de desenvolvimento da educação.




                                            5
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 1



                  Profissionais da Educação

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • Os profissionais da Educação




                                        6
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 1 - Profissionais da
Educação


   Vamos conversar sobre o assunto?

   É inegável a importância dos profissionais de Educação para o
processo de ensino-aprendizagem.

      Você tem alguma dúvida sobre a veracidade dessa afirmação?


   Ao longo da trajetória histórica o Brasil vem tratando este
profissional de acordo com o contexto de cada época. Em alguns
momentos, este profissional foi tratado com um certo prestígio e em
outros momentos até com descaso.




   Em alguns momentos, preocupou-se com a formação e a
qualificação desses profissionais e, em outros, se investiu pouco
neste aspecto.


Uma reflexão sobre nosso contexto atual

    O nosso cenário mundial que leva a competitividade internacional
ditada pela globalização inclui exigências como: adoção de novas
tecnologias, atitudes mais flexíveis em relação à refuncionalização do
capitalismo e às novas relações de trabalho, aumento da produtividade
da economia e a aplicação de mecanismos de ajustes financeiros.

   Além desses fatores, a modernização produtiva, a inserção
competitiva nos mercados crescentemente globalizados e o
esfacelamento do aparato protecionista do Estado revelam
mudanças.

    Esses fatores advindos da modernidade implicam altos custos
sociais para muitos segmentos da população brasileira. Desde o
final da década passada, segundo Brzezinski (1997), os índices

                                               7
Estrutura e Funcionamento da Educação



               de concentração de renda no país chegaram a: 10% da população
               detinham 60% das riquezas, enquanto 40% viviam em total miséria.
               Isso revela que os indicadores de qualidade de vida dos brasileiros
               em relação à educação, saúde e emprego tornaram-se alarmantes.




                  Quanto à educação, apesar do discurso oficial, inclusive no texto da
               LDB nº 9394/96 revelar a importância da educação básica, na prática,
               a educação escolar ainda sofre consequências do descaso das ações
               sucessivas de desvalorização social e econômica dos profissionais da
               educação.


               Os profissionais da educação no texto
               Constitucional e na LDB

                  O texto que passou a integrar a LDB/96 é o resultado de inúmeras
               pressões sociais. No entanto, apenas parcialmente contemplou as
               demandas dos educadores em relação à formação de professores
               para as séries iniciais, mantendo-se o nível médio por mais de 10
               anos.

                  Criou-se uma nova instituição denominada Instituto Superior de
               Educação (ISE), cujo modelo já vinha sendo muito questionado nos
               países que tinham apoiado esse tipo de Instituto (Argentina, Portugal,
               Espanha, são exemplos desses questionamentos).

                  Esses Institutos não desenvolverão pesquisa, apenas se dedicarão
               ao ensino, comprometendo seu processo de formação.

                  Entre o espaço temporal da aprovação da Constituição de 1988
               e a LDB de 1996, o Ministério da Educação e Cultura – MEC, com
               o apoio de várias entidades e fóruns de educadores, realizou a
               Conferência Nacional de Educação para Todos (1993) que culminou
               com a aprovação do Plano Decenal de Educação para todos com
               vigência de 1993 a 2003.


                                        8
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Desse Plano, consta um fato inédito, o acordo negociado e
assumido entre os sindicatos de professores e os governos estaduais
e municipais, para a elevação salarial dos professores do território
brasileiro, sendo definido um piso salarial mínimo.

   Desta forma, passou a ser pauta das discussões em âmbito
governamental a “indissociabilidade entre qualidade de formação
e condições de trabalho e de exercício profissional, especialmente
salários” (PIMENTA, 2002, p. 33). Foram colocadas em pauta
questões sobre profissionalização e desenvolvimento profissional dos
professores, pela intensa movimentação dos sindicatos de professores
(década de 1980) e por intelectuais das universidades.




   Porém, a valorização profissional, melhoria salarial e de condições
de trabalho foram abolidas dos discursos, das propostas e das políticas
do governo que se propôs apenas a normatizar a formação inicial de
professores e financiar amplos programas de formação continuada.

   Vamos analisar um pouco o texto da LDB nº 9394/96?

   A LDB disponibiliza o capítulo VI para tratar dos profissionais da
educação.

   Os Arts. 61, 62, 63, 64, 65 e 66 tratam da formação inicial e
formação em serviço desses profissionais.




                                               9
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Entre os aspectos descritos em relação à formação dos profissionais
               da educação está a associação entre teorias e práticas como um dos
               fundamentos da formação.

                                                    Art. 61

                ... “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em
                serviço e aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições
                de ensino e outras atividades.”

                                                                           Fonte: BRASIL, 1996


                  Ao mesmo tempo que traz um avanço educacional ao colocar em
               um texto legal a necessidade da associação entre teoria e prática,
               faz um retrocesso ao prescrever que a capacitação em serviço possa
               garantir a formação necessária à docência. E mais grave ainda é a
               questão do aproveitamento de formação e experiências anteriores em
               outras atividades realizadas em outras áreas profissionais que podem
               ser capaz de habilitar o profissional a ensinar.




                  O Art. 62 estabelece a exigência de formação de todos os docentes
               da educação básica em nível superior, em curso de licenciatura de
               graduação plena. No entanto, admite, em caráter temporário, o
               preparo dos profissionais para atuarem na educação infantil e nas
               primeiras séries do Ensino Fundamental, profissionais com o nível
               médio na modalidade Normal e que haja uma preparação emergencial
               para cada etapa da educação básica. Neste aspecto, a lei considera
               as disparidades de desenvolvimento social, econômico e cultural das
               regiões brasileiras.

                  Esse foi um aspecto positivo da Lei. Todavia, um cuidado que
               se deve tomar é permitir que o caráter de transitoriedade torne-se
               permanente.

                  No Art. 63 regulamentam-se os Institutos Superiores.

                  Este artigo vem sofrendo uma serie de críticas por parte dos
               autores que questionam as condições dos ISEs para complementar
               com a necessária qualidade a formação desses profissionais.


                                         10
Estrutura e Funcionamento da Educação



    O Art. 64 institui a base comum nacional que é um aspecto positivo
uma vez que ultrapassa a ideia hermética de currículos mínimos que
já vinham desde a época da ditadura militar.

    Contudo, torna-se um retrocesso quando preceitua essa base
comum nacional apenas para a formação em Pedagogia, descartando,
segundo Brzezinski (1997), as demais Licenciaturas. Outro aspecto
que, segundo essa autora, causa estranheza é a formação do
pedagogo em administração, planejamento, inspeção, supervisão e
orientação educacional em nível de graduação ou pós-graduação “a
critério da instituição de ensino”.

    Nesse aspecto, constitui um avanço ao resguardar a autonomia
institucional em relação à formação. No entanto, desconsidera a
experiência exitosa das universidades ao formarem pedagogos sob
uma abordagem multidisciplinar para atuarem na totalidade das
atividades do trabalho pedagógico da organização escolar.

    Outro aspecto relevante da LDB está no Art. 67 que trata sobre a
carreira dos profissionais da educação, principalmente ao estabelecer
o suporte legal para o exercício da profissão “O Plano de Carreira” ou
“Estatuto dos Profissionais da Educação”. Dentre os aspectos mais
relevantes estão:

  O ingresso na carreira é exclusivamente por concurso
público de provas e títulos

   Este aspecto traz a garantia de que só exercerão a docência as
pessoas que tiverem a formação necessária e tiverem as condições
mínimas exigidas para a aprovação em um concurso público.

   O aperfeiçoamento profissional continuado

   Este dispositivo garante o direito e o dever do profissional de
educação em continuar aprendendo e se aperfeiçoar para ter melhores
condições de ensinar com qualidade.




                                             11
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  A progressão funcional baseada na titulação e na avaliação
               de desempenho

                  Este aspecto estimula o profissional a continuar aperfeiçoando sua
               formação e buscando melhorar a cada dia sua atuação profissional.

                  Já analisamos o tratamento que é dado à temática da formação e
               valorização dos Profissionais de Educação na Constituição e na LDB.

                  Por fim, a discussão sobre os Profissionais de Educação na Lei nº
               10172/2001 - Plano Nacional de Educação.


               Mas o que é o Plano Nacional de Educação?

                  A LDB nº 9394/96 estabeleceu que “A União, no prazo de um
               ano a partir da publicação desta Lei encaminhará ao Congresso
               Nacional o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para
               os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre
               Educação para Todos” (artigo 87, § 1º).

                  Isto significa que deveria ter sido elaborado até 1997. Contudo,
               só em 10/12/1998 deu entrada, na Câmara dos Deputados, o
               projeto do PNE elaborado pelas entidades educacionais. Houve uma
               longa tramitação permeada por muitas discussões e controvérsias
               entre grupos de interesses distintos, até que em janeiro de 2001 é
               promulgada a Lei nº 10172.

                  PNE: Plano Nacional de Educação

                  Você sabia que o PNE está estruturado em seis partes?




                      1ª parte: consiste numa introdução (histórico, objetivos e
                      prioridades);

                      2ª parte: aborda os níveis de ensino distinguindo a educação

                                        12
Estrutura e Funcionamento da Educação



      básica (educação infantil, ensino fundamental e médio) e
      educação superior.

      3ª parte: aborda as modalidades de ensino abrangendo
      a educação de jovens e adultos, educação a distância e
      tecnologias educacionais, educação tecnológica e formação
      profissional, educação especial e a educação indígena.

      4ª parte: trata do magistério da educação básica, em um único
      tópico intitulado “formação dos professores e valorização do
      magistério”.

      5ª parte: versa sobre o financiamento e gestão.

      6ª parte: aborda em forma de conclusão, a forma de
      acompanhamento e avaliação do Plano.

    Neste capítulo, nos deteremos a analisar apenas a 4ª parte por se
tratar da valorização do magistério.

   No PNE, a formação inicial e continuada é tratada como uma
condição para a melhoria da qualidade do ensino e da valorização
do profissional em educação. Além desses, deve fazer parte da
valorização a garantia das condições adequadas de trabalho (por
exemplo, tempo reservado para estudo e preparação das aulas),
a relação adequada entre número de alunos por classe, um piso
salarial e um plano de carreira de magistério. Todos esses pontos são
registrados no PNE.

  Alguns autores chegam a fazer uma crítica, dizendo que em alguns
momentos o Plano se aproxima mais a uma carta de intenções que a
um Plano propriamente dito.

    Porém, apesar de sua tramitação ter demorado mais do que havia
sido previsto e a sua implementação não ter de fato sido realizada, já
foi um grande passo ser aprovado.

                 Vamos analisar um pouco a situação?


   Segundo Brandão (2006), em cumprimento à Lei 9424/96, estão
sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério,
muitos Estados e Municípios já reformularam e implementaram os
respectivos planos de carreira do magistério. No entanto, existe um
número significativo de Municípios sem plano de carreira especifico
para o magistério.


                                             13
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Outra questão importante é a discrepância salarial, por exemplo,
               em 2005 por 40 horas semanais um professor com nível superior no
               Rio de Janeiro recebia R$ 1.351,62, enquanto em Pernambuco o
               mesmo perfil de professor recebia R$ 460,69 (um pouco mais de um
               terço do valor).

                  Um outro ponto relevante tratado no Plano, mas que, na prática,
               não se efetivou de fato, é o trabalho em tempo integral, quando
               conveniente ao professor em único estabelecimento, sendo destinado
               entre 20 a 25% da carga horária dos professores para preparação de
               aulas, avaliações e reuniões pedagógicas.

                  O que seria muito interessante para muitos professores que
               se cansariam muito menos por não terem que perder tempo com
               deslocamento e teriam garantido dentro do seu horário de trabalho
               tempo para planejamento e correções; tempo esse que até o momento
               é desviado do seu “horário livre” para essas funções profissionais.




                  Outro fator fundamental do PNE é o estabelecimento de diretrizes
               para a formação dos profissionais da educação, baseados nos
               seguintes princípios:

                   a) Sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem
                      ensinados na educação básica, bem como nos conteúdos
                      especificamente pedagógicos

                   b) Ampla formação cultural

                   c) Atividade docente como foco formativo

                   d) Contato com a realidade escolar desde o início até o final do
                      curso, integrando a teoria à prática pedagógica

                   e) Pesquisa como princípio formativo

                   f) Domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação


                                        14
Estrutura e Funcionamento da Educação



      e capacidade para integrá-las à prática do magistério

   g) Análise dos temas atuais da sociedade, da cultura e da
      economia

   h) Inclusão das questões relativas à educação dos alunos com
      necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia
      nos programas de formação

   i) Trabalho coletivo interdisciplinar

   j) Vivência, durante o curso, de formas de gestão democrática do
      ensino

   k) Desenvolvimento do compromisso social e político do
      magistério;

   l) Conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacional
      dos níveis das modalidades da educação básica)” (BRANDÃO,
      2006, p. 183-4).

    Estes foram apenas alguns dos avanços desse PNE, é claro
que sua regulamentação não foi executada integralmente em todos
os Municípios e Estados. Em alguns até nenhuma das metas foi
atingida.




          Atividades e Orientações de Estudo


   Você gosta de música? Veja a letra de música a seguir e depois
tente criar uma frase sobre a importância do papel do professor.
Depois, poste sua mensagem no fórum de discussão, a fim de
socializar suas idéias e experiências.




                                            15
Estrutura e Funcionamento da Educação




                       O PROFESSOR

                                   Tânia Maya

                Quem com pó de giz
                Um lápis e apagador
                Deu o verbo a Vinícius
                Machado de Assis, Drummond?

                Quem ensinou piano ao Tom?
                Quem pôs um lápis de cor
                Nos dedos de Portinari,
                Picasso e Van Gogh?
                Quem foi que deu asas a
                Santos Dumont?

                Crianças têm tantos dons
                Só que, às vezes, não sabem
                Quantos só se descobrem
                Porque o mestre enxergou
                e incentivou...

                É, só se faz um país com professor
                Um romance, um croquis, com professor
                Um poema de amor, dim dim
                Um país pra ensinar seus jovens eh
                É, só se faz...
                Um romance, um croquis, com professor
                Um poema de amor, dim dim...

                Quem com pó de giz...




                          Filmoteca: Cinema em Ação


                  Muitos são os filmes que retratam o papel do docente e a importância
               e a ressignificação que os discentes fazem dessa atuação.

                  Você já assistiu ao filme “Ao mestre com carinho”? Este é um filme
               que retrata a realidade de um outro país, em outra época histórica e
               em outro contexto. Assista a esse filme, pois faremos uma comparação
               posterior.




                                        16
Estrutura e Funcionamento da Educação




    SINOPSE – Ao mestre com carinho

 Um jovem professor enfrenta alunos
 indisciplinados, neste filme Clássico que
 refletiu alguns dos problemas e medos dos
 adolescentes dos anos 60. Sidney Poitier tem
 uma de suas melhores atuações como Mark
 Thackeray, um engenheiro desempregado
 que resolve dar aulas em Londres, no bairro
 operário de East End. A classe, liderada por
 Denham (Christian Roberts) Pamela (Judy
 Geeson) e Barbara (Lulu, que também
 canta a canção título) estão determinados
 a destruir Thackeray como fizeram com seu
 predecessor, ao quebrar-lhe o espírito. Mas
 Thackeray acostumado à hostilidade enfrenta
 o desafio tratando os alunos como jovens
 adultos que breve estarão se sustentando
 por conta própria. Quando recebe um convite
 para voltar a engenharia, Thackeray deve
 decidir se pretende continuar.

                                 Ficha Técnica

 Título no Brasil: Ao Mestre, Com Carinho       Tempo de Duração: 105 minutos
 Título Original: To Sir, with Love             Ano de Lançamento: 1967
 País de Origem: Inglaterra                     Estúdio/Distrib.: Sony Pictures
 Gênero: Drama                                  Direção: James Clavell

                     Fonte: www.65anosdecinema.pro.br/Ao_mestre_com_carinho.htm


   Gostou do filme? Agora, assista também ao filme brasileiro
“Verônica” e compare as duas realidades apresentadas.

           SINOPSE – Verônica.

 Verônica é professora da rede municipal de
 ensino há vinte anos e agora, na iminência
 de se aposentar e passando por sérios
 problemas pessoais, está exausta e sem
 a paciência de sempre. Um dia, na escola
 em que trabalha, ela percebe que ninguém
 veio buscar Leandro, um aluno de oito anos.
 Já é tarde da noite quando a professora
 decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do
 morro, encontram a polícia e muito tumulto.
 Traficantes mataram os pais de Leandro e
 querem matá-lo também. Verônica foge com
 o menino. Ela procura ajuda e descobre que
 a policia também está ligada ao assassinato
 dos pais do menino. Sem poder confiar em
 ninguém, ela decide esconder o garoto.
 Assim, Verônica é obrigada a enfrentar
 policiais e traficantes para sobreviver. E
 enquanto procura uma maneira de escapar
 com o menino, redescobre sentimentos que
 estavam adormecidos na sua vida.


                                                    17
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                 Ficha Técnica

                 Título no Brasil: Verônica                    Ano de Lançamento: 2008
                 Título Original: Verônica                     Estréia no Brasil: 06/02/2009
                 País de Origem: Brasil                        Site Oficial: http://www
                 Gênero: Ação                                  veronicaofilme.com.br
                 Classificação etária: 12 anos                 Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
                 Tempo de Duração: 87 minutos                  Direção: Maurício Farias

                                                     Fonte: www.cinepop.com.br/filmes/veronica.htm


                   Agora vamos fazer uma análise?

                   • Quais as semelhanças e diferenças encontradas nas duas
                     realidades analisadas?

                   • Os professores dessas duas realidades são valorizados? Se
                     sim, em que sentido e por quem? Se não, por que não?

                   • Existem políticas públicas que viabilizem a formação, a
                     quantificação e a valorização desses profissionais?

                  Após essas reflexões, construa um pequeno texto-síntese
               comparando as histórias apresentadas nos dois filmes. Depois, entre
               no Fórum de discussão para colocar suas observações e comentar
               um pouco mais sobre o assunto. Vamos refletir um pouco sobre a
               valorização do professor no exercício da docência?




                           Conheça Mais


                  Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste
               capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em
               um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma
               metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia.

                  Aprofunde seus conhecimentos pesquisando mais sobre o assunto.
               Veja as dicas de leitura.

                      BRANDÃO, Carlos da Fonseca. PNE passo a passo! Lei nº
                      10.172/2001: discussão dos objetivos e metas do plano nacional
                      de educação. São Paulo: Avercamp, 2006.

                      BRZEZINSKI, Iria (org.) LDB interpretada: diversos olhares se
                      entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997.



                                        18
Estrutura e Funcionamento da Educação



      SAVIANI, Dermeval. Da nova LDB ao FUNDEB: por outra
      política educacional. Campinas: Autores Associados, 2007.
      (coleção Educação Contemporânea).

    Acesse também o portal do MEC. Lá você irá encontrar várias
informações sobre o PNE e a LDB.

      www.mec.gov.br




           Você Sabia?


    Até a independência do Brasil não existia educação popular, mas
depois dela o ensino, pelo menos nos termos da lei, se tornou gratuito
e público, inclusive para mulheres. Isso aconteceu a partir da primeira
lei do ensino (datada de 1827) que deu direito à mulher de se instruir
(porém com conteúdos diferenciados dos ministrados aos homens)
e que admitiu o ingresso de meninas na escola Primária. A partir daí
a formação de professoras do sexo feminino se fez necessária, pois
os tutores deveriam ser do mesmo sexo que seus alunos. O primeiro
curso de ensino normal das Américas surgiu, então, na cidade de
Niterói (RJ), em 1835, e tinha no seu estatuto alguns pré-requisitos
para quem quisesse cursá-lo: a boa morigeração [idoneidade moral] e
ter idade superior a 18 anos.

    Nessa época, o currículo do estudo feminino era diferenciado do
masculino: as moças se dedicavam à costura, ao bordado e à cozinha,
enquanto os homens estudavam geometria. As mulheres professoras
eram isentas de ensinar geometria, mas essa matéria era critério
para estabelecer níveis de salário, portanto, reforçava-se com isso a
diferença salarial.

                                              Fonte: Rabelo; Martins, 2009




                                             19
Estrutura e Funcionamento da Educação




                            Vamos revisar?


                  Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto
               abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos
               e continuar aprendendo.

                  O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu
               esforço, no sentido de ampliar suas leituras e pesquisas.

                  Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a
               seguir e bons estudos!

                 Resumo

                 Neste capítulo, você estudou a questão da formação e valorização do profissional
                 da educação. Para tanto, realizou-se uma análise da LDB e do PNE. Observou-
                 se que ambos trouxeram avanços em relação a discussão e a legalização da
                 profissionalização do magistério. Entretanto, evidências mostram que, na prática,
                 tanto o processo de formação quanto a valorização salarial estão aquém do que
                 prescreve a lei.




                                          20
Estrutura e Funcionamento da Educação




         Capítulo 2



   O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização
até os Dias Atuais

  O que vamos estudar neste capítulo?

  • Breve retrospectiva histórica sobre o financiamento da
    educação: da Colônia aos dias atuais

  • Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9394/96

  • Financiamentos para a Educação




                                        21
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Capítulo 2 - O Financiamento
               da Educação Brasileira desde a
               Colonização até os Dias Atuais


                  Vamos conversar sobre o assunto?

                  Todos nós já ouvimos comentários como:

                  - Existe pouca verba para Educação!

                  - Investe-se pouco no ensino brasileiro!


               Vamos tentar entender melhor como tudo
               começou...

                                              Período Jesuítico




                              Figura 2.1 – Chegada dos Jesuítas ao Brasil-Colônia


                  Como você já observou no primeiro volume do material didático da
               disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação, de 1549 a 1758,
               o ensino brasileiro foi confiado à Companhia de Jesus. Teoricamente
               o ensino público era oferecido aos índios e os filhos de portugueses,
               sendo financiado por uma dotação real. No entanto, além do
               dinheiro chegar atrasado era insuficiente para manter um ensino de
               qualidade.

                  Os jesuítas optaram por um sistema de autofinanciamento e como
               resultado disso tivemos um ensino elitista e discriminatório. Desse
               excessivo zelo jesuíta nasceu o descompromisso do governo pela
               educação.

                  Em meados do século XVIII, a riqueza dos jesuítas era 25% do
               PIB (Produto Interno Bruto) e para pagar a dívida externa da Coroa,
               em 1758, os jesuítas foram expulsos e seu dinheiro confiscado. Esse

                                        22
Estrutura e Funcionamento da Educação



foi o primeiro desvio de verbas da Educação brasileira.




                                                                                           Atenção

                                                                                 1
                                                                                   As aulas régias
                                                                                 compreendiam
                                                                                 o estudo das
                                                                                 humanidades,
                        Figura 2.2 – Desvio de verbas                            sendo
                                                                                 pertencentes
                                                                                 ao Estado e não
Primeira Municipalização                                                         mais restritas
                                                                                 à Igreja - foi a
                                                                                 primeira forma do
                                                                                 sistema de ensino
                 Então, o que aconteceu com a educação?                          público no Brasil.
                                                                                 Ao rei cabia a
                                                                                 criação dessas
  Para substituir as escolas secundárias jesuítas, o Marques de                  aulas isoladas e
Pombal criou as aulas régias1.                                                   a nomeação dos
                                                                                 professores, que
                                                                                 levavam quase
  O financiamento da educação passou a depender da cobrança de                   um ano para a
um imposto sobre o abate de gado e da alambicagem da cachaça.                    percepção de
                                                                                 seus ordenados,
                                                                                 arcando eles
   Na prática, na sociedade rural e escravocrata dos séculos XVIII e             próprios com a
                                                                                 sua manutenção.
XIX, a pressão pela escola pública secundária era bem menor do que               Treze anos após
a vontade de sonegar impostos.                                                   a expulsão dos
                                                                                 jesuítas foram
                                                                                 introduzidas as
                                                                                 aulas régias,
Período Republicano                                                              sistema no qual
                                                                                 os professores
                                                                                 eram nomeados
                                                                                 pelo rei, para um
   Com o fim da escravidão em 1888 e o desenvolvimento das forças
                                                                                 cargo vitalício.
produtivas, passa a se urbanizar e a exigir a escola pública universal.          Elitizou-se mais
                                                                                 a clientela,
                                                                                 uma vez que
   A incipiente industrialização e crescente circulação comercial                perderam acesso
levam ao incremento de impostos indiretos que serviram como uma                  à educação as
                                                                                 populações
nova fonte de financiamento do ensino primário e secundário estadual             indígenas ou
                                                                                 das regiões
e municipal.                                                                     suburbanas que
                                                                                 estudavam nas
   Após 1930 consolida-se este modelo, passando os impostos federais             missões.
e estaduais a serem cada vez mais abundantes e sustentadores que
                                                                                 Fonte: Fonseca,
visam atender às demandas reprimidas. No entanto, como a demanda                 2009; Monlevade,
                                                                                 2001 (www.
era grande e o recurso nem tanto, ocorreu o barateamento do ensino               histedbr.fae.
e com esse a deteriorização da educação.                                         unicamp.br/
                                                                                 navegando/
                                                                                 periodo_
   Ao governo federal cabia o financiamento do 3º grau e as escolas              pombalino_intro.
agrícolas e industriais de 2º grau, sobrecarregando, assim, os estados,          html)

que seriam responsáveis pelo ensino desde a alfabetização até o 2º
grau regular.

                                                   23
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   No final da ditadura militar, consolida-se uma reação intelectual
               sindical e popular, pedindo mais verbas para educação. Em
               resposta a essas solicitações, teve origem a Emenda Calmon2 que
               foi regulamentada posteriormente à vinculação de recursos para
               educação como a Constituição de 1988.

                   Com a constituição de 1988 ficaram garantidos 18% dos impostos
               recolhidos pelo governo federal para educação. Dentre esses estão:
               imposto de renda, imposto sobre produtos industrializados, imposto
               territorial rural, imposto sobre importação e exportação, imposto sobre
               operações financeiras e sobre grandes fortunas.

                  No âmbito estadual, ficam garantidos para o ensino, no mínimo,
               25% dos impostos cobrados pelo Estado: o imposto predial e territorial
               urbano, o imposto sobre serviços, o imposto sobre a transmissão de
               bens imóveis e o imposto sobre a venda de combustível no varejo,
               além de 25% sobre as transferências federais e estaduais.



                   2
                     Em 11 de agosto de 1983 o senador João Calmon consegue fazer aprovar
                   sua emenda que eleva os mínimos: 13% no caso da União e 25% em se
                   tratando dos estados, Distrito Federal e municípios. A Emenda Calmon não
                   logrou ser cumprida no governo Figueiredo – o que chegou, inclusive, a
                   gerar um pedido de impeachment. Com a campanha presidencial que se
                   seguiu, o candidato Tancredo Neves comprometeu-se com o cumprimento
                   da Emenda. A regulamentação veio com a “Nova República”, através da Lei
                   nº 7.348/85.

                   Assim, a Emenda Calmon foi aprovada em 1983, mas aplicada somente em
                   1986, a partir do orçamento votado em 1985.

                   Com a eleição do Congresso Constituinte, ressurgiram os debates em torno
                   do tema. O senador Calmon apresentou proposta de elevação do patamar
                   fixado para a União, de 13% para 18%, sobre a mesma base de cálculo
                   (receita líquida dos impostos). Para os estados e municípios mantinham-se
                   os 25%, mas sobre um montante de recursos maior, em face das alterações
                   da estrutura tributária.

                   Assim, enfrentando algumas resistências iniciais, o atual art. 212 da
                   Constituição Federal foi aprovado em 20/05/88, com 433 votos a favor, 3
                   abstenções e 2 votos contra.

                   A partir daí, alguns estados ampliaram, nas Constituições Estaduais, as
                   alíquotas mínimas de aplicação na manutenção e desenvolvimento do
                   ensino.

                                                                         Fonte: Martins, 2004.




                                         24
Estrutura e Funcionamento da Educação




            Você Sabia?


  Conversando um pouco sobre impostos, taxa e contribuição de
melhoria.




 Segundo o Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5172, de 1966 – “Tributo é
 toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa
 exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
 mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.

 Os tributos podem assumir três formas: impostos, taxa e contribuição de
 melhoria.

 Taxa – tributo cobrado sobre um bom ou serviço econômico. Ex: serviço de
 energia elétrica.

 Imposto – é uma contribuição compulsória destinada às necessidades gerais da
 administração pública. Ex: imposto predial.

 Contribuição de Melhoria – é um tributo exigido como contribuição no custeio de
 uma obra pública, quando esta valoriza o imóvel de propriedade do contribuinte.
 Ex: contribuição para asfaltamento da rua.

                                                          Fonte: OLIVEIRA (2001)




                                                    25
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   Um pouco de música para descontrair

                   Veja que interessante a letra de música “Imposto”.

                                                   Imposto
                                                (Djavan, 2007)

                 IPVA, IPTU                                Tudo até parece claro
                 CPMF forever                              À luz do dia
                 É tanto imposto                           Mas claro que é escuso
                 Que eu já nem sei!...                     Não pense que é só isso
                 ISS, ICMS                                 Ainda tem a farra do I.R.
                 PIS e COFINS, pra nada...                 Dinheiro demais!
                 Integração Social, aonde?                 Imposto a mais, desvio a mais
                 Só se for no carnaval                     E o benefício é um horror
                 Eles nem tchum                            Estradas, hospitais, escolas
                 Mas tu paga tudo                          Tsunami a céu aberto,
                 São eles os senhores da vez               Não está certo.
                 Tu é comum, eles têm fundo                Pra quem vai tanto dinheiro?
                 Pra acumular, com o respaldo da lei       Vai pro homem que recolhe
                 Essa gente não quer nada                  O imposto
                 É praga sem precedente                    Pois o homem que recolhe
                 Gente que só sabe fazer                   O imposto
                 Por si, por si                            É o impostor


                  Que tal agora fazer um comentário sobre a música “Imposto” do
               álbum “Matizes” (Djavan, 2007)?

                  Coloque seu comentário no fórum de discussão que será indicado
               pelos professores e tutores que estarão acompanhando os seus
               percursos de aprendizagem.


               O Financiamento da Educação na
               Constituição de 1988 e na LDB nº 9394/96

                  Nesta última Constituição o financiamento é tratado nos Arts. 212,
               213 e no Art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
               (ADCT).

                   • O Art. 212 prevê a vinculação de recursos.

                   • O Art. 213 oferece a possibilidade de transferência de recursos
                     para as escolas privadas.

                   • No Art. 60 (ADCT) prevê o comprometimento financeiro
                     das diferentes esferas da administração pública com a
                     universalização do ensino fundamental e a erradicação do
                     analfabetismo.




                                         26
Estrutura e Funcionamento da Educação



   O Financiamento da Educação

   Na LDB nº 9394/96, o financiamento da educação é tratado no
Título VII “Dos Recursos Financeiros”, mais precisamente os Arts. 68
a 77 que têm o conteúdo dividido em quatro temas:

   1. Fontes de recursos (Art. 68);

   2. Vinculação de recursos (Arts. 69, 70, 71, 72 e 73);

   3. Padrão de qualidade (Arts. 74, 75 e 76);

   4. Transferência de recursos públicos para a escola privada (Art.
      77).

   Fontes de Recursos

   O Art. 68 especifica as fontes de recursos para a educação. São
recursos públicos destinados à educação os originários de:

   I) receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito
      Federal e dos Municípios;

   II) receita   de    transferências      constitucionais        e   outras
       transferências;

   III) receita de salário-educação e de outras contribuições sociais;

   IV) receita de incentivos fiscais;

   V) outros recursos previstos em lei.

           Vamos tentar entender melhor que recursos são esses?


   1. Em relação aos impostos próprios das diversas esferas fica
      mais fácil entender, pois certamente você já ouviu falar do
      IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPI (Imposto sobre
      Produto Industrializado), ICMS (Imposto sobre Circulação de
      Mercadoria e Prestação de Serviços), entre outros.

   2. Transferências de recursos são realizadas de uma esfera da
      administração para outra, tendo como objetivo equalizar a
      capacidade arrecadadora e as responsabilidades na prestação
      de serviços das diferentes esferas da Administração Pública.




                                                27
Estrutura e Funcionamento da Educação




                  Fundos de participação

                   • Os fundos de participação são formas de repasse de recursos
                     do Governo Federal para Estados e Distrito Federal (FPE) e
                     para Municípios (FPM).

                           E como é a composição desses fundos de participação?


                  Da União aos Estados e Distrito Federal: 21,5% do arrecadado com
               o Imposto de Renda (IR) e com o Imposto sobre Produto Industrializado
               (IPI); do IR de autarquias e fundações estaduais; de 10% do IPI aos
               Estados e Distrito Federal, proporcionalmente as suas exportações
               de produtos industrializados; de 20% dos impostos residuais. Além
               destes, são transferidos 3% do IR e do IPI para financiamento do setor
               produtivo nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste (deste último
               50% destina-se ao Semi-Árido).

                  Das transferências da União e dos Estados aos Municípios, 22,5%
               vem do IR e do IPI; 50% do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural
               (ITR) dos imóveis; 50% do Imposto sobre Propriedade de Veículos
               Automotores (IPVA) dos veículos licenciados; 25% do Imposto sobre
               Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS) e Imposto
               de Renda (IR) devido por autarquias e fundações municipais.




                  Observação: Os Estados, Distrito Federal e Municípios acabam
               por receber uma parcela significativa de transferência federal (Oliveira,

                                        28
Estrutura e Funcionamento da Educação



2001). A maioria dos municípios brasileiros arrecada, através de
impostos próprios, menos de 10% de sua receita total, mais de 90%
de suas receitas provêm das transferências de outras esferas.

   Salário Educação

                           Que recurso é este?


  Trata-se da operacionalização prática da responsabilização das
empresas para com a educação. Sua origem remonta do Art. 139 da
Constituição de 1934.

   Em 1964 a Lei n. 4440 instituiu o salário-educação com a aplicação
vinculada ao Ensino Fundamental (na época chamado de ensino
Primário).

    O salário-educação teve sua primeira regulamentação definida
pelo Decreto-Lei nº 55.551, de 1965, e sofreu sucessivas modificações
iniciando com alíquota de 2% até chegar a atual de 2,5% da folha de
pagamentos das empresas.

   Tem como base a folha de contribuição da empresa para a
Previdência Social e é recolhido ao Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS), daí remetido ao Ministério da Previdência Social que
o repassa para o Ministério da Educação, que remete uma verba
correspondente a 2/3 para o Estado Arrecadador e 1/3 restante é a
cota federal que constitui o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE) o qual é aplicado nos Estados e Municípios com
maior defasagem educacional.


Vinculação de Recursos na Constituição de
1988

                              O que é isso?


    É a previsão, no texto constitucional, de uma alíquota mínima da
receita de impostos a ser aplicada em Educação. A vinculação está
disciplinada no Art. 212 da CF 88 e de maneira mais detalhada, no
Art. 69 da LDB.

         Como começou esta vinculação de recursos para educação?


   Desde o Império surge a proposta de estabelecer em lei um mínimo


                                                 29
Estrutura e Funcionamento da Educação



               das receitas a ser aplicado em educação, por meio de proposta do
               senador João Alfredo.

                  A vinculação é prevista pela primeira vez em nível nacional na
               Constituição de 1934, quando se vinculou 10% da receita de impostos
               da União e dos Municípios e 20% dos Estados e Distrito Federal.

                   Depois da Constituição de 1934, a vinculação aparece e desaparece
               sistematicamente sucessivamente nos textos constitucionais e na
               legislação educacional decorrente.

                  Na Constituição de 1937, foi suprimida, sendo reintroduzida nos
               anos de 1940, como consequência da Conferência Interestadual de
               Educação (1941).

                  A Constituição de 1946 restabelece, em seu Art. 169, a vinculação
               com alíquotas de 10% para a União e 20% para os Estados, Distrito
               Federal e Municípios. A Lei 4024 amplia para 12% o percentual mínimo
               da União, mantendo-se os demais.

                  A Emenda Constitucional nº 24 (Art. 176 § 4º), de 1983, também
               conhecida como Emenda João Calmon reintroduz a vinculação
               constitucional de recursos, com alíquotas de 13% para União e de
               25% para Estados, Distrito Federal e Municípios.

                  A Constituição Federal de 1988 altera a alíquota da União de 13%
               para 18%, mantendo-se os demais percentuais.

                  A Regulamentação da Vinculação na LDB nº 9394/96

                  A vinculação de recursos para a Educação consta nos parágrafos
               do Art. 69 e nos Arts. 70, 71, 72 e 73.




                                        30
Estrutura e Funcionamento da Educação




    Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de
          Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB

Instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006, o
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação – Fundeb é um fundo de natureza contábil,
regulamentado pela Medida Provisória nº 339, posteriormente convertida na Lei
nº 11.494/2007. Sua implantação foi iniciada em 1º de janeiro de 2007, de forma
gradual, com previsão de ser concluída em 2009, quando estará funcionando com
todo o universo de alunos da educação básica pública presencial e os percentuais
de receitas que o compõem terão alcançado o patamar de 20% de contribuição.
O Fundeb substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério - Fundef, que só previa recursos
para o ensino fundamental.

 Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a educação básica (creche, pré-
 escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos). Sua
 vigência é até 2020, atendendo, a partir do terceiro ano de funcionamento, 47
 milhões de alunos. Para que isto ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo,
 de R$ 2 bilhões em 2007, aumentará para R$ 3 bilhões em 2008, R$ 5 bilhões
 em 2009 e 10% do montante resultante da contribuição de estados e municípios
 a partir de 2010.

                                                           Fonte: www.mec.gov.br




            Conheça Mais


   Para aprofundarmos um pouco mais seus conhecimentos sobre
o assunto que é mais complexo do que parece, pois trata-se de
oferecer recursos para que se viabilize o oferecimento de um ensino
de qualidade, leia um pouco mais sobre o assunto em:

      BRZEZINSKI, Iria (org.). LDB interpretada: diversos olhares
      se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997.

      OLIVEIRA, Romualdo Portela; ADRIÃO, Theres (orgs.) Gestão,
      financiamento e direito à educação: análise da LDB e da
      constituição federal. São Paulo: Xamã, 2002.




            Atividades e Orientações de Estudo


   Caro(a) Cursista,

   Vamos ver se você compreendeu o assunto que tratamos neste


                                                    31
Estrutura e Funcionamento da Educação



               capítulo?

                  Pesquise em alguma obra artística (pinturas, esculturas ou
               músicas) algo que simbolize o financiamento da educação brasileira
               e disponibilize em um fórum de discussão com um comentário sobre
               sua escolha.




                            Vamos Revisar?


                  É importante rever os assuntos abordados neste capítulo. Se você
               ainda tiver dúvidas, pode entrar em contato com os professores/tutores
               para esclarecer os pontos que você ainda não compreendeu muito
               bem. Lembre-se que, em um curso a distância, é fundamental que
               você consiga organizar bem seus estudos. Dedique um bom tempo
               para realizar a leitura do material didático e realize as atividades
               propostas. Vamos lá?

                 Resumo

                 Neste capítulo, fizemos uma breve retrospectiva histórica sobre o financiamento
                 da educação brasileira, desde a época dos jesuítas aos dias atuais. Este é um
                 assunto muito polêmico, pois ao senso comum se refere sempre ao mesmo
                 falando da escassez dos recursos e dos desvios que podem acontecer. Por isso,
                 enfatizamos a questão da vinculação legal desses recursos e quais são as fontes
                 destinadas a este fim.




                                         32
Estrutura e Funcionamento da Educação




         Capítulo 3



  Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação

  O que vamos estudar neste capítulo?

   Já estudamos a questão do financiamento para educação, a
formação e a valorização dos profissionais da educação. Agora,
no terceiro capítulo, vamos estudar o Plano de Desenvolvimento
da Educação. Para tanto, iremos fazer uma breve abordagem,
considerando:

   • Plano de Desenvolvimento da Educação;

  •   Plano de Desenvolvimento da Escola.




                                            33
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Capítulo 3 - Plano de
               Desenvolvimento da Educação


                  Vamos conversar sobre o assunto?

                  No primeiro capítulo, abordamos sobre o Plano Nacional de
               Educação (2002) e o processo de formação e valorização dos
               profissionais de educação. Vamos refletir sobre os seguintes
               questionamentos:

                         O que é o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)?
                            E o que é o Plano de Desenvolvimento da Escola?
                             Esses planos têm relação com o Plano Nacional?

                  Vamos aprofundar um pouco nossas reflexões sobre o assunto?

                 O Plano de Desenvolvimento da Educação e o Plano de
               Desenvolvimento da Escola

                  Vamos tentar entender melhor?




                Investir na educação básica significa investir na educação profissional e na
                educação superior porque elas estão ligadas, direta ou indiretamente. Significa
                também envolver todos - pais, alunos, professores e gestores, em iniciativas que
                busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. Uma educação básica
                de qualidade que vai dar bons frutos no futuro - Essa é a prioridade do Plano de
                Desenvolvimento da Educação (PDE).

                Com o PDE, o Ministério da Educação pretende mostrar à sociedade tudo o que
                acontece dentro e fora da escola e realizar uma grande prestação de contas. Só
                com as iniciativas do MEC chegando à sala de aula para beneficiar a criança, que
                se conseguirá atingir a qualidade desejável para a educação brasileira.

                Por esse motivo, é importante a participação de toda a sociedade no processo.
                Porém, o PDE não pode ser apenas um projeto do governo federal. Para que
                todos esses objetivos sejam alcançados, é necessário muito mais. Ex-ministros
                da Educação, professores e pesquisadores já foram convidados a contribuir na
                elaboração do plano. E a sua participação também é muito importante.

                Para que o Plano de Desenvolvimento da Educação tenha sucesso, vai precisar
                da colaboração de todos os brasileiros.

                                                        Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php



                                         34
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Pela definição acima, observa-se que o PDE é a forma operacional
de se tentar colocar em prática o Plano Nacional da Educação.

   Agora, vamos para o PDE da Escola.




 O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-Escola) auxilia a escola pública,
 pois trata-se de planejamento estratégico em que a escola investe em sua
 qualificação para oferecer mais qualidade de ensino ao estudante, aumentando
 a aprendizagem escolar.

 O PDE-Escola auxilia as equipes a trabalhar com os mesmos objetivos e em
 busca de resultados comuns, reconhecendo que os ambientes sociais estão em
 constante mudança.

                                       Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php


   E então? Observou que, como forma de se descentralizarem as
funções, o Plano de Desenvolvimento que existe no âmbito Nacional,
também se materializa em nível local (escolas)?

   Na tentativa de atender às necessidades específicas da unidade
escolar, será que esse PDE tem relação com o Projeto Político-
pedagógico (PPP) da escola?

   Claro que sim!

   Vamos tentar deixar isso mais claro.

   Alguns aspectos importantes para análise:

   1– Segundo Saviani (2007), o PDE pode ser visto como uma
      tentativa do governo de responder às reivindicações da
      sociedade em relação aos graves problemas de qualidade da
      escola básica pública.

    E para tentar garantir esta qualidade foram construídos
instrumentos de aferição do nível de eficácia do ensino ministrado.
(Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB).


                                                   35
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   2– Apesar dos avanços, o PDE apresenta deficiência grave nas
                      questões centrais de financiamento e do magistério, pois a base
                      de sustentação financeira do PDE é o FUNDEB. Entretanto,
                      isso não significou aumento real de recursos.

                  Quanto ao Magistério, é consenso, segundo Saviani (2007),
               o reconhecimento de dois requisitos fundamentais: condições de
               trabalho e salário / formação. Em relação às condições de trabalho,
               a questão principal não contemplada no PDE diz respeito à carreira
               profissional dos professores.

                   Como foi visto, no Plano Nacional da Educação, dever-se-ia propor
               a jornada integral em um único estabelecimento de ensino, para fixar
               os professores nas escolas com sua presença diária, em tempo
               integral proporcionando maior possibilidade de identidade com elas.




                  De preferência, é preciso garantir que 50% da jornada seja
               destinada para aulas e o restante para a participação desse professor
               em atividades de gestão da escola, na elaboração do projeto
               pedagógico, nas reuniões de colegiado, no atendimento à comunidade,
               e principalmente, na orientação dos estudos e atividades de reforço
               escolar aos alunos com mais dificuldades.

                  E quanto à questão salarial, criou-se o piso salarial de R$ 850,00,
               porém prevê-se a implantação gradativa até 2010, o que já implica
               em perdas salariais significativas, pois o salário mínimo já foi ajustado
               várias vezes.

                   3– É importante lembrar que o PDE foi proposto em sintonia
                      com o grupo empresarial que, em 2006, lançou a proposta
                      do “Compromisso de Todos pela Educação”, ou seja, é um
                      plano que está em consonância também com os interesses do
                      mercado de trabalho.



                                        36
Estrutura e Funcionamento da Educação



A relação entre o PDE e as Políticas Públicas
para Educação

   O PDE trouxe novamente, para o foco das discussões, a educação
escolar como um direito social básico que deve ser assegurado pelo
Estado.




    Para que isto aconteça deve haver a articulação e o respeito aos
diferentes momentos e etapas do desenvolvimento, promovendo a
autonomia individual e das instituições.

   Ele é fundamentado na Constituição de 1988, na Emenda nº 14,
na Lei do FUNDEF (hoje, FUNDEB), na LDB e no Plano Nacional da
Educação. A necessidade de sua existência se deu pelo fato que os
mecanismos que promoveram um reordenamento político em prol
da municipalização do Ensino Fundamental, ocasionaram também
a queda da qualidade do ensino e o desmantelamento de alguns
serviços públicos educacionais.

    É claro que essa municipalização também trouxe avaliações
positivas, como a possibilidade do desenvolvimento de experiências
alternativas.

   Outro avanço em relação à municipalização é a participação social
no campo educacional nos diversos níveis.

   O principal desafio do PDE é materializar a cooperação entre
esferas governamentais e movimentos sociais.

   Quais são as formas de regulação previstas?

   Como você pode observar, as formas de regulação previstas para
educação perpassam por:

   1º A existência de parâmetros para a avaliação de um sistema
      Nacional de Educação;

                                           37
Estrutura e Funcionamento da Educação



                   2º A perspectiva que norteia o PDE salvaguarda a multiplicidade
                      e evita a uniformidade, mas enfrenta as desigualdades de
                      oportunidades educacionais à medida que considera as
                      necessidades econômicas.

                  Quanto à avaliação, esta contempla o desempenho do aluno e
               das unidades escolares. Uma vez que a construção da qualidade
               constitui processo multifacetado que envolve as condições escolares
               adequadas para o desenvolvimento, atividades pedagógicas;
               profissionalização docente; incentivo à formação continuada e à
               atualização constante, no intercambio entre pares, na disposição
               didático-pedagógico e na remuneração compatível com a relevância
               social do trabalho docente; gestão democrática da escola (vivenciada
               pelos conselhos, colegiados, articulação entre a comunidade e com
               entidades da sociedade civil).

                Segundo Weber (2008) é possível afirmar que o PDE:

                • Sistematiza e aprofunda debate e prática histórica de Estados e Municípios.

                • Sinaliza a educação básica como política do Estado.

                • Enfatiza a articulação e os acordos em detrimento de modelo único, associações
                e classificações.

                • Reconhece parceiros na implementação das políticas de Estado e apresenta-
                se como solidária na efetivação de intervenções educacionais locais.

                • Amplia o sentido de regime de colaboração pelo estabelecimento de metas
                fundadas em diagnóstico.

                • Aposta em mecanismos de acompanhamento e de controle como forma de
                ajustes e intervenções preventivas.

                • Suscita o apoio da instância produtora de conhecimentos, a universidade,
                na formação docente e na fundação, execução, monitoramento e avaliação de
                políticas educacionais.

                • Terá repercussão positiva sobre a dinâmica do trabalho escolar e
                reconhecimento do professorado como profissional, com direito à remuneração
                condigna e com trabalho compatível.

                • Devolve à sociedade a sistematização de demandas históricas, a reconhecê-
                la como parceira indispensável e a convoca a monitorar a materialização da
                qualidade da educação como projeto nacional.

                                                                             Fonte: Weber, 2008.


                  O PDE é uma Avaliação de Campo, um instrumento voltado à
               análise de quatro dimensões: gestão educacional, formação de
               professores, de profissionais de apoio escolar e infra-estrutura.

                                         38
Estrutura e Funcionamento da Educação



   No PDE, é proposta uma articulação entre os entes federados, no
sentido de se efetivar a oferta de uma educação básica de qualidade
como direito social básico.

  Em longo prazo, o PDE impulsionará a constituição do Sistema
Nacional de Educação.


O Plano de Desenvolvimento da Escola
                                                                                   Atenção

   O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) é o projeto principal       3
                                                                           FundEscolA
do FundEscolA3 que visa à modernização e ao fortalecimento                – é um programa
                                                                          de gestão
da autonomia da escola, mediante a adoção do modelo de Plano              escolar, em
                                                                          desenvolvimento
estratégico, apoiando a racionalização e a eficiência administrativa.     nos Estados
                                                                          das regiões
   Por meio do PDE, a escola faz um diagnóstico de sua situação,          norte, nordeste
                                                                          e centro-oeste.
define seus valores, missão, elabora objetivos, estratégias, metas e      sua missão
planos de Ação.                                                           é propor um
                                                                          conjunto de ações
                                                                          para autonomia
                                                                          e melhoria
                                                                          da qualidade
                                                                          do ensino
                                                                          fundamental,
                                                                          garantia de
                                                                          permanência
                                                                          das crianças nas
                                                                          escolas públicas.
                                                                          sua estratégia
                                                                          principal é
                                                                          incrementar o
                                                                          desempenho
                                                                          dos sistemas de
   Quem recebe recursos financeiros e apoio técnico para                  ensino público,
                                                                          fortalecendo
elaborar o PDE?                                                           a capacidade
                                                                          das secretarias
   As escolas que possuem mais de 200 alunos organizem-se em              de educação,
                                                                          a gestão das
unidades executoras, disponham de condições para funcionamento e          escolas e a
                                                                          participação
possuam liderança forte.                                                  da comunidade
                                                                          escolar
                                                                          (FonsEcA, 2003,
   Qual a base teórico-metodológica do PDE?                               p. 2).

    Esse Plano provém da visão sistemática, segundo a qual são
orientados racionalmente para resultados ou produtos. O PDE condiz
com essa base teórica uma vez que privilegia a estrutura do sistema
educativo, tendo como alvo para a racionalização de gastos, a
eficiência operacional e a busca de resultados.

   E, na prática, o PDE tem auxiliado com técnicas de planejamento
importantes para a escola.


                                            39
Estrutura e Funcionamento da Educação




                           Filmoteca: Cinema em Ação


                  Até o momento estudamos bastante a teoria. Que tal um filme
               para tentar visualizar, na prática alguns aspectos importantes. Você já
               assistiu ao filme “Meu mestre, minha vida”?

                    SINOPSE  Meu mestre, minha vida

                Em Nova Jersey, uma escola com sérios
                problemas de violência e tráfico de drogas.
                Usando métodos pouco ortodoxos, algumas
                vezes violentos, ele transforma os alunos,
                inclusive conseguindo que sejam aprovados no
                exame do final do ano realizado pelo governo
                estadual. Arrogante e autoritário, o professor
                Joe Clark (Morgan Freeman) é convidado por
                seu amigo Frank Napier (Robert Guiullaume)
                a assumir o cargo de diretor na problemática
                escola em Paterson, New Jersey, de onde
                ele havia sido demitido. Com seus métodos
                nada ortodoxos, Joe se propõe a fazer uma
                verdadeira revolução no colégio marcado pelo
                consumo de drogas, disputas entre gangues
                e considerado o pior da região. Com isso, ele
                ao mesmo tempo coleciona admiradores e
                também muitos inimigos.

                                                 Ficha Técnica

                Título no Brasil: Meu Mestre, Minha Vida
                Título Original: Lean on Me                      Tempo de Duração: 104 minutos
                País de Origem: EUA                              Ano de Lançamento: 1989
                Gênero: Drama                                    Direção: John G. Avildsen

                    Fonte: www.interfilmes.com/filme_19910_Meu.Mestre.Minha.Vida-(Lean.on.Me).html


                  Reflita um pouco sobre as condições de funcionamento da escola
               exibidas no filme. Como algumas estratégias foram importantes para
               a melhoria da qualidade dessa escola?

                  E agora vamos para uma Webquest.




                           Webquest: pesquisa em ação


                 Título: A Importância de um Plano de Desenvolvimento em
               uma Escola.

                                         40
Estrutura e Funcionamento da Educação



   A Tarefa

   Sua missão é atuar como um pesquisador que irá aprofundar sua
base teórica e depois comparar o filme “Meu mestre, minha vida” –
que é uma realidade de um outro país – com a realidade demonstrada
no documentário “Para o dia nascer feliz”, que você assistiu no módulo
anterior.

   O Processo

   Inicialmente realize mais pesquisas sobre o PDE educacional
(nacional) e o Plano de Desenvolvimento da Escola e depois analise a
realidade encontrada nas escolas demonstradas nos dois filmes. Nesta
análise, reflita sobre a importância de um Plano de Desenvolvimento
da Escola nas duas realidades buscando imaginar que avanços reais
o Plano de Desenvolvimento poderia trazer para essas escolas.
Em seguida, escreva um texto que sistematize suas reflexões e
disponibilize sua produção textual no Fórum de discussão.

   A Avaliação

    Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes
critérios:

   • Clareza, coerência e coesão ao longo do texto construído.

   • Embasamento teórico pertinente às referências bibliográficas
     utilizadas.




          Vamos Revisar?


   Releia o capítulo, tire suas dúvidas com os tutores e professores
que estarão acompanhando os seus percursos de aprendizagem.
Organize seus estudos e pesquisas, a fim de aprofundar seus
conhecimentos sobre educação. É hora da revisão.

   Vamos parar um pouco para revisar os conteúdos propostos neste
capítulo?




                                             41
Estrutura e Funcionamento da Educação




                Resumo

                Neste capítulo, estudamos um pouco sobre o Plano de Desenvolvimento da
                Educação e o Plano de Desenvolvimento da Escola. Constatou-se que ambos
                fazem parte dos encaminhamentos direcionados pelas políticas públicas para
                educação no sentido de tentar materializar uma educação de qualidade. Eles são
                baseados na legislação atual e na prática, auxiliam no planejamento e avaliação
                do processo educativo.




                                         42
Estrutura e Funcionamento da Educação



Considerações Finais

  Caro(a) Cursista,

   Chegamos ao final de mais um módulo. Neste módulo, você
observou a formação e valorização do profissional da educação,
o financiamento da mesma e o Plano de Desenvolvimento da
Educação.

    Agora que estamos finalizando esse módulo esperamos que
tenha ficado mais claro, como a legislação referente a formação
e valorização docente, as fontes de financiamento destinadas à
educação e o plano de desenvolvimento da educação são aspectos
relevantes para entendermos que direcionamento nossas políticas
públicas vem tomando para tentar melhorar a qualidade da educação
oferecida nos diversos níveis no Brasil.

   É evidente que são aspectos polêmicos que geram muitas
discussões e até mesmo críticas e que por isso mesmo precisam
ser analisadas, buscando-se sempre aprofundar um pouco mais o
entendimento sobre o assunto.

   Fizemos aqui uma discussão inicial e esperamos que vocês
continuem pesquisando um pouco mais.

  No próximo módulo, vamos estudar as Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (PCN e PCN +).

  Bons Estudos e Até o Próximo Módulo.

  Abraços Virtuais,

                        Ivanda Martins
                       Maria Lúcia Soares
                      Roseane Nascimento

                       Professoras Autoras




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Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Referências


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                      BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República
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                      ______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996.
                      Brasília, 1996.

                      ______. Leis e decretos. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes
                      e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996.

                      ______. Lei nº 9424, de 24.12.1996: Fundo de Manutenção e
                      Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do
                      Magistério. Brasília, 1996.

                      ______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de
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                      ______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento
                      da Educação: razões e programas. Brasília, 2007.

                      FONSECA, M. Projeto político pedagógico e o plano de
                      desenvolvimento da escola – duas concepções antagônicas
                      de gestão escolar. Caderno CEDES, vol. 23, n. 61, Campinas,
                      2003.

                      ______; OLIVEIRA, J.F. O plano de desenvolvimento da
                      escola (PDE): modernização, diretividade e controle da gestão
                      e do trabalho escolar. Trabalho apresentado na ANPED, v. 26,
                      Poços de Caldas, 2003.

                      FONSECA, S.M. Aulas régias. Disponível em: h t t p : / / w w w .
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                      MARRA, F.; BOF, A; AMARAL SOBRINHO, J. Plano de
                      desenvolvimento da escola: conceito, estrutura e prática.
                      Brasília: MEC/BIRD/FUNDESCOLA, 1999.

                      MARTINS, P.S. O financiamento da educação. Disponível
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                                        44
Estrutura e Funcionamento da Educação



htm Acesso em 25 maio 2009.

MONLEVADE, João. Educação Pública no Brasil: Contos &
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RABELO, A.O.; MARTINS, A.M. A mulher no magistério
brasileiro: um histórico sobre a feminização do magistério.
p. 6167-6175. Disponível em: www.faced.ufu.br/colubhe06/
anais/arquivos/556.pdf Acesso em: 20 maio 2009

SAVIANI, Dermeval. Entrevista – Professor Dermeval Saviani
analisa o PDE. Disponível em: http://www.contee.org.br/
secretarias/educacionais/materia_116.htm Acesso em: 22 abr.
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WEBER, Silke. Relações entre esferas governamentais na
educação e PDE: o que muda? Cadernos de Pesquisa, vol.
38, nº 134. São Paulo, maio/agosto, 2008.




                                    45
Estrutura e Funcionamento da Educação



               Conheça as Autoras


                  Ivanda Maria Martins Silva

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural
               de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a
               Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática
               (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na
               elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a
               distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais
               didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e
               Produção Textual e Português Instrumental.

                   Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo
               pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e
               Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos
               nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei
               alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária
               à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo
               Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual:
               múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo
               frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão:
               múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações
               editadas pela Baraúna/Recife.

                  Maria Lúcia Soares

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdades
               Integradas de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na
               Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da
               Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando
               na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de
               Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista.
               Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas
               Pedagógicas e Projetos Educacionais.

                  Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas
               sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em


                                        46
Estrutura e Funcionamento da Educação



diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares.

   Roseane Nascimento

   Olá, Cursistas!!

   Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de
pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento
e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela
UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo
pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional.

   Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no
Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora
conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das
Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA).
Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática
Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia
Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração,
execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção
acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e
Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos
didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.




                                           47
Estrutura e Funcionamento
       da Educação


      Ivanda Martins Silva
       Maria Lúcia Soares
      Roseane Nascimento




          Recife, 2009
Universidade Federal Rural de Pernambuco

Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade
Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros
Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho
Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski
Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire
Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira
Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena
Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos

Produção Gráfica e Editorial
Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Everton Félix e Gláucia Micaele
Revisão Ortográfica: Marcelo Melo
Ilustrações: Glaydson da Silva e Juliana da Silva
Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
Sumário

   Apresentação ........................................................................................4


   Conhecendo o Volume 4 ......................................................................5


   Capítulo 1 - Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
   (DCNEM) ................................................................................................7


      Conhecendo a organização do Ensino Médio: “novos” desafios........8


      Conhecendo as três áreas do Ensino Médio ......................................9


      O que significa a dualidade estrutural do Ensino Médio?.................14


      Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ...15


      Princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
      (DCNEM) ..........................................................................................16


      O princípio da contextualização........................................................21


   Capítulo 2 – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
   Médio (PCN e PCN +) ..........................................................................29


      Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN) ...........29


      Rumo à Interdisciplinaridade ............................................................31


      Interdisciplinaridade, Transversalidade e Contextualização: Múltiplas
      Conexões no Contexto do Ensino Médio .........................................33


      Transversalidade: Abordagem de Questões Sociais na Escola .......34


      Contextualização: teoria na prática ..................................................37


   Considerações Finais .........................................................................43


   Conheça as Autoras ...........................................................................44
Apresentação

   Caros(as) Cursistas,

  Sejam bem-vindos(as) ao quarto e último módulo da disciplina Estrutura e
Funcionamento da Educação.

   Neste quarto módulo, vamos abordar as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEM)
e os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCN).

    Você irá perceber como se organiza o Ensino Médio, considerando os princípios
orientadores, tais como: contextualização, interdisciplinaridade, autonomia, igualdade e
diversidade.

  Também será uma oportunidade para você compreender melhor os objetivos do
Ensino Médio, compreendendo esse nível como etapa final da Educação Básica.

  Esperamos que você se sinta motivado(a) a continuar nesta fascinante viagem ao
mundo da Educação Brasileira.

   Abraços Virtuais,

                                 Ivanda Martins Silva
                                  Maria Lúcia Soares
                                 Roseane Nascimento

                                      As autoras
Estrutura e Funcionamento da Educação



Conhecendo o Volume 4

   Neste quarto volume, você irá encontrar o quarto módulo da
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar
seus estudos, veja a organização deste quarto e último módulo.

  Módulo 4 – Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os
Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e
PCN+).

   Carga horária do Módulo 4: 15 h/aula

   Objetivo do Módulo 4: Analisar criticamente as Diretrizes
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) e os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), tendo em vista os princípios norteadores
do Ensino Médio (contextualização, interdisciplinaridade, igualdade,
diversidade, autonomia).

   Conteúdo Programático do Módulo 4:

   1. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
      (DCNEM)

       • Ensino Médio: “novos” desafios.

       • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas
         tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas
         tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias.

       • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais
         para o Ensino Médio.

   2. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
      (PCN e PCN+)




                                              5
Estrutura e Funcionamento da Educação




                          Capítulo 1



                  Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
               (DCNEM)

                  O que vamos estudar neste capítulo?

                   • Ensino Médio: “novos” desafios

                   • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas tecnologias,
                     Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, Ciências
                     Humanas e suas tecnologias.

                   • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o
                     Ensino Médio (DCNEM).




                                        6
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 1 – Diretrizes
Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (DCNEM)


   Vamos conversar sobre o assunto?

    Você lembra que, no segundo volume, dentre vários temas
abordados, estudamos sobre a educação básica? Lembra? Está
lembrado(a) também que o Ensino Médio se constitui enquanto a
última etapa da educação básica? Além disso, vimos que a educação
básica envolve a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino
Médio.

   Você já ouviu falar em Diretrizes Curriculares Nacionais? Já leu
algo sobre a importância dessas Diretrizes para a organização da
educação escolar do país?

   Sabia que existem as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para
todas as etapas da educação básica? Vamos conhecer um pouco
mais sobre o assunto?




                                                                                   Lembrete

                                                                          1
                                                                            Para saber mais,
                                                                          consulte:

                                                                          1 - Parecer CNE
   DCN para a Educação Infantil, DCN para o Ensino Fundamental            22/98 - DCN para a
                                                                          Educação Infantil.
e DCN para o Ensino Médio: tais diretrizes se constituem enquanto
um conjunto obrigatório de princípios que regem a educação básica,        2 -Parecer CNE
                                                                          04/98 - DCN
são diretrizes gerais, de caráter abrangente.1 É basicamente sobre        para o Ensino
isso que vamos estudar neste capítulo, focando o nosso olhar              Fundamental.

especificamente para o Ensino Médio.
                                                                          3 - Parecer CNE
                                                                          15/98 DCN para o
   Antes de aprofundarmos nossos olhares sobre as Diretrizes              Ensino Médio.
Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM), vamos conversar um
                                                                          http://portal.mec.
pouco sobre o quadro histórico do Ensino Médio no contexto da             gov.br
organização da educação no Brasil?


                                             7
Estrutura e Funcionamento da Educação



                           Na sequência, situaremos a discussão sobre a organização
                        do Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio
                        (DCNEM) e os princípios orientadores do Ensino Médio. Vamos lá?

          Lembrete
                        Conhecendo a organização do Ensino Médio:
2
  Segundo Lévy          “novos” desafios
(1999, p.17),
“Cibercultura:
conjunto de                O debate sobre o Ensino Médio no Brasil está amplamente atrelado
técnicas (materiais
e intelectuais),        ao contexto dinâmico de revoluções tecnológicas e mudanças de
de práticas, de
atitudes, de modos
                        paradigmas no campo da educação.
de pensamento
e de valores que            Os novos desafios no competitivo mercado de trabalho e as
se desenvolvem
juntamente com
                        mudanças na era da cibercultura2 vêm proporcionando mudanças
o crescimento do        significativas nas formas de compreender o Ensino Médio como etapa
ciberespaço.”
                        final da Educação Básica, conforme propôs a Lei de Diretrizes e Bases
                        da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96)3.




          Lembrete

3
  A Lei de Diretrizes
e Bases da
Educação Nacional
explicita que o
Ensino Médio é             Como você já estudou anteriormente, a Educação Básica é
“a etapa final da
educação básica”.       constituída pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino
(Art.36).
                        Médio. Nesse sentido, o Ensino Médio passa a assumir a característica
                        de terminalidade, assegurando a todos os cidadãos a oportunidade de
                        aprofundar conhecimentos e competências já desenvolvidas desde o
                        Ensino Fundamental4.

                          Conforme propõem os Parâmetros Curriculares Nacionais do
            Atenção     Ensino Médio (PCN)5:

4
  Você está              “O Ensino Médio, portanto, é a etapa final de uma educação de caráter geral,
lembrado(a)              afinada com a contemporaneidade, com a construção de competências básicas,
que o Ensino             que situem o educando como sujeito produtor de conhecimento e participante
Fundamental
                         do mundo do trabalho, e com o desenvolvimento da pessoa, como “sujeito em
envolve a etapa
da educação              situação” ― cidadão”.
escolar do 1º ao
9º anos (1º, 2º,
3º e 4º ciclos de
aprendizagem
do Ensino
Fundamental)?




                                                8
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                                                                             Lembrete

                                                                                   5
                                                                                     Vamos
                                                                                   estudar mais
                                                                                   detalhadamente
                                                                                   os Parâmetros
                                                                                   Curriculares
                                                                                   Nacionais para o
                                                                                   Ensino Médio no
                                                                                   próximo capítulo.
   Conforme a LDB nº 9.394/96, o Ensino Médio “deverá vincular-se
ao mundo do trabalho e à prática social”6.

  Veja como a LDB nº 9.394/9 apresenta os objetivos gerais do
Ensino Médio:

                                     Art.35
                                                                                              Atenção
 “O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, com duração mínima de três
 anos, terá como finalidade:                                                       6
                                                                                     Veja Art.1º § 2º
                                                                                   da Lei nº 9.394/96
 I - A consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino        para visualizar
 fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;                          melhor a proposta
                                                                                   acerca do Ensino
                                                                                   Médio.
 II - A preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando como pessoa
 humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual
 e do pensamento crítico;

 III - A compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
 produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina”.


   Você sabia que o Ensino Médio está estruturado em três grandes
áreas? Que tal conhecer um pouco mais sobre esse assunto?
                                                                                             Lembrete


Conhecendo as três áreas do Ensino Médio                                           7
                                                                                     A
                                                                                   interdisciplinaridade
                                                                                   envolve a
   Com a reforma curricular do Ensino Médio, o princípio da                        interação entre
                                                                                   diversas áreas
interdisciplinaridade7 foi amplamente discutido. Percebeu-se a                     do conhecimento,
importância de agregar as disciplinas por áreas, visando consolidar                percebendo-se
                                                                                   uma visão holística
uma abordagem interdisciplinar da educação no contexto do Ensino                   e integrada da
                                                                                   educação. Vamos
Médio.                                                                             aprofundar a
                                                                                   discussão sobre a
   Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio (PCN)                 interdisciplinaridade
                                                                                   no próximo capítulo.
apresentam três grandes áreas:


                                                      9
Estrutura e Funcionamento da Educação




                        1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;

                        2. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias

                        3. Ciências Humanas e suas Tecnologias.




          Lembrete

8
  “A linguagem,
pela sua natureza,        Observe que a tecnologia é um eixo norteador presente nas três
é transdisciplinar,    áreas do Ensino Médio. Viu como a tecnologia assume posição
não menos quando
é enfocada como        de destaque? Já parou para pensar na importância de seu curso,
objeto de estudo
e exige dos            Licenciatura em Computação, nessa etapa da educação básica? Para
professores essa       muitos alunos do Ensino Médio, a inserção no mundo globalizado e
perspectiva em
situação didática.     tecnológico é um grande desafio, fruto do competitivo mercado de
A linguagem é
considerada aqui       trabalho. Preparar os alunos do Ensino Médio para a profissionalização
como a capacidade      ou para a continuidade dos estudos na Educação Superior revela-
humana de articular
significados           se como premissa fundamental, considerando as contribuições da
coletivos e
compartilhá-los, em    tecnologia nesse processo de formação dos educandos.
sistemas arbitrários
de representação,         Mas, voltemos às áreas do Ensino Médio. Vamos conhecer um
que variam de
acordo com as          pouco melhor essas áreas?
necessidades e
experiências da
vida em sociedade.
A principal razão
                       Linguagens, códigos e suas tecnologias
de qualquer ato
de linguagem é
                          Nessa área, a concepção de linguagem é transdisciplinar8,
a produção de
sentido”.              congregando linguagens icônicas, verbais, corporais, sonoras, dentre
                       outras, que se estruturam nos conhecimentos de Língua Portuguesa,
(PCN do Ensino
Médio). (grifo         Línguas Estrangeiras, Educação Física, Artes e Informática. As
nosso)                 disciplinas dialogam sob perspectivas de códigos diversos que se


                                                10
Estrutura e Funcionamento da Educação



estruturam a partir das demandas do mundo tecnológico e dinâmico,
no qual estamos inseridos. Ressalta-se a compreensão de que as
linguagens e os códigos são dinâmicos e ancorados nos processos
históricos, sociais e culturais. É preciso que o aluno do Ensino Médio
tenha essa compreensão mais ampla das práticas de linguagem,
percebendo as articulações entre diferentes linguagens e suas
conexões com a tecnologia.

   Na área Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, estão
destacadas competências relacionadas à constituição de significados
imprescindíveis para a constituição da identidade e o exercício da
cidadania do aluno. Conforme Guiomar de Mello (1998), no parecer
nº 15/98 sobre as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio:

 “As escolas certamente identificarão nesta área as disciplinas, atividade e
 conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão das quais a Língua
 Portuguesa é imprescindível. Mas é importante destacar que o agrupamento das
 linguagens busca estabelecer correspondência não apenas entre as formas de
 comunicação - das quais as artes, as atividades físicas e a informática fazem
 parte inseparável - como evidenciar a importância de todas as linguagens
 enquanto constituintes dos conhecimentos e das identidades dos alunos, de
 modo a contemplar as possibilidades artísticas, lúdicas e motoras de conhecer o
 mundo”. (MELLO, 1998)




Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias

    Na área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias,
a aprendizagem das concepções científicas torna-se o ponto principal
desta área, a qual busca integrar conhecimentos de Matemática,
Física, Química, Biologia e disciplinas afins, tendo em vista as
articulações entre teoria e prática com o víeis tecnológico.




                                                    11
Estrutura e Funcionamento da Educação




                  Quando abordam a área Ciências da Natureza, Matemática e suas
               Tecnologias, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino
               Médio (PCN) comentam:

                “A aprendizagem das Ciências da Natureza, qualitativamente distinta daquela
                realizada no Ensino Fundamental, deve contemplar formas de apropriação
                e construção de sistemas de pensamento mais abstratos e ressignificados,
                que as trate como processo cumulativo de saber e de ruptura de consensos e
                pressupostos metodológicos”

                Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais
                (PCN), Ensino Médio, 1999, p.33.



               Ciências Humanas e suas tecnologias

                  A área de Ciências Humanas e suas Tecnologias engloba
               conhecimentos específicos de História, Geografia, Filosofia, Sociologia
               e outras disciplinas afins. O objetivo principal desta área é promover
               reflexões críticas e criativas, capazes de gerar respostas adequadas
               aos desafios atuais da sociedade. Destaca-se a concepção de
               cidadania, por meio do conhecimento dos direitos e deveres do
               cidadão, além do desenvolvimento da consciência cívica e social.

                  Nesta área, a aprendizagem deve considerar as competências
               e habilidades para que o aluno entenda a sociedade em que vive,
               ampliando as reflexões acerca de seu entorno sociocultural.




                                        12
Estrutura e Funcionamento da Educação



    É interessante observar que “as três áreas – Ciências da Natureza
e Matemática, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos – organizam
e interligam disciplinas, mas não as diluem nem as eliminam”. (PCN+
Ensino Médio, 2002, p. 08).




          Você Sabia?


   Você sabia que, no debate educacional brasileiro, o Ensino Médio
é alvo de grandes polêmicas? Sabe o porquê?

   Na história do Ensino Médio, no Brasil, tem-se constatado a
produção de baixos índices de oferta e a baixa qualidade, gerando,
para esse nível de ensino, vários obstáculos a enfrentar. Na
atualidade, tais desafios têm se agravado em decorrência das crises
e mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir do final do século
XX. Pelo próprio contexto da crise do capitalismo no mundo e suas
demandas por maior nível de formação dos sujeitos, no panorama da
Organização Internacional do Trabalho.




                                            13
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  Nesse contexto, a essência do debate sobre o Ensino Médio,
               centra-se em boa medida na questão de qual seria sua real identidade,
               uma vez que ora é entendido enquanto nível preparatório do educando
               para o mundo do trabalho, ora preparatório do educando para a
               continuidade de seus estudos no nível superior. Revela-se, assim,
               uma ambiguidade de finalidades para esse nível de ensino. Esse
               debate também expressa diferentes concepções sobre formação,
               educação, sociedade e os interesses diversos em torno da questão.

                  Na verdade, a história do Ensino Médio, no Brasil, é marcada por
               uma dualidade estrutural, que se configura como a grande categoria
               explicativa de constituição do Ensino Médio.


               O que significa a dualidade estrutural do
               Ensino Médio?

                   A dualidade estrutural do Ensino Médio está fundamentada em um
               histórico de constituição de caminhos educacionais divergentes para
               os percursos dos educandos, de acordo com sua classe social. Essa
               dualidade envolve, por um lado, a discussão sobre um sistema de
               escolas destinadas à preparação de um grupo social, para o alcance
               do ensino superior, através da formação de cunho mais generalizante,
               formação propedêutica. Por outro lado, contempla, também, o debate
               sobre um sistema de escolas destinadas à profissionalização daqueles
               pertencentes à classe social menos favorecida, ou seja, formação
               para o trabalho.




                 Nesse contexto, o que representam as Diretrizes Curriculares
               Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)?




                                        14
Estrutura e Funcionamento da Educação



Diretrizes Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (DCNEM)

    De acordo com a LDB nº 9394/96, foram estabelecidas as
novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio (DCNEM) através da
Resolução nº 03/98, da Câmara de Educação Básica do Conselho
Nacional de Educação (CNE). As diretrizes revelam um conjunto de
princípios, fundamentos e procedimentos que devem ser observados
na organização pedagógica e na formação curricular das escolas.

   Diante das revoluções que a educação enfrenta na era da
globalização, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio
(DCNEM) estão direcionadas à proposta de vincular a educação ao
mundo do trabalho e à prática social, propiciando a construção e o
desenvolvimento da cidadania dos alunos.

   As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)
expressam a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB
9394/96. A LDB, no artigo 35, define, com clareza, as finalidades do
Ensino Médio, de superar a dualidade socialmente definida, entre
educação geral e educação específica para formação profissional.




                                                                                   Atenção

                                                                         9
                                                                           Resolução de
                                                                         conformidade
                                                                         com o disposto
                                                                         no art. 9º § 1º,
                                                                         alínea “c”, da
                                                                         Lei 9.131, de 25
                                                                         de novembro de
   O preceito da não dualidade do ensino, contido na LDB, está posto     1995, nos artigos
                                                                         26, 35 e 36 da
na Resolução da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional           Lei 9.394, de 20
de Educação, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais         de dezembro de
                                                                         1996, e tendo em
para o Ensino Médio (DCNEM) - Resolução9 CEB nº 3, de 26 de              vista o Parecer
junho de 1998. Em seu primeiro artigo regulamenta:                       CEB/CNE 15/98,
                                                                         homologado
                                                                         pelo Ministro
                                                                         da Educação e
                                                                         do Desporto em
                                                                         25 de junho de
                                                                         1998, e que a
                                                                         esta se integra.
                                                                         http://portal.mec.
                                                                         gov.br


                                           15
Estrutura e Funcionamento da Educação




                       Art. 1º. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio – DCNEM –,
                       estabelecidas nesta Resolução, se constituem num conjunto de definições
                       doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados
                       na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar integrante dos
                       diversos sistemas de ensino, em atendimento ao que manda a lei, tendo em vista
                       vincular a educação com o mundo do trabalho e a prática social, consolidando a
                       preparação para o exercício da cidadania e propiciando preparação básica para
                       o trabalho.

                         Entretanto, destacamos que as finalidades postas para o Ensino
                      Médio pela LDB e regulamentadas pela Resolução CEB nº. 03/98 só
                      são possíveis de concretização quando essa etapa de ensino estiver
                      plenamente democratizada, e com as devidas condições materiais
                      para a sua efetivação.

                         Questionamos, então: no contexto atual de debates e lutas
                      ideológicas históricas, qual é o grande desafio que permanece para o
           Atenção    Ensino Médio até os dias de hoje?

10
   Você sabe o que
é propedêutica?
Veja o verbete
abaixo e observe
o segundo sentido
da palavra que
estamos utilizando
nesse contexto.
Propedêutica
[F. subst. de
propedêutico.]
Substantivo
feminino.
1.Introdução,
prolegômenos,            Certamente o grande desafio posto para a organização desse
de uma ciência;
ciência preliminar.   nível de ensino é o alcance de uma proposta que revele, em sua
2.Conjunto de
estudos que
                      concepção, a articulação competente das dimensões de formação do
antecedem,            educando para o trabalho e formação para continuidade dos estudos
como um estágio
preparatório, os      em nível superior (formação propedêutica)10.
cursos superiores.
3.Med. Conjunto          Assim exposto, veremos, na seção a seguir, os princípios
de indagações
orais e de técnicas   fundamentais contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o
de exame físico
que serve como
                      Ensino Médio (DCNEM). Vamos lá?
base a partir da
qual o médico
se orienta para,
por investigações     Princípios das Diretrizes Curriculares
mais extensas, se
necessário, chegar
                      Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)
a diagnóstico1 (2).
                         Vamos analisar quais são os princípios norteadores expressos nas
Fonte: Dicionário
Aurélio               Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)?
                      Está pronto(a)? Vamos lá?


                                               16
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Pensar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
implica revisitar as orientações para uma Pedagogia de Qualidade,
                                                                                              Atenção
como bem afirma o Parecer nº 15/98, do Conselho Nacional de
Educação.                                                                         11
                                                                                     “A diversificação
                                                                                  deverá ser
   Essas diretrizes seguem os princípios estéticos, políticos e éticos            acompanhada
                                                                                  de sistemas
da LDB. Como o Brasil possui diferentes modalidades ou formas                     de avaliação
organizacionais das instituições do Ensino Médio, é bom ressaltar                 que permitam o
                                                                                  acompanhamento
que cursar o Ensino Médio ainda é privilegio de poucos, por uma                   permanente
                                                                                  dos resultados,
série de fatores de ordem política, econômica e social. Dentre estes              tomando como
poucos que têm acesso, uma quantidade ainda menor tem acesso a                    referência as
                                                                                  competências
um Ensino Médio de qualidade.                                                     básicas a serem
                                                                                  alcançadas por
                                                                                  todos os alunos,
    É necessário que as escolas do Ensino Médio tenham identidade                 de acordo com a
diversificada em função das características do meio social e da                   LDB, as presentes
                                                                                  diretrizes e
clientela. A diversidade11 da escola média é necessária para                      as propostas
                                                                                  pedagógicas das
contemplar as desigualdades nos pontos de partida de seu alunado.                 escolas”.

    Conforme a Resolução CEB/CNE nº 15/98 de 03 de junho de                       BRASIL, PCN,
1998, três princípios básicos norteiam a proposta de organização                  1999, p.82. Parecer
                                                                                  CEB nº 15/98.
das DCNEM. Assim, a Estética da Sensibilidade, a Política da
Igualdade e a Ética da Identidade revelam-se como princípios inter-
relacionados, os quais priorizam respectivamente, a criatividade e
o espírito inventivo do aluno, como também o reconhecimento dos
direitos humanos e dos deveres dos cidadãos atrelados ao exercício
da cidadania, além de promoverem a superação de dicotomias,
visando à constituição de identidades igualitárias.




   “Os sistemas e os estabelecimentos de ensino médio deverão criar e
   desenvolver, com a participação da equipe docente e da comunidade,
   alternativas institucionais com identidade própria, baseadas na missão
   de educação do jovem, usando ampla e destemidamente as várias
   possibilidades de organização pedagógica, espacial e temporal, e de
   articulações e parcerias com instituições públicas ou privadas, abertas
   pela LDB, para formular políticas de ensino focalizadas nessa faixa etária,
   que contemplem a formação básica e a preparação geral para o trabalho,
   inclusive, se necessário e oportuno, integrando as séries finais do ensino
   fundamental com o ensino médio, em virtude da proximidade de faixa etária
   do alunado e das características comuns de especialização disciplinar que
   esses segmentos do sistema de ensino guardam entre si”.

                            BRASIL, PCN, 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98.




   Além disso, os princípios pedagógicos da identidade, diversidade

                                                    17
Estrutura e Funcionamento da Educação



                    e autonomia, bem como a discussão sobre a interdisciplinaridade
                    e a contextualização são estruturadores do currículo do novo Ensino
                    Médio.




                       Para que se garanta a qualidade da educação, no Ensino Médio,
                    é preciso que existam mecanismos de avaliação dos resultados para
         Atenção
                    aferir se os pontos de chegada sejam os mesmos.
12
   Você sabia          O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM12 organizado
que diversas
instituições de     pelo MEC juntamente com os sistemas de avaliação dos estados,
ensino superior
já utilizam os
                    os sistemas de estatísticas e indicadores educacionais constituem
resultados do       mecanismos importantes na promoção dessa eficiência e igualdade.
ENEM para o
ingresso nas
universidades?
Pois é, o ENEM
está assumindo
a função dos
vestibulares,
funcionando como
um importante
instrumento de
avaliação no
ensino superior.

                       A eficácia dessas diretrizes pressupõe a existência de autonomia13
                    dos sistemas de ensino público. É importante lembrar que a LDB
                    vincula autonomia e proposta pedagógica.

                       No entanto, a autonomia escolar não deve implicar na omissão do
                    Estado; pelo contrário, os órgãos centrais devem exercer funções de
                    formulação das diretrizes de política educacional e assessoramento
                    na implementação dessas políticas públicas para educação. Uma
                    outra preocupação é evitar que a autonomia venha reforçar privilégios
                    e exclusões.

                       Após discutirmos sobre os princípios: da identidade, diversidade e
                    da autonomia, é importante ressaltar que o currículo deve ser voltado
                    para as Competências Básicas. Neste sentido, a Lei nº 5692/71 prevê
                    que o ensino médio deve preparar para a continuidade de estudos e
                    habilitar para o exercício de uma profissão.

                                             18
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Para a LDB, nº 9394/96, o Ensino Médio atual não deve priorizar
o ensino enciclopedista e academicista dos currículos tradicionais
que tornava a educação refém dos vestibulares. Deve sim buscar o                                 Atenção
aprimoramento do educando como pessoa humana. Enfatiza uma
identidade autônoma quando destaca a ética, a autonomia intelectual                   13
                                                                                         “O exercício
                                                                                      pleno da
e o pensamento crítico.                                                               autonomia se
                                                                                      manifesta na
                                                                                      formulação de
                                                                                      uma proposta
                                                                                      pedagógica
                                                                                      própria, direito de
                                                                                      toda instituição
                                                                                      escolar. Essa
                                                                                      vinculação
                                                                                      deve ser
                                                                                      permanentemente
                                                                                      reforçada,
                                                                                      buscando evitar
                                                                                      que as instâncias
                                                                                      centrais do sistema
                                                                                      educacional
   Segundo o Parecer CNE nº 15/98, a organização curricular do                        burocratizem e
Ensino Médio deve ser orientada por alguns pressupostos indicados                     ritualizem aquilo
                                                                                      que no espírito
a seguir:                                                                             da lei deve ser,
                                                                                      antes de mais
                                                                                      nada, expressão
 • Visão orgânica do conhecimento, afinada com as mutações surpreendentes             de liberdade e
 que o acesso à informação está causando no modo de abordar, analisar, explicar e     iniciativa, e que
 prever a realidade, tão bem ilustradas no hipertexto que cada vez mais entremeia     por essa razão não
                                                                                      pode prescindir do
 o texto dos discursos, das falas e das construções conceituais.
                                                                                      protagonismo de
                                                                                      todos os elementos
 • Disposição para perseguir essa visão organizando e tratando os conteúdos           da escola, em
 do ensino e as situações de aprendizagem, de modo a destacar as múltiplas            especial dos
 interações entre as disciplinas do currículo.                                        professores.


 • Abertura e sensibilidade para identificar as relações que existem entre os         BRASIL, PCN,
 conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem e os muitos contextos de         1999, p.82. Parecer
 vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o     CEB nº 15/98.
 objeto do conhecimento e a desenvolver a capacidade de relacionar o aprendido
 com o observado, a teoria com suas consequências e aplicações práticas.

 • Reconhecimento das linguagens como formas de constituição                 dos
 conhecimentos e das identidades, portanto como o           elemento-chave para
 constituir os significados, conceitos, relações, condutas e valores que a escola
 deseja transmitir.

 • Reconhecimento e aceitação de que o conhecimento é uma construção
 coletiva, forjada socio-interativamente na sala de aula, no trabalho, na família e
 em todas as demais formas de convivência.

 • Reconhecimento de que a aprendizagem mobiliza afetos, emoções e relações
 com seus pares, além das cognições e habilidades intelectuais.

                                                    Fonte: www.portal.mec.gov.br


   A filosofia educacional prevista por essa organização curricular


                                                      19
Estrutura e Funcionamento da Educação



                     corresponde ao pensamento piagetiano14 do aprender a aprender
                     e a pensar, tendo também fortes influências da pedagogia das
          Atenção    competências.

14
   Jean Piaget          Ainda segundo o Parecer CNE nº 15/98: “uma organização
(1896-1980) foi um
famoso psicólogo
                     curricular que responda a esses desafios requer”:
e filósofo suíço,
conhecido por seu
trabalho pioneiro     • desbastar o currículo enciclopédico, congestionado de informações, priorizando
no campo da           conhecimentos e competências de tipo geral, que são pré-requisito tanto para a
educação infantil.    inserção profissional mais precoce quanto para a continuidade de estudos, entre
Piaget analisava      as quais se destaca a capacidade de continuar aprendendo;
as fases de
desenvolvimento
das crianças,
                      • (re)significar os conteúdos curriculares como meios para constituição de
estudando os          competências e valores, e não como objetivos do ensino em si mesmos;
processos de
aprendizagem.         • trabalhar as linguagens não apenas como formas de expressão e comunicação
Seus estudos          mas como constituidoras de significados, conhecimentos e valores;
tiveram um
grande impacto
sobre os campos       • adotar estratégias de ensino diversificadas, que mobilizem menos a memória
da Psicologia e       e mais o raciocínio e outras competências cognitivas superiores, bem como
Pedagogia.            potencializem a interação entre aluno-professor e aluno-aluno para a permanente
                      negociação dos significados dos conteúdos curriculares, de forma a propiciar
                      formas coletivas de construção do conhecimento;

                      • estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno
                      reconstruir ou “reinventar” o conhecimento didaticamente transposto para a sala
                      de aula, entre eles a experimentação, a execução de projetos, o protagonismo
                      em situações sociais;

                      • organizar os conteúdos de ensino em estudos ou áreas interdisciplinares e
                      projetos que melhor abriguem a visão orgânica do conhecimento e o diálogo
                      permanente entre as diferentes áreas do saber;

                      • tratar os conteúdos de ensino de modo contextualizado, aproveitando sempre
                      as relações entre conteúdos e contexto para dar significado ao aprendido,
                      estimular o protagonismo do aluno e estimulá-lo a ter autonomia intelectual;

                      • lidar com os sentimentos associados às situações de aprendizagem para
                      facilitar a relação do aluno com o conhecimento.

                                                                        Fonte: www.portal.mec.gov.br




                                               20
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Um outro princípio das diretrizes curriculares para o Ensino Médio
é a interdisciplinaridade. Essa interdisciplinaridade deve ir além da
mera justaposição de disciplinas, além de evitar a diluição dessas.
Agrega a si a possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades
ou projetos de estudo, pesquisa e ação.


O princípio da contextualização

   Dentre os contextos relevantes indicados pela LDB está o exercício
da cidadania. Para isso é indispensável lembrar que o jovem ao cursar
o Ensino Médio não parte do “zero”, já traz consigo uma bagagem
formada por conceitos adquiridos espontaneamente carregados de
afetos e valores resultantes de suas experiências pessoais. Essas
experiências anteriores devem ser levadas em consideração e devem
ser o ponto inicial para as próximas aprendizagens.




           Você Sabia?


    Você sabia que a reformulação do sistema de ensino é uma
tendência mundial? Em quase todos os países, o ensino obrigatório
foi estendido até os 16 anos. Quando chega ao Ensino Médio, o aluno
tem várias opções, tanto para a preparação adequada ao ensino
superior, quanto para o exercício imediato das atividades profissionais.
Em cada país, a política que estrutura o Ensino Médio apresenta suas
peculiaridades, de acordo com as convenções culturais e locais. Como
exemplo, no modelo americano, a educação nos Estados Unidos é
totalmente descentralizada. Veja o texto a seguir:




                                              21
Estrutura e Funcionamento da Educação




                “Os estados, comunidades e escolas têm grande autonomia e proveem quase a
                totalidade dos recursos para as instituições públicas de Ensino Básico e Médio.
                Dos US$ 350 bilhões destinados anualmente ao sistema educacional, apenas
                6% são do governo federal e esse dinheiro é aplicado na escola primária de
                áreas carentes. Sem vínculo algum com o governo federal, o Ensino Médio é
                responsabilidade das comunidades locais, que decidem sobre tudo: currículo,
                carga horária, educação vocacional, aplicação de provas, salário de professores,
                etc. O único ponto em comum é a duração do curso- quatro anos”.

                                            Fonte: BRASIL. O novo Ensino Médio. 2000.




                            Filmoteca: Cinema em Ação


                  Você já assistiu ao filme “O Sorriso de Monalisa”? Assista-o e faça
               a relação entre o filme assistido e a discussão que tivemos ao longo
               do capítulo. Pegue a pipoca e um bom filme! Luzes, câmera, ação!

                                                          O Sorriso de Mona Lisa

                                          Uma professora serve de inspiração para suas alunas,
                                          após decidir lutar contra normas conservadoras do
                                          colégio em que trabalha. Dirigido por Mike Newell
                                          (Donnie Brasco) e com Julia Roberts, Kirsten Dunst,
                                          Julia Stiles e Marcia Gay Harden no elenco.

                                          Sinopse

                                          Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém-graduada
                                          professora que consegue emprego no conceituado
                                          colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte.
                                          Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do
                                          próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar
                                          contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a
                                          enfrentarem os desafios da vida.

                 Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/sorriso-de-mona-lisa/sorriso-de-mona-lisa.asp




                                           22
Estrutura e Funcionamento da Educação




          Atividades e Orientações de Estudo



   Atividade 1




   É hora de praticar o que você estudou neste capítulo. Que tal
realizar entrevistas sobre os novos desafios do Ensino Médio. Realize
uma entrevista com um aluno do Ensino Médio, focalizando os
possíveis questionamentos:


 1. Em que escola você está cursando o Ensino Médio?

 2. Qual a sua série?

 3. Você gosta mais de qual disciplina no currículo do Ensino
 Médio?

 4. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende ingressar em algum
 curso superior? Qual curso superior?

 5. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende realizar algum curso
 pós-médio profissionalizante? Qual?

 6. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia
 interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha
 de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso
 nas universidades?


   Atividade 2

  Agora é a vez de você entrevistar um professor que trabalha no
Ensino Médio. Que tal considerar os seguintes questionamentos?


                                            23
Estrutura e Funcionamento da Educação




                      1. Há quanto tempo você leciona? Há quanto tempo você atua no
                      Ensino Médio?

                      2. Qual a disciplina que você leciona?

                      3. Qual a maior dificuldade que você vivencia em seu trabalho no
                      Ensino Médio?

                      4. Sua escola realiza alguma atividade de orientação vocacional
                      com os alunos do Ensino Médio?

                      5. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia
                      interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha
                      de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso
                      nas universidades?

                        Após as entrevistas realizadas, publique sua produção no ambiente
                     e socialize suas experiências com outros colegas. Continue lendo
                     e pesquisando mais sobre o assunto. Veja a Webquest a seguir e
                     continue pesquisando sobre o tema.




          Atenção
                               Webquest: pesquisa em ação

15
   Segundo Bernie
Doge, WebQuest é
                        Vamos desenvolver uma WebQuest15 sobre o assunto apresentado
“uma investigação    neste capítulo?
orientada na qual
algumas ou todas
as informações          Título da WebQuest: O ensino da tecnologia no nível Médio
com as quais
os aprendizes
interagem são
originadas de
recursos da
Internet”. Acesse:
WWW.webquest.
futuro.usp.
br∕artigos∕textos_
bernie.html




                        Introdução

                       Em geral, o Ensino Médio é abordado sob duas perspectivas,
                     como você observou ao longo do capítulo. Seja como ensino


                                             24
Estrutura e Funcionamento da Educação



profissionalizante, atrelado ao mercado profissional, seja no âmbito
de uma formação pré-universitária, o fato é que o Ensino Médio é
muito importante na etapa final da Educação Básica, já que direciona
os educandos para a vida profissional ou acadêmica, de acordo com
as demandas sociais.

   Nesse sentido, o planejamento de aulas e atividades para o Ensino
Médio é muito importante para garantir uma educação de qualidade,
comprometida com a autonomia dos alunos nessa etapa da formação
escolar.

   A Tarefa

   Você assumiu a posição de um professor de informática que irá
atuar no Ensino Médio. Sua tarefa é planejar uma aula para o Ensino
Médio, tendo em vista os princípios norteadores do currículo do Ensino
Médio (contextualização e interdisciplinaridade).




   O Processo

   Para auxiliar a realização desta atividade, você poderá retomar as
entrevistas realizadas com professores e alunos do Ensino Médio, a
fim de ter maiores subsídios para planejar a sua aula.

   Considere as articulações entre teoria e prática, privilegiando
uma abordagem contextualizada dos conteúdos propostos. Tente
estabelecer alguma conexão com outras áreas do conhecimento
(Tecnologia e Artes, Tecnologia e História, Tecnologia e Matemática,
etc.).

   Para realizar essa tarefa, você precisa selecionar um conteúdo a
ser trabalhado com os alunos do Ensino Médio. Tente refletir sobre
conteúdos interessantes para os alunos, envolvendo, por exemplo,
questões, como comunidades virtuais de aprendizagem, inclusão
digital, TV digital, TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação),
Jogos Digitais, entre outros. Para tanto, reflita sobre:

                                             25
Estrutura e Funcionamento da Educação




                 a) Qual o público-alvo para a aula (alunos do 1º, 2º ou 3º anos do Ensino
                 Médio)?

                 b) Em que local a aula será realizada? (Sala de aula, laboratório, aula-passeio
                 em outro local, etc.?)

                 c) O que você irá abordar? Qual será o conteúdo proposto?

                 d) Qual o objetivo geral da aula?

                 e) Como a aula será realizada? Descreva todas as etapas nas quais a aula será
                 desenvolvida.

                 f) Quais os recursos que você irá utilizar para a realização da aula?

                 g) Como você irá avaliar o aluno em relação aos conteúdos propostos na aula?


                  Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os
               quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão
               acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta
               disciplina.

                  Após elaborar a sua atividade, tente publicá-la na plataforma do
               ambiente virtual, a fim de que os demais colegas consigam visualizar
               a sua produção.

                   A Avaliação

                   Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes
               critérios:

                   • A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário

                   • As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para
                     subsidiar a produção da atividade.

                   • Clareza, coerência e coesão na organização da produção
                     textual apresentada.

                   Conclusão

                   Caro(a) Cursista,

                  Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de
               planejar atividades para o Ensino Médio, tendo em vista os desafios
               enfrentados pelos alunos.

                  Se precisar de ajuda para a realização da atividade, você poderá
               contar com o apoio dos professores/tutores que estarão disponíveis

                                          26
Estrutura e Funcionamento da Educação



para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons
estudos!

   Referências

    Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a
atividade proposta de forma eficaz.

      http://webquest.org/search/index.php

      http://webquest.sp.senac.br/textos/ref,

      http://bestwebquests.com/default.asp

      http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/


Vamos participar de um fórum de discussão?




    Vamos continuar refletindo sobre o assunto em um fórum temático
de discussão. Tente refletir sobre as questões abaixo e depois poste
seus comentários no fórum de discussão. Lembre-se: sua participação
é fundamental para o sucesso na disciplina. Participe!

 • Reflita sobre o contexto atual e as novas exigências para o Ensino Médio.

 • A LDB e as DCNEM conseguem nortear adequadamente esse nível de
 ensino?

 • O Ensino Médio tem servido mais para preparar para o mercado de trabalho ou
 para o ensino superior?


    Com base em tais questionamentos, reflita, pesquise sobre o
assunto, elabore um texto-síntese e envie sua produção textual para
o fórum de discussão.

                                                     27
Estrutura e Funcionamento da Educação




                           Vamos Revisar?


                  É hora de continuar aprendendo. Releia o capítulo, revise os
               conteúdos propostos e se ainda tiver dúvidas procure ajuda dos
               professores/tutores que estarão acompanhando seus percursos de
               aprendizagem. É hora da revisão. Vamos lá?

                Resumo

                Neste capítulo, contextualizamos a demanda atual para o Ensino Médio.
                A dualidade que existe entre o ensino propedêutico que prepara para o nível
                superior e o ensino profissionalizante que prepara apenas para o mercado de
                trabalho. Realizou-se uma discussão sobre os princípios que norteiam esse nível
                de ensino, através de um estudo sobre o DCNEM. Você observou, também, alguns
                dos princípios que norteiam as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio como:
                identidade, diversidade, autonomia, interdisciplinaridade e contextualização.




                                         28
Estrutura e Funcionamento da Educação



Capítulo 2 – Parâmetros
Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (PCN e PCN +)


   Vamos conversar sobre o assunto?

   Você sabia que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (PCN) foram publicados no final da década de 90,
visando à reformulação curricular do Ensino Médio?

   Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio tiveram o
papel de difundir a reforma curricular do Ensino Médio, fornecendo
subsídios e orientações para o professor reavaliar posturas e práticas
metodológicas.

  Após a publicação dos PCN, outros documentos foram divulgados,
como, por exemplo, os PCN+, ou melhor, as orientações educacionais
complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Além disso,
em 2006, foram publicadas as Orientações Curriculares para o Ensino
Médio, em três volumes, contemplando as três grandes áreas do
Ensino Médio.

   Vamos discutir um pouco sobre os PCN do Ensino Médio?


Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino
Médio (PCN)

   Como forma de superar a fragmentação curricular e o ensino
descontextualizado, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino
Médio foram publicados em 1999, visando revisitar orientações
didático-pedagógicas para diferentes áreas do conhecimento. Você
lembra as áreas do Ensino Médio que vimos no capítulo anterior?
Quais são? Acertou quem disse: Linguagens, Códigos e suas
Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da
Natureza, Matemática e sua Tecnologias.

   Os PCN do Ensino Médio abordam conjuntos de competências e
habilidades, considerando os seguintes eixos:




                                             29
Estrutura e Funcionamento da Educação




                       1. Representação e Comunicação

                       2. Investigação e Compreensão

                       3. Contextualização Sociocultural

           Atenção
                          Para cada um desses eixos, são descritas competências e
16                    habilidades16, considerando as três grandes áreas do Ensino Médio.
• Habilidades:
mobilizam apenas
                      (Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas
saberes limitados,    Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e sua Tecnologias).
em geral do tipo
procedimental.

• Competências:
exploram
saberes vastos e
explícitos, incluem
possibilidades
de abstração, de
generalização,
permitem construir
uma resposta
adaptada sem
extraí-la de um
repertório de
respostas pré-
programadas.

• “Competência            A proposta do Ensino Médio está voltada para alguns princípios
é a capacidade        estruturadores, como, por exemplo, a contextualização e a
de mobilizar
conhecimentos,        interdisciplinaridade, os quais aprofundaremos a seguir.
valores e decisões
para agir de modo
pertinente numa
determinada           O que é Interdisciplinaridade?
situação”.

(Guiomar Namo de          Você já deve ter ouvido falar muito a respeito da importância de
Mello).
                      se ampliar a discussão sobre a interdisciplinaridade na escola. De
                      fato, muitas discussões teóricas existem sobre esse tema, mas será
                      que, na prática escolar, a interdisciplinaridade é vivenciada de modo
                      eficaz?

                         Antes de tentarmos encontrar respostas para tal questionamento,
                      vamos refletir sobre a noção de interdisciplinaridade. Pense um pouco
                      sobre o tema. Pensou? Então, tente responder:

                                              O que é interdisciplinaridade?


                          Não é tão fácil chegar a uma única resposta diante de um tema tão
                      amplo, não é verdade? Então, vamos ajudar você nessas reflexões
                      iniciais. Vamos lá?

                                                30
Estrutura e Funcionamento da Educação



Rumo à Interdisciplinaridade




    No contexto atual da educação, a interdisciplinaridade é
frequentemente debatida e muitos estudiosos tentam uma
sistematização sobre esse conceito, visando facilitar a prática
pedagógica do professor.
                                                                                                 Atenção
   Muitas vezes confundida como adoção de um único método
de trabalho por várias disciplinas, ou ainda como justaposição de                      17
                                                                                         Quando usamos
conteúdos, a interdisciplinaridade precisa ser melhor compreendida,                    essa expressão,
                                                                                       estamos pensando
tendo-se em vista não apenas uma reflexão de cunho puramente                           na articulação
teórico, mas também visando à aplicação pragmática17 no espaço da                      teoria e prática.

sala de aula. Só a partir disso é que a prática interdisciplinar será
efetivamente realizada, podendo funcionar como subsídio ao trabalho
pedagógico dos professores sensíveis à importância da articulação
do conhecimento no atual mundo globalizado.

    Assim, torna-se importante refletir sobre o que seja                           a
                                                                                                 Atenção
interdisciplinaridade no atual contexto das discussões teóricas.

   Veja a citação de Luck18 (1994, p. 64):
                                                                                       18
                                                                                          Heloísa Luck
                                                                                       escreveu o
                                                                                       livro Pedagogia
 “Interdisciplinaridade é o processo que envolve a integração e engajamento de         Interdisciplinar,
 educadores, num trabalho conjunto, de interação das disciplinas do currículo          uma publicação
 escolar entre si e com a realidade, de modo a superar a fragmentação do ensino,       da editora Vozes.
                                                                                       Este livro é bem
 objetivando a formação dos alunos, a fim de que possam exercer criticamente a
                                                                                       interessante e
 cidadania, mediante uma visão global de mundo e serem capazes de enfrentar
                                                                                       apresenta uma
 os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual”.                         visão geral
                                                                                       sobre conceitos
                                                                                       referentes à
   Mesmo com os avanços que a educação sofre atualmente, pode-                         pedagogia
se dizer que o conhecimento trabalhado por certas escolas ainda é                      interdisciplinar.
                                                                                       Trata-se de um
estanque, fragmentado e, muitas vezes, não mantém uma relação direta                   convite à reflexão
                                                                                       sobre nossa
com a realidade social dos alunos. Então, surge a interdisciplinaridade                prática pedagógica
como uma alternativa para superar a fragmentação do ensino.                            em sintonia com
                                                                                       uma abordagem
                                                                                       interdisciplinar.




                                                    31
Estrutura e Funcionamento da Educação




                  Nesse sentido, a interdisciplinaridade apresenta-se como estratégia
               para a superação dessa fragmentação, pois visa à articulação de
               conteúdos de diversas áreas na busca de uma sistematização global
               do ensino.

                  A prática da interdisciplinaridade no contexto da escola:

                “Implica na vivência do espírito de parceria, de integração entre teoria e prática,
                conteúdo e realidade, objetividade e subjetividade, ensino e avaliação, meios e
                fim, tempo e espaço, professora e aluno, reflexão e ação, dentre múltiplos fatores
                integrantes do processo pedagógico”.

                                                                              (LUCK, 1994, p. 34)


                  Uma prática docente interdisciplinar é, antes de tudo, um movimento
               dialético que revê o velho para torná-lo novo, ou seja, dialoga com as
               nossas próprias produções e experiências para extrair novos pontos
               que ainda não se revelaram.

                  O professor que se envolve com a interdisciplinaridade é aquele
               que está inquieto com sua prática e por isso tenta revê-la, questioná-
               la e reavaliá-la, levantando suas inquietações a outros professores,
               procurando parceiros para dividir suas dúvidas.

                  Nesse sentido, o professor engajado busca sempre algo novo
               e sua postura é diferenciada, já que tem coragem de ousar novas
               técnicas e procedimentos de ensino, analisando-os e adequando-os
               convenientemente. Essa postura do professor exige o rompimento
               com a acomodação e a superação de vários entraves, de ordem
               social, econômica, política, institucional, entre outros.

                  Ainda retomando as palavras de Luck (1994: 60):

                “O objetivo da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da
                visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade, ao
                mesmo tempo resgatando a centralidade do homem na realidade e na produção
                do conhecimento, de modo a permitir ao mesmo tempo uma melhor compreensão
                da realidade e do homem como o ser determinante e determinado”.



                                          32
Estrutura e Funcionamento da Educação



    Você já deve ter percebido que a noção de interdisciplinaridade
articula-se ao contexto de globalização em que estamos inseridos,
momento marcado pelas revoluções tecnológicas e pela necessidade
de construção de conhecimentos cada vez mais articulados. Nesse
cenário, torna-se fundamental a articulação do conhecimento que não
pode ser construído de forma isolada, uma vez que as fronteiras entre
diferentes áreas estão cada vez mais tênues.




   É preciso que a interdisciplinaridade seja trabalhada nesse
processo de construção global do conhecimento, pois os alunos devem
desenvolver competências interligadas ao fenômeno da globalização,
o qual repercute social, política, economicamente, como também na
área educacional.

    No cenário do mundo globalizado e tecnológico, os conceitos de
interdisciplinaridade, transversalidade e contextualização tornam-se
recorrentes no debate sobre a educação. Iremos analisar as conexões
entre esses conceitos na próxima seção.


Interdisciplinaridade, Transversalidade e
Contextualização: Múltiplas Conexões no
Contexto do Ensino Médio

   A interdisciplinaridade e a contextualização devem ser
compreendidas como dois eixos fundamentais nessa nova proposta do
Ensino Médio, partindo do pressuposto segundo o qual a construção
do conhecimento deve ser articulada de modo global, permitindo um
diálogo constante com outros tipos de conhecimentos.

    Você já parou para pensar no currículo do Ensino Médio,
considerando a realidade educacional da escola brasileira? Ainda
não? Então, é bom começar a entrar nesse debate, tentando refletir
sobre as orientações curriculares para o Ensino Médio. Vamos então
iniciar o debate?

                                            33
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  O currículo do Ensino Médio deve estar centrado em alguns eixos
               norteadores, tais como: a interdisciplinaridade, a transversalidade
               e a contextualização. Vamos refletir um pouco sobre tais conceitos?

                  Devemos compreender a interdisciplinaridade não apenas como
               mera justaposição de conhecimentos de diversas áreas do saber,
               mas sim como processo dinâmico em que há interação efetiva das
               diversas disciplinas orientadas sob um objetivo comum. Nessa
               perspectiva, a prática pedagógica interdisciplinar é capaz de promover
               a integração entre o conhecimento teórico instituído pela escola e
               a experiência cotidiana do aluno. Em outros termos, o aluno pode,
               assim, compreender a teoria numa situação pragmática, percebendo
               que a escola não está isolada de sua realidade histórico-social.

                   O princípio da contextualização, diretamente ligado ao da
               interdisciplinaridade, prega que o conhecimento precisa ser
               contextualizado, a fim de que o aluno não assuma o papel de mero
               espectador no espaço escolar, mas sim compreenda a aplicabilidade
               da teoria no contexto prático do dia-a-dia. Essa relação entre teoria
               e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares em
               situações didáticas mais próximas da realidade do aluno.

                  Você já conheceu o conceito de interdisciplinaridade na seção
               anterior, agora vamos enfatizar as relações entre tal conceito e as
               noções de transversalidade e contextualização. Vamos aprender a
               aprender?


               Transversalidade: Abordagem de Questões
               Sociais na Escola

                  Para as orientações curriculares do Ensino Fundamental, os PCN
               (Parâmetros Curriculares Nacionais) sugerem o tratamento transversal
               de temáticas sociais na escola, como forma de contemplá-las na sua
               complexidade, sem restringi-las à abordagem de uma única área.
               Esse debate sobre a transversalidade também pode ser levado ao
               contexto do Ensino Médio, visando à motivação do aluno em relação
               às reflexões sobre temas da atualidade que podem ser trabalhados
               de modo transversal.

                  É importante ressaltar que os temas transversais não se constituem
               em novas áreas do conhecimento, mas num conjunto de temas que
               aparecem transversalizados, permeando a concepção das diferentes


                                        34
Estrutura e Funcionamento da Educação



áreas, seus objetivos, conteúdos e orientações didáticas.

   Os PCN19 sugerem os seguintes temas transversais que poderiam
                                                                                            Lembrete
ser abordados na escola:
                                                                                   19
                                                                                     Estamos
                                     Ética                                         retomando a
                                                                                   proposta dos PCN
 A proposta dos PCN é que a ética ― expressa na construção dos princípios          para o ensino
                                                                                   fundamental
 de respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade ― seja uma reflexão sobre
                                                                                   (3º e 4º ciclos),
 as diversas atuações humanas e que a escola considere o convívio escolar          considerando o
 como base para sua aprendizagem. No convívio escolar, o aluno pode aprender       volume sobre os
 a resolver conflitos em situações de diálogo, pode aprender a ser solidário ao    temas transversais,
 ajudar e ser ajudado, pode aprender a ser democrático quando tem oportunidade     publicado em 1998
 de dizer o que pensa, submeter suas idéias ao juízo dos demais e saber ouvir as   pelo MEC.
 ideias dos outros.




                                     Saúde

 A formação do aluno para o exercício da cidadania compreende a motivação e a
 capacitação para ao autocuidado, assim como a compreensão da saúde como
 direito e responsabilidade pessoal e social.




                                                    35
Estrutura e Funcionamento da Educação




                                               Orientação sexual

                A proposta dos PCN é que a escola trate a sexualidade como algo fundamental na
                vida das pessoas, questão ampla e polêmica, marcada pela história, pela cultura
                e pela evolução social. A escola deve ter por objetivo transmitir informações e
                problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças,
                tabus e valores a ela associados, sem invadir a intimidade nem direcionar o
                comportamento dos alunos.




                                                Meio ambiente

                É função da escola contribuir para a formação do aluno-cidadão consciente, apto
                a decidir e a atuar na realidade socioambiental de modo comprometido com a
                vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso,
                a escola deve não apenas transmitir informação sobre o meio ambiente, mas
                desenvolver atitudes e projetos de conscientização sobre a necessidade de
                preservação das riquezas naturais que ainda existem no planeta.




                                              Trabalho e consumo

                Esse tema considera questões centrais que envolvem direitos já formulados em
                lei e que são objetos de mobilização social para se concretizarem: a erradicação
                do trabalho infantil, a mobilização contra discriminações de gênero, de raça e
                idade nas relações de trabalho, a defesa dos direitos especiais dos portadores
                de deficiências e a defesa dos direitos dos consumidores.




                                         36
Estrutura e Funcionamento da Educação




                               Pluralidade cultural

 Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e
 valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Essa diversidade é alvo
 de preconceitos e discriminação, atingindo a escola e reproduzindo-se em seu
 interior. A escola deve ser local da aprendizagem, garantindo a igualdade, do
 ponto de vista da cidadania, e ao mesmo tempo a diversidade, como direito.




   Como você pode observar, a transversalidade diz respeito à
possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação
entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados
(aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender
na realidade).

    A transversalidade promove uma compreensão abrangente dos
diferentes objetos de conhecimento, bem como a percepção da
implicação do sujeito na sua própria construção do conhecimento,
superando a dicotomia entre ambos. Assim, a transversalidade abre
espaço para a inclusão dos saberes extra-escolares, possibilitando
a referência a sistemas de significado construídos com base na
realidade dos alunos.


Contextualização: teoria na prática

   O princípio da contextualização integra-se ao aprender a fazer, ou
seja, não basta apenas ensinar o aluno, transmitindo-lhe conhecimento
e restringindo a sua participação a uma atitude de mero espectador
passivo. Assim, o conhecimento precisa ser contextualizado, porque
essa é a alternativa para a escola tirar o aluno da condição de
espectador passivo.

   Por exemplo, se o aluno derruba um objeto, ascende uma lâmpada,
cai dentro do ônibus em função de uma freada brusca, enfim, se o
aluno vivencia situações corriqueiras, certamente ele deverá perceber
que existe uma integração entre os conteúdos propostos pela escola
e as experiências vividas nas mais diversas situações.

                                                      37
Estrutura e Funcionamento da Educação



                  A contextualização é importante para tornar as aprendizagens mais
               significativas, despertando a curiosidade dos alunos e o interesse
               pelas questões apresentadas no âmbito da escola.




                           Atividades e Orientações de Estudo

                  Leia o texto a seguir:

                                               A teoria na prática

                O conhecimento precisa ser contextualizado, porque esse é o recurso que a
                escola tem para tirar o aluno da condição de espectador passivo. Não basta
                ao aluno conhecer o funcionamento dos aparelhos do organismo humano.
                Ele precisa entender como funciona seu próprio corpo e que consequências
                têm atitudes práticas que adota em seu dia-a-dia, como fazer dieta, fumar ou
                exercer sua sexualidade. A conselheira Guiomar Namo de Mello cita exemplos
                da contextualização pretendida: o jovem do novo ensino médio que surfa nas
                ondas deverá saber relacionar seu equilíbrio e seus movimentos às leis da física.
                Ou entender como funciona um telefone celular, ou ainda saber estabelecer a
                relação entre o tamanho de um ambiente e a potência em BTUs do aparelho de
                ar condicionado que deve comprar. Enfim, saber exercer a cidadania a partir do
                seu currículo de convivência cotidiana.

                Outro eixo norteador ― a interdisciplinaridade― pretende fazer o aluno entender
                que conhecimento não é algo estanque e só o estabelecimento de padrões torna
                possível a convivência social. Como explica Ruy Berger: “Podemos começar na
                área de ciências sociais, com os conceitos de grupo social, de blocos regionais
                e outros, até bater na matemática, com suas medidas padronizadas, e na
                língua portuguesa, com as regras de ortografia. Fica mais fácil para o aluno
                estudar se ele entender que a relação social precisa de um código de normas
                convencionadas.”

                A partir desses dois princípios estruturadores do currículo ― interdisciplinaridade
                e contextualização ― será possível vincular a educação ao mundo do trabalho e
                à prática social, de maneira que o aluno seja capaz de continuar aprendendo, de
                ter autonomia intelectual e pensamento crítico e de compreender os fundamentos
                científicos e tecnológicos dos processos produtivos.

                Para que o aluno aprenda a pensar e a relacionar o conhecimento com dados
                da experiência cotidiana, o currículo precisa, em primeiro lugar, perder ser
                caráter enciclopédico e congestionado de informações. Os conteúdos devem ser
                entendidos como meios para a constituição de competências e valores e não como
                objetivos do ensino em si mesmos. A memória deve ser menos trabalhada do que
                o raciocínio. O conhecimento deve ser “experimentado” pelo aluno, e não apenas
                recebido por ele. Durante o curso, o aluno deve adquirir abertura e sensibilidade
                para identificar as relações que existem entre os conteúdos do ensino e das
                situações de aprendizagem com os contextos de vida social e pessoal, de modo
                a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o objeto do conhecimento. Em
                resumo: o ensino médio deverá ser capaz de constituir competências, habilidades
                e disposições de condutas e não simplesmente “entupir”o aluno de informação.

                          Fonte: BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino Médio.
                                                                                Brasília: MEC, 1999.



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Estrutura e Funcionamento da Educação




Vamos participar de um fórum de discussão?

   Após a leitura do texto, vamos refletir sobre a interdisciplinaridade
a contextualização como dois eixos norteadores do Ensino Médio.

   Participe de um fórum temático de discussão, abordando
a importância de a escola trabalhar os conteúdos de forma
contextualizada.

    Reflita sobre o ensino da informática no nível Médio. De que forma
o ensino da informática, por exemplo, poderia ser realizado de forma
contextualizada e interdisciplinar? Você poderia pensar em uma
estratégia para o ensino da informática no nível médio, considerando
os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade? Que tal
colocar suas ideias no fórum temático de discussão? De precisar de
ajuda, consulte os tutores e os professores que estarão acompanhando
seus percursos de aprendizagem. Vamos lá! Vamos ampliar nossas
reflexões sobre o tema.




           Vamos Revisar?


   Vamos resumir o assunto deste capítulo por meio de esquemas
sobre os conceitos de interdisciplinaridade, transversalidade e
contextualização. Agora, é hora de rever o assunto e verificar se ainda
existe alguma dúvida. Bons estudos!




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Estrutura e Funcionamento da Educação




                                               Interdisciplinaridade

                • Processo de integração e engajamento dos educadores num trabalho conjunto

                • Integração das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade

                • Superação da fragmentação do ensino

                • Visão global: construção do conhecimento crítico

                • Processo dialógico e dialético


                                                Transversalidade

                • Possibilidade de estabelecer na prática educativa uma relação entre aprender
                conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as
                questões da vida cotidiana (aprender na realidade).

                • Os temas transversais (ética, pluralidade cultural, meio ambiente, orientação
                sexual, saúde) não devem ser trabalhados como novas áreas ou novas
                disciplinas. Eles pressupõem uma prática pedagógica integrada, promovendo o
                diálogo interdisciplinar entre as diferentes áreas.

                • A transversalidade traz a necessidade de a escola atuar de forma crítica na
                educação de valores e atitudes em todas as áreas, influenciando a construção da
                concepção de cidadania dos alunos.


                                   Interdisciplinaridade e Transversalidade

                • Fundamentam-se na crítica de uma concepção de conhecimento que toma a
                realidade como um conjunto de dados estáveis.

                • Ambas apontam para a complexidade do real e a necessidade de se considerar
                a teia de relações entre os seus diferentes e contraditórios aspectos.

                • A transversalidade só faz sentido dentro de uma concepção interdisciplinar do
                conhecimento (BUSQUETS, 1998.)




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Estrutura e Funcionamento da Educação




    Referências


BRASIL. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº.
9394/96.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino
Médio. Brasília: MEC, 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino
Fundamental: introdução. Brasília: MEC/SEF, 1998. p.65-69.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
Curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino
Fundamental: apresentação dos temas transversais. Brasília:
MEC/SEF, 1998.

BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+
Ensino Médio: Orientações Educacionais e Complementares
aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências da Natureza,
Matemática e suas Tecnologias, Brasília: MEC /SEMTEC,
2002.

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Orientações
Curriculares para o Ensino Médio, Ciências da Natureza,
Matemática e suas Tecnologias, v. 02. Brasília: MEC, 2006.

FAZENDA, Ivani C. Arantes. Interdisciplinaridade: história,
teoria e pesquisa. São Paulo: Papirus, 1994.

KLEIMAN, A.; MORAES, S. Leitura e interdisciplinaridade:
tecendo redes nos projetos da escola. Campinas, São Paulo:
Mercado de Letras, 1999.

KUENZER. Acácia Z. Ensino Médio: construindo uma proposta
para os que vivem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000.

LÜCK, Heloísa. Pedagogia interdisciplinar. Rio de janeiro:
Vozes, 1994.

ZABALA. Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto
Alegre: Artmed, 1998.

http://portal.mec.gov.br


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Estrutura e Funcionamento da Educação



                      http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/res0398.pdf

                      http://www.crmariocovas.sp.gov.br/enm_a.php

                      http://www2.funedi.edu.br/revista/revista-eletronica1/Artigo1.
                      htm

                      Resolução CEB nº 3, de 26 de junho de 1998

                      http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/resolucaoCEB3.
                      htm Acesso: 03 jun 2009

                      PARECER CEB 15/98 aprovado em 1/6/98

                      http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/parecerCEB15.htm
                      Acesso: 03 jun 2009




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Estrutura e Funcionamento da Educação



Considerações Finais

   Olá, Cursista!

   Esperamos que você tenha aproveitado bem os assuntos
abordados na disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação.

    Ao longo desta disciplina, você percebeu a importância de ampliar
as reflexões sobre a educação, reconhecendo a legislação educacional
como ferramenta primordial no debate para as reformulações
curriculares acerca das diferentes modalidades de ensino (Educação
Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior).

   Estudamos um breve histórico da organização educacional no
Brasil, considerando as diferentes fases históricas da educação e suas
respectivas representações nas diversas constituições brasileiras.
Além disso, vimos a importância da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação, nº 9394/96 no cenário da educação brasileira, percebendo
os diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como sua estrutura
organizacional conforme a legislação vigente.

   Outro aspecto abordado considerou os profissionais da educação
e os recursos financeiros destinados à educação, focalizando o Plano
Nacional de Desenvolvimento da Educação.

    Por fim, como você observou, neste quarto e último módulo,
as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros
curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +),
considerando os princípios orientadores do Ensino Médio, tais como:
a interdisciplinaridade e a contextualização.

    Sentimos imenso prazer ao acompanhar seus percursos ao longo
das atividades e experiências propostas nesta disciplina. Esperamos
ter contribuído para a ampliação de seus conhecimentos acerca da
educação brasileira.

   Aguardamos sua participação em novas experiências virtuais de
aprendizagem. Até lá e bons estudos!

   Abraços Virtuais,

                        Ivanda Martins Silva
                         Maria Lúcia Soares
                        Roseane Nascimento
                             As autoras

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Estrutura e Funcionamento da Educação



               Conheça as Autoras

                  Ivanda Maria Martins Silva

                   Olá, Pessoal!

                   Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural
               de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a
               Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática
               (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na
               elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a
               distância, ofertados pela UFRPE, produzindo materiais didáticos para
               disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual
               e Português Instrumental.

                  Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo
               pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e
               Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos
               nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei
               alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária
               à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo
               Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual:
               múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo
               frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão:
               múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações
               editadas pela Baraúna/Recife.

                  Maria Lúcia Soares

                  Olá, Pessoal!

                   Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade
               Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na
               Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da
               Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando
               na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de
               Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista.
               Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas
               Pedagógicas e Projetos Educacionais.

                  Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas
               sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em
               diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares.

                                        44
Estrutura e Funcionamento da Educação



   Roseane Nascimento

   Olá, Cursistas!

   Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de
pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento
e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela
UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo
pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional.

   Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no
Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora
conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das
Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA).
Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à
disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática
Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia
Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração,
execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção
acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e
Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos
didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.




                                           45

Estrutura E Funcionamento Da Educação Volume 1 2 3 e 4

  • 1.
    Estrutura e Funcionamentoda Educação Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento Recife, 2009
  • 2.
    Universidade Federal Ruralde Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Glaydson da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
  • 3.
    Sumário Plano da Disciplina ...............................................................................4 Apresentação ........................................................................................9 Conhecendo o Volume 1 ....................................................................10 Capítulo 1 - A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República..............................................................................12 Capítulo 2 - A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980......................................................25 Capítulo 3 - As Constituições Brasileiras: Panorama Histórico- social e Concepções de Educação ...................................................35 Capítulo 4 - A Educação na Constituição de 1988 ...........................52 Considerações Finais .........................................................................64 Conheça as Autoras ...........................................................................66
  • 4.
    Plano da Disciplina Carga horária: 60h Ementa da Disciplina: Realizar a análise histórica de como ocorreu a estruturação do Sistema Escolar Brasileiro, frente aos fundamentos filosóficos, históricos e socioeconômicos e políticos, de forma a refletir conhecimentos e valores éticos aos graduandos, futuros profissionais da educação, nos diferentes níveis de ensino. Destaque para os termos da LDB 9394/96 no processo de mudanças da educação brasileira e o papel dos profissionais de educação enquanto agentes de transformação da educação. Objetivos Objetivo Geral 1 Contextualizar a evolução do processo de organização e funcionamento da educação brasileira, focalizando o Ensino Fundamental e Médio e o momento histórico atual, de modo a possibilitar ao graduando analisar criticamente e posicionar-se como agente desse processo, tendo como referencial básico a legislação educacional. Objetivos Específicos 1 Conhecer a base teórico-legal e as condições materiais para a organização e o funcionamento da educação, no Brasil, como parte do processo histórico-social. 2 Caracterizar as relações entre educação e sociedade no Brasil, considerando o desenvolvimento da economia, a evolução da cultura e a estruturação do poder político. Bem como perceber a dependência das leis em relação ao jogo de influências e interesses que atuam na sociedade. 3 Refletir sobre fatores condicionantes da alta seletividade que marcam o sistema educacional brasileiro, situando-os dentro e fora da escola; 4 Reconhecer as principais instituições e movimentos educacionais e o papel que tiveram no quadro geral da educação brasileira; 5 Refletir sobre a delimitação da Constituição Federal de 1988 e dos limites e possibilidades da nova LDB (lei no. 9394/96) face ao panorama atual das políticas neoliberais quanto ao quadro de formação dos professores.
  • 5.
    Conteúdo Programático Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no Brasil: Da Colônia até a Década de 1980 Carga horária do Módulo 1: 15h 1 A Educação no Período do Brasil-Colônia até a Primeira República. 2 A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980. 3 As Constituições Brasileiras 4 A Educação na Constituição de 1988. Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 Carga horária do Módulo 2: 15h 1 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. 2 Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. 3 Educação Básica e Superior na LDB 3.1 Educação Infantil 3.2 Educação Fundamental 3.3 Ensino Médio 3.4 Educação Superior 4 Modalidades da Educação na LDB 4.1 Educação de Jovens e Adultos 4.2 Educação Especial 4.3 Educação Profissional 4.4 Educação a Distância Módulo 3 - Os Profissionais da Educação e os Recursos Financeiros destinados à Educação Carga horária do Módulo 3: 15h
  • 6.
    1 Profissionais daEducação 2 Recursos Financeiros para Educação 3 Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação Módulo 4 - Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +) Carga horária do Módulo 4: 15h 1 Análise crítica das Diretrizes Curriculares Nacionais 2 Abordagem crítica dos Parâmetros Curriculares Nacionais Avaliação Será avaliada a participação dos alunos através das atividades propostas em cada módulo, mediante os seguintes critérios: fundamentação teórica, autonomia das ideias, coesão e coerência textual. A avaliação será construída ao longo do processo de ensino-aprendizagem, privilegiando-se uma abordagem formativa. Serão considerados os seguintes instrumentos para os processos avaliativos: 1 Participação em fóruns orientados de discussões 2 Participações em chats orientados 3 Pesquisas orientadas 4 Socialização de pesquisas e leituras 5 Auto-avaliação 6 Resolução de atividades propostas no material didático impresso 7 Resolução de webquests 8 Provas presenciais Metodologia A metodologia a ser empregada irá priorizar os seguintes instrumentos didático- pedagógicos: 1 Pesquisa bibliográfica. 2 Estudo dirigido 3 Participação nos debates (chat e fórum)
  • 7.
    4 Socialização deleituras e experiências didático-pedagógicas 5 Produção de texto individual . 6 Leitura do material didático impresso de acordo com o cronograma proposto. 7 Fóruns de discussão (participação quantitativa e participação qualitativa nos fóruns temáticos propostos). 8 Chats temáticos (participação quantitativa e participação qualitativa nos chats temáticos propostos). 9 Quiz (os alunos serão estimulados à participação em exercícios propostos no Quiz como forma de contribuir para o seu processo de auto-avaliação). 10 Vídeos-aula: apresentação de vídeos-aula com temas do conteúdo proposto no material didático impresso. 11 Propostas de pesquisas e leituras dirigidas com base nas temáticas propostas. 12 Exercícios de revisão. Referências Bibliografia Básica: ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989 BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 2001. COSTA, M. A educação nas Constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP & A, 2002. FAVERO, O. A educação nas Constituições brasileiras: 1823-1988: Campinas, SP: Autores Associados, 1996 GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. HAGUETTE, A. Educação: bico, vocação ou profissão? In: Educação & Sociedade, n. 38, abril/91. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. POLETTI, R. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, V.3) ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973). 25. ed. Petrópolis:
  • 8.
    Vozes, 2001. SILVA, R. Educação e trabalho: o planejamento de ensino como uma das expressões da organização do trabalho pedagógico para uma escola pública e de qualidade. Conferência Internacional: Educação, Globalização e Cidadania. CE/ UFPB – João Pessoa/ PB, Fev. 2008. Bibliografia Complementar FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez e Moraes, 1986. RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15ª. Ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998. SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores associados, 1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/
  • 9.
    Apresentação Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Esta disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos com a estrutura da organização educacional e com a legislação pertinente a cada nível de ensino. Para tanto, faremos uma breve retrospectiva histórica, seguida de uma análise das leis que regem a educação brasileira. Neste primeiro módulo, vamos conhecer um pouco do breve histórico da organização educacional no Brasil, considerando o período do Brasil-Colônia até década de 1980. É importante que vocês percebam que a educação está ancorada em processos históricos, políticos e sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores, no sentido de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros. Convidamos todos vocês para embarcarem nesta viagem rumo ao universo mágico da educação, tendo em vista as transformações históricas e sociais que nortearam o panorama da educação no cenário brasileiro. Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá? Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conhecendo o Volume 1 Neste primeiro volume, você irá encontrar o módulo 01 da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste primeiro módulo. Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no Brasil: Da Colônia até a Década de 1980. Carga Horária do Módulo 1: 15 h/aula Objetivo do Módulo 1: Construir um panorama crítico da educação brasileira, considerando um breve histórico da organização educacional apresentada no Brasil-Colônia até a década de 1980, fornecendo subsídios para uma visão crítica dos aspectos históricos, sociais e políticos subjacentes aos processos educacionais. Conteúdo Programático do Módulo 1: • A Educação no Período do Brasil-colônia até a Primeira República • A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889- 1930) até a década de 1980 • As Constituições Brasileiras • A Educação na Constituição de 1988. 10
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República O que vamos estudar neste capítulo? • A Educação no Período do Brasil-Colônia • O papel dos jesuítas na educação brasileira 11
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 - A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar como está estruturada a Educação no Brasil? Quais são as leis que regem nossa educação? Ainda não? Então, é hora de começarmos a discutir a organização dos processos educacionais no Brasil, considerando a contextualização histórico-social que fundamenta os principais episódios e a legislação educacional no cenário brasileiro. Para iniciarmos a nossa conversa, vamos lançar alguns questionamentos para você. Vamos lá? Você conhece a Constituição de 1988? Já analisou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) no Brasil, Lei nº 9394/96? Já parou para pensar na importância de conhecer criticamente os documentos que norteiam as diretrizes da educação brasileira? Nos cursos de licenciatura, para a formação de futuros professores, é fundamental ampliarmos as discussões sobre os temas que orientam a regulamentação da legislação educacional, bem como os estudos sobre os processos de contextualização histórico-social da educação. Assim, é fundamental que você perceba a importância de conhecer criticamente a organização do ensino, reconhecendo os papéis dos educadores neste processo. Para que os educadores atuem como agentes de transformação social, é essencial que percebam que as concepções de ensino-aprendizagem, currículo, avaliação, prática pedagógica estão diretamente relacionadas a aspectos políticos, históricos e sociais que estão subjacentes aos processos educacionais. A educação no Brasil-Colônia Alguma vez você já parou para refletir sobre o início dos processos educacionais em território brasileiro? Em outros termos, você seria capaz de dizer exatamente quando começou a educação brasileira? Refletiu? Chegou a alguma conclusão? Podemos observar que as ações no âmbito da educação são 12
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação anteriores à chegada dos Portugueses em solo brasileiro, pois já existia a educação informal com os nossos primeiros habitantes, os “índios”. Os nativos já tinham suas estratégias relacionadas aos processos de ensino-aprendizagem, transmitindo conhecimentos e perpetuando os ensinamentos, as histórias, as tradições, as lendas ao longo dos anos. De geração em geração, os índios já vivenciam a educação de forma intuitiva, percebendo as conexões entre ensinar e aprender como processos estreitamente ligados. Em 1500, com a chegada dos portugueses no Brasil, inicia-se o processo de colonização e o confronto entre culturas e línguas diferentes. Sabemos que o processo de colonização, no Brasil, se realizou de forma exploratória, ou seja, o processo de colonização foi bastante devastador, cujo objetivo principal era o de exploração da terra e de todas as riquezas do solo brasileiro. Nesse processo de colonização, inicia-se também a aculturação do povo nativo, por meio da imposição da cultura lusitana, dos princípios religiosos, das convenções da língua portuguesa, além de diversos valores que eram impostos aos índios, primeiros habitantes do solo brasileiro. Nesse período de colonização, os jesuítas1 iniciaram o processo de catequese e começaram a desenvolver experiências educacionais. Atenção Com o intuito de catequizar os índios, a educação iniciada pelos jesuítas estava fundamentada nos ensinamentos da cultura do 1 Os jesuítas eram colonizador, valorizando elementos característicos da língua e da representantes religiosos da religião dos portugueses. Nesse contexto, houve um jesuíta que se Igreja Católica que tinham como destacou pelo seu trabalho de catequese: o Padre José de Anchieta. missão difundir Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Padre José de os preceitos do catolicismo. Anchieta? Figura 1 - Padre José de Anchieta catequizando os índios brasileiros 13
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Mini-biografia Padre José de Anchieta O grande piahy (“supremo pajé branco”), como era conhecido pelos índios, nasceu na ilha de Tenerife, uma das ilhas Canárias, em 1534. Chegou no Brasil em 1553, fundando no ano seguinte um colégio em pleno planalto paulista, na cidade de São Paulo. Faleceu em 1579, no litoral do Espírito Santo. José de Anchieta organizou a primeira gramática do tupi-guarani, espécie de cartilha para o ensino da língua dos nativos (Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil) e publicou vários poemas e peças teatrais. Anchieta destacou-se por pesquisar a cultura do nativo e utilizar as crenças e as lendas do povo indígena para realizar o processo de catequese. O padre José de Anchieta destacou-se pela sua produção literária, didática e religiosa. Escreveu poemas, gramáticas, peças teatrais e outras obras que se destacaram neste período. Sua peça mais admirada é Na Festa de São Lourenço, representada pela primeira vez em Niterói, em 1583. A maior parte dos versos foi redigida em tupi; o restante, em espanhol e português. Veja as principais obras de Anchieta: Obras de Anchieta 1. Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (1595) 2. Informações (1933) 3. Cartas (1933) 4. Fragmentos Históricos e Sermões (1933) 5. Na Festa de São Lourenço (teatro) 6. Na Visitação de Santa Isabel (teatro) Poemas famosos de Anchieta 1. A Santa Inês 2. Do Santíssimo Sacramento 3. Em Deus, Meu Criador 4. Poema à Virgem 14
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Filmoteca: Cinema em Ação Você já assistiu ao filme A Missão? Ainda não? Veja a sinopse do filme e depois tente assisti-lo para ampliar sua compreensão sobre o papel de alguns jesuítas no período da colonização. No final do século XVIII Mendoza (Robert De Niro), um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe (Aidan Quinn), seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta (Cherie Lunghi). Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos. Fonte: http://www.cinemenu.com.br/filmes/a-missao-1986/sobre-o-filme Após assistir ao filme, discuta com seus colegas a temática apresentada em um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos professores/tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento das atividades virtuais. De volta ao assunto No contexto do Brasil-Colônia, a educação escolarizada era interessante e conveniente para a camada dominante (portugueses). A camada dominada (índios) deveria ser catequizada e instruída. Naquela época, existiam dois Planos de Estudo que divergiam: o Plano de Estudo do Pe. Manoel da Nóbrega que era materializado na prática e o Ratio que era o plano do Rei. Veja o esquema a seguir e observe as características dos dois planos. 15
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Planos de Estudo DE NÓBREGA DE RATIO Aprendizado do Português Curso de Humanidades Doutrina cristã Curso de Filosofia Escola de ler e escrever Curso de Teologia Canto orfeônico Música instrumental Viagem à Europa Aprendizado Estrutura profissional geral latina e agrícola Viagem à Europa Conhecendo um pouco mais sobre o Plano de Estudo de Nóbrega e de Ratio O plano de estudo de Nóbrega começava pelo aprendizado do português e o ensino da doutrina cristã (ambos auxiliando no processo de aculturação) que eram obrigatórios. Em caráter opcional eram oferecidos canto orfeônico e música instrumental. Dentro da escola de ler e escrever, que também era obrigatória, havia uma subdivisão − o aprendizado profissional e agrícola e, do outro lado, gramática e viagem de estudos à Europa. Inicialmente, Nóbrega recrutava às vocações sacerdotais os indígenas, mas, logo percebeu a adequação destes à formação sacerdotal católica e como havia o interesse em prepará-los para as funções essenciais à vida da colônia, exerceu influência na proposição de um ensino profissional e agrícola. Este plano sofreu sérias resistências a partir de 1556 até 1570, com a morte de Nóbrega. Após sua morte, a Companhia de Jesus reformula o processo educacional através do Plano de Estudo de Ratio, publicado em 1599, que concentrava sua programação nos elementos da cultura europeia, demonstrando seu desinteresse em “instruir” também o índio. 16
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação “O plano legal (catequizar e instruir os índios) e o plano real se distanciavam. Os instruídos serão descendentes dos colonizadores. Os indígenas serão apenas catequizados”. (RIBEIRO, 2001, p. 23). Um novo período para a Educação Em 1759, você sabe o que aconteceu? Os jesuítas foram expulsos do Brasil e seus bens que equivaliam a 10% do PIB brasileiro foram confiscados, ou seja, o 1º grande desvio de verbas da educação. Começa uma fase negra na educação, poucos recursos, aulas esporádicas e professores mal preparados e mal remunerados. Esse período se estendeu até a chegada da corte portuguesa no Brasil, em 1808, após Portugal ter sido invadido pelas tropas francesas. A instalação imediata do governo português em território colonial obrigou a uma reorganização administrativa. A partir desta nova realidade (o Brasil como sede da Coroa Portuguesa) se fez necessária uma série de medidas atinentes ao campo intelectual geral, como: a criação da Imprensa régia (1808), Biblioteca Pública (1810), o 1º jornal “A Gazeta do Rio” (1812), a 1ª revista “As variações ou Ensaios de Literatura (1813). Você acha que essas medidas interessaram a quem? Será que a camada popular tinha acesso a elas? Não, claro que não. Só quem teve acesso a todos esses investimentos foi a corte. Quando a corte portuguesa volta à Portugal e o Brasil passa pela fase imperial com Dom Pedro I, em 1879, é decretada a reforma Leôncio Carvalho. Entre as medidas necessárias estavam: a) Liberdade de Ensino b) O exercício do magistério era incompatível com o de cargos públicos e administrativos. c) Liberdade de frequência. Desde o período agrário-comercial exportador dependente (1894 a 1920) já trazia a composição educacional: 1 – Ensino Primário (atualmente denominado Ensino Fundamental) 2 – Ensino Médio 3 – Ensino Superior 17
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Aos poucos, devido o crescente processo de industrialização e urbanização do país, novas demandas são postas à formação de mão- de-obra para o trabalho. Nesse contexto, abrem-se oportunidades para que a camada social popular, historicamente desfavorecida, tenha acesso à educação escolar, a níveis cada vez maiores de escolarização. Será que isso foi de uma hora para outra? Você provavelmente respondeu que não, pois a educação só é disponibilizada para as camadas populares quando há interesses políticos e econômicos das classes dominantes. Conheça Mais Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia. Então, vamos continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as indicações a seguir: www.histedbr.fae.unicamp.br www.brasilescola.com/historiab/brasil-colonia.htm www.portalbrasil.net.educacao.htm Você Sabia? Você sabia que a Carta de Pero Vaz de Caminha é um documento que descreve as terras encontradas no Brasil e os nativos? Caminha, escrivão português, tinha como missão relatar tudo o que encontrasse em terras brasileiras. Iniciada em 26 de abril e concluída no dia 1º de maio de 1500, a carta de Pero Vaz de Caminha foi enviada para o rei de Portugal por intermédio de Gaspar de Lemos, anunciando a “descoberta” de terras. É interessante observar como Caminha descreve os nativos. 18
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Observe um trecho da carta: “Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir Atenção nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostrar no rosto. Eles porém contudo andam muito bem curados e muito 2 Escritor limpos e naquilo me parece ainda mais que são como as aves ou alimárias do período monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque Modernista os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais Brasileiro. ser”. Destacou-se com as publicações Fonte: A carta de Pero Vaz Caminha, escrita em 1500. frequentes: “A Poesia em Pânico” (1937); No período do Modernismo Brasileiro, vários autores revisitaram “O Visionário” (1941); “As a carta de Pero Vaz de Caminha e elaboraram vários textos que Metamorfoses” mantêm relações dialógicas (intertextuais) com o documento escrito (1944); “Mundo Enigma” e pelo escrivão Português. Veja a seguir, o poema de Murilo Mendes “O Discípulo de Emaús” que revista a carta de Caminha com tom irônico. (1945); “Poesia Liberdade” (1947); “Janela A CARTA DE PERO VAZ do Caos” (1949), na França, numa Murilo Mendes2 edição especial com litografias de Francis Picabia; A terra é mui graciosa, “Contemplação Tão fértil eu nunca vi. de Ouro Preto” A gente vai passear, (1954); além de No chão espeta um caniço, outras obras. No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Bananas que nem chuchu. Quanto aos bichos, têm-nos muitos, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeraldas é para os trouxas. Atenção 3 Segundo Bernie Doge, Webquest: pesquisa em ação WebQuest é “uma investigação orientada na qual algumas ou todas Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado as informações com as quais neste capítulo? os aprendizes interagem são Título da WebQuest: O papel dos jesuítas na educação do originadas de recursos da Brasil-Colônia Internet”. Acesse: WWW.webquest. futuro.usp. Introdução br∕artigos∕textos_ bernie.html Os jesuítas tiveram papel importante na formação dos princípios da educação no período do Brasil-Colônia. Há muitas discussões sobre 19
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação a função da catequese como estratégia para disseminar a cultura do colonizador. Muitos jesuítas apropriaram-se da cultura do nativo, a fim de desenvolver estratégias de ensino direcionadas aos valores e crenças dos próprios índios. A Tarefa Sua missão é atuar como um repórter, a fim de realizar um documentário sobre o papel dos jesuítas na educação do período Brasil-Colônia. Para realizar este documentário, você precisa entrevistar pessoas sobre o tema, pesquisar sobre o assunto e depois tentar desenvolver um roteiro para um breve documentário que será transmitido por uma mega emissora de TV. Atenção O Processo 4 O Movie Maker é uma ferramenta para Realize pesquisas em sites, livros, revistas, a fim de coletar você criar filmes informações sobre o tema. Assista a filmes sobre o período colonial, no computador. Tente montar investigando o papel da educação neste contexto histórico-social. seu storyboard, coloque imagens, O seu documentário poderá ser realizado no formato movie maker4, clipes, fotos, ferramenta para produção de pequenos vídeos. Você poderá incluir músicas e você terá seu filme fotos, imagens, pinturas, poemas, entrevistas, legendas, músicas, pronto para ser assistido. enfim, o documentário poderá ser elaborado com base em uma Para saber mais diversidade de textos, linguagens e recursos, a fim de chamar a sobre movie maker, acesse: atenção dos espectadores. http://www. microsoft.com/ Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os brasil/windowsxp/ moviemaker/ quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão videos/create. mspx acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar o seu documentário, tente publicá-lo na plataforma do ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. Apenas lembramos que os vídeos para o moodle devem ser curtos. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: 20
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação • A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário • As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para subsidiar a produção do documentário. • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual apresentada no documentário. • Integração de outras linguagens, quando da produção do vídeo (música, pintura, textos escritos, charges, imagens, fotografias, etc.). Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar pesquisas e continuar estudando sobre a influência dos jesuítas na educação do Brasil-Colônia. Também pode experienciar a produção de pequenos vídeos, tendo em vista o gênero textual do documentário como forma de divulgar as pesquisas realizadas. Certamente, a criatividade e a criticidade foram premissas fundamentais para a elaboração desta atividade. Compartilhe suas experiências com outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente. Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta de forma eficaz. www. webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html www.scielo.br/pdf/ensaio/v12.n45/v12n45a03.pdf www.uefs.br/sitientibus/pdf/29/a_educacao_no_brasil_no_ periodo_colonial.pdf http://webquest.org/search/index.php http://webquest.sp.senac.br/textos/ref http://bestwebquests.com/default.asp http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/ 21
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de estudo Vamos fazer uma reflexão? Tente refletir sobre os seguintes tópicos. Você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, a fim de construir aprendizagens significativas. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as) que irão acompanhar os seus percursos de aprendizagem. Boa sorte e bons estudos! Agora, é hora de refletir. Vamos lá? 1– O contexto histórico (político-econômico-social) vem influenciando a estrutura e o funcionamento de ensino? Por quê? 2– Por que é importante conhecer a estrutura e o funcionamento de ensino? 3– A legislação é importante para regulamentar essa estrutura? Por quê? Vamos participar de um chat? Agora que você já estudou o assunto deste capítulo, é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática abordada, a fim de ampliar as discussões sobre a educação no período colonial. Que tal participar de um chat temático sobre o tema? Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não perca esta oportunidade! Mantenha a interação com seus colegas e com os professores que estão mediando a sua participação no ambiente virtual de aprendizagem. Vamos revisar? Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos 22
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação e continuar aprendendo. Lembre-se! Aprender a aprender é um pilar da educação muito importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a aprender”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos!. Resumo Neste capítulo, você estudou a educação no período do Brasil-Colônia, percebendo a importância de fatores históricos e sociais que influenciam os processos educacionais. Você percebeu a influência dos jesuítas no período de colonização, quando desenvolveram estratégias e estudos sobre a catequese do povo nativo. É bom lembrar que o Plano de Estudo de Nóbrega começava pela aprendizagem da língua portuguesa, enfatizando também a doutrina cristã, ou seja, enfocando o processo de aculturação. Esse plano, como já foi dito, sofreu muitas resistências e só se manteve até a morte de Nóbrega. Após sua morte, a companhia de Jesus reformula o processo educacional através do Plano de Estudo de Ratio que enfatizava os elementos da cultura europeia, demonstrando desinteresse em instruir os índios. 23
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889- 1930) até a década de 1980 O que vamos estudar neste capítulo? • A Educação no Brasil a partir da Primeira República • A Educação no Brasil a partir da década de 1930 • Reformas educacionais 24
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 - A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980 Vamos conversar sobre o assunto? No capítulo anterior, você estudou a influência dos jesuítas na educação do Brasil-Colônia. Neste capítulo, daremos continuidade à forma como se desenvolveu a educação no Brasil, percorrendo o período a partir da Primeira República. Antes, porém, vamos fazer uma retomada na linha do tempo. Você sabe o que aconteceu no Brasil quando se tornou “independente” de Portugal? Passamos um período de transição em que o imperador D. Pedro I governou o Brasil. Nesse contexto, aconteceram as pressões sociais das camadas dominantes em prol da autonomia política do país. Em que sentido? No sentido de que apesar do nosso país gozar da condição de independente de Portugal, quem ainda regia o Brasil era o imperador D. Pedro I. Este, mesmo desvencilhado da corte portuguesa, mantinha resquícios da lógica monárquica. Mas, o que será que aconteceu quando houve a queda da monarquia? Com a queda da monarquia em 1889 se inicia o que se denomina de Primeira República (também conhecida como República Oligárquica, República do café, República dos coronéis). É partir da constituição de 1891 que se instaura o governo representativo (federal e presidencial), os estados ganham autonomia a partir do federalismo e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são favorecidos, gerando-se, assim, o crescimento desigual entre os estados no Brasil. 25
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Figura 2 e 3 - A Primeira República tem início em 1889, com a declaração da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca (rosto em destaque), e finaliza no ano de 1930, quando o presidente Washington Luís é deposto pelos militares, e Getúlio Vargas assume a presidência. Nesse contexto, a passagem de um modelo exclusivamente agrário-exportador para um modelo parcialmente urbano industrial, impulsiona o surgimento de novas demandas emergentes de recursos humanos. Desse modo, a estreita oferta de ensino começou a chocar- se com a demanda social de educação. Frente ao crescente processo de urbanização e industrialização pelo qual passa o Brasil já no início do século XX, cresce, então, a defasagem existente entre educação e desenvolvimento no Brasil. A demanda pelas escolas cresce e não há um quantitativo de vagas suficientes para atendê-la. Desse modo, gera um desequilíbrio entre a demanda social por vagas nas escolas e as vagas efetivamente ofertadas à sociedade. Figura 4 - Visita de autoridades à escola Visconde de Ouro Preto. Diretor de Instrução Pública Fernando de Azevedo, com o Presidente Washington Luís e o Prefeito Antonio Prado Jr. Fotografia de Augusto Malta. 24 set. 1927 (IEB/USP). Desse modo, é no contexto do final do século XIX e primeiras décadas do século XX que vemos acontecer movimentos em prol da institucionalização e expansão da escola pública. Tais movimentos, identificados enquanto de entusiasmo e otimismo pedagógico, 26
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação se tornaram um marco na história da educação do Brasil. Suas reivindicações a favor de uma escola pública, gratuita, obrigatória e leiga para todos culminaram com a publicação de um documento em Atenção 1932, elaborado por Fernando de Azevedo5 e assinado por vinte e 5 Funcionário seis educadores, foi denominado de O manifesto dos pioneiros da público, escola nova7 sociólogo e educador brasileiro nascido em Minas Gerais, foi um dos responsáveis pela reforma do ensino no país, a partir de experiências feitas no Ceará (1923) e Rio de Janeiro (1926). Inicialmente um seminarista formou-se em direito e abraçou o magistério. Figura 5 - Fernando de Azevedo: o elaborador do documento Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Atenção 6 O Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova foi um documento assinado por 26 educadores renomados. Destacamos ainda que o termo ensino Leigo, neste contexto, Figura 6 - Anísio Teixeira6: um dos principais expoentes do movimento dos significa em pioneiros da escola nova oposição ao ensino eclesiástico (da igreja). 8 Anísio Teixeira fez seus primeiros estudos em colégios jesuítas em Salvador. Ingressou na faculdade de direito no Rio de Janeiro, formando-se em 1922. De volta à Bahia, assumiu o cargo de Inspetor Geral de Ensino, iniciando sua carreira de pedagogo e administrador público. Em 1928, ingressou na Universidade de Columbia, em Nova York, onde obteve o título de mestre e conheceu o educador John Dewey. Tornou-se Secretário da Educação do Rio de Janeiro em 1931 e realizou uma ampla reforma na rede de ensino, integrando o ensino da escola primária à universidade. Anísio Teixeira viveu até 1945. 27
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A Educação no Brasil a partir da década de 1930 Atenção A partir do que já foi exposto, pode-se afirmar que, para o entendimento de como a educação brasileira foi se constituindo ao 7 A Reforma longo de sua trajetória, é necessário retomar a história da organização Francisco Campos, em social brasileira, ou seja, é fundamental considerar as relações 1931, representou de fato uma econômicas, políticas, sociais, de cada período histórico. ação objetiva do Estado Nesse sentido, Romanelli (2001), em seu livro História da em relação à educação, Educação no Brasil, ao analisar a relação entre educação e ou seja, uma desenvolvimento no Brasil a partir de 1930 até a década de 60, expõe organização da estrutura do três fases da evolução do sistema educacional brasileiro: de 1930 até ensino à base de um sistema 1937; de 1937 até 1946 e de 1946 até 1961. A seguir destacamos nacional. alguns elementos relacionados a cada fase: Regulamentou uma estrutura orgânica A) De 1930 a 1937 ao ensino secundário, comercial No campo político vemos a atuação do governo provisório com Getúlio Vargas. e superior No campo educacional, destacamos, nesse período, a Reforma Francisco da época. Campos7 ocorrida em 1931 e a luta dos Pioneiros da Escola Nova contra as Teoricamente forças conservadoras da época, culminando com a carta de manifesto de 1932. foi uma grande reforma, na prática, entretanto B) De 1937 a 1946 volveu-se preferencialmente para organização Verifica-se outra fase do governo Vargas que faz a trajetória entre os anos de do sistema 1937 até os anos de 1945. Um período de regime político totalitário (ditadura), educacional denominado de período do Estado Novo. No campo educacional, representou das elites. um intervalo nas lutas ideológicas em torno dos problemas educacionais. (ROMANELLI, Destacamos, também, as Leis Orgânicas do Ensino10, as quais começaram a 2001). ser promulgadas a partir de 1942, e estruturaram o ensino técnico-profissional durante o período. C) De 1946-1961 Em 1946 é votada a constituição que restabelece o regime democrático no Brasil. Assim sendo, reinicia-se às lutas ideológicas em torno do Projeto de Lei para a construção das Diretrizes e Bases da Educação do Brasil. Em 1961, após treze anos de discussões, é promulgada a primeira Lei que regulamenta as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei11 nº. 4.024/61. Já a partir de 1964, constata-se uma crise na educação marcada pelo Golpe Militar e os Acordos Internacionais. Esse período de regime militar no Brasil caracterizou-se basicamente por práticas autoritárias9 nas ações do Estado, pela supressão dos direitos constitucionais, pela intimidação aos oposicionistas e pela imposição de censura prévia a todos os meios de comunicação. 28
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atenção 8 Reforma relativa ao ensino secundário, também No que se refere especificamente à educação, vários acordos são conhecida como a reforma firmados entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) do Brasil CAPANEMA, em virtude do com a Agência Norte-americana de Desenvolvimento Internacional ministro Gustavo (USAID). O objetivo principal desses era a implantação no Brasil Capanema que por iniciativa de Programas americanos. Nesse período histórico, a educação no própria iniciou as reformas em Brasil foi marcada por uma ênfase no tecnicismo e por duas reformas, 1942, ainda de uma no ensino primário, outra no ensino superior. A reforma do ensino forma parcial. superior, a partir da Lei nº. 5.540 de 1968, foi implantada de forma altamente autoritária, sem nenhuma discussão com a sociedade civil ou com as universidades. Tal reforma institui a departamentalização nas universidades, a matrícula por disciplina, o regime de créditos e o vestibular classificatório. Já na década de 1970, com a Lei 5692/71, há uma reforma no ensino do 1º e 2º. Graus, tornando o 2º. grau profissionalizante. Filmoteca: Cinema em Ação Você sabia que o cinema brasileiro tem várias produções Atenção que reportam à época da ditadura militar? Para ampliar seus 9 Você já leu o conhecimentos sobre o que representou esse período tenebroso livro “Brasil: para o Brasil, indicamos o filme “Que é isso, companheiro”. Seguem Nunca Mais “ ? Esta obra a sinopse e informações técnicas dessa produção cinematográfica. foi organizada por Dom Paulo Pronto(a) para pegar a pipoca? Bom filme!! Evaristo Arns. O livro apresenta Sinopse do Filme vários exemplos de torturas que foram realizadas Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após no período da alguns anos de manifestações políticas, é promulgado, em dezembro de 1968, Didatura Militar. o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois É uma obra que acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período, vários revela o lado estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade. Em 1969, cruel de nossa militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados história no Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados período do regime nos porões da ditadura. militar. 29
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Informações Técnicas Título no Brasil: O que é isso, Companheiro? Título Original: O que é isso, Companheiro? País de Origem: Brasil Gênero: Drama Tempo de Duração: 105 minutos Ano de Lançamento: 1997 Direção: Bruno Barreto Você Sabia? Atenção 10 Com o No período da ditadura militar, vários pensadores, políticos e artistas acirramento da foram exilados do Brasil, em virtude de perseguições políticas. Chico ditadura militar estabelecida em Buarque de Holanda foi um dos artistas que sofreu as consequências 1964, a produção artística de do exílio. Suas canções retratavam, de forma metafórica, o período da Chico Buarque ditadura militar, denunciando a fala de liberdade de expressão como sofreu grande impacto. Em um dos grandes entraves neste cenário político-histórico-social. 1967, ele estreou o espetáculo “Roda-Viva”, Veja a letra da música a seguir. Trata-se da canção “Cálice”, de que acabou autoria de Chico Buarque10 e Gilberto Gil. A letra da música denuncia a censurado. Em 1968, dada falta da liberdade de expressão do período. O próprio título (“Cálice”) a repressão política, Chico é uma figura de linguagem que, do ponto de vista sonoro, apresenta Buarque preferiu duplo sentido. Podemos interpretar a expressão como o objeto o exílio na Itália. (cálice de vinho tinto de sangue) e também podemos analisar como a expressão “Cale-se”!, a qual apresenta a mesma sonoridade. Assim, em um sentido figurado, a letra a seguir pode ser interpretada como um manifesto contra a falta da liberdade de expressão que mantinha as pessoas caladas, sem voz, diante das atrocidades da ditadura militar. 30
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação CÁLICE (Gilberto Gil - Chico Buarque) Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado, eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa De muito gorda a porca já não anda De muito usada a faca já não corta Como é difícil, pai, abrir a porta Esse pileque homérico no mundo De que adianta ter boa vontade Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça. Pós-ditadura militar: o processo de democratização do Brasil Após vinte anos de ditadura militar, o Brasil reiniciou seu processo de democratização e, em 1988, é aprovada a Constituição Democrática de 1988. A partir desta carta magna, novos direitos são assegurados aos cidadãos brasileiros. Direito do cidadão de eleger os prefeitos dos municípios, os governadores dos Estados e o presidente da República, o reconhecimento e ampliação dos direitos dos trabalhadores, dentre outros. No que se refere especificamente à educação, a constituição 31
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação de 1988 garante o ensino público e gratuito. Desse modo, objetiva universalizar o Ensino Fundamental, obriga o Estado a oferecer a todos o Ensino Fundamental e propõe erradicar o analfabetismo em dez anos. A educação no contexto atual Atenção Atualmente, no Brasil, a educação escolar é regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)11 Lei no. 9394/96. 11 Você já conhece Assim sendo, a educação escolar pode ser oferecida em escolas a Lei de Diretrizes e Bases da da rede pública e da rede particular de ensino. As escolas públicas, Educação? Ainda não? Então, cuja oferta é gratuita, são mantidas e administradas pelos governos acesse: Federal, Estadual e Municipal. As escolas privadas, mantidas por http://www. planalto.gov.br/ pessoas ou empresas, podem ser com fins lucrativos ou sem fins ccivil_03/LEIS/ L9394.htm lucrativos. As escolas caracterizadas enquanto sem fins lucrativos Acesso em: 05 podem ser denominadas de: comunitária; confessionais (religiosas e abr. 2009. filantrópicas). Conheça Mais Amplie e aprofunde os seus conhecimentos a partir de pesquisas em outras fontes. Abaixo seguem algumas indicações: http://www.pedagogia.com.br/historia.php http://.sbhe.org.br http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/ ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. 32
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de Estudo Explore ao máximo o uso dos fóruns de discussão para colocar suas ideias e interagir com seus(suas) colegas, a fim de construir aprendizagens significativas. Quando necessário, você poderá interagir também com os(as) professores(as)/tutores(as) que irão acompanhar seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora, é hora de refletir. Vamos lá? 1– Qual a relação que se estabelece entre a educação e o contexto econômico, político, social, de cada período histórico no Brasil? 2– Na atualidade, o Brasil ainda vive resquício do período de ditadura militar? Vamos revisar? Lembre-se! É muito importante, para o seu sucesso no curso e nesta disciplina, esforço e dedicação constantes. A leitura e a pesquisa para aprofundamento das temáticas aqui discutidas devem fazer parte de sua prática cotidiana. Reserve um tempo de estudo para você aprofundar suas leituras e pesquisas. Vamos revisar juntos? Leia com atenção e bons estudos!. Resumo Você estudou, neste capítulo, aspectos sociais, econômicos e políticos que influenciaram e/ou determinaram a forma como a educação no Brasil se organizou, desde a Primeira República (1889-1930) até o processo de democratização na década de 1980. No início do século XX, vemos a demanda pelas escolas crescer e a não existência de quantitativo de vagas suficientes para atendê- la, fruto do desenvolvimento econômico e urbano do período. Esse momento histórico de crise acentuada na educação impulsionou movimentos educacionais que culminou na assinatura da Carta do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, em 1932 (movimento que defendeu a escola pública, obrigatória, gratuita e laica). Estudamos, também, várias reformas educacionais ocorridas nos diversos períodos aqui refletidos, bem como a promulgação da 1ª. Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº. 4.024/61 e a segunda LDB, a qual está em vigor, a LDB nº. 9394/96. 33
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 As Constituições Brasileiras O que vamos estudar neste capítulo? • Constituição Brasileira de 1824 • Constituição Brasileira de 1891 • Constituição Brasileira de 1934 • Constituição Brasileira de 1937 • Constituição Brasileira de 1946 • Constituição Brasileira de 1967 • Constituição Brasileira de 1988 • Concepções de educação nas diferentes constituições brasileiras • Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração das constituições brasileiras 34
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 - As Constituições Brasileiras: Panorama Histórico-social e Concepções de Educação Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar como as discussões sobre educação estão presentes nas constituições brasileiras? Ainda não? Então, é hora de começarmos a refletir sobre esse assunto, analisando o papel da educação nas diferentes constituições brasileiras. Certamente, você sabe que a linguagem jurídica utiliza uma terminologia própria. Algumas vezes, para pessoas que ainda não conhecem essa linguagem, pode parecer que é algo complicado e até chato. Mas, quando entendemos a linguagem que é utilizada, esta se torna muito mais fácil. Atenção Por exemplo, normalmente uma lei está em uma determinada categoria e recebe uma numeração, que é seguida do ano da 12 Você sabe promulgação12. o que é promulgação? É quando a lei é Normalmente a lei é subdividida em partes. Observe: aprovada e deve entrar em vigor. • Título: com a numeração romana → indica o assunto que está tratando. Ex: Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais • Capítulo: é uma divisão da temática maior (Título) → especifica sobre que parte está falando. Ex: Capítulo 1 Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos • Seção → sub-parte do Capítulo Ex: Seção I Disposições Gerais • Artigos → é a normatização propriamente dita. Escreve-se em numeração indoarábico, Ex: Art. 1º • Incisos → subdivisão dos artigos Na área educacional, algumas leis são extremamente importantes, dentre elas: 35
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação • A Constituição Federal (Constituição da República Federativa do Brasil) • A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) Vamos, então, começar a discutir cada uma delas? Conhecendo um pouco sobre a Constituição Brasileira As constituições recebem a denominação de Carta Magna. Por que será que as Constituições recebem o nome de Carta Magna? O que é uma Constituição? Para que serve? Por quem é elaborada? Que tal refletirmos juntos(as) sobre esses questionamentos? Figura 7 – Constituição de 1988 A Constituição é chamada Carta Magna porque é o documento inicial que traz a base legal para as diversas áreas da sociedade. Nela, está contida a legislação de um modo geral, desde a organização política, econômica e social do país, bem como seus segmentos. Sua utilidade é nortear os regulamentos da sociedade. Por isso mesmo é elaborada conjuntamente por diversos segmentos da sociedade. Até o presente momento já tivemos sete (07) constituições. No entanto, alguns autores consideram as reformulações que houve, em 1969, como características de uma outra constituição. Optamos por classificarmos em 07 (sete), uma vez que oficialmente só tivemos 07 constituições e não 08 (oito). 36
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação É bom lembrar que nem todas tiveram caráter democrático. Em alguns momentos, tivemos avanços e em outros retrocessos. Vejamos um exemplo: a gratuidade do ensino. A gratuidade surge como uma inovação na Carta Imperial de 1824; desaparece na 1ª Constituição republicana em 1891. A partir de 1934 passa a ser reconhecida como um direito social atribuído ao cidadão. A Constituição de 1946 atribui à União a competência de legislar sobre fundamentos e políticas sociais de educação. Este é o começo do ciclo das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ou seja, as disposições constitucionais vão ajustando a educação à estrutura política do país. No Brasil, houve sete (07) constituições, como foi comentado anteriormente, desde a Independência em 1822 até os dias atuais. É importante ressaltar que cada uma delas foi recebendo emendas. As Constituições de 1967 e 1988 foram abundantemente emendadas, fazendo com que a redação atual se distancie muito da redação original. As Constituições geralmente são promulgadas de dois a três anos após sua formulação (tempo utilizado para convocação de uma Assembleia Constituinte e para elaboração e aprovação do texto constitucional). Vamos conhecer um pouquinho sobre nossas constituições? Vamos lá? A Constituição de 1824 Figura 8 – Imperador Dom Pedro II 37
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Nossa 1ª Constituição foi resultante da Declaração de Independência do país, que ocorreu em 1822. Após a Independência houve uma séria crise política entre o imperador e os deputados, então D. Pedro II dissolve a Assembleia Constituinte de 1823, nomeia um Conselho de Estado com 10 membros e em poucos dias elabora e outorga o texto constitucional. Por que ela é outorgada e não promulgada? Porque não foi uma lei debatida e aprovada democraticamente, como também não foi aprovada por uma Assembleia Constituinte. Mas apesar do caráter ditatorial, os estudiosos sobre o assunto afirmam que ela era “adiantada” para a época. Essa Constituição dispunha sobre a formação do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Poder Moderador. Criou um Estado Unitário, representado pelo monarca. A 1ª Constituição ficou em vigência durante 65 anos. Em 1834, sofreu modificação com o Ato Adicional. Dentre as inovações estão: a criação de Assembleias Legislativas nas províncias (legislavam sobre vários assuntos, inclusive instrução), criação do Município Neutro (a Corte) e extinção do Conselho do Estado. Ter uma Constituição brasileira já foi um passo importante para o país. Observe que só aconteceu em 1824, ou seja, já havia passado quantos anos da colonização e submissão a Portugal? Relembrando os Avanços e Retrocessos da Constituição de 1824 Que avanços tivemos em nossa primeira Constituição? Apesar de ter sido uma constituição outorgada e não promulgada trouxe avanços significativos, como, por exemplo, no Art. 1º do Título 1º, quando é anunciado que o Império do Brasil é a associação política de todos os cidadãos brasileiros formando uma Nação livre e independente. Outro avanço é ter permitido legalmente outras religiões que não seja a Católica Apostólica Romana, mesmo que sendo apenas um culto doméstico ou particular. Em relação à área educacional, tem-se a gratuidade a todos os cidadãos da instrução primária. Como retrocesso, nós temos o fato de ter sido arbitrária e autoritária a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e ao engavetamento do projeto de constituição que estava sendo debatido. Sendo nomeado 38
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação um Conselho de Estado que elaborou outro texto constitucional que foi outorgado pelo Imperador? A Constituição de 1891 Figura 9 – Proclamação da República (Rio de Janeiro) A nossa 2ª Constituição foi resultante do advento da República, proclamada em 15 de novembro de 1889. O Congresso Constituinte foi instalado no 1º aniversário da Proclamação da República; era tida como presidencialista, democrática e liberal. Como inovações trouxe: a separação entre a igreja e o Estado; a regulamentação do casamento, do registro civil e secularização dos cemitérios. Dispunha muito pouco sobre educação. Durou 43 anos, tendo a primeira modificação em 1926, que pouco alterou a “Lei Maior”. Atenção Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição 13 Outorgado [Part. de de 1891 outorgar.] Adjetivo. E a nossa 2ª constituição foi democrática? Ela foi promulgada ou 1.Que se outorgou; que outorgada13? teve concessão; aprovado, Pelas discussões que fizemos anteriormente, você deve ter permitido, concedido. observado que ela foi promulgada14, o que foi um grande avanço Substantivo político. masculino. 2.Aquele a quem se outorga Define as atribuições dos poderes e os direitos dos cidadãos. (mandato, Prescreve o ensino leigo em estabelecimentos públicos e afirma que poderes, etc.); beneficiário de nenhum culto ou igreja gozará de subvenção oficial. outorga. O simples fato de o ensino não ser vinculado à igreja católica rompe Fonte: Dicionário Aurélio. a tradição do período colonial, uma vez que o mesmo foi marcado pelo ensino jesuítico e depois pelos resquícios deste. 39
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No Art. 70 são eleitores os cidadãos maiores de 21 anos, que se alistarem na forma da Lei. Atenção Observe o fragmento a seguir: 14 Do lat. § 1º Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais ou estaduais: [Promulgare] Verbo transitivo direto. Ordenar a 1° Os mendigos; publicação de(lei). 2° Os analfabetos; Fonte: Dicionário Aurélio. 3° As praças de pret, excetuados os alunos das escolas militares de ensino superior; 4° Os religiosos de ordem monásticas, companhias, congregações ou comunidades de qualquer denominação, sujeitas a voto de obediência, regra ou estatuto, que importe a renúncia da liberdade individual. [...] Já era um avanço a possibilidade de votação, é claro que essa eleição ainda era muito restrita às camadas dominantes, pois estes detinham não só o poder econômico como também o político e o social. É bom lembrar que esta Constituição surgiu após a Proclamação da República, que foi um avanço político após a transição entre uma monarquia colonizadora, passando por um período imperial até enfim chegar num regime político próprio do povo brasileiro. A Constituição de 1934 A Constituição de 1934 surgiu quatro anos após a Revolução de 1930, tendo como maior representante Getúlio Vargas. Nesse período, a situação econômica do país não era boa (reflexo direto do colapso na Bolsa de Nova Iorque ocorrido em 1929). As eleições eram fraudulentas e manipuladas por chefes políticos (coronéis), levando insatisfação popular, inclusive entre os oficiais mais jovens (dando origem ao movimento “Tenentismo”). O clima do Governo Vargas continuava difícil do ponto de vista econômico e político. A Constituição de 1934 foi considerada liberal e avançada, pois trouxe inovações como: direito de voto por parte das mulheres e eleição de “deputados classistas”. No entanto, teve uma curta duração, sendo vários dos seus direitos anulados com o “Estado de Sítio” (1935). 40
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Segundo Poletti (2001, p. 48): “Seu pequeno tempo de vigência não afasta ou elimina a sua importância histórica. Ela, embora durasse pouco, projetou e ainda o faz, sua influência sobre o tempo futuro”. A educação ocupou lugar de destaque na Constituição, sendo tratada no Capítulo II e em outros artigos, no corpo do texto legal, apontando e incorporando varias discussões e propostas dos educadores e intelectuais da época. Propunha: plano nacional de educação, obrigatoriedade e gratuidade do ensino primário, organização dos sistemas educacionais, liberdade de cátedra, vinculação de recursos de impostos pra manutenção e desenvolvimento dos sistemas de ensino, entre outros. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1934 A Constituição de 1934 atribui à União a competência de traçar as diretrizes da educação nacional, não excluindo a legislação estadual supletiva ou complementar sobre a educação. Art. 10 compete concorrentemente a União e aos Estados: VI. difundir a instrução pública em todos os seus graus. Nesta Constituição, há algumas alterações em relação a quem pode ser um eleitor brasileiro. Por exemplo, a abertura para serem eleitores as pessoas de ambos os sexos acima de 18 anos. No entanto, algumas restrições continuam. Art 18 ... Parágrafo Único: Não se podem alistar eleitores: a) os que não saibam ler e escrever; b) as praças de pret, salvo os sargentos do Exército e da Armada, e das forças auxiliares do Exército, bem como os alunos da escolas militares de ensino superior e os aspirantes a oficial; c) os mendigos; d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos. Nesta Constituição, um Capítulo inteiro é destinado à Educação e à Cultura. O Capítulo II do Título V contém 10 artigos. 41
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Nesse capítulo específico, para a Educação, no Art. 149, coloca-se que: “A educação é direito de todos e deve ser ministrada pela família e pelos poderes públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e estrangeiros domiciliados no País, de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana.” Fonte: Constituição Brasileira de 1934. O que significa tudo isso? Por que essa constituição se preocupou tanto com a educação? Esta Constituição foi um avanço para Educação. Ela foi influenciada pelo movimento da Escola Nova e suas propostas revelavam-se avançadas para a época, um período que se investiu na produção industrial, precisando-se, desta forma, de mão de obra qualificada. Outro aspecto importante foi a prescrição da necessidade da construção de um Plano Nacional para a Educação que fosse periodicamente reformulado. Outro avanço, também significativo, foi o estabelecimento da cota, nunca menos, de dez por cento, para a União e Municípios, e nunca menos de vinte por cento para os Estados e o Distrito Federal, investirem na Educação. Isto significou dar a devida importância que a Educação tem e disponibilizar oficialmente recursos públicos para mantê-la. A Constituição de 1937 Figura 11 – Presidente Getúlio Vargas Em 10 de novembro de 1937 foi dado o “Golpe de Estado”, instituindo-se a nova constituição, com Getúlio Vargas tornando- 42
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação se a autoridade suprema do Estado, tendo o poder de dissolver o Congresso, indicar candidatos à chefia do governo e expedir decretos- leis. Nesta constituição, havia toda uma seção dedicada à educação e à cultura. Apesar de ser um avanço dedicar uma seção à educação trazia traços ditatoriais, como, por exemplo, a exigência de uma contribuição módica mensal para a “caixa escolar”, para que os alunos não alegassem escassez de recursos financeiros, além de omitir vinculação de recursos para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1937 A Constituição anterior, apesar de ter sido uma das mais inovadoras em termos educacionais, teve curta duração. Em 1937, dentro do novo contexto político e econômico que foi sendo assumido construiu-se uma nova constituição. Dentre as diferenças em relação à Constituição de 1934 estão: • Estabelecer uma cota (caixa escolar) para os alunos que não provarem ser pobres; • Preocupação maior com o ensino profissional; • Não estabeleceu a cota mínima de contribuição com os impostos para educação das diversas esferas. O que isso significou? Houve um retrocesso em relação à importância atribuída para a educação na sociedade. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1967 A Constituição de 1967 foi promulgada durante o período da Ditadura Militar. Será que esse contexto influenciou a formulação da Lei? Claro que sim! Por exemplo, em relação aos direitos políticos estabelece: 43
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Art. 142. São eleitores os brasileiros maiores de 18 anos, alistados na forma da lei. § 1º. O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, salvo as exceções previstas em lei. (Nas constituições anteriores não era obrigatório) § 2º. Os militares são alistáveis desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guarda-marinha, subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais. Em constituições anteriores, não é cogitada, de forma escrita (legal), a candidatura dos militares. Observe o inciso a seguir: § 3º Não podem alistar-se eleitores: os analfabetos; os que não saibam exprimir-se na língua nacional; os que estejam privados, temporária ou definitivamente, dos direitos políticos. Em constituições anteriores não podiam votar os praças e vários outros cargos militares que agora não só podem votar como também ser eleitos. Nesta Constituição, um Título é destinado à Educação. Vamos observar o trecho a seguir? Título IV. Da Família, da Educação e da Cultura. No Art. 168. A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana. Acrescentou-se à lei a importância do lar para formação do indivíduo e o princípio da Unidade Nacional, característica do regime militar. Outro ponto a destacar está a questão da determinação da faixa etária obrigatória para o ensino primário e a gratuidade caso haja comprovação da falta ou insuficiência de recursos para o ensino oficial ulterior ao primário. 44
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação § 3º (...) II. O ensino dos sete aos quatorze anos é obrigatório para todos e gratuito nos estabelecimentos primários oficiais. III. O ensino oficial ulterior ao primário será, igualmente, gratuito para quantos, demonstrando efetivo aproveitamento, provarem falta ou insuficiência de recursos. Sempre que possível, o Poder Público substituirá o regime de gratuidade pelo de concessão de bolsas de estudo, exigido o posterior reembolso no caso do ensino de grau superior. A questão do reembolso também é caracterizada como uma novidade. Vamos agora observar a Constituição de 1946. Vamos lá? A Constituição de 1946 Atenção 15 Você já assistiu ao filme Pearl Harbor? Veja a dica de filma a seguir: “O diretor Michael Bay (Armageddon) Figura 12 – Ataque dos Japoneses a Pearl Harbor (USA)15 – 2ª Guerra Mundial apresenta o bombardeio japonês a Pearl Em 02 de dezembro de 1945, foram eleitos deputados e Harbor e o envolvimento senadores para formar a Assembleia Constituinte, incumbida de de dois amigos elaborar a Constituição. Na época, o Brasil estava em um processo na batalha que fez com que os de redemocratização, passando por uma ampla anistia política e a Estados Unidos entrassem na 2ª criação de novos partidos políticos. Essa Constituição foi considerada Guerra Mundial. adiantada e liberal, concedia grande autonomia aos Estados e como Com Ben Affleck, Cuba Gooding forma de governo uma República federativa e democrática. Jr., Jon Voight e Alec Baldwin. Dedicou o Capítulo II do Título VI à educação e à cultura, Vencedor do Oscar de estabelecendo o ensino primário obrigatório e gratuito, determinando Melhores Efeitos Sonoros”. que a União, os Estados e os Municípios deveriam aplicar um Fonte: http://www. determinado percentual de seus impostos par manutenção e adorocinema. com/filmes/pearl- desenvolvimento do ensino. Estabeleceu, também, que à União cabia harbor/pearl- harbor.asp legislar sobre “diretrizes e bases” da educação nacional (art. 5º, XV, “d”) 45
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação que deu origem às discussões sobre a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional. Esta constituição recebeu 21 emendas e depois do Golpe de 1964, quatro Atos Institucionais. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1946 Você está lembrado em que contexto esta Constituição foi promulgada? Será que o fato de ter sido promulgada após a 2ª Guerra Mundial altera alguma coisa? Você já tem subsídios para responder a estas e outras questões. Em relação, por exemplo, à questão da nacionalidade e à cidadania continuam não podendo alistar-se: Art. 132 ... os analfabetos. os que não saibam exprimir-se na língua nacional. os que estejam privados, temporária ou definitivamente, dos direitos políticos. Parágrafo Único – Também não podem alistar-se eleitores as praças de pré, salvo os aspirantes a oficial, os suboficiais, os subtenentes, os sargentos e os alunos das escolas militares de ensino superior. Quanto à Educação, foi destinado a essa, juntamente com a Cultura, o Capítulo II, com 10 artigos. A questão da educação como direito de todos permanece, acrescenta a informação de que esta deve inspirar-se nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Provavelmente, a questão de ter vivenciado uma Guerra fundamentou tais princípios. Entre as inovações, nesta lei, está a obrigatoriedade de manter o ensino primário gratuito para os seus servidores e os filhos destes das empresas industriais, comerciais e agrícolas em que trabalham mais de cem pessoas. 46
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No Art. 168... V. o ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de matricula facultativa e será ministrado de acordo com a confissão religiosa do aluno, manifestada por ele, se for capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável. A inovação está no poder de escolha. Volta-se a estabelecer uma cota de contribuição para educação. Art. 169. Anualmente, a União aplicará nunca menos de dez por cento, e os Estados, o distrito Federal e os Municípios nunca menos de vinte por cento da renda resultante dos impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino. Em relação à organização do ensino, observe. Art. 171. Os Estados e Distrito Federal organizarão os seus sistemas de ensino. Parágrafo Único – Para o desenvolvimento desses sistemas a União cooperará com auxílio pecuniário, o qual, em relação ao ensino primário, proverá do respectivo Fundo Nacional. É hora de analisarmos a Constituição de 1967. Então, pronto(a) para conhecer um pouco mais sobre essa Constituição? Vamos lá! A Constituição de 1967 O período que sucedeu o Golpe Militar foi marcado pelo autoritarismo, supressão de direitos, perseguição policial e militar, tortura e censura prévia dos meios de comunicação. Nesse contexto, foi aprovada a Constituição de 1967, a 6ª do país; em relação à educação, tratada em maior parte no Título “Da Família, da Educação e da Cultura”. Este título ampliava a obrigatoriedade 47
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação do ensino primário, dos sete aos quatorze anos; omitia a fixação de percentuais de impostos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino; previa a concessão de bolsas de estudos, mediante restituição, substituindo o regime de gratuidade do ensino médio e superior. Emenda Constitucional 1, de 17/10/1969 chamada de Constituição de 1969 Em relação à educação, manteve-se o texto original da Constituição de 1967, mas introduziu-se a vinculação de 20%, pelo menos, da receita tributária municipal para o ensino primário. A Emenda Constitucional 24/1983 (Emenda João Calmon) determinava que a União aplicaria “nunca menos de treze por cento, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, na manutenção e no desenvolvimento do ensino”. Trataremos, no próximo capítulo, sobre a Constituição de 1988. Conheça Mais Continue pesquisando sobre o assunto. Veja as indicações de referências para você continuar lendo e estudando mais sobre a temática abordada. • COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. • POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3). • ROMANELLI, Otaíza de O. História da educação no Brasil. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 1991. 48
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de estudo Atividade 1 Vamos tentar refletir um pouco sobre o que estudamos? Responda às questões e formule um pequeno texto-síntese. Após a construção desse pequeno texto, tente adaptá-lo para uma linguagem musical, um rap, paródia ou outro gênero musical. 1– Qual a importância das Constituições no contexto político, econômico e social do país? 2– A partir da retrospectiva histórica, que foi traçada, defina os avanços e retrocessos que tivemos em relação à educação. 3– Analise criticamente as contribuições das Constituições. E então, conseguiu elaborar o texto-síntese? Agora socialize suas produções no fórum de discussão que será organizado pelos professores/tutores da disciplina. Lembre-se! Em um curso a distância, você precisa compartilhar suas experiências de leitura e suas produções textuais. É muito importante manter a interatividade e estabelecer a comunicação com os professores/tutores e com os colegas também. Vamos ampliar a nossa interatividade? Atividade 2 Nesta segunda proposta de atividade, lançaremos um desafio para você. Que tal elaborar notícias para um jornal sobre a educação, considerando o panorama histórico das diversas constituições apresentadas até o momento. Essa atividade deverá ser elaborada em pequenos grupos que serão organizados pelos professores/tutores. A ideia é elaborar um jornal com notícias e artigos sobre educação, considerando todo o panorama histórico-social comentado até o momento e as diversas concepções de educação apresentadas nas Constituições analisadas. Cada grupo poderá criar um nome bem interessante para o jornalzinho que estará produzindo. Neste jornal, vocês poderão colocar poemas, canções representativas das épocas, indicações de filmes, apresentar curiosidades, receitas culinárias, horóscopo, 49
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação enfim, o que vocês desejaram publicar. O importante é que o jornal apresente notícias e artigos de opinião sobre a educação no Brasil, retomando o panorama histórico-social apresentado a partir das diferentes constituições brasileiras. Lembrete Após a elaboração do pequeno jornal, publique suas produções textuais no ambiente para socializar com todos(as). É importante que você organize um portfólio com todas as suas produções de textos, pesquisas e leituras realizadas. Lembre-se! Na Educação a Distância, é preciso investir na auto- aprendizagem. A elaboração de portfólios para armazenar suas atividades, pesquisas e produções é uma estratégia importante para contribuir para sua autonomia. Vamos revisar? É hora de reler o capítulo e tirar todas as suas dúvidas com os professores/tutores. Vamos revisar os principais tópicos apresentados neste capítulo? Resumo Neste capítulo, você estudou as constituições brasileiras. Nós tivemos 07(sete) Constituições Brasileiras, a primeira foi em 1824 sendo outorgada pelo então imperador D.Pedro I. Foi um grande marco no sentido de ser o primeiro registro legal em todas as áreas da sociedade. Nossa segunda Constituição foi promulgada em 1891, a terceira em 1934, a quarta em 1937, a quinta em 1946, a sexta em 1967 e sétima e última em 1988. Cada uma delas foi influenciada pelo contexto em que foi formulada, tendo obviamente alguns avanços e alguns retrocessos de acordo com o momento político-econômico e social que estava sendo vivenciado pela sociedade. 50
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 4 A Educação na Constituição de 1988 O que vamos estudar neste capítulo? • Constituição Brasileira de 1888 • Concepções de educação nas diferentes constituições brasileiras • Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração das constituições brasileiras • Princípios que regem o ensino nacional na Constituição de 1988 • A organização do sistema de ensino no Brasil na constituição de 1988 51
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 4 - A Educação na Constituição de 1988 Atenção Vamos conversar sobre o assunto? 16 Em algumas Estudamos, no capítulo anterior, que já foram adotadas,no Brasil, fontes de pesquisa um total de sete constituições. Assim, destacamos a educação nas encontra-se a indicação de constituições de: 1824; 1891; 1934; 1937; 1946;196716. que houve uma constituição Nesse capítulo, veremos como a educação é tratada na constituição em 1969. Neste trabalho, brasileira atual. Você sabe qual é a constituição que está em vigor? considera-se o fato de que, em Se você respondeu a constituição de 1988, acertou! A constituição 1969, o que de fato houve foi de 1988 é a sétima constituição adotada no país. É a lei fundamental uma reforma e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as no texto da constituição de demais espécies normativas, ou seja, ela é a carta magna do Brasil. 1967. É no texto constitucional a Quem era o presidente da república quando ocorreu a promulgação partir de 1969 que se escreve que a da constituição de 1988? educação é dever do Estado. A Constituição Federal em vigor foi promulgada no dia 5 de outubro de 198817), durante o governo do então presidente José Sarney (1985-1990). A promulgação veio três anos após a eleição de Tancredo Neves, primeiro presidente civil depois do golpe de 1964, por problemas de saúde não tomou posse, tendo assumido o governo o seu companheiro de chapa José Sarney. Atenção 17 No dia 1º de fevereiro de 1987, 559 parlamentares já tinham iniciado os trabalhos para aprovar a nova lei suprema brasileira Figuras 13 e 14 - Tancredo Neves e José Sarney (1985-1990) Até a carta magna de 1988 ser promulgada, foram necessários 18 meses de discussões. A constituição de 198818 substitui a de 1967, imposta pelo regime militar. 52
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Você alguma vez já leu a constituição brasileira de 1988? Quais os principais direitos adquiridos pela sociedade brasileira, a Atenção partir da promulgação da constituição de 1988? De um modo geral, podemos afirmar que a constituição de 1988 ampliou e fortaleceu os 18 A Constituição 1988 assegurou direitos individuais e as liberdades públicas, portanto, democrática19. garantias sociais, entretanto, No que tange especificamente à educação, você já observou completou duas décadas quais são as normas específicas que a regem? Como estão postas de existência, as garantias constitucionais para a Educação? Pois bem, ao em outubro de 2008, com considerarmos tais questionamentos, refletiremos neste capítulo reformulações apresentadas como a educação é contemplada na constituição de 1988. através de várias emendas. Você já comparou o que a constituição de 1988 traz de novo para A ampliação é resultado a educação do país em relação às constituições anteriores? das mudanças promovidas Refletiremos, inicialmente, destacando que é no artigo 6º. da no texto pelos parlamentares. Constituição de 1988 que se declara o direito à Educação. Observe A Constituição guarda em si a o Art. 6º possibilidade de ser modificada, Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, para melhor ou o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à para pior. Existe infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. a possibilidade de ela ser (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000) modificada com três quintos dos É pela primeira vez na história das constituições que se explicita a votos de todos os deputados declaração dos Direitos Sociais, e o direito à educação é destacado e senadores do congresso com primazia. nacional. Assim, a declaração do direito à educação na constituição de 1988 representa um salto de qualidade com relação à legislação anterior. Atenção 19 Estendeu o direito de voto facultativo para os analfabetos Entretanto, ao mesmo tempo em que a constituição se apresenta e jovens de 16 enquanto avançada em muitos aspectos, ela nos remete ao fato de, e 17 anos, bem como reforça a no Brasil, parece que se fazem leis na certeza de que muitas delas necessidade de defesa do meio não serão cumpridas. De qualquer modo, é sem dúvida a constituição ambiente. mais democrática que nós já tivemos. 53
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Qual o artigo que trata especificamente sobre a educação enquanto direito de todos? É no artigo 205 que a educação é declarada enquanto direito de todos e dever do Estado e da família. Vamos observar? Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Sabemos que a educação do nosso País está longe de ser satisfatória. Embora os dados dos últimos anos apontem índices mais positivos, ainda há muito a ser feito. Mais do que o direito à escola, o direito de aprender deve ser estendido a todos os educandos. 54
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No que se refere aos princípios que regem o ensino nacional, você sabe quais são? Sobre os princípios que regem o ensino, podemos constatá-los no artigo 206, que aborda igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade, valorização dos profissionais, gestão democrática, garantia de padrão de qualidade, piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública. Observe: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) A partir do que se declara no inciso VI, reflita e pesquise: Podemos afirmar, de maneira generalizada, que o ensino público do Brasil assume a gestão democrática enquanto princípio? Quais são os elementos característicos de um ensino pautado no princípio da democracia? 55
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Já no inciso IV, o mesmo assegura “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais”, sem excluir nenhum dos níveis e nenhuma das etapas da educação. Fato até então inédito, pois o ensino médio nas constituições anteriores era abordado como exceção e, no caso do ensino superior, nível nunca antes contemplado. Desse modo, a formulação do inciso IV do artigo 206 torna-se inovadora. Entretanto, é bom lembrarmos que, no artigo 208, o qual detalha o Direito à Educação, inciso II, não está afirmada a obrigatoriedade por parte do Estado na oferta do ensino médio, e sim a “progressiva universalização do ensino médio gratuito”. Redação esta que passou a vigorar a partir da Emenda Constitucional no. 14 de 1996. Originalmente o texto estava expresso como “progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Assim sendo, a mudança na lei foi substancial, ficou o Estado desobrigado de ofertar o ensino médio. Quanto ao piso salarial do professor, é no inciso VIII, do artigo 206, que trata do piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. O piso salarial foi incluído pela Emenda Constitucional nº. 53, de 2006. Quando, então, começou a vigorar esse piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública? Esse piso salarial do professor começou a vigorar no dia 1º de janeiro de 2009. O aumento, concedido pela União através da Lei 11.738/2008, no entanto, será concedido parcialmente. Os professores do magistério e do ensino básico da rede pública poderão contar com o novo piso salarial de R$ 950,00, por 40 horas/aula semanais. Em seu ponto de vista, você acredita que esse é um valor justo para um piso salarial de professor, para um trabalho de 40 horas/aula semanais? 56
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Sabemos que ainda há quem defenda que este valor é justo, ou até mesmo alto. Mas, em um país em que a educação ainda não é tratada com o devido valor e seriedade, quem então se importa com a valorização da categoria profissional dos professores? Você sabia que é no artigo 208 que se detalha o direito à educação? Pois bem, é no artigo 208 que se declara o dever do Estado com a educação, a ser efetivado mediante garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola. 57
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No artigo 2008, destacamos enquanto uma das novidades na constituição o inciso I, ao precisar que o dever do Estado para com o ensino estende-se mesmo aos que “a ele não tiveram acesso na idade própria”. Esse, sem dúvida, é um grande avanço na constituição em vigor. No que se refere ao inciso IV, do mesmo artigo, a educação infantil ofertada para crianças até os cinco anos de idade, é importante Atenção lembrarmos que é obrigatória a matrícula do aluno a partir dos seis anos de idade no Ensino Fundamental. A educação infantil no Brasil 20 A educação básica no Brasil é é a primeira etapa da educação básica20, ou seja, é incorporada composta de três ao sistema regular de ensino, o que não ocorria na vigência da etapas: educação infantil; ensino constituição anterior, pois esse nível de ensino era livre. Assim, fundamental e ensino médio. “ensino livre” opõe-se ao ensino oficial, ensino não regulamentado pela legislação educacional. No que se refere ao inciso II, “progressiva universalização do ensino médio gratuito”, lembramos que este texto veio com a alteração dada a partir da Emenda Constitucional no. 14, de setembro de 2006. Atenção Originalmente, o texto declarava “progressiva extensão da 21 A ideia era obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Desse modo, havia ampliar o período sido retomado um aspecto importante do texto de 1934, que aponta a de gratuidade e obrigatoriedade, perspectiva21 de “progressiva extensão da gratuidade e obrigatoriedade tornando o ensino médio do ensino médio”. Assim, atualmente, a Emenda no. 14, de setembro parte do Direito à de 2006, não só desobriga o Estado de ofertar o ensino médio, como Educação. torna menos efetivo o compromisso do Estado na incorporação futura 58
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação deste nível de ensino à educação compulsória. O inciso VI, do artigo 2008, sobre a “oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando”, é um dispositivo de relevância significativa, uma vez que expressa o reconhecimento do dever do Estado para com a garantia ao cidadão trabalhador, a possibilidade de frequentar o ensino regular, além de especificar a necessidade de adequação às condições do educando. Ainda em relação ao artigo 2008, vemos no § 2º um outro elemento inovador que é a possibilidade de responsabilizar não apenas o Poder Público em geral, mas também responsabilizar, de forma pessoal e direta, a autoridade incumbida da oferta a educação. Sobre a organização do sistema de ensino no Brasil, vemos que a normatização dada é o regime de colaboração entre os sistemas. Fica assim declarado: Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 59
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No que se refere especificamente ao financiamento da educação, vemos, no artigo 212, que anualmente a União aplicará nunca menos que 18% e os Estados, Distrito Federal e os Municípios 25%, no mínimo, “da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino”. Em relação ao Plano Nacional de Educação, só após doze anos depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, é que surge à norma legislativa posta no seu artigo 214 e requerida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB no. 9394/96). A Lei que aprova o PNE é a de número nº 10.172/2001, e o mesmo se encerra em 2010 e deve entrar em vigor o PNE correspondente à década seguinte. Assim está posto na constituição de 1988. Observe! Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. O Plano Nacional de Educação (PNE) foi criado pelo MEC, o documento traça as diretrizes e metas para a Educação brasileira, que devem ser cumpridas até o final desta década (2.010). O MEC 60
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação contou com a participação de mais de 60 entidades, entre sindicatos, associações, conselhos e secretarias de Educação. O plano foi enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional no final de 1997. Parlamentares apresentaram um projeto substitutivo e, após muitos debates e emendas, o plano foi sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 9 de janeiro de 2001. Atividades e Orientações de estudo Vamos sistematizar o que estudamos? Formule um texto-síntese, contemplando os seguintes tópicos: 1– Qual a importância da Constituição de 1988 no contexto político, econômico e social do país? 2– A partir das análises que foram esboçadas, elenque os avanços que tivemos na educação a partir da constituição de 1988. Após elaborar o seu texto-síntese, arquive sua produção em seu portfólio de atividades. Registre todas as atividades que você está realizando. Lembre-se! Você também será avaliado continuamente pelas atividades virtuais que está realizando. Refletindo um pouco mais... Para refletir um pouco mais e pesquisar: O Estado brasileiro está acima das leis que regem o nosso país? O Estado brasileiro tem obrigações para com o cidadão? Você Sabia? Você sabia que existem dispositivos estabelecidos pela Constituição de 1988 para defender o cidadão quando seus direitos são negados? Você já ouviu falar em alguns desses dispositivos estabelecidos pela constituição de 1988 e o que eles significam? a) Habeas-corpus. 61
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação b) Habeas-data. c) Mandado de Segurança. d) Mandado de injunção. e) Ação popular. Que tal pesquisar um pouco sobre esses termos? Entreviste um profissional da área de direito e vá ao dicionário para pesquisar sobre esses termos. É importante reconhecer que a construção da cidadania efetiva-se quando conhecemos os nossos direitos e deveres. Vamos revisar? Após as informações apresentadas neste capítulo, procure refletir um pouco mais. Reserve um tempo para organizar seus estudos e revise os conteúdos apresentados. É hora de reler o capítulo e verificar se não restam dúvidas. Lembre-se! Em um curso a distância, você, caro(a) aluno(a), precisa desenvolver um metodologia de estudo baseada na auto-aprendizagem. Portanto, leia muito e continue pesquisando sobre os conteúdos abordados. Vamos revisar os pontos principais deste capítulo? Resumo A Constituição de 1988 foi um marco importante na história de nossa legislação. Foi formulada e promulgada na efervescência do processo de redemocratização. Vários grupos de interesses distintos estavam fazendo parte da Assembleia Constituinte, deixando por isso algumas “brechas” na lei, já que a mesma tentava contemplar os interesses distintos. No momento, já se passaram mais de 20 anos de sua promulgação e apesar das emendas que sofreu e de algumas discussões sobre a necessidade de uma nova Constituição, a nossa continua sendo considerada inovadora. Desse modo, o que parece de fato ser necessário a ser realizado é um esforço maior por parte de toda a sociedade para que essa lei, em sua totalidade, possa ser efetivada. 62
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conheça Mais Continue ampliando as suas leituras e vá pesquisando sobre os conteúdos propostos. Lembre-se! A pesquisa faz parte de todo o percurso de aprendizagem, culminando, na Educação a Distância, com o processo de autoconhecimento e com o desenvolvimento da autonomia do aluno. Então, mãos à obra. Vamos pesquisar? BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil. Rio de Janeiro: DP&A , 2002. FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições brasileiras:1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. h t t p : / / c d i j . p g r. m p f . g o v. b r / n o t i c i a s / c f - 2 0 - a n o s / particularidades-1988 Acesso em: 05 abr. 2009. http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/novembro-2008/a- constituicao-de-1988-nos-seus-20-anos-iv/ Acesso em: 05 abr. 2009. http://magrs.net/?p=333 Acesso em: 05 abr. 2009. 63
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Considerações Finais Olá, Cursista! Esperamos que você tenha aproveitado este primeiro módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. No próximo módulo, estudaremos a LDB e suas especificidades. Você vai perceber a importância da LDB como instrumento regulamentar para as diversas áreas da educação brasileira. Nesse sentido, o final deste módulo já é uma motivação para que você fique curioso(a) para as próximas reflexões sobre nossa legislação. Aguardamos sua participação no próximo módulo. Até lá e bons estudos! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras 64
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Referências Bibliografia Básica ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997. COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições brasileiras: 1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3). ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973). 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. Bibliografia Complementar FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez e Moraes, 1986. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15ª.Ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998. 65
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores associados, 1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/ Conheça as Autoras Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas 66
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão a disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental. 67
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    Estrutura e Funcionamento da Educação Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento Recife, 2009
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    Universidade Federal Ruralde Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Pablo Martins e Glaydson da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
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    Sumário Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 2 ......................................................................5 Capítulo 1 - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais...............................................7 Capítulo 2 - A Educação Básica e Superior na LDB ........................21 Capítulo 3 - Modalidades da Educação na LDB ...............................34 Conheça as Autoras ...........................................................................50
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    Apresentação Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Vimos desde o primeiro módulo que esta disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos com a estrutura da organização educacional e com a legislação que regulamenta a mesma. Desse modo, iniciamos a nossa caminhada com uma breve retrospectiva histórica. Neste segundo módulo, vamos conhecer um pouco da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que está em vigor, Lei nº. 9394/96. Seguiremos a mesma lógica de entendimento percorrida por nós no primeiro módulo, ou seja, ampliar e aprofundar o entendimento de que a educação está ancorada em processos históricos, políticos e sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores, no sentido de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros. Convidamos, mais uma vez, você para embarcar nesta viagem rumo ao interessante universo da educação, a partir da legislação específica vigente que regulamenta a educação no nosso país. Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá? Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conhecendo o Volume 2 Neste segundo volume, você irá encontrar o segundo módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste segundo módulo. Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 Carga horária do Módulo 2: 15 h/aula Objetivo do Módulo 2: Analisar a organização da educação brasileira a partir da legislação específica vigente, Lei nº. 9394/96. Conteúdo Programático do Módulo 2: 1. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. Níveis e modalidades de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. 2. Educação Básica e Superior na LDB • Educação Infantil • Educação Fundamental • Ensino Médio • Educação Superior 3. Modalidades da Educação na LDB • Educação de Jovens e Adultos • Educação Especial • Educação Profissional • Educação a Distância 5
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais O que vamos estudar neste capítulo? • A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. • Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. 6
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar quais os caminhos e processos percorridos até a aprovação de uma Lei? Quanto tempo levou a discussão até a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases que rege a educação no nosso país, Lei nº. 9394/96? Pois bem, esta é a hora de iniciarmos a discussão sobre a legislação específica que regulamenta os níveis e modalidades da educação no Brasil. Para iniciarmos a nossa conversa, vamos lançar mais alguns questionamentos para você refletir um pouco mais. Vamos lá? Você conhece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº. 9394/96? Já parou para analisar como ficou estruturada a Educação no Brasil a partir dessa lei? Você acredita que para um cidadão comum, e mais ainda para um profissional da educação, é fundamental o conhecimento da legislação que regulamenta o sistema de ensino no Brasil? Ao considerarmos tais questionamentos, iniciamos nosso percurso de estudos afirmando que um dos pressupostos que orientam o presente módulo é o da importância de nós, enquanto profissionais, conhecermos a legislação educacional, bem como refletirmos 7
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação criticamente sobre essas leis e, a partir delas, atuarmos enquanto agentes de transformação social, com vistas a uma educação efetivamente democrática, inclusiva e de qualidade para todos. Vamos agora conhecer um pouco sobre a Lei específica que rege o nosso sistema de ensino? Vamos lá? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais Você já parou para pensar que a legislação educacional no Brasil sempre esteve em consonância com o modelo político de sociedade em cada período histórico? E você sabe qual é o atual modelo político de sociedade que rege o nosso país? Refletiu? A qual conclusão você chegou? É importante frisarmos que a Lei vigente foi fruto de intensas lutas ideológicas entre interesses de grupos sociais divergentes. Basicamente, podemos caracterizar esse momento de embate em torno da aprovação dessa Lei maior da Educação Brasileira a partir de dois projetos que se confrontaram: àquele que representava, de certa forma, interesses mais ligados às bandeiras de movimentos e entidades organizadas da sociedade civil ligados à defesa do setor público, e, em contrapartida, o projeto do Senado, que traduzia interesses mais ligados à burocracia estatal. 8
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação De início, os grupos de educadores defendiam um anteprojeto de lei que tinha como princípios àqueles propostos durante a IV Conferência Brasileira da Educação – CBE, de 1986. O intuito era subsidiar a Constituinte Nacional, com relação às políticas educacionais. Posteriormente, outros princípios foram dando corpo à proposta inicial e resultou na elaboração do anteprojeto de LDB no. 1.258-C/88 defendido pelo movimento social denominado Fórum em Defesa da Escola Pública. Oito anos de debate intenso, de trama legislativa e atuação do executivo conseguiram descaracterizar o primeiro anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e seus substitutivos apresentados à Câmara Federal e defendidos pelos educadores. Ou seja, o projeto desejado pelos educadores não vingou, pois em contraposição a este foi aprovado um outro que teve como ponto de partida o anteprojeto do Senador Darcy Ribeiro, elaborado de forma pouco democrática, em conciliação com o executivo, com suporte decisivo do governo federal. Assim, Darcy Ribeiro foi o relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que leva o seu nome. A literatura educacional crítica aponta que a LDB nº 9394/96 é de cunho essencialmente neoliberal. Ou seja, em muitos aspectos 9
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação o Estado apresenta-se enquanto mínimo e/ou inexistente no que se refere a promover a efetivação de direitos educacionais aos cidadãos, Atenção restando a estes buscarem por “forças próprias” o alcance de tais 1 O Neoliberalismo objetivos. se configurou em países da América Latina, a exemplo do Brasil, enquanto um projeto de sociedade que tem se materializado, efetivamente, nas ações políticas com a des- regulamentação do papel do estado enquanto provedor das questões sociais. A doutrina neoliberal caracteriza-se por pregar que o Estado intervenha o mínimo na Pois bem, ao reconhecermos que a Lei de Diretrizes e Bases da economia, mantenha a Educação Nacional nº. 9394/96 é essencialmente de cunho neoliberal1 regulamentação das atividades não significa desconhecer o importante papel que lhe cabe na econômicas formulação e no gerenciamento de uma política educacional para a privadas num mínimo e deixe nossa sociedade. agir livremente os mecanismos do mercado. O neoliberalismo nasceu logo após a II Guerra Mundial, na Europa e na América do norte onde imperava o capitalismo. Nas últimas décadas esse movimento passou a ser em escala mundial. 10
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Mini-biografia Quem foi Darcy Ribeiro? Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Darcy Ribeiro? Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922, em Montes Atenção Claros, no Norte de Minas. Etnólogo, antropólogo, professor, educador, ensaísta e romancista, notabilizou-se como um dos maiores educadores brasileiros. Dedicou seus primeiros anos 2 Você encontrará de vida profissional ao estudo dos índios da Amazônia (1946- esta biografia 1956), período em que fundou o Museu Nacional do Índio, e outras no Rio de Janeiro. Foi ministro da Educação e da Casa Civil informações no governo João Goulart. Fundou a Universidade de Brasília sobre o educador Darcy Ribeiro em: (UnB). Depois da Revolução de 1964, foi exilado, morando em http://www.uai. vários países da América Latina. Em 1972, no Chile, trabalhou com.br/UAI/htlm/ com Salvador Allende. Retornou ao Brasil em 1976. Foi eleito sessão_2/2009/02/ vice-governador do Rio (1982), onde implantou 500 Cieps e 15/em_noticia_ 200 salas de aula no sambódromo. Foi eleito senador em 1990 internaid_ e relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sessao=2&id_ sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que leva o seu noticia=99257/ nome. Darcy, eleito para a Academia Brasileira de Letras em em_noticia 1992, teve mais de 35 livros publicados. Depois de sua morte, _interna.shtml Acesso em: 19 em fevereiro de 1997, teve publicado o livro Confissões, no abr 2009. qual conta suas memórias2. Cinema em Ação Para uma melhor compreensão de uma das formas de como o fenômeno do neoliberalismo pode se manifestar socialmente com aparência de “naturalidade”, sugerimos que você assista ao filme “À procura da felicidade”. 11
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Também, sugerimos que você realize a leitura de uma análise crítica sobre o filme contida no endereço eletrônico a seguir: http:// www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=6085&ida=59 Acesso em: 19 abr 2009. Veja a sinopse do filme! Sinopse Em À Procura da Felicidade, Chris Gardner (Will Smith) é um homem de família lutando para sobreviver. Apesar de todas as tentativas para manter a família unida, a mãe (Thandie Newton) de seu filho de cinco anos Christopher (Jaden Christopher Syre Smith) está constantemente sobre uma forte pressão financeira. Sem condições de suportar a situação, ela relutantemente decide partir. Chris, agora um pai solteiro, continua a perseguir desesperadamente um emprego com melhor remuneração, usando toda sua habilidade de vendedor. Ele ingressa como estagiário numa grande importante corretora de ações, e apesar de não haver salário, ele aceita, na esperança de no final do programa conseguir um emprego e um futuro promissor. Sem apoio financeiro, Chris e seu filho são despejados de seu apartamento e logo são forçados a dormir em abrigos, estações de ônibus, banheiros e onde quer que possam achar refúgio durante a noite. Apesar dos problemas, Chris continua a honrar seu compromisso como um pai amoroso e afetuoso, usando a afeição e a confiança que seu filho depositou nele para superar os obstáculos que encontra. Já Viu o Filme? Informações Técnicas Título no Brasil: À Procura da Felicidade Título Original: The Pursuit of Happyness País de Origem: EUA Gênero: Drama Classificação etária: Livre Tempo de Duração: 117 minutos Ano de Lançamento: 2006 Estréia no Brasil: 02/02/2007 Site Oficial: http://www.aprocuradafelicidade.com .br Estúdio/Distrib.: Columbia Pictures Direção: Gabriele Muccino http://www.adorocinema.com/filmes/a-procura-da-felicidade/a-procura-da-felicidade.asp Acesso em: 10 mai 2009. 12
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Discuta com seus colegas a temática apresentada pelo filme em um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos professores/ tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento das atividades virtuais. Participe! De volta ao assunto A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em discussão desde 1988, finalmente foi aprovada como lei ordinária no Congresso Nacional (Lei no. 9394/96). Na LDB/96, são regulamentados pontos do capítulo sobre educação da Constituição Federal, ocupando-se da educação escolar, embora apresente uma visão ampliada de educação. Como já estudamos no módulo anterior, a educação brasileira, tal como estabelece os artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988, visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, a seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho. Assim sendo, a LDB/96 suscitou e tem suscitado muitos debates, boa medida em função das expectativas geradas junto às pessoas que constituem a comunidade à qual a legislação se dirige, como seus destinatários específicos. Veremos essas especificidades no segundo e terceiro capítulo desse módulo. Assim sendo, no tópico a seguir, vamos analisar quais são os níveis e modalidades de ensino e a estrutura organizacional da educação escolar no Brasil, conforme regulamenta a legislação vigente. Níveis e modalidades de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente Você sabia que, na LDB nº 9394/96, a educação escolar está organizada em níveis e modalidades? 13
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Em qual(is) dessa(s) categoria(s) está situado o curso de graduação que agora você está fazendo? Já refletiu? Então, vamos lá! De acordo com a LDB 9394/96 a educação escolar compõem- se de dois níveis: educação básica e educação superior. De acordo com o artigo 21, a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Assim sendo, se você respondeu que o seu curso faz parte do nível superior, acertou!!!! No que se refere às modalidades de ensino, temos: educação profissional; educação de jovens e adultos e educação especial. A educação profissional é abordada do capítulo 39 até o capítulo 42, os quais afirmam que esta modalidade de ensino deve estar integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia e visa ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Os artigos 37 e 38 da LDB/96 regulamentam que a educação de Jovens e Adultos destina-se aos que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio na idade própria, bem como àqueles que desejam dar continuidade de estudos nesses níveis de ensino. São os artigos 58, 59 e 60 da LDB 9394/96 que regulamentam a modalidade de educação especial. Segundo a lei, tal modalidade deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Conheça Mais Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma sistemática de estudo, a fim de construir o seu conhecimento sobre o tema abordado e sua autonomia enquanto sujeito do processo. Continue lendo e pesquisando cada vez mais sobre os vários pontos abordados neste capítulo. Então, vamos continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as indicações a seguir: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em: 14
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 19 abr 2009 Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_ completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009 http://www.uai.com.br/UAI/html/sessão_2/2009/02/15/em_ noticia_inteerna,id_sessão=2&id_noticia=99257/em_noticia_ Atenção interna.shtml Acesso em: 19 abr 2009 3 Segundo Bernie Doge, WebQuest é “uma investigação orientada na qual algumas ou todas Webquest: pesquisa em ação as informações com as quais os aprendizes interagem são Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado originadas de recursos da neste capítulo? Internet”. Acesse: WWW.webquest. Título da WebQuest: Educação e processos de globalização e futuro.usp. br∕artigos∕textos_ neoliberalismo no Brasil:um olhar crítico sobre a LDB 9394/96 bernie.html A Tarefa Sua missão é atuar como um pesquisador, a fim de elencar e analisar pontos contidos na LDB 9394/96 que podem ser caracterizados enquanto expressão de uma política educacional neoliberal no Brasil. Produza um texto dissertativo de, no mínimo, duas laudas. Lembre- se! O texto dissertativo precisar apresentar início (introdução), meio (desenvolvimento) e fim (conclusão). Trata-se de um texto de caráter argumentativo, em que você deve deixar claro o seu ponto de vista sobre o assunto abordado. 15
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O Processo Realize pesquisas em livros, revistas, sites, a fim de coletar informações sobre o tema. Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais deverão ser orientados pelos professores que estarão acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar o seu documento, tente publicá-lo na plataforma do ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual. • As referências utilizadas para subsidiar a produção do documento. Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar pesquisas e continuar estudando sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Compartilhe suas experiências com outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente. Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise a partir dos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta. 16
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação www.webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html h t t p : / / w w w. s c i e l o . b r / s c i e l o . p h p ? p i d = S 0 1 0 1 - 73302003000100005&scrpt=sci_arttext&ing=es Acesso em: 20 abr 2009. Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar. google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C 3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar &lr= Acesso em: 20 abr 2009 Política educacional em tempos neoliberais – o econômico definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/ scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr=Acesso em: 20 abr 2009 Atividades e Orientações de Estudo Vamos fazer uma reflexão? Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? 1– Por qual(is) motivo(s) formular uma Lei de Diretrizes e Bases para a educação nacional suscita tantos debates e lutas ideológicas entre diferentes grupos sociais? 2– Por que é importante conhecermos a legislação que regulamenta o sistema de ensino de nosso país? 3– É coerente atribuirmos a uma lei educacional força ou mesmo potencialidade para provocar uma revolução da educação do país? 17
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Vamos participar de um chat? Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e aprofundar as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Que tal participar de um chat temático? Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não perca esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professores/tutores! Vamos revisar? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. Lembre-se! Aprender a conhecer é um pilar da educação muito importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. O sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Então, vamos aprender juntos(as)? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos!. 18
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Resumo Neste capítulo, você estudou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. Também, você conheceu quais são os níveis e modalidades de ensino no Brasil, a estrutura organizacional conforme a legislação vigente. Ou seja, o nível básico e superior de ensino. As modalidades de educação profissional, educação de jovens e adultos e educação especial. Refletiu sobre a importância não só de conhecermos sobre a lei específica da educação, como também, e necessariamente, o papel social que a categoria de professores tem que assumir, enquanto sujeitos críticos e interventores frente às problemáticas significativas postas à educação, ao social. 19
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 A Educação Básica e Superior na LDB O que vamos estudar neste capítulo? • A educação básica: • Educação Infantil • Ensino Fundamental • Ensino Médio • Educação Superior 20
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 - A Educação Básica e Superior na LDB Vamos conversar sobre o assunto? Você lembra que, no capítulo anterior, aprendemos que a educação, no Brasil, a partir da LDB nº 9394/96, ficou composta de dois níveis? Lembra? Nível básico e nível superior. Neste capítulo, vamos estudar como estão estruturadas as etapas da educação básica, bem como a organização da educação superior. Vamos refletir sobre o assunto? Educação Básica No Brasil, a educação básica, a partir da LDB nº 9394/96, é composta de três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Que tal iniciarmos com a organização dos níveis escolares proposta pela LDB? Leia o texto a seguir e observe como a LDB/Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define a educação básica no Brasil. 21
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Da Composição dos Níveis Escolares Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II - educação superior. Capítulo II Da Educação Básica Seção I Das Disposições Gerais Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009. Você percebeu que a Educação Básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio? Então, é hora de começarmos a entender melhor cada uma dessas modalidades de ensino. Vamos lá? Vamos iniciar nossa discussão apresentando a educação infantil como primeira modalidade a ser comentada nesta trajetória. Você já parou para pensar sobre a organização da educação infantil? Ainda não? Então, é hora de refletirmos sobre o assunto. A Educação Infantil A educação infantil é entendida na Lei nº 9394/96 enquanto primeira etapa da educação básica. O artigo 29 da lei expressa que essa etapa de ensino tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, social e intelectual, complementando a ação da família e da comunidade. Nesse sentido, tal forma de entendimento da educação infantil passa a ser apontada como um dos avanços da lei. 22
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A partir da Lei no. 11.274/2006 que institui o ensino fundamental de 9 anos de duração e a inclusão das crianças de seis anos de idade, a educação infantil, que antes era dos 0 aos 6 anos passa a ser atualmente dos 0 até os 5 anos. Antes da Lei 9394/96, a educação infantil inexistia enquanto espaço de uma das etapas da formação escolar. Era uma perspectiva apenas assistencialista e sem preocupação pedagógica, nem mesmo exigia o envolvimento de profissionais da área educacional. Veja como a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define a educação infantil. Da Educação Infantil Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30. A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009. 23
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Como dever do Estado, a educação infantil é uma novidade na Constituição Federal de 1988. Na LDB/96, aparece como incumbência dos municípios e deve estar integrada ao respectivo sistema de ensino. De acordo com o artigo 30, a educação infantil deve ser oferecida em creches, ou entidades equivalentes e em pré-escolas. Atenção 4 O ensino O Ensino Fundamental Fundamental, constitucio- nalmente, se configura como direito público subjetivo.Ou seja, equivale a reconhecer que é de aplicabilidade imediata, não exige regulamentação. Além disso, se não for ofertado O ensino fundamental4 é dever do Estado e etapa obrigatória da pelo Estado pode ser exigido educação básica. Segundo o artigo 32, da LDB n° 9394/96, o ensino judicialmente. fundamental é obrigatório e gratuito na escola pública, tem como objetivo a formação básica do cidadão. A LDB sinalizou para o ensino obrigatório de nove anos de duração, ao iniciar-se aos seis anos de idade, fato este só regulamentado a partir da Lei n°. 11.274/2006 de seis de fevereiro de 2006, ou seja, uma década após. O ensino fundamental compreende o acompanhamento da aprendizagem dos alunos do 1º ao 9º ano. Esse período corresponde à fase da alfabetização (1º ano) ao 9º ano (antiga 8ª série). Durante o ensino fundamental, os alunos vão aprofundando suas competências por meio de ciclos de aprendizagem estreitamente associados. Assim, a aprendizagem vai sendo construída de forma contínua, tendo em vista os conteúdos propostos e as articulações entre os conhecimentos escolarizados e as experiências prévias dos alunos. Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o Ensino Fundamental. 24
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Seção III Do Ensino Fundamental Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009. Atenção O Ensino Médio 5 A Emenda Constitucional O Ensino Médio é a última etapa da educação básica. É no. 14, de 12 de setembro de regulamentado no artigo 35 da LDB/96, com duração mínima de três 1996. Modifica os artigos 34, anos. Dentre outros, tem como finalidades consolidar e aprofundar 208,211 e 212 os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando a da Constituição Federal. Na continuidade de estudos. Também, comporta diferentes concepções: emenda 14, inciso II, regulamenta ora compreendido enquanto destinado a preparar os alunos para a a progressiva continuidade dos estudos no curso superior; ora entendido enquanto universalização do ensino médio preparação de mão-de-obra para o trabalho; ora entendido no sentido gratuito mais amplo, enquanto integração das duas concepções acima citadas, que se constroem e reconstroem pela ação humana, pela produção cultural do cidadão5. 25
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O Ensino Médio constitui-se na etapa final da educação básica, tendo em vista o aprofundamento das competências construídas desde o ensino fundamental. O Ensino Médio tem como eixos norteadores os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade. A contextualização visa à articulação entre os conhecimentos teóricos e as experiências cotidianas vivenciadas pelos alunos. Não basta aprender, é preciso aprender dentro de uma situação didática concreta, articulando-se os conhecimentos construídos no ambiente escolar e as demandas sociais apresentadas na diversidade de contextos e experiências cotidianas. Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o Ensino Médio. Seção IV Do Ensino Médio Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009. Você sabia? Na LDB 9394/96, no artigo 26, ao tratar das propostas curriculares do ensino fundamental e médio, ficou definido que elas devem ter uma base nacional comum, e uma parte diversificada? Por que a necessidade de existência de uma parte diversificada no currículo? 26
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A parte diversificada deve ser complementada pelos sistemas de ensino escolar para cobrir as características regionais e locais, da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Posteriormente, nos pareceres delimitadores das Diretrizes Curriculares Nacionais, o Conselho Nacional de Educação explicitou que a parte diversificada poderia ter até 25% da carga horária anual ou total, de cada período letivo, 200 horas anuais ou 600 horas pelo curso ou grau. A Educação Superior São nos artigos 43 a 57 da LDB 9394/96 que se expressa sobre a educação superior. A mesma tem por finalidade formar profissionais nas diferentes áreas de saber, promovendo a divulgação dos conhecimentos culturais, científicos e técnicos e comunicando-os por meio do ensino. Visa divulgar à população a criação cultural e a pesquisa científica e tecnológica geradas nas instituições que oferecem a formação em nível superior e produzem conhecimento. Objetiva estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo, incentivando o trabalho de pesquisa e a investigação científica e promovendo a extensão. No artigo 44, se expressa que a educação superior abrange os seguintes cursos e programas: I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino; II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; 27
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. O Decreto 2.306/97 que regulamenta a LDB, no que diz respeito ao sistema de ensino federal, prevê a organização da educação superior sob a forma de universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos superiores ou escolas superiores. Cinema em Ação Você já parou para pensar que dentro de uma sociedade desigual, a exemplo do próprio Brasil, muitas crianças e jovens não têm acesso à educação? Ou a maioria tem acesso a uma educação escolar que deixa muito a desejar, frente às demandas postas pelo social? Você já assistiu ao filme Pro dia nascer feliz? É um documentário que, dentre várias questões abordadas, relacionadas à educação, traz à tona questões, como, por exemplo, a desigualdade social. 28
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Sinopse “Pro Dia Nascer Feliz” é o segundo longa-metragem do diretor João Jardim, diretor do cultuado documentário “Janela da Alma” que, em 2002, bateu recordes de público no gênero. Através de uma investigação do relacionamento do adolescente com a escola - ambiente fundamental em sua formação - o diretor traz à tona, além de questões comuns a qualquer adolescente dentro do ambiente escolar, questões como a desigualdade social e o impacto da banalização da violência no desenvolvimento de muitos desses jovens. Título original Pro Dia Nascer Feliz Lançamento 2007-02-02 Direção João Jardim Co-produção Globo Filmes, Tambellini Filmes, Fogo Azul Filmes Distribuição Copacabana Filmes Ficha técnica Roteiro: João Jardim Montagem: João Jardim Produção: Flávio R. Tambellini Diretor de Fotografia: Gustavo Hadba Música: Dado Villa-Lobos Som: Heron Alencar, Aluisio Compasso Edição de Som: Waldir Xavier Mixagem: Tom Paul Direção de Produção: Gabriela Weeks Disponível em: http://www.interfilmes.com/filme_16779_Pro.Dia.Nascer.Feliz-(Pro.Dia. Nascer.Feliz).html Acesso em: 08 mai 2009. Conheça Mais Você já conhece quais são os pilares da educação? Aprender a ser Aprender a conhecer Aprender a fazer Aprender a conviver 29
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Você sabe o que significa cada um desses conceitos? Então, vamos lá! Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamentos da educação baseados no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors. Com base nesses pilares, constatou-se que o cidadão é um ser que vive em sociedade e, portanto, deve aprender a se autoconhecer, sabendo respeitar as suas dificuldades e potencialidades, aprendendo, assim, a ser um individuo singular que vive no meio social. Deve aprender a conhecer o novo, buscar sempre aprender em todas as circunstâncias, com todas as pessoas e em todos os lugares. Precisa estar consciente que pode utilizar todos os conhecimentos aprendidos para modificar o mundo à sua volta, podendo, assim, utilizar os conhecimentos teóricos para modificar na prática o meio à sua volta. Mas, para que utilize todos esses conhecimentos, equilibradamente, precisa saber conviver com o outro com suas limitações e potencialidades. Atenção Quanto ao pilar aprender a ser, existe um conjunto de princípios obrigatórios que regem a Educação básica, contidos nas Diretrizes 6 No que se refere à educação Curriculares Nacionais (DCN)6. infantil, veja o Parecer De acordo com as DCN da educação infantil, os projetos CNE 22/98. Para o ensino desenvolvidos na escola devem observar os princípios estéticos fundamental – Consultar o da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e das diversidades Parecer do CNE artísticas e culturais. 04/98. Para o ensino médio – Parecer CNE Conforme as DCN do ensino fundamental, os projetos devem 15/98. conduzir ao reconhecimento da identidade pessoal dos alunos, dos professores, da escola e do seu contexto. Segundo as DCN do ensino médio, os projetos devem valorizar aspectos relativos à estética da sensibilidade. 30
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de Estudo É hora de colocar em prática o que você estudou neste capítulo. Vamos lá? Tente refletir sobre os questionamentos a seguir. 1 – Quais os motivos que justificaram a ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos? 2 – A quem compete a oferta da educação infantil? 3 – A quem compete a oferta do ensino fundamental? 4 – A quem compete a oferta do ensino médio? Lembre-se! Você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Você poderá interagir com os(as) professores(as)/ tutores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? Consulte a Emenda Constitucional no. 14, de 12 de setembro de 1996. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:l egislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em: 19 abr 2009 Vamos participar de um chat? Vamos continuar conversando e discutindo sobre a temática educação básica e educação superior? Que tal participar de um chat temático? Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professor! Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Os professores/ tutores estarão agendando previamente o chat para que todos participem. Será uma oportunidade para você trocar ideias, leituras e experiências com outros colegas. Vamos interagir? 31
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Vamos revisar? Chegamos ao final do capítulo. É hora de reler os assuntos abordados e tirar suas dúvidas. Revise os pontos principais discutidos e leia com atenção o resumo a seguir. Resumo Neste capítulo, estudamos como estão estruturadas as etapas da educação básica, bem como a organização da educação superior. Vimos que a educação básica no Brasil, a partir da LDB 9394/96, é composta de três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Quanto ao ensino superior, estudamos que este nível de ensino tem por finalidade formar profissionais nas diferentes áreas de saber, promovendo a divulgação do conhecimentos culturais,científicos e técnicos e comunicando-os por meio do ensino. 32
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 Modalidades da Educação na LDB O que vamos estudar neste capítulo? • Educação de Jovens e Adultos • Educação Especial • Educação Profissional • Educação a distância 33
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 - Modalidades da Educação na LDB Vamos conversar sobre o assunto? No primeiro capítulo, já estudamos que são três as modalidades da Educação na LDB 9394/96, (educação de jovens e adultos, educação especial e educação profissional). Está lembrado(a)? Nesse momento, nós vamos estudar mais especificidades de cada uma dessas modalidades, bem como estudaremos sobre a Educação a Distância (EAD), modalidade em que seu curso está inserido. Vamos iniciar discutindo um pouco sobre a Educação de Jovens e Adultos. Vamos lá? Educação de Jovens e Adultos Você lembra que, no primeiro módulo, abordarmos sobre a constituição de 1988? Nela está estabelecida que a “educação é direito de todos e dever do Estado e da família”... e ainda, ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta garantia para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. 34
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação São os artigos 37 e 38 da LDB 9394/96 que abordam sobre a educação de jovens e adultos (EJA). Pois bem, o termo Educação de Jovens e Adultos na LDB 9394/ destina-se àqueles que não tiveram, na idade própria, acesso e/ou continuidade dos estudos no ensino fundamental e médio. A Educação de Jovens e Adultos prevê cursos e exames supletivos a serem realizados no nível de conclusão do ensino fundamental, para maiores de 15 anos, e no nível de conclusão do ensino médio, para maiores de 18 anos. Você sabia? Você sabia que existe uma ciência ou arte de orientar adultos a aprender? Então responda: qual o nome dessa ciência ou arte? Atenção 6 Nos anos 60, um Yugoslavo, educador de adultos, participando de um seminário de verão na Boston University, Se você respondeu Andragogia6, acertou!!!!!!! Muito bem!!! expôs o termo “andragogia”, O termo remete a um conceito de educação voltada para adultos, como um conceito mais em contraposição à pedagogia, termo que se refere à educação de organizado a respeito da crianças (do grego paidós, criança). educação de adultos. Andragogia foi apresentada como a arte e a ciência de ajudar o adulto a aprender e era ostensivamente a antítese do modelo pedagógico que significa, literalmente, a arte e ciência de ensinar crianças ( Chotguis, 2009). 35
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O modelo andragógico é baseado em vários pressupostos que são diferentes daqueles do modelo pedagógico: 1. A Necessidade de Saber. Os adultos têm necessidade de saber por que eles precisam aprender algo, antes de se disporem a aprender. 2. Autoconceito do Aprendiz. Os adultos tendem ao autoconceito de serem responsáveis por suas decisões, por suas próprias vidas. 3. O Papel das Experiências dos Aprendizes. Os adultos se envolvem em uma atividade educacional com grande número de experiências, mas diferentes em qualidade daquelas da juventude. 4. Prontos para Aprender. Adultos estão prontos para aprender aquelas coisas que precisam saber e capacitar-se para fazer, com o objetivo de resolver efetivamente as situações da vida real. 5. Orientação para Aprendizagem. Em contraste com a orientação centrada no conteúdo própria da aprendizagem das crianças e jovens (pelo menos na escola), os adultos são centrados na vida, nos problemas, nas tarefas, na sua orientação para aprendizagem. 6. Motivação. Enquanto os adultos atendem alguns motivadores externos (melhor emprego, promoção, maior salário, etc.), o motivador mais potente são pressões internas (o desejo de crescente satisfação no trabalho, auto-estima, qualidade de vida, etc.). Pesquisas de comportamento mostram que todos adultos normais são motivados a continuar crescendo e se desenvolvendo. Fonte: CHOTGUIS (2009). Viu como é importante a Educação de Jovens e Adultos? Que tal entrevistar alguém que esteja participando desta modalidade de ensino? Faça uma pesquisa em seu município e liste as escolas que trabalham com educação de jovens e adultos. Depois converse com seus colegas sobre a entrevista realizada. Agora, vamos continuar conversando um pouco sobre a Educação Especial. 36
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Educação Especial São os artigos 58, 59 e 60 da LDB/96 que tratam da educação7 Atenção especial. Esta modalidade de ensino deve situar-se preferencialmente na 7 O Conceito de necessidades rede regular de ensino, esse processo tem sido chamado de inclusão. especiais amplia o conceito de Para tanto, a lei requer capacitação dos professores e especialização deficiência. para atendimento especializado. Prevê, se necessário, a existência de serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. Propõe o recurso de classes, escolas ou serviços especializados Atenção quando não for possível a integração em classes comuns. Esta oferta de ensino se dará a partir da educação infantil. 8 Da mesma maneira que o A Constituição Federal de 1988, nos artigos 205 e 208, e na cão guia ajuda o dono cego a LDB/96, artigo 58 no parágrafo terceiro, prevê que a oferta de se situar num espaço que ele educação especial é dever do Estado. não pode ver, o cão para surdos O processo de inclusão de alunos especiais teve início antes mesmo faz com que o dono tome da capacitação dos professores. Estes se sentem desconfortáveis consciência do com situações complexas que não sabem como lidar, muitas vezes universo sonoro a sua volta. A gerando, dentro do suposto processo de “inclusão”, outras dimensões ideia básica do treinamento do da exclusão. cão para surdos é que ele reaja a certos sons familiares no lugar do dono. Ensina-se o animal a registrar Você sabia? prioritariamente quatro sons: a campanhia da porta de entrada; 1– Você sabia que existem cães para surdos? a do telefone; a do despertador 2– Você sabia que existe uma rede social parecida com o ORKUT, e o choro de um bebê. O só que somente para surdos9 e ouvintes que conhecem surdos, cão identifica e vice-versa? e determina a origem do som, é treinado para 3– Você sabia que cerca de 75% de todas as crianças autistas10 chamar a atenção são do sexo masculino? do dono e levá-lo até a origem do som percebido. 4– Você sabia que pelo menos metade dos 40 milhões de http://www. dogtimes.com. cegos existentes no mundo poderiam ter salvo sua visão, se br/surdos.htm conhecessem as doenças, sintomas e situações que podem Acesso em: 16 mai 2009. levar à cegueira? 37
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38 Acesso em: 16 mai 2009. 5– Na gravidez, doenças como rubéola e toxoplasmose, durante a gravidez, podem causar cegueira e problemas neurológicos na criança10? http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38 Acesso em: 16 mai 2009. Vamos fazer uma reflexão? Você acredita que ser portador de alguma necessidade especial Atenção impossibilita o sujeito de ter uma participação efetiva no social? 9 Acesse o seguinte Você conhece a história de Hellen Keller? endereço: http:// www.rede. Leia abaixo uma minibiografia de Hellen Keller e reflita novamente surdosol.com. br/home.php sobre a questão acima. Acesso em: 16 mai 2009 38
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Mini-biografia Atenção Helen Keller 10 AUTISMO é um distúrbio mental raro e grave que Nascida Helen Adams Keller, em 27 de junho de 1880 em afeta crianças. Tuscumbia, Alabama, EUA, a criança desenvolveu uma febre aos Entre os sintomas 18 meses de idade. Em seguida, Helen ficou cega, surda e muda. que ocasiona, Quando tinha seis anos, a professora Anne Mansfield Sullivan, destaca-se um da Perkins School for the Blind (Escola para cegos Perkins), olhar estranho e foi contratada como professora de Helen. A moça, de 20 anos, distante. ensinou a Helen a linguagem de sinais e o braile. A história da O verdadeiro autismo que professora e sua aluna foi recontada na peça e no filme de William é chamado de Gibson, “The Miracle Worker (O milagre de Anne Sullivan)”. autismo infantil Aos dez anos, Helen Keller aprendeu a falar. Em 1898, prematuro, ocorre Helen entrou para a Cambridge School for Young Ladies aproximadamente (Escola para moças Cambridge). No outono de 1900, em um caso Helen matriculou-se no Radcliffe College. Conseguiu o a cada 30 mil bacharelado cum laude (com louvor) em Letras em 1904. crianças, mas Através dos anos, Anne Sullivan permaneceu ao lado de sua o termo autismo aluna. Ela formava letras na mão de Helen para compreensão também é usado para designar de livros de texto, palestras da faculdade e conversação. outras formas graves de doença A cruzada pessoal de Helen Keller mental que se assemelham Em 1915, Helen juntou-se à primeira diretoria do ao autismo verdadeiro. Permanent Blind Relief War Fund (Fundo permanente de Cerca de 75% de ajuda aos cegos de guerra), mais tarde conhecido como todas as crianças American Braille Press (Imprensa braile americana). autistas são do Em 1924, a jovem fundou a Helen Keller Endowment Fund sexo masculino. (Fundo de dedicação Hellen Keller). No mesmo ano, Helen http://www. ligou-se à American Foundation for the Blind (Fundação guia.heu.nom. americana para portadores de deficiência visual) como br/autismo.htm conselheira para relações nacionais e internacionais. Acesso em: 10 Em 1946, Helen Keller tornou-se conselheira para mai 2009. relações internacionais da American Foundation for Overseas Blind (Fundação americana para os deficientes visuais estrangeiros). Visitou 35 países. Sua vida virou filme. “Helen Keller in Her Story” (Helen Keller e sua História) recebeu o “Oscar” de melhor documentário da Academia de artes e ciências cinematográficas em 1955. Helen Keller fez sua última aparição pública em Washington, D.C., EUA, em 1961. Recebeu o Prêmio Humanitário Lions por uma vida inteira de dedicação. Em 1971, a Directoria do Lions Clubs International declarou que o dia 1º de Junho seria lembrado como o “Dia de Helen Keller”. Helen morreu em 1º de Junho de 1968, aos 87 anos. Num dos seus escritos, ela diz: “Várias vezes pensei que seria uma bênção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas fariam-o apreciar mais a visão e o silêncio ensinar-lhe-ia as alegrias do som”. http://www.lionsclubs.org/PO/content/vision_services_keller.shtml Acesso em: 16 mai 2009 39
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Educação Profissional Os artigos 39, 40,41 e 42 da LDB/96 abordam sobre a educação profissional. Há uma previsão da interação profissional com as diferentes formas de educação, o trabalho, a ciência e a tecnologia. Também, a articulação com o ensino regular ou outras estratégias de educação continuada. Prevê o aproveitamento do conhecimento obtido através da educação profissional para fins de prosseguimento ou conclusão de estudos, além da oferta de cursos especiais abertos à comunidade pelas escolas técnicas e profissionais. Entretanto, a lei não define instâncias, competências e finalidades de cada um dos níveis de governo para com esse ramo do ensino. Na verdade, alguns autores afirmam que, no que se refere a essa modalidade de ensino, a LDB/96 nada mais é do que uma carta de intenções. O ensino profissional só toma uma configuração nítida de fato só a partir de uma série de Decretos e Portarias posteriores à LDB, documentos que vêm a regulamentar essa modalidade de ensino. Educação a Distância As bases legais para a Educação a Distância, no Brasil, só foram estabelecidas em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (também conhecida como LDB - Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que foi primeiramente revista em 1998, pelo decreto nº 2.494 e, posteriormente, regulamentada pelo Decreto 40
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação n.º 5.622, publicado em dezembro de 2005. Veja como o Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, define a Educação a Distância: “Art. 1º- Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto- aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”. A seguir vamos discutir alguns pontos mais importantes da Lei e dos decretos subsequentes. Observe atentamente os pontos colocados a partir da regulamentação da EAD no Brasil. 1- Cursos na modalidade a distância só serão oferecidos por instituições especificamente credenciadas pela União, ou seja, para que o seu curso seja válido, é preciso procurar instituições credenciadas pelo MEC. É preciso ter cuidado, porque nem todo mundo é idôneo. Fazer um curso a distância em uma instituição não credenciada implica que o certificado que você obterá ao final do curso não tem valor 2- Cabe à União (isto é, ao governo federal) regulamentar os requisitos de avaliação e de emissão dos diplomas. Então, para que o curso seja válido, é preciso que as avaliações das disciplinas obedeçam às regras estabelecidas pelo governo federal. 3- A Educação a distância deverá ser utilizada para promover oportunidades educacionais apropriadas (isto é, o governo incentiva a criação de cursos de EAD desde o nível básico, técnico e superior) para o alunado com características diversas e diferentes interesses, condições de vida e de trabalho. A ideia é mesmo proporcionar a todos acesso à educação de qualidade, independente de sua localização e situação de vida e trabalho 41
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atenção 11 A EAD só é regulamentada para o ensino fundamental no âmbito da Educação de Jovens e Adultos. O ensino fundamental regular não está contemplado para ofertas na 4- É possível oferecer cursos nos diversos níveis: de ensino fundamental11 (para modalidade a jovens e adultos); de ensino médio; de educação profissional; de graduação e distância. pós. Cada nível tem sua legislação específica. 5- .A avaliação12 do aluno deve ser feita obrigatoriamente por meios presenciais, cabendo à instituição que oferta o curso realizá-la Atenção 12 Conforme Art. 7º do Decreto 2494, a avaliação do rendimento do aluno para fins de promoção, certificação ou diplomação deverá ser Em síntese, é importante que você perceba que a Educação a realizada: Distância tem sua regulamentação própria e está se destacando cada - durante o processo das vez mais no cenário da educação brasileira como “uma estratégia de atividades do curso a distância; ampliação democrática do acesso à educação de qualidade, direito - por meio do cidadão e dever do Estado e da sociedade, que os textos legais e de exames presenciais que as normas oficiais passam a tratar”. (LOBO, 2000, p.09). “deverão avaliar competências O artigo 80 da LDB/96 afirma que “O Poder Público incentivará o descritas nas diretrizes desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, curriculares nacionais, quando em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação for o caso, bem continuada”. como conteúdos e habilidades que cada curso É importante frisarmos que a educação a distância reconhece a se propõe a desenvolver”. escola como espaço privilegiado da atividade educacional, podendo (Art. 7º, Parág. ampliar seu potencial didático-pedagógico, através de um sistema Único”. tecnológico. 42
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A secretaria de Educação a Distância do MEC foi criada em 1995 e se articula com os demais órgãos do ministério, a fim de institucionalizar Atenção a EAD no país. Entre as principais ações desta secretaria estão a TV escola13 e o Programa Nacional de Informática na escola (Proinfo)14. 13 A TV Escola é um canal do Ministério da Educação, sobre educação e para a educação. No 14 Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) é uma ar 24 horas por iniciativa do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação dia, o canal exibe a Distância – SEED, criado pela Portaria nº 522, de 09 de abril de 1997, os melhores documentários e sendo desenvolvido em parceria com os governos estaduais e alguns séries nacionais e municipais. As diretrizes do Programa são estabelecidas pelo MEC e pelo internacionais. CONSED (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação). Em Para professores cada unidade da federação, há uma Comissão Estadual de Informática é uma ferramenta na Educação cujo papel principal é o de introduzir as Novas Tecnologias de formação de Informação e Comunicação nas escolas públicas de ensino médio e continuada, pois, fundamental. além dos vídeos, exibe comentários e dicas O objetivo do PROINFO é o de promover o desenvolvimento e o uso da pedagógicas. telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico, Para os alunos, uma fonte de http://br.geocities.com/nteposse/proinfo.htm Acesso em: 10 mai de 2009 conhecimento e aprendizagem sobre História, Ciências, Matemática, Geografia, Língua Portuguesa e todas as outras áreas curriculares Você sabia? da Educação Básica Você sabia que a EAD, em sua forma empírica, é conhecida desde o século XIX? Entretanto, apenas recentemente, nas últimas décadas, passou a fazer parte das atenções pedagógicas. Seus referenciais atuais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do século XXI publicados pela UNESCO, e que você já conhece. Lembra quais são? Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Conheça Mais Na modalidade de ensino a distância, como você bem já experencia, estudantes e professores não necessitam estar presentes num local específico durante o período de formação. As funções pedagógicas são garantidas na construção da ambiência de aprendizagem e à 43
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação utilização das tecnologias da informação e comunicação. Atenção Ao longo dos tempos, várias foram as sistemáticas utilizadas para se efetivar o ensino a distância, ou seja, correspondência postal, seja 15 No Brasil, as bases legais para na forma escrita, fitas cassetes, áudio, CD-ROMs, vídeos, Internet. a modalidade Com o advento de recursos tecnológicos mais avançados, Internet, de EAD foram estabelecidas email, World wide web, ampliou-se o campo de atuação da Educação pela LDB 9.394/96 , que foi a Distância. regulamentada pelo Decreto no. Assim, no Brasil, a EAD é aplicada na educação básica, 5.622 de 20/12/05 (que revogou educação superior, educação profissional, pós-graduação, para o Decreto no. 2.494, de 10 de diplomas e certificados de cursos a distância emitidos por instituições fevereiro de 1998, estrangeiras15. e o Decreto no. 2.561, de 27 de abril de 1998) com normatização definida na Portaria Ministerial no. Cinema em Ação 4.361, de 2004 (que revogou a Portaria Ministerial no. O filme que indicamos para que você assista está ligado à temática 301, de 07 de abril da Educação Especial. Assista ao filme, tente elaborar questões e de 1998). E em 03 de abril de 2001, comentários vinculados aos pontos explorados em nossos estudos a Resolução no. 1, do Conselho e compartilhe suas ideias e questionamentos em nossos espaços Nacional de virtuais. Educação estabeleceu as normas para a pós graduação Meu Pé Esquerdo (My Left Foot: The Story of Christy Brown) lato e stricto sensu. Sinopse: Christy Brown (Daniel Day-Lewis) é o filho de uma pobre família irlandesa. Ele nasce com paralisia cerebral, trazendo sérias conseqüencias para os movimentos do seu corpo. Com o único movimento que tem, do seu pé esquerdo, Christy consegue se revelar como ótimo escritor e pintor. Oscar de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis e Atriz Coadjuvante para Brenda Fricker. Ficha técnica (My Left Foot, 1989) • Direção: Jim Sheridan • Roteiro: Christy Brown (livro), Shane Connaughton, Jim Sheridan • Gênero: Biografia/Drama • Origem: Inglaterra/Irlanda • Duração: 103 minutos • Tipo: Longa Disponível em: www.interfilmes.com/filme_13903_Meu.Pe.Esquerdo-(My.Left.Foot.The. Story.of.Christy.Brown).html Acesso em: 08 mai 2009. 44
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de Estudo Vamos fazer uma reflexão? A sabedoria começa na reflexão. Sócrates Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as)/tutores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? 1– A LDB 9394/96, em suas propostas, dá ênfase à garantia da qualidade da educação. Isso se concretiza na prática? 2– Qual a concepção de educação expressa na LDB? Conheça Mais Para facilitar seus estudos, continue pesquisando sobre as temáticas abordadas neste capítulo. Lembre-se de realizar sistematizações de suas leituras, ou seja, tente elaborar fichamentos e resumos dos textos lidos e das pesquisas realizadas. Vá registrando suas produções em seu portfólio. Isso irá facilitar os seus percursos de aprendizagem. 45
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Veja as indicações de leitura a seguir. BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001. 183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação, Centro Educação/UFPE. Recife, PE. Vamos participar de um chat? Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e aprofundar as discussões sobre as modalidades de ensino e a educação a distancia na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professores/tutores! Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Vamos revisar? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. Lembre-se! O sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Leia, com atenção, o resumo a seguir e bons estudos! 46
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Resumo Neste capítulo, estudamos mais detalhadamente as três modalidades de ensino contidas na LDB 9394/96, bem como a educação a distância. Em relação à modalidade de educação infantil, vimos que a concepção expressa na lei se constitui enquanto avanço, bem como no que se refere ao ensino fundamental, destacamos que o compromisso do Estado de ofertar esse nível de ensino a todos, até mesmo para aqueles que estão fora da faixa de escolarização devida, se constitui um grande avanço da lei, se comparada com as leis anteriores. Quanto ao ensino médio, vimos que se constitui enquanto uma etapa da educação básica que gera ainda bastante polêmica entre os estudiosos da área. Já em relação à Educação a Distância, a mesma se constitui cada vez mais em expansão, podendo ser vivenciada nos vários níveis da educação no Brasil. 47
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Considerações Finais Caro(a) Cursista, Por meio das atividades propostas, você percebeu a relevância de proceder a leituras e sistematizações constantes sobre as temáticas em tela, bem como da necessidade de exercitar continuamente a pesquisa, para ampliar e aprofundar aspectos aqui pontuados ou a eles relacionados. Em breve estaremos mais uma vez juntos, no terceiro módulo e cada vez mais atribuindo sentido e significado aos conteúdos até então estudados. Será que você já está curioso(a) para saber o que vamos estudar no próximo módulo? Acreditamos que sim. No próximo módulo, continuaremos com a nossa caminhada e discutiremos sobre o debate atual no Brasil sobre os profissionais da educação, sobre os recursos financeiros destinados à educação e o Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação. O que você acha? Bem, podemos adiantar que são temas de suma importância para a área educacional. Contamos com você, até breve! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras 48
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Referências BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. _______. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. ______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996. Brasília, 1996. ______. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. ______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de Educação. Brasília, 2001. ______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões e programas. Brasília, 2007. CHOTGUIS. José. Andragogia: arte e ciência na aprendizagem do adulto. Disponível em: http://www.nead.ufpr. br Acesso em: 08 mai 2009 LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar. google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C 3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar &lr= Acesso em: 20 abr 2009. Política educacional em tempos neoliberais – o econômico definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/ scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr= Acesso em: 20 abr 2009 Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_ completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009. SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001. 183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação, Centro Educação/UFPE. Recife, PE. 49
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conheça as Autoras Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas 50
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós- graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental. 51
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    Estrutura e Funcionamento da Educação Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento Recife, 2009
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    Universidade Federal Ruralde Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Glaucia Micaele e Everton Felix Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Diego Almeida Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
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    Sumário Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 3 ......................................................................5 Capítulo 1 - Profissionais da Educação..............................................7 Uma reflexão sobre nosso contexto atual ..........................................7 Os profissionais da educação no texto Constitucional e na LDB .......8 Mas o que é o Plano Nacional de Educação? ..................................12 Capítulo 2 - O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais .........................................................22 Vamos tentar entender melhor como tudo começou... .....................22 Primeira Municipalização ..................................................................23 Período Republicano ........................................................................23 O Financiamento da Educação na Constituição de 1988 e na LDB nº 9394/96 .............................................................................................26 Vinculação de Recursos na Constituição de 1988 ...........................29 Capítulo 3 - Plano de Desenvolvimento da Educação ....................34 A relação entre o PDE e as Políticas Públicas para Educação ........37 O Plano de Desenvolvimento da Escola ..........................................39 Considerações Finais .........................................................................43 Conheça as Autoras ...........................................................................46
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    Apresentação Caros(as) Cursistas, Já vivemos a aventura histórica de percorrer o período da colonização aos dias atuais. Depois estudamos as Constituições Brasileiras, enfatizando a Constituição (denominada de Constituição-Cidadã) de 1988. Vimos tudo isto no Módulo 1. No Módulo 2, estudamos a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) atual e suas nuances nos diversos ambientes educacionais. E agora, neste Módulo 3, abordaremos os seguintes assuntos: 1 – Profissionais da Educação. 2 – Recursos Financeiros para Educação. 3 – Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação. Contamos mais uma vez com a sua valiosa participação. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conhecendo o Volume 3 Este volume tratará de três assuntos de extrema importância para a Educação. No primeiro capítulo, trataremos a questão da valorização do profissional da Educação, enfatizando os documentos legais que a regulamentam. O segundo capítulo refere-se à questão do financiamento da Educação. Sobre esta temática, faremos uma breve retrospectiva histórica de como vem sendo realizado o financiamento do setor educacional brasileiro, da época da Colonização até os dias atuais. Em seguida, analisaremos a Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9394/96. Por fim, detalharemos as fontes de financiamento atuais. No terceiro capítulo, estudaremos o plano de desenvolvimento da educação nos âmbitos nacional e local (escolas). Módulo 3 – Os Profissionais da Educação e os Recursos Financeiros destinados à Educação Carga Horária do Módulo 3: 15h/a Objetivo do Módulo 3: Refletir sobre questões polêmicas e atuais na Educação que envolvem desde as fontes de financiamento, o processo de valorização do magistério e o plano nacional de Educação. Conteúdo Programático do Módulo 3 1– Valorização do Profissional da Educação: formação, piso salarial. 2– Financiamento da educação brasileira: histórico, base legal e fontes. 3– Plano de desenvolvimento da educação. 5
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 Profissionais da Educação O que vamos estudar neste capítulo? • Os profissionais da Educação 6
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 - Profissionais da Educação Vamos conversar sobre o assunto? É inegável a importância dos profissionais de Educação para o processo de ensino-aprendizagem. Você tem alguma dúvida sobre a veracidade dessa afirmação? Ao longo da trajetória histórica o Brasil vem tratando este profissional de acordo com o contexto de cada época. Em alguns momentos, este profissional foi tratado com um certo prestígio e em outros momentos até com descaso. Em alguns momentos, preocupou-se com a formação e a qualificação desses profissionais e, em outros, se investiu pouco neste aspecto. Uma reflexão sobre nosso contexto atual O nosso cenário mundial que leva a competitividade internacional ditada pela globalização inclui exigências como: adoção de novas tecnologias, atitudes mais flexíveis em relação à refuncionalização do capitalismo e às novas relações de trabalho, aumento da produtividade da economia e a aplicação de mecanismos de ajustes financeiros. Além desses fatores, a modernização produtiva, a inserção competitiva nos mercados crescentemente globalizados e o esfacelamento do aparato protecionista do Estado revelam mudanças. Esses fatores advindos da modernidade implicam altos custos sociais para muitos segmentos da população brasileira. Desde o final da década passada, segundo Brzezinski (1997), os índices 7
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação de concentração de renda no país chegaram a: 10% da população detinham 60% das riquezas, enquanto 40% viviam em total miséria. Isso revela que os indicadores de qualidade de vida dos brasileiros em relação à educação, saúde e emprego tornaram-se alarmantes. Quanto à educação, apesar do discurso oficial, inclusive no texto da LDB nº 9394/96 revelar a importância da educação básica, na prática, a educação escolar ainda sofre consequências do descaso das ações sucessivas de desvalorização social e econômica dos profissionais da educação. Os profissionais da educação no texto Constitucional e na LDB O texto que passou a integrar a LDB/96 é o resultado de inúmeras pressões sociais. No entanto, apenas parcialmente contemplou as demandas dos educadores em relação à formação de professores para as séries iniciais, mantendo-se o nível médio por mais de 10 anos. Criou-se uma nova instituição denominada Instituto Superior de Educação (ISE), cujo modelo já vinha sendo muito questionado nos países que tinham apoiado esse tipo de Instituto (Argentina, Portugal, Espanha, são exemplos desses questionamentos). Esses Institutos não desenvolverão pesquisa, apenas se dedicarão ao ensino, comprometendo seu processo de formação. Entre o espaço temporal da aprovação da Constituição de 1988 e a LDB de 1996, o Ministério da Educação e Cultura – MEC, com o apoio de várias entidades e fóruns de educadores, realizou a Conferência Nacional de Educação para Todos (1993) que culminou com a aprovação do Plano Decenal de Educação para todos com vigência de 1993 a 2003. 8
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Desse Plano, consta um fato inédito, o acordo negociado e assumido entre os sindicatos de professores e os governos estaduais e municipais, para a elevação salarial dos professores do território brasileiro, sendo definido um piso salarial mínimo. Desta forma, passou a ser pauta das discussões em âmbito governamental a “indissociabilidade entre qualidade de formação e condições de trabalho e de exercício profissional, especialmente salários” (PIMENTA, 2002, p. 33). Foram colocadas em pauta questões sobre profissionalização e desenvolvimento profissional dos professores, pela intensa movimentação dos sindicatos de professores (década de 1980) e por intelectuais das universidades. Porém, a valorização profissional, melhoria salarial e de condições de trabalho foram abolidas dos discursos, das propostas e das políticas do governo que se propôs apenas a normatizar a formação inicial de professores e financiar amplos programas de formação continuada. Vamos analisar um pouco o texto da LDB nº 9394/96? A LDB disponibiliza o capítulo VI para tratar dos profissionais da educação. Os Arts. 61, 62, 63, 64, 65 e 66 tratam da formação inicial e formação em serviço desses profissionais. 9
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Entre os aspectos descritos em relação à formação dos profissionais da educação está a associação entre teorias e práticas como um dos fundamentos da formação. Art. 61 ... “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço e aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades.” Fonte: BRASIL, 1996 Ao mesmo tempo que traz um avanço educacional ao colocar em um texto legal a necessidade da associação entre teoria e prática, faz um retrocesso ao prescrever que a capacitação em serviço possa garantir a formação necessária à docência. E mais grave ainda é a questão do aproveitamento de formação e experiências anteriores em outras atividades realizadas em outras áreas profissionais que podem ser capaz de habilitar o profissional a ensinar. O Art. 62 estabelece a exigência de formação de todos os docentes da educação básica em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena. No entanto, admite, em caráter temporário, o preparo dos profissionais para atuarem na educação infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental, profissionais com o nível médio na modalidade Normal e que haja uma preparação emergencial para cada etapa da educação básica. Neste aspecto, a lei considera as disparidades de desenvolvimento social, econômico e cultural das regiões brasileiras. Esse foi um aspecto positivo da Lei. Todavia, um cuidado que se deve tomar é permitir que o caráter de transitoriedade torne-se permanente. No Art. 63 regulamentam-se os Institutos Superiores. Este artigo vem sofrendo uma serie de críticas por parte dos autores que questionam as condições dos ISEs para complementar com a necessária qualidade a formação desses profissionais. 10
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O Art. 64 institui a base comum nacional que é um aspecto positivo uma vez que ultrapassa a ideia hermética de currículos mínimos que já vinham desde a época da ditadura militar. Contudo, torna-se um retrocesso quando preceitua essa base comum nacional apenas para a formação em Pedagogia, descartando, segundo Brzezinski (1997), as demais Licenciaturas. Outro aspecto que, segundo essa autora, causa estranheza é a formação do pedagogo em administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional em nível de graduação ou pós-graduação “a critério da instituição de ensino”. Nesse aspecto, constitui um avanço ao resguardar a autonomia institucional em relação à formação. No entanto, desconsidera a experiência exitosa das universidades ao formarem pedagogos sob uma abordagem multidisciplinar para atuarem na totalidade das atividades do trabalho pedagógico da organização escolar. Outro aspecto relevante da LDB está no Art. 67 que trata sobre a carreira dos profissionais da educação, principalmente ao estabelecer o suporte legal para o exercício da profissão “O Plano de Carreira” ou “Estatuto dos Profissionais da Educação”. Dentre os aspectos mais relevantes estão: O ingresso na carreira é exclusivamente por concurso público de provas e títulos Este aspecto traz a garantia de que só exercerão a docência as pessoas que tiverem a formação necessária e tiverem as condições mínimas exigidas para a aprovação em um concurso público. O aperfeiçoamento profissional continuado Este dispositivo garante o direito e o dever do profissional de educação em continuar aprendendo e se aperfeiçoar para ter melhores condições de ensinar com qualidade. 11
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A progressão funcional baseada na titulação e na avaliação de desempenho Este aspecto estimula o profissional a continuar aperfeiçoando sua formação e buscando melhorar a cada dia sua atuação profissional. Já analisamos o tratamento que é dado à temática da formação e valorização dos Profissionais de Educação na Constituição e na LDB. Por fim, a discussão sobre os Profissionais de Educação na Lei nº 10172/2001 - Plano Nacional de Educação. Mas o que é o Plano Nacional de Educação? A LDB nº 9394/96 estabeleceu que “A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei encaminhará ao Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos” (artigo 87, § 1º). Isto significa que deveria ter sido elaborado até 1997. Contudo, só em 10/12/1998 deu entrada, na Câmara dos Deputados, o projeto do PNE elaborado pelas entidades educacionais. Houve uma longa tramitação permeada por muitas discussões e controvérsias entre grupos de interesses distintos, até que em janeiro de 2001 é promulgada a Lei nº 10172. PNE: Plano Nacional de Educação Você sabia que o PNE está estruturado em seis partes? 1ª parte: consiste numa introdução (histórico, objetivos e prioridades); 2ª parte: aborda os níveis de ensino distinguindo a educação 12
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio) e educação superior. 3ª parte: aborda as modalidades de ensino abrangendo a educação de jovens e adultos, educação a distância e tecnologias educacionais, educação tecnológica e formação profissional, educação especial e a educação indígena. 4ª parte: trata do magistério da educação básica, em um único tópico intitulado “formação dos professores e valorização do magistério”. 5ª parte: versa sobre o financiamento e gestão. 6ª parte: aborda em forma de conclusão, a forma de acompanhamento e avaliação do Plano. Neste capítulo, nos deteremos a analisar apenas a 4ª parte por se tratar da valorização do magistério. No PNE, a formação inicial e continuada é tratada como uma condição para a melhoria da qualidade do ensino e da valorização do profissional em educação. Além desses, deve fazer parte da valorização a garantia das condições adequadas de trabalho (por exemplo, tempo reservado para estudo e preparação das aulas), a relação adequada entre número de alunos por classe, um piso salarial e um plano de carreira de magistério. Todos esses pontos são registrados no PNE. Alguns autores chegam a fazer uma crítica, dizendo que em alguns momentos o Plano se aproxima mais a uma carta de intenções que a um Plano propriamente dito. Porém, apesar de sua tramitação ter demorado mais do que havia sido previsto e a sua implementação não ter de fato sido realizada, já foi um grande passo ser aprovado. Vamos analisar um pouco a situação? Segundo Brandão (2006), em cumprimento à Lei 9424/96, estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério, muitos Estados e Municípios já reformularam e implementaram os respectivos planos de carreira do magistério. No entanto, existe um número significativo de Municípios sem plano de carreira especifico para o magistério. 13
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Outra questão importante é a discrepância salarial, por exemplo, em 2005 por 40 horas semanais um professor com nível superior no Rio de Janeiro recebia R$ 1.351,62, enquanto em Pernambuco o mesmo perfil de professor recebia R$ 460,69 (um pouco mais de um terço do valor). Um outro ponto relevante tratado no Plano, mas que, na prática, não se efetivou de fato, é o trabalho em tempo integral, quando conveniente ao professor em único estabelecimento, sendo destinado entre 20 a 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas, avaliações e reuniões pedagógicas. O que seria muito interessante para muitos professores que se cansariam muito menos por não terem que perder tempo com deslocamento e teriam garantido dentro do seu horário de trabalho tempo para planejamento e correções; tempo esse que até o momento é desviado do seu “horário livre” para essas funções profissionais. Outro fator fundamental do PNE é o estabelecimento de diretrizes para a formação dos profissionais da educação, baseados nos seguintes princípios: a) Sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na educação básica, bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos b) Ampla formação cultural c) Atividade docente como foco formativo d) Contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso, integrando a teoria à prática pedagógica e) Pesquisa como princípio formativo f) Domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação 14
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação e capacidade para integrá-las à prática do magistério g) Análise dos temas atuais da sociedade, da cultura e da economia h) Inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação i) Trabalho coletivo interdisciplinar j) Vivência, durante o curso, de formas de gestão democrática do ensino k) Desenvolvimento do compromisso social e político do magistério; l) Conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacional dos níveis das modalidades da educação básica)” (BRANDÃO, 2006, p. 183-4). Estes foram apenas alguns dos avanços desse PNE, é claro que sua regulamentação não foi executada integralmente em todos os Municípios e Estados. Em alguns até nenhuma das metas foi atingida. Atividades e Orientações de Estudo Você gosta de música? Veja a letra de música a seguir e depois tente criar uma frase sobre a importância do papel do professor. Depois, poste sua mensagem no fórum de discussão, a fim de socializar suas idéias e experiências. 15
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O PROFESSOR Tânia Maya Quem com pó de giz Um lápis e apagador Deu o verbo a Vinícius Machado de Assis, Drummond? Quem ensinou piano ao Tom? Quem pôs um lápis de cor Nos dedos de Portinari, Picasso e Van Gogh? Quem foi que deu asas a Santos Dumont? Crianças têm tantos dons Só que, às vezes, não sabem Quantos só se descobrem Porque o mestre enxergou e incentivou... É, só se faz um país com professor Um romance, um croquis, com professor Um poema de amor, dim dim Um país pra ensinar seus jovens eh É, só se faz... Um romance, um croquis, com professor Um poema de amor, dim dim... Quem com pó de giz... Filmoteca: Cinema em Ação Muitos são os filmes que retratam o papel do docente e a importância e a ressignificação que os discentes fazem dessa atuação. Você já assistiu ao filme “Ao mestre com carinho”? Este é um filme que retrata a realidade de um outro país, em outra época histórica e em outro contexto. Assista a esse filme, pois faremos uma comparação posterior. 16
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação SINOPSE – Ao mestre com carinho Um jovem professor enfrenta alunos indisciplinados, neste filme Clássico que refletiu alguns dos problemas e medos dos adolescentes dos anos 60. Sidney Poitier tem uma de suas melhores atuações como Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que resolve dar aulas em Londres, no bairro operário de East End. A classe, liderada por Denham (Christian Roberts) Pamela (Judy Geeson) e Barbara (Lulu, que também canta a canção título) estão determinados a destruir Thackeray como fizeram com seu predecessor, ao quebrar-lhe o espírito. Mas Thackeray acostumado à hostilidade enfrenta o desafio tratando os alunos como jovens adultos que breve estarão se sustentando por conta própria. Quando recebe um convite para voltar a engenharia, Thackeray deve decidir se pretende continuar. Ficha Técnica Título no Brasil: Ao Mestre, Com Carinho Tempo de Duração: 105 minutos Título Original: To Sir, with Love Ano de Lançamento: 1967 País de Origem: Inglaterra Estúdio/Distrib.: Sony Pictures Gênero: Drama Direção: James Clavell Fonte: www.65anosdecinema.pro.br/Ao_mestre_com_carinho.htm Gostou do filme? Agora, assista também ao filme brasileiro “Verônica” e compare as duas realidades apresentadas. SINOPSE – Verônica. Verônica é professora da rede municipal de ensino há vinte anos e agora, na iminência de se aposentar e passando por sérios problemas pessoais, está exausta e sem a paciência de sempre. Um dia, na escola em que trabalha, ela percebe que ninguém veio buscar Leandro, um aluno de oito anos. Já é tarde da noite quando a professora decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do morro, encontram a polícia e muito tumulto. Traficantes mataram os pais de Leandro e querem matá-lo também. Verônica foge com o menino. Ela procura ajuda e descobre que a policia também está ligada ao assassinato dos pais do menino. Sem poder confiar em ninguém, ela decide esconder o garoto. Assim, Verônica é obrigada a enfrentar policiais e traficantes para sobreviver. E enquanto procura uma maneira de escapar com o menino, redescobre sentimentos que estavam adormecidos na sua vida. 17
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Ficha Técnica Título no Brasil: Verônica Ano de Lançamento: 2008 Título Original: Verônica Estréia no Brasil: 06/02/2009 País de Origem: Brasil Site Oficial: http://www Gênero: Ação veronicaofilme.com.br Classificação etária: 12 anos Estúdio/Distrib.: Europa Filmes Tempo de Duração: 87 minutos Direção: Maurício Farias Fonte: www.cinepop.com.br/filmes/veronica.htm Agora vamos fazer uma análise? • Quais as semelhanças e diferenças encontradas nas duas realidades analisadas? • Os professores dessas duas realidades são valorizados? Se sim, em que sentido e por quem? Se não, por que não? • Existem políticas públicas que viabilizem a formação, a quantificação e a valorização desses profissionais? Após essas reflexões, construa um pequeno texto-síntese comparando as histórias apresentadas nos dois filmes. Depois, entre no Fórum de discussão para colocar suas observações e comentar um pouco mais sobre o assunto. Vamos refletir um pouco sobre a valorização do professor no exercício da docência? Conheça Mais Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia. Aprofunde seus conhecimentos pesquisando mais sobre o assunto. Veja as dicas de leitura. BRANDÃO, Carlos da Fonseca. PNE passo a passo! Lei nº 10.172/2001: discussão dos objetivos e metas do plano nacional de educação. São Paulo: Avercamp, 2006. BRZEZINSKI, Iria (org.) LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997. 18
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação SAVIANI, Dermeval. Da nova LDB ao FUNDEB: por outra política educacional. Campinas: Autores Associados, 2007. (coleção Educação Contemporânea). Acesse também o portal do MEC. Lá você irá encontrar várias informações sobre o PNE e a LDB. www.mec.gov.br Você Sabia? Até a independência do Brasil não existia educação popular, mas depois dela o ensino, pelo menos nos termos da lei, se tornou gratuito e público, inclusive para mulheres. Isso aconteceu a partir da primeira lei do ensino (datada de 1827) que deu direito à mulher de se instruir (porém com conteúdos diferenciados dos ministrados aos homens) e que admitiu o ingresso de meninas na escola Primária. A partir daí a formação de professoras do sexo feminino se fez necessária, pois os tutores deveriam ser do mesmo sexo que seus alunos. O primeiro curso de ensino normal das Américas surgiu, então, na cidade de Niterói (RJ), em 1835, e tinha no seu estatuto alguns pré-requisitos para quem quisesse cursá-lo: a boa morigeração [idoneidade moral] e ter idade superior a 18 anos. Nessa época, o currículo do estudo feminino era diferenciado do masculino: as moças se dedicavam à costura, ao bordado e à cozinha, enquanto os homens estudavam geometria. As mulheres professoras eram isentas de ensinar geometria, mas essa matéria era critério para estabelecer níveis de salário, portanto, reforçava-se com isso a diferença salarial. Fonte: Rabelo; Martins, 2009 19
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Vamos revisar? Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar suas leituras e pesquisas. Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos! Resumo Neste capítulo, você estudou a questão da formação e valorização do profissional da educação. Para tanto, realizou-se uma análise da LDB e do PNE. Observou- se que ambos trouxeram avanços em relação a discussão e a legalização da profissionalização do magistério. Entretanto, evidências mostram que, na prática, tanto o processo de formação quanto a valorização salarial estão aquém do que prescreve a lei. 20
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais O que vamos estudar neste capítulo? • Breve retrospectiva histórica sobre o financiamento da educação: da Colônia aos dias atuais • Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9394/96 • Financiamentos para a Educação 21
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 - O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais Vamos conversar sobre o assunto? Todos nós já ouvimos comentários como: - Existe pouca verba para Educação! - Investe-se pouco no ensino brasileiro! Vamos tentar entender melhor como tudo começou... Período Jesuítico Figura 2.1 – Chegada dos Jesuítas ao Brasil-Colônia Como você já observou no primeiro volume do material didático da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação, de 1549 a 1758, o ensino brasileiro foi confiado à Companhia de Jesus. Teoricamente o ensino público era oferecido aos índios e os filhos de portugueses, sendo financiado por uma dotação real. No entanto, além do dinheiro chegar atrasado era insuficiente para manter um ensino de qualidade. Os jesuítas optaram por um sistema de autofinanciamento e como resultado disso tivemos um ensino elitista e discriminatório. Desse excessivo zelo jesuíta nasceu o descompromisso do governo pela educação. Em meados do século XVIII, a riqueza dos jesuítas era 25% do PIB (Produto Interno Bruto) e para pagar a dívida externa da Coroa, em 1758, os jesuítas foram expulsos e seu dinheiro confiscado. Esse 22
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação foi o primeiro desvio de verbas da Educação brasileira. Atenção 1 As aulas régias compreendiam o estudo das humanidades, Figura 2.2 – Desvio de verbas sendo pertencentes ao Estado e não Primeira Municipalização mais restritas à Igreja - foi a primeira forma do sistema de ensino Então, o que aconteceu com a educação? público no Brasil. Ao rei cabia a criação dessas Para substituir as escolas secundárias jesuítas, o Marques de aulas isoladas e Pombal criou as aulas régias1. a nomeação dos professores, que levavam quase O financiamento da educação passou a depender da cobrança de um ano para a um imposto sobre o abate de gado e da alambicagem da cachaça. percepção de seus ordenados, arcando eles Na prática, na sociedade rural e escravocrata dos séculos XVIII e próprios com a sua manutenção. XIX, a pressão pela escola pública secundária era bem menor do que Treze anos após a vontade de sonegar impostos. a expulsão dos jesuítas foram introduzidas as aulas régias, Período Republicano sistema no qual os professores eram nomeados pelo rei, para um Com o fim da escravidão em 1888 e o desenvolvimento das forças cargo vitalício. produtivas, passa a se urbanizar e a exigir a escola pública universal. Elitizou-se mais a clientela, uma vez que A incipiente industrialização e crescente circulação comercial perderam acesso levam ao incremento de impostos indiretos que serviram como uma à educação as populações nova fonte de financiamento do ensino primário e secundário estadual indígenas ou das regiões e municipal. suburbanas que estudavam nas Após 1930 consolida-se este modelo, passando os impostos federais missões. e estaduais a serem cada vez mais abundantes e sustentadores que Fonte: Fonseca, visam atender às demandas reprimidas. No entanto, como a demanda 2009; Monlevade, 2001 (www. era grande e o recurso nem tanto, ocorreu o barateamento do ensino histedbr.fae. e com esse a deteriorização da educação. unicamp.br/ navegando/ periodo_ Ao governo federal cabia o financiamento do 3º grau e as escolas pombalino_intro. agrícolas e industriais de 2º grau, sobrecarregando, assim, os estados, html) que seriam responsáveis pelo ensino desde a alfabetização até o 2º grau regular. 23
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No final da ditadura militar, consolida-se uma reação intelectual sindical e popular, pedindo mais verbas para educação. Em resposta a essas solicitações, teve origem a Emenda Calmon2 que foi regulamentada posteriormente à vinculação de recursos para educação como a Constituição de 1988. Com a constituição de 1988 ficaram garantidos 18% dos impostos recolhidos pelo governo federal para educação. Dentre esses estão: imposto de renda, imposto sobre produtos industrializados, imposto territorial rural, imposto sobre importação e exportação, imposto sobre operações financeiras e sobre grandes fortunas. No âmbito estadual, ficam garantidos para o ensino, no mínimo, 25% dos impostos cobrados pelo Estado: o imposto predial e territorial urbano, o imposto sobre serviços, o imposto sobre a transmissão de bens imóveis e o imposto sobre a venda de combustível no varejo, além de 25% sobre as transferências federais e estaduais. 2 Em 11 de agosto de 1983 o senador João Calmon consegue fazer aprovar sua emenda que eleva os mínimos: 13% no caso da União e 25% em se tratando dos estados, Distrito Federal e municípios. A Emenda Calmon não logrou ser cumprida no governo Figueiredo – o que chegou, inclusive, a gerar um pedido de impeachment. Com a campanha presidencial que se seguiu, o candidato Tancredo Neves comprometeu-se com o cumprimento da Emenda. A regulamentação veio com a “Nova República”, através da Lei nº 7.348/85. Assim, a Emenda Calmon foi aprovada em 1983, mas aplicada somente em 1986, a partir do orçamento votado em 1985. Com a eleição do Congresso Constituinte, ressurgiram os debates em torno do tema. O senador Calmon apresentou proposta de elevação do patamar fixado para a União, de 13% para 18%, sobre a mesma base de cálculo (receita líquida dos impostos). Para os estados e municípios mantinham-se os 25%, mas sobre um montante de recursos maior, em face das alterações da estrutura tributária. Assim, enfrentando algumas resistências iniciais, o atual art. 212 da Constituição Federal foi aprovado em 20/05/88, com 433 votos a favor, 3 abstenções e 2 votos contra. A partir daí, alguns estados ampliaram, nas Constituições Estaduais, as alíquotas mínimas de aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino. Fonte: Martins, 2004. 24
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Você Sabia? Conversando um pouco sobre impostos, taxa e contribuição de melhoria. Segundo o Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5172, de 1966 – “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Os tributos podem assumir três formas: impostos, taxa e contribuição de melhoria. Taxa – tributo cobrado sobre um bom ou serviço econômico. Ex: serviço de energia elétrica. Imposto – é uma contribuição compulsória destinada às necessidades gerais da administração pública. Ex: imposto predial. Contribuição de Melhoria – é um tributo exigido como contribuição no custeio de uma obra pública, quando esta valoriza o imóvel de propriedade do contribuinte. Ex: contribuição para asfaltamento da rua. Fonte: OLIVEIRA (2001) 25
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Um pouco de música para descontrair Veja que interessante a letra de música “Imposto”. Imposto (Djavan, 2007) IPVA, IPTU Tudo até parece claro CPMF forever À luz do dia É tanto imposto Mas claro que é escuso Que eu já nem sei!... Não pense que é só isso ISS, ICMS Ainda tem a farra do I.R. PIS e COFINS, pra nada... Dinheiro demais! Integração Social, aonde? Imposto a mais, desvio a mais Só se for no carnaval E o benefício é um horror Eles nem tchum Estradas, hospitais, escolas Mas tu paga tudo Tsunami a céu aberto, São eles os senhores da vez Não está certo. Tu é comum, eles têm fundo Pra quem vai tanto dinheiro? Pra acumular, com o respaldo da lei Vai pro homem que recolhe Essa gente não quer nada O imposto É praga sem precedente Pois o homem que recolhe Gente que só sabe fazer O imposto Por si, por si É o impostor Que tal agora fazer um comentário sobre a música “Imposto” do álbum “Matizes” (Djavan, 2007)? Coloque seu comentário no fórum de discussão que será indicado pelos professores e tutores que estarão acompanhando os seus percursos de aprendizagem. O Financiamento da Educação na Constituição de 1988 e na LDB nº 9394/96 Nesta última Constituição o financiamento é tratado nos Arts. 212, 213 e no Art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). • O Art. 212 prevê a vinculação de recursos. • O Art. 213 oferece a possibilidade de transferência de recursos para as escolas privadas. • No Art. 60 (ADCT) prevê o comprometimento financeiro das diferentes esferas da administração pública com a universalização do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo. 26
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O Financiamento da Educação Na LDB nº 9394/96, o financiamento da educação é tratado no Título VII “Dos Recursos Financeiros”, mais precisamente os Arts. 68 a 77 que têm o conteúdo dividido em quatro temas: 1. Fontes de recursos (Art. 68); 2. Vinculação de recursos (Arts. 69, 70, 71, 72 e 73); 3. Padrão de qualidade (Arts. 74, 75 e 76); 4. Transferência de recursos públicos para a escola privada (Art. 77). Fontes de Recursos O Art. 68 especifica as fontes de recursos para a educação. São recursos públicos destinados à educação os originários de: I) receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II) receita de transferências constitucionais e outras transferências; III) receita de salário-educação e de outras contribuições sociais; IV) receita de incentivos fiscais; V) outros recursos previstos em lei. Vamos tentar entender melhor que recursos são esses? 1. Em relação aos impostos próprios das diversas esferas fica mais fácil entender, pois certamente você já ouviu falar do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços), entre outros. 2. Transferências de recursos são realizadas de uma esfera da administração para outra, tendo como objetivo equalizar a capacidade arrecadadora e as responsabilidades na prestação de serviços das diferentes esferas da Administração Pública. 27
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Fundos de participação • Os fundos de participação são formas de repasse de recursos do Governo Federal para Estados e Distrito Federal (FPE) e para Municípios (FPM). E como é a composição desses fundos de participação? Da União aos Estados e Distrito Federal: 21,5% do arrecadado com o Imposto de Renda (IR) e com o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI); do IR de autarquias e fundações estaduais; de 10% do IPI aos Estados e Distrito Federal, proporcionalmente as suas exportações de produtos industrializados; de 20% dos impostos residuais. Além destes, são transferidos 3% do IR e do IPI para financiamento do setor produtivo nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste (deste último 50% destina-se ao Semi-Árido). Das transferências da União e dos Estados aos Municípios, 22,5% vem do IR e do IPI; 50% do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR) dos imóveis; 50% do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) dos veículos licenciados; 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS) e Imposto de Renda (IR) devido por autarquias e fundações municipais. Observação: Os Estados, Distrito Federal e Municípios acabam por receber uma parcela significativa de transferência federal (Oliveira, 28
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 2001). A maioria dos municípios brasileiros arrecada, através de impostos próprios, menos de 10% de sua receita total, mais de 90% de suas receitas provêm das transferências de outras esferas. Salário Educação Que recurso é este? Trata-se da operacionalização prática da responsabilização das empresas para com a educação. Sua origem remonta do Art. 139 da Constituição de 1934. Em 1964 a Lei n. 4440 instituiu o salário-educação com a aplicação vinculada ao Ensino Fundamental (na época chamado de ensino Primário). O salário-educação teve sua primeira regulamentação definida pelo Decreto-Lei nº 55.551, de 1965, e sofreu sucessivas modificações iniciando com alíquota de 2% até chegar a atual de 2,5% da folha de pagamentos das empresas. Tem como base a folha de contribuição da empresa para a Previdência Social e é recolhido ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), daí remetido ao Ministério da Previdência Social que o repassa para o Ministério da Educação, que remete uma verba correspondente a 2/3 para o Estado Arrecadador e 1/3 restante é a cota federal que constitui o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o qual é aplicado nos Estados e Municípios com maior defasagem educacional. Vinculação de Recursos na Constituição de 1988 O que é isso? É a previsão, no texto constitucional, de uma alíquota mínima da receita de impostos a ser aplicada em Educação. A vinculação está disciplinada no Art. 212 da CF 88 e de maneira mais detalhada, no Art. 69 da LDB. Como começou esta vinculação de recursos para educação? Desde o Império surge a proposta de estabelecer em lei um mínimo 29
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação das receitas a ser aplicado em educação, por meio de proposta do senador João Alfredo. A vinculação é prevista pela primeira vez em nível nacional na Constituição de 1934, quando se vinculou 10% da receita de impostos da União e dos Municípios e 20% dos Estados e Distrito Federal. Depois da Constituição de 1934, a vinculação aparece e desaparece sistematicamente sucessivamente nos textos constitucionais e na legislação educacional decorrente. Na Constituição de 1937, foi suprimida, sendo reintroduzida nos anos de 1940, como consequência da Conferência Interestadual de Educação (1941). A Constituição de 1946 restabelece, em seu Art. 169, a vinculação com alíquotas de 10% para a União e 20% para os Estados, Distrito Federal e Municípios. A Lei 4024 amplia para 12% o percentual mínimo da União, mantendo-se os demais. A Emenda Constitucional nº 24 (Art. 176 § 4º), de 1983, também conhecida como Emenda João Calmon reintroduz a vinculação constitucional de recursos, com alíquotas de 13% para União e de 25% para Estados, Distrito Federal e Municípios. A Constituição Federal de 1988 altera a alíquota da União de 13% para 18%, mantendo-se os demais percentuais. A Regulamentação da Vinculação na LDB nº 9394/96 A vinculação de recursos para a Educação consta nos parágrafos do Art. 69 e nos Arts. 70, 71, 72 e 73. 30
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB Instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb é um fundo de natureza contábil, regulamentado pela Medida Provisória nº 339, posteriormente convertida na Lei nº 11.494/2007. Sua implantação foi iniciada em 1º de janeiro de 2007, de forma gradual, com previsão de ser concluída em 2009, quando estará funcionando com todo o universo de alunos da educação básica pública presencial e os percentuais de receitas que o compõem terão alcançado o patamar de 20% de contribuição. O Fundeb substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - Fundef, que só previa recursos para o ensino fundamental. Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a educação básica (creche, pré- escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos). Sua vigência é até 2020, atendendo, a partir do terceiro ano de funcionamento, 47 milhões de alunos. Para que isto ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo, de R$ 2 bilhões em 2007, aumentará para R$ 3 bilhões em 2008, R$ 5 bilhões em 2009 e 10% do montante resultante da contribuição de estados e municípios a partir de 2010. Fonte: www.mec.gov.br Conheça Mais Para aprofundarmos um pouco mais seus conhecimentos sobre o assunto que é mais complexo do que parece, pois trata-se de oferecer recursos para que se viabilize o oferecimento de um ensino de qualidade, leia um pouco mais sobre o assunto em: BRZEZINSKI, Iria (org.). LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997. OLIVEIRA, Romualdo Portela; ADRIÃO, Theres (orgs.) Gestão, financiamento e direito à educação: análise da LDB e da constituição federal. São Paulo: Xamã, 2002. Atividades e Orientações de Estudo Caro(a) Cursista, Vamos ver se você compreendeu o assunto que tratamos neste 31
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação capítulo? Pesquise em alguma obra artística (pinturas, esculturas ou músicas) algo que simbolize o financiamento da educação brasileira e disponibilize em um fórum de discussão com um comentário sobre sua escolha. Vamos Revisar? É importante rever os assuntos abordados neste capítulo. Se você ainda tiver dúvidas, pode entrar em contato com os professores/tutores para esclarecer os pontos que você ainda não compreendeu muito bem. Lembre-se que, em um curso a distância, é fundamental que você consiga organizar bem seus estudos. Dedique um bom tempo para realizar a leitura do material didático e realize as atividades propostas. Vamos lá? Resumo Neste capítulo, fizemos uma breve retrospectiva histórica sobre o financiamento da educação brasileira, desde a época dos jesuítas aos dias atuais. Este é um assunto muito polêmico, pois ao senso comum se refere sempre ao mesmo falando da escassez dos recursos e dos desvios que podem acontecer. Por isso, enfatizamos a questão da vinculação legal desses recursos e quais são as fontes destinadas a este fim. 32
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação O que vamos estudar neste capítulo? Já estudamos a questão do financiamento para educação, a formação e a valorização dos profissionais da educação. Agora, no terceiro capítulo, vamos estudar o Plano de Desenvolvimento da Educação. Para tanto, iremos fazer uma breve abordagem, considerando: • Plano de Desenvolvimento da Educação; • Plano de Desenvolvimento da Escola. 33
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 3 - Plano de Desenvolvimento da Educação Vamos conversar sobre o assunto? No primeiro capítulo, abordamos sobre o Plano Nacional de Educação (2002) e o processo de formação e valorização dos profissionais de educação. Vamos refletir sobre os seguintes questionamentos: O que é o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)? E o que é o Plano de Desenvolvimento da Escola? Esses planos têm relação com o Plano Nacional? Vamos aprofundar um pouco nossas reflexões sobre o assunto? O Plano de Desenvolvimento da Educação e o Plano de Desenvolvimento da Escola Vamos tentar entender melhor? Investir na educação básica significa investir na educação profissional e na educação superior porque elas estão ligadas, direta ou indiretamente. Significa também envolver todos - pais, alunos, professores e gestores, em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. Uma educação básica de qualidade que vai dar bons frutos no futuro - Essa é a prioridade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Com o PDE, o Ministério da Educação pretende mostrar à sociedade tudo o que acontece dentro e fora da escola e realizar uma grande prestação de contas. Só com as iniciativas do MEC chegando à sala de aula para beneficiar a criança, que se conseguirá atingir a qualidade desejável para a educação brasileira. Por esse motivo, é importante a participação de toda a sociedade no processo. Porém, o PDE não pode ser apenas um projeto do governo federal. Para que todos esses objetivos sejam alcançados, é necessário muito mais. Ex-ministros da Educação, professores e pesquisadores já foram convidados a contribuir na elaboração do plano. E a sua participação também é muito importante. Para que o Plano de Desenvolvimento da Educação tenha sucesso, vai precisar da colaboração de todos os brasileiros. Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php 34
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Pela definição acima, observa-se que o PDE é a forma operacional de se tentar colocar em prática o Plano Nacional da Educação. Agora, vamos para o PDE da Escola. O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-Escola) auxilia a escola pública, pois trata-se de planejamento estratégico em que a escola investe em sua qualificação para oferecer mais qualidade de ensino ao estudante, aumentando a aprendizagem escolar. O PDE-Escola auxilia as equipes a trabalhar com os mesmos objetivos e em busca de resultados comuns, reconhecendo que os ambientes sociais estão em constante mudança. Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php E então? Observou que, como forma de se descentralizarem as funções, o Plano de Desenvolvimento que existe no âmbito Nacional, também se materializa em nível local (escolas)? Na tentativa de atender às necessidades específicas da unidade escolar, será que esse PDE tem relação com o Projeto Político- pedagógico (PPP) da escola? Claro que sim! Vamos tentar deixar isso mais claro. Alguns aspectos importantes para análise: 1– Segundo Saviani (2007), o PDE pode ser visto como uma tentativa do governo de responder às reivindicações da sociedade em relação aos graves problemas de qualidade da escola básica pública. E para tentar garantir esta qualidade foram construídos instrumentos de aferição do nível de eficácia do ensino ministrado. (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB). 35
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 2– Apesar dos avanços, o PDE apresenta deficiência grave nas questões centrais de financiamento e do magistério, pois a base de sustentação financeira do PDE é o FUNDEB. Entretanto, isso não significou aumento real de recursos. Quanto ao Magistério, é consenso, segundo Saviani (2007), o reconhecimento de dois requisitos fundamentais: condições de trabalho e salário / formação. Em relação às condições de trabalho, a questão principal não contemplada no PDE diz respeito à carreira profissional dos professores. Como foi visto, no Plano Nacional da Educação, dever-se-ia propor a jornada integral em um único estabelecimento de ensino, para fixar os professores nas escolas com sua presença diária, em tempo integral proporcionando maior possibilidade de identidade com elas. De preferência, é preciso garantir que 50% da jornada seja destinada para aulas e o restante para a participação desse professor em atividades de gestão da escola, na elaboração do projeto pedagógico, nas reuniões de colegiado, no atendimento à comunidade, e principalmente, na orientação dos estudos e atividades de reforço escolar aos alunos com mais dificuldades. E quanto à questão salarial, criou-se o piso salarial de R$ 850,00, porém prevê-se a implantação gradativa até 2010, o que já implica em perdas salariais significativas, pois o salário mínimo já foi ajustado várias vezes. 3– É importante lembrar que o PDE foi proposto em sintonia com o grupo empresarial que, em 2006, lançou a proposta do “Compromisso de Todos pela Educação”, ou seja, é um plano que está em consonância também com os interesses do mercado de trabalho. 36
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A relação entre o PDE e as Políticas Públicas para Educação O PDE trouxe novamente, para o foco das discussões, a educação escolar como um direito social básico que deve ser assegurado pelo Estado. Para que isto aconteça deve haver a articulação e o respeito aos diferentes momentos e etapas do desenvolvimento, promovendo a autonomia individual e das instituições. Ele é fundamentado na Constituição de 1988, na Emenda nº 14, na Lei do FUNDEF (hoje, FUNDEB), na LDB e no Plano Nacional da Educação. A necessidade de sua existência se deu pelo fato que os mecanismos que promoveram um reordenamento político em prol da municipalização do Ensino Fundamental, ocasionaram também a queda da qualidade do ensino e o desmantelamento de alguns serviços públicos educacionais. É claro que essa municipalização também trouxe avaliações positivas, como a possibilidade do desenvolvimento de experiências alternativas. Outro avanço em relação à municipalização é a participação social no campo educacional nos diversos níveis. O principal desafio do PDE é materializar a cooperação entre esferas governamentais e movimentos sociais. Quais são as formas de regulação previstas? Como você pode observar, as formas de regulação previstas para educação perpassam por: 1º A existência de parâmetros para a avaliação de um sistema Nacional de Educação; 37
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 2º A perspectiva que norteia o PDE salvaguarda a multiplicidade e evita a uniformidade, mas enfrenta as desigualdades de oportunidades educacionais à medida que considera as necessidades econômicas. Quanto à avaliação, esta contempla o desempenho do aluno e das unidades escolares. Uma vez que a construção da qualidade constitui processo multifacetado que envolve as condições escolares adequadas para o desenvolvimento, atividades pedagógicas; profissionalização docente; incentivo à formação continuada e à atualização constante, no intercambio entre pares, na disposição didático-pedagógico e na remuneração compatível com a relevância social do trabalho docente; gestão democrática da escola (vivenciada pelos conselhos, colegiados, articulação entre a comunidade e com entidades da sociedade civil). Segundo Weber (2008) é possível afirmar que o PDE: • Sistematiza e aprofunda debate e prática histórica de Estados e Municípios. • Sinaliza a educação básica como política do Estado. • Enfatiza a articulação e os acordos em detrimento de modelo único, associações e classificações. • Reconhece parceiros na implementação das políticas de Estado e apresenta- se como solidária na efetivação de intervenções educacionais locais. • Amplia o sentido de regime de colaboração pelo estabelecimento de metas fundadas em diagnóstico. • Aposta em mecanismos de acompanhamento e de controle como forma de ajustes e intervenções preventivas. • Suscita o apoio da instância produtora de conhecimentos, a universidade, na formação docente e na fundação, execução, monitoramento e avaliação de políticas educacionais. • Terá repercussão positiva sobre a dinâmica do trabalho escolar e reconhecimento do professorado como profissional, com direito à remuneração condigna e com trabalho compatível. • Devolve à sociedade a sistematização de demandas históricas, a reconhecê- la como parceira indispensável e a convoca a monitorar a materialização da qualidade da educação como projeto nacional. Fonte: Weber, 2008. O PDE é uma Avaliação de Campo, um instrumento voltado à análise de quatro dimensões: gestão educacional, formação de professores, de profissionais de apoio escolar e infra-estrutura. 38
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação No PDE, é proposta uma articulação entre os entes federados, no sentido de se efetivar a oferta de uma educação básica de qualidade como direito social básico. Em longo prazo, o PDE impulsionará a constituição do Sistema Nacional de Educação. O Plano de Desenvolvimento da Escola Atenção O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) é o projeto principal 3 FundEscolA do FundEscolA3 que visa à modernização e ao fortalecimento – é um programa de gestão da autonomia da escola, mediante a adoção do modelo de Plano escolar, em desenvolvimento estratégico, apoiando a racionalização e a eficiência administrativa. nos Estados das regiões Por meio do PDE, a escola faz um diagnóstico de sua situação, norte, nordeste e centro-oeste. define seus valores, missão, elabora objetivos, estratégias, metas e sua missão planos de Ação. é propor um conjunto de ações para autonomia e melhoria da qualidade do ensino fundamental, garantia de permanência das crianças nas escolas públicas. sua estratégia principal é incrementar o desempenho dos sistemas de Quem recebe recursos financeiros e apoio técnico para ensino público, fortalecendo elaborar o PDE? a capacidade das secretarias As escolas que possuem mais de 200 alunos organizem-se em de educação, a gestão das unidades executoras, disponham de condições para funcionamento e escolas e a participação possuam liderança forte. da comunidade escolar (FonsEcA, 2003, Qual a base teórico-metodológica do PDE? p. 2). Esse Plano provém da visão sistemática, segundo a qual são orientados racionalmente para resultados ou produtos. O PDE condiz com essa base teórica uma vez que privilegia a estrutura do sistema educativo, tendo como alvo para a racionalização de gastos, a eficiência operacional e a busca de resultados. E, na prática, o PDE tem auxiliado com técnicas de planejamento importantes para a escola. 39
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Filmoteca: Cinema em Ação Até o momento estudamos bastante a teoria. Que tal um filme para tentar visualizar, na prática alguns aspectos importantes. Você já assistiu ao filme “Meu mestre, minha vida”? SINOPSE  Meu mestre, minha vida Em Nova Jersey, uma escola com sérios problemas de violência e tráfico de drogas. Usando métodos pouco ortodoxos, algumas vezes violentos, ele transforma os alunos, inclusive conseguindo que sejam aprovados no exame do final do ano realizado pelo governo estadual. Arrogante e autoritário, o professor Joe Clark (Morgan Freeman) é convidado por seu amigo Frank Napier (Robert Guiullaume) a assumir o cargo de diretor na problemática escola em Paterson, New Jersey, de onde ele havia sido demitido. Com seus métodos nada ortodoxos, Joe se propõe a fazer uma verdadeira revolução no colégio marcado pelo consumo de drogas, disputas entre gangues e considerado o pior da região. Com isso, ele ao mesmo tempo coleciona admiradores e também muitos inimigos. Ficha Técnica Título no Brasil: Meu Mestre, Minha Vida Título Original: Lean on Me Tempo de Duração: 104 minutos País de Origem: EUA Ano de Lançamento: 1989 Gênero: Drama Direção: John G. Avildsen Fonte: www.interfilmes.com/filme_19910_Meu.Mestre.Minha.Vida-(Lean.on.Me).html Reflita um pouco sobre as condições de funcionamento da escola exibidas no filme. Como algumas estratégias foram importantes para a melhoria da qualidade dessa escola? E agora vamos para uma Webquest. Webquest: pesquisa em ação Título: A Importância de um Plano de Desenvolvimento em uma Escola. 40
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação A Tarefa Sua missão é atuar como um pesquisador que irá aprofundar sua base teórica e depois comparar o filme “Meu mestre, minha vida” – que é uma realidade de um outro país – com a realidade demonstrada no documentário “Para o dia nascer feliz”, que você assistiu no módulo anterior. O Processo Inicialmente realize mais pesquisas sobre o PDE educacional (nacional) e o Plano de Desenvolvimento da Escola e depois analise a realidade encontrada nas escolas demonstradas nos dois filmes. Nesta análise, reflita sobre a importância de um Plano de Desenvolvimento da Escola nas duas realidades buscando imaginar que avanços reais o Plano de Desenvolvimento poderia trazer para essas escolas. Em seguida, escreva um texto que sistematize suas reflexões e disponibilize sua produção textual no Fórum de discussão. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • Clareza, coerência e coesão ao longo do texto construído. • Embasamento teórico pertinente às referências bibliográficas utilizadas. Vamos Revisar? Releia o capítulo, tire suas dúvidas com os tutores e professores que estarão acompanhando os seus percursos de aprendizagem. Organize seus estudos e pesquisas, a fim de aprofundar seus conhecimentos sobre educação. É hora da revisão. Vamos parar um pouco para revisar os conteúdos propostos neste capítulo? 41
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Resumo Neste capítulo, estudamos um pouco sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação e o Plano de Desenvolvimento da Escola. Constatou-se que ambos fazem parte dos encaminhamentos direcionados pelas políticas públicas para educação no sentido de tentar materializar uma educação de qualidade. Eles são baseados na legislação atual e na prática, auxiliam no planejamento e avaliação do processo educativo. 42
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Considerações Finais Caro(a) Cursista, Chegamos ao final de mais um módulo. Neste módulo, você observou a formação e valorização do profissional da educação, o financiamento da mesma e o Plano de Desenvolvimento da Educação. Agora que estamos finalizando esse módulo esperamos que tenha ficado mais claro, como a legislação referente a formação e valorização docente, as fontes de financiamento destinadas à educação e o plano de desenvolvimento da educação são aspectos relevantes para entendermos que direcionamento nossas políticas públicas vem tomando para tentar melhorar a qualidade da educação oferecida nos diversos níveis no Brasil. É evidente que são aspectos polêmicos que geram muitas discussões e até mesmo críticas e que por isso mesmo precisam ser analisadas, buscando-se sempre aprofundar um pouco mais o entendimento sobre o assunto. Fizemos aqui uma discussão inicial e esperamos que vocês continuem pesquisando um pouco mais. No próximo módulo, vamos estudar as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +). Bons Estudos e Até o Próximo Módulo. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras 43
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Referências AMARAL SOBRINHO, J. O PDE e a gestão escolar no Brasil. Brasília: MEC / FUNDESCOLA, 2001. BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. ______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996. Brasília, 1996. ______. Leis e decretos. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. ______. Lei nº 9424, de 24.12.1996: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Brasília, 1996. ______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de Educação. Brasília, 2001. ______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões e programas. Brasília, 2007. FONSECA, M. Projeto político pedagógico e o plano de desenvolvimento da escola – duas concepções antagônicas de gestão escolar. Caderno CEDES, vol. 23, n. 61, Campinas, 2003. ______; OLIVEIRA, J.F. O plano de desenvolvimento da escola (PDE): modernização, diretividade e controle da gestão e do trabalho escolar. Trabalho apresentado na ANPED, v. 26, Poços de Caldas, 2003. FONSECA, S.M. Aulas régias. Disponível em: h t t p : / / w w w . histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_aulas_ regias.htm Acesso em: 05 maio 2009 MARRA, F.; BOF, A; AMARAL SOBRINHO, J. Plano de desenvolvimento da escola: conceito, estrutura e prática. Brasília: MEC/BIRD/FUNDESCOLA, 1999. MARTINS, P.S. O financiamento da educação. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/feb/tetxt2. 44
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação htm Acesso em 25 maio 2009. MONLEVADE, João. Educação Pública no Brasil: Contos & Descontos. 2ª edição, 2001. RABELO, A.O.; MARTINS, A.M. A mulher no magistério brasileiro: um histórico sobre a feminização do magistério. p. 6167-6175. Disponível em: www.faced.ufu.br/colubhe06/ anais/arquivos/556.pdf Acesso em: 20 maio 2009 SAVIANI, Dermeval. Entrevista – Professor Dermeval Saviani analisa o PDE. Disponível em: http://www.contee.org.br/ secretarias/educacionais/materia_116.htm Acesso em: 22 abr. 2009. WEBER, Silke. Relações entre esferas governamentais na educação e PDE: o que muda? Cadernos de Pesquisa, vol. 38, nº 134. São Paulo, maio/agosto, 2008. 45
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conheça as Autoras Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdades Integradas de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em 46
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental. 47
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    Estrutura e Funcionamento da Educação Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Recife, 2009
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    Universidade Federal Ruralde Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Everton Félix e Gláucia Micaele Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Glaydson da Silva e Juliana da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos
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    Sumário Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 4 ......................................................................5 Capítulo 1 - Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ................................................................................................7 Conhecendo a organização do Ensino Médio: “novos” desafios........8 Conhecendo as três áreas do Ensino Médio ......................................9 O que significa a dualidade estrutural do Ensino Médio?.................14 Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ...15 Princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ..........................................................................................16 O princípio da contextualização........................................................21 Capítulo 2 – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +) ..........................................................................29 Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN) ...........29 Rumo à Interdisciplinaridade ............................................................31 Interdisciplinaridade, Transversalidade e Contextualização: Múltiplas Conexões no Contexto do Ensino Médio .........................................33 Transversalidade: Abordagem de Questões Sociais na Escola .......34 Contextualização: teoria na prática ..................................................37 Considerações Finais .........................................................................43 Conheça as Autoras ...........................................................................44
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    Apresentação Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos(as) ao quarto e último módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Neste quarto módulo, vamos abordar as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCN). Você irá perceber como se organiza o Ensino Médio, considerando os princípios orientadores, tais como: contextualização, interdisciplinaridade, autonomia, igualdade e diversidade. Também será uma oportunidade para você compreender melhor os objetivos do Ensino Médio, compreendendo esse nível como etapa final da Educação Básica. Esperamos que você se sinta motivado(a) a continuar nesta fascinante viagem ao mundo da Educação Brasileira. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conhecendo o Volume 4 Neste quarto volume, você irá encontrar o quarto módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste quarto e último módulo. Módulo 4 – Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN+). Carga horária do Módulo 4: 15 h/aula Objetivo do Módulo 4: Analisar criticamente as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), tendo em vista os princípios norteadores do Ensino Médio (contextualização, interdisciplinaridade, igualdade, diversidade, autonomia). Conteúdo Programático do Módulo 4: 1. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) • Ensino Médio: “novos” desafios. • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias. • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. 2. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN+) 5
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) O que vamos estudar neste capítulo? • Ensino Médio: “novos” desafios • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias. • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). 6
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 1 – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) Vamos conversar sobre o assunto? Você lembra que, no segundo volume, dentre vários temas abordados, estudamos sobre a educação básica? Lembra? Está lembrado(a) também que o Ensino Médio se constitui enquanto a última etapa da educação básica? Além disso, vimos que a educação básica envolve a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Você já ouviu falar em Diretrizes Curriculares Nacionais? Já leu algo sobre a importância dessas Diretrizes para a organização da educação escolar do país? Sabia que existem as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para todas as etapas da educação básica? Vamos conhecer um pouco mais sobre o assunto? Lembrete 1 Para saber mais, consulte: 1 - Parecer CNE DCN para a Educação Infantil, DCN para o Ensino Fundamental 22/98 - DCN para a Educação Infantil. e DCN para o Ensino Médio: tais diretrizes se constituem enquanto um conjunto obrigatório de princípios que regem a educação básica, 2 -Parecer CNE 04/98 - DCN são diretrizes gerais, de caráter abrangente.1 É basicamente sobre para o Ensino isso que vamos estudar neste capítulo, focando o nosso olhar Fundamental. especificamente para o Ensino Médio. 3 - Parecer CNE 15/98 DCN para o Antes de aprofundarmos nossos olhares sobre as Diretrizes Ensino Médio. Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM), vamos conversar um http://portal.mec. pouco sobre o quadro histórico do Ensino Médio no contexto da gov.br organização da educação no Brasil? 7
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Na sequência, situaremos a discussão sobre a organização do Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM) e os princípios orientadores do Ensino Médio. Vamos lá? Lembrete Conhecendo a organização do Ensino Médio: 2 Segundo Lévy “novos” desafios (1999, p.17), “Cibercultura: conjunto de O debate sobre o Ensino Médio no Brasil está amplamente atrelado técnicas (materiais e intelectuais), ao contexto dinâmico de revoluções tecnológicas e mudanças de de práticas, de atitudes, de modos paradigmas no campo da educação. de pensamento e de valores que Os novos desafios no competitivo mercado de trabalho e as se desenvolvem juntamente com mudanças na era da cibercultura2 vêm proporcionando mudanças o crescimento do significativas nas formas de compreender o Ensino Médio como etapa ciberespaço.” final da Educação Básica, conforme propôs a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96)3. Lembrete 3 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional explicita que o Ensino Médio é Como você já estudou anteriormente, a Educação Básica é “a etapa final da educação básica”. constituída pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino (Art.36). Médio. Nesse sentido, o Ensino Médio passa a assumir a característica de terminalidade, assegurando a todos os cidadãos a oportunidade de aprofundar conhecimentos e competências já desenvolvidas desde o Ensino Fundamental4. Conforme propõem os Parâmetros Curriculares Nacionais do Atenção Ensino Médio (PCN)5: 4 Você está “O Ensino Médio, portanto, é a etapa final de uma educação de caráter geral, lembrado(a) afinada com a contemporaneidade, com a construção de competências básicas, que o Ensino que situem o educando como sujeito produtor de conhecimento e participante Fundamental do mundo do trabalho, e com o desenvolvimento da pessoa, como “sujeito em envolve a etapa da educação situação” ― cidadão”. escolar do 1º ao 9º anos (1º, 2º, 3º e 4º ciclos de aprendizagem do Ensino Fundamental)? 8
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Lembrete 5 Vamos estudar mais detalhadamente os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio no próximo capítulo. Conforme a LDB nº 9.394/96, o Ensino Médio “deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”6. Veja como a LDB nº 9.394/9 apresenta os objetivos gerais do Ensino Médio: Art.35 Atenção “O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidade: 6 Veja Art.1º § 2º da Lei nº 9.394/96 I - A consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino para visualizar fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; melhor a proposta acerca do Ensino Médio. II - A preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; III - A compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina”. Você sabia que o Ensino Médio está estruturado em três grandes áreas? Que tal conhecer um pouco mais sobre esse assunto? Lembrete Conhecendo as três áreas do Ensino Médio 7 A interdisciplinaridade envolve a Com a reforma curricular do Ensino Médio, o princípio da interação entre diversas áreas interdisciplinaridade7 foi amplamente discutido. Percebeu-se a do conhecimento, importância de agregar as disciplinas por áreas, visando consolidar percebendo-se uma visão holística uma abordagem interdisciplinar da educação no contexto do Ensino e integrada da educação. Vamos Médio. aprofundar a discussão sobre a Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio (PCN) interdisciplinaridade no próximo capítulo. apresentam três grandes áreas: 9
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 2. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias 3. Ciências Humanas e suas Tecnologias. Lembrete 8 “A linguagem, pela sua natureza, Observe que a tecnologia é um eixo norteador presente nas três é transdisciplinar, áreas do Ensino Médio. Viu como a tecnologia assume posição não menos quando é enfocada como de destaque? Já parou para pensar na importância de seu curso, objeto de estudo e exige dos Licenciatura em Computação, nessa etapa da educação básica? Para professores essa muitos alunos do Ensino Médio, a inserção no mundo globalizado e perspectiva em situação didática. tecnológico é um grande desafio, fruto do competitivo mercado de A linguagem é considerada aqui trabalho. Preparar os alunos do Ensino Médio para a profissionalização como a capacidade ou para a continuidade dos estudos na Educação Superior revela- humana de articular significados se como premissa fundamental, considerando as contribuições da coletivos e compartilhá-los, em tecnologia nesse processo de formação dos educandos. sistemas arbitrários de representação, Mas, voltemos às áreas do Ensino Médio. Vamos conhecer um que variam de acordo com as pouco melhor essas áreas? necessidades e experiências da vida em sociedade. A principal razão Linguagens, códigos e suas tecnologias de qualquer ato de linguagem é Nessa área, a concepção de linguagem é transdisciplinar8, a produção de sentido”. congregando linguagens icônicas, verbais, corporais, sonoras, dentre outras, que se estruturam nos conhecimentos de Língua Portuguesa, (PCN do Ensino Médio). (grifo Línguas Estrangeiras, Educação Física, Artes e Informática. As nosso) disciplinas dialogam sob perspectivas de códigos diversos que se 10
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação estruturam a partir das demandas do mundo tecnológico e dinâmico, no qual estamos inseridos. Ressalta-se a compreensão de que as linguagens e os códigos são dinâmicos e ancorados nos processos históricos, sociais e culturais. É preciso que o aluno do Ensino Médio tenha essa compreensão mais ampla das práticas de linguagem, percebendo as articulações entre diferentes linguagens e suas conexões com a tecnologia. Na área Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, estão destacadas competências relacionadas à constituição de significados imprescindíveis para a constituição da identidade e o exercício da cidadania do aluno. Conforme Guiomar de Mello (1998), no parecer nº 15/98 sobre as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio: “As escolas certamente identificarão nesta área as disciplinas, atividade e conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão das quais a Língua Portuguesa é imprescindível. Mas é importante destacar que o agrupamento das linguagens busca estabelecer correspondência não apenas entre as formas de comunicação - das quais as artes, as atividades físicas e a informática fazem parte inseparável - como evidenciar a importância de todas as linguagens enquanto constituintes dos conhecimentos e das identidades dos alunos, de modo a contemplar as possibilidades artísticas, lúdicas e motoras de conhecer o mundo”. (MELLO, 1998) Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias Na área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, a aprendizagem das concepções científicas torna-se o ponto principal desta área, a qual busca integrar conhecimentos de Matemática, Física, Química, Biologia e disciplinas afins, tendo em vista as articulações entre teoria e prática com o víeis tecnológico. 11
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Quando abordam a área Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN) comentam: “A aprendizagem das Ciências da Natureza, qualitativamente distinta daquela realizada no Ensino Fundamental, deve contemplar formas de apropriação e construção de sistemas de pensamento mais abstratos e ressignificados, que as trate como processo cumulativo de saber e de ruptura de consensos e pressupostos metodológicos” Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), Ensino Médio, 1999, p.33. Ciências Humanas e suas tecnologias A área de Ciências Humanas e suas Tecnologias engloba conhecimentos específicos de História, Geografia, Filosofia, Sociologia e outras disciplinas afins. O objetivo principal desta área é promover reflexões críticas e criativas, capazes de gerar respostas adequadas aos desafios atuais da sociedade. Destaca-se a concepção de cidadania, por meio do conhecimento dos direitos e deveres do cidadão, além do desenvolvimento da consciência cívica e social. Nesta área, a aprendizagem deve considerar as competências e habilidades para que o aluno entenda a sociedade em que vive, ampliando as reflexões acerca de seu entorno sociocultural. 12
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação É interessante observar que “as três áreas – Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos – organizam e interligam disciplinas, mas não as diluem nem as eliminam”. (PCN+ Ensino Médio, 2002, p. 08). Você Sabia? Você sabia que, no debate educacional brasileiro, o Ensino Médio é alvo de grandes polêmicas? Sabe o porquê? Na história do Ensino Médio, no Brasil, tem-se constatado a produção de baixos índices de oferta e a baixa qualidade, gerando, para esse nível de ensino, vários obstáculos a enfrentar. Na atualidade, tais desafios têm se agravado em decorrência das crises e mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir do final do século XX. Pelo próprio contexto da crise do capitalismo no mundo e suas demandas por maior nível de formação dos sujeitos, no panorama da Organização Internacional do Trabalho. 13
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Nesse contexto, a essência do debate sobre o Ensino Médio, centra-se em boa medida na questão de qual seria sua real identidade, uma vez que ora é entendido enquanto nível preparatório do educando para o mundo do trabalho, ora preparatório do educando para a continuidade de seus estudos no nível superior. Revela-se, assim, uma ambiguidade de finalidades para esse nível de ensino. Esse debate também expressa diferentes concepções sobre formação, educação, sociedade e os interesses diversos em torno da questão. Na verdade, a história do Ensino Médio, no Brasil, é marcada por uma dualidade estrutural, que se configura como a grande categoria explicativa de constituição do Ensino Médio. O que significa a dualidade estrutural do Ensino Médio? A dualidade estrutural do Ensino Médio está fundamentada em um histórico de constituição de caminhos educacionais divergentes para os percursos dos educandos, de acordo com sua classe social. Essa dualidade envolve, por um lado, a discussão sobre um sistema de escolas destinadas à preparação de um grupo social, para o alcance do ensino superior, através da formação de cunho mais generalizante, formação propedêutica. Por outro lado, contempla, também, o debate sobre um sistema de escolas destinadas à profissionalização daqueles pertencentes à classe social menos favorecida, ou seja, formação para o trabalho. Nesse contexto, o que representam as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)? 14
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) De acordo com a LDB nº 9394/96, foram estabelecidas as novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio (DCNEM) através da Resolução nº 03/98, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). As diretrizes revelam um conjunto de princípios, fundamentos e procedimentos que devem ser observados na organização pedagógica e na formação curricular das escolas. Diante das revoluções que a educação enfrenta na era da globalização, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM) estão direcionadas à proposta de vincular a educação ao mundo do trabalho e à prática social, propiciando a construção e o desenvolvimento da cidadania dos alunos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) expressam a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 9394/96. A LDB, no artigo 35, define, com clareza, as finalidades do Ensino Médio, de superar a dualidade socialmente definida, entre educação geral e educação específica para formação profissional. Atenção 9 Resolução de conformidade com o disposto no art. 9º § 1º, alínea “c”, da Lei 9.131, de 25 de novembro de O preceito da não dualidade do ensino, contido na LDB, está posto 1995, nos artigos 26, 35 e 36 da na Resolução da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional Lei 9.394, de 20 de Educação, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais de dezembro de 1996, e tendo em para o Ensino Médio (DCNEM) - Resolução9 CEB nº 3, de 26 de vista o Parecer junho de 1998. Em seu primeiro artigo regulamenta: CEB/CNE 15/98, homologado pelo Ministro da Educação e do Desporto em 25 de junho de 1998, e que a esta se integra. http://portal.mec. gov.br 15
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Art. 1º. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio – DCNEM –, estabelecidas nesta Resolução, se constituem num conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar integrante dos diversos sistemas de ensino, em atendimento ao que manda a lei, tendo em vista vincular a educação com o mundo do trabalho e a prática social, consolidando a preparação para o exercício da cidadania e propiciando preparação básica para o trabalho. Entretanto, destacamos que as finalidades postas para o Ensino Médio pela LDB e regulamentadas pela Resolução CEB nº. 03/98 só são possíveis de concretização quando essa etapa de ensino estiver plenamente democratizada, e com as devidas condições materiais para a sua efetivação. Questionamos, então: no contexto atual de debates e lutas ideológicas históricas, qual é o grande desafio que permanece para o Atenção Ensino Médio até os dias de hoje? 10 Você sabe o que é propedêutica? Veja o verbete abaixo e observe o segundo sentido da palavra que estamos utilizando nesse contexto. Propedêutica [F. subst. de propedêutico.] Substantivo feminino. 1.Introdução, prolegômenos, Certamente o grande desafio posto para a organização desse de uma ciência; ciência preliminar. nível de ensino é o alcance de uma proposta que revele, em sua 2.Conjunto de estudos que concepção, a articulação competente das dimensões de formação do antecedem, educando para o trabalho e formação para continuidade dos estudos como um estágio preparatório, os em nível superior (formação propedêutica)10. cursos superiores. 3.Med. Conjunto Assim exposto, veremos, na seção a seguir, os princípios de indagações orais e de técnicas fundamentais contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o de exame físico que serve como Ensino Médio (DCNEM). Vamos lá? base a partir da qual o médico se orienta para, por investigações Princípios das Diretrizes Curriculares mais extensas, se necessário, chegar Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) a diagnóstico1 (2). Vamos analisar quais são os princípios norteadores expressos nas Fonte: Dicionário Aurélio Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)? Está pronto(a)? Vamos lá? 16
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Pensar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio implica revisitar as orientações para uma Pedagogia de Qualidade, Atenção como bem afirma o Parecer nº 15/98, do Conselho Nacional de Educação. 11 “A diversificação deverá ser Essas diretrizes seguem os princípios estéticos, políticos e éticos acompanhada de sistemas da LDB. Como o Brasil possui diferentes modalidades ou formas de avaliação organizacionais das instituições do Ensino Médio, é bom ressaltar que permitam o acompanhamento que cursar o Ensino Médio ainda é privilegio de poucos, por uma permanente dos resultados, série de fatores de ordem política, econômica e social. Dentre estes tomando como poucos que têm acesso, uma quantidade ainda menor tem acesso a referência as competências um Ensino Médio de qualidade. básicas a serem alcançadas por todos os alunos, É necessário que as escolas do Ensino Médio tenham identidade de acordo com a diversificada em função das características do meio social e da LDB, as presentes diretrizes e clientela. A diversidade11 da escola média é necessária para as propostas pedagógicas das contemplar as desigualdades nos pontos de partida de seu alunado. escolas”. Conforme a Resolução CEB/CNE nº 15/98 de 03 de junho de BRASIL, PCN, 1998, três princípios básicos norteiam a proposta de organização 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98. das DCNEM. Assim, a Estética da Sensibilidade, a Política da Igualdade e a Ética da Identidade revelam-se como princípios inter- relacionados, os quais priorizam respectivamente, a criatividade e o espírito inventivo do aluno, como também o reconhecimento dos direitos humanos e dos deveres dos cidadãos atrelados ao exercício da cidadania, além de promoverem a superação de dicotomias, visando à constituição de identidades igualitárias. “Os sistemas e os estabelecimentos de ensino médio deverão criar e desenvolver, com a participação da equipe docente e da comunidade, alternativas institucionais com identidade própria, baseadas na missão de educação do jovem, usando ampla e destemidamente as várias possibilidades de organização pedagógica, espacial e temporal, e de articulações e parcerias com instituições públicas ou privadas, abertas pela LDB, para formular políticas de ensino focalizadas nessa faixa etária, que contemplem a formação básica e a preparação geral para o trabalho, inclusive, se necessário e oportuno, integrando as séries finais do ensino fundamental com o ensino médio, em virtude da proximidade de faixa etária do alunado e das características comuns de especialização disciplinar que esses segmentos do sistema de ensino guardam entre si”. BRASIL, PCN, 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98. Além disso, os princípios pedagógicos da identidade, diversidade 17
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação e autonomia, bem como a discussão sobre a interdisciplinaridade e a contextualização são estruturadores do currículo do novo Ensino Médio. Para que se garanta a qualidade da educação, no Ensino Médio, é preciso que existam mecanismos de avaliação dos resultados para Atenção aferir se os pontos de chegada sejam os mesmos. 12 Você sabia O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM12 organizado que diversas instituições de pelo MEC juntamente com os sistemas de avaliação dos estados, ensino superior já utilizam os os sistemas de estatísticas e indicadores educacionais constituem resultados do mecanismos importantes na promoção dessa eficiência e igualdade. ENEM para o ingresso nas universidades? Pois é, o ENEM está assumindo a função dos vestibulares, funcionando como um importante instrumento de avaliação no ensino superior. A eficácia dessas diretrizes pressupõe a existência de autonomia13 dos sistemas de ensino público. É importante lembrar que a LDB vincula autonomia e proposta pedagógica. No entanto, a autonomia escolar não deve implicar na omissão do Estado; pelo contrário, os órgãos centrais devem exercer funções de formulação das diretrizes de política educacional e assessoramento na implementação dessas políticas públicas para educação. Uma outra preocupação é evitar que a autonomia venha reforçar privilégios e exclusões. Após discutirmos sobre os princípios: da identidade, diversidade e da autonomia, é importante ressaltar que o currículo deve ser voltado para as Competências Básicas. Neste sentido, a Lei nº 5692/71 prevê que o ensino médio deve preparar para a continuidade de estudos e habilitar para o exercício de uma profissão. 18
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Para a LDB, nº 9394/96, o Ensino Médio atual não deve priorizar o ensino enciclopedista e academicista dos currículos tradicionais que tornava a educação refém dos vestibulares. Deve sim buscar o Atenção aprimoramento do educando como pessoa humana. Enfatiza uma identidade autônoma quando destaca a ética, a autonomia intelectual 13 “O exercício pleno da e o pensamento crítico. autonomia se manifesta na formulação de uma proposta pedagógica própria, direito de toda instituição escolar. Essa vinculação deve ser permanentemente reforçada, buscando evitar que as instâncias centrais do sistema educacional Segundo o Parecer CNE nº 15/98, a organização curricular do burocratizem e Ensino Médio deve ser orientada por alguns pressupostos indicados ritualizem aquilo que no espírito a seguir: da lei deve ser, antes de mais nada, expressão • Visão orgânica do conhecimento, afinada com as mutações surpreendentes de liberdade e que o acesso à informação está causando no modo de abordar, analisar, explicar e iniciativa, e que prever a realidade, tão bem ilustradas no hipertexto que cada vez mais entremeia por essa razão não pode prescindir do o texto dos discursos, das falas e das construções conceituais. protagonismo de todos os elementos • Disposição para perseguir essa visão organizando e tratando os conteúdos da escola, em do ensino e as situações de aprendizagem, de modo a destacar as múltiplas especial dos interações entre as disciplinas do currículo. professores. • Abertura e sensibilidade para identificar as relações que existem entre os BRASIL, PCN, conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem e os muitos contextos de 1999, p.82. Parecer vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o CEB nº 15/98. objeto do conhecimento e a desenvolver a capacidade de relacionar o aprendido com o observado, a teoria com suas consequências e aplicações práticas. • Reconhecimento das linguagens como formas de constituição dos conhecimentos e das identidades, portanto como o elemento-chave para constituir os significados, conceitos, relações, condutas e valores que a escola deseja transmitir. • Reconhecimento e aceitação de que o conhecimento é uma construção coletiva, forjada socio-interativamente na sala de aula, no trabalho, na família e em todas as demais formas de convivência. • Reconhecimento de que a aprendizagem mobiliza afetos, emoções e relações com seus pares, além das cognições e habilidades intelectuais. Fonte: www.portal.mec.gov.br A filosofia educacional prevista por essa organização curricular 19
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação corresponde ao pensamento piagetiano14 do aprender a aprender e a pensar, tendo também fortes influências da pedagogia das Atenção competências. 14 Jean Piaget Ainda segundo o Parecer CNE nº 15/98: “uma organização (1896-1980) foi um famoso psicólogo curricular que responda a esses desafios requer”: e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro • desbastar o currículo enciclopédico, congestionado de informações, priorizando no campo da conhecimentos e competências de tipo geral, que são pré-requisito tanto para a educação infantil. inserção profissional mais precoce quanto para a continuidade de estudos, entre Piaget analisava as quais se destaca a capacidade de continuar aprendendo; as fases de desenvolvimento das crianças, • (re)significar os conteúdos curriculares como meios para constituição de estudando os competências e valores, e não como objetivos do ensino em si mesmos; processos de aprendizagem. • trabalhar as linguagens não apenas como formas de expressão e comunicação Seus estudos mas como constituidoras de significados, conhecimentos e valores; tiveram um grande impacto sobre os campos • adotar estratégias de ensino diversificadas, que mobilizem menos a memória da Psicologia e e mais o raciocínio e outras competências cognitivas superiores, bem como Pedagogia. potencializem a interação entre aluno-professor e aluno-aluno para a permanente negociação dos significados dos conteúdos curriculares, de forma a propiciar formas coletivas de construção do conhecimento; • estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno reconstruir ou “reinventar” o conhecimento didaticamente transposto para a sala de aula, entre eles a experimentação, a execução de projetos, o protagonismo em situações sociais; • organizar os conteúdos de ensino em estudos ou áreas interdisciplinares e projetos que melhor abriguem a visão orgânica do conhecimento e o diálogo permanente entre as diferentes áreas do saber; • tratar os conteúdos de ensino de modo contextualizado, aproveitando sempre as relações entre conteúdos e contexto para dar significado ao aprendido, estimular o protagonismo do aluno e estimulá-lo a ter autonomia intelectual; • lidar com os sentimentos associados às situações de aprendizagem para facilitar a relação do aluno com o conhecimento. Fonte: www.portal.mec.gov.br 20
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Um outro princípio das diretrizes curriculares para o Ensino Médio é a interdisciplinaridade. Essa interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas, além de evitar a diluição dessas. Agrega a si a possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo, pesquisa e ação. O princípio da contextualização Dentre os contextos relevantes indicados pela LDB está o exercício da cidadania. Para isso é indispensável lembrar que o jovem ao cursar o Ensino Médio não parte do “zero”, já traz consigo uma bagagem formada por conceitos adquiridos espontaneamente carregados de afetos e valores resultantes de suas experiências pessoais. Essas experiências anteriores devem ser levadas em consideração e devem ser o ponto inicial para as próximas aprendizagens. Você Sabia? Você sabia que a reformulação do sistema de ensino é uma tendência mundial? Em quase todos os países, o ensino obrigatório foi estendido até os 16 anos. Quando chega ao Ensino Médio, o aluno tem várias opções, tanto para a preparação adequada ao ensino superior, quanto para o exercício imediato das atividades profissionais. Em cada país, a política que estrutura o Ensino Médio apresenta suas peculiaridades, de acordo com as convenções culturais e locais. Como exemplo, no modelo americano, a educação nos Estados Unidos é totalmente descentralizada. Veja o texto a seguir: 21
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação “Os estados, comunidades e escolas têm grande autonomia e proveem quase a totalidade dos recursos para as instituições públicas de Ensino Básico e Médio. Dos US$ 350 bilhões destinados anualmente ao sistema educacional, apenas 6% são do governo federal e esse dinheiro é aplicado na escola primária de áreas carentes. Sem vínculo algum com o governo federal, o Ensino Médio é responsabilidade das comunidades locais, que decidem sobre tudo: currículo, carga horária, educação vocacional, aplicação de provas, salário de professores, etc. O único ponto em comum é a duração do curso- quatro anos”. Fonte: BRASIL. O novo Ensino Médio. 2000. Filmoteca: Cinema em Ação Você já assistiu ao filme “O Sorriso de Monalisa”? Assista-o e faça a relação entre o filme assistido e a discussão que tivemos ao longo do capítulo. Pegue a pipoca e um bom filme! Luzes, câmera, ação! O Sorriso de Mona Lisa Uma professora serve de inspiração para suas alunas, após decidir lutar contra normas conservadoras do colégio em que trabalha. Dirigido por Mike Newell (Donnie Brasco) e com Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles e Marcia Gay Harden no elenco. Sinopse Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém-graduada professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte. Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os desafios da vida. Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/sorriso-de-mona-lisa/sorriso-de-mona-lisa.asp 22
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Atividades e Orientações de Estudo Atividade 1 É hora de praticar o que você estudou neste capítulo. Que tal realizar entrevistas sobre os novos desafios do Ensino Médio. Realize uma entrevista com um aluno do Ensino Médio, focalizando os possíveis questionamentos: 1. Em que escola você está cursando o Ensino Médio? 2. Qual a sua série? 3. Você gosta mais de qual disciplina no currículo do Ensino Médio? 4. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende ingressar em algum curso superior? Qual curso superior? 5. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende realizar algum curso pós-médio profissionalizante? Qual? 6. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso nas universidades? Atividade 2 Agora é a vez de você entrevistar um professor que trabalha no Ensino Médio. Que tal considerar os seguintes questionamentos? 23
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 1. Há quanto tempo você leciona? Há quanto tempo você atua no Ensino Médio? 2. Qual a disciplina que você leciona? 3. Qual a maior dificuldade que você vivencia em seu trabalho no Ensino Médio? 4. Sua escola realiza alguma atividade de orientação vocacional com os alunos do Ensino Médio? 5. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso nas universidades? Após as entrevistas realizadas, publique sua produção no ambiente e socialize suas experiências com outros colegas. Continue lendo e pesquisando mais sobre o assunto. Veja a Webquest a seguir e continue pesquisando sobre o tema. Atenção Webquest: pesquisa em ação 15 Segundo Bernie Doge, WebQuest é Vamos desenvolver uma WebQuest15 sobre o assunto apresentado “uma investigação neste capítulo? orientada na qual algumas ou todas as informações Título da WebQuest: O ensino da tecnologia no nível Médio com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet”. Acesse: WWW.webquest. futuro.usp. br∕artigos∕textos_ bernie.html Introdução Em geral, o Ensino Médio é abordado sob duas perspectivas, como você observou ao longo do capítulo. Seja como ensino 24
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação profissionalizante, atrelado ao mercado profissional, seja no âmbito de uma formação pré-universitária, o fato é que o Ensino Médio é muito importante na etapa final da Educação Básica, já que direciona os educandos para a vida profissional ou acadêmica, de acordo com as demandas sociais. Nesse sentido, o planejamento de aulas e atividades para o Ensino Médio é muito importante para garantir uma educação de qualidade, comprometida com a autonomia dos alunos nessa etapa da formação escolar. A Tarefa Você assumiu a posição de um professor de informática que irá atuar no Ensino Médio. Sua tarefa é planejar uma aula para o Ensino Médio, tendo em vista os princípios norteadores do currículo do Ensino Médio (contextualização e interdisciplinaridade). O Processo Para auxiliar a realização desta atividade, você poderá retomar as entrevistas realizadas com professores e alunos do Ensino Médio, a fim de ter maiores subsídios para planejar a sua aula. Considere as articulações entre teoria e prática, privilegiando uma abordagem contextualizada dos conteúdos propostos. Tente estabelecer alguma conexão com outras áreas do conhecimento (Tecnologia e Artes, Tecnologia e História, Tecnologia e Matemática, etc.). Para realizar essa tarefa, você precisa selecionar um conteúdo a ser trabalhado com os alunos do Ensino Médio. Tente refletir sobre conteúdos interessantes para os alunos, envolvendo, por exemplo, questões, como comunidades virtuais de aprendizagem, inclusão digital, TV digital, TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), Jogos Digitais, entre outros. Para tanto, reflita sobre: 25
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação a) Qual o público-alvo para a aula (alunos do 1º, 2º ou 3º anos do Ensino Médio)? b) Em que local a aula será realizada? (Sala de aula, laboratório, aula-passeio em outro local, etc.?) c) O que você irá abordar? Qual será o conteúdo proposto? d) Qual o objetivo geral da aula? e) Como a aula será realizada? Descreva todas as etapas nas quais a aula será desenvolvida. f) Quais os recursos que você irá utilizar para a realização da aula? g) Como você irá avaliar o aluno em relação aos conteúdos propostos na aula? Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar a sua atividade, tente publicá-la na plataforma do ambiente virtual, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário • As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para subsidiar a produção da atividade. • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual apresentada. Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de planejar atividades para o Ensino Médio, tendo em vista os desafios enfrentados pelos alunos. Se precisar de ajuda para a realização da atividade, você poderá contar com o apoio dos professores/tutores que estarão disponíveis 26
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta de forma eficaz. http://webquest.org/search/index.php http://webquest.sp.senac.br/textos/ref, http://bestwebquests.com/default.asp http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/ Vamos participar de um fórum de discussão? Vamos continuar refletindo sobre o assunto em um fórum temático de discussão. Tente refletir sobre as questões abaixo e depois poste seus comentários no fórum de discussão. Lembre-se: sua participação é fundamental para o sucesso na disciplina. Participe! • Reflita sobre o contexto atual e as novas exigências para o Ensino Médio. • A LDB e as DCNEM conseguem nortear adequadamente esse nível de ensino? • O Ensino Médio tem servido mais para preparar para o mercado de trabalho ou para o ensino superior? Com base em tais questionamentos, reflita, pesquise sobre o assunto, elabore um texto-síntese e envie sua produção textual para o fórum de discussão. 27
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Vamos Revisar? É hora de continuar aprendendo. Releia o capítulo, revise os conteúdos propostos e se ainda tiver dúvidas procure ajuda dos professores/tutores que estarão acompanhando seus percursos de aprendizagem. É hora da revisão. Vamos lá? Resumo Neste capítulo, contextualizamos a demanda atual para o Ensino Médio. A dualidade que existe entre o ensino propedêutico que prepara para o nível superior e o ensino profissionalizante que prepara apenas para o mercado de trabalho. Realizou-se uma discussão sobre os princípios que norteiam esse nível de ensino, através de um estudo sobre o DCNEM. Você observou, também, alguns dos princípios que norteiam as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio como: identidade, diversidade, autonomia, interdisciplinaridade e contextualização. 28
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Capítulo 2 – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +) Vamos conversar sobre o assunto? Você sabia que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN) foram publicados no final da década de 90, visando à reformulação curricular do Ensino Médio? Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio tiveram o papel de difundir a reforma curricular do Ensino Médio, fornecendo subsídios e orientações para o professor reavaliar posturas e práticas metodológicas. Após a publicação dos PCN, outros documentos foram divulgados, como, por exemplo, os PCN+, ou melhor, as orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Além disso, em 2006, foram publicadas as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, em três volumes, contemplando as três grandes áreas do Ensino Médio. Vamos discutir um pouco sobre os PCN do Ensino Médio? Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN) Como forma de superar a fragmentação curricular e o ensino descontextualizado, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio foram publicados em 1999, visando revisitar orientações didático-pedagógicas para diferentes áreas do conhecimento. Você lembra as áreas do Ensino Médio que vimos no capítulo anterior? Quais são? Acertou quem disse: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e sua Tecnologias. Os PCN do Ensino Médio abordam conjuntos de competências e habilidades, considerando os seguintes eixos: 29
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação 1. Representação e Comunicação 2. Investigação e Compreensão 3. Contextualização Sociocultural Atenção Para cada um desses eixos, são descritas competências e 16 habilidades16, considerando as três grandes áreas do Ensino Médio. • Habilidades: mobilizam apenas (Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas saberes limitados, Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e sua Tecnologias). em geral do tipo procedimental. • Competências: exploram saberes vastos e explícitos, incluem possibilidades de abstração, de generalização, permitem construir uma resposta adaptada sem extraí-la de um repertório de respostas pré- programadas. • “Competência A proposta do Ensino Médio está voltada para alguns princípios é a capacidade estruturadores, como, por exemplo, a contextualização e a de mobilizar conhecimentos, interdisciplinaridade, os quais aprofundaremos a seguir. valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada O que é Interdisciplinaridade? situação”. (Guiomar Namo de Você já deve ter ouvido falar muito a respeito da importância de Mello). se ampliar a discussão sobre a interdisciplinaridade na escola. De fato, muitas discussões teóricas existem sobre esse tema, mas será que, na prática escolar, a interdisciplinaridade é vivenciada de modo eficaz? Antes de tentarmos encontrar respostas para tal questionamento, vamos refletir sobre a noção de interdisciplinaridade. Pense um pouco sobre o tema. Pensou? Então, tente responder: O que é interdisciplinaridade? Não é tão fácil chegar a uma única resposta diante de um tema tão amplo, não é verdade? Então, vamos ajudar você nessas reflexões iniciais. Vamos lá? 30
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Rumo à Interdisciplinaridade No contexto atual da educação, a interdisciplinaridade é frequentemente debatida e muitos estudiosos tentam uma sistematização sobre esse conceito, visando facilitar a prática pedagógica do professor. Atenção Muitas vezes confundida como adoção de um único método de trabalho por várias disciplinas, ou ainda como justaposição de 17 Quando usamos conteúdos, a interdisciplinaridade precisa ser melhor compreendida, essa expressão, estamos pensando tendo-se em vista não apenas uma reflexão de cunho puramente na articulação teórico, mas também visando à aplicação pragmática17 no espaço da teoria e prática. sala de aula. Só a partir disso é que a prática interdisciplinar será efetivamente realizada, podendo funcionar como subsídio ao trabalho pedagógico dos professores sensíveis à importância da articulação do conhecimento no atual mundo globalizado. Assim, torna-se importante refletir sobre o que seja a Atenção interdisciplinaridade no atual contexto das discussões teóricas. Veja a citação de Luck18 (1994, p. 64): 18 Heloísa Luck escreveu o livro Pedagogia “Interdisciplinaridade é o processo que envolve a integração e engajamento de Interdisciplinar, educadores, num trabalho conjunto, de interação das disciplinas do currículo uma publicação escolar entre si e com a realidade, de modo a superar a fragmentação do ensino, da editora Vozes. Este livro é bem objetivando a formação dos alunos, a fim de que possam exercer criticamente a interessante e cidadania, mediante uma visão global de mundo e serem capazes de enfrentar apresenta uma os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual”. visão geral sobre conceitos referentes à Mesmo com os avanços que a educação sofre atualmente, pode- pedagogia se dizer que o conhecimento trabalhado por certas escolas ainda é interdisciplinar. Trata-se de um estanque, fragmentado e, muitas vezes, não mantém uma relação direta convite à reflexão sobre nossa com a realidade social dos alunos. Então, surge a interdisciplinaridade prática pedagógica como uma alternativa para superar a fragmentação do ensino. em sintonia com uma abordagem interdisciplinar. 31
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Nesse sentido, a interdisciplinaridade apresenta-se como estratégia para a superação dessa fragmentação, pois visa à articulação de conteúdos de diversas áreas na busca de uma sistematização global do ensino. A prática da interdisciplinaridade no contexto da escola: “Implica na vivência do espírito de parceria, de integração entre teoria e prática, conteúdo e realidade, objetividade e subjetividade, ensino e avaliação, meios e fim, tempo e espaço, professora e aluno, reflexão e ação, dentre múltiplos fatores integrantes do processo pedagógico”. (LUCK, 1994, p. 34) Uma prática docente interdisciplinar é, antes de tudo, um movimento dialético que revê o velho para torná-lo novo, ou seja, dialoga com as nossas próprias produções e experiências para extrair novos pontos que ainda não se revelaram. O professor que se envolve com a interdisciplinaridade é aquele que está inquieto com sua prática e por isso tenta revê-la, questioná- la e reavaliá-la, levantando suas inquietações a outros professores, procurando parceiros para dividir suas dúvidas. Nesse sentido, o professor engajado busca sempre algo novo e sua postura é diferenciada, já que tem coragem de ousar novas técnicas e procedimentos de ensino, analisando-os e adequando-os convenientemente. Essa postura do professor exige o rompimento com a acomodação e a superação de vários entraves, de ordem social, econômica, política, institucional, entre outros. Ainda retomando as palavras de Luck (1994: 60): “O objetivo da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade, ao mesmo tempo resgatando a centralidade do homem na realidade e na produção do conhecimento, de modo a permitir ao mesmo tempo uma melhor compreensão da realidade e do homem como o ser determinante e determinado”. 32
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Você já deve ter percebido que a noção de interdisciplinaridade articula-se ao contexto de globalização em que estamos inseridos, momento marcado pelas revoluções tecnológicas e pela necessidade de construção de conhecimentos cada vez mais articulados. Nesse cenário, torna-se fundamental a articulação do conhecimento que não pode ser construído de forma isolada, uma vez que as fronteiras entre diferentes áreas estão cada vez mais tênues. É preciso que a interdisciplinaridade seja trabalhada nesse processo de construção global do conhecimento, pois os alunos devem desenvolver competências interligadas ao fenômeno da globalização, o qual repercute social, política, economicamente, como também na área educacional. No cenário do mundo globalizado e tecnológico, os conceitos de interdisciplinaridade, transversalidade e contextualização tornam-se recorrentes no debate sobre a educação. Iremos analisar as conexões entre esses conceitos na próxima seção. Interdisciplinaridade, Transversalidade e Contextualização: Múltiplas Conexões no Contexto do Ensino Médio A interdisciplinaridade e a contextualização devem ser compreendidas como dois eixos fundamentais nessa nova proposta do Ensino Médio, partindo do pressuposto segundo o qual a construção do conhecimento deve ser articulada de modo global, permitindo um diálogo constante com outros tipos de conhecimentos. Você já parou para pensar no currículo do Ensino Médio, considerando a realidade educacional da escola brasileira? Ainda não? Então, é bom começar a entrar nesse debate, tentando refletir sobre as orientações curriculares para o Ensino Médio. Vamos então iniciar o debate? 33
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação O currículo do Ensino Médio deve estar centrado em alguns eixos norteadores, tais como: a interdisciplinaridade, a transversalidade e a contextualização. Vamos refletir um pouco sobre tais conceitos? Devemos compreender a interdisciplinaridade não apenas como mera justaposição de conhecimentos de diversas áreas do saber, mas sim como processo dinâmico em que há interação efetiva das diversas disciplinas orientadas sob um objetivo comum. Nessa perspectiva, a prática pedagógica interdisciplinar é capaz de promover a integração entre o conhecimento teórico instituído pela escola e a experiência cotidiana do aluno. Em outros termos, o aluno pode, assim, compreender a teoria numa situação pragmática, percebendo que a escola não está isolada de sua realidade histórico-social. O princípio da contextualização, diretamente ligado ao da interdisciplinaridade, prega que o conhecimento precisa ser contextualizado, a fim de que o aluno não assuma o papel de mero espectador no espaço escolar, mas sim compreenda a aplicabilidade da teoria no contexto prático do dia-a-dia. Essa relação entre teoria e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares em situações didáticas mais próximas da realidade do aluno. Você já conheceu o conceito de interdisciplinaridade na seção anterior, agora vamos enfatizar as relações entre tal conceito e as noções de transversalidade e contextualização. Vamos aprender a aprender? Transversalidade: Abordagem de Questões Sociais na Escola Para as orientações curriculares do Ensino Fundamental, os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) sugerem o tratamento transversal de temáticas sociais na escola, como forma de contemplá-las na sua complexidade, sem restringi-las à abordagem de uma única área. Esse debate sobre a transversalidade também pode ser levado ao contexto do Ensino Médio, visando à motivação do aluno em relação às reflexões sobre temas da atualidade que podem ser trabalhados de modo transversal. É importante ressaltar que os temas transversais não se constituem em novas áreas do conhecimento, mas num conjunto de temas que aparecem transversalizados, permeando a concepção das diferentes 34
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação áreas, seus objetivos, conteúdos e orientações didáticas. Os PCN19 sugerem os seguintes temas transversais que poderiam Lembrete ser abordados na escola: 19 Estamos Ética retomando a proposta dos PCN A proposta dos PCN é que a ética ― expressa na construção dos princípios para o ensino fundamental de respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade ― seja uma reflexão sobre (3º e 4º ciclos), as diversas atuações humanas e que a escola considere o convívio escolar considerando o como base para sua aprendizagem. No convívio escolar, o aluno pode aprender volume sobre os a resolver conflitos em situações de diálogo, pode aprender a ser solidário ao temas transversais, ajudar e ser ajudado, pode aprender a ser democrático quando tem oportunidade publicado em 1998 de dizer o que pensa, submeter suas idéias ao juízo dos demais e saber ouvir as pelo MEC. ideias dos outros. Saúde A formação do aluno para o exercício da cidadania compreende a motivação e a capacitação para ao autocuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social. 35
  • 201.
    Estrutura e Funcionamentoda Educação Orientação sexual A proposta dos PCN é que a escola trate a sexualidade como algo fundamental na vida das pessoas, questão ampla e polêmica, marcada pela história, pela cultura e pela evolução social. A escola deve ter por objetivo transmitir informações e problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças, tabus e valores a ela associados, sem invadir a intimidade nem direcionar o comportamento dos alunos. Meio ambiente É função da escola contribuir para a formação do aluno-cidadão consciente, apto a decidir e a atuar na realidade socioambiental de modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso, a escola deve não apenas transmitir informação sobre o meio ambiente, mas desenvolver atitudes e projetos de conscientização sobre a necessidade de preservação das riquezas naturais que ainda existem no planeta. Trabalho e consumo Esse tema considera questões centrais que envolvem direitos já formulados em lei e que são objetos de mobilização social para se concretizarem: a erradicação do trabalho infantil, a mobilização contra discriminações de gênero, de raça e idade nas relações de trabalho, a defesa dos direitos especiais dos portadores de deficiências e a defesa dos direitos dos consumidores. 36
  • 202.
    Estrutura e Funcionamentoda Educação Pluralidade cultural Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Essa diversidade é alvo de preconceitos e discriminação, atingindo a escola e reproduzindo-se em seu interior. A escola deve ser local da aprendizagem, garantindo a igualdade, do ponto de vista da cidadania, e ao mesmo tempo a diversidade, como direito. Como você pode observar, a transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade). A transversalidade promove uma compreensão abrangente dos diferentes objetos de conhecimento, bem como a percepção da implicação do sujeito na sua própria construção do conhecimento, superando a dicotomia entre ambos. Assim, a transversalidade abre espaço para a inclusão dos saberes extra-escolares, possibilitando a referência a sistemas de significado construídos com base na realidade dos alunos. Contextualização: teoria na prática O princípio da contextualização integra-se ao aprender a fazer, ou seja, não basta apenas ensinar o aluno, transmitindo-lhe conhecimento e restringindo a sua participação a uma atitude de mero espectador passivo. Assim, o conhecimento precisa ser contextualizado, porque essa é a alternativa para a escola tirar o aluno da condição de espectador passivo. Por exemplo, se o aluno derruba um objeto, ascende uma lâmpada, cai dentro do ônibus em função de uma freada brusca, enfim, se o aluno vivencia situações corriqueiras, certamente ele deverá perceber que existe uma integração entre os conteúdos propostos pela escola e as experiências vividas nas mais diversas situações. 37
  • 203.
    Estrutura e Funcionamentoda Educação A contextualização é importante para tornar as aprendizagens mais significativas, despertando a curiosidade dos alunos e o interesse pelas questões apresentadas no âmbito da escola. Atividades e Orientações de Estudo Leia o texto a seguir: A teoria na prática O conhecimento precisa ser contextualizado, porque esse é o recurso que a escola tem para tirar o aluno da condição de espectador passivo. Não basta ao aluno conhecer o funcionamento dos aparelhos do organismo humano. Ele precisa entender como funciona seu próprio corpo e que consequências têm atitudes práticas que adota em seu dia-a-dia, como fazer dieta, fumar ou exercer sua sexualidade. A conselheira Guiomar Namo de Mello cita exemplos da contextualização pretendida: o jovem do novo ensino médio que surfa nas ondas deverá saber relacionar seu equilíbrio e seus movimentos às leis da física. Ou entender como funciona um telefone celular, ou ainda saber estabelecer a relação entre o tamanho de um ambiente e a potência em BTUs do aparelho de ar condicionado que deve comprar. Enfim, saber exercer a cidadania a partir do seu currículo de convivência cotidiana. Outro eixo norteador ― a interdisciplinaridade― pretende fazer o aluno entender que conhecimento não é algo estanque e só o estabelecimento de padrões torna possível a convivência social. Como explica Ruy Berger: “Podemos começar na área de ciências sociais, com os conceitos de grupo social, de blocos regionais e outros, até bater na matemática, com suas medidas padronizadas, e na língua portuguesa, com as regras de ortografia. Fica mais fácil para o aluno estudar se ele entender que a relação social precisa de um código de normas convencionadas.” A partir desses dois princípios estruturadores do currículo ― interdisciplinaridade e contextualização ― será possível vincular a educação ao mundo do trabalho e à prática social, de maneira que o aluno seja capaz de continuar aprendendo, de ter autonomia intelectual e pensamento crítico e de compreender os fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos. Para que o aluno aprenda a pensar e a relacionar o conhecimento com dados da experiência cotidiana, o currículo precisa, em primeiro lugar, perder ser caráter enciclopédico e congestionado de informações. Os conteúdos devem ser entendidos como meios para a constituição de competências e valores e não como objetivos do ensino em si mesmos. A memória deve ser menos trabalhada do que o raciocínio. O conhecimento deve ser “experimentado” pelo aluno, e não apenas recebido por ele. Durante o curso, o aluno deve adquirir abertura e sensibilidade para identificar as relações que existem entre os conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem com os contextos de vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o objeto do conhecimento. Em resumo: o ensino médio deverá ser capaz de constituir competências, habilidades e disposições de condutas e não simplesmente “entupir”o aluno de informação. Fonte: BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999. 38
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Vamos participar de um fórum de discussão? Após a leitura do texto, vamos refletir sobre a interdisciplinaridade a contextualização como dois eixos norteadores do Ensino Médio. Participe de um fórum temático de discussão, abordando a importância de a escola trabalhar os conteúdos de forma contextualizada. Reflita sobre o ensino da informática no nível Médio. De que forma o ensino da informática, por exemplo, poderia ser realizado de forma contextualizada e interdisciplinar? Você poderia pensar em uma estratégia para o ensino da informática no nível médio, considerando os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade? Que tal colocar suas ideias no fórum temático de discussão? De precisar de ajuda, consulte os tutores e os professores que estarão acompanhando seus percursos de aprendizagem. Vamos lá! Vamos ampliar nossas reflexões sobre o tema. Vamos Revisar? Vamos resumir o assunto deste capítulo por meio de esquemas sobre os conceitos de interdisciplinaridade, transversalidade e contextualização. Agora, é hora de rever o assunto e verificar se ainda existe alguma dúvida. Bons estudos! 39
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Interdisciplinaridade • Processo de integração e engajamento dos educadores num trabalho conjunto • Integração das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade • Superação da fragmentação do ensino • Visão global: construção do conhecimento crítico • Processo dialógico e dialético Transversalidade • Possibilidade de estabelecer na prática educativa uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida cotidiana (aprender na realidade). • Os temas transversais (ética, pluralidade cultural, meio ambiente, orientação sexual, saúde) não devem ser trabalhados como novas áreas ou novas disciplinas. Eles pressupõem uma prática pedagógica integrada, promovendo o diálogo interdisciplinar entre as diferentes áreas. • A transversalidade traz a necessidade de a escola atuar de forma crítica na educação de valores e atitudes em todas as áreas, influenciando a construção da concepção de cidadania dos alunos. Interdisciplinaridade e Transversalidade • Fundamentam-se na crítica de uma concepção de conhecimento que toma a realidade como um conjunto de dados estáveis. • Ambas apontam para a complexidade do real e a necessidade de se considerar a teia de relações entre os seus diferentes e contraditórios aspectos. • A transversalidade só faz sentido dentro de uma concepção interdisciplinar do conhecimento (BUSQUETS, 1998.) 40
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Referências BRASIL. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: introdução. Brasília: MEC/SEF, 1998. p.65-69. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais e Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, Brasília: MEC /SEMTEC, 2002. BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, v. 02. Brasília: MEC, 2006. FAZENDA, Ivani C. Arantes. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. São Paulo: Papirus, 1994. KLEIMAN, A.; MORAES, S. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 1999. KUENZER. Acácia Z. Ensino Médio: construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000. LÜCK, Heloísa. Pedagogia interdisciplinar. Rio de janeiro: Vozes, 1994. ZABALA. Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. http://portal.mec.gov.br 41
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/res0398.pdf http://www.crmariocovas.sp.gov.br/enm_a.php http://www2.funedi.edu.br/revista/revista-eletronica1/Artigo1. htm Resolução CEB nº 3, de 26 de junho de 1998 http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/resolucaoCEB3. htm Acesso: 03 jun 2009 PARECER CEB 15/98 aprovado em 1/6/98 http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/parecerCEB15.htm Acesso: 03 jun 2009 42
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Considerações Finais Olá, Cursista! Esperamos que você tenha aproveitado bem os assuntos abordados na disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Ao longo desta disciplina, você percebeu a importância de ampliar as reflexões sobre a educação, reconhecendo a legislação educacional como ferramenta primordial no debate para as reformulações curriculares acerca das diferentes modalidades de ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior). Estudamos um breve histórico da organização educacional no Brasil, considerando as diferentes fases históricas da educação e suas respectivas representações nas diversas constituições brasileiras. Além disso, vimos a importância da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 no cenário da educação brasileira, percebendo os diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. Outro aspecto abordado considerou os profissionais da educação e os recursos financeiros destinados à educação, focalizando o Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação. Por fim, como você observou, neste quarto e último módulo, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +), considerando os princípios orientadores do Ensino Médio, tais como: a interdisciplinaridade e a contextualização. Sentimos imenso prazer ao acompanhar seus percursos ao longo das atividades e experiências propostas nesta disciplina. Esperamos ter contribuído para a ampliação de seus conhecimentos acerca da educação brasileira. Aguardamos sua participação em novas experiências virtuais de aprendizagem. Até lá e bons estudos! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras 43
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Conheça as Autoras Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. 44
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    Estrutura e Funcionamentoda Educação Roseane Nascimento Olá, Cursistas! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental. 45